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avaliacao do proconve

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AVALIAÇÃO DO PROCONVE 
PROGRAMA DE CONTROLE 
DA POLUIÇÃO DO AR POR 
VEÍCULOS AUTOMOTORES 
 
 
 
 
 
 
Ministério do Meio Ambiente 
Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente - COPPE/UFRJ 
 
 
 
 
 
 
ii 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Este documento foi elaborado pela equipe do LIMA/COPPE/UFRJ como parte do Projeto 
“Gestão da Qualidade do Ar nas Grandes Metrópoles Brasileiras” 
nos termos do convênio MMA/Fundação COPPETEC 1999-CV-000054 
 
O conteúdo deste relatório é de responsabilidade exclusiva de seus autores, não 
representando necessariamente as posições das instituições envolvidas 
 
 
 
iii 
 
Equipe 
 
 
Prof. Emilio Lèbre La Rovere (Coordenador) 
Francisco Eduardo Mendes 
Lila Szwarcfiter 
Laura Bedeschi Rego de Mattos (até maio de 2001) 
Alfred Szwarc (Consultor para Aspectos Técnicos e Históricos do PROCONVE) 
 
 
 
iv
 
Agradecimentos 
 
 
Agência Nacional do Petróleo - ANP 
Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – CETESB / SP 
Fundação COPPETEC 
Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente – FEEMA / RJ 
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA / PROCONVE 
Ministério do Meio Ambiente - MMA 
PETROBRAS 
Programa de Planejamento Energético - PPE/COPPE/UFRJ 
Programa Engenharia de Transportes - PET/COPPE/UFRJ 
 
 
 
v
 
SUMÁRIO EXECUTIVO 
 
Devido à importância do problema de poluição atmosférica dos grandes centros urbanos e à 
grande contribuição das emissões veiculares para seu agravamento, o Ministério do Meio 
Ambiente - MMA, por meio de um Convênio com a Coordenação de Programas de Pós 
Graduação em Engenharia da UFRJ MMA/COPPE, encomendou este estudo ao Laboratório 
Interdisciplinar de Meio Ambiente (LIMA) da COPPE/UFRJ, com o objetivo de avaliar os 
ganhos até o momento proporcionados pelo “Programa de Controle da Poluição do Ar por 
Veículos Automotores – PROCONVE”. O estudo abrange os principais aspectos ambientais, 
tecnológicos, econômicos, sociais e institucionais associados às emissões veiculares e 
buscar subsídios para a continuidade do mesmo por meio de análise de cenários futuros até 
2010. 
Como estudo de caso, foram analisados cenários para a Região Metropolitana de São Paulo 
- RMSP, em função de ser o maior centro urbano brasileiro, onde se concentra um nível 
significativo de emissões, e de sua maior disponibilidade de informações. Foram analisados 
prioritariamente os veículos leves (automóveis), entretanto foi abordado o ciclo diesel em um 
cenário. Os cenários elaborados são: 
• Cenário “sem PROCONVE – evolução tecnológica” – análise de emissões caso não 
houvesse o PROCONVE. Considera uma evolução tecnológica dos veículos 
independente da implantação do PROCONVE. 
• Cenário “sem PROCONVE – tecnologia pré-1989” – análise de emissões caso não 
houvesse o PROCONVE. Considera que a tecnologia veicular não evolui, mantendo-
se a mesma desde 1988. 
• Cenário “PROCONVE I, II e III” – representa a situação “business as usual”. Trata-se 
de uma projeção para 2010 da situação atual, sem considerar a continuidade do 
PROCONVE (PROCONVE IV e V) e a implantação de medidas específicas. 
• Cenário “PROCONVE IV e V” – analisa os novos limites do PROCONVE, 
apresentados na proposta do GT PROCONVE de abril/2001. 
 
 
 
vi
 
• Cenário de “Renovação Acelerada da Frota” – analisa o impacto nas emissões da 
implantação de um programa de renovação acelerada da frota, sendo que essa 
renovação se dará com veículos a gasolina, álcool e GNV. 
• Cenário de “Inspeção e Manutenção” – analisa os impactos nas emissões da 
implantação de um programa de inspeção e manutenção de veículos. 
• Cenário de “Gás Natural Veicular – GNV” – considera a existência de vendas de 
automóveis novos a GNV. 
• Cenário “PROALCOOL” – analisa o impacto nas emissões de uma revitalização do 
“Programa Nacional do Álcool”. 
Inicialmente, foi elaborado um histórico destacando aspectos gerais sobre poluição 
atmosférica, programas de controle de emissões veiculares e desenvolvimento tecnológico a 
nível internacional e no Brasil, apresentando os principais aspectos do PROCONVE. 
Concluiu-se que, devido aos limites mais restritivos de emissões, foram necessárias 
soluções tecnológicas para os veículos, como a utilização de sistemas de controle de 
emissões pós-escapamento (catalisadores), “forçando” os veículos leves nacionais a uma 
adequação tecnológica possibilitando o seu nivelamento com os países desenvolvidos. 
O PROCONVE propiciou que o País, além da capacidade técnica para que os veículos se 
adequassem aos limites mais restritivos de emissões, tivesse um avanço técnico tanto com 
relação a estudos e testes de laboratórios, quanto da parte da produção dos veículos pelas 
montadoras. 
A base legal do PROCONVE requer atualização e aprimoramento periódico dos 
representantes das instituições governamentais envolvidas, em função de requisitos 
administrativos e operacionais e do rápido progresso verificado nos setores automobilístico, 
de combustíveis e de inspeções veiculares. Como essa capacidade de atualização depende 
da disponibilidade de estrutura operacional adequada, pode-se inferir que o setor 
governamental se encontra relativamente fragilizado e em desvantagem com o setor 
privado. 
Esse problema poderia ser contornado por meio de uma melhor estruturação dos órgãos 
governamentais e maior utilização de serviços de apoio de entidades especializadas no 
assunto. 
 
 
 
vii 
 
Devido à utilização nos veículos leves nacionais das soluções tecnológicas que possibilitam 
a redução de emissões dos veículos novos, conseqüência da implantação do PROCONVE, 
houve uma redução das emissões na ordem de 15,8% de CO, 15,2% de HC e 21,4% de 
NOx até o momento atual (1999 – ano base do estudo) considerando o Cenário “Sem 
PROCONVE – evolução tecnológica, o qual supõe que ocorreria uma evolução tecnológica 
dos veículos independente do PROCONVE. Considerando como base da análise o Cenário 
“Sem PROCONVE – tecnologia pré-1989” , o qual considera que a evolução tecnológica dos 
veículos ocorreu somente devido ao PROCONVE, as emissões de CO, HC e NOx poderiam 
ser, respectivamente, 53,3%, 49,3% e 37,8% maiores do que caso o PROCONVE não 
tivesse sido implantado. As reduções nas emissões de HC e NOx têm efeito importante na 
redução dos níveis de ozônio troposférico, na medida que esses gases são dos seus 
principais precursores. 
Parte significativa dos benefícios do PROCONVE somente será verificada no médio prazo, 
quando os veículos da fase pré 1989 saírem de circulação como resultado do sucateamento 
natural. Estes veículos, considerando cenários futuros para 2010, apesar de representarem 
13,6% do total da frota projetada, serão responsáveis por 69% de emissões de CO, 64,7% 
de HC e 33,3 % de NOx nesse mesmo ano. 
Com a implantação do PROCONVE Fase IV e V, as emissões de HC reduzir-se-iam apenas 
5,4% e as de NOx 16,5% em 2010, redução mais significativa. As novas fases do 
PROCONVE não resultam em reduções de emissão de CO, já que os automóveis atuais se 
encontram adequados ao novo limite. Percebe-se que é possível prever avanços em termos 
de redução das emissões dos poluentes considerados, principalmente de NOx. Isto reflete 
os objetivos da Proposta do GT que prioriza os avanços de redução de emissões sobre os 
principais precursores de O3. 
Caso houvesse uma revitalização do PROALCOOL as emissões não sofreriam reduções 
significativas. O CO e o NOx sofreriam uma redução de apenas 0,6% em 2010 . Além 
disso, o HC aumentaria 2,1%. Os avanços do álcool ocorreriam nas emissões de CO2, por 
se tratar de um combustível renovável. Pelo fato de o álcool ser produzido a partir de 
biomassa, o ciclo do carbono relativo à cadeia produção-uso final em veículos é 
praticamente neutra, podendo-se admitir que uma quantidade equivalente de CO2 produzido 
na combustão do álcool será absorvida