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Cosméticos em patches.pdf
USO COSMÉTICO DE PATCHES: artigo de revisão1 
 
 
Daniela Furlani 2 
Nayara da Silva2 
Daisy Janice Aguilar Netz
3 
 
Resumo: A veiculação de ativos de aplicação cosmética por meio de patches é 
recente e ainda muito pouco difundida entre os profissionais da área de estética e 
até mesmo na academia, embora algumas publicações abordem esta aplicação há 
alguns anos. O emprego desta tecnologia representa um importante avanço na 
área da cosmetologia, uma vez, que pode proporcionar grande incremento na 
permeação de ativos sobre a pele e nas diferentes camadas-alvo, potencializando 
desta forma a eficácia da formulação. Assim, este trabalho teve como objetivo o 
levantamento de dados e informações relativas a este tipo de dispositivo, 
buscando o entendimento aprofundado da relação entre a pele e a penetração de 
ativos, do seu mecanismo de ação e estruturação dos patches e o levantamento 
de produtos desta categoria de cosméticos disponíveis no mercado nacional e 
internacional. 
 
 
Palavras-chave: Cosmecêuticos. Patches. Cosméticos 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
A pele é considerado o maior órgão humano, pesando, em um adulto mediano, 
por volta de 4 kg, cobrindo uma superfície de cerca de 2 m2 e recebendo 
aproximadamente um terço da circulação sanguínea do corpo. Com a espessura 
de apenas alguns milímetros (2,97 ± 0,28 mm), a pele separa a rede de circulação 
sanguínea e os demais órgãos do corpo do ambiente externo, ajudando a manter 
a temperatura corporal, evitando a perda excessiva de água pelo corpo, além de 
protegendo o indivíduo contra a entrada de agentes químicos e ambientais 
 
1
 Artigo apresentado como requisito para aprovação no Curso de Especialização Lato Senso em 
Estética Facial e Corporal, da Universidade do Vale do Itajaí, Unidade Ilha, Florianópolis, SC, 
sob orientação da Profª Drª Daisy Janice Aguilar Netz. Março 2012 
2
 Acadêmicas do Curso de Especialização Lato Senso em Estética Facial e Corporal – UNIVALI, 
Balneário Camboriú, Santa Catarina. dani_furlani@hotmail.com e nana_nyr@hotmail.com 
3
 Professor de Graduação no Curso de Farmácia e de Cosmetologia e Estética – UNIVALI. 
danosos, particularmente os infecciosos (bactérias e vírus), impurezas e a 
radiação solar. Além disso, possui funções metabólicas, imunológicas e táteis 
(CHIEN 1992). Observam-se ainda várias estruturas anexas, que são os pêlos, as 
unhas e as glândulas sudoríparas e sebáceas. (JUNQUEIRA; CARNEIRO, 2004). 
 
De acordo com Ribeiro (2010) o termo cosmético vem do grego kosméticos, que 
designa prática ou habilidade em adornar, e no Brasil, a ANVISA define que são 
preparações que compreendem uma vasta classe de produtos destinados a 
aplicação nas diversas partes do corpo, ou seja, pele, sistema capilar, unhas, 
lábios, órgãos genitais externos, dentes, membranas e mucosas da cavidade oral 
e que possuem como objetivo exclusivo ou principal limpá-los, perfumá-los, alterar 
sua aparência ou corrigir odores corporais e ou ainda protegê-los e mantê-los em 
bom estado (BRASIL, 2005). 
 
Partindo do ponto de vista que cosméticos podem desempenhar uma gama de 
ações, muitos produtos cosméticos contem ativos capazes de alterar de modo 
considerável a funcionalidade da pele, os quais são denominados de 
cosmecêuticos, termo criado por Kligman há mais de 30 anos, e que deriva na 
mistura das palavras cosmético e farmacêutico (cosme + cêutico). De uma forma 
geral, estes produtos veiculam ativos com mecanismo de ação conhecido, como 
são o dos fármacos, e, em função disso, prometem benéficos comprovados. 
Embora o termo não seja termo reconhecido pela ANVISA, é amplamente 
empregado pelo mercado de profissionais da área de cosmetologia (RIBEIRO, 
2010) 
 
A indústria cosmética os define como produtos cosméticos que proporcionam 
benefícios “semelhantes” aos dos medicamentos. Os dermatologistas devem 
conhecê-los, pois podem ser úteis como coadjuvantes ao tratamento clínico 
medicamentoso, no preparo da pele para procedimentos e na manutenção de 
resultados (BEGATIN 2009). Logo, existe uma grande variedade de ativos 
classificados como cosmecêuticos. Esses ativos podem ser didaticamente 
enquadrados em categorias tais como: agentes despigmentantes, retinóides, filtros 
solares, vitaminas, antioxidantes, minerais, hidroxiácidos, fatores de crescimento, 
proteínas extratos botânicos, entre outras (GAO et al., 2008). 
 
O termo patch deriva do inglês “remendo”, “emplastro”, sendo atualmente na 
medicina e na estética empregado como terminologia geral para dispositivos 
colocados sobre a pele os quais liberam ativos nesta camada, que podem ficar 
retidos na camada córnea e exercer ação localizada, podem permear entre as 
camadas e abaixo do estrato córneo e na derme (liberação intradérmica) assim 
como podem proporcionar a ação sistêmica (transdérmica). Consistem 
basicamente de materiais poliméricos dispostos na forma de filmes delgados e 
flexíveis, delineados basicamente por um suporte externo impermeável, o qual 
protege um reservatório contendo uma preparação semissólida, na qual os ativos 
se encontram dispersos próximos à concentração de saturação, revestido por um 
filme adesivo protetor (em contato com a pele). Podem conter uma quantidade de 
ativo suficiente para algumas horas ou até alguns dias e de uma forma geral, 
liberam os ativos da formulação para o estrato córneo numa razão controlada. Os 
patches são classificados em duas categorias principais, os monolíticos ou 
matriciais e os de velocidade limitada por membrana (BARRY, 2005). 
 
A veiculação de ativos de aplicação cosmética por meio de patches comerciais é 
recente e ainda muito pouco difundida entre os profissionais da área de estética e 
até mesmo na academia, embora algumas publicações abordem esta aplicação há 
vários anos (GUERET, 2000; 2003; 2008; AUBRUN-SONNEVILLE, 2010). Nos 
sistemas que veiculam medicamentos, são denominados de transdérmicos, mas 
para aplicação cosmética, são usados os termos transdérmico e também 
intradérmico. 
 
O emprego de patches para a veiculação de ativos cosméticos representa um 
importante avanço na área da cosmetologia, uma vez, que pode proporcionar 
grande incremento na permeação de ativos sobre a pele e nas diferentes 
camadas-alvo, proporcionando desta forma o aumento da eficácia da formulação, 
aspecto de grande importância. Algumas empresas classificam este tipo de 
veiculo, em função do caráter inovativo e do potencial em proporcionar grande 
efeito de retenção e de penetração de ativos de interesse na pele, como a 
“terceira geração dos cosméticos” (BIOTECDERMO, 2010) 
 
Este trabalho teve como objetivo o levantamento de dados e informações relativas 
a este tipo de preparação cosmética, buscando o entendimento do seu 
mecanismo básico de ação, da relação entre a pele e a penetração de ativos, a 
estruturação e composição básica destes dispositivos e a busca de exemplos de 
sistemas disponíveis no mercado de produtos cosméticos. 
 
 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
Estrutura da pele humana 
 
A pele humana é a cobertura externa do corpo e equivale a mais de 15% do peso 
corporal. Limita a evaporação de água corporal, serve como receptora para as 
sensações (dor, pressão, temperatura e tato), protege contra a radiação 
ultravioleta, atua na regulação térmica e também na excreção de substâncias 
através das glândulas sudoríparas e do tecido adiposo (CHIEN, 1992; ROSS et 
al., 1993; SAMPAIO; RIVITTI, 2001). É composta por várias camadas de células 
distintas, que podem ser divididas em três grandes camadas: a epiderme, a derme 
e a hipoderme. 
 
A epiderme é a camada mais externa e é composta por tecido epitelial 
estratificado. Na epiderme é possível diferenciar várias
camadas de células 
distintas. O estrato germinativo ou camada basal é constituído fundamentalmente 
por células colunares, nucleadas, contendo filamentos de queratina e organelas 
celulares. O, estrato espinhoso apresenta células achatadas e poligonais, núcleo 
ovóide, com a presença, no citoplasma, de pequenos grânulos lamelares. 
Tonofibrilas se estendem para o interior dos prolongamentos citoplasmáticos, 
semelhantes a espinhos e se fixam na placa densa do desmossoma. O estrato 
granuloso é composto de várias camadas de queratinócitos anucleados, 
achatados, com grânulos de querato-hialina, de formato irregular, sem membrana 
limitante e associados a tonofilamentos. Já o estrato lúcido somente é observado 
em determinados cortes de pele espessa e se apresenta como uma linha clara, 
brilhante e homogênea. As células (eosinófilos) são finas e achatadas, sem núcleo 
ou organelas. O estrato córneo é formado por 10 a 20 camadas de queratinócitos 
anucleados, com 10 m de espessura quando seca. Apresentam citoplasma 
contendo agregados de filamentos intermediários de queratina, unidos por 
ligações cruzadas com filagrina, que confere o aspecto achatado característico. 
(MENDELSOHN et al., 2006) 
 
A derme é constituída por tecido conjuntivo e apresenta papilas que se projetam 
para a epiderme, apresentando função primordial relacionada à resistência e a 
elasticidade (WAINWRIGHT, 1995). Nesta camada são encontrados os capilares 
sanguíneos e também estão presentes os apêndices da pele, como os folículos 
pilosos e as glândulas sebáceas e sudoríparas. Histologicamente, aderme é 
dividida em derme papilar, constituída de tecido conjuntivo frouxo e localizada 
imediatamente abaixo da epiderme, contendo prolongamentos nervosos e vasos 
sanguíneos que irrigam a epiderme, mas não penetram nela, e derme reticular, 
mais profunda e espessa, constituída por tecido conjuntivo denso. Apresenta 
fibras colágenas mais espessas e menor quantidade de células que a camada 
papilar (ROSS et al., 1993). 
 
Abaixo da derme, encontra-se a hipoderme ou tecido subcutâneo, uma camada de 
tecido conjuntivo mais frouxo, que contem quantidade variável de tecido adiposo, 
o qual desempenha varias funções, entre elas o fornecimento de energia, a 
definição corporal e a ação absorvedora de choques, isolamento térmico e 
preenchimento de espaços. Também apresenta função imunológica, pela 
secreção de adipocinas como a interleucina 6, o fator de necrose tumoral α e os 
fatores do complemento B, C3 e D (adipsina) e função cardiovascular, pela 
secreção de moléculas do eixo renina-angitensina.Também está relacionada com 
a função metabólica, em função da produção de ácidos graxos livres, 
adiponectina, resistina, visfatina e ácido palmitoleico (C16:1, ω-7). Por fim, quanto 
a função endócrina, secreta leptinas, associadas à regulação dos depósitos 
energéticos e da fertilidade e ainda a secreção de hormônios esteroidais 
(SPEROFF, 1995) 
 
Cosmecêuticos 
 
Cosméticos são produtos de uso externo, destinados a aplicação na pele, sistema 
capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da 
cavidade oral, constituídos de substâncias sintéticas ou naturais, cuja função ou 
objetivo está relacionado com limpar, perfumar, alterar a aparência e ou corrigir 
odores corporais ou ainda com a função de proteger ou manter em bom estado 
(BRASIL, 2005). 
 
O emprego de substâncias capazes de melhorar a aparência cutânea pode trazer 
benefícios amplos, desde aos aspectos psicológicos, podendo afetar até mesmo 
as relações inter-indivíduo, uma vez que promove aumento da auto-estima, 
proporcionando maior bem estar, afetando assim o estado físico também, 
promovendo a saúde e desta forma, proporcionando aumento da longevidade 
(LAWRENSE, 2000). 
 
A indústria de produtos cosméticos representa uma considerável área no mercado 
mundial, que tende a crescer ainda mais, devido à busca universal pela melhoria 
da qualidade de vida e de aumento do bem-estar (KLIGMAN, 2000). No Brasil, a 
indústria que engloba produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos 
apresentou, nos últimos 15 anos, crescimento médio (deflacionado) de 10,5%, 
com faturamento líquido de 27,3 bilhões em 2010 (ABIHPEC, 2012). 
 
Até a década de 60, os produtos cosméticos se limitavam a desempenhar uma 
ação superficial, tendo como alvo principal a ornamentação e a beleza, não 
afetando a estrutura nem a função da pele. Assim, os produtos cosméticos 
deveriam ser completamente inertes ou farmacologicamente inativos. Tal função, 
apresentar qualquer efeito biológico, era restrita a fármacos. Entretanto, após a 
década de 1960, os estudos começaram a mostrar que quase todas as 
substâncias podem afetar a estrutura e função da pele. Como exemplo, a água, 
uma substância fundamental para todos os processos celulares, pode ser danosa, 
se o contato com a mesma for excessivo, prejudicando a função de barreira e 
predispondo a pessoa a lesões com outros agentes químicos e dermatose. 
Conforme KLIGMAN (2000), a pele, quando em contato com a água por 
aproximadamente 48 horas poderá apresentar afrouxamento de corneócitos, 
alteração na produção de células de langerhans, melanócitos e queratinócitos, 
aumento dos espaços intercelulares, aumento do fluxo sanguíneo e ativação de 
citoquinas pró-inflamatórias 
 
Visto desta forma, onde nem mesmo a água é inerte, percebeu-se que muitos 
ativos cosméticos podem realmente vir a atuar não somente com efeito cosmético, 
mas alterando profundamente a pele. Tal classe de produto é conhecida como 
“cosmecêutico”. Este termo foi introduzido por Albert Kligman, em1988 (GAO et 
al., 2008), sendo designado para produtos que contenham ingredientes 
biologicamente ativos, com mecanismo de ação conhecido, capazes de 
proporcionar benefícios semelhantes aos dos medicamentos, sendo entretanto 
ainda considerados cosméticos. Assim, além de satisfazer as necessidades de 
“beleza”, estes produtos podem atuar de modo mais efetivo em determinados 
problemas estéticos. 
 
Embora o termo cosmecêutico não tenha aceitação oficial por parte dos órgãos 
regulatórios, como o FDA e a ANVISA, entrou para o vocabulário da indústria de 
cosméticos e é empregado em todo o mundo, com variações de nomenclatura, 
sendo designados também como Dermocosméticos, Cosméticos de desempenho, 
Cosméticos funcionais e Neocêuticos. Entretanto, independente do nome dado, 
devido ao seu aspecto funcional, estes produtos fazem mais do que melhorar a 
aparência através da ocultação e camuflagem. E assim, o emprego dos 
cosmecêuticos é justificado em função de apresentarem propriedades 
farmacológicas úteis para aplicações específicas, de finalidade cosmética. Com 
esta premissa, pode-se desenvolver produtos cosméticos com ingredientes 
multifuncionais, como por exemplo, para o tratamento da acne (alfa e beta-
hidroxiácidos), de sinais do fotoenvelhecimento e manchas de pele (idebenona, 
coenzima Q 10, hidroquinona, arbutin, ácido kójico, ácido ferúlico, vitaminas A, B, 
C e E, extratos polifenólicos de plantas, derivados do ácido retinóico) da pele seca 
(ácido hialurônico) assim como na proteção a radiação ultravioleta (RIBEIRO, 
2010). 
 
Produtos cosméticos e cosmecêuticos geralmente são empregados na forma de 
semisólidos, como emulsões consistentes (cremes) ou fluidas (loções), 
suspensões, magmas, géis loções, ou ainda na forma de soluções, pós, entre 
outras formas de preparação. Estas formas de apresentação são denominadas de 
sistemas de liberação, que podem ser divididos em convencionais ou modificados. 
São denominados de convencionais quando a liberação do ativo a partir do 
veículo ou base, não é modelada, direcionada, e como modificados ou não 
convencionais quando a liberação é controlada, direcionada.
Patches são 
dispositivos capazes de veicular ativos e proporcionar a liberação de modo 
modificada, ou seja, são sistemas não convencionais (BARRY, 2005). Entretanto, 
anterior a abordagem do que são estes dispositivos, é importante salientar alguns 
aspectos tocantes á permeação cutânea. 
 
Permeação cutânea 
 
A maioria dos cosméticos empregados aplicados na pele possui ação superficial, 
entretanto, muitos ativos necessitam permear o estrato córneo para chegar ao seu 
local de ação, como no caso dos utilizados para o tratamento de hidrolipodistrofia 
ginóide (celulite). Considerando a constituição e o efeito protetor do estrato 
córneo, estes podem apresentar dificuldades em atravessar essa barreira e atingir 
seu sítio de ação (BARRY, 2004). 
 
A pele compreende três camadas, derme, epiderme e hipoderme. A camada mais 
externa da pele, a epiderme, é de aproximadamente 100-150 micrômetros de 
espessura e não tem fluxo de sangue. Ela inclui uma camada dentro dela 
conhecida como o estrato córneo. Esta é a camada mais importante, no sentido de 
ser a limitante para a para a aplicação transdérmica (ANSEL; POPOVICH; ALLEN, 
2003). 
 
A administração de ativos na pele seja para um tratamento local (tópico) ou 
sistêmico (transdérmico), baseia-se na difusão destes através das diversas 
camadas da epiderme. O estrato córneo mantém o conteúdo de água mesmo em 
condições climáticas variáveis, bem como limita a absorção de substâncias tóxicas 
(ou não tóxicas) do ambiente. Assim, a maioria dos ativos liberados pelos 
sistemas transdérmicos são moléculas pequenas, apolares, potentes e 
relativamente lipofílicas. No entanto, a quantidade que penetra na pele depende 
quase sempre do veículo utilizado (BARRY, 2003) 
 
Os ativos podem atravessar o estrato córneo através de três diferentes vias, a 
intercelular, a transcelular e pela via dos anexos, conforme ilustra a figura 1. Pela 
via intercelular, difunde-se ao redor dos corneócitos, permanecendo 
constantemente dentro da matriz lipídica; pela via transcelular, atravessam 
diretamente através dos corneócitos e da matriz lipídica intercelular intermediária. 
Já na via apêndices, denominada de rota paralela, os ativos podem ser absorvidos 
pelo folículo piloso, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas. A absorção de 
ativos na pele é afetada por vários fatores tais como espessura, temperatura, grau 
de hidratação, limpeza da pele, fluxo sanguíneo, concentração de lipídios, número 
de folículos pilosos, função das glândulas sudoríparas, raça, pH na superfície da 
pele e integridade do estrato córneo (BARRY, apud AULTON, 2005) 
 
Figura 1. Vias de permeação de fármacos através do estrato córneo: através da 
matriz lipídica, entre os corneócitos (penetração intracelular) e através 
dos corneocitos e a matriz lipídica (penetração transcelular). 
Fonte: Moser, et al , 2001. 
 
 
 
Embora a proposta da aplicação de produtos cosméticos não inclua a ação 
sistêmica dos ativos, muitos destes ativos desempenham sua ação em tecidos 
localizados nas camadas abaixo do estrato córneo e até mesmo na derme e na 
hipoderme. Neste caso encontram-se os ativos empregados para o tratamento da 
HLDG, de clareadores de manchas, hidratantes de ação profunda, entre outros. 
Assim, partindo-se da necessidade de promover a penetração de determinados 
ativos, os patches ou adesivos transdérmicos e as bandagens têm sido propostos 
para veicular produtos de cuidado pessoal e cosméticos (KANTNER, 2005) 
 
Adesivos ou patches transdérmicos 
 
Patches, adesivos e bandagens são dispositivos que, quando colocados sobre a 
pele, são capazes de permitir a liberação de fármacos ou ativos na pele por um 
determinado tempo, numa, de tal forma que o adesivo, e não o estrato córneo, 
controla a velocidade com a qual o ativo se difunde sobre a pele (BARRY, 2005). 
As bandagens foram os primeiros tipos de adesivos colocados sobre a superfície 
da pele, sendo que os primeiros materiais empregados, derivados de borracha 
natural, datam do final do século 19, sendo o primeiro produto delineado pela 
empresa Johnson & Johnson’s (VENKATRAMAN; GALE, 1998). 
 
Os dispositivos transdérmicos consistem basicamente de um suporte externo 
impermeável, o qual protege um reservatório contendo uma preparação semi-
sólida, na qual o fármaco se encontra disperso próximo à concentração de 
saturação, revestida por um filme protetor. Liberam o fármaco para a pele a uma 
razão controlada, numa velocidade abaixo da capacidade de aceitação da pele, 
sendo que o dispositivo deve controlar a difusão no estrato córneo (HADGRAFT, 
2001). 
 
Os adesivos são classificados em duas categorias principais, os monolíticos ou 
matriciais e os de membrana limitante a velocidade. A figura 2 ilustra um dos tipos 
de sistema, o monolítico. Estes sistemas são compostos por uma camada 
posterior, que protege a matriz que contem a formulação e o (s) ativo (s), uma 
camada adesiva, que contem o ativo disperso em equilíbrio com a matriz, é a 
responsável pela fixação à pele. 
No sistema denominado de reservatório, o (s) ativo (s) está situado entre uma 
camada não permeável e uma membrana que limita a liberação, que geralmente é 
porosa. Independente do tipo de sistema, algumas características dos materiais 
empregados e dos ativos ali colocados são fundamentais para que se tenha um 
bom desempenho. Com relação aos ativos, salientam-se a solubilidade, pKa e 
tamanho molecular. Com relação aos materiais, a capacidade de aderir, 
biocompatibilidade, porosidade e elasticidade (KANDAVILLI et al., 2002) 
Figura 2 Representação esquemática de um dispositivo de liberação transdérmica 
baseado no modelo matricial ou monolítico. 
 
 
 
 
 
 
 
 Fonte: adaptado de AULTON (2005) 
 
Os materiais empregados podem ser classificados em vários grupos, dependendo 
da função desempenhada. Uma classificação básica compreende: a) materiais 
formadores de matriz; b) membrana limitante da liberação; c) película protetora. 
Assim, os formadores de matriz, ou seja, os que estão em contato direto com a 
formulação, tem como exemplos de principais materiais diversos tipos de como os 
polietilenoglicóis (PEG´s), derivados do ácido acrílico, polivinilpirrolidona, 
derivados de celulose, lecitina, tensoativos como o monoesteratode sorbitano e o 
Tween®, poloxamers, entre outros. Já entre os materiais denominados de 
membrana limitante, os quais podem ser porosos ou não, citam-se os copolímeros 
do etileno acetato de vinila (EVA), borracha de silicone, poliuretano, materiais 
sensíveis à pressão (PSA). Finalmente, como película protetora destacam-se o 
polietileno, o filme de poliuretano, os copolímeros de etileno acetato de vinila, o 
polipropileno, os poliuretanos, os polipropilenos e os poliésteres (polietileno 
 
Película destacável 
 
Filme protetor removível 
Molécula do 
fármaco 
Cristal do fármaco 
Camada anterior 
Reservatório do fármaco 
Membrana 
Adesivo 
Molécula do fármaco 
Cristal do fármaco 
Película protetora 
Reservatório do fármaco 
Membrana 
Adesivo 
tereftalato). Durante a estocagem, o patch se encontra envolvido por uma capa 
protetora, a qual é removida imediatamente antes da aplicação sobre a pele. 
Apesar de fazer parte da embalagem primária, está em contato próximo com o 
sistema de liberação, devendo estar em concordância com os requerimentos a 
respeito de inerticidade e biocompatibilidade quanto á reatividade química, 
permeação do fármaco, promotor de absorção ou água. 
 
Patches propostos para uso cosmético 
 
A veiculação de ativos de aplicação cosmética por meio de patches comerciais é 
recente, embora algumas publicações abordem esta aplicação há vários anos 
(GUERET, 2000; AUBRUN-SONNEVILLE, 2010). Nos sistemas que veiculam
medicamentos, são denominados de transdérmicos, mas para aplicação 
cosmética, são usados os termos transdérmico e também intradérmico. O termo 
intradérmico se refere à liberação de ativos sobre a pele, em determinado período 
de tempo, a partir de um determinado patch, que pode ser formado por vários 
tipos de filmes e matrizes, contendo uma vasta gama de ativos veiculados. 
 
Shcherbina; Roth; Nussinovich (2010) avaliaram as propriedades físicas de um 
patch contendo óleo essencial de Lavandula augustifolium, um óleo essencial de 
grande aplicação na dermocosmética e na aromaterapia. Os patches foram 
desenvolvidos utilizando-se goma caraia, propilenoglicol, glicerina, emulsificante, 
água destilada e amido de batata como diluente e com concentrações de óleo 
essencial variando de 2,5 a 10%. Foram preparados pelo método de geleificação 
em baixa temperatura (-20°C) seguida de solidificação em placa de Petri. Embora 
se reconheça que óleos essenciais, por suas características físico-químicas sejam 
moléculas hábeis para penetrar no ambiente anfifílico do estrato córneo, a 
utlização de patches pode favorecer grandemente a terapêutica, dada a 
capacidade do sistema em atuar como um depósito que libera gradualmente 
pequenas quantidades do óleo essencial. 
A empresa Natural Patches (http:www//naturalpatches.com) disponibiliza uma 
extensa linha de patches com diferentes óleos essenciais, com proposta para 
aplicações cosméticas e de aromaterapia. O sistema é delineado para que a 
liberação dos óleos essenciais seja ativada pela temperatura corporal 
(Shcherbina; Roth; Nussinovich, 2010). 
Batchelder et al (2004) avaliaram a permeção in vitro (em modelo animal, com 
pele de porco) de catequinas e cafeína a partir do extrato de chá verde. Utilizaram 
patches contendo diferentes concentrações do extrato e quantificaram a presença 
da (−)-epigallocatechina gallato (EGCg), (−)-epigallocatechina (EGC) and (−)-
epicatechina (EC) dissolvidas. A importância do emprego tópico deste extrato e 
dos polifenóis nele presentes tem sido demonstrada, não somente para o 
tratamento da HLDG, mas também como terapia para tratamento de tumores de 
pele malignos e não malignos , conforme artigo de LU et al (2002 apud Batchelder 
et al., 2004). Os autores avaliaram a permeação e observaram que o 
correspondente a 0,1% de EGCg permeou em 24 horas, o que corresponde ao 
mesmo percentual quando administrada a mesma concentração por via 
intragástrica em ratos (CHEN at al., 1997 apud Batchelder et al., 2004).Estes 
resultados demonstram que a liberação transdérmica de catequinas e xantinas 
derivadas do extrato de chá verde em concentrações efetivas e seguras. 
 
Kantner (2005) descreve um tipo diferente de patch para uso cosmético 
(veiculação de ativos dermocosméticos, capilares, para aplicação nas unhas, 
pigmentos para maquiagem) e dermatológico, ou seja, com potencial aplicação 
também para fármacos. A inovação está no caráter hidrofílico, com o emprego de 
filme polimérico dissolvível e sensível à pressão (isto, de acordo com o autor, 
proporciona grande aderência na pele). Os ativos, quando veiculados sobre o 
filme e ou matriz, são liberados após a lenta desintegração do sistema, permitindo 
desta forma longo tempo de contato da pele. O nome do produto é 3MTM 
HydroElegance, 3M. 
 
Este sistema foi delineado para veicular uma ampla variedade de ingredientes, de 
caráter hidrossolúvel e também lipossolúvel. O adesivo, contendo o (s) ativo (s) 
deve ser mantido seco até o momento do uso. Os ativos podem estar na matriz, 
dissolvidos, suspendidos, emulsificados ou aderidos sobre o adesivo. São 
diferenciais neste sistema a versatilidade de aplicação, uma vez que pode sem 
empregado para pequenas ou grandes áreas do corpo, podenso ser aplicado 
sobre a pele, cabelo e unhas, além de mucosa mucal e em dentes. A tecnologia 
permite tratamentos prolongados, muitas vezes essenciais para a eficácia da 
terapia (KANTNER, 2005) 
 
Viyoch et al. (2005) descrevem a preparação e avaliação de patch contendo alfa-
hidroxiácidos (AHAs) contidos no extrato da polpa de tamarindo. Os autores 
argumentam que apesar do amplo emprego destes AHAs em formulações 
dermatológicas e cosméticas, existem limitações de uso, concernentes 
especialmente ao potencial irritante dos mesmos, devido suas características 
acídicas e a quantidade permeada em formulações convencionais. A escolha do 
extrato da polpa de tamarindo se deu em função do uso tradicional, do percentual 
de AHAs (8-23% de ácido tartárico, 2% de ácido lático e pequenas quantidades de 
ácido cítrico e mandélico) e do baixo potencial de irritação dérmica. Assim, os 
autores propuseram a veiculação deste ativo em patches de hidrogéis compostos 
da mistura de quitosana ligada com diferentes tipos de amido (mandioca, milho e 
arroz) através do reticulante glutaraldeído. O artigo teve como foco a avaliação da 
liberação a partir das variáveis de uma determinada composição de hidrogéis e 
mostraram que esta variação pode implicar no perfil de liberação, no potencial de 
irritação e na permeação. 
 
 
A empresa multinacional L´Oréal é detentora de várias patentes de patches com 
aplicação cosmética. GUERET (2000) descreve a patente de um tipo de patch 
contendo uma matriz polimérica anidra, hidrofóbica, contendo material adsorvente, 
especialmente delineada para veicular ativos instáveis à oxidação, como por 
exemplo a vitamina C. O patch é formado por uma camada oclusiva ligada a uma 
camada reservatório, que estoca uma matriz polimérica de silicone, poliéster ou 
poliéster polituretano, que contem pelo menos um ativo cosmético ou 
farmacêutico. O (s) ativo (s) são liberados deste dispositivo após o mesmo entrar 
em contato com apele e então, as partículas adsorventes sofrem sweeling e 
gradualmente solubilizam o ativo, liberando-o em direção as camadas da pele. 
Gueret também é o inventor de outras patentes semelhantes (GUERET, 2003; 
GUERET, 2008). 
Ainda outra patente (AUBRUN-SONNEVILLE, 2010), assinada pela empresa 
L´Oréal, descreve patches que consistem de um filme hidrofílico (suporte contendo 
fibras solúveis em meio aquoso, em temperatura ≤ 30°C) contendo componentes 
ativos dispersos em géis ou emulsões, o qual deve ser umedecido e aplicado 
sobre a pele. Após a aplicação, sofre swelling e após ser deixado por determinado 
período na área pode ser retirado com água. Pode ser aplicado para limpeza de 
pele e para incorporação de ativos hidrofílicos, para o tratamento de pele oleosa e 
acnéica, para hidratação remoção de maquiagem, para peeling e tratamento de 
pele sensível, veiculando ativos hidrofílicos como por exemplo, alfa e beta 
hidroxiácidos, queratina hidrolisada, entre outros. 
 
O emprego de patches associado ao mecanismo da iontoforese é a proposta da 
empresa Biotec Dermocosméticos, que comercializa no Brasil o produto 
denominado Power Paper®, um patch que utiliza a microeletrônica para 
tratamento estético, o qual é acionado logo após a colocação na pele, e, sob ação 
da temperatura corpórea é acionado e, sob efeito da iontoforrese, promove 
aumento da hidratação e firmeza em apenas 20 minutos. Através de um campo 
elétrico de baixa voltagem (3V), obtido por um diferencial de cargas, ocorrem os 
fenômenos da eletrorepulsão, eletroosmose e difusão, facilitando a permeação de 
água e moléculas de ativos carregados além de também estimular a circulação 
local, promovendo melhora visível na região onde foi aplicado (BIOTEC, 2010). 
Alguns exemplos de patches disponíveis no mercado nacional e internacional 
estão incluídos no quadro 1. 
 
 
 
 
 
Quadro 1. Exemplos de patches cosméticos disponíveis no mercado nacional e 
internacional 
Nome do Produto Ativo (s) veiculado (s)/Proposta Imagem 
LÓRÉAL Perfect Slim
Patch® 
Cafeína/Tratamento da HLDG 
* 
New SPA Skin Care® Colágeno, ácido hialurônico/Anti-
envelhecimento 
** 
Verseo Flawless Skin 
Firming Patches® 
Ativos não informados/Ação 
hidratante, firmadora 
*** 
MD Skincare Instant 
Beautification Lip Area 
Firming Patch 
Múltiplos ativos/Hidratação e 
firmeza 
**** 
POWER PATCH (BIOTEC) Múltiplos ativos/Hidratação e 
firmeza 
***** 
Thalgo Thalgogive 
Restructuring Firming 
Patches 
Pro-colágeno marinho, óleo de 
damasco, extrato de Imperata 
cylindrica 
****** 
Natural Patches of Vermont® Aplicação ampla: cosmetologia, 
aromaterapia, medicinal. 
Veiculação de blend de óleos 
essenciais. 
******* 
http://www.microsofttranslator.com/bv.aspx?from=&to=pt&a=http://www.naturalpatchesofvermont.com/node/542
Fontes: *http://blog.setecosmetic.com.br/?p=85;**http://www.new-spa.us/item/skin-care-products-collagen-
ma/super-hydrating-collagen-eye-p/lid=5999215;***http://www.verseo.com/verseo-flawless-skin-firming-
patches.html;****http://www.beautyflashshop.co.uk/cat-face-and-body/eyes-and-lips/instant-beautification-lip-
area-firming-
patch.html?ref=shopzilla;*****http://www.biotecdermo.com.br/default.aspx;******http://br.ozcosmetics.com/Thal
go/Thalgogive-Restructuring-Firming-Patches-Tamanho-profissional-
/128945;*******http://www.naturalpatchesofvermont.com/node/95 
3 METODOLOGIA 
Foi realizado levantamento bibliográfico, que segundo Severino (2008) é aquele 
que se realiza a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, 
em documentos impressos, como, livros, artigos, tese, etc. Utilizou-se de dados ou 
de categorias teóricas já trabalhadas por outros pesquisadores e devidamente 
registrados. Os textos tornam-se fontes dos temas a serem pesquisados e o 
pesquisador trabalha a partir das contribuições dos autores dos estudos analíticos 
constantes do texto. Assim, foi realizado levantamento bibliográfico em periódicos 
nacionais e internacionais, livros e sites que abordam o assunto sobre o emprego 
de patches na cosmetologia. 
 
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Impulsionada por um mercado cada vez mais exigente, a indústria de produtos 
cosméticos incessantemente direciona suas pesquisas para a obtenção de 
produtos que sejam realmente capazes de veicular ativos com alto desempenho 
na pele, ou seja, que apresentem eficácia aliada à segurança. Estes aspectos vêm 
sendo salientados desde a década de 1980, quando Kligman utilizou pela primeira 
vez o termo cosmecêutico (RIBEIRO, 2010). 
 
Seguindo a tendência da busca pela eficácia dos produtos dermocosméticos, 
buscou-se mais uma vez na área farmacêutica a proposta de um sistema 
realmente capaz de potencializar a ação dos ativos sobre a pele e nas diferentes 
http://www.naturalpatchesofvermont.com/node/95
camadas da pele. Tais sistemas ou dispositivos são denominados de adesivos ou 
patches trandérmicos na área farmacêutica e são chamados de patches 
intradérmicos pela indústria cosmética. Independente do termo escolhido, o 
mecanismo de ação e a tecnologia de preparo e estrutura são idênticos. Trata-se 
de sistemas que aderem sobre a pele, formados por diferentes camadas de filmes 
poliméricos, contendo ou não um sistema reservatório, proporcionando contato 
íntimo da formulação com o estrato córneo, por um determinado período de tempo 
e com controle da razão de liberação destes ativos (GUERET, 2000). 
 
Interessante aplicação para um patch foi relatada no trabalho de Bian et al. (2003), 
que relata a veiculação do ácido gentísico, um agente despigmentante, 
antioxidante e estimulador da renovação celular, derivado da hidroquinona. Este 
ativo tem se mostrado seguro e tem sido empregado para diversos tipos de 
desrodens de pigmentação, incluindo o melasma induzido por radiação UV. 
 
Patches veiculando blends de óleos essenciais são vendidos pela empresa norte-
americana Natural Patches of Vermont. Inclui uma ampla linha direcionada para 
tratamento cosmético e aromaterapêutico. Este tipo de ativo foi veiculado e 
avaliado por Shcherbina; Roth; Nussinovich (2010) em patches compostos por 
goma caraia, amido como diluente e outros excipientes, contendo o óleo essencial 
de lavanda. O questionamento dos autores envolveu a possibilidade de a 
veiculação de altas cargas de óleo essencial comprometer aspectos físicos e 
mecânicos do patch (adesividade, elasticidade, etc..). Concluíram que a adição de 
amido de batata como diluente possibilitou a veiculação de até 10% de óleo nos 
patches sem perda de integridade e de propriedades mecânicas ou aderência na 
pele. 
 
Além dos artigos citados acima, foram relatadas algumas patentes, da empresa 
francesa L´Oréal (GUERET, 2000, 2003, 2008; AUBRUN-SONNEVILLE, 2010), 
que descrevem patches hidrofílicos, solúveis em água e patches hidrofóbicos, 
apropriados para veiculação de ativos instáveis e que sofrem oxidação facilmente. 
Percebe-se que mais uma vez a empresa L´Oréal salienta-se na área de pesquisa 
e inovação em produtos cosméticos, não só pelas patentes requeridas, mas por 
disponibilizar no mercado de cosméticos este tipo de produto. 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Buscou-se neste trabalho realizar um levantamento bibliográfico do estado da arte 
dos patches cosméticos. Embora a aplicação de produtos transdérmicos esteja há 
décadas consolidada no emprego de fármacos, na área cosmética não existem 
trabalhos clínicos avaliando estes dispositivos. 
 
Foram relatados alguns artigos científicos que abordam diretamente o 
desenvolvimento e a avaliação física ou físico-química da performance de patches 
para emprego cosmético (BIAN et al., 2003; SHCHERBINA; ROTH; 
BATCHELDER et al., 2004; VIYOCH et al., 2005; NUSSINOVICH, 2010) e 
algumas patentes (GUERET, 2000; 2003; 2008; AUBRUN-SONNEVILLE, 2010). 
Foram encontrados vários sites de empresas que distribuem patches cosméticos, 
especialmente no mercado internacional. Esta escassez de informações mostra 
quanto é nova e necessária esta abordagem, especialmente para o mercado 
brasileiro 
 
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i07-nfnanocapsulas.pdf
Infarma, v.16, nº 13-14, 200580
1. INTRODUÇÃO
A busca do ser humano pela beleza é algo que sempre
existiu, mesmo quando não eram disponíveis os recursos que te-
mos, hoje em dia. No entanto, nos últimos tempos, é evidente o
aumento da preocupação de mulheres e homens com a aparência
visual. Esta postura começa com um maior cuidado com a pele,
seja no intuito de corrigir imperfeições, seja na tentativa de preve-
nir e/ou retardar o aparecimento dos sinais de envelhecimento.
Esta “nova ordem” se explica, em parte, pela ampla divulgação de
padrões de beleza, e pela maior valorização da aparência pelo
mercado de trabalho.
Nos últimos anos, têm ocorrido avanços na área cosmeto-
lógica, realizados pelas empresas de ponta do setor, sendo esta
uma área em franca expansão com fins dos mais lucrativos. Um
marco fundamental para a indústria cosmética está centralizado
em pesquisas de novos sistemas para incorporação de ativos cos-
méticos (MAGDASSI, 1997).
NANOCÁPSULAS COMO UMA TENDÊNCIA
PROMISSORA NA ÁREA COSMÉTICA:
A IMENSA POTENCIALIDADE DESTE
PEQUENO GRANDE RECURSO
CLARISSA SCHMALTZ1.
JUCIMARY VIEIRA DOS SANTOS2.
SÍLVIA STANISÇUASKI GUTERRES3.
1. Acadêmica do Curso de Farmácia - Faculdade de Farmácia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
UFRGS.
2. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas, Faculdade de Farmácia -
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS.
3. Professor Doutor, disciplina de Farmacotécnica e Cosmetologia, Faculdade de Farmácia, UFRGS,
90.610-000, Av. Ipiranga 2752, Porto Alegre - RS – Brasil.
Autor responsável (S.S. Guterres) E-mail: nanoc@farmacia.ufrgs.br
A evolução da tecnologia tem permitido a produção de
formulações cosméticas mais eficazes e estáveis, solucionando
problemas estéticos pela diversificação na possibilidade de esco-
lha dos produtos, desde os tradicionais hidratantes, os autobron-
zeadores, anti-rugas, e os recentes produtos para tratamentos di-
recionados à prevenção da celulite, estrias, gordura localizada e
outros.
Os avanços nas pesquisas cosméticas refletem uma ten-
dência tecnológica mundial em todos os setores de produção, que
pode ser traduzida em “quanto menor, melhor”. Denomina-se esta
revolução de nanotecnologia, cujo termo é originário de uma unida-
de de medida que equivale a 10-9 metros (um milionésimo de milí-
metro). O que pode nos oferecer? Quais as vantagens? A resposta
é uma infinidade de benefícios e facilidades em todas as áreas de
atuação, desde chips de computadores cada vez menores, até sis-
temas mais eficientes para veicular e aumentar a eficácia de fárma-
cos no organismo.
Dentre os sistemas propostos, encontra-se uma nanoes-
81Infarma, v.16, nº 13-14, 2005
trutura chamada nanocápsula, que, aos poucos, começa a ser um
sistema tecnológico disponível para incorporação de substâncias
ativas, resultando no surgimento de alguns produtos no mercado.
Em se tratando de produtos cosméticos, a substância ativa, ao
invés de ser adicionada diretamente no veículo cosmético, ou seja,
na forma livre, é encapsulada em vesículas nanométricas – as nano-
cápsulas.
Estas vesículas proporcionam um modo diferente de car-
rear e distribuir as substâncias ativas, oferecendo vantagens: 1)
protegem o ativo da degradação por diminuir seu contato com o
restante da formulação, 2) proporcionam uma maior performance
da substância ativa na pele por permitirem uma liberação gradual
da substância, concomitantemente com o aumento do tempo de
contato com a pele, evitando possíveis irritações locais que pode-
riam ocorrer, se o ativo estivesse livre, isto é, se todo ele estivesse
disponível para agir, de uma só vez (CUA et al., 1990; KUMAR,
2000; LBOUTONNE et al., 2002; JIMÉNEZ et al., 2004).
O material técnico-científico disponível sobre nanocápsu-
las é abundante no que diz respeito a estas nanoestruturas como
carreadoras de fármacos (KREUTER, 1994; SOPPIMATH et al.,
2001), havendo diversos estudos demonstrando a sua eficácia te-
rapêutica e tecnológica. Por outro lado, ainda existem poucos tra-
balhos a respeito destas vesículas poliméricas como sistemas car-
readores para substâncias com finalidade de uso na cosmetologia,
tendo apresentado resultados animadores quanto ao seu desempe-
nho quando adicionadas a veículos para aplicação tópica sobre a
pele. Na verdade, a maioria das pesquisas tem seu foco centraliza-
do pelos laboratórios fabricantes de cosméticos – pesquisas às
quais não se tem acesso devido à proteção das informações sobre
formulações por parte das empresas.
Desta forma, este trabalho busca demonstrar as aplicações
cosméticas das nanocápsulas no mercado brasileiro, procurando
evidenciar os seus benefícios e potencialidades, nesta área, carac-
terizando as nanoestruturas aplicadas a cosméticos. Para tanto,
buscou-se em bases de dados o material técnico-científico disponí-
vel a respeito, juntamente com um levantamento dos produtos
disponíveis no mercado cosmético contendo nanocápsulas.
2. DEFINIÇÕES
2.1 A pele
A pele é o principal alvo, no corpo humano, de agressões
exógenas, protegendo-nos de fatores climáticos nocivos, como o
frio e vento, de radiações ultravioleta e da perda de água endógena.
É composta por três camadas: epiderme, derme e hipoderme. A
epiderme é o tecido superficial da pele, e sua camada superior, o
estrato córneo, é uma barreira efetiva contra um vasto número de
substâncias (WELSS et al., 2004).
Além dos fatores externos acima citados, há diversas con-
dições que influenciam as características da pele e suas proprieda-
des biomecânicas, tais como sexo, idade, área corporal, caracterís-
ticas genéticas e patologias
(MANSCHOT & BRAKKEE, 1987;
CUA et al., 1990; PIÉRARD & LAPIÈRE, 1997; WISSING &
MÜLLER, 2003). A epiderme possui um importante papel na
resistência da pele a agressões mecânicas, e esta resistência é de-
pendente de suas propriedades hidrofílicas e lipofílicas (LÉVE-
QUE & DE RIGAL, 1985; WISSING & MÜLLER, 2003), por
isso um aumento na hidratação e nutrição melhora a resistência
contra deformações (WISSING & MÜLLER, 2003).
A aplicação de cosméticos é um recurso importante para a
manutenção da saúde da pele e, conseqüentemente, de sua beleza.
Através deles pode-se mantê-la hidratada e nutrida. Para o desen-
volvimento de novos produtos cosméticos, seus efeitos positivos
na hidratação e viscoelasticidade da pele são importantes critérios
a serem considerados (EDWARDS & MARKS, 1995; WISSING
& MÜLLER, 2003). Estes efeitos podem ser influenciados por
veículos adequados ou pelos ativos que são incorporados na for-
mulação (WISSING & MÜLLER, 2003).
Neste contexto, veículos com propriedades de liberação
controlada de substâncias ativas podem ser de grande utilidade
para formulações dermatológicas (JENNING et al., 2000). Subs-
tâncias ativas irritantes, tais como peróxido de benzoíla (WES-
TER et al., 1991; JENNING et al., 2000) ou tretinoína (MASINI
et al., 1993; SCHÄFER-KORTING et al., 1994; JENNING et al.,
2000), tendem a ser menos irritante se aplicadas em sistemas de
liberação controlada, que também podem reduzir a absorção sistê-
mica da substância (EMBIL & NACHT, 1996; JENNING et al.,
2000).
Em geral, o principal propósito de um cosmético é prote-
ger, modular e retardar o processo de envelhecimento da pele (DA-
NIELS, 2001). Para protegê-la das agressões, um produto cosmé-
tico apropriado deve conter componentes com atividade específi-
ca, distribuindo e causando adesão ou penetração das moléculas
ativas na epiderme, a fim de obter melhores resultados (MAG-
DASSI, 1997).
2.2 Sistemas de liberação de substâncias ativas na pele
Pode-se dizer que o desenvolvimento de novos sistemas
de liberação em cosméticos foi influenciado principalmente pelo
estudo de novos tensoativos sintéticos e pela maior compreensão
da estrutura e função da pele em relação à absorção percutânea,
tendo sido intensamente estudados, ao longo dos anos (NACHT,
1995; MAGDASSI, 1997).
Entre os fatores que afetam a absorção cutânea estão as
propriedades físico-químicas do próprio ativo, as especificações
do veículo, e o estado fisiológico da pele. As emulsões foram os
primeiros sistemas de liberação de ativos cosméticos na pele, e
constituem uma dispersão cuja fase dispersa é composta por gotí-
culas de um líquido, distribuídas em um veículo no qual é imiscível,
a fase dispersante, (ANSEL et al., 2000) por intermédio de um
tensoativo.
O veículo pode exercer uma forte influência no resultado
esperado de um produto, demonstrando ser uma ferramenta chave
para o desenvolvimento de formulações. Aliado à importância da
qualidade e do avanço tecnológico, um outro fator a se destacar é
que a característica externa do produto final representa um aspec-
to relevante nas formulações.
Desta forma, a inovação de produtos cosméticos não é
medida apenas pela performance dos componentes ativos e do
excipiente, mas também pelo impacto psicológico sobre o consu-
midor (MAGDASSI, 1997). Devido ao exposto, atualmente, as
formulações para o cuidado da pele devem satisfazer altos padrões
de eficácia, compatibilidade com a pele e apelo estético e sensorial.
Nos últimos anos, a performance e o marketing estão alia-
dos aos produtos destinados ao cuidado da pele. Novos excipien-
tes, refinadas técnicas de processamento e um melhor conheci-
mento das propriedades físico-químicas têm levado ao desenvol-
vimento de novos conceitos.
As nanoemulsões, nanopartículas lipídicas, lipossomas e
nanocápsulas são exemplos de alguns dos avanços resultantes de
pesquisas, já estando presentes em produtos contemporâneos para
o cuidado da pele (DANIELS, 2001).
Os lipossomas consistem de pequenas vesículas esféricas
compostas por uma bicamada de fosfolipídios envolvendo um
centro aquoso. São estudados há mais tempo e têm sido largamen-
te utilizados em cosméticos, entretanto, altas doses de fosfolipídi-
os aplicados topicamente por um longo período podem levar a
irritações na pele normal e seca. Igualmente, tem sido mencionado
Infarma, v.16, nº 13-14, 200582
que devido a um mecanismo de feedback bioquímico, a aplicação
de fosfolipídios em longo prazo pode ter um impacto no metabo-
lismo lipídico da derme (DANIELS, 2001).
Além do mais, o trabalho de desenvolvimento de liposso-
mas tem sido limitado, devido a problemas inerentes à sua estrutu-
ra, tais como uma baixa eficiência na encapsulação e pobre estabi-
lidade, durante o armazenamento (SOPPIMATH et al., 2001;
WEISS, 2001).
Diante do exposto, recentemente, as nanopartículas poli-
méricas biodegradáveis, dentre as quais as nanocápsulas, têm atra-
ído uma atenção considerável, em relação aos lipossomas, como
dispositivos potenciais para a liberação de moléculas ativas no
organismo (SOPPIMATH et al., 2001; SCHAFFAZICK et al.,
2003).
2.3 O que são nanocápsulas?
São estruturas coloidais constituídas por vesículas de um
fino invólucro de polímero biodegradável e uma cavidade central
com núcleo oleoso, no qual a substância ativa encontra-se dissolvi-
da, sendo, por isso, consideradas um sistema reservatório, o qual
apresenta diâmetro submicrométrico, variando entre 10 a 1000
nm. O componente ativo representado na Figura 1, ao invés de
estar dissolvido na cavidade central oleosa, pode se adsorver à
parede polimérica (SOPPIMATH et al., 2001; WEISS, 2001;
SCHAFFAZICK et al., 2003).
Também, é possível desenvolver nanocápsulas lipofílicas
contendo um núcleo aquoso, como demonstraram LAMBERT et
al. (2000), utilizando poliisobutilcianoacrilato, o que aumenta o
número de substâncias que podem ser carreadas. Por outro lado,
há várias pesquisas voltadas para a preparação de nanopartículas
utilizando polímeros hidrofílicos, como a quitosana (KUMAR,
2000; SOPPIMATH et al., 2001).
FIGURA 1 - Representação esquemática de nanocápsulas com a substância
ativa: (a) adsorvida à parede polimérica, e (b) dissolvida no núcleo oleoso.
As nanocápsulas começaram a ser estudadas como siste-
mas carreadores de fármacos, em meados dos anos 90 (KREU-
TER, 1994; KUMAR, 2000; SOPPIMATH et al., 2001; RA-
FFIN et al., 2003). Nos últimos anos, pesquisadores têm buscado
o controle da liberação de substâncias em sítios de ação específicos
no organismo, com o propósito de melhorar o resultado da terapia
farmacológica (KREUTER, 1994; SOPPIMATH et al., 2001), e
os sistemas poliméricos nanoparticulados, como as nanocápsulas,
apresentam aplicações potenciais para a administração de molécu-
las terapêuticas (SOPPIMATH et al., 2001; SCHAFFAZICK et
al., 2003).
Com o desenvolvimento destes novos sistemas, existe a
possibilidade de se vetorizar uma substância ativa, ou seja, buscar
uma liberação seletiva desta em órgãos (por exemplo, a pele), teci-
dos ou células, direcionando-a ao local específico do corpo no qual
sua atividade se faça necessária. Deste modo, é possível aumentar
a eficácia e diminuir a toxicidade da substância por proporcionar
um aumento da concentração da mesma em sítios específicos e/ou
a redução dos efeitos tóxicos em sítios não-específicos (KREU-
TER, 1994).
Somando-se também que na área cosmética as nanocápsu-
las despertaram um grande interesse, por parte de fabricantes,
como uma nova opção para obter melhores resultados de seus
produtos. Laboratórios de grande porte em todo o mundo aposta-
ram na idéia de pesquisar o desempenho destas nanoestruturas em
suas formulações, resultando em diversos produtos baseados nes-
te recurso.
3. COMO AS NANOCÁPSULAS SÃO PREPARADAS
E QUAIS AS MATÉRIAS-PRIMAS UTILIZADAS
A discussão pormenorizada das técnicas de preparação de
nanocápsulas vai além do âmbito desta revisão. A obtenção das
nanocápsulas tem sido realizada por duas técnicas principais, que
são a deposição
interfacial de polímeros pré-formados (ESPUE-
LAS et al., 1997; QUINTANAR-GUERRERO et al., 1997; QUIN-
TANAR-GUERRERO et al., 1998; MARCHAIS et al., 1998;
SANTOS-MAGALHÃES et al., 2000), e a polimerização interfa-
cial de monômeros dispersos. Independentemente do método de
preparação, os produtos são obtidos como suspensões coloidais
aquosas (GALLARDO et al., 1993; CHOUINARD et al., 1994;
LENAERTS et al., 1995; SAKUMA et al., 1997; LAMBERT et
al., 2000; SCHAFFAZICK et al., 2003).
Nas pesquisas que verificam o efeito de nanocápsulas em
formulações para aplicação tópica, a técnica de deposição interfa-
cial é a mais freqüente, até o momento, sendo que o polímero
utilizado é geralmente a poli(epsilon-caprolactona) (ALVAREZ-
ROMAN et al., 2001; LBOUTOUNNE et al., 2002; JIMÉNEZ et
al., 2004).
Vale salientar a possibilidade de acrescentar como metodo-
logia a tecnologia de produção de nanopartículas utilizando fluído
supercrítico, que se apresenta como um assunto de interesse na
área, devido à sua propriedade de fornecer nanopartículas atóxi-
cas. Métodos convencionais, tais como a polimerização in situ,
freqüentemente requerem a utilização de solventes tóxicos e/ou
tensoativos.
Portanto, algumas pesquisas têm direcionado esforços para
desenvolver a encapsulação de forma segura no que tange à com-
posição do meio em que é realizada a produção das nanoestrutu-
ras. Fluídos supercríticos estão se tornando alternativas atrativas,
por proporcionarem um modo de fácil produção, e o método pode
ser utilizado para processar partículas com alta pureza e sem ne-
nhum traço de solventes orgânicos, de uma maneira economica-
mente viável (SOPPIMATH et al., 2001).
4. APLICAÇÕES COSMÉTICAS
4.1 Artigos científicos
Na busca por material científico indexado em bancos de
dados, foram encontrados poucos trabalhos direcionados especifi-
camente a nanocápsulas em cosméticos. A escassez de informa-
ções técnico-científicas talvez possa ser explicada pelo fato de que
a utilização de nanocápsulas em cosméticos é bem mais recente
que o uso das mesmas em fármacos, para os quais já há um número
bem maior de estudos publicados. A busca pelos artigos científicos
foi realizada, através do acesso a bancos de dados (ISI Web of
ScienceÒ e Pub Med).
ALVAREZ-ROMAN et al. (2001) estudaram nanocápsu-
las contendo metoxicinamato de octila (OMC), um filtro solar
lipofílico, verificando que estas proporcionaram uma liberação
83Infarma, v.16, nº 13-14, 2005
contínua da substância em um modelo utilizando pele de porco. A
intenção do estudo foi verificar o efeito das nanocápsulas na foto-
proteção. Foi observado que a proteção contra eritema induzido
por radiação ultravioleta foi significativamente maior (p < 0.05) a
partir do gel contendo nanocápsulas, as quais foram produzidas
utilizando poli(epsilon-caprolactona) pelo método de deposição
interfacial. A taxa de encapsulação foi alta (99 ± 1% da concentra-
ção inicial de OMC), sendo obtidas nanocápsulas com um diâme-
tro médio de 300 nm. Segundo os autores, os resultados apresen-
tados sugerem que as nanopartículas, devido à sua alta área super-
ficial específica, são capazes de cobrir eficientemente a superfície
da pele e melhorar a habilidade do protetor solar em inibir o erite-
ma. Os pesquisadores destacaram que os resultados deste estudo
enfatizam o potencial de nanocápsulas como novos sistemas de
distribuição de substâncias ativas na pele.
Em outro estudo sobre nanocápsulas contendo OMC, JI-
MÉNEZ et al. (2004) compararam o desempenho do ativo na
forma livre e na forma encapsulada, sendo preparadas quatro emul-
sões A/O e O/A contendo OMC. A técnica utilizada para preparar
as nanocápsulas foi a de deposição interfacial, utilizando
poli(epsilon-caprolactona), e as formulações foram aplicadas em
pele de porco num estudo in vitro. As nanocápsulas obtidas apre-
sentaram um diâmetro médio de 374 nm e uma alta percentagem de
encapsulação (97,52%).
Os autores verificaram que as nanocápsulas diminuíram a
penetração cutânea do OMC, retendo esta substância na superfí-
cie da pele, o que é fundamental para uma efetiva fotoproteção.
Além disso, proporcionaram uma liberação contínua aumentando,
conseqüentemente, o tempo de contato do ativo com a superfície
da pele. Diante dos resultados, os pesquisadores salientaram que
emulsões contendo nanocápsulas podem ser utilizadas como car-
readores de moléculas ativas, sendo novos tipos de sistemas de
aplicação de substâncias na pele. Os dados demonstram que a
aplicabilidade das nanocápsulas em produtos destinados à foto-
proteção representa um vasto potencial de mercado.
Nanocápsulas contendo o antisséptico clorexidina aumen-
tam o tempo de contato desta substância com a pele, como verifi-
caram LBOUTOUNNE et al. (2002) utilizando pele de porco. As
nanoestruturas foram preparadas utilizando poli(epsilon-capro-
lactona), através do método de deposição interfacial, e proporcio-
naram uma liberação contínua da substância por pelo menos 8
horas. Houve uma alta taxa de encapsulação do antisséptico, cor-
roborando com JIMÉNEZ et al. (2004). A concentração residual
de clorexidina no estrato córneo foi três vezes maior utilizando a
suspensão de nanocápsulas em hidrogel em relação à formulação
contendo a substância ativa não-encapsulada, proporcionando uma
atividade antimicrobiana tópica prolongada contra Staphylococcus
epidermidis.
Segundo BOUCHEMAL et al. (2004), o alfa-tocoferol
(vitamina E) é largamente utilizado como antioxidante em muitos
cosméticos, mas apresenta uma rápida degradabilidade, devido à
sua sensibilidade à luz, ao calor e ao oxigênio. Os pesquisadores
relatam que carreadores capazes de encapsular substâncias ativas,
tais como nanocápsulas, são uma oportunidade atraente para pro-
teger moléculas contra a degradação.
Este grupo de pesquisa produziu nanocápsulas de alfa-
tocoferol, utilizando o polímero poliuretano e poli(éter uretano),
através de uma nova técnica que engloba a policondensação inter-
facial (MONTASSER et al., 2001) combinada com emulsificação
espontânea. Os autores verificaram que o método oferece numero-
sas vantagens, quando comparado à técnica clássica de policon-
densação interfacial.
Eles destacam que uma das vantagens destes sistemas na-
nométricos está em apresentar uma enorme área superficial, o que
torna tais dispositivos convenientes para importantes aplicações
cosméticas e farmacêuticas, bem como formulações tópicas de subs-
tâncias lipofílicas encapsuladas para uma liberação homogênea.
4.2 Mercado
Se, por um lado, encontrou-se pouco material científico
sobre o tema, por outro, verificou-se que há várias empresas do
setor cosmético investindo em pesquisas para identificar quais os
benefícios que as nanocápsulas podem oferecer. Empresas do ramo,
em todo o mundo, estão demonstrando interesse em desenvolver
formulações contendo este recurso, colocando à disposição do
consumidor linhas de cosméticos em que destacam as vantagens
das nanocápsulas como o diferencial do produto (Tabela 1). Tudo
isso parece indicar que os estudos independentes realizados por
estas empresas sustentam um resultado positivo quanto aos efei-
tos que as nanocápsulas podem proporcionar.
TABELA 1 - Vantagens oferecidas pelos
sistemas nanoencapsulados.
Aumento da eficácia dos produtos.
Melhoria na resistência natural da pele, ajudando a
reparar e a fortalecer camadas mais profundas
Incremento na eficácia de ação da substância.
Aumento da estabilidade e eficiência de ação do ativo.
Liberação gradual em doses favoráveis.
Foi realizado um levantamento no mercado nacional e internacional,
a fim de apresentar uma relação de empresas cosméticas que
comercializam produtos baseados em nanocápsulas. Laboratórios,
como L’Oreal Paris e Lancôme, disponibilizam diversos produtos
oferecendo as vantagens da nova tecnologia. Nas preparações
cosméticas mais variadas, como creme, gel, gel-creme, loções e até
sprays, encontram-se ativos como as vitaminas A e E, triceramidas,
retinol e beta-caroteno contidos em nanocápsulas, conforme
apresentado na Tabela 2.
TABELA 2. Nanocápsulas no mercado de cosméticos.
EMPRESA ATIVOS
FORMAS
COSMÉTICAS
L’Oreal Paris
Lancôme
Vichy
Ziaja Cosmetics
Matis
Vitaminas A e E, retinol,
beta-caroteno
Vitaminas A e E, retinol,
beta-caroteno, ceramidas,
licopeno
Vitamina A
Retinol
Complexo de despigmentação
Creme, loção
Creme, gel,
gel-creme, loção,
spray
Creme
Creme
Creme
As vantagens apontadas pelas empresas (Tabela 1) são
o fato de que as nanocápsulas preservam as propriedades origi-
nais dos ativos nelas contidos por um período maior, por melho-
rarem sua estabilidade, carreiam os ativos às camadas mais pro-
fundas da pele, fazendo com que a ação dos mesmos seja mais
efetiva, e asseguram a liberação gradual dos ativos em doses favo-
ráveis para prevenir irritações de pele e prolongar sua ação. Pode-
se citar o caso das nanocápsulas de vitamina E produzidas pela
Lancôme, às quais atribui-se a capacidade de liberar uma quanti-
Infarma, v.16, nº 13-14, 200584
dade de ativo até trinta vezes maior nas camadas internas da
epiderme.
Durante a pesquisa, evidenciou-se a existência de empre-
sas que comercializam nanocápsulas para aplicações cosméticas.
Há um laboratório especializado em comercializar nano e micro-
cápsulas, sediado em Berlin (Capsulution NanoScience AG). A
empresa destaca seu método único de encapsulação, com tecno-
logia patenteada, salientando o potencial de seus produtos como
sistemas de distribuição para utilização em cosméticos funcio-
nais e medicamentos e, também, para aplicação em outros tipos
de produtos, como nutracêuticos, material para diagnóstico, bio-
sensores, catalizadores, papel e tinta.
Outra empresa, Lipotec S.A., localizada na Espanha, co-
mercializa nanocápsulas de retinol para utilização em cosméti-
cos, além de desenvolver tecnologias focadas em aplicações far-
macêuticas e em indústrias de alimentos. A existência de empre-
sas do gênero pode indicar uma tendência em adotar a nanotecno-
logia como ferramenta de uso corrente num futuro próximo.
5. CONCLUSÕES
A nanotecnologia está sendo um dos principais recursos
para o desenvolvimento e inovação na área cosmética. As empre-
sas do ramo destinam recursos para pesquisar esta nova opção
tecnológica, sinalizando uma opção importante no combate à de-
preciação celular cutânea.
Com base no que foi relatado nas pesquisas científicas
citadas, as nanocápsulas são capazes de melhorar a distribuição,
na pele, das substâncias incorporadas aos cosméticos. Os estu-
dos confirmam propriedades atribuídas às nanocápsulas pelas
empresas que as comercializam em seus produtos: um aumento
no tempo de retenção de substâncias ativas, proporcionando um
contato mais duradouro do ativo com a pele; um controle da
liberação, fazendo com que haja uma distribuição gradual da subs-
tância, e uma maior proteção da molécula ativa contra possíveis
degradações provenientes do meio. Por todos os dados descritos,
as nanocápsulas apresentam-se como um novo e eficiente siste-
ma de liberação de ativos na pele.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Josenir Monteiro, Vanessa dos Santos.pdf
1 
 
NANOCOSMÉTICOS 
 
Josenir Rodrigues Monteiro¹: Acadêmica do Curso de Tecnologia em Cosmetologia e 
Estética, da Universidade do Vale do Itajaí, Balneário Camboriú, Santa Catarina (Univali). 
Vanessa Rodrigues dos Santos² :Acadêmica do Curso de Tecnologia em Cosmetologia e 
Estética, da Universidade do Vale do Itajaí, Balneário Camboriú, Santa Catarina (Univali). 
Denise Kruger Moser³: Tecnóloga em Cosmetologia e Estética; Professora do Curso de 
Tecnólogo em Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí, Balneário 
Camboriú, Santa Catarina . 
Contatos: 
¹josie_1704@hotmail.com 
²vanessarsantos@yahoo.com.br 
³denise.moser@univali.br 
 
Resumo: A busca pela eterna juventude ou mesmo por uma pele e cabelos saudáveis são 
desafios lançados pelos consumidores de produtos cosméticos constantemente ao mercado da 
indústria cosmética. Segundo a ABIHPEC o Brasil encontra-se em terceiro lugar no ranking 
mundial em consumo de cosméticos e o desenvolvimento de novas tecnologias é esperado 
para este setor. Pode-se citar a Nanotecnologia ou os Nanocosméticos, uma inovação 
tecnológica utilizada em vários setores da indústria utilizando-se de nanoestruturas. Estas 
nanoestruturas nos cosméticos, assim como também na indústria dos fármacos que podem ser 
definidas como nanopartículas, carreadores de princípios ativos que são cem mil vezes 
menores que a espessura de um fio de cabelo. Este universo ainda em estudo pode trazer 
muitos benefícios aos tratamentos cosméticos. O estudo foi desenvolvido por meio de 
pesquisa bibliográfica tendo como fonte de consulta para coleta dos dados, livros, cosméticos, 
sites da internet, revistas específicas e artigos correlacionados. Percebeu-se que apesar de já 
estar sendo utilizada pelas indústrias de cosméticos há algum tempo, ainda se faz necessário 
muitas pesquisas sobre o assunto e publicações de artigos para esclarecimentos como um 
todo. Empresas inovadoras nesta área como L’oréal e O Boticário já fazem uso de princípios 
ativos e matérias carreados em nanopartículas. A tecnologia parece ser do futuro, mas já está 
presente no cotidiano da sociedade. Porém os estudos em relação à toxicidade das 
nanoestruturas no organismo ainda não foram concluídos e a sociedade científica preocupa-se 
também com prováveis danos que os mesmos possam causar ao ser humano 
consequentemente. 
 
Palavras chaves: Nanotecnologia; Nanocosméticos; Produtos cosméticos. 
 
 
2 
1 INTRODUÇÃO 
 
Desde os tempos mais remotos, existe uma preocupação constante das pessoas com a 
sua aparência, que expressa seu estilo pessoal e as características individuais de elegância e 
irreverência. A exigência quanto à melhora na aparência torna-se mais intensa enquanto o ser 
humano busca melhor qualidade de vida e longevidade. A aparência é factível ao ser humano 
para sua auto-afirmação e aceitação. 
Em um mundo globalizado onde a ciência e tecnologia andam juntas, desenvolvem-se 
diariamente vários produtos destinados aos cuidados da pele e dos cabelos, ou seja, produtos 
desenvolvidos para efetivamente ajudarem nos cuidados com a aparência do ser humano. 
Para suprir ainda mais as necessidades de um público exigente e esperando resultados 
mais eficazes como penetração efetiva dos princípios ativos seja na pele ou nos cabelos, é que 
está sendo incluída também no mundo cosmético a nanotecnologia, que pode se tratar de algo 
revolucionário em se falando de tecnologia. 
Conforme relata Nunes (2009) as pessoas buscam uma “beleza inteligente” por meio 
de produtos produzidos com nanotecnologia que prometem penetrar na pele e promover 
verdadeiros milagres como: cremes anti-rugas, para o clareamento das manchas, para a 
redução da celulite, novidades em produtos para coloração de cabelos. 
A nanotecnologia refere-se à tecnologia na qual a matéria é manipulada em escala 
atômica e molecular para criar novos materiais e processos com características funcionais 
diferentes dos materiais comuns. A nanotecnologia não trata apenas do estudo dessas 
entidades tão pequenas, mas da aplicação desse conhecimento (NEVES, 2008). 
O nanocosmético trata-se de uma formulação cosmética que veícula ativos ou outros 
ingredientes nanoestruturados e que apresenta propriedades superiores quanto a sua 
performance em comparação com produtos convencionais (SANTOS, 2010). 
O desenvolvimento do estudo foi realizado por meio de pesquisa bibliográfica e tem 
como objetivo fazer uma revisão na literatura existente sobre o assunto nanotecnologia 
utilizada na área cosmética, assunto este que ainda gera muitas dúvidas para os profissionais 
da cosmetologia e estética e até mesmo pode estar gerando para o próprio consumidor, por 
isso é de extrema importância dar continuidade ao desenvolvimento das pesquisas para 
avaliação da eficácia e da segurança, bem como divulgação e esclarecimento de como esta 
estrutura possa estar levando o ativo a camadas mais profundas da pele, pois mesmo 
3 
apresentando uma melhor performance em relação aos produtos cosméticos convencionais 
ainda gera muitas dúvidas em questão da sua toxicidade. 
 
 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
 
A nanotecnologia é um
dos principais focos das atividades de pesquisa, 
desenvolvimento e inovação em todos os países industrializados do mundo. Os investimentos 
superam dois bilhões de dólares por ano e o seu desenvolvimento tem sido apontado como 
uma nova revolução tecnológica, que em ritmo acelerado de crescimento, simboliza uma área 
estratégica para economias consolidadas e emergentes, promovendo uma competição 
tecnológica mundial, dentro de um mercado de um trilhão de dólares estimados para o período 
entre 2010 e 2015 (RAMOS; PASSA, 2008). 
 O vocábulo nanotecnologia vem de nanômetro, medida que equivale à bilionésima 
parte do metro, algo, quase 100 mil vezes, menor do que a espessura de um fio de cabelo. 
Também pode ser entendida como a arte de manipular a matéria em nível atômico, 
construindo moléculas inéditas, com propriedades diferentes (GUAZELLI, 2010). 
 Segundo Ramos; Passa (2008), a nanotecnologia encontra aplicações em praticamente 
todos os setores industriais e de serviços, incluindo as nanopartículas, os revestimentos, 
catalisadores e nanocomponentes. 
A nanotecnologia brasileira produz resultados de vanguarda nas áreas farmacêutica e 
de interface com a biotecnologia, dentre os quais podem ser citados os nanocarreadores, 
usados em cosméticos e associados a medicamentos, como alguns quimioterápicos 
antitumorais (SANTOS, 2010). 
 
2.1 Evolução do Mercado cosmético 
 
Quando se refere a cosmético a gama de produtos é enorme, vem desde um simples 
produto de higiene oral (um mercado de quase 2 bilhões de reais no ano de 2006 e com 
grande expectativa de crescimento em até cinqüenta por cento em 2011) até uma máscara 
capilar ou até mesmo um batom que a embalagem pode ser considerada uma verdadeira jóia. 
A variedade é satisfatória para todos os gostos e classes sociais, isto porque a vaidade já 
nasceu com o ser humano resultando no desenvolvimento de cosméticos desde os tempos 
mais remotos da história (ABIHPEC, 2010; MARQUES, 2009). 
4 
Para Marques (2009) vale ressaltar que desde os tempos antigos já havia uma 
preocupação com a auto-imagem, pois o requinte e a vaidade, por exemplo, dos assírios 
chamavam a atenção sendo que os mesmo tinham o hábito de enfeitar a barba e os cabelos 
com fios de ouro ou prata caracterizando a realeza. 
Épocas, fatos, lendas e a busca pelo conhecimento marcam a história dos cosméticos, 
histórias e grandes feitos científicos asseguram interesses na descoberta e no melhoramento 
de matérias primas. Com a 1° Guerra Mundial houve uma grande mudança de atitude em 
relação ao uso dos cosméticos, eles tornavam-se respeitáveis. Em meados da década de 1929 
o mercado cosmético permaneceu como “mercado de especialidade” um mercado para a 
classe média alta (CARVALHO, 2006; DRUCKER, 2001). 
Segundo dados da ABIHPEC – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, 
Perfumaria e Cosméticos (2010) o consumo de produtos cosméticos no Brasil está entre os 
maiores consumidores a nível mundial. Por isso o mesmo está em constante desenvolvimento, 
pois encontramos hoje consumidores mais bem informados e exigentes. 
Pela busca acelerada por satisfazer um consumidor cada vez mais exigente e com a 
evolução da ciência e da tecnologia está em constante desenvolvimento há algum tempo o 
estudo e aplicação da Nanotecnologia em produtos cosméticos que prometem ação mais 
eficaz, menor tempo de uso, resultados mais satisfatórios e com todo essa necessidades de 
tecnologia foi aberto há 15 anos pela empresa francesa Lancôme, divisão de luxo da L’Oréal, 
o lançamento de um creme para o rosto transportado por nanocápsulas de vitamina E pura 
para combater o envelhecimento da pele. O desenvolvimento nanotecnológico foi feito na 
Universidade de Paris, que patenteou a inovação, licenciada pela empresa. Desde então vários 
gigantes do setor de cosméticos mundial investiram em pesquisa para desenvolver produtos 
nessa linha ( ERENO, 2008). 
 O mercado mundial de nanocosméticos em 2007 foi estimado em US$ 72 milhões, 
com previsão de chegar a uns US$ 140 milhões até 2012, nessa área, a maior quantidade de 
patentes é para produtos para o cabelo (GUAZELLI, 2010). 
O Boticário, foi a empresa que tomou a frente na utilização de nanotecnologia em seus 
produtos. Com investimento de R$14 milhões desenvolveu a linha Active com o lançamento 
do Nanoserum, poderoso anti-sinais, com nanotecnologia avançada, que permite uma 
distribuição mais homogênea e eficaz dos ingredientes ativos na pele e combate o 
envelhecimento (NUNES, 2010; SANTOS,2010). 
5 
A empresa Natura (2007) citada por Bento (2009, p. 11) dá ênfase ao resultado de suas 
pesquisas nas quais se aplicando a micro e a nanoencapsulação de fármacos na área 
cosmética, obteve uma série de vantagens como: 
Aumento da penetração do ativo no substrato (pele ou cabelo); liberação mais 
efetiva no ativo para o substrato (área de superfície); possibilidade de 
distribuição de ativos mais uniformes no substrato (pele ou cabelos); maior 
possibilidade de penetração causando melhora de eficácia biológica dos ativos; 
aumenta a solubilidade dos ativos, permitindo maior flexibilidade dos ativos na 
formulação; aumento da estabilidade físico-química. 
 
Segundo Santos (2010), os ativos dos produtos cosméticos na década de 70 chegavam 
apenas na camada córnea. Já com o passar dos tempos surgiram os alfa-hidróxidos ácidos que 
chegam até a camada granulosa e na camada espinhosa atuam os lipossomas dos cremes anti-
rugas, porém na camada basal que podem chegar as nanopartículas, como mostra figura 
abaixo: 
 
 
Figura 1: Camadas da pele. 
Fonte: SANTOS, 2010. 
 
Sendo assim, com o desenvolvimento de produtos em empresas brasileiras pioneiras 
no desenvolvimento desta nova geração de cosmético serve de exemplo para o setor 
cosmético e a tendência para a utilização cada vez mais de nanoestruturas em cosméticos que 
prometem a eficácia, em produtos cosméticos comparando-os com produtos que possuam os 
mesmos princípios ativos, porém, não a mesma tecnologia. 
 
 
 
6 
2.3 A Nanotecnologia 
Sant’anna (2007 apud BENTO, 2009) conceitua a nanotecnologia como sendo o 
estudo e a manipulação dos materiais quando reduzidos a partículas cujos tamanhos 
encontram-se na casa do nanômetro ou milionésimo do milímetro – número cem mil vezes 
menor que o diâmetro de um fio de cabelo. Em média um átomo mede de 0,2 a 0,4 
nanômetros, logo outra definição pode ser dada a ciência, por tratar-se da capacidade de 
manipular átomos e moléculas de forma a dar aos materiais propriedades diferentes das que 
eles apresentam em seu estado natural. 
Um dos segmentos que incluiu a nanotecnologia foi a indústria farmacêutica, segundo 
Duran; Marcato e Teixeira (2010) as nanopartículas no encapsulamento de fármacos têm se 
destacado nas últimas décadas devido a possibilidade da redução da toxicidade de drogas, 
liberação sustentada, além de aumento da eficácia do medicamento, diminuindo as 
quantidades terapêuticas necessárias. Além disso, esses sistemas nanoestruturados mostram 
propriedades interessantes devido à possibilidade de passagem de barreiras celulares por 
endocitose ou fagocitose em leucócitos, monócitos, macrófagos e outras células do organismo 
endotelial. 
A nanotecnologia farmacêutica teve início em meados da década de 1970 com os 
lipossomas como carregadores de fármacos hidro ou lipofílicos. Em 1980 surgiram as 
nanopartículas poliméricas carreadoras de fármacos lipofílicos, principalmente empregando 
polímeros biodegradáveis. Na década de 1990 surgiram as nanopartículas lipídicas sólidas. 
Cada um desses sistemas apresenta peculiaridades que devem ser consideradas na escolha do 
sistema de liberação (DURAN; MARCATO; TEIXEIRA, 2010). 
Segundo os autores a nanotecnologia não se restringe somente aos fármacos.
O 
desenvolvimento dos nanocosméticos vem se destacando e cada vez mais se ouve falar sobre 
a nanotecnologia aplicada nos cosméticos. 
 
2.4 Nanocosméticos 
Segundo Schmaltz (2005 apud MARCELINO, 2008) a nanotecnologia está sendo um 
dos principais recursos para o desenvolvimento e inovação na área cosmética. As empresas do 
ramo destinam cada vez mais recursos para pesquisas nesta opção tecnológica. Nos 
nanocosméticos a formulação cosmética devem veicular ativos ou outros ingredientes 
nanoestruturados e que apresentem propriedades superiores quanto a sua performance em 
comparação com produtos convencionais (SANTOS, 2010). 
7 
Para Bento (2009) as principais nanoestruturas utilizadas para a encapsulação de 
ativos são as nanopartículas poliméricas, as nanopartículas lipídicas, os lipossomas e as 
ciclodextrinas. 
 Conforme Bento (2009) a encapsulação é uma tecnologia que permite o revestimento 
fino a partículas sólidas, gotas de líquidos, dispersões, como um filme protetor. Os sistemas 
coloidais incluem as emulsões, esferas, cápsulas, lipossomas e complexos lipídicos e são 
capazes de atuar como veículos para substancias lipofílicos e hidrofílicos. Os sistemas micros 
e nano-estruturados pode ser administrado pelas vias intravenosas, subcutâneas, oral, tópica, 
ocular e intramuscular. A principal vantagem desses sistemas é a capacidade de modificar 
consideravelmente a penetração intracelular das substâncias a eles associados. 
Dentre os sistemas nanoparticulados, os mais recentes são as nanopartículas lipídicas 
sólidas e os carreadores lipídicos nanoestruturados (MULLER et al, 2007). 
Segundo Muller (2007 apud MARCELINO, 2008) as nanopartículas lipídicas sólidas 
foram a primeira geração de partículas lipídicas desenvolvidas, porém apresentaram 
problemas de baixa eficiência de encapsulação devido à matriz da partícula formar uma 
estrutura de cristal relativamente perfeita, com espaço limitado para acomodar o ativo, o que 
pode levar à sua expulsão durante o armazenamento. Em contraste, os carreadores lipídicos 
nanoestruturados, usam uma mistura lipídica com moléculas estruturadas em diferentes 
tamanhos que distorcem a formação de um cristal perfeito. Dessa maneira, a matriz da 
partícula possui muitas imperfeições criando espaços para a acomodação do ativo na forma 
molecular, promovendo o aumento da eficiência de encapsulação e a liberação mais lenta do 
ativo da matriz. 
Outros sistemas bastante estudados são as nanopartículas poliméricas, que incluem as 
nanocápsulas e as nanoesferas, diferenciadas de acordo com a sua composição 
(SCHAFFAZICK et al, 2003 apud MARCELINO, 2008). 
A utilização da nanotecnologia permite um controle muito maior da velocidade com 
que o ativo é liberado, assim como a profundidade em que é liberado na pele. A 
nanotecnologia também está sendo utilizada em preparações capilares, uma vez que permite 
atingir os fios sem destruir a fibra externa que os recobre, e em produtos de maquiagem, com 
nanopigmentos pela maior quantidade de cores e textura permitida pela sua utilização 
(HIRATUKA et al , 2008). 
 .Para os autores Duran; Marcato e Teixeira (2010) a área de cosméticos vem 
empregando nanotecnologia nos mais diversos produtos, como: partículas metálicas para 
aumento de brilho em maquiagens; nanoemulsões para cabelos que são hidratantes mais 
8 
promissores; proteção de ativos contra a degradação, por exemplo no encapsulamento da 
vitamina C ; liberação em camadas mais profundas da pele de ativos anti-rugas; melhoria da 
textura do creme e formação de um filme mais eficiente de protetores solar, como exemplo, o 
emprego de nanopartículas de dióxido de zinco. Tais produtos, no entanto, devem ser 
cuidadosamente investigados anteriormente à introdução no mercado, uma vez que tais 
sistemas nanoparticulados podem apresentar inúmeros benefícios, mas também podem ter 
algum efeito danoso. 
A indústria de cosméticos não está sujeita ao mesmo grau de exigências que os 
medicamentos para que a comercialização de um produto seja aprovada. Então, os estudos de 
segurança feitos em seus nanocosméticos são apenas aqueles exigidos para poder liberar o 
produto. A pesar de haver muito poucos estudos feitos para avaliar a toxicidade, estão sendo 
amplamente comercializados. E a grande maioria não identifica as nanopartículas em seus 
rótulos. São as próprias empresas fabricantes que garantem que seus produtos são seguros 
(GUAZELLI, 2010). 
Como não existe nenhuma regulamentação, não há qualquer exigência legal de rotular 
nanomateriais. Há uma atenção especial da indústria e das instituições em apresentar a 
nanotecnologia e os produtos nanotecnológicos como seguros, sem riscos. Praticamente só 
aparecem nos rótulos quando o propósito é fazer propaganda do produto, até porque, o 
tamanho das partículas pode fazer toda a diferença, nanopartículas menores do que 300 
nanômetros, quando ingeridas, podem atingir o sistema linfático e penetrar na corrente 
sanguínea. Com 70 nm, as nanopartículas podem se incrustar no tecido pulmonar. Uma 
partícula de 50nm pode entrar nas células sem ser percebida. Partículas de 30 nm podem 
atravessar a barreira que protege o cérebro (GUAZELLI, 2010). 
Para a autora Nunes (2009), considerando que o produto ultrapasse a epiderme 
chegando à hipoderme, não se tem informações sobre como ele seria (ou não) eliminado pelo 
organismo, dessa forma gerando dúvidas de como ocorre a eliminação do mesmo a nível 
biológico. 
 
 
3. METODOLOGIA 
 
O presente artigo foi desenvolvido a partir de pesquisa bibliográfica que é a fonte 
conceitual de um trabalho, é através dela que se podem desenvolver linhas de pensamento e 
defender idéias, apoiadas nos conceitos já existentes. 
9 
 Segundo Gil (2002, p.49) “as fontes bibliográficas podem ser classificadas em livros 
de leitura corrente, livros de referencia (dicionários, enciclopédias, anuários e almanaques); 
publicações periódicas (jornais e revistas) e impressos diversos”. 
A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído 
principalmente de livros e artigos científicos. Embora quase todos os estudos sejam exigidos 
algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de 
fontes bibliográficas. Boa parte dos estudos exploratórios pode ser definida como pesquisas 
bibliográficas. As pesquisas são ideologias, bem como aquelas que se propõe à análise de 
diversas posições acerca de um problema, também costumam ser desenvolvidas quase 
exclusivamente a partir de fontes bibliográficas (GIL, 2002). 
 
 
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
O ser humano é movido pela busca de novidades. Novidades estas específicas no 
mercado cosmético quando o assunto é manutenção, prevenção e retardamento dos efeitos da 
idade e de agentes externos que causam danos a pele e aos cabelos. 
O mercado cosmético assim como o mercado da estética está em pleno 
desenvolvimento na busca por produtos com tecnologia mais desenvolvida. A tecnologia 
chamada de nano está sendo difundida na área dos cosméticos. Através desta pesquisa 
podemos rever e conhecer o que pode ser e onde pode se aplicar a nanotecnologia e qual a 
importância dela para o setor cosmético. 
Percebemos, que existem vários benefícios na utilização da nanotecnologia em 
produtos cosméticos tais como: aumento de brilho em maquiagens através de partículas 
metálicas, proteção de ativos contra a degradação, por exemplo, no encapsulamento da 
vitamina C, controle da velocidade em que o ativo será liberado, sensação mais suave ao 
toque, liberação em camadas mais profundas da pele e dos cabelos, formação de filme mais 
eficiente de protetores solar, como exemplo, o emprego de nanopartículas de dióxido de 
zinco. 
Observa-se que esta tendo um grande investimento
em produtos cosméticos com essa 
tecnologia por parte dos setores industriais para desenvolvimento de novos produtos 
cosméticos e uma porcentagem mínima para estar avaliando a toxicidade e também pouca 
divulgação sobre a utilização das nanoestruturas em cosméticos. 
10 
Após a revisão de alguns artigos que foram utilizados neste estudo, o que nos chamou 
a atenção foi o fato de que ainda são suficientes os estudos sobre a segurança real da 
utilização das nanopartículas sem o comprometimento da saúde do ser humano. 
 Sendo assim este é um assunto relacionado ao mercado cosmético de grande 
importância e sugere-se que outros estudos sejam desenvolvidos avaliando rotulagem dos 
produtos que contiverem seus princípios ativos nanoparticulados. Pois não se tem 
informações de como esta nanopartícula seria (ou não) eliminado pelo organismo, dessa 
forma gerando dúvidas de como ocorre a eliminação do mesmo a nível biológico. 
 
REFERÊNCIAS 
 
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E COSMÉTICOS – ABIHPEC – Notícias. Disponível em:< 
http://www.abihpec.org.br/noticias_texto.php?id=966.> Acesso em 01 ago. de 2010. 
 
 
BENTO, P. da C. N. Desenvolvimento de sistema micro e nanoestruturados de 
Quitosa/MDI para aplicações cosméticas. 2009. 124f. Dissertação (Mestrado em 
Engenharia Química) Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Centro de Tecnologia – 
Departamento de Engenharia Química. Natal, 2009. 
 
CARVALHO, Dermeval. Produtos cosméticos seguros. Cosmetics&Toiletries Nov/Dez 
2006 Vol 18 nr 6 p. 48. 
 
DRUCKER, P. F. O melhor de Peter Drucker: o homem a administração a sociedade, 
pg.377. São Paulo: Abril, 2001. 
 
 
DURAN, N.; MARCATO, P.D ;TEIXEIRA Z. Nanotecnologia nanobiotecnologia: 
conceitos básicos Disponível em: 
<http://www.cienciaviva.org.br/arquivo/cdebate/012nano/Nanotecnologia_e_Nanobiotecnolo
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ERENO, D. Nanotecnologia: beleza fundamentada. Grupo de pesquisadores em conjunto 
com empresas prepara nanocosméticos com aplicações variadas. Edição Impressa 146 - Abril 
2008. Disponível em: 
<http://revistapesquisa.fapesp.br/index.php/arq/r/pt/926/colecao.pdf?art=3498&bd=1&pg=3&
lg> . Acesso em: 17 out. 2010. 
 
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4º Ed. São Paulo: Atlas. 2002. 
http://www.abihpec.org.br/noticias_texto.php?id=966
11 
 
GUAZELLI,M.J.,PEREZ,J.Nanotecnologia: a manipulação do invísel. Disponível em: 
<https://ieonline.microsoft.com/#ieslice>. Acesso em: 25 out.2010. 
 
HIRATUKA, C. et al. Relatório de acompanhamento setorial: Cosméticos. Volume II, 
dezembro de 2008. Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – UNICAMP. São 
Paulo, 2008. Disponível em: 
<http://www.abdi.com.br/?q=system/files/Cosm%C3%A9ticos+II+-+dezembro+2008.pdf> 
Acesso em 30 set. 2010. 
 
MARCELINO, A. G. DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DA EXTRAÇÃO DA 
SERICINA E PREPARAÇÃO DE NANOPARTÍCULAS PARA APLICAÇÃO EM 
COSMÉTICOS.2008, 146f. Dissertação (MESTRADO DE ENGENHARIA QUÍMICA. 
Área de Concentração Desenvolvimento de Processos Biotecnológicos. Universidade 
Estadual de Campinas, Faculdade de Engenharia Química, Campinas, 2008. 
 
MARQUES, S. A história do penteado. São Paulo: Matrix, 2009. 
 
MULLER, R.H., PETERSEN, R.D., HOMMONOSS, A., PARDEIKE, J.;Nanostructured 
Lipid Carriers (NLC) in Cosmetic Dermal Products; Advanced Drug reviews, v.59, p.522-
530, 2007. 
 
NEVES, Kátia. Nanotecnologia em cosméticos. Cosmetics&Toiletries. Jan/Fev 2008. 
 
NUNES, M. D. Na indústria do átomo a beleza é inteligente, enquanto questões de 
governança são nanoestruturadas. 2009. 173f. Dissertação (Mestrado em Sociologia 
Política) Universidade Federal de Santa Catarina – Centro de Filosofia e Ciências Humanas, 
Florianópolis, 2009. 
 
PASA, R.; RAMOS B.G.Z. Desenvolvimento da nanotecnologia: cenário mundial e nacional 
de investimentos. Revista eletrônica: Rev. Bras.Farm. 89(2): 95-101, 2008.Disponível em: 
<http://www.revbrasfarm.org.br/pdf/2008/RBF_R2_2008/pag_95a101_desenv_nanotecnologi
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SANTOS, E. Nanotecnologia: fundamentos, aplicações e oportunidades. Faculdade de 
Farmácia – UFRJ – Departamento de Medicamentos Laboratório de Desenvolvimento 
Galênico. Disponível em:< http://www.abihpec.org.br/conteudo/nanotecnologia/RJ/RJ-
ABIHPE-ElisabeteSantos.pdf> Acesso em: 30 set. 2010. 
 
SCHMALTZ, C.; SANTOS, J.V.; GUTERRES, S.S. Nanocápsulas como uma tendência 
promissora na área cosmética: a imensa potencialidade deste pequeno grande recurso. 
Infarma, v.16 (13-14), p.80-85, 2005. 
http://www.abdi.com.br/?q=system/files/Cosm%C3%A9ticos+II+-+dezembro+2008.pdf
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http://www.revbrasfarm.org.br/pdf/2008/RBF_R2_2008/pag_95a101_desenv_nanotecnologia.pdf
http://www.abihpec.org.br/conteudo/nanotecnologia/RJ/RJ-ABIHPE-ElisabeteSantos.pdf
http://www.abihpec.org.br/conteudo/nanotecnologia/RJ/RJ-ABIHPE-ElisabeteSantos.pdf
nanobiotecnologia255 (2).pdf
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Nanoprojéteis que atacam tumores, mas não intoxicam as células sadias. 
Nanopartículas que atingem um local específi co do organismo para 
administrar com precisão um fármaco. Ficção científi ca ou realidade? 
Depois da agricultura, indústria e microeletrônica, a próxima revolução 
tecnológica já tem nome: nanotecnologia. Esse novo ramo interdisciplinar 
do conhecimento humano já é uma realidade palpável e está presente 
em nosso cotidiano, inclusive em medicamentos e cosméticos.
No entanto, seu emprego para a melhoria da saúde humana 
ainda é motivo de discussão em vários setores da sociedade. 
E você, leitor, está preparado para a nanotecnologia? 
Fernanda S. Poletto
Programa de Pós-graduação em Química,
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Adriana R. Pohlmann
Departamento de Química Orgânica, UFRGS
Sílvia S. Guterres
Faculdade de Farmácia, UFRGS
 Uma
 pequena 
grande
revolução
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d e z e m b r o d e 2 0 0 8 • C I Ê N C I A H O J E • 2 7 

No filme Querida, encolhi as crianças, que passou nos cinemas na década de 1990, o 
cientista Wayne Szalinsky (interpretado pelo ator canadense Rick Mora-
nis) inventa uma máquina que, por acidente, encolhe seus filhos e os do 
vizinho até o tamanho de insetos. Perdidos no jardim da própria casa, os 
personagens deparam-se com perigos fantásticos, como tempestades e a 
ameaça de serem devorados por formigas gigantes e outros ‘monstros’. 
Um novo mundo? Nem tanto. Em ambas as escalas de tamanho (do 
metro, no caso das crianças no início do filme, e do centímetro, após sua 
redução acidental), a força gravitacional e a força de atrito predominam.
E se o equipamento estivesse ajustado para reduzi-los ainda mais? Que 
tal mil vezes mais que o tamanho de um grão de areia? Esse sim seria um 
mundo bem diferente daquele que costumeiramente vivenciamos. Nele, 
o papel da força de gravidade é praticamente inexistente. Trata-se de um 
mundo dominado pelas forças de van der Waals, responsáveis, por exem-
plo, pela capacidade de as lagartas e os insetos andarem pelas paredes. 
Os personagens do filme estariam em movimento aleatório (também co-
nhecido como movimento browniano), ou seja, eles se chocariam uns com 
os outros e com qualquer coisa ao redor deles ininterruptamente (e não 
seria por vontade própria!). 
 Uma
 pequena 
grande
revolução
Os impactos da 
nanobiotecnologia 
na saúde humana
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2 8 • C I Ê N C I A H O J E • v o l . 4 3 • n º 2 5 52 8
• C I Ê N C I A H O J E • v o l . 4 3 • n º 2 5 5
efeitos indesejados dos medicamentos, chamados 
efeitos colaterais. 
A nanobiotecnologia pode ajudar a contornar es-
ses e outros problemas. A chave é justamente a faixa 
de tamanho e o tipo de estrutura dos medicamentos 
nanotecnológicos, que atuariam como minúsculos 
dispositivos guiados para liberar o fármaco prefe-
rencialmente no seu sítio-alvo (local onde o fármaco 
age, causando um efeito desejado, como o fígado, a 
pele ou o cérebro). Essa seletividade, em geral, não 
é possível com medicamentos convencionais. A 
idéia de obter minúsculos dispositivos guiados foi 
levantada no início do século passado pelo biólogo 
alemão Paul Erlich (1854-1915), ganhador do prêmio 
Nobel de Medicina em 1908. O modelo de Erlich 
ficou conhecido como ‘bala mágica’. 
Ao longo do século passado, várias abordagens 
foram propostas para concretizar o ideal da ‘bala 
mágica’. Entre elas, está a nanotecnologia farmacêu-
tica, que tem se mostrado uma das mais acessíveis 
economicamente, pela possibilidade de transposi-
ção para a escala industrial, bem como por ser efe tiva 
como ‘dispositivo guiado’. Nanoestruturas têm sido 
descritas em estudos científicos desde a década de 
1960. As mais estudadas para fins medicinais são: i) 
os lipossomas; ii) as nanopartículas poliméricas; iii) 
as nanopartículas metálicas; iv) os dendrímeros; v) 
as micelas poliméricas. Porém, há também relatos de 
estudos envolvendo nanotubos de carbono e fulere-
nos (ver infográfico ‘Arsenal de nanoestruturas’).
 A proporção entre a Terra e uma 
moeda de R$ 1 é aproximadamente 
igual à proporção entre uma moeda 
de R$ 1 e uma nanopartícula. 
Isso signifi ca que, se uma moeda 
fosse colocada no chão e o planeta 
Terra fosse reduzido até o tamanho 
da própria moeda, esta última 
passaria a ter o tamanho 
de uma nanopartícula
Mas por que isso poderia 
ocorrer? Porque os persona-
gens teriam sido reduzidos 
até a escala do nanômetro. 
Nela, os materiais têm proprie-
dades únicas.
O prefixo ‘nano’ deriva da 
palavra grega ‘anão’, corresponden-
do a um termo técnico usado em 
qualquer unidade de medida (de com-
primento, área, massa, volume etc.) para 
indicar um bilionésimo dessa unidade. Por 
exemplo, um nanômetro equivale a um bilionésimo 
de um metro.
A miniaturização de pessoas e coisas, como des-
crita acima, é pura ficção. Mas os fenômenos apre-
sentados são reais. O estudo das propriedades dos 
materiais na escala do nanômetro é chamado nano-
ciência. Quando esse conhecimento é empregado 
para a obtenção e o controle de nanomateriais com 
objetivos práticos e comerciais, é chamado nanotec-
nologia. 
A lista completa das aplicações potenciais da 
nanotecnologia é vasta e diversificada. Mas, sem 
dúvida, um de seus maiores impactos na sociedade 
ocorrerá na área médica. Quando a nanotecnologia 
é aplicada às ciências da vida, é conhecida como 
nanobiotecnologia ou nanomedicina. 
Mas como a nanobiotecnologia poderia influen-
ciar na saúde das pessoas? A resposta é o que pro-
curamos apresentar a seguir.
BALA MÁGICA
A maioria dos medicamentos usados nos tratamen-
tos modernos contém moléculas geralmente peque-
nas (fármacos) que atingem a corrente sangüínea 
após sua administração, percorrendo todo o orga-
nismo. Portanto, os fármacos chegam tanto ao seu 
alvo quanto a outros lugares do corpo que não têm 
relação com a doença. Essa última situação leva aos 
12.756.000 m
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C I Ê N C I A S D A S A Ú D E
FICÇÃO OU REALIDADE?
Na imaginação dos cientistas, o céu é o limite quan-
do se trata de aplicar a nanotecnologia na área mé-
dica. Usando nanoestruturas, idéias ousadas já foram 
total ou parcialmente concretizadas em laboratório, 
envolvendo a detecção precoce ou mesmo a cura de 
doenças – cabe salientar que os estudos descritos 
abaixo, apesar de animadores, encontram-se em fase 
de pesquisas pré-clínicas.
É possível encontrar relatos impressionantes do 
potencial de uso da nanobiotecnologia no tratamen-
to de várias doenças. Um estudo preliminar em 
ratos demonstrou a possibilidade de obtenção de 
nanopartículas com a habilidade de transportar e 
transferir oxigênio para os tecidos. Essas nanopar-
tículas poderiam substituir as células vermelhas em 
transfusões sangüíneas. Há também estudos, em 
fa se inicial, na área de endocrinologia, nos quais se 
busca um nanomaterial que libere o hormônio in-
sulina segundo o nível de glicose no sangue.
Doenças ditas da terceira idade também são alvo 
dos estudos científicos. A osteoartrite é comum após 
os 65 anos de idade, quando as cartilagens que ligam 
os ossos entre si são progressivamente deterioradas. 
O tratamento convencional é uma injeção de glico-
corticóide (antiinflamatório) diretamente na articu-
lação. No entanto, esse tratamento não reduz ade-
quadamente a dor decorrente da doença, pois seu 
efeito é de curta duração. A incorporação de glico-
corticóides em nanopartículas tem sido uma estra-
tégia promissora no aumento da duração do efeito 
do fármaco, pois essas nanopartículas, devido ao 
seu tamanho, liberam o fármaco na articulação de 
forma gradativa por dias.
A nanomedicina pode ser útil inclusive no trata-
mento de doenças neurodegenerativas, como o mal 
de Alzheimer, a esclerose múltipla e o mal de Par-
kinson. Nesses quadros, os sintomas podem variar 
desde a perda de memória e da cognição até distúr-
bios graves de comportamento. Para combater essas 
doenças, o fármaco deve atravessar a barreira he-
matoencefálica, ou seja, passar do sangue ao cérebro. 
Há estudos relatando que nanomedicamentos podem 
levar o fármaco ao cérebro, liberando-o de forma 
controlada. A conseqüência é um tratamento mais 
efetivo e menos agressivo que o convencional. Há 
evidências de que a nanotecnologia também possa 
ter bons resultados no tratamento de câncer cerebral 
e de traumatismos cranianos.
EXEMPLOS DE SUCESSO
Em saúde e higiene pessoal, a transformação de uma 
idéia em um novo produto tem ocorrido em maior 
proporção na indústria cosmética. O mercado mun-
dial de cosméticos cresce a uma taxa de 10% ao ano, 
e as companhias acreditam que a nanotecnologia já 
é a base de uma nova geração de produtos. 
O nanocosmético atua de forma controlada em 
camadas mais profundas da pele, o que o torna mais 
efetivo que os produtos convencionais. São exemplos 
de nanocosméticos já disponíveis no mercado mun-
dial: i) agentes anti-rugas que empregam estruturas 
nanométricas que carregam pró-retinol A (matéria-
prima para fabricação de vitamina A); ii) filtros 
solares à base de nanopartículas de óxido de zinco 
ou dióxido de titânio. A empresa francesa L’Oreal 
foi a pioneira a lançar, ainda em 1995, produtos 
cosméticos contendo nanoestruturas.
Na área farmacêutica, o nanomedicamento à base 
de paclitaxel (substância de origem vegetal) vem sen-
do empregado, com sucesso, no tratamento de câncer 
de mama há mais de uma década. O medicamento 
convencional causa efeitos indesejados por conter 
um produto tóxico, mas necessário para solubilizar 
o paclitaxel. No nanomedicamento, o paclitaxel 
fica inserido em nanopartículas de albumina. Esta 
última é uma proteína presente no organismo, cuja 
função é transportar moléculas insolúveis no sangue. 
Dessa forma, o nanomedicamento dispensa o uso 
do componente tóxico, e doses maiores do fármaco 
podem ser administradas com segurança.
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
Governos de vários países vêm investindo intensa-
mente em pesquisas em nanotecnologia. Uma lista 
de 2003 mostra que os Estados Unidos foram os que 
mais investiram recursos públicos em nanotecnolo-
gia (o Brasil ficou na 29ª posição, à frente da Índia 
e da África do Sul, por exemplo). Só para a área de 
nanobiotecnologia, cerca de US$ 89 milhões (cerca 
de R$ 180 milhões) foram empregados em pesquisas 
pelos Institutos Nacionais de Saúde
dos Estados 
Unidos (NIH) em 2005. Dessa quantia, US$ 30 mi-
lhões foram destinados a um programa do Instituto 
Nacional do Câncer (NCI). 
0,024 m 0,000.000.001 m
(diâmetro)
.
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Em 2001, o governo brasileiro apoiou a criação 
de quatro redes de pesquisa em diferentes áreas da 
nanotecnologia, sendo uma delas dedicada à nano-
biotecnologia. Em 2004, foram instituídas, no Brasil, 
a Ação Transversal de Nanotecnologia nos Fundos 
Setoriais e a Rede BrasilNano, esta última com 10 
redes de pesquisa em nanotecnologia. No ano se-
guinte, foi lançado o Programa Nacional de Nano-
tecnologia (PNN) e criado o Centro Brasileiro-Ar-
gentino de Nanotecnologia para impulsionar as 
pesquisas latino-americanas nessa área.
Mas o investimento em nanotecnologia não é 
apenas governamental. Para a iniciativa privada, a 
promessa da nanotecnologia é suficientemente real 
para atrair seu interesse. A NSF (sigla em inglês para 
Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos) 
estima que o mercado mundial de produtos nano-
tecnológicos chegue a US$ 1 trilhão em 2015, dos 
quais quase US$ 200 bilhões referem-se à área far-
macêutica. Porém, esse otimismo que cerca a nano-
tecnologia é temperado por certa cautela.
NÃO ACREDITE 
EM MODISMOS
Considerando os cenários descritos acima para 
o mercado de produtos nanobiotecnológicos nos 
próximos anos, é importante vislumbrar o grau 
de aceitação pública da nanotecnologia. Apesar de 
suas inúmeras vantagens, a discussão sobre os 
aspectos de segurança, regulação e impacto am-
biental da nanotecnologia dá seus passos iniciais 
nos âmbitos social, empresarial, governamental e 
acadêmico. 
Embora muitas apreensões sejam infundadas (por 
exemplo, o perigo iminente de nanorrobôs auto-
replicantes, os chamados grey goo), é verdade que 
a avaliação toxicológica de muitos nanomateriais 
ainda está em andamento. Sabe-se, por exemplo, 
que moléculas isoladas de DNA (material genético) 
podem ser utilizadas para separar nanotubos de 
ARSENAL DE NANOESTRUTURAS
Lipossomas • São vesículas esféricas 
compostas por bicamadas (lamelas) de fosfo-
lipídios, que, por sua vez, são moléculas pre-
sentes no organismo humano e com afinida-
de tanto pela água quanto por óleos e gor-
duras. Os lipossomas foram descobertos no 
início da década de 1960 e podem ser divididos 
conforme seu tamanho e número de lamelas. 
Polímeros (ou seja, plásticos) com alta afinidade 
por água podem ser incorporados à sua superfície, para 
au mentar sua estabilidade e seu tempo de permanência no 
organismo. Pode-se ainda ligar à sua superfície anticorpos, 
que atuariam como agentes de direcionamento dos lipos-
somas para sítios específicos do organismo.
Nanopartículas poliméricas • 
Desenvolvidas na década de 1990, podem 
ser divididas em nanoesferas, compostas 
por uma rede de polímeros, e nanocápsu-
las, que são gotículas de óleo envoltas 
por um filme fino de polímero.
Nanoemulsão • 
É o equivalente da nano-
cápsula sem a parede 
polimérica ao seu redor. 
Assim como os lipossomas, 
podem apresentar moléculas 
em sua superfície que alteram suas 
características físico-químicas e biológicas.
Dendrímeros • Conhecidos como 
moléculas-cascata, são esferas forma -
das por um núcleo de polímero com 
ramificações, como galhos de árvore. 
O número de ramificações define o ta-
manho do dendrímero. As moléculas de 
fármaco geralmente ficam ‘presas’ nos es-
paços vazios formados pelas ramificações.
A variedade de nanoestruturas para uso potencial na medicina é vasta. Em todas elas, as moléculas de fármaco podem estar 
adsorvidas (ou seja, fixadas na superfície), dispersas ou dissolvidas. Algumas das principais nanoestruturas empregadas em 
estudos na área médica são esquematicamente apresentadas neste infográfico.
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C I Ê N C I A S D A S A Ú D E
Sugestões 
para leitura
DURÁN, N.; MATTOSO, L. 
H.; DE MORAIS, P. C. 
(eds.) 
Nanotecnologia: 
introdução, 
preparação 
e caracterização 
de nanomateriais 
e exemplos 
de aplicação 
(São Paulo: 
Artiber Editora, 
2006).
FRONZA, T.; GUTERRES, 
S. S.; POHLMANN, A. 
R.; TEIXEIRA, H. 
Nanocosméticos: 
em direção ao 
estabelecimento 
de marcos 
regulatórios (Porto 
Alegre: Editora da 
UFRGS, 2007).
MORALES, M. (ed.). 
Terapias avançadas: 
células-tronco, 
terapia gênica 
e nanotecnologia 
aplicada à saúde 
(Rio de Janeiro: 
Atheneu, 2007)
carbono de uma amostra sintética. O DNA interage 
apenas com os nanotubos de carbono de certo ta-
manho. Embora seja uma ótima estratégia para fins 
de separação, essa interação entre o material gené-
tico e nanotubos de carbono levanta questões sobre 
as conseqüências da absorção desse tipo de nano-
estrutura pelos organismos vivos.
Em 19 de junho de 2007, a Comissão Européia 
publicou um relatório denominado ‘Opinião preli-
minar sobre a segurança de nanomateriais em pro-
dutos cosméticos’. Nele, é feita uma proposta de 
classificação das nanopartículas em dois grandes 
grupos: i) nanopartículas lábeis (frágeis), que se 
desintegram totalmente após contato com a pele (por 
exemplo, lipossomas, nanoemulsões e nanopartícu-
las poliméricas); ii) nanopartículas insolúveis, que 
não se desintegram (fulerenos, nanopartículas de 
óxidos metálicos, nanotubos de carbono etc.). Para 
o primeiro grupo, propõe-se que as medidas de se-
gurança se restrinjam à avaliação da toxicidade do 
material usado para sua preparação, enquanto uma 
descrição detalhada de todo o ‘ciclo de vida’ das 
nanopartículas no ambiente seria requerida para o 
segundo grupo, em adição ao estudo de suas toxi-
cidades.
Paralelamente, foi publicado no Brasil o livro 
Nanocosméticos: em direção ao estabelecimento de 
marcos regulatórios, que traz uma proposta de clas-
sificação de nanocosméticos, usando as mesmas 
bases empregadas para nanopartículas: lábeis ou 
insolúveis. Segundo os autores, os produtos nano-
cosméticos deveriam ser classificados com grau de 
risco II, ou seja, aqueles que têm indicações espe-
cíficas e que exigem comprovação de segurança e/
ou eficácia. Os autores apontam que o tamanho e a 
distribuição de tamanho das nanoestruturas são 
elementos-chave para o estabelecimento do grau de 
risco de nanocosméticos. Dessa forma, foi proposta 
a classificação das nanoestruturas em lábeis ou 
insolúveis, bem como maiores ou menores que 100 
nm (100 nanômetros). No caso de nanopartículas 
insolúveis, é preciso fazer análises caso a caso.
REALIDADE PALPÁVEL
Nanorrobôs com capacidade de realizar cirurgias 
sem deixar cicatrizes ainda estão longe de sair dos 
livros e filmes de ficção científica. Em compensação, 
a nanobiotecnologia é uma realidade palpável. Es-
tudos vêm sendo descritos na literatura científica 
sobre o emprego de nanopartículas como agentes de 
tratamento de câncer, osteoartrite, distúrbios neu-
rodegenerativos, entre outros. 
O tamanho reduzido dos nanomedicamentos traz 
vantagens em comparação com os produtos conven-
cionais, como seu direcionamento a alvos específi-
cos, sua liberação progressiva do fármaco e a dimi-
nuição de efeitos indesejados causados pelo fárma-
co. Alguns desses avanços já estão disponíveis no 
mercado, mas boa parte ainda está em fase de estu-
do. Prevê-se um crescimento animador do mercado 
nanobiotecnológico nos próximos anos, e o Brasil 
pode ocupar um lugar de destaque nesse campo.
A liberação controlada de fármacos no organismo 
por meio da nanobiotecnologia pode contribuir 
muito para a melhoria da saúde humana. No entan-
to, o estudo do efeito de longo prazo desses nano-
medicamentos no organismo e no meio ambiente dá 
seus primeiros passos. Nesse sentido, é fundamen-
tal o estabelecimento de marcos regulatórios para 
que sua produção, comercialização e seu descarte
sejam feitos de forma segura. 
A história da nanotecnologia a serviço da saúde 
só está começando. 
Nanotubos de carbono e fulerenos • 
Estruturas de diâmetro muito menor, são compostos 
por unidades de carbono, assim como a grafita, o 
carvão e o diamante, porém com arquitetura que 
lhes confere propriedades especiais, como maior 
resistência mecânica e alta capacidade de trans-
portar calor e eletricidade.
Micelas poliméricas • De estrutura 
mais simples, são compostos por uma região 
interna com baixa afinidade pela água (hidro-
fóbica) e por cadeias externas de polímero com 
alta afinidade pela água (hidrofílicas).
Nanopartículas metálicas • 
São compostas por metais que têm pro-
priedades diferentes daquelas obser-
vadas em nível macroscópico devido ao 
seu reduzido tamanho. Além de seu uso 
como carregadores de fármacos, uma 
importante aplicação de um subgrupo 
delas, as nanopartículas magnéticas, é a 
magneto-hipertermia, fenômeno no qual ocorre 
um aumento da temperatura apenas no local do corpo onde as 
nanopartículas estejam presentes. Esse aumento de temperatura 
leva à morte das células e, por isso, essa estratégia é interessan-
te para o tratamento do câncer. As nanopartículas magnéticas 
podem ser direcionadas a um local específico do corpo por meio 
de um campo magnético externo. 
Nanocosméticos v1.pdf
 NANOCOSMÉTICOS – QP 434 
Alessandra Prando, Juliana Alves e Alvim Jorge 
 
 
O estudo do uso de cosméticos nas antigas culturas remete a primeira dinastia do Egito 3000 ac. As 
mulheres egípcias utilizavam um preparado verde nas pálpebras superiores e utilizavam o Kohl para escurecer a 
parte inferior e henna (arvore do norte da áfrica) nas unhas e lábios para deixá-los vermelhos. Apesar do kohol 
servir de como proteção estética e anti-infecciosa, estes preparados eram tóxicos (levavam na composição 
antimônio e chumbo) e geravam muitos problemas para a população. 
Os judeus já utilizavam cosméticos de acordo com o Velho testamento, provavelmente por influencia dos 
egípcios. Os romanos, no sec. I a.C. utilizavam punce para limpar os dentes (rocha ígnea porosa, atualmente 
utilizada nos cosméticos como esfoliantes). Durante as Cruzadas se observou o uso de cosméticos no Oriente, 
que foi posteriormente difundindo na Europa, sendo que os estudos iniciaram na França no século 19, visando 
melhores relações custo benefício, e mais recentemente o bem-estar. 
A atual definição de cosméticos diz que são preparações constituídas por substâncias naturais ou 
sintéticas, de uso externo nas diversas partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos 
genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral, com objetivo exclusivo ou principal de limpa-
los, perfumá-los, alterar sua aparência e/ou corrigir odores e/ou protegê-los ou mantê-los em bom estado. 
O setor de COSMÉTICO E CUIDADOS PESSOAIS foi responsável por 8% do faturamento líquido da 
indústria química brasileira em 2006, estimado em US$ 69,5 bilhões. Existem hoje no Brasil 1.367 empresas 
atuando no mercado de produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos. Apenas 15 delas, ou 1,09%, são 
de grande porte, com faturamento líquido acima de R$ 100 milhões, e responsáveis por cerca de 72 % do 
faturamento do setor. Em termos globais, esta é uma indústria que movimentou US$ 270 Bilhões em 2006. 
A utilização de Nanotecnologia tem crescido dentro da indústria cosmética, resultado da convergência de 
uma indústria que vive da moda com uma tecnologia que esta se tornando moda. Uma base de dados mantida 
por Project of Emerging Technology, uma iniciativa da universidade de Princeton, contou aproximadamente 125 
produtos de saúde e beleza e 19 alimentos contendo nanopartículas – daqueles que voluntariamente 
identificaram os ingredientes. Nanopartículas, por exemplo, são encontrados em produtos como desodorante, 
sabonete, pasta de dente, xampu, condicionador de cabelo, creme anti rugas, bases, pó facial, batom, blush, 
sombra, esmalte, perfume e loção pós barba e são vendidos por firmas cosméticas como Revlon, L’Oréal, Estée 
Lauder, Proctor and Gamble, Shiseido, Chanel, Beyond Skin Science LLC, Dr Brandt, SkinCeuticals, Dermazone 
Solutions e muitas outras. Podemos adicionar neste grupo empresas brasileiras como Natura e Boticário. 
Na contramão do desenvolvimento desenfreado, críticos têm visto o mercado crescente da 
nanotecnologia como de potencial risco para a saúde e segurança, e estão trabalhando para garantir que a 
regulação federal os consiga vigiar. Essas preocupações se devem devido ao uso dos cosméticos e produtos de 
cuidado pessoal provocar risco de exposição, uma vez que os produtos são usados diariamente e diretamente na 
pele. Eles podem ser inalados ou até ingeridos, e oferece grande risco de toxidez. 
O principal dilema dos Nanocosméticos é conforme se diminui o tamanho de partícula até uma escala 
nanométrica, se observa um aumento da área superficial. Este fato potencializa todos os efeitos, sejam benéficos 
ou tóxicos. O gráfico 1 apresenta o aumento do percentual de moléculas na superfícies em função da redução do 
tamanho de partícula, observa-se um aumento drástico para partículas abaixo de 100 nm: 
 NANOCOSMÉTICOS – QP 434 
Alessandra Prando, Juliana Alves e Alvim Jorge 
 
 
Gráfico 1 – Variação do percentual de moléculas na superfície em função do diâmetro da partícula 
 
 
Além disso, nanopartículas podem ser mais facilmente absorvidas por membranas biológicas, células, 
tecidos e órgãos que as grandes partículas não podem. Uma vez que as nanopartículas estão no corpo e posuem 
tamanho compatível com enzimas carregadoras, podem ser facilmente transportadas e atuarem em tecidos 
diferentes dos alvos iniciais. 
Revisões científicas recentes realizadas por pesquisadores europeus, pela sociedade real britânica e pela 
academia real de engenharia têm mostrado potenciais conseqüências de inalação ou absorção de nanopartículas, 
que incluem possíveis danos nos tecido (como aumento no estresse oxidativo e produção de citoquinas 
inflamatórias), mudanças no DNA e reações anormais do sistema imune. Além disso, uma reportagem recente do 
National Nanotechnology Iniciative sobre os riscos da nanotecnologia sugere que algumas nanopartículas podem 
se acumular nos tecidos através do tempo, com possíveis efeitos tóxicos. Deve-se então tomar o devido cuidado 
para evitar o erro cometido no passado com os asbestos, que inicialmente considerados inofensivos, foram 
condenados por causar diversos tipos doenças. 
O outro lado da moeda do desenvolvimento de Nanocosméticos é a possibilidade de atingir diversos 
benefícios superiores com relação aos cosméticos convencionais. Alguns exemplos já estão na prateleira: Apagard 
a pasta de dente que acabará com a ida ao dentista, repara o dente e remove a placa utilizando uma 
nanopartícula de HidroxiApatita; a nova linha Prevage reduz as rugas já existentes devido ao sistema de 
nanocapsulas ou então o protetor solar que permite maior proteção devido a nanopartículas de Óxido de Titânio. 
Estes são apenas alguns exemplos do potencial que a Nanotecnologia pode agregar aos Cosméticos. 
Os Nanocosméticos já estão revolucionando a vidas dos usuários, tornando-as mais práticas, mais jovens, 
a um custo mais baixo, e até o momento com algumas incertezas quanto aos riscos toxicológicos. 
 
 
 NANOCOSMÉTICOS – QP 434 
Alessandra Prando, Juliana Alves e Alvim Jorge 
 
Bibliografia: 
• Euromonitor: Mercado Cosmético 2007 
• www.greenlivingtips.com 
• www.newstandardnews. Net 
• BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n. 25, p. 131-156, mar. 2007 
• Treye Thomas, Karluss Thomas, Nakissa Sadrieh, Nora Savage, Patricia Adair, Robert Bronaugh, 
TOXICOLOGICAL SCIENCES, 91(1), 14–19 (2006) 
• www.thelancet.com Vol 369 April 7, 2007 
• Claudia H.
Deutsch, “Cosmetics break the skin barrier”, The New York Times, January 8, 2005. 
• Nano, Nano, On The Wall... L’Oréal and others are betting big on products with microparticles”, 
Business Week, December 12, 2005. 
• Press Release issued by Friends of the Earth Australia and Friends of the Earth U.S., 
Nanomaterials, sunscreens and cosmetics: small materials, big risks, May 2006. 
• Nanotechnology: The Future is Coming Sooner Than You Think, Joint Economic Committee 
United States Congress, March 2007 
• G. J. NOHYNEK ET AL.; Critical Reviews in Toxicology, 37:251–277, 2007 
• Scientific Committee on Consumer Products (SCCP) PRELIMINARY OPINION ON SAFETY OF 
NANOMATERIALS IN COSMETIC PRODUCTS 2007 
• Nel, A.; Xia, T.; Madler, L.; Li, N.; Science, 331; 2006 
• V.E. Kagan et al. / Nanomedicine: Nanotechnology, Biology, and Medicine 1 (2005) 313–316 
 
 
 
 
Nanotecnologia aplicada aos Cosméticos.pdf
1 
 
 
 NANOTECNOLOGIA APLICADA A COSMÉTICOS: AVALIAÇÃO DA 
ROTULAGEM DE COSMÉTICOS COM NANOTECNOLOGIA 
 
 
Anne Desireé Figueiredo Reis1 
Marcela Bruschi Silvestrim2 
Daniela da Silva3 
 
Resumo: A área da estética está em alta e continua crescendo no mundo inteiro. 
Com isso, torna-se necessário a realização de pesquisas, trabalhos e ensaios 
visando o aperfeiçoamento e inovação de produtos e tratamentos. Os produtos 
cosméticos contendo nanotecnologia são bons representantes dessa tendência 
tecnológica, já estando inseridos no mercado brasileiro. Devido aos altos custos de 
produção, sua presença aqui ainda é pequena e seus riscos e benefícios ainda são 
discutidos entre os profissionais da classe e pesquisadores. Sendo assim, este 
artigo aborda a nanotecnologia aplicada a produtos cosméticos e tem como objetivo 
analisar os rótulos de produtos com aplicação de nanotecnologia. Pela utilização de 
livros, artigos, revistas, assim como os rótulos dos produtos, essa pesquisa tem 
caráter bibliográfico e documental, do tipo descritivo com abordagem qualitativa. Os 
resultados revelaram a pouca quantidade de produtos desta classe no universo 
pesquisado, além da dificuldade de identificação desta tecnologia em alguns dos 
produtos. Isso reforça a necessidade de uma legislação própria e regulamentação 
adequada a esta categoria de cosméticos. 
 
Palavras-chaves: Nanocosmético. Nanotecnologia. Rotulagem. Princípio Ativo. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
Com o avanço da ciência e da tecnologia, várias técnicas e conhecimentos 
são desenvolvidos e ampliados. Dentre eles, a nanotecnologia destaca-se como 
uma metodologia inovadora, sendo o resultado de pesquisas e estudos para 
contribuição na aplicação prática (SANTOS, 2008). Esse resultado dá-se pela busca 
por inovações tecnológicas que se mostra muito crescente em várias áreas, pois no 
que diz respeito a insumos tecnológicos o interesse dos consumidores é grande. 
Isso pode ser explicado por alguns critérios que produtores e consumidores 
consideram importantes como a especificidade, o detalhamento, a busca por algo 
mais prático e o mais perto possível do que se considera perfeito, e é isso que a 
nanotecnologia pode oferecer. Com uma diferenciação especial nos efeitos e 
 
1
 Acadêmica do Curso de Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, 
Balneário Camboriú, Santa Catarina. E-mail: anne_desiree182@hotmail.com 
2
 Acadêmica do Curso de Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, 
Balneário Camboriú, Santa Catarina. E-mail: tchelatravel@gmail.com 
3
 Orientadora, Professora do Curso de Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí – 
UNIVALI, Balneário Camboriú, Santa Catarina. E-mail: daniela@univali.br 
2 
 
 
oferecendo um resultado muitas vezes maior do que aquele esperado, a 
nanotecnologia é considerada por muitos uma alternativa para alcançar novos 
caminhos e tem sido aplicada a diversas áreas há bastante tempo (ERENO, 2011). 
Com a proposta de trabalhar utilizando materiais na escala de átomos e 
moléculas, a nanotecnologia conquistou e já se aplica a diversas grandes áreas, 
dentre elas a cosmetologia. O uso dessa tecnologia em cosméticos oferece produtos 
que buscam atuar com maior efetividade, pois apresentam princípios ativos 
encapsulados e em moléculas muito pequenas que são capazes de permear em 
camadas mais profundas da pele (COSTA et al, 2004). 
Mas mesmo sabendo que um cosmético precisa permear entre as camadas 
da pele para cumprir o que promete, não se pode afirmar com absoluta certeza se 
esse diferencial de permeação da nanotecnologia apresenta apenas benefícios 
(DUTRA, 2009). 
Dessa maneira, torna-se relevante identificar a diferenciação dessa tecnologia 
em produtos cosméticos que dizem conter princípios ativos nanoencapsulados para 
não tornar-se apenas estratégia de marketing. Em decorrência deste fato, é 
necessário compreender as vantagens, aplicações, segurança e possíveis riscos 
dos nanocosméticos. 
Com o levantamento dessas questões e diante desse contexto, este artigo 
aborda a nanotecnologia aplicada a produtos cosméticos e tem como objetivo 
analisar os rótulos de produtos com aplicação de nanotecnologia. 
O Laboratório de Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí - 
Campus de Balneário Camboriú foi o universo de pesquisa escolhido para análise da 
rotulagem destes produtos. 
Esse tema foi escolhido por sua relevância e notoriedade, pois muitas 
pesquisas e um grande número de patentes de nanomateriais estão relacionados ao 
setor de cosméticos (ZANETTI-RAMOS; CRECZYNSKI-PASA, 2007). Por isso a 
importância da continuidade de estudos no intuito de contribuir para as áreas 
científica, técnica e prática, sendo este um dos critérios utilizados e a intensão com a 
elaboração deste artigo. 
 
 
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
2.1 Nanotecnologia 
3 
 
 
Pode se definir nanotecnologia como um conjunto de técnicas usadas para 
manipular a matéria na escala de átomos e moléculas, de acordo com o grupo ETC 
(Action Group on Erosion Technology and Concentration). Sendo também definida 
como um campo científico multidisciplinar que baseia e descreve as tecnologias que 
permitem a construção de materiais na escala dos nanômetros (nm), partículas 
muito pequenas correspondentes à bilionésima parte do metro (RICCI JUNIOR, [s. 
d.]; STYLIOS et al., 2005; GRUPO ETC, 2005). 
A nanotecnologia começou a tomar uma forma mais institucionalizada no país 
a partir de 2001. Foi nesse ano que o governo federal lançou o primeiro edital 
brasileiro na área da Nanociência e Nanotecnologia para a formação de redes 
cooperativas nessa mesma área. A utilização desta tecnologia se aplica em diversas 
áreas, como medicina, farmácia, cosmetologia. E em outras áreas como a tecnologia 
de informação e de eletrônicos a base nanotecnológica já era utilizada em meados 
de 1960, com realização de pesquisas mais efetivas por volta da década de 80 
(BRASIL, 2011; GRUPO ETC, 2005). 
A indústria de produtos cosméticos incorporou esta tecnologia com sucesso 
há aproximadamente duas décadas. As nanocápsulas se tornaram um sistema 
muito interessante de carreação e liberação dos princípios ativos, pois ao invés de 
adicionada diretamente ao veículo do produto a substância ativa é encapsulada 
nessas vesículas nanométricas (JANSEN, [s. d.]). 
 
2.2 Nanotecnologia aplicada a cosméticos 
 Desenvolvida a partir dos anos 80, a nanotecnologia ainda representa 
novidade nos produtos cosméticos. O que é utilizado hoje em cuidados pessoais e 
beleza tem origem nas formulações que antes foram implementadas no segmento 
farmacêutico, entretanto no Brasil os fabricantes têm que driblar altos valores de 
maquinário para fabricá-los (GOTARDO, 2011). 
 O caminho para os nanocosméticos no mercado mundial foi aberto pela 
empresa francesa
Lancôme, divisão de luxo da L’Oréal, há 15 anos em média, com 
o lançamento de um creme para o rosto transportado por nanocápsulas de vitamina 
E pura para combater o envelhecimento da pele (ERENO, 2011). 
 Rieux et al. (2006) define as nanopartículas são sistemas coloidais 
poliméricos com tamanho entre 10 e 1000 nm, nos quais o princípio ativo do 
cosmético pode se encontrar dissolvido, recoberto, encapsulado ou disperso 
http://www.freedom.inf.br/revista/HC65/destsazo_cosmeticos.asp
4 
 
 
(SANTOS; FIALHO, 2007). Essas nanopartículas são classificadas em duas 
categorias, as nanoesferas e as nanocápsulas, as quais diferem entre si segundo a 
composição e a organização estrutural. Nanocápsulas são sistemas vesiculares em 
que o ativo se encontra no interior de uma cavidade aquosa ou oleosa circundada 
por uma membrana polimérica, ou podendo também ser encontrado adsorvido na 
membrana polimérica. Nanoesferas são formadas por uma matriz polimérica onde o 
ativo encontra-se disperso ou adsorvido (ABDELWAHED et al., 2006). 
Segundo o Comitê Científico de Produtos ao Consumidor da Comissão 
Européia, as nanopartículas ainda podem ser classificadas em lábeis e insolúveis. 
As nanopartículas lábeis são as que se dissolvem física ou quimicamente, depois de 
aplicadas sobre a pele, geralmente derivadas de lipídios. Entretanto, as 
nanopartículas insolúveis não se desestruturam, ou seja, não se dissolvem nos 
meios biológicos, podendo se agregar e gerar danos ao local de destino (DUTRA, 
2009). 
No que diz respeito à área cosmética existem promessas de crescimento e 
expansão, pois a proposta de permeação cutânea em grandes níveis é o que mais 
chama atenção (COSTA et al., 2004). Somada a este fator, a diversidade de 
aplicação dessa tecnologia aos produtos cosméticos se estende a partículas 
metálicas para aumento de brilho em maquiagens; nanoemulsões para cabelos mais 
hidratados; proteção de ativos contra a degradação (encapsulamento da vitamina 
C); liberação em camadas mais profundas da pele de ativos antirugas; melhoria da 
textura do creme e formação de um filme mais eficiente para protetores solares 
(SANTOS, 2008). 
Em relação a liberação e distribuição das substâncias, existem vantagens no 
uso da nanotecnologia aplicada aos cosméticos, pois protegem os ativos instáveis 
da degradação, por diminuir seu contato com o restante da formulação. Outro fator 
importante é a liberação gradual da substância ativa evitando também o tempo de 
contato com a pele o que diminui os riscos de possíveis irritações. É positivo 
também o aumento da quantidade e profundidade de penetração dos ativos na pele, 
o que, resulta em maior eficácia além da administração segura e possibilidade de 
direcionamento a alvos específicos SCHMALTZ; SANTOS; GUTERRES (2005, 
APUD: CUA et al., 1990; KUMAR, 2000; LBOUTONNE et al., 2002; JIMENEZ et al., 
2004); (COSTA et al., 2004; SANTOS, 2008). 
De acordo com o Grupo ETC (2005) algumas atividades, pesquisas e 
5 
 
 
aplicações da área trazem discussões sobre os riscos e impactos da 
nanotecnologia. Existem nanocosméticos que já se encontram no mercado e podem 
estar sendo utilizados sem que o consumidor tenha algum conhecimento sobre as 
controvérsias científicas em relação a possíveis riscos. Eles são de certa forma, 
inovadores, por isso ainda geram uma incerteza quanto à possibilidade de efeitos 
indesejados, inesperados e até mesmo acidentes. 
Então, torna-se essencial a reflexão a frente da Lei nº 8.078, de 11 de 
setembro de 1990 – Código de Defesa do Consumidor – pois essa traduz a vontade 
do legislador em oferecer ao consumidor vulnerável a sua proteção no uso de 
produtos que possam apresentar determinados riscos à saúde, destacando nesse 
caso o uso de produtos com novas tecnologias (DUTRA, 2009). 
Sabendo que a nanotecnologia aplicada aos cosméticos tem como benefício 
à melhora na permeação dos princípios ativos para ter sua propriedade efetivada 
(COSTA et al., 2004), torna-se conveniente descrever o processo de permeação 
cutânea dos produtos bem como a diferenciação de locais e tempo de ação dos 
produtos com ativos nanoencapsulados. 
 
2.3 Permeação cutânea 
 Permeação compreende o movimento de substâncias através da pele. 
Embora o estrato córneo proporcione uma barreira à penetração, a pele é 
considerada uma membrana semipermeável (MICHALUN; MICHALUN, 2010). 
As propriedades de barreira do estrato córneo são atribuídas à composição 
dos lipídios presentes, ao arranjo estrutural da matriz extracelular e ao envelope 
lipídico que envolve as células (MOSER et al., 2001). Já o caráter semipermeável 
deve-se a sua afinidade por certas substâncias, especialmente materiais 
lipossolúveis (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992). Assim, o desafio dos cosméticos é 
romper essa barreira através da atuação de princípios ativos e sistemas de 
carreação inovadores, promovendo maior absorção (HARRIS, 2003). 
 Existem três vias potenciais para a penetração de moléculas na pele: através 
dos folículos pilosos associados às glândulas sebáceas; através das glândulas 
sudoríparas; ou através da epiderme (BARRY, 2001). Porém, a contribuição da via 
de penetração através dos apêndices é considerada pequena, pois estes ocupam 
apenas 0,1% da superfície total da pele (MOSER et al., 2001). 
 Sendo assim, a via transepidérmica (através da epiderme) é considerada a 
6 
 
 
mais importante. A permeação cutânea por essa via envolve a difusão através do 
estrato córneo, das células viáveis da epiderme, das camadas superiores da derme 
até a microcirculação (MARTINS; VEIGA, 2002). Existem então duas possíveis rotas 
de penetração através da epiderme: a rota lipídica intercelular, que ocorre entre os 
corneócitos, e a rota transcelular que ocorre através dos corneócitos e lipídios 
(MOSER et al., 2001). 
A capacidade de permeação, assim como a toxicidade das nanocápsulas está 
relacionada a fatores como tamanho, formato, curvatura da superfície, composição 
das partículas, capacidade de dissolução, área de aplicação, condições da 
superfície aplicada, idade do indivíduo e também a quantidade e tamanho dos 
folículos pilosos (COSTA et al., 2004). 
 
2.4 Riscos da Nanotecnologia 
 Governos, indústrias e instituições científicas permitiram que produtos 
nanotecnológicos chegassem ao mercado sem que houvesse debate público e sem 
regulamentação. E estima-se que aproximadamente 475 produtos contendo 
partículas em nanoescala, inclusive não-regulamentada e não-mencionadas nos 
rótulos já estão comercialmente disponíveis – incluindo cosméticos (GRUPO ETC, 
2005). 
 Recentemente, Fronza (2007) realizou uma busca de informações de 
empresas, as quais são produtoras e/ou importadoras de produtos cosméticos 
associados à nanobiotecnologia. Os resultados mostram que, de aproximadamente 
490 indústrias e importadoras de cosméticos de higiene pessoal e perfumes, 
somente 7,7% apresentam informações acerca da classificação do produto com 
base nanotecnológica (DUTRA, 2009). 
O Grupo ETC (2005) expõe que existem poucos estudos sobre a toxicologia 
de nanopartículas, mas parece que, como uma classe, são mais tóxicas do que os 
mesmos compostos em escala maior devido à sua mobilidade e aumento de 
reatividade. Isso levanta sérias preocupações quanto à saúde, porque as 
nanopartículas podem passar despercebidas pelos guardas do sistema imunológicos 
do corpo, através das membranas de proteção como a pele, a barreira do sangue e 
cérebro ou talvez da plaqueta (RICCI JUNIOR, [s. d.]). 
Uma das principais questões sobre os riscos nos nanocosméticos reside em 
seu tamanho nanométrico, e caracteristica das nanopartículas. Os riscos se voltam 
7 
 
 
com maior intensidade às nanopartículas insolúveis, considerando a possibilidade de 
provocarem interações indesejadas
entre a sua estrutura e os sistemas biológicos 
(DUTRA, 2009). 
Com 70 nanômetros as partículas podem se incrustar profundamente no 
tecido pulmonar; e com 50 nanômetros introduzem-se dentro da célula sem ser 
notada. Partículas tão pequenas quanto 30 nm podem atravessar a barreira do 
sangue e cérebro (GRUPO ETC). 
Penetrando pela via transfolicular (folículo piloso), os produtos contendo 
nanopartículas podem ficar armazenados por até dez dias, sendo que os produtos 
tradicionais ficam armazenados por no máximo quatro dias (COSTA et al., 2004), o 
que pode ser menos seguro. 
Com relação ao uso de nanopartículas em protetores solares, Santos (2008) 
afirma que o óxido de zinco é bastante aplicado nas formulações de produtos para 
este fim e que protetores solares com nanocápsulas prometem menos oleosidade, 
maior fotoproteção e mais transparência no momento da aplicação. Mas a autora 
ainda comenta que as nanopartículas de dióxido de zinco em proteção solar, por 
exemplo, não devem penetrar até camadas mais profundas da pele, uma vez que 
poderiam ocasionar reações inclusive de danos ao DNA. 
Os pesquisadores citam vários desafios que deverão ser vencidos para que a 
nanotecnologia possa ser totalmente desenvolvida sem apresentar riscos para a 
população. E cinco desses são relevantes e maiores: métodos para avaliar a 
exposição ambiental aos nanomateriais; avaliação eficaz da toxicidade dos 
nanomateriais; modelos para prever o impacto potencial de nanomateriais 
sintetizados; formas de avaliar o impacto dos nanomateriais ao longo de seu ciclo de 
vida; programas estratégicos para permitir pesquisas sobre os riscos da 
nanotecnologia (SANTOS, 2008). 
 Deve-se considerar algumas recomendações aconselhadas por Santos 
(2008) para a melhoria da aplicação dessa tecnologia, como: estudos de permeação 
utilizando modelos in vitro / in vivo, que garantam a segurança de uso dos 
nanocosméticos. Estudos de nanotoxicidade que assegurem a inocuidade destes 
materiais aos trabalhadores das indústrias de cosméticos, aos consumidores, e ao 
meio ambiente. 
Pacheco (2010) descreve a opinião do Ministério da Saúde que, por meio da 
Anvisa, se posicionou isento de responsabilidade perante a formulação de uma 
8 
 
 
política industrial para a área da saúde. O Ministério da Saúde diz que prefere trazer 
essa discussão para a sociedade por entender que sua natureza regulatória afasta 
ou inibe a inovação tecnológica, esclarecendo que, em conjunto com a sociedade 
podem formular uma solução, pois um marco regulatório é de responsabilidade de 
todos. 
 
 
3 METODOLOGIA 
Este estudo consiste em uma pesquisa bibliográfica e documental do tipo 
descritiva, com abordagem qualitativa. 
Foi feita uma análise teórica embasada em livros, artigos, revistas 
especializadas e sites, visando buscar informações sobre a nanotecnologia aplicada 
a cosméticos. Oliveira (2002) diz que a pesquisa bibliográfica tem como finalidade o 
conhecimento das distintas formas de contribuição científica que se realizaram sobre 
determinado fenômeno ou assunto. 
Além disso, foram avaliados e descritos os rótulos de produtos contendo 
nanotecnologia. Uma pesquisa documental é formada por documentos provenientes 
de órgãos que realizaram as observações em questão, explora fontes documentais e 
utiliza materiais que ainda não receberam um tratamento analítico (MARCONI; 
LAKATOS, 2001). A pesquisa descritiva tem como objetivo descrever as 
características de determinada população ou fenômeno, ou então o estabelecimento 
de relações entre variáveis (GIL, 2002). 
A pesquisa qualitativa segundo Denzin e Lincoln (2006) permite entender o 
meio pesquisado e localiza o pesquisador a este meio, com práticas interpretativas, 
apoiadas a ferramentas que comprovam as afirmações feitas. Neste caso são os 
estudos já realizados, e os livros escritos por estudiosos da área. 
 Foram avaliados os rótulos de 09 cosméticos com apelo de utilizarem a 
nanotecnologia disponíveis no Laboratório de Cosmetologia e Estética do campus 
de Balneário Camboriú da Universidade do Vale do Itajaí. Foram identificados os 
produtos cosméticos relacionando a composição descrita na rotulagem e os ativos 
nanotecnológicos, para correlacionar os benefícios da nanotecnologia aliada aos 
tratamentos estéticos. 
 Os dados foram tabelados no programa Microsoft Office Word 2007 e 
distribuídos graficamente utilizando o programa Microsoft Office Excel 2007. 
9 
 
 
 
4 ANÁLISE DOS DADOS 
 Produtos cosméticos contendo nanotecnologia são bons representantes da 
tendência tecnológica que continua crescendo na área da beleza. A nanotecnologia 
pode estar inserida nos cosméticos de diferentes formas: aplicada na preparação de 
suas bases, no caso das nanoemulsões; ou então seus princípios ativos podem 
estar nanoencapsulados. Além disso, pode estar presente nos mais variados tipos 
de produtos, como maquiagens até protetores solares (SANTOS, 2008). 
Foram avaliados 165 produtos cosméticos utilizados pelo Laboratório de 
Cosmetologia e Estética da Universidade do Vale do Itajaí - Campus de Balneário 
Camboriú, destes observou-se que apenas 9 ( 5,45%) apresentavam apelo de 
possuir nanotecnologia. Apesar da nanotecnologia ser uma tendência e um 
diferencial para o cosmético o resultado encontrado é contraditório isto pode estar 
relacionado aos altos custos para produção da nanotecnologia, além da falta de 
regulamentação específica podem ser os principais fatores para esta situação 
(GRUPO ETC, 2005). 
Ressalta-se que foram avaliados apenas os produtos com apelo 
nanotecnológico presente no rótulo, visto que é à maneira de mais fácil identificação 
para o consumidor, sendo assim possível que dentre os outros 94,55% haja algum 
cosmético com nanotecnologia que não apresente nenhum diferencial de apelo na 
rotulagem. 
Os cosméticos com apelo de nanotecnologia avaliados são utilizados nas 
diferentes áreas do laboratório como observado no gráfico 1. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
 
Gráfico 1- Finalidade dos produtos contendo nanotecnologia 
 
Fonte: Dados da pesquisa 
 
Constata-se que dos 9 produtos, 4 são destinados a área capilar, outros 4 
destinados a área da estética facial e apenas 1 para a área corporal (gráfico 1) 
apesar de normalmente ser esta a área onde existe a real necessidade de alta 
penetração dos cosméticos, pois seus ativos muitas vezes devem atingir a 
hipoderme. 
Outra questão relacionada a esta análise é o fato de 44,44% produtos serem 
de uso capilar (gráfico 1), sendo todos de uma mesma linha que contém um 
nanocomplexo de aminoácidos. Princípios ativos presentes nos cosméticos 
destinados aos cabelos precisam muitas vezes para serem eficientes ultrapassar as 
cutículas e atingir o córtex para agir na “massa” capilar, reestruturando os fios. 
Levando em conta que os cabelos não são vascularizados, ativos 
nanoencapsulados em produtos capilares representam um menor risco, pois estes 
não atingem a corrente sanguínea (WICHROWSKI, 2007). 
 Porém um dos produtos da linha capilar é um shampoo o qual tem como 
finalidade limpar e remover sujidades da superfície dos cabelos e couro cabeludo. 
Considerando o fato colocado por Barry (2001) de uma das vias de penetração de 
cosmético ser através dos folículos pilosos, um shampoo contendo nanotecnologia 
não seria tão adequado por não ter a necessidade de permear, podendo assim 
tornar-se menos seguro que os outros produtos destinados aos cabelos. 
 Na área facial foram identificados 4 produtos com proposta nanotecnológica e 
dentre estes, 2 possuíam o mesmo principio ativo e pertenciam à mesma linha de 
11 
 
 
tratamento. Devido à exposição contínua a agentes externos como radiação 
ultravioleta e poluentes, é nos cuidados com a face
que se esperam maiores 
resultados. Seus ativos devem agir em camadas mais profundas da pele para 
reverter mudanças inerentes ao envelhecimento assim como outras alterações 
(BARBA, RIBEIRO, 2009). 
Além da identificação do apelo da nanotecnologia analisou-se a composição 
dos cosméticos para relacionar o benefício de utilizar esta tecnologia. Através do 
gráfico 2 observa-se que foram encontrados 5 princípios ativos diferentes. Apesar de 
ser pequena a variedade, torna-se relevante correlacionar estes ativos que se 
encontram encapsulados e suas respectivas funções. 
 
Gráfico 2 - Diferentes princípios ativos nanoencapsulados presentes nos produtos 
 
Fonte: Dados da pesquisa 
 
Na área corporal o ativo identificado foi o Algisium C, substância sintética à 
base silícios orgânicos que possui principalmente ação lipolítica, anti-inflamatória e 
bioestimulante da regeneração epidérmica. O uso da nanotecnologia nesse produto 
pode agregar maior eficácia especialmente nos tratamentos para lipodistrofia 
ginóide, pois facilita a permeação dos ativos até os adipócitos, onde devem atuar 
(GOMES, DAMAZIO, 2009). 
Os produtos da área capilar contêm um complexo de ativos 
nanoencapsulados com base protéica. Proteínas do arroz, da soja, do trigo e do 
milho estão presentes na sua forma hidrolisada - aminoácidos. Essa estrutura é 
bastante pequena e apresenta facilidade de internalizar-se na área aplicada. 
12 
 
 
Quando utilizados nos cabelos, os aminoácidos têm a função de reestruturar o 
córtex, área que mais é afetada com os danos sofridos pelo fio (WICHROWSKI, 
2007). 
Pelo fato dos aminoácidos serem naturalmente capazes de penetrar mais 
profundamente na fibra capilar, colocá-los em partículas nanométricas talvez não 
fosse necessário. Entretanto em cabelos submetidos a procedimentos que 
contenham formol ou outras substâncias capazes de formar um filme na parte 
externa dos fios, o baixo peso molecular de aminoácidos nanoencapsulados pode 
ser vantajoso, visto que estes cabelos requerem um tratamento específico e 
diferenciado. 
Os ativos presentes nos produtos de estética facial foram o ácido kójico, 
silícios orgânicos e aminoácidos, e hidroxiprolisilane C. 
Hidroxiprolisilane C é composto pela associação de silanol, um tipo de silício, 
com hidroxiprolina, um aminoácido precursor do colágeno. A finalidade desses 
ativos seria regenerar a epiderme ao invés de epiderme e induzir a síntese do 
colágeno respectivamente. Trazendo benefícios como melhora do aspecto da pele e 
sustentação do tecido cutâneo, fatores essenciais no tratamento do envelhecimento. 
Devido ao fato do colágeno estar presente na derme, justifica-se o uso de 
nanopartículas nestes produtos para potencializar os resultados dos tratamentos 
uma vez que precisa agir mais internamente (PRISTA; BAHIA; VILAR, 1992). 
Outro ativo encontrado é o ácido kójico que com ação despigmentante auxilia 
na redução de hipercromias. Esse tipo de discromia está relacionada com o 
aumento da melanogênese. Devido à melanina ser produzida pelos melanócitos - 
células epidérmicas localizadas na membrana basal - ativos com função 
despigmentante devem penetrar até esta camada. Estando veiculado em 
nanopartículas, o ácido kójico alcançará a última porção da epiderme com menor 
dificuldade (WICHROWSKI, 2007). 
Tanto os silícios orgânicos como os aminoácidos são moléculas pequenas e 
não se pode afirmar que haja necessidade de seu uso em nanopartículas. Contudo, 
Costa et al. (2004) diz que quando nanoencapsulado, o princípio ativo permanece na 
região dos apêndices cutâneos por mais tempo que os ativos na forma tradicional 
podendo ser este o motivo para o uso dessa tecnologia. Em se tratando da face, os 
silícios orgânicos podem agir no combate à acne atuando diretamente nas glândulas 
sebáceas diminuindo a produção de oleosidade. 
13 
 
 
 Em relação à rotulagem, não foram observadas diferenças consideráveis em 
comparação aos cosméticos sem nanotecnologia. Alguns dos produtos continham a 
informação necessária para identificação dos ativos nanoencapsulados em sua 
descrição química - como no caso dos produtos capilares, e 2 dos produtos faciais. 
No entanto, os outros produtos continham apenas o apelo de nanotecnologia na 
parte frontal do rótulo, sem diferencial algum na descrição de seus componentes – 
os 2 produtos faciais e o corporal. 
 Apesar dos benefícios da nanotecnologia é importante que o profissional da 
estética consiga distinguir os produtos contendo nanotecnologia, pois estes 
possuem partículas em escala nanométrica que podem passar despercebidas pelo 
sistema imunológico (GRUPO ETC, 2005). Dutra (2009) comenta que o uso 
contínuo dessas partículas pode gerar riscos ao penetrar e transpor a corrente 
sanguínea, pois seus efeitos não são totalmente elucidados. 
Os produtos dessa categoria estão disponíveis livremente no mercado mesmo 
sem regulamentação própria e seu consumo ocorre de forma crescente. Porém 
deixa o consumidor sem a devida informação sobre sua segurança, benefícios e 
possíveis riscos (DUTRA, 2009). 
Apesar de representar uma promessa de crescimento com a constante 
preocupação em potencializar resultados, esta pode não ser a característica mais 
evidente nos produtos dessa categoria, pois os consumidores não possuem de 
forma clara a informação da utilização da nanotecnologia, ficando a critério do 
fabricante a responsabilidade no que diz respeito a propaganda e rotulagem do 
produto. 
 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 Após análise da rotulagem dos produtos, poucos foram identificados com 
aplicação de nanotecnologia, pois comparando o número total de produtos ao 
número de produtos contendo nanotecnologia, este é considerado pequeno. Dutra 
(2009) afirma que estes produtos se encontram disponíveis no mercado e com 
proposta de crescimento. Isso permite concluir que alguns fatores possam ser 
responsáveis por tal panorama, dentre eles destaca-se os altos custos para 
produção, falta de uma legislação própria e regulamentação adequada. 
 Outra conclusão permitida por esta analise é que dos 9 produtos contendo a 
14 
 
 
proposta de nanotecnologia no rótulo, 3 produtos não possuíam nenhuma 
identificação de nanotecnologia na descrição da composição química. 
 Essa característica deixa em aberto dúvidas a respeito da real aplicação de 
nanotecnologia a esses produtos e também não permite saber qual o princípio ativo 
encontra-se nanoencapsulado. Considerando que os produtos analisados são de 
uso profissional, o conhecimento necessário a respeito da ação de princípios ativos 
é essencial para análise da real necessidade dessa tecnologia. 
 Profissionais Tecnólogos em Cosmetologia e Estética são capacitados para 
diferenciar propriedades de princípios ativos, porém em se tratando de produtos com 
ativos nanoencapsulados, é necessário além do conhecimento, contar com a 
idoneidade das empresas fabricantes destes produtos para a garantia dos 
resultados propostos. 
 
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eway&_origin=gateway&_sort=d&_docanchor=&view=c&_searchStrId=1735523651&
_rerunOrigin=scholar.google&_acct=C000054456&_version=1&_urlVersion=0&_user
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1 
 
 
APÊNDICE A – Produtos cosméticos contendo nanotecnologia disponíveis no laboratório de cosmetologia da 
Universidade do Vale do Itajaí, no campus de Balneário Camboriú 
Nome do Produto 
e Finalidade 
Marca Apelo de 
Rótulo 
Composição Função do 
Ativo 
Shampoo 
(Capilar) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Máscara 
Restauradora 
(Capilar) 
 
 
 
 
 
 
 
Defrizante Efeito 
Cacheado 
(Capilar) 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nanocomplex 
Amora
Negra 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nanocomplex 
Amora Negra 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nanocomplex 
Amora Negra 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aqua(water), Sódium Laureth Sulfate, Cocamide DEA, Lauryl Glucoside, Oleamide 
DEA, Polysorbate 80, Nanocomplex (PEG- 40/ PPG-8 Methylaminopropyl/ Hydropopyl 
Dimethicone Copolymer/ Hydrolyzed Rice Protein/ Hydrolyzed Soy Protein/ Hydrolized 
Wheat Protein/ Hydrolized Com Protein/ Polyquaternium-7/ Polyquaternium-10/ 
Polyquaternium-22), Parfum (Fragrance), Butylphenyl Methylpropional, Hexyl 
Cinnamal Limonene, Linalool, Polyquaternium-39, Laureth-2, Moris Nigra Fruit Extract, 
Panthenol, PEG-150 Distearate, Hydroxypropyl Guar Hydroxypropyltrimonium 
Chloride, Acrylates/ C 10-30 Alkyl Acrylate Crosspolymer, Polyquaternium- 67, Citric 
Acid, Cocoamidopropyl Betaíne, Methylchloroisothiazolinone, Methylisothiazolinone, 
Disodium EDTA, Sodium Hydroxide, PEG 180M 
 
 
Aqua (Water), Cetearyl Alcohol, Cetrimonium Chloride, Cetyl Alcohol, Dimethicone, 
Helianthus Annus (Sunflower) Seed Oil, Cyclomethicone/ Dimethiconol, Nanocomplex 
(PEG-40/ PPG-8 Methylaminopropyl/ Hydropropyl Dimethicone Copolymer/ Hydrolyzed 
Rice Protein/ Hydrolyzed Soy Protein/ Hydrolyzed Wheat Protein/ Hydrolyzed Com 
Protein/ Polyquaternium-7/ Polyquaternium-10/ polyquaternium-22), Behenamidopropyl 
Dimethylamine, Ceteareth-20, Distearyldimonium Chloride, Dimethicone/ Laureth-23, 
Diisopropyl Adipate, Parfum (Fragrance), Butylphenyl Methylpropional, Hexyl 
Cinnamal, Limonene, Linalool, Morus Nigra Fruit Extract, Citric Acid, 
Methylchloroisotiazolinone/ Methylisothiazolinone, Disodium EDTA, BHT 
 
 
Aqua (Water), Cetearyl Alcohol, Behentrimonium Methosulfate, Dimethicone/ Laureth–
4/ Laureth-23, Helianthus Annus (Sunflower) Seed Oil, Cyclomethicone/ Dimethiconol, 
PEG–75 Lanolin, Ethylhexyl Palmitate, Glycerin, Cetrimonium Chloride, Nanocomplex 
(PEG-40/ PPG-8 Methylaminopropyl/ Hydropropyl Dimethicone Copolymer/ Hydrolyzed 
Rice Protein/ Hydrolyzed Soy Protein/ Hydrolyzed Wheat Protein/ Hydrolyzed Com 
Protein/ Polyquaternium-7/ Polyquaternium-10/ polyquaternium-22), Ceteareth-20, 
Ethylhexyl Methoxycinnamate, Parfum (Fragrance), Benzyl Salicylate, Butylphenyl 
Methylpropional, Citronellol, Coumarin, Hexyl Cinnamal, Limonene, Linalool, Morus 
Nigra Fruit Extract, Panthenol, Methylchloroisotiazolinone/ Methylisothiazolinone, 
Disodium EDTA, Citric Acid 
 
Reestruturador 
da fibra, 
hidratante 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Reestruturador 
da fibra, 
hidratante 
 
 
 
 
 
 
 
 
Reestruturador 
da fibra, 
hidratante 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
Restaurador 
Autoaquecimento 
(Capilar) 
 
 
 
 
 
 
 
Serun Acne 
(Facial) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Serun Vitalizante 
(Facial) 
 
 
 
 
 
Loção Eletrolítica 
Clareadora 
(Facial) 
 
 
 
 
Gel Creme 
Clareador 
(Facial) 
 
 
1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
 
Nanocomplex 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nanocápsulas de 
Silícios Orgânicos 
e Aminoácidos 
 
 
 
 
 
 
 
Nanocápsulas de 
Hidroxiprolisilane 
C 
 
 
 
 
Nano ácido kójico 
 
 
 
 
 
 
Nano ácido kójico 
 
 
 
 
PEG-6, Propylene Glycol, Cetearyl Alcohol, Dimethicone, Cetrimonium Chloride, 
Ceteareth-20, Cetyl Alcohol, Behentrimonium Methosulfate, Polysorbate 20, Ethylhexyl 
Palmitate, Nanocomplex (PEG-40/ PPG-8 Methylaminopropyl/ Hydropropyl 
Dimethicone Copolymer/ Hydrolyzed Rice Protein/ Hydrolyzed Soy Protein/ Hydrolyzed 
Wheat Protein/ Hydrolyzed Com Protein/ Polyquaternium-7/ Polyquaternium-10/ 
polyquaternium-22), PEG-75 Lanolin, Diisopropyl Adipate, PEG-150 Distearate, 
Parfum (Fragrance), Butylphenyl Methylpropional, Hexyl Cinnamal, Limonene, Linalool, 
Citric Acid, Morus Nigra Fruit Extract 
 
 
Aqua, Salicilyc Acid, Zinc Acethylmethionate, Silanediol Salicylate, Aloe Barbadensis 
Leaf Extract, Cucumis sativus (Cucumber) Fruit Extrac, Citrus Medica Limonum 
(Lemon) Fruit Extract, Hydrolyzed Elastin, Hydrolyzed Collagen (Acne Biol), Glycerin, 
Potassium Azeloil Diglycinate, Metylsilanol Hydroxyproline Aspartate (and) 
Styrene/Acrylates Copolymer (Nanocápsulas de Silícios Orgânicos e Aminoácidos), 
Hibiscus Sabdariffa Extract (Hibiscus Vermelho), Hyaluronic Acid, Phenoxyethanol, 
Methylisothiasolinone, Sodium Chloride, Hydroxyethilcellulose, Parfum, Dissodium 
EDTA 
 
 
Aqua, Lipossomes, PMLs containing VC-PMG/Adenin and Alpha-Lipoic Acid (Kinetin 
L), Sorbitol, Methylsilanol Hydroxyproline Aspartate (Nanocápsulas de 
Hidroxiprolisilane C), Sodium PCA, Hyaluronic Acid, Sodium Chloride, 
Prolinamidoethylimidazole/Butyleneglicol (and) Aqua (EXSY ARL), Phenoxyethanol, 
Carbomer, Xanthan Gum, Triethanolamine, Parfum, Methylisothiazolinone 
 
 
Hydroxyethilcellulose, Dissodium EDTA, DMDM Hydantoin, Iodopropynyl Butyl 
Carbamate, Mandelic Acid, Allantoin, Ascophillum Nodosum Extract, Butylparaben, 
Propyleneglycol, Sodium Chloride Sodium Hydroxide, Sodium Metabissulfite, Glycerin, 
Xanthan Gum, Kojic Acid, Dissodium EDTA, Phenoxyethanol, Methylparaben, 
Ethylparaben, Isobutylparaben, Panthenol, Parfum, Aqua 
 
 
Mandelic Acid, Ascophillum Nodosum Extract, Kojic Acid, Glycerin, Lecitin, Sorbitol, 
Xanthan Gum, Dissodium EDTA, Phenoxyethanol, Methylparaben, Isobutylparaben, 
Benzophenone-4, Dissodium Hydroxide, Glycery Stearate, Cetearyl Alcohol, Stearic 
Acid, Sodium Cocoyl Glutamate, Sodium Acrylates Copolymer, Hydrogenated 
Polysobytene, phospholipids, Polyglyceryl-10 Stearat, Helianthus Annus Seed Oil, 
Reestruturador 
da fibra, 
hidratante 
 
 
 
 
 
 
 
Regulador da 
oleosidade 
 
 
 
 
 
 
 
 
Regenerador da 
epiderme, 
bioestimulante 
 
 
 
 
Despigmentante 
 
 
 
 
 
 
Despigmentante 
 
 
 
 
3 
 
 
 
 
 
Nano Creme de 
Massagem 
(Corporal) 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
 
 
 
Nano Algisium C 
Alcohol, Citrus Medica Limonum Peel Extract, Sodium Metabissulfite, Parfum, Aqua 
 
 
Carbomer, Isopropyl Palmitate, Dimeticone Disodium, EDTA, Cetearerh-20, BHT, 
Methylsilanol Mannuronate, Methylparaben, Propylparaben, Prunnus Amygdalus 
Dulcis Oil, Propylene Glycol, Rosamarinus Officinalis Oil, Cupressus Sempervirens Oil, 
Juniperus Communis Oil, Citrus Aurantium Amara Oil, Triethanolamine, Mineral Oil, 
Ruta Graveolens, Ginkgo Biloba Extract, Aesculus Hipocastanum Extract, Glyceryl 
Stearate, Cetearyl Alcohol, Stearic Acid, Sodium Cocoyl Glutamate, Aqua 
 
 
 
Lipolítico, anti-
inflamatório, 
bioestimulante 
 
Fonte: Dados retirados do laboratório de cosmetologia da Universidade do Vale do Itajaí, no campus de Balneário Camboriú, em abril de 2011.
1 
 
 
 
Nanotecnologia nos cosméticos.pdf
 45
 Visão Acadêmica, Curitiba, v.13, n.1, Jan. - Mar./2012 - ISSN 1518-5192
NANOTECNOLOGIA APLICADA AOS COSMÉTICOS
NANOTECHNOLOGY APPLIED TO COSMETICS
1 1 2 3BARIL, M. B ; FRANCO, G. F ; VIANA, R. S ; *ZANIN, S. M. W .
1Alunas do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do 
Paraná
2Farmacêutica. Universidade Federal do Paraná
3Professora Associada da Disciplina de Farmacotécnica da Universidade Federal do Paraná
*Autor para correspondência
UFPR – Departamento de Farmácia – Laboratório de Farmacotécnica
Email: sandrazanin@ufpr.br
RESUMO:
A nanotecnologia está relacionada às estruturas, propriedades e processos 
envolvendo materiais com dimensões em escala nanométrica. Essas partículas são 
extensivamente investigadas por promoverem muitas vantagens em relação às 
formulações tradicionais. A nanotecnologia aplicada à cosmética refere-se à utilização 
de pequenas partículas contendo princípios ativos que são capazes de penetrar nas 
camadas mais profundas da pele, potencializando os efeitos do produto. Atualmente 
existem técnicas distintas para produção e avaliação das nanopartículas, bem como 
uma grande variedade de polímeros e biopolímeros que são utilizados como matéria-
prima para o seu desenvolvimento. Embora o mercado seja promissor, ainda é ampla a 
discussão
acerca desta tecnologia uma vez que se encontra em estágio inicial do seu 
desenvolvimento.
Palavras-chave: cosméticos, pele, nanotecnologia
ABSTRACT:
Nanotechnology is related to the structures, properties and processes involving 
materials with nanoscale dimensions. These particles are extensively investigated for 
promoting many advantages over traditional formulations. Nanotechnology applied to 
cosmetics refers to the use of small particles containing active ingredients that are able 
to penetrate into the deeper layers of the skin, increasing the effects of the product. 
Currently there are different techniques for the production and evaluation of 
nanoparticles, as well as a wide variety of polymers and biopolymers which are used as 
raw material for its development. Although the market is promising, is still wide 
discussion about this technology because it is in the initial stage of its development.
Keywords: cosmetics, skin, nanotechnology
1. INTRODUÇÃO
O mercado global vem passando por períodos de grandes competições 
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 Visão Acadêmica, Curitiba, v.13, n.1, Jan. - Mar./2012 - ISSN 1518-5192
cientícas e tecnológicas, principalmente após a nanociência e a nanotecnologia terem 
sido reconhecidas como uma tendência chave na ciência e tecnologia do século XXI, o 
que tem ocasionado um aumento nos recursos humanos e nanceiros na indústria 
mundial. A National Science Fundation estima que a nanotecnologia alcançará um 
impacto na economia global de cerca de 1 trilhão de dólares até 2015, requerendo 
aproximadamente dois milhões de trabalhadores (RAMOS et al, 2008; NNA, 2005). 
O maior nível de desenvolvimento em nanotecnologia é vericado nos Estados 
Unidos, União Européia e Japão, que investem cerca de um bilhão de dólares ao ano, 
concentrando juntos cerca da metade dos investimentos no mundo. No entanto, países 
como a Rússia, China, Índia e Brasil têm realizado investimentos signicativos no setor 
nos últimos anos, sendo que o governo brasileiro já investiu R$ 140 milhões entre 2001 
e 2006 em redes de pesquisa e projetos na área de nanotecnologia (MINISTÉRIO DE 
CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2006; RAMOS et al, 2008).
A nanotecnologia fundamenta-se na habilidade de caracterizar, manipular e 
organizar materiais em escala nanométrica. Trata-se de um campo cientíco 
multidisciplinar que se aplica a praticamente todos os setores da pesquisa, da 
engenharia de materiais e processos e de mercado (LEE, 2004; DURÁN et al, 2006). O 
princípio dessa nova ciência é que os materiais nesta escala nanométrica podem 
apresentar propriedades químicas, físico-químicas e comportamentais diferentes 
daquelas apresentadas em escalas maiores (WORLD NANOTECHNOLOGY 
MARKET, 2005). 
A produção de nanocosméticos, especicamente falando, está mundialmente 
inserida na indústria de cosméticos convencionais, constituindo-se em uma linha de 
produtos diferenciados de base nanotecnológica, sendo geralmente classicado como 
um setor especíco da indústria química juntamente com os produtos de higiene 
pessoal e perfumaria (FRONZA et al, 2007).
2. MATERIAL E MÉTODOS
 A m de evidenciar o panorama da nanotecnologia no Brasil e no mundo, bem 
como vericar as suas principais aplicações no setor de cosméticos e as vantagens que 
é capaz de oferecer aos produtos que utilizam essa tecnologia, realizou-se um 
levantamento bibliográco acerca do tema em pesquisa a diversas fontes nacionais e 
internacionais, tais como teses, dissertações, banco de dados, artigos cientícos, 
livros, periódicos, entre outros.
3. LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO
Dentre as diversas denições para nanotecnologia possíveis de serem 
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 Visão Acadêmica, Curitiba, v.13, n.1, Jan. - Mar./2012 - ISSN 1518-5192
encontradas, destaca-se, no âmbito do presente trabalho, aquela utilizada pele Rede 
de Nanocosméticos, denida pela National Science Foundation como sendo,
(...) o desenvolvimento de pesquisa e tecnologia nos níveis atômico, 
molecular ou macromolecular na faixa de dimensões entre 1 e 100 
nanômetros para fornecer um entendimento fundamental dos 
fenômenos e materiais na nanoescala e criar e usar estruturas, 
dispositivos e sistemas que tenham novas propriedades e funções 
devido ao seu tamanho pequeno ou intermediário. As propriedades e 
funções novas e diferenciadas são desenvolvidas em uma escala 
crítica de dimensão da matéria tipicamente abaixo de 100 nm (...) 
(FRONZA, 2007).
Na escala nanométrica, as propriedades dos materiais podem mudar de forma 
drástica, denominando-se “efeitos quânticos” a essas mudanças. Os átomos passam a 
revelar características peculiares, podendo apresentar condutividade elétrica, 
elasticidade, maior reatividade química, maior resistência, cores diferentes, entre 
outras características, apenas reduzindo o tamanho, sem mudar a substância (GRUPO 
ETC, 2005). 
Tendo como foco o setor cosmético, a empresa pioneira a introduzir um 
cosmético de base nanotecnológica, no âmbito internacional, foi a Lancôme, divisão de 
luxo da L`Oréal, em 1995, com o lançamento de um creme para o rosto constituído por 
nanocápsulas de vitamina E pura, para combater o envelhecimento da pele. Diversas 
outras empresas internacionais renomadas também passaram a investir em pesquisa 
para desenvolver produtos nesta linha (FAPESP, 2008, NEVES, 2008). Empresas 
como Christian Dior, Anna Pegova, Procter & Gamble, Revlon, Dermazone Solution, 
Chanel, Skinceuticals, Estee Lauder, Shiseido, Garnier, Johnsons e Johnsons 
exemplicam grandes empreendedoras do setor que vieram a lançar produtos 
baseados em nanotecnologia.
No Brasil, a primeira empresa a desenvolver e colocar no mercado um 
nanocosmético foi O Boticário, com um creme anti-sinais para a área dos olhos, testa e 
contorno dos lábios, chamado Nanoserum. A composição nanoestruturada leva ativos 
como vitamina A, C e K e um produto para clareamento. A tecnologia, desenvolvida em 
parceria com o laboratório francês Comucel, teve investimentos de R$ 14 milhões e faz 
parte da linha Active, que começou a ser vendida em 2005. Em 2007, lançou o VitActive 
Nanopeeling Renovador Microdermoabrasão, cosmético anti-sinais com 
nanotecnologia aplicada. Outros itens incluem o Liftserum Anti-Sinais e o Sistema 
Avançado Anti-Sinais 65+. A Natura, por sua vez, lançou em 2007 um produto para 
hidratação corporal, chamado Brumas de Leite, com partículas da ordem de 150 
nanômetros. No mesmo ano também colocou no mercado o Spray Corporal 
Refrescante para o público masculino (FAPESP, 2008, NEVES, 2008).
A nanotecnologia voltada para a cosmética tem como foco, sobretudo, os 
produtos destinados à aplicação na pele do rosto e do corpo, com ação
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 Visão Acadêmica, Curitiba, v.13, n.1, Jan. - Mar./2012 - ISSN 1518-5192
antienvelhecimento e de fotoproteção, capazes de penetrar nas camadas mais 
profundas da pele, potencializando os efeitos do produto (NEVES, 2008). 
De acordo com Fronza et al (2007) a seguinte denição pode ser aplicada para 
um nanocosmético: “uma formulação cosmética que veicula ativos ou outros 
ingredientes nanoestruturados e que apresenta propriedades superiores quanto a sua 
performance em comparação com produtos convencionais”.
No setor cosmético, nanomateriais, como as nanopartículas, estão presentes 
em xampus, condicionadores, pastas de dentes, cremes anti-rugas, cremes anti-
celulites, clareador de pele, hidratantes, pós-faciais, loções pós-barba, desodorantes, 
sabonetes, foto protetores, maquiagens de modo geral, perfumes e esmaltes (FRONZA 
et al, 2007). As nanoemulsões, por sua vez, constituem uma classe de emulsões com 
gotículas uniformes e de dimensões muito diminutas, na faixa entre 20 e 500 nm, que 
estão se tornando cada vez mais populares como veículos para a liberação controlada 
e dispersão otimizada de ingredientes ativos (CAPEK, 2004). 
Em se tratando
de produtos cosméticos, entretanto, é necessária uma escolha 
cuidadosa do tipo de carreador a ser utilizado para uma determinada substância ativa, 
tendo em vista o objetivo a que seu uso se propõe. Produtos que se destinam a 
permanecer na pele, sem que ocorra sua absorção, como é o caso dos ltros solares, 
por exemplo, devem ser formulados para atenderem a esse m. Dessa forma, a melhor 
forma de aumentar o desempenho de um ativo em uma formulação cosmética é o 
desenvolvimento de sistemas de liberação apropriados (MORGANTI et al, 2001).
Alvarez-Román e colaboradores (2004) investigaram a penetração cutânea 
passiva e a permeação de produtos altamente lipofílicos, como o protetor solar 
octilmetoxicinamato (OMC) e o corante uorescente Nile red (NR), encapsulados em 
nanopartículas biodegradáveis de poli(£)caprolactona, comparativamente aos 
mesmos produtos não encapsulados. Os autores observaram que o encapsulamento 
nanoparticulado produziu um aumento de 3,4 vezes no nível de OMC dentro do estrato 
córneo, embora o uso de nanopartículas não tenha propiciado aumento na permeação 
do mesmo na pele, mas sim um aumento na sua disponibilidade no estrato córneo. Em 
nanopartículas contendo NR, a uorescência foi perceptível a profundidades maiores 
(acima de 60 µm) dentro da pele, comparativamente quando dissolvido em 
propilenoglicol, e que a alteração de distribuição foi devida, ao menos em parte, a 
atividade termodinâmica alterada que resultou em um aumento de seu coeciente de 
partição no estrato córneo.
Na gura 1 estão evidenciadas as camadas da pele com suas respectivas 
dimensões, com base em trabalho de Chien (1992), permitindo a visualização dos 
diferentes graus de penetração de produtos nanoparticulados na pele.
49
 Visão Acadêmica, Curitiba, v.13, n.1, Jan. - Mar./2012 - ISSN 1518-5192
Figura 1 – Camadas da Epiderme
FONTE: Autores (2011)
Por outro lado, quando se pretende um maior grau de penetração podem ser 
utilizados certos ativos para atender a esta nalidade; é neste âmbito que também se 
aplicam as nanopartículas. Os primeiros produtos que prometiam combater as rugas, 
tomando-os como exemplo, eram limitados a esfoliar a área mais supercial da 
epiderme, a camada córnea. Na década de 70, surgiram cremes cujas formulações 
continham substâncias que conseguiam penetrar na pele, porém apenas na camada 
córnea. Já nos anos 80, surgiram os alfa-hidroxiácidos, com capacidade de penetração 
um pouco maior. Em 1990, surgiram os lipossomas, minúsculas partículas compostas 
de gordura e água, que chegavam ainda mais fundo na pele, mas não na camada basal 
(NEVES, 2008).
Pesquisas realizadas pela Faculdade de Engenharia Química da Unicamp 
demonstram que atualmente vêm sendo dada uma maior ênfase a dermocosméticos 
com ação diferenciada, como é o caso dos nanocosméticos, em que se espera, por 
exemplo, uma ação mais ecaz em rugas e preenchimentos, pela penetração mais 
profunda das partículas na pele, sem o risco de alcançar a corrente sanguínea. Isto 
porque, quando as moléculas dos princípios ativos dos cremes possuem tamanhos 
maiores elas cam apenas na superfície da pele, protegendo-a da perda de água, 
tendo efeito puramente cosmético (FAPESP, 2008).
Alvarez-Román e colaboradores (2004), em outro trabalho, utilizando 
nanopartículas de poliestireno não biodegradáveis e uorescentes, com diâmetros de 
20 e 200 nm, observaram que as nanopartículas se acumularam preferencialmente nas
aberturas foliculares e que a sua distribuição aumentou de maneira tempo-
dependente. Vericou-se também que a localização folicular foi favorecida pelas 
partículas de tamanho menor e que, independentemente desta localização, na região 
interfolicular também apareciam nanopartículas em imagens de superfície. Contudo, 
em imagens de secção transversal, observou-se que a estrutura da pele entre os 
folículos não oferece uma via de penetração alternativa para os vetores poliméricos, 
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cujo transporte foi claramente impedido pelo estrato córneo.
As vantagens do uso da nanobiotecnologia na produção de nanocosméticos e 
formulações dermatológicas advêm da proteção dos ingredientes quanto à degradação 
química ou enzimática, do controle de sua liberação, principalmente no caso de 
irritantes em altas doses, e do prolongamento do tempo de residência dos ativos 
cosméticos ou fármacos na camada córnea (FRONZA et al, 2007).
Segundo Sonia Tuccori, doutoura em Química que trabalha com a área de 
nanotecnologia na empresa Natura, “Os produtos cosméticos nano têm três apelos 
irresistíveis: melhor absorção, ação prolongada e um toque mais leve” (RANGEL, 
2008). Além disso, novas nuances são fortes tendências, como explica a pesquisadora 
Silvia Guterres, da Rede de Nanocosméticos, que acredita que “serão obtidas 
tonalidades de cores nunca vistas antes, com muito mais nuances” (FAPESP, 2008).
Além destas características, Wissing e Müller (2003) também destacam que as 
nanopartículas são vantajosas para aplicações cosméticas por atuarem como agentes 
oclusivos e também pelo potencial bloqueador das radiações ultra-violeta, atuando 
como ltros físicos, podendo estar combinados a ltros químicos com o propósito de 
melhorar a fotoproteção.
A principal aplicação de nanopartículas poliméricas está justamente focada no 
desenvolvimento de novas formulações contendo ltro solares, uma vez que estas 
nanopartículas são capazes de carrear substâncias altamente lipofílicas e por sua 
capacidade em alterar e/ou mascarar as propriedades físico-químicas de fármacos ou 
ativos cosméticos encapsulados (OLVERA-MATÍNEZ et al, 2005; GUTERRES et al, 
2007). 
Nos protetores solares, as gotículas são pigmentos de um branco brilhante que 
reetem luz de todos os comprimentos de onda. Porém, nanopartículas de TiO não 2
reetem a luz visível por serem transparentes, porém ainda bloqueiem a luz UV. Assim, 
partículas de TiO em nanoescala proporcionam excelente proteção UV nas aplicações 2
de ltro solar. Portanto, na forma de nanopartículas, além da maior eciência, não há o 
aspecto esbranquiçado típico provocado pela luz espalhada após a aplicação do 
protetor (NEVES, 2008; TOMA, 2004). 
Nas nanoemulsões, por sua vez, as minúsculas dimensões das gotículas 
reduzem muito a força da gravidade, evitando que haja a criação de sedimentos 
durante o armazenamento do produto. O pequeno tamanho das gotículas também evita 
a oculação. Evitando a oculação, o sistema mantém-se disperso, sem separação. As 
gotículas também evitam a coalescência por não serem deformáveis e não 
apresentarem alterações da superfície (NEVES, 2008). Outras vantagens das 
nanoemulsões podem ser observadas no Quadro 1.
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QUADRO 1 - Vantagem das nanoemulsões frente às emulsões tradicionais
FONTE: Adaptado de NEVES (2008). 
Em matéria publicada na revista Cosmetics & Toiletries (2007), Valcinir Bedin 
(médico dermatologista) armou que trabalhos realizados com alguns centros de 
pesquisa e desenvolvimento na área capilar revelaram que produtos usados para a 
coloração e para a modicação química da forma dos cabelos (alisamento ou 
permanentes) poderiam contar com a nanotecnologia. Na coloração dos cabelos há 
necessidade de abrir demasiadamente as cutículas dos os a m de promover a 
oxidação da melanina. Com a aplicação posterior do novo pigmento ocorre um dano 
ainda maior, deixando os os mais ressecados devido à perda de água. Portanto, se a 
cutícula não for fechada adequadamente pode ocorrer quebra dos os devido à 
fragilização da haste. Como a nanotecnologia se utiliza de moléculas muito pequenas, 
estes danos podem ser evitados, pois é capaz de promover a permeação da tintura sem 
abrir
as cutículas. 
Em estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas e a 
Chemyunion, foram empregadas nanopartículas de sericina no tratamento cosmético 
de cabelos, culminando com o lançamento do produto Seriseal. A sericina é uma das 
proteínas constituintes do bicho-da-seda, e possui a capacidade de ligar-se à queratina 
da pele e cabelos, formando um lme resistente, hidratante e protetor, proporcionando 
a selagem das cutículas dos os danicadas (MARCELINO et al, 2008; FAPESP, 2008).
Penetração na pele Devido a suas dimensões reduzidas, as nanoemulsões podem 
penetrar na superfície da pele, melhorando a penetração de 
ingredientes ativos.
Estética A característica transparência do sistema, sua uidez (em 
concentrações razoáveis de óleo), bem como a ausência de 
espessante conferem às nanoemulsões ótimo aspecto estético 
e agradável sensorial à pele.
Uso de menos 
tensoativo
Ao contrário das microemulsões, que exigem alta concentração 
de tensoativos, normalmente na faixa de 20% ou mais, as 
nanoemulsões podem ser preparadas usando concentração 
mais baixa. Para uma nanoemulsão óleo-em-água a 20%, pode 
ser suciente a concentração de tensoativo da ordem de 5 a 
Liberação de fragrância As nanoemulsões podem ser usadas para liberar fragrâncias 
incorporadas aos produtos cosméticos. Além disso, matérias-
primas de fragrâncias, como ésteres, aldeídos e cetonas, que 
não contêm álcool, podem ser usadas nas formulações de 
nanoemulsões.
Substituição de 
lipossomas
As nanoemulsões podem ser aplicadas como substitutas de 
lipossomas e vesículas, sendo possível, em certos casos, 
formar fases cristalinas lamelares de líquido ao redor das 
gotículas da nanoemulsão.
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4. CONCLUSÃO
A nanotecnologia é um fenômeno recente e vêm sendo mais extensivamente 
estudada e regulamentada principalmente nas duas últimas décadas. Esta tecnologia 
está promovendo uma revolução cientíca e tecnológica de proporções ainda não 
totalmente conhecidas.
O setor cosmético vem fazendo uso desta tecnologia devido às diversas 
vantagens da sua aplicação, principalmente no que concerne a uma maior capacidade 
de penetração dos ativos nas camadas da pele. Porém, apenas em um futuro próximo, 
com um maior e mais efetivo desenvolvimento desta tecnologia, é que se poderá ver 
com mais clareza seus reais benefícios e a segurança dos produtos oferecidos com 
este apelo. Os possíveis riscos na aplicação de nanopartículas incluem uma possível 
toxicidade e uma possível ausência de biocompatibilidade dos materiais utilizados. 
Não menos importante é considerar os impactos ambientais que também pode vir a 
ocasionar, caso este aspecto não seja alvo de estudos. 
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