Logo Passei Direto
Buscar

Doenças do pâncreas (1)

Resumo de pancreatite aguda: definição e classificação; fisiopatologia (ativação enzimática intrapancreática, fases inflamatórias, mecanismos de proteção); gravidade e mortalidade; principais etiologias (litíase biliar, álcool, drogas, CPRE, metabólicas, obstrução, trauma, genética, idiopática).

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

DOENÇAS DO PÂNCREAS
PANCREATITE AGUDA E CRÔNICA
1. PANCREATITE AGUDA
· Processo inflamatório agudo do pâncreas
· Pode ser:
· Leve (edematosa ou intersticial): restrita ao pâncreas, s/ acometimento de órgãos vizinhos/à distância. 80-90% dos casos.
· Aguda grave (necrosante): acomete tec. peripancreáticos por disseminação generalizada. Pode ter complicações e levar à falência múltipla. 10-20% dos casos
· FISIOPATOLOGIA: Pâncreas exócrino – endócrino
· Endócrino: composto pelas ilhotas de Langerhans; produção de insulina, glucagon e somatostatina.
· Exócrino: produção enzimática. Cels acinares (enzimas pancreáticas) e cels ductais intercalares, que se continuam em peq ductos condutores de secreção até ductos principal (Wirsung) e acessório (Santorini), que eliminam a secreção pancreática (rica em pró-enzimas e bic) no duodeno através de papilas duodenal maior e menor.
· 
· Normalmente, a ativação enzimática ocorre no lúmen duodenal, pela ação da enteroquinase. O primeiro zimogênio a ser formado é o tripsinogênio, que se transforma na forma ativa, tripsina, que ativa todas as outras. Ocorre ↑ do pH local, o que facilita a ação das enzimas.
· Mecanismos de autopreservação do pâncreas: “empacotando” enzimas em grânulos no citoplasma da cel acinar sob forma inativa (zimogênios ou pró-enzimas); Sintetiza inibidores do tripsinogênio, marmazenados junto com zimogênios
· Pancreatite aguda: seria deflagrada pela ativação de enzimas pancreáticas ainda no interior do órgão (autodigestão). Diversos poderiam ser os fatores deflagradores: infecções, isquemia, toxinas, trauma...)
· Ocorreria 3 fases: 
· Ativação intrapancreática de enzimas digestivas - colocalização [aproximação de vacúolos citoplasmáticos ricos em catepsina B (ativador tripsinogênio)], seguida de lesão acinar e produção de fatores pró-inflamatórios (fase neutrófilo independente)
· Ativação, quimiotaxia e sequestro de neutrófilos no pâncreas (fase neutrófilo dependente)
· Efeitos da ativação de enzimas proteolíticas e citocinas liberadas pela inflamação em órgãos à diatância, podendo levar a SIRS.
· A gravidade depende do nível de mediadores inflamatórios lançados na circulação.
· Mortalidade: é bimodal - precoce (≤2 sem, relacionado a SIRS) ou tardia (após semanas, em decorrência das complicações)
· ETIOLOGIA 
· Litíase biliar e álcool (70-80% dos casos)
· Litíase biliar (30-60%): cálculo levaria a hipertensão no sistema ductal pancreático (facilita colocalização); Obs: pessoas com cálculos < 5mm tem risco 4x maior que pessoas com calcs maiores.
· Álcool (15-30%): Mecanismos – espasmos do esfíncter de Oddi (↑pressão intraductal); toxicidade p/ cel acinar e precipitação de proteínas no lúmen ductal, sendo que posteriormente esse “tampão de prot calcifica”, obstruindo lúmen, dai num novo episódio de estimulo à liberação de secreção, há ↑da pressão, gerando novo episodio agudo; ↑ permeabilidade de ductos -> extravasamento de enzimas; álcool capas de ativar tripsina; hipertrigliceridemia; formação de rad. livres.
· Tipo de bebida não importa; é necessário consumo diário de 5-8 drinks por mais de 5 anos (+ comum em homens), associado a dietas ricas em gordura, hiperproteicas, variações genéticas ligadas as enzimas e de quimiotaxia de monócitos/neutrófilos, tabagismo...
· Outras: 
· Drogas (2-5%): + comuns - pentamidina e didanosina (antirretroviral); AZA, 6-mercaptopurina; furo e tiazídicos; ác. valproico; metro, tetraciclinas, bactrim; estrogênios; arabinosídeo C; aminossalicilatos.
· Pós-CPRE (5-20%): aumento transitório de pressão intraductal. Principais fat. de risco: papilotomia de papila menor, disf. primária do esfíncter de Oddi, história prévia de pancreatite pós CPRE, <60a, mais que 2 injeções de contraste. Obs: já é esperado aumento de enzimas pancreáticas pós CPRE.
· Metabólicas: hiperCa e hipertrigliceridemia (ppt hiperlipidemias tipo I, II e V)
· Obstrução não litiásica: disf. esfíncter de Oddi, lesões duodenais, pós trauma, neoplasias (+ comum IPNM), pâncreas divisum
· Pâncreas divisum#: anomalia congênita decorrente da ausência de fusão das porções dorsal com ventral -> colo, corpo e cauda drenadas pelo ducto de Santorini (pequeno) e cabeça e processo uncinado drenados pelo Wirsung
· Trauma: contudo de abdome, tanto em adultos qto em crianças pode levar a pancreatite, mesmo q não haja lesão direta de ductos
· Genética: + associado à crônica. Episódios de pancreatite antes dos 20 a, precipitados por álcool, alim. gorduroses, estresse, HF+; alteração no gene do tripsinogênio é a + comum (tripsina resistente a inibidores/inibidores defeituosos). Fibrose cística – fenótico descoberto recente associado a pancreatite recorrente s/ alteração pulmonar.
· Idiopática (20%) – geralmente forma ão identificada de pancreatite biliar – lama biliar/microlitíase ou disf. do esfíncter de Oddi. TTO: colecistec e esfincterectomia respectivamente.
· Diversas: hipotermia, infecções, infestação por áscaris e Clonorchis sp, azotemia, vasculites, autoimunes (Sjogren), veneno de escorpião (Tytius trinitatis), aranhas e répteis (monstro de gila), intoxicação por organofosforados, secundária a procedimentos cirúrgicos
· Pancreatite autoimune (PAI): incomum (mas é causa comum de pancreatite recorrente idiopática), associado a dç sistêmica de IgG4. Clínica: sint. leves - dor abdominal com crises frequentes de pancreatite aguda; edema e aumento volumoso de pâncreas; 2/3 dos pcts apresentam icterícia obstrutiva ou em massa na cabeça do pâncreas (simula CA); estreitamento difuso e irreg do ducto pancreático na colangioRNM ou CPRE; níveis altos de gamaglobulinas, ppt IgG4; autoanticorpos presentes (FAN, FR); pode haver associação com outras autoimunes (Sjogren, CEP, RCU, AR...); há alterações no ducto biliar extrapacreatico (estreitamento de colédoco e ductos intra-hepaticos), calcificações pancreáticas. TTO: clicocorticóides.
· CLÍNICA
· História: dor abdominal intensa, associada a náuseas e vômito (pode levar a sd de Mallory-Weiss) e HDA. Dor- progressiva em epigástrio, em barra/faixa no abdome superior, irradiando para dorso. Posição genupeitoral alivia dor; atitude em prece maometana é descrita (alivia dor). Libação alimentar nas utimas 12-16h na etio biliar, bem como libação alcoólica nas ultimas 12-24h na alcoólica.
· Exame físico: agitação; febre (não infecciosa); RNC a depender da gravidade (pode ocorrer por choque hipovolêmico, mediadores humorais ou intox. por etanol); icterícia (se compressão colédoco ou colestase não obstrutiva); Pulmão – atelectasia em bases, derrame pleural ppt à E, ↓PaO2/FiO2; paniculite (necrose gordurosa SC, lesão semelhante a eritema nodoso); ↓peristaltismo (íleo paralítico), hipertimpanismo, massa inflamatória no HE, DB+; Retinopatia de Purtscher# (incomum).
· LABORATÓRIO
· Geral: leucocitose com desvio E, ↑Ht, ↑Ur e Cr; trombocitopenia, ↑TAP e PTT, ↑produtos de degradação da fibrina, ↓fibrina (se CIVD); alcalose metabólica hipercloremica e hipoK (vômitos); ↑glicemia; hipoalbuminemia; hipoCa (consequência da hipoalbuminemia); ↑BT; ↑3x ALT nas 1as 24h se etio biliar; AST pode ↑ até 15x, sendo crit. de gravidade de Ranson. 
· Específicos: 
· Amilase: ↑ 3x o LSN (se na presença de sinais compatíveis) sugere fortemente. Eleva nas 1as 2-12h e depois declina, estando normal no 3º-6º dia (tanto que se permanecer aumentada, suspeitar de complicações – abscesso, pseudocisto, ascite pancreática). Não está associada com gravidade/prognóstico! Tem ↓especificidade (↑ em varias situações nada a ver com pâncreas/pancreatite). Obs: Causas de pancreatite com amilase normal – hipertrigliceridemia, pancreatite crônica com fibrose, pancreatite grave com necrose intensa do órgão. Obs2: Amilase urinária permanece mais tempo ↑, ajudando no Dx. Obs3: uma forma de dosagem mais fidedigna é a p-amilase, que é específica p tec pancreáticos (E 93%)
· Lipase: maior especificidade em relação à amilase. As duas elevam paralelamente, sendo que a lipase fica aumentada por mais tempo. Não tem relação com prognóstico/gravidade! 
· Outros: níveis séricos detripsinogênio, fosfolipase, elastase e quimiotripsinogênio (mas não oferecem informação adicional além da lipase/amilase).
· EXAMES DE IMAGEM
· Radiografia: Tórax – atelectasias segmentares em lobos inferiores, elevação diafragma, derrame pleural E, hipotransparencia (sugerindo edema pulmonar). Abdome: geralmente normal, serve p/ excluir outros Dx; nos casos graves, “alça sentinela”, sinal de “amputação do cólon” e contornos indistintos de órgãos retroperitoniais (psoas e rins)#
· USG: pedir para todos os pcts com pancreatite!!! Maior sensibilidade na análise de litíase/lama biliar e dilat. de vias biliares. Desvantagem: operador dependente e limitado na dist. abdominal
· TC: exame de eleição p/ delinear pâncreas – avalia aumentos, presença de coleções pancreáticas e peripancreáticas, borramento de gordura perirrenal e peripancreática, presença e extensão de necrose (melhor vista a partir de 48-72h do inicio dos sintomas). Avalia gravidade. Pedir para casos duvidosos, que não estão melhorando em até 72h (complicações). 
· RNM: S e E semelhantes TC.Vantagens: n usa contraste iodado e pode identificar ruptura ductal precoce (não visualizada a TC). A colangioRNM é método não invasivo que oferece possibilidade de visualizar colédoco
· USG endoscópico: + adequado p/ dx de origem biliar.
· ABORDAGEM
· P/ definir pancreatite, são necessários pelo menos 2 dos seguintes: sintomas compatíveis com a dç; amilase ou lipase ↑3x o LSN; imagem radiológica compatível com o dx (preferencia p/ TC ou RNM).
· 1º passo: Definir causa e gravidade
· Causa – 3 perguntas: É causada por droga? se for, suspender; É de origem biliar? se for, avaliar CPRE de urgência p/ extração do calculo ou papilotomia endoscópica nas 1as 48h (controverso); É alcoolica? em pct com história +, na ausência de outros fatores, deve ser principal hipótese. Obs: pancreatite recorrente: 1as causas tbm são biliar e álcool; se sem causa definida, investigar dç biliar oculta ou disfunção do esfíncter de Oddi, drogas, hipertrigliceridemia, malformações, fibrose cística, Ca de pâncreas.
· Gravidade: 
· Critérios de Atlanta (1992) - grave se pelo menos um: disfunção orgânica (choque – PAS <90, insuficiência pulmonar – PaO2 <60, IR – Cr >2 após hidratação); complicação local (necrose, pseudocisto, abscesso); complicação sistêmica (CIVD – plaq <100k, fibrinogênio <100, produtos de degradação fibrinogênio >80; Ca <7,5) . Define classificação de gravidade tbm:
· Aguda leve: sem falência orgânica nem complicações locais ou sistêmicas
· Moderadamente grave: falência orgânica transitória (<48h) ou complicações locais ou sistêmicas não associadas a falência orgânica
· Aguda grave: falência orgânica persistente (>48h) única ou múltipla
· Escore Ranson ≥ 3 (não consegue avaliar gravidade no momento da admissão) – “LEGAL FECHOU” #
· APACHE II ≥ 8 (estima imediatamente gravidade; desvantagem - complexidade)
· Glasgow modificado (Imrie): indicador prognóstico p/ 1as 48h#
· Critérios de Baltazar modificados (gravidade pela TC). Grave se >6#
· BISAP: mais atual, feito p/ 1as 24h; pequeno, acurado e de fácil realização: BUN >25, RNC, SIRS, >60ª, derrame pleural na radiografia. Grave se ≥3#
· Esses critérios ajudam a definir a gravidade, prognostico e necessidade de UTI.
· Outros marcadores prognósticos: sangramento digestivo, IMC > 30, idade>70a, pós-OP; PCR>150 (avaliar após 48-72h, fosfolipase A2, elastase polimorfonuclear, tripsina imunorreativa, proteína associada a pancreatite, IL-6, metemalbuminemia, alfa-2-macroglobulina, alfa-1-antitripsina; na urina, peptídeo ativador de tripsinogênio, procarboxipeptidade, profosfolipase
· 2º passo: Definir tratamento
· Pancreatite leve: repouso, analgesia (não poupar opióides! + usado é o fentanil), antieméticos, dieta zero inicialmente (manter no menor tempo possível; reintroduzir qdo os sintomas melhorarem – fome, RHA+, ausência de dor), infusão de líquidos e eletrólitos; se vômitos e dist. abdominal, SNG
· Pancreatite grave: além das medidas anteriores...
· Reposição volêmica em grande quantidade – reanimação volêmica é uma das medidas que altera morbimortalidade, devendo ser realizada nas 1as 24h p/ estabilizar PA, normalizar Ht, ↓Ur e débito urinário > 0,5ml/kg/h
· Vaga de UTI: p/ monitorização HD invasiva -> espera-se após reanimação volêmica ↓RVS + ↑ Índice cardíaco
· ATB profilático: não fazer!!!
· Suporte nutricional: iniciar nutrição enteral mesmo nos pcts com pancreatite grave após 72h de internação (melhores resultados que NPT – menos transloc. bacteriana). NPT apenas p/ pcts que não toleram NE ou se pct não atingir metas calóricas apenas com NE. Iniciar NPT após passar fase mais aguda.
· Abordagem vias biliares: indicada nos casos de pancreatite biliar. Pancreatite grave c/ clínica sugestiva de colangite ou com obstrução mantida em exame de imagem – abordagem por CPRE e papilotomia nas 1as 48-72h de internação; colecistectomia realizada posteriormente. Pancreatite leve - colecistectomia indicada a ser realizada precocemente ou tardiamente na mesma internação, após cessarem sintomas (+ comum). Pancreatites grave – tratamento conservador por até 6 sem e após isso colecistectomia (se ↑ risco cirúrgico, papilotomia ampla via endoscópica)
· 3º passo: Acompanhar desenvolvimento de complicações: podem ser locais e sistêmicas. As sistêmicas geralmente ocorrem em um primeiro momento e devem ser imediatamente tratadas. As locais se desenvolvem em semanas a meses
· Coleção fluida aguda (30-50%): pâncreas inflamado drenando secreção para imediações ou espaços mais distantes (pararrenal por ex.). Ocorre ppt na fase inicial, sendo a maior parte reabsorvida na evolução. Quando não regrise, leva a formação de pseudocistos ou permeiam áreas de necrose; pode ainda infectar. CD: geralmente resolução espontânea; se suspeita de infecção, punção percutânea guiada por método de imagem; se confirmada, ATB EV.
· Necrose pancreática e peripancreática: áreas mortas que não captam contraste na TC (é hipodenso). Pode ser estéril ou infectada, sendo a necrose infectada a complicação mais temida e ocorre em 20-35% dos pcts. Fatores de risco p/ necrose infectada: extensão da necrose, grau de isquemia e hipoperfusão pancreática e disf. de múltiplos órgãos. Pode ocorrer a qualquer momento mas é + comum nas 1as 3-4 sem (complicação precoce
· ). Tem origem na translocação de bact. do TGI. Febre e leucocitose sugerem, sendo o Dx mais fidedigno a punção quiada por TC da área necrótica. CD: Necrose estéril – conservador. Necrose infectada – laparotomia c/ necrosectomia + ATB sistêmica (carbapenêmicos são de escolha – imipenem) e desbridamentos de repetição podem ser necessários (terapia “step up” – em etapas); se pct estável, cirurgia deve ser postergada. Durante cirurgia, retirar maior quantidade de necrose possível, podendo procedimento ser repetido a cada 2-3 dias até que n seja mais necessário. 
· Pseudocisto pancreático (15%): é a coleção fluida aguda rica em suco pancreático que persiste após 4-6ª semanas do início da pancreatite. Forma-se uma “parede” ao redor do líquido rica em tec. de granulação e fibrose (não possui tec. epitelial – por isso pseudo). Ao EF, pode ser palpada massa em epigastro ou HE. Há persistência dos níveis elevados de amilase – dica p/ diagnóstico!
· Abscesso pancreático (3-4%): pseudocisto infectado (material de consistência mais liquida, sem muita necrose). Aparece 4-6 sem após pancreatite aguda (complicação tardia). Há febre, leucocitose, íleo adinâmico, massa palpável, níveis flutuantes de amilasemia e rápida deteriorização em um pct que estava se recuperando. Condições associadas: pancreatite grave, pós-op, alimentação e laparotomia precoces, uso indiscriminado de ATB, punção ou drenagem inadequada de pseudocisto, fístula p/ cólon. 
· Focos de necrose podem liquefazer, formando focos de necrose despreendida (Walled-off Pancreatic Necrosis – WOPN), que possuem conteúdo heterogêneo em seu interior até 6 semanas. 
· CD: os pseudocistos são geralmente extrapancreáticos, em Bursa omental. Quando intrapancreáticos, 85%no corpo e cauda. Se mínimos sintomas sem evidencia de uso ativo de álcool, acompanhamento com USG seriada – se mostrar aumento progressivo de pâncreas, sintomas (geralmente qdo >6cm) ou c/ complicações (hemorragia, ruptura, abscesso), bem como DD de neoplasia cística de pâncreas, abordar. 
· Abordagem no pseudocisto: 1ª opção – métodos endoscópicos: colocação de stent no Wirsung durante CPRE / Drenagem direta por cistogastrostomia ou cistoduodenostomia por stents plásticos na parede do cisto. Drenagem cirúrgica apenas se falha ou indisponibilidade de terapia endoscópica – anastomose entre cisto e parede de víscera adjacente (geralmente cistoduodenostomia ou cistogastrostomia); se não tiver contato com víscera, cistojejusnostomia em Y de Roux. Se difícil acesso cirurgico, opção é fístula percutânea. P/ WOPN, tto é o mesmo, mas deve-se aguardar 6 semanas. Se pseudocisto infectado, punção guiada por método de imagem ou drenagem externa cirúrgica. 
· Quando pseudocisto rompe, pode causar complicações: p/ cav. peritoneal -> ascite pancreática – DX: dosagem de amilase e lipase no líquido. CD: CPRE p/ ver Wirsung e a partir dai, definir cd cirúrgica. 
· Comunicação com ducto pancreático secundário: maioria das fístulas. TTO conservador é geralmente resolutivo (dieta zero, NPT, somatostatina/octreotide), paracentese completa (ajuda na cicatrização das fístulas)
· Comunicação com ducto pancreático principal: cd – medidas endoscópicas (colocação de stent sobre lesão e dilatação de estenoses proximais) pois cd cirúrgica é impossível
· Comunicação com ducto distal desconectado do ducto principal: houve completa perda de anatomia pancreática, sendo q o pâncreas distal drena direto p/ cavidade abd. Nas fístulas distais, pancreatectomia distal + fechamento ducto pancreático. Nas centrais, pancreatojejunostomia em Y de Roux
· Fistula pancreático pleural: cd = ascite pancreática (mas realizar toracocentese completa ao invés de paracentese)
· Fístula pancreático entérica: geralmente é o tto natural do pseudocisto. Se sangramento ou sepse, abordar. Geralmente fístulas colonicas necessitam abordagem e demais o tto é conservador.
· Comunicação para vaso adjacente – pseudoaneurisma e hemorragia digestiva: Cd: abordagem cirúrgica (ex pancreatectomia distal) ou embolização angiográfica (ppt de pct instável).
· Pseudocistos podem levar à obstrução gástrica e duodenal
· 4º passo: antes da alta hospitalar
· Colecistectomia (de preferencia videolaparoscopica), pois a principal causa é a biliar. Na pancreatite leve, antes da alta. Na grave, esperar 6 semanas.
2. PANCREATITE CRÔNICA
· DEFINIÇÃO: fruto de inflamação continua, resultando em atrofia e fibrose parenquimatosa, sendo o dano permanente, afetando funções exócrina e endócrina.
· ETIOLOGIA: o mecanismo (ainda desconhecido) é capas de induzir continuamente cels pancreáticas a necrose ou apoptose; iniciar e manter processo inflamatório local; estimular cels estreladas pancreáticas a induzir fibrose local. 
· Ingestão de bebida alcoólica é a causa + comum (70-80%) – causa obstrução ductal por plugs proteicos, ativação intracelular de enzimas digestivas e lesão membranosa por rad livres. Associações (aumentam risco de alcoólatras terem pancreatite): polimorfismos e mutações,dieta rica em gorduras e proteínas, tipo de álcool ingerido e modo de ingestão, def. de antioxidantes e tabagismo.
· Idiopática (20%)
· Outras:
· Genética: mutações no gene do tripsinogênio (PRSS1) podem provocar ativação intracelular da enzima – pancreatite crônica hereditária; fibrose cística, mutações no gene CFTR e SPINK1
· Autoimune: + comum em homens >50ª; 2 tipos: tipo 1 (+ comum) – infiltrado linfoplasmocitário, com plasmócitos IgG4 / tipo 2 – infiltrado neutrofílico, linfocítico e alguns plasmócitos. Geralmente causa sintomas compressivos pelo edema, sendo DD de neo de pâncreas 
· Tropical: comum em áreas próximas à linha do Equador (ppt sudoeste da Índia). Acomete adultos jovens e gera falência precoce da função endócrina. Pancreatite calcificante tropical; diabetes pancreático fibrocalculoso. Mutação no gene SPINK1 (45-50%)
· Metabólica: hiperCa, hiperlipidemia, hipertrigliceridemia, def. da lipoproteína lipase, def de apolipoproteina C-II
· Obstrução: obstrução benigna do ducto pancreático, estenose traumática/pós episódio de pancreatite aguda/de esfíncter de Oddi/pancreática maligna, dç cística de duodeno, pâncreas divisum, doença celíaca
· Fibrose pancreática assintomática: alcoolismo crônico, idade avançada, DRC, DM, RT
· CLÍNICA
· Dor, que progride em frequência e intensidade; geralmente piora qdo pct come. Ocorre por aumento crônico da pressão intraductal (pela fibrose e calcificações) -> isquemia e por alteração da percepção nervosa dos nociceptores periféricos e centrais
· Náuseas e vômitos apenas nas agudizações
· Disfunção exócrina e endócrina:
· Esteatorreia: déficit de enzimas digestivas (só ocorre qdo 90% dos ácinos estão disfuncionais) c/ deficiência de vit lipossolúveis (ADEK)
· DM
· Sintomas decorrentes da alteração estrutural causada pela fibrose – obstrução de colédoco -> icterícia e colangite, compressão duodenal ->sd de estenose pilórica. “Sd pseudotumoral” – opancreatite crônica se comporta como TU periampular (dor, icterícia e obstrução duodenal)
· DIAGNÓSTICO
· Análise histopatológica – padrão ouro
· Nenhum teste é capaz de fazer o DX precocemente. Achados radiológicos são tardios
· Testes estruturais – exames de imagem
· TC de abdome com estudo do pâncreas (+ pedido ): bom para detecção de complicações locais e vasculares
· RNMmais sensível para anomalias ductais e eparenquimatosas, menos sensível para calcificações (achados mto específicos de pancreatite crônica)
· USG endoscópico: demonstra mais precocemente alterações. Possibilita punção do pâncreas p/ ANP (padrão ouro)
· CPRE apenas se intervenção for necessária
· Testes funcionais 
· Testes diretos – estimulam pancreas com secretina ou colecistoquinina e aferem a resposta pela analise de secreção pancreática por EDA ou RNM com estimulação pancreática
· Indiretos: dosagem de elastase, quimiotripsina e tripsinogênio fecais, dosagem sérica de tripsinogênio e glicose; elastase fecal (qdo <100 mg/g já indicam ins. pancreática)
· CLASSIFICAÇÃO
· + antiga: calcificante (PCC), obstrutiva (PCO), inflamatória (PCI)
· + atual: voltada p/ dilatação ductal, p/ definir abordagem terapêutica 
· Dilatado: dç de grandes ductos, + comum em homens, com + esteatorreia e DM, calcificações e CPRE com alterações significativas.
· Não dilatado: dç de pequenos ductos, + em mulheres, menos disf. orgânicas, teste de secretina alterado com tripsinogênio e elastase normais, calcificações raras, CPRE normal ou discretamente alterada. 
· TRATAMENTO – é paliativo...
· Parar de ingerir bebida alcoólica (evita progressão)
· TTO baseado nos sintomas...
· Esteatorreia: reposição de enzimas VO e IBP (potencializa ação das enzimas); reduzir ingestão de gorduras e fracionar dieta
· DM: hipoglicemiantes orais e insulina
· Dor: analgesia escalonada. Se refratário, podem ser tentadas algumas opções de acordo com anatomia ductal:
· Dilatação ductal secundária a cálculos ou estenoses: primeiro tentativa com CPRE p/ retirada de cálculos e dilatação de estenoses; podem ser colocados stents, papilotomia; Se refratários com dilatação >7mm, descompressão cirúrgica – pancreatojejunostomia em Y de Roux (procedimento de Partington-Rochelle) – tem sucesso em 80%. Se muita fibrose na cabeça, pode ser feita retirada essa parte – procedimento de Beger ou procedimento de Frey (+ simples, mas perde parênquima)
· Dilatação secundária a cálculo ou estenose únicos: além dos descritos, p/ acometimento de cabeça ou cauda, pode ser feita pancreatectomia, ppt se tiver massa inflamatória local e se não puder excluir dx de neoplasia. P/ dç na cabeça, cirurgia de Whipple (gastroduodenopancreatectomia) ou duodenopancreatectomia com preservação pilórica (cirurgia de Traverso e Longmire). Se dç pontual no restante, pancreatectomia distal. 
· Doença parenquimatosa sem dilataçãoductal: procedimentos de drenagem com alto índice de falha, mas devido dor refratária, procedimento cirúrgico é indicado -> pancreatectomia total, que leva a sd disabsortiva e DM. Se obstrução biliar, anastomose biliodigestiva (Se complicações infecciosas, CPRE de urgência e depois cirurgia). Se obstrução duodenal, gastrojejunostomia.
· OBS: principais indicações de cirurgia na pancreatite crônica: dor refratária (+ comum), icterícia por obstrução biliar ou no ducto pancreático, pseudocisto, pseudoaneurisma, degeneração maligna (ou impossibilidade de DD com malignidade)

Mais conteúdos dessa disciplina