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Direitos Humanos APOSTILA

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bastante a humanidade ao limitar o arbítrio estatal. Entretanto, o intento de proclamar a igualdade entre todos os homens restou claramente frustrado. Importante destacar que os valores trazidos pela Revolução Francesa e pelas demais revoluções liberais ou burguesas são consideradas a primeira geração dos direitos humanos.
Apesar do elevado grau de humanidade encontrado nas Declarações revolucionárias, a população desejava que a igualdade ali proclamada fosse efetiva. Por isso, lutariam para que houvesse igualdade nos pontos de partida. Em outras palavras, caberia ao Estado garantir não apenas a propriedade e a segurança aos cidadãos, como proclamavam os liberais, mas também que todos tivessem oportunidades de se desenvolver de forma parecida. Era o nascimento dos direitos sociais e econômicos, que mais tarde seriam chamados de direitos de segunda geração.
4.1 A Revolução Industrial e o marxismo
Surgiam as grandes fábricas, em oposição às oficinas dos artesãos. Antes delas, os artesãos controlavam todo o processo produtivo, desde a obtenção da matéria-prima até sua comercialização. Com o advento das fábricas, as pessoas passaram a operar máquinas capazes de produzir muitas vezes mais que um só artesão. Contudo, todas as etapas do processo produtivo eram controladas pelos industriais. Com todo o controle da produção, os industriais passaram a explorar abusivamente os trabalhadores. Durante o início da Revolução Industrial, os operários viviam em condições extremamente degradantes se comparadas às condições dos trabalhadores atuais. Os operários, então, passaram a se organizar para pressionar os industriais por melhores condições de vida. Nascia, assim, o sindicalismo.
4.2 Manifesto Comunista
A exploração exagerada dos trabalhadores e a consequente desigualdade entre os industriais e o resto da população fizeram com que os ideais das revoluções burguesas parecessem mera peça de ficção. Com isso, do ponto de vista político e acadêmico, floresceram o socialismo e o comunismo, representados, sobretudo, por seu principal teórico, Karl Marx, que, com Friederich Engels, lançou, em 1848, o Manifesto Comunista. Em tal texto, Marx incita os trabalhadores de todo o mundo a se unir e lutar contra aqueles que os exploravam. A luta de classes seria uma das principais temáticas do século XIX. E a união dos trabalhadores produziu efeitos consideráveis. Ao longo do século, vários direitos foram consagrados ao trabalhador. A expressão Direito do Trabalho, inclusive, vem à tona nesse momento histórico.
4.3 Primeira Guerra Mundial
Foi nesse conflito que ocorreu o primeiro genocídio do século XX, com a tentativa turco-otomana de exterminar os armênios. Entre 1915 e 1917, durante a guerra e o governo dos chamados Jovens Turcos, o exército turco assassinou ou levou à morte entre 600 mil e 1 milhão de armênios, com a intenção de exterminar sua presença cultural, sua vida econômica e seu ambiente familiar. E isso em virtude de acreditarem que todos os armênios, por serem cristãos, eram aliados dos russos.
 4.4 A liga das nações
Ao término da Primeira Guerra, surgiria a primeira organização internacional com a finalidade de manutenção da paz: a Liga das Nações. Tal entidade, embora fracassada, expressou ainda, de forma genérica, disposições referentes aos direitos humanos, reforçando a necessidade de relativizar a soberania dos Estados, quando estes atuassem de forma a desrespeitar tais direitos.
4.5 Tratado de Versalhes
A Primeira Guerra acaba com a assinatura do tratado de Versalhes. Por meio dele, definiram-se as condições de paz entre os Aliados e a Alemanha. Entre as cláusulas, estabeleceu-se a criação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), fundamental para a consolidação e internacionalização dos direitos trabalhistas.
4.6 A Constituição de Weimar
Em 1919, é elaborada e promulgada uma nova Constituição para a Alemanha republicana. Nela, foram instituídas garantias sociais como o direito à sindicalização, à previdência social, à repartição de terras, entre outras. A preocupação desta Constituição com as questões sociais influenciaria diversas Constituições ao redor do mundo. A mudança da atitude esperada do Estado é substancial. A partir de Weimar, não cabe a ele apenas se abster de condutas abusivas para que as liberdades públicas sejam respeitadas. Espera-se, agora, um Estado com condutas positivas em favor de seus cidadãos.
4.7 Segunda grande Guerra
Poucos anos depois, o mundo entraria em guerra novamente, apesar dos esforços da Liga das Nações. Em 1939, após sucessivas agressões alemãs a países vizinhos, eclodia a Segunda Guerra Mundial. E, neste conflito, houve algo inimaginável até então. Um Estado, deliberadamente, implementou uma máquina de extermínio das populações indesejadas. O principal alvo eram os judeus e seus descendentes, mas a máquina de matar nazista também perseguiu ciganos, homossexuais e deficientes mentais. No Japão, a invasão da Manchúria também deixou milhares de mortos e de mulheres agredidas sexualmente.
Tais abusos impactaram o mundo de tal forma que uma resposta à humanidade era essencial. Não era possível ficar estático. Os Aliados, vencedores do conflito, providenciaram o julgamento dos nazistas em Nuremberg e dos generais japoneses em Tóquio, em Tribunais militares, que sofreram diversas críticas no mundo jurídico, mas que, dentro do possível, condenaram diversos criminosos detidos ao fim do conflito.
4.8.A Organização das Nações Unidas
Algo mais necessitava ser feito de forma a assegurar que desrespeitos aos direitos fundamentais daquela magnitude não se repetissem. E isso foi realizado por meio das Nações Unidas, organização internacional criada, logo depois do término desse grande conflito, fazendo surgir o Sistema Global de Proteção aos Direitos Humanos
Pode-se falar em três ápices da evolução dos direitos humanos: o Iluminismo, a Revolução Francesa e o término da Segunda Guerra Mundial.
Com o primeiro foi ressaltada a razão, o espírito crítico e a fé na ciência. Esse movimento procurou chegar às origens da humanidade, compreender a essência das coisas e das pessoas, observar o homem natural.
A Revolução Francesa deu origem aos ideais representativos dos direitos humanos, a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Estes inspiraram os teóricos e transformaram todo o modo de pensar ocidental. Os homens tinham plena liberdade (apesar de empecilhos de ordem econômica, destacados, posteriormente, pelo Socialismo), eram iguais, ao menos em relação à lei, e deveriam ser fraternos, auxiliando uns aos outros.
Por fim, com a barbárie da Segunda Grande Guerra, os homens se conscientizaram da necessidade de não se permitir que aquelas monstruosidades ocorressem novamente, de se prevenir os arbítrios dos Estados. Isto culminou na criação da Organização das Nações Unidas e na declaração de inúmeros Tratados Internacionais de Direitos Humanos, como “A Declaração Universal dos Direitos do Homem”, como ideal comum de todos os povos.
Com o fim da Segunda Guerra e a “descoberta” do Holocausto pelo mundo ocidental, diversas foram as pressões para que tais fatos nunca mais se repetissem. A explosão da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki fez a humanidade perceber que o próprio homem poderia colocar um fim ao planeta. Tais fatos vão alterar substancialmente o imaginário humano e, por consequência, a disposição das nações para aceitar acordos.
A Organização das Nações Unidas surge neste contexto de anseio pela paz. Seu objetivo principal é o de “preservar as gerações futuras do flagelo da guerra”. E sua forma de atuar foi, sobretudo, declarar os direitos que considerava fundamentais e que precisavam ser respeitados por todos os Estados.
Para se ter ideia, na Carta de Fundação da ONU, os direitos humanos foram considerados no Preâmbulo, nos arts. 1º, § 3º; 13, § 1b; 55, c; 56; 62 § 2º; 64; 68; 73; 76, c. Tal fato é um claro contraste em relação ao Pacto da Sociedade das Nações, que contemplava apenas um artigo (art. 23) à matéria.
Além da Carta, a ONU iniciaria um processo de internacionalização