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� Leia atentamente os módulos e se achar necessário responda 
NO CADERNO as atividades propostas. Elas não são 
obrigatórias. 
 
� Consulte o dicionário sempre que não souber o significado das 
palavras. Se necessário, utilize o volume da biblioteca. 
 
� Se você tiver dúvidas com a matéria, consulte uma das 
professoras na sala de História. 
 
 
 
 
IMPORTANTE: 
 
NÃO ESCREVA NA APOSTILA, POIS ELA SERÁ 
 TROCADA POR OUTRA. 
 
 A TROCA SÓ SERÁ FEITA SE A APOSTILA ESTIVER EM 
PERFEITO ESTADO. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 INTRODUÇÃO À HISTÓRIA 
 
 
Muitas pessoas ainda pensam que estudar História é estudar o passado, é 
decorar uma porção de nomes e datas, e que os bons alunos de História são aqueles 
que conseguem repetir tudo o que está na apostila. ‘Santa Barbina’, que idéia mais 
antiga!! 
 
Ainda bem que podemos dizer, que a história não é simplesmente o estudo do 
passado, sabe porquê? Vou lhe contar, preste atenção: 
 
Primeiro veio uma pessoa e obrigou um homem a carregar um peso de 15 
quilos nas costas. Depois, outra pessoa colocou mais 15 quilos. Assim foi, até que o 
pobre homem carregava 90 quilos de peso. Em seguida, uma cara risonho deixou 
que uma pena de galinha caísse lentamente sobre a pilha de pesos nas costas do 
homem. Quando a pena encostou, no peso, o pobre homem não agüentou o esforço 
e desabou. Pois assim que se recuperou, o homem se levantou gritando: “Cadê o 
desgraçado que jogou a pena?!” 
 
Agora, pense: a pena, sozinha, é responsável pelo homem ter desabado com 
os pesos? O homem da historinha, ao botar toda a culpa no cara da peninha, 
raciocinou historicamente? 
...raciocinou historicamente? O que é isso? 
 
Raciocinar historicamente é perceber que o presente não se explica só 
pelo presente: é necessário encarar o presente como sendo ligado ao processo que 
o produziu. 
 
 Assim, estudar a História nos permite questionar “os porquês” de alguns 
grandes problemas da atualidade, como por exemplo: as nações desenvolvidas e as 
“quase desenvolvidas”; os privilégios da maioria e o trabalho duro e mal pago de 
tantos outros; a justa e a injusta distribuição de oportunidades na vida; a riqueza de 
uns poucos e a exclusão da maioria. E mais, a discriminação, a marginalidade, a 
corrupção... 
 
 Como encontrar as soluções para os problemas que estamos enfrentando hoje? 
 
 Aí colega, como diz o ditado – “chegou a hora da onça beber água”. É, temos 
que voltar a historinha: é preciso encarar o presente como sendo ligado ao 
processo que o produziu. A História não tem nenhum significado, se tomarmos os 
fatos isolados uns dos outros. É, temos que conhecer a História, único meio de 
conseguirmos construir uma sociedade mais democrática e mais cidadã, à fim de 
conquistarmos um futuro mais digno e justo à maioria dos brasileiros. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 3 
Para isso, vamos iniciar o estudo da História da Humanidade, procurando 
raciocinar historicamente e assim, adquirir conhecimento, consciência crítica e 
comprometimento. 
 
 
 
 
 
 
CONCEITO DE HISTÓRIA 
 
“História é a ciência que estuda as ações e as realizações dos homens, desde 
seu surgimento até hoje”. Ela nos permite compreender o momento em que vivemos, 
pois revela de que maneira as sociedades se transformaram e deram origem ao 
mundo atual. 
 
 
A HISTÓRIA E O TEMPO 
 
Para você entender o que aconteceu na história, é preciso 
saber o que veio antes e o que veio depois. Lembra-se da historinha? 
 
Assim, os homens criaram o calendário, de acordo com 
acontecimentos que julgavam importantes em sua História. No calendário judeu, por 
exemplo, conta-se o tempo a partir do êxodo - saída dos judeus do Egito. Já os 
cristãos, contam o tempo a partir do nascimento de Jesus Cristo. 
 
Nós adotamos o calendário cristão, onde o ano 1 refere-se ao nascimento 
de Jesus Cristo. As datas anteriores ao nascimento levam as iniciais a.C. (antes de 
Cristo) e as datas posteriores, d.C. (depois de Cristo). 
 
Vale dizer que, para as datas posteriores, convencionou-se usar somente as 
datas sem as iniciais. 
 
O calendário cristão é também seguido atualmente, na maioria dos países. 
 
 
A DIVISÃO DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE 
 
Embora exista discussão a respeito, optaremos por ela, por ser referência 
ainda importante e largamente utilizada. Assim, divide-se o estudo da História da 
Humanidade em: 
 
- Pré-história (do surgimento do homem primitivo até a invenção da escrita); 
- História (da invenção da escrita até nossos dias). 
 
Então, a invenção da escrita por volta de 4.000 a.C., é tradicionalmente 
considerada o marco histórico que divide toda a trajetória do homem em dois 
grandes períodos: pré-história e história. 
“Estudar História é adquirir consciência da trajetória humana. 
Consciência do que fomos para transformar o que somos.” 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 4 
Veja agora, as divisões da Pré-história e da História: 
 
Pré-história 
 
. Paleolítico – do surgimento do homem primitivo até cerca de 10.000 a.C.; 
. Neolítico – de aproximadamente 10.000 até cerca de 5.000 a.C.; 
. Idade dos Metais – de aproximadamente 5.000 até cerca de 4.000 a.C. (escrita). 
 
 
História 
 
. Idade Antiga – inicio cerca de 4.000 a.C., até a queda do Império Romano em 476; 
. Idade Média – de 476 (século V), até a queda de Constantinopla em 1.453 (século XV); 
. Idade Moderna – do séc. XV até o XVIII - inicio da Revolução Francesa, em 1.789; 
. Idade Contemporânea – se iniciou no século XVIII e prossegue até os dias atuais. 
 
 
Agora, observe a linha do tempo da História da Humanidade, com todas 
essas divisões: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Veja que a linha do tempo é uma forma de dispor os acontecimentos em 
ordem cronológica, para facilitar o estudo da História da Humanidade. Lembre-se: 
nenhum fato acontece isoladamente. 
 
PRÉ-HISTÓRIA HISTÓRIA 
Paleolítico Neolítico Metais 
4.000 a.C. 
 
Invenção 
da 
Escrita 
 
Antiga 
Aparecimento 
das primeiras 
espécie 
humanas 
10.000 a .C 
5.000 a.C. 
Ano 1 
 
Nasce 
Jesus 
Cristo 
476 
 
Queda 
Império 
Romano 
 no 
Ocidente 
Média Moder. 
1.453 
 
Queda 
Império 
Bizantino 
Oriente 
1.789 
 
Revolução 
Francesa 
Contem. 
Hoje 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 5 
 
 
 
 
 
 
1 – Considerando o que você já aprendeu, explique com suas palavras o que é 
História. 
 
2 – Por que o conhecimento do passado é importante no estudo da 
história? 
 
 
 
Agora, depois dos conceitos que aprendeu, você vai iniciar o estudo da 
EVOLUÇÃO DA HUMANIDADE. 
 
 
 
A PRÉ-HISTÓRIA 
 
 Agora, você estudará em linhas gerais, a Pré-história – que é o estudo do 
passado da humanidade antes da descoberta da escrita. 
 
 Veja então, as divisões da Pré-história e suas principais características: 
 
 
1 - AS DIVISÕES DA PRÉ-HISTÓRIA 
 
. PALEOLÍTICO: A sociedade de caçadores e coletores 
 
 Para homens e mulheres desse período, a principal preocupação era encontrar 
alguma coisa para comer todos os dias. Eles caçavam, 
pescavam e precisavam se defender de animais. Graças 
a sua capacidade cerebral (inteligência), descobriu e 
aprendeu a dominar o fogo. 
Quando o clima da Terra ficou mais quente e 
agradável, deixou as cavernas. Os primeiros desenhos 
deixados pelo homem nas paredes dessas cavernas, são 
dessa época – pinturas rupestres. 
Nessa época também, começaram a lascar a 
pedra para fazer facas, anzóis, agulhas e flechas que, 
por sua vez, eram usados para a caça. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 6 
Para se proteger do frio, usava a pele dos animais que se alimentava. Durante 
essa época, o homem era nômade, isto é, andava sempre à procura do lugar que 
tivesse mais animais para caçar e maisfrutos para coletar. 
 
 
. NEOLÍTICO: A revolução da agricultura e da criação de animais 
 
O homem só aprendeu a plantar 
e colher no Neolítico. 
A descoberta do ciclo das 
colheitas fez com que a vida do 
homem mudasse bastante. Então, a 
descoberta da agricultura fez com que 
ele abandonasse a vida nômade. 
Domesticou animais e começou a criar rebanhos; já não dependia tanto da caça, da 
pesca e da coleta de frutos. 
 
Começou a viver em grupos. O mais forte e hábil era o chefe. Polia a pedra 
e os ossos dos animais que caçava, para produzir armas melhores. 
Descobriu que, cozinhando a terra, conseguia fabricar vasos e vasilhas para 
guardar água e armazenar o que ele colhia. Foi assim que nasceu a cerâmica. Com o 
ciclo das colheitas, percebeu que não era preciso que todo o grupo trabalhasse na 
terra. Então, uns faziam cerâmica, outros armazenavam, outros caçavam, enfim, era 
a divisão do trabalho. 
 
Surgem as aldeias e a vida em sociedade torna possível a transmissão oral 
dos conhecimentos e das invenções entre os membros do grupo, devido à 
comunicação. Sem ela seria impossível o progresso, pois as descobertas e invenções 
que aconteceram, seriam perdidas com a morte do descobridor. Essas pequenas 
aldeias, com o tempo, transformam-se em verdadeiras comunidades e surgem os 
primeiros governos. 
 
 
 
É bom lembrar, que essas inovações não aconteceram ao mesmo tempo em 
todos os lugares do mundo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os habitantes da América demoraram muito tempo para desenvolver as 
técnicas do Neolítico. No território que hoje é o Brasil, uma boa parte dos 
habitantes não conhecia a agricultura até a chegada dos conquistadores 
europeus, no século XVI. 
 
Existem grupos de pessoas em alguns lugares do mundo que, ainda hoje, 
vivem como se estivessem na Pré-história. Atualmente, algumas tribos de índios 
brasileiros, por exemplo, vivem de maneira bastante parecida com a dos 
homens do Paleolítico e do Neolítico. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 7 
 A escrita surge da necessidade 
de se controlar a riqueza. Quantas 
ovelhas havia na região 
governada pelo chefe? Quantas 
vasilhas de cerâmica com cereais 
sobraram da colheita anterior? 
Etc. 
. IDADE DOS METAIS: Revolução tecnológica 
 
Por volta de 5000 a.C., o homem alcançou 
outra importante conquista: descobriu que era 
possível fazer objetos de metais. 
 
O primeiro metal trabalhado por ele foi o 
cobre. Posteriormente, através da fusão, misturou 
cobre com estanho e obteve um material mais 
resistente, o bronze. Com o bronze, começou a produzir ferramentas mais eficientes 
e armas mais poderosas. 
 
 
O uso de armas de metal favoreceu a prática da guerra, possibilitando 
a dominação de um povo sobre outro, com a conquista de cidades, 
territórios e a escravização dos vencidos. 
 
 
Bem, você já entendeu que a Pré-história é o estudo do passado da 
humanidade, antes da descoberta da escrita, certo? 
 
 
 
...E o Brasil teve Pré-história? 
 
 
 
2 - A PRÉ-HISTÓRIA BRASILEIRA 
 
Sim, o Brasil também teve Pré-história, só que ela não se encerrou com a 
escrita, pois os índios e seus ancestrais não a conheceram. Eles não deixaram 
nenhuma narrativa de seus hábitos e costumes. 
 
 Sua história tem que ser pesquisada de outro modo; tem que ser reconstruída 
por arqueólogos. Por essa razão, estudiosos consideram que a Pré-história brasileira 
vai até o “descobrimento”, isto é, até o ano de 1.500 com a chegada dos portugueses. 
 
 
 
...Em que época os primeiros humanos surgiram no nosso território? 
 
 
 
Para responder essa pergunta é necessário saber quando foi que o homem se 
estabeleceu na América. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 8 
 
O APARECIMENTO DO HOMEM NA AMÉRICA 
 
Existem várias teorias sobre a ocupação humana do continente americano. A 
teoria tradicional afirma que as primeiras comunidades humanas, vieram de 
correntes de povoamento da Ásia, atravessando o estreito de Bering, 
aproximadamente em 12.000 a.C. 
 
 
Observe o mapa abaixo, localize o Continente Americano, o estreito de 
Bering e as setas indicando o povoamento da América. 
 
Bem, a explicação dessa teoria se deve às descobertas arqueológicas – os 
vestígios humanos mais antigos encontrados em nosso continente datam 
aproximadamente de 12.000 a.C. e foram encontrados na América do Norte que, 
segundo essa teoria, teria sido o primeiro território ocupado. 
 
Entretanto, a partir de 1.970, novas descobertas arqueológicas começam a pôr 
em dúvida a teoria tradicional. As descobertas mais interessantes estão aqui no 
Brasil. Dentre elas, uma é do município de São Raimundo Nonato – Piauí, na gruta 
do Boqueirão da Pedra Furada. 
 
Após numerosas escavações, a arqueóloga Niède Guidon, descobriu um 
incrível acervo arqueológico que inclui centenas de pinturas rupestres, muitos 
esqueletos de animais e milhares de utensílios. As pinturas foram datadas em mais 
de 20.000 anos e os utensílios, em mais de 56.000 anos. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 9 
Assim, as pesquisas de Niède Guidon, uma das mais conceituadas 
pesquisadoras da pré-história brasileira, levam a crer que: 
 
• os primeiros grupos humanos teriam chegado ao Continente Americano, há cerca 
de 70.000 anos atrás, contrapondo os 12.000 mil anos da teoria tradicional; 
 
• o povoamento da América do Sul, pode ter sido ao mesmo tempo ou até anterior 
ao da América do Norte; 
 
• e não seria somente pelo Estreito de Bering (acesso terrestre), mas também, por 
acesso marítimo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na América, as sociedades indígenas que se formaram, tiveram 
evolução diferenciada nas várias partes do Continente. 
 
Uma prova dessa evolução diferenciada são as três grandes 
civilizações americanas: Maias, Incas e Astecas. 
 
Esses povos superaram a fase neolítica e construíram verdadeiros 
impérios, provocando espanto aos europeus quando estes começaram a 
chegar à América por volta de 1.492, mas isso é assunto para o módulo 3. 
 
 
Mas, é importante lembrar que, apesar do surgimento desses impérios no 
Continente Americano, a grande maioria dos grupos humanos que viviam na 
América antes da chegada dos europeus, era de coletores-caçadores, pastores e 
agricultores que NÃO descobriram a escrita. 
 
Bem, você viu de um modo geral, como teria ocorrido a ocupação humana na 
América e que as sociedades que se formaram pelo vasto Continente Americano, 
tiveram evolução diferenciada, ou seja, umas atingiram o estágio da civilização e 
muitíssimas outras, continuaram no estágio paleolítico e neolítico (pré-história). 
 
 
 
 
E os nossos índios, superaram a fase neolítica? Quantos eram? Como viviam? 
Veja, portanto, que as novas teorias não excluem a antiga. 
Apenas mostram que o ser humano provavelmente chegou à América 
não por um único caminho, mas por vários 
 e que isso aconteceu numa época muito mais antiga do que se pensava. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 10
Pintura rupestre da 
Gruta do Boqueirão da Pedra 
Furada - Piauí 
 
A PRÉ-HISTÓRIA DOS INDÍGENAS BRASILEIROS 
 
 A fase de desenvolvimento das sociedades 
que aqui viviam, quando da chegada dos 
portugueses, limitava-se ao paleolítico e ao 
neolítico. 
 
O território que hoje é o Brasil, era habitado por centenas de nações que 
falavam línguas e dialetos diferentes. Esses povos apresentavam grandes diferenças 
de desenvolvimento. Existiam os nômades e os que eram sedentários e agricultores. 
 
Esses antigos habitantes deixaram vestígios por onde passaram. 
 
Conheça alguns deles... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 O litoral brasileiro, especialmente o sul, foi habitado por vários povos 
nômades. Alimentavam-se da caça, de caranguejos, ostras, camarões e peixes. 
Os Sambaquis (palavra de origem indígena, que significa ‘colinas de 
conchas’) – têm cerca de 10 – 6 mil anos; de 2 a 30 metros de altura e até 100 
metros de diâmetro. Esses montes de conchas foram sendo formados durante 
milhares de anos.Pintura rupestre da Serra 
da Capivara – Piauí 
 
Pintura rupestre da 
 Chapada dos Guimarães 
em Mato Grosso 
Os lugares onde são 
encontrados restos 
 humanos são chamados de 
SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 11
Um grupo se fixava nessas áreas, 
enterravam os mortos em urnas de cerâmica 
e depois abandonavam o local. A vegetação 
crescia. 
 
Depois vinha outro grupo, ocupava o 
mesmo local e deixava seus vestígios. E 
assim sucessivamente. 
 
 
O que teria acontecido com esses antigos habitantes? 
 
Será que foram dominados por outro povo mais rústico, exterminando 
 a antiga cultura? 
 
 
 Muitas respostas ainda não temos 
à respeito dos povos pré-históricos 
brasileiros. Mas, não resta dúvida que, 
com a “colonização” houve uma 
estagnação e até um retrocesso no 
desenvolvimento das nações que aqui 
viviam. 
 
 
Os efeitos da colonização sobre os povos indígenas, 
 serão tratados no módulo 4. 
 
 
 
 
 
 
 3 – Por que seria impossível o progresso do homem primitivo sem a formação 
das sociedades? 
 
4 – Por que a história dos índios brasileiros, antes da chegada dos 
portugueses, tem que ser reconstruída por arqueólogos? 
 
 
 Que pena!! Seu roteiro de viagem pela 
 PRÉ-HISTÓRIA acaba aqui. 
Você sabia??? 
 
 
 
 
...que a cachoeira do Bairro da Chave, foi 
denominada pelos indígenas de 
“buturantim”? 
 
Essa palavra significa 
“grande espuma branca” e deu origem 
ao nome da nossa cidade – Votorantim. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 12
 
 
 
 
 
Agora você estudará em linhas gerais, o primeiro grande período da 
HISTÓRIA - a Idade Antiga, vamos lá? 
 
 
 
 Lembra-se que o uso das armas de metal favoreceu a prática da guerra e a 
dominação de um povo sobre outro? 
 
 
Então, é nesse contexto que se 
desenvolveram as Antigas Civilizações Orientais: 
Egito, Mesopotâmia, Hebreus (Palestina), Fenícia e 
Pérsia. 
 
 
 
 
 
AS ANTIGAS CIVILIZAÇÕES ORIENTAIS 
 
 
 
 A formação das primeiras grandes civilizações como Egito e Mesopotâmia, 
localizaram-se em regiões da África e da Ásia, banhadas por grandes rios do 
Oriente: o Nilo (Egito), Tigre e Eufrates (Mesopotâmia). 
 
 
 
 
 
 
Oriente: 
Costuma-se denominar 
Oriente à todas as terras que 
ficam à leste (direita) da 
Europa. 
 
Lembra-se que a 
História da Humanidade 
 foi dividida em 
 Pré-história e História? 
 
SAIBA MAIS... 
 
A região da Mesopotâmia é hoje o atual Iraque. A capital 
iraquiana, Bagdá, localiza-se entre os rios Tigre e Eufrates. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 13
Agora observe os mapas abaixo. Localize a área quadriculada no MAPA 
MUNDI – essa região é o Oriente Médio e parte dela está ampliada – mapa maior. 
 
 
 
Essas terras dispostas numa grande meia-lua foram chamadas de 
crescente fértil e abrangem os atuais países do Oriente Médio: Israel, Líbano, 
Jordânia, Síria, Turquia e Iraque. 
 
Na verdade, desde a Pré-história o homem procurou os rios para orientar-se 
no espaço e obter água para a sua sobrevivência. As civilizações agrícolas foram as 
pioneiras no processo de dominar o rio, para a construção do espaço geográfico. 
 
Agora vamos conhecer cada uma dessas civilizações separadamente, certo? 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 14
 1 – O EGITO ANTIGO 
 
 
A civilização egípcia, que teve início por volta de 4000 a.C., 
desenvolveu-se em uma estreita faixa de terra no nordeste da 
África. 
 Embora cercada por desertos, essa região 
apresentava fatores naturais: água – o rio 
Nilo fornecia água necessária à sobrevivência 
e ao plantio; sólos férteis – as cheias 
periódicas do rio Nilo depositavam uma rica 
camada de húmus em suas margens, 
fertilizando o solo. 
 
O Egito era, assim, um verdadeiro 
oásis em meio ao deserto. Por isso, o 
historiador grego Heródoto afirmou: o Egito é 
uma dádiva do Nilo. 
Para proteger casas e vilas das 
inundações, os egípcios construíram díques e 
barragens. Construíram também canais de irrigação para levar a água do rio às 
regiões mais distantes. Assim, aliando esforço e criatividade, os egípcios 
aproveitaram os recursos naturais, fazendo surgir uma das mais Antigas 
Civilizações. 
 Entre 2.700 e 2.600 
a.C. foram construídas as 
grandes pirâmides (templos 
funerários destinados ao faraó 
e sua família), na região de 
Gizé. Os faraós Quéops, 
Quéfren e Miquerinos, foram 
responsáveis pelas construções 
das mais famosas pirâmides 
egípcias. 
 Por volta de 1.750 a.C., 
fugindo da seca e crise na 
produção de alimentos, os 
hebreus chegam ao Egito. 
 Os hebreus que tinham 
se estabelecido mais ou menos 
clandestinamente, por causa da fome, foram perseguidos e transformados em 
trabalhadores escravos. 
Por volta de 1.250 a.C., porém, conseguiram deixar a região, sob o comando 
de Moisés, no chamado êxodo e voltar a Palestina (atual Israel). 
Pirâmides de Gizé - as pirâmides expressam a 
grandeza da civilização egípcia. 
 
As pirâmides tinham duas funções: 
 
RELIGIOSA – guardar o corpo do faraó com o seu 
tesouro, após sua morte. 
POLÍTICA – representava a grandeza do poder do 
faraó. Quanto mais alta, maior seria o seu poder. 
Quanto maior a base, maior seria a estabilidade e a 
tranqüilidade do governo do faraó. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 15
Esta máscara de ouro 
protegia a múmia do faraó 
Tutancâmon. 
ASPECTOS GERAIS DA CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA 
 
Ninguém era mais importante que o faraó, cuja 
imagem estava associada aos deuses (Teocracia). Detinha 
em suas mãos a administração e os tribunais de justiça. O 
faraó tinha poderes ilimitados - Monarquia Teocrática 
Absoluta. 
 
O lugar da pessoa na sociedade era indicado pelo 
nascimento. Se os pais fossem escravos, o filho também 
seria. Não havia mobilidade social, isto é, não mudava o 
lugar do indivíduo, na sociedade – Sociedade de castas: 
privilégios de nascimento. 
Eram politeístas, isto é, acreditavam em vários 
deuses. A ordem social era mantida pela força e pela 
RELIGIÃO. Os egípcios acreditavam que a alma não 
morria junto com o corpo. Por isso, o corpo tinha que 
ser conservado. Graças à religião, pela prática da mumificação dos cadáveres é que 
se teve grande progresso na medicina. 
 
A economia baseava-se na 
agricultura, na criação de animais, na 
mineração, no artesanato e comércio de 
trocas naturais. Ao lado, observe a 
margem fértil do Rio Nilo – à direita. 
Hieróglifos, escrita egípcia que no 
grego significa “sinais sagrados”. 
 
Podemos dizer que os egípcios 
foram os inventores do papel. 
 
Eles utilizavam o papiro, um tipo de papel feito com uma planta que cresce 
nas margens do Nilo, sobre o qual escreviam com tinta. Os escribas eram os 
funcionários que conheciam a escrita e somente eles sabiam ler e escrever. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
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2 – A MESOPOTÂMIA ANTIGA 
 
 
 A estreita faixa de terra comprimida entre os rios Tigre e Eufrates, foi 
chamada de Mesopotâmia, isto é, “terra entre rios”. 
 
 
Essa rica planície atraiu 
uma série de povos nômades, 
que se encontraram e se 
misturaram, empreenderam 
guerras e dominaram uns aos 
outros, formando o que 
denominamos de Civilização 
Mesopotâmica. 
 
 
 
Apesar dos vários povos e Estados que se organizaram na Mesopotâmia, ao 
longo dos séculos da Antigüidade, podemos definir alguns... 
 
 
 
... Aspectos comuns dessa Civilização - vejamos: 
 
 
. Governo – era constituído por uma Monarquia Teocrática Absoluta, isto é, 
o rei tinha poderes ilimitados e era considerado uma divindade, isto é, filho dos 
deuses. 
 
. Sociedade - era dividida segundo os “privilégios de nascimento”, isto é, a 
condição do nascimento determinava o que o indivíduo seria pelo resto de sua vida. 
Assim, as ocupações eram hereditárias, ou seja, passavam de pai para filho. 
 
. Religião – era politeísta – acreditavam em vários deuses. Não acreditavam 
na vida após a morte. 
 
. Economia – baseava-se principalmente na agricultura. Desenvolveramtambém criação de gado, artesanato, mineração e um ativo comércio à base de 
trocas. 
 
 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 17
 
A invenção da escrita por volta de 
4.000 a.C. é atribuída aos sumérios, povo 
que habitou essa região. Eles escreviam na 
argila mole com o auxílio de um estilete. O 
traço deixado pelas pontas, tinham a forma 
de uma cunha, daí o nome de escrita 
cuneiforme. 
 
O principal rei dos caldeus, foi 
Nabucodonosor. Em 585 a.C., nas suas conquistas militares, destruiu 
Jerusalém (Palestina) e submeteu os hebreus, levando-os como escravos à 
Babilônia, fato que ficou conhecido como o Cativeiro da Babilônia. Os 
hebreus foram libertados do cativeiro por volta de 539 a.C., por Ciro, rei da 
Pérsia. 
 
 Hamurábi, importante rei dos acádios, que 
elaborou o 1º código de leis que se conhece: o 
Código de Hamurábi, o qual tinha por base a 
pena do Talião 
(“olho por olho, 
dente por dente”). 
 
É considerado o 
mais destacado feito 
jurídico 
da Antigüidade. 
 
 
 
Você sabia que devemos aos mesopotâmicos vários elementos da 
nossa própria civilização? Conheça alguns! 
 
• O ano de 12 meses e a semana de 7 dias; a divisão do dia em 24 
horas; as crenças nos horóscopos e os doze signos do zodíaco. 
 
• Em matemática: a multiplicação; o círculo de 360 graus. 
 
 
 
Ao mesmo tempo em que transcorria a história dos egípcios e 
mesopotâmicos, surgia e se desenvolvia outras três grandes 
 Civilizações da Antigüidade Oriental: 
os Hebreus (Palestina), a Fenícia e a Pérsia. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 18
3 – OS HEBREUS 
 
 A civilização hebraica desenvolveu-se na região da Palestina (denominada 
pelos relatos bíblicos de Canaã) no local onde hoje se localiza 
Israel, na árida região localizada às margens do Rio Jordão, que 
fertiliza o território e o torna propício à agricultura. 
 
Observe o mapa abaixo e localize essa região. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os hebreus, também chamados de judeus e israelitas, destacaram-se por 
terem sido os primeiros a afirmar sua fé num único Deus – eram monoteístas. 
 
 A partir do monoteísmo e dos Dez Mandamentos apresentados nos livros da 
Bíblia, foi desenvolvida a primeira grande religião monoteísta, o Judaísmo, que 
influenciou a formação do Cristianismo e mais tarde do Islamismo. 
 
Para os judeus cristãos (do cristianismo) – a Bíblia é o livro Sagrado 
(contendo o Velho e Novo Testamento, pois aceitaram Jesus Cristo como o 
Messias). Para os judeus (do judaísmo) – a Bíblia contém apenas o Velho 
Testamento, isto porquê ainda esperam a vinda do Messias. Não aceitaram Jesus 
Cristo como o Messias. 
 
 Para facilitar o estudo do povo hebreu, usaremos a divisão das três grandes 
fases: a dos patriarcas, juízes e a dos reis. 
A Palestina é 
a “terra 
prometida” 
dos hebreus. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 19
A fase dos PATRIARCAS - aproximadamente em 1.800 a.C., conduzidos 
pelo patriarca Abraão, os hebreus partiram da cidade de Ur (cidade dos caldeus), 
nos arredores do Golfo Pérsico no sul da Mesopotâmia, em direção à Palestina 
(Canaã). 
Por volta de 1.750 a.C., para fugir de uma grande seca seguida de violenta 
crise na produção de alimentos, os hebreus emigraram para o Egito. Com o tempo os 
faraós egípcios passaram a perseguir e a escravizar os hebreus. Por volta de 1250 
a.C., os hebreus reagiram a essa situação opressiva. Liderados por Moisés, fugiram 
do Egito e voltaram para a Palestina (atual Israel). 
 
A fase dos JUÍZES - quando chegaram à Palestina, os hebreus tiveram de 
disputar com os guerreiros filisteus o domínio da região. Na época, as 12 tribos 
hebraicas encarregaram os juízes (chefes políticos, militares e religiosos), de 
enfrentar os inimigos filisteus. Entre eles destacaram-se Gideão, Sansão, Gefté e 
Samuel. Entretanto, os hebreus sob a liderança dos juízes, não estavam conseguindo 
vencer os filisteus. Assim, resolveram adotar a Monarquia, entregando o comando 
de todas as tribos hebraicas a um só rei. 
 
A fase da MONARQUIA - Saul, em 1010 a.C., foi proclamado o primeiro 
rei de todos os hebreus. Seu sucessor foi Davi – que derrotou o filisteu Golias. No 
reinado de Davi, os hebreus completaram a conquista da Palestina e escolheram a 
cidade de Jerusalém para ser a capital do Estado Hebraico. Salomão, filho e sucessor 
de Davi, construiu o que seria a mais famosa obra do seu reinado: o Templo de 
Jerusalém. Entretanto, para conseguir realizá-lo, aumentou os impostos e retirou 
camponeses da lavoura, obrigando-os a trabalhar nas construções. O luxo e os 
abusos do poderoso governante, convivendo com a extrema pobreza dos 
camponeses e pastores, ocasionou a explosão de uma série de revoltas e o fim da 
unidade hebraica, provocando a divisão desse povo em dois reinos. 
 
A divisão da Palestina - CISMA HEBRAICO 
 
Os abusos de Salomão, culminando com revoltas 
após sua morte (935 a.C.), provocaram o Cisma 
Hebraico (divisão), que criou os reinos de ISRAEL no 
norte da Palestina – capital Samaria e JUDÁ no sul – 
capital Jerusalém. Divididos, foram alvo fácil para a dominação de outros povos. 
 
Em 585 a.C., Nabucodonor, após destruir Jerusalém, conduziu os judeus 
como prisioneiros para a Babilônia, fato que ficou conhecido como o Cativeiro da 
Babilônia. Quando o Império Persa conquistou a Babilônia, foram libertados pelo 
rei Ciro - o Grande. 
A Palestina era uma 
província romana quando 
nasceu Jesus Cristo, o 
fundador do cristianismo. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 20
Os judeus 
voltaram à Palestina, 
mas, a partir dessa época, 
NÃO mais conseguiram 
conquistar a autonomia 
política, pois se tornaram 
províncias de vários 
Impérios. 
 
Diáspora Hebraica 
 
No ano 70 d.C., 
 os hebreus 
revoltaram-se contra 
o Império Romano, 
devido a violenta 
tributação e 
opressão que 
sofriam. 
A resposta foi a mais violenta possível: Jerusalém e o seu templo foram 
destruídos pelos soldados romanos e os judeus foram expulsos da Palestina. 
A partir de então, começaram a fugir para outras regiões, dando início a 
dispersão dos judeus pelo mundo, ou seja, a Diáspora, que iria durar mais de 18 
séculos e meio. Embora espalhados pelo mundo, muitos judeus continuaram 
seguindo a religião judaica, mantendo hábitos e tradições comuns ao seu povo, 
alimentando a esperança de fixar-se novamente na Palestina. 
 
 
O fim da Diáspora Hebraica 
 
Por decisão da ONU (Organização da Nações Unidas), foi criado em 1948, o 
atual Estado de Israel, cujo território abrange uma parte da antiga Palestina. 
 
Saiba que, após a Diáspora em 70 d.C., a região da Palestina foi ocupada por 
vários outros povos, inclusive árabes (seguidores de Maomé, que fundou o 
Islamismo), onde formaram uma Palestina Árabe. Estes se opuseram 
VIOLENTAMENTE à criação do Estado de Israel, o que provoca os muitos 
conflitos até hoje, entre os judeus e palestinos árabes, apesar das recentes tentativas 
de acordos de paz. 
Veja então que, a disputa entre israelenses (religião – judaísmo) e palestinos 
(religião – islamismo), têm suas raízes na Antigüidade. Os sucessivos conflitos 
existentes ainda hoje na região dificultam o equilíbrio político no Oriente Médio, 
por muitos denominados “um barril de pólvora”. 
 
Os conflitos envolvendo árabes e israelenses você estudará no módulo 2. 
 O Muro das Lamentações é a única parede que restou do 
Templo de Jerusalém. Hoje faz parte de um muro maior que 
cerca 2 templos muçulmanos, o Domo da Rocha (direita) e a 
mesquita Al-Aqsa. Por isso, já foi motivo de discórdia entre 
árabes seguidores do islamismo e judeus. 
 Estes últimos mantêm o controle sobre o muro desde 1967, 
quando o Estado de Israel dominou a cidade de Jerusalém. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
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3 – A FENÍCIA e A PÉRSIA 
 
Por volta de 3.000 a.C., os fenícios estabeleceram-se ao norte da Palestina, 
onde hoje é o Líbano, destacando-se 
como uma civilização de navegantes 
e comerciantes. 
 
Eram politeístas.A maior e 
principal contribuição dos fenícios 
para a civilização foi a criação do 
alfabeto, de 22 consoantes. Mais 
tarde, foi aperfeiçoado pelos gregos 
que, inventaram e acrescentaram as 
vogais. 
 
A antiga PÉRSIA estava localizada junto ao Golfo Pérsico – veja no mapa 
da página 14. Saiba que nessa região, hoje se localiza o Irã. 
 
O primeiro rei dos persas foi Ciro. Este, em 539 a.C., conquistou a cidade da 
Babilônia e libertou os judeus do cativeiro, permitindo que voltassem à sua pátria – 
Palestina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 – Por que as primeiras civilizações surgiram às margens de rios? 
 
6 – O fator geográfico sozinho, isto é, a inundação do Rio Nilo, explica a 
história do surgimento de uma das mais antigas civilizações do mundo? Explique. 
 
7 - O Código de Hamurábi, (1º código de leis da Antigüidade), baseava-se 
no princípio do “olho por olho, dente por dente”. Era assim que eles faziam justiça. 
E hoje no Brasil, a justiça é feita da mesma maneira? Explique. 
 
 
 Você encerrou aqui seus estudos sobre as Antigas Civilizações Orientais. 
 
 
 
Agora, você estudará as Antigas Civilizações Ocidentais, chamadas de 
Grécia e Roma 
 Fenício Grego Latino 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
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AS ANTIGAS CIVILIZAÇÕES OCIDENTAIS 
 
 
Estas civilizações se desenvolveram no sul 
da Europa, banhadas pelo mar Mediterrâneo. 
A Grécia está localizada na Península 
Balcânica e Roma (Itália) na Península Itálica. 
 
 
Agora, observe no mapa abaixo, a localização da Grécia e de Roma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Veja agora, cada uma delas separadamente. 
 
 
1 - CIVILIZAÇÃO GREGA 
 
 
Uma civilização que nos deixou vasto legado cultural, nos mais variados campos. 
Foi dos gregos que herdamos, por exemplo, os conceitos de 
 cidadania e democracia. 
 
A democracia foi a fabulosa herança deixada pelos atenienses ao mundo, 
possibilitando a atuação do povo na política. 
Península 
 
Porção de terra cercada de 
água, que liga-se ao continente 
apenas por um dos lados. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
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A Grécia é constituída de várias regiões montanhosas. A dificuldade de 
comunicação entre os povos, devido ao relevo montanhoso, favoreceu o surgimento 
das cidades-estados, ou 
pólis (palavra grega que 
significa cidade). As 
maiores cidades gregas 
foram Esparta e Atenas. Os 
gregos nunca formaram um 
Estado unificado, isto é, um 
único governo para todo o 
povo. 
 
O que eram 
cidades-estados? 
 
 Eram cidades que se 
organizavam de maneira 
independente e se 
defendiam sozinhas. 
 
Eram como se 
fossem pequenos Estados, com governo e costumes próprios. Apesar disso, as 
cidades gregas apresentavam unidade cultural, expressa em elementos como: a 
língua, a crença e os jogos olímpicos, dos quais participavam todos os gregos. 
 
 
 
 Bem, você já sabe que a Grécia estava dividida politicamente em cidades-
estados e que as duas maiores foram Esparta e Atenas, certo? Agora, conheça um 
pouquinho de cada uma delas. 
 
 
ESPARTA 
 
Esparta localizava-se numa das planícies mais férteis da Grécia e isso 
favoreceu o desenvolvimento da agricultura. Desde sua origem, Esparta foi 
militarista e oligárquica. A camada dominante espartana era formada pelos 
descendentes dos dórios, fundadores da pólis. Eram considerados os cidadãos 
espartanos - os esparciatas. Conservavam para si os direitos de participação na vida 
política e representavam apenas 20% da população espartana. Somente eles 
ocupavam os cargos do governo. 
OS JOGOS OLÍMPICOS - HERANÇA GREGA 
 
Os brasileiros - André Domingos, Vicente Lenílson, Claudinei 
Quirino e Édson Ribeiro comemoram a medalha de prata nos 
Jogos Olímpicos de 2000 em Sydney / Austrália. 
Nas cidades-estados, o cidadão grego foi conquistando direitos 
 e contribuindo para a vida social. 
 Sentia-se como membro da pólis e NÃO como um objeto submisso e 
manobrado pelos governantes. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
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A esse governo, que tem a participação de apenas um grupo, que exclui e 
domina os demais, denomina-se - Oligarquia. O restante da população espartana, 
80% - era formada pelos comerciantes, 
artesãos e escravos; não possuíam 
direitos políticos, apenas obrigações. 
 
A camada dominante dedicava-se 
exclusivamente às atividades militares, 
reservando os trabalhos produtivos para 
as camadas consideradas inferiores. 
 
Para conservar seus privilégios e 
manter o controle absoluto sobre as 
camadas dominadas, a camada 
dominante preocupou-se com uma 
educação militar voltada à criação de 
bons soldados para defender a pólis. Os meninos eram educados pelo Estado, 
recebendo basicamente instrução física, a partir dos 7 anos de idade. Aliás, desde o 
nascimento, o Estado se preocupava com as crianças. Quando nasciam com algum 
defeito físico, eram jogadas a um abismo. 
 
 
ATENAS 
 
A cidade de Atenas foi fundada pelos jônios. Apesar do solo pouco fértil, a 
economia ateniense foi 
essencialmente 
agrícola, nos primeiros 
tempos. 
 
A proximidade 
com o mar e a 
existência de bons 
portos, favoreceu o 
desenvolvimento do 
comércio marítimo, 
que se tornou mais 
tarde, a atividade 
econômica principal 
dos atenienses. 
Tornaram-se 
excelentes marinheiros, chegando a dominar grande parte do comércio pelo 
Mediterrâneo. 
 
Pólis ateniense – no alto é a acrópole. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 25
 
A democracia ateniense era, portanto, 
elitista (porque só uma minoria tinha direitos), 
 patriarcal (porque excluía as mulheres) e 
 escravista (porque eram os escravos que 
sustentavam a riqueza dos senhores). 
 
 
A sociedade ateniense estava dividida em três classes principais: 
 
- Eupátridas: descendentes dos fundadores da cidade; homens proprietários, que 
haviam prestado o serviço militar - eram os cidadãos atenienses. Votavam nas 
assembléias e participavam dos cargos do governo. Constituíam a minoria da 
população - cerca de 10%. 
 
- Metecos: eram os estrangeiros livres que viviam em Atenas e não tinham direitos 
políticos, mas eram obrigados a prestar o serviço militar. 
 
- Escravos: formavam a grande maioria da população ateniense. 
 
No governo de Atenas, houve um período de monarquia, depois oligarquia e, 
diante dos abusos da nobreza, muitos atenienses (comerciantes, artesãos, 
camponeses) começaram a exigir reformas sociais. Nessa fase, as lutas políticas 
levaram à instalação de uma nova forma de governo – a democracia. 
 
Clístenes assumiu o poder em Atenas (510-507 a.C.), para aprofundar as 
reformas sociais e introduzir o regime democrático na cidade, cujo princípio básico 
dizia que “todos os cidadãos têm o mesmo direito perante as leis”. 
 
Democracia é entendida como 
governo do povo, mas em Atenas só 
beneficiava a minora, os eupátridas. 
Cerca de 90% da população – os 
escravos, os estrangeiros, as mulheres 
e as crianças, não eram considerados 
cidadãos e assim, não tinham direitos políticos, sendo excluídos da vida 
democrática. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Aquela democracia e cidadania dos gregos não são as mesmas de hoje. 
No Brasil e em muitos outros países, o significado de democracia foi se 
ampliando no decorrer do século XX. 
 Ela deixou de ter apenas um sentido político, isto é, direito que o cidadão 
tem de votar e de receber voto. Hoje, democracia é também igualdade de 
direitos entre todos os membros da sociedade, independente de religião, cor, 
sexo, grau de instrução ou condição econômica. 
 
 Assim, além dos nossos direitos civis e políticos, a democracia abrange 
também o direito de todos aos bens econômicos e sociais, isto é, direito à 
alimentação, moradia, transporte, saúde, educação, lazer, emprego e outros 
indispensáveis para uma vida digna nas sociedades atuais. 
 
O princípio básico da democracia atualmente é que, todos os cidadãos, sem 
exceção, têmo mesmo direito perante a lei. 
 Hoje, de fato, democracia é entendida como governo do povo. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
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Mulheres, estrangeiros e 
até crianças têm direito 
de participação e 
 voto nas assembléias 
populares atuais. 
 
Na foto, assembléia dos 
metalúrgicos em Santo 
André/São Paulo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Continuando... 
 
 
Em Atenas, a educação 
também iniciada aos 7 anos, 
compreendia leitura, escrita, 
ginástica, música e pintura. 
Não existia aquela 
preocupação com a formação de 
um soldado, mas de um cidadão. O 
objetivo da educação ateniense era 
conscientizar os cidadãos da 
liberdade individual e das 
responsabilidades sociais no 
contexto da democracia. 
 
Em Atenas, o voto para a expulsão de um cidadão era escrito num 
pedaço de argila chamado óstrakon (tinha 
formato de uma ostra). Era condenado ao 
ostracismo, o cidadão considerado uma 
ameaça ao regime democrático. Consistia na 
suspensão dos direitos políticos do cidadão e 
na sua saída da cidade. Somente depois de 10 
anos, a pessoa podia voltar à cidade e 
recuperar todos os direitos de cidadão. 
 
 
 
 
 
A DECADÊNCIA DO MUNDO GREGO 
 
 
O choque de interesses entre Atenas e Esparta, somando-se à rivalidade, 
provocou um conflito armado entre essas cidades – foi a Guerra do Peloponeso. 
Lutando entre si por várias décadas, as cidades-estados se enfraqueceram e entraram 
em decadência, sendo alvo fácil de conquistas. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
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8 - Compare a democracia da Grécia Antiga com a democracia atual do 
Brasil e responda: 
a) Quem eram os cidadãos de Atenas? 
b) Quem são os cidadãos hoje, no Brasil? 
 
 
 
 
 
É sobre ele, o mais poderoso e o último Império da Antigüidade, 
 que teve aproximadamente sete séculos de duração, 
 que falaremos a seguir: ROMA. 
 
 
 
2 - CIVILIZAÇÃO ROMANA 
 
Os romanos construíram uma das mais formidáveis 
civilizações da Antigüidade. Entre seu legado está a língua latina, 
que deu origem a várias línguas contemporâneas e o direito romano, que resistiram 
ao tempo e influenciaram profundamente todo o mundo ocidental. Na cultura, 
devido as conquistas militares, deve-se destacar a grande influência dos gregos 
sobre os romanos. 
 
 
 
 
Agora você vai conhecer um pouquinho dessa civilização. 
Vamos lá? 
 
 
 
 
 
Durante a MONARQUIA, de 753 - 509 a.C., a economia em Roma era a 
agricultura. A sociedade estava constituída, basicamente, de três camadas sociais, 
dispostas segundo os privilégios de nascimento. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
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� patrícios: Eram os grandes proprietários de terras. Na qualidade de 
cidadãos romanos, desfrutavam de direitos políticos; 
 
� plebeus: comerciantes, artesãos e camponeses. Constituíam a grande maioria da 
população romana. Eram livres, mas não tinham direitos de cidadãos; 
 
� escravos: prisioneiros de guerra que, nesse período, era em pequeno número. 
 
 
Na REPÚBLICA, de 509 - 27 a.C., o Senado Romano passou a governar a 
cidade e tornou-se o órgão político principal de Roma; era monopolizado pelos 
patrícios. 
 
 Afastados da vida política e sendo a maioria, os plebeus passaram a exigir 
seus direitos de participar das decisões do governo, pois só tinham deveres a 
cumprir: lutar no exército e pagar impostos. Cansados de tanta exploração, 
recusaram-se a servir o exército, provocando um golpe na estrutura militar de Roma, 
iniciando uma longa luta política contra os patrícios; esse fato ficou conhecido como 
luta entre patrícios e plebeus – depois de dois séculos, conseguiram alguns 
direitos. Dentre eles: 
 
• A criação dos Tribunos da Plebe, isto é, os plebeus passaram a ter 
representantes nas Assembléias, que até então, era restrita aos patrícios. O 
tribuno tinha poderes para cancelar qualquer decisão do governo que 
prejudicasse os interesses da plebe. 
 
Os principais beneficiados por esses 
direitos, foram os plebeus ricos; que se 
enriqueceram com os saques que faziam nos 
territórios dominados. Assim, a maioria da 
plebe, continuou submetida à margem da 
política e da sociedade. 
 
Saiba que, de 509 à 52 a.C., Roma 
conquistou quase todo o mundo conhecido 
da época. Nas guerras, dominaram o Mar 
Mediterrâneo e toda região ao seu redor; os 
romanos se referiam a isso orgulhosamente 
como “mare nostrum” (nosso mar). 
 
 As conquistas aumentaram o poder do governo romano, vale dizer, o poder 
dos patrícios, por causa dos saques e dos pesados tributos que os conquistados eram 
obrigados a pagar a Roma. 
 
Mas, trouxeram também, várias conseqüências à cidade de Roma e sua 
população. Veja algumas delas: 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
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• A abundância de riquezas - provocou a modificação dos hábitos da sociedade 
romana. Criou entre eles a ociosidade, a corrupção, o amor ao luxo e a 
decadência moral. Fez com que se preocupassem mais com suas festas que com 
o povo. 
 
• Soldados empobrecidos – os plebeus, por serem obrigados a servir nos exércitos 
romanos, abandonavam sua terra e perdiam a colheita. Quando retornavam a 
Roma, não havia ajuda do governo para que pudessem cultivar a terra novamente 
e para não morrer de fome e sobreviver, vendiam suas terras a preço baixo e 
migravam para a cidade, engrossando a massa de desocupados, pobres e 
famintos. 
 
Veja que, ao mesmo tempo em 
que as conquistas beneficiaram os 
patrícios, introduziram em Roma, vários 
problemas sociais. O aumento da massa 
de plebeus pobres e miseráveis tornava 
cada vez mais tensa, a situação social e 
política de Roma. Restava a essa massa 
urbana viver à custa do Estado. 
 A plebe morava nos bairros 
pobres, amontoando-se em 
construções de 3 a 4 
andares, que facilmente 
desabavam ou se 
incendiavam. Além da falta 
de higiene, da miséria e da 
fome, a população da cidade 
era vítima de freqüentes 
epidemias. Embora fosse a 
capital de um grande 
império, a cidade era suja e 
malcheirosa. 
A miséria e o desconforto desses bairros plebeus, ofereciam um contraste 
chocante com o luxo das mansões, que se erguiam nos pontos mais elevados das 
colinas. 
 
 
As Reformas dos irmãos Graco 
 
 Diante do clima de tensão, os irmãos Tibério e Caio Graco, que eram 
Tribunos da Plebe, tentaram promover uma reforma social para melhorar as 
condições de vida da massa plebéia. Tibério (133-132 a.C.), apresentou o 
Projeto da Lei Agrária, visando a distribuição de terras entre os soldados pobres. A 
aristocracia (grandes proprietários de terras) se opôs de todas as formas. 
 Observe a foto. Situação semelhante você pode 
observar no Brasil. O migrante nordestino – famílias 
inteiras – abandona seu pedaço de terra em busca de 
melhor condição de vida nas grandes cidades 
brasileiras. 
 
 O motivo? O mesmo. Não recebem ajuda 
governamental, no sentido de realizar projetos de 
irrigação no combate à seca. A maior parte dos que vêm 
do campo para tentar a vida na cidade, acaba tendo que 
morar em favelas, pois não conseguem pagar uma 
habitação melhor – a região Sudeste recebe muitas 
pessoas nessas condições. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
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Tibério foi assassinado, a mando dos nobres do Senado, que se sentiram 
ameaçados pelo apoio popular que ele vinha recebendo. 
 
 Tempos depois, Caio (123 a.C.), tentou uma nova Reforma Agrária. Mais 
uma vez o Senado reagiu violentamente e ocorreram novos conflitos. Caio Graco 
suicidou-se e milhares de seus seguidores foram perseguidos e condenados à morte. 
 
 
 
 
 Diante da omissão do governo brasileiro em promover a reforma 
agrária, milhares de agricultores sem terra invadem latifúndios improdutivos, 
isto é, as grandes propriedades, que não estão cumprindo a função social da 
terra que é produzir, gerando empregos com salários justos, proporcionando 
benefícios ao povo. Esse é o motivo de tantas invasões. 
 
Mas o que é reforma agrária? 
 
É, em primeiro lugar, dar terra aos camponeses para que eles possam 
trabalhar, sustentarsuas famílias e também vender os produtos que sobram, 
para alimentar outros brasileiros que vivem nas cidades. 
Em segundo lugar, para que a reforma agrária funcione, não basta 
somente distribuir as terras. 
É preciso que o governo dê recursos e assistência técnica aos 
camponeses, colocando à sua disposição máquinas agrícolas, agrônomos 
etc., para que eles possam produzir mais..., mais... e, quem sabe, acabar com 
a fome das nossas crianças..., da nossa gente...! 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 31
É na fase do Império – no ano 1 – que nasceu Jesus Cristo. 
 
Observe a mudança na forma de contar o tempo 
(d.C. – depois de Cristo). 
 
 
 
 
 
 
Continuando... 
 
 
 
 
 
 
É no IMPÉRIO, de 27 a.C – 476 d.C. (depois do nascimento de Jesus 
Cristo), que as lutas políticas 
internas chegaram ao fim. Depois 
das disputas pelo poder entre três 
generais romanos, Otávio - general 
vitorioso, se tornou o primeiro 
Imperador Romano. Os patrícios 
(cidadãos romanos) interessados em 
manter seus privilégios, apoiaram a 
instalação de um governo forte 
(ditador), que garantisse a 
estabilidade política e econômica em 
todo o Império. 
 
Assim, o Senado 
Romano (patrícios) 
concedeu a Otávio títulos, 
que lhe concedia poderes 
máximos em Roma. Um deles, o de Augusto, que significava “filho dos deuses.” 
No Brasil (1964), os militares deram um golpe e assumiram o 
comando do país. Passaram por cima do Congresso Nacional 
e a Ditadura Militar (1964-1985) teve poderes excepcionais. 
Diziam que vieram “salvar a pátria”. 
 Mas só os ricos não ficaram com medo. 
Sem salário justo e explorados 
pelos patrões, os bóias-frias se 
submetem para não perder o 
”emprego”. 
 
Para não morrer de fome, 
muitas pessoas recorrem ao 
‘lixão’ das grandes cidades. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 32
 
O Cristianismo 
Durante o governo de Otávio Augusto, a Judéia era uma das regiões dominadas pelo 
Império Romano. Foi nela que surgiu uma nova religião: o cristianismo. 
 
 Jesus dizia que sua missão era estabelecer o reino de Deus e que esse reino não 
pertencia a este mundo. Mas o povo da Judéia, oprimido pela dominação romana, esperava 
a chegada do Salvador; o Messias concebido como guerreiro, que viria combater os romanos 
e construir o reino de Deus na terra - (desse pensamento originou-se o judaísmo: religião 
atual dos judeus). Jesus é condenado à pena de morte pela crucificação. Isso explica por 
que sobre a cruz, foi colocado um letreiro: “Jesus Nazareno, rei dos Judeus”. Não era 
apenas uma ironia. Era o motivo da sua condenação: a suposta pretensão de se tornar rei, 
desafiando o poder romano. 
A religião romana era politeísta e era um dos fundamentos do Estado. Venerava-se 
o Imperador que, depois da sua morte, ocupava lugar entre os deuses. Todas as seitas e 
crenças eram toleradas em Roma, com exceção do cristianismo, cujos seguidores foram 
perseguidos com extrema violência. Isso porquê se recusavam a participar dos cultos aos 
deuses romanos e não reconheciam o caráter divino atribuído aos imperadores. Os cristãos 
eram monoteístas e por isso, não aceitavam a religião romana. Foram considerados 
inimigos de Roma. Além do mais, tornavam-se ainda mais perigosos para o poder romano, 
pois o cristianismo tinha uma grande penetração entre os pobres e escravos, e estes eram 
numerosos no Império, facilmente poderiam se rebelar. 
Dentre as medidas de seu governo temos: 
 
• A política do pão e do circo: diariamente eram programadas, nas arenas 
romanas, uma série de diversões sangrentas e agressivas, entre gladiadores e 
animais. Durante os espetáculos, eram distribuídos rações de trigo aos plebeus. 
Tratava-se de uma política de Otávio, com o objetivo de desviar a atenção e 
distrair a multidão desocupada, pois nas condições em que viviam, poderiam se 
revoltar e provocar sérios distúrbios sociais. 
 
 Após a morte de Otávio Augusto, o trono romano foi ocupado por vários 
imperadores. Conheça dois: 
 
• CONSTANTINO (306 – 337) 
 
 
 
- Os cristãos foram perseguidos em Roma; muitos foram submetidos à tortura 
nos circos, apenas para divertir o público. Constantino se converteu ao cristianismo 
e promulgou o Edito de Milão (ano de 313), estabelecendo a liberdade de culto em 
todo o Império, acabando com a perseguição aos cristãos. 
 
 
- Consciente dos problemas de Roma, decidiu mudar a capital do império 
para a parte oriental. Para isso, remodelou a antiga Bizâncio (cidade fundada pelos 
gregos) e fundou Constantinopla, que significa “cidade de Constantino”. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 33
• TEODÓSIO (379 – 395) – divisão do Império Romano 
 
 
- Oficializou o cristianismo como religião do Estado Romano. Paralelo ao 
processo de oficialização do cristianismo, organizou a Igreja Católica, que adotou a 
estrutura do Império Romano. 
 
- Em 395, diante da ameaça de invasão dos povos bárbaros (povos que não 
falavam o latim e não tinham cultura semelhante à romana), o Imperador Teodósio 
dividiu o Império Romano com a finalidade de fortalecer cada uma das partes do 
Império, para vencer a ameaça das invasões. 
 
. Império Romano do Ocidente - capital em Roma e 
. Império Romano do Oriente - capital Constantinopla. 
 
 
Observe no mapa abaixo, essa divisão: 
 
Entretanto, o Império Romano do Ocidente (Roma), não teve organização 
interna para resistir aos sucessivos ataques desses povos. 
 
 O Império foi sendo corroído por uma longa crise social, econômica e 
política. Dentre os fatores que contribuíram para essa crise, temos: 
 
� Aumento dos impostos e crescimento do número de miseráveis entre a plebe, 
comerciantes e camponeses. 
� Desordens sociais e rebeliões das massas internas e dos povos dominados e, por 
fim, as invasões dos povos bárbaros que apenas agilizaram a decadência. 
 
 
Em 476, o último imperador de Roma, Rômulo Augusto, foi deposto por 
Odoacro, rei dos heréculos, um dos povos bárbaros. É a queda e desintegração do 
IMPÉRIO ROMANO NO OCIDENTE. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 34
 
 
 
 
 
9 - “A Lei da Reforma Agrária proposta por Caio Graco em 133 a.C., teve 
como objetivo dividir as terras do Estado em benefício às famílias pobres.” 
 
Agora responda: 
 
a) Qual é o motivo das lutas pela Reforma Agrária hoje no Brasil? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O Império Romano do Oriente – capital Constantinopla, ficou conhecido 
como IMPÉRIO BIZANTINO que, por sua vez, resistiu às invasões bárbaras e 
perdurou ainda por 11 séculos. O Império Bizantino chegou ao fim em 1453 (século 
XV), quando os turcos otomanos (religião-muçulmana), liderados pelo sultão 
Maomé II, conquistaram Constantinopla. 
 
 
 
Lembre-se que o Império Bizantino resistia às invasões bárbaras e se 
desenvolvia, certo!! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Agora você estudará a IDADE MÉDIA e aí ficará sabendo a 
continuação deste assunto, tá!! 
 
 
O grande IMPÉRIO ROMANO acabou assim? Nada mais? 
 
E o que aconteceu com o Império Romano do Oriente? 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 35
A IDADE MÉDIA 
 
 
 
 
A Idade Média abrange o período histórico entre a queda ao Império Romano 
do Ocidente no ano de 476 – séc. V – e a tomada de Constantinopla pelos turcos 
(muçulmanos) no ano de 1453 – séc. XV. 
 
A Idade Média é o segundo grande período da História e para facilitar o 
estudo dessa fase, os historiadores costumam dividir esse longo período – mil anos – 
em duas fases: 
 
� A ALTA IDADE MÉDIA 
 
 
� A BAIXA IDADE MÉDIA 
 
Saiba que o símbolo desse período é o castelo medieval. Ele representa 
segurança e proteção para uma população basicamente rural, em estreita 
dependência dos poderosos senhores de terras. 
 
Agora você iniciará os estudos em linhas gerais sobre a primeira parte da 
IDADE MÉDIA - A ALTA IDADE MÉDIA, que vai do ano de 476 – século V 
até o século X, vamos lá? 
 
 
 
A ALTA IDADE MÉDIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
São os árabes! 
Sobre esse povo do deserto, você estudará agora, ta!Vamos lá! Mas, e o tal povo do deserto? 
 
 Quem são eles? 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 36
1 – IMPÉRIO ISLÂMICO 
 
O Império Islâmico teve origem entre 
os povos que habitavam a península Arábica, 
localizada entre o mar Vermelho e o Golfo 
Pérsico. 
 
Veja no mapa abaixo, a localização da península Arábica – saiba que essa 
região fica no Oriente, tá? (Oriente: Costuma-se denominar Oriente à todas as 
terras que ficam à leste - direita da Europa). 
 
O clima da península Arábica é quente e seco. Quase todo o território é 
deserto, principalmente no interior. Somente próximo ao litoral é que existem áreas 
férteis – os árabes que habitavam essa região, dedicavam-se à agricultura e, 
principalmente, ao pastoreio. 
 
 Já os árabes do deserto eram nômades, viviam do pastoreio e lutavam entre si 
pela posse dos oásis, isto é, pequenas áreas do deserto com um poço natural e 
alguma vegetação, com o que garantiam sua sobrevivência e a de seus rebanhos. 
 
Até o século VI os árabes foram politeístas, isto é, tinham vários deuses. 
NÃO tinham unidade política nem religiosa. 
Recordando... Península: porção de 
terra cercada de água, que liga-se ao 
continente apenas por um dos lados. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 37
Acreditavam que essa PEDRA – 
provavelmente um meteorito – tinha 
poderes mágicos, por ter caído do céu. 
Acreditavam também que inicialmente era 
branca e que com o passar do tempo, 
como as pessoas teriam começado a tocar 
a pedra em busca de ajuda divina, ela teria 
absorvido os pecados dessas pessoas e, 
por isso, mudado de cor. 
 
 O Islamismo prega a submissão total do homem 
à vontade de Alá (Allah, deus em árabe), o deus 
único, criador de todo o universo. 
 
 Essa submissão é chamada de islão, e aquele que 
tem fé em Alá é denominado muçulmano (do árabe 
muslim, aquele que se subordina a deus). 
 
Um restaurador do Egito trabalha na 
recuperação do maior e mais antigo 
exemplar conhecido do ALCORÃO – livro 
sagrado dos muçulmanos. 
 
Maomé e o Islamismo 
 
Maomé (570-632) vivia 
em Meca e trabalhava como 
comerciante, viajando com 
caravanas pelo deserto. Devido 
a sua profissão, entrou em 
contato com diferentes povos e 
religiões. Chamou sua atenção, 
sobretudo, o monoteísmo (um só Deus) dos judeus e dos cristãos. 
 
Dizendo ter tido visões do anjo Gabriel, onde Deus o escolhera para criar 
uma nova religião 
monoteísta, Maomé, 
conseguiu difundir o 
islamismo por toda a 
Arábia, unificando as 
diversas tribos em 
torno da religião. 
 
Então, através 
da identidade 
religiosa, essas tribos 
uniram-se a religião 
monoteísta fundada 
por Maomé - o 
islamismo ou religião 
muçulmana. Da antiga religião politeísta, 
conservou-se o costume de fazer 
peregrinação ao centro religioso dos 
muçulmanos em Meca e, ainda hoje, o 
culto à Pedra Negra é um importante 
símbolo da religião muçulmana. 
 
Os princípios religiosos do 
Islamismo foram detalhados no livro 
sagrado dos muçulmanos: Corão ou 
Alcorão (palavra que, em árabe, 
significa 'a leitura'). 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 38
Entre os principais preceitos do Islamismo temos: 
 
• Crer em Alá, o deus único, e em Maomé, o seu grande profeta. 
• Fazer cinco orações diárias, curvado na direção de Meca. 
• Ir, em peregrinação a Meca, pelo menos uma vez na vida. 
• Promover a guerra santa aos infiéis. 
 
 
Expansão: A Guerra Santa 
 
Após a morte de Maomé, o povo árabe passou a ser governado pelos califas 
(em árabe significa sucessor). Os califas concentravam poderes religioso, político e 
militar. 
 
O dever de espalhar a religião, justificaria a guerra santa islâmica, o Jihad. 
Assim, os islamitas passaram a acreditar que “a espada é a chave do paraíso”, ou 
seja, se uma pessoa morre lutando para impor sua religião, tem garantido seu lugar 
no paraíso. 
 
Com a guerra santa contra os infiéis (aqueles que não acreditaram nas 
revelações de Maomé), os califas expandiram os territórios muçulmanos para muito 
além da península Arábica. 
 
No final do século VII, rapidamente dominaram a Palestina (chamada de A 
Terra Santa pelos cristãos), o Egito e todo o norte da África. Em 711 – século VIII 
– avançaram para a Europa atravessando o estreito de Gibraltar e penetraram na 
península Ibérica (Portugal e Espanha). 
 
Agora observe no mapa abaixo a expansão árabe. 
Localize a seta indicando a península Ibérica e o estreito de 
Gibraltar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Península 
Ibérica 
(Portugal e 
Espanha) 
 
 Estreito 
 de 
Gibraltar 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 39
 Saiba que, apesar da expansão ter 
sido feita em nome da religião 
muçulmana, ao se estabelecerem nas 
terras dominadas, os árabes acabaram 
sendo tolerantes para com as pessoas 
de outras religiões. Era uma tática 
para administrar e controlar um 
Império tão grande. 
 
 Mesquita do século XII no atual Irã. As mesquitas são templos 
religiosos de louvor para os muçulmanos. 
 
 Controlando todo o mar 
Mediterrâneo e tendo livre navegação pela 
região, os ÁRABES impediram o comércio 
marítimo da Europa com o Império 
Bizantino (Oriente). 
 Após um período áureo de 
conquistas durante a Idade Média, o 
Império Islâmico entrou em decadência no 
século XIV. Na península Ibérica, os árabes permaneceram até 1492, precisamente o 
ano da descoberta da América. 
 
 
 
Tire da cabeça a idéia preconceituosa de que os árabes são povos 
ignorantes, sujos ou terroristas. Na Idade Média, os europeus “babavam” de 
admiração, medo e inveja dos árabes. Afinal, eles eram muito mais ricos, 
organizados e instruídos. O Ocidente aprendeu muito com a astronomia, a 
medicina e a matemática dos árabes. Basta lembrar que os nossos algarismos 
(0, 1, 2, 3, 4, 5...) foram inventados por eles – algarismos arábicos! Nas trocas 
comerciais, os árabes introduziram cheques, recibos, cartas de créditos e 
etc. 
 
Os árabes 
difundiram na Europa 
inventos chineses 
tais como: o papel, a 
bússola, a pólvora, o 
cultivo do arroz, do 
algodão e o cultivo 
da cana-de-açúcar. 
Fabricaram tecidos, 
tapetes, jóias, 
cerâmicas e vidro. 
 
Na literatura 
- suas lendas e contos 
são apreciados ainda hoje. Um dos mais populares é As mil e uma noites. 
Nas artes – produziram uma arquitetura admirável: uso do arco com 
ornamentos geométricos - o arabesco, presente em mesquitas e palácios. 
 
Embora o Império Islâmico tenha se desintegrado, ainda hoje, grande parte 
das populações do norte da África e do Oriente Médio apresentam características da 
civilização islâmica, tendo como base a RELIGIÃO MUÇULMANA. 
 Essa religião exerce influência em cerca de 75 nações do mundo, sendo 
seguida por mais de 1 bilhão de pessoas. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 40
 As rivalidades entre palestinos e israelenses têm um 
momento de trégua em Jerusalém. Os muçulmanos 
ajoelham-se voltados para Meca, curvam-se e oram, sob o 
olhar de militares israelenses. 
 
 
 
 
10– Explique o que possibilitou a unificação das diversas tribos árabes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Com a Segunda Guerra Mundial 
e a perseguição de Hitler aos judeus, 
milhares deles migraram da Europa para a 
Palestina. Após a guerra, o mundo 
encontrou-se abalado diante do 
extermínio do povo judeu nos 
“campos de concentração 
nazistas”. 
 
Esse clima favoreceu a 
decisão da ONU em aprovar um 
plano de divisão da Palestina. 
 
Num pedaço dele seria 
criado um Estado para o povo 
judeu; noutro, um Estado para 
os palestinos. Os países 
árabes ficaram furiosos. Para 
eles havia uma grande 
injustiça: os palestinos, 
maioria na região, ficariam 
com um território menor – veja o quadro na página seguinte. Apesar de tudo, foi 
desse modo que se fundou o Estado de Israel. 
A partir da criação do Estado de Israel em maio de 1948, milhares de judeus 
começaram a migrar para Israel. No entanto, a grande massa de judeus que chegou à 
região, despertoua revolta das populações árabes que viviam na Palestina. 
 Em 638, os árabes muçulmanos 
tomaram a Palestina do Império 
Bizantino e se tornaram as populações 
absolutamente majoritárias da região. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 41
03/10/2001. 
 
A visita do 
líder 
israelense 
 Ariel Sharon 
a Jerusalém, 
desencadeou 
lutas violentas 
entre 
palestinos e 
soldados 
israelenses. 
Não se esqueça que Jerusalém é a cidade sagrada para judeus porque é a 
“terra prometida”, para os cristãos porque é onde nasceu Jesus Cristo e para os 
muçulmanos porque é o local onde Maomé subiu aos céus. 
 
Assim, deveria ser o centro mundial da harmonia entre todos os homens, no 
entanto... 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Nas conversações de paz no Oriente Médio, nenhuma outra questão – com 
exceção do controle sobre os territórios ocupados por Israel é tão discutida como a 
do uso da água, escassa na região e insuficiente para as populações locais, em 
constante crescimento. Deixadas sem solução, as disputas pela água podem se tornar 
a causa da próxima guerra na região. 
 
 
 
 
 
No centro do Rio de Janeiro existe a famosa rua da Alfândega. 
Nela, trabalham lado a lado comerciantes de origem árabe e judaica. 
Sem atentados, sem ódio, sem guerras. 
Aliás, a maioria torce pra seleção brasileira de futebol. 
 
Não existem “inimigos históricos”. 
 
Todos os homens, podem conviver em paz. 
 
Basta haver um mínimo de liberdade e igualdade de direitos. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 42
 Uma das primeiras medidas tomadas pelos israelenses depois da vitória na 
guerra de 1967, foi decretar que a água na Cisjordânia e na faixa de Gaza era um 
recurso estratégico e estava sob controle militar. 
Desde então os árabes não conseguem permissão para cavar poços, enquanto 
os israelenses perfuraram dúzias deles para os campos militares e para as suas 
colônias de povoamento. Praticamente todos os assentamentos judeus na Cisjordânia 
recebem água corrente, enquanto 51% dos vilarejos e aldeias árabes dependem 
basicamente da coleta das águas das chuvas. Isso diminuiu drasticamente as terras 
árabes irrigadas, enquanto as terras israelenses aumentaram bastante. 
 Na faixa de Gaza a situação é ainda mais séria: o uso da água subterrânea já 
esgotou os lençóis existentes no subsolo e agora a água do mar Mediterrâneo está 
sendo usada, mas ela tem um gosto horrível. Em suma, somente um plano de 
cooperação no uso da água irá amenizar esse problema, uma negociação sobre o uso 
racional desse recurso entre israelenses e árabes. Alguns estudiosos afirmam que 
somente a distribuição das terras não trará a paz para a região, se não houver um 
acordo sobre o uso comum da água. 
 
 (Extraído: Geografia Crítica - J. William Vesentini – Vânia Vlach, volume 3, página 199, 2000, editora Ática). 
 
 
 
 
 
 
 
11 – Entre alguns povos, a religião tem papel fundamental na vida social e 
política, servindo, inclusive, como elemento de identidade e união. Árabes e 
israelenses são exemplos disso. Mas a religião que une também promove guerras. 
 
O que você sugere para que haja paz entre esses dois povos? 
 
 12 – Analisando a situação brasileira, você acha que aqui no Brasil, a ÁGUA 
e a TERRA podem gerar tensões e conflitos? Comente com suas palavras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 43
 Saiba que, após as invasões do 
século V, a Europa Ocidental 
continuou a usar o mar Mediterrâneo 
como meio de comunicação com o 
Império Bizantino. 
 
2 - INVASÕES BÁRBARAS 
 
 
 Você aprendeu no módulo 1 que o Império Romano do Oriente resistiu às 
invasões bárbaras e conseguiu sobreviver, transformando-se no Império Bizantino. 
 
Já a decadência do Império Romano do Ocidente (Roma) no ano de 476 – 
século V, foi acelerada pela invasão de povos bárbaros que, após sucessivos ataques, 
conquistaram e ocuparam a Europa. 
 
 
Quem eram os bárbaros? 
 
 
 Os romanos chamavam de bárbaros todos os povos que viviam fora de seu 
território e não tinham cultura romana, isto é, não falavam a língua romana – latim – 
nem possuíam os mesmos costumes e tradições que os romanos. 
 
 Os diversos povos bárbaros tinham um modo de vida bem parecido entre eles. 
Eram pastores e agricultores. Não viviam em cidades, não usavam moeda, não 
tinham um governo organizado e não conheciam a escrita. Alguns desses povos 
eram nômades e pouco comercializavam. 
 
Vindo 
em busca de 
novas terras e 
riquezas, os 
bárbaros 
invadiram, 
atacaram, 
saquearam e 
destruíram as 
cidades do 
Império 
Romano de 
forma violenta, 
com guerras, 
destruição e 
mortes – no século V. 
 
Para salvar a vida, a população (das 
cidades) fugiu para o campo, para as 
grandes fazendas em busca de proteção. 
Isso fez com que a vida urbana, 
praticamente desaparecesse. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 44
Veja no mapa abaixo, os Reinos Bárbaros – séc V, que se formaram na 
Europa após essa onda de invasões. 
 
A população 
dos reinos 
bárbaros que 
se formaram, 
era uma 
mistura dos 
romanos 
sobreviventes 
com os 
dominadores 
bárbaros. A 
maioria desses 
reinos, porém, 
teve vida 
curta. 
 
 Por 
volta do século 
VI, dos vários 
reinos que se 
formaram, 
somente os 
francos conseguiram se estruturar e expandir seus domínios. Localize no mapa esse 
reino – é a França atual. O apogeu desse poderoso reino foi durante o Império 
Carolíngio – de Carlos Magno (768-814). 
 
 
Carlos Magno – um rei bárbaro 
 
 
Suas realizações lhe valeram o 
apelido de Magno que, em latim, quer 
dizer “grande”. Ao lado – o papa está 
coroando Carlos Magno - ano 800. 
Carlos Magno, que era 
convertido ao cristianismo, tinha um 
sonho: reconstruir a unidade do 
Antigo Império Romano e, para isso, 
realizou uma série de conquistas 
militares. 
 
REINO DOS 
FRANCOS 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 45
...o que? ...novas invasões contra a 
Europa? não acredito! Tudo ia tão bem! 
Submeteu diversos povos bárbaros e apoderou-se de um vasto território, 
ampliando o domínio dos francos. As conquistas trouxeram-lhe fama, poder e 
estabilidade ao cotidiano dos europeus. 
 
 
 
 
Carlos Magno procurou elevar a 
cultura do povo franco. Ele mesmo 
aprendeu a ler com 35 anos de idade. 
Fundou escolas nos mosteiros e 
no próprio palácio real. Isso contribuiu 
para a preservação e a transmissão da 
cultura Grega e Romana, pois grande 
parte do conhecimento que temos hoje 
da literatura da Antigüidade deve-se ao 
trabalho de coleta e cópia desenvolvidos 
nessa época. 
 
As bibliotecas geralmente 
ficavam nos mosteiros. Os livros eram 
copiados manualmente pelos monges chamados de copistas. 
 
Muitas obras da Antigüidade só chegaram até nós devido ao trabalho desses 
monges. Saiba que os membros do clero, formava a elite cultural da Idade Média. 
 
Além de seus membros serem os poucos que sabiam ler e escrever, eram 
praticamente os únicos a ter acesso aos livros existentes. 
 
 Após a morte de Carlos Magno, o Reino Franco foi dividido entre seus netos, 
mas entrou em decadência. As principais causas foram as novas invasões dos 
séculos IX e X, contra a Europa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 46
...decadência da 
vida urbana?? 
...agricultura? 
...servos? 
...senhores feudais? 
Cruzes!! Que horror!! 
Do que estamos falando?? 
A decadência da vida urbana é uma das principais marcas 
 desse período que se inicia. 
A economia tornou-se estritamente agrícola: 
 a produção dos campos apenas dava para alimentar os servos e 
 sustentar os senhores feudais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estamos falando do Feudalismo: um modo de organização da sociedade 
baseado no trabalho dos servos que predominou na Europa Ocidental durante a 
Idade Média. 
 
É o que você estudará agora, vamos lá? 
 
 
 
3 - FEUDALISMO 
 
 O feudalismo se firmou na Europa com as novas invasões do séculoIX ao X – especialmente a dos árabes, normandos e húngaros. Essas novas 
invasões aumentaram o clima de insegurança da população européia e provocou 
novos problemas de ordem econômica. 
 
 As características do feudalismo eram: 
 
• poder político descentralizado; 
• economia auto-suficiente; 
• forte influência Religiosa. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 47
Quando os árabes (muçulmanos) dominaram o 
Mediterrâneo, no séc. VII e a península Ibérica 
(Portugal e Espanha) no séc. VIII, acentuou a 
decadência comercial da Europa, que passou a 
voltar-se para a terra tornando-se dependente dela – 
o feudalismo forma-se na Europa Ocidental. 
 
A paralisação do comércio no Mediterrâneo 
levou os europeus a regredirem bastante. Os reis 
europeus, 
incapazes de 
lutar e enfrentar os novos invasores que 
se lançavam de todos os lados, deixaram a 
cargo de cada nobre, a obrigação de 
proteger suas próprias terras. 
Nas últimas décadas do século IX, o 
benefício, isto é, a doação de terras pelo rei 
aos nobres, se tornou hereditário e começou 
a ser chamado de feudo e seus proprietários 
de senhores feudais. 
A insegurança proveniente dos contínuos ataques de 
salteadores e guerreiros, que aniquilavam vilas e cidades, levou a população 
européia à pedir proteção aos senhores feudais e, em troca dessa proteção, 
trabalhavam nos feudos (terra) – eram os servos. A vida tornou-se rural, as cidades 
desapareceram totalmente, a moeda deixou de circular; enfim, modificou-se 
amplamente o panorama econômico da Europa. 
Nobre feudal 
O domínio 
árabe era inconteste. 
Nos dizeres de um 
historiador árabe: 
 
“...os europeus não 
conseguiam fazer 
flutuar no 
Mediterrâneo 
sequer uma tábua...” 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 48
 
 
No feudalismo, tinha 
poder quem tivesse 
terra, e o poder sobre 
ela significava 
também poder sobre 
as pessoas. 
 
No Brasil, vastas 
extensões de terras 
pertencem a poucas 
pessoas... 
 
• O PODER POLÍTICO ficou descentralizado. Durante mais de 300 anos, a 
Europa esteve 
fragmentada 
(dividida) em 
centenas de 
pequenos 
Estados 
independentes – 
os feudos (ao 
lado), pois, 
quem detinha o 
poder político 
era o senhor 
feudal e não o rei. Este continuava existindo, porém, exercia autoridade somente 
dentro da sua propriedade. 
 
Assim, é correto afirmar que, durante o feudalismo, perdeu-se a noção de 
Estado, isto é, não havia mais um REI com condições de proteger todo o território 
do seu país. A autoridade máxima em cada feudo era exercida pelos donos de 
propriedade – os senhores feudais. 
 
 
Com isso, os que possuíam terras ganharam força, prestígio e 
passaram a sujeitar seus dependentes. 
O rei se enfraqueceu e os grandes senhores de terras 
tornaram-se os donos do poder. 
 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 49
• A SOCIEDADE FEUDAL era estamental, isto é, a posição social de um 
indivíduo dependia do seu nascimento. O clero – aqueles que oravam; a nobreza 
– aqueles que guerreavam e os servos - do trabalho deste último dependia a 
sobrevivência de todos. 
 
 O servo encontrava-se preso à terra, isto é, não tinha liberdade para deixar 
o feudo em que vivia e trabalhava. Não podia ser vendido, trocado ou punido 
com a vida, como se fazia com o escravo. Não podia também ser expulso do 
feudo. Além das inúmeras obrigações para com o seu senhor, era obrigado ainda 
a pagar o dízimo (10%) da sua produção à Igreja. 
 
 
• A ECONOMIA FEUDAL baseava-se na agricultura e no pastoreio. O feudo era 
auto-suficiente, ou seja, produzia praticamente tudo aquilo de que os seus 
habitantes necessitavam. Trocava-se, geralmente, um produto pelo outro. Os 
grandes senhores feudais cunhavam sua própria moeda, que circulava em suas 
propriedades. 
 
 
 
 
Nesses tempos a influência da religião na vida das pessoas era marcante. 
Desde o momento em que acordavam até o momento de se deitarem, as pessoas 
faziam orações. Pediam a ajuda divina ou o perdão por seus atos e agradeciam a 
Deus pelo que lhes acontecia. 
 
 
É o que você estudará agora, tá? 
 
 
4 - A IGREJA NA IDADE MÉDIA 
 Senhora de terras e almas 
 
Lembra-se que o Imperador – Teodósio (379 – 395), oficializou o 
cristianismo como religião do Estado Romano? Então, paralelo a oficialização do 
cristianismo, organizou-se a Igreja Católica. Durante a Idade Média, a Igreja 
Católica continuou a crescer e tornou-se a instituição mais poderosa do Ocidente. 
Uma das principais preocupações do clero era a conversão daqueles que não eram 
cristãos. 
Veja que, ao longo dos séculos, a população da Europa Ocidental 
 deixou de viver numa sociedade comercial e urbana como a do 
Império Romano e passou a viver numa sociedade rural e agrária, 
na qual o poder político era descentralizado. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 50
 
 A IGREJA CATÓLICA, 
por apresentar-se como 
intermediária entre Deus e 
os homens, fez do clero 
uma classe tão importante 
quanto a nobreza, no 
comando do Feudalismo. 
 
 A ATUAÇÃO DO TRIBUNAL DA INQUISIÇÃO É, 
ATUALMENTE, SERIAMENTE CRITICADA POR 
PENSADORES E AUTORIDADES DA IGREJA 
CATÓLICA. 
 
HERESIA: era a negação de 
uma verdade da Igreja. 
 
 
HEREGE: Era considerado 
herege aquele que fosse 
contrário a doutrina católica. 
 
A Igreja Católica teve sucesso nessa tarefa, pois, a maioria dos bárbaros se 
converteram ao cristianismo e isso deu à cultura européia medieval uma unidade, 
caracterizada pela forte influência da Igreja. Com isso, pouco a pouco a Igreja foi se 
fortalecendo e dando unidade à nova sociedade que se formava na Europa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em parte, isso foi possível porque, muito antes 
da queda de Roma, a Igreja era uma instituição 
solidamente organizada e também, ao converter os 
bárbaros, passou a controlar grandes áreas 
territoriais, afastando-se de suas funções religiosas, 
mas adquirindo grande poder político e econômico. 
 
Sua riqueza vinha, principalmente, das 
doações de terra e dinheiro que recebia dos fiéis e dos dízimos que cobrava dos 
servos nos seus gigantescos feudos. 
 
Assim, com grande poder econômico, diversos bispos, arcebispos e papas se 
importavam mais com a vida material do que com a religião cristã. Vários deles 
viviam no luxo e dedicavam-se ao comércio de relíquias e cargos eclesiásticos. 
 
Toda vez que alguma pessoa não se comportava de acordo com as regras da 
Igreja, era punida. Essa punição variava conforme a gravidade da falta cometida e 
era estabelecida pelo clero: ia desde a obrigação de ir à igreja fazer orações extras 
até o caso extremo em que a pessoa era condenada 
à morte na fogueira. 
 
O Tribunal da Inquisição criado em 1183, 
tinha a finalidade inicial de cuidar para que as 
pessoas não se desviassem dos ensinamentos da 
Igreja. Esses desvios eram 
chamados de heresias e as 
pessoas que as praticavam 
eram consideradas hereges. 
 
 
 
 
...Mas como foi que a Igreja 
conseguiu crescer em 
importância numa época tão 
turbulenta? 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 51
 
 
 
 
 
De um modo geral, a cultura medieval apresentava a mulher como um ser 
mau por natureza, “porta de entrada do demônio na sociedade”, culpada por levar o 
homem ao “pecado do sexo”. 
 
Afirmava-se que a prova dessa proximidade da mulher com o diabo, era o 
fato de que as mulheres menstruam e os homens, não. Além disso, a medicina 
caseira era geralmente praticada por mulheres: por isso, algumas acabavam sendo 
denunciadas como bruxas. Às vezes, os denunciantes eram médicos, que temiam a 
concorrência dessas mulheres. É importante lembrar que a Igreja só admitia a 
relação sexual com a finalidade de gerar filhos, obedecendo à máxima bíblica: 
“Crescei e multiplicai-vos”. 
 
No modo de pensar medieval, fortemente influenciado pela religião, havia três 
situações em que a mulher não era considerada demoníaca: se era virgem, se era 
mãe e esposa ou se era religiosa, vivendo no convento. Em todas essassituações, 
estava submetida à autoridade de um homem: o pai, o marido ou o bispo e o papa. 
 
 
 
 Houve casos de pessoas condenadas por terem sido consideradas 
bruxas; outras, porque suas pesquisas científicas ou as explicações que davam 
a fenômenos naturais eram diferentes dos que a Igreja aceitava. 
 
 Nascida em Domrémy (França), 
de uma família de camponeses pobres, 
Joana D’Arc (1412 – 1431) dizia-se 
inspirada por santos, com a missão de 
salvar a França da invasão inglesa, na 
Guerra dos Cem Anos. À frente do 
exército cujo comando o rei Carlos VII 
lhe concedeu, obteve muitas vitórias. 
 
Mas, Joana D’Arc é capturada 
pelos ingleses, e entregue a um Tribunal 
de Inquisição que a acusava de feitiçaria e 
de heresia (por usar roupas masculinas – a 
armadura). Joana Dárc é julgada e 
condenada à fogueira em praça pública, 
como herege e feiticeira. 
 
Tinha então 19 anos de idade. 
 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 52
 
 
 
 
 
 
13 – “Durante o feudalismo perdeu-se a noção de Estado”. Explique a 
frase. 
 
 
 
 Bem, agora você estudará em linhas gerais a segunda parte da IDADE 
MÉDIA – A BAIXA IDADE MÉDIA, que vai do século XI até o século XV no 
ano de 1453. 
 
 
 
A BAIXA IDADE MÉDIA 
 
 
 
 
A partir do século XI até o século XV, a Europa passou por profundas 
transformações econômicas, políticas e sociais, que levaram à desagregação do 
feudalismo e ao nascimento do capitalismo, que você estudará mais a frente. 
 
Os principais acontecimentos que definiram essa crise foram: as Cruzadas e 
o Renascimento Comercial e Urbano. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Então, você iniciará os estudos sobre A Baixa Idade Média, e ficará sabendo 
qual a solução encontrada pelos cristãos para reconquistar Jerusalém - a Terra Santa. 
 
E mais, se deu ou não certo, ta! 
 Lembra-se que os árabes muçulmanos, 
conquistaram Jerusalém, considerada 
a Terra Santa pelos cristãos?? 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 53
1 – AS CRUZADAS 
 
As Cruzadas foram expedições organizadas por cristãos do Ocidente – 
incentivados pelo Papa – para reconquistar Jerusalém, ocupada pelos muçulmanos, 
considerados “infiéis” pela Igreja Católica – esse era o objetivo religioso. 
Saiba que as Cruzadas aconteceram do final do século XI até meados do 
século XIII. Essas expedições receberam o nome de Cruzadas, porque as pessoas 
usavam estandartes e roupas com uma cruz como símbolo. Delas participaram 
milhares de católicos de todas as partes da Europa. Desde o mais pobre camponês 
até a mais alta 
nobreza feudal, 
dirigiram-se à 
Jerusalém. 
 
Saiba que 
que, além do 
objetivo religioso, 
havia o objetivo 
político, pois a 
convocação de 
cavaleiros, pelos 
reis, para participar 
das cruzadas representaria o enfraquecimento da nobreza (senhores feudais), pois 
muitos dos convocados não retornariam. Dessa forma, o 
poder dos reis se fortaleceria. 
 
O objetivo comercial também marcou presença: 
como a conquista de terras no Oriente e a disputa de 
rotas comerciais no mar Mediterrâneo, embora isso se 
ocultasse sob a justificativa religiosa. 
 
Mas, para o camponês oprimido e marginalizado pelo senhor feudal, o 
sacrifício da vida valia a pena. Afinal, o Papa havia prometido o perdão dos 
pecados a quem combatesse nas cruzadas. 
 
Milhares de católicos e muçulmanos mataram e morreram em nome de Deus 
e a Terra Santa não foi reconquistada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Não foi reconquistada? Barbaridade tchê!! 
 Quer dizer que nada mudou com as 
Cruzadas? 
 
 Neste mesmo tempo, 
os cristãos também 
estavam lutando para 
expulsar os árabes 
muçulmanos da península 
Ibérica (Portugal e 
Espanha), tá? 
 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 54
Então, é possível você concluir que: 
 
• As CRUZADAS reabriram o comércio no 
Mediterrâneo e ligaram novamente a Europa ao 
Oriente. 
 
• Embora não tivessem atingido seus objetivos 
religiosos, o certo é que as CRUZADAS 
afastaram do Mediterrâneo os muçulmanos; 
conferiram liberdade a muitos servos e 
provocaram a morte de um bom número de 
senhores feudais, favorecendo o fortalecimento 
dos reis europeus. 
 Claro que mudou! Para os europeus do Ocidente, as Cruzadas resultaram em 
vantagens econômicas: 
• fim do domínio muçulmano no mar Mediterrâneo e 
• um grande aumento do comércio entre a Europa e o Oriente. 
 
Veja então que, as 
Cruzadas permitiram a 
reabertura do Mediterrâneo ao 
comércio da Europa, que 
estava sob o controle dos 
muçulmanos, lembra-se? 
 
Saiba que ao voltarem 
do Oriente para a Europa, os 
cruzados trouxeram consigo 
novos costumes. 
Tinham conhecido temperos (especiarias: cravo, canela, pimenta...), tecidos, 
perfumes, tapeçarias e outros produtos orientais. Passaram a apreciá-los e a 
consumi-los e assim o comércio VOL... 
 
Isso mesmo! E é sobre o renascimento comercial na Europa, que vamos 
estudar agora, tá? 
 
 
 
2 – RENASCIMENTO COMERCIAL e a 
volta das CIDADES 
 
 
O consumo dos produtos orientais, faz surgir na Europa um grande mercado 
consumidor. 
As cidades de Veneza e Gênova (Itália), passaram a dominar a maior parte do 
comércio pelo Mediterrâneo e Sul da Europa, estimulando os europeus ricos a 
consumirem artigos de luxo (perfumes, tecidos finos e jóias) e especiarias (cravo, 
canela, pimenta) produzidos no Oriente. Assim, buscavam essas mercadorias e 
revendiam na Europa. 
Agora entendi! O consumo dos 
produtos do Oriente, provocou a VOLTA do 
comércio, não é mesmo? 
 
Já sei! Já sei! Deixe eu falar. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 55
Cidade da Idade Média. Observe que parte 
das casas, as mais antigas, estão dentro dos 
muros da cidade, enquanto outras, por falta 
de espaço no interior, foram construídas do 
lado de fora. 
 
As condições de vida nas favelas atuais são muito 
semelhantes às existentes nas cidades medievais. 
 
Lembra-se que os invasores bárbaros haviam destruído a maior parte das 
cidades, e a maioria da população tinha ido viver no campo? 
 
 E que nos feudos que se formaram na Idade Média, a produção era para o 
próprio consumo e não havia comércio? 
 
 
Então, as Cruzadas impulsionaram o desenvolvimento do comércio e o 
comércio estimulou o aumento da 
produção artesanal. Assim, comércio e 
artesanato, fizeram com que as antigas 
cidades se desenvolvessem e outras 
fossem criadas. 
 
 
E como era a vida nas cidades 
medievais? 
 
 As cidades medievais não 
ofereciam boas condições de conforto 
e higiene, em virtude de seu 
crescimento rápido e desordenado. 
Esse crescimento, porém, era 
limitado pelas muralhas. Ninguém 
queria morar fora dos muros da 
cidade, com medo de ser assaltado. 
 Como não era possível destruir 
os muros e a população aumentava, as 
casas cresciam para cima, chegando a 
ter até três andares. A maior parte das 
casas era de madeira, o que favorecia 
os incêndios, que às vezes destruíam 
completamente uma cidade. 
Nas cidades não existiam 
calçadas nem esgotos. À noite, quase 
não havia iluminação. De dia, também, 
as vielas permaneciam bastante 
sombrias. 
 As pessoas circulavam pela 
cidade no meio dos animais que 
comiam os restos de 
alimentos jogados pelas 
janelas. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 56
As cidades medievais receberam o nome de 
BURGOS. Seus habitantes eram os 
burgueses, pessoas enriquecidas com o 
comércio e que, rapidamente, ultrapassaram 
os nobres em importância econômica. 
Usura é tudo que é pedido em 
troca de um empréstimo, além 
do próprio bem emprestado. 
Ex.: empréstimos a juros. 
 
Diante do crescimento do 
comércio, o sistema Feudal teve seu 
processo de decadência acelerado. A 
nobreza perdeu prestígio e não 
acompanhava o renascimento 
comercial e urbano, além de ter perdido espaço e poder para uma nova classe social: 
a burguesia. 
 
 
Com a volta do comércio uma nova riqueza passou 
a ser considerada: a riqueza em dinheiro e não mais riqueza 
em terras, como na época feudal. 
 
 
 
 Desde a consolidaçãodo cristianismo, os judeus passaram a ser 
perseguidos na Europa. A partir da primeira Cruzada (1096), os massacres 
acentuaram-se. 
 
E por que essas 
 perseguições? 
 
Além da questão 
religiosa (que os judeus 
adeptos do Judaísmo não 
acreditam que Jesus é o 
Messias), existia o ciúme 
da classe mercantil que 
concorria com os 
comerciantes judeus. 
Através da teoria da 
usura, a Igreja Católica 
condenava o empréstimo 
a juros. 
Como os judeus não eram cristãos, 
não temiam as ameaças de que seriam 
queimados na fogueira do inferno. 
 
 
 
Para o homem burguês, o mais importante era ganhar dinheiro e viver no 
conforto e até no luxo. Por isso, trabalhava intensamente, procurando aumentar 
cada vez mais os negócios e os lucros, para se enriquecer. 
Uma época de intolerância religiosa. Nessa 
imagem os judeus estão de branco. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 57
Como os primeiros 
cambistas trabalhavam 
junto a um banco de 
madeira, receberam o 
nome de banqueiros. 
 
Veja que a BURGUESIA ganhava força e importância, 
enquanto isso, os SENHORES FEUDAIS iam, aos poucos, 
perdendo o imenso poder que possuíam. 
 À medida que os burgueses se fortaleciam e se enriqueciam, os senhores 
feudais – ricos só em terras – 
começavam a se enfraquecer. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Saiba que, do século XI ao XIII, a Europa viveu um clima de relativa 
prosperidade. Sua população cresceu de modo constante, seu comércio reanimou-se 
e suas cidades floresceram. 
Entretanto, no 
séc. XIV e XV, o 
mundo europeu foi 
atingido por uma série 
de graves problemas 
que muito contribuíram 
para o: 
Declínio 
 do feudalismo 
 
A agricultura 
feudal entrou em crise devido à falta de terras férteis, pois estas estavam 
desgastadas pelo intenso uso. Curvada pela fome, a população européia contraía 
doenças com grande facilidade. Entre 1347 e 1350, por exemplo, a Europa foi 
duramente atingida pela peste negra, epidemia contra a qual não se conhecia 
nenhum remédio. 
A peste negra matou milhares de pessoas na Europa. Essa imagem da cidade 
de Florença, na Itália, retrata a situação da época: os mortos eram colocados na 
entrada das casas e recobertos com um pano, até que trabalhadores – com o nariz e a 
boca protegidos para não respirar o ar “empestado” – os levavam em caixões ao 
cemitério. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 58
O fim da Guerra dos Cem Anos coincide com o fim da Idade Média. 
 
Nesse ano (1453), enquanto, no Ocidente, a França recuperava os 
territórios invadidos pela Inglaterra, no Oriente os turcos (religião 
muçulmana) se apoderavam de Constantinopla, capital do Império 
Bizantino (ou Império Romano do Oriente). 
 
A queda do Império Bizantino marca o FIM DA IDADE MÉDIA e 
INÍCIO DA IDADE MODERNA 
 
Nas cidades medievais, 
espremidas entre as 
muralhas e sem 
qualquer tipo de 
saneamento, doenças 
contagiosas, como a 
peste negra, 
propagavam-se com 
assustadora rapidez. 
Na foto – cidade de 
Ávila na Espanha. 
 
Nessa mesma 
época, desenrolava-se 
na Europa a Guerra 
dos Cem Anos (1337 
– 1453), entre França 
e Inglaterra. 
 
O conflito também tinha causado um número elevadíssimo de mortes e 
afetado ainda mais a produção agrícola. 
 Para manter seus rendimentos e fazer 
frente a essas catástrofes, muitos senhores 
feudais passaram a exigir dos servos mais 
obrigações. Dessa opressão resultou uma grande 
revolta dos camponeses - a Jacquerie. 
Com isso o feudalismo foi se desagregando lentamente e cedendo espaço a 
um outro modo de organização da sociedade: o capitalismo, que você estudará mais 
à frente. 
Assim, ao chegar o século XV, a Europa começou a passar por 
transformações sensíveis, que estavam a anunciar o mundo MODERNO... 
 
 
...o mundo que a burguesia começou a criar. 
 
 
 Mas isso é assunto para o módulo 3, quando você estudará o terceiro período 
da História – a IDADE MODERNA. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Durante a Guerra dos Cem Anos, 
as armas de fogo foram usadas 
pela 1a vez na Europa. Isto deu 
aos franceses superioridade frente 
aos ingleses. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 59
Corporação de Ofício - Uma das características mais interessantes na 
organização das cidades medievais foi o intenso desenvolvimento do 
artesanato. Visando à 
defesa dos seus 
interesses, garantia de 
preços, controle da 
concorrência e 
oportunidades mais 
amplas de comércio, os numerosos artesãos da Baixa Idade Média passaram a 
se organizar em corporações de ofícios, associações que incluíam todos os 
especialistas de um determinado ramo. Por exemplo: corporações de alfaiates, 
pedreiros, ferreiros... 
 
Semelhantemente, 
na atualidade temos os 
sindicatos – que é uma 
forma de organização 
criada pelos trabalhadores 
com o objetivo de 
defender seus interesses e 
obter melhores condições 
de salário e trabalho. 
 
 
Universidades - as universidades surgiram perto das catedrais e 
estavam vinculadas à Igreja, detentora do saber durante toda a Idade Média. 
Estudantes e professores logo se organizaram em corporações e grêmios. 
Graças a essa organização, as universidades logo conquistaram o privilégio 
da autonomia perante os reis e o Papa. 
 
 
 . 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Universidade de Oxford, 
Inglaterra, fundada no 
século XII. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 60
Estrangeiros - Diversas cidades européias, como Paris na França e 
Londres na Inglaterra, se 
formaram ou se 
desenvolveram como locais de 
passagem de mercadores de 
todas as partes. 
 
Hoje, esses centros 
urbanos abrigam pessoas de 
vários lugares do mundo. 
 
São estrangeiros que 
buscam melhores condições de 
vida e emprego. O racismo e o 
preconceito contra o imigrante 
tornaram-se sérios problemas 
para essas cidades. Grupos 
radicais saem ou promovem, 
na calada da noite, atentados 
contra os estrangeiros. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 – Qual é a importância de um Sindicato para o trabalhador? 
 
 
15 – Pesquise no dicionário, o significado da palavra xenofobia, depois 
relacione ao que você leu no “saiba mais - estrangeiros” e responda: 
 
a) O que é xenofobia? 
b) Existem pessoas que têm costumes bem diferentes dos nossos, 
principalmente por causa da religião e das diferenças sociais. Como você 
encara essas diferenças? Explique. 
 
 
A partir de agora, você estudará dois movimentos que ocorreram na Europa 
no início da IDADE MODERNA, mas que estão relacionados com as mudanças 
que se iniciaram na Baixa Idade Média. 
 
 
Esses dois movimentos foram: o Renascimento Cultural e a Reforma Religiosa. 
Agora você estudará cada um separadamente, vamos lá? 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 61
O RENASCIMENTO CULTURAL 
 
 
 Você acabou de estudar que o desenvolvimento do comércio e o 
desenvolvimento da produção artesanal resultou no desenvolvimento das cidades. 
 
Com o desenvolvimento das cidades surgiu uma nova classe social: a 
burguesia que se aliou ao rei – o que levou posteriormente à formação das 
monarquias nacionais, que você estudará no módulo 3. Essas transformações vieram 
acompanhadas de uma nova visão do mundo, que se manifestou na arte e na cultura 
de maneira geral. 
 
A cultura medieval se caracterizava pela religiosidade. A Igreja Católica, 
controlava as 
manifestações culturais 
e dava uma 
interpretação religiosa 
para todos os 
fenômenos da natureza, 
da sociedade e da 
economia. 
A esta cultura deu-se o nome de 
teocêntrica (‘teo’= Deus; ‘cêntrica’ = 
centro. Deus era o centro de todas as 
coisas). 
 
 Essa VISÃO RELIGIOSA DO MUNDO não 
combinava com a experiência burguesa. Essa nova 
classe social devia a sua posição social e econômica ao 
seu próprio esforço e não à vontade divina. 
O sucesso dos negócios dependia da observação, 
do raciocínio e do cálculo, enfim, dependia do próprio 
homem e não de Deus. Essas características se opunham 
a mentalidade medieval. 
 
Veja então que, a burguesia 
tinha uma visão materialista do 
mundo. Queria usufruir na terra o 
resultado de seus esforços.O 
burguês era essencialmente 
individualista. Quase sempre, o 
seu lucro implicava que outros 
tivessem prejuízo. 
A CRIAÇÃO DO HOMEM 
 Capela Sistina no Vaticano em Roma/ Itália. 
Autor renascentista: Miguel Ângelo 
 
MONA LISA – famoso quadro 
do autor renascentista 
Leonardo da Vinci. 
 
Saiba que na 
Idade Média, as 
obras de arte 
eram de autoria 
coletiva, 
portanto, o 
artista era 
anônimo e 
NÃO era 
valorizado. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 62
 
Por volta do século XIV, houve então um grupo de intelectuais – os 
humanistas – que passaram a adotar uma nova concepção do homem e do mundo. 
O humanista era o indivíduo que traduzia e estudava os textos e as obras dos 
gregos e romanos e se inspirando nesses textos e obras é que nasceu a valorização 
do homem como centro do universo. 
 
Esses intelectuais (os humanistas) romperam com os valores medievais e o 
homem passou a ser o centro de todas as coisas. 
 
Assim, a visão de mundo dos humanistas gerou um movimento de renovação 
cultural ocorrida nos fins da Idade Média e no começo da Idade Moderna. A essa 
renovação denominamos Renascimento, no sentido de fazer renascer os valores 
gregos e romanos. 
Características do Renascimento Cultural 
 
 O Renascimento significou uma nova arte, o começo do pensamento 
científico e uma nova literatura. Nelas estão presentes as seguintes características: 
 
• Antropocentrismo (o homem como centro do universo) – valorização do 
homem como ser racional. Para os renascentistas o homem era visto como a mais 
bela e perfeita obra da natureza. Com capacidade criadora e poder de explicar os 
fenômenos à sua volta. 
 
• Racionalismo – a razão humana é a base do conhecimento. Assim, rejeitava-se a 
fé e adotava apenas a razão humana como fonte de conhecimento. A solução dos 
problemas do mundo estava no emprego da razão e não da fé religiosa. 
 
• Individualismo – a afirmação do artista como criador individual da obra de arte, 
se deu no Renascimento. O artista renascentista assinava suas obras, tornando-se 
famoso. 
 
• Naturalismo – significou a aceitação da natureza em geral. O naturalismo torna-
se evidente através das pinturas e esculturas de corpos nus. 
 
 
O Renascimento se iniciou na 
Itália, pois lá foi no passado, o 
centro da civilização romana. Os 
vestígios das antigas construções e 
esculturas romanas serviram de 
modelo para as criações dos artistas 
do Renascimento. Mas não foi um 
fenômeno exclusivamente italiano. 
Ele espalhou-se por diversos países 
europeus, onde se adaptou às 
características locais. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 63
 Saiba que um dos perseguidos 
pela Inquisição foi GALILEU GALILEI, 
por ter contrariado a Igreja ao afirmar 
que a Terra girava em torno do Sol. 
 
 Julgado pelo TRIBUNAL DA 
INQUISIÇÃO, negou a sua teoria para 
escapar da fogueira. 
 
Na Inglaterra, William Shakespeare, renascentista – 
escreveu mais de quarenta peças de teatro. 
Algumas delas são representadas até hoje, como por 
exemplo: ROMEU E JULIETA – página anterior. 
 
 
 
Saiba que não foi apenas o lado artístico que 
apresentou inovações. Talvez o aspecto mais revolucionário 
do Renascimento esteja no fato de que a ciência moderna teve 
aí suas raízes – é o renascimento científico. 
 
 Com efeito, a Idade Média se caracterizou por um descaso total às ciências. 
Quando se rompeu com o passado medieval, houve também o rompimento com 
as explicações de natureza religiosa - desta forma nasceu a Ciência Moderna: 
fruto da nova mentalidade voltada para a crítica e para o racionalismo. 
 
 
O homem renascentista 
passava a crer somente naquilo que 
pudesse ser provado. 
 
 
Os ricos mecenas, como 
eram chamados os patrocinadores do 
novo conhecimento, contribuíram com 
seu dinheiro para o desenvolvimento e a 
difusão da arte renascentista. Eles 
financiavam e protegiam os sábios e 
artistas. 
 
A burguesia enriqueceu, mas a 
maior parte da população européia 
continuava morando no campo. A 
principal fonte de riqueza ainda era os 
frutos da terra. 
 
As transformações que ocorreram 
no início da Idade Moderna 
também provocaram 
mudanças na vida religiosa. 
 
 
Os cristãos que eram representados somente pela Igreja Católica, 
sofreram uma divisão, dando origem ao movimento da Reforma 
Protestante. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 64
DOGMA: 
verdade religiosa 
fundamental. 
 
A REFORMA PROTESTANTE 
 
 
Podemos definir a Reforma Religiosa como o movimento que rompeu a 
unidade religiosa da Europa ocidental, dando origem a NOVAS IGREJAS cristãs. 
Com ela, a Igreja Católica perdeu o monopólio religioso que mantivera durante a 
Idade Média. 
 
Em toda a Idade Média, a Igreja foi a mais sólida instituição. Dominara tudo 
e todos, impondo normas, padrões de comportamento e disciplinando as pessoas. 
 
 A Reforma Religiosa foi um movimento que provocou três transformações: 
• quebrou a unidade da Igreja; 
• duvidou da autoridade do papa; 
• negou dogmas religiosos. 
 
A Reforma Religiosa é do mesmo tempo do Renascimento, e também pode 
ser explicada pelas transformações econômicas e sociais ocorridas na Europa, na 
passagem da Idade Média para a Idade Moderna. 
 
O renascimento comercial criou uma nova mentalidade econômica na 
Europa. O lucro e a cobrança de juros passaram a ser essenciais para os negócios, e a 
Igreja condenava essas práticas, pois era contra a acumulação de riquezas. Assim, 
para a burguesia interessava uma nova igreja, que apoiasse e justificasse seus 
negócios. 
 
A Reforma Protestante começou em 1517 – século XVI, na Alemanha, 
liderada por Martinho Lutero. Lutero – doutor em Teologia – era um padre 
agostiniano (ordem religiosa fundada por Santo Agostinho), nascido em 1483 em 
Eisleben, Alemanha, portanto era alemão. 
 
 A Igreja nessa época passava pela pior crise de sua História: crise 
disciplinar, moral e doutrinária. Havia indisciplina no clero, que visava apenas 
interesses econômicos. Mais ainda, os cargos eclesiásticos (padres, bispos e papas) 
eram abertamente negociados. Então, diversos motivos levaram os mais diferentes 
grupos a apoiarem Lutero e suas idéias, o qual se transformou numa nova religião. 
 
 
 A burguesia apoiou Lutero: 
 
• porque desejavam acabar com as limitações impostas pela Igreja às suas 
atividades econômicas; 
• porque era individualistas e humanistas opondo-se às concepções da Igreja. 
 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 65
 Os reis apoiaram Lutero: 
 
• porque queriam acabar com o poder político da Igreja; 
• porque desejavam confiscar os bens da Igreja; 
• porque a Reforma acabaria com a unidade cristã na Europa e acabaria também 
com a autoridade do Papa e isso interessava aos reis, pois significaria o fim da 
intromissão do Papa nos negócios internos do reino. 
 
 
O povo apoiou Lutero: 
 
• porque estava abandonado espiritualmente, numa época angustiante; 
• porque Lutero apresentava-lhes solução para seus problemas. 
Lutero já vinha discordando da Igreja há algum tempo em uma série de 
pontos doutrinários. Mas foi a questão das indulgências que desencadeou o 
rompimento de Lutero com a Igreja. 
 
Indulgências? O que é isso? 
 
 Indulgência: perdão das penas (do 
pecado) a serem cumpridas no Purgatório, 
concedidas pela Igreja ao fiel. Inicialmente, 
esse perdão era conseguido através de ações 
caridosas, preces e participação nas lutas para 
combater os infiéis, mas, a Igreja, pretendendo 
angariar dinheiro, passou a vendê-la por enormes quantias. (Acima venda de 
Indulgências) 
 
Em 1517, o Papa Leão X incumbiu o frade Tetzel de percorrer várias regiões 
da Europa, distribuindo indulgências em troca de contribuições em dinheiro. Com o 
dinheiro arrecadado, o papa pretendia terminar a construção da Basílica de São 
Pedro, em Roma. 
Basílica de São Pedro no Vaticano 
em Roma/Itália. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 66
Saiba mais... 
 
 JOÃO KNOX, discípulo deCalvino, organizou a Igreja 
Presbiteriana na Escócia. 
 
Saiba mais... 
 
 Em 1529, os católicos tentaram 
impor o Catolicismo aos príncipes 
luteranos, e como eles protestaram, 
passaram a ser 
 chamados “protestantes”. 
Lutero, escandalizado com essa salvação comprada, simplesmente negou o 
valor dessas indulgências e afixou na porta da Igreja de Wittenberg, um manifesto 
público – as famosas 95 teses – em que protestava, expunha elementos da sua 
doutrina religiosa e alertava a população contra a atitude do papa. 
 
Veja o que dizia a tese 86 de Lutero: 
 
 
 “Por que o papa, cuja fortuna é maior que a dos mais ricos nobres, 
 não constrói com seu próprio dinheiro 
 ao menos a Basílica de São Pedro, 
 em vez de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?” 
 
 
 
O Papa Leão X condenou Lutero através de uma Bula (carta do papa dirigida 
a todos os fiéis e de caráter solene). Lutero queimou o documento e acabou sendo 
excomungado. 
 
 Em 1521, numa reunião 
convocada por Carlos V, imperador da 
Alemanha, Lutero reafirmou suas idéias e 
mais uma vez foi condenado. Ajudado por 
alguns nobres, refugiou-se num castelo e 
lá traduziu a Bíblia para a língua alemã. 
 
Dentre seus fundamentos, o 
luteranismo pregava a “justificação pela 
fé”, isto é, a salvação é alcançada por 
meio da fé em Deus e NÃO pela prática 
das boas-obras, como pregava a Igreja. 
Com essa idéia, Lutero condenava e 
dispensava a atuação de Igreja para a 
salvação das almas dos fiéis. 
 
Em pouco tempo as idéias de Lutero se propagaram, ganhando adeptos em 
toda a Alemanha. Novas religiões apareceram em outros países, como o Calvinismo 
(de João Calvino) na Suíça e o Anglicanismo na Inglaterra. 
 
 
 
 
 
 
Da esquerda para a direita: 
MARTINHO LUTERO – 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 67
Conheça alguns resultados da Reforma Protestante: 
 
• Os cristãos dividiram-se entre católicos e protestantes. 
• Durante mais de um século, várias guerras religiosas abalaram os 
países europeus. 
• Algumas taxas e impostos cobrados pela Igreja foram abolidos. 
• A Igreja procurou renovar-se, através da Contra-Reforma. 
 
...Contra-Reforma? Como assim? 
 
 A Igreja Católica, passado o primeiro susto, tentou reagir à propagação das 
novas religiões. A este fato damos o nome de Contra-Reforma, isto é, movimento 
da Igreja Católica contra a Reforma Protestante. A Igreja teve de tomar várias 
medidas para enfrentar o movimento reformista de Lutero. 
 
 Dentre os principais objetivos da Contra-Reforma temos: 
 
• Combater e impedir a expansão do protestantismo; 
• Reorganizar a Igreja e as ordens religiosas, reafirmando sua doutrina; 
• Divulgar a fé católica na América, na Ásia e na África. 
 
 
Os PRINCIPAIS INSTRUMENTOS usados pela Igreja Católica para 
conter a Reforma Protestante foram: 
 
� Concílio de Trento: Foi uma reunião dos bispos na cidade de Trento. Esse 
Concílio, após uma reunião demorada (18 anos), decidiu entre outras coisas: 
 
- condenou a doutrina protestante da salvação somente pela fé; 
- escolheu oficialmente a Bíblia traduzida por são Jerônimo (as demais 
traduções eram proibidas); 
- confirmou o valor das indulgências, do culto dos santos e das imagens; 
- criou o Index, uma relação de livros proibidos pela Igreja. 
 
� A Companhia de Jesus: Essa ordem 
foi fundada por Santo Inácio de 
Loiola e reconhecida pelo papa em 
1540. Os padres jesuítas dedicavam-se 
à pregação do Evangelho, às obras de 
caridade, ao ensino e à conversão dos 
indígenas do Continente Americano. 
Os padres jesuítas, dedicando-se à educação e, sobretudo, à catequese, 
conseguiram barrar as novas religiões em muitas regiões, especialmente na 
América. 
Foi “notável” o trabalho de 
catequese que realizaram junto 
aos indígenas da América, 
reunindo-os em missões religiosas 
e criando escolas. No BRASIL, 
destacaram-se os padres Manuel 
da Nóbrega e José de Anchieta. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 68
� O Tribunal da Inquisição: Esse 
tribunal, que já existia, foi 
revitalizado. Na época da 
Contra Reforma, a Inquisição 
punia os casos de heresia. Na cena 
ao lado, o inquisidor força o 
torturado a negar sua nova 
fé. O Tribunal da Inquisição, 
perseguia também os judeus, pois 
estes emprestavam dinheiro a 
juros. 
 
Os castigos eram severos e muitas 
vezes a condenação consistia na morte pela 
fogueira. 
Especialmente em Portugal, Espanha 
e Itália, o Tribunal da Inquisição conseguiu 
evitar a propagação das novas religiões. 
Tanto é verdade que, atualmente, Portugal, 
Espanha e Itália são países católicos. 
 
Todos esses fatos – aparecimento de 
novas religiões e reação da Igreja – 
exaltaram os ânimos, levando a um clima de 
intolerância religiosa, responsável pela eclosão de muitíssimas guerras que 
ensangüentaram a Europa no final do século XVI e início do século XVII. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 69
A IDADE MODERNA 
 
 
 
Agora você estudará o terceiro período da História – a IDADE 
MODERNA. 
 
 
A FORMAÇÃO DO ESTADO MODERNO 
 
 
 
Caro aluno, como já vimos antes, no final da Idade Média na Europa, 
aconteceram grandes transformações. 
 
Na sociedade que estava se formando, a riqueza já não vinha 
exclusivamente da terra, mas também do comércio e das atividades artesanais. 
E nessa nova sociedade, surgiram também os Estados Nacionais, que é o 
assunto que veremos a seguir. 
 
 
O surgimento dos Estados Nacionais 
 
 
Imagine só, se você viajasse ao século X e perguntasse a um francês ou a um 
alemão onde tinham nascido, eles nunca pensariam em responder na “França” ou na 
“Alemanha”. Simplesmente porque os Estados Nacionais da Alemanha e da França 
ainda não existiam. O mesmo acontecia em toda Europa. 
 
A situação se alterou nos séculos XV e XVI quando se formaram os Estados 
Nacionais. 
 
O que significava isso? 
 
 Significa que a autoridade do rei passou a valer sobre um país inteiro. Em 
vez de cada feudo ter suas próprias leis, passaram a existir leis nacionais, isto é, que 
valiam para toda a nação. Saiba que formou-se um exército nacional obediente ao 
rei, e o Estado passou a cobrar impostos de todo mundo (só não pagavam os nobres 
e a Igreja). 
Perceba que o rei passou a ter uma grande importância. Ele comandava o 
exército, elaborava as leis, controlava os impostos e a moeda. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 70
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Agora veja, o rei existia para atender aos interesses da nobreza. Foi ela que 
lutou para criar o Estado Nacional (ou Absolutista) e colocar o rei à sua frente. 
Todavia, os nobres feudais não exerciam o poder político diretamente: 
subordinavam-se ao Estado, obedientes ao rei, em nome da segurança mútua. 
 
 
O monarca (o rei) era absolutista não porque seu poder fosse ilimitado, mas 
porque estava acima das leis. 
 
 
Não existia nenhuma Constituição, nem eleições ou partidos políticos. Nada 
acontecia sem autorização do rei. Foi por isso que o rei absolutista francês Luís XIV 
afirmou: “O Estado sou eu”. 
 
 
Onde é que entrava a burguesia nisso tudo? A unificação do Estado nacional 
representava um reforço do mercado interno. Além disso, o Estado Absolutista 
dava força para os negócios da burguesia. 
 
O motivo era simples: quanto mais dinheiro a burguesia ganhasse, mais 
impostos ela poderia pagar. 
 
 
O Estado absolutista visava conciliar os interesses da aristocracia dominante 
com os do grupo mercantil em ascensão. Ou seja, tentava harmonizar os interesses 
dos nobres com os dos burgueses. 
 
 
Quase todos os postos importantes da burocracia estatal, isto é, os cargos dos 
funcionários do Estado, só podiam ser ocupados por nobres. Essa era uma fonte de 
renda, pois o nobre que ocupava um cargo público recebia um gordo pagamento do 
governo. 
 
Ora, o Estado cobrava impostos dos artesãos, dos camponeses e da burguesia 
e os repassava aos nobres através de pagamentos de rendas.Estado Nacional era o 
governo centralizado nas 
mãos de um rei. Ele 
mantinha sob seu domínio 
todo território nacional e 
impunha as leis, a justiça e a 
ordem. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 71
Agora observe no esquema abaixo, como funcionava a sociedade na época: 
 
 
 
 
 
Agora vamos examinar em linhas gerais 
 
a formação dos principais Estados Nacionais: 
 
 
 
 
 
 
• PORTUGAL 
 
Tal como a Espanha, Portugal teve quase todo seu território tomado pelos 
árabes muçulmanos, que invadiram a península Ibérica (Portugal e Espanha) no 
século VIII, lembra-se? A religião dos moradores do norte da península Ibérica 
permaneceu a católica, portanto eram cristãos. 
 
Depois de muitas guerras, os árabes foram expulsos daquilo que hoje é o 
território de Portugal. Em 1139, Portugal se tornou um país independente, com reis 
da dinastia (família) de Borgonha. A centralização do poder aconteceu por 
necessidades militares (um comando central) e se consolidou com a Revolução de 
Avis, em 1385, quando o lado vencedor de uma guerra civil entre nobres coroou o 
primeiro monarca absolutista, o rei D. João. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 72
 Durante a Guerra dos Cem 
Anos, as armas de fogo foram 
usadas pela 1a vez na Europa. Isto 
deu aos franceses superioridade 
frente aos ingleses. 
 
• ESPANHA 
 
Durante séculos, os espanhóis disputaram palmo a palmo com os mouros os 
territórios da Península Ibérica. No começo era apenas uma briga feudal por terras. 
Depois, lutou-se pela Reconquista do espaço cristão. No calor dos combates, 
os vários reinos da Espanha foram se unindo até o encontro final dos reinos de 
Aragão e Castela, com o casamento dos soberanos Fernando e Isabel, em 1469. 
Diga-se de passagem que Castela, terra da rainha, era muito mais rica que Aragão. 
Os árabes foram totalmente expulsos com a retomada de Granada em 1492, mesmo 
ano em que Colombo, a serviço do casal de reis católicos, partiu para a América. 
 
 
• FRANÇA 
 
A monarquia francesa vinha se fortalecendo desde o século XIII. Mas entre 
1337 e 1453, estourou a guerra dos Cem anos contra a Inglaterra. 
Na verdade, não foi uma 
guerra que durou um século, mas 
sim um largo período em que volta e 
meia aconteciam batalhas. 
É bom lembrar que essa era a 
época da famosa crise do século 
XIV, da peste negra (que chegou a 
eliminar um terço da população 
européia) e das revoltas 
camponesas (jacqueries). 
 
Os conflitos ocorreram no território francês. 
Suas origens estavam no esforço da França em 
recuperar terras ocupadas pela Inglaterra. Por causa 
dessa guerra, o rei francês pôde cobrar impostos da 
nação inteira e assim ampliou o poder central. No 
final do conflito, o Estado Absolutista já estava mais ou menos montado, mas, foi 
necessário mais algum tempo para que se consolidasse. 
 
• INGLATERRA 
 
Na guerra dos Cem Anos, a Inglaterra cobiçava a região de Flandres (mais 
ou menos um pedaço da Bélgica e da Holanda de hoje), rica pela manufatura de 
tecidos e pelo comércio. Mas a guerra só deu certo mesmo para os nobres ingleses 
que, junto com um bando de soldados mercenários, saquearam regiões inteiras da 
França. Derrotada, a Inglaterra viveu uma crise de autoridade monárquica, isto é, 
autoridade dos reis. Estourou uma guerra civil entre as duas famílias que 
pretendiam o trono, os York e os Lancaster. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 73
Foi a Guerra das Duas Rosas (1453-1485), em que essas flores mais 
famosas serviam para adornar as tumbas dos soldados mortos no conflito. No final, 
depois de muitas mortes, Henrique VII foi coroado rei, inaugurando a dinastia 
Tudor. 
 
Dois países que não se unificaram 
 
A Itália e a Alemanha só conseguiram formar seus Estados nacionais no 
século XIX. No século XVI, a Itália estava dividida em vários pequenos Estados, 
muitos deles repúblicas controladas por importantes cidades comerciais, como 
Gênova e Veneza. O papa era um rei feudal, controlando terras e súditos, fazendo 
leis, comandando exércitos e se envolvendo em guerras. 
 
 
 
Os Teóricos do Absolutismo 
 
 
Você viu até aqui, a formação dos Estados Nacionais certo? Veja agora 
como alguns pensadores da época tentaram compreender, orientar e justificar o 
absolutismo, isto é, o poder dos reis absolutistas. 
 
• Jean Bodim – (Francês que viveu entre 1530 – 1596), ele era bem claro 
quando escrevia que os reis tinham “direito de impor leis aos súditos sem 
o consentimento deles”, mas reconhecia que o rei deveria respeitar os 
ricos, pois não podia “tomar propriedade dos outros sem um motivo 
razoável”. 
 
• Jacques Bossuet – (1627 – 1704), foi outro francês que formulou a 
doutrina do direito divino. Ele dizia que o rei estava no trono por 
vontade de Deus. 
 
• Maquiavel – (1469 – 1527), foi um dos grandes pensadores políticos do 
seu tempo. Para ele só um homem cheio de virtudes, como a ousadia e 
perspicácia, seria capaz de fundar o Estado italiano. 
Sua famosa obra “O Príncipe” é uma espécie de manual que ensinaria a 
este homem destemido como unificar um país. 
 
Responda em seu caderno as questões propostas: 
 
1. Explique o que você entendeu sobre os Estados Nacionais. 
 
2. Diga qual é a importância dos reis para a formação desses Estados Nacionais. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 74
Saiba que nem todos os pensadores aderiram ao absolutismo, pois pensavam 
de maneira diferente. Conheça alguns deles: 
 
• Thomas Morus – (1478-1535) escreveu “A Utopia”, na qual descreve um 
Estado ideal, sem propriedade privada e com o governo eleito 
democraticamente. Trata-se de uma obra cheia de ironia. 
Por causa de suas idéias, a mando do rei Henrique VIII, o machado 
cortou-lhe a cabeça, mas suas idéias permanecem até hoje. 
 
• Etienne de La Boétie (1530 – 1563) escreveu o Discurso da Servidão 
Voluntária, em que faz uma pergunta extraordinária: Por que existe o 
poder e não apenas a amizade entre as pessoas? Por que tantos aceitam se 
submeter a uns poucos, certamente mais fracos por sua condição de 
minoria? É como se os homens quisessem livremente se tornar escravos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 A EXPANSÃO MARÍTIMA 
 
 
Você já aprendeu sobre os 
Estados Nacionais, certo? 
 
Agora você verá que, 
apesar da formação dos Estados 
Nacionais e do crescimento das 
cidades em toda Europa, durante 
muito tempo, o europeu viveu 
limitado geograficamente, isto é, 
não sabia da existência da 
América e Oceania, e mal 
conhecia a África e a Ásia. 
Note então, que a Europa 
precisava crescer economicamente - expandir-se, buscar novas soluções para seus 
problemas internos (que veremos mais adiante). 
Foi no sistema capitalista nascente que se encontraram as soluções para 
atender muitas dessas necessidades. 
 
Responda em seu caderno a questão proposta: 
 
3. Você concorda com os teóricos desse período que procuravam justificar a 
centralização do poder nas mãos dos reis? Justifique a sua resposta. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 75
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capitalismo - Influência ou 
predomínio do capital, do dinheiro, em que 
os meios de produção tem como base 
essencial o capital privado, isto é, o 
dinheiro de particulares. 
 
 
 
O CAPITALISMO transforma tudo num negócio. 
 
A saúde (medicina) vira negócio; 
a educação vira um negócio; 
a alimentação vira um negócio; 
a cultura vira um negócio... 
 
Tudo passa a ser regido pela batuta do lucro. 
Tudo isso, meus caros, porque na verdade, 
o capitalismo não tem o menor apreço 
nem o menor respeito pelo homem. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 76
Veja que o desenvolvimento do capitalismo foi impulsionado pela expansão 
marítimo-comercial da Europa, nos séculos XV e XVI. 
 
Dessa expansão resultaram o descobrimento de novas rotas de comércio para 
o Oriente e a conquista e colonização da América. Fatores econômicos, sociais, 
políticos e culturais ocorreram para aexpansão marítima e comercial européia. 
Vejamos esses fatores: 
 
Entre os produtos mais procurados pelo comércio europeu figuravam as 
especiarias (cravo, canela, pimenta, etc.) e os artigos de luxo (porcelanas, tecidos 
de seda, marfim, etc.). 
Esses produtos tinham procedência oriental (Ásia e África) e chegavam à 
Europa após percorrer longo e difícil trajeto por terra e mar, o que encarecia muito 
seu preço final. No século XV, esse lucrativo comércio era praticamente 
monopolizado por ricos comerciantes de Gênova e Veneza (importantes centros 
comerciais). 
 
Navegando pelo mar Mediterrâneo, recebiam os produtos do Oriente, 
principalmente no porto de Constantinopla, e depois revendiam por altos preços na 
Europa. Setores da burguesia européia, a princípio desvinculados dos genoveses e 
venezianos, empenharam-se em romper o monopólio desses comerciantes. Para 
isso, buscaram descobrir rotas alternativas de comércio com o Oriente. 
 
Os turcos conquistaram Constantinopla, em 1453, e bloquearam o comércio 
de especiarias realizado pelo mar Mediterrâneo. Esse fato uniu a burguesia européia 
na busca de um novo caminho até os fornecedores orientais. 
 
Veja que, descobrir novos caminhos para o Oriente significava também, 
conquistar novos mercados consumidores para o artesanato e as manufaturas 
européias, além disso, a Europa necessitava de gêneros alimentícios e de matérias-
primas. Essas necessidades só poderiam ser atendidas com a ampliação de mercados 
fora do continente europeu. 
 
Os metais preciosos europeus eram permanentemente desviados para o 
Oriente, na compra de especiarias e artigos de luxo. As minas de ouro e de prata da 
Europa já não produziam quantidade suficiente de metais preciosos para a cunhagem 
de moedas. Para solucionar esse problema, os europeus precisavam descobrir novas 
minas em outras regiões. 
 
 
 
É bom que você saiba que os Estados Nacionais, 
 adotaram certas medidas onde o rei controlava toda a economia do país 
através do mercantilismo. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 77
Era a política econômica dos reis absolutos. Através do 
mercantilismo, o rei controlava o funcionamento da economia de seu país, 
com o objetivo de fortalecer o seu poder. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 A expansão comercial aumentaria os poderes do rei, 
manteria os privilégios da nobreza e elevaria os lucros da 
burguesia. 
Assim, os Estados Nacionais deram todo apoio à 
expansão marítima. Agora fica fácil entender o que os Estados 
Nacionais têm a “ver” com a Expansão Marítima, não é 
mesmo? 
 
Perceba que, os participantes da expansão marítimo-comercial européia 
tinham um outro objetivo: propagar a Religião Católica. 
 Na verdade, os líderes envolvidos na expansão marítima, eram movidos, 
sobretudo, pela ambição de: 
 
 
 ““““VALER MAISVALER MAISVALER MAISVALER MAIS””””, o que significava TER MAISTER MAISTER MAISTER MAIS... 
conseguindo produtos orientais, encontrando ouro, enfim, enriquecer-se e... 
SER MAISSER MAISSER MAISSER MAIS, projetar-se socialmente. 
 
 
Então, você pode concluir que a expansão tornou-se possível graças ao 
desenvolvimento científico-tecnológico, que permitiu as navegações à grandes 
distâncias, graças ao uso da bússola, do astrolábio e do quadrante; da invenção da 
caravela pelos portugueses; o aperfeiçoamento dos mapas geográficos; e a aceitação 
da noção de que a Terra é redonda. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Responda em seu caderno as questões propostas: 
 
4. Diga qual a relação entre Estados Modernos e expansão marítima. 
 
5. Quais desenvolvimentos científico-tecnológicos auxiliaram as grandes 
navegações? 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 78
 
Navegações Portuguesas 
 
 
Saiba que Portugal foi o primeiro país da Europa a se lançar às grandes 
navegações no século XV. Conheça os fatores que contribuíram para o pioneirismo 
português: 
 
• Centralização administrativa – realizada durante a dinastia (família de) Avis, a 
centralização administrativa de Portugal permitiu que a monarquia passasse a 
governar em sintonia com os projetos da burguesia. 
 
• Mercantilismo – com a centralização político-administrativa, Portugal assumiu 
características de um Estado Absolutista. E a política econômica adotada por 
esse Estado foi o mercantilismo. A prática mercantilista atendia tanto aos 
interesses do rei, que desejava fortalecer o Estado para aumentar seus poderes, 
quanto aos da burguesia, que desejava aumentar seus lucros e acumular mais 
capital. 
 
• Ausência de guerras – no século XV, enquanto vários países europeus estavam 
envolvidos em confrontos militares, Portugal era um país sem guerras. A 
Espanha, por exemplo, ainda lutava pela expulsão dos árabes. A França e a 
Inglaterra encontravam-se envolvidas na Guerra dos Cem Anos. Essas guerras 
contribuíram para atrasar a entrada desses países na história das grandes 
navegações. 
 
• Posição geográfica – a posição geográfica de Portugal, banhado em toda a sua 
costa oeste pelo Oceano Atlântico, facilitou a expansão portuguesa por mares 
nunca antes navegados. A expansão Marítima Portuguesa teve como marco 
inaugural a conquista de Ceuta, em 1415, no norte da África. 
 
 
Saiba que, D. Henrique, que recebeu o título de “O Navegador”, participou 
da conquista de Ceuta e ao regressar para Portugal, em 1416, organizou no sul do 
país um centro de pesquisas de navegação na vila de Sagres, a chamada Escola de 
Sagres, que se tornou o mais avançado centro de navegação da época. O principal 
objetivo de D. Henrique era atingir o Oriente e apossar-se do seu comércio. 
 
Navegando pela costa do continente africano, os portugueses foram 
estabelecendo feitorias (postos comerciais) pelo litoral, nas quais realizavam 
lucrativos comércios. Obtinham ouro, sal, marfim, pimenta e escravos para trabalhar 
na Europa. Por volta de 1550, cerca de 10% da população de Lisboa (capital de 
Portugal) era constituída de escravos negros. 
 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 79
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A grande aventura marítima portuguesa, que durou quase um século, 
culminou com a chegada de Vasco da Gama às Índias. Realizava-se o grande sonho 
de Portugal: descobrir um novo caminho para o Oriente. 
 
Em 1500, uma nova expedição foi organizada por Portugal para as Índias. 
Porém chegaram a uma terra até então desconhecidas por eles : o Brasil. 
 
 
Agora observe no mapa abaixo, as Navegações Portuguesas: 
 
 
 
FEITORIA FEITORIA FEITORIA FEITORIA –––– entreposto co entreposto co entreposto co entreposto comercial geralmente fortificado, mercial geralmente fortificado, mercial geralmente fortificado, mercial geralmente fortificado, 
que os portugueses iam estabelecendo pelo litoral. Negociando que os portugueses iam estabelecendo pelo litoral. Negociando que os portugueses iam estabelecendo pelo litoral. Negociando que os portugueses iam estabelecendo pelo litoral. Negociando 
com os nativos, os portugueses recebiam e armazenavam nas com os nativos, os portugueses recebiam e armazenavam nas com os nativos, os portugueses recebiam e armazenavam nas com os nativos, os portugueses recebiam e armazenavam nas 
feitorias, os produtos que seriam transportados para a metrópole.feitorias, os produtos que seriam transportados para a metrópole.feitorias, os produtos que seriam transportados para a metrópole.feitorias, os produtos que seriam transportados para a metrópole. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 80
 
 
 
 
 
 
 
Navegações Espanholas 
 
 
Podemos notar que na Espanha, o movimento da Reconquista (luta através 
da qual a Espanha queria recuperar territórios perdidos) prolongou-se até fins do 
século XV. Envolvida na atividade militar, a Espanha atrasou, em relação a 
Portugal, seu ingresso na expansão marítima, como já vimos antes. 
 
Colombo, convicto da natureza arredondada da Terra, pretendia atingir o leste 
viajando em direção a oeste. Seu plano estava teoricamente certo. Porém, entre a 
Europa e a Ásia, havia outro continente,a América. 
 
Com três caravelas (Santa Maria, Pinta e Ninã), Colombo partiu do porto 
de Palos no dia 3 de agosto de 1492. Dois meses depois, em 12 de outubro de 1492, 
Colombo avistava sinais de terra. 
 
Colombo chegou pela primeira vez à América e pensou ter chegado nas 
Índias. Por pensar ter chegado nas Índias, ele chamou os habitantes da América de 
Índios. 
Colombo fez mais três viagens à América sempre pensando ter atingido às 
Índias. Morreu sem saber que havia chegado num novo continente. Posteriormente, 
outros navegadores esclareceram o engano de Colombo. Entre eles estava o amigo 
Américo Vespúcio. O Continente recebeu o nome de América em homenagem ao 
Américo Vespúcio. 
 
Veja que, depois da viagem de Colombo, sucederam-se outras viagens. Entre 
elas destacaram-se: 
 
♦ 1500 - Vicente Pinzón chega até a foz do rio Amazonas, chamando-o de mar 
Doce; 
♦ 1513 - Vasco Nunez de Balboa atinge o Oceano Pacífico; 
♦ 1519 - Fernão Magalhães inicia a primeira viagem de circunavegação através do 
mundo, terminada em 1521. 
 
 
 
 
 
Responda em seu caderno a questão proposta: 
 
6. Demonstre os fatores (de forma resumida) que contribuíram para o 
pioneirismo português na expansão marítimo-comercial do século XV. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 81
Você sabia que a expansão marítima pelo Atlântico, nos séculos XV 
e XVI, consumiu muito dinheiro e também muitas vidas. Bastava uma 
tempestade, com ventos fortes e vagalhões imensos que o navio podia 
sofrer rombos no casco ou ter seus mastros e velas arrancados. Os 
naufrágios eram freqüentes. 
 
Os alojamentos da tripulação eram rústicos e apertados. As viagens 
eram longas e muito desconfortáveis. De Lisboa ao nordeste do Brasil, o 
percurso durava cerca de dois meses. A ausência prolongada de legumes e 
verduras (fontes de vitamina C) na alimentação causava uma doença 
comum entre marinheiros, chamada escorbuto. 
 
Além disso, as más condições de armazenamento dos víveres 
obrigava a tripulação a, por exemplo, beber água malcheirosa ou comer 
produtos deteriorados, como bolachas já atacadas por fungos ou insetos. 
Houve viagens como a circunavegação (1519-1521), em que, esgotados os 
mantimentos, a tripulação teve de comer pedaços de couro amolecidos na 
água do mar, serragem de madeira e até ratos. 
 
 
 
 
Agora, observe no mapa abaixo as navegações Espanholas. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 82
Espanha e Portugal 
foram os primeiros países 
europeus a realizar as grandes 
navegações. 
 Por isso, acharam que 
poderiam dividir as terras 
“descobertas” (na verdade não 
foram descobertas, pois já 
haviam outros povos morando 
aqui) entre si. 
 Em 1494 assinaram o 
Tratado de Tordesilhas, que se 
baseava numa linha imaginária. 
As terras a oeste dessa linha 
seriam da Espanha, e do outro 
lado de Portugal. 
Foi a partir disso que 
Portugal tratou de tomar posse 
de seu pedaço do Brasil, 
mandando Pedro Álvares Cabral 
para cá em 1500. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os Portugueses chegam ao Brasil 
 
 
Veja que a descoberta do novo caminho 
para às Índias provocou grande alegria na corte 
portuguesa. 
Vasco da Gama retornou em 1499, com 
um carregamento que superou em sessenta 
vezes o custo da expedição. 
Diante do sucesso, o rei de Portugal, D. 
Manuel, resolveu enviar às Índias uma esquadra 
para estabelecer sólida relação comercial e 
política com os povos do Oriente. A esquadra, a 
mais bem aparelhada que Portugal já havia 
organizado, compunha-se de treze navios e 
conduzia aproximadamente 1500 pessoas. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 83
Faziam parte da tripulação experientes navegadores, como Bartolomeu Dias, 
Nicolau Coelho e Gaspar Lemos. O comando coube a Pedro Álvares Cabral, 
fidalgo (nobre) português de 32 anos, sem grande experiência marítima. 
 
 
A esquadra partiu de Lisboa em 9 de março de 1500. No dia 22 de abril, um 
monte alto e arredondado foi avistado e, mais ao sul, uma extensa faixa de terras 
baixas. Por estarem na semana da Páscoa, o monte recebeu o nome de monte 
Pascal, e a terra foi batizada de Vera Cruz. 
 
Posteriormente, alteraram-lhe para Terra de Santa Cruz, que permaneceu 
por algum tempo. A partir de 1503, aproximadamente, deu-se à nova terra o nome 
de Brasil, devido a grande quantidade de árvore pau-brasil existente no litoral. 
 
No dia 23 de abril, a esquadra de Cabral estabeleceu os primeiros contatos 
com os indígenas brasileiros, por meio do comandante Nicolau Coelho. 
 
 
Conheça parte da carta que o escrivão Pero Vaz de Caminha mandou ao rei 
de Portugal, descrevendo o lugar onde os navios ancoraram e as impressões gerais 
que os portugueses tiveram sobre as possibilidades da terra. 
 
 
 
“Essa terra, é muito chã e muito formosa. 
 
Nela até agora não podemos saber se haja ouro, nem prata, 
 
 nem nenhuma coisa de metal..., 
 
porém a terra em si é de muito bons ares: 
 
as águas são muitas, infindas: em tal maneira é graciosa que, 
 
 querendo-a aproveitar, dar-se-á nela de tudo; 
 
 porém o melhor fruto, que nela se pode fazer; 
 
 me parece que será salvar essa gente...” 
 
 
Ora, e o que o escrivão estava querendo dizer com essa última frase? 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 84
 Referia-se à tarefa de 
converter os indígenas à fé cristã. 
Em outros trechos da Carta de 
Caminha, fica claro que os primeiros 
contatos entre portugueses e 
indígenas, embora cautelosos, foram 
de cordialidade, porém tal 
relacionamento desapareceria em 
pouco tampo. 
Em seu lugar surgiu o brutal 
confronto do conquistador com as populações indígenas. 
 
 
 
Você estudará mais sobre a História do Brasil logo à frente. 
 
 
 
 
A Colonização Espanhola 
 
 
 
A conquista colonial de diversos povos do mundo, resultante da expansão 
marítimo-comercial, foi considerada um direito inquestionável da Europa. Por quê? 
Por uma razão muito simples, considerando a civilização européia superior às 
demais civilizações, os europeus julgavam-se no direito de submeter os povos do 
resto do mundo, impondo-lhes sua cultura. 
 
É importante que você entenda que a crença na superioridade da civilização 
européia baseou-se principalmente nos seguintes pontos: 
 
• a Europa acreditava ser um povo superior desde o nascimento; 
• a Europa julgava conhecer a única e verdadeira fé religiosa: o cristianismo; 
• a Europa acreditava possuir o mais avançado estágio de desenvolvimento 
técnico, científico e artístico. 
 
Veja que, com esse conjunto de idéias, os europeus justificaram a brutal 
conquista dos povos da América, da África e da Ásia. Era o preço pago para se 
exportar a civilização européia. 
 
Antes da chegada de Colombo, diversos povos viviam na América: os povos 
pré-colombianos. Essa denominação tem como base a chegada de Colombo ao 
continente americano – aliás, um referencial europeu. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 85
ASTECAS 
 MAIAS 
 INCAS 
 Em fins do século 
XV, havia no continente 
americano mais de 3 mil 
nações indígenas. 
 
 
Observe o mapa ao 
lado. 
Muitas dessas 
nações eram aparentadas, 
outras eram bem 
diferentes entre si. 
Falavam línguas diversas e 
tinham culturas distintas. 
 
Na América, as 
sociedades indígenas que 
se formaram, tiveram 
evolução diferenciada nas 
várias partes do 
Continente. 
 
Uma prova dessa evolução diferenciada, são as três grandes civilizações 
americanas: Maias, Incas e Astecas. 
 
Esses povos atingiram o estágio da civilização e construíram verdadeiros 
impérios, provocando espanto aos europeus quando estes começaram a chegar à 
América por volta de 1.492. 
 
 
Para saber mais, vamos conhecer um pouquinho desses povos. 
 
 
• Civilização Maia 
 
Desenvolveu-se na península do Yucatán, na América Central. Alcançou seu 
apogeu no século VII. A economia dos maias baseava-se principalmente no cultivo 
de milho, feijão e batata-doce. Eles não conheciam o uso do ferro, da roda, do arado 
e do transporte realizado por animais. A sociedade era dirigidapor poderosos 
sacerdotes. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 86
No setor cultural, os maias 
construíram grandes templos, 
pirâmides e observatórios de 
astronomia; criaram um 
calendário bastante preciso e um 
sistema de escrita; 
desenvolveram a pintura mural e 
a arte cerâmica. 
 
Na época da chegada do 
colonizador espanhol (final do 
século XV), a civilização MAIA 
estava sendo dominada pelos 
ASTECAS. 
 
 
 
• Civilização Asteca 
 
Desenvolveu-se a partir do século XII, na região do atual México. Povo 
guerreiro, os 
astecas eram 
governados por 
um rei poderoso, 
que vivia na 
cidade de 
Tenochtitlán, atual 
cidade do 
México). 
 
Plantavam 
milho, feijão, 
cacau, algodão, 
tomate e tabaco. 
 
Além disso, comercializavam bens, como tecidos, peles, cerâmicas, sal, ouro 
e prata. Desconheciam o uso do ferro, da roda, dos animais de carga. 
Dominavam, entretanto, a técnica de ourivesaria (trabalhos manuais em 
ouro), da cerâmica e da tecelagem. 
 
Os astecas construíram grandes templos religiosos, desenvolveram a escrita 
primitiva e um calendário próprio. 
A história da conquista do Império Asteca pelos espanhóis, teve início em 
fevereiro de 1519, quando Hernán Cortes desembarcou na Península do Yucatán. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 87
Informado da grande quantidade de ouro existente no Império Asteca, Cortês 
decidiu atacá-lo. Combinando violência e habilidade, Cortés prendeu o imperador 
asteca Montezuma e saqueou a cidade de Tenochtitlán. 
 
 
 
• Civilização Inca 
 
Desenvolveu-se na região que 
hoje corresponde ao Peru, ao Equador, 
a Bolívia e ao norte do Chile. Alcançou 
seu período de maior esplendor por 
volta do século XIV. É importante 
você saber que o Império Inca chegou 
a ter uma população de 20 milhões de 
habitantes. 
 
O império Inca, com 
capital 
na cidade de Cuzco (cordilheira dos 
Andes), era governado por um 
imperador considerado um deus, filho 
do Sol (o Inca) . 
 
Para governar, o Imperador Inca contava com chefes militares, governadores 
de províncias, sacerdotes e muitos funcionários. 
 
A economia dos incas baseava-se no cultivo de milho, batata e tabaco, 
desenvolveram a tecelagem, a cerâmica, a metalurgia do bronze e do cobre: sabiam 
trabalhar metais preciosos, como ouro e a prata e utilizavam a lhama como animal 
de carga. Construíram palácios, templos, estradas 
pavimentadas, aquedutos e canais de irrigação. 
 
Não desenvolveram um sistema completo de 
escrita, mas sabiam registrar números e 
acontecimentos através dos quipos – eram cordões 
coloridos nos quais se davam nós como forma de 
registrar as informações. 
 
A conquista do Império Inca foi iniciada a 
partir de 1531, por Francisco Pizarro. Em 1533, 
Pizarro conseguiu invadir a capital inca, desestabilizando todo o Império. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 88
Quantos milhões de pessoas viviam na América 
antes da chegada do europeu no final do século XV? 
 
 
É impossível responder a essa pergunta com precisão. Calcula-se entretanto, 
que existia em todo o continente americano (com 42 milhões de km2) uma 
população de aproximadamente 88 milhões de habitantes, concentrada 
principalmente na América Central e no norte da América do Sul. 
 
Era uma massa populacional tão grande que correspondia a cerca de 20% da 
humanidade. 
 
Também são variadas as estimativas sobre 
a população indígena total que vivia no Brasil. 
Algumas indicam cerca de 2,5 milhões de índios, 
no início do século XVI, enquanto outras 
apontam aproximadamente 5 milhões. 
 
Nesse mesmo período, Portugal e Espanha 
não possuíam juntos 11 milhões de habitantes. 
Veja que foram principalmente portugueses e 
espanhóis que conquistaram brutalmente os 
povos americanos. Uma das mais sangrentas 
conquistas registradas em toda a história humana. 
 
 
Saiba que as armas do conquistador europeu, eram 
superiores as dos povos pré-colombianos. Essa 
superioridade verificou-se no: 
 
 
� uso da pólvora – (armas de fogo), desconhecidas dos 
povos pré-colombianos; 
 
 
� uso do cavalo – dava grande mobilidade ao 
conquistador durante os combates. Animal 
desconhecido dos povos da América; 
 
 
� uso do aço – armas feitas de aço. 
 
A superioridade do armamento europeu não explica a vitória do conquistador 
sobre os nativos americanos. Os índios eram numericamente superiores, chegando a 
representar cerca de 500 a 1000 índios para cada europeu. 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 89
 Na luta entre os nativos, o conquistador contou também com a 
chamada “guerra microbiana”, isto é, diversas doenças infecciosas trazidas pelo 
europeu (sarampo, tifo, varíola, malária, gripe, etc.). Essas doenças eram letais para 
os índios, que não tinham resistência imunológica à elas. Tais doenças provocaram 
grandes epidemias, matando aldeias inteiras. 
 
Contaminado por essas doenças, que ignorava e não sabia combater, o 
indígena sofria duplo impacto (físico e psicológico), pois supunha, muitas vezes, 
estar sendo castigado pelos seus deuses. Desse modo entregava-se ao mais desolador 
sentimento de apatia. 
 
Saiba que, aos povos pré-colombianos que sobreviveram, o conquistador 
europeu impôs costumes que modificaram bastante o modo de vida de suas 
comunidades. Populações inteiras foram aprisionadas e removidas de suas regiões 
de origem para trabalhar como escravos para o conquistador. 
 
Milhares de famílias indígenas foram desmembradas. Pais foram separados 
dos filhos, maridos foram separados das mulheres. Fora de seu meio natural, a 
população indígena sofreu com as mudanças no tipo de alimentação e no ritmo de 
trabalho. Enfim, a economia indígena foi completamente desestruturada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A América Espanhola no século XIX 
 
 
É importante você não se esquecer que quando falamos em América 
Espanhola, estamos nos referindo ao período em que a América foi invadida, 
conquistada e colonizada pelos espanhóis. É bom lembrar também, que 
anteriormente vimos a conquista dos povos da América em fins do século XV e 
agora veremos a dominação desses povos já no século XIX . 
 
Por volta de 1830 a maioria dos países da América já tinha proclamado a 
independência. Entretanto, as diferenças entre eles eram bastante claras. 
 
 
Responda em seu caderno a questão proposta: 
 
7. Leia o texto e justifique a frase: “A superioridade do armamento europeu, 
não explica a vitória do conquistador sobre os nativos americanos.” 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 90
América Latina, é o nome que 
recebe a parte do Continente Americano 
que vai do México até a Argentina e que 
foi colonizada por portugueses e 
espanhóis. 
 
Os Estados Unidos da América já começavam a se tornar o país mais 
industrializado do planeta. A América Latina, dominada pela herança colonial, 
ficava para trás, afinal, foram séculos de exploração, conforme o que estudaremos 
mais adiante. 
 
 
 
 
 
Quando estudamos os povos do Continente Americano, encontramos 
dificuldades em achar documentos produzidos pelos povos pré-colombianos. Isso 
ocorre devido à violência da conquista, dominação e destruição de documentos 
dessas culturas. 
 
Portanto, quando explicamos o que ocorreu na América nesse período, 
falamos em visão eurocentrista, isto é, onde prevalecem os valores dos europeus 
(colonizadores) sobre os povos dominados. 
 
 
Bem, você aprendeu um pouco da América pré-colombiana, certo? 
 Então não se esqueça que nesse período os europeus ainda não 
haviam se estabelecido no continente. 
 
 
Agora você vai estudar a América Colonial (fase da dominação européia no 
continente Americano) e a América Independente (fase da busca e da conquista 
de autonomia em relação às metrópoles: Portugal , Espanha e Inglaterra). 
 
 
 
 
A AMÉRICA COLONIAL 
 
 
Saiba que, a conquista e colonização do território americano, realizadas a 
partir do século XV como já vimos anteriormente, pelos reinos ibéricos (Portugal e 
Espanha), tinham por objetivosuprir as necessidades do comércio europeu. A 
medida que Portugal e Espanha foram centralizando o poder nas mãos do rei, 
iniciaram a expansão marítima comercial (que também já vimos), provocando uma 
competição cada vez mais acirrada entre eles. 
 
HISTÓRIA – ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 91
Inicialmente entre Portugal e Espanha, pioneiros dessa expansão e um pouco 
mais tarde, França e Inglaterra entraram nessas competições. 
A disputa por novos mercados, exigida pela própria expansão comercial dos 
países europeus, trouxe a valorização das terras americanas e a necessidade de 
colonizá-las frente à ameaça de perdê-las para um competidor, isto é, esses países 
com medo de perder essas terras, apressaram-se em colonizá-las. 
 
Entraram nessa disputa principalmente, Portugal, Espanha, Inglaterra e 
França, gerando dois tipos de colônia: 
 
• de exploração - que ocorreu na América do Sul: tudo o que era produzido 
aqui, era para atender as necessidades da metrópole; 
 
• de povoamento - que ocorreu na América do Norte: tudo que o era 
produzido na região, era para atender as necessidades dos colonos. 
 
 
Agora observe no esquema abaixo, algumas características dos dois tipos de 
colonização: 
 
Colônia de Exploração Colônia de Povoamento 
 
Latifúndio: grandes propriedades. 
Monocultura: cultivo de um só 
produto. 
Trabalho compulsório: escravidão 
e servidão indígena. 
Mercado externo: produção destinada 
à metrópole. 
Pacto colonial: as colônias 
funcionavam de acordo com os 
interesses da metrópole. 
 
 
Pequena propriedade familiar 
 
Policultura e desenvolvimento de 
manufaturas 
 
Trabalho livre e “servidão por 
contrato” 
 
Mercado interno e Liberdade 
econômica 
 
 
É importante você saber que, além da 
mão-de-obra indígena, também foi 
utilizada em larga escala a mão-de-obra 
escrava africana. 
Também é importante lembrar que as colônias de exploração até o século 
XVIII, eram mantidas pela coroa num rígido controle sobre o comércio colonial, 
operando por meio de portos únicos, que abasteciam a colônia com as mercadorias 
européias e de frotas armadas, ou seja, comboios de navios que realizavam a viagem 
da Espanha à América. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Veja que a mineração de ouro e de prata representou a atividade principal até 
a segunda metade do século XVII. Essa atividade mineradora, além de abastecer a 
metrópole com esses metais preciosos, exigiu a organização de uma economia 
secundária, isto é, que suprisse as necessidades não só da área mineradora mas 
também, as de outras regiões da colônia. 
Assim, desenvolveu-se a agricultura e a pecuária, que eram praticadas em 
grandes propriedades chamadas haciendas, cuja produção era voltada para o 
mercado interno e principalmente para a exportação. 
 
Saiba que o cultivo da terra não foi feito somente com plantas trazidas pelos 
europeus como cana-de-açúcar, mas utilizou-se também plantas originárias da 
América como tabaco, cacau e milho. 
 
Nessas grandes propriedades – haciendas, a mão-de-obra utilizada, tanto na 
mineração como na agricultura e pecuária foi a indígena, em um sistema de 
verdadeira servidão coletiva. Nas haciendas, o trabalho era realizado através da: 
 
• Mita: Era um trabalho 
remunerado, forçado e utilizado 
especialmente na mineração. 
 
Responda em seu caderno a questão proposta: 
 
8. Cite duas diferenças entre colônia de exploração e colônia de 
povoamento. 
E como funcionava a 
colônia Espanhola? 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 93
Os criollos 
Esse sistema já era utilizado pelos incas e astecas, com o nome de 
“cuatequil”. Esse tipo de trabalho era feito através de revezamento, ou 
seja, um grupo de indígenas trabalhava determinados meses do ano, sendo 
depois substituído. 
 
• Encomienda : Esse trabalho era realizado geralmente na agricultura e era 
forçado. Bem você viu alguns aspectos econômicos da sociedade colonial, 
certo? 
 
 
Agora veja a divisão das classes sociais formadas a partir da dominação 
espanhola: 
 
• A camada dominante, ou a elite colonial, dividia-se em: 
 
- Chapetones – eram pessoas nascidas na metrópole, que possuíam todos 
os privilégios e ocupavam os altos cargos políticos, religioso e militar. 
 
- Criollos – eram filhos de espanhóis nascidos na 
América. Eram grandes mineradores e 
proprietários de terra. Não ocupavam cargos 
políticos. Possuíam somente poder econômico. 
Pagavam pesados impostos para sustentar a os 
chapetones. Boa parte deles havia estudado na 
Europa e defendiam a liberdade na economia e 
política. 
 
 Os criollos reivindicavam o fim do 
monopólio comercial, a liberdade para 
desenvolver atividades econômicas e a 
possibilidade de ocupar altos cargos na 
administração. 
No meio da elite criolla, apareceu o chefe político 
local - o caudilho, cujo poder repousava no latifúndio e 
na fidelidade de seus seguidores. No começo do século 
XIX, formou-se na sociedade colonial um 
militarismo, que se vinculou aos interesses da elite 
criolla. 
 
 Caudilho – é um indivíduo que exerce uma 
liderança política e militar sobre um determinado 
grupo de pessoas. É a partir dessa liderança 
que ele exerce o poder. Podemos 
dizer que 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 94
o caudilho tem a capacidade de acaudilhar outros indivíduos. Mas o que 
exatamente quer dizer acaudilhar? 
É comandar como um chefe local. 
 
• A camada intermediária, ou classe média urbana, mantinha vínculo 
social, econômico e político com as camadas dominantes. Desenvolvia 
atividades profissionais como comerciantes, advogados, médicos, 
professores, artesãos, etc. 
 
• A camada dominada ou classe popular, era formada pela grande 
maioria da população. Nessa camada estavam desde os trabalhadores 
livres do meio rural e urbano – os mestiços – até a maioria dos 
trabalhadores escravos, que incluíam negros e índios. 
 
A relação entre a colônia e a metrópole foi sempre conflitante, pois seus 
interesses eram divergentes. Os primeiros movimentos de libertação da América 
Espanhola começaram no século XVIII. Entre eles destacamos a Revolução 
Comunera, no Paraguai (1717) , e a Revolta no Peru, liderada por Tupac Amaru - 
(1780) . Ambas foram reprimidas de forma violenta pelos espanhóis. Tupac Amaru, 
teve a língua cortada e depois foi esquartejado. 
 
Outro movimento que ocorreu a partir de 1791, foi a revolta dos escravos, em 
São Domingos, liderada por um ex-escravo, François Toussaint. No começo do 
século XIX, os escravos controlavam toda a ilha, porém, em 1803, Toussaint foi 
executado. 
 
Mesmo assim, o processo de emancipação continuou e, em 1805, o seguidor 
de Toussaint, Dessalines, proclamou a independência da ilha adotando o nome de 
Haiti. 
 
 
Saiba que no século XIX, a Europa estava profundamente abalada pelas 
guerras realizadas por Napoleão Bonaparte – as chamadas guerras napoleônicas. 
 
 
 
Através dessas guerras, a Espanha foi invadida por tropas francesas, seu rei 
(Fernando VII) foi aprisionado e o país mergulhou em uma luta contra as forças 
invasoras. Isso permitiu que surgissem grupos políticos nas colônias em condições 
de proclamar a sua independência. 
Note então que, dessa forma, a dominação napoleônica foi importante para a 
emancipação das colônias espanholas, pois trouxe às claras as contradições do 
sistema colonial espanhol. 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 95
Havia também alguns grupos interessados em aproveitar a fragilidade da 
administração colonial espanhola e separar definitivamente a colônia da metrópole. 
A primeira manifestação nesse sentido ocorreu no vice-reinado de Nova Espanha 
quando, em 1810, os padres Hidalgo e Morellos passaram a liderar um movimento 
de emancipação do México. 
 
O padre Miguel Hidalgo liderou uma rebelião camponesa que exigia a 
liberdade, a igualdade étnica e a reforma agrária, com a distribuição de terras para os 
trabalhadores. Um ano depois, o movimento foi sufocado e Hidalgoexecutado. 
 
O padre Morellos continuou a luta e teve o mesmo fim. A independência 
definitiva do México só veio ocorrer em 1821, declarada pelo general Itúrbide. 
 
 
No vice-reinado do rio Prata, em 1810, o general Belgrano expulsou o vice-
rei nomeado pela junta de Sevilha, formando a junta de Buenos Aires, de governo 
autônomo. 
 
Essa junta enviou exércitos para o Paraguai e Alto Peru, a fim de assegurar 
sua supremacia sobre essas regiões. 
 
 
Entretanto os paraguaios, recusando-se a aceitar a dominação de Buenos 
Aires, foram às armas, lutaram e venceram a guerra, declarando a independência em 
maio de 1811. Nascia a nação livre paraguaia. 
 
 
No Paraguai, o Dr. Gaspar Francia instalou uma ditadura. Enquanto isso, os 
criollos argentinos convocaram, em 1813, a primeira assembléia nacional da 
Argentina, momento em que se adotou o nome de Províncias Unidas do Rio do 
Prata. 
 
Após a guerra, a restauração absolutista na Espanha correspondeu à tentativa 
de recolonização da América espanhola. 
 
 
Todavia, os criollos argentinos rebeldes não desistiram e, em 1816, 
formalizaram a independência definitiva, no Congresso de Tucumán, criando a 
República Argentina. 
 
 
Aos poucos, o antigo vice-reinado do Prata foi se diluindo em Estados 
Nacionais soberanos. Nesse processo surgiu o Uruguai, em 1828. 
 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 96
“Interessados em ampliar mercados e 
negócios na América Latina, o capitalismo 
europeu, com o inglês na vanguarda, não 
tinha qualquer interesse em que as 
estruturas dos países do Novo Mundo 
sofressem qualquer alteração. E com razão, 
pois tal como se encontravam serviam 
perfeitamente aos interesses europeus, 
que, desta forma, poderiam manter tais 
países em uma posição de dependência em 
todos os planos”. 
 
O vice-reinado Peru também se fragmentou em nações livres: a Colômbia, em 
1819, o Equador, em 1822, o Peru, em 1821, e a Bolívia, em 1825. 
 
 
As Capitanias Gerais da Venezuela e do Chile também se emanciparam, em 
1811 e 1818, respectivamente. 
 
 
 
 
 
OS PAÍSES CAPITALISTAS E OS INTERESSES 
NOS NOVOS PAÍSES 
 
 
Saiba que a Inglaterra e os Estados Unidos, reconheceram os novos Estados 
latino-americanos. A Inglaterra via nas novas nações um mercado promissor para 
seus produtos. 
 
A burguesia industrial norte-americana, temerosa do avanço capitalista inglês 
na América Latina, procurou assegurar seus interesses por meio da Doutrina 
Monroe, de 1823, a qual preconizava “A América para os americanos”, ou seja, 
almejava o promissor mercado latino-americano para os produtos norte-americanos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AMÉRICA INDEPENDENTE 
 
Veja que a situação política e econômica da América Latina pouco mudaram 
com a independência. Os criollos continuaram exercendo o poder do mando, 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 97
enquanto grande maioria da população permanecia sendo explorada nas grandes 
propriedades. 
Saiba que os países latino-americanos não desenvolveram suas indústrias. A 
realidade social dominante era o latifúndio, propriedade privada da maioria 
criolla. Dessa forma, a concentração de renda em suas mãos permitiu-lhe o controle 
econômico, político e social - fator que contribuiu para aumentar cada vez mais sua 
riqueza. Essa realidade contrastava com outra: a grande massa da população rural 
que trabalhava a serviço dos grandes proprietários, foi marginalizada e excluída das 
grandes decisões do Estado, servindo de manobra para os interesses dos 
latifundiários. 
 
Observe no 
mapa ao lado as datas 
da independência de 
cada colônia latino-
americana. 
 
 
 
Nos novos 
países, os donos dos 
meios de produção 
tornaram-se os donos 
do poder político e 
adaptaram seus 
interesses excluindo a 
maioria da população 
da participação e 
decisão política. 
 
 
 
As elites 
nacionais, lideradas por 
caudilhos, apossaram-
se do Estado e 
adotaram o regime 
republicano, de forma 
centralizada e tradicional. 
 
É importante lembrar que ao longo do século XIX e princípios do século XX, 
o caudilhismo foi reforçado e teve suas bases ampliadas. Com o apoio dos 
acaudilhados, os líderes conquistaram o poder pela força, instaurando governos 
autoritários. 
 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 98
BRASIL COLÔNIA 
 
 
A terra que os portugueses conquistaram 
 
 
 
Caro aluno, você aprenderá um pouco mais sobre o Brasil-colônia, isto é, o 
período em que o Brasil foi explorado política e economicamente por Portugal, a 
partir de 1500, até os primeiros momentos de crise do sistema colonial (século 
XVIII). 
 
Puxa! É muita coisa, não? Afinal a crise do sistema colonial resultará na 
Independência (1822), que será um dos assuntos da próxima apostila. Realmente, é 
bastante coisa, mas nós, orientadoras de História, queremos que você se preocupe 
em entender os rumos da História e não em decorar datas e nomes difíceis! 
 
 Observe na linha do tempo abaixo, o período da História do Brasil que você 
estudará agora: o processo de ocupação das terras portuguesas, a divisão em 
Capitanias Hereditárias e o início da produção açucareira. 
 
 
 
 
 
 
 
1500 1530 1533 ±±±± 1600 1750 1822 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mas, antes de iniciarmos o estudo em História do Brasil, vamos dar um 
pulinho (imaginário, é claro!) até a Europa e verificar o que se passava por lá e o 
que se pensava, afinal foi das cabeças de alguns europeus que saiu a brilhante idéia 
de colonizar o Brasil. 
COLÔNIA 
exploração 
do 
 pau-brasil 
ocupação do território 
através das capitanias 
hereditárias 
início da 
produção 
açucareira 
início do 
processo de 
expansão 
territorial 
auge da 
produção de 
ouro 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 99
 
MercantilismoMercantilismoMercantilismoMercantilismo 
 
Era a política econômica 
dos reis. Através do 
mercantilismo, o rei controlava 
o funcionamento da economia 
de seu país, com o objetivo 
de: 
� Fortalecer o seu poder e 
enriquecer a burguesia, 
� Acumular metais preciosos, 
� Obter balança comercial 
favorável. 
 
 
Em virtude do declínio do comércio de especiarias (cravo, canela, pimenta, 
entre outros temperos) com as Índias e da necessidade e urgência em proteger as 
terras americanas dos invasores estrangeiros, a ocupação dessas terras se fez 
necessária – era a colonização. 
 A posse e a exploração das colônias, 
significaria o fortalecimento do poder real e a 
expansão do comércio europeu. 
 
Surge nessa época o Mercantilismo - por 
essa política, o Estado (REI) se “intrometia” na 
economia, criando regulamentos para a produção, 
proibindo certas importações de mercadorias, 
protegendo alguns negócios, etc. 
Para os homens da época, que defendiam o 
mercantilismo, um Estado seria forte quando 
juntasse uma grande riqueza em metais 
preciosos (ouro e prata). 
 
Esses metais seriam conseguidos através do comércio externo, ou seja, cada 
país faria de tudo para exportar (vender) muito e importar (comprar) pouco. E como 
alcançar esse objetivo? Aí é que o Estado (REI) se intrometia. Em primeiro 
lugar, criando impostos alfandegários para diminuir as importações. Para que 
o país tivesse o que exportar, o Estado estimulava o desenvolvimento das 
manufaturas nacionais e buscava colonizar novas áreas. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 100
Observando a figura da página anterior, você pode notar que as colônias 
constituíram-se em fornecedoras, a preços baixíssimos, de produtos altamente 
valorizados no comércio europeu (o açúcar, por exemplo) e se tornaram 
consumidoras dos artigos da metrópole (país que as dominava); isso favorecia a 
acumulação de capital pela burguesia. 
Você percebeu que o interesse dos países europeus nas colônias americanas 
era a exploração dos recursos naturais, (especialmente os metais preciosos) e o 
cultivo de gêneros tropicais (açúcar,tabaco e algodão). 
As colônias serviam de retaguarda econômica para as suas metrópoles, 
complementando a sua produção e ampliando o seu mercado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA COLONIAL 
 
 
No sistema colonial havia dois pólos opostos: a metrópole (país 
dominador da colônia) e as colônias (região dominada pela metrópole). 
 
 As colônias subordinavam-se política e economicamente às suas metrópoles. 
 
 O centro de decisão e controle das atividades econômicas e político-
administrativas das colônias estava, pois, na Europa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No funcionamento do antigo sistema colonial, apresentavam-se dois tipos de 
colonização: povoamento e exploração. 
 
Agora responda em seu caderno: 
 
09. Identifique o principal interesse dos países europeus nas colônias 
americanas. 
No sistema colonial mercantilista, chamamos 
de: 
 
� Metrópole – o país dominador da colônia. 
� Colônia de exploração – a região dominada pela metrópole. 
� Pacto Colonial – a relação de domínio político-econômico que 
a metrópole exercia sobre a colônia. 
� Regra básica do Pacto Colonial – a colônia só podia produzir 
o que a metrópole não tinha condições de fazer. Por isso, a 
colônia não podia concorrer com a metrópole. A função da 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 101
• As colônias de povoamento caracterizaram-se 
pela produção voltada para o seu próprio consumo, por 
pequenas e médias propriedades, mão-de-obra livre e 
policultura (cultivo de vários produtos). Exemplos 
desse tipo de colonização foram as colônias nortistas da 
América Inglesa. Os colonos que para lá se dirigiam 
tinham objetivos diferentes daqueles dos conquistadores portugueses e espanhóis. 
Encontraram nessa região americana um meio físico-geográfico semelhante ao 
europeu, o que lhes permitiu produzir os mesmos gêneros que estavam acostumados 
a produzir na Europa. 
 
 
• As colônias de exploração eram o modelo típico do 
colonialismo mercantilista, para cujo funcionamento era fundamental o 
exclusivo metropolitano. 
 O exclusivo metropolitano (ou o monopólio colonial) 
determinava que toda a produção vendida pela colônia fosse destinada 
à sua metrópole. Por outro lado, a colônia só podia comprar o que 
necessitasse da sua respectiva metrópole. 
 Conforme você está observando, o exclusivo 
implicava uma relação básica: a produção colonial era 
voltada para a metrópole e não para o consumo interno da 
colônia. O monopólio garantia que o fluxo de gêneros tropicais e 
de capital (dinheiro) se dirigisse para a Europa. 
 O uso da mão-de-obra escrava africana se harmonizava com esta função 
primordial do sistema colonial. Mesmo que fosse possível, não se justificaria a 
utilização da mão-de-obra assalariada, pois, com isso, uma parte da renda gerada na 
colônia não seria revertida para a metrópole (porque seria utilizada no pagamento 
dos trabalhadores). 
 Os proprietários coloniais compravam escravos dos traficantes 
metropolitanos e, dessa forma, transferiam para o exterior uma parte significativa da 
renda gerada pela produção colonial. O dinheiro da venda do negro retornava à 
Europa. 
 Pela mesma razão, não interessava à metrópole a escravidão do índio, pois a 
sua captura e venda seriam negócios internos da colônia e, portanto, os ganhos deste 
comércio não seguiriam para a Europa. 
 
 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 102
 
 
UMA HISTORINHA MUITO REALISTA 
 
 
Imagine que, um dia, o nosso planeta seja surpreendido pela visita de seres 
extraterrestres do planeta Gronk. Esses gronkianos são fisicamente iguaizinhos a 
nós, humanos, mas tem uma tecnologia militar super avançada. 
 Os gronkianos saltam da nave e lançam um olhar de desprezo para a gente. 
Bocejam e depois avisam que acabaram de “descobrir” um “novo planeta”: o nosso! 
Ou seja, a partir de agora, eles se consideram no direito de mandar aqui. 
 São desagradáveis. Caçoam da gente e nos tomam por primitivos. 
Somos chamados de “selvagens”, e eles nem se preocupam em saber como 
é a nossa cultura, se temos valores morais, se fazemos arte, se amamos. 
Cobiçam nossa namorada e nossa irmã e, depois as estupram. 
Amarram os homens e os escravizam. Todos nós, sejamos brasileiros, 
franceses, indianos ou búlgaros, vamos ser obrigados a falar 
o idioma gronkiano e a venerar os seus deuses. Nossas 
cidades são arrasadas para que eles instalem o que 
chamam de “benfeitorias”. É um quadro terrível. Acho que todos concordam que 
deveríamos resistir aos invasores, não é mesmo? Todavia eles têm mais armas. 
Torturam os humanos, inclusive as crianças. Não temos a menor chance. 
Transmitem doenças que não existiam na Terra. Nossos cientistas não têm tempo de 
descobrir a cura e o nosso organismo não resiste: a peste gronkiana mata milhões de 
humanos. Continuemos o pesadelo. Passam-se os séculos. Quase todos os humanos 
foram mortos pelos ocupantes. Os que sobraram tentam sobreviver na única área 
permitida a eles: o “deserto do Amazonas”. 
 Nas escolas gronkianas, os estudantes aprendem que, um dia , no ano de 1208 
d. G. (depois dos gronkianos), os bravos pioneiros descobriram o planeta azul (ex-
Terra). Foram grandes heróis ao submeter os selvagens humanos. Trouxeram a 
civilização. São os “conquistadores”. 
 Na TV Gronk, passa um filme onde os mocinhos gronkianos atiram nos 
humanos para salvar as donzelas gronkianas. 
 Até que os geólogos gronkianos descobrem jazidas minerais no deserto 
amazônico. Área de reserva humana. Não importa. As grandes empresas gronkianas 
se deslocam para lá e não hesitam em agredir os últimos humanos. Os jornais, 
contudo, falam que o “progresso chegou à região”. 
 Amigo aluno, você é esperto e, portanto, já percebeu que a nossa historinha 
realista, na verdade, está falando do drama dos povos indígenas. 
 
 
 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 103
 
 
A origem do nome 
“índio” 
 
Quando Cristovão Colombo 
chegou à América (1492), ele 
não sabia que tinha descoberto 
um novo continente. Acreditava 
que estava na Índia. 
 Por isso, chamou os habitantes 
de “índios”. Poucos anos 
depois, os europeus constataram 
que a América era um novo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando falamos em “índio”, nós já 
estamos cometendo uma violência. É como 
se a gente dissesse que todos os grupos 
indígenas são iguais, tudo padronizado. 
 Assim como ingleses e italianos são 
diferentes uns dos outros, também o são os 
vários povos indígenas: no idioma, na 
cultura e na organização social. Há quem calcule 
que, em 1500, havia entre dois milhões e quatro 
milhões de índios no Brasil (compare com 
Portugal, que na época só tinha um milhão de 
habitantes); esses indígenas estavam reunidos em 
1400 tribos, que falavam mil línguas. Dessas mil 
línguas existentes antes do “descobrimento”, 
87% estão extintas (ou seja, desapareceram!), em 
razão do extermínio de muitos povos e da perda 
de territórios. 
 Os índios gostavam de dizer aos 
portugueses que aqui havia os tupis 
(habitantes do litoral) e os tapuias 
(do interior). 
 Hoje, os cientistas costumam dividir os grupos indígenas de acordo com o 
os idiomas e dialetos que falam (ou falavam...). São basicamente três: 
� O tronco Tupi – com sete grupos, o mais importante sendo o tupi-guarani; 
� O tronco Arawak; 
� O tronco Macrojê. 
 
 
Agora responda em seu caderno: 
 
10. Os livros didáticos costumam falar que Pedro Álvares Cabral “descobriu” o 
Brasil em 1500. Tal como os gronkianos..., foi mesmo uma “descoberta”, ou será 
que foi uma “invasão”? Justifique. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 104
 Os indígenas continuam desrespeitados em seus direitos básicos, como 
primeiro povo habitante do Brasil. A precariedade das condições de vida de muitas 
tribos, a destruição do meio ambiente e de suas tradições culturais, o contato com o 
homem branco e a falta de ações de saúde dirigidas aos povos indígenas tem 
provocado graves problemas nessas comunidades, como a disseminação de doenças, 
o consumo de álcool e atésuicídio. 
 
A grande maioria está confinada em reservas limitadas, que lhe foram 
impostas sem levar em conta seus interesses, ficando muitas vezes afastadas de suas 
terras de origem. Como se isso não bastasse, até 1993 aproximadamente 50% dessas 
reservas ainda não tinham tido os seus limites demarcados, favorecendo constantes 
invasões. E mesmo as áreas já demarcadas foram invadidas por garimpeiros, 
madeireiros, fazendeiros e posseiros, bem como por projetos agrícolas e de 
colonização. Por isso são freqüentes os conflitos com os indígenas, que procuram 
defender suas terras. 
 
Um exemplo disso é o caso dos índios ianomâmis, que antes da década de 80, 
ocupavam uma área de 9,4 milhões de hectares e viviam praticamente isolados do 
homem branco. Na década de 80, grande quantidade de garimpeiros começou a 
invadir o território dos ianomâmis. E, para agravar essa situação, esse território foi 
reduzido pelo governo brasileiro para 2,4 milhões de hectares. 
 
 O contato dos ianomâmis 
com a “civilização” foi desastroso. 
A doença, a fome e a prostituição 
tornaram-se fatores de verdadeira 
destruição para esse povo. O que 
ocorre com esses indígenas, 
resultado da irresponsabilidade do 
governo federal, que deveria 
expulsar os garimpeiros da região, 
pode ser traduzido em uma única 
palavra: EXTERMÍNIO. 
 
 
 
 
OBSERVE NA PRÓXIMA PÁGINA O MAPA COM AS ÁREAS 
INDÍGENAS ATUAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO. 
 
 
 
Extraído: SCHMIDT, Mario. Nova História Crítica do Brasil. 
Ed. Nova Geração,1997,p.11. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 105
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 A chegada de Pedro Álvares Cabral, como todos sabem, aconteceu no dia 22 
de abril de 1500, para tomar posse das terras pertencentes a Portugal. Num primeiro 
momento, o Brasil não demonstrou interesse aos portugueses, assim a Coroa 
portuguesa não procurou colonizá-lo, pois estava mais interessada no comércio com 
as Índias, que se localiza no Oriente. 
 Se não havia colonização, então os portugueses não fundariam nenhuma 
cidade. 
 De vez em quando, vinham alguns navios para pegar pau-brasil. 
 O pau-brasil era um gênero estancado, isto é, de monopólio real. Só podia 
explorá-lo, aquele que tinha autorização do monarca (rei) português. O explorador 
ainda dava parte dos lucros (geralmente 20%) ao governo português. 
 Quem cortava a madeira e levava para os navios eram os índios; em troca 
desse trabalho, os portugueses davam objetos (“bugigangas”) que os índios 
apreciavam. Essa troca tem o nome de escambo. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 106
Para 
armazenar o 
pau-brasil, 
ferramentas e 
armas, foram 
construídos 
depósitos em 
alguns pontos 
do litoral. 
Chamavam-se 
feitorias. 
(Observe a figura acima) 
 
 As feitorias, além de não estabelecerem o povoamento português em terras 
americanas, não conseguiram evitar a presença constante de contrabandistas de pau-
brasil, principalmente franceses. Era necessária, portanto, a ocupação efetiva através 
da colonização das terras da América portuguesa. 
 
 
 
 
 
 
Segundo qualquer dicionário, colonizar significa povoar e explorar 
economicamente uma região deserta. Um grupo de pessoas se instala e, para viver, 
organiza-se para produzir. No Brasil, isto só aconteceu 30 anos depois do 
“descobrimento”. 
 O comércio com as Índias já não dava tanto lucro como antes e as constantes 
invasões francesas ao Brasil preocupavam Portugal. 
 Então, a partir de 1530, a Coroa portuguesa decide tornar lucrativa as terras 
brasileiras, além de manter a esperança de que fossem encontradas aqui, riquezas 
minerais em proporções semelhantes às localizadas nas colônias espanholas. 
 Para dar início a essa empresa colonizadora foi organizada uma expedição 
(excursão), comandada por Martim Afonso de Sousa, em 1530. Seus principais 
objetivos foram: 
 
� percorrer todo o litoral brasileiro e, quando julgasse necessário, explorar o 
interior, em busca de ouro e prata; 
 
� expulsar os franceses que fossem encontrados; 
 
� organizar núcleos de povoamento e defesa; 
 
� aumentar o domínio português até o rio da Prata, abrangendo, portanto, terras 
que não pertenciam a Portugal pelo Tratado de Tordesilhas. 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 107
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS 
 
 
Na volta do rio da Prata, em 
1532, Martim Afonso de Sousa 
fundou, no litoral do atual estado de 
São Paulo, São Vicente, que foi a 
primeira vila do Brasil. 
Ao regressar a Portugal, 
Martim Afonso de Sousa encontrou 
Dom João III (rei de Portugal), já 
começando a organizar o regime de 
capitanias hereditárias para o Brasil. 
Por esse regime, o rei concederia a 
particulares largas faixas de terra 
denominadas capitanias hereditárias. 
Os agraciados (donatários) deveriam 
fundar povoações, nomear 
funcionários, exercer a administração 
e a justiça nas suas respectivas 
capitanias. 
Esse regime oferecia ao 
Estado a vantagem de poder explorar 
as terras sem grandes custos, pois a decadência do comércio com o Oriente (Índias) 
abalara as finanças portuguesas, e a ocupação das terras americanas era 
empreendimento dispendioso (muito caro), exigindo grandes capitais. 
Para atrair donatários (administradores das capitanias) às terras americanas, o 
rei cedia-lhes uma série de privilégios, amplos poderes e títulos. 
Os direitos e os deveres dos capitães-donatários vinham prescritos nas Cartas 
de Doação e nos Forais e eram praticamente iguais para todos os donatários.Neles se 
estabelecia que aos donatários cabia a fundação de vilas, a concessão de sesmarias 
(lotes de terra) e outros direitos. Ao rei estavam reservados os impostos 
alfandegários, o monopólio das drogas e especiarias, o “quinto” (20%) dos minerais 
preciosos e o dízimo “devido a Deus”(mas que ficava com o seu intermediário, o 
rei!) 
As capitanias não podiam ser vendidas ou arrendadas, pois os donatários não 
eram proprietários, apenas recebiam a posse da capitania. Eram hereditárias, mas 
indivisíveis: apenas o filho primogênito herdava a capitania. 
O regime de capitanias não deu certo por uma série de razões: falta de 
recursos, desinteresse dos donatários, carência de apoio material da Coroa e a 
distância da metrópole. Além disso, a excessiva descentralização administrativa 
desse regime, ou seja, cada um governando por si, sem um governo central, não 
trazia resultados satisfatórios para a Coroa portuguesa. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 108
GOVERNO-GERAL 
 
Foi buscando a centralização administrativa da colônia que D. João III criou, 
em 1548, o Governo-Geral, cuja sede foi a capitania da Bahia de Todos os Santos. A 
criação do Governo-Geral não significou o fim das capitanias, mas retirou dos 
donatários muitas de suas regalias. O donatário passou a ter a função básica de 
capitão-mor: a defesa do território. 
Ao governador-geral cabia: conceder terras (sesmarias) aos “índios 
amigos”(suprema ironia: doar aos índios suas próprias terras!) e a particulares com 
posses; impedir a escravização dos índios, assim como a distribuição de armas a 
eles; defender a costa (litoral) de ataques, promovendo para este fim a construção de 
navios e obrigando os senhores de engenho a construir torres e fortes para proteger 
suas propriedades; explorar as terras do interior; percorrer todas as capitanias e 
prestar contas ao rei. 
O primeiro governador-geral foi Tomé de Sousa (1549 a 1553), em cuja 
administração foi fundada a primeira capital do Brasil (Salvador), onde foi 
estabelecido o primeiro bispado e construídos os edifícios públicos (casa dos 
governadores, casa da Câmara, cadeia, igreja matriz, armazém para a alfândega). Foi 
também no seu governo que se deu a introdução do gado trazido de Cabo Verde e a 
instalação de vários engenhos de açúcar. Em sua comitiva vieram seis padres da 
Companhia de Jesus sob a chefia de Manuel da Nóbrega. 
Em 1553 chegou o segundo governador-geral, Duarte da Costa, que enfrentou 
sérias dificuldades na sua administração: revoltasindígenas na Bahia, invasão 
francesa na baía de Guanabara e atritos com os colonos. 
Na nova leva de jesuítas que chegou com o segundo governador veio o jovem 
José de Anchieta, um dos fundadores do Colégio de São Paulo de Piratininga 
(1554), na capitania de São Vicente, que deu origem à cidade de São Paulo. 
O terceiro governador-geral foi Mem de Sá, que se destacou por ter 
expulsado os franceses do Rio de Janeiro. 
O quarto governador-geral, D. Luís Fernandes de Vasconcelos, não chegou à 
assumir o cargo, pois foi assassinado em alto-mar por piratas franceses. 
Entre 1572 e 1578 a administração colonial foi dividida, por ordem do rei D. 
Sebastião, em dois Governos Gerais: Governo do Norte, sob a chefia de D. Luís de 
Brito e Almeida (sede em Salvador) e Governo do Sul, sob a responsabilidade de D. 
Antonio Salema (sede no Rio de Janeiro). Esta divisão visava proteger os litorais Sul 
e Norte de invasões estrangeiras. Em 1578, como a divisão não deu os resultados 
esperados, ocorreu a reunificação, sendo nomeado Lourenço da Veiga como 
governador-geral. 
 
 
 
 
Agora responda em seu caderno: 
 
13. As capitanias deram certo? Justifique. Por que foi criado o Governo-Geral? 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 109
Observe no 
mapa ao lado os 
domínios 
ibéricos, ou 
seja, os 
domínios 
espanhóis no 
século XVI. 
 
 Numa monarquia absolutista, regime que vigorava nos países europeus da 
época, o poder é exercido por uma pessoa, rei ou imperador. Quando ele morre, o 
trono passa para o herdeiro mais imediato. Em 1578, governava Portugal o jovem rei 
D.Sebastião. Sua maior preocupação era combater os árabes do norte da África, na 
intenção de se tornar conhecido como o mais valoroso perseguidor de infiéis. Com 
esse objetivo partiu para a África, à frente de 18 mil homens. Como resultado dessa 
aventura, que muitos consideraram absurda, além de ver seu exército ser esmagado 
pelos árabes, D. Sebastião perdeu a vida, deixando vago o trono português. Como 
não tinha filhos, seu tio-avô e herdeiro mais imediato, o cardeal D. Henrique, foi 
proclamado rei de Portugal. 
D. Henrique já era velho quando assumiu o trono em 1578 e acabou 
falecendo no início de 1580. Sua morte provocou muita disputa entre os vários 
pretendentes ao trono, cada qual se julgando com maiores direitos. Finalmente, por 
força de palavras, dinheiro e armas, Filipe II, rei da Espanha e tio de D. Sebastião, 
acabou por ser aclamado rei de Portugal, tentando realizar seu sonho de “União 
Peninsular”, isto é, a união num só império dos dois países que formavam a 
península Ibérica, Espanha e Portugal, e de todas as suas colônias. Com o domínio 
espanhol, o Brasil passou a pertencer à Espanha. 
Durante os 60 anos da União Ibérica, a administração do Brasil praticamente 
não sofreu alterações: os funcionários do governo português foram mantidos, o 
idioma oficial continuou sendo o português, as leis e os costumes pouco mudou. 
Mas as conseqüências da União Ibérica, no plano internacional, repercutiram 
diretamente no Brasil. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 110
CONSEQÜÊNCIAS DA UNIÃO IBÉRICA 
 
A Holanda e outras províncias do norte da Europa pertenciam à Espanha. Em 
1581, porém, depois de muitas lutas, conquistaram a independência, proclamando a 
República. A capital dessa república era a cidade de Amsterdã, considerada mais 
importante centro comercial da Europa. 
Como represália (vingança), Filipe II proibiu as colônias pertencentes ao 
império espanhol de comerciarem com os holandeses, impondo-lhes um bloqueio 
econômico, conhecido como embargo espanhol. 
Por causa da União Ibérica, o Brasil também ficou proibido de comercializar 
com a Holanda. Na época, porém, os holandeses controlavam a lucrativa operação 
de transporte, refino e distribuição colonial do açúcar brasileiro. E não pretendiam 
perder a fonte fornecedora de açúcar: os engenhos do Nordeste brasileiro. 
Reagindo ao bloqueio econômico espanhol, os holandeses fundaram a 
Companhia das Índias Ocidentais, em 1621. Decidiram, por meio dessa Companhia, 
conquistar o Nordeste brasileiro e se apoderar da produção de açúcar. 
Após rápida e frustada tentativa de se estabelecerem na Bahia, em 1624 e 
1625, os holandeses ocuparam com sucesso a capitania de Pernambuco, a mais rica 
capitania da época, devido à produção açucareira. A partir dessa base, estenderam 
seu domínio sobre grande parte do litoral nordestino, onde permaneceram de 1630 a 
1654. 
 
 
 
 
 
 
Para cuidar da 
administração, os 
holandeses enviaram 
ao Brasil o conde João 
Maurício de Nassau Siegen, 
nomeado governador-geral do 
Brasil holandês. 
Maurício de Nassau chegou ao 
Brasil em 1637 e logo pôs em 
prática uma habilidosa política 
administrativa. Pretendia pacificar 
a região e conseguir a colaboração 
dos luso-brasileiros (habitantes da 
colônia). Dentre as principais 
medidas adotadas em seu governo, 
destacam-se: 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 111
♦ concessão de créditos – a Companhia concedeu créditos aos senhores de 
engenho, que se destinaram ao reaparelhamento dos engenhos, à recuperação 
dos canaviais e à compra de escravos, reativando a produção açucareira; 
♦ tolerância religiosa – as diversas religiões (catolicismo, judaísmo, 
protestantismo etc.) foram toleradas pelo governo de Nassau. Os holandeses 
não tinham como objetivo expandir a fé religiosa. Entretanto, a religião 
oficial do Brasil holandês era o calvinismo, sendo, por isso, a mais 
incentivada; 
♦ vida cultural – o governo de Nassau promoveu a vinda de artistas, médicos, 
astrônomos, naturalistas. Entre os pintores, estava Franz Post e Albert 
Eckhout, autores de diversos quadros inspirados nas paisagens brasileiras. No 
setor científico destaca-se Jorge Marcgrave, um dos primeiros a estudar nossa 
natureza e Willen Piso, médico que pesquisou a cura das doenças mais 
comuns da região. 
 
Maurício de Nassau ganhou prestígio como administrador, mas surgiram 
desentendimentos entre ele e a Companhia da Índias Ocidentais. Os líderes da 
Companhia o acusaram de furtar dinheiro e quiseram limitar seus poderes. Por sua 
vez, Nassau acusava a Companhia de não entender os problemas locais e agir com 
excessiva ganância. Esses desentendimentos levaram à saída de Nassau do cargo de 
governador, em 1644. 
 
 
PORTUGAL LIBERTA-SE DA ESPANHA 
 
 E RETOMA PERNAMBUCO 
 
 
Em 1640, Portugal libertou-se da Espanha. O duque de Bragança recuperou a 
coroa portuguesa e pôs fim ao domínio espanhol. Ao assumir o trono, recebeu o 
título de D. João IV, iniciando a dinastia de Bragança (ou seja, a partir daí se 
sucederiam governantes da mesma família, a família Bragança). Esse episódio ficou 
conhecido como Restauração do trono português. 
Voltando a ser reino independente, Portugal negociou um acordo de paz de 
dez anos com os holandeses, que ainda ocupavam o Brasil. 
Depois da saída de Maurício de Nassau do Brasil, a administração holandesa 
tornou-se extremamente dura. Interessada somente em aumentar seus lucros, a 
Companhia das Índias Ocidentais passou a pressionar os senhores de engenho para 
que aumentassem a produção, pagassem mais impostos, liquidassem as dívidas 
atrasadas. A Companhia ameaçava confiscar os engenhos de seus proprietários, caso 
as exigências não fossem cumpridas. 
Até mesmo a tolerância religiosa havia acabado. Os católicos passaram a ser 
proibidos de praticar livremente a sua religião. 
Reagindo a essas pressões, os habitantes da colônia iniciaram em 1645, a luta 
pela expulsão dos holandeses, conhecida como Insurreição Pernambucana. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 112
Depois de sucessivas derrotas, os holandeses renderam-se em 1654. Com 
isso, Portugal retomou seu domínio na região açucareira do Nordeste do Brasil. 
Terminada a União Ibérica, Portugal encontrava-se mergulhado em grave 
crise econômica, pois dependia do comércio colonial e, devido ao domínio espanhol, 
havia perdido grande parte de suascolônias para holandeses, franceses e ingleses. 
Portugal procurava arduamente encontrar soluções para sair da crise econômica. Por 
um lado, acabou recorrendo à Inglaterra e assinou diversos tratados (contratos) 
econômicos. 
Por outro, adotou uma política rigorosa em relação ao Brasil, uma das poucas 
colônias que ainda lhe restavam. D. João IV dizia que o Brasil era sua “vaca de 
leite”. 
Pelos tratados assinados com a Inglaterra, Portugal receberia, basicamente, a 
proteção política e produtos manufaturados, em troca de vantagens na exploração 
colonial concedida aos ingleses. 
 
 
 
 
Inicialmente o Brasil estava limitado pelo Tratado de 
Tordesilhas (por esse Tratado as terras a serem descobertas, 
foram divididas entre Portugal e Espanha, as terras a leste 
pertenceriam a Portugal e as terras a oeste pertenceriam a Espanha) e 
o povoamento concentrou-se por muito tempo apenas no litoral. Os 
portugueses aqui chegavam e fundavam 
feitorias e pequenas vilas sempre próximas ao mar. Poucos se atreviam a 
penetrar na mata densa, em direção ao interior do território. 
Várias expedições (excursões) militares foram organizadas pelo governo 
português para ocupar e defender as terras brasileiras ameaçadas pela presença de 
estrangeiros, principalmente franceses, e explorar o território brasileiro em busca de 
ouro. Várias expedições oficiais foram organizadas com esse objetivo (encontrar 
ouro). Essas expedições, chamadas entradas, não ultrapassavam os limites 
estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas. 
Além das entradas, surgiram, a partir do século XVII, expedições organizadas 
e patrocinadas por particulares, chamadas bandeiras. A pé ou a cavalo, as bandeiras 
entravam pelo sertão e ultrapassavam a linha de Tordesilhas, o que colaborou para a 
ampliação do território brasileiro. Aliás, durante o período da União Ibérica, a 
divisão estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas perdeu a validade, uma vez que 
tudo pertencia à Espanha. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 113
 Como essas expedições partiam, geralmente da Vila de São Paulo, a cidade 
ficou conhecida como “capital dos bandeirantes”. Motivos econômicos explicam por 
que São Paulo tornou-se o centro da formação de bandeiras. A Vila de São Paulo 
recebeu grande parte da população pobre que morava em São Vicente. Gente que 
fugia da miséria provocada pelo declínio da empresa açucareira no litoral vicentino. 
Em busca de uma alternativa para sobreviver, essa população dirigiu-se para São 
Paulo e começou a dedicar-se ao apresamento 
(captura) de índios para vendê-los como escravos. 
As bandeiras de apresamento perseguiram, 
inicialmente, os índios que não tinham contato com o 
homem branco. Posteriormente, passaram a atacar 
também os índios catequizados, que habitavam os 
aldeamentos organizados por jesuítas. Os compradores 
de escravos preferiam os índios desses aldeamentos, 
pois já sabiam trabalhar na lavoura e realizar alguns 
ofícios. 
As bandeiras de apresamento tornaram-se um 
grande negócio durante o período do domínio 
holandês no Brasil (1637-1654). Isso porque, além do 
Brasil, os holandeses conquistaram também algumas colônias portuguesas na África, 
fornecedoras de escravos negros. 
Ao conquistar essas colônias, os holandeses desmontaram o tráfico negreiro 
organizado pelos portugueses e só permitiram a vinda de escravos para as áreas sob 
o seu domínio. 
 Nas regiões do Brasil que estavam fora 
da dominação holandesa, começou a haver 
falta de escravos para as atividades produtivas. 
As bandeiras de apresamento passaram a 
fornecer escravos índios para essas regiões, 
suprindo a carência de mão-de-obra. 
As bandeiras de apresamento foram 
responsáveis pela escravização e morte de 
milhares de índios brasileiros. 
Os bandeirantes (observe-os na figura ao 
lado), com extrema violência, agiam como se 
estivessem numa caçada a animais ferozes. 
Entre os principais matadores e escravizadores 
de índios, destacam-se Manuel Preto e Raposo 
Tavares (e ainda o homenageiam como nome 
de rodovia, não é demais?). 
A matança e a escravização dos índios 
tinham autorização da Coroa, porque isso era 
considerado “guerra justa”. Como é “linda” a justiça dos poderosos! 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 114
O Brasil atual é aproximadamente três 
vezes maior do que era pelo Tratado de 
Tordesilhas. Bandeirantes, missionários, 
militares, criadores de gado e colonos foram 
importantes no processo de ocupação territorial 
e de estabelecimento das fronteiras. 
Os portugueses ampliaram as fronteiras 
do Brasil, mas foi preciso uma série de tratados 
(acordos) para oficializar juridicamente a 
situação. 
 
O povoamento do Brasil deve muito aos tropeiros, que iam buscar mulas e 
burros no Rio Grande do Sul para vender nos arredores de São Paulo. Daí, os 
animais negociados seguiam para os engenhos e zonas de mineração. Nesse tempo, 
burros, mulas e cavalos eram o principal meio de transporte de pessoas e cargas. Ao 
redor dos mercados de animais, muitas vilas se formaram. 
 
As viagens dos tropeiros eram longas e cansativas. Para descanso dos 
viajantes havia muitas pousadas e em torno delas também nasceram povoados. 
 
A Feira de Muares de Sorocaba era muito conhecida. Os muares criados à 
solta nos campos gaúchos e paranaenses, eram comercializados, aqui na nossa 
região. 
 
 
 
Na figura 
ao lado, você 
pode observar a 
ponte sobre o Rio 
Sorocaba na 
época da feira de 
muares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 115
 
O que você estudou até agora foi a política colonial, ou seja, a forma pela qual 
Portugal governou o Brasil-colônia. Mas ele tinha que produzir alguma coisa para 
gerar lucros, você não acha? É isso o que vamos estudar agora. 
 
Portugal procurou pelo ouro. Não encontrou. Ele só seria descoberto, bem 
mais tarde, no século XVIII. Mas o clima do Brasil era excelente para plantar. 
Plantar o quê? 
 
Sem dúvida, a experiência que Portugal adquiriu como produtor de açúcar em 
suas ilhas no Atlântico (Madeira e Cabo Verde) contribuiu muito na seleção desse 
produto para ser cultivado no Brasil e na forma de produção a ser adotada. 
 
Produzir AÇÚCAR no Brasil 
seria bom porque: 
 
♦ as condições ecológicas do 
Brasil e das ilhas de Cabo Verde 
e da Madeira eram bem 
semelhantes; 
 
♦ o açúcar era uma das especiarias 
mais apreciadas no mercado 
europeu, sendo muito bem pago; 
 
 
♦ a experiência portuguesa, nas 
ilhas do Atlântico, de produção e 
comercialização do açúcar poderia ser aproveitada no Brasil; 
 
 
♦ pelo seu valor no mercado, o açúcar poderia atrair investimentos; 
 
 
♦ o problema do transporte poderia ser resolvido pela colaboração dos navios 
holandeses; 
 
 
♦ para o problema da mão-de-obra, a solução também não seria difícil: havia 
os índios, que poderiam ser obrigados a trabalhar na lavoura canavieira, e, 
caso não se adaptassem, restava o recurso dos africanos, muitos deles já 
escravizados pelos portugueses. 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 116
O Brasil hoje, não é o mesmo da 
colonização. Mas somos um país que continua 
tendo muita terra sem gente (latifúndio 
improdutivo, usado para a especulação e muita 
gente sem terra). 
 
Se você mora no campo e não tem uma 
terrinha para plantar, como é que vai 
sobreviver? Tem de trabalhar para alguém. 
 
O latifundiário (dono das terras) se 
aproveita disso e paga ao bóia-fria (nome que 
se dá ao trabalhador do campo que é 
empregado por temporada) um salário 
mixuruca e o explora ao máximo. 
AS CARACTERÍSTICAS DA PRODUÇÃO AÇUCAREIRA 
 
O LATIFÚNDIO 
 A intenção era produzir em larga escala (muito) para exportação. 
Por isso, eram necessárias grandes propriedades, ou seja, latifúndios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MONOCULTURA EXPORTADORA 
 
A colonização deu certo antes de tudo por causa do açúcar. Era produzido 
um único produto, com grande valor comercial e altamente lucrativo no mercado 
europeu.MÃO-DE-OBRA ESCRAVA 
 
Hoje em dia, é fácil para o proprietário ter pessoas trabalhando na empresa 
dele. É só anunciar emprego. Uma porção de gente só poderia sobreviver se 
oferecendo para ele. No capitalismo, o trabalhador é inteiramente livre para optar 
entre ganhar o salário mixuruca que o patrão oferece ou morrer de fome 
desempregado. 
Na Europa do século XVI, o açúcar 
trazido pelos árabes, era tido como especiaria 
raríssima, e por isso vendido a peso de ouro. 
 Quando uma princesa se casava, 
poderia ser de bom gosto dar-lhe de presente 
quilos de açúcar. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 117
 O açúcar era branquinho e gostoso, mas o trabalho era amargo e 
negro. O jesuíta Antonil, no século XVIII, cunhou a famosa frase: “Os 
escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho...” 
 O trabalho do escravo estava em tudo ali. A jornada diária podia 
chegar a 16 horas, sem descanso. Um escravo que começasse a trabalhar 
com 15 anos de idade estava num bagaço ao chegar aos 25 anos. A vida 
média dos escravos era de 10 anos! 
 Horrível! Trabalho debaixo do sol tórrido, dia após dia, sem descanso. 
As mãos sangravam, as costas ardiam, o estômago roncava. E prosseguia o 
serviço. No fim do dia, muitas vezes a ração era um feijãozinho com farinha! 
Por falar em feijão, você sabia que foram os negros que “inventaram” a 
feijoada? Pois é! Ás vezes, eles recebiam alguns miúdos que restavam dos 
animais cuja carne era consumida na casa-grande. Cozinhando o pé, a orelha 
e etc. com o feijão plantado por eles, você já sabe no que vai dar, não é? 
 
No Brasil do século XVI, isso ainda não era possível. Quem iria se oferecer 
para o fazendeiro? Os índios tinham suas terras e sua comunidade. Não precisavam 
do branco para sobreviver. A população em Portugal era pequena e, portanto, não 
poderia mandar muita gente para a Colônia. Além disso, havia muita terra inabitada 
no Brasil. Certamente, gente pobre correria para tentar ocupá-la, em vez de ficar se 
submetendo a algum latifundiário. 
Como então, obrigar as pessoas a trabalhar para os latifundiários? A resposta 
é essa mesmo: escravidão. 
Não seria de Portugal que viriam essas pessoas, pois sua população, em 
meados do século XVI, era escassa. 
O colonizador insistiu em escravizar o índio, procurando aproveitá-lo, agora, 
na empresa açucareira. Entretanto, a escravização do índio não era tão conveniente 
ao sistema colonial mercantilista. À coroa portuguesa interessava uma solução mais 
lucrativa, ou seja, o uso de mão-de-obra africana, o que alimentaria o tráfico 
negreiro. 
 A preferência pelo africano pode ser compreendida como mais um elemento 
da engrenagem do sistema colonial. Os ganhos comerciais com a captura do 
indígena ficavam dentro da colônia, entre aqueles que se dedicavam a esse tipo de 
atividade. Já os lucros do comércio negreiro dirigiam-se para a metrópole, ou seja, 
para a burguesia envolvida neste comércio e para a coroa, que recebia impostos. Por 
isso, a escravidão negra foi incentivada, enquanto a do índio foi desestimulada e até 
mesmo proibida. Percebe-se, então, que a “opção” pela escravidão negra foi, na 
verdade, uma imposição do sistema colonial. 
 
Mas os negros procuraram sempre reagir contra a escravidão. 
Fugiam em busca de “liberdade”, e fundavam comunidades, que eram 
chamadas de quilombos. Foram numerosos os quilombos no Brasil colonial, e o 
mais famoso deles foi o “Quilombo dos Palmares”. Palmares foi o maior dos 
quilombos, o terror dos latifundiários. Foi formado por negros fugidos, na época da 
invasão holandesa a Pernambuco. Eles rumaram em direção à Serra da Barriga, em 
Alagoas. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 118
A república de Palmares agrupava mais de 20 
mil pessoas, que viviam da coleta, da caça, da pesca e 
da agricultura. Era um Estado poderoso e organizado 
em classes sociais, que resistiu por 65 anos. 
Palmares era o pesadelo dos opressores, que 
organizavam expedições militares para eliminar o 
quilombo, mas eram derrotados pela astúcia dos 
negros. ZUMBI foi o último rei de Palmares e, 
para ele não haveria PAZ enquanto existisse a 
escravidão. 
Depois de tantas derrotas para os quilombolas 
(moradores do quilombo), o governo contratou o 
bandeirante Domingos Jorge Velho, que acabou 
vencendo Palmares em 1695. 
Palmares durou quase um século e para destruí-
lo, os portugueses usaram mais soldados do que os 
necessários para expulsar os holandeses. Matando Zumbi, os senhores de escravos 
pretendiam intimidar 
os negros. Entretanto, Zumbi permaneceu vivo como símbolo da resistência negra à 
violência da escravidão. 
 Atualmente comemoramos o Aniversário da Morte de Zumbi no dia 20 de 
Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Engenho de açúcar era o nome da grande propriedade agrícola voltada para a 
produção de açúcar. Os proprietários ficaram conhecidos como senhores de 
engenho. 
 
As principais instalações do engenho eram: 
 
� Moenda – onde se moia a cana para a extração do caldo; 
 
� Caldeira – onde o caldo era purificado; 
 
Agora responda em seu caderno: 
 
11. Escolha uma das características da produção açucareira, e faça um 
comentário pessoal sobre ela. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 119
� Casa de Purgar – onde o caldo acabava de ser purificado. 
As principais construções se constituíam em: 
 
 
� Casa-grande – habitação do senhor de engenho; 
 
� Senzala – moradia dos escravos; 
 
� Estrebarias, oficinas, etc. 
 
Observe a representação de um engenho: 
 
 
 
 
ASCENSÃO E QUEDA DO AÇÚCAR 
 
A economia baseada na lavoura canavieira experimentou, durante o período 
colonial, significativa expansão estendendo-se cada vez mais para novas regiões. Os 
dois principais núcleos iniciais foram Pernambuco, Bahia e depois São Vicente. 
Essa rápida expansão fez com que o Brasil, já no final do século XVI e até meados 
do século XVII, se transformasse no maior produtor e exportador mundial de açúcar. 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 120
No entanto, apesar da grande produção e dos bons preços que o açúcar 
brasileiro encontrava nos mercados internacionais, não eram altos os lucros obtidos 
pelos engenhos produtores, pois os intermediários é que ficavam com a maior parte 
dos lucros. 
Como vimos anteriormente, os holandeses dominavam o comércio de açúcar 
na Europa. Compravam o açúcar de Portugal, quando não o produziam eles mesmos 
no nordeste brasileiro, e o vendiam aos consumidores europeus. 
Expulsos do Brasil em 1654, os holandeses dirigiram-se para as Antilhas, na 
América Central. Aí, com base na experiência que haviam adquirido no Brasil, 
começaram a cultivar grandes plantações de cana. Isso teve duas conseqüências 
prejudiciais ao Brasil: 
 
� Os holandeses não precisaram mais do açúcar brasileiro para vender na 
Europa, pois tinham a sua própria produção nas Antilhas; 
 
� Produzindo eles mesmos o açúcar, puderam vendê-lo a um preço mais baixo 
que o de Portugal, levando a uma queda dos preços internacionais. 
 
Diminuindo as vendas e os preços do açúcar, baixaram os lucros do comércio 
açucareiro português e, ao mesmo tempo, caiu a produção. Além do açúcar holandês 
das Antilhas, outro concorrente contribuiu para a decadência do açúcar brasileiro: o 
açúcar de beterraba, que nessa época, já era produzido em grande escala na Europa. 
Enquanto a produção açucareira decrescia mais rapidamente em Pernambuco, 
outros centros como Bahia e Rio de Janeiro começavam a projetar-se como 
importantes produtores. Já no final do século XVII, a Bahia era o principal centro 
produtor de açúcar do Brasil. 
A partir do início do século XVII, embora em escala bem inferior à do açúcar, 
começou a ser cultivado outro produto, de origem indígena e com ampla aceitação 
na Europa: o tabaco. Seu principal centro produtor foi a Bahia. 
Além de ser vendido na Europa, o tabaco era muito utilizado como moeda no 
tráfico de escravos, pois tinha grande valor nas costas africanas.Nas décadas finais do século XVII, Portugal se preocupava em encontrar uma 
nova fonte de riquezas que pudesse substituir, ao menos em parte, o que já não 
ganhava com a economia açucareira. A busca de metais preciosos tinha sido sempre 
um objetivo dos colonizadores. Com a decadência do açúcar, esse objetivo foi 
reforçado. 
Como já existiam muitas expedições aventurando-se à procura de ouro no 
interior do Brasil, a Coroa portuguesa ofereceu várias recompensas aos bandeirantes 
que descobrissem metais preciosos. As primeiras grandes minas do Brasil central 
foram descobertas já na última década do século XVII, em 1693 e 1694, e fizeram 
nossos colonizadores sorrir novamente de satisfação, ante a perspectiva de novos 
lucros. 
 
 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 121
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
A notícia da descoberta do ouro rapidamente se 
espalhou provocando grande corrida de aventureiros em 
direção a Minas Gerais. 
Além da população colonial, a sede de ouro atingiu a 
população do reino português. Calcula-se que, anualmente, de três a 
quatro mil portugueses vinham para a região das minas. 
Com tanta gente chegando, a região das jazidas sofreu brusca 
transformação. Nos lugares desertos do sertão, a corrida do ouro fez nascer cidades 
da noite para o dia. 
Os paulistas descobridores do ouro de Minas Gerais sentiam-se no direito 
exclusivo de explorá-lo. Queriam ser os “donos” das jazidas (minas de ouro). 
Muitos portugueses, vindos da metrópole ou moradores da própria colônia, 
correram para Minas Gerais com o objetivo de apoderar-se das jazidas descobertas. 
Ocorreram, então, violentos conflitos entre paulistas (os que moravam aqui) e 
portugueses (que vieram para se apoderar das minas). Esses conflitos ficaram 
conhecidos como Guerra dos Emboabas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Guerra dos Emboabas – 1708 
 
 Os portugueses eram conhecidos como emboabas, palavra de 
origem tupi que servia para designar “os que não haviam nascido na 
região”, os “forasteiros”. O principal chefe dos emboabas foi Manuel 
Nunes Viana, que liderou tropas contra os paulistas, vencendo-os 
nas regiões de Sabará e Cachoeira do Campo. Em 1709, ocorreu uma 
sangrenta matança de diversos paulistas, no chamado Capão da 
Traição, por um exército emboaba de mil homens, comandados por 
Bento do Amaral Coutinho. 
 Procurando acabar com o conflito, a coroa portuguesa interveio 
na região e passou a exercer austero controle econômico das minas. 
Em julho de 1711, D. João V elevou São Paulo à categoria de cidade, 
separando-a administrativamente da região das minas. 
 Você pode notar, caro aluno, que a vontade dos colonos, ou seja, 
daqueles que viviam na colônia sempre foi sufocada em sangue, se 
fazendo prevalecer a vontade daqueles, que queriam de alguma 
forma lucrar a custa do trabalho de outros. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 122
O final da Guerra dos Emboabas foi desfavorável aos paulistas e os levou a se 
lançarem à procura de novas jazidas de ouro em outras regiões do Brasil. Isso 
resultou na descoberta de ouro na região Centro-Oeste, em Goiás e Mato Grosso. 
 
 
 
 
 
 
 
Como você sabe, Portugal sempre buscou o lucro nas relações econômicas 
com o Brasil, e pensando nisso, com a descoberta do ouro, ele procurou organizar a 
exploração das minas da maneira que fosse mais beneficiado com isso. 
 
Todas as minas pertenciam a Portugal, que concedia lotes, (que eram 
chamados de datas), aos mineradores que explorassem o ouro. O trabalho, 
entretanto, era realizado por escravos negros, em locais denominados lavras. 
 
Vendo no ouro a possibilidade de salvar sua economia, Portugal logo criou 
leis especiais e organizou um rígido esquema administrativo para controlar a região 
mineradora. 
 
 
 
 
INTENDÊNCIA DAS MINAS 
 
 
O principal órgão do esquema administrativo português era a Intendência das 
Minas, criado em 1702. Esse órgão tinha várias funções: 
 
 
♦ administrativa – era responsável pela distribuição de terras para a exploração 
do ouro e pela fiscalização da mineração; 
 
 
♦ judicial – era responsável pelo julgamento das questões referentes à 
mineração; 
 
♦ tributária – era responsável pela cobrança de impostos. 
 
 
 
 
 
 
O imposto cobrado pela exploração das jazidas correspondia a um quinto 
(20%) de qualquer quantidade de metal extraído. Cobrar o quinto era a principal 
função da Intendência das Minas. 
 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 123
Em Vila Rica, atual Ouro Preto, os mineradores eram 
obrigados a entregar na Casa dos Contos (ou casa de 
fundição) todo o ouro extraído de suas minas. Aí o ouro 
era fundido, transformado em barras e um quinto dele 
era separado para o governo português. 
CASAS DE FUNDIÇÃO 
 
 Em pó ou em pepitas, o ouro 
circulava livremente, o que 
dificultava a cobrança do quinto. 
Para tornar mais eficiente esse 
controle, o governo português criou 
as Casas de Fundição, onde todo o 
ouro era obrigatoriamente fundido e 
transformado em barras. Ao receber o 
ouro, as Casas de Fundição já 
retiravam a parte que correspondia ao 
imposto devido ao Rei. O ouro 
restante era devolvido à circulação, 
com um selo que comprovava o 
pagamento do quinto. Era o “ouro 
quintado”, que poderia ser 
legalmente negociado. Quem fosse encontrado com ouro em pó ou com barras não 
quintadas poderia sofrer severas penas, que iam desde a perda de todos os seus bens 
até a prisão perpétua em colônias portuguesas na África. 
 
Diversos mineiros revoltaram-se contra a criação das Casas de Fundição, que 
dificultavam o comércio de ouro dentro da capitania, facilitando apenas a cobrança 
de impostos. 
 
Além do ouro, merece destaque a exploração de diamantes, que ocorreu, a 
partir de 1729, no Arraial do Tijuco, atual cidade de Diamantina, em Minas Gerais. 
 
 
CRISE DA MINERAÇÃO 
 
Com a intensa exploração do ouro, até mesmo as jazidas mais ricas 
rapidamente se esgotaram. Na segunda metade do século XVIII, a produção do ouro 
caiu brutalmente; porém, o governo português não acreditava que as jazidas estavam 
se esgotando. Preferia crer que a escassez do metal devia-se ao contrabando. Por 
isso, foi aumentando as formas de controle e as pressões sobre os mineiros. 
 
Em 1750, a coroa portuguesa determinou que a soma final do quinto deveria 
atingir 100 arrobas de ouro por ano. Os mineiros não conseguiam extrair ouro 
suficiente para pagar os impostos, e as dívidas foram se acumulando. 
 
Em 1765, foi decretada a derrama, cobrança de todos os impostos atrasados. 
Na execução da derrama, as autoridades não pouparam nem os mineiros 
empobrecidos, que acabaram perdendo seus poucos bens. 
 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 124
CONSEQÜÊNCIAS DO CICLO MINERADOR 
 
O ciclo do ouro trouxe uma série de conseqüências para o Brasil. Vejamos: 
 
♦ Expansão territorial e populacional – o ouro atraiu muitas pessoas para o 
interior do território brasileiro, contribuindo para o desbravamento do sertão 
e para o aumento da população colonial. 
 
♦ Mudança do centro econômico – em 1763, a capital da colônia foi 
transferida da cidade de Salvador para a cidade do Rio de Janeiro. A 
mudança da capital demonstra o deslocamento do centro econômico do 
Nordeste açucareiro para a região mineradora do Sudeste. O Rio de Janeiro, 
com seu porto marítimo, permitia o transporte de ouro, facilitando a 
comunicação com a metrópole. 
 
♦ Revoltas contra Portugal – o ouro também colocou em oposição os 
interesses dos colonos brasileiros e os interesses de Portugal. A exploração 
da metrópole sobre a colônia se intensificou no período do ciclo do ouro, e 
setores da classe dominante colonial se revoltaram. Explodiram, então, 
diversas revoltas da colônia contra a metrópole. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COM QUEM FICOU O OURO BRASILEIRO ? 
 
A produção aurífera brasileira foi bastante significativa nos primeiros 70 
anos do século XVII. Nesse período, o Brasil produziumais ouro do que toda a 
América espanhola em 357 anos. A quantidade de ouro extraído do Brasil 
correspondeu a 50% de toda a produção mundial entre os séculos XV e XVIII. 
Toda essa riqueza, porém, não foi utilizada para o desenvolvimento da 
colônia. É inegável que a região de Minas apresentou visível progresso econômico 
e cultural como mostram as igrejas, as ruas e os edifícios da época. Contudo a 
maior parte do ouro brasileiro escoou para fora do Brasil, servindo ao 
enriquecimento de outras nações. 
Nem mesmo Portugal lucrou com o ouro brasileiro – apesar de ter recebido 
um quinto de toda a produção. A balança comercial portuguesa equilibrou-se 
momentaneamente, mas não o suficiente para livrar-se da dependência 
econômica em relação aos ingleses. 
Ao se libertar da Espanha (1640), Portugal contou com apoio militar e 
político da Inglaterra. Em troca dessa ajuda, os ingleses foram submetendo a 
economia portuguesa, através de diversos tratados. 
Assim, a grande beneficiária do ouro brasileiro foi a Inglaterra, que, pelo 
Tratado de Methuen (Tratado dos Panos e Vinhos), 1703, fez de Portugal e suas 
colônias grandes mercados consumidores de suas manufaturas. 
Exportando produtos agrícolas para a Inglaterra, e dela importando as 
caras e importantes manufaturas (que eram produtos feitos com trabalho manual, 
por exemplo, os tecidos eram feitos em teares manuais), Portugal se encontrava 
sempre em dívida com a Inglaterra. E, para pagar sua dívida externa, recorria ao 
ouro brasileiro e desenvolvia o capitalismo industrial inglês. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 125
 
PECUÁRIA: NEGÓCIO INTERNO DA COLÔNIA 
 
 A pecuária desempenhou 
importante papel na economia colonial. 
Além de abastecer a população (carne e 
couro), os animais serviam de força 
motriz, ou seja, eram usados para 
movimentar os engenhos e outras 
máquinas e serviam como meio de 
transporte. 
As principais atividades 
econômicas do Brasil-colônia tinham 
como finalidade atender ao mercado 
externo (que era interesse de Portugal, 
não é mesmo?), como é o caso da 
produção de açúcar, do tabaco e da mineração. Ao contrário dessas atividades de 
exportação, a pecuária era uma atividade econômica local. Representava um negócio 
interno da colônia. 
 
Assim, a pecuária não se enquadrava plenamente nas regras do sistema 
colonial mercantilista, sendo, por isso, pouco incentivada pela metrópole. 
 
A pecuária desenvolveu-se em duas regiões: as caatingas do Nordeste e as 
campinas do Sul. 
 
No início, a pecuária desenvolvida no Nordeste tinha como finalidade 
fornecer carne e força motriz (mover moendas) aos engenhos de açúcar. Depois, 
com a exploração do ouro, a criação de gado passou a atender também a demanda 
das regiões mineradoras, ampliando seu mercado. Os métodos de criação no sertão 
nodestino eram rudimentares (simples), e as fazendas tinham baixa produtividade. 
Além da carne fresca, a pecuária nordestina também fornecia a carne seca 
para o consumo. Esse tipo de carne solucionou o problema de conservação do 
produto para a comercialização em locais distantes, afinal nesta época eles não 
tinham geladeira, nem freezer! O couro também era muito importante, sendo 
inclusive exportado. 
 
No Sul, a pecuária foi a única atividade importante do período colonial, 
fazendo nascer uma sociedade tipicamente pastoril. A atividade básica foi a 
produção de couro e posteriormente, surgiu a indústria do charque, que conduziu à 
evolução dos métodos de criação e abriu novas possibilidades ao comércio da carne. 
A indústria do leite era pouco desenvolvida, estando longe de rivalizar-se com a 
existente em Minas Gerais. Em compensação o Sul, favorecido pelas baixas 
temperaturas, era a única região produtora e consumidora de manteiga. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 126
E COMO ERA A SOCIEDADE COLONIAL? 
 
Nós já tratamos da política (como foi administrado) e da economia (o que foi 
produzido), agora só falta saber como era a estrutura social do Brasil-colônia, ou 
seja, quem viveu aqui e como se relacionaram entre si. 
Como você já sabe, a sociedade colonial era formada por índios, negros e 
portugueses. Os primeiros, sempre submetidos pelos portugueses, o que nos mostra 
uma enorme desigualdade social, desde o início de nossa colonização. 
 
-> A SOCIEDADE AÇUCAREIRA 
 
Nos primeiros séculos da colonização, a vida dos povoadores girava em torno 
da empresa açucareira. Assim, a sociedade colonial estruturou-se com base nos 
engenhos de açúcar. 
 
O engenho era um mundo mais ou menos fechado, onde a vida das pessoas 
estava submetida às ordens de uma autoridade suprema: o senhor de engenho. Sua 
autoridade não se limitava apenas à propriedade açucareira, mas espalhava-se por 
toda a região vizinha, invadindo vilas e povoados, através de sua influência política. 
 
O poder social do senhor de engenho tinha como base o poder econômico. 
Por sua vez, o poder econômico do senhor de engenho era sustentado pela terra, 
pelos escravos e pela exportação de açúcar. 
 
A sociedade açucareira dividia-se, essencialmente, em dois grupos sociais 
opostos: senhores e escravos. Entre esses grupos, havia uma faixa intermediária de 
pessoas que serviam aos interesses dos senhores. 
 
São características da sociedade açucareira: 
 
♦ Ruralismo – a vida da sociedade desenvolvia-se no engenho. Portanto o 
campo era o centro dinâmico da sociedade; 
 
♦ Patriarcalismo – o senhor de engenho era o patriarca ( chefe masculino) 
todo poderoso da sociedade. Concentrava em suas mãos o poder econômico, 
político e ideológico; 
 
♦ Estratificação social – praticamente não havia mobilidade social, isto é, as 
pessoas não subiam nem desciam de sua posição social de origem. Por 
exemplo, um escravo nunca se tornaria um senhor de engenho. 
 
 Embora, na colônia, o senhor de engenho fosse todo-poderoso, seu poder era 
pequeno se comparado ao da burguesia metropolitana (comerciantes portugueses), 
que ficava com quase todo o lucro gerado pela comercialização do açúcar, enquanto 
ao senhor de engenho cabia apenas uma pequena parcela. 
 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 127
-> A SOCIEDADE MINERADORA 
 
 A exploração do ouro era a principal preocupação das pessoas que moravam 
na região das Minas Gerais. Em função do ouro, organizaram suas atividades, 
fazendo nascer importantes cidades, como Vila Rica (atual Ouro Preto), Congonhas 
do Campo, Mariana, Sabará e São João Del Rei. 
 A rendosa exploração do ouro fez de Minas Gerais um excelente mercado 
comprador de alimentos, roupas, ferramentas etc. Inúmeros comerciantes de 
Portugal e da própria colônia abasteciam a sociedade mineira com os produtos de 
que ela necessitava. Minas tornou-se um grande centro consumidor, gerando um 
importante mercado interno na economia colonial. No Nordeste açucareiro, a 
instalação dos engenhos deu origem a uma sociedade rural, dominada pelo senhor de 
engenho. 
 Em Minas Gerais, a exploração do ouro deu origem a uma sociedade urbana 
e heterogênea, da qual faziam parte comerciantes, funcionários do rei, profissionais 
liberais e uma multidão de escravos. Os escravos chegaram a representar, em 1786, 
cerca de 50% da população total que vivia em Minas Gerais. 
 Na sociedade mineradora, a ascensão social era relativamente mais fácil do 
que no Nordeste açucareiro. Se, explorando o ouro, um homem se tornasse rico, 
podia freqüentar as altas rodas sociais. 
 Comparando-se a mineração com a empresa açucareira, verifica-se que o 
trabalho nas minas, além de menor quantidade de equipamentos e instalações, exigia 
mão-de-obra menos numerosa. Disso se conclui que os investimentos de capital na 
mineração eram menores que os necessários ao funcionamento de um engenho. Por 
isso, o acesso a condição de minerador foi relativamente mais fácil do que o acesso à 
condição de senhor de engenho. 
 
 
 
 
 
Agora responda em seu caderno: 
 
12. Em qual sociedade (açucareira ou mineradora), as pessoas tinham maiorespossibilidades de enriquecimento? Explique. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 128
 
A IGREJA MODELANDO A SOCIEDADE 
 
 
 A religião sempre foi muito importante para os portugueses. A igreja 
católica exerceu importante papel na organização da sociedade colonial 
brasileira. Isso ocorreu porque o Estado português e a Igreja tinham fortes 
vínculos. O catolicismo era a religião oficial em Portugal e, obrigatoriamente, todos 
os súditos do rei deviam ser católicos. Havia também um acordo entre o papa (chefe 
da Igreja) e o rei português que determinava uma série de deveres e direitos da coroa 
em relação à Igreja. Esse acordo, conhecido como “padroado”, estabelecia, por 
exemplo: 
 
Deveres da Coroa Portuguesa 
 
♦ Garantir a expansão do catolicismo em todas as terras conquistadas pelos 
portugueses; 
♦ Construir igrejas e cuidar de sua conservação; 
 
♦ Remunerar os sacerdotes pelo seu trabalho religioso. 
 
Direitos da Coroa Portuguesa 
 
♦ Nomear bispos e indicar a criação de dioceses ( região eclesiástica 
administrada pelo bispo); 
♦ Recolher o dízimo (décima parte dos ganhos ofertados pelos fiéis à Igreja). 
 
ORDENS RELIGIOSAS 
 
Entre as ordens religiosas que atuaram no Brasil Colônia, citam-se os 
franciscanos, os beneditinos, os carmelitas e, principalmente, os jesuítas. 
 Essas ordens religiosas vieram para o Brasil com a tarefa de evangelizar e 
educar índios e colonos. Espalhando-se pelo território, construíram ao longo do 
tempo, grande patrimônio econômico, formado por engenhos, fazendas de gado, 
imóveis urbanos e objetos valiosos doados por ricos católicos. 
 
JESUÍTAS 
 
Assumindo o papel de “soldados da 
religião”, os jesuítas tinham como objetivo 
conquistar índios e colonos, convertendo-os 
ao catolicismo. A arma utilizada nesta 
conquista espiritual foi a educação escolar, 
que enfatizou o ensino religioso, a 
catequização. Por isso, imediatamente após 
sua chegada à Bahia, durante o governo de 
Tomé de Sousa, fundaram uma escola de nível elementar para os colonos. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 129
Profeta esculpido em 
pedra-sabão por Aleijadinho. 
A obra dos jesuítas espalhou-se rapidamente por diversas regiões do Brasil, 
como São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. 
 
A COMPANHIA DE JESUS deteve o monopólio do setor educacional no 
Brasil por mais de dois séculos, de 1549 a 1759 (ano em que foram expulsos do 
reino português e de suas colônias pelo marquês de Pombal). Houve vários 
momentos de conflito entre padres da Igreja e autoridades da coroa. Tornou-se 
comum, por exemplo, a participação de padres em rebeliões coloniais. Apesar disso, 
de modo geral, a Igreja e o Estado português atuavam em harmonia. 
 
Nesse sentido, cabia ao Estado administrar a colônia, e à Igreja ensinar a 
obediência a Deus e ao rei. 
 
 
A VIDA CULTURAL NO BRASIL COLÔNIA 
 
Durante o período colonial, como você notou, a vida política e econômica do 
Brasil esteve totalmente submetida ao governo português. O ensino e a cultura 
dependiam muito do que era determinado em Lisboa, mas também da iniciativa da 
Igreja (como você viu logo acima), que controlava essas atividades em todo o 
império português. 
Os primeiros textos e pinturas elaborados no Brasil foram feitos por viajantes 
europeus. Fossem exploradores ou estudiosos, esses europeus se preocuparam em 
narrar e pintar os costumes dos povos indígenas, os percalços (dificuldades) dos 
europeus, a natureza tropical, os perigos e as fantasias do Novo Mundo. 
Nos primeiros séculos de ocupação, toda e qualquer atividade intelectual na 
Colônia foi dificultada pelo governo português. Estudiosos foram proibidos de fazer 
pesquisa, assim como gráficas, foram proibidas de 
funcionar. Apenas a Igreja tinha autonomia para 
desenvolver atividades culturais. 
A situação só se alterou no começo do século 
XIX, com a transferência da Corte portuguesa para o 
Brasil, mas esse assunto você estudará mais a frente. 
A elite colonial (os ricos e poderosos que 
viviam aqui), valorizava o que era europeu: 
comportamento, moda, costumes, arte, etc. Por isso, 
os artistas procuravam imitar a arte produzida na 
Europa. No final do século XVIII começaram a 
surgir em Minas Gerais, os primeiros sinais de uma 
produção artística original e independente. Os 
artistas mineiros de origem humilde, conseguiram 
recriar o estilo barroco, difundido na Europa no 
século anterior, projetando igrejas e fazendo 
esculturas em madeira e pedra-sabão. Um dos nomes 
que mais se destacou foi o de Antonio Francisco 
Lisboa, o Aleijadinho. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 130
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, Congonhas do Campo (Minas 
Gerais). As estátuas dos profetas do Antigo Testamento, se encontram neste 
santuário e foram esculpidas em pedra-sabão por Aleijadinho. 
Os jovens das famílias ricas que iam estudar na Europa no século XVIII, 
ao voltarem para a Colônia, não traziam apenas novos ideais políticos, mas 
também uma mentalidade artística diferente, voltada a representar a vida de 
forma simples e racional. Esses estudantes foram responsáveis pelo 
desenvolvimento do arcadismo na Colônia. 
 
Agora responda em seu caderno: 
13) “A cultura durante todo o período colonial era “cópia” da cultura 
européia.” Justifique a frase após a leitura do texto. 
HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 131
 
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HISTÓRIA - ENSINO MÉDIO - 1ª série 
 132
 
 
 
ESTA APOSTILA FOI ELABORADA PELA 
 
EQUIPE DE HISTÓRIA DO CEESVO 
 
CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO SUPLETIVA 
DE VOTORANTIM 
 
 
PROFESSORAS: DENICE NUNES DE SOUZA 
MEIRE DA SILVA OMENA DE SOUZA 
ZILPA LAURIANO DE CAMPOS 
 
 COORDENAÇÃO: NEIVA APARECIDA FERRAZ NUNES 
 
 
DIREÇÃO: 
 
ELISABETE MARINONI GOMES 
MARIA ISABEL R. DE C. KUPPER 
 
 
VOTORANTIM, 2003. 
(Revisão 2007) 
 
 
OBSERVAÇÃO 
 
MATERIAL ELABORADO PARA USO 
EXCLUSIVO DO CEESVO, 
SENDO PROIBIDA A SUA COMERCIALIZAÇÃO. 
 
APOIO 
 
PREFEITURA MUNICIPAL DE VOTORANTIM

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