A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
354 pág.
O_Engenhoso_Fidalgo_Dom_Quixote_De_La_Ma (1)

Pré-visualização | Página 1 de 47

P. o. hisp.
67
2-4
jo hip. 673 - 4
Cervantes
< 36638410160018
<36638410160018
Bayer. Staatsbibliothek
6
!
A
>
9 6.hisp.67 5 - 4래
Cervante
< 36638410160018
<36638410160018
Bayer. Staatsbibliothek
f
f 1
II020
.(
DOUDYOL
oO ENGENH OSO
FIDALGO
DOM QUIXOTE
DE LA MANCHA ,
POR MIGUEL DE CERVANTES SAAVEDRA ,
TRADUZIDO EM VULGAR.
TOMO IV ,
LISBOA ,
NA TYPOGRAFIA ROLLANDIANA .
I 7 9 4.
Com licença da Real Meza da Commiſſao Geral ſobre
. Exame, Confura dos Livros .
OD
POSLIOTHECA!
TIT DVD130
RIBLIOTHEC
TOGIA
090
HIDRAGENSISA 20
D
For tarado este livro em papelaquae
trocentos réis ; Meza 5 de
Dezembro de
1794
hernit ** Com tres Rubricas.
B
O
L
J
3 :: -250
On 22
cs
some
O ENGENHOSO FIDALGO
D. QUIXOTE
DE LA MANCHA.
2192 2070274 : 19
PARTE SEGUNDA.
2:23 COEZS) IO
so IC
CAPITULO I.
Do que o Cura , e a Barbeiro passårao
coin D. Quixote acerca da sua en
fermidade
Corta Cide Hamete Benengeli na Se
gundaParte desta Historia , e terceira sahi
da de D.Quixote que o Cura , e o Barbei
ro estiverao quasi hum'mez sem vello pa
ra nað despertar -lhe a lembrança das cou
sas passadas. Mas nem por isso deixárað
de visitar a sua sobrinha , e ama , recom
mendando -lhes que tivessem cuidado de o
regalar , dando - lhe comidas confortativas
para avigorar-lhe o coraçað , e o cerebro ,
donde , segundo as apparencias , procedia
toda a sua desgraça .Disserað ellas
sim o fazia ) , e faria ) com toda a vonta
de, e cuidado possivel; porque nað deixa
TOM. IV. A
que as
yao
o hip.673 - 4
Cervante,
1
<36638410160018
<36638410160018
Bayer. Staatsbibliothek
}
1
ර25
{
177-2.???["ය
O ENGENH OSO
FIDALGO
DOM
QUIXOTE
DE LA MANCHA
POR MIGUEL DE CERVANTES SAAVEDRA ,
TRADUZIDO EM VULGAR.
TOMO IV ,
LISBOA ,
NA TYPOGRAFIA ROLLANDIANA .
I 7 9 4.
Com licença da Real Meza da Commiſao Geral ſobre
. Exame , « Cenfura dos Livros,
OD IROLIOTHECA
CHEC VOVOASLI
GIA
HIKICENSIS.
Foi tatado este livro empapel a qua
AUR ?
trocentos réis ; Męza5 de Dezembro de
Com tres Rubricàr.
1794
27
TDS
10 i
Icons
O ENGENHOSOFIDALGO
D. QUIXOTE
DE LA MANCHA.
PARTE SEGUNDA.
IC
CAPITULO I.
Do 'que o Cura, e. a Barbeiro passårao
coin D. Quixote ácerca da sua en
fermidade.
Conta Cide Hamete Benengeli na Se
gunda Parte desta Historia , e terceira sahi
da de D.Quixote que o Cura , e o Barbei
ro estiverao quasi hum'mez sem vello pa
ra nað despertar-lhe a lembrança das cou
sas passadas. Mas nem por isso deixárað
de visitar a sua sobrinha , e ama , recom
mendando -lhes que tivessem cuidado de o
regalar , dando -lhe comidas confortativas
para avigorar-lhe o coraçað , e o cerebro ,
donde, segundo as apparencias , procedia
toda a sua desgraça.Disserað ellas que as
sim o fazia ) , e faria ) com toda a vonta
de , e cuidado possivel; porque nað deixa
TOM . IV. A vað
D. QUIXOTE DE LA MANCHA.
vað de vêr que D. Quixote hia dando inos
tras de estar ein séu perfeito juizo ; do
que re
ceberaõ ainbos grande conten
tamento
, por
lhes parecer que tinhaó acertado em tello
trazido encantado no carro , como fica dito
no ultimo Capitulo da Primeira Parte desta
tao grande , como individual Historia. Pe
lo
que determinárað visitallo , e experimentar
a sua melhoria , ainda que a tinhaố quasi por
impossivel ; e assentáraó de nao tocar-lhe ein
ponto nenhum da Cavallaria andante , para
nað expôllo aoperigo de descozer os da fe
rida , que tað fresca estava. Visitáraó-o em
fiin , eacháraó - o sentado na cama , vestido
com humn collete de baeta verde ; e hum bar
reteencarnado dos que se usao em Toledo.
Tað secco estava , e taó descarnado , que
parecia hum esqueleto . Forao bem recebidos
delle , e perguntando-lhe pela sua saude ,
deo elle noticia de si , e della com muito
juizo , e elegantes expressões. Depois de te
ren conversado muiro tempo vieraó a tra
tar do que chamaó razaố de Estado , ema
neiras de governo , emendando este , e con
demnando aquelle abuso , reformando huin
costurne , e desterrando outro , fazendo - se
Cada bum dos tres hum novo Legislator ,
huin
AWOWA PARIBII: ON . ICT
ham Liturgo moderno , ou-kum Solon flä
mantelede talmaneira renovarao a Re
publicaroque pareceó stellaposto n'huma
dragoa , et convertidonn'outra. D.Quixore
fallou com tanta discriçað em todas asma
steriaseín que tocárað , que os dousex
aminadores- crêraó indubitavelmente que
estava de todo bom e em seu perfeito juk
zo Acháraðse presentes á prática asobri
nha , e a ama, enað se fartavao de dar gra
ças a Deos de o vêr com tað bom enten
dimento . Mudando porém o Cura do pro
posito de nao tocar-lhe em cousasde Cd
vatlarias , quiz fazer experienciase a saude
de D. Quixote era falsa ou verdadeira ; e
assim variando de humas 'para outras veio
sa contar algumas novas , que tinhao vindo
da Corre ', e entre outras disse que se tinha
por cercoque o Turcobaixava con huma
poderosa armada , e que não se sabia o seu
designio , nemaondeviria descarregar tama
nho nevoeiro , e que com estereceio , por
ria do qual todos os annos nos toca a rea
bate , quasi toda a Christandadeestava ette
i armast, eSua Magastade rinha dado orden
para fornecer-se as Cóstas de Napoles ,
Sicilia , e acHha de Malta . Sua Magesta
46 A i de
4 D. QUIXOTE DE LA MANCHA.
de , respondeo D.Quixote , procedeo , co
mo prudentissimo Guerreiro, em fornecer
os seus Estados coin tempo , para que nao
o ache desapercebido o inimigo. Porém ,
quando se me pedisse conselho , dissera -lhe
eu que usasse de huma precauçað , de que
SuaMagestadea esta hora está muito alheio
de pensar nella . Apenas o Cura ouvio isto:
Deos, disse comsigo , te tenha da sua mao,
pobre D.Quixote , pois me parece que te
despenhas do altocume da tua loucura até
o profundo abysmo da tua simplicidade.
Mas o Barbeiro , que estava já no mesmo
pensamento que o Cura , perguntou a D.
Quixote , qual era a precauçað , que elle
dizia que era bem que se tomasse ; pois po
deria talvez ser do número daquellas ad
vertencias impertinentes , que costumað fa
zer aos Principes. A minha , Senhor raspa
dor disse D.Quixote , será pertencente ,
e nao impertinente. Nao digo por isso , re
plicou o Barbeiro , senað porque a experien
cia tem mostrado , que todos, ou amaior
parte dos arbitrios , que se daó a Sua Ma
gestade , ou saố impossiveis, ou dispara
tados , em damno de ElRei , ou do Reino.
Pois o meu , tornou D. Quixote , nem he
im
PARTE II . CAP. I. 5
V.
impossivel , nem disparatado , senað o mais
facil , o mais justo , e o mais maneiro , e
breve , que pode occorrer a qualquer, que
arbitra. Já V. Mercê tarda em dizello , Se
nhor D. Quixote , disse o Cura. Naš que
ria , replicou o nosso Cavalleiro , dizello
agora aqui , e que á manhã amanhecesse nos
ouvidos dos Senhores Conselheiros , e por
esta via tivesse outro as mercês , e premio
do meu trabalho. Quanto a mim , disse o
Barbeiro , dou minha palavra para aqui , e
para diante de Deos, de nao dizero que
Mercê disser a Rei , nem a Roque , nem a
pessoa nenhuma da terra : juramento he es
te ,que aprendi doRomance do Cura , que
na Prefacçao descubrio ao Rei qual fora o
ladrað , que lhe tinha roubado as cem do
blas, e a sua mula , que andava tað bem .
Nað sei dessas historias , disse D.Quixote ;
porém sei que he bom esse juramento , e eu
sei que o Senhor Barbeiro he homem de
bem. Quando nað o fosse , disse o Cura ,
eu o abono , e fico por elle , que neste caso
fallará tanto , como hum mudo , sob pena
de pagar o julgado , e sentenciado. E quem
fica por V. Merce , Senhor Cura ? pergun
tou D. Quixote. A minha profissað ,
pon
TES
6 D. QUIXOTE DE LA MANCHA.
pondeo o Cura ; que me obriga a guardar
segredo. Bem está , disse D. Quixote ; tem
Sua Magestade mais que mandar em virtu
de de hum pregað publico , que se juntem
n’hum dia aprazado na Corte todos os Car
valleiros andantes andað
? que por Hespa.
nha , dos quaes ainda quando só viessem
meia duzia , tal poderia haver entre esses
poucos ,