Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

CAPÍTULO 1
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO 
E CONCEITOS ASSOCIADOS
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 Conhecer os conceitos básicos, defi nições e a evolução da logística.
 Identifi car os objetivos e importância da logística.
 Analisar as oportunidades de aplicação dos princípios da logística empresarial.
10
 Logística e Distribuição
11
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
CONTEXTUALIZAÇÃO
A logística tornou-se uma parte importante do sistema econômico de negócios 
e uma das principais atividades econômicas mundiais nos últimos anos. As 
atividades logísticas podem acelerar o crescimento econômico e a produtividade. 
Uma logística efi ciente é um determinante importante para países competitivos e 
uma fonte de empregos.
Pode-se compreender a importância do tema deste curso fazendo a seguinte 
pergunta: por que eu devo estudar logística? Nas várias respostas se encontram 
aspectos na história recente e antiga, da mesma forma que em questões atuais 
e também no futuro que se pode prever. Futuramente o ambiente econômico 
demonstrará a logística como um campo mais relevante do que hoje. Mesmo a 
economia doméstica crescendo pouco, em relação ao passado, devido à menor 
taxa de natalidade, as limitações da disponibilidade de recursos, tais como fontes 
de matérias-primas e a crescente competição com produtores e varejistas globais. 
As empresas aumentarão o seu foco em gerenciar seu crescimento com o objetivo 
de competir por maior participação de mercado. Quanto mais isso acontecer, 
maior atenção será dada à distribuição, que pode consumir signifi cantes 
percentuais do Produto Nacional Bruto (PNB). Logo, quanto menores forem os 
custos de distribuição, maiores serão as margens de lucro e as possibilidades de 
investimento. Isso também signifi ca dizer que a distribuição fi cou mais efi ciente. 
Podemos ver vários aspectos para entender a importância da logística. 
O comércio exterior, especialmente de exportação, é muito importante para 
aumentar a economia e taxa de crescimento de um país. Além disso, a exportação 
desempenha um papel fundamental para os países que buscam ter uma fatia 
maior do mercado global. Os níveis de satisfação e sustentabilidade dos países 
dependem da exportação de produtos de alto valor agregado e do aumento 
da diversidade de produtos para estes mercados. As operações de comércio 
exterior são cada vez mais complexas, o que reforça a importância da logística. A 
logística é um componente crítico e relevante em todos os setores da agricultura, 
manufatura e serviços. As operações logísticas recebem um papel de destaque, 
que consiste em apoiar de forma decisiva o comércio local e internacional 
através do gerenciamento competitivo dos fl uxos de produtos e serviços e suas 
informações.
Os custos logísticos, com destaque aos custos de armazenagem e 
transportes, se constituem num expressivo componente do custo total dos 
produtos comercializados. Ampliando nossa base de análise para um mundo 
globalizado e com as indústrias se internacionalizando, a logística torna-se cada 
vez mais decisiva e importante, pois a demanda por suprimento das indústrias 
12
 Logística e Distribuição
e a distribuição de produtos ao mercado se elevam a escalas 
impressionantes. Logo, qualquer pequeno erro é amplifi cado em muito. 
Veja que, se uma parte signifi cativa dos custos logísticos não foram bem 
gerenciados, através de processos e operações efi cazes e efi cientes, 
as receitas e a lucratividade estarão seriamente comprometidas. É o 
que podemos identifi car nos vários portos do Brasil, onde a espera para 
um navio atracar pode levar dias, visto que a capacidade dos portos é 
limitada. Outro fator é a demora no carregamento e descarregamento 
do navio, novamente temos um problema de intralogística, ou seja, uma logística 
interna de movimentação.
Considere outra questão importante. A grande preocupação com a 
disponibilidade de alimentos para abastecer a população mundial. Sabe-se que 
um elevado percentual do suprimento de alimentos perecíveis é perdido durante 
a distribuição. Logo, as ações contra a fome mundial passam também por uma 
logística efi ciente.
Este capítulo trata dos diferentes conceitos relacionados à logística e sua 
evolução. Vamos conhecer as atividades integrantes da logística e estudar as 
possibilidades de aplicação dos princípios da logística em diferentes ambientes 
de negócio.
A LOGÍSTICA: HISTÓRIA, CONCEITOS E A 
EVOLUÇÃO
A logística é utilizada desde os primórdios da história humana, tais como 
nos relatos bíblicos sobre líderes militares e suas guerras, que duravam longos 
períodos. Eram necessários grandes e frequentes deslocamentos de materiais 
e pessoas. As sociedades mais primitivas, em sua estrutura econômica, tinham 
como único objetivo assegurar a sua sobrevivência, usando os recursos oferecidos 
pelos meios físicos locais, a economia estava limitada a produzir variedades 
restritas de produtos, nas exatas quantidades demandadas. Nestas comunidades 
a cesta de consumo era determinada pelas potencialidades de suas regiões, mas 
dependia das habilidades e heranças técnicas da comunidade. Uma exceção de 
destaque são os Egípcios, no século IV a.C., organizados como um Estado e 
realizavam trocas com outros povos. Estas condições de comércio perduraram 
até o fi nal da Idade Média (RODRIGUES; PIZOLLATO, 2004).
A partir do século XVI, com a ascensão da classe de comerciantes, 
denominada de burguesia, se ampliaram as trocas de mercadorias com o exterior 
e a expansão dos sistemas de produção, desenvolvimento social e econômico do 
É o que podemos 
identifi car nos vários 
portos do Brasil, 
onde a espera 
para um navio 
atracar pode levar 
dias, visto que a 
capacidade dos 
portos é limitada.
13
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
homem. Surgiu também a necessidade de um esforço elementar de produção, 
comercialização, transporte e armazenagem, atrelado à necessidade de 
sobrevivência. Devido especialmente à ausência de um sistema de transporte 
bem desenvolvido e de adequados sistemas de armazenagem de produtos, se 
limitou consideravelmente o movimento de mercadorias. A limitação era tanto no 
transporte de bens como na capacidade de cada indivíduo em particular, pois não 
havia tecnologia para estocagem de produtos perecíveis por longos períodos de 
tempo (RODRIGUES; PIZOLLATO, 2004).
 
O termo “logística” tem origem francesa. Admite-se que se originou do verbo 
loger que signifi ca alojar (termo usado pelos militares e que compreendia as 
atividades relativas ao transporte, ao abastecimento e ao alojamento das tropas) 
e do grego Logos, que signifi ca razão, segundo Lovelock (1996) e Magee (1977).
Este termo é também admitido como derivado do cargo “maréchal des logis”, 
no exército francês a partir do século XVII, o qual era responsável por rotinas 
administrativas para marchas, acampamentos e aquartelamentos (logis). Nesse 
contexto é normal que as primeiras defi nições formais de logística tenham 
saído do meio militar. Conforme Lustosa et al. (2008), uma das mais conhecidas 
é atribuída ao trabalho intitulado Précis de I`Arte de la Guerre (em Português, 
Sumário da Arte da Guerra), publicado em 1838, que dividiu a arte da guerra em 
cinco grupos: estratégia, grande tática, logística, engenharias e pequena tática.
Com a evolução da complexidade militar, o termo se popularizou e evoluiu 
para abranger um vasto espectro de atividades não beligerantes, especialmente 
aquelas relacionadas com transportes, suprimentos, construções, assistência e 
evacuação de feridos e doentes. Mais recentemente, na terminologia militar, a 
palavra administração foi largamente substituída pelo termo logística. Lovelock 
(1996) informa que ao longo da história, as guerras têm sido ganhas e perdidas 
por meio do poder e dacapacidade logística. 
Conforme Pozo (2010), apesar de toda evolução da logística até a década de 
1940, pode-se dizer que eram ainda poucos estudos e publicações sobre o tema. 
Na Segunda Guerra Mundial a logística teve um papel fundamental na invasão 
da Europa pelas Forças Aliadas. A inteligência americana, com a consultoria 
de professores de Harvard, estudou mais a fundo a Logística, para sua melhor 
utilização na participação americana na Segunda Guerra Mundial. No pós-guerra, 
estes consultores tornaram-se os primeiros professores da disciplina Logística 
Empresarial em Harvard, nos anos 1950 (NOVAES, 2007).
Já nos anos 1950 e 1960, as organizações começaram a se focar na 
satisfação do cliente, e então surgiu o conceito de logística empresarial, 
motivado por um novo comportamento do consumidor. Nos anos 1970, assiste-
14
 Logística e Distribuição
se à consolidação dos conceitos como o MRP (Material Requirements Planning), 
Kanban e Just-in-time.
Material Requirements Planning (MRP) é um sistema de 
planejamento de produção e controle de estoque, que integra dados 
do sistema de inventário e a lista de materiais para estabelecer 
os momentos de compra e transporte das partes ou componentes 
necessários à confecção de um produto. O MRP II (Manufaturing 
Resources Planning), como evolução do MRP, além das quantidades 
e momentos de aquisição ou fabricação de cada item, calcula e 
planeja os recursos a serem utilizados.
O Just-in-time é uma fi losofi a de gestão que estabelece 
princípios para gestão de inventário de materiais ou produtos a fi m 
de que sejam produzidos ou adquiridos conforme a demanda exigida, 
eliminando ao máximo os estoques.
Segundo Novaes (2007), a partir da década de 1970 e início dos anos 
1980, signifi cativas mudanças econômicas e estruturais passaram a afetar as 
sociedades comercialmente desenvolvidas e industrializadas. No início dos anos 
1970, foram desenvolvidos e implantados programas diversos, como os círculos 
de qualidade, os sistemas de planejamento da produção (MRP e MRP II) e os 
programas de qualidade de vida no trabalho. Na década de 1980 e início dos 
anos 1990, surgiram as campanhas para melhorar a produtividade, o sistema 
just-in-time, a reengenharia, kaizen, dentre outros. Neste momento a logística 
passou por um desenvolvimento revolucionário, determinado pelas demandas 
ocasionadas pela globalização, pela mudança na economia mundial e pelo grande 
uso de computadores na administração. Nesse novo contexto da economia 
globalizada, as empresas passam a competir em nível mundial, mesmo dentro 
de seu território local, sendo obrigadas a passar de moldes multinacionais de 
operações para moldes globais de operação. 
15
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
No início de 1991, na Guerra do Golfo, os Estados Unidos e seus aliados, 
por meio de processo logístico, movimentaram, em poucos meses, meio milhão 
de pessoas e suprimentos, mais de 2,3 milhões de toneladas de equipamentos, 
ao longo de 12 mil quilômetros. Como demonstrado nas últimas e mais 
conhecidas guerras, Coreia, Vietnan, Malvinas e Iraque, o papel da logística foi de 
extraordinária importância e progressiva complexidade (LOVELOCK, 1996).
Também no início dos anos 90, C. K. Prahalad e Gary Hamel introduziram 
o termo “core competence”, mostrando que empresas bem-sucedidas, como 
a Canon e a Honda, eram mais que portfólios de negócios. Elas haviam se 
concentrado em determinadas capacidades (ou competências) que as colocavam 
à frente dos concorrentes (WOOD JR., 1998). O que não é difícil de entender, 
pois considerando a escassez de recursos e na busca de reduzir o tamanho das 
organizações para aplicar os recursos nas atividades relacionadas às melhores 
e maiores competências da organização, se tem maior possibilidade de grandes 
retornos. Daí um forte motivo para terceirizar os serviços logísticos, tornando-se 
uma tendência iniciada na fase da reengenharia e que é praticada até hoje nas 
organizações modernas. 
A falta de sistemas logísticos bem desenvolvidos e de baixo custo 
vem impedindo que o intercâmbio de mercadorias ocorra de forma 
sistemática com outras áreas produtivas do nosso próprio país. As 
fontes de matéria-prima, a fábrica e os pontos de venda ou de uso não 
estão geralmente no mesmo lugar, então existe um hiato de tempo e 
espaço entre eles, que se chama Canal.
Mesmo hoje, áreas geográfi cas de alguns países do continente 
asiático e africano ainda sobrevivem em pequenas aldeias, com 
baixíssima efi ciência produtiva e um padrão de vida próximo à pobreza. 
As fontes de 
matéria-prima, a 
fábrica e os pontos 
de venda ou de 
uso não estão 
geralmente no 
mesmo lugar, então 
existe um hiato de 
tempo e espaço 
entre eles, que se 
chama Canal.
A vantagem competitiva é criada pela vantagem que uma 
organização tem sobre seus concorrentes, o que pode gerar maiores 
receitas de vendas, ou melhores margens de lucro, ou ainda reter 
mais clientes. É importante saber que existem vários tipos de 
vantagem competitiva.
16
 Logística e Distribuição
Os sistemas logísticos, à medida que começaram a melhorar, as mercadorias 
e os bens de consumo passaram a ser levados das áreas produtivas até outros 
centros de consumo. Os sistemas logísticos mais efi cientes trouxeram a viabilidade 
de adoção da vantagem comparativa, enunciada por David Ricardo em 1820 e 
descrita por Bortoto (2007): cada país ou região pode concentrar-se em produzir 
aqueles produtos que têm mais vocação e melhores condições de produção. 
Considerando que há condições de transferir através de comércio adequado e de 
uma logística efi ciente o excesso de produção para outras regiões, e de importar 
os demais produtos não produzidos na região. 
Embora, dentro de uma ótica mais ampla, a logística tenha existido desde o 
início da civilização, a sua implementação tornou-se uma das áreas operacionais 
mais desafi adoras e interessantes na atualidade. A Logística exerce um dos 
principais papéis no sucesso de implementações e gerenciamento de Cadeias de 
Suprimento.
A cadeia de suprimento pode ser defi nida como um grupo de 
organizações, como fornecedores de matérias-primas, fabricantes, 
distribuidores, atacadistas, varejistas, interligado por vários 
processos, e que cooperam para que o produto fi nal chegue ao 
cliente fi nal. 
Desta forma, para que as organizações consigam atender a essas exigências 
dos consumidores, as empresas ampliam cada vez mais suas opções de produtos 
e serviços. A Logística Empresarial começa nesta necessidade do cliente, sem 
essas necessidades não ocorreria movimento da produção (BOWERSOX; 
CLOSS, 2007).
Nesse ambiente de mudanças contínuas, melhor denominado como 
revolução, que ocorreu no setor industrial, o paradigma da produção ágil e fl exível 
veio substituir a produção em massa. Também ocorreu uma revolução no setor de 
distribuição, bastante infl uenciado pelas exigências da adoção do JIT. Também 
em função da maior complexidade nas operações logísticas e maiores exigências 
por efi ciência ao longo dos canais de distribuição.
17
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
Um canal de distribuição ou canal de marketing é uma rede 
de indivíduos e organizações, tais como fabricantes, distribuidores, 
representantes comerciais, atacadistas, varejistas, operadores 
logísticos, associados para a distribuição de produtos ou serviços até 
estes chegarem ao cliente fi nal. 
As novas exigências para a atividade logística no Brasil e no mundo se 
confi rmaram dentro deste novo cenário onde se pode destacar o maior controle 
e a identifi cação de oportunidades relacionadas a prazos previamente acertados 
e cumpridos integralmente, ao longo de toda a cadeia de suprimento; integração 
efetiva e sistêmica entre todos os setores da organização; integração efetiva e 
estreita (parcerias) com fornecedores e clientes; a busca da otimizaçãoglobal, 
envolvendo a racionalização dos processos e a redução de custos em toda a 
cadeia de suprimentos; e ainda a satisfação plena do cliente, mantendo nível 
de serviço preestabelecido e adequado (exemplo: Resposta Efi ciente ao 
Consumidor - ECR, entre outros).
O ECR foi um movimento setorial organizado com o objetivo de 
tirar proveito do Gerenciamento da Cadeia de Suprimento no âmbito 
do setor de produtos de consumo e varejo alimentar para redução de 
custos e melhoria dos serviços na cadeia.
Na descrição do ambiente de revolução onde surgiram a logística empresarial 
e o Gerenciamento da Cadeia de suprimento, Sink, Langley Jr. e Gilson 
(1996) identifi cam como a era da reengenharia, de estoques reduzidos e de 
competição globalizada. Quando a nova competição se estabeleceu e os grandes 
competidores apresentaram custos mais baixos, gestão mais efi caz ou uma 
invejável capacidade de inovação, muitas organizações passaram a concentrar 
seus esforços nas atividades centrais, as chamadas “core competences” ou 
“competências essenciais”, que são críticas para a sua sobrevivência. 
Neste contexto dinâmico começaram a aparecer as primeiras redes 
varejistas, que se depararam com dois grandes problemas: a questão relacionada 
18
 Logística e Distribuição
à manutenção de bons níveis de estoques para atender prontamente seus 
clientes, o que signifi ca altos custos e margens de lucros comprimidas, além da 
defi ciência na distribuição física destinada a levar os produtos até os clientes.
À medida que a economia se expandia, os consumidores demandavam uma 
maior variedade de mercadorias e, consequentemente, os problemas apontados 
cresciam exponencialmente, pois as exigências dos consumidores acabavam 
por elevar os custos dos estoques e os custos de distribuição, especialmente 
devido à gestão inadequada dos processos logísticos, não podendo atender à 
sazonalidade (altos e baixos) do consumo. 
Tal situação levou a estudos mais profundos destinados a melhorar o nível de 
atendimento aos consumidores, otimização dos processos de manufatura e dos 
sistemas logísticos.
Hoje em dia, a logística tem sido uma grande infl uência, não 
só na viabilização de implantação e Gerenciamento de Cadeias de 
Suprimento, mas também no próprio desenvolvimento econômico dos 
países. Nos Estados Unidos, a logística contribui com percentuais 
relevantes do PIB. A indústria americana gasta bilhões de dólares 
em transporte de cargas, em armazenamento e estoques, e no 
gerenciamento, controle e informatização do sistema logístico, que 
também ocorre no Brasil.
O leste asiático adota a política de custo mínimo de mão de 
obra, alta tecnologia de produção e a logística efi ciente para torná-los altamente 
competitivos diante dos demais competidores globais, o que confi gura a logística 
como o elemento central das estratégias corporativas na competição global.
O ciclo de vida dos produtos está cada vez menor, impondo uma 
comercialização de produtos muito efi ciente. Além disso, os mercados estão 
cada vez mais inclinados a aceitar produtos substitutos se sua primeira opção 
não estiver disponível. A cada novo produto tem-se várias implicações no 
gerenciamento da cadeia de suprimentos e da logística em função da redução 
dos tempos, compressão do ciclo dos pedidos, dos esforços crescentes na 
qualifi cação e desenvolvimento de fornecedores, do redimensionamento dos 
inventários e do sistema de transporte, bem como do nível de serviço ao cliente.
Então, em função do que vimos até aqui, conseguimos compreender o 
desenvolvimento da logística, os motivos que levaram a este desenvolvimento e a 
importância da logística para a economia e para as organizações.
Hoje em dia, a 
logística tem 
sido uma grande 
infl uência, não só 
na viabilização 
de implantação e 
Gerenciamento 
de Cadeias de 
Suprimento, mas 
também no próprio 
desenvolvimento 
econômico dos 
países.
19
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
CONCEITOS E DEFINIÇÕES
A logística como um todo tem por fi nalidade tornar disponíveis 
produtos e serviços no local onde eles são necessários, no exato 
momento em que esses bens e serviços são desejados. 
Vale lembrar que a missão da logística é entregar o produto certo, 
na quantidade certa, no tempo solicitado, em perfeitas condições e com 
o menor custo de movimentação possível. 
O serviço ao cliente é composto por todas as interações entre 
um cliente e o fornecedor do produto, antes da venda, no momento 
da venda e depois da venda. O serviço ao cliente agrega valor aos 
produtos e serviços em função da perspectiva e perfi l do mercado 
consumidor. 
Vale lembrar 
que a missão da 
logística é entregar 
o produto certo, na 
quantidade certa, 
no tempo solicitado, 
em perfeitas 
condições e com 
o menor custo de 
movimentação 
possível.
A logística deve ser vista como o elo entre o mercado e a atividade 
operacional da empresa, tendo seu raio de ação sobre toda a organização até 
a entrega do produto fi nal. Sob o ponto de vista estratégico, a missão 
do gerenciamento logístico é planejar e coordenar todas as atividades 
necessárias para alcançar níveis desejáveis de qualidade dos serviços 
ao custo mais baixo possível (Christopher, 1997). Para que haja 
integração e se atinjam estes objetivos, é necessário unir a demanda 
à oferta. Para isso, as áreas de produção e marketing devem trabalhar 
juntas. A função marketing, voltada ao consumidor, busca compreender 
e satisfazer as necessidades dos consumidores e o nível de serviço 
desejado. A gestão dos processos produtivos busca colaborar para o 
estabelecimento da vantagem competitiva em custos, qualidade etc. 
A logística une estas duas pontas e coordena as atividades de apoio, 
movimentação, transporte, administração de materiais, compras, distribuição etc. 
(CARLINI, 2002).
O desafi o da logística é tornar-se uma “competência essencial” nas empresas. 
Isto envolve a gestão das cadeias físicas e virtual de valores (Bowersox; Closs, 
2001).
Ponto de vista 
estratégico, 
a missão do 
gerenciamento 
logístico é planejar 
e coordenar todas 
as atividades 
necessárias para 
alcançar níveis 
desejáveis de 
qualidade dos 
serviços ao custo 
mais baixo possível
20
 Logística e Distribuição
Anteriormente, a logística era vista como fronteira fi nal para 
redução de custos. Sabemos hoje que é um importante diferencial 
competitivo, sendo cada vez mais vista como elemento central na 
prestação de serviço. E estes serviços agregam valores aos produtos 
tornando-os mais competitivos frente aos demais. Porém, é importante 
mencionar que a empresa deve estar se atualizando constantemente 
em relação à logística, através de sistemas (softwares), equipamentos 
de controle e movimentação, bem como aos sistemas de estocagem.
Para melhor apresentar a relevância da logística na economia, 
podemos avaliar o varejo. As atividades varejistas são muito 
importantes para a economia. Por exemplo, de acordo com o IBGE (Pesquisa 
Anual do Comércio, 2001), o comércio no Brasil corresponde a cerca de 26,1 % 
do PIB.
As relações interpessoais no comércio varejista não ocorrem de forma aleatória 
ou sem nexo, e dependem de um conjunto de forças de natureza econômica, 
social e tecnológica que estão por trás do comportamento dos fabricantes, dos 
comerciantes e dos consumidores fi nais dos produtos. Conforme Novaes (2007), 
geralmente as organizações compram em atacadistas, distribuidores e fabricantes, 
mas as pessoas físicas compram no comércio varejista. As questões relacionadas 
a “quando” e “o quê” comprar estão relacionadas ao domicílio, a mecanismos 
mentais e psicológicos que estão por trás dos valores e do comportamento dos 
consumidores. Dentre as várias expectativas e/ou necessidades que impulsionam 
o consumidor típico, podemos destacar algumas que dependem da logística 
(NOVAES, 2007):
a) A informação sobre o produto
Seu preço, uso, restrições de funcionamento, vantagenscompetitivas. Hoje 
se pode observar uma dinâmica muito grande na oferta de produtos. Produtos 
se aprimorando, incorporando novos elementos e novas tecnologias. Não só os 
produtos eletrônicos, como também os produtos de consumo corrente. Podemos 
pensar no leite, que era oferecido em garrafa, depois em saco plástico e agora 
embalagem tipo tetrapak e similares. Além disso, o mesmo leite apresenta 
normalmente um grande número de variações, em termos de sabor, tamanho, 
componentes, qualidade, e obviamente o preço. 
Essa dinâmica gera uma grande demanda de informação por parte do 
consumidor. Mesmo a área de marketing fazendo campanhas publicitárias, 
pesquisas mercadológicas e contato direto com o consumidor, restam esforços 
Porém, é importante 
mencionar que a 
empresa deve estar 
se atualizando 
constantemente em 
relação à logística, 
através de sistemas 
(softwares), 
equipamentos 
de controle e 
movimentação, bem 
como aos sistemas 
de estocagem.
21
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
importantes a serem aplicados, cabendo à logística uma parte importante na 
disseminação da informação. 
A logística é na empresa a área que dá condições práticas de realização 
de metas defi nidas pelo setor de marketing, e que muitas vezes são construídas 
dentro do planejamento estratégico. Como exemplo, mencionamos um evento 
muito comum, os encartes de supermercados e demais redes varejistas, quando 
no primeiro dia de promoção e no primeiro horário, não se encontra o produto 
anunciado nas lojas. Demonstra um problema no fl uxo de informação e fi ca 
claro que todo o esforço resulta em prejuízo para o varejista e até mesmo a 
desconstrução de sua imagem junto ao consumidor. As informações relacionadas 
aos produtos são por defi nição o escopo da logística, como se poderá verifi car 
mais à frente, neste capítulo, não só nas defi nições, mas também com as questões 
práticas a serem vistas neste curso.
b) O produto 
O produto em si mesmo, na forma e na qualidade desejadas. Está relacionado 
a como o consumidor deseja receber seu produto, o que pode facilitar seu 
manuseio, estocagem, movimentação e até mesmo nos fatos de venda. Signifi ca 
o respeito ao prazo de entrega desejado e contratado pelo consumidor, tipo de 
embalagem, dentre outros aspectos, tal como se estabelece para o escopo da 
logística. 
A competitividade força as empresas a não trabalharem com foco apenas 
no produto ou serviço, mas sim na combinação dos dois, formando o “pacote 
de valor” ou “pacote produto-serviço”. Adota-se esta abordagem cada vez mais, 
pois se considera que empresas não fornecem puramente bens ou serviços, 
mas sim uma combinação entre eles, que deve ser bem gerenciada para que 
haja satisfação do cliente e a lucratividade adequada. Por exemplo, considere 
um restaurante, em que não pode haver um desequilíbrio entre a qualidade do 
atendimento (serviço) e a qualidade dos pratos (produto). 
Existem características inerentes aos produtos e serviços que implicam nas 
estratégias das empresas adotadas, tais como a validade do produto, custos 
com estoque, custo com ociosidade, e que devem ser analisados e buscar-se 
um ponto de equilíbrio no qual viabilize a estratégia adotada, considerando os 
custos, o nível de serviço adequado ao consumidor e a lucratividade. É importante 
lembrar que a disponibilidade de um produto é um serviço prestado ao consumidor 
e que depende dos estoques mantidos e dos custos associados. Desta forma, se 
consegue ver a importância da logística no projeto e desenvolvimento de produtos.
22
 Logística e Distribuição
c) Posse do produto no momento desejado
Representado pelo cumprimento dos prazos prometidos e 
acordados, no que se refere à entrega do produto adquirido. A logística 
é que dá condições reais de garantir ao consumidor a posse do produto 
no momento desejado. Para alguns produtos é comum o vendedor 
prometer a entrega do produto numa certa data e determinado período, 
havendo uma quebra de compromisso por defi ciência no sistema de 
informação, nas operações do depósito e no transporte. 
Imaginemos o transtorno que é receber um produto que tem sua 
venda estabelecida para determinada época, com dias ou semanas de 
atraso, como por exemplo os produtos para venda em época de natal, 
páscoa, dia das mães. Sem dúvida serão devolvidos, o que representa 
um cancelamento de pedido ou venda.
d) A continuidade na relação entre o consumidor e o varejista
Caracteriza a fase de pós-venda (garantia, serviço de manutenção e 
consertos etc.). Esta fase talvez seja uma das maiores fragilidades dos bens 
duráveis no Brasil. Os maiores problemas estão no âmbito do fabricante (falta de 
peça de reposição, falta e defi ciência da assistência técnica, preços de serviços 
abusivos etc.). Mais uma vez, a fase de vida pós-venda é integrante do escopo da 
logística.
 A logística, além de ser uma ferramenta gerencial contemporânea, é também 
uma importante atividade econômica. A importância da logística está no fato de 
que ela permite administrar o fl uxo dos bens de onde eles são produzidos para o 
local certo de consumo, na forma desejada, no tempo certo e com um custo 
correto.
Em outras palavras, a logística permite agilizar a circulação das mercadorias 
desde o fornecedor da matéria-prima até o consumidor fi nal do produto acabado 
com ciclos temporais menores, com custos menos elevados e com nível de 
serviço adequado às necessidades dos clientes.
A logística começou a se estender ao meio empresarial, de maneira ainda 
restrita e fragmentada. As atividades que atualmente são consideradas logísticas 
estavam com atribuições fragmentadas, conduzindo à subotimização dos custos 
e do nível de serviço ao cliente, trazendo diversos objetivos colidentes. Os 
profi ssionais de produção desejavam aumentar grandes rodadas de produção, 
Imaginemos o 
transtorno que é 
receber um produto 
que tem sua venda 
estabelecida 
para determinada 
época, com dias ou 
semanas de atraso, 
como por exemplo 
os produtos para 
venda em época 
de natal, páscoa, 
dia das mães. 
Sem dúvida serão 
devolvidos, o que 
representa um 
cancelamento de 
pedido ou venda.
23
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
com poucas paradas (setup) para confi gurar máquinas, preferencialmente com 
poucos tipos de produtos sendo produzidos para que as máquinas não parassem, 
diminuindo o custo de produção, mesmo que isso signifi casse altos estoques. 
De outro lado, os profi ssionais ligados ao transporte sempre escolhiam em 
função dos menores fretes a fi m de reduzir os custos de transporte, buscando 
transportar grandes quantidades, maximizando a ocupação dos equipamentos 
de transporte. Da mesma forma não se importando com os custos elevados de 
estoque. 
A área de marketing sempre buscava atender aos pedidos dos clientes, 
preferindo os transportes mais rápidos e por consequência, mais caros, sem se 
preocupar com as quantidades a serem transportadas, pois visavam atender aos 
clientes, mesmo que o custo de transporte fosse elevado. 
Os responsáveis pelas atividades buscavam otimização de suas áreas 
sem se preocupar com as demais áreas e seus resultados. E não observavam 
os resultados da organização como um todo, que trazia repetidamente a referida 
subotimização dos custos.
Apesar de injustifi cável, a fragmentação logística ocorria pela falta de 
entendimento dos trade-offs de custo, pela inércia causada pelas convenções 
e tradições, pela atenção devotada a áreas julgadas mais importantes que a 
logística (BALLOU, 2001). Os problemas decorrentes dessa fragmentação eram 
percebidos nos custos logísticos que se elevavam. A noção de que a coordenação 
das atividades poderia reduzir os altos custos, melhorar o serviço ao cliente e 
diminuir os confl itos interdepartamentais propulsionou a emersão do importante 
conceito da integração logística (LAMBERT; ARMITAGE, 1979).
O Trade-off,no âmbito da logística, é uma técnica que se 
utiliza da redução ou perda de um ou mais resultados desejados 
em troca de aumento ou ganho de outros efeitos pretendidos, desde 
que se maximize o rendimento total ou a efi cácia sob determinadas 
circunstâncias. Nada mais é do que uma troca onde você desiste de 
alguma coisa em troca de obter outra coisa deseja.
24
 Logística e Distribuição
Figura 1 – O papel da logística: unir bons produtos a bons mercados
Fonte: O autor.
A vantagem competitiva está relacionada ao conjunto de características 
dos produtos e serviços de uma organização, que a diferencia dos demais 
competidores. Atualmente a logística é uma das atividades que vem oferecendo 
vantagem competitiva, uma vez que busca prover ao cliente com os níveis de 
serviços desejados pelo mercado. A logística integrada é a visão e a prática 
gerencial que considera a integração da organização interna e externamente, 
na busca da otimização do sistema como um todo e não apenas de um dos 
seus subsistemas. Colocando os resultados da organização como prioritários 
em relação aos resultados individuais das áreas e suas atividades setoriais da 
organização.
A logística integrada é um campo de estudo mais recente da gestão 
integrada, onde as atividades logísticas são desempenhadas de forma 
coordenada e dentro de uma visão sistêmica. Consiste num conjunto 
de componentes interligados, todas as unidades organizacionais da 
empresa, estendida aos seus clientes e fornecedores, trabalhando de 
forma coordenada para o atendimento das metas e atingir um único 
objetivo comum.
Adotar o conceito de logística integrada signifi ca adotar uma visão sistêmica 
da organização e seu ambiente de negócios, buscando efi ciência e efi cácia 
através da coordenação e cooperação interempresa e entre empresas (cliente 
A logística integrada 
é um campo de 
estudo mais recente 
da gestão integrada, 
onde as atividades 
logísticas são 
desempenhadas de 
forma coordenada e 
dentro de uma visão 
sistêmica.
25
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
e fornecedores) (WOOD JR., 1998). Em termos práticos, a logística empresarial 
hoje pode ser compreendida como logística integrada.
Dentro do cenário de mudanças nas organizações, a partir da década de 
1990, vários pesquisadores propuseram algumas defi nições para a expressão 
logística. Segundo Chiavenato (1991), a atividade que coordena a estocagem, 
o transporte, os armazéns, os inventários e toda a movimentação dos materiais 
dentro da fábrica até a entrega dos produtos acabados ao cliente.
Christopher (1997, p. 2) defi ne a logística, como:
A logística é o processo de gerenciar 
estrategicamente a aquisição, movimentação e 
armazenagem de materiais, peças e produtos 
acabados (e os fl uxos de informações correlatas), 
através da organização e seus canais de marketing, 
de modo a poder maximizar as lucratividades 
presente e futura, através do atendimento dos 
pedidos a baixo custo.
Segundo o “Council of Logístics Management” norte-americano (1998), a 
logística é o processo de planejar, implementar e controlar de maneira efi ciente 
o fl uxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações 
associadas, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o 
objetivo de atender aos requisitos do cliente.
Sabe-se, entretanto, que esses conceitos não refl etem o contexto e a 
magnitude que a logística assumiu nesses últimos anos, como um elo entre o 
mercado (fornecedores e clientes) e as atividades estratégicas, operacionais 
e táticas de uma organização. Enquanto a gestão da manufatura busca uma 
vantagem competitiva em custos, qualidade e outros, a logística une a manufatura 
com as duas pontas, fornecedores e clientes, para o estabelecimento de alianças 
e parcerias, integrando estrategicamente a oferta e a procura (CARLINI, 2002). 
Bowersox e Closs (2001) identifi cam a logística como “competência essencial”, 
e preveem mudanças substanciais na forma de gerenciamento do processo 
logístico, como forma de responder às ameaças e oportunidades do ambiente 
competitivo.
Anos depois, com toda evolução dos conceitos e das práticas 
observadas na logística, inclusive com o advento da logística reversa, o 
CSCMP alterou a defi nição da logística, informando que: 
[...] é a parte do processo da cadeia de 
suprimentos que planeja, implementa e 
controla o fl uxo direto (à frente) e reverso, 
A logística é 
o processo 
de gerenciar 
estrategicamente 
a aquisição, 
movimentação e 
armazenagem de 
materiais, peças e 
produtos acabados.
É a parte do 
processo da cadeia 
de suprimentos que 
planeja, implementa 
e controla o fl uxo 
direto (à frente) e 
reverso, de forma 
efi ciente e efi caz, de 
materiais, serviços 
e informações 
associadas.
26
 Logística e Distribuição
de forma efi ciente e efi caz, de materiais, serviços e 
informações associadas, desde seu ponto de origem até 
o ponto de consumo, de modo a atender aos requisitos 
dos clientes (CSCMP – 2004 – Council of Supply Chain 
Management Professionals).
Pode-se observar o “fl uxo reverso” na última defi nição da logística do CSCMP, 
que indica a logística reversa, todavia não pretendeu aprofundar o conceito em 
todo seu escopo. Os estudos têm evoluído neste sentido. Pode-se tratar o retorno 
de produtos que ainda não foram consumidos, mas que retornam pela cadeia que 
os levou ao mercado com a denominação de logística reversa de pós-venda, e 
àqueles que retornam após seu consumo e no término de sua vida útil com a 
denominação de logística reversa de pós-consumo.
Figura 2 – Visão do processo da logística reversa
Fonte: Disponível em: <http://www.tecnologistica.com.br/wp-content/
uploads/2015/03/Figura7.jpg>. Acesso em: 26 fev. 2017.
Pode-se categorizar diferentes fl uxos na logística reversa em direção oposta à 
tradicional supply chain, constituindo-se o denominado “closed loop supply chain” 
(cadeia de suprimento de ciclo fechado): retorno no fi m do uso; retorno comercial; 
retorno por garantia; sobras de produção e subprodutos; acondicionamento. 
São atividades típicas da logística reversa os processos que uma organização 
usa para coletar produtos usados, danifi cados, indesejados ou ultrapassados, 
procurando recapturar algum tipo de valor deles. A logística reversa, desta forma, 
é vista atualmente de maneira ampliada e como uma estratégica de ganho de 
competitividade empresarial (Fleischmann, 2001).
27
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
Atividades de Estudos:
 1) Quais seriam os principais motivos para a evolução da 
logística?
 ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
 2) O que mudou no gerenciamento logístico com a concepção da 
logística integrada ou empresarial?
 ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
 3) Afi rmou-se que o objetivo da logística empresarial é pôr os 
bens ou serviços certos no lugar certo e na hora certa. Quais são 
os tipos de problemas que você prevê para organizações que 
tentem atingir esses objetivos no Brasil?
 ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________4) Qual a área correta da logística empresarial que planeja, opera 
e controla o fl uxo e as informações correspondentes ao retorno 
dos bens de pós-vendas e pós-consumo ao ciclo de negócios ou 
ao ciclo produtivo por meio de canais de distribuição reversos, 
agregando-lhes valor de diversas naturezas?
 ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
28
 Logística e Distribuição
____________________________________________________
____________________________________________________
GERENCIAMENTO LOGÍSTICO
A logística pode ser defi nida como a integração da administração de 
materiais com a distribuição física, ou seja, as duas grandes etapas do processo 
logístico são o suprimento físico (administração de materiais) e a distribuição 
física (GOMES; RIBEIRO, 2004).
Pode-se defi nir 6 (seis) áreas da logística a serem executadas de forma 
integrada a fi m de produzir as competências necessárias para a criação do 
valor logístico. As áreas são: processamento de pedidos; estoques; transporte; 
armazenamento; manuseio de materiais e embalagem; e rede de instalações. 
A logística integrada pode ser vista como um macroprocesso com os seguintes 
fl uxos: informações, materiais e produtos em toda a cadeia de suprimento. Pode-
se dividir em três processos básicos: (1) suprimento físico, também denominado 
de abastecimento; (2) logística interna ou apoio à produção; e (3) distribuição 
física, conforme ilustra a fi gura a seguir:
Figura 3 – Processos Logísticos
Fonte: O autor.
a) Suprimento físico (inboud logistics): forma o elo entre a empresa e os seus 
mercados fornecedores e se relaciona com a disponibilização dos materiais 
e dos componentes à produção e/ou à distribuição. Compreende as atividades 
relacionadas à obtenção de produtos e materiais a serem posteriormente 
distribuídos aos consumidores fi nais e materiais usados pela produção. Diz 
respeito às atividades desempenhadas desde o fornecedor até o ponto de destino 
29
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
fi nal. Este processo visa o apoio à produção ou a revenda, abastecendo-as de 
produtos ou materiais no menor prazo de tempo possível e ao menor custo total. 
Envolve decisões, tais como a escolha entre armazenar ou transportar, a seleção 
da modalidade de transporte, a defi nição da melhor localização dos estoques e da 
produção, a determinação do nível de inventário a ser mantido.
Compreende, tipicamente, as atividades a seguir:
• Seleção e avaliação de fornecedores;
• Transporte;
• Manutenção de estoques;
• Processamento de compras;
• Processamento de pedidos;
• Embalagem protetora;
• Armazenagem;
• Manuseio de materiais; e
• Manutenção de informações.
b) Logística interna na produção: consiste no processo de apoio à produção, 
tendo como fi nalidade gerenciar o estoque de produtos em processo durante 
as etapas de produção até que sejam entregues os produtos acabados para a 
distribuição física. A logística interna na produção também pode ser denominada 
como logística de planta, interna ou operativa, envolve as atividades relacionadas 
ao suporte logístico à produção, na qual as matérias-primas se transformam 
em produtos acabados. Compreende as atividades internas nas instalações da 
empresa, como manuseio de materiais e armazenagem, e também a gestão 
dos estoques de produtos em elaboração, movimentação interna e a atividade 
de transporte pode também estar envolvida nesse processo quando ocorrer o 
deslocamento interplantas de mercadorias. Há organizações, como distribuidoras 
e varejistas, que não abrangem exatamente estas operações e que não possuem 
logística interna na produção.
c) Distribuição física (outbound logistics): este processo é considerado o 
mais crítico em termos de custo para a maioria das organizações, uma vez que 
responde por dois terços dos custos logísticos totais. A distribuição física de 
produtos se preocupa principalmente com bens acabados ou semiacabados 
destinados aos clientes fi nais, sobre os quais a organização não planeja executar 
processamentos posteriores. É o conjunto de atividades desenvolvidas e 
nomeadas como processamento de pedidos. A distribuição inclui a administração 
das solicitações dos clientes, incluindo o recebimento do pedido, verifi cação da 
disponibilidade do produto em estoque, a separação dos produtos, embalagem, 
etiquetagem, conferência, faturamento, emissão do conhecimento de frete, 
30
 Logística e Distribuição
consolidação e expedição de produtos/materiais, entrega ao cliente e a cobrança, 
bem como a manutenção de informações e a programação de produtos e faz a 
ligação entre a organização e os seus consumidores. Contempla tipicamente as 
atividades a seguir:
• Transporte;
• Manutenção de estoques de produtos acabados;
• Processamento de pedidos;
• Expedição;
• Embalagem protetora;
• Programação de produto;
• Armazenagem;
• Manuseio de materiais;
• Manutenção de informações; e
• Pós-venda.
Cada um desses processos logísticos e suas respectivas confi gurações 
afetam a composição do custo total logístico e o nível que o serviço ao cliente 
é oferecido. As atividades inerentes às duas grandes etapas do processo 
logístico são muito semelhantes, diferindo pelo objeto do seu tratamento, que no 
suprimento físico são as matérias-primas e insumos, e na distribuição física são 
os produtos acabados.
De uma maneira geral, o escopo da logística empresarial pode ser 
representado conforme o esquema da fi gura a seguir, que apresenta os fl uxos 
de produtos e de informações, em sentidos contrários, integrando toda a cadeia 
de suprimentos. Toda a rede de fornecedores formando a rede de suprimentos 
que abastece o produtor de insumos da produção (matérias-primas). A rede 
de distribuição formada pelos intermediários que irão apoiar a distribuição dos 
produtos acabados até às mãos dos clientes fi nais. As etapas do gerenciamento 
logístico na rede logística são compostas genericamente de fornecedor, produtor 
e consumidor, vide fi gura a seguir:
31
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
Figura 4 – Escopo da logística empresarial
Fonte: O autor.
Podemos defi nir o Gerenciamento da Logística como a coordenação das 
diferentes atividades componentes da logística, visando obter os menores custos 
logísticos que atendam ao nível de serviço contratado pelo cliente. Deve-se 
compreender que a razão de existir da logística é gerar valor aos clientes, para os 
fornecedores e os interessados na organização.
Há uma compreensão errada de que o conceito de logística consiste 
em transporte ou em estoque/armazenagem de produtos, mas o verdadeiro 
signifi cado da logística engloba o transporte, estoque/armazenagem e diversas 
outras atividades, desde o suprimento, passando pela produção, até a entrega do 
produto fi nal ao cliente.
Podemos falar de logística de um produto e logística da indústria alcooleira, 
por exemplo, mas de forma nenhuma dizer: logística de transporte ou logística de 
estoque. Basta considerar as defi nições sobre a logística para esclarecer a forma 
adequada de mencionar a logística e suas atividades. O que seria aceitável falar 
seria logística com ênfase em transporte ou em estoque ou em armazenagem. 
Segundo o CSCMP (2004), o gerenciamento logístico, seus limites e relações 
são os seguintes:
32
 Logística e Distribuição
As atividades de gerenciamento logístico incluem a 
gestão dos transportes de suprimento e distribuição, 
gestão de frota, armazenagem, manuseio de materiais, 
atendimento de pedidos de compra, projeto de rede de 
logística, gestão de inventário, planejamento de demanda 
e suprimento, administração de provedores de serviços 
logísticos. Em graus variados, a função de logística 
inclui também suprimento e compras,planejamento e 
programação de produção, empacotamento e montagem, 
e atendimento ao consumidor. É envolvido em todos 
os níveis de planejamento e execução estratégica, 
operacional e tática. 
O gerenciamento logístico é uma função de integração 
que coordena e otimiza todas as atividades logísticas, 
como também integra atividades de logística com outras 
funções, inclusive marketing, vendas, manufatura, 
fi nanças e informática.
O Council of Supply Chain Management Professional (CSCMP) 
é a mais importante associação, sem fi ns lucrativos, a nível mundial, 
de profi ssionais de gerenciamento de cadeias de suprimentos. Busca 
estar na vanguarda dos avanços e desenvolvimentos de profi ssionais 
nas áreas de GCS fazendo com que os conhecimentos se difundam. 
Veja em seu portal as defi nições relativas à logística e GCS, bem 
como um glossário muito relevante. Disponível em: <https://cscmp.
org/supply-chain-management-defi nitions>.
Atividades de Estudos:
1) Descreva a diferença entre administração de materiais, 
distribuição física e logística empresarial. 
 ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
33
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
2) O processo de distribuição está associado à movimentação 
física e transporte de materiais, que compreende a relação de 
um fornecedor para um cliente. Nesse processo, a distribuição 
física apoia-se, sobretudo, em três fundamentos gerais, que 
compreendem:
a) ( ) Respeito às normas ambientais, patentes, direitos registrados 
e expedição.
b) ( ) Recebimento, armazenagem e expedição.
c) ( ) Armazenagem, respeito às normas ambientais e planos 
estratégicos.
d) ( ) Cotação, expedição e melhoria da competência dos 
funcionários.
ATIVIDADES-CHAVE E ATIVIDADES DE 
SUPORTE 
As atividades componentes da logística e que devem ser gerenciadas variam 
de organização para organização em função da estrutura organizacional, da 
compreensão do que seja a logística e da importância das atividades individuais 
para as operações da organização. Esses componentes da logística podem ser 
desdobrados em atividades-chave e atividades de suporte, assim classifi cadas, 
pois algumas atividades acontecem no canal logístico e outras dentro das 
organizações. As atividades-chave estão no circuito crítico, também contribuem 
majoritariamente com o custo logístico total e são essenciais à coordenação efi caz 
e à conclusão das tarefas logísticas. O padrão de serviços ao cliente estabelece 
o nível de produção e o grau de preparação ao qual o sistema logístico deve 
reagir. Os custos logísticos aumentam em proporção direta ao nível de serviços 
fornecidos ao cliente, de modo que o estabelecimento de padrões para os serviços 
também afeta os custos logísticos. O estabelecimento de requisitos muito altos 
pode elevar excessivamente os custos logísticos (BALLOU, 2001).
O transporte e estoque são atividades logísticas primárias na absorção de 
custos. As atividades primárias são aquelas de importância fundamental para 
a obtenção dos objetivos logísticos de custo e nível de serviço que o mercado 
deseja, porque contribuem com a maior parcela do custo total da logística ou 
são essenciais para a coordenação e para o cumprimento da tarefa logística. A 
experiência mostra que cada uma representará metade ou dois terços do custo 
34
 Logística e Distribuição
logístico total. As atividades de apoio são aquelas que dão suporte ao desempenho 
das atividades primárias, para que possamos ter sucesso na administração 
organizacional, que é manter e criar clientes com pleno atendimento do mercado 
e satisfação total do acionista em receber seu lucro. O transporte adiciona valor 
de lugar aos produtos e serviços, enquanto o estoque adiciona valor de tempo 
(BALLOU, 2001).
O transporte é essencial porque nenhuma empresa moderna pode operar 
sem fornecer a movimentação de suas matérias-primas e/ou de seus produtos 
acabados. Essa natureza essencial é subestimada pelas funções fi nanceiras em 
muitas organizações, que não avaliam adequadamente os riscos dos chamados 
desastres nacionais, tais como greve ferroviária nacional ou recusa dos caminhoneiros 
independentes em movimentar mercadorias por causa da disputa de preços de frete. 
Nessas circunstâncias, os mercados não podem ser atendidos, o que faz com que 
os produtos retornem ao canal logístico, deteriorando-se e tornando-se obsoletos 
(BALLOU, 2001).
O estoque é essencial à gestão logística porque geralmente é impossível 
ou impraticável fornecer produção instantânea e cumprir prazos de entrega aos 
clientes. Ele funciona como um "pulmão" entre a oferta e a demanda, de forma que 
a disponibilização de produtos necessários aos clientes pode ser mantida, enquanto 
fornecem fl exibilidade à produção e à logística para buscar métodos mais efi cientes de 
manufatura e distribuição de produtos (BALLOU, 2001).
O processamento de pedidos é a atividade-chave fi nal. Seu custo geralmente 
é menor comparado ao custo de transporte ou de manutenção de estoques. Não 
obstante, o processamento de pedidos é um elemento importante no tempo total que 
pode levar para que um cliente receba mercadorias ou serviços. Também é a atividade 
que aciona a movimentação e a entrega dos produtos e serviços (BALLOU, 2001).
As atividades de suporte, embora possam ser tão críticas quanto as atividades-
chave em algumas circunstâncias, são consideradas aqui como contribuintes para a 
realização da missão logística. Além disso, nem todas as empresas possuem todas as 
atividades de suporte. Por exemplo, produtos como automóveis ou commodities, tais 
como carvão, ferro e brita, que não necessitam de proteção de armazenagem contra 
intempéries, não exigirão tal atividade, mesmo que sejam mantidos estoques (BALLOU, 
2001).
A atividade de colocar a embalagem protetora é uma atividade de suporte do 
transporte e do estoque, bem como da armazenagem e do manuseio de materiais, 
porque ela contribui para a efi ciência com a qual estas outras atividades são executadas. 
As atividades de compra e programação de produtos frequentemente podem ser 
consideradas mais uma preocupação da produção do que da logística. Entretanto, 
35
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
elas podem afetar o esforço logístico e obviamente, a efi ciência do transporte e do 
gerenciamento do estoque. Finalmente, a manutenção de informações apoia todas 
as outras atividades logísticas para as quais ela fornece a informação necessária para 
planejamento e controle (BALLOU, 2001).
Quadro 1 - Lista de atividades-chave e suporte da logística
ATIVIDADES-CHAVE DA LOGÍSTICA
1. Padrões de serviço ao cliente
Cooperar com o marketing para:
a. Determinar as necessidades e os desejos de 
clientes para os serviços logísticos.
b. Determinar a reação dos clientes aos servi-
ços.
c. Estabelecer o nível de serviços ao cliente.
2. Transportes
a. Seleção do modal e do serviço de transportes.
b. Consolidação de fretes.
c. Roteiro do transporte.
d. Programação de veículos.
e. Seleção de equipamentos.
f. Processamento de reclamações.
g. Auditoria de tarifas.
3. Administração de estoques
a. Políticas de estocagem de matérias-primas e 
produtos acabados.
b. Previsão de vendas a curto prazo.
c. Combinação de produtos em pontos de 
estocagem.
d. Número, tamanho e local dos pontos de 
estocagem.
e. Estratégias de just-in-time, de empurrar e 
de puxar.
4. Fluxo de informações e processa-
mento de pedidos
a. Procedimentos de interface dos estoques com 
pedidos de venda.
b. Métodos de transmissão de informações de 
pedido.
c. Regras de pedidos. 
ATIVIDADES DE SUPORTE
1. Armazenagem
a. Determinação do espaço.
b. Disposiçãodo estoque e desenho das 
docas.
c. Confi guração do armazém.
d. Localização do estoque.
2. Manuseio de materiais
a. Seleção de equipamentos.
b. Políticas de reposição de equipamentos.
c. Procedimentos de coleta de pedidos.
d. Alocação e recuperação de materiais.
3. Compras
a. Seleção de fontes de suprimento.
b. O momento da compra.
c. Quantidades de compra.
4. Embalagem protetora
Projeto para:
a. Manuseio.
b. Estocagem.
c. Proteção contra perdas e danos.
5. Cooperar com a 
produção/operações para:
a. Especifi car quantidades agregadas.
b. Sequência e tempo do volume de produ-
ção.
6. Manutenção de informação
a. Coleta, arquivamento e manipulação de 
infor mação.
b. Análise de dados.
c. Procedimentos de controle.
Fonte: Ballou (2001).
36
 Logística e Distribuição
Atividades de Estudos:
1) Quais são as diferenças elementares entre os processos de 
suprimentos e de distribuição física?
 ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
2) Quais são as atividades-chave da função logística que 
devem existir nas organizações abaixo listadas? Descreva a 
importância de cada uma das atividades-chave para a gestão das 
organizações.
 a) Um grupo musical (Orquestra Municipal do Rio de Janeiro);
 ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
 b) Um hospital de grande porte (Porto Alegre);
 ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
 c) O governo de uma cidade (Curitiba).
 ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
37
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
3) A logística envolve atividades denominadas chaves e de apoio. 
As atividades-chave se relacionam com um fl uxo de materiais até 
chegar ao cliente fi nal, e respondem pela maior parte do custo 
logístico. Considerando a denominação das atividades, assinale 
a alternativa que possui APENAS atividades-chave:
a) ( ) Serviço ao cliente; Compras; Manuseio de materiais; 
 Transporte.
b) ( ) Programação de produção; Gestão de Estoque; Transporte; 
Processamento de pedidos.
c) ( ) Processamento de Pedidos; Armazenagem; Manuseio de 
materiais; Fluxo de informações.
d) ( ) Serviço ao cliente; Processamento de pedido; Transportes; 
Gestão de Estoques.
O SISTEMA LOGÍSTICO
Segundo Bowersox e Closs (2001), são três os subsistemas da logística: 
suprimentos, apoio à produção e distribuição. Entretanto, também se entende 
que há o subsistema de informações. Estes subsistemas são compostos por 
atividades, e a operação destes subsistemas deve ser pautada por alguns 
objetivos permanentes: 
• Resposta rápida ao consumidor;
• Busca da variância mínima em todos os processos;
• Redução dos estoques de matérias-primas, produtos intermediários e 
produtos fi nais; 
• Busca da efi ciência máxima no transporte;
• Garantia da qualidade dos produtos e serviços; e
• Rastreabilidade do produto durante todo o seu ciclo de vida.
Um sistema logístico é composto pela combinação de uma série de 
atividades, que variam de empresa para empresa de acordo com a natureza 
da atividade que essa empresa exerce, sua estrutura organizacional, porte etc. 
Da mesma forma, cada uma dessas atividades logísticas possui seu grau de 
importância dentro da organização de acordo com o impacto que causa na sua 
atividade fi m (AZEVEDO; LEAL, 2003).
38
 Logística e Distribuição
Os componentes típicos dos sistemas logísticos, ou atividades, segundo 
CSCMP (2004) (ex-CLM), são:
• Serviço ao cliente;
• Previsão de vendas;
• Comunicação de distribuição;
• Controle de estoque;
• Manuseio de materiais;
• Processamento de pedidos;
• Peças de reposição e serviços de suportes;
• Seleção do local da planta e armazenagem;
• Compras;
• Embalagem;
• Manuseio de mercadorias devolvidas;
• Recuperação e descarte de sucata;
• Tráfego e transporte; e
• Armazenagem e estocagem.
Normalmente se vê atribuída à logística uma série de atividades que não 
têm nenhuma razão para serem atribuídas a ela. As atividades acima listadas 
estabelecem o que está compreendido no sistema logístico, ou seja, são as 
atividades que podem ser atribuídas à logística. Estamos falando de consenso 
entre profi ssionais, pesquisadores e docentes ao redor do mundo. Todavia, 
pode-se ver a logística de perspectivas diferentes, estamos falando de modelos 
conceituais. Vejamos a logística sob as dimensões dos fl uxos e do ciclo logísticos.
CICLO E FLUXO LOGÍSTICO 
Numa abordagem simplifi cada pode-se dizer que as redes logísticas ou 
cadeia de suprimento, ou seja, o ambiente de ação da logística é composto de 
instalações de produção e armazenagem conectados por rotas de transporte e 
que existem para suportar o fl uxo de demanda, suprimentos e caixa, conforme 
ilustrado mais à frente. A rede logística une os primeiros fornecedores até 
o cliente fi nal. A rede logística é basicamente um conjunto de instalações, tais 
como fornecedores de matérias-primas, fabricantes, distribuidores, atacadistas, 
varejistas, centros de distribuição, armazéns etc., que são conectados por rotas de 
transporte, que são representadas por setas e realizadas por meios de transporte, 
tais como estradas, ferrovias, canais, rotas marítimas, via aérea e dutos. 
As instalações mantêm quantidades controladas de materiais denominadas 
estoques. Os estoques estão presentes ao longo das cadeias de suprimentos 
39
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
pelos mais diversos motivos. Os estoques na cadeia de suprimentos são 
necessários para que o processo de produção e distribuição de um produto possa 
ocorrer. O estoque cíclico visa atender à demanda média entre reabastecimentos 
ou ressuprimentos porque a produção ou compra de material se dá em lotes, ou 
bateladas, que proporcionam economias que compensam os custos associados 
à manutenção deste tipo de estoque. Como não vale a pena fazer funcionar uma 
máquina ou uma linha de produção para produzir poucas unidades ou peças. Além 
da economia de escala obtida na produção e transporte, se pode obter descontos 
por quantidade, o que justifi ca a produção ou compra em lotes, e por consequência 
a manutenção deste tipo de estoque. O estoque de segurança, ou mínimo, se 
justifi ca pela incerteza quanto ao volume que vai ser demandado ou quanto à 
capacidade de se produzir, ou ainda pelo tempo que vai demorar o transporte 
dos produtos. Ele existe e é calculado apenas para diminuir o risco de não se ter 
os produtos procurados pelo cliente por conta de problemas inesperados, como 
imprevistos com o fornecedor, atrasos na entrega. Os estoques sazonais podem 
ser necessários para atender os períodos de sazonalidade, tanto da demanda 
pelo produto acabado como da oferta de matéria-prima. Nos momentos de 
demanda baixa se pode formar estoques de produtos para atender os períodos 
de alta demanda. Como um exemplo, pode-se destacar as empresas do ramo 
alimentício que adquirem umaquantidade maior de matéria-prima na safra (pico 
de oferta) para poder suprir a fábrica no período da entressafra (pico de demanda). 
O estoque em processo são os que estão sendo processados, mas que ainda não 
é um produto acabado. São materiais no processo de transformação (fabricação). 
Por exemplo, carro sem motor e rodas na linha de produção, blusas sem bolso e 
botões etc. O estoque em trânsito é criado uma vez que materiais ou produtos não 
podem ser transportados instantaneamente de um ponto ao outro. Logo, mesmo 
os materiais ou produtos que se encontrem dentro de equipamento de transporte, 
ainda assim se constituem estoque. O estoque de antecipação é aquele que a 
empresa forma quando antecipa sua produção para atender a uma demanda 
futura esperada.
Veja na tabela a seguir alguns motivos pelos quais os estoques são 
necessários, bem como a classifi cação de cada tipo de estoque:
Motivo do estoque Tipo de estoque
Incertezas. Estoque de segurança.
Produção/Transporte em lotes. Estoque de ciclo.
Tempo de transporte. Estoque em trânsito.
Tempo de processamento. Estoque em processo (Work In Process – WIP).
Sazonalidade. Estoques sazonais.
Quadro 2- Forças que tornam os estoques necessários
40
 Logística e Distribuição
Variação na taxa de ativida-
des.
Estoque de antecipação.
Outros. Outros Estoques especulativos.
As instalações de produção possuem três tipos de estoque: o estoque de 
matérias-primas, prontos para utilização na produção; estoque em processo e o 
estoque de produtos acabados, que armazena produtos prontos para embarque. 
Os tipos de estruturas de armazenagem também variam: os depósitos 
normalmente contêm apenas um único tipo de estoque, estoques de produtos 
acabados, mas os centros de distribuição, além do estoque de produtos 
acabados muitas vezes são responsáveis pela montagem fi nal e por isso possuem 
componentes e/ou matérias-primas. Assim como as instalações, as rotas de 
transporte mantêm estoque também. Esse estoque é denominado como estoque 
em trânsito e consiste no estoque contido nos transportes, interlingando as 
estruturas de armanzenagem. Esse estoque estreita a conexão entre as estruturas 
de armazenagem da cadeia de suprimentos, tais como fornecedores, fabricantes, 
distribuidores etc. Os estoques de produtos acabados que saem dos fabricantes, 
ao chegarem no próximo elo da cadeia, podem passar a matéria-prima e desta 
forma se integra o fl uxo através do estoque de trânsito (TAYLOR, 2005).
Figura 5 – Rede logística típica
Fonte: O autor.
Fonte: Adaptado de Robenson, Copacino e Howe (1994, p. 954).
Fornecedores ConsumidoresPonto de 
Consolidação
Centros de 
Distribuição
Fábricas
Fluxo do Produto
Fluxo de Informação
41
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
Você encontra um maior detalhamento da importância dos 
estoques e os desafi os do seu gerenciamento no seguinte endereço: 
<http://www.ilos.com.br/web/monitoramento-de-desempenho-na-
gestao-de-estoque/>.
O que se pode ver na ilustração da fi gura a seguir são os fl uxos logísticos, 
que são compostos de materiais e produtos, informação e dinheiro. Os fl uxos 
de materiais incluem a armazenagem de matéria-prima, dos materiais em 
processamento e dos produtos acabados ao longo de toda rede, indo desde 
os fornecedores, passando pela fabricação, até o varejista para chegar ao 
consumidor fi nal. Além do fl uxo de materiais (insumos e produtos), há também 
o fl uxo de dinheiro (capital) em sentido oposto ao fl uxo de materiais e produtos. 
O fl uxo de informações ao longo de todo o processo e em ambos os sentidos, 
evoluindo concomitante à evolução do fl uxo de materiais, mas conduzindo as 
informações no sentido inverso, iniciando no mercado consumidor ou clientes 
fi nais, chegando aos fornecedores dos fornecedores.
Figura 6 – Ciclo Logístico
Fonte: O autor.
Os produtos podem ser divididos em bens de consumo e 
bens industriais. A logística não lida com a totalidade dos materiais 
utilizados na organização. A logística trata do fl uxo dos materiais e das 
informações pertinentes ao atendimento de certo cliente. Logo, trata 
dos materiais que circulam pela organização para atender pedidos. 
A logística não lida 
com a totalidade dos 
materiais utilizados 
na organização.
Capacidade
, nível de estoque, programaç
ão de entrega, condições de pagamento
Pedidos, solicitações de devolução, solicitações de consertos e se
rviços, pa
gamen
tos
Fornecedores Fabricante
Fornecedores 
dos fornecedores
Fornecedores dos 
fornecedores dos 
fornecedores
Distribuidor Loja de 
Varejo
Cliente
FLUXO DE MATERIAIS E PRODUTOS
FLUXO DE DINHEIRO
FLUXO DE INFORMAÇÕES
FLUXO DE INFORMAÇÕES
42
 Logística e Distribuição
A logística trata integralmente dos bens de consumo, e estes são aqueles 
adquiridos e consumidos durante os processos realizados pelas organizações, 
podendo ser ou não estocados em diferentes locais e momentos. Nem todos os 
materiais da categoria bens de consumo são consumidos integralmente, podendo 
retornar ao fl uxo após passar por processos de recuperação. Os estoques são 
constituídos de todo material mantido pela organização para atender demanda 
futura e são valores referentes aos materiais existentes (matérias-primas, materiais 
de consumo, produtos em processo, produtos acabados etc.) relacionados com a 
atividade fi m da organização.
Enquanto a logística baseia-se na lógica de circulação dos fl uxos, a 
administração de bens patrimoniais baseia-se na sua permanência e conservação. 
Estes bens que são objetos da administração patrimonial, se denominam como 
ativo imobilizado, integrando o ativo permanente, sendo constituído por bens ou 
direitos, tangíveis e intangíveis, utilizados na consecução das atividades fi m da 
organização. Os bens patrimoniais não são consumidos como os bens de consumo 
incluídos na conta estoque, mas eles se desgastam e sofrem perdas com o uso e 
integram os custos indiretos pela via da depreciação. Desta forma, não se pode 
mais confundir quais são os produtos e materiais de que a logística cuida no seu 
gerenciamento, não usando a expressão logística indiscriminadamente.
Segundo Ching (1999, p. 12), a logística deve ser entendida da seguinte 
forma:
Gerenciamento do fl uxo logístico de materiais que começa com 
a fonte de fornecimento no ponto de consumo. É mais do que 
uma simples preocupação com produtos acabados, o que era 
a tradicional distribuição física. Na realidade, a logística está 
preocupada com a fábrica e os locais de estocagem, níveis 
de estoques e sistemas de informações, bem como com seu 
transporte e armazenagem.
Segundo Almeida (2009), a logística se refere à arte de administrar o fl uxo de 
materiais e produtos, da fonte ao usuário. Para Campos e Brasil (2007), a logística 
é responsável por comprar, armazenar e distribuir materiais e produtos acabados 
por toda linha de produção e pela cadeia produtiva, ao menor custo 
possível e no prazo necessário. De acordo com Christopher (1997, p. 
2), a logística inclui também todas as formas de movimento de produtos 
e informações:
A logística é o processo de gerenciar estrategicamente a 
aquisição, movimentação e armazenagem de materiais, peças 
e produtos acabados (e os fl uxos de informações correlatas) 
através da organização e seus canais de marketing, de modo a 
A logística é 
o processo 
de gerenciar 
estrategicamente 
a aquisição, 
movimentação e 
armazenagem de 
materiais, peças e 
produtos acabados.
43
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
poder maximizar as lucratividades presente e futura através do 
atendimento dos pedidos a baixo custo.
Numa visão preliminar pensa-se na logística como diretamente ligada 
ao fl uxo de bens e materiais através de armazenagem, distribuição, aquisição, 
movimentação e demais atividades que visam um processo efi caz de execução 
das operações de uma organização. Todavia, percebe-setambém a presença 
e importância da informação nos diversos conceitos da logística, mesmo em 
menor grau que os demais elementos pelos seus destaques no uso operacional. 
Os fl uxos de informação agregam um valor expressivo para a otimização dos 
processos básicos de logística, em alguns casos até os substituindo. Para 
Chopra e Meindl (2003), quanto mais efi ciente for o fl uxo de informações em uma 
cadeia de suprimentos, menor será o estoque necessário para o atendimento da 
demanda. Quanto maior for a visibilidade da cadeia de suprimentos, como sistema 
de informação, e maior for a confi abilidade destas informações, menor serão os 
níveis de estoque entre os elos da cadeia de suprimentos. 
Portanto, informação é uma ferramenta primordial para o adequado 
desempenho dos gestores das empresas e de todos aqueles envolvidos 
no processo. 
Segundo Novaes (2007), logística é o processo de planejar, 
implementar e controlar, de maneira efi ciente, o fl uxo e a armazenagem 
de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo 
desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de 
atender aos requisitos do consumidor. A logística incorpora prazos 
previamente defi nidos (e cumpridos); preços transparentes para o 
cliente; satisfação plena do cliente (nível de serviço); integração efetiva 
e sistêmica entre todos os setores da empresa; integração efetiva com 
fornecedores e clientes e busca da otimização global (redução global 
dos custos), incluindo estoques, transporte, avarias, perdas etc.
VALORES ADICIONADOS PELA LOGÍSTICA
A logística em sua origem estava essencialmente ligada a operações militares. 
Por se tratar de serviço de apoio, não tinha prestígio nas batalhas ganhas. Hoje, 
a logística tem um papel fundamental nas guerras, pois do que vale um tanque 
de guerra com toda a sua tecnologia, do que vale um soldado altamente treinado, 
se irá faltar a munição, combustível, alimentação, água, remédios, enfi m, tudo o 
que é necessário ser reposto. Da mesma forma ocorreu nas empresas, onde as 
atividades de transporte e armazenagem eram apenas atividades inevitáveis e 
Logística é 
o processo 
de planejar, 
implementar 
e controlar, de 
maneira efi ciente, 
o fl uxo e a 
armazenagem de 
produtos, bem 
como os serviços 
e informações 
associados, 
cobrindo desde o 
ponto de origem 
até o ponto de 
consumo, com o 
objetivo de atender 
aos requisitos do 
consumidor.
44
 Logística e Distribuição
de apoio. Os executivos não viam como estas atividades poderiam agregar valor 
aos produtos. Todavia, uma difi culdade elementar no processo de produção é o 
distanciamento espacial entre fabricantes e os mercados consumidores, além 
do distanciamento entre os fabricantes e os fornecedores dos suprimentos. Ao 
fi nal da fabricação, o produto tem um valor agregado em função de todos os 
recursos usados em sua fabricação, mas o valor ainda é incompleto aos olhos do 
consumidor fi nal, considerando que o produto ainda deve estar no local certo para 
que se possa usufruir. Um eletrodoméstico somente tem todo o seu valor quando 
instalado e sendo usado pelo seu proprietário.
A novidade na logística, a qual tem dado tanta projeção e 
relevância, é o conceito do gerenciamento coordenado das atividades 
relacionadas à logística e o conceito da logística como adicionadora de 
valor aos produtos ou aos serviços. A logística agrega os valores do 
tempo e do lugar dos produtos, através das informações, transportes 
e estoques. Em termos competitivos, valor é o montante que os 
compradores estão dispostos a pagar por aquilo que uma organização 
lhes oferece. Representa a receita total, ou seja, se constitui o 
resultado das vendas dos seus produtos a um preço que os clientes se 
dispuseram a pagar. A rentabilidade da empresa é a diferença do valor 
e o custo do produto, acrescido dos impostos. Logo, a meta central 
das empresas é criar valor aos clientes que exceda o custo (PORTER, 
1989).
Há um consenso de que um negócio convencional gere 4 (quatro) 
tipos de valor em produtos ou serviços: a. Forma; b. Tempo; c. Lugar 
e d. Posse.
A novidade na 
logística, a qual tem 
dado tanta projeção 
e relevância, é 
o conceito do 
gerenciamento 
coordenado 
das atividades 
relacionadas 
à logística e o 
conceito da logística 
como adicionadora 
de valor aos 
produtos ou aos 
serviços.
Há um consenso 
de que um negócio 
convencional gere 
4 (quatro) tipos de 
valor em produtos 
ou serviços: a. 
Forma; b. Tempo; c. 
Lugar. Figura 7 – Valores de um produto
Fonte: O autor.
45
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
O valor da forma é criado pela manufatura através da transformação de 
matérias-primas em produtos acabados e o valor da posse é, em grande parte, de 
responsabilidade do Marketing, da Engenharia e das Finanças, os quais fornecem 
atividades que promovem a criação deste valor, como publicidade e informação, 
suporte técnico e condições de venda (determinação de preço e disponibilidade 
de crédito). A Logística cria, principalmente, dois desses valores, tempo e 
lugar, além de contribuir para a criação do valor referente à posse. Os valores 
do tempo e lugar são criados principalmente através dos transportes, dos fl uxos 
de informações e dos estoques. O Valor de Posse é criado no momento em 
que se disponibiliza, através da distribuição, o produto ou serviço para o cliente 
(BALLOU, 2001).
O sistema logístico mais básico que se imagine agrega o Valor de Lugar ao 
produto. Quando uma empresa incorre em custos para movimentar os produtos 
em direção aos clientes ou tornar um estoque disponível de maneira oportuna, 
o valor que não estava lá antes foi criado para o cliente. E o cliente pagará por 
este valor criado, conforme suas necessidades sejam satisfeitas e de acordo com 
seu nível de satisfação (ou necessidade) com os serviços e produtos adquiridos. 
Para ilustrar, podemos pegar o caso de um refrigerante sendo vendido por um 
ambulante num estádio na fi nal do campeonato de futebol e num dia superquente 
de verão brasileiro. Mesmo sendo caro, o torcedor não sairá do estágio para 
comprar um refrigerante por 1/5 do valor ofertado no estádio através de um 
supermercado. Este refrigerante no supermercado não agrega valor ao torcedor 
pela inconveniência da distância. Mesmo considerando que houve um custo de 
transporte do refrigerante, o torcedor estará disposto a pagar um valor bem maior 
pela conveniência, o que gera um valor que cobre todos os custos e ainda gera 
uma margem de lucro elevada (BALLOU, 2001).
O Valor Tempo é outro adicionado pela logística. O estoque adiciona o valor 
tempo quando posicionado próximo ao público-alvo ou aos pontos de produção. 
A gestão de estoques busca manter seus níveis baixos, o quanto for possível, 
e também provê a disponibilidade pretendida em função do perfi l dos clientes. 
O valor monetário dos produtos passou a crescer consideravelmente, gerando 
custos fi nanceiros elevados e obrigando ao cumprimento de prazos menores 
(NOVAES, 2007). Para melhor demonstrar a importância do tempo no sistema 
logístico, podemos mencionar o custo fi nanceiro do estoque em trânsito dentro 
de equipamentos de transporte. Logo, quanto mais tempo estes estoques 
estiverem em trânsito entre a expedição das empresas e o destino, maior será 
o custo fi nanceiro incorrido. Um caso real, que pode ilustrar a demanda por 
prazos de entrega cada vez mais exíguos é o caso das carrocerias do Cadillac 
modelo ALLANTÉ, feitas à Pininfarina (estúdio de design). A decisão da empresa 
americana foi de transportar as carrocerias entre a Itália e Detroit, por via aérea 
46
 Logística e Distribuição
ao invés de marítima. Esse processo demandou três voos exclusivos semanais 
de Boeing 747. O estoque de carrocerias nunca era maior do que 150 unidades 
e, desta forma, o capital investido em estoque pela General Motors é muito menor 
do que na alternativa de transporte marítimo.Considerando que cada carroceria 
custa à GM U$ 30.000 e que o volume mínimo para o transporte marítimo é 
de 1.000 unidades, estamos falando em comparar estoques em trânsito de U$ 
4.500.000 com outro de U$ 30.000.000 na opção de transporte marítimo. Pode-
se constatar que houve uma demanda por um transporte mais rápido para evitar 
custos fi nanceiros de estoque. O que apresentamos aqui é parte dos motivos que 
pressionam o prazo de entrega cada vez menor. Falamos de custo, mas com 
respeito ao valor pode-se citar o produto denominado “jornal diário” como um dos 
exemplos de produtos que mais têm restrição ao valor de tempo, uma vez que 
ele tem que ser fechado o mais tarde possível a fi m de incorporar ao máximo as 
últimas notícias relevantes, e deve ser distribuído o mais cedo possível para que 
não perca o valor para os leitores. Sabe-se que à medida que o tempo passa, os 
exemplares não terão mais valor. 
O Valor Qualidade aos olhos dos consumidores é muito importante, basta 
imaginar um transporte de produtos como iogurte, onde o sistema de refrigeração 
seja desligado durante o percurso com o propósito de economia de combustível. 
Ao receberem o produto no supermercado o lote de produto seria aceito, mas 
depois poderia resultar em reclamações dos clientes, prejudicando a imagem do 
varejista. Dentro da mesma dimensão de valor, pensamos na compra de uma 
geladeira no padrão inox e o recebimento de uma geladeira branca. Mesmo o 
produto tendo as mesmas especifi cações, o mesmo preço, tendo sido entregue no 
prazo, ainda assim o valor qualidade agregado não será considerado o mesmo. 
Os dois produtos saem do fabricante sem restrições na qualidade intrínseca do 
produto, mas fi cou faltando incorporar o valor qualidade incorporado à operação 
logística.
O Valor Informação também é um elemento importante das atividades 
logísticas. É fácil encontrar exemplos deste valor, tal como aquele que é 
percebido na possibilidade de rastrear as encomendas pela internet, ou ainda 
na possibilidade de rastrear frotas e cargas permitindo que se façam ajustes 
emergenciais em função de alteração, por exemplo, na demanda. Ou a importância 
da informação na decisão de aceitar mais pedidos de seus clientes, considerando 
que seus insumos de produção necessários estão chegando com uma precisão 
de horas em função das tecnologias disponíveis.
Observa-se então a mudança de perspectiva sobre a logística, pois passou 
a ser vista como quem agrega valor de lugar, de tempo, de qualidade e de 
informação aos produtos. Além de agregar os quatro tipos de valores positivos 
47
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
para o consumidor fi nal, a logística moderna procura também eliminar do processo 
tudo o que não tenha valor para o cliente, ou seja, tudo que acarrete somente 
custos e perda de tempo (NOVAES, 2007).
Atividade de Estudos:
1) Como o transporte contribui para adicionar valor de “lugar” a 
produtos ou serviços? Como o estoque adiciona valor de “tempo” 
a produtos ou serviços? 
 ____________________________________________________
___ _________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
OBJETIVOS DA LOGÍSTICA
Considerando que um produto só tem valor na mão do cliente, podemos 
afi rmar que os objetivos da logística são pelo menos os descritos abaixo. 
Conforme a SOLE (Society of Logistics Engineers), os oito R’s da logística são: 
• Right Material (material certo).
• Right Quantity (na quantidade certa). 
• Right Quality (na qualidade certa).
• Right Place (no lugar certo).
• Right Time (na hora certa).
• Right Method (com o método correto).
• Right Cost (segundo o custo correto).
• Right Impression (com uma boa impressão).
Para satisfazer a todos os requisitos não é sufi ciente que a logística apenas se 
ocupe da entrega dos produtos e serviços aos clientes que possui no momento. A 
exigência é mais abrangente, consiste em reorganizar globalmente as funções do 
suprimento de materiais e produtos, da produção e das compras, da distribuição 
48
 Logística e Distribuição
física. A demanda da logística integrada é de reestruturá-las conjuntamente e 
fazer delas um sistema. Deste sistema integrado se pode extrair os conteúdos 
dos “8 R”.
A seleção de uma boa estratégia logística exige muitos dos 
processos criativos que o desenvolvimento de uma boa estratégia 
corporativa. As abordagens inovadoras para a estratégia logística 
podem oferecer uma vantagem competitiva. Tem sido sugerido que 
uma estratégia logística tenha três objetivos: (1) redução de custo, (2) 
redução de capital e (3) melhorias nos serviços (BALLOU, 2001).
Estes objetivos apresentados podem ser classifi cados como 
objetivos operacionais, táticos e estratégicos. Todavia, são muitas barreiras para 
que se atinjam os objetivos pretendidos e mais do que isso, para que sejam 
adotadas as melhores práticas recomendadas pela logística, muitas barreiras 
precisam ser consideradas, conforme as descritas a seguir. 
Tem sido sugerido 
que uma estratégia 
logística tenha 
três objetivos: 
(1) redução de 
custo, (2) redução 
de capital e (3) 
melhorias nos 
serviços (BALLOU, 
2001).
BARREIRAS À ADOÇÃO DA LOGÍSTICA 
INTEGRADA E A GESTÃO INTEGRADA DA 
CADEIA DE SUPRIMENTOS
Apesar dos inúmeros benefícios pretendidos com a logística e gestão 
integrada da cadeia de suprimentos, tais como redução de custos, melhoria no 
planejamento da demanda, obtenção de sinergias operacionais, compartilhamento 
de riscos, aumento na velocidade de resposta da cadeia, melhora no nível de 
serviço ao cliente e capacidade de adaptação a mudanças, os gestores precisam 
estar conscientes dos desafi os associados à implantação. 
Um dos maiores empecilhos para a implantação será a resistência à 
mudança e movimentação para além dos processos existentes. As organizações 
precisam mostrar para seus colaboradores como as mudanças de processos 
podem melhorar. Os benefícios difi cilmente são realizados devido às diferenças 
de interesses entre as organizações, que buscam seu próprio lucro, baseadas em 
uma perspectiva local e num comportamento oportunista. Algumas organizações 
buscam melhorar o seu desempenho fi nanceiro às custas de outros membros 
da cadeia. Não é raro verifi car um considerável antagonismo entre os membros 
da cadeia de suprimentos em função da desconfi ança mútua e difi culdades de 
cooperação aparecem, muitas vezes, em forma de confl itos. A inércia gerencial 
também fi gura como causa de confl itos a partir de medidas de desempenho 
inadequadas, políticas desatualizadas, informações desencontradas. Estes 
49
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
impedem o aumento de desempenho da cadeia de suprimentos, provocando 
problemas de qualidade, de entrega do produto, de retrabalhos e de perda de 
foco nas necessidades e demandas do consumidor fi nal. Pode-se, para efeitos 
de simplifi cação, organizar as difi culdades da implantação em barreiras culturais, 
tecnológicas e operacionais (ROSA, 2004).
Barreiras culturais: entende-se como barreiras culturais todas as barreiras 
resultantes dos hábitos e comportamentos das pessoas envolvidas nos processos 
colaborativos entre empresas. Apesar de ser extremamente complexo defi nir 
todos os mecanismos que “formam” os hábitos e comportamentos de uma pessoa 
dentro do ambiente empresarial, pode-se destacar a própria cultura do país, que 
abrange aspectos peculiares da formação de uma nação, seus valores, tradições e 
costumes, a cultura organizacional e as métricas de avaliação e recompensa, que 
funcionam como mecanismo de reforço aos hábitos e comportamentos percebidos 
como aceitáveis. A infl uência da cultura no sucessoou fracasso de iniciativas de 
expansão geográfi ca, parcerias ou adoção de novos processos e tecnologias é 
bem conhecida, pode-se exemplifi car a difi culdade encontrada pela Toyota para 
implementar os mecanismos de “Lean manufacturing” em suas fábricas fora do 
Japão ou da Walt Disney Company para reproduzir seu serviço receptivo e bem-
humorado com funcionários franceses na Disneyland Paris (JULIANELLI, 2014).
Lean manufacturing, ou manufatura enxuta ou Sistema Toyota 
de Produção é uma fi losofi a de gestão baseada na redução dos 
desperdícios.
Barreiras tecnológicas: o processo de colaboração e integração com 
parceiros comerciais é intensivo na troca e tratamento de dados, tendo portanto, 
a tecnologia da informação, papel de destaque na viabilização das iniciativas de 
integração logística e da cadeia de suprimento. As barreiras tecnológicas podem 
ser: incompatibilidade de sistemas, complexidade dos fl uxos de informação e 
problemas na infraestrutura tecnológica.
Sistemas de informação inadequados ou incompatíveis são uma barreira 
fundamental para a colaboração à medida que difi cultam a troca de informações 
entre os parceiros da cadeia. Os problemas de incompatibilidade começam na 
falta de padronização das informações contidas nos códigos de barra. Também 
o uso de sistemas proprietários, projetados para lidar com as informações 
das organizações internamente e, portanto, autônomos, heterogêneos e não 
50
 Logística e Distribuição
integrados, o que signifi cam enorme desafi o para a colaboração entre as 
organizações da cadeia de suprimentos, uma vez que as informações necessárias 
encontram-se dispersas nestes sistemas, como um dos maiores obstáculos para 
a integração. Há um grande desafi o que é lidar com a enorme complexidade dos 
fl uxos de informação, requerendo uma análise e interpretação de uma quantidade 
enorme de informações (volume), de fontes e formatos distintos (variedade) e 
para uma disponibilização em bases em tempo real para muitos tomadores de 
decisão (velocidade) (JULIANELLI, 2014).
Barreiras operacionais: são os entraves relacionados aos fl uxos físicos de 
produtos entre as empresas, como a escassez de recursos humanos qualifi cados 
nos níveis operacional e executivo, infraestrutura e recursos restritos e legislação 
inadequada.
No que se refere à qualifi cação dos profi ssionais para a gestão integrada da 
cadeia de suprimentos, um importante fator deve ser considerado: as ferramentas 
de gestão desenvolvidas e ensinadas aos executivos buscam melhorar o 
desempenho das partes da organização de maneira independente, ou seja, não 
foram concebidas dentro do novo paradigma colaborativo indicado, fazendo 
com que os profi ssionais envolvidos na coordenação dos fl uxos de produtos não 
possuam os artefatos para gerenciar apropriadamente os relacionamentos intra e 
interempresas. 
Outra barreira operacional para a integração refere-se à limitação dos recursos 
disponíveis, nem sempre os mais adequados para viabilizar uma integração ampla 
dos fl uxos físicos ao longo dos parceiros comerciais. Possivelmente resultado de 
estruturas operacionais incompatíveis, como perfi s de frotas diferentes, ou da falta 
de infraestrutura, que pode, por exemplo, obrigar uma empresa a se relacionar 
com várias transportadoras, com aumento no volume de dados transacionados 
e também da complexidade de suas operações, pela inexistência do modal 
ferroviário. Realidade que o Brasil enfrenta pela falta de ferrovias.
A legislação também merece destaque quando analisadas as barreiras, 
uma vez que concebida para intermediar as relações de empresas geridas 
independentemente, tanto a estrutura tributária quanto a cível podem ser 
impeditivos para a integração dos fl uxos de materiais (JULIANELLI, 2014).
Comumente se classifi cam os componentes gerenciais, que devem receber 
especial atenção por parte das organizações que enfrentam o desafi o da 
implantação da logística Integrada e Gerenciamento da Cadeia de Suprimento. 
Estes podem ser divididos em componentes técnicos e físicos, e os componentes 
gerenciais e comportamentais.
51
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
Destaca-se dentre os componentes técnicos e físicos, o componente 
“Estrutura Organizacional”, que reforça a ideia de atenção a ser dada às barreiras 
acima apresentadas. Este componente trata da importância da estrutura da 
organização, seu tipo de departamentalização, integração interna e a organização 
da cadeia. Também sobre a importância na adoção de equipes multidisciplinares 
ou de equipes compostas por pessoas de várias organizações da cadeia, a fi m 
de estimular a integração da cadeia e o aumento da probabilidade de sucesso 
na implantação. Uma dúvida pode surgir agora: qual a relação da estrutura 
organizacional com a adoção da logística integrada? Não é difícil responder, pois 
como se vai adotar um conceito e práticas de integração e cooperação sem uma 
estrutura organizacional que respeite, valorize e conduza nesta direção? Não 
basta apenas adotar processos, deve-se também rever a estrutura organizacional 
para que haja êxito. 
Dentre os “componentes gerenciais e comportamentais”, destaca-se a 
“Estrutura de Poder e Liderança”, que além de reforçar a ideia expressa nas 
barreiras já apresentadas, demonstra a importância e atenção a ser dada à 
falta de poder e a concentração de poder, pois ambas podem afetar o nível de 
comprometimento dos membros da cadeia e a integração da cadeia. Não se pode 
esquecer que além de defi nições, processos e atividades a serem adotadas, 
existem valores importantes, como o poder que deve ser bem distribuído, caso 
contrário a implantação fi ca comprometida.
INTERAÇÕES DA FUNÇÃO LOGÍSTICA COM 
OUTRAS ÁREAS DAS EMPRESAS
Bowersox e Closs (2001) propõem a logística como ferramenta de gestão 
do "supply chain" quando diz que o gerenciamento logístico inclui o projeto e 
administração de sistemas para controlar o fl uxo de materiais, os estoques em 
processo e os produtos acabados, com o objetivo de fortalecer a estratégia das 
unidades de negócio da empresa, desta forma localizando a logística dentro de 
um cenário mais amplo.
Fontes (1996, p. 1) ressalta a importância estratégica da logística, ao afi rmar 
que:
O sistema logístico, estabelecendo a integração dos fl uxos 
físicos e de informações, responsáveis pela movimentação de 
materiais e produtos, segundo Peter Drucker, a última fronteira 
gerencial que resta ser explorada para reduzir tempos e custos, 
melhorar o nível e a qualidade de serviços, agregar valores que 
diferenciem e fortaleçam a posição competitiva da empresa.
52
 Logística e Distribuição
A logística, sendo uma função que trata da otimização dos fl uxos de 
operações dos sistemas produtivos, atua interagindo com outros setores das 
empresas, trocando informações e gerenciando confl itos porventura existentes 
(GOMES; RIBEIRO, 2004).
A função logística interage basicamente com 4 (quatro) setores em uma 
empresa, que são: Marketing, Finanças, Controle da Produção e Gestão de 
Recursos Humanos, sendo as seguintes as variáveis de interesses comuns da 
logística com tais setores (GOMES; RIBEIRO, 2004):
Marketing
• Produtos ofertados;
• Formação de preço;
• Canais de distribuição;
• Prazos de entrega.
Finanças
• Necessidades de giro de estoque;
• Políticas de investimento.
Controle de Produção
• Orçamento;
• Planejamento dos custos de revenda; 
• Quadros demonstrativos, em todos os níveis.
Gestão de recursos humanos
• Políticas de recrutamento e formação de pessoal.
Em função de uma tradição tornou-se usual se organizar a partir das funções 
marketing e de produção. Não é difícil entender a relevância dada a estas 
funções, pois uma responde pelas tão importantes vendas e outra faz o que se 
vende. E por consequência se dava um papel de apoio às demais funções da 
gestão. Esta abordagem é extremamente simplória, pois não considera todo o 
valor de quem distribuios produtos e garante insumos de forma adequada à 
produção. São atividades logísticas que estão diretamente ligadas à efi ciência 
e efi cácia das funções de marketing e de produção. Todavia, não se pode dizer 
que os estudantes e profi ssionais das áreas de marketing e produção tenham 
desconsiderado a importância da logística, pois ambas a consideraram em seus 
escopos, mesmo que inapropriadamente. Como se pode ver na defi nição de 
53
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
marketing pela “American Marketing Association”: “É o processo de planejamento 
e execução da concepção de preço, promoção e distribuição de ideias, bens e 
serviços para criar trocas que satisfaçam metas individuais e organizacionais”. 
O que a administração de marketing deveria se incumbir de escolher os canais 
de distribuição para os produtos e serviços. Da mesma forma pode-se observar 
em defi nições de gestão de operações/produção. Essa abordagem pode causar 
problemas importantes à função logística, pois não se pode imaginar a função 
de produção/operações tomando atitudes sobre atividades logísticas e contrárias 
às estratégias das outras funções marketing e logística. Isso signifi ca potenciais 
rupturas entre as áreas da organização ou a irresponsabilidade sobre as ações e 
resultados.
Ao se entender que a logística é muito mais do que um conjunto de 
atividades numa organização, se deve também adotar uma visão de que estas 
devem ser geridas sistemicamente para que se possa obter o máximo de 
resultado do sistema total. A logística empresarial representa uma redefi nição nas 
estruturas organizacionais formais, incluindo suas responsabilidades e escopo de 
trabalho, ou uma mudança conceitual na visão dos gestores sobre as atividades 
de movimentar-estocar, que historicamente tem estado parte sob o controle do 
marketing e parte sob o controle da produção/operações. Você pode se perguntar: 
o que signifi ca isso? A logística é muito mais do que uma unidade organizacional, 
constitui numa função que exige uma mudança de mentalidade dos gestores e 
uma revisão das estruturas organizacionais. 
Logo, não deve ser vista como uma unidade ou departamento da organização, 
mesmo que possa se escolher ter uma unidade organizacional assim denominada. 
Todavia, se as atividades logísticas forem vistas com uma unidade organização 
autônoma e com ação gerencial, o relacionamento das atividades logísticas com 
as do marketing e as da produção/operação seria conforme mostrado na fi gura a 
seguir, onde a logística ocupa uma posição, estrategicamente importante, entre 
a produção e o marketing. Existem atividades comuns às duas funções, que são 
denominadas atividades de interface.
54
 Logística e Distribuição
Figura 8 – Principais atividades e atividades de interface com a logística
Fonte: Adaptado de Ballou (2001).
A separação das atividades logísticas da empresa em três grupos, em vez 
de dois, nem sempre é necessária ou recomendada. As unidades de marketing 
e produção/operações, quando estruturadas e coordenadas, podem fazer o 
gerenciamento das atividades logísticas, incluindo as denominadas de interface. 
Entretanto, uma unidade organizacional distinta, respondendo pela logística, pode 
ser a forma mais efetiva e efi caz.
Segundo Ballou (2001), as atividades de interface não devem ser geridas por 
apenas uma das áreas funcionais. Devem ser gerenciadas pelas funções a elas 
relacionadas de forma colaborativa e coordenada. Caso isso não ocorra, pode 
levar a resultados subótimos para a empresa através da subordinação das metas 
mais abrangentes da organização às metas das funções individuais ou unidades 
organizacionais. Signifi ca dizer que objetivos setoriais ou departamentais podem 
se sobrepor aos objetivos estratégicos da organização. A integração entre 
marketing, logística e produção requer grande sinergia na troca de informação, 
sendo necessário as organizações proporcionarem incentivos à cooperação entre 
as funções participantes, logística, marketing e produção/operações. É comum 
que os setores de logística e marketing tenham uma disputa, da mesma forma 
com respeito à logística e produção/operações. Todavia, isso é completamente 
55
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
maléfi co no que diz respeito à organização de negócios da qual fazem parte, e 
por isso devem ser minimizadas ao máximo através de um controle gerencial e 
avaliação de desempenho adequados.
Pode-se ver na fi gura anterior, que a defi nição do nível de serviços ao 
cliente e das embalagens se constituem em atividades que devem ser tratadas 
de forma coordenada e colaborativa pelo marketing e a logística, e o mesmo 
deve acontecer com as compras e a programação de produtos. Ambos os casos 
constituem exemplos da interface entre logística e produção. 
A logística e o marketing são considerados, em muitas organizações, a 
principal interface com o mercado, ou seja, se não atuarem de forma cooperativa 
e coordenada pode signifi car permanência ou não da organização no mercado. 
Talvez você possa se perguntar: como isso pode acontecer? Vejamos uma 
atividade de interface entre as duas funções: aquela que trata da embalagem. 
Figura 9 – Exemplo de atividade de interface entre as duas funções
Fonte: Disponível em: <https://goo.gl/65qW94>. Acesso em: 2 mar. 2017.
56
 Logística e Distribuição
No escopo da logística está a escolha de um tipo de embalagem, para que 
o produto transportado e movimentado se mantenha intacto até chegar ao cliente 
fi nal. A logística, por sua natureza, dará atenção ao material da embalagem no 
sentido de obter o acondicionamento adequado do produto, ou seja, a garantia 
de que o produto manterá suas características até a entrega ao cliente fi nal. Já 
o marketing tem seu foco principal na aparência desta embalagem, de forma 
que ela seja atraente para o consumidor, despertando o desejo em adquiri-la. A 
logística se preocupa com a qualidade do material, e se ele conseguirá manter 
as características do produto durante a armazenagem e transporte, até que o 
produto chegue ao consumidor fi nal. De outro lado, o marketing precisa que esse 
produto tenha um design e uma embalagem bonita, que represente bem a marca 
e desperte no consumidor o desejo de comprá-lo.
Figura 10 – Exemplo de embalagem
Fonte: Disponível em: <http://andradasnews.com/wp-content/uploads/2017/02/
WhatsApp-Image-2017-02-13-at-15.25.40-300x175.jpeg>. Acesso em: 2 mar. 2017.
Agora, se não houve uma gestão compartilhada entre as duas funções, a 
decisão sobre a embalagem depender apenas da visão da função marketing, 
o produto pode ter uma embalagem cara, que difi culte o transporte, exigindo 
cuidados especiais na armazenagem e transporte. É possível ainda escolher uma 
embalagem apenas ofertada por poucos fornecedores e estrangeiros, e ainda 
não confi áveis na qualidade e no prazo de entrega. Isso tudo seria o pior dos 
mundos para a função logística e para organização. Ou podemos ver a decisão 
tomada apenas por parte da função logística, o que pode acarretar a escolha 
de uma embalagem com péssimo design, sem nenhuma referência à marca e 
à mensagem que se deseja passar ao consumidor. Ao contrário disso tudo, se 
57
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
houver a gestão compartilhada na atividade que cuida da embalagem, pode-se 
escolher uma embalagem que seja resistente, com custo adequado, com muitos 
e confi áveis fornecedores nacionais. E ainda uma embalagem com um excelente 
design e totalmente alinhada ao estilo e propostas da marca do fabricante. 
Vamos ver outras importantes atividades de interface, aquelas existentes 
entre as funções logísticas e de produção/operações. Qual seria a relação da 
logística com a produção dentro de uma manufatura? Sabe-se que as informações 
relativas ao estoque de produtos acabados devem ser fornecidasà produção, que 
a partir destas desenvolve o seu plano de produção. A informação da demanda 
real e dos níveis de estoque são fundamentais à produção. 
Outro ponto de relacionamento da logística é o fl uxo de mercadorias. 
Considerando importância do fl uxo na linha de produção e as defi nições do layout 
realizadas pela logística, entende-se como a produção e logística interagem a fi m 
de garantir a otimização da linha de produção, pois é muito mais do que um fl uxo 
de informação interligando a produção e logística. Consiste na gestão coordenada 
e participativa das atividades de interface.
Se assim for, fi cam evidentes os resultados e a importância do equilíbrio de 
forças na gestão destas atividades de interface, a fi m de garantir os melhores 
resultados para a organização. 
De acordo com Fleury (2000), a logística deve ser vista como um instrumento 
de marketing, uma ferramenta gerencial capaz de agregar valor por meio dos 
serviços prestados, ou seja, deve haver uma interação ainda maior entre a função 
logística e as demais funções empresariais.
Atividades de Estudos:
1) A logística e o marketing são considerados, em muitas 
organizações, a principal interface com o mercado, ou seja, se 
não atuarem de forma cooperativa e coordenada pode signifi car 
permanência ou não da organização no mercado.
 Da mesma forma, é importante dar a devida atenção para as 
atividades de interface, caso contrário, fi cam comprometidos 
os benefícios da logística integrada, que são tão buscados 
por empresas competitivas. As atividades de interface, se 
gerenciadas por uma só das funções clássicas da administração 
58
 Logística e Distribuição
a elas relacionadas, pode levar a um desempenho subótimo da 
organização. Marque a alternativa que representa a causa o 
resultado subótimo:
a) ( ) A subordinação das metas mais abrangentes da empresa às 
metas das funções individuais.
b) ( ) A falta de competência técnica provável em uma das funções 
da gestão.
c) ( ) Pela forte tradição e cultura organizacional.
d) ( ) Porque as atividades de interface com a logística estão 
diretamente ligadas à efi ciência e efi cácia das funções de 
marketing e de produção.
2) O que são as atividades de interface da logística e em que 
diferem das demais atividades logísticas no que diz respeito ao 
gerenciamento? 
 ____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
____________________________________________________
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Chegamos ao fi nal deste primeiro capítulo, após conhecermos a evolução da 
logística, os seus objetivos e atribuições. O que apresentamos até aqui evidencia 
a importância da logística no cenário dos negócios neste século 21, bem como 
o que mudou em sua essência desde seu surgimento. Embora não haja uma 
defi nição única para logística, todas as defi nições mais recentes estabelecem 
bem o que pode ser visto como logística, sua natureza e no que consiste o seu 
gerenciamento. 
Todavia, há outros aspectos e conceitos muito importantes que serão 
estudados nos próximos capítulos. No capítulo seguinte, veremos a logística 
como elemento central da prestação de serviço ao cliente e base das estratégias 
empresariais neste cenário competitivo em que vivemos. Mas, antes disso, 
verifi que se ainda há dúvidas sobre o que foi abordado até aqui, sugerimos rever 
o que for necessário e discuti-las com o grupo e com o tutor.
59
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, C.M. P. R.; Schlüter, M. R. Estratégia logística. Curitiba: IESDE, 
2009.
AZEVEDO, I. R. M. de; LEAL, J. E. (Orientador). Aplicação de metodologia 
de custeio baseado em atividades na determinação dos custos de 
movimentação interna de um depósito. Estudo de caso: aplicação à produção 
de petróleo offshore. Rio de Janeiro, 2003. 108 p. Dissertações de Mestrado - 
Departamento de Engenharia Industrial, Pontifícia Universidade Católica do Rio 
de Janeiro, 2003. 
BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, 
organização e logística empresarial. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.
BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial: o processo de 
integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001.
BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial: o processo da cadeia 
de suprimento. São Paulo: Editora Atlas, 2007.
BORTOTO, A. C. et al. Comércio exterior: teoria e gestão. 3. ed. Reimpressão. 
São Paulo: Atlas 2007.
CAMPOS, L. F. R.; BRASIL, C. V. de M. Logística: teia de relações. Curitiba: 
Ibpex, 2007. 
CARLINI, G. A logística integrada como ferramenta para a competitividade 
em uma agroindústria. 2002. 122 f. Dissertação (Mestrado) - Escola de 
Administração, UFRGS, Porto Alegre. 2002.
CHIAVENATO, I. Iniciação à administração de materiais. São Paulo: Makron 
Books, 1991. 
CHING, H. Y. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada: supply 
chain. São Paulo: Atlas, 1999.
CHOPRA, S.; MEINDL, P. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: 
estratégia, planejamento e operações. Tradução de Claudia Freire. São Paulo: 
Prentice Hall, 2003.
CHRISTOPHER, M. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimento: 
60
 Logística e Distribuição
estratégia para redução de custos e melhoria dos serviços. São Paulo: Pioneira, 
1997.
CSCMP. Council of Supply Chain Management Professionals. Supply chain and 
logistics terms and glossary. 2004. Disponível em: <https://goo.gl/TNdahI>. 
Acesso em: maio 2016.
GOMES, C. F. S.; RIBEIRO, P. C. C. Gestão da cadeia de suprimentos 
integrada à tecnologia de informação. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 
2004.
Fleischmann, M. Quantitative Models for Reverse Logistics. Berlin: Springer, 
2001.
FLEURY, P. F.; WANKE, P.; FIGUEIREDO, K. F. Logística empresarial: a 
perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas, 2000.
FONTES, M. R. A. Logística e estratégia. 1996. Disponível em: <http://produto2.
pep.ufrj.briabepro/enegep96/7/a7009.htm>. Acesso em: 18 ago. 2005.
JULIANELLI, L. Gestão integrada da cadeia de suprimentos: análise dos 
aspectos culturais, tecnológicos e operacionais no Brasil. 2014. Disponível em: 
<http://www.ilos.com.br/web/gestao-integrada-da-cadeia-de-suprimentos-analise-
dos-aspectos-culturais-tecnologicos-e-operacionais-no-brasil/>. Acesso em: 15 
mar. 2015.
LAMBERT, D. M.; ARMITAGE, H. M. Distribution costs: the challenge: the key 
to managing the physical distribution function is total cost analysis, rather than 
haphazard stabs at cutting specifi c costs. Management accounting (pre-1986). 
Montvale, v. 60, n. 11, p. 33-37, 45, 05/1979.
LUSTOSA, L. et al. Planejamento e controle de produção. Rio de Janeiro: 
Elsevier, 2008.
LOVELOCK, C. H. Services marketing. New Jersey: Prentice Hall, 1996.
NOVAES, A. G. Logística e o gerenciamento da cadeia de suprimentos: 
estratégia, operação e avaliação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007.
MAGEE, J. F. Logística industrial: análise e administração dos sistemas de 
suprimento e distribuição. Tradução de Ana Lúcia Boucinhas. Título original: 
Industrial logistics, analysis and management of physical supply and distribution 
systems. São Paulo: Pioneira, 1977.
61
LOGÍSTICA: INTRODUÇÃO, HISTÓRICO E
CONCEITOS ASSOCIADOS
 Capítulo 1 
PORTER, M. A cadeia de valores e a vantagem competitiva. In: ______. 
Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Rio de 
Janeiro: Campus, 1989. cap. 1, p. 31-53.
POZO, H. Administração de recursos materiais e patrimoniais. 6. ed. São 
Paulo: Atlas, 2010.
ROBENSON, J.; COPACINO, W.; HOWE, R. The logistics handbook. Nova 
Iorque: Free Press, 1994. 954 p.
RODRIGUES, É. O.; PIZZOLATO, N. D. Custo mínimo e o ponto de 
substituição de equipamentos logísticos: uma proposta de aplicação à frota 
de veículosde transporte de cargas do exército brasileiro. Rio de Janeiro, 2004. 
133 p. Dissertação de Mestrado – Departamento de Engenharia Industrial – 
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, 2004.
ROSA, T. E. Defi nição de planos de ação para a implantação da gestão da 
cadeia de suprimentos entre empresas de médio porte e seus principais 
fornecedores. 2004. 117 f. Dissertação (Mestrado) - Escola de Engenharia, 
UFRGS, Porto Alegre, 2004.
SINK, H. L.; LANGLEY JR., C. J., GILSON, B. J. Buyer Observations of the US 
Third-party Logistics Market. International Journal of Physical Distribution & 
Logistic Management, v. 26, n. 3, p. 38-46, 1996.
TAYLOR, D. A. Logística na cadeia de suprimento: uma perspectiva gerencial 
de suprimento. São Paulo: Pearson Addison-Wesley, 2005.
WOOD JR., T. Supply chain management: uma abordagem estratégica para a 
logística empresarial. Relatório de Pesquisa n. 5. EAESP/FGV/NPP - Núcleo de 
Pesquisas e Publicações, p. 1-94. 1998
62
 Logística e Distribuição

Mais conteúdos dessa disciplina