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IBET - Módulo II - Seminário IV - IRPF

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Módulo Incidência e Crédito Tributário
Seminário V
IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA FÍSICA E REGIME DE FONTE
Aluna: Ayla Lobo
Questões
1. Compor a(s) regra(s)-matriz(es) de incidência do imposto sobre a renda pessoa física.
Na hipótese da referida regra poderemos encontrar o critério material (auferir renda); o critério temporal (exercício financeiro), e o critério espacial que, para o Imposto de Renda da Pessoa Física, será qualquer lugar do mundo, tendo como fundamento o princípio da tributação universal. 
No consequente, por sua vez, encontraremos, o critério pessoal (sujeito ativo e sujeito passivo) e o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota). 
O conjunto entre todos os critérios terá como resultado a regra matriz de incidência do imposto de renda pessoa física. 
Tendo como fundamento de cobrança o Decreto nº 9.580, de 22 De novembro De 2018, a RMIT pode ser composta da seguinte maneira:
O critério material da regra-matriz da incidência tributária do Imposto de Renda Pessoa Física, sempre fará referência a um fato, a um comportamento humano que tem como resultado auferir renda, com previsão no art. 1º do referido Decreto:
Art. 1º As pessoas físicas que perceberem renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto sobre a renda, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1º; Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, art. 43 e art. 45; Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 2º; Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 4º; e Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 3º, parágrafo único). 
§ 1º São também contribuintes as pessoas físicas que perceberem rendimentos de bens de que tenham a posse como se lhes pertencessem, de acordo com a legislação em vigor (Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, art. 43 e art. 45). 
§ 2º As pessoas físicas residentes no exterior terão suas rendas e seus proventos de qualquer natureza, inclusive os ganhos de capital, percebidos no País tributados de acordo com as disposições contidas nos Capítulos V e VI do Título I do Livro III. 
Art. 2º O imposto sobre a renda será devido à medida que os rendimentos e os ganhos de capital forem percebidos, observado o disposto no art. 78 (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 2º).
Com relação ao critério temporal, pode ser destacado o art. 79 do Decreto, onde há expressa previsão de que será apurado ao final do ano calendário a partir da soma do resultado mensal do contribuinte: 
Art. 79. O imposto sobre a renda devido na declaração de ajuste anual incidente sobre os rendimentos de pessoas físicas será calculado de acordo com a tabela progressiva anual correspondente à soma das tabelas progressivas mensais vigentes nos meses de cada ano-calendário (Lei nº 11.482, de 2007, art. 1º, parágrafo único).
Conforme leciona GERALDO ATALÍBA[footnoteRef:1]: [1: ATABLIBA, Geraldo. Periodicidade do Imposto de Renda. In: Revista de Direito Tributário nº 63, p.22.] 
A periodicidade do imposto de renda haveria de ser anual. Todo imposto é um ingresso público, relevante para a composição do orçamento, que por expressa disposição constitucional, é anual. As prestações de contas a que se sujeita a administração pública, perante os respectivos tribunais de contas, também são elaboradas anualmente.
Quanto ao critério espacial, conforme descrito acima, a constituição não limitou a incidência de forma expressa, de modo que o legislador pode tributar os rendimentos auferidos pelos contribuintes em qualquer lugar do mundo, respeitando a soberania dos outros países. Conforme dispõe Paulo Ayres Barreto[footnoteRef:2], em sua dissertação de mestrado sobre os "Preços de Transferência": [2: BARRETO, Paulo Ayres. Preços de Transferência - Tese de Mestrado - PUC/SP - 1999 - pág. 105] 
"É de fundamental importância o exame da circunstância de lugar que limita, no espaço, a ocorrência do fato jurídico tributário. O exame do critério espacial não se confunde, como bem observa Paulo de Barros Carvalho, com o âmbito territorial de aplicação das leis. Em relação ao imposto sobre a renda, o exame das circunstâncias de espaço que norteiam a exigência deste imposto é sobremodo fecunda. A nossa Carta Magna não estabelece nenhuma restrição de espaço à instituição deste imposto. Destarte, a identificação do limite espacial passa a ser a própria soberania tributária do Estado brasileiro."
Tanto é assim que o próprio decreto que regulamenta ao IRPF dispões acerca da tributação dos ganhos auferidos no exterior: 
Art. 47. São também tributáveis (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º,caput,e alínea "c", art. 8º,caput,e alínea "e", e art. 10, § 1º, alíneas "a" e "c"; Lei nº 4.506, de 1964, art. 26; Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, art. 43, § 1º; Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º; e Lei nº 9.430, de 1996, art. 24, § 2º, inciso IV, e art. 70, § 3º, inciso I):
[...]
VII - os rendimentos recebidos no exterior, transferidos ou não para o País, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior;
Com relação ao critério pessoal, com fundamento no Código Tributário Nacional, o qual prescreve que:
Artigo 45 - Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo. 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. 
Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.
E pode ser complementado com o art. 121 do mesmo diploma: 
Artigo 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: 
[...] II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (...)
Aplica-se ao critério pessoal o princípio da universalidade (art.153, §2º, I) decorrente do princípio da isonomia. Na verdade, ele não é mais do que uma aplicação desse princípio ao Imposto de Renda. Significa simplesmente que o Imposto de Renda deve incidir e ser cobrado, tanto quanto possível, de todas as pessoas. 
E, por fim, o critério quantitativo representa a base de cálculo e as alíquotas aplicáveis a cada pessoa. 
2. Defina “renda”, “rendimento” e “ganho”. Qual a relação/diferença entre eles? Que são “proventos de qualquer natureza”? Com fulcro nessas definições, identifique a base de cálculo do IRPF e posicione-se, de forma fundamentada: tal como definida na legislação infraconstitucional, a base de cálculo do imposto representa, efetivamente, a “renda”? 
O CTN prevê no caput do art. 43 que a hipótese de incidência do imposto sobre a renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda.
Nas palavras de Roque Carrazza[footnoteRef:3], a renda e os proventos, para fins de incidência do imposto significam: “disponibilidade econômica originada do produto do capital ou do trabalho, ou da combinação de ambos, ou da existência de proventos, que se consubstanciem em riqueza nova efetivamente incorporada ao patrimônio global, assim considerado, dentro de um lapso temporal determinado, ainda que esta riqueza provenha de ato ilícito.” [3: CARRAZZA, Roque Antonio. Imposto sobre a renda. São Paulo: Malheiros Editores Ltda, 2005. Pg.36] 
Rendimento, por sua vez, pode ser conceituado como os valores recebidos pelo contribuinte que, somados, formam a sua renda. Neste ponto, podemos utilizar como exemplo os artigos 157 e 158 da CF: 
Art.157 – Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: 
I – o produto da arrecadação do imposto da
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