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EDUCAÇÃODIREITOSHUMANOS

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Complementação Pedagógica 
Coordenação Pedagógica – IBRA 
 
DISCIPLINA 
 
EDUCAÇÃO EM DIREITOS 
HUMANOS 
 
 
 
 
 
 
 
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SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 3 
OS DIREITOS FUNDAMENTAIS ............................................................................... 5 
Teoria dos direitos fundamentais ............................................................................... 5 
As declarações universais dos direitos e os tratados internacionais .......................... 8 
As dimensões/gerações dos direitos fundamentais .................................................. 13 
Direitos a prestações materiais ................................................................................ 18 
Direitos fundamentais de participação ..................................................................... 21 
Dimensões dos Direitos Fundamentais .................................................................... 21 
DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS E COLETIVOS E O REGIME JURÍDICO 
DOS MILITARES ..................................................................................................... 23 
OS MILITARES NA SOCIEDADE – TRATAMENTO DIFERENCIADO .................... 27 
O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO E A SEGURANÇA PÚBLICA................ 38 
PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS (PNEDH) ............ 44 
PRINCÍPIOS NORTEADORES DA EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS .......... 50 
Na Educação Básica ................................................................................................ 51 
METODOLOGIAS DE EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS .............................. 57 
EIXOS TEMÁTICOS PARA CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA ................................. 60 
OS DIREITOS DAS MINORIAS ÉTNICAS E RACIAIS ............................................ 66 
POLÍTICAS DE RECONHECIMENTO/AÇÕES AFIRMATIVAS ............................... 69 
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 79 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
Em 1997, Arendt já ponderava que globalização, políticas neoliberais, 
segurança global, eram realidades que estavam acentuando a exclusão, em suas 
diferentes formas e manifestações. Evidentemente não afetam, igualmente, a todos 
os grupos sociais e culturais, nem a todos os países e, dentro de cada país, às 
diferentes regiões e pessoas. São os considerados “diferentes”, aqueles que, por suas 
características sociais e/ou étnicas, por serem pessoas com “necessidades 
especiais”, por não se adequarem a uma sociedade cada vez mais marcada pela 
competitividade e pela lógica do mercado, os “perdedores”, os “descartáveis”, que 
vêm, a cada dia, negado o seu “direito a ter direitos”. 
Entretanto, bem antes, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos 
da Organização das Nações Unidas (ONU) já havia desencadeado um processo de 
mudança no comportamento social e a produção de instrumentos e mecanismos 
internacionais de direitos humanos que foram incorporados ao ordenamento jurídico 
dos países signatários. Esse processo resultou na base dos atuais sistemas global e 
regionais de produção dos direitos humanos (PNEDH, 2007). 
Concordamos com Candau (2007) ao inferir que a Educação em Direitos 
Humanos ainda é um desafio fundamental, principalmente no sentido de avançar em 
sintonia com sua paixão fundante: seu compromisso histórico com uma mudança 
estrutural que viabilize uma sociedade inclusiva e a centralidade dos setores 
populares nesta busca. Estas opções constituíram – e acreditamos que continuam 
sendo – a fonte de sua energia ética e política. 
Este módulo que busca refletir, discutir, analisar, conhecer os objetivos da 
Educação em Direitos Humanos tem suas bases teóricas no Plano Nacional de 
Educação em Direitos Humanos (PNEDH) e em três dimensões que são 
indispensáveis para o desenvolvimento dessa educação e para a cidadania 
democrática, a saber: 
• a dimensão intelectual e a informação, pois o início da formação do 
cidadão começa por informá-lo e introduzi-lo nas diferentes áreas do conhecimento. 
A falta ou insuficiência de informações reforça as desigualdades, fomenta injustiças e 
pode levar a uma verdadeira segregação. No Brasil, aqueles que não têm acesso ao 
ensino, à informação e às diversas expressões da cultura “lato sensu”, são, 
justamente, os mais marginalizados e “excluídos”; 
 
 
 
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• a dimensão ética, vinculada a uma didática dos valores republicanos e 
democráticos, que não se aprendem intelectualmente apenas, mas especialmente 
através da consciência ética, formada tanto por sentimentos quanto pela razão; fruto 
da conquista de corações e mentes; 
• a dimensão política, desde a escola de educação infantil e ensino 
fundamental, no sentido de enraizar hábitos de tolerância diante do diferente ou 
divergente, assim como o aprendizado da cooperação ativa e da subordinação do 
interesse pessoal ou de grupo ao interesse geral, ao bem comum. 
Pois bem, nosso caminho passa necessariamente por uma introdução aos 
direitos fundamentais, a evolução das declarações e dos tratados internacionais, as 
dimensões/gerações desses direitos. 
Num segundo momento, veremos justamente o PNEDH, seus objetivos, os 
princípios norteadores e discorreremos sobre metodologias de Educação em Direitos 
Humanos. 
Não poderíamos deixar de fora os eixos que sustentam a cidadania, quais 
sejam, a ética, a convivência democrática e a própria cidadania; nem mesmo discorrer 
sobre os direitos das minorias étnicas e raciais, bem como ressaltar a importância das 
políticas de reconhecimento e ações afirmativas. 
Não só para aqueles que enveredam pela seara da educação, mas 
principalmente eles, é preciso sempre buscar caminhos que afirmem uma cultura de 
direitos humanos, que penetre todas as práticas sociais e seja capaz de favorecer 
processos de democratização, de articular a afirmação dos direitos fundamentais de 
cada pessoa e grupo sociocultural, de modo especial os direitos sociais e econômicos, 
com o reconhecimento dos direitos à diferença. 
Antes de iniciarmos nossas reflexões vamos a duas observações que se fazem 
necessárias: 
Em primeiro lugar, sabemos que a escrita acadêmica tem como premissa ser 
científica, ou seja, baseada em normas e padrões da academia. Pedimos licença para 
fugir um pouco às regras com o objetivo de nos aproximarmos de vocês e para que 
os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicas. 
Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das 
ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se 
tratando, portanto, de uma redação original. 
 
 
 
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Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se muitas 
outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem servir para 
sanar lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos. 
 
OS DIREITOS FUNDAMENTAIS 
 
Teoria dos direitos fundamentais 
Definir conceitos e esclarecer confusões que se fazem entre os direitos 
fundamentais e os direitos humanos é o primeiro passo para a construção do nosso 
pensamento que pretende chegar à Educação em Direitos Humanos e aos direitos 
das minorias étnico-raciais. 
Grosso modo, os direitos do homem são os direitos naturais, intrínsecos ao 
homem e reconhecidos em documentos internacionais, já os direitos fundamentais 
tem a marca da positivação, isto é, é um direito reconhecido pelo sistema.

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