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Aula1 - Conceito; Características e a Nova Criminologia

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Curso	Ênfase	©	2018
CRIMINOLOGIA	–	DANIELA	PORTUGAL
AULA1	-	CONCEITO;	CARACTERÍSTICAS	E	A	NOVA	CRIMINOLOGIA
1.	INTRODUÇÃO
Para	 um	 primeiro	 estudo,	 o	 objetivo	 é	 trabalhar	 algumas	 noções	 introdutórias	 da
disciplina	 de	 criminologia,	 quais	 sejam:	 O	 conceito	 de	 criminologia,	 bem	 como	 suas
características	dentro	de	uma	perspectiva	tradicional	e	da	intitulada	nova	criminologia	ou
moderna	criminologia;	qual	a	metodologia	aplicada;	qual	é	seu	objeto	de	estudo,	se	a
criminologia	pode	ser	considerada	uma	ciência,	por	fim,	alguns	conceitos	fundamentais
que	serão	trabalhados	ao	 longo	das	aulas	e	que	serão,	eventualmente,	cobrados	em	provas
de	concurso.
Com	relação	aos	slides	utilizados	durante	as	aulas,	devido	a	metodologia	pedagógica
adotada,	 nem	 todos	 serão	 analisados	 individualmente,	 todavia,	 eles	 serão	 disponibilizados
para	que	possam,	com	o	conteúdo,	complementar	os	estudos.
2.	CONCEITO	DE	CRIMINOLOGIA
Nas	 palavras	 de	 Sérgio	 Salomão	 Shecaira,	 “Criminologia	 é	 um	 nome	 genérico
designado	a	um	grupo	de	temas	estreitamente	 ligados:	O	estudo	e	a	explicação	da	 infração
legal;	os	meios	formais	e	informais	aos	quais	a	sociedade	se	utiliza	para	lidar	com	o	crime	e
atos	desviantes;	a	natureza	das	posturas	com	que	as	vítimas	desses	crimes	serão	atendidas
pela	 sociedade;	 e,	 por	 derradeiro,	 o	 enfoque	 sobre	 o	 autor	 desses	 fatos	 desviantes.”
(SHECAIRA,	2012).
A	 criminologia	 tradicional,	 tem	 enfoque	 na	 análise	 do	 conceito	 de	 crime	 e	 no
autor	do	crime.	Por	sua	vez,	a	denominada	nova	criminologia	ou	moderna	criminologia
começa	a	agregar	outros	pontos	de	estudo,	passando	a	analisar,	além	do	autor,	a	 figura	da
vítima	e	o	controle	social,	que	aproxima	a	criminologia	e	a	política	criminal.
Cabe	 salientar	 que,	 no	 direito	 penal	 antigo,	 a	 vítima	 era	 a	 grande	 protagonista	 do
exercício	do	direito	punitivo.	Contudo,	na	medida	em	que	o	Estado	passou	a	ter	a	titularidade
exclusiva	do	exercício	do	jus	puniendi,	houve	um	distanciamento	sobre	a	importância	da	figura
da	vítima	que,	com	a	nova	criminologia,	fora	retomada.
A	criminologia	 é	 uma	ciência	do	ser	 que	 se	 dedica,	 de	 forma	multidisciplinar	 e
mediante	 análise	 predominantemente	 empírica	 das	 experiências	 humanas,	 ao	 estudo	 do
crime,	dos	atores	envolvidos	(autor	e	a	vítima),	bem	como	as	formas	de	controle	das	quais	o
Estado	 dispõe	 para	 prevenir	 determinado	 tipo	 de	 infração.	 Diante	 disso,	 a	 abordagem
Criminologia	–	Daniela	Portugal
Aula1	-	Conceito;	Características	e	a	Nova	Criminologia
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criminológica	ocorre	dentro	de	uma	perspectiva	crítica,	buscando	determinar	quais	foram	os
fatores	determinantes	que	 levaram	a	ocorrência	de	certo	delito,	orientando,	dessa	forma,	os
programas	de	política	criminal	para	a	ação	do	Estado.
Por	exemplo,	no	Fórum	Brasileiro	de	Segurança	Pública,	realizado	no	ano	de	2018,	fora
apresentada	uma	pesquisa	que	 constatou	o	 aumento	no	número	de	homicídios	 no	Brasil.	 A
criminologia	analisará	todos	os	dados	apresentados	para	o	crescimento	do	citado	crime,	tais
como:	Os	motivos	para	a	realização	do	homicídio,	as	causas	do	aumento	de	determinado	tipo
de	homicídio,	se	a	maioria	das	vítimas	são	mulheres	ou	homens,	o	perfil	do	autor	do	crime,	a
condição	social	do	autor	e	da	vítima,	etc.
A	 pesquisa	 pode,	 também,	 propor	 novas	 formas	 de	 combate	 a	 um	 tipo	 de	 crime
específico,	 sugerir	 a	 criação	 de	 uma	 legislação	 para	 determinado	 fato	 específico,	 como
ocorrido	 com	 a	 criação	 da	 Lei	 Maria	 da	 Penha,	 ou,	 até	 mesmo,	 sugerir	 ações	 de	 políticas
criminais,	 como	 a	 criação	 de	 delegacias	 especializadas	 ou	 a	 inclusão	 da	 vítima	 em	 um
programa	de	proteção.
À	 vista	 disso,	 a	 abordagem	 criminológica	 transcende	 ao	mero	 raciocínio	 silogístico
trabalhado	 no	 Direito	 penal	 tradicional	 e	 passa	 a	 buscar,	 de	 uma	 maneira	 mais	 ampla,	 o
estudo	do	crime.
3.	CONCEITOS	FUNDAMENTAIS
3.1	CRIMINALIZAÇÃO	PRIMÁRIA
A	partir	desse	momento,	serão	definidos	alguns	dos	principais	conceitos	fundamentais
que	podem	cair	 nas	 provas	 de	 concurso.	O	primeiro	 é	 o	 de	criminalização	primária,	 que
está	 relacionada	 ao	 efetivo	 processo	 de	 elaboração	 do	 tipo	 incriminador,	 isto	 é,	 a
criminalização	 primária	 ocorre	 em	 face	 do	 Poder	 Legislativo,	 no	 momento	 em	 que	 a
tipificação	de	uma	conduta	é	determinada	como	comportamento	criminoso.
A	criminologia	moderna,	 trabalha	o	próprio	processo	de	criminalização	 primária
dentro	 de	 uma	 perspectiva	 crítica,	 porque	 no	 momento	 em	 que	 é	 elaborado	 um	 tipo
incriminador,	 que	 será	 objeto	 da	 ação	 estatal,	 esse	 processo	 não	 é	 neutro.	 Como	exemplo,
pode-se	citar	o	tráfico	de	drogas,	onde	é	possível	saber	quais	serão	os	sujeitos	eventualmente
atingidos	 por	meio	 desta	 criminalização,	 bem	 como,	 quando	 existe	 a	 tipificação	 dos	 crimes
contra	o	patrimônio,	sabe-se	previamente	quais	sujeitos	serão	alcançados	nesse	tipo	penal.
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Exemplos	mais	evidentes	podem	ser	observados	no	Código	Penal	do	Império,	de	1830,
e	 no	 Código	 Penal	 Republicano,	 de	 1890.	 Nessas	 duas	 legislações,	 é	 possível	 encontrar	 a
criminalização	da	vadiagem,	que	consistia	no	andar	pela	rua	sem	ocupação	que	 lhe	garanta
sustento	próprio,	ou	a	prática	da	capoeira.
Dessa	 maneira,	 é	 de	 fácil	 percepção	 que	 esses	 tipos	 incriminadores	 não	 eram	 tão
gerais	e	tão	abstratos	como	ensinado	nos	cursos	de	graduação	em	Direito,	onde	o	professor
costuma	a	afirmar	que	as	Leis	são	gerais	e	abstratas,	aplicando-se	indiscriminadamente	a
todos	 os	 cidadãos	 e	 que	 a	 sentença	 é	 uma	 norma	 jurídica	 individualizada	 para	 um
determinado	caso	concreto.
Isto	 posto,	 a	 criminologia	 crítica	 afirmará,	 através	 da	 observação	 empírica,	 que	 o
processo	 de	 criminalização	 primária	 não	 apresenta	 uma	 característica	 de	 neutralidade,
tendo	em	vista	 que	 esta	 definirá	 um	programa	de	 interesses	de	 tutela	 do	 Estado,	 havendo
uma	posterior	transposição	para	os	tipos	incriminadores.
Por	 esse	 motivo,	 por	 exemplo,	 há	 o	 enorme	 empenho	 do	 legislador	 brasileiro	 em
abordar	 crimes	 contra	 o	 patrimônio,	 entretanto,	 tradicionalmente	 persiste	 um	 descaso
histórico	 na	 abordagem	 dos	 crimes	 contra	 o	 meio	 ambiente.	 Desse	 modo,	 através	 do
programa	de	criminalização	primária	é	possível,	de	acordo	com	as	escolhas	da	tipificação
das	figuras	criminais,	elaborar	um	“raio-x”	do	Congresso	Nacional.
3.2	CRIMINALIZAÇÃO	SECUNDÁRIA
Todavia,	o	processo	de	criminalização	não	esgota-se	simplesmente	na	tipificação	de	um
crime,	o	que	torna	 importante	o	conhecimento	do	conceito	da	criminalização	secundária,
que	está	relacionado	à	ação	da	Polícia,	isto	é,	aos	agentes	de	controle.	É	em	função	dessa
ação	que	quando	certa	pessoa	passeia	pela	rua,	ou	dirige	seu	carro,	pode	ser	parada	numa
blitz	para	que	seja	revistada.
Dessa	 maneira,	 a	 ação	 prática	 dos	 agentes	 estatais	 “aperfeiçoa”,	 ou	 melhor,
prolonga	 o	processo	 de	 criminalização,	 o	 que	 significa	 dizer	 que	 a	 ação	 do	 Estado	 é
extremamente	seletiva,	 tendo	em	vista	que	o	programa	de	Direito	penal	brasileiro	 traz	uma
série	de	tipos	incriminadores.	Diante	de	tal	afirmação,	pode-se	concluir,	sem	dúvida	alguma,
que	grande	parte	da	população	brasileira,	em	algum	momento,	cometeu	certo	tipo	de	delito.
A	título	de	exemplo,	pode-se	citar	que	é	bastante	comum	as	pessoas	baixarem	músicas
ou	 filmes	 da	 internet,	 bem	 como	 utilizarem	 programas	 de	 computadores,	 sem	 que	 tenham
pago	 efetivamente	 por	 direitos	 de	 uso,	 ou	 que	 tenham	dirigido	 após	 o	 consumo	 de	 bebida
alcoólica,	fotocopiaram	livros	inteiros,	ou	ainda,	compraram	cd/dvd	pirata.
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Os	 exemplos	 de	 crimes	 supracitados,	 demonstram	 que,	 apesar	 de	 haver	 uma
multiplicidadede	 tipos	 penais,	 são	poucos	 os	 crimes	 efetivamente	 eleitos	 pelo	 Estado	para
serem	objetos	de	algum	tipo	de	 investigação.	Desse	modo,	o	processo	de	criminalização
não	esgota-se	na	tipificação	da	conduta	criminosa,	sua	fase	primária,	contudo,	há	também	a
fase	secundária	da	criminalização,	que	está	relacionada	ao	processo	de	seleção	por	parte
do	 Estado,	 daqueles	 crimes	 que	 serão,	 de	 fato,	 objetos	 de	 aplicação	 das	 normas
incriminadoras.
OBSERVAÇÃO:	 Há	 também	 a	 criminalização	 terciária,	 que	 consiste	 no	 efetivo
ingresso	de	indivíduos	no	sistema	prisional.
Diante	do	exposto	até	o	momento,	Marina	Quezado	Grosner	ensina:	“A	criminalização	é
o	resultado	de	processos	de	definição	e	seleção	que	escolhem	determinados	 indivíduos,	aos
quais	 se	 atribui	 status	de	 criminoso.	 Esses	processos	 realizam-se	por	 três	 fases	distintas:	A
criminalização	primária	(criação	dos	tipos	penais),	a	criminalização	secundária	(atuação
da	 Polícia,	 Ministério	 Público	 e	 Poder	 Judiciário)	 e,	 por	 fim,	 a	 criminalização	 terciária
(ingresso	de	indivíduos	no	sistema	prisional)”.	(GROSNER,	2008).
3.3	SELETIVIDADE	PENAL
Esse	processo	de	seleção,	bem	como	a	criminalização,	conforme	dito	anteriormente,
não	 é	 neutro,	 posto	 que	 o	 Estado	 acaba	 beneficiando	 certos	 grupos	 sociais	 e	 prejudicando
outros,	 os	 quais	 serão	 “selecionados”	 pelo	 Direito	 Penal	 mediante	 a	 tipificação	 de
determinados	atos,	e	a	escolha	das	sanções	que	serão	atribuídas	a	eles.
Diante	disso,	nota-se	que	existe	uma	seletividade	penal,	significa	dizer	que	há	uma
orientação	seletiva	de	criminalização	operada	pelas	agências	policiais,	a	qual,	na	maior
parte	das	vezes,	é	referendada	pela	agência	judicial,	e	que	possuiria	exatamente	o	papel	de
barrar	o	processo	de	seleção.
No	 Brasil,	 para	 perceber	 a	 seletividade	 penal	 basta	 olhar	 para	 a	 população
carcerária,	 tanto	 a	masculina,	 quanto	 a	 feminina,	 onde	 é	 provável	 encontrar,	 basicamente,
pessoas	 negras	 e	 pobres	 que	 são	 privadas	 de	 liberdade,	 seja	 provisoriamente,	 sem
condenação,	ou,	com	condenação,	posteriormente	ao	término	do	processo	criminal.
Diante	de	tais	constatações,	em	um	primeiro	momento,	parece	possível	afirmar	que	as
pessoas	 negras	 praticam	mais	 crimes	 do	 que	 as	 brancas,	 contudo,	 o	 estudo	 criminológico
demonstra	 que	 elas	 foram	 selecionadas	 pelas	 agências	 policiais,	 referendada	 pela	 agência
judicial,	para	compor	a	denominada	clientela	do	Estado	que,	de	maneira	não	neutra,	isto	é,
através	da	seletividade	penal,	sofrem	o	poder	punitivo	estatal.
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3.4	CIFRAS	OCULTAS
No	estudo	criminológico,	as	chamadas	cifras	ocultas,	também	denominadas	de	zona
obscura,	dark	 number	 ou	 ciffre	 noir,	 são	 os	 diversos	 crimes	 subnotificados,	 os	 delitos
ocorridos,	mas	que	não	chegam	ao	conhecimento	oficial	do	Estado.
No	 Brasil,	 segundo	 dados	 oficias	 apresentados	 no	 Fórum	 Brasileiro	 de	 Segurança
Pública,	do	ano	de	2018,	uma	mulher	é	estuprada	a	cada	onze	minutos	e	assassinada	a	cada
duas	horas.	Diante	disso,	visto	que	nem	todas	as	ocorrências	chegam	ao	conhecimento	oficial
do	Estado,	a	projeção	é	de	que	o	número	desses	crimes	seja	súpero	àquele	em	que	o	Estado
efetivamente	toma	conhecimento.
3.5	CIFRAS	DOURADAS
As	cifras	douradas	é	um	termo	criado	por	Edwin	H.	Sutherland,	está	relacionado	aos
crimes	 praticados	 por	 pessoas	 com	 alto	 poder	 econômico.	 Em	 sua	maioria,	 são	 cometidos
contra	a	ordem	econômica,	 contudo,	que	efetivamente	não	atraem	a	atuação	do	Estado	ou
até	mesmo	a	imposição	de	algum	tipo	de	sanção	criminal.
Bem	 como	 as	 cifras	 ocultas,	 as	 cifras	 douradas	 tratam	 de	 crimes	 que	 não	 são
punidos,	todavia,	o	termo	“dourada”	é	associado	à	impunidade	devido	a	condição	econômica
dos	autores	desses	tipos	penais,	que	são	detentoras	de	alto	prestígio	social.
3.6	CIFRAS	CINZAS
As	cifras	cinzas	correspondem	aos	delitos	notificados	ao	Estado,	isto	é,	foram	levados
efetivamente	ao	conhecimento	estatal,	contudo,	os	inquéritos	ou	processos	criminais	não
prosseguiram.	 Pode-se	 citar	 como	 exemplo,	 a	 pessoa	 que	 dirige-se	 à	 Delegacia	 a	 fim	 de
registrar	 uma	 ocorrência,	 e	 fica	 sem	 conhecimento	 sobre	 qual	 fora	 o	 resultado	 da
investigação,	bem	como	se	houve	a	conclusão	do	inquérito	policial.
3.7	CIFRAS	AMARELAS
As	cifras	amarelas	é	um	termo	usado	para	os	crimes	de	abuso	de	autoridade,	que
ficam	 impunes	 e	 que	 não	 são	 devidamente	 processados	 pelo	 Estado.	 A	 palavra	 “amarelas”
denota	a	noção	popular	que	liga	a	cor	amarela	ao	medo,	porque,	em	diversos	casos,	não	terão
um	 desfecho	 apropriado,	 uma	 vez	 que	 a	 própria	 vítima	 tem	 medo	 de	 levar	 o	 crime	 ao
conhecimento	estatal	por	não	perceber,	no	próprio	Estado,	um	efetivo	aliado	para	a	punição
dessas	práticas	abusivas	por	parte	de	seus	agentes.
3.8	CIFRAS	VERDES
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As	 cifras	 verdes	 correspondem	 ao	 rol	 de	 crimes	 ambientais	 que,	 da	 mesma
maneira,	 ficam	 impunes	 e	 não	 chegam	 ao	 conhecimento	 do	 Estado,	 ou,	 se	 chegam,	 o
processo	de	investigação	e	persecução	criminal	não	tem	continuidade.
3.9	PROCESSO	DE	VITIMIZAÇÃO
A	vitimização	primária	ocorre	quando	o	indivíduo	sofre	a	prática	do	crime,	através	da
conduta	 delituosa	 do	 agente.	 A	 vitimização	 secundária,	 também	 denominada	 de
sobrevitimização,	dá-se	quando	a	vítima	busca	o	amparo	do	Estado,	contudo,	não	consegue
a	devida	tutela.
Por	 exemplo,	 imagine	 que	 uma	 pessoa	 seja	 vítima	 de	 violência	 doméstica	 e,	 ao
procurar	 uma	 Delegacia	 da	 Mulher,	 sofre	 um	 desrespeito	 às	 garantias	 e	 aos	 direitos
fundamentais	de	vítima.	Diante	disso,	o	Estado	estaria,	de	maneira	simbólica,	“violentando”	a
pessoa	que	fora	vítima	de	algum	delito.
OBSERVAÇÃO:	 Apesar	 de	 o	 exemplo	 tratar	 de	 uma	 Delegacia,	 o	 desrespeito	 às
garantias	 e	 aos	 direitos	 fundamentais	 da	 vítima	 pode	 ser	 cometido	 pelo	Ministério	 Público,
Juiz,	Defensor	público,	etc.
Para	 finalizar	 o	 tema,	 a	 vitimização	 terciária	 está	 presente	 no	 relacionamento	 da
vítima	com	seu	meio	ambiente	social,	isto	é,	a	sociedade	tende	a	julgar	mais	a	vítima	do	que
o	autor	do	delito.
OBSERVAÇÃO:	Alguns	autores	descrevem,	também,	a	existência	da	autovitimização
que	é	causada	quando	a	vítima	desenvolve	sentimentos	autoimpositivos	de	culpa.
Em	um	panorama	 geral,	 a	 criminologia	 dialoga	 com	 o	Direito	 penal	 e	 com	 a	 Política
criminal.	Dessa	forma,	a	dogmática	penal	está	basicamente	voltada	para	a	decidibilidade	de
conflitos,	trazendo	a	subsunção	do	fato	à	norma,	isto	é,	quando	o	caso	concreto	enquadra-se	à
norma	legal	em	abstrato.
A	dogmática	dialoga	igualmente	com	a	criminologia,	cuja	função	é	buscar	as	causas	de
certo	crime,	havendo,	dessa	maneira,	enorme	desdobramento	 teórico.	 Isto	posto,	as	causas
estão	 relacionadas	a	 fatores	ambientais	e	sociológicos,	enquanto	a	política	criminal	buscará
formas	para	controlar	as	repetições	dos	delitos.

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