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Trabalho, consumo e lazer 1. Trabalho: humanização ou tortura? O trabalho é a atividade pela qual a natureza é transformada mediante o esforço coletivo para arar a terra, colher seus frutos, domesticar animais, modificar paisagens e construir cidades. Do trabalho surgem instituições, como a família, o Estado, a escola; e obras de pensamento, como o mito, a ciência, a arte, a filosofia. Podemos dizer que o ser humano se faz pelo trabalho, porque, enquanto produz coisas, torna-se humano, constrói a própria subjetividade. Ao se relacionar com os demais, aprende a enfrentar conflitos e a exigir de si mesmo a superação de dificuldades. Ao passar por esse processo, ninguém permanece o mesmo, porque o trabalho modifica e enriquece a percepção do mundo e de si próprio. Porém, o trabalho desperta sentimentos ambíguos(incerteza, dúvida). Enquanto para alguns representa um desafio instigante e prazeroso, para outros não passa de uma obrigação a que prefeririam não dedicar tanto tempo. Se a vida humana depende do trabalho, que causa tanto desprazer, poderíamos concluir que, no contexto do trabalho como tortura, o ser humano estaria condenado à infelicidade. Essas duas concepções trazem um impasse: o trabalho é tortura ou emancipação? 2. Concepções sobre o trabalho Desde as mais antigas civilizações existe a divisão entre os que mandam e os que apenas obedecem e executam, o que abriu o caminho para divisão social, para as relações de dominação e a desigual apropriação dos frutos do trabalho. Antigos gregos e romanos que viviam em sociedades escravagistas era nítida a separação entre atividades intelectuais e braçais, como é evidente desvalorização destas últimas. Um dos indícios da divisão social era a educação, por ser ela privilegio dos que possuíam bens.