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Aula 03 - As abordagens de sistemas em geomorfolofia e os sistesmas geomorfologicos

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Aula 03 - A abordagem de sistemas em geomorfologia e os sistemas geomorfológicos
Objetivos
Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:
1. reconhecer as principais características da abordagem sistêmica na geomorfologia e suas aplicações para a avaliação dos processos geomorfológicos e das formas de relevo presentes nas áreas continentais;
2. identificar os diferentes tipos de sistemas (morfológico, sequência, processos resposta) e sua relevância para a compreensão da dinâmica de funcionamento dos sistemas geomorfológicos;
3. compreender a importância dos sistemas controlados e dos mecanismos de ajuste nos sistemas geomorfológicos frente aos processos de ocupação humana.
Introdução
os sistemas geomorfológicos são, de maneira geral, sistemas abertos, com trocas constantes de energia e matéria com outros sistemas.
A abordagem sistêmica permite uma análise integrada dos vários elementos que compõem os sistemas geomorfológicos e suas relações de interdependência.
Veremos, nesta aula, os diferentes tipos de sistema que se aplicam à geomorfologia e também as respostas sistêmicas dos processos e das formas às intervenções humanas na paisagem. Qual o comportamento de uma encosta, de um rio ou mesmo de uma bacia hidrográfica quando o homem promove mudanças em função de suas atividades?
Esperamos que, após esta aula, você seja capaz de responder a essas e outras questões relacionadas ao comportamento dos sistemas geomorfológicos, especialmente aqueles em que a presença humana modificou sua dinâmica natural.
A abordagem sistêmica na geomorfologia continental
Entende-se, portanto, que o modelado das formas do relevo é condicionado por um conjunto de processos geomorfológicos que atuam sobre os materiais presentes na superfície terrestre e são resultantes da ação combinada da dinâmica externa, relacionada às condições climáticas, e das forças internas de origem geotectônica.
a partir da década de 60,
uma abordagem sistêmica na geomorfologia, utilizando conceitos advindos da Teoria Geral dos Sistemas e aplicando o conceito de Equilíbrio Dinâmico proposto por Hack (1960).
As primeiras aplicações da abordagem sistêmica na geomorfologia fluvial permitiram um entendimento dos mecanismos de ajustes entre os distintos componentes do sistema fluvial. Dessa maneira, foram estabelecidas por Chorley (1962) as relações entre largura, declividade e profundidade dos canais e as resultantes dessas interações para as características hidrológicas do fluxo fluvial.
Surge então uma nova possibilidade de tratamento metodológico para as questões relacionadas à erosão, transporte e deposição de sedimentos pelo escoamento da água dos rios e, logo em seguida essa abordagem sistêmica das questões geomorfológicas é aplicada na investigação da dinâmica geomorfológica das encostas, da rede de drenagem e das bacias hidrográficas.
O entendimento de que os vários componentes dos sistemas geomorfológicos encontram-se num contínuo processo interativo, e de que as modificações advindas de flutuações nos fluxos de energia e matéria no sistema se propagam a partir de mecanismos de retroalimentação, permitiu a avaliação quantitativa de diversos processos geomorfológicos, alimentando modelos interpretativos da dinâmica evolutiva do relevo em distintas condições climáticas e litoestruturais.
As condições litoestruturais são relativas aos tipos de rochas (litologia) e às estruturas geológicas (fraturas, falhas e dobras). Quando relacionamos esses dois aspectos do substrato geológico, podemos entender suas relações com os processos de modelagem do relevo, pois essas características influenciam os processos de intemperismo, erosão e deposição.
Como na modelagem do relevo em áreas continentais temos a ação da dinâmica climática, que promove a meteorização das rochas e afeta os processos de intemperismo, erosão e deposição, sobre distintas condições litoestruturais do embasamento geológico, a adoção da abordagem sistêmica tornou-se fundamental para possibilitar uma análise integrada dos condicionantes da evolução do relevo.
Portanto, para o entendimento dos processos geomorfológicos relacionados à dinâmica das vertentes e canais fluviais, dos processos de dissecação promovida pela rede de drenagem e da dinâmica hidrológica, erosiva e deposicional dos rios e das encostas, torna-se fundamental a interpretação das interações sistêmicas entre os distintos componentes dos sistemas geomorfológicos continentais, quer sejam eles relacionados à dinâmica interna ou aos fatores climáticos.
As características dos sistemas geomorfológicos
Os sistemas geomorfológicos estão inseridos em um universo, pois não atuam de maneira isolada, fazendo parte de conjuntos maiores e possuindo em seu interior subsistemas ou elementos que o compõem.
um rio pode ser visto como um elemento (ou subsistema) da bacia hidrográfica e, ao mesmo tempo, pode ser visto como um sistema particular composto por vários elementos. Nos sistemas geomorfológicos, temos a articulação entre vários subsistemas relacionados aos aspectos geológicos, climáticos, biológicos e antrópicos que interagem na sua composição. A composição de um sistema pode ser identificada pela relação entre matéria, energia e estrutura.
Universo - Definido como o conjunto de todos os fenômenos que influenciam o sistema, bem como todos aqueles que são afetados por ele.
Matéria - Corresponde ao material mobilizado pelo sistema, através das entradas e saídas relacionadas às interações sistêmicas entre os elementos que o formam.
Energia - Definida como sendo a força responsável pela mobilização dos materiais pelo sistema, podendo ser dividida em energia cinética e energia potencial.
Estrutura - Formada pelos elementos constituintes do sistema e as formas de interação entre eles, envolvendo o tamanho, a correlação e a causalidade. O tamanho refere-se ao número de elementos (ou variáveis) que formam o sistema.
A correlação expressa a forma de relação entre os elementos do sistema e a causalidade estabelece as relações de interdependência entre os elementos.
Segundo a Teoria Geral dos Sistemas, na natureza, eles podem ser divididos em sistemas isolados e não isolados, sendo que os isolados, dadas as condições iniciais, não apresentam mais trocas de energia, nem de matéria com outros sistemas. 
Esses sistemas isolados são raros na natureza e dificilmente observados nos sistemas focalizados pela geomorfologia. 
Os sistemas não isolados (aqueles que apresentam trocas com outros sistemas) são os mais comuns e podem ser divididos em sistemas fechados e sistemas abertos.
Os sistemas não isolados fechados apresentam:
1 - Trocas de energia, mas não de matéria, com os outros sistemas que compõem o seu universo. 
Um bom exemplo de um sistema não isolado fechado é o ciclo hidrológico, pois a matéria – no caso, a água –, não sai do sistema, apenas circula internamente entre seus subsistemas terrestres e atmosféricos. No entanto, a energia que movimenta o ciclo é proveniente de um outro sistema, no caso, o sistema solar, que emite radiações que transferem energia para o sistema hidrológico terrestre. Portanto, o sistema do ciclo hidrológico apresenta trocas de energia com outros sistemas, mas não de matéria, pois a água circula internamente no sistema.
Já os sistemas não isolados abertos apresentam:
1 - trocas de energia e matéria com outros sistemas e são observados com maior frequência na abordagem geomorfológica.
Os sistemas não isolados abertos são os mais comuns na natureza, apresentando trocas constantes de energia e matéria com outros sistemas. Numa bacia hidrográfica, por exemplo, a matéria entra no sistema pela precipitação (que é a água da chuva fornecida pelo sistema atmosférico) e sai na forma de vazão fluvial na foz do rio principal da bacia, direcionando-se para outra bacia hidrográfica ou algum sistema costeiro. Portanto, a água, matéria que circula no sistema, está constantemente sendo trocada com outros sistemas que configuram suas entradas e saídas.
A mesma abordagem pode ser utilizada para a análise