A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
139 pág.
A ORIGEM DO DRAMA BARROCO ALEMÃO - VALTER BENJAMIN

Pré-visualização | Página 1 de 50

Walter Benjamin
• A Filosofia e a Visão Comum do Mundo — Bento Prado e
outros
• O Nacional e o Popular na Cultura Brasileira — Teatro — José
~abai e Mariéngela Alves de Lima
Coleção Primeiros Passos
• O que é Arte — Jorge Coli
• O que é Teatro — Fernando Peixoto
• O que é Semiótica — Lúcia Santaella
Coleção Encanto Radical
• Friedrich Nietzsche — Uma Filosofia a Marteladas — Scarlett
Marton
• Georg Buchner — A Dramaturgia do Terror — Fernando
Peixoto
• Roland Barthes — O Saber com Sabor — Leyla Perrone-
Moisés
• Sócrates — O Sorriso da Razão — Francis Wolff
• Walter Benjamin — Os Cacos da História — Jeanne M.
Gagnebin
Coleção Primeiros Vôos
• Barroco - Suzy de Mello
• Introdução à Dramaturgia — Renata Pallottini
Coleção Circo de Letras
• Haxixe — Walter Benjamin
Origem do drama
barroco alemão
Tradução, apresentação e notas:
Sergio Paulo Rouanet
COL. ILANA BLAJ
NÃO CIRCULA
SBD-FFLCH-USP
11
IP
1984
l
f
Índice _
NOTA DO TRADUTOR 9
APRESENTAÇÃO 11
QUESTÕES INTRODUTÔRIAS DE CRÍTICA DOCO-
NHECIMENTO 49
Conceitodetratado,49;Conhecimentoeverdade,51;O belo
filosófico,52;Divisãoedispersãonoconceito,55;Idéiacomo
configuração;56;A palavracomoidéia,57;O caráternão-
classificatóriodaidéia,60;O nominalismodeBurdach,62;
Verismo,sincretismo,indução,64; Os gênerosde arteem
Croce,65;Origem,67;A monadologia,69;A tragédiabar-
roca:negligênciaeerrosdeinterpretação,70;"Valorização",
73;Barrocoeexpressionismo,76;Pro domo, 79.
DRAMABARROCOETRAGÊDIA 81
I. Teoriabarrocae dramabarroco,81; Irrelevânciada in-
fluênciaaristotélica,84;A históriacomoconteúdododrama
barroco,86;Teoriadasoberania,88;Fontesbizantinas,91;Os
dramasdeHerodes,93;Indecisão,94;O tiranocomomártir,o
i mártircomotirano,95;Subestimaçãododramademartírio,
i 97;Crônicacristãedramabarroco,99;Imanênciadodrama
,I, noperíodobarroco,101;Jogoereflexão,104;Osoberanocomo
!~!" criatura,108;A honra,109;Destruiçãodo ethoshistórico,
\111
JI"
__ 'A"
8 WALTER BENJAMIN
111.O cadávercomoemblema,239; O corpodosdeusesno
cristianismo,243;O lutonaorigemdaalegoria,246;Terrores
epromessasdeSatã,249;Limitesdameditação,254;Ponde-
raciónmisteriosa,256.
ALEGORIA E DRAMA BARROCO 181
I. Símboloealegorianoclassicismo,181;Símboloe alegoria
no romantismo,185; Origem da alegoriamoderna,189;
Exemploseconfirmações,194;Antinomiasdoalegorês,196;
A ruína,199;A mortealegórica,204;A fragmentaçãoalegó-
rica,207.
11. O personagemalegórico,213;O interlúdioalegórico,215;
Títulose máximas,219;Metafórica,221;Teoria barrocada
linguagem,223;O alexandrino,227;A fragmentaçãodalin-
guagem,229;A ópera,232; IdéiasdeRittersobrea escrita,
234.
111;A cenateatral,114;O cortesãocomosantoecomointri-
gante,117;Intençãodidáticadodramabarroco,121.
11.A Estéticado Trágico, deVolkelt,123;O Nascimentoda
Tragédia,deNietzsche,125;A teoriadatragédiadoidealismo
alemão,127;Tragédiae saga,129;Realezae tragédia,133;
Antigaenovatragédia,134;A mortetrágicacomomoldura,
136;Diálogotrágico,processualeplatônico,138;O lutoe o
trágico,141;O Sturm und Drang eoclassicismo,143;Ações
principaisedeEstado,teatrodefantoches,146;O intrigante
comopersonagemcômico,149;Conceitodedestinonodrama
dedestino,151;Culpanaturale culpatrágica,154; O ade-
reço,155;Horadosespíritosemundodosespíritos,157.
lU. Doutrinadajustificação,'A1Tát'!€t.a,melancolia,161;Tris-
tezadoPríncipe,165;Melancoliado corpoe da alma,168;
A doutrinade Saturno;171; Símbolos:cão,esfera,pedra,
174;Acedia einfidelidade,177;Hamlet,179.
NOTAS . 259
Nota do tradutor
A palavra Trauerspiel,lançadaemcirculaçãono século
XVII. significa,simplesmente,tragédia,palavraquetambém
existeem alemão:Tragõdie.Mas como toda a polêmica de
Benjamin contraa interpretaçãotradicionaldo Barroco lite-
rário está contida na distinção por ele estabelecidaentre
Trauerspiele tragédia,é evidentequeessatraduçãoestáex-
cluída.
Como traduzir, então, Trauerspiel?Drama? Mas nesse
casohaveriaumaconfusãocomo termoalemãoDrama,que
Benjamin usa como uma categoriagenérica,aplicáveltanto
ao Trauerspielquantoà tragédia.
Um tanto a contragosto,opteipor dramabarroco.Essa
soluçãodeixaa desejar,porqueBenjaminserefereocasional-
mentea Trauerspielepós-barrocos.Mas édefensáveldoponto
de vista pragmático, porque para Benjamin o Trauerspiel
comogêneronasceuefetivamenteno período barroco,e é ao
dramadesseperíodo, e denenhumoutro, queo livro é consa-
grado. De resto,quandoo autorsereferea Trauerspielepos-
teriores,eleassinalaemgeral quetaisdramastêmafinidades
estruturaiscomosdoBarroco.Dessemodo, na maioriaesma-
gadora dos casos,Trauerspielpode ser traduzidopor drama
barroco,semfalsearasintençõesdeBenjamin.
Não obstante,algumasexceçõessão inevitáveis.Drama
barrocoéumaexpressãoerudita - uma expressãode crítico
literário - aopassoqueTrauerspielé umapalavracorrente,
~presentação~ _
"Vou contardenovoa históriadaBelaAdormecida":
assimcomeçaumprefácioirônicoqueBenjaminescreveupara
aprimeiraediçãoda OrigemdoDramaBarrocoAlemão,e
queeleteveaprudênciadenãopublicar.Segundoessanova
versão,a Princesanãoéacordadapelobeijodoseunoivo,e
simpelasonorabofetadadadapelo cozinheiroemseuaju-
dante.O cozinheiroéopróprioBenjamin,abofetadaéa que
elepretendedarna·ciênciaoficial,e a heroínaéa Verdade,
quedormenaspáginasdoseulivro.l
Comessaparábola,Benjaminestavaaludindoaodesfe-
choanticlimáticodesuasambiçõesacadêmicas.Pressionado
por dificuldadeseconômicas,eledecidiraconcorrera uma
livre-docênciana Universidadede Frankfurt, apresentando
comodissertação(Habilitationsschrift)seuensaiosobreo dra-
mabarrocoalemão.SubmetidainicialmenteaoDepartamento
deLiteraturaAlemã,a tesefoi recusada,e encaminhadaao
DepartamentodeEstética.Osdoisprofessoresqueexamina-
ramo texto,porsuavez,rejeitaramo trabalho,eBenjaminfoi
aconselhadoa retirara tese.Assimterminou,antesdecome-
çar,acarreirauniversitáriadeWalterBenjamin.2
Na medidadopossível,tenteifacilitara compreensãodo
textopormeiodenotasdepédepágina,assinaladaspor aste-
riscos.As notasdeBenjaminsãonumeradas,e asreferência
respectivasseencontramnofinal dovolume.Mantivenoori-
ginalostítulosdasobrascitadas,bemcomoaspassagensem
grego,latimefrancês,traduzindo-asemnotasdepé depá-
gma.
_----------- __ ••••------------ ..••- m.
10 WALTERBENJAMIN rI
usadapelosprópriosdramaturgosdaépoca,eporcríticospré-
benjaminianos,quenaturalmentenãosuspeitavamde qual-
querdiferençaessencialentreTrauerspieletragédia.Quando
a poéticadoséculoXVII formulapreceitospara o Trauer-
pieI, ou quandoSchopenhauertraçaparalelosentreo mo-
dernoTrauerspieleo antigo(istoé,a tragédiagrega)apala-
vranãopode,razoavelmente,ser traduzidapor dramabar-
roco.Nessescasos,eemoutrossemelhantes,Trauerspielserá
traduzidopor tragédia,oudrama,conformeo contexto.Ex-
cepcionalmente,apalavraserámantidanooriginal,quando
estiveremjogo a significaçãointrínsecadosseuselementos
constitutivos.
Salvo~ssasexceções,semprequenecessárioindicadas
por notas,a soluçãoaquipropostaseráaplicada.Por outro
lado,quandona traduçãoaparecera expressãodramabar-
roco, ela corresponderá,agorasem nenhumaexceção,a
Trauerspiel.Tragõdieserásempretraduzidapor tragédia,e
Drama,por drama.O tradutorsepenitencia,assim,por não
tersabidoencontrarumatraduçãomaisapropriadapara o
conceitocentraldolivrodeBenjamin,preservando-o,aome-
nos,dequalquerequívoco.
(1) Walter Benjamin;Gesamme!te Schriften,vol. 1-3, Frankfurt, Suhr-
kamp, 1974, pp. 901-902.
(2) Para uma descrição completa das vicissitudes do livro, vide a biogra-
fia de Werner Fuld, Benjamin,Munique, Hanser, 1974.
12 WALTER BENJAMIN
---'r;
ORIGEM DO DRAMA BARROCO ALEMÃO 13
ofato dequeo livrosejahojevistocomoum dosmais
importantesdenossaépocasemdúvidademonstraa insensi-
bilidadedosprofessoresdeFrankfurt,masnãonos impede
deinvocaralgumascircunstânciasatenuantes.Benjaminnão
hesitouempolemizarcontraas interpretaçõesdoBarrocoe
do dramabarrocomaisem voganos círculosacadêmicos,
inclusivenaprópriaUniversidadedeFrankfurt,eafinalépre-