A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
20 pág.
teorico 02

Pré-visualização | Página 1 de 4

Bioética e 
Mundo Natural
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Américo Soares da Silva
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Luciene Oliveira da Costa Granadeiro
Entre o Dever e a Consequência
• Introdução;
• O Caminho Que Deve Ser Trilhado...
• A Utilidade, o Prazer e a Dor.
• Compreender a ética no pensamento kantiano e na percepção do consequencialismo.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Entre o Dever e a Consequência
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas:
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de 
aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Entre o Dever e a Consequência
Introdução
Se, no antigo mundo grego, havia uma dicotomia entre o virtuosismo e o rela-
tivismo, entre a certeza da Verdade e a Verdade construída – e, portanto, provi-
sória –, séculos mais tarde, o campo da Ética tem novos antagonistas disputando 
uma hegemonia.
Na modernidade, às portas do mundo contemporâneo, encontramos, de um 
lado, a intransigente defesa do Dever – racionalmente articulado – como o único 
caminho ético possível para uma sociedade de pessoas racionais. Por outro lado, 
curiosamente, também, seguindo pistas racionais, forma-se uma escola do pensa-
mento ético que pensa principalmente na consequência dos nossos atos.
Propomo-nos, então, apresentar de maneira breve, cada uma dessas linhas de 
força e permitir com isso a construção de uma ponte entre esses eixos do pensa-
mento ético e algumas das demandas atuais, principalmente, aquelas em torno das 
discussões sobre a Vida.
O Caminho Que Deve Ser Trilhado...
O Dever, enquanto conceito ligado à Ética, relaciona-se com a ideia “daquilo que 
é melhor que aconteça”, ou até de certa maneira “o mais desejável”, “a melhor das 
possibilidades” (LALANDE, 1993). Temos que considerar que não estamos tratan-
do de uma causalidade do mundo natural, ou seja, não é o termo dever enquanto 
“isso é esperado acontecer”, por exemplo: “esperamos que um objeto solto caia 
na atmosfera em direção ao solo, e não para fora da órbita do planeta”, isso graças 
à gravidade.
No caso do exemplo da gravidade e outros fenômenos do mundo natural, são 
situações que envolvem forças que não necessariamente iniciam a sua ação pela von-
tade humana de que aconteça (até hoje não se tem notícia de alguém que por simples 
vontade pudesse se opor a gravidade e voar – isso é domínio da ficção e da fantasia). 
Assim sendo, no mundo natural, muito mais aguardamos que aquele efeito aconteça 
(é mais uma questão de tempo), uma vez que a causa esteja presente, em situações 
normais, não temos a opção de interferir no fenômeno. Outro exemplo: diante do 
aquecimento da água a uma temperatura de aproximadamente cem graus, ela come-
ça a ferver e a evaporar (Sim, em situações convencionais de temperatura e pressão).
Porém, no campo ético, a teoria do dever segue um trajeto distinto: “[...] o dever 
é a obrigação moral considerada em si mesma e, em geral, independentemente de 
uma regra de ação particular. [...]” (LALANDE, 1993, p. 253). Esse é o domínio das 
decisões, das aspirações. Determinada coisa deveria acontecer de uma determi-
nada maneira e não de outra. Isso porque é perfeitamente possível que aconteça 
de outra forma, uma vez que o acontecimento, a ação, depende de uma resolução 
humana, uma escolha, e enquanto escolha sempre pode acontecer algo diferente 
8
9
do almejado. Almejar, esperar, desejar não garante que aquilo que acreditamos, 
que deveria acontecer, realmente ocorra.
No final do século XVIII, o filósofo de língua alemã, Immanuel Kant, nascido em 
Königsberg (localizada na antiga Prússia), tornou-se um dos principais expoentes 
da teoria do dever.
Figura 1 – Retrato de Kant
Fonte: Getty Images
É possível estabelecer um parentesco entre a teoria kantiana do dever e a ética 
grega antiga, principalmente enquanto princípio de contenção dos impulsos. Se fos-
se perguntado ao velho Kant “por que nós, seres racionais, não agirmos da melhor 
maneira de forma espontânea?”, vários estudiosos concordam que a resposta seria:
[...] porque não somos seres morais apenas. Também somos seres na-
turais, submetidos à causalidade necessária da natureza. Nosso corpo e 
nossa psique são feitos de apetites, impulsos, desejos e paixões. Nossos 
sentimentos, nossas emoções e nossos comportamentos são a parte da 
natureza em nós, exercendo domínio sobre nós, submetendo-se à causa-
lidade natural inexorável. [...] (CHAUÍ, 2003, p. 316)
Figura 2 – Dúvida sobre como agir
Fonte: Getty Images
9
UNIDADE Entre o Dever e a Consequência
Se há semelhanças entre o virtuosismo grego e o pensamento kantiano, enquanto 
reconhecimento que a melhor ação se origina da racionalidade, e que devemos conter 
os impulsos imediatistas das paixões para alcançar uma melhor condição moral. Tam-
bém é importante destacar a grande importância dada pelo pensador alemão acerca 
da liberdade. Em uma das suas mais belas passagens, Kant reflete sobre o fascínio e a 
dualidade que existe entre a causalidade da natureza e a causalidade por liberdade.
Duas coisas enchem o ânimo de admiração e veneração sempre nova e 
crescente, quanto mais frequente e persistentemente à reflexão ocupa-
-se com elas: o céu estrelado acima de mim e a lei moral em mim. Não 
me cabe procurar e simplesmente presumir ambas como envoltas em 
obscuridade, ou no imediatamente transcendente além de meu horizon-
te; vejo-as ante mim e conecto-as imediatamente com a consciência de 
minha existência [...] (KANT, 2015, p. 191)
O velho filósofo prussiano, que entre outros temas escreveu sobre como nós 
podemos conhecer as coisas na natureza, ao se voltar para a ética e o estudo da 
moral, ele se refere como: “lei moral em mim”. Isso não foi somente um recurso 
estilístico. De fato, para ele, aquilo que podemos chamar ora de moralidade, ora de 
consciência moral, não tem outra origem a não ser no próprio ser humano.
Um pouco à moda dos antigos gregos, Kant isola os impulsos naturais – causa-
lidade natural – como exterior às decisões morais. Note-se que essa exterioridade 
não é apenas para fenômenos e condições ambientais (frio intenso, chuva, gravida-
de etc.), mas, também, para os fenômenos biológicos que são parte do ser humano 
(fome, sede, sono, sexualidade etc.). Nesses casos, a biologia corpórea pode funcio-
nar como intrusa, para a racionalidade,

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.