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LOGÍSTICA E CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO Professor Me. Paulo Pardo Google Play App Store C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; PARDO, Paulo. Logística e Centros de Distribuição. Paulo Pardo. Maringá-Pr.: UniCesumar, 2019. 208 p. “Graduação - EaD”. 1. Logística. 2. Centros . 3. Distribuição 4. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-1678-9 CDD - 22 ed. 658.7 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Impresso por: Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Diretoria Executiva Chrystiano Minco� James Prestes Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Débora Leite Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira Supervisão de Produção de Conteúdo Nádila Toledo Coordenador de Conteúdo Silvio Silvestre Barczsz Designer Educacional Kaio Vinicius Cardoso Gomes Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Ilustração Capa Bruno Pardinho Editoração Robson Yuiti Saito Qualidade Textual Érica Fernanda Ortega Ilustração Bruno Cesar Pardinho Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo, não so- mente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in- tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educa- dores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a quali- dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportu- nidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, con- tribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competên- cias e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessá- rios para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das dis- cussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranqui- lidade e segurança sua trajetória acadêmica. CU RR ÍC U LO Professor Me. Paulo Pardo Mestrado em Administração pela Universidade Estadual de Londrina. Atualmente, é Diretor de Operações na Faculdade Católica Paulista, responsável pelo planejamento, execução e gestão do projeto de EAD da IES. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Empresas, atuando principalmente nos seguintes temas: sistema financeiro nacional, bolsa de valores, mercado de ações, logística. É professor de pós- graduação na área de Administração da Unicesumar, na cidade de Maringá, PR. Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e publicações, acesse seu currículo no endereço a seguir: <http://lattes.cnpq. br/8141003354179820>. SEJA BEM-VINDO(A)! É sempre uma honra e uma grande responsabilidade trabalhar uma disciplina de for- mação superior com um público tão exigente, como é o seu caso. Na formação de um gestor, certas competências são requeridas e, sem dúvida, a competência que trata da gestão de processos logísticos é uma das mais demandadas. No ambiente organizacional da atualidade não basta ser inovador, ter excelente estrutu- ra de custos e até ter um ótimo atendimento se, no final das contas, você não conseguir fazer chegar o produto ao cliente da forma combinada, a um preço justo, atendendo a necessidade ou o desejo do cliente exatamente no tempo que ele espera. Várias empresas até nascem com propostas muito interessantes, mas acabam perden- do-se no meio do caminho, justamente por não ter uma arquitetura de canais de distri- buição eficiente e eficaz. Conhece alguma empresa que passou por isso? Consideraremos essas questões ao longo do nosso livro. Para facilitar nossos estudos, as unidades deste livro foram distribuídas da seguinte forma: A Unidade I tratará do conceito de logística integrada, veremos a logística no contexto brasileiro, grande responsável pelo elevado “Custo Brasil”. Trataremos inicialmente do uso dos modais de transporte no Brasil e os desafios que se apresentam às empresas. A Unidade II nos apresentará o conceito de nível de serviço ao cliente. A logística é fun- damental para oferecer um nível de serviços ótimo ao cliente e isso tem implicações na tomada de decisão por parte dos gestores. Na Unidade III, abordaremos as características dos modais de transporte e o conceito de cadeia de suprimentos. Entender as interações da empresa no processo de atendimen- to ao cliente que pode trazer vantagens competitivas importantes neste mercado tão acirrado. A Unidade IV tratará da aplicação da Tecnologia da Informação nos sistemas logísticos e como a TI pode proporcionar ferramentas importantíssimas para o gestor nos seus processos decisórios. Também abordaremos a questão dos estoques, um tema sempre polêmico na logística. Em nossa conclusão, a Unidade V tratará dos canais de distribuição. Analisar os canais de distribuição dará o suporte necessáriopara você formatar seu modelo de oferta de produtos ao mercado. A verdade é que centenas de obras e estudos são publicados sobre logística e cadeias de suprimento. Não é nossa pretensão com essa obra esgotar o assunto, mas sim instigá-lo a conhecer mais. Espero, assim, contribuir para possibilitar a transformação das ideias geradas durante a vida acadêmica, pessoal e profissional em oportunidades de sucesso e realização, como gestor de alto desempenho. Ótimos estudos! APRESENTAÇÃO LOGÍSTICA E CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO SUMÁRIO 09 UNIDADE I LOGÍSTICA E O CONTEXTO BRASILEIRO 15 Introdução 16 Histórico da Logística 23 O Conceito de Logística Integrada 26 Logística no Contexto Brasileiro 28 Perspectivas da Infraestrutura Brasileira 34 Considerações Finais 40 Referências UNIDADE II PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE 45 Introdução 46 O Serviço ao Cliente 50 A Capacidade de Atendimento ao Cliente 54 Noções do Serviço Perfeito 59 Indicadores de Desempenho Logístico 69 Considerações Finais 76 Gabarito SUMÁRIO 10 UNIDADE III MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO 79 Introdução 80 Entendendo os Modais de Transporte 103 Os Prestadores de Serviços Logísticos 107 Analisando o Supply Chain Management 111 Globalização nos Serviços Logísticos 114 Considerações Finais 120 Referências 122 Gabarito UNIDADE IV RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA 125 Introdução 126 O Papel da ti na Logística Integrada 150 Analisando Previsões de Estoque 156 Estruturas de Armazenagem 164 Considerações Finais 171 Referências 172 Gabarito SUMÁRIO 11 UNIDADE V CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO 175 Introdução 176 Entendendo as Funções de um Centro de Distribuição 181 Compreendendo os Canais de Distribuição 186 Relacionamentos no Canal de Distribuição 191 Formatação do Canal de Distribuição 199 Considerações Finais 205 Referências 206 Gabarito 207 Conclusão U N ID A D E I Professor Me. Paulo Pardo LOGÍSTICA E O CONTEXTO BRASILEIRO Objetivos de Aprendizagem ■ Conhecer o histórico da logística. ■ Analisar o conceito de logística integrada. ■ Verificar os desafios logísticos no contexto brasileiro. ■ Apontar as perspectivas da infraestrutura brasileira para o futuro. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Histórico da logística ■ O conceito de logística integrada ■ Logística no contexto brasileiro ■ Perspectivas da infraestrutura brasileira INTRODUÇÃO Você já utilizou algum aplicativo de delivery de comida? São práticos, não é ver- dade? Ou já fez alguma compra em portais de lojas? Para quem já está habituado com esses procedimentos, certamente nem pensa em ficar sem essas comodidades. Realmente, a tecnologia envolvida nisso é fantástica, mas, já parou para pensar que, ao fazer um simples pedido de uma pizza ou um pedido de valor maior, como a compra de uma TV, vários processos são disparados ao mesmo tempo? Sim, é verdade! O portal recebe o pedido, de acordo com sua escolha, o seu banco faz a confirmação do pagamento do produto por meio de seu cartão de crédito à empresa vendedora, o pedido chega até a área responsável que, se for uma pizzaria, dispara a produção ou, se for uma TV, como no nosso exemplo, busca no estoque de produtos acabados da empresa, faz a separação, prepara o despacho e remete o produto por intermédio de meios próprios ou de um pres- tador de serviços logísticos. Sensacional, não acha? Parece tudo muito simples e prático. Esses são somente exemplos de operações logísticas que atendem necessidades e desejos de clien- tes. Para o cliente, um dos chamados “momentos da verdade”, além da venda propriamente dita, é o recebimento do produto na data combinada. Esse aten- dimento da expectativa do cliente traz uma sensação de satisfação difícil de ser descrita, que talvez você mesmo já tenha experimentado inúmeras vezes. O contrário também pode acontecer, ou seja, quando a entrega não corresponde às expectativas do cliente, resulta na perda de confiança e de credibilidade da empresa perante o mercado. Assim, para você, gestor, entender a complexidade das operações logísticas e o impacto dessas operações nos chamados canais de distribuição é importante para seu sucesso empresarial. Para esse entendimento, vamos estudar como iniciou essa grande e fasci- nante história da logística empresarial. Vamos juntos? Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 15 LOGÍSTICA E O CONTEXTO BRASILEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E16 HISTÓRICO DA LOGÍSTICA Desde sempre, o ser humano necessitou aliar sua força física a utensílios para auxiliar na sua sobrevivência. Primeiro foram as armas leves como lanças, arco- -e-flecha, que foram essenciais na obtenção de alimentos por povos nômades. Depois, vieram os utensílios para o cultivo do solo, fixando o homem à terra e produzindo uma outra necessidade: trocar os produtos originados do cultivo e da criação de animais com outros seres humanos, fixados em outras regiões que também passaram a ter excedentes de itens disponíveis. Essas trocas exigiam algum tipo de transporte e a maior de todas as invenções da história – pelo menos é o que muitos acreditam – a roda, foi essencial para trans- porte baseado em carros tracionados por força animal ou força humana. Os lombos de animais foram valiosos nos primórdios da civilização para viabilizar o transporte. É interessante que as caravanas de mercadores eram bastante conhecidas já há milhares de anos. Também os fundamentos da armazenagem já estavam for- matados. Lembre-se de uma parábola que consta nos Evangelhos, na qual Jesus relatou um homem tolo que teve uma superprodução de alimentos e, de forma egoísta, pensava em derrubar seus celeiros e construir maiores. Milhares de anos antes, também na Bíblia, consta o ato previdente de José do Egito que, após Histórico da Logística Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 17 interpretar o sonho de Faraó de que haveria 7 anos de fartura seguidos de 7 anos de fome, recomendou a construção de armazéns para guardar o excedente da época de bonança. Acreditando ou não na Bíblia, você provavelmente concorda que esses relatos ilustram uma necessidade importante, que é a armazenagem. Veja que esses fundamentos da logística, além é claro de favorecer a sobrevivên- cia, tinham também a noção clara de promover o comércio, primeiro com a troca pelo sistema de escambo, depois com a troca de produtos por moeda, dinheiro. No entanto, é importante que você saiba que a principal força para o desen- volvimento da logística não tinha nada de tão nobre como a troca de cereais e outros alimentos e sim outro aspecto característico do ser humano: o desejo de guerrear. O meio militar é para a logística o que um meio de cultura em um labo- ratório é para a bactéria. No meio militar, a logística encontrou sua principal expressão, suas estratégias, suas potencialidades. Para ilustrar essa afirmação, voltemos nossa história para cerca de 2.500 anos, quando um estrategista chinês, chamado Sun Tzu, escreveu um livro que sobreviveu ao tempo. O título deste livro é A Arte da Guerra. O livro A Arte da Guerra descreve estratégias militares com fundamentos filosóficos, e essas estratégias foram o segredo do sucesso de vários comandan- tes no decorrer dos séculos. Entre os diversos ensinamentos desse livro, Sun Tzu já focava que a superio- ridade logística poderia determinar o destino de uma batalha. Vamos conhecer um trecho deste livro. Em uma certa passagem, Sun Tzu afirma que há cinco elementos importantes nas regras militares: ■ O primeiro é a análise do terreno. ■ O segundo é o cálculode força de trabalho e dos recursos de material. ■ O terceiro é o cálculo da capacidade logística. ■ O quarto é uma comparação da sua própria força militar com a do inimigo. ■ O quinto é uma previsão de vitória ou derrota. Perceba que Sun Tzu coloca a capacidade logística como um de cinco elemen- tos importantes nas regras militares. LOGÍSTICA E O CONTEXTO BRASILEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E18 Outra frase que acho muito interessante desse livro é: “[..] na balança do poder, um dos pesos é baseado na capacidade logística” (SUN TZU apud CAMPOS, 2012, p. 20). Percebemos, dessa forma, de uma forma bastante clara, a estreita ligação entre logística e as estratégias militares. E foi justamente essa estreita liga- ção que conferiu à logística a importância fundamental na história das nações. Você com certeza sabe que o formato do mundo atual foi construído à base da força militar. Em sua maioria, as nações são o que são ou por terem vencido grandes guerras, ou por terem sofrido grandes derrotas nessas mesmas guerras. Se você analisar um mapa da Europa Ocidental e da Oriental do início do século XX e comparar com um mapa atual, é perfeitamente possível comprovar esta afir- mação. Não dá para estudar geopolítica atual usando um livro da década de 70! Contudo, nos tempos modernos, principalmente a partir da segunda metade do século XX, a logística passou a ser fundamental também em outros aspectos. Ao estudarmos o desenvolvimento da logística, encontraremos etapas históri- cas que podem ser identificadas por observação. Figueiredo e Arkader (2001, apud GOMES; RIBEIRO 2004) citam, ao descreverem cinco eras da logística, do século XX aos dias atuais. Elas estão retratadas a seguir, acrescidas de uma sexta etapa que você vai entender em seguida: Histórico da Logística Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 19 Figura 1 - Fases da Logística Fonte: adaptada de Gomes e Ribeiro (2004). No trabalho original de Figueiredo e Arkader (2001 apud GOMES; RIBEIRO, 2004), não existe essa fase, mas é ilustrativo incluí-la, por motivos óbvios. Até onde a tecnologia levará a logística, resta saber. Podemos aproveitar esse momento para marcar algumas definições de logís- tica que você encontrará na literatura sobre o assunto. Como vimos, a logística ganhou as dimensões atuais principalmente por seu intenso uso no meio militar. No meio empresarial, as organizações passaram a perceber que seus processos deveriam ser tão eficientes quanto uma máquina militar. A batalha trava-se não com canhões, bombas ou aviões, mas com estraté- gias, inteligência e foco, visando ganhar a competição pela preferência do cliente. Ilustrativo dessa afirmação é o que aconteceu no Japão. Ao final da Segunda Guerra Mundial, essa pequena nação estava literalmente destruída. Seu parque fabril, que já não era eficiente para produtos não militares, estava em ruínas. A economia destroçada. LOGÍSTICA E O CONTEXTO BRASILEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E20 Dois nomes foram importantíssimos para reverter esse quadro desolador. Foram chamados para ajudar na reconstrução do país um romeno, criado nos Estados Unidos (Joseph Moses Juran), e um norte-americano (Willian Edwars Deming). Eles passaram a aplicar sua experiência em controle estatístico da qua- lidade e também a focar a importância da cadeia produtiva no atendimento ao cliente, seja ele interno ou externo. Juran e Deming também apresentaram uma visão clara de cadeia produtiva, como o fornecedor de insumos, a qualidade do processo produtivo e a entrega do produto ao cliente, dentro de especificações previamente determinadas e, em especial, na data estipulada. Ou seja, foi a qua- lidade total com os fundamentos da logística que tornaram o Japão a potência que é hoje. Lembrando mais uma vez que a logística recebe um grande impulso no seu desenvolvimento no meio militar, e olhando pelo lado das batalhas, percebe-se como é importante os soldados terem comida, suprimentos, armamentos no local certo e na hora certa. Tanto é assim que Netto (2010 apud CAXITO, 2014, p. 3) recupera um conceito importante de logística desenvolvido nas formas armadas, [...] e vem do francês Logistique, e há outro que diz que a logística é a par- te da arte da guerra que trata do planejamento e da realização de projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, transporte, distribuição, reparação, manutenção e evacuação de material (para fins operacionais e administrativos); recrutamento, incorporação, instrução e adestramen- to, designação, transporte, bem-estar, evacuação, hospitalização e desli- gamento de pessoal; aquisição ou construção, reparação, manutenção e operação de instalações e acessórios destinados a ajudar o desempenho de qualquer função militar; contrato ou prestação de serviços. Sobre a origem do termo, além do francês, Caxito (2014) ainda lembra que alguns estudiosos sugerem que a palavra logística tem fundamento da antiga palavra grega Lógos, que tem o significado de razão, cálculo, pensar e analisar. Considerando tudo isso, veja esta definição de logística: “[...] logística é o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, a movimentação e o armaze- namento de materiais, peças e produtos acabados” (GOMES; RIBEIRO, 2004, p. 8). Achou que essa definição descreve bem o que é logística? Veja, ela trata sobre aqui- sição, ou seja, a compra de materiais. Essa atividade, sem dúvida, é muito importante. Histórico da Logística Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 21 Comprar bem significa ganhar vantagem competitiva em relação à qualidade e preço. Quando nos referimos à parte da definição de logística que trata sobre movi- mentação, podemos, é claro, pensar no transporte, que sempre é a fase da logística mais comentada. Entretanto, movimentar nem sempre se refere a caminhão, trem, avião ou a outro modal. Podemos movimentar produto, peça ou material dentro de um armazém, não é verdade? Claro que sim. E essa movimentação exige um planejamento cuidadoso. E, por falar em armazém, a armazenagem é uma função que ganha grande relevância na logística. Você não pode deixar uma matéria-prima ou produto acabado ou semiacabado em qualquer lugar. O risco de perda é muito grande. Então, precisamos cuidar, sim, e muito bem, da questão da armazenagem. O Council of Logistics Management – CSCMP, entidade que reúne milhares de profissionais da área de logística nos Estados Unidos, apresenta essa defini- ção de logística: [...] o processo de planejar, implementar e controlar eficientemente o custo correto, o fluxo e armazenagem de matérias-primas, estoques durante a produção e produtos acabados, e as informações relativas a essas atividades, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender os requisitos do cliente (CAXITO, 2014, p. 3). Essa definição ampliada é seguida por outros autores, com algumas variações, como é o caso de Razzolini Filho (2012, p. 24) que destaca que a logística deve [...] preocupar-se com a cadeia de abastecimento visando atender ao nível de serviço estabelecido pela empresa ao menor custo total pos- sível, maximizando a lucratividade e favorecendo a continuidade dos negócios. Ampliaremos nossa consideração sobre cadeia de abastecimento mais à frente. Um dos mais citados autores do tema, Ronald H. Ballou, afirma que a logística empresarial trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilita o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como os fluxos de informações que colocam os produtos em movimentos, com o propósito de providenciar níveisde serviços adequados aos clientes a um custo razoável (BALLOU, 2002). LOGÍSTICA E O CONTEXTO BRASILEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E22 Para Novaes (2007, p. 35), logística é [...] o processo de planejar, implementar e controlar de maneira efi- ciente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor. Donald J. Bowersox e David J. Closs, autores obrigatoriamente referenciados quando o tema é logística, afirmam que logística é o processo de planejamento, implementação e controle eficiente e eficaz do fluxo e armazenamento de merca- dorias, serviços e informações relacionadas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender as necessidades do cliente (BOWERSOX; CLOSS, 2001). Podemos tirar vários pontos em comum em todos os autores. Pode-se perce- ber, por exemplo, que logística trata de fluxo, ou seja, movimento. Movimento de quê? De matérias-primas, de insumos, de produtos acabados e semiacabados e de um item que não pode passar despercebido: a informação. A maioria dos autores também concorda que, para uma boa gestão logística, o planejamento é primordial, como em qualquer atividade de gestão. No entanto, a que finalidade se destina à logística? Segundo Gomes e Ribeiro (2004), a logística tem como finalidade: ■ Os insumos corretos, na quantidade correta, com qualidade, no lugar cor- reto, no tempo adequado, com método, preço justo e com boa impressão. ■ Ajudar a aumentar o grau de satisfação do cliente. Você pode notar, então, que o cliente é o foco principal da logística empresarial. Por essa razão, podemos dizer que a missão da logística moderna é agregar valor aos bens e serviços de forma que o valor de local, de tempo, de qualidade e de informação se transforme em diferencial competitivo, com objetivo de propor- cionar a redução de custos com a otimização dos recursos empregados. O Conceito de Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 23 O CONCEITO DE LOGÍSTICA INTEGRADA Com o aumento da competitividade entre organizações, que não se restringe mais à competição local, mas envolve agora uma disputa por mercados no mundo todo, naturalmente, atender às necessidades do cliente e superar as suas expecta- tivas é encarado como uma forma decisiva de ganhar a preferência, tornando-se referência em atendimento, algo que diferencia a empresa perante seu público. Funcionalidades, preço e design não são mais fatores exclusivos de escolha por conta dessas semelhanças. Podemos até dizer que, em certas circunstâncias, os produtos hoje disponibilizados aos clientes quase se tornaram commodities, pois seus atributos se alinham cada vez mais. Portanto, o diferencial que ganha a preferência realmente está relacionado ao serviço prestado, ou seja, ao nível de serviço que a empresa oferece e é justamente nesse ponto que um serviço logís- tico eficiente atrai um consumidor mais consciente de seu poder de escolha. Os produtos hoje são muito parecidos em termos de funcionalidade. Já per- cebeu que o produto de uma marca conhecida pode ter sido fabricado exa- tamente no mesmo lugar de uma marca que você nunca ouviu falar? LOGÍSTICA E O CONTEXTO BRASILEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E24 Nessa evolução competitiva e nas estratégias a ela relacionadas, a empresa busca alinhar suas visões estratégica, tática e operacional para tornar-se mais eficiente e eficaz em seus processos de desenvolvimento de produtos, de comercia- lização, de distribuição e de pós-venda. Para isso, torna-se necessário a utilização de sistemas inteligentes, computadorizados, que permitam que ocorram esses fluxos físicos e informacionais nas organizações, em uma sinergia que de outra forma não seria possível. Essa sinergia interna entre processos organizacionais, sejam aqueles ligados mais à alta direção, ou os dos níveis negociais e de nível operacional, é chamada por muitos autores como logística integrada. Essa visão é relativamente recente, datando da década de 80/90, justamente quando a glo- balização forçou as empresas a repensarem suas estratégias. A Logística Integrada é o reconhecimento prático de que um sistema logís- tico é composto de vários participantes. No quadro a seguir, você tem um resumo destes principais participantes: Quadro 1 - Participantes principais de um sistema de logística integrada PARTICIPANTE DETALHAMENTO Cliente Figura central no processo logístico. O processo logístico inicia-se sempre através das necessidades do cliente. Área comercial Composta pelo vendedor ou representante que atendeu o cliente; pelo marketing da empresa que participou em despertar o interesse do consumidor; pelos sistemas informatizados de atendimento ao cliente nas diversas plataformas no Ponto de Venda. Administração Composta por contabilidade, finanças, tesouraria, gerência de setores e departamentos. Mercado Composto por clientes potenciais e efetivos que podem adquirir ou já adquiriram o produto ou serviço. Fornecedor Parceiros comerciais que fornecem os componentes (matérias-primas, insumos, equipamentos etc.) necessários para a atividade produtiva da empresa. Transportadora Pode ser interna (setor de transporte) ou externa (prestador de serviço logístico) que se encarrega do fluxo de produtos entre as partes com- ponentes do sistema. Cliente Como figura do processo logístico, recebe o produto ou serviço nas especificações e requisitos que gerou o fluxo do sistema. Fonte: adaptado de Martins e Alt (2006). O Conceito de Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 25 Um componente importantíssimo que, embora não esteja presente no Quadro 1 anterior não pode, de forma alguma, deixar de ser mencionado, é o fluxo de informações do sistema logístico integrado. Na verdade, em todos os participantes e suas interações há a geração de informações que precisam fluir pelo sistema para posicionar os participantes quanto ao estado atualizado do atendimento ao cliente. Sem esse elemento, os controles que devem ser implan- tados para garantir a satisfação dos clientes ficarão comprometidos, impactando no resultado final do sistema. Lembre-se que a figura inicial e final do sis- tema logístico sempre é o CLIENTE. Pode acontecer que o cliente não entenda exatamente o papel da logística no atendimento de sua demanda, pois a linha mais visível para o cliente nor- malmente é o setor comercial da empresa ou para os consumidores digitais, o portal de e-commerce. Entretanto, você, gestor, não deve em nenhum momento perder a noção de que o sistema logístico está em movimento, com interfaces claramente estabelecidas entre os setores críticos do atendimento. Isto pode ser visualizado na Figura 2: Figura 2 - Interfaces do sistema logístico Fonte: Martins e Alt (2006, p. 330). LOGÍSTICA E O CONTEXTO BRASILEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E26 Você consegue visualizar as fronteiras do sistema na figura apresentada? A logís- tica relaciona-se com a Produção em itens essenciais, como a programação da produção, a localização da planta industrial e as compras. Pelo lado do Marketing, os pontos de coincidência estão nos padrões de níveis de serviço, formação de preços, embalagem e localização de depósitos de produtos acabados. Tenho certeza de que você, exercendo seu papel de gestor, deseja prestar o melhor serviço ao seu cliente. Não existe forma de conseguir isso sem o suporte da logística para o atendimento. LOGÍSTICA NO CONTEXTOBRASILEIRO O Brasil experimentou momentos econômicos históricos bastante distintos nas últimas décadas. O país, durante o século XX, já vivenciou momentos de mer- cados abertos, outros de forte intervenção estatal e outros momentos de grande crescimento industrial. Cada fase desta, debaixo de governos democráticos e militares, exigiram decisões relacionadas à infraestrutura nacional cujos resul- tados colhemos até os dias de hoje. Momentos de recessão e crise econômica costumam “mascarar” uma dura realidade quanto à infraestrutura logística brasileira, que são seus enormes pro- blemas de planejamento e de deficiências para utilização plena dos modais de transporte. Por outro lado, os momentos em que a economia está aquecida, demonstram que essas ineficiências não são resolvidas da noite para o dia e que, na verdade, os empresários e agentes econômicos precisam encontrar mecanis- mos para otimizar o que tem em mãos para realizar as movimentações no país. Veja como isso se demonstra em números: Entre 2004 e 2013 e parte de 2014, o país apresentou crescimento no PIB acima dos 3% com exceção de 2009, ano do pico da crise econômica mundial e de 2011 quando ficou pouco abaixo deste número. De acordo com dados do IBGE, os resultados desse crescimento colocaram o Brasil entre as 7 maiores economias do mundo. Logística no Contexto Brasileiro Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 27 Esse crescimento resultou em uma natural intensificação no fluxo interno de pro- dutos e o movimento de exportações igualmente cresceu de forma acentuada. Para se ter ideia, a cada ponto percentual de aumento no PIB, representa 2% em média de aumento de TKU, uma medida que expressa toneladas transportadas por quilômetro útil nos diversos modais disponíveis no Brasil. De acordo com Fleury (2012, p. 8), [...] em 2010, o Brasil atingiu pico de US$201,9 bilhões em exportações e US$181,6 bilhões em importações, com saldo comercial de US$25,3 bilhões. Os principais exportadores do país são os setores de minera- ção, químico e petroquímico e o agropecuário, responsáveis por mais da metade do valor apurado. A China é o maior comprador de produ- tos brasileiros (15,2% das exportações), seguida por Estados Unidos (9,6%) e Argentina (9,2%). Compare os fluxos de TKU transportadas pelos diversos modais entre o Brasil e outros países: Quadro 2 - Comparativo Internacional na Matriz de Transportes TABELA 1 - COMPARATIVO DAS MATRIZES DE TRANSPORTE EM DIVERSAS REGIÕES Modal Brasil (2008) EUA (2008) UE (2008) China (2008) Rodoviário 65,6% 28,9% 46% 11,2% Ferroviário 19,5% 38% 11% 23,5% Hidroviário 1,77% 6,8% 4% 15,4% Cabotagem 9,59% 4,6% 37% 48,0% Dutoviário 3,8% 21,5% 3% 1,8% Aéreo 0,05% 0,3% 0% 0,1% Fonte: Fleury (2012, p. 9). LOGÍSTICA E O CONTEXTO BRASILEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E28 Outra comparação interessante é com países que possuem uma grande extensão territorial, como o Brasil, que podemos ver na Figura a seguir: Figura 3 - Comparativo da matriz de transportes com países de extensão territorial semelhante Fonte: Oliveira e Porto (2016, p. 2). O que estes números nos revelam? Claramente nos mostram que a vocação de transporte no Brasil – pelo menos a que foi escolhida há décadas atrás – foi o modal rodoviário. Para a infraestrutura nacional, o impacto é a demanda por mais rodovias e que estas estejam bem conservadas. Por outro lado, também sinaliza a necessi- dade de que os demais modais recebam atenção, especialmente do poder público, viabilizando seu uso mais intensivo. PERSPECTIVAS DA INFRAESTRUTURA BRASILEIRA A infraestrutura logística no Brasil tem apontado aumento no uso de outros modais de transporte – embora não a ponto de substituir o transporte rodoviário. Por exemplo, a Confederação Nacional dos Transportes – CNT, todos os anos publica um Anuário dos Transportes, com números do setor. Ao analisar essa publi- cação, é interessante você buscar obter as informações quanto a essa utilização. No Perspectivas da Infraestrutura Brasileira Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 29 ano de 2016, para se ter ideia, foram trans- portados por trem 341,2 bilhões de TKU, representando um pequeno aumento em relação ao ano anterior. Os números variam de um ano para outro, mas é importante fri- sar a necessidade de investimentos para que a infraestrutura de transporte dê conta das necessidades de movimentação de produ- tos no Brasil. Recorrendo aos dados do Anuário de 2017, que traz os números do ano de 2016, um primeiro dado é com relação à exten- são de nossa malha rodoviária. A seguir, veja estes números da CNT. MALHA RODOVIÁRIA A extensão da malha rodoviária brasileira é de 1.720.643,2 km, incluídos nesse número trechos pavimentados e sem pavimento. É uma malha extensa, mas é preo- cupante constatar, por esse relatório, que somente 12,2% são pavimentados, ou seja, 210.618,8 km de asfalto nas rodovias. Temos somente 5,3% de pistas duplas no país e 94% de pista simples. Ao publi- car esse Anuário de 2017, somente 0,7% de rodovias estavam em obras de duplicação. Outros dados relevantes em relação ao transporte rodoviário dão conta de que 58,2% das rodovias tem algum tipo de problema no seu estado geral (CNT, 2017, on-line)1: LOGÍSTICA E O CONTEXTO BRASILEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E30 ■ 48,3% dos trechos avaliados têm problemas no pavimento. ■ 51,7% dos trechos avaliados apresentam deficiência na sinalização. ■ 77,9% dos trechos avaliados têm falhas na geometria. ■ (CNT, 2017, online)1. MALHA FERROVIÁRIA A CNT (2017, on-line)1 também publicou dados sobre a malha ferroviária brasi- leira, tida como um importante mecanismo de transporte para longas distâncias de produtos de menor valor agregado, especialmente as commodities agrícolas. Comparativamente à malha rodoviária, nossas ferrovias tem uma extensão muito menor, chegando a 29.165 km. A maior parte dessa malha é operada por empresas privadas, desde que, no governo FHC, houve a privatização da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) e os governos estaduais, seguindo a mesma orientação, tam- bém privatizaram seus trechos estaduais. Os números da CNT (2017, on-line)1 revelaram que temos 3046 locomoti- vas operando no país e 102.043 vagões. Como mostrado anteriormente, no ano de 2016, foram 341,2 bilhões de TKU transportados no Brasil por ferrovias. Importante destacar que o trem é um modo de transporte importante para a logística de passageiros. As grandes cida- des, especialmente, dependem em grande medida do trem para o transporte de pessoas, chegando o trem a transportar 1.889.208 passageiros em 2016. Um dos grandes problemas de infra- estrutura na nossa malha ferroviária tem a ver com os próprios trilhos de trem, Perspectivas da Infraestrutura Brasileira Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 31 que não seguem um padrão em todo o país em relação à distância entre trilhos (chamado de bitola), dificultando uma integração entre diferentes ferrovias. Outro fator dificultador são os trechos urbanos de rodovias exploradas para carga, reduzindo a velocidade dos trens. Isso reduz a produtividade desse tipo de transporte no Brasil, considerando que a velocidade média dos trens no nosso país é de meros 25 km/h contra 80 km/h dos Estados Unidos. TRANSPORTE AQUAVIÁRIO O Brasil é um país com uma gigantesca costa navegável, o que contribui para o transporte de cabotagem, ou seja, aquele que acontece entre portos da costa do mesmo país. Também temos grandes rios navegáveis, que seriam extrema- menteúteis se fosse potencializado o transporte por barcaças. De todo modo, o Anuário 2017 da CNT traz alguns números interessantes sobre a utilização da água como meio de transporte (transporte aquaviário): LOGÍSTICA E O CONTEXTO BRASILEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E32 No ano de 2016, foram movimentadas 997,4 milhões de toneladas pelos ter- minais portuários brasileiros, sendo assim divididos os tipos de cargas: ■ Granel sólido: 628,9 milhões de toneladas (queda de 0,7% em relação a 2015). ■ Granel líquido: 218,0 milhões de toneladas (queda de 3,8% em relação a 2015). ■ Carga conteinerizada: 100,1 milhões de toneladas (queda de 0,5% em relação a 2015); ■ Carga geral solta: 50,4 milhões de toneladas (aumento de 5,3% em rela- ção a 2015) (CNT 2017, on-line)1. O meio aquaviário, especialmente sua subdivisão de transporte marítimo de longo curso, é o grande responsável pelo fluxo das exportações do agronegó- cio brasileiro. O número de 740,7 milhões de toneladas transportadas em 2016 dessa forma comprova isso. Entre portos nacionais, ou seja, na navegação de cabotagem, foram 212,5 milhões de toneladas transportadas em 2016. Podemos analisar os números todos apresentados sob dois pontos de vista: temos de fato um déficit enorme, crônico, de infraestrutura. Por outro lado, temos um potencial enorme para crescimento, que, com seriedade e trabalho, planejamento e condução responsável, pode fazer o Brasil ocupar um lugar de destaque no cenário mundial de produção de commodities e de bens de maior valor agregado, provenientes de polos industriais que poderão ser instalados pelas diversas regiões do país. A América Latina Logística - ALL era a maior empresa de ferrovias do Brasil, ten- do assumido a maior parte do legado da antiga Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). Recentemente, uma grande empresa (COSAN) adquiriu a ALL, em uma operação de fusão. A ALL passou a operar sob a bandeira da RUMO Logística. Fonte: o autor. Perspectivas da Infraestrutura Brasileira Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 33 Em termos de competitividade, a configuração da infraestrutura de transpor- tes do Brasil faz que fiquemos em grande desvantagem em relação aos países desenvolvidos e mesmo para países em desenvolvimento. O Banco Mundial em um estudo de desempenho logístico, em que leva em conta fatores como con- sistência/ Confiabilidade, Rastreamento de Carga, Competência dos Serviços, Disponibilidade de Transporte, Procedimento de Alfândega e Infraestrutura, constrói um ranking mundial, no qual o Brasil ocupa apenas a 61ª colocação, uma posição incômoda frente aos competidores. Veja esse ranking na Figura a seguir: Figura 4 - Desempenho logístico do Brasil no cenário mundial Fonte: Lima (2014, on-line)2. Teremos uma consideração mais pormenorizada dos chamados modais de trans- porte na nossa Unidade III. LOGÍSTICA E O CONTEXTO BRASILEIRO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E34 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), ao concluir essa unidade, ficou bastante claro para nós que a logística é fundamental para qualquer processo organizacional. Alçada ao sta- tus de disciplina acadêmica (durante muitos anos foi vista como uma espécie de “apêndice” do Marketing), a logística é considerada, como vimos, uma das últi- mas fronteiras para redução dos custos de uma empresa. O militarismo foi o grande “meio de cultura” da logística, possibilitando sua evolução, tanto no sentido de promover um estudo adequado dos recursos, flu- xos desses recursos, estoques, como também de pessoal treinado e capacitado para lidar com os desafios da movimentação em tempos de guerra. Agora, em pleno século XXI, as empresas buscam tornar seus produtos dis- poníveis aos clientes em qualquer parte do mundo. Para isso, a integração é fundamental. A tecnologia rompeu a barreira da integração de informações e, por conta disso, o consumidor consegue, de forma fácil e intuitiva, fazer suas compras de literalmente qualquer fornecedor, não importa onde esteja. Como gestor, é importante entender esse cenário e antecipar-se às mudan- ças que ainda virão. Compreender os diversos sistemas que compõem a logística integrada, bem como estar atento às mudanças no comportamento do consumi- dor que se tornam requisitos básicos para os dias atuais. Também foi importante situá-lo sobre as perspectivas logísticas do Brasil, um país repleto de potencialidades e desafios, mas que carece de um planeja- mento de infraestrutura logística mais voltado para efetividade dos fluxos de produtos e redução dos custos. Diante disso, precisamos ter em mente onde estamos, até para que possamos tomar decisões levando em conta toda a complexidade da infraestrutura nacional. Reflita sobre o panorama da logística no Brasil e pense em alternativas viá- veis para tornar o seu negócio mais rentável e competitivo. Muito sucesso! 35 1. Como em muitos outros campos que estão incorporados à rotina das pessoas e organizações, a logística também se desenvolveu – embora não tenha se origi- nado – nos campos de batalha. Esse desenvolvimento histórico é marcado por alguns acontecimentos. Sobre esse tema, leia as afirmativas a seguir: I. Foi especialmente a partir da década de 70 que o foco da logística passou a ser o cliente, com destaque para a produtividade e custos de transporte. II. O escoamento da produção agrícola foi o principal foco da logística no início do século XX. III. O auge do SCM (Supply Chain Management) foi no final do século XIX quan- do Henry Ford terceirizou toda sua produção de automóveis. IV. Foi nas guerras do século XX que os princípios de logística foram usados pela primeira vez em campos de batalha. É Correto apenas o que se afirma em: a) I e II. b) II e III. c) III e IV. d) I, II e IV. e) I, III e IV. 2. O Brasil, como país de dimensões continentais, necessitaria ter uma infraestru- tura de transporte adequada ao seu gigantismo. Não é o que ocorre na prática. Vivenciamos sérios problemas para o escoamento da nossa produção, com re- flexos negativos para toda a sociedade. Sobre essa questão, leia as afirmativas a seguir: I. No transporte rodoviário, os trechos pavimentados têm uma extensão mui- to menor que os trechos sem pavimento. II. Um destaque na infraestrutura logística do Brasil é o transporte marítimo, grande responsável pelo escoamento da produção do agronegócio do país. III. Uma das grandes vantagens do Brasil no transporte ferroviário é a padroni- zação dos trilhos, única em todo o país. IV. No Brasil, o transporte ferroviário não é só importante para o transporte de cargas, como também o de passageiros, especialmente nas grandes cida- des. É Correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. 36 b) II e IV, apenas. c) II, III e IV, apenas. d) I, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 3. Podemos encontrar no Brasil todos os modais de transporte, sendo que alguns têm uma relevância maior, pelo volume de cargas que transportam. Em nosso país, pela ordem de utilização, da maior para a menor utilização, os modais estão ranqueados assim: a) Modal rodoviário; modal aquaviário; modal aéreo, modal dutoviário. b) Modal ferroviário; modal dutoviário; modal rodoviário, modal aquaviário. c) Modal aéreo; modal rodoviário; modal ferroviário; modal aquaviário. d) Modal rodoviário; modal ferroviário; modal aquaviário; modal dutoviário. e) Modal ferroviário; modal aquaviário; modal aéreo; modal dutoviário. 4. Uma figura central é destaque em todo o planejamento logístico: o cliente. Entende-se que é necessário mobilizar os recursos de todos os participantes em uma cadeia de suprimentos para que as necessidades dessa figura sejam atendidas. Entramos então no campo da logística integrada. Sobre esse tema, leia as afirmativas aseguir: I. Na área comercial, podemos encontrar vendedores e representantes comer- ciais que atendem o cliente. II. A atividade produtiva da empresa é suprida por parceiros comerciais, classi- ficados como fornecedores na logística integrada. III. O fluxo de produtos entre as partes componentes do sistema é estabelecido pelos serviços de transportadores internos ou externos. IV. Os processos logísticos iniciam e finalizam no ciente, que demanda e que recebe o produto ou serviço de acordo com suas especificações e requisitos. É correto o que se afirma em: a) I, somente. b) I e II, somente. c) II e III, somente. d) I, II e IV, somente. e) I, II, III e IV. 37 5. Na visão do cliente, o setor comercial – parte integrante do marketing empre- sarial - é que se faz mais presente, pois é onde o cliente estabelece sua linha de contato, seja pessoalmente ou por mecanismos de interação eletrônica. Atender essas necessidades do cliente são funções importantes, que envolvem processos do marketing, da logística e da produção, que possuem interfaces claras entre si. Sobre esse tema, leia as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I. Enquanto o marketing se preocupa com pesquisa de mercado, promoção e propaganda, é importante lembrar das interfaces desses processos com a logística. PORQUE II. A logística estabelece uma interface com o marketing ao estabelecer os padrões dos níveis de serviço e contribuir com a formação de preços dos produtos. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa cor- reta da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justifica- tiva correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 38 Capacitação profissional para a Logística Não é necessário fazer uma pesquisa sofisticada para afirmar que a profissão de Logís- tica é pouco madura no Brasil. Em primeiro lugar, porque a maioria dos profissionais da área desenvolveu sua carreira a partir de experiências proporcionadas pelo ambiente de trabalho, sem o devido complemento de educação formal. Além disso, a Logística passa por uma intensa transformação conceitual, envolvendo técnicas de difícil implementação: gestão integrada da cadeia de suprimentos; gestão por processos; times multifuncionais; entre outras. Finalmente, há de se mencionar a complexidade tributária e a deficiência de infraestru- tura que, juntas, limitam a produtividade de estradas, portos e ferrovias; o custo logísti- co nacional é estimado em 12,6% do PIB, maior que o nível de 8,2% dos Estados Unidos, ou seja, o profissional convive com dificuldades que inibem a otimização operacional das empresas e do país. Toda situação de ineficiência representa uma oportunidade e, nesse contexto, a ASLOG vem apoiando comitês técnicos, com o objetivo de diagnosticar e difundir as melhores práticas em logística. Entretanto, de pouco adianta realizar essa tarefa se não for con- siderada uma questão importante: como preparar profissionais que possam liderar e suportar a difusão das melhores práticas? Por mais que os recursos financeiros e tecnológicos sejam importantes, não conseguimos sequer organizá-los se não dispusermos de recursos humanos suficientemente prepara- dos em todos os níveis da logística. A solução para essa questão não é simples, mas, entre outras medidas, deve considerar uma mudança de atitude de toda a sociedade. Institui- ções de ensino precisam estar mais conectadas com as necessidades do mercado. Empresas podem investir mais em treinamento direcionado às suas demandas mais es- pecíficas. Consultorias podem oferecer serviços de seleção e treinamento, considerando habilidades técnicas e competências interpessoais necessárias ao exercício da Logística. Profissionais da área devem assumir a liderança de seu próprio desenvolvimento. O de- safio não é simples. Mas existem duas questões básicas que todos devem ter em mente: • gestores de pessoas devem entender a importância de explorar ao máximo a po- tencialidade natural de cada indivíduo, entendendo que algumas deficiências po- dem ser eliminadas com o devido treinamento, de modo a gerar uma boa relação custo/benefício; e • profissionais devem aproveitar todas as oportunidades de desenvolvimento e aprendizado, buscando conhecimento não somente dentro da escola e do traba- lho, mas em todos os ambientes propícios. É dentro desse contexto que a Gestão de Pessoas ganha importância estratégica para viabilizar o pleno desenvolvimento da Logística das empresas e do país, bem como, ga- rantir-lhes uma posição de destaque no mundo globalizado. Fonte: Purves (2018, on-line)3. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Há diversas oportunidades profi ssionais na logística. Você pode ver alguns cargos e funções nessa área, acessando o conteúdo a seguir. Web: <https://youtu.be/f5OBS7iP9yQ>. Sully – o herói do Rio Hudson (2016) Sinopse: essa é a história de Sully - O Herói do Rio Hudson. Em janeiro de 2009, quando fez um pouso de emergência nas geladas águas de Nova York, garantindo a segurança de 155 pessoas (entre passageiros e tripulação), o piloto Chesley Sullenberger estava apenas fazendo o seu trabalho. Comentário: os aviões são meios rápidos e efi cientes para o transporte de passageiros e cargas. No entanto, acidentes aéreos sempre chamam à atenção e geralmente são carregados de emoção. Esse fi lme mostra um desses acidentes. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimentos (2001) Donald J. Bowersox e David J. Closs Editora: Atlas Sinopse: este livro trata do desenvolvimento e dos fundamentos da logística empresarial. Apresenta a visão dos autores em relação ao futuro da logística nas empresas e seu papel na competitividade entre elas. Expande o assunto e as perspectivas para refl etir a crescente importância do papel da logística na estratégia competitiva globalizada. Apresenta, também, os objetivos, os procedimentos das operações e as estratégias necessárias para atingir o gerenciamento integrado de uma cadeia de suprimento. REFERÊNCIAS BALLOU, R. H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organi- zação e logística empresarial. Porto Alegre. Bookman, 2001. BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2001. CAMPOS, L. F. R. Supply Chain: uma visão gerencial. Curitiba: InterSaberes, 2012. CAXITO, F. Logística: um enfoque prático. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. FLEURY, P. Logística no Brasil: situação atual e transição para uma economia verde. Rio de Janeiro: FBDS, 2012. GOMES, C. F. S.; RIBEIRO, P. C. C. Gestão da cadeia de suprimentos integrada à tecnologia da informação. São Paulo: Thomson, 2004. MARTINS, P. G.; ALT, P. R. C. Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2006. NOVAES, A. G. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: Estratégia, Operação e avaliação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. OLIVEIRA, A. L. R.; PORTO, P. C. S. Serviços de cabotagem no Brasil: principais vanta- gens e desafios atuais. Revista ESPACIOS, v. 37, 2016. RAZZOLINI FILHO, E. Transporte e modais: com suporte de TI e SI. Curitiba: Inter- Saberes, 2012. Referências On-Line 1 Em: <http://www.cnt.org.br/Imprensa/noticia/anuario-cnt-2017-serie-historica- -dados-transporte>. Acesso em: 14 ago. 2018. 2 Em: <http://www.ilos.com.br/web/custos-logisticos-no-brasil/>. Acesso em: 13 ago. 2018 3 Em: <http://www.techoje.com.br/site/techoje/categoria/abrirPDF/607>. Acesso em: 13 ago. 2018. REFERÊNCIAS GABARITO 41 1. A. 2. D. 3. D. 4. E. 5. A. U N ID A D E II Professor Me. Paulo Pardo PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender os conceitos de serviço ao cliente.■ Analisar a capacidade de atendimento ao cliente. ■ Ter noções do que se classifica como serviço perfeito. ■ Compreender os indicadores de desempenho logístico. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ O serviço ao cliente ■ A capacidade de atendimento ao cliente ■ Noções do serviço perfeito ■ Indicadores de desempenho logístico Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 45 INTRODUÇÃO Um dos pontos mais sensíveis em qualquer operação empresarial é ganhar e con- solidar seu mercado consumidor. Essa dificuldade, na verdade, é, ao meu ver, causada por outra muito mais importante: conhecer de fato quem é o seu cliente e o que esse cliente espera, o que ele deseja ou, como diz os princípios das nor- mas ISO, conhecer os REQUISITOS do cliente. Pode parecer um assunto trivial, afinal, não deveria ser necessário pergun- tar para o empresário quem é o seu cliente, não é mesmo? Ele deveria conhecer esse cliente profundamente, afinal, justamente esse cliente que paga o “salário” do empresário, ou seja, seus lucros advêm deste personagem tão importante. Contudo, não pense que todos os empresários têm essa resposta clara. Nem todos, infelizmente, conhecem quem são seus clientes. Na verdade, muitos empresários enxergam um mercado sem rosto, sem personalidade e, portanto, sem desejos e necessidades. Lamentável! Para conhecer seu cliente, talvez um primeiro passo recomendável é colocar- -se no lugar do cliente. Esse exercício não é tão difícil assim. Afinal, todos somos clientes, o tempo todo. Precisamos de diversas coisas ao longo de um dia comum. Pense em quem atende suas necessidades. Pense também de que maneira você é atendido e, finalmente, pense em como você se sente tão logo receba de seus “fornecedores” suas demandas. Qual é seu nível de satisfação? Se você ficou ple- namente satisfeito, provavelmente considerará seriamente repetir a experiência. No entanto, se a experiência foi frustrante, dificilmente você voltará a buscar o produto ou serviço daquele fornecedor e, mais grave, provavelmente vai exter- nar essa insatisfação para outras pessoas. Sem dúvida, essa pequena consideração lembra-nos que o assunto do serviço ao cliente e sua satisfação devem ser uma preocupação central do planejamento estratégico das empresas. E a logística tem muito a contribuir com esse objetivo. Bons estudos! PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E46 O SERVIÇO AO CLIENTE Um dos temas mais discutidos no meio empresarial é o serviço ao cliente. Embora seja um assunto recorrente, não pense que já existe um consenso sobre esse tema. Imagine então entender algo tão complexo sob uma ótica de processos logísti- cos. Não é nada fácil. Vamos ser objetivos ao tratar desta questão. Para isso, utilizaremos a defini- ção de Lalonde e Zinszer (apud BOWERSOX; Closs, 2011) que estabelecem que serviço ao cliente é uma somatória de (1) atividade com (2) níveis de desempenho aliado a (3) uma filosofia de gestão. Assim, para esses autores, serviço ao cliente deve abranger estas três perspectivas. A definição de serviço ao cliente ficaria assim: [...] o serviço ao cliente é um processo cujo objetivo é fornecer benefí- cios significativos de valor agregado à cadeia de suprimento de maneira eficiente em termos de custo. Esta definição mostra a tendência de se considerar o serviço ao cliente como uma atividade decorrente de um processo sujeito aos conceitos de gerenciamento da cadeia de supri- mentos (BOWERSOX; CLOSS, 2011, p. 71). Outros autores vão por essa mesma linha de pensamento, considerando que o nível de serviço é o mesmo que o serviço prestado ao cliente. Gonçalves (2013, p. 89) resgatam as seguintes definições de autores sobre serviço prestado ao cliente: O Serviço ao Cliente Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 47 Ballou (2006) o define como “a qualidade com que o fluxo de bens e ser- viços é gerado”; Bowersox e Closs (1996), por sua vez, consideram que a competição logística deve ser tratada como um recurso estratégico para o planejamento da prestação do serviço ao cliente; enquanto Lalonde e Zinszer (1976, p. 139) afirmam que “o serviço ao cliente é um processo cujo objetivo é fornecer benef́icios significativos de valor agregado à ca- deia de suprimentos de maneira eficiente em termos de custo. Dessa forma, Gonçalves (2013) procura estabelecer que serviço ao cliente e nível de serviço têm uma diferenciação importante: enquanto, por um lado, serviço ao cliente seria uma contrapartida que a empresa oferece para atender o desejo ou a necessidade de um cliente, ou até mesmo satisfazer a percepção do desejo do cliente, retratada na pretensão de adquirir um produto ou serviço da empre- sa;por outro, o nível de serviços é medido como o nível de atenção que a empresa dá ao seu cliente, representando toda a cadeia de eventos que é disparada para atender à venda, desde o momento da recepção do pedido até a efetiva entrega do produto ao cliente. Além disso, na atualidade, esse nível de serviços também envolverá, na maior parte das vezes, um serviço de pós-venda, como a assistên- cia técnica oferecida. Quando pensamos nesta definição, concluímos que serviço ao cliente tem impactos importantes para a logística empresarial. Para que você tenha ideia do quanto representa esse impacto, imagine que o serviço ao cliente, de acordo com Gonçalves (2013), representa 20% dos custos totais, com impacto de 80% nos negócios da empresa. Gonçalves (2013) traz à atenção um estudo realizado nos EUA pelo National Economic Development Center que relacionou as necessidades de serviço ao cliente, classificando aqueles que apresentam 7 elementos como sendo de serviços de alta performance. Esses elementos são: Produto; Custo; Quantidade; Cliente; Tempo; Lugar e Condições. A figura a seguir reproduz os resultados dessa pes- quisa, com o desejo do cliente em relação aos elementos citados: PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E48 Figura 1 - Desejo do cliente em relação aos serviços logísticos Fonte: Gonçalves (2013). Observe que as exigências do cliente em relação aos serviços logísticos são rela- tivamente conhecidas, ou seja, não há, basicamente, nenhum elemento inédito nessas exigências. No entanto, muitas empresas não conseguem entregar um nível de serviços nesses elementos, que as tornem referências de qualidade no mercado. Grant (2013, p. 19-20) destaca a importância do serviço ao cliente: [...] uma empresa pode usar o serviço ao cliente como diferencial ante seus concorrentes e, assim, obter uma vantagem competitiva e me- lhorar sua lucratividade. Tem-se demonstrado que a lucratividade do cliente aumenta ao longo do tempo em razão do aumento das compras e também da redução dos custos que o serviço ao cliente proporciona. Além disso, uma redução de 5% na taxa de abandono de clientes pode representar um aumento de 25% a 85% nos lucros da empresa no perí- odo em que manteve esses clientes. O custo de abandono do cliente, de fato, deve ser levado em consideração pelos gestores, no entanto, na prática, muitas empresas consideram que o cliente mais importante é o próximo. O fato é que se torna difícil equalizar o que atende às expectativas do cliente, pois as expectativas do empresário podem ir para uma direção, enquanto às do cliente podem ir para outra. Nesse sentido, é ilustrativa a definição de Lalonde, Cooper e Noordewier (1988 apud GRANT, 2013, p. 21), quando dizem que ser- viço ao cliente é: O Serviço ao Cliente Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có digo P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 49 [...] um processo que ocorre entre o comprador, o vendedor e um ter- ceiro. O processo resulta em um valor agregado ao produto ou serviço nessa troca. Esse valor agregado no processo de troca pode ser de curto prazo, por exemplo, em uma única transação, ou de prazo mais longo, como em um relacionamento contratual. O valor agregado é também compartilhado para que os participantes da transação ou contrato fi- quem em melhor situação ao término da transação ou contrato do que estavam antes. Assim, do ponto de vista de processo: serviço ao cliente é um processo para prover benefícios de valor agregado significativos à cadeia de suprimento de um modo efetivo em custo. Sendo o serviço ao cliente um processo, há várias etapas envolvidas. Há tam- bém, na definição exposta, um pressuposto indispensável, que é o fato de que se deve agregar valor ao cliente, ou seja, ele deve perceber claramente que a tran- sação que efetuou foi benéfica para ele, que houve ganhos. Como se cria valor para um cliente? Grant (2013) pontua que os profissio- nais de marketing e logística consideram que houve criação de valor quando os benefícios que o cliente percebe que advém de uma compra são maiores do que os valores despendidos na compra. Basicamente, o que uma organização deve buscar fazer – e melhor que seus concorrentes – é identificar quais de seus processos e atividades que geram valor para seus clientes. Parece bem simples, não é? Contudo, se fosse simples, todos fariam, não concorda? A realidade, infelizmente, mostra uma dificuldade enorme para entender – e atender – os requisitos do cliente, criando valor para ele. Como Bowersox et al. (2013, p. 63) pontua: [...] um programa de serviço ao cliente deve identificar e priorizar todas as atividades necessárias para atender aos requisitos logísticos dos clientes, tão bem ou melhor que os concorrentes. Ao estabelecer um programa de serviço ao cliente, é imperativo identificar padrões nítidos de desempenho para cada uma das atividades e medições re- lativas a esses padrões. Em programas básicos de serviço ao cliente, o foco normalmente se encontra nos aspectos operacionais da logística e em garantir que a organização consiga fornecer os sete “certos” a seus clientes: a quantidade certa do produto certo no momento certo no lo- cal certo nas condições certas pelo preço certo com a informação certa. Dessa forma, entendemos que atender ao cliente, apresentando um nível de serviço que possa ser considerado algo de valor, é uma das missões a serem cum- pridas pela logística. PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E50 A CAPACIDADE DE ATENDIMENTO AO CLIENTE Vamos estabelecer claramente alguns pontos. O primeiro, e talvez o mais impor- tante, é definir o que é um cliente. Não vamos discutir as diversas abordagens sobre o tema. Vamos focar no objetivo de nossos estudos, que é a logística. De acordo com Bowersox e Closs (2011, p. 63), do ponto de vista da logís- tica, cliente é “a entidade à porta de qualquer destino de entrega”. Essa definição é importante, pois reforça uma das funções mais importantes de logística, e que vimos no tópico anterior, que ficou conhecida como os 7 “certos” da logística: Assegurar a disponibilidade do produto certo, na quantidade certa, e na condi- ção certa, no lugar certo, no momento certo, para o cliente certo, ao custo certo. O destino de entrega pode ser diversas portas, realmente. Por exemplo, pode- mos imaginar a porta do consumidor final como uma casa ou apartamento onde more um cliente pessoa física que está aguardando um livro comprado através de um site na Internet. Podemos também pensar em uma montadora de automóveis que recebe na sua porta, por assim dizer, os componentes que serão montados e que resultarão em um veículo de alta tecnologia. Podemos pensar em uma indústria têxtil que recebe o algodão que vem do campo até a fábrica para ser transformado em um tecido jeans que será exportado para a Europa e posterior- mente transformado em uma calça de centenas de dólares de uma marca famosa. Concluímos então que, para a logística, o cliente pode ser uma pessoa física ou A Capacidade de Atendimento ao Cliente Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 51 outra organização que terá seu pedido atendido de acordo com suas especificações. Podemos trazer essa noção de cliente para dentro das organizações e pen- sarmos na logística interna de atendimento entre setores e departamentos. Uma unidade industrial de uma empresa pode processar a matéria-prima recebida e, após esse tratamento, movimentar esse produto semiacabado para outra unidade industrial da mesma empresa, que o receberá e dará um tratamento adicional até transformá-lo no produto acabado. Às vezes, essas unidades ficam próximas, talvez no mesmo terreno, em outras pode distanciar-se em centenas de quilô- metros. Cada unidade que recebe o produto de outra é um cliente, um cliente interno, mas sempre um cliente, que tem necessidades e expectativas. Você talvez se lembre de que mencionei na Unidade I que uma das inter- faces da Logística é o Marketing. O Marketing é o ramo da administração que procura compreender e descrever os desejos e necessidades do cliente e mostra os caminhos para satisfazê-los. Vamos exemplificar essa relação do Marketing com a Logística: pense em um produto que tem feito muito sucesso no mundo todo: os smartphones. A ideia de um telefone inteligente, ou seja, que executasse mais do que apenas ligações, nasceu já na década de 1980, mas foi em 1994 que oficialmente temos o pri- meiro daquilo que viria a ser um aparelho inteligente, executando funções como calendário, agenda pessoal e e-mails. Era uma inovação da IBM, com uma tela monocrática, com resolução de 160x293 pixels (dá para imaginar?). Apesar des- sas funcionalidades, ainda não houve a atribuição do termo “smartphone” para esse aparelho. Foi o Ericsson R380 que teve a honra de levar pela primeira vez esse designativo. Somente mais tarde que a icônica empresa, a Apple, investiu em um aparelho revolucionário que mudou a lógica das comunicações pessoais que, de fato, pode ser considerado um “telefone inteligente”, tradução literal do termo smartphone. Entretanto, ao antecipar-se às necessidades do cliente ou, até mais ousadamente, ao criar necessidades, a Apple mostrou que entende de um assunto dominado por poucos no mercado. Vamos pensar agora no movimento de mercado provocado pelos smartpho- nes. Na esteira da Apple, várias outras grandes empresas lançaram produtos similares, alguns até com mais funcionalidades que o iPhone. Contudo, em se tratando dos produtos da Apple, talvez você já tenha visto em alguma reportagem PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E52 pessoas dormindo em filas nas portas de lojas de departamento americanas, aguar- dando o lançamento de uma nova versão destes aparelhos. Consegue imaginar a frustração do consumidor se o produto não estiver disponível? É justamente aí que podemos fazer a ligação definitiva do Marketing com a Logística: não adianta despertar o desejo do consumidor em adquirir o pro- duto ou serviço se não damos conta de atender a demanda gerada. Ou, conforme Bowersox e Closs: [...] para que o esforço de marketing tenha sucesso, os produtos e servi- ços devem estar à disposição dos clientes. Em outras palavras, os clientes devem poder obter prontamente os produtos desejados. Para viabilizar as compras dos clientes, os recursos da empresa vendedora devem estar orientados para os clientes e para a disponibilidade dos produtos. [...] A logística deve assegurar a disponibilidade do produto ou do serviçoquando e onde o cliente deseja. Um ponto importante que devemos considerar no desafio das empresas atual- mente está na imensa variedade de produtos que são lançados a todo o momento. Esses produtos, devido à própria tecnologia, defasam-se com grande rapidez, exigindo uma grande flexibilidade nos processos logísticos. Esta entrada e saída contínua de produtos no mercado está vinculada à ideia de ciclo de vida do produto. Veja na figura a seguir, a representação visual do conceito de Ciclo de Vida do Produto. Figura 2 - Ciclo de Vida do Produto Fonte: Razzolini Filho (2012). A Capacidade de Atendimento ao Cliente Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 53 Observe que na figura temos fases bastante definidas da vida de um produto: a Introdução, o Crescimento, a Maturidade e o Declínio. Alguns produtos per- manecem no mercado por um tempo muito longo, porém, esses casos estão se tornando cada vez mais raros. Na verdade, as empresas trabalham com a ideia de obsolescência programada, ou seja, o produto é idealizado com a ideia de per- manecer por pouco tempo no mercado, para possibilitar sua substituição por outro mais moderno, com mais funcionalidades. O consumidor cada vez mais busca acompanhar esse movimento, muitas vezes não ganhando nada com a troca a não ser dívidas – mas essa já é uma outra discussão, em outro momento. Contudo, a ideia do ciclo de vida traz implicações claras para a logística. Por exemplo, na fase de Introdução, o desafio está em antecipar-se a uma demanda que ainda não tem registro histórico. Quem poderia supor o sucesso do iPad antes do seu lançamento inicial? Essa falta de previsão exige do marketing ações agressivas para despertar o interesse dos prospectivos clientes e da logística uma flexibilidade enorme para atender às contingências geradas por altas demandas não previstas. Todo o esforço do marketing pode se perder e até tornar o pro- duto um redundante fracasso se a logística não conseguir suprir os pontos de venda com o produto muito próximo ao consumo gerado. Os custos logísticos nessa fase tendem a ser maiores, pois, como ainda está se criando uma demanda e o produto está sendo apresentado ao mercado, é preciso formar uma imagem de confiabilidade, o que pode custar muito caro. Na fase de crescimento, a demanda já estará em um patamar em que é possível utilizar algum instrumento ou técnica de previsão e os custos são mais gerenciáveis. Busca-se aqui o ponto de equilíbrio entre os custos e a receita pro- duzida com as vendas. O crescimento nas vendas e a distribuição do produto em canais tradicionais possibilitam que a logística estabeleça uma economia de escala nas entregas, com a formação de lotes de entrega e roteirização das car- gas. Procura-se estabelecer um serviço básico ao cliente que dê apoio ao produto. Na fase de maturidade, consideramos que o produto sofre forte concorrência de produtos substitutos. Com a similaridade entre os produtos, os fornecedo- res procuram diferenciar suas estratégias, procurando fidelizar os clientes. Os clientes preferenciais são focados por meio de um esforço logístico diferen- ciado, o que geralmente custa muito mais caro. Nessa fase, também é comum PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E54 não se respeitar o fluxo tradicional fábrica->distribuidor->consumidor. Por vezes, existe a comercialização cruzada, em que é possível acordos entre distri- buidores, venda diretamente da fábrica ao consumidor final e outros arranjos (BOWERSOX; CLOSS, 2011). Na fase de declínio, o produto está para ser retirado do mercado e, por- tanto, as estratégias logísticas visam atender às demandas antevendo, contudo, uma restrição de distribuição. As parcerias logísticas devem levar em conta que o produto pode ser retirado do mercado a qualquer momento. NOÇÕES DO SERVIÇO PERFEITO A logística está envolvida de forma fundamental no serviço prestado ao cliente. Imagine que você tem uma loja que vende calçados. Você sabe que os seus clientes, principalmente as mulheres, observam as tendências da moda e buscam produ- tos para alinhar-se a estes movimentos. Quando um novo modelo faz sucesso em celebridades ou é mostrado com frequência em programas populares de TV, como as novelas, rapidamente você tem sua loja invadida por ávidas clientes em busca dessas novidades. Como sua experiência já mostrou, é preciso antecipar- -se às estações do ano, ou seja, seu produto – calçados – também possui uma característica de sazonalidade. Pois bem, você é visitado por vários representantes comerciais que trazem até você seus mostruários com diversos modelos, seguindo as tendências da moda. No entanto, a partir do momento em que você fecha uma compra com um representante comercial, dispara-se uma série de tempos que merecem nossa consideração. Veja na figura a seguir essa noção de tempos: Noções do Serviço Perfeito Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 55 Figura 3 - Lead time dos processos logísticos internos e externos Fonte: Martins e Alt (2009, p. 361). Veja que, a partir do momento em que o seu pedido é fechado com o represen- tante, começa-se a contar o que se denomina de LEAD TIME, que, por sua vez, é PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E56 subdividido em diversos outros lead times. Por Lead Time entendemos o tempo de processo. No seu caso, como dono da loja de calçados, o lead time que interessa mesmo é o Lead Time total, ou seja, do momento em que o pedido é tirado até o momento da efetiva entrega do produto no seu estabelecimento. É evidente que, para você, cliente da indústria de calçados, quando menor o lead time, ou seja, você terá mais rapidamente o produto no seu ponto de venda para atender seus clientes. O desafio para os fornecedores de produtos e serviços está justamente no gerenciamento desses lead times, visando aumentar a satisfação dos clientes. Isto está diretamente relacionado com a capacidade de prestação de ser- viço por parte da empresa fornecedora. A empresa fornecedora basicamente pode trabalhar com o atendimento ao cliente gerindo três fatores fundamen- tais, conforme destacados por Bowersox e Closs (2011): a disponibilidade, o desempenho e a confiabilidade. Se você é um gerente comercial, esses fatores deverão fazer parte de sua estra- tégia empresarial. Vamos entender cada um destes pontos. Por disponibilidade estamos nos referindo a, como o próprio termo sugere, ter o produto disponível, ou seja, em estoque, pronto para atender o cliente. Como cliente você certamente aprecia esta dimensão do atendimento. Muitas vendas são perdidas em razão do cliente buscar o produto em um ponto de venda e não encontrá-lo. O próprio desejo de compra do cliente pode desaparecer. Por outro lado, ter sempre o produto disponível requer que a empresa possua estoques deste produto suficientes para atender a demanda. Este é ponto sensível das ope- rações empresariais, pois modernamente se considera estoques como custo. Isto é, manter estoques significa que a empresa terá parte de seus recursos financei- ros em dinheiro indisponíveis na forma de estoque. Somente quando a venda for realizada e os recursos entrarem no caixa da empresa é que o recurso retornará. O problema é que este tempo de indisponibilidade de recursos tem custo para a empresa: o custo de oportunidade, que se refere a outras opções de investimento que a empresa teria – talvez até com retorno maior – do valor aplicado em esto- ques ou custo financeiro na forma de empréstimo de capital de giro que a empresa pode ser forçada a buscar nos bancos para bancar a manutenção destes estoques. Não é umadecisão muito simples, não é verdade? Bowersox e Closs (2011) chamam a atenção ao fato de que a tecnologia Noções do Serviço Perfeito Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 57 está auxiliando de forma decisiva este gerenciamento de estoques, permitindo que a empresa trabalhe com estoques mais baixos e com reposição eficiente no momento de necessidade. Estas questões abordaremos na unidade que tratará de gerenciamento de estoques e demanda. Além deste fator de custo, a disponibilidade trata também da distribuição geográfica de centros de distribuição (CD), se é que a empresa decidirá por man- tê-los. Para cobertura de grandes áreas geográficas, as empresas por vezes acham vantajoso manter CDs em pontos estratégicos, que reduzem as movimentações, com impactos positivos sobre o custo de transporte, já que os estoques ficarão mais próximos dos consumidores, normalmente, os pontos de venda de varejo. É claro que isso traz em outra ponta um aumento do custo de armazenagem e de inventário. A Unidade IV tratará destas questões. Outro fator relacionado à capacidade de prestação de serviços é o desempe- nho operacional. Os clientes formam uma expectativa em relação ao desempenho operacional dos seus fornecedores, principalmente quanto à velocidade e consis- tência na entrega. Alguns clientes possuem operações sensíveis que não podem sofrer descontinuidade de fornecimento, o que exige que seus parceiros comer- ciais proporcionem uma regularidade nas suas operações. Principalmente quando esses clientes operam pelo sistema just-in-time essa regularidade é ainda mais necessária. Just-in-Time é uma expressão que designa uma operação que é sincro- nizada com o fornecimento da matéria-prima e insumos no processo produtivo. Este tipo de configuração do processo produtivo possibilita uma redução signifi- cativa dos estoques (política de “estoque zero”) já que os fornecedores entregarão exatamente no momento em que o cliente programou a utilização destes itens na sua produção. Além disso, o desempenho operacional pode demandar certa fle- xibilidade por parte da empresa fornecedora, justamente porque o cliente pode alterar suas solicitações inesperadamente. De acordo com Bowersox e Closs (2011), é esperado que aconteçam falhas durante a execução dos processos logísticos. No entanto, o desempenho de entrega exige que a empresa tenha planos de contingência para lidar com esses desvios. Por último, temos a confiabilidade de serviço como fator de capacidade de prestação de serviços. Por confiabilidade de serviço entendemos a qualidade da logística em aspectos como a própria disponibilidade e desempenho operacional. PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E58 Em outras palavras, na confiabilidade de serviço garantimos que os outros dois fatores da capacidade de prestação de serviços aconteçam. Para isso, como ges- tor você precisa garantir um elevado e abrangente grau de acompanhamento e mensuração de suas operações. Seus processos devem estar “à mão”, por assim dizer, por você possuir indicadores de desempenho nos pontos críticos de seus processos logísticos. A filosofia da Gestão da Qualidade nos ensina que quem não mede está à deriva, ou, como dizem alguns autores, para quem não sabe para onde ir, qualquer lugar serve. Não é isso o que você deseja, não é mesmo? Portanto, os indicadores de desempenho estabelecidos por meio de objetivos e metas, claramente definidos, lhe proporcionarão um acompanhamento confiá- vel do seu nível de serviços ofertado aos seus clientes. Cabe aqui um alerta: os clientes têm valor diferente. Como assim? Não é muito difícil entender isso. Imagine que em suas operações comerciais você tenha um cliente pessoa física que compre regularmente de sua empresa um valor de R$10,00 por dia, proporcionando uma margem de lucro de 30%. Outro cliente, corporativo, também compre diariamente um valor de R$1.000,00 com a mesma margem de lucro do cliente anterior. Os dois clientes são importantes, os dois trazem rentabilidade para sua empresa, no entanto, eles têm valor diferente, jus- tamente pelo volume de compras. É evidente que você não desprezará o cliente que compra R$10,00 por dia. Você sempre enxergará esse cliente em um rela- cionamento de longo prazo (imagine, por exemplo, esse cliente em um espaço de tempo de 30 dias -> 30 dias x R$10,00 = R$300,00 no mês. No ano seriam 12 meses x R$300,00 = R$3.600,00. Em dez anos, esse cliente lhe proporcionará -> 10 anos x R$3.600,00 = R$36.000,00. Nada mau, não é?). Você abriria mão de uma receita dessas? Poucas empresas fazem essa conta, desprezando clientes que compram valores menores. Isso é um erro! Apesar desse fato, você terá que ofer- tar um maior nível de serviço ao cliente que compra um volume maior, pois este cliente lhe traz uma rentabilidade comparativamente em termos de volume tam- bém maior. Tentar atender com o mesmo nível de serviços um cliente pequeno e um cliente grande certamente trará dificuldades, podendo comprometer a capa- cidade de atendimento do cliente com maior potencial. Indicadores de Desempenho Logístico Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 59 INDICADORES DE DESEMPENHO LOGÍSTICO Relacionado com o que comentamos anteriormente, uma tendência das empre- sas na atualidade é buscar o que passou a ser conhecido como o atendimento de pedido perfeito (BOWERSOX; CLOSS, 2011). Essa é uma ideia originária da Gestão da Qualidade chamada de Zero Defeito, que pressupõe que as pessoas, uma vez treinadas e capacitadas, podem executar um serviço correto na primeira vez. Para que isso seja possível, é importante que todas as etapas do atendimento ao cliente sejam executadas de maneira perfeita, sem erros, tanto na fase ope- racional como em fases complementares, mas igualmente essenciais, como o faturamento, por exemplo, que deve ser executado de forma exata. Wood et al. (1998, apud GIACOBO; ESTRADA; CERETTA, 2003, p. 5) nos auxiliam a entender a importância do serviço ao cliente, especialmente aquele classificado como serviço perfeito. Para esses autores, serviço ao cliente [...] é o conjunto de atividades desenvolvidas pela empresa na busca da satisfação dos clientes proporcionando, ao mesmo tempo, uma per- cepção de que a empresa pode ser um ótimo parceiro comercial. Neste sentido, busca-se oferecer capacidades logísticas alternativas com ênfa- se na flexibilidade, na agilidade, no controle operacional e no compro- misso de alcançar um nível de desempenho que implique um serviço perfeito. PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E60 Essas capacidades logísticas em busca do serviço perfeito têm a ver com o acionamento de uma cadeia de suprimentos muito bem estruturada, que com- põe o ciclo logístico, e que pode ser visualizada, por exemplo, na figura a seguir: Figura 4 - O ciclo logístico Fonte: Giacobo, Estrada e Ceretta (2003). Considerando que os clientes têm valor diferente, você já pode ter concluído que para somente uma pequena parcela de seus clientes podem ser estabeleci- das parcerias desta magnitude. Certamente será com aqueles clientes que lhe proporcionam maior rentabilidade e possibilidade de fidelização que você assu- mirá um compromisso de atendimento com serviço perfeito. Isto porque, para ofertar esse nível de serviços, pode ser exigido que você tenha uma flexibilidade considerável, até mesmo executando atividades que normalmente não são rea- lizadas no dia a dia com os clientes medianos. Isto custa caro. Bowersox e Closs (2011, p. 79) relatam o que a 3M executa para seus clien- tes de maior valor, classificados como membros de seu “Clubede Platina”: [...] como reconhecimento da lealdade de seus clientes mais destacados ou que geram maior volume, o setor de fitas industriais da 3M identifica esses clientes como membros do “Clube de Platina”. Entre outras coisas, ser um cliente de platina significa que a 3M tem o compromisso de for- Indicadores de Desempenho Logístico Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 61 necer sempre a quantidade exata de todos os produtos solicitados dentro de um prazo predeterminado. Para alcançar esse desempenho de pedido perfeito, a 3M implementou uma variedade de procedimentos de con- tingência para obter o estoque necessário, de modo a atender o pedido de um cliente de platina, ainda quando o estoque não está disponível no depósito onde deveria estar. Esses métodos variam da transferência de estoque de locais secundários até a procura de produtos em outras ins- talações da 3M no mundo inteiro e, quando apropriado, a entrega direta por meio de um serviço de transporte de alta qualidade. Em determina- das situações, o estoque vendido anteriormente para outros “membros do clube de platina” é “tomado emprestado” para atender às necessidades de um novo pedido. A meta é nunca ter um pedido pendente de um item, o que torna, assim, bem claro que a 3M se empenha em fazer tudo para tornar o serviço perfeito, realidade para um membro do clube de platina. O objetivo da estratégia do pedido perfeito é criar lealdade do cliente para com a 3M e não dar oportunidade à concorrência. Portanto, antes de pensar em oferecer um serviço perfeito aos seus clientes, você deve ter muito claro o grau ou a margem de contribuição desses clientes para sua empresa. Somente os clientes que oferecem um elevado retorno é que serão objeto deste tratamento. No entanto, você sempre poderá perseguir a melhoria contínua de seus pro- cessos logísticos, com uma análise constante da forma como você executa suas atividades, analisando possíveis gargalos e desperdícios, estabelecendo medi- das de desempenho com metas realistas e que proporcionem um diferencial em relação ao que é praticado pela concorrência. VALOR AGREGADO NO SERVIÇO AO CLIENTE Até o momento, você foi apresentado à noção de serviço básico ao cliente, aquele que você oferecerá a todos, indistintamente, e ao serviço perfeito, destinado a uma parcela pequena de seus clientes com rentabilidade superior. Entretanto, é cada vez mais comum no relacionamento com clientes – e neste caso a logística desempenha um papel-chave – o que se convenciona chamar de serviço com valor agregado. O que é, afinal de contas, agregar valor a um serviço? Basicamente podemos entender como a capacidade de ofertar serviços acima do óbvio ou do esperado. É PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E62 o ato de adicionar atividades ou tarefas que sejam reconhecidas pelos clientes como sendo de valor superior. Não é oferecer brindes ou prêmios, que se enquadrariam melhor como uma ação mercadológica. Na verdade, agregar valor é fazer o ser- viço de forma que contribua para a obtenção de vantagens por parte de seu cliente. Com isso em mente, podemos pensar em uma série de possíveis serviços em que a logística poderia proporcionar essa agregação de valor. Um exemplo, bastante simples, é o caso de um controle de estoques por parte do fornecedor. Imagine que você tenha uma operação que utiliza determinado item no processo produtivo, item esse que não pode, em nenhuma hipótese, faltar. O que seria agregar valor por parte do fornecedor? Seria o caso de este fornecedor controlar a reposição do estoque desse item de modo a mantê-lo em um nível adequado aos processos do cliente. Outro exemplo seria o prestador de serviços de armazenagem, que poderia ofertar a seu cliente o fracionamento de produtos a granel, embalando-os em unidades menores para entrega na rede de distribuição deste cliente. Podemos pensar também em entregas com hora marcada, em promoções ofertadas a seus clientes nos seus pontos de venda e inúmeros outros tipos de atividades que, pensadas pelo lado da adição de valor, podem ser valorizadas por seus clientes. A ideia é criar uma exclusividade, um diferencial, que dificil- mente poderia ser seguido pelos seus concorrentes. Agregar valor ao cliente não precisa ser algo que consuma grandes inves- timentos de uma empresa. Ações bem planejadas, com baixíssimo desem- bolso podem ser adotadas, como trocar um canudo de plástico por um de papel para atender clientes exigentes do ponto de vista ambiental. Fonte: o autor. Indicadores de Desempenho Logístico Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 63 O DESEMPENHO LOGÍSTICO Como você pode perceber no que discutimos até agora, ter um controle eficiente de seus processos é essencial para garantir sua eficiência e eficácia logística. Nesse ponto, os Indicadores de Desempenho (em muitas literaturas você encontrará a expressão KPI – de Key Performance Indicator, ou Indicador-chave de Sucesso) serão ferramentas essenciais para municiar os gestores de controles quanto aos seus processos críticos, ou seja, aqueles processos que são vitais para o sucesso da organização. É muito importante, para se estabelecer esses Indicadores de Desempenho de forma assertiva, que você conheça claramente os seus processos. Identificando os seus processos críticos, é importante também ter em mente quais são os objetivos globais para sua empresa. Esses objetivos são estabeleci- dos de acordo com a visão de longo prazo de sua empresa. Por exemplo, você talvez estabeleça que sua empresa deseje ser “a melhor distribuidora de produ- tos para higiene e limpeza do sudeste do Brasil até o ano de 2030”. É uma visão ousada. Na verdade, você estabeleceu um marco no tempo em que pretende se comparar com os seus concorrentes e, nessa comparação, ser avaliado como o melhor do seu setor. PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E64 Evidentemente estabelecer essa visão é importante, porque direciona os esforços da empresa para perseguir esse objetivo. No entanto, sabemos que não se atinge o topo da escada em um único salto. É preciso fazer isso degrau por degrau. Podemos comparar esses degraus com metas de curto e médio prazo que você buscará atingir, contribuindo para o atingimento do seu objetivo de longo prazo. As metas de curto e médio prazo devem estar obrigatoriamente alinha- das com o objetivo maior, de longo prazo. Contudo, um alerta: se você estabeleceu que quer ser a “melhor” empresa de um determinado segmento, você precisa saber em que consiste esse “melhor”. É muito complexo ser o melhor em tudo. As empresas normalmente estabele- cem critérios de desempenho em que pretendem se diferenciar e se distanciar da concorrência. Esses critérios, na maioria das vezes, estão relacionados com 6 pontos essenciais, destacados por Tubino (1999), indicados no quadro a seguir: Quadro 1 - Critérios de desempenho empresarial CRITÉRIO DESCRIÇÃO CUSTO Produzir bens/serviços a um custo mais baixo do que a concorrência. QUALIDADE Produzir bens/serviços com desempenho de qualidade melhor que a concorrência. DESEMPENHO DE ENTREGA Ter confiabilidade e velocidade nos prazos de entrega dos bens/ser- viços melhores que a concorrência. FLEXIBILIDADE Ser capaz de reagir de forma rápida a eventos repentinos e inespera- dos. INOVATIVIDADE Capacidade de o sistema produtivo introduzir de forma rápida em seu processo produtivo nova gama de bens e/ou serviços. MEIO AMBIENTE Consiste em se ter um sistema de produção integrado ao meio ambiente, com o compromisso de uma produção ambientalmente correta. Fonte: adaptado de Tubino(1999). Como é muito complexo atender de forma excepcional todos os critérios, as empresas costumam focar um ou mais de acordo com sua capacidade de aten- dimento aos requisitos do cliente, justamente alinhando este foco àquilo que o cliente realmente atribui valor. Para as operações logísticas, costumam ser valo- rizados os critérios: custo, desempenho de entrega e flexibilidade. Não que os demais critérios não tenham sua importância, mas para a logística, esses três, sem dúvida, tem um peso muito grande. Indicadores de Desempenho Logístico Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 65 Dependendo do nível de gestão de sua empresa, é possível ter uma exce- lente avaliação dos clientes nestes quesitos (buscando ser o “melhor”) sem, contudo, abrir mão totalmente dos outros critérios, que, neste caso, teriam um foco menos intenso. Entretanto, você talvez se pergunte como fazer para estabelecer na prática um acompanhamento efetivo destes critérios. A resposta se relaciona com o estabe- lecimento de indicadores de desempenho que expressem esses direcionamentos de excelência que você, como gestor, decidiu. Lembrando que um indicador de desempenho é uma métrica, na qual existe a comparabilidade de um desempenho projetado com o desempenho efetivo. Ter indicadores é extremamente útil para aplicação de outras ferramentas de melhoria ou padronização de processos. Uma ferramenta muito utilizada é o benchmarking, que consiste em buscar referenciais de excelência em empresas que tenham processos semelhantes ao que se deseja comparar. Há diversas propostas de estabelecimento de indicadores logísticos. Podemos imaginar uma proposta que envolva alguns dos principais processos logísticos de uma organização do varejo, conforme demonstra a figura a seguir: Figura 5 - Indicadores de desempenho de processos logísticos Fonte: Ferreira (2005 apud MERLO, 2011). Os indicadores demonstrados nessa figura são essenciais para assegurar um nível de serviços que possa ser considerado como de nível superior pelos clientes. Na prática, poucos gestores têm à mão os controles desses processos. PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E66 Outros autores detalham ainda mais esses indicadores, incluindo proces- sos internos e externos à organização. Para exemplificar essa afirmação, Ângelo (2005) apresenta assim essa divisão: Quadro 2 - Processos dos indicadores internos e externos AMBITO PROCESSOS Interno Monitoram o desemenho dos processos internos à empresa (Ex.: giro de estoques, ruptura de estoque etc.) Externo Monitoram o desempenho dos serviços prestados pelos parceiros (fornecedores) da empresa. (Ex. entregas realizadas dentro do prazo, tempo de ressuprimento do fornecedor etc.) Fonte: Ângelo (2005). Entendendo essa classificação, é preciso que o gestor busque estabelecer aque- les indicadores que sejam realmente críticos para o sucesso da organização. Dependendo do segmento em que atua, do porte da organização, dos produtos comercializados, pode ser que alguns indicadores não sejam aplicáveis a uma determinada empresa. Para que esses indicadores possam ser funcionais, isto é, que sejam represen- tativos daquilo que se pretende demostrar, vale aqui uma recomendação essencial: não existem controles confiáveis sem informações confiáveis. Portanto, meu caro, o fluxo de informações fidedignas é componente básico, matéria-prima funda- mental, no estabelecimento de indicadores de desempenho. Para garantir isso, talvez a empresa precise de fato investir em sistemas infor- matizados que possam ser implantados em todas as fases dos processos logísticos, pois, dependendo da complexidade das operações da empresa, controles manuais além de não serem práticos, são extremamente imprecisos, para dizer o mínimo. Sem dúvida, um indicador fundamental para qualquer empreendedor é o Retorno sobre o Investimento (RSI ou, mais comumente representado pela sigla em inglês, ROI – Return on Investiment). Esse indicador é uma boa forma para qualquer investidor (incluindo o empreendedor, dono do negócio) avaliar se os resultados obtidos compensam o risco assumido. Muitos tipos de investimento possuem um retorno aceitável para quem colocou seu dinheiro nessa opção, inclusive a opção de ser dono de uma empresa. Indicadores de Desempenho Logístico Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 67 Ao se buscar o ROI considerando os processos logísticos, uma forma de se apurar é dividir o lucro obtido em um determinado período pelo ativo total da empresa. A figura, a seguir, nos auxilia a visualizar essa relação. Figura 6 - Impacto da logística sobre o ROI Fonte: Wanke e Magalhães (2012). Considerando essa figura, percebe-se que o lucro será maior se a receita de ven- das, amparada em um serviço ao cliente de nível excelente, for deduzida de custos menores proporcionados por uma eficiência logística superior. Pelo lado do ativo total, caso a gestão de estoques for efetiva, mantendo níveis adequa- dos ao atendimento às necessidades dos clientes, sem excessos, contribui para os níveis de disponibilidade de caixa sejam maiores, facilitando as operações. O resultado final será um ROI atrativo, quando calculado na divisão do lucro pelo ativo total. Interessante esse cálculo, não acha? Para que o ROI seja compensador, que outros cálculos você imagina que o gestor ou empreendedor deva fazer com relação às suas alternativas de investimento? PERSPECTIVAS DO SERVIÇO AO CLIENTE Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E68 Quando focamos especificamente o nível de serviços ao cliente do varejo, algumas métricas, que podem se transformar em indicadores, certamente serão extremamente úteis. Theodoras et al. (2005 apud MERLO, 2011, p. 241) identi- fica essas medidas. São elas: ■ Entrega no tempo. ■ Informação sobre problemas no pedido (habilidade de notificação de irre- gularidade em pedidos por telefone, fax ou e-mail). ■ Disponibilidade de produto. ■ Manipulação eficiente de pedidos dos clientes. ■ Pedido completo. ■ Fatura sem erro. ■ Entrega dos produtos sem defeitos. ■ Manipulação eficiente dos pedidos de emergência ou express (associada não somente com a exatidão da entrega, mas igualmente com a veloci- dade em que é realizada, considerando que os pedidos express estabelecem entregas para o mesmo dia da colocação do pedido). ■ Manipulação eficiente de produtos retornados. ■ Fornecimento de informação sobre os produtos (por exemplo, datas de validade, condições de temperatura, assistência técnica prestada pelo fornecedor). Dependendo do segmento de varejo que considerarmos, podem ser aprovei- tadas quase todas essas métricas, ou, conforme o caso, o gestor pode chegar à conclusão que deve criar uma métrica específica, de acordo com sua realidade de mercado. O importante aqui é ter os processos logísticos à mão. O importante é que o gestor conheça seu negócio a ponto de entender quais são os fatores críticos de sucesso da sua organização! Grande abraço! Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 69 CONSIDERAÇÕES FINAIS Concluímos essa unidade com um fundamento bem estabelecido, é preciso oferecer ao cliente um nível de serviço de elevada qualidade, de valor superior, se nossas empresas realmente desejarem se tornar a preferida desse cliente no momento de escolha. Saiba que isso não é uma tarefa simples. Entender o que agrega valor para o cliente pode ser desafiador, pois as expectativas do cliente e do empresário podem ser diferentes. Além disso, oferecer um nívelde serviços superior, quando se fala especificamente dos processos logísticos, tem um custo mais elevado e é preciso certificar-se que o cliente está disposto a pagar por isso, ou mesmo se vale a pena oferecer esse nível de serviços superior a todos os seus clientes. Como vimos, os clientes têm valores diferentes. Queremos que todos conti- nuem conosco, mas os que apresentam maior rentabilidade devem receber uma atenção especial. Muitos empresários não fazem ideia de como suas ações podem impactar na satisfação do cliente, muito menos como medir essa satisfação. Podem inves- tir grandes somas para priorizar alguns aspectos de suas operações que não são valorizados pelos seus clientes e deixam de investir em áreas prioritárias, críti- cas que recebem rapidamente uma avaliação negativa pelo mercado. Por isso, vale aqui uma recomendação do filósofo grego Sócrates que dizia: “Conhece-te a ti mesmo”. Isto vale também para suas operações logísticas. Você precisa conhecer sua capacidade para saber qual o nível de serviços é capaz de oferecer aos seus clientes. Sem essa noção, você cairá no mesmo erro cometido pelos empresários que mencionei anteriormente. Reforça-se então uma das recomendações mais importantes: entender o que pode agregar valor ao seu serviço que pode ser positivamente avaliado pelos seus clientes. Fazendo isso, sua chance de sucesso aumentará tremendamente neste mer- cado tão disputado o qual você está inserido. Muito sucesso! 70 1. Identificada a necessidade do cliente, uma série de processos são disparados, envolvendo tempos de processamento chamados lead times. Os processos lo- gísticos também possuem seus lead times e fatores que devem ser administra- dos, como disponibilidade, desempenho e confiabilidade. Sobre este assunto, leia as afirmativas a seguir: I. Quando a empresa tem o produto prontamente para atender seu cliente, referimo-nos ao fator disponibilidade. II. A indisponibilidade dos recursos financeiros aplicados em estoque é avalia- da sob a perspectiva do custo de oportunidade. III. A disponibilidade está relacionada ao nível de estoque, que representam alta disponibilidade de recursos financeiros em espécie. IV. Confiabilidade de serviço tem a ver com o bom desempenho em fatores como o desempenho operacional e a disponibilidade. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 2. Se você tem um pouco mais de idade, talvez se lembre das geladeiras de sua mãe ou avó, que foram compradas com muito sacrifício e que duraram, certamente, muitos anos. As empresas, no entanto, preferem que seus clientes troquem seus produtos constantemente, pois isso produz um ciclo econômico que mantém a produção, consumo e geração de renda. Estamos nos referindo aqui ao conceito de Ciclo de Vida dos Produtos (CVP). Considerando o ciclo de vida do produto, avalie as duas asserções a seguir e a relação proposta entre elas. I. O desafio da fase de introdução do produto no CVP é não se ter registro histórico da demanda. II. Na fase de instrução do CVP, o marketing precisa despertar o interesse dos clientes e a logística precisa ter uma grande flexibilidade para atender de- mandas não previstas. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justifica- tiva da I. 71 c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 3. Quando você planeja comprar um produto, vai até uma loja, encontra exata- mente o que quer adquirir a um preço que aceita pagar e esse produto é en- tregue no local e no prazo combinado, certamente seu grau de satisfação é elevado. As empresas buscam proporcionar um nível de serviços que resulte nessa satisfação. Chegou, em alguns casos, a empresa a buscar e prestar o que se denomina de serviço perfeito. Sobre esse tipo de serviço, leia as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I. Para oferecer o serviço perfeito, é necessário ênfase na agilidade em ques- tões como flexibilidade, agilidade e desempenho operacional. II. O serviço perfeito requer que todas as etapas do atendimento ao cliente, tanto na fase operacional quanto complementar sejam executados sem erro. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa cor- reta da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justifica- tiva correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 4. O serviço perfeito é custoso para a empresa e, por conta disso, não pode ser ofertado indiscriminadamente. No entanto, agregar valor é possível, o que tor- na a empresa uma opção a ser considerada pelos consumidores. Sobre esse tema, leia as afirmativas a seguir: I. Agregar valor ao serviço é executar o serviço exatamente no nível esperado pelo cliente. II. Oferecer sacolas plásticas não recicláveis em um supermercado é agregar valor ao cliente. III. Oferecer o controle de reposição de produtos essenciais pode ser considera- do um serviço de valor agregado ao cliente. IV. O fornecedor que entrega em um horário predeterminado pelo cliente está ofertando serviço com valor agregado. 72 É correto o que se afirma em a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 5. Atender de forma superior em todas as frentes possíveis de desempenho é extremamente difícil e, por isso, as empresas normalmente optam por ter de- sempenho superior em algumas áreas específicas. A respeito dessas áreas de desempenho empresarial, leia as afirmativas a seguir: I. O critério qualidade envolve produzir bens e serviços com qualidade supe- rior à da concorrência. II. Quando nos referimos à flexibilidade, estamos abordando questões como agir de forma rápida a eventos inesperados e repentinos. III. Ter desempenho superior em custo significa oferecer bens e serviços com custo mais baixo que a concorrência. IV. Ao ter uma produção ambientalmente correta, a empresa busca ser superior no critério meio ambiente. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 73 SITE CHINÊS LIDERA VENDAS NA INTERNET BRASILEIRA Um artigo publicado no portal da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing – traz o ilustrativo caso do site chinês Aliexpress. Você já fez compra nesse site? Se você fez, juntou-se a outros milhões de brasileiros que compram desse braço do gigante Ali- baba. Em um ano recente (2014), esse portal vendeu mais unidades que os do grupo B2W, que reúne as marcas Americanas.com e Submarino. O ticket médio, no entanto, fica abaixo do registrado por portais nacionais. Em 2015, o ticket médio era de cerca de R$33,00 contra um pouco mais de R$300,00 dos portais nacionais. Mesmo assim, o faturamento em um único trimestre do Aliexpress passava de R$330 milhões. Outro dado interessante a ser analisado nesse crescimento é que os sites chineses de e-commerce investem muito menos em propaganda do que os sites nacionais. O inves- timento é da ordem de 1/10 em uma conta aproximada. Credita-se o sucesso dos sites chineses muito mais ao famoso “boca a boca” do que necessariamente a investimentos em divulgação em mídias. O Aliexpress nada mais é do um marketplace, ou seja, um local na internet que reúne de- zenas, centenas de vendedores para que tenham um canal único de vendas. Pequenos vendedores do país asiático podem colocar seus produtos em um portal que faz parte do maior grupo dee-commerce do mundo. Para se ter ideia da força do Alibaba em termos globais, essa empresa, em 2009, criou o “dia do solteiro”. Na edição de 2017, em apenas 24 horas, o site teve uma receita de US$25,3 bilhões, o que é superior ao PIB do Afeganistão ou de Honduras. No pico de vendas do dia, foram contabilizados 256 mil pagamentos por segundo. Um dos problemas apontados para a operação plena do portal justamente é a questão logística, já que os envios são direcionados aos Correios brasileiros que facilmente en- tram em situações de gargalos de entrega. Alguns consumidores se queixam que enco- mendas chegam a demorar 2 a 6 meses para serem entregues. É bom não comprar nesse portal se você tem uma data específica em mente para presentear alguém e se essa data estiver próxima. De toda forma, porém, os consumi- dores acabam enxergando vantagens, sendo o preço e variedade os grandes atrativos. Fonte: adaptada de ESPM (2014, on-line)1. MATERIAL COMPLEMENTAR Indicadores de Desempenho – KPI – são essenciais para uma gestão efetiva. O gestor não pode abrir mão de possuí-los e eles precisam ser bens construídos. Conheça como formular KPIs no endereço acessando o material. Web: <http://www.guiadotrc.com.br/logistica/indicadores_desempenho_logistica. asp>. Fome de poder (2017) Ano: Lorem ipsum Sinopse: a história da ascensão do McDonald’s. Após receber uma demanda sem precedentes e notar uma movimentação de consumidores fora do normal, o vendedor de Illinois Ray Kroc (Michael Keaton) adquire uma participação nos negócios da lanchonete dos irmãos Richard e Maurice “Mac” McDonald no sul da Califórnia e, pouco a pouco eliminando os dois da rede, transforma a marca em um gigantesco império alimentício. Comentário: o fi lme, que conta a história de desenvolvimento do gigante de alimentos McDonald’s, retrata como um nível de serviços que vai ao encontro do que o cliente deseja pode se tornar uma fórmula de sucesso para as empresas. Administração de materiais e recursos patrimoniais (2011) Petrônio G. Martins e Paulo R. C. Alt Editora: Saraiva Sinopse: Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais é um livro inédito no mercado, pois, diferentemente da abordagem tradicional, voltada à ‘velha’ Administração de Materiais, foi estruturado de forma a atender às exigências do novo currículo da disciplina, destacando as recentes transformações na área. REFERÊNCIAS 75 ÂNGELO, L. B. Indicadores de Desempenho Logístico. Florianópolis: GELOG – UFSC, 2005. BOWERSOX, D. J. et al. Gestão Logística da Cadeia de Suprimentos. 4. ed. Porto Alege: AMGH, 2013. BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística Empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2011. GIACOBO, F.; ESTRADA, R.; CERETTA, P. S. Logística reversa: a satisfação do cliente no pós-venda. Revista Eletrônica de Administração, [S.l.], v. 9, n. 5, set. 2013. Dis- ponível em: <http://www.seer.ufrgs.br/index.php/read/article/view/42642/27029>. Acesso em: 16 ago. 2018. GONÇALVES, P. S. Logística e cadeia de suprimentos: o essencial. Barueri: Manole, 2013. MARTINS, P. G.; ALT, P. C. Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. GRANT, D. B. Gestão de Logística e Cadeia de Suprimentos. São Paulo: Saraiva, 2013. MERLO, E. M (Org.). Administração de varejo com foco em casos brasileiros. Rio de Janeiro: LTC, 2011. RAZZOLINI FILHO, E. Gestão de produtos para a gestão comercial: um enfoque prático. Curitiba: InterSaberes, 2012. Tubino, D. F. Sistemas de Produção: a produtividade no chão de fábrica. Porto Ale- gre: Bookman, 1999. WANKE, P. F.; MAGALHÃES, A. Logística para micro e pequenas empresas. São Pau- lo: Atlas, 2012. REFERÊNCIA ON-LINE 1 Em: <http://varejo.espm.br/12521/site-chines-lidera-volume-de-vendas-na-web- -brasileira>. Acesso em: 16 ago. 2018. GABARITO 1. D. 2. A. 3. A. 4. C. 5. E. GABARITO U N ID A D E III Professor Me. Paulo Pardo MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar os diversos modais de transporte. ■ Conhecer os PSL – Prestadores de serviço logístico. ■ Compreender o conceito de SUPPLY CHAIN MANAGEMENT. ■ Analisar as implicações da globalização das operações logísticas. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Entendendo os modais de transporte ■ Os prestadores de serviços logísticos ■ Analisando o SUPPLY CHAIN MANAGEMENT ■ Globalização nos serviços logísticos INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), uma empresa precisa ter como objetivo atender às necessida- des de seus clientes, ofertando um serviço de nível superior a estes. Esse serviço está diretamente ligado ao ato da entrega dos produtos e serviços, sendo um momento sensível para empresa e cliente, pois todo o esforço despendido para o ato da venda, com a obtenção da escolha do cliente, pode cair por terra se a experiência de entrega for ruim, deficiente. Por conta disso, é fundamental entender a dinâmica de entrega do fluxo de mercadorias que acontece por meio dos modos ou modais de transporte. Em uma economia sadia, há uma variedade gigantesca de produtos que são consu- midos o tempo todo e demandados por pessoas e empresas que podem estar em literalmente qualquer lugar do mundo. Nem todo o modal se presta para qualquer tipo de produto. Alguns produ- tos são volumosos, outros tem um volume muito pequeno, alguns são imunes aos danos de manuseio e transporte, enquanto outros são altamente sensíveis e tem um valor agregado muito elevado. Só essas informações já seriam suficientes para que você entenda que é necessário escolher bem o modal destinado ao transporte, ao mesmo tempo que é preciso estabelecer um gerenciamento sobre todo o processo logístico, que envolve diferentes atores que podem ter interesses conflitantes. Entra, nesse ponto, a noção de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (GCS) ou, no termo mais comum de mercado e acadêmico, o Supply Chain Management. Essa é uma abordagem natural para organizações que se rela- cionam de modo a tornar o produto disponível onde, quando e nas condições esperadas pelos clientes. Abordaremos nesta unidade também os desafios à logística que a globaliza- ção nos trouxe. Não se pode mais falar em logística apenas em nível local. Seus concorrentes não são seus vizinhos de bairro ou de cidades próximas. Seus con- correntes estão espalhados pelo mundo todo, ansiosos de abocanhar uma parte de seus clientes. Bons estudos! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 79 MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E80 ENTENDENDO OS MODAIS DE TRANSPORTE As cargas a serem transportadas podem ter naturezas diversas. Isso impacta direta- mente na escolha do modal de transporte. As cargas podem ser assim classificadas: Quadro 1 - Tipos de carga TIPO DE CARGA CARACTERÍSTICAS Carga geral Carga embarcada, com marca de identificação e contagem de unida- des, podendo estar solta ou unitizada. Soltas (não unitizadas): itens avulsos, embarcados separadamente em embrulhos, fardos, pacotes, sacas, caixas, tambores etc. Esse tipo de carga gera pouca economia de escala para o veículo transportador, pois há significativa perda de tempo na manipulação, no carregamento e descarregamento provo- cados pela grande quantidade de volumes. Unitizadas: agrupamento de vários itens em unidades de transporte. Carga a granel (sólida ou líquida) Carga líquida ou seca embarcada e transportada sem acondiciona- mento, sem marca de identificação e sem contagem de unidades, por exemplo: petróleo, minérios, trigo, farelos e grãos etc. Carga frigorifi- cada Necessita ser refrigerada ou congelada para conservar as qualidades essenciais do produto durante o transporte, porexemplo: frutas fres- cas, pescados, carnes etc. Carga perigosa Aquela que, por causa de sua natureza, pode provocar acidentes, da- nificar outras cargas ou os meios de transporte, ou ainda, gerar riscos para as pessoas. É dividida pela Organização Marítima Consultiva Inter- nacional (IMCO) segundo as seguintes classes: I. explosivos; II. gases; III. líquidos inflamáveis; IV. sólidos inflamáveis; V. substâncias oxidantes; VI. substâncias infecciosas; VII. substâncias radioativas; VIII. corrosivos; IX. variedades de substâncias perigosas. Neogranel Carregamento formado por conglomerados homogêneos de merca- dorias, de carga geral, sem acondicionamento específico, cujo volume ou quantidade possibilita o transporte em lotes, em um único embar- que. Por exemplo: veículos. Fonte: adaptado de Caxito (2014). Entendendo os Modais de Transporte Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 81 Agora que sabemos a classificação das cargas, vamos voltar aos tipos de modal. A palavra modal vem de modo ou maneira de transportar cargas de um ponto a outro. Fisicamente, só podemos transportar as cargas dessas maneiras: 1) Via água (transporte aquaviário). 2) Via ar (transporte aéreo). 3) Via terra (transporte terrestre). 4) Via digital (meio eletrônico). A partir de agora, nossos estudos se voltarão para entender esses grupos e suas subdivisões, fundamentais para termos as competências necessárias para a tomada de decisão na escolha do modal de transporte adequado às necessidades da empresa e dos clientes. MODAL AQUAVIÁRIO O modal aquaviário, como o nome sugere, utiliza-se da água como meio para esta- belecer o fluxo de cargas. Os autores costumam também designar esse modal por transporte ou modal hidroviário. Esse transporte comumente recebe algumas sub- divisões, que são o marítimo (via mar), o fluvial (via rios) e o lacustre (via lagos). Na subdivisão do transporte marítimo, podemos também estabelecer dois segmentos: transporte de longo curso e de cabotagem. O transporte marítimo de longo curso é o responsável pelo maior fluxo de nossas exportações, com embarque nos portos brasileiros com destino a outros países. Por outro lado, o transporte de cabotagem representa a movimentação de cargas entre portos de um mesmo país. Vários organismos nacionais e internacionais participam na regulação e super- visão do transporte aquaviário, especialmente o de cabotagem e de longo curso. Por exemplo, temos a IMO (International Maritime Organization) um órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU) que tem a função de pro- mover a segurança no mar, além de observar a eficiência no transporte por esta modalidade e cuidar na prevenção da poluição das águas dos mares por aciden- tes ou más condições das embarcações (DIAS, 2015). MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E82 De acordo com Dias (2015), no Brasil temos os seguintes órgãos encarregados de regular o transporte por este modal, descrito no Quadro 2, a seguir: Quadro 2 - Órgãos reguladores do Transporte Aquaviário no Brasil ÓRGÃO SUBORDINAÇÃO ATRIBUIÇÕES MT - Minis- tério dos transportes Presidência da Repú- blica É o órgão máximo no país, responsável por todos os tipos de transporte (modais). Tem como missão controlar e fiscalizar tudo que diga respeito a essa atividade. ANTAQ - Agência Nacional de Transportes Aquaviários Secretaria dos Por- tos da Presidência da República (órgão que tem o status de ministério) É responsável por regular, supervisionar e fiscalizar as atividades de prestação de serviços de trans- porte aquaviário e de exploração da infraestrutura portuária equaviária. DIMM - De- partamento da Marinha Mercante Secretatira de Fomento para Ações de Transporte do Minitério dos Trans- portes Responsável pelo controle dos registros de arma- dores, fretes, acordos bilaterais, conferências de fretes e outros assuntos reguladores do transporte marítimo brasileiro. TM - Tribunal Marítimo Comando da Ma- rinha Julgar os acidentes e fatos da navegação marítima, fluvial e lascustre e ainda manter o Registro da Propriedade Marítima, de armadores de navios bra- sileiros, do Registros Especial Brasileiro (REB) e dos ônus que incidem sobre as embarcações nacionais. Fonte: adaptado de Dias (2015). Entendendo os Modais de Transporte Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 83 Quem realiza o transporte marítimo é o armador, que pode ou não ser o proprie- tário dos navios. Armador denomina-se aquele que física ou juridicamente, com recursos próprios, equipa, mantém e explora comercialmente as embarcações mercantis. É a empresa proprietária do navio que tem como objetivo transportar mercadorias. O armador assume todas as responsabilidades sobre a carga, forne- cendo ao embarcador um documento, um contrato, chamado de Bill of Lading – B/L. Além deste componente do transporte marítimo, Dias (2015) destaca tam- bém os seguintes, como pode ser visto no quadro a seguir: Quadro 3 - Atores importantes no transporte marítimo Agência Marítima Empresa que representa o armador em determinado país, estado ou porto. Terminal de Cargas Local especializado no armazenamento, na initização e na estufagem de contêineres, e na movimentação de cargas para embarques e desembarques, localizados na maior parte fora das áreas primárias portuárias. São utilizados também por armadores para armazenagem de contêine- res vazios a serem entregues aos embarcadores. Transitários/Freight Forwarder Prestador de serviços que está habilitado a fazer por seu cliente um trabalho completo porta a porta, desde a retirada da carga na origem, do vendedor, exportador, até a entrega no destino final, que é o importador, incluindo todas as operações portuárias necessárias. NVOCC: Non-Vessel Operating Common Carrier Significa Transportador Comum não Proprietário de Navio. Trata-se de um armador sem navios, com registro no DIMM para poder operar, que se propõe a realizar o transporte marítimo em navios de armadores constitu- ídos. O NVOCC costuma ter um acordo com o armador, que envolve tanto a utiluização de contêineres, quanto a do navio que é colocado à disposição de seus clientes. Fonte: adaptado de Dias (2015). MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E84 Um ponto interessante no estudo do modal aquaviário são as próprias embar- cações utilizadas para movimentação de cargas. São diversos os tipos de navios utilizados. Dias (2015) faz um resumo com as características principais de cada um deles, que você pode ver no Quadro 4, a seguir: Quadro 4 - Tipos de navios cargueiros Fonte: Porto Sem Mistério (online). Navios de Carga Geral ou General Cargo Ship (carga geral): esses tipos de navios (também chamados de convencionais) possuem porões e pisos - ou decks - que abrigam cargas secas pouco volumosas ou paletizadas. Praticamente qualquer carga pode ser transportada neste navio, com execeção de congelados ou cargas que ofereçam risco ao navio. Fonte: Porto Sem Mistério (online). Navios graneleiros (Bulk Carrier): navio projetado para transporte de carga sólida a granel. São exemplos dessas cargas os produtos agrícolas (soja, milho, grãos em geral, minérios etc). Uma derivação desse tipo de navio é o chamado navio misto (ou OBO (Ore-Bulk-Oil)), que pode trans- portar além de grãos, também minério de ferro, granéis sólidos e líquidos. Fonte: Porto Sem Mistério (online) Navio Porta Contêiner (Full Containes Ship): é um tipo de navio que chama a atenção por seu porte e é destinado ao transporte de contêineres. Os contêinierestransportados podem ser do tipo dry, reefer, tanks plataforma, entre outros. Para que esse transporte seja possível, esses navios possuem porões denominados de bays, que são divididos em colunas (rows) compostas por ce- lulas guias e camadas (tiers) que indicam a altura dos contêineres embarcados. Entendendo os Modais de Transporte Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 85 Fonte: Porto Sem Mistério (online) Navio Ro-Ro (Roll-On-Roll-Off): Este navio é muito peculiar visualmente por possuir uma rampa na popa (parte traseira do navio) ou proa (frente do navio). Essas rampas são utilizadas para a entrada e saída de veículos (com carga ou vazios) para o cais do porto. Os navios Ro-Ro possuem duas versões: 1) Ro-Ro/Container Carrier: transportam veículos em todos os seus prorões e, no deck principal constêineres 2) Ro-Ro/PCTC (Pure Car/truck carrier): este tipo de navio é especializado no transporte de ve- ículos automotores, como automóveis, cami- nhões tratores, motoniveladora, entre outros, não transportando outro tipo de carga. Fonte: Porto Sem Mistério (online) Navio-tanque (tanker): este navio transporta carga líquida a granel. Uma característica importante é que este navio possui divisões em porões, que proporcionam segurança à embarcação em caso de problemas. Os navios tanques podem ser classificados de acor- do com o tipo de líquido contido nos tanques. Fonte: adaptado de Dias (2015). Conhecendo essas características do modal aquaviário, podemos também conhe- cer suas vantagens e desvantagens que, de acordo com Caxito (2014, p. 210) são: Vantagens ■ Maior capacidade de carga. ■ Carrega qualquer tipo de carga. ■ Menor custo de transporte. Desvantagens ■ Necessidade de transbordo nos portos. ■ Distância dos centros de produção. ■ Maior exigência de embalagens. ■ Menor flexibilidade nos serviços aliada a frequentes congestiona- mentos nos portos. MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E86 Levando-se em conta essas vantagens e desvantagens, o embarcador pode tomar sua decisão. MODAL DUTOVIÁRIO O transporte por dutos ainda não tem uma representação significativa no Brasil, repre- sentando menos de 5% do total de cargas transportadas. Talvez o exemplo que lhe vêm à mente mais rapidamente é o gasoduto Brasil- Bolívia, com 3150 quilômetros de extensão. Uma das características desse modal é o alto investimento inicial. No entanto, após o iní- cio de sua operação, os custos operacionais são relativamente baixos. Caxito (2014, p. 209) alista os tipos de dutos disponíveis no Brasil: Gasoduto: destina-se ao trans- porte de gases e destaca-se a recente construção do gasoduto Brasil- -Bolívia, com quase 2 mil quilômetros de extensão, para o transporte de gás natural. Mineroduto: aproveita a força da gravidade para transportar minérios entre as regiões produtoras e as siderúrgicas e/ou os portos. Os miné- rios são impulsionados por um forte jato de água. Oleoduto: utiliza-se de sistema de bombeamento para o transporte de petróleos brutos e derivados aos terminais portuários ou centros de distribuição. Para se ter uma ideia dos custos de instalação, o gasoduto Brasil-Bolívia teve um investimento de mais de 2 bilhões de dólares, para uma extensão de 3150 km em todo seu percurso, sendo 557 km dentro da Bolívia e 2.593 km em solo brasileiro. Entendendo os Modais de Transporte Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 87 A Petrobrás também opera intensivamente dutos para transporte de com- bustível e outros derivados de petróleo entre suas refinarias e operações. Nogueira (2018, p. 88) lista algumas características desse tipo de modal: Características: ■ Grandes volumes de movimentação, fluxo contínuo. Alta confiabi- lidade. ■ Longas distâncias. ■ Restrito a poucos produtos, basicamente granéis líquidos. ■ Alto estoque em trânsito. ■ Baixa velocidade. ■ Risco de perdas e danos pequeno. Como você pode perceber, este modal é restrito para somente alguns tipos de produtos, como gases, combustíveis e outros semelhantes. MODAL AÉREO O Brasil se insere internacionalmente no transporte aéreo por meio da IATA (Associação de Tráfego Aéreo Internacional), que, de acordo com Dias (2015, p. 447) é “[...] uma associação que reúne empresas de todo o mundo, contando com aproximadamente 1.000 empresas e 10.000 agentes de carga associados”. As funções e objetivos da IATA compreendem garantir que o transporte aéreo seja seguro, rápido e eficiente, além de promover a colaboração entre as companhias O modal dutoviário nasceu principalmente da necessidade de transportar líquidos (geralmente água) para as cidades. Depois, com a entrada do pe- tróleo, esse modal passou a ser muito demandado. Apesar de sua baixa velocidade (entre 2 a 10 km/h), sua alta disponibilidade (24 horas) o torna atrativo para transporte de materiais líquidos e gasosos. Fonte: o autor. MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E88 aéreas participantes, definindo fretes que serão praticados por seus membros, além de estudar alternativas entre rotas aéreas (DIAS, 2015, p. 462). Regulando o setor no Brasil, temos os seguintes órgãos: ■ Ministério da Aeronáutica: é o responsável máximo pelo transporte aéreo e aeroportos no país, ditando as normas a serem seguidas pelo setor. ■ Anac (Agência Nacional de Aviação Civil): agência governamental ligada ao Ministério da Defesa que controla a aviação nacional e internacional no país, regulamentando e instrumentalizando as normas internacionais dos acordos da aviação civil internacional. ■ Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária): empresa responsável pela administração e construção de aeroportos no Brasil, con- trole dos armazéns de carga nas exportações e importações nos terminais aeroportuários brasileiros, bem como dos terminais de passageiros nos respectivos aeroportos. Por que o modal aéreo é tão pouco utilizado (no Brasil representa menos de 1% do total de cargas transportadas)? A resposta basicamente está no custo. Entre todos os modais, o modal aéreo é o que apresenta os maiores custos de tarifas. Apesar disso, não se pode descartar essa modalidade como impraticável. Na verdade, a análise do custo de transporte deve ser feita sob a ótica do Custo Total. Essa abordagem, de acordo com Bowersox e Closs (2011), leva em con- sideração a composição do custo total de transporte em relação ao serviço esperado pelo cliente. Assim, dependendo do tipo de carga a ser transportada, o transporte aéreo pode compor uma alternativa de intermodalidade, quando se utilizam diversos modais de forma integrada, para o transporte da carga do ponto de origem até o destino. Com respeito ao Custo Logístico, aliás, esse é um fato que deve pautar as decisões dos gestores, devido ao alto grau de relevância para as organizações em termos de dispêndio financeiro. Para que você tenha ideia, no Brasil, em pesquisa promovida pela Fundação Dom Cabral, constatou-se que em 2017, o custo logístico correspondeu a 12,37% do faturamento das empresas, e com viés de alta. Esse é um número elevado para o resultado de qualquer organização. Veja essa constatação no Gráfico 1, a seguir: Entendendo os Modais de Transporte Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 89 Gráfico 1 - Impacto do custo logístico em relação ao faturamento em empresas brasileiras Fonte: Fundação Dom Cabral (2017, on-line)1. É evidente que esse custo logístico nãoé uniforme em todos os segmentos. Em alguns, o impacto é muito maior que em outros, como mostra o Gráfico 2, a seguir: Gráfico 2 - Impacto do custo logístico no faturamento por segmento no Brasil Fonte: Fundação Dom Cabral (2017, on-line)1. MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E90 Outro dado que a pesquisa da Fundação Dom Cabral traz e que é muito inte- ressante diz respeito aos custos por processos logísticos, como podemos verificar no Gráfico 3, a seguir: Gráfico 3 - Custos por processos logísticos em empresas brasileiras Fonte: Fundação Dom Cabral (2017, on-line)1. Perceba, no Gráfico 3, que a somatória de Transporte de Longa Distância com Distribuição Física corresponde a 63,5% do custo logístico total, ou seja, com- prova-se o impacto dos custos de transporte nas operações logísticas de maneira bem fundamentada. A grande vantagem do modal aéreo, sem dúvida, é a velocidade. Usualmente este modal é utilizado para transporte de produtos de maior valor agregado e que necessitam de rapidez para sua entrega. Um exemplo disso seria equipamentos de alta tecnologia, como o tomógrafo, fabricado em um país como a Alemanha e importado por uma clínica no Brasil. Temos no Brasil outro agravante para o modal aéreo, que é justamente nossa infraestrutura precária para cargas (nem vamos falar para passageiros, pois não é nosso foco), com locais para armazena- mento precários em termos de espaço e operação. Além disso, a não existência de aeroportos apropriados para a movimentação de cargas em regiões produto- ras dificulta ainda mais a opção por este modal. Entendendo os Modais de Transporte Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 91 Dias (2015, p. 465) aponta algumas vantagens para o modal aéreo: [...] os aeroportos, normalmente, estão localizados mais próximos dos centros de produção, industrial ou agrícola, pois encontram-se em grande número e espalhados praticamente por todas as cidades impor- tantes do planeta ou por seus arredores; os fretes internos, para colocação das mercadorias nos aeroportos, são menores, e o tempo mais curto em face da localização dos mesmos; possibilidade de diminuição de estoque, já que se pode aplicar mais agressivamente uma política de just in time, com redução dos custos de capital de giro pelo embarque contínuo, praticamente diário; racionalização das compras pelos importadores, também aplicando o just in time, já que eles não terão a necessidade de manter estoques; possibilidade de utilização das mercadorias mais rapidamente em rela- ção à produção, principalmente em se tratando de produtos perecíveis, de validade mais curta etc.; maior competitividade do exportador, visto que a entrega rápida pode ser um bom argumento de venda; redução dos custos de embalagem, que não precisa ser tão robusta, pois a mercadoria estará menos sujeita a manipulações; segurança no transporte de pequenos volumes; apresentação de frete inferior ao transporte marítimo, dependendo da mercadoria, quantidade e local de origem; o seguro de transporte aéreo é mais baixo em relação ao marítimo, cer- ca de 30% na média geral, sendo que há uma variação que depende da mercadoria, fazendo com que a diferença seja maior ou menor (DIAS, 2015, p. 465). Por outro lado, Caxito (2014, p. 208) lista também desvantagens em relação ao modal aéreo, quais sejam: Desvantagens ■ Menor capacidade de carga. ■ Valor do frete mais elevado em relação aos outros modais. Como vimos, é preciso analisar com critério o tipo de carga a ser transportada e as exigências do cliente para decidir-se pela utilização desse modal. MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E92 MODAL FERROVIÁRIO O transporte ferroviário possui uma grande importância para o fluxo de cargas volumosas. Este tipo de transporte pode não apresentar uma velocidade tão alta quanto os modais rodoviários e aéreo, mas possui grande capacidade de carga. Uma característica deste tipo de transporte no Brasil é ser utilizado para o deslocamento de produtos homogêneos, como minérios de ferro e manganês, carvão mineral, derivados de petróleo e, é claro, os produtos primários do agro- negócio, como cereais em grão, transportados a granel. A ferrovia geralmente é utilizada para produtos com pouca ou nenhuma transformação industrial para grandes distâncias, enquanto que em países Europeus encontramos um espec- tro maior de fluxos por este modal, como vagões, containers ferroviários de 1 a 5 toneladas e transporte ferroviário de semi-reboques rodoviários (piggyback) (RIBEIRO; FERREIRA, 2002). Além disso, temos uma limitada cobertura de ferrovias interligando os muni- cípios brasileiros, apesar de sua importância. Conforme vimos na Unidade I, a extensão da nossa malha ferroviária é de 29.165 km. Mesmo com essa pequena exten- são, há um esforço para otimizar a utilização desse modal, dada a sua importância. De toda forma, as composições ferroviárias são compostas de vagões de diversos tipos, como: [...] vagão de carga fechada – Vagão-padrão fechado com portas late- rais corrediças para uso de cargas em geral. Vagão fechado equipado – Vagão modificado para atender ao transpor- te de cargas específicas. Vagão graneleiro – Vagão sem parte superior, com piso inclina- do para uma de suas laterais, com porta articulada para o descarregamento. Existem modelos que permitem o uso de “vibrador de Vagão” para o descar- regamento. Entendendo os Modais de Transporte Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 93 Vagão graneleiro coberto – com características semelhantes ao Vagão graneleiro adicionado a uma cobertura especial para proteção de car- gas contra intempéries (chuvas, sol etc.). Vagão plataforma – vagões mais simples, sem teto e laterais, utilizados para transportar contêineres ou baús de caminhões. Vagão refrigerado – Vagão fechado que possui um sistema de refrige- ração para manter a temperatura dentro das recomendações exigidas para a carga a ser transportada. Vagão gôndola – Vagão sem cobertura superior, com fundo liso e la- terais fixas, destinado ao transporte de cargas pesadas a granel, como minério de ferro. Vagão tanque – Vagão especialmente projetado para o transporte de líquidos ou gases (GONÇALVES, 2013, p.140). Resumindo as vantagens e desvantagens desse modal, Caxito (2014, p. 207) lista as seguintes: Vantagens ■ Adequado para longas distâncias e grandes quantidades de carga. ■ Baixo custo do transporte. ■ Baixo custo de infraestrutura. Desvantagens ■ Diferença na largura das bitolas. ■ Menor flexibilidade no trajeto. ■ Necessidade maior de transbordo. ■ Tempo de viagem demorado e irregular. ■ Alta exposição a furtos. Resta ver quais serão os desenvolvimentos futuros desse modal, acompanhando os projetos propostos pelo governo federal. MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E94 MODAL RODOVIÁRIO O modal rodoviário é considerado, entre todos, o modal que oferece a maior flexibilidade. Podemos dizer que este modal oferece a comodidade do trans- porte porta a porta. O Brasil optou pelo modal rodoviário por diversas razões – hoje contestadas. O início da produção de automóveis no Brasil com a necessidade de incentivo ao seu uso, aliada a não exploração da capacidade produtiva agrícola de regiões do Centro-Oeste e Norte, fizeram que nossa malha rodoviária fosse privilegiada em detrimento da ferroviária. Seria de esperar que nossa malha rodoviária fosse muito boa, dado o seu usointensivo. Não é o que a realidade mostra. Conforme vimos na Unidade I, nossas rodovias têm problemas sérios e a área concedida para a iniciativa privada não é totalmente isenta desses problemas, embora estejam em melhor situação. Alguns estudos apontam que o modal rodoviário seria adequado para dis- tâncias até 500 km. No Brasil, sabemos que isso simplesmente não é verdade. A não existência de alternativas viáveis e a disponibilidade de caminhões para o transporte de cargas diversas, desde animais vivos, passando por produtos quí- micos, veículos, graneis, produtos eletrônicos, entre outros, torna esse modal o predominante no cenário nacional. Caxito (2014, p. 206) lista alguns tipos de veículos de carga que circulam em nossas rodovias: Entendendo os Modais de Transporte Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 95 ■ Caminhões: veículos fixos que apresentam carroceria aberta, em forma de gaiola, plataforma, tanque ou fechados (baús), sendo que estes últimos podem ser equipados com maquinário de refrigeração para o transporte de produtos refrigerados ou congelados. ■ Carretas: veículos articulados, com unidades de tração e de carga em módulos separados. Mais versátil que os Caminhões, podem deixar o semirreboque ser carregado e recolhê-lo posteriormente, permitindo com isso que o transportador realize maior número de viagens. ■ Cegonheiras: específicos para transporte de automóveis. ■ Boogies/Trailers/Chassis/Plataformas: veículos apropriados para trans- porte de contêineres, geralmente de 20 e 40 pés. ■ Treminhões: veículos semelhantes às carretas, formados por cavalos mecânicos, semirreboques e reboques, compostos, portanto, de três par- tes, podendo carregar dois contêineres de 20 pés. Não podem transitar em qualquer estrada, em vista de seu peso bruto total (cerca de 70 toneladas). Como qualquer outro modal, o rodoviário também possui vantagens e desvan- tagens, que podemos listar: Vantagens ■ Adequado para curtas e médias distâncias. ■ Simplicidade no atendimento das demandas e agilidade no acesso às cargas. ■ Menor manuseio da carga e menor exigência de embalagem. ■ O desembaraço na alfândega pode ser feito pela própria empresa transportadora. ■ Atua de forma complementar aos outros modais, possibilitando a intermodalidade e a multimodalidade. ■ Permite as vendas do tipo entrega porta a porta, trazendo maior como- didade para exportador e importador. Desvantagens ■ Fretes mais altos em alguns casos. ■ Menor capacidade de carga entre todos os outros modais. ■ Menos competitivo para longas distâncias (CAXITO, 2014, p. 205). MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E96 Para você, como gestor, outro ponto que importa é o tipo de frete. Basicamente, em relação à responsabilidade, os fretes são classificados em duas categorias: FOB (Free On Board ou posto a bordo): neste caso, é o cliente quem ficará responsável pelos custos e pela contratação da transportadora. Este custo deverá ser considerado na formação do preço final do produto. CIF (Cost, Insurance and Freight ou custo, seguro e frete): neste caso, é o fornecedor o responsável pela seleção do transportador e o pagamento dos custos de transporte. Há uma tendência dos fornecedores em transferir a responsabilidade do trans- porte para o cliente (Frete FOB), justamente para ganhar competitividade em relação aos preços praticados. Entretanto, a forma de envio deve ser acertada entre as partes antes da prestação do serviço. A intermodalidade A escolha do modal deve levar em conta se há ou não uma flexibilidade modal por parte do embarcador e se há também uma janela de tempo concedida pelo recebedor do produto. No caso de ser concedida essa janela de tempo, ou seja, de existir um tempo para a entrega ser feita (não deve ser feita antes do combinado para não gerar estoque – fonte de custo – para o comprador, nem depois – o que comprome- teria os processos produtivos desse mesmo comprador), o embarcador pode programar-se para escolher a melhor alternativa, de acordo com o tipo de pro- duto a ser transportado (NOVAES, 2007). Pode ser possível, por exemplo, o estabelecimento de um transporte intermo- dal. É bom frisar que a intermodalidade não é simplesmente a combinação entre diferentes modais, por exemplo, rodoviário-ferroviário-rodoviário-aquaviário. Entendendo os Modais de Transporte Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 97 Há muitos outros aspectos a serem considerados. Por exemplo, envolve também a [...] integração de responsabilidades (integridade da carga, seguros etc.), de conhecimento (documento de despacho que acompanha a car- ga), de programação (horários combinados, cumprimento de horários etc.), de cobrança do frete e demais despesas (NOVAES, 2007, p. 243). Há algumas diferenças entre os termos INTERMODALIDADE e MULTIMODALIDADE. De acordo com Razzolini Filho (2012, p. 184), por intermodalidade pode- mos entender [...] a adoção de dois ou mais modais de transporte, com o objetivo de aproveitar melhor as características de cada modal para reduzir os custos e as resistências do fluxo contínuo de cargas desde a origem até o des- tino final. Existe uma emissão individual de Conhecimento de Trans- porte por parte de cada operador (modal) (Brasil, 1998) e, além disso, a responsabilidade é dividida entre cada um dos operadores, em cada trecho por eles operado. A intermodalidade pressupõe a existência de interfaces (terminais, portos, aeroportos, aduanas e armazéns) tão efi- cientes quanto os modais que atendem (grifos acrescentados pelo autor). Por outro lado, na multimodalidade, há alguns aspectos próprios, especialmente relacionados na questão documental e fiscal. Razzolini Filho (2012, p. 184-185) pontua que a multimodalidade envolve [...] a integração dos serviços de mais de um modal de transporte, po- dendo ser, por exemplo, rodo-ferroviário, rodoaéreo, ferro-hidroviário, hidroaéreo etc., o que implica emissão de um único Conhecimento de Transporte por um único responsável, denominado Operador de Trans- porte Multimodal (OTM). Desde a origem até o destino final, o OTM deve “assumir total responsabilidade pela operação como um transpor- tador principal, e não apenas como um agente” (BRASIL, 1998). Na figura a seguir, temos um exemplo real da aplicação da intermodalidade para a empresa Klabin de Papel e Celulose: MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E98 Figura 1 - Exemplo de Intermodalidade Fonte: Ribeiro e Bouzada (2010, p. 2). A grande dificuldade no Brasil em relação à multimodalidade está justamente nesse aspecto fiscal, em que apenas um documento de transporte é emitido, por- tanto, pressupondo o recolhimento do principal imposto, o ICMS, apenas para o estado gerador do documento denominado Conhecimento de Transporte ou, mais especificamente para a multimodalidade, o Conhecimento de Transporte Multimodal (CTM). Os estados onde o fluxo acontece e que não se beneficiam do imposto protestam contra esse método e criam dificuldades para que ele se estabeleça. Essa guerra fiscal entre os estados da Federação é um dos aspectos do custo Brasil, conforme pontua Razzolini Filho (2012). MODAL INFOVIÁRIO A inclusão de um sexto modal entre os meios de transporte é bastante recente e não consta ainda na maioria da literatura sobre logística. No entanto, você como usuário de tecnologias de informação e comunica- ção (TIC) sabe da importância que a internet assumiu na vida das pessoas, das famílias e das organizações. Sequer imaginamos ficarmos uma semana, um mês – e muitos,um único dia – sem acesso à web. Entendendo os Modais de Transporte Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 99 Pois bem, já parou para pensar que vários produtos que você consome não são entregues fisicamente? Uma das maiores empresas do mundo, a Amazon, construiu boa parte do seu império corporativo com a entrega de produtos digitais, livros, que o consumidor pode comprar no conforto da sua casa. São milhares de títu- los que podem ser adquiridos sem o deslocamento até uma livraria convencional. Outra empresa que se tornou um ícone do século XXI é a Netflix. Qual pro- duto físico a Netflix entrega? Se você não se lembrou de nenhum, eu também não. Todo as fases do consumo são realizadas através da web. Por conta disso, muitos autores propuseram que fosse elencado nos modais de transporte esse classificado como infoviário, ou seja, o canal informatizado, via internet. Alguns autores o classificam como modal virtual. Bueno, Santi e Vendrametto (2011, p. 4) destacam que o modal infoviário ou virtual “[...] é todo sistema de entrega de um produto não físico, entregue ao cliente ou consumidor via Internet ou por transmissão eletrônica de dados”. Ou seja, sem conexão eletrônica não existe a operação dessa modal. Nogueira (2018, p. 90) salienta, a respeito do modal infoviário: [...] o mais novo meio, que transporta produtos como música eletro- nicamente, vídeos em tempo real (videoconferência), documentos escaneados enviados por e-mail, e-books (livros eletrônicos), filmes, educação a distância, e-mail e recados que antes eram encaminhados por cartas ou telegramas, utilizando de benefícios proporcionados pela Internet, após terem sido enviados por meios físicos. Este modal é um novo meio de transporte de produtos/serviços que vem sendo aplicado de diversas formas e em diferentes níveis de negócios, visando entregar MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E100 os produtos de forma mais rápida, com menos estoques a um custo me- nor. A estratégia é integrar um ambiente composto de diferentes estru- turas cuja finalidade é competir com maior flexibilidade de inovação. Perceba que o modal infoviário traz uma grande comodidade aos seus usuários. O curso que você está fazendo, nesse exato momento, é uma prova de como esse modal é útil para atender às necessidades humanas. A controvérsia em relação à classificação de um novo modal deve-se ao fato de que a logística sempre foi relacionada à entrega física. Entretanto, até mesmo as referências legais apoiam a classificação de um modal não-físico, pois as compras dos consumidores são de produtos, ou como destacam Bueno, Santi e Vendrametto (2011, p. 4-5), [...] produto é todo o bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial co- locado no mercado de consumo. Pode-se entender também que pro- duto é todo o fruto da conjugação de esforços e recursos visando o atendimento das necessidades de um consumidor ou cliente. Sob este aspecto, o Modal Virtual atende uma necessidade de um consumidor ou cliente, substituto a um outro processo de modal. A partir de agora, você pode elencar esse modal quando citar os diversos modos de tornar um produto disponível ao consumidor. DIRECIONADORES PARA TOMADA DE DECISÃO EM MODAIS Uma função importante das operações logísticas é decidir qual modal utilizar para transportar as cargas entre os pontos desejados. Pode ser útil neste ponto um quadro formulado por Lazário (apud RIBEIRO; FERREIRA, 2002), que traz as características de cada modal de acordo com critérios de desempenho. O qua- dro a seguir traz essa classificação: Entendendo os Modais de Transporte Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 101 Quadro 5 - Características operacionais relativas por modal de transporte CARACTERÍSTICAS OPERACIONAIS FERROVIÁRIO RODOVIÁRIO AQUAVIÁRIO DUTOVIÁRIO AÉREO Velocidade 3 2 4 5 1 Disponibilidade 2 1 4 5 3 Confiabilidade 3 2 4 1 5 Capacidade 2 3 1 5 4 Frequência 4 2 5 1 3 Resultado 14 10 18 17 16 Fonte: Lazário (apud RIBEIRO; FERREIRA, 2002). Para entender o quadro, considere que quanto MENOR a pontuação, MELHOR o resultado. Detalhando um pouco mais sobre as características operacionais analisadas no Quadro 5, Ribeiro e Ferreira detalham: [...] a velocidade é o tempo decorrido em dada rota, sendo o modal aéreo o mais rápido de todos. Já a disponibilidade é a capacidade que cada modal tem de atender as entregas, sendo mais bem representada pelo transporte rodoviário, que permite o serviço porta a porta. A confiabilidade reflete a habilidade de entregar consistentemente no tempo declarado em uma con- dição satisfatória. Nesta característica, os dutos ocupam lugar de destaque. A capacidade é a possibilidade do modal de transporte lidar com qualquer requisito de transporte, como tamanho e tipo de carga. Neste requisito, o transporte hidroviário é o mais indicado. Finalmente, a frequência é ca- racterizada pela quantidade de movimentações programadas, é liderada pelos dutos, devido ao seu contínuo serviço liderado entre dois pontos. Na pontuação total percebe-se que a preferência geral é dada ao transporte rodoviário. Este ocupa o primeiro e segundo lugar em todas as categorias, exceto em capacidade (RIBEIRO; FERREIRA,2002, p. 4-5). Tornando mais “visual” nossa análise, Fleury et al. (2000 apud GONÇALVES, 2013, p. 136) traz a seguinte figura ilustrativa: MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E102 Figura 2 - Comparativo entre os diversos modais de transporte Fonte: Fleury et al. (2000 apud GONÇALVES, 2013, p. 136). Reforçando ainda mais as características de cada modal, veja o quadro a seguir: Quadro 6 - Comparativos entre modais Parâmetros Rodovia Ferrovia Aerovia Hidrovia Dutovia Custo Moderado Baixo Alto Baixo Alto Tempo em trânsito Moderado Lento Rápido Lento Lento Disponibilidade Alto Moderado Moderado Baixo Baixo Confiabilidade Alto Moderado Alta Moderado Baixo Perdas e danos Baixo Alto Alto Moderado Baixo Flexibilidade Alto Moderado Moderado Baixo Baixo Fonte: Lambert et al. (1998 apud PACHECO; DROHOMERETSKI; CARDOSO, 2008, p. 17). Veja, por esses comparativos, que o modal rodoviário não se sai nada mal. Não é por acaso que ele é o mais escolhido, apesar dos questionamentos quanto ao seu uso intenso até para cargas mais apropriadas para outros tipos de modais. Os Prestadores de Serviços Logísticos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 103 OS PRESTADORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS Não há nada de novo na utilização de terceiros em operações logísticas. Novaes (2007) sugere que a Bíblia já fazia referências a terceirizações logísticas quando, no Egito antigo, o Faraó, por meio de José, contrata a armazenagem de grãos (da época dos 7 anos de “vacas gordas”) para suprir a escassez que se seguiria (os 7 anos de “vacas magras”). O outsourcing (terceirização) de serviços logísticos, apesar de não ser uma atividade nova, ficava restrito apenas a algumas atividades logísticas e estas geral- mente por contrato, por tempo determinado. Com a evolução gigantesca da informática e das comunicações, bem como o aumento da complexidade gerencial para as empresas, tornou-se viável que a terceirização fosse elevada a outro nível, dentro da filosofia de Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos – SCM (Supply Chain Management). O fato é que muitas empresas chegaram à conclusão de que não seriam capazes de oferecer um nível de serviços competitivo aos seus clientes com seus próprios recursos ou comsua própria estrutura a um custo aceitável. Outras empresas chegaram a um nível de terceirização que não têm mais nenhuma atividade produtiva própria. Na verdade, não têm atividade alguma própria, a não ser o gerenciamento de sua marca, design de produtos e coorde- nação logística. Exemplos disso são a Nike e a Reebok (NOVAES, 2007). Recentemente, passamos a ter mais contato com um termo para os atores que atuam absorvendo serviços logísticos das empresas: o Operador Logístico. Não se apresse em achar que se trata do mesmo Prestador de Serviços Logísticos – PSL que você já estudou. Não é exatamente a mesma coisa. MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E104 Enquanto o PSL abarca todo tipo de atividade logística, por mais simples que seja, sem considerar avanços tecnológicos e operacionais que estão implí- citos na ideia de Supply Chain Management – SCM; o Operador Logístico tem outra conotação (NOVAES, 2007). Essa empresa externa chamada para a realização da totalidade ou de uma parte das atividades logísticas da empresa é conhecida em inglês pelo termo 3PL (Third-Party Logistics) (MARTEL; VIEIRA, 2010). É interessante observar as razões elencadas por Martel e Vieira (2010, p. 191- 192) que levam as empresas a terceirizar a logística: ■ Reduzindo os ativos da empresa, a terceirização permite um maior ren- dimento com relação ao capital investido. ■ Concentrando-se em suas atividades-chave, a empresa aumenta sua pro- dutividade e elimina alguns problemas de gestão dos recursos humanos. ■ Como a capacidade dos parceiros selecionados não é limitada, a empresa aumenta sua flexibilidade, fazendo com que a empresa possa aproveitar novas oportunidades de negócios com maior facilidade. ■ A produtividade crescente dos 3PL que pode proporcionar uma diminui- ção significativa do custo das operações logísticas. ■ O Just-in-Time, a consolidação dos pedidos e das entregas e o e-fulfill- ment num contexto de comércio eletrônico, por exemplo, são facilitados graças à melhoria dos serviços prestados aos clientes internos e externos. ■ A utilização de tecnologias avançadas de informação, por parte dos 3PL, facilita o gerenciamento dos fluxos na rede logística. Martel e Vieira (2010, p. 202) elencam os serviços oferecidos pelos 3PL: ■ Transporte inbound e outbound. ■ Gestão do trânsito de mercadorias e das operações de transporte. ■ Consolidação do frete para obtenção de economias de escala. ■ Verificação e pagamento do conteúdo das cargas. ■ Armazenamento de mercadorias. ■ Cross-docking. Os Prestadores de Serviços Logísticos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 105 ■ Recebimento e atendimento dos pedidos. ■ Serviços prestados aos clientes. ■ Coleta, colocação de etiquetas e acondicionamento dos produtos. ■ Gestão dos estoques. ■ Execução de algumas atividades de manufatura. ■ Troca de dados com sistema informatizado (por EDI ou internet). ■ Gestão dos sistemas de informação. ■ Entrega dos pedidos para o comércio eletrônico (order fulfillment). ■ Desembaraço alfandegário, importação e exportação de produtos. ■ Logística reversa. ■ Design de redes logísticas. Existem operadores logísticos que possuem abrangência de atuação em nível mundial, que podem utilizar-se de suas próprias frotas e armazéns, ou então contratar localmente estas atividades, sob sua supervisão. É interessante observar também que os próprios clientes têm expectativas em relação à prestação dos serviços logísticos pelos 3PLs. Essas expectativas também são elencadas por Martel e Vieira (2010, p. 192): ■ Cumprimento dos prazos previstos em relação à coleta e entrega de mercadorias. ■ Tarifas competitivas proporcionais aos serviços oferecidos e mecanismos simples para a definição de tarifas. ■ Utilização de tecnologias de TI que permita a rastreabilidade dos servi- ços oferecidos e facilite a troca eletrônica de dados com a empresa, seus fornecedores e clientes. ■ Equipamentos disponíveis e em boas condições de uso. ■ Serviços prestados à clientela de forma exemplar, como rápido atendi- mento de reclamações, resolução eficaz de problemas, gentileza nos tratos com o cliente etc. ■ Transparência no acesso a um contexto internacional. ■ Realização eficaz da logística reversa. MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E106 Nada disso é fácil de conseguir e, na realidade, não há milagres. A seleção de um 3PL é tarefa complexa e que deve considerar muitos fatores, entre eles a melhor relação custo/benefício, a experiência deste 3PL nos negócios, sua repu- tação, suas instalações e equipamentos, facilidade na integração, na estratégia da empresa contratante entre outros. Como se trata de uma integração do operador logístico na empresa contra- tante, as condições desta parceria devem estar muito bem explicitadas no contrato entre as partes, que deve ter um foco de longo prazo. Martel e Vieira (2010, p. 205) recomendam alguns elementos que devem constar neste contrato de parceria, e que são, de fato, muito relevantes: ■ Natureza dos serviços contratados. ■ Seguros e responsabilidades das partes. ■ Recursos utilizados pelo 3PL para executar as tarefas. ■ Custo dos serviços e mecanismo de pagamento ou de partilha dos ganhos. ■ Mecanismos de partilha dos riscos. ■ Critérios de desempenho para a avaliação do operador, níveis de desem- penho esperados e mecanismos de acompanhamento do desempenho a ser implantados. ■ Mecanismos de troca de dados e planejamento a ser realizado em con- junto, bem como os procedimentos de segurança exigidos. ■ Mecanismos de resolução de conflitos. ■ Condições de conclusão da parceria. Se existem dificuldades para implantação de uma parceria estreita como a do 3PL em países desenvolvidos, imagine no Brasil, no qual não temos uma tradi- ção de cumprimento de acordos e muito menos de parcerias de longo prazo. O que ocorre, na prática, muitas vezes, é a criação de expectativas irrealistas por parte dos contratantes dos serviços do operador logístico e falta de definições cla- ras, desde o início, em relação as tarifas, desempenho e melhoria dos processos. Analisando o Supply Chain Management Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 107 Dada a estas dificuldades, já há um avanço no conceito de parceira de 3PL para 4PL, ou seja, uma quarteirização, ou o estabelecimento de um consórcio em que uma quarta empresa – a Fourth Party Logistics, ou 4PL, se encarrega de contratar e coordenar os 3PLs. ANALISANDO O SUPPLY CHAIN MANAGEMENT A logística como a conhecemos atualmente pode ser dividida em fases distin- tas. Vimos essas fases na Unidade I. Em um dos quadros apresentados com essa evolução, você talvez tenha notado o desenvolvimento da logística para uma nova fase, o chamado SCM – Supply Chain Management. Para marcar essa evolução, veja a figura a seguir: Figura 3 - Evolução da Logística para o SCM Fonte: Arbache et al. (2011). Quais os caminhos que um microempreendedor pode tomar para exportar seus produtos para países como Estados Unidos e Europa? MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E108 Evidentemente que essa evolução foi provocada – e acelerada – pelos próprios clientes, que mudaram a forma de demandar produtos e suas exigências para os fornecedores. O imperativo da produção saía das mãos da produção e passava às mãos do cliente. As empresas não mais conseguiam impor indiscriminadamente seus produtose sua forma de agir. Agora os consumidores que ditam as regras e esta- belecem até mesmo o preço máximo que estão dispostos a pagar. Essa nova realidade exige das empresas não só um gerenciamento efetivo de suas atividades, mas um foco extremo na redução de custos e aumento da qua- lidade na prestação de seus serviços. Especialmente a partir da década de 90, altera-se a configuração fragmen- tada das operações logísticas e passa a considerar um conceito mais abrangente: o de gerenciamento da cadeia de suprimentos - SCM (ARBACHE et al., 2011). Essa ideia de cadeia pode ser entendida por uma analogia de uma teia. Perceba numa teia de aranha o complexo design desta estrutura, tão habilmente cons- truída e com tantos nós ou pontos de coincidência, que um inseto ao tocar em qualquer parte desta teia, “aciona” por assim dizer, toda a teia, alertando a ara- nha para a presença desta presa. Ao usarmos essa ideia de teia para o SCM, entendemos que as empresas não conseguem mais dar conta sozinhas das demandas dos clientes, nem tem a velo- cidade ou a capacidade financeira para todas as variáveis que o atendimento pode exigir. No entanto, todas as empresas fazem parte de relacionamentos maiores e sistemas empresariais, compostos de diversos participantes que, trabalhando jun- tos, em “nós” ou junções, podem sim adquirir a competência para fazer frente a este novo cenário. De acordo com Arbache et al. (2011, p. 89), uma cadeia de suprimentos é, [...] nada mais do que uma forma organizada de perceber todos os proces- sos que geram valor para o cliente final de um produto, independentemen- te de onde esses processos estejam sendo executados – se na própria em- presa ou em alguma outra com a qual haja algum tipo de relacionamento. Pires (2016), traz mais algumas definições muito interessantes sobre este conceito. Por exemplo, para o American Production Inventory Control Society (APICS), dos EUA, uma cadeia de suprimentos (SCM) pode ser assim definida: Analisando o Supply Chain Management Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 109 1. os processos que envolvem fornecedores-clientes e ligam empresas desde a fonte inicial de matéria-prima até o ponto de consumo do produto acabado; 2. as funções dentro e fora de uma empresa que garantem que a ca- deia de valor possa fazer e providenciar produtos e serviços aos clientes (PIRES, 2016, p. 35). De acordo com Pires (2016, p. 35), para o Supply Chain Council (a mais impor- tante entidade de SCM do mundo), uma cadeia de suprimentos “abrange todos os esforços envolvidos na produção e liberação de um produto final, desde o (pri- meiro) fornecedor do fornecedor até o (último) cliente do cliente”. Esta ideia pode ser melhor entendida com a figura a seguir: Figura 4 - Representação ilustrativa de uma Cadeia de Suprimentos (SC) Fonte: Pires (2016, p. 36). Observe que aqui foi introduzida uma visão interessante dos processos. Veja que temos um ponto focal e, em relação a este ponto, temos processos a mon- tante e outros a jusante. Essa é uma visão de correnteza de um rio do ponto de vista de um observador. Um observador, de frente para o rio, a correnteza vindo em sua direção está a montante e a correnteza que passou frente aos seus olhos e segue rio abaixo está a jusante. Assim, nessa analogia com os processos logís- ticos, muitos acontecem a montante, ou seja, antes da entrada na empresa foco (na analogia, o nosso observador), enquanto que outros acontecem após a saída da empresa, ou seja, a jusante. MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E110 Na figura a seguir, podemos perceber essa interação entre as diversas cama- das que compõem uma Supply Chain (ou cadeia de suprimentos): Figura 5 - A estrutura de uma Cadeia de Suprimentos Fonte: Pires (2016, p. 38). Devemos pensar em uma cadeia de suprimentos não apenas nos negócios que são realizados um a um ao longo da cadeia, mas sim pensarmos em termos de redes (network) que possuem múltiplos negócios e múltiplos relacionamentos (PIRES, 2016). Lembre-se que a ideia destes relacionamentos, assim como na nossa teia de aranha, é acionar todos e qualquer elemento desta rede para otimizar o atendi- mento ao cliente. É extremamente necessário e, por sinal, a única forma de acontecer de forma eficaz, que uma cadeia de suprimentos tenha um fluxo de informações que per- corra todos os relacionamentos possíveis. Sem essa interação entre os componentes da rede, na prática a rede não existe. É imperativo que a empresa receba e repasse Globalização nos Serviços Logísticos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 111 informações sobre o fluxo de produtos e serviços, bem como a retroalimentação (feedback) que recebe dos “nós” ou junções que acontecem após os seus processos (processos a jusante). Por isso, esses relacionamentos precisam ser gerenciados, daí o termo Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos (sigla SCM, em inglês). Bowersox et al. (2014, p. 4) reforça esse conceito de gerenciamento ao afir- marem que, [...] a gestão da cadeia de suprimentos consiste na colaboração entre empresas para impulsionar o posicionamento estratégico e melhorar a eficiência operacional. Para cada empresa envolvida, o relacionamento na cadeia de suprimentos reflete uma opção estratégica. Uma estraté- gia de cadeia de suprimentos é um arranjo organizacional de canais e de negócios baseado na dependência e na colaboração. As operações da cadeia de suprimentos exigem processos gerenciais que atravessam as áreas funcionais dentro de cada empresa e conectam fornecedores, parceiros comerciais e clientes através das fronteiras organizacionais. Quanto maior o nível de colaboração entre as organizações que compõem a cadeia de suprimentos, melhor gerenciamento das ações dos atores componentes dessa cadeia será necessário e mais competitiva será essa cadeia perante outras que atuam no mercado. GLOBALIZAÇÃO NOS SERVIÇOS LOGÍSTICOS Os gestores estão buscando novos nichos de mercado, novas possibilidades de negócio. Isso não é um fenômeno brasileiro, apenas. Empresas do mundo todo buscam novos consumidores em qualquer país que tenha potencial para aquisi- ção de seus produtos. As empresas brasileiras, pelo menos as pequenas e médias, entraram na verdade com atraso neste processo. O que leva uma empresa a buscar mercados globalizados? De acordo com Bowersox e Closs (2011), são 5 fatores que contribuem para isso: o crescimento econômico, a abordagem de cadeia de suprimento, a regionalização, a tecnolo- gia e a desregulamentação. MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E112 O crescimento econômico pode ser percebido em muitos países, especialmente os chamados emergentes. O grupo que forma o conhecido BRICS, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul foi a “bola da vez”, por assim dizer, há alguns anos. Individualmente, países como China e Coréia do Sul são moto- res da industrialização. A globalização, por sua vez, provoca uma alta sensibilidade econômica por parte dos países, ou seja, uma crise que começa em um país pode repercutir ou reverberar sobre outros que tenham negócios entrelaçados ou dependência eco- nômica e tecnológica. Um exemplo relativamente recente foi a crise financeira dos “subprimes” que se iniciou nos EUA, mas acabou afetando a economia do mundo todo, provo- cando uma retração que durou por muitos anos. Alguns analistas econômicos dizem que os efeitos dessa crise ainda podem perdurar por décadas. Proteger as economias nacionais é um objetivo que os governos dos países bus- cam atender. Para isso,é comum que adotem medidas restritivas, visando “blindar” suas empresas da concorrência estrangeira, especialmente em setores considera- dos estratégicos, política e economicamente falando. Essas barreiras se refletem na forma de exigências quanto às características dos produtos e serviços oferecidos por empresas de países estrangeiros. Essas exigências muitas vezes inviabilizam Globalização nos Serviços Logísticos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 113 a competição dos produtos estrangeiros com os produtos nativos desses países. Como a logística pode auxiliar as empresas a fazer frente aos requisitos des- tes novos mercados? Vale aqui lembrar que as empresas mais eficientes trabalham em cadeia ou, mais precisamente, em redes de suprimentos. Essas redes não ficam restritas ape- nas ao mercado interno. Quem está obtendo sucesso no mercado globalizado já enxergou e está utilizando muito eficientemente componentes da rede que se localizam em outros países. Por exemplo, a Nike domina cerca de 33% da produção de calçados esporti- vos. Jones e George (2011) explicam que essa empresa trabalha em uma estrutura de redes e com uma arquitetura organizacional que permite que ela se concentre em algumas funções como o design e deixe outras funções para organizações que podem estar a milhares de quilômetros de distância. A função considerada mais importante, o design (que traz o “DNA” da marca) é desempenhada no estado do Oregon, nos EUA. Eles desenvolvem esses produtos utilizando softwares como o CAD (computer-aided design) no qual geram arquivos eletrônicos não só com o design em si, como também as instruções de produção. A partir daí: [...] transmitem eletronicamente todos os projetos de novos produtos para uma rede de fornecedores e fabricantes do Sudeste Asiático, com os quais a Nike formou alianças estratégicas. Instruções para o design de uma nova sola podem ser enviadas a um fornecedor em Taiwan; ins- truções para a parte em couro, a um fornecedor na Malásia. Os forne- cedores produzem as partes do calçado e enviam-nas para montagem final a um fabricante na China, com o qual a Nike estabeleceu outra aliança estratégica. Da China, os calçados são expedidos a distribuido- res em todo o mundo. Dos 99 milhões de pares de calçados que a Nike fabrica por ano, 99% são feitos no Sudeste Asiático (JONES; GEORGE, 2011, p. 402). Você pode pensar que sua empresa está longe de ser uma Nike. Contudo, não pense que os mercados estrangeiros estão proibidos para seu produto. É perfei- tamente possível pensar nesses mercados desde que sua estratégia de colocação de produtos seja adequada e que você consiga estabelecer parcerias de logística que atendam seu cliente onde quer que ele esteja. MODAIS DE TRANSPORTE, SUPPLY CHAIN MANAGEMENT E GLOBALIZAÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E114 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), chegamos ao final dessa unidade e, certamente, você deve ter notado a importância dos modais de transporte para estabelecer os fluxos de produtos e serviços, satisfazendo as necessidades dos clientes. Esses clientes podem ser pessoas físicas, consumidores como eu e você, ou empresas que neces- sitam desses produtos para seus processos de produção ou mesmo para venda em diversos Pontos de Venda no mercado. Há uma crítica bem fundamentada no Brasil quanto às distorções na utili- zação de modais, especialmente o rodoviário, que é utilizado praticamente para todas as situações no país, porém, devido às nossas dimensões continentais, uma boa parte dessas cargas – especialmente as commodities agrícolas – poderiam ser direcionadas para modais como o ferroviário e o aquaviário. De toda forma, é preciso entender que todo modal tem vantagens e des- vantagens, conforme ficou bastante claro nesta unidade. A escolha por um ou outro deve ser baseada em fatores objetivos, como tipo de carga, distância e disponibilidade. Outro ponto importante considerado as cadeias de suprimento e seu geren- ciamento, no que se convenciona chamar de Supply Chain Management, ou Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. Essa visão ampliada da logística leva em consideração as relações entre os participantes de uma rede que, por meio de suas ações, tornam os produtos disponíveis aos seus destinatários. Por fim, vimos que a globalização traz seus próprios desafios às operações logísticas. Nessa época em que as cadeias se foram não só regionalmente, mas mundialmente, é preciso pensar em um gerenciamento da cadeia que envolve participantes muitas vezes situados no outro lado do planeta, mas que exercem um papel essencial nos processos de produção e distribuição. Estes fundamentos serão muito importantes para você avaliar como estão suas operações logísticas próprias ou terceirizadas e como anda o relacionamento de sua empresa com outros componentes da rede de abastecimento. Bons estudos! 115 1. O desafio de fazer chegar o produto ao consumidor final pode ser vencido uti- lizando-se de serviços de terceiros, como um PSL – Prestador de Serviço Logís- tico. Sobre este tema, leia as assertivas a seguir: I. Uma das vantagens da terceirização é a redução dos ativos da empresa, per- mitindo rentabilizar melhor o capital investido. II. Nos primórdios, a terceirização na logística envolvia apenas algumas ativi- dades, por contrato e por tempo determinado. III. As empresas foram forçadas à terceirização pela necessidade de oferecer ní- veis de serviços competitivos aos clientes. IV. O 3PL geralmente utiliza tecnologias de informação que facilitam os fluxos na rede logística. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 2. Apesar dos ganhos elencados em relação à terceirização de serviços logísticos, é importante tomar cuidados na formalização dessas parcerias. Entre esses cui- dados, podemos elencar: I. É preciso definir questões sobre seguros e as responsabilidades das partes. II. A parceria pode ser estabelecida por meio de contratos informais entre as partes. III. Um cuidado importante é quanto ao custo dos serviços e os mecanismos de pagamento. IV. Na parceria, é necessário definir-se quais serão os critérios de desempenho na avaliação do operador. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 116 3. Os consumidores estão cada vez mais empoderados, exigindo qualidade, pre- ço justo e serviços de excelência. Se você analisar sua postura como consumi- dor, verá que isso é um fato. As empresas precisam adaptar-se a essas novas exigências, porém isso tem impacto direto nas operações logísticas. Conside- rando essa realidade, leia as afirmativas a seguir: I. A cadeia de suprimentos é uma solução para as empresas que não conse- guem isoladamente cuidar das demandas do cliente. II. Em uma cadeia de suprimentos, os processos que geram valor para o cliente podem ser executados em qualquer parte da cadeia onde haja relaciona- mento. III. Quando as empresas passam a fazer parte de uma cadeia, elas podem ad- quirir competências para as demandas que o atendimento ao cliente exige. IV. Uma cadeia de suprimentos abrange os esforços envolvidos na produção e liberação de um produto final, desde o primeiro fornecedor do fornecedor até o último cliente do cliente. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 4. Quando se considera as diversas opções para tornar o produto disponível ao cliente, com a utilização dos modais de transporte, o gestor precisa analisar al- gumas variáveis que impactam na satisfação do consumidor e na rentabilidade da empresa. Cada modal tem sua própria característica que deve ser considera- da.Analisando a performance desses modais, é correto dizer: a) No quesito velocidade, o de melhor performance é o rodoviário, seguido pelo modal aéreo. b) No que se refere à capacidade, o modal de melhor performance é o ferrovi- ário, e o de pior performance o rodoviário. c) Considerando a performance na questão de confiabilidade, o dutoviário tem melhor performance seguido pelo modal rodoviário. d) Se a questão é disponibilidade, o rodoviário se sai melhor que os demais modais, e o ferroviário é o pior entre todos. e) Na avaliação da frequência, o melhor modal é o aquaviário e aéreo é o pior. 117 5. Nos últimos anos, com o acesso mais popularizado à internet, começou-se a elencar um novo modal, o infoviário. Sobre esse modal, leia as asserções a se- guir e a relação proposta entre elas: I. Na classificação como um modal, o infoviário poderia ser classificado assim, pois possibilita a troca de produtos através de meios eletrônicos. PORQUE II. Quando se fala de produtos, referimo-nos a todo o bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial colocado no mercado de consumo. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa cor- reta da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justifica- tiva correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 118 Um microempreendedor busca estabelecer uma estratégia para sua empresa que pos- sibilite sua manutenção no mercado atual e, sempre que possível, aumentar sua parti- cipação. Esse aumento pode estar na busca por mercados externos, vendendo seu pro- duto para outros países. Não é o caso de pensar que somente grandes empresas podem exportar. O Brasil tem promovido algumas iniciativas muito interessantes para fomentar a exportação das pequenas empresas. Veja nesse texto o que pode ser feito: Como a microempresa pode importar e exportar? A microempresa pode atuar com comércio exterior e como requisito deverá apenas cumprir com os procedimentos de habilitação no SISCOMEX (Registro no RADAR) na modalidade adequada às características da sua empresa, ou seja, a empresa que tem a intenção de atuar neste ramo somente deve acrescentar em seu objeto social a ati- vidade de importação/exportação e regularizar seu registro do RADAR junto à Receita Federal. Dessa forma, não há exigência de capital mínimo e máximo para que sejam realizadas as operações de comércio exterior, porém as operações deverão envolver valores com- patíveis com a capacidade econômica da empresa no caso da importação. Na legisla- ção aduaneira, também não existe a exigência específica de vincular o objeto social da Pessoa Jurídica com os produtos que são importados, portanto a princípio é permitido importar qualquer produto dentro das exigências legais. No entanto, é recomendável a definição compatível do objeto social com as atividades que serão desempenhadas. Vale ressaltar que tanto no caso de importações diretas, bem como indiretas (por inter- médio de comercial importadora), é necessário obter habilitação no sistema RADAR. A exceção ocorre no caso das importações e exportações com despacho simplificado via Correios (Exporta Fácil e Importa Fácil) e outros couriers. Nessas situações, o RADAR é dispensado no caso das exportações até o valor de US$ 50.000,00 por remessa e nas importações até US$ 3.000,00. Observação: não confundir empresas comerciais exportadoras com as denominadas “trading companies”, empresas de grande porte que devem ter a forma de sociedade por ações e possuir capital mínimo, segundo Decreto-Lei n. 1.248/72. Fonte: Top Trading… ([2018], on-line)2. Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Administração de materiais: uma abordagem logística (2015) Marco Aurélio P. Dias Editora: Atlas Sinopse: o objetivo deste livro é reunir um conjunto básico de noções sobre a Administração de Materiais destinadas especifi camente àqueles que tomam o primeiro contato com a Logística. O texto inicia com a abordagem introdutória das conexões existentes entre a Administração de Materiais e outras áreas dentro das empresas. Em seguida, é focalizado o dimensionamento e controle de estoques, fornecendo os conceitos básicos mais importantes, sem que se recorra a métodos quantitativos sofi sticados. INCONTROLÁVEL (2010) Sinopse: como parar um trem desgovernado que avança a mais de 100 km/h? No fi lme “Incontrolável”, Frank Barnes (Denzel Washington) e Will Colson (Chris Pine) arriscam suas vidas para tentar conter os 39 vagões da locomotiva 777, cheia de material tóxico, vagando sem controle e que se transforma em um míssil do tamanho de um arranha-céu. A história é inspirada no fato ocorrido em Ohio, em 2001, quando um trem percorreu 106 km sem ninguém na cabine e mobilizou imprensa e especialistas na tentativa de pará-lo. REFERÊNCIASREFERÊNCIAS ARBACHE, F. S. et al. Gestão de Logística, Distribuição e Trade Marketing. 4. ed. São Paulo: FGV, 2011. BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística Empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2011. BOWERSOX, D. J. et al. Gestão Logística da Cadeia de Suprimentos. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. BUENO, M. J. C.; SANTI, Á.; VENDRAMETTO, O. Modal virtual: conceituação e mode- los. SEGeT–Simpósio de Excelência em Gestão e Tecnologia. São Paulo, 2011. CAXITO, Fabiano. Logística: um enfoque prático. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. DIAS, M. A P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 6. ed. São Pau- lo: Atlas, 2015. GONÇALVES, P. S. Logística e cadeia de suprimentos: o essencial. Barueri: Manole, 2013. JONES, G. R.; GEORGE, J. M. Administração contemporânea. 4. ed. Porto Alegre: AMGH, 2011. MARTEL, A.; VIEIRA, D. R. Análise e Projetos de Redes Logísticas. São Paulo: Sarai- va, 2010. NOGUEIRA, A. S. Logística Empresarial. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2018. NOVAES, A. G. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: estratégia, operação e avaliação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. PACHECO, E. A.; DROHOMERETSKI, E.; CARDOSO, P. A. A decisão do modal de trans- porte através da metodologia AHP na aplicação da logística enxuta: um estudo de caso. In: CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO, 4., 2008, Niterói. Anais... Niterói: CNEG, 2008. 31 de julho a 02 de agosto de 2008. PIRES, S. I. Gestão da Cadeia de Suprimentos: conceitos, estratégicas, práticas e casos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. RAZZOLINI FILHO, E. Transporte e modais: com suporte de TI e SI. Curitiba, Inter- Saberes, 2012. RIBEIRO, L. O. M.; BOUZADA, M. A. C. A Intermodalidade compensa? Um estudo so- bre o escoamento de arroz no corredor Vale do Jacuí (RS) - Região dos Lagos (RJ). In: SIMPÓSIO DE ADMINISTRAÇÃO DA PRODUÇÃO, LOGÍSTICA E OPERAÇÕES INTERNA- CIONAIS – SIMPOI, 13., 2010, São Paulo. Anais... São Paulo: FGV – EAESP, 2010. RIBEIRO, P. C. C.; FERREIRA, K. A. Logística e Transportes: uma discussão sobre os mo- dais de transporte e o panorama Brasileiro. In: ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHA- RIA DE PRODUÇÃO, 22., 2002, Curitiba. Anais... Curitiba: ENEGEP, 2002. 120 REFERÊNCIAS 121 REFERÊNCIAS ON-LINE 1 Em: <https://www.fdc.org.br/conhecimento-site/nucleos-de-pesquisa-site/Mate- riais/pesquisa-custos-logisticos2017.pdf>. Acesso em: 17 ago. 2018. 2 Em: <http://www.toptrading.com.br/como-microempresa-posso-importar-e-ex- portar/>. Acesso em: 17 ago. 2018. GABARITOGABARITO 1. E. 2. D. 3. E. 4. C. 5. A. U N ID A D E IV Professor Me. Paulo Pardo RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Objetivos de Aprendizagem ■ Conhecer a importância da TI nos processos logísticos. ■ Compreender como fazer previsões de estoque. ■ Verificar os diversos tipos de estrutura de armazenagem disponíveis. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:■ O papel da TI na Logística Integrada ■ Analisando previsões de estoque ■ Estruturas de Armazenagem INTRODUÇÃO Vivemos em um mundo tecnológico, mas isso não é nenhuma novidade para você, não é mesmo? A própria modalidade em que você está estudando, o EAD, já pressupõe um nível de tecnologia impensável há 20 anos. Estamos evoluindo em tecnologias em uma progressão geométrica, de acordo com vários estudos. Sem dúvida, o impacto que esse desenvolvimento tecnológico provocou nas organizações é imenso. A estratégia das organizações precisou ser repensada em um cenário em que nada é definitivo e o consumidor ganha um empoderamento imenso, obtido pelo livre e fácil acesso à informação. Evidente que o nível de exigência desse cliente tecnológico, conectado, é muito mais elevado. A compa- ração entre fornecedores de bens e serviços é feita com a velocidade de um clicar de teclado ou um toque na tela de seu smartphone. Como agir diante desse cenário? Essa é a pergunta que vale a sobrevivência da empresa. Não há respostas prontas nem soluções mágicas. No entanto, aqui vale uma recomendação importante: os investimentos em TI são sempre dis- pendiosos para as organizações. Por isso, quando se pensa em utilizar soluções tecnológicas para aumentar o nível de serviços ofertado ao cliente, é importante entender o que exatamente queremos em nossa organização e o que virá, de fato, agregar valor aos nossos serviços, aumentando a satisfação dos clientes e o nível de serviços a esse mesmo cliente. Dessa forma, focaremos nesta unidade algumas das principais ferramen- tas tecnológicas utilizadas na Logística e que representam ganhos significativos para os processos logísticos. Isso porque as soluções são muito mais numerosas do que poderíamos descrever nesse material. Entretanto, desde já recomendo, dada a importância desse tema, que você busque aprofundar-se em mais leituras, aproveitando inclusive as recomenda- ções que fizemos ao final de cada unidade. Bons estudos! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 125 RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E126 O PAPEL DA TI NA LOGÍSTICA INTEGRADA De todas as áreas que foram impactadas nas empresas com a evolução da Tecnologia da Informação, sem dúvida uma que se beneficiou de forma mais significativa foi a área de logística. Há alguns anos, eu trabalhava em uma concessionária de automóveis e me lembro bem como os pedidos de peças eram encaminhados para a montadora por meio de um equipamento que para nós, naquela época, parecia algo ultramo- derno, o telex. Se você não sabe do que se trata, pesquise no Google e achará até algumas imagens bem interessantes de um equipamento que permitia troca ins- tantânea de texto e armazenamento de mensagens através de uma fita perfurada. A tecnologia evoluiu a tal ponto que é difícil dizer o que há de mais avançado em soluções logísticas, porque novos avanços surgem a cada dia. Portanto, é preciso ficar atento a essas inovações e verificar o que pode ser útil para sua organização. O fato é que a utilização da TI permitiu às organizações ganharem compe- titividade e, aplicada à logística, trouxe uma nova era de atendimento ao cliente e aumento do nível de serviços a ele oferecido. Há diversos sistemas que auxiliam os profissionais na execução de seu tra- balho e, especialmente para os gestores, vários sistemas apoiam a tomada de decisão, com visões diferenciadas do negócio conforme o nível hierárquico que o gestor ocupe na organização. Estamos falando de sistemas como: O Papel da ti na Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 127 SPT – Sistemas de Processamento de Transações, cujo objetivo é acom- panhar a rotina dos processos de negócio da empresa, como vendas, pagamentos, estoque etc., proporcionando segurança nas operações. São utilizados especialmente pelos gerentes do nível operacional. SIG – Sistemas de Informações Gerenciais, cujo objetivo é aumentar o nível de controle e municiar os gestores na tomada de decisão. Apresentam informações consolidadas, na forma de relatórios e gráficos, provenien- tes dos bancos de dados e processamentos executados pelos SPTs e são utilizados especialmente pela gerência média. SAD – Sistemas de Apoio à Decisão, cujo objetivo também é apoiar as decisões, porém com um foco para situações inéditas em que não há ainda um histórico ou um processo estabelecido. São alimentados pelos SPTs e pelos SIGs e utilizados pela gerência média. SAE – Sistemas de Apoio ao Executivo, cujo objetivo é apoiar a tomada de decisões estratégicas e consolidar informações e dados provenientes de fontes internas e externas à organização, ou seja, além de utilizar os bancos de dados onde os SPTs, SIGs e SADs obtém seus dados, também captura informações de fontes como agências de análise de risco, agên- cias de notícias, consultorias, entre outras. São utilizados por gestores do nível estratégico, como Diretores e CEOs. No entanto, nosso foco nessa unidade é tratar de sistemas voltados para a logís- tica, especificamente. Podemos entender a contribuição da TI na logística por meio da Figura 1, a seguir: Figura 1 - Objetivos da cadeia de suprimentos com o uso da tecnologia da informação Fonte: Carvalho e Encantado (2006 apud GONÇALVES, 2013). RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E128 Gonçalves (2013, p. 76) destaca três grandes fatores que sofreram um enorme impacto com o emprego da Tecnologia da Informação: 1. A satisfação dos clientes passou a ser uma obsessão para as empresas. 2. Ficou patente que um serviço mais eficiente ao cliente é fator fundamen- tal para o sucesso nos negócios. 3. As informações que fluem nos processos são de capital importância para o gerenciamento dos materiais e da cadeia de suprimentos. Essas informações permitem redução dos estoques disponíveis nos diversos pontos de armaze- nagem e flexibilidade na disponibilidade dos materiais e, por consequência, aumento do nível de competência empresarial. Isso ocorre, pois, a maior parte das tarefas passou a ser executada por meio de softwares, que permitiram elevados ganhos em termos de velocidade, acurácia e acesso às informações. Dessa forma, fica evidente a relevância de tratarmos dos avanços e funcionali- dades que a TI proporcionou aos processos logísticos e à Cadeia de Suprimentos como um todo. Vamos conhecer algumas dessas funcionalidades e um pouco da história desse desenvolvimento. O EDI – ELECTRONIC DATA INTERCHANGE O desenvolvimento de aplicações informatizadas para auxiliar as empresas nos seus processos logísticos iniciou-se há mais de 4 décadas nos EUA com a imple- mentação de troca eletrônica de dados (Electronic Data Interchange – EDI, em inglês). Esse sistema de troca eletrônica de informações se popularizou a partir da década de 80, quando passou a ser utilizado por empresas parceiras em negó- cios, chegando de forma natural à cadeia de suprimentos. Como o nome sugere, a troca de informações entre empresas é realizada utilizando-se da rede de computadores que, por meio de uma formatação espe- cífica dos dados, envia essas informações para outra empresa, através de uma estrutura de rede em comum. Essas informações são formatadas na forma de um “pacote”, em um jargão utilizado pela TI, que obedece a um protocolo que preserva a integridade dos dados transmitidos contra acessos não autorizados. Tecnicamente, Pires (2016, p. 165) descreve o EDI da seguinte forma: O Papel da ti na Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al eL ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 129 [...] no EDI, a comunicação entre os sistemas das empresas envolvidas é feita através da estrutura de rede e dos softwares de comunicação de dados que interligam as empresas. Esses softwares recebem e enviam os dados para os softwares de tradução, os quais interpretam os da- dos e fazem a interação com os sistemas de informações das empresas. Dessa forma, os softwares de comunicação estão ligados à estrutura de rede utilizada, e os de tradução estão ligados ao conjunto de sintaxe adequadamente definido pelas empresas envolvidas. No centro desse procedimento está o chamado protocolo de comunicação, que, entre outras coisas, garante o acesso restrito e o sigilo dos dados trocados. Conforme Pires (2016) destaca, um dos grandes empecilhos para que esse sis- tema fosse adotado por pequenas e médias empresas encontra-se justamente no custo de implantação e da troca de informações. Isto porque as empresas envol- vidas nesta troca devem possuir uma estrutura tecnológica compatível tanto na parte de hardware como de software, além de pessoal qualificado para esta ativi- dade. Estas exigências custam caro. Algumas empresas, por não possuírem todos esses requisitos, acabam por contratar os serviços de empresas especializadas em tecnologia da informação para que prestem a assessoria necessária, o que reduz o custo, porém, não a ponto de tornar-se acessível para pequenos empreendimentos. Mais recentemente, com a popularização da Internet, vários canais de troca de informação foram estabelecidos utilizando-se dessa rede mundial, o que reduziu significativamente o custo de operação, tornando possível que mesmo um pequeno empreendedor possa ter uma comunicação eficiente com outros participantes da RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E130 cadeia de suprimentos. Um ponto crítico da Internet é a segurança da informação, que precisa necessariamente ser tratada com mecanismo de proteção, como a criptografia de dados, que agora já não é mais um assunto tão distante das pequenas empresas. Para que um sistema de troca eletrônica de dados seja eficaz, deve ter uma lingua- gem que seja facilmente inteligível por todos os participantes da cadeia de suprimentos. Na busca por essa eficácia, adotam-se padrões de informação, seguindo uma for- matação que é comum entre as empresas usuárias do sistema. Você deve conhecer alguns padrões de informações utilizadas em troca de dados, mesmo que não tenha percebido isso. Por exemplo, ao pagar um boleto, uma conta de luz, água ou telefone, os códigos de barras constantes nestes documentos seguem uma padronização que foi estabelecida de acordo com parâmetros fornecidos pela FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos). Assim, mesmo que um boleto emitido pelo Banco X seja pago em uma casa lotérica, ao se trocar a informação de pagamento no sistema (no caso do Brasil, as informações financeiras estão interligadas em um sistema conhecido como SPB – Sistema de Pagamentos Brasileiro), o Banco X recebe os dados de paga- mento e processa a baixa do documento normalmente e com agilidade. Em logística, a padronização de informações permite que um cliente que revende um determinado produto originário da indústria (por exemplo, ima- gine uma rede de supermercados que revenda uma determinada marca de sabão em pó) transmita suas necessidades de reposição de estoque de forma segura, rápida e confiável para seu fornecedor. Em sistemas mais acurados, ao se retirar o produto do estoque do atacadista, a informação sobre a baixa do produto no estoque chega automaticamente à indústria, que providenciará a reposição de acordo com o sistema acertado com o cliente. O ECR – EFFICIENT CONSUMER RESPONSE O ECR (tradução do inglês Efficient Consumer Response: Resposta Eficiente do Consumidor) foi um desenvolvimento natural do processamento das informa- ções possibilitado pelo EDI. Com as trocas constantes de informações entre cliente e fornecedor, este último componente da cadeia de suprimentos passa a conhecer os hábitos, tendências e comportamento de seu cliente. O Papel da ti na Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 131 Vamos pensar em dois atores em uma rede de suprimentos: uma grande indús- tria de produtos de higiene e limpeza que fabrica dezenas de marcas e uma grande cadeia de supermercados que possui lojas em várias regiões do país. Pois bem, essa rede de supermercados compra as várias marcas produzidas por esta indús- tria, porém, o comportamento de consumo das lojas integrantes de sua rede não é homogêneo. Isto é previsível, afinal, temos lojas instaladas no Rio Grande do Sul, por exemplo, e outras instaladas no Ceará. Enquanto que no Rio Grande do Sul algumas marcas da indústria vendem muito bem, outras não são demandadas pelos clientes da rede de supermercados ou sua demanda é muito baixa. Assim, a indústria, juntamente com o departamento de compras da rede de supermercados, podem traçar juntos as estratégias de abastecimento para a rede, respeitando-se as características de consumo regionais. Contudo, o fato interessante é que a indústria pode antecipar-se às demandas de seu cliente, no caso, a rede de supermercados, e dimensionar as necessidades de reposição segundo as características de consumo de cada região. Isto, para a indústria, é bastante vantajoso, pois sua produção também pode ser dimensionada para não produzir em demasia um item de pouca rotativi- dade e nem deixar de produzir outro que tem um giro mais elevado. Essa Resposta Eficiente ao Consumidor (ECR) inicia-se com o estabelecimento da parceria comercial, passando por uma integração de sistemas de informação, chegando ao ponto de que os participantes da rede tenham online ou no máximo em batch (processamento não instantâneos, mas que acontecem, por exemplo, a cada hora, ou no final de um dia) as informações sobre a movimentação dos pro- dutos na cadeia de suprimentos. Por exemplo, quando uma dona de casa compra uma caixa de sabão em pó em uma loja da rede de supermercados do Ceará, essa informação transita na rede interligada, chegando à indústria, que, seguindo uma filosofia de reposição, pode providenciar que não haja “quebra de gôndola” (acon- tecimento que marca a falta de um produto na prateleira) em suas lojas. Esta ideia, de acordo com Pires (2016), faz parte da filosofia de Quick Response (Resposta Rápida) que tem suas origens na lógica do ponto-de-pedido (um sis- tema que marca a reposição quando o estoque chega a um nível mínimo, no qual necessita ser reposto para não ocasionar ruptura de atendimento ao cliente) e no Just in Time, que prega que a demanda ou a reposição sempre é puxada a par- tir do ponto de consumo. RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E132 Imagine agora os efeitos práticos destas tecnologias. Vence-se, de certa forma, o conflito de manter elevados estoques para garantir um nível de serviços exce- lente ao cliente, pois, com o fornecedor e o revendedor estando interligados na trocas de informações sobre o consumo de um determinado item, pode-se pro- gramar as reposições de forma a manter um nível de estoque reduzido no ponto de venda. A aplicação de recursos financeiros em estoque se reduz, o que impacta também na redução do custo de oportunidade, ou seja, a empresa, ao invés de direcionar seus recursos para estoque, pode aplicar esse dinheiro em outras ati- vidades empresariais que tragam um retorno mais elevado. VENDOR MANAGED INVENTORY – VMI (ESTOQUE GERENCIADO PELO FORNECEDOR) A prática do VMI nasceu – como muitas outras práticas hoje tão comuns no varejo na rede Walmart. Simplificando o termo, essaprática estabelece que a gestão dos estoques passa das mãos do revendedor para a responsabilidade do fornecedor. Essa prática, para ser viável, precisa atender alguns requisitos claros. Por exemplo, a troca eletrônica de informações precisa ser muito bem estabelecida e funcional, pois a proposta é reduzir erros de quantidades (não ter estoques demais, causando prejuízos como o de obsolescência, ou de menos, causando rup- tura de abastecimento). Outro requisito é a relação de confiança entre as partes envolvidas. Que existe a confiança, não se questiona, pois partindo do princípio que as partes já trocam informações sobre consumo e reposição entre si, a con- fiança existe. No entanto, essa confiança tem que ser de um nível tal que permita a intervenção do fornecedor no ponto de venda do revendedor. Pires (2016) lista algumas vantagens e desvantagens do VMI, normalmente apontadas pelos participantes da cadeia de suprimentos. Estas vantagens estão discriminadas no Quadro 01: O Papel da ti na Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 133 Quadro 1 - Vantagens e desvantagens do VMI para o SCM Empresa fornecedora Empresa cliente Vantagens • melhor atendimento e maior “fidelização” do cliente; • melhor gestão da demanda; • melhor conhecimento do mercado. • menor custo dos estoques e de capital de giro; • melhor atendimento por parte do fornecedor; • simplificação da gestão dos estoques e das compras. Desvanta- gens • custo do estoque mantido no cliente; • custo da gestão do sistema. • maior dependência do fornecedor; • perda do controle sobre seu abastecimento. Fonte: Pires (2016, p. 172) Em uma experiência de implantação do VMI por parte de um grande fornecedor (a Jonhnson & Jonhnson) com seus parceiros comerciais, percebeu-se uma resistência inicial por parte dos parceiros, justamente por não confiar plenamente na capacidade do fornecedor de abastecer a tempo suas gôndolas, o que provocaria prejuízos finan- ceiros e de imagem. No entanto, essa experiência mostrou que, quando os parceiros entendem a confiabilidade do sistema – que é tratado com programas de compu- tador extremamente eficientes – passam não só a aceitá-lo como a promover o seu uso na rede de suprimentos. RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E134 ERP – ENTERPRISE RESOURCE PLANNING Desde que se iniciou a aplicação de soluções informatizadas para os processos produtivos e a logística, grandes avanços vêm ocorrendo na área de gerenciamento de processos empresariais. Por exemplo, para auxiliar a produção, a informática possibilitou a criação de planilhas eletrônicas automatizadas conhecidas como MRP (material requirement planning) que possibilita um controle de materiais requisitados e necessários em cada fase do processo produtivo. Na próxima evolução, tivemos aliado ao controle de materiais também o ingresso do controle de outros recursos, além da matéria-prima, insumos de outros setores da empresa (inclusive fi nanceiros) que possibilitou um planeja- mento e acompanhamento mais efetivo da produção denominado agora de MRP II (manufacturing resource planning). A integração dos setores produtivos, de vendas, fi nanceiro, de fornecedores, entre outros, que até então tinham sistemas distintos, foi possível através de uma tecnologia denominada ERP (Enterprise Resource Planning) que, em uma única base de dados, possibilita o processamento dos dados provenientes de setores aparentemente desvinculados, mas que, na realidade, devem trabalhar sinergi- camente para atingir-se os resultados organizacionais. Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E134 O Papel da ti na Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 135 Assim, os relatórios disponibilizados para os gestores, em uma única pla- taforma, dão uma visão global das operações da empresa e de seus resultados, permitindo uma gestão por meio de indicadores de resultados globais. A Figura 2 representa esquematicamente as funcionalidades de um ERP. Figura 2 - Processos integrados por um ERP Fonte: Arbache et al. (2011). A ideia do ERP é trabalhar não somente com os dados internos da organiza- ção, mas também com as informações provenientes de outros componentes da cadeia de suprimentos. Essas informações permitem a tomada de decisão em processos críticos, como a disponibilização de recursos para determinados projetos que estão sendo conduzidos nas diversas áreas da empresa e, na logística, permite, com a inte- gração com os demais integrantes da cadeia de suprimentos, um planejamento das necessidades de reposição e fabricação dos itens do estoque, permitindo um alto índice de confiabilidade nos serviços ao cliente (ARBACHE et al., 2011). São vários os sistemas que compõem o que se conhece como Resposta Rápida (Quick Response), como mostra o quadro a seguir: RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E136 Quadro 2 - Sistemas de resposta rápida ao cliente PROGRAMA DE RESPOSTA RÁPIDA SIGLA DESCRIÇÃO Quick Response QR Os fornecedores recebem os dados coletados e utilizam estas informações para sincronizar suas operações de produção e seus estoques com as vendas reais do cliente. O cliente continua colo- cando seus pedidos de forma individual. Continuous Reple- nishment Program CRP Os fornecedores recebem as informações do ponto de venda para preparar carregamento em intervalos regulares e assegurar a flutuação de estoques no cliente entre determinados níveis de mínimo e máximo. Efficient Consumer Response ECR Fabricantes e varejistas se comprometem a coo- perar em cinco áreas principais: compartilhamen- to de informações em tempo real, gerenciamento de categorias, reposição contínua, custo baseado em atividades e padronização. Collaborative Plan- ning, Forecasting and Replenishment CPFR Constitui uma extensão do ECR/CRP, no qual fabricantes e varejistas compartilham sistemas e dados de previsão de venda. Vendor Managed Inventory VMI O fornecedor é responsável pelo gerenciamento e pela reposição do estoque. O ponto fraco do VMI consiste na falta de visibilidade da cadeia: informações do ponto de venda e estoque nas lojas é negligenciado e apenas o estoque no CD é considerado no processo de reposição. Just in Time II JIT II Extensão lógica do regime de produção JIT para fora da empresa. No JIT II, o fornecedor disponibi- liza um funcionário para trabalhar no seu cliente e toma decisões de programação de produção e aquisição de insumos. Fonte: Wanke (2004 apud SANTOS, 2006, p. 45) O Papel da ti na Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 137 IDENTIFICAÇÃO ELETRÔNICA DOS ESTOQUES O estoque representa um volume de investimentos importante para as organizações e varejo, especial- mente, ter ou não o estoque à disposição do cliente pode representar a diferença entre uma venda e a perda desse cliente para a concorrência. Por conta disso, vários mecanismos tecno- lógicos foram desenvolvidos para identificar e rastrear os estoques. Vamos conhecer algu- mas dessas soluções. O CÓDIGO DE BARRAS Tornou-se tão comum em nossas vidas os códigos de barras inseridos nos pro- dutos que às vezes nem os notamos. No entanto, esse aplicativo permite uma gestão muito eficiente dos estoques de produtos acabados e semiacabados nos diversos pontos da cadeia de suprimentos. Quando você passa com seu carrinho no caixa do supermercado e vê o feixe delaser lendo as informações contidas no código de barras dos produtos que você adquiriu, percebe que na tela aquele código transforma-se em informações inteligíveis para o consumidor (como tipo de produto, marca, preço) e, com toda certeza, para o próprio supermercado, que fará as baixas dos estoques e dispa- rará as reposições necessárias dos itens vendidos. A tecnologia relacionada ao código de barras é relativamente simples. Veja na figura a seguir como o sistema funciona: RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E138 Figura 3 - Tecnologia do código de barras Fonte: Gonçalves (2013). Os códigos de barras seguem uma padronização internacional gerada e cadas- trada pelo sistema EAN/UCC de European Article Numbering (EAN) e Uniform Code Council (UCC). Essas organizações internacionais são responsáveis por normatizar o uso do código de barras, de modo a possibilitar sua identificação em qualquer país do mundo (ARBACHE et al., 2011). De acordo com Arbache et al. (2011), no Brasil os padrões mais utilizados são: ■ EAN/UCC – 13. ■ EAN/UCC – 14. ■ UCC/EAN – 128. Além desses, alguns outros códigos podem ser utilizados, como o EAN/UCC 8. A numeração após a sigla EAN UCC significa o número de dígitos utilizados no código, incluindo o dígito verificador. O Papel da ti na Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 139 O Brasil conta com uma entidade para o cadastramento desses códigos que é a GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação. Conforme Caxito (2014, p. 40): [...] a GS1 Brasil – Associação Brasileira de Automação é uma organiza- ção multissetorial, sem fins lucrativos, cujo objetivo é disseminar o padrão GS1 na identificação, codificação e soluções para aumentar a eficiência da cadeia de suprimentos: ■ Código de Barras ■ EPC – Código Eletrônico de Produtos. ■ GDSN – Rede Global de Sincronização de Dados. ■ EDI – Troca Eletrônica de Dados. Esse padrão adotado pelos sistemas GS1 é aplicado em 150 países, em cerca de 20 seto- res diferentes, que envolvem produtos de alto consumo, além de logística, transporte, defesa, programa aeroespacial, compondo uma rede de 108 organizações-membro. Como mencionei no início deste tópico, os códigos de barras têm aplicações bastante abrangentes. Uma que com certeza interessará a você especialmente é o código EAN/UCC – 13, que é utilizado nos pontos de check-outs do varejo, ou seja, nos caixas, principalmente. Conforme Reis (2015), esse padrão é o mais utilizado nos produtos em geral, sendo que seus 13 dígitos significam: três para o país, até sete para o fabricante, até cinco para o produto e um é o dígito verificador. A figura a seguir representa um código EAN 13: Figura 4 - Representação de um código EAN 13 Fonte: Reis (2015). RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E140 Conforme Arbache et al. (2011), o código EAN/UCC-8 é utilizado em unida- des de consumo muito pequenas, tais como bombons, chicletes, e alguns outros itens com essa característica. É de uso exclusivo do varejo. Na Figura 5 a seguir, temos a representação de um código EAN 8: Figura 5 - Representação de um código EAN 8 Fonte: Reis (2015). Podemos ainda ampliar nossa visão, comparando o código com o, na Figura 6 a seguir: Se você estiver viajando para o exterior, talvez para os Estados Unidos, e tiver vontade de comprar algum produto até para presentear seus amigos ou sim- plesmente para postar nas redes sociais, fique atento ao código de barras! Se você quiser trazer um produto americano, no código do país (03 três primeiros números do código de barras), deverá constar 002 ou 030 (medicamentos, em- bora comprar remédios no exterior nem sempre é permitido!), ou ainda, 060. Fonte: o autor O Papel da ti na Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 141 Figura 6 - Comparativo do código de barras EAN 13 com o EAN 8 Fonte: Gonçalves (2013). Nos armazéns, é importante uma identificação que atenda a necessidade de composição de unidades. Para atender essa necessidade, temos a barra EAN 14, conforme mostra a Figura 07 a seguir: Figura 7 - Representação de um código EAN 14 Fonte: Arbache et al. (2011). Esse formato é muito semelhante ao EAN 13, somente acrescido no seu início por um indicador que vai de 1 a 8. Esse número permite que se descrevam quan- tidades diferentes de um mesmo produto. Arbache et al. (2011) representam uma situação em que um mesmo item é expresso em diversas quantidades, de acordo com o indicador que antecede o código principal. É importante destacar que o número em si não tem relação direta com a quantidade expressa, ou seja, não representa matematicamente essa quantidade. RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E142 Quadro 3 - Informações possíveis pela representação do EAN 14 PRODUTO QTTDE. DE ITENS GTIN EAN/UCC-13 GTIN EAN/UCC-14 Estrato de to- mate etta 200g 6 latas 789 56793 0025 9 1 789 56793 0025 2 Extrato de to- mate Etta 200g 24 latas 789 56793 0025 9 2 789 56793 0025 8 Extrato de to- mate Etta 200g 12 latas 789 56793 0025 9 3 789 56793 0025 7 Fonte: Arbache et al. (2011). Repare que a estrutura central do código EAN 14 é idêntica à estrutura EAN 13. O número 1, 2 e 3 indicado na EAN 14 vai indicar a quantidade de itens, fri- sando que não há relação numérica entre a quantidade e esse indicador. Veja, então, que no armazém você pode compor caixas em diferentes quantidades (desde que sejam do mesmo produto) e etiquetar com uma EAN 14 para a lei- tura correta deste item. Para fins de armazenagem, temos também a EAN 128. Esta etiqueta tem o seguinte formato: Figura 8 - Representação de um código EAN 128 Fonte: Arbache et al. (2011). Essa etiqueta pode expressar muito mais informações, como a composição de um inteiro palete, contendo data de validade, número do lote, quantidade de caixas no palete. Essa etiqueta não serve para pontos de check-out de varejo. O Papel da ti na Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 143 QR CODE O Quick Response Code (em português, Código de Resposta Rápida), ou mais conhecido simplesmente por QR Code, teve sua origem nas transações B2B (business to business, ou empresa-para-empresa), mas que atualmente ganhou o mundo nas mais diversas aplicações. Explicando mais a respeito do QR Code, Grant (2013, p. 185) explica que: Código QR é um código de barras específico de matriz bidimensional que pode ser lido por leitoras QR dedicadas, smartphones e, menos comumente, computadores munidos de webcams. O código consiste em módulos negros distribuídos em um padrão quadrado sobre um fundo branco. As informações codificadas podem ser texto, URL ou outros dados. Esse autor explana que o sistema foi desenvolvido na indústria automobilística, em uma subsidiária da Toyota Denso-Wave, para fins de decodificação em alta velocidade no rastreamento de peças. Após o Japão, a Holanda, Coréia do Sul e Estados Unidos passaram a utilizar intensamente o sistema, que, como dito, já é uma realidade no mundo todo. De acordo com a GS1 Brasil ([2018], on-line)1, esse tipo de etiqueta é um [...] símbolo bidimensional para aplicações especiais, que permite co- dificar informações em espaços muito menores que os códigos line- ares e agregar informações adicionais como código do produto, lote e validade. Tornou-se o principal código do segmento hospitalar por permitira identificação de itens tão pequenos quanto uma ampola de 5ml, permitindo a rastreabilidade e garantido a segurança do paciente. Grant (2013, p. 186) apresenta uma grande vantagem no uso do QR Code para as transações B2C (Business to Consumer, ou Empresa para Consumidor): [...] em um contexto B2C, códigos QR são um meio realmente efetivo em custo para dar mais informações e atrair consumidores online. Eles são interativos por natureza e permitem a medição da adesão do clien- te. Cada marca tem a possibilidade de obter informações variadas por meio de medições da utilização de um único usuário, como quando e onde o código foi visto e até mesmo a duração da interação. RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E144 Outra vantagem desse código é o fato de ele ser omnidirecional, o que significa que ele pode ser lido de qualquer direção, garantindo uma alta velocidade na captura dos dados, até mesmo a uma distância considerável, como 15 metros em um leitor de QR Code de Smartphone. Você, provavelmente, já conhece o QR Code, mas apresentamos, na Figura 9 a seguir, um exemplo dessa etiqueta: Figura 9 - Etiqueta QR Code A utilização do QR Code certamente será intensificada, à medida que novas fun- cionalidades sejam pensadas para a aplicação dessa ferramenta. ETIQUETAS ELETRÔNICAS E O RFID (RADIO FREQUENCY IDENTIFICATION) Um desenvolvimento possibilitado pela tecnologia foi a etiqueta eletrônica, tam- bém conhecida como e-tag ou smart tag. A arquitetura construtiva desta etiqueta baseia-se em um pequeno chip que contém informações mais completas que as disponibilizadas pelas etiquetas por código de barras. Na etiqueta associada a um produto, é implantado um código eletrônico de pro- dutos (EPC) que confere a este produto uma identidade única, como se fosse uma placa de carro. A leitura desta etiqueta é feita por acionamento de antenas situadas em pontos estratégicos no armazém ou no ponto de venda. Essa leitura automática dispensa a ação do homem, agilizando o recebimento de produtos e seu despacho. O Papel da ti na Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 145 As aplicações no ponto de venda são inúmeras. Imagine um supermercado em que os produtos possuam este tipo de etiqueta. A ideia é que quando você chegar ao caixa, sua compra já estará fechada, bastando passar seu cartão mag- nético do banco para efetuar o pagamento. De toda forma, os ganhos atuais que já podem ser contabilizados são os rela- cionados à correção das ineficiências na gestão de estoques, maior segurança com respeito ao inventário, maior agilidade na separação dos pedidos para des- pacho (picking), além de confiabilidade relacionada à acuracidade dos estoques, ou seja, os estoques físicos correspondem ao que está registrado nos sistemas informatizados da empresa. A estrutura para o funcionamento do sistema RFID é demonstrada na Figura 10: Figura 10 - Estrutura de um sistema de RFID Fonte: Reis (2015). O que impede a popularização deste sistema, tão interessante, é seu custo. As e-tags ainda tem um custo proibitivo para pequenos itens. Com o uso mais intensivo, a fabricação em grande escala destas etiquetas tende a baratear sua produção, contribuindo para sua adoção massificada. Grant (2013, p. 185) traz uma informação importante sobre o uso das e-tags RFID: [...] há algumas questões técnicas a serem consideradas, uma delas é a diferença entre os limites de radiação UHF emitida pela radiocomuni- cação entre a Europa e os Estados Unidos. O limite na Europa é 0,5 watt enquanto no Estados Unidos é 4 watts. O fato de o limite na Europa ser 100 vezes mais lento do que o limite nos Estados Unidos significa que a faixa de leitura na Europa também seria 100 vezes mais baixa do que nos Estados Unidos. Além disso, há um aspecto relacionado aos ambientes de varejo e armazenagem quanto ao risco de leitura errada das etiquetas devido à interferência de metais. RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E146 Ao contrário do que muitos possam pensar, há uma diversidade enorme de eti- quetas eletrônicas para as mais diversas aplicações e, por conta disso, é importante saber qual é a finalidade para a qual se deseja aplicar a tecnologia. No caso especí- fico de controle de inventário, de fluxo de produtos, localização etc., são aplicáveis as etiquetas eletrônicas RFID. O padrão construtivo dessas etiquetas também varia de acordo com o tipo de informação e dados que se deseja armazenar e capturar. As etiquetas RFID são produzidas em um equipamento rotativo, as antenas com chip RFID sendo inseridas sob essas etiquetas. As antenas assim produzi- das são denominadas de inlay. Basicamente, há dois tipos de inlays: inlays sem adesivo e inlays com adesivo. O tipo sem adesivo tem custo menor em relação ao modelo com adesivo. Sobre outros processos de fabricação, podemos verificar que: [...] há outros processos de fabricação de inlays também presentes no mercado, porém em menor volume, são eles: impressão da antena com tinta condutiva e deposição seletiva de metal por processo à vácuo, en- tre outros. A produção da etiqueta eletrônica RFID requer profundo co- nhecimento técnico de microeletrônica, cargas estáticas, interferências eletromagnéticas, processos de conversão rotativos, entre outros conhe- cimentos. Os inlays são produtos sensíveis ao manuseio e requerem cui- dados de pessoal capacitado e treinado, pois, do contrário, podem ser danificados durante o processo de produção, caso não obedeçam às reco- mendações dos fabricantes (SAGULA FILHO, 2012, on-line)2. Por conta dessa produção mais intensa, as aplicações dessas eti- quetas eletrônicas RFID estão ganhando corpo, ainda mais que as grandes redes de varejo pres- sionam seus fornecedores para que a solução seja mais larga- mente empregada, pois facilita as operações logísticas internas. Uma imagem como a apresen- tada a seguir já é muito comum em redes de varejo: Figura 11 - Exemplo de aplicação de etiqueta eletrônica RFID O Papel da ti na Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 147 O funcionamento de uma etiqueta eletrônica RFID é bastante prática e fun- cional, conforme você pode verificar na Figura 12 a seguir: Figura 12 - Tecnologia RFID Fonte: Gonçalves (2013). Como há vários tipos de etiquetas eletrônicas RFID, você já pode ter conclu- ído que suas funcionalidades são diferentes entre si, até mesmo na questão do alcance do sinal de leitura. Isso é verdade. As etiquetas trabalham com frequên- cias diferentes, o que impacta no alcance da leitura de seu sinal, conforme você pode verificar no quadro a seguir: Quadro 4 - Banda de frequência e características RFID BANDA DE FREQUÊNCIA CARACTERÍSTICAS APLICAÇÕES TÍPICAS Baixa: 100 a 500 Khz • Faixa de curta até média leitura • Baixo custo • Baixa velocidade de leitura • Controle de acesso • identificação de animais • Controle de inventário Média: 10 a 15 Mhz • Faixa de curta até média leitura • Potenciamnete de baixo custo • Média velocidade de leitura • Controle de acesso • Smart Card Alta: 850 a 950 Mhz e 2,4 a 5,8 Ghz • Faixa de larga leitura • Alto custo • Alta velocidade de leitura • Linha de visão requerida • Monitoração de veículos em estradas Fonte: Narciso (2008). RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E148 Caso os preços de aplicação das etiquetas cheguem a níveis de fração de cen- tavos, poderemos pensar em pequenas empresas utilizando a solução. Você deve estar pensando,em relação às tecnologias que vimos até o momento, quais seriam as características de cada uma delas em comparação com as demais. O Quadro 5, a seguir, nos auxilia a visualizar essas características: Quadro 5 - Comparativo entre tecnologias de identificação e rastreamento CÓDIGO DE BARRAS QR CODE RFID Capacidade de armazenamento Baixa Alta Alta Diversidade de dispositivos de leitura Apenas infraver- melho Câmera com apli- cativo para leitura de QR Code Celulares com NFC e aplicativo especifico e sistemas com antenas que tenha um software específico integrado Necessidade de leitura com linha de visão Sim Sim Não Distância para captação da informação Pequena Pequena Longe Segurança de dados Alta, pode haver adulteração da imagem Alta, pode haver adulteração da imagem Mínima, captura e envio de dados sem interven- ção Fonte: Metzner, Silva e Cugnasca (2014). Perceba que, do ponto de vista da segurança de dados, a etiqueta eletrônica RFID tem uma vantagem sobre o código de barras convencional e mesmo sobre o QR Code, o que a torna altamente indicada para produtos de maior valor agregado. WMS – WAREHOUSE MANAGEMENT SYSTEM Com o incremento do comércio eletrônico, algumas empresas possuem em seus arma- zéns milhares ou mesmo centenas de milhares de itens diferentes. Um pedido de um cliente pela Internet exige uma agilidade na localização deste produto no armazém para um despacho rápido e sem erros. Arbache et al. (2011) relatam que o portal sub- marino.com de vendas pela Internet chega a ter mais de 820 itens em seus estoques. O Papel da ti na Logística Integrada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 149 Como endereçar corretamente estes itens para que sejam localizados rapi- damente? O WMS é um sistema que possibilita este gerenciamento de produtos em um armazém. Conforme Grant (2013, p. 116), entre os benefícios do WMS estão “maior produtividade, redução de estoques, melhor utilização de espaço, menor índice de erros, exigências de EDI de suporte ao cliente e programas de regras da logís- tica de valor agregado”. Nem todos os WMS possuem as mesmas funcionalidades. Para entender isso, Grant (2013, p. 116-117) explica que [...] um WMS básico focará controle e localização de estoque, sequen- ciamento de separação e reposição e informações de produtividade. Já o avançado terá́ as características de um sistema básico, mas também planejará recursos e atividades para sincronizar o fluxo; a quantidade de informações cresce da produtividade ao estoque e à análise de capa- cidade. Um WMS complexo abrangerá vários locais de armazenagem, otimização de armazenagem, reposição e separação de pedido de com- pra. Usará informações para planejar, executar, controlar e dar retorno de parâmetros operacionais de armazenagem e possivelmente dará́ até certo nível de simulação para análise de sensibilidade. Fisicamente, os produtos são armazenados seguindo um padrão de endereços em ruas, andares, colunas e apartamento. Essa representação física pode ser entendida na Figura 13: Figura 13 - Endereçamento físico em um armazém Fonte: Arbache et al. (2011). RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E150 Este sistema é muito semelhante a um endereço físico de uma casa ou apar- tamento, não é mesmo? Na figura, desejando-se acessar um produto que “resida” no endereço P2B, significa que este produto está na Rua P, no segundo andar da estrutura, na coluna B. Simples, não é mesmo? Entre as funcionalidades proporcionadas pelo WMS, Arbache et al. (2011, p. 115) destacam que: [...] o WMS tem a capacidade de gerenciar movimentações de merca- doria, recebimentos de produtos ou insumos, separações, expedições, roteirização de picking, entre outras atividades logísticas. Os eventos são registrados em tempo real, identificando o operador ou equipa- mento que realizou a tarefa, possibilitando o registro de todas as ações realizadas em um CD (Centro de Distribuição). Importante destacar que um WMS não é a solução para todos os problemas na arma- zenagem, ou seja, ele será tão confiável quanto a gestão física do armazém também for. Ou seja, se houver problemas de localização física na arquitetura do armazém, o WMS não resolverá. Entretanto, com certeza, será uma grande ferramenta para susten- tar uma gestão eficiente e eficaz dos estoques sob a responsabilidade da organização. ANALISANDO PREVISÕES DE ESTOQUE Para um gestor, um dos principais desafios é dimensionar corretamente os esto- ques para proporcionar um nível de serviços adequado aos seus clientes. A função do estoque para as empresas é servir como um regulador entre a disponibilidade e a demanda. Em uma analogia, poderíamos comparar com o reservatório de água que as empresas de saneamento mantêm nas cidades, para regular o consumo de acordo com a necessidade. Se existe problema de capta- ção de água no rio ou em um poço, o reservatório serve como uma reserva para momentos de contingência como esse. Nas empresas, o estoque funciona de forma muito semelhante. É necessário manter estoques para não sofrer rupturas de atendimento. No entanto, estoques em demasia podem comprometer a disponibilidade de caixa da empresa, pois Analisando Previsões de Estoque Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 151 seus recursos estarão imobilizados neste item e assim permanecerão até a venda do item e o recebimento do valor correspondente. Por esta razão, algumas decisões devem ser tomadas. Dias (2015, p. 21) des- creve os principais objetivos do controle de estoques: 1. determinar “o que” deve permanecer em estoque: número de itens; 2. determinar “quando” se devem reabastecer os estoques: periodicidade; 3. determinar “quanto” de estoque será necessário para um período prede- terminado: quantidade de compra; 4. acionar o departamento de compras para executar aquisição de estoque: solicitação de compras; 5. receber, armazenar e guardar os materiais estocados de acordo com as necessidades; 6. controlar os estoques em termos de quantidade e valor; fornecer infor- mações sobre a posição do estoque; 7. manter inventários periódicos para avaliação das quantidades e estados dos materiais estocados; 8. identificar e retirar do estoque os itens obsoletos e danificados. É importante que você entenda que o gerenciamento de estoques deve seguir uma política de estoques a ser estabelecida pela empresa. Essas políticas podem ser estabelecidas pelo gestor (se tiver autonomia para isso), mas o mais comum é ser estabelecida pela Alta Administração. Nesta política, a administração define metas quanto ao tempo de entrega de produtos ao cliente, definição do número de depósitos ou CDs (Centros de Distribuição) e que materiais estarão estoca- dos nestas instalações, os níveis de flutuação dos estoques para atender eventuais alterações de consumo, alguma permissão para especulação com os estoques e definição da rotatividade destes estoques (DIAS, 2015). Para se estabelecer níveis adequados de estoque, é necessário ter algum tipo de previsão de demanda futura. Esta é uma tarefa complexa, pois, por mais cali- brados que as ferramentas de previsão possam ser, ainda será um exercício de futurologia, pois este componente está associado a uma variável muitas vezes imponderável, que é o comportamento do consumidor. RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E152 Na prática, pode-se recorrer a métodos quantitativos ou qualitativos para expressar previsões de demandas futuras. Dias (2015, p. 24) descreve do que se tratam esses tipos de previsões: a) Quantitativas ■ evolução das vendasno passado; ■ variáveis cuja evolução e explicação estão ligadas diretamente às vendas. Por exemplo: criação e vendas de produtos infantis, área licenciada de construções e vendas futuras de materiais de construção; ■ variáveis de fácil previsão, relativamente ligadas às vendas (populações, renda, PIB); ■ influência da propaganda. b) Qualitativas ■ opinião dos gerentes; ■ opinião dos vendedores; ■ opinião dos compradores; ■ pesquisas de mercado. Veja que algumas previsões partem do puro sentimento (ou, como alguns dizem, do feeling) de algumas pessoas chave da empresa, como gerentes, compradores e vendedores. O que o gestor deve gerenciar é justamente o tempo ideal de reposição de estoque para que não haja ruptura de atendimento ao cliente. Esse ponto de reposição deve levar em conta a previsão de vendas futuras. Para enxergar o futuro, a maioria dos gestores se utilizam de métodos de análise de comporta- mentos passados. Analisando Previsões de Estoque Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 153 Na Figura 14, você tem ilustrado como é a mecânica de reposição de esto- ques de uma empresa, partindo do estoque máximo, chegando-se ao estoque mínimo e o tempo de reposição necessário. Esse gráfico é comumente chamado de dente de serra, justamente por seu formato característico: Figura 14 - Gráfico dente de serra de comportamento de estoques Fonte: Dias (2015). Como afirmamos anteriormente, caso a empresa não dimensione corretamente seus estoques, pode haver uma ruptura do atendimento ao cliente, ou seja, momentos em que o cliente buscará o produto no ponto de venda e não o encon- trará. A empresa pode estabelecer um indicador para mensurar estas faltas. Por exemplo, pode estabelecer um nível de atendimento de 90%, que significa que 90% das vezes em que o cliente buscar o produto no ponto de venda ele encon- trará. No entanto, em 10% das vezes, pode haver falta. Para oferecer um nível de atendimento de 100%, significa que a empresa precisará investir pesadamente em estoques para não faltar em nenhuma ocasião. Isto custa dinheiro, dinheiro que a empresa poderá não ter ou que poderá fazer falta em outras operações. Veja na figura a seguir um gráfico dente de serra que apresenta os momen- tos de ruptura nos estoques: RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E154 Figura 15 - Gráfico dente de serra com ruptura Fonte: Dias (2015). De preferência, de toda forma possível, a empresa deve estabelecer parcerias estratégicas para garantir a reposição a tempo destas rupturas não ocorrerem. Uma parceria como a indicada no sistema VMI é um exemplo. Outros sistemas adotados pelas empresas são demonstrados no quadro a seguir: Quadro 6 - Sistemas de reposição de estoques SISTEMA DE REPOSIÇÃO DETALHAMENTO Sistema de reposição periódica No sistema de reposição periódica, depois de de- corrido um intervalo de tempo preestabelecido, por exemplo, três meses, um novo pedido de compra para um certo item de estoque é emitido. Para determinar quanto deve ser comprado no dia da emissão do pedido, verifica-se a quantidade ainda disponível em estoque, comprando-se o que falta para atingir um estoque máximo, também previamente determinado. Sistema de reposição contínua O sistema da Reposição Contínua ou sistema do ponto de pedido ou lote padrão é o mais popular método utilizado nas fábricas e consiste em disparar o processo de compra quando o estoque de um certo item atinge um nível previamente determinado. Analisando Previsões de Estoque Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 155 Caixeiro-viajante Consiste em um vendedor visitar os clientes e verificar in loco se está faltando mercadoria no estoque para que ele, em comum acordo com o cliente, tire o pedi- do. O sinal da demanda, no caso, a falta de mercadoria, é identificado pelo caixeiro-viajante. Contratos de fornecimento O processo de compra é iniciado em função de uma necessidade de produção. Assim, quando o material se faz necessário, o próprio sistema de computador emite e envia uma ordem de compra via EDI. Fonte: adaptado de Martins e Alt (2009). Com o desenvolvimento de sistemas informatizados, está se tornando cada vez mais usual e popular a utilização de softwares que disparam automaticamente o pedido de compras ao fornecedor quando o estoque atingir o nível progra- mado pela empresa. Um dos sistemas muito utilizados por empresas industriais é o Just in Time (JIT), um sistema de reposição que segue uma filosofia de baixos estoques, porém com a garantia de que o fornecedor atenda à necessidade de reposição no exato momento (daí o nome dessa metodologia) em que o item é necessário. O JIT exige uma parceria muito estreita entre as empresas fornecedoras e as compradoras, com uma interligação informatizada muito efetiva. Nos primórdios do sistema JIT, haviam placas de sinalização indicando o momento correto de reposição. Esse sistema de sinalização é conhecido como Kanban. Atualmente, o Kanban funciona quase exclusivamente por meios eletrônicos, mas a ideia permanece, ou seja, sinalizar para o fornecedor o exato momento em que a reposição deve ser realizada. Apesar dos evidentes ganhos com o sistema Just in Time (JIT), considerando a infraestrutura de transportes no Brasil, você acredita que esse sistema po- deria ser mais amplamente utilizado em nosso país? RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E156 ESTRUTURAS DE ARMAZENAGEM A armazenagem é uma área da logística que recebeu grandes investimentos nos últimos anos, principalmente relacionados com a Tecnologia da Informação. Todo este investimento se justifica, pois, atrás apenas das despesas com trans- porte, a armazenagem é uma área que consome os maiores recursos logísticos. O nível de atendimento ao cliente é diretamente afetado pela eficiência do armazém e, por essa razão, estudos sobre layout e endereçamento tem se tor- nado cada vez mais constantes. Um armazém basicamente é sustentado por três pilares: as estruturas de armazenagem, os veículos ou equipamentos de movi- mentação e a Tecnologia da Informação empregada. Algumas empresas possuem grandes armazéns, que necessitam de movimenta- ções constantes de retirada e reposição de mercadorias. Imagine um macro atacado, que vende milhares de itens diferentes, de diferentes constituições, tamanhos e gêne- ros. Conforme vimos anteriormente, para gerenciar estes estoques, é necessário um sistema de endereçamento funcional que permita uma rápida localização destes itens. Além disso, fisicamente os itens precisam estar dispostos de determinada forma que preserve sua integridade, ao mesmo tempo respeitando princípios contábeis como o PEPS (primeiro que entra é o primeiro que sai). Traduzindo para o operacional, isto quer dizer que ao estocar um produto e se esse estoque é constituído de várias compras em períodos diferentes, ao receber um pedido de um cliente, é o primeiro produto que entrou no estoque que obrigatoriamente deverá sair. Imagine as implicações no estoque físico desta exigência. O material tem que ser disposto de determinada maneira que facilite sua retirada e despacho. Estruturas de Armazenagem Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 157 Para dispor os produtos no armazém, deve-se dimensionar adequadamente o que chamamos de estruturas de armazenagem, que são vulgarmente chamadas de prate- leiras em que os produtos são dispostos. Vamos conhecer algumas destas estruturas. Palete: unidade básica de unitizaçãode cargas amplamente difundido no mer- cado. Permite a movimentação mecanizada de produtos com alta produtividade e baixo custo por unidade movimentada. Podem ser confeccionados em madeira (modelo muito comum), plástico ou metal. Na figura a seguir, você pode visuali- zar um tipo de palete muito comum, de dupla entrada de madeira: Figura 16 - Palete dupla entrada Fonte: Gonçalves (2013). Os paletes podem ser acondicionados em estruturas especialmente dedicadas, chamadas de porta-paletes. Sobre porta-paletes, temos vários tipos possíveis, conforme descreve Paoleschi (2014, p. 31-32): ■ Porta-paletes convencional: é o mais utilizado. Empregado quando é necessária seletividade nas operações de carregamento, isto é, quando as cargas dos paletes forem muito variadas, permite a escolha da carga em qualquer posição da estrutura sem nenhum obstáculo e movimentação dentro dos armazéns. Apesar de necessitar de muita área para corredo- res, compensa pela seletividade e rapidez na operação. ■ Porta-paletes para corredores estreitos: permite otimização do espaço útil de armazenagem em função da redução dos corredores para movi- mentação. Porém, o custo do investimento torna-se maior em função dos trilhos ou fios indutivos necessários para a movimentação das empi- lhadeiras trilaterais. Em caso de pane da empilhadeira, outra máquina convencional não tem acesso aos paletes. RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E158 ■ Porta-paletes para transelevadores: também otimiza o espaço útil, já que seu corredor é ainda menor que o da empilhadeira trilateral. Em função de alturas superiores às estruturas convencionais, permite elevada densidade de carga com rapidez na movimentação. Possibilita o aproveitamento do espaço vertical e propicia segurança no manuseio dos paletes, automação e controle do FIFO – first in, first out (primeiro a entrar, primeiro a sair). ■ Porta-paletes autoportante: elimina a necessidade de construção de um edifício previamente. Permite o aproveitamento do espaço vertical (em média, utilizam-se em torno de 30 m). O tempo de construção é menor e pode-se conseguir, também, redução no valor do investimento, uma vez que a estrutura de armazenagem vai ser utilizada como suporte do fecha- mento lateral e da cobertura, possibilitando maior distribuição de cargas no piso, traduzindo em economia nas fundações. ■ Porta-paletes deslizante: sua principal característica é a pequena área des- tinada à circulação. O pallet fica mais protegido, pois quando não se está movimentando, a estrutura fica na forma de um blocado. É muito utili- zado em espaços extremamente restritos para armazenagem de produtos de baixo giro e alto valor agregado. Apresenta, como vantagem, alta densidade. Na Figura 17, você visualiza o tipo de estrutura denominada autoportante, e repare como a própria estrutura de armazenagem já se torna o “prédio”, por pos- sibilitar a instalação de paredes laterais e teto: Figura 17 - Estrutura autoportante Fonte: Bertolini ([2018], on-line)3. Estruturas de Armazenagem Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 159 Na figura a seguir, você consegue visualizar uma estrutura porta-palete convencional: Figura 18 - Porta-palete convencional Fonte: Milan (2011). Drive-In e Drive-Thru: Drive-In é um sistema constituído de estruturas não separadas por corredores intermediários. As empilhadeiras se movimentam den- tro da própria estrutura, ao longo de “ruas”, não há vigas bloqueando o acesso da máquina para depositar ou retirar as cargas. A principal diferença entre as estruturas Drive-In e Drive-Thru está no modo de acesso a esses equipamentos de armazenagem: enquanto no Drive-In o acesso se faz somente por um extremo da estrutura; no Drive-Thru a movimentação é realizada pelos dois extremos. Na Figura 19, você pode observar uma estrutura do tipo Drive-In e constatar como ele otimiza a utilização dos espaços do armazém: RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E160 Figura 19 - Estrutura do tipo Drive-In Fonte: Bertolini ([2018], on-line)3. Cantilever: o sistema de cantilever é ideal para armazenar produtos de dimensões, formas, volumes e pesos variados, tais como tubos metálicos ou PVC, madeira, móveis entre outros. Você pode visualizar essa estrutura na figura a seguir: Figura 20 - Estrutura do tipo cantilever Fonte: Bertolini ([2018], on-line)3. Estruturas de Armazenagem Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 161 Racks: o emprego de racks na indústria tem sido um fator de grande desenvolvi- mento devido às suas grandes vantagens do ponto de vista de volume de armazena- gem disponível com essas instalações. Eles permitem que o aproveitamento de espaço seja maximizado, pela forma como podem ser acondicionados no armazém e empi- lhados, sem risco de avarias aos produtos que estão dispostos no seu interior. Você pode visualizar alguns modelos de racks na figura 21 a seguir: Estruturas Dinâmicas Push Back: sis- tema de armazenagem que permite a armazenagem do tipo “último a entrar - primeiro a sair” mais conhecido como LIFO (Last In, First Out), geralmente utilizados onde se deseja alta densidade de armazenagem. Conforme Paoleschi (2014, p. 34), este sistema [...] é utilizado para armazenagem de paletes semelhante ao drive-in, mas com inúmeras vantagens, principalmente relacionadas à operação, possibilitando uma seletividade maior em função de permitir o acesso a qualquer nível de armazenagem. Nesse sistema, a empilhadeira “em- purra” cada palete sobre um trilho com vários níveis, comportando a armazenagem de até quatro paletes na profundidade. A estrutura possui uma bandeja de roletes que possibilita o deslocamento do palete dentro da área de armazenagem. Uma vantagem deste sistema de arma- zenagem em relação ao Drive-in é que não se faz necessária a movimentação dentro da estrutura e não existe perda de espaço vertical. Na figura a seguir, você consegue visualizar uma estrutura do tipo push back: Figura 21 - Tipos de rack Fonte: Gonçalves (2013). RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E162 Figura 22 - Estrutura do tipo push back Fonte: Bertolini ([2018], on-line)3. Estrutura flow rack: conforme explicado por Paoleschi (2014, p. 34), esse tipo de estrutura Estruturas de Armazenagem Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 163 [...] é usada com movimentações manuais e mantém, sempre, uma caixa à disposição do usuário, facilitando, assim, o picking, ou seja, a montagem de um pedido, como se fosse um supermercado. Como elas precisam ser de pouca altura, pois são usadas manualmente, é bastan- te comum montá-las na parte inferior de uma estrutura porta-paletes convencional, no intuito de usar a parte superior para estocagem do mesmo produto, em paletes, simulando um atacado na parte superior e um varejo na parte inferior. Na figura a seguir, você pode visualizar esse tipo de estrutura: Figura 23 - Estrutura flow rack Fonte: Gonçalves (2013). Perceba que há vários equipamentos e estruturas que podem ser utilizadas em um armazém, aumentando a produtividade na movimentação das cargas de produ- tos diversos, facilitando o processo de separação (picking) e despacho ao cliente, que é o mais beneficiado com o emprego desses equipamentos e estruturas. Que tecnologias de informação e comunicação (TIC) poderiam ser aplica- das ao comércio eletrônico, de modo a proporcionarganhos em relação aos controles e à rastreabilidade? RECURSOS, ESTOQUES E ARMAZENAGEM NA LOGÍSTICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E164 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao final desta unidade, ficou bastante claro a importância dos estoques e arma- zenagem para a logística empresarial. A armazenagem, por sinal, é a segunda área da logística com custo mais elevado, perdendo somente para o transporte. Por isso, deve ser um tema que merece atenção por parte dos gestores, pois tem a ver com os investimentos que a empresa faz e o nível de serviços que ela oferta para seus clientes. Afinal, ter o produto disponível no tempo e na hora que o cliente deseja pode ser um fator decisivo de escolha no ato da compra. Por não ter estoque, um varejista, por exemplo, pode perder a venda por impulso, que é uma forma frequente do consumidor realizar suas aquisições. Ter que aguardar para rece- ber o produto futuramente dá oportunidade para o comprador refletir melhor e protelar a aquisição. Você já fez isso pessoalmente? Nas compras empresariais, a necessidade de abastecimento de matérias-pri- mas, componentes ou mesmo de produtos acabados é constante. Dessa forma, conhecer os conceitos de armazenagem, níveis de estoque, previsões e até mesmo as operações que estão envolvidas nos processos de armazenagem foram impor- tantes para nossos estudos. O tema sobre armazenagem e estoques possui diversas obras que tratam especificamente dos conteúdos relacionados. Não é possível adentrarmos as minúcias de cada operação nem abranger todos os equipamentos e estruturas que podem ser utilizadas. Tenha certeza, no entanto, que a tecnologia da informação e comunicação digital vão ainda trazer muitas inovações, que trarão também ganhos significativos tanto na redução dos custos quanto no aumento do nível de serviços ao cliente. Assim, busque obter mais conhecimento sobre esses temas tão relevantes. Acesse os links e materiais recomendados. Tenho certeza que você agregará muito à sua formação. Bons estudos! 165 1. Em um armazém típico, podemos ter centenas, talvez milhares de produtos dife- rentes, que precisam ser acondicionados corretamente, para sua preservação e fácil localização. Para isso, as estruturas de armazenagem precisam ser adequa- damente dimensionadas. Sobre este dimensionamento, assinale a alternativa que descreve corretamente uma característica da estrutura do tipo cantilever. a) É uma estrutura adequada para armazenar produtos com dimensões, for- mas e pesos padrão. 2. As empilhadeiras não conseguem retirar produtos do cantilever face às caracte- rísticas físicas da estrutura. b) Adequada para armazenar produtos com dimensões, formas e pesos variados. c) Essa estrutura tem como característica o difícil acesso às mercadorias. 3. O cantilever é o melhor tipo de estrutura para produtos alimentícios congela- dos. 4. Em um grande armazém onde é acondicionada uma variedade de produtos significativa, é preciso que sejam planejadas as áreas, estruturas e formas de armazenagem. Sobre estruturas de armazenagem, leia as afirmativas a seguir: I. O porta-palete convencional tem como vantagem o acesso fácil e total às mercadorias armazenadas. 5. Estruturas Dinâmicas “Push Back” permitem a armazenagem do tipo “último a entrar - primeiro a sair. II. Estruturas Autoportantes têm a característica de permitir uma estocagem de produtos a grandes alturas, na qual a própria estrutura de armazenagem é utilizada para fechamento do prédio. III. Palete é a unidade básica de unitização de cargas amplamente difundido no mercado. É correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) I e IV, apenas. c) II e III, apenas. d) III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 166 6. Os gestores precisam trabalhar com alguma espécie de previsão para que ade- quem seus estoques às demandas geradas por seus clientes. Para isso, existem al- gumas ferramentas que auxiliam nesse processo, permitindo manter um nível de estoques e reposição adequados. Sobre este assunto, leia as afirmativas a seguir: I. É possível a utilização de métodos quantitativos e qualitativos para demons- trar previsões futuras de estoque. II. Na previsão qualitativa, considera-se a opinião de gerentes, de vendedores, compradores e pesquisas de mercado. III. Não é adequado utilizar-se de informações passadas para realizar previsões futuras de níveis de estoque, pois não há garantias de que os resultados do passado se repitam no futuro. IV. O tempo ideal para reposição de estoque para que não haja ruptura do atendimento ao cliente deve ser gerenciado pelos gestores. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) II e III, apenas. d) I, II e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 7. Uma ruptura de estoque pode ser extremamente maléfica para a empresa, pois pode passar uma imagem de falta de confiabilidade ao cliente. Para não ocorrer essa ruptura, as empresas implantam políticas de reposição, de acordo com alguns critérios técnicos e mercadológicos. Sobre este tema, leia as afir- mativas a seguir: I. No sistema de reposição periódica, depois de decorrido um intervalo de tempo preestabelecido, um novo pedido de compra para um certo item de estoque é emitido. II. O sistema de caixeiro-viajante consiste em um vendedor visitar os clientes e verificar in loco se está faltando mercadoria no estoque para que ele, em comum acordo com o cliente, tire o pedido. III. O sistema da Reposição Contínua ou sistema do ponto de pedido ou lote padrão não é mais utilizado nas fábricas e consistia em disparar o processo de compra quando o estoque de um certo item atingia um nível previamen- te determinado. IV. Pelos contratos de fornecimento, quando o material se faz necessário, o pró- 167 prio sistema de computador emite e envia uma ordem de compra via EDI. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) II e III, apenas. d) I, II e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 8. Um armazém é uma estrutura que pode ter centenas de metros quadrados de dimensão e conter milhares de materiais que precisam ser corretamente acondicionados e, nessa disposição, facilitar a separação e movimentação. Para que isso aconteça de forma eficiente e eficaz, é preciso planejar corretamente o layout do armazém. Sobre esse tema, leia as afirmativas a seguir: I. Em um projeto de layout de armazém, é preciso definir o sistema de locali- zação dos estoques. II. Assegurar a máxima utilização dos espaços e flexibilidade para satisfazer as necessidades de mudança são recomendações importantes para o layout. III. É recomendável que produtos pesados, volumosos e de difícil movimenta- ção sejam acondicionados próximos ao seu ponto de uso. IV. Quanto aos corredores em um armazém, é recomendável que devam ser retos e os principais devem levar até as portas. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) II e III, apenas. d) I, II e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 168 Gestão da Qualidade nas Cadeias de Suprimentos A preocupação com um atendimento de excelência e um elevado nível de serviços ao cliente tem feito com que as empresas busquem ferramentas para auxiliar os gestores no cumprimento desses objetivos. A Gestão da Qualidade Total (TQM) é um tema consolidado na literatura e na prática das organizações. Ela permite que os gestores implantem processos e, através de indi- cadores, monitorem para que seus resultados sejam exatamente aqueles que levarão as empresas a terem um desempenho superior. Portanto, foi somente natural que a gestão da Qualidade adentrasse o tema da Gestão da Cadeia de Suprimentos. Surge então o conceito de Gestão da Qualidade em Redes de Suprimentos (Supply Chain Quality Ma- nagement – SCQM). Esse conceito surgiu da consolidação da ideia de que a competição na atualidade não se dá apenas entre organizações, mas sim entre cadeias de suprimentos. Dessa forma, como salienta Reis (2015), é precisotratar a qualidade do ponto de vista de toda a rede de suprimentos e não somente de uma firma em particular. Garantir a qualidade apenas do fornecedor pode não ser suficiente para garantir a qualidade em toda a rede. Imagine uma cadeia de suprimentos na qual cada participante tenha algum tipo de cer- tificação da qualidade (como uma ISO, Six Sigma, ou uma certificação de um órgão regu- lador público, por exemplo), o que, em tese, garantiria a qualidade final ao consumidor. Contudo, qual ou quais certificações foram decisivas para que supostamente aconteça? Na verdade, nem todos os sistemas “conversam” entre si, embora alguns tenham algum tipo de convergência. Conforme pontua Reis (2015, p. 214), [...] fazendo uma análise mais aprofundada percebe-se que os vários sistemas de gestão da qualidade convergem em algumas partes e em outras não. Ao mesmo tempo, um sistema pode ser considerado mais eficaz que outro em determinada situação. Assim, pretende-se apre- sentar ao leitor a conclusão de que não existe um sistema de gestão de qualidade melhor que o outro, e sim a aplicação do sistema certo para o cenário certo. A proposta então é fazer que haja critérios semelhantes entre os sistemas para que o controle da qualidade seja assegurado em todo o processo. Se há conflito entre os siste- mas dos participantes ou se eles não baseiam suas conclusões sobre os mesmos dados e informações, é possível que a tomada de decisão dos gestores seja ineficaz. Dessa forma, a ideia por detrás de um SCQM é tornar dar a cada participante de uma cadeia de suprimentos a visão de “cliente” do outro, ou seja, um participante precisa entender os requisitos de qualidade do seu “cliente”, embora esse possa ser a próxima firma na cadeia, ou a que está à jusante dele. 169 Proporcionando uma conceituação do SCQM, Reis (2015) descreve assim: [...] o SCQM pode ser definido como a aplicação dos sistemas de gestão da qualidade ao longo de toda a cadeia de suprimentos, de modo a ga- rantir a qualidade dos produtos fornecidos de acordo com as necessi- dades e exigências dos clientes, desde a fonte de origem até o mercado consumidor. Isso é fundamental para o atingimento do objetivo inicial do SCMQ, ou seja, atender com qualidade os desejos dos clientes finais da rede. Para isso, é necessário padronizar a aplicação de sistemas de Gestão da Qualidade ao longo da cadeia, para possibilitar que essa qua- lidade de fornecimento possa ser medida em qualquer ponto da rede de suprimentos e os resultados possam ser interpretados igualmente em todos os atores da rede. É nítida a proposta de que a integração entre os participantes de uma cadeia de suprimentos deve ser tal que permita análise, medição e melhoria contínua dos processos e, por consequência, dos produtos e serviços que atenderão às expectativas dos clientes. O SCQM é mais um campo de pesquisas e aplicação prática do conhecimento para tor- nar o produto e serviço disponível aos clientes de forma a ganhar sua preferência. Fonte: o autor. MATERIAL COMPLEMENTAR Algumas pessoas não têm clara a diferença entre CRM e ERP. Nesse vídeo, você verá uma explicação simples da aplicação de cada uma dessas soluções. Web: <https://youtu.be/ZjSrzK_xauU>. Logística estratégica em empresas brasileiras (2010) Peter F. Wanke Editora: Atlas Sinopse: este livro procura auxiliar empresas e gestores no desenho de estratégias logísticas para produtos acabados, orientando e direcionando o planejamento e a tomada de decisão com relação às principais decisões referentes ao fl uxo de produtos: (1) empurrar com base em previsões de vendas ou puxar pela demanda real; (2) centralizar ou descentralizar os estoques de produtos acabados e (3) fabricar para estoque ou contrapedido. O livro ainda trata das decisões sobre os recursos de produção e distribuição que vão apoiar a estratégia logística, possibilitando a empresas e gestores responder a questões-chave para o perfeito casamento entre fl uxo de produtos e recursos. REFERÊNCIAS 171 ARBACHE, F. S. et al. Gestão de Logística, Distribuição e Trade Marketing. 4. ed. São Paulo: FGV, 2011. CAXITO, F. Logística: um enfoque prático. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. DIAS, M. A. P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2015. GONÇALVES, P. S. Logística e cadeia de suprimentos: o essencial. Barueri: Manole, 2013. GRANT, D. B. Gestão de logística e cadeia de suprimentos. São Paulo: Saraiva, 2013. MARTINS, P. G.; ALT, P. C. Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais. 3. ed. Saraiva, 2009. METZNER, V. C. V.; SILVA, R. F.; CUGNASCA, C. E. Modelo de rastreabilidade de me- dicamentos utilizando identificação por radiofrequências, redes de sensores sem fio e o conceito de internet das coisas. In: CONGRESSO DE PESQUISA E ENSINO EM TRANSPORTES, 28., 2014, Curitiba. Anais... Curitiba: ANPET, 2014. p. 1-11. MILAN, C. F. Operador de Empilhadeira: transporte, movimentação e armazenagem de cargas. São Paulo: Érica, 2011. NARCISO, M. G. Aplicação da tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) para controle de bens patrimoniais pela Web. Global Science and Technology, v. 1, n. 1, 2008. PAOLESCHI, B. Estoques e armazenagem. São Paulo: Érica, 2014. PIRES, S. I. Gestão da Cadeia de Suprimentos: conceitos, estratégicas, práticas e casos. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2016. REIS, J. G. M. Gestão estratégica de armazenagem. Curitiba: InterSaberes, 2015. REIS, J. G. M. et al. Qualidade em redes de suprimentos: a qualidade aplicada ao Supply Chain Management. São Paulo: Atlas, 2015. SANTOS, R. V. Propostas para aumento do desempenho de compras em empre- sa varejista. 2006. 102 f. Dissertação (Mestrado em Administração) – Faculdade de Economia e Finanças IBMEC, Rio de Janeiro, 2006. REFERÊNCIAS ON-LINE 1 Em: <https://www.gs1br.org/codigos-e-padroes/codigo-de-barras>. Acesso em: 20 ago. 2018. 2 Em: <https://brasil.rfidjournal.com/artigos/vision?9750/2>. Acesso em: 20 ago. 2018. 3Em: <http://www.bertoliniarmazenagem.com.br/img/folders/catalogo.pdf>. Acesso em: 20 ago. 2018. GABARITO 1. C. 2. E. 3. D. 4. D. 5. E. U N ID A D E V Professor Me. Paulo Pardo CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Objetivos de Aprendizagem ■ Compreender a função dos Centros de Distribuição. ■ Conceituar canais de distribuição. ■ Refletir sobre os relacionamentos nos canais de distribuição. ■ Entender a formatação dos canais de distribuição. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Entendendo as funções de um Centro de Distribuição ■ Compreendendo os canais de distribuição ■ Relacionamento no canal de distribuição ■ Formatação do canal de distribuição INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), certamente, nosso caminho até aqui foi bastante produtivo, porém, restam perguntas importantes que exigem respostas. Para um gestor, questões relevantes se colocam, por exemplo: como fazer para que meu produto ou serviço chegue às mãos do meu cliente de uma forma ágil, confiável, exata- mente no tempo em que meu cliente deseja e a um custo adequado tanto para minha empresa como para meu cliente? Evidentemente que não se trata apenas da escolha do modal de transporte mais adequado. Aqui estamos falando de formas de colocar o produto ou ser- viço no ponto em que o cliente terá sua experiência de compra. A solução para esse desafio não é nada simples. Se fosse, qualquer empresa teria sucesso na distribuição de seus produtos. A realidade, porém, aponta que muitas empresas são muito boas para fabricar itens, porém muito ruins para fazer esses itens chegar de forma eficiente aos seus clientes. Você já procurou um determinado produto em um ponto de venda e não o encontrou? Se for um produto de baixo valor agregado, provavelmente você escolheu outra marca e fez a compra. Mesmo que o produto desejado original- mente fosse sua preferência, dificilmente um consumidor fará o esforço de buscar outro ponto de venda para fazer acompra, se esse produto for de conveniência. A chance de perder um consumidor de um produto, dessa forma, é muito grande. O que fazer para ganhar eficiência neste campo tão sensível da gestão logística? Esse é um dos principais temas desta unidade, na qual conheceremos a definição de canais de distribuição, veremos como algumas empresas estão ven- cendo essa barreira e como as empresas devem repensar sua distribuição em um mundo em que o contato entre cliente e empresa acontece cada vez mais atra- vés de ferramentas digitais. Ao final, você será capaz de descrever um canal de distribuição e a impor- tância do relacionamento em canais e os impactos disso nas decisões do gestor em relação à sua configuração de logística. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 175 CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E176 ENTENDENDO AS FUNÇÕES DE UM CENTRO DE DISTRIBUIÇÃO Prezado(a) aluno(a), vimos que a logística, especialmente a logística de distri- buição, que é a responsável em fazer chegar o produto ao consumidor, precisa ser planejada de modo a ganhar eficiência e eficácia, tornando esse produto ou serviço disponível a um custo que o cliente aceite pagar, considerando-o justo pelos benefícios recebidos. Agora, imagine por um momento uma indústria situada em determinado estado do nosso país que deseja colocar seu produto em uma região muito dis- tante de sua fábrica. Uma alternativa óbvia é planejar o transporte da fábrica até os locais onde os produtos serão disponibilizados. Nesse caso, bastaria escolher o melhor modal de transporte e efetuar essa transferência física do produto. No entanto, essa alternativa não é tão simples assim. Quantas viagens seriam neces- sárias para que o produto estivesse nos estoques nos pontos de venda? Caso se trate de um produto com giro de estoques elevado, seriam muitas viagens que implicariam no aumento substancial dos custos de transporte, que seriam repassados ao produto. Outro risco é a falha no processo de transporte, que você bem sabe que é possível com uma precária infraestrutura existente no país. Por esse motivo, é cada vez mais comum as empresas optarem por instalar Centros de Distribuição (CD) em locais estratégicos para suas operações. E o que é um Centro de Distribuição? Entendendo as Funções de um Centro de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 177 Uma visão bastante reducionista e simplista é imaginar um centro de distri- buição como um armazém, onde são estocados produtos para serem entregues conforme a demanda do mercado. Por que é uma visão reducionista? Porque um CD não é apenas um local de armazenagem de produtos. Na verdade, sua função é considerada vital em processos de distribuição eficiente. Nesse sentido, veja que Ballou (2012 apud BRASIL; PANSONATO, 2018, p. 104) esclarece que os centros de distribuição prestam quatro classes principais de serviços ao usuário. O projeto da instalação geralmente reflete a natureza dos serviços que esta desempe- nha. Esses serviços são: (1) abrigo, (2) consolidação, (3) transferência e transbordo e (4) agrupamento ou composição (mixing). Perceba que não estamos nos referindo apenas ao processo de armazenamento em si – que, de fato, os centros de distribuição também executam –, mas de agregar valor ao cliente por meio de atividades que permitem tornar o produto disponível de forma mais rápida, segura e com custos aceitáveis. Reforçando os importantes serviços prestados por um CD, Santos (2015, p. 2) pontua que [...] um CD (centro de distribuição) constitui um dos mais importan- tes e dinâmicos elos da cadeia de abastecimento, o CD é um armazém cuja missão consiste em gerenciar o fluxo de materiais e informações, consolidando estoques e processando pedidos para a distribuição fí- sica. Ele pode manter o estoque necessário para controlar e equilibrar as variações entre o planejamento de produção e a demanda; permite acumular e consolidar produtos de vários pontos de fabricação de uma ou de várias empresas, combinando o carregamento para clientes ou destinos comuns; possibilita entregas no mesmo dia a clientes-chave e serve de local para a customização de produtos, incluindo embalagem, etiquetagem e precificação, entre outras importantes atividades. Note que, por essa última descrição, um Centro de Distribuição não obrigato- riamente atende às necessidades de uma única empresa, embora seja bastante comum que grandes empresas possuam seus próprios CDs, executando ativi- dades focadas em atender aos clientes dessas mesmas empresas. Você talvez já tenha visto uma instalação como essa, geralmente próxima a grandes centros urbanos, localizados em posições estratégicas do ponto de vista de acesso a vias rápidas, que permitem um pronto deslocamento de veículos que chegam e saem com produtos. CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E178 No entanto, em tempos em que a gestão de custos é um fundamento muito importante para as organizações, mesmo médias e pequenas empresas veem nos CDs uma forma de organizar suas entregas em pontos distantes dos centros de produção. Para viabilizar o seu uso, servem-se de instalações terceirizadas, que, conforme vimos, podem agregar e prestar serviços para diversas empresas. Destacando a abrangência que pode ter um CD, Brasil e Pansonato (2018, p. 104), complementam que [...] um centro de distribuição pode estar localizado em um país ou até mesmo em um continente diferente do da indústria principal. O plane- jamento de sua necessidade, capacidade, investimento em infraestrutu- ra, em outras análises, é crucial para gerar agilidade na distribuição em vez de prejuízo. A empresa precisa operar o centro de distribuição com uma boa capacidade por um longo período de tempo. Caso contrário, se for sazonal ou esporádico, é melhor não manter essa estrutura. Veja que há decisões importantes e cruciais que os gestores de uma cadeia de supri- mentos precisam tomar. Entre essas decisões – do tipo custo/benefício – tem a ver, por exemplo, com o fato de instalar ou não um CD. Como visto anteriormente, para ser realmente uma fonte de eficiência e não um simples gerador de custo, o CD precisa ter sua utilização otimizada, ou seja, CDs ociosos não se sustentam financeiramente. Outra decisão é quanto ao local de instalação. Lembre-se que o objetivo sempre é agregar valor ao cliente, reduzindo tempo de entrega, repondo estoques mais rapidamente (ou até mesmo eliminando estoques em pontos de vendas, já que a fonte de suprimentos, o CD, está mais próximo a esses locais). Importante frisar que um CD abriga estoques e que estoques têm impacto sobre a disponibilidade de caixa da empresa. Então, somente faz sentido a ins- talação de um CD se os ganhos advindos em termos de aumento de serviços ao cliente compensarem essa estrutura intermediária no fluxo de produtos. Para auxiliar os gestores na tomada de decisão sobre a instalação ou não de um Centro de Distribuição, Pozo (2015, p. 95) prescreve uma análise em 5 pas- sos, que são descritos no Quadro 1, a seguir: Entendendo as Funções de um Centro de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 179 Quadro 1 - Passos para análise de instalação de um CD PASSO DESCRIÇÃO 1. DETER- MINAR OS REQUISI- TOS DA NOVA INSTALA- ÇÃO Prever quais serão os requisitos e necessidades para os próximos cinco anos. Não pensar em tão somente acomodar os níveis atuais do negócio. Os volumes de estoque e os meios necessários às movimentações em face da dinâmicados mercados estão associados aos principais elementos de espaço na maioria das instalações. Portanto, a adequada proje- ção das necessidades de estocagem busca estabelecer um perfil dos estoques projetados para estar o mais próximo possível das demandas previstas. O projeto deverá levar em consideração os dados estatísticos das projeções dos pedi- dos, incluindo as quantidades diárias, espécies de produtos, linhas por pedidos e peças por linha e alinhavar estreito relacionamento com as áreas comercial e de marketing para estabelecer corretamente as necessidades dos clientes. Outro fator importante no projeto é o dimensionamento e a localização das docas de em- barque e desembarque. O projeto adequado proporcionará excelente fluxo dos veículos e evitará atrasos em suas operações. Para concluirmos um adequado posicionamento das docas e evitar problemas, devemos ter em consideração os seguintes elementos: • sincronização da movimentação dos veículos; • tempo de espera; • tempo para carregar e descarregar; • quantidade de itens a movimentar; • requisitos de divisão e movimentação. Devemos sempre rever os critérios adotados na elaboração do projeto, discutir com as equi- pes interdisciplinares da empresa e obter a aprovação da direção da empresa. 2. ESTABE- LECER OS ELEMEN- TOS VIÁ- VEIS DO PROJETO Após o estabelecimento das necessidades e termos o pré-projeto definido, torna-se im- portante pesquisar externamente e identificar alguns projetos alternativos que poderiam satisfazer os requisitos do nosso negócio que foram desenvolvidos na etapa primeira. Ou seja, pesquisar fora de nosso ramo, ideias que possam melhorar nosso projeto. Os elementos viáveis, que podem variar amplamente em termos de sofisticação técnica, devem focalizar opções de: • fluxos de materiais; • módulos de separação e de estocagem; • equipamentos de movimentação de material; • sistema de informação; • suporte aos sistemas de informações; • projeto da construção civil; • leiautes. Com isso, deve-se fazer a seleção inicial dos projetos alternativos, testar o retorno e a praticidade de cada um deles e descartar aqueles que não trazem retorno ou não se adequem aos nossos interesses. CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E180 3. AVALIAR OS ELE- MENTOS QUALITA- TIVOS E QUANTI- TATIVOS DAS ALTERNA- TIVAS Ao analisar cada alternativa, devemos desenvolver métodos e leiautes operacionais eficientes, de modo que seja possível utilizá-los adequadamente e sempre poder fazer sua análise. Poderemos usar o mais diverso instrumental para avaliar sua produtividade e eficácia. Uma das ferramentas que nos proporciona excelente resultado são os soft de simulação mostrando-nos throughput de cada alternativa. Para tanto, devemos levar em consideração os seguintes elementos: • fluxos e movimentação de produtos; • gargalos; • capacidade de separação; • módulos de estocagem; • equipamentos móveis – quantidade, tipo e capacidades; • equipamentos de transporte; • equipamentos de classificação; • quadro de funcionários; • orçamentos de capital para a instalação, equipamentos e sistemas de informações; • orçamentos gerais do setor. • No processo de avaliação e análise qualitativa, verificar os seguintes elementos: • flexibilidade do sistema incluindo a capacidade de atualização ou modificação e para acomodar as inovações ou mudança; • dificuldade de implementação; • dificuldade de manutenção; • treinamento durante toda sua vida; • integração do WMS com os componentes do sistema de movimentação de materiais. 4. DOCU- MENTAR AS AÇÕES Documentar totalmente todos os elementos para a decisão, a qual pode ser utilizada ao desenvolver o fundamento lógico e a justificativa da decisão. Fazer uso das análises preliminares para a base da tomada de decisão. 5. IMPLE- MENTAR A NOVA INSTALA- ÇÃO Detalhar um plano minucioso e bem detalhado para implementar o projeto seguindo uma programação específica. No projeto, devem estar bem definidas as datas para entrega e instalação dos equipamentos, bem como outras tarefas de projeto utilizando, de preferência, um PERT. Especificar em um plano minucioso quais as especificações de desempenho para sistemas de equipamentos e de informações. Os fornecedores devem ser aprovados fundamentando-se em suas propostas que adequaram ao projeto. Coordenar com fornecedores durante as fases de projeto e de desenvolvimento. Acompanhar em detalhes cada fase do projeto, verificando suas datas e especificações de implementação. Após o término do projeto em sua etapa de instalação dos equipamentos e dos recursos físicos e humanos, virá ao Startup, onde o esforço e a energia necessária para essa última etapa do projeto irá eliminar possíveis falhas e permitirá uma excelente qualidade. Fonte: adaptado de Pozo (2015). Compreendendo os Canais de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 181 Considerando esses passos e as questões de eficiência, eficácia e satisfação dos clientes, o decisor poderá direcionar suas ações. COMPREENDENDO OS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Prezado(a) aluno(a), um produto, quando chega às suas mãos, pode ter percor- rido um longo caminho. Desde a extração da matéria-prima, transformação até ser colocado à venda, muitos processos foram disparados para que isso fosse possível. Ao estudarmos sobre produção, encontraremos algumas possibilidades de formatação. Por exemplo, você já ouviu falar de verticalização na produção? Se esse é um conceito estranho a você, vou dar um exemplo extremamente simples: no tempo de nossas avós, era comum as donas de casa fazerem pães para vender. As pessoas moravam em pequenas cidades ou vilas, geralmente ao redor de imensas áreas de produção agrícola. Era o tempo em que a vida pare- cia ser mais simples e as pessoas, quando precisavam de produtos da indústria, se dirigiam até uma vendinha, que marcava as compras em uma caderneta para depois receber dos agricultores. Nossas avós compravam latas de margarina, às vezes coco ralado e alguns poucos itens para compor uma receita deliciosa de pão e bolos, que serviam para consumo da família e para venda aos vizinhos, geralmente da cidade. Onde está a verticalização nisso? Bem, com exceção de poucos itens, a maioria dos ingre- dientes da receita era produzida mesmo no sítio, na propriedade rural. Leite, ovos, fermento e litro, o forno a lenha, praticamente tudo era “de casa”. Assim, pouco se dependia do mundo exterior para conseguir ter o produto pronto. Isso é verticalização, quando as etapas do processo produtivo são todas, ou em sua maioria, conduzidas pela empresa. Quanto mais fases do processo a empresa realiza por si mesma, dizemos que mais verticalizado o processo é. CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E182 Pode parecer um exemplo muito pequeno esse que mencionei dos pães fabricados na propriedade rural. Contudo, a história nos conta que um dos ícones da indús- tria – até hoje admirado por seu empreendedorismo e audácia empresarial –, Henry Ford, foi um empresário que enxergou, a princípio, que sua empresa deveria conduzir todo o processo de produção, da extração do minério da matéria-prima até a revenda dos veículos prontos, passando pela borracha que comporia os pneus de seus carros. Inclusive, Ford comprou no Brasil mais de 1 milhão de hectares de terra para plantio de árvores para extração da borracha. Formou-se um aglomerado urbano chamado Fordlândia que chegou na época, a ser mais moderno que Santarém. Essa vertica- lização incluiu estradas de ferro, portos, frotas de caminhões e é claro, as revendas. Entretanto, Ford acabou descobrindo que a verticalização total não era possível por uma série de razões. Entre elas, barreirasregulatórias e sindicais. Principalmente na distribuição, Ford foi a princípio forçado a aceitar a partici- pação de terceiros que se mostraram muito mais eficientes no tratamento de seus produtos quanto à venda e assistência do que Ford poderia fazer. Assim, como Bowersox e Closs (2011) afirmam, Ford chegou à conclusão de que nenhuma empresa pode ser autossuficiente. Podemos dizer mais: a autossuficiência, na maioria dos casos, não é econo- micamente viável e muito menos vantajosa em termos de estratégia competitiva. Assim, devemos entender que a gestão colaborativa entre participantes de uma cadeia de suprimentos é fundamental para o sucesso dos objetivos organizacionais. Compreendendo os Canais de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 183 O grande objetivo de uma cadeia de suprimentos é tornar o produto dispo- nível ao cliente, estabelecendo um canal de distribuição no qual ocorrerá o fluxo de produto e sua disponibilização para o consumidor. Contudo, por que dize- mos “canais de distribuição”? Essa é uma expressão muito utilizada, que também pode ser chamada de canais de marketing. Estudamos em uma de nossas unidades que existe uma interface bastante clara entre o Marketing e a Logística, você se lembra? Na ver- dade, a logística foi, por muitos anos, considerada uma ramificação do marketing e a justificativa é simples: se você buscar qual é a função do marketing, verá que ela pode ser descrita como “[...] o processo de planejar e executar a concepção, estabelecimento de preços, promoção e distribuição de ideias, produtos e ser- viços a fim de criar trocas que satisfaçam metas individuais e organizacionais” (CHURCHILL JUNIOR; PETER, 2010, p. 4). Explorando mais esse conceito, temos o que se convenciona chamar de com- posto de marketing, ou marketing mix, ou, ainda, os famosos 4Ps do marketing, constituídos por Produto, Preço, Promoção e Ponto. Esse último P (de ponto), entende-se como o produto será distribuído, por isso, é comum chamá-lo de Distribuição. Para cada um desses “Ps” do marketing mix, são necessárias várias decisões para que os processos envolvidos sejam assertivos. Não é diferente com relação à distribuição. Dessa forma, procura-se estabelecer canais de distribuição, ou canais de marketing, pois é justamente dessa forma que faremos o produto chegar às mãos do cliente. Para fazemos uma analogia simples, toda vez que você abre a torneira da sua pia de cozinha, estará diante de um canal, ou seja, um meio físico (nesse caso um cano) que trouxe a água da estação de tratamento até sua casa. Durante o trajeto da captação de um rio ou poço artesiano até essa água chegar na sua torneira, vários tratamentos foram dados a ela, agregando valor de potabilidade e higiene. Usando essa analogia para as empresas que procuram tornar o produto dis- ponível, há também vários “tratamentos” a serem dados ao produto até que ele chegue nas condições ideais ao cliente. Conceitualmente, podemos dizer que um canal de distribuição ou canal de marketing “[...] é um conjunto de organizações interdependentes envolvidas no processo de tornar um produto ou serviço dis- ponível para uso ou consumo” (COUGHLAN et al., 2012, p. 2). CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E184 Bowersox e Closs (2011, p. 89) nos trazem a seguinte definição de canais de distribuição, originária da American Marketing Association: Canal de distribuição é a estrutura de unidades organizacionais dentro da empresa, e agentes e firmas comerciais fora dela, atacadistas e varejistas, por meio dos quais uma mercadoria, um produto ou um serviço são co- mercializados. Tecnicamente, um canal é um grupo de entidades interes- sadas que assume a propriedade de produtos ou viabiliza sua troca durante o processo de comercialização, do fornecedor inicial até o comprador final. Existe uma diferença importante entre um canal de distribuição e a distribui- ção física em si. Telles e Strehlau (2006, p. 20) nos ajudam a compreender essa diferença por explicar: Canal de marketing: pode ser visto como um sistema inter-relacionado de organizações, onde se estabelece um fluxo de produto, propriedade, informações, recursos ou promoção, ligando a produção ao consumo. Distribuição física: corresponde à movimentação física de produtos entre o produtor e os pontos de venda e/ou consumidores, envolvendo a gestão logística de transporte, volumes, prazos, armazenagem e manuseio de pro- dutos, assim como a infraestrutura de suporte para estes processos. Assim, o canal de distribuição ou canal de marketing refere-se ao sistema estabe- lecido pelas organizações para que o fluxo se estabeleça, enquanto a distribuição física é a movimentação de fato do produto entre os vários participantes da cadeia de suprimentos. Como podemos entender o funcionamento na prática de um canal de distribuição? Primeiramente, temos que lembrar que a logística trata de 3 momentos dis- tintos da atividade empresarial: a entrada de matérias-primas, insumos e outros itens necessários ao processo produtivo, depois o processamento destes itens den- tro da fábrica e finalmente a saída do produto acabado até os pontos de venda. Podemos classificar então estes momentos dessa forma: Logística de Entrada (inbound): refere-se à entrada das matérias-pri- mas, insumos e itens para o processo produtivo. Logística Interna ou Logística de planta: o processamento e armaze- nagem na fábrica. Logística de saída ou de distribuição (outbound): a armazenagem de produtos acabados na fábrica ou centros de distribuição, o transporte, a dis- posição nos pontos de venda e a entrega ao comprador final. Essas três fases Compreendendo os Canais de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 185 compõem então o que chamamos de cadeia de suprimentos (Supply Chain), que deve ser gerenciada. A Figura 1 nos dá uma visão global dessa lógica: Figura 1 - Logística em uma visão global Fonte: Gonçalves (2013). Para o gestor que está focado na distribuição, algumas fases da cadeia de supri- mentos não são diretamente ligadas ao seu trabalho, pelo menos não para a maioria. É evidente que ele deve se interessar com as fases relacionadas com a logística de entrada (também chamada de logística de suprimentos ou inbound) e a logística de planta. No entanto, sua atenção está volta à logística de saída, ou, mais precisamente, para os canais de distribuição, porque é nessa fase que o pro- duto chega ao varejo. A figura a seguir ilustra as fases da logística de suprimentos e a logística de distribuição, formando a cadeia de suprimentos: Figura 2 - Cadeia de suprimentos Fonte: Arbache (2011). CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E186 É interessante observar que os participantes da cadeia de suprimentos, depen- dendo do momento considerado, podem participar do canal de distribuição ou da logística de suprimentos. Por exemplo, ao mesmo tempo em que um agri- cultor participa da logística de suprimentos por fornecer a soja para a indústria, este mesmo agricultor, em outro momento, pode ser o consumidor final do óleo de soja comprado no varejo. Assim, estas inter-relações tornam o canal de distribuição uma peça funda- mental em suprir de bens e serviços toda a cadeia. RELACIONAMENTOS NO CANAL DE DISTRIBUIÇÃO Em um canal de distribuição, podemos ter a presença de diversos atores, cada qual com seu nível de participação e responsabilidade e, a todo momento, acontecendo interações entre eles. Na Figura 3 a seguir, temos uma representação genérica de um canal de distribuição, onde poderemos fazer algumas importantes considerações: Figura3 - Representação genérica de um canal de distribuição Fonte: Bowersox e Closs (2011). Relacionamentos no Canal de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 187 Podemos considerar, relacionado à figura anterior, que os participantes de um canal de distribuição têm opções diversas para abastecer suas necessidades. Por exemplo, nem sempre é o caso de uma rede de varejistas comprar dos atacadis- tas – embora, a princípio, pareça a opção mais comum. Esses supermercadistas podem perfeitamente estabelecer relacionamentos diretamente com os pro- dutores. Na prática, isso se evidencia nas redes de supermercados que fazem parcerias com grupos de produtores de hortifrutigranjeiros para compra direta destes produtos. Isso pode ser um grande benefício para os participantes, mas também pode ser uma ameaça. Afinal, sua empresa pode ser deixada de lado em uma aquisição, se você não for um membro atuante do canal. Até mesmo em grandes cidades, é possível que o consumidor compre di- reto do produtor, como é o caso de hortifrutigranjeiros. Esse sistema é uma forma prática e tradicional de comércio em muitas cidades brasileiras. A sua cidade tem uma feira livre? Fonte: o autor. CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E188 Se um gestor busca a colaboração, os benefícios podem ser significativos. Por exemplo, tornou-se comum em diversas regiões pequenos e médios super- mercados de bairro se integrarem de forma colaborativa para estabelecer alianças estratégicas, visando ganhar poder de compra junto aos fornecedores e ao mesmo tempo compartilhar investimentos em mídia de promoções que serão oferta- das por todos os participantes da rede e, além disso, padronizarem os layouts das lojas, de modo que, aos olhos do consumidor, parecerem a mesma marca, porém, conservando a individualidade dos seus negócios. A profissionalização destes relacionamentos deu origem, recentemente, ao que se conhece como gerência de relacionamentos, em que os profissionais envol- vidos buscam estabelecer alianças estratégicas cooperativas que sejam vantajosas a todos os participantes (BOWERSOX; CLOSS, 2011). Para que esses relacionamentos no canal sejam bem-sucedidos, é imperativo que os participantes saibam que funções ou tarefas precisam ser executadas de forma também cooperativa. No esquema proposto por Bowersox e Closs (2011), podemos visualizar estas funções essenciais do canal de distribuição: Figura 4 - Funções essenciais do canal de distribuição Fonte: Bowersox e Closs (2011). É necessário frisar que essas atividades têm que ser executadas. No entanto, em um princípio de cooperação, quem irá executá-las depende muito da especia- lização dos participantes. O arranjo em canais tem justamente esse apelo, de aproveitar-se do melhor que cada participante pode contribuir. Se, eventual- mente, não houver nenhum membro do canal especializado em alguma função básica apontada anteriormente, pode ser necessário terceirizar essa atividade, porém, um participante precisa ser designado para o acompanhamento da exe- cução da atividade contratada. Relacionamentos no Canal de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 189 Qual é o objetivo dos relacionamentos nos canais de distribuição? Com certeza, você já deve ter concluído que é obter cooperação, sinergia, entre os participan- tes. Sinergia dá a ideia que o todo é maior que a soma das partes. Ou seja, o que individualmente, um participante do canal poderia fazer bem, em cooperação ele pode obter resultados ainda melhores, por aproveitar-se do que outro(s) com- ponente(s) do canal tem a partilhar. Isto possibilitará atender às necessidades dos clientes com um nível de ser- viços otimizado, cumprindo o objetivo da logística de proporcionar o produto certo, no local certo, no momento certo, na quantidade certa, na qualidade certa, com um preço justo. Esse preço justo pode inclusive ser um preço um pouco acima da média praticada em outros Pontos de Venda. O cliente costuma atribuir valor à dispo- nibilidade do produto, dependendo de sua necessidade. Assim, lembre-se do dia em que você recebeu à noite visitas inesperadas e, hospitaleiramente, foi servir algo para essas visitas e constatou, para sua surpresa, que sua geladeira estava vazia. Você provavelmente correu para uma loja de conveniência de um posto de combustíveis e comprou vários itens pagando com certeza mais caro que em uma rede de supermercados, mas não chegou a ficar furioso. Afinal, sua neces- sidade foi atendida exatamente no momento em que você precisou. A formatação adequada de um canal de distribuição pode conferir à sua empresa uma vantagem competitiva que dificilmente será conseguida por seus concorrentes. CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E190 Explicando sobre este assunto, Arbache et al. (2011, p. 125) indicam como isso acontece: [...] com o avanço da tecnologia e a rápida transferência e aquisição de know-how, os produtos inovadores lançados por uma empresa são rapida- mente copiados pelos concorrentes, tornando o produto um atributo com- petitivo pouco sustentável. O preço torna-se um complexo fator competiti- vo em um ambiente no qual a concorrência busca a cada dia otimizar seus custos, reduzindo de forma efetiva suas margens de lucro. Devido ao gran- de número de promoções e mídias expostas por todos os concorrentes, a promoção vem tendo resultados cada vez mais inexpressivos. No entanto, os canais de distribuição, quando bem-dimensionados, tornam mais com- plexa a cópia pelos concorrentes, porque envolvem diversos membros de uma cadeia de suprimentos, sendo necessário um grau de relacionamento e estrutura previamente desenvolvidos. Para se alcançar essas variáveis é necessário tempo para o projeto e implantação, gerando uma barreira de entrada para o concorrente e, consequentemente, uma vantagem compe- titiva sustentável. Discutimos no início da unidade o formato tradicional da cadeia de suprimentos, sendo os canais de distribuição uma das partes fundamentais. Temos, tradicio- nalmente, participantes importantes entre a indústria e o consumidor final, com destaque para os atacadistas e varejistas. Pode ser que você, como gestor, esteja inserido em uma dessas duas realidades. Os atacadistas, principalmente no Brasil, desempenham função essencial, pois possibilitam agrupar e disponibilizar para pequenos comerciantes um mix de produtos bastante expressivo, os quais esses comerciantes teriam dificulda- des em comprar em grande escala em decorrência de limitações financeiras e comerciais. Além disso, o transporte até pontos remotos de varejo exige uma especialização de distribuição que a maior parte das indústrias não considera vantajosa. Portanto, a inserção do atacadista forma um elo fundamental entre a indústria e os consumidores finais em boa parte de nosso país. Por outro lado, o papel essencial do varejo torna-se evidente quando pensa- mos no consumidor. Essa personagem, ao buscar um produto, deseja ter o direito de escolha, o que é possibilitado pelo varejo, que oferece um mix de produtos suficiente para subsidiar uma decisão. Em uma loja de eletrodomésticos, por exemplo, é possível ao consumidor comparar marcas, modelos, preços, condi- ções de pagamento o que seria muito difícil para a indústria oferecer diretamente. Formatação do Canal de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 191 Não que a indústria esteja totalmente fora do processo de atendimento direto. Algumas montadoras de veículosno Brasil oferecem a possibilidade da compra online, na qual o cliente pode customizar o veículo que deseja adquirir em rela- ção a cor, acessórios e opcionais. O faturamento é direto da fábrica para o cliente. Você talvez conheça alguma estratégia neste sentido, não é mesmo? Contudo, podemos dizer que esta prática, pelo menos ainda, não concorre diretamente com as opções ofertadas pelo varejo. FORMATAÇÃO DO CANAL DE DISTRIBUIÇÃO Vários são os cenários possíveis de formatação de um canal de distribuição. Para compor um canal, a empresa precisa primeiramente ter uma clara noção de que nível de serviço deseja oferecer aos seus clientes. Então, buscará parcerias estra- tégicas para atender esses objetivos. Conforme Novaes (2001 apud ARBACHE et al., 2011, p. 127-128), a empresa objetiva, com o estabelecimento de um canal de distribuição: ■ garantir a disponibilidade dos produtos nos locais onde de fato serão con- sumidos. Para isso, é primordial identificar quais os consumidores certos para cada tipo de produto de uma determinada manufatura. O marke- ting de relacionamento pode obter informações pertinentes ao mercado, identificando o padrão de consumo de cada região, minimizando erros de demanda; ■ maximizar o potencial de vendas do produto trabalhando-o nos PDVs, determinando a posição mais adequada do produto nas lojas; ■ desenvolver uma cadeia de suprimentos integrada e participativa, tro- cando informações precisas que melhorem a visibilidade de todos sobre as demandas reais. Isso permite aos participantes da cadeia estruturar- -se, provendo os recursos necessários. Para atender esses propósitos, os canais podem ser formatados em: CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E192 Canais verticais: é o tipo mais comum, abrangendo a transferência de proprie- dade entre canais de forma sequenciada. São componentes comuns deste tipo de canal a indústria, o atacado e o varejo, sendo o varejo considerado o último elo da cadeia. Os produtos são empurrados da indústria para o varejo e, por esforço de venda geralmente maior, do varejo para o consumidor. A tecnologia tem permitido uma alteração gradual desta configuração. O consumidor demanda o produto ou serviço e é ele que escolhe o canal de distri- buição que melhor atende suas necessidades (ARBACHE et al., 2011). Essa é uma mudança e tanto, que certamente passa a desafiar o modo simplista e comum que os empresários do varejo enxergam os clientes. Para a indústria, o impacto é sobre seus processos produtivos, que deixam de ser empurrados, no sistema tradicional, e passam a ser “puxados” pela demanda do consumidor. Não se pro- duz mais para estoque, nessa nova visão. Se produz lotes pequenos, para atender uma demanda já estabelecida. Evidentemente que, para que isso seja viável, a informação sobre a demanda deve chegar de forma confiável em todos os par- ticipantes do canal até a indústria. Arbache et al. (2011) ilustram a formatação de canais verticais, conforme demonstrado na Figura a seguir: Formatação do Canal de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 193 Figura 5 - Canais verticais de distribuição Fonte: Arbache et al. (2011). Observe que, na Figura 5, temos inserida a possibilidade de uma ligação direta entre a indústria e o consumidor final. Significa a não utilização de dois elemen- tos tradicionais dos canais de distribuição, que são o atacadista e o varejista. Essa possibilidade já acontece na prática. Uma grande empresa de compu- tadores coloca no seu portal a possibilidade de venda direta. Nessa modalidade, o consumidor tem a oferta de alguns produtos com configuração padrão, mas também pode configurar de acordo com algumas opções de escolha coloca- das no próprio portal da empresa. De toda forma, a venda é direta, a indústria assume a transação, os custos de processamento de cadastro, de custo financeiro por venda em cartão e a operação logística de envio. Não podemos esperar que toda indústria faça o mesmo. Justamente por- que a expertise da indústria não é a venda fracionada, pulverizada, própria do varejo. A decisão de venda direta pela indústria tem que ser avaliada sob diver- sas dimensões, pois aquilo que poderia ser uma vantagem competitiva, pode ser uma fonte de custos difícil de ser repassada aos consumidores. CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E194 Então podemos imaginar sua aplicação para produtos de maior valor agre- gado. Para produtos mais populares, em que há uma pulverização de compradores e de localidades atendidas com ticket médio baixo, provavelmente essa estraté- gia não valeria a pena. Por ticket médio entendemos o valor médio de compra de um determinado período. Por exemplo, ao final de um dia de vendas, uma loja soma o valor de todas as vendas do dia e divide pelo número de vendas efe- tivadas. O resultado é o ticket médio do dia. Canais híbridos: neste tipo de canal temos as vendas da indústria ocorrendo diretamente para o comprador final, porém com a presença de distribuidores ter- ceirizados. Arbache et al. (2011) ilustram assim esse canal, conforme a Figura 6: Figura 6 - Configuração de um canal híbrido Fonte: Arbache et. al. (2011). Canais múltiplos: esta configuração é um misto de canal vertical e canal híbrido. Por vezes, a empresa pode estabelecer a venda direta ao consumidor final por mecanismo como call center ativo e portais da internet. Em outras, pode utili- zar-se de lojas físicas, com estrutura de vendedores e consultores. Nessa opção, a ideia é ofertar ao cliente várias possibilidades de aquisição do produto e favorecer a entrada em regiões onde a instalação de uma loja física poderia não ser viável. Arbache et al. (2011) nos lembram que pode acontecer a concorrência entre canais, prejudicando os resultados de um deles. Ao prestar consultoria para uma grande rede de varejo de eletrodomésticos, observei que isso realmente ocor- ria em algumas localidades, principalmente nos segmentos de mais alta renda, Formatação do Canal de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 195 e mque há uma familiaridade maior com a opção de compras por meios virtu- ais. Alguns gerentes dessa rede de loja queixavam-se de que o canal virtual em algumas situações estabelecia uma promoção com preços bem inferiores aos pra- ticados pelas lojas físicas, migrando as compras para os canais virtuais. Apesar do dinheiro entrar para o caixa da mesma empresa, temos que reconhecer que as lojas possuem metas de vendas a serem cumpridas e essa concorrência do “fogo amigo” pode ser um fator complicador para que essas metas sejam batidas. No entanto, é fato que essa realidade se estabeleceu e se consolida cada vez mais. Na configuração da estrutura do canal de distribuição, temos que levar em conta também algumas classificações bastante utilizadas: Distribuição exclusiva: nesse tipo de configuração da distribuição, a indús- tria estabelece parcerias com distribuidores a título de exclusividade para representação de sua marca. Neste caso, os pontos de venda são estiliza- dos para representar a marca da indústria, os consultores de venda são treinados como se fossem vinculados à própria indústria. Por exemplo, alguns franqueadores conferem exclusividade geográfica para seus fran- queados, como é o caso da rede de fast food McDonald’s. Isso favorece a rentabilização por parte do franqueado, por ter a tranquilidade de não ter concorrentes da mesma marca atuando em sua região. Distribuição seletiva: quando a empresa deseja estabelecer uma capilari- dade maior na sua distribuição, pode firmar parcerias de distribuição com várias empresasde varejo. Você percebe esse tipo de distribuição, por exem- plo, na telefonia móvel, em que as lojas dessas empresas são de propriedade de um empreendedor que representa com exclusividade uma determinada operadora. Para o consumidor do produto, essa relação é transparente, pois para ele o atendimento recebido é o da marca da empresa telefônica. Contudo, para aquisição de um celular, o consumidor pode também fazer sua compra até mesmo em um supermercado ou loja de eletroeletrônicos. Não há exclusividade na distribuição do produto. Distribuição intensiva: alguns produtos tem a característica de poderem ser substituídos facilmente no ponto de venda. Neste caso, para assegu- rar sua presença na distribuição, opta-se pela distribuição intensiva, que tem como estratégia atingir o maior número possível de pontos de venda. O consumidor pode ter a preferência pelo produto, porém, se não esti- ver disponível, facilmente o cliente opta por outro. Assim, ter o produto disponível no maior número de distribuidores possível é assegurar sua escolha no momento da venda. CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E196 Rocha e Souza (2007, p. 42) oferecem o Quadro 02, a seguir, que nos ampliam essas conceituações: Quadro 2 - Modalidades de distribuição MODALIDADE DESCRIÇÃO Extensiva A distribuição extensiva utiliza canais de distribuição longos, criterio- samente implantados. Ao adotar esta modalidade, a empresa pretende alcançar o maior número possível de pontos de venda. Os produtos atingem mais consumidores, criando maiores utilidades de tempo, de lugar e de posse, no entanto, o custo para a empresa manter esta modalidade é elevado, assim como o risco de perda parcial de controle sobre o canal, sendo viável em empresas com um grande número de vendedores e importante organização comercial. Exclusiva Esta modalidade de distribuição pressupõe a concessão ao intermediário da exclusividade de distribuição do seu produto ou da sua marca em determinado território. Neste tipo de distribuição, os produtos têm bas- tante notoriedade e é dado ao intermediário o ônus da força de vendas, a responsabilidade de reparações técnicas e a assistência pós-venda. Formatação do Canal de Distribuição Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 197 Seletiva Esta modalidade pressupõe um número reduzido de distribuidores. O ponto de venda e sua localização normalmente estão em causa na definição da seletividade. Frequentemente são fixadas cotas de venda dos produtos para os distribuidores, podendo ainda ser estabelecidos princípios de exclusividade de venda em certo território, embora com limites mais estreitos do que os considerados na exclusividade. Intensiva Utiliza-se esta modalidade de distribuição como complementar às modalidades de distribuição seletiva ou extensiva. Esta designação tem a ver com características temporais, quando é necessário concentrar es- forços e capital em dados momentos e em certos canais de distribuição, que se tornam assim canais com maior fluxo momentâneo, logo com aumento de intensidade. Fonte: Rocha e Souza (2007, p. 42). Como saber que tipo de distribuição adotar? Uma regra é fornecida por Arbache et al. (2011, p. 137): [...] produtos que necessitem de prévia pesquisa para adequação de gosto, por exemplo, são adquiridos de forma mais esporádica. Esse tipo de produto, ao contrário daquele de consumo frequente, possui giro de estoque baixo, porém alta rentabilidade na venda de cada unidade. Para produtos focados na qualidade, entretanto sem o atributo marca, utiliza-se a distribuição seletiva. Finalmente, para produtos adquiridos esporadicamente e que têm como principal foco a marca, usam-se a distribuição exclusiva e a de- nominação produtos especiais. As vendas por canais eletrônicos não param de aumentar, ano após ano. Até mesmo clientes que antes eram resistentes à modalidade passam a enxergar que é possível comprar praticamente qualquer tipo de produto por canais eletrôni- cos, na comodidade de suas casas. A segurança nas compras eletrônicas também aumentou, o que ajuda a dar confiabilidade às transações. De acordo com dados da empresa E-bit (www.ebit.com.br), as vendas pelo comércio eletrônico no Brasil em 2017 atingiram a cifra de R$47,7 bilhões, com alta de 7,5% sobre 2016. Dessas vendas, 23,7% foram realizadas por meio de smartphones e tablets, o que evidencia a necessidade dos portais de venda por internet serem responsivos, ou seja, adaptarem-se a esses dispositivos eletrôni- cos. Na prática, os grandes marketplaces oferecem aplicativos para aparelhos móveis, o que facilita demais a vida dos consumidores. CENTROS E CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E198 Pense por um momento como você, como gestor, vai enfrentar esse desafio. Se você está em um ponto de venda do varejo, talvez tenha se preocupado muito com a evolução constante do perfil de compras de seus clientes, que agora com- pram cada vez mais em lojas virtuais e em vendas diretas. Isso pode ser uma ameaça para seu negócio. Por outro lado, leve em conta as oportunidades que estes canais oferecem para quem souber aproveitar-se da evolução das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação). Até os camelôs em São Paulo vendem com cartões de crédito e débito. É possível comprar de um par de meias a livros, equipamentos eletrônicos a alimentos. A força do canal de venda direta e por web não deve ser desprezada. Os números mostram que essa é uma realidade irreversível. Ganhará quem sou- ber inserir-se com competência nesse cenário já consolidado. O conceito de marketplace (tradução de “Market” = mercado + “place” = lu- gar, nada mais é do que um espaço físico ou virtual onde ocorrem transa- ções de compra e venda. Os marketplaces virtuais faturam bilhões, como é o caso, no Brasil, da B2W (que reúne Lojas Americanas, Submarino, Saraiva e Walmart) e o Alibaba (no Brasil, com o Aliexpress). Fonte: o autor. O número de reclamações de consumidores em sites especializados (como o Reclame Aqui) tem aumentado cada vez mais. Qual a sua opinião: por que razão esse número continua subindo? Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 199 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) aluno(a), nesta última unidade, consideramos questões relacionadas aos canais de distribuição. Esses canais são peça-chave em tornar o produto dispo- nível aos clientes, o que já, de forma natural, os vinculam à logística empresarial. Você pode se lembrar que os canais de distribuição – também chamados de canais de marketing – podem ter configurações diferentes, dependendo de algumas variáveis, como tipo de produto, marca, valor agregado, entre outras. De todo modo, é importante salientar que, ao selecionar o canal, está sendo feita uma opção que pode trazer muito sucesso ou o fracasso total de um pro- duto ou de uma inteira cadeia de suprimentos. É preciso estudar com bastante critério as condições de distribuição, a preferência do cliente na forma como quer ser atendido, a disponibilidade de canais e, é claro, o que a concorrência faz. Atualmente, os canais de distribuição eletrônicos ganharam uma importância tal que precisam ser considerados como primeira opção de obtenção de informa- ção pelo cliente e como um competidor real para as operações do varejo físico. O que ainda leva o cliente a optar por um canal físico quando tem a opção do canal eletrônico? Um fator decisivo pode ser a necessidade imediata, ou a sen- sação do “provar” o produto e ainda fatores mais subjetivos, como status social por comprar em lojas físicasde um shopping. Independente do canal a ser utilizado, a satisfação da necessidade do consumi- dor deve ser a mola mestre para as operações no canal, e aquele que proporcionar a maior oferta de valor ao cliente terá sua escolha. O fato é que, independentemente das circunstâncias e dos desafios a serem enfrentados, a capacitação o treinamento devem ser uma rotina para os gestores. Você precisa se manter atualizado e acompanhar as mudanças que ainda virão. Com isso, você terá sucesso em seus objetivos. Sucesso a você nesta trajetória! 200 1. É possível fazer uma analogia de um canal de distribuição com uma rede de abastecimento de água em uma cidade, onde a canalização permite que o precioso líquido chegue às torneiras dos consumidores. Em logística, canal de distribuição tem uma ideia similar. Sobre esse tema, leia as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I. Canal de distribuição ou de marketing e a distribuição física podem ser con- siderados sinônimos, pois cumprem o mesmo papel. PORQUE II. O canal de distribuição ou marketing se refere ao sistema entre organizações para que o fluxo de produtos se estabeleça, ligando produção ao consumo. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa cor- reta da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justifica- tiva correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 2. É possível identificar vários momentos ou etapas da logística, dependendo de que atividades estejam sendo consideradas. Essas classificações costumam ser: a) Inbound se refere à logística de distribuição de produtos. b) Outbound se refere à logística de planta ou interna. c) Logística de planta é a que se refere à entrada de matérias-primas e insumos. d) A armazenagem de produtos acabados faz parte da logística inbound em indústrias. e) O processamento e armazenagem na fábrica faz parte da logística de planta. 3. Um canal de distribuição pressupõe o relacionamento entre seus participan- tes, de modo a otimizar as operações, com benefícios para os clientes. Sobre esses relacionamentos, leia as afirmativas a seguir: I. Uma possibilidade de relacionamento no canal de distribuição é o dos reven- dedores diretamente com os produtores, sem participação de atacadistas. II. Os relacionamentos no canal de distribuição precisam ser colaborativos para serem bem-sucedidos, cada participante sabendo suas funções e tarefas. III. Todas as tarefas em um canal de distribuição precisam ser executadas e pre- cisam ser feitas diretamente pelos participantes do canal. IV. O objetivo dos relacionamentos no canal de distribuição é obter sinergia, que implica obter melhores resultados do que individualmente. 201 É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) I e II, apenas. c) II e III, apenas. d) I, II e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 4. Pense em 2 produtos completamente diferentes: um automóvel 0 km de uma marca famosa e 1 creme dental de marca popular. Podemos estabelecer a for- ma de distribuição desses produtos da seguinte forma: a) O creme dental será disponibilizado por distribuição exclusiva e o automó- vel por distribuição intensiva. b) O creme dental será disponibilizado por distribuição seletiva e o automóvel por distribuição intensiva. c) O creme dental será disponibilizado por distribuição intensiva e o automó- vel por distribuição exclusiva. d) O creme dental será disponibilizado por distribuição seletiva e o automóvel por distribuição exclusiva. e) Tanto o creme dental quanto o automóvel serão disponibilizados por distri- buição intensiva. 5. Os canais eletrônicos podem ser uma forma confortável e prática para que os con- sumidores adquiram seus produtos. Em contrapartida, representam uma concor- rência para os canais tradicionais, físicos. Algumas empresas têm adotado uma es- tratégia conhecida como omnichannel para lidar com essa nova realidade. Sobre essa estratégia, leia as asserções a seguir e a relação proposta entre elas: I. A ideia do omnichannel é criar uma percepção positiva na experiência do cliente com a empresa. PORQUE II. O omnichannel se baseia na convergência dos canais digitais e físicos para explorar as possibilidades de interação com os clientes. Acerca dessas asserções, assinale a opção correta: a) As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa cor- reta da I. b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justifica- tiva correta da I. c) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa. d) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira. e) As asserções I e II são proposições falsas. 202 O que é omnichannel? Omnichannel é uma tendência do varejo que se baseia na convergência de todos os canais utilizados por uma empresa. Trata-se da possibilidade de fazer com que o consu- midor não veja diferença entre o mundo online e o offline. O omnichannel integra lojas físicas, virtuais e compradores. Dessa maneira, pode explo- rar todas as possibilidades de interação. Essa tendência é uma evolução do conceito de multicanal, pois é completamente fo- cada na experiência do consumidor nos canais existentes de uma determinada marca. Como exemplo, há os aplicativos móveis, que combinam o layout do site com a temática interna das lojas físicas. De forma prática, isso propicia ao consumidor utilizar todos os canais disponibilizados pela organização e a quebra das barreiras entre o mundo físico e o digital. Por meio da integração de canais, o consumidor satisfaz suas necessidades onde e quan- do desejar, no momento mais confortável para ele, não havendo restrições de local, ho- rário ou meio. Foco no cliente O omnichannel coloca o consumidor como o “centro do universo”, criando uma per- cepção positiva de sua experiência com a empresa, principalmente pela facilidade de acesso proporcionada tanto pela presença digital da marca (redes sociais, mobile etc.) quanto por suas instalações físicas (lojas, estandes, quiosques etc.). O omnichannel ainda permite à empresa conhecer o comportamento e as preferências dos clientes. Um exemplo: se alguém quiser comprar um relógio, pode pesquisar na internet as melhores ofertas e pedir dicas aos amigos nas redes sociais. Em vez de ir diretamente a uma loja física, o cliente avalia as possibilidades de compra no ambiente digital e pode fazer a aquisição por meio de uma loja virtual, com a vantagem de receber o produto em casa. Caso não goste do relógio, ele pode ir até a loja, experimentar outros modelos e trocar o produto. Isso pode ser aplicado ao seu negócio por meio do relacionamento com seus clientes em múltiplos canais, permitindo que você possa atendê-los com eficiência em todo o ciclo de venda e pós-venda. Para isso, a loja deve estruturar uma interação direta e padronizada, independentemente do meio de contato que o consumidor utilizar – pode ser uma loja online, uma loja física ou uma central telefônica de vendas. A ideia é que o atendente reconheça o cliente e rea- lize todo o processo de venda por meio de informações já coletadas na primeira interação. Para se alinhar com essa visão, é preciso consolidar os sistemas tecnológicos em um plataforma unificada que seja capaz de gerenciar todos os canais de venda. Essa con- vergência, por um lado, proporcionará ao cliente uma experiência de compra assistida e, por outro, permitirá ao empreendimento oferecer sugestões de compra mais persua- sivas e personalizadas. 203 Além disso, é possível aplicar um dos pilares do omnichannel, que é tratar o cliente da mesma forma em todos os pontos de contato. Com isso, amplia-se seu engajamento com a marca: o cliente deixa de ser cliente para ser fã da empresa. Marketing diferenciadoOmnichannel é a verdadeira convergência da experiência do consumidor. Ela se estende para todo o universo da marca. O que importa é que o consumidor perceba que essa expe- riência faz parte de um todo – e isso representa uma nova forma de pensar em marketing. Para estabelecer uma experiência contínua do cliente com a marca, é preciso fazer com que os canais da empresa “conversem”. A loja virtual deve saber qual foi a experiência do cliente na página da loja no Facebook; a central telefônica de vendas precisa saber quais foram as últimas compras realizadas por meio do app no smartphone; o e-mail marketing deve identificar quais produtos despertaram o interesse do cliente na loja física; e todos os canais precisam saber o nome e o histórico do cliente. Ele é único. Mas o desafio não é novo. Afinal, adaptar-se ao que os clientes querem é algo que as empresas que buscam fidelizá-los e engaja-los fazem sempre. O importante é entender como fazer isso. A dica é ficar atento aos dispositivos pessoais usados pelos clientes. É por meio deles que as marcas poderão acompanhar, conhecer e realizar os desejos contínuos dos con- sumidores. Omnichannel é a realização de um negócio social. Com base nele podem ser realizadas ações personalizadas de baixo investimento e ofertados serviços e produtos que o con- sumidor realmente deseja, atraindo-o a todas as lojas, digitais ou físicas. Como aplicar? O primeiro passo para aplicar o omnichannel em uma empresa é integrar as áreas. O cliente pode, por exemplo, comprar na loja virtual e trocar em qualquer loja física. Para isso acontecer, o processo logístico deve estar integrado e os sistemas tecnológicos de- vem permitir que isso ocorra sem complicações. O serviço de atendimento ao cliente deve ter condições de resolver todos os problemas dos consumidores, independentemente da origem ou da abordagem – pode ser uma dúvida, uma sugestão, uma reclamação ou até mesmo um elogio. O marketing deve ser orgânico e propor estratégias alinhadas para todos os canais, sempre permitindo que o cliente transite livremente entre as lojas, virtuais ou físicas. O sistema de gestão deve ser único e permitir que as lojas garantam a sinergia das infor- mações. Isso inclui preços, estoque, contabilidade e tudo mais. A área administrativa e financeira deve estar preparada para atuar em todas as movi- mentações entre as lojas. O núcleo de suprimentos deve ser muito ágil, possibilitando o fornecimento de produtos adequadamente para toda a cadeia de lojas, sejam elas físicas ou online. Fonte: Sebrae ([2018], on-line)1. MATERIAL COMPLEMENTAR No Paraná, uma rede de supermercados que trabalha de forma colaborativa exemplifi ca o ganho de sinergia que pode advir dessa confi guração. Conheça a história da Rede Bom Dia de supermercados no link a seguir. Web: <http://supermercadosbomdia.com.br/institucional>. Linhas de Wellington (2012) Sinopse: em 1810, quando Napoleão Bonaparte invade Portugal, as tropas lideradas pelo General Wellington (John Malkovich) arquitetam um plano para derrotar o inimigo: � ngir a rendição para atrair os franceses às terras de Lisboa e assim cercá-los entre as fortalezas do local. Faz parte da estratégia retirar toda a comida e água na região, para ter certeza de que eles não poderão sobreviver. Isto também implica evacuar por completo a população local. “Linhas de Wellington” mostra este êxodo forçado dos portugueses, ora corajosos e cheios de esperança, ora satisfazendo seus instintos da maneira mais amoral e desumana. Comentário: Napoleão, segundo alguns autores, tinha o livro “A Arte da Guerra” como livro de cabeceira. Os ensinamentos desse livro guiaram muitas vitórias de Napoleão. Contudo, seus inimigos também usaram suas mesmas táticas para derrotá-lo. Gestão de logística, distribuição e trade marketing (2011) Fernando Saba Arbache et al. Editora: FGV Sinopse: este livro tem como propósito apresentar os principais conceitos teóricos, ferramentas de apoio e exemplos de empresas líderes na área de logística, distribuição e trade marketing, servindo como referência para a análise de como otimizar a produtividade e a lucratividade das empresas dos mais variados ramos de atuação no atual contexto dos negócios. REFERÊNCIAS 205 ARBACHE, F. S. et al. Gestão de Logística, Distribuição e Trade Marketing. 4. ed. São Paulo: FGV, 2011. BOWERSOX, D. J.; CLOSS, D. J. Logística Empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. São Paulo: Atlas, 2011. BRASIL, C.; PANSONATO, R. Logística dos canais de distribuição. Curitiba: Intersa- beres, 2018. CHURCHILL, JUNIOR, G. A.; PETER, J. P. Marketing: criando valor para os clientes. São Paulo: Saraiva, 2010. COUGHLAN, A. T. et al. Canais de Marketing. 7. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. GONÇALVES, P. S. Logística e cadeia de suprimentos: o essencial. Barueri: Manole, 2013. POZO, H. Administração de recursos materiais e patrimoniais: uma abordagem logística. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2015 [acervo pessoal]. ROCHA, M. A.; SOUSA, J. Marketing em tempos modernos: Canais de distribuição e geomarketing. São Paulo: Saraiva, 2007. SANTOS, A. Centros de distribuição como vantagem competitiva. Revista de Ciên- cias Gerenciais, v. 10, n. 12, p. 34-40, 2015. TELLES, R; STREHLAU, V. I. Canais de Marketing e Distribuição: conceitos, estraté- gias, gestão, modelos de decisão. São Paulo: Saraiva, 2006. REFERÊNCIA ON-LINE 1 Em: <http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/integre-seus-canais- -de-vendas-a-partir-do-conceito-de-omni-channel,87426f65a8f3a410VgnVCM- 2000003c74010aRCRD>. Acesso em: 21 ago. 2018. REFERÊNCIAS GABARITOGABARITO 1. D. 2. E. 3. D. 4. C. 5. A. CONCLUSÃO 207 Caro(a) aluno(a), esperamos ter contribuído com conhecimentos, com a sua forma- ção acadêmica, a sua atuação no mercado de trabalho ou com o gerenciamento da sua própria organização. Enfatizou-se que as organizações são um conjunto de recursos tangíveis, intangíveis e humanos, interdependentes e integrados, que precisam ser orientados por um ou mais objetivos. A Controladoria é uma ciência multidisciplinar em construção que colabora para organização atingir os seus objetivos em curto, médio e longo prazos. Verificou-se que o planejamento estratégico e o planejamento operacional de- vem ser consonantes à missão, à visão e aos valores. Além disso, a missão, a visão e os valores colaboram para a disseminação dos objetivos da organização aos seus funcionários e demais stakeholders. Foi visto que o orçamento é uma previsão anual das entradas e saídas de recursos da organização, produzido em bases sistemáticas e mediante capacidades reais da empresa. A descentralização pode corroborar para a qualidade das tomadas de de- cisão, contudo, ela demanda indicadores adicionais para mensurar o desempenho dos responsáveis pela gestão. A Governança Corporativa, os controles internos e o gerenciamento de riscos são funções e modelos de gestão que corroboram para a organização atingir os seus objetivos, utilizando os recursos tangíveis, intangíveis e humanos com responsa- bilidade. Nada obstante, você constatou a importância de congregar informações financeiras e não financeiras para subsidiar as tomadas de decisão dos gestores. A Controladoria é capaz de proporcionar mudanças estratégicas e identificar novas formas de criar valor nas organizações. Por meio do assessoramento de informa- ções, ela pode corroborar para o alinhamento dos objetivos estratégicos e das ativi- dades da organização. Desejamos boa sorte, muita saúde e sucesso para a conclusão de sua jornada aca- dêmica! CONCLUSÃO ANOTAÇÕES