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. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo/Câmpus São Paulo Departamento de Ciências e Matemática - DCM Licenciatura em Ciências Biológicas Componente curricular: Psicologia da Educação Código disciplina: B3PSI Semestre/ano 1o / 2020 Professora responsável: Profa. Elisangela Lizardo Nome: Jade Vaccari Sanches Nota: Desafios do ensino e aprendizagem de ciências em tempos de pandemia Em dezembro de 2019, ocorreu a primeira identificação do vírus que viria a transformar o mundo e a educação como são conhecidos. Este agente infeccioso, o Novo Coronavírus, até outubro de 2020 causou mais de 1.000.000 de mortes por todo o mundo e, deixou mais de 150.000 mortos apenas no Brasil. Albert Camus, diz em seu livro “A Peste” a seguinte frase: “A estupidez insiste sempre”, esta obra que foi produzida no contexto da Segunda Guerra Mundial, envelheceu muito bem, e se faz muito atual no contexto brasileiro. Apesar das medidas de segurança, o número de mortos e infectados cresce a cada dia, por conta disso, as escolas e universidades foram fechadas em março de 2020, deixando à deriva milhões de estudantes que não têm condições de manter aulas remotas ou à distância. Em primeiro plano, é importante destacar que a Pandemia do COVID-19 que dominou o contexto global no ano de 2020, explicitou ainda mais as desigualdades sociais que assolam o Brasil na atualidade. As aulas foram suspensas durante este período, este acontecimento levou milhões de estudantes a serem reféns das aulas à distância ou remotas. De acordo com a Fundação Carlos Chagas, 81,9% dos alunos de Educação Básica no Brasil, deixaram de frequentar suas instituições de ensino durante o período de isolamento social. Levando em consideração este fato, é no mínimo insustentável afirmar que todas as crianças e adolescentes da Educação Básica consigam manter seus estudos durante este período pandêmico. Em segunda análise, deve ser considerado que para que haja a instituição desta nova forma de ensino é necessário que os estudantes tenham três coisas, sendo elas, os equipamentos eletrônicos, o conhecimento digital e internet, mas considerando que segundo o IBGE (2018) uma a cada quatro pessoas não possui acesso à internet no Brasil (cerca de 46 milhões de brasileiros) é controverso à realidade social, que o ensino à distância ou o ensino remoto sejam implantados no Brasil. Este método de ensino é um obstáculo para a aprendizagem dos alunos, já que requer maior responsabilidade e também aparelhos funcionais, mas também para o trabalho dos professores, já que é uma maneira de ensino nova e que deve ser aprendida rapidamente, ou seja, é um empecilho para ambos os lados. Ademais, é importante lembrar que mesmo em contextos não-pandêmicos, o ensino de ciências em território nacional, já é extremamente precário e muitas vezes superficial. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases de 1961, as aulas de Ciências são obrigatórias nos últimos dois anos do Ensino Fundamental (8° e 9° anos), mas, levando em consideração que as escolas públicas já possuam condições laboratoriais ruins para essas aulas presencialmente, é conclusivo, que de maneira remota, esta situação tenda a piorar ainda mais. Então, é importante considerar, que a ciência, como uma área que precisa também ser trabalhada visualmente e manualmente, com experimentos, atividades práticas e afins, sofre muito durante este contexto, afetando a aprendizagem dos alunos. Outra questão importante a ser destacada sobre o ensino de ciências e outras matérias durante a pandemia, é referente à inclusão dos pais e familiares na aprendizagem no aluno. É de extrema importância ressaltar que o ensino remoto é uma novidade tanto para os educadores, quanto para os alunos e suas famílias. É um tanto elitista partir do pressuposto que todos os familiares saibam como utilizar a tecnologia, então , isto acaba se tornando uma barreira na aprendizagem, de forma que a utilização do equipamento (quando há um) requer um conhecimento prévio, e quando não o tem, é de extrema dificuldade acessar as aulas e realizar as atividades. Em suma, cabe ao Governo Federal e ao Ministério da Educação a disponibilização de materiais que permitam o ensino remoto a todos os estudantes de Educação Básica do Brasil, já que de acordo com o Artigo 205 da Constituição Federal de 1988, “a educação, é direito de todos e dever do Estado e da família”. É importante que apesar da desigualdade social presente no país, a educação seja um equivalente para todos, desta maneira, concluo que se não há condições para que todos tenham acesso à educação remota durante a pandemia do Covid-19, é melhor que o ano letivo seja adiado, para que todos tenham as mesmas condições de ensino e aprendizagem.