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Revista Brasileira de Física Médica. 201X;X(X):X-X. Disciplina: Metrologia das Radiações. Verificação de confiabilidade metrológica da câmara de ionização LS-01 PTW Helena Cristina de Matos Garcia Ciência e Tecnologia das Radiações Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia das Radiações, Minerais e Materiais Disciplina: Metrologia das Radiações 2009 Associação Brasileira de Física Médica Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear 1. Introdução Uma câmara de ionização é um instrumento que utiliza gás para detectar radiação ionizante, e é composta por um material condutor, preenchido com ar, e um eletrodo que mede a intensidade da corrente elétrica formada, no interior da câmara, que é proporcional a ionização produzida pela interação da radiação incidente com o interior da câmara. Para garantir a confiabilidade da metrológica de uma câmara de ionização, é necessário que realizar a calibração e testes periódicos. A calibração deve ser feita de acordo com as recomendações do laboratório Bureau internacional Des poids et mesures, e pode ser executada em um laboratório nacional de metrologia. Os testes periódicos são: Corrente de fuga, corrente de referência, verificar critérios de aceitação e correção devido ao decaimento da fonte radioativa. A corrente de fuga é uma corrente produzida sem a presença de radiação ionizante, pode ser gerada por fatores ambientais, problemas no eletrômetro, cabos conectados incorretamente ou a câmara descalibrada. Essa corrente de fuga não deve exceder a 1% do valor de referência (que pode ser consultado em medidas anteriores); caso exceda, a medição deve ser repetida verificando cada equipamento para encontrar o erro; se após a verificação o valor persistir alto, a câmara de ionização precisa ser calibrada novamente. A precisão da medição da confiabilidade da câmara de ionização pode ser atestada observando dois fatores: repetibilidade e reprodutibilidade. A repetibilidade é a obtenção de valores similares todos sob as mesmas condições de medição, e a reprodutibilidade é a obtenção de valores similares, porém em condições diferentes de medição. 2. Materiais e Métodos Para a realização dos testes de controle de qualidade foram utilizados os seguintes equipamentos: 1. Câmara de Ionização: PTW LS01-N32002 nº série 22 Figura 1. Câmara de Ionização Data de calibração: 04/10/2013 Certificado: LNMRI 0559/2013 2. Eletrômetro: keithley modelo 6517ª, nº de série 972953 Figura 2. Eletrômetro Data de calibração: 04/10/2013 Certificado: LNMRI 0559/2013 3. Termômetro: Termohigrômetro digital, marca Testo, modelo 175H1, nº de série 40316696 205. Data de calibração: 04/12/2017 Certificado: Nº LV00671-36345-17-R0 4. Barômetro: barômetro digital, marca Druck, modelo DPI 142, nº de série 2295958. Data de calibração: 06/12/2017 Certificado: Nº LV00671-36513-17-R0 5. Cronômetro: marca Technos, modelo 694, código CRON-01, nº de série 302711. Data de calibração: 30/11/2017 Certificado: N º J050532/2017 Corrente de fuga A câmara foi posicionada de modo que o raio central estivesse alinhado ao ponto central do volume de ar; após a correta configuração do eletrômetro, com o auxílio de uma fonte emissora de β (90Sr/Y90) foi feita uma pré-irradiação da câmara e registrada a 1ª medida, passados 900 s foi coletado a medida final. Os dois resultados são aplicados na fórmula a seguir: Onde: Lf – leitura final Li – leitura inicial t – tempo decorrido Corrente de referência A montagem foi mantida e para medir a corrente de referência, porém nesse procedimento a câmara ficará exposta a uma fonte de Co-60, em medidas sequenciais de 100 segundos cada. Para fins de correção todos os fatores ambientais foram anotados antes e após as medidas. Para a correção desses fatores é utilizada a fórmula a seguir: Onde: Tmed – temperatura média P – pressão média Obtidas 10 medidas, os valores são aplicados na seguinte fórmula: Onde: C – valor da medida Fe – fator de calibração do eletrômetro T – tempo Phy[T,P] – fatores ambientais corrigidos Após esses resultados, calcula-se a média, o desvio padrão e o coeficiente de variância. 3. Resultados Corrente de fuga Fator ambiental Li Lf Temperatura (ºC) 20,2 20,8 Umidade (%) 57,8 68,4 Pressão (kPa) 92,3 92,3 1ª medida = -933,0 pC 2ª medida = -935,0 pC (Escala de medida: Low). Corrente de referência Fator ambiental Li Lf Temperatura (ºC) 20,7 20,4 Umidade (%) 59,6 60,7 Pressão (kPa) 92,3 92,3 Tabela 1. Repetibilidade Medida (nC) Tempo (s) Corrente (A) -0,678 100 -7,46E-12 -0,676 100 -7,43E-12 -0,679 100 -7,47E-12 -0,678 100 -7,46E-12 -0,678 100 -7,46E-12 -0,676 100 -7,43E-12 -0,675 100 -7,42E-12 -0,675 100 -7,42E-12 -0,678 100 -7,46E-12 -0,674 100 -7,41E-12 Média -7,44E-12 Desvio Padrão 1,87296E-14 C. Var. % - 0,25 Correção da corrente devido ao decaimento da fonte radioativa IRCor = 6,878E-12 4. Discussão De acordo com os critérios de aceitação a corrente de fuga não deve exceder a 1% da corrente de referência; no teste descrito nesse relatório a correlação da corrente de fuga com a corrente de referência foi de apenas 0,03 %, e considerado aceitável. A repetibilidade das medidas também foi considerada aceitável com base no coeficiente de variação que não excedeu 0,5% 5 e em comparação com as correntes de referência anteriores em termos do decaimento da fonte, a variação não excedeu ±2%. Sendo assim o sistema pode ser considerado confiável. Referências 1. Slide Aula “110 Disciplina Metrologia das radiações 2018”. 2. Câmara de Ionização - http://rle.dainf.ct.utfpr.edu.br/hipermidia/index.php/medicina-nuclear/principios-fisicos-em-radiologia-mn/detectores-de-radiacao/camara-de-ionizacao 3. Vocabulário Internacional de Metrologia (VIM) – 2012 4. “Desenvolvimento e caracterização de câmaras de ionização cilíndricas como sistemas de referência para dosimetria de feixes de radiação de fótons” – Neves. L. P. (2013). 5. “Metodos de calibração de câmaras de ionização de placas paralelas para dosimetria de feixe de elétrons – Bulla. R. T. (1999). 2 Associação Brasileira de Física Médica ® 2 Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear