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02. Processo Administrativo Disciplinar dos Servidores da União

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SISTEMA DE ENSINO
NOÇÕES DE ÉTICA 
NO SERVIÇO 
PÚBLICO
Processo Administrativo Disciplinar dos 
Servidores da União
Livro Eletrônico
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Diogo Surdi
Processo Administrativo Disciplinar dos Servidores da União
NOÇÕES DE ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO
Apresentação .................................................................................................................3
Processo Administrativo Disciplinar dos Servidores da União ........................................4
1. Direito Administrativo Disciplinar ................................................................................4
1.1. Conceito ....................................................................................................................4
1.2. Fontes ......................................................................................................................5
1.3. Princípios .................................................................................................................8
2. Regime Disciplinar da Lei n. 8.112 ...............................................................................9
2.1. Introdução ...............................................................................................................9
2.2. Deveres ................................................................................................................. 10
2.3. Proibições ............................................................................................................. 12
2.4. Acumulação .......................................................................................................... 19
2.5. Responsabilidades .................................................................................................22
2.6. Penalidades ...........................................................................................................25
3. Processo Administrativo no Âmbito da União ...........................................................35
3.1. Disposições Gerais .................................................................................................35
3.2. Sindicância ............................................................................................................38
3.3. Afastamento Preventivo........................................................................................39
3.4. Processo Administrativo Disciplinar ..................................................................... 40
3.5. Revisão do Processo .............................................................................................57
3.6. Processo Administrativo Sumário ........................................................................ 60
Questões de Concurso ..................................................................................................65
Gabarito .......................................................................................................................75
Gabarito Comentado .....................................................................................................76
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Diogo Surdi
Processo Administrativo Disciplinar dos Servidores da União
NOÇÕES DE ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO
ApresentAção
Olá, tudo bem? Espero que sim!
Na aula de hoje, estudaremos o Processo Administrativo Disciplinar dos Servidores Públi-
cos da União. Para isso, faremos uso das disposições da Lei n. 8.112.
No entanto, é importante destacar que não são todos os artigos da norma em questão que 
são exigidos neste ponto da matéria, mas sim apenas aqueles especificamente relacionados 
com os diversos tipos de processos destinados a apurar a responsabilidade funcional dos 
agentes públicos.
Nesta aula, nosso estudo será dividido em três partes:
a) Inicialmente, conheceremos as principais características do Direito Administrativo Disci-
plinar, ramo do direito que fundamenta a existência dos processos administrativos disciplinares.
b) Após, conheceremos o regime disciplinar dos servidores da União, ou seja, os deveres, 
as proibições e as demais regras que, quando não observadas, serão objeto de investigação.
c) Por fim, veremos os processos administrativos que são utilizados como forma de in-
vestigar e de aplicar sanções aos servidores públicos da União.
Grande abraço e boa aula!
Diogo
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Diogo Surdi
Processo Administrativo Disciplinar dos Servidores da União
NOÇÕES DE ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR DOS 
SERVIDORES DA UNIÃO
1. Direito ADministrAtivo DisciplinAr
1.1. conceito
O conceito do Direito Administrativo Disciplinar não envolve maiores dificuldades. Assim 
como ocorre com outros ramos do direito, a parte “disciplinar” está ligada à aplicação de 
sanções administrativas em caso de cometimento de infrações ou irregularidades por parte 
daqueles que são regidos por determinada norma.
E como o Direito Administrativo rege, principalmente, os agentes públicos, são estes os 
atingidos pelas regras do direito disciplinar.
Vejamos alguns conceitos acerca do tema, de acordo com importantes autores. Para Hely 
Lopes Meirelles, o conceito abrange um conjunto de regras e princípios:
O Direito Administrativo Disciplinar se configura por interposição de um conjunto de regras e prin-
cípios que se atraem, adquirem conexão e que gravitam em torno de um núcleo fundamental co-
mum, consistente na necessidade e no interesse de se aperfeiçoar progressivamente o serviço 
público no âmbito interno da Administração Pública.
Isaías Dantas Freitas, por sua vez, apresenta a seguinte definição:
Ramo do Direito Administrativo que tende regular as relações disciplinares entre o Estado-Admi-
nistração e seu corpo funcional, ou seja, tem em vista a normatização dos deveres dos servidores, 
suas proibições, a apuração das faltas cometidas pelos mesmos, bem como o bom emprego da 
respectiva sanção disciplinar, objetivando, desse modo, permitir o bom funcionamento da máquina 
administrativa em acordo com os preceitos legais que norteiam a Administração Pública.
Com base nestes dois conceitos, podemos afirmar que o Direito Administrativo Disciplinar 
se trata de um conjunto de princípios e procedimentos utilizados pela Administração Pública 
com a finalidade de apurar as infrações cometidas pelos seus agentes e, em caso de compro-
vação, para fundamentar a aplicação de sanções administrativas.
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1.2. Fontes
Quando estudamos o Direito Administrativo, verificamos que ele é formado, basicamente, 
por meio de quatro fontes, sendo elas as leis, a jurisprudência, a doutrina e os costumes.
A lei é a fonte primária do Direito Administrativo e, por isso mesmo, a mais importante de-
las. Em virtude de estarmos em um Estado democrático de Direito, toda manifestação de von-
tade da administração pública deve estar amparada por uma Lei que a autorize ou determine.
Devemos ficar atentos que o vocábulo “lei”, enquanto fonte, abrange não apenas a lei 
em sentido estrito, mas também todas as normas aptas a inovar no ordenamento jurídico, 
tais como a Constituição, as Leis delegadas, as Leis complementares e as Emendas Consti-
tucionais. Compreende, ainda, os regulamentos administrativos, os estatutos funcionais, os 
regimentos internos, as instruções e os tratados internacionais firmados pela República Fe-
derativa do Brasil.
A doutrina é o conjunto de teorias e teses criadas pelos estudiosos da matéria. Como o Di-
reito Administrativo não é codificado, diversos são os autores que buscam estudar a matéria 
e, a partir disso, desenvolver suas teorias.
A doutrina influenciana produção das leis e das decisões administrativas e judiciais. Ao 
contrário do que ocorre com a jurisprudência, que tende a se nacionalizar-se, a doutrina tende 
a possuir um caráter universal, uma vez que os autores que discorrem sobre os assuntos do 
Direito Administrativo não são exclusivos de um determinado país.
Trata-se a doutrina de uma fonte secundária do Direito Administrativo.
A jurisprudência é o conjunto de decisões dos tribunais sobre determinada matéria. São 
fontes secundárias, uma vez que não podem contrariar as leis, e possuem a característica da 
nacionalização, uma vez que suas decisões são tomadas apenas pelos tribunais que com-
põem o Poder Judiciário de um determinado ordenamento jurídico.
A jurisprudência possui um caráter mais prático do que a lei, uma vez que se aplica, na 
imensa maioria das vezes, a casos concretos que são levados à análise do Poder Judiciário.
Situação interessante ocorre com as Súmulas Vinculantes, que são expedidas pelo STF 
nas situações em que haja controvérsia entre órgãos judiciários ou entre esses e a adminis-
tração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos 
sobre questão idêntica.
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Com a edição das Súmulas, objetiva-se a pacificação do entendimento, evitando-se que 
novas questões sejam suscitadas sobre o mesmo assunto.
E como as Súmulas Vinculantes inovam no ordenamento jurídico, são consideradas, ain-
da que classificadas como jurisprudência, como fontes primárias do Direito Administrativo.
Desta forma, pode-se afirmar que a jurisprudência, em regra, é fonte secundária do Direito 
Administrativo, devendo obediência às disposições legais. Em caráter de exceção, encon-
tram-se as Súmulas Vinculantes, que, por inovarem no ordenamento, são consideradas, tal 
como as leis, fontes primárias deste ramo do direito.
Os costumes são as práticas reiteradas de um determinado comportamento, que, embora 
não esteja expresso em uma norma, são observadas por toda a administração. Deve-se ter 
um grande cuidado para diferenciarmos os costumes sociais dos costumes administrativos.
Os costumes sociais são regras não escritas e observadas de maneira uniforme pelo 
grupo social, tal como ocorre, por exemplo, com a formação de filas. Neste caso, não são 
os costumes sociais fontes secundárias do Direito Administrativo, sendo, quando muito, 
fontes indiretas.
Os costumes administrativos são as práticas reiteradas de diversos comportamentos, por 
parte dos agentes administrativos, com a convicção da necessidade de sua obrigatoriedade.
Para que um costume seja classificado como administrativo, dois são os requisitos que 
devem ser observados:
a) a repetição de um comportamento da administração pública;
b) a convicção da necessidade de sua obrigatoriedade.
Obs.: � Os costumes administrativos, quando houver lacuna na lei, são classificados como 
fontes secundárias.
Além das quatro tradicionais fontes do Direito Administrativo, é possível identificar como 
fonte específica do Direito Administrativo Disciplinar o estatuto e o código de ética.
O estatuto pode ser definido como a lei que elenca todos os direitos, obrigações, deveres, 
responsabilidades e proibições que os agentes públicos de determinada categoria devem ob-
servar em sua vida funcional.
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NOÇÕES DE ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO
É com base no estatuto que Administração Pública consegue verificar se houve ou não 
algum tipo de infração funcional. Em caso positivo, tem ela o dever de aplicar as sanções 
previstas em lei.
Para realizar as investigações necessárias acerca do cometimento de infrações, deve a 
administração seguir os procedimentos estabelecidos no estatuto da categoria.
No âmbito federal, o estatuto dos servidores está expresso na Lei n. 8.112, sendo que os 
principais procedimentos estabelecidos na lei (para a apuração das infrações) são, como ve-
remos adiante, a sindicância e o procedimento administrativo disciplinar.
O código de ética trata-se, assim como o estatuto, de uma norma destinada a regulamen-
tar as condutas de determinada classe de agentes.
No entanto, ao contrário do que ocorre com o estatuto, o código de ética não possui, por si 
só, o poder de aplicar sanções disciplinares para as irregularidades graves cometidas.
Se tomarmos como exemplo o âmbito federal, observamos que a única sanção passível 
de aplicação, por parte das comissões de ética, é a censura, que possui hierarquia inferior, 
inclusive, à advertência.
Assim, o código de ética pode ser definido como uma fonte secundária do Direito Admi-
nistrativo Disciplinar.
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1.3. princípios
Como o próprio nome sugere, os princípios possuem a característica de “início”, “base”, 
“pedra fundamental”. É por meio deles que todo o ordenamento jurídico se estrutura, gerando, 
para a Administração, uma série de prerrogativas e sujeições que devem ser observadas para 
garantir o bem-estar da coletividade.
Durante muito tempo, o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) era de que a 
força dos princípios era meramente integradora, de forma que o seu uso estaria restrito às 
situações onde não fosse possível a resolução do conflito com a legislação vigente.
Com o passar dos anos, os princípios adquiriram força de norma jurídica, de forma que, 
atualmente, possuem imperatividade e impõem condutas a serem seguidas pelos seus desti-
natários. Nos dias atuais, a doutrina majoritária possui o entendimento de que, os princípios, 
por serem normas gerais e dotadas de altíssimo grau de abstração, possuem hierarquia su-
perior, até mesmo, às demais normas jurídicas.
Na visão do STF, violar um princípio, por exemplo, é muito pior do que violar uma lei, 
haja vista que, ao infringir um princípio, se está desobedecendo a todo o ordenamento ju-
rídico vigente.
Além dos princípios que regem o Direito Administrativo, é possível identificar, no âmbito 
do Direito Administrativo Disciplinar, os seguintes princípios:
a) Princípios do contraditório e da ampla defesa: De acordo com o contraditório, o acusa-
do tem a garantia de defesa em todos os processos que sejam instaurados contra ele. Trata-
-se do direito de contradizer as acusações que são a ele atribuídas.
A ampla defesa, por sua vez, garante que todos os meios de prova lícitos possam ser usa-
dos pelo acusado para fazer valer a sua defesa.
Ambos os princípios são verdadeiras garantias conferidas ao acusado no curso dos pro-
cessos sancionatórios.
b) Princípio da presunção de inocência: Trata-se de um princípio basilar não só do Direito 
Administrativo Disciplinar, mas sim de todos os demais ramos do direito em que tenhamos a 
possibilidade de aplicação de penalidades.
A presunção de inocência encontra previsão no texto da Constituição Federal:
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Art. 5º, LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal con-
denatória;
Ainda que o princípio seja oriundo do processo penal, o entendimento atual é de que tra-
ta-se de princípio aplicado em todos os processos relacionados com a aplicação de sanções, 
ainda que na esfera administrativa.
De acordo com este princípio, o acusado será considerado inocente até que a comissãoque está conduzindo o procedimento comprove, efetivamente, a sua culpa.
c) Princípio do formalismo moderado: De acordo com este princípio, ainda que a Adminis-
tração Pública, para aplicar uma sanção ao agente, deva instaurar um procedimento, não pode 
este procedimento ser extremamente formal ao ponto de inviabilizar a sua própria finalidade.
Em outros termos, o Poder Público tem o dever de instaurar o procedimento previsto em 
lei antes da aplicação das sanções (até mesmo porque é com o procedimento formal que o 
acusado passa a conhecer aquilo que contra ele está sendo formulado, podendo usufruir das 
garantias do contraditório e da ampla defesa).
No entanto, o formalismo do procedimento não pode ser excessivo ao ponto de prejudicar 
a aplicação da sanção administrativa dentro de um regular período de tempo.
2. regime DisciplinAr DA lei n. 8.112
2.1. introDução
Para que possamos compreender a importância dos diversos processos administrativos 
destinados a investigar os servidores, temos que, em um primeiro momento, conhecer o regi-
me disciplinar aplicável aos respectivos agentes.
A origem do regime disciplinar está intimamente ligada a alguns conceitos elementares 
do Direito Administrativo, mais precisamente os relacionado com os poderes hierárquico e 
disciplinar.
De acordo com a doutrina, é por meio do poder disciplinar que a administração púbica 
pode punir tanto os seus agentes internos quanto os particulares que estejam ligados a ela 
por algum vínculo específico.
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Dessa forma, existe poder disciplinar quando a administração pública aplica a penalida-
de de advertência a um determinado servidor que se encontra a ela subordinado. Do mesmo 
modo, temos uma manifestação do poder disciplinar quando um órgão público, verificando 
que um licitante não cumpriu com as obrigações estipuladas em um contrato administrativo, 
aplica a sanção de suspensão.
Em ambos os casos, tivemos uma penalidade sendo aplicada. No entanto, em apenas um 
desses casos a pessoa punida estava subordinada à administração.
E é justamente tal característica (subordinação) a base de outro importante poder: o hie-
rárquico. Por meio dele, a administração possui as prerrogativas de delegar, avocar, fiscalizar 
e aplicar sanções.
Assim, chegamos a uma importante constatação:
a) Quando a administração pune internamente os seus servidores pelas infrações por eles 
cometidas, estamos diante do poder disciplinar exclusivamente interno. Esse poder, justa-
mente por ser apenas interno, deriva do poder hierárquico.
b) Quando a administração pune o particular que mantém algum tipo de vínculo específico 
com o Poder Público (como uma empresa privada que tenha celebrado um contrato adminis-
trativo) também estamos diante do poder disciplinar, só que agora, ao contrário do exemplo 
anterior, o mesmo aplica-se a terceiros e, por isso mesmo, não deriva do poder hierárquico.
Tudo isso nos permite afirmar que o regime disciplinar da administração pública é decor-
rência direta do poder disciplinar e indireta do poder hierárquico.
Nos termos da Lei n. 8.112, o regime disciplinar dos servidores está construído em cinco 
capítulos: deveres, proibições, acumulação, responsabilidades e penalidades.
2.2. Deveres
Art. 116. São deveres do servidor:
I – exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
II – ser leal às instituições a que servir;
III – observar as normas legais e regulamentares;
IV – cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais;
V – atender com presteza:
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a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, ressalvadas as protegidas por 
sigilo;
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações de 
interesse pessoal;
c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.
VI – levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo ao conhecimento da autoridade 
superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra autoridade 
competente para apuração;
VII – zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público;
VIII – guardar sigilo sobre assunto da repartição;
IX – manter conduta compatível com a moralidade administrativa;
X – ser assíduo e pontual ao serviço;
XI – tratar com urbanidade as pessoas;
XII – representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.
Parágrafo único. A representação de que trata o inciso XII será encaminhada pela via hierárquica 
e apreciada pela autoridade superior àquela contra a qual é formulada, assegurando-se ao repre-
sentando ampla defesa.
De acordo com o estatuto federal, temos uma série de deveres para os servidores públicos 
regidos pela norma.
Salienta-se que a lista de deveres apresentada não é taxativa, mas sim meramente 
exemplificativa, de forma que o servidor não pode alegar que deixou de cumprir com algu-
ma obrigação por ela não estar prevista expressamente no texto da norma que rege a sua 
categoria funcional.
A lista de deveres apresentada pelo Estatuto Federal pode ser dividida em duas diferentes 
vertentes: deveres pertinentes ao comportamento funcional e deveres relativos ao comporta-
mento profissional.
No primeiro caso, ou seja, nos deveres funcionais, estamos diante de obrigações que de-
vem ser cumpridas pelos agentes que ocupam cargos públicos em razão da sua condição de 
servidores estatais. Caso tais pessoas não fossem servidores, não haveria o menor sentido 
em exigir o cumprimento destes deveres.
Os deveres comportamentais, por outro lado, são aqueles que independem da condição de 
servidor público, sendo inerentes a todas as atividades profissionais desempenhadas pelos 
particulares.
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São deveres que possuem uma maior amplitude, uma vez que as pessoas deverão ob-
servá-los não apenas até o momento em que possuírem algum vínculo com o Poder Público, 
como também nas atividades particulares ou após o término do vínculo estatal.
Vejamos quais são os deveres funcionais e comportamentais apresentados pela Lei n. 
8.112:
Deveres funcionais Deveres comportamentais
I – exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo;
V – atender com presteza:
a) ao público em geral, prestando as informações requeridas, res-
salvadas as protegidas por sigilo;
b) à expedição de certidões requeridas para defesa de direito ou 
esclarecimento de situações de interesse pessoal;
c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública.
VI – levar as irregularidades de que tiver ciência em razão do 
cargo ao conhecimento da autoridade superior ou, quando houver 
suspeita de envolvimento desta, ao conhecimento de outra auto-
ridade competente para apuração;
VIII – guardar sigilo sobre assunto da repartição;
XII – representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder.
II – ser leal às instituições a que servir;
III – observar as normas legais e regu-
lamentares;
IV – cumprir as ordens superiores, 
exceto quando manifestamente ilegais;
VII – zelar pela economia do material e a 
conservação do patrimônio público;
IX – manter conduta compatível com a 
moralidade administrativa;
X – ser assíduo e pontual ao serviço;
XI – tratar com urbanidade as pessoas;
2.3. proibições
No tocante às proibições, temos que identificar, além da lista de possibilidades estipula-
das pela Lei n. 8.112, qual a penalidade cabível quando do seu descumprimento. Desta forma, 
duas informações sãoessenciais para compreendermos a relação proibição x penalidade.
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a) A reincidência da conduta anteriormente penalizada com advertência implica na pena 
de suspensão.
Como exemplo, podemos citar o servidor público que deixou de cumprir algum dever fun-
cional e foi inicialmente penalizado com advertência. Caso o servidor volte a cometer a mesma 
infração (ainda que a penalidade inicial seja advertência), a pena, agora, será a de suspensão.
b) Para efeito das proibições que serão elencadas daqui por diante, três penas são possí-
veis de serem aplicadas: advertência, suspensão e demissão.
Tais penalidades obedecem a uma gradação estabelecida pelo legislador, de forma que 
as infrações mais leves recebem advertência, as de nível intermediário (ou reincidências de 
advertência) recebem suspensão e as de maior gravidade são punidas com demissão.
Art. 117. Ao servidor é proibido:
I – ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato;
II – retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da re-
partição;
III – recusar fé a documentos públicos;
IV – opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de serviço;
V – promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;
VI – cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de 
atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;
VII – coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical, 
ou a partido político;
VIII – manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou 
parente até o segundo grau civil;
XIX – recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado.
Nos primeiros incisos do artigo 117, bem como no seu inciso XIX, a Lei n. 8.112 estabelece 
as proibições que são consideradas menos gravosas. Todos os incisos relacionados acarre-
tam para ao servidor, quando da sua ocorrência, a pena de advertência.
Vejamos brevemente cada uma das situações elencadas:
a) ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imedia-
to: Como decorrência da hierarquia das relações internas, o servidor apenas pode ausentar-
-se do serviço, no período de expediente, se tiver anuência da chefia imediata. Evita-se, com 
isso, que boa parte dos servidores da repartição se ausente ao mesmo tempo, situação que 
prejudicaria o atendimento à população.
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b) retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto 
da repartição: O princípio da Indisponibilidade do Interesse Público estabelece que a admi-
nistração, quando no desempenho de suas atividades, deve apenas gerir o patrimônio alheio, 
não possuindo qualquer “disposição” sobre o mesmo. Logo, é incabível que o servidor retire 
qualquer documento ou objeto da repartição, ficando excepcionadas as situações em que a 
autoridade competente anuir previamente.
c) recusar fé a documentos públicos: Não pode o servidor público recusar-se a receber 
qualquer tipo de documento oficial, exceto se houver suspeita de fraude ou de algum outro 
tipo de irregularidade. O conceito de documento oficial abarca os emanados de quaisquer 
órgãos ou entidades públicas.
d) opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de 
serviço: O servidor público federal não pode opor resistência injustificada ao andamento de 
documento ou processo. Da mesma forma, não pode opor-se, injustificadamente, quanto à 
execução de serviço.
Em ambos os casos, nota-se que a oposição do servidor apenas caracteriza uma proibi-
ção quando for feita de forma injustificada. Caso, em sentido oposto, o servidor verifique que 
um determinado processo, documento ou serviço contém algum tipo de vício, não deverá ele 
dar prosseguimento, devendo adotar as medidas legalmente cabíveis com o objetivo de apu-
rar a irregularidade.
e) promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição: Como de-
corrência do princípio da Impessoalidade, a prestação de serviço público deve ser feita de 
forma isonômica para todos os administrados. Neste mesmo sentido, o serviço interno deve 
ser executado de forma imparcial, evitando que convicções pessoais atrapalhem o ambiente 
de trabalho.
Manifestar apreço, dessa forma, é demonstrar uma elevada predileção por algum colega, 
pessoa ou coisa. Em sentido oposto, a manifestação de desapreço pode ser entendida como 
a demonstração pública de insatisfação com tais entes.
Salienta-se que o objetivo da norma não é o de proibir que o servidor tenha convicções, 
crenças ou preferências. O que a norma quer evitar é que tais sentimentos sejam externados 
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aos demais colegas e particulares, evitando-se assim que o ambiente de trabalho seja objeto 
de disputas e preferências.
f) cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempe-
nho de atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado: Nesta situação, o 
servidor deixa de praticar uma atribuição legalmente prevista para o seu cargo, transferindo o 
seu exercício para um terceiro não lotado na repartição pública.
g) coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou 
sindical, ou a partido político: Estabelece a Constituição Federal a liberdade de associação 
sindical como um direito fundamental de todos os particulares. Não pode o servidor público, 
como consequência, fazer uso de suas prerrogativas hierárquicas para influenciar a filiação 
de subordinados à sindicato ou associação.
h) manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, compa-
nheiro ou parente até o segundo grau civil: Os cargos e funções de confiança são de livre 
escolha pela autoridade superior, que pode, de forma semelhante, retirar a função ou o cargo 
comissionado quando entender conveniente para o serviço público.
Considerando que o exercício de tais funções está pautado em uma relação de confian-
ça, ao estabelecer a mencionada proibição, a intenção do legislador foi a de evitar que tais 
prerrogativas fossem concentradas em um mesmo núcleo familiar, dando ensejo à prática de 
nepotismo.
Neste aspecto, merece destaque o inteiro teor da Súmula Vinculante n. 13, da lavra do STF, 
que apresenta a seguinte redação:
Súmula Vinculante n. 13: A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, 
colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de 
servidor da mesma pessoa jurídica, investido em cargo de direção, chefia ou assessora-
mento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança, ou, ainda, de função gra-
tificada na Administração Pública direta e indireta, em qualquer dos Poderes da União, 
dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, compreendido o ajuste mediante 
designações recíprocas, viola a Constituição Federal.
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Desta forma, ainda que o texto da norma vede o exercício para parentes até o segundo 
grau, o entendimento majoritário, conforme se observa da Súmula do STF, é de que a proibi-ção deve ser observada até o terceiro grau.
i) recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado: A exigência de que seus 
servidores mantenham os dados cadastrais atualizados é um dos mecanismos de controle 
interno da Administração Pública.
Caso o servidor, intimado pelo Poder Público a atualizar seus dados cadastrais, não o faça 
no prazo legal, será ele penalizado até que a obrigação seja cumprida.
Vejamos agora as demais infrações estabelecidas para os servidores públicos da União:
XVII – cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situações de 
emergência e transitórias;
XVIII – exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou função 
e com o horário de trabalho;
Como consequência para as duas proibições em questão, o servidor será suspenso, até o 
prazo de 90 dias, do exercício de suas atividades. Durante este tempo, ficará sem receber sua 
remuneração e sem contar o tempo de serviço como de efetivo exercício.
Na primeira situação, o servidor comete a um colega da repartição atribuições que são 
estranhas ao cargo que ocupa. E como as atribuições de cada cargo são definidas por meio 
de lei, há uma ofensa direta ao princípio da legalidade.
No segundo caso, o servidor exerce atividades particulares que são incompatíveis com 
o exercício do cargo público ou com o horário de trabalho. Como exemplo, cita-se o agente 
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estatal que possui jornada de trabalho das 12h às 19h e que, ainda assim, utiliza parte do pe-
ríodo vespertino para divulgar, externamente à repartição, produtos que são comercializados 
por cônjuges e familiares.
X – participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não personifi-
cada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário;
Parágrafo único. A vedação de que trata o inciso X do caput deste artigo não se aplica nos seguin-
tes casos:
I – participação nos conselhos de administração e fiscal de empresas ou entidades em que a União 
detenha, direta ou indiretamente, participação no capital social ou em sociedade cooperativa cons-
tituída para prestar serviços a seus membros; e
II – gozo de licença para o trato de interesses particulares, na forma do art. 91 desta Lei, observada 
a legislação sobre conflito de interesses.
Como regra, o servidor público federal não pode exercer o comércio, uma vez que tal con-
duta poderia implicar em conflito de interesses com as atividades desempenhadas no âmbito 
do serviço público.
A proibição, contudo, fica restrita para os casos de gerência ou administração. Em senti-
do oposto, poderá o servidor ser cotista, acionista ou comanditário de uma empresa privada, 
uma vez que, nestas hipóteses, o agente público não estará sendo o responsável pelas deci-
sões da sociedade.
Da mesma forma, caso o servidor faça uso da licença para tratar de interesses particula-
res, poderá ele, durante o período em que estiver licenciado do cargo e sem o recebimento de 
remuneração dos cofres públicos, exercer o comércio.
Para isso, deverá observar a legislação relativa ao conflito de interesses, não podendo, 
como consequência, desempenhar qualquer tipo de atividade que conflite com as atribuições 
do cargo público ou com o interesse da administração.
Por fim, temos como exceção à regra da impossibilidade de exercer o comércio a partici-
pação em conselhos administrativos e fiscais de empresas em que a União detenha partici-
pação no capital social ou, ainda, a participação em sociedades cooperativas.
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XI - atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando se tratar 
de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou 
companheiro;
Impede a Lei n. 8.112 que o servidor exerça a conhecida advocacia administrativa, prática 
na qual o agente público, por meio do tráfico de influências e fazendo uso da sua condição de 
servidor, trata de maneira mais benéfica as pessoas que representa.
Em caráter de exceção, a norma possibilita que os servidores federais atuem como pro-
curadores ou intermediários junto a repartições públicas. Para que isso ocorra, duas são as 
características que devem estar presentes:
• A questão versar sobre benefícios previdenciários ou assistenciais;
• Os benefícios forem concedidos a cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau 
do servidor.
IX – valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da 
função pública;
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XII – receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de suas 
atribuições;
XIII – aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
XIV – praticar usura sob qualquer de suas formas;
XV – proceder de forma desidiosa;
XVI – utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades particulares;
Em todas as situações elencadas nos incisos IX e XII a XVI, o resultado será a demissão 
do servidor público.
Tais hipóteses de proibições, dessa forma, são as mais gravosas para o serviço público 
como um todo, violando drasticamente um ou mais princípios administrativos e acarretando, 
muitas vezes, a dilapidação do patrimônio público.
Merece destaque, dos incisos mencionados, a prática de usura e a atuação de forma 
desidiosa.
No que se refere à usura, esta pode ser configurada como a prática em que um servidor 
público empresta dinheiro para os colegas (ou até mesmo para terceiros) e exige, como con-
trapartida, o recebimento de juros. Tal medida, caso fosse tolerada, poderia contaminar o 
ambiente de trabalho e prejudicar as relações entre os diversos servidores de uma repartição 
pública.
A desídia, por outro lado, é o desleixo no desempenho das atividades que são atribuídas 
ao servidor. Como exemplo, pode-se citar os atrasos constantes no cumprimento da jornada 
de trabalho.
2.4. AcumulAção
Art. 118. Ressalvados os casos previstos na Constituição, é vedada a acumulação remunerada de 
cargos públicos.
§ 1º A proibição de acumular estende-se a cargos, empregos e funções em autarquias, fundações 
públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista da União, do Distrito Federal, dos Es-
tados, dos Territórios e dos Municípios.
§ 2º A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica condicionada à comprovação da compatibilida-
de de horários.
§ 3º Considera-se acumulação proibida a percepção de vencimento de cargo ou emprego público 
efetivo com proventos da inatividade, salvo quando os cargos de que decorram essas remunera-
ções forem acumuláveis na atividade.
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Art. 119. O servidor não poderá exercer mais de um cargo em comissão, exceto no caso previsto no 
parágrafo único do art. 9º, nem ser remunerado pela participação em órgão de deliberação coletiva.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à remuneração devida pela participação em 
conselhos de administração e fiscal das empresas públicas e sociedades de economia mista, suas 
subsidiárias e controladas, bem como quaisquer empresas ou entidades em que a União, direta ou 
indiretamente, detenha participação no capital social,observado o que, a respeito, dispuser legis-
lação específica.
Nos termos da constituição federal de 1988, a regra é a vedação à acumulação remune-
rada de dois ou mais cargos públicos. E tal regra se aplica a todos os cargos, empregos e 
funções da administração direta ou indireta de todos os entes federados.
Assim, ainda que o texto da Lei n. 8.112 seja direcionado apenas aos servidores públicos 
federais, por força da norma constitucional, a vedação à acumulação é uma regra mais ampla 
e que não se restringe ao ente federativo regulado pelo presente estatuto.
As exceções, nas estritas hipóteses constitucionais, ficam ainda condicionadas à compa-
tibilidade de horário entre os dois cargos públicos ocupados, sendo elas:
• Dois cargos de professor;
• Um cargo de professor com outro, técnico ou científico;
• Dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regula-
mentadas.
• Permissão de acumulação para os vereadores, desde que atendidos os requisitos legais;
• Permissão para os juízes e membros do Ministério Público exercerem o magistério;
Situação interessante ocorre com os detentores de cargos em comissão. Tais servidores 
são pessoas que, muitas vezes, não integram o quadro funcional da entidade, sendo designa-
dos por indicação do titular da unidade para exercer as funções de direção, chefia ou asses-
soramento.
A proibição de acumular é estendida ao recebimento de proventos decorrentes da apo-
sentadoria com a remuneração de outro cargo da ativa, exceto quando os dois cargos forem 
passíveis de acumulação na atividade.
Com isso, evita-se a prática do servidor aposentar-se em um cargo público e realizar con-
curso público com a finalidade de acumular as duas remunerações.
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Não é considerada acumulação de cargos, empregos ou funções públicas a participação 
do servidor público federal nos conselhos de administração e fiscal das empresas públicas 
e sociedades de economia mista, suas subsidiárias e controladas, bem como quaisquer em-
presas ou entidades em que a União, direta ou indiretamente, detenha participação no capital 
social (parágrafo único do art. 119).
Art. 120. O servidor vinculado ao regime desta Lei, que acumular licitamente dois cargos efetivos, 
quando investido em cargo de provimento em comissão, ficará afastado de ambos os cargos efe-
tivos, salvo na hipótese em que houver compatibilidade de horário e local com o exercício de um 
deles, declarada pelas autoridades máximas dos órgãos ou entidades envolvidos.
Ressalta-se, por fim, que quando o servidor público acumular licitamente dois cargos pú-
blicos e investir-se em cargo de provimento em comissão, deverá afastar-se de ambos os 
cargos efetivos, exercendo, como regra, apenas as atribuições do cargo em comissão.
Caso, no entanto, haja compatibilidade de horários para o exercício simultâneo de um 
cargo efetivo com o cargo em comissão, poderá ocorrer a acumulação, desde que haja, para 
tal, a declaração da compatibilidade de horários declarada pelas autoridades máximas dos 
órgãos ou entidades envolvidas.
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2.5. responsAbiliDADes
Art. 121. O servidor responde civil, penal e administrativamente pelo exercício irregular de suas 
atribuições.
Art. 122. A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que 
resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros.
§ 1º A indenização de prejuízo dolosamente causado ao erário somente será liquidada na forma 
prevista no art. 46, na falta de outros bens que assegurem a execução do débito pela via judicial.
§ 2º Tratando-se de dano causado a terceiros, responderá o servidor perante a Fazenda Pública, 
em ação regressiva.
§ 3º A obrigação de reparar o dano estende-se aos sucessores e contra eles será executada, até o 
limite do valor da herança recebida.
Art. 123. A responsabilidade penal abrange os crimes e contravenções imputadas ao servidor, nes-
sa qualidade.
Art. 124. A responsabilidade civil-administrativa resulta de ato omissivo ou comissivo praticado no 
desempenho do cargo ou função.
De acordo com as disposições da Lei n. 8.112, três são as esferas de responsabilidade a 
que os servidores públicos federais estão submetidos, sendo elas: civil, administrativa e penal.
A responsabilidade civil decorre de ato omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que 
resulte em prejuízo ao erário ou a terceiros.
Enquadram-se no conceito de responsabilidade civil todas as ações ou omissões do ser-
vidor público que, agindo em nome da administração, cause algum dano ao particular ou ao 
próprio Poder Público.
Neste caso, considerando que vigora, em nosso ordenamento jurídico, a teoria da impu-
tação (por meio do qual todas as ações do servidor, no desempenho de suas atividades, são 
atribuídas ao órgão ou à entidade no qual ele desempenha suas atribuições), caberá ao Poder 
Público, inicialmente, responder pelos danos causados.
Tendo a administração indenizado o particular, verifica ela se a atuação do agente público 
ocorreu com dolo ou culpa. Em caso positivo, pode ajuizar uma ação regressiva contra o ser-
vidor. Julgada a ação regressiva e sendo o servidor condenado a restituir os cofres públicos, 
será este intimado para pagar o valor devido no prazo de 30 dias.
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Não o fazendo e não possuindo bens que possam garantir a execução, poderá ser defe-
rido parcelamento, desde que o valor das parcelas não seja inferior a 10% da remuneração, 
pensão ou proventos recebidos pelo agente estatal.
A responsabilidade penal abrange os crimes e contravenções imputadas ao servidor, 
nessa qualidade, conforme previsão do artigo 123 da Lei n. 8.112.
A responsabilidade administrativa, por sua vez, resulta de ato omissivo ou comissivo 
praticado pelo servidor no desempenho do cargo ou função.
Art. 125. As sanções civis, penais e administrativas poderão cumular-se, sendo independentes 
entre si.
Art. 126. A responsabilidade administrativa do servidor será afastada no caso de absolvição cri-
minal que negue a existência do fato ou sua autoria.
As três esferas de responsabilização são independentes, de forma que é perfeitamente 
cabível que duas ou mais delas sejam acumuladas e imputadas ao servidor.
Como exemplo, podemos citar o servidor público que utiliza materiais da repartição em ati-
vidades particulares e que, para evitar que o fato chegue ao conhecimento de terceiros, faz 
uso da extorsão e da chantagem.
Neste caso, além de ser responsabilizado administrativamente pelo ato de improbidade 
administrativa e civilmente caso tenha lesado o erário, responderá o servidor, da mesma 
forma, na esfera penal, pois praticou o crime de extorsão em conexão com as demais práti-
cas ilícitas.
A regra da acumulação de esferas, no entanto, apresenta duas exceções, que são as si-
tuações em que a absolvição na esfera penal acarreta a absolvição na esfera administrativa.
Para que isso ocorra, não basta a simples absolvição penal, mas sim que esta expressa-
mente negue a existência do fato ou de sua autoria.
No primeiro caso, prova-se que o fato imputado ao servidor não ocorreu. No segundo, 
ainda que o fato tenha ocorrido, a autoria da infração comprovadamente não é do servidor.
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Art. 126-A. Nenhum servidor poderá ser responsabilizado civil, penal ou administrativamente por 
dar ciência à autoridade superior ou, quando houver suspeita de envolvimento desta, a outra auto-
ridade competente para apuração de informação concernente à prática de crimes ou improbidade 
de que tenha conhecimento, ainda que em decorrência do exercício de cargo, emprego ou função 
pública.
Como forma de incentivar que as práticas de improbidade administrativa e de crimes con-
tra a Administração Pública sejam denunciadas, a Lei n. 12.527 promoveu a inclusão do men-
cionado artigo no estatuto dos servidores.
Com isso, objetiva-se garantir uma maior segurança aos servidores que, em virtude de 
suas atribuições, tem conhecimento da prática das referidas infrações.
Assim, não podem eles ser responsabilizados por terem dado ciência à autoridade su-
perior do cometimento de improbidade ou crime contra a Administração. Caso os servidores 
desconfiem que a autoridade imediatamente superior esteja envolvida no cometimento das 
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infrações, darão ciência a autoridade diversa, evitando, com isso, que a informação não seja 
investigada.
2.6. penAliDADes
Art. 127. São penalidades disciplinares:
I – advertência;
II – suspensão;
III – demissão;
IV – cassação de aposentadoria ou disponibilidade;
V – destituição de cargo em comissão;
VI – destituição de função comissionada.
Art. 128. Na aplicação das penalidades serão consideradas a natureza e a gravidade da infração 
cometida, os danos que dela provierem para o serviço público, as circunstâncias agravantes ou 
atenuantes e os antecedentes funcionais.
Parágrafo único. O ato de imposição da penalidade mencionará sempre o fundamento legal e a 
causa da sanção disciplinar.
São apenas estas as penalidades que passíveis de aplicação, ou seja, trata-se de uma lis-
ta taxativa. Assim, não poderá a autoridade competente inovar e criar uma nova modalidade 
de penalidade para ser aplicada ao servidor.
Da mesma forma, antes da aplicação de toda e qualquer penalidade deve ser garantido o 
contraditório e a ampla defesa, sob pena de ser invalidado todo o processo de aplicação.
Art. 129. A advertência será aplicada por escrito, nos casos de violação de proibição constante do 
art. 117, incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação 
ou norma interna, que não justifique imposição de penalidade mais grave.
De acordo com o estatuto federal, as seguintes condutas acarretam a aplicação da penalida-
de de advertência:
a) Ausentar-se do serviço durante o expediente, sem prévia autorização do chefe imediato;
b) Retirar, sem prévia anuência da autoridade competente, qualquer documento ou objeto da 
repartição;
c) Recusar fé a documentos públicos;
d) Opor resistência injustificada ao andamento de documento e processo ou execução de 
serviço;
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e) Promover manifestação de apreço ou desapreço no recinto da repartição;
f) Cometer a pessoa estranha à repartição, fora dos casos previstos em lei, o desempenho de 
atribuição que seja de sua responsabilidade ou de seu subordinado;
Destaca-se que um cuidado maior deve ser dado a esta conduta, uma vez que ela vai 
contra o nível hierárquico das punições se compararmos com uma das condutas ensejado-
ras de suspensão, que é o cometimento, a outro servidor, de atribuições estranhas ao cargo 
que ocupa.
Em um primeiro momento, pode parecer que cometer uma atividade estranha a um ser-
vidor é bem menor grave do que cometer uma atribuição a uma pessoa estranha ao serviço 
público. No entanto, não foi esta a opção adotada pelo legislador, sendo que devemos consi-
derar, para efeitos de prova, as seguintes penalidades:
g) Coagir ou aliciar subordinados no sentido de filiarem-se a associação profissional ou sindical, 
ou a partido político;
h) Manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou 
parente até o segundo grau civil;
i) Recusar-se a atualizar seus dados cadastrais quando solicitado
Art. 130. A suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com advertência 
e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão, 
não podendo exceder de 90 (noventa) dias.
§ 1º Será punido com suspensão de até 15 (quinze) dias o servidor que, injustificadamente, recu-
sar-se a ser submetido a inspeção médica determinada pela autoridade competente, cessando os 
efeitos da penalidade uma vez cumprida a determinação.
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§ 2º Quando houver conveniência para o serviço, a penalidade de suspensão poderá ser convertida 
em multa, na base de 50% (cinquenta por cento) por dia de vencimento ou remuneração, ficando o 
servidor obrigado a permanecer em serviço.
De acordo com as disposições da Lei n. 8.112, encontramos as infrações passíveis de apli-
cação da penalidade de suspensão pelo critério residual. Desta forma, as violações que não 
forem caracterizadas como advertência ou demissão serão penalizadas com a suspensão.
• Cometer a outro servidor atribuições estranhas ao cargo que ocupa, exceto em situa-
ções de emergência e transitórias;
• Exercer quaisquer atividades que sejam incompatíveis com o exercício do cargo ou 
função e com o horário de trabalho;
• Reincidência das faltas punidas com advertência;
• Recusar-se a ser submetido a inspeção médica determinada pela autoridade compe-
tente. Neste caso, a penalidade de suspensão será de até 15 dias, cessando seus efei-
tos quando o servidor cumprir a obrigação.
A suspensão não pode ser aplicada por prazo superior a 90 dias. A critério da autoridade 
competente, dentro das situações em que for conveniente para o serviço público, a pena de 
suspensão poderá ser substituída por multa de 50% por dia trabalhado.
Imaginemos a situação onde um servidor foi punido com suspensão. No entanto, como a 
repartição em questão possui poucos servidores, seria mais danoso para o serviço público 
se o servidor penalizado permanecesse sem trabalhar durante o prazo de cumprimento da 
penalidade.
Ainda que a administração tenha o dever de punir, esta punição não poderá resultar em um 
prejuízo maior à sociedade, haja vista ser esta a titular do interesse público. Assim, como 
meio de penalizar o servidor e não prejudicar a população, a administração poderá converter 
a pena de suspensão em uma multa, situação em que o servidor permanecerá trabalhando e 
receberá apenas 50% do que ganharia por dia normal de trabalho.
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Art. 131. As penalidades de advertência e de suspensão terão seus registros cancelados, após o 
decurso de 3 (três) e 5 (cinco) anos de efetivo exercício, respectivamente, se o servidor não houver, 
nesse período, praticado nova infração disciplinar.
Parágrafo único. O cancelamento da penalidade não surtirá efeitos retroativos.
No que se refere às sanções de advertência e suspensão, estas, depois de decorrido 
certo lapso de tempo, terão seus registros cancelados dos assentamentos funcionais do 
servidor que houver sofrido a penalidade, sem que tal providência gere qualquer espécie de 
direito retroativo.
Caso um servidor tenha sido penalizadocom suspensão e esta, por conveniência do serviço 
público, tenha sido convertida em multa de 50% por dia de trabalho, deverá o servidor, neste 
período, continuar no exercício de suas atividades, oportunidade em que receberá, durante o 
período da punição, apenas metade da sua remuneração.
Decorrido o prazo de 5 anos, caso o servidor não tenha incorrido em uma nova infração dis-
ciplinar, os registros da penalidade de suspensão serão cancelados dos registros do servidor.
Neste caso, não poderá ele requerer o recebimento da remuneração que deixou de ganhar 
quando da aplicação da penalidade, uma vez que o cancelamento desta não gera direitos 
retroativos.
Art. 132. A demissão será aplicada nos seguintes casos:
I – crime contra a administração pública;
II – abandono de cargo;
III – inassiduidade habitual;
IV – improbidade administrativa;
V – incontinência pública e conduta escandalosa, na repartição;
VI – insubordinação grave em serviço;
VII – ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, salvo em legítima defesa própria ou de 
outrem;
VIII – aplicação irregular de dinheiros públicos;
IX – revelação de segredo do qual se apropriou em razão do cargo;
X – lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
XI – corrupção;
XII – acumulação ilegal de cargos, empregos ou funções públicas;
XIII – transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117.
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Das hipóteses elencadas, merece destaque as situações de inassiduidade habitual e de 
abandono de cargo.
Caracteriza-se a inassiduidade habitual quando o servidor falta ao serviço, sem justifica-
tiva, por 60 dias, interpoladamente, durante o período de 12 meses, que são contados da data 
da ocorrência da primeira falta.
Estará configurado abandono de cargo quando o servidor deixar, intencionalmente, o car-
go e não retornar no prazo consecutivo de 30 dias.
Quanto à demissão, não existe a possibilidade desta ser excluída dos assentamentos fun-
cionais dos servidores. Trata-se a demissão de um ato vinculado, de forma que, quando da 
sua ocorrência, não terá a administração a discricionariedade de optar pela aplicação de ou-
tra penalidade, conforme se observa de importante entendimento do STJ (MS 12217):
A Administração Pública, quando se depara com situações em que a conduta do inves-
tigado se amolda nas hipóteses de demissão ou cassação de aposentadoria, não dispõe 
de discricionariedade para aplicar pena menos gravosa por tratar-se de ato vinculado.
O artigo 132, XIII, da Lei n. 8.112, estabelece a lista de proibições que, quando configura-
das, acarretam a demissão do servidor público:
a) Valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da digni-
dade da função pública;
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b) Participar de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não 
personificada, exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário;
c) Atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando 
se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de 
cônjuge ou companheiro;
d) Receber propina, comissão, presente ou vantagem de qualquer espécie, em razão de 
suas atribuições;
e) Aceitar comissão, emprego ou pensão de estado estrangeiro;
f) Praticar usura sob qualquer de suas formas;
g) Proceder de forma desidiosa;
h) Utilizar pessoal ou recursos materiais da repartição em serviços ou atividades par-
ticulares;
Art. 134. Será cassada a aposentadoria ou a disponibilidade do inativo que houver praticado, na 
atividade, falta punível com a demissão.
Caso um servidor cometa, na atividade, falta punível com demissão, e sendo a infração 
descoberta apenas após a aposentadoria do servidor (ou quando este encontrar-se em dis-
ponibilidade), a respectiva aposentadoria ou disponibilidade será cassada, sofrendo o servi-
dor, como consequência, os mesmos efeitos daqueles que se encontram na ativa.
Art. 135. A destituição de cargo em comissão exercido por não ocupante de cargo efetivo será apli-
cada nos casos de infração sujeita às penalidades de suspensão e de demissão.
Parágrafo único. Constatada a hipótese de que trata este artigo, a exoneração efetuada nos termos 
do art. 35 será convertida em destituição de cargo em comissão.
Como anteriormente afirmado, os cargos em comissão podem ser ocupados tanto por 
servidores efetivos quanto por particulares sem vínculo com o Poder Público. Neste último 
caso, e considerando que não há um vínculo prévio entre o ocupante do cargo em comissão 
e a Administração Pública, será ele destituído do cargo quando a infração cometida estiver 
capitulada com a penalidade de suspensão ou demissão.
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Art. 136. A demissão ou a destituição de cargo em comissão, nos casos dos incisos IV, VIII, X e XI 
do art. 132, implica a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, sem prejuízo da ação 
penal cabível.
Art. 137. A demissão ou a destituição de cargo em comissão, por infringência do art. 117, incisos 
IX e XI, incompatibiliza o ex-servidor para nova investidura em cargo público federal, pelo prazo de 
5 (cinco) anos.
Parágrafo único. Não poderá retornar ao serviço público federal o servidor que for demitido ou des-
tituído do cargo em comissão por infringência do art. 132, incisos I, IV, VIII, X e XI.
A aplicação da penalidade de demissão poderá acarretar a impossibilidade de o agente 
demitido retornar ao serviço público pelo prazo de 5 anos. Em outras situações mais gravo-
sas, não poderá o agente público retornar ao serviço público, independente do lapso temporal. 
Por fim, certas condutas ensejadoras de demissão acarretam a indisponibilidade dos bens e 
o ressarcimento ao erário.
1) Demissão ou destituição de cargo em comissão implicando indisponibilidade dos bens 
e ressarcimento ao erário. Nestas hipóteses, o objetivo do legislador foi o de assegurar que o 
patrimônio do agente causador do dano não seja dilapidado, possibilitando assim o ressar-
cimento dos prejuízos causados ao erário. Nos termos da Lei n. 8.112, três são as situações 
que ensejam, cumulativamente, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário:
a) improbidade administrativa;
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b) aplicação irregular de dinheiros públicos;
c) lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
d) corrupção;
2) Demissão ou destituição de cargo em comissão implicando em proibição de retornar ao 
serviço público federal pelo prazo de 5 anos
a) valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da digni-
dade da função pública;
b) atuar, como procurador ou intermediário, junto a repartições públicas, salvo quando 
se tratar de benefícios previdenciários ou assistenciais de parentes até o segundo grau, e de 
cônjuge ou companheiro;
3) Demissão ou destituição de cargo em comissão implicando impossibilidade de retornar 
ao serviço público federal indefinidamente
a) crime contra a administração pública;
b) improbidade administrativa;
c) aplicação irregular de dinheiros públicos;
d) lesão aos cofres públicos e dilapidação do patrimônio nacional;
e) corrupção;
Art. 141. As penalidades disciplinaresserão aplicadas:
I – pelo Presidente da República, pelos Presidentes das Casas do Poder Legislativo e dos Tribunais 
Federais e pelo Procurador-Geral da República, quando se tratar de demissão e cassação de apo-
sentadoria ou disponibilidade de servidor vinculado ao respectivo Poder, órgão, ou entidade;
II – pelas autoridades administrativas de hierarquia imediatamente inferior àquelas mencionadas 
no inciso anterior quando se tratar de suspensão superior a 30 (trinta) dias;
III – pelo chefe da repartição e outras autoridades na forma dos respectivos regimentos ou regula-
mentos, nos casos de advertência ou de suspensão de até 30 (trinta) dias;
IV – pela autoridade que houver feito a nomeação, quando se tratar de destituição de cargo em 
comissão.
A depender da penalidade que está sendo aplicada, teremos diferentes autoridades 
competentes para a sua aplicação. Nota-se, da relação apresentada pela Lei n. 8.112, que 
as autoridades estão escalonadas de acordo com a gravidade da penalidade que está sen-
do aplicada:
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Demissão ou cassação da aposentadoria ou 
disponibilidade
Presidente da República, pelos Presidentes 
das Casas do Poder Legislativo e dos Tribunais 
Federais e pelo Procurador-Geral da República
Suspensão superior a 30 dias
Autoridades administrativas de hierarquia 
imediatamente inferior àquelas competentes 
para aplicação de demissão ou cassação de 
aposentadoria
Advertência e suspensão até 30 dias
Chefe da repartição e outras autoridades na 
forma dos respectivos regimentos ou regula-
mentos
Destituição de cargo em comissão Autoridade que houver feito a nomeação
Entretanto, pode o Presidente da República delegar, aos respectivos Ministros de Estado, 
a competência para a aplicação da penalidade de demissão, conforme se observado do jul-
gamento do Mandado de Segurança 7.024, da lavra do STJ:
Possibilidade de o Presidente da República delegar aos Ministros de Estado a competên-
cia para demitir servidores de seus respectivos quadros - parágrafo único do art. 84, CF.
Art. 142. A ação disciplinar prescreverá:
I – em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com demissão, cassação de aposentadoria ou 
disponibilidade e destituição de cargo em comissão;
II – em 2 (dois) anos, quanto à suspensão;
III – em 180 (cento e oitenta) dias, quanto à advertência.
§ 1º O prazo de prescrição começa a correr da data em que o fato se tornou conhecido.
§ 2º Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-se às infrações disciplinares capitula-
das também como crime.
§ 3º A abertura de sindicância ou a instauração de processo disciplinar interrompe a prescrição, 
até a decisão final proferida por autoridade competente.
§ 4º Interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a correr a partir do dia em que cessar 
a interrupção.
Ainda que a administração possua o dever de punir todas as infrações de que tiver co-
nhecimento, cumpre informar que as penalidades devem ser aplicadas dentro de um lapso de 
tempo a partir da data em que o fato se tornou conhecido.
E isso em plena consonância com o princípio da segurança jurídica, uma vez que não é 
admitida, em nosso ordenamento, a possibilidade de haver punições imprescritíveis.
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Em outras palavras, isso implica em afirmar que, mesmo que um servidor tenha cometido 
uma infração e esta seja do conhecimento da administração, caso a repartição competente 
não tome as medidas legais (aplicação da penalidade) dentro de um determinado período, 
não mais poderá o fazer, uma vez que a ação disciplinar estará prescrita.
Neste sentido, os prazos prescricionais previstos na norma federal apenas começam a 
contar da data em que as condutas se tornaram conhecidas por alguma autoridade admi-
nistrativa.
Suponhamos que um servidor tenha cometido, em janeiro de 2013, uma infração disciplinar 
passível de aplicação de suspensão. No entanto, por motivos diversos, a autoridade adminis-
trativa apenas tomou conhecimento da infração cometida em junho de 2015.
Nesta situação, o prazo prescricional (que, no caso da suspensão, é de 2 anos) apenas terá 
início em junho de 2015, ou seja, na data em que o fato se tornou conhecido por parte da 
administração.
Sendo a infração de conhecimento de alguma autoridade administrativa, esta deverá, 
dentro do prazo prescricional legalmente previsto, instaurar sindicância ou processo admi-
nistrativo disciplinar (a depender da gravidade da infração) com a finalidade de apurar todos 
os fatos ocorridos.
Uma vez instaurada a sindicância ou o PAD, o prazo prescricional é interrompido. Isso 
implica em dizer que, após o término de algum dos procedimentos, o prazo prescricional vol-
ta a ser contado desde o seu início. Esta, aliás, é a principal diferença entre a suspensão e a 
interrupção da contagem dos prazos da norma, ou seja, o fato do prazo, após o término da 
sindicância ou PAD, ser contado novamente do início ou pelo número de dias restantes.
A autoridade administrativa toma conhecimento, em junho de 2010, de uma infração cometida 
por servidor federal. Se considerarmos que esta infração deve ser penalizada com a sanção 
de demissão, o prazo prescricional para que a pena seja aplicada vai até junho de 2015.
Caso, em janeiro de 2015, a administração instaure um PAD com a finalidade de apurar a 
infração cometida pelo servidor, teremos a interrupção do prazo.
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Assim, se a decisão da comissão for pela absolvição do servidor, bem como que esta tenha 
sido tomada em maio de 2015, o prazo, após o julgamento, volta a ser contado do início, dis-
pondo a administração de mais 5 anos para aplicar uma eventual penalidade ao servidor.
Relaciona-se abaixo, com o objetivo de facilitar a memorização, a prescrição de cada uma 
das penalidades da Lei n. 8.112:
Penalidade Prescrição
Demissão, cassação de aposentadoria ou 
disponibilidade e destituição de cargo em 
comissão
5 anos
Suspensão 2 anos
Advertência 180 dias
3. processo ADministrAtivo no Âmbito DA união
Como analisado, o Direito Administrativo Disciplinar faz uso de diversos instrumentos 
para alcançar o seu objetivo. Dentre os instrumentos utilizados, os mais importantes, se con-
siderarmos que estamos no âmbito federal, são aqueles que encontram previsão nas dispo-
sições da Lei n. 8.112, que, por sua vez, é a norma que estabelece o estatuto dos servidores 
públicos da União.
Três são os procedimentos que encontram previsão na norma federal, sendo eles a sindi-
cância, o processo administrativo disciplinar e o processo administrativo sumário.
Dada a relevância com que as disposições da Lei n. 8.112, quando relacionadas com es-
tes três procedimentos, são exigidas em concursos públicos, todos os artigos da norma em 
questão serão comentados, sendo feito o uso, quando necessário, dos entendimentos juris-
prudenciais e doutrinários.
3.1. Disposições gerAis
Art. 143. A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a promover 
a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar, assegurada 
ao acusado ampla defesa.
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§ 3º A apuração de que trata o caput, por solicitação da autoridade a que se refere, poderáser 
promovida por autoridade de órgão ou entidade diverso daquele em que tenha ocorrido a irregula-
ridade, mediante competência específica para tal finalidade, delegada em caráter permanente ou 
temporário pelo Presidente da República, pelos presidentes das Casas do Poder Legislativo e dos 
Tribunais Federais e pelo Procurador-Geral da República, no âmbito do respectivo Poder, órgão ou 
entidade, preservadas as competências para o julgamento que se seguir à apuração.
Art. 144. As denúncias sobre irregularidades serão objeto de apuração, desde que contenham a 
identificação e o endereço do denunciante e sejam formuladas por escrito, confirmada a auten-
ticidade.
Parágrafo único. Quando o fato narrado não configurar evidente infração disciplinar ou ilícito penal, 
a denúncia será arquivada, por falta de objeto.
Além das normas materiais, a Lei n. 8.112 estabelece uma série de procedimentos que 
devem ser observados para a aplicação das penalidades nela previstas. O processo adminis-
trativo disciplinar, dessa forma, pode ser conceituado, de acordo com a definição de Ladisael 
Bernardo e Sérgio Viana, da seguinte forma:
Um instrumento formal em que a Administração Pública, tendo como suporte o jus puniendi do 
Estado (via Poder Disciplinar, espécie do gênero Poder Administrativo), apura a existência de infra-
ções de natureza funcional praticadas por seus servidores e, caso o apuratório resulte pela autoria 
da prática infracional, aplica a sanção adequada e prevista em instrumento legal pertinente.
Importante frisar que a autoridade competente, tendo conhecimento de alguma irregulari-
dade cometida no âmbito do serviço público, tem o dever de apurar as faltas cometidas.
Caso o conhecimento da autoridade tenha ocorrido por meio de denúncia, esta deverá con-
ter a identificação e o endereço do denunciante, além de ser formulada por escrito e confirma-
da a autenticidade. Quando a denúncia não configurar infração administrativa ou ilícito penal, 
será arquivada pela autoridade competente, uma vez que, neste caso, haverá falta de objeto.
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Trata-se a apuração das irregularidades, dessa forma, de uma medida vinculada do Po-
der Público, podendo desenvolver-se por meio de sindicância ou de processo administrativo 
disciplinar.
Salienta-se que a apuração não precisa, necessariamente, ser feita pela autoridade que 
que estiver sendo lesada com a irregularidade cometida pelo servidor. Neste sentido, a Lei n. 
8.112 estabelece a possibilidade de delegação, para órgãos ou entidades diversos daqueles 
em que a infração tenha ocorrido, das atividades de apuração.
Para que isso seja possível, a delegação deve ser feita pelas autoridades máximas dos 
respectivos Poderes da República. No âmbito do Poder Executivo, caberá ao Presidente da 
República; no Legislativo, aos Presidentes das respectivas Casas (Senado Federal e Câmara 
de Deputados); no Judiciário, aos Presidentes dos Tribunais Federais; no âmbito do Ministério 
Público da União, ao Procurador Geral da República.
A possibilidade de delegação, contudo, não alcança todas as fases do processo admi-
nistrativo ou da sindicância, mas sim apenas as etapas destinadas à apuração das irregu-
laridades. O julgamento do processo, que é a etapa posterior à apuração, continua sendo de 
competência da autoridade legalmente prevista, sem possibilidade de delegação.
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3.2. sinDicÂnciA
Art. 145. Da sindicância poderá resultar:
I – arquivamento do processo;
II – aplicação de penalidade de advertência ou suspensão de até 30 (trinta) dias;
III – instauração de processo disciplinar.
Parágrafo único. O prazo para conclusão da sindicância não excederá 30 (trinta) dias, podendo ser 
prorrogado por igual período, a critério da autoridade superior.
A sindicância pode ser conceituada como uma investigação preliminar com o objetivo de 
averiguar o cometimento de infrações pelos servidores. O prazo para o encerramento da sin-
dicância é de 30 dias, podendo ser prorrogado, uma única vez, por mais 30 dias.
Como resultado da sindicância, poderemos ter o arquivamento do processo, a aplicação 
das penalidades de advertência ou de suspensão até 30 dias ou, no caso de constatação de 
infração com maior gravidade, a instauração de processo administrativo disciplinar.
A sindicância pode ser dividida em duas modalidades, sendo elas a preparatória e a pu-
nitiva. Teremos a sindicância preparatória quando a estrita finalidade da sua instauração for 
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a de servir como base para o processo administrativo disciplinar. A sindicância punitiva, por 
sua vez, ocorre quando o procedimento, por si só, enseja a aplicação de alguma das penali-
dades previstas em lei.
Nota-se, assim, que o fato que distingue as duas modalidades é um só: a punição que 
será aplicada.
A sindicância representa o início das investigações. Por meio dela, a autoridade administrati-
va cumpre uma série de diligências com o objetivo de coletar provas que comprovem se real-
mente houve uma infração funcional disciplinar.
Caso a sindicância, por si só, verificar que houve uma infração punível com a penalidade de 
advertência ou de suspensão até 30 dias, será ela classificada como punitiva, uma vez que 
não haverá necessidade de instauração de procedimento administrativo disciplinar.
Caso, em sentido oposto, a sindicância constate que houve o cometimento de uma penalida-
de mais grave que a de suspensão por 30 dias, deverá ser instaurado o PAD, classificando-se 
a sindicância como preparatória.
3.3. AFAstAmento preventivo
Art. 147. Como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir na apuração da irregu-
laridade, a autoridade instauradora do processo disciplinar poderá determinar o seu afastamento 
do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 (sessenta) dias, sem prejuízo da remuneração.
Parágrafo único. O afastamento poderá ser prorrogado por igual prazo, findo o qual cessarão os 
seus efeitos, ainda que não concluído o processo.
Caso entenda necessário, a autoridade instauradora do processo poderá solicitar o afas-
tamento preventivo do servidor, cujo prazo será de 60 dias, prorrogados por mais 60 em caso 
de necessidade. Objetiva-se, com o afastamento, que o servidor não dificulte os trabalhos da 
comissão, que terá, com a ausência do servidor, uma maior liberdade de atuação para averi-
guar documentos e eventuais provas do cometimento da irregularidade.
Considerando que o afastamento é medida cautelar, tem-se que o servidor continua rece-
bendo sua remuneração normalmente durante o período de afastamento.
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3.4. processo ADministrAtivo DisciplinAr
Art. 146. Sempre que o ilícito praticado pelo servidor ensejar a imposição de penalidade de suspen-
são por mais de 30 (trinta) dias, de demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou 
destituição de cargo em comissão, será obrigatória a instauração de processo disciplinar.
Art. 148. O processo disciplinar é o instrumento destinado a apurar responsabilidade de servidor 
por infração praticada no exercício de suas atribuições, ou que tenha relação com as atribuições 
do cargo em que se encontre investido.
Art. 151. O processo disciplinar se desenvolve

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