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SOLDADO E BOMBEIRO POLÍCIA MILITAR APOSTILA PREPARATÓRIA WWW.FOCUSCONCURSOS.COM.BR Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. GEOGRAFIA PROFESSOR Lauderi Dalbosco Graduado em Geografi a pela Universidade do Oest e do Paraná – UNIOESTE, campus de Francisco Beltrão, com Pós-graduação em Ensino de Geografi a pela UNI- VALE, Professor há mais de 15 anos, atuando desde as séries iniciais do ensino Fundamental, Médio, Pré-vest i- bular e Concursos Públicos, nos Colégios e Cursos Pre- paratórios do Paraná. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. SUMÁRIO 03 SUMÁRIO 1. ESPAÇO GEOGRÁFICO TERRITÓRIO E PAISAGEM ................................................................................................................07 Do Meio Natural ao Meio Técnico-Científico-Informacional ................................................................................................................................................... 07 Meio Técnico ................................................................................................................................................................................................................................................ 08 Meio Técnico-Científico-Informacional ............................................................................................................................................................................................ 08 Conceitos Importantes da Geografia .................................................................................................................................................................................................. 08 Cartografia: Temática e Sistemática .................................................................................................................................................................................................. 09 2. COORDENADAS GEOGRÁFICAS..................................................................................................................................................... 10 Conceito ......................................................................................................................................................................................................................................................... 10 3. PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS ........................................................................................................................................................ 10 Projeção Cilíndrica .................................................................................................................................................................................................................................... 1 1 Projeção cônica ........................................................................................................................................................................................................................................... 1 1 Projeção plana ou azimutal ................................................................................................................................................................................................................... 12 Curvas de nível ........................................................................................................................................................................................................................................... 12 Escalas ............................................................................................................................................................................................................................................................ 12 4. RELEVO DO BRASIL ............................................................................................................................................................................. 13 Estrutura geológica ................................................................................................................................................................................................................................... 13 Classificações de relevo do Brasil ....................................................................................................................................................................................................... 13 5. CLIMATOLGIA......................................................................................................................................................................................... 14 Tipos de Climas ........................................................................................................................................................................................................................................... 14 Climas do Brasil .......................................................................................................................................................................................................................................... 14 Massas atmosféricas ................................................................................................................................................................................................................................. 1 5 Classificação de Koppen – Geiger ....................................................................................................................................................................................................... 1 5 Biogeografia ................................................................................................................................................................................................................................................. 1 5 Domínios Morfoclimáticos do Brasil .................................................................................................................................................................................................. 16 As faixas de transição .............................................................................................................................................................................................................................. 1 7 6. HIDROGRAFIA DO BRASIL ............................................................................................................................................................. 17 Oceanos e Mares ........................................................................................................................................................................................................................................ 19 7. DEMOGRAFIA ........................................................................................................................................................................................ 20 Teorias Demográficas ............................................................................................................................................................................................................................... 20 Transição Demográfica ............................................................................................................................................................................................................................ 21 População do Brasil ...................................................................................................................................................................................................................................22 8. URBANIZAÇÃO NO MUNDO ............................................................................................................................................................24 Urbanização brasileira ............................................................................................................................................................................................................................ 24 Desigualdades no Processo de Urbanização .................................................................................................................................................................................. 25 Problemas Urbanos ................................................................................................................................................................................................................................... 26 9. MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS .....................................................................................................................................................27 Os problemas atuais decorrentes das migrações internacionais .......................................................................................................................................... 27 Brasil – Migrações Internas ................................................................................................................................................................................................................... 28 10. GEOGRAFIA AGRÁRIA .....................................................................................................................................................................29 Intensiva ........................................................................................................................................................................................................................................................ 29 Extensiva ....................................................................................................................................................................................................................................................... 29 Subsistência ................................................................................................................................................................................................................................................ 30 Comercial ..................................................................................................................................................................................................................................................... 30 11. OS SOLOS ................................................................................................................................................................................................ 30 Tipos de Solos .............................................................................................................................................................................................................................................. 30 Produtos Destaques no Brasil ............................................................................................................................................................................................................... 31 A Questão Fundiária no Brasil ............................................................................................................................................................................................................. 32 Pecuária Brasileira .................................................................................................................................................................................................................................... 32 12. GLOBALIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO ECONOMICA ENTRE PAÍSES ....................................................................................34 13. BLOCOS ECONÔMICOS .....................................................................................................................................................................35 Zona de Preferência Tarifária ............................................................................................................................................................................................................... 35 Zona de Livre Comércio .......................................................................................................................................................................................................................... 35 União Aduaneira ........................................................................................................................................................................................................................................ 35 Mercado Comum ........................................................................................................................................................................................................................................ 35 Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 04 SUMÁRIO União Econômica e Monetária.............................................................................................................................................................................................................. 35 13. O COMÉRCIO MUNDIAL E A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO MUNDIAL ...................................................................36 Origem ............................................................................................................................................................................................................................................................ 36 Primeira Fase: Capitalismo Comercial ............................................................................................................................................................................................ 36 Segunda Fase: Capitalismo Industrial............................................................................................................................................................................................... 36 Terceira Fase: Capitalismo Financeiro ............................................................................................................................................................................................ 36 14. AS DIVISÕES INTERNACIONAIS DO TRABALHO .................................................................................................................37 Primeira DIT ................................................................................................................................................................................................................................................ 37 Segunda DIT ................................................................................................................................................................................................................................................. 37 Terceira DIT ou “Nova DIT” ................................................................................................................................................................................................................... 37 15. PAÍS DESENVOLVIDO, SUBDESENVOLVIDO, CAPITALISMO, SOCIALISMO .............................................................38 Socialismo .....................................................................................................................................................................................................................................................38 O fim do Socialismo ................................................................................................................................................................................................................................... 38 Países Desenvolvidos ................................................................................................................................................................................................................................ 38 Países Subdesenvolvidos ......................................................................................................................................................................................................................... 38 16. FONTES DE ENERGIA .......................................................................................................................................................................39 Conceitos ....................................................................................................................................................................................................................................................... 39 Matriz energética brasileira .................................................................................................................................................................................................................. 39 17. OS GRANDES PROBLEMAS AMBIENTAIS ................................................................................................................................ 41 18. GEOGRAFIA DO PARANÁ ................................................................................................................................................................44 Localização .................................................................................................................................................................................................................................................... 44 Relevo .............................................................................................................................................................................................................................................................. 44 Hidrografia .................................................................................................................................................................................................................................................... 45 Clima ............................................................................................................................................................................................................................................................... 45 Vegetação ....................................................................................................................................................................................................................................................... 46 Aspectos Humanos .................................................................................................................................................................................................................................... 47 Aspectos Econômicos ............................................................................................................................................................................................................................... 47 Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 01 - Espaço Geográfico Território e Paisagem 05 1. ESPAÇO GEOGRÁFICO TERRITÓRIO E PAISAGEM Um dos principais objetos de estudo da Geografia é o espaço geográfico. Pois o mesmo, se constitui na prin- cipal fonte de informações desta ciência geográfica. Po- dem haver diferentes abordagens e até mesmo conceitos de espaço geográfico, no entanto, de forma geral, enten- de-se que, espaço geográfico, é o local onde ocorrem as relações do homem, com a natureza, é que este espaço vai sendo construído ao longo do tempo pela relação das sociedades, sendo incorporados as técnicas desenvolvi- das pela sociedade ao longo do tempo, que vão provocan- do alterações, transformações neste espaço. Ao estudar este espaço, estamos, também observando uma relação das técnicas desenvolvidas pelo homem, e que foram usadas para transformar o espaço onde foi ocupado pelo indivíduo. Por isso, a análise do espaço geográfico de um lugar, nos ajuda a compreender as relações sociais, polí- ticas e econômicas ali desenvolvidas ao longo do tempo. É importante salientar que os diferentes níveis de desen- volvimento, influencia diretamente na transformação do espaço geográfico. Vejamos o que alguns autores escrevem sobre o es- paço geográfico: Há autores, como Richard Hartshorne, que defendem que o espaço geográfico é apenas uma construção inte- lectual, não existindo de fato na sociedade. Seria, nesse caso, uma concepção da forma como nós enxergamos a realidade no sentido de apreender como acontece a es- pacialização da sociedade e tudo o que por ela foi cons- truído. Já Milton Santos afirma que o espaço geográfico é um conjunto de sistemas de objetos e ações, isto é, os itens e elementos artificiais e as ações humanas que manejam tais instrumentos no sentido de construir e transformar o meio, seja ele natural ou social. Já para os geógrafos humanistas, o conceito de espa- ço geográfico estaria atrelado à questão subjetiva, cultu- ral e individual. Nesta concepção, o espaço é o local de morada dos seres humanos e, mais do que isso, é o meio de vivência onde as pessoas imprimem suas marcas, suas relações, proporcionando novas análises à medida que a compreensão do mundo modifica-se através das técnicas ali empregadas. É importante salientarmos que o espaço se recons- trói constantemente, como exemplo podemos citar, a revitalização de uma cidade, a construção de uma rodo- via onde antes não existia, a construção de uma ponte, a agricultura onde havia mata. Observe que na paisagem que constitui este espaço geográfico, está impregnada aspectos culturais dos indivíduos que ali convivem. Do Meio Natural ao Meio Técnico- Científico-Informacional Os seres humanos estão sempre transformando o lo- cal onde convivem. Esta transformação depende de mui- tos fatores. Entre estes fatores, estão as técnicas aplica- das na transformação deste ambiente. Estas técnicas vão evoluindo com o passar do tempo, ao mesmo tempo que vão sendo empregadas novas alterações. O que a Ciên- cia geográfica procura fazer, é compreender a maneira como estas transformações ocorreram ao longo do tem- po. Milton Santos, com certeza um dos maiores estudio- sos do espaço geográfico e suas relações com a socieda- de, procura dividir esta evolução em três momentos, ou meios. Meio Natural, Maio Técnico, Meio Técnico-cientí- fico- informacional. Vamos conhecer um pouco cada um deles, tendo como base os estudos de Milton Santos. Meio Natural O meio natural seria o estágio inicial do processo de produção das atividades humanas. Nesse longo período que marcou o início e a formação das primeiras civili- zações, bem como o avanço de todas as sociedades pré- -industriais ou não industrializadas, as práticas sociais eram inteiramente dependentes do meio natural. Nesse sentido, a interferência do ser humano sobre o ambiente era de pouco impacto, de forma que era mais a natureza que condicionava as práticas econômicas, e não o contrário. Dessa maneira, a capacidade de recomposi- ção da natureza era maior, haja vista que a capacidade do homem de ocupar e promover alterações em um am- plo espaço era relativamente limitada. Mas isso não impediu que práticasimportantes ainda hoje utilizadas fossem desenvolvidas. Assim, várias téc- nicas agrícolas e também pecuárias foram elaboradas, muitas delas ainda vistas como formas de preservar os solos, tais como o terraceamento. As técnicas da pecuá- ria também passaram pelo mesmo ideário. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 06 GEOGRAFIA Meio Técnico Com o passar do tempo, as técnicas e os objetos téc- nicos foram sendo mais bem desenvolvidos à medida que o conhecimento humano expandia-se, o que propi- ciou a formação das bases que consolidaram a ascensão do meio técnico, cujo marco principal envolveu as duas primeiras revoluções industriais. Com isso, o espaço transformou-se em um espaço mecanizado, dotado de uma gama cada vez mais ampla de bens artificiais e mecanizados, em vez de simplesmente culturais. Dessa forma, o ser humano ganhou uma renovada capacidade de enfrentar e, em alguns casos, de man- ter certo controle sobre as leis da natureza, com uma maior possibilidade de transformá-la em larga escala. Tal processo foi operacionalizado pelo emprego de ins- trumentos, estes, segundo Milton Santos, “já não são prolongamentos do seu corpo, mas que representam prolongamentos do território, verdadeiras próteses”¹. Meio Técnico-Científico-Informacional Atualmente, diz-se que estamos vivenciando não mais um meio puramente mecanizado ou tecnicista, mas um meio também marcado pela maior presença das descobertas científicas e das tecnologias da informação, o meio técnico-científico-informacional. Ele represen- ta, sobretudo, o período que se manifestou de maneira mais acabada a partir dos anos 1970 como consequência da Terceira Revolução Industrial, também conheci- da como Revolução Técnico-Científica-Informacional. O principal marco desse momento é a união entre ciência e técnica pautada sob os auspícios do mercado. Não que já não houvesse uma aproximação entre as produções científicas e as evoluções das técnicas, mas somente agora tal inserção encontra-se em um sentido de complementaridade, de extensão de uma em relação à outra. Nesse ínterim, todo objeto é técnico e informa- cional ao mesmo tempo, pois carrega em si uma ampla estrutura de informações. Tal avanço permitiu a consolidação do processo de globalização, mais bem compreendido como uma mundialização da difusão de técnicas e objetos, parâ- metro que possui a informação como a principal energia motora de seu funcionamento. Tal fator proporciona alte- rações não só do espaço geográfico em si, mas da forma como o percebemos e lidamos com ele. Por fim, e não menos importante, é importante com- preender que tais transformações não se manifestam pelo mundo de maneira homogênea, isto é, não se con- solidaram em todas as partes do planeta de maneira igualitária. Aliás, o desenvolvimento das diferentes téc- nicas em um número restrito de localidades permitiu o avanço das desigualdades e a intensificação das relações de dependência política e econômica entre os diferentes espaços. Vimos assim, que a cada meio, estudado acima, mo- mento em que os seres humano se relacionavam com o espaço geográfico, o mesmo vai sendo transformado e vai adquirindo características daquele momento, principal- mente pelo uso da técnica. Isso nos ajuda a compreender os grandes impactos no meio ambiente tão estudados até hoje, ou de outra forma, os grandes problemas ambien- tais da atualidade. Compreender esta evolução dos meio desenvolvidos por Milton Santos, nos ajuda a entender a realidade atual e agir de maneira que possamos resolver ou pelo menos minimizar os problemas atuais. Conceitos Importantes da Geografia Território Território para a Geografia se constitui em um es- paço geográfico onde se observa uma relação de poder, ou seja, é fruto de uma disputa entre diferentes forças. 1 - SANTOS, M. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Ed. Hucitec, 1996. p.158. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 01 - Espaço Geográfico Território e Paisagem 07 A concepção mais comum de território (na ciência geo- gráfica) é a de uma divisão administrativa. Através de relações de poder, são criadas fronteiras entre países, regiões, estados, municípios, bairros e até mesmo áreas de influência de um determinado grupo. Para um dos maiores autores da escola de geografia alemã Friedri- ch Ratzel, o território representa uma porção do espaço terrestre identificada pela posse, sendo uma área de do- mínio de uma comunidade ou Estado. Um exemplo que podemos citar, é o território da Palestina, disputado en- tre Judeus e Árabes. Corresponde um espaço físico, com suas características naturais, sociais e políticas, onde se observa uma disputa entre diferentes grupos pelo domí- nio deste espaço. (território) Dentro desta visão, o conceito de território abrange mais que o Estado-Nação. Qualquer espaço definido e delimitado por e a partir de relações de poder se ca- racteriza como território. Uma abordagem geopolítica, por exemplo, permite afirmar que um consulado ou uma embaixada em diferentes países, seja considerado como parte de um território de outra nação. Por fim podemos afirmar que, o território não se res- tringe somente às fronteiras entre diferentes países, sen- do caracterizado pela ideia de posse, domínio e poder, correspondendo ao espaço geográfico socializado, apro- priado para os seus habitantes, independentemente da extensão territorial. Paisagem Costumamos afirmar que paisagem, é tudo aquilo que nossos olhos veem. As paisagem podem ter dife- rentes significados, dependendo da maneira de como a observamos. Desde uma simples observação até uma análise mais profunda, as paisagem possuem diferentes significados, e podem, representar coisas diferentes para quem a observa, tendo como referência a mesma paisa- gem. Temos diferentes tipos de paisagem, vejamos: a. Paisagem natural: Corresponde a um es- paço onde não houve qualquer intervenção dos seres humanos. Há o predomínio de aspectos da natureza. Exemplo: Floresta intacta. b. Paisagem modificada: Corresponde a ação de caçadores e de coletores que, mesmo não exercendo atividades pastoris ou agrícolas, em seus constantes deslocamentos, pode modificar a paisagem de modo irreversível, através do fogo, derrubadas de árvores etc. c. Paisagens organizadas: Correspondem aquelas que sofreu uma grande alteração pela sociedade, mas de forma organizada, não menos impactante, mas se observa uma certa organiza- ção no espaço onde esta paisagem se encontra. Cartografia: Temática e Sistemática Cartografia Temática: É usada na elaboração de mapas temáticos e cartogramas. São convenções, sím- bolos e cores usadas para que haja uma melhor compre- ensão do tema exposto e seu espaço geográfico. Além de indicar o fenômeno e onde ele ocorre a car- tografia temática também pode através de símbolos in- dicar a qualidade, a quantidade e a dinâmica desses fe- nômeno. Para isso geralmente são usadas linhas, áreas, cores e pontos dependendo do assunto tratado. Observe o exemplo abaixo: Já a Cartografia Sistemática, se propões a repre- sentar aspectos da natureza, ou seja, aspectos físicos, como: relevo, hidrografia, clima e vegetação de um de- terminado local. Para isso, além de se utilizar de técni- cas modernas que exige interpretação, como imagem de satélite, sensoriamento etc. Exemplo de mapa elaborado na cartografia sistemá- tica: Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 08 GEOGRAFIA Orientação No sentido geográfi co, orientação é o mesmo que rumo, direção. Portanto, orientar-se signifi ca determi- nar a nossadireção, ou a posição de um lugar em rela- ção aos pontos cardeais. As formas de orientação evoluíram muit o ao longo do tempo. No início, os primeiros humanos se utilizavam de coisas da natureza como, uma fl orest a, uma monta- nha, um rio, coisas assim. Com o passar do tempo, e um conhecimento maior sobre o universo, os homens pas- saram a utilizar-se dos ast ros, como o sol, est relas, lua. Mais tarde houve o desenvolvimento da bússola, acredi- ta-se que tenha sido desenvolvido pelos ch ineses, e mais tarde o GPS, que se utiliza de informações via satélit e. A orientação é determinada pelos pontos CARDEAIS, COLATERAIS E SUBCOLATERAIS. No entanto, vamos antes as denominações utilizadas nos pontos cardeais: N= Norte, Setentrional, Boreal; S= Sul, Meridional, Aust ral; E= Lest e, Oriente(al), Nascente; W(O)= Oest e, Ocidental, Poente. Podemos assim, entender a ROSA DOS VENTOS. Dica Focus: Observe com muit a atenção a indicação do mapa ou carta. A direção Norte, ou a indicação do SOL, mas atenção para a indicação do Sol da manhã, ou tarde. 2. COORDENADAS GEOGRÁFICAS Conceit o É o endereço de qualquer ponto da superfície da ter- ra, em graus, minutos e segundos, fornecido pelas LATI- TUDES e LONGITUDES. LATITUDE: Dist ância referente a linha do Equador no sentido Norte ou Sul, podendo variar de 0 a 90º Graus Norte ou Sul. As regiões intertropicais, que vão de 0 a 23º27’, po- dem ser denominadas de baixas latit udes; as regiões temperadas, que vão de 23º27’ a 66º33’, de médias la- tit udes e as polares, que vão de 66º33’ a 90º, regiões de altas latit udes. LONGITUDE: Dist ância referente ao meridiano de Greenwich , no sentido Lest e, Oest e, podendo variar de 0 a 180º Graus. Sempre as Longit udes serão Lest e ou Oest e. Dica Focus: Atenção para as orientações, latit udes (N ou S), Longit udes (E ou W). 3. PROJEÇÕES CARTOGRÁFICAS São ferramentas, técnicas, utilizadas pela Cartogra- fi a, que tem por objetivo representar a Terra, toda ou parte dela. A elaboração de mapa é muit o antiga, e sur- giu da necessidade dos homens de representar acidentes geográfi cos, normalmente, nas novas terras descobertas. A forma mais adequada de representar a Terra, é o glo- Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 03 - Projeções Cartográfi cas 09 bo terrest re, no entanto, vários inconvenientes como, o cust o, a difi culdade de manuseio, bem como a impos- sibilidade de visualizar toda a terra, levou a elaboração de mapas. Surge assim a difi culdade de representar um espaço que é curvo em um plano. Para isso, utiliza-se as projeções cartográfi cas. Os tipos de propriedades geométricas que caract eri- zam as projeções cartográfi cas, em suas relações entre a esfera (Terra) e um plano (mapa), são: a. Conformes – os ângulos são mantidos idênticos (na esfera e no plano) e as áreas são de- formadas. b. Equivalentes – as áreas apresentam-se idênticas e os ângulos deformados. c. Afi láticas – as áreas e os ângulos apresen- tam-se deformados Projeção Cilíndrica Est a representação é obtida com a projeção da super- fície terrest re, com os paralelos e os meridianos, sobre um cilindro em que o mapa será desenhado. Ao ser de- senrolado, apresentará sobre uma superfície plana todas as informações que para ele foram transferidas. Muit o utilizada para a representação do mapa – múndi, além de ser utilizada para mapas marítimos e de regiões de baixas latit udes, onde as deformações são mínimas. Temos dois mapas famosos elaborados nest a proje- ção cilíndrica: Mercator Peters Projeção cônica Um cone imaginário em contato com a esfera é a base para a elaboração do mapa. Os meridianos formam uma rede de linhas retas e os paralelos são curvos. Utili- zada para representar regiões de médias latit udes. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 10 GEOGRAFIA Projeção plana ou azimutal A projeção azimutal é usada, em geral, para repre- sentar as regiões polares. Os paralelos são círculos con- cêntricos e os meridianos são retos, convergindo para os polos. Dica Focus: Os mapas nos que- rem dizer muit as coisas, é como se eles “escondessem” textos por traz das fi guras, desenhos representados. É importante que se prest e muit a atenção na hora de ana- lisar e interpretar um mapa. As legendas são um bom caminho para iniciar o traba- lho de análise e interpretação. Curvas de nível São linhas que unem pontos de igual altit ude num mapa, são ch amadas de isoípsas. O principal objetivo das curvas de nível, é identifi car tipos de relevo, e assim contribuir para uma ocupação mais adequada do espaço geográfi co pelo homem. Principais Caract eríst icas: - As curvas de nível tendem a ser quase que parale- las entre si. - Todos os pontos de uma curva de nível se encon- tram na mesma elevação. - Cada curva de nível fech a-se sempre sobre si mes- ma. - As curvas de nível nunca se cruzam, podendo se tocar em saltos d’água ou despenhadeiros. - Em regra geral, as curvas de nível cruzam os cursos d’água em forma de “V”, com o vértice apontando para a nascente. Escalas É uma relação matemática entre as dimensões dos elementos no desenho, (espaço gráfi co) e no espaço real. Tipos de Escalas: GRÁFICA É a representação gráfi ca da escala numérica sob a forma de uma linha graduada, na qual a relação entre as dist âncias reais e as representadas nos mapas, car- tas ou outros documentos cartográfi cos é dada por um segmento de reta em que uma unidade medida na reta corresponde a uma determinada medida real. NUMÉRICA É a escala de um documento cartográfi co (Mapa, Car- ta ou Planta) expresso por uma fração ou proporção, a qual correlaciona a unidade de dist ância do documento à dist ância medida na mesma unidade no terreno. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 04 - Relevo 11 Exemplo: 1:100.000 - Lê-se 1 por 100.000. Signifi ca que 1cm no documento equivale a 100.000 cm no terreno, ou seja, 1000m ou 1Km. Quando se conhece a escala numérica pode-se calcu- lar as dist âncias reais utilizando-se as expressões: D=d x N N=D / d d=D / N D=Dist ância real d=Dist ância no documento E=Escala Interpretação de Escala: Comparando os mapas A e B, observamos que há maior riqueza de detalhes no mapa B e sua escala é duas vezes maior do que no mapa A. Observe, então, que quanto menor for o denominador da escala, maior ela será e mais detalhes ela nos dará. Dica Focus: Atenção para a interpretação de escala. 4. RELEVO DO BRASIL Est rutura geológica Chamam-se est rutura geológica de um local as ro- ch as que o compõem, que se dispõem em diferentes ca- madas, que apresentam diferentes tipos e idades e que se originaram de diferentes processos geológicos. O Brasil, possui como caract eríst ica geral da est rutu- ra geológica, ser: a. Antiga; b. Desgast ada; c. Baixa; d. Est ável – ausência de tect onismo recente. A est rutura geológica brasileira é const it uída por es- cudos crist alinos , que abrangem cerca de 36% do territ ó- rio nacional. Os terrenos crist alinos podem ser divididos entre os que se formaram no período Arqueozóico ( 32%) e os que se formaram na era proterozóica ( 4%). Os terrenos sedimentares ocupam 64% do total do país, são de diversas idades, desde a paleozóica ate a ce- nozóica e apresentam duas riquezas principais: o carvão e o petróleo. Principais bacias sedimentares: Era Paleozóica: Paranaica e San- Franciscana Era Mesozóica: Maranhão-Piauí (Meio Norte ) e Re- côncavo Baiano.Era Cenozóica: Amazônica, Pantaneira e Lit orânea ( Cost eira ). Classifi cações de relevo do Brasil Aroldo de Azevedo É a mais antiga e utilizada , dividindo o Brasil em dois planaltos e três planícies. O principal crit ério para essa classifi cação foi a altimetria ,pela qual foram con- siderados planaltos as superfícies com altit udes médias superiores a 200 metros e planícies as superfícies com altit udes medias inferiores a 200 metros. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 12 GEOGRAFIA Aziz Ab’ Saber Essa classifi cação baseou-se nos processos de erosão e sedimentação para diferenciar planalto de planície . Todas as superfícies onde predominam agentes da ero- são são considerados planaltos , e as superfícies onde ocorre a deposição de sedimentos são classifi cadas de planície. Jurandyr Ross Est a classifi cação é a mais recente , baseada no le- vantamento realizado pelo projeto Radambrasil , que fo- tografou cada parte do Brasil através de radar. Dividiu o Brasil em 28 unidades de relevo. 5. CLIMATOLGIA Uma das quest ões mais importantes da Geografi a, é saber diferenciar clima e tempo. Por mais que pareça não exist ir diferença, é necessário dist inguir o que é tempo e o que é clima. Tempo: ondição atmosférica momentânea, pode mu- dar rapidamente. Exemplo: Sol- ch uva, quente – frio. Etc. Clima: é um conjunto de fenômenos meteorológicos (elementos), como a ch uva, a temperatura, a pressão at- mosférica, a umidade e os ventos. Ou, um ambiente at- mosférico const it uído pela série de est ados da atmosfe- ra em sua sucessão habit ual. Elementos físicos também contribuem com o clima: fatores. Elementos do Clima - Temperatura - Pressão atmosférica - Umidade do ar - Ventos - Massas de ar Fatores do Clima - Altit ude -Latit ude -Correntes marítimas -Relevo -Continentalidade/marit imidade -Vegetação - Poluição. Tipos de Climas Climas do Brasil O Brasil tem relativa diversidade climática. Isso se deve à dimensão do territ ório, à extensão de sua faixa lit orânea, à variação de altit ude e, principalmente, à pre- sença de diferentes massas de ar que modifi cam as con- dições de temperatura e umidade das regiões em que atuam. A posição geográfi ca da maior parte de suas terras, em uma zona de baixa latit ude, determina o domínio de climas mais quentes. Cerca de 92% do territ ório est á si- tuado na zona intertropical cujas médias anuais de tem- peraturas est ão acima de 20ºC. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 05 - Climatologia 13 Massas atmosféricas Massas de ar São porções de ar, que possuem caract eríst icas de acordo com seu local de origem. Podem ser: Quentes ou Frias, Secas ou Úmidas. No Brasil atuam cinco massas de ar, como podemos ver no mapa: Não exist e uma única classifi cação para os climas. A classifi cação mais utilizada para os tipos de clima do Brasil é baseada no geógrafo Arthur Strahler, que con- sidera a circulação das massas de ar como o fator mais importante para a caract erização climática. A classifi cação de Arthur Strahler, adaptada ao Bra- sil, reconhece cinco regiões climáticas, defi nidas pela atuação de massas de ar equatorial, tropical e polar. Basicamente, pode-se dizer que o Brasil tem seis domínios climáticos: clima equatorial, tropical, tropical semi-árido, lit orâneo, subtropical e tropical de altit ude. 01. Clima Equatorial Est á localizado nas proximidades da Linha do Equador. Chove regularmente durante o ano todo, e em grande quantidade; é bast ante úmido e a temperatura varia pouco durante o ano, com média de 26ºC. 02. Clima Tropical É o clima que predomina no territ ório brasi- leiro. Os verões são ch uvosos e os invernos são secos. A temperatura nesse clima é alta e não varia muit o durante o ano. 03. Clima Semiárido É o clima das zonas mais secas do interior do nordes- te, região conhecida como Sertão Nordest ino. Caract eri- za-se pela baixa umidade e temperaturas elevadas. 04. Clima Tropical Lit orâneo (Atlântico) Esse clima cobre todo o lit oral do país, desde do Rio Grande do Norte até o Paraná. Caract eriza-se pelas tem- peraturas elevadas e pela alta umidade, devido ao alto índice de ch uva. No lit oral do nordest e ocorre ch uvas principalmente no inverno. 05. Clima Tropical de Altit ude É o clima das áreas com altit ude superior a 800 me- tros na região sudest e. Os verões são quentes e ch uvosos e os invernos frios e secos. 06. Clima Subtropical É o clima das regiões localizadas ao sul do Tropico de Capricórnio. A quantidade de ch uva não varia muit o durante o ano, mas as temperaturas mudam bast ante. Classifi cação de Koppen – Geiger Biogeografi a A dist ribuição dos biomas terrest res e seus tipos de fauna e fl ora est ão ligados diretamente com o clima. Desse modo a cada tipo climático corresponde um bio- ma, marcado por uma cobertura vegetal. O relevo (alti- tude), as águas continentais ou oceânicas e os solos tam- bém infl uenciam a dist ribuição dos biomas na superfície da Terra. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 14 GEOGRAFIA Em relação às formações vegetais, podemos classifi - ca-las quanto a: UMIDADE: Higrófi la – adaptada a grande umidade; Tropófi la – adaptada a ambientes alternados, um período úmido e outro seco; Xerófi la – adaptada à ambiente seco. FOLHA: Latifoliada – folhas largas; Aciculifoliada – folha em forma de agulha ou pon- tiaguda; SAZONALIDADE: Perenifólia - fl orest a sempre verde, não perdendo as folhas em nenhuma est ação. Decídua - folhas caducas, ou seja, plantas que per- dem suas folhas em certas épocas do ano (principalmen- te no inverno). TAMANHO (PORTE): Florest al – Árvores altas, mata fech ada; Arbust ivas – Árvores esparsas, predomínio de ar- bust os; Herbáceas – Formações de gramíneas, campos; OUTROS TERMOS IMPORTANTES: Coníferas – árvores com aparelho reprodutor em forma de cone (pinheiros). Orófi la – planta adaptada às grandes altit udes. Vegetação Heterogênea - vegetação const it uída de grande variedade de espécies Vegetação Homogênea - vegetação const it uída de poucas ou de uma única espécie. Domínios Morfoclimáticos do Brasil 01. Domínio amazônico É formado por terras baixas: depressões, planícies aluviais e planaltos, cobertos pela extensa fl orest a latifo- liada equatorial Amazônica. É banhado pela Bacia Ama- zônica, que se dest aca pelo grande potencial hidrelétri- co, mas não aproveit ado. Apresenta grave problema de degradação ambiental, representado pelas queimadas e desmatamentos. 02. Domínio do cerrado Corresponde à área do Brasil Central e apresenta extensos ch apadões e ch apadas, com domínio do clima tropical semi úmido e vegetação do cerrado. A vegetação do cerrado é formada por arbust os com troncos e ga- lhos retorcidos, recobertos por casca grossa. Os solos são pobres e ácidos, mas com a utilização do método da ca- lagem, colocando-se calcário no solo, est ão sendo apro- veit ados pelo setor agrícola, transformando-se na nova fronteira da agricultura, representada pela expansão do cultivo da soja, feijão, arroz e outros produtos. Nesse domínio est ão as áreas dispersoras da Bacia do Paraná, do Paraguai, do Tocantins, do Madeira e outros rios dest acáveis. 03. Domínio dos mares de morros Esse domínio acompanha a faixa lit orânea do Brasil desde o Nordest e até o Sul do País. Caract eriza-se pelo relevo com topografi a em “meia laranja”, mamelonares ou mares de morros, formados pela intensa ação erosiva na est rutura crist alina das Serras do Mar, da Mantiquei-ra e do Espinhaço. Apresenta predominantemente cli- ma tropical quente e úmido, caract erizado pela fl orest a latifoliada tropical, que, na encost a da Serra do Mar, é conhecida como Mata Atlântica. Essa paisagem sofreu grande degradação em consequência da forte ocupação Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 06 - Hidrografi a do Brasil 15 humana. Além do desmatamento, esse domínio sofre in- tenso processo erosivo (relevo acidentado e clima úmido), com deslizamentos frequentes e formação de voçorocas. 04. Domínio da caatinga Corresponde à região da depressão sertaneja nordes- tina, com clima quente e semiárido e típica vegetação de caatinga formada por cact áceas, bromeliáceas e árvores. Dest aca-se o extrativismo vegetal de fi bras, como o ca- roá, o sisal e a piaçava. A bacia do São Francisco atraves- sa o domínio da caatinga e tem dest aque pelo aprovei- tamento hidrelétrico e pelos projetos de irrigação no seu vale, onde a produção de frutas (melão, manga, goiaba, uva) tem apresentado expansão. A tradicional ocupação da caatinga é a pecuária extensiva de corte, com baixo aproveit amento. No domínio da caatinga, aparecem os inselbergs, ou morros residuais, resultantes do processo de pediplanação em clima semiárido. 05. Domínio da araucária É o domínio que ocupa o planalto da Bacia do Rio Pa- raná, onde o clima subtropical est á associado às médias altit udes, entre800 e 1300 metros. Nesse domínio apare- cem áreas com manch as de terra roxa, como no Paraná. A fl orest a de araucária também é conhecida como Mata dos Pinhais; é homogênea, aciculifoliada e tem grande aproveit amento de madeira e erva-mate. A in- tensa ocupação agrária (café, soja) desse domínio é a res- ponsável pela devast ação dessa fl orest a. 06. Domínio das pradarias Domínio representado pelo Pampa, ou Campanha Gaúch a, onde o relevo é baixo, com suaves ondulações (coxilhas) e coberto pela vegetação herbácea das prada- rias (campos). A ocupação econômica desse domínio tem-se efe- tuado pela pecuária extensiva de corte, com gado tipo europeu, obtendo altos rendimentos e pela rizicultura irrigada. As faixas de transição Na passagem de um domínio para outro aparecem áreas onde é possível perceber a exist ência de duas ou mais paisagens diferentes que compõem um espaço di- ferenciado e muit o representativo. São as faixas de tran- sição e delas se pode dest acar: No Nordest e Os manguezais na zona cost eira; O agrest e entre a zona da mata e o sertão; A mata dos cocais no meio-norte entre a caatinga e a fl orest a Amazônica. No Sul Zona de transição das pradarias, sit uado entre os do- mínios da Araucária e das pradarias. No Centro-oest e - O Pantanal 6. HIDROGRAFIA DO BRASIL O Brasil é considerado o país mais rico do mundo em água doce, os rios são volumosos e em sua maioria, perenes ou seja nunca secam. Bacia hidrográfi ca é defi nido como uma região so- bre a terra que faz toda a drenagem das águas de pre- cipit ações para um ponto fi xo, sempre dos pontos mais altos para os pontos mais baixos. Os rios como parte integrante de uma bacia hi- drográfi ca é compost o em sua maioria por água doce e pode ser classifi cado de diversas formas, afl uente é a denominação dada para os rios menores que desaguam em rios principais o local exato onde o rio desagua é ch amado de foz, a foz de um rio pode ser classifi cada da seguintes maneiras: FOZ TIPO ESTUÁRIO: É aquela que apresenta um único canal para desaguar e não exist e nenhum obst á- culo nest e processo. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 16 GEOGRAFIA FOZ DO TIPO DELTA: Geralmente são vários ca- nais entre pequenas ilhas que são formadas de forma natural ou por sedimentos transportados pelas aguas do rio. FOZ DO TIPO MISTA OU COMPLEXA: É aquela que apresenta os dois tipos de foz anterior no mesmo local ou seja foz tipo delta e foz est uário, como por exem- plo o rio Amazonas, no Brasil. No Brasil o tipo de foz predominante nos rios são as do tipo est uário, com algumas poucas exceções que é o caso do dela do Parnaíba, sit uado entre o maranhão e o Piauí. O rio Amazonas é considerado o principal rio bra- sileiro est e possui foz mist a (em delta e est uário). A hidrografi a dos rios no Brasil predominam-se em rios de planaltos ou seja em relevo com superfície mais elevadas. O Brasil possui sete bacias hidrográfi cas no entanto quatro delas se dest acam por sua extensão e pela im- portância dos seus rios principais :a Amazônica ,a plati- na ,a do São Francisco e a do Tocantins-Araguaia. BACIA AMAZÔNICA: É a maior bacia hidrográfi ca do mundo também é muit o rica em volume de água des- te modo resulta em um grande potencial de produção de energia elétrica essa bacia abrange vários est ados brasileiros (Amazonas, Roraima, Rondônia, Mato Gros- so, Pará e Amapá), além de países vizinhos (Peru, Co- lômbia, Equador, Venezuela, Guiana e Bolívia) BACIA PLATINA: Se diferencia das demais por se const it uir de mais três bacias secundarias: Bacia Paraná: É considerada a segunda a maior ba- Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 06 - Hidrografia do Brasil 17 cia hidroelétrica do país, seu rio principal é o Paraná nele estão localizadas várias hidroelétricas dentre elas a usina de Itaipu uma das maiores do mundo que só é superada pela usina de Três Gargantas. BACIA PARAGUAI: É a maior bacia essencialmen- te de planície, seu principal rio é o Paraguai drena o Pantanal mato-grossense. BACIA URUGUAI: Se caracteriza por ter seu rio principal (Uruguai) sendo menor da bacia Platina. Pos- sui suas nascentes na Serra Geral, através da conflu- ência dos Rios Canoas e Pelotas. É um rio de planalto, com grande potencial hidráulico, mas no entanto, pouco explorado. BACIA DO TOCANTINS-ARAGUAIA: Está lo- calizada no centro norte do Brasil e por esse motivo é considerada a bacia inteiramente brasileira, em seu rio principal, o Tocantins, foi construída a hidrelétrica de Tucuruí que abastece grande parte da região norte, e também o projeto Grande Carajás, de exploração de mi- nérios no Pará. BACIA SÃO FRANCISCO: Possui suas nascentes em Minas Gerais, na Serra da Canastra. É um Rio de Planalto, portanto possui grande potencial hidráulico. Seu rio principal o São Francisco, é de extrema impor- tância para a população que residem em seu percurso pois é navegável entre Minas Gerais e Bahia. Em seu curso, vem se desenvolvendo o Projeto de Transposição, Que tem como objetivo levar águas às regiões do semi- árido nordestino. Oceanos e Mares A área do conhecimento que se propõe a estudar os oceanos e mares é denominado de oceanografia. Tanto os mares como os oceanos possuem uma grande impor- tância no biosfera. Em uma concepção ambiental, os oceanos e mares, contribui na composição e equilíbrio climático, uma vez que os oceanos abrigam seres (fitoplanctons) que são responsáveis pela produção de grande parte do oxigênio do planeta e também por reter calor em períodos maio- res que os continentes, denominado de maritimidade. Em uma visão mais humana e econômica, os oceanos e mares exerceram e ainda exercem grande importância no que se refere às estratégias militares e comerciais, a exportação, a pesca, o turismo e muitos outros. Por isso que, países que não dispõe de um litoral per- manecem dependentes de outras nações para escoar sua produção destinada à exportação e receber as importa- ções, isso faz parte da realidade de países como Afega- nistão, Áustria, Suíça, Paraguai e Bolívia. Conceitos: Oceanos correspondem a grandesporções de água salgada que se encontram dispersas sobre grande parte da superfície terrestre. Temos, Oceano Atlântico, Pacífico e Índico. Alguns autores acrescentam ainda os oceanos Glaciar Ártico e Antártico. Já os mares são porções menores de água salgada e podem ser classificados em: a. Abertos ou Costeiros – Possuem ampla ligação com os oceanos. Exemplo: Mar do Japão, Mar do Caribe, Mar da China etc. b. Interiores ou Mediterrâneos –Possuem ligação com os oceanos, através de estreitos ou canais. Exemplo: Mar Mediterrâneo, Mar Verme- lho, Mar Negro etc. c. Fechados ou Isolados –Não possuem li- gação visível com os oceanos. Exemplo: Mar de Aral, Mar Cáspio, Mar morto. Os mares não possuem uma homogeneidade quanto à sua composição física no espaço geográfico. Mar Territorial Correspondem a porção de águas que se encontram próximo ao litoral de um país. Estas águas, ou as por- ções destas águas estão divididas em: águas interiores, mar territorial, zona contígua, zona econômica exclu- siva, plataforma continental, etc., e são regulados pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), celebrada em 1982 em Montego Bay, Jamaica, como resultado da Terceira Conferência das Nações Uni- das sobre o Direito do Mar (Nova York, 1973-1982) e que constitui o mais recente esforço de codificação do direito internacional que regula os oceanos. Vamos conhecer um pouco sobre cada uma destas porções. Águas Interiores: É todo conjunto de porções líquidas encontradas no interior de um arquipélago, como mar interior, lagos, rios, águas subterrâneas etc. Mar territorial: Corresponde a uma faixa de águas costeiras que al- cança 12 milhas marítimas (22 quilómetros) a partir do litoral de um Estado que são consideradas parte do ter- ritório soberano daquele Estado. A largura do mar terri- torial é contada a partir da linha de base, isto é, a linha de baixa-mar ao longo da costa, tal como indicada nas cartas marítimas de grande escala reconhecidas oficial- mente pelo Estado costeiro. Nesta porção de águas, o país exerce todo o direito estendido a sua porção continental e a suas águas inte- riores. Qualquer embarcação, deve ter autorização para navegar nesta porção, bem como o reconhecimento da Marinha Mercante do país que possui posse neste es- paço. Zona contígua: Nesta área a, CNUDM ( Conselho das Nações Unidas sobre o Direito do Mar), permite que o Estado costeiro, comprovando a necessidade, mantenha sob seu controle uma área de até 12 milhas marítimas, adicionalmente às 12 milhas do mar territorial, para o propósito de evitar ou reprimir as infracções às suas leis e regulamentos Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 18 GEOGRAFIA aduaneiros, fiscais, de imigração, sanitários ou de outra natureza no seu território ou mar territorial. Zona Econômica Exclusiva (ZEE): A ZEE é uma faixa de água que começa no limite ex- terior do mar territorial de um Estado costeiro e termina a uma distância de 200 milhas marítimas (370 km) do litoral (exceto se o limite exterior for mais próximo de outro Estado) na qual o Estado costeiro dispõe de direitos especiais sobre a exploração e uso de recursos marinhos. Nesta Zona Econômica Exclusiva o país detém o di- reito de: a. Direitos de soberania para fins de explora- ção e aproveitamento, conservação e gestão dos recursos naturais, vivos ou não vivos das águas sobrejacentes ao leito do mar, do leito do mar e seu subsolo, e no que se refere a outras atividades com vista à exploração e aproveitamento da zona para fins económicos, como a produção de ener- gia a partir da água, das correntes e dos ventos; b. Jurisdição, de conformidade com as dispo- sições pertinentes da presente convenção, no que se refere a: I. colocação e utilização de ilhas artificiais, instalações e estruturas; II. investigação cientifica marinha; III. proteção e preservação do meio marinho. Plataforma Continental Jurídica (legal): Segundo a CNUDM, “a plataforma continental de um Estado costeiro compreende o leito e o subsolo das áreas submarinas que se estendem além do seu mar territo- rial, em toda a extensão do prolongamento natural do seu território terrestre, até ao bordo exterior da margem continental, ou até uma distância de 200 milhas marí- timas das linhas de base a partir das quais se mede a largura do mar territorial, nos casos em que o bordo ex- terior da margem continental não atinja essa distância.” Alto Mar ou Águas Internacionais: Corresponde as águas que estão além da Zona Eco- nômica Exclusiva. De maneira geral, alto-mar é o con- junto das zonas marítimas que não se encontram sob jurisdição de nenhum Estado. Nos termos do direito do mar, qualquer reivindicação de soberania sobre tais zo- nas, da parte de um Estado, é ilegítima. No alto-mar ou Águas Internacionais, vigora o prin- cípio da “liberdade do alto-mar”: são livres a navegação, o sobrevoo, a pesca, a pesquisa científica, a instalação de cabos e a construção de ilhas artificiais. Outro prin- cípio de direito do mar aplicável ao alto-mar é o do uso pacífico. A única jurisdição aplicável a um navio em alto-mar é a do Estado cuja bandeira a embarcação arvora. Tais Estados têm a obrigação, quanto aos seus navios de ban- deira, em alto-mar, prevista pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de: a. tomar as medidas necessárias à preservação da segurança da navegação (condições de nave- gabilidade dos navios, qualificação da tripulação etc.), b. exigir dos capitães dos navios que prestem assistência a pessoas em perigo. c. impedir o transporte de escravos, d. impedir a pirataria, e. impedir o tráfico de drogas. 7. DEMOGRAFIA A demografia é a área do conhecimento que se preo- cupa em estudar o comportamento, as transformações e a dinâmica geral da população, utilizando-se principal- mente de elementos estatísticos e pesquisas qualitativas. Esse ramo do saber em muito se aproxima à Geografia da População, que, da mesma forma, também se preocu- pa com as dinâmicas populacionais, enfatizando as ques- tões sociais relacionadas ao espaço geográfico. A população é definida como o número de pessoas que habita um determinado território ou região. Dessa forma, os seus ciclos de crescimento, seu nível médio de renda, sua distribuição, entre outros fatores, são de fun- damental importância para a compreensão do funciona- mento dos diversos aspectos do espaço social. Um dos elementos demográficos mais estudados pela Geografia da População e pela Demografia é o índice de crescimento populacional. O crescimento acelerado ou desacelerado das populações é algo constantemente debatido e teorizado por especialistas e teóricos dessas áreas do saber. Precisar com detalhes o funcionamento desse fator é importante para o planejamento de políti- cas públicas e ações sociais. O principal órgão brasileiro de pesquisa sobre a po- pulação é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Esse organismo realiza a cada dez anos o Cen- so Demográfico, uma importante e abrangente forma de quantificar estatisticamente os mais diversos dados e informações, envolvendo desde a renda e a saúde da população até a sua preferência religiosa. Teorias Demográficas São estudos elaborados com o objetivo de conhecer Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 07 - Demografia 19 as transformações que ocorreram e ocorrem nas popula- ções, bem como, a utilização dos recursos naturais dispo- níveis para a sobrevivência da espécie humana. A formulação destas teorias, se deve a necessidade de se entender a dinâmica sobre a população mundial ou local, e hoje servemde base para o estudo e a com- preensão do tema, mesmo que algumas destas teorias, já foram constatadas como ultrapassadas ou incorretas. Vamos conhecer um pouco sobre cada uma delas. Teoria Malthusiana ou Malthusianismo: Formulada por, Thomas Robert Malthus (1766-1834), economista liberal e historiador inglês, elaborou ao final do século XVIII uma teoria populacional que apontava para o desequilíbrio existente entre os crescimentos demográficos e a disponibilidade de recursos na Terra. Em seu livro Ensaio sobre o princípio da população, ele afirmava categoricamente que o planeta, em pouco tem- po, não seria capaz de atender ao número de habitantes existentes. De acordo com a Teoria Malthusiana, as populações aceleravam sempre o seu ritmo de crescimento, que se- guia a linha de uma progressão geométrica (1, 2, 4, 8, 16, 32, 64, 128, 256, …), enquanto a disponibilidade de recur- sos e de alimentos aumentaria conforme uma progressão aritmética (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, …), sendo menor, portanto. Malthus previa um futuro catastrófico para a população, pois para ao mesmo não haveria alimentos para atender as necessidades da crescente população. Como solução, Malthus apontava para o controle moral da população. Em virtude de sua filiação religiosa, ele era contra a ado- ção de qualquer tipo de método contraceptivo, dizendo que os casais só deveriam procriar caso houvesse con- dições para sustentar seus filhos. Além disso, Malthus também dizia que os trabalhadores mais pobres deve- riam apenas receber o mínimo para o seu sustento, pois acreditava que a melhoria nas condições sociais elevaria ainda mais o número de nascimentos. Podemos constatar que Malthus errou em subesti- mar os avanços tecnológicos nos processos de produção, que fizeram com que a oferta de recursos e alimentos se ampliasse muito acima do previsto. Apesar que a teoria foi elaboradas com base nas perspectiva da época. Observa-se atualmente que a tendência é que as sociedades mais desenvolvidas gerem menos filhos, ao contrário do que o economista inglês imaginava. Teoria Neomalthusiana ou Pessimista: Com o fima da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), ocorreu o que muitos autores chamam de “explosão de- mográfica”, por que os principais países desenvolvidos do mundo tiveram um aumento rápido e repentino de sua população. Da mesma forma, nos anos seguintes, muitos países subdesenvolvidos (incluindo o Brasil) pas- saram pelo mesmo processo, sobretudo porque nesses países, com históricos de altas natalidades e mortalida- des, o número de óbitos foi reduzido e a expectativa de vida, elevada, principalmente pelas melhorias nas condi- ções medico-sanitárias. Com este grande crescimento da população ass te- orias de Malthus ganharam um novo eco entre muitos pensadores e governantes. Para os Neomalthusianos, as populações, sobretudo as de baixa renda, deveriam ter os seus índices de natalidade controlados. Para isso, a difusão dos métodos contraceptivos tornou-se funda- mental. Em alguns países, como China e Índia, gover- nos adotaram medidas de esterilização em massa sobre pessoas pobres, além de distribuírem anticoncepcionais gratuitamente e promover campanhas de conscientiza- ção. Difundem-se, até os dias atuais, muitas campanhas ou imagens publicitárias com o modelo ideal de família formado pelos pais e dois filhos apenas. Teoria Reformista, Otimista ou Marxista Muitas críticas foram feitas a teoria Malthusiana. Malthus, em várias ocasiões foi acusado de disseminar os ideais capitalistas, ao afirmar que a miséria, a pobre- za não só eram necessárias, como serviriam para pro- mover o controle de natalidade para a época. A Teoria Reformista, surge em um momento de crítica ao sistema vigente na época, e possui base Socialista, que também surgiu como uma opção ao Capitalismo reinante neste período. O socialista utópico do século XIX, Pierre-Joseph Proudhon, afirmava: “Há somente um homem excedente na Terra: Malthus”. E nessa mesma linha seguiam muitos teóricos que acreditavam que a desigualdade na rela- ção entre recursos naturais, alimentos e o crescimento populacional não estava no número de habitantes, mas na distribuição de renda. Em geral, muitas dessas ideias aproximavam-se dos ideais defendidos por Karl Marx, sendo então relacionadas com o que se chamou de Teo- ria Marxista ou Reformista da população. Por fim, para essa concepção, não é o “controle moral” da população o necessário para combater a ocorrência da fome e da miséria, mas a adoção de políticas sociais de combate à pobreza, com a aplicação de leis trabalhis- tas que assegurem a melhoria na distribuição da renda do trabalhador. Transição Demográfica A transição demográfica, é uma concepção que afir- ma que todos os países passam por diferentes estágio em seu crescimento populacional. Este crescimento, bem como a transição demográfica, tem a haver diretamen- te com as taxas de natalidade e taxas de mortalidades. Afirma também que todos os países passam por estes estágios cedo ou tarde. A Transição demográfica afirma que no primeiro es- tágio, o crescimento vegetativo é baixo, pois as taxas de natalidade são altas, mas as taxas de mortalidade tam- bém são altas. Já no segundo estágio, ocorre um grande crescimento demográfico, pois as taxas de natalidade são altas e ocorre uma queda acentuada das taxas de mor- talidade, ocorrendo assim um grande crescimento da população ou também chamado crescimento vegetativo. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 20 GEOGRAFIA No terceiro est ágio, ocorre uma redução do crescimento populacional, pois as taxas de natalidade também come- çam a cair. Portanto temos uma baixa taxa de natalidade e baixa taxa de mortalidade. Já é possível, na atualida- de, observarmos um quarto est ágio na transição demo- gráfi ca, onde as taxas de natalidade continuam baixas, e ocorre uma elevação das taxas de mortalidade, pelo envelhecimento da população. Observa-se est a sit uação já em alguns países europeus como a França, Itália etc. No caso do Brasil, est amos passando do segundo est ágio para o terceiro est ágio da transição demográfi ca. É pos- sível imaginar que daqui a algumas décadas, possivel- mente iremos atingir o quarto est ágio. É importante sa- lientar que não há, períodos est áticos de transição de um est ágio para outro, depende das caract eríst icas sociais e econômicas de cada país. Por isso que, ao entendermos o processo de transição demográfi ca, nos ajuda a refl e- tir sobre o envelhecimento da população e consequen- temente nos permit e uma análise sobre a previdência social dos países. Por isso, vamos conhecer um pouco sobre a população brasileira no capit ulo a seguir. População do Brasil Segundo os dados do Censo Demográfi co de 2010, realizado pelo Inst it uto Brasileiro de Geografi a e Est atís- tica (IBGE), a população total do Brasil era de aproxima- damente 190.755.799 habit antes. Em 2015, est e número já é superior a 200.000.000 de habit antes. Esse elevado contingente populacional coloca o país entre os mais po- pulosos do mundo. O Brasil ocupa hoje o quinto lugar dentre os mais populosos, sendo superado somente pela China (1,3 bilhão), Índia (1,1 bilhão), Est ados Unidos (314 milhões) e Indonésia (229 milhões). A dist ribuição da população brasileira é irregular, isso se deve a fatores hist óricos e econômicos ligados a ocupação do Brasil e a sua posição econômica hist órica voltada ao mercado externo. Percebemos assim, que a maior concentração populacional encontra-se respec- tivamente no Sudest e, Nordest e, Sul, Centro-Oest e e Norte. O centro-Oest e e Norte do país, vem recebendo nos últimos anos grandes contingentes populacional, em face do grande números deprojetos de desenvolvimento econômicos, como a const rução de hidrelétricas, rodo- vias, ferrovias etc. Mas, ainda comparada com o Sudest e, Nordest e e Sul, a densidade demográfi ca dest a região e do Centro-Oest e é bast ante baixa. Vejamos o mapa abaixo: É importante reforçarmos a ideia que a dist ribui- ção da população est á relacionada a maneira de como o Brasil teve sua evolução hist órica e econômica, est a evolução se refl ete na maneira de como a população se dist ribui e nos ajuda a entender, quais as áreas que mais vem atraindo contingentes populacionais na atualidade. Vamos tratar um pouco sobre o crescimento da po- pulação brasileira. Nos últimos anos, apesar de ter se est abilizado a po- pulação brasileira teve um certo crescimento, e vai, de forma mais lenta, ainda crescer, est ima-se que até o ano de 2025 o Brasil terá quase 250 milhões de habit antes, possivelmente melhor dist ribuída do que podemos ob- servar no mapa acima. Para podermos falar de crescimento populacional é preciso saber um conceit o: o de crescimento vegetativo. Crescimento vegetativo: é a diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade. Est e conceit o, nos permit e entender se uma popula- ção est á em fase de crescimento, de est abilização ou já est á em uma fase de decréscimo de sua população. Vamos observar o mapa abaixo: É importante lembrar, antes de mais nada, que a imi- gração contribuiu para o crescimento da população, mas não foi e não é o fator principal dest e crescimento. O nosso maior crescimento populacional teve início a partir de 1930, quando iniciou-se no Brasil o proces- so de indust rialização e urbanização que trouxe muit as Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 07 - Demografi a 21 mudanças que ajudaram a infl uenciar no nosso cresci- mento. Até então, o Brasil era um país agrário, com po- pulação predominantemente vivendo no campo. Já nos anos 50, o lado urbano do Brasil começou a crescer. Muit as pessoas começaram a deixar os campos para trabalhar nas cidades, principalmente nas regiões sudest e, onde a indust rialização era muit o ativa, e na região centro-oest e, com a const rução de Brasília, que atraiu muit os trabalhadores. A urbanização melhorou muit o a vida dos brasileiros. Nas cidades havia uma melhor condição de vida (higiene e saúde, água tratada, serviços de vacinação, de sanea- mento básico, como consequência a taxa de mortalidade diminuiu bast ante. Com a queda nas taxas de mortalidade, houve um grande crescimento da população, já que as taxas de na- talidade continuaram altas. As novas condições de vida nas cidades e a revolu- ção no campo da medicina, bem como o melhor acesso das pessoas a novos medicamentos, provocaram um alto crescimento vegetativo da população. Os anos 60 foram marcados por uma revolução nos cost umes, não só por causa da pílula, que diminuiu mui- to a taxa de natalidade, mas também outros fatores como a vida na cidade e a entrada da mulher no mercado de trabalho ajudaram muit o a reduzir esse índice de cres- cimento. Na atualidade, as famílias não são mais tão nume- rosas, principalmente nas zonas urbanas. O controle da natalidade de forma espontânea, est á se tornando hábit o até mesmo nas camadas mais pobres. Sem contar que nas décadas seguintes, as sucessivas crises econômicas, também contribuíram para que as famílias repensassem o número de fi lhos que queriam ter. As melhorias nas condições sociais e econômicas não são homogêneas, e não melhoraram as condições de vida de todas as pessoas. É possível ver no Brasil uma grande desigualdade social, não entre as regiões, mas também entre as pessoas dentro de uma mesma região. Podemos observar isso, pela expect ativa de vida do indivíduo. Há muit a diferença entre a expect ativa de vida dos sulist as e dos nordest inos. Os dados afi rmam que no sul, as pessoas vivem mais do que no nordest e. A mortalidade infantil também é alta no nordest e, just amente por causa da precária assist ência médica, principalmente com as mulheres grávidas, e as próprias condições de miséria que vive grande parte do povo nor- dest ino. Mas vamos conhecer um pouco mais sobre os indicadores sociais e econômicos. Indicadores Sociais e Econômicos Os indicadores sociais e econômicos, são meios uti- lizados para classifi car os países como sendo: Ricos (de- senvolvidos), Em Desenvolvimento (economia emergen- te) ou Pobres (subdesenvolvidos). Tendo isso por base, organizações internacionais avaliam os países seguindo alguns crit érios: Expect ativa de vida - É a média de anos de vida de uma pessoa em determinado país. Ela depende de vá- rios fatores, entre eles podemos cit ar: alimentação, ren- da, educação, saúde, saneamento básico, qualidade de vida em geral. Quanto melhores forem est es elementos, maior será a expect ativa de vida. Observe o gráfi co a seguir. • Taxa de mortalidade - Corresponde ao número de pessoas que vem a óbit o durante o ano. • Taxa de mortalidade infantil - Corresponde ao número de crianças que morrem antes de completar 1 ano. Segundo a ONU, quanto maior a mortalidade infan- til, piores os indicadores socioeconômicos. • Taxa de analfabetismo - Corresponde ao percen- tual de pessoas que não sabem ler e nem escrever. • Renda Nacional Bruta (RNB) per capit a, basea- da na paridade de poder de compra dos habit antes. • Saúde - Refere-se à qualidade da saúde da popu- lação, bem como o acesso que a mesma tem a saúde de qualidade. • Alimentação - Refere-se à alimentação mínima que uma pessoa necessit a, cerca de 2.500 calorias, e se essa alimentação é balanceada. É importante cit ar, que nem sempre se avalia a quantidade, que também é im- portante sem dúvida, mas acima de tudo a qualidade da alimentação. • Condições médico-sanit árias – Representa o acesso que as pessoas tema saneamento básico. • Qualidade de vida e acesso ao consumo - Est á relacionado ao número de carros, de computadores, tele- visores, celulares, acesso à internet entre outros. Vários dest es it ens, como saúde, educação e renda, serão base para a análise do IDH. Est e índice é utiliza- do pela ONU, para classifi car os países dentro de um ranking que é divulgado em períodos como forma de ch amar a atenção dos governantes sobre a necessidade de se tomar providências sobre os maiores problemas que atingem a população. O IDH é um indicador que varia de 0 a 1.0. Quanto mais próximo de 1.0, melhores são as condições dos it ens cit ados acima. Quanto mais próximo de 0, piores serão est es it ens e consequentemente as condições de vida da população analisada será pior. Vejamos o gráfi co abaixo a evolução do IDH brasileiro de 1980 a 2012, para que possamos ter ima ideia de como ele evoluiu. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 22 GEOGRAFIA O índice 1 não foi alcançado por nenhum país do mundo, pois tal índice iria signifi car que determinado país apresenta uma realidade quase que perfeit a, por exemplo, uma elevada renda per capit a, expect ativa de vida de 90 anos e assim por diante. Também é bom ressaltar que não exist e nenhum país do mundo com índice 0, pois se isso ocorresse era o mes- mo que apresentar, por exemplo, taxas de analfabetismo de 100% e todos os outros indicadores em níveis desas- trosos. Na atualidade o Brasil, possui um IDH acima de 0.800, o que representa um IDH alto, por mais que isso não signifi ca que as condições reais do país sejam repre- sentadas como sendo boas. Por isso, que o IDH, é crit ica- do por alguns economist as, pois os mesmos afi rmam que ele apenas traz dados parciais pois trabalha com médias, e não sãodados reais da verdadeira condição que vive determinados povos. 8. URBANIZAÇÃO NO MUNDO A urbanização pode ser entendia como o processo de afast amento das caract eríst icas rurais de um lugar ou região, para caract eríst icas urbanas. Normalmente ocor- re através do desenvolvimento tecnológico. Dentro da demografi a o termo signifi ca a redist ribui- ção das populações das zonas rurais para assentamen- tos urbanos, mas também pode designar a ação de dotar uma área com infraest rutura e equipamentos urbanos. Urbanização, também pode ser entendida como o conjunto dos trabalhos necessários para dotar uma área de infraest rutura, como água, esgoto, gás, eletricidade e/ ou serviços urbanos como transporte, educação, saúde e etc. É est udada por várias ciências, como a sociologia, a geografi a e a antropologia, e as disciplinas que procuram entender, regular, desenhar e planejar os processos de urbanização são o urbanismo, o planejamento urbano, o planejamento da paisagem, o desenho urbano, a geogra- fi a, entre outras. O processo de indust rialização do século XIX pro- vocou um rápido crescimento das cidades, na maioria das vezes est as grandes aglomerações de habit ações levaram a péssimas condições com problemas de abas- tecimento, zonas insalubres e difi culdade de trânsit o. O aumento do tráfego e a inst alação de indúst rias provo- caram e provocam assim uma contaminação crescente do meio. O processo de urbanização deu lugar à origem de grandes cidades como por exemplo, na região do Ruhr, na Alemanha, onde as cidades se encontram contíguas sem espaços de separação. Não havendo assim, uma se- paração entre a cidade e o campo. Muit os autores entendem urbanização como sendo o aumento proporcional da população urbana em relação à população rural, só ocorrendo urbanização quando o crescimento da população urbana é superior ao cresci- mento da população rural. Mas nem sempre o homem habit ou em cidades, os primeiros habit antes eram nômades, portanto não ti- nham residência fi xa e viviam da caça, pesca e coleta, post eriormente deixaram essa condição para se torna- rem produtores. A partir de então o homem foi se aglomerando em centros urbanos e desenvolvendo atividades econômi- cas. Sendo assim, o processo de urbanização tem duas fases marcantes, a primeira ocorreu com a Revolução Indust rial no fi m do século XVIII, esse acontecimento provocou uma enorme migração, pessoas que habit avam áreas rurais saíram rumo às cidades, mas isso aconteceu somente nos países envolvidos na revolução e não em escala planetária. A segunda aconteceu após a II Guer- ra Mundial, mas essa não foi motivada pela indust riali- zação, houve um êxodo rural em massa desencadeado pelo fascínio urbano, melhores condições de vida, opor- tunidades de est udo e trabalho, e pela mecanização do campo. Esse processo não sucedeu simultaneamente no mundo, haja vist a que os países indust rializados já ha- viam atravessado esse período, no caso dos países em desenvolvimento e de indust rialização tardia, o cresci- mento urbano acontece atualmente de forma acelerada e desordenada. A falta de planejamento urbano tem fa- vorecido a proliferação de graves problemas, tais como a favelização, falta de infraest rutura, violência, poluição de todas as modalidades, desemprego e muit os outros. Urbanização brasileira O processo de urbanização no Brasil teve início no século XX, a partir do processo de indust rialização, que Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 08 - Urbanização no Mundo 23 funcionou como um dos principais fatores para o deslo- camento da população da área rural em direção a área urbana. Esse deslocamento, também ch amado de êxodo rural, provocou a mudança de um modelo agrário-ex- portador para um modelo urbano-indust rial. Atualmen- te, mais de 80% da população brasileira vive em áreas urbanas, o que equivale aos níveis de urbanização dos países desenvolvidos. Até 1950 o Brasil era um país de população, predo- minantemente, rural. As principais atividades econômi- cas est avam associadas à exportação de produtos agrí- colas, dentre eles o café. A partir do início do processo indust rial, em 1930, começou a se criar no país condi- ções específi cas para o aumento do êxodo rural. Além da indust rialização, também est eve associado a esse deslocamento campo-cidade, dois outros fatores, como a concentração fundiária e a mecanização do campo. Em 1940, apenas 31% da população brasileira vivia em cidades. Foi a partir de 1950 que o processo de urba- nização se intensifi cou, pois com a indust rialização pro- movida por Getúlio Vargas e Juscelino Kubit sch ek houve a formação de um mercado interno integrado que atraiu milhares de pessoas para o Sudest e do país, região que possuía a maior infraest rutura e, consequentemente, a que concentrava o maior número de indúst rias. A partir de 1970, mais da metade dos brasileiros já se encontrava em áreas urbanas, cuja oferta de emprego e de serviços, como saúde, educação e transporte, eram maiores. Em 60 anos, a população rural aumentou cerca de 12%, enquanto que a população urbana passou de 13 milhões de habit antes para 138 milhões, um aumento de mais de 1.000%. Desigualdades no Processo de Urbanização O processo de urbanização no Brasil ocorreu de for- ma diferenciada, principalmente pelas diferenças regio- nais e difi culdades de inserção de algumas regiões na economia nacional. Est a difi culdade est á atrelada aos meios de transportes principalmente, que com o tempo foram evoluindo, permit indo assim uma maior integra- ção entre as diferentes partes do Brasil. Vamos analisar um pouco sobre a urbanização de cada região brasileira, considerando a tabela abaixo. A região Sudest e, por concentrar a maior parte das indúst rias do país, foi a que recebeu grandes fl uxos mi- gratórios vindos da área rural, principalmente da região nordest e. Ao analisarmos a tabela abaixo, observamos que o Sudest e é a região que apresenta as maiores taxas de urbanização dos últimos 70 anos. A partir de 1960, com 57%, foi a primeira região a regist rar uma superio- ridade de habit antes vivendo na área urbana em relação à população rural. Na região Centro-Oest e, o processo de urbanização teve como principal fator a const rução de Brasília, em 1960, que atraiu milhares de trabalhadores, a maior par- te deles vindos das regiões Norte e Nordest e. Desde o fi nal da década de 1960 e início da década de 1970, o Centro-Oest e tornou-se a segunda região mais urbani- zada do país. Taxa de Urbanização das Regiões Brasileiras (IBGE) Região 1940 1950 1960 1970 Brasil 31,24 36,16 44,67 55,92 Norte 27,75 31,49 37,38 45,13 Nordest e 23,42 26,4 33,89 41,81 Sudest e 39,42 47,55 57 72,68 Sul 27,73 29,5 37,1 44,27 Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 24 GEOGRAFIA Centro Oes- te 21,52 24,38 34,22 48,04 REGIÃO 1980 1990 2000 2007 Brasil 67,59 75,59 81,23 83,48 Norte 51,65 59,05 69,83 76,43 Nordeste 50,46 60,65 69,04 71,76 Sudeste 82,81 88,02 90,52 92,03 Sul 62,41 74,12 80,94 82,9 Centro Oes- te 67,79 81,28 86,73 86,81 REGIÃO 2010 Brasil 84,36 Norte 73,53 Nordeste 73,13 Sudeste 92,95 Sul 84,93 Centro Oes- te 88,8 A urbanização na região Sul foi lenta até a década de 1970, em razão de suas características econômicas de predomínio da propriedade familiar e da policultura, pois um número reduzido de trabalhadores rurais aca- bava migrando para as áreas urbanas. A região Nordeste é a que apresenta hoje a menor taxa de urbanização no Brasil. Essa fraca urbanização está apoiada no fato de que dessa região partiramvárias correntes migratórias para o restante do país e, além dis- so, o pequeno desenvolvimento econômico das cidades nordestinas não era capaz de atrair a sua própria popu- lação rural. Até a década de 60 a Região Norte era a segunda mais urbanizada do país, porém a concentração da eco- nomia do país no Sudeste e o fluxo de migrantes dessa para outras regiões, fez com que o crescimento relativo da população urbana regional. Observe o mapa: Problemas Urbanos A urbanização, rápida e recente do Brasil, levou a um desordenado processo de crescimento urbano o que por sua vez irá trazer uma série de consequências, e em sua maior parte negativas. A falta de planejamento urbano e de uma política econômica menos concentradora irá contribuir para a ocorrência de inúmeros problemas, e que alguns iremos dar ênfase a seguir. Favelização – Ocupações irregulares nas principais capitais brasileiras, como Rio de Janeiro e São Paulo e tantas outras, são fruto do grande fluxo migratório em direção às áreas de maior oferta de emprego do país. A falta de uma política habitacional acabou contribuindo para a ocupação irregular e consequentemente, o au- mento acelerado das favelas no Brasil. Violência Urbana – Mesmo com o crescimento in- dustrial do país e com a grande oferta de emprego nas cidades do sudeste, não havia oportunidades de empre- go o bastante para o grande fluxo populacional que ha- via se deslocado em um curto espaço de tempo. Por essa razão, o número de desempregados também era grande, o que passou a gerar um aumento dos roubos, furtos, e demais tipos de violência relacionadas às áreas urbanas. Poluição – O grande número de indústrias, automó- veis e de habitantes vai impactar o aumento das emissões de gases poluentes, assim como com a contaminação dos lençóis freáticos e rios dos principais centros urbanos. Enchentes – A impermeabilização do solo pelo as- faltamento e edificações, associado ao desmatamento e ao lixo industrial e residencial, fazem com que o proble- mas das enchentes seja algo comum nas grandes cida- des brasileiras. Engarrafamentos – A grande frota de veículos, e a falta de um planejamento urbano, levaram a formação de grandes congestionamentos o que leva a perda de tempo e produtividade como diferentes formas de vio- lência no trânsito. Podemos destacar também, outros problemas, se- jam eles ambientais, como o lixo, sejam eles sociais e Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 09 - Migrações Internacionais 25 econômicos, como a falta de moradia, o desemprego, a violência etc. Todos estes problemas estão diretamente ligados ao processo de urbanização, ou a forma de como ele ocorre, que no caso do Brasil, como vimos, ocorreu de forma irregular. 9. MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS O seres humanos sempre se deslocaram no espaço geográfico. Seja para a busca de seu sustento, durante o período do nomadismo, seja posteriormente quando os meios de transportes evoluíram permitindo assim a mo- bilidade humana de forma mais fácil e rápida. Quando se trata de movi¬mentos populacionais que envolvem dois países diferentes, eles são chama¬dos de migrações internacionais ou migrações externas. Nesse caso, uma população, ao sair de seu país de origem, é denominada emigrante e, ao entrar no novo país, é chamada de imigrante. EMIGRAÇÃO ⇒ IMIGRAÇÃO Na atualidade, as migrações inter¬nacionais são o reflexo das desigualda¬des entre países ricos e países pobres, entre países estáveis e países instáveis, forman- do um conjunto de causas so¬ciais, econômicas, políticas e bélicas. Vamos observar o mapa abaixo e analisar os principais fluxos migratórios no mundo. A pressão demográfica, unida ao alto nível de miséria de algumas po¬pulações, além da instabilidade política, torna inevitável a emigração em alguns países subde- senvolvidos do mundo. Os emigrantes assumem o risco de sair de seus países de ori¬gem por não terem o que perder. O atrativo que exerce o mundo desenvolvido é um grande estímulo para o empreendimento da emigra¬ção, apesar de todas as dificuldades que cercam o processo de instalação e adaptação de qualquer população em um novo país, mesmo que haja semelhanças culturais e de língua entre eles. Cada lugar com um mínimo de história é carrega- do de cultura e tra¬dições, o que o torna uma entidade especial e particular no espaço geo¬gráfico. Por isso, as regiões do mundo marcadas pela entrada de imigrantes sofrem, de um lado, o impacto da car¬ga cultural dos que chegam e, estes, vivenciam as dificuldades típicas de adaptação ao novo ambiente. Podemos observar o caso atual da Europa, que tem recebido muitos migrantes da Ásia e da África, que buscam na Europa uma condição mais estável e uma perspectiva de vida melhor. No en- tanto sofrem com a perseguição de grupos Xenófobos nestes países. Somente o tempo e a tolerância são capazes de criar condições para o aparecimento de uma nova cultura regional, fruto das influências mú¬tuas que fatalmente ocorrerão. http://andergeo2012.blogspot.com.br/ É por conta do receio dessas influências culturais e pelo medo da perda de identidade que muitos paí¬ses do mundo têm tratado o tema da migração internacio- nal com precon-ceito. Não conseguindo conter conflitos e um aumento das instabilidades provocados pela segre- gação racial. Se, de um lado, alguns países precisaram e até hoje precisam de mão-de-obra para suprir setores para os quais não há disponíveis demo¬gráficos locais, e a solução seria esti¬mular a entrada de estrangeiros, por outro, predomina ainda o medo dos enquistamentos culturais (núcleos populacionais fechados culturalmen- te). É importante ressaltar que os enquistamen¬tos só ocorrem quando contingentes significativos de imigran- tes se con¬centram num determinado lugar, for¬man- do núcleos como vilarejos e bair¬ros. Aí, em função das facilidades do isolamento, os imigrantes pouco se inte- gram ao novo país, mantendo a língua de origem e suas tradições relativamente intactas, e com isso aumentando o preconceito e a segregação. Não devemos também esquecer que, num mundo cheio de instabilidades, o desemprego estrutural (causa- do pelo desenvolvimento tecnológico), que é uma reali- dade de escala global é, geralmente, usado para estabe- lecer limites rigorosos com relação à imi¬gração, com o pretexto político de proteger os empregos das popula¬- ções locais, diluindo os sonhos de muitos imigrantes em conseguir um emprego e assim melhorar sua condição de vida. Os problemas atuais decorrentes das migrações internacionais Como vimos, as migrações podem causar muitos con- flitos, étnicos, raciais, religiosos etc. Estes problemas de- Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 26 GEOGRAFIA correntes dos fl uxos migratórios são importantes e, em alguns países, ch egam a alcançar níveis de certa gravi- dade. As causas desses problemas residem num velho de- bate que exist e nos países receptores, sobre se os imi- grantes vão integrar-se à comunidade ou manter-se enquist ados, mar-ginalizados, com regras próprias que regem suas vidas. Por um lado, os imigrantes são vist os como pessoas dife¬rentes, em virtude de quest ões religiosas, étnicas ou culturais. Por outro, dependendo das condições, são os próprios imi¬grantes que adotam a atit ude de defesa de não se integrar. Como consequência dessas difi culdades de integra- ção, os imigrantes correm muit os riscos e enfrentam uma série de problemas muit os inclusive ligados ao ter- rorismo. http://geofagia.blogspot.com.br/ Entre todas as diferenças, as diferenças linguíst icas são o primeiro obst áculo para as relações sociais e o exercícioda atividade profi ssional para o imigrante. Os tipos de trabalho em certos setores, como a const rução civil, agricultura e alguns serviços menos valorizados, têm caract eríst icas pouco atrativas, pois são temporá- rios, pouco remunerados e rejeit ados socialmente pela população local, o que leva o imigrante a quest ionar sua permanência, sem contar que na maioria das vezes es- tes imigrantes são explorados e são remunerados muit o abaixo dos cidadãos locais. Brasil – Migrações Internas Migrações internas, são aquelas que ocorrem dentro de um próprio país, também ch amadas de migrações in- ter-regionais, elas representam as dinâmicas dos fl uxos migratórios exist entes no interior de um dado territ ório. No caso do Brasil, é possível identifi car alguns vetores migratórios que se manifest am desde o período colonial, mas que se intensifi caram a partir do início do século XX. O que se pode observar é que o processo de migração interna sempre est eve ligado à dinâmica econômica do país, mas que a composição da est rutura física também exerceu uma importante infl uência. Primeiramente, os sist emas de transportes não eram muit o avançados, as- sim como a est rutura das rodovias e ferrovias no país não possibilit ava o deslocamento em massa de grande parte da população. Além disso, as más condições de vida da população impedia que os mesmos se deslocas- sem internamente, até por que, durante muit o tempo o trabalho escravo est eve presente na est rutura da econo- mia do país. A principal área das migrações do Brasil nos últimos tempos, foi do Nordest e do país e do Norte de Minas Gerais para as regiões Sudest e e Sul, mais precisamen- te para as grandes metrópoles, como São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas, e algumas cidades da região Sul, como Curit iba, Florianópolis e Porto Alegre. Esse fl uxo iniciou-se no fi nal do século XIX, mas se consolidou de forma mais acentuada ao longo do século XX, quando o Nordest e conheceu o seu declínio econômico e o Sudest e brasileiro indust rializou-se a partir das infraest ruturas herdadas da economia cafeeira da região, principalmen- te após a década de 30 com o Governo Vargas. Esse movimento migratório ainda exist e, mas obser- va-se um declínio a partir da década de 1980. Em 2001, segundo dados do Inst it uto de Pesquisa Econômica Apli- cada (Ipea), o número de pessoas saindo do Nordest e rumo ao Sudest e foi, pela primeira vez, menor do que o do sentido contrário. Essa tendência repetiu-se anual- mente até 2008. Est e movimento conhecido como movi- mento de retorno. Normalmente são pessoas ou parentes de pessoas que há muit o tempo migraram para est as regiões, e que na atualidade est ão desencadeando um movimento de retorno a região de onde há muit o tempo partiram. Est as mudanças podem ser explicadas pelo fato de o Nordest e vir apresentando novos índices de recuperação econômica e de indust rialização. Além disso, a oferta de empregos no setor indust rial do Sudest e vem diminuin- do graças à migração de indúst rias para o interior do territ ório brasileiro (desconcentração indust rial) e pelo fato de o setor secundário oferecer menos empregos em razão do crescente processo de implementação de novas tecnologias no campo produtivo, com a introdução de tecnologias no processo produtivo. Uma caract eríst ica mais recente da demografi a do Brasil vem dest acando o papel crescente das regiões Norte e Centro-Oest e principalmente a partir da década de 1960, principalmente após a const rução de Brasília. Essa nova composição é, em partes, resultado da política de March a para o Oest e iniciada na década de 1940 e dos atrativos de empregos oferecidos por essas regiões e suas metrópoles. Hoje em dia, o maior fl uxo migratório no Brasil segue em direção à zona do Brasil Central e ao Amazonas. Vejamos o mapa abaixo: Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 10 - Geografi a Agrária 27 Contudo, é importante lembrar que as zonas menos habit adas do país não recebem novos migrantes com a mesma velocidade que o Sudest e recebeu outrora. Dados do IBGE confi rmam que o número de migrações inter- nas no Brasil caiu 37% nos últimos 15 anos. Isso signifi ca que, à medida que a dist ribuição indust rial e econômica do país acontece, maior a tendência de est abilidade no campo das migrações internas. Brasil – Migrações Atuais O quadro atual das migrações no Brasil, no entan- to, parece apresentar o esgotamento dessa migração em massa. Com os centros urbanos – sobretudo Rio de Janei- ro e São Paulo – completamente saturados e repletos de problemas sociais, não há mais um grande atrativo nes- sas cidades para a recepção de novos migrantes. Além disso, há em processo uma desconcentração indust rial no país, o que vem colaborando para um gradativo reor- denamento dos fl uxos migratórios. Dessa forma, a região Nordest e – antes a principal origem das migrações internas – apresentou um saldo posit ivo em relação ao número de pessoas que imigra- ram ao número de pessoas que emigraram durante a primeira década do século XXI. Assim, segundo o Censo do IBGE de 2010, essa foi a única região a apresentar um saldo posit ivo de mi- grantes nos últimos anos. As regiões Sul, Centro-Oest e e Norte, segundo os mesmos dados, permaneceram prati- camente est áveis e a região Sudest e tornou-se a grande “exportadora” de pessoas. Essa confi guração representa, além da descentra- lização indust rial brasileira, o retorno da população de outras regiões que havia se inst alado no Sudest e. Esse retorno, em geral, não representa uma opção, mas uma condição. Ele é resultante das péssimas condições de vida que boa parte dessas pessoas que migraram para essa região até o fi nal do século XX encontrou, além da escassez de empregos e das relações de racismos regio- nais. 10. GEOGRAFIA AGRÁRIA Quando pensamos na agropecuária, nem sempre te- mos a verdadeira noção da importância dest a atividade para a sobrevivência da espécie humana, e na verdade, de toda a vida na Terra. Apesar de ser uma atividade bast ante antiga, apenas no período Neolítico é que os seres humanos começaram a praticar a agricultura pro- priamente dit a. O período Neolítico, é o momento em que os seres humanos deixam de ser nômades e passam a ser sedentários. A partir de então, a agricultura passou a se desenvolver e est e processo continua até hoje. Mas a agricultura depende de vários fatores, entre ele: Fatores naturais: Solo; Clima; Relevo; Fatores econômicos: Invest imento; Técnica; Política agrícola; Quando analisamos as formas de exploração da ter- ra podemos classifi cá-las de duas maneiras: extensiva e intensiva. Intensiva • Desassociada do tamanho da propriedade. • Alta produtividade. • Aplicação de Técnicas Modernas. • Uso de máquinas. • Bons índices de produtividade e de renta- bilidade. O grau de mecanização e de tecnologia aplicadas à produção agrária permit e que a produtividade por hec- tare dispare e que a utilização de mão-de-obra seja ín- fi ma. O desempenho dos produtos agropecuários e das agriculturas modernas e desenvolvidas no mercado in- ternacional não é resultado exclusivo da enorme produ- tividade que elas alcançam. Nessa composição também entram os incentivos e subsídios recebidos pelos produ- tores agrícolas de diversos países, em especial os ricos. A biotecnologia, bancada pelas gigantes transnacio- nais, revolucionou a produção agrícolas com os produtos transgênicos. Plantas são modifi cadas geneticamente para otimizar a produção agrícola, aumentar a produti- vidade, tornando as espécies modifi cadas mais nutrit ivas e resist entes às pragas. Extensiva • Baixos invest imentos. • Utilizam técnicas arcaicas. •Baixa produtividade. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 28 GEOGRAFIA • Muitas vezes voltada para a subsistência. Podemos classificar as atividades agrícolas também sobre sua finalidade: Subsistência Quando se produz para o próprio consumo e o con- sumo da família. Normalmente esta atividades se desen- volve em pequenas propriedades rurais. Comercial Quando a produção é destinada ao comércio interno ou externo. Normalmente esta propriedade se desenvol- ve em grandes propriedades rurais, com a utilização de técnicas mais modernas. Ao longo de milhares de anos, as técnicas aplicadas na agricultura foram se modernizando, e muitas delas hoje já não são mais usadas. As técnicas, tem como prin- cipal objetivo, aumentar a produtividade, reduzir custos e evitar o desgaste dos solos. Vejamos algumas técnicas mais importantes: 01. Rotação de cultura 02. Rotação de terras; 03. Associação de culturas; 04. Curvas de nível e/ou terraceamento; 05. Plantio direto; 06. Pousio; 07. Mecanização. A agricultura, apesar de ser imprescindível na sobre- vivência da humanidade, também traz alguns problemas ambientais que se não forem minimizados pelas técnicas e cuidados especiais, podem se tornar bem graves de- gradando o solo e inviabilizando toda atividade agrícola. Destacamos alguns problemas ambientais a seguir: a. Erosão; b. Lixiviação; c. Laterização; d. Poluição do solo, da água e do lençol freático pelo uso de agrotóxicos; e. Morte de animais; f. Envenenamento de trabalhadores; g. Destruição das matas ciliares; h. Ampliação do desmatamento. i. Compactação do solo pelo uso excessivo de máquinas. 11. OS SOLOS É a porção exterior, superficial da crosta terrestre formada pelas rochas que foram decompostas e associa- das a restos orgânicos. Os solos evoluídos possuem normalmente várias camadas sobrepostas, designadas por horizontes. Estas camadas são formadas pela ação simultânea de proces- sos físicos, químicos e biológicos e podem distinguir-se entre si através de determinadas propriedades, como por exemplo a cor, a textura e o teor em argila. Importante: Hoje muitas ques- tões abordam a relação do homem com o espaço geográfico e sua ocupação, e um destes elementos mais importante é o solo e como o homem deve ou deveria ocupar e explorar este solo de maneira adequada. O termo usado para designar esta ocupação é chamado de ação antrópica. Tipos de Solos Na superfície terrestre podemos encontrar diversos Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 11 - Os Solos 29 tipos de solo. Cada tipo possui características próprias, tais como densidade, formato, cor, consistência e forma- ção química. Solo Argiloso Possuí consistência fina e é impermeável a água. Um dos principais tipos de solo argiloso é a terra roxa, encontrada principalmente nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Este tipo de solo é bom para a prática da agricultura, principalmente para a cultura de café. Na região litorânea do Nordeste encontramos o massapé, solo de cor escura e também muito fértil. Solo Arenoso Possui consistência granulosa como a areia. Muito presente na região nordeste do Brasil, sendo permeável à água. Solo Humoso Presente em territórios com grande concentração de material orgânico em decomposição (húmus). É muito utilizado para a prática da agricultura, pois é extrema- mente fértil (rico em nutrientes para as plantas). Solo Calcário É um tipo de solo formado por partículas de rochas. É um solo seco e esquenta muito ao receber os raios so- lares. Inadequado para a agricultura. Este tipo de solo é muito comum em regiões de deserto. Nota: Você sabia? A ciência que estuda a composição, o desenvolvimento e a formação dos solos é a Pedologia. Produtos Destaques no Brasil Soja A expansão da produção da soja no Brasil atende a numerosos interesses, e é produzida em grande parte do território brasileiro. • Sua exportação contribui para a obtenção de superávits na balança comercial; • Seu preço no mercado mundial envolve os mercados de ações e grupos financeiros; • Sua produção está associada aos complexos agroindustriais e ao agronegócio; • Seu cultivo exige grandes investimentos em insumos e máquinas produzidos pelas transna- cionais. Cana de Açúcar No Brasil, o setor agroindustrial prevê aumento sig- nificativo da produção de cana-de-açúcar para os pró- ximos anos. Isso pode ser atribuído ao aumento do in- teresse internacional por fontes renováveis de energia, em função do Protocolo e Kyoto. O estado destaque na produção é o Sudeste. Café Um dos principais produtos do Brasil, principalmente até 1929 – Crise de 29 – Quebra da bolsa de Nova York. Teve seu plantio iniciado no Vale do Paraíba, posterior- mente deslocando-se para o oeste de São Paulo, Norte do Paraná. Hoje com grande destaque o estado de Minas Gerais. O Brasil ainda é um grande produtor sendo um dos destaque no mercado mundial, tanto em quantidade como em qualidade do café. Milho Um dos mais importantes produtos do país, ocupa uma parcela considerável de terras, muito utilizado para a produção de ração, voltado para alimentação de ani- mais. É produzido em todo o Brasil. Outros Produtos Arroz, Feijão, Algodão, Trigo, Uvas, Maçã, Cacau. Observação: No final dos anos 60 do século XX, o Brasil passou a vivenciar os impactos da Revolução Verde no desen- volvimento de uma agricultura moderna e de grande eficiência econômica. No en- tanto, a Revolução Verde trouxe também efeitos perversos de ordem social, econô- mica e ambiental. •Ampliação do processo de concentra- ção fundiária pela incorporação da cha- mada fronteira agrícola à produção capi- talista. •Formação de um amplo contingente de trabalhadores volantes, dependentes de um mercado de trabalho com grande sazonalidade. •Ampliação da dependência dos produ- tores ao mercado de sementes pela intensa utilização de híbridos. •Comprometimento dos recursos hídri- cos pelo assoreamento de cursos d’água e contaminação por produtos químicos. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 30 GEOGRAFIA A Quest ão Fundiária no Brasil O padrão concentrador da propriedade de terra é um dos traços marcantes da atual est rutura fundiária brasi- leira, cujas origens remotas encontram-se no modelo de colonização aplicado à América portuguesa. Vejamos alguns exemplos: a. A divisão das Capit anias Heredit árias; b. Trabalho no campo pouco valorizado; c. Terra sinônimo de riqueza prest ígio e poder; d. Produção voltada predominantemente para o mercado externo; e. Lei de Terras – 1850 O resultado disso, não poderia ser outro, concentra- ção de terras levando a vários confl it os no campo. Observe o gráfi co e a ch arge: • O gráfi co demonst ra que cerca de 90% dos est abelecimentos rurais são pequenos (menos de 100 ha) e representam menos de 22% da área agrícola. • O gráfi co revela que cerca de 2% dos est abe- lecimentos rurais são grandes (1.000 ha ou mais) e abrangem mais de 40% da área agrícola. Em 1964 foi promulgada uma série de Leis conheci- das como Est atuto da Terra, com o objetivo de planejar uma reforma agrária. Para se pensar em reforma agrá- ria havia a necessidade de classifi car as propriedades rurais segundo sua dimensão. Foi então, que surgiu o conceit o de módulo rural. Módulo Rural: área explorável que, em determi- nada porção do país, direta e pessoalmente explorada por um conjunto familiar equivalente a quatro pessoas adultas, correspondendoa 1.000 jornadas anuais, lhe ab- sorva toda força de trabalho em face do nível tecnológico naquela posição geográfi ca e, conforme o tipo de explo- ração considerado, proporcione um rendimento capaz de lhe assegurar a subsist ência e o progresso social e econômico. Utilizando o módulo rural, a lei no. 8629 de 1993, de- fi niu que a classifi cação dos imóveis rurais, segundo sua dimensão, passaria a ser realizada com base no módulo fi scal, conceit o est e derivado do módulo rural. Trata-se na realidade do módulo rural médio do município a ser classifi cado. Est e pode variar de 5 a 110 hect ares pelo país. A partir dessa nova defi nição, os imóveis rurais pas- saram a ser classifi cados da seguinte maneira: Minifúndio – imóvel rural menor que o módulo fi s- cal est ipulado para o respect ivo município. Pequena propriedade – imóvel rural que tem área entre 1 e 4 módulos fi scais. Média propriedade – imóvel rural que tem área entre 4 e 15 módulos fi scais. Grande propriedade – imóvel rural que tem área acima de 15 módulos fi scais. Essas unidades são crit érios para que se promova a reforma agrária, com a desapropriação de grandes pro- priedades improdutivas e que não cumpram sua função social. Mas infelizmente os confl it os no campo continuam. Pecuária Brasileira No Brasil, apesar de ser considerado um país indus- trializado, a agricultura e a pecuária ocupam uma posi- ção importante na economia. No que se refere a pecuária, ela exerce uma grande relevância nas exportações brasileiras, além de abas- tecer o mercado interno. É uma atividade econômica desenvolvida em áreas rurais que consist e na criação de animais (como o gado) com o objetivo de comercia- lizá-los, suprindo assim as necessidades da família do criador. No caso dos bovinos, além da carne, são extraídas outras matérias-primas, como o couro (produção de cal- çados), pele (vest uário), ossos (fabricar botões) e muit os Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 11 - Os Solos 31 outros. Fundamentalmente, a atividade em foco é ligada à criação de gado (bovinos), embora seja considerada tam- bém a produção de suínos, aves, equinos, ovinos, bufali- nos. Esse ramo tem como responsabilidade principal dis- ponibilizar para o mercado alimentos como carne, leite e ovos, base da dieta humana. Essa atividade está dividida em dois tipos, a pecuária de corte e de leite, ambas podem ser desenvolvidas de duas formas, a pecuária intensiva e a extensiva. Na produção extensiva, os animais são criados soltos em grandes áreas, alimentam-se de pastagens naturais e não recebem maiores cuidados, em contrapartida, na in- tensiva, os animais são manejados em pequenos recintos com dieta à base de rações balanceadas específicas para engorda ou leite. Na pecuária extensiva, apesar de ter um custo menor, o tempo que leva para os animais fica- rem prontos para o abate é maior. Enquanto que na pe- cuária intensiva o tempo de preparo destes animais para o abate é menor, mas tem um custo de maior. Quanto a qualidade da carne, é algo muito relativo, pois depende da forma de produção e o tipo de alimentação que estes animais tiveram durante seu crescimento. A qualidade da carne não deve ser medida pela sua maciez. A pecuária de leite está ligada à produção leiteira e derivados. Tradicionalmente uma das áreas mais importantes na criação de bovinos é o Rio Grande do Sul, (1º em qua- lidade), apesar desta atividade ter seu início no Sertão do Nordeste, mas nos últimos anos a criação de bovinos tem se desenvolvido também em outras regiões como o Centro-oeste e Norte do Brasil. Um estado destaque na produção de leite e derivados é o estado de Minas Gerais. Hoje, praticamente em todo o Brasil se observa a criação de animais. Vejamos alguns destaques na atualidade: Frangos e Peru – Região Sul (SC, PR) Bovinos – Região Sul, Região Centro-oeste, Norte, Su- deste. Ovinos – Região Sul Equinos – Sul, Centro-oeste e Sudeste. Suínos – Região Sul Bubalinos – Norte (Ilha de Marajó) Asininos – Nordeste Industrialização brasileira A industrialização brasileira foi um evento tardio que se consolidou a partir da década de 1930, todavia, cabe ressaltar os motivos deste atraso e ainda identificar os fatores que possibilitaram sua realização. Desta forma, convém separar a industrialização brasileira em perío- dos: I -1500–1808. Conhecido como “Período da Proibição”, nesta época o Brasil era colônia de Portugal e sua fun- ção era fornecer matérias primas a metrópole e adquirir dela manufaturados. Logo, Portugal impedia a estrutura- ção de indústrias brasileiras que pudessem representar concorrência aos manufaturados portugueses e conse- quentemente pudessem levar o país a independência econômica e mais adiante política. Assim, neste período havia apenas indústrias de panos grossos destinados à confecção de roupas para escravos e demais trabalha- dores. II - 1808 – 1930. Conhecido como “Período da Implan- tação”, caracterizado pela vinda da família real ao Brasil e pela abertura dos portos brasileiros ao mercado ex- terno. Nesta época as taxas de importação favoreciam a compra de produtos portugueses e posteriormente devido ao acordo estabelecido com a Inglaterra, de pro- dutos ingleses. A grande circulação dos manufaturados britânicos desestimulava o surgimento das indústrias brasileiras. Em 1844, com o objetivo de proteger o mercado bra- sileiro dos produtos estrangeiros e promover o apareci- mento de indústrias brasileiras foi decretada a Lei Alves Branco que aumentava as taxas de importação sob os manufaturados vindos que qualquer país, porém, como as medidas foram insuficientes a corte passa a oferecer subsídios a indústria têxtil. Mais adiante outro fato que influenciou a industriali- zação brasileira foi a Lei Eusébio de Queirós que proibia o tráfico negreiro e possibilitava a transferência de ca- pital, antes aplicado na aquisição de escravos, no setor industrial. E ainda, a vinda de imigrantes para trabalhar na cafeicultura trouxe um contingente populacional com novas técnicas de produção. Ambos os fatores geraram um novo mercado consumidor no país que seria capaz de absorver os industrializados aqui produzidos. Anos mais tarde verificou-se a implantou de inúmeras indús- trias, com destaque para as têxteis e alimentícias. No cenário mundial, a primeira guerra mundial difi- cultava a exportação do café, bem como a importação de industrializados, para solucionar a crise econômica o ca- pital gerado pelo café foi investido em novas indústrias a fim de suprir os bens de consumo importados, daí nome do modelo de industrialização brasileira, substituição de importação. III - 1930 – 1955. Conhecido como “Revolução Indus- trial Brasileira”, caraterizado pelo intervencionismo es- tatal da Era Vargas, no qual Getúlio afastou a elite agrá- ria tradicional do poder implantando indústrias de base e aumentando a geração de energia, através da criação do Conselho Nacional do Petróleo (1938), a Companhia Siderúrgica Nacional (1941), Companhia Vale do Rio Doce (1943) e a Companhia Hidrelétrica do São Francis- co (1945). Neste período o Brasil se beneficiou com a Se- gunda Guerra Mundial fornecendo industrializados aos países arrasados pelo conflito. Já no segundo governo Vargas criou a Petrobras (1953) e o Sistema Paulo Afonso (1954). IV - 1955 – 1964. Conhecido como “Período da Inter- nacionalização”, iniciado pelo plano de metas de Kubits- chek no qual ocorreu reconhecido crescimento do setor de transportes. Cabe ressaltar a atuação das empresas multinacionais no país e o aumento das indústrias auto- motivas (Ford, General Motors e Volkswagen), químicas, farmacêuticas e de construção naval. No início da déca- da de60 o país passou por uma estagnação econômica e consequentemente industrial. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 32 GEOGRAFIA V - 1964 -1980. Após um período de instabilidade po- lítica os militares tomam o poder e ocorre uma diversi- ficação do parque industrial brasileiro com a expansão das indústrias de bens de consumo duráveis e não durá- veis. Em 1979, as exportações de industrializados supe- ram as exportações dos produtos primários. VI -1980 – atualmente. Os anos de 1980 ficaram co- nhecidos como década perdida devido a crise econômi- ca, já a década seguinte foi marcada pelo plano real e seguido de investimentos estrangeiros com as privatiza- ções das industrias estatais e aliado aos investimentos as micro e pequenas empresas representaram progresso econômico. Atualmente o país possui um parque industrial con- solidado e diversificado com forte presença de capital estrangeiro restando o desafio de desenvolver tecnologia nacional de ponta. No tocante a distribuição espacial das indústrias bra- sileiras, há uma maior concentração de indústrias na região sudeste principalmente em nas áreas metropo- litanas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, incluindo cidades como Volta Redonda/RJ, Macaé/RJ, Campos/RJ, Uberlândia/MG, ABCD paulista, Campinas/ SP, Ribeirão Preto/SP, Santos/SP, Jundiaí, dentre outras. Hoje é comum falar em desconcentração espacial do sudeste devido a supervalorização do espaço urbano desta área, sendo que o destino principal destas indus- trias é a região sul que também polariza grande parte da atividade industrial do país e pode ser encarada como uma extensão da região sudeste. No nordeste a atividade industrial é mais acentuada na porção litorânea e a exploração de petróleo no recôn- cavo baiano trouxe um novo impulso industrial à região. Já no centro oeste as indústrias são mais voltadas ao incremento do setor agrário. E por fim a região norte possui uma industrialização pouco expressiva e trata- -se em sua maioria de indústrias de beneficiamento de matérias primas diversas, o destaque da região é a Zona Franca de Manaus voltada para a produção de eletrôni- cos. O mapa abaixo mostra a distribuição das indústrias brasileiras. Dentre as dez maiores indústrias presentes no país tem-se: Petrobras (setor de energia), Vale (setor de mi- neração), Volkswagen (setor automobilístico), Fiat (setor automobilístico), Ambev (setor de bens de consumo não duráveis), Brasken (setor químico e petroquímico), Ge- neral Motors (setor automobilístico), Arcelor Mitall (se- tor siderúrgico e metalurgia), Bunge alimentos (setor de bens de consumo não duráveis) e Usiminas (setor side- rúrgico e metalurgia). 12. GLOBALIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO ECONOMICA ENTRE PAÍSES Na atualidade, o capitalismo, sistema econômico vi- gente na maioria dos países, apresenta uma dinâmica da acumulação fortemente internacionalizada tanto sob a forma de capital produtivo quanto financeiro ou co- mercial. Nesta perspectiva, globalização e integração, prin- cipalmente econômica, constituem-se em aspectos cen- trais do funcionamento da economia mundial nos dias de hoje. A globalização, por referir-se, de um modo geral, ao aprofundamento do caráter internacional dos processos econômicos; e a integração por remeter à tendência de surgimento de espaços de relações privilegiadas entre países, da mesma maneira que pode expor as grandes diferenças entre eles. Podemos dizer assim que, a economia globalizada apresenta-se como um intenso mosaico mundial do qual fazem parte blocos de economias nacionais que osten- tam diferentes graus de fluidez interna nos movimentos de bens e pessoas, mercadorias e fatores produtivos. A globalização seria, portanto, um processo de inte- gração mundial que se intensifica nas últimas décadas, principalmente após a década de 90, com a Nova Ordem Mundial, com base na liberalização econômica, quan- do os Estados abandonam gradativamente as barreiras tarifárias que protegem sua produção da concorrência estrangeira e se abrem ao fluxo internacional de bens, serviços e capitais. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 13 - Blocos Econômicos 33 Segundo os Diplomatas Sérgio Abreu e Lima Florên- cio e Ernesto Henrique Fraga Araújo, o processo de inte- gração econômica refere-se a “um conjunto de medidas de caráter econômico que tem por objetivo promover a aproximação e a união entre as economias de dois ou mais países”. 13. BLOCOS ECONÔMICOS Constituem-se na união de países, geograficamente próximos, ou não, que buscam através de acordos re- duzir as barreiras econômicas entre si, permitindo as- sim um fluxo econômico maior, promovendo assim uma maior integração econômica entre os membros. Da mes- ma maneira, comprometem-se em reduzir a soberania nacional em prol da soberania em grupo. A configuração destes grupos, antes de ser um pro- jeto puramente econômico, é um projeto político, resul- tante de uma decisão de Estados que normalmente leva a um aprofundamento nas relações sociais, políticas e econômicas, entre os interessados. Dependendo do nível de integração os Blocos Eco- nômicos podem ser classificados em: em zona de prefe- rência tarifária, zona de livre comércio, união aduaneira, mercado comum e união econômica e monetária. Vejamos, cada um deles: Zona de Preferência Tarifária Este primeiro processo de integração econômica con- siste apenas em garantir níveis tarifários preferenciais para o conjunto de países que pertencem a esse tipo de mercado (in MERCOSUL HOJE, Sérgio Florêncio et Er- nesto Araújo). A antiga Associação Latino-Americana de Livre Co- mércio (ALALC) foi um exemplo de Zona de Preferência Tarifária, pois procurou estabelecer preferências tari- fárias entre os seus onze membros, que eram todos os Estados da América do Sul, com a exceção da Guiana e do Suriname, e mais o México. Em 1980, a Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) substituiu a ALALC. Zona de Livre Comércio Quando constituem uma Zona de Livre Comércio (ZLC), os países parceiros reduzem ou eliminam as bar- reiras alfandegárias, tarifárias e não-tarifárias, que inci- dem sobre a troca de mercadorias dentro do bloco. Esse é o segundo estágio no caminho da integração econômica. O NAFTA constitui-se em exemplo de Zona de Livre Comércio, um acordo firmado entre os Estados Unidos, o Canadá e México. União Aduaneira Consiste na regulamentação de uma União Adua- neira, momento em que os Estados-Membros, além de abrir mercados internos, regulamentam o seu comércio de bens com nações externas, já funcionando como um bloco econômico em formação. Caracteriza-se por adotar uma Tarifa Externa Co- mum (TEC), a qual permite estabelecer uma mesma ta- rifa aplicada a mercadorias provenientes de países que não integram o bloco. Nessa fase, dá-se início à formação de comissões parlamentares conjuntas, aproximando-se o Poder Exe- cutivo dos Estados nacionais de seus respectivos Legis- lativos. O MERCOSUL, com o Brasil, a Argentina, o Uruguai o Paraguai e mais recentemente a Venezuela, constituem, na atual fase de desenvolvimento, uma União Aduaneira que luta para se transformar em um Mercado Comum. Mercado Comum Apresenta-se como um processo bastante avançado de integração econômica, garantindo-se a livre circula- ção de pessoas, bens, serviços e capitais, ao contrário da fase como União Aduaneira, quando o intercâmbio res- tringia-se à circulação de bens. No Mercado Comum circulam bens, serviços e os fatores de produção (capitais e mão-de-obra) e pressu- põem-se a coordenação de políticas macroeconômica, devendo todos os países-membros seguir os mesmos pa-râmetros para fixar taxas de juros e de câmbio e para definir políticas fiscais. A Comunidade Econômica Europeia, a partir de 1992, transformou-se em um bloco econômico do tipo Mercado Comum. União Econômica e Monetária Este é o estágio mais avançado do processo de for- mação de blocos econômicos, contando com uma moeda única e um fórum político. No estágio de União Econômica e Monetária tem de existir uma moeda única, que pode ser usada por todos os membros, ou não, e uma política monetária inteira- mente unificada e conduzida por um Banco Central co- munitário. Para se chegar ao estágio de União Econômica e Mo- Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 34 GEOGRAFIA netária, há que se atravessar toda uma série de momen- tos que demandam tempo e discussões entre os países- -membros. Assim, cada acordo significa um avanço em relação às situações anteriores de níveis de integração, sempre dependente da vontade política dos parceiros que fazem um determinado bloco econômico em processo de inte- gração. Por exemplo, o MERCOSUL não dispõe atualmente de instituições supranacionais, mas são transparentes os avanços em seu processo de fortalecimento e consolida- ção, em que pesem as crises conjunturais no plano da integração econômica. O NAFTA, tudo indica, parece não pretender adotar o princípio da livre circulação de trabalhadores, embora tenha avançado bastante no que diz respeito ao volume das trocas comerciais. Já a União Européia, originada da Comunidade Eco- nômica Européia, por seus avanços em meio século de negociações, tornou-se o maior exemplo de um processo de formação de bloco econômico no mundo contempo- râneo. A idéia da construção efetiva de uma organização aberta para reunir países europeus partiu de uma pro- posta de Robert Schuman, Ministro francês das Relações Exteriores, em 1950, ao demonstrar os interesses comuns da França e da Alemanha Ocidental quanto aos recursos naturais do carvão e do aço no território europeu. Em 18 de abril de 1952, a França, a Alemanha Ociden- tal, a Bélgica, Luxemburgo, os Países-Baixos e a Itália as- sinaram, em Paris, um tratado instituindo a Comunidade Européia do Carvão e do Aço (CECA). A atual União Européia, surgida da criação, em 1957, da Comunidade Econômica Européia (CEE), representa o mais avançado estágio desse processo de integração em blocos econômicos, inclusive com a adoção de uma moeda comum, o Euro, e agora também política, com o funcionamento de um Parlamento Europeu fortalecido, que tem sede em Estrasburgo, na França, formado por deputados dos países da Comunidade Européia, eleitos pelos cidadãos dos países-membros para representá-los num fórum supranacional. Com as crises econômicas a partir 2008, 2009, os Blocos Econômicos passam a ser questionados em sua organização, pois não evitaram as crises nem tão pouco previram as possíveis crises, ao contrário, acabaram por ampliar as crises para países membros do bloco. Na atu- alidade, há uma aparente calmaria em relação aos Bloco Econômicos, isso não quer dizer que os mesmos voltarão a ter a importância que tinha, quando surgiram na dé- cada de 90. Quer dizer, surgiram antes, após a segunda guerra mundial, mas atingem seu auge na década de 90. É esperar pra ver. 13. O COMÉRCIO MUNDIAL E A EVOLUÇÃO DO CAPITALISMO MUNDIAL Para se entender a atual conjuntura política e acima de tudo econômica dos países na atualidade, é neces- sário conhecer um pouco sobre a evolução dos sistema econômico que é predominante no mundo. Vamos anali- sar, mesmo que de forma mais simples a evolução do Ca- pitalismo mundial, procurando compreender cada fase individualmente. Origem Acredita-se que o início do capitalismo ocorreu no século XIII, a partir da desestruturação do sistema feu- dal, que por sua vez modificou o setor produtivo e as relações de trabalho, nesse momento houve o renasci- mento comercial que ficou caracterizado pela transição do feudalismo para o capitalismo. Primeira Fase: Capitalismo Comercial No século XV, recebeu o nome de capitalismo co- mercial, para alguns autores pré-capitalismo, esse foi marcado principalmente pela expansão ultramarina, colonização do novo mundo, continente africano, asiáti- co e americano, políticas mercantilistas e por fim o sur- gimento das primeiras potências europeias: Portugal e Espanha. Segunda Fase: Capitalismo Industrial No final do século XVIII e início do XIX, teve origem o chamado capitalismo industrial, esse ficou caracterizado por muitas evoluções que foram primordiais à ocorrên- cia da Primeira Revolução Industrial na Inglaterra, no século XVIII, a utilização do carvão mineral como fonte de energia para a indústria têxtil recebeu o invento da máquina a vapor, a inserção de outras nações no proces- so, como França, Alemanha, Estados Unidos e Japão. O imperialismo europeu, a partilha colonial, com destaque para o continente africanos, o liberalismo e o surgimento do socialismo também marcaram esse período. Terceira Fase: Capitalismo Financeiro O capitalismo financeiro tem seu início no século XX, e os fatos históricos e características da etapa remetem- -se à Segunda Revolução Industrial, o descobrimento do petróleo como fonte de energia, invento do motor à combustão, a indústria automobilística e a evolução nos transportes, economia monopolizada de indústria e fi- nanças, a criação da União Soviética, Crash da Bolsa em 1929 (crise de 29), intervenção do estado na economia, terminando com o liberalismo puro, a expansão e surgi- mento de grandes corporações e empresas transnacio- nais. A consolidação da Terceira Revolução Industrial, também denominada de Revolução Tecnológica, se deu pela reordenação espacial da indústria, reorganização da divisão internacional do trabalho e principalmente pela acelerada evolução e inovações tecnológicas (telecomu- Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 14 - Divisões Internacionais do Trabalho 35 nicação, transportes, informática e biotecnologia). Pode-se afirmar que na atualidade, estamos vivendo esta fase do Capitalismo Financeiro, principalmente se olharmos através da maneira de como as nações estão organizadas dentro do processo de globalização. Mas como as nações se relacionam numa economia globalizada? Para respondermos esta pergunta, vamos estudas a DIT= Divisão Internacional do Trabalho. Va- mos lá. 14. AS DIVISÕES INTERNACIONAIS DO TRABALHO A DIT (Divisão Internacional do Trabalho) é a distri- buição da produção econômico-industrial internacional, em outras palavras, representa a função que cada país ocupa dentro da dinâmica econômica mundial. Consi- derando que é impossível que um único país seja po- tencialmente produtor de todas as mercadorias de que precisa para se manter, estas se dividem em campos de especialização produtiva pelas diversas partes da Terra. A DIT passou por algumas fases, essas obedeceram à dinâmica econômica e política do período histórico em que elas existiram. Veja o quadro abaixo: Vamos analisar mais detalhadamente cada uma das fases, tem atenção especial para o período de ocorrência da DIT, e suas características gerais. Primeira DIT Durante o final do século XV e ao longo do século XVI, período de início das grandes navegações e de ex- pansão da civilização europeia pelo mundo, o capitalis- mo encontrava-se em sua fase inicial, chamada de capi- talismo comercial. Esse período era caracterizado pela manufatura (produção manual) a partir da extração de matérias-primas e pelo acúmulo de minérios e metais preciosos por parte das nações (metalismo). Com isso, aqueles locais colonizados pelos países eu- ropeusexerciam a função de produzir, a partir da explo- ração de seus recursos naturais, os metais preciosos e as matérias-primas utilizados pelas metrópoles. Um exem- plo é o do Brasil, em que Portugal extraía o Pau-Brasil para a produção de vários tipos de produtos. Segunda DIT Durante o século XVI – mas principalmente a partir do século XVII – essa divisão do trabalho sofreu algumas poucas e sensíveis alterações. Com a Primeira e a Segun- da Revolução Industrial, as colônias e os países subde- senvolvidos passaram a fornecer também produtos agrí- colas, assim como vários tipos de minerais e especiarias. Nesse período, por exemplo, o Brasil se viu marcado pela monocultura da cana-de-açúcar (século XVI) e explora- ção de ouro (século XVII). Terceira DIT ou “Nova DIT” A partir do século XX, com a Revolução Técnico-Cien- tífica-Informacional e a consolidação do Capitalismo Financeiro, temos a expansão das grandes multinacio- nais pelo mundo. Isso acarretou na mudança da Divisão Internacional do Trabalho, que passou a ser conhecida também por Nova DIT. Nesse período, os países subdesenvolvidos também realizaram os seus processos tardios de industrialização. Só que, diferentemente da industrialização dos países desenvolvidos, essa aconteceu a partir da abertura do mercado financeiro desses países e pela instalação de empresas Multinacionais ou Globais, oriundas, quase sempre, de países desenvolvidos. Além disso, assistiu-se também a uma segmentação do mercado produtivo. Para buscar isenções de impostos e rápido acesso a matérias-primas nos países subdesen- volvidos, visando acima de tudo reduzir custos de produ- ção, as multinacionais distribuíram o seu processo pro- dutivo por todo o globo terrestre. Um carro, por exemplo, tem o seu motor produzido no México, os para-choques na Argentina, o Chassi na Coreia do Sul e a montagem realizada no Brasil. O principal objetivo disso tudo, é se manterem competitivas na atual economia globalizada. Com isso, surgiu a denominação de “indústrias ma- quiladoras”, pois não havia produção de nenhum mate- rial nelas, mas apenas a montagem oriunda da produção de peças de diversos setores do mundo. A maioria das indústrias automobilísticas é, na ver- dade, responsável apenas pela montagem dos carros. É importante frisar que a produção industrial con- tinua sendo realizada majoritariamente pelos países Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 36 GEOGRAFIA desenvolvidos, ou com o capital oriundo desses países. Apenas o local da produção é que mudou, mas todo, ou quase todo, o capital dessas empresas retorna aos seus países de origem. Essa migração das multinacionais se deve pela busca de mão de obra abundante nos países pobres e por maiores oportunidades de explorarem os recursos naturais, que por fim, como salientamos, é re- duzir custos de produção. 15. PAÍS DESENVOLVIDO, SUBDESENVOLVIDO, CAPITALISMO, SOCIALISMO Socialismo O Socialismo surgiu como opção em razão das gran- des desigualdades sociais que marcam o capitalismo desde o seu início, os trabalhadores europeus, a partir do século XIX, começaram a lutar por mudanças que puses- sem fim à exploração de que eram vítimas. Jornadas de trabalho exaustivas, rendimentos baixos e condições de trabalho insalubres. Uma das alternativas surgidas foi o Socialismo Cien- tífico, idealizado por Karl Marx e Friedrich Engels, que visava o fim do capitalismo e a formação de uma socie- dade mais igualitária. Suas principais características são: a. Socialização dos meios de produção: todos os meios de produção pertencem a toda a socie- dade, permanecendo sob o controle do Estado. b. Economia planificada e controlada pelo Es- tado: todos os setores da economia são controla- dos pelo Estado, que define, por exemplo, os sa- lários dos trabalhadores, o que será produzido, onde, quando e a que preço. c. Sociedade sem divisão de classes: a classe trabalhadora é a única que deve existir em uma sociedade socialista. d. Produção voltada para atender as necessi- dades da população. No entanto, o Socialismo Científico nunca foi prati- cado da maneira como os autores previam, e sofreu um duro golpe na década de 80/90, quando o mundo passa a viver uma Nova Ordem Mundial, principalmente com o fim da Guerra Fria. Vejamos como ocorreu o fim do Socialismo. O fim do Socialismo O socialismo, sobretudo na União Soviética e no Leste Europeu, caracterizava-se pelo excessivo controle do Es- tado. As decisões políticas eram tomadas exclusivamen- te pela classe dirigente, que comandava o país e impedia a participação popular e a liberdade de expressão. Somavam-se a isso os problemas econômicos, tec- nológicos e a campanha do mundo capitalista ociden- tal, contra o socialismo. Diante deste quadro, e com as grandes transformações que ocorreram após a década de 80/90, na URSS – União das Repúblicas Soviéticas, com sua desintegração, o Socialismo, até então adotado pela URSS, tem seu fim. Os países que faziam parte da URSS, passaram assim, para uma economia de transição, até implantarem o Capitalismo. É salutar chamar a atenção que o sistema Socialista não acabou, ainda há países que adotam ou se dizem Socialistas na atualidade, como é o caso de Cuba e da China. O que houve e vimos, é o fim do Socialismo ado- tado pela URSS – Rússia e mais as 15 ex- repúblicas soviéticas, que se tornaram países independentes após a dissolução da antiga URSS, formando as Repúblicas Bál- ticas, e a CEI – Comunidade dos Estados Independentes. Países Desenvolvidos O desenvolvimento de um país ocorre quando há um crescimento de sua economia, isto é, um aumento a pro- dução de bens e serviços acompanhados de melhoria no padrão de vida de sua população. Em relação aos indicadores econômicos: as caracte- rísticas mais relevantes referem-se ao grau de industria- lização e à dependência econômica externa. Assim, os países desenvolvidos são bastante industrializados e não possuem dependência financeira. No que se refere aos indicadores sociais: os mais utilizados são as taxas de natalidade e de mortalidade infantil, a expectativa de vida, a taxa de alfabetização, as condições médico-sanitárias e a renda per capita da população. Observa-se que, nos desenvolvidos, a popula- ção desfruta de um elevado padrão de vida. Países Subdesenvolvidos O subdesenvolvimento de um país, por sua vez, ocor- re, quando ele é predominantemente agrícola, geral- mente com baixo nível de industrialização, tem econo- mia instável que passa por crises periódicas, além de ser muito dependente financeiramente. Em relação aos aspectos sociais, observa-se que, grande parte da população sobrevive em condições pre- cárias. Os países desenvolvidos e subdesenvolvidos também são denominados, respectivamente, pelas expressões Norte e Sul. Essa denominação tem como critério a po- sição geográfica dos países: os ricos (exceto Austrália e Nova Zelândia - Sul) estão no hemisfério Norte, enquan- to os subdesenvolvidos situam-se ao Sul das nações de- senvolvidas. Hoje também podem ser vistos como países centrais e países periféricos do Capitalismo mundial. Origens do Subdesenvolvimento - Países Historicamente, são países que sofreram um proces- so de exploração, ou seja, sua riqueza (ouro, prata, pro- dutos agrícolas, etc.) foi apropriada por suas metrópoles Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 16 - Fontes de Energia 37 europeias. Na atual divisão internacional do trabalho, são países produtores de gêneros agrícolas e/ou matérias-primas ou foram industrializados recentemente pelas multina- cionais. A qualidade de vida de suas populações é baixa, ou seja, o índicede Desenvolvimento Humano é baixo ou médio, já que a distribuição de renda é desigual, acar- retando a falta de acesso de suas populações à saúde (alta mortalidade infantil, baixa expectativa de vida), à educação (analfabetismo e baixa escolaridade) e até à alimentação (subnutrição e fome). Portanto, observa-se nestes países uma grande desigualdade social. 16. FONTES DE ENERGIA Conceitos A energia pode ser definida pela capacidade de gerar trabalho, como no caso da geração de calor, luz, eletrici- dade, deslocamento, dentre outras. Já fontes de energia são os recursos naturais de onde provem este trabalho. Existem dois tipos de fontes de energia, as renováveis e limpas, ou seja, são aquelas que a natureza reproduz em um ciclo de vida humana e sua utilização não é altamen- te poluente. Em contrapartida, as fontes não renováveis são aquelas que a natureza reproduz num ciclo de vida geológico e são altamente poluentes. No decorrer de sua história, o homem vem desco- brindo e dominando fontes de energia indispensáveis ao seu desenvolvimento. Inicialmente com o uso primitivo da energia muscular, acompanhada àquela advinda do fogo, dentre outras concebidas até o marco da socie- dade moderna, a Revolução Industrial no século XVIII, quando vinculamos o progresso à utilização das fontes de energia fóssil, primeiramente com o aproveitamento energético do carvão mineral e mais a diante com a pro- eminência do petróleo. Atualmente a matriz energética mundial está calca- da na larga utilização dos combustíveis fósseis (carvão mineral, petróleo e gás natural), tal cenário é alarman- te visto as reservas finitas destas fontes, à flutuação de preços devido às crises mundiais pelas quais os grandes produtores de petróleo passaram ao longo da historia e por fim devido ao crescente gradiente de degradação ambiental. Dentro deste contexto, a partir da década de 60 intensificam-se o uso e a descoberta das chamadas fontes alternativas de energia, ou as chamadas renová- veis e limpas. No tocante as aspirações fundamentais a qualquer nação do globo, a exemplo da qualidade de vida, bem como avanços industriais e consequentemente econô- micos, a questão energética é um dos objetos de maior importância da atualidade. Os quadros abaixo listam as principais fontes de energia mundial. Quadro 1. Fontes de energia renováveis e uti- lização. Fonte Utilização Hídrica Obtida através de grandes corpos d’água, é utilizada para a construção de hidrelétricas e consequente abastecimento de eletricidade. Eólica Obtida através da velocidade dos ventos, os aero geradores permitem a geração de ele- tricidade em locais afastados de rede elétrica convencional, além de permitir o bombeamen- to de água. Marés Obtida através das altas e baixas marés que movimentam turbinas gerando eletricidade. Solar Obtida através do calor do Sol, é mais utilizada para aquecimento residencial e de água, mas também possibilita geração de eletricidade por meio de painéis fotovoltaicos. Geotérmica Obtida através do calor interno da Terra que aquece as águas subterrâneas e estas afloram em superfície em forma de gêiseres (nascen- te de água quente em erupção). Nestes locais são construídas tubulações para que o vapor de água quente movimente turbinas, gerando eletricidade. Biomassa Obtido através da combustão da matéria or- gânica animal e vegetal aproveitadas em cal- deiras para geração de energia térmica e con- sequentemente elétrica. A biomassa pode ser utilizada para a fermentação em biodigestores gerando gás semelhante ao gás natural de ori- gem fóssil, que por sua vez é queimado e gera eletricidade. E por fim através da biomassa da cana de açúcar, mamona, dentre outas pode ser obtido os biocombustíveis, como no caso do etanol utilizado para veículos. Quadro 2. Fontes de energia não renováveis e utilização. Fonte Utilização Petróleo Utilizado para fabricação de gasolina e diesel utilizado em veículos, lubrificantes, querosene, dentre outros. Assim como pode ser utilizado em termelétricas para a geração de eletricida- de. Gás natural Utilizado como combustível em veículos, coc- ção de alimentos, aquecimento de água e em termelétricas. Carvão mineral Utilizado no aquecimento de fornos em indus- trias siderúrgicas, química, dentre outras, as- sim como também é utilizado para a geração eletricidade em termelétricas. Urânio Utilizado em usinas nucleares para a geração de eletricidade a partir da fissão do urânio. Matriz energética brasileira A figura 1 mostra que o Brasil segue o paradigma mundial energético, uma vez que sua matriz energética está calcada na larga utilização do petróleo e seus de- rivados. Os combustíveis fósseis e o urânio apresentam como desvantagens um oneroso processo de produção de energia e extração, além de causar inúmeros impac- Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 38 GEOGRAFIA tos ambientais em ambos os processos. Figura 1. Brasil cenário energético por fontes. O petróleo brasileiro é extraído principalmente de bacias sedimentares marítimas, com destaque para a Bacia de Campos do estado do Rio de Janeiro com cerca de 84% da produção nacional, há também a produção de petróleo em bacias sedimentares terrestres, com desta- que aos estados do RN, BA e AM. Todavia, a partir de 2008 com a confirmação da ex- ploração do petróleo da camada de pré sal o país au- mentou consideravelmente suas reservas petrolíferas. O pré sal é uma espessa camada de sal antecede um pacote rochoso que somados possuem 7.000 metros de profundidade, que se estende desde o litoral de SC até o ES e possui um óleo de excelente qualidade. Em 2014 a produção do pré sal foi de 412 mil barris diários. Como o gás natural pode ser associado a formação do petróleo no Brasil as maiores de gás estão na Bacia de Santos e Campos. Figura 2. Camada do pré sal. Já no tange a produção de carvão mineral as maiores reservas brasileiras encontra-se na região sul, em SC e RS, embora hajam grandes reservas o carvão brasileiro não possue boa qualidade necessitando de importações para abastecer as siderrurgicas do país. Figura 3. Ocorrência de carvão mineral no Brasil. No Brasil existem apenas existem apenas duas usi- nas nucleares em operação, a de Angra I e II, no Rio de Janeiro com previsão de inauguração da Angra III , isto explica a baixa utilização do urânio como fonte de ener- gia no país. No que diz respeito a matriz elétrica, o Brasil tem a vantagens de apresentar inumeros rios caudalosos que permitem a implantação das hidréletricas, que são fon- tes limpas e renováveis, mas que causam grandes im- pactos no período de construção da usina como expulsão da população ribeirinha,perda de biodiversidade pelo alagamento da grandes áreas, dentre outras. Figura 4. Matriz elétrica brasileira/ capacida- de instalada em 2012. As principais hidrelétricas brasileiras são: • Usina Hidrelétrica de Itaipu, no Rio Paraná - Capacidade: 14.000 MW; • Usina Hidrelétrica de Tucuruí, Rio To- cantins - Capacidade: 8.370 MW; • Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira, no Rio Paraná - Capacidade: 3.444 MW; • Usina Hidrelétrica de Xingó, no Rio São Francisco - Capacidade: 3.162 MW; • Usina Hidrelétrica de Foz Do Areia, no Rio Iguaçu - Capacidade: 2.511 MW; • Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso, no Rio São Francisco - Capacidade: 2.462 MW; • Usina Hidrelétrica de Itumbiara, no Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 17 - Os Grandes Problemas Ambientais 39 Rio Paranaíba - Capacidade: 2.082 MW; • Usina Hidrelétrica de Teles Pires, no Rio Teles Pires - Capacidade: 1.820 MW e • Usina Hidrelétrica de São Simão,no Rio Paranaíba - Capacidade: 1.710 MW. E por fim, a biomassa que apesar de ser reno- vável tem favorecido o aumento de extensas áreas mo- nocultoras destinadas a produção de biocombustíveis, como no caso da cana de açúcar, que diminui as áreas destinados a produção de alimentos e tende a concentra- ção de terras. 17. OS GRANDES PROBLEMAS AMBIENTAIS Os problemas ambientais são consequência direta da intervenção humana nos diferentes ecossistemas da Terra, causando desequilíbrios no meio ambiente e com- prometendo a qualidade de vida. É importante lembrar que cada problema, em uma análise atual, deve ser en- tendido sempre abordando 3 questões: a. O que é? b. Causa(s)? c. Consequência(s) Fazendo isso teremos uma noção clara de cada pro- blema ambiental, e compreenderemos melhor este tema tão importante na atualidade. A seguir, veremos os principais problemas que ocor- rem na atualidade: Chuva Ácida A chuva ácida é provocada pela produção de gases lançados na atmosfera. Há agentes naturais que fazem isso, como, por exemplo, os vulcões. A atividade humana, contudo, é a principal causadora do fenômeno. Indús- trias, usinas termoelétricas e veículos de transporte (que utilizam combustíveis fósseis) produzem subprodutos que se agregam ao oxigênio da atmosfera e que, ao se- rem dissolvidos na chuva, caem no solo sob a forma de chuva ácida. Devemos lembrar, contudo, que os poluentes, carre- gados pelos ventos, podem viajar milhares de quilôme- tros, provocando chuvas ácidas em locais muito distantes das fontes poluidoras. A chuva ácida, ao atingir o solo, empobrece a vege- tação natural e as plantações. Também afeta a fauna e a flora de rios e lagoas, prejudicando a pesca. Algumas medidas podem atenuar a formação de chuva ácida: economia de energia, uso de transporte coletivo, criação e uso de fontes de energia menos po- luentes, utilização de combustíveis com baixo teor de enxofre, etc. Desmatamento O desmatamento é uma das intervenções humanas que mais prejudicam o planeta. Pode causar sérios da- nos ao clima, à biodiversidade e às pessoas. Desmatar prejudica os ecossistemas e leva à extinção de centenas de espécies. Árvores são grandes absorvedoras de dióxido de carbono, um dos gases causadores do efeito estufa (ver abaixo). Portanto, quando o homem derruba florestas, também intensifica o problema do aquecimento global (ver abaixo). Dentre outras consequências, o desmatamento pro- voca degradação do solo, aumento da desertificação e erosões, muitas vezes comprometendo os sistemas hi- drográficos. As políticas de reflorestamento, muito comentadas nos dias atuais, são apenas soluções parciais, pois, ainda que ajudem a conter o aquecimento global, dificilmen- te conseguirão recuperar a biodiversidade das regiões afetadas. Efeito estufa O efeito estufa é um mecanismo atmosférico natural que mantém o planeta aquecido nos limites de tempera- tura necessários à preservação da vida. Se não houvesse a proteção do efeito estufa, os raios solares que aquecem o planeta seriam refletidos para o espaço e a Terra apre- sentaria temperaturas médias abaixo de -10oC. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 40 GEOGRAFIA O efeito estufa ocorre quando uma parte da radia- ção solar refletida pela superfície terrestre é absorvida por determinados gases presentes na atmosfera, entre os quais o gás carbônico ou dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). Ocorre que, com a queima de florestas e a exagerada utilização de combustíveis fósseis, grandes quantidades de CO2 têm sido lançadas na atmosfera. A emissão de- senfreada desse e de outros gases acentua o efeito estu- fa, a ponto de não permitir que a radiação solar, depois de refletida na Terra, volte para o espaço. Isso bloqueia o calor, aumentando a temperatura do planeta e provocan- do o aquecimento global (ver abaixo). Para se discutir o problema e encontrar soluções, várias reuniões internacionais têm sido realizadas. O principal documento aprovado até agora é o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, que estabelece metas de re- dução dos gases para diferentes países. Aquecimento Global Trata-se do aumento da temperatura média da su- perfície terrestre. Alguns cientistas acreditam que, em breve, as temperaturas médias poderão estar entre 1,4oC e 5,8oC mais altas, quando comparadas às temperaturas de 1990. Segundo alguns pesquisadores, o aquecimento glo- bal ocorre em função do aumento da emissão de gases poluentes, principalmente os derivados da queima de combustíveis fósseis. Esses gases (ozônio, dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e monóxido de carbono) formam uma camada de poluentes de difícil dispersão, provocando o efeito estufa. Entre as principais consequências do aquecimento global, os cientistas apontam: a. aumento do nível dos oceanos, provocado pelo derretimento das calotas polares, o que pode provocar, no futuro, a submersão de cidades lito- râneas; b. desertificação: o aumento da temperatura somado ao desmatamento provoca a morte de vá- rias espécies animais e vegetais, desequilibrando os ecossistemas e, muitas vezes, criando desertos; c. ampliação do número de furacões, tufões e ciclones (a maior evaporação das águas dos ocea- nos potencializa esses fenômenos); e d. surgimento de violentas ondas de calor, o que pode provocar a morte de idosos, crianças e várias espécies de animais. Buraco na Camada de Ozônio O gás ozônio envolve a Terra na forma de uma frágil camada que protege a vida da ação dos raios ultravioleta (emitidos pelo Sol). Os raios ultravioleta causam muta- ções nos seres vivos, modificando as moléculas de DNA. Em seres humanos, o excesso de ultravioleta pode cau- sar câncer de pele e afetar o sistema imunológico. Nos últimos anos, contudo, cientistas detectaram um “buraco” na camada de ozônio, exatamente sobre a An- tártida, o que deixa sem proteção uma área de cerca de 30 milhões de km2. Pesquisadores acreditam que o gás clorofluorcarbo- no (CFC) é o principal responsável pela destruição da ca- mada de ozônio. Esse gás é utilizado em aparelhos de re- frigeração, sprays e na produção de materiais como, por exemplo, o isopor. Ao chegar à atmosfera, o CFC entra em contato com grande quantidade de raios ultravioleta, que quebram as moléculas de CFC e liberam cloro. Este, por sua vez, rompe as moléculas de ozônio (O3), forman- do monóxido de cloro (ClO) e oxigênio (O2). Ocorre que esses dois gases não são eficientes para proteger a Terra dos raios ultravioleta. Em 1985, vários países assinaram a Convenção de Viena - e, dois anos depois, o Protocolo de Montreal -, se comprometendo a diminuir a produção de CFC. Inversão Térmica A inversão térmica é um fenômeno atmosférico mui- to comum nos grandes centros urbanos industrializados, sobretudo naqueles localizados em áreas cercadas por serras ou montanhas. Esse processo ocorre quando o ar frio (mais denso) é impedido de circular por uma cama- da de ar quente (menos denso), provocando uma altera- ção na temperatura. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 17 - Os Grandes Problemas Ambientais 41 Outro agravante da inversão térmica é que a camada de ar fria fica retida nas regiões próximas à superfície terrestre com uma grande concentração de poluentes. Sendo assim, a dispersão desses poluentes fica extrema- mente prejudicada, formando uma camada de cor cinza, oriunda dos gases emitidos pelas indústrias, automóveis, etc. Esse fenômeno se intensifica durante o inverno, pois nessa época do ano, em virtude da perda de calor, o ar próximo à superfície fica mais frio que o da camada su- perior,influenciando diretamente na sua movimentação. O índice pluviométrico (chuvas) também é menor du- rante o inverno, fato que dificulta a dispersão dos gases poluentes. É importante ressaltar que a inversão térmica é um fenômeno natural, sendo registrada em áreas rurais e com baixo grau de industrialização. No entanto, sua in- tensificação e seus efeitos nocivos se devem ao lança- mento de poluentes na atmosfera, o que é muito comum nas grandes cidades. Doenças respiratórias, irritação nos olhos e intoxica- ções são algumas das consequências da concentração de poluentes na camada de ar próxima ao solo. Entre as possíveis medidas para minimizar os danos gerados pela inversão térmica estão a utilização de biocombustíveis, fiscalização de indústrias, redução das queimadas e po- líticas ambientais mais eficazes. Ilhas de Calor As “ilhas de calor” são uma anomalia do clima que ocorrem quando a temperatura em determinadas regi- ões dos centros urbanos fica muito maior do que a tem- peratura nas regiões periféricas. Em São Paulo, por exemplo, já chegou a ser registra- da uma diferença de 10º Celsius entre uma temperatura medida no centro e na periferia da cidade, enquanto que a média mundial é de 9ºC. Essa anomalia climática ocorre devido à junção de diversos fatores como a poluição atmosférica (principal- mente), alta densidade demográfica, pavimentação e di- minuição da área verde, construção de prédios barrando a passagem do vento, grande quantidade de veículos e outros fatores que contribuem para o aumento da reten- ção de calor na superfície. Em um local menos urbanizado, com mais áreas ver- des e menos prédios, a radiação solar seria absorvida normalmente pela vegetação e pelo solo, e dissipada através dos ventos. A vegetação devolveria essa radiação através da evapotranspiração enquanto que a ausência de poluentes permitiria que parte da radiação refletisse na superfície e fosse enviada para as camadas mais altas da atmosfera, diminuindo a quantidade de calor. O problema é que, a substituição da vegetação pelo asfalto e concreto faz com que a radiação solar seja ab- sorvida por estes materiais e convertida em ondas de calor que ficarão armazenadas, em grande parte durante o dia, escapando à noite (o asfalto pode chegar a 46ºC em um dia de verão enquanto que a grama não ultrapassa os 32ºC). A construção de prédios cria uma barreira para os ventos não deixando que o calor seja dissipado. A presença de material particulado no ar, provenien- te das chaminés de indústrias e escapamentos dos car- ros cria uma camada que barra a reflexão natural da maior parte dos raios solares. El Nino e La Nina O El Niño é um fenômeno climático, de caráter at- mosférico-oceânico, em que ocorre o aquecimento fora do normal das águas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. As causas deste fenômeno ainda não são bem conhecidas pelos especialistas em clima. Este fenômeno costuma alterar vários fatores climá- ticos regionais e globais como, por exemplo, índices plu- viométricos (em regiões tropicais de latitudes médias), padrões de vento e deslocamento de massas de ar. O pe- ríodo de duração do El Niño varia entre 10 e 18 meses e ele acontece de forma irregular (em intervalos de 2 a 7 Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 42 GEOGRAFIA anos). Efeitos do El Niño Os ventos sopram com menos força na região central do Oceano Pacífico; Acúmulo de águas mais quentes do que o normal na costa oeste da América do Sul; Diminuição na quantidade de peixes na região cen- tral e sul do Oceano Pacífico e na costa oeste dos Canadá e Estados Unidos; Intensificação da seca no nordeste brasileiro; Aumento do índice de chuvas na costa oeste da América do Sul; Aumento das tempestades tropicais na região cen- tral do Oceano Pacífico; Secas na região da Indonésia, Índia e costa leste da Austrália; Muitos climatologistas acreditam que o El Niño pos- sa estar relacionado com o inverno mais quente na re- gião central dos Estados Unidos, secas na África e verões mais quentes na Europa. Estes efeitos ainda estão em processo de estudos. Nota: O termo El Niño é de ori- gem espanhola e se refere a Corrente de El Niño. O nome foi dado por pescadores da costa do Peru e Equador, pois na épo- ca do Natal a região costuma receber uma corrente marítima de águas quentes. Por aparecer no período natalino, El Niño (O Menino) Jesus foi homenageado, pelos pes- cadores, com o nome do fenômeno climá- tico. O termo popular foi adotado também pelos climatologistas. Quando o fenômeno é inverso, ocor- rendo um resfriamento fora do normal na águas da região equatorial do Oceano Pa- cífico, dá-se o nome de La Niña. Consequências do El Nino e La Nina no Brasil REGIÃO CONSEQUÊNCIAS BÁSICAS EL NIÑO LA NIÑA NORTE Menor precipitação/ secas/ incêndios Aumento da precipitação e do colume de água dos rios NORDESTE Longos períodos de forte estiagem Aumento da p r e c i p i t a ç ã o / elevação da vazão dos rios CENTRO-OESTE Tendências de chuvas acima da média e pequena elevação das temperaturas Sem grandes alterações SUDESTE Pequena elevação nas temperaturas médias no inverno Sem grandes alterações SUL Aumento das t e m p e r a t u r a s médias e dos índices pluviométricos Longos períodos de estiagem 18. GEOGRAFIA DO PARANÁ Localização O estado do Paraná localiza-se no sul do país, sendo que sua área é de aproximadamente 199.314 km². Os li- mites do estado são os seguintes: Norte e Nordeste – São Paulo. Sul e Sudeste – Santa Catarina. Leste – Oceano Atlântico. Oeste – Paraguai. Noroeste – Mato Grosso do Sul. Sudoeste – Argentina. Observe o mapa abaixo: Relevo O relevo paranaense é dividido em cinco regiões, de acordo com suas especificidades, que pode se transfor- mar em três grandes planaltos. Planície litorânea – é a região do litoral, entre o oceano atlântico e a serra do mar. É de formação geoló- gica recente, predominantemente da Era Cenozoica. São destaques dessa região as cidades de Paranaguá (onde fica o porto), Antonina, Morretes, Guaratuba e Matinhos. Serra do mar – é o conjunto de montanhas próximo ao litoral. Essas montanhas são formadas por rochas, e cobertas pela Mata Atlântica. Sua formação data da Era Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 18 - Geografia do Paraná 43 Pré-Cambriana. O ponto mais alto do estado, o Pico do Paraná, fica na Serra do Órgão, e tem cerca de 1900 me- tros de altura. Primeiro planalto ou planalto de Curitiba – é o mais alto (altitudes entre 1300 e 850 metros) e menor (em extensão) dos planaltos. Esta porção do Primeiro Planalto está sobre uma estrutura sedimentar. O relevo é ondulado e a vegetação predominante é a Mata das Araucárias. A capital do estado, Curitiba, fica nessa re- gião. Segundo planalto ou planalto de Ponta Grossa – as altitudes variam entre 1200 e 300 metros. O relevo é ondulado e a vegetação é composta por Araucárias e campos. Neste Planalto a estrutura geológica é formada na Era Paleozoica. As principais cidades da região são Ponta Grossa e São Mateus do Sul. Terceiro planalto ou planalto de Guarapuava – é o maior dos planaltos em extensão. As altitudes variam entre 1200 e 900 metros. A estrutura geológica desta re- gião, é formada na Era Mesozoica, com solo de origem vulcânica muito férteis, chamado de Terra Roxa, muito utilizados para o desenvolvimento da agricultura. Nessa área a vegetação original (Floresta Tropical e Mata das Araucárias) quase não existe mais. Em seu lugar são en- contradas plantaçõese pastos. As principais cidades são Maringá, Foz do Iguaçu e Guarapuava. Veja o mapa abaixo, que representa a divisão dos pla- naltos paranaenses. Hidrografia O território paranaense é bem servido na sua rede de drenagem. A declividade do relevo paranaense na di- reção oeste e norte-ocidental fazem com que 92% das águas internas se dirijam à Bacia do Rio Paraná, e as demais à leste no sentido da Bacia Atlântica, sendo esses cursos d’água pouco extensos, pois nascem à pequena distância da costa. Os rios paranaenses são de planal- tos, por isso mais adequados para a geração de energia. Possuem regime pluvial, ou seja, suas águas são manti- das pelo índice de chuvas. São rios perenes, e possuem drenagem exorreica.(desaguam diretamente ou indireta- mente no oceano). O Estado é responsável por 25% de toda energia hi- drelétrica produzida no Brasil. O volume gerado por Itai- pu em 12 meses seria suficiente para abastecer o Paraná por quase cinco anos. A hidrografia do Paraná pode ser classificada em cinco bacias hidrográficas menores, mas todas ligadas a grande Bacia do Paraná. a. Bacia do Rio Paraná que possui suas nascen- tes em Minas Gerais, com a junção dos Rios Para- naíba e Grande, tem como afluente o Rio Tietê, em São Paulo, mas no Paraná os afluentes mais impor- tantes são os rios Piquiri e Ivaí; b. Bacia do Rio Paranapanema que está na divi- sa do Estado do Paraná com São Paulo é drenada pelos rios Pirapó, Tibagi, das Cinzas e Itararé; c. Bacia do Rio Iguaçu que tem suas nascentes no Primeiro Planalto paranaense, (Curitiba), tem como principais afluentes o rio Chopim, no sul do estado, e o rio Negro, no limite com o Estado de Santa Catarina, é um dos rios do Estado com maior aproveitamento hidráulico, tendo em seu curso vá- rias usinas instaladas. d. Bacia do Rio Ribeira, cujas águas seguem para o rio Ribeira do Iguape; e. Bacia Atlântica ou do Litoral Paranaense, cujas águas seguem direto para o Oceano Atlântico, já que as nascentes destes rios estão na porção Les- te da Serra do Mar, como dissemos anteriormente, são rios curtos, com pequeno volume de água, e servem para abastecer as cidades localizadas no litoral do estado. Analise o mapa abaixo: Clima O Paraná está quase totalmente na região de clima subtropical, apenas uma pequena porção norte do esta- do encontra-se em uma região Tropical. (região “cortada” pelo Trópico de Capricórnio). A amplitude térmica anual do Estado varia entre 12 e 13ºC, com exceção do litoral, onde as amplitudes térmicas variam de 8 a 9ºC As chuvas são bem distribuídas. As menores quantida- des de chuvas estão no extremo noroeste, norte e nordeste do Estado e as maiores ocorrem no litoral, junto às serras, nos planaltos do centro-sul e do leste paranaense. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 44 GEOGRAFIA De acordo com a classificação de Köppen, no Estado do Paraná domina o clima do tipo C (Mesotérmico) e, em segundo plano, o clima do tipo A (Tropical Chuvoso), sub- divididos da seguinte forma: Af – Clima Tropical Superúmido, com média do mês mais quente acima de 22ºC e do mês mais frio superior a 18ºC, sem estação seca e isento de geadas. Aparece em todo o litoral e no sopé oriental da Serra do Mar. Cfb – Clima Subtropical Úmido (Mesotérmico), com média do mês mais quente inferior a 22ºC e do mês mais frio inferior a 18ºC, sem estação seca, verão brando e ge- adas severas, demasiadamente freqüentes. Distribui-se pelas terras mais altas dos planaltos e das áreas serra- nas (Planaltos de Curitiba, Campos Gerais, Guarapuava, Palmas, etc). Cfa – Clima Subtropical Úmido (Mesotérmico), com média do mês mais quente superior a 22ºC e no mês mais frio inferior a 18ºC, sem estação seca definida, verão quente e geadas menos frequentes. Distribuindo-se pelo Norte entro, Oeste e Sudoeste do Estado, pelo vale do Rio Ribeira e pela vertente litorânea da Serra do Mar. Veja o mapa abaixo: Vegetação O Estado do Paraná, como em grande parte do Brasil, a vegetação original já foi bastante alterada. Mas é pos- sível identificar no Estado, dois tipos de vegetação ori- ginal: florestas e campos. As florestas são subdivididas em floresta tropical e floresta subtropical. Os campos são subdivididos em campos limpos e campos cerrados. Florestas a. Floresta tropical: Faz parte da Mata Atlântica, que recobria toda a fachada oriental do Brasil com suas formações latifoliadas, perenes, densa e heterogêneas. No Paraná, ocupava primi- tivamente a 46% do estado, aí incluídas as porções mais baixas (baixada litorânea, encostas da serra do Mar, vales do Paraná, Iguaçu, Piquiri e Ivaí) ou de menor latitude (toda a parte setentrional do estado). b. Florestas de Araucárias: São típicas da região Sul e principalmente do Paraná. A floresta subtropical é uma floresta mista, composta por formações latifoliadas, nas áreas mais quentes, e aciculifoliadas nas regiões mais frias. São predo- minantemente caducas ou decíduas, homogêneas. Tendo como grande destaque o pinheiro-do-pa- raná (Araucária angustifólia), que não aparece em agrupamentos puros. A floresta mista ou Mata de Araucárias recobria as porções mais elevadas do estado, isto é, a maior parte do planalto de Curiti- ba e pequena parte do planalto de Ponta Grossa. Essa formação ocupava 44% do território para- naense e ainda parte dos estados de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Tem sofrido ao longo do tempo, grande exploração, devido a expansão da agricultura, da pecuária, da constru- ção civil e da indústria de moveis, bem como do consumo de sua semente o que tem prejudicado sua reprodução, até pela extinção de sua grande reprodutora a Gralha Azul, ave que já está prati- camente extinta de nossa região. c. Erva-mate: Além do pinheiro, a floresta mista oferece também espécies latifoliadas de va- lor econômico, como imbuia, o cedro e a erva-ma- te. A erva-mate é usada na bebida típica da região sul do Brasil, o Chimarrão e no país vizinho o Pa- raguai o mate gelado chamado na região de Tere- ré. No final do século XX, apenas pequena parte das formações vegetais subsistiam no estado. As últimas reservas florestais do Paraná encontram- -se na planície litorânea, na encosta da serra do Mar e nos vales dos rios Iguaçu, Piquiri e Ivaí. d. Campos: Os campos limpos cobrem o ter- ritório do Paraná sob o formato de manchas es- parsas através dos planaltos paranaenses. A mais extensa dessas manchas é a dos chamados Cam- pos Gerais, que recobrem toda a porção oriental do planalto de Ponta Grossa e têm o formato de uma gigantesca meia-lua no mapa de vegetação do estado. Outras manchas de campo limpo são as de Curitiba e Castro, no primeiro planalto parana- ense, as de Guarapuava, Palmas e outras, meno- res, no terceiro planalto paranaense. Os campos limpos ocupam mais de 9% do território parana- ense. Os campos cerrados têm pouca expressão no Paraná, onde ocupam área muito reduzida — menos de 1% da superfície estadual. Formam pe- quenas manchas no planalto de Ponta Grossa e no planalto de Guarapuava. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. CAPÍTULO 18 - Geografia do Paraná 45 Aspectos Humanos A quantidade de pessoas que vive no Paraná é apro- ximadamente 11.081.692. O número representa 5,5% de toda a população o país, de 202,7 milhões, de acordo com informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geo- grafia e Estatística (IBGE). Com o crescimento de aproximadamente 0,76% em comparação com o ano passado, o Paraná mantém a po- sição de sexto estado mais populoso do país, antecedido por São Paulo (44.035.304), Minas Gerais (20.734.097), Rio de Janeiro (16.461.173),Bahia (15.126.371) e Rio Grande do Sul (11.207.274). Entre os 25 municípios mais populosos do Brasil, o Paraná é representado apenas por Curitiba, que, assim como no ano passado, ocupa a oitava posição – tanto como município isolado como capital. A capital parana- ense tem 1.864.416 habitantes – crescimento de 0,83% em relação ao mesmo período de 2013. Desconsiderando as capitais, Londrina é outro muni- cípio que aparece na relação dos 25 mais populosos do Brasil. São 543.003 pessoas, número que deixa o muni- cípio em 18º lugar. A lista é liderada por Guarulhos (São Paulo), com 1.312.197 habitantes. Entre as 25 maiores regiões metropolitanas, a de Curitiba (RMC) fechou esta edição do IBGE em 9º lugar. São 3.414.115 habitantes. O número é 1,68% maior do que o registrado em 2013. Por último (25ª colocação) está a região metropolitana de Londrina (818.300 habitantes), que cresceu 0,4% no período. Por outro lado, duas cidades do estado estão entre os 25 municípios menos populosos. Jardim Olinda (1.416) e Nova Aliança do Ivaí (1.509) aparecem em 15º e 21º lugar. Somados, os dois locais não chegam nem a 3 mil habi- tantes. A pesquisa do IBGE mostrou ainda que, assim como o cenário nacional, a maior parte dos municípios do Pa- raná (107 de 399) tem faixa de população entre 10.001 e 20 mil habitantes. Acima de 500 mil são apenas duas (Curitiba e Londrina). Ranking no estado: Os dez municípios do estado com maior número de moradores são, além de Curitiba, Londrina (543.003), Maringá (391.698), Ponta Grossa (334.535) e Casca- vel (309.259). Completam a lista São José dos Pinhais (292.934), Foz do Iguaçu (263.647), Colombo (229.872), Guarapuava (176.973) e Paranaguá (149.467). A relação é a mesma que a apresentada do ano passado pelo IBGE, sem exclusão ou inclusão de novas cidades. Já entre as cinco cidades com menos habitantes, to- das estão localizadas entre o Norte Central e o Noroes- te do Paraná. Além disso, quatro delas tiveram redução na quantidade de moradores na comparação com o ano passado. Jardim Olinda continua a “liderar” a lista. Em 2013, havia no local 1.424 pessoas – oito a mais do que este ano. Aparecem ainda Nova Aliança do Ivaí (1.509, nove a mais que em 2013); Santa Inês (1.784, vinte a menos que em 2013); Miraselva (1.890, seis a menos que em 2013) e Esperança Nova (1.922, 24 a menos que em 2013). Aspectos Econômicos O Estado do Paraná, se destaca no cenário econômico nacional como um dos maiores representantes e impor- tantes no que se refere a agricultura, a pecuária, a in- dústria e comércio. Possui uma economia diversificada e moderna, o que comprova sua importância na economia brasileira. Vamos analisar, de maneira simples um pouco de cada atividade econômica do estado. Agricultura O solo paranaense é fértil, favorecendo a atividade agrícola. Principalmente o Terceiro Planalto onde se en- contra um dos solos mais ricos do mundo, o solo de terra roxa. Solo de origem vulcânica, naturalmente fértil o que permite que esta região se torne destaque principalmen- te na agricultura. O Estado produz uma grande varieda- de de culturas, se destaca como importante produtor de trigo, milho, soja, algodão e café. Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial. 46 GEOGRAFIA Pecuária Na atividade pastoril a criação de bovinos se destaca, contendo um numeroso rebanho, além de ser um grande produtor de suínos, destaca-se também na produção lei- teira, de ovos, de bicho-da-seda, entre outros. Um grande destaque também é a criação e o abate de aves, com a presença de importantes frigoríficos que atuam na ex- portação de carne de frango, um segmento importante da agroindústria paranaense e brasileira. Mineração O solo paranaense abriga jazidas de minérios, prin- cipalmente no Primeiro e Segundo Planalto, mas pouco explorados, os principais são: xisto, ouro, cobre, mine- rais nobres, além de outros como a areia, argila, calcá- rio, caulim, dolomita, talco, granitos, mármore, chumbo e ferro. Extrativismo Vegetal Esse tipo de atividade consiste em retirar da nature- za itens vegetais com fins econômicos, com isso, as prin- cipais árvores exploradas são os pinheiros paranaenses (Araucária Angustifólia). Já foi uma das atividades mais importantes do Estado do Paraná, principalmente na re- gião do vale do Rio Iguaçu, com a instalação de inúmeras madeireiras, que exploraram a madeira de araucária. Ainda é presente esta atividade no Estado, apesar que as indústrias atuais predominantemente, utilizam madeira de reflorestamento, eucaliptos e pínus. Indústria O Estado possui uma boa infraestrutura industrial, apesar de Curitiba concentrar uma cidade industrial que atua na indústria automobilística, metalomecânica, ci- mento, cerâmica, montagem de máquinas, tecidos, frigo- ríficos, além das agroindústrias que transformam produ- tos primários, como soja, milho, carne suína e madeira. O parque industrial paranaense reúne, aproximada- mente, 24 mil empresas, que geram resultados que su- peram a média nacional no ramo. Vejamos alguns dados obtidos sobre o Estado do Paraná. Informações da Economia do Paraná Participação no PIB nacional: 6,2%. Composição do PIB estadual: - agropecuário: 18,4%. - indústria: 40%. - prestação de serviços: 41,6%. - Volume de exportação: 10 bilhões de dólares. Produtos de exportação - soja e derivados: 34,2%. - veículos e peças: 21,4%. - Madeira: 10%. - Carne congelada: 8,2%. - Outros alimentos, como milho, açúcar e café: 8,8%. Caro aluno. Espero que este material possa ajudá-lo a atingir seu objetivo, sua meta. Chamo a atenção para o fato que este material é um material de apoio, e sendo a Geografia uma disciplina dinâmica, que se transforma constante- mente, pelos fatos novos que vão surgindo diariamente, é necessário que você esteja atento as notícias que vão surgindo, e se atualize constantemente. Dados utilizados e obtidos aqui, são do momento em que foram construí- dos, mas que podem sofrer alterações significativas em momentos bem curtos, seja no campo social e/ou eco- nômico. Por isso, diferentemente de outras disciplinas, como Matemática, Física, etc., a Geografia e dinâmica, está em constante transformação o que exige de você muita leitura e atenção. Grande abraço... e bom estudo Este produto está licenciado para ALAN FERREIRA - CPF: 06342387958. É vedado a reprodução total ou parcial.