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DISSERTAÇÃO-PEDAGOGIA-HOSPITALAR

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contribuição fazendo parte do corpo clínico do Hospital, entre eles o Dr. Edilberto de 
Souza Campos, sergipano formado na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, autor 
de obras literárias sobre a medicina. Em 1907 tornou-se Secretário do Governo do 
Estado, período em que prestou relevantes contribuições à Sociedade de Beneficência 
Amparo de Maria. 
 O empenho da sociedade estanciana em prol da entidade pode ser comprovado 
também através da organização e promoção de campanhas para arrecadar recursos para 
o hospital, tal como mostra o anúncio veiculado no Jornal “A razão” datado de 19 de 
junho de 1927, onde anunciava-se uma festa em prol do Hospital, a “Feira Chic: 
 
Realizar-se há, hoje, no jardim <<Raimundo Costa Carvalho>>, à 
Praça Woshington Luis e não no Jardim Aristam Silveira, como 
havíamos noticiado no nosso numero passado, a bella festa em prol do 
hospital de caridade << Amparo de Maria>>.É de suppor que a ideia 
abençoada de alguns moços da nossa terra, se realize revestida o tais 
feliz êxito, para que o auxílio de que nosso hospital se acha BEM 
carente seja satisfatório. Constara a festa, de uma feira chic onde se 
encontrarão varias e agradáveis diversões, taes sejam: Kermesse, 
Telegrapho, Pharmacia, venda de flores, etc. Abrilhantará a festa a 
sympathizada philarmonica <<Lira Carlos Gomes>>. 
<<A Razão>> com os seus aplausos à inspirada ida faz votos para que 
Ella se realize alcançando os mais felizes resultados (Jornal A 
RAZÃO, 1907 In FERREIRA FILHO, 2002, p. 15). 
 
 É notória a importância da instituição para a sociedade da época, dadas as 
práticas de envolvimento e mobilização para ajudar a mantê-lo. 
 Mas, nem tudo foi glorioso na trajetória do hospital. Em 1934, segundo Ferreira 
Filho (2002), o hospital enfrentou sérias dificuldades de ordem financeira, com o 
número de sócios reduzidos e um déficit financeiro superior a $9.000.000 (Nove Mil 
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Contos de Réis); diante disso, tanto a estrutura do hospital quanto o atendimento 
prestado à comunidade ficaram comprometidos. 
 O Jornal “A Estância”, à época de propriedade do médico e Presidente da 
Sociedade de Beneficência Amparo de Maria, Dr. Pedro Soares, relatou este fato na 
edição de 24 de junho de 1934, 
 
Outro estabelecimento de caridade, que a Estância 
lamentavelmente desampara, pelo menos nos fazem compreender 
as aparências, sem a compaixão da sua dádiva generosa, sem o 
sorriso do seu carinho, e sem o beneficio dos seus esforços em prol 
do engrandecimento do mesmo, é o Hospital Amparo de Maria. 
Não podemos acreditar que uma cidade como esta, cujo grau de 
cultura do seu povo é admirado ai por fora, onde os capitais bem 
aplicados já edificaram, podemos dizer, o nosso progresso 
econômico, cujo comércio em relação ao de ouras cidades, tem a 
solidez das firmas garantidas, deixe o seu Hospital de Caridade nas 
condições deploráveis em que o Amparo de Maria se encontra 
(Jornal A ESTÂNCIA, 1934 In FERRERA FILHO, 2002, p16). 
 
 Este apelo feito pelo jornal mostrava a situação difícil na qual se encontrava o 
hospital. No entanto, passados cerca de oito anos, em meio à Segunda Guerra Mundial, 
o hospital desempenha uma importante missão ao acolher os náufragos dos navios 
torpedeados pelos submarinos alemães no litoral sergipano e no litoral norte da Bahia, 
mais especificamente onde hoje se encontra o povoado de Mangue Seco. 
 Percebe-se nos escritos e relatos do Sr. Carlos Oliva Sobral que muitas vezes o 
Hospital Amparo de Maria e a Sociedade de Beneficência Amparo de Maria pareciam 
uma só instituição, e não um hospital e uma sociedade mantenedora. 
Já em Clodoaldo Ferreira Filho, que também foi médico atuante e dirigente do 
hospital, percebemos a dissociação dessas duas instituições, todavia deixando claro a 
Sociedade como mantenedora daquele nosocômio. 
Nas escritas e relatos de Ferreira Filho e Sobral, no final do século XX o hospital 
teve sua existência pautada por períodos críticos, outros promissores, sempre 
dependendo da política econômica e partidária dos governos nacionais e estaduais de 
saúde, sempre caracterizada como uma entidade dependente de auxílios públicos e de 
entidades sociais para manter-se em funcionamento; mas, porém, também sempre fiel 
ao seu espírito de filantropia, prestando serviços de atendimento aos cidadãos mais 
necessitados. 
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Constata-se que o poder político e religioso esteve constantemente envolvido na 
administração do hospital, seja de forma indireta, através de repasses de recursos 
financeiros, ou diretamente sendo administrado por médicos, políticos ou religiosos 
influentes. Conforme mostra Ferreira Filho, entre médicos, diretores e presidentes, 
estiveram Dr. Jessé Fontes, Dr. Josaphat Brandão, Dr. Edilberto de Souza Campos, Dr. 
João Dantas de Magalhães, Dr. Pedro Soares, Dr. Paulo Amaral Lopes, Dr. Walter 
Cardoso Costa, dentre outros. 
 Para Sobral, a década de 70 marcou uma etapa muito significativa na trajetória 
do hospital, sendo considerado referência em saúde na região Sul de Sergipe, procurado 
não apenas pela população estanciana, mas por cidades vizinhas da região Sul do 
Estado. Diante dessa procura e da necessidade de melhor atender a população e os 
municípios vivinhos, o Governo estadual disponibilizou recursos para a construção de 
um novo prédio, de estrutura mais ampla. 
 Em 1978, foi inaugurado o novo prédio do hospital, construído com recursos do 
governo estadual na gestão do Sr. José Rollemberg Leite, mas entregue á população no 
governo do Dr. Augusto Franco. 
 A nova estrutura, localizada anexa à original, com acesso principal pela Rua Dr. 
Jessé Fontes, adquiriu caráter de hospital de grande porte, como afirma o Dr. Clodoaldo 
Ferreira Filho, configurando-se como um hospital regional e passando a assumir a sua 
nova designação: Hospital Regional Amparo de Maria – HRAM. 
 O antigo prédio, inaugurado em 1867, na Rua Camerino, continuou em atividade 
por alguns anos, sendo depois desativado. Décadas mais tarde volta a funcionar como 
Centro de Assistência Médica. 
 Segundo Ferreira Filho (2002), a partir de 1978, com o novo prédio, foram 
estabelecidas as diferenciações dos serviços por espaços físicos no hospital, entre 
Pronto Socorro, Maternidade, Enfermarias de Clínica Médica, de Pediatria, de Clínica 
Cirúrgica, Setores de Exames e Setores Administrativos diversos. 
 Nota-se que, com a nova estrutura, o hospital adquiriu características de 
grandiosidade, onde os serviços são distribuídos e organizados, e o quadro funcional é 
ampliado. Consequentemente, todo um novo ciclo administrativo se compõe diante do 
novo referencial de destaque em que o hospital se coloca no Estado. 
 As mudanças não param, mas infelizmente, nem sempre são para melhor; como 
relata o Sr. Carlito, com o passar dos anos o poder público deixou de repassar recursos 
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financeiros suficientes para ajudar a manter o hospital, e a Sociedade de Beneficência 
Amparo de Maria, por sua vez, não contava mais com sócios de posses que contribuíam 
mensalmente. 
 Apesar de o Hospital dispor de um patrimônio considerável, tendo recebido em 
tempos anteriores algumas heranças, a situação se agravou quando, por motivos 
políticos, deixou-se de recolher o aluguel aos cofres do hospital do prédio onde 
funcionava o Mercado Público, de propriedade do Hospital, alugado a Prefeitura 
Municipal. Outro terreno alugado como campo de futebol, localizado próximo ao prédio 
do hospital, também foi ameaçado de desapropriação, deixando o hospital em situação 
difícil novamente. 
 Na década de 90, várias mudanças na estrutura administrativa ocorreram, e 
diversos administradores e diretores passaram pelo hospital, a exemplo do Sr. Misael 
Abreu, Irmã Expedita
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, Dr. Moisés Abreu Neto, Tenente Soares, o Sr. Ailton Ávila. E 
alguns Presidentes da Sociedade de Beneficência como o Bispo D. José Bezerra 
Coutinho, o Sr. Nivaldo Silva e o Sr. Carlos

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