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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO BACHAREL INTERDISCIPLINAR EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA FUNDAMENTOS DA SEGURANÇA DO TRABALHO PROFESSOR Dr°. FERNANDO PEDRO DIAS DOENÇAS OCUPACIONAIS OCASIONADAS PELA COLETA DE LIXO. Alison Correa Mendes Francisco de Sousa Nascimento Jacqueline Cristienne Melonio Barbosa John Nelson Barbosa da Silva Karlyane Oliveira Costa SÃO LUÍS 2018 DOENÇAS OCUPACIONAIS OCASIONADAS PELA COLETA DE LIXO. Alison Correa Mendes Francisco de Sousa Nascimento Jacqueline Cristienne Melonio Barbosa John Nelson Barbosa da Silva Karlyane Oliveira Costa RESUMO: O presente artigo tem como objetivo apontar as principais doenças e riscos ocupacionais aos quais os catadores de resíduos sólidos estão submetidos durante a sua jornada de trabalho. Este trabalho teve como metodologia algumas pesquisas bibliográficas, bem como uma pequena entrevista feita com alguns coletores, para que pudessem relatar os principais riscos e possíveis doenças que já aconteceram no período em que estavam exercendo suas funções. Observou-se que as principais razões que mais contribuem para doenças ocupacionais são o descumprimento das normas de segurança, falta de atenção ou ausência do Equipamento de Proteção Individual (EPI). As principais lesões em consequência desses acidentes de trabalho são: cortes, ferimentos, quedas, exposição constante a agentes biológico e físico e problemas ergonômicos. Palavras- chave: Doenças e riscos ocupacionais; Coletores de resíduos sólidos; Segurança do trabalho. ABSTRACT: The present article has as objective points the main diseases and occupational risks to the which the collector of solid residues is submitted during his/her work day. This work had as methodology some bibliographical researches, as well as a small interview done with some collectors, so that they could tell the main risks and possible diseases that already happened in the period in that were exercising their functions. It was observed that the main reasons that more they contribute to occupational diseases are the noncompliance of safety's norms, lack of attention or absence of the Equipment of Individual (EPI) Protection. The main lesions in consequence of those work accidents are: cuts, wounds, falls, and constant exhibition to biological agents Key-words: Diseases and occupational risks; Collectors of solid residues; Safety of the work. 1. INTRODUÇÃO Doença do trabalho são aquelas produzidas pelo exercício do trabalho, pela contaminação acidental e/ou pela exposição ou contato direto provenientes do trabalho. Estas doenças são desenvolvidas lentamente e em muitos casos quando aparecem já estão em um estágio evoluído. Por esta demora dos sintomas, torna-se mais difícil relacionar a doença aos riscos do ambiente do trabalho e em alguns casos pode levar mais de 15 anos (GONÇALVES FILHO, 2012). De acordo com BELLUCCI (1999,p.10), A saúde e as doenças do trabalhador são determinadas pelo processo de trabalho que envolve complexas relações econômicas, sociais e tecnológicas que determinam a exposição de fatores de risco físicos, químicos, biológicos, mecânicos e aqueles decorrentes da organização laboral. As ações para garantir a saúde do trabalhador devem ter como foco as mudanças nos processos e nas relações de trabalho. De modo particular as ações de saúde do trabalhador devem estar integradas com as de saúde ambiental, uma vez que os riscos gerados no processo produtivos podem afetar também o meio ambiente e a população em geral. Em relação aos coletores, os riscos e doenças ocupacionais podem tornar-se ainda maiores, uma vez que estão sempre manuseando resíduos sólidos. O aumento na produção desses resíduos é um problema atual e crescente em diversos países, já que está havendo um aumento na densidade populacional (responsável pelo aumento na produção de resíduos) e uma diminuição das áreas apropriadas para o seu armazenamento e processamento (GRAUDENZ, 2009). Para SANTOS; SILVA (2009), deficiências nos processos de coleta e armazenamento do lixo, bem como a falta de segurança oferecida às pessoas que trabalham na área, estão associadas à transmissão de inúmeras doenças, pois o processo de trabalho possui inúmeras particularidades. Tendo em vista o contexto acima, é imprescindível citar a importância destes profissionais para a sociedade. Segundo COMLURB (2009), gari é o profissional da limpeza que trabalha exclusivamente com lixo, assegurando a limpeza da via pública. Executa serviços que envolvem, durante a sua jornada de trabalho, o recolhimento de lixo urbano domiciliar e hospitalar, transferência de lixo de rampas, carregamento e descarregamento de caminhões de lixo urbano, limpeza e coleta das instalações da empresa, coleta de lixo de logradouros públicos, dentre outras atividades relacionadas com a manutenção da limpeza urbana. Em acordo com OLIVEIRA et al., (s/d), mesmo sabendo da importância destes profissionais para a sociedade, o trabalho de coletor de resíduos sólidos ainda é pouco valorizado. O trabalho que executam envolve um risco alto e o salário quase nem sempre é adequado ao esforço que estes profissionais fazem durante a jornada de trabalho. 2. RISCOS OCUPACIONAIS Sendo o coletor o responsável pela captação dos resíduos sólidos, certamente este indivíduo está em contato direto com muitos agentes que são nocivos à saúde, e por este motivo é que seu trabalho é considerado um dos mais arriscados e nocivos. Segundo as ideias de FERREIRA; ANJOS (2001) apud LAZZARI (2009), Os profissionais que estão envolvidos na coleta de resíduos sólidos são expostos a cinco diferentes tipos de riscos ocupacionais, sendo eles: · Físicos: ruído, vibração, calor, frio, umidade; · Químicos: gases, névoa, neblina, poeira, substâncias químicas tóxicas; · Mecânicos: atropelamentos, quedas, esmagamentos pelo compactador, fraturas; · Ergonômicos: sobrecarga da função osteomuscular e da coluna vertebral, com consequente comprometimento patológico e adoção de posturas forçadas incômodas; · Biológicos: contato com agentes biológicos patogênicos (bactérias, fungos, parasitas, vírus), principalmente através de materiais perfuro-cortantes; Em acordo com (FERREIRA; ANJOS, 2001), os efeitos adversos dos resíduos sólidos municipais no meio ambiente, na saúde coletiva e na saúde do indivíduo são reconhecidos por diversos autores (...), que apontam as deficiências nos sistemas de coleta e disposição final e a ausência de uma política de proteção à saúde do trabalhador, como os principais fatores geradores desses efeitos. Logo abaixo, listaremos os agentes físicos, químicos e biológicos que se encontram presentes nos resíduos sólidos e nos processos dos sistemas se seu gerenciamento, capazes de afetar na saúde humana e no meio ambiente. VELLOSO (1995). a) Agentes físicos. O odor emanado dos resíduos pode causar mal-estar, cefaléias e náuseas em trabalhadores e pessoas que se encontrem próximas aos equipamentos de coleta ou de sistemas de manuseio, transporte e destinação final. Ruídos em excesso, durante as operações de gerenciamento dos resíduos, podem promover a perda parcial ou permanente da audição, cefaléia, tensão nervosa, estresse e hipertensão arterial, assim como, a exposição ao sol sem o uso do protetor solar pode ocasionar doenças relacionadas a pele (câncer de pele e queimaduras). A poeira que pode ser responsável por desconforto e perda momentânea da visão, e por problemas respiratórios e pulmonares. b) Agentes químicos. Nos resíduos sólidos municipais podem ser encontrados um grande número de resíduos químicos, dentre os quais merecem destaque pela presença mais constante: pilhas e baterias, óleos e graxas, pesticidas/herbicidas, solventes, tintas, produtos de limpeza, cosméticos, remédios e aerossóis. Uma significativa parcela destes resíduos é classificada como perigosa e pode ter efeitos deletérios à saúde humana e ao meio ambiente, como, metais pesados (chumbo, cádmio e mercúrio), que se incorporam à cadeia biológica, têm efeito acumulativo e podem provocar diversas doenças comosaturnismo e distúrbios no sistema nervoso, entre outras. Pesticidas e herbicidas têm elevada solubilidade em gorduras que, combinada com a solubilidade química em meio aquoso, pode levar à magnificação biológica e provocar intoxicações agudas no ser humano (são neurotóxicos), assim como efeitos crônicos. c) Agentes biológicos. Os agentes biológicos presentes nos resíduos podem ser responsáveis pela transmissão direta e indireta de doenças. Microrganismos patogênicos ocorrem nos resíduos sólidos municipais mediante a presença de lenços de papel, curativos, fraldas descartáveis, papel higiênico, absorventes, agulhas, seringas descartáveis e camisinhas, originados da população, dos resíduos de pequenas clínicas, farmácias e laboratórios e, na maioria dos casos, dos resíduos hospitalares, misturados aos resíduos domiciliares. 3. ALGUNS ACIDENTES Segundo a Lei nº 8.213/91 de 1991 pode-se definir acidente do trabalho "o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no inciso VII do art. 11 desta lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho". Os riscos de acidentes e de agravos à saúde dependem da atividade exercida pelo colaborador. Alguns dos acidentes mais frequentes entre colaboradores que manuseiam diretamente os resíduos sólidos municipais (FERREIRA, 1997; VELLOSO et al., 1997) são descritos a seguir: 3.1.Cortes com vidros Caracterizam o acidente mais comum entre colaboradores da coleta domiciliar e das esteiras de catação de usinas de reciclagem e compostagem, e também entre os catadores dos vazadouros de lixo. A principal causa destes acidentes é a falta de informação e conscientização da população em geral, que não se preocupa em isolar ou separar vidros quebrados dos resíduos apresentados à coleta domiciliar. A utilização de luvas pelo colaborador atenua, mas não impede a maior parte dos acidentes, que não atingem apenas as mãos, mas também braços e pernas. 3.1.2 Cortes e perfurações com outros objetos pontiagudos. Espinhos, pregos, agulhas de seringas e espetos são responsáveis por corriqueiros acidentes envolvendo trabalhadores. Os motivos são semelhantes aos do item anterior. 3.1.3 Queda do veículo. A natureza dos trabalhos no sistema de limpeza urbana, em especial na coleta domiciliar e operações especiais de limpeza de logradouros, acaba por obrigar o transporte dos colaboradores nos mesmos veículos utilizados para a coleta e transporte dos resíduos. Isso faz com que as quedas de veículos sejam comuns. Dois aspectos são importantes como causas destes acidentes (muitos dos quais fatais): a inadequação dos veículos para tal transporte, onde o exemplo maior é o veículo de coleta em que os trabalhadores são transportados dependurados no estribo traseiro, sem nenhuma proteção (os veículos de coleta são construídos com base na tecnologia dos países desenvolvidos, onde a coleta é realizada por guarnições de no máximo dois homens, que viajam na cabine junto com o motorista) (ROBAZZI et al., 1992). 3.1.3 Atropelamentos. A eles estão expostos tanto os colaboradores da coleta domiciliar e limpeza de logradouros como os trabalhadores de locais de transferência e destinação final dos resíduos. Além dos riscos inerentes à atividade, contribuem para os atropelamentos a sobrecarga e a velocidade de trabalho a que estão sujeitos os trabalhadores e o pouco respeito que os motoristas em geral têm para os limites e regras estabelecidas para o trânsito. Também deve ser lembrada a ausência de uniformes adequados (roupas visíveis, sapatos resistentes e antiderrapantes) como um fator de agravamento dos riscos de atropelamento. 3.1.4 Outros. Ferimentos e perdas de membros por prensagem em equipamentos de compactação e outras máquinas, mordidas de animais (cães, ratos) e picadas de formigas também fazem parte da relação de acidentes com resíduos sólidos municipais. 4. DOENÇAS OCUPACIONAIS CAUSADAS PELA ATIVIDADE DE COLETA DE LIXO. As doenças ocupacionais mais comuns entre os garis são: micoses, mal estar, dores no corpo, dores de cabeça, vômitos, perda auditiva, doenças respiratórias, doenças intestinais, contaminação por produtos químicos, doenças relacionadas à exposição solar, tensão nervosa, e estresse (SILVA, 2009). Algumas patologias relacionadas aos catadores estão diretamente ligadas à intoxicação, como por exemplo, por chumbo que provoca intoxicação, o monóxido de carbono, provocando sequelas por intoxicação aguda, o mercúrio e os clorados que são substâncias cancerígenas (DANILO, 2014, p. 6). Há que se destacar as doenças musculares que seus principais sintomas são as dores na região lombar motivadas pelo exercício contínuo de agachar e levantar inúmeras vezes. Doenças que atingem a coluna vertebral, como a hérnia de disco que causam incômodo aos pacientes portadores e, em casos graves necessitam de cirurgia, a hérnia inguinal e umbilical são consideradas patologias de risco para esses profissionais que em sua atividade exercem trabalho braçal, bem como as doenças articulares e ortopédicas, notadamente nos braços e no joelho. (CONSENZZA, 2006, p.90) A exposição a acidentes com agulhas hipodérmicas e a eventual presença de microrganismos patogênicos podem ser responsáveis por acometimentos de hepatite B e AIDS entre outras doenças, nos trabalhadores. Também se deve fazer referência ao estresse, como resultado das tensões a que os trabalhadores estão sujeitos, dos longos períodos de transporte no trajeto casa- trabalho-casa. O estresse pode ser a causa invisível de muitos dos acidentes de trabalho, pela redução da capacidade de autocontrole dos nos resíduos, condições adequadas de sobrevivência e proliferação. A tabela abaixo tem uma amostra das doenças ocupacionais ocasionadas pela coleta de lixo e alguns riscos relacionados. Tabela 1. Doenças x Riscos ocupacionais da coleta de lixo Fonte: SILVA, 2009 Especificar doenças ocupacionais relacionadas aos resíduos sólidos municipais é tarefa complexa. Assim sendo, compreende-se que as condições de trabalho devem ser consideradas de “forma mais integrada e global, onde as cargas de trabalho são determinadas por fatores relativos ao processo de trabalho – a organização do trabalho e as condições ambientais; e por fatores relativos ao indivíduo – sexo, idade e condições de inserção na produção, nível de aprendizagem, condições de vida, estado de saúde física e emocional, motivação e interesse” (MATTOS, 1992). 5. LEGISLAÇÃO E EPIs A segurança do trabalho possui um papel importantíssimo para a diminuição das doenças ocupacionais, reduzindo assim os acidentes na rotina de trabalho diária desta função. Segundo a Norma Regulamentadora 6 (NR 6) o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) deve ser obrigatório para a classe trabalhadora de coleta de resíduo domiciliar. Seu uso visa uma maior segurança às atividades às quais os profissionais estão expostos e consequentemente o risco de acidente é reduzido (BRASIL, 2016). Segundo (CARDOZO, 2005 apud SILVEIRA, 2009), a atividade de coleta de lixo foi considerada a sétima mais perigosa do mundo, em acordo com estudo realizado pelos Estados Unidos, em que o risco de morte é 10 vezes maior que outras ocupações americanas. Conforme a NR 06 (Norma Regulamentadora), EPI é todo e qualquer dispositivo ou produto, de uso individual, utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos susceptíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. Sendo, a empresa, obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente. Dessa forma, os EPIs são elementos essenciais no processo de trabalho dos coletores de resíduos sólidos, pois, segundo CONCEIÇÃO, 2001, O EPI deve proteger contra os riscos dos locais de trabalho e, ao mesmo tempo, deve dar proteção contra as condições de trabalho incômodas e desagradáveis; ademais, deve oferecer a proteção mais completa possível à região do corpo ameaçada diretamente.Considerando o Art. 189 da CLT Consolidação das Leis Trabalhistas, atividade insalubre é aquela que expõe o empregado a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância, que leva em consideração o tempo de exposição aos seus efeitos, da natureza e da intensidade do agente nocivo (SILVA et al., 2009). De fato, atividade de coleta de resíduos sólidos é considerada insalubre uma vez que, a exposição do trabalhador aos agentes biológicos, direito adquiridos por meio da Norma Regulamentadora n°15. Ainda de acordo com tal norma, devido o alto risco, esta classe trabalhadora recebe insalubridade de grau máximo, portanto, os colaboradores recebem 40% de adicional do salário mínimo (PEDROSA et al., 2010). 5.1 EPI’s indicados para a atividade de coleta de lixo. Abaixo, estão listados os principais itens de EPI disponíveis, além de informações importantes para assegurar a sua identificação e o uso correto: · Uniforme com cor de destaque e faixa refletiva. · Bota com biqueira. · Luva de vaqueta. · Máscara PFF 1. · Óculos Spectra Incolor. · Abafador de Ruídos - Tipo Concha. · Capa de Chuva. · Protetor solar. Os EPIs mencionados acima são de grande importância e responsáveis pela proteção e integridade do trabalhador, com objetivo de diminuir os riscos ambientais de trabalho, promover a saúde, bem estar e evitar acidentes e também as doenças ocupacionais. 6. METODOLOGIA Para a composição deste artigo, primeiramente foi realizado um estudo bibliográfico, onde foram usados assuntos relacionados aos riscos ocupacionais que os profissionais da coleta de lixo estão submetidos. Depois de observada as questões teóricas, foi realizada uma entrevista com alguns coletores a respeito da rotina de trabalho, as doenças e os riscos que estão expostos diariamente. A entrevista foi aplicada com 20 trabalhadores, todos do sexo masculino e realizada em maio do ano corrente, durante o momento em que passavam nas ruas dos bairros, por ser uma entrevista curta, não atrapalhou o andamento das atividades. Cada componente do grupo que produziu este artigo ficou responsável por entrevistar 5 coletores . O roteiro de entrevista foi comporto por somente 7 perguntas com o propósito de coletar respostas sem qualquer influência ao entrevistado, sem imposição e obrigatoriedade. Tal pesquisa foi responsável pela composição das tabelas e gráficos abaixo. Tabela 2. Entrevista com os coletores Fonte: OS AUTORES. 2018. A avaliação por meio desta entrevista buscou mostrar os riscos e doenças ocupacionais que os coletores já tiverem desde que trabalham na função, observando também algumas informações que puderam chegar a um resultado satisfatório para ajudar na melhoria e execução desta atividade da limpeza pública. Gráfico 1. Riscos. Fonte: OS AUTORES. 2018. A tabela acima mostra a porcentagem do grau dos riscos que os profissionais da limpeza pública enfrentam em suas atividades diárias. Percebemos que nos 5 tipos de riscos há um índice alto, levando em consideração a escala de 0 a 10, todos os índices estão acima de 9. Os principais riscos ocupacionais descritos são os biológicos, químicos e ergonômicos, afirmando de fato o quão insalubre esta atividade é. Gráfico 2. Doenças Ocupacionais dos coletores de resíduos sólidos. Fonte: OS AUTORES. 2018. Em relação às doenças, percebe-se que o Gráfico 2 aponta que 75% dos entrevistados possuem algum problema relacionado à coluna ou braço. Isto significa que 15 entrevistados possuem estes problemas e até podem se aposentar prematuramente ou então estarem sujeitos a futura complicações da integridade física na realização dos serviços prestados. Tabela 3. Acidentes ocupacionais. Fonte: OS AUTORES. 2018. Gráfico 3. Acidentes de trabalho. Fonte: OS AUTORES. 2018. A Tabela 3 e o Gráfico 3 mostram que durante o processo de coleta de resíduos sólidos, os trabalhadores também sofreram algum tipo de acidente que podem de fato acarretar graves problemas, tanto temporários quanto permanentes. Pois na maioria dos casos em que tais acidentes aconteceram, o coletor não estava usando adequadamente seu EPI, e por isso se expôs a alguns tipos de acidentes citados acima. Gráfico 4. Faltas ao trabalho devido às doenças ou acidentes. Fonte: OS AUTORES. 2018. Tabela 4. Dias e Porcentagem de trabalhadores que faltam ao trabalho em decorrência de doenças ou acidentes. Fonte: OS AUTORES. 2018. O gráfico 4 e a Tabela 4 expõem os as faltas que os coletores já tiveram durante o período de trabalho em decorrência de algum tipo de acidente ou doença. O que chama atenção é que mais da metade dos trabalhadores entrevistados já ficaram afastados do trabalho por pelo menos dois dias devido a algum tipo de acidente ou doença, reforçando ainda mais a ideia de que a prevenção e o uso correto de EPI ajuda no melhor funcionamento das atividades e saúde do trabalhador 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS Por tudo que foi exposto acima, pode-se perceber que os riscos, os acidentes e as doenças ocupacionais dos trabalhadores que coletam resíduos sólidos estão expostos é muito grande. Existem muitos aspectos que envolvem esta profissão que tem seu trabalho cobrado pela sociedade, mas quem nem sempre o esforço do trabalho é totalmente reconhecido. Os coletores são profissionais que estão em contato direto com os resíduos sólidos, e por isso acabam ficando sujeitos a vários tipos de riscos. O contato diário com alguns agentes nocivos à saúde torna este ofício um dos mais nocivos. Dessa forma, devem receber atenção redobrada, bem como informações necessárias relativas à saúde proteção e segurança no trabalho, sem contar também com a constante supervisão e observação quanto à correta utilização dos equipamentos de proteção individual. Consoante com o que diz a NR 15, o trabalho de coleta de resíduos sólidos é por si só uma atividade insalubre, por isso é fundamental identificar os riscos, assim como a NR 6, que afirma a obrigatoriedade do uso dos EPIs. Portanto, afirma-se que para que as condições de trabalho dos coletores de resíduos sólidos seja potencializada, é indispensável identificar e combater os fatores nocivos nos locais de trabalho, evitando assim, acidentes, doenças e diminuindo os riscos. É necessário permitir que os mesmos executem esforço físico e mental moderado, bem como conscientizar ainda mais os trabalhadores que a melhor estratégia é a prevenção. 8. BIBLIOGRAFIA BELLUSCI, Silvia M. Doenças profissionais ou do trabalho. 6 ed. São Paulo: SENAC 1999. BRASIL, Ministério do Trabalho e Emprego. NR-1 – Disposições gerais. Manual de Legislação Atlas, São Paulo: Atlas, 73ª Edição, 2016a. COMLURB. Guia de Serviços e Informações. 2009. Disponível em: <http://www.rio.rj.gov.br/web/comlurb/listaconteudo#resultado>. Acesso em junho 2018 CONCEIÇÃO, M. L. C.; CAVALCANTI, C. L. C. Avaliação dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) na Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) do Restaurante Universitário da UFPB. Rev. Conc. João Pessoa. Jan./Jun. 2001, v. 4 (5) pp.1-12. CONSENZZA.M.S.(2016). 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