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Resenha: Galileu e Eu – A Arte da Dúvida A peça Galileu e Eu – A Arte da Dúvida é baseada nas biografias sobre Galileu Galilei, escritas pelo dramaturgo alemão Bertolt Brecht. A brilhante interpretação de Denise Fraga foi transmitida ao vivo pela plataforma YouTube, no dia 2 de agosto de 2020. O texto, escrito na forma de monólogo, apresenta um pouco da vida e obra de Galileu em sua tentativa de provar que a Terra não é o centro do universo. A atuação de Denise mistura elementos de época e modernos, conferindo uma nova roupagem para o texto original. A peça conta a repressão e o silenciamento sofridos por Galileu enquanto pesquisava sobre o universo e os astros, destacando também a exploração sofrida quando o cientista trabalhava na Universidade de Pádua, bem como suas tentativas de levar a pesquisa à frente. A atuação de Denise Fraga é muito dinâmica e interativa, mesmo que transmitida de forma remota. O monólogo torna-se um diálogo. Um diálogo com o público telespectador. A presença de objetos do cotidiano, como bacias, maçãs, livros, telefones, lápis e principalmente a cadeira, aumentam o dinamismo da apresentação. Algumas frases recorrentes ao longo da peça chamam a atenção, como por exemplo: "A verdade é filha do tempo, e não da autoridade". Percebemos uma forte crítica ao negacionismo científico, que serve tanto ao período vivido por Galileu, quando a Igreja possuía poder para ditar as crenças, quanto ao momento atual, onde a ciência muitas vezes é negada em nome de interesses político- econômicos. Mas também é possível perceber certo otimismo. Otimismo sobre o poder do conhecimento. Poder esse capaz de libertar, de avançar, de vencer obstáculos e triunfar contra a ignorância, a cegueira intelectual, o comodismo, o medo. E, assim como afirmou Lovecraft (1927, p. 8), “A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido". Contra esse medo, apenas o conhecimento pode triunfar. Enfim, as perspectivas micro-históricas possíveis a partir da vida e obra de Galileu são muitas, uma vez que ele representa, de modo geral, a Europa renascentista um período de repressão intelectual. No âmbito das particularidades, a vida do cientista, repleta de conturbações, também pode render bastante. O fato de que na década de 1990 seu nome foi repercutido e relembrado pelo papa João Paulo II, ao assumir o erro de condenar Galileu, mostra como esse capítulo da História da Ciência ainda é vivo e importante.