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Página 1 
 
Introdução à Agronomia: Conceitos Básicos e Exercícios 
 
Prof. Carlos R. Spehar 
Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, FAV 
Universidade de Brasília, UnB 
 spehar@unb.br 
 
 
 
 
 Página 2 
 
Índice Página 
Introdução 4 
Solos: Base da Agricultura 5 
 Rochas: Material de Origem dos Solos 5 
 Rochas Ígneas ou Magmáticas 5 
 Rochas Metamórficas 8 
 Rochas Sedimentares 9 
 Detríticas 10 
 Quimiogênicas 11 
 Biogênicas 11 
 Rochas, Intemperismo e Solo 11 
Corretivos e Fertilizantes 12 
 Calagem 13 
 Gessagem 15 
 Fertilização 16 
Desenvolvimento da Agropecuária no Cerrado e o Ambiente Natural 17 
Domesticação de Plantas e Animais 21 
Centros de Origem das Plantas e dos Animais Domésticos 22 
 Centro Chinês 24 
 Centro Indiano 25 
 Centro Indo Malaio 25 
 Centro Asiático Central 25 
 Centro Oriental Próximo ou Crescente Fértil 25 
 Centro Mediterrânico 26 
 Centro Abissínio 27 
 Centro Mexicano do Sul e Centro-Americano 27 
 Centro Sul Americano 28 
 Centro Ilha de Chiloé (Extensão do Centro Sul Americano) 28 
 Centro Brasileiro Paraguaio (Extensão do Centro Sul Americano) 28 
Classificação Binomial: Plantas, Animais e Micro-organismos 30 
Relações Atmosféricas, Radiação Solar e a Vida no Planeta Terra 32 
 Densidade Média do Fluxo Energético 33 
 Composição Espectral 33 
 Interação com a Terra 34 
 Absorção Atmosférica e o Efeito Estufa 34 
 Transmissão da Energia 35 
 O Equilíbrio Energético no Planeta 35 
Mudanças Climáticas, Ambientais e Impacto Global 37 
 Relações entre Atmosfera Terrestre e Radiação Solar 38 
 Atividade Humana e Alterações Atmosféricas 38 
 Consequências das Emissões de Gases 39 
 Evidências de Mudanças 40 
Variações Climáticas, Protocolos e Acordos Internacionais 40 
 Ações para Reverter o Problema 41 
 Cenários 42 
Aquecimento Global e a Teoria de Gaia 43 
Sistemas de Preparo do Solo 44 
Diversidade e Agricultura 45 
Agricultura em Ambiente Tropical – Evolução no Cerrado 48 
Consequências do Preparo Contínuo do Solo 50 
 Página 3 
 
Evolução dos Sistemas de Cultivo no Brasil 51 
 Sistemas integrados de cultivo 51 
 Aperfeiçoamento do plantio direto e outras práticas 55 
 Benefícios Associados ao Plantio Direto 55 
 Premissa para Adoção do Plantio Direto 56 
Evolução da Mecanização, da Agropecuária e da Sociedade 56 
 Tráfego Controlado e Conservação do Solo 58 
 Criação de Oportunidades 58 
Diversificação Agropecuária e o Futuro 59 
Melhoramento Genético e Ganhos na Agropecuária 60 
 Modo de Reprodução na Genética e no Melhoramento 61 
 Plantas anuais 63 
 Plantas perenes 63 
Avanços na Agropecuária e Ciência 64 
 Soja Adaptada às Baixas Latitudes 64 
 Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) na Família Fabaceae 65 
Zootecnia: Importância e Visão geral 67 
 Ruminantes: Bovino, Caprinos, Ovinos, Bubalinos e Camelídeos 67 
 Equinos, Asininos e Muares 70 
 Suinos 70 
 Aves 71 
 Aquicultura 72 
Agronegócio 73 
 Insumos 73 
 Produção 73 
 Distribuição 74 
 Alimentos 74 
 Biocombustíveis 74 
 Fibras 74 
 Madeira 74 
 Questão Ambiental 74 
 Questão social 75 
 Características dos Módulos de Produção 76 
 Pequenas e Médias Áreas 76 
 Grandes Áreas 76 
Relação entre Nutrição da Planta e Produção de Grãos: Soja 77 
Exercícios e Definições 78 
Desafios aos Estudantes que Iniciam Agronomia 80 
Referências e Literatura Consultada 81 
 
 
 
 
 
 
 Página 4 
 
Introdução 
 
Este texto reúne pontos relevantes e de interesse aos estudantes que 
iniciam o curso de agronomia, tendo sido preparado a partir de compilações de 
aulas, palestras e práticas ministradas durante os semestres letivos. Espera-se, 
com a apresentação de conceitos básicos, despertar o interesse daqueles que 
optaram por enveredar pelas ciências agrárias, criando expectativas. 
O que está por vir, ao longo do curso, depende da semente. Por 
oportuno, lembra-se aqui a parábola do semeador, recomendada à leitura na 
íntegra (Lucas 8:4-8): “Saiu o semeador para semear a sua semente. Quando 
semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; foi pisada, e as aves 
do céu a comeram. Outra caiu sobre a pedra; e tendo crescido, secou, porque 
não havia umidade. Outra caiu no meio dos espinhos; com ela cresceram os 
espinhos, e sufocaram-na. Outra caiu na boa terra e, tendo crescido, deu fruto 
a cento por um”. Cada um de nós é como a semente. O segredo para 
desenvolver e produzir bons frutos reside em fertilizar sonhos, aqueles 
poderosos que marcarão nossas vidas. Cultivando-os, despertaremos forças 
interiores, nos manteremos inspirados, exercitando o pensamento rumo à 
superação de nossas limitações e a plena realização profissional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Página 5 
 
Solos: Base da Agricultura 
A agricultura, atendendo a demanda por alimentos fibras e outras 
matérias primas, tão essenciais à sociedade humana, não existiria sem os 
solos. Ele serve de suporte às plantas, fornecendo-lhes água, nutrientes e 
abrigando macro e micro-organismos que de alguma forma contribuem para o 
crescimento e desenvolvimento das plantas. Dentre os micro-organismos 
citam-se bactérias nitrificadoras e fixadoras de nitrogênio, fungos do grupo das 
micorrizas, que contribuem para a disponibilização, fixação ou absorção de 
elementos químicos nutrientes, como o nitrogênio e o fósforo, por exemplo. 
Há vários tipos de solos, segundo o material de origem. As 
características físicas, químicas e biológicas, próprias de cada tipo de solo, são 
o ponto focal para o manejo de forma sustentável. O conhecimento de como o 
solo funciona é imprescindível à agricultura em base econômica, equilibrada 
com o meio ambiente. Portanto conhecer o solo, sua origem e seus principais 
componentes é uma necessidade na formação do engenheiro agrônomo. 
Rochas: Material de Origem dos Solos 
Os solos se originaram das rochas, as quais podem ser ígneas, 
metamórficas e sedimentares. Eles representam o resultado de intemperismo – 
ação dos componentes ambientais: temperatura e atmosfera (umidade, gases 
e outros) que atuam nas rochas (material de origem), levando à sua 
decomposição ao longo do tempo. A seguir, será apresentada uma síntese 
sobre as características de cada tipo de rocha, enfatizando-se a composição. A 
composição das rochas tem ligação direta com as propriedades dos solos que 
delas se originam. 
Rochas Ígneas ou Magmáticas 
As rochas magmáticas ou ígneas se originam no interior do planeta 
sendo produto da solidificação do magma pastoso. O magma é fluido, de 
fundição parcial ou total, composto por silicatos, silícios e substâncias e 
elementos voláteis, como, vapor d´água, cloretos, hidrogênio, flúor dentre 
outros. Estas rochas são muito resistentes constituindo-se na matéria prima do 
embasamento rochoso dos continentes. São as mais antigas, reportando à 
origem do planeta Terra, estimada por ter ocorrido há 4,6 bilhões de anos. 
Associadas ao resfriamento da crosta terrestre são consideradas as mais 
antigas. Entretanto, via o vulcanismo, tem havido formação dessas rochas 
durante todo esse período da existência de nosso planeta. 
http://www.infoescola.com/quimica/silicatos/
http://www.infoescola.com/elementos-quimicos/silicio/
http://www.infoescola.com/quimica/cloretos/
http://www.infoescola.com/elementos-quimicos/hidrogenio/
http://www.infoescola.com/elementos-quimicos/fluor/
 Página 6 
 
A 
 
B 
Figura 1. Granito (A), de reação ácida e basalto (B), de reação básica 
rochas magmáticas. 
Das rochas magmáticas destacam-se granito, gabro, diabásio e basalto 
(Figura 1). Toda vez que ocorrem erupções vulcânicas que expelem lava pela 
superfície, formam-se novas quantidade dessas rochas primárias. Neste caso 
vale acrescentar que, as rochas graníticas são classificadas como ácidase o 
diabásio, o glabro e o basalto se caracterizam por serem de reação básica. 
Certamente, os solos que terão origem a partir destas rochas, por efeito da 
http://www.infoescola.com/rochas-e-minerais/granito/
http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/06/granito.jpg
 Página 7 
 
ação dos elementos climáticos, refletirão a sua composição e reação química, 
como será visto. Sempre é bom lembrar que no início da formação de nosso 
planeta, as forças do intemperismo eram muito mais exacerbadas, com 
vulcanismo enriquecendo a atmosfera de gases e detritos, originando chuva 
ácida que atuava sobre as rochas. 
O processo de solidificação das rochas, a partir do magma, com o 
resfriamento do planeta, pode ocorrer quando este atinge a superfície ou 
quando no interior da crosta terrestre, permitindo classificá-las em rochas 
intrusivas ou extrusivas. Esse processo, em menor escala, tem ocorrido nos 
tempos mais recentes. Veja-se o exemplo de erupções vulcânicas; com o 
escorrimento de lava, que solidifica, inicia-se o processo que, depois de 
milhões de anos, leva à formação dos solos. 
As rochas extrusivas formam-se a partir da ejeção do magma em erupções 
vulcânicas, tendo um rápido resfriamento ao atingir a superfície, passando do 
estado líquido ou gasoso ao sólido em pouco tempo. Desta forma, sua 
estrutura será vítrea, impossibilitando a cristalização dos minerais. 
O basalto e a obsidiana são exemplos de rochas extrusivas, a primeira de 
reação básica. Por que é interessante classificar as rochas quanto à reação 
química? Os solos delas originados terão reação proporcional à da rocha de 
origem. Não seria surpresa descobrir-se que os solos encontrados no Cerrado 
se originaram de rochas ácidas, com baixa disponibilidade de elementos 
químicos nutrientes às plantas. Tem-se como exemplos os latossolos com 
baixa fertilidade medida pelos teores de fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), 
magnésio (Mg), enxofre (S) e elementos requeridos em menores quantidades, 
como zinco (Zn), cobre (Cu), manganês (Mn), molibdênio (Mo), boro (B). 
As rochas intrusivas, também chamadas de plutônicas, resultam de lento 
resfriamento do magma. Estas rochas são originárias de regiões profundas no 
subsolo onde formam cristais. 
Quando o magma apresenta grandes quantidades de gases e elementos 
voláteis, as rochas que se formam são os pegmatitos. A forma bem fluida do 
magma possibilita a formação de cristais de grande dimensão. 
As rochas magmáticas, com reações ácidas, básicas ou de reação neutra, 
apresentam diferenciação relacionada ao teor de silício (Si) na rocha. Com 
teores acima de 65% a rocha será ácida, formando-se silicatos e cristais de 
quartzo. Nas rochas neutras o teor de silício varia entre 52 a 65%, enquanto 
nas rochas básicas o teor de silício situa-se entre 45 e 52%, condição em que 
não se forma o quartzo. O quartzo é rocha cristalina, rica em silício, que ao se 
decompor, contribui para o teor de areia dos solos. 
Portanto, as rochas magmáticas ou ígneas podem variar na sua 
composição e apresentar reações próprias variando entre ácidas, neutras e 
básicas. Sua decomposição ao longo do tempo, na fase mais avançada, origina 
o solo. Assim, solos provenientes de rochas basálticas, são básicos e ricos em 
nutrientes, contrastando com as rochas graníticas, originando solos ácidos e 
pobres em elementos químicos nutrientes às plantas e animais. Conhecer este 
http://www.infoescola.com/rochas-e-minerais/basalto/
http://www.infoescola.com/geologia/obsidiana/
http://www.infoescola.com/fisico-quimica/gases/
 Página 8 
 
ciclo é de grande valor, pois norteia a decisão de como atuar, corrigindo e 
fertilizando o solo antes de sua incorporação à agropecuária. 
Exemplo do que foi dito é a ocorrência de solos férteis em parte do Paraná, 
São Paulo, Minas Gerais e Goiás oriunda da extrusão de magma (rochas 
basálticas, de reação básica). O fenômeno ocorreu entre 251 e 65 milhões de 
anos AEA. Em São Paulo e no Paraná eles receberam o nome de “terra roxa”, 
apresentando elevada fertilidade natural. O nome foi dado pelos imigrantes 
italianos que, chegando ao nosso país, se surpreendiam com a forte cor dos 
mesmos. A denominação, ainda adotada popularmente, vem de “rosso”, 
significando vermelho no idioma dos imigrantes, a cor real desse tipo de solo. 
Antes da agricultura contemporânea praticada no Cerrado, incorporando 
uso de corretivo (calcário e gesso) e fertilizante (nitrogênio, fósforo, potássio e 
micronutrientes), a produção agropecuária no Brasil concentrava-se em solos 
naturalmente férteis. Estes solos presentes no Nordeste brasileiro, Sul de 
Minas Gerais, Norte de São Paulo e outras partes do Brasil, se constituíram em 
base da nossa cafeicultura. Ou seja, até os anos 1950, era baixo o uso de 
corretivos e fertilizantes no Brasil. 
Portanto, imensas áreas de Mata Atlântica próximas ao litoral e de outras 
partes do Brasil, com solos naturalmente férteis, deram lugar a grandes cultivos 
como o da cana-de-açúcar. Desde os tempos coloniais, os solos massapé no 
Nordeste Brasileiro, também originados de rochas ricas em elementos 
químicos nutrientes às plantas, têm sido explorados na agropecuária. Ademais, 
em tempo não muito distante do atual, há 60-70 anos, imensas áreas antes 
cobertas por vegetação exuberante na floresta de araucária – o pinheiro 
brasileiro – Araucária brasiliensis, foram desmatadas para a expansão agrícola. 
Tudo isto sem o critério de manterem-se reservas – áreas virgens, 
remanescentes da vegetação original, uma exigência legal na atualidade. 
 
Rochas Metamórficas 
 Rochas metamórficas se originam da transformação de outras rochas 
por efeito de condições específicas de temperatura e pressão (Figura 2). 
 Página 9 
 
 
Figura 2. Mármore, rocha metamórfica formada a partir da transformação 
da calcita ou carbonato de cálcio (CaCO3). 
Estas rochas se originam de outras que, submetidas à pressão e 
temperaturas diferenciadas, transformam-se e modificam suas características 
em um processo denominado metamorfismo. O fenômeno ocorre em camadas 
medianas e profundas da crosta terrestre ou em regiões vulcânicas. 
A metamorfose das rochas pode ocorrer na mineralogia, com a formação 
de novos tipos de compostos minerais e na textura, com alterações nos tipos 
de cristalização, alinhamento, clivagem e outros. Durante o metamorfismo, 
ocorre diferença de temperatura e pressão não havendo a fusão, que seria 
equivalente à transformação em magma. 
O metamorfismo, quando ocorre em rochas sedimentares, estas 
denominam rochas parametamórficas; quando são oriundas de rochas ígneas, 
são chamadas de ortometamórficas, existindo ainda aquelas originadas de 
outras rochas metamórficas. 
As rochas metamórficas podem manter algumas características de suas 
rochas formadoras (protólitos), como a base de alguns minerais, a sua 
estruturação e composição química. Assim, o protólito é determinante para as 
características das rochas metamórficas. 
Exemplos importantes de rochas metamórficas são: o gnaisse, proveniente 
do granito; a ardósia, formada a partir do xisto (rocha metamórfica), e o 
mármore, que é a transformação do calcário (rocha sedimentar). \ 
 
Rochas Sedimentares 
Rocha sedimentar é constituída de sedimentos os mais variados como areia, 
argila, silte, seixos, mistura destes e componentes orgânicos (Figura 3). 
 Página 10 
 
 
Figura 3. Penhascos formados por rochas sedimentares. 
A matéria transportada e acumulada em várias situações, como, por 
exemplo, às margens de um rio, por efeito de temperatura, passa por 
diagênese ou litificação. Os sedimentos se agregam de forma estável, 
transformando-se em rocha. Além de cursos d’água, lagos, baías, lagunas, 
estuários, deltas e fundo de mares e oceanos podem contribuir para a 
formação desse tipo de rocha. 
Este tipo de rocha depende da composição dos sedimentos. Os fósseis 
de animais e vegetais, que tanto contribuempara entender a dinâmica da vida 
em nosso planeta através do tempo, são associados com as rochas 
sedimentares. Em geral, aparecem envolvidos entre a matéria constitutiva do 
sedimento rochoso. As rochas sedimentares ocorrem em camadas da crosta 
terrestre, representando aproximadamente 75% do material exposto à 
superfície. 
A rocha sedimentar abundante na crosta terrestre é denominada de 
clástica ou mecânica. Há outro tipo sedimentar cuja matéria que o forma é 
predominantemente orgânica, com destaque para litificação de restos 
orgânicos, como os do carvão, denominado rocha sedimentar orgânica. 
Quando ocorre a precipitação de elementos químicos por sais como o 
carbonato de cálcio (calcário) ou halita (sal de cozinha), onde se encontram 
dissolvidos na água de lagos, lagunas, mares rasos, por evaporação da água. 
Estas são as rochas sedimentares químicas. 
A classificação baseada no processo em que se formam se contrapõe a 
classificação por material componente das rochas. Assim, têm-se rochas 
sedimentares com a seguinte definição: 
Detríticas – quando em sua constituição predominam detritos de outras 
rochas, resultantes da sua fragmentação ou "meteorização". Rochas 
sedimentares detríticas apresentam-se como i) não consolidadas, como 
http://www.infoescola.com/biomas/estuario/
http://www.infoescola.com/compostos-quimicos/carbonato-de-calcio/
 Página 11 
 
depósito de balastros, areias, siltes e argilas; ii) consolidadas, formadas pela 
consolidação destes mesmos sedimentos detríticos por diagênese. 
Quimiogênicas - originárias do processo de precipitação de minerais em 
solução. Neste grupo temos o calcário, o gesso e o sal-gema. 
Biogênicas - são rochas constituídas de sedimentos de origem biológica, 
resultado dos restos de seres vivos ou de sua atividade. Exemplos de rochas 
sedimentares biogênicas são o xisto e o carvão. 
A importância econômica das rochas sedimentares deve ser destacada 
levando-se em conta a sua grande utilização na agricultura e na construção 
civil. Estas rochas são as fontes de petróleo e hidrocarbonetos, de importância 
na matriz energética do mundo atual. Por outro lado, a calagem, prática comum 
no Cerado, é a aplicação de rocha sedimentar moída, para corrigir o solo. 
Rochas, Intemperismo e Solo. 
 As forças dos componentes ambientais que atuam no planeta Terra são 
grandes causadoras de mudanças. Assim, rochas, independentemente da 
formação, estão expostas às variações de agentes naturais como radiação, 
temperatura e umidade dentre outros. Como visto, o intenso vulcanismo 
existente no início da formação da Terra foi acompanhado por grande emissão 
de gases. Estes passaram a contribuir na formação de chuva ácida, além de 
manterem-se temperaturas elevadas. Esse conjunto levou à intensificação do 
intemperismo. O planeta era uma verdadeira caldeira no início dos tempos. 
O intemperismo tem mostrado seus efeitos, tornando-se perceptíveis na 
comparação de tipos de solos. Na decomposição, as rochas, inicialmente, se 
fragmentam. Cada rocha apresenta especificidade relativa à forma como se 
cristalizou e à sua composição. Os cristais de quartzo apresentam zonas de 
clivagem ou pontos a partir dos quais ocorre fragmentação em partes menores. 
Outras formações rochosas apresentam pontos suscetíveis de ruptura ou 
fragmentação, como cisalhamento, diaclases, falhas, foliações, dobras, 
deformações e estratos. Em cada caso dividem seguindo um padrão, expondo 
maior superfície e acelerando o processo. Imagine-se que, a cada 
fragmentação, expõem-se superfícies que antes estavam ocultas no material 
de origem. Esse aumento de superfície acelera a frequência do processo. Tudo 
isto resultado das variações de água, temperatura, pressão e composição 
atmosférica. 
http://www.infoescola.com/quimica-organica/hidrocarbonetos/
 Página 12 
 
 
Figura 4. Sequência ilustrando a formação do solo a partir da rocha. 
O intemperismo, durante milhões de anos, leva à formam-se partículas 
menores que darão origem aos componentes dos solos. Os componentes 
físicos dos solos, de forma geral dividem-se em areia, silte e argila, os quais 
ocorrerão em proporção direta à composição da rocha matriz. Enfatizando, 
aquelas ricas em silicatos, graníticas, originam solos arenosos, nos quais a 
fração argila é reduzida tendo-se como exemplo o neossolo quartzarênico (solo 
arenoso) no Cerrado do Oeste Baiano. 
Por outro lado, rochas basálticas originam solos com argila 
quimicamente ativa, retendo cátions, além de possuírem em sua composição 
elementos químicos essenciais à nutrição mineral das plantas, como potássio 
(K), fósforo (P), além daqueles requeridos em menor quantidade (micro 
elementos). A capacidade de reter os cátions, propriedade de cada solo, é 
diretamente proporcional à atividade da argila. Em regiões tropicais do mundo, 
onde o intemperismo tem atuado de forma intensa por milhões de anos e as 
rochas (material de origem) são ácidas, os solos apresentam menor 
capacidade de troca de cátions (CTC). O conceito de capacidade de troca de 
cátions será desenvolvido ao longo do curso de agronomia. Assim, 
conhecendo-se como o solo funciona, busca-se solução para adequá-lo ao 
cultivo – uso de corretivos (calcário e gesso), fertilizantes. Em especial no 
Cerrado, com baixa fertilidade, maneja-se a matéria orgânica – fator de 
estruturação do solo e aumento da CTC, retentor de nutrientes e água. 
 
Corretivos e Fertilizantes 
 Os corretivos e fertilizantes são necessários para modificações químicas no 
solo, em especial os solos ácidos e desprovidos de nutriente, como os que 
predominam no Cerrado. Corretivos são basicamente os calcários e o gesso 
agrícola. O calcário tem a característica de elevar o pH do solo e suprir os 
 Página 13 
 
elementos cálcio (Ca) e magnésio (Mg), quando adicionado moído, em 
partículas finas que aumentam a superfície de contato e a reação com a água 
do solo. O gesso, de aplicação rotineira há cerca de 30 anos, dissocia na água 
do solo e com ela se movimenta, alterando quimicamente o perfil ou as 
camadas componentes do solo. 
Calagem 
Nome que se dá ao processo de aplicar calcário ao solo. O calcário é rocha 
moída, formada por carbonatos e cálcio e de magnésio, que, incorporada ao 
solo reage liberando Ca e Mg. Na atualidade, a calagem se realiza com 
implementos específicos que espalharão o produto sobre o solo. Em seguida 
se fará a incorporação ao solo, mediante aração e gradagem. 
 
Figura 5. Rocha Dolomita: moída e distribuição no solo (calagem). 
Por que se faz calagem? Os solos brasileiros, em especial os do Cerrado, 
são ácidos e pobres em nutrientes. Associe-se o conceito de rochas de origem 
que ficará claro. Além de se originarem de rochas ácidas, estas são pobres em 
elementos minerais necessários ao crescimento e reprodução das plantas, 
como fósforo (P), potássio (K), enxofre (S), cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e 
elementos menores ou micronutrientes. Estes são menos exigidos em 
quantidade, fazendo parte de enzimas dos ciclos da planta. Se não estiverem 
disponíveis, têm impacto negativo no rendimento das culturas. 
Por intemperismo contínuo, mesmo depois da decomposição das rochas, 
até mesmo as partículas menores como argila se decompõem, liberando 
alumínio (Al) que faz parte do material de origem. Este elemento é o que se 
encontra em maior quantidade. Quando o cátion Al3+ torna-se disponível às 
raízes das plantas, causa toxidez aos cultivos e os torna. inviáveis 
economicamente. Portanto, a calagem tem for finalidade torná-lo indisponível, 
por elevação do pH. 
A análise de solos é essencial para se entender os seus componentes 
químicos e físicos, além de possibilitar a definição do quanto se aplicará de 
calcário e fertilizante. Tornando-se necessária antes de se iniciar o cultivo, ela 
é o ponto de partida para a tomada de decisão sobre realizar o manejo físico e 
químico dos solos. A análise dos solos torna-se imprescindível antes de 
incorporá-losao cultivo. Sem ela, o manejo da fertilidade do solo será empírico, 
causando excessos e indisponibilidade de nutrientes, alterando o pH a níveis 
que inviabilizam a exploração em base econômica da agropecuária. 
 
 Página 14 
 
Tabela 1. Características físico-químicas de solo de Cerrado (Latossolo) 
natural (virgem) e depois de corrigido/fertilizado. Planaltina, DF. 
Característica 
Solo Física Química 
 Areia Silte Argila M.O.* pH Al+3 (Ca+Mg)+2 P K 
g dm-3 cmolc+ mg dm-3 
Virgem 340 190 450 20 4,7 1,9 0.4 0,9 15 
 
Corrigido 5,8 0,0 3,4 9,0 62 
*M.O. = Matéria orgânica. 
A análise dos componentes físicos e químicos dos solos é essencial à 
atividade agropecuária (Tabela 1). Os componentes físicos já mencionados: 
areia, silte e argila indicam a textura do solo, ou seja, se ele é arenoso, argiloso 
ou intermediário. Observa-se, ainda, a proporção de matéria orgânica (MO). 
Mesmo quando presente em baixa quantidade relativa, a MO representa a vida 
do solo, influenciando sua estrutura, retenção de água e de nutrientes. Nos 
solos de Cerrado, a MO responde por grande parte da capacidade de troca de 
cátions (CTC). As partículas de matéria orgânica ativa (húmus) apresentam 
carga negativa, funcionando como um grande ânion, respondendo pela CTC 
em especial nos solos de Cerrado. Quanto maior a CTC, maior a retenção de 
elementos químicos que atuam como nutrientes, tendo efeito direto na 
fertilidade dos solos. 
Percebe-se que mesmo depois de corrigido com calcário (Tabela 1), o pH 
do solo ainda é ligeiramente ácido, enquanto o alumínio intercambiável ou 
trocável está zerado. Observa-se ainda elevação no nível de Ca+2 e Mg+2 de 
forma considerável (Tabela 1). 
Observa-se que a aplicação de calcário neutraliza (torna indisponível) o 
alumínio (Al+3), presente na maioria dos solos brasileiros, em especial nos 
latossolos do Cerrado, eleva o pH e fornece cálcio (Ca) e magnésio (Mg) como 
nutrientes. 
Ca e Mg são imprescindíveis à planta, o primeiro integra a parede celular, 
refletindo no alongamento das raízes e o segundo é componente da molécula 
de clorofila (Mg). Ou seja, sem eles as plantas não aprofundam suas raízes no 
solo, deixando de absorver água e nutrientes e não realizam fotossíntese. 
O calcário é um dos insumos agrícolas mais baratos. Se por um lado os 
solos de Cerrado são ácidos e desprovidos de nutrientes, por outro, há 
abundância de rochas calcárias no bioma, tornando sua exploração acessível. 
Essa foi uma dádiva da natureza, mostrando que há solução para os 
problemas decorrentes da acidez dos solos e a mesma está ali mesmo no 
ambiente de produção. 
O calcário é composto por carbonatos de cálcio (CaCO3) e de magnésio 
(MgCO3), sais que se originam da reação entre base com força química 
intermediária [Ca(OH)2] e ácido orgânico, com fora química fraca (H2CO3). 
 Página 15 
 
Diferente de sal originário de base forte com ácido forte, o calcário não dissocia 
em água. A reação que ocorre leva tempo, daí a importância de se fazer 
calagem com antecedência ao plantio. 
 
Gessagem 
Para completar o conceito de correção dos solos, tem-se a gessagem ou 
aplicação de gesso agrícola (CaSO4). Este sal, prontamente dissociável, à 
semelhança de KCl, fornece Ca e S que são necessários à nutrição das 
plantas, movimentando-se com a água (também denominada solução do solo), 
criando condições para o crescimento radicular em profundidade, melhorando o 
aproveitamento de água e nutrientes que tenham lixiviado (movimentado com a 
água)para as camadas mais profundas do solo. 
A aplicação de gesso tem se tornado rotineira a partir de estudos que 
demonstraram a baixa disponibilidade e distribuição de cálcio no perfil do solo 
(RITCHEY ET AL., 1982). Com aplicação de gesso, resultando em 
movimentação de Ca, houve maior crescimento radicular, tornando as plantas 
resistentes a períodos de seca (veranicos) em plena fase reprodutiva das 
culturas (CARVALHO, M.; van RAIJ, 1997). 
 
 
Figura 6. Distribuição de raízes em solo sem e com gesso (CaSO4) 
Portanto calagem e gessagem são condicionantes, induzindo reações 
químicas que elevam o pH, aumentam a disponibilidade de elementos químicos 
no perfil do solo, preparando o ambiente para o cultivo. 
Fertilização 
Calcário e gesso são tratados como corretivos ou condicionantes do solo, 
por sua ação sobre o pH, elevando-o e, por consequência, contribuindo para 
indisponível o Al e movimentação de Ca no perfil do solo. Interferem naa 
 Página 16 
 
fertilidade do solo, por aumentar os níveis de Ca, Mg e S. Outros nutrientes, 
como o potássio (K) são supridos por fertilizantes, sais como cloreto ou sulfato 
de potássio. Na planta, o K está ligado diretamente ao transporte de produtos 
da fotossíntese. 
Na planta, o fósforo (P), está ligado ao nucleotídeo adenosina trifosfato 
(ATP). Absorvido em menores quantidades que K e nitrogênio (N), o P mostra-
se necessário ao crescimento e à produção vegetal. Interfere nos processos de 
fotossíntese, respiração, armazenamento e transferência de energia, divisão e 
crescimento das células. Contribui para o crescimento prematuro das raízes, 
qualidade de frutas, verduras, grãos e formação das sementes. O elemento é 
suprido por superfosfatos ou fontes naturais, como fosfato reativo de Gafsa 
(Tunísia, Norte da Africa). 
O nitrogênio (N), requerido em grandes quantidades, faz parte da molécula 
de aminoácidos, alguns dos quais contém enxofre (S), compndo a cadeia de 
proteínas das células. São fontes de nitrogênio a uréia, o sulfato de amônio, a 
matéria orgânica, resíduos vegetais e aquele retirado do ar por fixação 
biológica, em um processo simbiótico. Os micronutrientes Zn, Cu, Mo, Mn, B, 
Fe, requeridos em muito pequenas quantidades, comparativamente a N, P e K, 
participam da composição de enzimas. Sem esses elementos, ou quando estão 
em baixo nível nos solos, as plantas deixam de atingir produtividades 
econômicas. 
Para entender como ocorrem as liberações de nutrientes no solo, toma-se o 
exemplo da reação entre base forte com ácido forte como, por exemplo, NaOH 
+ HCl => NaCl + H2O, origina-se o sal de cozinha ou halita. Quando colocado 
em água, rapidamente dissocia, assim como KCl, este utilizado como fonte de 
potássio. O fenômeno da dissociação se deve à polaridade da molécula de 
água (Figura 7). Portando, assim como em água, ocorre similar reação na 
solução do solo, tornando o cátion K livre, podendo ser retido por cargas 
negativas (matéria orgânica, por exemplo) ou ser lixiviado às camadas mais 
profundas do solo ou levado por enxurradas, quando o solo se satura por água, 
originando o escorrimento. 
 
Dissociação 
Cátion Molécula de Água Ânion 
K+ 
O 
H Cl- 
K+ H Cl- 
Figura 7. Representação esquemática da molécula de água (H2O) e do sal 
(fertilizante) KCl dissociado, onde o cátion é atraído pelo átomo de 
oxigênio (O) e o ânion é atraído pelo átomo de hidrogênio (H). 
 Página 17 
 
O exemplo é dado para que o estudante se interesse por compreender 
como funcionam os solos e os fertilizantes – fontes de nutrientes essenciais às 
plantas. Assim, valorizará o estudo de química e, depois, de bioquímica (a 
química da vida), pois perceberá conexão entre teoria e prática à medida que 
avança no conhecimento. 
Quanto ao elemento Al, não é utilizado pelas plantas, causando toxidez e 
reduzindo crescimento radicular, contrapondo-se ao Ca e o Mg, necessários 
como nutrientes. Ademais, os níveis de fósforo (P) em solos virgens de 
Cerrado são geralmente baixos (Tabela 1), requerendo intensa adubação 
fosfatada inicial para elevar os níveis de P. O potássio (K), assim como cátions 
de outros sais dissociáveis, está sujeito à lixiviação, dependendo de manejo do 
solo e da planta, além do regime hídrico. 
No Cerrado, depois de corrigidos e fertilizados com calcário, gesso fósforo, 
potássio e micronutrientes, os solos estão prontos ao cultivo. A tecnologiadefinindo níveis de calagem, gessagem e de adubação com N, P e K tem 
norteado o estabelecimento de agricultura com elevado nível tecnológico, em 
ambiente antes explorado com pecuária extensiva, em baixos índices de 
eficiência. As grandes mudanças realizadas por tecnologia originária de 
pesquisa serão abordadas em detalhes nas disciplinas de solos. As bases 
químicas para compreender o funcionamento serão vistas quando o estudante 
seguir o fluxograma do Curso de Agronomia. 
Desenvolvimento da Agropecuária no Cerrado e o Ambiente Natural 
O Cerrado compreende um dos grandes biomas brasileiros em diversidade, 
superado apenas pelo da Amazônia. Depois do desenvolvimento da agricultura 
em seu domínio responde por mais da metade da produção de soja e do milho 
no Brasil, graças à aplicação de tecnologia de correção, fertilização, manejo e 
conservação dos solos e do melhoramento genético das plantas. Os detalhes 
de como se manejam os solos de Cerrado do ponto de vista físico, químico e 
biológico serão vistos no decorrer do curso de agronomia. 
O manejo dos solos compreende as ações para os cultivos tornando-os 
viáveis, ao mesmo tempo em que são mantidas suas propriedades físicas, 
químicas e biológicas. O estudante aprenderá que o solo não é apenas um 
suporte para as plantas e que, do ponto de vista físico, a manutenção de sua 
estrutura e porosidade são fundamentais, diante de cultivo intensivo como o 
praticado no Cerrado. 
Compare-se o funcionamento do solo em ambiente natural do Cerrado, com 
o das áreas agrícolas no mesmo bioma – produto da intervenção humana. No 
ambiente natural, há um equilíbrio, mantendo-se o fluxo da água. Como 
ilustrado em aula, as grandes área planas, conhecidas como “chapadas” são 
captadoras de água. A água penetra e percorre o grande volume de solo até 
atingir as camadas impermeáveis formadas pelas rochas. Assim, não é em vão 
que o Cerrado seja denominado de “caixa d’água”, alimentando as nascentes 
 Página 18 
 
de grandes rios das bacias Paraná-Prata, São Francisco, Tocantins-Araguaia e 
Amazônica (Figura 8). Ainda que o ambiente natural seja desfavorável ao 
cultivo de espécies de interesse para o ser humano, como as culturas de milho, 
feijão e soja, por exemplo, a ocorrência e a distribuição de vasto número de 
espécies originadas neste ambiente, demonstra a adaptabilidade das plantas 
ao ecossistema a que pertencem, onde evoluíram. 
 
 
 
aa 
 b 
 
Figura 8. Ambiente de Cerrado: a) vegetação e paisagem; b) solo, 
raízes, reservatório de água e rocha impermeável (material de origem). 
Tolerantes aos condicionantes de acidez dos solos, escassez de nutrientes 
minerais e ao longo período de seca, as plantas do Cerrado povoam as áreas 
com seus sistemas radiculares próprios, explorando diferentes volumes de 
solo. Mantêm-se, neste conjunto, a porosidade que permite a infiltração de 
água, e a estrutura dos solos (Figura 9). No Cerrado, estes são, em geral, 
profundos antes de atingir a camada impermeável formada pelas rochas. Aí se 
encontra o grande reservatório de água que permite alimentar as nascentes 
durante o ano, mesmo em plena época de seca. 
 
 
 
Solo – Perfil Radicular
a
a 
 
Reservatório Alimentador de 
Nascentes, Cursos D’água 
 
Rocha 
(impermeável
) 
 Página 19 
 
Chuva (precipitação) 
 
 
 
 
 
 
Figura 9. Chuva no Cerrado: Quantidade, em valores médios, suficiente 
para atender a demanda das plantas, porém concentra-se em seis meses. 
 Neste ponto, coloca-se um tema para reflexão. Quando os solos são 
mal- manejados, com preparo e cultivos repetitivos, compactando-se a camada 
superior ou arável (0-20 cm), a água reduz a infiltração, não se recarrega o 
reservatório subterrâneo, as nascentes escasseiam e secam, os rios tornam-se 
intermitentes. Ou seja, diminuem a vazão no período da seca e transbordam no 
período chuvoso. A produção agropecuária em solo compactado fica 
comprometida, com erosão e perda de nutrientes. Como agravante, reduz-se a 
geração de energia, a navegação fluvial, a irrigação no período da seca; 
finalmente, morrem os rios, levando junto todos que deles dependem. 
Certamente, quando se abordarem temas específicos como irrigação e 
drenagem, manejo e conservação dos solos, percebe-se que, como 
mencionado em aula, a forma de aprendizagem é cartesiana. O objetivo maior 
da formação é juntar ou integrar as partes para formar o todo – o coroamento 
da busca que se inicia na introdução à agronomia. Esse conceito de 
aprendizagem, conhecendo as partes que são integradas para gerar o todo, 
domina o comportamento humano nas ciências, tendo sido desenvolvido por 
René Descartes no século XVII (DESCARTES, 1996). O pensador estabeleceu 
as bases da ciência moderna, junto com outros da mesma época, como 
Francis Bacon e, antes deles, Galileu Galilei. 
 
Domesticação de Plantas e Animais 
O que se entende por domesticar? O ato de domesticar ou de controlar 
plantas e animais é o resultado da interferência humana sobre plantas e 
animais direcionando os tipos que se adaptam aos seus interesses. Diferente 
da teoria evolucionista, que define a seleção natural como agente, favorecendo 
a sobrevivência do mais adaptado (Darwin, 1859). Como foi visto em aula, as 
plantas e animais passaram por uma etapa de cultivo e domesticação, 
Nuvem 
 Página 20 
 
respectivamente, quando nossos ancestrais deixaram de ser nômades. Isto 
ocorreu logo depois do fim da última grande glaciação continental, ou era 
geológica denominada de Holoceno, ocorrida há 12.000 anos. Nesse período 
teve início o cultivo das plantas e dos animais e surgiram as primeiras 
ferramentas, precursoras da mecanização da agricultura, aumentando a 
capacidade e eficiência de trabalho. 
A cultivação ou domesticação, isto é a seleção de plantas e animais por 
características de interesse ao ser humano, teve início em várias partes do 
planeta, por iniciativa de comunidades. Ao deixar a vida nômade de caçador e 
coletor, o ser humano se fixou em um lugar, formando comunidades. Surgiram 
as cidades e a civilização. 
A domesticação foi um processo praticado por nossos ancestrais que se 
tornaram essencialmente agricultores, convivendo com as plantas e os 
animais. Em tempos modernos, quando se pratica agricultura com altos níveis 
de tecnologia, as plantas e animais melhorados tiveram sua base no legado 
dos ancestrais. Ou seja, o melhoramento genético foi moldando as culturas 
para atender necessidades do ser humano. Com o passar do tempo, a 
humanidade tornou-se mais urbana do que rural. Nos tempos atuais, a 
convivência com plantas e animais, que foram base da domesticação, tem, 
gradativamente, sido abandonada. Perguntas que caberiam aqui: Como será a 
domesticação/cultivo do futuro, considerando-se a existência de inúmeras 
espécies de interesse para a humanidade e que se encontram em estado 
silvestre? Quantas plantas e animais que poderiam contribuir para melhorar a 
existência humana estarão disponíveis, dentre milhares identificadas pela 
ciência? 
A propósito, como se diferenciam as plantas cultivadas daquelas existentes 
na natureza. Algumas delas são associadas aos cultivos como as plantas 
daninhas ou invasoras. Na tabela 2 encontram-se algumas características 
diferenciadoras de plantas cultivadas e silvestres. Verifica-se que, em linhas 
gerais, as plantas cultivadas dependem inteiramente do ser humano, ou seja, 
não se reproduzem espontaneamente. Outra pergunta que se poderia formular. 
Seria possível infestar áreas agrícolas com sementes soja ou milho? 
Comparem-se as características das plantas domesticadas e das plantas 
daninhas e veja-se, por exemplo, que o ser humano, ao domesticar, foi 
moldando as plantas, eliminando dormência. Sementes dormentes germinam 
ao longo do tempo, enquanto as de soja ou feijão germinam quando semeadas, 
dependendo do ser humano para crescer e reproduzir. 
 
 
 
 Página21 
 
Tabela 2. Características de separação entre espécies de plantas 
silvestres e domesticadas. 
Característica Espécie 
Silvestre Cultivada 
Altura de planta Elevada Reduzida 
Ramificação Intensa Pequena 
Maturação Indefinida Coincidente 
Semente Dormente/Menor Não-dormente/Maior 
Deiscência Presente Ausente 
Trilha Difícil Fácil 
Germinação Não-Sincronizada Sincronizada 
Dormência Presente Ausente 
Pelos, Espinho Presentes Ausentes 
Substância Tóxica Presente Ausente 
 
Os animais, à semelhança das plantas, foram domesticados por seres 
humanos, visando atender aos seus interesses em tração (trabalho), fontes de 
alimentos, de fibras, em proteção e lazer. Assim, alguns como cães e gatos 
têm servido à humanidade marcando sua presença em vários períodos da 
história. Veja-se a diversidade de raças (variações da mesma espécie) de 
cães. Estima-se que cães e humanos estejam juntos há pelo menos 20.000 
anos, antes mesmo do final da grande glaciação e da domesticação de plantas, 
com o subsequente desenvolvimento da agricultura. 
Sua função, como companheiro, na defesa e como condutor de 
rebanhos, fez com que seleções fossem conduzidas em várias partes do 
mundo. A variação, com diferentes formas e tamanhos, teria surgido do lobo, 
ancestral dos cães. Igualmente, o boi teria se originado de espécies ancestrais, 
como o auroque (Bos primigenius), dando origem a Bos taurus subespécie 
indicus e B. taurus subespécie taurus e suas diversas raças. O mesmo 
raciocínio é estendido aos animais que servem ao ser humano, tendo sido 
selecionados (modificados) para atender ao seu interesse. Citam-se, entre as 
características, docilidade, força, tamanho, tipo, produção (leite, carne e ovos). 
 
Figura10. Bos primigenius, ancestral de B. taurus subespécie 
indicus (indiano) e B. taurus subespécie taurus (europeu e africano). 
 Página 22 
 
 Os animais domesticados dependência do ser humano, diferenciando 
dos animais silvestres que, independentemente, se multiplicam e vivem em sua 
própria busca por alimentos. Característica marcante nos animais silvestres é 
seu instinto de ataque e defesa, tornando-os hábeis em defender seu território, 
além da busca por saciarem a fome na caça (animais carnívoros). 
 
Centros de Origem das Plantas e dos Animais Domésticos 
As plantas e animais cultivados que hoje são o legado de nossos ancestrais 
tiveram sua origem em diversas partes do planeta. O surgimento de 
civilizações, a partir da vida sedentária, quando o ser humano deixou o 
comportamento nômade, foi fruto dessa proximidade entre seres humanos e a 
vida ao redor. Ao conviver com as plantas e animais, espécies e variedades da 
mesma espécie foram selecionadas para atender a necessidade humana em 
alimentos, fibras, madeira, combustível, cosméticos, medicinais, decoração 
dentre os inúmeros usos 
Com o crescente intercambio entre povos, a variabilidade, tão necessária 
ao processo contínuo foi se dispersando para além dos centros de origem. Na 
atualidade, pode-se afirmar que os seres humanos são cosmopolitas. Em uma 
refeição, por exemplo, no Brasil: quando comemos arroz, este teve origem e foi 
domesticado na Ásia. O feijão em outras partes do continente americano. A 
complementação por salada contendo hortaliças – alface, tomate, cebola, alho 
– também são espécies exóticas. Ao se incluir carne de boi (originário da Ásia) 
ou de porco (originário da Ásia - Oceania), pão de trigo (originário da Ásia), 
descobre-se que nossa sustentação depende de plantas e animais que têm 
origem em alguma parte do planeta Terra. Por outro lado, quando comemos 
produtos e derivados da mandioca, do milho, amendoim, castanha de caju, 
jabuticaba, goiaba, abacaxi e maracujá, estamos prestigiando os produtos da 
terra brasilis, (antes da descoberta da América, terrae incognitae) 
domesticados pelas populações indígenas que nos antecederam. 
No século XIX, De Candole e Darwin (DARWIN, 1959) realizaram os 
primeiros estudos sobre as origens das plantas cultivadas. Por volta de 1885, 
De Candole afirmou que nos centros de origem as plantas ainda seriam 
encontradas no seu estado selvagem e com a máxima diversidade genética. 
Contudo, foi um agrônomo russo, Nicolai Ivanovich Vavilov, quem efetivamente 
definiu centros de origem das plantas cultivadas. 
Vavilov realizou estudo minucioso da sistemática, da morfologia, da 
genética, da citologia e da imunologia das plantas cultivadas. Entre 1920 e 
1950, como pesquisador do Instituto de Fitotecnia de Leningrado, comandou a 
equipe de pesquisadores que concluiu os levantamentos, chegando às cartas 
da diversificação das plantas (Figura 11). 
 Página 23 
 
 
 
Figura 11. Centros de origem das espécies cultivadas (VAVILOV, 
1992), primeira aproximação dando origem a outras pesquisas. 
 
Para chegarem a estas conclusões os pesquisadores associaram, aos 
estudos de botânica das plantas, preciosos dados históricos que indicavam a 
área de sua ocorrência antes dos movimentos comerciais e da agricultura. 
Onze zonas de diversificação foram definidas e exploradas, entre 1923 e 1933, 
por missões de pesquisadores russos e, entre 1935 e 1939, por missões de 
pesquisadores alemães. 
Vavilov relatou, em sua obra, que as onze zonas de diversificação das 
plantas cultivadas podiam ser agrupadas em oito centros de origem. Esses 
centros de origem foram por ele definidos como independentes, ou seja, 
separados por algum tipo de barreira geográfica como desertos, oceanos, 
cadeia de montanhas etc., cada um sendo identificado por grupos de espécies 
nele originadas. 
Em cada centro de origem foram identificadas dezenas e às vezes 
centenas de espécies vegetais relacionadas com as plantas cultivadas. Dessas 
algumas têm importância para a agricultura brasileira e são citadas depois dos 
breves comentários sobre cada centro. Nesta relação de centros de origem e 
respectivas espécies, aparecem os gêneros e famílias botânicas. 
 
 Centro Chinês 
 
Considerado como o maior de todos os centros de origem das plantas 
cultivadas, onde Vavilov listou 136 espécies das quais algumas são 
apresentadas a seguir: 
• Alho e Cebola (Allium spp. - várias espécies, Alliaceae) 
• Bambu (Bambusa spp. - várias espécies, Poaceae) 
• Rami (Bohemeria nivea, Urticaceae 
• Couves, Repolhos (Brassica spp. - várias espécies, Brassicaceae) 
• Laranja e Limão (Citrus spp., Rutaceae, centro secundário) 
 Página 24 
 
• Caqui (Diospyrus kaki, Ebenaceae) 
• Soja (Glycine max L. (Merrill), Fabaceae) 
• Ameixa, Nectarina e Pêssego (Prunus spp. - várias espécies, 
Rosaceae) 
• Pera (Pirus comunis - várias espécies afins, Rosaceae) 
• Rabanete (Raphanus sativus, Brassicaceae) 
 
 Centro Indiano 
 
Segundo centro em importância, com 117 espécies cultivadas 
conhecidas, dentre as quais se destacam: 
• Mostarda-negra (Brassica nigra, Brassicaceae) 
• Guandu (Cajanus cajan L. Fabaceae) 
• Grão-de-bico (Cicer arietinum L., Fabaceae) 
• Laranja e Limão (Citrus spp. - várias espécies, Rutaceae) 
• Coco (Cocus nucifera, Arecaceae 
• Pepino (Cucumis sativus, Cucurbitaceae) 
• Cará (Dioscorea spp., Dioscoreaceae) 
• Inhame (Colocasia esculenta, Araceae) 
• Algodão (Gossypium herbaceum, Malvaceae) 
• Manga (Mangifera indica, Anacardiaceae) 
• Arroz (Oryza sativa, Poaceae) 
• Pimenta-do-reino (Piper nigrum, Piperaceae) 
• Cana-de-açúcar (Saccharum spp., Poaceae) 
• Sorgo (Sorghum vulgare, Poaceae, centro secundário) 
 
 Centro Indo Malaio 
 
Pode-se considerar este centro de origem como extensão do Centro 
Indiano, incluindo todas as ilhas da Malásia e da Indonésia. Listam-se as 
seguintes espécies de interesse para a agricultura brasileira: 
• Coco 
• Inhame (várias espécies) 
• Banana (Musa spp. - várias espécies, Musaceae) 
• Pimenta-do-reino 
• Cana-de-açúcar 
 
 Centro Asiático Central 
Este centro, sendo menor do que os anteriores, abrange o oeste da China e 
aregião que corresponde ao Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, 
Uzbequistão, Turcomenistão e Afeganistão. Dentre as espécies mais 
importantes que teriam sido domesticadas, destacam-se: 
 Página 25 
 
• Cebola 
• Alho 
• Grão-de-bico 
• Melão (Cucumis melo L., Cucurbitaceae, centro secundário) 
• Cenoura (Daucus carota, Apiaceae) 
• Algodão 
• Lentilha (Lens culinaris, Fabaceae) 
• Linho Têxtil (Linum usitatissimum, Linaceae) 
• Pera 
• Ervilha (Pisum sativum L., Fabaceae) 
• Rabanete 
• Centeio (Secale cereale, Poaceae, Centro Secundário) 
• Espinafre (Espinaca oleraceae, Amaranthaceae) 
• Trigo (Triticum spp., Poaceae - várias espécies) 
• Feijão-fava (Vicia faba L., Fabaceae) 
• Uva (Vitis vinifera, Vitaceae) 
 
 Centro Oriental Próximo ou Crescente Fértil 
 
Este centro tem, como região mais importante, aquela que é denominada 
Ásia Menor, oriente médio, ou Crescente Fértil. Inclui o território onde se 
encontra o Iraque, antiga Mesopotâmia, e o Iran, também conhecido como 
Pérsia, considerado um dos importantes centros de origem da agricultura. Essa 
região, na atualidade, tem sido conturbada por guerras e conflitos armados. As 
espécies domesticadas mais importantes são: 
• Cebola (Centro Secundário) 
• Alho-porro (Allium apeloprasum var. porrum, Alliaceae) 
• Aveia (Avena sativa L., Poaceae) 
• Beterraba (Beta vulgaris L., Amaranthaceae, centro secundário) 
• Repolho (Brassica oleraceae, Brassicaceae) 
• Mostarda-negra 
• Melão 
• Grão-de-bico 
• Cenoura 
• Figo (Ficus carica L., Moraceae) 
• Alface (Lactuca sativa L., Asteraceae) 
• Lentilha (várias espécies) 
• Linho têxtil 
• Alfafa (Medicago sativa L., Fabaceae) 
• Pera (várias espécies) 
• Ervilha (centro secundário) 
• Centeio (Secale cereale L. - várias espécies) 
 Página 26 
 
• Trigo (Triticum spp. - várias espécies) 
• Uva 
• Maçã (Malus domestica, Rosaceae - várias espécies) 
 Centro Mediterrânico 
 
Este centro agrupa o Norte da África e o Sul da Europa, ou seja, toda região 
do Mar Mediterrâneo. Algumas espécies originadas nesta região do mundo 
são: 
• Cebola 
• Alho-porro 
• Alho (Centro Secundário) 
• Aspargo (Asparagus officinalis L., Asparagaceae) 
• Beterraba Silvestre 
• Beterrabas (hortaliça e açucareira) 
• Nabo (Brassica rapa L., Brassicaceae) 
• Mostarda-negra 
• Repolho 
• Grão-de-bico 
• Alface 
• Lentilha 
• Tremoço (Lupinus spp. - várias espécies, Fabaceae) 
• Ervilha 
• Trigo (Triticum spp. - várias espécies) 
• Feijão-fava 
 
 Centro Abissínio 
 
Região da África atualmente conhecida como Etiópia, distinguindo-se pelo 
grande número de cereais, com destaque para as espécies: 
• Grão-de-bico 
• Café (Coffea arabica L., Rubiaceae) 
• Quiabo (Abelmoschus esculentus, Malvaceae) 
• Cevada (Hordeum vulgare L., Poaceae) 
• Lentilha 
• Linho Têxtil 
• Ervilha 
• Mamona (Ricinus communis, Euphorbiaceae) 
• Sorgo 
• Trigo (Triticum spp., Poaceae - várias espécies) 
• Feijão-fava (Centro Secundário) 
• Caupi (Vigna sinensis L., Fabaceae) 
 Página 27 
 
• Tef (Eragrostis tef (L.) Moench, Poaceae) 
 
 Centro Mexicano do Sul e Centro-Americano 
 
Este centro engloba também as Antilhas. Muitas das espécies têm origem e 
são adaptáveis a condições de solo e clima (edafoclimáticas) das regiões 
brasileiras. Na realidade algumas espécies, como para outros centros, são de 
ocorrência mais abrangente do que se previa na época de Vavilov. São elas: 
• Sisal (Agave sisalana, Agavaceae) 
• Caju (Anacardium occidentale L., Anacardiaceae) 
• Feijão-de-porco (Canavalia ensiformis, Fabaceae) 
• Pimenta e Pimentão (Capsicum spp., Solanaceae, várias espécies) 
• Mamão (Carica papaya L., Caricaceae) 
• Abóboras (Cucurbita spp., Cuicurbitaceae, várias espécies) 
• Algodão (Gossypium hirsutum, G. barbadense, Malvaceae) 
• Batata-doce (Ipomea batatas L., Convolvulaceae) 
• Abacate (Persea gratissima L., Lauraceae) 
• Feijão "Ayocote" (Phaseolus coccineus L., Fabaceae) 
• feijão-de-lima (Phaseolus lunatus, Fabaceae) 
• Feijão (Phaseolus vulgaris L., Fabaceae) 
• Goiaba (Psidium guajaba L., Myrtaceae) 
• Cacau 
• Milho (Zea mays L., Poaceae) 
 
 Centro Sul Americano 
 
Este centro estende-se pela região da Cordilheira dos Andes, 
especialmente Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Algumas das espécies de 
maior importância são: 
• Abóbora (Cucurbita pepo, Cucurbitaceae, várias espécies) 
• Algodão 
• Tomate (Solanum lycopersicum, Solanaceae) 
• Fumo (Nicotiana tabacum L., Solanaceae várias espécies) 
• Maracujá (Passiflora edulis L. - várias espécies) 
• Feijão-de-lima - Sementes grandes (Centro Secundário) 
• Feijão (Centro Secundário) 
• Goiaba 
• Batata (Solanum tuberosum L., Solanaceae - várias espécies) 
• Milho (centro secundário) 
• Batata Doce 
 
 Página 28 
 
Ligados ao Centro Sul Americano, encontram-se, por extensão os centros 
da Ilha de Chiloé e Brasileiro-Paraguaio. 
 
 Centro Ilha de Chiloé 
 
Extensão do Centro Sul-Americano, o menor de todos não só pela pequena 
extensão territorial, mas no número de espécies: apenas quatro, com destaque 
para: 
• Batata (Solanum tuberosum) 
 
 Centro Brasileiro-Paraguaio 
 
Subdivisão do Centro Sul-Americano onde se destacam as seguintes 
espécies: 
• Caju 
• Abacaxi (Ananas comosus L. - várias espécies) 
• Amendoim (Arachis hyopogeae L., Fabaceae) 
• Castanha-do-pará (Bertholletia Excelsa L., Lecythidaceae) 
• Seringueira (Hevea brasiliensis L., Euphorbiaceae) 
• Erva-mate (Ilex paraguaiensis L., Aquifoliaceae) 
• Mandioca (Mniot esculenta L., Euphorbiaceae) 
• Jabuticaba (Myrciaria cauliflora, Myrtaceae) 
• Maracujá (Passiflora spp., Passifloraceae) 
• Cacau (Theobroma spp., Ssterculiaceae - várias espécies) 
• Cupuaçu (Theobroma grandiflorum, Sterculiaceae) 
 
Na imensa lista de espécies domesticadas, algumas aparecem mais de 
uma vez nos centros de origem, demonstrando duplicação. Poderia se 
perguntar, relativo a algumas espécies: Como é possível cacau ter origem em 
uma região tão vasta como a América Tropical? Ou, cevada tendo se originado 
em Ásia e África, igualmente uma imensa área? Outras espécies não 
aparecem, como o girassol, dentre as referenciadas por Vavilov. Onde surgiu 
ou tem maior diversidade? Trata-se de uma das poucas espécies, originária da 
América do Norte (Estados Unidos), de domesticação relativamente recente. 
Aparecem ainda espécies madeireiras, como eucalipto (Eucalyptus spp., 
Myrtaceae, várias espécies) também não listadas por Vavilov. Esta planta, 
originária da Austrália, grande acumuladora de celulose tem sido base da 
produção de papel no Brasil e outras regiões tropicais e subtropicais do mundo. 
Modernamente, alguns autores têm sugerido modificações na proposta 
original de Vavilov, especialmente em razão da sobreposição que ocorre entre 
os centros em relação a muitas espécies. Obviamente, como mencionado, a 
teoria foi formulada há quase 100 anos, quando os meios de comunicação não 
eram tão fáceis. Também, não se levava em conta o modo de reprodução e 
 Página 29 
 
propagação das espécies. Assim, o algodão apresenta espécies asiáticas ou 
africanas e espécies americanas. Uma teoria seria a associação dessas 
espécies com ambiente insular (de ilhas). As sementes flutuam e podem ser 
levadas por correntes oceânicas, dispersando e dando origem a espécies e 
variedades. Imagine-se coqueiro (Cocus nucifera), tendo se originada na Ásia 
tropical, em áreas litorâneas. Os frutos secos quando caem flutuam e são 
levados pelas correntes, dispersando e ampliando sua ocorrência no mundo 
tropical. 
Modernamente, sugere-se mudança de terminologia usando-se o nome 
de Centros de Diversidade Genética em lugar de Centros de Origem. 
Considerando que centros de origem são definidos como a região ou local 
onde as plantas passaram do estado silvestre para o de cultivadas, e que nem 
sempre ficou delimitado,entende-se a polêmica. 
Os trabalhos de identificação e definição dos centros de origem das 
plantas foram feitos na primeira metade do século XX, ou seja, recentemente, 
em comparação a existência e domesticação das espécies. Assim, muitos 
autores preferem considerar centros de diversidade genética a partir dos quais 
houve a dispersão das espécies. 
Por outro lado, por formas de propagação – mecanismo de dispersão: 
estrutura da semente (com plumas, aladas, flutuantes), vetores (insetos, 
pássaros e outros animais, incluindo o próprio ser humano), houve dispersão 
aumentando a área de abrangência. Desde antes da história, tem havido 
intercâmbio entre populações de humanos. Possivelmente, esta foi uma forma 
efetiva de ampliar-se a área de abrangência e diversidade nas espécies 
cultivadas. 
Um exemplo é a quinoa cujo centro de origem primário seriam os 
arredores do Lago Titicaca. O lago situa-se a 3.800m de altitude sobre o nível 
do mar. Entretanto, existe quinoa nos vales (2.000-3.000 m) e em outras partes 
da cordilheira dos Andes. No apogeu do império Inca, pouco antes da 
conquista espanhola, cultivava-se quinoa desde o Sul da Colômbia até o Norte 
da Argentina e do Chile. A introdução do cultivo em locais com grande variação 
de ambiente (clima e solo) fez surgirem novos recombinantes genéticos, 
aumentando a variabilidade. Esta seria uma forma de gerar diversidade, 
extrapolando aos centros de origem (SPEHAR et al., 2014). 
O mesmo fenômeno pode ter ocorrido com as espécies cultivadas com 
amplos usos (alimentação e matéria prima – alimento animal, fibra etc.), como 
milho, algodão, soja, cevada e aveia. 
Dos animais domesticados, destacam-se os asininos (asno ou jumento), 
os equinos (cavalo), os bovinos (boi), os suínos (porco), os caprinos (cabra), os 
ovinos (ovelha) e as aves (galináceos). Domesticados na Ásia, representam 
parcela considerável da produção de carne, leite, ovos e derivados consumidos 
em todo o mundo. Algumas das espécies de grande porte se destacam na 
tração animal, muito comum no passado. Existem outros animais domesticados 
regionalmente, como o camelo, a lhama e a alpaca (camelídeos). 
 Página 30 
 
De uma forma geral e para facilitar nossa percepção, associem-se 
espécies de origem tropical e de ambiente de clima temperado, com os 
respectivos continentes de origem. Assim, as várias espécies, perenes, de 
citros (Citrus spp.), maçã e pera (Pirus spp.) foram domesticadas na Ásia 
subtropical, bem como a soja, o arroz, o trigo, a aveia, o grão-de-bico, espécies 
anuais. O feijão (Paseolus vulgaris), o milho (Zea mays), espécies anuais foram 
domesticados no continente americano, assim como o cacau (Teobroma 
cacao), o caju (Anacardium ocidentale), perenes, no ambiente tropical. 
 
 
Classificação Binomial de Plantas Animais e Micro-organismos 
 
 Até o século XVIII, as plantas e os animais eram classificados por seus 
nomes comuns. Isto causava problemas devidos aos regionalismos e 
significados, dificultando sua identificação correta. Nas ciências biológicas 
começaram esforços, a partir do século XVVII, no sentido de se criar uma 
denominação que universalizasse os nomes, usando critérios científicos. 
Surge, no século seguinte a nomenclatura binomial ou nomenclatura binária 
designa o conjunto de normas que regulam a atribuição de nomes científicos às 
espécies de seres vivos. O nome binominal porque cada espécie é 
denominada por duas palavras: o gênero e o epíteto específico, normalmente 
um adjetivo que qualifica género. Tome-se o exemplo do arroz que recebe a 
classificação de Oryza sativa L. Entendendo como se compõe a classificação: 
Oryza – nome dado ao gênero; sativa a espécie deste gênero. Utilizaram-se 
latim e grego para designar os nomes em sistemática. Na tradução literal, 
significa arroz cultivado. Assim, tem-se Oryza, gênero, que neste caso, em 
latim, é feminino. A espécie sofre a flexão de gênero e recebe o nome de sativa 
(cultivada). O exemplo de uso do masculino vem de Pisum sativum L. Pisum, 
gênero, significando ervilha, enquanto sativum (cultivado) flexiona com o 
gênero. Oberve-se que os nomes sào grafados em itálico e depois do nome 
binomial, aparece o nome de quem classificou. Seguem outros exemplos para 
ilustrar: Phaseolus vulgaris L. (significando feijão comum ou popular). O L. é a 
abreviatura de Linaeus ou Lineu. Manihot esculenta Crantz. é binômio de 
gênero e espécie para mandioca, significando mandioca comestível. Crantz, 
depois do nome se refere a Heinrich Johann Nepomuk von Crantz, taxonomista 
do século XVIII. 
Com estes exemplos e definições, objetivamos demonstrar que a 
nomenclatura binomial se tornou referência para a classificação científica das 
plantas inicialmente e de todos os seres vivos sendo regulada pelos códigos 
específicos da nomenclatura botânica, zoológica e bacteriológica. Foi 
primeiramente proposta pelo naturalista suíço Gaspard Bauhin, no século XVII 
e formalizada por Carl Von Linné no século seguinte. Os nomes utilizados são 
em latim, ou numa versão latinizada da palavra ou das palavras que se 
pretende utilizar. O nome genérico e o epíteto específico são escritos em tipo 
 Página 31 
 
itálico, ou, alternativamente, ser sublinhados, seguidos pelo autor ou autores da 
descrição. 
Embora no âmbito do esforço de unificação da nomenclatura biológica os 
conceitos tenham sido fundidos, tendo hoje o mesmo significado, 
tradicionalmente, no campo da zoologia, o conceito é referido como 
"nomenclatura binominal", enquanto que, no campo da botânica, da micologia e 
da bacteriologia, o conceito é, geralmente, apelidado "nomenclatura binária" 
ou, por vezes, "nomenclatura binomial". 
Como exemplos de micro-organismo, temos o fungo Cercospora sojina 
Hara ou mancha olho-de-rã, que causa doença em soja. Cercospora vem do 
grego kerkos (Κέρκος), cauda e spório (σπόριο). Portanto, esporo com cauda e 
soutzína (σουτζίνα) da soja. Hara foi o micologista Kanesuke Hara quem 
classificou o patógeno (causador de doença). Dentre as bactérias patogênicas 
tem-se Xanthomonas albilieans (Ashby) Dowson em cana-de-açucar, do grego, 
xanthos = amarelo; monas = unidade ou ξανθόμων; albilineans do latim = 
linhas brancas. A taxonomia foi primeiramente definida por Ashby e depois por 
Dowson. 
A nomenclatura binomial é o método universalmente aceito para a 
atribuição do nome científico a espécies (com excepção dos vírus). Como o 
termo "binomial" sugere, o nome científico de uma espécie é formado pela 
combinação de dois termos: o nome do género e o descritor específico. Apesar 
de alguns pormenores diferirem consoante o campo da biologia em que a 
espécie se insere, os traços determinantes do sistema são comuns e 
universalmente adaptados: 
As espécies são identificadas por um nome composto por dois nomes: um 
nome genérico e um descritor específico. Nenhum outro taxon pode ter nomes 
compostos por mais de um complemento. 
As subespécies têm um nome composto por três nomes, ou seja, um 
trinome, colocados pela seguinte ordem: nome genérico, descritor específico e 
descritor subespecífico. Exemplos: Rhea americana alba, onde alba é a 
subespécie; Canis lúpus (lobo), recebe o nome trinomial de Canis lupus 
familiaris, ou cão doméstico; Equus asinus var. catalana é o nome do jumento 
da Catalunha, Espanha. 
Todos os taxa hierarquicamente superiores à espécie tem nomes 
compostos por uma única palavra, ou seja, um "nome uninominal". 
O primeiro termo, o nome genérico é sempre escrito começando por uma 
maiúscula, enquanto o descritor específico (em zoologia, o nome específico, 
em botânica o epíteto específico) nunca começa por uma maiúscula, mesmo 
quando seja derivado de um nome próprio ou de uma designação geográfica. 
:Nestes casos, Carolus Linnaeus usava maiúscula no descritor específico, 
sendo prática comum até princípios do século XX capitalizar o descritor 
específico se este derivassede um nome próprio. 
 
 
 Página 32 
 
 
Figura 12 Fac-símile de Species Plantarum e Sistema Naturae, livros 
publicados pelo taxonomista Caroli Linnaei (Carl Nilsson Linnæus) no 
século XVIII. 
 
 
Relações Atmosféricas, Radiação Solar e a Vida no Planeta Terra 
 
 Radiação solar, ou energia radiante emitida pelo Sol, é a transmitida por 
ondas eletromagnéticas. Aproximadamente, metade desta energia é emitida 
como luz visível na parte de frequência mais alta do espectro eletromagnético e 
o restante na do infravermelho próximo e como radiação ultravioleta. A 
radiação solar fornece anualmente para a atmosfera terrestre 1,5 x 1018 kWh 
de energia. Esta, além de suportar a vasta maioria das cadeias tróficas ou 
alimentares, tem sustentado a vida na Terra, sendo a principal responsável 
pela dinâmica da atmosfera terrestre e pelas características climáticas do 
planeta. 
 
 Densidade Média do Fluxo Energético 
 
A densidade média do fluxo energético proveniente da radiação solar é 
de 1.367 W/m2, quando medida num plano perpendicular à direção da 
propagação dos raios solares no topo da atmosfera terrestre. O valor médio, ou 
constante solar, foi adotado como padrão pela Organização Meteorológica 
Mundial. Mesmo assim, flutua durante o dia e cada dia, além de variar com a 
constante alteração da distância da Terra ao Sol, consequência da forma 
elíptica da órbita terrestre e das alterações na superfície do Sol (cromosfera e 
 Página 33 
 
coroa solar). Ali surgem pontos mais aquecidos e frios em constante mutação, 
associadas a erupções cromosféricas e outros fenómenos que se traduzem na 
formação das manchas solares e na complexa dinâmica dos ciclos solares. 
A Terra recebe energia que é determinada pela projeção da sua 
superfície sobre um plano perpendicular à propagação da radiação (π R2, onde 
R é o raio da Terra). Como o planeta roda em torno do seu eixo, esta energia é 
distribuída, embora de forma desigual, sobre toda a sua superfície (4 π R2). Daí 
a radiação solar média recebida sobre a terra, ou insolação, corresponde a 342 
W/m2, a quarta parte da constante solar. O valor real recebido à superfície 
terrestre depende da latitude e da época do ano (em função da posição da 
Terra ao longo da eclíptica), do estado de transparência da atmosfera sobre o 
lugar, em particular da nebulosidade. Na atualidade, a radiação solar se mede 
com radiómetros que registam a composição espectral e a energia recebida. 
 
Composição Espectral 
 
 Espectro da irradiância solar acima da atmosfera (azul) e à superfície 
terrestre (amarelo). 
A radiação solar que atinge o topo da atmosfera terrestre provém da região da 
fotosfera solar, uma camada ténue de plasma com aproximadamente 300 km 
de espessura e com uma temperatura superficial da ordem de 5 800 K (5800 K 
− 273,15 = 5526,85 °C). 
 A dependência entre composição espectral e temperatura faz com que o 
espectro da luz solar corresponda, aproximadamente, ao de um corpo negro 
aquecido a cerca de 6 000 K. Mesmo assim, apresenta assimetria resultante da 
maior absorção da radiação de comprimento de onda mais curto pelas 
camadas exteriores do Sol. 
 Em termos de comprimentos de onda, a radiação solar ocupa a faixa 
espectral de 100 nm a 3.000 nm (3 μm), tendo uma máxima densidade 
espectral em torno dos 550 nm, comprimento de onda que corresponde 
sensivelmente à luz verde amarelada, A parte mais alongada do espectro, tem 
a sua máxima intensidade na banda dos infravermelhos próximos, decaindo 
lentamente com a diminuição da frequência. Quanto à radiação mais 
energética, isto é, ondas de comprimento curto, apesar da maior parte ser 
absorvida pela atmosfera, a radiação ultravioleta (UV) é suficiente efeitos 
danosos sobre os seres humanos. 
Plantas são submetidas a luz solar durante o dia, expostas à radiação. 
Os raios UV causam danos, porém elas possuem um forte mecanismo de 
proteção. Na verdade, elas utilizam um que os humanos também usam, mas 
de forma bem mais eficaz, e foi isso que um novo estudo publicado na revista 
Nature Communications mostrou. O mecanismo funciona assim: o DNA é 
formado por duas fitas (hélices, no nome “científico”) que formam uma espécie 
de espiral. Quando esse DNA é danificado pelos UV, proteínas responsáveis 
pelo conserto a trocam por uma nova. Esse processo é chamado de reparo por 
 Página 34 
 
excisão (remoção) de nucleotídeo — que são as unidades do DNA formada 
pelas bases adenina (A), guanina (G), citosina (C) e timina (T). Esse processo 
é chamado de reparo por excisão (remoção) de bases ou nucleotídeos 
 
 Interação com a Terra 
 
A energia solar incidente sobre a atmosfera e a superfície terrestre 
segue um de três destinos: ser refletida, absorvida ou transmitida. Parte 
substancial da energia recebida sobre a superfície terrestre é reenviada para o 
espaço sob a forma de energia refletida. Nuvens, massas de gelo, neve e a 
superfície terrestre atuam como refletores, reenviando para o espaço entre 30 
e 40% da radiação recebida (enquanto a Lua reflete sob a forma de luar 
apenas 7 a 12% da radiação incidente). A razão entre radiação refletida e 
incidente chama-se albedo. 
 
 Absorção Atmosférica e o Efeito Estufa 
 
Entre a irradiância do Sol medida fora da atmosfera e a energia que 
atinge a superfície da Terra, existem diferenças substanciais resultantes da 
absorção atmosférica. Esta é seletiva, atingindo o seu máximo em torno dos 
pontos centrais dos espectros de absorção dos gases atmosféricos. Considere-
se a elevada absorção do ozónio (O3) atmosférica na banda dos UV e no efeito 
do vapor de água (H2O) e do dióxido de carbono (CO2), estes atuando 
essencialmente sobre os comprimentos de onda maiores. 
A absorção seletiva está na origem do efeito de estufa, devido ao fato da 
radiação terrestre, resultante do retorno da radiação solar ao espaço por via do 
aquecimento da Terra, ser feita essencialmente na banda dos infravermelhos 
longos, para a qual o CO2 tem grande capacidade de absorção. 
A parcela absorvida dá origem, conforme o meio, aos processos de foto 
conversão e termo conversão. Na foto conversão, a energia absorvida é 
remetida, embora em geral com frequência diferente, sendo os novos fótons 
em geral sujeitos a absorções, em efeito cascata, terminando em termo 
conversão - captura de energia e conversão em calor, passando o material 
aquecido a emitir radiação com um espectro correspondente à sua 
temperatura, o que, no caso da Terra, corresponde à radiação infravermelha 
que forma o grosso da radiação terrestre. 
 
 Transmissão da Energia 
De toda a radiação solar que chega às camadas superiores da 
atmosfera, apenas uma fração atinge a superfície terrestre, devido à reflexão e 
absorção dos raios solares pela atmosfera. A fração que atinge o solo é 
constituída por uma componente direta (ou de feixe) e por uma componente 
difusa. Dessas componentes, se a superfície receptora estiver inclinada com 
 Página 35 
 
relação à horizontal, haverá uma terceira componente refletida pelo ambiente 
circundante (nuvens, solo, vegetação, obstáculos, terreno). 
Antes de atingir o solo, as características da radiação solar (intensidade, 
distribuição espectral e angular) são afetadas por interações com a atmosfera 
devido aos efeitos de absorção e espalhamento. Essas modificações são 
dependentes da espessura da camada atmosférica atravessada (a qual 
depende do ângulo de incidência do Sol, variável ao longo do dia). Este efeito é 
em geral medido por um coeficiente designado por Coeficiente de Massa de Ar, 
o qual é complementado por um fator que representa as condições 
atmosféricas e meteorológicas existente no momento. 
 
O Equilíbrio Energético no Planeta 
 
Em valores médios, da radiação solar incidente (sobre o sistema 
Terra/atmosfera), tem-se que: 
 
* 19 % são perdidos por absorção pelas moléculas de oxigénio e ozónio da 
radiação ultravioleta (dealta energia) na estratosfera (onde a temperatura 
cresce com a altitude); 
* 6% são perdidos por difusão da luz solar de menor comprimento de onda, 
azul e violeta, explicando a cor azul que se vê no céu. 
* 24% são perdidos por reflexão - 20% nas nuvens e 4% na superfície. (O 
albedo do planeta é de 30% (6% difusão+24% reflexão); 
* 51% sãos absorvida pela superfície. Os valores apresentados representam a 
média. Nos polos (norte e sul terrestres) a reflexão da radiação solar incidente 
é geralmente maior do que 24% e nos oceanos é menor do esse valor. 
A energia radiada pela superfície da Terra, em raios infravermelhos, 
corresponde a cerca de 117% do total de radiação solar incidente (sobre o 
sistema Terra/atmosfera). Dessa energia, apenas 6% é emitida diretamente 
para o espaço (emissão terrestre) e 111% é absorvida pelos gases de estufa 
da atmosfera, que reemite depois, de volta para a superfície, uma energia 
correspondendo a 96% da radiação solar incidente. Finalmente, a energia de 
64% da radiação solar incidente é emitida pela atmosfera para o espaço 
(emissão atmosférica). Estes números traduzem o equilíbrio no sistema 
Terra/atmosfera: a radiação emitida para o espaço é igual à radiação solar 
incidente [24% (reflexão) + 6% (difusão) + 64% (emissão atmosférica) + 6% 
(emissão terrestre) = 100%]. 
No entanto, em média, a superfície absorve mais radiação da que emite 
e a atmosfera radia mais energia do que a que absorve. Em ambos os casos, o 
excedente de energia é de cerca de 30% da radiação solar incidente no 
sistema Terra/atmosfera: a) superfície - energia absorvida: 147% (51% do Sol 
+ 96% da atmosfera); energia emitida: 117%; b) atmosfera - energia absorvida: 
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130% (19% ultravioleta. + 111% emissão terrestre); emitida: 160% (64% para o 
espaço + 96% para a superfície). 
A partir desta constatação se concluiria, que a superfície aqueça e a 
atmosfera arrefeça. Isso não acontece porque existem outros meios de 
transferência de energia da superfície para a atmosfera que representam, no 
seu conjunto, uma transferência líquida de 30% do total de radiação solar 
incidente que equilibra o cômputo de energia no planeta. 
O ar quente que se eleva a partir da superfície transfere calor para a 
atmosfera. Essa transferência de calor (o fluxo de calor sensível) corresponde 
a um valor de energia que é 7% do total de radiação solar incidente. 
A evaporação da água na superfície do planeta corresponde a uma 
extração de calor que acaba por ser liberado durante o processo de 
condensação na atmosfera (que dá origem à formação das nuvens). Essa 
transferência de calor (o fluxo de calor latente) corresponde a um valor de 
energia que é 23% do total de radiação solar incidente. 
 
 
Figura 13. Radiação solar incidente e relações com a atmosfera, a 
superfícies terrestre, a refletida para o espaço e a retida na atmosfera, 
(infravermelha e ultravioleta) que eleva a temperatura e gera efeito estufa. 
 
 
Mudanças Climáticas, Ambientais e Impacto Global 
Mudanças climáticas, alterando a composição da atmosfera, têm afetado o 
clima em escala global, e regional durante a existência do Planeta Terra. Os 
fatores de aferição são: temperatura, precipitação, nebulosidade, ventos e 
outros, podendo ter causas naturais ou antropogênicas. Estas últimas 
constituem evento recente, se intensificando no último século. 
 Página 37 
 
As causas naturais correspondem ao ciclo solar, variação orbital, deriva dos 
continentes, efeitos el Niño e la Niña relacionados a correntes oceânicas, 
influenciando esfriamento e aquecimento globais causando glaciações e o 
derretimento do gelo em geleiras e nos polos. Enquanto o vulcanismo, menos 
intenso na atualidade, em termos geológicos, pode também exercer influência 
sobre o clima. Um exemplo de história recente, ocorrido em 1887, foi a erupção 
do vulcão Cracatoa, situado em ilha da Indonésia próximo a Java. A atividade 
foi tão intensa, lançando cinza na atmosfera, visível em várias partes da Terra. 
Naquele período não foi possível determinar os seus efeitos sobre o clima, algo 
que acabou passando despercebido. 
As causas antropogênicas são ligadas ao ser humano ou à atividade 
humana: aumento de poluição e queimadas: emissão de gases de efeito estufa 
por vários meios, entre eles, o mais importante tem sido a queima de 
combustíveis fósseis. O efeito estufa é consequência da absorção das 
radiações ultravioleta e infravermelha pelos gases da atmosfera terrestre, 
fazendo com que o planeta se aqueça. Regula a temperatura e permite a 
proliferação da vida; sem esse fenômeno não haveria vida na Terra. Entretanto, 
quando a proporção desses gases é < 1%, na composição da atmosfera, 
rompe-se o equilíbrio entre energia que entra e a que sai, causando aumento 
da temperatura. 
 
Relações entre Atmosfera Terrestre e Radiação Solar 
Como foi visto, a radiação incidente chega à superfície da Terra e depois, 
parte dela transformada em calor, retorna ao espaço. A atmosfera atua como 
regulador da temperatura na superfície do planeta. Sem atmosfera a superfície 
de nosso planeta seria comparável ao que ocorre na Lua ou, em menor escala, 
nos desertos – durante o dia a temperatura aumenta e à noite baixa a níveis 
inferiores a zero grau 0C. A presença de gases e de água na atmosfera 
contribui para regular as variações em temperatura. 
O interessante a se ressaltar é que a atmosfera se compõe de 78 % de 
nitrogênio, 21 % de oxigênio, 0,0385 % de CO2, 0,9 % de Argônio e 0,0615 % 
dos demais gases. Portanto, a título de curiosidade, quando respiramos, o 
nitrogênio entra e sai de nossos pulmões em grande quantidade; do ar 
retiramos apenas o oxigênio que é devolvido ao espaço combinado com 
carbono (CO2). Ainda que, a proporção de CO2 na atmosfera seja 
extremamente baixa, apresenta elevado poder de causar impacto negativo, 
caso continue a aumentar. 
 
Atividade Humana e Alterações Atmosféricas 
A atividade humana, com base em sua matriz energética, tem contribuído 
para um aumento crescente da temperatura global. Com a intensificação do 
uso de combustíveis fósseis (carvão e petróleo), a partir do século XIX, a 
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emissão de gases tem aumentado, alterando a composição da atmosfera. O 
impacto tem sido maior por aumento nas emissões de CO2, porém outros 
gases se somam, causando o efeito estufa. O efeito estufa corresponde às 
alterações no comportamento da luz incidente que chega ao planeta Terra, 
proveniente do sol. Parte da radiação que refletiria de volta ao espaço, se 
difunde pela atmosfera, aquecendo-a. 
Desde fins do século XIX e início do XX, a principal matriz energética tem 
continuado no uso de combustíveis fósseis, verificando-se relação da 
temperatura com aumento significativo na quantidade de poluentes na 
atmosfera. Dentre estes se destacam o dióxido de carbono (CO2), Metano 
(CH4) e os óxidos de nitrogênio (NOx). A maior parte das emissões de CO2 é 
proveniente dos combustíveis fósseis, respondendo por cerca de 80 % do 
aquecimento global. Entretanto, as emissões de metano (CH4) e óxido nitroso 
(NO2) são provenientes do aumento gradual da temperatura e de atividade 
agrícola. 
As principais fontes de metano são: emanação de vulcões; de lama e falhas 
geológicas; decomposição de resíduos orgânicos; fontes naturais (pântanos); 
extração de combustível mineral; digestão de animais herbívoros – “arroto do 
boi”; ação de bactérias; aquecimento ou combustão de biomassa anaeróbica. 
O Brasil, com o maior rebanho bovino do mundo, seria um poluidor em 
escala. Contudo, é necessário levar em conta o balanço entre o que é emitido e 
o imobilizado, no caso o corpo do animal. Esse balanço é importante, como se 
verá em seguida, pois a agropecuária tem sido algumas vezes apontada como 
vilã, contribuindo para aumentar a emissão de gases de efeito estufa. Por 
outro lado, como consequência do aquecimento, regiões imensasem áreas de 
clima temperado sofrem com o degelo. Assim, lagos e pântanos passam a 
liberar metano, antes imobilizado no gelo. No hemisfério norte, acima do círculo 
polar ártico, isto tem se evidenciado no degelo da camada abaixo da superfície, 
atingindo o pergelissolo (permafrost, em ingês). Portanto, o aquecimento global 
contribui para se intensificarem as emissões, como reação em cadeia. 
Quanto ao óxido nitroso (N2O) há uma ligação entre ele e o uso de 
fertilizantes nitrogenados. Em 1950 eram utilizados 3 106 t no mundo; hoje a 
proporção é maior do que 50 106 t. Quanto ao potencial de causar o efeito 
estufa, uma molécula de N2O equivale a 250 moléculas de CO2. Na conversão 
de florestas em pastagens – emissão de CO2 (fogo e não assimilação daquele 
existente) há aumento na disponibilidade imediata de N (mineralização pelo 
fogo), com liberação significativa de N2O. A atividade agropecuária que se 
estabelece, a partir da abertura de novas áreas nos biomas pode e deve ser 
conduzida para integrar a tecnologia existente e levar a um balanço positivo. 
Este tem sido o foco da nova agropecuária, tema que será desenvolvido ao 
longo do curso de agronomia. 
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 Consequências das Emissões de Gases 
 Com o aumento da temperatura pela absorção da energia solar na 
atmosfera alterada por gases de efeito estufa, há o derretimento da calota 
polar, de geleiras, além do pergelissolo, elevando o nível dos oceanos. Os 
desertos tendem a aumentar, por irregularidades cada vez maiores na 
distribuição das chuvas. Em consequência, muitos países com baixas altitudes 
e extensos litorais perderão parte de seu território e os situados em regiões 
semiáridas terão a produção de alimentos inviabilizada. A produção 
agropecuária, dependente da distribuição de chuvas ficará mais ameaçada, por 
aumento nas inconstâncias climáticas. Comprometendo-se a produção 
agropecuária, crescerá a degeneração a condição de vida e, no final, se as 
alterações atmosféricas intensificarem, todos os humanos sucumbirão. 
 Observações têm demonstrado que geleiras diminuem enquanto os 
desertos aumentam. O próprio desbalanceamento atmosférico, contribui para 
gerar instabilidades, alterando movimento de ventos e influenciando variações 
climáticas. Explicitamente, os eventos ocorrem em cadeia, de forma 
interdependente. 
Safras agrícolas têm sido reduzidas por secas prolongadas ou excesso de 
chuvas em períodos de colheita. Com a perda da produção, os alimentos e 
matérias primas gerados pela agricultura escasseiam e há um aumento nos 
preços, comprometendo o acesso a parcela considerável da população com 
menor poder aquisitivo. As crises de abastecimento e fome tenderão a crescer, 
ainda que no presente não sejam notórias em nível global. 
 
Evidências de Mudanças 
 Aferições sobre variações no clima tem indicado aumento na 
temperatura média, diminuição no número de dias com geada em todos 
continentes, secas e chuvas em proporções maiores do que o previsto em 
ambientes diferentes e aumento de 12 a 22 cm no nível dos oceanos. 
 Ademais, a espessura da camada de gelo no Ártico está 40% mais fina 
nas últimas décadas e tem diminuído a 2,7% por década; a duração do gelo e 
extensão da camada de gelo tem diminuído em algumas regiões. No 
Hemisfério Norte – plantas têm florescido mais cedo, aves migratórias chegam 
antes e o acasalamento se antecipa; insetos aparecem mais cedo e têm um 
período mais longo para se multiplicar. Secas e aumento de temperatura no 
verão têm causado queimadas na Sibéria (Círculo Polar Ártico). Nos oceanos 
tem ocorrido o branqueamento (morte) de corais. Estes e outros eventos têm 
ocorrido com rapidez jamais vista. 
 
Variações Climáticas, Protocolos e Acordos Internacionais 
Diante de evidências e preocupações crescentes sobre as mudanças 
climáticas e seus impactos, surgiu um tratado internacional em 1997, o 
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Protocolo de Kyoto, estabelecendo compromissos para reduzir a emissão dos 
gases de efeito estufa (GEE). Foi aberto para assinatura em 1997 e ratificado 
em 1999, por 55% dos países que produzem 55% das emissões. Entrou em 
vigor a partir de 16/02/2005. O protocolo estabelece calendário para reduzir 
emissões por países-membros (desenvolvidos) em pelo menos 5,2%, relativos 
aos níveis de 1990, entre 2008 e 2012. 
Entretanto, as metas de redução não têm sido homogêneas entre países. 
Mais recentemente, surgiu o acordo de Paris, um tratado no âmbito da 
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima 
(CQNUMC), que rege medidas de redução de emissão de gases estufa a partir 
de 2020, a fim de conter o aquecimento global abaixo de 2 ºC, 
preferencialmente em 1,5 ºC, e reforçar a capacidade dos países de responder 
ao desafio, num contexto de desenvolvimento sustentável. 
O acordo foi negociado em Paris e aprovado em 12 de dezembro de 2015, 
acertando comprometimento dos países poluidores, com ações concretas para 
a mudança da matriz energética global. Investimentos em fontes alternativas, 
como energia eólica e solar fotovoltaica. Mesmo diante de evidências, 
demonstradas pela ciência, mais recentemente (2017), Donald Trump, 
presidente dos Estados Unidos da América, decidiu, de forma unilateral e à 
revelia de cientistas, políticos e empresários daquele país, a retirada do acordo 
de Paris. 
Na esfera mundial, o Brasil ocupa a quarta posição entre os países 
poluidores, correspondendo à terça parte gerada pelos Estados Unidos da 
América, maior poluidor que responde por mais de 15 % das emissões de 
gases de efeito estufa, com população total que representa 4% da população 
global 
No Brasil, as emissões são relacionadas às queimadas, frequentes na 
época da seca nas regiões Centro-Oeste e Norte. Isto se pode evitar e reduzir, 
diferente do que ocorre em países como Estados Unidos, China e Indonésia, 
onde a as emissões por queima de combustíveis fósseis na indústria e nos 
veículos automotores é grande poluidora e requer maior tempo para 
adequações. Mais recentemente, a China com seu espetacular crescimento 
econômico, tem sido responsável pelo aumento nas emissões, pois, igualmente 
aos demais, emite gases queimando combustível fóssil: petróleo e carvão. 
Ações para Reverter o Problema 
Em decorrência, das tendências de aumento da temperatura, surgiu o 
Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (International Panel for Climate 
Change - IPCC). O IPCC foi estabelecido em 1988 pela Organização 
Meteorológica Mundial (OMM) e o Programa das Nações Unidas para o Meio 
Ambiente (PNUMA). É um órgão intergovernamental aberto para os países 
membros do PNUMA e da OMM. 
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 Esse painel tem como propósitos avaliar as mudanças na composição da 
atmosfera e alterações no clima terrestre; propor soluções de mitigação do 
efeito estufa causado pela atividade humana; e projetar cenários sobre o que 
pode ocorrer na Terra. O IPCC apresenta três grupos de trabalho: o GT1 
recupera a informação científica a respeito da mudança do clima; o GT2 avalia 
os impactos ambientais e socioeconômicos da mudança do clima; o GT3 
formula estratégias de resposta às MCG (adaptação e mitigação – atenuação). 
Como consequência das emissões de gases, tem-se associado mudança 
na composição da atmosfera com o aumento da temperatura média global, 
chegando a 0,74 0C nos últimos 100 anos. No quarto relatório do IPCC, projeta-
se um aumento da temperatura média global entre 1,8 e 4,0 0C nos próximos 
100 anos, se nada for feito. 
Ações para contornar o problema do aquecimento global, requerem 
investimento em pesquisa nas áreas prioritárias de melhoramento genético das 
culturas para resistência à seca; seleção de plantas tolerantes ou resistentes a 
pragas e doenças que devem intensificar com o aumento da temperatura e de 
irregularidades nas precipitações pluviométricas (chuvas). 
As emissões têm de ser reduzidas, seguindo um planejamento global,mitigando a intensificações das irregularidades climáticas. Deve crescer a 
busca por crédito de carbono, quando se estabelecem reservas ou plantios 
florestais. Países poluidores negociam com outros menos desenvolvidos e com 
potencial agropecuário para se estabelecerem áreas em que florestas ou 
outros cultivos permanentes sequestram carbono do ar, imobilizado na 
biomassa vegetal. 
Por outro lado, deve intensificar a busca por mudanças na matriz energética 
– uso de energia eólica (aproveitando o movimento do vento) e solar. As 
emissões de metano devem ser o foco de pesquisa, buscando formas de 
reduzir as emissões pelos seres vivos (ruminantes) e por áreas naturais que 
passam por degelo, por exemplo. O sequestro de carbono (C), fixando o 
elemento na biomassa deve contribuir para reduzir a proporção de gás 
carbônico entre os gases atmosféricos. 
Assim, as florestas e outras formas de agricultura que permitam sua 
imobilização na biomassa devem intensificar. Por último, deve-se buscar o 
desenvolvimento de agricultura em sistemas integrados que permitam 
sequestrar grandes quantidades de carbono que é retirado da atmosfera. Em 
essência, busca-se, via aproveitamento da energia solar incidente e a 
capacidade das plantas de realizar fotossíntese, retirar carbono da atmosfera, 
compensado pelas emissões por queima de combustível fóssil. 
Portanto, a agricultura deverá desempenhar papel preponderante no 
balanço energético e nas emissões de gases de efeito estufa. Neste sentido o 
Brasil, por seu potencial agrícola e pecuário deverá se destacar, tornando-se 
referência mundial. Aos futuros agrônomos existe a oportunidade de contribuir 
com tecnologia que leve ao equilíbrio, minimizando os efeitos causados pela 
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atividade humana, oferecendo serviços vitais à sobrevivência humana, 
salvando o planeta Terra. 
Cenários 
 O IPCC tem projetado cenários sobre o que pode ocorrer por 
interferência das ações humanas. O cenário mais pessimista prevê um mundo 
em constante crescimento populacional e aumento nas emissões de gases de 
efeito estufa. Em geral, a matriz energética continuará baseada nos 
combustíveis fósseis. As tecnologias para minorar as emissões são de 
desenvolvimento lento e a temperatura deve elevar-se em 5,4º C até 2100. 
No cenário menos pessimista, a população aumenta em um ritmo menor e 
as mudanças tecnológicas ocorrem em um ritmo acelerado, com diversificação 
de sistemas produtivos vegetais e animais, diminuindo as emissões. A 
temperatura pode elevar-se em até 3,8º C. Mesmo diante dessa menor 
mudança, os efeitos se prolongarão. Ou seja, se não houvesse mais emissão 
por ação humana, os gases ainda permaneceriam um longo tempo na 
atmosfera. Esse é o dilema, pois ações encetadas na atualidade apenas 
produzirão efeito em médio a longo prazo. 
Implicações das ações humanas alterando a composição da atmosfera: o 
clima vai se tornar cada vez mais imprevisível, como períodos de seca 
alternados por excesso de chuvas. As safras poderão se perder ou por falta ou 
por elevada umidade. Isto leva à maior incidência de pragas e doenças, pois as 
plantas ficarão mais frágeis e suscetíveis. A consequência direta sobre os 
animais domésticos será evidente, principalmente na produção de suínos e 
aves, que, em consequência terão os custos de produção elevados, limitando o 
consumo por preços igualmente elevados. 
Com as safras frustradas ou rendendo menos, o agricultor se vê ameaçado, 
diminuindo sua receita líquida (lucro=receita bruta-custos para produzir) e 
aumentando epidemias por problemas de sanidade vegetal e animal. Os 
produtos, para melhor remunerar produtores, compensando por azares 
climáticos, terão de ser comercializados com preços maiores. Ademais, a 
qualidade se restringirá por efeito de resíduos de agrotóxicos. Assim, por 
último, se pagará mais por produtos da agricultura e pecuária que nem sempre 
atenderão os padrões de qualidade exigidos. Além de mais caros os produtos 
contendo resíduos de agrotóxicos colocarão a saúde humana em risco. Tem-
se, desta forma, outra relação de causa e consequência: produtos mais caros, 
com menor qualidade, ameaçado a saúde. Daí, maiores problemas sanitários e 
sociais resultarão, como reação em cadeia. 
Menciona-se ainda que os níveis dos oceanos subirão, inundando áreas 
costeiras imensas. Por outro lado, o aumento da temperatura trará como 
consequência a perda de espécies marítimas e fluviais, as quais podem 
desmontar as cadeias alimentares, limitando a sobrevivência de espécies 
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utilizadas como alimento pelo ser humano. De novo, a reação em cadeia, 
ameaçará o equilíbrio entre as formas de vida. 
Aquecimento Global e a Teoria de Gaia 
A teoria de Gaia seria confirmada. Estaríamos testando a sua hipótese? A 
Teoria de Gaia foi criada pelo cientista e ambientalista inglês James Ephraim 
Lovelock, no ano de 1969. Contou com os estudos da bióloga norte-americana 
Lynn Margulis. O nome da teoria é uma homenagem à deusa Gaia, divindade 
que representava a Terra na mitologia grega. O autor formulou a hipótese de 
que a Terra seja um imenso organismo, com as partes interdependentes. 
A princípio a teoria não conseguiu impressionar cientistas tradicionais, 
sendo aceita, inicialmente, por ambientalistas e defensores da ecologia. Porém, 
atualmente, com o problema do aquecimento global, se aceitam partes dessa 
teoria. Ou seja, o Planeta Terra se apresenta como um grande organismo. Não 
há fatos isolados, pois se uma parte é atingida, o todo sofre alteração. De 
acordo com esta teoria, nosso planeta possui a capacidade de se sustentar. Ou 
seja, gerar, manter e alterar suas condições ambientais. 
Mas, o ajustamento ocorre em novos patamares, diferentes dos que 
existem em um dado momento. Certamente, a teoria incorpora o conceito de 
cadeias alimentares. Portanto, a extinção de espécies pode acarretar perdas 
de outras delas dependentes e assim sucessivamente, até se atingir um novo 
ponto de equilíbrio. Como seres vivos e tendo, por nossa própria inteligência, 
capacidade de interferir em Gaia, estamos à mercê das forças reguladoras que 
em seu novo patamar podem excluir os agentes perturbadores – seres 
humanos. Recomenda-se a leitura de textos sobre o tema, assim como os que 
se contrapõem à teoria. Compreender os efeitos da ação humana sobre o 
planeta nos prepara para o exercício da profissão de engenheiro agrônomo em 
tempos de mudanças. Assim, como em informação, os eventos evoluem com 
rapidez e as alterações que causamos poderão acelerar as ameaças à 
sobrevivência. 
Sistemas de Preparo do Solo 
No cultivo convencional, com revolvimento do solo e preparo para a 
semeadura, evoluindo desde a pré-história, a agricultura tem se praticado da 
seguinte forma: ara-se e gradeia-se o solo, tornando-o poroso e leve (fofo) para 
a semeadura. O conceito desenvolvido ao longo do tempo é de que a semente 
e a planta que dela se origina precisam de solo sem obstáculo físico para o 
crescimento de raízes. Esta prática se estendeu ao mundo agrícola, em várias 
partes do planeta, independentemente de tipo de solo e clima. Desta forma, 
nas regiões temperadas e nos trópicos se exercitou o preparo do solo de 
diversas formas. 
Nos trópicos, com elevadas temperaturas e chuvas por vezes torrenciais, as 
ameaças decorrentes do preparo do solo têm atingido níveis preocupantes. 
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Erosões, com perdas de solo e, consequentemente, corretivos e fertilizantes 
têm sido causa de declínio de áreas produtivas, além de causar assoreamento 
e eutrofia (em grego eutrophía ευτροφία=bem nutrido ou enriquecido de 
nutrientes) em corpos d’água, como rios e lagos, alterando as condições de 
vida aquática. 
O grande desafio no manejo dos solos em agricultura tropical é como 
conservá-los, impedindo que haja erosão e lavagem superficial. Estes estão 
por sua vez relacionados à forma de trabalhar o solo.Com operações 
repetitivas, compacta-se a camada abaixo da superficial (pé-de-grade, ou pé-
de-arado), criando oportunidade a processos erosivos do solo. Além do mais, a 
compactação, torna o solo menos poroso, diminuindo a capacidade de 
infiltração e de armazenamento de água, impedindo as raízes das plantas de 
se desenvolverem em profundidade. 
Esse cenário marcou o inicio da agricultura de escala no Cerrado. Áreas 
grandes, período curto para realizar preparo do solo e plantio levou a desastres 
iniciais, com grande perda de solos e dos meios de produção. 
Como avanço da tecnologia de manejo do solo tem-se o plantio direto. 
Evento moderno, que vem se aperfeiçoando desde sua adoção e difusão nos 
últimos 30 anos e, mais recentemente, a integração lavoura-pecuária. 
 
Diversidade e Agricultura 
O fim do Holoceno, a era geológica que precedeu o presente, há cerca de 
12.000 anos, culmina com o término da última grande glaciação (era do gelo) 
do planeta. Grandes áreas, antes cobertas por gelo, passaram ao domínio de 
plantas e animais que se multiplicaram – uma verdadeira explosão de 
diversidade surgiu nessa colonização de novas áreas. Daí, nas diversas partes 
de nosso planeta, iniciou-se a interferência humana sobre as plantas e os 
animais, domesticando-os. Acumularam-se variedades de animais e plantas 
selecionados a partir das espécies, desenvolvendo-se cultivos que atendiam a 
demanda de comunidades rurais, com excedentes que eram comercializados 
ou armazenados. Com a evolução do cultivo, também surgem os implementos 
para preparar a terra, como o arado. 
 
Figura 14. Populações humanas convivendo e aproveitando a diversidade 
de plantas e animais na pré-história. 
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A agricultura surgiu com a domesticação de plantas e, com ela, o cultivo 
- preparo do solo antes da semeadura. Desde a antiguidade, os seres humanos 
desenvolveram o conceito de que a germinação das sementes deitadas ao solo 
e a emergência das plântulas seriam mais eficientes se o solo estivesse 
preparado. Assim, como visto, o solo fofo, por interferência mecânica na sua 
estrutura e textura passou a ser prática na agricultura mundial, gerando 
tradições específicas de cada cultivo e povo. 
Os indícios são de que o arado tenha surgido concomitante à agricultura 
e domesticação de plantas, ou seja, há cerca de 10.000-12.000 anos. Os locais 
prováveis foram os grandes rios como no Tigre e Eufrates (Mesopotâmia, hoje 
Iraque), China (Yang Tse, ou Rio Amarelo) e Índia e Paquistão (rios Ganges e 
Indus). Do Oriente, chegou à Europa e Norte da África (Egito). 
 Inicialmente o arado foi composto alavanca terminada por madeira com 
ponta que servia para romper o solo. Esse instrumento foi descrito pelos 
antigos egípcios em suas ilustrações há mais de 3.000 anos. 
 
 
Figura 15. Arado de alavanca tracionado por boi e utilizado pelos 
egípcios, há cerca de 3.000 anos. 
 Depois se incorporou metal e sofreu ajustes até chegar à forma como 
se conhece. A forma mais comum por séculos foi o de tombamento ou inversão 
das camadas ou leivas do solo, também chamado arado de aiveca. Composto 
por uma lâmina cortante e inclinada teve, por muito tempo, tração animal. 
 
 
Figura 16. Arado de aiveca com tração por cavalos. 
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 Em seguida tendo evoluindo para tração por máquinas desenvolvidas 
pelo ser humano, os tratores, o seu uso se intensificou a partir da Revolução 
Industrial entre os séculos XVIII e XIX. A força ou potência dos primeiros 
tratores era consideravelmente menor do que os atuais e o volume das 
mesmas maior. Eram tratores movidos a vapor, de combustão externa. 
Somente no final do século XIX surgem os primeiros tratores com motor de 
combustão interna, A capacidade de trabalho aumentou consideravelmente 
com a incorporação de novos arados, como os de disco rotativo 
 
 
Figura 17. Arado de disco rotativo e de aiveca tracionados a trator. 
Na América Pré-Colombiana sugiram outros instrumentos como a 
chaquitaclla, desenvolvida pelos incas, como arado de pé, em forma de 
alavanca. Os incas não conheceram a tração animal, mas chegaram à idade do 
bronze, do qual eram feitas suas ferramentas. 
 
 
Figura 18. Contraste entre chaquitaclla, ferramenta desenvolvida 
pelos incas e grade de disco no preparo do solo. 
O preparo do solo assumiu importância maior em regiões temperadas do 
mundo, onde há inverno rigoroso e o solo permanece coberto por gelo. Na 
primavera, aração, expondo o solo à radiação solar, contribui para o seu 
aquecimento, favorecendo o plantio e a germinação das sementes mais cedo. 
Nessas mesmas regiões, a incorporação ao solo dos resíduos vegetais 
contribui para sua decomposição, transformando em matéria orgânica ativa. 
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Em regiões de tropicais de chuvas intensas os problemas de erosão 
podem se intensificar causando erosão. Esta depende do tipo de solo, do seu 
manejo, do declive, do manejo de planta e cobertura vegetal. No ambiente de 
clima temperado, com alternância entre baixas temperaturas e elevadas 
durantes o ano, os problemas de conservação do solo, demoraram mais tempo 
para se tornarem visíveis, diferente da dinâmica que ocorre nos trópicos. 
Agricultura em Ambiente Tropical – Evolução no Cerrado 
O mesmo procedimento de preparar o solo, que evoluiu e se aperfeiçoou 
com a mecanização dos tempos modernos, foi transferido para as regiões 
tropicais do mundo, entre elas se destaca o Cerrado. Nestes ambientes, as 
características de solo e clima são peculiares, favorecendo a perda de matéria 
orgânica, em função do preparo viciado e repetitivo, como será visto em 
disciplinas específicas durante o curso de agronomia. 
Até os anos 1970, o Cerrado representava uma grande área de savanas, 
com solo ácido e extremamente pobre em nutrientes, sendo utilizado para 
pastejo com gado bovino. Imensas áreas ricas em espécies pouco conhecidas 
e estudadas, incluindo algumas da família Poaceae compondo as pastagens 
nativas, eram queimadas em anos alternados e submetidas ao pastejo na 
rebrota das plantas. Esse procedimento se manteve por cerca de trezentos e 
cinquenta anos em um processo, podendo-se afirmar, semelhante à 
garimpagem. Neste caso garimpagem de nutrientes que eram escassos nos 
solos predominantes. Os latossolos, como são classificados, pobres em 
nutrientes e ácidos, não podem ser cultivados sem aplicação corretivos e 
fertilizantes. 
A região do Cerrado permaneceu esparsamente populada, pois os 
habitantes que lá se estabelecerem foram, inicialmente, garimpeiros de fato, 
em busca de ouro. Cidades como Cuiabá no Mato grosso e Goiás (hoje 
denominada Goiás Velho), surgiram quase na mesma época (início do século 
XVIII, anos 1700). Ficaram por muito tempo ilhadas no interior do bioma 
Cerrado, onde a produção de alimentos se limitava às margens dos rios – 
feijão, mandioca, milho, arroz, batata doce, além da bovinocultura em áreas 
extensas de pastagens naturais, com baixo suprimento de forragem aos 
animais. O sistema era pouco eficiente, daí a baixa população. Em outras 
partes do Brasil os cerrados eram terras sem valor. Em 1970, em aulas de 
introdução à agronomia, se dizia literalmente “há umas terras que não servem 
para nada – só servem para aumentar a distância entre duas cidades: o 
Cerrado. 
 Vale a pena comentar-se que agricultura no Brasil, até o início da 
década de 1970, era praticada em solos naturalmente férteis. O conceito de 
corrigir e fertilizar o solo não se havia desenvolvido. Os biomas em que se 
desenvolveu agropecuária antes desse período compreendiam a Mata 
Atlântica, a Floresta Umbrófila Mista com predominância de pinheiros típicos 
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(Araucaria angustifolia, da família Ariocaraceae) no norte do Paraná, interior de 
São Paulo e Minas Gerais (Serra da Mantiqueira) de outras partes do Brasil. 
 
Figura 19. Paisagem de Cerrado Típico. 
Com o aumento da demanda por alimentose o esgotamento das terras 
naturalmente férteis do Brasil, o Cerrado passou à condição de fronteira 
agrícola brasileira. Nos anos 1960 e 1970, iniciou-se o plantio de pastagens 
artificiais. Áreas de cerrado começaram a ser desmatadas para dar lugar ao 
plantio de arroz. Esse cultivo, arroz de sequeiro dependendo das chuvas, 
atendia a dois propósitos: i) suprir a região e o Brasil do cereal, importado em 
grandes proporções para atender a demanda interna crescente; ii) contribuir na 
formação de pastagem. Surge aí a primeira integração lavoura – pecuária, 
ainda que tivesse baixo índice de tecnologia. O procedimento consistia em 
cultivar arroz por dois a três anos e no último, sementes de arroz eram 
misturadas a sementes de braquiária (Urochloa decumbens, Poaceae). Por 
haver diferença na velocidade de crescimento, o arroz terminava o ciclo em 
tempo de ser colhido, enquanto a pastagem seguia crescendo até estar pronta 
ao pastejo. 
Naquele período, antes do plantio do arroz, depois do desmate, fazia-se 
uma calagem parcial (abaixo do nível recomendado para a produção com 
rendimento econômico de soja e milho) e a adubação, aplicada durante a 
semeadura, visava atender ao rendimento esperado da cultura de arroz, que 
era 1,5 t ha-1. O nível de rendimento era baixo; porém, por haver demanda os 
preços eram atrativos e a atividade lucrativa, além de se incluírem incentivos 
governamentais à produção. Entretanto havia riscos – veranicos (períodos de 
seca em plena estação chuvosa), incidência de doenças. Ambos contribuíam 
para diminuir a qualidade do arroz colhido que, no entanto encontrava 
mercado, dado à escassez. 
A semeadura simultânea de arroz e semente de forrageiras tinha um 
propósito maior – estabelecer pastagem artificial com maior capacidade de 
suporte animal, melhorando os índices zootécnicos e de rendimento obtidos 
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com a queima das pastagens nativas. Assim, o cultivo de arroz era uma forma 
ou um meio de amortizar o custo de implantação de pastagem, objetivo final do 
produtor que, em geral era um pecuarista. 
O procedimento para essa prática se baseava no preparo tradicional do 
solo: aração ou gradagem pesada, seguida por discagens e semeadura. A 
calagem era parcial, pois não havia moinhos de calcário na região, mesmo 
diante de imensas jazidas do mineral nas condições exigidas para a correção 
do solo. 
Nesse cenário se formaram as grandes áreas de pastagem artificial as 
quais, na atualidade, se encontram em alguma fase de degradação, onde a 
principal causa tem sido o esgotamento do solo. Não tem havido reposição de 
nutrientes, reduzindo-se o nível de eficiência dessas pastagens, acrescido da 
proliferação de cupins de montículo. Contudo, esse sistema tem inspirado o 
desenvolvimento da integração lavoura-pecuária com uso de tecnologia 
avançada e criando perspectiva de exploração sustentável. 
Exploração sustentável significa maximizar os retornos financeiros por 
unidade de insumo (por exemplo: calcário, fertilizante, semente) causando o 
menor impacto negativo possível ao ambiente e conservando os meios de 
produção (solo e água). Ademais, são mantidas áreas de Cerrado, gerando a 
agroecologia. Essa é a tendência do futuro. 
 
Figura 20. Área de cultivo (verde claro) no Bioma Cerrado: 
Produção de alimentos com tecnologia e conservação ambiental. 
Consequências do Preparo Contínuo do Solo 
A agricultura no Cerrado se estabeleceu em larga escala, dependente de 
máquinas e implementos para o preparo do solo: tratores com potência para 
tracionar distribuidores de calcário, arados e grades; plantadeiras e 
adubadoras, pulverizadores; colhedoras automotrizes com eficiência de 
colheita. O descompasso entre preparo do solo, semeadura, cultivo e colheita, 
com frequência contribuía para surgirem problemas de erosão. Ou seja, é 
muito mais rápido preparar o solo do que a operação de semeadura. As 
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velocidades e o tempo requerido são diferentes, havendo atrasos por excesso 
de chuva e expondo o solo desnudo e preparado a chuvas causadoras de 
erosão. 
O preparo ocorria quando as chuvas ainda não se intensificavam e em 
velocidade maior do que a de semeadura. Esta se realizava em menor 
velocidade quando o solo se encontrava saturado de umidade e, com 
frequência, havia interrupções devidas às chuvas. Assim, partes da área em 
cultivo ficavam descobertas, ou eram semeadas com atraso. Esse conjunto de 
ações, correndo contra o tempo, resultava desastroso para o sistema produtivo. 
Raramente, se explorava o potencial produtivo das culturas, mesmo em solos 
corrigidos e fertilizados para atender a demanda das plantas, devido ao 
descompasso entre o preparo e a semeadura. 
Entretanto, preparo repetitivo causava zonas de compactação no perfil 
(camadas) do solo, além de sua exposição a elevadas temperaturas na 
entressafra. Esse conjunto de ações tem sido a perda de matéria orgânica e 
atividade química (retenção de cátions), compactação e erosão do solo. As 
plantas cultivadas, com o sistema radicular afetado pela camada compactada, 
apresentavam suscetibilidade à seca, por explorarem reduzidos volumes de 
solo. 
Em resumo: O preparo convencional e repetitivo tem sido a causa da 
menor infiltração de água no solo, devida ao adensamento por pulverização 
das partículas e perda da estrutura e porosidade. O adensamento cria barreira 
física à penetração de raízes das plantas cultivadas e perdas de nutrientes por 
movimento horizontal da água, resultando em erosão. Com erosão, a água que 
escorre causa inundação, contaminando e assoreando (assoreamento= 
deposição de sedimentos) de corpos d’água, reduzindo o fluxo das nascentes e 
causando intermitência de rios. O assoreamento compromete a geração de 
energia e irrigação, além de outros impactos negativos ao ambiente. 
 
Evolução dos Sistemas de Cultivo no Brasil 
Os sistemas de cultivo no Brasil caminharam no sentido de se aprender 
com os erros. Os efeitos do mau preparo, com ações repetitivas, com uso de 
arado e grades, causaram sérios problemas de conservação do solo. 
Desde quando se iniciaram as primeiras experiências, nos anos 1970, o 
plantio direto como opção lógica ao sistema convencional, passou por muitos 
estudos e testes, destacando-se o papel dos produtores pioneiros. Estes 
atuaram em integração tecnológica com órgãos de pesquisa, indústrias de 
insumos e máquinas, assistência técnica oficial e privada e outros serviços 
ligados à agricultura. Esse conjunto de ações permitiu superar de forma 
profícua, dificuldades e construir uma sólida base de conhecimentos e 
referências. 
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A iniciativa em torno do plantio direto, exemplo para os países tropicais de 
todo o mundo, tem refletido na mudança de comportamento dos produtores e 
técnicos na busca da sustentabilidade da agricultura. Resultou maior 
profissionalismo pela incorporação de tecnologias e melhorias gerenciais dos 
fatores e processos de produção. Na atualidade, tem sido reconhecida 
alternativa para que se estabeleçam políticas, favorecendo o desenvolvimento 
ambientalmente sustentável, voltadas para a prosperidade da agricultura, com 
evidentes benefícios para toda a sociedade. 
Destaca-se nesse contexto a expressiva expansão do plantio direto no 
Brasil, evoluindo de cerca de um milhão de hectares com culturas anuais, no 
início da década de 1990, para mais de 12 milhões no ano 2000. Além disso, o 
sistema passou a ser utilizado em todas as culturas perenes, na cana-de-
açúcar, na recuperação de pastagens por meio da rotação entre lavouras e 
pastagens, no reflorestamento, na fruticultura, na olericultura (cultivo de 
hortaliças), constituindo-se em importante alternativa para a economia de 
operações manuais, de tração animal, por tratores ou aéreas. Dessa forma, fica 
evidente a universalidade e abrangência, ensejando sua escolha como o mais 
potente instrumento a ser fomentado no manejoracional das bacias 
hidrográficas. 
Para que essa fantástica expansão pudesse trazer os benefícios 
desejáveis, em um ambiente mais favorável a sua adoção e seu 
aprimoramento, celebraram-se os mais variados compromissos e parcerias, 
conforme os exemplos dos Clubes Amigos da Terra (CATs) e similares 
(cooperativas, associações, fundações, grupos etc.). O objetivo principal 
perseguido é o desenvolvimento de agricultura sustentável, próspera e cada 
vez mais limpa. Abrem-se novas oportunidades de cooperação nas áreas de 
pesquisa, ensino e de melhor equacionamento das pendências existentes no 
agronegócio brasileiro. 
O plantio direto compreende um conjunto de técnicas integradas que visam 
melhorar as condições ambientais (água-solo-clima) para explorar da melhor 
forma possível o potencial genético de produção das culturas (Primavesi, 
2000). Para tanto, deem ser respeitados três requisitos mínimos - não 
revolvimento do solo, rotação de culturas e uso de espécies que deixam 
grandes quantidades de resíduos. Culturas de cobertura do solo, para 
formação de palhada protetora, associam-se ao manejo integrado de pragas, 
doenças e plantas daninhas. 
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Figura 21. Plantio direto na palha, com revolvimento do solo apenas na 
linha de plantio. 
 Contudo, o plantio direto não deve ser visto como uma receita universal, 
mas como um sistema que exige adaptações locais. Estas têm sido executadas 
por iniciativa dos próprios agricultores, com a integração contínua de esforços 
envolvendo pesquisadores e técnicos, possibilitando avanços palpáveis no 
desenvolvimento e na transferência de tecnologias. 
A adoção do plantio direto expressa um anseio antigo, permitindo ao ser 
humano se harmonizar com a natureza, proporcionando economias 
significativas para a sociedade como um todo. Torna-se possível, assim, a 
minimização de custos por unidade produzida a partir da maximização da 
produtividade de insumos e de mão-de-obra. 
Associam-se aos fatores favoráveis do plantio direto a diminuição 
significativa de consumo de petróleo (60 a 70 % a menos de óleo diesel), o 
aumento do sequestro de carbono (aumento do estoque no solo e da matéria 
orgânica em decomposição na superfície), a diminuição expressiva da perda de 
solo por erosão (90 % a menos nas perdas estimadas em 10 t solo/t de grãos 
produzidos). Ademais, o plantio direto evidencia a necessidade de se obter 
uma agricultura limpa, produzindo mais alimentos de qualidade, com menor 
impacto negativo sobre o meio ambiente e o ser humano. 
O sistema de plantio direto permite o cumprimento do calendário agrícola, 
validando as recomendações do zoneamento e sendo um atrativo para as 
seguradoras, viabilizando a atividade por semeaduras e colheitas previsíveis. 
Por suas reconhecidas características, comprovadas amplamente pela 
pesquisa agropecuária brasileira, o plantio direto tem sido a mais importante 
ação ambiental brasileira em atendimento às recomendações da conferência 
da Organização das Nações Unidas (Eco-92) e da Agenda 21 brasileira, indo 
ao encontro do que foi acordado na assinatura do Protocolo Verde. O Protocolo 
Verde, por definição, é uma carta de princípios assinada em 1995, no qual 
instituições bancárias públicas e privadas brasileiras assumiram o 
compromisso de cumprir com um conjunto de medidas socioambientais que 
estabelecem políticas e práticas bancárias em harmonia com desenvolvimento 
justo e sustentável. 
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Sistemas integrados de cultivo 
O conceito de sistemas integrados de cultivo evoluiu a partir da agricultura 
familiar e associada a práticas tradicionais de povos indígenas. Um exemplo é 
o cultivo praticado pelos índios brasileiros. Neste, é comum o consórcio de 
milho, mandioca, feijão comum (Phaseolus vulgaris) ou fava (Phaseolus 
lunatus), amendoim (Arachis hypogaea) de forma associada na mesma área. A 
ação lembra a diversidade que ocorre na natureza exuberante dos trópicos. 
Pode-se dizer que esta forma seria a principal característica da agricultura 
primordial que ocorreu em algum ponto da história dos povos por todo o 
mundo, com espécies locais domesticadas. Em tempos modernos, os 
consórcios de pequena agricultura no Brasil incluem milho + feijão de corda 
(caupi – Vigna unguiculata), mandioca + caupi, milho + feijão, mandioca + 
feijão, milho + amendoim. 
Quando se pensa em escala, os sistemas de consórcio ficam limitados pela 
área possível de manejo. Em pequena extensão, típica da agricultura familiar, 
os consórcios são praticados com o uso de mão de obra familiar. Quando se 
pensa em áreas extensas como no Cerrado, há outras formas de consórcio. 
No conceito de consórcio, duas ou mais espécies de plantas ocupam a 
mesma área ao mesmo tempo. Isto pode ocorrer por todo o tempo de cultivo ou 
em parte dele. Assim, viabiliza-se em áreas maiores. Por exemplo: cultiva-se 
milho e pastagem na mesmaque área, usando-se de artifícios, como 
semeadura em diferentes profundidades ou em diferentes épocas. Por 
exemplo, na semeadura do milho e pastagem, as sementes de milho são 
colocadas mais próximas à superfície do solo em relação às da forrageira. 
Ademais, a forrageira apresenta crescimento inicial lento, permitindo que o 
milho se estabeleça e cresça rapidamente antes de sofrer competição por 
água, luz e nutrientes, ocasionada pela forrageira. 
O sistema permite se colha o milho em níveis de produtividade comparáveis 
ao cultivo solteiro (apenas milho), deixando uma pastagem estabelecida. 
Assim, protege-se o solo e se obtém alimento para o rebanho na época mais 
crítica (entressafra). 
 
Figura 22. Consórcio milho e forrageira (Urocloa decumbens) com 
aproveitamento do pasto no período seco de entressafra. 
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O sistema praticado na atualidade representa um aprimoramento do 
consórcio pioneiro, realizado no início da exploração do Cerrado. Naquele 
momento, havia escassez de calcário, ainda que houvesse imensas jazidas de 
rocha. O consórcio preconizado e que funcionava era baseado em semeadura 
simultânea de arroz e semente de forrageira (Brachiaria decumbens), em solo 
parcialmente corrigido com calcário e fertilizante. Colhia-se o arroz e sobrava a 
pastagem formada. 
Estas pastagens da ocupação pioneira do Cerrado constituem as imensas 
áreas degradadas que somam 50-60 106 hectares, ou o equivalente à área do 
Estado de Minas Gerais. São áreas imensas que podem ser incorporadas à 
produção comercial, em sistema conservacionista como o do plantio direto. 
Portanto, o sistema atual de integração, visando proteger o solo, incorpora 
diversificação com o emprego de espécies alternativas, produtoras de 
biomassa para a exploração econômica. 
O manejo da fertilidade do solo se ajusta quando se tem dois cultivos 
simultâneos na mesma área. Na adubação, leva-se em conta a produtividade 
esperada de milho e a exploração da pastagem. De novo, há que se 
recordarem os conceitos apresentados em aula. O solo responde à medida que 
nele se disponibilizam os nutrientes. 
De forma simplificada para o entendimento, funciona como conta bancária: 
o saque somente se torna possível se houver saldo. Este representa a 
imobilização de elementos químicos nas plantas, da qual parte é exportada na 
forma de grãos, animais, madeira. Estes levam nutrientes para fora do sistema. 
Daí, a necessidade de se repor por adubações anuais, ou manutenção da 
fertilidade. Assim, na prática o sistema produtivo se mantém e responde com 
produtividade. 
 
Aperfeiçoamento do Plantio Direto e Outras Práticas 
Depois de descompactado, caso exista camada compactada resultante 
do uso repetitivo de implementos agrícolas, com o solo corrigido e fertilizado 
em base à tecnologia e de acordo com análise química, parte-se para o plantio 
direto. Para descompactar utiliza-se a subsolagem ou se escarifica, 
dependendo da profundidade em que ocorrem: maior ou menor, 
respectivamente. A práticado plantio direto nada mais é do que realizar a 
dessecação das plantas daninhas, pastagem etc. A semeadura se realiza com 
reduzido revolvimento do solo (apenas na linha de semeadura). Parte desses 
implementos pode ser vista na área de mecanização da Fazenda Água Limpa. 
Os princípios são os mesmos, independentemente dos implementos, sejam 
maiores ou menores. 
 
 
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Benefícios Associados ao Plantio Direto 
O plantio direto, além de contribuir para a realização do calendário 
agrícola com semeadura na época recomendada, permite explorar o potencial 
do cultivo principal e a segunda safra, com maior retorno ao agricultor. Pode-se 
definir como serviço ambiental, contribuindo para: maior infiltração de água das 
chuvas; redução da erosão; maior retenção de água no solo; estabilidade da 
produção; manutenção da produtividade; redução dos custos operacionais; 
maior lucratividade; viabilização da segunda safra no mesmo período de 
chuvas; ciclagem de nutrientes; redução no uso de combustível, corretivos e 
fertilizantes; redução na emissão de gases de efeito estufa; sequestro de 
carbono na matéria orgânica do solo; “produção de água” na propriedade rural; 
e mitigação do desmatamento. 
O plantio direto permite cumprir o planejado pelas vantagens na 
operacionalidade, semeando na época em que as culturas atingem o máximo 
rendimento econômico. Um exemplo é o da soja: quando semeada na época 
recomendada (novembro), atinge-se o potencial de rendimento, permitindo uma 
segunda safra em grandes extensões do Cerrado. 
Entretanto, o sistema depende do uso de herbicidas, entre eles o 
glifosato. Como tem sido empregado intensivamente em cultivos com espécies 
resistentes (transgênicas) existe ameaça do desenvolvimento de resistência 
nas espécies competidoras (invasoras ou daninhas). Daí a importância de 
rotação para a cobertura do solo com resíduos (palhada) para a sinergia no 
controle de plantas daninhas e proteção na entressafra. 
 Premissa para Adoção do Plantio Direto 
O plantio direto depende de solo corrigido física e quimicamente; de 
resíduos de cultivos para a proteção da superfície do solo; de rotação de 
culturas, acrescentando diversidade botânica ao sistema produtivo; 
manutenção e/ou aumento da matéria orgânica, com impacto positivo nas 
características físicas (estrutura e porosidade que permitem o fluxo de água), 
químicas (retenção de nutrientes) e biológicas (micro-organismos e fauna do 
solo). Ou seja, o plantio direto permite traçar e cumprir metas de práticas 
necessárias que nem sempre são possíveis quando se utiliza o sistema 
convencional de cultivo. 
 
Evolução da Mecanização, da Agropecuária e da Sociedade 
Desde a pré-história, o ser humano tem se preocupado em aumentar a 
eficiência da produção. No início, com uso de implementos (ferramentas) 
rudimentares, como o riscador de madeira e depois arado, houve um avanço 
na extensão de área que um agricultor podia cultivar. Ao se incluir tração 
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animal aumentando a potência de trabalho, houve avanço, representando a 
primeira revolução agrícola. 
Incluem-se ainda nesse período, os métodos de irrigação que permitiram 
antigas civilizações de utilizar a água abundante em áreas desérticas. Este é o 
exemplo das civilizações orientais (China, Índia) dos Medos (Oriente Próximo) 
e dos Egípcios (África). A engenhosidade do ser humano em criar novas 
máquinas e alternativas para o uso da terra tem uma história de 10 a 12 mil 
anos. Ou seja, a domesticação de plantas e animais, as técnicas de uso de 
solo e da água e as máquinas e equipamentos agrícolas, evoluíram 
conjuntamente, permitindo avanços antes impensáveis. 
O aprimoramento contínuo dos processos resultou em uma segunda 
fase ou revolução com sistemas de cultivo mais evoluídos, ampliando-se a área 
irrigada, adaptando-se plantas a esses sistemas, intensificando-se a 
mecanização por tração animal. Esta consistiu em uma nova possibilidade de 
produzir alimentos e matérias-primas a partir da atividade agropecuária. Estes 
avanços possibilitaram a evolução da sociedade humana, que culminou com o 
término da idade média e o surgimento do iluminismo (renascença). 
A revolução que sobreveio culminou com avanços na mecanização que 
se acentuou nos séculos XVIII e XIX. Neste período, graças à ciência aplicada, 
conceberam-se e criaram grandes máquinas a vapor, permitindo que se 
ampliasse ainda mais o potencial de trabalho individual. Esta fase, ou terceira 
revolução, levou ao melhoramento genético, com seleção de plantas e de 
animais para adaptá-los ao cultivo em escala. 
Estes ganhos foram sucedidos por crescimento populacional, maior 
organização social e desenvolvimento humano. Em decorrência, os as 
descobertas na ciência tornaram possível entender melhor os processos 
biológicos, a compreender os fatores genéticos e a hereditariedade, a definir 
métodos de melhoramento de plantas e de animais, aprimorar o conhecimento 
do solo e de como interferir para melhorar o seu desempenho, a definir formas 
de propagação e sistemas de produção de sementes para as diferentes 
espécies de interesse comercial. Estes avanços foram acompanhados pela 
crescente mecanização das atividades agropecuárias. Novas máquinas mais 
potentes ampliaram o potencial de cultivo, caracterizando os grandes avanços 
ocorridos no século passado (XX). 
Na atualidade, os ganhos têm se acentuado, incorporando às máquinas 
informatização por tecnologia embarcada. Máquinas mais potentes (tratores, 
plantadeiras, pulverizadores e colhedoras), informatizadas com GPS para 
fertilização e controle fitossanitário diferenciados nas áreas de cultivo 
representam o avanço mais atual. Tudo isto tende a se aprimorar em 
velocidade que surpreende. Nada se compara com o ritmo de ganhos que têm 
sido obtidos, destacando-se, por exemplo, a última versão de trator – 
autônomo, sem operador, comandado por sistemas informatizados. 
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Figura 23. Trator autônomo, georreferenciado, sem operador. 
Este cenário permite que áreas, potencialmente mecanizáveis, sejam 
cultivadas com mínimo uso de mão de obra. Desta forma, tem-se o cultivo 
intensificado de grandes áreas planas, como no Meio Oeste dos Estados 
Unidos e dos cerrados brasileiros. 
Tráfego Controlado e Conservação do Solo 
Como parte dos esforços de diminuir o impacto por ação de máquinas, 
mesmo em sistema de conservação do solo, como o plantio direto, tem-se o 
evento mais recente da agricultura mundial. 
Trata-se do tráfego controlado em fazenda. Este se baseia na 
sistematização do tráfego, estabelecendo relação entre os sistemas de plantio 
e manejo das plantas até à colheita com as máquinas e implementos utilizados 
na produção. 
Visa à manutenção das propriedades dos solos, mesmo diante de 
movimentação de máquinas nas áreas em produção agropecuária. A 
preocupação maior é com a rodagem dos tratores e veículos usados entre a 
semeadura e a colheita. 
A rodagem dos tratores, por exemplo, tende a aumentar a superfície de 
contato, melhor distribuindo o peso da máquina, evitando-se a compactação do 
solo. Os estudos têm avançado para redefinir os tipos de pneu e rodagem. 
Assim, por exemplo, máquinas que rodam com esteiras distribuem melhor o 
peso. Isto exige adaptação da indústria. Portanto, trata-se de uma área da 
pesquisa onde produtores de máquinas e implementos se associam com a 
pesquisa. 
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Figura 24. Tráfego controlado em fazenda. 
Criação de Oportunidades 
 O plantio direto permite dinamizar a produção criando oportunidade para 
sistemas integrados de lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta. Um 
exemplo típico é o cultivo da soja seguido pelo do milho ou sorgo + semente de 
forrageira. 
Colhido o milho, a pastagem se estabelece e permite o pastoreio com 
produção de carne ou leite, dependendo do tipo de exploração pecuária. A 
necessidade de manter o solo permanentementecoberto (protegido) leva à 
diversificação – novas espécies de cultivos podem ocupar espaço em um 
sistema diversificado. 
Na integração lavoura-pecuária-floresta, inicia-se com produção de 
grãos e plantio de espécies florestais, eucalipto sendo a mais comum. Depois, 
introduz-se pastagem e mantém-se a floresta que se forma enquanto o uso da 
pastagem na bovinocultura permite sua amortização até o desfrute. 
 
 
 
Figura 25. Sistema produtivo Integrado: Lavoura-pecuária-floresta. 
A diversidade de cultivos permite gerar novos produtos e criar mercado, 
estabelecendo a cadeia produtiva para espécies potenciais e ainda não 
integrantes de sistemas produtivos. Os exemplos são de amaranto 
(Amaranthus spp., Amaranthaceae), quinoa (Chenopodium quinoa, 
Amaranthaceae, sub-família Chenopodioideae) , kenaf (Hibiscus cannabinus, 
Malvaceae) , tef (Eragrostis tef, Poaceae) Gergelim (Sesamum indicum, 
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Pedaliaceae), grão de bico (Cicer arietinum, Fabaceae) dentre várias outras 
opções (Spehar, et al.,2014; Spehar; Trecenti, 2011 
 
Figura 26. Opções para diversificação agropecuária e alimentar. 
Diversificação Agropecuária e o Futuro 
Ainda que diversificação seja uma oportunidade de aprimorar o plantio 
direto e sistemas integrados de produção, as opções de espécies para atingir 
esse objetivo têm sido pouco pouco estudadas em nossa agricultura. Existe 
carência de tecnologia para sua inclusão, nos sistemas produtivos. Ademais, 
essas espécies não apresentam cadeia produtiva definida e não têm demanda 
dos mercados mundiais – como as “commodities”. 
Isto significa que os agricultores se restrinjam quanto ao seu cultivo, pois 
não há previsão de demanda. Esse é um desafio à diversificação que nas 
gerações atuais pode-se resolver com os maios de comunicação. Um agricultor 
bem assessorado pode tornar-se conhecido no mundo virtual e colocar seu 
produto onde é demandado. Essa diferença poderá alavancar alguns cultivos 
menores como a quinoa, o amaranto, o grão de bico, o gergelim, a chia e a 
linhaça, dentre inúmeros outros. 
A limitação tecnológica, pois falta informação sobre métodos de cultivo 
disponibilidade de cultivares, associada à inexistência de cadeia produtiva para 
a maioria delas, poderá ser contornada. Quando se compara com soja ou 
milho, classificadas como commodities, as opções menos conhecidas não 
integram as bolsas para cotação de valores de referência mundial (a de 
Chicago, por exemplo). O mercado pontual limita a expansão dos seus 
respectivos cultivos para aprimorar a diversificação. 
Pode-se afirmar que, o Brasil dispõe, na atualidade, um mínimo de 
tecnologia para produzir quinoa, amaranto, kenaf, grão de bico, gergelim, chia 
e outras espécies das quais pouco se ouve falar, visando atender ao mercado 
interno, não muito grande, e à exportação (Artiaga et al., 2015; Spehar; 
Trecenti, 2011). Com a inserção dessas espécies, há perspectiva de maiores 
retornos financeiros ao produtor, associada aos impactos positivos sobre o 
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ambiente. Ademais, contribuirão para melhorar a dieta alimentar de humanos e 
animais domésticos, na produção de fibras e energia, além de outras matérias 
primas demandadas no país e no mundo. As comunicações serão fortes 
aliadas ao resgate da diversidade produtiva na agricultura moderna. 
Melhoramento Genético e Ganho na Agropecuária 
Além de auxiliar no entendimento de como funcionam os solos e como 
manejá-los, a pesquisa tem contribuído com avanços no melhoramento 
genético de plantas e animais, adaptando as grandes culturas à produção com 
elevados rendimentos. Os ganhos se refletem em rendimentos que são 
suficientes para pagar todos os custos de produção, gerando uma receita 
líquida atrativa aos produtores. 
As plantas cultivadas dividem-se em anuais e perenes. As anuais 
recebem esse nome porque são semeadas, germinam, emergem, crescem, 
reproduzem e senescem (terminam o ciclo) em um mesmo ano agrícola. Como 
exemplos de plantas anuais temos o milho, o feijão, a soja o arroz, o sorgo, a 
quinoa, o trigo, a cevada, a ervilha, o grão de bico, a lentilha. 
O período em que iniciam e completam o ciclo é de 3-5 meses, findos os 
quais, as plantas entram em senescência. Isto é, na fase reprodutiva, à medida 
que os produtos da fotossíntese não drenados aos frutos e sementes, as 
plantas perdem as folhas e secam completamente na maturação, atingindo o 
ponto após o qual os frutos secam e permitem a colheita. As plantas encerram 
seu ciclo e não voltam a vegetar. 
Algumas culturas foram anualizadas, como o algodão e a mandioca. Ou 
seja, a planta se reproduz no período de seis meses a um ano, porém não 
ocorre senescência, como nas mencionadas. Assim, as plantas permanecem 
vivas. Isto traz implicações na incidência de pragas e doenças, requerendo 
manejo ou eliminação das plantas. No caso do algodão, as plantas 
remanescentes permanecem vivas depois da colheita, também chamadas de 
socas, tornando-se necessário eliminá-los antes de outro cultivo em rotação. 
Em mandioca, colhem-se os tubérculos, interrompendo-se o ciclo da planta que 
permaneceria viva por período maior do que um ano, indicando a perenidade. 
Por outro lado têm-se as plantas perenes – espécies florestais, cana-de-
açúcar, café, as fruteiras - entre elas, citros (exemplos: laranjas, limões, 
tangerinas etc.), manga, abacate etc. O período útil de exploração varia 
conforme a espécie. Em cana de açúcar, depois de cinco a seis anos, renova-
se o plantio; em citros e café, dependendo do manejo, a exploração ocorre por 
períodos superiores a 10 anos. Em outras fruteiras e espécies arbóreas para 
exploração de madeira o período de cultivo pode ser ainda mais elástico ou 
extenso – exemplos: eucalipto, seringueira, mangueira, abacateiro etc. 
 
 
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Modo de Reprodução na Genética e no Melhoramento 
O modo de reprodução, tanto em culturas anuais como perenes, 
determina os métodos de estudo genético e de seleção visando atender às 
exigências de cada espécie. Neste sentido, o conhecimento da biologia floral 
da espécie que se pretende melhorar geneticamente é essencial. As flores 
podem ser completas, isto é reunir todas as partes, incluindo androceu e 
gineceu. Flores assim constituídas são chamadas de hermafroditas. As flores 
podem ainda ser femininas e masculinas, quando o gineceu e o androceu 
estão situados em partes separadas da mesma planta. Estas espécies são 
classificadas como monóicas. Havendo ainda espécies cujos órgãos masculino 
e feminino se encontram em plantas diferentes, sendo classificadas como 
dióicas. Esse conhecimento permite definir técnicas de hibridação, 
independente do objetivo, tendo em conta que nas espécies cultivadas visa-se 
elevar rendimento, qualidade resistência a pragas e doenças dentre outras. 
Figura 27. Flores: representação esquemática; de feijão, completa, 
fechada, autopolinização; milho, flor masculina separada de feminina, 
polinização cruzada ou alogamia; algodão, flor aberta com heterostilia 
(diferença de tamanho dos órgãos reprodutores), de alogamia parcial. 
 
 A característica alvo dos programas de melhoramento genético é a 
produtividade. Porém, esta por si só não é suficiente. Acresce-se arquitetura da 
planta adequada ao manejo, ausência de acamamento, resistência a doenças 
e insetos-pragas, resistência a fatores limitantes do solo como alumínio tóxico e 
escassez de nutrientes. 
Os estudos de herança genética indicam se a característica em estudo é 
condicionada por um ou poucos pares de genes (genética mendeliana) ou se 
são vários (genética quantitativa). Estes estudos, quando realizados 
previamente, permitem traças estratégias de melhoramento. 
Quando as plantas são autógamas, no melhoramento, depois de 
conhecida a herança genética, realizam-se hibridações entre genitores 
previamente selecionados, seguindo-se métodos de seleção por indivíduos e 
suas progêniesaté que se obtenham homozigotos. 
Em seguida, conduzem-se experimentos com as linhagens selecionadas 
para determinar a estabilidade. Ou seja, com base em um conjunto de testes 
que representam a região onde se pretende recomendar – obtêm-se cultivares 
disponibilizados aos agricultores. Como exemplos de plantas autógamas têm-
se: feijão, soja, arroz, trigo, ervilha, cevada. Nestes casos, a flor contém os 
órgãos masculino e feminino, sendo fechada, o que impede a polinização 
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externa. Há espécies de plantas com alogamia parcial, em geral por efeito de 
insetos polinizadores, como algodão. 
 
Figura 28. Hibridação em soja, etapa do melhoramento genético. 
Quando as plantas são alógamas, isto é, de polinização aberta, os 
cruzamentos são controlados, fazendo-se seleção de plantas e de suas 
progênies (filhos). O método é recorrente, onde plantas selecionadas passarão 
por autofecundação controlada e teste e progênies. Existem vários ajustes 
destes métodos, a depender da espécie. O exemplo clássico de planta 
alógama é o milho. Há outras como girassol (Helianthus anuus), abóbora 
(Cucurbita máxima) e outras da mesma família (Cucurbitaceae), maracujá 
(Passiflora edulis). 
O milho (Zea mays) é uma espécie monóica, isto é, os órgãos 
reprodutivos encontram-se separados na mesma planta, onde o pendão, na 
parte superior da planta representa o órgão masculino, enquanto a espiga 
representa o órgão feminino. O interessante é que cada estigma (no conjunto, 
popularmente conhecido como cabelo) será fecundado independentemente, 
originando cada grão ou semente da espiga de milho. 
Plantas Anuais 
Estudos de genética e melhoramento em culturas anuais são facilitados 
pela rapidez com que as plantas completam seu ciclo. Assim, milho, alógama, 
e feijão, autógama, completam o ciclo em alguns meses, permitindo colherem-
se dados e analisar resultados para iniciar novo ciclo de seleção. Ou seja, em 
cerca de 10 anos, considerando-se todas as etapas, obtém-se e disponibiliza 
novo cultivar de feijão ou soja e novo híbrido de milho a ser disponibilizado aos 
agricultores. 
No caso do milho, é possível realizar-se melhoramento populacional – 
originando milho variedade. Este é de polinização aberta e permite o uso de 
sementes pelos agricultores, os quais podem realizar seleção (empírica) para 
atender às condições de cultivo locais. Esta tem sido a prática de agricultores 
de pequena escala desde a domesticação da espécie (Zea mays). 
Enquanto o emprego de milho híbrido tem sido prática comum aos 
agricultores de grande escala. Os híbridos expressam vigor de heterozigoto, 
quando linhas homozigotas obtidas por autofecundação controlada são 
utilizadas em hibridações. Inconveniente para o produtor, as sementes de 
híbridos modernos incorporando eventos transgênicos são caras e não se pode 
http://plantandsoil.unl.edu/croptechnology2005/UserFiles/Image/siteImages/SoybeanFlower-LG.jpg
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utilizar a segunda geração (F2). Isto quer dizer que o valor das sementes 
ocupa considerável proporção dos custos de produção. 
Plantas perenes 
As espécies perenes levam mais tempo para que novos cultivares sejam 
obtidos. Imagine-se o ciclo de uma mangueira. Realizados cruzamentos entre 
genitores que apresentem complementaridade, por exemplo, produtividade 
(genitor A) com resistência a doenças (genitor B). Depois de obtido o fruto 
híbrido, semeia-se para obter-se a planta F1 (primeira geração após 
cruzamento). Até que ela cresça e se reproduza, serão necessários três a 
quatro anos. Só aí é que se pode identificar se a planta híbrida combina os 
alelos de genes que buscamos. 
Não é em vão que manga, assim como abacate, ambos perenes e com 
alogamia, são multiplicados via propagação clonal. Neste caso a planta mãe, 
híbrido em F1, será multiplicada por enxertia. 
Outra possibilidade é a propagação vegetativa direta ou enraizamento de 
ramos da planta mãe, como em eucalipto e café robusta (Coffea canephora), 
ambas alógamas. O café Coffea arábica do qual o Brasil é o maior produtor 
mundial, é autógama. Por seleção a partir de progênies se obtêm linhas quase 
homozigotas, o que consome tempo. Imagine-se que cada geração leve dois a 
três anos para a primeira produção; a quarta geração (F4) será atingida em 8-
12 anos, dependendo da espécie e do ciclo reprodutivo da mesma. Portanto, o 
tempo para a obtenção de cultivar é longo, devido ao método de seleção e a 
necessidade de se avaliar antes da recomendação. Daí, a importância de se 
definirem os cruzamentos e seleção associada à propagação vegetativa nas 
espécies perenes. 
Avanços na Agropecuária e Ciência 
O Brasil tem se destacado na agricultura, com exemplos no melhoramento 
genético de espécies importantes para agricultura e pecuária. Nosso ambiente, 
único, solos ácidos de clima tropical, com regime de chuvas bem definido. A 
tecnologia para modificar esses solos, elevando seu potencial produtivos tem 
sido desenvolvida visando atender à exigência de plantas selecionadas via o 
melhoramento genético. 
 
Figura 29. Uso da variabilidade genética no melhoramento de plantas e 
o engenheiro agrônomo Norman Borlaug, prêmio Nobel da Paz (1970). 
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As ciências contribuem de forma interativa, associando tecnologias 
decorrentes das diferentes especialidades. Assim, os ganhos providos por 
química resultaram no domínio da modificação do solo para produzir em nível 
econômico. As plantas têm sido adaptadas aos sistemas de cultivo, com o uso 
da genética. As ações que levam à obtenção de rendimentos viáveis, tem ainda 
a contribuição da economia, da física e, sobretudo, da matemática. Em aula o 
tema tem sido comentado, com exemplos para explicar o crescimento das 
plantas, o nível de suprimento de nutrientes com máximo retorno econômico e 
outros. 
Os avanços têm sido tão relevantes na modificação e uso de solos ácidos 
como os do Cerrado, que países africanos e asiáticos têm se interessado por 
intercâmbio. Esse conjunto de tecnologia forma o arcabouço do sucesso no 
agronegócio brasileiro. Os exemplos a seguir são notórios e confirmam o valor 
da ciência para a sociedade. 
Soja Adaptada às Baixas Latitudes 
Dentre as plantas anuais adaptadas ao ambiente tropical, destaca-se a 
cultura da soja. A soja (Glycine max (L.) Merrill) é o exemplo mais destacado, 
colocando nosso país como referência mundial na produção desta leguminosa 
(Fabaceae) em regiões tropicais (Spehar et al., 2012). O Brasil, prestes a se 
tornar o maior produtor mundial, saltou em 40 anos de alguns milhões de 
toneladas para mais de de 110 milhões na safra 2019-2020. Boa parte dessa 
produção está localizada em solos de Cerrado, corrigido e fertilizado para 
atender à demanda da planta, com expectativa de rendimento em exploração 
comercial. 
Soja é uma planta sensível à variação no comprimento do dia (fotoperíodo), 
sendo cultivada quando os dias aumentam o comprimento e florescendo com 
seu encurtamento. Originária de elevadas latitudes (Manchúria, China e Coréia, 
entre 38 a 41º LN), quando introduzida e semeada nos trópicos (Cerrado, com 
coordenadas variando entre 20 a 5º L), florescia precocemente, crescendo e 
produzindo pouco. 
O que se realizou: primeiramente foram identificados genótipos (variedades) 
que se mostravam “insensíveis” ao fotoperíodo; nestas as plantas cresciam em 
qualquer época de semeadura. Em seguida, realizaram-se cruzamentos entre 
genitores produtivos e adaptados a latitudes maiores (Sul do Brasil) com os 
“insensíveis” às variações no comprimento dos dias. Por seleção, obtiveram-se 
genótipos que combinavam as características desejadas, os quais originaram 
os primeiros cultivares. A aparente insensibilidade ao fotoperíodo se deve ao 
retardamento na fisiologia da planta. 
Depois de ciclos de seleção para elevar rendimento e estabilidade, o 
Cerrado Brasileiro responde por mais da metade da soja produzidano país, 
viabilizando a exploração agropecuária (Spehar et al., 2015). Na realidade, 
não há insensibilidade ao fotoperíodo em soja. Existem fatores genéticos 
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relacionados à maturidade fisiológica da planta, retardando-a. Assim, as 
plantas crescem para, somente quando atingirem a maturidade, mostrar 
resposta ao encurtamento dos dias. Maior informação de como funciona o 
florescimento em soja será vista oportunamente, à medida que o estudante 
curse os semestres mais avançados. 
Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) na Família Fabaceae. 
Existem bactérias de vida livre, outras que infectam plantas, causando 
doenças e aquelas que se hospedam e associam às raízes, em simbiose. 
Dentre elas encontram-se Rhizobium leguminosarum, que fixam nitrogênio (N) 
do ar na planta de feijão, ervilha etc., Bradyrhizobium japonicum, que fixam N 
na planta de soja. Essa fixação apresenta vantagens para ambos o hóspede e 
hospedeiro (Spehar et al., 2012). 
Para se avaliar a importância dessas bactérias basta afirmar que o Brasil, 
segundo maior produtor de soja mundial, se aproximando de 100 milhões de 
toneladas, não recomenda o uso de fertilizantes nitrogenados, resultando em 
grande eficiência econômica. Considerando-se que para produção de uma 
tonelada de soja, exporta-se 50 kg de N no grão ou semente. Quando o 
rendimento for de 3,5 t/ha, são exportados 175 kg de nitrogênio. Na produção 
brasileira temos 100 106 x 50 = 5 109 = cinco bilhões de kg, ou cinco milhões de 
toneladas de N, inteiramente retirados da atmosfera pela fixação biológica ou 
simbiótica. 
 
Figura 30. Nódulos formados nas raízes de plantas da família Fabaceae 
por infecção das raízes com bactérias fixadoras de nitrogênio. 
Este resultado representa um avanço da pesquisa, contribuindo para 
originar um produto rico em proteínas como a soja. Como se sabe, as proteínas 
contribuem com aminoácidos, os mesmos que formam a cadeia proteica de 
cada ser vivo. Os aminoácidos têm em sua molécula o N que foi retirado do ar, 
incorporado à proteína da planta que utilizada pelo ser humano e animais 
domésticos incorpora-se à cadeia própria de cada indivíduo.. Assim, em rações 
de suínos e aves tem-se o uso da soja, viabilizando a produção de carne. 
Da mesma forma, investimentos no melhoramento do milho e do feijão 
resultaram agricultura competitiva. O mesmo se passou com plantas perenes 
como cana-de-açúcar, citros, café, eucalipto, espécies forrageiras. 
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Como consequência, a agroindústria brasileira desenvolveu-se, baseada na 
suinocultura, avicultura, bovinocultura e outros animais domésticos. Assim, a 
dieta alimentar brasileira passou por avanços, com maior qualidade e 
quantidade de produtos. Da mesma forma, o melhoramento animal seguiu-se 
ao das plantas cultivadas. Portanto, o melhoramento genético associado ao 
uso de tecnologia produtiva tem salvado a economia nacional, medida pela 
eficiência do agronegócio. 
Ademais, esse sucesso da agropecuária tem permitido ao Brasil sobreviver 
às crises, dentre elas a político-econômica. Ficou evidente em período 
conturbado em que se a nação brasileira dependesse apenas dos políticos o 
Brasil estaria irremediavelmente perdido. Os políticos conseguiram frustrar 
expectativas. Faliram empresas estatais, em esquemas de corrupção 
raramente vistos; mostraram nosso lado vergonhoso que muitas vezes tem 
ficado oculto. Diante de tudo isto, está uma agropecuária que segue pujante, a 
mostrar que podemos superar a nós mesmos – este é o maior desafio a 
permear gerações. 
 
Zootecnia: Importância e Visão Geral 
Dentre as opções que contribuem para o agronegócio encontram-se as 
produções de animais domésticos, cujo estudo é abrangido pela grande área 
da zootecnia. Em zootecnia se estuda a criação dos animais domésticos de 
pequeno e de grande porte, de interesse para o ser humano como fonte de 
alimento e lazer, além de crustáceos, peixes e outros animais e plantas 
aquáticos. 
Em cada caso, os estudos serão concentrados em melhoramento animal, 
reprodução, características desejáveis a serem usadas em seleção, exigências 
nutricionais e preparo de rações balanceadas (que provêm de forma 
equilibrada, as necessidades alimentares de animais de criação). Sanidade 
animal e rendimento seja de carne, leite, ovos e outros derivados de animais 
para o consumo humano. 
Ruminantes: Bovino, Caprinos, Ovinos, Bubalinos e Camelídeos 
Bovinos 
O Brasil se destaca, possuindo o segundo maior rebanho bovino no mundo. 
A sua criação se destina a produzir carne, couro, leite e derivados, além de 
ossos e seus usos, inclusive como fertilizante. 
Na criação de bovinos e outros ruminantes, os sistemas podem ser 
extensivos, em pastagens ou intensivo em confinamento. No primeiro, os 
animais permanecem no campo, obtendo a forragem de que necessitam para 
sobreviver e produzir. No confinamento, depois de atingirem o tamanho final de 
adulto, serão mantidos em ambiente com pouca mobilidade e recebendo 
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alimento previamente preparado, consistindo por forragem enriquecida. Esses 
animais apresentam grande capacidade de conversão alimentar, por possuírem 
o estômago dividido em quatro partes: a pança ou rúmen; barrete ou retículo; 
folhoso ou omaso e coagulador ou abomaso. No rúmen desses animais há 
bactérias que atuam sobre a forragem transformado produtos ricos em celulose 
e carboidratos em outras substâncias como proteínas. 
 
 
 
Figura 31. Bos taurus subespécie taurus, B. taurus subesp. Indicus. 
Caprinos 
Os caprinos, ruminantes apresentam ampla adaptação a diversos 
ambientes produzindo carne, couro, leite e derivados como queijo, e 
fermentados. Seu cultivo no Brasil concentra-se no nordeste brasileiro, em 
ambiente semiárido. Sua capacidade de conversão de forragem em proteínas e 
carboidratos os torna opção para ambiente com escassez de água. Das 
diversas raças existentes existem as que foram selecionadas para leite e 
carne, nos ambientes de produção. Tem-se as raças nativas e rústicas 
adaptadas ao semiárido nordestino e inúmeras outras com aptidão para 
produzir leite e carne. 
 
Figura 32. Caprinos: raças locais (NE, Brasil), Alpina (suíça), Anglo-
Nubiana (Inglesa). 
 Ovinos 
Os ovinos (ovelhas) são animais ruminantes com ampla adaptação em nível 
mundial. As raças adaptadas a regiões frias desenvolvem uma pelagem 
própria. A lã é derivada do pelo da ovelha que, depois de tosquiado, é 
processado industrialmente para usos têxteis, limpeza e coloração. 
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Figura 33. Raças de ovinos: Merino (Portugal – lã e carne), Morada 
Nova, Santa Inês (NE, Brasil) e Dorper (Africa do Sul – carne). 
 
O tecido produzido com fibras de lã serve como isolante térmico, não 
esquenta tanto sob o sol (mantém a temperatura do corpo em média 5 a 8 
graus mais baixa em comparação com tecidos sintéticos expostos ao sol), 
como luvas, gorros e cachecóis. Em regiões de clima subtropical a temperado, 
selecionaram-se raças para a produção de lã enquanto em regiões semiáridas 
e quentes, como o nordeste brasileiro, as raças adaptadas são desprovidas de 
lã, por razão óbvia – se fossem cobertas por lã, não tolerariam o ambiente de 
elevadas temperaturas. Surgiram de mutações, em decorrência das tentativas 
de se introduzirem ovinos nesses ambientes. Esses genes (alelos mutantes) 
condicionam ausência de lã e maior adaptabilidade. Daí, serem mantidas, 
formando novo rebanho. Dentre as raças deslanadas que surgiram por mutante 
que condiciona a ausência de lã encontram-se Morada Nova e a Santa Inês 
(brasileiras) e Dorper e Somalis (africanas) 
 Bubalinos 
Animal ruminante típico, o búfalo asiático, Bubalus bubalis L. que têm sido 
utilizados pelo ser humano para a produção de carne, leite e derivados. Inclui-
se ainda a sua função de tração para mover implementos usados no plantio, na 
condução de lavouras, auxiliando no cultivo e na colheita.Existem outras espécies de ruminantes que, ainda sendo denominados 
búfalos, não apresentam proximidade genética e não geram híbridos férteis. 
 
Figura 34. Búfalo doméstico (Bubalus bubalis), bisão (Bison bison) e 
búfalo africano (Cincerus caffer). 
Camelídeos 
Classificados como ruminantes, ainda que tenham algumas diferenças, se 
encontram os camelídeos. Estes animas da família Camelidae distinguem-se 
dos restantes dos ruminantes por terem o estômago dividido em três câmaras. 
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Os mais conhecidos mundialmente são camelos, com as espécies Camelus 
dromedarius e Camelus bactrianus, originários de áreas desérticas quentes e 
desertos frios. Da mesma família (Camelidae) encontram-se a Llama (Lllama 
glama) e a Alpaca (Vicugna pacos) domesticados na cordilheira dos Andes. 
 
Figura 35. Camelídeos: dromedário e camelo bacteriano (Ásia, África), 
llama, vicunha ou alpaca (América do Sul). 
Esse agrupamento de ruminantes, animais essencialmente herbívoros. se 
fez no intuito de unificar o tratamento. Mesmo diante de diferenças de 
constituição, anatômicas e de comportamento, apresentam aparelho digestivo 
complexo em que o processamento alimentar, com a participação de micro-
organismos, se torna mais eficiente na conversão da ingesta no produto 
esperado, como carne, couro, leite e derivados. 
Equinos, Asininos e Muares 
Neste grupo de animais herbívoros monogástricos, pertencentes à Ordem 
Perissodactyla, Família Equidae, encontram-se o cavalo, o asno ou jumento e 
os muares que são híbridos interespecíficos, entre cavalo e jumento. 
Enquanto os equinos correspondem ao cavalo (macho) e às éguas 
(fêmeas), os asininos são os conhecidos como jumentos e jumentas; já os 
muares dizem respeito aos burros (machos) e mulas (fêmeas), assim como os 
bardotos machos e fêmeas. 
Os muares (burros e mulas) decorrem do cruzamento de um jumento 
(Equus asinus) com uma égua (Equus caballus). Os bardotos machos e 
fêmeas recebem esse nome quando o cruzamento se dá entre um cavalo e 
uma jumenta. Todos os muares são animais híbridos e consequentemente 
estéreis, ou seja, incapazes de se reproduzir. 
 
Figura 36. Cavalo (Equus caballus), asno (E. asinus) e mula (E. caballus x 
E. asinus). 
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 Interessante ressaltar que esses animais são igualmente herbívoros 
como os ruminantes ainda que monogástricos, enquanto os ruminantes são 
também classificados como poligástricos. 
Nos herbívoros monogástricos, os micro-organismos que atuam na digestão da 
celulose são bactérias e estão presentes no intestino grosso, geralmente em uma 
região chamada ceco ou apêndice cecal. Este apêndice é alongado, dando abrigo às 
bactérias que atuam na digestão de fibras. Além dos cavalos, jumentos e muares, 
encontram-se as zebras e os coelhos. 
Suinos 
O porco ou suíno, teria sido introduzido com os primeiros colonizadores, no século 
XVI, como animal de produção. As primeiras criações no Brasil eram de porcos 
campestres ou caipiras aos quais se davam os restos alimentares, plantas e grãos. 
Tinham vida livre e levavam muito tempo para atingir o ponto de abate. 
Os suínos são mamíferos onívoros com aparelho digestivo semelhante ao do ser 
humano. Requer balanceamento alimentar, com diversidade proteica. Assim, como 
integrantes de ração tem-se as misturas de soja e de milho, além de outros 
componentes. Os suínos precisam ingerir em sua ração aminoácidos essenciais, em 
número de nove (valina, leucina, isoleucina, fenilalanina, histidina, metionina, treonina, 
arginina e triptofano). Isto nas proporções para integrar a sua própria cadeia proteica. 
 Nesse aspecto diferem dos herbívoros que, como vimos, auxiliados por micro 
organismos, sintetizam proteínas completas em aminoácidos essenciais. Portanto, a 
criação de suínos, ou suinocultura, é uma atividade que exige formação profissional 
voltada ã nutrição, à sanidade, ao manejo e à reprodução. No melhoramento genético, 
busca-se seleção para precocidade, rendimento de carcaça, maior proporção de carne 
do que gordura, entre outras características. 
 
Figura 37. Raças de porcos (Sus scrofa domesticus) para produção. 
 Na demanda por proteína animal, a carne suína tem liderado no consumo 
mundial, em virtude da sua versatilidade e do baixo teor de gordura, 
comparativamente menor que em alguns cortes de aves. Nesse cenário internacional, 
o Brasil se mantém firme como o quarto maior produtor e exportador, se aproximando 
de US$ 2,5 bilhões previstos para 2020, mesmo diante de ameaças à economia 
devidas à pandemia Covi-19. 
Aves 
A criação de aves ou avicultura, especificamente, galináceos, teria chegado ao 
Brasil em 1503, com Gonçalo Coelho, que atracou no Rio de Janeiro. A criação de 
galinha era parte da atividade rural, fornecendo carne, ovos e outros produtos. A 
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produção comercial teria surgido em Minas Gerais, por volta de 1860, com o despacho 
galináceos para outras regiões brasileiras. A criação do frango, no entanto, era 
campestre. As aves (crioulas ou galinhas caipiras) viviam soltas e demoravam até seis 
meses para atingir o peso de abate, na faixa de 2,5 quilos ou mais. 
A modernização com produção em escala da avicultura na década de 1930, em 
razão da necessidade de abastecer os mercados demandantes. A partir dos anos 
1950, a avicultura brasileira ganhou impulso com os avanços da genética, o 
desenvolvimento das vacinas, nutrição e equipamentos específicos para sua criação. 
As agroindústrias avícolas brasileiras ganharam estrutura no início dos anos 1960. 
Na atualidade, os frangos de corte são abatidos com cerca de 40 dias de idade e 
peso médio de 2,4 quilos. O crescimento da avicultura comercial brasileira, tem se 
baseado no melhoramento genético, introdução do sistema de produção integrada, 
nutrição balanceada, manejo adequado e controle sanitário. A qualidade da carne e 
dos ovos se destaca como façanha do agronegócio nacional. 
O Brasil se destaca como o segundo maior produtor e exportador de carne de 
frango. Produziu em 2002, 7,6 milhões de toneladas e exportou 1,3 milhão. O 
consumo interno per capita de frango chegou a 34 quilos em 2019. Enquanto isso, a 
produção de ovos, ultrapassou 21 bilhões de unidades e o consumo per capita atingiu 
125 unidades. 
 
Figura 38. Frango de corte, ganinhas poedeiras (diferentes raças). 
Aquicultura 
 Como um ramo da zootecnia, tem-se a aquicultura, isto é a criação de 
animais e plantas aquáticos. No Brasil, a aquicultura desponta como atividade 
futura de grande expressão. A produção de peixes e outros animais aquáticos 
consumidos pelo ser humano passam a ter um enfoque racional, diferente da 
atividade extrativista. O aumento da população mundial e a necessidade de 
diversificar a alimentação com fontes saudáveis levam ao desenvolvimento da 
atividade. 
 
Figura 39. Tanques (água doce) e gaiolas (mar) para criação de peixes, 
moluscos, crustáceos, anfíbios, répteis e plantas aquáticas. 
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Em aquicultura se estuda a produção racional de organismos aquáticos, 
como peixes, moluscos, crustáceos, anfíbios, répteis e plantas aquáticas para 
uso do ser humano. Os animais de aquacultura são alimentados de ração. 
 Nessa área, os estudantes de agronomia têm a opção de atuar como 
profissionais, assessorando a produção de peixes crustáceos, algas e 
moluscos que são demandados como alimentos em muitas partes do mundo. A 
aquicultura pode aumentar a oferta e contribuir para melhorar a dieta alimentar 
de brasileiros. 
A pesquisa tem o seu lugar na aquicultura, contribuindo para o estudo da 
biologia dos animais e plantas aquáticos, definindo formas de exploração 
econômica. Os alunos de agronomia têm nesta área a possibilidade de 
contribuir para aumento do conhecimento e na especialização, visando à 
atividade profissional. 
 
Agronegócio 
Tem-se como definição de agronegócio as operações envolvidas do 
ciclo da agricultura e pecuária.Compreende a produção, os serviços 
financeiros, transporte, marketing, seguros, o valor dos produtos (bolsas de 
mercadorias) Costuma-se dividir o estudo do agronegócio em três partes: na 
primeira, os negócios à montante da agropecuária, ou da "pré-porteira", 
representados pela indústria e comércio que fornecem insumos para a 
produção rural, como, por exemplo, os fabricantes de fertilizantes, defensivos 
químicos, equipamentos, bancos e financeiras. 
Trata dos negócios agropecuários na propriedade ou "dentro da 
porteira", representados pelos produtores rurais, sejam eles pequenos, médios 
ou grandes, constituídos na forma de pessoas físicas - fazendeiros ou 
camponeses - ou de pessoas jurídicas. 
Por último trata das atividades externas à propriedade atividades à jusante dos 
negócios agropecuários, ou "depois da porteira", onde estão a compra, 
transporte, beneficiamento e venda dos produtos agropecuários até o 
consumidor final. Enquadram-se, nesta definição, os armazéns, as 
transportadoras, as indústrias de transformação (frigoríficos, têxteis, calçados, 
empacotamento, mercados e distribuidores de alimentos. 
Insumos 
Insumos são fatores de produção diretos: sementes, fertilizantes, 
produtos químicos para controle de pragas, doenças e plantas daninhas, 
máquinas e implementos, combustível, ração; e indiretos mão de obra, energia, 
tributos ou impostos empregados na elaboração de bens ou serviços. 
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Figura 40. Exemplos de insumos: fertilizante, sementes, fungicida-
inseticida (tratamento) e combustível (diesel). 
 Produção 
 A produção é o trabalho do agropecuarista por meio do cultivo do solo 
e/ou criação de animais, independentemente do tamanho da área ou método 
utilizado. É a transformação do produto agropecuário em subprodutos que 
podem ser bens de consumo ou insumos para outros processos, como o leite, 
queijos, carnes, embutidos, ração, fios, corantes. 
 Distribuição 
 Outra parte da cadeia produtiva corresponde ao transporte, 
processamento e distribuição dos bens agropecuários, para o consumidor ou 
para intermediários no processo. Como exemplos tem-se a produção de 
hortaliças (tomate, couve, alface, couve-flor). Estes produtos podem ser 
comercializados pelo produtor diretamente com o consumidor ou fornecer a 
intermediários que os processam, e entregam aos mercados ou diretamente 
aos mercados onde os produtos chegam ao consumidor ou cliente final. 
 Alimentos 
 Quando estes são constituídos por leite, grãos(feijão, arroz) há uma 
cadeia da produção, como: frigoríficos, usinas de beneficiamento de leite, 
beneficiamento dos grãos, indústria de óleo, rações, empacotadores, 
distribuidores de grãos e beneficiadores. 
 Biocombustíveis 
 As mesmas plantas que se cultivam como alimentos podem ser 
direcionadas a mercados distintos. Um exemplo é o do milho. Parte de sua 
composição é de óleo e outra parte considerável é de amido. Ambos podem 
ser direcionados ao uso, produzindo biodiesel e etnol. Este e outro setor do 
agronegócio que cuida do cultivo e a transformação em combustíveis 
orgânicos, os chamados biocombustíveis. 
 ` Fibras 
` Algumas plantas industriais se destinam à produção de fibras, como é o 
caso do algodão. Este é o ramo industrial, compreendido pelo agronegócio, 
que transforma bens agropecuários, como a fibra do algodão em produtos 
têxteis, como vestuário, artigos de cama, mesa e banho, bens de decoração e 
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insumos para as indústrias moveleira e calçadista. Além do algodão têm se o 
linho, o rami, o sisal, como fontes de fibras finas e industriais, Estes produtos 
da agropecuária passam a ser insumos ou matéria-prima para a indústria. 
 Madeira 
 Na exploração agro-silvo-pastoril em que se tem a combinação de 
plantas anuais e perenes, as árvores serão transformadas em madeira, 
celulose ou produtos químicos para posterior utilização como matéria-prima de 
várias indústrias, como a moveleira e a de construção civil, a indústria 
papeleira, ou mesmo a obtenção de lenha para combustível. 
 Questão Ambiental 
 O aprimoramento do agronegócio, com aplicação de tecnologia, 
aumentou a eficiência dos sistemas produtivos, resultando em maiores 
rendimentos. Isto têm contribuído para baixas o preço de alimentos e e outros 
produtos derivados da atividade agropecuária, oferecendo à população, maior 
poder de consumo e de escolha. Contudo, têm causado problemas relativos às 
questões ambientais e sociais. 
 O grande desafio da atualidade é produzir, em harmonia com o 
ambiente, respeitando a conservação de reservas naturais, com o menor 
impacto ambiental possível. Estes advêm do uso intensivo da terra, de 
agrotóxicos, má conservação e empobrecimento do solo, queimadas, 
contaminação de mananciais e do lençol freático, desequilíbrio ecológico e 
proliferação de pragas em consequência de monocultvos, como os da soja e do 
milho. Estes pontos têm sido utilizados para pressionar para baixo os preços de 
produtos agrícolas brasileiros. 
 
Figura 41. Áreas de produção e conservação e controvérsia entre produzir 
e conservar. 
 Contudo, ainda que controverso o código florestal brasileiro prevê a 
conservação de parte da área, mantendo a diversidade natural existente, com 
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percentual variando de acordo com a região. Esse fator tem sido questionado 
por produtores que consideram perdas por deixar de cultivar. 
 Questão social 
 Na parcela mais pobre da população rural, envolvida na agricultura 
familiar, a modernização da agricultura com tecnologia que aumenta a 
eficiência nem sempre tem sido acessível, marginalizando muitos produtores, 
principalmente os de subsistência em pequenas propriedades rurais. Os 
serviços de assistência técnica e extensão rural por parte do Estado têm 
diminuído sua disponibilidade, marginalizando os produtores. Estes são 
privados de técnicas e métodos modernos, como irrigação, maquinários e 
insumos, perderam a competitividade, levando ao abandono do campo e o 
êxodo rural. 
 Características dos Módulos de Produção 
 Pequenas e Médias Áreas 
 Constituem os pequenos e médios produtores que contam com áreas 
pequenas e recursos financeiros para incrementar o processo. Nem sempre 
têm acesso a crédito provido por programas de governo para estimular este 
setor. Porém, modernos empreendedores conseguem produzir em pequenas 
áreas maximizando rendimento com produtor de valor agregado, como 
cogumelo, morango, hortaliças em sistemas orgânicos com certificação. 
 Grandes Áreas 
 As grandes extensões territoriais do Cerrado abrigam propriedades 
extensas de monocultura de produtos considerados commodities, como soja, 
milho, algodão e bovinocultura de corte. Devido ao tamanho da propriedade o 
crescimento de capital se dá pelo ganho em escala e a redução dos custos de 
produção. Com uso de tecnologia, maquinaria e infraestrutura, a receita líquida 
por unidade de área é elevada. Esta quando multiplicada pelo volume 
produzido, permite considerável ganhos econômicos. 
 A margem de lucro, ou lucro líquido, depende de rendimento e dos 
preços de produtos, sejam eles grãos de soja, milho, sorgo, trigo etc., frutas, 
cana-de-açúcar; pode ser elevada com a aplicação de tecnologia. Desta forma, 
associando com escala, a atividade de produção de soja, por exemplo, pode 
tornar-se atrativa. Mesmo quando os preços praticados são baixos o menor 
rendimento unitário (R$/ha) pode se compensar pelo volume produzido. 
Portanto, margem de lucro associada à escala de produção tem contribuído 
para gerar riqueza e prosperidade, fortalecendo a agricultura brasileira e 
regional, em especial no Cerrado. 
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Figura 42. Empreendimento agrícola: Familiar, Médio e Grande. 
Contudo, em áreas de agricultura familiar, de menor escala, há ainda muito 
espaço para crescimento dos avanços obtidos nas áreas de mecanização, de 
manejo de plantas e de animais, de manejo dosolo, de controle fitossanitário 
integrado (plantas daninhas, pragas e doenças). Nestas áreas, a organização 
dos agricultores é de fundamental importância para produzir com agregação de 
valor. Esta é a forma que permite aumentar retorno financeiro por unidade de 
área, possibilitando a permanência de pequenos produtores na atividade rural. 
A racionalização do uso de insumos como corretivos, fertilizantes, 
inseticidas, fungicidas, herbicidas e combustíveis; os investimentos em 
máquinas, implementos, armazéns têm sido possíveis pelo uso de tecnologia 
Assim, o produtor tende a diminuir custos e aumentar rendimento, viabilizando 
o lucro. 
 Grande parcela do produto interno bruto (PIB) depende do sucesso na 
agricultura brasileira, Em especial no Cerrado, onde os investimentos iniciais 
para tornar o solo apto a produzir em nível econômico são elevados. 
Este cenário, que se apresenta ao estudante de agronomia, é uma amostra 
dos temas que serão abordados na área de ciências sociais aplicadas ao 
agronegócio, que integra o curso de agronomia. 
Relação entre Nutrição da Planta e Produção de Grãos: Soja 
Quando se pensa em adubação, depois do solo de Cerrado corrigido, leva-
se em consideração a exigência da cultura (soja, milho, sorgo, feijão etc.) e a 
expectativa de rendimento. Ou seja, a exigência da planta para o crescimento e 
reprodução e, depois de colhido o produto, grãos no caso, o quanto é 
exportado com a retirada destes. Ou seja, a adubação prevê a reposição de 
nutrientes que são levados ou exportados, para que o solo continue a manter a 
capacidade de rendimento esperado. Conhecendo-se a quantidade de 
nutrientes imobilizada/exportada e o rendimento (t/ha) esperado, pode-se 
escolher a fórmula de adubação e calcular a quantidade a ser usada. 
 
 
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Tabela 3. Distribuição de elementos químicos na planta de soja. 
 
Existem várias fórmulas de adubação que visam suprir as exigências 
plantas como 4–30–16, 4-14-8, 0-20-20, 20-10-20. Estes números referem-se 
aos valores percentuais dos nutrientes: nitrogênio, fósforo e potássio, em 
termos de N, P2O5 e K2O. Em 100 kg de fórmula tem-se, respectivamente, 4 de 
N, 30 de P2O5 e 16 de K20; 4 de N, 14 de P2O5 e 8 de K20; 0 de N, 20 de P2O5 
e 20 de K20; e 20 de N, 10 de P2O5 e 20 de K20. Portanto, quando se pretende 
adubar um hectare (ha) de feijão, usando 400 kg da fórmula 4-30-16, tem-se 
que serão aplicados 16 kg de N, 120 de P2O5 e 64 de K20. 
Em soja a adubação é feita com a fórmula 0-20-20, correspondendo aos 
mesmos elementos. A dose zero é porque a soja apresenta em suas raízes 
bactérias do gênero Bradyrhizobium. 
Estas são inoculadas por ocasião do plantio, adicionando-se às sementes 
um substrato, contendo colônias de bactéria (inoculante), produzido 
comercialmente. Dessa forma, economiza-se nitrogênio e o custo de produção 
da soja cria uma vantagem competitiva. 
 
Exercícios e Definições 
Produção de Soja e Adubação 
Considere dois agricultores que produziram soja semente e grão. Em áreas 
de 100 hectares (ha) para a produção de soja grão e de 200 hectares para a 
produção de soja semente, espera-se, em ambos, rendimento de 4,0 t/ha. 
Levando-se em conta que, após análise da composição do grão (ou semente), 
cada tonelada exporta 20 kg/ha de K2O, quantos quilos (ou toneladas) de 
fertilizante 0-20-20 se deve utilizar no total de cada área, para repor o que se 
exporta? Qual a receita líquida (total da área) de cada um considerando que: o 
produtor de grãos recebe R$1,20 e o de sementes R$1,80 por quilograma de 
produto e que o custo de produção seja de R$3.100,00 e de R$2.800,00 por 
hectare, respectivamente de sementes e grãos? 
Neste exemplo, espera-se no cultivo de soja rendimento 4,0 t/ha. Lembrando 
que cada tonelada produzida exporta na seguinte quantidade 1 t =20kg K2O; 
como o esperado é 4t= 4 x 20=80 kg/ha. 
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A solução, empregando-se cálculo simples regra de três, é como segue: 
 
100 kg - 20 
 x 80 x=400 kg/ha. 
O total de fertilizante: 
Área (a) 100 x 400 = 40.000 kg ou 40 t. 
 
Área (b) 200 x 400 = 80.000 ou 80 t. 
 
Receita Líquida (RL) = Receita bruta – Custos, ou 
 
RL(a) = 4,0 t x 100 = 400 t de soja grão ou 400.000 kg x R $ 1,2 = R $ 
480.000,00 – (R $2.800 x 100) = R $ 200.000,00; 
 
RL(b) = 4,0t x 200 = 800 t de soja semente ou 800.000 kg x 1,8 = 1.440.000 – 
(R $ 3.100 x 200) = R $ 820.000,00 
 
 
Estabelecimento de Pastagem: Consumo de Sementes e Custo 
 
 Um lote de semente de capim Tanzânia (Panicum sp., Poaceae) com 
valor cultural (VC) de 50% custa R$ 18,00/kg. Considerando que a pesquisa 
recomenda uma taxa de 3,0 kg/ha de sementes puras germináveis (SPG) e o 
produtor necessita estabelecer uma pastagem com 20 hectares, solicita se: 
a) Quantidade de sementes de capim que ele deverá adquirir. 
b) Valor (R$) a ser gasto com aquisição das sementes. 
 
VC = 50% SPG = (100 x 3) /50 = 6 kg . 
Respostas: a) Quantidade de sementes = 6 x 20 = 120 kg; b) Valor = 120 x 
18,00 = R $ 2.160,00 
 
 100 – 50 
 
 x 3 
 
 Definições 
 
Rendimento = produção por unidade de área, tendo como exemplo 4 
toneladas de soja produzidas em um hectare, ou 4,0 t/ha. 
Hectare (ha) = medida de área, correspondente a 10.000m2. A Fifa adota 
como medida padrão de um campo de futebol: 105m x 68m. Portanto, um 
campo de futebol soma pouco mais de ¾ de um hectare. 
Valor cultural é a proporção de sementes puras x a percentagem de 
germinação. Exemplo: um lote de sementes de braquiária apresenta 80 % de 
pureza. Isto quer dizer que em 100g, 80g correspondem à semente 
propriamente; os 20 % restantes são impurezas, como restos de planta, solo, 
pequenas pedras etc. Percentagem de germinação equivale dizer que, de 100 
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sementes lançadas ao solo, nem todas germinam; quando 80 delas germinam 
e emergem, originando plantas e formando uma lavoura, tem-se 80% de 
germinação. 
Quando se adquire semente de forrageira tem-se o valor cultural como 
indicativo da qualidade. Portanto uma semente com 80 % de pureza e 80 % de 
germinação, apresenta valor cultural de 0,8 x 0,8 = 0,64 ou 64 %. 
Semente = material de propagação produzido pelas plantas que atende um 
mínimo percentual de germinação, vigor e pureza. Exemplos: sementes de 
soja, feijão, milho, arroz etc. 
Grão = material produzido pelas plantas destinado ao consumo direto de 
seres humanos e de animais domésticos e à indústria. Exemplos: grãos de 
soja, feijão, milho, arroz etc. 
Lucro = total de receita obtida pela produção de grãos de soja, por exemplo, 
deduzindo-se os custos para produzir do plantio à colheita, incluindo 
beneficiamento, armazenamento e comercialização. 
 
Desafios aos Estudantes que Iniciam Agronomia 
Neste texto há inúmeras palavras e termos técnicos específicos da 
agronomia. Alguns deles foram definidos; muitos outros são novos para o 
estudante. Sugere-se que, com os meios de comunicação, se faça uma busca 
e relacione o significado com os eventos ou objetos representados. Espera-se, 
com exercícios de autoaprendizagem, que o estudante cresça em 
conhecimento e se interesse por desenvolver sua própria base de 
conhecimento. 
Como enfatizado em aula, aprendizagem é fruto da iniciativa individual, que 
por sua vez se origina da motivação. A motivação cria a vontade de aprender, 
de ampliar horizontes, a partir da referência existente. A motivação, por sua 
vez, advém de sonhos que alimentamos. Sonhemos, alto e forte, pois são os 
sonhos que guiam nossa vida. Ao fertilizarmos e cultivarmos esses sonhos 
poderosos, encontramos energia para lutar e vencer barreiras. 
Em nossa formação cada um de nós monta o arcabouço que servirá como 
norteador. Com esse espírito, o conhecimento, antes estático, desligado, passa 
a ter uma dinâmica, um ordenamento. O professor nestecenário é um 
motivador, esperançoso de que a semente caia no lugar certo; que germine, 
origine a planta e reproduza; que seus frutos sejam abundantes e 
compartilhados. Quem ainda não o fez, fica a recomendação de que leia a 
parábola do semeador (Lucas 8:4-8). Mais ainda, se o fizerem durante o curso, 
entenderão o porquê da comunicação Divina. 
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Tomem-se como exemplos outros campos de atividade – praticar esporte, 
como jogar bola, ouvir música, ler e outros. Com características próprias, cada 
campo escolhido permite identificar interesses e desencadeia-se a busca; o 
ganho em conhecimento e prática é consequência. Por associação, chega-se 
ao domínio mais complexo. Veja-se o uso de celular para obter informação de 
interesse; não há limites, correto? De novo, o ganho é rápido, juntando 
motivação, vontade, interesse e orientação. Assim, pense em usar os mesmos 
recursos para se aprofundar nos temas do curso de agronomia que virão à 
medida que cursar as disciplinas. Assim, gradativamente o arcabouço será 
preenchido e se terá adquirido a visão do todo. 
Isto vale para as disciplinas aplicadas e as básicas. Portanto, se na visão 
inicial do curso de agronomia, despertou motivação por um tema, utilize a 
vontade decorrente para vencer as barreiras até chegar ao que interessa. Lá 
perceberá que as disciplinas aparentando menor importância passam a compor 
o cenário de sua formação profissional. 
Com este texto, reunindo conceitos básicos, o professor espera que 
estudante encontre a motivação inicial para seguir com os desafios. Importante 
que se mencione, todas as áreas do conhecimento são marcadas por desafios. 
Portanto, independente da agronomia, qualquer campo de estudos terá essa 
peculiaridade. 
Vencer desafios tem norteado a busca incessante do ser humano. Incorpore 
esse conceito à sua formação, imagine-se diante do desconhecido, tentando 
entendê-lo. Examine, avalie, pondere as partes e as relações entre elas, como 
sugeriu o pensador René Descartes. Ao fazê-lo, perceberá a visão do todo, 
conseguirá explicar fenômenos, criará poder de decisão de como intervir. Por 
tentativa, a partir do empirismo, cresça em ciência; assim se forma o 
profissional. Esta é a esperança maior do professor. 
 
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