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Redação Oficial Márcio Roberto 2 EXPEDIENTE Governador de Pernambuco Paulo Henrique Saraiva Câmara Vice-governador de Pernambuco Raul Jean Louis Henry Júnior ● SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO Secretário Milton Coelho da Silva Neto Secretária Executiva Marília Raquel Simões Lins Diretora do CEFOSPE Analúcia Mota Viana Cabral Coordenação de Educação Corporativa Priscila Matos Coordenação da Educação a Distância José Lopes Ferreira Junior Marilene Cordeiro Barbosa Borges Autor Márcio Roberto Cavalcanti da Silva ● SECRETARIA DE EDUCAÇÃO Secretário Frederico da Costa Amâncio Secretário Executivo de Educação Profissional Paulo Fernando de Vasconcelos Dutra Gerente Geral de Educação Profissional Maria do Socorro Rodrigues dos Santos Gestor de Educação a Distância George Bento Catunda Design Educacional Annara Mariane Perboire da Silva Diogo Galvão Leite de Moura Renata Marques de Otero Revisão de Língua Portuguesa Alécia Guimarães Diagramação e normalização Hugo Carlos Cavalcanti ● Material produzido em parceria entre o Centro de Formação dos Servidores e Empregados Públicos do Poder Executivo Estadual – CEFOSPE e a Secretaria Executiva de Educação Profissional – SEEP. Março, 2018 3 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISDB S586r Silva, Márcio Roberto Cavalcanti da. Redação Oficial: [módulo] Educação / Márcio Roberto Cavalcanti da Silva. – Recife: Centro de Formação dos Servidores e Empregados Públicos do Estado de Pernambuco, 2018. 107 p.: il. Inclui referências. Material produzido em parceria entre o Centro de Formação dos Servidores e Empregados Públicos do Poder Executivo Estadual – CEFOSPE e a Secretaria Executiva de Educação Profissional – SEEP. 1. Redação Oficial. 2. Língua Portuguesa. 3. Gramática. 4. Ortografia. 5. Técnica Legislativa. I. Título. II. Silva, Márcio Roberto Cavalcanti da. CDU – 806.90 (044.4) Elaborado por Hugo Carlos Cavalcanti | CRB-4 2129 Índice para catálogo sistemático: Redação Oficial: Língua Portuguesa: Técnica Legislativa 806.90 (044.4) 4 Sumário Introdução ...................................................................................................................................................... 7 1. Competência 01 | Conhecer os processos de comunicação ...................................................... 9 1.1 Língua e Linguagem ................................................................................................................................. 9 1.2 Concepções de linguagem ............................................................................................................... 10 1.3 Noções de leitura ............................................................................................................................. 12 1.4 Noções de texto ............................................................................................................................... 13 1.4.1 Revisão de elementos da comunicação ...................................................................................... 13 1.5 Funções da Linguagem .................................................................................................................... 15 1.6 Tipos de Linguagem ......................................................................................................................... 20 1.6.1 Verbal........................................................................................................................................... 20 1.6.1.2 Língua Oral ou Falada (verbal) ..................................................................................................... 20 1.6.1.3 Língua Escrita (verbal) ................................................................................................................. 21 1.6.2 Linguagem não verbal ................................................................................................................. 22 1.7 Variedades linguísticas .................................................................................................................... 23 1.7.1 Tipos de variedades linguísticas .................................................................................................. 25 1.8 Produção de texto ................................................................................................................... 27 1.8.1 Condições de Produção do texto ........................................................................................................ 28 1.8.2 Estruturação e organização do período e do parágrafo .............................................................. 28 1.8.2.2 Frase, parágrafo e texto .............................................................................................................. 28 1.8.3 Discurso, texto e enunciado ........................................................................................................ 30 2. Competência 02 | Compreender a funcionalidade da redação oficial, seu espaço de circulação, qualidades, objetivos e a utilização das formas de tratamento oficiais ....................................... 38 2.1 O texto oficial .................................................................................................................................. 38 2.2 Qualidades do texto oficial .............................................................................................................. 41 2.3 Pronomes de tratamento ................................................................................................................ 44 5 2.4 Breve História dos Pronomes de Tratamento ................................................................................. 47 2.5 Concordância com os Pronomes de Tratamento ............................................................................ 48 2.6 Emprego dos Pronomes de Tratamento ......................................................................................... 49 3. Competência 03 | Conhecer os documentos e comunicações oficiais..................................... 54 3.1 O padrão ofício ................................................................................................................................ 54 3.2 Cuidados com a diagramação .......................................................................................................... 62 3.3 Ofício ................................................................................................................................................ 63 3.4 Memorando ou comunicação interna ............................................................................................. 67 3.5 Exposição de motivos ...................................................................................................................... 70 3.6 Correios eletrônico (e-mail) ............................................................................................................. 70 3.7 Ata: o registro do imprescindível .................................................................................................... 71 3.8 Relatório: o que, por que e como .................................................................................................... 72 4. Competência 04 | Revisar os elementos de ortografia e gramática que fazem parte da estrutura básica do texto oficial .................................................................................................................... 75 4.1 Elementos de padronização ............................................................................................................ 75 4.1.1 Uso de letras maiúsculas e minúsculas .......................................................................................75 4.2 Números .......................................................................................................................................... 81 4.3 Datas ................................................................................................................................................ 84 4.4 Horas ................................................................................................................................................ 85 4.5 Abreviaturas .................................................................................................................................... 86 4.6 Siglas e acrônimos ........................................................................................................................... 88 4.7 Nome de pessoas ............................................................................................................................. 92 4.8 Aportuguesamentos e uso de estrangeirismos ............................................................................... 93 4.9 Uso do hífen..................................................................................................................................... 94 4.10 Femininos ........................................................................................................................................ 96 4.11 Pequenas dicas de Ortografia .......................................................................................................... 97 4.11.1 Uso de sinais de pontuação ......................................................................................................... 98 6 4.12 Acordo Ortográfico .......................................................................................................................... 99 Referências .................................................................................................................................. 105 Minicurrículo ............................................................................................................................... 107 7 Introdução Olá, alunos do curso de Redação Oficial! O Cefospe deseja, inicialmente, um bom curso a você. O curso de Redação Oficial é oferecido desde a fundação do Cefospe. Com as experiências, interação e ajuda dos alunos, conseguimos moldar um curso que tenta atender às situações práticas do dia a dia, no que se refere aos textos oficiais produzidos nos diversos órgãos públicos do Estado de Pernambuco. Nosso curso está dividido em quatro competências que se somam e darão a você um conhecimento sobre Redação Oficial e o ajudará a redigir documentos oficiais padronizados. Para tanto, seguimos e usamos o que está descrito no Manual de Redação Oficial da Presidência da República. Esse manual vem sendo utilizado pela Administração Pública Federal desde 2002, pelo menos. Tentamos, aqui, trazer a ideia de padronização não só dos modelos de documentos oficiais, mas também uma discussão sobre alguns detalhes desse gênero textual, ou seja, da produção de textos nos ambientes corporativos e governamentais. Levaremos em consideração o aprendizado que você teve durante os anos escolares e traremos, para os nossos materiais, assuntos “velhos” com roupas “novas”. Isso significa que o conhecimento anterior desses anos, que você teve nos diversos níveis escolares, será importante para não só relembrarmos, mas, também, adicionarmos e transportarmos para o “mundo real”, ou seja, para a prática diária. Para tanto, faremos, de vez em quando, uma viagem de volta à Gramática, pois, discutir questões gramaticais que afetam os textos corriqueiros do serviço público, nos trará habilidades que serão úteis na produção de textos oficiais, sobretudo, nas comunicações. Além disso, mostraremos o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que mudou alguns pontos da ortografia e que vem deixando muitas pessoas com dúvidas na hora de escreverem diversas palavras afetadas pela mudança. Será que você ainda tem dúvidas ao escrever palavras com hífen? E as palavras que perderam acento? Será que você está escrevendo-as com confiança? Acredito que 8 depois de nossos estudos, você irá se sentir confiante na nova ortografia. Pois, escrever IDÉIA (com acento) é um erro igual ao de escrever a palavra PROBLEMA assim: POBREMA! Portanto, é hora de fazer “aquela amizade” com o computador, relaxar numa cadeira, trocar o Netflix pelo “RedaçãoFlix”. Explico: teremos, ao longo do curso, aulas gravadas para que você aprofunde o conhecimento aprendido aqui. Ainda trarei curiosidades bem interessantes. Também colocarei links para algumas páginas e vídeos importantes que te ajudará a ampliar o conhecimento. E aí? Topa o desafio de ser um conhecedor dos documentos oficiais redigidos nos diversos ambientes dos órgãos do Governo de Pernambuco? Vamos padronizar esses documentos? Vamos escrever e ter conhecimento de algumas regras que afetam o ato de escrever? Então, vamos nessa! 9 1. Competência 01 | Conhecer os processos de comunicação Caro Servidor, Nessa competência, convido você a estudar os conceitos iniciais que influenciarão na escolha da escrita. Ao escrever textos oficiais, como um ofício, estamos selecionando um gênero que carrega várias características, não só do próprio gênero, como também da Língua. Nessa competência, estudaremos os elementos da comunicação que nos ajudarão a entender vários conceitos que compõem a produção textual. Em um segundo momento, você estudará algumas noções de produção textual. Bons estudos! 1.1 Língua e Linguagem Você já imaginou para que serve a linguagem? Qual a diferença entre língua e linguagem? Nós a usamos naturalmente sem ao menos ter a noção do poder ou serventia. Mas, antes disso, vamos saber o que é língua e o que é linguagem. Linguagem é toda e qualquer expressão do pensamento, sendo que a língua é uma forma de linguagem, como também a linguagem corporal, música, pintura, símbolos. Já a língua é um conjunto organizado de elementos (sons e gestos) que possibilitam a comunicação. Ela surge em sociedade, e todos os grupos humanos desenvolvem sistemas com esse fim. As línguas podem se manifestar de forma oral ou gestual, como a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Agora que sabemos o que é língua e o que é linguagem, vamos conhecer as diversas concepções de linguagem. É bom lembrar que, em um mundo o que a interação é fundamental, a terceira concepção de linguagem é a mais utilizada. 10 Quer saber mais? Acesse o vídeo indicado a seguir! https://www.youtube.com/watch?v=0GbXkshwyEs 1.2 Concepções de linguagem Agora, vamos conhecer as três concepções da linguagem. É bom saber que devemos levar em consideração a evolução histórica para compreendermos essas concepções. Linguagem como expressão do pensamento: A linguagem como expressão do pensamento nos mostra que a expressão é produzida no interior da mente dos indivíduos. A capacidade de o homem organizar a lógica do pensamento dependerá da exteriorização desse pensamento, por meio de linguagem articulada e organizada. Assim, a linguagem é considerada a “tradução” do pensamento. Linguagem como instrumento de comunicação: Nos séculos XVIII e XIX, a concepção de linguagem que predominou nos estudos da mesma, foi a noção de língua como instrumento de comunicação. A ideia de que era necessário preparar as pessoas para o mercado de trabalho conferiu à linguagem uma função utilitária. O problema, nessa noção, é tomar uma das partes do processo de comunicação como passiva (estamos falando do Receptor). Linguagem como atividade sócio interativa: A noção de linguagem mais atual, entende a linguagem comoum processo dinâmico em que os interlocutores interagem socialmente. Aqui, os sujeitos são ativos e promovem ações sociais por meio da linguagem. Nessa perspectiva, ao produzir determinado texto, o autor/escritor tem em mente os objetivos, o público alvo e lança mão de estratégias linguísticas específicas para se fazer compreender. Explicamos que todas essas concepções estão ainda em vigor. O surgimento de outra noção de língua, não elimina a anterior. Todavia, os estudos mais recentes tendem a se basear na terceira concepção e é essa que iremos levar em consideração, já que a língua só tem existência em situações https://www.youtube.com/watch?v=0GbXkshwyEs 11 concretas de interação. Estudá-la é, então, detectar os compromissos criados por meio da fala/escrita e as condições a serem preenchidas por um falante/escritor numa dada situação de comunicação. Vale salientar que a língua não é absolutamente explícita, pois, algumas vezes, precisamos de um contexto, uma situação ou um gesto para que a comunicação se estabeleça de forma correta. Observe o exemplo: Figura 1 – Panfleto publicitário Fonte: http://www.propagandaemrevista.com.br/propaganda/5749/ Vamos pensar: A palavra ‘outras’ é usada em um contexto, juntamente com a palavra ‘marca’. ‘Marca’ pode significar: Nome, termo, expressão, desenho ou símbolo ou, ainda, a combinação desses elementos que serve para identificar a propriedade, a categoria e origem de mercadorias ou serviços de uma empresa e para diferenciá-los dos concorrentes; identificador da empresa ou do fabricante; Sinal de nascença na pele de uma pessoa. 12 Logo, verificamos que não há clareza nesse uso da língua. Haverá clareza, se o leitor compartilha do conhecimento que a marca Renew, da empresa AVON, serve para “renovar”, “melhorar” a pele. 1.3 Noções de leitura Quando falamos em leitura, parece que estamos nos referindo a algo subjetivo, do outro mundo. No entanto, uma das características da leitura é que ela permite ao indivíduo ter acesso às informações e ao conhecimento produzido no mundo. Nas palavras do mestre Paulo Freire, o indivíduo, antes de adquirir a leitura da palavra, já tem a leitura do mundo, mas, esta só se completa e se descortina ao sujeito se este tem o domínio da palavra. a) Em um texto, o significado de uma parte não é autônomo, ou seja, se você destacar apenas uma parte do texto, essa parte pode não ter o significado que o autor se propôs a escrever; b) O significado global de um texto não é o resultado de mera soma de suas partes, mas de certa combinação geradora de sentidos. Aqui, o sentido faz-se importante. Imagine você falando várias frases, todas elas sem conexão umas com as outras. Isso poderia causar uma incoerência. Em síntese, no texto, o sentido de cada parte é definido pela relação que mantém com as demais constituintes do todo. Um parágrafo deve sempre se referir aos anteriores. Podemos dizer que um texto é, pois, um todo organizado de sentido, delimitado e produzido por um sujeito num dado espaço e tempo. As conclusões que podemos tirar dessa noção são: a) Uma leitura não pode basear-se em fragmentos isolados do texto; já que o significado das partes é determinado pelo todo em que estão encaixadas; 13 b) Uma leitura, por um lado, não pode levar em conta o que não está no interior do texto. Deve levar em consideração a relação, assinalada, de uma forma ou de outra, por marcas textuais, as quais um texto estabelece com outros. 1.4 Noções de texto A concepção de texto aqui adotada é consequência da compreensão de língua como atividade sóciointeracionista. Texto é a unidade verbal cujos significados são construídos por meio da interação entre autor texto leitor tomando por base aspectos sintáticos e semânticos e também fatores da situação comunicativa. Essa ideia abriga também a compreensão de texto como uma proposta de sentido que só se completa com a participação do leitor/ouvinte. Vejamos o exemplo a seguir: Um amigo meu veio para o Brasil, para aqui abrir um negócio. O país foi descoberto por Pedro Álvares Cabral. Ele apresenta uma enorme desigualdade social. Também o Peru apresenta desigualdades geográficas. (In: PLATÃO e FIORIN, 1996:383). Estamos diante de um texto? É importante deixarmos claro que nos comunicamos por meio de textos (gêneros: carta, telefonema, e-mail, música, ofício, solicitação) e não por meio de frases soltas, como se verifica no caso acima. Ao assumirmos o estudo da linguagem em funcionamento, estaremos obrigados a tomar uma posição quanto às variedades linguísticas no ensino de língua materna. Isso porque a democratização (preferimos chamar de expansão) da escola trouxe um outro público à sala de aula e esse trouxe consigo diferentes formas de usar a língua. 1.4.1 Revisão de elementos da comunicação Emissor / remetente /locutor – elemento que emite, codifica a mensagem, aquele que diz algo a alguém; 14 Receptor / destinatário /interlocutor - recebe, decodifica a mensagem, com quem o locutor se comunica; Mensagem (texto) - conteúdo que perpassa entre emissor e receptor; Código - conjunto de signos usado na transmissão e recepção da mensagem. Ex: língua portuguesa. Referente (assunto) – o assunto da mensagem, a situação que envolve o emissor e o receptor e o contexto linguístico; Canal (ou contato) – meio físico pelo qual circula a mensagem e a conexão psicológica. Ex: TV, rádio, carta, palestra, cordas vocais, internet, etc. Obs.: as atitudes e reações dos comunicantes são também referentes e exercem influência sobre a comunicação. Quadro 1 – Texto e comunicação Fonte: O autor (2018) Nos dois exemplos de comunicação, podemos perceber que uma pessoa (o emissor) escreveu alguma coisa a outra ou outras (o destinatário), dando uma informação (a mensagem). Para isso, precisou de papel ou da tela do computador, transformou o que tinha a dizer em um código (a língua - no texto A, a língua portuguesa; no texto B, a língua russa). Além disso, o emissor precisou selecionar um conjunto de vocábulos (ou de sinais) no código que escolheu. Todo sistema de comunicação é constituído por esse conjunto de elementos, que entra em jogo em cada ato de TEXTO A TEXTO B Caro Jorge, Amanhã não poderei ir à aula. Por favor, avise o professor que entregarei o trabalho na semana que vem. Joaquim... 15 comunicação para assegurar a troca de informações. Em um esquema, os elementos da comunicação podem ser representados assim: Figura 2 – Ciclo da Comunicação Fonte: http://www.propagandaemrevista.com.br/propaganda/5749/ Nem sempre a troca de informações é bem-sucedida. Denomina-se ruído aos elementos que perturbam, dificultam a compreensão pelo destinatário, como por exemplo, o barulho ou mesmo uma voz muito baixa. O ruído pode ser também de ordem visual, como borrões, rabiscos, etc. 1.5 Funções da Linguagem Comunicar-se. Eis uma aptidão nata do ser humano. O tempo todo estamos tentando estabelecer contato com as pessoas, seja por meio da fala, seja por meio da escrita. A interação com o outro acontece antes mesmo de aprendermos nossa língua materna, e desde a tenra idade, através de expressões faciais e até mesmo de sons incompreensíveis, lançamo-nos à incrível arte da comunicação. Cada texto produzido, oral ou escrito, apresenta uma intencionalidade. Não pense que os atos de fala são desprovidos de um objetivo. Há um objetivo até mesmo nas famosas conversas de elevador, quando as pessoas, entediadas, travam um diálogo que muitas vezes parece ser pouco produtivo ou até mesmo dispensável. Pois bem, as funções da linguagem estão aí para nos explicar as minúcias de cada tipode discurso e conhecê-las aprimora a comunicação, bem como o entendimento da finalidade de um texto. Mas você sabe quais são as funções da linguagem e para que elas servem? Bom, são seis as funções da linguagem, 16 sendo que cada uma delas cumpre um objetivo bem específico em diferentes contextos comunicacionais. Vejamos: Função Intrínseca Elemento de Destaque Emotiva Emissor Conativa Receptor Referencial Referente Metalinguística Código Fática Canal Poética Mensagem Quadro 1 – As funções da Linguagem Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/redacao/as-funcoes-linguagem.htm Função Emotiva (ou Expressiva) - O locutor é posto em destaque, ou seja, a mensagem está centrada na expressão dos sentimentos do locutor. É um texto pessoal, subjetivo. É comum o uso de verbos e pronomes em 1° pessoa e também o uso de pontos de exclamação e interjeições, expressão de estados de alma do emissor (subjetividade e pessoalidade): textos líricos, autobiografias, depoimentos, memórias, cartas de amor. Exemplo: “ […] Mas quem sou eu para censurar os culpados? O pior é que preciso perdoá-los. É necessário chegar a tal nada que indiferentemente se ame ou não se ame o criminoso que nos mata. Mas não estou seguro de mim mesmo: preciso amar aquele que me trucida e perguntar quem de vós me trucida. E minha vida, mais forte do que eu, responde que quer porque quer vingança e responde que devo lutar como quem se afoga, mesmo que eu morra depois. Se assim é, que assim seja [...]”. (Fragmento de A hora da estrela, de Clarice Lispector) 17 Função Conativa (ou Apelativa) - Neste caso, o interlocutor é posto em destaque, ou seja, a linguagem se organiza no sentido de convencer o interlocutor. Neste tipo de função é comum o emprego de verbos no imperativo e verbos e pronomes na 2° ou na 3° pessoas, emprego da ambiguidade: textos de publicidade e propaganda. Figura 3 – Ciclo da Comunicação Fonte: O Boticário Função Referencial - Ocorre quando o referente é posto em destaque, ou seja, o objetivo do locutor é simplesmente o de informar o seu interlocutor. A ênfase é dada ao conteúdo, às informações veiculadas pela mensagem. Os textos desta linguagem são dotados de objetividade, uma vez que procuram traduzir ou retratar a realidade, clareza nas ideias: textos jornalísticos, científicos, textos didáticos, mapas, gráficos, legendas, recursos representativos. Exemplo: […] Reunindo toda esta gama de trabalhos, o 1º Festival Percurso - Periferia e Cultura em Rede Solidária será realizado no 21 de junho no Capão Redondo, zona sul de São Paulo. Com o tema "Juventude periférica gerando renda, trabalho e desenvolvimento local", o festival terá exposição e venda de serviços e produtos dos empreendimentos econômicos solidários que fazem parte da “Rede de Empreendimentos Culturais Solidários da Periferia Urbana da Zona Sul de São Paulo [...]”. (Fragmento de uma notícia, disponível em Carta Capital) 18 Função Metalinguística - Ocorre quando o código é posto em destaque, ou seja, usa-se o código linguístico para transmitir, aos receptores, reflexões sobre o próprio código linguístico. Também ocorre metalinguagem quando o poeta, num texto qualquer, reflete sobre a criação poética; quando um cineasta cria um filme cujo tema é o próprio cinema; quando um programa de televisão enfoca o papel da televisão no grupo social; quando um desenhista de quadrinhos elabora quadrinhos sobre o próprio meio de comunicação, etc. Em todas as situações citadas, percebe-se o uso do código: aulas de línguas, gramáticas e o dicionário. Função Fática - Ocorre quando o canal é posto em destaque. O interesse do locutor ao comunicar a mensagem é apenas testar o canal, o que tem o mesmo valor de um aceno com a mão, com a cabeça ou com os olhos, como: "alô", "pronto", "oi", "tudo bem?" "boa tarde", "sentem-se", etc. Vamos abordar um exemplo de Função Fática? Escute e acompanhe a letra da música Sinal fechado do compositor Paulinho da Viola https://www.youtube.com/watch?v=IEUPH1A7YkM Função Poética - Ocorre quando a própria mensagem é posta em destaque, ou seja, chama- se a atenção para o modo como foi organizada a mensagem. Centralizada na mensagem, revelando recursos imaginativos criados pelo emissor. Afetiva, sugestiva, conotativa, ela é metafórica. Valorizam-se as palavras, suas combinações: provérbios e letras de música, textos escritos em prosa, em slogans, ditos populares. Logo, não se trata de uma função exclusivamente encontrada em poesias. https://www.youtube.com/watch?v=IEUPH1A7YkM 19 Figura 4 – Átomo divisível, 1997 Fonte: Arnaldo Antunes Atenção! É importante ressaltar que, em um mesmo texto, podemos encontrar (normalmente, encontramos) mais de uma função da linguagem. Isso depende da intenção do locutor. Intencionalidade Discursiva - São as intenções, explícitas ou implícitas, existentes na linguagem dos interlocutores que participam de uma situação comunicativa. Lembre-se! No nosso dia a dia de servidor do Estado, sempre nos deparamos com a necessidade de comunicar. Nesse sentido, você pode lembrar que usamos várias funções da língua quando queremos transmitir um pensamento, seja através de um ofício ou uma comunicação interna. Lembra quando você quer convencer o seu chefe de uma ideia sua? Olha aí uma boa oportunidade de utilizar a função referencial. 20 1.6 Tipos de Linguagem Quando nos comunicamos com alguém, utilizamos dois tipos de linguagem: a verbal e a não verbal. Quando há a junção das duas, temos uma linguagem mista (multimodal). 1.6.1 Verbal Ocorre quando nos comunicamos por meio da palavra, ou seja, da linguagem oral ou escrita. O código utilizado é a palavra e está presente quando falamos com alguém, quando lemos, quando escrevemos. Forma de comunicação mais presente no nosso cotidiano. Com a palavra escrita ou falada, expomos aos outros, nossas ideias, nossos pensamentos, desejos... Denomina-se língua, o sistema linguístico empregado por uma determinada comunidade para a comunicação entre seus membros. Os membros desta comunidade conhecem as regras e os elementos que formam o sistema anteriormente mencionado e, mediante estes recursos finitos que possuem, é possível criar uma vastíssima (por não dizer infinita) quantidade de mensagens. Temos dois tipos de língua que realizam a linguagem verbal. São elas: 1.6.1.2 Língua Oral ou Falada (verbal) É uma das modalidades de uso da língua, não devendo ser entendida como violação da escrita, ou como superior a esta por ter surgido primeiro. Mantém uma profunda vinculação com as situações em que é usada. A comunicação oral, normalmente, se desenvolve em situações em que o contato entre os interlocutores é direto: na maioria dos casos, eles estão em presença um do outro. É mais alusiva, apresenta gêneros textuais menos formais, traços gramaticais específicos (frases onomatopeicas e exclamativas, formas contraídas e frases cortadas, comparações e expressões 21 populares), recursos expressivos (acentuação, entonação, pausas), significados não verbais (expressão fisionômica, gestos, postura corporal). 1.6.1.3 Língua Escrita (verbal) A modalidade escrita da língua também não deve ser vista como representação gráfica da fala, ou como superior a esta por ser “correta”. Contudo, cada modalidade de uso da língua apresenta suas particularidades, embora não devam ser estudadas de forma oposta. A elaboração do texto escrito requer uma linguagem mais precisa, uma vez que os interlocutores não estão face-a-face. A língua escrita demanda um esforço maior de precisão: devem-seindicar datas, descrever lugares e objetos, bem como identificar claramente os interlocutores no caso de representação de diálogos. Lembremos que, na língua escrita, temos mais tempo para elaborar o que iremos escrever. É menos econômica, evidentemente, que nos gêneros de texto mais formais. Logo, também apresenta traços gramaticais próprios (frases perifrásticas e assertivas, formas e frases inteiras). Um recurso importante é a pontuação. Da mesma forma, quem nunca ouviu falar que toda comunicação ou ordem tem que ser por escrito? Isso dá uma maior formalidade e segurança. Isso se realiza pelo grau de formalidade que a língua escrita nos passa. Acontece no serviço público Quem nunca lembrou o pensamento, no serviço público, de que não se faz nada de boca? Nesse sentido, seria emitir uma ordem ou comunicação por meio da língua falada. https://www.figurasdelinguagem.com/perifrase/ 22 1.6.2 Linguagem não verbal É outra forma de comunicação em que o código utilizado é a simbologia. Utiliza de outros meios comunicativos, como placas, figuras, gestos, cores, sons, ou seja, através dos signos visuais e sensoriais. A imagem abaixo é um exemplo de linguagem não verbal, pois não utiliza do código escrito para transmitir o conteúdo. Figura 5 – Placa de proibição ao fumo Fonte: Istock images A linguagem pode ser ainda verbal e não verbal simultaneamente, usando palavras escritas e figuras ao mesmo tempo, como nos casos das charges, cartoons e anúncios publicitários. Figura 6 – Cartoon humorístico Fonte: https://bistury.files.wordpress.com/2010/12/charge-pelicano2.jpg https://bistury.files.wordpress.com/2010/12/charge-pelicano2.jpg 23 1.7 Variedades linguísticas A variação linguística é um fenômeno que acontece com a língua e pode ser compreendida por intermédio das variações históricas e regionais. Em um mesmo país, com um único idioma oficial, a língua pode sofrer diversas alterações feitas por seus falantes. Como não é um sistema fechado e imutável, a língua portuguesa ganha diferentes nuances. O português que é falado no Nordeste do Brasil pode ser diferente do português falado no Sul do país. Claro que um idioma nos une, mas as variações podem ser consideráveis e justificadas de acordo com a comunidade na qual se manifesta. Aqui também só apresentamos três, que são suficientes para o entendimento dessa dimensão/modalidade da língua. Saiba mais! Variedade linguística é tema de redação no Projeto Educação Clique AQUI e leia a matéria na íntegra Formal: é a linguagem cuidada, na variedade culta e padrão, conforme o estilo escrito. É o caso da escrita dos bons jornais e revistas, por exemplo, cuidadosamente editada e elaborada. Coloquial: aparece no diálogo entre duas pessoas, sem planejamento prévio. Ocorre de modo contínuo e caracteriza-se por construções gramaticais soltas, repetições frequentes, frases bem curtas e conectivos simples, léxico constituído de palavras usuais. Informal: é o caso de correspondência entre membros de uma família ou amigos íntimos; caracteriza-se pelo uso de formas abreviadas, abreviações padronizadas, ortografia simplificada, construções simples, sentenças fragmentadas. Um exemplo é a linguagem nos programas de mensagem instantânea, como o WhatsApp. Assim, as variedades linguísticas correspondem às diferentes formas de usar a língua. A variedade padrão, também chamada de língua padrão ou norma culta, é a variedade de maior prestígio social http://g1.globo.com/pernambuco/vestibular-e-educacao/noticia/2013/10/variedade-linguistica-e-tema-de-redacao-no-projeto-educacao.html 24 por ter sido convencionado socialmente que é a forma da boa fala e da boa escrita, o modelo de linguagem a ser seguido. Já as variedades não padrão são todas as demais variedades da língua. Normalmente, essas variedades são desprestigiadas e sofrem uma série de preconceitos sociais. Aspecto esse que nosso trabalho pretende superar por compreender a língua como as águas de um rio que estão sempre se renovando1. A citação da obra de Marcos Bagno, ilustra a situação de preconceito linguístico que vivenciamos: É um verdadeiro acinte aos direitos humanos, por exemplo, o modo como a fala nordestina é retratada nas novelas de televisão, principalmente da Rede Globo. Todo personagem de origem nordestina é, sem exceção, um tipo grotesco, rústico, atrasado, criado para provocar o riso, o escárnio e o deboche dos demais personagens e do espectador. No plano linguístico, atores não nordestinos expressam-se num arremedo de língua que não é falada em lugar nenhum no Brasil, muito menos no Nordeste. Costumo dizer que aquela deve ser a língua do Nordeste de Marte! Mas nós sabemos muito bem que essa atitude representa uma forma de marginalização e exclusão. (BAGNO, p. 44,1999). Patativa do Assaré, foi um grande poeta popular nordestino. Era analfabeto, sua filha é quem escrevia o que ele ditava, porém sua obra ficou conhecida até na Europa. O Poeta da Roça Patativa do Assaré Sou fio das mata, canto da mão grossa, Trabáio na roça, de inverno e de estio. A minha chupana é tapada de barro, Só fumo cigarro de paia de mio. Sou poeta das brenhas, não faço o papé De argun menestré, ou errante cantô 1 Essa metáfora foi utilizada por Marcos Bagno no livro “Preconceito linguístico: o que é e como se faz”. São Paulo: Edições Loyola, 1999. 25 Que veve vagando, com sua viola, Cantando, pachola, à percura de amô. Não tenho sabença, pois nunca estudei, Apenas eu sei o meu nome assiná. Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre, E o fio do pobre não pode estudá. Meu verso rastero, singelo e sem graça, Não entra na praça, no rico salão, Meu verso só entra no campo e na roça Nas pobre paioça, da serra ao sertão. (...) Você acredita que a forma de falar e de escrever comprometeu a emoção transmitida por essa poesia? Quer conhecer o poeta Patativa do Assaré? Clique AQUI e veja Trailer Oficial do Filme “Patativa do Assaré - Ave Poesia”. 1.7.1 Tipos de variedades linguísticas Variação linguística é o movimento comum e natural de uma língua, que varia principalmente por fatores históricos e culturais. Modo pelo qual ela se usa, sistemática e coerentemente, de acordo com o contexto histórico, geográfico e sociocultural no qual os falantes dessa língua se manifestam verbalmente. É, em outras palavras, o jeitinho de falar de cariocas, pernambucanos; de pessoas com mais idade e jovens; de pessoas de um determinado nível sociocultural, etc. https://www.youtube.com/watch?v=3320mCajd-I&feature=youtu.be 26 Nesse tópico, apresentamos algumas variedades da língua que podem coincidir em determinados aspectos, como veremos adiante: • Variedade histórica (temporal) — a língua muda com o passar do tempo. Pense: você não utiliza a mesma linguagem que o seu avô utilizava quando ele era jovem, por exemplo. • Variedade geográfica (regional ou espacial) — a língua varia de acordo com a região. O nordestino apresenta, em determinados casos, um vocabulário distinto de um sulista, ainda que ambos estejam falando português. • Variedade sociocultural — Refere-se às formas da língua empregadas pelas diferentes classes ou grupos sociais. 1. “O réu vive de espórtula, tanto que é notória sua cacosmia”. (Linguajar jurídico). 2. Oi rapeize do surf brigadão pela moral que vcs tão me dando, pow ta muito bom quando ta batendo aquelas ondas na prainha. Tá show, valeu brigadão. (Conversa de surfista). • Variedade etária — essa variedade coincide com a histórica (temporal). A linguagem de um jovem tende a ser diferente da utilizada por uma pessoa mais velha. • Variedade contextual — o contexto envolve todo oentorno em que determinado texto foi produzido. Para falar com um amigo, não se utiliza a mesma linguagem que usa para se dirigir ao chefe, por exemplo. Participe do nosso fórum de conteúdo. Lá, iremos aprofundar os conhecimentos adquiridos nessa competência. Como a Redação Oficial trabalha essencialmente com a comunicação, é importante ter uma base de conhecimento desse tema. Você acompanhou, até agora, recursos para uma boa comunicação, seja na língua falada, seja na escrita. Agora, tendo em vista que você, enquanto servidor público, está comumente escrevendo documentos e comunicações oficiais, iremos aprender como produzir um texto. 27 1.8 Produção de texto “A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer ‘escrever claro’ não é certo, mas é claro, certo? ” Luiz Fernando Veríssimo A produção de textos é o ato de expor, por meio de palavras, as ideias, sendo uma ação muito importante. Saber produzir um texto pode ser um pré-requisito para conseguir um emprego, uma vaga na faculdade, no seu caso, servidor público, de ter mais eficiência na comunicação. Pessoas que escrevem bons textos conseguem se expressar melhor. A leitura, intimamente ligada à escrita, é um ato essencial para se produzir um bom texto. Enquanto lemos, estamos ampliando nosso vocabulário e, consequentemente, nosso universo interpretativo. Ou seja, com o ato da leitura estamos aumentando nossa capacidade de entender melhor tudo que nos rodeia. Assim, é muito importante saber escrever bons textos, e sobretudo, ter o hábito da leitura. Nesse tópico, iremos aprender as condições da produção de textos e um passo a passo do que é minimamente necessário para que um texto seja reconhecido como bom. A linguagem que utilizamos não transmite apenas nossas ideias, mas também um conjunto de informações sobre nós mesmos. Certas palavras e construções que empregamos acabam denunciando quem somos socialmente: por exemplo, em que região do país nós nascemos, qual nosso nível social e escolar, nossa formação, e, às vezes, até nossos valores, círculo de amizades e hobbies. O uso da língua também pode informar sobre nossa timidez, nossa capacidade de nos adaptarmos a situações novas, nossa insegurança etc. Assim, a língua é um poderoso instrumento de ação social. Ela pode tanto facilitar quanto dificultar o nosso relacionamento com as pessoas e com a sociedade 28 em geral. Nesse processo, é imprescindível observarmos as condições de produção do texto: o sujeito (escritor/leitor/ouvinte — quem produz? Para quem? Por quê?), o contexto (imediato/histórico) e o sentido (processado na interação). A seguir, elencamos algumas dessas condições. 1.8.1 Condições de Produção do texto A linguagem que utilizamos não transmite apenas nossas ideias, mas também um conjunto de informações sobre nós mesmos. Certas palavras e construções que empregamos acabam denunciando quem somos socialmente: por exemplo, em que região do país nascemos, qual nosso nível social e escolar, nossa formação e, às vezes, até nossos valores, círculo de amizades e hobbies. O uso da língua também pode informar sobre nossa timidez, nossa capacidade de nos adaptarmos a situações novas, nossa insegurança etc. Assim, a língua é um poderoso instrumento de ação social. Ela pode tanto facilitar quanto dificultar o nosso relacionamento com as pessoas e com a sociedade em geral. Nesse processo, é imprescindível observarmos as condições de produção do texto: o sujeito (escritor/leitor/ouvinte — quem produz? Para quem? Por quê?), o contexto (imediato/histórico) e o sentido (processado na interação). 1.8.2 Estruturação e organização do período e do parágrafo 1.8.2.2 Frase, parágrafo e texto Frase é todo enunciado linguístico capaz de transmitir uma ideia. A frase é uma palavra ou conjunto de palavras que constitui um enunciado de sentido completo. A frase não vem necessariamente acompanhada por um sujeito, verbo ou predicado. Por exemplo: « Cuidado! » é uma frase, pois transmite uma ideia - a ideia de ter cuidado ou ficar atento - mas não há verbo, sujeito ou predicado. Já a oração é todo enunciado linguístico que tem o núcleo como o verbo, apresentando, desta maneira e na maioria das vezes, "termos essenciais da oração, sujeito e predicado". O que caracteriza a oração é o verbo. 29 Exemplos: • O menino sujou seu uniforme. • Corra! O período é uma frase que possui uma ou mais orações, podendo ser: Simples: Quando constituído de uma só oração. Ex.: João ofereceu um livro a Joana. Ou Composto: Quando é constituído de duas ou mais orações. Ex.: O povo anseia que haja uma eleição justa, pois a última obviamente não o foi. Parágrafo (do grego: paragraphos, "escrever ao lado" ou "escrito ao lado") é uma unidade autossuficiente de um discurso, na escrita, que lida com um ponto de vista ou ideia particular. O início de um parágrafo é indicado iniciando-se numa nova linha. Um parágrafo consiste tipicamente de uma ideia, pensamento ou ponto principal que o unifica, acompanhado por detalhes que o complementam. Um parágrafo de não ficção costuma se iniciar com algo mais geral e avança rumo aos específicos, de maneira a propor um argumento ou ponto de vista. Cada parágrafo se constrói sobre o que veio antes, e prepara para o que vem adiante, e pode consistir de uma ou mais orações. Quando o diálogo é citado em obras de ficção, um novo parágrafo é usado cada vez que há uma mudança da pessoa que está sendo citada. Os textos em prosa (narrativos, descritivos ou dissertativos), são formados, geralmente, por uma ou mais unidades menores chamadas de parágrafo. Indica-se o parágrafo em um texto, seja ele impresso ou manuscrito, por um pequeno recuo de sua primeira linha em relação à margem esquerda da folha. Inicia-se com letra maiúscula e com o espaçamento em branco entre o anterior e o seguinte. Do ponto de vista linguístico, o parágrafo deve conter uma ideia central (chamada de tópico frasal), as quais se agregam outras, secundárias, ligadas entre si e relacionadas à ideia central: https://www.todamateria.com.br/prosa/ 30 => Vida é dor, e acordo com dor de dentes. O dia é belíssimo, um sol de verão invade o barraco; quanto a mim, choro de dor. => A vida é combate. De nada adianta ficar deitado. Levanto-me e começo a fazer ginástica. (Moacir Scliar) A estrutura da maioria dos parágrafos (denominado parágrafo-padrão) organiza-se em três partes: introdução, desenvolvimento e, mais raramente, conclusão. Cabe lembrar que não há um modo rígido para a construção de um parágrafo. Tudo depende da natureza do assunto, do tipo de composição e, principalmente, das preferências de quem escreve. Portanto, o parágrafo na prática não tem regras inflexíveis de aplicação. Mas não há dúvida de que a maioria é assim estruturado, pois é o método mais adequado para assegurar a unidade e coerência do parágrafo. a) A Introdução é constituída de um ou dois períodos, quase sempre breves, que encerram a ideia central ou a ideia-núcleo, definindo o seu objetivo. A essa ideia-núcleo dá-se o nome de tópico frasal, que pode, não raro, ele mesmo representar sozinho todo o parágrafo. Lembramos que a introdução pode ser chamada também de Proposição. b) O Desenvolvimento consiste na explanação da ideia-núcleo, ou seja, no desenvolvimento de ideias secundárias que fundamentam ou não o esclarecimento do tópico frasal. c) A Conclusão nem sempre está presente no parágrafo, especialmente nos mais curtos ou naqueles em que a ideia central não apresenta maior complexidade. A conclusão retoma a ideia central, levando em consideração os diversos aspectos selecionados no desenvolvimento. 1.8.3 Discurso, texto e enunciado Fatores de textualidade - Faz-se necessário, primeiro,saber o que vem a ser textualidade. Alguns autores entendem a textualidade como o conjunto de características que fazem com que um texto seja considerado um texto e não, uma sequência de frases. Vejamos o quadro que segue: 31 Fatores de textualidade Linguísticos Formal Coesão Semântico Coerência Pragmáticos* Usuários Intencionalidade Aceitabilidade Situação Situacionalidade Informatividade Intertextualidade Quadro 2 – As funções da Linguagem Fonte: FAVERSANI, Lilian. 7 lições para a produção de textos. Disponível em: <http://mooc.timtec.com.br/course/producaodetextos/intro/>. Acesso em: 4 jan. 2018 Pragmático Adjetivo 1. que contém considerações de ordem prática; prático, realista, objetivo. "resolução p.” 2. voltado para objetivos práticos; realista, objetivo. "política p." 32 1. Coesão - É o processo responsável pela estruturação da sequência (superficial) do texto. Pode ser realizada através de recursos conectivos (coesão sequencial) ou de aspectos mais especificamente semânticos (coesão referencial). A coesão referencial é aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro elemento do universo textual. Pode ser estabelecido por: sinônimos, hiperônimos, grupos nominais definidos, artigos, pronomes, numerais, advérbios, etc. Já a coesão sequencial funda-se mais especialmente no estudo dos conectivos. Pode ser realizada através de: repetição lexical, paralelismos, paráfrases, recorrência de tempo verbal, encadeamento por justaposição, encadeamentos por conexões. 2. Coerência - Trata-se da continuidade baseada no sentido. A coerência é resultado de uma série de atos enunciativos (atos de linguagem) que se encadeiam sucessivamente e que formam um conjunto compreensível como um todo. 3. Intencionalidade - Diz respeito ao empenho do produtor em construir um discurso coerente, coeso e capaz de satisfazer suas intenções numa determinada situação comunicativa. Esse critério concerne ao que o produtor do texto pretendia, tinha em mente quando fez aquilo. Podemos lembrar da intenção de um determinado pedido feito por meio de um ofício. 4. Aceitabilidade - Já esse fator de textualidade centra-se no receptor do texto, na expectativa dele em que o conjunto de ocorrências com que se defronta seja um texto coerente, coeso, útil e relevante. Ou seja, qual a coerência, o que pensa o leitor de uma determinada Comunicação Interna, por exemplo. 5. Situacionalidade - Está relacionada aos elementos responsáveis pela pertinência e relevância do texto quanto ao contexto em que ocorre e a adequação do texto em relação à situação sociocomunicativa. Trata-se da relação entre o evento textual e a situação (social, cultural, ambiente, etc.). http://portugues.uol.com.br/redacao/coesao-referencial-coesao-sequencial.html http://portugues.uol.com.br/redacao/coesao-referencial-coesao-sequencial.html https://www.normaculta.com.br/paralelismo-sintatico/ https://www.normaculta.com.br/parodia-e-parafrase/ 33 6. Informatividade - Diz respeito ao grau de expectativa ou falta de expectativa, de conhecimento ou desconhecimento e mesmo de incerteza do texto oferecido. Um texto é mais informativo quando, de forma sutil e intuitiva, traz informações novas ao leitor. Imagine, no serviço público, os textos que já sabemos até o roteiro dele. Nesse caso, temos um texto baseado no senso-comum, que pouco acrescenta conhecimento ou informação. Um texto com informatividade traz mais informações, além do senso comum. 7. Intertextualidade - Refere-se aos fatores que fazem a utilização de um texto dependente do conhecimento de outros. Quando, por exemplo, um ofício remete a outro ofício. Devemos considerar ainda: O Contexto - Refere-se ao conjunto de todas as propriedades da situação social que são importantes para a produção, compreensão ou funcionamento do discurso e de suas estruturas. A Progressão textual - A progressão textual é o processo pelo qual o texto se constrói, com a introdução de informação nova, ligada à informação que já é do conhecimento do leitor ou que lhe é fornecida no próprio texto. Num texto não pode haver apenas repetição de ideias. Tem que haver repetição e continuidade, tem que haver retoma dos seus elementos conceptuais e formais, mas é preciso que apresente novas informações a propósito dos elementos retomados: é este segundo aspecto que faz com que o texto progrida. Essa é uma breve exposição dos fatores de textualidade. Vale salientar, porém, que tais aspectos não são princípios de boa-formação textual. É importante, muito mais, observá-los como critérios de acesso ao sentido do texto. Para uma melhor compreensão, faz-se necessário um aprofundamento. Faremos isso nos fóruns de conteúdo. 34 Com base no que vimos nessa competência, mostramos que a comunicação é fundamental no Serviço Público, pois, com ela, economizamos tempo e dinheiro, além de ser fundamental nas relações interpessoais. Dessa forma, o significado dos elementos da comunicação nos ajuda em várias situações de trabalho. Os textos veiculam mensagens, expressam ideias e são instrumentos de comunicação. Quando dizemos que um texto está bem escrito, significa que ele é capaz de expressar ideias de maneira clara, o que faz com que a mensagem circule entre os interlocutores e gere respostas acertadas para cada texto. Escrever dessa forma é imprescindível ao bom profissional e, para que você possa atingir esse objetivo, atente para os seguintes princípios de comunicação escrita: a) Avalie se o texto que você elaborou está bem construído ou não, a partir das respostas que ele gera: toda comunicação escrita tem a função de provocar uma resposta no interlocutor. Se a resposta provocada está adequada, quer dizer, se os leitores do texto produzem a resposta que era esperada e no tempo esperado, então, o texto foi bem-sucedido. Porém, se a resposta gerada pelos interlocutores é distinta daquela que se buscava atingir, é possível que essa “falha” de comunicação tenha sido gerada por uma má elaboração da mensagem escrita. Textos obscuros, confusos e complicados, com passagens mal redigidas e inadequações vocabulares, são empecilhos à comunicação porque podem levar o leitor a dar uma resposta equivocada. b) Certifique-se de que o que está claro para você esteja também claro para seu leitor: ao escrevermos um texto, a mensagem a ser comunicada é nítida para nós, mesmo porque ela é parte da nossa necessidade de escrever e sabemos exatamente quais ideias estão em questão. Assim, às vezes, esquecemo-nos de que o leitor não pode entrar no nosso pensamento e adivinhar quais são as nossas ideias claras, lógicas e brilhantes; ele só as conhecerá e dará, se for o caso, a resposta esperada se forem lógica e claramente expressas. Tornar nossas ideias conhecidas para os outros por meio da comunicação escrita requer que escrevamos com exatidão e de maneira simples, sem omitir dados relevantes à compreensão. Se 35 assim o fizéssemos “[...] a comunicação escrita cumpriria a sua função básica, isto é, tornar comum aos outros as nossas ideias.” (BLIKSTEIN, 1995, p. 21). Veja, na anedota a seguir, como uma ideia muito clara, para quem a expressa, pode ser entendida de forma completamente diferente (e até surpreendente!) por quem recebe a informação: Genro no lugar do sócio A filha entra no escritório do pai, com o marido a tiracolo, e indaga sem rodeios: – Papai, por que você não coloca meu marido no lugar do seu sócio que acaba de falecer? O pai responde de pronto: – Conversa com o pessoal da funerária. Por mim, tudo bem. É correto pensar que a filha não estava interessada em enterrar o marido, ainda mais vivo. Contudo,a pouca preocupação que teve em expressar seu pensamento de maneira clara permitiu que o pai, convenientemente, interpretasse que essa era a vontade dela e produzisse uma resposta distante da esperada pela filha. Em resumo: a filha não entende de comunicação eficiente, pois além de não atender aos princípios (a) e (b), estudados anteriormente, ela também não soube contemplar o princípio (c). c) Provoque a resposta em seu interlocutor: mesmo com todas as condições necessárias para gerar a resposta esperada no tempo certo, o interlocutor pode escolher não o fazer. Uma forma de reduzir essa indisposição responsiva é incentivar ou persuadir o interlocutor a dar a resposta que esperamos. Vejamos como incentivar nossos leitores. Escrever textos ásperos, rudes, secos, segundo Blikstein (1995), é uma forma de indispor o interlocutor às ideias que estamos comunicando. O autor avalia que essa é uma das causas desencadeadoras da ausência de resposta adequada do interlocutor. A educação, a gentileza, a cortesia, ao contrário, são elementos convidativos e favoráveis à resposta. Veja a diferença de tratamento entre as duas mensagens a seguir: Luís, imprima imediatamente o ofício para o setor X e deixe duas vias em minha mesa. Marisa. 36 Bom dia, Luís. Preciso, com urgência, do ofício para o setor X. Por favor, imprima-o e deixe duas vias em minha mesa. Obrigada, Marisa. Qual das duas solicitações você gostaria que lhe fosse endereçada? Qual delas você responderia com maior satisfação? Certamente a segunda. Expressões como bom dia, obrigado, por favor são capazes de transformar o texto e a reação que ele provoca. É difícil ser indiferente a quem nos dispensa um tratamento educado; pelo contrário, criamos a necessidade de retribuir à altura. Agora, vejamos como persuadir nossos leitores. A melhor forma de motivar o interlocutor para produzir a resposta esperada para a comunicação escrita a ele dirigida é fazer com que perceba que há necessidade de resposta. Trivialidades, como o próprio nome diz, não precisam ser discutidas, pois não têm valor. É importante que toda comunicação escrita tenha importância, função e provoque respostas. Alguns procedimentos, segundo Antunes (2005), podem auxiliar nesse processo: Demonstre que as ideias veiculadas por você não são “coisas de outro mundo”, mas se relacionam à rotina de trabalho e estão ancoradas em outras ideias já conhecidas por todos. Para isso, basta que o texto se articule a outros ou que apresente informações novas a partir de outras já sabidas coletivamente; Explore a emoção para motivar a memória, faça relações com experiências que já deram certo, com valores morais (isso provoca o interlocutor); Seja claro: as pessoas não se interessam por obscuridades e nem por informações circulares que são armazenadas na memória de curto prazo e esquecidas em seguida, segundos depois de serem recebidas; Tente tornar seu interlocutor partícipe de suas ideias, envolva-o. Para isso, basta que ele tenha ação: opine, analise, critique, discorra; Quando for possível, apresente as ideias em forma de desafios que precisam ser enfrentados em equipe, ou em forma de enigmas cuja solução depende do trabalho/empenho de todos; 37 toda comunicação escrita precisa ter relevância, para que as pessoas não tenham a sensação de que estão perdendo tempo e para que a valorizem, afinal, por que dar resposta a algo que não faz diferença alguma? Seguindo as técnicas de comunicação escrita que acabamos de esboçar, certamente você produzirá textos mais eficientes. É importante que você tenha clareza de que, quando nos referimos a escrever bem ou a texto eficiente, não estamos falando simplesmente de texto escrito sem erros gramaticais e com vocabulário rico. É claro que isso favorece a compreensão do texto, mas não garante eficiência. Gostou do que aprendeu? Quer aprender mais? Então confere a nossa vídeo-aula no ambiente da disciplina! 38 2. Competência 02 | Compreender a funcionalidade da redação oficial, seu espaço de circulação, qualidades, objetivos e a utilização das formas de tratamento oficiais Antes de começar a escrever textos oficiais, é necessário que você conheça o conceito e as características da Redação Oficial, bem como o emprego adequado das formas de tratamento que conferem formalidade a esse tipo de redação. Os documentos e comunicações oficiais não devem ser estudados só levando em consideração a forma, mas também as qualidades pertinentes a esse gênero textual. Convido você a ler atentamente essa competência e construir esse conhecimento tão importante para a nossa rotina de trabalho como Servidor Público. 2.1 O texto oficial A língua escrita, como a falada, compreende diferentes níveis, de acordo com o uso que dela se faça. Os textos oficiais por seu caráter impessoal, por sua finalidade de informar com o máximo de clareza e concisão, requerem o uso do padrão culto da língua. Pode-se concluir, então, que não existe propriamente um “padrão oficial de linguagem”; o que há é o uso do padrão culto nos atos e comunicações oficiais. É a comunicação que se estabelece oficialmente entre EXPEDIDOR e RECEPTOR que representem, ou pelo menos um deles, algum órgão da Administração Pública. A Correspondência Oficial obedece a normas regedoras das comunicações escritas, internas ou externas, das repartições públicas; sua redação é, portanto, padronizada, alterando-se apenas, naturalmente, o conteúdo específico de cada comunicação. 39 Figura 7 – Ciclo comunicacional |Emissor e Receptor Fonte: O autor (2018) A redação oficial é maneira pela qual o Poder Público redige atos normativos e comunicações oficiais. Por meio dela, estabelece-se a interação entre os diversos órgãos públicos, entre o Poder Público e os cidadãos, ou entre o Poder Público e as empresas. De acordo com Flôres (2002, p.11), os textos produzidos no âmbito da Redação Oficial podem ser agrupados em duas categorias: correspondências e documentos. Entretanto, apesar dessa segmentação, as correspondências e os documentos oficiais estão intimamente relacionados: primeiro, porque esses textos possuem características em comum, que você irá estudar mais adiante; segundo, porque é de praxe que o encaminhamento de documentos seja acompanhado de correspondência. Veja os tipos mais comuns de cada categoria: Correspondências: ofício, memorando, requerimento, carta, fax, mensagem eletrônica, telegrama, entre outros. 40 Documentos: ata, certidão, portaria, procuração, relatório, instrução normativa, decreto etc. Esses textos são oficiais não apenas pelo seu caráter formal, mas também porque existem normas estabelecidas por decretos, portarias e instruções normativas federais e estaduais que regulamentam sua feitura. Além disso, como ressalta Flôres (2007, p. 26), o que eleva um documento à categoria de texto oficial é a finalidade para a qual foi gerado: tratar de assunto(s) do interesse do(s) signatário(s)* ou do que ele(s) representa(m) junto ao(s) órgão(s) público(s). *Signatário – aquele que assina ou Subscreve um documento. Fonte: Ferreira (1999). Desde a publicação da Instrução Normativa n. 4, de 6 de março de 1992, pela extinta Secretaria da Administração Federal, que torna obrigatória a observância das regras constantes no Manual de Redação Oficial da Presidência da República, busca-se uniformizar e padronizar a redação dos textos oficiais por meio da atualização da linguagem neles empregada e da modernização das diversas modalidades de expedientes. A Redação Oficial é utilizada pela Administração Direta, composta pelos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios, e pela AdministraçãoIndireta, composta por entidades dotadas de personalidade jurídica própria, como autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e órgãos que compõem os poderes Legislativo e Judiciário. (FLÔRES, 2007, p. 27). Uniformizar e padronizar A uniformidade e a padronização de correspondências relacionadas aos atos administrativos oficiais não eram características amplamente praticadas até pouco tempo atrás. Data de 11 de janeiro de 1991 o Decreto n. 100.000, em que o Presidente da República autorizou a criação de uma comissão para rever, atualizar, uniformizar e simplificar as normas de redação de atos e comunicações oficiais. Em outubro do mesmo ano, essa comissão apresentou a primeira edição do Manual de Redação da Presidência da República, que tinha o objetivo de racionalizar e padronizar os textos oficiais. Dez anos depois, fez-se necessário revisar e atualizar o texto do Manual, principalmente para adaptá-lo à evolução legislativa brasileira e para adequá-lo às formas de comunicação oficial e aos avanços da informática. Essa segunda edição revisada e atual do Manual está disponível, desde 2002, no sítio da Casa Civil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/manual.htm 41 Em nosso dia a dia, cada situação comunicativa específica possui sua linguagem característica, apropriada, que é determinada em função dos interlocutores envolvidos e do grau de formalidade exigido (lembra-se das funções da linguagem?). Por exemplo, temos uma linguagem possível para bate-papos informais na internet, popularmente chamada de internetês, outra para o WhatsApp, outra para bilhetinhos familiares ou cartas que expressam nossos sentimentos, e assim por diante. Em situações comunicativas informais, espontâneas, costumamos fazer uso de uma fala/escrita descontraída, natural: usamos a linguagem popular ou coloquial que não necessariamente segue as regras gramaticais da norma padrão da linguagem, mas sua própria norma, caracterizada pelos conhecidos vícios de linguagem, por desvios da gramática tradicional, pelo uso de expressões idiomáticas, expressões grupais (gírias) ou expressões de baixo prestígio social. No caso da Redação Oficial, a modalidade de linguagem escrita que deve ser utilizada na construção dos textos elaborados pelo serviço público é a formal. Essa modalidade de linguagem faz parte de um padrão linguístico bastante valorizado na esfera profissional, além de ser a modalidade de linguagem recomendada pelo Manual de Redação da Presidência da República para atos e comunicações oficiais. 2.2 Qualidades do texto oficial Mas, afinal, o que caracteriza a linguagem formal e por que ela é necessária? O primeiro aspecto da linguagem formal está relacionado à norma padrão do português brasileiro. A variedade formal da linguagem é regida pela adequação às regras da gramática normativa, pois, desse modo, garante-se rigor quanto à forma. Em contrapartida, evitam-se textos obscuros, ambíguos, incompreensíveis por questões estruturais. Dentre as inadequações mais habituais nos textos, costumam ser frequentes as relacionadas a questões de concordância e regência (nominal e verbal), de colocação de termos na oração (colocação pronominal), de acentuação, de pontuação e de uso equivocado de palavras com proximidades gráficas, mas com https://pt.wikiversity.org/wiki/Norma_padr%C3%A3o_da_l%C3%ADngua_portuguesa/O_que_%C3%A9_uma_norma_padr%C3%A3o https://pt.wikipedia.org/wiki/Gram%C3%A1tica_normativa 42 grandes distâncias semânticas* (a exemplo do caso de iminente/eminente, ratificar/retificar, entre outras). O segundo aspecto, relacionado ao emprego da linguagem formal, diz respeito à proibição quanto ao emprego de gírias e de expressões regionais, idiomáticas ou populares nos textos oficiais. Além de serem próprias de situações informais de comunicação, essas expressões podem dificultar ou mesmo inviabilizar a compreensão de uma mensagem. São marcas características da comunicação em ambientes familiares e formadoras de um discurso estritamente grupal ou pessoal, não oficial. A Redação Oficial exige que o servidor público contemple o critério da uniformidade de sentido. Imagine como seria de difícil utilização, para um órgão público, de um Regulamento que possibilitasse, para cada leitor, uma interpretação distinta das normas nele contidas. Além disso, se esse Regulamento apresentasse, em seu texto, gírias ou expressões regionais, poderia impossibilitar a compreensão para pessoas que as desconhecessem, enquanto estaria dando privilégio de compreensão aos integrantes do grupo usuário de tais expressões. Isso não estaria de acordo com o critério da uniformidade, que prevê condições de igualdade de leitura e compreensão do texto, sem distinções grupais. Observe o que diz o Manual de Redação da Presidência da República sobre como proceder para produzir textos compreensíveis por todos: Para atingir esse objetivo, há que evitar o uso de uma linguagem restrita a determinados grupos. Não há dúvida de que um texto marcado por expressões de circulação restrita, como a gíria, os regionalismos vocabulares ou o jargão técnico, tem sua compreensão dificultada (BRASIL, 2002, p. 5). Vale lembrar outra questão vocabular que pode prejudicar a compreensão do texto, já que compromete a clareza das informações e restringe a compreensão a determinados grupos: o uso de arcaísmos. Assim como as gírias e as expressões regionais, palavras em desuso são obstáculos para o entendimento das ideias veiculadas. Como são palavras ou expressões obsoletas, seu significado pode ser tão enigmático quanto o de uma gíria desconhecida. A impessoalidade é o terceiro aspecto que caracteriza a linguagem formal. A preferência pela impessoalização de textos formais (técnicos, empresariais, oficiais) decorre, primeiramente, da http://www.soportugues.com.br/secoes/expressoesIdiomaticas/ https://pt.wikipedia.org/wiki/Arca%C3%ADsmo 43 necessidade de a ênfase dos documentos recair sobre as informações que eles contêm e não sobre quem os elabora; depois, de não se desejar marcar o autor dos textos como “dono” das ideias que estão sendo comunicadas por ele, o que poderia dar a elas pouco crédito, já que seriam avaliadas de uma posição pessoal e individualizada, e não institucional e coletiva, como deve ser. Isso quer dizer que os documentos e as comunicações oficiais sempre são feitos em nome do Serviço Público, apesar de serem assinados, por exemplo, pelo Chefe de determinada Seção; além disso, o assunto tratado é, invariavelmente, de interesse público. Proceder à impessoalização não é tarefa complexa. Há formas simples e usuais que servem para minimizar as marcas de pessoa do texto sem, contudo, apagar as marcas de autoria. Dentre as formas de se atingir as impessoalidades estão: O uso da primeira pessoa do plural com referenciação genérica: Exemplo: Publicamos o Edital de Abertura n. 47/2007 na última semana. Divulgamos os gabaritos de provas. O uso de construções com verbo + se: Exemplo: Publicou-se o Edital de Abertura n. 47/2007 na última semana. Divulgaram-se os gabaritos de provas. O quarto e último aspecto da linguagem formal está relacionado ao conjunto: clareza, concisão e objetividade. Imagine um Ofício da Presidência ou um Decreto escrito de forma obscura e ambígua, dificultando, assim, sua compreensão. É algo inaceitável, não é mesmo? A transparência do sentido e a inteligibilidade* dos documentos e correspondências oficiais são requisitos do próprio Estado de Direito*, por isso é inadmissível que um texto legal não seja entendido de forma clara pelos cidadãos. A publicidade do texto implica, portanto, necessariamente, a clareza e a concisão. 44 * Estado de Direito – Estado regulado por uma constituiçãoque prevê uma pluralidade de órgãos dotados de competência distinta explicitamente determinada. Fonte: Ferreira (1999). *Inteligibilidade – qualidade do que pode ser compreendido. Fonte: Houaiss (2007). O uso da linguagem formal no âmbito do serviço público é uma exigência que advém da finalidade dos textos oficiais: sempre estão relacionados, em última instância, ao governo e aos cidadãos. Dito de outro modo, esses textos estabelecem regras para a conduta dos cidadãos ou regulam o funcionamento de órgãos públicos que atendem a sociedade, direta ou indiretamente. Logo, o caráter público dos textos oficiais e sua finalidade determinam o emprego do nível culto da linguagem. É importante ressaltar, entretanto, que o uso dos elementos que conferem formalidade à escrita oficial não deve ser confundido com a utilização de uma suposta forma específica de linguagem denominada vulgarmente de burocratês. Deve-se evitar este tipo de linguagem, caracterizada pelo uso de expressões feitas, clichês do jargão burocrático e de formas arcaicas ou complexas de construção de frases. 2.3 Pronomes de tratamento Além das qualidades de impessoalidade, clareza, concisão, objetividade e uso do nível culto da linguagem, a padronização da escrita oficial se constitui também através de certa formalidade de tratamento. Quando falamos de formalidade, não estamos querendo dizer que se trata apenas do uso ou não de determinado pronome de tratamento. A adequação do pronome de tratamento e do vocativo ao receptor da correspondência oficial está relacionada, também, à uniformidade, à polidez e à civilidade necessárias para tratar os assuntos dos quais cuidam as comunicações. 45 Para você adequar esse pronome de tratamento, você deve pensar que o cargo ou a função ocupada pelo destinatário da correspondência irá determinar dois elementos: o pronome de tratamento e o vocativo a ser empregado. Este último cumpre função apelativa de segunda pessoa, pois, por seu intermédio, chamamos ou pomos em evidência a pessoa a quem nos dirigimos. Veja o uso do vocativo “Senhor” e do pronome de tratamento adequado para o cargo de Deputado: Senhor Deputado, Vossa Excelência está determinado a cumprir o que disse? Senhor Deputado, o que Vossa Excelência irá fazer para diminuir a desigualdade social no nosso estado? Informo Vossa Excelência de que as medidas mencionadas em sua carta n. 6708, dirigida a Sua Excelência o Senhor Vice-Presidente da República, estão amparadas por lei. Os verbos são flexionados na terceira pessoa (do singular ou plural): Vossa Senhoria abriu o processo? (e não abriste) Os pronomes possessivos são de terceira pessoa (seu, sua, seus, suas): Vossa Excelência conversou com seus assessores? (e não vossos). Os pronomes oblíquos são de terceira pessoa (o, a, os, as, lhe, lhes, se, si): Magnífico Reitor, a ocupação da Reitoria não lhe preocupa demasiadamente? (e não vos) O pronome oblíquo consigo só é usado quando se faz referência a um sujeito da terceira pessoa: O Ministro trouxe consigo o projeto de restauração das rodovias. (e não convosco) Quando se fala diretamente com a pessoa, dizemos com o Senhor: Vossa Excelência trouxe com o Senhor o projeto? (e não consigo) Fazemos a concordância de gênero “com base no sexo da pessoa a quem é dirigido o texto: Vossa Senhoria será recepcionada no aeroporto 46 (para mulher). Vossa Senhoria será recepcionado no aeroporto (para homem). ” Quem escreve pode se posicionar de duas maneiras: 1- Utilizando a 1ª pessoa do singular, para entidade individual: Exemplo: Informo a Vossa Senhoria que sua correspondência foi recebida. 2- Utilizando a 1ª pessoa do plural, para entidade coletiva: Exemplo: Informamos a Vossa Senhoria que sua correspondência foi recebida. Atenção! O Manual de Redação da Presidência da República é omisso com relação ao uso de abreviaturas para as formas de tratamento. Mesmo nas comunicações e nos documentos que são utilizados como modelos pelo Manual, nota-se que o pronome de tratamento não é abreviado. (BRASIL, 2002, p. 5). Conforme o Manual de Redação da Câmara dos Deputados (BRASIL, 2004, p. 229), para os casos em que é permitido o uso das abreviaturas para as formas de tratamento, não há necessidade de formatação com o sobrescrito (em fonte menor, com ponto ou barra embaixo). O motivo dessa mudança é proveniente da dificuldade que existe, na maioria dos atuais processadores de texto (como o Word), de formatar fontes sobrescritas. Portanto, em lugar de V.Exa. e V.Sa., por exemplo, podem ser utilizadas as formas V.Exa. e V.Sa. A Instrução Normativa n. 4, de 6/3/92, determina que, para as autoridades tratadas por Vossa Excelência, não devem ser utilizados os tratamentos: 1. Digníssimo (abreviatura: DD.), porque “a dignidade é pressuposto para que se ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária sua repetida evocação”; 47 2. Ilustríssimo (abreviatura: Ilmo.), porque os tratamentos Senhor e Vossa Senhoria são suficientes para conferir a formalidade adequada; e 3. Doutor (abreviatura: Dr.), porque esta não é uma forma de tratamento. Trata-se de título acadêmico, e não deve ser usado indiscriminadamente, mas apenas para as pessoas que tenham concluído curso universitário de pós-graduação em nível de doutorado. Você sabia? “Acrescente-se que doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico. Evite usá-lo indiscriminadamente. Como regra geral, empregue-o apenas em comunicações dirigidas a pessoas que tenham tal grau por terem concluído curso universitário de doutorado. É costume designar por doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis em Direito e em Medicina. Nos demais casos, o tratamento Senhor confere a desejada formalidade às comunicações.” (BRASIL, 2002, p. 5). 2.4 Breve História dos Pronomes de Tratamento Um componente muito forte que você irá encontrar, quando estudar pronomes de tratamento, é a Tradição. O uso de pronomes e locuções pronominais de tratamento tem larga tradição na língua portuguesa. Após serem incorporados ao português os pronomes latinos “tu” e “vós”, “como tratamento direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”, passou-se a empregar, como expediente linguístico de distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no tratamento de pessoas de hierarquia superior. Outro modo de tratamento indireto consistiu em fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qualidade eminente da pessoa de categoria superior, e não a ela própria. 48 Assim, aproximavam-se os vassalos de seu rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria; usou-se, também, o tratamento ducal de vossa excelência e adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência, vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade. A partir do final do século XVI, esse modo de tratamento indireto já estava em voga também para os ocupantes de certos cargos públicos. “Vossa mercê” evoluiu para “vosmecê”, e depois para o coloquial “você”. E o pronome “vós”, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição que provém o atual emprego de pronomes de tratamento indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades civis, militares e eclesiásticas. 2.5 Concordância com os Pronomes de Tratamento As expressões de tratamento são, teoricamente, da segunda pessoa gramatical – a pessoa com quem se fala – porém a concordância do verbo será feita na terceira pessoa. Exemplo: “Vossa Excelência conhece nosso trabalho...” Da mesma forma, os pronomes possessivos referidos a pronomes de tratamento são sempre os da terceira pessoa: “Vossa Senhoria nomeará seu substituto” (e não “Vossa... Vosso...”). Já quanto aos adjetivos referidos a esses pronomes, o gênero gramatical deve coincidir com o sexoda pessoa a que se refere. Exemplo: “Vossa Senhoria deve estar satisfeito”; se for mulher, “Vossa Excelência está atarefada” 49 Fica a dica! Nas leis, decretos, resoluções, portarias, a autoridade é indicada na 3ª pessoa. Exemplo: “O Presidente da República decreta...” e “O Secretário de Defesa Social resolve...” 2.6 Emprego dos Pronomes de Tratamento As formas de Tratamento mais usuais são: Você (v.) – usa-se para pessoas familiares ou com quem se tem intimidade. Senhor (Sr.) – Senhora (Srª ou Sra.) – para pessoas com quem se tem um certo distanciamento respeitoso. Vossa Senhoria (V. S.ª ou V.Sa.) – para pessoas de cerimônia em correspondências comerciais e oficiais. Vossa Excelência (V. Exª ou V.Exa.) – para altas autoridades. Vossa Eminência (V. Emª ou V. Ema.) – para cardeais. Vossa Alteza (V.A.) –– para príncipes e duques. Vossa Santidade (V.S.) – para o Papa. Vossa Excelência Reverendíssima (V. Exª Rver.ma ou V.Exa.Revma.) ‘para arcebispos e bispos Vossa Reverendíssima (V. Rev.ma ou V.Revma) – para monsenhores, cônegos e superiores religiosos. Vossa Reverência (V. Revª ou V. Reva.) para sacerdotes pastores e religiosos em geral. Vossa Paternidde (V.P.) - para superiores de ordem religiosas. Vossa Magnificência (V.Mag.ª ou V.Maga.) –– para reitores de universidades. Vossa Majestade (V.M.) – para reis e rainhas. 50 Importante! Vossa Excelência – Sua Excelência – é a forma de tratamento mais elevada, aplica-se às altas autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Aos três Chefes dos respectivos Poderes (Presidente da República, Presidente do Congresso Nacional e Presidente do Supremo Tribunal Federal) não se deve usar as abreviaturas V.Exa. e S. Exa). As expressões de tratamento são, teoricamente, da segunda pessoa gramatical – a pessoa com quem se fala – porém os títulos Dr. (Doutor) e Professor são sempre pessoais e, por isso, não podem referir-se a um cargo ou a uma função determinada. Assim, não se pode dizer ou escrever: Dr. Superintendente ou Professor Reitor. O certo será dizer: Doutor Fulano, Superintendente da.; Professor Beltrano, Magnífico Reitor da... A forma de tratamento mais usualmente empregada e mais aconselhável por se adaptar a todas as autoridades, quando se desconhece a sua posição hierárquica, é “Senhor”. Exemplo: Senhor Presidente, Senhor Diretor, Senhor Chefe. Conforme o Manual de Redação da Presidência da República, de 2002 e a Instrução Normativa nº 4/92 da Secretaria de Administração Federal: Fica abolido o uso dos tratamentos: Digníssimo (DD.) e Ilustríssimo (Ilmo.), sendo desnecessária a sua evocação. “Doutor” não é forma de tratamento e sim título acadêmico, não devendo ser utilizado indiscriminadamente. Vossa excelência significa superioridade de qualidade; Vossa reverência significa respeito às coisas sagradas – utilizado para os sacerdotes; Vossa eminência significa supremacia, sublimidade de engenho, virtude) – utilizado para os cardeais; Vossa santidade significa atributo divino, estado de perfeição – utilizado para o papa; 51 Agora, você irá saber os cargos que você utilizará o pronome de tratamento Vossa Excelência. Separamos os cargos por poder. Então, Vossa Excelência é usado para as seguintes autoridades: Autoridades do Poder Executivo: Presidente da República Vice-Presidente da República Ministros de Estado Governadores e Vice-Governadores de Estado e do Distrito Federal Oficiais-Generais das Forças Armadas* Embaixadores Secretários-Executivos de Ministérios e demais ocupantes de cargos de natureza especial Secretários de Estado dos Governos Estaduais Prefeitos Municipais Geralmente, Servidor, temos dúvidas, principalmente quem não é servidor público militar, de saber quem são os Oficiais-Generais das Forças Armadas. O quadro abaixo tira essa dúvida. Então, quem são os Oficiais-Generais das Forças Armadas? ** Todos os postos acima são superiores ao posto máximo das polícias militares dos estados, o de Coronel. MARINHA EXÉRCITO AERONÁUTICA Almirante Marechal Marechal-do-Ar Almirante-de-Esquadra General-de-Exército Tenente-Brigadeiro Vice-Almirante General-de-Divisão Major-Brigadeiro Contra-Almirante General-de-Brigada Brigadeiro 52 Autoridades do Poder Legislativo: Deputados Federais e Senadores Ministros do Tribunal de Contas da União Deputados Estaduais e Distritais Conselheiros dos Tribunais de Contas Estaduais Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais Autoridades do Poder Judiciário: Ministros dos Tribunais Superiores Membros de Tribunais Juízes Auditores da Justiça Militar Se liga! Algumas gramáticas do português brasileiro sugerem, para pronomes de tratamento mais usuais — tais como senhor, senhora, doutor, dona, dom, senhorita, professor, você —, empregar letras minúsculas quando por extenso e inicial maiúscula nas formas abreviadas. Existe uma forte tendência na escrita moderna de se adotar minúsculas, em ambas as situações. Atualmente, embora muitos textos jornalísticos adotem somente as minúsculas, nas repartições públicas a praxe é o emprego das maiúsculas. Veremos esse assunto na Competência 4 Participe do nosso fórum de conteúdo. Lá, iremos aprofundar os conhecimentos adquiridos nessa competência. Como a Redação Oficial usa aspectos formais, como os Pronomes de Tratamento, torna-se essencial discutir mais o tema, além, também, de debatermos sobre as qualidades do texto oficial. Aguardo você lá, beleza? 53 Para concluirmos nossa terceira competência, trago para você um texto que resume, de forma bem divertida, as histórias e origens dos pronomes de tratamento, assim como os seus usos. Acabar com os pronomes de tratamento? Sim. http://blogs.correiobraziliense.com.br/dad/xo-excelencia/ Gostou do que aprendeu? Quer aprender mais? Então confere a nossa vídeo-aula no ambiente da disciplina! Nessa Competência, você pôde conhecer o conceito de Redação Oficial e as principais características desse tipo de redação. Também vimos que o uso da linguagem formal implica: adequar-se à norma padrão do português; não utilizar gírias, expressões regionais, idiomáticas ou populares; preferir a impessoalidade; e observar as características da clareza, da concisão e da objetividade. Por fim, estudamos como são empregados os pronomes de tratamento para conferir formalidade e polidez aos textos oficiais. Após ter visto a videoaula da Competência 3, convidamos você a conhecer, na Competência 4, as principais modalidades de texto que compõem a Redação Oficial. Venha conosco! http://blogs.correiobraziliense.com.br/dad/xo-excelencia/ 54 3. Competência 03 | Conhecer os documentos e comunicações oficiais Caro Servidor, Nesta competência, convido você a estudar a maneira de diagramar e de elaborar as comunicações e alguns tipos de documentos oficiais, que serão objeto de estudo nessa competência, tais como: ofício, memorando ou comunicação oficial, mensagem eletrônica (e-mail), ata e o relatório. Na redação oficial, as comunicações e os documentos devem sempre ser escritos de maneira uniforme e padronizada, ou seja, os textos expedidos pelo Poder Público não devem apresentar modificações em relação às características já estudadas na competência anterior, ou em relação aos aspectos formais de cada tipo de texto que aprenderemos nessa competência 3. Há dois tipos de expedientes que se diferenciam antes pela finalidade do que pela forma: o ofício e o memorando. Pode-se adotar uma diagramação única, que siga o que chamamos de padrão ofício. Concentração e bons estudos! 3.1 O padrão ofícioÉ a modalidade de comunicação oficial comum aos órgãos que compõem a Administração Federal, Estadual e Municipal. Há três tipos de expedientes que se diferenciam antes pela finalidade do que pela forma: O Memorando ou Comunicação Interna, o Aviso e o Ofício. Com a finalidade de adotar uma diagramação única, o Manual de Redação Oficial da Presidência da República adotou uma diagramação única para esse padrão. Você estudará, mais adiante. O ofício é elaborado somente por órgão (pessoa jurídica), inclusive como meio de comunicação formal endereçada a particulares (pessoa física). Por isso, particulares não se utilizam do ofício. Devem utilizar outros tipos de correspondências, como a carta e o requerimento. 55 Timbre Deve estar impresso no alto da folha e conter, além do símbolo (escudo e armas ou logomarca), o nome do órgão, do setor, o endereço para correspondência, o telefone para contato e o endereço do correio eletrônico (e-mail). A pessoa encarregada do expediente, ou seja, de elaborar o ofício, não deve alterar o timbre. O timbre fica em um espaço de 5 cm entre o início da folha de papel e o tipo/número do expediente. Veja um exemplo: Figura 8 – Exemplo de Timbre Fonte: Flôres (2007) Tipo e Número do Expediente O tipo e o número de expediente devem ser seguidos da sigla do órgão que o expede Exemplo: C.I nº 141/DGP Aviso nº 106/ SG Ofício nº 142/MEFP 56 Local e Data O local e data em que o expediente foi assinado devem ser grafados por extenso, com alinhamento à direita do texto. Mas atenção: não abrevie o nome da cidade, escreva o nome dos meses com inicial minúscula; sempre coloque, no primeiro dia do mês, dia 1º. Já nos demais dias, coloque o número do dia, sem o zero na frente. Importante também o ponto final. Exemplos: Recife, 1º de janeiro de 2018. Olinda, 2 de fevereiro de 2018. Jaboatão dos Guararapes, 25 de janeiro de 2018. Destinatário Contempla o nome, o cargo da pessoa a quem é dirigida a comunicação e, no caso do ofício, também o endereço. O alinhamento é à esquerda. Para autoridades tratadas por Vossa Excelência: A Sua Excelência o Senhor Fulano de tal Deputado Estadual Assembleia Legislativa de Pernambuco Rua da Aurora, 631 - Boa Vista, Recife - PE, 50050-000 Para as demais autoridades: Ao Senhor (a) Fulano de tal Chefe do Departamento Pessoal Rua da Aurora, 631 - Boa Vista, Recife - PE, 50050-000 57 Vocativo O vocativo que invoca o destinatário deve ser seguido de vírgula: Exemplo: Para os chefes de poder: Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional, Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal, Para os demais cargos: Senhor Chefe, Senhor Governador, Senhor Ministro, Senhor Juiz, Senhor Deputado, Senhor Gerente, CHEFES DE PODER Consideram-se chefes de poder: Presidente da República – Chefe do poder executivo Presidente do Congresso Nacional – Chefe do Poder Legislativo Presidente do Supremo Tribunal Federal – Chefe do Poder Judiciário O Manual de Redação Oficial da Presidência da República só considera, como chefes de poder, os da esfera federal, ou seja, da União. Você poderá encontrar alguns autores que consideram como chefes de poder os das esferas estadual e municipal. 58 Assunto Apresenta um resumo do teor do documento. Deve trazer, em pouquíssimas palavras, uma prévia satisfatória do conteúdo da correspondência. É alinhado à esquerda. Exemplos: Assunto: Produtividade do Órgão em 2017. Assunto: Necessidade de aquisição de novos computadores. Texto Nos casos em que não for de mero encaminhamento de documentos, o expediente deve apresentar em sua estrutura: Introdução, Desenvolvimento e Conclusão. Deve iniciar duas linhas abaixo do vocativo. Os parágrafos são numerados e, o tamanho de abertura do parágrafo deve ter 2,5 cm. Na redação do parágrafo inicial do ofício, é importante que você observe as seguintes recomendações: Evite as frases feitas (clichês) para iniciar o texto. Ao invés de iniciá-lo com: Tenho a honra de convidá-lo... Tenho o prazer de informá-lo... Cumpre-me encaminhar o projeto..., Inicie-o de forma direta: Convidamos Vossa Senhoria para... Informamos Vossa Excelência de que... 59 Quando se tratar de encaminhamento de documentos, há duas recomendações: 1- Se o documento tiver sido solicitado, inicie-o com referência ao expediente que solicitou o encaminhamento: “Em resposta ao Memorando nº 12, de 1º de fevereiro de 2017, encaminhamos, anexa, cópia do Ofício nº 34, de 3 de abril de 2016, do Departamento Geral de Administração, que trata da requisição do servidor Fulano de Tal. ” 2- Se o documento não tiver sido solicitado, deve iniciar com o motivo da comunicação, que é encaminhar, indicando a seguir os dados completos do documento encaminhado (tipo, data, origem ou signatário e assunto de que trata) e a razão pela qual está sendo encaminhado: “Encaminhamos, para exame e pronunciamento, a anexa cópia do ofício n. 12, de 1º de fevereiro de 2017, do Presidente da Confederação Nacional de Agricultura, a respeito de projeto de modernização de técnicas agrícolas na região Nordeste. ” O adjetivo “anexo” concorda em gênero e número com o substantivo ao qual se refere: Encaminho as minutas anexas. Dirigimos os anexos projetos à Chefia. Pode ser usado também “junto”, “apenso”. A locução adverbial “em anexo”, como é próprio aos advérbios, é invariável: Encaminho as minutas em anexo. Em anexo, dirigimos os projetos à Chefia. Pode ser usado também “conjuntamente”, juntamente com”. Brasil (2002, p. 72). Numeração de Parágrafos No Texto, à exceção do primeiro parágrafo e do fecho, todos os demais parágrafos devem ser numerados. 60 Fecho Os modelos para fecho que vinham sendo utilizados foram regulados pela Portaria nº 1 do Ministério da Justiça, de 1937, que estabelecia quinze padrões. “Com o fito de simplificá-los e uniformizá-los, este Manual estabelece o emprego de somente dois fechos diferentes para todas as modalidades de comunicação oficial. ” (Brasil,2002) Possui espaço de parágrafo (2,5 cm da margem esquerda), mas não é numerado. No final do fecho, sempre se usa vírgula. Numa forma mais atual, deve ser simplificado da seguinte forma: Para autoridades superiores, entre elas o Presidente da República: Respeitosamente, Para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior: Atenciosamente, O fecho não é mera polidez. É a sinalização de que o texto da correspondência acabou e de que não pode haver acréscimos, na forma de P.S. (Post Scriptum), por exemplo, ou de adulteração do conteúdo da correspondência. Além disso, tem a função de saudar o destinatário. Lembre-se! É importante ressaltar que os chavões em fechos, como os apresentados a seguir, devem ser evitados: “Reiterando os protestos de elevada estima e consideração” (evitar); “Sem mais para o momento” (evitar). Lembra da Impessoalidade? 61 Identificação do signatário (identificação de quem assina o documento ou comunicação) Excluídas as comunicações assinadas pelo Presidente da República, todas as demais comunicações oficiais devem trazer o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo do local de sua assinatura. É o espaço para a assinatura, seguido do nome digitado em maiúsculas (uso mais comum) e do cargo só com as iniciais maiúsculas. Não deve ser colocado o traço para a assinatura. Todo o conjunto é centralizado. Figura 9 – Identificação do signatário Fonte: Flôres (2007) Atenção! O conjunto assinatura e identificaçãode signatário nunca deve ficar em páginas isoladas, caso o ofício tenha mais de uma página. Por uma medida de segurança, a página em que constar esse conjunto sempre deve apresentar ao menos a última frase anterior ao fecho. Outro cuidado com relação a documentos ou comunicações de mais de uma página é fazer constar, nas páginas posteriores à primeira, e nas dos anexos, o número da folha, o nome da correspondência, o número de ordem e a data abreviada, alinhados à esquerda, como no exemplo: Fl. 2 do Ofício n. 15/GR, de 31/9/17. Fl. 2 do Anexo ao Of. n. 15/GR, de 31/9/17. 62 Atenção! As semelhanças na diagramação do ofício, do aviso e do memorando compõem o que pode ser chamado de Padrão Ofício. Não abordaremos o aviso, comunicação oficial quase idêntica ao ofício. A única diferença entre essas comunicações é que “o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de mesma hierarquia, ao passo que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades”. Fonte: Brasil (2002, p. 14). Participe do nosso fórum de conteúdo. Lá, iremos aprofundar os conhecimentos adquiridos nessa competência. Iremos debater os modelos de comunicações e documentos apresentados nessa competência, além da diagramação do padrão ofício. Vamos nessa? 3.2 Cuidados com a diagramação De acordo com o Manual de Redação da Presidência da República (BRASIL, 2002, p. 13), os documentos elaborados com base no Padrão Ofício devem obedecer à seguinte forma de apresentação: deve ser utilizada a fonte Times New Roman, tamanho 12; para símbolos não existentes na fonte mencionada, poderão ser utilizadas as fontes Symbol e Wingdings; os ofícios, assim como os memorandos e os anexos desses, poderão ser impressos em ambas as faces do papel. Neste caso, as margens esquerda e direita terão as distâncias invertidas nas páginas pares (“margem espelho”); a margem lateral esquerda possui, no mínimo, 3 cm de largura, e a margem lateral direita 1,5 cm; use espaçamento simples entre as linhas; o espaçamento entre parágrafos é de uma linha em branco; evite o uso abusivo de negrito, itálico, sublinhado, letras maiúsculas, sombreado, relevo, bordas ou qualquer outra forma de formatação que afete a elegância e a sobriedade do documento; 63 a impressão dos textos e do timbre deve ser feita na cor preta em papel branco. Use a impressão colorida para gráficos e ilustrações; todos os tipos de documentos do “Padrão Ofício” devem ser impressos em papel A4, ou seja, 29,7 x 21,0 cm; dentro do possível, todos os documentos elaborados devem ser arquivados para consulta posterior ou aproveitamento de trechos para casos semelhantes; para facilitar a localização, os nomes dos arquivos no computador devem ser formados da seguinte maneira: tipo do documento + número do documento + palavras-chaves do conteúdo. Exemplo: “Of. 123 – relatório produtividade ano 2002”; o espaçamento entre as partes que compõem o ofício pode ser alterado em função da maior ou menor extensão do texto. Use um padrão estético, sem exageros. 3.3 Ofício Correspondência Oficial usada pelas autoridades públicas para tratar de assuntos de serviço ou de interesse da administração pública. Estrutura Número do expediente e sigla do órgão expedidor Local e data Assunto Destinatário e endereço Vocativo O texto (Exposição do assunto) Fecho. Assinatura e identificação do signatário Agora, convido vocês a verem um exemplo de um Ofício. 64 EXEMPLO DE OFÍCIO Figura 10 – Página de ofício Fonte: Brasil (2002) 65 Figura 11 – Página de ofício Fonte: Brasil (2002) 66 Outro exemplo: Figura 12 – Página de timbre Fonte: Brasil (2002) TIMBRE Ofício n° ____/2017 Natal/RN, 20 de junho de 2017 Ao Excelentíssimo Senhor, GUSTAVO NOGUEIRA Secretário da Secretaria de Planejamento/SEPLAN Assunto: Solicitação de Cadastro no SIAF Senhor Secretário, Solicitamos a inclusão e liberação de senha de acesso para o servidor Fulano de Tal, CPF: xxx.xxx.xxx-xx , e-mail: exemplo@gmail.com, no sistema SIAF. O servidor está assumindo o cargo de Diretor Administrativo-Financeiro desta Companhia de Habitação e Desenvolvimento Urbano. Certo da atenção que nos será dispensada, ao tempo em que, apresentamos os nossos protestos de consideração e apreço. Atenciosamente, Fulana de Tal Coordenadora do Departamento de Administração/CEHAB 67 3.4 Memorando ou comunicação interna Correspondência interna utilizada entre unidades administrativas de um mesmo órgão, que podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em nível diferente, na qual se expõe qualquer assunto referente à atividade administrativa. No Estado de Pernambuco, a denominação COMUNICAÇÃO INTERNA é a mais usual. Estrutura Identificação: (nome do documento, seguido dos números que o identifica) Data Destinatário Assunto – Resumo do teor da comunicação. Texto – Exposição do assunto. Fecho – “Atenciosamente” ou “Respeitosamente”. Assinatura – Nome e cargo do emitente. O memorando ou Comunicação Interna difere do ofício não só pela função, mas também pela ausência do endereçamento e do vocativo. Exemplo: 68 69 Outro exemplo: TIMBRE Ofício n° ____/2017 Natal/RN, 20 de junho de 2017 Ao Excelentíssimo Senhor, GUSTAVO NOGUEIRA Secretário da Secretaria de Planejamento/SEPLAN Assunto: Solicitação de Cadastro no SIAF Senhor Secretário, Solicitamos a inclusão e liberação de senha de acesso para o servidor Fulano de Tal, CPF: xxx.xxx.xxx-xx , e-mail: exemplo@gmail.com, no sistema SIAF. O servidor está assumindo o cargo de Diretor Administrativo-Financeiro desta Companhia de Habitação e Desenvolvimento Urbano. Certo da atenção que nos será dispensada, ao tempo em que, apresentamos os nossos protestos de consideração e apreço. Atenciosamente, Fulana de Tal Coordenadora do Departamento de Administração/CEHAB 70 3.5 Exposição de motivos É ato de Correspondência por meio do qual o titular do Ministério ou Secretaria de Estado ou órgão equivalente dirige-se ao chefe do Executivo propondo a adoção de medida ou justificando a necessidade de edição de determinado ato normativo. Estrutura: E.M. – nome do ato abreviado. Número, órgão expedidor e data. Texto – Desenvolvimento do assunto tratado. Fecho – “Respeitosamente”. Assinatura – Nome e cargo do emitente. 3.6 Correios eletrônico (e-mail) Um número cada vez maior de instituições públicas e privadas vem utilizando o correio eletrônico (e-mail) para comunicar-se mais agilmente e sem burocracia. Nessas instituições, grande parte da Correspondência interna e mesmo algumas das comunicações externas podem ser substituídas por mensagens enviadas por correio eletrônico. Abaixo, trago a você um texto sobre e-mail corporativo com algumas dicas para escrita desse gênero textual tão usado no serviço público. As regras para acertar ao escrever um e-mail corporativo https://exame.abril.com.br/carreira/as-regras-para-acertar-ao-escrever-um-email-corporativo/ https://exame.abril.com.br/carreira/as-regras-para-acertar-ao-escrever-um-email-corporativo/71 Estrutura O modo como um e-mail é estruturado pode melhorar a legibilidade e o impacto do texto. Utilize linhas em branco entre a saudação, os parágrafos e assinatura. Utilize também caixa alta e caixa baixa, ou seja, não escreva textos só em maiúsculas. A mensagem que encaminha algum arquivo deve trazer informações mínimas sobre seu conteúdo. Valor documental Nos termos da legislação em vigor, para que a mensagem de correio eletrônico tenha valor documental, e, para que possa ser aceita como documento original, é necessário existir certificação digital que ateste a identidade do remetente, na forma estabelecida em lei. 3.7 Ata: o registro do imprescindível Ata é um ato oficial administrativo que consiste no registro sucinto, escrito, das decisões e dos acontecimentos havidos em reunião, congresso, mesa-redonda etc. O texto é escrito seguidamente, sem rasuras, entrelinhas ou entradas de parágrafos. Não pode haver espaços em branco; numerais são escritos por extenso; são evitadas abreviaturas. O texto da ata é composto por seis partes sequenciadas segundo o fluxo da informação, sem numeração: 1) dia, mês, ano e hora da reunião; 2) local da reunião; 3) nome das pessoas presentes seguido dos respectivos cargos; 4) ordem do dia; 5) fecho (que começa com “Nada mais havendo a tratar”, por exemplo); e 6) assinaturas do presidente, do secretário e de alguns participantes da reunião. 72 E se você escrever algo errado na ata? Se perceber o erro imediatamente, risque-o e escreva a seguir “digo”, entre vírgulas, e a forma correta. Se perceber só no final, escreva “Em tempo” e faça a indicação do erro e do conserto, com a respectiva linha do texto em que o erro ocorreu. Exemplo de Ata: 3.8 Relatório: o que, por que e como Novo texto administrativo. A diferença deste texto é que ele existe fora do serviço público e perpassa vários níveis hierárquicos. Mais cedo ou mais tarde, a solicitação de um relatório chegará a você. E, para saber como fazer, consulte esta dica. Ata da 1ª reunião da Escola Estadual (nome completo da instituição de ensino) Aos 16 dias do mês de fevereiro de 2017, às dezessete horas e trinta minutos, no auditório desta escola, sob a presença do diretor (nome completo), reuniram-se professores e demais colaboradores no intuito de discutirem e planejarem sobre a realização das aulas que serão ministradas no contraturno, funcionando como suporte pedagógico aos alunos que se encontram de dependência em algumas disciplinas. Depois de constatada a presença de todos, o diretor explanou sobre os benefícios proporcionados pelo procedimento, elencando as opiniões de todo o corpo docente e, decididamente, se instaurou que as aulas ocorrerão duas vezes por semana durante um período de seis meses. Firmados todos os compromissos, a reunião se encerrou, da qual eu, (nome da secretária que atende pela escola), lavrei a presente ata. Após ser lido e aprovado, o documento será assinado por mim e demais presentes. Paulista, 16 de fevereiro de 2017. Seguem, posteriormente, as assinaturas: 73 Relatório é um texto que conta o que aconteceu, por que, como, quando, e indica as medidas cabíveis que um servidor público pode tomar. Há relatórios de parto, de pesquisa, de viagem, de estágio, de trabalho mensal, de vendas, de gastos, etc. Em cada tipo e com cada finalidade, há mais ou menos emoção. Amyr Klink relata suas viagens com emoção, ainda menos que uma mãe ao narrar o parto do filho. Já o controle interno do CNJ relata uma auditoria de maneira bem técnica, assim como um pesquisador deve ser o mais objetivo possível ao contar como fez suas pesquisas. Qualquer que seja o tipo de relatório, uma característica comum é fundamental: precisão. Se não houver precisão de fatos, deixa de haver relatório. No Governo do Estado de Pernambuco, talvez todos façamos relatórios. E, como deve ser: com correção gramatical. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou, em agosto de 1989, a NBR 10719, que trata das “condições exigíveis para a elaboração e a apresentação de relatórios técnico-científicos”. Esse tipo de relatório (e muitos outros também) deve ter os elementos pré-textuais: capa, folha de rosto, prefácio, resumo, lista de siglas, lista de ilustrações e sumário. Claro que nem sempre todos estarão presentes. Importante destacar que, no começo de uma publicação, qualquer que seja, não se usa “índice”; o certo é “sumário”, para indicar a paginação. O texto propriamente dito abrange introdução, metodologia, procedimentos experimentais, conclusão e recomendações. É a resposta ao como, porque e o que de uma vez só. As conclusões/recomendações devem ser feitas com clareza e ordem a partir das deduções dos experimentos. A terceira parte do relatório abrange agradecimentos, referências bibliográficas, glossário, índice, ficha de identificação, ficha de terceiros e terceira e quarta capa. De novo, nem sempre todos, mas aqueles que forem necessários. Ficou dúvida quanto às referências bibliográficas no padrão ABNT? Clique e veja a NBR 6023. E, para terminar, um relatório escrito por um delegado de Brasília sobre um crime, descrito em versos: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/08/03/delegado- faz-relatorio-de-crime-em-forma-de-poesia-e-e-repreendido-veja-integra.htm http://www.habitus.ifcs.ufrj.br/pdf/abntnbr6023.pdf https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/08/03/delegado-faz-relatorio-de-crime-em-forma-de-poesia-e-e-repreendido-veja-integra.htm https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/08/03/delegado-faz-relatorio-de-crime-em-forma-de-poesia-e-e-repreendido-veja-integra.htm 74 Gostou do que aprendeu? Quer aprender mais? Então confere a nossa vídeo-aula no ambiente da disciplina! Você conheceu as orientações para a elaboração dos principais textos oficiais: ofício, memorando ou Comunicação Interna, mensagem eletrônica ou e-mail, ata e relatório. Você viu também que, na redação oficial, as comunicações e os documentos devem sempre ser escritos de maneira uniforme e padronizada. Isto significa que todos os textos expedidos pelo Poder Público não devem apresentar modificações em relação a suas características ou em relação a seus aspectos formais. A próxima Unidade será fundamental para complementar sua formação, pois estudaremos algumas técnicas de comunicação escrita e certos aspectos da gramática normativa do português que serão muito úteis para a produção adequada de textos oficiais. Vamos em frente! 75 4. Competência 04 | Revisar os elementos de ortografia e gramática que fazem parte da estrutura básica do texto oficial Caro Servidor, Nesta competência, vamos desenvolver um estudo prático dos elementos estruturais ortográficos e da gramática envolvidos no processo de construção de textos oficiais. Nosso propósito é dar destaque a aspectos de elaboração textual que o auxiliem no desenvolvimento da escrita clara e objetiva, e atendam a certos padrões de correção gramatical. Para tanto, serão relacionados aspectos normativos que não podem deixar de integrar a escrita de textos oficiais, uma vez que essa é a orientação contida no Manual de Redação da Presidência da República, que normatiza as condições de produção dos documentos oficiais. Dedique-se à leitura e às atividades propostas, a fim de que tire proveito desta competência. Em caso de dúvidas, não hesite em solicitar ajuda ao seu tutor. Desejamos a você um excelente trabalho! 4.1 Elementos de padronização 4.1.1 Uso de letras maiúsculas e minúsculas O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, o qual estudaremos mais adiante, em pleno vigor desde 1º de janeiro de 2016, determina o usode inicial minúscula “ordinariamente, em todos os vocábulos da língua nos usos correntes”, excetuados apenas os nomes próprios, inclusive de instituições, as siglas e os símbolos. Iniciais minúsculas: regra geral 76 Devem ser escritos, portanto, com inicial minúscula todas as palavras da língua que não são nomes próprios – o que inclui, entre outros: os nomes dos meses (23 de julho), dos dias da semana e das estações; os nomes de línguas (Fala russo e espanhol), de povos e etnias (os franceses; os ianomâmis), de religiões (professa o islamismo; o ministro é católico), de doenças (o ebola), de moedas (O euro valorizou-se em relação ao iene) e de profissões (Ela é diplomata; O primeiro- ministro recebeu o embaixador; O secretário-geral do Itamaraty atua como ministro interino das Relações Exteriores na ausência do titular da pasta; O presidente da República é a máxima autoridade do país). Como você notou nos exemplos, usamos a minúscula nos cargos, mas a maiúscula mantém-se nos nomes de instituições (e nas partes de nomes de instituições usadas em combinação com nomes de cargos). Por serem também substantivos comuns, você deve escrever com minúscula inicial, entre outras, as seguintes palavras: artigo (“..com base no artigo 84 da Constituição Federal...”), consulado, chefia, chefe, chefe de estado, chefe de governo, delegação, diretor, estado, estados, estados membros, exterior (“Os postos no exterior”), golpe de estado, governo (“O governo brasileiro saúda o governo e povo da...”), governos, município, oficial, país (mesmo quando em referência ao Brasil), países membros, posto, presidente, repartição consular, representação diplomática, representação consular, subchefe, subchefia, etc. Axiônimo /cs/ Substantivo masculino gram ling: Nome ou locução com que se presta reverência a determinada pessoa do discurso (p.ex., o nós majestático por eu, Vossa/Sua Excelência, e um sem-número de equivalentes constantes de todas as línguas de cultura) [A forma de interlocução com uma falsa terceira pessoa, em lugar daquela com que se fala diretamente (como em o doutor deseja alguma coisa?), é da mesma natureza que o fato aqui considerado. https://www.normaculta.com.br/substantivo-comum/ 77 Minúsculas em cargos e postos A ortografia anteriormente em vigor no Brasil recomendava o uso da maiúscula nos nomes dos “altos cargos, dignidades ou postos”; pelo novo acordo ortográfico, os cargos e postos devem grafar- se com minúscula inicial. Assim, recomenda-se que nas informações para público externo, para a imprensa, etc., siga-se a regra oficial, já seguida pelos órgãos de comunicações da Presidência da República e do Congresso Nacional e pela imprensa brasileira e portuguesa em geral de grafar com inicial minúscula os nomes de cargos, reservando o uso de maiúsculas para as instituições: o Senado (mas: o senador; os senadores; a senadora Fulana de Tal); o ministro da Educação (mas: o Ministério da Educação); o doutor; a oficial de chancelaria; o professor; o primeiro-ministro; a chanceler; o arcebispo de Buenos Aires; o embaixador do Brasil na Itália; o vice-presidente Fulano de Tal; o papa Francisco; o patriarca de Moscou; etc. Atenção! A única exceção a essa regra serão as correspondências e os expedientes assinados, em que, por cortesia, poderão usar-se iniciais maiúsculas nos cargos e títulos referentes ao destinatário ou a quaisquer superiores hierárquicos. Maiúsculas com pronomes de tratamento O uso de pronomes de tratamento e demais axiônimos* (“Sua Excelência”, “o Senhor Ministro de Estado”, “o Senhor Presidente da República”, etc.) restringe-se às correspondências e às comunicações assinadas. Nas informações institucionais, para imprensa ou público externo, não cabe o uso de axiônimos – escreva-se, assim: “o ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira”, “o então presidente Fernando Henrique Cardoso”, “a então presidenta da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, deputada Jô Moraes”, etc. 78 Já nas correspondências e expedientes assinados, o acordo ortográfico em vigor permite que se usem, excepcionalmente, maiúsculas em quaisquer “palavras usadas reverencialmente, aulicamente ou hierarquicamente”. Devem, assim, escreve-se com iniciais maiúsculas todos os pronomes de tratamento (Vossa Excelência; Suas Senhorias; etc.), bem como todos os substantivos que – inclusive no endereçamento, no vocativo e na assinatura – façam referência seja ao destinatário, seja a superiores hierárquicos: A Sua Excelência o Senhor Senador Fulano de Tal Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional Senado Federal Senhor Presidente, Cumprimento Vossa Excelência (...) Atenciosamente, Beltrana de Tal Embaixadora Chefe da Assessoria Parlamentar do Gabinete do Ministro de Estado das Relações Exteriores Acontece no serviço público Você lembra a última vez que viu um Ofício? Ele, na parte dedicada à data, estava escrito no padrão, com a nome do mês sem inicial minúscula? Pois é. Muitas vezes, de forma equivocada, pessoas escrevem o nome dos meses do ano com iniciais maiúsculas. Como afirma Dad Squarisi: “Moçada, nada de bobeira. Nome de mês é vira-lata. Escreve-se com inicial pequenina (janeiro, fevereiro, março, abril, outubro, dezembro). Mas, quando figura em datas comemorativas, ganha pedigree. Vira substantivo próprio. Aí, não dá outra. As grandonas pedem passagem: Outubro Rosa, 13 de Maio, Sete de Setembro”. Fonte: Blog da Dad. http://blogs.correiobraziliense.com.br/dad/nome-de-mes-e-vira-lata/ http://blogs.correiobraziliense.com.br/dad/nome-de-mes-e-vira-lata/ 79 Maiúsculas em nomes de instituições A inicial maiúscula poderá ser usada nos títulos de instituições tratadas como nomes próprios: “a Embaixada do Brasil em Quito”, “o Consulado-Geral do Brasil em Xangai”, “o Ministério das Relações Exteriores”, “a Organização”, “a Divisão de Pagamentos”, “a Delegação Permanente do Brasil”, “a Universidade de Brasília”, “a Igreja [Anglicana, Católica, etc.]”, etc. Pode-se também usar a maiúscula inicial mesmo quando o substantivo for usado desprovido de seu complemento, desde que este esteja subentendido: “a Embaixada”, “o Consulado-Geral”, “o Ministério”, “a Divisão”, “a Delegação”, “a Constituição” (por “a Constituição Federal de 1988”, etc.), “o presidente da República” (por “da República Federativa do Brasil”), etc. As regras ortográficas anteriormente vigentes recomendavam o uso de maiúsculas “nos nomes que designam altos conceitos políticos ou nacionalistas”. Com a revogação dessa regra pela entrada em vigor do novo acordo ortográfico, o uso da maiúscula se restringe aos nomes próprios, e devem escrever-se com inicial minúscula os substantivos comuns: “o governo”, “o país”, “a língua portuguesa”, etc. O mesmo se aplica à palavra “estado”: como regra geral, usa-se com minúscula, em qualquer acepção – “o estado das negociações”; “O Brasil é composto por 26 estados e pelo Distrito Federal”; “o menor estado do Brasil”, “Os estados membros das Nações Unidas”; “chefe de estado”; “golpe de estado”. Usa-se com maiúscula, naturalmente, quando faz parte de nome oficial: “Acordo entre a República Federativa do Brasil e o Estado de Israel”. Maiúsculas e minúsculas em “lei”, “acordo”, “tratado”. Ainda de acordo com a ortografia oficial, “lei”, “acordo”, “tratado”, como todos os demais substantivos comuns, se escrevem com inicial minúscula: “A lei que disciplinava a matéria foi revogada em 1999”; “O Brasil já havia então firmado tratados de navegação e acordos de comércio com a maior parte de seus vizinhos”. 80 Poderão levar maiúscula quando identificadas por um nome próprio (“a Lei Maria da Penha”; “a Lei de Acesso à Informação”) – o que inclui, apenas no caso das leis,sua identificação por números: “a Lei nº 11 440”. Note-se a diferença no uso de maiúsculas entre construções como “Foram assinados oito acordos bilaterais, incluído um acordo de livre comércio” e “o Acordo Básico de Cooperação Técnica entre o Brasil e a Colômbia foi firmado em 13 de dezembro de 1972”. Demais palavras, como “artigo”, “inciso” e “parágrafo”, mantêm a inicial minúscula, independentemente de estarem numerados: “De acordo com o artigo 84, inciso XXV, da Constituição Federal, e com o disposto no artigo 39, combinado com o artigo 41, da Lei nº 11 440, de 29 de dezembro de 2006, submeto à apreciação de Vossa Excelência...”. Maiúsculas e minúsculas em pontos cardeais Escrevem-se com minúsculas os nomes dos pontos cardeais – exceto quando são nomes próprios de uma região: “Joinville situa-se no nordeste de Santa Catarina”, mas “O Maranhão é o segundo maior estado do Nordeste” (subentendida: a Região Nordeste do Brasil). Maiúsculas e minúsculas com acidentes geográficos Também os nomes de acidentes geográficos seguem a regra geral: escrevem-se com inicial minúsculas quando usados em sentido geral, e com inicial maiúscula quando fazem parte de nomes próprios: o Rio Amazonas; o Oceano Atlântico; o Estreito de Malaca; o Golfo de Bengala; o Mar Amarelo; o Canal de Suez; a Baía de Guanabara; o Monte Roraima; o Pico da Neblina. Por convenção, escrevem-se com minúsculas “deserto” (“o deserto do Saara”, “o deserto de Gobi”, “o deserto do Atacama”) e “ilha(s)”, que se recomenda escrever com inicial maiúscula apenas quando formam parte de nome político oficial: escrevam-se, assim, “Ilhas Cook”, “Ilhas Marshall” e “Ilhas Salomão” – pois esses são os nomes oficiais desses três países; mas, por outro lado: “as ilhas 81 Fiji”; “nas ilhas Comores”, pois, nestes dois casos, o substantivo “ilhas” não faz parte dos nomes oficiais dos países (respectivamente: “República de Fiji” e “União das Comores”). 4.2 Números Em resolução aprovada em 2003, a Conferência Internacional de Pesos e Medidas e seus países membros acordaram por unanimidade regras para a padronização internacional da formatação de números. Na ocasião, determinou-se que os números com mais de quatro algarismos poderão, para facilitar a leitura, ter seus algarismos agrupados e divididos por meio de espaços simples: o número “vinte mil” pode ser escrito 20 000 (ou “20 mil”) – mas não 20.000, como era a prática brasileira. Da mesma forma: 15 500 = quinze mil e quinhentos 100 000 000 = cem milhões 2000 = dois mil (sem separação; pelas novas regras internacionais, só se separam os números com mais de quatro dígitos). De modo a pôr fim a confusões advindas do uso que alguns países faziam da vírgula, e outros, de ponto, decidiu-se não mais se usar, para fins de separação de números inteiros, nem o ponto (como fazia o Brasil), nem a vírgula (como faziam, entre outros, os EUA, onde “vinte mil” era representado por 20,000). Tanto a vírgula quanto o ponto, nos termos da resolução aprovada, passam a ser de legítimo uso internacional para grafar indistintamente os números não inteiros: mantém-se, portanto, a forma 1,5 para “um e meio” no Brasil, a par do padrão dos países anglófonos de grafar o mesmo número sob a forma “1.5”. Deve-se, assim, escrever: Havia aproximadamente 2500 voluntários. Foram gastos 12 500 dólares. A nova edição do dicionário promete definir 218 523 palavras. https://pt.wikipedia.org/wiki/Confer%C3%AAncia_Geral_de_Pesos_e_Medidas 82 Atente que essa norma faz parte de acordos internacionais. Aqui no Brasil, usamos, por costume, para escrever os números, um ponto a cada três algarismos – 1.426, 12.122, 3.342.600. Mas, ao indicar o ano, a história muda de enredo. Vem tudo coladinho. Assim: Ele nasceu em 1946. Trabalha em São Paulo desde 2000. Em 2014, o Brasil será sede da Copa do Mundo. Em 2016, atletas olímpicos receberão a bênção do Cristo Redentor. Numerais (números por extenso) É recomendável o uso de numerais (por extenso) apenas nos casos de números com até duas sílabas; quanto aos números com mais de duas sílabas, recomenda-se representá-los exclusivamente por meio de algarismos: “os dez países”, “os treze secretários”, “os quinze membros”, mas “os 16 países”, “os 17 membros”. Nos números múltiplos de mil e milhão, pode-se usar a forma híbrida: “200 mil pessoas”, “5 milhões”. Observação: um número, mesmo com uma sílaba, que inicie uma frase ou oração, deve ser escrito por extenso. Bilhão No Brasil, um bilhão equivale ao billion da língua inglesa, isto é: equivale a 1 000 000 000 (mil milhões). É preciso atentar para o risco de confusão em traduções, pois em alemão, espanhol, francês, italiano e mesmo em português de Portugal, um bilhão (Billion/billón/billion/bilione/bilião) equivale a 1 000 000 000 000 – ou seja, a um milhão de milhões. O bilhão brasileiro deve traduzir-se por “mil millones” em espanhol, e por um milliard em francês; um Milliarde em alemão; um miliardo em italiano; mil milhões em português de Portugal. Por conseguinte, o trilhão brasileiro e o trillion do inglês equivalem a um “billion” dos europeus (alemães, espanhóis, franceses, italianos e portugueses, entre outros); um quatrilhão americano 83 equivale ao “trillion” europeu; etc. Por essa razão, com números dessas grandezas, é preferível o uso de algarismos. Leia o texto proposto, “O calo do ordinal”. http://blogs.correiobraziliense.com.br/dad/o_calo_do_ordinal/?subscribe=success#blog_subscription-5 Números ordinais Os números ordinais podem ser escritos de duas formas: por meio de algarismos romanos, ou por meio de algarismos seguidos das letras “o” ou “a” sobrescritas: artigo 1º ou artigo I; 67ª Assembleia Geral ou LXVII Assembleia Geral. Por ser permitir compreensão mais imediata, as formas com números romanos são cada vez menos usadas. Prefira-se, portanto, formas como “1ª reunião”, “50ª sessão” e “88º encontro” (e não “I reunião”, “L sessão”, “LXXXVIII encontro”). O uso de algarismos romanos ainda é obrigatório nos títulos de autoridades monárquicas e eclesiásticas (o rei Felipe VI; o papa emérito Bento XVI; o patriarca Cirilo) e com incisos de artigos de lei: “De acordo com o artigo 84, inciso XXV, da Constituição Federal, e com o disposto no artigo 39, combinado com o artigo 41, da Lei nº 11.440”. O uso de algarismos romanos é recomendado quando o número estiver no plural: “os XXI jogos”, e não “os 21o jogos” nem “os 21ºs jogos”. Não se deve fazer o uso, hoje obsoleto, de ponto entre o número e a vogal sobrescrita: escreva-se “12ª reunião”, não *12.ª reunião. Algumas fontes automaticamente sublinham a vogal sobrescrita de números ordinais, enquanto outras não o fazem. É indiferente o uso: pode-se escrever 12ª reunião ou 12ª reunião; 23º reunião ou 23º encontro. http://blogs.correiobraziliense.com.br/dad/o_calo_do_ordinal/?subscribe=success#blog_subscription-5 84 4.3 Datas Ao escrever datas por extenso, cumpre recordar que os nomes dos meses de ano se escrevem em português com minúscula inicial: O festival terá início na última semana de fevereiro e durará até a segunda semana de março. Constituem exceção, naturalmente, as ocorrências em nomes próprios, ou em expressões tratadas como nome próprio: Moram na rua Quinze de Novembro. A embaixada organizou um excelente Sete de Setembro este ano. Ao escrever datas por extenso, números menores que dez não devem levar um “zero à esquerda”: escreva-se, portanto, “Brasília, 9 de março” (e não *Brasília, 09 de março), “O evento ocorrerá entre os dias 1 e 5 de setembro próximo” (no caso do dia primeiro de um mês, pode-se usar o número cardinal, 1, em vez do ordinal, 1º, para padronização). Ao escrever datas inteiramente por meio de números, porém, a padronização internacionalatual recomenda o uso de sempre dez dígitos – dois para dia e dois para o mês (mesmo no caso de números menores que dez) e quatro algarismos para o ano: 14/09/2017, etc. Convenção internacional recomenda que, em contextos técnicos, datas sejam escritas na forma ano-mês-dia, o que é especialmente útil na nomeação de arquivos eletrônicos, de modo a manter sua nomenclatura em ordem cronológica. Em vez das barras, separam-se os elementos da data por hifens ou pontos: assim, a data de 14 de setembro de 2017 pode, para padronização internacional, ser escrita como 2017-09-14 ou como 2017.09.14. Mesmo nos países de língua inglesa – alguns dos quais usam ordinariamente a ordem “mês-dia”, a forma oficial a ser usada na escrita de datas será sempre dia-mês-ano, sem vírgulas e sem indicativo 85 de número ordinal: “I refer to your letter dated 14 September 2017 regarding the consultation process…” “With regard to your letter dated 27 January 2018 concerning recommendations…” Fica a Dica! Zero à esquerda? É nulidade. Poupe tempo e espaço. Em datas, em vez de 05.04.2017, escreva 5.4.17 ou 5.4.2017. Viu? A informação não perde nada. A mesma economia vale para escrita de numerais em geral: Em vez de havia 02 pessoas na sala, fique com havia 2 pessoas na sala. Por quê? Você não diz havia zero duas pessoas na sala. 4.4 Horas Ao escrever horários, em português, em contextos formais, deve-se usar o sistema de 24 horas: por exemplo, 16h30 ou 16:30, reservando 4h30 e 4:30 para o horário de quatro e meia da madrugada. Por cautela extrema, pode-se, mesmo assim, usar a expressão “da manhã” ou “da madrugada”, a fim de evitar qualquer ambiguidade: O ministro deverá chegar às 10h35 da manhã. O ministro deverá chegar às 10 horas da manhã. Como se vê nos exemplos acima, nas horas inteiras pode-se usar o substantivo “hora(s)”; nos demais casos, pode-se usar o símbolo de hora, que é “h” – escrito em letra minúscula e sem ponto, como é de rigor nos símbolos (vide km, símbolo de quilômetro, frequentemente grafado, incorretamente, *Km). O meio-dia é representado por 12h00, 12h ou 12:00, e a meia-noite, por 00h00, 00h ou 00:00. Ainda como se vê no exemplo acima, se usarmos o formato que já traz o símbolo de hora (“h”), não se deve escrever a palavra “hora(s)”. 86 Embora a rigor signifique o momento exato em que começa um novo dia, a palavra “meia-noite” e suas traduções são fonte de potencial confusão (quanto a qual dia se referem – se ao que se inicia ou ao que acaba de terminar). Por essa razão, recomenda-se o uso preferencial dos horários 23h59 ou 00h01. Para facilitar, uma regra geral pode ser adotada. Quando se tratar de horas exatas, podemos escrever assim: A reunião ocorrerá às 8 horas. A reunião ocorrerá às 8h. A reunião ocorrerá às oito horas. Já quando se trata de hora e minuto, suprime-se o último elemento, seja minuto ou segundo. 23h45 13h30 14h30min20 4.5 Abreviaturas As abreviaturas são formas reduzidas de apresentação de palavras. Ao contrário do que muitos pensam, o uso de abreviaturas segue a uma organização que merece ser observada. Na maior parte das vezes, as abreviaturas são apresentadas com letras maiúsculas, mas isso não ocorre sempre. Eis alguns pontos importantes: As abreviaturas são finalizadas com ponto final: Exemplo: p. (página) pp. (páginas) Exmo. (Excelentíssimo) 87 No geral, abreviamos as palavras, retirando a sílaba inicial e a primeira letra da segunda sílaba: Exemplo: dic. (dicionário) lit. (Liturgia) Se a segunda sílaba iniciar por duas consoantes, escrevem-se as duas. Exemplos: carr. (carroceria) Restr. (restrição) No plural, as letras maiúsculas de pronomes de tratamento se dobram: Exemplo: VV. SS. (Vossas Senhorias) SS. MM. (Suas Majestades) Maiúsculas dobradas indicam também o superlativo dos pronomes de tratamento: Exemplo: DD (Digníssimo) MM (Meritíssimo) Os acentos e hífens são mantidos quando são usadas as sílabas em que estão na abreviatura: Exemplo: Clín. (Clínica) m.-q.-perf.(Mais-que-perfeito) Símbolos científicos dispensam o ponto final e não admitem s indicativo de plural, pois não são considerados abreviaturas: Exemplo: C (Carbono) h (hora ou horas) 88 Importante! Em documentos oficiais, não se abrevia quando se dirige ao Presidente da República. Os nomes geográficos de estados e países não vêm acompanhados por ponto e trazem todas as letras maiúsculas. Os nomes dos meses são abreviados com as três letras iniciais, à exceção de maio que não é abreviado. Saiba mais! Em documentos oficiais, não se abrevia quando se dirige ao Presidente da República. Os nomes geográficos de estados e países não vêm acompanhados por ponto e trazem todas as letras maiúsculas. Os nomes dos meses são abreviados com as três letras iniciais, à exceção de maio que não é abreviado. 4.6 Siglas e acrônimos Sigla é a abreviatura formada de iniciais ou primeiras sílabas de expressões que representam instituição, órgão, departamento, setor, associações, etc. Muitas siglas são tão usadas no cotidiano que substituem de fato o próprio nome da instituição que representam: Exemplos: STF (Supremo Tribunal Federal) OIT (Organização Internacional do Trabalho) IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) 89 No tocante à incorporação da sigla ao cotidiano comunicativo, é curioso observar que já são tratadas como palavra capaz de sofrer flexões de número e grau (na linguagem popular), bem como permite o surgimento de palavras novas, delas derivadas. Veja: Exemplos: APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais): APAES (plural) CPI (Comissão Parlamentar de Inqu\érito): CPIzinha (diminutivo pejorativo) PT (Partido dos trabalhadores): petista (palavra derivada). Em geral, ao utilizar uma sigla em um texto qualquer, inclusive no gênero epistolar, como a redação oficial que você estudou aqui, escreve-se inicialmente a expressão por inteiro e, entre parênteses, apresentamos a sigla. A partir da apresentação desta ao leitor do texto, pode-se utilizar, neste mesmo texto, apenas a sigla. Quando uma sigla pode ser lida como uma nova palavra, e não necessariamente letra a letra, pode ser chamada também de acrônimo. Como exemplo: UNESCO e ACNUR são acrônimos, ao passo que IBGE e CNPJ não o são. Recomenda-se que não se usem pontos entre as letras de uma sigla: escreva-se, assim, “ONU”, e não *O.N.U. – à diferença das abreviaturas, em que o ponto é obrigatório: “pág.”, “etc.”. Siglas e acrônimos devem ser usados com parcimônia, apenas quando absolutamente necessário. Só faz sentido usar uma sigla que não seja de conhecimento geral quando o nome a que ela se refere tenha de ser repetido muitas vezes ao longo de um mesmo texto, e o nome a que se refere seja demasiado longo – mas não há razão, por exemplo, para se usar a sigla “UE” em vez de “União Europeia”, ou formas abreviadas de nomes de ministérios, como “MinC”, “MC” e “MAPA”, em uma nota de imprensa ou uma informação para o Senado. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ep%C3%ADstola https://pt.wikipedia.org/wiki/Acr%C3%B3nimo 90 Podem ser usadas sem ressalvas (e mesmo sem estar acompanhadas de sua explicação) aquelas siglas já de conhecimento geral, mais usadas que o próprio nome completo a que se referiam originalmente: HIV/AIDS, Petrobras, Varig. A maior parte da imprensa brasileira escreve com apenas a inicial maiúscula (e as demais letras minúsculas) todo e qualquer acrônimo (isto é, as siglas que podem ser lidas como palavras) que tenha quatro letras ou mais: *Opep; *Otan; *Acnur; *Psol. Essa opção, feita por alguns jornais e revistas por questõesde espaçamento, é arbitrária e não tem amparo em regra ortográfica ou gramatical. A título de exemplo, o código de redação da União Europeia, válido para todas as línguas da organização (inclusive o português), recomenda escrever apenas com inicial maiúscula os acrônimos com seis letras ou mais. De modo geral, deverão ser usadas as grafias adotadas pelas próprias instituições, havendo inclusive casos em que a escrita oficial da sigla alterna, por diferentes razões, letras maiúsculas e minúsculas: ALCA; Caricom; CNPq; Eletrobras, Incra; Inmetro; IRBr (Instituto Rio Branco); MoMA; ONU; OPEP; OTAN; PCdoB; PSOL; Sudene; UFSCar; UnB. Você pode observar então, de forma resumida, o que explicamos: Com todas as letras maiúsculas, siglas que têm até quatro letras: Exemplos: CES (Conselho Estadual de Saúde) MJ (Ministério da Justiça) UCB (Universidade Católica de Brasília) Com apenas a letra inicial maiúscula, siglas com cinco ou mais letras: Exemplos: Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Unicamp (Universidade de Campinas) 91 Você sabe o que significam as siglas abaixo? Dirigi-me ao CNPq para declarar meu apoio ao candidato que o Ibope indicou como possível vencedor na disputa proposta pela Unesco e que definiria o responsável por pesquisas em educação no Brasil. Se não souber, não se preocupe! Há inúmeros dicionários disponíveis para pesquisa de Siglas, tamanha é sua utilidade na comunicação atual. Eis um exemplo: http://www.siglas.com.br/?t=s&s Como você viu, nos exemplos acima, certos acrônimos mais longos acabam sendo grafados com letras minúsculas (pelas próprias instituições) pelo fato de que muitas maiúsculas seguidas “sobrecarregam” visualmente o texto. Para fins estilísticos, é lícito, portanto, escrever com inicial maiúscula e demais letras minúsculas acrônimos que, mesmo que escritos totalmente em maiúsculas em sua denominação oficial, sejam considerados longos e de uso frequente – por exemplo, “Unesco” ou “Mercosul”, em textos em que os nomes dessas organizações sejam frequentemente mencionados. Pode-se ainda, também por razões estilísticas, optar pelo uso de maiúsculas – “UNESCO”, “MERCOSUL” – na primeira aparição do acrônimo, e de formas como “Unesco” ou “Mercosul” em menções consecutivas. Siglas podem receber plural, marcado por um “s” minúsculo: PMs visitaram cinco UPPs cariocas no sábado. Nunca se usará, nesses casos, o apóstrofo. Algumas siglas rejeitam a marca do plural, por seu significado já incluir, opcionalmente, o plural: Os PALOP (países africanos de língua oficial portuguesa) (embora também se possa dizer “um PALOP”). Quando a sigla termina em “S”, também é praxe dispensar-se o “s” minúsculo que marcaria o plural. 92 Nomes de políticos deverão ser acompanhados da sigla do partido ao qual pertençam na primeira menção do nome. A sigla partidária deverá ser indicada entre parênteses, separada com barra da sigla de seu estado: O senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB/SC). 4.7 Nome de pessoas O Formulário Ortográfico de 1943, que vigorou no Brasil até 31 de dezembro de 2015, determinava que os nomes de brasileiros fossem, após sua morte, “atualizados” de acordo com as normas ortográficas vigentes. A entrada em vigor do novo acordo ortográfico revogou essa disposição. Todos os nomes de pessoas – falecidas ou vivas – deverão, portanto, ser escritos conforme o seu registro oficial: Euclydes da Cunha; Rachel de Queiroz; Ruy Barbosa; Vinicius de Moraes; Wenceslau Braz; etc. Também no caso de personalidades e cidadãos estrangeiros, deverá usar-se a grafia original por eles empregadas, sem aportuguesamentos: “a Rainha Margrethe II da Dinamarca”; “a Rainha Elizabeth II, do Reino Unido”; “a Rainha Elisabeth, da Bélgica”; “o Rei Felipe VI”. As únicas exceções são os casos de personalidades que usam, elas próprias, versões em língua portuguesa de seus nomes – por exemplo, papas e outros líderes religiosos: O patriarca Aleixo II nasceu em Tallinn. O papa Francisco encontrou-se com o patriarca Cirilo, da Igreja Ortodoxa Russa. Eventuais símbolos diacríticos não usados em português deverão ser mantidos, sempre que possível: “o presidente Peña Nieto”; “o presidente Schärf”; “o presidente Lech Wałęsa”; “a primeira- ministra Sigurðardóttir”; “o primeiro-ministro Jørgensen”. No caso de personalidades ou cidadãos cujos nomes não são originalmente escritos no alfabeto latino, deverá ser usada a romanização adotada pelo próprio nomeado: Benjamin Netanyahu; Chiang Kai-shek; Dmitry Medvedev; Haile Selassie; Li Keqiang; Moammar El-Gadhafi (ou, simplesmente, Gadhafi). https://pt.wikipedia.org/wiki/Diacr%C3%ADtico 93 4.8 Aportuguesamentos e uso de estrangeirismos Num texto redigido em português, expressões em língua estrangeira, quando necessárias, devem vir acompanhadas de sua explicação em português, com exceção daquelas poucas de conhecimento mais amplo e geral. Palavras em outras línguas que não o português, quando usadas num texto em português, devem ser visualmente destacadas. A melhor forma de o fazer é por meio do uso de letras em itálico: O governo da Eslováquia anunciou hoje que concedeu agrément à embaixadora brasileira designada para o país. É bastante óbvio qual dos dois lados se beneficia do statu quo. Após a chegada da polícia, o shopping permaneceu fechado até o fim do dia. Em certos contextos, não é possível o uso de fonte em itálico ou de outras formas de destaque, como o sublinhado – é o que ocorre, por exemplo, em telegramas, ou em publicações em redes sociais. Nesses casos, recomenda-se o uso de aspas simples (e não de aspas duplas, que poderiam causar ambiguidade de interpretação): Em julho de 2015, a Ordem dos Advogados do Brasil aprovou a regulamentação do exercício da advocacia 'pro bono' no Brasil. Apenas após recebida a resposta favorável ao pedido de 'agrément' é o nome do candidato a embaixador submetido ao Senado Federal. O Brasil assumiu a presidência 'pro tempore' do bloco. Latinismos Termos e expressões em latim são tratados como todo outro estrangeirismo – isto é, devem ser destacados sempre que usados em textos em português – seja por meio de itálico, seja por meio de ‘aspas simples’. 94 Como regra geral, são mantidas na forma original as expressões e locuções latinas de uso internacional, das quais são exemplos: ad hoc, ad interim, a priori, a posteriori, ad referendum, animus contrahendi, erga omnes (para todos), ex nunc (que não retroage), ex tunc (que retroage), in loco, in memoriam, lato senso, manu militari, modus operandi, mutatis mutandis, pari passu, per capita, per se, persona (non) grata, pro bono, pro forma, pro tempore, sine die, sine qua non, sub judice, sui generis, statu quo (usar nessa forma, e não status quo, deformação inglesa), strictu sensu, urbi et orbi, versus. O mesmo vale para expressões substantivadas, também consagradas na forma original: “um mea culpa”, “estão analisando o pedido de habeas corpus”. Os substantivos comuns, porém, tendem a ser aportuguesados: currículo, facsímile, fórum (plural: fóruns), memorando (plural: memorandos), quórum (plural: quóruns), parêntese, etcétera. 4.9 Uso do hífen Você verá essas regras, mais adiante, quando estudaremos as regras do acordo ortográfico. Mas, antes disso, algumas considerações devem ser postas. As sucessivas reformas ortográficas e, sobretudo, o uso da língua portuguesa tem evidenciado uma tendência contínua à diminuição do emprego do hífen, com seu uso se restringindo a compostos eventuais (“encontrei-os”, “ser-me-á”, “Acordo Mercosul-União Europeia”, “eixo Brasília-Lisboa”, “anti-ISIS”, etc.). O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, obrigatório no Brasil desde 1º de janeiro de 2016, determina que, “nas locuções de qualquer tipo,sejam elas substantivas, adjetivas, pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais, não se emprega em geral o hífen”. Não devem ser usados hifens, por exemplo, nos nomes (por extenso) dos números (seiscentos e vinte e um mil, oitocentos e vinte e dois; décimo terceiro; tricentésimo vigésimo primeiro; um quarto; dois quintos; um e meio). 95 Tampouco devem levar hifens, entre outras, as seguintes expressões ou locuções: Acordo de Livre Comércio, aeroespacial, afrodescendente, agroindústria, agropecuária, Alto Comissariado, alto representante, ano novo, anteontem, antiaéreo, antimísseis, Assembleia Geral, à toa, boa sorte, bom dia, boa tarde, boa noite, bom senso, bons ofícios, caixa eletrônica, caixa postal, carta credencial, carta revogatória, carta rogatória, cidade sede, circular telegráfica, conta corrente, contracheque, correio eletrônico, despacho telegráfico, dia a dia, dona de casa, encarregado de negócios, estado membro, estados membros, extraoficial, extraoficialmente, extrema direita, extrema esquerda, febre amarela, fim de semana, greve geral, homem bomba, hora extra, horas extras, infantojuvenil, limpeza geral, livre comércio, livre mercado, lua de mel, mandachuva, mandato tampão, meia(s) palavra(s), membros não permanentes, microempresa, multissetorial, não proliferação, não agressão, organização não governamental, país membro, países membros, papel ofício, paraquedas, paraquedismo, paraquedista, passatempo, ponto de interrogação, ponto e vírgula, pôr do sol, presidente eleito, professor assistente, residência funcional, residência oficial, reunião geral, sala de jantar, salário mínimo, sequestro relâmpago, socioeconômico, subaquático, subchefe, subchefia, tão só, tão somente, traje passeio. Para fins de padronização, também as formas compostas por letras e números deverão ser escritas sem hífen: G20 (não G-20, nem G 20), assim como A380, A4, CMP11, COP22, 3D, E190, G4, G7, G8, G20, G77, etc. As regras de uso do hífen em vigor mantêm, porém, a obrigatoriedade de seu uso nos compostos iniciados por numeral ordinal (primeiro-ministro; segunda-secretária; terceiros-secretários; primeira-secretaria); em gentílicos (centro-africano; latino-americano; norte-americano; norte- coreano; sul-americano, sul-africano, sul-coreano); nos nomes de instituições e cargos compostos pelo adjetivo “geral” (Procuradoria-Geral; secretário-geral; subsecretário-geral; consulado-geral; cônsul-geral; coordenação-geral; coordenadora-geral – mas, sem hífen: Assembleia Geral); e nos compostos com “ex-” ou “vice-” (ex-primeira-ministra; ex-vice-presidente; vice-cônsules; vice- consulado). 96 Entre os nomes de países, escrevem-se com hífen apenas Guiné-Bissau, República Centro-Africana e Timor-Leste. Escrevem-se em português sem hífen, portanto, todos os demais nomes de países: “a Bósnia e Herzegovina”, “o Congo Brazzaville”, “o Congo Kinshasa”, “a Guiné Conakry”, “a Guiné Equatorial”, “a Papua Nova Guiné”, “Trinidad e Tobago”, etc. Da mesma forma, os nomes de cidades dispensam o hífen: “Andorra la Vella”; “Adis Abeba”; “Dar es Salaam”; “Hong Kong”; “Kuala Lumpur”; “Jerusalém Leste”, “Jerusalém Oeste”, “Nova Delhi”; “Nova York”; “Phnom Penh”; “Porto Príncipe”; “Saint George's” (capital de Granada); “Saint John's” (capital de Antígua e Barbuda); “Tel Aviv”; etc. Os nomes em francês não aportuguesados são exceções, uma vez que, naquela língua, o hífen em geral é obrigatório: “Porto-Novo” (capital do Benin); “Port-au-Prince” (nome francês de Porto Príncipe, capital do Haiti); “Saint-Georges-de- l'Oyapock”, etc. 4.10 Femininos Como regra geral, os substantivos e adjetivos em português têm formas flexionadas no feminino – muitas vezes ignoradas, porém, por puro desconhecimento: são formas corretas, por exemplo, “a pilota” (não “mulher piloto”), a soldada (não “mulher soldado”), a capitã, a adida, a embaixadora, a primeira-ministra, etc. Como regra geral, os cargos terminados em “e” e em “l” aceitam a tradicional desinência feminina em “a” (presidenta, chefa; oficiala, generala, marechala), embora modernamente se aceite também o uso desses nomes como comuns aos dois gêneros: “a chefe”, “a oficial”. Também as antigas terminações em “-isa” ou “-esa”, associadas ao diminutivo, são hoje preteridas: em sua maioria, escritoras preferem ser chamadas “poetas”, e não “poetisas” (tratamento já aceito pelo Dicionário Houaiss, que considera “poeta” substantivo comum de dois gêneros), e as mulheres que chefiam consulados são oficialmente chamadas cônsules (sendo o termo “consulesa” restrito às mulheres de cônsules, em analogia com o par “embaixatriz” – mulher de embaixador – e “embaixadora” – mulher que chefia uma embaixada). 97 Nos casos de dúvida entre duas formas igualmente válidas gramaticalmente, siga-se a preferência da própria (“a presidenta” ou “a presidente”, “chefe” ou “chefa”, “uma bacharel” ou “bacharela”, etc.). Participe do nosso fórum de conteúdo. Lá, iremos aprofundar os conhecimentos adquiridos nessa competência. Iremos conversar sobre os diversos aspectos gramaticais e ortográficos que influenciam na escrita de um texto oficial. Bora lá? 4.11 Pequenas dicas de Ortografia A palavra ortografia é formada por dois elementos gregos: orthós(correta) + grafia (escrita). A ortografia tem por função definir normas segundo as quais as palavras devem ser escritas para que sejam consideradas corretas. 1. Os substantivos abstratos, formados a partir de adjetivos são sempre escritos com a letra Z. Ex.: Aquele senhor é sensato – aquele senhor tem sensatez. 2. As palavras cuja última sílaba possui ja dão origem a palavras escritas com a letra j: laranja laranjeira – laranjinha 3. Todas as formas verbais dos verbos terminados em jar são escritos com a letra j: ultrajar – ultraje, ultrajemos. 4. Todas as formas verbais dos verbos querer e pôr são escritas com s: querer : quiser, quiseram, quisessem; pôr: pus, puseram, pusessem. 5. Os adjetivos que indicam origem, procedência são sempre escritos com a letra S: o feminino de inglês – inglesa. 98 6. Quando uma palavra possui uma forma para o masculino e outra correspondente para o feminino, o feminino é sempre escrito com a letra s: esposa do marquês é – 7. Se a palavra primitiva apresentar a letra S no fim do radical então o verbo será escrito com a letra S. Se a palavra primitiva não apresentar S no final do radical, então o verbo será escrito com Z: análise – analisar e canal – canalizar. 8. Em geral, depois de ditongo usa-se a letra X. Cuidado, há exceções: a) cai X a, b) frou ___ o/ c) sei__o/ d) rou ___inol. 9. Depois da sílaba inicial en , usa-se a letra X . Cuidado, há exceções: a) enXame b) enXaqueca c) enXuto d) enXovia e) enxoval 4.11.1 Uso de sinais de pontuação Aspas - Quando a pausa coincide com o final da expressão ou sentença que se acha entre aspas, coloca-se o competente final de pontuação depois delas, se encerram apenas uma parte da proposição; quando, porém, as aspas abrangem todo o período, sentença, frase ou expressão, a respectiva notação fica abrangida por elas: “Aí temos a lei”, dizia o Florentino. “Mas quem as há de segurar? Ninguém. ” (Rui Barbosa) Parênteses – Quando uma pausa coincide com o início da construção parentética, o respectivo sinal de pontuação deve ficar depois dos parênteses, mas estando a proposição ou a frase inteira encerrada pelos parênteses, dentro deles se põe a competente notação: “Não, filhos meus (deixai experimentar, uma vez que seja, convosco, este suavíssimo nome); não: o coração não é tão frívolo, tão exterior, tão carnal, quando se cuida. ” (Rui Barbosa) Travessão – Emprega-se o travessão para ligar palavras ou grupo de palavras que formam uma cadeia na frase: Exemplo: O trajeto Mauá Cascadura;A linha aérea Brasil Argentina. 99 Ponto Final – Quando o período, oração ou frase termina por abreviatura, não se coloca o ponto final adiante do ponto abreviativo, pois este, quando coincide com aquele, tem dupla serventia. Vírgula - indica uma pausa de curta duração, que não marca o fim do enunciado. Ela é empregada nos seguintes casos: a) para separar termos da mesma função sintática. Ex.: A sala era enorme, vazia, escura. b) para isolar o aposto, o vocativo e o adjunto adverbial deslocado (neste caso a vírgula não é obrigatória, mas aconselhável). Exs.: João, filho de Luís, era estudioso. Maria, por que não vens? Durante a peça teatral, não se ouviu um ruído. c) para marcar a supressão do verbo. Ex.: Eu fui de ônibus e ela, de avião. Nós tivemos alegrias; eles, só tristezas. 4.12 Acordo Ortográfico O Novo Acordo Ortográfico foi elaborado para uniformizar a grafia das Palavras dos países lusófonos, ou seja, os que têm o português como língua oficial. Ele entrou em vigor em 1º de janeiro de 2016, quando o trema da linguiça, o acento das europeias e o hífen do dia a dia desapareceram. Seu objetivo é unificar a nossa escrita e a das demais nações de língua portuguesa: Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Os brasileiros tiveram, a partir de 2009, no total, oito anos para se adequar às novas regras. Durante esse tempo, tanto a grafia anterior como a nova foram aceitas oficialmente. As mudanças são poucas em relação ao número de palavras que a língua portuguesa tem, porém são significativas e importantes. Basicamente o que nos atinge mais fortemente no dia a dia é o uso dos acentos e do hífen. Entenda as mudanças do novo acordo ortográfico https://guiadoestudante.abril.com.br/redacao/entenda-as-mudancas-do-novo- acordo-ortografico/ https://guiadoestudante.abril.com.br/redacao/entenda-as-mudancas-do-novo-acordo-ortografico/ https://guiadoestudante.abril.com.br/redacao/entenda-as-mudancas-do-novo-acordo-ortografico/ 100 Mudanças no Alfabeto O alfabeto passa a ter 26 letras. Foram reintroduzidas as letras k, w e y. Passa a ser A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V WX Y Z Mudanças nas Regras de Acentuação Gráfica Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba). Ex.: alcalóide/ alcalóide, alcatéia/ alcateia. Atenção! Essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis. Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus. Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem depois de um ditongo. Ex.: baiúca/ baiuca, bocaiúva/ bocaiuva. Atenção! Se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s), o acento permanece. Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí. Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s). Ex.: Abençôo/ abençoo, crêem (verbo crer)/ creem. Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/ pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera. 101 Atenção! Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3ª pessoa do singular. Pode é a forma do presente do indicativo, na 3ª pessoa do singular. Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, MS hoje ele pode. Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição. Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim. Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.). Exemplos: Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros. Não se usa mais o acento agudo no u tônico das formas (tu) arguis, (ele) argui,(eles) arguem, do presente do indicativo dos verbos arguir e redarguir. Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinquir etc. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo. Veja: a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas. Exemplos: • verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam, enxágue, enxágues, enxáguem. • verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam. 102 b) se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas. Exemplos (a vogal sublinhada é tônica, isto é, deve ser pronunciada mais fortemente que as outras): • verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues, enxaguem. • verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua, delinquas, delinquam. Atenção! No Brasil, a pronúncia mais corrente é a primeira, aquela com a e i tônicos. Trema • Nova Regra: Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano. Como ficou: aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência, eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça. Hífen • Nova Regra: O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por 'r' ou 's', sendo que essas devem ser dobradas Como ficou: antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, contrassenha, ultrassonografia, suprarrenal. Observação: • em prefixos terminados por 'r', permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, 103 • Nova Regra: O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal Como ficou: autoafirmação, autoajuda, autoescola, contraindicação, infraestrutura, Observações: • esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc. • esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por 'h': anti-herói, anti-higiênico • Nova Regra: Agora utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal. Como ficou: anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, micro-ondas, • Nova Regra: Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição Como ficou: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, parachoque, paravento Observação: • o uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constitui unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio, bem como naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, erva-doce. O uso do hífen permanece • Em palavras formadas por prefixos 'ex', 'vice', 'soto': ex-marido, vice-presidente, soto-mestre • Em palavras formadas por prefixos 'circum' e 'pan' + palavras iniciadas em vogal, M ou N: pan- americano, circum-navegação 104 • Em palavras formadas com prefixos 'pré', 'pró' e 'pós' + palavras que tem significado próprio: pré- natal, pró-desarmamento, pós-graduação • Em palavras formadas pelas palavras 'além', 'aquém', 'recém', 'sem': além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto Não existe mais hífen • Em locuções de qualquer tipo (substantivas,adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais): cão de guarda, fim de semana, café com leite. • Exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus- dará, à queima-roupa. Gostou do que aprendeu? Quer aprender mais? Então confere a nossa vídeo-aula no ambiente da disciplina! 105 Referências BECHARA, E. Ensino da Gramática. Opressão? Liberdade? 11.ed. São Paulo, Editora Ática, 2005. BRASIL. Presidência da República. Manual de redação da Presidência da República / Gilmar Ferreira Mendes e Nestor José Forster Júnior. – 2. ed. rev. e atual. – Brasília: Presidência da República, 2002. CITELLI, A. Linguagem e Persuasão. 15.ed. São Paulo, Editora Ática. 2002. FARACCO & MOURA. Gramática. 18.ed. São Paulo, Ed. Ática. 1999. FÁVERO, Leonor Lopes. Coesão e coerência textuais. São Paulo: Ática, 1997. FERREIRA, Eric Duarte, CAMBRUSSI, Morgana Fabiola. Redação Oficial. Florianópolis : Departamento de Ciências da Administração / UFSC; [Brasília] : CAPES : UAB, 2009. FLÔRES, L. L. Redação oficial. 3. ed. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2002. ______. Redação Oficial. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração, UFSC, 2007. GARCEZ, L.H.C. Técnica de redação. São Paulo, Martins Fontes. 2002. GERALDI, João Wanderley (Org.). O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 2002. INFANTE, Ulisses. Do texto ao texto. São Paulo: Scipione, 1998. KOCH, Ingendore G. Villaça & TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Texto e coerência. São Paulo: Cortez, 1989. KOCH, Ingendore G. Villaça. O texto e a construção de sentidos. São Paulo: Contexto, 1997. 106 MARCUSCHI, Luiz Antônio. Linguística de texto. Material elaborado para o I Curso de Especialização em Leitura, Produção e Avaliação Textual. UFPE, 2005. PEIXOTO, F, B. Redação na vida profissional. São Paulo, Martins Fontes. 2001. PLATÃO, Francisco & FIORIN, José Luiz. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 1996. ROCHA, Lima e Raimundo Barbadinho Neto. Manual de Redação. 5.ed. FAE, Brasília, 1994. ZANOTTO, N. Correspondência e redação técnica. Caxias do Sul, EDUCS. 2002 107 Minicurrículo Márcio Roberto Cavalcanti da Silva Graduado em Letras Português/Inglês pela Universidade Federal de Pernambuco. Graduado em Direito pela Faculdade de Olinda – FOCCA. Professor de Redação Oficial, Português para Elaboração de Textos – Cefospe. Professor de Redação Oficial, Português Instrumental – Escola de Contas Públicas – TCE-PE. Professor-formador e tutor EAD – IFPE. Professor de Redação Oficial e Síntese de textos – Esaf/Sudene. Professor de Cursos de Formação Profissional da Polícia Civil. Professor de Cursos de Formação da Polícia Militar. Tutor EAD da Secretaria Nacional de Segurança Pública – Ministério da Justiça.