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Fundamentos de Cosmetologia Aula 01 Professora: Cíntia Carvalho Técnico em Estética 01/2026 Introdução à Cosmetologia Definimos Cosmetologia como uma Ciência referente à preparação, à estocagem e à aplicação de Produtos Cosméticos, sendo uma Ciência multidisciplinar que envolve conhecimentos de Física, Química, Biologia ou Microbiologia .A Cosmetologia trabalha com beleza, correção e preservação da pele e dos cabelos, não tendo finalidade curativa, pois não é medicamento, mas sim prevenindo e melhorando as alterações inestéticas. O uso de Cosméticos data desde os egípcios, romanos e gregos, que utilizavam substâncias consideradas tóxicas para a pele, como sais de chumbo e mercúrio. No Brasil, segundo a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), por questões regulatórias, os Produtos Cosméticos precisam comprovar, ao menos, sua segurança, para comercialização . Introdução a Cosmetologia Importantes mudanças de valores na Sociedade aconteceram no final do século XX; a valorização dos elementos estéticos passou a ser relevante e afetou o comportamento dos indivíduos em relação à sua beleza. Vaidade também influencia positivamente a utilização de cosméticos e a realização de tratamentos estéticos. Dessa forma, identificaram-se reflexos no consumo dos produtos oferecidos pela indústria da beleza nos procedimentos cirúrgicos estéticos e procedimentos não cirúrgicos, os quais são realizados no afã de atender aos padrões estéticos .Atualmente, a indústria de produtos para cuidados com a pele cresce rapidamente e não há dúvidas sobre o enorme benefício desses produtos na rotina de cuidados diários. Ética e Legislação Cosmética No Brasil, temos a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que rege a preparação e a comercialização de Produtos Cosméticos. Os Produtos Cosméticos estão sujeitos às Legislações e Regulamentações sanitárias brasileiras, desde a produção, o envase, a comercialização, a importação e a exportação, conforme Legislações vigentes no país . Para minimizar os riscos, a ANVISA exige que o fabricante, ao produzir um Produto Cosmético, efetue testes durante o processo produtivo, desde a matéria-prima até o produto acabado, incluindo testes de análise físico-química e microbiológica. Atualmente, em cumprimento à Legislação específica do Setor, a fabricação de Produtos Cosméticos está alicerçada no binômio “eficácia e segurança”, pois, além de cumprir a sua finalidade, esses produtos devem ser seguros para o uso sem causar quaisquer efeitos indesejáveis. Ética e Legislação Cosmética Os conhecimentos para o desenvolvimento de novas formulações cosméticas, aliados à Tecnologia para a produção, apontam para a necessidade de um profissional capaz de atender às demandas do Mercado da Cosmetologia, com conhecimentos que aliem eficácia e segurança, baseados em conhecimentos nas áreas de Histologia, Anatomia, Fisiologia, Bioquímica, Imunologia, Toxicologia e Microbiologia, como também na área de Química Orgânica e Inorgânica, Física Industrial e de Tecnologia de Fabricação e Controle físico-químico e microbiológico de produtos . Classificação de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes e Definição e Grau de Risco Segundo a RDC nº 07/2015, (Resolução da Diretoria Colegiada) definimos que os produtos de higiene pessoal, cosméticos e per fumes são preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral, com o objetivo exclusivo ou principal de limpá-los, per fumá-los, alterar sua aparência e ou corrigir odores corporais e ou protegê-los ou mantê-los em bom estado (ANVISA, 2015). Classificação de Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes e Definição e Grau de Risco Esses produtos são classificados em: •Grau 1: são Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes cuja formulação se caracteriza por possuírem propriedades básicas ou elementares, cuja comprovação não seja, inicialmente, necessária e não requeiram informações detalhadas quanto ao seu modo de usar e suas restrições de uso, devido às características intrínsecas do produto. Exemplos: xampus e condicionadores simples, espuma de barbear e loções pós-barba, produtos para maquiagem, cremes e loções corporais com finalidade de hidratação e refrescância sem vitaminas e filtros solares com finalidade de fotoproteção da pele . •Grau 2: são Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Per fumes cuja formulação possuem indicações específicas, cujas características exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados, modo e restrições de uso. Exemplos: xampu anti-caspa, creme antirrugas, cremes com protetor solar, cremes para a área dos olhos, cosméticos infantis, etc., cujas características exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados, modo e restrições de uso (ANVISA, 2015). Os produtos classificados como Grau 2, para iniciarem sua comercialização, precisam ter seu registro perante a ANVISA, sendo necessária a apresentação de resultados de avaliação de segurança e/ou eficácia ou, ainda, rotulagem específica. Segundo a ANVISA, os testes de risco do Produto Cosmético são baseados na ocorrência de uma das reações descritas a seguir: •Irritação: corresponde ao processo inflamatório que ocorre na área de contato com o produto, podendo ocorrer logo após a primeira aplicação (irritação primária) ou com a continuidade do uso do Produto Cosmético (irritação acumulada); •Sensibilização: corresponde ao processo inflamatório que envolve mecanismo imunológico, com tempo de contato variável, podendo ocorrer logo após alguns dias ou mesmo alguns anos, até que o organismo reconheça um ou mais ingredientes como alergênico (ANVISA, 2012).Cada vez mais os consumidores estão preocupados com a segurança e a qualidade dos produtos; sendo assim, cada vez mais a ANVISA vem exigindo que se comprove que os Produtos Cosméticos vendidos no Brasil são seguros e têm eficácia . As Empresas, por serem as principais responsáveis pela segurança do Produto Cosmético colocado à disposição, devem notificar à ANVISA no caso de reações que impliquem risco à saúde do consumidor (ANVISA, 2012). Definição de Cosméticos, Fitocosméticos e Demais Terminologias Utilizadas no Segmento da Estética No Brasil, perante a ANVISA, definimos os Cosméticos em Grau 1 e Grau 2, como descrito, para fins de regulamentação, mas, usualmente, embora não sejam reconhecidos, temos alguns termos que são amplamente utilizados. O termo cosmecêutico foi usado, primeiramente, por Albert Kligman, há cerca de 30 anos, e consiste na junção das palavras cosmético e farmacêutico (cosme+cêutico), sendo um Produto Cosmético que exerce benefício para a melhorada aparência da pele, não sendo classificado como medicamento, mas sim, como cosmecêutico. O cosmecêutico faz mais pela pele que um cosmético, visto que o cosmecêutico (também chamado dermocosmético), apresenta princípios ativos com finalidade Estética. Cosméticos atuam na superfície da pele, apenas com finalidade de higienizar, embelezar, hidratar etc.; • Cosmecêuticos: possuem em sua formulação substâncias que apresentam indicações específicas, exigindo, assim, comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados, modo e restrições de uso. Existe grande variedade de princípios ativos encontrados em produtos cosmecêuticos. Esses ativos podem ser descritos em categorias, como agentes despigmentantes, retinoides, vitaminas, antioxidantes, minerais, hidroxiácidos e fatores de crescimento .O Fitocosmético pode ser descrito como um produto que contém princípio ativo de origem vegetal, cuja ação define a atividade do produto. Os fitocosméticos devem passar por testes de estabilidade, segurança e eficácia para assegurar a atividade do produto. No Brasil, temos forte influência dos Meios de Comunicação e entidades que conscientizam os consumidores com questões ambientais, sociais eecológicas, o que acaba por tornar a população mais atenta com as questões de sustentabilidade, sua saúde e bem-estar. O Mercado vem estimulando os consumidores a cada vez mais buscarem cosméticos que tragam essa preocupação ecológica; sendo assim, temos os cosméticos ecológicos ou orgânicos. Definimos cosméticos naturais (Figura 1) como produtos que contenham 95% de ingredientes naturais, dos quais 50% devem ser orgânicos e, ao final da produção, com adição de água, o total de ingredientes certificados orgânicos deve ser de 5%. Já o cosmético orgânico (Figura 1) é classificado como aquele que contenha 95% de ingredientes naturais, dos quais 95% devem ser orgânicos e ao final da produção com adição de água o total de ingredientes certificados orgânicos devem ser de 10% .Alguns dos ingredientes naturais mais procurados para a fabricação de cosméticos são: óleo de sementes de Maracujá, óleo de Andiroba, óleo de Buriti, óleo de Castanha-do-pará, óleo de Copaíba, óleo de Pracaxi, manteiga de Cupuaçu, manteiga de Muru-Muru, manteiga de Ucuúba e mel e derivados Microbiologia aplicada a Produtos Cosméticos As fontes de contaminação microbiológica (Figura 2) são classificadas em três: Bactérias, fungos e vírus. Bactérias e fungos têm estrutura celular para se replicar, enquanto os vírus são menores e mais simples e dependem de outros sistemas para se replicar, ou seja, são parasitas intracelulares obrigatórios. Sendo assim, são realizados testes que analisam a presença de bactérias, fungos e leveduras, visto que os vírus não sobrevivem fora do organismo humano. No Brasil, a RDC 17/2010 e a Farmacopeia Brasileira estabelecem os ensaios para análise microbiológica. A qualidade microbiológica de Produtos Cosméticos constitui um dos atributos essenciais para sua qualidade, principalmente, em relação à segurança, eficácia e aceitabilidade desses produtos. Falha nas medidas preventivas e de controle do processo de fabricação pode resultar em produtos inadequados ao uso cosmético. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) exige que as empresas produtoras tenham implantado as normas de boas práticas de fabricação, conforme as Normas Técnicas oficialmente estabelecidas. Dentre as exigências presentes nas normas, está a necessidade da realização de ensaios de controle de qualidade nas fases do processo de fabricação, desde a análise das matérias-primas até o produto final .A contaminação microbiológica pode levar ao comprometimento da ação do produto devido à quebra da estabilidade da formulação cosmética, alteração das características físicas, aparência e levar à inativação dos princípios ativos e excipientes da formulação e, ainda, agravar quadros clínicos de pacientes ou causar diversas patologias de pele como infecções. Os ensaios analíticos empregados estão descritos, como métodos gerais de contagem em placas de microrganismos aeróbios e fungos, pesquisa dos microrganismos patogênicos Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Salmonella spp e Staphylococcus aureus e teste de eficácia do Sistema conservante .A Resolução RDC 481, de 23 de setembro de 1999, dispõe. Pelo quadro acima, podemos perceber que os cosméticos classificados como Tipos I e II não necessitam ser estéreis; porém, a carga microbiológica é limitada, sob o ponto de vista qualitativo e quantitativo .É necessário que os produtos sejam aprovados pelas Empresas para serem comercializados após aprovados nos testes. Um ponto a ser considerado é o risco de uma contaminação por uso inadequado do Produto Cosmético. É necessário que o profissional da área de Estética evite contaminar o produto: não deve colocar a mão em contato direto com o produto; não deve ter contato do produto direto com a pele; deve usar dentro do prazo de validade; deve armazenar dentro das condições orientadas pelo fabricante etc. Embalagens dos Produtos Cosméticos: Embalagem Primária e Secundária Ha alguns anos, as embalagens eram feitas apenas com o objetivo de proteger o produto até o consumidor final. Com o passar do tempo, observou-se uma preocupação com seu impacto nas vendas, visto que alguns estudos indicam que a maioria dos consumidores decide o que comprar pela observação da embalagem. É importante distinguir três níveis da embalagem: primária, secundária e terciária (ou de transporte). A embalagem primária (Figura 3) é a que está em contato direto com o produto, normalmente, responsável pela conservação e contenção do produto. O material de embalagem primária pode ser: ampola, bisnaga, envelope, estojo, flaconete, frasco de vidro ou de plástico, frasco-ampola, cartucho, lata, pote, saco de papel e outros. Não deve ocorrer qualquer tipo de interação entre o material de embalagem e o seu conteúdo, que possa ser capaz de alterar sua concentração, a qualidade ou a pureza do material acondicionado. A embalagem primária (Figura 3) é a que está em contato direto com o produto, normalmente, responsável pela conservação e contenção do produto. O material de embalagem primária pode ser: ampola, bisnaga, envelope, estojo, flaconete, frasco de vidro ou de plástico, frasco-ampola, cartucho, lata, pote, saco de papel e outros. Não deve ocorrer qualquer tipo de interação entre o material de embalagem e o seu conteúdo, que possa ser capaz de alterar sua concentração, a qualidade ou a pureza do material acondicionado. A embalagem secundária (Figura 4) possibilita proteção físico-mecânica do Produto Cosmético nas condições usuais de transporte, armazenagem e distribuição. Podem ser caixas de cartão ou cartolina. A embalagem terciária (Figura 5) agrupa diversas embalagens primárias ou secundárias para o transporte (CEAP). As embalagens podem ser: Vidro: material inerte, quebrável, reciclável, podendo ser transparente ou colorido; Plásticos: inquebrável, leve e inércia relativa; Alumínio: leve, reciclável e resistente; Papelão: falta de inércia, reciclável e de diversas formas e tamanhos (CEAP). Temos diversas embalagens que minimizam o contato do produto com o ar e a possibilidade de contaminação do produto durante o uso: • Sistema airless: embalagem a vácuo (Figura 6) assegura padrões excepcionais de conservação, visto que mantém o produto sem contato com o oxigênio, que é responsável pela oxidação dos lipídios e necessário para o crescimento microbiano. • Monodose: as embalagens em forma de monodoses (Figura 7) ajudam a prevenir a contaminação do produto durante o uso pelo consumidor. Após cada utilização do produto, faz-se o descarte da embalagem utilizada, contribuindo para a redução de conservantes no produto. Informações sobre Rotulagem de Produtos Cosméticos Os rótulos dos produtos devem estar de acordo com o que prediz a Legislação brasileira, sendo que no rótulo devem constar o número de Autorização de Funcionamento da Empresa – AFE e o número do processo na rotulagem do produto, gerado no sistema da ANVISA, que corresponderá ao número de registro .Para os produtos classificados como Grau 2, eles só poderão ter sua comercialização após registro na ANVISA, em que deverão apresentar resultados comprobatórios de segurança e/ou eficácia com a devida e específica rotulagem .A rotulagem dos Produtos Cosméticos não deve conter indicações e menções terapêuticas, nem denominações e indicações que induzam a erro, engano ou confusão quanto à sua procedência, origem, composição, finalidade ou segurança .Conforme se pode observar no Quadro 2, os itens devem estar na embalagem correspondente, quer seja primária, secundária ou ambas. Bons Estudos!!! image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image1.png