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Bioética Animal e Meioambiental

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[...] 
Na Nova Zelândia, a posse de um GloFish acarreta multa e 
sacrifício dos animais apreendidos. 
 
Texto e imagem disponível em: Wikipedia 
(https://pt.wikipedia.org/wiki/GloFish). 
Figura 11 Paulistinhas ou 
peixe zebra 
Fonte: Zebrafisch por Azul 
Domínio Público 
 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/GloFish
 
 
porém, é menos provável que concordem com a produção de animais de estimação 
fluorescentes. Por outro lado, estão as preocupações sobre a liberação, tanto em vida como 
depois da morte, dos animais modificados geneticamente no ecossistema selvagem. Devem 
estes animais serem contidos em vida e destruídos totalmente sem que seus corpos sequer 
possam contaminar o meio ambiente natural?xxxiv. 
Finalmente, estão as questões sobre se os animais modificados podem ser 
patenteados e se as modificações genéticas afetam a essência e o propósito da espécie ou 
do indivíduo modificado (Telos). A modificação genética do comportamento de uma espécie 
selvagem para que aceite a vida em gaiolas é uma modificação excessiva do caráter da 
espécie?xxxv 
 
 
 
 
1.5 Invertebrados: A Fronteira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os animais invertebrados são aproximadamente mais de 95% dos animais na 
natureza, e, entre eles, muitos são utilizados em experimentação científica, por exemplo, os 
bem conhecidos em genética e biologia molecular Caenorhabditis elegans (Nematoda) e 
Drosophila melanogaster (mosca da fruta), mas também muitos outros, desde Aedes egyptii 
(mosquito) até minhocas planas (Platyhelminthes). 
Como vimos até aqui, a consideração e os direitos dos animais têm evoluído 
grandemente nos últimos séculos, e estes passaram de ser bêtes machines, na opinião de 
Descartes, para serem seres vivos cujo uso em experimentação requer justificativas morais. 
Porém, a consideração moral dos animais está geralmente limitada, nos casos mais amplos, 
aos vertebrados. Esses limites estão marcados pela senciência suposta neles. Por isso, na 
maioria dos países, o uso de vertebrados em experimentação requer aprovação de um 
comitê de éticaxxxvi. 
A separação entre vertebrados – considerados sencientes – e invertebrados – não 
sencientes – é feita baseando-se na etologia e na aparente simplicidade dos sistemas 
nervosos. Porém, a nocicepção (capacidade de perceber e transmitir impulsos nervosos 
relacionados ao dano tecidual) está ainda pouco estudada nesses organismos. Contudo, já 
foram encontrados nociceptores e estruturas nervosas que respondem aos estímulos 
nocivos em cefalópodes e outros organismos, assim como plasticidade neuronal e condutas 
etológicas que parecem estar relacionadas a aprendizado e sentimentos como o medo. Por 
outro lado, descobriu-se que muito do processamento sensorial nos cefalópodes acontece 
Fig. 2 Behaviour approaches of assessing emotions 
in invertebrates 
“Although only a very limited number of studies 
have examined emotions in invertebrates, of those 
that have used a behavioural approach, two have 
addressed the possibility of positive emotions. 
Cassill and colleagues (2016) report a behaviour in 
fire ants (Solenopsis invicta) that, they argue, is 
similar to bodily expressions indicating pleasure in 
humans and other animals (Fig. 2C).” 
Perry, C. J. & Baciadonna, L. (2017) Studying emotion in 
invertebrates: what has been done, what can be 
measured and what they can provide J. Exp. Biol. 220: 
3856. Link direto para o artigo: 
https://jeb.biologists.org/content/220/21/3856 
 
 
 
Figura 12 – Expressão de emoções em 
invertebrados 
Fonte: Figura 2 do artigo Perry, C. J. & 
Baciadonna, L. (2017) J. Exp. Biol. 220: 
3856. 
https://jeb.biologists.org/content/220/21/3856
 
 
na periferia dos braços, e não no cérebro, o que sugere que não é preciso uma estrutura 
central complexa para essas tarefas. 
Por tudo isso, na Europa, os cefalópodes estão inclusos na Diretiva 2010/63/EU “On 
the Protection of Animals Used for Scientific Purposes”, e outros países, como a Austrália, 
também incorporam proteções similaresxxxvii. 
Embora ainda não exista um debate vivo na população sobre o tema e ainda que a 
comunidade científica, por enquanto, seja contra a inclusão dos invertebrados entre os 
animais regulamentados pelos comitês de ética, o debate já está nas revistas científicas e 
entre os filósofos, e por isso talvez a fronteira dos direitos animais para usos científicos pode 
variar nos próximos anos junto aos novos achados sobre funções cognitivas em 
invertebrados. 
 
 
 
► 2. Bioética Não Animal e Meio Ambiental 
 
Figura 13 – Charles Strebor “Earth Ball”. 
 
Fonte: https://www.iied.org/fighting-for-future-sustainable-development-battle-for-ideas-2017 
Creative Commons. 
 
 
 
 
https://www.iied.org/fighting-for-future-sustainable-development-battle-for-ideas-2017
 
 
2.1 Desextinção de Espécies 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A extinção de espécies é, infelizmente, uma constante na atualidade; na maioria dos 
casos, essas extinções têm os humanos como causa direta ou indireta. Por isso, a 
possibilidade que a biologia molecular abre para a “ressurreição” de espécies por meio da 
clonagem está no foco do debate ético. 
Antes de entrar na discussão, devemos ter em mente que existem vários tipos de 
extinção: extinção final ou filética (quando não há mais indivíduos dessa espécie), a 
hibridação com outras espécies, a pseudoextinção dada por evolução para outra espécie 
nova e a especiação alopátrica (idêntica à anterior, mas produzindo duas ou mais espécies 
diferentes). Cada uma dessas extinções traz seus próprios condicionantes éticos frente à 
possibilidade de desextinção. Vamos falar aqui apenas da desextinção para o caso 
filéticoxxxviii. 
A extinção filética, porém, não significa exclusivamente a extinção de todos os 
indivíduos da face da terra. Se admitirmos que cada ecossistema individual é um ente 
isolado que não se importa com o que acontece nos outros ecossistemas, a desaparição de 
uma espécie de um ecossistema, por exemplo, o urso dos Pireneus, pode ser considerada 
extinção filética nesse ecossistema, mesmo que existam ursos da mesma espécie nas 
montanhas húngaras. Isso traz como consequência a noção de desextinção também como a 
reintrodução da espécie com indivíduos trazidos de outro ecossistema. Outro ponto 
importante é que a desextinção também atinge plantas e outros organismos, e sua 
importância não é menor, mesmo que os casos mais espetaculares e midiáticos sejam 
sempre os relacionados com grandes animais do passado, como o mamutexxxix. 
“How long before de-extinction is a reality? 
The answer depends on what you’re willing to 
accept as “de-extinction.” If you mean a pigeon 
born with some passenger pigeon traits, or an 
elephant born with mammoth-like traits, it could 
happen within a few years to a decade. Longer for 
mammoths, for the reasons I’ve already mentioned 
and because elephants have a two-year gestation 
period. If you mean 100-percent mammoth, with 
all mammoth genes and behaviors, that will never 
happen.” 
Entrevista com a autora Beth Shapiro e fonte para a 
imagem: 
https://www.smithsonianmag.com/science-
nature/these-are-extinct-animals-we-can-should-
resurrect-180954955. 
Figura 14 – Capa do livro How to Clone 
a Mammoth, da autora Beth Shapiro] 
https://www.smithsonianmag.com/science-nature/these-are-extinct-animals-we-can-should-resurrect-180954955
https://www.smithsonianmag.com/science-nature/these-are-extinct-animals-we-can-should-resurrect-180954955
https://www.smithsonianmag.com/science-nature/these-are-extinct-animals-we-can-should-resurrect-180954955
 
 
2.1.1 Razões e sofrimento na desextinção 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Devemos dizer que ainda não houve sucesso na desextinção de espécies por métodos 
moleculares. Porém, acredita-se que isso acontecerá, sim, em curto prazo. A respeito das 
técnicas moleculares, existem duas grandes opções no caso de

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