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Catalogação elaborada na Fonte.
Ficha catalográfica elaborada pela Bibliotecária responsável: 
Rosiane Maria - CRB-14/1588
U588s Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde. Departamento de 
 Saúde Pública. Curso de Atenção Integral à Saúde das Mulheres – Modalidade a Distância.
 Saúde sexual e saúde reprodutiva das mulheres [Recurso eletrônico] / Universidade 
 Federal de Santa Catarina. Organizadores: Mariana Santos Felisbino Mendes; Cássia Elena 
 Soares. – 2. ed. – Florianópolis: UFSC, 2019.
 83 p. : il. color. 
 Modo de acesso: www.unasus.ufsc.br 
 Conteúdo do módulo: Unidade 1 – Saúde sexual e saúde reprodutiva: um direito à saúde. 
 – Unidade 2 – Saúde sexual e saúde reprodutiva no contexto das especificidades e 
 vulnerabilidades. – Unidade 3 – Saúde sexual e saúde reprodutiva na atenção primária.
 ISBN: 978-85-8267-151-1
 1. Saúde sexual e reprodutiva. 2. Atenção primária em saúde. 3. Saúde das mulheres. 
 I. UFSC. II. Mendes, Mariana Santos Felisbino. III. Soares, Cássia Elena. IV. Título.
CDU: 612.6
 5 
GOVERNO FEDERAL
Ministério da Saúde
Secretaria de Atenção Primária em Saúde
Departamento de Ações Programáticas Estratégicas
Coordenação Geral de Ciclos de Vida
Coordenação de Saúde das Mulheres
Universidade Federal de Santa Catarina
Reitor: Ubaldo Cesar Balthazar
Vice-Reitora: Alacoque Lorenzini Erdmann
Pró-Reitora de Pós-Graduação: Cristiane Derani
Pró-Reitor de Pesquisa: Sebastião Roberto Soares
Pró-Reitor de Extensão: Rogério Cid Bastos
Centro de Ciências da Saúde
Diretor: Celso Spada
Vice-Diretor: Fabrício de Souza Neves
Departamento de Saúde Pública
Chefe do Departamento: Fabrício Augusto Menegon
Subchefe do Departamento: Lúcio José Botelho 
Coordenadora do 
Curso de Capacitação: Elza Berger Salema Coelho
Créditos
 6 
EQUIPE TÉCNICA DO MINISTÉRIO DA SAÚDE
Coordenação-Geral de Saúde das Mulheres
Gestora geral do Projeto
 Elza Berger Salema Coelho
Equipe de produção editorial
 Carolina Carvalho Bolsoni
 Deise Warmling
 Elza Berger Salema Coelho
Equipe executiva
 Dalvan Antonio de Campos
 Gisélida Vieira 
 Patrícia Castro 
 Sheila Rubia Lindner 
Consultoria técnica
 Carmem Regina Delziovo
Créditos
 7 
AUTORIA DO MÓDULO
 Mariana Santos Felisbino-Mendes
 Cássia Elena Soares
Assessoria pedagógica
 Márcia Regina Luz 
Identidade visual e Projeto gráfico 
 Pedro Paulo Delpino 
Esquemáticos
 Laura Martins Rodrigues
 Naiane Cristina Salvi
Diagramação, Ajustes 
e finalização
 Adriano Schmidt Reibnitz
Design instrucional, revisão de 
língua portuguesa e ABNT 
 Eduard Marquardt
Fonte para imagens e esquemáticos
 Fotolia
Créditos
 8 
 9 
Este módulo traz conteúdos importantes para 
a atenção às mulheres e parcerias no contexto 
da Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva (SSSR). 
Foram construídas três unidades a partir das 
quais você poderá conhecer as melhores evi-
dencias e recomendações atuais nesse cam-
po de prática, respeitando os direitos sexuais 
e reprodutivos das usuárias e suas parcerias, 
quando presentes. 
Na unidade 1 são abordados os principais 
marcos históricos e políticos, internacionais e 
nacionais, que organizam a atenção à Saúde 
Sexual e Saúde Reprodutiva. Além disso, re-
lembramos os direitos sexuais e reprodutivos 
que devem sempre ser respeitados, norteando 
a prática. 
Na sequência, a unidade 2 aborda a questão de 
gênero e a sexualidade feminina, além de revi-
sitar as Infecções Sexualmente Transmissíveis 
(ISTs) e o planejamento reprodutivo, atuali-
zando seus conhecimentos para aplicá-los na 
Atenção Primária. 
Para finalizar, a unidade 3 elenca estratégias 
de abordagem para a SSSR tendo em vista as 
diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
A discussão deste conteúdo visa fortalecer 
suas habilidades e conhecimentos para resol-
ver os problemas na atenção às usuárias. 
 10 
Neste módulo o aluno deverá reconhecer a 
Saúde Sexual e a Saúde Reprodutiva como 
direito à saúde das mulheres, assim como 
as intercorrências mais comuns deste tema 
e as estratégias de abordagem na Atenção 
Primária.
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
Objetivos de aprendizagem para este 
Módulo
Ao final deste módulo, você deverá ser capaz 
de reconhecer a Saúde Sexual e a Saúde Re-
produtiva como direito à saúde, identificar e 
tratar as Infecções Sexualmente Transmis-
síveis, conhecer os diferentes métodos an-
ticoncepcionais e as estratégias de aborda-
gem na Atenção Primária, tendo em vista as 
diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Carga horária de estudo recomendada 
para este módulo
30 horas
 11 
Unidade 1 – UN1
Saúde sexual e saúde reprodutiva: um direito à saúde 12
1.1 Marcos internacionais e nacionais 14
1.2 Impactos nos ciclos de vida 19
1.3 Influências das construções de gênero 21
1.4 As expressões da sexualidade feminina 22
Unidade 2 – UN2
Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva no contexto das especificidades e vulnerabilidades 26
2.1 Ciclos de vida e vulnerabilidades 28
2.2 Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) 34
2.3 Atenção ao planejamento reprodutivo 47
Unidade 3 – UN3
Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva na Atenção Primária 60
3.1 Estratégias para garantir a atenção à Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva 63
3.2 Papel dos profissionais da Atenção Primária 65
3.3 Corresponsabilização dos homens 70
3.4 Organização do serviço de saúde em rede 71
Resumo do módulo 76
Referências 78
Sobre as autoras 82
Sumário
 12 
UN1
Saúde sexual e saúde reprodutiva: 
um direito à saúde
 13 
 14  14 
UN1 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva: um direito 
à saúde
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
A Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva (SSSR) é 
questão de preocupação global, uma vez que 
se trata de um tema que envolve questões de 
direitos humanos e saúde. Seu impacto ultra-
passa o indivíduo, família e sociedade, e pode-
mos afirmar, além disso, que não existe área 
na saúde na qual as iniquidades sejam tão 
marcantes (COOK; DICKENS; FATALLA, 2003).
Além dos direitos sexuais e reprodutivos, as 
questões de gênero e a sexualidade feminina 
atuam como pilares desta primeira unidade, 
pois são fundamentos imprescindíveis que 
devem o tempo todo nortear a prática neste 
campo.
Assim, o objetivo desta unidade é discutir os 
direitos, a SSSR, tomando por base as diretri-
zes do Sistema Único de Saúde (SUS) e a Po-
lítica Nacional de Atenção Integral à Saúde da 
Mulher (PNAISM).
1.1 Marcos internacionais e 
 nacionais
Ao abordar a Saúde Sexual e Saúde Repro-
dutiva (SSSR), é necessário revisitar alguns 
marcos legais que envolvem os direitos 
sexuais e reprodutivos. São documentos in-
ternacionais e nacionais que contribuíram 
para o avanço nesta área e que norteiam as 
práticas voltadas para tal. 
No cenário internacional, em 1948, com a 
publicação da Declaração Universal dos Di-
reitos Humanos pela Organização das Na-
ções Unidas (ONU), estabeleceu-se como 
direitos fundamentais “o direito à vida, à ali-
mentação, à saúde, à moradia, à educação, 
ao afeto, os direitos sexuais e os direitos re-
produtivos” (ONU, 1948). 
Apesar do reconhecimento desses direitos 
como fundamentais, somente em 1994 a dis-
cussão sobre os direitos sexuais e reproduti-
vos, bem como ao conceito de saúde sexual e 
reprodutiva, foi retomada em nível internacio-
nal. Neste ano, a Conferência Internacional da 
ONU sobre População e Desenvolvimento, que 
ocorreu no Cairo, Egito, constituiu-se como 
marco dentro do contexto da SSSR, uma vez 
que reafirmou e conferiu um papel primordial 
à saúde, aos direitos sexuais e aos direitos 
reprodutivos, abandonando a ênfase na ne-
cessidade de limitar o crescimento populacio-
nal como forma de combater a pobreza e as 
 15  15 
UN1 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva: um direito 
à saúde
Saúdesexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
desigualdades, focalizando no desenvolvi-
mento do ser humano (OMS, 1994; BRASIL, 
2013).
Fonte: elaborado pelos autores
Marcos
Internacionais
Marcos
Nacionais
1948
Declaração Universal
dos Direitos Humanos
1970
Explosão demográfica
1984
Programa de Atenção Integral à
Saúde da Mulher (PAISM)
1988
Constituição Federal
do Brasil
1994
Conferência Internacional
da ONU sobre População e
Desenvolvimento (CIPD) - Cairo
2015
Objetivos de
Desenvolvimento
Sustentável
1995
IV Conferência Muncial
sobre a Mulher - Pequim
1996
Lei do Planejamento
Familiar
2000
Conferência do Milênio,
Organização das Nações Unidas
2005
Política Nacional dos
Direitos Sexuais e dos
Direitos Reprodutivos
MS/2005
2007
Programa “Mais Saúde:
Direito de Todos”
2011
Rede Cegonha
2004
Política Nacional de
Atenção Integral à
Saúde da Mulher
(PNAISM)
Marcos Internacionais e Nacionais da Saúde sexual e saúde reprodutiva
Abaixo, tem-se uma linha do tempo que ilus-
tra e resume os marcos principais, continue 
acompanhando.
No ano seguinte, 1995, ocorreu a IV Conferên-
cia Mundial sobre a Mulher, em Pequim, China, 
na qual se avançou na definição dos direitos 
 16  16 
UN1 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva: um direito 
à saúde
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
sexuais e direitos reprodutivos como Direitos 
Humanos (ONU, 1995; BRASIL, 2013). Enten-
de-se que as conferências de Cairo e Beijing 
contribuíram para que abordagens coercitivas 
de controle de natalidade fossem oficialmen-
te banidas, para que o planejamento repro-
dutivo fosse de livre escolha dos indivíduos 
e casais, para que as mulheres se tornassem 
parceiras igualitárias em todas as decisões 
no âmbito da família, e, por fim, para que as 
mulheres formalmente tomassem posse dos 
seus destinos. Ambas as conferências foram 
fortemente influenciadas por movimentos fe-
ministas da época, que lutaram e discutiram 
ativamente durante os eventos.
No ano 2000, a Conferência do Milênio, tam-
bém organizada pela ONU, foi um evento que 
estabeleceu uma agenda de compromisso 
denominada Objetivos de Desenvolvimento 
do Milênio (ODM). Essa agenda foi compos-
ta por oito objetivos a serem alcançados 
até 2015, e dentre eles, quatro possuíam 
relação direta com a saúde sexual e com a 
saúde reprodutiva: a promoção da igualdade 
entre os sexos e a autonomia das mulheres; 
a melhoria da saúde materna; o combate ao 
HIV/AIDS, malária e outras doenças, e a re-
dução da mortalidade infantil (PNUD, 2004; 
BRASIL, 2013). Observa-se que apesar de 
não ter sido cumprida em sua totalidade, a 
agenda se constituiu como um grande estí-
mulo e compromisso para todas as nações 
envolvidas e alguns avanços foram alcan-
çados: diminuição da desnutrição infantil, 
redução da mortalidade de crianças meno-
res de cinco anos e melhora discreta na ra-
zão de mortalidade materna (VICTORA et al., 
2011). 
Em 2015, essa agenda foi revista e atuali-
zada em 17 Objetivos de Desenvolvimento 
Sustentável (ODS) e 169 metas a serem al-
cançadas até 2030 (ONU, 2015). Nesta nova 
versão atualizada da agenda, observa-se um 
ODS específico no contexto da Saúde Sexual 
e Saúde Reprodutiva: “Objetivo 5 – Alcançar 
a igualdade de gênero e empoderar todas 
as mulheres e meninas”, e, dentre as me-
tas, um número maior de itens relacionados 
aos direitos, além da Saúde Sexual e Saúde 
Reprodutiva.
Figura 1 – As reivindicações das conferências de Cairo e Beijing: direitos das mulheres
 
 17  17 
UN1 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva: um direito 
à saúde
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
“Transformando nosso mundo: a 
Agenda 2030 para o Desenvolvimento 
Sustentável”, leia o documento na ín-
tegra em: <https://nacoesunidas.org/
wp-content/uploads/2015/10/agenda-
2030-pt-br.pdf>.
Você sabe quais são os diretos sexuais e os 
direitos reprodutivos? Acompanhe no esque-
mático abaixo:
Concomitantemente a esses acontecimentos 
e compromissos internacionais, no cenário 
nacional, na década de 1970, destaca-se uma 
explosão demográfica com um forte conflito 
entre as estratégias de planejamento reprodu-
tivo e o controle de natalidade, levando a uma 
prática descontrolada da esterilização femini-
na (SOUZA et al., 2010). As políticas voltadas 
à mulher desde a década de 1960 possuem 
enfoque na assistência ao ciclo gravídico 
puerperal, observando-se uma incorporação 
da saúde da mulher às políticas nacionais de 
saúde com programas referentes a esta temá-
tica (SOUZA et al., 2010).
Importante! Em 1984 lançou-se a pri-
meira política de saúde da mulher do 
país que buscava olhá-la como protago-
nista da sua própria saúde, denominada 
Programa de Atenção Integral à Saúde 
da Mulher (PAISM) (BRASIL, 1984). Essa 
proposta contou com participação ativa 
do movimento feminista e apresentava 
uma abordagem global da saúde da mu-
lher em todas as fases do seu ciclo vital, 
e não apenas no ciclo gravídico puerpe-
ral (SOUZA et al., 2010; BRASIL, 2013).
Mais adiante, em 1988, com a promulgação da 
Constituição Federal do Brasil, estabeleceu-se 
no Título VII da Ordem Social – Capítulo VII, 
artigo 226, § 7o deste documento, a responsa-
bilidade do Estado no que se refere ao plane-
jamento familiar (BRASIL, 1988). Apesar desse 
avanço, somente em 1996, promulgou-se a Lei 
no 9263 que regulamenta este artigo da Cons-
tituição Federal, também conhecida como Lei 
do Planejamento Familiar, regularizando o exer-
cício das medidas de planejamento familiar 
DIREITOS REPRODUTIVOS
• Direito das pessoas decidirem, de 
forma livre e responsável, se querem 
ou não ter filhos(as), quantos 
filhos(as) desejam ter e em que 
momento de suas vidas.
• Direito de acesso a informações, 
meios, métodos e técnicas para ter 
ou não ter filhos(as). 
• Direito de exercer a sexualidade e a 
reprodução livre de discriminação, 
imposição e violência.
DIREITOS SEXUAIS
• Viver e expressar livremente a sexualidade e orientação sexual 
sem violência, discriminações e imposições, e com total respeito 
pelo corpo do(a) parceiro(a). 
• Escolher o(a) parceiro(a) sexual e se quer ou não ter relação 
sexual. 
• Viver plenamente a sexualidade sem medo, vergonha, culpa e 
falsas crenças, e independentemente de estado civil, idade ou 
condição física. 
• Ter relação sexual, independentemente da reprodução. 
• Sexo seguro para prevenção da gravidez e de infecções 
sexualmente transmissíveis (IST) e HIV/Aids. 
• Serviços de saúde que garantam privacidade, sigilo e um 
atendimento de qualidade, sem discriminação, bem como à 
informação e à educação sexual e reprodutiva.
https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/10/agenda2030-pt-br.pdf
https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/10/agenda2030-pt-br.pdf
https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/10/agenda2030-pt-br.pdf
 18  18 
UN1 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva: um direito 
à saúde
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
no país, bem como estabelecendo a proibição de 
qualquer ação que visasse controle demográfi-
co (BRASIL, 1996). Destaca-se que desrespeitar 
o que está previsto nessa lei significa estar su-
jeito a penalidades. 
Em 1948 foi estabelecido como direito 
humano os direitos sexuais e repro-
dutivos, e na Constituição Brasileira, 
de 1988, o planejamento familiar. En-
tretanto, somente 12 anos depois a lei 
no 9263/1996 regulamentou o plane-
jamento familiar no Brasil, proibindo 
ações de controle demográfico. Como 
são as ações de planejamento reprodu-
tivo oferecidas na sua unidade?
A partir do ano 2000 observou-se um esforço 
e investimento para promover a ampliação da 
oferta de métodos contraceptivos reversíveis 
no Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2013). Na 
sequência, em 2004, lançou-se a Política Na-
cional de Atenção Integral à Saúde da Mulher 
(PNAISM) que incorporou o enfoque de Gênero 
e a Promoção da Saúde à política integral an-
teriormente proposta,ampliando a assistên-
cia aos grupos historicamente excluídos das 
políticas públicas nas suas especificidades e 
necessidades, dentre elas as mulheres negras, 
lésbicas e indígenas (BRASIL, 2004). 
A PNAISM é a política, vigente nos dias atuais, 
que reflete o compromisso com a implemen-
tação de ações de saúde que contribuam para 
a garantia dos direitos humanos das mulhe-
res e reduzam a morbimortalidade por cau-
sas preveníveis e evitáveis. Também enfatiza 
a melhoria da atenção obstétrica, o planeja-
mento reprodutivo, a atenção ao abortamento 
inseguro e às mulheres e às adolescentes em 
situação de violência doméstica e sexual. 
Em 2005 foi publicada a Política Nacional dos 
Direitos Sexuais e dos Direitos Reprodutivos, 
com os seguintes propósitos: ampliar a oferta 
de métodos contraceptivos reversíveis; incen-
tivar à implementação de atividades educati-
vas em saúde sexual e saúde reprodutiva para 
usuários(as) da rede SUS; capacitar os pro-
fissionais da Atenção Primária em saúde se-
xual e saúde reprodutiva; ampliar o acesso à 
esterilização cirúrgica voluntária (laqueadura 
tubária e vasectomia); implantar e implemen-
tar redes integradas para atenção às mulheres 
e aos adolescentes em situação de violência 
doméstica e sexual; ampliar os serviços de re-
ferência para a interrupção legal da gestação, 
garantia de atenção humanizada e qualificada 
às mulheres em situação de abortamento, en-
tre outras ações (BRASIL, 2013). 
Figura 2 – A Política Nacional dos Direitos Sexuais e dos 
Direitos Reprodutivos, de 2005
Fonte: Universo da Mulher (2017).
Em 2007, com o lançamento do Programa 
“Mais Saúde: Direito de Todos”, como parte 
do Programa de Aceleração do Crescimento, 
 19  19 
UN1 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva: um direito 
à saúde
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
o Ministério da Saúde promoveu a expansão 
das ações do planejamento reprodutivo (BRA-
SIL, 2013) e, em 2011, criou a estratégia Rede 
Cegonha. Um dos princípios que integram a 
Rede Cegonha é a garantia dos direitos se-
xuais e dos direitos reprodutivos de mulheres, 
homens, jovens e adolescentes. Uma das suas 
diretrizes é a garantia de acesso às ações do 
planejamento reprodutivo (BRASIL, 2011). As-
sim, a Rede Cegonha, instituída no âmbito do 
SUS, consiste numa rede de cuidados que visa 
assegurar à mulher o direito ao planejamento 
reprodutivo à atenção humanizada à gravidez, 
ao parto e ao puerpério, bem como à criança o 
direito ao nascimento seguro e ao crescimento 
e desenvolvimento saudáveis (BRASIL, 2011).
1.2 Impactos nos ciclos de vida
Na atenção em âmbito da Saúde Sexual e 
Saúde Reprodutiva (SSSR), observamos fre-
quentemente uma prática que oferece, às 
mulheres, serviços e cuidados referentes à 
reprodução, e, aos homens, informações e 
cuidados para com a sexualidade (PINHEI-
RO; COUTO, 2013). Com todas as transfor-
mações sociais e os avanços das políticas 
públicas de saúde, é urgente a necessidade 
de mudança dessa prática marcada pela de-
sigualdade de gênero e cerceamento dos di-
reitos sexuais e reprodutivos, principalmente 
das mulheres. 
Dentre as áreas a serem abordadas na 
Atenção Primária, a Saúde Sexual e Saú-
de Reprodutiva tem destaque, consti-
tuindo-se uma área prioritária devendo 
ser norteada pelos direitos sexuais e re-
produtivos, considerando as diferentes 
conformações familiares, especialmente 
para adolescentes, que muitas vezes es-
tão à margem da atenção à saúde nessa 
questão (BRASIL, 2013).
Tendo em vista o conceito ampliado de saúde 
como completo bem-estar físico, mental, so-
cial e espiritual (WHO, 1946; WHO, 1998), en-
tende-se por saúde reprodutiva a capacidade 
de uma pessoa em manter uma vida sexual 
responsável, satisfatória, segura, bem como 
de ter condições de reproduzir e liberdade 
para decidir se, como e com que frequência 
fazê-lo, bem como regular sua fertilidade e 
experienciar um parto e nascimento seguro, 
com desfechos positivos (WHO, 1988; OMS, 
1994; BRASIL, 2013). Trata-se de um conceito 
relativamente recente que recebeu atenção na 
Conferência do Cairo, citada anteriormente. 
A saúde reprodutiva inclui a saúde sexual, e o 
conceito de saúde sexual, também tendo-se 
em vista o conceito ampliado de saúde, deve 
incluir os seguintes componentes: capacida-
de de aproveitar mutuamente os relaciona-
mentos sexuais, estar livre de abuso, coerção 
e assédio sexual, prevenir-se contra ISTs e 
ter sucesso em alcançar ou evitar a gravidez 
(COOK; DICKENS; FATALLA, 2003).
Uma mulher por volta dos 50 anos de idade 
é geralmente negligenciada na prática clíni-
ca em relação à sua Saúde Sexual e Saúde 
Figura 3 – A saúde sexual deve ser contemplada em todas 
as fases da vida
ESTÁGIOS DE
VIDA DA MULHER
Estágios de vida da mulher
 20  20 
UN1 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva: um direito 
à saúde
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
Reprodutiva, pois pode estar vivendo o final da 
sua vida reprodutiva e por isso tem uma série 
de sintomas e queixas relacionadas ao clima-
tério. Muitas vezes, sabe pouco sobre isto, e 
muito menos recebe os cuidados dos quais se 
beneficiaria nessa fase da vida. Isso se dá pelo 
enfoque reprodutivo das ações, muito comu-
mente concentradas em pré-natal e puerpério. 
Estudo recente demonstra que são essas as 
mulheres que estão em atraso com as ações 
de rastreamento do câncer de mama e colo 
uterino, mulheres idosas, que têm baixa es-
colaridade, que moram nas regiões mais po-
bres do país, sem companheiro, desnutridas, 
e que possuem outros comportamentos ne-
gativos em saúde (TIENSOLI et al., 2015). 
Figura 4 – Idosas e Adolescentes também devem receber 
atenção à Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva
Por outro lado, as adolescentes que iniciam 
sua vida sexual também precisam de infor-
mações relacionadas ao funcionamento do 
seu corpo, menstruação, desejo, relação se-
xual segura, ISTs, gravidez, prevenção e méto-
dos contraceptivos. Recentemente, vivencia-
mos uma grande resistência à aceitação da 
vacinação contra o HPV em meninas de 9 a 
13 anos, muitas vezes relacionadas à desin-
formação do que exatamente seria a vacina, 
a doença e a prevenção da mesma. Esta in-
formação nos remete a necessidade de abor-
dagem e informação aos pais e responsáveis 
pelas adolescentes, pois quando melhor infor-
mados, os pais não se opõem e reconhecem 
os benefícios na vacinação (OSIS; DUARTE; 
SOUSA, 2014).
Estas são situações que têm sido ob-
servadas na prática em Saúde Sexual e 
Saúde Reprodutiva, mas que poderiam 
ser evitadas com uma atenção pautada 
pelos direitos sexuais e reprodutivos, 
bem como pelo reconhecimento da 
educação em saúde como fundamen-
tal às práticas avançadas na Atenção 
Primária. Este âmbito de grande apro-
ximação da população com a equipe de 
saúde da família, e desta com o territó-
rio vivo, permite uma atenção à SSSR 
em todos os ciclos de vida, tendo a 
educação em saúde como forte aliada 
no empoderamento das mulheres em 
relação ao seu corpo, suas transforma-
ções, cuidado e decisões. Pare e reflita 
se esses exemplos são próximos da 
sua realidade.
Relembramos que a atenção em Saúde Sexu-
al e Saúde Reprodutiva deve ser abrangente 
e englobar várias ações inter-relacionadas 
(BRASIL, 2013), confira no quadro a seguir:
 21  21 
UN1 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva: um direito 
à saúde
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
Mas para atuar na ampliação da atenção a 
Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva é impor-
tante reconhecer as questões de gênero re-
lacionadas e os impactos para a saúde das 
mulheres, como veremos no ponto a seguir.
1.3 Influências das construções 
 de gênero
A construção do gênero leva em considera-
ção papéis, atitudes e regras sociais, entre 
outros aspectos, para caracterizar mulheres 
e homens muito além do que a observação 
domésticos e cuidados com os filhos, casa e 
parceria. Aos homens, o papel do provedor e 
chefia familiar seria mais“adequado”, dada 
a sua racionalidade e praticidade frente às 
dificuldades e problemas cotidianos. A força 
física, outra característica muito associada 
ao universo masculino, muitas vezes é em-
pregada para a obtenção da obediência ou 
ato sexual contra a vontade da mulher e par-
ceira (MACHIN et al., 2011; UFSC, 2016). 
Importante! A violência contra mulher 
nem sempre deixa marcas físicas. Con-
tudo, os danos psicológicos e morais 
muitas vezes deixam marcas tão pro-
fundas que influenciam direta ou indire-
tamente a saúde de suas vítimas (BRA-
SIL, 2011; GUEDES, 2009). Muitas vezes 
a depressão, adição ou o desinteresse 
sexual da mulher pode estar vinculado à 
situação de violência psicológica, moral 
e física por parte da parceria. 
A descoberta masculina de sua função no pro-
cesso de reprodução parece surgir também 
como um fator que naturaliza a submissão e 
passividade das mulheres frente aos homens 
(VITIELLO, 1998; WEREBE, 1998). 
Ações inter-relacionadas entre Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva
ÎÎ Planejamento reprodutivo
ÎÎ Educação para o exercício da sexualidade
ÎÎ Cuidados frente a sofrimentos psicoemocionais
ÎÎ Assistência pré-concepcional, pré e pós-natal e maternidade segura
ÎÎ Cuidados com o climatério
ÎÎ Prevenção de agravos reprodutivos e sexuais (ISTs, câncer, abortos provocados, violência 
doméstica e sexual, dentre outros)
ÎÎ Proteção contra efeitos nocivos do ambiente e serviços de saúde sobre a saúde reprodutiva 
e sexual
da genitália (sexo biológico) nos mostra. 
Baseia-se em um processamento elaborado 
de questões sociais e culturais que orienta o 
que é ser mulher e homem na nossa socie-
dade. O comportamento e o modo de agir, 
que parecem tão “naturais” para cada gêne-
ro, é na verdade ensinado desde a mais ten-
ra idade (BRASIL, 2011; JESUS, 2012). 
Algumas características como fragilida-
de, emoção e sensibilidade, muito asso-
ciadas à feminilidade, tornariam a mulher 
“naturalmente” mais apta aos afazeres 
 22  22 
UN1 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva: um direito 
à saúde
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
A mulher que foge desses padrões sociais 
(que prioriza, por exemplo, a carreira profis-
sional, não quer filhos, interesse sexual pelo 
mesmo gênero, entre outros) e que acompa-
nha a sociedade ocidental há gerações ain-
da enfrenta preconceito, na maioria.
Na questão da SSSR esses estereótipos sur-
gem claramente quando o uso de métodos 
contraceptivos ainda aparecem como uma 
função da mulher, desta forma a gravidez seria 
um problema da mulher. Ou, a sugestão por 
parte da mulher do uso do preservativo a ex-
põe a dúvidas por parte do homem sobre a sua 
fidelidade. A liberdade do exercício da sexu-
alidade está mais ligada aos homens, assim 
como a expectativa de que sua bagagem de 
experiência e repertório sexual seja maior que 
o da mulher. 
Os profissionais de saúde necessitam es-
tar preparados para a atenção a esses direi-
tos fundamentais das mulheres no exercício 
amplo da sua sexualidade, contemplando as 
especificidades dos diferentes grupos e suas 
necessidades.
Figura 5 – O uso de contraceptivos é de responsabilidade 
de ambas as partes
As influências culturais e o preconcei-
to podem estar presentes durante os 
diferentes atendimentos efetuados na 
Unidade Básica de Saúde. Você con-
segue garantir os direitos sexuais e 
reprodutivos das mulheres nos seus 
atendimentos? 
1.4 As expressões da sexualidade 
 feminina 
Segundo a OMS (1975), 
a sexualidade humana é uma necessi-
dade básica e um aspecto do ser huma-
no que não pode ser separado de outros 
aspectos da vida. A sexualidade não é 
sinônimo de relação sexual e não se 
limita à presença ou não de orgasmo. 
Sexualidade é muito mais do que isso. 
É energia que motiva encontrar o amor, 
contato e intimidade, e se expressa na 
forma de sentir, nos movimentos das 
pessoas e como estas tocam e são to-
cadas. É ser-se sensual e ao mesmo 
tempo sexual; ela influencia pensamen-
tos, sentimentos, ações e interações 
e, por isso, influencia também a nossa 
saúde física e mental. 
Ao listar a sexualidade como um dos indicado-
res de saúde, a OMS contribuiu na visibilidade 
do tema. Infelizmente, por longos anos, a se-
xualidade feminina esteve associada à função 
reprodutiva. Com o surgimento da pílula anti-
concepcional na década de 1960 abriu-se a 
perspectiva para as mulheres de desvincular o 
ato sexual da função reprodutiva, inclusive uma 
possível gravidez indesejada, e, mais além, 
ao possibilitar a liberdade do ato sexual para 
obtenção de prazer. No entanto, fatores morais 
e religiosos, muito presentes em nossa cultura, 
 23  23 
UN1 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva: um direito 
à saúde
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
limitaram e ainda limitam a exploração da 
sexualidade por parte das mulheres (ABDO, 
2001). 
Para melhor compreensão das expressões de 
sexualidade feminina, faz-se necessário o do-
mínio de alguns conceitos, tais como identi-
dade de gênero e orientação sexual. 
À sensação interna de pertencimento a um 
determinado gênero é o que chamamos de 
identidade de gênero. Está refletida no modo 
de apresentar-se e em como se quer ser re-
conhecido socialmente. Todas as vivências 
familiares, sociais, religiosas, de diferentes 
grupos por onde se circulou, experiências po-
sitivas ou negativas marcam e influenciam 
essa certeza interior de ser mulher ou homem 
(JESUS, 2012). Com base na identidade de gê-
nero podem-se classificar os indivíduos em 
dois grupos distintos. Quando existe concor-
dância entre o sexo biológico e a identidade de 
gênero, temos o indivíduo cisgênero. E quando 
não há essa concordância, temos transgênero 
(transexuais, travestis etc.) (JESUS, 2012).
Outra definição importante é da orienta-
ção sexual. Nada mais é do que a atração 
afetivo-sexual entre as pessoas. Para os he-
terossexuais a atração ocorrerá pelo gêne-
ro oposto, os homossexuais por pessoas do 
mesmo gênero e os bissexuais por ambos os 
gêneros. Cabe aqui lembrar os assexuais, que 
não têm interesse sexual por qualquer gênero 
e os pansexuais, cujo interesse afetivo sexual 
não depende do gênero (JESUS, 2012; COSTA, 
2005; SANTOS, 2010). A identidade de gênero 
e a orientação sexual são totalmente distin-
tas, porém caminham juntas no exercício da 
sexualidade.
Para o entendimento e acolhimento de inúme-
ras angústias e queixas sexuais das mulheres 
no serviço de saúde, é importante também 
conhecer o chamado ciclo de resposta sexual, 
que nos mostra as fases que as mulheres 
vivem durante um encontro sexual.
Para ilustrar essas fases, os estudos observa-
cionais de Masters e Johnson sobre as reações 
do corpo durante o ato sexual os levaram a pro-
por em 1970 um modelo de resposta sexual de 
quatro fases composto por EXCITAÇÃO – PLA-
TÔ – ORGASMO – RESOLUÇÃO, baseado em 
respostas fisiológicas distintas em cada uma 
dessas fases (ABDO, 2001). Mais tarde, Kaplan 
surge com a proposta de acrescentar a fase de 
desejo no início do modelo inicial, publicada em 
1987 pela Associação Psiquiátrica Americana 
(APA) no terceiro Manual Diagnóstico e Estatís-
tico, revisado (DSM-III-R) (ABDO, 2001). 
O ciclo linear de resposta sexual modifica-
do (DESEJO – EXCITAÇÃO – ORGASMO – 
RESOLUÇÃO) durante longo período era utili-
zado como padrão para a avaliação de pos-
síveis disfunções sexuais tanto em homens 
como mulheres. Somente em 1998 surgiria 
a publicação de um modelo mais dirigido às 
mulheres, proposto por Rosemary Basson, 
psiquiatra canadense.
Em seus estudos sobre sexualidade feminina, 
Basson observou que a maioria das mulheres 
não seria funcional, conforme o modelo linear 
até então vigente, e que apesar disso as mes-
mas sentiam-se extremamente satisfeitas 
sexualmente. Com base nessas observações, 
propôs o modelo circular de resposta sexual.
Conforme este ciclo, o intercurso sexual 
não iniciaria necessariamente pelo desejo 
(mais presente nos relacionamentosrecen-
tes). Para inúmeras mulheres, a excitação 
 24  24 
UN1 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva: um direito 
à saúde
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
subjetiva (sensação de sentir-se excita-
da) ocorreria antes de desejar o ato sexual 
conscientemente. A excitação pode ser de-
sencadeada por uma série de motivações 
(geralmente de cunho emocional), fazendo o 
desejo surgir e exercer um reforço positivo 
para mais excitação. O orgasmo não é uma 
fase obrigatória em todas as relações sexu-
ais, conforme Basson. Um encontro sexual 
que reafirme a intimidade entre as parcerias 
e a ausência de dor poderia ser o desfecho 
positivo e suficiente para deixar a mulher 
disposta a um novo ato sexual (BASSON, 
2008). 
Importante! Nos últimos anos, o estudo 
da sexualidade feminina ganhou força. 
O novo modelo de resposta sexual che-
gou para mostrar que existem diferen-
ças importantes no modo como homens 
e mulheres agem e reagem durante um 
encontro sexual. Estar atualizado com 
essas informações é fundamental para 
bem orientarmos as pacientes e evitar-
mos inclusive a iatrogenia.
Intimidade
emocional
Desejo sexual
“espontâneo”
Neutralidade
sexual
Estímulo
sexual
Excitação
sexual
Desejo e
excitação sexual
Satisfação
emocional e física
Modelo circular de resposta sexual
Adaptado de: BASSON, 2008.
Fonte: BASSON (2008).
Como profissionais de saúde, precisamos ter 
claro que ainda há muito a ser desvendado no 
campo da sexualidade feminina, e novos avan-
ços surgem a cada momento, a fim de atender 
às demandas cada vez maiores para os ques-
tionamentos das mulheres da atualidade. 
Continue seus estudos com a próxima uni-
dade e reconheça algumas estratégias para 
ampliar o acesso ao planejamento reproduti-
vo, da sexualidade e da reprodução humana, 
além das descobertas mais recentes sobre as 
Infecções Sexualmente Transmissíveis. 
Para aprofundar seus conhecimentos 
no contexto dos marcos teóricos e direi-
tos sexuais e reprodutivos, indicamos:
CORRÊA, S.; ALVES, J. E. D.; JANNUZZI, 
P. M. Direitos e Saúde Sexual e Saúde 
Reprodutiva: marco teórico-conceitual 
e sistema de indicadores”. Disponível 
em: <http://www.abep.nepo.unicamp.
br/docs/outraspub/ind_mun_saude_
sex_rep/ind_mun_saude_sex_rep_capi-
tulo1_p27a62.pdf>. 
Caso tenha interesse em ler um pouco 
mais sobre a existência de um modelo 
estereotipado de gênero que acarreta 
a (re)produção de desigualdades entre 
homens e mulheres na assistência a 
saúde, leia:
MACHIN, R. Concepções de gênero, 
masculinidade e cuidados em saúde: 
estudo com profissionais de saúde 
da atenção primária. Disponível em: 
<http://www.repositorio.unifesp.br/
handle/11600/6684>.
http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/outraspub/ind_mun_saude_sex_rep/ind_mun_saude_sex_rep_capitulo1_p27a62.pdf
http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/outraspub/ind_mun_saude_sex_rep/ind_mun_saude_sex_rep_capitulo1_p27a62.pdf
http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/outraspub/ind_mun_saude_sex_rep/ind_mun_saude_sex_rep_capitulo1_p27a62.pdf
http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs/outraspub/ind_mun_saude_sex_rep/ind_mun_saude_sex_rep_capitulo1_p27a62.pdf
http://www.repositorio.unifesp.br/handle/11600/6684
http://www.repositorio.unifesp.br/handle/11600/6684
 25  25 
 26 
UN2
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
no contexto das especificidades e 
vulnerabilidades
 27 
 28  28 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
Esta unidade relembra especificidades e vul-
nerabilidades relacionadas à Saúde Sexual e 
Saúde Reprodutiva (SSSR) das mulheres e al-
gumas estratégias para ampliar o acesso ao 
planejamento reprodutivo como um exercício 
individual, livre e responsável, da sexualida-
de e da reprodução humana. Inclui evidências 
científicas mais recentes sobre as Infecções 
Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e sobre o 
planejamento reprodutivo. 
2.1 Ciclos de vida e vulnerabilidades
Convidamos você a reconhecer algumas es-
pecificidades e vulnerabilidades na Saúde Se-
xual e Saúde Reprodutiva nos diferentes ciclos 
de vida das mulheres e em grupos específi-
cos, incluindo estratégias para a atenção no 
contexto da Atenção Primária.
Adolescência
Período de vida compreendido entre os 10 
e 19 anos, em que grandes mudanças físi-
cas, psicológicas e sociais ocorrem. Lidar 
com um novo corpo, e que já apresenta ca-
pacidade reprodutiva está longe de ser uma 
tarefa fácil (BRASIL, 2011). Nessa fase de 
vida a urgência em viver diferentes experiên-
cias, pertencer a um grupo ao mesmo tempo 
em que os riscos parecem não existir, mar-
cam a adolescência. A gravidez nesse mo-
mento provoca profundas alterações do pla-
nejamento do futuro, pois aumenta a chance 
da evasão escolar, entrada precoce no mer-
cado de trabalho sem qualificação adequada 
e a assumir responsabilidades para as quais 
não se está preparado (BRASIL, 2013). 
Figura 6 – A adolescência: lidar com um novo corpo
Precisamos de um serviço de saúde que aco-
lha adolescentes e possa orientar quanto ao 
exercício da sexualidade com cuidados de pre-
venção de doenças e gravidez indesejada e 
 29  29 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
não planejada, dar acesso aos métodos con-
traceptivos e estimular o respeito nas relações 
afetivas, repudiando a violência. Vale lembrar 
que ações voltadas para esse público podem 
ser mais efetivas quando aplicadas nos locais 
mais frequentados por eles (escolas, por exem-
plo) do que aguardar pela demanda espontâ-
nea (BRASIL, 2013).
Climatério e Menopausa
Fase da vida das mulheres caracterizada pelo 
progressivo declínio até a ausência da capa-
cidade reprodutiva (BRASIL, 2013). Em asso-
ciação, mudanças físicas, emocionais, sociais 
e familiares podem gerar inseguranças e an-
gústias às mulheres. Os avanços da medicina 
e os cuidados de prevenção contribuíram para 
um aumento significativo e progressivo dessa 
população de mulheres com mais idade.
O preconceito envolvendo a sexualidade após 
uma determinada idade pode causar sérios 
danos a esse grupo. A vida sexual pode sofrer 
algumas modificações, como a diminuição da 
frequência e intensidade. Porém, sem dúvida 
pode e deve ser ativa (BRASIL, 2013). 
Figura 7 – A menopausa é um período que merece espe-
cial atenção no atendimento
O atendimento a ser realizado pela Atenção Pri-
mária deve abordar a vivência da sexualidade 
de maneira saudável, acolher possíveis queixas 
e dar os devidos encaminhamentos quando 
necessário, bem como a prevenção para Infec-
ções Sexualmente Transmissíveis (IST).
População de mulheres lésbicas, 
bissexuais e transexuais
A visibilidade social do grupo de mulheres lés-
bicas, bissexuais e transexuais cresceu tão ex-
pressivamente que fomentou a criação de uma 
política própria: Política Nacional de Saúde In-
tegral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis 
e Transexuais. O uso do nome social nos ser-
viços de saúde foi uma importante conquista 
para esta população (BRASIL, 2011). 
A diversidade quanto à orientação sexual e 
identidade de gênero não devem dificultar 
ou impossibilitar o acesso aos serviços de 
saúde. Infelizmente, o preconceito e a discri-
minação, também presentes nas instituições 
de saúde, afastam as usuárias desse grupo. 
O preconceito e violência, muitas vezes vi-
venciados primeiramente no âmbito fami-
liar, provocam abandono do lar, êxodo esco-
lar, entrada precoce no mercado de trabalho 
(em muitos casos por baixa escolaridade e 
pelo próprio preconceito acabam por encon-
trar na prostituição um meio de sustento) 
e maior chance de depressão, suicídio e uso 
de drogas (BRASIL, 2013).
 30  30 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual esaúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
No tocante ao atendimento às mulheres 
lébiscas e bissexuais, a generalização da 
orientação sexual como heterossexual por 
parte de alguns profissionais de saúde pode 
afastar e inibir este público da procura por 
atendimento em saúde. Outro aspecto a 
considerar é o imaginário comum de que 
essa população específica estaria menos 
susceptível a adquirir ISTs. 
Trata-se de garantir o acesso a consultas gine-
cológicas regulares para prevenção de câncer 
de colo uterino e mama, dar orientações sobre 
as práticas sexuais seguras em relações ho-
moafetivas (higiene das mãos e unhas, sempre 
cortadas e limpas; uso de luvas em penetra-
ção manual ou preservativo masculino; sexo 
oral com proteção; preservativo em acessórios 
sexuais, e não compartilhar o acessório com o 
mesmo preservativo; risco da relação sexual 
durante o período menstrual). Ainda para este 
público, não se deve medir esforços para evi-
tar ISTs e ainda acolher, se for a demanda, por 
acesso a serviços especializados em repro-
dução assistida (BRASIL, 2013; BRASIL, 2014; 
SANTOS, 2010).
 
A capacitação de profissionais de saúde sobre 
a temática da diversidade sexual e dos direitos 
sexuais deve ser constante. O envolvimento dos 
movimentos LGBTs com os serviços de saúde 
pode facilitar a adesão e aproximação dessa po-
pulação às unidades de Atenção Primária, quer 
seja para trabalhar sob o foco da prevenção, 
como garantir o acesso por outras demandas. 
Figura 8 – A Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais é um dos fortes indícios do crescimento deste grupo, com demandas em saúde 
específicas
 31  31 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
Para essa população, demonstradamente com 
maior vulnerabilidade e menor acesso aos servi-
ços de saúde, deve-se organizar e implementar 
um conjunto de ações de promoção da saúde 
e prevenção que vão além da oferta de preser-
vativos. É preciso abordar por exemplo, acesso 
facilitado para testar ISTs e HIV, acolhimento e 
atendimento livre de discriminação nas unida-
des de Atenção Primária e centros de testagens, 
bem como promover a humanização da assis-
tência à saúde dessas usuárias.
População negra
Os sistemas de informação ainda pecam 
em não proporcionar dados mais fidedignos 
sobre a população negra. Observa-se, em 
dados gerais, um menor grau de instrução, 
poder aquisitivo e acesso a serviços de boa 
qualidade (BRASIL, 2011). Em comparação 
com a população branca, alguns agravos em 
saúde aparecem em maior proporção, como 
mortalidade materna e infantil e violência 
(BRASIL, 2011; BRASIL, 2010a).
O racismo, que insiste em persistir nos dias 
atuais em nossa sociedade, é um fator que 
causa danos à saúde. O racismo institucional 
deve ser combatido energicamente, pois traz 
grandes prejuízos a essa população ao lhe difi-
cultar acesso a serviços, atendimentos e medi-
camentos (BRASIL, 2011). 
Serviços de saúde atentos às necessidades da 
população negra, proporcionando atenção de 
qualidade, sem dúvida contribuirão na geração 
de números mais positivos nas estatísticas 
específicas.
População indígena
Adequar os princípios da Saúde Sexual e Saú-
de Reprodutiva (SSSR) com as diferentes cul-
turas da população indígena constitui-se em 
um enorme desafio.
No contexto da Atenção Primária, a saúde in-
dígena está vinculada à Secretaria Especial de 
Saúde Indígena (SESAI). Entre as suas atribui-
ções está desenvolver ações de atenção integral 
à saúde indígena e educação em saúde, em con-
sonância com as políticas e os programas do 
SUS, e observando as práticas de saúde tradicio-
nais indígenas. Para executar essas ações, con-
ta com estrutura administrativa dos 34 Distritos 
Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), tendo 
como base a ocupação geográfica das comuni-
dades indígenas que abrangem mais de um mu-
nicípio, e, em alguns casos, mais de um estado. 
Além dos DSEIs, há, ainda, os Polos Base, Casas 
de Saúde Indígena (Casais) e Unidades Básicas 
de saúde. 
Diversidade
cultural
Idioma
Localização
das aldeias
Iniciação sexual
e gravidez precoce 
Intervalo curtos
entre as gestações
Dificuldades no
atendimento às
mulheres indígenas
Importante! No seu município há popula-
ção indígena? Se sim, procure conhecer 
a equipe que atua com esta população 
integrando as ações desenvolvidas, 
quais as estratégias para trabalhar com 
as mulheres, trocando experiências. 
Você poderá conhecer as práticas de 
saúde tradicionais voltadas para as 
mulheres que são diferentes nos muitos 
povos indígenas do país.
 32  32 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
Para compreender melhor o Subsistema da Atenção Indígena acompanhe a imagem abaixo:
Figura 9 – Entenda o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena 
Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS)
Fonte: SESAI (2019)
Ministério da Saúde: é o órgão do Poder Executivo Federal responsá-
vel pela organização e elaboração de planos e políticas voltados para 
a promoção, prevenção e assistência à saúde dos brasileiros.
SESAI: área do Ministério da Saúde criada para coordenar e executar 
o processo de gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena em 
todo território nacional.
DSEI: Distrito Sanitário especial Indígena é a unidade gestora descen-
tralizada do subsistema e responde pela execução das ações básicas 
de saúde em área indígena. No Brasil são 34 DSEIs.
Polo base: os 351 Polos Base existentes em todo pais, juntamente 
com os 966 postos de saúde, são as bases da atuação das equipes 
de saúde. Os Polos Base são classificados em Tipo I (localizados em 
terras indígenas) e Tipo II (localizado no município de referência).
EMSI: As Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena são compos-
tas por médicos, enfermeiros, odontólogos e auxiliares, além dos 
Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e os Agentes Indígenas de Sanea-
mento (AISAN). Os agentes moram em aldeias e são indicados pelos 
Conselhos Locais de Saúde Indígena. O total de trabalhadores em 
2019 é de 13.989 profissionais para garantir a assistência primária à 
saúde e ao saneamento ambiental nos territórios indígenas.
CASAI: No Brasil são 68 Casas de Saúde Indígena. A CASAI garante 
alojamento, alimentação e atendimento de enfermagem aos pacien-
tes e acompanhantes, respeitando as especificidades culturas. Além 
disso, presta assistência farmacêutica e apoia o DSEI na articulação 
da rede de referência de Média e Alta Complexidade.
 33  33 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
População de trabalhadoras do sexo
A relação profissional e comercial, em que 
práticas sexuais são negociadas por dinheiro 
ou outros benefícios, é exercida principalmen-
te por mulheres. Ao longo do tempo observou-
-se a organização da população de mulheres 
trabalhadoras do sexo em busca da garantia 
de direitos básicos e reconhecimento da ativi-
dade como profissão. A baixa escolaridade, a 
necessidade financeira e a dificuldade de per-
suasão no uso de preservativo pela clientela 
as tornam mais expostas às doenças trans-
mitidas por via sexual. Estão ainda mais ex-
postas à violência e abuso de drogas (BRASIL, 
2013; FIGUEIREDO, 2010).
Os profissionais da Atenção Primária devem 
estar preparados para acolher as trabalhadoras 
do sexo sem discriminação, disponibilizando 
todos os serviços que sejam de necessidade 
da usuária profissional do sexo. Ações edu-
cativas voltadas para informação sobre ISTs 
e meios de prevenção (uso correto e acesso 
facilitado aos preservativos), riscos do uso de 
drogas e dar acesso à redução de dano podem 
ser ofertados e facilitados para esse grupo 
específico.
Trabalhadorasdo campo, da floresta 
e das águas 
As mulheres do campo, da floresta e das 
águas fazem parte de uma população bastan-
te heterogênea, constituída por trabalhado-
ras assalariadas e temporárias, agricultoras 
familiares, camponesas, trabalhadoras rurais 
assentadas ou acampadas, comunidades tra-
dicionais (ribeirinhas, quilombolas), pescado-
ras artesanais e marisqueiras, que habitam 
e utilizam reservas extrativistas em áreas de 
florestas ou aquáticas e atingidas por barra-
gens (BRASIL, 2013; BRASIL, 2015).
Figura 10 – As mulheres extrativistas possuem especifici-
dades em saúde que devem ser observadas
Este grupo populacional é afetado diretamen-
te pela dificuldade de acesso aos serviços de 
saúde e por problemas de saúde ou acidentes 
decorrentes do trabalho que exercem (exposi-
ção aos agrotóxicos, exposição solar e outras 
intempéries, violência) (BRASIL, 2015). 
O uso de saberes populares nos cuidados 
em saúde também está presente nesses gru-
pos por questões culturais e pela dificuldade 
de acesso aos serviços de saúde (BRASIL, 
2015). A desigualdade nas relações de gê-
nero também está presente na vida familiar 
(violência doméstica), ao dificultar acesso a 
direitos como educação e na diferenciação de 
trabalho (BRASIL, 2015).
Para uma atenção em SSSR adequada às 
necessidades desta população, são ne-
cessárias estratégias para alcançar os 
mais distantes grupos, ter conhecimen-
to das condições de vida local e promover 
ações preventivas (coletas de preventivo 
e exame de mamas, ISTs) e assistenciais 
frequentes na própria comunidade, faci-
litando o acesso e acolhendo a deman-
da específica do maior número de usuárias 
possível. 
 34  34 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
Mulheres vivendo com HIV e AIDS
É cada vez mais significativo o número de 
mulheres adultas e jovens portadoras do 
HIV. Muitas destas jovens adquiriram o ví-
rus por transmissão vertical, e muitas ou-
tras pelo sexo sem uso de preservativo, mas 
por meio de acompanhamento e suporte 
de medicamentos adequado podem ter um 
planejamento de vida. É necessário acolher 
no serviço de saúde a mulher portadora do 
vírus, pois o medo e a discriminação, faz 
com que, uma pessoa se afaste de outras, 
inclusive daquelas com contato mais íntimo 
(BRASIL, 2008).
Para essas pessoas existe a possibilidade de 
vida sexual saudável e segura (incluindo aqui 
as parcerias sorodiscordantes), bem como a 
possibilidade de planejamento de gestações 
(BRASIL, 2008). 
Para as mulheres que não desejam engravidar 
há a necessidade de reforçar a importância da 
dupla proteção (uso de preservativo além do 
uso de outro método contraceptivo) para si 
(prevenção de ISTs) e para a parceria (trans-
missão do HIV) (BRASIL, 2008).
É importante que você e sua equipe pesqui-
sem e conversem sobre o assunto, e este-
jam capacitados para fornecer informações 
e dispor de um atendimento de qualidade, por 
uso adequado de todos os protocolos na as-
sistência das mulheres e jovens vivendo com 
HIV e AIDS, inclusive nos cuidados durante o 
pré-natal, parto e puerpério. 
Figura 11 – Pessoas vivendo com HIV podem ter uma vida 
saudável
A seguir, dentro do contexto da Saúde Sexual e 
Saúde Reprodutiva destacamos as infecções 
sexualmente transmissíveis. Abordaremos as 
evidências científicas atuais para atenção a 
estas doenças, com enfoque voltado para as 
mulheres. 
2.2 Infecções Sexualmente 
 Transmissíveis (ISTs) 
Conforme a OMS (2013), mais de um milhão de 
pessoas adquirem uma IST diariamente no mun-
do (BRASIL, 2015). Em função das graves com-
plicações em mulheres, recém nascidos e por 
ser fator de risco na transmissão do HIV, há um 
empenho mundial no combate a essas doenças. 
Na Atenção Primária deve-se promover o 
acolhimento com privacidade dos casos de 
possível ISTs, sem julgamento morais, a fim 
de facilitar o diagnóstico (inclusive de pos-
sível ISTs associadas), tratamento e preven-
ção. Atentar para o fato de que alguns grupos 
populacionais necessitam de atenção e abor-
dagem específica, entre eles as profissionais 
do sexo, as mulheres em situação de rua e as 
usuárias de drogas, além das mulheres trans 
que apresentam maior prevalência de IST. E 
nos casos sintomáticos, deve-se priorizar o 
atendimento buscando o vínculo com a usu-
ária e a segurança da mesma, de modo que o 
tratamento seja iniciado imediatamente.
 35  35 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
As ISTs apresentam diversidade na etiologia 
e quadro clínico. Podem manifestar-se com 
corrimento vaginal e úlceras ou até não apre-
sentar sintomas. As gestantes devem receber 
especial atenção para prevenir a transmissão 
vertical de sífilis, hepatites e HIV. A principal 
forma de transmissão é a sexual, porém, não 
se pode deixar de citar a contaminação san-
guínea e a vertical (mãe-filho).
Também é comum apresentarem-se em asso-
ciação com outra IST. Sendo que os fatores so-
cioeconômicos, comportamentais, questões de 
gênero, culturais e a dificuldade de acesso aos 
serviços de saúde influenciam desde o surgi-
mento até a manutenção das ISTs. 
A principal forma de prevenção é o uso cor-
reto e regular de método de barreira (preser-
vativo masculino ou feminino) na relação 
sexual. Porém, o número de pessoas que 
usam o preservativo associado a outro mé-
todo contraceptivo ou isoladamente é muito 
baixo, principalmente nos relacionamentos 
considerados estáveis.
Deve-se lembrar ainda que algumas ISTs são 
de notificação compulsória: infecção pelo HIV, 
infecção pelo HIV em gestantes, parturiente ou 
puérpera e criança exposta ao risco de trans-
missão vertical do HIV, AIDS, sífilis adquirida, 
sífilis em gestantes ou congênita, hepatites B 
e C, conforme portaria nº 204, de 17 de feve-
reiro de 2016.
Acompanhe no esquemático abaixo a triagem 
para ISTs que deve ser realizado no pré-natal.
HIV
Sífilis
Hepatite B
Hepatite C
Na primeira consulta de pré-natal (ideal no primeiro e terceiro trimestre).
No momento da internação para o parto (independente de tê-lo feito no 
pré-natal) deverá ser realizada testagem por ocasião da internação para 
o parto.
Triagem para ISTs no Pré-Natal
Na primeira consulta pré-natal (ideal no primeiro e terceiro trimestre) e 
no momento da internação para o parto (independente de tê-lo feito no
pré-natal.
Na primeira consulta de pré-natal. Caso não tenha realizado pré-natal 
deverá realizar a testagem por ocasião da internação para o parto.
Testagem em gestantes de risco (infecção pelo HIV, usuárias de drogas,
transfusão ou transplantes antes de 1993, hemodiálise, profissionais de 
saúde com histórico e acidente com material biológico e alterações de 
exames da função hepática sem outras causas).
 36  36 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
Na atenção à saúde das mulheres e às IST, algumas atividades são de responsabilidade da equipe 
de Atenção Primária (BRASIL, 2015). Acompanhe:
Lembre-se que a Unidade Básica de Saú-
de precisa disponibilizar Testes Rápidos 
para HIV, Sífilis, Hepatites B e C. Você 
pode acessar mais informações sobre os 
testes rápidos para diagnóstico de sífilis, 
HIV, Hepatites B e C acessando: <http://
www.aids.gov.br/pt-br/profissionais-de 
-saude/testes-rapidos>.
Conforme a Portaria n° 29, de 17 de de-
zembro de 2013, que aprova o Manual 
Técnico para o Diagnóstico da Infecção 
pelo HIV em Adultos e Crianças, qual-
quer profissional pode realizar o teste 
rápido, desde que tenha sido capacitado 
pessoalmente ou à distância. O Departa-
mento de Vigilância, Prevenção e Contro-
le das IST, do HIV/Aids e Hepatites Virais 
(DIAHV) fornece capacitação a distân-
cia gratuitamente por meio do Telelab<http://www.telelab.aids.gov.br/>, onde 
estão disponíveis vídeos com procedi-
mentos para a realização dos testes rá-
pidos.
Para o planejamento do acompanha-
mento da mulher durante o ciclo grávi-
dico puerperal, médicos e enfermeiros 
podem consultar as recomendações 
que estão publicadas no Protoco-
los da Atenção Básica: Saúde das 
Mulheres, que apresenta detalhada-
mente todas as ações. Está disponí-
vel em: <http://189.28.128.100/dab/
docs/portaldab/publicacoes/protocolo_ 
saude_mulher.pdf>.
ÎÎ Garantir o acolhimento e realizar atividades de informação e educação em saúde.
ÎÎ Realizar consulta imediata no caso de úlceras genitais, corrimentos genitais e de verrugas 
anogenitais.
ÎÎ Realizar coleta de material cérvico-vaginal para exames laboratoriais.
ÎÎ Realizar testagem rápida e/ou coleta de sangue e solicitação de exames para sífilis, HIV e 
hepatites B e C.
ÎÎ Realizar tratamento das mulheres com IST e suas parcerias sexuais.
ÎÎ Seguir o protocolo do MS para prevenção da transmissão vertical de HIV, sífilis e hepatites 
virais.
ÎÎ Notificar as IST, conforme a portaria nº 204/2017. Os demais agravos são notificados de 
acordo com recomendações dos estados/municípios, quando existentes.
ÎÎ Comunicar as parcerias sexuais do caso-índice para tratamento conforme protocolo.
ÎÎ Referir os casos de IST complicadas e/ou não resolvidas para unidades que disponham de 
especialistas e mais recursos laboratoriais.
ÎÎ Referir os casos de dor pélvica com sangramento vaginal, casos com indicação de avaliação 
cirúrgica ou quadros mais graves para unidades com ginecologista e/ou que disponham de 
atendimento cirúrgico.
Atenção à saúde das mulheres com IST 
http://www.aids.gov.br/pt-br/profissionais-de-saude/testes-rapidos
http://www.aids.gov.br/pt-br/profissionais-de-saude/testes-rapidos
http://www.aids.gov.br/pt-br/profissionais-de-saude/testes-rapidos
http://www.telelab.aids.gov.br/
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/protocolo_saude_mulher.pdf
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/protocolo_saude_mulher.pdf
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/protocolo_saude_mulher.pdf
 37  37 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
Caso você tenha alguma dúvida com 
relação às ações que pode realizar para 
diagnóstico e tratamento das IST você 
poderá acessar o Protocolo Clínico e 
Diretrizes Terapêuticas para Atenção 
Integral às Pessoas com Infecções Se-
xualmente Transmissíveis publicado 
em 2015 e atualizado em 2019 pelo 
Ministério da Saúde que está disponí-
vel em: <http://www.aids.gov.br/pt-br/
pub/2015/protocolo-clinico-e-diretri-
zes-terapeuticas-para-atencao-inte-
gral-pessoas-com-infeccoes>.
Figura 12 – Mais de um milhão de pessoas adquirem uma 
IST diariamente no mundo
 
A seguir são elencadas algumas estratégias 
para a atenção integral às mulheres com IST na 
abordagem da prevenção combinada. Desta-
ca-se a prevenção individual e coletiva, a oferta 
de diagnóstico e tratamento para as ISTs as-
sintomáticas e o manejo das IST sintomáticas 
com uso de fluxogramas (BRASIL, 2019).
Prevenção individual e coletiva
ÎÎ Informação e educação em saúde.
ÎÎ Preservativo masculino e feminino.
ÎÎ Gel lubrificante.
ÎÎ Busca adequada e acesso a serviços de saúde.
ÎÎ Prevenção da transmissão vertical do HIV, sífilis e 
hepatites virais.
ÎÎ Vacinação para HBV e HPV.
ÎÎ Profilaxia pós-exposição ao HIV, quando indicada. 
Maiores informações disponível em: BRASIL. Proto-
colo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia 
Pós-Exposição (Pep) de Risco à Infecção pelo HIV, 
IST e Hepatites Virais– Brasília : Ministério da Saú-
de, 2018
ÎÎ Profilaxia pré-exposição ao HIV, quando indicada. 
Maiores informações disponível em: BRASIL. Proto-
colo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia 
Pré-Exposição (PrEP) de Risco à Infecção pelo HIV /
Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saú-
de. Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle 
das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/
Aids e das Hepatites Virais. Brasília, 2018.
ÎÎ Profilaxia pós-exposição às IST em violência sexual.
ÎÎ Redução de danos.
ÎÎ Testes Rápidos
Oferta de diagnóstico e tratamento para IST 
assintomáticas (com laboratório)
ÎÎ Triagem para sífilis, gonorreia, clamídia, hepatites vi-
rais B e C e HIV para mulheres com IST e populações-
-chave (profissionais do sexo, mulheres que usam 
drogas), quando disponível.
ÎÎ Testagem de rotina para diagnóstico de HIV, sífilis e 
hepatite B durante o pré-natal e parto, conforme re-
comenda os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêu-
ticos (PCDT IST, 2019) do Ministério da Saúde para 
prevenção da transmissão vertical.
ÎÎ Tratamento das infecções identificadas.
Manejo de IST sintomáticas com uso de 
fluxogramas (com e sem laboratório)
ÎÎ Condutas baseadas em fluxogramas.
ÎÎ Queixa de síndrome específica.
ÎÎ Anamnese e exame físico.
ÎÎ Diagnóstico com e sem laboratório.
ÎÎ Tratamento etiológico ou baseado na clínica (para 
os principais agentes causadores da síndrome).
O serviço de saúde ao qual você pertence 
está atento e proporciona o diagnóstico e 
tratamento das ISTs? Tanto o diagnósti-
co quanto o tratamento ocorrem em tem-
po oportuno? Conseguem diagnosticar e 
tratar as parcerias sexuais?
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-atencao-integral-pessoas-com-infeccoes
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-atencao-integral-pessoas-com-infeccoes
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-atencao-integral-pessoas-com-infeccoes
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-atencao-integral-pessoas-com-infeccoes
 38  38 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
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2.2.1 Algumas abordagem das ISTs 
 assintomáticas
Doenças como sífilis, cervicites por gonorreia 
e clamídia, hepatites B e C e HIV são mais fre-
quentemente assintomáticas, e complicações 
como infertilidade, AIDS, sífilis congênita e cir-
rose hepática podem ocorrer caso o diagnós-
tico demore a ser realizado. 
As assintomáticas ocorrem com mais fre-
quência no caso de mulheres, nas jovens, 
nas mulheres trans e nas profissionais do 
sexo, grupos que muitas vezes têm mais di-
ficuldade em acessar os serviços de saúde. 
Essas populações, assim como as usuárias 
de drogas e gestantes, devem ser priorizadas 
para a realização de exames diagnósticos. .
Acompanhe no próximo esquemático, algu-
mas doenças assintomáticas com possíveis 
manifestações clínicas e tratamento
Doença Manifestação clínica Tratamento
Gonorréia
Cervicite (geralmente assintomática). 
Quando apresenta sintomas: dispareunia, disúria, sangramento intermenstrual.
As principais complicações são: dor pélvica, Doença Inflamatória Pélvica (DIP), 
gravidez ectópica e infertilidade.
Ceftriaxona 500 mg, IM, dose única ou (outra cefalosporina de 3a ge-
ração) associado a azitromicina 500 mg, 2 cps, VO, Dose Unica. 
Importante: Está contraindicado o uso da ciprofloxacina em meno-
res de 18 anos e gestantes. Também está contraindicado o seu uso 
nos estados de MG, RJ, SP onde observou-se cepas resistentes. 
Há indicação ainda de Ceftriaxona como medicação de escolha 
nas infecção por gonoco devido a alta resistência à classe das 
quinolonas.
Clamídia
Cervicite (geralmente assintomática). 
Quando apresenta sintomas: dispareunia, disúria, sangramento intermenstrual.
As principais complicações são: dor pélvica, Doença Inflamatória Pélvica (DIP), 
gravidez ectópica e infertilidade.
Azitromicina 500 mg, 2 cps, VO, dose única ou doxiciclina 100 mg, 
VO, 2x/d por 7 dias (contraindicado na gestante) 
Hepatite B Hepatite B aguda e a crônica são oligossintomáticas.Cerca de 30% dos adultos tem a forma ictérica na hepatite B aguda.
Para abordagem de tratamento e profilaxia de hepatite B em gestan-
tes, consultar o PCDT de Prevenção de Transmissão Vertical, dispo-
nível em: <www.aids.gov.br/pcdt>.
Hepatite C
A hepatite viral C aguda apresenta evolução subclínica: cerca de 80% dos ca-
sos têm apresentação assintomática e anictérica, o que dificulta o diagnóstico. 
A minoria dos pacientes eventualmente apresenta icterícia. 
Acessar o Protocolo Clínico e diretrizes Terapêuticas para Hepatite C 
e Co-infecções, disponível em: <www.aids.gov.br/pcdt>.
http://www.aids.gov.br/pcdt
http://www.aids.gov.br/pcdt
 39  39 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
HIV
Primeira fase (infecção aguda): sintomas e sinais inespecíficos da primeira a terceira 
semana da contaminação a chamada Síndrome Retroviral Aguda – SRA, que cursa 
com febre, mialgia, adenopatia, faringite, exantema e cefaléia. A soroconversão (surgi-
mento de anticorpos anti-HIV) geralmente ocorre após a quarta semana da infecção. 
Segunda fase: assintomática, que podem durar muitos anos, dependendo da car-
ga viral e imunidade da pessoa infectada. O surgimento das doenças oportunistas 
e neoplasias define a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Dentre as in-
fecções oportunistas destacam-se: tuberculose pulmonar atípica ou disseminada, 
pneumocistose, neurotoxoplasmose, meningite criptocócica e retinite por citome-
galovírus. As neoplasias que mais ocorrem são: linfoma não Hodgkin, sarcoma de 
Kaposi e câncer de colo uterino em mulheres jovens.
Acesse: Protocolo Clínico e Diretrizes para manejo da infecção pelo 
HIV em Adultos. Disponível em <http://www.aids.gov.br/pcdt>.
Fonte: Brasil (2019).
Em gestantes com diagnóstico de gonorreia 
há maior risco de: parto prematuro, ruptu-
ra prematura de membrana amniótica, óbito 
fetal, restrição de crescimento intrauterino e 
febre puerperal. No recém-nascido (RN) pode 
acarretar conjuntivite, artrite, sepses, abces-
so em couro cabeludo, pneumonia, meningite, 
endocardite e estomatite.
A infecção por clamídia na gestante pode-
rá desencadear trabalho de parto prematuro, 
ruptura prematura de membrana amniótica e 
endometrite puerperal. No RN pode ser res-
ponsável por pneumonia e conjuntivite.
Figura 13 – As ISTs são especialmente perigosas quan-
do afetam mulheres grávidas
Em relação à hepatite B, nos RNs de mães 
HBsAg reagente deve-se administrar imuno-
globulina específica para o vírus da hepatite 
B (HBIg) e a vacina nas primeiras 12 horas de 
vida. A vacina da Hepatite B entrou para a lista 
do calendário básico de vacinação desde 1998 
para menores de um ano e ampliou para me-
nores de 20 anos desde 2001. Recomenda-se 
a vacina para todas as gestantes HBsAg não 
reagentes em qualquer trimestre da gestação.
Está indicada a investigação de hepatite C em 
gestantes, pessoas que receberam transfusão 
de sangue ou hemoderivados ou transplanta-
dos antes de 1993, nascidos antes de 1975, 
usuárias de drogas, mulheres tatuadas ou com 
piercing, mulheres em hemodiálise ou com 
doença hepática, procedimentos com possí-
vel contaminação com sangue (odontológico, 
manicure e pedicure) que não respeitam aos 
cuidados de biossegurança necessários, além 
das que se expõe ao sexo desprotegido.
http://www.aids.gov.br/pcdt
 40  40 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
Em gestantes, o acompanhamento da carga 
viral de HIV é muito importante, pois mostra o 
risco da transmissão vertical ocorrer. Por isto 
está indicada a terapia antirretroviral em todas 
as gestantes infectadas pelo HIV, bem como, a 
manutenção por toda a vida da mulher, e não 
apenas no parto e puerpério. O Brasil adota a es-
tratégia de tratamento para todos, independen-
temente da situação clínica da pessoa. Sabe-se 
que o risco de transmissão é muito baixo (cerca 
de 1%) nos casos em que a carga viral inferior a 
1.000 cópias/mL em gestante em uso de antir-
retrovirais e muito mais baixo nos casos onde 
a carga viral seja indetectável. As gestantes de-
verão realizar a contagem de carga viral em três 
momentos: na primeira consulta de pré-natal, 
entre 2 a 4 semanas após a introdução ou a tro-
ca do esquema com os antirretrovirais e em tor-
no das 34 semanas de gestação para determinar 
a via de parto. Todas as gestantes em início de 
terapia antiretroviral têm indicação de realiza-
ção de genotipagem pré-tratamento.
Para mais informações sobre gestantes 
vivendo com HIV/AIDS acesse: Protoco-
lo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para 
prevenção de Transmissão Vertical de 
HIV, Sífilis e Hepatites virais 2019. Dis-
ponível em <www.aids.gov.br/pcdt>.
A infecção aguda apresenta aumento das ami-
notransferases, anti-HBc IgM (mais precoce, 
marcador do início da infecção) e IgG (mais 
tardio e permanece reagente ao longo da 
vida). O diagnóstico da infectividade da do-
ença é realizado pela análise do HBeAg. O 
surgimento de anticorpos específicos para 
HBeAg e para o HBsAg indicam resolução fa-
vorável da infecção.
Importante! Os testes rápidos (TR) 
constituem imunoensaios cromatográ-
ficos de execução simples, que podem 
ser realizados em até 30 minutos e não 
necessitam de estrutura laboratorial. 
Contudo, dependendo da amostra tra-
balhada, podem ser necessários cuida-
dos de biossegurança. Os TR são funda-
mentais para a ampliação do acesso ao 
diagnóstico e aumentam a resolutivida-
de do sistema. Além disso, permitem a 
imediata intervenção nos casos que re-
querem tratamento. Se você ainda não 
está capacitado para realizar os testes 
rápidos, acesse o site <www.telelab.
aids.gov.br>.
As informações que você acompanhará no 
quadro 1 podem ajudar você e sua equipe na 
interpretação de ISTs assintomáticas. 
Quadro 1 – Interpretação dos resultados sorológicos (Ag-Ab) para hepatite B
Testes 
sorológicos Resultados Interpretação
HBsAg 
Anti-HBc total 
Anti-HBs
Não Reagente 
Não Reagente 
Não Reagente
Ausência de contato prévio com o HBV.
Susceptível a infecção pelo HBV.
HBsAg 
Anti-HBc total 
Anti-HBs
Não Reagente 
Reagente 
Reagente
Imune após infecção pelo HBV
HBsAg 
Anti-HBc total 
Anti-HBs
Não Reagente 
Não Reagente 
Reagente
Imune após vacinação contra o HBV.
HBsAg 
Anti-HBc total 
Anti-HBs
Reagente
Reagente
Não Reagente
Infecção pelo HBV
Fonte: Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais/SVS/MS (2016). 
http://www.aids.gov.br/pcdt
http://www.telelab.aids.gov.br
http://www.telelab.aids.gov.br
 41  41 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
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Não esqueça que o diálogo e a investigação 
com a usuária são essenciais para um diag-
nóstico com respeito e garantia do direito ao 
tratamento. Vamos em frente!
2.2.2 ISTs sintomáticas
Para facilitar a abordagem das IST sintomá-
ticas, dividem-se as infecções por quadros 
sindrômicos para as mulheres: corrimento 
Quadro 2 – Detalhes das ISTs sintomáticas
Síndrome Doenças Agente etiológico Diagnóstico Sinais/Manifestações clínicas Tratamento
Corrimento 
vaginal
Tricomoníase T. vaginalis Presença de proto-
zoários móveis em 
amostra de ectocér-
vice (Gram, a fresco).
Abundante corrimento amarelado ou esverdeado 
e bolhoso, prurido vulvar e hiperemia da mucosa. 
Pode ainda apresentar queixas urinárias.
Metronidazol 500 mg, 4 cps, VO,DU(-
total de 2g) OU metronidazol 250 mg, 
2x/d, VO, por 7 dias. Em gestantes de 
primeiro trimestre optar por Clinda-
micina 300 mg, VO, 2x/d por 7 dias.
Úlceras 
genitais
Herpes genital O HSV 2 é o 
agente mais 
relacionado às 
lesões genitais 
mas pode ser 
causado tam-
bém pelo HSV 1 
(mais associado 
às lesões perio-
riais) em menor 
proporção. 
Isolamento do vírus 
em cultura de tecidodo material coletado 
das vesículas (mais 
rico em vírus), es-
fregaço corados por 
Giemsa ou método 
Papanicolau, PCR e 
imunofluorescência 
(estes dois últimos 
com alta especifici- 
dade).
Primoinfecção: Sintomatologia mais exuberan-
te com lesões eritemato-papulosas que evoluem 
para vesículas dolorosas e múltiplas. Período de 
incubação de 6 dias. Geralmente acompanha o 
quadro: febre, mal-estar, mialgia e disúria. Em 
50% dos casos há linfadenomegalia inguinal bi-
lateral. Nas mulheres pode afetar o colo vindo a 
apresentar corrimento vaginal. Pode durar de 2 a 
3 semanas. O vírus costuma alojar-se nos nervos 
periféricos sensoriais após a cura. 
Quadros de recorrência: Costumam ser mais 
leves associado a pródromos (prurido,ardência,-
mialgia,fisgadas). São desencadeados por fatores 
que provocam diminuição da imunidade (estres-
se, infecções e uso prolongado de antibióticos, 
por exemplo). As lesões podem ser cutâneas e /
ou mucosas. Tendem a regredir em 7 a 10 dias.
Primoinfecção: Aciclovir 200 mg, 2 
cps, VO, 3x/d, por 7 dias OU Aciclovir 
200 mg, 1 cp, VO, 5x/d por 7 dias.
Recidiva: Aciclovir 200 mg, 2 cps, 
VO, 3x/d por 5 dias OU Aciclovir 200 
mg, 4 cps, VO, 2x/dia, por 5 dias.
Supressão de Herpes Genital (6 ou 
mais episódios ao ano): Aciclovir, 
200mg, 2 cps,VO, 2x/d por 6 meses 
até 2 anos.
vaginal, corrimento uretral, úlcera anogeni-
tal e verruga anogenital. 
Acompanhe o quadro abaixo, que expõe 
mais detalhes sobre cada uma das ISTs 
sintomáticas.
 42  42 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
Síndrome Doenças Agente etiológico Diagnóstico Sinais/Manifestações clínicas Tratamento
Cancróide H a e m o p h i l u s 
ducreyi
Identificação do 
agente em esfregaço 
de material obtido da 
base da úlcera ou as-
pirado do bulbão co-
rado pelo Gram.
Nas mulheres as lesões,quando ocorrem, são 
mais frequentemente na fúrcula e grandes e pe-
quenos lábios. 
São lesões múltiplas ou única, dolorosas, irre-
gulares, com contornos eritemato-edematosos e 
fundo irregular, coberto com exsudato necrótico, 
amarelado e fétido. Ao fundo presença de tecido 
de granulação com sangramento fácil.
Azitromicina 500 mg, 2 cps, VO, DU 
OU Ceftriaxona 500 mg, IM, DU OU 
Ciprofloxacina 500 mg, 1 cp, VO, 2x/d 
por 3 dias (contraindicados em ges-
tantes, lactantes e crianças). 
Linfogranuloma 
venéreo
Chamydia tra-
chomatis soroti-
pos L1, L2 e L3
Isolamento do agente 
em culturas do raspa-
do da lesão inicial ou 
aspirado do bulbão. 
O método mais preci-
so é o PCR
Manifesta-se por linfadenopatia inguinal e/ou femo-
ral. Apresenta três fases distintas:
Inoculação: Inicia por pápula, pústula ou exulcera-
ção indolor desaparecendo sem deixar sequelas. 
Na mulher localiza-se na parede vaginal posterior, 
colo uterino, fúrcula e outras regiões dos genitais. 
A adenopatia dependerá do local da inoculação. 
Como sequela ocorre supuração e fistulização por 
orifícios múltiplos. Proctite e proctocolite hemorrá-
gica podem ocorrer pelas lesões em região anal. 
Glossite ulcerativa difusa com linfadenopatia regio-
nal pode ocorrer por contato orogenital. Sintomas 
gerais: febre, mal-estar, anorexia, emagrecimento, 
artralgia, sudorese noturna e meningismo. Elefan-
tíase genital por obstrução linfática crônica. Na mu-
lher este fenômeno chama-se estiomene. Outros: 
fístulas retais, vaginais, vesicais e estenose retal. 
Doxiciclina 100 mg, 2x/d por 21 dias 
(contraindicado em gestantes) OU 
Azitromicina 500 mg, 2 cps, VO, 1 x/
sem por 3 semanas. Se sintomáticas 
tratar conforme o esquema anterior. 
Se assintomáticas: Azitromicina 500 
mg, 2 cps, VO, DU OU Doxiciclina 
100 mg, 1 cp, VO, 2x/d por 7 dias. 
 43  43 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
Síndrome Doenças Agente etiológico Diagnóstico Sinais/Manifestações clínicas Tratamento
Verrugas 
anogenitais
HPV Clínico na fase das 
lesões visíveis e con-
firmado por biópsia 
ou por colpocitologia 
oncótica do colo ute-
rino, citologia oncóti-
ca anal, colposcopia, 
anuscopia e histolo-
gia.
Três formas distintas: 
Latente: A infecção pelo HPV não apresenta qual-
quer manifestação. Pode nunca vir a apresentar 
lesões. O único modo de detectar o HPV é através 
de diagnóstico laboratorial (exames de bioloiga 
molecular por detecção do DNA viral)
Subclínica: Quando as lesões serão visíveis ape-
nas por meio de papanicolau, colposcopia e/ou 
histologia. Detectam-se lesões precursoras do 
câncer e colo uterino: Lesão intraepitelial de bai-
xo grau (LSIL) e Lesão intraepitelial de alto grau 
(HSIL).
Clínica: Verruga ou condiloma acuminado. São 
lesões única ou múltiplas, coloração variável e 
exofíticas. Estão associadas aos tipos não onco-
gênicos. Na mulher localizam-se na vulva, perí-
neo, perianal, vagina e colo
Ácido
Tricloroacético 80 a 90% (ATA) 1x/
sem até 8 a 10 semanas nas lesões.
Podofilina 10 a 25% 1x/sem até o de-
saparecimento das lesões. Contrain-
dicado na gestação.
Eletrocauterização: Remoção da 
lesão por meio de eletrocautério.
Crioterapia: Remoção da lesão por 
destruição térmica da lesão. 
Exérese cirúrgica: Remoção da lesão 
com uso de bisturi, tesoura ou cureta 
sob anestesia local.
Fonte: Brasil (2019).
Depois de acompanhar este quadro com as prin-
cipais IST sintomáticas, como identificá-las 
e o tratamento, gostaríamos de lembrar que 
o HPV é um DNA vírus, que apresentam mais 
de 200 sorotipos sendo 40 responsáveis por 
lesões anogenitais e pelo menos 20 sorotipos 
estão relacionados ao câncer de colo uteri-
no. Pode ser encontrado em outros locais em 
menor frequência e causar câncer também 
no ânus, vulva, vagina, orofaringe, laringe e 
boca. Os tipos de baixo risco oncogênico es-
tão presentes em lesões benignas e lesões 
intrepiteliais de baixo grau: tipos 6, 11, 40, 
42, 43, 44, 54, 61, 70, 72, 81 e CP6108. Os ti-
pos de alto grau oncogênico estão presentes 
nas lesões intraepiteliais de alto grau e nos 
carcinomas: 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 
56, 58, 59, 68, 73 e 82.
No Herpes Genital as mulheres que apresen-
tam úlcera genital estão altamente susceptí-
veis a transmitir ou adquirir HIV. Em uma mes-
ma lesão pode-se vir a encontrar associação 
de agentes. Estão extremamente associadas 
 44  44 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
a ISTs nas mulheres sexualmente ativas (prin-
cipalmente jovens), podendo, contudo, estar 
relacionadas a outras causas e patologias, 
como câncer, drogas, dermatite de contato, 
dentre outras. 
Nos casos de herpes genital na gestação os 
riscos são maiores na primoinfecção. O feto 
corre mais risco quando há infecção ativa no 
momento do parto e se a via for vaginal. Há 
recomendação de via alta quando há lesão 
ativa. O tratamento tem por objetivo reduzir 
a intensidade e duração do episódio. Em ges-
tantes o tratamento é o mesmo independente 
do trimestre da gestação.
Primoinfecção é a primeira infeção pro-
vocada por uma bactéria ou por um vírus, 
sem que existam necessariamente ma-
nifestações clínicas (INFOPEDIA, 2017).
Nos casos de verrugas anogenitais por HPV 
além da via sexual de transmissão temos a via 
vertical, esta responsável por papilomatose 
recorrente de laringe em crianças e RNs com 
condilomatose genital verificada por ocasião 
do nascimento. 
Importante! A cada nova parceria o ris-
co de adquirir o HPV é de 15 a 25%. E 
na maioria dos casos a infecção é tran-
sitória e auto-limitada, não causando 
danos. 
A prevenção do HPV pode ser feito através 
do uso de preservativo masculino ou o femi-
nino. Desde 2014, instituiu-se a vacinação 
contra o HPV pelo Ministério da Saúde, fa-
zendo parte do Calendário Nacional de Vaci-
nação. A vacina está indicada parameninas 
de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. 
O esquema é composto de duas doses, com 
intervalo de seis meses. A vacina é quadriva-
lente contra o HPV 6,11,16 e 18 sendo efetiva 
na prevenção de verrugas anogenitais como 
lesões precursoras do câncer de colo uteri-
no, vulva, vagina e anal. O Ministério daSaú-
de (MS) recomenda a colpocitologia oncóti-
ca em todas as mulheres entre 25 a 64 anos 
de idade que tem vida sexual ativa ou já tive-
ram. As diretrizes do MS orientam realizar o 
exame a cada três anos, se os dois primeiros 
exames anuais forem normais. 
Para as mulheres vivendo com HIV/Aids, o re-
comendado são exames semestrais por um 
ano, que se normais passam a ser realizados 
uma vez por ano.
Devido à importância que vem ganhando nos 
últimos tempos, a seguir discutiremos de 
forma isolada, a sífilis, acompanhe. 
Sífilis
A erradicação da sífilis congênita é uma preo-
cupação mundial que conta com os esforços 
da OMS, OPAS e MS. O Comitê Regional para 
Validação da Eliminação da Transmissão 
Materno-Infantil de HIV e Sífilis definido pela 
OPAS em 2014 certifica os países que con-
seguem alcançar alguns números. O Brasil 
lançou como resposta a Agenda da Sífilis 
Congênita. Acompanhe no esquemático da 
próxima página. 
 45  45 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
O lançamento da Rede Cegonha foi em 2011 
pelo Governo Federal, que entre seus objetivos 
busca facilitar o diagnóstico e tratamento por 
meio de testes rápidos em gestantes, princi-
palmente o de HIV e sífilis. 
Em 2013 ocorreu um aumento das notificações 
dos casos de sífilis em gestantes em função 
da implantação da Rede Cegonha, que propor-
cionou acesso mais facilitado ao diagnóstico 
por meio dos testes rápidos. O aumento cres-
cente do número de casos de sífilis adquirida, 
sífilis em gestantes e sífilis congênita no Bra-
sil representa um desafio para a saúde pública 
e torna a prevenção desse agravo prioridade 
do MS e do UNICEF.
Segundo o Boletim Epidemiológico de Sífilis 
do MS (2017), no Brasil, a taxa de incidência 
de sífilis congênita (de 2,4 para 6,8 casos por 
1.000 nascidos vivos) e a taxa de detecção de 
sífilis em gestante (de 3,5 para 12,4 casos por 
1.000 nascidos vivos) aumentaram cerca de 
três vezes nos últimos cinco anos.
A Agenda de Ações Estratégicas para Redução 
da Sífilis Congênita no Brasil foi lançada em 
2016, como resultado de construção coletiva 
com ampla gama de parcerias internas e exter-
nas ao MS, visando à implementação de ações 
estratégicas e prioritárias para redução da sífi-
lis (UNICEF;MINISTERIO DA SAUDE, 2019). 
A infecção sistêmica causada pela bactéria 
Gram negativa T. pallidum vem apresentando 
crescimento de casos, inclusive a forma con-
gênita da doença. A principal forma de trans-
missão é a sexual, principalmente nos estágios 
iniciais da doença pela alta multiplicação bac-
teriana. A transfusão de sangue e seus deriva-
dos costuma ser uma forma menos frequente 
de transmissão. A transmissão vertical costu-
ma ser mais frequente intraútero e traz compli-
cações graves para o feto (manifestações con-
gênitas precoces ou tardias e/ou morte do RN), 
abortamento e trabalho de parto prematuro, 
principalmente se a gestante apresentar sífilis 
primária ou secundária durante a gestação. 
A sífilis adquirida pode ser classificada con-
forme o tempo de infecção em sífilis adquiri-
da recente (quando apresenta até dois anos 
de evolução) e sífilis adquirida tardia (quando 
apresenta mais de dois anos de evolução) ou 
ainda conforme as manifestações clínicas, de 
acordo com o quadro 3, na próxima página.
Taxa de transmissão vertical do HIV < ou igual 2% ou 
incidência de até 0,3 casos por 1000 nascidos vivos. 
Para Validação da Eliminação da Transmissão Vertical de HIV e Sí�lis, os países 
devem alcançar:
Taxa de incidência de sí�lis congênita de 0,5 casos por 1000 nascidos 
vivos cobertura de pré-natal (mínimo uma consulta) > ou igual a 95%.
Cobertura de testagem para HIV e sí�lis em gestantes > ou igual 
a 95%.
Cobertura de tratamento com ARV em gestantes HIV+ > ou igual 
a 95%.
Cobertura de tratamento com penicilina em gestantes com sí�lis 
> ou igual a 95%. 
 46  46 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
O diagnóstico pode ser realizado por diversos 
métodos, dependendo da fase em que se en-
contra a doença. A pesquisa direta do T. palli-
dum pode ser utilizada na sífilis recente primária 
Os testes treponêmicos detectam anticorpos 
específicos contra o T. pallidum. Tornam-se rea-
gentes precocemente e são importantes para 
confirmação da doença. Geralmente permane-
cem positivos mesmo após o tratamento. São 
eles: TPHA (Teste de hemaglutinação e agluti-
nação passiva), FTA-Abs (teste de imunofluo-
rescência indireta), EQL (quimioluminescên-
cia), ELISA (ensaio imunoenzimático indireto) 
e testes rápidos (imunocromato-gráficos). 
 
Importante! Os testes rápidos permitem 
o diagnóstico em torno de 30 minutos. 
São o meio mais prático de realizar o 
diagnóstico e instituir rapidamente o 
tratamento. Em caso de teste rápido 
reagente, deve-se coletar uma amostra 
de sangue para a realização de teste 
não treponêmico. 
Os testes não treponêmicos detectam an-
ticorpos não específicos para o T. pallidum, 
tornam-se reagentes após uma a três sema-
nas após a ulceração. Pode ser qualitativo 
(indica se há ou não o anticorpo) e quanti-
tativo (que titula o anticorpo). É utilizado 
para controle após o tratamento e o mais 
utilizado é o VDRL (Veneral Disease Research 
Laboratory). 
e secundária por meio da microscopia de campo 
escuro. Os testes imunológicos não treponêmi-
cos e treponêmicos são os mais utilizados. 
Quadro 3 – Manifestações clínicas de sífilis adquirida, de acordo com o tempo de infecção, evolução e estágios da doença
Estágios Da Sífilis Adquirida Manifestações clínicas
Primária ÎÎ Cancro duro (úlcera genital)
ÎÎ Linfonodos regionais
Secundária ÎÎ Lesões cutâneo-mucosas (roséola, placas mucosas, sifí-
lides papulosas, sifílides palmoplantares, condiloma pla-
no, alopecia em clareira, madarose, rouquidão) 
ÎÎ Micropoliadenopatia 
ÎÎ Linfadenopatia generalizada 
ÎÎ Sinais constitucionais
ÎÎ Quadros neurológicos, oculares, hepáticos
Latente recente (até dois anos de duração) ÎÎ Assintomática
Latente tardia (mais de dois anos de dura-
ção)
ÎÎ Assintomática, com testes imunológicos reagentes.
Terciária ÎÎ Cutâneas: lesões gomosas e nodulares, de caráter des-
trutivo;
ÎÎ Ósseas: periostite, osteíte gomosa ou esclerosante, artri-
tes, sinovites e nódulos justa-articulares;
ÎÎ Cardiovasculares: estenose de coronárias, aortite e aneu-
risma da aorta, especialmente da porção torácica;
ÎÎ Neurológicas: meningite, gomas do cérebro ou da medu-
la, atrofia do nervo óptico, lesão do sétimo par craniano, 
manifestações psiquiátricas, tabes dorsalis e quadros de-
menciais como o da paralisia geral.
Fonte: BRASIL (2019).
 47  47 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
Para maiores informações sobre diagnós-
tico da sífilis acesse o Protocolo Clínico 
e Diretrizes Terapêuticas, Infecções Se-
xualmente Transmissíveis, disponível em: 
<http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/
protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeu 
ticas-para-atencao-integral-pessoas- 
com-infeccoes>.
O tratamento para a sífilis de primeira escolha 
é a penicilina benzatina. 
Importante! Em gestantes o tratamento 
é recomendado com o primeiro teste rá-
pido positivo ,devendo-se considerar a 
parceria neste caso também, conforme 
protocolos em saúde. Preferencialmen-
te no mesmo momento do diagnósti-
co. Na gestação o tratamento eficiente 
(pois trata o feto) é o realizado com pe-
nicilina.São considerados tratamentos 
adequados: tratamento completo para 
estágio clínico de sífilis com benzilpe-
nicilina benzatina, iniciado até 30 dias 
antes do parto. Gestantes que não se 
enquadrarem nesses critérios serão 
consideradas como tratadas de forma 
não adequada. 
Para fins de definição de caso de sífilis 
congênita, não se considera o tratamen-
to da parceria sexual da mãe. 
A resolução do COFEN orienta realiza-
ção do Benzetacil na Atenção Primária: 
Decisão COFEN nº 0094/2015. Disponí-
vel em: <http://www.cofen.gov.br/deci-
sao-cofen-no-00942015_32935.html>
Pacientes podem apresentar exacerbação das 
lesões cutâneas, febre, artralgia e mal-estar após 
a primeira dose do tratamento com penicilina, 
chamada reação de Jarich-Herxheimer. O tra-
tamento não deve ser descontinuado, pois 
essa reação não configura alergia à penicili-
na.O seguimento para avaliação da eficácia 
do tratamento deverá ser realizado com testes 
não treponêmicos mensais para gestantes. O 
monitoramento mensal das gestantes e da po-
pulação geral aos três e aos nove meses não 
tem o intuito de avaliar queda da titulação, mas 
principalmente descartar aumento da titulação 
em duas diluições, o que configuraria reinfec-
ção/reativação e necessidade de retratamento 
da pessoa e das parcerias sexuais. Atualmen-
te, para definição de resposta imunológica ade-
quada, utiliza-se o teste não treponêmico não 
reagente ou uma queda na titulação em duas 
diluições em até seis meses para sífilis recen-
te e queda na titulação em duas diluições em 
até 12 meses para sífilis tardia (ROMANOWSKI 
et al., 1991; TONG et al., 2013; CLEMENT et al., 
2015; WORKOWSKI; BOLAN, 2015; ZHANG et 
al., 2017). 
É possível observar a permanência de títulos 
baixos por muitos anos ou pelo resto da vida, 
esta é a chamada cicatriz sorológica. 
É importante que as ISTs sintomáticas sejam 
diagnosticadas o mais precocemente possível 
para que as medidas necessárias e o tratamento 
da mulher e sua parceria sejam iniciados da 
forma mais rápida e efetiva.
Na sequência, abordamos os diferentes mé-
todos anticoncepcionais e como os profissio-
nais da Atenção Primária podem atuar junto 
às usuárias do Sistema de Saúde, fornecendo 
meios para que as mesmas possam escolher o 
método mais adequado, assim como o melhor 
momento para uma gravidez. 
2.3 Atenção ao planejamento 
 reprodutivo 
Nas últimas décadas, o planejamento repro-
dutivo tem progredido consideravelmente em 
todo o mundo. Trata-se de um direito humano 
básico reconhecido e a maioria das mulheres 
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-atencao-integral-pessoas-com-infeccoes
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-atencao-integral-pessoas-com-infeccoes
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-atencao-integral-pessoas-com-infeccoes
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-atencao-integral-pessoas-com-infeccoes
http://www.cofen.gov.br/decisao-cofen-no-00942015_32935.html
http://www.cofen.gov.br/decisao-cofen-no-00942015_32935.html
 48  48 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
conhecem pelo menos algum método de pla-
nejamento reprodutivo. 
Adotamos o termo Planejamento Reprodutivo e 
não o termo Planejamento Familiar, pois é mais 
inclusivo e se baseia no respeito aos direitos 
sexuais e reprodutivos. Lembramos que não 
pode ser confundido ou utilizado como sinôni-
mo de controle de natalidade.
Importante! O planejamento reprodu-
tivo pode também se constituir em de-
mandas referentes à concepção e não 
somente à contracepção! Ambos devem 
ser prioridade. No entanto, a prática ain-
da não se mostra uma realidade no país 
como um todo. 
Cabe ainda ressaltar que o planejamento re-
produtivo traz benefícios para todos, já que 
possibilita às mulheres planejarem uma gra-
videz ou prevenirem uma gravidez indeseja-
da. Permite ainda que a mulher e sua parce-
ria sexual escolham o método que for melhor; 
beneficia mulheres e crianças, pois contribui 
para aumentar o intervalo entre as gestações, 
e favorece os homens, promovendo um maior 
envolvimento destes no cuidado da família, 
possibilitando proporcionar uma melhor qua-
lidade de vida para todos.
Acompanhe no esquemático a seguir, os prin-
cípios básicos do planejamento reprodutivo. 
Aconselhamento
Quatro princípios básicos para o planejamento reprodutivo
Livre escolha 
informada Dupla proteção
Aconselhamento
Quatro princípios básicos para o 
planejamento reprodutivo
Livre escolha 
informada
Dupla proteção Acompanhamento
2.3.1 Teste rápido de gravidez
O teste rápido de gravidez é uma estratégia 
de acolhimento na UBS para as mulheres que 
estão em dúvida quanto a estarem grávidas 
ou não. Permite a captação precoce para o 
pré-natal e o aconselhamento para planeja-
mento reprodutivo no caso de não gravidez.
Para maiores informações sobre o Teste 
rápido de gravidez na Atenção Básica, 
acesse: <http://189.28.128.100/dab/
docs/portaldab/documentos/nt_tes-
te_rapido_gravidez_ab.pdf>.
Para auxiliar nas suas condutas me-
diante uma suspeita de gravidez, con-
sulte o Protocolo da Atenção Básica: 
Saúde das Mulheres, disponível em 
<http://189.28.128.100/dab/docs/
portaldab/publicacoes/protocolo_sau-
de_mulher.pdf>.
Após o teste, qualquer que seja o resultado 
trata-se de uma oportunidade especial de 
abordar as mulheres acerca da Saúde Se-
xual e Saúde Reprodutiva, principalmente 
as adolescentes. Não se deve perder essa 
oportunidade!
O teste rápido pode ser realizado dentro ou 
fora da unidade de saúde. O acesso é livre, 
e a entrega do insumo pode ser feita à mu-
lher adulta, jovem, adolescente ou à parce-
ria sexual. Não se esqueça de respeitar a 
autonomia e o sigilo das mulheres e seus 
companheiros.
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/nt_teste_rapido_gravidez_ab.pdf
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/nt_teste_rapido_gravidez_ab.pdf
http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/nt_teste_rapido_gravidez_ab.pdf
 49  49 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
Todos os profissionais da UBS podem parti-
cipar desse atendimento. O teste deverá ser 
fornecido mediante aconselhamento. Antes 
do aconselhamento tem-se o acolhimento, 
que deve seguir as premissas apontadas no 
esquemático ao lado.
2.3.2 Anticoncepção de emergência
Observamos a persistência de altas taxas de 
gravidez indesejada em todo o mundo, parti-
cularmente em países de baixa e média ren-
da, como o Brasil. Alguns motivos para isso, 
enumeramos abaixo:
1) Necessidades não satisfeitas de planejamento 
reprodutivo, devido à falta de acesso a métodos 
contraceptivos apropriados ou por informação 
e apoio insuficientes; 
2) Todos os métodos contraceptivos podem falhar, 
sem exceção; 
3) Nem sempre as mulheres têm relações sexuais 
voluntárias ou desejadas (BRASIL, 2013). 
A anticoncepção de emergência está disponível 
para uso na Atenção Primária desde 2001, e deve 
ser ofertada às mulheres que tiveram relação 
sexual desprotegida. Observamos que, mes-
mo assim, ainda existe resistência por parte de 
alguns profissionais de saúde em ofertá-la. 
Esta anticoncepção é um recurso que deve ser 
usado em caso de emergência e não substitui 
outros métodos contraceptivos. 
Importante! Não disponibilizar a anti-
concepção de emergência fere os di-
reitos sexuais, os direitos reprodutivos 
das pessoas e a lei federal no 9.263, 
que regulamenta o planejamento 
familiar.
Esse método também é muito importante 
para os adolescentes, porque pertencem a um 
grupo em maior risco de ter relações sexuais 
desprotegidas. 
No SUS, a anticoncepção de emergência dis-
ponível é oLevonorgestrel 0,75 mg, e o modo 
de uso, pode ser: 1,5 mg de levonorgestrel, dose 
única, via oral (preferencialmente) OU 1 com-
primido de 0,75 mg, de 12 em 12 horas, via oral 
(total de 2 comprimidos). Tida como mais efi-
caz e causa menos efeitos colaterais (náusea e 
vômitos) que a anticoncepção de emergência 
combinada. Ela não interrompe uma gravidez 
já estabelecida. Seu efeito é inibir a ovulação, 
Acolhimento
• Acolher a mulher criando um 
ambiente de confiança e respeito 
com os profissionais da equipe.
• Responsabilizar-se pela 
integralidade do cuidado.
• Favorecer o vínculo.
• Avaliar vulnerabilidades.
1
Aconselhamento antes do teste
• Aconselhar a mulher e suas parcerias sexuais 
levando em conta suas expectativas.
• Avaliar riscos e vulnerabilidades, orientando-a e 
apoiando-a nas decisões a partir do resultado do 
teste rápido, inclusive abordar as ISTs.
• Criar ambiente propício para confiança e diálogo 
de forma a criar vínculos e adesão ao serviço.
• Apoiar emocionalmente a mulher no processo de
testagem em vista dos impactos psicossociais 
da gravidez, e também de outras possíveis 
repercussões do sexo desprotegido, como 
infecção do HIV e outras IST.
2
Aconselhamento após o teste
• Comunicar o resultado à mulher e 
apoiá-la emocionalmente.
• Instrumentalizar a mulher com 
informações que contribuem em suas 
decisões.
• Contribuir para adoção de práticas de 
cuidado e de prevenção, incluindo o 
uso correto dos insumos de 
planejamento reprodutivo.
3
 50  50 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
bem como interferir na migração dos esper-
matozoides para as tubas uterinas, impedindo 
assim a fecundação.
Figura 14 – Ministrar a anticoncepção de emergência 
exige cautela
A anticoncepção de emergência está indicada 
na relação sexual sem uso de anticoncepcio-
nal, na possibilidade de falha ou esquecimen-
to do uso de algum método e no caso de vio-
lência sexual, se a mulher não estiver usando 
nenhum método seguro de anticoncepção.
Importante! Quanto mais tempo se pas-
sar entre a relação sexual desprotegida 
e a tomada do medicamento, menor a 
sua eficácia. O uso frequente e repetitivo 
também compromete o efeito desejado. 
Este método anticoncepcional pode ser 
tomado até 5 dias após a relação sexual 
desprotegida.
O profissional não pode julgar ou infringir os 
direitos das usuárias de utilizar qualquer mé-
todo de planejamento reprodutivo. Com re-
lação à anticoncepção de emergência, uma 
relação desprotegida é uma situação que 
merece atenção e aconselhamento em Saúde 
Sexual e Saúde Reprodutiva.
Acompanhe as informações do esquemático 
e revise sobre o método regular contraceptivo, 
após a anticoncepção de emergência. 
Após acolhimento e oferta do medicamento, 
o profissional deve enfatizar que a anticon-
cepção de emergência não protege contra 
posteriores relações sexuais desprotegi-
das, fazendo-se necessária a instituição de 
método regular para anticoncepção. Deverá 
explicar também que a anticoncepção de 
emergência não protege contra IST/HIV/
AIDS, e considerar o oferecimento do pre-
servativo masculino ou feminino para uso 
associado a outro método anticoncepcional, 
com vistas à dupla proteção e a prevenção 
combinada.
A Prevenção Combinada associa diferentes 
métodos de prevenção ao HIV, às IST e às 
Fonte: Brasil (2013).
Imediatamente após fazer 
uso da anticoncepção de 
emergência a mulher pode 
começar a usar métodos de 
barreira.
Aguardar a próxima menstruação para começar a 
usar o DIU, os anticoncepcionais hormonais orais 
combinados e os anticoncepcionais hormonais 
injetáveis, se um desses métodos tiver indicação e 
for a escolha livre e informada da mulher. 
Aguardar o retorno dos ciclos 
menstruais regulares, caso a 
escolha seja o uso dos 
métodos comportamentais.
Se a mulher optar por esperar a 
próxima menstruação para iniciar o 
uso de algum método anticoncepcional, 
deve ser orientada para usar 
preservativo até então.
Quando iniciar o uso de método regular de concepção, após a anticoncepção de emergência?
 51  51 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
hepatites virais (ao mesmo tempo ou em 
sequência), conforme as características e o 
momento de vida de cada pessoa. Entre os 
métodos que podem ser combinados, estão: 
a testagem regular para o HIV, que pode ser 
realizada gratuitamente no Sistema Único 
de Saúde (SUS); a prevenção da transmissão 
vertical (quando o vírus é transmitido para o 
bebê durante a gravidez); o tratamento das 
infecções sexualmente transmissíveis e das 
hepatites virais; a imunização para as hepa-
tites A e B; programas de redução de danos 
para usuários de álcool e outras substân-
cias; profilaxia pré-exposição (PrEP); profi-
laxia pós-exposição (PEP); e o tratamento 
de pessoas que já vivem com HIV. É bom 
lembrar que uma pessoa com boa adesão 
ao tratamento atinge níveis de carga viral 
tão baixos que é praticamente nula a chan-
ce de transmitir o vírus para outras pessoas. 
Além disso, quem toma o medicamento cor-
retamente não adoece e garante a sua qua-
lidade de vida. Todos esses métodos podem 
ser utilizados pela pessoa isoladamente ou 
combinados (BRASIL, 2018). 
Figura 15 - Mandala da prevenção combinada
M
A
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Redução 
de danos
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Diagnosticar 
e tratar as 
pessoas com
 
IST e HV
PREVENÇÃO
COMBINADA
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Finalmente, é preciso que o profissional dê 
prosseguimento ao acompanhamento des-
sa mulher para garantir adesão a contra-
cepção que não à de emergência. 
Importante destacar que no momento de so-
licitação do Teste Rápido de gravidez deve 
ser considerado o uso da anticoncepção de 
emergência. Esse método deve ser utilizado 
também nos casos de violência sexual.
 52  52 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
2.3.3 Métodos contraceptivos
A oferta dos métodos contraceptivos deve 
ocorrer após aconselhamento e livre escolha 
informada. O aconselhamento deve levar em 
consideração o perfil de cada mulher, pois 
assim lhe proporcionará uma maior satisfa-
ção e permitirá que use o método de plane-
jamento reprodutivo por mais tempo e com 
mais eficiência (WHO, 2011). O aconselha-
mento pode ocorrer em diferentes espaços 
e constitui-se como a base das ações do 
planejamento reprodutivo.
Importante! O método mais adequado 
para uma mulher usar é aquele que 
a deixa confortável e que melhor se 
adapta ao seu modo de vida e à sua 
condição de saúde.
Além do aconselhamento, deve-se verificar os 
critérios de elegibilidade clínica, isto é, avaliar 
a existência de fatores de risco e condições 
preexistentes, que podem contraindicar o uso 
de um método ou outro, como é o caso de fu-
mar e ter mais de 35 anos concomitantemen-
te, hipertensão arterial e enxaqueca com aura, 
fatores que contraindicam o uso de anticon-
cepção oral combinada. 
Para um bom atendimento de saúde, o profissional pode considerar alguns pontos importantes, 
acompanhe:
1)	 O modo de tratar cada mulher: Você precisa tratar a mulher com respeito e transmitir-lhe confiança, de 
forma que esta exponha todas as suas dúvidas.2)	 Interagir: Você precisa exercer uma escuta qualificada, ou seja, marcada pela presença, atenção e livre 
de preconceitos. Incentivar o diálogo e responder suas perguntas com calma.
3)	 Adaptar as informações de acordo com a necessidade da mulher e sua parceria: Durante a abordagem 
faz-se necessário utilizar uma linguagem acessível. A partir de uma escuta atenta fornecer informa-
ções de acordo às necessidades. Esta abordagem individualizada possibilita a construção de vínculo.
4)	 Informar sobre todos os dados relevantes, utilizando uma linguagem acessível para melhor compreen-
são da usuária: Fornecer informações suficientes para que conheçam as alternativas de anticoncepção 
e possam participar ativamente da escolha do método. 
5)	 Oferecer o método de escolha da mulher e sua parceria: Ao buscar os serviços de saúde, a maioria já 
tem em mente um método que desejam usar. No momento do aconselhamento, você deve começar a 
partir deste método, explicando a eficácia, as vantagens e desvantagens, os benefícios, riscos à saúde, 
os efeitos colaterais e o modo de usar. Deve certificar-se de que ocorreu o entendimento das informa-
ções e que está fazendo uma escolha consciente.
6)	 Ajudar a entender e relembrar: Como forma de facilitar a compreensão você pode utilizar mate-
riais ilustrativos e uma amostra do material de planejamento reprodutivo e encorajar a manuseá-lo. 
O emprego de recurso visual é de fundamental importância para a assimilação da informação.
Você pode conhecer mais sobre os crité-
rios de elegibilidade clínica para o plane-
jamento reprodutivo acessando a publi-
cação da OMS, “Medical eligibility criteria 
wheel for contraceptive use”, disponível 
em: <http://apps.who.int/iris/bitstream 
/10665/173585/1/9789241549257_
eng.pdf?ua=1>.
O aconselhamento e a avaliação da elegibi-
lidade permitem que a mulher e sua parceria 
sexual escolham o método de planejamento 
reprodutivo, rompendo a prática impositiva e 
direcionada que observamos hoje.
http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/173585/1/9789241549257_eng.pdf%3Fua%3D1
http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/173585/1/9789241549257_eng.pdf%3Fua%3D1
http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/173585/1/9789241549257_eng.pdf%3Fua%3D1
 53  53 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
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Dispositivos intrauterinos: Cobre
Métodos definitivos: Laqueadura tubária e 
vasectomia
Métodos hormonais: pílulas combinadas, minipílulas, injeção mensal combinada, injeção trimestral 
de progestágeno
Métodos de barreira: preservativo 
masculino e feminino, diafragma
Métodos naturais ou de monitorização da 
fertilidade: Billings, tabelinha, método da 
amenorreia lactacional
Métodos de planejamento reprodutivo disponíveis no SUS
Acompanhe no quadro 4 as características da anticoncepção oral. Você pode utilizar estas informações para orientar as usuárias no aconselhamento.
Quadro 4 – Anticoncepção oral
Tipo/ 
Características Combinada Minipílula
Composição Baixas doses de progestágeno e estradiol sintético. Baixas doses de progestágeno.
Mecanismo 
de ação ÎÎ Principalmente impedindo a ovulação.
ÎÎ Principalmente, espessando o muco cervical e também impedindo a 
ovulação.
Eficácia
ÎÎ Depende da tomada diária no mesmo horário. Menos de 
uma engravida a cada 100 mulheres durante um ano de uso 
correto (3/1000).
ÎÎ Depende da tomada diária no mesmo horário. Menos de uma engravida 
a cada 100 mulheres durante um ano de uso correto (9/1000). Caso a 
mulher esteja amamentando, essa eficácia é ainda maior (3/1000).
Efeitos 
colaterais
ÎÎ Mudanças no sangramento (menos dias, menor fluxo).
ÎÎ Cefaleia, nausea, mastalgia, mudança no peso, no humor e 
na libido.
ÎÎ Pode alterar a pressão arterial.
ÎÎ Mudanças no sangramento (amenorreia após adaptação, sangramento 
de escape no período de adaptação).
ÎÎ Cefaleia, náusea, mastalgia, mudança no peso, no humor e na libido.
ÎÎ Para aquelas que não estão amamentando, aumento dos folículos 
ovarianos.
Benefícios ÎÎ Protege contra gravidez, câncer de endométrio e de ovário, re-duz cólicas menstruais e sintomas da endometriose. ÎÎ Protege contra gravidez.
Riscos ÎÎ Muito raros: tromboembolismo.ÎÎ Extremamente raro: ACE, IAM. ÎÎ Os riscos deste método são mínimos..
Fonte: Brasil (2010); WHO (2011).
Como se pode observar, são muitas as possibi-
lidades e a mulher pode e deve escolher aquilo 
que achar ser melhor dentro das suas circuns-
tâncias de vida e demandas. Você deve respei-
tar as escolhas e também apoiá-las e orientá- 
las para melhor uso continuado do método. 
 54  54 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
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No quadro 5 confira as características da anticoncepção injetável.
Quadro 5 – Anticoncepção injetável
Tipo/ 
Características
Anticoncepcional hormonal injetável combinado – 
injetável mensal 
Anticoncepcional hormonal injetável só de progestogênio – 
injetável trimestral
Composição
Contém um progestágeno sintético e um éster de um estrogênio natu-
ral, diferentemente dos anticoncepcionais orais combinados, nos quais 
ambos os hormônios são sintéticos.
Contém apenas progestogênio, que é semelhante ao produzido pelo 
organismo feminino. É também conhecido como acetato de medroxi-
progesterona de depósito – AMP-D. 
Mecanismo de 
ação
Principalmente impedindo a ovulação Principalmente impedindo a ovulação.
Eficácia
São altamente eficazes. A falha desse método é de 0,3% ou menor, com 
injeções regulares a cada mês, pontualmente. O uso rotineiro, acarreta em 
três gravidezes a cada 100 mulheres que utilizam o método.
ÎÎ Altamente eficaz. A taxa de falha desse método é de 0,3%, com inje-
ções regulares a cada três meses, pontualmente. O uso rotineiro acar-
reta em três gravidezes a cada 100 mulheres que utilizam o método.
Efeitos 
Colaterais
ÎÎ Alterações do ciclo menstrual: manchas ou sangramento nos inter-
valos entre as menstruações, sangramento prolongado e amenorreia. 
ÎÎ Ganho de peso.
ÎÎ Cefaleia.
ÎÎ Náuseas e/ou vômitos.
ÎÎ Mastalgia.
ÎÎ Alterações do fluxo menstrual: manchas ou sangramento leve (mais co-
mum), sangramento volumoso (raro) ou amenorreia (bastante comum). 
ÎÎ Ganho de peso: aproximadamente 1,5 a 2 kg por ano; 
ÎÎ Cefaleia, sensibilidade mamária, desconforto abdominal, alterações 
de humor, náusea, queda de cabelo, diminuição da libido e acne.
Benefícios
ÎÎ Similares aos anticoncepcionais hormonais orais, com exceção dos 
efeitos hepáticos, uma vez que o injetável elimina a primeira passagem. 
ÎÎ Muito eficaz e seguro.
ÎÎ Pode ser usado durante a amamentação.
ÎÎ Não provoca os efeitos colaterais do estrogênio.
ÎÎ Diminui a incidência de gravidez ectópica, câncer de endométrio, 
doença inflamatória pélvica, mioma uterino.
ÎÎ Pode ajudar a prevenir câncer e cistos de ovário.
ÎÎ Para algumas mulheres pode ajudar a prevenir anemia ferropriva e di-
minuir a frequência de crises convulsivas, em portadoras de epilepsia.
 Î Diminuem os sintomas da endometriose.
Riscos
ÎÎ Estudos mostram que esse injetável é similar às pílulas combinadas. 
 Î Deve ser evitado em lactentes até o sexto mês após o parto. 
ÎÎ Não deve ser utilizado antes dos 21 dias após o parto entre não lac-
tantes (risco de doença tromboembólica puerperal). 
ÎÎ Podem causar acidentes vasculares, tromboses venosas profundas 
ou infarto do miocárdio, sendo que o risco é maior entre fumantes 
(mais de 20 cigarros/dia), com 35 anos ou mais.
ÎÎ Seu uso poderia acelerar a evolução de cânceres preexistentes.
ÎÎ Pode levar à redução da densidade mineral óssea.
Fonte: Brasil (2010); WHO (2011).
 55  55 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
E no quadro 6 acompanhe as características do Dispositivo Intrauterino, o DIUcom cobre que é 
disponibilizado pelo SUS.
Quadro 6 – Dispositivo intrauterino
Tipo/ 
Características DIU com cobre
Composição
ÎÎ Feito de polietileno estéril radiopaco e revestido com filamentos e/ou anéis de cobre, 
enrolado em sua haste vertical. É inserido pela vagina e cervix até o fundo uterino. 
Efetivo por cinco a dez anos. Alguns casos demonstram eficácia por 12 anos.
Mecanismo de 
ação
ÎÎ Age impedindo a fecundação, pois torna mais difícil a passagem do espermatozoide 
pelo trato reprodutivo feminino, pois estimula reação inflamatória e mudanças quí-
micas que danificam o espermatozoide e o óvulo antes de se encontrarem. 
Eficácia ÎÎ Menos de uma a cada 100 mulheres no primeiro ano de uso engravidam (cerca de seis a oito gravidezes em 1000 mulheres).
Efeitos Colate-
rais
ÎÎ Alterações no ciclo menstrual (comum nos primeiros três a seis meses). 
ÎÎ Sangramento menstrual prolongado e volumoso. 
ÎÎ Sangramento e manchas de escape (spotting) no intervalo entre as menstruações.
ÎÎ Cólicas de maior intensidade ou dor durante a menstruação. 
Benefícios
ÎÎ Protege contra gravidez a longo prazo.
ÎÎ Não requer controle diário da mulher.
ÎÎ Possível proteção contra câncer endometrial.
Riscos
ÎÎ Anemia, no caso dos sangramentos volumosos.
ÎÎ Possível Doença Inflamatória Pélvica (DIP) se infecção presente no ato da inserção 
do DIU.
ÎÎ Não protege contra DSTs.
Complicações
ÎÎ Gravidez ectópica. 
ÎÎ Gravidez tópica. 
ÎÎ Perfuração: é uma complicação rara (0,1%). 
ÎÎ Expulsão. 
ÎÎ Dor ou sangramento. 
ÎÎ Infecção.
Fonte: Brasil (2010); WHO (2011).
Os métodos cirúrgicos são definitivos e 
consistem na realização de um procedi-
mento cirúrgico voluntário. Podem ser rea- 
lizados na mulher por meio da ligadura 
das trompas (laqueadura ou ligadura tubá-
ria), e no homem por meio da ligadura dos 
canais deferentes (vasectomia) (BRASIL, 
2010b).
No Brasil, a esterilização cirúrgica está re-
gulamentada por meio da Lei no 9.263/96, 
que trata do planejamento familiar, a qual 
estabelece no seu art. 10 os critérios e as 
condições obrigatórias para a sua execução, 
permitindo a esterilização voluntária nas 
seguintes situações: em homens e mulhe-
res com capacidade civil plena e maiores de 
25 anos de idade, ou pelo menos com dois 
filhos vivos, desde que observado o prazo 
mínimo de 60 dias entre a manifestação da 
vontade e o ato cirúrgico. Nos casos em que 
há risco à vida ou à saúde da mulher ou do 
futuro concepto. Na vigência de sociedade 
conjugal, a esterilização depende do con-
sentimento expresso de ambos os cônjuges 
(BRASIL, 1996).
 56  56 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
Figura 16 – Os métodos cirúrgicos são irreversíveis e os 
cônjuges devem estar de acordo
Tendo cumprido os critérios, o casal deve-
rá procurar a UBS mais próxima de sua casa, 
onde receberá o aconselhamento de todos os 
métodos existentes na tentativa de certificar 
sua decisão, uma vez que os métodos cirúr-
gicos quase sempre são irreversíveis. Sua efi-
cácia é cerca de 99,5%. É importante ressaltar 
que a vasectomia é uma cirurgia mais simples, 
realizada em nível ambulatorial, com anes-
tesia local e sem necessidade de internação 
(BRASIL, 2010b). Cabe ainda ressaltar que a 
ligadura não pode ser realizada imediatamen-
te após o parto, conforme legislação brasileira 
(BRASIL, 1996).
usando o método corretamente ou se deseja 
um novo método. E se necessário, referenciar 
para um serviço apropriado (WHO, 2011). 
O acompanhamento evita a descontinuidade 
e o uso incorreto, geralmente relacionado à 
ocorrência de gravidezes indesejadas. 
2.3.4 Cuidados pré-concepcionais
Os profissionais de saúde devem estar aten-
tos ao desejo de ter filhos(as) da mulher e de 
sua parceria sexual. Quando presente, precisa 
analisar a possibilidade de gravidez ou não. 
No caso de casal homossexual, pode informar 
sobre a possibilidade de reprodução assistida. 
Para casais heterossexuais, deve-se disponi-
bilizar e incentivar a avaliação pré-concepcio-
nal, ou seja, a consulta que o casal faz antes 
de uma gravidez, no intuito de identificar fa-
tores de risco ou doenças que possam alterar 
a evolução normal de uma futura gestação 
(BRASIL, 2010b). Essa avaliação constitui ins-
trumento importante na melhoria dos índices 
de morbidade e mortalidade materna e infantil 
(BRASIL, 2010b). As atividades a serem de-
senvolvidas na avaliação pré-concepcional 
Em relação aos métodos de barreira, preser-
vativos masculino e feminino, são os únicos 
métodos capazes de garantir dupla proteção 
(BRASIL, 2010b). Além disso, muitas mulhe-
res utilizam esses métodos porque não têm 
efeitos colaterais dos hormônios, podem ser 
utilizados temporariamente e como méto-
do de backup. Devem ser ofertados no SUS. 
Como profissional, você precisa orientar o 
uso correto, como retirar e colocar, quando e 
sua eficácia. Quando utilizado corretamente, 
a taxa de falha é de duas gravidezes a cada 
100 mulheres em um ano, e cinco gravidezes 
a cada 100 mulheres em um ano de uso para 
a camisinha masculina e para a feminina 
(WHO, 2011).
Dentre os métodos naturais, o Método Ovula-
tório de Billings (MOB) e o método da Ame-
norreia Lactacional (LAM) são os mais efi-
cazes, com índice de 98%, quando utilizados 
corretamente.
Você precisa oportunizar atendimentos sub-
sequentes, que são oportunidades para es-
clarecer dúvidas, auxiliar caso estejam com 
algum problema de saúde reprodutiva (como 
IST, sangramento vaginal), para avaliar se está 
 57  57 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
devem incluir a anamnese e exame físico, 
o exame ginecológico completo (incluindo 
exame das mamas) e a realização de alguns 
exames complementares de diagnóstico. 
Além dessa investigação e avaliação mais 
detalhada, deve-se estabelecer com a mulher 
a administração preventiva de ácido fólico 
no período pré-gestacional para a prevenção 
de defeitos congênitos do tubo neural, es-
pecialmente nas mulheres com anteceden-
tes desse tipo de malformações (0,4 mg, VO/
dia, durante 60 a 90 dias antes da concepção) 
(BRASIL, 2010b).
Durante a avaliação pré-concepcional tam-
bém deverão ser abordadas outras questões, 
tais como descritas no esquemático ao lado.
2.3.5 Infertilidade e não reprodução
A infertilidade é a inabilidade de reproduzir, de 
ter um filho. Apesar de muitas vezes as mulhe-
res serem responsabilizadas por isso, a infertili-
dade pode ser tanto masculina quanto feminina. 
Em média, a cada 10 casais, um terá problemas 
de infertilidade. Um casal é considerado infértil 
após 12 meses de sexo desprotegido sem a 
ocorrência de uma gravidez. Cabe ainda ressal-
tar que a infertilidade pode ocorrer mesmo após 
o casal já ter um filho(a).
O abortamento recorrente também pode ser 
considerado outra forma de infertilidade. As 
causas de infertilidade ainda não são total-
mente claras e definidas, mas fatores como 
doenças infecciosas, idade, procedimentos 
médicos, problemas anatômicos, endócrinos, 
genéticos e imunológicos são atrelados. 
As infecções sexualmente transmissíveis 
(IST) são as causas mais comuns e recor-
rentes, pois ascendem o trato genital, cul-
minando em doença inflamatória pélvica 
(DIP) e prejudicando, por exemplo, a perme-
abilidade das tubas uterinas. A DIP pode ser 
assintomática. 
Orientação nutricional
Adoção de hábitos de vida saudáveis
Cessação do tabagismo
Uso de bebidas alcóolicas e outras drogas 
O uso de medicamentos (e troca, quando incompatíveis com a gravidez)
Orientar sobre o registro sistemáticos do ciclo menstrual
Investigar doenças infecciosas prejudiciais a uma gestação (HIV/AIDS, sífilis, 
toxoplasmose, hepatites, rubéola e ISTs)
Realização do preventivo se maior que 25 anos e investigar doenças crônicas 
(diabetes, hipertensão, epilepsia,dentre outras)
Investigar doença falciforme ou traço
Avaliação das condições de trabalho da mulher
Investigação do histórico vacinal e atualização do cartão de vacina
Avaliação pré-concepcional
 58  58 
Saúde sexual e saúde 
reprodutiva no contexto 
das especificidades e 
vulnerabilidades
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN2
O profissional de saúde precisa estar atendo e 
sensível, pois é comum não se procurar o ser-
viço por medo ou vergonha. 
O aconselhamento do casal infértil é funda-
mental, sendo que o recomendado é o casal 
ser aconselhado, e não somente a mulher, pois 
geralmente elas são culpabilizadas por essa 
questão. Incluir o homem com certeza auxilia 
no processo. 
Durante o aconselhamento, é importante:
ÎÎ Reafirmar que tanto o homem quanto a mulher 
podem ser inférteis. Pode ainda não ser possível 
identificar qual deles é infértil (ou se os dois) e o 
que causou a infertilidade.
ÎÎ Tentar a gravidez pelo menos 12 meses antes de 
se preocupar com a infertilidade.
ÎÎ Sugerir o ato sexual no período fértil da mulher e 
ajudá-la a identificar o seu período fértil.
ÎÎ Fazer a referência do casal infértil para a atenção 
secundaria. O casal também pode querer falar de 
adoção, incluindo a referência para assistente so-
cial e psicóloga.
Importante! Como profissional de saúde, 
é importante lembrar que a decisão de 
não reprodução deve ser respeitada, e 
que a mulher deve ter suas demandas 
e necessidades em relação ao método 
contraceptivo atendidas. Continue seus 
estudos.
Infopédia, Dicionário da Língua Portu-
guesa com Acordo Ortográfico [em li-
nha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. 
Acesso em: 5 mar. 2017. Disponível em: 
<https://www.infopedia.pt/dicionarios/
lingua-portuguesa/primo-infeção>.
https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/primo-infe%C3%A7%C3%A3o
https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/primo-infe%C3%A7%C3%A3o
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UN3
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
na Atenção Primária
 61 
 62  62 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
A grande maioria das demandas em Saúde 
Sexual e Saúde Reprodutiva (SSSR) têm como 
assistência primeira a Atenção Primária. As-
sim, questões como a sexualidade responsá-
vel, infertilidade, a menstruação e suas altera-
ções, o planejamento reprodutivo, disfunções 
sexuais, vulvovaginites, ISTs, gravidez, puer-
pério, dentre vários outros fatores são deman-
das reais, importantes, recorrentes e muitas 
vezes invisíveis e reprimidas no dia a dia da 
Atenção Primária. Tal fato leva a várias con-
sequências que geram grande impacto social 
e econômico nas vidas dos indivíduos e famí-
lias, como gravidez indesejada, doenças, infe-
licidade, depressão, dentre outros. 
O que mais observamos na prática na Atenção 
Primária é resumir a SSSR às ações voltadas 
às mulheres que vivenciam o ciclo gravídi-
co puerperal, ou seja, as mulheres grávidas 
e puérperas, por meio das consultas de pré-
-natal, puerpério e promoção do aleitamento 
materno. Adicionalmente, observam-se em 
algumas equipes, reuniões mensais de pla-
nejamento reprodutivo esvaziadas, burocráti-
cas, e acesso facilitado à anticoncepção oral e 
preservativo, porém com aconselhamento au-
sente ou insuficiente. 
Figura 16 – O atendimento à saúde exige aconselhamen-
to, para além do ciclo gravídico puerperal 
Considerando essa realidade, é importante uma 
atuação profissional de saúde que reconheça a 
mulher como protagonista do seu corpo, saú-
de, decisões e necessidades de cuidado.
Ainda, há preconceitos, questões religiosas, 
culturais, conflitos pessoais que dificultam a 
abordagem de vários assuntos dentro des-
sa área, bem como a assistência (PINHEIRO; 
COUTO, 2013).
 63  63 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
Cabe ressaltar que a falta de atenção nessa 
área também contribui para uma visão re-
ducionista da mulher, pouco participativa, 
submissa, e a uma assistência que medicaliza 
seu corpo e que muitas vezes a submete a de-
cisões de terceiros.
Esta unidade pretende, portanto, trabalhar no 
intuito de desconstruir essas práticas, muito 
medicalizadas, pouco centradas nas mulheres, 
muito concentradas na reprodução, e retomar 
quais são as estratégias de atenção à Saú-
de Sexual e Saúde Reprodutiva no âmbito da 
Atenção Primária, tendo como base os direitos 
sexuais e reprodutivos, as numerosas deman-
das nessa área e as políticas públicas vigentes. 
Estudo recente mostrou que não existe 
um estímulo para que as mulheres se 
preparem para uma gravidez saudável e 
planejada (BORGES et al., 2016), apesar 
do cuidado pré-concepcional ser preco-
nizado e estar recomendando na políti-
ca pública brasileira (BRASIL, 2012). Em 
contrapartida, a cobertura do pré-natal 
é alta. Isto demonstra a necessidade de 
rever e avançar as práticas na Atenção 
Primária, difundindo e aproveitando 
oportunidades assistenciais para reali-
zar cuidados específicos.
Você pode acessar este estudo na ínte-
gra neste ink: <http://www.lume.ufrgs.
br/handle/10183/149254>.
3.1 Estratégias para garantir a 
 atenção à Saúde Sexual e 
 Saúde Reprodutiva
Garantir a atenção à Saúde Sexual e Saúde 
Reprodutiva (SSSR) não é tarefa fácil. O ce-
nário que vem sendo descrito ao longo deste 
módulo aponta para a necessidade de se res-
gatar ações, princípios e estratégias que são 
previstas na Atenção Primária, fazem parte do 
dia a dia da Unidade Básica de Saúde, mas que 
às vezes se perdem ou se tornam mecânicas.
Deve-se efetivar uma abordagem integral da 
saúde das mulheres, trazendo para a assis-
tência a articulação prevista nas políticas dos 
diferentes temas da saúde da mulher, com 
destaque à articulação da SSSR, sem perder 
de vista a tentativa de ultrapassar o reducio-
nismo da mulher a mamas, útero e gestação 
(MEDEIROS; GUARESCHI, 2009). A integralida-
de também exige uma visão ampliada que leve 
em conta as iniquidades e invisibilidades do 
cuidado às mulheres (AYRES, 2004).
Outra estratégia importante é a continuida-
de do cuidado, ou seja, o acompanhamento. 
Por exemplo, uma adolescente inicia o uso 
de anticoncepção oral após consulta com 
o enfermeiro e médico generalista da sua 
equipe. Essa jovem precisa ser seguida de 
forma a esclarecer dúvidas que podem surgir 
após o início do método e também monito-
rada quanto ao uso correto deste. Atente-se 
para as mulheres e suas demandas e agende 
o novo atendimento para avaliar o desenvol-
vimento dos novos cuidados, mudanças e 
tratamentos. Um exemplo de falha no segui-
mento clássico é a não realização do exame 
de controle de cura após o tratamento para 
infecção urinária. 
http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/149254
http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/149254
 64  64 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
Na sua atuação profissional frente às mulhe-
res e suas parcerias, recomenda-se que você:
Não tome decisões pelas 
mulheres e suas parcerias 
sexuais, não imponha escolhas, 
não emita juízo de valor
Desenvolva atividades 
educativas e de 
aconselhamento
Somente realize prescrições 
após avaliação clínica e ofereça 
acompanhamento periódico
Primeiro ouça,
pergunte e depois
se posicione
	Não tome decisões pelas mulheres e suas 
parcerias sexuais, não imponha escolhas, 
não emita juízo de valor.
	Desenvolva atividades educativas e de acon-
selhamento.
	Somente realize prescrições após avaliação 
clínica e ofereça acompanhamento periódico.
Implicar o homem no cuidado à SSSR, des-
mistificando a ideia de que a saúde nesse 
âmbito é apenas “coisa de mulher”, como 
muito ouvimos, também deve constituir 
uma estratégia que guie a assistência nes-
sa área. Nesse caso, você pode auxiliar no 
processo de inclusãoe educação dos ho-
mens em relação as suas responsabili-
dades bem como a necessidades de tam-
bém cuidar da sua Saúde Sexual e Saúde 
Reprodutiva. 
A seguir, apontamos alguns elementos da atenção às mulheres nesse âmbito. Deve-se levar em 
consideração os direitos sexuais e reprodutivos, bem como as políticas vigentes.
Protagonismo
Revogar, reinvidicar 
direitos, concordar e 
discordar, escolher 
por si
Educação em 
saúde
Orientar e ajudar a 
desfazer mitos e tabus, 
abordagem individual 
ou coletiva, 
informar para 
emponderar
Empoderamento
Proporcionar o 
protagonismo e a 
autonomia da 
mulher
Sigilo e privacidade
Visual e auditiva
Equidade
Cuidado de acordo 
com as necessidades 
da pessoa
Escolha livre e 
informada
Oferecer o conhecimento, 
apresentar os 
riscos e 
benefícios 
Prática Baseada 
em Evidências
Oferecer o melhor 
cuidado, desencorajando 
a manutenção de 
práticas excessivas 
e desnecessárias
Escuta quali�cada
Presença e atenção, 
livre de preconceitos
Corresponsabilidade
Responsabilizar as 
mulheres e promover 
o autocuidado
Acolhimento
Forma de concretizar 
e humanizar as práticas 
em saúde
Busca ativa
Identi�car situações de 
risco e vulnerabilidade 
das mulheres
Aconselhamento
Centrado na pessoa, 
família e comunidade
Integralidade
Enxergar e cuidar da 
mulher em todas 
as suas fases, incluindo sua 
sexualidade e outras 
questões afora 
a reprodução
Resolutividade
Solucionar os 
problemas e demandas 
das mulheres, atendendo 
suas necessidades 
em saúde e 
contribuindo para 
sua satisfação
Valorização 
da queixa
Estar atento, investigar 
e tomar condutas 
relacionadas à 
queixa da mulher
 65  65 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
Finalmente, é preciso fortalecer as redes de 
atenção à saúde das mulheres e ter conhe-
cimento sobre elas. Assim, você poderá com 
responsabilidade referenciar e contrarreferen-
ciar as mulheres de acordo com a demanda, 
os atendimentos às especialidades, cirurgias, 
internações, entre outras. Ter conhecimento 
da rede é uma estratégia crucial que auxilia a 
resolver as demandas das usuárias, pois per-
mite encaminhá-las para serviços específicos, 
quando não for possível atendê-las na UBS.
3.1.1 Estratégias para a atenção aos 
 grupos vulneráveis no contexto 
 da Atenção Primária 
Em relação à atenção à Saúde Sexual e Saú-
de Reprodutiva (SSSR) no contexto das espe-
cificidades e vulnerabilidades apresentadas 
na unidade 2, uma questão principal é como 
acessar essas populações, ou seja, como al-
cançá-las, pois na grande maioria das vezes 
estão à parte dos serviços de saúde. Assim, 
a equipe de saúde tem como papel, primeira-
mente, identificar esses grupos e os fatores 
que determinam sua condição de vulnerabi-
lidade, e, consequentemente, vinculá-los ao 
serviço de saúde.
Figura 17 – Identificar os grupos e suas vulnerabilidades 
é papel das equipes de saúde
A busca ativa, a parceria com outros equipa-
mentos sociais, bem como reconhecer o ter-
ritório vivo são pontapés iniciais para chegar 
até esses diferentes grupos. A partir daí todos 
os elementos apresentados na seção anterior 
devem também fazer parte da assistência. 
É preciso ver essas mulheres em seus contex-
tos de vida, antes de estabelecer intervenções e 
cuidados, que, por sua vez, devem ser adapta-
dos às necessidades dos diferentes grupos da 
população. Portanto, é preciso reconhecer que 
essas mulheres têm necessidades diferentes, 
mas os mesmos direitos que qualquer outra 
mulher.
Além de ampliar o acesso, é preciso qualificar 
a assistência prestada no âmbito da Atenção 
Primária. Observa-se uma dificuldade dos 
profissionais que atuam nesse nível de aten-
ção reconhecer a necessidade de olhar para 
seu território vivo, ultrapassando as paredes 
da UBS. Esse reconhecimento é fundamental e 
as visitas domiciliares constituem em estraté-
gia que permite conhecer o território, sua dife-
rente composição, grupos e vulnerabilidades. 
A habilidade de comunicar-se com indivíduos 
de diferentes contextos também é crucial, 
permitindo troca de saberes.
3.2 Papel dos profissionais 
 na Atenção Primária
Os profissionais de saúde da Atenção Primá-
ria devem procurar compreender as expecta-
tivas das mulheres e suas parcerias no que 
diz respeito à reprodução e ajudá-las a con-
cretizarem essas expectativas, respeitando 
suas escolhas (BRASIL, 2013). A assistência 
específica em SSSR das mulheres exige que o 
 66  66 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
Mas atenção: nem sempre estas três instâncias 
de comunicação são atingidas em um único mo-
mento (BRASIL, 1998; BRASIL, 2003; BARBOZA 
et al., 2015; TAEGTMEYER et al., 2013). Nos di-
ferentes contextos em que o aconselhamento 
pode ser uma estratégia fundamental, resu-
mem-se seus principais objetivos em: diminuir 
o estresse das usuárias; refletir sobres seus ris-
cos e prevenção; aderir ao tratamento ou cuida-
do, e incluir a parceria sexual quando possível e 
necessário (BRASIL, 1998; BRASIL, 2003).
A implicação da parceria sexual é uma barreira 
muito importante a ser ultrapassada. Demons-
tra uma fragilidade do aconselhamento que ve-
mos hoje, muitas vezes não acontecendo por 
falta de apoio institucional e prejudicando a 
interrupção da cadeia de transmissão de ISTs 
(BARBOSA et al., 2015). Muitas mulheres, mes-
mo após se submeterem ao aconselhamento, 
sem o apoio de suas parcerias sexuais, costu-
mam não revelar se tem ou não ISTs a estes por 
medo de acusações de infidelidade, violência, 
abandono e perda de apoio econômico (OSOTL 
et al., 2014; BARBOSA et al., 2015). Uma estra-
tégia apontada para melhorar esta implicação 
é realização de visita domiciliar (OSOTL et al., 
2014; BARBOSA et al., 2015).
profissional de saúde realize três grupos de 
atividades principais: aconselhamento, ativi-
dades educativas, e atividades clínicas. Estas 
ações devem ocorrer de forma integrada e se 
guiar pela promoção, prevenção e recupera-
ção da saúde (BRASIL, 2013).
3.2.1 Aconselhamento
O aconselhamento é uma prática que não se 
restringe a uma categoria profissional. Deve 
estar presente na Atenção Primária e mais 
precisamente em algumas áreas específicas, 
como o planejamento reprodutivo, as ISTs/
HIV/AIDS, que fazem parte da atenção à Saúde 
Sexual e Saúde Reprodutiva (SSSR) (BRASIL, 
1998; BARBOZA et al., 2015; TAEGTMEYER et 
al., 2013). 
O aconselhamento pressupõe disponibilidade, 
troca, escuta, reflexão, confiança, responsabi-
lidade; requer esforço constante por parte dos 
profissionais, uma vez que não é compatível 
com julgamentos e muito menos com o mo-
delo biomédico e curativista. Principalmente, 
deve ser centrado no usuário – ou seja, na 
mulher. Essa prática contribui para o resgate 
da integralidade, tem o foco na prevenção e 
garante o acesso a informações específicas, 
corresponsabilizando a mulher e permitindo 
que ela avalie e escolha o melhor para sua 
saúde tendo em vista seu contexto, desejos e 
necessidades em saúde.
No contexto da SSSR, é uma prática altamen-
te recomendada para informar, por exemplo, 
sobre os métodos e meios para a regulação 
da fecundidade e para a proteção contra as 
IST/HIV/AIDS. Trata-se de uma estratégia que 
também contribui para o empoderamento e 
o protagonismo da mulher. Essa prática exi-
ge um embasamento científico para garantir 
sua fundamentação, consistência e coerência 
(PEQUENO et al., 2013).
Assim, pode-se afirmar que o aconselhamento 
é composto por três principais componentes: 
Aconselhamento 
Apoio emocional
Apoio educativo
Avalia
ção
de ris
cos
 67  67 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
Outra estratégia é realizar o aconselhamento 
coletivo no qual você deve sempre ter o cuida-
do de fazer abordagem de questõescomuns, 
necessitando identificar as demandas do gru-
po, bem como os limites do que deve ser abor-
dado apenas em momentos individuais (BRA-
SIL, 1998; BRASIL, 2003).
3.2.2 Atividades educativas
Muitas vezes, a falta de informação impede 
que as mulheres reconheçam suas necessi-
dades de saúde, contribuindo ainda mais para 
que não protagonizem seu corpo, saúde e, 
consequentemente, suas decisões. Portanto, 
tendo em vista que as atividades educativas 
permitem oferecer às pessoas os conheci-
mentos necessários para a escolha livre e in-
formada, elas também contribuem para o em-
poderamento da mulher e seu protagonismo. 
Você pode perceber que são as atividades de 
promoção e educação em saúde que tem uma 
abordagem coletiva e individual. 
Assim, as atividades educativas devem incluir 
não só informações e ações de promoção da 
saúde que implicam na corresponsabiliza-
ção por sua saúde, mas também aquelas que 
discutam os direitos sexuais e reprodutivos, 
possibilitando maior protagonismo e posicio-
namento crítico da mulher diante do seu corpo 
e das suas escolhas individuais, considerando 
as melhores evidências científicas.
Figura 18 – As atividades em grupo podem favorecer a 
participação da mulher e o cuidar em saúde
A educação em saúde tem sido uma importante 
ferramenta na Atenção Primária (AP) e requer 
boa comunicação e capacidade de explanação, 
possibilitando uma ampliação do cuidar em 
saúde (SALCI et al., 2013). A própria consulta, 
seja ela de qualquer profissional da APS, cons-
titui-se em espaço importante para abordagem 
individual, desmistificando o caráter medicali-
zado desses atendimentos, muito centrado em 
exames, procedimentos e prescrições medica-
mentosas. Cabe ainda ressaltar que todos os 
momentos que compreendem interação com 
as mulheres nos serviços de saúde devem ser 
considerados propícios para desenvolver ações 
de educação em saúde (SALCI et al., 2013).
Adicionalmente, recomenda-se que as prá-
ticas educativas façam uso de metodologia 
participativa, com abordagem pedagógica 
centrada na mulher (BRASIL, 2013). O profis-
sional de saúde precisa utilizar uma lingua-
gem acessível, simples e clara, facilitando 
o entendimento. Deve lembrar também que 
mesmo em se tratando de atividades que be-
neficiem mais a mulher, incluir as parcerias 
sexuais, implicando-as no processo é bas-
tante positivo. Por outro lado, no caso da pre-
venção de ISTs ou planejamento reprodutivo, 
 68  68 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
tanto mulheres quanto suas parcerias se 
beneficiam igualmente das informações. 
Trata-se de considerar as particularidades 
dos diversos temas da atenção à SSSR, evi-
tando encontros repetitivos.
Ainda, no que se refere à SSSR, é importante 
considerar o conhecimento e experiência das 
mulheres, permitindo a troca de ideias so-
bre sexualidade, reprodução, relacionamento 
humano e sobre os fatores socioeconômicos 
e culturais que influenciam nessas questões, 
tendo em vista as questões de gênero e o 
quanto elas influenciam na relação delas com 
sua saúde. 
Todas as mulheres sempre trazem vivências 
próprias, que devem ser respeitadas e con-
sideradas no momento das atividades, pois 
formatos do tipo palestras já foram demons-
trados ineficazes e a escuta qualificada bem 
como o redimensionamento das demandas 
e cuidados por parte das mulheres exige que 
elas serem consideradas e incluídas no pro-
cesso de educação em saúde.
Grandes beneficiadores dessas práticas são os 
adolescentes. Os adolescentes ficam à parte 
desse tipo de atividades, demonstrando falhas 
das nossas ações na APS. Uma exemplificação 
disso é a manutenção e inclusive aumento das 
taxas de gravidez na adolescência, incluindo as 
mais jovens, entre 10 e 14 anos de idade.
Abordar a temática Saúde Sexual e 
Saúde Reprodutiva sob enfoque edu-
cativo significa ofertar oportunidades 
as mulheres e suas parcerias sexuais 
de falarem sobre o que pensam do 
amor, do preconceito, da amizade, da 
família, da cidadania, do namoro, do 
“ficar”, da virgindade, das Infecções 
Sexualmente Transmissíveis (ISTs), 
da raiva, da violência, das drogas, 
do sexo, da fome, da desigualdade, 
da arte, do medo, da gravidez dese-
jada ou indesejada e outros temas. 
Por tudo isso, abordagens coletivas, 
ou melhor, conversas coletivas sobre 
esse assunto tornam-se fundamen-
tais (BRASIL, 2013). 
Você se sente confortável em promo-
ver essa discussão no seu campo de 
prática? Pense a respeito.
Figura 19 – A discussão sobre SSSR deve fazer parte das 
atividades com os adolescentes
Reconhece-se ainda que essas ações coleti-
vas não bastam por si só. Devem ser acom-
panhadas e reforçadas por ações educativas 
individuais (BRASIL, 2013).
 69  69 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
Entre as habilidades que o profissional de saú-
de precisa buscar desenvolver para realizar a 
atenção às mulheres na SSSR, estão: 
Fonte: Brasil (2010). 
3.2.3 Atividades individuais
As atividades individuais estão relacionadas 
à consulta, incluindo anamnese, que deve 
Habilidades
Sentir-se
confortável para
falar sobre 
sexualidade e 
sobre 
sentimentos
Utilizar
linguagem
acessível,
simples e 
clara
Respeito
e empatia
Acolher o 
saber e o sentir
das mulheres
Ter
conhecimentos
técnicos
Boa
capacidade de
comunicação
Tolerância aos princípios e 
às distintas crenças
e valores que não 
sejam os seus próprios
Ser gentil,
favorecendo o
vínculo e uma
relação de confiança
conter a história completa da mulher, exame 
físico também completo e não somente re-
sumido à mama e pelve. Você deve atentar a 
outros órgãos que podem sofrer repercussões 
devido a questões sexuais e reprodutivas, 
como o abdômen, por exemplo, e sinais e sin-
tomas inespecíficos que podem remeter a um 
problema sexual e ou reprodutivo, como febre, 
anemia, dentre outros. A partir da anamnese 
e exame físico, podem-se levantar os proble-
mas e necessidades de saúde da mulher ou 
casal, e oferecer soluções e cuidados basea-
dos em evidências científicas, evitando a me-
dicalização do corpo feminino e considerando 
as diferentes fases do ciclo de vida da mulher. 
Na Atenção Primária, muitos atendimentos 
são realizados individualmente, e por isso é 
necessário uma escuta qualificada do pro-
fissional para garantir o respeito aos dese-
jos e questionamentos da mulher. Na página 
do Ministério da Saúde você encontra alguns 
protocolos para o atendimento à saúde da 
mulher na APS que podem ajudar o profis-
sional no planejamento deste atendimento.
 70  70 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
3.3 Corresponsabilização dos 
 homens
A implicação doa homens nos processos 
e necessidades de cuidado nessa área é 
um desafio e uma necessidade urgente. 
Trata-se de um desafio, pois os homens fre-
quentam menos os serviços de saúde, por 
uma série de fatores, tais como a cultura da 
masculinidade, a reprodução pelos profis-
sionais de uma concepção de gênero em 
que o homem não precisa de cuidado e pelas 
Ações clínicas especí�cas relacionadas à consulta
• Identi�cação de di�culdades quanto às relações sexuais ou de disfunção sexual.
• Ações de prevenção do câncer de colo de útero e de mama, com especial 
 atenção para a orientação para a realização do exame preventivo do câncer 
 de colo de útero.
• Identi�cação da data da última coleta do exame preventivo do câncer de colo 
 de útero e de mamogra�a e avaliação da necessidade de realização de novo 
 exame, de acordo com o protocolo vigente.
• Atenção pré-concepcional.
• Atenção pré-natal e puerperal.
• Atenção à saúde da mulher no climatério/menopausa.
• Orientação para prevenção de IST/HIV/Aids, com incentivo à dupla proteção.
• Orientação para a escolha dos recursos à concepção ou à anticoncepção,incentivando a participação ativa na decisão individual ou do casal.
• Prescrição e oferta do método escolhido. 
• Acompanhamento da mulher e de sua parceria sexual.
• Abordagem da infertilidade.
• Assistência ao abortamento.
• Assistência à mulher vítima de violência.
dificuldades dos serviços em acolher, reco-
nhecer as demandas e os cuidados de que 
necessitam (PINHEIRO; COUTO, 2013). 
Até hoje se observa uma forte tendência 
da feminização do planejamento reprodu-
tivo e de outras práticas em Saúde Sexual 
e Saúde Reprodutiva, ou seja, “isso é coisa 
de mulher”. Esse comportamento é levado 
para várias outras demandas de cuidado 
em SSSR. Por exemplo, o cuidado pré-na-
tal: raramente observa-se a participação do 
homem. Por quê?
 
Se você observar na sua prática, alguns 
companheiros das mulheres as acom-
panham até o serviço de saúde, mas ao 
serem chamadas para consultas elas 
adentram ao consultório sozinhas. Eles 
ficam esperando. Por quê? Você já ex-
perimentou chamá-los ou perguntar à 
mulher se ele não deseja também par-
ticipar da consulta? Se você fizer isso, 
vai ver que a maioria deles quer parti-
cipar. Outros vão por curiosidade ou até 
por constrangimento, e nesse momento 
tem-se a oportunidade de refletir e reco-
nhecer seu papel no processo da repro-
dução. Claro que muitos não apoiam as 
mulheres e nem as acompanham, mas 
 71  71 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
um passo de cada vez! Você já viu na 
nova Caderneta da Gestante o espaço 
para o pré-natal do homem?
Conheça o Guia do Pré-Natal do Parcei-
ro para Profissionais de Saúde acessan-
do: <http://portalsaude.saude.gov.br/
images/pdf/2016/agosto/11/guia_Pre-
Natal.pdf>.
Figura 20 – O Guia do Pré-Natal do Parceiro
Guia do Pré-Natal
do Parceiro para
Profissionais de Saúde
A organização dos serviços de saúde prevê a 
Atenção Primária (AP) como o centro de co-
municação das redes de atenção à saúde. 
Veja no esquemático a seguir, alguns atribu-
tos e funções que são primordiais para orga-
nização do serviço de saúde.
Competência cultural
Orientação comunitária
Focalização na família
Coordenação
Integralidade
Longitudinalidade
Atributos
Funções
Primeiro contato
Resolubilidade
Comunicação
Responsabilização
Fonte: Ministério da Saúde (2016).
Essa reflexão nos remete ao fato de que em 
vez de promovermos estratégias para incluir 
os parceiros das usuárias nas atividades ou 
nas discussões sobre saúde reprodutiva, re-
forçamos em nossos discursos e práticas a 
responsabilização única das mulheres sobre 
a reprodução (COUTO, 2012). Ao convidá-lo 
a participar do pré-natal, pode ser uma for-
ma inicial de aproximar os homens do ser-
viço de saúde, como um ponto de partida. 
O convite pode e deve se estender às ativi-
dades e assistência ao planejamento repro-
dutivo. Ao perguntar à mulher onde está seu 
companheiro e por que ele não veio, planta-
-se a semente para que elas também pen-
sem no assunto e às vezes levem a pergunta 
para ser discutida em casa. Esse pode ser 
outro estímulo. 
Por fim, fazer uma avaliação dos fluxos de 
atendimentos de cada unidade é essencial, no 
sentido de observar possíveis fatores que po-
dem desfavorecer e principalmente favorecer 
o acesso dos homens aos serviços de saúde.
3.4 Organização do serviço de saúde 
 em rede
http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/agosto/11/guia_PreNatal.pdf
http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/agosto/11/guia_PreNatal.pdf
http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2016/agosto/11/guia_PreNatal.pdf
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Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
Possivelmente, nenhum desses atributos ou 
funções são novidades para você que é profis-
sional de saúde da Atenção Primária (AP). Na 
atenção à saúde da população, além da APS 
temos os níveis secundários (centros de es-
pecialidades médicas) e terciários de atenção 
(hospitais e maternidades). Somando-se aos 
três níveis de atenção, temos os serviços de 
apoio, comuns a todos os pontos de atenção 
(diagnóstico e terapêutico, assistência farma-
cêutica, sistemas de informação em saúde). 
A Rede de Atenção à Saúde (RAS) deve ser 
constituída de todos esses elementos. 
Muitas demandas referentes à Saúde Sexual 
e Saúde Reprodutiva podem ser resolvidas na 
Atenção Primária. No entanto, algumas mu-
lheres precisaram caminhar pela rede para 
obter a assistência necessária e depois retor-
nar à Atenção Primária. 
Esse é o caso de uma mulher que teve altera-
ções no exame preventivo do câncer de colo do 
útero ou mama, que precisa realizar uma mamo-
grafia ou US obstétrico, que apresenta intercor-
rências durante a gravidez, que vai ter seu parto, 
que tem IST/HIV/Aids, que precisa um processo 
de fertilização assistida, dentre outras.
Um exemplo de rede é a Rede Viva Vida, 
estruturada pela Secretaria de Saúde do 
Estado de Minas Gerais para atenção 
materno-infantil. Acesse: <http://www.
saude.mg.gov.br/cib/page/429-viva-
-vida-sesmg>.
O mais importante é que os profissionais 
tenham conhecimento da rede, de como ela 
se articula e se organiza para que informem 
corretamente e referenciem as mulheres, de 
forma a evitar situações do tipo peregrina-
ção, que podem culminar inclusive em mor-
te, afora a não resolução ou atendimento 
da demanda das usuárias. Cada município, 
região de saúde e estado tem um desenho 
próprio da rede.
3.4.1 Como superar as dificuldades 
 de acesso às ações de Saúde 
 Sexual e Saúde Reprodutiva 
A primeira questão se refere à necessidade 
de desburocratização do acesso aos serviços 
de Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva (SSSR), 
oferecendo-os a todas as mulheres e homens, 
em todas as fases do seu ciclo de vida, in-
cluindo adolescentes, idosos, independen-
temente da condição socioeconômica, raça, 
escolaridade e de qualquer outro fator. Todos 
se beneficiam dessas ações. 
Assim, profissionais da Atenção Primária preci-
sam capacitar-se constantemente e exercer sua 
responsabilidade e compromisso com essas 
ações. Quantas vezes não ouvimos “eu não falo 
de contraceptivo com adolescentes”? 
Figura 21 – A mulher pode ser encorajada a cuidar da sua saúde
Em segundo, deve-se pensar a rede para além 
do ciclo gravídico puerperal. Ou seja, como é 
o fluxo para o indivíduo que foi diagnosticado 
 73  73 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
com HIV? Como é feito a referência da mulher 
infértil e que deseja usufruir da reprodução 
assistida? E no caso da vasectomia e da li-
gadura tubária? Como orientar e encaminhar 
uma puérpera com sinais de choque ou então 
com psicopatia puerperal? E na identificação 
de um sangramento ativo durante um exame 
ginecológico? E as situações de violência e de 
abortamento, o que fazer?
Terceiro, precisamos reconhecer que não se tra-
ta apenas de reconhecer a rede e o fluxo, mas 
de cumprir o papel de centro dessa rede. A APS 
ainda precisa aprimorar suas ações e analisar 
quais não estão sendo oferecidas e por que. 
Figura 22 – O atendimento à mulher pode ser ampliado na 
Atenção Primária
Enfim, o aconselhamento precisa aconte-
cer, o foco do pré-natal precisa ser ampliado 
para as outras demandas. Outras demandas 
precisam melhorar, como a forma que o pla-
nejamento reprodutivo se dá, seletivo, pres-
critivo, burocrático, específico para um grupo 
populacional e não para todas as mulheres; 
a abordagem às ISTs, que desconsidera as 
parcerias sexuais; a persistência da exclusão 
do homem dessa assistência; a medicaliza-
ção do corpo feminino; a não valorização da 
queixa da mulher; a escassez de atividades 
de promoção da saúde e prevenção de do-
enças; a desconsideração de grupos vulne-
ráveis, como os adolescentes, e também as 
iniquidades; a assistência pautada em pre-
conceitos, mitos, e que por vezes não respei-
ta os direitossexuais e reprodutivos, as leis e 
as políticas, desconsiderando as evidências 
científicas. 
Assim, o acesso ainda é um desafio para a 
atenção à SSSR das mulheres. E desta forma, 
a equipe de saúde pode avançar e redescobrir 
novas estratégias para o atendimento das 
mulheres na Atenção Primária.
3.4.2 Organização do serviço de 
 saúde possibilitando o acesso 
 de adolescentes 
A atenção dispensada à Saúde Sexual e 
Saúde Reprodutiva (SSSR) de adolescen-
tes ainda se apresenta de forma discreta na 
maioria das equipes de saúde da Atenção 
Primária. As adolescentes não conseguem 
muitas vezes acessar profissionais de saú-
de, que, organizados para apenas entregar 
os métodos contraceptivos, acabam deixan-
do muito a desejar no que se refere a orien-
tações referentes a questões sexuais. Os 
profissionais de saúde precisam se aproxi-
mar sem juízo de valor, com postura com-
prometida, interessada na demanda da po-
pulação adolescente, e para isso o ambiente 
precisa ser privativo e sigiloso.
Faz-se necessária a busca ativa desse pú-
blico e a conscientização do mesmo quan-
to à importância de sua participação em 
ações de promoção da saúde e prevenção 
de doenças.
 74  74 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
Figura 23 – Reconhecer o território do adolescente faz parte da busca ativa
Importante! Não existe método que a 
adolescente deva ou não usar. Todos 
os métodos podem ser utilizados pelas 
adolescentes. É preciso atentar para 
não discriminar e não alijar ainda mais 
esse grupo, muitas vezes mais vulne-
rável e alheio às informações corretas. 
Trata-se do grupo que mais se benefi-
ciaria da maioria das ações discutidas 
neste módulo, em especial a prevenção 
de ISTs a gravidez indesejada.
3.4.3 Organização da rede de atenção 
 à SSSR 
Uma estratégia para melhor comunicação 
entre os profissionais e para que as usuárias 
possam ter acesso as informações sobre a 
Rede de Saúde, as Unidades Básicas de Saúde 
poderiam ter uma listagem dos endereços e 
telefones das diversas instituições que com-
põem a rede independentemente de situações 
emergenciais.
A Atenção Primária resolve a grande maio-
ria das demandas; no entanto, precisa ter 
 75  75 
Saúde sexual e saúde reprodutiva 
das mulheres
UN3 Saúde sexual e saúde 
reprodutiva na Atenção 
Primária
referência para a atenção especializada de 
diagnóstico e tratamento quando necessário. 
O mapeamento da rede não deve se limitar à 
mera catalogação; deve servir para avaliar la-
cunas e as superposições de ações, estimu-
lar a troca de informações e facilitar os enca-
minhamentos. Esse mapeamento possibilita 
o reconhecimento dos pares, o que torna o 
trabalho mais articulado e integrado, além do 
encaminhamento responsável das usuárias 
na rede de atenção (BRASIL, 2007b)
 76 
Este módulo abordou a Saúde Sexual e Saú-
de Reprodutiva (SSSR) das mulheres como 
um direito a ser respeitado e oferecido a todas 
as mulheres do território. Iniciamos mostran-
do a SSSR garantida como um direito básico 
tanto no cenário internacional e nacional, as-
sim como a evolução das políticas públicas 
relativas à saúde sexual e saúde reprodutiva 
da mulher, no Brasil. A visão do corpo femi-
nino apenas sob o enfoque do ciclo gravídi-
co puerperal foi mudando ao longo do tempo, 
observando-se na atualidade preocupação 
com as necessidades das mulheres no cam-
po da SSSR de modo amplo, nos diferentes 
ciclos de vida, bem como respeitando suas 
especificidades e de forma a atender as suas 
vulnerabilidades. 
No tocante à temática de gênero, destaca-
mos a importância de entender que este 
aspecto sofre influência de vários fatores 
e que, na prática diária, o atendimento das 
necessidades específicas das diversidades 
de identidade de gênero e de orientação 
sexual deve ser respeitado conforme a Po-
lítica Nacional de Atenção Integral à Saúde 
de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e 
Transexuais. 
Quanto à sexualidade feminina, foi aponta-
do um novo modelo para avaliar a resposta 
sexual das mulheres. Apropriando-se desse 
conteúdo você será mais efetivo no esclareci-
mento de dúvidas, derrubando mitos e tabus, 
assim como poderá ser capaz de reconhecer 
se está, de fato, diante de alguma disfunção 
sexual que necessite de um atendimento 
especializado.
Abordamos também possíveis consequên-
cias e demandas do exercício da sexualidade, 
como as infecções sexualmente transmissí-
veis e a prevenção de gravidez indesejada 
ou não planejada, e a importância de saber 
identificar as diferentes infecções e seu tra-
tamento, pelo risco e gravidade de possí-
veis complicações e repercussões no futu-
ro reprodutivo das mulheres. Com relação 
à prevenção da gravidez indesejada ou não 
planejada, é importante possibilitarmos o 
conhecimento dos métodos contraceptivos 
disponíveis no SUS, envolvendo as mulheres 
e suas parcerias sexuais na escolha destes. 
A participação da parceria deve ser incenti-
vada tanto na escolha do método de plane-
jamento reprodutivo quanto na decisão do 
melhor momento para que a gestação ocorra. 
Resumo do módulo
 77 
A avaliação pré-concepcional também deve 
ser oferecida como forma de preparação para 
a gravidez, avaliação de riscos, orientação e 
estímulo da modificação no estilo de vida.
Finalizamos apontando como os serviços de 
saúde podem oportunizar ações em diferen-
tes frentes: promoção de saúde, prevenção 
de doenças, acesso ao diagnóstico e trata-
mento, de modo humanizado e com capaci-
dade de atender às diferentes demandas. 
Esperamos que com o presente módulo você 
sinta estímulo para rever o que pode ser in-
crementado em seu local de atuação, e, ao 
mesmo tempo, que este sirva de incentivo 
para a busca constante de atualização no 
tema, a fim de que você possa sempre melhor 
atender às demandas das mulheres na Saúde 
Sexual e Saúde Reprodutiva no seu trabalho 
diário. 
Resumo do módulo
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Mariana Santos Felisbino Mendes
Enfermeira, graduada pela Escola de Enfermagem 
da Universidade Federal de Minas Gerais (2007), 
com bacharelado e licenciatura. Mestre em Saúde 
e Enfermagem pela UFMG (2009). Doutora em En-
fermagem pela UFMG (2013) com período sanduí-
che na Escola de Saúde Pública da Universidade de 
Michigan. Atualmente é Professora Adjunta da Es-
cola de Enfermagem da UFMG, no Departamento de 
Enfermagem Materno-Infantile Saúde Pública, na 
área da Saúde de Mulher e Atenção Básica. Tam-
bém é docente do Programa de Pós-Graduação 
em Enfermagem (nível Mestrado) dessa mesma 
instituição. É subcoordenadora do NIEPE - Núcleo 
Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Epide-
miologia da EEUFMG e pesquisadora do centro co-
laborador do VIGITEL. Tem experiência em saúde 
coletiva e epidemiologia, com ênfase em análise de 
dados com amostras complexas (tipo DHS), doen-
ças crônicas não transmissíveis, saúde da mulher 
e saúde reprodutiva.
Endereço do currículo na plataforma lattes:  
<http://lattes.cnpq.br/5074825535350952>
<http://www.gfmer.ch/SRH-Course-2015/partici 
pants/Mariana-Felisbino-Mendes.htm>
Cássia Elena Soares 
Médica, graduada pela Fundação Universidade Re-
gional de Blumenau (1998). Residência médica em 
Ginecologia e Obstetrícia (2000) pela Maternida-
de Carmela Dutra. Especialização em Sexualidade 
Humana (2011) pela USP. Atualmente é médica 
assistente e preceptora da residência médica em 
Ginecologia e Obstetrícia na Maternidade Carmela 
Dutra. Tem experiência em atendimento a mulhe-
res vítimas de violência sexual e ginecologia e obs-
tetrícia da adolescência.
Sobre as autoras
http://lattes.cnpq.br/5074825535350952
http://www.gfmer.ch/SRH-Course-2015/participants/Mariana-Felisbino-Mendes.htm
http://www.gfmer.ch/SRH-Course-2015/participants/Mariana-Felisbino-Mendes.htm

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