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Universidade Licungo Licenciatura em Psicologia 2 o Ano Joao Ricardo Correia Jolito Rosário Domingos Jossefa Armando Chinhengana Juliana Morais Mpeta Kadaf Anselmo Agostinho Distúrbios psicomotores Quelimane 2021 7 o grupo Joao Ricardo Correia Jolito Rosário Domingos Jossefa Armando Chinhengana Juliana Morais Mpeta Kadaf Anselmo Agostinho Distúrbios psicomotores Quelimane 2021 Trabalho de carácter avaliativo a ser entregue na FE, na cadeira PSICP, leccionada pela docente: Dra. Ana Amalene Índice Introdução ......................................................................................................................... 3 1.1 Os distúrbios psicomotores ......................................................................................... 4 1.2 Transtornos Psicomotores........................................................................................... 4 1.3 Instabilidade psicomotora……………………. .......................................................... 5 1.4 Debilidade psicomotora .............................................................................................. 6 1.4 Inibição psicomotora .................................................................................................. 6 1.5 Lateralidade cruzada ................................................................................................... 6 2.1 O Aspecto Emocional No Desenvolvimento Infantil ................................................. 7 2.2 A reeducação psicomotora.......................................................................................... 7 2.3 Os jogos e brincadeiras como actividades lúdicas na Reeducação Psicomotora ....... 9 2 Conclusão ................................................................................................................ 11 3 Referências Bibliográficas ...................................................................................... 12 3 Introdução Neste presente trabalho sobre distúrbios psicomotores iremos abordar vários temas que serão úteis para o nosso conhecimento e aprendizado. Neste trabalho abordaremos os temos como Transtornos Psicomotores procuramos trazer as causas sintomas e seus tratamentos, vamos trazer também suas classificações como a instabilidade psicomotora; debilidade psicomotora; inibição psicomotora; lateralidade cruzada, que vamos procurar saber quais são os distúrbios mais comuns e como afectam. Iremos trazer outros temas como o aspecto emocional no desenvolvimento Infantil, que nos ajudara a intender como a falta ou o excesso de afectividade, carinho, cuidado e atenção dos pais influencia sobremaneira a formação da personalidade do ser humano. E porque que as precoces experiências infantis é um dos factores que influem na formação da personalidade, juntamente com a genética e o meio ambiente, vamos também procurar intender como a reeducação psicomotora pode a ajudar a no tratamento. Objectivos Segundo Lacatos e Marconi (2003. 219), “objectivo geral está ligado a uma visão global e abrangente do tema. Relaciona se com o conteúdo intrínseco, quer dos fenómenos e eventos, quer das ideias estudadas. Vincula se directamente a própria significação da tese proposta pelo projecto” (p.2019). Leite (2004), por sua vez afirma que o objectivo geral e o que se pretende alcançar. Refere se a uma visão global e abrangente do problema. Assim, a presente pesquisa tem como: Objectivo geral Definir os distúrbios psicomotores Descrever os factores que causam os distúrbios. Objectivo especifico Explicar como e porque surgem os distúrbios psicomotores Relacionar os transtornos a educação e aprendizagem. 4 1.1 Os distúrbios psicomotores As perturbações ou distúrbios psicomotores são manifestações que a criança apresenta quando esta não tem domínio do seu próprio corpo. Estas são causadas por alterações afectivas, cognitivas e motoras que causam dificuldades tanto na vida social quanto escolar da criança. Segundo Meur e L. Staes (1991 p. 27): As perturbações psicomotoras são chamadas “perturbações instrumentais”, termo que evidencia que um problema de natureza psicomotora repercutirá na formação do esquema corporal e talvez da estrutura espacial e temporal. De acordo com os estudos de Borges e Rubio (2013, p.4): 1.2 Transtornos Psicomotores Não é preciso haver grave lesão para que o distúrbio psicomotor apareça. Ele pode se originar de disfunção cerebral mínima, deficiência física ou dificuldades emocionais (LEVIN, 1995). De acordo com o autor, a instabilidade psicomotora é um tipo de transtorno psicomotor mais complexo com várias implicações em decorrência das características clínicas que o portador apresenta. A criança possui grande necessidade e agitação nos movimentos não conseguindo controle sobre estes; movimentos bruscos e amplos sem relaxamento, observando-se uma instabilidade corporal. Frustram-se com facilidade, são agressivas, explosivas, destrutivas e impulsivas. Mostram baixo rendimento escolar devido à imaturidade motora e falta de concentração. Muitas apresentam terror noturno. (Levin 1995) Jean Bergès citado por Levin (1995) ao analisar a instabilidade psicomotora classifica-a de duas formas: Primeira seria uma grande tensão ou contracção muscular, que ele define como Paratonia, um estado de alerta geral, como se o corpo fosse vivido cercado, protegido por uma muralha, limitado, como para evitar uma desintegração, uma dispersão. Elas buscam agressivamente, impulsivamente formas que as façam sentir seu corpo, tentativas de criar um espaço diferenciado corporal, temporal. Não ocorreu o corte simbólico (mãe-bebê) e a saída é a instabilidade psicomotora obstruindo o desenvolvimento psicomotor e sua identidade como sujeito. 5 A segunda se caracteriza no oposto, ou seja, uma forma corporal elástica, flexível, como se esta criança não tivesse os limites de seu corpo, a fronteira, o recorte está ausente. Em ambos os casos o problema está na limitação corporal. Continua desta forma como objeto em movimento. Outro tipo de transtorno psicomotor é a inibição psicomotora que apresenta características contrárias a anterior, uma vez que, são crianças, pacatas, sem expressão, "boazinhas" demais, que atendem sempre às solicitações dos pais, com movimentos limitados. Qualquer distúrbio psicomotor tem ligação com problemas que envolvem o indivíduo em sua totalidade. Distúrbios psicomotores e afectivos estão, intimamente, associados, razão porque o diagnóstico não é fácil de ser feito. Os sintomas mais comuns desse distúrbio estão associados à área do ritmo, da atenção, do comportamento, esquema corporal, orientação espacial e temporal, lateralidade e maturação (retardos). Esses distúrbios podem ser classificados em quatro grupos, segundo Grünspun (apud JOSÉ & COELHO, 2002, p. 111): 1.3 Instabilidade psicomotora É o tipo mais complexo e causa uma série de transtornos pelas reacções que o portador apresenta, com o predomínio de uma actividade muscular contínua e incessante: Essas crianças revelam instabilidade emocional e intelectual; Falta de atenção e concentração; Actividade muscular contínua (não terminam tarefas iniciadas); Falta de coordenação geral e coordenação motora fina; hiperactividade e equilíbrio prejudicado; Deficiência na formulação de conceitos e no processo de percepção (discriminação de tamanho, figura-fundo, orientação espácio-temporal); 6 Alteração da palavra e da comunicação (atraso na linguagem e distúrbios da palavra); alterações emocionais (são impulsivas, explosivas, sensíveis, frustram-se comfacilidade, destruidoras); Alterações do sono (terror nocturno, movimentos enquanto dormem); Alterações no processo do pensamento abstracto; Dificuldades de escolaridade (leitura, escrita, aritmética, lentidão nas tarefas, dificuldade de copiar da lousa, entre outras manifestações. 1.4 Debilidade psicomotora Caracterizada por pantamia: Limitação nas quatro extremidades do corpo (ou apenas em duas) “deselegância” ao correr limitações e rigidez nas mãos e nas pernas; sincenesia : participação de músculos em movimentos aos quais eles não são necessária descontinuidade de gestos; imprecisão nos movimentos dos braços e das pernas; dificuldade de realizar os movimentos finos dos dedos. 1.4 Inibição psicomotora Além das características da debilidade psicomotora, neste caso a ansiedade é presença constante – a criança apresenta sobrancelha franzida; cabeça baixa; problemas de coordenação motora; distúrbios de conduta, dentre outros. 1.5 Lateralidade cruzada A maioria dos autores acredita que existe no cérebro um hemisfério predominante responsável pela lateralidade do indivíduo – desta maneira, de acordo com a ordem enviada pelo cérebro dominante, teremos o destro ou o canhoto. No entanto, segundo José & Coelho (2002, p. 114), além da dominância da mão, existe também a do pé, do olho, do ouvido. Os distúrbios psicomotores se caracterizam como uma das causas de dificuldades de aprendizagem, na medida em que crianças com instabilidade ou inibição psicomotora são portadoras de precária visão espaço-temporal, coordenação óculo-manual deficiente, dificuldades com a lateralidade e distorções na imagem corporal. A educação Infantil é 7 um período de grande desenvolvimento da criança em diferentes aspectos além do motor, e tais perturbações neste âmbito são observadas desde então, afetando diretamente o processo de aprendizagem, não só formal como também informal. (LEVIN, 1995). 2.1 O Aspecto Emocional No Desenvolvimento Infantil A falta ou o excesso de afetividade, carinho, cuidado e atenção dos pais influencia sobremaneira a formação da personalidade do ser humano. As precoces experiências infantis é um dos fatores que influem na formação da personalidade, juntamente com a genética e o meio ambiente (ZIMERMAN, 1999). Desde que nasce o bebê precisa de outro ser humano para com ele interagir e mais ainda para ajudá-lo a viver, já que é o único ser vivo que nasce numa situação de total desamparo e dependência. Imaturidade neurológica e motora, porém desenvolvimento sensorial relativamente precoce quanto às sensações térmicas, auditivas, táteis e visuais. De acordo com Freud (1905), até os seis a sete anos a criança vivencia fases no seu desenvolvimento emocional que serão primordiais para o seu amadurecimento psíquico. De forma positiva ou com fixações em alguma delas, seu lugar no mundo como homem ou mulher será alcançado no final destas fases. As vivências que experimentará com seus pais lhe permitirão o processo identificatório primordial para a estruturação da personalidade e orientação do desejo humano. Toda carga de sentimentos e emoções experimentados servirão de modelo para a experiência sexual da vida adulta. (NASIO, 2007. 2.2 A reeducação psicomotora Reeducação psicomotora Segundo De Meur e Staes (1984), reeducação psicomotora é entendida como uma ação que é desenvolvida em indivíduos que sofrem com perturbações ou distúrbios psicomotores, e tem por objetivo retomar as vivências anteriores e/ ou fases de educação ultrapassadas inadequadamente; ou seja, educar o que o indivíduo não assimilou adequadamente em etapas anteriores. 8 Para Bueno (1997), a tarefa da reeducação psicomotora é fazer com que o indivíduo possa adaptar-se ao seu meio, seja escolar, familiar ou social, sem que para isso tenha que renunciar à sua personalidade, mas, ao contrário, sabendo conhecer e dominar o seu corpo, através do qual todas as trocas são possíveis. Assim posto, a reeducação é aplicada por várias áreas profissionais: pedagogia, educação física, fisioterapia, terapia educacional, psicologia e por arte-educadores, educadores, médicos da especialidade motora ou psíquica, entre outros. Ainda de acordo com Bueno (1997), condição básica para uma boa reeducação está na tranquilidade e no intercâmbio afetivo entre o reeducador e o reeducando. Embasa sua eficácia no fato de que se remonta às origens, aos mecanismos de base que estão na origem da vida mental, controle gestual e do pensamento, controle das reações tônico- emocionais, equilíbrio, fixação na atenção, justa preensão do tempo e do espaço. Em relação à educação psicomotora o educador afirma que se a personalidade da criança se não estiver muito perturbada, a intervenção da técnica a nível instrumental dá resultados satisfatórios, porém o que é mais frequente é o sintoma ser expressão de uma perturbação mais profunda da personalidade e que se o educador interessar-se apenas pela técnica, sem preocupar-se com a pessoa de forma global, muitas serão as consequências. Buscar-se-á entender a reeducação psicomotora como um trabalho globalizado no sentido de envolver o desenvolvimento humano em seus aspectos fisiológicos, sociais, cognitivos e enfatizando o aspecto emocional de um sujeito faltoso e consequentemente um sujeito desejante. Olhar a terapia psicomotora sob o viés psicanalítico seria ver os transtornos como significantes, ou seja, a representação simbólica de sua estrutura. Julian de Ajuria guerra (apud LEVIN, 1995) define o outro ângulo da Terapia Psicomotora quando diz que não basta influir na posição, na habilidade e rapidez, na qualidade do movimento, mas principalmente na organização do sistema corporal modificando o corpo em seu conjunto, na maneira de sentir, de perceber e apreender as influências emocionais. A respeito do corpo Pierre Vayer descreve que: "todas as experiências da criança (prazer, dor, sucesso, fracasso) são sempre vividas corporalmente" Para Levin (1995), o corpo precisa ser diferenciado do sujeito, ele tem que conquistar este corpo através de um trabalho árduo de descobertas e conquistas. O corpo é 9 construído e constituído, simbolicamente, a partir de uma história com representações, nome, lugar, posição, que começa a se desenvolver independente da criança, já a partir do desejo de sua mãe em ter um filho. Está em sua origem e é o que a torna humana 2.3 Os jogos e brincadeiras como actividades lúdicas na Reeducação Psicomotora Os jogos e brincadeiras como actividades lúdicas ganham cada vez mais espaços entre os recursos didácticos utilizados no processo de ensino aprendizagem das crianças. Isso, porque por meio das actividades lúdicas o professor pode observar a falta de habilidades apresentadas pelos alunos e assim trabalhar a reeducação psicomotora. Determinadas habilidades quando não são bem trabalhadas na criança dificultam a sua aprendizagem nos vários níveis de ensino, e por meio de actividades lúdicas como os jogos, o professor pode corrigir tais necessidades identificadas em um determinado educando com a utilização dessas ferramentas. Segundo Dohme (2003, p. 122) “As atividades lúdicas podem colaborar com o desenvolvimento pessoal, a formação do homem autónomo, e ao mesmo tempo, com melhoria na participação comunitária, o homem construtivo”. Assim, nota-se a importância desses materiais didácticos na pratica docente como um parceiro no desenvolvimento da criança. Segundo Friedman (1992, p. 77), “brincar é o mais completo dos processos educativos, pois influencia o intelecto, a parte emocional e o corpo da criança”. Dessa forma, percebe-se como os jogos e brincadeiras são essenciais durante esse processo de crescimento da criança como indivíduo social e pensante. Através da psicomotricidade a criança desenvolve também seu corpocorrectamente, de forma ampla. Enfatizando a importância da brincadeira para a criança, Kishimoto (2002, p. 151) diz que a brincadeira tem papel preponderante na perspectiva de uma aprendizagem exploratória, ao favorecer a conduta divergente, a busca de alternativas não usuais, integrando o pensamento intuitivo”. Por meio da brincadeira, a criança pensa, corre, grita, pula, interage. Portanto, são vários fatores que estão em jogo ao mesmo tempo, dessa forma o crescimento sempre vai ser constante. Com isso, faz-se necessário que o professor faça uso desses recursos como estratégias para que o aluno crie motivação e auto-estima no seu processo de aprendizagem, uma vez que os jogos e as brincadeiras são instrumentos que 10 possibilitam e ajudam no desenvolvimento físico, cognitivo, psicomotor e social da criança. 11 Conclusão após a conclusão do trabalho concluímos que os distúrbios psicomotores tem por função destacar a relação entre a motricidade, a mente e a afectividade. Uma criança cuja Psicomotricidade não esteja bem desenvolvida pode apresentar dificuldades na aprendizagem escolar, pois são são manifestações que a criança apresenta quando esta não tem domínio do seu próprio corpo, o distúrbio psicomotor tem ligação com problemas que envolvem o indivíduo em sua totalidade por serem afectivos estão, intimamente, associados, causando varias disfunções, e sendo difícil o seu diagnóstico. A redução psicomotora que tem como objectivo retomar as vivências anteriores e fases de educação ultrapassadas inadequadamente ou seja, educar o que o indivíduo não assimilou adequadamente em etapas anteriores. Os jogos e brincadeiras ajudam a elucidar o educador e ganham cada vez mais espaços entre os recursos didácticos utilizados no processo de ensino aprendizagem das crianças. Isso, porque por meio das actividades lúdicas o professor pode observar a falta de habilidades apresentadas pelos alunos e assim trabalhar a reeducação psicomotora. O distúrbio psicomotor carece ser olhado como sintoma com o qual a criança se defende; a forma que encontra para existir e ser vista, olhada, compreendida. É um pedido de socorro! Uma gagueira pode ter muitas vezes sua origem numa tentativa técnica instrumental para suprimir um "problema" de canhotismo, ou seja, pode haver o deslocamento de um sintoma para outro. Corpo e mente não pode deixar de ser vistos e pensados num aspecto global, influenciando-se reciprocamente, afectando o desenvolvimento do ser humano como sujeito em diferentes aspectos. O tratamento proposto por Levin (1995) parece trazer no contexto atual em termos de tratamento, uma solução definitiva para este distúrbio entre tantos outros que a criança nesta fase de seu desenvolvimento pode apresentar. Repensar a importância da Psicomotricidade e o trabalho da reeducação psicomotora que ora se apresenta é tarefa relevante para pais, professores, pedagogos, psicopedagogias e aqueles que de uma forma ou de outra lidam com a criança nesta fase, buscando uma solução definitiva para o problema, não permitindo a cronicidade do mesmo. 12 Referências bibliográficas ajuriaguerra, Julian de. Manual de psiquiatria infantil. são Paulo: masson, 1983. dolto, françoise. psicanálise e pediatria. 3.ed. rio de Janeiro: Zahar edit, 1984. manual de observação psicomotora - significação psiconeurológica dos factores psicomotores. porto alegre: Artes médicas, 1995 psicomotricidade: psicologia e pedagogia. são paulo: Martins fontes, 1988. Freud, s. três ensaios sobre a teoria da sexualidade. in obras completas. rio de Janeiro: Scipione, 2005. le boulch, j. o desenvolvimento psicomotor: do nascimento aos seis anos. 7. ed. porto alegre: artes médicas, 1982. levin, esteban. a clínica psicomotora.