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REMOÇÃO DE GORDURAS E SÓLIDOS
FLUTUANTES 
Os esgotos contêm grande quantidade de 
óleos e graxas e outros materiais de densidade 
inferior à da água. Estas substâncias, também 
denominadas sólidos flutuantes ou escuma, são 
comumente classificadas como “gorduras”.
A determinação destas “gorduras” em 
laboratório tem atingido os seguintes valores 
para o esgoto bruto:
1. INTRODUÇÃO
*esgoto de baixa concentração: 6mg/L;
*esgoto de concentração média: 13 mg/L;
*esgoto de alta concentração: 23 mg/L;
*esgoto de São Paulo (Ipiranga, 1975): 45mg/L
*esgoto de Porto Alegre (1975): 48 mg/L
2. FINALIDADE
A necessidade de remoção da gordura 
contida nos esgotos está condicionada aos 
problemas que este material trará às unidades de 
um sistema de esgoto sanitário, se presente em 
grandes proporções. Assim a remoção da 
gordura tem os seguintes objetivos:
_ evitar obstrução dos coletores;
_ evitar aderência nas peças especiais da rede de 
esgotos;
_ evitar acúmulo nas unidades de tratamento 
provocando odores desagradáveis e perturbações
no funcionamento dos dispositivos de 
tratamento;
_ evitar aspectos desagradáveis no corpo 
receptor.
3. CARACTERÍSTICAS
A característica de uma unidade de 
remoção de gordura é função da localização 
deste dispositivo, denominado, muitas vezes, 
simplesmente de caixa de gordura.
A unidade recebe nomes específicos, de 
acordo com o tipo de matéria flutuante a ser 
removida:
a) caixa de gordura domiciliar: normalmente 
recebendo esgotos de cozinhas e situada na 
própria instalação predial de esgoto. São, 
geralmente, patenteadas e aprovadas pelos 
órgãos fiscalizadores locais;
b) caixa de gordura coletiva: são unidades de 
grande porte e poderão anteceder conjuntos de 
residências, industrias ou constituir uma unidade 
de tratamento do sistema de tratamento de 
esgotos de uma comunidade;
c) dispositivos de remoção de gordura em 
decantadores: são unidades adaptadas nos 
decantadores (primários, em geral), os quais 
permitem recolher o material flutuante em 
dispositivos convenientemente projetados para o 
encaminhamento posterior às unidades de 
tratamento do lodo;
d) tanques aerados: são unidades dotadas de 
dispositivo que insufla ar comprimido ao tanque, 
ou ar dissolvido ao esgoto a ser tratado, com o 
fim de auxiliar a flotação e aumentar a eficiência 
do processo; 
e) separadores de óleo: são unidades destinadas a 
remover o óleo presente num esgoto, em 
particular nos casos em que há presença de 
despejos industrias com elevado teor de óleo; 
existem vários tipos, alguns patenteados, de 
aplicação maior em casos de refinarias e 
indústrias afins. 
Independentemente de sua localização, os 
dispositivos de remoção de gordura deverão ter 
condições favoráveis à retenção da gordura e sua 
subsequente remoção. Assim, as unidades de 
remoção de gordura deverão ser dotadas das 
seguintes características:
_ capacidade de acúmulo de gordura entre cada 
operação de limpeza;
_ condições de tranqüilidade suficiente para 
permitir a flutuação do material;
_ dispositivos de entrada e saída 
convenientemente projetados para permitir ao 
afluente e efluente escoarem normalmente;
_ distância entre os dispositivos de entrada e 
saída suficiente para reter a gordura e evitar 
que esse material seja arrastado com o efluente;
_ condições de vedação suficiente para evitar o 
contato com insetos, roedores, etc.
4. FUNCIONAMENTO
O funcionamento dos dispositivos de 
remoção de gordura está condicionado às 
mesmas leis que regem os fenômenos de 
sedimentação de sólidos, apenas se processando 
no sentido inverso.
As gorduras são, em geral, originadas dos 
esgotos de cozinha ou de despejos industriais 
típicos. Têm a capacidade de se agruparem 
alterando o tempo de detenção de acordo com a 
velocidade de ascensão. Esta velocidade pode ser 
observada em cilindros graduados pela 
determinação do tempo necessário para formar 
uma camada de escuma na superfície do líquido. 
Em algumas instalações de tratamento 
remove-se, também, algumas substâncias mais 
densas que a água por meio de flotação, a qual 
pode ser realizada com auxílio de aeração, 
injeção de gás, adição de produtos químicos, 
eletrólise, aquecimento ou decomposição 
bacteriana.
5. CAIXA DE GORDURA 
Existem vários modelos e tipos, em geral, de 
acordo com a vazão contribuinte.
5.1. Dimensionamento
O dimensionamento das caixas de gordura 
domiciliares é estabelecido pelos fabricantes, com 
aprovação dos órgãos fiscalizadores locais.
As caixas de gordura coletivas são 
geralmente dimensionadas para reter a vazão 
afluente, durante um período de 3 minutos.
O Departamento de Saúde dos EUA adota 
para capacidade de retenção de gordura, em kg, 
a quarta parte da vazão nominal, em 
litros/minuto. Por exemplo, uma caixa projetada 
para uma vazão de 80 litros/minuto, deverá reter 
20 kg de gordura. Essa condição permitirá 
remover 90% da gordura contida no afluente.
Pode-se também estabelecer o cálculo da 
área de uma caixa de gordura em função da 
“velocidade de mínima ascensão”.
A “velocidade mínima de ascensão” é a 
velocidade correspondente à menor partícula que 
se deseja reter em um determinado grau de 
remoção.
Assim, pode-se determinar a área da caixa 
de gordura pela seguinte aproximação:
(m/h) Ascensão de Mínima de Velocida
)h/(m Vazão)(m Área
3
2 =
5.2. Operação
A operação das caixas de gordura resume-
se na limpeza periódica, remoção da gordura 
retida, com a finalidade de evitar que o material 
seja arrastado com o efluente.
Essa limpeza é função da capacidade de 
retenção, para a qual não deverá ser utilizada 
mais que 75% do seu volume. A observação 
periódica do efluente permitirá, também, 
estabelecer períodos de limpeza.
_ ser enterrada;
_ ser aproveitada nas indústrias de sabão ou 
glicerina.
As gorduras das instalações prediais são 
mais impuras do que as gorduras provenientes 
das instalações industriais, tais como: de 
matadouros, lanifícios, curtumes, etc.
A gordura removida poderá ter os seguintes 
destinos:
6. TANQUES AERADOS COM AR 
COMPRIMIDO
Com o fim de aumentar a eficiência e, 
particularmente, quando for elevada a presença 
de óleo, pode-se insuflar ar no tanque de 
retenção.
6.1. Dimensionamento
O dimensionamento obedece às mesmas 
diretrizes das caixas de gordura, isto é, a área 
superficial é uma função da vazão e da 
velocidade ascensional, e o tempo de detenção é 
da ordem de 3 minutos.
O ar é insuflado por auxílio de 
compressores, entrando no tanque pelo fundo, a 
uma taxa da ordem de 4,2 m3ar/m3afluente. 
6.2. Características
O tanque deve obedecer às seguintes 
características:
_ a entrada de ar se faz por tubos perfurados ou 
difusores ao longo do tanque, fundo;
_ o tanque deve ter forma alongada, com maior 
aproveitamento da área superficial;
_ ao longo do tanque deve-se ter duas paredes 
verticais (como chicanas, sem alcançar o fundo), 
tais que o dividam em 3 seções paralelas: duas 
que funcionam como câmara de tranquilização, 
junto às paredes e a central onde ocorre o efeito 
de agitação da aeração;
_ as paredes laterais devem ser inclinadas, a fim 
de que as partículas eventualmente sedimentadas 
retornem à zona de aeração relevantadas.
6.3. Dispositivos de Coleta da Escuma
O efluente do tanque deve possuir sua saída 
próxima ao fundo, de modo a se poder ter na 
parte superior uma calha coletora de escuma.
Dependendo da quantidade de escuma a ser 
retirada, pode-se dispor de raspadores de 
superfície que encaminham a escuma até a calha 
de coleta.
7. TANQUES AERADOS COM AR 
DISSOLVIDO
A difusão de ar no esgoto tem sido adotada 
com grande eficiência recentemente, 
encontrando aplicações específicas nos casos de 
remoção de sólidos flutuantes previamente a 
lançamentos subaquáticos, e nos casos de 
tratamento na indústria de petróleo e 
petroquímica.

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