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DISSERTAÇÃO-PEDAGOGIA-HOSPITALAR

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brinquedos, em 
contato com aquelas atividades lúdicas, a criança começa a melhorar, contribui 
bastante, não só isso, a equipe nos seus eventos, as datas comemorativas são sempre 
lembradas na brinquedoteca, isso ajuda a desenvolver a auto estima, elas se motivam e 
desse jeito vão melhorando e xô doença, a doença vai saindo, dessa forma vai 
melhorando. 
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9 – Significativamente. A humanização, a brinquedoteca dentro do hospital é 
fundamental, tem que ter em todo o ambiente, não só no hospitalar, mas como nas 
escolas, tem que ter um canto reservado para brinquedoteca, para criança que está se 
desenvolvendo, vivendo sua fase de infância, o brincar é muito importante, é quem faz 
com que elas se desliguem de coisas ruins, até de maus comportamentos, é mesmo uma 
situação que faz bem a sua saúde mental. 
10 – Sim, a criança sofre, a família sofre, os pais sofrem. Não só o usuário, o paciente, a 
criança, mas os pais também, quando os pais vêem que as crianças estão sendo bem 
apoiadas, acompanhadas, esse familiar vão adquirir força e confiança, e cria um vínculo 
mais confiável entre o familiar e a equipe de profissionais, tudo em função da melhora 
do seu paciente. 
11 – Possibilidade? Sim, eu vejo que tem possibilidade sim, mesmo quando o ambiente 
não dispõe de área, de recursos. Mas, eu acho que pode que tem alternativas, o ambiente 
pode ser improvisado, a gente pode adquirir alguns materiais como brinquedos e outros 
recursos, através de patrocínio, e acho que o resto é ter força de vontade, vamos atrás, 
vamos em busca, isso é primordial. 
12 – Com certeza. É verdadeiro, agente percebe. Mesmo a criança com o bracinho 
quebrado, ou a perna fraturada, aquela criança está animada, brincando, pulando de um 
pé só, agente nota a motivação com aquele brinquedo, com aquela atividade é como se 
as células doentias, como se elas começassem a vibrar novamente, a ficarem mais 
ativas, e assim as crianças se recuperam mais rápido. 
13 – Eu considero, eu acho que os nossos superiores, ou seja, os nossos supervisores, os 
administradores, acho que eles deveriam ter o olhar mais focado na humanização, a 
gente não pode ver só aquele paciente através de máquinas, remédios, aquele tratamento 
muito objetivo. O paciente tem moção. Os nossos administradores deveriam se reciclar, 
não sei bem se é essa a palavra, mas deveriam se reciclar mais para melhorar a maneira 
de pensar, de valorizar, começar a valorizar o lado humano do individuo, o lado 
sensível, ou seja, o lado emocional, sentimental, tratando esse lado humano é como 
aquele ditado que diz, mente sã, corpo são, ela vai ajudar o somático, o físico. Porém, a 
humanização tem ficado em segundo plano. 
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ENTREVISTA 2 
 
1 – Patrícia de Carvalho Falcão 
2 – Enfermeira 
3 – 16 anos, sendo que está há 3 anos e 6 meses no HRAMª 
4 – Sim. Muitas pessoas dizem que nós nos tornamos pessoas frias, que perder esse 
contato com o paciente, essa parte de humanização, dificulta por muitas vezes até o 
relacionamento do paciente e equipe de enfermagem, a própria cura do paciente, a 
melhora do paciente, acho que todo hospital tem que ter as parte de humanização, tanto 
da equipe interligado equipe, paciente e família. 
5 – Bem, aqui no hospital quando eu cheguei já tinha o projeto de humanização, o 
projeto da brinquedoteca, foi uma das coisas que dentro do hospital me chamou a 
atenção, a brinquedoteca, a biblioteca, a parte da humanização com as comemorações 
que tinha da interação paciente e equipe, do projeto de musicoterapia, então, eu já 
cheguei meio que com o bonde andando, então eu sempre participava, tentava me 
inteirar do que acontecia, fazia visita de supervisão pra ver a aceitação das pessoas 
como era feita, a gente faz isso. 
6 – É como eu disse, quando eu cheguei já tava aqui, então quando tinha as atividades, 
principalmente na parte das crianças, na Pediatria, eles interagiam e os próprios pais e as 
mães também. Que é uma forma de você tirar o foco da criança da doença, você 
consegue desviar a atenção delas e elas enxergar o hospital de outra maneira, não só 
como um lugar que ela vem pra ser furada, só pra tomar remédio, só pra fazer curativo, 
que não pode comer tudo que quer, que não pode brincar, não pode fazer tudo que quer, 
não pode correr, não pode brincar, não pode botar o pé no chão, não pode tomar banho, 
não pode pegar no amiguinho porque está doente, então isso tudo a gente observa aqui. 
Então, as crianças aderem mais, os adultos nem tanto, mas as crianças aderem mais. 
Adulto a gente via a participação deles quando tinha um pastor, que tinha uma palestra, 
que tinha a parte da musicoterapia que vinha um cantor, principalmente se for uma coisa 
religiosa, ligados a religião deles, então eles participavam bem mais. 
7 – Ah, com certeza, até na própria aceitação da doença, a convivência com os outros 
doentes, quando consegue enxergar que seu problema é menor do que o do outro que 
está na cama ao lado, então eles começam a se conscientizar e acabam discutindo 
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doenças, família e começam a enxergar o problema dele bem menor do que o do 
vizinho, então eles conseguem ver isso. 
8 – Pra mim a brinquedoteca é o xodó. Na própria integração da criança, como eu já 
disse, ela deixa de tirar o foco dela da doença, ela consegue ver que o hospital não é só 
aquele lugar cheio de gente vestida de branco, que quando vem é pra furar, é pra 
maltratar, é pra machucar, porque dói, então quando a gente consegue observar isso, é 
tanto que a gente tenta mudar na própria Pediatria, colocar um jaleco de outra cor pra 
tirar o medo do branco, o medo da injeção, e a criança já vem muito assim, quando dá 
trabalho em casa, já tem o velho ditado, fique quieta porque se não eu vou lhe dar uma 
injeção, já cria aquele trauma, vou lhe levar no hospital pra te dar uma injeção, então a 
criança já vem com aquele medo, a gente já cria aquilo na própria criança. Ah! Eu tenho 
medo de injeção. Então, a gente já vê a dificuldade não só no Hospital, como também 
nos postos de saúde, porque também tem as vacinas, que é injeção do mesmo jeito, isso 
tem que ser trabalhado lá também, então as crianças já vem com esse estigma, a gente 
tenta não ser tudo branco, ser uma coisa mais alegre, mais colorida, o jaleco fazer uma 
coisinha mais colorida. O perfil de pessoas que trabalham na Pediatria, nem todo mundo 
se adapta pra trabalhar na Pediatria, tem que ser gente que tenha o perfil de lidar com 
crianças e principalmente com pai e mãe do menino doente, da criança hospitalizada, da 
criança enferma, então isso tudo agente observa. 
9 – Acho que todo hospital tem que ter, tem que trabalhar com essa parte de 
humanização, e mais uma vez eu friso, não só com o paciente, principalmente com a 
equipe, porque querendo ou não a gente absorve, acaba absorvendo o problema do 
paciente, o próprio profissional da saúde ele cria uma defesa, a gente ouve, ah porque 
você não liga, porque você é fria. Aqui se o profissional de saúde não souber lidar, ele 
acaba doente também, absorvendo aquilo. É uma relação muito complicada. 
10 – Com certeza. Você já começa a tratar a criança, cria na criança o processo de 
convivência com o outro, você não isola a criança, o que é que acontece hoje, uma 
criança que fica internada quinze dias, ela sai daquele convívio social da escola, e fica 
assim. A gente enquanto pai e mãe, a gente super protege. Aí, quando ficam 
melhorzinhas, começam a ficar cheio de dengo, cheio de vontade, tudo é meu, tudo que 
quer a gente dá. É um erro, eu não sei o quanto isso é certo ou não. Porque a gente tem 
muito daquilo de proteger a criança, de super proteção, até os próprios pais, a gente tem 
que conversar com elas, dizer por que ela está aqui, porque está dodói, que é pra ficar 
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boa, pra ir pra casa, pra voltar pra escolinha, e trazer um pouco da escola, da 
convivência com as outras crianças pra dentro da instituição,

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