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SUMÁRIO
Língua Portuguesa ............................................................................................................................ 09
Matemática ....................................................................................................................................... 58
Geografia ........................................................................................................................................... 89
História ............................................................................................................................................ 162
Conhecimentos de Direitos e Garantias Fundamentais ................................................................... 203
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CAPÍTULO 01 
Interpretação de Textos
Ideias Preliminares sobre o Assunto
Independentemente de quem seja o professor de 
Língua Portuguesa, é muito comum ele ouvir alguns 
alunos falando que até gostam da matéria em questão, 
mas que possuem muita dificuldade com a interpre-
tação dos textos. Isso é algo totalmente normal, prin-
cipalmente porque costumamos fazer algo terrível 
chamado de “leitura dinâmica” que poderia ser tradu-
zido da seguinte maneira: procedimento em que você 
olha as palavras, mas não entende o significado do que 
está lá escrito.
Para interpretar um texto, o indivíduo precisa de 
muita atenção e de muito treino. Interpretar pode ser 
comparado com disparar uma arma: apenas temos 
chance de acertar o alvo se treinarmos muito e souber-
mos combinar todos os elementos externos ao disparo: 
velocidade do ar, direção, distância etc.
Quando o assunto é texto, o primordial é estabe-
lecer uma relação contextual com aquilo que estamos 
lendo. Montar o contexto significa associar o que está 
escrito no texto base com o que está disposto nas 
questões. Lembre-se de que há uma questão montada 
com a intenção de testar você, ou seja, deve ficar atento 
para todas as palavras e para todas as possibilidades de 
mudança de sentido que possa haver nas questões.
É preciso, para entender as questões de interpre-
tação de qualquer banca, buscar o raciocínio que o ela-
borador da questão emprega na redação da questão. 
Usualmente, objetiva-se a depreensão dos sentidos do 
texto. Para tanto, destaque os itens fundamentais (as 
ideias principais contidas nos parágrafos) para poder 
refletir sobre tais itens dentro das questões.
Semântica ou Pragmática?
Existe uma discussão acadêmica sobre o que possa 
ser considerado como semântica e como pragmática. 
Em que pese o fato de os universitários divergirem a 
respeito do assunto, vamos estabelecer uma distinção 
simples, apenas para clarear nossos estudos. 
 → Semântica: disciplina que estuda o significa-
do dos termos. Para as questões relacionadas a 
essa área, o comum é que se questione acerca da 
troca de algum termo e a manutenção do sentido 
original da sentença.
 → Pragmática: disciplina que estuda o sentido 
que um termo assume dentro de determina-
do contexto. Isso quer dizer que a identificação 
desse sentido depende do entorno linguístico e da 
intenção de quem exprime a sentença. 
Para exemplificar essa situação, vejamos o exemplo 
abaixo:
Pedro está na geladeira. 
Nesse caso, é possível que uma questão avalie a ca-
pacidade de o leitor compreender que há, no mínimo, 
dois sentidos possíveis para essa sentença: um deles diz 
respeito ao fato de a expressão “na geladeira” poder 
significar algo como “ele foi até a geladeira buscar algo”, 
o que – coloquialmente – significaria uma expressão in-
dicativa de lugar. O outro sentido diz respeito ao fato de 
“na geladeira” significar que “foi apartado de alguma 
coisa para receber algum tipo de punição”. 
A questão sobre semântica exigiria que o candidato 
percebesse a possibilidade de trocar a palavra “gela-
deira” por “refrigerador” – havendo, nesse caso, uma 
relação de sinonímia. 
A questão de pragmática exigiria que o candidato 
percebesse a relação contextualmente estabelecida, 
ou seja, a criação de uma figura de linguagem (um tipo 
de metáfora) para veicular um sentido particular. 
Questão de interpretação? 
Como se faz para saber que uma questão de inter-
pretação é uma questão de interpretação? É uma mera 
intuição que surge na hora da prova ou existe uma 
“pista” a ser seguida para a identificação da natureza 
da questão?
Respondendo a essas perguntas, entende-se que 
há pistas que identificam a questão como pertencente 
ao rol de questões para interpretação. Os indícios mais 
precisos que costumam aparecer nas questões são:
 → Reconhecimento da intenção do autor.
 → Ponto de vista defendido.
 → Argumentação do autor.
 → Sentido da sentença.
Apesar disso, não são apenas esses os indícios de 
que uma questão é de intepretação. Dependendo da 
banca, podemos ter a natureza interpretativa distinta, 
principalmente porque o critério de intepretação é mais 
subjetivo que objetivo. Algumas bancas podem restrin-
gir o entendimento do texto; outras podem extrapolá-lo.
Tipos de Texto - o Texto e suas Partes
Um texto é um todo. Um todo é constituído de 
diversas partes. A interpretação é, sobremaneira, uma 
tentativa de reconhecer as intenções de quem comunica 
recompondo as partes para uma visão global do todo.
Para podermos interpretar, é necessário termos o 
conhecimento prévio a respeito dos tipos de texto que, 
fortuitamente, podemos encontrar em um concurso. 
Vejamos quais são as distinções fundamentais com 
relação aos tipos de texto.
Ao longo do século XVII, a Holanda foi um dos 
dois motores de um fenômeno que transformaria 
para sempre a natureza das relações internacionais: 
a primeira onda da chamada globalização. O outro 
motor daquela era de florescimento extraordiná-
rio das trocas comerciais e culturais era um império 
do outro lado do planeta − a China. Só na década de 
1650, 40 000 homens partiram dos portos holande-
ses rumo ao Oriente, em busca dos produtos cobiça-
dos que se fabricavam por lá. Mas a derrota em uma 
guerra contra a França encerrou os dias da Holanda 
como força dominante no comércio mundial. 
Se o século XVI havia sido marcado pelas grandes 
descobertas, o seguinte testemunhou a consequên-
cia maior delas: o estabelecimento de um poderoso 
cinturão de comércio que ia da Europa à Ásia. “O 
sonho de chegar à China é o fio imaginário que 
percorre a história da luta da Europa para fugir do iso-
lamento”, diz o escritor canadense Timothy Brook, no 
livro O chapéu de Vermeer.
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Isso determinou mudanças de comportamento e 
de valores: “Mais gente aprendia novas línguas e se 
ajustava a costumes desconhecidos”. O estímulo a 
esse movimento era o desejo irreprimível dos ociden-
tais de consumir as riquezas produzidas no Oriente. 
A princípio refratários ao comércio com o exterior, 
os governantes chineses acabaram rendendo-se à 
evidência de que o comércio significava a injeção de 
riqueza na economia local (em especial sob a forma de 
toneladas de prata).
Sob vários aspectos, a China e a Holanda do século 
XVII eram a tradução de um mesmo espírito de liberda-
de comercial. Mas deveu-se só à Holanda a invenção 
da pioneira engrenagem econômica transnacional. A 
Companhia das Índias Orientais - a primeira grande 
companhia de ações do mundo, criada em 1602 − foi a 
mãe das multinacionais contemporâneas. Benefician-
do-se dos baixos impostos e da flexibilidade adminis-
trativa, ela tornou-se a grande potência empresarial 
do século XVII.
(Adaptado de: Marcelo Marthe. Veja, p. 136-137, 29 ago. 2012) 
01. De acordo com o texto:
a) Durante os séculos XVI e XVII, os produtos orien-
tais, especialmente aqueles que eram negocia-
dos na China, constituíram a base do comércio 
europeu, em que se destacou a Holanda. 
b) A eficiência administrativa de uma empresa co-
mercial criada na Holanda, durante o século XVII, 
favoreceu o surgimento desse país como um dos 
polos iniciais do fenômeno da globalização. 
c) A atração por produtos exóticos, de origemoriental, determinou a criação de empresas 
transnacionais que, durante os séculos XVI e XVII, 
dominaram o comércio entre Europa e Ásia. 
d) A China, beneficiada pelo comércio desde o 
século XVI, rivalizou com a Holanda no predomí-
nio comercial, em razão da grande procura por 
seus produtos, bastante cobiçados na Europa. 
e) Apesar do intenso fluxo de comércio com o 
Oriente no século XVII, as mudanças de valores 
por influência de costumes diferentes aceleraram 
o declínio da superioridade comercial holandesa.
RESPOSTA. B. É preciso verificar que a chave para a in-
terpretação dessa questão repousa na identificação da 
representação do século descrito no texto e a retomada 
por sinonímia que o texto da questão apresenta. 
Itens lexicais de ancoragem para compreender essa 
interpretação:
 → 1602 - Século XVII.
 → Mas deveu-se só à Holanda a invenção da pioneira 
engrenagem econômica transnacional. A Compa-
nhia das Índias Orientais - a primeira grande com-
panhia de ações do mundo, criada em 1602 – foi a 
mãe das multinacionais contemporâneas.
O Texto Dissertativo
Nas acepções mais comuns do dicionário, o verbo 
“dissertar” significa “discorrer ou opinar sobre algum 
tema”. O texto dissertativo apresenta uma ideia básica 
que começa a ser desdobrada em subitens ou termos 
menores. Cabe ressaltar que não existe apenas um tipo 
de dissertação, há mais de uma maneira de o autor 
escrever um texto dessa natureza.
Conceituar, polemizar, questionar a lógica de algum 
tema, explicar ou mesmo comentar uma notícia são 
estratégias dissertativas. Vamos dividir essa tipologia 
textual em dois tipos essencialmente diferentes: o dis-
sertativo-expositivo e o dissertativo-argumentativo.
Padrão Dissertativo-Expositivo
A característica fundamental do padrão expo-
sitivo da dissertação é utilizar a estrutura da prosa 
não para convencer alguém de alguma coisa, e sim 
para apresentar uma ideia, apresentar um conceito. 
O princípio do texto expositivo não é a persuasão, é 
a informação e, justamente por tal fato, ficou conhe-
cido como informativo. Para garantir uma boa inter-
pretação desse padrão textual, é importante buscar 
a ideia principal (que deve estar presente na intro-
dução do texto) e, depois, entender quais serão os 
aspectos que farão o texto progredir.
 → Onde posso encontrar esse tipo de texto? Jornais 
revistas, sites sobre o mundo de economia e 
finanças. Diz-se que esse tipo de texto focaliza a 
função referencial da linguagem.
 → Como costuma ser o tipo de questão relacionada 
ao texto dissertativo-expositivo? Geralmente, os 
elaboradores questionam sobre as informações 
veiculadas pelo texto. A tendência é que o elabora-
dor inverta as informações contidas no texto.
 → Como resolver mais facilmente? Toda frase que 
mencionar o conceito ou a quantidade de alguma 
coisa deve ser destacada para facilitar a consulta.
Padrão Dissertativo-Argumentativo
No texto do padrão dissertativo-argumentativo, 
existe uma opinião sendo defendida e existe uma 
posição ideológica por detrás de quem escreve o texto. 
Se analisarmos a divisão dos parágrafos de um texto 
com características argumentativas, perceberemos que 
a introdução apresenta sempre uma tese (ou hipótese) 
que é defendida ao longo dos parágrafos. 
Uma vez feito isso, o candidato deve entender qual 
é a estratégia utilizada pelo produtor do texto para 
defender seu ponto de vista. Na verdade, agora é o 
momento de colocar “a mão na massa” para valer, uma 
vez que aqueles enunciados que iniciam com “infere-se 
da argumentação do texto”, “depreende-se dos argu-
mentos do autor” serão vencidos caso se observem os 
fatores de interpretação corretos.
Quais são esses fatores?
 ˃ A conexão entre as ideias do texto (atenção para 
as conjunções).
 ˃ Articulação entre as ideias do texto (atenção para 
a combinação de argumentos).
 ˃ Progressão do texto.
 → Os Recursos Argumentativos:
Quando o leitor interage com uma fonte textual, 
deve observar - tratando-se de um texto com o padrão 
dissertativo-argumentativo - que o autor se vale de 
recursos argumentativos para construir seu raciocínio 
dentro do texto. Vejamos alguns recursos importantes:
 ˃ Argumento de autoridade: baseado na expo-
sição do pensamento de algum especialista ou 
alguma autoridade no assunto. Citações, paráfra-
ses e menções ao indivíduo podem ser tomadas 
ao longo do texto. Tome cuidado para não cair na 
armadilha: saiba diferenciar se a opinião colocada 
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em foco é a do autor ou se é a do indivíduo que 
ele cita ao longo do texto.
 ˃ Argumento com base em consenso: parte de 
uma ideia tomada como consensual, o que 
“carrega” o leitor a entender apenas aquilo que 
o elaborador mostra. Sentenças do tipo todo 
mundo sabe que é de conhecimento geral que 
identificam esse tipo de argumentação. 
 ˃ Argumento com fundamentação concreta: basear 
aquilo que se diz em algum tipo de pesquisa ou 
fato que ocorre com certa frequência.
 ˃ Argumento silogístico (com base em um raciocí-
nio lógico): do tipo hipotético - Se...então. 
 ˃ Argumento de competência linguística: consiste 
em adequar o discurso ao panorama linguístico 
de quem é tido como possível leitor do texto. 
 ˃ Argumento de exemplificação: utilizar casos, ou 
pequenos relatos para ilustrar a argumentação 
do texto. 
Costumamos olhar pouco para fora do Brasil 
quando tentamos compreender o que estamos 
vivendo. Faz muito que a distância entre os países de-
sapareceu, no plano objetivo. Continuamos, porém, 
vivendo “isolados do mundo”, como diz uma canção, 
ainda que apenas na subjetividade.
Se pensarmos no que está à nossa volta, na América 
do Sul, então, mais ainda. Mesmo quando é bem infor-
mado, o brasileiro típico se mostra mais capaz de dar 
notícia do que ocorre na Europa e nos Estados Unidos 
da América do que em qualquer de nossos vizinhos.
É pena, pois estar mais informados sobre o que 
acontece além das fronteiras pode ajudar muito a que 
nos entendamos como país.
Marcos Coimbra. Olhando à nossa volta. In: Correio Braziliense, 
23/9/2007 (com adaptações).
01. (CESPE) O autor do texto, em sua argumentação, 
opõe o desaparecimento da distância entre os 
Estados Unidos da América e a Europa, no “plano 
objetivo”, à preservação dessa distância entre os 
países da América do Sul, no plano subjetivo.
Certo ( ) Errado ( )
Celular Vira ‘Fura-trânsito’ em São Paulo
Em uma cidade com tantos problemas no trânsito 
como São Paulo, a indústria de apps - os aplicativos 
para celulares e tablets - encontrou terreno fértil para 
se desenvolver.
Aplicativos lançados recentemente ajudam o moto-
rista a escapar de alagamentos, a desviar de congestio-
namentos e até a saber onde há vagas para estacionar.
Um dos mais famosos é o Waze. Criado em Israel, 
é uma mistura de rede social com GPS, em que moto-
ristas compartilham as condições do trânsito e pontos 
críticos de congestionamento.
Uri Levine, fundador e presidente do Waze, diz que 
a ideia surgiu em suas férias de 2007, ao viajar com 
amigos. Ele foi o último a sair, ligou para saber como 
estava o trânsito e evitou engarrafamentos.
Situação semelhante ocorreu em São Paulo, na 
temporada de chuvas de 2010. Noel Rocha trabalhava 
no centro e precisava passar pelo túnel do Anhangabaú 
- famoso pelos alagamentos.
Preso no trânsito, ele queria saber se o túnel estava 
fechado. “Tentei, pelo celular, o site do CGE (Centro 
de Gerenciamento de Emergências), mas achei muito 
complicado.” Foi aí que teve a ideia de criar o Alaga SP, 
aplicativo que mostra os alagamentos ativos em São 
Paulo a partir de informações da prefeitura.
Além do Waze e do Alaga SP, destacam-se o Moovit 
- que oferece informações sobre o transporte público 
(ônibus, trens etc.) -, o Maplink - que mostra rotas, con-
dições de trânsito e exibe imagens dos principais corre-
dores através de um sistema de coleta de informações 
próprio - e o Apontador Rodoviário, que traça rotas e 
mostra a localização de pedágios com seus preços.(André Monteiro, Folha de S.Paulo, 10.03.2013. Adaptado)
02. (VUNESP) Os aplicativos mencionados no texto 
têm, em comum, a finalidade de:
a) Oferecer aos usuários opções para contornarem 
os problemas no trânsito.
b) Substituir os órgãos públicos na fiscalização do 
tráfego de veículos.
c) Auxiliar os pedestres e acabar com os atropela-
mentos nas grandes cidades.
d) Orientar os motoristas que desconhecem as prin-
cipais leis de trânsito.
e) Reduzir o número de carros por habitante na 
cidade de São Paulo.
03. (VUNESP) Uri Levine e Noel Rocha idealizaram 
os aplicativos Waze e Alaga SP, respectivamen-
te, a partir:
a) Da conversa com amigos que reclamavam do 
trânsito.
b) De suas experiências concretas como motoristas.
c) De situações em que se viram presos em engarra-
famentos.
d) Da impossibilidade de viajar devido a alagamentos.
e) Da cópia de aplicativos idênticos que faziam 
sucesso no mercado.
“Quando paro com meu carro no semáforo, já olho se 
o caminho que vou fazer está congestionado. Se estiver, 
pego uma alternativa e, se também estiver travada, uso 
o aplicativo para avisar os outros motoristas.”
04. (VUNESP) Considerando as descrições dos apli-
cativos apresentadas no texto, pode-se concluir 
que esse comentário se refere ao uso do:
a) Waze.
b) Alaga SP.
c) Moovit.
d) Maplink.
e) Apontador Rodoviário.
Leia o primeiro parágrafo:
Em uma cidade com tantos problemas no trânsito 
como São Paulo, a indústria de apps – os aplicativos 
para celulares e tablets - encontrou terreno fértil para 
se desenvolver.
05. (VUNESP) A expressão terreno fértil pode ser 
substituída, sem alteração da mensagem, por:
a) Necessidade restrita.
b) Cenário conturbado.
c) Condições propícias.
d) Ferramentas exóticas.
e) Momento contraditório.
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Observe a passagem do terceiro parágrafo: Criado 
em Israel, é uma mistura de rede social com GPS, em 
que motoristas compartilham as condições do trânsito 
e pontos críticos de congestionamento.
06. (VUNESP) O termo críticos, em destaque, é em-
pregado com o sentido de:
a) Distintos.
b) Provisórios.
c) Sugestivos.
d) Problemáticos.
e) Analíticos.
O novo milênio - designado como era do conheci-
mento, da informação - é marcado por mudanças de re-
levante importância e por impactos econômicos, políti-
cos e sociais. Em épocas de transformações tão radicais 
e abrangentes como essa, caracterizada pela transição 
de uma era industrial para uma baseada no conheci-
mento, aumenta-se o grau de indefinições e incertezas. 
Há, portanto, que se fazer esforço redobrado para iden-
tificar e compreender esses novos processos - o que 
exige o desenvolvimento de um novo quadro concei-
tual e analítico que permita captar, mensurar e avaliar 
os elementos que determinam essas mudanças - e para 
distinguir, entre as características e tendências emer-
gentes, as que são mais duradouras das que são transi-
tórias, ou seja, lidar com a necessidade do que Milton 
Santos resumiu como distinguir o modo da moda.
No novo padrão técnico-econômico, notam-se a 
crescente inovação, intensidade e complexidade dos 
conhecimentos desenvolvidos e a acelerada incorpora-
ção desses nos bens e serviços produzidos e comercia-
lizados pelas organizações e pela sociedade. Destacam-
-se, sobretudo, a maior velocidade, a confiabilidade e o 
baixo custo de transmissão, armazenamento e proces-
samento de enormes quantidades de conhecimentos 
codificados e de outros tipos de informação.
Helena Maria Martins Lastres et al. Desafios e oportunidades da 
era do conhecimento. In: São Paulo em Perspectiva, 16(3), 2002, p. 
60-1 (com adaptações).
A partir das ideias e dos argumentos suscitados pelo 
texto, julgue os itens subsequentes.
07. (CESPE) Da leitura do texto infere-se que o novo 
milênio engloba a era do conhecimento, em que 
a vantagem competitiva decorrente da produção 
e comercialização de bens e serviços ocorrerá por 
meio da geração do conhecimento, que permitirá 
a manutenção do potencial inovador das organi-
zações.
Certo ( ) Errado ( )
08. (CESPE) No texto, é abordada a necessidade de se 
lidar com as tendências e mudanças derivadas das 
novas formas de conhecimento, objeto do que se 
denomina, hoje, por era do conhecimento.
Certo ( ) Errado ( )
O setor de tecnologias da informação e comunica-
ção (TICs) impulsiona um conjunto de inovações técni-
co-científicas, organizacionais, sociais e institucionais, 
gerando novas possibilidades de retorno econômico 
e social nas mais variadas atividades. Por contribuir 
para a elevação do valor agregado da produção, com 
reflexos positivos no emprego, na renda e na qualidade 
de vida da população, esse ramo vem obtendo status 
privilegiado em diversas políticas e programas nacio-
nais para a ampliação do acesso às telecomunicações, 
aceleração da informatização e mitigação da exclusão 
digital. Como exemplo, podem ser destacadas as pro-
postas de fortalecimento da competitividade inseridas 
no âmbito da Política de Desenvolvimento Produtivo do 
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, 
que são imprescindíveis em face do panorama da crise 
financeira internacional.
Cristiane Vianna Rauen et al. Relatório de acompanhamento 
setorial. In: Tecnologias de informação e comunicação, v. III. 
UNICAMP e Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, 
ago./2009, p. 10-1 (com adaptações).
No que diz respeito aos argumentos e às estruturas lin-
guísticas do texto acima, julgue o próximo item:
09. (CESPE) Da leitura do texto depreende-se que as 
TICs representam a nova base tecnoprodutiva em 
conhecimento e podem ser consideradas as prin-
cipais difusoras de progresso técnico nos dias de 
hoje, além de constituírem elemento estratégico 
das organizações e instituições.
Certo ( ) Errado ( )
Crescimento da População é “Desafio do Século”, Diz 
Consultor da ONU
O crescimento populacional é o “desafio do século” 
e não está sendo tratado de forma adequada na 
Rio+20, segundo o consultor do Fundo de População 
das Nações Unidas, Michael Herrmann.
“O desafio do século é promover bem-estar para 
uma população grande e em crescimento, ao mesmo 
tempo em que se assegura o uso sustentável dos 
recursos naturais” [...] “As questões relacionadas à 
população estão sendo tratadas de forma adequada 
nas negociações atuais? Eu acho que não. O assunto é 
muito sensível e muitos preferem evitá-lo. Mas nós es-
taremos enganando a nós mesmos se acharmos que é 
possível falar de desenvolvimento sustentável sem falar 
sobre quantas pessoas seremos no planeta, onde esta-
remos vivendo e que estilo de vida teremos”, afirmou.
No fim do ano passado, a população mundial 
atingiu a marca de sete bilhões de pessoas. As proje-
ções indicam que, em 2050, serão 9 bilhões. O cresci-
mento é mais intenso nos países pobres, mas Herrmann 
defende que os esforços para o enfrentamento do 
problema precisam ser globais.
“Se todos quiserem ter os padrões de vida do 
cidadão americano médio, precisaremos ter cinco 
planetas para dar conta. Isso não é possível. Mas 
também não é aceitável falar para os países em desen-
volvimento ‘desculpa, vocês não podem ser ricos, nós 
não temos recursos suficientes’. É um desafio global, 
que exige soluções globais e assistência ao desenvolvi-
mento”, afirmou.
O consultor disse ainda que o Fundo de População 
da ONU é contrário a políticas de controle compulsório 
do crescimento da população. Segundo ele, as políticas 
mais adequadas são aquelas que permitem às mulheres 
fazerem escolhas sobre o número de filhos que querem 
e o momento certo para engravidar. Para isso, diz, é ne-
cessário ampliar o acesso à educação e aos serviços de 
saúde reprodutiva e planejamento familiar. [...]
MENCHEN, Denise. Crescimento da população é “desafio do século”, 
diz consultor da ONU. Folha de São Paulo. São Paulo, 11 jun. 2012. 
Ambiente. Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/ambien-
te.1103277-crescimento-da-populacao-e-desafio-do--seculo-diz-consultor-da-onu.shtml>. Acesso em: 22 jun. 2012. Adaptado.
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10. (CESGRANRIO) No Texto I, Michael Herrmann, 
consultor do Fundo de População das Nações 
Unidas, afirma que tratar o crescimento popula-
cional de forma adequada significa:
a) Enfrentar o problema de forma localizada e evitar 
soluções globalizantes.
b) Permitir a proliferação dos padrões de vida do 
cidadão americano e rechaçar a miséria.
c) Evitar o enriquecimento dos países emergentes e 
incentivar a preservação ambiental nos demais.
d) Implementar uma política de controle populacio-
nal compulsório e garantir acesso à educação e 
aos serviços de saúde reprodutiva.
e) Promover o bem-estar da população e assegurar 
o uso sustentável dos recursos naturais.
01 ERRADO 06 D
02 A 07 CERTO
03 B 08 CERTO
04 A 09 CERTO
05 C 10 E
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CAPÍTULO 01 
Funções, Função Afim e 
Função Quadrática
Neste capítulo será abordado um assunto de 
grande importância para a matemática
Definições, Domínio, Contradomí-
nio e Imagem
A função é uma relação estabelecida entre dois 
conjuntos A e B, em que exista uma associação entre 
cada elemento de A com um único de B por meio de 
uma lei de formação. 
Matematicamente, podemos dizer que função 
é uma relação de dois valores, por exemplo: ƒ(x) = y, 
sendo que x e y são valores, nos quais x é o domínio da 
função (a função está dependendo dele) e y é um valor 
que depende do valor de x, sendo a imagem da função.
As funções possuem um conjunto chamado 
domínio e outro chamado de imagem da função, além 
do contradomínio. No plano cartesiano, que o eixo x 
representa o domínio da função, enquanto no eixo 
y apresentam-se os valores obtidos em função de x, 
constituindo a imagem da função (o eixo y seria o con-
tradomínio da função).
Demonstração:
Com os conjuntos A = {1, 4, 7} e B = {1, 4, 6, 
7, 8, 9, 12} cria-se a função f: A → B definida por 
ƒ(x) = x + 5, que também pode ser representada por 
y = x + 5. A representação, utilizando conjuntos, desta 
função é:
A B
1
4
7
1
4
8
7
6
9
12
O conjunto A é o conjunto de saída e o B é o 
conjunto de chegada.
Domínio é um sinônimo para conjunto de saída, ou 
seja, para esta função o domínio é o próprio conjunto A 
= {1, 4, 7}.
Como, em uma função, o conjunto de saída 
(domínio) deve ter todos os seus elementos relaciona-
dos, não precisa ter subdivisões para o domínio.
O domínio de uma função também é chamado de 
campo de definição ou campo de existência da função, 
e é representado pela letra “D”.
O conjunto de chegada “B”, também possui um 
sinônimo, é chamado de contradomínio, representado 
por “CD”.
Note que se pode fazer uma subdivisão dentro do 
contradomínio. Podemos ter elementos do contrado-
mínio que não são relacionados com algum
elemento do Domínio e outros que são. Por isso, 
deve-se levar em consideração esta subdivisão.
Este subconjunto é chamado de conjunto imagem, 
e é composto por todos os elementos em que as flechas 
de relacionamento chegam.
O conjunto Imagem é representado por “Im”, e 
cada ponto que a flecha chega é chamado de imagem.
Plano cartesiano
Criado por René Descartes, o plano cartesiano 
consiste em dois eixos perpendiculares,sendo o ho-
rizontal chamado de eixo das abscissas e o vertical de 
eixo das ordenadas. O plano cartesiano foi desenvol-
vido por Descartes no intuito de localizar pontos num 
determinado espaço. 
As disposições dos eixos no plano formam quatro 
quadrantes, mostrados na figura a seguir:
2º Quadrante 1º Quadrante 
3º Quadrante 4º Quadrante 
0
y
x
O encontro dos eixos é chamado de origem. Cada 
ponto do plano cartesiano é formado por um par 
ordenado (x, y), em que x: abscissa e y: ordenada.
Raízes
Em matemática, uma raiz ou “zero” da função 
consiste em determinar os pontos de interseção da 
função com o eixo das abscissas no plano cartesia-
no. A função ƒ é um elemento no domínio de ƒ tal que 
ƒ(x) = 0.
Por exemplo, considere a função:
ƒ(x) = x2 - 6x + 9
3 é uma raiz de ƒ, porque:
ƒ(3) = 32 - 6 . 3 + 9 = 0 
Funções Injetoras, Sobrejetoras e 
Bijetoras; Crescentes, Decrescen-
tes e Constantes; Inversas e Com-
postas
 → Função Injetora
É toda a função em que cada x encontra um único y, 
ou seja, os elementos distintos têm imagens distintas.
 → Função Sobrejetora
Toda a função em que o conjunto imagem é exata-
mente igual ao contradomínio (y).
 → Função Bijetora
Toda a função que for Injetora e Sobrejetora ao 
mesmo tempo.
 → Função Crescente
À medida que x “aumenta”, as imagens vão “au-
mentando”.
Com x1 > x2 a função é crescente para ƒ(x1) > ƒ(x2), 
isto é, aumentando valor de x, aumenta o valor de y.
 → Função Decrescente
À medida que x “aumenta”, as imagens vão “dimi-
nuindo” (decrescendo).
Com x1 > x2 a função é crescente para ƒ(x1) < ƒ(x2), 
isto é, aumentando x, diminui o valor de y.
60
M
at
em
át
ic
a
 → Função Constante
Em uma função constante qualquer que seja o 
elemento do domínio, eles sempre terão a mesma 
imagem, ao variar x encontra-se sempre o mesmo valor y.
 → Função Inversa
Dada uma função ƒ: A → B, se f é bijetora, se define 
a função inversa f-1 como sendo a função de B em A, tal 
que ƒ-1 (y) = x.
Exemplo:
Determine a INVERSA da função definida por:
y = 2x + 3
Trocando as variáveis x e y: 
x = 2y + 3
Colocando y em função de x:
2y = x - 3
y = , que define a função inversa da função dada.
 → Função Composta
Chama-se função composta (ou função de função) 
a função obtida substituindo-se a variável independen-
te x por uma função.
Simbolicamente fica: ƒog(x) = ƒ(g(x)) ou goƒ(x) 
= g(ƒ(x)).
Exemplo:
Dadas as funções ƒ(x) = 2x + 3 e g(x) = 5x, determine 
goƒ(x) e ƒog(x).
goƒ(x) = g[ƒ(x)] = g(2x + 3) = 5(2x + 3) = 10x + 15
ƒog(x) = ƒ[g(x)] = ƒ(5x) = 2(5x) + 3 = 10x + 3
Função Afim
Chama-se função polinomial do 1º grau, ou função 
afim, a qualquer função ƒ dada por uma lei da forma 
ƒ(x) = ax + b, cujo a e b são números reais dados e a ≠ 0.
Na função ƒ(x) = ax + b, o número a é chamado de 
coeficiente de x e o número b é chamado termo cons-
tante.
 → Gráfico
O gráfico de uma função polinomial do 1º grau, 
y = ax + b, com a ≠ 0, é uma reta oblíqua aos eixos x e y.
-1
y
x
 → Zero e Equação do 1º Grau
Chama-se zero ou raiz da função polinomial do 1º 
grau ƒ(x) = ax + b, a ≠ 0, o número real x tal que f(x) = 0.
Assim: 
 → Crescimento e decrescimento
A função do 1º grau ƒ(x) = ax + b é crescente quando 
o coeficiente de x é positivo (a > 0).
A função do 1º grau ƒ(x) = ax + b é decrescente 
quando o coeficiente de x é negativo (a < 0).
 → Sinal
Estudar o sinal de qualquer y = ƒ(x) é determinar 
os valor de x para os quais y é positivo, os valores de x 
para os quais y é zero e os valores de x para os quais y é 
negativo.
Considere uma função afim y = ƒ(x) = ax + b, essa 
função se anula para a raiz . Há então, dois casos 
possíveis:
I. a > 0 (a função é crescente)
y > 0 
Y < 0 ax + b < 0 
Logo, y é positivo para valores de x maiores que a 
raiz; y é negativo para valores de x menores que a raiz.
x <
-b
a
-b
a
x >
-b
a
x < 0
x > 0
y
X0
II. a < 0 (a função é decrescente)
y > 0 ax + b > 0 
y < 0 ax + b < 0 
Portanto, y é positivo para valores de x menores 
que a raiz; y é negativo para valores de x maiores que 
a raiz.
+
-
y 0x 
y 0
y 
x 
x 0
Equações e Inequações do 1º grau
 → Equação
Uma equação do 1º grau na incógnita x é qualquer 
expressão do 1º grau que pode ser escrita numa das se-
guintes formas:
ax + b = 0
Para resolver uma equação, basta achar o valor de “x”.
 → Sistema de Equação 
Um sistema de equação de 1º grau com duas in-
cógnitas é formado por: duas equações de 1º grau com 
duas incógnitas diferentes em cada equação. Veja um 
exemplo:
Para encontramos o par ordenado solução desse 
sistema, é preciso utilizar dois métodos para a sua 
solução. Esses dois métodos são: Substituição e Adição. 
 ˃ Método da substituição:
61
M
at
em
át
ic
a
Esse método consiste em escolher uma das duas 
equações, isolar uma das incógnitas e substituir na 
outra equação, veja como: 
Dado o sistema enumeramos as 
equações. 
1
2
Escolhemos a equação 1 e isolamos o x: 
x + y = 20 
x = 20 - y 
Equação 2 substituímos o valor de x = 20 - y. 
3x + 4 y = 72 
3 (20 - y) + 4y = 72 
60 - 3y + 4y = 72 
- 3y + 4y = 72 - 60
y = 12
Para descobrir o valor de x, basta substituir y por 12 
na equação:
x = 20 - y. 
x = 20 - y 
x = 20 - 12 
x = 8 
Portanto, a solução do sistema é S = (8, 12) 
 ˃ Método da adição:
Este método consiste em adicionar as duas 
equações de tal forma que a soma de uma das incógni-
tas seja zero. Para que isso aconteça, será preciso que 
multipliquemos algumas vezes as duas equações ou 
apenas uma equação por números inteiros para que a 
soma de uma das incógnitas seja zero. 
Dado o sistema: 
Para adicionarmos as duas equações e a soma de 
uma das incógnitas de zero, teremos que multiplicar a 
primeira equação por - 3. 
(-3)
Agora, o sistema fica assim: 
Adicionando as duas equações: 
- 3x - 3y = - 60 
+ 3x + 4y = 72 
y = 12 
Para descobrirmos o valor de x basta escolher uma 
das duas equações e substituir o valor de y encontrado: 
x + y = 20 
x + 12 = 20 
x = 20 - 12 
x = 8 
Portanto, a solução desse sistema é: S = (8, 12)
 → Inequação
Uma inequação do 1º grau na incógnita x é 
qualquer expressão do 1º grau que pode ser escrita 
numa das seguintes formas:
ax + b > 0;
ax + b < 0;
ax + b ≥ 0;
ax + b ≤ 0.
Cujo a, b são números reais com a ≠ 0.
Exemplos:
 » -2x + 7 > 0
 » x - 10 ≤ 0
 » 2x + 5 ≤ 0
 » 12 - x < 0
 ˃ Resolvendo uma inequação de 1º grau
Uma maneira simples de resolver uma equação do 
1º grau é isolarmos a incógnita x em um dos membros 
da igualdade. Observe dois exemplos:
Exemplo: 
 » Resolva a inequação -2x + 7 > 0:
-2x > -7 . (-1)
2x < 7
x < 7/2
Logo, a solução da inequação é x < 7/2.
 » Resolva a inequação 2x - 6 < 0.
2x < 6
x < 6/2
x < 3
Portanto, a solução da inequação é x < 3
Pode-se resolver qualquer inequação do 1º grau 
por meio do estudo do sinal de uma função do 1º grau, 
com o seguinte procedimento:
 ˃ Iguala-se a expressão ax + b a zero;
 ˃ Localiza-se a raiz no eixo x;
 ˃ Estuda-se o sinal conforme o caso.
Exemplo:
-2x + 7 > 0
-2x + 7 = 0
x = 7/2
x < 7/2
7/2
x
2x - 6 < 0
2x - 6 = 0
x = 3
x < 3
x
3
62
M
at
em
át
ic
a
Função Quadrática
Chama-se função quadrática, ou função polino-
mial do 2º grau, qualquer função ƒ de IR em IR dada por 
uma lei da forma ƒ(x) = ax2 + bx + c, em que a, b e c são 
números reais e a ≠ 0.
 → Gráfico
O gráfico de uma função polinomial do 2º grau, 
y = ax2 + bx + c, com a ≠ 0, é uma curva chamada 
parábola.
(1 , 0) (0, 0)
(-2, 2) 2 (1, 2)
0
4
6
8
y
(-3, 6) (2, 6)
Ao construir o gráfico de uma função quadrática 
y = ax2 + bx + c, note sempre que:
Se a > 0, a parábola tem a concavidade voltada 
para cima;
Se a < 0, a parábola tem a concavidade voltada 
para baixo;
 → Zero e Equação do 2º Grau
Chama-se zeros ou raízes da função polinomial do 
2º grau ƒ(x) = ax2 + bx + c, a ≠ 0 os números reais x tais 
que ƒ(x) = 0.
As raízes da função ƒ(x) = ax2 + bx + c são as soluções 
da equação do 2º grau ax2 + bx + c = 0, as quais são 
dadas pela chamada fórmula de Bhaskara:
x = 
Temos:
ƒ(x) = 0x = 
A quantidade de raízes reais de uma função qua-
drática depende do valor obtido para o radicando 
∆ = b2 - 4 . a . c , chamado discriminante, a saber:
 ˃ Quando ∆ é positivo, há duas raízes reais e dis-
tintas;
 ˃ Quando ∆ é zero, há só uma raiz real (para ser 
mais preciso, há duas raízes iguais);
 ˃ Quando ∆ é negativo, não há raiz real.
 → Coordenadas do vértice da parábola
Quando a > 0, a parábola tem concavidade voltada 
para cima e um ponto de mínimo V; quando a < 0, a 
parábola tem concavidade voltada para baixo e um 
ponto de máximo V. 
Em qualquer caso, as coordenadas de V são: 
(xv, yv) = .
Veja os gráficos:
x0
y
V
x0
y
V
 → Imagem
O conjunto-imagem “Im” da função y = ax2 + bx + c, 
a ≠ 0, é o conjunto dos valores que y pode assumir. Há 
duas possibilidades:
 ˃ Quando a > 0
Im = 
a > 0
y
vy
v
x v x0
 ˃ Quando a < 0,
Im = 
a < 0
xy0
v
yv
vx
63
M
at
em
át
ic
a
 → Sinal
Considerando uma função quadrática y = ƒ(x) = ax2 
+ bx + c e determinando os valores de x para os quais y 
é negativo e os valores de x para os quais y é positivo.
Conforme o sinal do discriminante ∆ = b2 - 4ac 
podemos ocorrer os seguintes casos:
∆ > 0
Nesse caso, a função quadrática admite dois zeros 
reais distintos (x1 ≠ x2). A parábola intercepta o eixo x em dois pontos e o sinal da função é o indicado nos 
gráficos abaixo:
x
y > 0
0
y
x
1 y < 0
y > 0
x 2
 ˃ Quando a > 0
y > 0 (x < x1 ou x > x2); y < 0 x1 < x < x2)
y < 00
y
x
y > 0
y < 0
X2x1
 ˃ Quando a < 0
y > 0 x1 < x < x2; y < 0 (x < x1 ou x > x2)
∆ = 0
x1 = x2
y > 0
0
y
x
y > 0
 ˃ Quando a > 0
y < 0
0
y < 0
1 2=X X
 ˃ Quando a < 0
∆ < 0
0 X
Y
Y > 0
 ˃ Quando a > 0
y < 0
0
y x
 ˃ Quando a < 0
Equações e Inequações do 2º grau
 → Equação
Uma equação do 2º grau na incógnita x é uma ex-
pressão do 2º grau que pode ser escrita numa das se-
guintes formas:
ax² + bx + c = 0
Para resolver uma equação basta achar os valores de “x”.
 → Inequação
Uma inequação do 2º grau na incógnita x é uma ex-
pressão do 2º grau que pode ser escrita numa das se-
guintes formas:
ax² + bx + c > 0;
ax² + bx + c < 0;
ax² + bx + c ≥ 0;
ax² + bx + c ≤ 0.
Para resolver uma inequação do 2º grau deve-se 
estudar o sinal da função correspondente à equação.
 ˃ Igualar a sentença do 2º grau a zero;
 ˃ Localizar as raízes da equação no eixo x, se existir;
 ˃ Estudar o sinal da função correspondente, 
tendo-se como possibilidades:
64
M
at
em
át
ic
a
a > 0
 
0
1 2
X
XX -
+ +
=
1 2 XXX
+ +
+ +
a < 0 
-
=1 2XX- -
- -
-
1X 2X X
X
+
Exemplo: 
Resolva a inequação -x² + 4 ≥ 0.
-x² + 4 = 0
x² - 4 = 0
x1 = 2 e x2 = -2
- -
-2 2
X X
+
 → Inequação Produto 
Resolver uma inequação produto consiste em en-
contrar os valores de x que satisfaçam a condição es-
tabelecida pela inequação. Para isso, utilizamos o 
estudo do sinal de uma função. Observe a resolução da 
seguinte equação produto: (2x + 6) . (-3x + 12) > 0.
Estabeleça as seguintes funções: y1 = 2x + 6 e y2= - 3x + 12
Determinando a raiz da função (y = 0) e a posição da 
reta (a > 0 crescente e a < 0 decrescente). 
y1 = 2x + 6 
2x + 6 = 0
2x = - 6 
x = -3 
-
-3
X
+
y2 = -3x + 12
-3x + 12 = 0 
-3x = -12 
x = 4 
-
4
X
+
Verificando o sinal da inequação produto 
(2x + 6) . (-3x + 12) > 0. Observe que a inequação 
produto exige a seguinte condição: os possíveis valores 
devem ser maiores que zero, isto é, positivos.
-
-3
y +
4
+
+
+
+ -
-
-1
2
1 2
y
y y.
Por meio do esquema que demonstra os sinais da 
inequação produto y1 . y2, pode-se chegar à seguinte 
conclusão quanto aos valores de x = x Є R / -3 < x < 4
 → Inequação quociente 
Na resolução da inequação quociente, utilizam-
-se os mesmos recursos da inequação produto, o que 
difere é que, ao calcularmos a função do denomina-
dor, precisamos adotar valores maiores ou menores 
que zero e nunca igual a zero. Observe a resolução da 
seguinte inequação quociente:
Resolver as funções y1 = x + 1 e y2 = 2x – 1, determi-
nando a raiz da função (y = 0) e a posição da reta (a > 0 
crescente e a < 0 decrescente). 
y1 = x + 1 
x + 1 = 0 
x = -1 
-
-1
X
+
y2 = 2x - 1 
2x - 1 = 0 
2x = 1 
x = 1/2 
-
1/2
X
+
-
-1
y +
2
+
+
++
-
1
2
1 2
y
y y
1-
-
-
-
Com base no jogo de sinal, conclui-se que x 
assume os seguintes valores na inequação quociente: 
x Є R / -1 ≤ x < 1/2.
65
M
at
em
át
ic
a
01. Em uma festa comunitária, uma barraca de tiro 
ao alvo dá ao cliente um prêmio de R$ 30,00, 
cada vez que o mesmo acerta a área central do 
alvo. Caso contrário, o cliente paga R$ 10,00. Um 
indivíduo deu 50 tiros e pagou R$ 100,00. Nessas 
condições, o número de vezes que ele ERROU o 
alvo foi:
a) 10
b) 20
c) 25
d) 35
e) 40
RESPOSTA: E. Questão de sistema. Montando o 
sistema conforme o enunciado, temos:
X = acertos
Y = erros
Lembrando que o -10 e o -100 significa que eles 
tiveram que pagar.
Aplicando o método da soma:
40x = 400
X = 400/40
X = 10 acertos
x + y = 50
10 + y = 50
Y = 50 - 10
Y = 40 erros
01. Dada a função ƒ: N → R, onde N é o conjunto de 
números naturais e R é o conjunto de números 
reais, definida por ƒ(x) = 2x2 - 7x + 5, calcule o 
valor de x para ƒ(x) = 0 e marque a opção correta. 
a) 0
b) 1
c) 5/2
d) 5
e) 11
02. Se f é uma função real definida por ƒ(x) = 2x - 3 e g 
é a inversa de ƒ, o valor de g(1) é:
a) 0
b) 1
c) 2
d) 3
03. Dada a função ƒ(x) = 3x + k, para que se tenha 
 ƒ(2) = 5, o valor de k deve ser:
a) 3
b) 0
c) -1
d) -2
04. A medição do consumo de energia elétrica é feita 
em Quilowatt-hora (kWh). Em uma determina-
da cidade, o valor da conta da energia elétrica 
é composto por três valores, a saber: o de kWh 
consumidos, o dos impostos sobre o valor dos 
kWh consumidos e o da taxa fixa de iluminação 
pública. Os valores dos kWh consumidos e dos 
impostos são obtidos, respectivamente, pelas 
funções E = 0,54 k e I = 0,17 E onde E é o valor 
consumo em Reais (R$), k a quantidade kWh 
consumidos no período e I o valor dos impostos. 
Sabendo-se que o valor da taxa fixa de iluminação 
pública é de R$ 2,50 , então a função que calcula o 
valor da conta da energia elétrica C nesta cidade 
pode ser representada por:
a) C = 0,54k - 0,17E + 2,50
b) C = 0,54k + 0,17 + 2,50
c) C = (0,54) . (0,17E) + 2,50
d) C = 0,0918k + 2,50
e) C = 0,6318k + 2,50
05. Considere o conjunto A = {0, 1, 2, 3} e a 
função ƒ: A → A tal que f(3) = 1 e ƒ(x) = x + 1, se 
x ≠ 3 A soma dos valores de x para os quais 
(ƒoƒoƒ)(x) = 3 é:
a) 2 
b) 3 
c) 4 
d) 5
06. Se a raiz da equação ƒ o ƒ = 10 é:
a) 1/3
b) 4/3
c) 5/3
d) 7/3
e) 8/3
07. Para quais valores de x Є R a função é 
menor que 2?
a) 2 < x < 3
b) x < 2 ou x > 3
c) x < -2 ou x > 3
d) x > - 3
e) -2 < x < 3
08. Sejam ƒ(x) = 4x + 2 e g(x) = x - 5. Qual é o valor da 
soma m + n para que ƒ(m) = n e g(n) = m? 
a) 3
b) 8
c) 7
d) 4
e) 9
09. Sejam ƒ(x) = 2x + 5 e g(x) = - x + 2. Qual é o valor de 
x para que ƒ-1(x) = g-1 (x)?
a) 3
b) 5
c) 4
d) 2
e) 1
66
M
at
em
át
ic
a
10. A função geradora do gráfico abaixo é do tipo 
y = mx + n:
9
y
30
-2
1
X
Então, o valor de m3 + n é:
a) 2
b) 3
c) 5
d) 8
e) 13
11. Seja f: R+ → R dada por f(x) = e g: R → R+ dada 
por g(x) = x2 + 1. A função composta (g ○ f)(x) é 
dada:
a) 
b) x + 1
c) 
d) 
e) x2 + 1
12. Sendo x e y números reais, admita que o símbolo 
♠ indique a seguinte operação entre x e y: 
De acordo com a definição dada, é igual a:
a) 0,9
b) 0,75
c) 0,6
d) 0,45
e) 0,3
13. Se , então é necessariamente 
verdade que:
a) x2 + 2x ≠ 200 e y = 200
b) x2 + 2x = 200 e y = 200
c) x2 + 2x = 200 e y ≠ 200
d) x = 0 e y ≠ 0
e) x ≠ 0 e y = 200
14. Sejam f(x) = 2x + 5 e g(x) = - x + 2. Qual é o valor de 
x para que f-1(x) = g-1(x)?
a) 3
b) 5
c) 4
d) 2
e) 1
15. Se a raiz da equação f ○ f = 10 é:
a) 1/3
b) 4/3
c) 5/3
d) 7/3
e) 8/3
16. A equipe de teste de uma revista automobilística 
avaliou o consumo de combustível de um deter-
minado modelo de automóvel. O teste consistia 
em cada membro da equipe percorrer, com o 
automóvel, um mesmo trecho de estrada cincovezes, em velocidade constante, porém, cada 
vez a uma velocidade diferente. A equipe chegou 
à conclusão de que a velocidade econômica era 
de 60 km/h e de que o gráfico correspondente ao 
consumo era parte de uma parábola. Nessas con-
dições, pode-se afirmar que o consumo de com-
bustível, em litros, no teste feito, à velocidade de 
120 km/h, foi de:
16
8
20 60 100 120 Velocidade (km/h)
Co
ns
um
o 
(li
tr
os
)
a) 27
b) 26
c) 25
d) 24
e) 22
17. Uma loja de eletrodomésticos possui 1.600 
unidades de liquidificadores em estoque. Uma 
recente pesquisa de mercado apontou que 
seriam vendidas 800 unidades a um preço de 
R$ 300,00, e que cada diminuição de R$ 5,00, no 
valor do produto, resultaria em 20 novas vendas. 
Qual valor de venda, em reais, permite que a 
receita seja máxima?
a) 230,00
b) 240,00
c) 250,00
d) 270,00
e) 280,00
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em
át
ic
a
18. Para repor o estoque de sua loja, Salma compra 
certo artigo ao preço de R$ 28,00 a unidade. 
Suponha que Salma estime que, se cada artigo 
for vendido ao preço unitário de X reais, ela con-
seguirá vender (84 - X) unidades. De acordo com 
essa estimativa, para que seja obtido o maior 
lucro possível, o número de artigos que deverão 
ser vendidos é:
a) 84
b) 70
c) 56
d) 42
e) 28
01 B 10 B
02 C 11 B
03 C 12 B
04 E 13 C
05 B 14 A
06 E 15 E
07 B 16 B
08 C 17 C
09 A 18 E
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CAPÍTULO 01 
Construção Espaço-Temporal 
do Território Pernambucano
O Nordeste é uma das cinco macrorregiões geográ-
ficas do IBGE ao lado de Centro-Oeste, Sul, Sudeste e 
Norte. Nele, o estado de Pernambuco ocupa a porção 
Oriental, sendo banhado pelo Oceano Atlântico.
Sua configuração geográfica longitudinal, ou seja, 
alongado no destino ocidental-oriental (Leste-Oes-
te), faz com que o litoral pernambucano seja um dos 
menores do país e da região, com 187 quilômetros, e 
o deixa totalmente situado na zona Tropical, visto que 
seus pontos extremos norte e sul são 7°15’ S e 9° 27’ S, 
respectivamente. Já na direção Leste-Oeste, as distân-
cias são muitos maiores. Os pontos extremos longitu-
dinais do estado são 34°48’ e 41°19’; isso faz com que 
popularmente muito se diga que o estado de Pernam-
buco é uma “espinha de peixe! ”.
A composição territorial pernambucana se alonga 
no sentido Leste-Oeste e faz com que as distâncias 
nesse sentido sejam enormes. Por exemplo, é muito 
mais longa uma viagem entre Recife e Petrolina, 
realizada inteiramente no território de Pernambuco 
(770 km), do que uma viagem Recife-Natal, em que 
se cortam territórios de três estados, Pernambuco, 
Paraíba e Rio Grande do Norte (295 km).
Fonte: BASE CARTOGRÁFICA: Arquivo Gráfico Municipal (Agência 
CONDEPE/FIDEM – FIAM – IBGE, 1998) – BASE TEMÁTICA: Labora-
tório de Meteorologia de Pernambuco – LAMEPE)
Pernambuco faz divisa com vários estados nordesti-
nos, exceto Sergipe, Rio Grande do Norte e Maranhão. 
Ao norte faz divisa com Ceará e Paraíba, ao leste com o 
Oceano Atlântico, ao Sul com Alagoas e Bahia e a oeste 
com Piauí. 
Localização de Pernambuco no Nordeste
Fonte: http://centros.bvsalud.org/public/presentation/images
De onde vem Pernambuco?
A origem do nome Pernambuco é controversa. 
Para alguns estudiosos, o nome vem do tupi-guarani 
“paranambuco”, junção de para’nã (rio caudaloso) e 
pu’ka (arrebentar, furar, romper), e seu significado é o 
de “buraco no mar”, pois os índios usavam o termo em 
relação aos navios que furavam a barreira de recifes. 
Outros estudiosos,no entanto, afirmam que esse 
era a nome que os indígenas locais, na época do des-
cobrimento, davam ao pau-brasil. Outra explicação 
presente, publicada no site Memorial Pernambuco, 
diz que a palavra indígena Paranãpuka, que significa 
“buraco no mar”, era a forma como os índios conheciam 
a foz do rio Santa Cruz, que separa a ilha de Itamaracá 
do continente, ao norte do Recife, tendo caminhado daí 
para suas formas primitivas Perñabuquo e Fernambouc.
“Em o meio desta obra alpestre, e dura,
Uma bôca rompeu o Mar inchado,
Que na língua dos bárbaros escura,
Paranambuco, de todos é chamado.
De Parana que é Mar, Puca - rotura,
Feita com fúria dêsse Mar salgado,
Que sem no derivar, cometer míngua,
Cova do Mar se chama em nossa língua.
Bento Teixeira, Prosopopeia, 1601.
Formação Territorial de 
Pernambuco
Em consequência da configuração espacial que 
apresenta e do processo de povoamento que ocorreu, o 
espaço pernambucano oferece, do litoral para o interior, 
uma sucessão de paisagens diferenciadas, marcadas por 
uma grande diversidade de ecossistemas. 
Em março de 1534, o Brasil foi dividido em Capitanias 
Hereditárias, que tinham como objetivo povoar a colônia 
e proteger as terras recém-descobertas de possíveis in-
vasores. As Capitanias Hereditárias foram formadas por 
faixas lineares de terra, indivisíveis e inalienáveis. 
A capitania de Pernambuco, inicialmente chamada 
de Nova Lusitânia, foi criada por decreto do Rei Dom 
João III, em setembro de 1534, que transferiu para 
Duarte Coelho Pereira esse território. Ela compreendia 
a porção litorânea que ia da foz do rio Santa Cruz, na 
ilha de Itamaracá até a foz do rio São Francisco. 
Capitanias Hereditárias
Fonte: Mapa de 1649, Cartógrafo Henricus Hondius. 01b – Itamara-
cá e Pernambuco.
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Na região litorânea das capitanias de Itamaracá 
e Pernambuco, desenvolveram-se povoados, e hoje 
formam um grande aglomerado urbano. Em 1537, 
Olinda surgiu da necessidade de um local privilegiado 
na defesa contra invasores, já que ela se localizava em 
uma colina e de lá se tinha uma visão dos deltas dos 
rios Capibaribe e Beberibe, e tornou-se a capital da 
Capitania. Recife foi fundado pelos portugueses e pos-
teriormente dominado pelos holandeses. No período 
holandês, a cidade passou por muitas transformações 
em seu espaço físico e passa a ser de fato capital de 
Pernambuco. 
Itamaracá se estendia por trinta léguas de terras, 
da foz do rio Santa Cruz até a baía da Traição, onde se 
confrontava com a capitania do Rio Grande. 
A delimitação da capitania ocorreu antes de seu po-
voamento, o que não é exclusividade dessa capitania, e 
o processo de ocupação alterou a configuração da ca-
pitania. O povoamento se iniciou logo após a chegada 
do donatário, que se limitou a estabelecer pontos 
povoados por brancos no litoral e a dominar os índios 
até as margens do São Francisco, onde foi fundada a 
vila de Penedo, de vez que o povoamento baiano logo 
atingiria o território sergipano e se instalaria na cidade 
de São Cristóvão. 
São Cristóvão, a primeira capital de Sergipe foi 
fundada por Cristóvão de Barros, que chegou à região 
em 1589 com o objetivo de conquistar o território 
sergipano. Em 1º de janeiro de 1590, o conquistador 
venceu uma batalha contra piratas franceses, cons-
truiu um forte e fundou uma povoação com o nome 
de São Cristóvão, que depois seria a primeira capital 
do Estado de Sergipe. São Cristóvão é considerada a 
quarta cidade mais antiga do Brasil foi palco de várias 
batalhas. 
Ao norte do território, os donatários não conse-
guiram efetivar o povoamento, exceto em Itamaracá, 
onde antes da implantação da capitania, já existiam fei-
torias, uma delas a de Conceição, atual Vila Velha, que 
se tornou capital do território de Pero Lopes. 
Para a conquista do território, ameaçado por 
ataques nativos, o Governo Geral bancou expedições 
à região, hoje paraibana, consolidando a conquista em 
1585, quando foi fundada Filipeia de Nossa Senhora 
das Neves, atual João Pessoa, capital paraibana. 
O avanço para o norte prosseguiu e, em 1598, era 
ocupada a foz do rio Potengi, implantando o forte dos 
Reis Magos, inaugurando a cidade de Natal. 
Filipeia e Natal foram inauguradas como cidades, 
enquanto Olinda continuava a ser uma vila, porque elas 
foram edificadas em capitanias da Coroa, enquanto 
Olinda está em capitania de donatário. A capitania da 
Parayba foi formulada com o desmembramento da 
porção norte de Itamaracá e da porção Sul da capitania 
do Rio Grande. 
O avanço pernambucano continuou pelo Litoral 
Norte. Em 1603, era tentada a implantação da capita-
nia do Ceará e, em 1614, as forças partidas de Olinda 
eram enviadas ao território maranhense para acabar 
com a França Equinocial. 
Denomina-se França Equinocial aos esforços fran-
ceses de colonização da América do Sul, em torno da 
linha do Equador no século XVII. O estabelecimento 
da chamada França Equinocial iniciou-se em março de 
1612, quando uma expedição francesa partiu do porto 
de Cancale, na Bretanha, sob o comando de Daniel de 
La Touche.
Em seguida as forças vitoriosas no Maranhão foram 
enviadas à foz do rio Tocantins, no delta do Amazonas, 
e lá fundaram o forte do Presépio e a cidade de Santa 
Maria de Belém do Pará. 
No século XVI, a formação da capitania de Pernambuco ou Nova 
Lusitânia e a expansão em direção ao norte, conquistando terras 
aos indígenas e aos franceses; nos meados do século XVII, garantiu 
a Pernambuco uma hegemonia/supremacia sobre as capitanias da 
região norte.
Pernambuco só deixou de ser capitania heredi-
tária após a expulsão dos holandeses, e passou a ser 
administrada diretamente pela Coroa. No século XVIII, 
algumas capitanias foram absorvidas por outras ou 
desmembradas de outras e o território passou a ser 
dividido em capitanias gerais e capitanias subalternas. 
Pernambuco, nesse contexto, devido à suas extensões 
territoriais, era uma Capitania Geral, enquanto Ceará, 
Itamaracá, Rio Grande e Paraíba eram subalternas. 
O território do Piauí, que teve sua formação realiza-
da por movimentos que partiram da Bahia e subiram os 
rios da vertente Atlântica, e em seguida, o São Francis-
co e seus afluentes da margem esquerda, ficou depen-
dente de Pernambuco até 1745, quando passou a fazer 
parte da jurisdição maranhense. Itamaracá foi anexada 
ao de Pernambuco em 1763. O Ceará e a Paraíba foram 
tutelados por Pernambuco até 1799, quando foram 
desmembrados e o estado do Rio Grande ficou sob o 
domínio pernambucano até 1808. 
A chegada dos holandeses no Brasil não se consti-
tuiu em fato isolado da História mundial. A conquista 
de Pernambuco e outras cinco capitanias do Nordeste 
açucareiro com o fim de diminuir a capacidade econô-
mica da monarquia ibérica e incrementar o seu domínio 
das rotas comerciais do Atlântico foi uma realidade que 
até os dias atuais deixou marcas na história do estado. 
Em 1630, a capitania foi invadida pela Companhia 
das Índias Ocidentais. Por ocasião da União Ibérica 
(1580 a 1640), a então chamada República Holandesa, 
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antes dominados pela Espanha, tendo depois conse-
guido sua independência através da força, viu em Per-
nambuco a oportunidade para impor um duro golpe na 
Espanha, ao mesmo tempo em que tirariam o prejuízo 
do fracasso na Bahia, uma vez que Pernambuco era o 
principal centro produtivo da colônia. 
Entre 1630 e 1654, Recife passa por inúmeras trans-
formações em seu espaço físico, mangues são aterra-
dos, pontes são construídas, camboas são drenadas e 
com todas estas melhorias empregadas. Recife passa a 
ser de fato a Capital de Pernambuco. Olinda é destruí-
da por um incêndio em 1630. 
Com a chegada do conde alemão, João Maurício 
de Nassau-Segem, em janeiro de 1637, aconteceram 
os primeiros melhoramentos no porto e a execução do 
primeiro plano urbanístico da cidade do Recife. O ar-
quiteto Pieter Post foi o responsável pelo traçado da 
nova cidade e de edifícios como o palácio de Freeburg, 
sede do poder de Nassau naNova Holanda, e do prédio 
do observatório astronômico, tido como o primeiro do 
Novo Mundo.
Conde Maurício de Nassau. 
Neste momento, o governo passou a residir no 
Recife, onde estava sendo erguida a cidade Maurícea 
(Mauritzstadt), segundo os moldes norte-europeus, 
sobre a então chamada ilha de Antônio Vaz (atual 
bairro de Santo Antônio e uma parte do bairro de São 
José). A Ilha era basicamente guarnecida por duas for-
talezas: ao Norte pelo forte Ernesto e ao Sul pelo forte 
das Cinco Pontas.
Fonte: upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/96/Recife-
-Map1665.jpg
Em 28 de fevereiro de 1644, o Recife (atualmente 
o Bairro do Recife) foi ligado à Cidade Maurícia com a 
construção da primeira ponte da América Latina. 
Ponte Maurício de Nassau, Recife. 
Durante o governo de Nassau, Recife foi conside-
rada a mais cosmopolita cidade das Américas, e tinha 
a maior comunidade judaica de todo o continente, 
que construiu, à época, a primeira sinagoga do Novo 
Mundo, a Kahal Zur Israel. O Governo de Nassau urba-
nizou o Recife, providenciou a construção de pontes 
e de obras sanitárias, dotou a cidade de um jardim 
botânico, de um jardim zoológico e de um observatório 
astronômico. Nesse período, a Companhia das Índias 
Ocidentais concedeu crédito aos senhores de engenho, 
destinado ao reaparelhamento dos engenhos, à recu-
peração dos canaviais e à compra de escravos. 
No Palácio de Friburgo, sede do poder de Nassau na 
Nova Holanda, foi construído o primeiro observatório 
astronômico do Continente Americano. Por diversos 
motivos, sendo um dos mais importantes a exoneração 
de Maurício de Nassau do governo da capitania pela 
Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, o povo de 
Pernambuco se rebelou contra o governo, juntando-
-se à fraca resistência ainda existente, num movimento 
denominado Insurreição Pernambucana. 
Insurreição Pernambucana
Em maio de 1645, reunidos no Engenho de São 
João, os principais líderes pernambucanos assinaram 
compromisso para lutar contra o domínio holandês na 
capitania. 
Nós abaixo-assinados nos conjuramos e prome-
temos, em serviço da liberdade, não faltar a todo 
o tempo que for necessário, com toda a ajuda de 
fazendas e pessoas, contra qualquer inimigo, em res-
tauração da nossa pátria; para o que nos obrigamos 
a manter todo o segredo que nisto convém; sob pena 
de quem o contrário fizer ser tido por rebelde e traidor 
e ficar sujeito ao que as leis em tal caso permitam. E 
debaixo deste comprometimento nós assinamos, em 
23 de Maio de 1645”. Assinam: João Fernandes Vieira, 
António Bezerra, António Cavalcanti, Padre Diogo Ro-
drigues da Silva e mais 14 conjurados. Fonte: cvc.institu-
to-camoes.pt/eaar/coloquio/comunicacoes/jose_gerardo
Ataque e Tomada de Olinda e do 
Recife Pelos Holandeses
Pernambuco, desde o período dos conflitos com 
os Holandeses, demonstrou um espírito rebelde 
autônomo, e suas lideranças admitiam que, tendo os 
brasileiros expulsados os holandeses em 1654, não 
deviam obediência total ao rei de Portugal.
“Combateremos até o fim e somente após expulso 
o invasor estrangeiro, iremos a Portugal receber o 
castigo pela nossa desobediência”. 
Pernambuco passou ao longo de sua construção 
histórico-espacial por inúmeras insurreições e revoltas. 
Entre elas podemos destacar:
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 ˃ Guerra dos Mascates (1710-1714): A Guerra dos 
Mascates foi uma rebelião de caráter nativista, 
ocorrida em Pernambuco entre os anos de 1710 e 
1711, que envolveu as cidades de Olinda e Recife. 
Com a expulsão dos holandeses do Nordeste, 
a economia açucareira sofreu uma grave crise. 
Mesmo assim, a aristocracia rural (senhores de 
engenho) de Olinda continuava controlando o 
poder político na capitania de Pernambuco. Por 
outro lado, Recife se descolava deste cenário 
de crise graças à intensa atividade econômica 
dos mascates (como eram chamados os comer-
ciantes portugueses na região). Outra fonte de 
renda destes mascates eram os empréstimos, a 
juros altos, que faziam aos olindenses. Entre as 
causas da Guerra dos Mascates, destacamos a 
disputa entre Olinda e Recife pelo controle do 
poder político em Pernambuco, a crise econômi-
ca na cidade de Olinda, o favorecimento da coroa 
portuguesa aos comerciantes de Recife, o forte 
sentimento antilusitano, principalmente entre a 
aristocracia rural de Olinda e a conquista da eman-
cipação de Recife, através de Carta Régia de 1709, 
que passou a ser vila independente, conquistando 
autonomia política com relação à Olinda. 
 ˃ Conspiração dos Suassunas (1801): Em 1798, 
o padre Arruda Câmara fundou uma sociedade 
secreta chamada Areópago de Itambé, provavel-
mente ligada à Maçonaria, que tinha por finalida-
de tornar conhecido o Estado Geral da Europa e o 
enfraquecimento dos governos absolutos, devido 
às ideias democráticas que afloravam à época. Em 
1801, influenciados pelos ideais republicanos, os 
irmãos Suassuna, Francisco de Paula, Luís Francisco 
e José Francisco de Paula Cavalcante de Albuquer-
que, proprietários do Engenho Suassuna lidera-
ram uma conspiração que se propunha a elaborar 
um projeto de independência de Pernambuco. Os 
conspiradores foram denunciados e presos e, mais 
tarde, libertados por falta de provas.
 ˃ Revolução Pernambucana (1817): A Revolu-
ção Pernambucana ou Revolução Republicana 
foi o último movimento de revolta anterior à 
Independência do Brasil. O movimento conse-
guiu ultrapassar a fase conspiratória e atingir a 
etapa do processo revolucionário de tomada do 
poder. As causas da Revolução pernambucana 
estão intimamente relacionadas ao estabeleci-
mento e permanência do governo português no 
Brasil (1808-1821). Quando a Corte portuguesa 
abandonou Portugal e estabeleceu-se no Brasil, 
fugindo da invasão napoleônica, adotou uma 
série de medidas econômicas e comerciais que 
geraram crescente insatisfação da população 
colonial. A implantação dos novos órgãos admi-
nistrativos governamentais e a transmigração 
da Corte e da família real portuguesa exigiram 
vultosas somas de recursos financeiros. Para 
obtê-las, a Coroa lusitana rompeu com o pacto 
colonial, concedendo inúmeros privilégios à bur-
guesia comercial inglesa, e criou novos impostos 
e tributos que oneraram as camadas populares e 
os proprietários rurais brasileiros. Em nenhuma 
outra região, a impopularidade da Corte portu-
guesa foi tão intensa quanto em Pernambuco. 
Outrora um dos mais importantes e prósperos 
centros da produção açucareira do Nordeste 
brasileiro, Pernambuco estava atravessando uma 
grave crise econômica em razão do declínio das 
exportações do açúcar e do algodão. Além disso, 
a grande seca de 1816 devastou a agricultura, 
provocou fome e espalhou a miséria pela região. 
O governo provisório durou 75 dias, os revolu-
cionários pernambucanos foram derrotados. As 
lideranças do movimento revolucionário tinham 
como projeto político o estabelecimento de uma 
República e a elaboração de uma Constituição, 
norteadas pelos princípios e ideais franceses de 
igualdade e liberdade para todos. Apesar do seu 
fracasso, entrou para a história como o maior 
movimento revolucionário do período colonial.
 ˃ Revolta da Junta de Goiana (1821): Em 29 de 
agosto de 1821, na vila de Goiana, região norte 
da Província de Pernambuco, um segmento das 
elites pernambucanas — a um só tempo lide-
rança econômica e militar do Norte de Pernam-
buco —, aliado a alguns antigos participantes do 
movimento de 1817, instalaram uma Junta Go-
vernativa Provisória com o objetivo de aderir à 
política das Cortes Constitucionais Portuguesas e 
desautorizar o governo do representante maior 
do monarca em Pernambuco, o governador e 
capitão-general português Luiz do Rego Barreto. 
A partir de então, durante quase um mês, a Junta 
de Goiana coexistiu com o Conselho Governativo 
do Recife – presidido pelo general Rego Barreto. 
Essas duas representações disputaram a exclu-
sividade no controle do governo da província de 
Pernambuco até finais de outubro de 1821.
 ˃ Confederação do Equador (1824):O movimen-
to começou com uma reação à Constituição ou-
torgada por dom Pedro I no mesmo ano, que 
mantinha o Brasil a um governo centralizador e 
dava margem à grande submissão aos portugue-
ses. Iniciado em Pernambuco, o movimento se 
alastrou rapidamente para outras províncias da 
região, como a Paraíba, o Ceará e o Rio Grande 
do Norte. Ficou conhecido por esse nome, Con-
federação do Equador, devido à proximidade da 
região do conflito com a linha do equador. 
A conquista do território pernambucano foi feita 
por determinações e por interesses econômicos. Os 
portugueses, após o início do povoamento, passaram 
a fundar vilas e engenhos de açúcar, tornando este o 
principal produto da Colônia, na região úmida próxima 
ao litoral. 
As condições naturais impediram o cultivo da cana 
de açúcar nas partes interiores do estado, que foi gra-
dativamente sendo ocupado pela pecuária. O gado era 
usado tanto para o abastecimento da área canavieira e 
o fornecimento de animais de tração, como também, 
em menor escala, para a produção do couro. 
A penetração no interior pernambucano margeou 
o Rio São Francisco (margem esquerda, sobretudo), 
contornando o Planalto da Borborema. A penetração 
iniciou-se pelo Sertão e depois chegou ao Agreste per-
nambucano, apesar de este ser mais próximo do litoral. 
As condições naturais, a posição geográfica e a 
formação econômico-social modelaram o território 
pernambucano e determinaram sua divisão em mesor-
regiões: Litoral-Mata, Agreste e Sertão, que por sua vez 
se subdividem. 
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01. Foram, respectivamente, fatores importantes 
na ocupação holandesa no Nordeste do Brasil e 
na sua posterior expulsão:
a) o envolvimento da Holanda no tráfico de 
escravos e os desentendimentos entre Maurício 
de Nassau e a Companhia das Índias Ocidentais.
b) a participação da Holanda na economia do 
açúcar e o endividamento dos senhores de 
engenho com a Companhia das Índias Ociden-
tais.
c) o interesse da Holanda na economia do ouro e a 
resistência e não aceitação do domínio estran-
geiro pela população.
d) a tentativa da Holanda em monopolizar o 
comércio colonial e o fim da dominação espa-
nhola em Portugal.
RESPOSTA: B.
Alternativa A. Na realidade a disputa em questão não 
girava em torno da questão do tráfico de escravos, e 
sim do açúcar. 
Alternativa B. A “guerra do açúcar”, isto é, as intensas 
disputas que se desencadearam, sobretudo, entre 
Espanha e Holanda, no século XVII, pelo controle da 
produção e do comércio do açúcar, impeliu os ho-
landeses à ocupação do Nordeste do Brasil. A tenta-
tiva inicial ocorreu, sem sucesso, na Bahia, em 1624. 
Depois, em 1630, os holandeses ocuparam a capitania 
de Pernambuco e lá permaneceram até 1654. 
Alternativa C. A atividade o que predominava na 
época era a cana de açúcar. e não o ouro 
Alternativa D. A assertiva fala sobre o fim da domina-
ção espanhola em Portugal, que na realidade já havia 
ocorrido em 1640.
“E se a lição foi aprendida
A vitória não será vã.
Neste Brasil holandês,
Tem lugar pra o português
E para o banco de Amsterdã”
(Francisco Buarque de Holanda e Rui Guerra, Calabar, O elogio da 
tradição, pág. 7, 1973)
01. (UPENET/IAUPE) Sobre a Invasão Holandesa em 
Pernambuco, analise as alternativas a seguir.
I. Durante o Governo de João Maurício de Nassau, 
a Companhia das Índias Ocidentais concedeu 
crédito aos Senhores de Engenho, destinado ao 
reaparelhamento dos engenhos, à recuperação 
dos canaviais e à compra de escravos.
II. O empenho da burguesia holandesa em romper o 
bloqueio econômico, imposto por Felipe II, tinha 
a finalidade de fundar, no Brasil, uma colônia de 
povoamento, para abrigar os calvinistas e inter-
romper a produção de açúcar no Nordeste bra-
sileiro.
III. O Governo de Nassau urbanizou o Recife, pro-
videnciou a construção de pontes e de obras 
sanitárias, dotou a cidade de um jardim botânico, 
de um jardim zoológico e de um observatório as-
tronômico.
IV. O movimento denominado Batalha dos Guarara-
pes teve início com a chegada ao Brasil do conde 
Maurício de Nassau, nomeado Governador–
Geral do Brasil holandês.
Estão corretas
a) somente I, II e III. 
b) somente I, III e IV. 
c) somente I e III. 
d) somente II e IV. 
e) somente III e IV.
02. (UPENET/IAUPE) Sobre a Revolução Pernambu-
cana de 1817, considere as afirmativas a seguir.
I. Tinha como objetivo proclamar uma República e 
abolir, imediatamente, a escravidão no Nordeste.
II. Foi organizada, conforme os ideais da Igualdade, 
Liberdade e Fraternidade, que inspiravam a Re-
volução Francesa.
III. Teve como principais causas o aumento dos 
impostos, a grande seca de 1816, que provocou 
muita fome no Nordeste, e a crise da agricultura, 
afetando a produção do açúcar e do algodão.
IV. Foi a única rebelião anterior à independência 
política do Brasil que ultrapassou a fase da cons-
piração. Os rebeldes tomaram o poder e perma-
neceram no governo por mais de 70 dias.
Assinale a alternativa que contém as afirmativas 
corretas.
a) Somente I, II e III.
b) Somente I, II e IV. 
c) Somente I, III e IV. 
d) Somente II, III e IV.
e) I, II, III e IV.
03. Leia o texto.
“Nassau chegou em 1637 e partiu em 1644, 
deixando a marca do administrador. Seu período é 
o mais brilhante de presença estrangeira. Nassau 
renovou a administração (...). Foi relativamente tole-
rante com os católicos, permitindo-lhes o livre exercí-
cio do culto. Como também com os judeus (depois dele 
não houve a mesma tolerância, nem com os católicos 
e nem com os judeus - fato estranhável, pois a Compa-
nhia das Índias contava muito com eles, como acionis-
tas ou em postos eminentes). Pensou no povo, dando-
-lhe diversões, melhorando as condições do porto e do 
núcleo urbano (...), fazendo museus de arte, parques 
botânicos e zoológicos, observatórios astronômicos”. 
(Francisco Iglésias)
Esse texto refere-se:
a) à chegada e instalação dos puritanos ingleses 
na Nova Inglaterra, em busca de liberdade re-
ligiosa.
b) à invasão holandesa no Brasil, no período de 
União Ibérica, e à fundação da Nova Holanda no 
Nordeste açucareiro.
c) às invasões francesas no litoral fluminense e à 
instalação de uma sociedade cosmopolita no Rio 
de Janeiro.
d) ao domínio flamengo nas Antilhas e à criação de 
uma sociedade moderna, influenciada pelo Re-
nascimento.
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04. Leia o texto a seguir: “A primeira invasão ocorreu 
na Bahia, em 1624. Chefiada por Jacob Wilekems 
e Johan van Dorf (comandante terrestre, poste-
riormente morto em combate), logrou dominar 
Salvador e prender o governador. Não chegaram, 
porém, a estabelecer maiores contatos com os 
proprietários rurais do Recôncavo, pois a reação 
no interior, liderada pelo bispo dom Marcos 
Teixeira, conseguiu evitar qualquer tipo de pe-
netração.” (Wehling, Arno; Wehling, Maria José 
C. De M. A formação do Brasil Colonial. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 1994. p.127).
O texto refere-se à:
a) primeira invasão holandesa no nordeste no 
Brasil, já que, em 1624, o Sul e o Sudeste já 
haviam sido dominados pela Holanda.
b) primeira invasão holandesa na Bahia, já que 
em outros estados brasileiros, os holandeses já 
haviam desembarcado desde o fim do século XV.
c) primeira invasão holandesa no Brasil, que foi 
debelada no ano de 1625 por uma armada luso-
-espanhola.
d) primeira e única invasão holandesa no Brasil, já 
que, depois de serem expulsos da Bahia em 1625, 
os holandeses não mais voltaram.
05. Pernambuco é um Estado que se estende 
de maneira alongada (de Leste a Oeste), no 
Nordeste brasileiro. Assinale a alternativa que 
contém o nome dos Estados que fazem divisa 
com Pernambuco.
a) Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia, Paraíba e 
Ceará
b) Bahia, Alagoas, Piauí, Ceará e Paraíba
c) Ceará, Piauí, Maranhão, Sergipe, Rio Grande do 
Norte e Tocantins
d) Paraíba, Piauí, Maranhão e Alagoas
e) Bahia, Alagoas, Paraíba e Sergipe
06. A elevação de Recife à condição de vila; os protes-
tos contra a implantação das Casas de Fundição e 
contra a cobrança de quinto; a extremamiséria e 
carestia reinantes em Salvador, no final do século 
XVIII, foram episódios que colaboraram, respec-
tivamente, para as seguintes sublevações colo-
niais:
a) Guerra dos Emboabas, Inconfidência Mineira e 
Conjura dos Alfaiates.
b) Guerra dos Mascates, Motim do Pitangui e 
Revolta dos Malês.
c) Conspiração dos Suassunas, Inconfidência 
Mineira e Revolta do Maneta.
d) Confederação do Equador, Revolta de Felipe dos 
Santos e Revolta dos Malês.
e) Guerra dos Mascates, Revolta de Felipe dos 
Santos e Conjura dos Alfaiates.
07. A chamada Guerra dos Mascates, ocorrida em 
Pernambuco em 1710, deveu-se
a) ao surgimento de um sentimento nativista brasi-
leiro, em oposição aos colonizadores portugue-
ses.
b) ao orgulho ferido dos habitantes da vila de 
Olinda, menosprezados pelos portugueses.
c) ao choque entre comerciantes portugueses 
do Recife e a aristocracia rural de Olinda pelo 
controle da mão-de-obra escrava.
d) ao choque entre comerciantes portugueses 
do Recife e a aristocracia rural de Olinda cujas 
relações comerciais eram, respectivamente, de 
credores e devedores.
08. A Confederação do Equador, em 1824, se carac-
terizou como um movimento de
a) emancipação política de Portugal.
b) oposição à Abertura dos Portos.
c) garantia à política inglesa.
d) apoio aos atos do imperador.
e) reação à política imperial.
09. Leia o texto abaixo sobre a ocupação holandesa 
do Nordeste brasileiro.
“Bem triste era o aspecto das coisas em Pernambu-
co. Para onde quer que se volvesse o olhar, só se viam 
engenhos incendiados, e vastos canaviais cobertos de 
cinza, dos quais emergiam negros restolhos. Os bois 
necessários ao funcionamento das moendas eram 
levados ou mortos pelo fugaz inimigo. Muitas das cal-
deiras e utensílios que serviam para a fabricação do 
açúcar achavam-se espalhados pelos matos, e os pretos 
escravos haviam fugido em todas as direções. ” Fonte: 
WÄTJEN, Hermann. O Domínio Colonial Holandês no 
Brasil. Recife: CEPE, 2004, p. 419.
A partir do texto e de conhecimentos históricos sobre 
o fracasso do domínio holandês no Brasil, assinale a al-
ternativa INCORRETA:
a) Os holandeses foram bem-sucedidos em conse-
guir o apoio dos habitantes das cidades e vilas 
brasileiras, mas não conseguiram o apoio dos 
índios, o que provocou a derrota militar dos in-
vasores.
b) O objetivo da conquista holandesa foi o controle 
da produção de açúcar do Nordeste brasileiro, 
mas a guerrilha dos luso-brasileiros, inicialmente, 
criou impedimentos e desorganizou a produção 
açuca reira, depois recuperada no período de 
Nassau.
c) A adesão dos senhores de engenho à Insurreição 
Pernambucana relaciona-se com a sua situação 
financeira, pois a produção açucareira estava 
em crise, o que impedia o pagamento das dívidas 
desses proprietários junto à Companhia das 
Índias Ocidentais.
d) Os holandeses enfrentaram dificuldades de com-
preensão de sua língua e de rejeição à religião 
protestante, por parte dos habitantes dos terri-
tórios invadidos, o que impediu uma integração 
cultural com as populações locais.
10. A presença holandesa no Brasil colônia causa, 
até hoje, polêmicas entre historiadores. As con-
trovérsias se localizam, sobretudo, em relação 
à atuação de Maurício de Nassau, que dirigiu os 
empreendimentos da Companhia das Índias Oci-
dentais no Brasil. Nassau conseguiu destacar-se, 
mas terminou sendo demitido em 1643. Com 
relação ao seu governo, é correto afirmar que: 
a) procurou restabelecer a produção do açúcar, 
mas fracassou devido à falta de recursos.
b) teve cuidados especiais com o Recife, onde fixou 
sua residência, melhorando suas condições.
c) apesar do empenho, não conseguiu aumentar os 
domínios territoriais dos holandeses.
d) reconstruiu a cidade de Olinda, onde pretendia 
se instalar
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01 C 06 E
02 D 07 D
03 B 08 E
04 C 09 A
05 B 10 B
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CAPÍTULO 01 
História de Pernambuco
População
Os povos e a diversidade caminham de mãos dadas 
desde o início da formação do estado de Pernambu-
co. Heterogeneidade é a palavra que descreve o povo 
pernambucano. Em sua formação, o estado teve um 
elevado número de imigrantes. São portugueses, ita-
lianos, espanhóis, árabes, judeus, japoneses, alemães, 
holandeses e ingleses. Merecem destaque, além disso, 
as influências africana e indígena.
Turismo
Uma das principais vocações econômicas do 
estado, o turismo, gera emprego e renda em todas as 
regiões. Do litoral ao sertão, Pernambuco é o destino 
para quem procura o melhor das riquezas naturais do 
Nordeste. Salienta-se um extenso e apreciado litoral 
de águas mornas e cristalinas, com praias paradisíacas 
como Tamandaré e Porto de Galinhas. O litoral, com 
cerca de 187 km de extensão, entre praias e falésias, 
concentra o belíssimo arquipélago de Fernando de 
Noronha. Deve-se ainda mencionar a magnitude e a 
importância histórica de suas tradições culturais, como 
os festejos Carnavalescos e juninos.
Pernambuco tem umas das igrejas mais antigas do 
Brasil, localizada no município de Igarassu, na Região 
Metropolitana do Recife. A igreja dedicada a São 
Cosme e Damião, que data de 1535, faz parte de um 
Centro Histórico com 396 m² tombados pelo IPHAN. 
Um dos mais importantes conjuntos arquitetô-
nicos do país, Olinda, recebeu o título de Patrimônio 
Cultural da Humanidade, concedido pela UNESCO, e de 
primeira capital brasileira da cultura. 
Nas cidades de maior altitude, no chamado 
Planalto da Borborema, o frio inspirou eventos cultu-
rais como o Festival de Inverno de Garanhuns; a 1.004 
metros de altitude, fica a cidade de Triunfo, a mais alta 
do território pernambucano, onde acontece a Festa do 
Estudante, com grupos de teatro de dança, e o Festival 
de Cinema, no Cine Teatro Guarany.
Pernambuco tem ainda a Feira de Caruaru, a maior 
feira livre do mundo, considerada patrimônio imate-
rial do Brasil pelo IPHAN; o Teatro de Nova Jerusalém, 
o maior teatro ao ar livre do mundo, onde, todos os 
anos, é encenado o espetáculo da Paixão de Cristo; o 
Parque Nacional da Serra do Catimbau, entre o agreste 
e o sertão pernambucano; o Vale do São Francisco com 
dezenas de vinícolas.
Símbolos
Bandeira
A Bandeira de Pernambuco foi idealizada pelos 
revolucionários de 1817 e oficializada, anos depois, 
pelo governador Manuel Antônio Pereira Borba (1915-
1919).
A cor azul do retângulo superior simboliza a 
grandeza do céu pernambucano; a cor branca repre-
senta a paz; o arco-íris em três cores (verde, amarelo, 
vermelho) representa a união de todos os pernambu-
canos; a estrela caracteriza o estado no conjunto da 
Federação; o sol é a força e a energia de Pernambuco; 
finalmente, a cruz (vermelha) representa a fé na justiça 
e no entendimento.
Brasão
O brasão de Pernambuco foi oficializado pelo go-
vernador Alexandre José Barbosa Lima (1892-1896), 
em 1895.
O leão representa a bravura do povo pernambu-
cano; os ramos de algodão e de cana-de-açúcar sim-
bolizam riquezas do estado; o sol é a luz cintilante do 
Equador; as estrelas são os municípios. Ainda estão 
no brasão o mar do Recife e o farol do Forte da Barra, 
de onde se vê a cidade de Olinda. Na faixa, aparecem 
as datas históricas mais importantes do estado: 1710 
(Guerra dos Mascates), 1817 (Revolução Pernambuca-
na), 1824 (Confederação do Equador) e 1889.
Hino
O hino pernambucano é uma composição poética 
acompanhada de música em honra aos bravos guerrei-
ros do estado. Foi composto no ano de 1908. A letra foi 
escrita por Oscar Brandão, e a música é de autoria de 
Nicolino Milano.
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Letra do Hino:
“Coração do Brasil! em teu seio
Corre o sangue de heróis - rubro veio
Que há de sempre o valor traduzir
És a fonte da vida e da história
Desse povo coberto de glória,
O primeiro, talvez, no porvir.
(Estribilho)
Salve! Oh terra dos altos coqueiros!
De belezas soberbo estendal!
Nova Roma de bravos guerreiros
Pernambuco, imortal! Imortal!
Esses montes e vales e rios,
Proclamando o valor de teus brios,
Reproduzem batalhas cruéis.
No presente és a guarda avançada,
Sentinela indormida e sagrada
Que defende da Pátria os lauréis.
(Estribilho)
Do futuro és a crença, a esperança,
Desse povo que altivo descansa
Como o atleta depois de lutar...
No passado o teu nome era um mito,
Era o sol a brilhar no infinito
Era a glória na terra a brilhar!
(Estribilho)
A República é filha de Olinda,
Alva estrela que fulge e não finda
De esplender com seus raios de luz.
Liberdade! Um teu filho proclama!
Dos escravos o peito se inflama
Ante o Sol dessa terra da Cruz!”
(Estribilho)
Datas Comemorativas
Março
Em 2007, o dia 6 de março foi declarado a Data 
Magna de Pernambuco, em virtude da Revolução Per-
nambucana. 
Em 2009, o Governo de Pernambuco aprovou nova 
lei, alterando a Data Magna do Estado para o primeiro 
domingo de março.
Junho 
24 São João (Estadual).
Julho
16 Dia de Nossa Senhora do Carmo, padroeira do 
Recife (Municipal - feriado apenas no Recife).
Dezembro
08 Nossa Senhora da Conceição (Municipal - 
feriado apenas no Recife).
Período Pré-Colonial - Pré-História 
de Pernambuco
A região do sertão e do agreste de Pernambuco 
possui sítios arqueológicos datados de aproximada-
mente 6 mil anos, e algumas destas marcas (pinturas 
rupestres) estão no Parque Nacional do Catimbau.
Alguns sítios arqueológicos localizados no Nordeste 
são datados de aproximadamente 40 mil anos. Em Per-
nambuco, foram localizados vestígios de ocupação 
humana em Madre de Deus, na Furna do Estrago, onde 
foram localizados esqueletos humanos em uma ne-
crópole pré-histórica e em Chã do Caboclo, em Bom 
Jardim.
Há mais de 6 mil anos, tem-se a presença de grupos 
indígenas na região de Pernambuco. Dentre eles, 
citam-se os Itaparica, que já confeccionavam objetos 
em pedra e, ainda, as pinturas rupestres. Os principais 
grupos que habitavam o litoral de Pernambuco à época 
colonial eram os Tabajaras e os Caetés. Nas áreas inte-
rioranas, concentravam-se os Pankararu, em Tacaratu; 
os Atikum-umã, na região da Serra das Crioulas e Umã, 
nos limites do atual município de Carnaubeira da 
Penha, em Pernambuco. 
Argumenta-se, hoje, sobre a presença de espa-
nhóis em território brasileiro antes de Cabral, na região 
do Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernam-
buco, com Vicente Yáñez Pinzón, no dia 26 de janeiro 
de 1500, portanto, quase 90 dias antes da chegada 
de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro. Por isso, tal 
fato é conhecido como descobrimento pré-cabralino 
do Brasil. Assim, Pinzón teria sido o primeiro europeu 
em terras do atual Brasil. Todavia, tal versão também 
possui posicionamentos contraditórios quanto ao 
localde chegada, quando se afirma que os espanhóis 
chegaram ao Cabo Orange, atual Guiana Francesa. 
Houve uma disputa judicial logo após a viagem 
de Pinzón, que ficou conhecida como “Probanzas del 
Fiscal”, a qual foi impetrada por Diego Colombo, filho 
de Cristóvão Colombo, contra a Coroa de Castela, 
com o objetivo de assegurar os direitos do pai. Todos 
aqueles que participaram da primeira viagem de 
Colombo foram ouvidos em audiências, entre 1512 e 
1515, em Sevilha e na Ilha de São Domingos. 
São levantados, ainda, possíveis desembarques 
em: Ponta do Mucuripe, ao sul de Fortaleza, Cabo de 
São Roque, no Rio Grande do Norte e Ponta do Seixas 
na Paraíba.
Povos Indígenas de Pernambuco1
Atikum
Grupo indígena: Atikum-Umã.
Localização: na região das serras das Crioulas e 
Umã, nos limites do atual município de Carnaubeira da 
Penha, Pernambuco. 
A área já está delimitada e existem registros de 
contatos de representantes do Serviço de Proteção ao 
Índio entre 1943 e 1945, quando funcionários desse 
órgão estiveram na área para apreciá-los dançar o 
“Toré”. Em 1949, foi criado o Posto Indígena Aticum, 
posteriormente denominado Padre Nelson, na aldeia 
Alto da Serra.
Antes da Instalação do posto, a prefeitura de 
Floresta cobrava imposto ou foro dos índios pelo uso 
da terra, e fazendeiros utilizavam as terras da serra 
como pastagem de gado. 
A FUNAI também não procedeu ao reconhecimen-
to dos limites da terra Atikum até 1984, apenas reali-
zando uma série de projetos de desenvolvimento co-
munitário e econômico.
1  UFPE. Povos Indígenas de Pernambuco. Disponível em: <https://www.
ufpe.br/nepe/povosindigenas/>. Acesso em: mar de 2016. Adaptado.
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Assinalam-se conflitos envolvendo índios e possei-
ros, que resultaram no assassinato do chefe do posto e 
de sua filha.
Fulni-ô
Grupo indígena: Fulni-ô.
Localização: Águas Belas/ PE. 
Posto indígena: PI, Fulni-ô, subordinado a ADR de 
Garanhuns.
Este domínio indígena não é formalizado, embora o 
domínio dos Fulni-ô sobre as terras de Águas Belas seja 
bastante antigo. Desde o século XVIII, têm-se notícias de 
índios ocupando a Serra do Comunati, situada ao norte 
da atual cidade de Águas Belas. Por esta época, foi criado 
o aldeamento do Ipanema, cujas terras seriam doadas 
aos índios Carnijós pelo Governo Imperial por meio da 
Carta Régia nº 33, em 05 de junho de 1705. 
Parte desta terra seria cedida em 1832 à Igreja de 
Nossa Senhora da Conceição de Águas Belas, que passou 
a arrendar lotes, onde viria a se constituir a cidade de 
Águas Belas. Na segunda metade do século XIX, o 
Governo Imperial, por meio do Aviso de 4 de novembro 
de 1861, teria determinado a extinção do antigo aldea-
mento, dado os conflitos entre índios e arrendatários, 
ato que, no entanto, não chegou a ser cumprido. 
Em 1928, um Decreto (nº 637 de 20 de julho) é 
assinado pelo governador do estado de Pernambuco 
(Estácio Coimbra), reconhecendo que o direito destes 
apoia-se em “título certo e líquido“, mas que há inte-
resses legítimos a resguardar.
Este ato significa o reconhecimento do SPI como 
tutor dos índios e seu representante nos assuntos refe-
rentes a terras e arredamentos. 
Ainda pelo Decreto de 1928, as terras de possei-
ros que, naquele momento, ocupavam áreas com 
moradias e cultura, que não fossem reclamadas por 
seu dono índio, poderiam ser adquiridas pelo posseiro 
(no máximo de 25 ha) pagando seu valor ao Estado.
O SPI Instala, no mesmo ano de 1928, um posto 
indígena no Distrito de Águas Belas e atribui ao Posto 
do SPI a função de assistência de saúde e educação não 
só aos índios, mas também aos “filhos dos rendeiros e 
a eles próprios”.
Fato a se destacar é que ficou reconhecido pelo 
poder público o domínio dos índios sobre a área, 
embora não exista nenhum ato que formalize tal cate-
goria nos termos do Estatuto do Índio (Lei 6001/73).
 Kambiwá
Grupo Indígena: Kambiwá
Localização: município de Ibimirim, Inajá, Floresta 
(PE). Sub-região do Vale do Moxotó. 
Encontra-se como área identificada, e os Kambiwá 
estão como um grupo indígena de filiação linguística 
não determinada. No início do século XIX, os “coronéis” 
do chamado “Alto Sertão Pernambucano” os perse-
guiram e os dispersaram por força das armas. (FUNAI, 
1988).
Em 1802, um missionário capuchinho italiano, Frei 
Vital de Frescarolo, afirma ter aldeado, no lugar conhe-
cido como Jacaré, entre a Serra do Periquito e a Serra 
Negra, 114 índios da nação Pipipão. Porém, em 1823, 
“José Francisco da Silva e Cipriano Nunes da Silva expe-
liram à mão armada os índios Pipipães que habitavam 
a Serra Negra”.
A situação dos índios do sertão de Pernambuco no 
início do século XX, caracterizava-se, ainda, pela fla-
grante exploração a que estavam sujeitos pelos fazen-
deiros locais. Por meio do Monsenhor Alfredo Damaso, 
em fins da década de 30, em contato com Getúlio 
Vargas, consegui-se autorização para que estes índios 
ocupassem definitivamente a Serra Negra.
Liderados pelo índio João Fortunato, mais co-
nhecido como João Cabeça-de-Pena, ensejaram sua 
derradeira - e frustrada – tentativa de ocupação da 
Serra Negra, que resultou na prisão e tortura seguida 
de morte de Cabeça-de-Pena pela Polícia de Inajá. 
Expulsos da Serra, os índios retornaram ao “Baixo do 
Araticum”, hoje conhecido como “Baixa da Índia Ale-
xandra”, onde permaneceram e se reorganizaram até 
que, em 1954, o então Ministro da Agricultura, o Per-
nambucano João Cleofas, “manda demarcar as terras”. 
O processo de regularização da terra Kambiwá foi 
constituído por meio da Portaria/ Funai nº 1284/92, 
com um grupo de trabalho responsável pela identi-
ficação, levantamento fundiário e delimitação da AI 
Kambiwá. Nessa ocasião, os índios atualizaram uma 
antiga reivindicação, no sentido de terem acesso à 
Reserva Biológica da Serra Negra, atualmente adminis-
trada pelo IBAMA.
Kapinawá
Localização: município de Buíque, Tupanatinga e 
Ibimirim, sertão Pernambucano.
São descendentes dos índios que habitavam a 
aldeia de Macaco, desde o século XVIII, índios Prakió 
ou Paratió. O etnônimo Kapinawá é conhecido desde 
o final dos anos setenta, quando seus representantes 
procuraram a FUNAI e a imprensa no Recife denun-
ciando grande pressão sobre suas terras. Os índios 
possuíam uma cópia de documento de doação imperial 
da propriedade Macaco dos Índios, feita em 1874. Em 
1980, a FUNAI informou que “desconhecia a existência 
de aldeamento em Buíque” e “os índios Kapinawá são 
considerados extintos no Brasil, mas existem no Peru”.
Os conflitos culminam, em 1982, com um tiroteio 
na vila do Catimbau, entre Kapinawá e regionais, re-
sultando na morte de dois dos últimos. Quase dois 
anos depois foi então constituído GT para identificar 
e delimitar a área Kapinawá (Portaria nº 1647/E, de 
01.06.84). 
Os índios Kapinawá reivindicam um novo estudo de 
terra que contemplasse áreas consideradas imprescin-
díveis para eles, localidades onde se encontram sítios 
arqueológicos ou de pinturas rupestres dos seus ante-
passados, além de considerável número de famílias in-
dígenas fora do perímetro homologado em 1998.
O maior contingente dessas famílias está inserido, 
segundo os índios, na área do Parque Nacional do 
Catimbal, contígua a TI Kapinawá.
 Pankararu
Grupo Indígena: Pankararu
Localização: Tacaratu e Petrolândia.
Área já homologada, sendo que os Pankararu fazem 
parte do grupo mais amplo de “Índios do Sertão”, ou 
Tapuia, caracterizado historicamente por oposição aos 
Tupis da costa e aos Jê dos cerrados a oeste.
Na fase pré-colonial foram, aparentemente, 
expulsos do litoral pela expansão no sentido Norte/
Sul dos Tupis e, encontrando resistência para o avanço 
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a oeste, pela presença dos Jê, estabeleceram-se no 
submédio São Francisco. 
Os primeiros contatos sistemáticos foram estabe-
lecidos com missionários no início do século XVII e, em 
Pernambuco, estabeleceram um aldeamento à beira 
do São Francisco. 
São deste período registros que informam sobre 
a territorialidadedo grupo, compreendida por dois 
marcos geográficos tomados como sagrados: a cachoei-
ra de Paulo Afonso, local onde seus ancestrais teriam 
sucumbido a um dilúvio, e a cachoeira de Itaparica, 
tradicional local de sepultamento de seus mortos, logo 
transformado em cemitério cristão pelos missionários.
Oito anos depois desta primeira demarcação 
(1949), um grupo de trabalhadores rurais, encabeça-
dos na ação judicial por Miguel G. Maurício e já instala-
dos nas terras demarcadas pelo SPI, contesta a demar-
cação, perdendo a ação em um processo que durou 
seis anos (1955). Em 1960, é aberto um novo processo 
por Miguel G. Maurício, de “usucapião”, que favoreceu 
os posseiros em primeira instância (1964), mas contra 
a qual o SPI recorre. Esta primeira vitória e a demora 
do processo de recurso levam a um acirramento das 
tensões na área, com conflitos localizados em 1966.
Em 1979, um novo elemento vem agravar a 
situação, ou seja, a construção da hidroelétrica de Ita-
parica que desaloja dezenas de famílias camponesas 
próximas à Área Indígena Pankararu. Em 1984, um 
Grupo de Trabalho da FUNAI é enviado à área para 
realizar um levantamento fundiário e da situação social 
e, novamente, em 1989, constitui-se a equipe técnica 
para o levantamento fundiário e topográfico da área. 
Em 1999, por meio de mobilização por terras, os índios 
ocuparam uma área de imóvel rural na região, que cor-
responde a aproximadamente 365 ha. Esta área encon-
tra-se sob domínio dos índios que passaram a reivindi-
car sua regularização fundiária junto à FUNAI.
Pipipã
Entre os Pipipã, já no século XXI, tanto o seu territó-
rio quanto a composição das aldeias estão em processo 
de definição, decorrente do fato de separarem-se dos 
Kambiwá e estabelecerem-se dentro do território de-
marcado como área indígena daquele povo. 
A Aldeia Travessão do Ouro está situada próxima 
da Serra do Periquito, no Km 29 da BR-360 em Floresta/
PE. Capoeira do Barro é uma aldeia onde viviam “não 
índios”, dentro de um projeto de assentamento do 
INCRA. A aldeia Serra Negra está em processo de esva-
ziamento, sendo ocupada temporariamente durante o 
ritual do Aricuri.
A aldeia Caraíba fica situada próxima da Serra do 
Taiado e ao Serrote do Tamanduá. É a única aldeia que 
se define Pipipã fora do território dos Kambiwá. A terra 
não é demarcada nem reconhecida oficialmente como 
área indígena. Seus moradores possuem título de pro-
priedade.
As principais lideranças são Antônio Xavier e o 
Velho Manoel Francisco Xavier Filho. 
Hoje os Pipipã se afirmam em 2.050 índios espalha-
dos na ribeira do Pajeú. Entretanto, os dados atuais da 
Funasa registram uma população de 1.312 índios.
Os Pipipã constituem grupo dissidente Kambiwá, 
que reivindica estudo de terras que contemple a Serra 
Negra, área historicamente pleiteada pelos Kambiwá/
Pipipã.
Truká
Localização: Ilha da Assunção no médio São Fran-
cisco, município de Cabrobó.
Os Truká vivem na Ilha da Assunção no médio rio 
São Francisco no município de Cabrobó, e a aldeia da 
Assunção foi fundada provavelmente em 1722. Em 
1761, uma simples aldeia de índios, originalmente 
situada na extremidade ocidental da ilha, prospe-
rou tanto que teve o predicamento de paróquia. Nos 
últimos anos do regime monárquico, com relação a 
Pernambuco, foram registrados atos administrativos 
visando à extinção dos aldeamentos indígenas. No 
entanto, o aldeamento Assunção sobreviveu até ao 
advento da República. A aldeia da Assunção, durante 
grande parte do século XIX, foi alvo de disputa entre 
seus moradores e os chamados “poder de Cabrobró”. 
Esta disputa implicava não só a posse das terras do al-
deamento, mas também o controle sobre o rebanho 
que pertencia ao aldeamento, e em especial, a utiliza-
ção dos índios enquanto mão de obra escrava ou servil.
Em 1920, tendo por base a alegação do bispo de 
pesqueira, de que a ilha Assunção pertencia ao patri-
mônio da Igreja, graças à doação feita pelos índios a 
Nossa Senhora, o cartório da Comarca de Belém do São 
Francisco lavrou a escritura de compra e venda de toda 
a Ilha de Assunção. Os Truká, em meados da década 
de 40, iniciaram um processo de reivindicação à terra 
junto ao SPI e conseguiram, por meio de um processo 
jurídico, uma Ação de Nulidade de Venda e Reintegra-
ção de Posse. Esta ação percorreu o foro municipal 
e estadual e, atualmente, encontra-se no Supremo 
Tribunal da União.
No final da década de 50 e meados de 60, o estado 
de Pernambuco, ignorando a ação impetrada pelo SPI, 
comprou parte da Ilha de Assunção, tendo em vista a 
instalação (em 1965) de um núcleo de Colonização. 
A Companhia de Revenda e Colonização (CRC) era o 
órgão encarregado de fornecer terras para os morado-
res.
No final da década de 60, o CRC entrou em processo 
de extinção em decorrência da crise financeira, tendo 
parte do seu espólio passado a ser gerido pela Compa-
nhia de Produção de Mudas e Sementes Selecionadas 
do Estado de Pernambuco (SEMEMPE). O trecho de 
terras da Ilha de Assunção transformou-se em campo 
de produção de mudas, e tal alteração resultou em 
tensão com os moradores locais. 
Após muitos conflitos vividos entre os Truká e os 
funcionários da SEMEMPE, foi feito acordo entre o 
estado de Pernambuco e o Governo Federal, em que a 
SEMEMPE entregou/cedeu parte do trecho da ilha sob 
seu poder à FUNAI, que somente em 1984, por meio da 
Portaria nº 1647/E, designou comissão para proceder 
a estudos de identificação e levantamento ocupacio-
nal, visando à definição dos limites das áreas indígenas 
Atikum, Kapinawá, Truká e Wassu-Cocal. 
Os trabalhos das etapas iniciais do processo de 
regularização fundiária da TI Truká, delimitada desde 
o ano de 2002 com 5.769 ha., foram interrompidos 
e, até o presente, ainda não retomados. A área Truká 
está inserida em região conhecida como “Polígono da 
Maconha”. Os índios denunciam a utilização da região 
por produtores de maconha, situação que tem acarre-
tado inúmeros conflitos e violência contra os denun-
ciantes. 
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Tuxá
Localização: Município de Inajá/PE. 
A população Tuxá de Inajá foi transferida de terras 
em Itacaratu/PE, submersas pelo lago da hidrelétrica 
de Itaparica, conforme convênio firmado entre FUNAI 
e CHESF (Cia. Hidrelétrica do São Francisco) em 1985.
Uma área total de cerca de 400 ha, o representante 
da Chesf alegou ser extensa para um número reduzido 
de índios. Assim, ficou estabelecido que famílias de não 
índios, parentes dos Tuxá de Itacuruba, seriam incluí-
das no reassentamento. Este imóvel foi denominado 
“Fazenda Funil”, à margem direita do rio Moxotó. Não 
há qualquer reconhecimento formal desta área como 
“terra indígena”, tal como se constata em outras áreas 
na região. Efetivamente, trata-se de uma área de terras 
adquiridas por órgão público, em nome deste, para 
“assentamento” de índios. 
Em 2004, as escolas da primeira etapa do ensino 
fundamental, dentro da área indígena, passaram a 
ser mantidas pelo estado. Foram reconhecidas como 
escolas indígenas em atendimento à reivindicação dos 
Pankará e da Comissão de Professores Indígenas em 
Pernambuco (Copipe), conforme Resolução 003/99 do 
Conselho Nacional de Educação. 
No campo da saúde, em 2004, passaram a integrar 
o Conselho Distrital de Saúde Indígena da Funasa. 
Possuem duas equipes atuando na área com agentes 
de saúde e auxiliares de enfermagem indígenas. 
Xucuru
Habitam a Serra do Ororubá, no município brasi-
leiro de Pesqueira (Poção), no estado de Pernambuco. 
Autodenominam-se Xucurus do Ororubá para distin-
guir-se do povo Xucuru-Cariri de Alagoas. 
O município de Pesqueira tem suas origens no al-
deamento do povo Xucuru, promovido pelos padres da 
Congregação do Oratório de São Felipe de Néri, a partir 
de 1661. O aldeamento também era local de criação de 
gado pelos missionários, que utilizavam mão de obra 
indígena.
Com a aplicação do Diretório dos Índios (1757) do 
Marquês de Pombal, o aldeamento foi elevado à ca-
tegoria de vila, a Vila de Cimbres, em 1762. Em 1850,após a promulgação da Lei de Terras, as autoridades 
locais pediram ao governo da Província o fim do aldea-
mento, alegando que os índios já eram caboclos. Em 
1879, o aldeamento foi extinto oficialmente. Os indíge-
nas se dispersaram, buscando outros ex-aldeamentos, 
a periferia das cidades, ou refugiaram-se em locais de 
difícil acesso. 
Com a criação do Serviço de Proteção ao Índio, os 
povos indígenas do Nordeste brasileiro buscaram o seu 
reconhecimento pelo Estado. Em 1954, foi instalado 
um posto do SPI na Serra do Ororubá. 
O maior laço que une a tribo, até mais importante 
do que o parentesco, que acabou por se transformar 
em símbolo da resistência dos índios do Nordeste, é o 
ritual do “Toré”. 
Após a promulgação da Constituição de 1988, que 
reconheceu aos índios o direito ao usufruto da terra 
tradicionalmente ocupada por estes povos, os Xucurus 
reorganizaram-se em torno da reconquista da terra. 
Eles estavam apoiados por outros povos indígenas do 
Nordeste e organismos como o Conselho Indigenis-
ta Missionário (CIMI), órgão da CNBB, e passaram a 
reocupar áreas de fazendas em terras de ocupação tra-
dicional indígena.
Em 1998, o cacique Chicão foi assassinado por um 
homem não identificado, provavelmente, a mando de 
fazendeiros descontentes com a luta para a demarca-
ção de terras para os Xucurus.
A terra indígena foi homologada em 30/04/2001, e 
os índios desenvolvem atividades agrícolas e bordados 
tipo renascença.
Período Colonial
Capitania de Pernambuco
A primeira capital de Pernambuco foi Olinda. Logo 
após a chegada dos portugueses, em 1501, o territó-
rio começou a ser explorado pela expedição de Gaspar 
de Lemos, responsável pela fundação de diversas fei-
torias, entre elas, uma na atual localidade de Igarassu, 
que teria sido utilizada por Cristóvão Jacques. Pernam-
buco foi uma das primeiras áreas brasileiras a ter ativa 
colonização portuguesa.
Com a divisão da colônia em Capitanias Heredi-
tárias, feitas por Dom João III, então rei de Portugal, 
iniciou-se a doação de um lote de terras, chamado Ca-
pitania, a um Donatário (português), a quem caberia 
explorar, colonizar as terras, fundar povoados, arre-
cadar impostos e estabelecer as regras do local. Inicia-
-se, então, o povoamento de Pernambuco a partir de 
1534. Até então, os ocupantes do território eram os 
índios Tabajaras, quando a Capitania de Pernambu-
co foi doada a Duarte Coelho, e parte da Capitania de 
Itamaracá foi doada a Pero Lopes de Sousa. Dentre os 
principais grupos indígenas de Pernambuco, podem-se 
destacar os Caetés, temíveis ocupantes da costa e, pos-
teriormente, também os Potyguaras, que habitavam 
o extremo norte de Pernambuco e os Tabajaras, estes 
últimos antigos aliados dos portugueses.
A posse da capitania ocorreu em 1535, nomeada por 
Duarte Coelho como “Nova Lusitânia”, mas acabou rece-
bendo o nome atual em seguida. Os povoados de Igarassu 
e Olinda foram elevados à condição de vila em 1537.
A Capitania de Pernambuco, inicialmente, envolvia 
a região que compreende os atuais estados de Pernam-
buco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Alagoas 
e uma parte da Bahia. Na fase do Brasil-Colônia, Per-
nambuco estava entre as mais ricas Capitanias, tendo 
Olinda como capital - seu porto daria origem à cidade 
do Recife. As expedições que buscavam explorar o 
interior da Capitania partiam, principalmente, das vilas 
de Igarassu e Olinda e tinham entre seus explorado-
res o filho do donatário, Jorge de Albuquerque. Este 
chegou até o rio São Francisco após combater índios 
hostis e assegurar o domínio do interior. 
Os primeiros engenhos de açúcar da colônia foram 
instalados por Duarte Coelho que procurou incentivar, 
também, o algodão. Todavia, a Capitania de Pernam-
buco em pouco tempo tornou-se a principal produtora 
de açúcar da colônia portuguesa e, consequentemen-
te, a mais próspera e influente das capitanias heredi-
tárias, sendo a referência para a organização da so-
ciedade colonial brasileira. O progresso da Capitania 
pode ser explicado pela fácil adaptação da cana ao solo 
massapê e ao clima da região; pela maior proximidade 
geográfica de Portugal, fato que facilitava o transporte; 
pela grande quantidade de pau-brasil; pela lavoura de 
algodão; e pelos investimentos feitos pelo donatário 
na fundação de vilas e na pacificação dos índios. 
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Esse desenvolvimento, no entanto, transformou a 
capitania em alvo de corsários e piratas, haja vista que, 
em 1595, o corsário inglês James Lancaster tomou de 
assalto o porto do Recife e passou a saquear as riquezas 
transportadas do interior, levando suas pilhagens em 
quinze embarcações.
A posição de maior e mais rica área de produção 
de açúcar do mundo já era uma marca da Capitania de 
Pernambuco, no início do século XVII, fato que atraiu 
os holandeses para a região entre 1630 e 1654.
Quando da Invasão Holandesa em Pernambuco, 
em 1630, pela Companhia das Índias Ocidentais, foram 
saqueadas e queimadas diversas construções em 
Olinda, inclusive as igrejas.
Durante a União Ibérica, entre 1580 e 1640, quando 
Portugal e suas colônias estiveram sob domínio dos es-
panhóis, a República Holandesa havia-se tornado in-
dependente da Espanha e encontrou em Pernambuco 
uma oportunidade para impor um duro golpe aos es-
panhóis. Ao mesmo tempo, os holandeses poderiam 
recuperar-se do prejuízo no fracasso da invasão da 
Bahia, uma vez que Pernambuco era o principal centro 
produtivo da colônia. O motivo central da invasão en-
contra-se no bloqueio do acesso holandês pela Coroa 
Espanhola ao comércio do açúcar produzido em Per-
nambuco, durante a União Ibérica. 
Os holandeses desembarcaram na praia de Pau 
Amarelo para conquistar a capitania de Pernambuco 
em fevereiro de 1630 e estabeleceram uma colônia de-
nominada Nova Holanda, enfrentando uma frágil resis-
tência portuguesa na passagem do Rio Doce. Assim, in-
vadiram Olinda após derrotarem a pequena guarnição 
do forte, depois chamada de Forte de São João Batista 
do Brum, que era a porta de entrada para o Recife.
Em 1637, o conde João Maurício de Nassau Siegen 
desembarcou em Nova Holanda trazendo consigo arqui-
tetos e engenheiros e iniciou a construção de Mauritss-
tad, atual Recife, que, à época, já contava com pontes, 
diques e canais. O arquiteto Pieter Post foi o responsável 
pela construção do palácio de Freeburg, sede do poder 
de Nassau na colônia de Nova Holanda, e do prédio do 
observatório astronômico, tido como o primeiro do Novo 
Mundo. Em 28 de fevereiro de 1644, o Recife, atualmen-
te o Bairro do Recife, foi ligado à Cidade Maurícia com a 
construção da primeira ponte da América Latina. 
À época da presença holandesa na região, Recife foi 
considerada a mais cosmopolita cidade das Américas 
e foi beneficiada com a construção de casas, pontes e 
obras sanitárias. Além disso, possuía a maior comuni-
dade judaica de todo o continente, com quase metade 
de sua população de origem europeia, sendo formada 
por judeus, que construíram a primeira sinagoga do 
Novo Mundo, a Kahal Zur Israel. No Palácio de Friburgo, 
sede do governo de Nassau, foi construído o primeiro 
observatório astronômico do Continente Americano. 
A Companhia das Índias Ocidentais concedeu créditos 
aos senhores de engenho para o reaparelhamento das 
propriedades, a recuperação dos canaviais e a compra 
de escravos. Nassau ainda estimulou a vida cultural e 
investiu em obras urbanas, nos domínios holandeses. 
Trouxe novos hábitos para a colônia, com a vinda das 
ideias renascentistas, embora não tenha consolidado a 
aceitação da religião protestante na sociedade da época. 
A exoneração de Nassau pela Companhia Holande-
sa das Índias Ocidentais fez com que o povo de Pernam-
buco se rebelasse contra o governo em um movimento 
denominado Insurreição Pernambucana. Tal movimen-
to culminou com a expulsão dos holandeses em 1654, 
na segunda Batalha dos Guararapes, momento que se 
considera como a origem Exército Brasileiro. 
Após o domínio dos portugueses, os judeus rece-
beramordens para se converterem ao catolicismo 
ou partirem da região em, no máximo, três meses. 
Dessa forma, temerosos da Inquisição, quase todos 
venderam seus bens e deixaram o Recife em 16 navios, 
uma parte fugindo para Amsterdã e outra, para Nova 
York, na Ilha de Manhattan, atual centro financeiro dos 
Estados Unidos. Alguns descendentes dessas pessoas 
tiveram participação ativa na história dos Estados 
Unidos como: Gershom Mendes Seixas, aliado de 
George Washington na Guerra de Independência dos 
Estados Unidos; seu filho Benjamin Mendes Seixas, 
fundador da Bolsa de Valores de Nova York; Benjamin 
Cardozo, juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos, 
ligado a Franklin Roosevelt. 
Com a expulsão dos holandeses, Pernambu-
co entrou em decadência, bem como quase todo o 
Nordeste, devido à concorrência do açúcar refinado 
holandês, agora produzido nas Antilhas, que era 
superior ao açúcar mascavo brasileiro, e à transferên-
cia do centro político-econômico para o Sudeste. 
01. A primeira metade do século XVII em Pernam-
buco foi marcada pela invasão holandesa à Ca-
pitania. A presença holandesa em Pernambuco 
durou 24 anos, de 1630 a 1654. A invasão foi 
motivada por vários fatores, dos quais podemos 
destacar 
a) o sucesso da colonização holandesa no sul da 
América, especialmente nas possessões espa-
nholas, e a vontade da Holanda em expandir 
seus domínios no Novo Mundo. 
b) a necessidade do algodão, produto amplamente 
produzido na Capitania de Pernambuco, desde o 
século XVI, por parte das indústrias têxteis ho-
landesas. 
c) o bloqueio do acesso holandês pela Coroa Espa-
nhola ao comércio do açúcar produzido em Per-
nambuco, durante a União Ibérica. 
d) a presença maciça de tropas holandesas na 
Bahia, desde 1625. 
e) os interesses dos comerciantes e senhores de 
engenho locais em comercializar com os holan-
deses, em detrimento dos portugueses. 
RESPOSTA: C. Durante a União Ibérica, a Holanda, 
então colônia da Espanha, proclamou sua indepen-
dência. O rei espanhol, para pressionar a ex-colônia, 
proibiu-a de fazer comércio com qualquer possessão 
espanhola, incluindo o Brasil. A Holanda, devido à 
participação que tinha no comércio do açúcar brasilei-
ro, invadiu a Capitania de Pernambuco. 
Guerra dos Bárbaros2
O processo conhecido como “guerra dos bárbaros” 
foi constituído por uma série de conflitos armados 
pela iniciativa privada de sesmeiros, em conjunto com 
2  SILVA, Kalina Vanderlei. Diversidade Social na Conquista do sertão. In: 
Nas solidões vastas e assustadoras: a conquista do sertão de Pernambuco 
pelas vilas açucareiras nos séculos XVII e XVIII. Recife: Cepe, 2010. p. 269. 
Adaptado. 
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a Coroa Portuguesa, cujo principal objetivo era a con-
quista dos sertões, no intuito de expandir a colonização 
para o interior das Capitanias da América Lusitana. 
No Brasil, começa a se utilizar o termo Nova 
História Militar associado aos temas bélicos, já que nos 
séculos XVI e XVII iam além dos núcleos urbanizados do 
litoral, entrando para o interior ainda não colonizado 
da Capitania de Pernambuco. A Guerra dos Bárbaros, 
portanto, destaca os combates aos bárbaros do sertão, 
onde diversos povos indígenas e a camada pobre ligada 
à produção açucareira foram utilizados nas tropas para 
esse empreendimento colonial. Assim, os diversos 
tipos sociais envolvidos tiveram que se reorganizar às 
regras das vilas açucareiras e aos objetivos de suas au-
toridades.
“As vilas do açúcar” reuniam os indivíduos em 
áreas urbanizadas, ao passo que “O sertão” leva aos 
vazios não colonizados, o que reafirma as imagens de 
barbárie e selvageria associada aos sertões. A conquis-
ta e o povoamento dessa área formaria, ao olhar da 
Metrópole, uma sociedade sertaneja.
Nos núcleos urbanos da Capitania de Pernambuco, 
o ideal da sociedade de Antigo Regime Português clas-
sificou os indivíduos nas vilas do açúcar de acordo com 
a posição social de cada um, formando uma sociedade 
estamental com base em um sistema escravista. Nas 
vilas açucareiras, a mestiçagem alterou as relações do 
status quo dos indivíduos. 
Enquanto em Portugal fala-se na “cultura da osten-
tação e do ócio”, na colônia açucareira a cultura ao ócio 
se associa ao desprezo pelo trabalho manual. Os pro-
prietários de terra eram intitulados “homens bons”, 
ao passo que aqueles que desempenhavam atividades 
manuais, mesmo que ricos, eram estigmatizados por 
várias gerações. Convém salientar que a mão de obra 
utilizada nos engenhos, escrava ou livre, muitas vezes, 
era formada por trabalhadores especializados. 
A pirâmide social da sociedade açucareira era 
composta da seguinte maneira: em seu topo localiza-
vam-se as autoridades militares, civis, religiosas, com-
plementada pelos senhores de engenho; abaixo destes, 
encontrava-se o grupo de pessoas livres, funcioná-
rios subalternos, soldados burocráticos, pequenos 
comerciantes, taberneiros e artesãos em geral; e, na 
base desta pirâmide, os escravos e homens livres sem 
nenhuma qualificação. 
Assim, dentro desse contexto sociocultural, desen-
volve-se o imaginário sobre os sertões que, nas vilas 
açucareiras, relacionava-se ao interior das capitanias, 
ou seja, aos locais que eram inexplorados ou pouco ex-
plorados, qualificados como locais perigosos, devido 
às suas vastidões e aos seus habitantes - os indígenas, 
genericamente chamados de Tapuias. Dessa forma, o 
sertão será visto como espaço de barbárie e selvageria.
As vilas do Recife e Olinda, no século XVII, repre-
sentavam as duas maiores vilas da Capitania de Per-
nambuco e concentravam grande extensão de terras, 
que continham várias povoações, com indivíduos que 
poderiam ser recrutados e estavam aptos a pegar em 
armas para compor os grupos armados da Coroa.
Na Capitania de Pernambuco no século XVII, en-
contramos diversos grupos indígenas, entre eles: os 
Xocó, Cariniayos, Jacós, Paraquiós, Carateus, Carnijós, 
Guegués, Che-Che, Xucurús, Peraricoanhas, Cariris, 
Rodela, Coremas, Ariús, Janduis, Canindés, Paiacus, 
Pinacus, Caborés, Capelas, Paniguaçus, Jenipapos, 
Parasus, Quixelós, Icós, Genipapoaçus, Calabaças, 
Quesqués, Procás, Pipipás, Panatis e Pegas. 
Apesar dessa grande diversidade cultural, foram 
todos generalizados com o nome de “Tapuias”. Olinda, 
por sua vez, neste mesmo século, incluía as vilas de 
Igarassu, Nossa Senhora da Conceição, Serinhaém, 
Porto Calvo, Alagoas e São Francisco do Penedo, 
além de treze povoações: o Cabo de Santo Agostinho, 
Possuica, São Gonçalo do Uma, Alagoas, São Miguel, 
Muribeca, Santo Amaro de Jaboatão, São Lourenço, 
Nossa Senhora da Luz, Várzea do Capibaribe, Goiana, 
Tejucupapo, Taquara, e o Recife. 
As camadas baixas, associadas à produção açu-
careira, possuíam algumas atividades manuais que, 
até meados do século XVI, eram desempenhadas por 
indivíduos provenientes da metrópole. Quando nos 
séculos XVII e XVIII, há um crescimento da população 
cativa e do tráfico negreiro, essas atividades começam 
a perder sua dignidade. A morte dos povos indígenas 
- em razão dos ataques dos brancos e do contágio de 
doenças - além da proteção da Igreja, que condenava a 
escravidão desses povos, gerou a busca pela alternati-
va do trabalho escravo africano. 
Deve-se salientar o equívoco da afirmação de 
que o africano se adaptou melhor à escravidão do 
que o indígena; qualquer povo livre sempre reagirá a 
qualquer tentativa de transformá-lo em escravo. 
As tropas coloniais que se estruturaram nas vilas do 
açúcar seguiram o modelo português e os seus critérios 
para o recrutamento, levando em conta as especifici-
dades da Capitania de Pernambuco. Assim, eram or-
ganizados em três grupos: “as ordenanças”, formadas 
por todos os homens livres em idade produtiva, em 
geral casados; “as milícias”, que eram uma espécie 
de tropa de elite, apresentavam-se seletivas quanto 
a seus componentes, composta por homens de uma 
mesma camada econômica ou étnica; e a “a tropa bu-
rocrática”, com recrutamento obrigatório dos homens 
solteiros e das camadassociais mais baixas.
As milícias de cor na Capitania de Pernambuco 
estavam associadas às camadas mais baixas da socie-
dade colonial, formadas por desocupados, criminosos 
e libertos. Assim, essas milícias eram locais favorá-
veis para que pardos e pretos pudessem ascender so-
cialmente no sistema colonial, o que acabou gerando 
atritos entre a Coroa Portuguesa e os senhores de 
engenho que, em tempos de guerra, tinham seu 
número de escravos diminuídos pois, em alguns casos, 
acabavam por conseguir sua liberdade.
O significado do sertão já está formado no século 
XVI, como local de desordens, associado à abundância 
de metais preciosos. Dessa forma, a busca por essas 
riquezas tem o poder para agregar às tropas os homens 
pobres das vilas do açúcar. Empregaram-se vários 
grupos indígenas comandados por homens do sertão 
e experientes, como o capitão Simão Jacques Thomas 
e Domingos Jorge Velho, entre outros. Assim, os ame-
ríndios tornavam-se homens ideais para conquistar as 
regiões conflituosas, como Palmares já tinha demons-
trado que as milícias eram eficientes. 
Nota-se que, mesmo após a guerra dos bárbaros, 
os sertões, agora conquistados, continuam vinculados 
à ideia de barbárie, pois o território continuou a ser 
selvagem.
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A História Militar expõe os problemas de manuten-
ção das tropas, desde o recrutamento até as condições 
degradantes em que os homens viviam. Esse fato levou 
muitos deles a se tornarem desertores. Por esta, razão, 
perambulavam livremente pelo sertão. Além disso, 
como esses homens se relacionavam com a sociedade 
e o extermínio de diversos grupos indígenas aliados ou 
inimigos dos portugueses. 
Insurreição Pernambucana 
(1645-1654)
Marcou a expulsão dos holandeses do Brasil e 
foi o primeiro grande movimento nativista, no qual 
se uniram o branco, o negro e o índio em uma causa 
comum. Seus líderes foram: o índio Felipe Camarão 
(Poti), o branco André Vidal de Negreiros e o negro 
Henrique Dias.
Diversos combates marcaram o episódio: Batalha 
do Monte das Tabocas (tomada de Olinda); Primeira 
Batalha de Guararapes (1648); Segunda Batalha de 
Guararapes (1649).
Reunidos no Engenho de São João, os líderes insur-
retos de Pernambuco assinam um compromisso para 
lutar contra o domínio holandês na Capitania, em 15 de 
maio de 1645. A primeira vitória importante dos insur-
retos se deu no Monte das Tabocas, no atual município 
de Vitória de Santo Antão, dando ao seu líder, Antônio 
Dias Cardoso, o apelido de Mestre das Emboscadas. 
Os holandeses foram novamente derrotados 
graças a uma aliança dos mazombos, índios nativos e 
escravos negros que acabaram por trazer aos holan-
deses sucessivas derrotas: Cabo de Santo Agostinho, 
Pontal de Nazaré, Sirinhaém, Rio Formoso, Porto Calvo 
e Forte Maurício, até a recuperação de Olinda pelos 
rebeldes.
Os holandeses, devido à falta de alimentos, 
atacaram as plantações de mandioca nas vilas de São 
Lourenço, Catuma e Tejucupapo.
A Batalha de Tejucupapo acontece em 24 de abril 
de 1646 quando mulheres camponesas armadas de 
utensílios agrícolas e armas leves expulsaram os inva-
sores holandeses, fato considerado como a primeira 
importante participação militar da mulher na defesa 
do território brasileiro.
Cita-se também a relevância da Primeira Guerra An-
glo-Neerlandesa ou Anglo-Holandesa – de um total de 
4 guerras que ocorreram entre os Séculos XVII e XVIII, 
entre o Reino Unido e a República das Sete Províncias 
Unidas dos Países Baixos pelo controle das rotas ma-
rítimas, também conhecidas como Guerras Holande-
sas na Inglaterra e Guerras Inglesas nos Países Baixos. 
A Primeira Guerra Anglo-Neerlandesa (1652 a 1654) 
terminou com o Tratado de Westminster, mantendo 
em vigor a Lei da Navegação de 1651 – a República Ho-
landesa não pôde auxiliar os holandeses no Brasil. 
No entanto, ao fim da guerra, os holandeses 
exigiram a devolução da colônia em maio de 1654 e, 
sob ameaça, Portugal se compromete a indenizar a 
Holanda em 4 milhões de cruzados, por um período de 
16 anos, e permitir que permanecessem no Brasil as 
famílias holandesas que assim desejassem. 
Todavia, em 6 de agosto de 1661, a República da 
Holanda, por meio do Tratado de Haia, cede formal-
mente o Nordeste brasileiro a Portugal.
Quilombo dos Palmares
Zumbi dos Palmares, nascido na Capitania de Per-
nambuco, é considerado o maior herói negro do Brasil. 
Após a destruição do Quilombo de Palmares, Zumbi foi 
decapitado e sua cabeça exposta em praça pública no 
Recife. A data de sua morte foi adotada como o Dia da 
Consciência Negra.
O Quilombo dos Palmares localizava-se na Serra da 
Barriga, na Capitania de Pernambuco, hoje município 
alagoano de União dos Palmares. Os quilombos, de 
maneira geral, representavam uma ameaça à ordem 
escravocrata e à economia do açúcar, pois, nessas 
áreas, os negros fugidos dos engenhos tentavam 
reviver o modo de vida africano. 
Houve um aumento no número de quilombos, que 
é provocado pela ocupação holandesa em Pernambu-
co, pois os escravos, aproveitando a desorganização 
produzida pela guerra, fugiam em maior quantidade. 
O famoso batalhão de negros comandados pelo negro 
Henrique Dias, que combateu durante a Insurreição 
Pernambucana, também combateu o quilombo dos 
Palmares. 
Palmares foi o maior dos quilombos do período 
colonial. Existem relatos de sua existência desde 1602, 
bem como há o registo do envio de expedições pelo go-
vernador-geral da Capitania de Pernambuco para pôr 
fim ao aldeamento situado na Capitania de Pernam-
buco, entre os atuais estados de Alagoas e Pernam-
buco, em uma região de palmeiras (daí o seu nome). 
Palmares teve sua população estimada entre 6 mil e 20 
mil pessoas e tornou-se o símbolo de rebeldia e resis-
tência escrava.
 A presença holandesa na região trouxe aos 
escravos uma oportunidade para a fuga, levando-
-os a instalar em Palmares um “Estado” baseado na 
pequena propriedade e na policultura. No entanto, 
após a expulsão dos holandeses, o quilombo passou 
a sofrer ataques dos fazendeiros e das autoridades. A 
resistência foi árdua e garantiu uma duração de quase 
um século, liderada pelo rei Ganga Zumba e por seu 
sucessor, Zumbi.
Movimentos Nativistas e Separa-
tistas Durante o Período Colonial
Conjuração de “Nosso Pai”, Guerra dos Mascates, 
Conspiração dos Suaçunas e Revolução Pernambucana.
Conjuração de “Nosso Pai” (1666) 
O centro da revolta foi o Porto do Recife, no século 
XVII, quando a Capitania de Pernambuco lutava para 
reconstruir suas principais cidades – Recife e Olinda – 
destruídas na luta contra os holandeses.
Os senhores de engenho de Olinda, devido à sua 
contribuição na expulsão dos holandeses, queriam re-
conhecimentos por parte da Coroa Portuguesa.
No entanto, Portugal enviou Jerônimo de 
Mendonça Furtado para governar a Capitania. Porém, 
os pernambucanos é que se julgavam merecedores de 
ocupar tal função, e não um estrangeiro. O governador 
foi apelidado de Xumberga (ou Xumbregas) – referên-
cia ao general alemão Von Schomberg, mercenário que 
lutara na Guerra da Restauração, por ter um bigode se-
melhante ao dele.
A presença no Porto do Recife de uma esquadra 
francesa foi o estopim do movimento que culminou 
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com a prisão e a deposição do Governador, que foi 
acusado de estar a serviço dos estrangeiros que se pre-
paravam para atacar e saquear a província.
Guerra dos Mascates (1710-1711)
Ocorreu na então Capitania de Pernambuco e é 
considerada como um movimento nativista pela histo-
riografia.
Muitos comerciantes vindos de Portugal logo após 
a invasão holandesa eram chamados, pejorativamente, 
de “mascates”, estabeleceram-se no Recife e fizeram 
com que a vila prosperasse. Olinda, por sua vez, não via 
com bons olhos esse crescimento baseado no comércio, 
pois grande parte de seus moradores era formada por 
senhores de engenho em dificuldades econômicas. 
Assim, estes foram apelidados pelos recifenses de “pés-
-rapados” por não possuírem dinheiro. Tal situação 
mostra a decadênciaeconômica de Olinda que sofria 
com suas dívidas financeiras em crescimento. 
A economia da região encontrava-se em crise 
devido à baixa do açúcar no mercado internacional e 
da concorrência do açúcar produzido pelos holandeses 
nas Antilhas. 
Os senhores de engenho de Olinda entraram em 
decadência pela queda dos lucros na produção açu-
careira e começam a se endividar para saldar suas 
dívidas. Os comerciantes portugueses do Recife 
possuíam dinheiro para emprestar aos senhores de 
Olinda, porém, com juros altíssimos, ocasionando um 
endividamento cada vez maior dos olindenses.
O conflito de interesses entre a oligarquia açuca-
reira pernambucana e os comerciantes deu origem à 
Guerra dos Mascates, considerada como um movimen-
to nativista.
Os senhores de engenho dependiam dos comer-
ciantes portugueses, devido aos empréstimos. Porém, 
não aceitavam a emancipação político-administrativa 
do Recife que se subordinava à comarca de Olinda. 
A emancipação foi um agravante na situação dos 
senhores de engenho que deviam fortunas aos burgue-
ses do Recife que, por meio da elevação à categoria de 
vila, passava a ter igualdade política com Olinda.
Olinda era a principal cidade de Pernambuco até 
o final do século XVII e lá moravam os ricos senhores 
de engenhos. Todavia, Recife crescia com o avanço do 
comércio e dos empréstimos e, conscientes de sua im-
portância, os comerciantes pediram ao rei de Portugal 
que o povoado fosse elevado à condição de vila. 
Em 1710, quando da separação das duas cidades 
e da elevação do povoado à condição de vila, os co-
merciantes inauguraram o Pelourinho e o prédio da 
Câmara Municipal, separando formalmente Recife de 
Olinda, a sede da capitania. Os senhores de Olinda se 
revoltaram, liderados por Bernardo Vieira de Melo, e 
os comerciantes mais ricos do Recife, sem condições 
de oferecer resistência, fugiram para não serem cap-
turados. As hostilidades ocorreram em Vitória de Santo 
Antão, lideradas pelo seu Capitão-mor, Pedro Ribeiro 
da Silva. Estas forças, em Afogados, tiveram reforços 
vindos de São Lourenço e de Olinda, sob a lideran-
ça de Bernardo Vieira de Melo e de seu pai, o coronel 
Leonardo Bezerra Cavalcanti. Assim, invadiram Recife, 
demolindo o Pelourinho, rasgando o Foral régio, li-
bertando os presos e perseguindo pessoas ligadas 
ao governador Sebastião de Castro Caldas Barbosa 
(mascates) que se retirou para a Bahia, deixando o 
governo da capitania a cargo do bispo Manuel Álvares 
da Costa. 
Os mascates contra-atacaram em 1711 e invadiram 
Olinda incendiando engenhos e vilarejos na região.
Foi nomeado como governador Felix José de 
Mendonça; ocorreu a intervenção de Portugal, ainda 
em 1711, que prendeu os líderes da rebelião e Recife 
foi elevada à condição de capital de Pernambuco. Com 
a vitória dos comerciantes, essa guerra apenas rea-
firmou o predomínio do capital mercantil (comércio) 
sobre a produção colonial.
01. Olinda e Recife viveram momentos históricos 
diferentes desde os tempos da colonização por-
tuguesa. Chegaram, inclusive, a ter conflitos 
que assinalavam divergências de interesse. Um 
deles, a Guerra dos Mascates, 
a) mostrou a decadência econômica de Olinda, que 
sofria com suas dívidas financeiras em cresci-
mento. 
b) afirmou a importância política do Recife, com 
seu rico porto, independente até das ordens 
vindas de Portugal. 
c) consagrou o poderio da aristocracia olindense, 
com amplo domínio da produção do açúcar na 
colônia. 
d) consolidou o governo de Castro e Caldas, aliado 
dos recifenses e líder político no conflito. 
e) criou condições para recuperação de Olinda, di-
ficultando as atividades comerciais do Recife. 
RESPOSTA: A. O conflito é considerado um movimento 
“nativista”, no qual aparece um sentimento antilusi-
tano, mas que não propõe a ruptura do pacto colonial. 
A Guerra dos Mascates envolveu principalmente os 
fazendeiros de Olinda vinculados à produção açuca-
reira, endividados desde a expulsão dos holandeses e 
o início da concorrência antilhana, contra os privilé-
gios que os mercadores do Recife – de origem portu-
guesa – possuíam em termos econômicos e políticos. 
Estes, por se dedicarem ao comércio, eram chamados, 
pejorativamente, de “mascates”, e os olindenses en-
dividados receberam a alcunha de “pés-rapados”. 
Conspiração dos Suassunas (1801)
Revolta que se registrou em Olinda no começo do 
século XIX e que influenciada pelos ideais do Iluminis-
mo e pela Revolução Francesa de 1789. Salienta-se que 
podem ser encontradas as duas grafias: Suassunas e 
Suaçunas. As revoltas tornavam claras as insatisfações 
dos colonos contra os desmandos de Portugal. A divul-
gação das ideias liberais aprofundava a crise do sistema 
colonial. Nesse contexto, a Conspiração dos Suassunas 
em Pernambuco estimulou o debate político contra o 
sistema colonial português. 
Manuel Arruda Câmara – membro da Sociedade 
Literária do Rio de Janeiro – está entre os fundado-
res, em 1796, da primeira Loja Maçônica do Brasil, o 
Areópago de Itambé, localizada no município pernam-
bucano de Itambé, da qual não participavam europeus. 
Discutiam-se essas “novas ideias” que também eram 
debatidas por padres e alunos do Seminário de Olinda, 
fundado pelo bispo dom José Joaquim da Cunha 
Azeredo Coutinho em 16 de fevereiro de 1800. Esta ins-
tituição teve, entre os seus membros, o padre Miguel 
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Joaquim de Almeida Castro (padre Miguelinho), um 
dos futuros implicados na Revolução Pernambucana 
de 1817.
As discussões dos ideais filosóficos e políticos do 
Iluminismo despertaram uma conjuração contra o 
domínio português no Brasil, com o objetivo de eman-
cipação de Pernambuco, de modo a constituir-se uma 
república sob a proteção de Napoleão Bonaparte.
Entre os conspiradores, encontramos os irmãos 
Cavalcanti – Luís Francisco de Paula, José Francisco de 
Paula Cavalcanti de Albuquerque e Francisco de Paula 
– este proprietário do Engenho Suaçuna, que daria 
nome ao movimento.
A 21 de maio de 1801, ocorreu a detenção de 
diversos implicados que acabaram sendo absolvi-
dos por falta de provas e, em 1802, o Areópago foi 
fechado, reabrindo depois com o nome de Academia 
dos Suaçunas.
Revolução Pernambucana (1817)
A bandeira da Revolução Pernambucana de 1817, 
cujas estrelas representam Pernambuco, Paraíba e 
Ceará, inspirou a atual bandeira de Pernambuco.
A Revolução Pernambucana, caracterizada por 
um profundo sentimento antilusitano e intensa parti-
cipação política do clero local, chegou, por isso, a ser 
também conhecida como “Revolução dos Padres” e 
iniciou-se em 6 de março de 1817 na Província de Per-
nambuco. 
As causas principais do movimento são a crise 
econômica da região em função da grande seca que 
atingiu Pernambuco em 1816 acentuando a fome e a 
miséria, a consequente queda na produção do açúcar 
e do algodão, que eram a base da economia da região 
e, ainda, a concorrência do algodão nos Estados Unidos 
e do açúcar na Jamaica; a pressão dos abolicionistas na 
Europa criava restrições ao tráfico de escravos, encare-
cendo a mão de obra; a influência das ideias Iluminis-
tas que eram divulgadas pelas sociedades maçônicas; 
o governo absolutista de Portugal, contrário a estas 
ideias e os enormes gastos da Família Real recém-
-chegados ao Brasil, já que Pernambuco devia enviar 
ao Rio de Janeiro dinheiro para pagar salários, comidas, 
roupas e festas da Corte e, ainda, para manter a ilumi-
nação pública no Rio de Janeiro, enquanto em Pernam-
buco vivia-se às escuras, gerando descontentamento 
junto à população. Foi o único movimento separatista 
do período colonial que ultrapassou a fase conspirató-
ria e atingiu o processo revolucionário de tomada do 
poder, já que o movimento buscava a independência 
de Pernambuco sob um regime republicano. Diversa-
mente dos outros eventos que a precederam, somente 
essa revolução rompeu efetivamente com a monar-
quia e com os seus valores. 
O comandante do Regimento de Artilharia, 
Barbosa de Castro, foi morto a golpesde espada pelo 
Capitão José de Barros Lima, o “Leão Coroado” que, 
na companhia de outros militares rebelados, ergueu 
trincheiras nas ruas vizinhas para impedir o avanço das 
tropas monarquistas. O governador Caetano Pinto de 
Miranda Montenegro refugiou-se no Forte do Brum, 
mas, cercado, acabou se rendendo.
Os principais líderes do movimento foram 
Domingos José Martins, Antônio Carlos de Andrada e 
Silva e Frei Caneca, que dominaram o Governo Provin-
cial, tomaram posse do tesouro da província e instalam 
um governo provisório com a proclamação de uma Re-
pública.
Foi convocada uma Assembleia Constituinte, em 
29 de março, com representantes eleitos em todas as 
comarcas. Entretanto, os principais líderes da revolta 
não se guiavam pelos interesses das camadas popu-
lares, mas pelas ideias liberais francesas. Apesar de o 
governo revolucionário ter decretado ser represen-
tante de todas as classes, a constituição revolucioná-
ria garantia o “direito de propriedade”, que na época 
significava inclusive “propriedade de escravos”. Es-
tabeleceu-se, assim, a separação dos três Poderes; o 
catolicismo foi mantido como religião oficial, porém, 
com liberdade de culto; decretou-se a liberdade de 
imprensa e foram abolidos alguns impostos. A escravi-
dão, no entanto, foi mantida.
O descontentamento da população e o aumento 
do sentimento patriótico puderam ser percebidos por 
pequenos atos de rebeldia, tais como o uso de aguar-
dente nas missas no lugar do vinho e hóstias feitas de 
mandioca no lugar do trigo.
O movimento expandiu-se, então, para outras 
províncias, pois os revolucionários desejavam formar 
uma república e, até mesmo, a constituição de uma 
“República de Lavradores”. Pernambuco, no entanto, 
não obteve apoio das províncias vizinhas, pois na 
Bahia, o emissário da revolução, José Inácio Ribeiro de 
Abreu e Lima, o Padre Roma, foi preso ao desembar-
car e fuzilado por ordem do governador, o Conde dos 
Arcos. No Rio Grande do Norte, André de Albuquer-
que Maranhão, um grande proprietário de engenho, 
prendeu o governador, José Inácio Borges, e ocupou 
Natal, formando uma junta governativa. Todavia, não 
despertou o interesse da população e foi tirado do 
poder em poucos dias. O jornalista Hipólito José da 
Costa foi convidado para o cargo de ministro plenipo-
tenciário da nova república em Londres, mas recusou. 
No Ceará, Bárbara de Alencar, a primeira mulher 
heroína do Brasil e seu filho Tristão Araripe, cujo nome 
Tristão Gonçalves Pereira de Alencar, na Confederação 
do Equador, ele o alterou para Tristão Gonçalves de 
Alencar Araripe, aderiram ao movimento, mas foram 
detidos pelo Capitão-mor do Crato, José Pereira Fil-
gueiras, sendo que este também participou da luta 
pela Independência do Brasil no Maranhão e da Confe-
deração do Equador, quando se uniu a Tristão Gonçal-
ves contra o governo imperial, sendo considerado um 
de seus heróis.
Tropas enviadas da Bahia, chefiadas por Luís do 
Rego Barreto, avançaram pelo sertão pernambuca-
no, enquanto uma força naval, despachada do Rio de 
Janeiro, bloqueou o Porto do Recife. No interior, a 
batalha decisiva foi travada na localidade de Ipojuca. 
Derrotados, os revolucionários tiveram de recuar em 
direção ao Recife. 
Antônio Gonçalves Cruz, o Cruz Cabugá, em maio 
de 1817, desembarcou na Filadélfia (Estados Unidos) 
com 800 mil dólares (valor atualizado ao câmbio de 
2007 em aproximadamente 12 milhões de dólares) 
na bagagem com três missões: comprar armas para 
combater as tropas de D. João VI; convencer o governo 
americano a apoiar a criação de uma república in-
dependente no Nordeste brasileiro; recrutar revo-
lucionários franceses exilados nos Estados Unidos e 
libertar Napoleão Bonaparte exilado na Ilha de Santa 
Helena e levá-lo ao Recife para comandar a Revolução 
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Pernambucana. Nesse momento, no entanto, os revo-
lucionários pernambucanos já estavam próximos da 
rendição. 
Em 19 de maio as tropas portuguesas enviadas 
por terra e mar entraram no Recife e encontraram a 
cidade abandonada e sem defesa. O governo provi-
sório, isolado, rendeu-se no dia seguinte em função a 
forte repressão que se iniciou e os líderes seriam su-
mariamente executados. Todavia, apesar de sentenças 
severas, um ano depois todos os revoltosos foram anis-
tiados, e apenas quatro haviam sido executados. 
Apesar de menos de três meses no poder, o movi-
mento abalou a confiança de D. João VI em construir 
um império americano. 
A repercussão da Revolução Pernambucana con-
tribuiu para facilitar o processo de emancipação de 
Alagoas, que obteve sua autonomia pelo Decreto de 
16 de setembro de 1817. O desmembramento da 
Comarca de Alagoas da jurisdição de Pernambuco 
foi sancionado por D. João VI, pois seus proprietários 
rurais haviam se mantido fiéis à Coroa, e como recom-
pensa, puderam formar uma província independente. 
Instituições Eclesiásticas3
A organização da Igreja em Portugal irá influenciar 
a forma como ocorrerá a organização eclesiástica no 
Brasil-Colônia, onde pelo fato de existir um distancia-
mento entre as instituições eclesiásticas e Roma, irá 
ocorrer certo relaxamento no comportamento e nos 
costumes do clero durante o período colonial.
No início do século XV, a Europa cristã sofria fortes 
ameaças ante o avanço dos turcos por todo o conti-
nente. Assim, a expansão empreendida pelos portu-
gueses representou uma reação cristã no ambiente 
da Santa Sé. A Ordem de Cristo, ramo português dos 
extintos Templários, tornou-se a base da instituição do 
Padroado em Portugal com o rei, Dom Henrique, o Na-
vegador, obtendo o título de “regedor e conservador” 
da Ordem.
Em 13 de março de 1456, o Papa Calisto III expediu 
a Bula Inter Coetera, o fundamento do direito do 
Padroado no Brasil durante a fase colonial. 
Em 1522, o Papa Adriano concedeu a Dom João 
III a dignidade de Grão-Mestre da Ordem de Cristo, 
título este que passou a pertencer a todos os reis de 
Portugal, demonstrando um compromisso entre Roma 
e o governo de Portugal.
O direito de Padroado passou a significar direito 
de conquista, e Portugal se estabeleceu então como 
senhor dos mares “nunca dantes navegados”, organi-
zador da Igreja em termos de conquista e redução dos 
indígenas, implantador da aliança entre missão e colo-
nização.
Reunindo os direitos políticos de realeza e os títulos 
de Grão-Mestre de ordens religiosas, os monarcas por-
tugueses passaram a exercer nas colônias e terras con-
quistadas o domínio político e religioso. Essa aliança 
em torno de interesses religiosos, políticos e econômi-
cos acabou por fortalecer as monarquias nacionais e o 
poder real.
Em 1514, D. Manuel, rei de Portugal, conseguiu o 
direito de “provisão” de bispados, paróquias, cargos 
3  FRANÇA, Anna Laura Teixeira de. O comportamento do Clero Pernam-
bucano no Século XVIII. UFPE. Disponível em: <www.abhr.org.br>. Acesso 
em: março de 2016. Adaptado. 
clericais em geral, em troca de financiamentos para 
a construção e conservação dos edifícios do culto e a 
remuneração do clero. Isso trouxe para o Brasil fortes 
consequências para a organização da Igreja Católica, ou 
seja, nenhum clérigo partia de Portugal para a colônia 
sem autorização explícita do rei, que exigia audiência 
particular com juramento de fidelidade. Além disso, os 
bispos não podiam corresponder-se diretamente com 
Roma. Dessa forma, dificilmente se estabeleciam co-
municações entre Roma e a Igreja no Brasil, durante o 
período colonial.
Em Portugal, o clero, tal como a nobreza, formava 
uma estrutura privilegiada da sociedade, e o clero di-
vidia-se em duas categorias: o clero secular, formado 
pelos bispos, cônegos, párocos, abades e clérigos, e o 
clero regular, subordinado a uma hierarquia própria.
Devido ao Padroado Régio, a influência de Roma 
sobre o clero no Brasil foi mínima, principalmente em 
se tratando de fortalecer a Igreja Católica e impedir 
o avanço dos Protestantes, pois Portugal não se con-
centrou em combater as novas religiões, e sim, evitar 
mudançasno interior da Igreja Católica. Entre 1551 e 
1676, no Brasil, só havia a diocese de Salvador na Bahia.
No sistema do Padroado, ficou estabelecido que 
os recursos financeiros fossem do Brasil ao Reino na 
forma de dízimos eclesiásticos e, do Reino ao Brasil, 
voltavam as redízimas. A cobrança dos dízimos era um 
expediente já utilizado pela Igreja Católica, durante a 
Idade Média, para o sustento do culto e dos seus minis-
tros, já as redizimas eram uma contribuição da Coroa 
para o sustento do culto e do clero que vinham para o 
Brasil quase sempre em forma de doações e “verbas” 
precárias e provisórias, o que deixava o clero colonial 
em péssima situação. 
O clero secular, no Brasil, era responsável pela ad-
ministração dos sacramentos, como o batismo, o casa-
mento, a confissão anual na Quaresma, os ritos funerá-
rios e as missas de sétimo dia que eram ministrados a 
toda a população, e não apenas aos grupos que os acei-
tavam livremente, ou seja, eram obrigatórios. O vigário 
fazia visita regulares às diferentes capelas para minis-
trar os sacramentos à população, viajando a cavalo 
em uma rede carregada por escravos. A pregação era 
reservada aos missionários do clero regular, enquanto 
os vigários de paróquias cuidavam dos problemas dis-
ciplinares da sociedade e ministravam os sacramentos.
O clero secular dividia-se em alto clero, que era 
formado pelo arcebispo e pelos bispos, que eram pagos 
com os recursos eclesiásticos do Padroado, e em baixo 
clero, abrangendo os capelães e os curas de paróquia 
que, mais próximos da população, também comparti-
lhavam de suas privações.
O clérigo, no período colonial, era o funcionário 
responsável pelos assuntos eclesiásticos, e o termo 
“funcionário” mostra o quanto as colônias dependiam 
de Portugal, situação que permanece até o Império. 
O sacerdócio era considerado como uma profissão e 
como tal recebia a côngrua, espécie de provento con-
cedido pelo governo. Para suprir a deficiência de seus 
recebimentos da Coroa Portuguesa, o clero se encarre-
gava de cobrar as “conhecenças”, que eram cobradas 
dos fiéis que cumpriam os preceitos da confissão anual 
e da comunhão pessoal. Esses sacramentos eram ad-
ministrados à população em geral, sendo considera-
dos obrigatórios dentro da sociedade colonial. Ofi-
cialmente, no entanto, o clero era pago pelos dízimos 
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eclesiásticos, que eram canalizados para o rei como 
Grão-Mestre da Ordem de Cristo, e redistribuídos à 
Igreja por intermédio dos governadores.
 O clero tinha sua formação teológica a partir dos 
colégios dos jesuítas, porém, não havia condições de se 
atualizar dadas às distâncias e dificuldades em obter, 
durante o período colonial, de quaisquer tipos livros. 
No sertão, a formação era ainda mais limitada uma vez 
que possuíam, na maioria das vezes, apenas o essencial 
para a administração dos ritos da fé católica.
Nos centros urbanos, os clérigos, pelo fato da 
côngrua ser pequena, para garantir certo conforto, 
praticavam profissões não clericais, apesar de proibi-
das pelo direito canônico de serem fazendeiros, co-
merciantes, professores ou donos de hospedarias.
A partir do século XVIII, muitos clérigos se envolve-
ram em atividades políticas sob a influência das ideias 
liberais e iluministas. Em Pernambuco, em 1688, D. 
Matias Figueiredo substituiu o governador Fernão 
Cabral que acabava de falecer, e D. Álvares da Costa 
teve que assumir o governo abandonado por Sebastião 
de Castro e Caldas durante a Guerra dos Mascates.
Liberdade, promiscuidade e relaxamento moral 
marcaram a sociedade colonial, pois a condição 
colonial proporcionava certa facilidade de relações 
com escravas e, segundo Gilberto Freyre, no século 
XVI, com exceção dos jesuítas – “donzelões intransi-
gentes”, padres e frades de ordens em grande número 
se “amancebaram” com índias e negras; os clérigos 
de Pernambuco e da Bahia escandalizaram o Padre 
Nóbrega.
A população reclamava, ainda, das propostas de-
sonestas que alguns clérigos faziam às mulheres que 
iam se confessar, mostrando o quão deficiente era 
a formação moral e cultural na região açucareira. E 
apesar dos deslizes e abusos cometidos, é importante 
atentar para a alta estima que a sociedade tinha pelo 
sacerdote, pois este estava associado a uma extraor-
dinária força e influência por parte da Igreja Católica. 
Assim, o padre era o ministro dos sacramentos, o ce-
lebrante dos atos litúrgicos, o conselheiro e confes-
sor, o mestre da doutrina da Igreja, o árbitro moral em 
muitas crises na família e nos grupos sociais.
Para tentar conter o afastamento dos padres da 
ordem imposta, as autoridades eclesiásticas na Colônia 
procuram resolver a questão no Sínodo Diocesano de 
1707, em Salvador, onde as Constituições Primeiras 
do Arcebispado da Bahia estabeleciam um código de 
direção dos costumes, fim dos vícios, abusos e mode-
ração dos crimes.
Este sínodo foi um grande passo para a regulariza-
ção da Igreja no período colonial, pois o clero no Brasil 
colonial era coordenado pelas constituições do Arce-
bispado de Lisboa. O sínodo foi obra do arcebispo da 
Bahia, D. Sebastião Monteiro da Vide, que convocou os 
bispos do Rio de Janeiro, de Pernambuco, de Angola e 
de São Tomé para um Concílio Provincial. Mas estando 
vagos os bispados de Pernambuco e de São Tomé, e 
faltando o bispo do Rio de Janeiro, modificou o arce-
bispo seus planos e celebrou somente um Sínodo Dio-
cesano, em que tomou parte grande número de altas 
personalidades da Igreja tanto do clero secular quanto 
do regular.
A situação do clero no Brasil-Colônia, seu distancia-
mento da Cúria Romana em função do Padroado, seu 
afastamento dos preceitos da Santa Sé e a ausência de 
recato preocupavam a Igreja em Portugal, não sendo 
raros os casos de homossexualidade, de excessos no 
trajar-se, de corrupção, de sedução de mulheres, fora 
o mais frequente dos delitos em que se envolviam os 
padres: o concubinato. Assim, as Constituições repri-
miam os sacerdotes não só dos pecados da carne, mas 
também de desvios de comportamento. 
01. Observe a imagem a seguir:
Ela ilustra um engenho de açúcar, típica unidade de 
produção do Nordeste colonial. Com base na imagem e 
na realidade histórica por ela ilustrada, assinale a alter-
nativa CORRETA. 
a) Esse engenho movido por força hidráulica é uma 
realidade do século XVIII, embora anteriormente 
fosse utilizada a força humana ou a força animal 
para fazê-lo funcionar. 
b) A presença exclusiva de mão de obra escrava 
negra, na imagem, denota a exclusão dos indíge-
nas como trabalhadores, escravos ou livres, da 
indústria açucareira. 
c) Engenhos de grande porte, como o da ilustração, 
só foram introduzidos na América Portuguesa 
em meados do século XVII, pelos holandeses que 
ocupavam a capitania de Pernambuco. 
d) A mão de obra utilizada nos engenhos, escrava 
ou livre, muitas vezes, era formada por trabalha-
dores especializados. 
e) A mão de obra indígena só foi utilizada, no 
período colonial, em regiões como São Paulo 
e Rio de Janeiro, não se fazendo presente nos 
engenhos do Nordeste colonial. 
02. A presença dos holandeses foi marcante na 
história dos tempos coloniais. De fato, os holan-
deses possuíam grande poder de investimento e 
tinham rivalidades com outras nações da Europa. 
No Brasil, a presença holandesa em terras per-
nambucanas: 
I. deu-se, apenas, devido às rivalidades religiosas 
existentes entre católicos e protestantes, res-
ponsáveis por guerras contínuas e influentes na 
gestão das terras americanas. 
II. favoreceu o crescimento da produção açuca-
reira, afastou a Espanha de Portugal e trouxe 
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vantagens para as relações políticas com a demo-
cracia. 
III. movimentou o mercado internacional do açúcar, 
alterou relações diplomáticas e trouxe novas 
práticas sociais. 
IV. derrubou os preconceitos contra a mão de obra 
escrava e recuperou Pernambuco da forte crise 
econômica que atravessava. 
V. trouxe novos hábitos para a colônia, com a vindadas ideias renascentistas, embora não tenha con-
solidado a aceitação da religião protestante na 
sociedade da época. 
Assinale a alternativa que contenha a sequência 
correta: 
a) III e V são corretas.
b) II, III e V são corretas.
c) I, II, III e V são corretas.
d) Apenas a V é correta.
e) I, II e III são corretas.
03. O trabalho escravo garantia a colonização, 
mesmo que atingisse a dignidade humana e se 
chocasse com os princípios da religião católica 
romana, uma das instituições articuladoras 
da ocupação das terras americanas. No Brasil 
colonial, o trabalho escravo: 
I. foi usado nas plantações de cana de açúcar, 
mas recebeu a condenação dos holandeses no 
período de suas invasões às terras pernambuca-
nas. 
II. definiu a identidade cultural da sociedade da 
época, sendo aceito, pelos nativos, sem resis-
tência, em todas as atividades econômicas da 
colônia. 
III. contou com a participação de comerciantes 
europeus nas conexões com a África, favorecen-
do os países poderosos, como a Inglaterra. 
IV. estendeu-se pela região sudeste, mas não par-
ticipou, com destaque, da exploração do ouro, 
devido à falta de preparo técnico dos trabalhado-
res. 
V. conseguiu fixar-se na monocultura, com 
presença marcante na produção do açúcar, o que 
não o impediu de existir, embora com menos in-
tensidade, nas vilas e cidades da colônia. 
Assinale a alternativa correta:
a) I, II, III e V são corretas.
b) II, III e V são corretas.
c) I e V são corretas.
d) III e V são corretas.
04. Muitas revoltas tornavam claras as insatisfações 
dos colonos contra os desmandos de Portugal. 
Havia também a divulgação das ideias liberais, 
importantes para aprofundar a crise do sistema 
colonial. Nesse contexto, a Conspiração dos 
Suassunas em Pernambuco 
a) destacou-se pela sua organização militar e seu 
ideário iluminista. 
b) estimulou o debate político contra o sistema 
colonial português. 
c) firmou a existência de núcleos politicamente 
conservadores. 
d) foi sem importância para o movimento libertário 
de Pernambuco. 
e) era um movimento restrito aos intelectuais do 
Seminário de Olinda. 
05. O Brasil foi colonizado com a ajuda marcante 
da Igreja Católica. Algumas rebeliões coloniais 
contaram com a participação ativa de membros 
do clero católico liberal.
Entre elas, destacam-se a : 
a) Guerra dos Emboabas 
b) Revolta dos Alfaiates 
c) Guerra dos Mascates 
d) Revolução de 1817 
e) Inconfidência Mineira 
06. Um dos temas constantes na história do Brasil 
refere-se à escravidão. Muitas explicações são 
atribuídas ao fato de que a escravidão indígena 
foi sendo substituída pela africana. Analise aten-
tamente as afirmações abaixo:
I. A principal razão pela qual a escravidão indígena 
foi sendo substituída pela africana, deve-se ao 
fato de que o indígena era preguiçoso, preferia 
pescar e caçar a trabalhar forçado na agricultura.
II. O africano era uma raça mais adaptada ao 
trabalho agrícola, principalmente ao trabalho 
físico pesado. Na África, já estava habituado a 
esse tipo de atividade e, por essa razão, ele se 
adaptou melhor que os indígenas.
III. Os indígenas se rebelavam com mais frequência 
contra o trabalho escravo que lhes era imposto, 
porque sua religião tinha como um dos manda-
mentos fundamentais o exercício da liberdade. 
IV. A morte dos povos indígenas - em razão dos 
ataques dos brancos e do contágio de doenças - 
além da proteção da Igreja, que condenava a es-
cravidão desses povos, gerou a busca pela alter-
nativa do trabalho escravo africano.
V. É completamente equivocada a afirmação de que 
o africano se adaptou melhor à escravidão do que 
o indígena; qualquer povo livre sempre reagirá a 
qualquer tentativa de transformá-lo em escravo. 
a) IV e V são corretas.
b) I, II e III são corretas.
c) II e IV são corretas.
d) I e IV são corretas.
e) Apenas a II é correta.
07. Atribuiu-se aos revolucionários de 1817 a defesa 
da soberania popular, a separação entre os 
Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário), a 
liberdade de culto e de expressão e a igualda-
de de direitos. Sobre esse movimento é correto 
afirmar: 
a) A revolta civil e militar, de 1817 em Pernambuco, 
destituiu o governo e estabeleceu pela força das 
armas um governo republicano, dando mostras 
de uma verdadeira revolução popular. 
b) O governo republicano que se instalou em Per-
nambuco em 1817, encontrou a estratégia 
militar que lhe garantiu a permanência no poder 
até abril de 1822. 
c) A ajuda do governo português aos revoltosos de 
1817 em Pernambuco veio por meio de forças 
navais e terrestres, consolidando-se, então, o 
governo republicano revolucionário de Pernam-
buco. 
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ia
d) a origem de classe dos líderes do movimento 
republicano de 1817 não permitiu a radicaliza-
ção das mudanças nas estruturas econômicas e 
sociais existentes. 
e) Em razão da ampla repressão do governo por-
tuguês ao movimento de 1817, os líderes foram 
presos e executados, inclusive o Frei Joaquim do 
Amor Divino Rabelo e Caneca. 
08. As “revoluções libertárias” de Pernambuco, no 
século XIX, tinham um caráter separatista. A Re-
volução de 1817, entretanto, destacou-se por 
receber apoio de muitos padres católicos e da 
maçonaria.
Sobre esta Revolução, podemos afirmar que: 
a) o governo revolucionário recebeu uma grande 
influência do Sinédrio, importante sociedade 
secreta de Portugal. 
b) o principal objetivo do movimento era liquidar o 
comércio a retalho dominado pelos portugueses. 
c) o seu líder maior - Frei Caneca - desejava a sepa-
ração do Império e a formação de uma confede-
ração. 
d) o movimento revolucionário foi essencialmente 
militar, porque não havia uma classe burguesa local. 
e) o governo provisório era representado pelos pro-
prietários rurais, pelo comércio, clero, magistra-
tura e forças armadas. 
09. Esta questão diz respeito à Revolução de 1817.
I. No início do século XIX, a Revolução de 1817, em 
Pernambuco, esteve articulada ideologicamen-
te com lutas burguesas nos Estados Unidos e na 
Europa.
II. A conspiração dos Suassunas está para a Revolu-
ção de 1817, assim como o 18 Brumário está para 
a Revolução Francesa.
III. A Revolução Pernambucana de 1817 foi vitoriosa 
em vários estados: na Paraíba, no Rio Grande do 
Norte, no Ceará, na Bahia e no Maranhão.
IV. Em Portugal, na cidade do Porto, a influência da 
Revolução de 1817 foi decisiva para a eclosão da 
Revolução Constitucional.
V. O período que antecedeu 1817 caracterizou-se 
por uma fase de recessão que atingiu os preços 
do açúcar e do algodão no mercado internacio-
nal. 
a) Apenas a V é correta. 
b) I, II e V são corretas. 
c) I, II, III e V são corretas. 
d) I, III e IV são corretas. 
e) I e V são corretas.
10. (IAUPE-CONUPE) Maurício de Nassau chegou a 
Pernambuco em 1637, pretendendo pacificar a 
região e governar com a colaboração dos luso-
-brasileiros. Sobre o governo de Nassau, analise 
as proposições abaixo: 
I. Fundou, no interior da capitania, o Arraial do 
Bom Jesus para concentrar a resistência holande-
sa e, usando a tática de guerrilha, minar a resis-
tência dos pernambucanos. 
II. A Companhia das Índias Ocidentais concedeu 
créditos aos senhores de engenho para o reapa-
relhamento das propriedades, a recuperação dos 
canaviais e a compra de escravos. 
III. Nassau estimulou a vida cultural e investiu em 
obras urbanas, nos domínios holandeses. A 
cidade do Recife foi beneficiada com a constru-
ção de casas, pontes e obras sanitárias. 
IV. Embora o objetivo dos holandeses fosse o de 
expandir sua fé religiosa, o luteranismo, outras 
religiões foram toleradas, exceto o judaísmo. 
Está CORRETO o que se afirma em: 
a) I e II, apenas. 
b) II e III, apenas. 
c) II, III e IV, apenas. 
d) I, II e III, apenas. 
e) I, II, III e IV. 
11. (IAUPE-CONUPE) Sobre a Revolução Pernambu-
cana de 1817, é INCORRETO afirmar que 
a) os diversos grupos sociais envolvidos na revolta 
tinham como consenso o objetivo de proclamar 
a república. 
b) o movimentose inspirou na luta pela implanta-
ção de ideais democráticos no Estado Polonês, 
a qual se solidificou com a carta constitucional 
polonesa, que ficou conhecida como “A Polaca”. 
c) os rebeldes, que tomaram o poder em Pernam-
buco, construíram um governo provisório, que 
decidiu extinguir alguns impostos e elaborar uma 
constituição, decretando a liberdade religiosa 
e de imprensa e a igualdade para todos, exceto 
para os escravos. 
d) apesar de ter fracassado, a Revolução Pernambu-
cana foi o movimento mais importante de todos 
os outros precursores da independência, porque 
ultrapassou a fase de conspiração, e os revolto-
sos chegaram ao poder. 
e) tropas reais, enviadas por mar e terra, ocuparam 
a capital de Pernambuco, desencadeando 
intensa repressão. Os principais líderes foram 
presos e sumariamente executados.
01 D 07 D
02 A 08 E
03 D 09 E
04 B 10 B
05 D 11 B
06 A
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is CAPÍTULO 01 
Direitos Fundamentais - 
Regras Gerais
Os direitos e garantias fundamentais estão entre 
os temas mais cobrados em prova. Além de questões 
envolvendo a literalidade do texto constitucional, 
encontramos aqui muitas discussões doutrinárias e 
jurisprudências que tornam essa matéria uma fonte 
inesgotável de questões de prova. 
Procura-se nas próximas páginas apresentar as 
principais questões levantadas na doutrina e nos 
tribunais, sempre privilegiando as posições adotadas 
pelas bancas organizadoras de concurso público.
Inicia-se o estudo pelas Regras Gerais aplicáveis aos 
direitos fundamentais, tema que tem sido priorizado 
pelas maiores organizadoras de concursos do país.
Conceito
Os Direitos e garantias fundamentais são 
institutos jurídicos que foram criados no decorrer do 
desenvolvimento da humanidade e se constituem de 
normas protetivas que formam um núcleo mínimo de 
prerrogativas inerentes à condição humana. 
Amplitude Horizontal e Vertical
Possuem como objetivo principal a proteção do 
indivíduo diante do poder do Estado. Mas não só do 
Estado. Os direitos e garantias fundamentais também 
constituem normas de proteção do indivíduo em 
relação aos outros indivíduos da sociedade.
E é exatamente nesse ponto que surgem os 
conceitos de Amplitude Horizontal e Amplitude 
Vertical. Amplitude vertical é o efeito protetor 
que as normas definidoras de direitos e garantias 
fundamentais produzem para um indivíduo diante do 
Estado. Já a amplitude horizontal é o efeito protetor 
que as normas definidoras de direitos e garantias 
fundamentais produzem para um indivíduo diante dos 
outros indivíduos.
ESTADO
INDIVÍDUO INDIVÍDUO
Am
pl
itu
de
 V
er
tic
al
Amplitude Horizontal
Classificação
A Constituição Federal, quando se refere aos 
direitos fundamentais, classifica-os em cinco grupos:
 ˃ Direitos e deveres individuais e coletivos;
 ˃ Direitos sociais;
 ˃ Direitos de nacionalidade;
 ˃ Direitos Políticos;
 ˃ Partidos Políticos.
Essa classificação encontra-se distribuída entre os 
Arts. 5º e 17 do texto constitucional e é normalmente 
chamada pela doutrina de Conceito Formal dos 
Direitos Fundamentais. O Conceito Formal é o que a 
Constituição Federal resolveu classificar como sendo 
Direito Fundamental. É o rol de direitos fundamentais 
previstos expressamente no texto constitucional. 
Costuma-se perguntar nas provas: “O rol de 
direitos fundamentais é um rol exaustivo? Ou melhor, 
taxativo?” O que se quer saber é se o rol de direitos 
fundamentais é só aquele que está expresso na 
Constituição ou não.
Responde-se a essa questão com o parágrafo 2º do 
Art. 5º, que diz:
§ 2º - Os direitos e garanti as expressos nesta Consti -
tuição não excluem outros decorrentes do regime e 
dos princípios por ela adotados, ou dos tratados in-
ternacionais em que a República Federati va do Brasil 
seja parte.
Isso significa que o rol não é taxativo, mas 
exemplificativo. A doutrina costuma chamar esse 
parágrafo de Cláusula de Abertura Material, que é 
exatamente a possibilidade de existirem outros direitos 
fundamentais, ainda que fora do texto constitucional. 
Esse seria o Conceito Material dos direitos 
fundamentais, ou seja, todos os direitos fundamentais 
que possuem a essência fundamental, ainda que não 
estejam expressos no texto constitucional.
Características
O elemento jurídico acima abordado, além de 
explicar a possibilidade de se inserirem novos direitos 
fundamentais no rol dos que já existem expressamente 
na Constituição Federal, também constitui uma das 
características que serão abordadas a seguir:
 → Historicidade
Essa característica revela que os Direitos 
Fundamentais são frutos da evolução histórica da 
humanidade. Significa que eles evoluem com o passar 
do tempo.
 → Inalienabilidade
Os direitos fundamentais não podem ser alienados, 
não podem ser negociados, não podem ser transigidos.
 → Irrenunciabilidade
Os direitos fundamentais não podem ser 
renunciados.
 → Imprescritibilidade
Os direitos fundamentais não se sujeitam aos 
prazos prescricionais. Não se perde um direito 
fundamental pelo decorrer do tempo.
 → Universalidade 
Os direitos fundamentais pertencem a todas as 
pessoas, independentemente da sua condição.
 → Máxima efetividade 
Essa característica é mais uma imposição ao Estado, 
que está coagido a garantir a máxima efetividade dos 
direitos fundamentais. Esses direitos não podem ser 
ofertados de qualquer forma. É necessário que eles 
sejam garantidos da melhor forma possível.
 → Concorrência 
Os direitos fundamentais podem ser utilizados 
em conjunto com outros direitos. Não é necessário 
abandonar um para usufruir outro direito.
 → Complementariedade 
Um direito fundamental não pode ser interpretado 
sozinho. Cada direito deve ser analisado juntamente 
com outros direitos fundamentais, bem como com 
outros institutos jurídicos.
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is → Proibição do retrocesso
Essa característica proíbe que os direitos já 
conquistados sejam perdidos.
 → Limitabilidade 
Não existe direito fundamental absoluto. São 
direitos relativos. 
 → Não taxatividade 
Essa característica, já tratada anteriormente, 
diz que o rol de direitos fundamentais é apenas 
exemplificativo, tendo em vista a possibilidade de 
inserção de novos direitos.
Veja como esse tema costuma ser abordado em prova: 
01. (CESPE) Os direitos fundamentais, em que pese 
possuírem hierarquia constitucional, não são 
absolutos, podendo ser limitados por expressa 
disposição constitucional ou mediante lei 
promulgada com fundamento mediato na 
própria CF.
CERTO. Os direitos fundamentais, apesar de serem 
previstos na Constituição, não gozam de caráter 
absoluto. É possível que a Constituição, ou mesmo 
uma norma primária, estabeleça restrições a esses 
direitos. Por exemplo: Direito à vida. Restrição consti-
tucional: Pena de morte, Art. 5º, XLVII, da CF. Restrição 
legal: Legítima defesa ou estado de necessidade, Arts. 
23 – 25 do Código Penal.
Dimensões dos Direitos Fundamentais
As Dimensões, também conhecidas por Gerações 
de direitos fundamentais, são uma classificação 
adotada pela doutrina que leva em conta a ordem 
cronológica de reconhecimento desses direitos. São 
cinco as dimensões atualmente reconhecidas:
 ˃ 1ª Dimensão – foram os primeiros direitos 
conquistados pela humanidade. São direitos 
relacionados à liberdade, em todas as suasformas. Possuem um caráter negativo diante do 
Estado, tendo em vista ser utilizado como uma 
verdadeira limitação ao poder estatal, ou seja, o 
Estado, diante dos direitos de primeira dimensão, 
fica impedido de agir ou interferir na sociedade. 
São verdadeiros direitos de defesa com caráter 
individual. Estão entre estes direitos as liberdades 
públicas, civis e políticas. 
 ˃ 2ª Dimensão – estes direitos surgem na tentativa 
de reduzirem as desigualdades sociais provocadas 
pela primeira dimensão. Por isso, são conhecidos 
como direitos de igualdade. Para reduzir as 
diferenças sociais, o Estado precisa interferir na 
sociedade: essa interferência reflete a conduta 
positiva adotada por meio de prestações sociais. 
São exemplos de direitos de segunda dimensão: 
os direitos sociais, econômicos e culturais.
 ˃ 3ª Dimensão – aqui estão os conhecidos direitos 
de fraternidade. São direitos que refletem um 
sentimento de solidariedade entre os povos na 
tentativa de preservarem os direitos de toda a 
coletividade. São de terceira geração o direito ao 
meio ambiente saudável, o direito ao progresso da 
humanidade, ao patrimônio comum, entre outros.
 ˃ 4ª Dimensão – esses direitos ainda não possuem 
um posicionamento pacífico na doutrina, mas 
costuma-se dizer que nesta dimensão ocorre a 
chamada globalização dos direitos fundamentais. 
São direitos que rompem com as fronteiras 
entre os Estados. São direitos de todos os seres 
humanos, independentemente de sua condição, 
como o direito à democracia, ao pluralismo 
político. São também considerados direitos de 
4ª geração os direitos mais novos, que estão em 
construção, como o direito genético ou espacial.
 ˃ 5ª Dimensão – essa é a mais nova dimensão 
defendida por alguns doutrinadores. É formado 
basicamente pelo direito à paz. Esse seria o direito 
mais almejado pelo homem e que consubstancia 
a reunião de todos os outros direitos.
Deve-se ressaltar que esses direitos, à medida que 
foram sendo conquistados, complementavam os direitos 
anteriores, de forma que não se pode falar em substitui-
ção ou superação de uma geração sobre a outra, mas 
em cumulação, de forma que hoje podemos usufruir de 
todos os direitos pertencentes a todas as dimensões.
Tópico
Para não se esquecer das três primeiras dimensões 
é só lembrar-se do Lema da Revolução Francesa: 
liberdade, igualdade e fraternidade.
LIBERDADE IGUALDADE FRATERNIDADE
1ª DIMENSÃO
2ª DIMENSÃO
3ª DIMENSÃO
Titulares dos Direitos Fundamentais
Quem são os titulares dos direitos fundamentais?
A própria Constituição Federal responde a essa 
pergunta quando diz no caput do Art. 5º que são 
titulares “os brasileiros e estrangeiros residentes no 
país”. Mas será que é necessário residir no país para 
que o estrangeiro tenha direitos fundamentais?
Imaginemos um avião cheio de alemães que 
está fazendo uma escala no Aeroporto Municipal de 
Cascavel-PR. 
Nenhum dos alemães reside no país. Seria possível 
entrar no avião e matar todas aquelas pessoas, haja 
vista não serem titulares de direitos fundamentais 
por não residirem no país? É claro que não. Para 
melhor se compreender o termo “residente” o STF o 
tem interpretado de forma mais ampla no sentido 
de abarcar todos aqueles que estão no país. Ou 
seja, todos os que estão no território brasileiro, 
independentemente de residirem no país, são titulares 
de direitos fundamentais.
Mas será que, para ser titular de direitos 
fundamentais, é necessário ter a condição humana? 
Ao contrário do que parece, não é necessário. Tem-se 
reconhecido como titulares de direitos fundamentais 
as pessoas jurídicas. Ressalte-se que não só as pessoas 
jurídicas de direito privado, mas também as pessoas 
jurídicas de direito público.
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is Cláusulas Pétreas e os Direitos 
Fundamentais
O Art. 60, § 4º da Constituição Federal, traz o rol 
das chamadas Cláusulas Pétreas:
§ 4º - Não será objeto de deliberação a proposta de 
emenda tendente a abolir:
I. A forma federativa de Estado;
II. O voto direto, secreto, universal e 
periódico;
III. A separação dos Poderes;
IV. Os direitos e garantias individuais.
As Cláusulas Pétreas são núcleos temáticos 
formados por institutos jurídicos de grande 
importância, os quais não podem ser retirados da 
Constituição. Observe-se que o texto proíbe a abolição 
desses princípios, mas não impede que os mesmos 
sejam modificados, no caso, para melhor. Isso já foi 
cobrado em prova. É importante notar que o texto 
constitucional prevê no inciso IV como sendo Cláusulas 
Pétreas apenas os direitos e garantias individuais. Pela 
literalidade da Constituição, não são todos os direitos 
fundamentais que são protegidos por esse instituto, 
mas apenas os de caráter individual. Parte da doutrina 
e da jurisprudência entende que essa proteção 
deve ser ampliada, abrangendo os demais direitos 
fundamentais. Deve-se ter atenção com esse tema em 
prova, pois já foram cobrados os dois posicionamentos.
Eficácia dos Direitos Fundamentais
O § 1º do Art. 5º da Constituição Federal prevê que:
§ 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias 
fundamentais têm aplicação imediata.
Quando a Constituição Federal se refere à aplicação 
de uma norma, na verdade está falando da sua eficácia.
Esse tema, sempre cobrado em provas de concurso, 
costuma ser o “calcanhar de Aquiles” dos concurseiros. 
Com o intuito de obter uma melhor compreensão, é 
necessário conceituar, classificar e diferenciar os vários 
níveis de eficácia das normas constitucionais. 
Para que uma norma constitucional seja aplicada é 
indispensável que a mesma possua eficácia. 
Mas o que é eficácia?
Eficácia é a capacidade que uma norma jurídica 
tem de produzir efeitos.
Se os efeitos produzidos se restringem ao âmbito 
normativo, tem-se a chamada eficácia jurídica, ao passo 
que, se os efeitos são concretos, reais, tem-se a chamada 
eficácia social. Eficácia jurídica, portanto, é a capacidade 
que uma norma constitucional tem de revogar todas as 
outras normas que com ela apresentem divergência. Já 
a eficácia social, também conhecida como efetividade, 
é a aplicabilidade na prática, concreta, da norma. 
Todas as normas constitucionais possuem eficácia 
jurídica, mas nem todas possuem eficácia social. Logo, 
é possível afirmar que todas as normas constitucionais 
possuem eficácia. O problema surge quando uma norma 
constitucional não pode ser aplicada na prática, ou seja, 
não possui eficácia social.
Para explicar esse fenômeno, foram desenvolvidas 
várias classificações acerca do grau de eficácia de uma 
norma constitucional. A classificação mais adotada 
pela doutrina e mais cobrada em prova é a adotada 
pelo jurista José Afonso da Silva.1 Para esse estudioso, a 
eficácia social se classifica em:
 ˃ Eficácia Plena;
 ˃ Eficácia Contida;
 ˃ Eficácia Limitada.
As normas de eficácia plena são aquelas 
autoaplicáveis. São normas que possuem 
aplicabilidade direta, imediata e integral. Seus efeitos 
práticos são plenos. É uma norma que não depende de 
complementação legislativa para produzir efeitos. 
 » Ex.: Art. 1º; Art. 5º, caput e incisos XXXV e 
XXXVI; Art. 19; Art. 21; Art. 53; Art. 60, § 1º e 4º; 
Art. 69; Art. 128, § 5º, I e II; Art. 145, § 2º; entre 
outros.
As normas de eficácia contida também são 
autoaplicáveis. Assim como as normas de eficácia 
plena, elas possuem aplicabilidade direta e imediata. 
Contudo, sua aplicação não é integral. É neste ponto 
que a eficácia contida se diferencia da eficácia plena. 
A norma de eficácia contida nasce plena, mas pode ser 
restringida por outra norma. 
Daí a doutrina chamá-la de norma contível, 
restringível ou redutível. Essas espécies permitem que 
outra norma reduza a sua aplicabilidade. São normas 
que produzem efeitos imediatos, mas esses efeitos 
podem ser restringidos. 
 » Ex.: Art. 5º, VII, XII, XIII, XV, XXVII, XXXIII; Art. 9º; 
Art. 37, I; Art. 170, Parágrafo único; entre outros.
Já as normas de eficácia limitada são desprovidasde eficácia social. Diz-se que as normas de 
eficácia limitada não são autoaplicáveis, possuem 
aplicabilidade indireta, mediata e reduzida ou diferida. 
São normas que dependem de outra para produzirem 
efeitos. O que as difere das normas de eficácia contida 
é a dependência de outra norma para que produza 
efeitos sociais. Enquanto as de eficácia contida 
produzem efeitos imediatos, os quais poderão ser 
restringidos posteriormente, as de eficácia limitada 
dependem de outra norma para produzirem efeitos. 
Deve-se ter cuidado para não pensar que essas 
espécies normativas não possuem eficácia. Como se 
afirmou anteriormente, elas possuem eficácia jurídica, 
mas não possuem eficácia social. As normas de eficácia 
limitada são classificadas, ainda, em:
 ˃ Normas de eficácia limitada de princípio 
institutivo (organizativo ou organizatório);
 ˃ Normas de eficácia limitada de princípio 
programático.
As normas de eficácia limitada de princípio institutivo 
são aquelas que dependem de outra norma para 
organizar ou instituir estruturas, entidades ou órgãos. 
 » Ex.: Art. 18, § 2º; Art. 22, Parágrafo único; Art. 
25, § 3º; Art. 33; Art. 88; Art. 90, §2º; Art. 102, 
§1º; Art. 107, §1º; Art. 113; Art. 121; Art. 125, 
§3º; 128, §5º; Art. 131; entre outros.
As normas de eficácia limitada de princípio 
programático são aquelas que apresentam verdadeiros 
objetivos a serem perseguidos pelo Estado, programas a 
serem implementados. Em regra, possuem fins sociais. 
 » Ex.: Art. 7º, XI, XX, XXVII; Art. 173, §4º; Art. 196; 
Art. 205; Art. 215; Art. 218; Art. 227; entre outros.
1 Silva, José Afonso da. “Curso de Direito Constitucional Positivo”. 27ª 
edição. São Paulo: Malheiros, 2005.
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isO Supremo Tribunal Federal (STF) possui algumas 
decisões que conferiram o grau de eficácia limitada aos 
seguintes dispositivos:
 » Ex.: Art. 5º, LI; Art. 37, I; Art. 37, VII; Art. 40, § 
4º; Art. 18, §4º.
Feitas as considerações iniciais sobre esse tema, 
resta saber o que o §o 1º do Art. 5º da CF quis dizer com 
“aplicação imediata”. Para traduzir essa expressão, 
basta analisar a explicação apresentada acima. 
Segundo a doutrina, as normas que possuem aplicação 
imediata ou são de eficácia plena ou contida. Ao que 
parece, o texto constitucional quis restringir a eficácia 
dos direitos fundamentais em plena ou contida, não 
existindo, em regra, normas definidoras de direitos 
fundamentais com eficácia limitada. Entretanto, 
pelos próprios exemplos aqui apresentados, não é 
essa a realidade do texto constitucional. Certamente, 
existem normas de eficácia limitada entre os direitos 
fundamentais (7º, XI, XX, XXVII). A dúvida que surge 
então é: como responder na prova?
A doutrina e o STF têm entendido que, apesar 
do texto expresso na Constituição Federal, existem 
normas definidoras de direitos fundamentais que 
não possuem aplicabilidade imediata, as quais são de 
eficácia limitada. Diante dessa contradição, a doutrina 
tem orientado no sentido de se conferir a maior eficácia 
possível aos direitos fundamentais. Em prova, pode ser 
cobrada tanto uma questão abordando o texto puro 
da Constituição Federal quanto o posicionamento da 
doutrina. Deve-se responder conforme for perguntado.
A Constituição previu dois instrumentos para 
garantir a efetividade das normas de eficácia limitada: 
Ação Direta de Inconstitucionalidade por omissão 
e o Mandado de Injunção. Contudo, a análise desses 
institutos ficará para uma próxima oportunidade.
Todas as normas constitucionais possuem eficácia 
jurídica, mas nem todas possuem eficácia social!
EFICÁCIA
SOCIAL
JURÍDICA
LIMITADA
CONTIDA
PLENA
PRINCÍPIO 
PROGRAMÁTICO
PRINCÍPIO 
ORGANIZATIVO
Força Normativa dos Tratados 
Internacionais
Uma regra muito importante para a prova é a que 
está prevista no § 3º do Art. 5º:
§3º - Os tratados e convenções internacionais sobre 
direitos humanos que forem aprovados, em cada 
Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três 
quintos dos votos dos respecti vos membros, serão 
equivalentes às emendas consti tucionais.
Esse dispositivo constitucional apresenta a 
chamada Força Normativa dos Tratados Internacionais.
Segundo o texto constitucional, é possível que 
um tratado internacional possua força normativa de 
emenda constitucional, desde que preencha os seguin-
tes requisitos:
 ˃ tem que falar de direitos humanos;
 ˃ tem que ser aprovado nas duas casas legislativas 
do Congresso Nacional, ou seja, na Câmara dos 
Deputados e no Senado Federal;
 ˃ tem que ser aprovado em dois turnos em cada casa;
 ˃ tem que ser aprovado por 3/5 dos membros em 
cada turno de votação, em cada casa.
Preenchidos esses requisitos, o Tratado Internacio-
nal terá força normativa de Emenda à Constituição.
Mas surge a seguinte questão: e se o Tratado 
Internacional for de Direitos Humanos e não preencher 
os requisitos constitucionais previstos no § 3º do Art. 
5º da Constituição? Qual será sua força normativa? 
Segundo o STF, caso o Tratado Internacional fale de 
direitos humanos, mas não preencha os requisitos do § 
3º do Art. 5º da CF, ele terá força normativa de Norma 
Supralegal.
Ainda há os tratados internacionais que não falam 
de direitos humanos. São tratados que falam de outros 
temas, por exemplo, o comércio. Esses tratados 
possuem força normativa de Lei Ordinária. 
Para o tratado ser equivalente à emenda 
constitucional, tem que ser aprovado nas 2 casas do 
Congresso Nacional, em 2 turnos, pelo voto de 3/5 dos 
membros.
Em suma, são três as forças normativas dos Tratados 
Internacionais:
TRATADOS 
INTERNACIONAIS
LEI ORDINÁRIA
NORMA 
SUPRALEGAL
EMENDA À 
CONSTITUIÇÃO
Tribunal Penal Internacional - TPI
Há outra regra muito interessante prevista no § 4º 
do Art. 5º da Constituição:
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal 
Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão.
É o chamado Tribunal Penal Internacional. Mas o que 
é o Tribunal Penal Internacional? É uma corte permanente, 
localizada em Haia, na Holanda, com competência de 
julgamento dos crimes contra a humanidade. 
É um Tribunal, pois tem função jurisdicional; é 
Penal porque só julga crimes; é Internacional, haja vista 
sua competência não estar restrita à fronteira de um só 
Estado.
Mas uma coisa deve ser esclarecida. O TPI não 
julga qualquer tipo de crime. Só os crimes que tenham 
repercussão para toda a humanidade. Geralmente, 
são crimes de guerra, agressão estrangeira, genocídio, 
dentre outros.
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is Apesar de ser um tribunal com atribuições 
jurisdicionais, o TPI não faz parte do Poder Judiciário 
brasileiro. Sua competência é Complementar à 
jurisdição nacional, não ofendendo, portanto, a 
soberania do Estado brasileiro. Isso significa que o TPI 
só age quando a Justiça Brasileira se omite ou é ineficaz.
Direitos X Garantias
Muitos questionam se direitos e garantias são a 
mesma coisa, mas a melhor doutrina tem diferenciado 
esses dois institutos. 
Os direitos são os próprios direitos previstos na 
Constituição Federal. São os bens jurídicos tutelados 
pela Constituição. Eles representam por si só esses bens. 
As garantias são instrumentos de proteção dos 
direitos. São ferramentas disponibilizadas pela 
Constituição para a fruição dos direitos.
Apesar da diferença entre os dois institutos é 
possível afirmar que toda garantia é um direito.
01. (FCC) São direitos fundamentais classificados 
como de segunda geração:
a) Os direitos econômicos e culturais.
b) Os direitos de solidariedade e os direitos difusos.
c) As liberdades públicas.
d) Os direitos e garantias individuais clássicos.
e) O direito do consumidor e o direito ao meio 
ambiente equilibrado.
02. (FCC) Em conformidade com o art. 113 da Consti-
tuição Federal: A lei disporá sobre a constituição, 
investidura, jurisdição, competência, garantias 
e condições de exercício dos órgãos da Justiça 
doTrabalho. A presente hipótese trata de uma 
norma constitucional de eficácia
a) Limitada, definidora de princípio institutivo ou 
organizativo.
b) Limitada, definidora de princípios programáticos.
c) Plena, mas de natureza facultativa ou permissiva.
d) Contida, em razão de restrições impostas por 
outras normas constitucionais.
e) Plena, mas de natureza obrigatória, de progra-
mas ou diretrizes.
03. (FCC) Nos termos da Constituição Federal, serão 
equivalentes às emendas constitucionais, os 
tratados e convenções internacionais sobre 
direitos humanos que forem aprovados,
a) Pelo Senado Federal, em único turno, por três 
quartos dos votos dos respectivos membros.
b) Pelo Congresso Nacional, em dois turnos, por 
dois terços dos votos dos respectivos membros.
c) Em cada Casa do Congresso Nacional, em dois 
turnos, por três quintos dos votos dos respecti-
vos membros.
d) Pela Câmara dos Deputados, em único turno, por 
dois terços dos votos dos presentes à sessão.
e) Pelo Congresso Nacional, em único turno, por 
maioria absoluta dos presentes à sessão.
04. (FCC) A inviolabilidade do direito à vida, 
à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade são garantias previstas na 
Constituição Federal:
a) Aos brasileiros, não estendidas às pessoas jurídicas.
b) Aos brasileiros natos, apenas.
c) Aos brasileiros natos e aos estrangeiros com 
residência fixa no País.
d) Aos brasileiros, natos ou naturalizados.
e) Aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no 
País.
05. (CESGRANRIO) Juan, cidadão argentino residente 
no Brasil, dirigiu-se ao Banco Central a fim de 
encaminhar uma petição dirigida a determinada 
autoridade, reclamando sobre a conduta abusiva 
de um funcionário. Nesse caso, a Constituição:
a) Condiciona o exercício deste direito ao 
pagamento de taxa correspondente ao serviço.
b) Permite a Juan exercer tal direito.
c) Assegura esse direito apenas aos brasileiros 
(natos ou naturalizados).
d) Assegura esse direito apenas aos brasileiros no 
gozo dos direitos políticos.
e) Não assegura tal direito.
06. (CESPE) O Brasil se submeterá à jurisdição de 
Tribunal Penal Internacional a cuja criação 
manifestar adesão.
Certo ( ) Errado ( )
07. (CESPE) Os direitos e garantias fundamentais 
estão previstos de forma taxativa na CF.
Certo ( ) Errado ( )
08. (CESPE) As normas constitucionais de eficácia 
contida ou relativa restringível têm aplicabilidade 
plena e imediata, mas podem ter eficácia 
reduzida ou restringida nos casos e na forma que 
a lei estabelecer.
Certo ( ) Errado ( )
09. (CESPE) Os direitos fundamentais, em que 
pese possuírem hierarquia constitucional, 
não são absolutos, podendo ser limitados por 
expressa disposição constitucional ou mediante 
lei promulgada com fundamento mediato na 
própria CF.
Certo ( ) Errado ( )
10. (CESPE) As pessoas jurídicas são beneficiárias dos 
direitos e garantias individuais, desde que tais 
direitos sejam compatíveis com sua natureza.
Certo ( ) Errado ( )
11. (CESPE) As normas de eficácia contida 
permanecem inaplicáveis enquanto não advier 
normatividade para viabilizar o exercício do direito 
ou benefício que consagram; por isso, são normas 
de aplicação indireta, mediata ou diferida.
Certo ( ) Errado ( )
12. (CESPE) Embora se saliente, nas garantias 
fundamentais, o caráter instrumental de proteção 
a direitos, tais garantias também são direitos, 
pois se revelam na faculdade dos cidadãos de 
exigir dos poderes públicos a proteção de outros 
direitos, ou no reconhecimento dos meios 
processuais adequados a essa finalidade.
Certo ( ) Errado ( )
13. (ESAF) Os tratados e convenções internacionais 
sobre direitos fundamentais que forem 
aprovados, no Congresso Nacional, serão 
equivalentes às emendas constitucionais.
Certo ( ) Errado ( )
14. (ESAF) A Constituição enumera exaustivamente 
os direitos e garantias dos indivíduos, sendo 
inconstitucional o tratado que institua outros, 
não previstos pelo constituinte.
Certo ( ) Errado ( )
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is15. (ESAF) Os direitos e garantias individuais 
consagrados na Constituição Federal, como regra, 
somente geram direitos subjetivos aos indivíduos 
depois de regulados pelo legislador ordinário.
Certo ( ) Errado ( )
16. (ESAF) Sobre os direitos fundamentais, é correto 
dizer:
a) Somente os brasileiros e os estrangeiros 
residentes no Brasil são reconhecidos como 
titulares de direitos fundamentais entre nós.
b) Pessoas jurídicas podem ser titulares de direitos 
fundamentais.
c) Menores de 18 anos não podem ser titulares de 
direitos fundamentais.
d) Servidores públicos não podem alegar direitos 
fundamentais contra a Administração para a qual 
prestam serviço.
e) Somente por emenda à Constituição podem ser 
abolidos direitos e garantias individuais previstos 
na Carta da República.
17. (ESAF) Os direitos fundamentais assegurados pela 
Constituição vinculam diretamente não apenas 
os poderes públicos, estando direcionados 
também à proteção dos particulares em face dos 
poderes privados.
Certo ( ) Errado ( )
18. (CESPE) Sendo os direitos fundamentais válidos 
tanto para as pessoas físicas quanto para as 
jurídicas, não há, na Constituição Federal de 1988 
(CF), exemplo de garantia desses direitos que se 
destine exclusivamente às pessoas físicas.
Certo ( ) Errado ( )
19. (CESPE) Segundo a tradicional classificação 
quanto ao grau de aplicabilidade das normas 
constitucionais, normas de eficácia limitada são 
aquelas que, de imediato, no momento em que 
a Constituição é promulgada, não têm o condão 
de produzir todos os seus efeitos, sendo necessá-
ria a edição de uma lei integrativa infraconstitu-
cional. São, portanto, de aplicabilidade mediata 
e reduzida, também chamada de aplicabilidade 
indireta ou diferida.
Certo ( ) Errado ( )
20. (CESPE) A norma constitucional que proclama e 
assegura a liberdade de profissão, ao dispor ser 
“livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou 
profissão, atendidas as qualificações profissionais 
que a lei estabelecer”, classifica-se como norma 
constitucional de eficácia contida ou restringível.
Certo ( ) Errado ( )
01 A 11 ERRADO
02 A 12 CERTO
03 C 13 ERRADO
04 E 14 ERRADO
05 B 15 ERRADO
06 CERTO 16 B
07 ERRADO 17 CERTO
08 CERTO 18 ERRADO
09 CERTO 19 CERTO
10 CERTO 20 CERTO
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