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Imunoglobulina G ✓ A IgG é produzida por plasmócitos no baço, linfonodos e medula óssea. ✓ É a imunoglobulina encontrada em maior concentração no sangue, exercendo um papel fundamental na resposta imune mediada por anticorpos. ✓ O peso molecular da IgG é de aproximadamente 180 kDa; a molécula apresenta estrutura típica de BCR, contendo duas cadeias leves idênticas e duas cadeias pesadas γ idênticas (Fig. 16-3). As cadeias leves podem ser do tipo κ ou λ. ✓ Por ser a menor das imunoglobulinas, a IgG pode migrar mais facilmente dos vasos sanguíneos do que outros isótipos. Esta característica é de extrema importância durante inflamações, pois o aumento da permeabilidade vascular permite que a IgG participe da defesa de tecidos e de mucosas. ✓ A IgG liga-se a antígenos específicos, como os encontrados na superfície de bactérias. A ligação de anticorpos nas superfícies bacterianas pode provocar aglutinação e opsonização. ✓ Os anticorpos IgG ativam a via clássica do sistema complemento apenas quando há um número suficiente de moléculas agrupadas ao antígeno e na configuração adequada. Estrutura da IgG. Imunoglobulina M ✓ A IgM também é produzida por plasmócitos em órgãos linfoides secundários. ✓ É a segunda imunoglobulina mais concentrada no soro, depois da IgG, na maioria dos mamíferos. ✓ Quando ligada à superfície de linfócitos B, a IgM atua como BCR, composto por um monômero de 180 kDa. No entanto, a forma secretada de IgM é composta por cinco (eventualmente seis) subunidades de 180 kDa ligadas entre si em forma circular por pontes dissulfeto. Assim, seu peso molecular totaliza 900 kDa. ✓ Um pequeno polipeptídeo denominado cadeia J (de 15 kDa) une duas das unidades para formar o círculo. Cada monômero de IgM apresenta uma estrutura convencional de imunoglobulina e, assim, é composto por duas cadeias leves, κ ou λ, e duas cadeias pesadas do tipo µ. As cadeias µ diferem das cadeias γ pela presença adicional de um quarto domínio constante (CH4), bem como adição de um segmento de 20 aminoácidos na região C-terminal, porém não apresentam região de dobradiça. ✓ O sítio de ativação do sistema complemento da IgM está localizado no domínio CH4. A estrutura da IgM. O diagrama mostra a estrutura pentamérica com cinco subunidades, a forma mais abundante desta molécula. Algumas moléculas de IgM podem conter 6 subunidades. Ampliação original de 240.000x. ✓ A IgM é a principal imunoglobulina produzida durante a resposta imune primária. Quantidades relativas de cada classe de imunoglobulina produzida durante as respostas imunes primárias e secundárias. Note que a IgM é predominante na resposta imune primária, enquanto a IgG o é em uma resposta tardia. ✓ Ela também pode ser produzida em respostas secundárias, porém tende a ser subestimada pela predominância de IgG. ✓ Embora produzida em pequenas quantidades, a IgM é mais eficiente (em base molar) do que a IgG para a ativação do sistema complemento, opsonização, neutralização viral e aglutinação. ✓ Devido ao seu grande tamanho, as moléculas de IgM raramente entram nos fluidos teciduais, mesmo quando há sítios de inflamação aguda. Imunoglobulina A ✓ A IgA é secretada por plasmócitos localizados nas mucosas e produzida nas paredes do intestino, trato respiratório, sistema urinário, pele e glândulas mamárias. ✓ Sua concentração sérica, na maioria dos mamíferos, é geralmente menor do que a da IgM. ✓ Os monômeros de IgA apresentam peso molecular de 150 kDa, embora a imunoglobulina seja normalmente secretada na forma de dímeros. ✓ Cada monômero de IgA é composto por duas cadeias leves e duas cadeias pesadas α formadas por três domínios constantes. ✓ A formação da IgA dimérica ocorre pela união de duas moléculas por uma cadeia J. Polímeros de maior tamanho são ocasionalmente encontrados no soro. Estrutura da IgA e da S-IgA. O componente secretor é composto por cinco domínios de imunoglobulina ligados. Ele é encontrado na superfície de certas células epiteliais, onde age como um receptor para as imunoglobulinas poliméricas (pIgR). Pode ainda ligar-se à IgM. ✓ A IgA produzida em mucosas é transportada pelas células epiteliais para secreções externas. ✓ A maior parte de IgA produzida na parede intestinal, por exemplo, é carreada para o fluido intestinal. O transporte ocorre mediante a ligação de IgA ao receptor para imunoglobulina polimérica (plgR), ou componente secretor, presente em células epiteliais intestinais. ✓ O componente secretor se liga a dímeros de IgA, formando uma molécula complexa, chamada IgA secretora (S-IgA), e protegendo-a contra a degradação por proteases intestinais. ✓ A IgA secretora é a principal imunoglobulina presente nas secreções externas de animais não ruminantes. Ela é fundamental na proteção contra a invasão microbiana aos tratos intestinal, respiratório e urogenital, de glândulas mamárias e olhos. ✓ A IgA não ativa a via clássica do sistema complemento nem pode atuar como opsonina, entretanto pode aglutinar antígenos particulados e neutralizar vírus. ✓ Além disso, impede a aderência de micróbios invasores às mucosas. Imunoglobulina E ✓ A IgE, assim como a IgA, é produzida principalmente por plasmócitos presentes em mucosas. ✓ Apresenta formato de “Y” típico das imunoglobulinas, composta por quatro cadeias, com quatro domínios constantes nas cadeias pesadas e peso molecular de 190 kDa. ✓ A IgE, entretanto, está presente no soro em concentrações extremamente baixas. Por este motivo, sua função não pode compreender, simplesmente, a ligação e o revestimento de antígenos, como outras imunoglobulinas. ✓ A IgE desencadeia inflamação aguda, atuando como uma molécula sinalizadora. Assim, moléculas de IgE ligam-se fortemente aos receptores de alta afinidade para IgE (Fc RI) de mastócitos e basófilos. ✓ Quando a IgE é ligada ao antígeno, ocorre uma rápida liberação de moléculas inflamatórias pelos mastócitos. A inflamação aguda resultante aumenta as defesas no local onde esta ocorre e ajuda a eliminar o antígeno. ✓ A IgE medeia reações de hipersensibilidade do tipo I, é responsável por parte da imunidade contra helmintos e tem a meia-vida mais curta de todas as imunoglobulinas (dois a três dias), sendo facilmente destruída quando tratada com calor brando. Estrutura da IgE. Note a presença de quatro domínios constantes e de uma dobradiça na cadeia pesada. Imunoglobulina D ✓ A IgD está presente em equinos, bovinos, ovinos, suínos, cães, roedores e primatas, porém ainda não foi detectada em coelhos ou em gatos. ✓ Ela também foi identificada em diversos peixes ósseos (peixe-gato, linguado, halibute, carpa, salmão, truta arco-íris, fugu, peixe-zebra e bacalhau), mas não foi encontrado em galinhas. ✓ A IgD é um BCR encontrado principalmente ligado aos linfócitos B, e apenas uma pequena quantidade da molécula é secretada no sangue. ✓ As moléculas de IgD são compostas por duas cadeias pesadas δ e duas cadeias leves. ✓ Diferente das demais classes de imunoglobulinas, a IgD é evolutivamente instável e apresenta muitas variações em sua estrutura. Por exemplo, a de camundongos não possui domínio Cδ2, apresentando apenas dois domínios constantes em suas cadeias pesadas e peso molecular de cerca de 170 kDa. ✓ Em contrapartida, a IgD de cavalos, bois, ovelhas, cães, macacos e humanos possui três domínios constantes de cadeia pesada e uma região de dobradiça muito longa codificada por dois éxons. ✓ A IgD de suínos apresenta uma região de dobradiça curta, codificada por um único éxon. ✓ Em bovinos, ovinos e suínos, mas não em equinos ou cães, o domínio Cδ1 é quase idêntico ao domínio da Cµ1 da IgM. Os demais domínios constantes são totalmente distintos. Em camundongos,dois domínios da região constante (Cδ1 e Cδ3) são separados por uma região de dobradiça longa e bastante exposta. Devido a esta característica e ao fato de não apresentarem pontes dissulfeto intercadeias, a IgD de camundongos está mais suscetível à degradação por proteases e não pode ser detectada no soro, embora o seja no plasma. ✓ Assim como a IgE, a IgD é destruída em tratamento com calor brando. Estrutura da IgD em camundongos e outros mamíferos. Note que a região da dobradiça na IgD murina é longa e exposta, o que torna a molécula muito instável. A estrutura do gene da IgD difere muito entre os mamíferos. Este diagrama mostra a organização dos éxons das cadeias pesadas de IgD em diferentes espécies. Nenhuma outra classe de imunoglobulina mostra essa variação, e seu significado é desconhecido. ✓ A função até agora desconhecida da IgD desafia explicações. Entretanto, a ocorrência da mudança de classe de IgM para IgD foi descrita na mucosa do trato respiratório superior de humanos. ✓ Assim ocorre a geração de plasmócitos produtores de IgD que reagem com bactérias presentes nas vias aéreas. Esta IgD circulante liga-se a basófilos induzindo a produção de catelicidinas, IL-1, IL-4 e fator de ativação de linfócitos B (BAFF). ✓ Em humanos, a IgD conduz um sistema de defesa de interface entre as imunidades inata e adaptativa. TIZARD, Ian R. Imunologia Veterinária, 9ª ed., Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. PEREIRA MG. Epidemiologia Teoria e Prática. 1. ed. Rio de Janeiro:Guanabara.