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Autoras: Profa. Mariana Pantaleão Del Re
 Profa. Bettina Gerken Brasil
Colaboradores: Profa. Mônica Teixeira
 Prof. Jamilson José Alves da Silva
Ética e Orientação 
Profissional
Professoras conteudistas: Mariana Pantaleão Del Re / Bettina Gerken Brasil
Mariana Pantaleão Del Re
Nutricionista formada em 2011 pelo Centro Universitário São Camilo. Possui Iniciação Científica e atualização 
profissional pelo Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em 2015 concluiu 
o mestrado em Ciências da Saúde, também pelo Departamento de Psicobiologia da Unifesp e no ano de 2017 a 
pós-graduação na área de nutrição esportiva na Fundação de Apoio à Pesquisa e Estudo na Área da Saúde (Fapes). Possui 
experiência profissional como docente de cursos de graduação e pós-graduação e em consultório, com atendimento 
voltado a atletas e desportistas. Atualmente, dedica-se exclusivamente à Universidade Paulista (UNIP), onde ministra 
disciplinas específicas do curso de Nutrição.
Bettina Gerken Brasil
Nutricionista formada pela Universidade de São Paulo (USP) em 1997, com mestrado (2000) e doutorado (2005) 
em Saúde Pública, pela Faculdade de Saúde Pública da USP; também é bacharel em Filosofia pela USP (2007). Docente 
da UNIP desde 2004, é vice-coordenadora do Comitê de Ética em Pesquisa da UNIP.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
D331e Del Re, Mariana Pantaleão.
Ética e Orientação Profissional / Mariana Pantaleão Del Re, 
Bettina Gerken Brasil. – São Paulo: Editora Sol, 2020.
172 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517-9230.
1. Código de ética. 2. Resolução. 3. Biotecnologia. I. Del Re, 
Mariana Pantaleão. II. Brasil, Bettina Gerken. III. Título.
CDU 17.023.33
U509.17 – 20
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcello Vannini
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Deise Alcantara Carreiro – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Ingrid Lourenço
 Juliana Muscovick
Sumário
Ética e Orientação Profissional
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7
Unidade I
1 FUNDAMENTOS DA ÉTICA ...............................................................................................................................9
1.1 Um pouco de filosofia ........................................................................................................................ 12
1.2 A trajetória do bem ............................................................................................................................. 14
1.3 O cristianismo e o Renascimento .................................................................................................. 15
1.4 Ética profissional .................................................................................................................................. 17
2 FUNDAMENTOS DA BIOÉTICA..................................................................................................................... 21
2.1 Bioética no Brasil .................................................................................................................................. 26
3 DEONTOLOGIA E CÓDIGO DE ÉTICA ......................................................................................................... 35
4 CÓDIGO DE ÉTICA DO NUTRICIONISTA ................................................................................................... 38
4.1 Breve histórico sobre a elaboração do novo Código de ética e de conduta 
do nutricionista ............................................................................................................................................ 38
4.2 Estrutura do Código de ética e conduta do nutricionista ................................................... 40
4.2.1 Princípios fundamentais ...................................................................................................................... 40
4.2.2 Capítulo I: Responsabilidades profissionais ................................................................................. 43
4.2.3 Capítulo II: Relações interpessoais .................................................................................................. 52
4.2.4 Capítulo III: Condutas e práticas profissionais ........................................................................... 53
4.2.5 Capítulo IV: Meios de comunicação e informação ................................................................... 59
4.2.6 Capítulo V: Associação a produtos, marcas de produtos, serviços, empresas 
ou indústrias ........................................................................................................................................................ 62
4.2.7 Capítulo VI: Formação profissional .................................................................................................. 65
4.2.8 Capítulo VI: Pesquisa ............................................................................................................................. 68
4.2.9 Capítulo VIII: Relações com as entidades da categoria .......................................................... 81
4.2.10 Capítulo IX: Infrações e penalidades ............................................................................................ 84
4.2.11 Capítulo X: Disposições gerais ......................................................................................................... 88
Unidade II
5 RESOLUÇÕES E DIRETRIZES DO CFN ....................................................................................................... 94
5.1 Resolução CFN n. 600, de 2018 ...................................................................................................... 94
5.2 Resolução CFN n. 222, de 1999 ...................................................................................................... 99
5.3 Resolução CFN n. 304, de 2003 ...................................................................................................... 99
5.4 Resolução CFN n. 306, de 2003 ....................................................................................................102
5.5 Resolução CFN n. 594, de 2017 ....................................................................................................103
5.6 Resolução CFN n. 417, de 2008 ....................................................................................................108
5.7 Resolução CFN n. 418, de 2008 ....................................................................................................113
5.8 Resolução CFN n. 465, de 2010 ....................................................................................................114
5.9 Resolução CFN n. 525, de 2013 ....................................................................................................1205.10 Resolução CFN n. 126, de 1992 .................................................................................................125
6 ATUAÇÃO EM EQUIPE MULTIDISCIPLINAR ..........................................................................................125
6.1 Equipes multi e interdisciplinares na nutrição .......................................................................127
6.1.1 O papel do nutricionista na EMTN ................................................................................................ 129
7 BIOTECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE ......................................................................................................132
7.1 Conceitos de biotecnologia e meio ambiente ........................................................................132
7.2 A revolução verde ...............................................................................................................................133
7.2.1 Organismos geneticamente modificados .................................................................................. 135
7.2.2 Responsabilidade social do nutricionista ................................................................................... 142
8 TEMAS POLÊMICOS.......................................................................................................................................143
8.1 Contextualização ................................................................................................................................143
8.2 Temas polêmicos e a ciência da nutrição .................................................................................144
8.2.1 Dieta detox ............................................................................................................................................. 145
8.2.2 Dieta com exclusão de glúten e/ou lactose .............................................................................. 146
8.2.3 Jejum intermitente .............................................................................................................................. 147
8.2.4 Multimistura .......................................................................................................................................... 149
8.3 Considerações finais ..........................................................................................................................150
7
APRESENTAÇÃO
Esta disciplina traz a possibilidade da discussão e análise, à luz da ética, da atuação do nutricionista 
e da sua importância na sociedade. Serão discutidos temas profissionais atuais, sobre a temática da 
profissão, a ética e os valores acerca do que é ser nutricionista.
Por esse motivo, é objetivo desta disciplina desenvolver uma sólida reflexão com os alunos sobre a 
atuação profissional e a discussão acerca dos comportamentos esperados no exercício da profissão. Esse 
tema é, contemporaneamente, muito importante para a área. De um lado, é importante que o estudante 
tenha a consciência da dimensão e da importância da conduta adequada; de outro, os valores que 
acompanham a prática profissional.
Considerando que estamos em um momento de valores líquidos, de pilares poucos sólidos, é importante 
discutir com o aluno que isso é uma percepção errônea de como devemos agir. Existem sim pilares e 
valores sólidos que estão na base de todas as profissões, e não seria diferente com o nutricionista. Uma 
vez que uma pessoa recebe o título de nutricionista, é esperado dela esse comportamento adequado, 
pautado na nossa história e nos nossos valores.
Por isso, esta disciplina visa compreender a importância das questões éticas na sociedade 
contemporânea; analisar, sob o ponto de vista ético, temas ligados direta ou indiretamente à escolha 
profissional; conhecer e discutir o Código de Ética do Nutricionista e debater a ética profissional do 
nutricionista a partir da análise de alguns casos representativos.
INTRODUÇÃO
Tem sido muito comum encontrar orientações alimentares inadequadas nas redes sociais, algumas 
vezes até sendo publicadas por nutricionistas. Qual é o limite para esse tipo de publicação? O que o 
nutricionista pode ou não pode fazer quando se trata de mídias sociais? Em última instância, quando 
alguém publica alguma informação errônea só está pensando em si mesmo e não no outro, que pode 
ser influenciado por essa informação. Esse é um pequeno exemplo sobre posturas éticas que iremos 
trabalhar ao longo deste livro-texto.
Este conteúdo tem como objetivo fortalecer a prática do futuro nutricionista. É muito importante 
que o futuro profissional perceba que ter o título de nutricionista não dá a chave de ouro para qualquer 
conduta na vida profissional, e sim lhe dá o direito de exercer todo esse conhecimento científico já 
provado e comprovado. Todo profissional carrega consigo a história da profissão e o dever de levar essa 
história adiante, no caminho adequado.
Por isso, serão vistos a seguir alguns pontos importantes sobre ética e orientação profissional, 
começando justamente pelo tema da ética. É importante e fascinante entender os valores que envolvem 
a ética e seus desdobramentos. Logo após, falaremos também sobre bioética, pois esses valores pautam 
a atuação do profissional.
8
Logo após essa etapa, será conhecido o Código de Ética do Nutricionista. É muito importante perceber 
que muitas competências que estão na Resolução das áreas de atuação do nutricionista são colocadas 
e enfatizadas no Código de Ética.
Serão vistas também as resoluções e diretrizes do Conselho Federal de Nutricionistas, temas atuais e 
aplicados, como a biotecnologia e o meio ambiente, e alguns outros polêmicos nos quais os nutricionistas 
estão envolvidos.
Outro ponto importante que permeia a atuação do nutricionista é a sua atuação em equipe. Ser 
protagonista nesta situação é uma das atitudes mais importantes, mas para isso é necessário perceber a 
importância que o grupo tem no desenvolvimento das atividades e, com isso, respeitar toda e qualquer 
individualidade ali presente.
9
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Unidade I
1 FUNDAMENTOS DA ÉTICA
Ética e moral são palavras que andam sempre juntas. O significado delas parece ser conhecido por 
nós, mas organizá-lo em palavras às vezes parece complicado. Vamos aqui passear por esse conteúdo, 
mostrando que ética é uma disciplina do campo da filosofia muito interessante, porque nos faz pensar 
sobre nossa vida e, mais do que isso, nos fortalece no comportamento de extremo respeito à vida 
e aos outros que vivem conosco. Não há nada melhor do que entender que respeito se conquista 
respeitando o outro.
Gontijo (2006) nos mostra que as palavras ética e moral são usadas praticamente como 
sinônimos. Originalmente, a ética foi entendida como costume, estilo de vida e ação. É essa 
ética que permite que o mundo seja habitável ser humano, que é construído e incessantemente 
reconstruído, trata-se de seu abrigo. Ou seja, é na ética que os seres humanos conseguem conviver 
em harmonia e em sociedade.
Figueiredo (2008, p. 1) também mostra essa dependência da ética para a vida em sociedade. Segundo 
ele, desde a Antiguidade se afirmava que o homem, sem a sociedade, teria um destino trágico, “pois, 
embora seja um ser independente, sua existência só teria sentido com a convivência social”.
Sobre a ética, esse autor também nos mostra que:
Refere-se aos atos concretos e particulares, por meio dos quais as pessoas 
realizam seu projeto de vida. Este sentido também interessa à ética, uma 
vez que o caráter moral vai se formando, precisamente, mediante as opções 
particulares que fazemos em nossa vida cotidiana (FIGUEIREDO, 2008, p. 3).
Essa afirmação e conceptualização de ética é muito importante. Apesar de ser relativa à palavra 
grega que deu origem ao termo ética, fala muito sobre o que vivemos na atualidade. Quais são as opções 
particulares que fazemos na nossa vida cotidiana que permite que vivamos a vida em sociedade? Essa 
escolha dos atos é muitoimportante para que essa vida seja possível.
 Observação
Segundo Gontijo (2006), os termos moral e ética falam sobre a 
reflexão, a ação, o bem ou o justo, e podemos usar indiferentemente 
qualquer um dos dois.
10
Unidade I
Então vamos lá. O que é, afinal, ética?
Figura 1 
No mundo ocidental, um dos primeiros filósofos a falar sobre ética foi Aristóteles, com seu famoso 
livro Ética a Nicômaco, no qual ele ensinava seu filho a viver na cidade.
É muito interessante que a partir dos estudos de Aristóteles depreende todo o estudo sobre ética que 
temos até hoje. Aristóteles começou nos trazendo o tema para pensarmos no comportamento humano. 
Com isso, ele fez desse tema o estudo das ações e costumes humanos (como uma disciplina filosófica) 
e a própria realização de um tipo de comportamento (VALLS, 1994).
Para estudar ética, costuma-se separar os problemas teóricos em dois campos, a saber: os problemas 
gerais e fundamentais como a liberdade, consciência, leis, valores, fazer o bem e assim por diante; e 
problemas específicos, como os problemas de ética profissional, política, bioética, entre outros (VALLS, 1994).
 Observação
Para estudarmos ética, separamos teoricamente seus objetos de estudo. 
Mas na vida cotidiana esses assuntos não estão assim separados e nos 
deparamos com eles o tempo todo.
Também vale lembrar um ponto importante quando falamos de ética, o fato de estar muito ligada ao 
seu tempo. Como os costumes e as percepções sobre a vida mudam, é comum mudarmos e aceitarmos 
comportamentos diferentes que não eram aceitos antes. Valls (1994) pergunta se a ética não seria, 
então, uma simples listagem das convenções sociais provisórias.
11
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
À primeira vista pode-se pensar que sim, como ele mesmo nos apresenta:
[…] o que seria um comportamento correto, em ética? Não seria nada mais 
do que um comportamento adequado aos costumes vigentes, e enquanto 
vigentes, isto é enquanto estes costumes tivessem força para coagir 
moralmente, o que aqui quer dizer, socialmente, Quem se comportasse de 
maneira discrepante, divergindo dos costumes aceitos e respeitados, estaria 
no erro, pelo menos enquanto a maioria da sociedade ainda não adotasse o 
comportamento ou o costume diferente. Quer dizer: esta ação seria errada 
apenas enquanto ela não fosse o tipo de um novo comportamento vigente 
(VALLS, 1994, p. 10).
Mas depois percebemos que não, ética não é apenas o comportamento vigente aceito na sociedade, 
e sim uma reflexão teórica, com uma validade mais universal (VALLS, 1994).
Sobre a teorização do campo da ética, temos documentos valiosos desde os gregos antigos, 
como Aristóteles.
Figura 2 – Aristóteles
Nesses textos, percebemos que as reflexões, mesmo que teóricas, são relativas à organização social 
daquela sociedade (VALLS, 1994). Mas comportamento ético propriamente dito só se consegue acessar 
em textos não filosóficos, que se aproxime da vida diária.
Na obra Ética a Nicômaco, Aristóteles afirma que a ética nos ensina a viver. E esse viver é a prática, 
é o costume, é o comportamento (GONTIJO, 2008). Percebemos que a ética, então, pode variar ao longo 
do tempo e em diferentes locais/sociedades.
12
Unidade I
Para Valls (1994, p. 13), “não são apenas os costumes que variam, mas também os valores que os 
acompanham, as próprias normas concretas, os próprios ideais, a própria sabedoria, de um povo a outro”.
 Observação
A ética e os costumes estão ligados ao momento histórico de um 
determinado povo ou sociedade.
As palavras ética e moral podem ser usadas como sinônimos quando se trata do estudo do 
comportamento humano, mas na contemporaneidade e na vida prática,
[…] deve-se entender por moral um sistema de normas, princípios e valores, 
segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos 
ou entre estes com a comunidade de forma não coercitiva. De maneira que 
estas normas são dotadas de um caráter histórico e social e são acatadas de 
forma livre e por convicção de foro íntimo (FIGUEIREDO, 2008, p. 7).
Ou seja, moral trata das regras de convivência em sociedade implícitas e não impostas de forma 
coercitiva. A ética trata, hoje em dia, das normas explícitas para ações do ser humano. Ambas com o 
objetivo da vida harmoniosa em sociedade.
1.1 Um pouco de filosofia
Temos na história da filosofia ocidental o pensador Sócrates, um dos pioneiros do pensamento filosófico.
Figura 3 – Sócrates
13
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Conhecemos Sócrates a partir das obras de seu discípulo Platão, que conta nos seus livros 
diversos diálogos entre seu mestre e interlocutores. Nesses diálogos, eles desenvolvem pensamentos 
estudados até hoje.
Sócrates foi chamado de o fundador da moral
porque sua ética não se baseava simplesmente nos costumes do povo e 
dos ancestrais, assim como nas leis exteriores, mas sim na convicção 
pessoal, adquirida através de um processo de consulta ao seu “demônio 
interior” (como ele dizia), na tentativa de compreender a justiça das leis 
(VALLS, 1994, p. 17).
Ele foi importante porque foi o primeiro grande pensador da subjetividade. Sócrates tinha um 
movimento de interiorização da reflexão e de valorização da subjetividade, e essa subjetividade culmina 
em Kant, no século XVIII.
 Saiba mais
O texto a seguir fala sobre os conceitos de ética e moral e pode ser bem 
proveitoso para o desenvolvimento do tema deste livro-texto:
GONTIJO, E. D. Os termos “ética” e “moral”. Revista Mental, n. 7, p. 127-135, 
2006. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttex
t&pid=S1679-44272006000200008. Acesso em: 8 maio 2020.
Kant, por sua vez, procurava a ética de validade universal e a possibilidade do conhecimento 
verdadeiro e do agir livre. Ele desenvolve o pensamento de que existe o dever, a obrigação moral, e que 
isso é uma necessidade para uma liberdade. Para ele, “o dever obriga moralmente a consciência moral 
e livre, a vontade verdadeiramente boa deve agir sempre conforme o dever e por respeito ao dever” 
(VALLS, 1994, p. 18).
Tome, pensei em ficar 
com o troco da padaria 
para comprar bala, mas 
não consegui.
E tudo por causa do maldito 
inquilino que começou a dizer 
que isso é muito feio, que não 
se faz e sei lá o quê!
Inquilino?
Que inquilino?
Esse que a 
gente tem 
aqui dentro.
Figura 4 
14
Unidade I
 Observação
Immanuel Kant foi o principal filósofo da Era Moderna.
Kant procura mostrar a existência de uma moral igual para todos; uma moral racional, que precisa 
ser consciente e não apenas relativa aos costumes (VALLS, 1994).
Ele traz consigo alguns pensamentos importantes que influenciaram e ainda influenciam o 
entendimento da moral e da ética até hoje. Para ele,
se a moral é a racionalidade do sujeito, este deve agir de acordo com o dever 
e somente por respeito ao dever: porque é dever, eis o único motivo válido 
da ação moral (VALLS, 1994, p. 20).
Esse pensamento, na sua época, foi revolucionário, porque o século XVIII foi um período pautado por 
tradições e imposições irracionais, muitas vezes ligadas à Igreja. Para Kant,
[…] o sujeito está obrigado, para ser um homem livre, a perguntar qual é o 
seu dever, e a agir somente de acordo com o seu dever, e isto, exclusivamente, 
por ser o seu dever (VALLS, 1994, p. 20).
Isso quer dizer que quando o indivíduo pensa de fato nas suas ações deve fazer o bem. Ainda 
segundo Kant, e diferentemente do que era vigente na sua época, os conteúdos éticos não estão no 
exterior, fora das pessoas, e sim no interior. É nesse momento que as pessoas devem pensar em seus atos 
e em fazer o bem. Para ele, “devo proceder sempre de maneira que eu possa querer também que a minha 
máxima se torne uma lei universal” (VALLS, 1994, p. 20).
De forma indireta, Kant, assim como outros filósofos que trabalharam o tema ética, quiseram 
discutir o que é o bem.
1.2 A trajetória do bem
Segundo Valls (1994), os primeiros filósofos pesquisaram sobre a natureza do bem moral para 
compreender um princípio absoluto da conduta.Lembrete
Conhece-te a ti mesmo é um aforismo utilizado por Sócrates nos 
diálogos de Platão e que está na base da reflexão racional, um dos 
métodos da filosofia.
15
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
É interessante perceber que esse bem moral estava ligado a outra questão importante para a filosofia: 
a busca pela felicidade. Hoje em dia, quando pensamos em felicidade, estamos um pouco longe daquilo 
que Platão pensou ao discutir essa busca. Para o pensador, essa busca pela felicidade estava no centro 
das preocupações éticas.
E é sobre essa virtude que devemos falar. Para Platão, um homem virtuoso estabelece na sua vida a 
ordem, a harmonia e o equilíbrio. Para ele,
a prática da virtude é por isso a coisa mais preciosa para o homem. A virtude 
é a harmonia, a medida e proporção, e a harmonia individual e social é assim 
uma imitação da ordem cósmica (VALLS, 1994, p. 26).
Por sua vez, Aristóteles mostra que a ética é marcada pelos fins que devem ser alcançados para que 
o homem atinja a felicidade. Para ele, a felicidade verdadeira é conquistada pela virtude.
Aristóteles valoriza, então, mais do que seu mestre, a vontade humana, 
a deliberação e o esforço em busca de bons hábitos. O homem precisa 
converter suas melhores disposições naturais em hábitos, de acordo com a 
razão: virtudes intelectuais (VALLS, 1994, p. 33).
Aristóteles afirmava que toda investigação (ética, como ciência) e toda ação (ética, como costume) 
visam o bem. Ou seja, todas as coisas (pensamento e ação) visam o bem.
 Observação
A palavra grega para ética também significa morada, abrigo, proteção, 
dando a conotação que a ética protege o ser humano.
Atualmente, a discussão sobre ética está um pouco diferente. Platão e Aristóteles colocavam que o 
homem virtuoso tem atitudes éticas. Hoje, se diz que quem tem atitudes éticas é virtuoso e elas são bem 
delimitadas pelas leis e pelos códigos de ética.
O intuito aqui é colocar essa discussão em pauta. O nutricionista, ao entender o seu papel, deve 
exercer sua função de forma ética de modo mais intuitivo.
1.3 O cristianismo e o Renascimento
O cristianismo influenciou por muitos anos os conceitos de ética e moral. Em todo o período da 
Idade Média o ser humano viveu para conhecer, amar e servir a Deus, diretamente e por meio de seus 
irmãos. O ideal ético, naquele tempo, era o de uma vida espiritual, de amor e fraternidade.
16
Unidade I
 Observação
Tomás de Aquino, teólogo e filósofo italiano, foi influenciado pelos 
escritos de Aristóteles e influenciou os pensamentos cristão e moderno.
Ainda na Idade Média, Tomás de Aquino deu importância à consciência moral, que é, para ele, aquela 
voz interior que nos diz que devemos fazer o bem e evitar o mal (VALLS, 1994). Essa consciência moral 
é discutida até os dias de hoje.
No Renascimento e no Iluminismo, a consciência moral sofreu grande influência de Kant e tinha 
como ideal ético a autonomia individual. O homem racional, autônomo, autodeterminado – aquele que 
age segundo a razão e liberdade – é o próprio critério de moralidade.
É importante entender o pensamento de Hegel sobre ética. Para ele,
[…] o ideal ético […] estava numa vida livre dentro de um Estado livre, um 
Estado de direito, que preservasse os direitos dos homens e lhes cobrasse 
seus deveres, onde a consciência moral e as leis do direito não estivessem 
nem separadas nem em contradição (VALLS, 1994, p. 45).
 Observação
Hegel foi um filósofo germânico, representante do idealismo alemão, 
que até hoje influencia um grande número de pensadores.
Percebemos nas ideias de Hegel uma presença grega, tanto de Platão como de Aristóteles. 
Conseguimos ver nos seus conceitos a virtude e o racionalismo gregos.
Gontijo (2006) nos mostra que, para Hegel, assim como para outros pensadores, ser ético é que faz 
o ser humano capaz de viver em sociedade.
Existindo na substância ética, o indivíduo se submete livremente ao sistema 
de seus deveres dando à sua ação, ao cumpri-los, a qualidade de virtude e 
participando, assim, do universo ético dos costumes (GONTIJO, 2006, p. 130).
Mais uma vez nos deparamos com essa noção de que a ética está no ser humano antes mesmo 
de sua ação. É o indivíduo ético que age livremente de forma ética e é este costume que permite a 
convivência entre as pessoas.
17
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Para Valls (1994), os valores éticos, nos últimos duzentos anos, se tornaram cada vez mais um 
assunto particular, e não mais geral, privilegiando o aspecto pessoal ou personalista da ética, como 
autenticidade, opção, cuidado, entre outros.
A ética entendida como uma vida social mais justa volta à discussão no pensamento social, que foca 
as injustiças econômicas, principalmente. Procura trazer a discussão para um aspecto mais palpável e 
menos teórico, colocando como pauta a discussão sobre um mundo mais humano.
A reflexão ético-social do século XX coloca em pauta uma questão importante: “na massificação 
atual, a maioria hoje talvez já não se comporte mais eticamente, pois não vive imoral, mas amoralmente” 
(VALLS, 1994, p. 47).
O filósofo Jean-Paul Sartre retoma o tema liberdade. Para ele, cada indivíduo escolhe livremente e, 
ao escolher, cria o seu valor. Dessa forma, a ação de uma pessoa vale moralmente não por se submeter 
a uma norma, mas pelo uso que ela faz da própria liberdade (GAUDENZI, 2004).
De alguma forma, esse pensamento de Sartre nos leva de novo à importância de agir eticamente, 
com a intenção de fazer o bem para a coletividade, mas de modo livre e intuitivo, e não coercitivo.
Ética e moral são conceitos que mudam ao longo do tempo. Sabemos que sempre existirá a discussão 
acerca desses temas porque vivemos em sociedade e, ao conviver com outros seres humanos, pensamos 
no comportamento e nas condutas.
Dentro desse conceito de ética e moral, estudamos como ela foi entendida ao longo do tempo 
como virtude, felicidade, racionalidade, consciência, entre outros. Todas essas ideias permeiam 
nosso conceito atual.
 Saiba mais
O texto a seguir trata um pouco mais sobre a história da ética:
SILVA, F. L. Breve panorama histórico da ética. Revista Bioética, v. 1, n. 1, 
1993. Disponível em: http://www.revistabioetica.cfm.org.br/index.php/
revista_bioetica/article/view/473/290. Acesso em: 21 maio 2020.
1.4 Ética profissional
A ética e a moral tratam do comportamento, do valor e dos costumes dos seres humanos. Quando se 
trata da ética profissional, estão se trazendo normas e consciência para a atuação de um determinado 
profissional, para que ele siga com os valores do grupo do qual faz parte.
18
Unidade I
Essas normas têm como objetivo, de um lado, mostrar os limites da atuação e, de outro, mostrar a 
liberdade de escolhas dentro daquele conjunto de ações que se espera de um determinado profissional.
Para Gaudenzi,
[…] a liberdade deve estar fundamentada no cumprimento das normas 
que regulamentam os atos morais e não mais submetidos passivamente à 
tradição ou pelo temor aos castigos dos deuses. Emergem daí com maior 
relevância os códigos que passam a orientar moralmente a vida e o trabalho 
nas sociedades humanas (GAUDENZI, 2004, p. 140).
Voltamos a lembrar que, historicamente, os princípios morais e éticos têm servido como norteadores 
das ações humanas, garantindo a vida imediata e possibilitando a vida futura.
Gaudenzi ainda afirma:
[…] importa reconhecer que os problemas éticos surgem no 
relacionamento pessoal ou nas relações de trabalho, provavelmente 
porque nossos valores morais não estão suficientemente interiorizados 
para que possamos agir sempre da forma considerada eticamente correta 
(GAUDENZI, 2004, p. 141).
Por esse motivo há necessidade de se discutir os valores e fundamentos da ética com os 
profissionais; no caso, profissionais de saúde, para que esses valores fiquem interiorizados e baseiem as 
escolhas de cada um.
Nesse sentido, não são perda de tempo a reflexão, o exercício do questionamento e a análise da 
realidade, por mais que pareça na sociedade contemporânea, tãoafeita à tecnologia e ao automatismo.
Desta forma, os conflitos no ambiente de trabalho são inevitáveis, em 
virtude da complexidade do ser humano, tendo em vista as diferentes 
personalidades, as aspirações e os níveis de frustrações, assim como o 
princípio da autonomia, tão caro ao pensamento liberal. No entanto a 
autonomia, embora muito importante, “não tem caráter absoluto, universal 
e de primazia no momento da solução dos conflitos éticos”. Na medida 
em que a autonomia de cada um, por definição relativa, encontra seus 
limites na responsabilidade que temos no respeito à autonomia do outro 
(GAUDENZI, 2004, p. 141).
Este pensamento vem de encontro à frase comumente ouvida, de que o limite da liberdade de uma 
pessoa é a liberdade da outra. Apesar da autonomia e da liberdade das pessoas, esta só se dá por meio 
do respeito e da consciência de que o outro também detém sua autonomia e liberdade.
19
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Dessa forma, segundo Gaudenzi, cada profissional deve fazer o melhor uso possível da sua liberdade, 
considerando não só o código de ética profissional, formalmente constituído, mas este código no 
respeito ao seu paciente ou ao cidadão.
É necessário que a discussão sobre ética e moral seja conhecida por cada um dos profissionais, pois 
qualquer regra de comportamento só pode ser verdadeiramente exercida se encontrar uma ressonância 
em nossa personalidade. Isso se dá pelo sentimento ético. Se isso não ocorrer, os escritos das normas 
profissionais se transformam em protocolos estéreis e sem sentido.
 Lembrete
A vocação para lidar com o outro em momentos de dor, perda, 
vulnerabilidade, deve ser o elemento motivador que iluminará o senso de 
responsabilidade do profissional de saúde (GAUDENZI, 2004).
É com esses valores que o profissional de saúde recebe seu reconhecimento e valor e, 
consequentemente, é remunerado pelo seu trabalho. A qualidade da sua atuação está cada vez 
mais relacionada com sua empregabilidade e remuneração. Segundo Gaudenzi (2004), ter o diploma 
reconhecido oficialmente é cada vez mais parte do requisito pra o exercício profissional. Cada vez mais 
é necessária a qualificação moral, o exercício digno, a prática humana, capaz de respeitar a autonomia 
do paciente, sem discriminação.
As novas diretrizes curriculares dos cursos de Medicina, Enfermagem e Nutrição afirmam:
A atenção à saúde, uma competência geral de todos os profissionais de 
saúde, deve ser realizada atendendo, simultaneamente, aos mais altos 
padrões de qualidade e aos princípios da ética ou da bioética. Além disso, 
também estão preconizadas a inclusão e a valorização das dimensões éticas 
e humanísticas desde a formação, tendo em vista o desenvolvimento, no 
aluno e no futuro profissional, de atitudes e valores orientados para a 
cidadania (GAUDENZI, 2004, p. 142).
Começamos este livro-texto introduzindo uma provocação: hoje em dia é muito comum encontrarmos 
orientações alimentares inadequadas nas redes sociais, em algumas vezes até sendo publicadas por 
nutricionistas. Qual então é o limite para esse tipo de publicação?
A resposta não é exatamente ríspida, não é coercitiva, não está escrita em algum lugar para todos 
seguirem. Temos que levar em conta que os profissionais e todas as pessoas são bombardeados todos 
os dias com informações de novos procedimentos, mais resultados, promessas, expectativas de cura ou 
de perda de peso.
Os avanços científicos verdadeiros não podem ser ignorados pelo profissional de saúde. Mas é preciso 
atentar-se para que a vontade de resolver o problema do paciente/cliente não conduza a conclusões 
20
Unidade I
erradas sobre a eficácia do novo, sem considerar o processo científico que chegou à conclusão alardeada. 
É necessário verificar se as supostas novas descobertas foram cientificamente testadas e se a ética 
e a bioética foram respeitadas nesse processo. Sem isso, fuja dessas condutas, não atue de forma 
irresponsável e eticamente inaceitável.
A matéria-prima básica dos serviços de saúde são vidas humanas. Assim, 
a responsabilidade que está inscrita no ato do profissional de saúde, em 
parte, é arte, em parte, é técnica, mas integra sempre uma dimensão 
humanitária e solidária na direção da promoção do bem-estar de todos 
(GAUDENZI, 2004, p. 143).
Segundo Koerich, Machado e Costa,
para as teorias éticas, o desejável é o “ser”: ser livre e autônomo (o ser que 
pondera seus atos no respeito ao outro e no direito comum); ser que age 
para a benevolência e a beneficência (pratica o bem e não o nocivo); o ser 
que exercita a justiça (avalia atos, eventos e circunstâncias com a razão e não 
distorce a verdade); o ser virtuoso no caráter (solidário, generoso, tolerante, 
que ama a liberdade e o justo) (KOERICH; MACHADO; COSTA, 2005, p. 107).
As discussões sobre ética, segundo Koerich, Machado e Costa (2005), não podem abrir mão do 
princípio de responsabilidade, que permeia todas as questões éticas e se refere à:
•	 responsabilidade individual, assumida por cada um de nós;
•	 responsabilidade pública, referente ao papel e aos deveres dos Estados com a saúde e a 
vida das pessoas;
•	 responsabilidade planetária, nosso compromisso como cidadãos do mundo frente ao desafio de 
preservação do planeta.
Esses três pontos são fundamentais para discussão na formação do profissional de saúde. 
Ao escolher uma profissão de saúde, cada um de nós assume uma responsabilidade no cuidado 
do outro e ela é individual, pessoal. Também assumimos uma responsabilidade pública quando a 
atuação é no sistema público, de representar o Estado no cuidado com a vida das pessoas. E hoje em 
dia, frequentemente em discussão, a responsabilidade planetária, na qual cada um de nós precisa 
assumir seu compromisso com todos os cidadãos do mundo para a preservação do planeta (KOERICH; 
MACHADO; COSTA, 2005). É visível a necessidade de uma postura consciente, solidária, responsável e 
virtuosa dos profissionais.
O comportamento ético de profissionais da saúde não se restringe ao indivíduo, devendo ter um 
enfoque de responsabilidade social e ampliação dos direitos da cidadania, uma vez que sem cidadania 
não há saúde (KOERICH; MACHADO; COSTA, 2005).
21
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
2 FUNDAMENTOS DA BIOÉTICA
Agora que entendemos um pouco sobre a ética e seus fundamentos, vamos estudar uma parte da 
ética que envolve diretamente a área da saúde, especificamente os testes e pesquisas com seres humanos.
A bioética é uma forma de ética aplicada que caracteriza a sociedade, a cultura e os valores morais 
da civilização contemporânea (GAUDENZI, 2004).
Ela pode ser definida como:
o estudo sistemático de caráter multidisciplinar, da conduta humana na 
área das ciências da vida e da saúde, na medida em que esta conduta é 
examinada à luz dos valores e princípios éticos (KOERICH; MACHADO; 
COSTA, 2005, p. 108).
Para Garrafa,
a bioética, assim, diferentemente da ética profissional e deontológica, de 
cunho legalista, não tem por base a proibição, a limitação ou a negação. Ao 
contrário, atua com base na legitimidade das ações e situações, tratando 
de atuar afirmativamente, positivamente. Para ela, a essência é a liberdade, 
porém, com compromisso e responsabilidade (GARRAFA, 2005, p. 11).
Marques Filho (2007) conta que a experimentação com seres humanos foi prática comum ao longo 
de séculos em todo o mundo, com diferentes padrões de ética e qualidade.
As pesquisas na área biomédica e com seres humanos sofreu grande avanço técnico na última 
metade do século passado e, paralelamente a esse avanço, acompanhamos abusos e conflitos éticos 
nesse processo. Foi nesse momento que surgiu o termo, um novo campo do conhecimento humano e 
uma nova disciplina acadêmica, a bioética. O surgimento desse tema dá voz a uma discussão importante 
sobre os limites das experimentações com seres humanos.
Segundo Garrafa (2005), a definição de bioética abarca a ética médica, mas não se limita a ela, e 
abrange mais que os limites tradicionais que tratam dos problemasresultantes das relações entre os 
profissionais de saúde e seus pacientes.
Ela não significa apenas uma moral do bem e do mal, ou um saber universitário a ser transmitido 
e aplicado diretamente na realidade concreta, como as ciências biomédicas ou sociais, por exemplo 
(GARRAFA, 2005).
Foi Van Rensselaer Potter, um bioquímico e pesquisador na área de câncer nos Estados Unidos, que 
empregou pela primeira vez o termo biotética, em 1971, com a publicação de seu livro. Van Rensselaer 
via a necessidade de desenvolver um novo campo da ética que discutisse a proteção do homem, de sua 
sobrevivência e melhora na qualidade de vida.
22
Unidade I
Outros pesquisadores – um deles, o obstetra holandês André Hellegers – se preocuparam em colocar 
esse termo para a medicina e as ciências biológicas, criando uma aplicação prática para esse novo 
campo de conhecimento, incorporando seus conceitos na prática médica assistencial.
Garrafa mostra que o desenvolvimento histórico da bioética compreende quatro etapas ou momentos 
bem determinados:
1 – A etapa da fundação, relacionada com os anos 1970, quando os primeiros 
autores estabelecem as bases conceituais;
2 – A etapa da expansão e consolidação, relacionada à década de 1980 […]
3 – A etapa da revisão crítica que compreende o período posterior aos 
anos 1990 até o início de 2005, onde os princípios da bioética foram 
questionados; […]
4 – A etapa de ampliação conceitual após a homologação em 10 de outubro 
de 2005, em Paris, da Declaração Universal de Bioética e Direitos Humanos 
da Unesco, ampliando a bioética para além da temática biomédica-
biotecnológica, para os campos social e ambiental (GARRAFA, 2005, p. 5).
Os princípios dessa nova bioética estão presentes até hoje: beneficência, não maleficência, 
autonomia e justiça.
Foi em 1947 que surgiram as primeiras normas reguladoras de pesquisa. Isso se dá em decorrência 
da Segunda Guerra Mundial e dos relatos de testes e abusos ocorridos dentro e fora dos campos de 
concentração. Essa foi uma parte muito triste da história da humanidade.
Decorrente desses abusos e como resultado de discussões internacionais sobre bioética, foi 
estabelecido o Código de Nuremberg, foi assinado por diversos países, inclusive o Brasil. Nesse código, 
há o princípio da autonomia reconhecido oficialmente. O Código de Nuremberg estabelece algumas 
normas importantes:
•	 estabelece a necessidade de estudos prévios em laboratório e em animais, antes de serem 
testados em humanos;
•	 a análise de riscos e benefícios da investigação proposta;
•	 a liberdade do sujeito de pesquisa de se retirar do estudo;
•	 adequada qualificação do pesquisador, entre outros.
23
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
 Lembrete
A autonomia de participar ou não de uma pesquisa foi estabelecida e 
respeitada após o Código de Nuremberg, princípio fundamental que era 
ignorado antes disso.
A história nos mostra que apesar do Código de Nuremberg, ainda existiam pesquisas com protocolos 
de abuso importante contra seres humanos. Nas décadas de 1950 e 1960 existiram diversas pesquisas 
que foram publicadas, mesmo não seguindo os princípios da bioética já vigentes no mundo.
A 18a Assembleia da Associação Médica Mundial, que ocorreu em 1964, reviu o Código de Nuremberg 
e aprovou a Declaração de Helsinque. Essa declaração passou por revisão posterior em 1975 (Tóquio), 
1983 (Veneza), 1989 (Hong Kong), 1996 (Somerset West) e 2000 (Edimburgo), e todas mantiveram o 
nome de Declaração de Helsinque.
Paralelamente a essa discussão e publicação, o Council for International Organization of Medical 
Sciences, junto à Organização Mundial da Saúde, elaborou na década de 1980 as Diretrizes internacionais 
para pesquisa biomédica com seres humanos.
Em 2005, a Conferência Geral da Unesco aprovou por aclamação a Declaração universal sobre bioética 
e direitos humanos. Esse é um marco importante, pois pela primeira vez todos os Estados-membros da 
Unesco (hoje 193 países) comprometeram-se com a comunidade internacional a respeitar e aplicar os 
princípios da bioética desta Declaração (UNESCO, 2006).
 Observação
Unesco é a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência 
e a Cultura e foi criada em 1945, após a Segunda Guerra Mundial.
A Declaração incorpora os princípios que norteiam o respeito pela dignidade humana, pelos direitos 
humanos e pelas liberdades fundamentais.
 Saiba mais
Leia na íntegra a Declaração universal sobre bioética e direitos humanos:
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E 
CULTURA (UNESCO). Declaração universal sobre bioética e direitos humanos. 
Portugal, 2006. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/
pf0000146180_por. Acesso em: 22 maio 2020.
24
Unidade I
A Declaração inicia mostrando às pessoas o papel importante de cada um na garantia dos 
princípios da bioética:
Consciente da capacidade única dos seres humanos de refletir sobre a sua 
existência e o seu meio ambiente, identificar a injustiça, evitar o perigo, 
assumir responsabilidades, procurar cooperação e dar mostras de um sentido 
moral que dá expressão a princípios éticos (UNESCO, 2006, p. 3).
No seu preâmbulo, apresenta suas bases para apresentar seus princípios:
1 – Dignidade humana e direitos humanos
Coloca como primeiro princípio a noção de que os interesses e o bem-estar do indivíduo devem 
prevalecer sobre o interesse exclusivo da ciência ou da sociedade (UNESCO, 2006).
2 – Efeitos benéficos e efeitos nocivos
Este é um princípio importante de qualquer pesquisa ou protocolo de atendimento, mostra que os 
efeitos benéficos diretos ou indiretos devem ser maximizados e deve ser minimizado qualquer efeito 
nocivo suscetível de afetar esses indivíduos.
3 – Autonomia e responsabilidade individual
Deve ser respeitada a autonomia das pessoas no que diz respeito à tomada de decisões, assumindo 
a respectiva responsabilidade e respeitando a autonomia dos outros.
4 – Consentimento
Qualquer procedimento só pode acontecer com o consentimento prévio, livre e esclarecido da 
pessoa em causa.
5 – Pessoas incapazes de exprimir seu consentimento
É importante promover proteção especial às pessoas que são incapazes de exprimir seu consentimento. 
O interesse da pessoa em causa deve estar em primeiro lugar na decisão de qualquer procedimento, e 
o benefício deve ser direto à saúde dessa pessoa. Deve ser, também, respeitada a recusa dessas pessoas 
em causa em participar na investigação.
6 – Respeito pela vulnerabilidade humana e integridade pessoal
Os grupos vulneráveis devem ser protegidos e deve ser respeitada a integridade pessoal dos 
indivíduos em causa.
25
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
7 – Vida privada e confidencialidade
Considerar como premissa o sigilo e o anonimato dos dados coletados.
8 – Igualdade, justiça e equidade
A igualdade de todos os seres humanos em dignidade e direitos deve ser respeitada para que todos 
sejam tratados de forma justa e equitativa.
9 – Respeito pela diversidade cultural e pelo pluralismo
Devem ser levados em conta a diversidade cultural e o pluralismo, mas nunca de forma a infringir a 
dignidade humana, os direitos humanos e as liberdades fundamentais.
10 – Solidariedade e cooperação
Valores que devem ser incentivados.
11 – Responsabilidade social e saúde
A promoção da saúde e o desenvolvimento social em benefício dos respectivos povos é um objetivo 
da Declaração e dos países-membros.
12 – Partilha dos benefícios
A publicação dos resultados de qualquer investigação científica deve ser obrigatória para 
todas as pesquisas.
13 – Proteção das gerações futuras
Deve ser considerada toda a repercussão possível das ciências da vida sobre as gerações futuras, 
especificamente na sua constituição genética.
14 – Proteção do meio ambiente, da biosfera e da biodiversidade
Importa tomar na devida conta a interação entre os seres humanos e as 
outras formas de vida, bem como a importância de um acesso adequado 
aos recursos biológicos e genéticos e de uma utilização adequada dessesrecursos, o respeito pelos saberes tradicionais, bem como o papel dos seres 
humanos na proteção do meio ambiente, da biosfera e da biodiversidade 
(UNESCO, 2006, p. 9).
26
Unidade I
2.1 Bioética no Brasil
A bioética é uma ética aplicada, neste caso, à vida, às relações entre as pessoas e às instituições.
Podemos ver a bioética, no Brasil, se desenvolvendo nesses campos, tanto no que se refere à discussão 
da atuação profissional e, especificamente, do profissional de saúde, assim como no que se refere à 
questão das pesquisas envolvendo seres humanos.
Em 1996, o Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde publicou a Resolução n. 196, criando 
o sistema CEP (Comitês de Ética em Pesquisa)/Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa). Esse foi 
um marco importante para a ciência brasileira, agregando a discussão sobre a postura do pesquisador 
frente ao participante de pesquisa. Nota-se uma melhora na qualidade das pesquisas desenvolvidas 
no país após a publicação dessa resolução e a participação dos CEPs na análise e no acompanhamento 
delas (MARQUES FILHO, 2007).
 Observação
O Sistema CEP/Conep faz parte do Conselho Nacional de Saúde, que 
integra o Ministério da Saúde.
No Brasil, o primeiro documento oficial que normatiza as pesquisas em saúde é a Resolução CNS 
n. 1, de 1988, do Conselho Nacional de Saúde. Em 1995 foi criado um grupo de trabalho especial para 
revisar as normas de pesquisa no Brasil. Esse grupo de trabalho foi composto por diversas áreas e 
inclusive representantes dos usuários. Desse grupo resultou a Resolução n. 196, de 1996.
Finalizando seus trabalhos, o GET elaborou a Resolução CNS 196/96, 
publicada no DO em 10 de outubro de 1996. Esta criou os Comitês de 
Ética em Pesquisa (Ceps), vinculados às instituições de pesquisas, exigindo 
que sua composição fosse multidisciplinar (não mais que metade dos 
membros pertencentes à mesma profissão), incluindo, obrigatoriamente, 
um representante dos usuários. Criou também a Comissão Nacional de Ética 
em Pesquisa (Conep), órgão máximo da área, ligado ao Conselho Nacional 
de Saúde (CNS) – Ministério da Saúde (MS). O professor Dr. Hossne define a 
resolução da seguinte maneira: a resolução não é cartorial, estatutária ou 
código. Ela é um instrumento que obriga a análise bioética dos projetos de 
pesquisa. Sem ser lei, tem força legal, sem ser coercitiva, é consistente para 
flexibilização com responsabilidade (MARQUES FILHO, 2007, p. 3).
Os princípios da criação do sistema CEP/Conep são:
•	 equidade;
•	 universalidade;
27
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
•	 descentralização;
•	 controle social.
 Observação
Equidade é a adaptação da regra considerando os critérios de justiça. 
A equidade considera a igualdade entre as pessoas e a justiça.
Além da equidade, a universalidade é um pilar importante não só para o sistema CEP/Conep, mas 
também para toda a sociedade brasileira.
 Lembrete
O Sistema CEP/Conep faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil.
A Constituição de 1988 coloca a universalidade como um dos princípios fundamentais do SUS. 
Esse mesmo princípio se encontra no sistema CEP/Conep e garante o mesmo cuidado para todos os 
brasileiros em território nacional, sem qualquer tipo de discriminação. Nesse sentido, toda e qualquer 
pessoa deve ser vista como detentora do direito de ser tratada de forma ética e bioética pelo serviço de 
saúde e pelas pesquisas que envolvem seres humanos.
No que se refere à descentralização do sistema, é uma característica importante para que haja a 
cobertura de todo o território nacional pelos comitês de ética em pesquisa. Assim, todos os centros de 
pesquisa no país podem solicitar um CEP no seu local para acompanhar e garantir a eticidade das pesquisas.
E, por fim, uma caraterística e princípio importante do sistema é o controle social, que faz parte 
da democracia e consiste na participação e no acompanhamento por parte do cidadão das decisões 
tomadas pelo poder público. Neste caso específico, o controle social participa da avaliação e aprovação 
de pesquisas com seres humanos. A participação do cidadão traz não só a visão do participante da 
pesquisa, como também mostra os campos de estudo que são importantes para a sociedade.
Esses quatro princípios do CEP/Conep sustentam as ações e a organização do sistema, pois ele garante 
a equidade (a justiça considerando a igualdade entre as pessoas), a universalidade (todos os brasileiros 
e todas as pesquisas em território nacional respondem ao sistema), a descentralização (formando CEPs 
nos centros de pesquisa para atuar na defesa da bioética) e o controle social. Este último é uma das 
características mais importantes do sistema, pois a participação social acontece em todas as instâncias, 
ela garante o controle da eticidade das pesquisas e o direito das pessoas em participar de pesquisas 
de seu interesse.
Vamos agora conversar sobre os quatro princípios da bioética, a saber:
28
Unidade I
•	 beneficência;
•	 não maleficência;
•	 autonomia;
•	 justiça ou equidade.
A beneficência está relacionada ao dever de ajudar o outro, de fazer ou promover o bem a favor do 
interesse do outro. Nessa discussão tem o claro reconhecimento do valor moral do outro e entende-se 
que ao maximizar o seu bem, pode-se reduzir o mal.
Nesse sentido, o profissional se compromete a avaliar os riscos e os benefícios potenciais (individuais 
e coletivos) e, ao analisar esses dois pontos, busca-se o máximo de benefícios e o mínimo de riscos ou 
danos (KOERICH; MACHADO; COSTA, 2005).
 Observação
Quando se fala de beneficência, é importante entender que, como 
profissionais da saúde, devemos fazer o que é benéfico do ponto de vista 
da saúde para os seres humanos.
Outro ponto importante desse princípio é a necessidade do pleno desenvolvimento das competências 
inerentes à profissão, pois só dessa forma o profissional conseguirá decidir de forma correta o que é 
benefício ou risco ao paciente (KOERICH; MACHADO; COSTA, 2005).
O princípio de não maleficência, por sua vez, implica o dever de evitar fazer qualquer mal para 
clientes/pacientes/participantes de pesquisa. Isso engloba desde atividades/procedimentos que não lhes 
provoquem danos até aqueles que possam colocá-los em risco. Nesse item, novamente é necessário o 
adequado desenvolvimento das competências profissionais para que o nutricionista avalie e evite os 
possíveis e previsíveis danos (KOERICH; MACHADO; COSTA, 2005).
 Lembrete
Quando se fala de bioética, não basta ter boas intenções. Deve haver 
comprometimento técnico e conhecimento para que não coloque a vida 
do outro em risco.
Em relação à autonomia, esse princípio considera o poder dos indivíduos de decidir sobre si mesmos. 
De forma geral, é relativo à liberdade de cada ser humano e essa liberdade deve ser assegurada, protegida 
e garantida pelo profissional de saúde.
29
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Essa liberdade e autonomia tem um limite, relativo a situações em que a vontade do indivíduo não 
coloque outras pessoas em risco.
A autonomia não nega influência externa, mas dá ao ser humano a 
capacidade de refletir sobre as limitações que lhe são impostas, a partir das 
quais orienta a sua ação frente aos condicionamentos (KOERICH; MACHADO; 
COSTA, 2005, p. 109).
Como é um direito do ser humano exercer sua autonomia, é um dever de todos respeitá-la. Isso 
implica o reconhecimento de que o indivíduo pode ter pontos de vista, que deve deliberar e tomar 
decisões seguindo seu próprio plano de vida e ação, embasado em crenças e valores. Esse respeito deve 
se dar mesmo que exista divergência de opinião, sendo que o limite dessa autonomia é expor o outro ou 
a si mesmo a um risco desnecessário.
O princípio da justiça refere-se ao retorno para a sociedade de forma coerente e adequada dos 
deveres e benefícios sociais.
Dessa forma, é notório que a ética em saúde é permeada pelo pensar coerente, pela introspecção e 
pela cobrança de irmos além da boa intenção e tomarmos decisões que não causem danosao indivíduo.
Mesmo considerando os princípios que regem tanto o sistema CEP/Conep como a Resolução 
n. 196/96, válidos e importantes, depois de 15 anos da sua publicação iniciou-se um processo de revisão 
dessa Resolução. Durante pouco mais de um ano foi discutida e elaborada uma nova resolução, que 
foi enviada e aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde em 12 de dezembro de 2012 (NOVOA, 2014). 
Dessa forma, atualmente, quando se trata de pesquisas com seres humanos, estamos sob as orientações, 
direcionamentos e regras desta última resolução.
Considerando essa resolução como um guia para elaboração de protocolos de pesquisa e uma fonte 
preciosa de informação sobre bioética, faremos uma leitura de seus principais pontos.
 Saiba mais
Leia a Resolução 466/12 na íntegra:
BRASIL. Resolução CNS 466, de 12 de dezembro de 2012. Dispõe sobre as 
diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. 
Diário Oficial da União, 13 jun. 2012b. Disponível em: https://conselho.saude.
gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdf. Acesso em: 25 maio 2020.
No seu preâmbulo, a Resolução apresenta todas as referências teóricas que foram utilizadas para sua 
elaboração e que sustentam as decisões ali tomadas.
30
Unidade I
Após esta introdução, ela apresenta termos e definições. Este item é muito importante porque 
padroniza termos que envolvem a bioética, não permitindo o uso inadequado dos conceitos. Dois 
dos mais importantes e que são questionados em todas as pesquisas são os de risco e benefício, pois 
a pesquisa só pode acontecer quando o benefício ao participante é maior do que o risco para sua 
integridade e saúde. Nas palavras da Res. 466 (III1.b),
a eticidade da pesquisa implica ponderação entre riscos e benefícios, tanto 
conhecidos como potenciais, individuais ou coletivos, comprometendo-se 
com o máximo de benefícios e o mínimo de danos e riscos (BRASIL, 2012b, p. 3).
Para a Resolução:
Risco da pesquisa – possibilidade de danos à dimensão física, psíquica, 
moral, intelectual, social, cultural ou espiritual do ser humano, em qualquer 
pesquisa e dela decorrente (BRASIL, 2012b, p. 3).
Na definição fica claro que o risco que é analisado é relativo ao participante da pesquisa, que é o 
indivíduo que aceita ser pesquisado.
Portanto, nesse momento, não se trata de qualquer risco do protocolo ou risco para os pesquisadores, 
mas de forma exclusiva da ciência dos riscos que o indivíduo que se submete à pesquisa pode ter em 
relação à sua integridade.
Em relação aos benefícios:
Benefícios da pesquisa – proveito direto ou indireto, imediato ou posterior, 
auferido pelo participante e/ou sua comunidade em decorrência de sua 
participação na pesquisa (BRASIL, 2012b, p. 2).
Considerando as definições relativas ao participante, o conceito de vulnerabilidade também é 
importante para ser considerado nas pesquisas:
Estado de pessoas ou grupos que, por quaisquer razões ou motivos, tenham a 
sua capacidade de autodeterminação reduzida ou impedida, ou de qualquer 
forma estejam impedidos de opor resistência, sobretudo no que se refere ao 
consentimento livre e esclarecido (BRASIL, 2012b, p. 3).
Além dessas definições, este item traz duas figuras importantes para as pesquisas: o Termo de 
consentimento livre e esclarecido e o Termo de assentimento. Esses termos são documentos importantes 
para o processo de consentimento e participação do cidadão na pesquisa.
31
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Termo de consentimento livre e esclarecido:
TCLE – documento no qual é explicitado o consentimento livre e esclarecido 
do participante e/ou de seu responsável legal, de forma escrita, devendo 
conter todas as informações necessárias, em linguagem clara e objetiva, de 
fácil entendimento, para o mais completo esclarecimento sobre a pesquisa a 
qual se propõe participar (BRASIL, 2012b, p. 3).
Termo de assentimento:
Documento elaborado em linguagem acessível para os menores ou para os 
legalmente incapazes, por meio do qual, após os participantes da pesquisa 
serem devidamente esclarecidos, explicitarão sua anuência em participar 
da pesquisa, sem prejuízo do consentimento de seus responsáveis legais 
(BRASIL, 2012b, p. 3).
Então, nessas definições, fica claro que alguém só pode participar da pesquisa se entender os 
procedimentos e as consequências nas quais vai ser submetido e que consente em participar de forma 
livre após esse entendimento. Isso quando se trata de um adulto, no caso de uma criança ou para os 
legalmente incapazes, o seu responsável precisa consentir, também de forma livre e esclarecida. Mas 
a partir desta resolução aparece mais uma questão importante, não é porque o responsável autoriza 
que o indivíduo é obrigado a participar. É importante ter a anuência dele também, através do termo de 
assentimento. O indivíduo que será submetido à pesquisa deve concordar em participar.
Também é importante considerar que o consentimento é livre, ou seja, o participante não pode ser 
coagido a consentir. A participação é voluntária e livre.
No item III dos aspectos éticos da pesquisa envolvendo seres humanos, destaca-se:
III.2 – As pesquisas, em qualquer área do conhecimento envolvendo seres 
humanos, deverão observar as seguintes exigências:
a) ser adequada aos princípios científicos que a justifiquem e com 
possibilidades concretas de responder a incertezas;
b) estar fundamentada em fatos científicos, experimentação prévia e/ou 
pressupostos adequados à área específica da pesquisa;
c) ser realizada somente quando o conhecimento que se pretende obter não 
possa ser obtido por outro meio;
d) buscar sempre que prevaleçam os benefícios esperados sobre os riscos e/ou 
desconfortos previsíveis;
32
Unidade I
e) utilizar os métodos adequados para responder às questões estudadas, 
especificando-os, seja a pesquisa qualitativa, quantitativa ou 
quali-quantitativa;
[…]
g) obter consentimento livre e esclarecido do participante da pesquisa 
e/ou seu representante legal, inclusive nos casos das pesquisas que, por sua 
natureza, impliquem justificadamente, em consentimento a posteriori;
[…]
i) prever procedimentos que assegurem a confidencialidade e a privacidade, 
a proteção da imagem e a não estigmatização dos participantes da 
pesquisa, garantindo a não utilização das informações em prejuízo das 
pessoas e/ou das comunidades, inclusive em termos de autoestima, de 
prestígio e/ou de aspectos econômico-financeiros;
[…]
k) respeitar sempre os valores culturais, sociais, morais, religiosos e 
éticos, como também os hábitos e costumes, quando as pesquisas 
envolverem comunidades;
[…]
n) assegurar aos participantes da pesquisa os benefícios resultantes do 
projeto, seja em termos de retorno social, acesso aos procedimentos, produtos 
ou agentes da pesquisa;
o) assegurar aos participantes da pesquisa as condições de acompanhamento, 
tratamento, assistência integral e orientação, conforme o caso, enquanto 
necessário, inclusive nas pesquisas de rastreamento;
[…]
q) utilizar o material e os dados obtidos na pesquisa exclusivamente para 
a finalidade prevista no seu protocolo, ou conforme o consentimento 
do participante; […] (BRASIL, 2012b, p. 3-4).
Essas exigências são importantes para a elaboração de pesquisas e protocolos corretos de pesquisas. 
Somando à análise sobre os riscos e benefícios aos participantes, existe a análise sobre a qualidade da 
pesquisa. É importante e necessário que os pesquisadores mostrem os fundamentos da pesquisa, a 
importância, a relevância e a adequação dos objetivos e métodos da pesquisa.
33
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Os pesquisadores são envolvidos nesse processo, pois devem prever e garantir confidencialidade e 
privacidade dos dados.
Além dos requisitos anteriormente apresentados, para que um indivíduo participe de uma pesquisa 
é necessário que ele dê seu consentimento de forma livre e esclarecida. Para isso, a Resolução n. 466/12 
orienta a elaboração do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e normatiza:
Item IV. 5 – O Termode Consentimento Livre e Esclarecido deverá, ainda:
a) conter declaração do pesquisador responsável que expresse o cumprimento 
das exigências contidas nos itens IV. 3 e IV.4, este último se pertinente;
[…]
c) ser aprovado pelo CEP perante o qual o projeto foi apresentado e pela 
Conep, quando pertinente; e
d) ser elaborado em duas vias, rubricadas em todas as suas páginas e 
assinadas, ao seu término, pelo convidado a participar da pesquisa, ou 
por seu representante legal, assim como pelo pesquisador responsável, ou 
pela(s) pessoa(s) por ele delegada(s), devendo as páginas de assinaturas estar 
na mesma folha. Em ambas as vias deverão constar o endereço e contato 
telefônico ou outro, dos responsáveis pela pesquisa e do CEP local e da 
Conep, quando pertinente (BRASIL, 2012b, p. 6).
Ou seja, esse documento deve, além de explicar a pesquisa, conter todos os direitos do participante 
e as garantias de que as informações colhidas na pesquisa não serão utilizadas ou publicadas de forma 
a expor o participante.
Voltando à discussão sobre riscos e benefícios, a Resolução n. 466/12 abre um capítulo específico 
para isso. Ela afirma um dos pontos mais importantes e que todo pesquisador deve reconhecer:
Toda pesquisa com seres humanos envolve risco em tipos e gradações 
variados. Quanto maiores e mais evidentes os riscos, maiores devem ser os 
cuidados para minimizá-los e a proteção oferecida pelo Sistema CEP/Conep 
aos participantes (BRASIL, 2012b, p. 7).
Ou seja, se toda pesquisa com seres humanos envolve algum risco ao participante, toda pesquisa 
envolvendo eles deve ser apresentada e avaliada pelo sistema CEP/Conep.
34
Unidade I
Neste item da Resolução, ela discorre sobre a admissibilidade do risco:
V.1 – As pesquisas envolvendo seres humanos serão admissíveis quando:
a) o risco se justifique pelo benefício esperado; e
b) no caso de pesquisas experimentais da área da saúde, o benefício seja 
maior, ou, no mínimo, igual às alternativas já estabelecidas para a prevenção, 
o diagnóstico e o tratamento.
V.2 – São admissíveis pesquisas cujos benefícios a seus participantes forem 
exclusivamente indiretos, desde que consideradas as dimensões física, 
psíquica, moral, intelectual, social, cultural ou espiritual desses.
V.3 – O pesquisador responsável, ao perceber qualquer risco ou dano 
significativos ao participante da pesquisa, previstos, ou não, no Termo de 
Consentimento Livre e Esclarecido, deve comunicar o fato, imediatamente, 
ao Sistema CEP/Conep, e avaliar, em caráter emergencial, a necessidade de 
adequar ou suspender o estudo.
V.4 – Nas pesquisas na área da saúde, tão logo constatada a superioridade 
significativa de uma intervenção sobre outra(s) comparativa(s), o pesquisador 
deverá avaliar a necessidade de adequar ou suspender o estudo em curso, 
visando oferecer a todos os benefícios do melhor regime.
V.5 – O Sistema CEP/Conep deverá ser informado de todos os fatos relevantes 
que alterem o curso normal dos estudos por ele aprovados e, especificamente, 
nas pesquisas na área da saúde, dos efeitos adversos e da superioridade 
significativa de uma intervenção sobre outra ou outras comparativas.
V.6 – O pesquisador, o patrocinador e as instituições e/ou organizações 
envolvidas nas diferentes fases da pesquisa devem proporcionar assistência 
imediata, nos termos do item II.3, bem como responsabilizarem-se pela 
assistência integral aos participantes da pesquisa no que se refere às 
complicações e danos decorrentes da pesquisa.
V.7 – Os participantes da pesquisa que vierem a sofrer qualquer tipo de 
dano resultante de sua participação na pesquisa, previsto ou não no Termo 
de Consentimento Livre e Esclarecido, têm direito à indenização, por parte 
do pesquisador, do patrocinador e das instituições envolvidas nas diferentes 
fases da pesquisa (BRASIL, 2012b, p. 7-8).
Ao mesmo tempo que o participante deve estar ciente e consciente dos procedimentos que serão 
realizados com ele durante a pesquisa, os pesquisadores devem estar cientes e conscientes dos riscos, 
35
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
para minimizá-los ao máximo. Desta forma, todos os documentos que decorrem de um projeto de 
pesquisa têm o objetivo de proteger o participante de pesquisa. A proteção do participante é um dos 
eixos da bioética trabalhada na Resolução n. 466/12.
Durante os próximos itens da resolução é apresentado o sistema CEP/Conep, suas atribuições e dos 
procedimentos de análise ética das pesquisas, consistindo em conteúdo mais técnico da Resolução.
É importante ressaltar que a formação de bacharel em Nutrição confere ao profissional formado 
o direito de propor estudos na sua área de atuação e pesquisa. No sistema CEP/Conep, o aluno de 
graduação não pode ser um pesquisador responsável por uma pesquisa, mas um profissional já formado, 
pode. Por esse motivo, a discussão sobre bioética em pesquisa na graduação é um ponto importante 
na sua formação.
 Saiba mais
Atualmente, as pesquisas são cadastradas e avaliadas pela 
Plataforma Brasil. Acesse:
http://plataformabrasil.saude.gov.br/
3 DEONTOLOGIA E CÓDIGO DE ÉTICA
Ao longo dos tempos, os princípios morais têm servido como norteadores das ações humanas, 
de forma a garantir a sobrevivência (GAUDENZI, 2004). A ética estuda os princípios fundamentais 
e sistemas morais, legitimados pela sociedade, ou seja, é a parte da filosofia que considera os atos 
humanos como aceitos ou não. Logo, ações consideradas adequadas ou inadequadas são resultantes do 
que foi socialmente convencionado (CLOTET, 2000).
Desde o final do século XX, o pensamento ético caracteriza-se pelo crescente interesse na solução dos 
problemas de ordem individual e coletiva que preocupam as autoridades e a sociedade como um todo. 
No cerne da área da saúde, o debate ético se mostra ainda mais complexo, devido à própria natureza das 
profissões e suas relações com os colegas de trabalho, pacientes, clientes e usuários (GAUDENZI, 2004).
Nesta perspectiva, devemos reconhecer que os problemas éticos emergem nas relações de trabalho 
provavelmente porque nossos valores morais não estão suficientemente interiorizados para que 
possamos agir sempre de forma considerada eticamente correta. Dessa forma, os conflitos no ambiente 
de trabalho são inevitáveis, em virtude da complexidade do ser humano, tendo em vista as diferentes 
personalidades, as aspirações e os níveis de frustrações, assim como o princípio da autonomia que se 
depara no desafio de cada pessoa encontrar seus limites na responsabilidade que temos no respeito à 
autonomia da outra (CLOTET, 2000; GAUDENZI, 2004).
36
Unidade I
Em vista do que foi exposto, é muito importante que haja uma ética aplicada a essas questões, a qual 
é conhecida como deontologia. Do ponto de vista etimológico, o termo deontologia deriva do grego 
déon e déontos, que significam dever; e logos, que significa razão. Tanto déon quanto déontos também 
podem ser traduzidos como tratado e, desse modo, a deontologia seria o tratado/conjunto de deveres, 
princípios e normas adotadas por um determinado grupo de indivíduos (RASCHE, 2005).
Essa terminologia foi introduzida em 1834 pelo filósofo inglês Jeremy Bentham, para falar sobre 
o ramo da ética que estuda o fundamento do dever e das normas, pautado no tripé formado pela 
existência do dever; pela natureza do dever; e pelas consequências do dever. Atualmente, a deontologia 
se refere ao conjunto normativo de imposições que deve reger os comportamentos dos membros de 
uma determinada profissão, de forma a alcançar a excelência no trabalho, garantir a confiança do 
público e proteger a reputação da profissão (CFN, 2018).
É pertinente salientar que, de uma forma mais abrangente, a ética concebe os princípios morais, 
subjacentes a todo o comportamento humano em sociedade, e a deontologia poderia ser denominada 
como uma dimensão ética de uma certa profissão que abrange os deveres dos profissionais nas relações 
com seus colegas de trabalho e na contribuição com a sociedade civil (DANTAS;SOUSA, 2008).
Tendo em vista as mudanças abruptas dos valores dentro da sociedade contemporânea, a ética 
profissional é fundamental, uma vez que se parte do pressuposto de que ela trilha os caminhos da 
bioética, associando o conhecimento técnico e biológico aos valores humanos (SOUZA, 2016). Na 
atuação profissional, é necessário levar em consideração os contextos micro e macro da vida humana, a 
fim de se identificar valores e princípios presentes na sociedade.
Nesse segmento, os códigos deontológicos, conhecidos por códigos de ética (CE) se mostram 
instrumentos eficazes na proteção tanto aos profissionais quanto àqueles que recorrem a esse bem 
ou serviço (SILVA; LAMELA, 2009). Um CE tem por finalidade apresentar os princípios que o grupo 
de profissionais deverá utilizar como referência para suas atividades no trabalho. Inversamente, esses 
mesmos princípios também servirão como recurso para avaliar e julgar as ações desse grupo em relação 
à sociedade (AMENDOLA, 2014).
McGarry ressalta que:
a validade da ética profissional reside no papel que a pessoa desempenha e 
na confiança depositada no “profissional”, que ganha ênfase em sociedades 
tecnologicamente complexas nas quais, a aplicação de conhecimento por 
especialistas tende a aumentar. Além disso, a conduta ética profissional 
envolve os interesses do grupo, com base no interesse em garantir a 
sobrevivência de cada um, os interesses de realização pessoal obtida por 
meio do exercício profissional adequado, no sentido tanto de preservar 
como de enobrecer a si e à profissão (MCGARRY, 1999, p. 175).
Regra geral, os códigos de ética se baseiam nas grandes declarações universais e nos direitos humanos 
e esforçam-se por traduzir o sentimento ético expresso nestas, adaptando-o às particularidades de cada 
37
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
país e de cada grupo profissional. Outrossim, estes códigos propõem sanções, segundo princípios e 
procedimentos explícitos, para os infratores dele. De acordo com o avançar dos anos, os documentos 
deontológicos podem sofrer revisões para se adequar às mudanças na sociedade. Sendo assim, os códigos 
de ética tornam as condutas profissionais adequadas à realidade, devendo sempre estar abertos ao 
novo. No entanto, as classes profissionais devem garantir que os CE não contemplem somente interesse 
da classe profissional.
No que diz respeito à deontologia da nutrição, inicialmente é necessário que lembremos que a 
nutrição é uma ciência entendida como um direito fundamental do ser humano e a alimentação é 
reconhecida no Brasil pela Constituição Federal, como um direito social, devendo o poder público 
adotar as políticas e ações que se façam necessárias para promover e garantir a segurança alimentar e 
nutricional da população (BRASIL, 2010). Uma vez que o nutricionista exerce um papel fundamental em 
diferentes âmbitos sociais, o código de ética determina que suas ações sejam baseadas em:
•	 Prestigiar e dignificar a profissão.
•	 Atuar com independência profissional.
•	 Exercer a sua atividade com diligência e zelo.
•	 Utilizar os instrumentos científicos e técnicos, desenvolvendo uma prática informada e conduzida 
pela evidência científica.
•	 Comprometer-se com a atualização contínua dos seus conhecimentos e capacidades científicas, 
técnicas e profissionais.
•	 Fornecer informações claras ao paciente/cliente, para que ele possa ter autonomia nas suas 
escolhas, podendo consentir ou declinar voluntariamente a uma determinada avaliação ou a um 
específico tratamento nutricional.
•	 Colocar suas habilidades ao serviço do interesse público inerente à profissão.
•	 Reconhecer as suas competências profissionais e preservar a autonomia da profissão, procurando 
apoio multidisciplinar quando necessário.
•	 Conhecer e agir com respeito pelos preceitos legais e regulamentares.
•	 Identificar-se de forma precisa como membro da ordem, através do nome profissional e do número 
de cédula profissional.
De acordo com o Código de ética do nutricionista, quando os membros de uma coletividade 
compartilham maneiras de pensar, sentir e agir, configura-se uma realidade social cuja estrutura e 
funcionamento dependem de um conjunto de normas que condicionam as relações entre seus membros, 
conferindo-lhe coerência. Essas normas se expressam na compreensão do seu papel e no respeito às 
38
Unidade I
atribuições de outros profissionais. As condutas técnicas, políticas e éticas esperadas de um nutricionista, 
quando construídas a partir do compartilhamento de valores, identificam a ação social de uma categoria 
coesa e harmônica, que assim se apresenta à sociedade e é por ela reconhecida (CFN, 2018). Desse 
modo, a ética profissional deve se sobrepor a interesses econômicos, políticos, de marketing, de status 
social, entre outros.
4 CÓDIGO DE ÉTICA DO NUTRICIONISTA
Historicamente, as regras morais responsáveis pela fundação e pela sobrevivência de uma sociedade 
foram passadas de geração em geração por meio de documentos escritos, os quais deram base para a 
sustentação da moralidade de um povo (NEVES; SIQUEIRA, 2010).
De maneira geral, os documentos que compilam as regras morais de uma sociedade tentam garantir 
a adequada convivência social por meio do conhecimento das atitudes que são consideradas aceitas ou 
não dentro de um determinado grupo de pessoas. Além disso, estas passam a ter convicção dos limites 
legais e das eventuais penalidades que regulamentam as relações interpessoais (NEVES, 2008).
A deontologia é definida como um conjunto de princípios e regras de conduta de uma determinada 
profissão. Neste sentido, cada profissional tem suas ações norteadas pelos códigos deontológicos, que 
seguem o mesmo caminho dos demais documentos que regem o comportamento de um determinado 
grupo de pessoas (NEVES, 2008).
Mediante o aumento da abrangência e da visibilidade que a nutrição vem alcançando nas últimas 
décadas, é indispensável a existência de um documento deontológico que permita que os profissionais 
consigam discernir sobre as condutas que podem ou não ser adotadas. Desse modo, o Código de ética e 
conduta do nutricionista (CEN) traz uma série de normas que regem os procedimentos técnicos, políticos 
e éticos esperados do profissional, de forma a condicionar o comportamento individual e as relações 
entre os membros da classe. Sendo assim, espera-se que haja um trabalho coeso e harmônico de todos 
os nutricionistas, a fim de promover a melhoria da alimentação e a nutrição da sociedade (CFN, 2018).
4.1 Breve histórico sobre a elaboração do novo Código de ética e de 
conduta do nutricionista
Questões éticas e morais de uma profissão podem sofrer modificações ao longo dos anos e, desse 
modo, as autarquias responsáveis precisam estabelecer novas regras de conduta profissional. No âmbito 
da nutrição, em decorrência das mudanças da ampliação dos campos de atuação profissional e dos 
avanços da ciência, em 2014 o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN) determinou que era o momento 
de atualizar o CEN de forma a padronizar as condutas profissionais em prol de zelar pelo decoro da 
profissão e de garantir à saúde da população (CFN, 2018).
Frente a esse cenário, a Resolução CFN n. 541, de 14 de maio de 2014, alterou o Código de ética 
do nutricionista, aprovado pela Resolução CFN n. 334, de 2004. No entanto, apenas alguns artigos 
sofreram modificações (CFN, 2014), o que caracterizou uma desvantagem perante a rapidez das 
mudanças supracitadas.
39
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Desse modo, entre os anos de 2014 e 2018 foram realizados eventos com a participação de 
profissionais e estudantes que puderam contribuir de forma democrática com suas próprias opiniões 
acerca da elaboração de um novo documento para reger o comportamento da classe profissional no 
decorrer dos próximos anos. Além de estudantes e profissionais, entidades da classe, como a Asbran, 
também cederam espaço às discussões relacionadas à construção do código de ética (CFN, 2018). Como 
resultado, em 25 de fevereirode 2018 a Resolução do CFN n. 599 foi publicada, aprovando a criação do 
novo CEN e revogando a Resolução CFN n. 334, de 2004.
 Saiba mais
Você pode encontrar as resoluções na íntegra no site do Conselho 
Federal de Nutricionistas (CFN):
http://resolucao.cfn.org.br/
O novo CEN traz diferenciais extremamente importantes quando comparado aos anteriores. A seguir 
estão destacados quatro deles:
•	 O primeiro refere-se justamente ao nome do código, que passou de Código de ética do nutricionista 
para Código de ética e de conduta do nutricionista. Ao inserir o termo conduta, o CFN deixa claro 
o intuito de transcender as questões éticas para além das normas, destacando o compromisso 
social do profissional (CFN, 2018).
•	 O segundo diferencial concerne ao papel de educador que o nutricionista carrega consigo. 
Dessa forma, o profissional possibilita que sua atuação seja pautada na autonomia e no senso 
crítico (CFN, 2018).
•	 O terceiro diferencial se relaciona com questões sustentáveis. No decorrer do exercício da 
profissão (independentemente da área de atuação) o nutricionista deve trazer à luz reflexões 
acerca do impacto ambiental que os itens de sua prescrição dietética/dietoterápica promoveram 
ou irão promover (CFN, 2018). Ao analisarmos essa questão do ponto de vista ecológico e social, 
o profissional tem um papel extremamente relevante para com o meio ambiente.
•	 O quarto diz respeito à inserção do nutricionista em questões políticas, com o intuito de instigar 
os profissionais a questionarem seu papel na efetiva aplicação de políticas públicas relacionadas 
a nutrição e alimentação. Você pode se questionar sobre qual seria o real impacto da sua futura 
profissão nesse cenário e é dito aqui apenas um foco central: garantir a Segurança Alimentar e 
Nutricional (SAN) e o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) (CFN, 2018).
40
Unidade I
4.2 Estrutura do Código de ética e conduta do nutricionista
Alguns dos principais diferenciais do novo CEN, juntos, traçam uma direção contemporânea sobre a 
atuação do profissional na construção das condutas técnicas, políticas e éticas para o exercício profissional. 
Para tanto, ele é composto pelos princípios fundamentais e mais dez capítulos, totalizando cem artigos.
4.2.1 Princípios fundamentais
Os princípios fundamentais são compostos por oito artigos, os quais abrangem as bases que devem 
nortear a atuação profissional. Eles abordam a necessidade que o nutricionista tem no compromisso de 
conhecer e pautar sua atuação profissional nos princípios da Constituição Federal (CFN, 2018) porque 
é importante levarmos em consideração que, para garantir a excelência no exercício da profissão, não 
podemos deixar de olhar para o indivíduo/a coletividade de forma holística, que deve ter início nos 
aspectos humanos dos pacientes/clientes.
A Constituição Federal atual (5 de outubro de 1988) é a sétima desde a Independência do país. Ela é definida 
como um conjunto de leis fundamentais que organiza e rege o funcionamento de um país e serve como garantia 
dos direitos e deveres dos cidadãos. Dentre todos os artigos da Constituição, o 5º possui uma forte relação com o 
CEN, pois se baseia na carta dos direitos humanos elaborada pelo ONU e descreve que todos são iguais perante 
a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (BRASIL,1988).
 Saiba mais
Acesse na íntegra a Constituição Federal de 1988:
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos 
Jurídicos. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. 
Acesso em: 26 maio 2020.
A partir de agora, vamos descrever os demais artigos do CEN, para que você possa visualizar melhor 
como eles se relacionam com a nossa Constituição.
•	 Art. 2º: a atuação do nutricionista deve ser pautada pela defesa do direito à saúde, do direito 
humano à alimentação adequada e da segurança alimentar e nutricional de indivíduos e 
coletividades. O artigo 196º da Constituição Federal assegura que a saúde é um:
direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e 
econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos 
e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, 
proteção e recuperação (BRASIL,1988; ONU, 1948).
41
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Desse modo, o profissional deverá contribuir na prevenção e no tratamento das doenças e de suas 
comorbidades. Cabe ainda destacar que o direito humano à alimentação adequada está contemplado 
no artigo 25 da Declaração universal dos direitos humanos do ano de 1948 e consiste no acesso físico e 
econômico de todos os cidadãos aos alimentos e aos recursos que permitem o plantio e a colheita dos 
mesmos de forma contínua (CONSEA, 2017; CONTI; SCHROEDER, 2013).
•	 Art. 3º: ao analisar esse artigo, você perceberá que ele tem relação direta com o artigo 5º da 
Constituição Federal do Brasil, pois impõe a obrigatoriedade de o nutricionista exercer suas 
atividades respeitando a vida, a singularidade e pluralidade, as dimensões culturais e religiosas, de 
gênero, de classe social, raça e etnia, a liberdade e diversidade das práticas alimentares, de forma 
dialógica, sem discriminação de qualquer natureza em suas relações profissionais.
Na prática clínica, a atuação do nutricionista precisa se diferenciar e carregar consigo um olhar 
abrangente sobre a alimentação e sua relação com a saúde e o bem-estar, visto que a alimentação vai 
muito além da ingestão de nutrientes (BRASIL, 2014).
•	 Art. 4º: o nutricionista deve se comprometer com o contínuo aprimoramento profissional para a 
qualificação técnico-científica dos processos de trabalho e das relações interpessoais, visando à 
promoção da saúde e à alimentação adequada e saudável de indivíduos e coletividades.
Com o avançar da ciência da nutrição, é imprescindível que a atualização técnica seja realizada. No 
caso de um nutricionista errar na prescrição dietética/dietoterápica por não estar atualizado na área em 
questão, ele cometerá imperícia (CFN, 2018).
•	 Art. 5º: o nutricionista, no exercício pleno de suas atribuições, deve atuar nos cuidados relativos 
à alimentação e à nutrição voltados à promoção e à proteção da saúde, prevenção, diagnóstico 
nutricional e tratamento de agravos, como parte do atendimento integral ao indivíduo e 
à coletividade, utilizando todos os recursos disponíveis ao seu alcance, tendo o alimento e a 
comensalidade como referência.
A proteção à saúde implica o direito de cidadania e necessita da atuação do Estado na garantia do 
seu acesso, de forma universal, e no controle dos elementos que interferem na saúde da população. 
Os deveres de proteção a serem concretizados fazem parte de um leque de ações do campo da saúde 
que envolvem normas penais de tutela de bens jurídicos conexos como vida, integridade física, meio 
ambiente e saúde pública (LOBATO; GIOVANELLA, 2013; SETA et al. 2017).
Ao levarmos em consideração a comensalidade, damos um passo importante tanto na prevenção 
quanto no tratamento de patologias, visto que ela envolve não somente o que se come, mas, 
principalmente, como se come. Nesse sentido, hoje a comensalidade é considerada um dos fatores 
estruturantes da organização social, inclusive no contexto familiar (MOREIRA, 2010).
•	 Art. 6º: a atenção nutricional prestada pelo nutricionista deve ir além do significado biológico da 
alimentação e considerar suas dimensões ambiental, cultural, econômica, política, psicoafetiva, 
social e simbólica.
42
Unidade I
Esse artigo aborda questões que são de extrema relevância na sociedade contemporânea. Diversos 
são os casos de transtornos alimentares e de imagem que acontecem, muitas vezes, em decorrência da 
negligência de profissionais e/ou leigos nos aspectos que circundam a saúde como umtodo.
 Observação
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde é um 
bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidades.
•	 Art. 7º: na atuação profissional, é fundamental que o nutricionista participe de espaços de diálogo 
e decisão, seja em entidades da categoria, instâncias de controle social ou qualquer outro fórum 
que possibilite o exercício da cidadania, o compromisso com o desenvolvimento sustentável e a 
preservação da biodiversidade, a proteção à saúde e a valorização profissional.
A inserção do nutricionista no desenvolvimento sustentável e na preservação da biodiversidade é 
um dos principais desafios para a garantia do direito humano à alimentação adequada e da soberania 
e segurança alimentar e nutricional. Isso ocorre porque o mesmo se deparará com inúmeras questões 
políticas que envolvem questões, como:
1 – Formas de organização e produção, de modo que as comunidades tenham sua autonomia para 
produzir e consumir seus alimentos.
2 – A importância de avançar na realização da reforma agrária, na regularização fundiária e no 
reconhecimento dos territórios para que os povos tenham maior autonomia para produzir seus alimentos 
(LOBATO; GIOVANELLA, 2013).
•	 Art. 8º: o nutricionista deve exercer a profissão de forma crítica e proativa, com autonomia, 
liberdade, justiça, honestidade, imparcialidade e responsabilidade, ciente de seus direitos e deveres, 
não contrariando os preceitos técnicos e éticos.
Proatividade consiste em um comportamento de antecipação, ou seja, o indivíduo toma a 
iniciativa no ambiente de trabalho, criando projetos, resolvendo imprevistos/problemas ou organizando 
suas tarefas. E por que ela é tão importante? Atualmente, um profissional que procura fazer além 
da sua obrigação aperfeiçoa seus conhecimentos e desenvolve habilidades, fatores que impactam 
positivamente a excelência do trabalho e a credibilidade de classe profissional (LEMOS et al, 2011; 
FERREIRA; DALL’AGNOL; PORTO, 2016).
O senso crítico é uma capacidade que aparece inúmeras vezes no CEN. Ele confere a possibilidade de o 
profissional analisar situações e informações de forma racional e inteligente. Por meio dele, o nutricionista 
aprende a buscar a verdade questionando e refletindo profundamente sobre cada assunto, e isso faz 
com que haja um aumento da probabilidade de se executar as tarefas profissionais com excelência.
43
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
4.2.2 Capítulo I: Responsabilidades profissionais
O capítulo I é composto pelos artigos 9º ao 26, que abordam assuntos que circundam os diversos 
aspectos da responsabilidade profissional.
Resolução CFN n. 599, de 25 de fevereiro de 2018 (Capítulo I – 
Responsabilidades profissionais)
Art. 9º É direito do nutricionista a garantia e a defesa de suas atribuições e prerrogativas, 
conforme estabelecido na legislação de regulamentação da profissão e nos princípios 
firmados neste Código.
Art. 10 É direito do nutricionista recusar-se a exercer sua profissão em qualquer 
instituição onde as condições de trabalho não sejam adequadas, dignas e justas ou possam 
prejudicar indivíduos, coletividades ou a si próprio, comunicando oficialmente sua decisão 
aos responsáveis pela instituição e ao Conselho Regional de Nutricionistas de sua jurisdição 
e respectiva representação sindical.
Art. 11 É direito do nutricionista pleitear remuneração adequada às suas atividades, com 
base no valor mínimo definido por legislações vigentes ou pela sua respectiva e competente 
entidade sindical.
Art. 12 É direito do nutricionista recusar propostas e situações incompatíveis com suas 
atribuições ou que se configurem como desvio de função em seu contrato profissional.
Art. 13 É direito do nutricionista prestar serviços profissionais gratuitos com fins 
sociais e humanos.
Art. 14 É dever do nutricionista exercer suas atividades profissionais com transparência, 
dignidade e decoro, sem violar os princípios fundamentais deste Código e a ciência da 
nutrição, declarando conflitos de interesses, caso existam.
Art. 15 É dever do nutricionista ter ciência dos seus direitos e deveres, conhecer e se 
manter atualizado quanto às legislações pertinentes ao exercício profissional e às normativas 
e posicionamentos do Sistema CFN/CRN e demais entidades da categoria, assim como de 
outros órgãos reguladores no campo da alimentação e nutrição.
Art. 16 É dever do nutricionista assumir responsabilidade por suas ações, ainda que estas 
tenham sido solicitadas por terceiros.
Parágrafo único. Em caso de imposição legal ou judicial, o nutricionista deve comunicar 
oficialmente a situação à chefia imediata da instituição e ao Conselho Regional de 
Nutricionistas de sua jurisdição.
44
Unidade I
Art. 17 É dever do nutricionista primar pelo trabalho adequado, digno e justo, apontando 
falhas existentes nos regulamentos, processos, recursos e estruturas dos locais em que atue 
profissionalmente quando as considerar incompatíveis com o exercício profissional ou 
prejudiciais aos indivíduos e às coletividades, comunicando oficialmente aos responsáveis e, 
no caso de inércia destes, aos órgãos competentes e ao Conselho Regional de Nutricionistas 
da respectiva jurisdição.
Art. 18 É dever do nutricionista manter-se atualizado quanto aos conhecimentos e 
práticas necessários ao bom andamento do processo de trabalho, bem como incentivar 
e facilitar que profissionais sob sua orientação e supervisão o façam.
Art. 19 É dever do nutricionista manter indivíduo e coletividade sob sua responsabilidade 
profissional, ou o respectivo representante legal, informados quanto aos objetivos, 
procedimentos, benefícios e riscos, quando houver, de suas condutas profissionais.
Art. 20 É dever do nutricionista manter o sigilo e respeitar a confidencialidade de 
informações no exercício da profissão, salvo em caso de exigência legal, considerando ainda 
as seguintes situações:
I – Impedir o manuseio de quaisquer documentos sujeitos ao sigilo profissional por 
pessoas não obrigadas ao mesmo compromisso. Caso considere pertinente, o nutricionista 
poderá fornecer as informações, mediante assinatura de termo de sigilo ou confidencialidade 
pelo solicitante.
II – Respeitar o direito à individualidade e intimidade da criança e do adolescente, nos 
termos da legislação vigente, em especial do Estatuto da Criança e do Adolescente, sendo 
imperativa a comunicação ao seu responsável de situação de risco à saúde ou à vida.
Art. 21 É dever do nutricionista identificar-se, informando sua profissão, nome, número 
de inscrição no Conselho Regional de Nutricionistas de sua respectiva jurisdição, quando 
no exercício profissional.
Parágrafo único. No caso de possuir outra(s) profissão(ões), o nutricionista pode 
apresentá-la(s), desde que evidencie que são atuações distintas e que não configuram nova 
área de atuação ou especialidade do nutricionista.
Art. 22: É dever do nutricionista, em caso de trabalho voluntário, executar as atribuições 
e assumir as responsabilidades profissionais inerentes à função executada conforme 
legislação vigente, em especial a lei que dispõe sobre o serviço voluntário.
Art. 23 É vedado ao nutricionista praticar atos danosos a indivíduos ou coletividades 
sob sua responsabilidade profissional que possam ser caracterizados como imperícia, 
imprudência ou negligência.
45
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Art. 24: É vedado ao nutricionista permitir a utilização do seu nome e título profissional 
por estabelecimento ou instituição em que não exerça atividades próprias da profissão.
Art. 25: É vedado ao nutricionista instrumentalizar e ensinar técnicas relativas a 
atividades privativas da profissão a pessoas não habilitadas, com exceção a estudantes de 
graduação em Nutrição.
Art. 26: É vedado ao nutricionista emitir declarações falsas ou alterar quaisquer 
informações de pessoas, setores, serviços, instituições ou dados de pesquisa, quer seja em 
benefício próprio ou de terceiros, bem como em prejuízo de outros.
Fonte: CFN (2018a).A palavra responsabilidade origina-se do latim respondere, que significa recomposição, de obrigação 
de restituir ou ressarcir (GONÇALVES, 2011). A responsabilidade profissional está inserida no contexto da 
responsabilidade civil, presente na Constituição da República Federativa do Brasil, conforme Art. 37, § 6º:
As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras 
de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa 
qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o 
responsável nos casos de dolo ou culpa (BRASIL, 1988).
Observamos que muitos deveres profissionais se enquadram nas responsabilidades civis, garantidas 
pelo Código civil brasileiro. Ao descumprir um preceito ético, o nutricionista pode, além de sofrer 
sanções ético-disciplinares, responder judicialmente (civil ou até mesmo penal). Isso ocorre porque 
o CEN precisa estar de acordo com ordenamento jurídico, o qual permite, inclusive, que o Conselho 
Federal de Nutricionistas crie esse documento normativo.
 Observação
Ordenamento jurídico é o conjunto de normas de um Estado expressas 
em lei. É um sistema normativo, que estabelece uma ordem de forma que 
o Poder Jurídico realize seu trabalho
Conforme imposição do art. 186 do Código civil:
Aquele que por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, 
violar direito, ou causar prejuízo a outrem, ainda que exclusivamente moral, 
comete ato ilícito (BRASIL, 2002a).
Relativo à atuação em instituições de saúde, o entendimento jurisprudencial é de que a instituição 
de saúde responde pelos danos causados por seus empregados no desempenho de suas funções, 
baseando-se no que preconiza o art. 14 do Código de defesa do consumidor.
46
Unidade I
Baseado nessas premissas, aquele que gerar dano a outra pessoa deve repará-lo, independentemente 
de culpa (art. 927, CCB), assim como o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e 
prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele também responde pelo ato 
danoso (art. 932, inciso IIIº, CCB) (BRASIL, 2002a).
 Saiba mais
Para entender de forma mais aprofundada a relação de consumo, 
consulte a Lei n. 8078/1990:
BRASIL. Lei n. 8.078, de 11 de setembro de 1990. Código de Defesa 
do Consumidor. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras 
providências. Brasília: 1990a. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Leis/L8078.htm. Acesso em: 7 maio 2020.
Os estudos são iniciados com a abordagem da garantia do nutricionista de exercer suas funções em 
locais que permitam a execução do trabalho de forma digna e justa, e defende-se que o profissional 
possa pleitear por condições para tal. Esses direitos garantidos pelo CEN são importantes para que o 
profissional consiga ter a responsabilidade de promover a saúde, a qualidade de vida e o bem-estar para 
as pessoas por meio da segurança alimentar e nutricional.
Nesse contexto, o código de ética também compreende que o nutricionista tem o direito de batalhar 
pelo reconhecimento financeiro do seu trabalho. O piso salarial e os honorários são estabelecidos pelos 
sindicatos dos nutricionistas, que possuem como objetivo principal prestar serviços aos nutricionistas, 
através da representação, informação e orientação profissional. A principal entidade sindical é a 
Federação Nacional dos Nutricionistas (FNN), constituída de acordo com a CLT e a Constituição Federal 
em setembro de 1989 pelos sindicatos dos nutricionistas dos estados de Pernambuco, São Paulo, Rio 
Grande do Sul, Rio de Janeiro e Alagoas e pelo Distrito Federal (DEL RE; GERKEN, 2019).
A FNN estabelece uma tabela de honorários para os Estados que ainda não possuem seu próprio 
sindicato estabelecido ou que, mesmo que tenham, ainda não dispõem de suas tabelas de base. A seguir, 
veja os honorários estabelecidos pelo FNN e um exemplo de honorários e piso salarial de um sindicato 
que já possuí sua própria tabela:
Tabela 1 – Honorários estabelecidos pelo FNN
Atividade Unidade de serviço em nutrição (USN) Valor
Assessoria com RT (por hora) 2 R$ 137,86
Assessoria sem RT (por hora) 1 R$ 68,93
Atividade de educação nutricional 1½ R$ 103,40
Auditoria com relatório R$ 2.770,11
47
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Atividade Unidade de serviço em nutrição (USN) Valor
Avaliação clínica enteral 4 R$ 275,72
Avaliação clínica parenteral 4 R$ 275,72
Avaliação nutricional 2 R$ 137,86
Bioimpedância 2 R$ 137,86
Cardápio diário 1 R$ 68,93
Cardápio mensal 20 R$ 1.378,60
Cardápio semanal 5 R$ 344,65
Checklist de acordo com RDC 216/04 
Anvisa 2 R$ 137,86
Consulta clínica 2 R$ 137,86
Consulta por convênio 1 R$ 68,93
Consultoria (por hora) 1½ R$ 103,40
Consultório (academia) 2 R$ 137,86
Ficha técnica (por ficha) 4 R$ 275,72
Home care (por visita) 4 R$ 275,72
MBP (Pop’s, fluxograma e layouts) R$ 2.770,11
Orientação nutricional 1 R$ 68,93
Palestra (por participante) 1½ R$ 103,40
Personal diet 4 R$ 275,72
Rotulagem nutricional (por rótulo) 1½ R$ 103,40
Treinamento e capacitação RT (por hora) 1½ R$ 103,40
Legenda:
USN = 68,93;
Hora técnica = 1½ USN = 103,40;
Piso nacional de referência = R$ 2.770,11 (para 44 horas semanais).
Adaptada de: FNN (2020).
Tabela 2 – Honorários estabelecidos pelo Sindicato dos Nutricionistas 
do Estado de São Paulo com data-base de 1º de julho de 2019
Assessoria/hora técnica A partir de R$ 80,00 a hora
Cardápio semanal personalizado por refeição de pessoa física A partir de R$ 180,00
Cardápio semanal personalizado por refeição de pessoa jurídica A partir de R$ 200,00
Cardápio personalizado para evento A partir de R$ 300,00
Consultoria/hora técnica A partir de R$ 250,00 por hora
Treinamento de funcionário A partir de R$ 300,00 por hora
Palestra A partir de R$ 400,00 por hora
Elaboração de lista de compra semanal A partir de R$ 250,00 por hora
Treinamento de funcionário para preparo de receituário A partir de R$ 150,00 por receita
Informação nutricional A partir de R$ 150,00 por produto
48
Unidade I
Ficha técnica sem preparação A partir de R$ 150,00 por ficha
Ficha técnica com preparação A partir de R$ 250,00 por ficha
Rotulagem A partir de R$ 500,00 por rótulo
Manual de boas práticas e POP’s A partir de R$ 2.000,00
Consulta em consultório + retorno A partir de R$ 150,00
Bioimpedância R$ 80,00
Personal diet A partir de R$ 300,00 por hora
Home care A partir de R$ 200,00
Consulta em academia A partir de R$ 150,00
Palestra A partir de R$ 400,00 por hora
Assessoria em escola A partir de R$ 80,00 por hora
Treinamento de funcionário A partir de R$ 200,00 por hora
Avaliação nutricional por pessoa A partir de R$ 150,00 por hora
Adaptada de: Sindinutri (2019).
Tabela 3 – Piso salarial estabelecido pelo Sindicado dos Nutricionistas 
do Estado de São Paulo, com a data-base de 1º de julho de 2019
Categorias/áreas 2016/2017 2017/2018 2018/2019 2019/2020
Indústria (Fiesp) R$ 2.576,02 R$ 2.641,96 R$ 2.736,00 R$ 2.827,00
Comércio (Fecomercio) R$ 2.609,00 R$ 2.676,00 R$ 2.770,46 R$ 2.863,00
Hospital e Clínica (SINDHOSP) R$ 2.737,50 R$ 2.847,00 R$ 2.947,50 R$ 3.096,94
SINDIHCLOR R$ 3.002,04
Sinamge R$ 3.002,04
Refeições coletivas (Sinderc)
R$ 2.349,69
Obs.: responsável técnico 
ou com mais de 18 meses 
de experiência: 
R$ 2.800,06
R$ 2.448,37
Obs.: responsável técnico 
ou com mais de 18 meses 
de experiência: 
R$ 2.917,66
R$ 2.546,30
Obs.: responsável técnico 
ou com mais de 18 meses 
de experiência: 
R$ 3.034,36
R$ 2.636,18
Obs.: responsável 
técnico ou com mais de 
18 meses de experiência: 
R$ 3.141,47
SINDHOSFIL – Santa Casa e 
Entidades Filantrópicas
R$ 2.493,59 
(Grande São Paulo);
R$ 2.434,03 
(Interior e litoral)
R$ 2.568,40 
(Grande São Paulo);
R$ 2.507,05 
(Interior e litoral)
R$ 2.659,06 
(Grande São Paulo);
R$ 2.595,54 
(Interior e litoral)
R$ 2.748,00 
(Grande São Paulo);
R$ 2.682,00 
(Interior e litoral)
SINDHOSFIL – Presidente 
Prudente R$ 2.420,00 R$ 2.520,00 R$ 2.609,00 R$ 2.710,00
SINDHOSFIL VL – Paraíba/
LitoralNorte e Região R$ 2.504,51 R$ 2.594,92 R$ 2.680,64
SINDHOSFIL – Ribeirão Preto R$ 2.402,27 R$ 2.470,00 R$ 2.557,87 R$ 2.642,65
SINDHOSFIL Linosesp – 
Baixada Santista R$ 2.340,00 R$ 2.410,00 R$ 2.495,00 R$ 2.578,00
SINCOOMED R$ 2.738,00 R$ 2.850,00 R$ 2.950,63 R$ 3.054,68
SINBFIR R$ 2.733,00 R$ 2.830,29 R$ 2.930,20 R$ 3.022,50
Sindpansantos R$ 2.736,00 R$ 2.827,00
Adaptada de: Sindinutri-SP (2019).
49
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
 Saiba mais
Para consultar o piso salarial e os honorários dos nutricionistas nos 
demais estados brasileiros, veja a seguir os sindicatos dos nutricionistas que 
existem no Brasil e seus respectivos endereços eletrônicos:
Bahia: https://sindnutba.org.br/
Espírito Santo: http://sindinutri-es.org.br/
Maranhão: https://sinuma8.webnode.com/
Mato Grosso do Sul: http://sindnutrims.com.br/
Pará: http://www.sindnutpa.com.br/
Paraná: https://www.sindipar.com.br/
Pernambuco: https://www.sindnutripe.com.br/
Rio Grande do Norte: http://sinurn.blogspot.com/
Rio Grande do Sul: https://www.sinurgs.org.br/
Santa Catarina: https://www.sinusc.org.br/
São Paulo: http://sindnutrisp.org.br/
Ceará:
NUTRIÇÃO CEARÁ. Tabela de honorários. 2019. Disponível em: http://www.
nutricaoceara.com.br/p/tabela-de-honorarios.html. Acesso em: 21 set. 2020.
Paraíba:
SALÁRIO. Nutricionista – Salário 2020 – João Pessoa, PB – Mercado de 
trabalho em nutrição. 28 ago. 2020. Disponível em: https://www.salario.com.br/
profissao/nutricionista-cbo-223710/joao-pessoa-pb/. Acesso em: 21 set. 2020.
É importante frisar que o sistema CFN/CRN é responsável por orientar, disciplinar e fiscalizar o 
exercício profissional, ao passo que o sindicato é a entidade que defende os direitos, interesses coletivos 
ou individuais da categoria. Em relação aos aspectos financeiros, os sindicatos estabelecem o mínimo 
50
Unidade I
a ser remunerado aos nutricionistas e os conselhos regionais de nutricionistas fiscalizam se isso está 
sendo cumprido (CFN, 2018).
Outro ponto muito relevante do CEN é o direito que o nutricionista tem de prestar serviços gratuitos 
com finalidades sociais. A profissão tem uma relevância enorme acerca dos aspectos sociais, o que permite 
que o cuidado às pessoas vá além do aspecto clínico e financeiro e, desse modo, incentiva-se que todo 
futuro profissional faça parte de trabalhos com esse perfil. É importante esclarecer que a lei que dispõe 
sobre o serviço voluntário é a Lei do voluntariado n. 9.608, sancionada em 18 de fevereiro de 1998, que 
posteriormente sofreu uma pequena alteração pela Lei n. 13.297/2016. Destaca-se aqui a obrigação do 
profissional que, ao optar por esse tipo de serviço, o faça com dignidade, respeito e eficiência.
O sigilo profissional é direito do paciente e obrigação do profissional, sobretudo no que tange às 
relações interpessoais na área de saúde (VILLAS-BÔAS, 2015). É interessante analisar que o sigilo não 
se resume apenas à alocução, mas também a documentos com dados do paciente/cliente. No inciso 1 
do art. 20 está descrito que deve-se impedir o manuseio de quaisquer documentos sujeitos ao sigilo 
profissional por pessoas não obrigadas ao mesmo compromisso. Caso considere pertinente, o nutricionista 
poderá fornecer as informações, mediante assinatura de termo de sigilo ou confidencialidade pelo 
solicitante (CFN, 2018).
Exemplo de aplicação
Podemos exemplificar essa determinação com o caso a seguir:
Um nutricionista recebe por endereço eletrônico os exames pessoais do paciente, assim como demais 
informações de cunho sigiloso. Ele solicita que sua secretária as acesse para auxiliá-lo.
Nesse caso, se o profissional realmente precisar da ajuda de um funcionário que não tem 
obrigatoriedade de sigilo pelo CEN, este deve assinar um documento em que assuma a responsabilidade 
do sigilo.
O inciso II requer atenção especial por se tratar do direito à individualidade e intimidade da criança 
e do adolescente, as quais também podem solicitar sigilo. Nesse caso, devemos respeitar o Estatuto da 
criança e do adolescente (ECA), que define infância até os 12 anos e adolescência dos 12 aos 18 anos.
O Art. 3º do ECA descreve que:
A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes 
à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata essa lei, 
assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e 
facilidades, a fim de lhes facultar os desenvolvimentos físico, mental, moral, 
espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade (BRASIL, 1990b).
51
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Desse modo, qualquer exigência que possa afastar ou impedir o exercício pleno do adolescente de 
seu direito fundamental à saúde e à liberdade constitui lesão ao direito maior de uma vida saudável.
De acordo com os artigos 5º ao 13 do ECA, em qualquer caso que houver situação de violência 
contra a criança ou o adolescente deve-se notificar o conselho tutelar, ou seja, esse é um caso em 
que, mesmo com pedido de sigilo, ele deve ser quebrado em prol da saúde física e mental do menor. 
Nesse contexto, quando a situação envolve risco para o paciente, como casos de uso de drogas, ideias 
suicidas/homicidas, torna-se compulsória a comunicação do profissional aos responsáveis, mas não sem 
antes estimular o próprio adolescente a fazê-la. Essa é uma situação que requer minuciosa avaliação, 
já que a quebra de sigilo pode gerar perda de confiança por parte do paciente, que deixa de recorrer ao 
profissional para tirar suas dúvidas ou começa a omitir dados importantes para o cuidado de sua saúde 
(TORREÃO; VILLAS-BÔAS, 2009).
Em suma, de acordo com o Código de ética do assistente social, a quebra de sigilo só é admissível 
quando se tratar de situações cuja gravidade possa trazer prejuízo aos interesses do indivíduo, de 
terceiros e da coletividade (BRASIL, 2012a).
Em seu artigo 23, o CEN determina que é vedado ao nutricionista praticar atos danosos a indivíduos 
ou coletividades sob sua responsabilidade profissional que possam ser caracterizados como imperícia, 
imprudência ou negligência. De acordo com o governo federal, imprudência e negligência ocorrem 
quando o profissional atua sem cautela ou de forma precipitada – tomando atitude diferente da 
recomendada para aquela situação ou usando técnica proibida –, não atua de forma exigida pela 
situação, agindo com descuido, indiferença ou desatenção, não tomando as devidas precauções.
 Lembrete
Imperícia é definida como a ação com inaptidão ou ignorância pela 
ausência de qualificação técnica ou de conhecimentos básicos da profissão.
Sendo assim, o nutricionista não tem desculpa para estar desatualizado e/ou com pressa no 
exercício profissional, já que são profissionais que lidam com vidas, que merecem excelência no 
tratamento que recebem.
Leia e reflita sobre o caso a seguir, disponibilizados pelo CRN-8:
Exemplo de aplicação
Caso 1
Em visita do fiscal do CRN, o nutricionista não se encontrava no local de trabalho em dia e horário 
informados em formulário de assunção de responsabilidade técnica de empresa. Nessa ação constatou-se 
que o nutricionista responsável técnico (RT) não desenvolvia as atividades obrigatórias previstas na 
resolução vigente. Os funcionários da empresa relataram desconhecer o nutricionista RT.
52
Unidade I
Reflexão
Conforme descrito, é obrigação do nutricionista permitir a utilização do seu nome e títulos 
profissionais por estabelecimento ou instituição onde exerça, pessoal e efetivamente, funções próprias 
da profissão. Essa obrigatoriedade se dá para que a excelência do trabalho seja cumprida e para que os 
clientes do estabelecimento tenham acesso a produtos alimentícios apropriados para consumo. No caso 
descrito, o plenário do comitê ético do referido CRN julgou procedente a denúncia e votou na aplicação 
de pena de advertência ao profissional.
4.2.3 Capítulo II: Relações interpessoais
O capítulo II se refere às relações que ocorrem durante o exercício profissional entre nutricionistas, 
entre nutricionistase outros profissionais (de saúde ou não), pacientes, clientes, usuários, estudantes, 
empregadores, empregados, representantes de entidades de classe e demais sujeitos. Veja a seguir as 
regras estabelecidas:
Art. 27 É direito do nutricionista denunciar, nas instâncias competentes, 
atos que caracterizem agressão, humilhação, discriminação, intimidação 
perseguição ou exclusão por qualquer motivo, contra si ou qualquer pessoa.
Art. 28 É dever do nutricionista fazer uso do poder ou posição hierárquica de 
forma justa, respeitosa, evitando atitudes opressoras e conflitos nas relações, 
não se fazendo valer da posição em benefício próprio ou de terceiros.
Art. 29 É vedado ao nutricionista praticar atos que caracterizem agressão, 
assédio, humilhação, discriminação, intimidação ou perseguição por 
qualquer motivo contra qualquer pessoa.
Art. 30 É vedado ao nutricionista manifestar publicamente posições 
depreciativas ou difamatórias sobre a conduta ou atuação de nutricionistas 
ou de outros profissionais (CFN, 2018a).
Os artigos descritos anteriormente possuem uma forte relação com as leis trabalhistas, principais 
instrumentos que regulamentam as relações de trabalho e protegem os trabalhadores (BRUGINSKI, 2013).
Casos de agressão, humilhação, discriminação, intimidação, perseguição ou exclusão de uma ou 
mais pessoas no trabalho podem configurar assédio moral. Define-se assédio moral como condutas 
abusivas (gesto, palavra, comportamento) praticadas pelo empregador direta ou indiretamente, sob o 
plano vertical ou horizontal, ao empregado, que afetem seu estado psicológico (NASCIMENTO, 2009). 
Lima (2009) acrescenta que o assédio moral também pode ser realizado entre colegas de trabalho, 
inviabilizando o clima no espaço laboral.
53
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Em março de 2019 foi proposto o projeto de lei (PL) n. 4742/01, que tipifica no Código Penal o crime 
de assédio moral no trabalho e a pena poderá ser de um a dois anos de detenção e multa.
Já a discriminação é definida como acepção que aponta para o tratamento desigual ou injusto, com 
base em preconceitos notadamente relacionados a opção sexual, religião, gênero, etnia, entre outros. 
Para situações que configurem discriminação de qualquer espécie, o Projeto de lei n. 860/2019 altera 
a Lei n. 7.716, de 5 de janeiro de 1989, e propõe que a pena para o agressor pode ser de reclusão de um a 
três anos, além de multa.
Essas informações trazem à luz a necessidade de refletimos que, muitas vezes, as condutas 
profissionais transcendem as normas deontológicas e comprometem a esfera civil e penal. Desse modo, o 
nutricionista precisa zelar pela ética, pelo bem-estar das pessoas ao seu redor e pelo decoro da profissão.
4.2.4 Capítulo III: Condutas e práticas profissionais
As atividades e ações desenvolvidas pelo nutricionista no exercício de suas atribuições 
obedecerão ao que segue:
Resolução CFN n. 599, de 25 de fevereiro de 2018 (Capítulo III – Condutas e 
práticas profissionais)
Art. 31 É direito do nutricionista realizar suas atribuições profissionais sem interferências 
de pessoas não habilitadas para tais práticas.
Art. 32 É direito do nutricionista ter acesso a informações referentes a indivíduos e 
coletividades sob sua responsabilidade profissional que sejam essenciais para subsidiar sua 
conduta técnica.
Art. 33 É direito do nutricionista assistir indivíduos e coletividades sob sua responsabilidade 
profissional em instituição da qual não faça parte do quadro funcional, desde que respeite 
as normas técnico-administrativas da instituição e informe ao profissional responsável.
Art. 34 É direito do nutricionista alterar a conduta profissional determinada por outro 
nutricionista caso tal medida seja necessária para benefício de indivíduos, coletividades ou 
serviços, registrando as alterações e justificativas de acordo com as normas da instituição, e 
sempre que possível informar ao responsável pela conduta.
Art. 35 É dever do nutricionista, ao exercer suas atividades profissionais, cumprir as 
atribuições obrigatórias definidas por resoluções do CFN e legislações vigentes, em tempo 
compatível para a execução de tais atividades, de forma adequada, digna e justa.
Art. 36 É dever do nutricionista realizar em consulta presencial a avaliação e o diagnóstico 
nutricional de indivíduos sob sua responsabilidade profissional.
54
Unidade I
Parágrafo único. Orientação nutricional e acompanhamento podem ser realizados de 
forma não presencial.
Art. 37 É dever do nutricionista considerar as condições alimentares, nutricionais, de saúde 
e de vida dos indivíduos ou coletividades na tomada de decisões das condutas profissionais.
Art. 38 É dever do nutricionista adequar condutas e práticas profissionais às necessidades 
dos indivíduos, coletividades e serviços visando à promoção da saúde, não cedendo a apelos 
de modismos, a pressões mercadológicas ou midiáticas e a interesses financeiros para 
si ou terceiros.
Art. 39 É dever do nutricionista analisar criticamente questões técnico-científicas e 
metodológicas de práticas, pesquisas e protocolos divulgados na literatura ou adotados por 
instituições e serviços, bem como a própria conduta profissional.
Art. 40 É dever do nutricionista respeitar os limites do seu campo de atuação, sem 
exercer atividades privativas de outros profissionais.
Art. 41 É dever do nutricionista encaminhar a outros profissionais habilitados os 
indivíduos ou coletividades sob sua responsabilidade profissional quando identificar que as 
atividades demandadas desviam-se de suas competências.
Art. 42 É dever do nutricionista fornecer informações e disponibilizar ferramentas 
necessárias para a continuidade das ações pela equipe ou por outro nutricionista, em caso 
de afastamento de suas atividades profissionais.
Art. 43 É dever do nutricionista colaborar com as autoridades sanitárias e de fiscalização 
profissional, prestando as informações requeridas.
Art. 44 É vedado ao nutricionista atribuir a nutrientes, alimentos, produtos alimentícios, 
suplementos nutricionais e fitoterápicos propriedades ou benefícios à saúde que não possuam.
Art. 45 É vedado ao nutricionista aproveitar-se de situações decorrentes da sua relação 
com indivíduos ou coletividades sob sua assistência para obter qualquer tipo de vantagem 
ou benefício pessoal ou financeiro.
Art. 46 É vedado ao nutricionista induzir indivíduos ou coletividades assistidos por um 
profissional, serviço ou instituição a migrarem para outro local, da mesma natureza ou não, 
com o qual tenha qualquer tipo de vínculo, com vistas a obter vantagens pessoal ou 
financeira. Parágrafo único. O nutricionista pode informar aos indivíduos ou coletividades, 
em caso de saída ou mudança de um serviço ou instituição para outro local, da mesma 
natureza ou não.
55
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Art. 47 É vedado ao nutricionista utilizar-se de instituição ou bem público para executar 
serviços provenientes de demandas de instituição ou de interesse privado, sem autorização, 
como forma de obter vantagens pessoais ou para terceiros.
Art. 48 É vedado ao nutricionista pleitear de forma desleal, para si ou para outrem, 
emprego, cargo ou função que esteja sendo exercida por nutricionista ou por profissional 
de outra formação.
Art. 49 É vedado ao nutricionista, no exercício das atribuições profissionais, receber 
comissão, remuneração, gratificação ou benefício que não corresponda a serviços prestados.
Art. 50 É vedado ao nutricionista cobrar ou receber honorários e benefícios de indivíduos 
e de coletividades assistidos em instituições que se destinam à prestação de serviços públicos, 
em qualquer área de atuação.
Art. 51 É vedado ao nutricionista cobrar ou receber honorários de indivíduos ou de 
coletividades por procedimentos com remuneração já prevista no contrato do plano de saúde 
pelo qual está sendo atendido.
Art. 52 É vedado ao nutricionista delegar suas funções e responsabilidades privativas a 
pessoas não habilitadas.
Fonte: (CFN, 2018a,p. 10-12).
Iniciamos a análise do capítulo III evidenciando a importância de o nutricionista ter autonomia 
nas suas atividades, principalmente as privativas, que são asseguradas e fixadas pela Lei n. 8.234, de 
1991. Ao longo das últimas décadas, profissionais da área da saúde enfrentam um desafio no dia a dia 
de trabalho: executar suas tarefas sem que haja interferência de outro profissional não habilitado em 
suas atividades técnicas. Faz-se necessário evidenciar que as competências e habilidades específicas 
para a determinação da prescrição dietética partem da formação dos nutricionistas que no âmbito da 
regulação do ensino é tratada nas diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em Nutrição, 
as quais definem que o nutricionista tem uma formação generalista, humanista e crítica, e é capacitado 
a atuar em segmentos que se complementam, como:
•	 visar à segurança alimentar e à atenção dietética, em todas as áreas do conhecimento em que 
alimentação e nutrição se apresentem fundamentais para a promoção, manutenção e recuperação 
da saúde e para a prevenção de doenças de indivíduos ou grupos populacionais;
•	 contribuir para a melhoria da qualidade de vida;
•	 basear suas ações em princípios éticos, com reflexão sobre a realidade econômica, política, social 
e cultural da população;
56
Unidade I
•	 aplicar os conhecimentos sobre composição, propriedades e transformações dos alimentos e seu 
aproveitamento pelo organismo humano, na atenção dietética;
•	 contribuir para promover, manter e/ou recuperar o estado nutricional de indivíduos e grupos 
populacionais de forma personalizada ou em equipes multiprofissionais de saúde e de 
terapia nutricional;
•	 avaliar, diagnosticar e acompanhar o estado nutricional;
•	 planejar, prescrever, analisar, supervisionar e avaliar dietas e suplementos dietéticos para indivíduos 
sadios e enfermos.
Nesse segmento, as grades curriculares do curso de Nutrição são as únicas que asseguram o 
conhecimento holístico que permite que um profissional de nível superior trate da saúde humana, 
sendo essa coletiva ou individual, por meio dos alimentos. Existe muita confusão entre a diferença 
das atribuições entre médicos, principalmente nutrólogos, e nutricionistas. A prescrição dietética e 
dietoterápica são atividades privativas do nutricionista (BRASIL, 1991) e consistem em diagnosticar 
e acompanhar o estado nutricional; planejar, prescrever, analisar, supervisionar e avaliar dietas e 
suplementos dietéticos para indivíduos sadios e enfermos. Para tanto, todas as condutas que envolvem 
a assistência dietoterápica hospitalar, ambulatorial e em consultórios de nutrição e dietética são de 
responsabilidade única e exclusiva do nutricionista. Os médicos podem realizar a prescrição de dieta, 
ou seja, definir a via de administração da dieta (oral, enteral ou parenteral), avaliar a capacidade de 
mastigação e deglutição do paciente (consistência da dieta), analisar a especificidade da dieta de 
acordo com as doenças ou condições apresentadas pelo paciente e a capacidade digestória e absortiva 
do paciente, são atividades permitidas a esses profissionais pela característica de sua formação e do 
conteúdo que foi proporcionado na graduação. Em outras palavras, para a prescrição de cardápios, o 
tratamento e a prevenção de doenças por meio do consumo de alimentos, o nutricionista é indispensável 
e o único profissional capacitado e habilitado para tal (BORBA, 2019).
De acordo com os argumentos expostos até o momento, salientamos que para o nutricionista 
conseguir executar suas tarefas com excelência e dignidade, ele tem o direito de ter acesso a todas 
as informações pertinentes para esse fim. Na impossibilidade de analisar informações que sirvam de 
subsídio à sua prescrição, deve-se haver uma denúncia às instâncias superiores e, se necessário, ao 
Conselho Regional da respectiva Jurisdição (CFN, 2018).
Precisamos considerar que, da mesma maneira que o nutricionista pleiteia para que outros 
profissionais não exerçam ilegalmente suas atribuições, as demais profissões têm o mesmo direito, 
ou seja, é obrigação do nutricionista encaminhar seus pacientes/clientes aos demais colegas da 
área da saúde e, dessa forma, fortalecer a importância da ação interdisciplinar. Além disso, o 
nutricionista não só pode como deve encaminhar indivíduos sob sua supervisão a outros colegas da 
profissão quando não tiver habilidades suficientes para atendê-los. Por exemplo: um nutricionista 
especialista na área clinica deve encaminhar um paciente que precisa de prescrições para seu 
desempenho esportivo a um colega que tenha expertise na área em questão.
57
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Destacamos que, para o atendimento com excelência, os profissionais devem basear-se em sólidas 
evidências científicas, publicadas em revistas renomadas e diretrizes elaboradas por grandes associações 
científicas. Isso significa que o profissional que não se capacitar de forma adequada cometerá atos 
de imperícia, que é definida como a ação com inaptidão ou ignorância porque não tem qualificação 
técnica ou conhecimentos básicos da profissão (CFN, 2018). Diante disso, é inconcebível que profissionais 
formados no nível superior cedam a apelos de modismos propagados em veículos não científicos, 
desconsiderando toda a seriedade da profissão e todos os aspectos que envolvem o ato de comer 
(comensalidade, condições de saúde e vida, aspectos socioeconômicos, emocionais entre outros).
Ao longo do atendimento clínico, o nutricionista precisa, além de ter conhecimento técnico 
especializado e atualizado, realizar avaliação, diagnóstico, orientação e acompanhamento nutricional. 
Nesse cenário, o código de ética mudou as normas estabelecidas anteriormente e agora, embora a 
avaliação e o diagnóstico nutricional precisem ser realizados presencialmente, a orientação e o 
acompanhamento nutricional não possuem a mesma obrigatoriedade. De acordo com o Conselho 
Federal de Nutricionistas, essa é uma forma possível de adequar a atuação profissional à realidade 
da população, lançando mão da tecnologia para ofertar novas possibilidades ao paciente/cliente. No 
entanto, a responsabilidade que o nutricionista tem de garantir saúde, qualidade de vida e bem-estar 
para as pessoas através da segurança alimentar e nutricional não pode ser esquecida (CFN, 2018).
Para que não haja confusão entre os termos apresentados, a seguir são inseridas as definições 
de cada um deles:
•	 Avaliação nutricional: análise de dados diretos (fisiológicos, clínicos, bioquímicos, antropométricos, 
outros métodos reconhecidos pelo sistema CFN/CRN) e indiretos (consumo alimentar, condições 
socioeconômicas e disponibilidade de alimentos etc.) que têm como conclusão o diagnóstico de 
nutrição do indivíduo ou de uma população (CFN, 2018).
•	 Diagnóstico nutricional: definido como identificação e determinação do estado nutricional de 
qualquer indivíduo, elaborado com base na avaliação nutricional durante o acompanhamento 
individualizado (CFN, 2018).
•	 Orientação nutricional: conjunto de informações que visam o esclarecimento dos clientes/
pacientes com objetivo de promoção da saúde, prevenção e recuperação de doenças e agravos 
nutricionais e/ou informar ou dirimir dúvidas sobre alimentação e nutrição (CFN, 2008a).
•	 Acompanhamento nutricional: está inserido no contexto de assistência nutricional, que envolve 
o acompanhamento nutricional e dietoterápico prestado com vista à promoção, preservação e 
recuperação da saúde do indivíduo ou da coletividade compreendendo, principalmente, as fases 
de monitoramento/aferição dos resultados e reavaliação (CFN, 2018b).
O capítulo III também traz outras regras que não constavam no CEN precedente, dessa vez 
referentes aos honorários. Os artigos 50 e 51 vedam ao nutricionista a possibilidade de cobrar ou 
receber honorários excedentes aos já gratificados pelo atendimento em serviços públicos ou às 
atividades estabelecidas pelo plano de saúde. Ao se falar de serviços públicos,o profissional já possui 
58
Unidade I
remuneração estabelecida, seja através da aprovação em concursos públicos ou por contrato de 
prestação de serviços ou ainda por contrato CLT. Desse modo, toda e qualquer conduta técnica deve 
ser realizada dentro dos preceitos éticos determinados sem o apelo de cobrar a mais por qualquer uma 
delas. Caso o nutricionista não esteja satisfeito com os louros que recebe nesse quesito, ele tem total 
liberdade de solicitar o desligamento da instituição de trabalho e buscar por novas possibilidades.
No que cerne aos planos de saúde, as regras são definidas pela Agência Nacional de Saúde 
Suplementar (ANS) por meio do rol de procedimentos, que é a referência básica da cobertura 
obrigatória mínima dos planos de saúde contratados a partir de janeiro de 1999. Atualmente, a 
ANS determina o atendimento obrigatório do nutricionista, porém é preciso que os pacientes se 
enquadrem em algumas regras. Veja a seguir os critérios que devem ser seguidos:
•	 Os planos de saúde devem cobrir até 12 atendimentos anuais com o nutricionista, ou seja, uma 
consulta por mês, o suficiente, na maioria dos casos, para manter um acompanhamento eficiente.
•	 Portadores de diabetes em uso de insulina ou no primeiro ano de diagnóstico e tratamento da 
doença têm assegurada a cobertura de até 18 atendimentos anuais.
•	 Nos casos de internação hospitalar, é garantida a cobertura obrigatória de atendimentos ilimitados 
durante o período de internação. No entanto, é preciso que o médico responsável pelo paciente 
faça a indicação específica da consulta do nutricionista.
É claro que existem especificidades de cada plano de saúde, e é importante que o nutricionista, 
antes de se vincular a qualquer um, entenda e concorde com o contrato onde são definidos todos 
os procedimentos que devem ser realizados, assim como com o seu provento. Uma vez acordado, o 
nutricionista não pode cobrar a mais por qualquer um dos procedimentos acordados (ANS, 2016).
Um assunto que costuma gerar muitas dúvidas entre os profissionais da área é a solicitação de 
exames laboratoriais. Vimos que o nutricionista deve lançar mão de todas as informações possíveis antes 
da prescrição dietética ou dietoterápica. Nesse sentido, os exames bioquímicos se mostram essenciais 
para a avaliação e o diagnóstico nutricional que, por sua vez, servem como alicerce de qualquer 
conduta nutricional.
O inciso VIII do art. 4º da Lei n. 8.234, de 17 de setembro de 1991, atribui ao nutricionista competência 
para a solicitação de exames laboratoriais necessários ao acompanhamento dietoterápico. Considerando 
a legitimidade da solicitação de exames laboratoriais pelo nutricionista, os laboratórios não podem se 
negar a realizar os exames solicitados pelo cliente que se responsabiliza pelo pagamento dos serviços ou 
pelo plano de saúde que cobre tais dispendias (CFN, 2003).
De acordo com o CFN (2014), os exames que podem ser solicitados pelos nutricionistas são:
•	 Exames laboratoriais utilizados em avaliação nutricional: hemograma completo, proteínas 
totais, proteína ligadora de retinol, índice de creatinina-altura (ICA).
59
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
•	 Exames bioquímicos para avaliação e acompanhamento de doenças cardiovasculares: 
triglicérides, colesterol total, HDL, LDL, VLDL.
•	 Exames utilizados para acompanhamento de doenças endócrinas: glicemia, teste oral de 
tolerância à glicose, insulina, peptídeo C, hemoglobina glicada.
•	 Exames para avaliação da tiroide: tiroxina (total e livre), triiodotironina, globulina ligadora de 
tiroxina (TBG), hormônio estimulador da tireoide (TSH).
•	 Exames utilizados para acompanhamento de doenças renais: gasometria, ureia, creatinina, 
sódio, cálcio (total e iônico), potássio sérico, fósforo sérico, magnésio sérico, ácido úrico, oxalato, 
citrato, proteína.
•	 Exames laboratoriais para acompanhamento de doenças hepáticas: alanina aminotransferase 
(ALT); aspartato aminotransferase (AST), gama glutamiltransferase (GGT), bilirrubina.
•	 Exames laboratoriais para acompanhamento de anemia: ferro, transferrina, ferritina, 
capacidade total de ligação do ferro.
•	 Acompanhamento laboratorial de carências específicas advindas de cirurgia bariátrica: 
vitamina B12, ácido fólico, cálcio total e ferro.
 Saiba mais
Para saber mais sobre a solicitação de exames laboratoriais, acesse:
CONSELHO FEDERAL DE NUTRICIONISTAS (CFN). CFN divulga 
recomendação sobre exames laboratoriais. CFN, 25 abr. 2016. Disponível em: 
https://www.cfn.org.br/index.php/noticias/cfn-divulga-recomendacao-
sobre-exames-laboratoriais/. Acesso em: 4 set. 2020.
4.2.5 Capítulo IV: Meios de comunicação e informação
O CFN reestruturou o CEN principalmente devido às rápidas mudanças nos meios de comunicação e 
da ciência, fatos que refletiram na ampliação de formas de divulgação do trabalho do nutricionista, como 
a utilização das redes sociais. Diante desse cenário, o uso de estratégias para comunicação e informação 
ao público, assim como para divulgação das atividades profissionais do nutricionista, utilizando 
quaisquer meios (televisão, rádio, jornais, revistas, panfletos virtuais ou impressos, embalagens, mídias e 
redes sociais, aplicativos, palestras, eventos etc.), deverá obedecer às seguintes regras:
Art. 53. É direito do nutricionista utilizar os meios de comunicação e 
informação, pautado nos princípios fundamentais, nos valores essenciais e 
60
Unidade I
nos artigos previstos no Código, assumindo integral responsabilidade pelas 
informações emitidas.
Art. 54. É direito do nutricionista divulgar sua qualificação profissional, 
técnicas, métodos, protocolos, diretrizes, benefícios de uma alimentação 
para indivíduos ou coletividades saudáveis ou em situações de agravos 
à saúde, bem como dados de pesquisa fruto do seu trabalho, desde que 
autorizado por escrito pelos pesquisados, respeitando o pudor, a privacidade 
e a intimidade própria e de terceiros.
Art. 55. É dever do nutricionista, ao compartilhar informações sobre 
alimentação e nutrição nos diversos meios de comunicação e informação, 
ter como objetivo principal a promoção da saúde e a educação alimentar 
e nutricional, de forma crítica e contextualizada e com respaldo 
técnico-científico.
Art. 56. É vedado ao nutricionista, na divulgação de informações ao público, 
utilizar estratégias que possam gerar concorrência desleal ou prejuízos à 
população, tais como promover suas atividades profissionais com mensagens 
enganosas ou sensacionalistas e alegar exclusividade ou garantia dos 
resultados de produtos, serviços ou métodos terapêuticos.
Art. 57. É vedado ao nutricionista utilizar o valor de seus honorários, 
promoções e sorteios de procedimentos ou serviços como forma de 
publicidade e propaganda para si ou para seu local de trabalho.
Art. 58. É vedado ao nutricionista, mesmo com autorização concedida por 
escrito, divulgar imagem corporal de si ou de terceiros, atribuindo resultados 
a produtos, equipamentos, técnicas, protocolos, pois podem não apresentar 
o mesmo resultado para todos e oferecer risco à saúde.
§ 1º. A divulgação em eventos científicos ou em publicações 
técnico-científicas é permitida, desde que autorizada previamente pelos 
indivíduos ou coletividades.
§ 2º. No caso de divulgação de pesquisa científica o disposto no artigo 58 
não se aplica (CFN, 2018).
 Observação
Concorrência desleal é um conjunto de ações que buscam desviar 
clientela do concorrente não pelo apelo, preço ou qualidade do produto, 
mas através de meios imorais e antiéticos.
61
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Ao lermos os artigos referentes ao capítulo IX, entendemos que o CFN compreende que as redes 
sociais constituem uma ferramenta de trabalho atual do nutricionista, seja para a divulgação de seu 
trabalho, seja para disseminar conhecimentos científicos. No entanto, ele é extremamente claro no 
que diz respeito às condutas que podem ou não ser tomadas quando o uso dessas ferramentas se faz 
pertinente, de forma a garantir credibilidadeno meio profissional, conquistar a confiança e o respeito 
dos pacientes/clientes e promover a saúde na sociedade.
O CEN confere ao profissional a possibilidade de divulgar informações técnicas relacionadas à 
alimentação e nutrição desde que ele tenha a intenção e o objetivo principal de educação nutricional 
e promoção à saúde da sociedade civil. Para tanto, o nutricionista deve se responsabilizar pelo uso 
de qualquer literatura científica que consulte para divulgar informações, assim como a correta 
interpretação de seus dados. Tendo um papel de educador em saúde, o nutricionista precisa, além de 
transmitir informações de forma didática, apreender a maneira como o interlocutor vivencia questões 
alimentares, não apenas em relação ao consumo de alimentos, mas em relação a todas as questões de 
natureza subjetiva e interpessoal que estão interligadas com o comportamento alimentar (BOOG, 2008).
Cabe destacar que, na necessidade de divulgar orientações e procedimentos específicos para 
determinados indivíduos ou coletividades, o nutricionista deve informar que os resultados podem não 
ocorrer da mesma forma para todos (CFN, 2018). Esse cuidado é necessário para não criar expectativas 
irreais na população, além de prezar pelo decoro da profissão.
Um dos assuntos que mais gerou discussões nesse novo código está relacionado à exposição de 
imagens corporais do nutricionista e/ou de terceiros. O CFN entende que a divulgação de imagens 
relacionadas ao corpo pode oferecer riscos à saúde, além do fato de que a generalização dos resultados 
induz as pessoas a acreditarem que o profissional em questão é mais capacitado para auxiliar no alcance 
do resultado, o que leva a uma concorrência desleal (CFN, 2018; CRN-3, 2017a). Além disso, quando 
o nutricionista coloca fotos comparando o antes e depois de um determinado paciente/cliente, ele 
está sujeito a criar falsas expectativas àqueles que acompanham sua rede social, e isso pode implicar 
em frustrações e pensamentos autodestrutivos de quem está do outro lado da tela, como: “só eu não 
consigo?”. Se analisarmos por esse lado, como o profissional pode garantir a proteção e a promoção da 
saúde ao realizar esse tipo de divulgação?
Outro aspecto extremamente relevante é o de que, ao divulgarmos fotos de imagens corporais, 
enraizamos ainda mais na sociedade que o trabalho do nutricionista se reduz a apenas moldar os corpos. 
Ao relembrarmos como a nutrição emergiu no Brasil, trazemos à memória que as primeiras áreas de 
atuação no país foram a nutrição clínica, a saúde coletiva e a alimentação coletiva. Nesse sentido, 
o papel do nutricionista sempre esteve atrelado ao tratamento e à prevenção de enfermidades no 
âmbito individual e coletivo, o que mostra a relevância e a complexidade da prática do profissional 
(VASCONCELOS, 2002).
Embora esse assunto tenha gerado (e ainda gere) discordâncias, não é de hoje que essa temática vem 
sendo abordada. Anteriormente à publicação do CEN em 2018, os conselhos regionais já alertavam os 
nutricionistas para que evitassem esse tipo de conduta por se relacionar com questões de autopromoção 
e sensacionalismo, por ser um artifício que não é garantidor daquele resultado.
62
Unidade I
Além dos assuntos supracitados, esse capítulo aborda a proibição do profissional em utilizar seus 
honorários para atrair clientela. Esse fato é importante para valorizar o trabalho árduo que o nutricionista 
tem ao estar inserido na prevenção e/ou no tratamento de doenças. Quando um profissional cria 
estratégias de marketing relacionadas a promoções, além de promover concorrência desleal, muitas 
vezes acaba cobrando do paciente/cliente um valor inferior ao mínimo estabelecido pela entidade 
sindical, o que infringe o art. 11 do presente CEN e desvaloriza a classe profissional.
 Saiba mais
Veja no link a seguir o fôlder orientativo que o CRN da 3ª jurisdição 
disponibilizou sobre as ações dos nutricionistas nas mídias sociais:
CONSELHO REGIONAL DE NUTRICIONISTAS – 3ª REGIÃO (CRN-3). Fôlder 
nutricionista e mídias digitais. jul. 2018. Disponível em: http://www.
crn3.org.br/uploads/BaseArquivos/2018_09_28/Folder-RedeSocial-
CRN3_semcorte.pdf. Acesso em: 8 set. 2020.
4.2.6 Capítulo V: Associação a produtos, marcas de produtos, serviços, empresas ou indústrias
A temática desse capítulo também é alvo de debates entre a classe profissional. O CEN exige que as 
ações realizadas pelo nutricionista relativas à associação, divulgação, indicação ou venda de produtos, 
de marcas de produtos, de serviços, de empresas ou de indústrias específicas obedecerão ao que segue:
Art. 59. É direito do nutricionista fazer uso de embalagens para fins de 
atividades de orientação, educação alimentar e nutricional e em atividades 
de formação profissional, desde que utilize mais de uma marca, empresa 
ou indústria do mesmo tipo de alimento, produto alimentício, suplemento 
nutricional e fitoterápico e que não configure conflito de interesses.
Art. 60. É vedado ao nutricionista prescrever, indicar, manifestar preferência 
ou associar sua imagem intencionalmente para divulgar marcas de 
produtos alimentícios, suplementos nutricionais, fitoterápicos, utensílios, 
equipamentos, serviços, laboratórios, farmácias, empresas ou indústrias 
ligadas às atividades de alimentação e nutrição de modo a não direcionar 
escolhas, visando preservar a autonomia dos indivíduos e coletividades e a 
idoneidade dos serviços.
I – Inclui-se como formas de divulgação a utilização de vestimentas, 
adereços, materiais e instrumentos de trabalho com a marca de produtos ou 
empresas ligadas à área de alimentação e nutrição. Excetuam-se profissionais 
contratados por empresa ou indústria durante o desempenho de atividade 
profissional para esta contratante.
63
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
II – Caso o nutricionista seja contratado pela empresa ou indústria para 
desempenhar a função de divulgação de serviços ou produtos de uma única 
marca, empresa ou indústria, esta deve ser voltada apenas a profissionais 
que prescrevam ou comercializem os produtos e vedada aos demais públicos.
III – Quando da prescrição dietética, orientação para consumo ou compra 
institucional, havendo necessidade de mencionar aos indivíduos e 
coletividades as marcas de produtos, empresas ou indústrias, o nutricionista 
deverá apresentar mais de uma opção, quando disponível. Não havendo 
outra opção que tenha a mesma composição ou que atenda a mesma 
finalidade, é permitido indicar o único existente.
Art. 61. É vedado ao nutricionista exercer ou associar atividades de 
consulta nutricional e prescrição dietética em locais cuja atividade-fim 
seja a comercialização de alimentos, produtos alimentícios, suplementos 
nutricionais, fitoterápicos, utensílios ou equipamentos ligados à área de 
alimentação e nutrição.
Parágrafo único. O nutricionista pode exercer atividade de consulta 
nutricional e prescrição dietética em locais cuja atividade-fim seja a 
comercialização de alimentos ou produto alimentício de fabricação e marca 
próprias de nutricionista, desde que respeitado o inciso III do Art. 60.
Art. 62. É vedado ao nutricionista condicionar, subordinar ou sujeitar sua 
atividade profissional à venda casada de produtos alimentícios, suplementos 
nutricionais, fitoterápicos, utensílios ou equipamentos ligados à área de 
alimentação e nutrição.
Art. 63. É vedado ao nutricionista fazer publicidade ou propaganda em 
meios de comunicação com fins comerciais, de marcas de produtos 
alimentícios, suplementos nutricionais, fitoterápicos, utensílios, 
equipamentos, serviços ou nomes de empresas ou indústrias ligadas às 
atividades de alimentação e nutrição.
Art. 64. É vedado ao nutricionista receber patrocínio ou vantagens financeiras 
de empresas ou indústrias ligadas à área de alimentação e nutrição quando 
configurar conflito de interesses.
Parágrafo único. Excetua-se o caso de o nutricionista ser contratado pela 
empresa ou indústria que concedeu tal patrocínio ou vantagem financeira.
Art. 65.É vedado ao nutricionista promover, organizar ou realizar eventos 
técnicos ou científicos com patrocínio, apoio ou remuneração de indústrias 
ou empresas ligadas à área de alimentação e nutrição que não atendam aos 
64
Unidade I
critérios vigentes estabelecidos por entidade técnico-científica da categoria 
e quando configurar conflito de interesses.
Parágrafo único. Excetua-se o caso de o nutricionista participar em comissão 
científica ou organizadora de eventos multiprofissionais (CFN, 2018a).
O presente capítulo inicia retomando a atuação do nutricionista no contexto da educação alimentar e 
nutricional (EAN). Vale ressaltar que a EAN fortalece a discussão sobre a determinação social nos cenários 
da fome e da desnutrição e na relação desses fenômenos com o modelo de organização capitalista, em 
detrimento do enfoque biológico e técnico-educativo. Como consequência, a educação alimentar passa 
a contemplar não apenas as práticas alimentares, mas também a necessidade emergente de esclarecer a 
população sobre os direitos de cidadania (LIMA; OLIVEIRA; GOMES, 2003; SANTOS, 2005). O CFN permite 
que as ações educativas envolvam embalagens de produtos alimentícios e isso é importante para que 
o profissional possa, por exemplo, ensinar a correta leitura dos rótulos e da tabela de informações 
nutricionais, os quais geram dificuldades de interpretação na população leiga e podem culminar na 
ilusão do consumo de um produto saudável.
Ao avançar no capítulo, entramos na questão da associação propriamente dita a produtos, marcas de 
produtos, serviços, empresas ou indústrias. A posição do CFN é muito clara quanto a isso: é proibido esse 
tipo de coligação. É importante que entendamos que o nutricionista é um formador de opinião e um 
influenciador nas escolhas alimentares da população. Ao nos associarmos a uma marca, por exemplo, 
podemos induzir um indivíduo a achar que somente aquela é boa para consumo e, embora a sociedade 
civil tenha cada vez mais acesso a informações relacionadas à alimentação e nutrição, ela ainda carece 
de fontes confiáveis. Nesse aspecto, devemos ter o cuidado para não direcionar as escolhas, preservando 
a livre opção das pessoas e respeitando o princípio bioético da autonomia.
Devemos tomar muito cuidado e prestar atenção no que configura o ato de associação e divulgação. 
Ele não se dá apenas ao proferir palavras, mas também pelo uso de vestimentas, adereços, materiais 
e instrumentos de trabalho. Ademais, a divulgação não se limita apenas a gêneros alimentícios, mas 
também a utensílios e equipamentos ligados à área da alimentação.
Um outro ponto importante diz respeito aos profissionais que são contratados por uma empresa 
e, desse modo, possuem um vínculo com ela. De acordo com a Resolução n. 600 de 2018 do Conselho 
Federal de Nutricionistas, uma das vertentes da área de atuação em cadeias de produção, indústria e comércio 
de alimentos permite que o profissional atue em marketing, seja representando ou desenvolvendo 
produtos da empresa, realizando controle de qualidade, serviços de atendimento ao consumidor ou 
promovendo produtos. Em decorrência disso, o CEN estabelece com clareza regras para essa atuação. 
O profissional só pode estar associado a determinada empresa contratante no período de sua jornada de 
trabalho, ou seja, ao término do expediente ele passa a ser nutricionista, e não nutricionista contratado 
da empresa X. Além disso, o profissional só pode transmitir informações sobre a marca e/ou os produtos 
que representa para profissionais da área, e não para os demais públicos de forma a proteger a livre 
opção dos indivíduos.
65
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Nesse momento talvez você esteja refletindo sobre a seguinte questão: e se um paciente no 
consultório, hospital e afins precisar adquirir um determinado produto alimentício e precisar de 
orientações de marcas que sejam idôneas? O nutricionista não só pode, mas deve auxiliar seu paciente, 
nesse caso, indicando mais de uma opção sem que haja conflito de interesses.
 Observação
Conflito de interesse é o conjunto de condições nas quais o julgamento 
de um profissional a respeito de um interesse primário tende a ser 
influenciado indevidamente por um interesse secundário.
Em suma, os artigos 59 a 65 envolvem tópicos que objetivam evitar que o nutricionista faça uso 
de estratégias de marketing que possam direta ou indiretamente ferir o direito à proteção da saúde de 
quem é acompanhado por ele, assim como o decoro profissional. Inclusive, fica explicito a proibição 
de envolver aspectos financeiros nessas estratégias.
Muitos estudantes de nutrição e nutricionistas já formados levantam o questionamento sobre as punições 
que leigos e/ou profissionais de fato sofrem ao infringirem um ou mais artigos dos capítulos IV e V. Os órgãos 
representativos da classe, que possuem o papel de fiscalizar o exercício da profissão (CRNs), funcionam 
por meio de denúncia, ou seja, existe a necessidade de as pessoas formalizarem uma reclamação que 
identifique situações de infrações éticas ou disciplinares. Além disso, dependendo do caso, a denúncia 
pode ser encaminhada ao Ministério Público Federal, que dará continuidade ao processo. Esse é o caso de 
ações envolvendo influenciadores digitais que realizam atividades que são privativas dos nutricionistas 
como ferramentas de trabalho, exercendo, então, a profissão de nutricionista de forma ilegal. À vista 
disso, o artigo 47 da Lei de contravenções penais estabelece prisão de até três meses e multa para 
pessoas que exerçam função privativa de profissões sem ter as devidas qualificações.
Isto posto, cabe a todos nós estarmos atentos às más condutas e denunciar aos órgãos competentes.
4.2.7 Capítulo VI: Formação profissional
O capítulo VI traz importantes normas para o tratamento do nutricionista com estagiários. Se faz 
importante nesse momento explicar as diferentes situações em que o profissional pode se deparar na 
sua prática com alunos em processo de aprendizado. Vejamos a seguir:
•	 Preceptor de estágio: profissional que realiza a supervisão direta de atividades práticas 
desenvolvidas por pós-graduandos nos serviços (CFN, 2018).
•	 Orientador de estágio: professor da instituição de ensino superior (IES) responsável pelo 
acompanhamento e pela avaliação das atividades de estágio (BRASIL, 2008).
•	 Supervisor de estágio: profissional da parte concedente que realiza o acompanhamento e a 
supervisão das atividades do estagiário em seu ambiente de trabalho (BRASIL, 2008).
66
Unidade I
Após compreendermos as possibilidades supracitadas, leia os artigos a seguir:
Art. 66 É direito do nutricionista exercer a função de supervisor/preceptor de 
estágios em seu local de trabalho.
Art. 67 É direito do nutricionista delegar atribuições privativas do nutricionista 
a estagiário de nutrição, desde que sob a supervisão direta e responsabilidade 
do profissional, de acordo com o termo de compromisso do estágio.
Art. 68 É dever do nutricionista, no desempenho de atividade de supervisão 
e preceptoria de estágio, cumprir a legislação de estágio vigente.
Art. 69 É dever do nutricionista, no desempenho da atividade docente de 
supervisão ou preceptoria de estágio, abordar a ética enquanto conteúdo 
e atitude, de forma transversal e permanente nos diferentes processos de 
formação, em todas as áreas de atuação.
Art. 70 É dever do nutricionista, no desempenho da atividade docente, estar 
comprometido com a formação técnica, científica, ética, humanista e social 
do discente, em todos os níveis de formação profissional.
Art. 71 É dever do nutricionista, no desempenho da atividade docente, 
buscar espaços e condições adequadas às atividades desenvolvidas para os 
estágios e demais locais de formação, a fim de que cumpram os objetivos do 
processo de ensino-aprendizagem.
Art. 72 É dever do nutricionista, quando na função de docente orientador 
de estágios, garantir ao estagiário supervisão de forma ética e tecnicamente 
compatível com a área do estágio,comunicando as inadequações aos 
responsáveis e, no caso de inércia destes, aos órgãos competentes e ao 
Conselho Regional de Nutricionistas da respectiva jurisdição.
Art. 73 É dever do nutricionista, no desempenho da atividade de supervisão 
ou preceptoria, estar comprometido com a formação do discente, em todos 
os níveis de formação profissional, ensejando a realização das atribuições do 
nutricionista desenvolvidas no local, sob sua responsabilidade.
Art. 74 É dever do nutricionista, em atividade de docente orientador, 
supervisor ou preceptor, informar ao paciente, cliente ou usuário a 
participação de discentes de graduação nas atividades do serviço e respeitar 
a possibilidade de recusa, assumindo o atendimento ou acompanhamento.
Parágrafo único. No caso de o nutricionista atuar em instituição que tenha 
procedimento prévio de informação e anuência do paciente, cliente ou 
67
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
usuário quanto à presença de discente, o nutricionista fica desobrigado da 
informação a ele.
Art. 75 É vedado ao nutricionista supervisor, preceptor ou docente orientador 
permitir ou se responsabilizar por realização de estágio em instituições e 
empresas, públicas ou privadas, que não disponham de nutricionista no local.
Art. 76 É vedado ao nutricionista, no desempenho da atividade docente, 
difamar, diminuir ou desvalorizar a profissão, áreas de atuação ou campos 
de conhecimentos diferentes dos que atua.
Art. 77 É vedado ao nutricionista, na função de coordenador ou docente, 
induzir discentes assistidos por outra instituição de ensino a migrarem para 
a instituição com a qual tenha qualquer tipo de vínculo com vistas à sua 
captação (CFN, 2018a, p. 14-15).
De acordo com o CEN, o nutricionista não tem a obrigação de aceitar estagiários, no entanto, 
é importantíssimo que cada vez mais colegas abram suas portas para auxiliar no processo de 
ensino-aprendizagem dos futuros profissionais. Todos precisamos de oportunidades para iniciar uma 
nova carreira e ninguém melhor do que um colega formado para ajudar nesse percurso. O ensino vai além 
da sala de aula e ajudar os educandos a lidar com os percalços do cotidiano concebe a eles a possibilidade 
de desenvolver habilidades essenciais à sua prática. Para tanto, aquele que aceitar estagiários deve ter 
ciência do seu papel de educador, em que se torna essencial transcender os ensinamentos além dos 
técnicos-científicos, ou seja, abordar questões éticas, humanista e social do educando é imprescindível 
ao longo do processo.
Qualquer profissional que opte por inserir estagiários em sua equipe deve se atentar e cumprir 
a Lei n. 11.788, de 25 de setembro de 2008, que dispõe sobre o estágio de estudantes e dá outras 
providências. Essa lei estabelece parâmetros que regulamentam as contratações de estagiários, sejam 
esses curriculares ou extracurriculares, enfatizando:
•	 A importância de manter o caráter pedagógico do estágio e da participação da instituição de 
ensino na definição e aprovação do plano de atividades do estudante em ambiente de trabalho.
•	 A segurança para as organizações concedentes de estágio, que passam a contar com um 
instrumento legal moderno e mais adequado à realidade atual do mercado de trabalho.
•	 A gratuidade obrigatória de todos os serviços prestados aos estudantes pelos agentes de integração.
•	 A carga horária diária e semanal, assim como possibilidades de remuneração.
•	 A garantia de um seguro contra acidentes pessoais.
68
Unidade I
Além disso, o profissional precisa ser um facilitador e incentivador durante todo o momento em que 
estiver supervisionando o discente. Para tal, ele pode designar atividades privativas do nutricionista 
ao estagiário, desde que o supervisione diretamente de forma a aperfeiçoar seu conhecimento. 
É importante lembrar que como incentivador, o nutricionista não pode, em hipótese alguma, difamar, 
diminuir ou desvalorizar a profissão, assim como demais áreas de atuação, uma vez que todas as 
vertentes da nutrição se complementam para garantir a saúde e a alimentação adequada à sociedade.
Tendo em vista a importância de um nutricionista formado no acompanhamento de um estagiário, é 
inadmissível que o aluno fique um ou mais dias sem assistência. Desse modo, onde não existe nutricionista 
não existe estagiário. Caso o profissional precise se ausentar do estabelecimento por quaisquer motivos, 
esse deve designar seus estagiários para outro colega e, na impossibilidade, orientá-los a ficar em casa 
executando tarefas mais simples e que possam ser realizadas sem supervisão direta.
Endossamos, nesse momento, que toda e qualquer atividade solicitada aos estagiários deve ter 
relação com o aprendizado dele na área da alimentação e nutrição, não sendo aceitável a execução de 
tarefas que desviam desse objetivo.
4.2.8 Capítulo VI: Pesquisa
As atividades relacionadas a estudos e pesquisas teóricas, práticas ou científicas realizadas pelo 
nutricionista obedecerão ao que segue:
Art. 78. É direito do nutricionista realizar estudo ou pesquisa, dentro ou fora 
do seu local de trabalho, com vistas ao benefício à saúde de indivíduos ou 
coletividades, à qualificação de processos de trabalho e à produção de novos 
conhecimentos para o campo de alimentação e nutrição.
Parágrafo único. A pesquisa ou estudo deve ser autorizado pela instituição 
e, quando cabível, pelo Comitê de Ética e Pesquisa.
Art. 79. É dever do nutricionista, na realização de pesquisa, respeitar o meio 
ambiente, os seres humanos e os animais envolvidos, de acordo com as 
normas da legislação vigente.
Art. 80. É dever do nutricionista, quando utilizar informações não divulgadas 
publicamente, obter autorização do responsável e a ele fazer referência.
Art. 81. É dever do nutricionista, ao publicar ou divulgar resultados de 
estudos financiados ou apoiados por indústrias ou empresas ligadas à 
área de alimentação e nutrição, assegurar a imparcialidade no desenho 
metodológico e no tratamento dos dados, garantir a divulgação da fonte de 
financiamento ou apoio e declarar o conflito de interesses.
69
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Art. 82. É vedado ao nutricionista omitir citação de terceiros que tiveram 
participação na elaboração de produções técnico-científicas.
Art. 83. É vedado ao nutricionista declarar autoria à produção científica, 
método de trabalho ou produto do qual não tenha participado efetivamente 
da produção ou construção (CFN, 2018a, p. 16).
A discussão sobre a ética apresenta uma elevada significação, considerando sua importância frente 
a uma realidade que contempla, em paralelo, um avançado desenvolvimento técnico-científico, e 
inúmeras adversidades que se apresentam no modelo de sociedade em que vivemos, tais como: doenças 
emergentes e persistentes; fome; miséria; violência; racismo; exclusão social; desrespeitos ao meio 
ambiente, entre outros. Dessa forma, a reflexão ética se torna essencial à formação, bem como à prática 
em pesquisa, independentemente da área (AMORIM, 2019).
4.2.8.1 Breve histórico da ética em pesquisa no mundo
A história das pesquisas com seres humanos é marcada por situações consideradas abusivas em 
relação aos sujeitos do estudo. Como exemplo, podemos citar o estudo do médico inglês Edward 
Jenner (1796), que ficou conhecido por ter envolvido crianças na investigação da vacina contra a 
varíola. O médico conduziu seus estudos em seus filhos e nas crianças vizinhas, colocando-os em risco 
e não se preocupando com sua proteção (KIPPER, 2010).
No século XIX já se discutia sobre a importância de o avanço científico não violar a integridade 
dos participantes da pesquisa e o pesquisador Claude Bernard sustentava a importância de ter 
um documento para direcionar os projetos de pesquisa, assim como adquirir o consentimento dos 
participantes (CLOTET, 1995).
Em 1901, na Prússia, foi elaborado e publicado um documento que normatizava, na época, as 
intervenções clinicas para fins de pesquisas. De acordo com Kipper (2010), esse documento limitava 
açõesmédicas caso:
•	 Não tivessem objetivos diagnósticos, terapêuticos ou de imunização.
•	 O paciente fosse menor de idade.
•	 O paciente não fosse totalmente competente em sua capacidade de fornecer o consentimento.
 Observação
A Prússia foi uma nação europeia que dominou boa parte do centro 
do continente no século XIX. Ela foi efetivamente abolida em 1932 e 
oficialmente em 1947.
70
Unidade I
Em 1931, a Alemanha estabeleceu uma legislação em que os experimentos em seres humanos foram 
rigidamente controlados. Foi o primeiro instrumento legal que obrigava a utilização do consentimento 
informado. No entanto, com o desenrolar da Segunda Guerra Mundial, as normas que constavam essa 
legislação não se cumpriram (KOTTOW, 2008).
Ao longo da Segunda Guerra Mundial, diversos experimentos foram realizados e geraram muito 
avanço científico. No entanto, a Alemanha nazista promoveu os maiores crimes contra a humanidade, 
que ultrapassaram todos os limites de crueldade contra seres humanos (KOTTOW, 2008).
Um experimento que ficou muito conhecido devido às suas atrocidades foi o Tuskegee, cujo 
objetivo foi compilar dados sobre os efeitos da evolução espontânea da sífilis em homens negros. Foram 
selecionados participantes afrodecendentes, em sua maioria com baixo poder aquisitivo e analfabetos. 
Nenhum dos indivíduos tinha conhecimento da presença da doença nem do que ela poderia ocasionar.
Veja a seguir a linha do tempo acerca dos estudos com a sífilis:
1932: Complicações da doença já conhecidas
1969: 28-100 mortes pela sífilis: complicações cardíacas
1972: Denúncia de Peter Buxtun para a jornalista Jean Heller
1940: Disponibilização da penicilina
Figura 5
O estudo com característica não terapêutica teve início em 1932 e já se conhecia as complicações 
decorrentes da sífilis, o que por si só já seria o suficiente para inviabilizar o estudo, uma vez que sua justificativa 
não teria relevância clínica. Com o passar dos anos houve a disponibilização do tratamento para a doença, que 
não foi informado aos participantes da pesquisa, que já haviam começado a ir a óbito. Dos 399 participantes, 
28 morreram em decorrência da doença e 100 de complicações relacionadas; 40 mulheres, esposas desses 
homens, foram infectadas (GRECO, 2013). Em 1972, o estudo foi encerrado quando o assistente social do 
Departamento de Saúde Pública dos Estados Unidos, Peter Buxtun, denunciou o estudo à jornalista Jean 
Heller, que tornou o caso público e levou à interrupção definitiva da experiência (JONES, 2008).
Apenas vinte anos após do encerramento do estudo, os participantes ainda vivos ou as famílias 
daqueles que haviam ido a óbito receberam uma indenização e um pedido de desculpas do 
presidente à época:
71
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
O Governo dos Estados Unidos fez uma coisa errada, profunda e moralmente 
errada, que ultraja nosso comprometimento com a integridade e igualdade 
de todos os nossos cidadãos. Podemos acabar com o silêncio. Podemos parar 
de olhar para o outro lado. Podemos olhar em seus olhos e finalmente dizer, 
em nome do povo americano, que o Governo dos Estados Unidos fez uma 
coisa vergonhosa, e que eu sinto muito... O legado de Tuskegee teve forte e 
profundo alcance, prejudicando nosso progresso e dividindo nossa nação. Não 
podemos ser uma única América quando todo um segmento da nação desconfia 
da América. Um pedido de desculpas é o primeiro passo e nós o damos com o 
comprometimento de reconstruir a confiança perdida. Para começar, é preciso 
garantir que episódios como esse jamais venham a acontecer novamente. 
Precisamos nos empenhar mais para assegurar que as práticas de pesquisas 
médicas sejam sólidas e éticas, e que os pesquisadores trabalhem mais 
estreitamente ligados às comunidades (GRECO, 2010, p. 22).
Em decorrência de tantas negligencias éticas, tanto durante quanto após a Segunda Guerra 
Mundial, foram elaborados documentos que servem como a base da discussão sobre a ética em pesquisa 
envolvendo seres humanos.
•	 Código de Nuremberg – 1947.
•	 Declaração de Helsinque – 1964/2000.
•	 Propostas de diretrizes éticas internacionais para pesquisas biomédicas envolvendo seres humanos.
4.2.8.2 Código de Nuremberg
Ao final da Segunda Guerra Mundial foram divulgadas informações sobre as torturas cometidas 
com finalidade científica, como o sacrifício de vidas humanas para conhecer os limites de tolerância 
a condições extremas, como hipotermia, déficit de oxigênio e injeção massiva de germes patogênicos 
(KOTTOW, 2008). Em decorrência disso, os médicos e pesquisadores envolvidos foram submetidos a um 
julgamento no Tribunal de Nuremberg (KIPPER, 2010). Entre 9 de dezembro de 1946 e julho de 1947, 
23 pessoas foram julgadas pelos experimentos abusivos durante a guerra. Em agosto do mesmo ano, 
as sentenças foram divulgadas e foi estabelecido o primeiro documento internacional com a finalidade 
de nortear a realização de investigações com seres humanos, conhecido como Código de Nuremberg 
(GRECO, 2013; KOTTOW, 2008).
Grande parte do Código se dedica ao cuidado de proteger os participantes, de justificar a relevância 
social dos estudos e de realizá-los com idoneidade. Para tanto, as seguintes diretrizes foram estabelecidas:
•	 O consentimento voluntário do ser humano é absolutamente essencial.
•	 Produzir resultados vantajosos para a sociedade, mas não podem ser feitos de maneira casuística 
ou desnecessária.
72
Unidade I
•	 Basear-se em resultados de experimentação em animais e no conhecimento da evolução da 
doença ou outros problemas em estudo.
•	 Evitar todo sofrimento e danos desnecessários.
•	 Não deve ser conduzido qualquer experimento quando existirem razões para acreditar que pode 
ocorrer morte ou invalidez permanente; exceto, talvez, quando o próprio médico pesquisador se 
submeter ao experimento.
•	 O grau de risco aceitável deve ser limitado pela importância do problema que o pesquisador se 
propõe a resolver.
•	 Cuidados para proteger o participante do experimento de qualquer possibilidade de dano, invalidez 
ou morte, mesmo que remota.
•	 Ser conduzido por pessoas cientificamente qualificadas.
•	 O participante do experimento deve ter a liberdade de se retirar no decorrer do experimento.
•	 O pesquisador deve estar preparado para interromper o estudo em qualquer estágio, se ele tiver 
motivos razoáveis para acreditar que a sua continuação provavelmente causará danos, invalidez 
ou morte para os participantes (KOTTOW, 2008; GRECO, 2010; KIPPER, 2010).
4.2.8.3 Declaração de Helsinque
Como consequência do avanço das pesquisas científicas, se tornou necessário criar uma 
regulamentação ética mais completa do que a oferecida pelo Código de Nuremberg. Em 1964, 
a Associação Médica Mundial promulgou a Declaração de Helsinque (DH), que reforçava a 
necessidade de as pesquisas serem analisadas em sua fase de projeto, por comissões ou comitês 
independentes que avaliariam sua conformidade com as diretrizes éticas (KIPPER, 2010). Ao longo 
das últimas quatro décadas, ela se tornou referência na proteção aos participantes nos ensaios 
clínicos (GRECO, 2013).
A última revisão da DH se deu em 2010 e estabeleceu as seguintes condutas a serem tomadas:
•	 Os investigadores de pesquisa devem estar conscientes das exigências éticas, legais e 
regulatórias sobre a pesquisa em seres humanos em seus próprios países, bem como exigências 
internacionais cabíveis.
•	 É dever do pesquisador proteger a vida, a saúde, a dignidade e a integridade do ser humano.
•	 O projeto e os métodos devem atender a protocolos experimentais reconhecidos, apoiar-se em 
profundo conhecimento da literatura e ser aprovado por um comitê de ética.
73
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
•	 Avaliar riscos e benefícios, a importância do objetivo deve ser maior que o risco ao sujeito de pesquisa.
•	 Ser realizada por profissional qualificado.
•	 Existir benefícios para a população.
•	 Os indivíduos devem ser voluntários livres e esclarecidos e protegidos na sua individualidadee 
confidencialidade das informações.
•	 Obter o livre consentimento do paciente, depois de lhe ter sido dada uma explicação completa.
•	 O consentimento é informado. Entretanto, a responsabilidade da pesquisa clínica é sempre 
do pesquisador.
•	 Na impossibilidade de obter um consentimento informado, infere-se que o participante não 
poderá ser recrutado para estudos não terapêuticos que não o beneficiem, mas o fazem correr 
riscos desnecessários.
•	 Cuidados especiais com sujeitos em relação de dependência.
•	 O médico deve ser livre para empregar novos métodos terapêuticos, desde que haja uma avaliação 
dos benefícios, riscos, custos etc.
•	 Em qualquer momento, no decorrer da pesquisa clínica, o paciente ou seu responsável serão livres 
para cancelar a autorização de prosseguimento da pesquisa (CREMESP, 2002).
4.2.8.4 Diretrizes éticas internacionais para pesquisas biomédicas envolvendo seres humanos
Em meados da década de 1970, o Conselho de Organizações Internacionais de Ciências Médicas 
começou a preparar um guia para descrever princípios éticos às pesquisas realizadas em locais 
com recursos limitados. Esse guia resultou, em 1982, do documento Propostas de diretrizes éticas 
internacionais para pesquisas biomédicas envolvendo seres humanos (CIOMS, 2018).
 Observação
O Conselho de Organizações Internacionais de Ciências Médicas é uma 
organização não governamental que objetiva colaborar com as Nações 
Unidas e suas agências especializadas, especialmente Unesco e OMS.
A versão das diretrizes éticas de 1982 foi reeditada em 1993, devido aos avanços biotecnológicos, 
às novas perspectivas de pesquisas com populações vulneráveis e, principalmente, à eclosão da 
epidemia da Aids/HIV (GRECO, 2013; CIOMS, 2018). A revisão do documento foi realizada com a 
colaboração do Programa Global de Aids, inserido na OMS e, desse modo, surgiram as diretrizes éticas 
74
Unidade I
internacionais para a pesquisa biomédica envolvendo seres humanos. O documento continha 15 
diretrizes, descritas a seguir:
Diretrizes éticas internacionais para a pesquisa envolvendo seres humanos
Diretriz 1: Todas as pesquisas biomédicas envolvendo seres humanos, deverá ter um 
consentimento informado do possível sujeito a ser pesquisado ou, no caso de um indivíduo 
que não seja capaz de dar um consentimento informado, um consentimento por delegação 
de um representante adequadamente autorizado.
Diretriz 2: O pesquisador deverá possibilitar ao indivíduo as seguintes informações, em 
linguagem que ele ou ela sejam capazes de compreender:
• que cada indivíduo é convidado para participar como sujeito em uma pesquisa, e os 
objetivos e métodos de pesquisa;
• a duração esperada da participação dos sujeitos;
• os benefícios que se possam racionalmente ser esperados como resultados para o 
sujeito ou para outros como resultado da pesquisa;
• qualquer risco ou desconforto previstos para o sujeito, associados a sua 
participação na pesquisa;
• qualquer procedimento ou tratamento alternativo que poderia ser tão vantajoso 
para o sujeito quanto o procedimento ou tratamento que está sendo testado;
• a extensão na qual a confidencialidade dos dados, nos quais o sujeito é 
identificado, será mantida;
• a extensão da responsabilidade do investigador, se alguma, em prover serviços 
médicos ao sujeito;
• que terapia será posta à disposição, de forma gratuita, para tipos específicos de 
danos relacionados à pesquisa;
• que o sujeito, sua família ou dependentes serem compensados por incapacidades ou 
morte resultantes de tais danos, e
• que o indivíduo está livre para recusar em participar e livre para abandonar a pesquisa 
em qualquer momento sem qualquer penalidade ou perda de benefícios os quais ele 
ou ela tenham direito.
75
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Diretriz 3: Obrigações do pesquisador a respeito do Consentimento Informado:
• comunicar ao possível sujeito todas as informações necessárias para um adequado 
consentimento informado;
• propiciar ao possível sujeito plena oportunidade e encorajamento para fazer perguntas;
• excluir a possibilidade de engano injustificado, influência indevida e intimidação;
• solicitar o consentimento apenas quando o possível sujeito tenha conhecimento 
adequado dos fatos relevantes e das consequências de sua participação e tenha tido 
oportunidade suficiente para considerar se quer participar;
• como regra geral, obter de cada possível sujeito um documento assinado como 
evidência do consentimento informado, e
• renovar o consentimento informado de cada sujeito se houver alterações nas 
condições ou procedimentos da pesquisa.
Diretriz 4: Os indivíduos poderão ser pagos pela inconveniência e pelo tempo gasto, 
e devem ser reembolsados das despesas decorrentes da sua participação na pesquisa; eles 
podem receber, igualmente, serviços médicos gratuitos. Entretanto, os pagamentos não 
devem ser tão grandes ou os serviços médicos tão abrangentes a ponto de induzirem os 
possíveis sujeitos a consentirem participar na pesquisa contra o seu melhor julgamento. 
Todos os pagamentos, reembolsos e serviços médicos propiciados aos sujeitos da pesquisa 
devem ser aprovados por um Comitê de Ética.
Diretriz 5: Antes de iniciar a pesquisa envolvendo crianças, o pesquisador deve 
estar seguro de que:
• crianças não devem ser envolvidas em pesquisas que possam ser desenvolvidas 
igualmente em adultos;
• o objetivo da pesquisa deve ser o de gerar conhecimentos relevantes para a 
saúde das crianças;
• os pais ou representantes legais devem dar um consentimento por procuração;
• o consentimento de cada criança deve ser obtido na medida da sua capacidade;
• a recusa da criança em participar na pesquisa deve sempre ser respeitada, a menos 
que, de acordo com o protocolo de pesquisa, a terapia que a criança receberá não 
tenha qualquer alternativa medicamente aceitável;
76
Unidade I
• o risco apresentado pelas intervenções que não beneficiem individualmente 
a criança sujeito da pesquisa seja baixo e proporcional com a importância do 
conhecimento a ser obtido; e
• as intervenções que propiciarão benefícios terapêuticos devem ser, pelo menos 
tão vantajosas para a criança sujeito da pesquisa, quanto qualquer outra 
alternativa disponível.
Diretriz 6: Antes de iniciar uma pesquisa envolvendo pessoas, que por motivo de 
distúrbios mentais ou comportamentais, não são capazes de dar consentimento informado 
adequadamente, o pesquisador deve estar seguro que:
• estas pessoas não serão sujeitos de pesquisas que poderiam ser realizadas em pessoas 
com plena capacidade mental;
• o objetivo da pesquisa é gerar conheciemntos relevantes para as necessidades de 
saúde peculiares a pessoas com distúrbios mentais ou comportamentais;
• o consentimento de cada indivíduo deverá ser obtido na medida de sua capacidade e a 
recusa de participação de um indivíduo em pesquisa não clínica será sempre respeitada;
• no caso de indivíduos incompetentes, o consentimento informado será obtido com 
o responsável legal ou outra pessoa devidamente autorizada;
• o grau de risco associado às intervenções que não beneficiem o indivíduo pesquisado 
deve ser baixo e proporcional a importância do conhecimento a ser gerado; e
• as intervenções que possivelmente propiciem benefícios terapêuticos devem ser, no 
mínimo, tão vantajosas ao indivíduo pesquisado, quanto qualquer outra alternativa.
Diretriz 7: Aos prisioneiros com doenças graves ou em risco de doença grave não devem 
ser arbitrariamente impedidos de ter acesso a drogas experimentais, vacinas ou outros 
agentes que demonstrem possível benefício preventivo ou terapêutico.
Diretriz 8: Antes de iniciar a pesquisa em indivíduos de comunidades subdesenvolvidas, 
seja em países desenvolvidos ou em desenvolvimento, o pesquisador deve estar seguro que:
• as pessoas da comunidade subdesenvolvida não serão ordinariamente envolvidas na 
pesquisa que possa ser realizada, de forma adequada, em comunidades desenvolvidas;
• a pesquisa é uma resposta às necessidadesde saúde e às prioridades da comunidade 
na qual será realizada;
• todos os esforços serão tomados no sentido de assegurar o imperativo ético de que 
o consentimento individual dos sujeitos será informado; e
77
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
• os projetos para a pesquisa foram revisados e aprovados por um comitê de ética que 
tenha entre os seus membros ou consultores pessoas que tenham familiaridade com 
os costumes e tradições da comunidade.
Diretriz 9: Consentimento informado em estudos epidemiológicos
Para muitos tipos de pesquisas epidemiológicas o consentimento informado individual 
é impraticável ou desaconselhável. Nestes casos o comitê de ética deve determinar se é 
eticamente aceitável realizar sem o consentimento informado individual e se os planos do 
pesquisador para garantir e respeitar a privacidade dos sujeitos da pesquisa e para manter 
a confidencialidade dos dados adequadamente.
Diretriz 10: Distribuição equitativa de riscos e benefícios
Os indivíduos ou comunidades convidados para serem sujeitos de uma pesquisa devem 
ser selecionados de tal maneira que os riscos e benefícios da pesquisa sejam equitativamente 
distribuídos. Justificativa especial deve ser dada quando forem convidados indivíduos 
vulneráveis e, se eles forem selecionados, os meios de proteger os seus direitos e bem-estar 
devem ser particular e estritamente aplicados.
Diretriz 11: Seleção de gestantes e nutrizes como sujeitos de pesquisa
Gestantes ou nutrizes não devem ser, sob quaisquer circunstâncias, sujeitos de pesquisa 
não clínica, a menos que a pesquisa não acarrete risco maior que o mínimo para o feto 
ou criança em aleitamento e o objetivo da pesquisa é gerar novos conhecimentos sobre 
a gestação ou lactação. Como regra geral, gestantes e nutrizes não devem ser sujeitos de 
quaisquer pesquisas clínicas exceto aquelas planejadas para proteger ou melhorar a saúde 
da gestante, nutriz, feto ou criança em aleitamento, e que outras mulheres não-grávidas 
não possam ser sujeitos adequados a este propósito.
Diretriz 12: Salvaguardas à confidencialidade
O pesquisador deve estabelecer salvaguardas seguras para a confidencialidade dos dados 
de pesquisa. Os indivíduos participantes devem ser informados dos limites da habilidade do 
pesquisador em salvaguardar a confidencialidade e das possíveis consequências da quebra 
de confidencialidade.
Diretriz 13: Direito dos sujeitos à compensação
Os sujeitos da pesquisa que sofrerem danos físicos resultantes de sua participação terão 
direito a assistência financeira ou outra de maneira a compensá-los, equitativamente, de 
quaisquer deficiências ou incapacidades temporárias ou permanentes. Em caso de morte, 
seus dependentes terão direito a compensação material. Ao direito à compensação não 
caberá renúncia.
78
Unidade I
Diretriz 14: Constituição e responsabilidades dos comitês de revisão ética
Todas as propostas para realizar pesquisas envolvendo seres humanos devem ser 
submetidas à revisão e aprovação de um ou mais comitês independentes de revisão ética e 
científica. O pesquisador deve obter esta aprovação de sua proposta para realizar a pesquisa 
antes de iniciar a sua execução.
Diretriz 15: Obrigações dos países patrocinador e anfitrião
A pesquisa patrocinada externamente acarreta duas obrigações éticas:
Uma agência externa de patrocínio deve submeter o protocolo da pesquisa para revisão 
ética e científica de acordo com os padrões do país desta mesma agência, e os padrões éticos 
aplicados devem ser os mesmos a serem aplicados no caso de pesquisa realizada neste país.
Após a aprovação ética e científica no país da agência patrocinadora, as autoridades 
competentes do país anfitrião, incluindo o comitê nacional ou local de revisão ética, ou seu 
equivalente, deve satisfazer suas próprias exigências com relação a pesquisa proposta.
Fonte: Cioms (1993).
Após a edição de 1993, o documento foi atualizado em 2002 e, posteriormente em 2016, versão que 
está em vigor até hoje. Essa revisão das diretrizes se fez necessária uma vez que houve a necessidade de 
ampliar o termo pesquisa biomédica para pesquisa relacionada à saúde. Ademais, a Cioms
entendeu que não há distinção clara entre ética em ciências sociais, estudos 
comportamentais, vigilância na saúde pública e ética de outras atividades de 
pesquisa. O escopo atual está confinado a atividades clássicas que se enquadram 
na pesquisa relacionada à saúde com seres humanos, como pesquisa observacional, 
ensaios clínicos, biobancos e estudos epidemiológicos (CIOMS, 2018, p.12).
 Saiba mais
Esta é uma leitura obrigatória sobre a versão atual das Diretrizes éticas 
internacionais para pesquisas biomédicas envolvendo seres humanos:
CONSELHO DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS DE CIÊNCIAS 
MÉDICAS (CIOMS). Diretrizes éticas internacionais para pesquisas 
relacionadas à saúde envolvendo seres humanos. 4. ed. 2018. Disponível 
em: https://cioms.ch/publications/product/diretrizes-eticas-internacionais-
para-pesquisas-relacionadas-saude-envolvendo-seres-humanos/. Acesso 
em: 21 set. 2020.
79
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
4.2.8.5 Breve histórico da ética em pesquisa no Brasil
4.2.8.5.1 Conep
O cuidado e o respeito aos sujeitos de pesquisas se estabelecem no período pós-Segunda Guerra 
Mundial e se concretizaram nos numerosos documentos que regulamentam a conduta dos pesquisadores. 
A implementação dessas diretrizes contribuiu de uma forma importante para a reflexão, educação e 
regulamentação a respeito de preceitos éticos relacionados à pesquisa em seres humanos no Brasil 
(BRASIL, 2012b; AMORIM, 2019).
No Brasil, o primeiro documento que se referia exclusivamente a pesquisas médicas foi a Resolução 
n. 1/1988, desenvolvida pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS). No entanto, na década de 1990 a 
necessidade de ampliar a visão das pesquisas para outras áreas que não a clínica foi essencial, devido 
ao avanço das investigações científicas em outros âmbitos. Sem sombra de dúvidas, a Resolução foi um 
marco importante dentro da temática, mas precisou ser revisada, dando espaço à Resolução n. 196/96, 
que ficou conhecida como um dos únicos documentos de natureza essencialmente bioética, abrangendo 
qualquer área do conhecimento e não apenas com a pesquisa médica (BRASIL, 2002b).
No país, a avaliação ética de pesquisas envolvendo seres humanos é realizada por um sistema 
constituído pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e pelos diversos Comitês de Ética em 
Pesquisa (CEP) distribuídos por todas as regiões do país. Esse sistema está vinculado ao CNS e foi criado 
pela Resolução CNS n. 196/96, encontrando-se em funcionamento desde então (BRASIL, 1996). 
As atividades da Conep são orientadas e estão em conformidade com princípios éticos normatizados 
pela Resolução CNS n. 466/2012 (que atualizou a Resolução n. 196/196) e normas conexas.
Uma vez que o Conep estabelece normas que disciplinam pesquisas com seres humanos, atuando 
diretamente na proteção dos participantes de pesquisa, ele também coordena a rede de CEPs no Brasil, 
com suas funções (BRASIL, 2017).
4.2.8.5.2 Comitês de ética em pesquisa
Os comitês de ética em pesquisa são colegiados interdisciplinares e independentes, criados para 
contribuir com o desenvolvimento das pesquisas dentro dos padrões éticos e defender os direitos e 
interesses dos sujeitos no que cerne sua integridade e dignidade. Eles existem nas instituições de ensino 
superior que realizam estudos científicos e permitem a discussão do papel destes no desenvolvimento 
institucional e social da comunidade. Deste modo, toda pesquisa que envolve seres humanos deverá ser 
submetida à apreciação de um comitê de ética em pesquisa, responsável por emitir parecer independente 
e consistente, contribuindo para o processo educativo dos pesquisadores, da instituição e dos próprios 
membros do comitê (BRASIL, 1996).
Frente ao exposto, os membros dos comitês garantem os princípios anteriormente descritos ao 
avaliar não apenas os aspectos éticos do projeto de pesquisa,mas também a integridade e a qualificação 
da equipe de pesquisadores. Se faz necessário abordar nesse momento sobre a constituição do CEP. 
Afinal, quem são seus membros? De acordo com a Resolução n. 196/196, o CEP deve ser constituído por 
80
Unidade I
ao menos sete membros, com profissionais da área da saúde, das ciências exatas, sociais e humanas e no 
mínimo um membro representante dos usuários da instituição (BRASIL, 2002b).
A participação é voluntária e as formas de eleição pelos pares de metade de seus membros com 
experiência em pesquisa e a escolha de outros membros dependerão das normas da instituição. De 
todo modo, o processo deve ser transparente e claramente divulgado, visando a obter a legitimidade 
necessária ao CEP para que haja o devido respeito às suas decisões (BRASIL, 2002b).
De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2017 havia 832 CEP em território 
nacional (CONEP, 2019).
4.2.8.5.3 Sistema CEP/Conep
O sistema CEP/Conep é um sistema descentralizado no qual os CEPs possuem autonomia na análise 
ética, excetuando os pareceres das áreas temáticas especiais (como genética e reprodução humana, 
população indígena, projetos ligados à biossegurança etc.), que devem levar em consideração a relação 
risco/benefício da pesquisa, a cooperação estrangeira, entre outros. Para pesquisas nessas áreas, é 
necessário que haja a aprovação do CEP e posterior aprovação da Conep. Os membros que integram 
os CEP e a Conep têm independência na tomada de decisões, mantendo confidenciais as informações 
conhecidas por eles (BRASIL, 2017).
4.2.8.5.3.1 Plataforma Brasil
A Plataforma Brasil é uma ferramenta eletrônica de gestão do sistema CEP/Conep que serve para 
fins de registro, análise, monitoramento e controle de pesquisas envolvendo seres humanos. Permite, 
inclusive, o acompanhamento do processo de análise do projeto de pesquisa em seus diferentes 
estágios, desde a submissão até sua finalização. Em resumo, é utilizada pelos membros do CEP ou 
Conep para avaliar e dar os pareceres científicos sobre a aprovação ou reprovação da proposta da 
pesquisa científica. Um fato interessante é que a Plataforma permite que a sociedade tenha acesso 
às informações de pesquisas já aprovadas, fato que colabora para com o aumento da transparência 
pública (BRASIL, 2017).
 Saiba mais
Para mais informações, acesse:
BRASIL. Ministério da Saúde (MS). Conselho Nacional de Saúde. 
Plataforma Brasil. 2020. Disponível em: http://conselho.saude.gov.br/
plataforma-brasil-conep. Acesso em: 21 set. 2020.
81
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Perante tanto conteúdo que circunda os aspectos éticos em pesquisa, conclui-se que a ética nos 
estudos científicos não se resume apenas a um consentimento livre e esclarecido do participante, mas 
engloba questões complexas de forma a assegurar os direitos humanos.
4.2.9 Capítulo VIII: Relações com as entidades da categoria
Manter um bom relacionamento com as entidades da categoria é reconhecer que elas existem 
para fortalecer e impulsionar a profissão. Deste modo, precisamos entender que elas são aliadas dos 
profissionais e andam de mãos dadas com eles lutando, também, pelos seus direitos (CFN, 2018a). 
A seguir, alguns artigos referentes a esse assunto:
Art. 84 É direito do nutricionista associar-se, exercer cargos e participar 
das atividades de entidades da categoria que tenham por finalidade 
o aprimoramento técnico-científico, a melhoria das condições de 
trabalho, a fiscalização do exercício profissional e a garantia dos direitos 
profissionais e trabalhistas.
Art. 85 É direito do nutricionista requerer desagravo público ao Conselho 
Regional de Nutricionistas quando ofendido no exercício da profissão 
ou em razão dela.
Art. 86 É direito do nutricionista formalizar junto ao Conselho Regional de 
Nutricionistas de sua jurisdição a ocorrência de afastamento, exoneração, 
demissão de cargo, função ou emprego em decorrência da prática de atos 
que executou em respeito aos princípios éticos previstos neste Código.
Art. 87 É dever do nutricionista, ao exercer a profissão, estar regularmente 
inscrito no Conselho Regional de Nutricionistas de sua jurisdição e em outra 
jurisdição, caso tenha inscrição secundária.
Parágrafo único. O nutricionista deve manter seus dados atualizados no 
Conselho Regional de Nutricionistas, a fim de viabilizar a comunicação.
Art. 88 É dever do nutricionista cumprir as normas definidas pelos Conselhos 
Federal e Regionais de Nutricionistas e atender, nos prazos e condições 
indicadas, às convocações, intimações ou notificações.
Art. 89 É dever do nutricionista fortalecer e incentivar as entidades da 
categoria, objetivando a proteção e valorização da profissão e respeitando o 
direito à liberdade de opinião.
Art. 90 É vedado ao nutricionista valer-se de posição ocupada em entidades 
da categoria para obter vantagens pessoais ou financeiras, diretamente ou 
por intermédio de terceiros, bem como para expressar superioridade ou 
exercer poder que exceda sua atribuição (CFN, 2018a).
82
Unidade I
Iniciaremos a análise desse capítulo com o momento do início da carreira de um profissional. 
Ao colar grau, o recém-formado possui habilitação técnica para exercer a profissão e, por isso, se torna 
bacharel em nutrição. No entanto, ele precisa de uma habilitação legal para atuar como nutricionista 
e, para isso, deve se inscrever no Conselho Regional de sua Jurisdição (região) (CFN, 2010; CFN, 2018a). 
Existem duas modalidades de inscrição no Conselho:
• Originária: é o primeiro registro solicitado pelo profissional, podendo ser definitiva ou provisória. 
A diferença entre elas é que a inscrição provisória é
destinada ao recém-formado, portador de certificado de conclusão de 
curso autorizado e reconhecido, e tem como objetivo supri-lo de uma 
documentação enquanto se processa o registro do diploma. Sua validade é 
de dois anos, podendo ser prorrogada por mais 12 meses, caso o profissional 
solicite por escrito (CFN, 2010, p. 10).
Já a inscrição definitiva é concedida àqueles que já possuem o diploma devidamente registrado.
• Secundária: destina-se a habilitar o profissional para exercer atividades em outra região que não 
a sua de origem. Esse tipo de inscrição se faz necessária para aqueles que precisarão trabalhar 
por um prazo superior a 90 dias consecutivos ou intercalados em outra jurisdição. Ressalta-se 
que esse tipo de inscrição tem validade por um ano, podendo ser prorrogado por mais um caso 
o nutricionista solicite por escrito. Na necessidade de o profissional permanecer por mais de 
24 meses trabalhando em outra jurisdição, ele deve requerer transferência de sua inscrição, junto 
ao Conselho da região onde passará a trabalhar (CFN, 2010).
Para o exercício regular da profissão, o nutricionista também deve se atentar ao pagamento 
das taxas anuais do Conselho Regional, que servem para custear os interesses da categoria que 
representa e cumprir suas obrigações legais. Em janeiro de cada ano, os conselhos enviam pelo 
correio a guia de anuidade, que pode ser paga de forma integral com desconto, integral sem 
desconto ou parcelada. Dessa forma, é importante que os dados cadastrais de cada profissional 
estejam atualizados (CFN, 2010).
O dever da atualização dos dados cadastrais foi enfatizado no novo CEN e isso é de fato importante, 
pois facilita a comunicação entre o CRN e o profissional, bem como possibilita que ele atue ativamente 
na área de nutrição. Caso haja infração ética dessa condição, o profissional estará sujeito a sanções 
ético-disciplinares (CFN, 2018a). Nesse contexto, é obrigatório que quando o profissional receber alguma 
comunicação/convocação do CRN, ele as atenda nos prazos e condições indicados.
Outro aspecto relevante concerne à possibilidade de o nutricionista, se assim desejar, se associar, 
exercer e/ou participar de atividades das entidades desde que não façam uso desse cargo para obter 
vantagens. Por exemplo: um nutricionista que assumiu o cargo de presidente de uma determinada 
entidadeda categoria é convidado a dar uma palestra sobre alimentação e nutrição. Nesse caso, ele não 
pode valer-se dessa posição para aumentar o valor de seus honorários.
83
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Por fim, mas não menos importante, é direito do nutricionista requerer desagravo público ao seu 
respectivo Conselho. O desagravo público é uma medida efetivada na defesa do nutricionista que tenha 
sido ofendido no exercício da profissão ou em razão dela, ou seja, caracteriza-se como um instrumento 
de defesa dos direitos e das prerrogativas da atuação profissional. A seguir está um caso em que foi 
requerido um desagravo e ele foi concedido a favor da profissional em questão.
Ao dar uma entrevista em rede nacional sobre a ingestão de diferentes tipos de gorduras e sua relação 
com a saúde, uma nutricionista começou a receber inúmeras ofensas de colegas que discordavam de 
seu posicionamento. Desse modo, ela requereu um desagravo, que, após uma análise minuciosa, foi 
concedido e está demonstrado a seguir:
Figura 6 
84
Unidade I
É dever do nutricionista fortalecer e incentivar as entidades da categoria, objetivando a proteção e 
a valorização da profissão e respeitando o direito à liberdade de opinião.
4.2.9.1 Estudo de caso sobre a relação do profissional com as entidades da categoria
O presente caso é real e foi concedido pelo Conselho Regional de Nutricionistas da 8ª Região.
Nutricionista Responsável Técnico (RT) de empresa com atividade de alimentação por convênio não 
se apresentou em visita fiscal pré-agendada. Posteriormente, o fiscal do Setor de Fiscalização tentou 
reagendar visita com o RT por meio de contato telefônico. O nutricionista informou que não poderia 
prestar atendimento por motivo de viagem e, em segundo contato, afirmou que não tinha interesse em 
perder tempo com o CRN-8. Após as tentativas de agendamento de visita, foram encaminhados ofícios 
ao nutricionista para comparecer à Comissão de Fiscalização para esclarecimentos. O profissional não 
compareceu em nenhuma das convocações e não justificou a ausência.
Na fase de instrução, o representado foi devidamente citado para apresentar sua defesa por escrito 
e comparecer à tomada de depoimentos. O denunciado sustentou sua inocência, alegando as seguintes 
razões como defesa: desemprego com necessidade de renda financeira e, por isso, foi persuadido por um 
amigo a assinar como RT da empresa de alimentos. Alegou, ainda, ter assinado o contrato de trabalho 
e quatro folhas de assunção de responsabilidade técnica em branco (sem constar carga horária de 
trabalho, data e atribuições). Relatou aceite da responsabilidade técnica por desconhecer o Código 
de Ética do Nutricionista e as Resoluções pertinentes à profissão, bem como que não havia efetuado 
pagamento da anuidade do CRN-8 por um ano e, deste modo, imaginou que automaticamente sua 
inscrição seria cancelada e o contrato com a empresa, anulado. O representado relatou que preencheu 
documento de afastamento da responsabilidade técnica assim que foi citado para defesa do presente 
processo disciplinar e deixou cópia do contrato realizado com a empresa, para que o mesmo fosse 
juntado aos autos.
Comentários do caso:
Embora o caso em questão implique a infração de outros preceitos do CEN, cabe aqui analisarmos 
as infrações referentes à relação do profissional com as entidades da categoria. Após quatro tentativas 
de contato, o nutricionista não cumpriu, no prazo assinalado, determinação emanada de órgão ou 
autoridade do Conselho Regional após regularmente notificado. Desse modo, ele descumpre o 
artigo 88. Além disso, ele descumpriu o artigo 87 por nao ter efetuado o pagamento da anuidade e, 
como consequência, não estar regular para com o Conselho. Ademais, o artigo 89 também não foi 
respeitado, já que o profissional não protegeu nem valorizou sua profissão ao cometer todos os atos 
anteriormente descritos.
4.2.10 Capítulo IX: Infrações e penalidades
Art. 91 Constitui infração ético-disciplinar a ação ou omissão, ainda que sob 
a forma de participação ou conivência, que implique em desobediência ou 
inobservância de qualquer modo às disposições deste Código.
85
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Art. 92 A caracterização das infrações ético-disciplinares e a aplicação das 
respectivas penalidades regem-se por este Código e pelas demais normas 
legais e regulamentares específicas aplicáveis.
I – A instância ético-disciplinar é autônoma e independente em relação às 
instâncias administrativas e judiciais competentes.
II – Pareceres de outras instâncias oficiais devem ser considerados na análise 
e conclusão do processo.
Art. 93 Responde pela infração quem a cometer, participar ou for conivente.
Art. 94 A ocorrência da infração, a sua autoria e responsabilidade e as 
circunstâncias a ela relacionadas serão apuradas em processo instaurado 
e conduzido em conformidade com as normas legais e regulamentares 
próprias e com aquelas editadas pelos Conselhos Federal e Regionais de 
Nutricionistas nos limites de suas respectivas competências.
Art. 95 Àqueles que infringirem as disposições e preceitos deste Código serão 
aplicadas sanções, em conformidade com as disposições da Lei n° 6.583, de 
20 de outubro de 1978, e do Decreto n° 84.444, de 30 de janeiro de 1980.
§ 1º. Salvo os casos de gravidade manifesta ou reincidência, a imposição 
de penalidades obedecerá à gradação fixada na lei, observadas as normas 
editadas pelo Conselho Federal de Nutricionistas.
§ 2º. Na fixação de penalidades serão considerados os antecedentes do 
profissional infrator, o seu grau de culpa, as circunstâncias atenuantes e 
agravantes e as consequências da infração.
§ 3º. As penas de advertência, repreensão e multa serão comunicadas 
pelo Conselho Regional em ofício reservado, não se fazendo constar 
dos assentamentos do profissional punido, senão em caso de 
reincidência (CFN, 2018a).
Ao analisarmos os artigos correspondentes ao capítulo X do código de ética, observamos que existem 
diferentes tipos de penalidades, que são atribuídas tanto de acordo com a gravidade da infração frente 
aos preceitos do código quanto no que diz respeito à recorrência das ações infratoras. Outro aspecto 
muito importante é que pode ser indiciado a um processo disciplinar à pessoa que também for cúmplice 
do ato, sem necessariamente executá-lo propriamente. A seguir está um esquema que ilustra o passo a 
passo de um processo ético dentro do Conselho Regional de Nutricionistas.
86
Unidade I
Envolvidos
Denunciante Denunciado(a) CRN-8 Plenário
Quando há indícios 
de infração ao 
Código de ética, 
a representação é 
encaminhada à CE.
Quando há indícios de 
infração ao Código de 
ética, a representação é 
deliberada para outros 
encaminhamentos 
(Ministério Público, 
Procon, Vigilância 
Sanitária, entidades de 
classe, CFN etc.)
Testemunhas
A representação é entregue 
ao CRN-8 (e-mail, correios, 
pessoalmente)
Recebimento e encaminhamento da representação
A diretoria do CRN-8 
analisa a representação
Diretoria RelatorCE - Comissão de 
Ética
Nesta fase, a(o) 
denunciada(o) será 
citada(o) pela CE para 
apresentar defesa por 
escrito em 15 dias
Uma audiência de 
instrução é agendada, para 
o depoimento pessoal das 
partes das testemunhas
CE encaminha o relatório final ao plenário 
do CRN-8 que indica um(a) relator(a) que 
elaborará o relatório e o voto para ser 
apresentado na sessão de julgamento
Após o julgamento as partes terão o prazo 
de 30 dias para que, querendo, recorram da 
decisão. Caso isso não aconteça e haja uma 
pena, a mesma será aplicada.
Se uma das partes recorrer da decisão, a 
execução de penalidade será suspensa até a 
decisão final do CFN
As penalidades possíveis são: advertência, 
repreensão, multa, suspensão do exercício 
profissional, cancelamento da inscrição e 
proibição do exercício profissional
Para a sessão de julgamento 
são convocados as partes, 
denunciante e denunciado, 
membros do plenário e 
relator
O processo ético-disciplinar
Recurso PenalidadesFigura 7 – Etapas de um processo ético disciplinar
As etapas do processo disciplinar são determinadas pela Resolução do CFN n. 321/2003. Após a 
denúncia, a Comissão Ética (CE) de cada CRN analisa os fatos e, se houver indícios de infração disciplinar, 
um relatório é elaborado ao presidente propondo a instauração do processo. Posteriormente, o denunciado 
87
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
recebe a citação e tem 15 dias para apresentar uma defesa por escrito, apresentando provas documentais 
e, caso haja, testemunhas. Nesse momento, o denunciante também recebe notificação sobre a abertura 
do processo. Tanto o denunciante quanto o denunciado e as testemunhas são intimados a prestarem 
depoimentos para a CE com a possibilidade de apresentarem outras provas ou documentos referentes 
ao caso. Após essas fases processuais, a CE elabora um relatório com uma proposta de julgamento e/ou 
penalidade ou arquivamento do processo e envia a um novo relator que possui um prazo de 30 dias 
para elaborar o relatório e o voto. Posteriormente, o Plenário do Conselho Regional determina um dia 
para o julgamento e notifica o denunciado e o denunciante a comparecerem. Caso o denunciado ou 
o denunciante não concordem com a pena ou absolvição do caso, eles podem apresentar recurso ao 
Conselho Federal de Nutricionistas dentro de 30 dias (CRN-3, 2017a).
 Observação
Cabe aos CRNs cumprir e fazer cumprir as normas que regem a profissão 
e realizar atividades de fiscalização e orientação ético-profissional. 
Atualmente existem dez conselhos regionais espalhados pelas regiões do país
Após entendermos as etapas de um processo disciplinar, se faz necessário esclarecer se existe a 
obrigatoriedade de o denunciante se identificar. Desse modo, descreve-se a seguir quais são as 
modalidades de denúncia que podem ser realizadas a profissionais, ao exercício ilegal da profissão e 
contra pessoa jurídica.
•	 Denúncia aos profissionais
Esse tipo de denúncia se destina a nutricionistas e pode ser feita com identificação do denunciante, 
com sigilo na identificação do denunciante ou de forma anônima. Existe muita dúvida sobre a diferença 
entre os últimos dois tipos de denúncia. Quando o denunciante opta pelo sigilo na identificação, ele se 
identifica no ato da denúncia, mas essas informações serão ocultadas no transcorrer de todo o processo 
de forma que o denunciado não terá ciência de quem o denunciou. Além disso, o denunciante não 
poderá fazer parte da apuração e, desse modo, não receberá informações sobre as providências 
tomadas pelo CRN-3.
Já a modalidade sigilosa implica total sigilo acerca dos dados do denunciante, e nem o Conselho 
nem o denunciado ficarão sabendo quem foi o autor da denúncia. Portanto, o denunciante também não 
receberá informações sobre o andamento e a finalização do processo.
•	 Denúncia ao exercício ilegal da profissão
As denúncias contra o exercício ilegal da profissão de nutricionista podem envolver tanto bacharel 
em nutrição não regularizado no CRN quanto uma pessoa leiga. O denunciante deve preencher um 
formulário para denúncia o qual se identifica, mas pode solicitar sigilo dos dados. Considerando que 
as denúncias desse cunho se tratam, em princípio, de processos públicos, os denunciantes podem ter 
conhecimento dos atos praticados mesmo após a solicitação do sigilo de seus dados. Uma informação 
88
Unidade I
importante é a de que se houver constatação de indícios de exercício ilegal da profissão, o processo 
poderá ser encaminhado ao Ministério Público (a quem compete apreciá-las) ou ao Conselho de Classe 
Profissional (caso o infrator pertença a outra categoria profissional (CRN-3, 2017b).
•	 Modalidades de denúncia contra pessoa jurídica
As denúncias contra empresas são as únicas que requerem a identificação do denunciante, que 
deve preencher um formulário com seus dados pessoais e os motivos da denúncia. Eventualmente, 
denúncias anônimas podem ser aceitas pelos conselhos, visto sua preocupação com a saúde da 
população (CRN-3, 2017b).
É importante lembrar que qualquer tipo de denúncia deve ser acompanhado de provas documentais, 
a fim de comprovar a ocorrência irregular. Quanto mais informações forem enviadas, melhor será a 
apuração dos fatos e, desse modo, provas frágeis e inconsistentes poderão inviabilizar a investigação e 
a apuração dos fatos e levar o processo ao arquivamento (CRN-3, 2017b).
Por fim, o CRN-8 (2016) diz que:
a penalização de uma infração disciplinar, por infringência à norma do Código 
de Ética e de Conduta do Nutricionista é resultado de uma ampla análise 
sobre os fatos e circunstâncias do comportamento objeto da discussão e 
dos fatores agravantes ou atenuantes do ato praticado. Outro aspecto dessa 
análise refere-se à intencionalidade do ato e as suas consequências para 
o indivíduo que o praticou, para objeto da ação, para a categoria e para a 
sociedade em geral (CRN-8, 2016, p. 24).
4.2.11 Capítulo X: Disposições gerais
O presente capítulo faz um apanhado geral no que diz respeito às normas em que o CEN está 
inserido e enfatiza seu papel norteador de condutas. A seguir os artigos que o formam para 
posteriormente analisarmos.
Art. 96 As dúvidas na observância deste Código e os casos nele omissos 
serão resolvidos pelo Conselho Federal de Nutricionistas.
Art. 97 Caberá ao Conselho Federal de Nutricionistas firmar jurisprudência 
quanto aos casos omissos.
Art. 98 O Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de Nutricionistas: 
I – por iniciativa própria; II – mediante proposta de quaisquer dos Conselhos 
Regionais de Nutricionistas, validada por pelo menos 2/3 (dois terços) 
dos Conselhos Regionais; III – mediante proposta formal de 20% dos 
nutricionistas com inscrição ativa.
89
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
Art. 99 O disposto neste Código visa a orientar as reflexões, condutas 
e práticas do nutricionista, bem como subsidiar ações orientadoras do 
exercício profissional e seus desdobramentos disciplinares.
Art. 100 Este Código entrará em vigor sessenta dias após sua publicação, 
revogando-se as disposições em contrário, em especial as Resoluções CFN 
n. 334/2004 (CFN, 2018a).
O CEN tem como foco abranger todas as possíveis situações relacionadas à alimentação e nutrição 
que envolvam profissionais, clientes, pacientes, entidades da categoria e a sociedade. No entanto, com 
o avançar do tempo podem acontecer casos que não estavam previstos nem contemplados nas normas 
morais do CEN. Deste modo, cabe ao próprio Conselho Federal analisá-las e o artigo 97 aborda sobre 
sua responsabilidade de firmar uma jurisprudência, ou seja, ficará a critério do CFN tomar as decisões, 
aplicações e interpretações das leis.
Sobre essa possibilidade de alterações do CEN, em sua versão atual (2018) foi acrescentada uma 
nova condição para tal: mediante proposta formal de 20% dos nutricionistas que estejam com inscrição 
ativa. Essa nova condição consolida ainda mais os aspectos democráticos e de participação direta dos 
profissionais regularmente inscritos no avanço das regras morais que norteiam os profissionais.
Dessa forma, o capítulo final do Código endossa que quaisquer
alterações que venham a ser propostas para o Código que impliquem em 
mudanças nas normas e preceitos nele estabelecidos deverão ser precedidas 
de ampla discussão com a categoria e seguir os ritos formais de alteração 
e aprovação de resoluções, validando a proposta de alterações em consulta 
pública (CFN, 2018a, p. 20).
Em suma, após analisarmos todos os capítulos do Código de ética e conduta do nutricionista, 
chegamos à conclusão de que ele é um instrumento essencial para garantir que os princípios da nutrição 
sejam respeitados e valorizados, e que a soberania e a segurança alimentar e nutricional sejam premissas 
na atuação dos nutricionistas. Esperamos que a classe profissional seja reconhecida pela ética e que sua 
prática seja exercida em concordância com as diversas dimensões da realidade em que está inserido, 
beneficiando tantos quanto possível.90
Unidade I
 Resumo
Acompanhamos uma breve história da ética e moral ocidental, 
mostrando que a ética é um conjunto de valores que permitem a vida em 
sociedade. Para conseguirmos viver em sociedade, é necessário manter um 
conjunto de normas que estão dadas numa determinada sociedade e que 
passam de geração em geração.
Vimos que a ética está ligada ao seu tempo, então cada sociedade, 
cultura e momento da história tem suas regras éticas.
Além de entender que é a ética que nos permite uma vida em comum, 
vimos também que ela esteve e está ligada com o fazer o bem. Esse é um 
dos principais pontos quando se pensa e se estuda ética.
Ao longo do tempo, os grupos sociais se apoderaram do conceito de ética 
e perceberam que cada um dos atores sociais, ou aqui também chamados 
de profissão, deveriam ter seu conjunto de regras. Isso hoje é conhecido 
como ética profissional. Ela leva em conta todo o desenvolvimento do 
pensamento e das teorias sobre ética, porém aplica esse pensamento na 
atuação profissional. Para o profissional de saúde, aqui o nutricionista, é 
fundamental a discussão constante da ética e dos limites da profissão.
Além da ética relacionada à profissão, vimos a bioética, ética aplicada 
a um determinado campo da vida. Ela é relativa tanto à atuação do 
profissional de saúde e sua relação com o paciente, como do homem 
com o meio ambiente. Acompanhamos como é recente na história da 
humanidade o pensamento voltado à bioética e como ele é importante 
para pôr limite na atuação, tanto do profissional de saúde como também 
no pesquisador/cientista. Com isso, apresentamos o sistema CEP/Conep 
brasileiro, que avalia todas as pesquisas com seres humanos que acontecem 
em território nacional.
Por fim, analisamos em detalhes para o Código de ética profissional do 
nutricionista. É importante compreendê-lo para se ter ciência do tamanho 
da responsabilidade que o nutricionista tem com seu cliente/paciente e 
com a sociedade que o cerca.
91
ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
 Exercícios
Questão 1. Considerando a deontologia profissional e seu código de ética, pode-se dizer que, ao longo 
dos tempos, os princípios morais têm servido como norteadores das ações humanas de forma a garantir 
a sobrevivência (GAUDENZI, 2004). Assim, quanto ao conceito de ética, analise as afirmativas a seguir.
I – A ética estuda os princípios fundamentais e sistemas morais, legitimados pela sociedade, ou seja, 
é a parte da filosofia que considera os atos humanos como aceitos ou não. Logo, ações consideradas 
adequadas ou inadequadas são resultantes do que foi socialmente convencionado.
II – A ética estuda os princípios fundamentais e sistemas morais que as sociedades rejeitam, ou seja, 
é a parte da filosofia que estuda os atos humanos ilegais ou imorais, que são aqueles atos considerados 
condenáveis pela moral e os bons costumes de determinado grupo social.
III – A ética estuda as condutas que os indivíduos devem ter em nome do bem coletivo, ou seja, 
é a parte da filosofia que considera os atos humanos como aceitos ou não de acordo com o que a 
sociedade estipula como correto ou incorreto, mesmo que isso possa ferir as liberdades individuais, 
religiosas e de cidadania.
É correto o que se afirma em:
A) I, apenas.
B) II, apenas.
C) III, apenas.
D) I e II, apenas.
E) I, II e III.
Resposta correta: alternativa A.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: de fato, a ética estuda os princípios fundamentais e sistemas morais, legitimados pela 
sociedade. Ou seja, é a parte da filosofia que considera os atos humanos como aceitos ou não. Logo, 
ações consideradas adequadas ou inadequadas são resultantes do que foi socialmente convencionado.
92
Unidade I
II – Afirmativa incorreta.
Justificativa: a ética estuda não apenas os princípios fundamentais e sistemas morais que as 
sociedades rejeitam; portanto, não é exatamente uma parte da filosofia que estuda os atos humanos 
ilegais ou imorais, mas sim todos os atos, a fim de analisá-los, entendê-los e classificá-los.
III – Afirmativa incorreta.
Justificativa: a ética estuda não apenas as condutas que os indivíduos devem ter em nome do bem 
coletivo; ética é um conceito mais amplo, aos quais aspectos religiosos não estão necessariamente ligados.
Questão 2. Em certos casos, o nutricionista pode requerer a seu respectivo conselho um desagravo 
público, que consiste:
A) Em uma medida judicial efetivada na defesa do nutricionista que tenha sido ofendido no exercício 
da profissão ou em razão da profissão, que se caracteriza pelo pedido formal de prisão carcerária 
dos ofensores, com respaldo dos correspondentes conselhos profissionais locais.
B) Na transmissão, via internet ou televisionada, de um pedido de desculpas feito pelos ofensores ao 
nutricionista, com os esclarecimentos sobre o fato que gerou ofensas contra este último.
C) Na transmissão, via internet, de uma entrevista dada pelo nutricionista com os esclarecimentos 
sobre o fato que gerou ofensas contra ele.
D) Na transmissão televisionada de uma entrevista dada pelo nutricionista com os esclarecimentos 
sobre o fato que gerou ofensas contra ele.
E) Em uma medida efetivada na defesa do nutricionista que tenha sido ofendido em razão ou no 
exercício da profissão, que se caracteriza como um instrumento de defesa dos direitos e das 
prerrogativas da atuação profissional.
Resposta correta: alternativa E.
Análise das alternativas
A) Afirmativa incorreta.
Justificativa: o desagravo público não se caracteriza pelo pedido formal de prisão 
carcerária dos ofensores.
B) Afirmativa incorreta.
Justificativa: o desagravo público não consiste na transmissão, via internet ou televisionada, de um 
pedido de desculpas feito pelos ofensores ao nutricionista.
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ÉTICA E ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL
C) Afirmativa incorreta.
Justificativa: o desagravo público não consiste na transmissão, via internet, de uma entrevista dada 
pelo nutricionista com os esclarecimentos sobre o fato que gerou ofensas contra ele.
D) Afirmativa incorreta.
Justificativa: o desagravo público não consiste na transmissão televisionada de uma entrevista dada 
pelo nutricionista com os esclarecimentos sobre o fato que gerou ofensas contra ele.
E) Afirmativa correta.
Justificativa: de fato, o desagravo público é uma medida efetivada na defesa do nutricionista que 
tenha sido ofendido no exercício da profissão ou em razão dela, que se caracteriza como um instrumento 
de defesa dos direitos e das prerrogativas da atuação profissional.

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