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A RIQUEZA DAS NAÇÕES ADAM SMITH RESUMO

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A Riqueza das Nações
Adam Smith
Bruno Rafael dos Santos
Novo Hamburgo
2020
O presente texto é um resumo dos principais aspectos do pensamento econômico de Adam
Smith (Kirkcaldy, 5 de junho de 1723 – Edimburgo, 17 de julho de 1790) presentes em sua obra
Uma investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações, publicada originalmente
em 1776.
A obra é considerada até os dias de hoje como o marco inicial do estudo da Economia como
ciência independente e do liberalismo econômico, como resposta ao mercantilismo. Smith defendia
que a riqueza de um país consiste na capacidade de produzir bens de consumo suficientes para
atender a demanda da população, o que só seria possível através do desenvolvimento das forças
produtivas, ao contrário do que pregava a doutrina mercantilista, cuja riqueza consistia no acúmulo
de metais preciosos. Da mesma forma, Smith defendia o livre comércio em detrimento do
protecionismo mercantilista, argumentando que este impedia o curso natural do desenvolvimento da
economia.
O resumo que se segue não tem a pretensão de ir além do que fora dito pelo próprio autor
em sua principal obra, tendo, portanto, um caráter predominantemente expositivo, com o objetivo
de tornar as suas ideias mais acessíveis àqueles que se aventurarem na leitura de A Riqueza das
Nações e que porventura necessitarem de esclarecimento a respeito de alguns aspectos que podem
se apresentar obscuros no decorrer da leitura, algo que julgo ser bastante frequente em se tratando
de obras tão antigas.
O resumo seguirá a ordem linear da exposição proposta pelo autor, isto é, estará dividido em
cinco partes, do primeiro ao quinto livro de A Riqueza das Nações, sendo eles:
– Livro Primeiro: as causas do aprimoramento das forças produtivas do trabalho e a ordem segundo
a qual sua produção é naturalmente distribuída entre as diversas categorias do povo;
– Livro Segundo: A natureza, o acúmulo e o emprego do capital;
– Livro Terceiro: A diversidade do progresso da riqueza nas diferentes nações;
– Livro Quarto: Sistemas de economia política;
– Livro Quinto: A receita do Soberano e do Estado.
LIVRO PRIMEIRO
AS CAUSAS DO APRIMORAMENTO DAS FORÇAS PRODUTIVAS DO TRABALHO E A
ORDEM SEGUNDO A QUAL SUA PRODUÇÃO É NATURALMENTE DISTRIBUÍDA ENTRE
AS DIVERSAS CLASSES DO POVO
CAPÍTULO I
DIVISÃO DO TRABALHO
Uma nação é mais ou menos rica de acordo com os bens necessários e os confortos materiais
que é capaz de produzir. A proporção entre essa produção e o número de pessoas que deve consumi-
la determina a riqueza das nações.
Se em um país, a produção de alimentos não é suficiente para suprir a necessidade primária
de alimentação de uma parcela qualquer de sua população, em hipótese alguma o mesmo poderá ser
considerado um país rico. Do mesmo modo, um país que produz alimentos o suficiente para atender
toda a sua população, mas que é incapaz de suprir a demanda por bens de vestuário e moradia a toda
população, será menos rico do que aquele que consegue.
 Em sociedades desenvolvidas, a capacidade produtiva, isto é, a capacidade de fornecer bens
de consumo em número suficiente para toda a população, parece ser efeito da divisão do trabalho.
Tomemos como exemplo, uma pequena manufatura de alfinetes. Um único operário
produziria, se efetuasse todas as atividades produtivas, um único número bastante reduzido de
alfinetes em relação ao que é produzido com a divisão do trabalho.
Os efeitos da divisão do trabalho são as mesmas em todas as artes e indústrias. A agricultura,
entretanto, não é uma atividade capaz de ser subdividida tanto quanto as atividades manufatureiras.
Portanto, a riqueza de uma nação deve ser melhor determinada pela sua capacidade industrial do
que agrícola.
As vantagens da divisão do trabalho devem-se a três circunstâncias:
1) Aumento da destreza dos trabalhadores;
2) Poupança de tempo, correspondente à passagem de uma atividade à outra;
3) Invenção e utilização de máquinas que facilitam e reduzem o trabalho.
Assim, a multiplicação dos produtos do trabalho em sociedades desenvolvidas, como efeito
da divisão do trabalho, proporciona, mesmo para as camadas mais pobres da população, um nível de
vida superior do que aquele que pode ter qualquer membro de uma sociedade primitiva.
CAPÍTULO II
O PRINCÍPIO QUE DA ORIGEM A DIVISÃO DO TRABALHO
A divisão do trabalho procede mais da natureza humana do que de convenções sociais. O
homem primitivo não era capaz de satisfazer todas as suas necessidades sem imenso esforço e
mesmo sem arriscar sua própria vida em suas atividades produtivas. Tampouco é o homem o animal
mais forte e com melhor constituição para enfrentar os perigos do mundo natural. 
Levando em conta que é impossível a um único indivíduo suprir todas as suas necessidades
através do produto direto de seu trabalho, não é difícil imaginar que mesmo nas sociedades mais
primitivas já houvesse certa divisão do trabalho, de modo que um produtor de x, necessitando de um
bem y, trocasse o excedente de sua produção pelo excedente de um produtor de y, o qual igualmente
necessitasse de x.
Evidencia-se, portanto, na natureza humana, uma propensão à troca, ao escambo, à permuta.
Essa tendência à troca é o princípio que dá origem à divisão do trabalho. Numa sociedade
desenvolvida, o homem necessita da cooperação de uma imensidade de pessoas para atender todas
as suas necessidades, tendo maior probabilidade de obter aquilo que deseja, se conseguir fornecer às
outras pessoas aquilo que elas desejam. Em outras palavras, é o egoísmo de cada produtor
específico o motor da cooperação econômica entre os membros de uma sociedade.
Não é da bondade do marceneiro, do cervejeiro ou do padeiro que podemos esperar o nosso
jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse.
O egoísmo leva a divisão do trabalho e a divisão do trabalho leva ao desenvolvimento das
forças produtivas. A divisão do trabalho leva à especialização, isto é, ao desenvolvimento, nos
indivíduos, de talentos para determinadas atividades. A diversidade de talentos tornam-se úteis para
todos e, na medida em que as sociedades se desenvolvem, geram maior capacidade para satisfazer
um número cada vez mais elevado de necessidades da população.
CAPÍTULO III
QUE A DIVISÃO DO TRABALHO É LIMITADA PELA EXTENSÃO DO MERCADO
O mercado é onde ocorrem as trocas econômicas. Podemos aqui, para facilitar a exposição,
pensar no mercado como um espaço geográfico delimitado, onde os produtos do trabalho são
produzidos e trocados. 
A limitação da extensão do mercado limita também a extensão da divisão do trabalho.
Quando o mercado é muito reduzido, ninguém é estimulado a dedicar-se inteiramente a uma única
atividade, porque não poderá trocar todo o seu excedente pelos bens que necessita.
Em uma pequena aldeia, por exemplo, cada agricultor deve ser também cortador, pedreiro,
cervejeiro de sua própria família, pois muito dificilmente se encontrará indivíduos especializados
para suprir essas necessidades dentro do pequeno mercado em que está inserido. Assim, as grandes
cidades favorecem a divisão do trabalho. 
O transporte de mercadorias por vias aquáticas cobre um mercado muito mais vasto do que
o transporte por terra. Portanto, não é de estranhar que o desenvolvimento econômico sempre
comece em regiões da costa ou próximas de grandes rios.
CAPÍTULO IV
A ORIGEM E O USO DO DINHEIRO
Existem inconvenientes em se permutar diretamente o produto de um trabalho por outro. O
açougueiro possui em seu estoque mais carne do que pode consumir e está disposto a trocar seu
excedente por outro produto. O padeiro possui mais pão do que o necessário para sua subsistência e
pretende trocar seu excedente por carne. Entretanto, o açougueiro já possui pão o suficiente para sua
subsistência. Nesse caso, a troca fica impossibilitada.
Para evitar esse tipo de inconveniente, desde tempos remotos, os homens têm estipulado
certas mercadorias que devem servir de objeto de troca equivalente a qualquer