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SUMÁRIO
Língua Portuguesa ............................................................................................................................ 09
Matemática ....................................................................................................................................... 58
Geografia ........................................................................................................................................... 89
História ............................................................................................................................................ 162
Conhecimentos de Direitos e Garantias Fundamentais ................................................................... 203
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CAPÍTULO 01
Interpretação de Textos
Ideias Preliminares sobre o Assunto
Independentemente de quem seja o professor de
Língua Portuguesa, é muito comum ele ouvir alguns
alunos falando que até gostam da matéria em questão,
mas que possuem muita dificuldade com a interpre-
tação dos textos. Isso é algo totalmente normal, prin-
cipalmente porque costumamos fazer algo terrível
chamado de “leitura dinâmica” que poderia ser tradu-
zido da seguinte maneira: procedimento em que você
olha as palavras, mas não entende o significado do que
está lá escrito.
Para interpretar um texto, o indivíduo precisa de
muita atenção e de muito treino. Interpretar pode ser
comparado com disparar uma arma: apenas temos
chance de acertar o alvo se treinarmos muito e souber-
mos combinar todos os elementos externos ao disparo:
velocidade do ar, direção, distância etc.
Quando o assunto é texto, o primordial é estabe-
lecer uma relação contextual com aquilo que estamos
lendo. Montar o contexto significa associar o que está
escrito no texto base com o que está disposto nas
questões. Lembre-se de que há uma questão montada
com a intenção de testar você, ou seja, deve ficar atento
para todas as palavras e para todas as possibilidades de
mudança de sentido que possa haver nas questões.
É preciso, para entender as questões de interpre-
tação de qualquer banca, buscar o raciocínio que o ela-
borador da questão emprega na redação da questão.
Usualmente, objetiva-se a depreensão dos sentidos do
texto. Para tanto, destaque os itens fundamentais (as
ideias principais contidas nos parágrafos) para poder
refletir sobre tais itens dentro das questões.
Semântica ou Pragmática?
Existe uma discussão acadêmica sobre o que possa
ser considerado como semântica e como pragmática.
Em que pese o fato de os universitários divergirem a
respeito do assunto, vamos estabelecer uma distinção
simples, apenas para clarear nossos estudos.
→ Semântica: disciplina que estuda o significa-
do dos termos. Para as questões relacionadas a
essa área, o comum é que se questione acerca da
troca de algum termo e a manutenção do sentido
original da sentença.
→ Pragmática: disciplina que estuda o sentido
que um termo assume dentro de determina-
do contexto. Isso quer dizer que a identificação
desse sentido depende do entorno linguístico e da
intenção de quem exprime a sentença.
Para exemplificar essa situação, vejamos o exemplo
abaixo:
Pedro está na geladeira.
Nesse caso, é possível que uma questão avalie a ca-
pacidade de o leitor compreender que há, no mínimo,
dois sentidos possíveis para essa sentença: um deles diz
respeito ao fato de a expressão “na geladeira” poder
significar algo como “ele foi até a geladeira buscar algo”,
o que – coloquialmente – significaria uma expressão in-
dicativa de lugar. O outro sentido diz respeito ao fato de
“na geladeira” significar que “foi apartado de alguma
coisa para receber algum tipo de punição”.
A questão sobre semântica exigiria que o candidato
percebesse a possibilidade de trocar a palavra “gela-
deira” por “refrigerador” – havendo, nesse caso, uma
relação de sinonímia.
A questão de pragmática exigiria que o candidato
percebesse a relação contextualmente estabelecida,
ou seja, a criação de uma figura de linguagem (um tipo
de metáfora) para veicular um sentido particular.
Questão de interpretação?
Como se faz para saber que uma questão de inter-
pretação é uma questão de interpretação? É uma mera
intuição que surge na hora da prova ou existe uma
“pista” a ser seguida para a identificação da natureza
da questão?
Respondendo a essas perguntas, entende-se que
há pistas que identificam a questão como pertencente
ao rol de questões para interpretação. Os indícios mais
precisos que costumam aparecer nas questões são:
→ Reconhecimento da intenção do autor.
→ Ponto de vista defendido.
→ Argumentação do autor.
→ Sentido da sentença.
Apesar disso, não são apenas esses os indícios de
que uma questão é de intepretação. Dependendo da
banca, podemos ter a natureza interpretativa distinta,
principalmente porque o critério de intepretação é mais
subjetivo que objetivo. Algumas bancas podem restrin-
gir o entendimento do texto; outras podem extrapolá-lo.
Tipos de Texto - o Texto e suas Partes
Um texto é um todo. Um todo é constituído de
diversas partes. A interpretação é, sobremaneira, uma
tentativa de reconhecer as intenções de quem comunica
recompondo as partes para uma visão global do todo.
Para podermos interpretar, é necessário termos o
conhecimento prévio a respeito dos tipos de texto que,
fortuitamente, podemos encontrar em um concurso.
Vejamos quais são as distinções fundamentais com
relação aos tipos de texto.
Ao longo do século XVII, a Holanda foi um dos
dois motores de um fenômeno que transformaria
para sempre a natureza das relações internacionais:
a primeira onda da chamada globalização. O outro
motor daquela era de florescimento extraordiná-
rio das trocas comerciais e culturais era um império
do outro lado do planeta − a China. Só na década de
1650, 40 000 homens partiram dos portos holande-
ses rumo ao Oriente, em busca dos produtos cobiça-
dos que se fabricavam por lá. Mas a derrota em uma
guerra contra a França encerrou os dias da Holanda
como força dominante no comércio mundial.
Se o século XVI havia sido marcado pelas grandes
descobertas, o seguinte testemunhou a consequên-
cia maior delas: o estabelecimento de um poderoso
cinturão de comércio que ia da Europa à Ásia. “O
sonho de chegar à China é o fio imaginário que
percorre a história da luta da Europa para fugir do iso-
lamento”, diz o escritor canadense Timothy Brook, no
livro O chapéu de Vermeer.
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Isso determinou mudanças de comportamento e
de valores: “Mais gente aprendia novas línguas e se
ajustava a costumes desconhecidos”. O estímulo a
esse movimento era o desejo irreprimível dos ociden-
tais de consumir as riquezas produzidas no Oriente.
A princípio refratários ao comércio com o exterior,
os governantes chineses acabaram rendendo-se à
evidência de que o comércio significava a injeção de
riqueza na economia local (em especial sob a forma de
toneladas de prata).
Sob vários aspectos, a China e a Holanda do século
XVII eram a tradução de um mesmo espírito de liberda-
de comercial. Mas deveu-se só à Holanda a invenção
da pioneira engrenagem econômica transnacional. A
Companhia das Índias Orientais - a primeira grande
companhia de ações do mundo, criada em 1602 − foi a
mãe das multinacionais contemporâneas. Benefician-
do-se dos baixos impostos e da flexibilidade adminis-
trativa, ela tornou-se a grande potência empresarial
do século XVII.
(Adaptado de: Marcelo Marthe. Veja, p. 136-137, 29 ago. 2012)
01. De acordo com o texto:
a) Durante os séculos XVI e XVII, os produtos orien-
tais, especialmente aqueles que eram negocia-
dos na China, constituíram a base do comércio
europeu, em que se destacou a Holanda.
b) A eficiência administrativa de uma empresa co-
mercial criada na Holanda, durante o século XVII,
favoreceu o surgimento desse país como um dos
polos iniciais do fenômeno da globalização.
c) A atração por produtos exóticos, de origemoriental, determinou a criação de empresas
transnacionais que, durante os séculos XVI e XVII,
dominaram o comércio entre Europa e Ásia.
d) A China, beneficiada pelo comércio desde o
século XVI, rivalizou com a Holanda no predomí-
nio comercial, em razão da grande procura por
seus produtos, bastante cobiçados na Europa.
e) Apesar do intenso fluxo de comércio com o
Oriente no século XVII, as mudanças de valores
por influência de costumes diferentes aceleraram
o declínio da superioridade comercial holandesa.
RESPOSTA. B. É preciso verificar que a chave para a in-
terpretação dessa questão repousa na identificação da
representação do século descrito no texto e a retomada
por sinonímia que o texto da questão apresenta.
Itens lexicais de ancoragem para compreender essa
interpretação:
→ 1602 - Século XVII.
→ Mas deveu-se só à Holanda a invenção da pioneira
engrenagem econômica transnacional. A Compa-
nhia das Índias Orientais - a primeira grande com-
panhia de ações do mundo, criada em 1602 – foi a
mãe das multinacionais contemporâneas.
O Texto Dissertativo
Nas acepções mais comuns do dicionário, o verbo
“dissertar” significa “discorrer ou opinar sobre algum
tema”. O texto dissertativo apresenta uma ideia básica
que começa a ser desdobrada em subitens ou termos
menores. Cabe ressaltar que não existe apenas um tipo
de dissertação, há mais de uma maneira de o autor
escrever um texto dessa natureza.
Conceituar, polemizar, questionar a lógica de algum
tema, explicar ou mesmo comentar uma notícia são
estratégias dissertativas. Vamos dividir essa tipologia
textual em dois tipos essencialmente diferentes: o dis-
sertativo-expositivo e o dissertativo-argumentativo.
Padrão Dissertativo-Expositivo
A característica fundamental do padrão expo-
sitivo da dissertação é utilizar a estrutura da prosa
não para convencer alguém de alguma coisa, e sim
para apresentar uma ideia, apresentar um conceito.
O princípio do texto expositivo não é a persuasão, é
a informação e, justamente por tal fato, ficou conhe-
cido como informativo. Para garantir uma boa inter-
pretação desse padrão textual, é importante buscar
a ideia principal (que deve estar presente na intro-
dução do texto) e, depois, entender quais serão os
aspectos que farão o texto progredir.
→ Onde posso encontrar esse tipo de texto? Jornais
revistas, sites sobre o mundo de economia e
finanças. Diz-se que esse tipo de texto focaliza a
função referencial da linguagem.
→ Como costuma ser o tipo de questão relacionada
ao texto dissertativo-expositivo? Geralmente, os
elaboradores questionam sobre as informações
veiculadas pelo texto. A tendência é que o elabora-
dor inverta as informações contidas no texto.
→ Como resolver mais facilmente? Toda frase que
mencionar o conceito ou a quantidade de alguma
coisa deve ser destacada para facilitar a consulta.
Padrão Dissertativo-Argumentativo
No texto do padrão dissertativo-argumentativo,
existe uma opinião sendo defendida e existe uma
posição ideológica por detrás de quem escreve o texto.
Se analisarmos a divisão dos parágrafos de um texto
com características argumentativas, perceberemos que
a introdução apresenta sempre uma tese (ou hipótese)
que é defendida ao longo dos parágrafos.
Uma vez feito isso, o candidato deve entender qual
é a estratégia utilizada pelo produtor do texto para
defender seu ponto de vista. Na verdade, agora é o
momento de colocar “a mão na massa” para valer, uma
vez que aqueles enunciados que iniciam com “infere-se
da argumentação do texto”, “depreende-se dos argu-
mentos do autor” serão vencidos caso se observem os
fatores de interpretação corretos.
Quais são esses fatores?
˃ A conexão entre as ideias do texto (atenção para
as conjunções).
˃ Articulação entre as ideias do texto (atenção para
a combinação de argumentos).
˃ Progressão do texto.
→ Os Recursos Argumentativos:
Quando o leitor interage com uma fonte textual,
deve observar - tratando-se de um texto com o padrão
dissertativo-argumentativo - que o autor se vale de
recursos argumentativos para construir seu raciocínio
dentro do texto. Vejamos alguns recursos importantes:
˃ Argumento de autoridade: baseado na expo-
sição do pensamento de algum especialista ou
alguma autoridade no assunto. Citações, paráfra-
ses e menções ao indivíduo podem ser tomadas
ao longo do texto. Tome cuidado para não cair na
armadilha: saiba diferenciar se a opinião colocada
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em foco é a do autor ou se é a do indivíduo que
ele cita ao longo do texto.
˃ Argumento com base em consenso: parte de
uma ideia tomada como consensual, o que
“carrega” o leitor a entender apenas aquilo que
o elaborador mostra. Sentenças do tipo todo
mundo sabe que é de conhecimento geral que
identificam esse tipo de argumentação.
˃ Argumento com fundamentação concreta: basear
aquilo que se diz em algum tipo de pesquisa ou
fato que ocorre com certa frequência.
˃ Argumento silogístico (com base em um raciocí-
nio lógico): do tipo hipotético - Se...então.
˃ Argumento de competência linguística: consiste
em adequar o discurso ao panorama linguístico
de quem é tido como possível leitor do texto.
˃ Argumento de exemplificação: utilizar casos, ou
pequenos relatos para ilustrar a argumentação
do texto.
Costumamos olhar pouco para fora do Brasil
quando tentamos compreender o que estamos
vivendo. Faz muito que a distância entre os países de-
sapareceu, no plano objetivo. Continuamos, porém,
vivendo “isolados do mundo”, como diz uma canção,
ainda que apenas na subjetividade.
Se pensarmos no que está à nossa volta, na América
do Sul, então, mais ainda. Mesmo quando é bem infor-
mado, o brasileiro típico se mostra mais capaz de dar
notícia do que ocorre na Europa e nos Estados Unidos
da América do que em qualquer de nossos vizinhos.
É pena, pois estar mais informados sobre o que
acontece além das fronteiras pode ajudar muito a que
nos entendamos como país.
Marcos Coimbra. Olhando à nossa volta. In: Correio Braziliense,
23/9/2007 (com adaptações).
01. (CESPE) O autor do texto, em sua argumentação,
opõe o desaparecimento da distância entre os
Estados Unidos da América e a Europa, no “plano
objetivo”, à preservação dessa distância entre os
países da América do Sul, no plano subjetivo.
Certo ( ) Errado ( )
Celular Vira ‘Fura-trânsito’ em São Paulo
Em uma cidade com tantos problemas no trânsito
como São Paulo, a indústria de apps - os aplicativos
para celulares e tablets - encontrou terreno fértil para
se desenvolver.
Aplicativos lançados recentemente ajudam o moto-
rista a escapar de alagamentos, a desviar de congestio-
namentos e até a saber onde há vagas para estacionar.
Um dos mais famosos é o Waze. Criado em Israel,
é uma mistura de rede social com GPS, em que moto-
ristas compartilham as condições do trânsito e pontos
críticos de congestionamento.
Uri Levine, fundador e presidente do Waze, diz que
a ideia surgiu em suas férias de 2007, ao viajar com
amigos. Ele foi o último a sair, ligou para saber como
estava o trânsito e evitou engarrafamentos.
Situação semelhante ocorreu em São Paulo, na
temporada de chuvas de 2010. Noel Rocha trabalhava
no centro e precisava passar pelo túnel do Anhangabaú
- famoso pelos alagamentos.
Preso no trânsito, ele queria saber se o túnel estava
fechado. “Tentei, pelo celular, o site do CGE (Centro
de Gerenciamento de Emergências), mas achei muito
complicado.” Foi aí que teve a ideia de criar o Alaga SP,
aplicativo que mostra os alagamentos ativos em São
Paulo a partir de informações da prefeitura.
Além do Waze e do Alaga SP, destacam-se o Moovit
- que oferece informações sobre o transporte público
(ônibus, trens etc.) -, o Maplink - que mostra rotas, con-
dições de trânsito e exibe imagens dos principais corre-
dores através de um sistema de coleta de informações
próprio - e o Apontador Rodoviário, que traça rotas e
mostra a localização de pedágios com seus preços.(André Monteiro, Folha de S.Paulo, 10.03.2013. Adaptado)
02. (VUNESP) Os aplicativos mencionados no texto
têm, em comum, a finalidade de:
a) Oferecer aos usuários opções para contornarem
os problemas no trânsito.
b) Substituir os órgãos públicos na fiscalização do
tráfego de veículos.
c) Auxiliar os pedestres e acabar com os atropela-
mentos nas grandes cidades.
d) Orientar os motoristas que desconhecem as prin-
cipais leis de trânsito.
e) Reduzir o número de carros por habitante na
cidade de São Paulo.
03. (VUNESP) Uri Levine e Noel Rocha idealizaram
os aplicativos Waze e Alaga SP, respectivamen-
te, a partir:
a) Da conversa com amigos que reclamavam do
trânsito.
b) De suas experiências concretas como motoristas.
c) De situações em que se viram presos em engarra-
famentos.
d) Da impossibilidade de viajar devido a alagamentos.
e) Da cópia de aplicativos idênticos que faziam
sucesso no mercado.
“Quando paro com meu carro no semáforo, já olho se
o caminho que vou fazer está congestionado. Se estiver,
pego uma alternativa e, se também estiver travada, uso
o aplicativo para avisar os outros motoristas.”
04. (VUNESP) Considerando as descrições dos apli-
cativos apresentadas no texto, pode-se concluir
que esse comentário se refere ao uso do:
a) Waze.
b) Alaga SP.
c) Moovit.
d) Maplink.
e) Apontador Rodoviário.
Leia o primeiro parágrafo:
Em uma cidade com tantos problemas no trânsito
como São Paulo, a indústria de apps – os aplicativos
para celulares e tablets - encontrou terreno fértil para
se desenvolver.
05. (VUNESP) A expressão terreno fértil pode ser
substituída, sem alteração da mensagem, por:
a) Necessidade restrita.
b) Cenário conturbado.
c) Condições propícias.
d) Ferramentas exóticas.
e) Momento contraditório.
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Observe a passagem do terceiro parágrafo: Criado
em Israel, é uma mistura de rede social com GPS, em
que motoristas compartilham as condições do trânsito
e pontos críticos de congestionamento.
06. (VUNESP) O termo críticos, em destaque, é em-
pregado com o sentido de:
a) Distintos.
b) Provisórios.
c) Sugestivos.
d) Problemáticos.
e) Analíticos.
O novo milênio - designado como era do conheci-
mento, da informação - é marcado por mudanças de re-
levante importância e por impactos econômicos, políti-
cos e sociais. Em épocas de transformações tão radicais
e abrangentes como essa, caracterizada pela transição
de uma era industrial para uma baseada no conheci-
mento, aumenta-se o grau de indefinições e incertezas.
Há, portanto, que se fazer esforço redobrado para iden-
tificar e compreender esses novos processos - o que
exige o desenvolvimento de um novo quadro concei-
tual e analítico que permita captar, mensurar e avaliar
os elementos que determinam essas mudanças - e para
distinguir, entre as características e tendências emer-
gentes, as que são mais duradouras das que são transi-
tórias, ou seja, lidar com a necessidade do que Milton
Santos resumiu como distinguir o modo da moda.
No novo padrão técnico-econômico, notam-se a
crescente inovação, intensidade e complexidade dos
conhecimentos desenvolvidos e a acelerada incorpora-
ção desses nos bens e serviços produzidos e comercia-
lizados pelas organizações e pela sociedade. Destacam-
-se, sobretudo, a maior velocidade, a confiabilidade e o
baixo custo de transmissão, armazenamento e proces-
samento de enormes quantidades de conhecimentos
codificados e de outros tipos de informação.
Helena Maria Martins Lastres et al. Desafios e oportunidades da
era do conhecimento. In: São Paulo em Perspectiva, 16(3), 2002, p.
60-1 (com adaptações).
A partir das ideias e dos argumentos suscitados pelo
texto, julgue os itens subsequentes.
07. (CESPE) Da leitura do texto infere-se que o novo
milênio engloba a era do conhecimento, em que
a vantagem competitiva decorrente da produção
e comercialização de bens e serviços ocorrerá por
meio da geração do conhecimento, que permitirá
a manutenção do potencial inovador das organi-
zações.
Certo ( ) Errado ( )
08. (CESPE) No texto, é abordada a necessidade de se
lidar com as tendências e mudanças derivadas das
novas formas de conhecimento, objeto do que se
denomina, hoje, por era do conhecimento.
Certo ( ) Errado ( )
O setor de tecnologias da informação e comunica-
ção (TICs) impulsiona um conjunto de inovações técni-
co-científicas, organizacionais, sociais e institucionais,
gerando novas possibilidades de retorno econômico
e social nas mais variadas atividades. Por contribuir
para a elevação do valor agregado da produção, com
reflexos positivos no emprego, na renda e na qualidade
de vida da população, esse ramo vem obtendo status
privilegiado em diversas políticas e programas nacio-
nais para a ampliação do acesso às telecomunicações,
aceleração da informatização e mitigação da exclusão
digital. Como exemplo, podem ser destacadas as pro-
postas de fortalecimento da competitividade inseridas
no âmbito da Política de Desenvolvimento Produtivo do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio,
que são imprescindíveis em face do panorama da crise
financeira internacional.
Cristiane Vianna Rauen et al. Relatório de acompanhamento
setorial. In: Tecnologias de informação e comunicação, v. III.
UNICAMP e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial,
ago./2009, p. 10-1 (com adaptações).
No que diz respeito aos argumentos e às estruturas lin-
guísticas do texto acima, julgue o próximo item:
09. (CESPE) Da leitura do texto depreende-se que as
TICs representam a nova base tecnoprodutiva em
conhecimento e podem ser consideradas as prin-
cipais difusoras de progresso técnico nos dias de
hoje, além de constituírem elemento estratégico
das organizações e instituições.
Certo ( ) Errado ( )
Crescimento da População é “Desafio do Século”, Diz
Consultor da ONU
O crescimento populacional é o “desafio do século”
e não está sendo tratado de forma adequada na
Rio+20, segundo o consultor do Fundo de População
das Nações Unidas, Michael Herrmann.
“O desafio do século é promover bem-estar para
uma população grande e em crescimento, ao mesmo
tempo em que se assegura o uso sustentável dos
recursos naturais” [...] “As questões relacionadas à
população estão sendo tratadas de forma adequada
nas negociações atuais? Eu acho que não. O assunto é
muito sensível e muitos preferem evitá-lo. Mas nós es-
taremos enganando a nós mesmos se acharmos que é
possível falar de desenvolvimento sustentável sem falar
sobre quantas pessoas seremos no planeta, onde esta-
remos vivendo e que estilo de vida teremos”, afirmou.
No fim do ano passado, a população mundial
atingiu a marca de sete bilhões de pessoas. As proje-
ções indicam que, em 2050, serão 9 bilhões. O cresci-
mento é mais intenso nos países pobres, mas Herrmann
defende que os esforços para o enfrentamento do
problema precisam ser globais.
“Se todos quiserem ter os padrões de vida do
cidadão americano médio, precisaremos ter cinco
planetas para dar conta. Isso não é possível. Mas
também não é aceitável falar para os países em desen-
volvimento ‘desculpa, vocês não podem ser ricos, nós
não temos recursos suficientes’. É um desafio global,
que exige soluções globais e assistência ao desenvolvi-
mento”, afirmou.
O consultor disse ainda que o Fundo de População
da ONU é contrário a políticas de controle compulsório
do crescimento da população. Segundo ele, as políticas
mais adequadas são aquelas que permitem às mulheres
fazerem escolhas sobre o número de filhos que querem
e o momento certo para engravidar. Para isso, diz, é ne-
cessário ampliar o acesso à educação e aos serviços de
saúde reprodutiva e planejamento familiar. [...]
MENCHEN, Denise. Crescimento da população é “desafio do século”,
diz consultor da ONU. Folha de São Paulo. São Paulo, 11 jun. 2012.
Ambiente. Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/ambien-
te.1103277-crescimento-da-populacao-e-desafio-do--seculo-diz-consultor-da-onu.shtml>. Acesso em: 22 jun. 2012. Adaptado.
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10. (CESGRANRIO) No Texto I, Michael Herrmann,
consultor do Fundo de População das Nações
Unidas, afirma que tratar o crescimento popula-
cional de forma adequada significa:
a) Enfrentar o problema de forma localizada e evitar
soluções globalizantes.
b) Permitir a proliferação dos padrões de vida do
cidadão americano e rechaçar a miséria.
c) Evitar o enriquecimento dos países emergentes e
incentivar a preservação ambiental nos demais.
d) Implementar uma política de controle populacio-
nal compulsório e garantir acesso à educação e
aos serviços de saúde reprodutiva.
e) Promover o bem-estar da população e assegurar
o uso sustentável dos recursos naturais.
01 ERRADO 06 D
02 A 07 CERTO
03 B 08 CERTO
04 A 09 CERTO
05 C 10 E
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CAPÍTULO 01
Funções, Função Afim e
Função Quadrática
Neste capítulo será abordado um assunto de
grande importância para a matemática
Definições, Domínio, Contradomí-
nio e Imagem
A função é uma relação estabelecida entre dois
conjuntos A e B, em que exista uma associação entre
cada elemento de A com um único de B por meio de
uma lei de formação.
Matematicamente, podemos dizer que função
é uma relação de dois valores, por exemplo: ƒ(x) = y,
sendo que x e y são valores, nos quais x é o domínio da
função (a função está dependendo dele) e y é um valor
que depende do valor de x, sendo a imagem da função.
As funções possuem um conjunto chamado
domínio e outro chamado de imagem da função, além
do contradomínio. No plano cartesiano, que o eixo x
representa o domínio da função, enquanto no eixo
y apresentam-se os valores obtidos em função de x,
constituindo a imagem da função (o eixo y seria o con-
tradomínio da função).
Demonstração:
Com os conjuntos A = {1, 4, 7} e B = {1, 4, 6,
7, 8, 9, 12} cria-se a função f: A → B definida por
ƒ(x) = x + 5, que também pode ser representada por
y = x + 5. A representação, utilizando conjuntos, desta
função é:
A B
1
4
7
1
4
8
7
6
9
12
O conjunto A é o conjunto de saída e o B é o
conjunto de chegada.
Domínio é um sinônimo para conjunto de saída, ou
seja, para esta função o domínio é o próprio conjunto A
= {1, 4, 7}.
Como, em uma função, o conjunto de saída
(domínio) deve ter todos os seus elementos relaciona-
dos, não precisa ter subdivisões para o domínio.
O domínio de uma função também é chamado de
campo de definição ou campo de existência da função,
e é representado pela letra “D”.
O conjunto de chegada “B”, também possui um
sinônimo, é chamado de contradomínio, representado
por “CD”.
Note que se pode fazer uma subdivisão dentro do
contradomínio. Podemos ter elementos do contrado-
mínio que não são relacionados com algum
elemento do Domínio e outros que são. Por isso,
deve-se levar em consideração esta subdivisão.
Este subconjunto é chamado de conjunto imagem,
e é composto por todos os elementos em que as flechas
de relacionamento chegam.
O conjunto Imagem é representado por “Im”, e
cada ponto que a flecha chega é chamado de imagem.
Plano cartesiano
Criado por René Descartes, o plano cartesiano
consiste em dois eixos perpendiculares,sendo o ho-
rizontal chamado de eixo das abscissas e o vertical de
eixo das ordenadas. O plano cartesiano foi desenvol-
vido por Descartes no intuito de localizar pontos num
determinado espaço.
As disposições dos eixos no plano formam quatro
quadrantes, mostrados na figura a seguir:
2º Quadrante 1º Quadrante
3º Quadrante 4º Quadrante
0
y
x
O encontro dos eixos é chamado de origem. Cada
ponto do plano cartesiano é formado por um par
ordenado (x, y), em que x: abscissa e y: ordenada.
Raízes
Em matemática, uma raiz ou “zero” da função
consiste em determinar os pontos de interseção da
função com o eixo das abscissas no plano cartesia-
no. A função ƒ é um elemento no domínio de ƒ tal que
ƒ(x) = 0.
Por exemplo, considere a função:
ƒ(x) = x2 - 6x + 9
3 é uma raiz de ƒ, porque:
ƒ(3) = 32 - 6 . 3 + 9 = 0
Funções Injetoras, Sobrejetoras e
Bijetoras; Crescentes, Decrescen-
tes e Constantes; Inversas e Com-
postas
→ Função Injetora
É toda a função em que cada x encontra um único y,
ou seja, os elementos distintos têm imagens distintas.
→ Função Sobrejetora
Toda a função em que o conjunto imagem é exata-
mente igual ao contradomínio (y).
→ Função Bijetora
Toda a função que for Injetora e Sobrejetora ao
mesmo tempo.
→ Função Crescente
À medida que x “aumenta”, as imagens vão “au-
mentando”.
Com x1 > x2 a função é crescente para ƒ(x1) > ƒ(x2),
isto é, aumentando valor de x, aumenta o valor de y.
→ Função Decrescente
À medida que x “aumenta”, as imagens vão “dimi-
nuindo” (decrescendo).
Com x1 > x2 a função é crescente para ƒ(x1) < ƒ(x2),
isto é, aumentando x, diminui o valor de y.
60
M
at
em
át
ic
a
→ Função Constante
Em uma função constante qualquer que seja o
elemento do domínio, eles sempre terão a mesma
imagem, ao variar x encontra-se sempre o mesmo valor y.
→ Função Inversa
Dada uma função ƒ: A → B, se f é bijetora, se define
a função inversa f-1 como sendo a função de B em A, tal
que ƒ-1 (y) = x.
Exemplo:
Determine a INVERSA da função definida por:
y = 2x + 3
Trocando as variáveis x e y:
x = 2y + 3
Colocando y em função de x:
2y = x - 3
y = , que define a função inversa da função dada.
→ Função Composta
Chama-se função composta (ou função de função)
a função obtida substituindo-se a variável independen-
te x por uma função.
Simbolicamente fica: ƒog(x) = ƒ(g(x)) ou goƒ(x)
= g(ƒ(x)).
Exemplo:
Dadas as funções ƒ(x) = 2x + 3 e g(x) = 5x, determine
goƒ(x) e ƒog(x).
goƒ(x) = g[ƒ(x)] = g(2x + 3) = 5(2x + 3) = 10x + 15
ƒog(x) = ƒ[g(x)] = ƒ(5x) = 2(5x) + 3 = 10x + 3
Função Afim
Chama-se função polinomial do 1º grau, ou função
afim, a qualquer função ƒ dada por uma lei da forma
ƒ(x) = ax + b, cujo a e b são números reais dados e a ≠ 0.
Na função ƒ(x) = ax + b, o número a é chamado de
coeficiente de x e o número b é chamado termo cons-
tante.
→ Gráfico
O gráfico de uma função polinomial do 1º grau,
y = ax + b, com a ≠ 0, é uma reta oblíqua aos eixos x e y.
-1
y
x
→ Zero e Equação do 1º Grau
Chama-se zero ou raiz da função polinomial do 1º
grau ƒ(x) = ax + b, a ≠ 0, o número real x tal que f(x) = 0.
Assim:
→ Crescimento e decrescimento
A função do 1º grau ƒ(x) = ax + b é crescente quando
o coeficiente de x é positivo (a > 0).
A função do 1º grau ƒ(x) = ax + b é decrescente
quando o coeficiente de x é negativo (a < 0).
→ Sinal
Estudar o sinal de qualquer y = ƒ(x) é determinar
os valor de x para os quais y é positivo, os valores de x
para os quais y é zero e os valores de x para os quais y é
negativo.
Considere uma função afim y = ƒ(x) = ax + b, essa
função se anula para a raiz . Há então, dois casos
possíveis:
I. a > 0 (a função é crescente)
y > 0
Y < 0 ax + b < 0
Logo, y é positivo para valores de x maiores que a
raiz; y é negativo para valores de x menores que a raiz.
x <
-b
a
-b
a
x >
-b
a
x < 0
x > 0
y
X0
II. a < 0 (a função é decrescente)
y > 0 ax + b > 0
y < 0 ax + b < 0
Portanto, y é positivo para valores de x menores
que a raiz; y é negativo para valores de x maiores que
a raiz.
+
-
y 0x
y 0
y
x
x 0
Equações e Inequações do 1º grau
→ Equação
Uma equação do 1º grau na incógnita x é qualquer
expressão do 1º grau que pode ser escrita numa das se-
guintes formas:
ax + b = 0
Para resolver uma equação, basta achar o valor de “x”.
→ Sistema de Equação
Um sistema de equação de 1º grau com duas in-
cógnitas é formado por: duas equações de 1º grau com
duas incógnitas diferentes em cada equação. Veja um
exemplo:
Para encontramos o par ordenado solução desse
sistema, é preciso utilizar dois métodos para a sua
solução. Esses dois métodos são: Substituição e Adição.
˃ Método da substituição:
61
M
at
em
át
ic
a
Esse método consiste em escolher uma das duas
equações, isolar uma das incógnitas e substituir na
outra equação, veja como:
Dado o sistema enumeramos as
equações.
1
2
Escolhemos a equação 1 e isolamos o x:
x + y = 20
x = 20 - y
Equação 2 substituímos o valor de x = 20 - y.
3x + 4 y = 72
3 (20 - y) + 4y = 72
60 - 3y + 4y = 72
- 3y + 4y = 72 - 60
y = 12
Para descobrir o valor de x, basta substituir y por 12
na equação:
x = 20 - y.
x = 20 - y
x = 20 - 12
x = 8
Portanto, a solução do sistema é S = (8, 12)
˃ Método da adição:
Este método consiste em adicionar as duas
equações de tal forma que a soma de uma das incógni-
tas seja zero. Para que isso aconteça, será preciso que
multipliquemos algumas vezes as duas equações ou
apenas uma equação por números inteiros para que a
soma de uma das incógnitas seja zero.
Dado o sistema:
Para adicionarmos as duas equações e a soma de
uma das incógnitas de zero, teremos que multiplicar a
primeira equação por - 3.
(-3)
Agora, o sistema fica assim:
Adicionando as duas equações:
- 3x - 3y = - 60
+ 3x + 4y = 72
y = 12
Para descobrirmos o valor de x basta escolher uma
das duas equações e substituir o valor de y encontrado:
x + y = 20
x + 12 = 20
x = 20 - 12
x = 8
Portanto, a solução desse sistema é: S = (8, 12)
→ Inequação
Uma inequação do 1º grau na incógnita x é
qualquer expressão do 1º grau que pode ser escrita
numa das seguintes formas:
ax + b > 0;
ax + b < 0;
ax + b ≥ 0;
ax + b ≤ 0.
Cujo a, b são números reais com a ≠ 0.
Exemplos:
» -2x + 7 > 0
» x - 10 ≤ 0
» 2x + 5 ≤ 0
» 12 - x < 0
˃ Resolvendo uma inequação de 1º grau
Uma maneira simples de resolver uma equação do
1º grau é isolarmos a incógnita x em um dos membros
da igualdade. Observe dois exemplos:
Exemplo:
» Resolva a inequação -2x + 7 > 0:
-2x > -7 . (-1)
2x < 7
x < 7/2
Logo, a solução da inequação é x < 7/2.
» Resolva a inequação 2x - 6 < 0.
2x < 6
x < 6/2
x < 3
Portanto, a solução da inequação é x < 3
Pode-se resolver qualquer inequação do 1º grau
por meio do estudo do sinal de uma função do 1º grau,
com o seguinte procedimento:
˃ Iguala-se a expressão ax + b a zero;
˃ Localiza-se a raiz no eixo x;
˃ Estuda-se o sinal conforme o caso.
Exemplo:
-2x + 7 > 0
-2x + 7 = 0
x = 7/2
x < 7/2
7/2
x
2x - 6 < 0
2x - 6 = 0
x = 3
x < 3
x
3
62
M
at
em
át
ic
a
Função Quadrática
Chama-se função quadrática, ou função polino-
mial do 2º grau, qualquer função ƒ de IR em IR dada por
uma lei da forma ƒ(x) = ax2 + bx + c, em que a, b e c são
números reais e a ≠ 0.
→ Gráfico
O gráfico de uma função polinomial do 2º grau,
y = ax2 + bx + c, com a ≠ 0, é uma curva chamada
parábola.
(1 , 0) (0, 0)
(-2, 2) 2 (1, 2)
0
4
6
8
y
(-3, 6) (2, 6)
Ao construir o gráfico de uma função quadrática
y = ax2 + bx + c, note sempre que:
Se a > 0, a parábola tem a concavidade voltada
para cima;
Se a < 0, a parábola tem a concavidade voltada
para baixo;
→ Zero e Equação do 2º Grau
Chama-se zeros ou raízes da função polinomial do
2º grau ƒ(x) = ax2 + bx + c, a ≠ 0 os números reais x tais
que ƒ(x) = 0.
As raízes da função ƒ(x) = ax2 + bx + c são as soluções
da equação do 2º grau ax2 + bx + c = 0, as quais são
dadas pela chamada fórmula de Bhaskara:
x =
Temos:
ƒ(x) = 0x =
A quantidade de raízes reais de uma função qua-
drática depende do valor obtido para o radicando
∆ = b2 - 4 . a . c , chamado discriminante, a saber:
˃ Quando ∆ é positivo, há duas raízes reais e dis-
tintas;
˃ Quando ∆ é zero, há só uma raiz real (para ser
mais preciso, há duas raízes iguais);
˃ Quando ∆ é negativo, não há raiz real.
→ Coordenadas do vértice da parábola
Quando a > 0, a parábola tem concavidade voltada
para cima e um ponto de mínimo V; quando a < 0, a
parábola tem concavidade voltada para baixo e um
ponto de máximo V.
Em qualquer caso, as coordenadas de V são:
(xv, yv) = .
Veja os gráficos:
x0
y
V
x0
y
V
→ Imagem
O conjunto-imagem “Im” da função y = ax2 + bx + c,
a ≠ 0, é o conjunto dos valores que y pode assumir. Há
duas possibilidades:
˃ Quando a > 0
Im =
a > 0
y
vy
v
x v x0
˃ Quando a < 0,
Im =
a < 0
xy0
v
yv
vx
63
M
at
em
át
ic
a
→ Sinal
Considerando uma função quadrática y = ƒ(x) = ax2
+ bx + c e determinando os valores de x para os quais y
é negativo e os valores de x para os quais y é positivo.
Conforme o sinal do discriminante ∆ = b2 - 4ac
podemos ocorrer os seguintes casos:
∆ > 0
Nesse caso, a função quadrática admite dois zeros
reais distintos (x1 ≠ x2). A parábola intercepta o eixo x em dois pontos e o sinal da função é o indicado nos
gráficos abaixo:
x
y > 0
0
y
x
1 y < 0
y > 0
x 2
˃ Quando a > 0
y > 0 (x < x1 ou x > x2); y < 0 x1 < x < x2)
y < 00
y
x
y > 0
y < 0
X2x1
˃ Quando a < 0
y > 0 x1 < x < x2; y < 0 (x < x1 ou x > x2)
∆ = 0
x1 = x2
y > 0
0
y
x
y > 0
˃ Quando a > 0
y < 0
0
y < 0
1 2=X X
˃ Quando a < 0
∆ < 0
0 X
Y
Y > 0
˃ Quando a > 0
y < 0
0
y x
˃ Quando a < 0
Equações e Inequações do 2º grau
→ Equação
Uma equação do 2º grau na incógnita x é uma ex-
pressão do 2º grau que pode ser escrita numa das se-
guintes formas:
ax² + bx + c = 0
Para resolver uma equação basta achar os valores de “x”.
→ Inequação
Uma inequação do 2º grau na incógnita x é uma ex-
pressão do 2º grau que pode ser escrita numa das se-
guintes formas:
ax² + bx + c > 0;
ax² + bx + c < 0;
ax² + bx + c ≥ 0;
ax² + bx + c ≤ 0.
Para resolver uma inequação do 2º grau deve-se
estudar o sinal da função correspondente à equação.
˃ Igualar a sentença do 2º grau a zero;
˃ Localizar as raízes da equação no eixo x, se existir;
˃ Estudar o sinal da função correspondente,
tendo-se como possibilidades:
64
M
at
em
át
ic
a
a > 0
0
1 2
X
XX -
+ +
=
1 2 XXX
+ +
+ +
a < 0
-
=1 2XX- -
- -
-
1X 2X X
X
+
Exemplo:
Resolva a inequação -x² + 4 ≥ 0.
-x² + 4 = 0
x² - 4 = 0
x1 = 2 e x2 = -2
- -
-2 2
X X
+
→ Inequação Produto
Resolver uma inequação produto consiste em en-
contrar os valores de x que satisfaçam a condição es-
tabelecida pela inequação. Para isso, utilizamos o
estudo do sinal de uma função. Observe a resolução da
seguinte equação produto: (2x + 6) . (-3x + 12) > 0.
Estabeleça as seguintes funções: y1 = 2x + 6 e y2= - 3x + 12
Determinando a raiz da função (y = 0) e a posição da
reta (a > 0 crescente e a < 0 decrescente).
y1 = 2x + 6
2x + 6 = 0
2x = - 6
x = -3
-
-3
X
+
y2 = -3x + 12
-3x + 12 = 0
-3x = -12
x = 4
-
4
X
+
Verificando o sinal da inequação produto
(2x + 6) . (-3x + 12) > 0. Observe que a inequação
produto exige a seguinte condição: os possíveis valores
devem ser maiores que zero, isto é, positivos.
-
-3
y +
4
+
+
+
+ -
-
-1
2
1 2
y
y y.
Por meio do esquema que demonstra os sinais da
inequação produto y1 . y2, pode-se chegar à seguinte
conclusão quanto aos valores de x = x Є R / -3 < x < 4
→ Inequação quociente
Na resolução da inequação quociente, utilizam-
-se os mesmos recursos da inequação produto, o que
difere é que, ao calcularmos a função do denomina-
dor, precisamos adotar valores maiores ou menores
que zero e nunca igual a zero. Observe a resolução da
seguinte inequação quociente:
Resolver as funções y1 = x + 1 e y2 = 2x – 1, determi-
nando a raiz da função (y = 0) e a posição da reta (a > 0
crescente e a < 0 decrescente).
y1 = x + 1
x + 1 = 0
x = -1
-
-1
X
+
y2 = 2x - 1
2x - 1 = 0
2x = 1
x = 1/2
-
1/2
X
+
-
-1
y +
2
+
+
++
-
1
2
1 2
y
y y
1-
-
-
-
Com base no jogo de sinal, conclui-se que x
assume os seguintes valores na inequação quociente:
x Є R / -1 ≤ x < 1/2.
65
M
at
em
át
ic
a
01. Em uma festa comunitária, uma barraca de tiro
ao alvo dá ao cliente um prêmio de R$ 30,00,
cada vez que o mesmo acerta a área central do
alvo. Caso contrário, o cliente paga R$ 10,00. Um
indivíduo deu 50 tiros e pagou R$ 100,00. Nessas
condições, o número de vezes que ele ERROU o
alvo foi:
a) 10
b) 20
c) 25
d) 35
e) 40
RESPOSTA: E. Questão de sistema. Montando o
sistema conforme o enunciado, temos:
X = acertos
Y = erros
Lembrando que o -10 e o -100 significa que eles
tiveram que pagar.
Aplicando o método da soma:
40x = 400
X = 400/40
X = 10 acertos
x + y = 50
10 + y = 50
Y = 50 - 10
Y = 40 erros
01. Dada a função ƒ: N → R, onde N é o conjunto de
números naturais e R é o conjunto de números
reais, definida por ƒ(x) = 2x2 - 7x + 5, calcule o
valor de x para ƒ(x) = 0 e marque a opção correta.
a) 0
b) 1
c) 5/2
d) 5
e) 11
02. Se f é uma função real definida por ƒ(x) = 2x - 3 e g
é a inversa de ƒ, o valor de g(1) é:
a) 0
b) 1
c) 2
d) 3
03. Dada a função ƒ(x) = 3x + k, para que se tenha
ƒ(2) = 5, o valor de k deve ser:
a) 3
b) 0
c) -1
d) -2
04. A medição do consumo de energia elétrica é feita
em Quilowatt-hora (kWh). Em uma determina-
da cidade, o valor da conta da energia elétrica
é composto por três valores, a saber: o de kWh
consumidos, o dos impostos sobre o valor dos
kWh consumidos e o da taxa fixa de iluminação
pública. Os valores dos kWh consumidos e dos
impostos são obtidos, respectivamente, pelas
funções E = 0,54 k e I = 0,17 E onde E é o valor
consumo em Reais (R$), k a quantidade kWh
consumidos no período e I o valor dos impostos.
Sabendo-se que o valor da taxa fixa de iluminação
pública é de R$ 2,50 , então a função que calcula o
valor da conta da energia elétrica C nesta cidade
pode ser representada por:
a) C = 0,54k - 0,17E + 2,50
b) C = 0,54k + 0,17 + 2,50
c) C = (0,54) . (0,17E) + 2,50
d) C = 0,0918k + 2,50
e) C = 0,6318k + 2,50
05. Considere o conjunto A = {0, 1, 2, 3} e a
função ƒ: A → A tal que f(3) = 1 e ƒ(x) = x + 1, se
x ≠ 3 A soma dos valores de x para os quais
(ƒoƒoƒ)(x) = 3 é:
a) 2
b) 3
c) 4
d) 5
06. Se a raiz da equação ƒ o ƒ = 10 é:
a) 1/3
b) 4/3
c) 5/3
d) 7/3
e) 8/3
07. Para quais valores de x Є R a função é
menor que 2?
a) 2 < x < 3
b) x < 2 ou x > 3
c) x < -2 ou x > 3
d) x > - 3
e) -2 < x < 3
08. Sejam ƒ(x) = 4x + 2 e g(x) = x - 5. Qual é o valor da
soma m + n para que ƒ(m) = n e g(n) = m?
a) 3
b) 8
c) 7
d) 4
e) 9
09. Sejam ƒ(x) = 2x + 5 e g(x) = - x + 2. Qual é o valor de
x para que ƒ-1(x) = g-1 (x)?
a) 3
b) 5
c) 4
d) 2
e) 1
66
M
at
em
át
ic
a
10. A função geradora do gráfico abaixo é do tipo
y = mx + n:
9
y
30
-2
1
X
Então, o valor de m3 + n é:
a) 2
b) 3
c) 5
d) 8
e) 13
11. Seja f: R+ → R dada por f(x) = e g: R → R+ dada
por g(x) = x2 + 1. A função composta (g ○ f)(x) é
dada:
a)
b) x + 1
c)
d)
e) x2 + 1
12. Sendo x e y números reais, admita que o símbolo
♠ indique a seguinte operação entre x e y:
De acordo com a definição dada, é igual a:
a) 0,9
b) 0,75
c) 0,6
d) 0,45
e) 0,3
13. Se , então é necessariamente
verdade que:
a) x2 + 2x ≠ 200 e y = 200
b) x2 + 2x = 200 e y = 200
c) x2 + 2x = 200 e y ≠ 200
d) x = 0 e y ≠ 0
e) x ≠ 0 e y = 200
14. Sejam f(x) = 2x + 5 e g(x) = - x + 2. Qual é o valor de
x para que f-1(x) = g-1(x)?
a) 3
b) 5
c) 4
d) 2
e) 1
15. Se a raiz da equação f ○ f = 10 é:
a) 1/3
b) 4/3
c) 5/3
d) 7/3
e) 8/3
16. A equipe de teste de uma revista automobilística
avaliou o consumo de combustível de um deter-
minado modelo de automóvel. O teste consistia
em cada membro da equipe percorrer, com o
automóvel, um mesmo trecho de estrada cincovezes, em velocidade constante, porém, cada
vez a uma velocidade diferente. A equipe chegou
à conclusão de que a velocidade econômica era
de 60 km/h e de que o gráfico correspondente ao
consumo era parte de uma parábola. Nessas con-
dições, pode-se afirmar que o consumo de com-
bustível, em litros, no teste feito, à velocidade de
120 km/h, foi de:
16
8
20 60 100 120 Velocidade (km/h)
Co
ns
um
o
(li
tr
os
)
a) 27
b) 26
c) 25
d) 24
e) 22
17. Uma loja de eletrodomésticos possui 1.600
unidades de liquidificadores em estoque. Uma
recente pesquisa de mercado apontou que
seriam vendidas 800 unidades a um preço de
R$ 300,00, e que cada diminuição de R$ 5,00, no
valor do produto, resultaria em 20 novas vendas.
Qual valor de venda, em reais, permite que a
receita seja máxima?
a) 230,00
b) 240,00
c) 250,00
d) 270,00
e) 280,00
67
M
at
em
át
ic
a
18. Para repor o estoque de sua loja, Salma compra
certo artigo ao preço de R$ 28,00 a unidade.
Suponha que Salma estime que, se cada artigo
for vendido ao preço unitário de X reais, ela con-
seguirá vender (84 - X) unidades. De acordo com
essa estimativa, para que seja obtido o maior
lucro possível, o número de artigos que deverão
ser vendidos é:
a) 84
b) 70
c) 56
d) 42
e) 28
01 B 10 B
02 C 11 B
03 C 12 B
04 E 13 C
05 B 14 A
06 E 15 E
07 B 16 B
08 C 17 C
09 A 18 E
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CAPÍTULO 01
Construção Espaço-Temporal
do Território Pernambucano
O Nordeste é uma das cinco macrorregiões geográ-
ficas do IBGE ao lado de Centro-Oeste, Sul, Sudeste e
Norte. Nele, o estado de Pernambuco ocupa a porção
Oriental, sendo banhado pelo Oceano Atlântico.
Sua configuração geográfica longitudinal, ou seja,
alongado no destino ocidental-oriental (Leste-Oes-
te), faz com que o litoral pernambucano seja um dos
menores do país e da região, com 187 quilômetros, e
o deixa totalmente situado na zona Tropical, visto que
seus pontos extremos norte e sul são 7°15’ S e 9° 27’ S,
respectivamente. Já na direção Leste-Oeste, as distân-
cias são muitos maiores. Os pontos extremos longitu-
dinais do estado são 34°48’ e 41°19’; isso faz com que
popularmente muito se diga que o estado de Pernam-
buco é uma “espinha de peixe! ”.
A composição territorial pernambucana se alonga
no sentido Leste-Oeste e faz com que as distâncias
nesse sentido sejam enormes. Por exemplo, é muito
mais longa uma viagem entre Recife e Petrolina,
realizada inteiramente no território de Pernambuco
(770 km), do que uma viagem Recife-Natal, em que
se cortam territórios de três estados, Pernambuco,
Paraíba e Rio Grande do Norte (295 km).
Fonte: BASE CARTOGRÁFICA: Arquivo Gráfico Municipal (Agência
CONDEPE/FIDEM – FIAM – IBGE, 1998) – BASE TEMÁTICA: Labora-
tório de Meteorologia de Pernambuco – LAMEPE)
Pernambuco faz divisa com vários estados nordesti-
nos, exceto Sergipe, Rio Grande do Norte e Maranhão.
Ao norte faz divisa com Ceará e Paraíba, ao leste com o
Oceano Atlântico, ao Sul com Alagoas e Bahia e a oeste
com Piauí.
Localização de Pernambuco no Nordeste
Fonte: http://centros.bvsalud.org/public/presentation/images
De onde vem Pernambuco?
A origem do nome Pernambuco é controversa.
Para alguns estudiosos, o nome vem do tupi-guarani
“paranambuco”, junção de para’nã (rio caudaloso) e
pu’ka (arrebentar, furar, romper), e seu significado é o
de “buraco no mar”, pois os índios usavam o termo em
relação aos navios que furavam a barreira de recifes.
Outros estudiosos,no entanto, afirmam que esse
era a nome que os indígenas locais, na época do des-
cobrimento, davam ao pau-brasil. Outra explicação
presente, publicada no site Memorial Pernambuco,
diz que a palavra indígena Paranãpuka, que significa
“buraco no mar”, era a forma como os índios conheciam
a foz do rio Santa Cruz, que separa a ilha de Itamaracá
do continente, ao norte do Recife, tendo caminhado daí
para suas formas primitivas Perñabuquo e Fernambouc.
“Em o meio desta obra alpestre, e dura,
Uma bôca rompeu o Mar inchado,
Que na língua dos bárbaros escura,
Paranambuco, de todos é chamado.
De Parana que é Mar, Puca - rotura,
Feita com fúria dêsse Mar salgado,
Que sem no derivar, cometer míngua,
Cova do Mar se chama em nossa língua.
Bento Teixeira, Prosopopeia, 1601.
Formação Territorial de
Pernambuco
Em consequência da configuração espacial que
apresenta e do processo de povoamento que ocorreu, o
espaço pernambucano oferece, do litoral para o interior,
uma sucessão de paisagens diferenciadas, marcadas por
uma grande diversidade de ecossistemas.
Em março de 1534, o Brasil foi dividido em Capitanias
Hereditárias, que tinham como objetivo povoar a colônia
e proteger as terras recém-descobertas de possíveis in-
vasores. As Capitanias Hereditárias foram formadas por
faixas lineares de terra, indivisíveis e inalienáveis.
A capitania de Pernambuco, inicialmente chamada
de Nova Lusitânia, foi criada por decreto do Rei Dom
João III, em setembro de 1534, que transferiu para
Duarte Coelho Pereira esse território. Ela compreendia
a porção litorânea que ia da foz do rio Santa Cruz, na
ilha de Itamaracá até a foz do rio São Francisco.
Capitanias Hereditárias
Fonte: Mapa de 1649, Cartógrafo Henricus Hondius. 01b – Itamara-
cá e Pernambuco.
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Na região litorânea das capitanias de Itamaracá
e Pernambuco, desenvolveram-se povoados, e hoje
formam um grande aglomerado urbano. Em 1537,
Olinda surgiu da necessidade de um local privilegiado
na defesa contra invasores, já que ela se localizava em
uma colina e de lá se tinha uma visão dos deltas dos
rios Capibaribe e Beberibe, e tornou-se a capital da
Capitania. Recife foi fundado pelos portugueses e pos-
teriormente dominado pelos holandeses. No período
holandês, a cidade passou por muitas transformações
em seu espaço físico e passa a ser de fato capital de
Pernambuco.
Itamaracá se estendia por trinta léguas de terras,
da foz do rio Santa Cruz até a baía da Traição, onde se
confrontava com a capitania do Rio Grande.
A delimitação da capitania ocorreu antes de seu po-
voamento, o que não é exclusividade dessa capitania, e
o processo de ocupação alterou a configuração da ca-
pitania. O povoamento se iniciou logo após a chegada
do donatário, que se limitou a estabelecer pontos
povoados por brancos no litoral e a dominar os índios
até as margens do São Francisco, onde foi fundada a
vila de Penedo, de vez que o povoamento baiano logo
atingiria o território sergipano e se instalaria na cidade
de São Cristóvão.
São Cristóvão, a primeira capital de Sergipe foi
fundada por Cristóvão de Barros, que chegou à região
em 1589 com o objetivo de conquistar o território
sergipano. Em 1º de janeiro de 1590, o conquistador
venceu uma batalha contra piratas franceses, cons-
truiu um forte e fundou uma povoação com o nome
de São Cristóvão, que depois seria a primeira capital
do Estado de Sergipe. São Cristóvão é considerada a
quarta cidade mais antiga do Brasil foi palco de várias
batalhas.
Ao norte do território, os donatários não conse-
guiram efetivar o povoamento, exceto em Itamaracá,
onde antes da implantação da capitania, já existiam fei-
torias, uma delas a de Conceição, atual Vila Velha, que
se tornou capital do território de Pero Lopes.
Para a conquista do território, ameaçado por
ataques nativos, o Governo Geral bancou expedições
à região, hoje paraibana, consolidando a conquista em
1585, quando foi fundada Filipeia de Nossa Senhora
das Neves, atual João Pessoa, capital paraibana.
O avanço para o norte prosseguiu e, em 1598, era
ocupada a foz do rio Potengi, implantando o forte dos
Reis Magos, inaugurando a cidade de Natal.
Filipeia e Natal foram inauguradas como cidades,
enquanto Olinda continuava a ser uma vila, porque elas
foram edificadas em capitanias da Coroa, enquanto
Olinda está em capitania de donatário. A capitania da
Parayba foi formulada com o desmembramento da
porção norte de Itamaracá e da porção Sul da capitania
do Rio Grande.
O avanço pernambucano continuou pelo Litoral
Norte. Em 1603, era tentada a implantação da capita-
nia do Ceará e, em 1614, as forças partidas de Olinda
eram enviadas ao território maranhense para acabar
com a França Equinocial.
Denomina-se França Equinocial aos esforços fran-
ceses de colonização da América do Sul, em torno da
linha do Equador no século XVII. O estabelecimento
da chamada França Equinocial iniciou-se em março de
1612, quando uma expedição francesa partiu do porto
de Cancale, na Bretanha, sob o comando de Daniel de
La Touche.
Em seguida as forças vitoriosas no Maranhão foram
enviadas à foz do rio Tocantins, no delta do Amazonas,
e lá fundaram o forte do Presépio e a cidade de Santa
Maria de Belém do Pará.
No século XVI, a formação da capitania de Pernambuco ou Nova
Lusitânia e a expansão em direção ao norte, conquistando terras
aos indígenas e aos franceses; nos meados do século XVII, garantiu
a Pernambuco uma hegemonia/supremacia sobre as capitanias da
região norte.
Pernambuco só deixou de ser capitania heredi-
tária após a expulsão dos holandeses, e passou a ser
administrada diretamente pela Coroa. No século XVIII,
algumas capitanias foram absorvidas por outras ou
desmembradas de outras e o território passou a ser
dividido em capitanias gerais e capitanias subalternas.
Pernambuco, nesse contexto, devido à suas extensões
territoriais, era uma Capitania Geral, enquanto Ceará,
Itamaracá, Rio Grande e Paraíba eram subalternas.
O território do Piauí, que teve sua formação realiza-
da por movimentos que partiram da Bahia e subiram os
rios da vertente Atlântica, e em seguida, o São Francis-
co e seus afluentes da margem esquerda, ficou depen-
dente de Pernambuco até 1745, quando passou a fazer
parte da jurisdição maranhense. Itamaracá foi anexada
ao de Pernambuco em 1763. O Ceará e a Paraíba foram
tutelados por Pernambuco até 1799, quando foram
desmembrados e o estado do Rio Grande ficou sob o
domínio pernambucano até 1808.
A chegada dos holandeses no Brasil não se consti-
tuiu em fato isolado da História mundial. A conquista
de Pernambuco e outras cinco capitanias do Nordeste
açucareiro com o fim de diminuir a capacidade econô-
mica da monarquia ibérica e incrementar o seu domínio
das rotas comerciais do Atlântico foi uma realidade que
até os dias atuais deixou marcas na história do estado.
Em 1630, a capitania foi invadida pela Companhia
das Índias Ocidentais. Por ocasião da União Ibérica
(1580 a 1640), a então chamada República Holandesa,
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antes dominados pela Espanha, tendo depois conse-
guido sua independência através da força, viu em Per-
nambuco a oportunidade para impor um duro golpe na
Espanha, ao mesmo tempo em que tirariam o prejuízo
do fracasso na Bahia, uma vez que Pernambuco era o
principal centro produtivo da colônia.
Entre 1630 e 1654, Recife passa por inúmeras trans-
formações em seu espaço físico, mangues são aterra-
dos, pontes são construídas, camboas são drenadas e
com todas estas melhorias empregadas. Recife passa a
ser de fato a Capital de Pernambuco. Olinda é destruí-
da por um incêndio em 1630.
Com a chegada do conde alemão, João Maurício
de Nassau-Segem, em janeiro de 1637, aconteceram
os primeiros melhoramentos no porto e a execução do
primeiro plano urbanístico da cidade do Recife. O ar-
quiteto Pieter Post foi o responsável pelo traçado da
nova cidade e de edifícios como o palácio de Freeburg,
sede do poder de Nassau naNova Holanda, e do prédio
do observatório astronômico, tido como o primeiro do
Novo Mundo.
Conde Maurício de Nassau.
Neste momento, o governo passou a residir no
Recife, onde estava sendo erguida a cidade Maurícea
(Mauritzstadt), segundo os moldes norte-europeus,
sobre a então chamada ilha de Antônio Vaz (atual
bairro de Santo Antônio e uma parte do bairro de São
José). A Ilha era basicamente guarnecida por duas for-
talezas: ao Norte pelo forte Ernesto e ao Sul pelo forte
das Cinco Pontas.
Fonte: upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/96/Recife-
-Map1665.jpg
Em 28 de fevereiro de 1644, o Recife (atualmente
o Bairro do Recife) foi ligado à Cidade Maurícia com a
construção da primeira ponte da América Latina.
Ponte Maurício de Nassau, Recife.
Durante o governo de Nassau, Recife foi conside-
rada a mais cosmopolita cidade das Américas, e tinha
a maior comunidade judaica de todo o continente,
que construiu, à época, a primeira sinagoga do Novo
Mundo, a Kahal Zur Israel. O Governo de Nassau urba-
nizou o Recife, providenciou a construção de pontes
e de obras sanitárias, dotou a cidade de um jardim
botânico, de um jardim zoológico e de um observatório
astronômico. Nesse período, a Companhia das Índias
Ocidentais concedeu crédito aos senhores de engenho,
destinado ao reaparelhamento dos engenhos, à recu-
peração dos canaviais e à compra de escravos.
No Palácio de Friburgo, sede do poder de Nassau na
Nova Holanda, foi construído o primeiro observatório
astronômico do Continente Americano. Por diversos
motivos, sendo um dos mais importantes a exoneração
de Maurício de Nassau do governo da capitania pela
Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, o povo de
Pernambuco se rebelou contra o governo, juntando-
-se à fraca resistência ainda existente, num movimento
denominado Insurreição Pernambucana.
Insurreição Pernambucana
Em maio de 1645, reunidos no Engenho de São
João, os principais líderes pernambucanos assinaram
compromisso para lutar contra o domínio holandês na
capitania.
Nós abaixo-assinados nos conjuramos e prome-
temos, em serviço da liberdade, não faltar a todo
o tempo que for necessário, com toda a ajuda de
fazendas e pessoas, contra qualquer inimigo, em res-
tauração da nossa pátria; para o que nos obrigamos
a manter todo o segredo que nisto convém; sob pena
de quem o contrário fizer ser tido por rebelde e traidor
e ficar sujeito ao que as leis em tal caso permitam. E
debaixo deste comprometimento nós assinamos, em
23 de Maio de 1645”. Assinam: João Fernandes Vieira,
António Bezerra, António Cavalcanti, Padre Diogo Ro-
drigues da Silva e mais 14 conjurados. Fonte: cvc.institu-
to-camoes.pt/eaar/coloquio/comunicacoes/jose_gerardo
Ataque e Tomada de Olinda e do
Recife Pelos Holandeses
Pernambuco, desde o período dos conflitos com
os Holandeses, demonstrou um espírito rebelde
autônomo, e suas lideranças admitiam que, tendo os
brasileiros expulsados os holandeses em 1654, não
deviam obediência total ao rei de Portugal.
“Combateremos até o fim e somente após expulso
o invasor estrangeiro, iremos a Portugal receber o
castigo pela nossa desobediência”.
Pernambuco passou ao longo de sua construção
histórico-espacial por inúmeras insurreições e revoltas.
Entre elas podemos destacar:
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˃ Guerra dos Mascates (1710-1714): A Guerra dos
Mascates foi uma rebelião de caráter nativista,
ocorrida em Pernambuco entre os anos de 1710 e
1711, que envolveu as cidades de Olinda e Recife.
Com a expulsão dos holandeses do Nordeste,
a economia açucareira sofreu uma grave crise.
Mesmo assim, a aristocracia rural (senhores de
engenho) de Olinda continuava controlando o
poder político na capitania de Pernambuco. Por
outro lado, Recife se descolava deste cenário
de crise graças à intensa atividade econômica
dos mascates (como eram chamados os comer-
ciantes portugueses na região). Outra fonte de
renda destes mascates eram os empréstimos, a
juros altos, que faziam aos olindenses. Entre as
causas da Guerra dos Mascates, destacamos a
disputa entre Olinda e Recife pelo controle do
poder político em Pernambuco, a crise econômi-
ca na cidade de Olinda, o favorecimento da coroa
portuguesa aos comerciantes de Recife, o forte
sentimento antilusitano, principalmente entre a
aristocracia rural de Olinda e a conquista da eman-
cipação de Recife, através de Carta Régia de 1709,
que passou a ser vila independente, conquistando
autonomia política com relação à Olinda.
˃ Conspiração dos Suassunas (1801): Em 1798,
o padre Arruda Câmara fundou uma sociedade
secreta chamada Areópago de Itambé, provavel-
mente ligada à Maçonaria, que tinha por finalida-
de tornar conhecido o Estado Geral da Europa e o
enfraquecimento dos governos absolutos, devido
às ideias democráticas que afloravam à época. Em
1801, influenciados pelos ideais republicanos, os
irmãos Suassuna, Francisco de Paula, Luís Francisco
e José Francisco de Paula Cavalcante de Albuquer-
que, proprietários do Engenho Suassuna lidera-
ram uma conspiração que se propunha a elaborar
um projeto de independência de Pernambuco. Os
conspiradores foram denunciados e presos e, mais
tarde, libertados por falta de provas.
˃ Revolução Pernambucana (1817): A Revolu-
ção Pernambucana ou Revolução Republicana
foi o último movimento de revolta anterior à
Independência do Brasil. O movimento conse-
guiu ultrapassar a fase conspiratória e atingir a
etapa do processo revolucionário de tomada do
poder. As causas da Revolução pernambucana
estão intimamente relacionadas ao estabeleci-
mento e permanência do governo português no
Brasil (1808-1821). Quando a Corte portuguesa
abandonou Portugal e estabeleceu-se no Brasil,
fugindo da invasão napoleônica, adotou uma
série de medidas econômicas e comerciais que
geraram crescente insatisfação da população
colonial. A implantação dos novos órgãos admi-
nistrativos governamentais e a transmigração
da Corte e da família real portuguesa exigiram
vultosas somas de recursos financeiros. Para
obtê-las, a Coroa lusitana rompeu com o pacto
colonial, concedendo inúmeros privilégios à bur-
guesia comercial inglesa, e criou novos impostos
e tributos que oneraram as camadas populares e
os proprietários rurais brasileiros. Em nenhuma
outra região, a impopularidade da Corte portu-
guesa foi tão intensa quanto em Pernambuco.
Outrora um dos mais importantes e prósperos
centros da produção açucareira do Nordeste
brasileiro, Pernambuco estava atravessando uma
grave crise econômica em razão do declínio das
exportações do açúcar e do algodão. Além disso,
a grande seca de 1816 devastou a agricultura,
provocou fome e espalhou a miséria pela região.
O governo provisório durou 75 dias, os revolu-
cionários pernambucanos foram derrotados. As
lideranças do movimento revolucionário tinham
como projeto político o estabelecimento de uma
República e a elaboração de uma Constituição,
norteadas pelos princípios e ideais franceses de
igualdade e liberdade para todos. Apesar do seu
fracasso, entrou para a história como o maior
movimento revolucionário do período colonial.
˃ Revolta da Junta de Goiana (1821): Em 29 de
agosto de 1821, na vila de Goiana, região norte
da Província de Pernambuco, um segmento das
elites pernambucanas — a um só tempo lide-
rança econômica e militar do Norte de Pernam-
buco —, aliado a alguns antigos participantes do
movimento de 1817, instalaram uma Junta Go-
vernativa Provisória com o objetivo de aderir à
política das Cortes Constitucionais Portuguesas e
desautorizar o governo do representante maior
do monarca em Pernambuco, o governador e
capitão-general português Luiz do Rego Barreto.
A partir de então, durante quase um mês, a Junta
de Goiana coexistiu com o Conselho Governativo
do Recife – presidido pelo general Rego Barreto.
Essas duas representações disputaram a exclu-
sividade no controle do governo da província de
Pernambuco até finais de outubro de 1821.
˃ Confederação do Equador (1824):O movimen-
to começou com uma reação à Constituição ou-
torgada por dom Pedro I no mesmo ano, que
mantinha o Brasil a um governo centralizador e
dava margem à grande submissão aos portugue-
ses. Iniciado em Pernambuco, o movimento se
alastrou rapidamente para outras províncias da
região, como a Paraíba, o Ceará e o Rio Grande
do Norte. Ficou conhecido por esse nome, Con-
federação do Equador, devido à proximidade da
região do conflito com a linha do equador.
A conquista do território pernambucano foi feita
por determinações e por interesses econômicos. Os
portugueses, após o início do povoamento, passaram
a fundar vilas e engenhos de açúcar, tornando este o
principal produto da Colônia, na região úmida próxima
ao litoral.
As condições naturais impediram o cultivo da cana
de açúcar nas partes interiores do estado, que foi gra-
dativamente sendo ocupado pela pecuária. O gado era
usado tanto para o abastecimento da área canavieira e
o fornecimento de animais de tração, como também,
em menor escala, para a produção do couro.
A penetração no interior pernambucano margeou
o Rio São Francisco (margem esquerda, sobretudo),
contornando o Planalto da Borborema. A penetração
iniciou-se pelo Sertão e depois chegou ao Agreste per-
nambucano, apesar de este ser mais próximo do litoral.
As condições naturais, a posição geográfica e a
formação econômico-social modelaram o território
pernambucano e determinaram sua divisão em mesor-
regiões: Litoral-Mata, Agreste e Sertão, que por sua vez
se subdividem.
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01. Foram, respectivamente, fatores importantes
na ocupação holandesa no Nordeste do Brasil e
na sua posterior expulsão:
a) o envolvimento da Holanda no tráfico de
escravos e os desentendimentos entre Maurício
de Nassau e a Companhia das Índias Ocidentais.
b) a participação da Holanda na economia do
açúcar e o endividamento dos senhores de
engenho com a Companhia das Índias Ociden-
tais.
c) o interesse da Holanda na economia do ouro e a
resistência e não aceitação do domínio estran-
geiro pela população.
d) a tentativa da Holanda em monopolizar o
comércio colonial e o fim da dominação espa-
nhola em Portugal.
RESPOSTA: B.
Alternativa A. Na realidade a disputa em questão não
girava em torno da questão do tráfico de escravos, e
sim do açúcar.
Alternativa B. A “guerra do açúcar”, isto é, as intensas
disputas que se desencadearam, sobretudo, entre
Espanha e Holanda, no século XVII, pelo controle da
produção e do comércio do açúcar, impeliu os ho-
landeses à ocupação do Nordeste do Brasil. A tenta-
tiva inicial ocorreu, sem sucesso, na Bahia, em 1624.
Depois, em 1630, os holandeses ocuparam a capitania
de Pernambuco e lá permaneceram até 1654.
Alternativa C. A atividade o que predominava na
época era a cana de açúcar. e não o ouro
Alternativa D. A assertiva fala sobre o fim da domina-
ção espanhola em Portugal, que na realidade já havia
ocorrido em 1640.
“E se a lição foi aprendida
A vitória não será vã.
Neste Brasil holandês,
Tem lugar pra o português
E para o banco de Amsterdã”
(Francisco Buarque de Holanda e Rui Guerra, Calabar, O elogio da
tradição, pág. 7, 1973)
01. (UPENET/IAUPE) Sobre a Invasão Holandesa em
Pernambuco, analise as alternativas a seguir.
I. Durante o Governo de João Maurício de Nassau,
a Companhia das Índias Ocidentais concedeu
crédito aos Senhores de Engenho, destinado ao
reaparelhamento dos engenhos, à recuperação
dos canaviais e à compra de escravos.
II. O empenho da burguesia holandesa em romper o
bloqueio econômico, imposto por Felipe II, tinha
a finalidade de fundar, no Brasil, uma colônia de
povoamento, para abrigar os calvinistas e inter-
romper a produção de açúcar no Nordeste bra-
sileiro.
III. O Governo de Nassau urbanizou o Recife, pro-
videnciou a construção de pontes e de obras
sanitárias, dotou a cidade de um jardim botânico,
de um jardim zoológico e de um observatório as-
tronômico.
IV. O movimento denominado Batalha dos Guarara-
pes teve início com a chegada ao Brasil do conde
Maurício de Nassau, nomeado Governador–
Geral do Brasil holandês.
Estão corretas
a) somente I, II e III.
b) somente I, III e IV.
c) somente I e III.
d) somente II e IV.
e) somente III e IV.
02. (UPENET/IAUPE) Sobre a Revolução Pernambu-
cana de 1817, considere as afirmativas a seguir.
I. Tinha como objetivo proclamar uma República e
abolir, imediatamente, a escravidão no Nordeste.
II. Foi organizada, conforme os ideais da Igualdade,
Liberdade e Fraternidade, que inspiravam a Re-
volução Francesa.
III. Teve como principais causas o aumento dos
impostos, a grande seca de 1816, que provocou
muita fome no Nordeste, e a crise da agricultura,
afetando a produção do açúcar e do algodão.
IV. Foi a única rebelião anterior à independência
política do Brasil que ultrapassou a fase da cons-
piração. Os rebeldes tomaram o poder e perma-
neceram no governo por mais de 70 dias.
Assinale a alternativa que contém as afirmativas
corretas.
a) Somente I, II e III.
b) Somente I, II e IV.
c) Somente I, III e IV.
d) Somente II, III e IV.
e) I, II, III e IV.
03. Leia o texto.
“Nassau chegou em 1637 e partiu em 1644,
deixando a marca do administrador. Seu período é
o mais brilhante de presença estrangeira. Nassau
renovou a administração (...). Foi relativamente tole-
rante com os católicos, permitindo-lhes o livre exercí-
cio do culto. Como também com os judeus (depois dele
não houve a mesma tolerância, nem com os católicos
e nem com os judeus - fato estranhável, pois a Compa-
nhia das Índias contava muito com eles, como acionis-
tas ou em postos eminentes). Pensou no povo, dando-
-lhe diversões, melhorando as condições do porto e do
núcleo urbano (...), fazendo museus de arte, parques
botânicos e zoológicos, observatórios astronômicos”.
(Francisco Iglésias)
Esse texto refere-se:
a) à chegada e instalação dos puritanos ingleses
na Nova Inglaterra, em busca de liberdade re-
ligiosa.
b) à invasão holandesa no Brasil, no período de
União Ibérica, e à fundação da Nova Holanda no
Nordeste açucareiro.
c) às invasões francesas no litoral fluminense e à
instalação de uma sociedade cosmopolita no Rio
de Janeiro.
d) ao domínio flamengo nas Antilhas e à criação de
uma sociedade moderna, influenciada pelo Re-
nascimento.
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04. Leia o texto a seguir: “A primeira invasão ocorreu
na Bahia, em 1624. Chefiada por Jacob Wilekems
e Johan van Dorf (comandante terrestre, poste-
riormente morto em combate), logrou dominar
Salvador e prender o governador. Não chegaram,
porém, a estabelecer maiores contatos com os
proprietários rurais do Recôncavo, pois a reação
no interior, liderada pelo bispo dom Marcos
Teixeira, conseguiu evitar qualquer tipo de pe-
netração.” (Wehling, Arno; Wehling, Maria José
C. De M. A formação do Brasil Colonial. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1994. p.127).
O texto refere-se à:
a) primeira invasão holandesa no nordeste no
Brasil, já que, em 1624, o Sul e o Sudeste já
haviam sido dominados pela Holanda.
b) primeira invasão holandesa na Bahia, já que
em outros estados brasileiros, os holandeses já
haviam desembarcado desde o fim do século XV.
c) primeira invasão holandesa no Brasil, que foi
debelada no ano de 1625 por uma armada luso-
-espanhola.
d) primeira e única invasão holandesa no Brasil, já
que, depois de serem expulsos da Bahia em 1625,
os holandeses não mais voltaram.
05. Pernambuco é um Estado que se estende
de maneira alongada (de Leste a Oeste), no
Nordeste brasileiro. Assinale a alternativa que
contém o nome dos Estados que fazem divisa
com Pernambuco.
a) Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia, Paraíba e
Ceará
b) Bahia, Alagoas, Piauí, Ceará e Paraíba
c) Ceará, Piauí, Maranhão, Sergipe, Rio Grande do
Norte e Tocantins
d) Paraíba, Piauí, Maranhão e Alagoas
e) Bahia, Alagoas, Paraíba e Sergipe
06. A elevação de Recife à condição de vila; os protes-
tos contra a implantação das Casas de Fundição e
contra a cobrança de quinto; a extremamiséria e
carestia reinantes em Salvador, no final do século
XVIII, foram episódios que colaboraram, respec-
tivamente, para as seguintes sublevações colo-
niais:
a) Guerra dos Emboabas, Inconfidência Mineira e
Conjura dos Alfaiates.
b) Guerra dos Mascates, Motim do Pitangui e
Revolta dos Malês.
c) Conspiração dos Suassunas, Inconfidência
Mineira e Revolta do Maneta.
d) Confederação do Equador, Revolta de Felipe dos
Santos e Revolta dos Malês.
e) Guerra dos Mascates, Revolta de Felipe dos
Santos e Conjura dos Alfaiates.
07. A chamada Guerra dos Mascates, ocorrida em
Pernambuco em 1710, deveu-se
a) ao surgimento de um sentimento nativista brasi-
leiro, em oposição aos colonizadores portugue-
ses.
b) ao orgulho ferido dos habitantes da vila de
Olinda, menosprezados pelos portugueses.
c) ao choque entre comerciantes portugueses
do Recife e a aristocracia rural de Olinda pelo
controle da mão-de-obra escrava.
d) ao choque entre comerciantes portugueses
do Recife e a aristocracia rural de Olinda cujas
relações comerciais eram, respectivamente, de
credores e devedores.
08. A Confederação do Equador, em 1824, se carac-
terizou como um movimento de
a) emancipação política de Portugal.
b) oposição à Abertura dos Portos.
c) garantia à política inglesa.
d) apoio aos atos do imperador.
e) reação à política imperial.
09. Leia o texto abaixo sobre a ocupação holandesa
do Nordeste brasileiro.
“Bem triste era o aspecto das coisas em Pernambu-
co. Para onde quer que se volvesse o olhar, só se viam
engenhos incendiados, e vastos canaviais cobertos de
cinza, dos quais emergiam negros restolhos. Os bois
necessários ao funcionamento das moendas eram
levados ou mortos pelo fugaz inimigo. Muitas das cal-
deiras e utensílios que serviam para a fabricação do
açúcar achavam-se espalhados pelos matos, e os pretos
escravos haviam fugido em todas as direções. ” Fonte:
WÄTJEN, Hermann. O Domínio Colonial Holandês no
Brasil. Recife: CEPE, 2004, p. 419.
A partir do texto e de conhecimentos históricos sobre
o fracasso do domínio holandês no Brasil, assinale a al-
ternativa INCORRETA:
a) Os holandeses foram bem-sucedidos em conse-
guir o apoio dos habitantes das cidades e vilas
brasileiras, mas não conseguiram o apoio dos
índios, o que provocou a derrota militar dos in-
vasores.
b) O objetivo da conquista holandesa foi o controle
da produção de açúcar do Nordeste brasileiro,
mas a guerrilha dos luso-brasileiros, inicialmente,
criou impedimentos e desorganizou a produção
açuca reira, depois recuperada no período de
Nassau.
c) A adesão dos senhores de engenho à Insurreição
Pernambucana relaciona-se com a sua situação
financeira, pois a produção açucareira estava
em crise, o que impedia o pagamento das dívidas
desses proprietários junto à Companhia das
Índias Ocidentais.
d) Os holandeses enfrentaram dificuldades de com-
preensão de sua língua e de rejeição à religião
protestante, por parte dos habitantes dos terri-
tórios invadidos, o que impediu uma integração
cultural com as populações locais.
10. A presença holandesa no Brasil colônia causa,
até hoje, polêmicas entre historiadores. As con-
trovérsias se localizam, sobretudo, em relação
à atuação de Maurício de Nassau, que dirigiu os
empreendimentos da Companhia das Índias Oci-
dentais no Brasil. Nassau conseguiu destacar-se,
mas terminou sendo demitido em 1643. Com
relação ao seu governo, é correto afirmar que:
a) procurou restabelecer a produção do açúcar,
mas fracassou devido à falta de recursos.
b) teve cuidados especiais com o Recife, onde fixou
sua residência, melhorando suas condições.
c) apesar do empenho, não conseguiu aumentar os
domínios territoriais dos holandeses.
d) reconstruiu a cidade de Olinda, onde pretendia
se instalar
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01 C 06 E
02 D 07 D
03 B 08 E
04 C 09 A
05 B 10 B
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CAPÍTULO 01
História de Pernambuco
População
Os povos e a diversidade caminham de mãos dadas
desde o início da formação do estado de Pernambu-
co. Heterogeneidade é a palavra que descreve o povo
pernambucano. Em sua formação, o estado teve um
elevado número de imigrantes. São portugueses, ita-
lianos, espanhóis, árabes, judeus, japoneses, alemães,
holandeses e ingleses. Merecem destaque, além disso,
as influências africana e indígena.
Turismo
Uma das principais vocações econômicas do
estado, o turismo, gera emprego e renda em todas as
regiões. Do litoral ao sertão, Pernambuco é o destino
para quem procura o melhor das riquezas naturais do
Nordeste. Salienta-se um extenso e apreciado litoral
de águas mornas e cristalinas, com praias paradisíacas
como Tamandaré e Porto de Galinhas. O litoral, com
cerca de 187 km de extensão, entre praias e falésias,
concentra o belíssimo arquipélago de Fernando de
Noronha. Deve-se ainda mencionar a magnitude e a
importância histórica de suas tradições culturais, como
os festejos Carnavalescos e juninos.
Pernambuco tem umas das igrejas mais antigas do
Brasil, localizada no município de Igarassu, na Região
Metropolitana do Recife. A igreja dedicada a São
Cosme e Damião, que data de 1535, faz parte de um
Centro Histórico com 396 m² tombados pelo IPHAN.
Um dos mais importantes conjuntos arquitetô-
nicos do país, Olinda, recebeu o título de Patrimônio
Cultural da Humanidade, concedido pela UNESCO, e de
primeira capital brasileira da cultura.
Nas cidades de maior altitude, no chamado
Planalto da Borborema, o frio inspirou eventos cultu-
rais como o Festival de Inverno de Garanhuns; a 1.004
metros de altitude, fica a cidade de Triunfo, a mais alta
do território pernambucano, onde acontece a Festa do
Estudante, com grupos de teatro de dança, e o Festival
de Cinema, no Cine Teatro Guarany.
Pernambuco tem ainda a Feira de Caruaru, a maior
feira livre do mundo, considerada patrimônio imate-
rial do Brasil pelo IPHAN; o Teatro de Nova Jerusalém,
o maior teatro ao ar livre do mundo, onde, todos os
anos, é encenado o espetáculo da Paixão de Cristo; o
Parque Nacional da Serra do Catimbau, entre o agreste
e o sertão pernambucano; o Vale do São Francisco com
dezenas de vinícolas.
Símbolos
Bandeira
A Bandeira de Pernambuco foi idealizada pelos
revolucionários de 1817 e oficializada, anos depois,
pelo governador Manuel Antônio Pereira Borba (1915-
1919).
A cor azul do retângulo superior simboliza a
grandeza do céu pernambucano; a cor branca repre-
senta a paz; o arco-íris em três cores (verde, amarelo,
vermelho) representa a união de todos os pernambu-
canos; a estrela caracteriza o estado no conjunto da
Federação; o sol é a força e a energia de Pernambuco;
finalmente, a cruz (vermelha) representa a fé na justiça
e no entendimento.
Brasão
O brasão de Pernambuco foi oficializado pelo go-
vernador Alexandre José Barbosa Lima (1892-1896),
em 1895.
O leão representa a bravura do povo pernambu-
cano; os ramos de algodão e de cana-de-açúcar sim-
bolizam riquezas do estado; o sol é a luz cintilante do
Equador; as estrelas são os municípios. Ainda estão
no brasão o mar do Recife e o farol do Forte da Barra,
de onde se vê a cidade de Olinda. Na faixa, aparecem
as datas históricas mais importantes do estado: 1710
(Guerra dos Mascates), 1817 (Revolução Pernambuca-
na), 1824 (Confederação do Equador) e 1889.
Hino
O hino pernambucano é uma composição poética
acompanhada de música em honra aos bravos guerrei-
ros do estado. Foi composto no ano de 1908. A letra foi
escrita por Oscar Brandão, e a música é de autoria de
Nicolino Milano.
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Letra do Hino:
“Coração do Brasil! em teu seio
Corre o sangue de heróis - rubro veio
Que há de sempre o valor traduzir
És a fonte da vida e da história
Desse povo coberto de glória,
O primeiro, talvez, no porvir.
(Estribilho)
Salve! Oh terra dos altos coqueiros!
De belezas soberbo estendal!
Nova Roma de bravos guerreiros
Pernambuco, imortal! Imortal!
Esses montes e vales e rios,
Proclamando o valor de teus brios,
Reproduzem batalhas cruéis.
No presente és a guarda avançada,
Sentinela indormida e sagrada
Que defende da Pátria os lauréis.
(Estribilho)
Do futuro és a crença, a esperança,
Desse povo que altivo descansa
Como o atleta depois de lutar...
No passado o teu nome era um mito,
Era o sol a brilhar no infinito
Era a glória na terra a brilhar!
(Estribilho)
A República é filha de Olinda,
Alva estrela que fulge e não finda
De esplender com seus raios de luz.
Liberdade! Um teu filho proclama!
Dos escravos o peito se inflama
Ante o Sol dessa terra da Cruz!”
(Estribilho)
Datas Comemorativas
Março
Em 2007, o dia 6 de março foi declarado a Data
Magna de Pernambuco, em virtude da Revolução Per-
nambucana.
Em 2009, o Governo de Pernambuco aprovou nova
lei, alterando a Data Magna do Estado para o primeiro
domingo de março.
Junho
24 São João (Estadual).
Julho
16 Dia de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do
Recife (Municipal - feriado apenas no Recife).
Dezembro
08 Nossa Senhora da Conceição (Municipal -
feriado apenas no Recife).
Período Pré-Colonial - Pré-História
de Pernambuco
A região do sertão e do agreste de Pernambuco
possui sítios arqueológicos datados de aproximada-
mente 6 mil anos, e algumas destas marcas (pinturas
rupestres) estão no Parque Nacional do Catimbau.
Alguns sítios arqueológicos localizados no Nordeste
são datados de aproximadamente 40 mil anos. Em Per-
nambuco, foram localizados vestígios de ocupação
humana em Madre de Deus, na Furna do Estrago, onde
foram localizados esqueletos humanos em uma ne-
crópole pré-histórica e em Chã do Caboclo, em Bom
Jardim.
Há mais de 6 mil anos, tem-se a presença de grupos
indígenas na região de Pernambuco. Dentre eles,
citam-se os Itaparica, que já confeccionavam objetos
em pedra e, ainda, as pinturas rupestres. Os principais
grupos que habitavam o litoral de Pernambuco à época
colonial eram os Tabajaras e os Caetés. Nas áreas inte-
rioranas, concentravam-se os Pankararu, em Tacaratu;
os Atikum-umã, na região da Serra das Crioulas e Umã,
nos limites do atual município de Carnaubeira da
Penha, em Pernambuco.
Argumenta-se, hoje, sobre a presença de espa-
nhóis em território brasileiro antes de Cabral, na região
do Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernam-
buco, com Vicente Yáñez Pinzón, no dia 26 de janeiro
de 1500, portanto, quase 90 dias antes da chegada
de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro. Por isso, tal
fato é conhecido como descobrimento pré-cabralino
do Brasil. Assim, Pinzón teria sido o primeiro europeu
em terras do atual Brasil. Todavia, tal versão também
possui posicionamentos contraditórios quanto ao
localde chegada, quando se afirma que os espanhóis
chegaram ao Cabo Orange, atual Guiana Francesa.
Houve uma disputa judicial logo após a viagem
de Pinzón, que ficou conhecida como “Probanzas del
Fiscal”, a qual foi impetrada por Diego Colombo, filho
de Cristóvão Colombo, contra a Coroa de Castela,
com o objetivo de assegurar os direitos do pai. Todos
aqueles que participaram da primeira viagem de
Colombo foram ouvidos em audiências, entre 1512 e
1515, em Sevilha e na Ilha de São Domingos.
São levantados, ainda, possíveis desembarques
em: Ponta do Mucuripe, ao sul de Fortaleza, Cabo de
São Roque, no Rio Grande do Norte e Ponta do Seixas
na Paraíba.
Povos Indígenas de Pernambuco1
Atikum
Grupo indígena: Atikum-Umã.
Localização: na região das serras das Crioulas e
Umã, nos limites do atual município de Carnaubeira da
Penha, Pernambuco.
A área já está delimitada e existem registros de
contatos de representantes do Serviço de Proteção ao
Índio entre 1943 e 1945, quando funcionários desse
órgão estiveram na área para apreciá-los dançar o
“Toré”. Em 1949, foi criado o Posto Indígena Aticum,
posteriormente denominado Padre Nelson, na aldeia
Alto da Serra.
Antes da Instalação do posto, a prefeitura de
Floresta cobrava imposto ou foro dos índios pelo uso
da terra, e fazendeiros utilizavam as terras da serra
como pastagem de gado.
A FUNAI também não procedeu ao reconhecimen-
to dos limites da terra Atikum até 1984, apenas reali-
zando uma série de projetos de desenvolvimento co-
munitário e econômico.
1 UFPE. Povos Indígenas de Pernambuco. Disponível em: <https://www.
ufpe.br/nepe/povosindigenas/>. Acesso em: mar de 2016. Adaptado.
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Assinalam-se conflitos envolvendo índios e possei-
ros, que resultaram no assassinato do chefe do posto e
de sua filha.
Fulni-ô
Grupo indígena: Fulni-ô.
Localização: Águas Belas/ PE.
Posto indígena: PI, Fulni-ô, subordinado a ADR de
Garanhuns.
Este domínio indígena não é formalizado, embora o
domínio dos Fulni-ô sobre as terras de Águas Belas seja
bastante antigo. Desde o século XVIII, têm-se notícias de
índios ocupando a Serra do Comunati, situada ao norte
da atual cidade de Águas Belas. Por esta época, foi criado
o aldeamento do Ipanema, cujas terras seriam doadas
aos índios Carnijós pelo Governo Imperial por meio da
Carta Régia nº 33, em 05 de junho de 1705.
Parte desta terra seria cedida em 1832 à Igreja de
Nossa Senhora da Conceição de Águas Belas, que passou
a arrendar lotes, onde viria a se constituir a cidade de
Águas Belas. Na segunda metade do século XIX, o
Governo Imperial, por meio do Aviso de 4 de novembro
de 1861, teria determinado a extinção do antigo aldea-
mento, dado os conflitos entre índios e arrendatários,
ato que, no entanto, não chegou a ser cumprido.
Em 1928, um Decreto (nº 637 de 20 de julho) é
assinado pelo governador do estado de Pernambuco
(Estácio Coimbra), reconhecendo que o direito destes
apoia-se em “título certo e líquido“, mas que há inte-
resses legítimos a resguardar.
Este ato significa o reconhecimento do SPI como
tutor dos índios e seu representante nos assuntos refe-
rentes a terras e arredamentos.
Ainda pelo Decreto de 1928, as terras de possei-
ros que, naquele momento, ocupavam áreas com
moradias e cultura, que não fossem reclamadas por
seu dono índio, poderiam ser adquiridas pelo posseiro
(no máximo de 25 ha) pagando seu valor ao Estado.
O SPI Instala, no mesmo ano de 1928, um posto
indígena no Distrito de Águas Belas e atribui ao Posto
do SPI a função de assistência de saúde e educação não
só aos índios, mas também aos “filhos dos rendeiros e
a eles próprios”.
Fato a se destacar é que ficou reconhecido pelo
poder público o domínio dos índios sobre a área,
embora não exista nenhum ato que formalize tal cate-
goria nos termos do Estatuto do Índio (Lei 6001/73).
Kambiwá
Grupo Indígena: Kambiwá
Localização: município de Ibimirim, Inajá, Floresta
(PE). Sub-região do Vale do Moxotó.
Encontra-se como área identificada, e os Kambiwá
estão como um grupo indígena de filiação linguística
não determinada. No início do século XIX, os “coronéis”
do chamado “Alto Sertão Pernambucano” os perse-
guiram e os dispersaram por força das armas. (FUNAI,
1988).
Em 1802, um missionário capuchinho italiano, Frei
Vital de Frescarolo, afirma ter aldeado, no lugar conhe-
cido como Jacaré, entre a Serra do Periquito e a Serra
Negra, 114 índios da nação Pipipão. Porém, em 1823,
“José Francisco da Silva e Cipriano Nunes da Silva expe-
liram à mão armada os índios Pipipães que habitavam
a Serra Negra”.
A situação dos índios do sertão de Pernambuco no
início do século XX, caracterizava-se, ainda, pela fla-
grante exploração a que estavam sujeitos pelos fazen-
deiros locais. Por meio do Monsenhor Alfredo Damaso,
em fins da década de 30, em contato com Getúlio
Vargas, consegui-se autorização para que estes índios
ocupassem definitivamente a Serra Negra.
Liderados pelo índio João Fortunato, mais co-
nhecido como João Cabeça-de-Pena, ensejaram sua
derradeira - e frustrada – tentativa de ocupação da
Serra Negra, que resultou na prisão e tortura seguida
de morte de Cabeça-de-Pena pela Polícia de Inajá.
Expulsos da Serra, os índios retornaram ao “Baixo do
Araticum”, hoje conhecido como “Baixa da Índia Ale-
xandra”, onde permaneceram e se reorganizaram até
que, em 1954, o então Ministro da Agricultura, o Per-
nambucano João Cleofas, “manda demarcar as terras”.
O processo de regularização da terra Kambiwá foi
constituído por meio da Portaria/ Funai nº 1284/92,
com um grupo de trabalho responsável pela identi-
ficação, levantamento fundiário e delimitação da AI
Kambiwá. Nessa ocasião, os índios atualizaram uma
antiga reivindicação, no sentido de terem acesso à
Reserva Biológica da Serra Negra, atualmente adminis-
trada pelo IBAMA.
Kapinawá
Localização: município de Buíque, Tupanatinga e
Ibimirim, sertão Pernambucano.
São descendentes dos índios que habitavam a
aldeia de Macaco, desde o século XVIII, índios Prakió
ou Paratió. O etnônimo Kapinawá é conhecido desde
o final dos anos setenta, quando seus representantes
procuraram a FUNAI e a imprensa no Recife denun-
ciando grande pressão sobre suas terras. Os índios
possuíam uma cópia de documento de doação imperial
da propriedade Macaco dos Índios, feita em 1874. Em
1980, a FUNAI informou que “desconhecia a existência
de aldeamento em Buíque” e “os índios Kapinawá são
considerados extintos no Brasil, mas existem no Peru”.
Os conflitos culminam, em 1982, com um tiroteio
na vila do Catimbau, entre Kapinawá e regionais, re-
sultando na morte de dois dos últimos. Quase dois
anos depois foi então constituído GT para identificar
e delimitar a área Kapinawá (Portaria nº 1647/E, de
01.06.84).
Os índios Kapinawá reivindicam um novo estudo de
terra que contemplasse áreas consideradas imprescin-
díveis para eles, localidades onde se encontram sítios
arqueológicos ou de pinturas rupestres dos seus ante-
passados, além de considerável número de famílias in-
dígenas fora do perímetro homologado em 1998.
O maior contingente dessas famílias está inserido,
segundo os índios, na área do Parque Nacional do
Catimbal, contígua a TI Kapinawá.
Pankararu
Grupo Indígena: Pankararu
Localização: Tacaratu e Petrolândia.
Área já homologada, sendo que os Pankararu fazem
parte do grupo mais amplo de “Índios do Sertão”, ou
Tapuia, caracterizado historicamente por oposição aos
Tupis da costa e aos Jê dos cerrados a oeste.
Na fase pré-colonial foram, aparentemente,
expulsos do litoral pela expansão no sentido Norte/
Sul dos Tupis e, encontrando resistência para o avanço
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a oeste, pela presença dos Jê, estabeleceram-se no
submédio São Francisco.
Os primeiros contatos sistemáticos foram estabe-
lecidos com missionários no início do século XVII e, em
Pernambuco, estabeleceram um aldeamento à beira
do São Francisco.
São deste período registros que informam sobre
a territorialidadedo grupo, compreendida por dois
marcos geográficos tomados como sagrados: a cachoei-
ra de Paulo Afonso, local onde seus ancestrais teriam
sucumbido a um dilúvio, e a cachoeira de Itaparica,
tradicional local de sepultamento de seus mortos, logo
transformado em cemitério cristão pelos missionários.
Oito anos depois desta primeira demarcação
(1949), um grupo de trabalhadores rurais, encabeça-
dos na ação judicial por Miguel G. Maurício e já instala-
dos nas terras demarcadas pelo SPI, contesta a demar-
cação, perdendo a ação em um processo que durou
seis anos (1955). Em 1960, é aberto um novo processo
por Miguel G. Maurício, de “usucapião”, que favoreceu
os posseiros em primeira instância (1964), mas contra
a qual o SPI recorre. Esta primeira vitória e a demora
do processo de recurso levam a um acirramento das
tensões na área, com conflitos localizados em 1966.
Em 1979, um novo elemento vem agravar a
situação, ou seja, a construção da hidroelétrica de Ita-
parica que desaloja dezenas de famílias camponesas
próximas à Área Indígena Pankararu. Em 1984, um
Grupo de Trabalho da FUNAI é enviado à área para
realizar um levantamento fundiário e da situação social
e, novamente, em 1989, constitui-se a equipe técnica
para o levantamento fundiário e topográfico da área.
Em 1999, por meio de mobilização por terras, os índios
ocuparam uma área de imóvel rural na região, que cor-
responde a aproximadamente 365 ha. Esta área encon-
tra-se sob domínio dos índios que passaram a reivindi-
car sua regularização fundiária junto à FUNAI.
Pipipã
Entre os Pipipã, já no século XXI, tanto o seu territó-
rio quanto a composição das aldeias estão em processo
de definição, decorrente do fato de separarem-se dos
Kambiwá e estabelecerem-se dentro do território de-
marcado como área indígena daquele povo.
A Aldeia Travessão do Ouro está situada próxima
da Serra do Periquito, no Km 29 da BR-360 em Floresta/
PE. Capoeira do Barro é uma aldeia onde viviam “não
índios”, dentro de um projeto de assentamento do
INCRA. A aldeia Serra Negra está em processo de esva-
ziamento, sendo ocupada temporariamente durante o
ritual do Aricuri.
A aldeia Caraíba fica situada próxima da Serra do
Taiado e ao Serrote do Tamanduá. É a única aldeia que
se define Pipipã fora do território dos Kambiwá. A terra
não é demarcada nem reconhecida oficialmente como
área indígena. Seus moradores possuem título de pro-
priedade.
As principais lideranças são Antônio Xavier e o
Velho Manoel Francisco Xavier Filho.
Hoje os Pipipã se afirmam em 2.050 índios espalha-
dos na ribeira do Pajeú. Entretanto, os dados atuais da
Funasa registram uma população de 1.312 índios.
Os Pipipã constituem grupo dissidente Kambiwá,
que reivindica estudo de terras que contemple a Serra
Negra, área historicamente pleiteada pelos Kambiwá/
Pipipã.
Truká
Localização: Ilha da Assunção no médio São Fran-
cisco, município de Cabrobó.
Os Truká vivem na Ilha da Assunção no médio rio
São Francisco no município de Cabrobó, e a aldeia da
Assunção foi fundada provavelmente em 1722. Em
1761, uma simples aldeia de índios, originalmente
situada na extremidade ocidental da ilha, prospe-
rou tanto que teve o predicamento de paróquia. Nos
últimos anos do regime monárquico, com relação a
Pernambuco, foram registrados atos administrativos
visando à extinção dos aldeamentos indígenas. No
entanto, o aldeamento Assunção sobreviveu até ao
advento da República. A aldeia da Assunção, durante
grande parte do século XIX, foi alvo de disputa entre
seus moradores e os chamados “poder de Cabrobró”.
Esta disputa implicava não só a posse das terras do al-
deamento, mas também o controle sobre o rebanho
que pertencia ao aldeamento, e em especial, a utiliza-
ção dos índios enquanto mão de obra escrava ou servil.
Em 1920, tendo por base a alegação do bispo de
pesqueira, de que a ilha Assunção pertencia ao patri-
mônio da Igreja, graças à doação feita pelos índios a
Nossa Senhora, o cartório da Comarca de Belém do São
Francisco lavrou a escritura de compra e venda de toda
a Ilha de Assunção. Os Truká, em meados da década
de 40, iniciaram um processo de reivindicação à terra
junto ao SPI e conseguiram, por meio de um processo
jurídico, uma Ação de Nulidade de Venda e Reintegra-
ção de Posse. Esta ação percorreu o foro municipal
e estadual e, atualmente, encontra-se no Supremo
Tribunal da União.
No final da década de 50 e meados de 60, o estado
de Pernambuco, ignorando a ação impetrada pelo SPI,
comprou parte da Ilha de Assunção, tendo em vista a
instalação (em 1965) de um núcleo de Colonização.
A Companhia de Revenda e Colonização (CRC) era o
órgão encarregado de fornecer terras para os morado-
res.
No final da década de 60, o CRC entrou em processo
de extinção em decorrência da crise financeira, tendo
parte do seu espólio passado a ser gerido pela Compa-
nhia de Produção de Mudas e Sementes Selecionadas
do Estado de Pernambuco (SEMEMPE). O trecho de
terras da Ilha de Assunção transformou-se em campo
de produção de mudas, e tal alteração resultou em
tensão com os moradores locais.
Após muitos conflitos vividos entre os Truká e os
funcionários da SEMEMPE, foi feito acordo entre o
estado de Pernambuco e o Governo Federal, em que a
SEMEMPE entregou/cedeu parte do trecho da ilha sob
seu poder à FUNAI, que somente em 1984, por meio da
Portaria nº 1647/E, designou comissão para proceder
a estudos de identificação e levantamento ocupacio-
nal, visando à definição dos limites das áreas indígenas
Atikum, Kapinawá, Truká e Wassu-Cocal.
Os trabalhos das etapas iniciais do processo de
regularização fundiária da TI Truká, delimitada desde
o ano de 2002 com 5.769 ha., foram interrompidos
e, até o presente, ainda não retomados. A área Truká
está inserida em região conhecida como “Polígono da
Maconha”. Os índios denunciam a utilização da região
por produtores de maconha, situação que tem acarre-
tado inúmeros conflitos e violência contra os denun-
ciantes.
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Tuxá
Localização: Município de Inajá/PE.
A população Tuxá de Inajá foi transferida de terras
em Itacaratu/PE, submersas pelo lago da hidrelétrica
de Itaparica, conforme convênio firmado entre FUNAI
e CHESF (Cia. Hidrelétrica do São Francisco) em 1985.
Uma área total de cerca de 400 ha, o representante
da Chesf alegou ser extensa para um número reduzido
de índios. Assim, ficou estabelecido que famílias de não
índios, parentes dos Tuxá de Itacuruba, seriam incluí-
das no reassentamento. Este imóvel foi denominado
“Fazenda Funil”, à margem direita do rio Moxotó. Não
há qualquer reconhecimento formal desta área como
“terra indígena”, tal como se constata em outras áreas
na região. Efetivamente, trata-se de uma área de terras
adquiridas por órgão público, em nome deste, para
“assentamento” de índios.
Em 2004, as escolas da primeira etapa do ensino
fundamental, dentro da área indígena, passaram a
ser mantidas pelo estado. Foram reconhecidas como
escolas indígenas em atendimento à reivindicação dos
Pankará e da Comissão de Professores Indígenas em
Pernambuco (Copipe), conforme Resolução 003/99 do
Conselho Nacional de Educação.
No campo da saúde, em 2004, passaram a integrar
o Conselho Distrital de Saúde Indígena da Funasa.
Possuem duas equipes atuando na área com agentes
de saúde e auxiliares de enfermagem indígenas.
Xucuru
Habitam a Serra do Ororubá, no município brasi-
leiro de Pesqueira (Poção), no estado de Pernambuco.
Autodenominam-se Xucurus do Ororubá para distin-
guir-se do povo Xucuru-Cariri de Alagoas.
O município de Pesqueira tem suas origens no al-
deamento do povo Xucuru, promovido pelos padres da
Congregação do Oratório de São Felipe de Néri, a partir
de 1661. O aldeamento também era local de criação de
gado pelos missionários, que utilizavam mão de obra
indígena.
Com a aplicação do Diretório dos Índios (1757) do
Marquês de Pombal, o aldeamento foi elevado à ca-
tegoria de vila, a Vila de Cimbres, em 1762. Em 1850,após a promulgação da Lei de Terras, as autoridades
locais pediram ao governo da Província o fim do aldea-
mento, alegando que os índios já eram caboclos. Em
1879, o aldeamento foi extinto oficialmente. Os indíge-
nas se dispersaram, buscando outros ex-aldeamentos,
a periferia das cidades, ou refugiaram-se em locais de
difícil acesso.
Com a criação do Serviço de Proteção ao Índio, os
povos indígenas do Nordeste brasileiro buscaram o seu
reconhecimento pelo Estado. Em 1954, foi instalado
um posto do SPI na Serra do Ororubá.
O maior laço que une a tribo, até mais importante
do que o parentesco, que acabou por se transformar
em símbolo da resistência dos índios do Nordeste, é o
ritual do “Toré”.
Após a promulgação da Constituição de 1988, que
reconheceu aos índios o direito ao usufruto da terra
tradicionalmente ocupada por estes povos, os Xucurus
reorganizaram-se em torno da reconquista da terra.
Eles estavam apoiados por outros povos indígenas do
Nordeste e organismos como o Conselho Indigenis-
ta Missionário (CIMI), órgão da CNBB, e passaram a
reocupar áreas de fazendas em terras de ocupação tra-
dicional indígena.
Em 1998, o cacique Chicão foi assassinado por um
homem não identificado, provavelmente, a mando de
fazendeiros descontentes com a luta para a demarca-
ção de terras para os Xucurus.
A terra indígena foi homologada em 30/04/2001, e
os índios desenvolvem atividades agrícolas e bordados
tipo renascença.
Período Colonial
Capitania de Pernambuco
A primeira capital de Pernambuco foi Olinda. Logo
após a chegada dos portugueses, em 1501, o territó-
rio começou a ser explorado pela expedição de Gaspar
de Lemos, responsável pela fundação de diversas fei-
torias, entre elas, uma na atual localidade de Igarassu,
que teria sido utilizada por Cristóvão Jacques. Pernam-
buco foi uma das primeiras áreas brasileiras a ter ativa
colonização portuguesa.
Com a divisão da colônia em Capitanias Heredi-
tárias, feitas por Dom João III, então rei de Portugal,
iniciou-se a doação de um lote de terras, chamado Ca-
pitania, a um Donatário (português), a quem caberia
explorar, colonizar as terras, fundar povoados, arre-
cadar impostos e estabelecer as regras do local. Inicia-
-se, então, o povoamento de Pernambuco a partir de
1534. Até então, os ocupantes do território eram os
índios Tabajaras, quando a Capitania de Pernambu-
co foi doada a Duarte Coelho, e parte da Capitania de
Itamaracá foi doada a Pero Lopes de Sousa. Dentre os
principais grupos indígenas de Pernambuco, podem-se
destacar os Caetés, temíveis ocupantes da costa e, pos-
teriormente, também os Potyguaras, que habitavam
o extremo norte de Pernambuco e os Tabajaras, estes
últimos antigos aliados dos portugueses.
A posse da capitania ocorreu em 1535, nomeada por
Duarte Coelho como “Nova Lusitânia”, mas acabou rece-
bendo o nome atual em seguida. Os povoados de Igarassu
e Olinda foram elevados à condição de vila em 1537.
A Capitania de Pernambuco, inicialmente, envolvia
a região que compreende os atuais estados de Pernam-
buco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Alagoas
e uma parte da Bahia. Na fase do Brasil-Colônia, Per-
nambuco estava entre as mais ricas Capitanias, tendo
Olinda como capital - seu porto daria origem à cidade
do Recife. As expedições que buscavam explorar o
interior da Capitania partiam, principalmente, das vilas
de Igarassu e Olinda e tinham entre seus explorado-
res o filho do donatário, Jorge de Albuquerque. Este
chegou até o rio São Francisco após combater índios
hostis e assegurar o domínio do interior.
Os primeiros engenhos de açúcar da colônia foram
instalados por Duarte Coelho que procurou incentivar,
também, o algodão. Todavia, a Capitania de Pernam-
buco em pouco tempo tornou-se a principal produtora
de açúcar da colônia portuguesa e, consequentemen-
te, a mais próspera e influente das capitanias heredi-
tárias, sendo a referência para a organização da so-
ciedade colonial brasileira. O progresso da Capitania
pode ser explicado pela fácil adaptação da cana ao solo
massapê e ao clima da região; pela maior proximidade
geográfica de Portugal, fato que facilitava o transporte;
pela grande quantidade de pau-brasil; pela lavoura de
algodão; e pelos investimentos feitos pelo donatário
na fundação de vilas e na pacificação dos índios.
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Esse desenvolvimento, no entanto, transformou a
capitania em alvo de corsários e piratas, haja vista que,
em 1595, o corsário inglês James Lancaster tomou de
assalto o porto do Recife e passou a saquear as riquezas
transportadas do interior, levando suas pilhagens em
quinze embarcações.
A posição de maior e mais rica área de produção
de açúcar do mundo já era uma marca da Capitania de
Pernambuco, no início do século XVII, fato que atraiu
os holandeses para a região entre 1630 e 1654.
Quando da Invasão Holandesa em Pernambuco,
em 1630, pela Companhia das Índias Ocidentais, foram
saqueadas e queimadas diversas construções em
Olinda, inclusive as igrejas.
Durante a União Ibérica, entre 1580 e 1640, quando
Portugal e suas colônias estiveram sob domínio dos es-
panhóis, a República Holandesa havia-se tornado in-
dependente da Espanha e encontrou em Pernambuco
uma oportunidade para impor um duro golpe aos es-
panhóis. Ao mesmo tempo, os holandeses poderiam
recuperar-se do prejuízo no fracasso da invasão da
Bahia, uma vez que Pernambuco era o principal centro
produtivo da colônia. O motivo central da invasão en-
contra-se no bloqueio do acesso holandês pela Coroa
Espanhola ao comércio do açúcar produzido em Per-
nambuco, durante a União Ibérica.
Os holandeses desembarcaram na praia de Pau
Amarelo para conquistar a capitania de Pernambuco
em fevereiro de 1630 e estabeleceram uma colônia de-
nominada Nova Holanda, enfrentando uma frágil resis-
tência portuguesa na passagem do Rio Doce. Assim, in-
vadiram Olinda após derrotarem a pequena guarnição
do forte, depois chamada de Forte de São João Batista
do Brum, que era a porta de entrada para o Recife.
Em 1637, o conde João Maurício de Nassau Siegen
desembarcou em Nova Holanda trazendo consigo arqui-
tetos e engenheiros e iniciou a construção de Mauritss-
tad, atual Recife, que, à época, já contava com pontes,
diques e canais. O arquiteto Pieter Post foi o responsável
pela construção do palácio de Freeburg, sede do poder
de Nassau na colônia de Nova Holanda, e do prédio do
observatório astronômico, tido como o primeiro do Novo
Mundo. Em 28 de fevereiro de 1644, o Recife, atualmen-
te o Bairro do Recife, foi ligado à Cidade Maurícia com a
construção da primeira ponte da América Latina.
À época da presença holandesa na região, Recife foi
considerada a mais cosmopolita cidade das Américas
e foi beneficiada com a construção de casas, pontes e
obras sanitárias. Além disso, possuía a maior comuni-
dade judaica de todo o continente, com quase metade
de sua população de origem europeia, sendo formada
por judeus, que construíram a primeira sinagoga do
Novo Mundo, a Kahal Zur Israel. No Palácio de Friburgo,
sede do governo de Nassau, foi construído o primeiro
observatório astronômico do Continente Americano.
A Companhia das Índias Ocidentais concedeu créditos
aos senhores de engenho para o reaparelhamento das
propriedades, a recuperação dos canaviais e a compra
de escravos. Nassau ainda estimulou a vida cultural e
investiu em obras urbanas, nos domínios holandeses.
Trouxe novos hábitos para a colônia, com a vinda das
ideias renascentistas, embora não tenha consolidado a
aceitação da religião protestante na sociedade da época.
A exoneração de Nassau pela Companhia Holande-
sa das Índias Ocidentais fez com que o povo de Pernam-
buco se rebelasse contra o governo em um movimento
denominado Insurreição Pernambucana. Tal movimen-
to culminou com a expulsão dos holandeses em 1654,
na segunda Batalha dos Guararapes, momento que se
considera como a origem Exército Brasileiro.
Após o domínio dos portugueses, os judeus rece-
beramordens para se converterem ao catolicismo
ou partirem da região em, no máximo, três meses.
Dessa forma, temerosos da Inquisição, quase todos
venderam seus bens e deixaram o Recife em 16 navios,
uma parte fugindo para Amsterdã e outra, para Nova
York, na Ilha de Manhattan, atual centro financeiro dos
Estados Unidos. Alguns descendentes dessas pessoas
tiveram participação ativa na história dos Estados
Unidos como: Gershom Mendes Seixas, aliado de
George Washington na Guerra de Independência dos
Estados Unidos; seu filho Benjamin Mendes Seixas,
fundador da Bolsa de Valores de Nova York; Benjamin
Cardozo, juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos,
ligado a Franklin Roosevelt.
Com a expulsão dos holandeses, Pernambu-
co entrou em decadência, bem como quase todo o
Nordeste, devido à concorrência do açúcar refinado
holandês, agora produzido nas Antilhas, que era
superior ao açúcar mascavo brasileiro, e à transferên-
cia do centro político-econômico para o Sudeste.
01. A primeira metade do século XVII em Pernam-
buco foi marcada pela invasão holandesa à Ca-
pitania. A presença holandesa em Pernambuco
durou 24 anos, de 1630 a 1654. A invasão foi
motivada por vários fatores, dos quais podemos
destacar
a) o sucesso da colonização holandesa no sul da
América, especialmente nas possessões espa-
nholas, e a vontade da Holanda em expandir
seus domínios no Novo Mundo.
b) a necessidade do algodão, produto amplamente
produzido na Capitania de Pernambuco, desde o
século XVI, por parte das indústrias têxteis ho-
landesas.
c) o bloqueio do acesso holandês pela Coroa Espa-
nhola ao comércio do açúcar produzido em Per-
nambuco, durante a União Ibérica.
d) a presença maciça de tropas holandesas na
Bahia, desde 1625.
e) os interesses dos comerciantes e senhores de
engenho locais em comercializar com os holan-
deses, em detrimento dos portugueses.
RESPOSTA: C. Durante a União Ibérica, a Holanda,
então colônia da Espanha, proclamou sua indepen-
dência. O rei espanhol, para pressionar a ex-colônia,
proibiu-a de fazer comércio com qualquer possessão
espanhola, incluindo o Brasil. A Holanda, devido à
participação que tinha no comércio do açúcar brasilei-
ro, invadiu a Capitania de Pernambuco.
Guerra dos Bárbaros2
O processo conhecido como “guerra dos bárbaros”
foi constituído por uma série de conflitos armados
pela iniciativa privada de sesmeiros, em conjunto com
2 SILVA, Kalina Vanderlei. Diversidade Social na Conquista do sertão. In:
Nas solidões vastas e assustadoras: a conquista do sertão de Pernambuco
pelas vilas açucareiras nos séculos XVII e XVIII. Recife: Cepe, 2010. p. 269.
Adaptado.
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a Coroa Portuguesa, cujo principal objetivo era a con-
quista dos sertões, no intuito de expandir a colonização
para o interior das Capitanias da América Lusitana.
No Brasil, começa a se utilizar o termo Nova
História Militar associado aos temas bélicos, já que nos
séculos XVI e XVII iam além dos núcleos urbanizados do
litoral, entrando para o interior ainda não colonizado
da Capitania de Pernambuco. A Guerra dos Bárbaros,
portanto, destaca os combates aos bárbaros do sertão,
onde diversos povos indígenas e a camada pobre ligada
à produção açucareira foram utilizados nas tropas para
esse empreendimento colonial. Assim, os diversos
tipos sociais envolvidos tiveram que se reorganizar às
regras das vilas açucareiras e aos objetivos de suas au-
toridades.
“As vilas do açúcar” reuniam os indivíduos em
áreas urbanizadas, ao passo que “O sertão” leva aos
vazios não colonizados, o que reafirma as imagens de
barbárie e selvageria associada aos sertões. A conquis-
ta e o povoamento dessa área formaria, ao olhar da
Metrópole, uma sociedade sertaneja.
Nos núcleos urbanos da Capitania de Pernambuco,
o ideal da sociedade de Antigo Regime Português clas-
sificou os indivíduos nas vilas do açúcar de acordo com
a posição social de cada um, formando uma sociedade
estamental com base em um sistema escravista. Nas
vilas açucareiras, a mestiçagem alterou as relações do
status quo dos indivíduos.
Enquanto em Portugal fala-se na “cultura da osten-
tação e do ócio”, na colônia açucareira a cultura ao ócio
se associa ao desprezo pelo trabalho manual. Os pro-
prietários de terra eram intitulados “homens bons”,
ao passo que aqueles que desempenhavam atividades
manuais, mesmo que ricos, eram estigmatizados por
várias gerações. Convém salientar que a mão de obra
utilizada nos engenhos, escrava ou livre, muitas vezes,
era formada por trabalhadores especializados.
A pirâmide social da sociedade açucareira era
composta da seguinte maneira: em seu topo localiza-
vam-se as autoridades militares, civis, religiosas, com-
plementada pelos senhores de engenho; abaixo destes,
encontrava-se o grupo de pessoas livres, funcioná-
rios subalternos, soldados burocráticos, pequenos
comerciantes, taberneiros e artesãos em geral; e, na
base desta pirâmide, os escravos e homens livres sem
nenhuma qualificação.
Assim, dentro desse contexto sociocultural, desen-
volve-se o imaginário sobre os sertões que, nas vilas
açucareiras, relacionava-se ao interior das capitanias,
ou seja, aos locais que eram inexplorados ou pouco ex-
plorados, qualificados como locais perigosos, devido
às suas vastidões e aos seus habitantes - os indígenas,
genericamente chamados de Tapuias. Dessa forma, o
sertão será visto como espaço de barbárie e selvageria.
As vilas do Recife e Olinda, no século XVII, repre-
sentavam as duas maiores vilas da Capitania de Per-
nambuco e concentravam grande extensão de terras,
que continham várias povoações, com indivíduos que
poderiam ser recrutados e estavam aptos a pegar em
armas para compor os grupos armados da Coroa.
Na Capitania de Pernambuco no século XVII, en-
contramos diversos grupos indígenas, entre eles: os
Xocó, Cariniayos, Jacós, Paraquiós, Carateus, Carnijós,
Guegués, Che-Che, Xucurús, Peraricoanhas, Cariris,
Rodela, Coremas, Ariús, Janduis, Canindés, Paiacus,
Pinacus, Caborés, Capelas, Paniguaçus, Jenipapos,
Parasus, Quixelós, Icós, Genipapoaçus, Calabaças,
Quesqués, Procás, Pipipás, Panatis e Pegas.
Apesar dessa grande diversidade cultural, foram
todos generalizados com o nome de “Tapuias”. Olinda,
por sua vez, neste mesmo século, incluía as vilas de
Igarassu, Nossa Senhora da Conceição, Serinhaém,
Porto Calvo, Alagoas e São Francisco do Penedo,
além de treze povoações: o Cabo de Santo Agostinho,
Possuica, São Gonçalo do Uma, Alagoas, São Miguel,
Muribeca, Santo Amaro de Jaboatão, São Lourenço,
Nossa Senhora da Luz, Várzea do Capibaribe, Goiana,
Tejucupapo, Taquara, e o Recife.
As camadas baixas, associadas à produção açu-
careira, possuíam algumas atividades manuais que,
até meados do século XVI, eram desempenhadas por
indivíduos provenientes da metrópole. Quando nos
séculos XVII e XVIII, há um crescimento da população
cativa e do tráfico negreiro, essas atividades começam
a perder sua dignidade. A morte dos povos indígenas
- em razão dos ataques dos brancos e do contágio de
doenças - além da proteção da Igreja, que condenava a
escravidão desses povos, gerou a busca pela alternati-
va do trabalho escravo africano.
Deve-se salientar o equívoco da afirmação de
que o africano se adaptou melhor à escravidão do
que o indígena; qualquer povo livre sempre reagirá a
qualquer tentativa de transformá-lo em escravo.
As tropas coloniais que se estruturaram nas vilas do
açúcar seguiram o modelo português e os seus critérios
para o recrutamento, levando em conta as especifici-
dades da Capitania de Pernambuco. Assim, eram or-
ganizados em três grupos: “as ordenanças”, formadas
por todos os homens livres em idade produtiva, em
geral casados; “as milícias”, que eram uma espécie
de tropa de elite, apresentavam-se seletivas quanto
a seus componentes, composta por homens de uma
mesma camada econômica ou étnica; e a “a tropa bu-
rocrática”, com recrutamento obrigatório dos homens
solteiros e das camadassociais mais baixas.
As milícias de cor na Capitania de Pernambuco
estavam associadas às camadas mais baixas da socie-
dade colonial, formadas por desocupados, criminosos
e libertos. Assim, essas milícias eram locais favorá-
veis para que pardos e pretos pudessem ascender so-
cialmente no sistema colonial, o que acabou gerando
atritos entre a Coroa Portuguesa e os senhores de
engenho que, em tempos de guerra, tinham seu
número de escravos diminuídos pois, em alguns casos,
acabavam por conseguir sua liberdade.
O significado do sertão já está formado no século
XVI, como local de desordens, associado à abundância
de metais preciosos. Dessa forma, a busca por essas
riquezas tem o poder para agregar às tropas os homens
pobres das vilas do açúcar. Empregaram-se vários
grupos indígenas comandados por homens do sertão
e experientes, como o capitão Simão Jacques Thomas
e Domingos Jorge Velho, entre outros. Assim, os ame-
ríndios tornavam-se homens ideais para conquistar as
regiões conflituosas, como Palmares já tinha demons-
trado que as milícias eram eficientes.
Nota-se que, mesmo após a guerra dos bárbaros,
os sertões, agora conquistados, continuam vinculados
à ideia de barbárie, pois o território continuou a ser
selvagem.
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A História Militar expõe os problemas de manuten-
ção das tropas, desde o recrutamento até as condições
degradantes em que os homens viviam. Esse fato levou
muitos deles a se tornarem desertores. Por esta, razão,
perambulavam livremente pelo sertão. Além disso,
como esses homens se relacionavam com a sociedade
e o extermínio de diversos grupos indígenas aliados ou
inimigos dos portugueses.
Insurreição Pernambucana
(1645-1654)
Marcou a expulsão dos holandeses do Brasil e
foi o primeiro grande movimento nativista, no qual
se uniram o branco, o negro e o índio em uma causa
comum. Seus líderes foram: o índio Felipe Camarão
(Poti), o branco André Vidal de Negreiros e o negro
Henrique Dias.
Diversos combates marcaram o episódio: Batalha
do Monte das Tabocas (tomada de Olinda); Primeira
Batalha de Guararapes (1648); Segunda Batalha de
Guararapes (1649).
Reunidos no Engenho de São João, os líderes insur-
retos de Pernambuco assinam um compromisso para
lutar contra o domínio holandês na Capitania, em 15 de
maio de 1645. A primeira vitória importante dos insur-
retos se deu no Monte das Tabocas, no atual município
de Vitória de Santo Antão, dando ao seu líder, Antônio
Dias Cardoso, o apelido de Mestre das Emboscadas.
Os holandeses foram novamente derrotados
graças a uma aliança dos mazombos, índios nativos e
escravos negros que acabaram por trazer aos holan-
deses sucessivas derrotas: Cabo de Santo Agostinho,
Pontal de Nazaré, Sirinhaém, Rio Formoso, Porto Calvo
e Forte Maurício, até a recuperação de Olinda pelos
rebeldes.
Os holandeses, devido à falta de alimentos,
atacaram as plantações de mandioca nas vilas de São
Lourenço, Catuma e Tejucupapo.
A Batalha de Tejucupapo acontece em 24 de abril
de 1646 quando mulheres camponesas armadas de
utensílios agrícolas e armas leves expulsaram os inva-
sores holandeses, fato considerado como a primeira
importante participação militar da mulher na defesa
do território brasileiro.
Cita-se também a relevância da Primeira Guerra An-
glo-Neerlandesa ou Anglo-Holandesa – de um total de
4 guerras que ocorreram entre os Séculos XVII e XVIII,
entre o Reino Unido e a República das Sete Províncias
Unidas dos Países Baixos pelo controle das rotas ma-
rítimas, também conhecidas como Guerras Holande-
sas na Inglaterra e Guerras Inglesas nos Países Baixos.
A Primeira Guerra Anglo-Neerlandesa (1652 a 1654)
terminou com o Tratado de Westminster, mantendo
em vigor a Lei da Navegação de 1651 – a República Ho-
landesa não pôde auxiliar os holandeses no Brasil.
No entanto, ao fim da guerra, os holandeses
exigiram a devolução da colônia em maio de 1654 e,
sob ameaça, Portugal se compromete a indenizar a
Holanda em 4 milhões de cruzados, por um período de
16 anos, e permitir que permanecessem no Brasil as
famílias holandesas que assim desejassem.
Todavia, em 6 de agosto de 1661, a República da
Holanda, por meio do Tratado de Haia, cede formal-
mente o Nordeste brasileiro a Portugal.
Quilombo dos Palmares
Zumbi dos Palmares, nascido na Capitania de Per-
nambuco, é considerado o maior herói negro do Brasil.
Após a destruição do Quilombo de Palmares, Zumbi foi
decapitado e sua cabeça exposta em praça pública no
Recife. A data de sua morte foi adotada como o Dia da
Consciência Negra.
O Quilombo dos Palmares localizava-se na Serra da
Barriga, na Capitania de Pernambuco, hoje município
alagoano de União dos Palmares. Os quilombos, de
maneira geral, representavam uma ameaça à ordem
escravocrata e à economia do açúcar, pois, nessas
áreas, os negros fugidos dos engenhos tentavam
reviver o modo de vida africano.
Houve um aumento no número de quilombos, que
é provocado pela ocupação holandesa em Pernambu-
co, pois os escravos, aproveitando a desorganização
produzida pela guerra, fugiam em maior quantidade.
O famoso batalhão de negros comandados pelo negro
Henrique Dias, que combateu durante a Insurreição
Pernambucana, também combateu o quilombo dos
Palmares.
Palmares foi o maior dos quilombos do período
colonial. Existem relatos de sua existência desde 1602,
bem como há o registo do envio de expedições pelo go-
vernador-geral da Capitania de Pernambuco para pôr
fim ao aldeamento situado na Capitania de Pernam-
buco, entre os atuais estados de Alagoas e Pernam-
buco, em uma região de palmeiras (daí o seu nome).
Palmares teve sua população estimada entre 6 mil e 20
mil pessoas e tornou-se o símbolo de rebeldia e resis-
tência escrava.
A presença holandesa na região trouxe aos
escravos uma oportunidade para a fuga, levando-
-os a instalar em Palmares um “Estado” baseado na
pequena propriedade e na policultura. No entanto,
após a expulsão dos holandeses, o quilombo passou
a sofrer ataques dos fazendeiros e das autoridades. A
resistência foi árdua e garantiu uma duração de quase
um século, liderada pelo rei Ganga Zumba e por seu
sucessor, Zumbi.
Movimentos Nativistas e Separa-
tistas Durante o Período Colonial
Conjuração de “Nosso Pai”, Guerra dos Mascates,
Conspiração dos Suaçunas e Revolução Pernambucana.
Conjuração de “Nosso Pai” (1666)
O centro da revolta foi o Porto do Recife, no século
XVII, quando a Capitania de Pernambuco lutava para
reconstruir suas principais cidades – Recife e Olinda –
destruídas na luta contra os holandeses.
Os senhores de engenho de Olinda, devido à sua
contribuição na expulsão dos holandeses, queriam re-
conhecimentos por parte da Coroa Portuguesa.
No entanto, Portugal enviou Jerônimo de
Mendonça Furtado para governar a Capitania. Porém,
os pernambucanos é que se julgavam merecedores de
ocupar tal função, e não um estrangeiro. O governador
foi apelidado de Xumberga (ou Xumbregas) – referên-
cia ao general alemão Von Schomberg, mercenário que
lutara na Guerra da Restauração, por ter um bigode se-
melhante ao dele.
A presença no Porto do Recife de uma esquadra
francesa foi o estopim do movimento que culminou
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com a prisão e a deposição do Governador, que foi
acusado de estar a serviço dos estrangeiros que se pre-
paravam para atacar e saquear a província.
Guerra dos Mascates (1710-1711)
Ocorreu na então Capitania de Pernambuco e é
considerada como um movimento nativista pela histo-
riografia.
Muitos comerciantes vindos de Portugal logo após
a invasão holandesa eram chamados, pejorativamente,
de “mascates”, estabeleceram-se no Recife e fizeram
com que a vila prosperasse. Olinda, por sua vez, não via
com bons olhos esse crescimento baseado no comércio,
pois grande parte de seus moradores era formada por
senhores de engenho em dificuldades econômicas.
Assim, estes foram apelidados pelos recifenses de “pés-
-rapados” por não possuírem dinheiro. Tal situação
mostra a decadênciaeconômica de Olinda que sofria
com suas dívidas financeiras em crescimento.
A economia da região encontrava-se em crise
devido à baixa do açúcar no mercado internacional e
da concorrência do açúcar produzido pelos holandeses
nas Antilhas.
Os senhores de engenho de Olinda entraram em
decadência pela queda dos lucros na produção açu-
careira e começam a se endividar para saldar suas
dívidas. Os comerciantes portugueses do Recife
possuíam dinheiro para emprestar aos senhores de
Olinda, porém, com juros altíssimos, ocasionando um
endividamento cada vez maior dos olindenses.
O conflito de interesses entre a oligarquia açuca-
reira pernambucana e os comerciantes deu origem à
Guerra dos Mascates, considerada como um movimen-
to nativista.
Os senhores de engenho dependiam dos comer-
ciantes portugueses, devido aos empréstimos. Porém,
não aceitavam a emancipação político-administrativa
do Recife que se subordinava à comarca de Olinda.
A emancipação foi um agravante na situação dos
senhores de engenho que deviam fortunas aos burgue-
ses do Recife que, por meio da elevação à categoria de
vila, passava a ter igualdade política com Olinda.
Olinda era a principal cidade de Pernambuco até
o final do século XVII e lá moravam os ricos senhores
de engenhos. Todavia, Recife crescia com o avanço do
comércio e dos empréstimos e, conscientes de sua im-
portância, os comerciantes pediram ao rei de Portugal
que o povoado fosse elevado à condição de vila.
Em 1710, quando da separação das duas cidades
e da elevação do povoado à condição de vila, os co-
merciantes inauguraram o Pelourinho e o prédio da
Câmara Municipal, separando formalmente Recife de
Olinda, a sede da capitania. Os senhores de Olinda se
revoltaram, liderados por Bernardo Vieira de Melo, e
os comerciantes mais ricos do Recife, sem condições
de oferecer resistência, fugiram para não serem cap-
turados. As hostilidades ocorreram em Vitória de Santo
Antão, lideradas pelo seu Capitão-mor, Pedro Ribeiro
da Silva. Estas forças, em Afogados, tiveram reforços
vindos de São Lourenço e de Olinda, sob a lideran-
ça de Bernardo Vieira de Melo e de seu pai, o coronel
Leonardo Bezerra Cavalcanti. Assim, invadiram Recife,
demolindo o Pelourinho, rasgando o Foral régio, li-
bertando os presos e perseguindo pessoas ligadas
ao governador Sebastião de Castro Caldas Barbosa
(mascates) que se retirou para a Bahia, deixando o
governo da capitania a cargo do bispo Manuel Álvares
da Costa.
Os mascates contra-atacaram em 1711 e invadiram
Olinda incendiando engenhos e vilarejos na região.
Foi nomeado como governador Felix José de
Mendonça; ocorreu a intervenção de Portugal, ainda
em 1711, que prendeu os líderes da rebelião e Recife
foi elevada à condição de capital de Pernambuco. Com
a vitória dos comerciantes, essa guerra apenas rea-
firmou o predomínio do capital mercantil (comércio)
sobre a produção colonial.
01. Olinda e Recife viveram momentos históricos
diferentes desde os tempos da colonização por-
tuguesa. Chegaram, inclusive, a ter conflitos
que assinalavam divergências de interesse. Um
deles, a Guerra dos Mascates,
a) mostrou a decadência econômica de Olinda, que
sofria com suas dívidas financeiras em cresci-
mento.
b) afirmou a importância política do Recife, com
seu rico porto, independente até das ordens
vindas de Portugal.
c) consagrou o poderio da aristocracia olindense,
com amplo domínio da produção do açúcar na
colônia.
d) consolidou o governo de Castro e Caldas, aliado
dos recifenses e líder político no conflito.
e) criou condições para recuperação de Olinda, di-
ficultando as atividades comerciais do Recife.
RESPOSTA: A. O conflito é considerado um movimento
“nativista”, no qual aparece um sentimento antilusi-
tano, mas que não propõe a ruptura do pacto colonial.
A Guerra dos Mascates envolveu principalmente os
fazendeiros de Olinda vinculados à produção açuca-
reira, endividados desde a expulsão dos holandeses e
o início da concorrência antilhana, contra os privilé-
gios que os mercadores do Recife – de origem portu-
guesa – possuíam em termos econômicos e políticos.
Estes, por se dedicarem ao comércio, eram chamados,
pejorativamente, de “mascates”, e os olindenses en-
dividados receberam a alcunha de “pés-rapados”.
Conspiração dos Suassunas (1801)
Revolta que se registrou em Olinda no começo do
século XIX e que influenciada pelos ideais do Iluminis-
mo e pela Revolução Francesa de 1789. Salienta-se que
podem ser encontradas as duas grafias: Suassunas e
Suaçunas. As revoltas tornavam claras as insatisfações
dos colonos contra os desmandos de Portugal. A divul-
gação das ideias liberais aprofundava a crise do sistema
colonial. Nesse contexto, a Conspiração dos Suassunas
em Pernambuco estimulou o debate político contra o
sistema colonial português.
Manuel Arruda Câmara – membro da Sociedade
Literária do Rio de Janeiro – está entre os fundado-
res, em 1796, da primeira Loja Maçônica do Brasil, o
Areópago de Itambé, localizada no município pernam-
bucano de Itambé, da qual não participavam europeus.
Discutiam-se essas “novas ideias” que também eram
debatidas por padres e alunos do Seminário de Olinda,
fundado pelo bispo dom José Joaquim da Cunha
Azeredo Coutinho em 16 de fevereiro de 1800. Esta ins-
tituição teve, entre os seus membros, o padre Miguel
172
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Joaquim de Almeida Castro (padre Miguelinho), um
dos futuros implicados na Revolução Pernambucana
de 1817.
As discussões dos ideais filosóficos e políticos do
Iluminismo despertaram uma conjuração contra o
domínio português no Brasil, com o objetivo de eman-
cipação de Pernambuco, de modo a constituir-se uma
república sob a proteção de Napoleão Bonaparte.
Entre os conspiradores, encontramos os irmãos
Cavalcanti – Luís Francisco de Paula, José Francisco de
Paula Cavalcanti de Albuquerque e Francisco de Paula
– este proprietário do Engenho Suaçuna, que daria
nome ao movimento.
A 21 de maio de 1801, ocorreu a detenção de
diversos implicados que acabaram sendo absolvi-
dos por falta de provas e, em 1802, o Areópago foi
fechado, reabrindo depois com o nome de Academia
dos Suaçunas.
Revolução Pernambucana (1817)
A bandeira da Revolução Pernambucana de 1817,
cujas estrelas representam Pernambuco, Paraíba e
Ceará, inspirou a atual bandeira de Pernambuco.
A Revolução Pernambucana, caracterizada por
um profundo sentimento antilusitano e intensa parti-
cipação política do clero local, chegou, por isso, a ser
também conhecida como “Revolução dos Padres” e
iniciou-se em 6 de março de 1817 na Província de Per-
nambuco.
As causas principais do movimento são a crise
econômica da região em função da grande seca que
atingiu Pernambuco em 1816 acentuando a fome e a
miséria, a consequente queda na produção do açúcar
e do algodão, que eram a base da economia da região
e, ainda, a concorrência do algodão nos Estados Unidos
e do açúcar na Jamaica; a pressão dos abolicionistas na
Europa criava restrições ao tráfico de escravos, encare-
cendo a mão de obra; a influência das ideias Iluminis-
tas que eram divulgadas pelas sociedades maçônicas;
o governo absolutista de Portugal, contrário a estas
ideias e os enormes gastos da Família Real recém-
-chegados ao Brasil, já que Pernambuco devia enviar
ao Rio de Janeiro dinheiro para pagar salários, comidas,
roupas e festas da Corte e, ainda, para manter a ilumi-
nação pública no Rio de Janeiro, enquanto em Pernam-
buco vivia-se às escuras, gerando descontentamento
junto à população. Foi o único movimento separatista
do período colonial que ultrapassou a fase conspirató-
ria e atingiu o processo revolucionário de tomada do
poder, já que o movimento buscava a independência
de Pernambuco sob um regime republicano. Diversa-
mente dos outros eventos que a precederam, somente
essa revolução rompeu efetivamente com a monar-
quia e com os seus valores.
O comandante do Regimento de Artilharia,
Barbosa de Castro, foi morto a golpesde espada pelo
Capitão José de Barros Lima, o “Leão Coroado” que,
na companhia de outros militares rebelados, ergueu
trincheiras nas ruas vizinhas para impedir o avanço das
tropas monarquistas. O governador Caetano Pinto de
Miranda Montenegro refugiou-se no Forte do Brum,
mas, cercado, acabou se rendendo.
Os principais líderes do movimento foram
Domingos José Martins, Antônio Carlos de Andrada e
Silva e Frei Caneca, que dominaram o Governo Provin-
cial, tomaram posse do tesouro da província e instalam
um governo provisório com a proclamação de uma Re-
pública.
Foi convocada uma Assembleia Constituinte, em
29 de março, com representantes eleitos em todas as
comarcas. Entretanto, os principais líderes da revolta
não se guiavam pelos interesses das camadas popu-
lares, mas pelas ideias liberais francesas. Apesar de o
governo revolucionário ter decretado ser represen-
tante de todas as classes, a constituição revolucioná-
ria garantia o “direito de propriedade”, que na época
significava inclusive “propriedade de escravos”. Es-
tabeleceu-se, assim, a separação dos três Poderes; o
catolicismo foi mantido como religião oficial, porém,
com liberdade de culto; decretou-se a liberdade de
imprensa e foram abolidos alguns impostos. A escravi-
dão, no entanto, foi mantida.
O descontentamento da população e o aumento
do sentimento patriótico puderam ser percebidos por
pequenos atos de rebeldia, tais como o uso de aguar-
dente nas missas no lugar do vinho e hóstias feitas de
mandioca no lugar do trigo.
O movimento expandiu-se, então, para outras
províncias, pois os revolucionários desejavam formar
uma república e, até mesmo, a constituição de uma
“República de Lavradores”. Pernambuco, no entanto,
não obteve apoio das províncias vizinhas, pois na
Bahia, o emissário da revolução, José Inácio Ribeiro de
Abreu e Lima, o Padre Roma, foi preso ao desembar-
car e fuzilado por ordem do governador, o Conde dos
Arcos. No Rio Grande do Norte, André de Albuquer-
que Maranhão, um grande proprietário de engenho,
prendeu o governador, José Inácio Borges, e ocupou
Natal, formando uma junta governativa. Todavia, não
despertou o interesse da população e foi tirado do
poder em poucos dias. O jornalista Hipólito José da
Costa foi convidado para o cargo de ministro plenipo-
tenciário da nova república em Londres, mas recusou.
No Ceará, Bárbara de Alencar, a primeira mulher
heroína do Brasil e seu filho Tristão Araripe, cujo nome
Tristão Gonçalves Pereira de Alencar, na Confederação
do Equador, ele o alterou para Tristão Gonçalves de
Alencar Araripe, aderiram ao movimento, mas foram
detidos pelo Capitão-mor do Crato, José Pereira Fil-
gueiras, sendo que este também participou da luta
pela Independência do Brasil no Maranhão e da Confe-
deração do Equador, quando se uniu a Tristão Gonçal-
ves contra o governo imperial, sendo considerado um
de seus heróis.
Tropas enviadas da Bahia, chefiadas por Luís do
Rego Barreto, avançaram pelo sertão pernambuca-
no, enquanto uma força naval, despachada do Rio de
Janeiro, bloqueou o Porto do Recife. No interior, a
batalha decisiva foi travada na localidade de Ipojuca.
Derrotados, os revolucionários tiveram de recuar em
direção ao Recife.
Antônio Gonçalves Cruz, o Cruz Cabugá, em maio
de 1817, desembarcou na Filadélfia (Estados Unidos)
com 800 mil dólares (valor atualizado ao câmbio de
2007 em aproximadamente 12 milhões de dólares)
na bagagem com três missões: comprar armas para
combater as tropas de D. João VI; convencer o governo
americano a apoiar a criação de uma república in-
dependente no Nordeste brasileiro; recrutar revo-
lucionários franceses exilados nos Estados Unidos e
libertar Napoleão Bonaparte exilado na Ilha de Santa
Helena e levá-lo ao Recife para comandar a Revolução
173
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ia
Pernambucana. Nesse momento, no entanto, os revo-
lucionários pernambucanos já estavam próximos da
rendição.
Em 19 de maio as tropas portuguesas enviadas
por terra e mar entraram no Recife e encontraram a
cidade abandonada e sem defesa. O governo provi-
sório, isolado, rendeu-se no dia seguinte em função a
forte repressão que se iniciou e os líderes seriam su-
mariamente executados. Todavia, apesar de sentenças
severas, um ano depois todos os revoltosos foram anis-
tiados, e apenas quatro haviam sido executados.
Apesar de menos de três meses no poder, o movi-
mento abalou a confiança de D. João VI em construir
um império americano.
A repercussão da Revolução Pernambucana con-
tribuiu para facilitar o processo de emancipação de
Alagoas, que obteve sua autonomia pelo Decreto de
16 de setembro de 1817. O desmembramento da
Comarca de Alagoas da jurisdição de Pernambuco
foi sancionado por D. João VI, pois seus proprietários
rurais haviam se mantido fiéis à Coroa, e como recom-
pensa, puderam formar uma província independente.
Instituições Eclesiásticas3
A organização da Igreja em Portugal irá influenciar
a forma como ocorrerá a organização eclesiástica no
Brasil-Colônia, onde pelo fato de existir um distancia-
mento entre as instituições eclesiásticas e Roma, irá
ocorrer certo relaxamento no comportamento e nos
costumes do clero durante o período colonial.
No início do século XV, a Europa cristã sofria fortes
ameaças ante o avanço dos turcos por todo o conti-
nente. Assim, a expansão empreendida pelos portu-
gueses representou uma reação cristã no ambiente
da Santa Sé. A Ordem de Cristo, ramo português dos
extintos Templários, tornou-se a base da instituição do
Padroado em Portugal com o rei, Dom Henrique, o Na-
vegador, obtendo o título de “regedor e conservador”
da Ordem.
Em 13 de março de 1456, o Papa Calisto III expediu
a Bula Inter Coetera, o fundamento do direito do
Padroado no Brasil durante a fase colonial.
Em 1522, o Papa Adriano concedeu a Dom João
III a dignidade de Grão-Mestre da Ordem de Cristo,
título este que passou a pertencer a todos os reis de
Portugal, demonstrando um compromisso entre Roma
e o governo de Portugal.
O direito de Padroado passou a significar direito
de conquista, e Portugal se estabeleceu então como
senhor dos mares “nunca dantes navegados”, organi-
zador da Igreja em termos de conquista e redução dos
indígenas, implantador da aliança entre missão e colo-
nização.
Reunindo os direitos políticos de realeza e os títulos
de Grão-Mestre de ordens religiosas, os monarcas por-
tugueses passaram a exercer nas colônias e terras con-
quistadas o domínio político e religioso. Essa aliança
em torno de interesses religiosos, políticos e econômi-
cos acabou por fortalecer as monarquias nacionais e o
poder real.
Em 1514, D. Manuel, rei de Portugal, conseguiu o
direito de “provisão” de bispados, paróquias, cargos
3 FRANÇA, Anna Laura Teixeira de. O comportamento do Clero Pernam-
bucano no Século XVIII. UFPE. Disponível em: <www.abhr.org.br>. Acesso
em: março de 2016. Adaptado.
clericais em geral, em troca de financiamentos para
a construção e conservação dos edifícios do culto e a
remuneração do clero. Isso trouxe para o Brasil fortes
consequências para a organização da Igreja Católica, ou
seja, nenhum clérigo partia de Portugal para a colônia
sem autorização explícita do rei, que exigia audiência
particular com juramento de fidelidade. Além disso, os
bispos não podiam corresponder-se diretamente com
Roma. Dessa forma, dificilmente se estabeleciam co-
municações entre Roma e a Igreja no Brasil, durante o
período colonial.
Em Portugal, o clero, tal como a nobreza, formava
uma estrutura privilegiada da sociedade, e o clero di-
vidia-se em duas categorias: o clero secular, formado
pelos bispos, cônegos, párocos, abades e clérigos, e o
clero regular, subordinado a uma hierarquia própria.
Devido ao Padroado Régio, a influência de Roma
sobre o clero no Brasil foi mínima, principalmente em
se tratando de fortalecer a Igreja Católica e impedir
o avanço dos Protestantes, pois Portugal não se con-
centrou em combater as novas religiões, e sim, evitar
mudançasno interior da Igreja Católica. Entre 1551 e
1676, no Brasil, só havia a diocese de Salvador na Bahia.
No sistema do Padroado, ficou estabelecido que
os recursos financeiros fossem do Brasil ao Reino na
forma de dízimos eclesiásticos e, do Reino ao Brasil,
voltavam as redízimas. A cobrança dos dízimos era um
expediente já utilizado pela Igreja Católica, durante a
Idade Média, para o sustento do culto e dos seus minis-
tros, já as redizimas eram uma contribuição da Coroa
para o sustento do culto e do clero que vinham para o
Brasil quase sempre em forma de doações e “verbas”
precárias e provisórias, o que deixava o clero colonial
em péssima situação.
O clero secular, no Brasil, era responsável pela ad-
ministração dos sacramentos, como o batismo, o casa-
mento, a confissão anual na Quaresma, os ritos funerá-
rios e as missas de sétimo dia que eram ministrados a
toda a população, e não apenas aos grupos que os acei-
tavam livremente, ou seja, eram obrigatórios. O vigário
fazia visita regulares às diferentes capelas para minis-
trar os sacramentos à população, viajando a cavalo
em uma rede carregada por escravos. A pregação era
reservada aos missionários do clero regular, enquanto
os vigários de paróquias cuidavam dos problemas dis-
ciplinares da sociedade e ministravam os sacramentos.
O clero secular dividia-se em alto clero, que era
formado pelo arcebispo e pelos bispos, que eram pagos
com os recursos eclesiásticos do Padroado, e em baixo
clero, abrangendo os capelães e os curas de paróquia
que, mais próximos da população, também comparti-
lhavam de suas privações.
O clérigo, no período colonial, era o funcionário
responsável pelos assuntos eclesiásticos, e o termo
“funcionário” mostra o quanto as colônias dependiam
de Portugal, situação que permanece até o Império.
O sacerdócio era considerado como uma profissão e
como tal recebia a côngrua, espécie de provento con-
cedido pelo governo. Para suprir a deficiência de seus
recebimentos da Coroa Portuguesa, o clero se encarre-
gava de cobrar as “conhecenças”, que eram cobradas
dos fiéis que cumpriam os preceitos da confissão anual
e da comunhão pessoal. Esses sacramentos eram ad-
ministrados à população em geral, sendo considera-
dos obrigatórios dentro da sociedade colonial. Ofi-
cialmente, no entanto, o clero era pago pelos dízimos
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eclesiásticos, que eram canalizados para o rei como
Grão-Mestre da Ordem de Cristo, e redistribuídos à
Igreja por intermédio dos governadores.
O clero tinha sua formação teológica a partir dos
colégios dos jesuítas, porém, não havia condições de se
atualizar dadas às distâncias e dificuldades em obter,
durante o período colonial, de quaisquer tipos livros.
No sertão, a formação era ainda mais limitada uma vez
que possuíam, na maioria das vezes, apenas o essencial
para a administração dos ritos da fé católica.
Nos centros urbanos, os clérigos, pelo fato da
côngrua ser pequena, para garantir certo conforto,
praticavam profissões não clericais, apesar de proibi-
das pelo direito canônico de serem fazendeiros, co-
merciantes, professores ou donos de hospedarias.
A partir do século XVIII, muitos clérigos se envolve-
ram em atividades políticas sob a influência das ideias
liberais e iluministas. Em Pernambuco, em 1688, D.
Matias Figueiredo substituiu o governador Fernão
Cabral que acabava de falecer, e D. Álvares da Costa
teve que assumir o governo abandonado por Sebastião
de Castro e Caldas durante a Guerra dos Mascates.
Liberdade, promiscuidade e relaxamento moral
marcaram a sociedade colonial, pois a condição
colonial proporcionava certa facilidade de relações
com escravas e, segundo Gilberto Freyre, no século
XVI, com exceção dos jesuítas – “donzelões intransi-
gentes”, padres e frades de ordens em grande número
se “amancebaram” com índias e negras; os clérigos
de Pernambuco e da Bahia escandalizaram o Padre
Nóbrega.
A população reclamava, ainda, das propostas de-
sonestas que alguns clérigos faziam às mulheres que
iam se confessar, mostrando o quão deficiente era
a formação moral e cultural na região açucareira. E
apesar dos deslizes e abusos cometidos, é importante
atentar para a alta estima que a sociedade tinha pelo
sacerdote, pois este estava associado a uma extraor-
dinária força e influência por parte da Igreja Católica.
Assim, o padre era o ministro dos sacramentos, o ce-
lebrante dos atos litúrgicos, o conselheiro e confes-
sor, o mestre da doutrina da Igreja, o árbitro moral em
muitas crises na família e nos grupos sociais.
Para tentar conter o afastamento dos padres da
ordem imposta, as autoridades eclesiásticas na Colônia
procuram resolver a questão no Sínodo Diocesano de
1707, em Salvador, onde as Constituições Primeiras
do Arcebispado da Bahia estabeleciam um código de
direção dos costumes, fim dos vícios, abusos e mode-
ração dos crimes.
Este sínodo foi um grande passo para a regulariza-
ção da Igreja no período colonial, pois o clero no Brasil
colonial era coordenado pelas constituições do Arce-
bispado de Lisboa. O sínodo foi obra do arcebispo da
Bahia, D. Sebastião Monteiro da Vide, que convocou os
bispos do Rio de Janeiro, de Pernambuco, de Angola e
de São Tomé para um Concílio Provincial. Mas estando
vagos os bispados de Pernambuco e de São Tomé, e
faltando o bispo do Rio de Janeiro, modificou o arce-
bispo seus planos e celebrou somente um Sínodo Dio-
cesano, em que tomou parte grande número de altas
personalidades da Igreja tanto do clero secular quanto
do regular.
A situação do clero no Brasil-Colônia, seu distancia-
mento da Cúria Romana em função do Padroado, seu
afastamento dos preceitos da Santa Sé e a ausência de
recato preocupavam a Igreja em Portugal, não sendo
raros os casos de homossexualidade, de excessos no
trajar-se, de corrupção, de sedução de mulheres, fora
o mais frequente dos delitos em que se envolviam os
padres: o concubinato. Assim, as Constituições repri-
miam os sacerdotes não só dos pecados da carne, mas
também de desvios de comportamento.
01. Observe a imagem a seguir:
Ela ilustra um engenho de açúcar, típica unidade de
produção do Nordeste colonial. Com base na imagem e
na realidade histórica por ela ilustrada, assinale a alter-
nativa CORRETA.
a) Esse engenho movido por força hidráulica é uma
realidade do século XVIII, embora anteriormente
fosse utilizada a força humana ou a força animal
para fazê-lo funcionar.
b) A presença exclusiva de mão de obra escrava
negra, na imagem, denota a exclusão dos indíge-
nas como trabalhadores, escravos ou livres, da
indústria açucareira.
c) Engenhos de grande porte, como o da ilustração,
só foram introduzidos na América Portuguesa
em meados do século XVII, pelos holandeses que
ocupavam a capitania de Pernambuco.
d) A mão de obra utilizada nos engenhos, escrava
ou livre, muitas vezes, era formada por trabalha-
dores especializados.
e) A mão de obra indígena só foi utilizada, no
período colonial, em regiões como São Paulo
e Rio de Janeiro, não se fazendo presente nos
engenhos do Nordeste colonial.
02. A presença dos holandeses foi marcante na
história dos tempos coloniais. De fato, os holan-
deses possuíam grande poder de investimento e
tinham rivalidades com outras nações da Europa.
No Brasil, a presença holandesa em terras per-
nambucanas:
I. deu-se, apenas, devido às rivalidades religiosas
existentes entre católicos e protestantes, res-
ponsáveis por guerras contínuas e influentes na
gestão das terras americanas.
II. favoreceu o crescimento da produção açuca-
reira, afastou a Espanha de Portugal e trouxe
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vantagens para as relações políticas com a demo-
cracia.
III. movimentou o mercado internacional do açúcar,
alterou relações diplomáticas e trouxe novas
práticas sociais.
IV. derrubou os preconceitos contra a mão de obra
escrava e recuperou Pernambuco da forte crise
econômica que atravessava.
V. trouxe novos hábitos para a colônia, com a vindadas ideias renascentistas, embora não tenha con-
solidado a aceitação da religião protestante na
sociedade da época.
Assinale a alternativa que contenha a sequência
correta:
a) III e V são corretas.
b) II, III e V são corretas.
c) I, II, III e V são corretas.
d) Apenas a V é correta.
e) I, II e III são corretas.
03. O trabalho escravo garantia a colonização,
mesmo que atingisse a dignidade humana e se
chocasse com os princípios da religião católica
romana, uma das instituições articuladoras
da ocupação das terras americanas. No Brasil
colonial, o trabalho escravo:
I. foi usado nas plantações de cana de açúcar,
mas recebeu a condenação dos holandeses no
período de suas invasões às terras pernambuca-
nas.
II. definiu a identidade cultural da sociedade da
época, sendo aceito, pelos nativos, sem resis-
tência, em todas as atividades econômicas da
colônia.
III. contou com a participação de comerciantes
europeus nas conexões com a África, favorecen-
do os países poderosos, como a Inglaterra.
IV. estendeu-se pela região sudeste, mas não par-
ticipou, com destaque, da exploração do ouro,
devido à falta de preparo técnico dos trabalhado-
res.
V. conseguiu fixar-se na monocultura, com
presença marcante na produção do açúcar, o que
não o impediu de existir, embora com menos in-
tensidade, nas vilas e cidades da colônia.
Assinale a alternativa correta:
a) I, II, III e V são corretas.
b) II, III e V são corretas.
c) I e V são corretas.
d) III e V são corretas.
04. Muitas revoltas tornavam claras as insatisfações
dos colonos contra os desmandos de Portugal.
Havia também a divulgação das ideias liberais,
importantes para aprofundar a crise do sistema
colonial. Nesse contexto, a Conspiração dos
Suassunas em Pernambuco
a) destacou-se pela sua organização militar e seu
ideário iluminista.
b) estimulou o debate político contra o sistema
colonial português.
c) firmou a existência de núcleos politicamente
conservadores.
d) foi sem importância para o movimento libertário
de Pernambuco.
e) era um movimento restrito aos intelectuais do
Seminário de Olinda.
05. O Brasil foi colonizado com a ajuda marcante
da Igreja Católica. Algumas rebeliões coloniais
contaram com a participação ativa de membros
do clero católico liberal.
Entre elas, destacam-se a :
a) Guerra dos Emboabas
b) Revolta dos Alfaiates
c) Guerra dos Mascates
d) Revolução de 1817
e) Inconfidência Mineira
06. Um dos temas constantes na história do Brasil
refere-se à escravidão. Muitas explicações são
atribuídas ao fato de que a escravidão indígena
foi sendo substituída pela africana. Analise aten-
tamente as afirmações abaixo:
I. A principal razão pela qual a escravidão indígena
foi sendo substituída pela africana, deve-se ao
fato de que o indígena era preguiçoso, preferia
pescar e caçar a trabalhar forçado na agricultura.
II. O africano era uma raça mais adaptada ao
trabalho agrícola, principalmente ao trabalho
físico pesado. Na África, já estava habituado a
esse tipo de atividade e, por essa razão, ele se
adaptou melhor que os indígenas.
III. Os indígenas se rebelavam com mais frequência
contra o trabalho escravo que lhes era imposto,
porque sua religião tinha como um dos manda-
mentos fundamentais o exercício da liberdade.
IV. A morte dos povos indígenas - em razão dos
ataques dos brancos e do contágio de doenças -
além da proteção da Igreja, que condenava a es-
cravidão desses povos, gerou a busca pela alter-
nativa do trabalho escravo africano.
V. É completamente equivocada a afirmação de que
o africano se adaptou melhor à escravidão do que
o indígena; qualquer povo livre sempre reagirá a
qualquer tentativa de transformá-lo em escravo.
a) IV e V são corretas.
b) I, II e III são corretas.
c) II e IV são corretas.
d) I e IV são corretas.
e) Apenas a II é correta.
07. Atribuiu-se aos revolucionários de 1817 a defesa
da soberania popular, a separação entre os
Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), a
liberdade de culto e de expressão e a igualda-
de de direitos. Sobre esse movimento é correto
afirmar:
a) A revolta civil e militar, de 1817 em Pernambuco,
destituiu o governo e estabeleceu pela força das
armas um governo republicano, dando mostras
de uma verdadeira revolução popular.
b) O governo republicano que se instalou em Per-
nambuco em 1817, encontrou a estratégia
militar que lhe garantiu a permanência no poder
até abril de 1822.
c) A ajuda do governo português aos revoltosos de
1817 em Pernambuco veio por meio de forças
navais e terrestres, consolidando-se, então, o
governo republicano revolucionário de Pernam-
buco.
176
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ia
d) a origem de classe dos líderes do movimento
republicano de 1817 não permitiu a radicaliza-
ção das mudanças nas estruturas econômicas e
sociais existentes.
e) Em razão da ampla repressão do governo por-
tuguês ao movimento de 1817, os líderes foram
presos e executados, inclusive o Frei Joaquim do
Amor Divino Rabelo e Caneca.
08. As “revoluções libertárias” de Pernambuco, no
século XIX, tinham um caráter separatista. A Re-
volução de 1817, entretanto, destacou-se por
receber apoio de muitos padres católicos e da
maçonaria.
Sobre esta Revolução, podemos afirmar que:
a) o governo revolucionário recebeu uma grande
influência do Sinédrio, importante sociedade
secreta de Portugal.
b) o principal objetivo do movimento era liquidar o
comércio a retalho dominado pelos portugueses.
c) o seu líder maior - Frei Caneca - desejava a sepa-
ração do Império e a formação de uma confede-
ração.
d) o movimento revolucionário foi essencialmente
militar, porque não havia uma classe burguesa local.
e) o governo provisório era representado pelos pro-
prietários rurais, pelo comércio, clero, magistra-
tura e forças armadas.
09. Esta questão diz respeito à Revolução de 1817.
I. No início do século XIX, a Revolução de 1817, em
Pernambuco, esteve articulada ideologicamen-
te com lutas burguesas nos Estados Unidos e na
Europa.
II. A conspiração dos Suassunas está para a Revolu-
ção de 1817, assim como o 18 Brumário está para
a Revolução Francesa.
III. A Revolução Pernambucana de 1817 foi vitoriosa
em vários estados: na Paraíba, no Rio Grande do
Norte, no Ceará, na Bahia e no Maranhão.
IV. Em Portugal, na cidade do Porto, a influência da
Revolução de 1817 foi decisiva para a eclosão da
Revolução Constitucional.
V. O período que antecedeu 1817 caracterizou-se
por uma fase de recessão que atingiu os preços
do açúcar e do algodão no mercado internacio-
nal.
a) Apenas a V é correta.
b) I, II e V são corretas.
c) I, II, III e V são corretas.
d) I, III e IV são corretas.
e) I e V são corretas.
10. (IAUPE-CONUPE) Maurício de Nassau chegou a
Pernambuco em 1637, pretendendo pacificar a
região e governar com a colaboração dos luso-
-brasileiros. Sobre o governo de Nassau, analise
as proposições abaixo:
I. Fundou, no interior da capitania, o Arraial do
Bom Jesus para concentrar a resistência holande-
sa e, usando a tática de guerrilha, minar a resis-
tência dos pernambucanos.
II. A Companhia das Índias Ocidentais concedeu
créditos aos senhores de engenho para o reapa-
relhamento das propriedades, a recuperação dos
canaviais e a compra de escravos.
III. Nassau estimulou a vida cultural e investiu em
obras urbanas, nos domínios holandeses. A
cidade do Recife foi beneficiada com a constru-
ção de casas, pontes e obras sanitárias.
IV. Embora o objetivo dos holandeses fosse o de
expandir sua fé religiosa, o luteranismo, outras
religiões foram toleradas, exceto o judaísmo.
Está CORRETO o que se afirma em:
a) I e II, apenas.
b) II e III, apenas.
c) II, III e IV, apenas.
d) I, II e III, apenas.
e) I, II, III e IV.
11. (IAUPE-CONUPE) Sobre a Revolução Pernambu-
cana de 1817, é INCORRETO afirmar que
a) os diversos grupos sociais envolvidos na revolta
tinham como consenso o objetivo de proclamar
a república.
b) o movimentose inspirou na luta pela implanta-
ção de ideais democráticos no Estado Polonês,
a qual se solidificou com a carta constitucional
polonesa, que ficou conhecida como “A Polaca”.
c) os rebeldes, que tomaram o poder em Pernam-
buco, construíram um governo provisório, que
decidiu extinguir alguns impostos e elaborar uma
constituição, decretando a liberdade religiosa
e de imprensa e a igualdade para todos, exceto
para os escravos.
d) apesar de ter fracassado, a Revolução Pernambu-
cana foi o movimento mais importante de todos
os outros precursores da independência, porque
ultrapassou a fase de conspiração, e os revolto-
sos chegaram ao poder.
e) tropas reais, enviadas por mar e terra, ocuparam
a capital de Pernambuco, desencadeando
intensa repressão. Os principais líderes foram
presos e sumariamente executados.
01 D 07 D
02 A 08 E
03 D 09 E
04 B 10 B
05 D 11 B
06 A
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is CAPÍTULO 01
Direitos Fundamentais -
Regras Gerais
Os direitos e garantias fundamentais estão entre
os temas mais cobrados em prova. Além de questões
envolvendo a literalidade do texto constitucional,
encontramos aqui muitas discussões doutrinárias e
jurisprudências que tornam essa matéria uma fonte
inesgotável de questões de prova.
Procura-se nas próximas páginas apresentar as
principais questões levantadas na doutrina e nos
tribunais, sempre privilegiando as posições adotadas
pelas bancas organizadoras de concurso público.
Inicia-se o estudo pelas Regras Gerais aplicáveis aos
direitos fundamentais, tema que tem sido priorizado
pelas maiores organizadoras de concursos do país.
Conceito
Os Direitos e garantias fundamentais são
institutos jurídicos que foram criados no decorrer do
desenvolvimento da humanidade e se constituem de
normas protetivas que formam um núcleo mínimo de
prerrogativas inerentes à condição humana.
Amplitude Horizontal e Vertical
Possuem como objetivo principal a proteção do
indivíduo diante do poder do Estado. Mas não só do
Estado. Os direitos e garantias fundamentais também
constituem normas de proteção do indivíduo em
relação aos outros indivíduos da sociedade.
E é exatamente nesse ponto que surgem os
conceitos de Amplitude Horizontal e Amplitude
Vertical. Amplitude vertical é o efeito protetor
que as normas definidoras de direitos e garantias
fundamentais produzem para um indivíduo diante do
Estado. Já a amplitude horizontal é o efeito protetor
que as normas definidoras de direitos e garantias
fundamentais produzem para um indivíduo diante dos
outros indivíduos.
ESTADO
INDIVÍDUO INDIVÍDUO
Am
pl
itu
de
V
er
tic
al
Amplitude Horizontal
Classificação
A Constituição Federal, quando se refere aos
direitos fundamentais, classifica-os em cinco grupos:
˃ Direitos e deveres individuais e coletivos;
˃ Direitos sociais;
˃ Direitos de nacionalidade;
˃ Direitos Políticos;
˃ Partidos Políticos.
Essa classificação encontra-se distribuída entre os
Arts. 5º e 17 do texto constitucional e é normalmente
chamada pela doutrina de Conceito Formal dos
Direitos Fundamentais. O Conceito Formal é o que a
Constituição Federal resolveu classificar como sendo
Direito Fundamental. É o rol de direitos fundamentais
previstos expressamente no texto constitucional.
Costuma-se perguntar nas provas: “O rol de
direitos fundamentais é um rol exaustivo? Ou melhor,
taxativo?” O que se quer saber é se o rol de direitos
fundamentais é só aquele que está expresso na
Constituição ou não.
Responde-se a essa questão com o parágrafo 2º do
Art. 5º, que diz:
§ 2º - Os direitos e garanti as expressos nesta Consti -
tuição não excluem outros decorrentes do regime e
dos princípios por ela adotados, ou dos tratados in-
ternacionais em que a República Federati va do Brasil
seja parte.
Isso significa que o rol não é taxativo, mas
exemplificativo. A doutrina costuma chamar esse
parágrafo de Cláusula de Abertura Material, que é
exatamente a possibilidade de existirem outros direitos
fundamentais, ainda que fora do texto constitucional.
Esse seria o Conceito Material dos direitos
fundamentais, ou seja, todos os direitos fundamentais
que possuem a essência fundamental, ainda que não
estejam expressos no texto constitucional.
Características
O elemento jurídico acima abordado, além de
explicar a possibilidade de se inserirem novos direitos
fundamentais no rol dos que já existem expressamente
na Constituição Federal, também constitui uma das
características que serão abordadas a seguir:
→ Historicidade
Essa característica revela que os Direitos
Fundamentais são frutos da evolução histórica da
humanidade. Significa que eles evoluem com o passar
do tempo.
→ Inalienabilidade
Os direitos fundamentais não podem ser alienados,
não podem ser negociados, não podem ser transigidos.
→ Irrenunciabilidade
Os direitos fundamentais não podem ser
renunciados.
→ Imprescritibilidade
Os direitos fundamentais não se sujeitam aos
prazos prescricionais. Não se perde um direito
fundamental pelo decorrer do tempo.
→ Universalidade
Os direitos fundamentais pertencem a todas as
pessoas, independentemente da sua condição.
→ Máxima efetividade
Essa característica é mais uma imposição ao Estado,
que está coagido a garantir a máxima efetividade dos
direitos fundamentais. Esses direitos não podem ser
ofertados de qualquer forma. É necessário que eles
sejam garantidos da melhor forma possível.
→ Concorrência
Os direitos fundamentais podem ser utilizados
em conjunto com outros direitos. Não é necessário
abandonar um para usufruir outro direito.
→ Complementariedade
Um direito fundamental não pode ser interpretado
sozinho. Cada direito deve ser analisado juntamente
com outros direitos fundamentais, bem como com
outros institutos jurídicos.
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is → Proibição do retrocesso
Essa característica proíbe que os direitos já
conquistados sejam perdidos.
→ Limitabilidade
Não existe direito fundamental absoluto. São
direitos relativos.
→ Não taxatividade
Essa característica, já tratada anteriormente,
diz que o rol de direitos fundamentais é apenas
exemplificativo, tendo em vista a possibilidade de
inserção de novos direitos.
Veja como esse tema costuma ser abordado em prova:
01. (CESPE) Os direitos fundamentais, em que pese
possuírem hierarquia constitucional, não são
absolutos, podendo ser limitados por expressa
disposição constitucional ou mediante lei
promulgada com fundamento mediato na
própria CF.
CERTO. Os direitos fundamentais, apesar de serem
previstos na Constituição, não gozam de caráter
absoluto. É possível que a Constituição, ou mesmo
uma norma primária, estabeleça restrições a esses
direitos. Por exemplo: Direito à vida. Restrição consti-
tucional: Pena de morte, Art. 5º, XLVII, da CF. Restrição
legal: Legítima defesa ou estado de necessidade, Arts.
23 – 25 do Código Penal.
Dimensões dos Direitos Fundamentais
As Dimensões, também conhecidas por Gerações
de direitos fundamentais, são uma classificação
adotada pela doutrina que leva em conta a ordem
cronológica de reconhecimento desses direitos. São
cinco as dimensões atualmente reconhecidas:
˃ 1ª Dimensão – foram os primeiros direitos
conquistados pela humanidade. São direitos
relacionados à liberdade, em todas as suasformas. Possuem um caráter negativo diante do
Estado, tendo em vista ser utilizado como uma
verdadeira limitação ao poder estatal, ou seja, o
Estado, diante dos direitos de primeira dimensão,
fica impedido de agir ou interferir na sociedade.
São verdadeiros direitos de defesa com caráter
individual. Estão entre estes direitos as liberdades
públicas, civis e políticas.
˃ 2ª Dimensão – estes direitos surgem na tentativa
de reduzirem as desigualdades sociais provocadas
pela primeira dimensão. Por isso, são conhecidos
como direitos de igualdade. Para reduzir as
diferenças sociais, o Estado precisa interferir na
sociedade: essa interferência reflete a conduta
positiva adotada por meio de prestações sociais.
São exemplos de direitos de segunda dimensão:
os direitos sociais, econômicos e culturais.
˃ 3ª Dimensão – aqui estão os conhecidos direitos
de fraternidade. São direitos que refletem um
sentimento de solidariedade entre os povos na
tentativa de preservarem os direitos de toda a
coletividade. São de terceira geração o direito ao
meio ambiente saudável, o direito ao progresso da
humanidade, ao patrimônio comum, entre outros.
˃ 4ª Dimensão – esses direitos ainda não possuem
um posicionamento pacífico na doutrina, mas
costuma-se dizer que nesta dimensão ocorre a
chamada globalização dos direitos fundamentais.
São direitos que rompem com as fronteiras
entre os Estados. São direitos de todos os seres
humanos, independentemente de sua condição,
como o direito à democracia, ao pluralismo
político. São também considerados direitos de
4ª geração os direitos mais novos, que estão em
construção, como o direito genético ou espacial.
˃ 5ª Dimensão – essa é a mais nova dimensão
defendida por alguns doutrinadores. É formado
basicamente pelo direito à paz. Esse seria o direito
mais almejado pelo homem e que consubstancia
a reunião de todos os outros direitos.
Deve-se ressaltar que esses direitos, à medida que
foram sendo conquistados, complementavam os direitos
anteriores, de forma que não se pode falar em substitui-
ção ou superação de uma geração sobre a outra, mas
em cumulação, de forma que hoje podemos usufruir de
todos os direitos pertencentes a todas as dimensões.
Tópico
Para não se esquecer das três primeiras dimensões
é só lembrar-se do Lema da Revolução Francesa:
liberdade, igualdade e fraternidade.
LIBERDADE IGUALDADE FRATERNIDADE
1ª DIMENSÃO
2ª DIMENSÃO
3ª DIMENSÃO
Titulares dos Direitos Fundamentais
Quem são os titulares dos direitos fundamentais?
A própria Constituição Federal responde a essa
pergunta quando diz no caput do Art. 5º que são
titulares “os brasileiros e estrangeiros residentes no
país”. Mas será que é necessário residir no país para
que o estrangeiro tenha direitos fundamentais?
Imaginemos um avião cheio de alemães que
está fazendo uma escala no Aeroporto Municipal de
Cascavel-PR.
Nenhum dos alemães reside no país. Seria possível
entrar no avião e matar todas aquelas pessoas, haja
vista não serem titulares de direitos fundamentais
por não residirem no país? É claro que não. Para
melhor se compreender o termo “residente” o STF o
tem interpretado de forma mais ampla no sentido
de abarcar todos aqueles que estão no país. Ou
seja, todos os que estão no território brasileiro,
independentemente de residirem no país, são titulares
de direitos fundamentais.
Mas será que, para ser titular de direitos
fundamentais, é necessário ter a condição humana?
Ao contrário do que parece, não é necessário. Tem-se
reconhecido como titulares de direitos fundamentais
as pessoas jurídicas. Ressalte-se que não só as pessoas
jurídicas de direito privado, mas também as pessoas
jurídicas de direito público.
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is Cláusulas Pétreas e os Direitos
Fundamentais
O Art. 60, § 4º da Constituição Federal, traz o rol
das chamadas Cláusulas Pétreas:
§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de
emenda tendente a abolir:
I. A forma federativa de Estado;
II. O voto direto, secreto, universal e
periódico;
III. A separação dos Poderes;
IV. Os direitos e garantias individuais.
As Cláusulas Pétreas são núcleos temáticos
formados por institutos jurídicos de grande
importância, os quais não podem ser retirados da
Constituição. Observe-se que o texto proíbe a abolição
desses princípios, mas não impede que os mesmos
sejam modificados, no caso, para melhor. Isso já foi
cobrado em prova. É importante notar que o texto
constitucional prevê no inciso IV como sendo Cláusulas
Pétreas apenas os direitos e garantias individuais. Pela
literalidade da Constituição, não são todos os direitos
fundamentais que são protegidos por esse instituto,
mas apenas os de caráter individual. Parte da doutrina
e da jurisprudência entende que essa proteção
deve ser ampliada, abrangendo os demais direitos
fundamentais. Deve-se ter atenção com esse tema em
prova, pois já foram cobrados os dois posicionamentos.
Eficácia dos Direitos Fundamentais
O § 1º do Art. 5º da Constituição Federal prevê que:
§ 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias
fundamentais têm aplicação imediata.
Quando a Constituição Federal se refere à aplicação
de uma norma, na verdade está falando da sua eficácia.
Esse tema, sempre cobrado em provas de concurso,
costuma ser o “calcanhar de Aquiles” dos concurseiros.
Com o intuito de obter uma melhor compreensão, é
necessário conceituar, classificar e diferenciar os vários
níveis de eficácia das normas constitucionais.
Para que uma norma constitucional seja aplicada é
indispensável que a mesma possua eficácia.
Mas o que é eficácia?
Eficácia é a capacidade que uma norma jurídica
tem de produzir efeitos.
Se os efeitos produzidos se restringem ao âmbito
normativo, tem-se a chamada eficácia jurídica, ao passo
que, se os efeitos são concretos, reais, tem-se a chamada
eficácia social. Eficácia jurídica, portanto, é a capacidade
que uma norma constitucional tem de revogar todas as
outras normas que com ela apresentem divergência. Já
a eficácia social, também conhecida como efetividade,
é a aplicabilidade na prática, concreta, da norma.
Todas as normas constitucionais possuem eficácia
jurídica, mas nem todas possuem eficácia social. Logo,
é possível afirmar que todas as normas constitucionais
possuem eficácia. O problema surge quando uma norma
constitucional não pode ser aplicada na prática, ou seja,
não possui eficácia social.
Para explicar esse fenômeno, foram desenvolvidas
várias classificações acerca do grau de eficácia de uma
norma constitucional. A classificação mais adotada
pela doutrina e mais cobrada em prova é a adotada
pelo jurista José Afonso da Silva.1 Para esse estudioso, a
eficácia social se classifica em:
˃ Eficácia Plena;
˃ Eficácia Contida;
˃ Eficácia Limitada.
As normas de eficácia plena são aquelas
autoaplicáveis. São normas que possuem
aplicabilidade direta, imediata e integral. Seus efeitos
práticos são plenos. É uma norma que não depende de
complementação legislativa para produzir efeitos.
» Ex.: Art. 1º; Art. 5º, caput e incisos XXXV e
XXXVI; Art. 19; Art. 21; Art. 53; Art. 60, § 1º e 4º;
Art. 69; Art. 128, § 5º, I e II; Art. 145, § 2º; entre
outros.
As normas de eficácia contida também são
autoaplicáveis. Assim como as normas de eficácia
plena, elas possuem aplicabilidade direta e imediata.
Contudo, sua aplicação não é integral. É neste ponto
que a eficácia contida se diferencia da eficácia plena.
A norma de eficácia contida nasce plena, mas pode ser
restringida por outra norma.
Daí a doutrina chamá-la de norma contível,
restringível ou redutível. Essas espécies permitem que
outra norma reduza a sua aplicabilidade. São normas
que produzem efeitos imediatos, mas esses efeitos
podem ser restringidos.
» Ex.: Art. 5º, VII, XII, XIII, XV, XXVII, XXXIII; Art. 9º;
Art. 37, I; Art. 170, Parágrafo único; entre outros.
Já as normas de eficácia limitada são desprovidasde eficácia social. Diz-se que as normas de
eficácia limitada não são autoaplicáveis, possuem
aplicabilidade indireta, mediata e reduzida ou diferida.
São normas que dependem de outra para produzirem
efeitos. O que as difere das normas de eficácia contida
é a dependência de outra norma para que produza
efeitos sociais. Enquanto as de eficácia contida
produzem efeitos imediatos, os quais poderão ser
restringidos posteriormente, as de eficácia limitada
dependem de outra norma para produzirem efeitos.
Deve-se ter cuidado para não pensar que essas
espécies normativas não possuem eficácia. Como se
afirmou anteriormente, elas possuem eficácia jurídica,
mas não possuem eficácia social. As normas de eficácia
limitada são classificadas, ainda, em:
˃ Normas de eficácia limitada de princípio
institutivo (organizativo ou organizatório);
˃ Normas de eficácia limitada de princípio
programático.
As normas de eficácia limitada de princípio institutivo
são aquelas que dependem de outra norma para
organizar ou instituir estruturas, entidades ou órgãos.
» Ex.: Art. 18, § 2º; Art. 22, Parágrafo único; Art.
25, § 3º; Art. 33; Art. 88; Art. 90, §2º; Art. 102,
§1º; Art. 107, §1º; Art. 113; Art. 121; Art. 125,
§3º; 128, §5º; Art. 131; entre outros.
As normas de eficácia limitada de princípio
programático são aquelas que apresentam verdadeiros
objetivos a serem perseguidos pelo Estado, programas a
serem implementados. Em regra, possuem fins sociais.
» Ex.: Art. 7º, XI, XX, XXVII; Art. 173, §4º; Art. 196;
Art. 205; Art. 215; Art. 218; Art. 227; entre outros.
1 Silva, José Afonso da. “Curso de Direito Constitucional Positivo”. 27ª
edição. São Paulo: Malheiros, 2005.
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isO Supremo Tribunal Federal (STF) possui algumas
decisões que conferiram o grau de eficácia limitada aos
seguintes dispositivos:
» Ex.: Art. 5º, LI; Art. 37, I; Art. 37, VII; Art. 40, §
4º; Art. 18, §4º.
Feitas as considerações iniciais sobre esse tema,
resta saber o que o §o 1º do Art. 5º da CF quis dizer com
“aplicação imediata”. Para traduzir essa expressão,
basta analisar a explicação apresentada acima.
Segundo a doutrina, as normas que possuem aplicação
imediata ou são de eficácia plena ou contida. Ao que
parece, o texto constitucional quis restringir a eficácia
dos direitos fundamentais em plena ou contida, não
existindo, em regra, normas definidoras de direitos
fundamentais com eficácia limitada. Entretanto,
pelos próprios exemplos aqui apresentados, não é
essa a realidade do texto constitucional. Certamente,
existem normas de eficácia limitada entre os direitos
fundamentais (7º, XI, XX, XXVII). A dúvida que surge
então é: como responder na prova?
A doutrina e o STF têm entendido que, apesar
do texto expresso na Constituição Federal, existem
normas definidoras de direitos fundamentais que
não possuem aplicabilidade imediata, as quais são de
eficácia limitada. Diante dessa contradição, a doutrina
tem orientado no sentido de se conferir a maior eficácia
possível aos direitos fundamentais. Em prova, pode ser
cobrada tanto uma questão abordando o texto puro
da Constituição Federal quanto o posicionamento da
doutrina. Deve-se responder conforme for perguntado.
A Constituição previu dois instrumentos para
garantir a efetividade das normas de eficácia limitada:
Ação Direta de Inconstitucionalidade por omissão
e o Mandado de Injunção. Contudo, a análise desses
institutos ficará para uma próxima oportunidade.
Todas as normas constitucionais possuem eficácia
jurídica, mas nem todas possuem eficácia social!
EFICÁCIA
SOCIAL
JURÍDICA
LIMITADA
CONTIDA
PLENA
PRINCÍPIO
PROGRAMÁTICO
PRINCÍPIO
ORGANIZATIVO
Força Normativa dos Tratados
Internacionais
Uma regra muito importante para a prova é a que
está prevista no § 3º do Art. 5º:
§3º - Os tratados e convenções internacionais sobre
direitos humanos que forem aprovados, em cada
Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três
quintos dos votos dos respecti vos membros, serão
equivalentes às emendas consti tucionais.
Esse dispositivo constitucional apresenta a
chamada Força Normativa dos Tratados Internacionais.
Segundo o texto constitucional, é possível que
um tratado internacional possua força normativa de
emenda constitucional, desde que preencha os seguin-
tes requisitos:
˃ tem que falar de direitos humanos;
˃ tem que ser aprovado nas duas casas legislativas
do Congresso Nacional, ou seja, na Câmara dos
Deputados e no Senado Federal;
˃ tem que ser aprovado em dois turnos em cada casa;
˃ tem que ser aprovado por 3/5 dos membros em
cada turno de votação, em cada casa.
Preenchidos esses requisitos, o Tratado Internacio-
nal terá força normativa de Emenda à Constituição.
Mas surge a seguinte questão: e se o Tratado
Internacional for de Direitos Humanos e não preencher
os requisitos constitucionais previstos no § 3º do Art.
5º da Constituição? Qual será sua força normativa?
Segundo o STF, caso o Tratado Internacional fale de
direitos humanos, mas não preencha os requisitos do §
3º do Art. 5º da CF, ele terá força normativa de Norma
Supralegal.
Ainda há os tratados internacionais que não falam
de direitos humanos. São tratados que falam de outros
temas, por exemplo, o comércio. Esses tratados
possuem força normativa de Lei Ordinária.
Para o tratado ser equivalente à emenda
constitucional, tem que ser aprovado nas 2 casas do
Congresso Nacional, em 2 turnos, pelo voto de 3/5 dos
membros.
Em suma, são três as forças normativas dos Tratados
Internacionais:
TRATADOS
INTERNACIONAIS
LEI ORDINÁRIA
NORMA
SUPRALEGAL
EMENDA À
CONSTITUIÇÃO
Tribunal Penal Internacional - TPI
Há outra regra muito interessante prevista no § 4º
do Art. 5º da Constituição:
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal
Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.
É o chamado Tribunal Penal Internacional. Mas o que
é o Tribunal Penal Internacional? É uma corte permanente,
localizada em Haia, na Holanda, com competência de
julgamento dos crimes contra a humanidade.
É um Tribunal, pois tem função jurisdicional; é
Penal porque só julga crimes; é Internacional, haja vista
sua competência não estar restrita à fronteira de um só
Estado.
Mas uma coisa deve ser esclarecida. O TPI não
julga qualquer tipo de crime. Só os crimes que tenham
repercussão para toda a humanidade. Geralmente,
são crimes de guerra, agressão estrangeira, genocídio,
dentre outros.
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is Apesar de ser um tribunal com atribuições
jurisdicionais, o TPI não faz parte do Poder Judiciário
brasileiro. Sua competência é Complementar à
jurisdição nacional, não ofendendo, portanto, a
soberania do Estado brasileiro. Isso significa que o TPI
só age quando a Justiça Brasileira se omite ou é ineficaz.
Direitos X Garantias
Muitos questionam se direitos e garantias são a
mesma coisa, mas a melhor doutrina tem diferenciado
esses dois institutos.
Os direitos são os próprios direitos previstos na
Constituição Federal. São os bens jurídicos tutelados
pela Constituição. Eles representam por si só esses bens.
As garantias são instrumentos de proteção dos
direitos. São ferramentas disponibilizadas pela
Constituição para a fruição dos direitos.
Apesar da diferença entre os dois institutos é
possível afirmar que toda garantia é um direito.
01. (FCC) São direitos fundamentais classificados
como de segunda geração:
a) Os direitos econômicos e culturais.
b) Os direitos de solidariedade e os direitos difusos.
c) As liberdades públicas.
d) Os direitos e garantias individuais clássicos.
e) O direito do consumidor e o direito ao meio
ambiente equilibrado.
02. (FCC) Em conformidade com o art. 113 da Consti-
tuição Federal: A lei disporá sobre a constituição,
investidura, jurisdição, competência, garantias
e condições de exercício dos órgãos da Justiça
doTrabalho. A presente hipótese trata de uma
norma constitucional de eficácia
a) Limitada, definidora de princípio institutivo ou
organizativo.
b) Limitada, definidora de princípios programáticos.
c) Plena, mas de natureza facultativa ou permissiva.
d) Contida, em razão de restrições impostas por
outras normas constitucionais.
e) Plena, mas de natureza obrigatória, de progra-
mas ou diretrizes.
03. (FCC) Nos termos da Constituição Federal, serão
equivalentes às emendas constitucionais, os
tratados e convenções internacionais sobre
direitos humanos que forem aprovados,
a) Pelo Senado Federal, em único turno, por três
quartos dos votos dos respectivos membros.
b) Pelo Congresso Nacional, em dois turnos, por
dois terços dos votos dos respectivos membros.
c) Em cada Casa do Congresso Nacional, em dois
turnos, por três quintos dos votos dos respecti-
vos membros.
d) Pela Câmara dos Deputados, em único turno, por
dois terços dos votos dos presentes à sessão.
e) Pelo Congresso Nacional, em único turno, por
maioria absoluta dos presentes à sessão.
04. (FCC) A inviolabilidade do direito à vida,
à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade são garantias previstas na
Constituição Federal:
a) Aos brasileiros, não estendidas às pessoas jurídicas.
b) Aos brasileiros natos, apenas.
c) Aos brasileiros natos e aos estrangeiros com
residência fixa no País.
d) Aos brasileiros, natos ou naturalizados.
e) Aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País.
05. (CESGRANRIO) Juan, cidadão argentino residente
no Brasil, dirigiu-se ao Banco Central a fim de
encaminhar uma petição dirigida a determinada
autoridade, reclamando sobre a conduta abusiva
de um funcionário. Nesse caso, a Constituição:
a) Condiciona o exercício deste direito ao
pagamento de taxa correspondente ao serviço.
b) Permite a Juan exercer tal direito.
c) Assegura esse direito apenas aos brasileiros
(natos ou naturalizados).
d) Assegura esse direito apenas aos brasileiros no
gozo dos direitos políticos.
e) Não assegura tal direito.
06. (CESPE) O Brasil se submeterá à jurisdição de
Tribunal Penal Internacional a cuja criação
manifestar adesão.
Certo ( ) Errado ( )
07. (CESPE) Os direitos e garantias fundamentais
estão previstos de forma taxativa na CF.
Certo ( ) Errado ( )
08. (CESPE) As normas constitucionais de eficácia
contida ou relativa restringível têm aplicabilidade
plena e imediata, mas podem ter eficácia
reduzida ou restringida nos casos e na forma que
a lei estabelecer.
Certo ( ) Errado ( )
09. (CESPE) Os direitos fundamentais, em que
pese possuírem hierarquia constitucional,
não são absolutos, podendo ser limitados por
expressa disposição constitucional ou mediante
lei promulgada com fundamento mediato na
própria CF.
Certo ( ) Errado ( )
10. (CESPE) As pessoas jurídicas são beneficiárias dos
direitos e garantias individuais, desde que tais
direitos sejam compatíveis com sua natureza.
Certo ( ) Errado ( )
11. (CESPE) As normas de eficácia contida
permanecem inaplicáveis enquanto não advier
normatividade para viabilizar o exercício do direito
ou benefício que consagram; por isso, são normas
de aplicação indireta, mediata ou diferida.
Certo ( ) Errado ( )
12. (CESPE) Embora se saliente, nas garantias
fundamentais, o caráter instrumental de proteção
a direitos, tais garantias também são direitos,
pois se revelam na faculdade dos cidadãos de
exigir dos poderes públicos a proteção de outros
direitos, ou no reconhecimento dos meios
processuais adequados a essa finalidade.
Certo ( ) Errado ( )
13. (ESAF) Os tratados e convenções internacionais
sobre direitos fundamentais que forem
aprovados, no Congresso Nacional, serão
equivalentes às emendas constitucionais.
Certo ( ) Errado ( )
14. (ESAF) A Constituição enumera exaustivamente
os direitos e garantias dos indivíduos, sendo
inconstitucional o tratado que institua outros,
não previstos pelo constituinte.
Certo ( ) Errado ( )
209
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is15. (ESAF) Os direitos e garantias individuais
consagrados na Constituição Federal, como regra,
somente geram direitos subjetivos aos indivíduos
depois de regulados pelo legislador ordinário.
Certo ( ) Errado ( )
16. (ESAF) Sobre os direitos fundamentais, é correto
dizer:
a) Somente os brasileiros e os estrangeiros
residentes no Brasil são reconhecidos como
titulares de direitos fundamentais entre nós.
b) Pessoas jurídicas podem ser titulares de direitos
fundamentais.
c) Menores de 18 anos não podem ser titulares de
direitos fundamentais.
d) Servidores públicos não podem alegar direitos
fundamentais contra a Administração para a qual
prestam serviço.
e) Somente por emenda à Constituição podem ser
abolidos direitos e garantias individuais previstos
na Carta da República.
17. (ESAF) Os direitos fundamentais assegurados pela
Constituição vinculam diretamente não apenas
os poderes públicos, estando direcionados
também à proteção dos particulares em face dos
poderes privados.
Certo ( ) Errado ( )
18. (CESPE) Sendo os direitos fundamentais válidos
tanto para as pessoas físicas quanto para as
jurídicas, não há, na Constituição Federal de 1988
(CF), exemplo de garantia desses direitos que se
destine exclusivamente às pessoas físicas.
Certo ( ) Errado ( )
19. (CESPE) Segundo a tradicional classificação
quanto ao grau de aplicabilidade das normas
constitucionais, normas de eficácia limitada são
aquelas que, de imediato, no momento em que
a Constituição é promulgada, não têm o condão
de produzir todos os seus efeitos, sendo necessá-
ria a edição de uma lei integrativa infraconstitu-
cional. São, portanto, de aplicabilidade mediata
e reduzida, também chamada de aplicabilidade
indireta ou diferida.
Certo ( ) Errado ( )
20. (CESPE) A norma constitucional que proclama e
assegura a liberdade de profissão, ao dispor ser
“livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou
profissão, atendidas as qualificações profissionais
que a lei estabelecer”, classifica-se como norma
constitucional de eficácia contida ou restringível.
Certo ( ) Errado ( )
01 A 11 ERRADO
02 A 12 CERTO
03 C 13 ERRADO
04 E 14 ERRADO
05 B 15 ERRADO
06 CERTO 16 B
07 ERRADO 17 CERTO
08 CERTO 18 ERRADO
09 CERTO 19 CERTO
10 CERTO 20 CERTO
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