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Aula 08
Direito Civil p/ PC-MA (Delegado) Pós-Edital
Professor: Paulo H M Sousa
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DIREITO CIVIL – PC/MA 
Teoria e Questões 
Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 
 
 
AULA 08 
DIREITO DAS COISAS 
Sumário 
Sumário .................................................................................................. 1 
Considerações Iniciais ............................................................................... 3 
DIREITO DAS COISAS ............................................................................... 3 
8.1. Teoria Geral das Coisas ....................................................................... 3 
1. Características ....................................................................................... 3 
2. Distinções ......................................................................................... 6 
3. Classificação ...................................................................................... 7 
8.2. Posse .............................................................................................. 10 
1. Definição e conceito ......................................................................... 10 
2. Teorias ........................................................................................... 11 
3. Função social ................................................................................... 12 
4. Modalidades .................................................................................... 15 
5. Aquisição, transmissão e perda .......................................................... 21 
6. Proteção possessória ........................................................................ 25 
8.3. Ações ............................................................................................. 30 
1. Possessórias .................................................................................... 31 
2. Petitórias ........................................................................................ 33 
8.4. Usucapião ....................................................................................... 35 
1. Bens Imóveis ................................................................................... 35 
1.1. Ordinária ...................................................................................... 35 
1.2. Extraordinária ............................................................................... 36 
1.3. Especial ....................................................................................... 38 
1.4. Extrajudicial.................................................................................. 43 
2. Bens Móveis .................................................................................... 46 
2.1. Ordinária ...................................................................................... 47 
2.2. Extraordinária ............................................................................... 47 
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Legislação pertinente .............................................................................. 47 
Jurisprudência e Súmulas Correlatas ......................................................... 52 
Questões ............................................................................................... 57 
Questões sem comentários ................................................................... 57 
Gabaritos ............................................................................................ 82 
Questões com comentários ................................................................... 87 
Resumo ............................................................................................... 133 
Considerações Finais ............................................................................. 143 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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AULA 08 – DIREITO DAS COISAS I 
 
Considerações Iniciais 
 
Na aula passada, terminamos a Responsabilidade Civil, com seus aspectos mais 
gerais. Como você viu, por vezes as provas questionam elementos bem pontuais 
da jurisprudência. Por isso, é interessante que você se mantenha sempre atento 
às mudanças de entendimento e à jurisprudência dos tribunais, o que não era 
muito usual antes. 
Eu te indico que sempre acompanhe os informativos de jurisprudência do STJ e 
do STF, e não apenas para a responsabilidade civil ou mesmo para o Direito Civil 
apenas, mas para se manter antenado sobre as mudanças que os tribunais 
andam realizando. Para o Direito Civil, o STJ é mais importante que o STF, pela 
quantidade de entendimentos jurisprudenciais relevantes. 
Agora, na aula de hoje, iniciaremos um novo grande tema, o Direito das Coisas. 
Vamos, hoje, traçar as noções introdutórias e já passar para dois temas bem 
importantes: a posse e a usucapião. Nas provas das Polícias Civis, esses são 
temas menos frequentes, mas que caem. Na última prova da PC/Ma não 
tivemos questões a respeito destes temas. 
 
DIREITO DAS COISAS 
8.1. Teoria Geral das Coisas 
1. Características 
A noção de coisa é diferente da noção de bem jurídico, como vimos em aula 
anterior, noção esta da Parte Geral do CC/2002 que trata dos diversos bens à 
satisfação dos interesses humanos. Quando se fala em "coisa", restringe-se o 
objeto de análise, como fazia Clóvis Bevilaqua ainda na vigência do CC/1916. 
Segundo Luciano de Camargo Penteado, as características das coisas são: 
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Para Orlando Gomes, as características dos direitos reais são: 
 
 
• A materialidade da coisa, em geral. Ressalvadas exceções, apenas
os bens dotados de corporeidade podem ser objetos dos direitos
reais, até porque a aquisição e a transmissão se dão de maneira
bastante peculiar, conforme os arts. 1.226 e 1.227 do CC/2002.
• Essa questão é amplamente discutida pela doutrina. Pontes de
Miranda retira a noção de corporeidade, à medida que existem
direitos de propriedade sobre bens intelectuais, destituídos de
corporeidade
A. Corporeidade
• Nem tudo que é exterior ao homem é apropriável, não sendo
permitida a apropriação do ar que respiramos, dos bens públicos
ou de partes destacáveis do corpo humano. Ou seja, o direito
deve permitir a apropriação para que se trabalhe com o direito
das coisas.
• Atualmente, a tendência é de uma "apropriabilidade" crescente,
ou seja, crescem os "bens" apropriáveis, como, por exemplo, a
discussão sobre a comercialização de fluidos corporais humanos e
das pesquisas oriundas do código genético
B. Possibilidade de apropriação
• O direito das coisas compõe o direito patrimonial e nem sempre
as coisas que são materialmente apropriáveis são dotadas de
função ou utilidade econômica
C. Função/utilidade econômica
• Só é direito real aquilo que a lei determina como direito real. Não
é possível à autonomia privada criar outros direitos reais que não
os tipificados pelo legislador
• Nesse sentido, o art. 1.225 do CC/2002 traria um rol exauriente,
complementado pela legislação extravagante. Ou seja, apesar de
tipificados, eles não precisam estar tipificados no Código Civil,
ainda que os principais e mais comuns estejam
A. Tipicidade
• Por mais que figuras parcelares dos direitos reais possamser
objetos de disposição, há uma tendência de reunificação dessas
figuras, um tensionamento ao retorno delas nas mãos do
proprietário
B. Elasticidade
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Já segundo Luciano de Camargo Penteado, as características dos direitos reais 
são: 
 
 
 
 
• A constituição, modificação ou extinção dos direitos reais exige
publicidade, seja pelos registros públicos para os bens imóveis,
seja pela tradição para os bens móveis
C. Publicidade
• Porque os direitos reais têm esse caráter de exclusão dos outros,
eles só podem ser constituídos sobre objetos especificados
D. Especialidade
•Enquanto a relação obrigacional tem ao fim, é tendente ao
término, a relação de direitos reais tende a permanecer, ao passo
que quanto maior o exercício do direito real, maior será o reforço
da posição do titular
•Ou seja, enquanto o direito obrigacional tende a se extinguir, e
geralmente o titular quer que a obrigação se extinga (quando eu
vou ao dentista, espero que a prestação de serviço seja a mais
breve possível), o direito real tende a permanecer, e o titular quer
que o direito real permaneça (sou dono de um imóvel e pretende
sê-lo indefinidamente)
A. Tendência a permanência no tempo
• Penteado vai além de Orlando Gomes. Segundo ele, além de não
se poder criar direito real novo, o conteúdo do direito real não
poderia ser modificado pela autonomia privada, de maneira
alguma
B. Taxatividade e tipicidade estrita
• Justamente por ser inerente à coisa, o titular pode perseguir a
coisa com quem estiver, pois mais que ela circule a coisa mantém
sua inerência
C. Inerência e ambulatoriedade
• O direito real não tem efeitos apenas entre os contratantes, como
ocorre geralmente num contrato. Ao contrário, a eficácia é erga
omnes, contra todos, pelo que seu caráter é absoluto
D. Caráter absoluto/eficácia erga omnes
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2. Distinções 
Vale, assim, lembrar dos traços distintivos entre os Direitos Obrigacionais, 
também chamados de Direitos Pessoais, e os Direitos das Coisas, ou chamados 
de Direitos Reais: 
 
 
 
DIREITOS 
REAIS 
DIREITOS 
OBRIGACIONAIS 
OBJETO Coisa Prestação 
SUJEITO 
PASSIVO 
Universal/inexistente Determinado/determinável 
FIM Satisfação por bem Satisfação por conduta 
RELAÇÃO Inerência Interesse 
OPONIBILIDADE Contra todos Entre partes 
TITULAR Um (regra geral) Indeterminado 
TEMPO 
(TENDÊNCIA) 
Perpetuidade Transitório 
PERDA PARCIAL Sequela Indenização 
NÚMERO Clausus (Tipificados) Apertus (Infinito) 
NATUREZA DO 
OBJETO Certo e individualizado 
Determinado ou 
determinável 
Lembre-se, ainda, como falamos na aula sobre o Direito das Obrigações, que 
existem figuras intermediárias entre o Direito Real e o Direito 
Obrigacional, figuras híbridas chamadas de Obrigações Reais, 
Obrigações Mistas ou Obrigações propter rem. 
As obrigações propter rem são aquelas que surgem 
quando o titular de um direito real é obrigado a 
satisfazer alguma prestação pela sua condição de 
titularidade. O direito de quem pode exigir tal 
obrigação é subjetivamente real, vale dizer, não 
importa quem seja o titular da coisa, ele é o devedor 
da prestação, ipso facto (automaticamente: relação de causa e efeito), como 
veremos adiante. 
A responsabilidade independe de quem tenha originado a obrigação (a obrigação, 
portanto, liga-se diretamente à coisa). Temos, como exemplos, o condomínio 
para a coisa de titularidade comum (art. 1.315 do CC/2002), a obrigação de 
manutenção das divisões entre imóveis (art. 1.297, §1º), a manutenção da 
servidão, entre outros. 
Ao lado das obrigações propter rem estão os ônus reais, que são as 
prestações periódicas devidas por aquele que frui do bem, enquanto dele 
desfruta. O exemplo é a renda constituída sobre o imóvel, no qual as rendas 
oriundas de um imóvel são direcionadas a um credor. 
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Não confunda, porém, o ônus real com o direito real 
de garantia, pois neste o devedor tem efetivo direito 
real sobre a coisa, como uma hipoteca, por exemplo, 
em que o devedor hipotecário mantém o direito de 
propriedade sobre a coisa. Naquele, no ônus real, o devedor não possui 
direito real sobre o bem (possuidor ou locatário). 
Igualmente, o ônus real é diferente da obrigação propter rem, pois nesta o 
devedor responde com todo o patrimônio, ao passo que naquela responde apenas 
o bem gravado. Igualmente, a ação movida em relação a uma obrigação propter 
rem a natureza dela é obrigacional (uma ação de cobrança, por exemplo), ao 
passo que no ônus real a natureza da obrigação é real (uma ação de reintegração 
de posse, por exemplo). 
Por fim, ainda temos as obrigações com eficácia real, 
que são diferentes das duas espécies anteriores. Elas 
são verdadeiras obrigações, mas adquirem efeitos 
típicos de um direito real, por força de lei. 
Já vimos algumas dessas situações. O exemplo mais contundente é, talvez, o 
caso do art. 575 do CC/2002, no qual o locatário é credor de uma obrigação do 
locador: a preferência na aquisição do bem. 
No campo dos direitos obrigacionais, se violado meu direito, passo a poder 
exercer minha pretensão processual, exigindo as perdas e danos oriundos do 
inadimplemento. Porém, se eu registro o contrato de locação, com cláusula de 
vigência, na matrícula do imóvel, por exemplo, não tenho apenas esse efeito, 
obrigacional, mas um efeito real: se o locador não me oferecer, posso eu, 
depositando o valor pago pelo terceiro, tomar o imóvel para mim. 
3. Classificação 
Podemos classificar os direitos reais, a depender da situação, em: 
A. Quanto ao domínio da coisa 
1. Jus in re propria 
Corresponde ao direito de propriedade, o direito real por excelência, por constituir 
a síntese de todos os direitos reais (domínio de uma coisa à vontade de seu 
titular). Ele está no art. 1.225, inc. I do CC/2002. 
Tomando a característica da elasticidade dos direitos reais, pode-se dizer que a 
propriedade é “o maior dos elásticos”, ou seja, ela conjuga todos os poderes 
proprietários, porque constitui o direito real pleno. O art. 1.231 do CC/2002 deixa 
isso bem claro, ao dispor que: 
A propriedade presume-se plena e exclusiva, até prova em contrário. 
A propriedade possui em si todos os direitos reais, todas as faculdades, 
os poderes reais: o poder de usar, o poder de gozar/fruir, o poder dispor 
e o poder de reaver. É o que dispõe o art. 1.228: 
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O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do 
poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. 
2. Jus in re aliena 
Também chamados de direitos limitados em contraposição à 
propriedade, ilimitada. Correspondem aos demais incisos do art. 1.225, mas 
vão além, como a constituição de renda sobre imóvel, não prevista no CC/2002. 
Já o direito real sobre coisa alheia é limitado, ou seja, 
não possui em si todas aquelas características, mas 
apenas figuras parcelares. Assim, por exemplo, retira-se 
o usar do direito de propriedade e cria-se um direito real de uso; retira-se o usar 
e o gozar, cria-se o usufruto. 
Essas limitações variam em extensão e intensidade, 
podendo ser constituídos diversos direitos reais sobre 
uma mesma coisa, até o ponto de quase esvaziarcompletamente a propriedade e os poderes proprietários. 
As limitações podem ser temporárias e perpétuas. Os institutos do 
aforamento e da enfiteuse são típicos exemplos de limitações perpétuas. Porém, 
o CC/1916 já limitou a enfiteuse, a CF/1988, no art. 49 do ADCT abriu a 
possibilidade de sua extinção e o CC/2002 deixou de trazê-la ao rol dos direitos 
reais. O art. 2.038 do CC/2002 assim estabelece: 
Fica proibida a constituição de enfiteuses e subenfiteuses, subordinando-se as existentes, 
até sua extinção, às disposições do Código Civil anterior e leis posteriores. 
Atualmente, as enfiteuses e aforamentos têm importância para os imóveis 
litorâneos, pois eles ainda pagam o laudêmio, o foro e a taxa de ocupação, se 
situados a 33 metros da média das marés no ano de 1831 (terrenos de marinha) 
ou aterrados (acrescidos). Ou seja, o “dono” desses imóveis é, em verdade, a 
Marinha, tendo os titulares um direito real perpétuo, mas não a propriedade. 
Os direitos reais sobre coisa alheia também são classificados em: 
i. Acessórios: penhor, anticrese e hipoteca; 
ii. Principais: os demais. 
Ou, ainda, em: 
i. subjetivamente pessoais: pertencem a pessoa determinada e certa 
(usufruto: o usufrutuário não muda, é insubstituível); 
ii. subjetivamente reais: independem do titular, em cada momento (servidão: 
não importa quem é o proprietário, ela subsiste). 
B. Quanto ao objeto 
A. Mobiliários 
Recaem sobre coisas móveis; 
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B. Imobiliários 
Recaem sobre coisas imóveis. Os imobiliários estão 
sujeitos a registro público e somente 
excepcionalmente os móveis precisam, como no caso 
dos automóveis. Igualmente, somente alguns direitos 
reais recaem sobre bens mobiliários (como: propriedade, usufruto e penhor) e os 
demais recaem somente sobre os bens imobiliários. 
Nos casos dos bens imóveis sujeitos a registro, em regra, exige-se que o negócio 
basal (o negócio que dá base à transferência) seja feito por meio de escritura 
pública de compra e venda. 
Há, no entanto, exceções, situações nas quais não se 
exige escritura pública para a transmissão dos bens 
imóveis: 
 
Por sua vez, o art. 215, § 1º do CC/2002 traz os requisitos da escritura pública 
de compra e venda: 
I - data e local de sua realização; 
II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam comparecido 
ao ato, por si, como representantes, intervenientes ou testemunhas; 
III - nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das partes e demais 
comparecentes, com a indicação, quando necessário, do regime de bens do casamento, 
nome do outro cônjuge e filiação; 
IV - manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes; 
V - referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à legitimidade do 
ato; 
VI - declaração de ter sido lida na presença das partes e demais comparecentes, ou de que 
todos a leram; 
VII - assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião ou seu 
substituto legal, encerrando o ato. 
Faz-se necessário, ainda, a apresentação, segundo o Decreto-Lei 93.240/1986: 
A. Art. 108 do CC/2002
• Imóveis de até 30 vezes o maior salário mínimo vigente no país
B. Art. 61, § 5º da Lei 4.380/1964
• Hipotecas do SFH/SFI para casa própria
C. Art. 26 da Lei 6.766/1979 e art. 22 do Decreto-Lei 58/1937
• Compromissos de compra e venda, cessões e promessa de cessão
imobiliária, urbana ou rural
D. CC/2002 e Leis Especiais
• Cédulas pignoratícias e hipotecárias reguladas pelo CC/2002 e cédulas de
crédito reguladas por leis especiais (como a habitacional, rural, industrial,
comercial e de exportação)
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I - os documentos de identificação das partes e das demais pessoas que comparecerem na 
escritura pública, quando julgados necessários pelo Tabelião; 
II - o comprovante do pagamento do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis e de 
Direitos a eles relativos, quando incidente sobre o ato, ressalvadas as hipóteses em que a 
lei autorize a efetivação do pagamento após a sua lavratura; 
III - as certidões fiscais (imóveis urbanos: certidões referentes aos tributos que incidam 
sobre o imóvel; imóveis rurais: Certificado de Cadastro emitido pelo INCRA, com a prova 
de quitação do último ITR); 
IV - a certidão de ações reais e pessoais reipersecutórias, relativas ao imóvel, e a de ônus 
reais, expedidas pelo Registro de Imóveis competente, cujo prazo de validade, para este 
fim, será de 30 dias (porém, isso não exime o vendedor de declarar a existência de outras 
ações relativas ao imóvel ou ônus, sob pena de responsabilidade); 
V - os demais documentos e certidões, cuja apresentação seja exigida por lei. 
Caso alguma das partes não souber ler ou escrever, a 
assinatura será feita a rogo (“a pedido”). Se um dos 
contratantes não fala português e o tabelião não fala 
sua língua, se necessita de tradutor, pois a escritura 
é redigida obrigatoriamente em língua nacional. 
Além disso, outras normas ainda regulam as escrituras públicas, como a Lei 
7.433/1985 e a Lei 6.015/1973, a Lei de Registros Públicos. 
8.2. Posse 
1. Definição e conceito 
Posse é diferente da detenção. A diferença, porém, está na forma como se encara 
a posse, a depender da teoria, como veremos adiante. 
A detenção, podemos dizer desde já, é menos que a 
posse, ou seja, é uma situação de aparente posse, mas 
que não tem elementos necessários para configurá-la. 
Ela é apenas um fantasma, um arremedo de posse, 
fâmulo de posse; parece, mas não é. O CC/2002 estabelece algumas 
situações em que se verifica mera detenção, já que ela se origina: 
 
1) Da ordem de outrem em manter uma "posse", 
mas sem animus de mantê-la (art. 1.198)
2) De atos de mera tolerância do proprietário 
(primeira parte do art. 1.208)
3) Da situação de posse violenta ou clandestina 
(segunda parte do art. 1.208)
==db697==
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2. Teorias 
Os manuais trazem a explicação da teoria subjetivista de Savigny contra a 
explicação objetivista de Jhering, pois estes dois foram os responsáveis por 
construir a noção de posse na Modernidade, tomando por base não a experiência 
europeia, mas o discurso de que o Direito Romano encaminharia as soluções mais 
adequadas. 
Savigny entende que a posse precisa ser protegida 
pela necessidade da proteção da paz social. Para 
tanto, defende que a posse seria formada por dois 
elementos, qual seja o elemento objetivo, o corpus, 
da relação de fato entre o sujeito e a coisa, pela efetiva apropriação pelo 
sujeito da coisa; e o elemento do animus, que seria a intenção de se 
utilizar da coisa como sua, conforme o direito real que o sujeito 
entendesse estar ostentando. 
Justamente por agregar como elemento indispensável da posse esse aspecto 
intencional, o aspecto anímico, é que a teoria de Savigny chama-se de Teoria 
Subjetivista. A posse sem animus, para ele, não seria 
autêntica posse, mas mera detenção ou um fâmulo de 
posse. Savigny vincula a posse à propriedade. 
No entanto, a teoria de Savigny criava um enorme inconveniente, pois, de um 
lado, justificava posses que não deveriam ser protegidas e não justificava posses 
que deveriam ser protegidas. Assim, por exemplo, o ladrão soma os dois 
elementos, já que tem a coisa consigo e tem intenção de se tornar dono dela; no 
entanto, sua posse, injusta, não deveria ser protegida. De outro lado, o locatário 
não tem o elementosubjetivo, já que não possui a coisa como se sua fosse, mas 
deve ter proteção possessória, seja contra terceiros, seja contra o próprio 
locador, proprietário. 
Jhering lança a segunda grande obra sobre posse e questiona Savigny, no 
seguinte sentido: analisando a experiência romana, nunca um pretor romano 
teria feito análise da intenção para deferir ou indeferir um interdito possessório. 
Não que se negue a existência do elemento intencional, mas ele se 
encontra contido na própria noção de corpus, que é o 
exercício de fato dos poderes atinentes à propriedade 
em relação à coisa. Para haver posse, portanto, 
bastaria o elemento objetivo do corpus. 
Para Jhering, o fundamento da proteção possessória 
não seria a paz social, mas a proteção da própria 
propriedade. Justamente porque a posse é a 
exteriorização da propriedade, a proteção da posse seria a melhor 
maneira de proteger a propriedade, tutelando o proprietário nas 
situações em que o domínio é de difícil comprovação imediata. 
Claro que Jhering enxerga que se pode proteger um possuidor que não é 
proprietário, mas numa análise econômica, mais vale arcar com as situações de 
proteção de um possuidor que não é proprietário para em geral poder proteger 
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os proprietários por intermédio da posse. Por isso, diz ele, o proprietário é o 
possuidor presuntivo (por presunção). 
Pela distinção mais clara entre a posse e a detenção 
é possível visualizar mais claramente a diferença 
entre posse direta e posse indireta. Por um contrato 
ou por um direito real sobre coisa alheia, seria possível bifurcar a posse, 
entre a posse direta, daquele que mantém o poder fático sobre a coisa, 
e a posse indireta, daquele que detém a propriedade. 
Desde o CC/1916 ao atual CC/2002, a doutrina e a legislação procuram se 
adequar à doutrina de Jhering. É flagrante a tentativa do 
CC/2002 de se apagar eventuais resquícios de uma 
teoria subjetivista, pelo que adotou, expressamente, 
a teoria de objetivista Jhering no art. 1.196: 
Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum 
dos poderes inerentes à propriedade. 
Nesse sentido, a proteção da propriedade por meio da posse se expressa em três 
momentos: na definição da posse (art. 1.196), nos mecanismos de aquisição de 
posse (art. 1.204) e nos meios de perda da posse (art. 1.223). Esses três 
momentos visam demonstrar como a posse é uma exteriorização da propriedade. 
Assim, em regra, a posse é encarada como fato, mas eventualmente ela 
é vista como direito. Pontes de Miranda soluciona tal problema dizendo que 
posse é fato, é suporte fático, todavia, que compõe diversos fatos jurídicos. Ela, 
solitariamente, é apenas fato. A posse atrelada ao tempo pode gerar a formação 
do fato jurídico da usucapião. A posse atrelada à violência por terceiros pode 
gerar a pretensão à manutenção da posse. Ou seja, só existiriam efeitos jurídicos 
decorrentes de fatos jurídicos e, se há menção sobre o jus possessiones, é porque 
ela serviu de suporte fático para a conformação de determinado fato jurídico do 
qual decorrem direitos, pretensões, ações, exceções. 
3. Função social 
O ordenamento jurídico brasileiro não tem tratamento 
específico legal sequer para a função social da posse. 
Tanto a CF/1988 quanto o CC/2002 passaram ao largo da 
funcionalização da posse, ao contrário do que ocorreu com a função social da 
propriedade, esta claramente contida tanto em sede constitucional quanto no 
ordenamento infraconstitucional. 
No entanto, isso não impedia o reconhecimento, pela doutrina, da funcionalização 
da posse já antes mesmo da CF/1988. Com ela, porém, a posse ganha força no 
ordenamento, muito em razão da função social da propriedade. 
A posse traz riqueza ao estatuto jurídico das titularidades, eis que, em que pese 
tradicionalmente se entendê-la meramente como fato, para parte dos autores há 
de se vê-la também como direito. Além disso, a posse é suporte fático de variados 
institutos jurídicos de direito das coisas, e não apenas relativamente à 
propriedade. 
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Quanto à propriedade, a posse pode servir, de um lado, como elemento 
de reforço. Isso porque o proprietário que possui a coisa reforça sua 
propriedade, seja exercendo a posse direta ou indiretamente, como veremos 
mais adiante. Por outro lado, porém, a posse serve como mitigação da 
propriedade, nas situações nas quais o proprietário não exerce posse, 
ainda que indiretamente. 
A posse alheia, inclusive, é fundamento, de fato, como suporte fático, para a 
composição da usucapião. Somada ao tempo, a posse tem variados efeitos 
jurídicos relevantes. 
Além disso, a posse serve como suporte fático não 
para extinção ou aquisição de direito real, mas para 
sua manutenção. Exemplo evidente é relativo à servidão; 
aquele que tem direito real de servidão deve exercer posse sobre a área que lhe 
serve, sob pena de extinção da servidão, pelo não uso. A posse, portanto, é forma 
de exteriorização da própria servidão, mantendo-a. A não-posse, ao contrário, dá 
causa à extinção da servidão. 
A doutrina, então, trata inicialmente da função social da posse, aos moldes da 
função social da propriedade (e do contrato e da 
empresa...). Em que pese não ser textual, entende-se 
que ela esteja positivada na CF/1988 implicitamente, 
em decorrência da função social da propriedade. 
Essa compreensão deriva do movimento de funcionalização dos institutos 
jurídicos privados de cunho patrimonial. Em que pese se tratarem de institutos 
tipicamente patrimoniais, o contrato, a propriedade, a empresa – e a posse – 
devem também ser funcionalizados para o atendimento dos anseios sociais, 
especialmente para que se alcancem os objetivos constitucionalmente previstos. 
Os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil são 
bastante claros, como se extrai do art. 3º, incisos: 
 
Para que se consiga erradicar a pobreza, parte-se de 
uma construção solidária da sociedade, que importa 
em, por vezes, dar primazia à posse em detrimento da 
propriedade, quando o proprietário registral não 
torna sua propriedade apta ao cumprimento dos ditames sociais. 
I - construir uma sociedade livre, 
justa e solidária
II - garantir o desenvolvimento 
nacional
III - erradicar a pobreza e a 
marginalização e reduzir as 
desigualdades sociais e regionais
IV - promover o bem de todos, sem 
preconceitos de origem, raça, sexo, 
cor, idade e quaisquer outras 
formas de discriminação
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Assim, o proprietário de larga extensão de terras que não a torna produtiva, não 
a funcionaliza para o desenvolvimento nacional; ao contrário, emperra-o ao 
impedir que área agricultável seja utilizada adequadamente, aumentado a 
produção de gêneros alimentícios e sua consequente redução de preço no 
mercado. Igualmente, como não circula a propriedade, ele faz com que o preço 
da terra seja elevado, em vista da redução da oferta de área, o que faz com que 
os gêneros alimentícios tenham preço mais elevado. 
O proprietário de imóvel urbano, ao não edificar nos parâmetros mínimos, faz 
com que o imóvel se torne alvo de criminalidade, fazendo com que os imóveis 
vizinhos sejam desvalorizados. Igualmente, faz subir os preços dos aluguéis, pela 
redução do número de imóveis aptos à locação. A municipalidade tem de manter 
serviços – iluminação pública, passagem de dutos, policiamento etc.– custeados 
pela população em uma área não aproveitada. 
Numa ou noutra situação, os ônus são gerais, travando o cumprimento 
dos objetivos constitucionais. A posse, portanto, possui evidente função 
social, desde um nível mais individual (a desvalorização dos imóveis vizinhos 
a outro abandonado), passando por níveis locais (custo de manutenção de 
serviços em áreas desocupadas), até níveis mais amplos (como no caso do 
sobrepreço de alimentos pela redução de área agricultável). 
A doutrina aponta alguns dispositivos como fundamento à função social da posse. 
O art. 1.238, parágrafo único do CC/2002 estabelece que o prazo estabelecido 
para a usucapião extraordinária será reduzido a 10 anos se o possuidor houver 
estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou 
serviços de caráter produtivo. 
Veja-se que aí é possível identificar a funcionalização 
da posse, e não da propriedade. A função social da 
propriedade está bem estabelecida no caput, que permite a 
aquisição da propriedade por aquele que lhe dá uso, que a torna funcional. O 
parágrafo único vai além, estabelecendo que caso essa posse não seja uma 
posse qualquer, mas uma posse funcionalizada, pode-se reduzir o prazo 
da pretensão aquisitiva. 
Assim, se o possuidor, para além de possuir, possui a 
coisa e nela estabelece sua moradia habitual, está 
funcionalizando a posse. Socialmente, possuir para 
morar é algo que cumpre os objetivos constitucionais. 
A posse, aqui, é socialmente funcionalizada em prol 
da moradia, que é um direito social constitucional expressamente 
resguardado pelo art. 6º da CF/1988. 
Igualmente, aquele que possui a coisa “realizado obras ou serviços de caráter 
produtivo” possui o bem imóvel com uma qualificação social. Não apenas possui, 
como poderia fazer, mas possui E torna a coisa produtiva. Tornar a coisa 
produtiva é também funcionalizar socialmente a posse, é qualificar essa posse, 
que poderia ser mera posse sem qualificação especial. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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No mesmo sentido vai o art. 1.242, parágrafo único, que qualifica a posse daquele 
que tenha “realizado investimentos de interesse social e econômico”. A posse 
aqui é funcionalizada, já que a sociedade também ganha quando o 
possuidor realiza investimentos de interesse social e econômico. 
A função social da posse, portanto, é uma espécie de “ganha-ganha”, já que 
quando o possuidor funcionaliza sua posse, ganha (pois uma coisa produtiva é 
melhor que uma não produtiva, economicamente falando), mas também ganha 
a sociedade (já que a produção será economicamente mais interessante para 
toda a comunidade). 
Podemos identificar, em linhas gerais, que a 
funcionalização da posse se dá, em relação à 
sociedade, em dois eixos: o trabalho e a moradia. 
Essas parecem ser as diretrizes principais do que se 
entende por “social” da função da posse. 
Os dispositivos legais orbitarão em torno desses dois elementos para 
funcionalizar a posse, ainda que nem sempre, como no caso do art. 10 da Lei 
10.257/2001 (Estatuto das Cidades). Ainda que a previsão tivesse por base a 
moradia, anteriormente à Lei 13.465/2017, é de se ver que a funcionalização da 
posse, nesse caso, se dá pela perspectiva de regularização das áreas, 
notadamente depois dessa Lei. 
Qualificar a posse pela moradia ou pelo trabalho já é um ganho social. 
Qualificá-la mais, com base na perspectiva de regularização ou 
urbanização de uma área informal, geralmente favelizada, é socialmente 
ainda mais relevante. Seja numa perspectiva mais egoística (áreas 
urbanizadas tendem a ter menos “gatos” que áreas favelizadas, pelo que o custo 
da minha energia elétrica tende a cair), seja numa perspectiva mais solidária (a 
qualidade de vida das pessoas desse local tende a melhorar expressivamente). 
Ainda que a funcionalização tenha evidente perspectiva econômica, seu objetivo 
vai além, qual seja o cumprimento dos objetivos constitucionais. A função social, 
por vezes, pode ter impacto econômico negativo, seja para o possuidor que não 
possui, pela possibilidade de ter a área desapropriada ou mesmo usucapida, seja 
para a sociedade, numa perspectiva de redução da segurança jurídica 
proprietária. 
Isso, porém, é irrelevante, porque o objetivo maior é 
funcionalizar a posse em prol da sociedade, no 
cumprimento dos objetivos que o constituinte se 
propôs em 1988. 
4. Modalidades 
A. Composse 
Em regra, o objeto da posse tem de ser exclusivo, pela própria natureza 
da posse. Porém, nada impede que o domínio sobre uma coisa seja 
comum a mais de uma pessoa, de modo pro indiviso. 
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A composse não se confunde com o desdobramento 
entre posse direta e indireta (o proprietário é possuidor 
indireto da coisa locada, enquanto o locatário detém a posse 
direta); ou seja, possuidores direto e indireto não possuem composse (aqui, o 
grau de posse é que varia, pois um dos possuidores fica privado da coisa). 
A composse exige que todos possam utilizar a coisa 
diretamente, sem excluir os demais, segundo o disposto 
no art. 1.199 do CC/2002, pelo que diversos possuidores 
podem exercer a posse simultaneamente. Ou seja, ela 
é semelhante ao condomínio, onde todos são proprietários 
de uma cota abstrata da coisa, de modo pro indiviso. 
Assim, cada um e qualquer um dos compossuidores 
pode praticar os atos possessórios para defesa do 
objeto comum. Extinta a relação jurídica originária ou 
o estado de indivisão da coisa, cessa a composse, 
como ocorre, por exemplo, na partilha dos bens dos 
herdeiros e na dissolução da sociedade matrimonial. 
 
2013 – CESPE – AGU – Procurador Federal 
Quando o proprietário de um bem imóvel, efetivando uma relação jurídica 
negocial com terceiro, transfere-lhe o poder de fato sobre esse bem, ocorre 
a composse, de forma que qualquer dos dois poderá defender a posse contra 
terceiros. 
Comentários 
O item está incorreto, pois a composse exige que todos os titulares possam 
utilizar a coisa diretamente, sem exclusão, o que não ocorre numa transferência 
dos poderes proprietários. 
B. Espécies de posse 
 
1. Quanto ao vício objetivo
• Classificação adotada pelo art. 1.200 do CC/2002, que considera a
aquisição da posse de modo lícito ou ilícito:
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A análise da (in)justiça da posse é objetiva. Não se questiona a vontade do 
possuidor, basta analisar se houve violência, clandestinidade ou precariedade. E 
ponto. Veja-se, porém, que a posse em si não é (in)justa; o vício trata da vítima 
do ato, pelo que somente ela pode arguir a injustiça, jamais terceiro. Por isso, 
o próprio possuidor injusto pode defender a posse contra terceiros, 
inclusive se valendo dos interditos; estará ele desamparado apenas em 
face da vítima. 
Ademais, atente para não confundir a posse precária 
com a detenção (ato de tolerância). Na posse 
precária, o possuidor tivera outorgada a posse, mas 
passou a abusar dela. Por exemplo, emprestei, via 
comodato, meu imóvel, com prazo; chegado o prazo, o comodatário não devolve, 
configurando-se a posse precária. Ao contrário, na detenção, não há negócio 
jurídico prévio a outorgar a posse à pessoa. Por exemplo, meu colega pega, em 
minha mesma, meu Vade Mecum emprestado, sem que eu me manifeste; não há 
posse, mas mera detenção, porque eu apenas tolerei que ele o fizesse, mas não 
entabulei comodato. 
Já na posse de boa ou má-fé, aí sim, analisa-se o elemento anímico,necessita-
se avaliar a vontade do agente. 
 
A. Posse justa
• Se for adquirida por
meios legalmente
admitidos, a posse é
justa, ou seja, posse
conforme o Direito.
• Ela é justa quando não
maculada pela violência,
clandestinidade ou
precariedade.
• Tem de ser pública (para
que o interessado em
sua extinção tome as
medidas possessórias) e
contínua (exercício de
modo manso e pacífico).
B. Posse injusta
• Ao contrário, aquela
adquirida de modo violento,
clandestino ou precário.
• Posse violenta é aquela
adquirida por força, mediante
a prática de atos irresistíveis.
• Posse clandestina é aquela
obtida às escondidas, usando
de artifícios para enganar o
possuidor.
• Posse precária, por sua vez,
se obtém por abuso de
confiança, sem que fosse
restituída a coisa devida.
2. Quanto ao vício subjetivo
• A posse depende de avaliação do estado anímico do possuidor. Em regra,
entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida,
segundo estabelece o art. 1.203 do CC/2002:
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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Segundo Venosa, a boa-fé se equipara ao erro, daí sua vinculação com a 
ignorância. No entanto, sempre se a analisa subjetivamente. Segundo Pontes 
de Miranda, há má-fé quando o possuidor está convencido de que sua 
posse não goza de legitimidade jurídica, mas, ainda assim, se mantém 
na posse da coisa. Aqui, mais uma vez, é necessário apelar para a noção 
de homem médio. 
Não há coincidência entre posse justa e de boa-fé e 
posse injusta e de má-fé. Se adquiriu a posse de alguém 
que a adquiriu com violência, terá posse de boa-fé, mas 
injusta; pode ter adquirido a posse de má-fé, conhecendo o vício, mas sem 
violência, clandestinidade ou precariedade. 
 
2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado 
O possuidor de boa-fé: 
(A) é aquele cuja posse não é precária. 
(B) tem direito à indenização das benfeitorias necessárias, úteis e 
voluptuárias. 
(C) não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. 
(D) tem direito de retenção quanto às benfeitorias, mas não tem direito aos 
frutos percebidos. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, já que boa-fé e justeza não se confundem. A 
posse não-precária caracteriza a posse justa, mas não necessariamente de boa-
A. Posse de boa-fé
• O possuidor ignora o
obstáculo que impede a
aquisição da coisa, nos
termos do art. 1.201 do
CC/2002. Ou seja, a
boa-fé é negativa,
ignorância, não positiva,
convicção. Pode ser:
• i. real: apoiada em 
elementos evidentes que 
não deixam dúvida;
• ii. presumida: quando 
possui justo título (art. 
1.201, parágrafo único).
B. Posse de má-fé
• Mesmo conhecendo o vício,
possui.
O estado de dúvida não
induz, necessariamente, a
má-fé; deve haver culpa
grave para caracterizá-la
(erro inescusável).
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fé (posso possuir sabendo do vício de minha posse, mas possuo sem ser de 
maneira violenta, precária ou clandestina. 
A alternativa B está incorreta, como veremos mais adiante, havendo direito de 
indenização quanto às duas primeiras e de levantamento quanto à última, se 
possível sem causar dano à coisa. 
A alternativa C está correta, de acordo com o art. 1.217: “O possuidor de boa-
fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa”. 
A alternativa D está incorreta, pois há direito aos frutos percebidos ao possuidor 
de boa-fé, mas não aos percipiendos ou pendentes. 
Mas, e a posse de má-fé ou a posse injusta se 
manterão sempre de má-fé ou injusta? A rigor, o art. 
1.203 estabelece uma presunção relativa. Presume-se 
que a posse se manterá no mesmo estado no qual se 
iniciou. 
No entanto, pode ocorrer que a posse de boa-fé se transmute em de má-
fé se o possuidor passar a não mais ignorar o vício, seja judicialmente 
(como através de citação de uma ação de reintegração), seja 
extrajudicialmente (por exemplo, aparece o proprietário com a matrícula do 
imóvel em mãos), a teor do art. 1.202 do CC/2002. 
Pode ocorrer igualmente que a posse injusta se transforme em posse 
justa. Nesse caso, haverá a chamada interversão, qual seja o fenômeno por meio 
do qual o mero detentor torna-se verdadeiro possuidor. Isso ocorrerá, por 
exemplo, quando o detentor celebra contrato de locação com o proprietário. 
Na prática, é muito difícil estabelecer quando houve essa passagem, que terá 
consequências importantes, inclusive para a usucapião. No caso do conhecimento 
do vício extrajudicialmente, as circunstâncias têm de ser notórias, segundo 
Orlando Gomes. 
d
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O possuidor indireto confia a coisa a outrem por certo tempo, dispondo 
de seu poder proprietário. Mas não é apenas o possuidor (em sentido 
estrito) quem detém a posse direta, mas todo aquele 
que detém alguma forma de posse autônoma 
(usufrutuário, usuário, locatário, depositário, tutor, 
inventariante), consubstanciada em algum direito real sobre 
coisa alheia ou direito pessoal de uso e/ou gozo. 
Trata-se de uma ficção jurídica, mas de importância prática, conforme se vê no 
art. 1.197 do CC/2002: 
A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de 
direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. 
 
2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto 
Assinale a alternativa correta a respeito da disciplina da Posse no Código 
Civil. 
a) Considera-se possuidor todo aquele que tem de direito o exercício, pleno 
ou não, de algum dos direitos inerentes à propriedade. 
3. Quanto ao desdobramento da posse
• Consequência da teoria objetiva de Jhering, utilizada pelo Direito
brasileiro. Podem existir, portanto, duas relações de posse sobre a coisa,
sem que elas se anulem:
A. Posse direta
• Aquele que detém o
domínio, detém a posse
direta. Em geral, o
proprietário é também
possuidor direto. Mas
nem sempre.
• O possuidor indireto
pode defender
autonomamente sua
posse, mesmo contra o
possuidor direto, se for
turbado na posse (art.
1.197 do CC/2002).
É o caso, por exemplo,
do locador que tenta um
“despejo extrajudicial”;
o locatário pode exercer
uma reintegração de
posse em face do
locador, nesse caso.
B. Posse indireta
• O proprietário, ainda que
limitadamente, detém a
posse indireta da coisa,
mesmo que não a detenha,
não a tenha consigo ou não a
utilize.
É o caso do locador, que não
detém a posse direta, mas,
por causa do direito de
propriedade, detém posse
indireta.
b
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b) A posse direta anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. 
c) Considera-se possuidor indireto aquele que, achando-se em relação de 
dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em 
cumprimento de ordens ou instruções suas. 
d) Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, pode cada uma exercer 
sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros 
compossuidores. 
e) É justa a posse, se o possuidor ignora o vício ou o obstáculo que impede 
a aquisição da coisa. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 1.196: “Considera-se 
possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algumdos 
poderes inerentes à propriedade”. 
A alternativa B está incorreta, segundo o art. 1.197: “A posse direta, de pessoa 
que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, 
ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor 
direto defender a sua posse contra o indireto”. 
A alternativa C está incorreta, conforme o art. 1.198: “Considera-se detentor 
aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a 
posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. 
A alternativa D está correta, na literalidade do art. 1.199: “Se duas ou mais 
pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos 
possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores”. 
A alternativa E está incorreta, na dicção do art. 1.201: “É de boa-fé a posse, se 
o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. 
5. Aquisição, transmissão e perda 
Os modos de aquisição, transmissão e perda da posse que estudaremos se 
referem às coisas, porque o Direito das Coisas tradicionalmente estão ligados às 
coisas corpóreas, notadamente as coisas imóveis, em específico a terra, aos bens 
de raiz. 
Os modos de aquisição, transmissão e perda da posse, 
no tocante aos direitos, tem disciplina distinta, 
relacionando-se com o seu exercício. Adquire-se, por 
exemplo, exercendo, como ao tomar posse no emprego público ou criar obra 
literária; transmite-se, repassando o seu exercício, como a faixa presidencial ou 
pela cessão de direito autoral; perde-se pela impossibilidade de exercê-lo ou 
decorrido o tempo para prescrever, como no caso da não utilização de uma 
servidão. 
6
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5.1. Modos de aquisição da posse 
O CC/1916 enumerava os casos em que havia aquisição da posse. Porém, essa 
orientação contrariava a ratio do Código, que trata da posse como fato. Se é 
fato, não se pode descrever o modo como os fatos 
ocorrerão, desde que o sujeito exercesse algum dos 
poderes inerentes à propriedade, havia posse. O 
CC/2002 corrigiu essa distorção no art. 1.204, 
aperfeiçoando sua racionalidade, que assim dispõe: 
Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome 
próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade. 
A posse se inicia, portanto, desde o momento em que começa seu exercício como 
decorrência da propriedade, em nome próprio. Em regra, igualmente, a posse do 
imóvel presume a posse dos móveis nele insertos (art. 1.209 do CC/2002). 
Os modos de aquisição se subdividem em: originários e derivados. 
 
Pode-se adquirir a posse: 
 
Além disso, quando possuo determinado bem imóvel presume-se, 
relativamente, segundo o art. 1.209, que também possuo as coisas móveis 
que nele estiverem. 
• Adquire-se quando não é necessário consentimento do possuidor
precedente
• Não há mais rol taxativo dos modos originários, mas o modo
mais comum é a usucapião
1. Originários:
• Adquire-se quando há consentimento do possuidor precedente
• Dá-se com a tradição, seja efetivamente (entrega de fato da
coisa, como na compra de um celular), seja simbolicamente
(simboliza-se a tradição, como a entrega das chaves dos
imóveis)
2. Derivados:
• Art. 1.205, inc. I
A. Pelo próprio sujeito
• No caso de incapazes, p.ex.
• Art. 1.205, inc. I
B. Por representante ou procurador
• Tem de ratificar, obrigatoriamente
• Art. 1.205, inc. II
C. Por terceiro sem procuração
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5.2. Modos de transmissão da posse 
Em regra, a posse adquire-se pelo próprio sujeito, sem transmissão. Não 
obstante, pode haver sucessão das posses de diferentes possuidores. 
Vale mencionar que a posse se transmite ao sucessor 
lato sensu com os mesmos caracteres, segundo dispõe 
o art. 1.203. Há, no caso, presunção relativa, que admite 
prova em contrário. Assim, se meu pai possuía 
violentamente, transmite-se a posse a mim de maneira violenta; se possuía de 
boa-fé, sou também possuidor de boa-fé. 
A mesma regra vale para a detenção, inclusive. De 
acordo com o art. 1.198, parágrafo único, aquele que 
começou a comportar-se como detentor, em relação 
ao bem e à outra pessoa, presume-se igualmente detentor, até que prove 
o contrário. 
São duas as hipóteses de transmissão da posse: 
 
Repetindo a regra do art. 1.203, o art. 1.206 estabelece que a posse se transmite 
aos herdeiros e legatários com os mesmos caracteres. Regra especial óbvia em 
face da regra geral. 
No entanto, no caso de sucessão causa mortis, o CC/2002 
estabelece uma peculiaridade. No primeiro caso, de 
sucessão universal (herança), a transmissão da posse 
é obrigatória; no segundo, de sucessão singular 
(legado), a transmissão é facultativa. 
Venosa estabelece que apesar de o art. 1.206 parecer tratar apenas dos 
casos de sucessão mortis causa, vale também para a transmissão inter 
vivos. Assim, adquirida a casa, a título singular, pode-se optar por unir a posse 
atual à anterior, ou não; no caso de “aquisição da PJ” (compra “porteira fechada” 
do estabelecimento), a sucessão, a título universal, ensejaria a união forçosa da 
posse. 
A principal utilidade da transmissão das posses é na usucapião, na qual 
a posse deve ser somada ao tempo (ambas devem ser contínuas e pacíficas). 
Por isso, por vezes, é melhor ao possuidor novo não unir sua posse com a posse 
A. Sucessão
• Sucessão universal
• Quando os herdeiros continuam na posse dos bens herdados (art. 1.206
do CC/2002, como no caso de herança, por exemplo)
B. União
• Sucessão singular
• Quando alguém transfere, por uma relação jurídica, a posse a outrem,
pelo que suas posses se unem (art. 1.207, como na compra e venda ou
no legado)
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do anterior, já que os prazos para a usucapião em não havendo boa-fé ou no 
caso de posse injusta, por exemplo, são bem maiores. 
5.3. Modos de perda da posse 
Novamente, o CC/1916 enumerava os casos em que havia perda da posse. 
Porém, essa orientação contrariava a ratio do Código, que trata da posse como 
fato (se é fato, não se pode descrever o modo como os fatos deixarão de ocorrer). 
O CC/2002 corrigiu essa distorção no art. 1.223, aperfeiçoando sua racionalidade. 
A posse se perde, portanto, desde o momento em que 
cessa o poder do possuidor sobre a coisa, ainda que 
contra sua vontade. Porém, se exige que o possuidor 
saiba da perda; se não presenciou a perda, só se 
considera perdida a posse quando, tendo notícia dela, se abstém o 
possuidor de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente 
repelido, pela dicção do art. 1.224. 
Os modos de perda se subdividem em três categorias, a depender da perda do 
corpus, do animus ou de ambos, segundo a doutrina. Veja-se que, nesse caso, 
ainda se utiliza da teoria subjetiva de Savigny. 
 
 
 
 
• O possuidor, portanto, deixa intencionalmente de deter a coisa.
Nesses casos, a posse se perde por:
1) Ausentes corpus e animus
A. Abandono (derelictio)
• Joga fora a coisa,
intencionalmente; não é perder,
mas, abandonar
B. Tradição
• Caso em que há perda da posse
e, simultaneamente, aquisição da
posse para os contratantes
• Ocorre quando certos fatos impedem a posse, contra a vontade do
possuidor, e somente quando há impossibilidade de utilização da
coisa. Se, ainda que potencialmente o poder existe, mantém-se a
posse. São os casos de:
2) Ausente corpus
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Exemplo é a situação do sujeito de aliena a casa, para 
levantar dinheiro para um negócio e se torna locatário 
do novo proprietário. Perde a posse (direta), adquirindo 
posse indireta, apenas. 
6. Proteção possessória 
A doutrina é unânime em reconhecer efeitos à posse, mas discorda em relação a 
quais são eles. Duas correntes majoritárias se dividem. 
Segundo a corrente da unicidade, a posse tem um 
único efeito, que é induzir a presunção de 
propriedade. Essa corrente é oriunda daqueles que entendem a posse 
como exteriorização da propriedade. 
Segundo a corrente da pluralidade, a posse tem vários efeitos. Essa corrente é 
oriunda tanto de teses que defendem a posse como fato quanto das que a 
defendem como direito. De acordo com Orlando Gomes, a posse tem 7 efeitos 
principais: 
A. Perda da coisa
• Aqui sim, perda da coisa
propriamente dita
B. Destruição
• Somente nos casos de terceiro,
caso fortuito ou força maior. Se o
próprio sujeito destrói, há perda
do corpus e animus
A destruição deve ser total
(perecimento não transitório)
C. Posse de outrem
• Privação da coisa contra a
vontade do possuidor (esbulho
cuja reintegração não foi
efetivada em ano e dia)
D. Inutilização econômico-jurídica
• Quando a coisa é posta fora do
comércio pelo Direito, mesmo que
contra a vontade do possuidor
• Nesse caso, passa o possuidor a exercer a posse em nome alheio,
pelo que a posse se perde através do constituto possessório. Esse
é um modo especial de tradição da coisa, em que o sujeito deixa
de possuir a coisa em nome próprio para o fazer em nome alheio,
transferindo-lhe a posse indireta. Ou seja, a transferência, a
tradição, da coisa é meramente ficta.
3) Ausente animus
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O possuidor tem direito a proteger sua posse independentemente da qualidade 
da posse. O CC/2002 disciplina a defesa da posse no art. 1.210, caput e 
parágrafos. São, segundo Orlando Gomes, as ações de manutenção de posse, 
reintegração de posse e o interdito proibitório. 
A proteção possessória é geralmente feita por instrumentos chamados interditos; 
apenas excepcionalmente há tutela para a autodefesa da posse, em 
casos de agressão à posse que exija ação pronta, enérgica e imediata 
(desforço possessório). Nesses casos, o possuidor turbado, ou esbulhado, pode 
manter-se ou restituir-se por sua própria força, desde que o faça logo. De 
qualquer forma, os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do 
indispensável à manutenção, ou restituição da posse. 
Em alguns casos, não há verdadeira proteção possessória, mas da propriedade 
(já que ainda vige a compreensão de que a posse é mera exteriorização da 
propriedade, e não direito autônomo). A doutrina se divide quanto ao número de 
interditos. Orlando Gomes, por exemplo, oferece um rol mais extenso, incluindo 
alguns não acolhidos por grande parte dos autores (ação de nunciação de obra 
nova, ação de dano infecto e embargos de terceiro senhor e possuidor) e um 
instituto rechaçado por alguns (ação de imissão na posse). 
De qualquer forma, o §2º do art. 1.210 estabelece que não 
obsta à manutenção ou reintegração na posse a 
alegação de propriedade, ou de outro direito sobre a 
coisa. Ou seja, numa ação possessória discute-se a posse, 
sendo que a propriedade é lateral, apenas. 
 
2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado 
Em relação à posse analise as seguintes assertivas: 
I. O possuidor de má-fé responde, em qualquer caso, pela deterioração da 
coisa, salvo se acidental. 
II. A posse é transmitida ao legatário do possuidor com as mesmas 
características da posse originária. 
III. É de boa-fé a posse adquirida pelo possuidor que ignora o obstáculo que 
impede a aquisição da coisa. 
IV. A alegação de propriedade não impede a reintegração na posse. 
Quais estão corretas? 
A) Apenas I e IV. 
 B) Apenas II e III. 
• Presente no art. 1.210 do CC/2002
I) Direito aos interditos
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C) Apenas I, II e III. 
D) Apenas I, II e IV. 
E) Apenas II, III e IV. 
Comentários 
O item I está incorreto, na forma do art. 1.218: “O possuidor de má-fé responde 
pela perda, ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que 
de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante”. 
O item II está correto, consoante regra do art. 1.206: “A posse transmite-se aos 
herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos caracteres”. 
O item III está correto, conforme estabelece o art. 1.201: “É de boa-fé a posse, 
se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. 
O item IV está correto, de acordo com o art. 1.210, § 2º: “Não obsta à 
manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro 
direito sobre a coisa”. 
A alternativa E está correta, portanto. 
No caso de haver mais uma pessoa que alegue ser possuidora, prevê o art. 
1.211 que será mantida provisoriamente na posse a que tiver a coisa, se 
não estiver manifesto que a obteve de alguma das outras por modo vicioso 
(violência, clandestinidade ou precariedade). Por isso, o possuidor pode intentar 
a ação de esbulho, ou a de indenização, contra o terceiro, que recebeu a coisa 
esbulhada sabendo que o era. 
O art. 1.213 estabelece que essas regras se aplicam às servidões aparentes, mas 
não às servidões não aparentes. A exceção fica por conta dos casso em que os 
respectivos títulos provierem do possuidor do prédio serviente, ou daqueles de 
quem este o houve. 
 Os frutos podem ser: pendentes (ainda não separados da 
coisa principal), percebidos (colhidos), percipiendos 
(poderiam já ter sido colhidos, mas não foram) e colhidos por 
antecipação (não poderiam ser colhidos, mas já o foram). 
Analisa-se os frutos à época da cessação da boa-fé. Pertencem os frutos ao 
possuidor de boa-fé, desde que a percepção ocorra antes de sua 
cessação. Por isso, os frutos percipiendos quando cessação da boa-fé (portanto, 
percebidos, colhidos, depois de cessada a boa-fé) e os frutos colhidos por 
antecipação devem ser restituídos, deduzindo-se as despesas de produção e 
custeio. 
Os produtos devem ser restituídos. Ao possuidor de 
má-fé, restituem-se apenas as despesas de produção 
e custeio dos frutos percebidos ou colhidos por 
•Presente no art. 1.214 do CC/2002
II) Direito à percepção de frutos
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antecipação, segundo o art. 1.216, mas não pode ele ficar com quaisquer dos 
frutos. Igualmente, se algum dos frutos se perdeu por sua desídia, deve ele 
indenizar. 
Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos logo que são 
separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia, segundo o art. 1.215. 
A diferença entre frutos e produtos é que os frutos não depreciam a coisa, os 
produtos sim. Por exemplo, relativamente a uma árvore, as frutas são frutos e a 
madeira, produto; numa ovelha, a lã é o fruto, a carne, o produto. 
As benfeitorias necessárias devem ser ressarcidas ao 
possuidor a qualquer título. As benfeitorias úteis são 
indenizadas somente ao possuidor de boa-fé. As 
voluptuárias são indenizáveis ao possuidor de boa-fé, 
a critério do credor. 
Porém, segundo o art. 1.221, as benfeitorias compensam-se com os danos, e só 
obrigam ao ressarcimentose ao tempo de a evicção ainda existirem. Ademais, 
aquele que reivindica a coisa se obriga a indenizar as benfeitorias ao possuidor 
de má-fé, mas tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo. Se o 
possuidor for de boa-fé, o reivindicante vai indenizá-lo pelo valor atual, por força 
do art. 1.222 do CC/2002, não podendo optar pelo valor de custo. 
O possuidor de boa-fé tem direito de retenção da coisa principal até que 
lhe seja pago o valor das benfeitorias necessárias e úteis. Não tem ele, 
porém, direito de retenção pelas benfeitorias voluptuárias. 
O possuidor de má-fé não tem direito de retenção por quaisquer benfeitorias, 
mesmo as necessárias; tem apenas direito de indenização, mas tão somente por 
via própria (ação de cobrança). 
O possuidor de boa-fé tem direito de levantamento das benfeitorias 
voluptuárias, no caso de o proprietário não lhe pagar, mas desde que sua 
retirada não implique em destruição do bem principal; porém, se o 
proprietário as pagar, não pode o possuidor as reter. 
Já o possuidor de má-fé não tem direito de levantar nem mesmo as benfeitorias 
voluptuárias e, se o fizer, terá de indenizar o reivindicante, desde que este prove 
sua existência ou tenha havido destruição do bem principal quando do 
levantamento. 
•Presente nos arts. 1.219 e 1.220 do CC/2002
III) Direito à indenização por benfeitorias
•Presente no art. 1.219 do CC/2002
IV) Direito de retenção de valores
•Presente no art. 1.219 do CC/2002
V) Direito de levantamento de benfeitorias
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O mais importante direito oriundo da posse, já que a 
usucapião é um modo de aquisição da propriedade 
pela posse continuada durante certo tempo. Essa 
posse, que permite a aquisição da propriedade, chama-se posse ad 
usucapionem. 
 
Oriundo da presunção de enriquecimento sem causa do Código, prevista 
no art. 884. Por isso, se o possuidor tiver prejuízos, na posse, por causa dela, 
comprovadamente, o proprietário deve o indenizar. 
Esse direito vale também para o reivindicante. De um lado, o possuidor de 
boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der 
causa, consoante regra do art. 1.217. De outro lado, o possuidor de má-fé 
responde pela perda ou deterioração da coisa, ainda 
que acidentais, salvo se provar que mesmo que a 
coisa estivesse na posse do reivindicante teria 
ocorrido a perda ou deterioração (art. 1.218). 
 
 
•Presente no art. 1.260 do CC/2002
VI) Direito à usucapião
•Presente no art. 884 do CC/2002
VII) Direito à indenização por prejuízos
Direito aos interditos
Direito à percepção de frutos
Direito à indenização por benfeitorias
Direito à retenção quanto a valores
Direito à retenção quanto a benfeitorias
Direito à usucapião
Direito à indenização por prejuízos
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8.3. Ações 
Divide-se a doutrina em relação ao cabimento das medidas possessórias aos bens 
imóveis e também aos móveis. Silvio de Salvo Venosa explicitamente defende 
seu cabimento, mas boa parte da doutrina e jurisprudência ainda defende que só 
caberia para os imóveis. 
Importa frisar cinco pontos relevantes ligados às ações possessórias: 
 
Também integram seu objeto a pretensão de indenização pelos danos causados 
e a cominação de pena em caso de reincidência. Nesse sentido, o autor pode 
cumular o pedido possessório com o pedido de 
condenação em perdas e danos, a cominação de pena 
para caso de nova turbação ou esbulho e o 
desfazimento de construção ou plantação feita em 
detrimento de sua posse. 
 
As ações possessórias possuem caráter dúplice, ou seja, 
intentada uma medida possessória, ela decidirá a 
quem a posse é devida, e não apenas se há ou não 
procedência no pedido, incluindo danos e penas. 
Numa ação comum de cobrança, por exemplo, o juiz não pode condenar a 
contraparte a te indenizar por danos morais. A lide resolve, unicamente, se é ou 
não devido o valor pleiteado na inicial. 
Porém, nas ações possessórias isso não é necessário, pois o réu pode, na 
contestação, alegando que foi o ofendido em sua posse, demandar a proteção 
possessória e a indenização pelos prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho 
cometido pelo autor. 
 
O rito dependerá do prazo em que for intentada a 
ação, nos casos de manutenção e reintegração. Se 
intentada no prazo de ano e dia, seguirá o rito especial 
(ação de ano e dia, ou ação de força nova), se 
cumpridos os requisitos do art. 555, incisos do CPC, quais sejam a sua 
posse; a turbação ou o esbulho praticado pelo réu; a data da turbação ou do 
esbulho; a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção; a 
perda da posse, na ação de reintegração. 
• Art. 555, incs., do CPC
I) Não se limitam a discutir a posse
• Art. 556 do CPC
II) Caráter dúplice
• Art. 558 do CPC
III) Espécie do rito
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Após, mesmo tratando-se de lide possessória, tramitará pelo rito ordinário (art. 
558, parágrafo único do CPC). 
De qualquer forma, independente do prazo, a ação 
será possessória, protegendo-se a posse ad 
interdicta. Ou seja, muda-se apenas o rito, mas não a 
natureza da lide. 
 
Há fungibilidade de ações nas discussões possessórias. Segundo o art. 554 do 
CPC, se estiverem presentes os requisitos de um pedido, o juiz deve 
acatá-lo, ainda que, na verdade, o pedido seja outro. 
Ou seja, se pedir manutenção, mas for o caso de 
reintegração, ainda assim a liminar será concedida. 
Isso ocorre pela fluidez as situações fáticas. Determinada pessoa ameaça minha 
posse, pelo que intento interdito proibitório, mas antes do deferimento da 
medida, ela turba minha posse, pelo que o Juízo defere a manutenção de posse. 
Ou, ainda, quando alguém turba minha posse e, no curso da ação de manutenção 
de posse, há esbulho, deferindo-se, ao fim, a reintegração de posse, a despeito 
do pedido de manutenção. 
 
A sentença possessória é mandamental, pois visa que o juiz ou a autoridade 
mande que se pratiquem ou deixem de ser praticar certos atos, com cominação 
de pena (inclusive, nesse caso se caracteriza o crime de desobediência, previsto 
no art. 330 do CP: 
Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público: 
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa. 
Vejamos, agora, as ações possessórias em sentido estrito, cujo núcleo é 
possessório, e as ações petitórias, que, a despeito de terem conteúdo 
possessório, não o são, em essência. 
1. Possessórias 
A. Manutenção de posse 
Serve ao possuidor no caso de turbação. Mas, o que é 
turbação? É o ato que embaraça o livre exercício da 
posse. Veja com cuidado; é o ato que embaraça, 
dificulta, atrapalha, a posse. Se houver perda, é 
esbulho. 
• Art. 556 do CPC
IV) Fungibilidade das ações
• Art. 330 do CP
V) Conteúdo mandamental
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Os atos de turbação podem ser negativos, como impedir que eu plante na minha 
terra ou entre na minha casa, ou positivos, como cortar as árvores da minha 
propriedade ou edificar um muro. 
Os pressupostos para a manutenção não precisam estar presentes em sua 
totalidade ou bem definidos, pois nestes casos há fungibilidade das ações. O 
pedido de manutenção pode ainda cumular um pedido de remoção de construção 
ou plantação, sede má-fé. 
Estando a petição inicial devidamente instruída, o juiz 
deferirá, sem ouvir o réu, a expedição do mandado 
liminar de manutenção ou de reintegração; caso 
contrário, determinará que o autor justifique previamente o 
alegado, citando-se o réu para comparecer à audiência que for designada. No 
entanto, contra as pessoas jurídicas de direito público não será deferida a 
manutenção ou a reintegração liminar sem prévia audiência dos respectivos 
representantes judiciais. 
Julgada procedente, o juiz fará logo expedir mandado de manutenção ou de 
reintegração (art. 563 do CPC/2015). Com ou sem liminar, o autor deve 
promover, nos 5 dias subsequentes, a citação do réu para contestar a ação, na 
dicção do art. 564, também do CPC. 
B. Reintegração de posse 
Cabível nos casos de esbulho (perda), para o fim de 
recuperar a coisa privada por violência, 
clandestinidade ou precariedade, seja diretamente 
contra quem praticou o esbulho ou terceiro que a 
recebeu, sabendo que era esbulhada. A ação de reintegração de ano e 
dia se chama ação de força nova espoliativa, ou de posse nova, a 
proposta depois desse prazo, ação de posse velha ou força velha. 
A doutrina e a jurisprudência entendem haver esbulho com a perda da posse, 
independentemente de se configurar algum dos vícios objetivos (violência, 
clandestinidade e precariedade), especificamente. Assim, mesmo sendo a posse 
mansa, pacífica e pública, há esbulho suficiente ao cabimento da ação de 
reintegração de posse e à aplicação do art. 161, inc. II do Código Penal. 
C. Interdito proibitório 
Ação de caráter preventivo (turbação ou esbulho), 
prevista no art. 567 do CPC. Exige o justo receio da 
turbação ou do esbulho, mas não animus turbandi do 
eventual transgressor. 
Nesses casos, segundo esse artigo, há a previsão de cominação pecuniária se o 
receio se tornar realidade, ou seja, o juiz estabelece uma multa para o caso de o 
transgressor potencial efetivamente transgrida. Isso é muito comum, 
curiosamente, não no Direito Civil, mas no Direito do Trabalho, nas situações em 
que, em face de uma greve, o Sindicato Patronal intenta um interdito contra o 
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Sindicato dos Trabalhadores, para evitar que eles impeçam o ingresso de “fura-
greves” na empresa. 
Ainda em relação à fungibilidade, se intentada uma 
manutenção ou reintegração e o juiz entender que há 
mero receio, sem turbação ou esbulho, ele não julga 
improcedente o pedido do autor, mas impõe o 
interdito contra o réu. 
Segue as normas da manutenção e reintegração de posse, segundo o art. 568 do 
CPC. 
 
 
2. Petitórias 
A. Imissão de posse 
A doutrina se divide quanto ao seu caráter possessório, eis que quando o 
possuidor não pode exercer a posse porque terceiro nega-se a efetivar a tradição 
cabe, em verdade, ação de reintegração de posse. 
Porém, se aceita a imissão de posse na execução, sob 
a forma de mandado para a entrega de coisa imóvel, 
segundo o art. 538 do CPC. A imissão é uma medida 
semelhante à busca e apreensão, só que de bens imóveis. 
B. Exceção de domínio 
Em verdade, trata-se de um instituto mais ligado à defesa da propriedade, pois 
se presta a discutir o domínio e não a posse. Ela encerra um conteúdo petitório, 
e não possessório, pelo que se tornou um instituto incongruente com o sistema 
de defesa da posse e de discussão de propriedade. 
A despeito de o art. 1.210, §2º do CC/2002 ter deixado claro que não obsta à 
manutenção ou reintegração de posse a alegação de propriedade, 
persiste ainda a exceção de domínio. 
De aplicação restrita, defere-se a posse da coisa a quem alega o domínio apenas 
nos casos em que ela é o fundamento da controvérsia. Autor e réu disputam a 
posse da coisa com base em títulos contraditórios e excludentes, por exemplo. 
Ação de manutenção na posse
Ação de reintegração na posse
Interdito proibitório
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Nesses casos, a jurisprudência permite que a discussão dominial se sobreponha 
à discussão possessória. 
Por isso, de acordo com a jurisprudência do STJ e do 
STF, permite-se que a lide possessória seja resolvida 
com base no domínio quando com base nele a posse 
for disputada ou quando duvidosas ambas as posses. 
Porém, em consonância com o Enunciado 78 da I 
Jornada de Direito Civil, em ambos os casos a ação 
deveria ser julgada improcedente, descartando-se a 
alegação de domínio. 
C. Nunciação de obra nova 
Visa proteger a posse apenas a latere, havendo outras possibilidades. No 
CPC/1973 essa ação estava prevista no art. 934, nas seguintes hipóteses: 
I - ao proprietário ou possuidor, a fim de impedir que a edificação de obra nova em imóvel 
vizinho lhe prejudique o prédio, suas servidões ou fins a que é destinado; 
II - ao condômino, para impedir que o coproprietário execute alguma obra com prejuízo ou 
alteração da coisa comum; 
III - ao Município, a fim de impedir que o particular construa em contravenção da lei, do 
regulamento ou de postura. 
O CPC/2015 extinguiu o procedimento especial da 
Ação de Nunciação de Obra Nova, mas ela não deixou 
de existir, apenas passou a seguir o procedimento de 
conhecimento. Assim, a rigor, é de se definir as hipóteses 
de cabimento da nunciação a partir da doutrina e da jurisprudência. 
Trata-se, em verdade, de ação cominatória. Seu 
objetivo é denunciar que determinada obra, em curso, 
viola a posse de outrem, de modo a embargar a 
construção que invade a área do outro. Se a obra já 
estiver pronta, cabe ação demolitória, segundo o art. 1.280 do CC/2002. 
D. Dano infecto 
Igual à ação de nunciação de obra nova e à ação demolitória, tendo 
natureza cominatória, não possessória. 
Ela é cabível quando o possuidor tem justo receio de sofrer dano oriundo de 
edifício ou obra vizinha em risco de ruína, consoante regra do art. 1.277 do 
CC/2002. 
E. Embargos de terceiro senhor e possuidor 
Outro caso em que a defesa da propriedade é mais elementar, sendo utilizada, 
não raro, pelo proprietário, contra dois sujeitos que 
disputam a posse. Cabível quando alguém sofre 
turbação ou esbulho em sua posse por meio de 
constrição ou ameaça (apreensão judicial por penhora, 
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arresto, depósito, sequestro ou venda em hasta pública), não sendo parte na 
lide: 
Art. 674. Quem, não sendo parte no processo, sofrer constrição ou ameaça de constrição 
sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito incompatível com o ato constritivo, 
poderá requerer seu desfazimento ou sua inibição por meio de embargos de terceiro. 
Julgando suficientemente provada a posse, o juiz deferirá liminarmente os 
embargos e ordenará a expedição de mandado de manutenção ou de restituição 
em favor do embargante (art. 678 do CPC). O juiz pode condicionar a ordem de 
manutenção ou de reintegração provisória de posse à prestação de caução pelo 
requerente (parágrafo único). 
 
 
8.4. Usucapião 
Vejamos, diretamente, as espécies de usucapião, eis que esse é o assunto mais 
relevante para as provas, que pouco ou nunca se aprofundam nos aspectos mais 
teóricos sobre o tema 
1. Bens Imóveis 
1.1. Ordinária 
Exige-se 10 anos de posse, considerada de boa-fé, 
com o chamado "justo título", sendo tratada no art. 
1.242, caput do CC/2002. 
Por ser comum, exige-se menos tempo, mas com boa-fé (em sentido subjetivo, 
de aspecto intencional) e justo título. Num primeiro momento, a jurisprudência 
entendia por justo título apenasos documentos que sejam efetivamente hábeis 
para constituir a propriedade, mas a limitação era gigantesca. Progressivamente, 
a jurisprudência foi, de modo paulatino, entendendo que todo e qualquer 
documento que possa justificar a situação de fato 
pode ser considerada justo título, como o contrato de 
Ação de imissão na posse
Exceção de domínio
Nunciação de obra nova
Ação de dano infecto
Embargos de terceiro senhor e possuidor
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compra e venda sem forma pública e mesmo recibos de pagamento de 
transferência. 
Dentro dessa modalidade, há uma modalidade especial, também 
chamada de tabular, qual seja a do possuidor que tem um título 
proveniente de uma aquisição onerosa, que foi 
cancelada posteriormente no registro de imóveis, 
conforme art. 1.242, parágrafo único. Nessa situação 
adquire-se a propriedade em metade do tempo (5 anos), com justo título 
e boa-fé, desde que o possuidor tenha estabelecido moradia ou realizado 
investimentos de interesse social ou econômico. 
1.2. Extraordinária 
Chamada assim por ser independente de boa-fé e 
justo título, sendo tratada no art. 1.238. Justamente 
por ser independente desses requisitos, o tempo de 
posse é maior (15 anos). 
Se o possuidor houver estabelecido sua moradia na 
área ou realizado obras ou serviços de caráter 
produtivo, o tempo cai para 10 anos (art. 1.238, 
parágrafo único). 
 
USUCAPIÃO 
 ORDINÁRIA EXTRAORDINÁRIA 
URBANA 
ou 
RURAL 
Requisitos 
Comuns Comuns 
Justo Título - 
Boa-fé - 
Prazos 10 anos 15 anos 
 
DIFERENCIAL 
 TABULAR ESPECIAL 
Requisitos 
Cancelamento do 
registro 
- 
Moradia ou 
investimentos de 
Moradia ou 
investimentos de 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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interesse social ou 
econômico 
interesse social ou 
econômico 
Prazos 5 anos 10 anos 
 
2014 – FCC – DPE/RS – Defensor Público Estadual 
José da Silva tomou conhecimento da existência de uma rudimentar casa 
urbana de veraneio, construída sobre um terreno de 300 m2, que estava 
desocupada e, com sua esposa e dois filhos, esbulhou o imóvel em 5 de abril 
de 1998. Desde então, estabeleceu no imóvel sua moradia habitual, 
mantendo posse com ânimo de dono, de forma pública, contínua, mansa e 
pacífica. Em 10 de junho de 2010, por contrato particular de compra e venda, 
José alienou o imóvel a Pedro de Souza, pelo valor de R$ 14.000,00, tendo 
o comprador passado a utilizar o imóvel também para sua moradia, 
mantendo as mesmas características da posse exercida pelo vendedor. Em 
10 de junho de 2014, Pedro recebeu citação em ação reivindicatória ajuizada 
pelo espólio do proprietário registral do imóvel, procurando a Defensoria 
Pública para a defesa de seus direitos. Nesse caso, Pedro 
(A) poderá, em sua defesa, alegar a ocorrência da prescrição aquisitiva, na 
modalidade extraordinária, hábil a ensejar a improcedência da ação 
reivindicatória contra si manejada. 
(B) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em 
ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva, uma vez 
que a simples citação na ação ajuizada pelo espólio do proprietário registral 
interrompe a posse ad usucapionem. 
(C) não poderá, em sua defesa, alegar a ocorrência da prescrição aquisitiva, 
podendo, entretanto, ajuizar ação autônoma de usucapião extraordinária. 
(D) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em 
ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva, em 
qualquer de suas modalidades, pois não atingido prazo suficiente para tanto. 
(E) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em 
ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva na 
modalidade extraordinária, pois, em que pese tenha implementado o 
requisito temporal, a posse se originou em esbulho do vendedor. 
Comentários 
A alternativa A está correta, eis que Pedro pode unir seu tempo de posse com 
o do possuidor anterior, o que soma mais de 16 anos, sendo que a modalidade 
extraordinária permite aquisição mesmo que sem justo título ou boa-fé. 
A alternativa B está incorreta, já que, ainda que interrompesse o prazo 
aquisitivo, já estariam configurados 16 anos de posse mansa e pacífica, como 
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dito na alternativa anterior. Ademais, como estabelece a jurisprudência, a 
usucapião pode servir de matéria de defesa em sede de ação real movida pelo 
proprietário registral. 
A alternativa C está incorreta, pois Pedro pode manejar ação autônoma, mas 
também pode usar a usucapião como matéria de defesa, como mencionei na 
alternativa anterior. 
A alternativa D está incorreta, porque, como eu disse, já ultrapassado tempo 
suficiente para aquisição extraordinária. 
A alternativa E está incorreta, dado que, como dito antes, a boa-fé sequer é 
requisito para essa forma de aquisição e, ainda que fosse, o exercício não 
menciona expressamente o conhecimento dele sobre a situação. 
1.3. Especial 
A. Constitucional 
Tem requisitos diferentes, a depender de ser o imóvel urbano ou rural: 
 
B. Coletiva 
Tratada no art. 10 do Estatuto da Cidade, estabelecendo-se necessariamente 
sobre bens imóveis urbanos. Para haver a usucapião, o 
núcleo urbano informal deve estar em área inferior a 
250 m² per capita (área total dividida pelo número de 
possuidores, individualmente) ocupada por 5 anos 
ininterruptos e sem oposição. Não se exige, depois da Lei 13.465/2017, 
• Art. 183 da CF/1988 e art. 1.240 do CC/2002
• Chamada de usucapião especial
• Se for possuidor de área urbana de até 250 m², por 5 anos
ininterruptos, sem oposição, utilizando-se para moradia sua ou de
família, adquire o domínio, desde que não seja proprietário de
outro imóvel e não tenha usucapido desta forma anteriormente
• O Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001) trouxe mais uma
peculiaridade no §3º: permite-se ao herdeiro continuar a posse do
antecessor, desde que já resida no imóvel na sucessão, em
exceção à regra geral de que o sucessor pode continuar a posse
do antecessor, independentemente de onde residia antes
A. Imóveis urbanos
• Art. 191 da CF/1988 e art. 1.239 do CC/2002
• Deve haver posse por 5 anos ininterruptos, sem oposição, de área
de terra (em perímetro rural) de até 50 hectares, tornando-a
produtiva e tendo nela sua moradia, desde que não seja
proprietário de outro imóvel
B. Imóveis rurais (pro labore)
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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que as áreas usucapidas sejam utilizadas para moradia ou que os 
possuidores sejam considerados pessoas de baixa renda; o mote do novo 
dispositivo é mais a regularização fundiária e menos o caráter “social”. 
Essa área será usucapida coletivamente, desde que os possuidores não sejam 
proprietários de outro imóvel urbano ou rural (se um deles é proprietário, não se 
contaminam os demais). A ação pode ser proposta pelo possuidor, 
isoladamente, por litisconsórcio dos possuidores ou por Associação de 
Moradores regularmente constituída (registrada), que funcionaria como 
substituto processual extraordinário, segundo o art. 12, incisos, do Estatuto. 
A sentença de procedência da usucapião coletiva 
constitui um condomínio entre os possuidores, sendo 
que a sentença deve atribuir igual fração ideal de 
terreno para cada um dos possuidores (igual,em 
princípio). 
Esse é o caso de um condomínio especial, pois dotado 
de indivisibilidade, sendo somente divisível se por 
decisão favorável de dois terços dos condôminos, 
desde que na hipótese de uma urbanização posterior 
à constituição do condomínio. 
C. Familiar 
Prevista no art. 1.240-A do CC/2002, vale somente para 
imóveis urbanos de até 250m², utilizado como única 
moradia, sem oposição, no caso de ex-cônjuge que 
abandona o lar conjugal por mais de 2 anos, pelo que 
o outro cônjuge adquire o domínio integral. 
Por se tratar de espécie de objetivo mais socializante, tal 
qual ocorre em outras espécies de usucapião de prazos mais 
reduzidos, o §1º estabelece que essa modalidade de 
usucapião não pode ser reconhecida ao mesmo 
possuidor mais de uma vez. 
O fundamento desse artigo é a proteção da mulher abandonada pelo 
cônjuge/companheiro com filhos, sobretudo nos casos de violência doméstica e 
formação familiar subsequente pelo que abandona o lar. Nesses casos, há falta 
de recursos para adquirir duas moradias com a divisão patrimonial e dificuldade 
para alienar posteriormente pela ausência de outorga uxória. 
 
2015 – UFPR – PGM/Curitiba (PR) – Procurador Municipal 
Sobre usucapião, considere as seguintes situações: 
1. A Associação de Moradores da Comunidade Pinhal, regularmente 
constituída, tem legitimidade, como substituto processual, para ajuizar ação 
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de usucapião especial coletiva urbana em favor dos associados que 
expressamente a autorizaram a regularizar a situação do imóvel de 900 m2 
que habitam com suas famílias há 6 anos, ininterruptamente e sem oposição. 
Pinhal é uma comunidade de famílias de baixa renda e não foi possível 
identificar de forma individual os terrenos ocupados por cada grupo. A 
sentença que acolher o pedido declarará o direito dos compossuidores à 
usucapião e atribuirá a cada um deles fração ideal do terreno sem levar em 
conta a dimensão que cada qual ocupa na área. 
2. Na usucapião especial urbana ou constitucional não é admissível a acessio 
possessionis, ou seja, a acessão ou junção da posse, pois não há transmissão 
da posse por ato intervivos, já que se exige que a posse seja pessoal. De 
outro lado, poderá utilizar-se o prazo do ex-possuidor, no caso de sucessio 
possessionis, quando o sucessor, ao tempo do óbito, já residia no imóvel, 
porque não haverá quebra do período possessório de cinco anos. 
3. Marialva recebeu por herança uma pequena chácara em Adrianópolis, mas 
pretende vendê-la para comprar um carro, porque já está acostumada a 
morar em Curitiba. Antes, porém, quer resolver a situação do apartamento 
de 200 m2 no Bairro Alto, onde vive com seus dois filhos gêmeos de 5 anos. 
O imóvel foi comprado quando ela ainda coabitava com o pai dos meninos, 
que deixou o convívio familiar há 2 anos. Ele não colabora com as despesas 
do lar, nem visita os gêmeos regularmente, mas não se opõe a que Marialva 
habite o apartamento. Marialva reúne as condições para aquisição da 
integralidade desse imóvel através de usucapião familiar. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira. 
b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. 
c) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. 
d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. 
e) As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras. 
Comentários 
O item I está correto, na forma do art. 12, inc. III do Estatuto: “São partes 
legítimas para a propositura da ação de usucapião especial urbana, como 
substituto processual, a associação de moradores da comunidade, regularmente 
constituída, com personalidade jurídica, desde que explicitamente autorizada 
pelos representados”. 
Boa parte desse item ainda se baseia na redação original do art. 10, mas isso 
não invalida, de per si, o item. Vide, novamente, a redação original (“As áreas 
urbanas com mais de duzentos e cinquenta metros quadrados, ocupadas por 
população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e 
sem oposição, onde não for possível identificar os terrenos ocupados por cada 
possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas coletivamente, desde que os 
possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural”) e a atual 
(“Os núcleos urbanos informais existentes sem oposição há mais de cinco anos e 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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cuja área total dividida pelo número de possuidores seja inferior a duzentos e 
cinquenta metros quadrados por possuidor são suscetíveis de serem usucapidos 
coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel 
urbano ou rural”). 
O item II está correto, conforme o art. 1.240 (“Aquele que possuir, como sua, 
área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos 
ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua 
família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel 
urbano ou rural”), que exige posse ininterrupta. Ademais, vide o art. 9º, §3º do 
Estatuto: “Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo continua, de pleno 
direito, a posse de seu antecessor, desde que já resida no imóvel por ocasião da 
abertura da sucessão”. 
O item III está incorreto, de acordo com o art. 1.240-A, §1º: “O direito previsto 
no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez”. 
A alternativa B está correta, portanto. 
 
USUCAPIÃO 
ESPECIAL 
 CONSTITUCIONAL COLETIVA FAMILIAR 
URBANA 
 
Requisitos 
Comuns Comuns Comuns 
Inferior a 250m2 
Inferior a 250m2 
individualmente 
Inferior a 
250m2 
Moradia - Moradia 
Único Imóvel Único Imóvel Único Imóvel 
Única vez - Única vez 
 - 
Núcleo urbano 
informal - 
Prazos 5 anos 5 anos 2 anos 
 
RURAL Requisitos 
Comuns 
- - 
Inferior a 50 ha 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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Moradia 
Produtividade 
Único imóvel 
Prazos 5 anos - - 
D. Indígena 
Espécie peculiar, a usucapião indígena é um tanto 
desconhecida. Segundo o art. 33 da Lei 6.001/1973, o 
Estatuto do Índio, o indígena, integrado ou não, que 
ocupe como próprio, por 10 anos, trecho de terra 
inferior a 50ha, adquire a propriedade plena. 
Obviamente que essa regra não se aplica às terras do domínio da União, 
ocupadas por grupos tribais, às áreas reservadas dispostas no Estatuto, 
nem às terras de propriedade coletiva de grupo tribal. Do contrário, 
teríamos a situação bizarra de um indígena tentando usucapir as terras da tribo. 
Mas, e quem são os indígenas, na acepção do Estatuto? Segundo o art. 3º, inc. 
I, é indígena todo indivíduo de origem e ascendência pré-colombiana que 
se identifica e é identificado como pertencente a um 
grupo étnico cujas características culturais o 
distinguem da sociedade nacional. Já a comunidade 
indígena ou grupo tribal é o conjunto de famílias ou comunidades índias, quer 
vivendo em estado de completo isolamento em relação aos outros setores da 
comunhão nacional, quer em contatos intermitentes ou permanentes, sem, 
contudo, estarem neles integrados. 
Por fim, o Estatuto ainda “classifica os indígenas, de acordo com o art. 4º, em: 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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1.4. Extrajudicial 
Prevista no art. 216-A da Lei 6.015/1973 (Lei de Registro Públicos – LRP), pela 
inserçãode regra nova pelo CPC/2015, e modificada pela Lei 13.465/2017, não 
é propriamente uma modalidade de usucapião, mas uma forma de se fazer 
usucapião sem necessidade de intervenção judicial. 
Assim, prevê o mencionado dispositivo, é admitido o 
pedido de reconhecimento extrajudicial de usucapião, 
que será processado diretamente perante o cartório 
do registro de imóveis da comarca em que estiver 
situado o imóvel usucapiendo. 
O interessado, representado por advogado, deve instruir o pedido 
administrativo com: 
I - ata notarial lavrada pelo tabelião, atestando o tempo de posse do requerente e seus 
antecessores, conforme o caso e suas circunstâncias, aplicando-se o disposto no art. 384 
do CPC; 
II - planta e memorial descritivo assinado por profissional legalmente habilitado, com prova 
de anotação de responsabilidade técnica no respectivo conselho de fiscalização profissional, 
e pelos titulares de direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo 
ou na matrícula dos imóveis confinantes; 
III - certidões negativas dos distribuidores da comarca da situação do imóvel e do domicílio 
do requerente; 
IV - justo título ou quaisquer outros documentos que demonstrem a origem, a continuidade, 
a natureza e o tempo da posse, tais como o pagamento dos impostos e das taxas que 
incidirem sobre o imóvel. 
• Quando vivem em grupos desconhecidos ou de que se possuem
poucos e vagos informes através de contatos eventuais com
elementos da comunhão nacional
Isolados
• Quando, em contato intermitente ou permanente com grupos
estranhos, conservam menor ou maior parte das condições de sua
vida nativa, mas aceitam algumas práticas e modos de existência
comuns aos demais setores da comunhão nacional, da qual vão
necessitando cada vez mais para o próprio sustento
Em vias de integração
• Quando incorporados à comunhão nacional e reconhecidos no
pleno exercício dos direitos civis, ainda que conservem usos,
costumes e tradições característicos da sua cultura
Integrados
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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Segundo os §§ do referido art. 216-A da LRP, o notário fará a prenotação do 
pedido de usucapião, que se estende até o acolhimento ou a rejeição do pedido. 
Nesse pedido, a planta do imóvel deve estar assinada por todos os 
titulares de direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel 
usucapiendo e na matrícula dos imóveis confinantes. Se ausente alguma 
dessas assinaturas, serão as pessoas notificadas pelo registrador, 
pessoalmente ou pelo correio, para manifestar seu consentimento 
expresso em 15 dias, interpretado o seu silêncio como concordância. 
Cuidado! O §2º estabelecia, na redação dada pelo 
CPC/2015, que o silêncio se interpretaria como 
DISCORDÂNCIA; com a redação dada pela Lei 
13.465/2017, o silêncio passou a ser interpretado 
como CONCORDÂNCIA. 
Ou seja, é exatamente o contrário do que ocorre no testamento e no divórcio 
extrajudiciais, nos quais não pode haver oposição de qualquer dos interessados. 
No caso da usucapião, a necessidade de assentimento (ou silêncio interpretado 
como tal) inclui os confinantes e os detentores de quaisquer direitos reais que 
possam ser afetados pela usucapião. 
Caso não seja encontrado o notificando ou caso ele 
esteja em lugar incerto ou não sabido, tal fato será 
certificado pelo registrador, que deverá promover a 
sua notificação por edital mediante publicação, por duas 
vezes, em jornal local de grande circulação, pelo prazo de 15 dias cada um, 
interpretado o silêncio do notificando como concordância. O órgão jurisdicional 
correcional pode, a partir de Regulamento substituir a publicação jornalística pela 
publicação do edital em meio eletrônico. 
Na sequência, conforme previsão do §3º, o oficial deve dar ciência à União, ao 
Estado, ao Distrito Federal e ao Município, pessoalmente, por intermédio do oficial 
de registro de títulos e documentos, ou pelo correio (com AR), para que se 
manifestem, em 15 dias, sobre o pedido. 
Igualmente, deve ele promover a publicação de Edital em jornal de grande 
circulação, onde houver, para a ciência de terceiros eventualmente interessados, 
que poderão se manifestar em 15 dias. 
Se houver alguma dúvida, prevê o §5º que podem ser solicitadas ou 
realizadas diligências pelo Oficial. Igualmente, em qualquer caso, pode 
o interessado suscitar o procedimento de dúvida, nos termos já vistos. 
Transcorrido o prazo do Edital, sem pendência de diligências e achando-se em 
ordem a documentação, o Oficial registra a aquisição do imóvel com as descrições 
apresentadas. Se for o caso, permite-se a abertura de matrícula nova. 
Ao contrário, ao final das diligências, se a documentação não estiver em ordem, 
o oficial de registro de imóveis rejeitará o pedido, na forma do §8º. Por se tratar 
de procedimento extrajudicial, a rejeição do pedido 
não impede o ajuizamento de ação de usucapião. 
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Por fim, em caso de impugnação do pedido de reconhecimento extrajudicial 
de usucapião apresentada por qualquer um (titulares de direito reais, titulares de 
outros direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e 
na matrícula dos imóveis confinantes, entes públicos ou algum terceiro 
interessado), o Oficial deve remeter os autos ao juízo competente da 
comarca da situação do imóvel. 
Nesse caso, cabe ao requerente emendar a petição inicial para adequá-la 
ao procedimento comum, dado que a pretensão extrajudicial inserida no 
pedido é bastante singela do ponto de visto técnico-jurídico, exigindo-se, para 
seu processamento em juízo, alterações significativas. 
Atente para a exceção trazida pelo § 11. No caso de o 
imóvel usucapiendo ser unidade autônoma de 
condomínio edilício, fica dispensado consentimento 
dos titulares de direitos reais e outros direitos registrados ou averbados 
na matrícula dos imóveis confinantes e bastará a notificação do síndico 
para se manifestar. Igualmente, se o imóvel confinante contiver um 
condomínio edilício, bastará a notificação do síndico, dispensada a notificação de 
todos os condôminos. 
 
USUCAPIÃO 
 ORDINÁRIA 
EXTRAOR-
DINÁRIA 
ESPECIAL COLETIVA FAMILIAR 
URBANA 
Requisitos 
Comuns Comuns Comuns Comuns Comuns 
Justo título - - - - 
Boa-fé - 
- - - 
Inferior a 250 m² Inferior a 250 m², 
individualmente 
Inferior a 250 m² 
Moradia - Moradia 
Único imóvel Único imóvel Único Imóvel 
Única vez - Única vez 
- 
Núcleo urbano 
informal 
Ex-
cônjuge/abandono 
Prazos 10 anos 15 anos 5 anos 5 anos 2 anos 
 
RURAL 
Requisitos Iguais Iguais 
Comuns 
 
Inferior a 50 ha 
Produtividade/ 
moradia 
Único imóvel 
Prazos 10 anos 15 anos 5 anos 
 
 TABULAR ESPECIAL 
 
*** INDÍGENA *** 
DIFEREN-
CIAIS 
Requisitos 
Cancelamento do 
registro 
Moradia/ 
produtividade Uso próprio 
- - Inferior a 50 ha 
Prazos 5 anos 10 anos 10 anos 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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Veja-se que a propriedade se constitui com a posse 
somada ao tempo, ou seja, a sentença de usucapião 
é meramente declaratória, e não constitutiva, pela 
clara dicção do art. 1.241. Essa compreensão, inclusive, se 
coaduna com a sistemática do ordenamento civil. Isso 
porque o suporte fático para a aquisição da propriedade, nesses casos, é a posse 
somada ao tempo, independentemente do registro, já que a usucapião é modo 
originário de aquisição da propriedade. 
Como modo originário, não pode ela depender de um título, ou de derivação de 
propriedade. Como açãode eficácia declaratória, a usucapião é, portanto, 
imprescritível, pelo que pode a pessoa, ou mesmo descendente seu, requerer seu 
reconhecimento a qualquer tempo. Curiosamente, como se volta a um direito real 
(o direito de propriedade), a passagem do tempo, ao invés de enfraquecer o 
pleito, o fortalece, inversamente às ações pessoais, como o reconhecimento de 
paternidade, por exemplo. 
Declarada a usucapião, a decisão constitui título hábil para o registro no Cartório 
de Registro de Imóveis. Lembre-se que pelo princípio registral da legalidade, só 
pode o Oficial registrar os títulos expressamente permitidos em Lei. 
Atente para o art. 1.243, pois, segundo ele, o possuidor 
pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos arts. 
1.238 a 1.242, acrescentar à sua posse a dos seus 
antecessores, contanto que todas sejam contínuas e 
pacíficas. Ou seja, não se exige que as posses sejam de boa-fé. Como o 
art. 1.208 estabelece que não induz posse os atos violentos ou clandestinos e o 
art. 1.243 não trata da precariedade, pode-se inferir que a posse injusta, 
derivada da precariedade, pode ser usada para contar o tempo de usucapião, 
ainda que a lei expressamente não o diga. 
Por fim, de acordo com previsão do art. 1.244, estende-se ao possuidor o 
disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem 
ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião. 
A exceção fica, obviamente, por conta da usucapião familiar, cuja suspensão da 
prescrição prevista no art. 197, inc. I (“Não corre a prescriçãoe entre os cônjuges, 
na constância da sociedade conjugal”) não é aplicável, sob pena de virtual 
inutilidade do instituto. Deve-se, numa interpretação sistemática, compreender 
a regra do art. 1.240-A como exceção ao art. 1.244, eis que aquele é norma 
especial em relação a este. 
2. Bens Móveis 
É de rara aparição das provas a usucapião de bem móvel, eis que, na prática, de 
baixa utilidade e, para o examinador, não tão interessante porque não apresenta 
muitas possibilidade de te confundir e fazer pegadinhas desnecessárias. 
De antemão, deixou claro o legislador, no art. 1.262, que se aplica à usucapião 
das coisas móveis o disposto nos arts. 1.243 e 1.244. Reveja os dois 
dispositivos: 
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Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos 
antecedentes, acrescentar à sua posse a dos seus antecessores (art. 1.207), contanto que 
todas sejam contínuas, pacíficas e, nos casos do art. 1.242, com justo título e de boa-fé. 
Art. 1.244. Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que 
obstam, suspendem ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião. 
De qualquer forma, vejamos as duas singelas hipóteses traçadas pelo CC/2002. 
2.1. Ordinária 
Prevê o art. 1.260 que aquele que possuir coisa móvel 
como sua, contínua e incontestadamente durante 3 
anos, com justo título e boa-fé, adquire a propriedade. 
2.2. Extraordinária 
Por outro lado, mesmo que ausente o justo título e a 
boa-fé, pode a coisa móvel ser usucapida, desde que 
se possua a coisa por 5 anos, segundo estabelece o art. 
1.261. 
 
USUCAPIÃO 
 ORDINÁRIA EXTRAORDINÁRIA 
MÓVEL 
Requisitos 
Comuns Comuns 
Justo Título - 
Boa-fé - 
Prazos 3 anos 5 anos 
 
Legislação pertinente 
 
 
No que tange aos elementos da aula de hoje, creio que seja interessante repassar 
as disposições do CPC/2015. Vejamos primeiro as disposições gerais sobre as 
ações possessórias: 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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Art. 554. A propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz 
conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àqueles cujos pressupostos 
estejam provados. 
§ 1o No caso de ação possessória em que figure no polo passivo grande número de pessoas, 
serão feitas a citação pessoal dos ocupantes que forem encontrados no local e a citação por 
edital dos demais, determinando-se, ainda, a intimação do Ministério Público e, se envolver 
pessoas em situação de hipossuficiência econômica, da Defensoria Pública. 
§ 2o Para fim da citação pessoal prevista no § 1o, o oficial de justiça procurará os ocupantes 
no local por uma vez, citando-se por edital os que não forem encontrados. 
§ 3o O juiz deverá determinar que se dê ampla publicidade da existência da ação prevista 
no § 1o e dos respectivos prazos processuais, podendo, para tanto, valer-se de anúncios 
em jornal ou rádio locais, da publicação de cartazes na região do conflito e de outros meios. 
Art. 555. É lícito ao autor cumular ao pedido possessório o de: 
I - condenação em perdas e danos; 
II - indenização dos frutos. 
Parágrafo único. Pode o autor requerer, ainda, imposição de medida necessária e adequada 
para: 
I - evitar nova turbação ou esbulho; 
II - cumprir-se a tutela provisória ou final. 
Art. 556. É lícito ao réu, na contestação, alegando que foi o ofendido em sua posse, 
demandar a proteção possessória e a indenização pelos prejuízos resultantes da turbação 
ou do esbulho cometido pelo autor. 
Art. 557. Na pendência de ação possessória é vedado, tanto ao autor quanto ao réu, propor 
ação de reconhecimento do domínio, exceto se a pretensão for deduzida em face de terceira 
pessoa. 
Parágrafo único. Não obsta à manutenção ou à reintegração de posse a alegação de 
propriedade ou de outro direito sobre a coisa. 
Art. 558. Regem o procedimento de manutenção e de reintegração de posse as normas da 
Seção II deste Capítulo quando a ação for proposta dentro de ano e dia da turbação ou do 
esbulho afirmado na petição inicial. 
Parágrafo único. Passado o prazo referido no caput, será comum o procedimento, não 
perdendo, contudo, o caráter possessório. 
Art. 559. Se o réu provar, em qualquer tempo, que o autor provisoriamente mantido ou 
reintegrado na posse carece de idoneidade financeira para, no caso de sucumbência, 
responder por perdas e danos, o juiz designar-lhe-á o prazo de 5 (cinco) dias para requerer 
caução, real ou fidejussória, sob pena de ser depositada a coisa litigiosa, ressalvada a 
impossibilidade da parte economicamente hipossuficiente. 
 
O art. 558 faz menção expressa à Seção II do CPC, que trata dos procedimentos 
especiais de manutenção e reintegração de posse. Vejamos as regras 
dessas duas ações, quando tiverem o procedimento especial de ano e dia: 
 
Art. 560. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado 
em caso de esbulho. 
Art. 561. Incumbe ao autor provar: 
I - a sua posse; 
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II - a turbação ou o esbulho praticado pelo réu; 
III - a data da turbação ou do esbulho; 
IV - a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção, ou a perda da posse, 
na ação de reintegração. 
Art. 562. Estando a petição inicial devidamente instruída, o juiz deferirá, sem ouvir o réu, 
a expedição do mandado liminar de manutenção ou de reintegração, caso contrário, 
determinará que o autor justifique previamente o alegado, citando-se o réu para 
comparecer à audiência que for designada. 
Parágrafo único. Contra as pessoas jurídicas de direito público não será deferida a 
manutenção ou a reintegração liminar sem prévia audiência dos respectivos representantes 
judiciais. 
Art. 563. Considerada suficiente a justificação, o juiz fará logo expedir mandado de 
manutenção ou de reintegração. 
Art. 564. Concedidoou não o mandado liminar de manutenção ou de reintegração, o autor 
promoverá, nos 5 (cinco) dias subsequentes, a citação do réu para, querendo, contestar a 
ação no prazo de 15 (quinze) dias. 
Parágrafo único. Quando for ordenada a justificação prévia, o prazo para contestar será 
contado da intimação da decisão que deferir ou não a medida liminar. 
Art. 565. No litígio coletivo pela posse de imóvel, quando o esbulho ou a turbação afirmado 
na petição inicial houver ocorrido há mais de ano e dia, o juiz, antes de apreciar o pedido 
de concessão da medida liminar, deverá designar audiência de mediação, a realizar-se em 
até 30 (trinta) dias, que observará o disposto nos §§ 2o e 4o. 
§ 1o Concedida a liminar, se essa não for executada no prazo de 1 (um) ano, a contar da 
data de distribuição, caberá ao juiz designar audiência de mediação, nos termos dos §§ 2o 
a 4o deste artigo. 
§ 2o O Ministério Público será intimado para comparecer à audiência, e a Defensoria Pública 
será intimada sempre que houver parte beneficiária de gratuidade da justiça. 
§ 3o O juiz poderá comparecer à área objeto do litígio quando sua presença se fizer 
necessária à efetivação da tutela jurisdicional. 
§ 4o Os órgãos responsáveis pela política agrária e pela política urbana da União, de Estado 
ou do Distrito Federal e de Município onde se situe a área objeto do litígio poderão ser 
intimados para a audiência, a fim de se manifestarem sobre seu interesse no processo e 
sobre a existência de possibilidade de solução para o conflito possessório. 
§ 5o Aplica-se o disposto neste artigo ao litígio sobre propriedade de imóvel. 
Art. 566. Aplica-se, quanto ao mais, o procedimento comum. 
 
Por fim, o CPC ainda traz as regras sobre o interdito proibitório: 
 
Art. 567. O possuidor direto ou indireto que tenha justo receio de ser molestado na posse 
poderá requerer ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente, mediante mandado 
proibitório em que se comine ao réu determinada pena pecuniária caso transgrida o 
preceito. 
Art. 568. Aplica-se ao interdito proibitório o disposto na Seção II deste Capítulo. 
 
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Vide o art. 216-A da LRP sobre a usucapião extrajudicial trazida pelo 
CPC/2015: 
 
Art. 216-A. Sem prejuízo da via jurisdicional, é admitido o pedido de reconhecimento 
extrajudicial de usucapião, que será processado diretamente perante o cartório do registro 
de imóveis da comarca em que estiver situado o imóvel usucapiendo, a requerimento do 
interessado, representado por advogado, instruído com: 
I - ata notarial lavrada pelo tabelião, atestando o tempo de posse do requerente e seus 
antecessores, conforme o caso e suas circunstâncias; 
II - planta e memorial descritivo assinado por profissional legalmente habilitado, com prova 
de anotação de responsabilidade técnica no respectivo conselho de fiscalização profissional, 
e pelos titulares de direitos reais e de outros direitos registrados ou averbados na matrícula 
do imóvel usucapiendo e na matrícula dos imóveis confinantes; 
III - certidões negativas dos distribuidores da comarca da situação do imóvel e do domicílio 
do requerente; 
IV - justo título ou quaisquer outros documentos que demonstrem a origem, a continuidade, 
a natureza e o tempo da posse, tais como o pagamento dos impostos e das taxas que 
incidirem sobre o imóvel. 
§ 1o O pedido será autuado pelo registrador, prorrogando-se o prazo da prenotação até o 
acolhimento ou a rejeição do pedido. 
§ 2o Se a planta não contiver a assinatura de qualquer um dos titulares de direitos reais e 
de outros direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e na 
matrícula dos imóveis confinantes, esse será notificado pelo registrador competente, 
pessoalmente ou pelo correio com aviso de recebimento, para manifestar seu 
consentimento expresso em 15 (quinze) dias, interpretado o seu silêncio como discordância. 
§ 3o O oficial de registro de imóveis dará ciência à União, ao Estado, ao Distrito Federal e 
ao Município, pessoalmente, por intermédio do oficial de registro de títulos e documentos, 
ou pelo correio com aviso de recebimento, para que se manifestem, em 15 (quinze) dias, 
sobre o pedido. 
§ 4o O oficial de registro de imóveis promoverá a publicação de edital em jornal de grande 
circulação, onde houver, para a ciência de terceiros eventualmente interessados, que 
poderão se manifestar em 15 (quinze) dias. 
§ 5o Para a elucidação de qualquer ponto de dúvida, poderão ser solicitadas ou realizadas 
diligências pelo oficial de registro de imóveis. 
§ 6o Transcorrido o prazo de que trata o § 4o deste artigo, sem pendência de diligências 
na forma do § 5o deste artigo e achando-se em ordem a documentação, com inclusão da 
concordância expressa dos titulares de direitos reais e de outros direitos registrados ou 
averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e na matrícula dos imóveis confinantes, o 
oficial de registro de imóveis registrará a aquisição do imóvel com as descrições 
apresentadas, sendo permitida a abertura de matrícula, se for o caso. 
§ 7o Em qualquer caso, é lícito ao interessado suscitar o procedimento de dúvida, nos 
termos desta Lei. 
§ 8o Ao final das diligências, se a documentação não estiver em ordem, o oficial de registro 
de imóveis rejeitará o pedido. 
§ 9o A rejeição do pedido extrajudicial não impede o ajuizamento de ação de usucapião. 
§ 10. Em caso de impugnação do pedido de reconhecimento extrajudicial de usucapião, 
apresentada por qualquer um dos titulares de direito reais e de outros direitos registrados 
ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e na matrícula dos imóveis confinantes, 
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por algum dos entes públicos ou por algum terceiro interessado, o oficial de registro de 
imóveis remeterá os autos ao juízo competente da comarca da situação do imóvel, cabendo 
ao requerente emendar a petição inicial para adequá-la ao procedimento comum. 
 
Finalizando, reveja, ainda que o CC/2002 o faça de maneira um tanto 
desorganizada, as situações de aplicação das variadas espécies de 
usucapião, apenas para fixar a “letra da lei”: 
 
Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu 
um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo 
requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro 
no Cartório de Registro de Imóveis. 
Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor 
houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços 
de caráter produtivo. 
Art. 1.239. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, 
por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a 
cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela 
sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. 
Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros 
quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia 
ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel 
urbano ou rural. 
§ 1o O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou 
a ambos, independentemente do estado civil. 
§ 2o O direito previsto no parágrafo antecedente não será reconhecido ao mesmo possuidor 
mais de uma vez. 
Art. 1.240-A. Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, 
posse direta,com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta 
metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que 
abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio 
integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
§ 1o O direito previsto no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma 
vez. 
Art. 1.241. Poderá o possuidor requerer ao juiz seja declarada adquirida, mediante 
usucapião, a propriedade imóvel. 
Parágrafo único. A declaração obtida na forma deste artigo constituirá título hábil para o 
registro no Cartório de Registro de Imóveis. 
Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e 
incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos. 
Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido 
adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada 
posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou 
realizado investimentos de interesse social e econômico. 
Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos 
antecedentes, acrescentar à sua posse a dos seus antecessores (art. 1.207), contanto que 
todas sejam contínuas, pacíficas e, nos casos do art. 1.242, com justo título e de boa-fé. 
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Art. 1.244. Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que 
obstam, suspendem ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião. 
 
 
Jurisprudência e Súmulas Correlatas 
 
A competência territorial não é afastada nas ações de usucapião pela 
presença da União: 
STJ Súmula 11 01/10/1990 
A presença da União ou de qualquer de seus entes, na ação de usucapião especial, não 
afasta a competência do foro da situação do imóvel. 
 
O compromisso de compra e venda tem peso bastante alto na realidade brasileira 
e os tribunais o reconhecem. O compromissário-comprador pode, inclusive, 
manejar embargos de terceiro senhor e possuidor lastreado no 
compromisso, ainda que não registrado: 
STJ Súmula 84 02/07/1993 
E admissível a oposição de embargos de terceiro fundados em alegação de posse advinda 
do compromisso de compra e venda de imóvel, ainda que desprovido do registro. 
 
A Súmula 193 é um tanto datada, mas serve para demonstrar que a usucapião 
tem amplitude bastante grande, incluindo bens móveis bastante peculiares: 
STJ Súmula 193 06/08/1997 
O direito de uso de linha telefônica pode ser adquirido por usucapião. 
 
Apesar de as ações possessórias se aplicarem, em tese, a qualquer direito real, 
incluindo bens imóveis e bens móveis, o STJ fixou o entendimento de que o 
interdito proibitório não é uma medida adequada de proteção de direito 
autoral, devendo-se adotar medida de cunho obrigacional (obrigação de não 
fazer com astreintes pelo descumprimento): 
STJ Súmula 228 08/10/1999 
É inadmissível o interdito proibitório para a proteção do direito autoral. 
 
Para evitar que na pendência de processo expropriatório para fins de reforma 
agrária fosse o bem imóvel invadido, já com a perspectiva de expropriação, com 
o cunho de “forçar” o Poder Público a efetivar a desapropriação, o STJ fixou 
Súmula que determina a suspensão do processo nesse caso: 
STJ Súmula 354 08/09/2008 
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A invasão do imóvel é causa de suspensão do processo expropriatório para fins de reforma 
agrária. 
 
A usucapião pode ser arguida na defesa de uma ação possessória, como 
no caso de uma ação de reintegração de posse. Assim, o Juízo não apenas pode 
afastar a reintegração, reintegrando o réu na posse de imóvel cuja posse fora 
indevidamente esbulhado, como pode usar o pedido de usucapião como defesa 
possessória: 
STF SÚMULA 237 
A usucapião pode ser arguida em defesa. 
 
A Súmula 263 do STF acabou com as controvérsias sobre a citação do 
possuidor no caso de ação de usucapião, estabelecendo que ele deve ser 
citado pessoalmente para a ação: 
STF SÚMULA 263 
O possuidor deve ser citado pessoalmente para a ação de usucapião. 
 
O mesmo raciocínio foi aplicado, pelo STF, tempos depois, para os confinantes, 
que igualmente devem ser citados pessoalmente para as ações de 
usucapião nas quais figurem como interessados: 
STF SÚMULA 391 
O confinante certo deve ser citado, pessoalmente, para a ação de usucapião. 
 
Em regra, como vimos, o domínio não pode obstar as ações possessórias, já que 
o fundamento é diverso. As ações possessórias fundam-se na posse, ao passo 
que a exceção de domínio se funda na propriedade. No entanto, o STF fixou o 
entendimento de que se deve deferir a posse a quem, evidentemente, tiver 
o domínio, se com base neste for ela disputada. Veja-se, no entanto, que 
essa é a única situação na qual o domínio pode resolver disputa possessória 
baseada na posse: 
STF SÚMULA 487 
Será deferida a posse a quem, evidentemente, tiver o domínio, se com base neste for ela 
disputada. 
 
A “posse” de área pública é, em verdade, mera detenção, pelo que as 
consequências derivadas da posse, como o direito de retenção e de indenização 
por benfeitorias, são inaplicáveis à situação: 
EMBARGOS DE TERCEIRO - MANDADO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE - OCUPAÇÃO 
IRREGULAR DE ÁREA PÚBLICA - INEXISTÊNCIA DE POSSE - DIREITO DE RETENÇÃO NÃO 
CONFIGURADO. 
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1. Posse é o direito reconhecido a quem se comporta como proprietário. Posse e 
propriedade, portanto, são institutos que caminham juntos, não havendo de ser reconhecer 
a posse a quem, por proibição legal, não possa ser proprietário ou não possa gozar de 
qualquer dos poderes inerentes à propriedade. 
2. A ocupação de área pública, quando irregular, não pode ser reconhecida como posse, 
mas como mera detenção. 
3. Se o direito de retenção depende da configuração da posse, não se pode, ante a 
consideração da inexistência desta, admitir o surgimento daquele direito advindo da 
necessidade de se indenizar as benfeitorias úteis e necessárias, e assim impedir o 
cumprimento da medida imposta no interdito proibitório (REsp 556.721/DF, Rel. Ministra 
ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 03/10/2005, p. 172). 
 
O mesmo raciocínio se aplica aos imóveis situados nos terrenos de Marinha: 
ADMINISTRATIVO E CIVIL. AÇÃO POSSESSÓRIA. TERRENO DE MARINHA. OCUPAÇÃO 
PRECÁRIA. RETENÇÃO POR BENFEITORIAS. INADMISSIBILIDADE. SUPREMACIA DO 
INTERESSE PÚBLICO (REsp 635.980/PR, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, 
julgado em 03/08/2004, DJ 27/09/2004, p. 271). 
 
O STJ fixou o entendimento de que pode haver usucapião mesmo em áreas 
cuja metragem mínima é inferior à estabelecida pela municipalidade para 
o parcelamento do solo urbano. Isso porque há exigências para metragens 
máximas, não mínimas, na legislação constitucional e infraconstitucional: 
Recurso extraordinário. Repercussão geral. Usucapião especial urbana. Interessados que 
preenchem todos os requisitos exigidos pelo art. 183 da Constituição Federal. Pedido 
indeferido com fundamento em exigência supostamente imposta pelo plano diretor do 
município em que localizado o imóvel. Impossibilidade. A usucapião especial urbana tem 
raiz constitucional e seu implemento não pode ser obstado com fundamento em norma 
hierarquicamente inferior ou em interpretação que afaste a eficáciado direito 
constitucionalmente assegurado. Recurso provido. 1. Módulo mínimo do lote urbano 
municipal fixado como área de 360 m2. Pretensão da parte autora de usucapir porção de 
225 m2, destacada de um todo maior, dividida em composse. 2. Não é o caso de declaração 
de inconstitucionalidade de norma municipal. 3. Tese aprovada: preenchidos os requisitos 
do art. 183 da Constituição Federal, o reconhecimento do direito à usucapião especial 
urbana não pode ser obstado por legislação infraconstitucional que estabeleça módulos 
urbanos na respectiva área em que situado o imóvel (dimensão do lote). 4. Recurso 
extraordinário provido (RE 422349, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado 
em 29/04/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-153 DIVULG 
04-08-2015 PUBLIC 05-08-2015). 
 
O mesmo entendimento foi fixado pelo STJ quanto a áreas rurais, que podem 
ser usucapidas ainda que a metragem mínima do módulo rural não tenha 
sido atingida: 
RECURSO ESPECIAL. USUCAPIÃO RURAL CONSTITUCIONAL. FUNÇÃO SOCIAL DA 
PROPRIEDADE RURAL. MÓDULO RURAL. ÁREA MÍNIMA NECESSÁRIA AO APROVEITAMENTO 
ECONÔMICO DO IMÓVEL. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. CONSTITUIÇÃO 
FEDERAL. PREVISÃO DE ÁREA MÁXIMA A SER USUCAPIDA. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO 
LEGAL DE ÁREA MÍNIMA. IMPORTÂNCIA MAIOR AO CUMPRIMENTO DOS FINS A QUE SE 
DESTINA A NORMA. 
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1. A propriedade privada e a função social da propriedade estão previstas na Constituição 
Federal de 1988 dentre os direitos e garantias individuais (art. 5.º, XXIII), sendo 
pressupostos indispensáveis à promoção da política de desenvolvimento urbano (art. 182, 
§ 2.º) e rural (art. 186, I a IV). 
2. No caso da propriedade rural, sua função social é cumprida, nos termos do art. 186 da 
CF/1988, quando seu aproveitamento for racional e apropriado; quando a utilização dos 
recursos naturais disponíveis for adequada e o meio ambiente preservado, assim como 
quando as disposições que regulam as relações de trabalho forem observadas. 
3. A usucapião prevista no art. 191 da Constituição (e art. 1.239 do Código Civil), 
regulamentada pela Lei n. 6.969/1981, é caracterizada pelo elemento posse-trabalho. Serve 
a essa espécie tão somente a posse marcada pela exploração econômica e racional da terra, 
que é pressuposto à aquisição do domínio do imóvel rural, tendo em vista a intenção clara 
do legislador em prestigiar o possuidor que confere função social ao imóvel rural. 
4. O módulo rural previsto no Estatuto da Terra foi pensado a partir da delimitação da área 
mínima necessária ao aproveitamento econômico do imóvel rural para o sustento familiar, 
na perspectiva de implementação do princípio constitucional da função social da 
propriedade, importando sempre, e principalmente, que o imóvel sobre o qual se exerce a 
posse trabalhada possua área capaz de gerar subsistência e progresso social e econômico 
do agricultor e sua família, mediante exploração direta e pessoal - com a absorção de toda 
a força de trabalho, eventualmente com a ajuda de terceiros. 
5. Com efeito, a regulamentação da usucapião, por toda legislação que cuida da matéria, 
sempre delimitou apenas a área máxima passível de ser usucapida, não a área mínima, 
donde concluem os estudiosos do tema, que mais relevante que a área do imóvel é o 
requisito que precede a ele, ou seja, o trabalho realizado pelo possuidor e sua família, que 
torna a terra produtiva e lhe confere função social. 
6. Assim, a partir de uma interpretação teleológica da norma, que assegure a tutela do 
interesse para a qual foi criada, conclui-se que, assentando o legislador, no ordenamento 
jurídico, o instituto da usucapião rural, prescrevendo um limite máximo de área a ser 
usucapida, sem ressalva de um tamanho mínimo, estando presentes todos os requisitos 
exigidos pela legislação de regência, parece evidenciado não haver impedimento à aquisição 
usucapicional de imóvel que guarde medida inferior ao módulo previsto para a região em 
que se localize. 
7. A premissa aqui assentada vai ao encontro do que foi decidido pelo Plenário do Supremo 
Tribunal Federal, em conclusão de julgamento realizado em 29.4.2015, que proveu recurso 
extraordinário, em que se discutia a possibilidade de usucapião de imóvel urbano em 
município que estabelece lote mínimo para parcelamento do solo, para reconhecer aos 
recorrentes o domínio sobre o imóvel, dada a implementação da usucapião urbana prevista 
no art. 183 da CF. 
8. Na oportunidade do Julgamento acima referido, a Suprema Corte fixou a seguinte tese: 
Preenchidos os requisitos do art. 183 da CF, o reconhecimento do direito à usucapião 
especial urbana não pode ser obstado por legislação infraconstitucional que estabeleça 
módulos urbanos na respectiva área onde situado o imóvel (dimensão do lote) (RE 
422.349/RS, rel. Min. Dias Toffoli, 29.4.2015) 9. Recurso especial provido. 
(REsp 1040296/ES, Rel. Ministro MARCO BUZZI, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE 
SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe 14/08/2015). 
 
Ainda que se possa aplicar as ações possessórias a bens incorpóreos, em 
determinadas situações excepcionais, inaplicável o interdito proibitório para 
a proteção de direito autoral: 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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DIREITOS AUTORAIS. INTERDITO PROIBITORIO. CONSOLIDADA A JURISPRUDENCIA DO 
STJ NO SENTIDO DE QUE INCABIVEL O INTERDITO PROIBITORIO PARA A PROTEÇÃO DE 
DIREITO AUTORAL (REsp 144.907/SP, Rel. Ministro PAULO COSTA LEITE, TERCEIRA 
TURMA, julgado em 10/11/1997, DJ 30/03/1998, p. 49). 
 
Em sendo as sociedades de economia mista pessoas jurídicas de direito 
privado, podem os bens pertencentes a elas ser objeto de usucapião por 
outros particulares, já definiu o STJ antes mesmo da vigência do CC/2002: 
USUCAPIÃO. BEM PERTENCENTE A SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. POSSIBILIDADE. 
"ANIMUS DOMINI". MATERIA DE FATO. BENS PERTENCENTES A SOCIEDADE DE ECONOMIA 
MISTA PODEM SER ADQUIRIDOS POR USUCAPIÃO. DISSONANCIA INTERPRETATIVA 
INSUSCETIVEL DE CONFIGURAR-SE TOCANTE AO ANIMUS DOMINI DOS USUCAPIENTES 
EM FACE DA SITUAÇÃO PECULIAR DE CADA CASO CONCRETO (REsp 37.906/ES, Rel. 
Ministro BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 29/10/1997, DJ 15/12/1997, p. 
66414). 
 
Segundo o STJ, a decisão que reconhece a aquisição da propriedade de 
bem imóvel por usucapião prevalece sobre a hipoteca judicial que 
anteriormente tenha gravado o referido bem. Isso porque, com a declaração 
de aquisição de domínio por usucapião, deve desaparecer o gravame real 
constituído sobre o imóvel, antes ou depois do início da posse ad usucapionem, 
seja porque a sentença apenas declara a usucapião com efeitos ex tunc, seja 
porque a usucapião é forma originária de aquisição de propriedade, não 
decorrente da antiga e não guardando com ela relação de continuidade: 
RECURSO ESPECIAL. HIPOTECA JUDICIAL DE GLEBA DE TERRAS. POSTERIOR 
PROCEDÊNCIA DE AÇÃO DE USUCAPIÃO DE PARTE DAS TERRAS HIPOTECADAS. 
PARTICIPAÇÃO DO CREDOR HIPOTECÁRIO NA AÇÃO DE USUCAPIÃO COMO ASSISTENTE 
DO RÉU. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. PREVALÊNCIA DA USUCAPIÃO. 
EFEITOS EX TUNC DA SENTENÇA DECLARATÓRIA. CANCELAMENTO PARCIAL DA HIPOTECA 
JUDICIAL. RECURSO DESPROVIDO. Assegurada ao primitivo credor hipotecário participação 
na posterior ação de usucapião, não se pode ter como ilegal a decisão que reconhece ser a 
usucapião modo originário de aquisição da propriedade e, portanto, prevalente sobre os 
direitos reais de garantia que anteriormente gravavam a coisa (REsp 620.610/DF, Rel. 
Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 19/02/2014). 
 
O Enunciado 302 das Jornadasde Direito Civil do CJF estabelece que qualquer 
ato jurídico capaz de transmitir a posse ad usucapionem pode ser 
considerado justo título para a posse de boa-fé: 
Enunciado 302 
Pode ser considerado justo título para a posse de boa-fé o ato jurídico capaz de transmitir 
a posse ad usucapionem, observado o disposto no art. 113 do Código Civil. 
 
 
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Questões 
 
 
Questões sem comentários 
 
 
As questões abaixo foram tratadas ao longo da aula. Na sequência, estão 
elas sem comentários, secas, para você acompanhar. Adiante, estarão os 
gabaritos dessas questões e, ao final, os comentários: 
 
 
2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto 
Assinale a alternativa correta a respeito da disciplina da Posse no Código 
Civil. 
a) Considera-se possuidor todo aquele que tem de direito o exercício, pleno 
ou não, de algum dos direitos inerentes à propriedade. 
b) A posse direta anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. 
c) Considera-se possuidor indireto aquele que, achando-se em relação de 
dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em 
cumprimento de ordens ou instruções suas. 
d) Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, pode cada uma exercer 
sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros 
compossuidores. 
e) É justa a posse, se o possuidor ignora o vício ou o obstáculo que impede 
a aquisição da coisa. 
 
 
2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado 
Em relação à posse analise as seguintes assertivas: 
 I. O possuidor de má-fé responde, em qualquer caso, pela deterioração da 
coisa, salvo se acidental. 
 II. A posse é transmitida ao legatário do possuidor com as mesmas 
características da posse originária. 
III. É de boa-fé a posse adquirida pelo possuidor que ignora o obstáculo que 
impede a aquisição da coisa. 
 IV. A alegação de propriedade não impede a reintegração na posse. 
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Quais estão corretas? 
A) Apenas I e IV. 
 B) Apenas II e III. 
C) Apenas I, II e III. 
D) Apenas I, II e IV. 
E) Apenas II, III e IV. 
 
 
2015 – UFPR – PGM/Curitiba (PR) – Procurador Municipal 
Sobre usucapião, considere as seguintes situações: 
1 A Associação de Moradores da Comunidade Pinhal, regularmente 
constituída, tem legitimidade, como substituto processual, para ajuizar ação 
de usucapião especial coletiva urbana em favor dos associados que 
expressamente a autorizaram a regularizar a situação do imóvel de 900 m2 
que habitam com suas famílias há 6 anos, ininterruptamente e sem oposição. 
Pinhal é uma comunidade de famílias de baixa renda e não foi possível 
identificar de forma individual os terrenos ocupados por cada grupo. A 
sentença que acolher o pedido declarará o direito dos compossuidores à 
usucapião e atribuirá a cada um deles fração ideal do terreno sem levar em 
conta a dimensão que cada qual ocupa na área. 
2. Na usucapião especial urbana ou constitucional não é admissível a acessio 
possessionis, ou seja, a acessão ou junção da posse, pois não há transmissão 
da posse por ato intervivos, já que se exige que a posse seja pessoal. De 
outro lado, poderá utilizar-se o prazo do ex-possuidor, no caso de sucessio 
possessionis, quando o sucessor, ao tempo do óbito, já residia no imóvel, 
porque não haverá quebra do período possessório de cinco anos. 
3. Marialva recebeu por herança uma pequena chácara em Adrianópolis, mas 
pretende vendê-la para comprar um carro, porque já está acostumada a 
morar em Curitiba. Antes, porém, quer resolver a situação do apartamento 
de 200 m2 no Bairro Alto, onde vive com seus dois filhos gêmeos de 5 anos. 
O imóvel foi comprado quando ela ainda coabitava com o pai dos meninos, 
que deixou o convívio familiar há 2 anos. Ele não colabora com as despesas 
do lar, nem visita os gêmeos regularmente, mas não se opõe a que Marialva 
habite o apartamento. Marialva reúne as condições para aquisição da 
integralidade desse imóvel através de usucapião familiar. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira. 
b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. 
c) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. 
d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. 
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e) As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras. 
 
 
2014 – FCC – DPE/RS – Defensor Público Estadual 
José da Silva tomou conhecimento da existência de uma rudimentar casa 
urbana de veraneio, construída sobre um terreno de 300 m2, que estava 
desocupada e, com sua esposa e dois filhos, esbulhou o imóvel em 5 de abril 
de 1998. Desde então, estabeleceu no imóvel sua moradia habitual, 
mantendo posse com ânimo de dono, de forma pública, contínua, mansa e 
pacífica. Em 10 de junho de 2010, por contrato particular de compra e venda, 
José alienou o imóvel a Pedro de Souza, pelo valor de R$ 14.000,00, tendo 
o comprador passado a utilizar o imóvel também para sua moradia, 
mantendo as mesmas características da posse exercida pelo vendedor. Em 
10 de junho de 2014, Pedro recebeu citação em ação reivindicatória ajuizada 
pelo espólio do proprietário registral do imóvel, procurando a Defensoria 
Pública para a defesa de seus direitos. Nesse caso, Pedro 
(A) poderá, em sua defesa, alegar a ocorrência da prescrição aquisitiva, na 
modalidade extraordinária, hábil a ensejar a improcedência da ação 
reivindicatória contra si manejada. 
(B) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em 
ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva, uma vez 
que a simples citação na ação ajuizada pelo espólio do proprietário registral 
interrompe a posse ad usucapionem. 
(C) não poderá, em sua defesa, alegar a ocorrência da prescrição aquisitiva, 
podendo, entretanto, ajuizar ação autônoma de usucapião extraordinária. 
(D) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em 
ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva, em 
qualquer de suas modalidades, pois não atingido prazo suficiente para tanto. 
(E) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em 
ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva na 
modalidade extraordinária, pois, em que pese tenha implementado o 
requisito temporal, a posse se originou em esbulho do vendedor. 
 
 
2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado 
O possuidor de boa-fé: 
(A) é aquele cuja posse não é precária. 
(B) tem direito à indenização das benfeitorias necessárias, úteis e 
voluptuárias. 
(C) não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. 
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(D) tem direito de retenção quanto às benfeitorias, mas não tem direito aos 
frutos percebidos. 
 
 
2014 – VUNESP – PGM/SP – Procurador Municipal 
Gustavo e sua família passaram a ocupar bem público dominical de 250 m² 
(duzentos e cinquenta metros quadrados), em área urbana, utilizando-o 
como moradia da família e realizando diversas benfeitorias úteis e 
voluptuárias. O bem estava sem utilização pela Administração Pública, mas, 
passados 5 (cinco) anos, o município pretendia utilizá-lo para determinadas 
funções.Assim, foi ajuizada ação com o objetivo de retirar a família do local. 
Nesse panorama, partindo da premissa que a família sabia se tratar de bem 
público, é correto afirmar que 
(A) de acordo com as características do imóvel, o instituto da usucapião 
beneficia a família. 
(B) o município deverá indenizar pelas benfeitorias úteis, mas não pelas 
voluptuárias. 
(C) a retirada da família do imóvel urbano só é possível após as indenizações 
pelas benfeitorias realizadas. 
(D) o município tem pretensão de retomada do bem, independentemente de 
qualquer indenização. 
(E) de acordo com as características do imóvel, o instituto da usucapião 
beneficia a família tão somente se não forem proprietários de outro imóvel. 
 
 
2013 – CESPE – AGU – Procurador Federal 
Quando o proprietário de um bem imóvel, efetivando uma relação jurídica 
negocial com terceiro, transfere-lhe o poder de fato sobre esse bem, ocorre 
a composse, de forma que qualquer dos dois poderá defender a posse contra 
terceiros. 
 
 
As questões abaixo, agora sem comentários, não estão contidas na aula. 
Elas orbitam em torno das questões acima e, por isso, apresentam 
comentários não tão detalhados quanto as questões anteriores. É pra 
você treinar! Adiante, seguem os gabaritos e, ao fim, os comentários. 
 
 
1. 2017 – TRF – TRF/2ª Região – Juiz Federal Substituto 
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Em maio de 2015, Gaio intenta ação objetivando ver reconhecida a 
usucapião sobre imóvel de 150 m2, localizado em terreno de marinha, com 
enfiteuse regularmente constituída em favor de Tício, em 1980. Gaio mostra 
que, diante do aparente abandono local, desde 1997 passou a exercer posse 
contínua e não incomodada sobre a área, com ânimo de proprietário, 
realizando melhorias e pagando as despesas, impostos e foro sobre o bem. 
Os autos revelam que Tício fora interditado em 2004, e afirmado, segundo 
a lei vigente, absolutamente incapaz. Desde então não ocorreu a mudança 
de seu quadro de interdição. Considerados corretos todos os dados acima, 
assinale a opção certa: 
a) No caso, é viável a usucapião extraordinária do domínio direto. 
b) Em tese, estão presentes e descritos os pressupostos para a usucapião 
especial urbana do domínio útil. 
c) Não é viável, nem em tese, reconhecer usucapião, seja do domínio direto, 
seja do domínio útil, já que o imóvel é público. 
d) A jurisprudência é assente ao admitir, em terreno de marinha objeto de 
aforamento, a possibilidade de usucapião extraordinária do domínio útil, mas 
no caso os pressupostos não estão presentes. 
e) Estão presentes os pressupostos para a declaração da usucapião 
extraordinária do domínio útil, mas não estão descritos os pressupostos 
necessários para a usucapião especial urbana. 
 
 
2. 2016 – TRF 3ª REGIÃO – TRF 3ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto 
Sobre a posse, assinale a alternativa incorreta: 
a) A acessão possessória pode-se dar de modo facultativo ou por 
continuidade do direito recebido do antecessor. 
b) Admite-se o convalescimento da posse violenta e da posse clandestina. 
c) A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em 
que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui 
indevidamente. 
d) O reivindicante, quando obrigado, indenizará as benfeitorias ao possuidor 
de má-fé pelo valor atual. 
 
 
3. 2016 – TRF 4ª REGIÃO – TRF 4ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto 
Assinale a alternativa INCORRETA. 
Acerca da usucapião de bens imóveis: 
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a) O prazo da usucapião extraordinária é de 10 anos, podendo ser reduzido 
para 5 anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel sua moradia 
habitual ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. 
b) O prazo da usucapião especial por abandono do lar, também conhecida 
como conjugal, é de 2 anos. 
c) O prazo da usucapião pro labore, também conhecida como especial rural, 
é de 5 anos. 
d) O prazo da usucapião documental, também conhecida como tabular, é de 
5 anos. 
e) O prazo da usucapião especial coletiva de bem imóvel, previsto no 
Estatuto das Cidades, é de 5 anos. 
 
 
4. 2016 – VUNESP – TJ/RJ – Juiz Estadual Substituto 
Rony, há 6 (seis) anos ininterruptos e sem oposição, possui como sua uma 
pequena casa de 90 m², em área urbana, onde reside com sua família. Não 
é proprietário de outro imóvel, urbano ou rural. Anteriormente à sua posse, 
a casa era ocupada por um amigo seu que se mudou para outro Estado, mas 
Rony não sabe a que título seu amigo ocupava o imóvel. Dois anos após a 
ocupação por Rony, foi averbada na matrícula do imóvel uma certidão de 
distribuição de uma ação de execução em face do formal proprietário do 
bem. Rony não recebeu notícia da averbação realizada. 
Diante dessas circunstâncias, é correto afirmar que 
a) a averbação da certidão de distribuição da execução interrompeu o prazo 
para prescrição aquisitiva. 
b) não se operou a prescrição aquisitiva, por falta de lapso temporal 
suficiente. 
c) a averbação da certidão de distribuição da execução suspende o prazo 
para prescrição aquisitiva, até que seja cancelada a averbação por algum 
motivo. 
d) Rony não usucapiu o imóvel na medida em que a averbação da certidão 
de distribuição da execução implica na impossibilidade de usucapir por 
modalidade diversa da usucapião extraordinária. 
e) se operou a prescrição aquisitiva em favor de Rony, pela denominada 
usucapião especial urbana residencial individual. 
 
 
5. 2016 – CESPE – PGE/AM – Procurador do Estado 
Por meio de esbulho, Ronaldo obteve a posse de lote urbano pertencente ao 
estado do Amazonas. Nesse lote, ele construiu sua residência, na qual 
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edificou uma série de benfeitorias, tais como piscina e churrasqueira. O 
estado do Amazonas, por intermédio de sua procuradoria, ingressou em 
juízo para reaver o imóvel. Nessa situação, Ronaldo poderá exigir 
indenização por todas as benfeitorias realizadas e exercer o direito de 
retenção enquanto não for pago o valor da indenização. 
 
 
6. 2016 – FCC – PGE/MA – Procurador do Estado 
Marcelo possuiu, como seu, imóvel no qual estabeleceu sua moradia 
habitual, por onze anos, sem interrupção nem oposição, e não ostentando 
justo título. No imóvel, foram descobertas jazidas e recursos minerais. Em 
ação de usucapião, Marcelo requereu fosse declarada aquisição do imóvel e 
das jazidas e recursos minerais, pelo transcurso do tempo. A pretensão 
(A) procede em parte, porque a usucapião extraordinária independe de justo 
título e seu prazo ́ reduzido de quinze para dez anos quando o possuidor 
estabelece no imóvel sua moradia habitual, poŕm, a usucapião não 
alcançaráば as jazidas e recursos minerais, porque a propriedade do solo não 
as abrange. 
(B) procede em parte, porque a usucapião extraordinária independe de justo 
título e seu prazo ́ reduzido de vinte para dez anos quando o possuidor 
estabelece no imóvel sua moradia habitual, poŕm, a usucapião não 
alcançaráば as jazidas e recursos minerais, porque a propriedade do solo não 
as abrange. 
(C) não procede, porque as terras em que se encontram jazidas e recursos 
minerais não podem ser usucapidas. 
(D) procede no todo, porque a usucapião extraordinária independe de justo 
título e seu prazo ́ reduzido de vinte para dez anos quando o possuidor 
estabelece no imóvel sua moradia habitual e com a aquisição da propriedade 
do solo,adquire-se a propriedade das jazidas e recursos minerais, que ao 
solo pertencem. 
(E) não procede, porque a usucapião, em qualquer de suas espécies, 
demanda a existência de justo título. 
 
 
7. 2016 – FUNDATEC – PGM/Porto Alegre (RS) – Procurador 
Municipal 
Um terreno urbano baldio (“Terreno A”) foi vendido ao Sr. João que, ao 
ingressar no imóvel, tomou, sem perceber, posse do imóvel lindeiro 
(“Terreno “B”). O Terreno B possuía 220 metros quadrados e era de 
propriedade do Município já na época da aquisição do Terreno A pelo Sr. 
João. O Sr. João cercou o Terreno B, limpou-o, plantou algumas árvores 
frutíferas e fez construir uma cerca, evitando possíveis invasões, comuns 
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naquela região. Somente sete anos depois da utilização ininterrupta, a 
administração municipal se apercebeu do fato e, ato contínuo, notificou o Sr. 
João. Na notificação, o Município comprovou a sua propriedade sobre a área 
e deu um prazo de seis meses para que o Sr. João devolvesse o Terreno B 
ao Município. Passados esses seis meses, o Sr. João não devolveu o Terreno 
B, alegando que tem direitos sobre a área. Com base nesses fatos, analise 
as afirmações a seguir: 
I. O Sr. João não deve devolver ao Município o Terreno B, haja vista o 
transcurso do prazo de usucapião aplicável ao caso em razão das 
características do Terreno B. ͒ 
II. Mesmo depois de notificado e de não ter respeitado o prazo fixado, o Sr. 
João pode reter o imóvel até ser indenizado pela cerca construída e pelas 
árvores plantadas. ͒ 
III. O Sr. João não tem direito a obter a propriedade pela usucapião e nem 
a ser ressarcido pelas benfeitorias realizadas no Terreno B. ͒ 
Quais estão corretas? 
A) Apenas I. 
B) Apenas II. 
C) Apenas III. 
D) Apenas I e II. 
E) Apenas II e III. 
 
 
8. 2016 – FUNRIO – PGM/Trindade (GO) – Procurador Municipal 
Em relação aos efeitos e à perda da posse, é INCORRETA a seguinte afirmativa: 
a. A posse, diante da funcionalização dos institutos jurídicos, deve exercer 
uma função social. 
b. Ainda que o possuidor não tenha presenciado o esbulho, caso a coisa 
tenha sido tomada por terceiro, considera-se perdida a posse. 
c. O possuidor tem direito de ser mantido na posse em caso de turbação, 
restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo 
receio de ser molestado. 
d. Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, 
quando, tendo notícia dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando 
recuperá-la, é violentamente repelido. 
e. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, 
temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a 
indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a 
sua posse contra o indireto. 
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9. 2016 – FCC – DPE/BA – Defensor Público Estadual 
A posse-trabalho 
(A) pode gerar a desapropriação de terras públicas em favor de um grupo 
de pessoas que realizou obras ou serviços considerados de interesse social 
e econômico relevante. 
(B) pode gerar ao proprietário a privação da coisa reivindicada, se for 
exercida em extensa área por prazo ininterrupto de cinco anos, mas o 
proprietário tem direito à fixação de justa indenização. 
(C) é aquela que permite a usucapião especial urbana, em imóveis com área 
não superior a 250 metros quadrados e, por ser forma originária de aquisição 
da propriedade, independe de indenização. 
(D) está prevista no Estatuto da Cidade como requisito para a usucapião 
coletiva de áreas urbanas ou rurais onde não for possível identificar os 
terrenos ocupados por cada possuidor. 
(E) se configura como a mera detenção, também chamada de fâmulo da 
posse, fenômeno pelo qual alguém detém a posse da coisa em nome alheio. 
 
 
10. 2015 – CESPE – TRF/1ª Região – Juiz Federal Substituto 
Pedro adquiriu um imóvel de Manoel por meio de cessão de direitos. Manuel 
vendeu o imóvel — que era objeto de contrato de financiamento, adquirido 
de acordo com as normas do Sistema Financeiro de Habitação — porque não 
lograva êxito em pagar as prestações devidas há um ano, o que acarretou, 
inclusive, ação de execução hipotecária. O imóvel estava hipotecado e 
devidamente registrado. 
Nessa situação hipotética, a posse exercida por Pedro foi 
a) justa, devido à presunção de boa-fé. 
b) de má-fé, uma vez que havia registro da hipoteca. 
c) clandestina, por ter sido adquirida às ocultas da instituição financeira. 
d) precária, ante o abuso de direito por parte da instituição financeira. 
e) de boa-fé, por atender a função social. 
 
 
11. 2015 – FCC – TJ/AL – Juiz Estadual Substituto 
A posse direta de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, 
em virtude de algum direito 
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a) pessoal ou real anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, não podendo, 
porém, defender sua posse contra o que teve posse direta. 
b) real não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor 
direto defender a sua posse contra o indireto, mas esse mesmo direito não 
terá, se a posse direta advier de direito pessoal. 
c) pessoal ou real não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo 
o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. 
d) pessoal não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, mas esse mesmo 
direito não terá se a posse direta advier de direito real. 
e) pessoal ou real anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, bem como defender 
a sua posse contra o que teve posse direta. 
 
 
12. 2015 – FCC – TJ/SC – Juiz Estadual Substituto 
João X, que se estabelecera em um terreno abandonado havia um (01) ano 
e nele construíra um casebre, foi surpreendido com a citação para defender-
se em ação de reintegração de posse, movida por José Y, que alegava e 
provava ter adquirido o imóvel, conforme escritura de compra e venda 
devidamente registrada, três (03) anos atrás. A ação possessória deverá ser 
julgada 
a) procedente, mas João X terá direito à retenção do imóvel, enquanto não 
for indenizado da construção. 
b) procedente, mas João X deverá ser indenizado da construção, se 
possuidor de boa fé, mas sem direito de retenção. 
c) improcedente e José Y ficará impedido de ajuizar ação reivindicatória. 
d) procedente, porque o registro da escritura de compra e venda torna o 
negócio oponível a terceiros e, por isso, a posse de João X é injusta. 
e) improcedente, mas José Y não ficará inibido de ajuizar ação 
reivindicatória. 
 
 
13. 2015 – CESPE – TRF 5ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto 
Roberto, juntamente com sua família, ocupou, cercou e construiu uma casa, 
um curral e um pequeno lago artificial em uma terra pública situada em área 
rural. O poder público, ao tomar ciência da ocupação, ajuizou ação de 
reintegração de posse. Em defesa, Roberto alegou que a posse se dera de 
boa-fé e que ele já havia feito um pedido administrativo requerendo a 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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regularização da propriedade. O réu ainda alegouque, caso o pedido do 
poder público fosse procedente, ele deveria ser indenizado pelas benfeitorias 
erigidas, com direito de retenção. 
A respeito dessa situação hipotética, assinale a opção correta. 
a) Com exceção do lago artificial, Roberto fará jus a indenização pelas 
demais benfeitorias erigidas no imóvel. 
b) Roberto terá direito à indenização pela casa, mas lhe será descontado o 
valor correspondente ao tempo de permanência no imóvel. 
c) O direito de retenção pelas benfeitorias necessárias não poderá ser 
deferido. 
d) A posse não pode ser considerada de má-fé, o que torna indenizáveis as 
benfeitorias úteis e necessárias feitas por Roberto. 
e) A indenização pelo curral depende de prova de utilidade pelo poder público 
após a retomada do imóvel. 
 
 
14. 2015 – FCC – TJ/PE – Juiz Estadual Substituto 
Sociedade Agrícola Laranjal, ao levantar cercas em imóvel de sua 
propriedade, em cuja posse se encontra, constatou que parte da área havia 
sido invadida por seu vizinho Agrário, que supunha pertencer-lhe, porque as 
cercas, anteriormente existentes, haviam sido destruídas em razão de 
intempéries e má conservação. Por isso, aquela pessoa jurídica moveu ação 
de reintegração de posse, todavia, sem obter liminar. Mesmo depois de 
citado, em 15/6/2014, Agrário continuou exercendo atos possessórios e, no 
dia 20/6/2014, colheu as laranjas que estavam maduras, bem como 
recebeu, pelo arrendamento da outra parte da área, na ordem de R$ 
1.000,00 por mês, com vencimento no dia 30 de cada mês vencido, até 30 
de setembro de 2014, porque, tendo a autora obtido liminar por força de 
agravo de instrumento, foi ela reintegrada na posse em 01/10/2014. Nesse 
caso, Agrário deverá indenizar Sociedade Agrícola Laranjal 
a) somente do que recebeu a título de arrendamento, após a decisão que 
deferiu a liminar de reintegração de posse. 
b) somente das laranjas que colheu após a citação, se não puder entregá-
las em espécie, mas não dos valores recebidos a título de arrendamento, os 
quais terão de ser cobrados do arrendatário, que pagou a quem não era 
proprietário do imóvel. 
c) das laranjas que colheu após a citação, bem como do que recebeu a título 
de arrendamento, ainda que referente a período anterior à citação 
d) de tudo o que recebeu a título de arrendamento e do que colheu, desde 
a data em que ingressou indevidamente na área vizinha. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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e) de quinze dias do valor do arrendamento, no mês de junho e da 
integralidade dos meses subsequentes, bem como do valor correspondente 
às laranjas colhidas em 15/06/2014, se não puder entregá-las em espécie. 
 
 
15. 2015 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto 
Assinale a alternativa correta. 
(A) Os direitos autorais não podem ser objeto de protec ֚ão por meio de 
interdito proibitório, dada a impossibilidade do exercício da posse sobre 
coisas incorpóreas. 
(B) A via adequada para fazer cessar o esbulho ́ a ac ֚ão de manutenc֚ão de 
posse, enquanto que o reḿdio para a turbac֚ão ́ a de reintegrac ֚ão de 
posse, conquanto as ac֚̃es possessórias sejam fungíveis. 
(C) ́ tamb́m possuidor aquele que, mesmo achando-se em situac ֚ão de 
depende Ǻncia para com o outro, conserva a posse em nome deste, sob suas 
instruc ֚̃es. 
(D) De regra, a posse do imóvel não faz presumir a das coisas móveis que 
nele estiverem. 
 
 
16. 2015 – MPE/SP – MPE/SP – Promotor de Justiça Substituto 
O artigo 1244 do Código Civil reza que: “Estende-se ao possuidor o disposto 
quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou 
interrompem a prescrição, as quais também se aplicam a usucapião.” Assim, 
entre as alternativas apresentadas abaixo, marque aquela em que a 
usucapião poderá ser alegada: 
a) entre cônjuges na constância do casamento. 
b) entre tutelados e seus tutores, durante a tutela. 
c) contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de 
guerra. 
d) contra os outros condôminos, uma vez cessado o estado de indivisão e 
comprovada a posse exclusiva da coisa. 
e) contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados e 
dos Municípios. 
 
 
17. 2015 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual 
Sobre a posse injusta, é INCORRETO afirmar que 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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(A) ocorre quando o possuidor se apodera da coisa imbuído de má-fé. 
(B) é passível de convalescimento (interversão) em posse justa por ato 
consensual. 
(C) pode ser apta a gerar usucapião (posse ad usucapionem). 
(D) ocorre somente quando a posse é violenta, clandestina ou precária. 
(E) permite ao possuidor injusto o direito à retenção em razão de 
benfeitorias úteis, desde que de boa-fé. 
 
 
18. 2015 – CESPE – DPE/PE – Defensor Público Estadual 
Se João tiver ingressado no terreno de Pedro há seis meses, pacificamente, 
sem ocultar a invasão, e lá construído um barraco, não se terá caracterizado, 
nessa situação hipotética, o esbulho, visto que não ocorreu violência, 
clandestinidade ou precariedade, elementos caracterizadores da posse 
injusta. 
 
 
19. 2014 – FCC – TJ/AP – Juiz Estadual Substituto 
Sobre a posse e os direitos do possuidor, é correto afirmar: 
I. O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter- se ou restituir-se por 
sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de 
desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição 
da posse. 
II. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo 
que são separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia. 
III. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias 
necessárias; não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, 
nem o de levantar as voluptuárias. 
IV. As benfeitorias não se compensam com os danos e não dão direito ao 
ressarcimento mesmo quando não mais existirem ao tempo da evicção. 
V. Considera-se possuidor aquele que, achando-se em relação de 
dependência para com outro conserva a posse em nome deste e em 
cumprimento de suas ordens ou instruções. 
Está correto o que consta APENAS em 
a) III, IV e V. 
b) I, II e III. 
c) I, IV e V. 
d) II, III e IV. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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e) II, III e V. 
 
 
20. 2014 – FCC – TJ/AP – Juiz Estadual Substituto 
José e Maria, casados sob o regime da comunhão parcial de bens, adquiriram 
um terreno em loteamento devidamente registrado com área de 300 m2, 
nele construindo uma casa para residência da família, que ocupa 250 m2, 
sendo essa área murada, embora restassem nos fundos 50 m2, contíguos a 
uma outra área destinada a uma praça que, entretanto, não foi concluída, 
nem pela municipalidade, nem pelo loteador. José abandonou a família e 
Maria pediu separação judicial, convertida posteriormente em divórcio, 
sendo o cônjuge citado por edital, mas não houve a partilha de bens. 
Decorridos 6 anos do divórcio, José retornou e passou a ocupar a área 
remanescente de 50 m2 do imóvel referido e mais 200 m2 contíguos, onde 
se situaria a praça, nelas construindo sua moradia. As casas de José e Maria 
são as únicas de cada um. Passados 10 anos do divórcio e 5 anos desde que 
José veio a residir, com ânimo de dono, no local mencionado e sem que 
sofressem oposição às respectivas posses, 
a) apesar do tempo decorrido, nem José, nem Maria adquiririam o domínio 
exclusivo das áreas que ocupam porque, após a separação judicial, 
extinguindo-se o regime de bens do casamento, tornaram-se condôminose 
o condômino não pode adquirir, por usucapião, a totalidade do imóvel. 
b) Maria só terá adquirido o domínio integral da área em que ficou residindo, 
depois de 5 anos e José não poderá adquirir por usucapião a área total que 
ocupa com exclusividade. 
c) Maria terá adquirido o domínio integral da área em que ficou residindo 
com a família, depois de 2 anos ininterruptos de sua posse exclusiva, mas 
José não poderá adquirir por usucapião a área total que ocupa com 
exclusividade. 
d) José e Maria terão adquirido pela usucapião a totalidade das áreas que 
ocupam, cada um deles após 2 anos de efetiva ocupação. 
e) José e Maria adquiriram o domínio das respectivas áreas, após 5 anos de 
efetiva ocupação. 
 
 
21. 2014 – FMP/RS – TJ/MT – Juiz Estadual Substituto 
Analise as afirmativas abaixo. 
I - É admitida a modalidade de usucapião especial urbano residencial familiar 
de imóvel de até 250m², desde que computados dois anos de posse 
ininterrupta, exclusiva, sem oposição e direta, pelo cônjuge que permanece 
residindo no imóvel, contra o ex- cônjuge, ou ex-companheiro, que 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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abandonou o lar e com quem dividia a propriedade, desde que não seja 
proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
II - As normas do Código Civil que instituem causas obstativas, suspensivas 
ou interruptivas dos prazos prescricionais não são aplicáveis à disciplina 
específica das ações de usucapião. 
III - Para os fins da disciplina da usucapião ordinária, considera-se justo o 
título hábil, em tese, à transferência do domínio, sendo exemplo o título 
aquisitivo a non domino. 
IV - A boa-fé, dispensável na modalidade de usucapião extraordinária, mas 
indispensável na modalidade ordinária, é aquela relativa à dimensão 
psicológica. 
Quais estão corretas? 
a) Apenas a I e II. 
b) Apenas a II, III e IV. 
c) Apenas a III e IV. 
d) Apenas a I, III e IV. 
e) Apenas a I, II e III. 
 
 
22. 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado 
O possuidor de boa-fé: 
(A) é aquele cuja posse não é precária. 
(B) tem direito à indenização das benfeitorias necessárias, úteis e 
voluptuárias. 
(C) não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. 
(D) tem direito de retenção quanto às benfeitorias, mas não tem direito aos 
frutos percebidos. 
 
 
23. 2014 – FUNRIO – INSS – Analista do Seguro Social 
A teoria da posse, adotada pelo Código Civil Brasileiro, denomina-se 
a. teoria subjetiva de Savigny. 
b. teoria fazendária de Caio Mário da Silva Pereira. 
c. teoria privatista. 
d. teoria objetiva de Ihering. 
e. teoria patrimonialista. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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24. 2013 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto 
Em relação à posse, é correto afirmar que 
a) o locatário não tem a posse direta do imóvel que ele aluga, mas sim a 
indireta. 
b) o motorista de um caminhão da empresa para a qual trabalha tem a posse 
ad usucapionem desse bem. 
c) o possuidor direto tem direito de lançar mão dos interditos contra 
turbação, esbulho e violência iminente, se tiver justo receio de ser 
molestado, inclusive contra o possuidor indireto. 
d) o possuidor responde pela perda da coisa, ainda que de boa-fé e sem ter 
dado causa à perda. 
 
 
25. 2013 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto 
Sobre o imóvel urbano de 350 m² que, sem interrupção e nem oposição, 
está na posse de Cícero desde fevereiro de 2003, tanto que nele construiu 
casa pré-fabricada de madeira, onde habita com sua família, é correto dizer 
que 
a) em fevereiro de 2005, a usucapião especial se consumaria. 
b) em 2008, já poderia ter sido usucapido de acordo com a regra da 
usucapião especial urbana. 
c) poderia ser usucapido somente em 2018, de acordo com a regra da 
usucapião ordinária do Código Civil. 
d) em fevereiro de 2013, Cícero já pode ajuizar a ação de usucapião para 
ver reconhecido seu direito de propriedade sobre o imóvel. 
 
 
26. 2013 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado 
Assinale a alternativa INCORRETA. 
(A) O conceito de frutos é o mais amplo possível, nele se incluindo 
não só os provenientes da plantação, da pecuária, mas também os 
produtos que se extraem do solo, como o minério e os frutos, chamados 
civis, como os aluguéis, juros e rendas. 
(B) Os frutos pendentes pertencem ao possuidor, seja ele de boa ou má-fé. 
(C) Os frutos colhidos com antecipação pelos possuidores de boa-fé devem 
ser restituídos se, ao tempo normal da colheita, houver cessado a boa-fé. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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(D) Os frutos civis reputam-se percebidos dia por dia. 
 
 
27. 2013 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado 
Assinale a alternativa INCORRETA. 
(A) Posse e detenção caracterizam-se, no sistema jurídico brasileiro, como 
poder de fato, que se exerce sobre a coisa, diferenciando-se, dentre outros 
fatores, porque a posse recebe proteção interdital e pode conduzir à 
aquisição da propriedade, enquanto a detenção nem recebe proteção 
interdital, nem conduz à aquisição da propriedade. 
(B) Na traditio brevi manu o adquirente da posse do bem já o tem em seu 
poder; apenas, por convenção, muda-se o título da ocupação. 
(C) A posse não se transfere com seus caracteres. Assim, se for violenta, 
na origem, pode convalar-se em posse legítima, se o sucessor estiver de 
boa-fé. 
(D) A posse se transfere por mera tradição, isto é, porque a pessoa passou 
a exercer poder fático sobre a coisa. 
 
 
28. 2013 – FCC – DPE/AM – Defensor Público Estadual 
A posse 
(A) é de má-fé mesmo que o possuidor ignore o vício. 
(B) é adquirida quando se detém a coisa a mando de outrem. 
(C) pode ser oposta ao proprietário. 
(D) não pode ser defendida, em juízo, pelo possuidor indireto. 
(E) quando turbada, autoriza o ajuizamento de ação de reintegração. 
 
 
29. 2012 – FCC – PGE/SP – Procurador do Estado 
Tício celebra contrato de locação de imóvel com Caio. Em razão de férias, 
Caio se ausenta do lar por 90 dias, e neste período Lúcio invade o imóvel, 
fato que chega ao imediato conhecimento de Tício. Neste caso, Tício 
(A) e Caio têm legitimidade para pleitear proteção possessória. 
(B) pode dar o contrato de locação por resolvido, e mover ação de despejo 
em face de Lúcio, mais célere que a possessória. 
(C) não poderá pleitear reintegração de posse, pois apenas Caio tem 
interesse jurídico em fazer cessar o esbulho. 
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(D) poderá pleitear reintegração de posse, desde que notifique previamente 
Lúcio para que desocupe o imóvel no prazo de 30 dias. 
(E) pode pleitear reintegração de posse para fazer cessar o esbulho, desde 
que previamente autorizado por Caio. 
 
 
30. 2012 – FCC – DPE/PR – Defensor Público Estadual 
Acerca da propriedade e de suas formas de aquisição, aquele que 
(A) possui ininterruptamente, há seis anos, imóvel urbano com 130 metros 
quadrados, contíguo com imóvel de sua propriedade com 80 metros 
quadrados, tem direito ao usucapião urbano. 
(B) estabeleceu sua moradia habitual há sete anos em determinado imóvel, 
após firmar e adimplir com os ditames de contrato de compra e venda 
registrado e recentemente anulado por falta de capacidade civil do vendedor, 
terá de aguardar mais três anos para adquirirdireito à aquisição da 
propriedade por usucapião. 
(C) reivindica extensa área de terras de sua propriedade, atualmente 
ocupada por trinta famílias que ingressaram a nove anos no local, de boa-
fé, em razão de um processo irregular de loteamento, vindo a urbanizar a 
área com recursos próprios, pode vir a ser privado da coisa, desde que 
devidamente indenizado pelos possuidores. 
(D) invadiu imóvel alheio e ali estabeleceu sua moradia habitual há onze 
anos, cultivando no local hortaliças para venda na região, terá de aguardar 
mais quatro anos para adquirir direito à aquisição da propriedade por 
usucapião. 
(E) possuiu de forma contínua e de boa-fé bem móvel como seu pelo período 
de dois anos, tem direito à aquisição da propriedade por usucapião. 
 
 
31. 2012 – CESPE – DPE/AC – Defensor Público Estadual 
Com relação ao instituto da posse, assinale a opção correta. 
A Ao conceituar a posse da mesma forma que seu antecessor, o Código Civil 
vigente filia-se à teoria subjetiva da posse. 
B Possuidor indireto é aquele que detém poder físico sobre a coisa, mas 
apenas em cumprimento de ordens ou instruções emanadas do possuidor 
direto ou de seu proprietário. 
C No constituto possessório, há inversão no título da posse com base em 
relação jurídica: aquele que possuía em nome alheio passa a possuir em 
nome próprio, remanescendo o seu poder material sobre a coisa. 
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D Ao possuidor de má-fé é facultado o ressarcimento por benfeitorias 
necessárias e úteis; contudo, esse possuidor jamais obterá direito de 
retenção sobre as benfeitorias que tenha realizado. 
 E Segundo entendimento jurisprudencial do STJ, não é possível a posse de 
bem público, pois sua ocupação irregular representa mera detenção de 
natureza precária; portanto, na ação reivindicatória ajuizada pelo ente 
público, não há que se falar em direito de retenção de benfeitorias, o qual 
pressupõe a existência de posse. 
 
 
32. 2012 – FCC – DPE/SP – Defensor Público Estadual 
Em tema de Usucapião Coletiva Urbana, é correto afirmar que 
(A) tem por objeto área particular de até 250 metros quadrados. 
(B) seu reconhecimento atribui a cada possuidor fração ideal correspondente 
à dimensão que ocupe na gleba, exceto se convencionado em contrário. 
(C) exige posse não contestada, justo título e boa-fé. 
(D) instaura condomínio indivisível e não passível de extinção por pelo 
menos dez anos. 
(E) admite acessio possessionis e sucessio possessionis. 
 
 
33. 2011 – COPS/UEL – PGE/PR – Procurador do Estado 
Assinale a alternativa incorreta: 
a) quando alguém conserva a posse em nome e em cumprimento de ordens 
de outrem, de quem está em relação de dependência, ele é considerado 
simples detentor; 
b) o direito brasileiro admite a bipartição da posse em posse direta e posse 
indireta; 
c) a propriedade não pode ser discutida nas ações possessórias; 
d) o possuidor de boa-fé tem direito aos frutos percebidos, mas deve restituir 
os frutos colhidos com antecipação; 
e) a posse somente pode ser adquirida pessoalmente, não se admitindo a 
aquisição da posse por representante. 
 
 
34. 2011 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado 
O possuidor de boa-fé 
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A) faz jus aos frutos percebidos até que cesse a boa-fé, mas perde os 
pendentes e os colhidos antecipadamente. 
B) faz jus à indenização das despesas de custeio dos frutos percebidos, dos 
pendentes e dos colhidos antecipadamente. 
C) não responde pela perda ou deterioração da coisa, enquanto esteja de 
boa-fé, mesmo que por culpa sua. 
D) pode exercer o direito de retenção pelas benfeitorias necessárias, úteis 
ou voluptuárias. 
 E) que semear em terreno alheio com sementes próprias tem direito à 
colheita. 
 
 
35. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União 
Considere que Francisco, proprietário e legítimo possuidor de um 
apartamento, tenha anunciado sua intenção de alugá-lo há mais de quatro 
meses, mas não consegue fechar nenhum negócio porque Luís, proprietário 
do imóvel vizinho, cria dificuldades e embaraços às visitas dos pretensos 
locatários, situação que ampara a pretensão de Francisco de ajuizar uma 
ação de interdito proibitório. Nessa situação hipotética, o comportamento de 
Luís importa ameaça de turbação ao direito de posse de Francisco. 
 
 
36. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual 
A posse precária adquirida pelo de cujus não perde esse caráter quando 
transmitida mortis causa aos seus sucessores, ainda que estes estejam de 
boa-fé. 
 
 
37. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual 
Ao possuidor de má-fé cabe o direito ao ressarcimento das benfeitorias 
necessárias, com direito de retenção pela importância delas. 
 
 
38. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual 
Tadeu, apesar de ser o legítimo possuidor de uma chácara em bairro 
afastado da cidade de Maceió, disputa judicialmente a posse do imóvel 
com Alberto, que, além de se dizer possuidor, sabidamente não adquiriu a 
posse que defende de modo vicioso. 
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Tendo como referência a situação hipotética acima, julgue os itens 
subsequentes com base na disciplina da posse. 
Na situação descrita, é cabível o juiz manter provisoriamente na posse 
aquele que exibir título de posse, já que, em ação possessória, não se discute 
domínio. 
 
 
39. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual 
Tadeu, apesar de ser o legítimo possuidor de uma chácara em bairro 
afastado da cidade de Maceió, disputa judicialmente a posse do imóvel 
com Alberto, que, além de se dizer possuidor, sabidamente não adquiriu a 
posse que defende de modo vicioso. 
Tendo como referência a situação hipotética acima, julgue os itens 
subsequentes com base na disciplina da posse. 
No caso em apreço, por exceção, admite-se que o proprietário ajuíze 
ação possessória sem que tenha exercido qualquer ato possessório sobre o 
bem, caso esteja presente a cláusula de constituto possessório no negócio 
jurídico celebrado. 
 
 
40. CESPE – AGU – 2007 – Procurador Federal 
João, motorista, enquanto aguardava seu chefe na porta de uma repartição 
pública, foi vítima de tentativa de furto do veículo que conduzia. Antes de 
consumar o delito, o criminoso fugiu, por circunstâncias alheias à sua 
vontade. Com relação a essa situação hipotética, julgue os seguintes itens: 
Em conformidade com os termos expressos do Código Civil, apenas o 
possuidor turbado, ou esbulhado — e não, o mero detentor —, poderá 
manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça 
imediatamente. 
 
 
41. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado 
Considera-se a posse “velha” após o período de: 
a. 4 (quatro) anos 
b. 2 (dois) anos e 1 (um) dia 
c. 5 (cinco) anos 
d. 1 (um) ano e 1 (um) dia 
e. apenas 1 (um) ano 
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42. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado 
O tempo de permanência ininterrupta na área rural, para que o ocupante 
possa requerer ao juiz, no usucapião pro labore, que o declare detentor do 
domínio, é de: 
a. 15 (quinze) anos 
b. 7 (sete) anos 
c. 3 (três) anos 
d. 10 (dez) anos 
e. 5 (cinco)anos 
 
 
43. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado 
O possuidor de má-fé tem direito a: 
a. ressarcimento das benfeitorias úteis, sem direito de retenção do imóvel 
b. indenização das benfeitorias necessárias e das úteis, mas só pode reter o 
imóvel em razão das necessárias 
c. ressarcimento das benfeitorias necessárias, sem direito de retenção do 
imóvel 
d. indenização das benfeitorias necessárias e das úteis sem direito de 
retenção do imóvel 
e. indenização das benfeitorias necessárias com direito de retenção do 
imóvel 
 
 
44. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado 
Em caso de turbação de posse: 
a. a ação cabível é a reintegração de posse 
b. o possuidor precisa provar que é o dono da coisa 
c. se o dono da coisa for o turbador, não há ação contra ele 
d. o possuidor pode se defender com o interdito proibitório 
e. o possuidor pode se servir da ação de manutenção. 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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45. 2006 – CESPE – AGU – Advogado da União 
A ocupação de bem público dominical traz como consequência o 
reconhecimento da posse tolerada, afigurando-se admissível o pleito de 
proteção possessória e assegurando-se ao possuidor indenização pelas 
benfeitorias feitas no imóvel, bem como a prerrogativa do direito de 
retenção. 
 
 
46. 2005 – FCC – PGE/SE – Procurador do Estado 
É de boa-fé a posse 
(A) somente se autorizada expressamente pelo proprietário ou pelo titular 
do domínio útil. 
(B) se o possuidor ignorar o vício ou o obstáculo que impede a aquisição da 
coisa. 
(C) apenas quando o possuidor ostentar título de domínio. 
(D) depois de decorrido prazo para aquisição da propriedade por usucapião 
ordinária. 
(E) se, entre presentes, for tolerada pelo proprietário ou pelo titular de 
domínio útil. 
 
 
47. 2005 – PGE – PGE/MS – Procurador do Estado 
Aponte, de acordo com os itens abaixo, qual alternativa retrata requisitos 
para a aquisição da propriedade móvel por usucapião: 
I) Posse de 3 anos entre ausentes e cinco entre presentes; 
II) O justo título e a boa-fé são sempre requisitos da usucapião de coisa 
móvel; 
III) Ocorre a prescrição aquisitiva de móvel no prazo de três anos, mas a lei 
exige, ainda, posse continua incontestável, justo título e boa-fé: 
IV) Produzirá usucapião a posse de cinco anos, independente de justo titulo 
boa-fé; 
V) As causas suspensivas ou interruptivas da prescrição não se aplicam à 
usucapião de coisas móveis. 
a) Só os itens I e II são falsos: 
b) Só os itens I e V são falsos: 
c) Só os itens III e IV são verdadeiros; 
d) Só os itens IV e V são verdadeiros; 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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e) Todos os itens são falsos. 
 
 
48. 2004 – CESPE – PGE/AM - Procurador do Estado 
Acerca da posse e da propriedade, julgue os itens a seguir. 
O terceiro, que não o proprietário ou possuidor, responsável por benfeitorias 
em um imóvel deve ter assegurado seu direito de retenção. 
 
 
49. 2004 – FUNDEP – Câmara Municipal/Belo Horizonte – 
Procurador Legislativo 
Considerando-se os efeitos da posse, é INCORRETO afirmar que 
A) a união de sua posse à do antecessor é facultada ao sucessor singular. 
B) o direito de levantar as benfeitorias voluptuárias não assiste ao possuidor 
de má­fé. 
C) o possuidor de boa­fé jamais responde pela perda da coisa. 
D) o possuidor de má­fé, em regra, responde pela perda da coisa. 
 
 
50. 2003 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual 
Quem, não sendo proprietário de outro imóvel urbano ou rural, possuir como 
sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados sem 
oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o 
domínio 
(A) somente depois de dez anos ininterruptos entre presentes e quinze anos 
entre ausentes, por usucapião ordinária. 
(B) por acessão, após dez anos ininterruptos. 
(C) por usucapião, após cinco anos ininterruptos. 
(D) somente após vinte anos ininterruptos, desde que ostente justo título e 
boa-fé, por usucapião. 
(E) apenas se ostentar justo título e boa-fé, após dez anos ininterruptos 
desde o término da construção da moradia, pela usucapião social. 
 
 
51. 2003 – CESPE - DPE/AM – Defensor Público Estadual 
Em relação à posse e à propriedade, julgue os itens a seguir: 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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Não se adquire a propriedade por usucapião sem sentença que declare tal 
direito, pois esta é requisito formal da aquisição da propriedade pela 
prescrição aquisitiva. 
 
 
52. 2002 – ESAF – PGM/Fortaleza (CE) – Procurador Municipal 
Assinale a opção falsa. 
a) Não se pode alegar usucapião pendendo condição suspensiva. 
b) A posse ad usucapionem deverá ser exercida com animus domine, mansa 
e continuamente, durante o prazo exigido por lei. 
c) A posse do credor pignoratício não afasta a possibilidade de usucapião. 
d) O usucapião tem por fundamento a consolidação da propriedade, dando 
juridicidade a uma situação fática: a posse unida ao tempo. 
e) O usucapião é um modo de aquisição da propriedade e de outros direitos 
reais (usufruto, uso, habitação, enfiteuse e servidão predial) pela posse 
prolongada da coisa com a observância dos requisitos legais. 
 
 
53. 2001 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal 
Adolfo vendeu seu carro, o qual utilizava diariamente, para Benício. 
Entretanto, conforme previamente acordado, Adolfo continuará a usá-lo a 
título de empréstimo de coisa infungível. 
Em face dessa situação hipotética e da legislação civil relacionada ao direito 
das coisas, julgue os seguintes itens. 
Adolfo, antes e depois da venda, teve e tem a posse do bem jurídico objeto 
da venda. 
 
 
54. 2001 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal 
Adolfo vendeu seu carro, o qual utilizava diariamente, para Benício. 
Entretanto, conforme previamente acordado, Adolfo continuará a usá-lo a 
título de empréstimo de coisa infungível. 
Em face dessa situação hipotética e da legislação civil relacionada ao direito 
das coisas, julgue os seguintes itens. 
Após a venda, Adolfo teráば direito ao uso dos interditos possessórios. 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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Gabaritos 
 
Gabaritos das questões com comentários ao longo da aula: 
 
2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto 
D 
 
2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado 
E 
 
2015 – UFPR – PGM/Curitiba (PR) – Procurador Municipal 
B 
 
2014 – FCC – DPE/RS – Defensor Público Estadual 
A 
 
2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado 
C 
 
2014 – VUNESP – PGM/SP – Procurador Municipal 
D 
 
2013 – CESPE – AGU – Procurador Federal 
E 
 
Gabaritos das questões sem comentários ao longo da aula: 
 
1. 2017 – TRF – TRF/2ª Região – Juiz Federal Substituto 
D 
 
2. 2016 – TRF 3ª REGIÃO – TRF 3ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto 
D 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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3. 2016 – TRF 4ª REGIÃO – TRF 4ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto 
A 
 
4. 2016 – VUNESP – TJ/RJ – Juiz Estadual Substituto 
E 
 
5. 2016 – CESPE – PGE/AM – Procurador do Estado 
E 
 
6. 2016 – FCC – PGE/MA – Procurador do Estado 
A 
 
7. 2016– FUNDATEC – PGM/Porto Alegre (RS) – Procurador Municipal 
C 
 
8. 2016 – FUNRIO – PGM/Trindade (GO) – Procurador Municipal 
B 
 
9. 2016 – FCC – DPE/BA – Defensor Público Estadual 
B 
 
10. 2015 – CESPE – TRF/1ª Região – Juiz Federal Substituto 
B 
 
11. 2015 – FCC – TJ/AL – Juiz Estadual Substituto 
C 
 
12. 2015 – FCC – TJ/SC – Juiz Estadual Substituto 
E 
 
13. 2015 – CESPE – TRF 5ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto 
C 
 
14. 2015 – FCC – TJ/PE – Juiz Estadual Substituto 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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E 
 
15. 2015 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto 
A 
 
16. 2015 – MPE/SP – MPE/SP – Promotor de Justiça Substituto 
D 
 
17. 2015 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual 
A 
 
18. 2015 – CESPE – DPE/PE – Defensor Público Estadual 
E 
 
19. 2014 – FCC – TJ/AP – Juiz Estadual Substituto 
B 
 
20. 2014 – FCC – TJ/AP – Juiz Estadual Substituto 
C 
 
21. 2014 – FMP/RS – TJ/MT – Juiz Estadual Substituto 
D 
 
22. 2014 – FUNRIO – INSS – Analista do Seguro Social 
D 
 
23. 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado 
C 
 
24. 2013 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto 
C 
 
25. 2013 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto 
D 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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26. 2013 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado 
B 
 
27. 2013 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado 
C 
 
28. 2013 – FCC – DPE/AM – Defensor Público Estadual 
C 
 
29. 2012 – FCC – PGE/SP – Procurador do Estado 
A 
 
30. 2012 – FCC – DPE/PR – Defensor Público Estadual 
C 
 
31. 2012 – CESPE – DPE/AC – Defensor Público Estadual 
E 
 
32. 2012 – FCC – DPE/SP – Defensor Público Estadual 
E 
 
33. 2011 – COPS/UEL – PGE/PR – Procurador do Estado 
E 
 
34. 2011 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado 
A 
 
35. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União 
E 
 
36. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual 
C 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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37. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual 
E 
 
38. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual 
E 
 
39. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual 
C 
 
40. CESPE – AGU – 2007 – Procurador Federal 
C 
 
41. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado 
D 
 
42. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado 
E 
 
43. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado 
C 
 
44. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado 
E 
 
45. 2006 – CESPE – AGU – Advogado da União 
E 
 
46. 2005 – FCC – PGE/SE – Procurador do Estado 
B 
 
47. 2005 – PGE – PGE/MS – Procurador do Estado 
C 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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48. 2004 – CESPE – PGE/AM - Procurador do Estado 
E 
 
49. 2004 – FUNDEP – Câmara Municipal/Belo Horizonte – 
Procurador Legislativo 
C 
 
50. 2003 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual 
C 
 
51. 2003 – CESPE - DPE/AM – Defensor Público Estadual 
E 
 
52. 2002 – ESAF – PGM/Fortaleza (CE) – Procurador Municipal 
C 
 
53. 2001 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal 
C 
 
54. 2001 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal 
C 
 
Questões com comentários 
 
 
Aqui, as questões que foram comentadas ao longo da aula, com 
comentários: 
 
 
2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto 
Assinale a alternativa correta a respeito da disciplina da Posse no Código 
Civil. 
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a) Considera-se possuidor todo aquele que tem de direito o exercício, pleno 
ou não, de algum dos direitos inerentes à propriedade. 
b) A posse direta anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. 
c) Considera-se possuidor indireto aquele que, achando-se em relação de 
dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em 
cumprimento de ordens ou instruções suas. 
d) Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, pode cada uma exercer 
sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros 
compossuidores. 
e) É justa a posse, se o possuidor ignora o vício ou o obstáculo que impede 
a aquisição da coisa. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 1.196: “Considera-se 
possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos 
poderes inerentes à propriedade”. 
A alternativa B está incorreta, segundo o art. 1.197: “A posse direta, de pessoa 
que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, 
ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor 
direto defender a sua posse contra o indireto”. 
A alternativa C está incorreta, conforme o art. 1.198: “Considera-se detentor 
aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a 
posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. 
A alternativa D está correta, na literalidade do art. 1.199: “Se duas ou mais 
pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos 
possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores”. 
A alternativa E está incorreta, na dicção do art. 1.201: “É de boa-fé a posse, se 
o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. 
 
 
2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado 
Em relação à posse analise as seguintes assertivas: 
 I. O possuidor de má-fé responde, em qualquer caso, pela deterioração da 
coisa, salvo se acidental. 
 II. A posse é transmitida ao legatário do possuidor com as mesmas 
características da posse originária. 
III. É de boa-fé a posse adquirida pelo possuidor que ignora o obstáculo que 
impede a aquisição da coisa. 
 IV. A alegação de propriedade não impede a reintegração na posse. 
Quais estão corretas? 
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A) Apenas I e IV. 
 B) Apenas II e III. 
C) Apenas I, II e III. 
D) Apenas I, II e IV. 
E) Apenas II, III e IV. 
Comentários 
O item I está incorreto, na forma do art. 1.218: “O possuidor de má-fé responde 
pela perda, ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que 
de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante”. 
O item II está correto, consoante regra do art. 1.206: “A posse transmite-se aos 
herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos caracteres”. 
O item III está correto, conforme estabelece o art. 1.201: “É de boa-fé a posse, 
se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. 
O item IV está correto, de acordo com o art. 1.210, § 2º: “Não obsta à 
manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro 
direito sobre a coisa”. 
A alternativa E está correta, portanto. 
 
 
2015 – UFPR – PGM/Curitiba (PR) – Procurador Municipal 
Sobre usucapião, considere as seguintes situações: 
1 A Associação de Moradores da Comunidade Pinhal, regularmente 
constituída, tem legitimidade, como substituto processual, para ajuizar ação 
deusucapião especial coletiva urbana em favor dos associados que 
expressamente a autorizaram a regularizar a situação do imóvel de 900 m2 
que habitam com suas famílias há 6 anos, ininterruptamente e sem oposição. 
Pinhal é uma comunidade de famílias de baixa renda e não foi possível 
identificar de forma individual os terrenos ocupados por cada grupo. A 
sentença que acolher o pedido declarará o direito dos compossuidores à 
usucapião e atribuirá a cada um deles fração ideal do terreno sem levar em 
conta a dimensão que cada qual ocupa na área. 
2. Na usucapião especial urbana ou constitucional não é admissível a acessio 
possessionis, ou seja, a acessão ou junção da posse, pois não há transmissão 
da posse por ato intervivos, já que se exige que a posse seja pessoal. De 
outro lado, poderá utilizar-se o prazo do ex-possuidor, no caso de sucessio 
possessionis, quando o sucessor, ao tempo do óbito, já residia no imóvel, 
porque não haverá quebra do período possessório de cinco anos. 
3. Marialva recebeu por herança uma pequena chácara em Adrianópolis, mas 
pretende vendê-la para comprar um carro, porque já está acostumada a 
morar em Curitiba. Antes, porém, quer resolver a situação do apartamento 
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Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 
 
de 200 m2 no Bairro Alto, onde vive com seus dois filhos gêmeos de 5 anos. 
O imóvel foi comprado quando ela ainda coabitava com o pai dos meninos, 
que deixou o convívio familiar há 2 anos. Ele não colabora com as despesas 
do lar, nem visita os gêmeos regularmente, mas não se opõe a que Marialva 
habite o apartamento. Marialva reúne as condições para aquisição da 
integralidade desse imóvel através de usucapião familiar. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira. 
b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. 
c) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. 
d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. 
e) As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras. 
Comentários 
O item I está correto, na forma do art. 12, inc. III do Estatuto: “São partes 
legítimas para a propositura da ação de usucapião especial urbana, como 
substituto processual, a associação de moradores da comunidade, regularmente 
constituída, com personalidade jurídica, desde que explicitamente autorizada 
pelos representados”. 
Boa parte desse item ainda se baseia na redação original do art. 10, mas isso 
não invalida, de per si, o item. Vide, novamente, a redação original (“As áreas 
urbanas com mais de duzentos e cinquenta metros quadrados, ocupadas por 
população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e 
sem oposição, onde não for possível identificar os terrenos ocupados por cada 
possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas coletivamente, desde que os 
possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural”) e a atual 
(“Os núcleos urbanos informais existentes sem oposição há mais de cinco anos e 
cuja área total dividida pelo número de possuidores seja inferior a duzentos e 
cinquenta metros quadrados por possuidor são suscetíveis de serem usucapidos 
coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel 
urbano ou rural”). 
O item II está correto, conforme o art. 1.240 (“Aquele que possuir, como sua, 
área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos 
ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua 
família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel 
urbano ou rural”), que exige posse ininterrupta. Ademais, vide o art. 9º, §3º do 
Estatuto: “Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo continua, de pleno 
direito, a posse de seu antecessor, desde que já resida no imóvel por ocasião da 
abertura da sucessão”. 
O item III está incorreto, de acordo com o art. 1.240-A, §1º: “O direito previsto 
no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez”. 
A alternativa B está correta, portanto. 
 
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2014 – FCC – DPE/RS – Defensor Público Estadual 
José da Silva tomou conhecimento da existência de uma rudimentar casa 
urbana de veraneio, construída sobre um terreno de 300 m2, que estava 
desocupada e, com sua esposa e dois filhos, esbulhou o imóvel em 5 de abril 
de 1998. Desde então, estabeleceu no imóvel sua moradia habitual, 
mantendo posse com ânimo de dono, de forma pública, contínua, mansa e 
pacífica. Em 10 de junho de 2010, por contrato particular de compra e venda, 
José alienou o imóvel a Pedro de Souza, pelo valor de R$ 14.000,00, tendo 
o comprador passado a utilizar o imóvel também para sua moradia, 
mantendo as mesmas características da posse exercida pelo vendedor. Em 
10 de junho de 2014, Pedro recebeu citação em ação reivindicatória ajuizada 
pelo espólio do proprietário registral do imóvel, procurando a Defensoria 
Pública para a defesa de seus direitos. Nesse caso, Pedro 
(A) poderá, em sua defesa, alegar a ocorrência da prescrição aquisitiva, na 
modalidade extraordinária, hábil a ensejar a improcedência da ação 
reivindicatória contra si manejada. 
(B) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em 
ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva, uma vez 
que a simples citação na ação ajuizada pelo espólio do proprietário registral 
interrompe a posse ad usucapionem. 
(C) não poderá, em sua defesa, alegar a ocorrência da prescrição aquisitiva, 
podendo, entretanto, ajuizar ação autônoma de usucapião extraordinária. 
(D) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em 
ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva, em 
qualquer de suas modalidades, pois não atingido prazo suficiente para tanto. 
(E) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em 
ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva na 
modalidade extraordinária, pois, em que pese tenha implementado o 
requisito temporal, a posse se originou em esbulho do vendedor. 
Comentários 
A alternativa A está correta, eis que Pedro pode unir seu tempo de posse com 
o do possuidor anterior, o que soma mais de 16 anos, sendo que a modalidade 
extraordinária permite aquisição mesmo que sem justo título ou boa-fé. 
A alternativa B está incorreta, já que, ainda que interrompesse o prazo 
aquisitivo, já estariam configurados 16 anos de posse mansa e pacífica, como 
dito na alternativa anterior. Ademais, como estabelece a jurisprudência, a 
usucapião pode servir de matéria de defesa em sede de ação real movida pelo 
proprietário registral. 
A alternativa C está incorreta, pois Pedro pode manejar ação autônoma, mas 
também pode usar a usucapião como matéria de defesa, como mencionei na 
alternativa anterior. 
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Teoria e Questões 
Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 
 
A alternativa D está incorreta, porque, como eu disse, já ultrapassado tempo 
suficiente para aquisição extraordinária. 
A alternativa E está incorreta, dado que, como dito antes, a boa-fé sequer é 
requisito para essa forma de aquisição e, ainda que fosse, o exercício não 
menciona expressamente o conhecimento dele sobre a situação. 
 
 
2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado 
O possuidor de boa-fé: 
(A) é aquele cuja posse não é precária. 
(B) tem direito à indenização das benfeitorias necessárias, úteis e 
voluptuárias. 
(C) não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. 
(D) tem direito de retenção quantoàs benfeitorias, mas não tem direito aos 
frutos percebidos. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, já que boa-fé e justeza não se confundem. A 
posse não-precária caracteriza a posse justa, mas não necessariamente de boa-
fé (posso possuir sabendo do vício de minha posse, mas possuo sem ser de 
maneira violenta, precária ou clandestina. 
A alternativa B está incorreta, como veremos mais adiante, havendo direito de 
indenização quanto às duas primeiras e de levantamento quanto à última, se 
possível sem causar dano à coisa. 
A alternativa C está correta, de acordo com o art. 1.217: “O possuidor de boa-
fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa”. 
A alternativa D está incorreta, pois há direito aos frutos percebidos ao possuidor 
de boa-fé, mas não aos percipiendos ou pendentes. 
 
 
2014 – VUNESP – PGM/SP – Procurador Municipal 
Gustavo e sua família passaram a ocupar bem público dominical de 250 m² 
(duzentos e cinquenta metros quadrados), em área urbana, utilizando-o 
como moradia da família e realizando diversas benfeitorias úteis e 
voluptuárias. O bem estava sem utilização pela Administração Pública, mas, 
passados 5 (cinco) anos, o município pretendia utilizá-lo para determinadas 
funções. Assim, foi ajuizada ação com o objetivo de retirar a família do local. 
Nesse panorama, partindo da premissa que a família sabia se tratar de bem 
público, é correto afirmar que 
(A) de acordo com as características do imóvel, o instituto da usucapião 
beneficia a família. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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(B) o município deverá indenizar pelas benfeitorias úteis, mas não pelas 
voluptuárias. 
(C) a retirada da família do imóvel urbano só é possível após as indenizações 
pelas benfeitorias realizadas. 
(D) o município tem pretensão de retomada do bem, independentemente de 
qualquer indenização. 
(E) de acordo com as características do imóvel, o instituto da usucapião 
beneficia a família tão somente se não forem proprietários de outro imóvel. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta. Na realidade, essa alternativa é bastante dúbia, 
já que obviamente a usucapião beneficiaria a família, não tenho dúvida. No 
entanto, essa é uma alternativa para ver bem “o que o examinador quer”, já que 
se vista com cuidado, a alternativa quer significar “pode a família usucapir o 
imóvel?”. Por se tratar de bem público, a resposta é negativa. 
A alternativa B está incorreta, já que não há posse e, portanto, não há direito 
de indenização por benfeitorias realizadas. Há mera detenção do bem, pois como 
os bens públicos são insuscetíveis de usucapião, não se pode qualificar a estadia 
de alguém num bem público como posse. 
A alternativa C está incorreta, igualmente, pelas mesmas razões vistas na 
alternativa anterior. 
A alternativa D está correta, pois, em havendo esbulho possessório de bem 
público, a reintegração independe de qualquer indenização. 
A alternativa E está incorreta, pelas mesmas razões que mencionei nas 
alternativas A e B. 
 
 
2013 – CESPE – AGU – Procurador Federal 
Quando o proprietário de um bem imóvel, efetivando uma relação jurídica 
negocial com terceiro, transfere-lhe o poder de fato sobre esse bem, ocorre 
a composse, de forma que qualquer dos dois poderá defender a posse contra 
terceiros. 
Comentários 
O item está incorreto, pois a composse exige que todos os titulares possam 
utilizar a coisa diretamente, sem exclusão, o que não ocorre numa transferência 
dos poderes proprietários. 
 
 
Aqui, as questões que não foram tratadas ao longo da aula, com 
comentários: 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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1. 2017 – TRF – TRF/2ª Região – Juiz Federal Substituto 
Em maio de 2015, Gaio intenta ação objetivando ver reconhecida a 
usucapião sobre imóvel de 150 m2, localizado em terreno de marinha, com 
enfiteuse regularmente constituída em favor de Tício, em 1980. Gaio mostra 
que, diante do aparente abandono local, desde 1997 passou a exercer posse 
contínua e não incomodada sobre a área, com ânimo de proprietário, 
realizando melhorias e pagando as despesas, impostos e foro sobre o bem. 
Os autos revelam que Tício fora interditado em 2004, e afirmado, segundo 
a lei vigente, absolutamente incapaz. Desde então não ocorreu a mudança 
de seu quadro de interdição. Considerados corretos todos os dados acima, 
assinale a opção certa: 
a) No caso, é viável a usucapião extraordinária do domínio direto. 
b) Em tese, estão presentes e descritos os pressupostos para a usucapião 
especial urbana do domínio útil. 
c) Não é viável, nem em tese, reconhecer usucapião, seja do domínio direto, 
seja do domínio útil, já que o imóvel é público. 
d) A jurisprudência é assente ao admitir, em terreno de marinha objeto de 
aforamento, a possibilidade de usucapião extraordinária do domínio útil, mas 
no caso os pressupostos não estão presentes. 
e) Estão presentes os pressupostos para a declaração da usucapião 
extraordinária do domínio útil, mas não estão descritos os pressupostos 
necessários para a usucapião especial urbana. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, porque o domínio direto (o direito de propriedade 
elastecido ao seu limite) não pode ser usucapido por ser o bem público. 
A alternativa B está incorreta, primeiro, porque a rigor, aplicando-se o art. 
1.244 (“Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas 
que obstam, suspendem ou interrompem a prescrição, as quais também se 
aplicam à usucapião”), não correria o prazo de usucapião em desfavor de Tício, 
então absolutamente incapaz, a partir de 2004 (situação essa que não mais 
perdura com a modificação do art. 3º do CC/2002 pelo EPD), pelo que passados 
apenas 7 anos. 
Além disso, o enunciado não menciona se Gaio é ou não proprietário de outro 
bem ou que naquele estabeleceu sua moradia, requisitos esses necessários a 
reduzir o prazo para cinco anos, a teor do art. 1.240: “Aquele que possuir, como 
sua, área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos 
ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua 
família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel 
urbano ou rural”. 
A alternativa C está incorreta, porque, em tese, é possível reconhecer a 
usucapião sobre o domínio útil. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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A alternativa D está correta, segundo o STF: “O ajuizamento de ação contra o 
foreiro, na qual se pretende usucapião do domínio útil do bem, não viola a regra 
de que os bens públicos não se adquirem por usucapião (RE 218.324-AgR, Rel. 
Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 20-4-2010, Segunda Turma, DJE de 28-
5-2010)”. 
A alternativa E está incorreta, já que o art. 1.238 (“Aquele que, por quinze anos, 
sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a 
propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz 
que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no 
Cartório de Registro de Imóveis”) exige transcurso de15 anos, não ultrapassados 
em vista da incapacidade supramencionada. 
 
 
2. 2016 – TRF 3ª REGIÃO – TRF 3ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto 
Sobre a posse, assinale a alternativa incorreta: 
a) A acessão possessória pode-se dar de modo facultativo ou por 
continuidade do direito recebido do antecessor. 
b) Admite-se o convalescimento da posse violenta e da posse clandestina. 
c) A possede boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em 
que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui 
indevidamente. 
d) O reivindicante, quando obrigado, indenizará as benfeitorias ao possuidor 
de má-fé pelo valor atual. 
Comentários 
A alternativa A está correta, como se extrai do art. 1.207: “O sucessor universal 
continua de direito a posse do seu antecessor; e ao sucessor singular é facultado 
unir sua posse à do antecessor, para os efeitos legais”. 
A alternativa B está correta, transmutando-se a posse violenta em mansa com 
a cessação dos atos de violência, e a posse clandestina em pública quando deixa 
ela de ser mantida às escusas. 
A alternativa C está correta, segundo o art. 1.202: “A posse de boa-fé só perde 
este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam 
presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente”. 
A alternativa D está incorreta, na integral compreensão do art. 1.222: “O 
reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé, tem o 
direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo”. 
 
 
3. 2016 – TRF 4ª REGIÃO – TRF 4ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto 
Assinale a alternativa INCORRETA. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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Acerca da usucapião de bens imóveis: 
a) O prazo da usucapião extraordinária é de 10 anos, podendo ser reduzido 
para 5 anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel sua moradia 
habitual ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. 
b) O prazo da usucapião especial por abandono do lar, também conhecida 
como conjugal, é de 2 anos. 
c) O prazo da usucapião pro labore, também conhecida como especial rural, 
é de 5 anos. 
d) O prazo da usucapião documental, também conhecida como tabular, é de 
5 anos. 
e) O prazo da usucapião especial coletiva de bem imóvel, previsto no 
Estatuto das Cidades, é de 5 anos. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pois o prazo para usucapião extraordinária é de 
15 anos, podendo ser reduzido a 10 anos: “Art. 1.238. Aquele que, por quinze 
anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe 
a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz 
que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no 
Cartório de Registro de Imóveis. 
Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o 
possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele 
realizado obras ou serviços de caráter produtivo”. 
A alternativa B está correta, de acordo com o art. 1.240-A: “Aquele que exercer, 
por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com 
exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros 
quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que 
abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á 
o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou 
rural”. 
A alternativa C está correta, segundo o art. 1.239: “Aquele que, não sendo 
proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos 
ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinqüenta 
hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela 
sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade”. 
A alternativa D está correta, nos termos do art. 1.242 (“Adquire também a 
propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo 
título e boa-fé, o possuir por dez anos”) e seu parágrafo único (“Será de cinco 
anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, 
onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada 
posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua 
moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econômico”). 
A alternativa E está correta, conforme art. 10 do Estatuto da Cidade. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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4. 2016 – VUNESP – TJ/RJ – Juiz Estadual Substituto 
Rony, há 6 (seis) anos ininterruptos e sem oposição, possui como sua uma 
pequena casa de 90 m², em área urbana, onde reside com sua família. Não 
é proprietário de outro imóvel, urbano ou rural. Anteriormente à sua posse, 
a casa era ocupada por um amigo seu que se mudou para outro Estado, mas 
Rony não sabe a que título seu amigo ocupava o imóvel. Dois anos após a 
ocupação por Rony, foi averbada na matrícula do imóvel uma certidão de 
distribuição de uma ação de execução em face do formal proprietário do 
bem. Rony não recebeu notícia da averbação realizada. 
Diante dessas circunstâncias, é correto afirmar que 
a) a averbação da certidão de distribuição da execução interrompeu o prazo 
para prescrição aquisitiva. 
b) não se operou a prescrição aquisitiva, por falta de lapso temporal 
suficiente. 
c) a averbação da certidão de distribuição da execução suspende o prazo 
para prescrição aquisitiva, até que seja cancelada a averbação por algum 
motivo. 
d) Rony não usucapiu o imóvel na medida em que a averbação da certidão 
de distribuição da execução implica na impossibilidade de usucapir por 
modalidade diversa da usucapião extraordinária. 
e) se operou a prescrição aquisitiva em favor de Rony, pela denominada 
usucapião especial urbana residencial individual. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, justamente porque, apesar de se insistir chamar 
a usucapião de prescrição aquisitiva, pela leitura equivocada do art. 1.244, não 
se enquadra a situação narrada em nenhuma das hipóteses legais. 
A alternativa B está incorreta, segundo o art. 1.239: “Aquele que, não sendo 
proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos 
ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinqüenta 
hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela 
sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade”. 
A alternativa C está incorreta, pelas mesmas razões da alternativa A, 
supramencionada. 
A alternativa D está incorreta, já que a averbação não limita a usucapião à 
modalidade extraordinária. 
A alternativa E está correta, segundo o STJ: “A decisão que reconhece a 
aquisição da propriedade de bem imóvel por usucapião prevalece sobre a 
hipoteca judicial que anteriormente tenha gravado o referido bem. Isso porque, 
com a declaração de aquisição de domínio por usucapião, deve desaparecer o 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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gravame real constituído sobre o imóvel, antes ou depois do início da posse "ad 
usucapionem", seja porque a sentença apenas declara a usucapião com efeitos 
"ex tunc", seja porque a usucapião é forma originária de aquisição de 
propriedade, não decorrente da antiga e não guardando com ela relação de 
continuidade (REsp 620.610/DF, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, 
julgado em 03/09/2013, DJe 19/02/2014)”. 
 
 
5. 2016 – CESPE – PGE/AM – Procurador do Estado 
Por meio de esbulho, Ronaldo obteve a posse de lote urbano pertencente ao 
estado do Amazonas. Nesse lote, ele construiu sua residência, na qual 
edificou uma série de benfeitorias, tais como piscina e churrasqueira. O 
estado do Amazonas, por intermédio de sua procuradoria, ingressou em 
juízo para reaver o imóvel. Nessa situação, Ronaldo poderá exigir 
indenização por todas as benfeitorias realizadas e exercer o direito de 
retenção enquanto não for pago o valorda indenização. 
Comentários 
O item está incorreto, conforme o art. 102, “os bens públicos não estão sujeitos 
a usucapião”. Por isso, Ronaldo não é possuidor, mas mero detentor, nos termos 
do art. 1.208 do CC/2002. 
 
 
6. 2016 – FCC – PGE/MA – Procurador do Estado 
Marcelo possuiu, como seu, imóvel no qual estabeleceu sua moradia 
habitual, por onze anos, sem interrupção nem oposição, e não ostentando 
justo título. No imóvel, foram descobertas jazidas e recursos minerais. Em 
ação de usucapião, Marcelo requereu fosse declarada aquisição do imóvel e 
das jazidas e recursos minerais, pelo transcurso do tempo. A pretensão 
(A) procede em parte, porque a usucapião extraordinária independe de justo 
título e seu prazo ́ reduzido de quinze para dez anos quando o possuidor 
estabelece no imóvel sua moradia habitual, poŕm, a usucapião não 
alcançaráば as jazidas e recursos minerais, porque a propriedade do solo não 
as abrange. 
(B) procede em parte, porque a usucapião extraordinária independe de justo 
título e seu prazo ́ reduzido de vinte para dez anos quando o possuidor 
estabelece no imóvel sua moradia habitual, poŕm, a usucapião não 
alcançaráば as jazidas e recursos minerais, porque a propriedade do solo não 
as abrange. 
(C) não procede, porque as terras em que se encontram jazidas e recursos 
minerais não podem ser usucapidas. 
(D) procede no todo, porque a usucapião extraordinária independe de justo 
título e seu prazo ́ reduzido de vinte para dez anos quando o possuidor 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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estabelece no imóvel sua moradia habitual e com a aquisição da propriedade 
do solo, adquire-se a propriedade das jazidas e recursos minerais, que ao 
solo pertencem. 
(E) não procede, porque a usucapião, em qualquer de suas espécies, 
demanda a existência de justo título. 
Comentários 
A alternativa A está correta, pela combinação dos arts. 1.230 e 1.238 do 
CC/2002, conforme veremos abaixo. 
A alternativa B está incorreta, pela regra do art. 1.238: “Aquele que, por quinze 
anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe 
a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz 
que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no 
Cartório de Registro de Imóveis”. 
A alternativa C está incorreta, eis que não há qualquer restrição à usucapião 
em situações análogas. 
A alternativa D está incorreta, na forma do art. 1.230: “A propriedade do solo 
não abrange as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais de 
energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis 
especiais”. 
A alternativa E está incorreta, na literalidade do art. 1.238, já mencionado: 
“Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu 
um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; 
podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de 
título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis”. 
 
 
7. 2016 – FUNDATEC – PGM/Porto Alegre (RS) – Procurador 
Municipal 
Um terreno urbano baldio (“Terreno A”) foi vendido ao Sr. João que, ao 
ingressar no imóvel, tomou, sem perceber, posse do imóvel lindeiro 
(“Terreno “B”). O Terreno B possuía 220 metros quadrados e era de 
propriedade do Município já na época da aquisição do Terreno A pelo Sr. 
João. O Sr. João cercou o Terreno B, limpou-o, plantou algumas árvores 
frutíferas e fez construir uma cerca, evitando possíveis invasões, comuns 
naquela região. Somente sete anos depois da utilização ininterrupta, a 
administração municipal se apercebeu do fato e, ato contínuo, notificou o Sr. 
João. Na notificação, o Município comprovou a sua propriedade sobre a área 
e deu um prazo de seis meses para que o Sr. João devolvesse o Terreno B 
ao Município. Passados esses seis meses, o Sr. João não devolveu o Terreno 
B, alegando que tem direitos sobre a área. Com base nesses fatos, analise 
as afirmações a seguir: 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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I. O Sr. João não deve devolver ao Município o Terreno B, haja vista o 
transcurso do prazo de usucapião aplicável ao caso em razão das 
características do Terreno B. ͒ 
II. Mesmo depois de notificado e de não ter respeitado o prazo fixado, o Sr. 
João pode reter o imóvel até ser indenizado pela cerca construída e pelas 
árvores plantadas. ͒ 
III. O Sr. João não tem direito a obter a propriedade pela usucapião e nem 
a ser ressarcido pelas benfeitorias realizadas no Terreno B. ͒ 
Quais estão corretas? 
A) Apenas I. 
B) Apenas II. 
C) Apenas III. 
D) Apenas I e II. 
E) Apenas II e III. 
Comentários 
O item I está incorreto, na letra do art. 102: “Os bens públicos não estão sujeitos 
a usucapião”. 
O item II está incorreto, eis que o uso de bem público não configura posse, mas 
mera detenção, não sendo aplicáveis as consequências da posse, como o direito 
à indenização pelas benfeitorias e acessões e a retenção do bem até a indenização 
devida. Nesse sentido, o STJ: REsp 556.721/DF, Rel. Ministra ELIANA CALMON, 
SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 03/10/2005, p. 172. 
O item III está correto, assim, já que a detenção não confere ao detentor 
qualquer das consequências da posse, como o direito à usucapião ou à retenção 
do bem pelas benfeitorias realizadas. 
A alternativa E está correta, portanto. 
A alternativa C está correta, portanto. 
 
 
8. 2016 – FUNRIO – PGM/Trindade (GO) – Procurador Municipal 
Em relação aos efeitos e à perda da posse, é INCORRETA a seguinte afirmativa: 
a. A posse, diante da funcionalização dos institutos jurídicos, deve exercer 
uma função social. 
b. Ainda que o possuidor não tenha presenciado o esbulho, caso a coisa 
tenha sido tomada por terceiro, considera-se perdida a posse. 
c. O possuidor tem direito de ser mantido na posse em caso de turbação, 
restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo 
receio de ser molestado. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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d. Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, 
quando, tendo notícia dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando 
recuperá-la, é violentamente repelido. 
e. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, 
temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a 
indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a 
sua posse contra o indireto. 
Comentários 
A alternativa A está correta, eis que, conforme a doutrina contemporânea, a 
posse também é funcionalizada. 
A alternativa B está incorreta, na forma do art. 1.224: “Só se considera perdida 
a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo notícia dele, se 
abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido”. 
A alternativa C está correta, na dicção do art. 1.210: “O possuidor tem direito 
a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado 
de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado”. 
A alternativa D está correta, pelas mesmas razões supramencionadas na 
alternativa B, segundo o art. 1.224. 
A alternativa E está correta, na literalidade do art. 1.197: “A posse direta, de 
pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito 
pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto”. 
 
 
9.2016 – FCC – DPE/BA – Defensor Público Estadual 
A posse-trabalho 
(A) pode gerar a desapropriação de terras públicas em favor de um grupo 
de pessoas que realizou obras ou serviços considerados de interesse social 
e econômico relevante. 
(B) pode gerar ao proprietário a privação da coisa reivindicada, se for 
exercida em extensa área por prazo ininterrupto de cinco anos, mas o 
proprietário tem direito à fixação de justa indenização. 
(C) é aquela que permite a usucapião especial urbana, em imóveis com área 
não superior a 250 metros quadrados e, por ser forma originária de aquisição 
da propriedade, independe de indenização. 
(D) está prevista no Estatuto da Cidade como requisito para a usucapião 
coletiva de áreas urbanas ou rurais onde não for possível identificar os 
terrenos ocupados por cada possuidor. 
(E) se configura como a mera detenção, também chamada de fâmulo da 
posse, fenômeno pelo qual alguém detém a posse da coisa em nome alheio. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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Comentários 
A alternativa A está incorreta, pela aplicação do art. 102: “Os bens públicos não 
estão sujeitos a usucapião”. Sendo a posse requisito indispensável da usucapião, 
impossível tratar desta sem aquela. 
A alternativa B está correta, na forma do art. 1.228, §§ 4º (“O proprietário 
também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa 
área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável 
número de pessoas, e estas nela houverem realizado, em conjunto ou 
separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e 
econômico relevante”) e 5º (“No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a 
justa indenização devida ao proprietário; pago o preço, valerá a sentença como 
título para o registro do imóvel em nome dos possuidores”) do CC/2002. 
A alternativa C está incorreta, pois o art. 9º do Estatuto da Cidade (“Aquele que 
possuir como sua área ou edificação urbana de até duzentos e cinquenta metros 
quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para 
sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja 
proprietário de outro imóvel urbano ou rural”) e o art. 1.240 do CC/2002 (“Aquele 
que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros 
quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para 
sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja 
proprietário de outro imóvel urbano ou rural”) tratam da posse-moradia. 
A alternativa D está incorreta, já que o art. 10 do Estatuto trata da posse-
moradia: “As áreas urbanas com mais de duzentos e cinquenta metros 
quadrados, ocupadas por população de baixa renda para sua moradia, por cinco 
anos, ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os 
terrenos ocupados por cada possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas 
coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel 
urbano ou rural”. 
A alternativa E está incorreta, eis que aquele que possui bem para nele trabalhar 
não se considera detentor. 
 
 
10. 2015 – CESPE – TRF/1ª Região – Juiz Federal Substituto 
Pedro adquiriu um imóvel de Manoel por meio de cessão de direitos. Manuel 
vendeu o imóvel — que era objeto de contrato de financiamento, adquirido 
de acordo com as normas do Sistema Financeiro de Habitação — porque não 
lograva êxito em pagar as prestações devidas há um ano, o que acarretou, 
inclusive, ação de execução hipotecária. O imóvel estava hipotecado e 
devidamente registrado. 
Nessa situação hipotética, a posse exercida por Pedro foi 
a) justa, devido à presunção de boa-fé. 
b) de má-fé, uma vez que havia registro da hipoteca. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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c) clandestina, por ter sido adquirida às ocultas da instituição financeira. 
d) precária, ante o abuso de direito por parte da instituição financeira. 
e) de boa-fé, por atender a função social. 
Comentários 
A questão foi anulada, bizarramente, porque ManOel foi grafado, depois, como 
ManUel. CESPE anula a questão por isso, mas não anula por muito mais. De 
qualquer forma, isso não nos impede de analisar a questão e praticar. 
A alternativa A está incorreta, pois o gravame agasta a presunção de boa-fé. 
A alternativa B está correta, conforme dito na alternativa anterior. 
A alternativa C está incorreta, já que o adquirente, segundo o enunciado, não 
ocultou a aquisição. 
A alternativa D está incorreta, eis que não houve abuso de confiança, em 
momento algum. 
A alternativa E está incorreta, dado que, ainda que fosse possível extrair daí 
funcionalização da posse, ela é de má-fé, como dito anteriormente. 
 
 
11. 2015 – FCC – TJ/AL – Juiz Estadual Substituto 
A posse direta de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, 
em virtude de algum direito 
a) pessoal ou real anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, não podendo, 
porém, defender sua posse contra o que teve posse direta. 
b) real não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor 
direto defender a sua posse contra o indireto, mas esse mesmo direito não 
terá, se a posse direta advier de direito pessoal. 
c) pessoal ou real não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo 
o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. 
d) pessoal não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, mas esse mesmo 
direito não terá se a posse direta advier de direito real. 
e) pessoal ou real anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, bem como defender 
a sua posse contra o que teve posse direta. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, segundo o art. 1.197: “A posse direta, de pessoa 
que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, 
ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor 
direto defender a sua posse contra o indireto”. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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A alternativa B está incorreta, por aplicação do mesmo art. 1.197 supracitado. 
A alternativa C está correta, mais uma vez, de acordo com o supramencionado 
art. 1.197. 
A alternativa D está incorreta, já que se aplica a defesa da posse seja ela 
advinda de direito real ou pessoal. 
A alternativa E está incorreta, novamente, porque a posse direta não anula a 
indireta. 
 
 
12. 2015 – FCC – TJ/SC – Juiz Estadual Substituto 
João X, que se estabelecera em um terreno abandonado havia um (01) ano 
e nele construíra um casebre, foi surpreendido com a citação para defender-
se em ação de reintegração de posse, movida por José Y, que alegava e 
provava ter adquirido o imóvel, conforme escritura de compra e venda 
devidamente registrada, três (03) anos atrás. A ação possessória deverá ser 
julgada 
a) procedente, mas João X terá direito à retenção do imóvel, enquanto não 
for indenizado da construção. 
b) procedente, mas João X deverá ser indenizado da construção, se 
possuidor de boa fé, mas sem direito de retenção. 
c) improcedente e José Y ficará impedido de ajuizar ação reivindicatória. 
d) procedente, porque o registro da escritura de compra e venda torna o 
negócio oponível a terceiros e, por isso, a posse de João X é injusta. 
e) improcedente, masJosé Y não ficará inibido de ajuizar ação 
reivindicatória. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, porque a base do argumento de João Y, o 
sustentáculo de sua pretensão processual não é a posse, mas a propriedade, o 
que vai de encontro ao art. 557 do CPC/2015: “Na pendência de ação possessória 
é vedado, tanto ao autor quanto ao réu, propor ação de reconhecimento do 
domínio, exceto se a pretensão for deduzida em face de terceira pessoa”. 
A alternativa B está incorreta, pelas mesmas razões da alternativa anterior. 
A alternativa C está incorreta, dado que a discussão sobre a posse não afasta, 
de per si, a ação reivindicatória, independentemente do seu andamento ou 
resultado. 
A alternativa D está incorreta, porque o simples fato de ter João Y registrado a 
aquisição não impede João X de pretender obter a titularização da propriedade, 
quando for possível, por intermédio da usucapião. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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A alternativa E está correta, pois, como dito, a ação reivindicatória ainda é uma 
possibilidade a João Y, já que seu argumento se baseia na alegação de 
propriedade, e não de posse. 
 
 
13. 2015 – CESPE – TRF 5ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto 
Roberto, juntamente com sua família, ocupou, cercou e construiu uma casa, 
um curral e um pequeno lago artificial em uma terra pública situada em área 
rural. O poder público, ao tomar ciência da ocupação, ajuizou ação de 
reintegração de posse. Em defesa, Roberto alegou que a posse se dera de 
boa-fé e que ele já havia feito um pedido administrativo requerendo a 
regularização da propriedade. O réu ainda alegou que, caso o pedido do 
poder público fosse procedente, ele deveria ser indenizado pelas benfeitorias 
erigidas, com direito de retenção. 
A respeito dessa situação hipotética, assinale a opção correta. 
a) Com exceção do lago artificial, Roberto fará jus a indenização pelas 
demais benfeitorias erigidas no imóvel. 
b) Roberto terá direito à indenização pela casa, mas lhe será descontado o 
valor correspondente ao tempo de permanência no imóvel. 
c) O direito de retenção pelas benfeitorias necessárias não poderá ser 
deferido. 
d) A posse não pode ser considerada de má-fé, o que torna indenizáveis as 
benfeitorias úteis e necessárias feitas por Roberto. 
e) A indenização pelo curral depende de prova de utilidade pelo poder público 
após a retomada do imóvel. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, eis que nenhuma das benfeitorias lhe será 
indenizada, indistintamente. 
A alternativa B está incorreta, pelas mesmas razões mencionadas na alternativa 
anterior. 
A alternativa C está correta, segundo o STJ: “EMBARGOS DE TERCEIRO - 
MANDADO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE - OCUPAÇÃO IRREGULAR DE ÁREA 
PÚBLICA - INEXISTÊNCIA DE POSSE - DIREITO DE RETENÇÃO NÃO 
CONFIGURADO. 1. Posse é o direito reconhecido a quem se comporta como 
proprietário. Posse e propriedade, portanto, são institutos que caminham juntos, 
não havendo de ser reconhecer a posse a quem, por proibição legal, não possa 
ser proprietário ou não possa gozar de qualquer dos poderes inerentes à 
propriedade. 2. A ocupação de área pública, quando irregular, não pode ser 
reconhecida como posse, mas como mera detenção. 3. Se o direito de retenção 
depende da configuração da posse, não se pode, ante a consideração da 
inexistência desta, admitir o surgimento daquele direito advindo da necessidade 
de se indenizar as benfeitorias úteis e necessárias, e assim impedir o 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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cumprimento da medida imposta no interdito proibitório (REsp 556.721/DF, Rel. 
Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 
03/10/2005, p. 172)” 
A alternativa D está incorreta, porque, a despeito de a posse não ser de má-fé, 
não se fala em indenização de benfeitorias realizadas em área pública. 
A alternativa E está incorreta, mais uma vez, pelas mesmas razões já expostas 
nas alternativas anteriores. 
 
 
14. 2015 – FCC – TJ/PE – Juiz Estadual Substituto 
Sociedade Agrícola Laranjal, ao levantar cercas em imóvel de sua 
propriedade, em cuja posse se encontra, constatou que parte da área havia 
sido invadida por seu vizinho Agrário, que supunha pertencer-lhe, porque as 
cercas, anteriormente existentes, haviam sido destruídas em razão de 
intempéries e má conservação. Por isso, aquela pessoa jurídica moveu ação 
de reintegração de posse, todavia, sem obter liminar. Mesmo depois de 
citado, em 15/6/2014, Agrário continuou exercendo atos possessórios e, no 
dia 20/6/2014, colheu as laranjas que estavam maduras, bem como 
recebeu, pelo arrendamento da outra parte da área, na ordem de R$ 
1.000,00 por mês, com vencimento no dia 30 de cada mês vencido, até 30 
de setembro de 2014, porque, tendo a autora obtido liminar por força de 
agravo de instrumento, foi ela reintegrada na posse em 01/10/2014. Nesse 
caso, Agrário deverá indenizar Sociedade Agrícola Laranjal 
a) somente do que recebeu a título de arrendamento, após a decisão que 
deferiu a liminar de reintegração de posse. 
b) somente das laranjas que colheu após a citação, se não puder entregá-
las em espécie, mas não dos valores recebidos a título de arrendamento, os 
quais terão de ser cobrados do arrendatário, que pagou a quem não era 
proprietário do imóvel. 
c) das laranjas que colheu após a citação, bem como do que recebeu a título 
de arrendamento, ainda que referente a período anterior à citação 
d) de tudo o que recebeu a título de arrendamento e do que colheu, desde 
a data em que ingressou indevidamente na área vizinha. 
e) de quinze dias do valor do arrendamento, no mês de junho e da 
integralidade dos meses subsequentes, bem como do valor correspondente 
às laranjas colhidas em 15/06/2014, se não puder entregá-las em espécie. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, já que, por aplicação do art. 1.202 (“A posse de 
boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as 
circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui 
indevidamente”), a citação é ato que faz presumir a má-fé de Agrário, que toma 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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conhecimento de ação contra si, e não da procedência final ou do deferimento 
liminar. 
A alternativa B está incorreta, porque o arrendatário, não tendo sido parte na 
ação, pagou, de boa-fé, a quem se supunha possuidor de direito. 
A alternativa C está incorreta, pois não há que se falar em indenização pelo 
período anterior ao da citação, antes a aplicação do referido art. 1.202. 
A alternativa D está incorreta, mais uma vez, porque a posse, anterior, era de 
boa-fé, pelo que os frutos percebidos são do possuidor, só cessando o direito com 
o ato que transmuta a posse em posse de má-fé, qual seja, a citação, no caso. 
A alternativa E está correta, por tudo o que se disse nas alternativas anteriores. 
 
 
15. 2015 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto 
Assinale a alternativa correta. 
(A) Os direitos autorais não podem ser objeto de protec ֚ão por meio de 
interdito proibitório, dada a impossibilidade do exercício da posse sobre 
coisas incorpóreas. 
(B) A via adequada para fazer cessar o esbulho ́ a ac ֚ão de manutenc ֚ão de 
posse, enquanto que o reḿdio para a turbac֚ão ́ a de reintegrac ֚ão de 
posse, conquanto as ac֚̃es possessórias sejam fungíveis. 
(C) ́ tamb́m possuidor aquele que, mesmo achando-se em situac ֚ão de 
depende Ǻncia para com o outro, conserva a posse em nome deste,sob suas 
instruc ֚̃es. 
(D) De regra, a posse do imóvel não faz presumir a das coisas móveis que 
nele estiverem. 
Comentários 
A alternativa A está correta, estando assentada a controvérsia no STJ: 
“CONSOLIDADA A JURISPRUDENCIA DO STJ NO SENTIDO DE QUE INCABIVEL O 
INTERDITO PROIBITORIO PARA A PROTEÇÃO DE DIREITO AUTORAL (REsp 
144.907/SP)”. 
A alternativa B está incorreta, conforme o art. 1.210: “O possuidor tem direito 
a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado 
de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado”. 
A alternativa C está incorreta, de acordo com o art. 1.198: “Considera-se 
detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, 
conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções 
suas”. 
A alternativa D está incorreta, na dicção do art. 1.209: “A posse do imóvel faz 
presumir, até prova contrária, a das coisas móveis que nele estiverem”. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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16. 2015 – MPE/SP – MPE/SP – Promotor de Justiça Substituto 
O artigo 1244 do Código Civil reza que: “Estende-se ao possuidor o disposto 
quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou 
interrompem a prescrição, as quais tamb́m se aplicam a usucapião.” Assim, 
entre as alternativas apresentadas abaixo, marque aquela em que a 
usucapião poderá ser alegada: 
a) entre cônjuges na constância do casamento. 
b) entre tutelados e seus tutores, durante a tutela. 
c) contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de 
guerra. 
d) contra os outros condôminos, uma vez cessado o estado de indivisão e 
comprovada a posse exclusiva da coisa. 
e) contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados e 
dos Municípios. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, de acordo com o art. 197, inc. I: “Não corre a 
prescrição entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal”. 
A alternativa B está incorreta, conforme o art. 197, inc. III: “Não corre a 
prescrição entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, durante a 
tutela ou curatela”. 
A alternativa C está incorreta, na dicção do art. 198, inc. III: “Também não 
corre a prescrição contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em 
tempo de guerra”. 
A alternativa D está correta, segundo o STJ: “Esta Corte firmou entendimento 
no sentido de ser possível ao condômino usucapir se exercer posse exclusiva 
sobre o imóvel" (STJ, AgRg no Ag 731971/MS, Terceira Turma, Rel. Min.Sidnei 
Beneti, j. 23.09.08). 
A alternativa E está incorreta, consoante regra do art. 198, inc. II: “Também 
não corre a prescrição contra os ausentes do País em serviço público da União, 
dos Estados ou dos Municípios”. 
 
 
17. 2015 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual 
Sobre a posse injusta, é INCORRETO afirmar que 
(A) ocorre quando o possuidor se apodera da coisa imbuído de má-fé. 
(B) é passível de convalescimento (interversão) em posse justa por ato 
consensual. 
(C) pode ser apta a gerar usucapião (posse ad usucapionem). 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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(D) ocorre somente quando a posse é violenta, clandestina ou precária. 
(E) permite ao possuidor injusto o direito à retenção em razão de 
benfeitorias úteis, desde que de boa-fé. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, já que, como eu disse, posse de má-fé e posse 
injusta não se confundem, compreendendo situações bem distintas, inclusive no 
plano da eficácia. 
A alternativa B está correta, porque a posse injusta pode se tornar justa por 
meio da interversão. 
A alternativa C está correta, pois, como veremos adiante, mesmo sendo injusta 
a posse pode gerar a pretensão de usucapião, em situações extraordinárias. 
A alternativa D está correta, conforme disse antes, a posse injusta se 
caracteriza exatamente por esses três elementos. 
A alternativa E está correta, eis que as benfeitorias se vinculam ao binômio boa-
fé x má-fé, não à justeza da posse. 
 
 
18. 2015 – CESPE – DPE/PE – Defensor Público Estadual 
Se João tiver ingressado no terreno de Pedro há seis meses, pacificamente, 
sem ocultar a invasão, e lá construído um barraco, não se terá caracterizado, 
nessa situação hipotética, o esbulho, visto que não ocorreu violência, 
clandestinidade ou precariedade, elementos caracterizadores da posse 
injusta. 
Comentários 
O item está incorreto, já que o esbulho independe de violência, clandestinidade 
ou precariedade; é um dado objetivo: a verificação da perda da posse, sendo 
irrelevante a ocorrência de um dos vícios objetivos, na situação concreta, sob 
pena de se obstar o possuidor legítimo a manejar qualquer das ações 
possessórias para proteger sua posse. Importarão esses elementos para a 
usucapião, mas não para a reintegração. 
 
 
19. 2014 – FCC – TJ/AP – Juiz Estadual Substituto 
Sobre a posse e os direitos do possuidor, é correto afirmar: 
I. O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter- se ou restituir-se por 
sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de 
desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição 
da posse. 
II. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo 
que são separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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III. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias 
necessárias; não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, 
nem o de levantar as voluptuárias. 
IV. As benfeitorias não se compensam com os danos e não dão direito ao 
ressarcimento mesmo quando não mais existirem ao tempo da evicção. 
V. Considera-se possuidor aquele que, achando-se em relação de 
dependência para com outro conserva a posse em nome deste e em 
cumprimento de suas ordens ou instruções. 
Está correto o que consta APENAS em 
a) III, IV e V. 
b) I, II e III. 
c) I, IV e V. 
d) II, III e IV. 
e) II, III e V. 
Comentários 
O item I está incorreto, na literalidade do art. 1.210, § 1º: “O possuidor turbado, 
ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto 
que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do 
indispensável à manutenção, ou restituição da posse”. 
O item II está incorreto, nos termos do art. 1.215: “Os frutos naturais e 
industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo que são separados; os civis 
reputam-se percebidos dia por dia”. 
O item III está correto, conforme o art. 1.220: “Ao possuidor de má-fé serão 
ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de 
retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias”. 
O item IV está incorreto, segundo o art. 1.221: “As benfeitorias compensam-se 
com os danos, e só obrigam ao ressarcimento se ao tempo da evicção ainda 
existirem”. 
O item V está incorreto, na forma do art. 1.198: “Considera-se detentor aquele 
que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse 
em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. 
A alternativa B é a correta, portanto. 
 
 
20. 2014 – FCC – TJ/AP – Juiz Estadual Substituto 
José e Maria, casados sob o regime da comunhão parcial de bens, adquiriram 
um terreno em loteamento devidamente registrado com área de 300 m2, 
nele construindo uma casa para residência da família, que ocupa 250 m2, 
sendo essa área murada, embora restassem nos fundos 50 m2, contíguos a 
umaoutra área destinada a uma praça que, entretanto, não foi concluída, 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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nem pela municipalidade, nem pelo loteador. José abandonou a família e 
Maria pediu separação judicial, convertida posteriormente em divórcio, 
sendo o cônjuge citado por edital, mas não houve a partilha de bens. 
Decorridos 6 anos do divórcio, José retornou e passou a ocupar a área 
remanescente de 50 m2 do imóvel referido e mais 200 m2 contíguos, onde 
se situaria a praça, nelas construindo sua moradia. As casas de José e Maria 
são as únicas de cada um. Passados 10 anos do divórcio e 5 anos desde que 
José veio a residir, com ânimo de dono, no local mencionado e sem que 
sofressem oposição às respectivas posses, 
a) apesar do tempo decorrido, nem José, nem Maria adquiririam o domínio 
exclusivo das áreas que ocupam porque, após a separação judicial, 
extinguindo-se o regime de bens do casamento, tornaram-se condôminos e 
o condômino não pode adquirir, por usucapião, a totalidade do imóvel. 
b) Maria só terá adquirido o domínio integral da área em que ficou residindo, 
depois de 5 anos e José não poderá adquirir por usucapião a área total que 
ocupa com exclusividade. 
c) Maria terá adquirido o domínio integral da área em que ficou residindo 
com a família, depois de 2 anos ininterruptos de sua posse exclusiva, mas 
José não poderá adquirir por usucapião a área total que ocupa com 
exclusividade. 
d) José e Maria terão adquirido pela usucapião a totalidade das áreas que 
ocupam, cada um deles após 2 anos de efetiva ocupação. 
e) José e Maria adquiriram o domínio das respectivas áreas, após 5 anos de 
efetiva ocupação. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, porque Maria usucapirá a área ocupada, de 
acordo com o art. 1.240-A: “Aquele que exercer, por 2 (dois) anos 
ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel 
urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade 
divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para 
sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não 
seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. 
A alternativa B está incorreta, por aplicação do prazo bienal mencionado 
anteriormente. 
A alternativa C está correta, na conjugação do art. 1.240-A, supracitado, com 
o art. 102, citado infra, permitindo-se a José a usucapião da área de 50m2, 
apenas. 
A alternativa D está incorreta, porque a área pública é inusucapível por José, 
por força do art. 102: “Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião”. 
A alternativa E está incorreta, pelas mesmas razões mencionadas na alternativa 
anterior. 
 
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21. 2014 – FMP/RS – TJ/MT – Juiz Estadual Substituto 
Analise as afirmativas abaixo. 
I - É admitida a modalidade de usucapião especial urbano residencial familiar 
de imóvel de até 250m², desde que computados dois anos de posse 
ininterrupta, exclusiva, sem oposição e direta, pelo cônjuge que permanece 
residindo no imóvel, contra o ex- cônjuge, ou ex-companheiro, que 
abandonou o lar e com quem dividia a propriedade, desde que não seja 
proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
II - As normas do Código Civil que instituem causas obstativas, suspensivas 
ou interruptivas dos prazos prescricionais não são aplicáveis à disciplina 
específica das ações de usucapião. 
III - Para os fins da disciplina da usucapião ordinária, considera-se justo o 
título hábil, em tese, à transferência do domínio, sendo exemplo o título 
aquisitivo a non domino. 
IV - A boa-fé, dispensável na modalidade de usucapião extraordinária, mas 
indispensável na modalidade ordinária, é aquela relativa à dimensão 
psicológica. 
Quais estão corretas? 
a) Apenas a I e II. 
b) Apenas a II, III e IV. 
c) Apenas a III e IV. 
d) Apenas a I, III e IV. 
e) Apenas a I, II e III. 
Comentários 
O item I está correto, de acordo com o art. 1.240-A: “Aquele que exercer, por 2 
(dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusividade, 
sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) 
cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o 
lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio 
integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. 
O item II está incorreto, nos termos do art. 1.244: “Estende-se ao possuidor o 
disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou 
interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião”. 
O item III está correto, eis que da leitura do Enunciado 302 do CJF (“Pode ser 
considerado justo título para a posse de boa-fé o ato jurídico capaz de transmitir 
a posse ad usucapionem, observado o disposto no art. 113 do Código Civil”), 
pode-se inferir o título aquisitivo a non domino. 
O item IV está correto, já que, ao contrário da disciplina contratual, que trata 
da boa-fé objetiva, a posse trata da boa-fé subjetiva. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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A alternativa D é a correta, portanto. 
 
 
22. 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado 
O possuidor de boa-fé: 
(A) é aquele cuja posse não é precária. 
(B) tem direito à indenização das benfeitorias necessárias, úteis e 
voluptuárias. 
(C) não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. 
(D) tem direito de retenção quanto às benfeitorias, mas não tem direito aos 
frutos percebidos. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pela amplitude requerida no art. 1.200: “É justa 
a posse que não for violenta, clandestina ou precária”. 
A alternativa B está incorreta, conforme o art. 1.219: “O possuidor de boa-fé 
tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto 
às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem 
detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das 
benfeitorias necessárias e úteis”. 
A alternativa C está correta, na literalidade do art. 1.217: “O possuidor de boa-
fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa”. 
A alternativa D está incorreta, segundo o art. 1.214: “O possuidor de boa-fé 
tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos”. 
 
 
23. 2014 – FUNRIO – INSS – Analista do Seguro Social 
A teoria da posse, adotada pelo Código Civil Brasileiro, denomina-se 
a. teoria subjetiva de Savigny. 
b. teoria fazendária de Caio Mário da Silva Pereira. 
c. teoria privatista. 
d. teoria objetiva de Ihering. 
e. teoria patrimonialista. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, porque a teoria subjetiva de Savigny estava já 
superada quando da edição do CC/1916. 
A alternativa B está incorreta, eis que Caio Mario nada tem a ver com as teorias 
da posse. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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A alternativa C está incorreta, dado que essa teoria não se liga à posse. 
A alternativa D está correta, pois a teoria objetiva de Jhering estabeleceu-se 
como regra nos ordenamentos jurídicos, incluindo o Brasil. 
A alternativa E está incorreta, pelas mesmas razões das alternativas B e C, 
supramencionadas. 
 
 
24. 2013 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto 
Em relação àposse, é correto afirmar que 
a) o locatário não tem a posse direta do imóvel que ele aluga, mas sim a 
indireta. 
b) o motorista de um caminhão da empresa para a qual trabalha tem a posse 
ad usucapionem desse bem. 
c) o possuidor direto tem direito de lançar mão dos interditos contra 
turbação, esbulho e violência iminente, se tiver justo receio de ser 
molestado, inclusive contra o possuidor indireto. 
d) o possuidor responde pela perda da coisa, ainda que de boa-fé e sem ter 
dado causa à perda. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, invertendo-se as posses, no caso. 
A alternativa B está incorreta, possuindo o motorista mera detenção, como se 
extrai do art. 1.198: “Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação 
de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em 
cumprimento de ordens ou instruções suas”. 
A alternativa C está correta, de acordo com o art. 1.197: “A posse direta, de 
pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito 
pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto”. 
A alternativa D está incorreta, conforme o art. 1.217: “O possuidor de boa-fé 
não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa”. 
 
 
25. 2013 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto 
Sobre o imóvel urbano de 350 m² que, sem interrupção e nem oposição, 
está na posse de Cícero desde fevereiro de 2003, tanto que nele construiu 
casa pré-fabricada de madeira, onde habita com sua família, é correto dizer 
que 
a) em fevereiro de 2005, a usucapião especial se consumaria. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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b) em 2008, já poderia ter sido usucapido de acordo com a regra da 
usucapião especial urbana. 
c) poderia ser usucapido somente em 2018, de acordo com a regra da 
usucapião ordinária do Código Civil. 
d) em fevereiro de 2013, Cícero já pode ajuizar a ação de usucapião para 
ver reconhecido seu direito de propriedade sobre o imóvel. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 1.240: “Aquele que possuir, 
como sua, área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco 
anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua 
família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel 
urbano ou rural”, já que o imóvel seria usucapível apenas em 2008. 
A alternativa B está incorreta, segundo o art. 1.240, supracitado, sendo possível 
se o imóvel tivesse menos de 250m2. 
A alternativa C está incorreta, pois apesar de o caput do art. 1.238 (“Aquele 
que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um 
imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; 
podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de 
título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis”) exigir prazo de 15 
anos, seu parágrafo único (“O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez 
anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou 
nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo”) o reduz a dez anos, em 
caso de moradia habitual, como no caso apresentado, o que faria a data ser 2013. 
A alternativa D está correta, por aplicação do parágrafo único do art. 1.238, 
supramencionado. 
 
 
26. 2013 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado 
Assinale a alternativa INCORRETA. 
(A) O conceito de frutos é o mais amplo possível, nele se incluindo 
não só os provenientes da plantação, da pecuária, mas também os 
produtos que se extraem do solo, como o minério e os frutos, chamados 
civis, como os aluguéis, juros e rendas. 
(B) Os frutos pendentes pertencem ao possuidor, seja ele de boa ou má-fé. 
(C) Os frutos colhidos com antecipação pelos possuidores de boa-fé devem 
ser restituídos se, ao tempo normal da colheita, houver cessado a boa-fé. 
(D) Os frutos civis reputam-se percebidos dia por dia. 
Comentários 
A questão foi anulada, mas é possível tratar dela, ainda assim. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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A alternativa A está incorreta, porque os minérios são produtos, que se exaurem 
na retirada e reduzem o valor do bem principal, diferentemente dos frutos. 
A alternativa B está incorreta, como se extrai do art. 1.214, parágrafo único: 
“Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos, 
depois de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também 
restituídos os frutos colhidos com antecipação”. 
A alternativa C está correta, na literalidade do art. 1.214, supracitado, em sua 
segunda parte. 
A alternativa D está correta, Art. 1.215. Os frutos naturais e industriais 
reputam-se colhidos e percebidos, logo que são separados; os civis reputam-se 
percebidos dia por dia. 
 
 
27. 2013 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado 
Assinale a alternativa INCORRETA. 
(A) Posse e detenção caracterizam-se, no sistema jurídico brasileiro, como 
poder de fato, que se exerce sobre a coisa, diferenciando-se, dentre outros 
fatores, porque a posse recebe proteção interdital e pode conduzir à 
aquisição da propriedade, enquanto a detenção nem recebe proteção 
interdital, nem conduz à aquisição da propriedade. 
(B) Na traditio brevi manu o adquirente da posse do bem já o tem em seu 
poder; apenas, por convenção, muda-se o título da ocupação. 
(C) A posse não se transfere com seus caracteres. Assim, se for violenta, 
na origem, pode convalar-se em posse legítima, se o sucessor estiver de 
boa-fé. 
(D) A posse se transfere por mera tradição, isto é, porque a pessoa passou 
a exercer poder fático sobre a coisa. 
Comentários 
A alternativa A está correta, considerando-se a posse, para todos os efeitos, o 
exercício fático dos poderes proprietários, daí a proteção a ela conferida em 
detrimento da detenção, como se vê pelo art. 1.196: “Considera-se possuidor 
todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes 
inerentes à propriedade”. 
A alternativa B está correta, estando ele com a coisa a título de posse, apenas. 
A alternativa C está incorreta, na dicção do art. 1.203: “Salvo prova em 
contrário, entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida”. 
A alternativa D está correta, conforme o art. 1.204: “Adquire-se a posse desde 
o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer 
dos poderes inerentes à propriedade”. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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28. 2013 – FCC – DPE/AM – Defensor Público Estadual 
A posse 
(A) é de má-fé mesmo que o possuidor ignore o vício. 
(B) é adquirida quando se detém a coisa a mando de outrem. 
(C) pode ser oposta ao proprietário. 
(D) não pode ser defendida, em juízo, pelo possuidor indireto. 
(E) quando turbada, autoriza o ajuizamento de ação de reintegração. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, já que há análise subjetiva da posse no quesito 
boa-fé x má-fé, pelo que a ignorância do vício presume boa-fé. 
A alternativa B está incorreta, pois este caso configura a detenção, apenas. 
A alternativa C está correta, porque a posse pode ser oposta em face do 
proprietário registral, inclusive permitindo a aquisição da propriedade via 
usucapião. 
A alternativa D está incorreta, dado que tanto possuidor direto quanto indireto 
podem proteger a posse, pelo desdobramento do instituto verificado a partir da 
teoria objetiva de Jhering.A alternativa E está incorreta, porquanto a turbação autoriza a ação de 
manutenção de posse, ao passo que a reintegração se aplica nos casos de esbulho 
possessório. 
 
 
29. 2012 – FCC – PGE/SP – Procurador do Estado 
Tício celebra contrato de locação de imóvel com Caio. Em razão de férias, 
Caio se ausenta do lar por 90 dias, e neste período Lúcio invade o imóvel, 
fato que chega ao imediato conhecimento de Tício. Neste caso, Tício 
(A) e Caio têm legitimidade para pleitear proteção possessória. 
(B) pode dar o contrato de locação por resolvido, e mover ação de despejo 
em face de Lúcio, mais célere que a possessória. 
(C) não poderá pleitear reintegração de posse, pois apenas Caio tem 
interesse jurídico em fazer cessar o esbulho. 
(D) poderá pleitear reintegração de posse, desde que notifique previamente 
Lúcio para que desocupe o imóvel no prazo de 30 dias. 
(E) pode pleitear reintegração de posse para fazer cessar o esbulho, desde 
que previamente autorizado por Caio. 
Comentários 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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A alternativa A está correta, já que o manejo da ação de integração depende 
única e exclusivamente da posse. A partir da teoria objetiva, pode-se bipartir a 
posse em posse direta (de Caio) e indireta (de Tício). Como Tício tem a posse 
indireta, pode exercer a ação possessória, sem qualquer óbice. 
A alternativa B está incorreta, dado que incabível ação de despejo em face de 
Lúcio, pois não existe relação locatícia entre ele e Tício. 
A alternativa C está incorreta, pois Tício, sendo proprietário e possuidor indireto, 
tem amplo interesse na desocupação do imóvel. 
A alternativa D está incorreta, a notificação prévia é exigida em determinadas 
situações do locatário. Como Lúcio não é locatário, mas possuidor, não cabe falar 
em notificação. 
A alternativa E está incorreta, porque ambos os possuidores – direto e indireto 
– podem fazer cessar o esbulho, um independentemente do outro. 
 
 
30. 2012 – FCC – DPE/PR – Defensor Público Estadual 
Acerca da propriedade e de suas formas de aquisição, aquele que 
(A) possui ininterruptamente, há seis anos, imóvel urbano com 130 metros 
quadrados, contíguo com imóvel de sua propriedade com 80 metros 
quadrados, tem direito ao usucapião urbano. 
(B) estabeleceu sua moradia habitual há sete anos em determinado imóvel, 
após firmar e adimplir com os ditames de contrato de compra e venda 
registrado e recentemente anulado por falta de capacidade civil do vendedor, 
terá de aguardar mais três anos para adquirir direito à aquisição da 
propriedade por usucapião. 
(C) reivindica extensa área de terras de sua propriedade, atualmente 
ocupada por trinta famílias que ingressaram a nove anos no local, de boa-
fé, em razão de um processo irregular de loteamento, vindo a urbanizar a 
área com recursos próprios, pode vir a ser privado da coisa, desde que 
devidamente indenizado pelos possuidores. 
(D) invadiu imóvel alheio e ali estabeleceu sua moradia habitual há onze 
anos, cultivando no local hortaliças para venda na região, terá de aguardar 
mais quatro anos para adquirir direito à aquisição da propriedade por 
usucapião. 
(E) possuiu de forma contínua e de boa-fé bem móvel como seu pelo período 
de dois anos, tem direito à aquisição da propriedade por usucapião. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pela parte final do art. 1.240: “Aquele que 
possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, 
por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de 
outro imóvel urbano ou rural”. 
A alternativa B está incorreta, segundo o art. 1.242, parágrafo único: “Será de 
cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, 
onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada 
posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua 
moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econômico”. 
A alternativa C está correta, na leitura do art. 1.228, § 4º: “O proprietário 
também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa 
área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável 
número de pessoas, e estas nela houverem realizado, em conjunto ou 
separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e 
econômico relevante”. 
A alternativa D está incorreta. Estaria correta, em linhas gerais, na aplicação 
do caput do art. 1.238 (“Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem 
oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, 
independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o 
declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de 
Registro de Imóveis”), mas seu parágrafo único acaba se amoldando exatamente 
ao caso descrito (“O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o 
possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele 
realizado obras ou serviços de caráter produtivo”). 
A alternativa E está incorreta, pela dicção do art. 1.260: “Aquele que possuir 
coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente durante três anos, com 
justo título e boa-fé, adquirir-lhe-á a propriedade”. 
 
 
31. 2012 – CESPE – DPE/AC – Defensor Público Estadual 
Com relação ao instituto da posse, assinale a opção correta. 
A Ao conceituar a posse da mesma forma que seu antecessor, o Código Civil 
vigente filia-se à teoria subjetiva da posse. 
B Possuidor indireto é aquele que detém poder físico sobre a coisa, mas 
apenas em cumprimento de ordens ou instruções emanadas do possuidor 
direto ou de seu proprietário. 
C No constituto possessório, há inversão no título da posse com base em 
relação jurídica: aquele que possuía em nome alheio passa a possuir em 
nome próprio, remanescendo o seu poder material sobre a coisa. 
D Ao possuidor de má-fé é facultado o ressarcimento por benfeitorias 
necessárias e úteis; contudo, esse possuidor jamais obterá direito de 
retenção sobre as benfeitorias que tenha realizado. 
 E Segundo entendimento jurisprudencial do STJ, não é possível a posse de 
bem público, pois sua ocupação irregular representa mera detenção de 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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natureza precária; portanto, na ação reivindicatória ajuizada pelo ente 
público, não há que se falar em direito de retenção de benfeitorias, o qual 
pressupõe a existência de posse. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pois o CC/2002 flagrantemente tentou abandonar 
todos os resquícios da Teoria Subjetiva de posse Savigny. 
A alternativa B está incorreta, porque essa é uma noção de detentor, não de 
possuidor. 
A alternativa C está incorreta, dado que o constituto possessório evidencia 
exatamente o inverso: o possuidor em nome próprio passa a possuir em nome 
alheio. 
A alternativa D está incorreta, já que o possuidor de má-fé tem direito apenas 
à indenização pelas benfeitorias necessárias, sob pena de enriquecimento ilícito 
do proprietário da coisa possuída indevidamente. 
A alternativa E está correta, por conta do entendimento jurisprudencial 
transcrito ao final da aula. 
 
 
32. 2012 – FCC – DPE/SP – Defensor Público Estadual 
Em tema de Usucapião Coletiva Urbana, é correto afirmar que 
(A) tem por objeto área particular deaté 250 metros quadrados. 
(B) seu reconhecimento atribui a cada possuidor fração ideal correspondente 
à dimensão que ocupe na gleba, exceto se convencionado em contrário. 
(C) exige posse não contestada, justo título e boa-fé. 
(D) instaura condomínio indivisível e não passível de extinção por pelo 
menos dez anos. 
(E) admite acessio possessionis e sucessio possessionis. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, dado que se exige que a área seja superior, e 
não inferior, a 250 metros quadrados (“Art. 10. As áreas urbanas com mais de 
duzentos e cinquenta metros quadrados, ocupadas por população de baixa renda 
para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, onde não 
for possível identificar os terrenos ocupados por cada possuidor, são susceptíveis 
de serem usucapidas coletivamente, desde que os possuidores não sejam 
proprietários de outro imóvel urbano ou rural”). 
A alternativa B está incorreta, na forma do §3º desse artigo: “Na sentença, o 
juiz atribuirá igual fração ideal de terreno a cada possuidor, independentemente 
da dimensão do terreno que cada um ocupe, salvo hipótese de acordo escrito 
entre os condôminos, estabelecendo frações ideais diferenciadas”. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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A alternativa C está incorreta, eis que o art. 10, supracitado, não exige justo 
título dos ocupantes. 
A alternativa D está incorreta, nos termos do art. 10, §4º: “O condomínio 
especial constituído é indivisível, não sendo passível de extinção, salvo 
deliberação favorável tomada por, no mínimo, dois terços dos condôminos, no 
caso de execução de urbanização posterior à constituição do condomínio”. 
A alternativa E está correta, de acordo com o art. 10, § 1º: “O possuidor pode, 
para o fim de contar o prazo exigido por este artigo, acrescentar sua posse à de 
seu antecessor, contanto que ambas sejam contínuas”. 
 
 
33. 2011 – COPS/UEL – PGE/PR – Procurador do Estado 
Assinale a alternativa incorreta: 
a) quando alguém conserva a posse em nome e em cumprimento de ordens 
de outrem, de quem está em relação de dependência, ele é considerado 
simples detentor; 
b) o direito brasileiro admite a bipartição da posse em posse direta e posse 
indireta; 
c) a propriedade não pode ser discutida nas ações possessórias; 
d) o possuidor de boa-fé tem direito aos frutos percebidos, mas deve restituir 
os frutos colhidos com antecipação; 
e) a posse somente pode ser adquirida pessoalmente, não se admitindo a 
aquisição da posse por representante. 
Comentários 
A alternativa A está correta, na forma do art. 1.198: “Considera-se detentor 
aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a 
posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. 
A alternativa B está correta, pela adoção da teoria objetivista de Jhering, como 
vimos. 
A alternativa C está correta, de acordo com o art. 1.210, §2º: “Não obsta à 
manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro 
direito sobre a coisa”. 
A alternativa D está correta, conforme o art. 1.214 (“O possuidor de boa-fé tem 
direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos”) e seu parágrafo único: “Os 
frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos, depois 
de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também restituídos 
os frutos colhidos com antecipação”. 
A alternativa E está incorreta, consoante regra expressa do art. 1.205, inc. I: 
“A posse pode ser adquirida pela própria pessoa que a pretende ou por seu 
representante”. 
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34. 2011 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado 
O possuidor de boa-fé 
A) faz jus aos frutos percebidos até que cesse a boa-fé, mas perde os 
pendentes e os colhidos antecipadamente. 
B) faz jus à indenização das despesas de custeio dos frutos percebidos, dos 
pendentes e dos colhidos antecipadamente. 
C) não responde pela perda ou deterioração da coisa, enquanto esteja de 
boa-fé, mesmo que por culpa sua. 
D) pode exercer o direito de retenção pelas benfeitorias necessárias, úteis 
ou voluptuárias. 
 E) que semear em terreno alheio com sementes próprias tem direito à 
colheita. 
Comentários 
A alternativa A está correta, na forma do art. 1.214: “O possuidor de boa-fé 
tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos”. 
A alternativa B está incorreta, de acordo com o art. 1.214, parágrafo único: “Os 
frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos, depois 
de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também restituídos 
os frutos colhidos com antecipação”. 
A alternativa C está incorreta, segundo o art. 1.217: “O possuidor de boa-fé 
não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa”. 
A alternativa D está incorreta, consoante regra do art. 1.219: “O possuidor de 
boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, 
quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder 
sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das 
benfeitorias necessárias e úteis”. 
A alternativa E está incorreta, como veremos adiante, conforme o art. 1.255: 
“Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do 
proprietário, as sementes, plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá 
direito a indenização”. 
 
 
35. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União 
Considere que Francisco, proprietário e legítimo possuidor de um 
apartamento, tenha anunciado sua intenção de alugá-lo há mais de quatro 
meses, mas não consegue fechar nenhum negócio porque Luís, proprietário 
do imóvel vizinho, cria dificuldades e embaraços às visitas dos pretensos 
locatários, situação que ampara a pretensão de Francisco de ajuizar uma 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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Teoria e Questões 
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ação de interdito proibitório. Nessa situação hipotética, o comportamento de 
Luís importa ameaça de turbação ao direito de posse de Francisco. 
Comentários 
O item está incorreto, dado que Luís não ameaça turbar a posse de Francisco, 
mas já a turbou, criando “dificuldades e embaraços” aos potenciais locatários. 
 
 
36. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual 
A posse precária adquirida pelo de cujus não perde esse caráter quando 
transmitida mortis causa aos seus sucessores, ainda que estes estejam de 
boa-fé. 
Comentários 
O item está correto, já que a transmissão da posse na sucessão universal é 
automática. 
 
 
37. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual 
Ao possuidor de má-fé cabe o direito ao ressarcimento das benfeitorias 
necessárias, com direito de retenção pela importância delas. 
Comentários 
O item está incorreto, na forma do art. 1.220: “Ao possuidor de má-fé serão 
ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de 
retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias”. 
 
 
38. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual 
Tadeu, apesar de ser o legítimo possuidor de uma chácara em bairro 
afastado da cidade de Maceió, disputa judicialmente a posse do imóvel 
com Alberto, que, além de se dizer possuidor, sabidamente não adquiriu a 
posse que defende de modo vicioso. 
Tendo como referência a situação hipotética acima, julgue os itens 
subsequentes com base na disciplina da posse. 
Na situação descrita, é cabível o juiz manter provisoriamente na posseaquele que exibir título de posse, já que, em ação possessória, não se discute 
domínio. 
Comentários 
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O item está incorreto, por aplicação da Súmula 487 do STF: “Será deferida a 
posse a quem, evidentemente, tiver o domínio, se com base neste for ela 
disputada”. 
 
 
39. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual 
Tadeu, apesar de ser o legítimo possuidor de uma chácara em bairro 
afastado da cidade de Maceió, disputa judicialmente a posse do imóvel 
com Alberto, que, além de se dizer possuidor, sabidamente não adquiriu a 
posse que defende de modo vicioso. 
Tendo como referência a situação hipotética acima, julgue os itens 
subsequentes com base na disciplina da posse. 
No caso em apreço, por exceção, admite-se que o proprietário ajuíze 
ação possessória sem que tenha exercido qualquer ato possessório sobre o 
bem, caso esteja presente a cláusula de constituto possessório no negócio 
jurídico celebrado. 
Comentários 
O item está correto, já que Tadeu pode, pela aquisição da propriedade via 
constituto possessório, defender sua posse legítima, ainda que não a tenha 
exercido faticamente. 
 
 
40. CESPE – AGU – 2007 – Procurador Federal 
João, motorista, enquanto aguardava seu chefe na porta de uma repartição 
pública, foi vítima de tentativa de furto do veículo que conduzia. Antes de 
consumar o delito, o criminoso fugiu, por circunstâncias alheias à sua 
vontade. Com relação a essa situação hipotética, julgue os seguintes itens: 
Em conformidade com os termos expressos do Código Civil, apenas o 
possuidor turbado, ou esbulhado — e não, o mero detentor —, poderá 
manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça 
imediatamente. 
Comentários 
O item está correto, segundo a banca, pela literalidade do art. 1.210: “O 
possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no 
de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser 
molestado”. O Código Civil não menciona a possibilidade de o detentor manter a 
posse em nome do possuidor. No entanto, o Enunciado 493 da CJF estipulou: ”O 
detentor (art. 1.198 do Código Civil) pode, no interesse do possuidor, exercer a 
autodefesa do bem sob seu poder.” 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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41. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado 
Considera-se a posse “velha” após o período de: 
a. 4 (quatro) anos 
b. 2 (dois) anos e 1 (um) dia 
c. 5 (cinco) anos 
d. 1 (um) ano e 1 (um) dia 
e. apenas 1 (um) ano 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pelas razões mencionadas abaixo. 
A alternativa B está incorreta, igualmente, conforme as razões abaixo 
declinadas. 
A alternativa C está incorreta, mais uma vez, pela regra processual mencionada 
adiante. 
A alternativa D está correta, porque o prazo para distinguir a posse nova da 
posse velha é de um ano e um dia, conforme reza o art. 558 do CPC: “Regem o 
procedimento de manutenção e de reintegração de posse as normas da Seção II 
deste Capítulo quando a ação for proposta dentro de ano e dia da turbação ou do 
esbulho afirmado na petição inicial”. 
A alternativa E está incorreta, na forma do art. 558 do CPC. 
 
 
42. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado 
O tempo de permanência ininterrupta na área rural, para que o ocupante 
possa requerer ao juiz, no usucapião pro labore, que o declare detentor do 
domínio, é de: 
a. 15 (quinze) anos 
b. 7 (sete) anos 
c. 3 (três) anos 
d. 10 (dez) anos 
e. 5 (cinco) anos 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, eis que o prazo da usucapião pro labore, ou 
constitucional, é inferior, conforme art. 1.239, citado abaixo. 
A alternativa B está incorreta, pois o prazo da usucapião pro labore, ou 
constitucional, é inferior, conforme art. 1.239, citado abaixo. 
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A alternativa C está incorreta, dado que o prazo da usucapião pro labore, ou 
constitucional, é superior, conforme art. 1.239, citado abaixo. 
A alternativa D está incorreta, porque o prazo da usucapião pro labore, ou 
constitucional, é inferior, conforme art. 1.239, citado abaixo. 
A alternativa E está correta, de acordo com o art. 1.239: “Aquele que, não 
sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos 
ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinquenta 
hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela 
sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade”. 
 
 
43. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado 
O possuidor de má-fé tem direito a: 
a. ressarcimento das benfeitorias úteis, sem direito de retenção do imóvel 
b. indenização das benfeitorias necessárias e das úteis, mas só pode reter o 
imóvel em razão das necessárias 
c. ressarcimento das benfeitorias necessárias, sem direito de retenção do 
imóvel 
d. indenização das benfeitorias necessárias e das úteis sem direito de 
retenção do imóvel 
e. indenização das benfeitorias necessárias com direito de retenção do 
imóvel 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, na forma do art. 1.220, primeira parte: “Ao 
possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias”. 
A alternativa B está incorreta, pelas mesmas razões da alternativa anterior. 
A alternativa C está correta, segundo o art. 1.220: “Ao possuidor de má-fé serão 
ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de 
retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias”. 
A alternativa D está incorreta, pelas mesmas razões citadas nas alternativas 
anteriores. 
A alternativa E está incorreta, igualmente, por conta da aplicação da segunda 
parte do art. 1.220. 
 
 
44. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado 
Em caso de turbação de posse: 
a. a ação cabível é a reintegração de posse 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
 
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b. o possuidor precisa provar que é o dono da coisa 
c. se o dono da coisa for o turbador, não há ação contra ele 
d. o possuidor pode se defender com o interdito proibitório 
e. o possuidor pode se servir da ação de manutenção. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, porque a reintegração de posse é voltada às 
situações de esbulho, não de turbação. 
A alternativa B está incorreta, dado que as ações possessórias pretendem 
proteger a posse, não a propriedade. 
A alternativa C está incorreta, pelas mesmas razões da alternativa anterior. 
A alternativa D está incorreta, pois o interdito proibitório tem caráter 
preventivo, não se voltando às situações de turbação já ocorrida. 
A alternativa E está correta, eis que o possuidor se vale da ação de manutenção 
de posse para protegê-la contra turbações. 
 
 
45. 2006 – CESPE – AGU – Advogado da União 
A ocupação de bem público dominical traz como consequência o 
reconhecimento da posse tolerada, afigurando-se admissível o pleito de 
proteção possessória e assegurando-se ao possuidor indenização pelas 
benfeitorias feitas no imóvel, bem como a prerrogativa do direito de 
retenção. 
Comentários 
O item está incorreto, porque, nesse caso, se está diante de uma situação de 
mera detenção de bem público, que não induz posse e, portanto, impede o direito 
à indenizaçãopor benfeitorias. 
 
 
46. 2005 – FCC – PGE/SE – Procurador do Estado 
É de boa-fé a posse 
(A) somente se autorizada expressamente pelo proprietário ou pelo titular 
do domínio útil. 
(B) se o possuidor ignorar o vício ou o obstáculo que impede a aquisição da 
coisa. 
(C) apenas quando o possuidor ostentar título de domínio. 
(D) depois de decorrido prazo para aquisição da propriedade por usucapião 
ordinária. 
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(E) se, entre presentes, for tolerada pelo proprietário ou pelo titular de 
domínio útil. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pois a posse com ignorância do vício também é 
de boa-fé. 
A alternativa B está correta, nos termos do art. 1.201: “É de boa-fé a posse, se 
o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. 
A alternativa C está incorreta, conforme aludido na alternativa A, supracitada. 
A alternativa D está incorreta, dado que neste caso já há propriedade, ainda 
que não declarada por sentença, e sem plena eficácia jurídica. 
A alternativa E está incorreta, confundindo-se a noção apresentada com posse 
justa, e não posse de boa-fé. 
 
 
47. 2005 – PGE – PGE/MS – Procurador do Estado 
Aponte, de acordo com os itens abaixo, qual alternativa retrata requisitos 
para a aquisição da propriedade móvel por usucapião: 
I) Posse de 3 anos entre ausentes e cinco entre presentes; 
II) O justo título e a boa-fé são sempre requisitos da usucapião de coisa 
móvel; 
III) Ocorre a prescrição aquisitiva de móvel no prazo de três anos, mas a lei 
exige, ainda, posse continua incontestável, justo título e boa-fé: 
IV) Produzirá usucapião a posse de cinco anos, independente de justo titulo 
boa-fé; 
V) As causas suspensivas ou interruptivas da prescrição não se aplicam à 
usucapião de coisas móveis. 
a) Só os itens I e II são falsos: 
b) Só os itens I e V são falsos: 
c) Só os itens III e IV são verdadeiros; 
d) Só os itens IV e V são verdadeiros; 
e) Todos os itens são falsos. 
Comentários 
O item I está incorreto, dado que esse requisito não encontra escora legal; a 
distinção entre presentes e ausentes existe na eficácia da proposta e da aceitação 
nos contratos. 
O item II está incorreto, pela literalidade do art. 1.261, abaixo transcrito. 
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O item III está correto, na forma do art. 1.260: “Aquele que possuir coisa móvel 
como sua, contínua e incontestadamente durante três anos, com justo título e 
boa-fé, adquirir-lhe-á a propriedade”. 
O item IV está correto, de acordo com o art. 1.261: “Se a posse da coisa móvel 
se prolongar por cinco anos, produzirá usucapião, independentemente de título 
ou boa-fé”. 
O item V está incorreto, pois as causas de interrupção e suspensão, previstas na 
Parte Geral do CC/2002, se aplicam aos livros especiais. Como não há nenhuma 
menção em contrário, especificamente quanto a esse ponto, não há que se 
afastar o item. 
A alternativa C está correta, portanto. 
 
 
48. 2004 – CESPE – PGE/AM - Procurador do Estado 
Acerca da posse e da propriedade, julgue os itens a seguir. 
O terceiro, que não o proprietário ou possuidor, responsável por benfeitorias 
em um imóvel deve ter assegurado seu direito de retenção. 
Comentários 
O item está incorreto, eis que, como vimos o direito à indenização cabe apenas 
ao possuidor, não ao detentor. 
 
 
49. 2004 – FUNDEP – Câmara Municipal/Belo Horizonte – 
Procurador Legislativo 
Considerando-se os efeitos da posse, é INCORRETO afirmar que 
A) a união de sua posse à do antecessor é facultada ao sucessor singular. 
B) o direito de levantar as benfeitorias voluptuárias não assiste ao possuidor 
de má­fé. 
C) o possuidor de boa­fé jamais responde pela perda da coisa. 
D) o possuidor de má­fé, em regra, responde pela perda da coisa. 
Comentários 
A alternativa A está correta, de acordo com o art. 1.207: “O sucessor universal 
continua de direito a posse do seu antecessor; e ao sucessor singular é facultado 
unir sua posse à do antecessor, para os efeitos legais”. 
A alternativa B está correta, conforme o art. 1.220: “Ao possuidor de má-fé 
serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito 
de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias”. 
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A alternativa C está incorreta, pela leitura do art. 1.217: “O possuidor de boa-
fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa”. 
A alternativa D está correta, na interpretação do art. 1.218: “O possuidor de 
má-fé responde pela perda, ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo 
se provar que de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do 
reivindicante”. 
 
 
50. 2003 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual 
Quem, não sendo proprietário de outro imóvel urbano ou rural, possuir como 
sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados sem 
oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o 
domínio 
(A) somente depois de dez anos ininterruptos entre presentes e quinze anos 
entre ausentes, por usucapião ordinária. 
(B) por acessão, após dez anos ininterruptos. 
(C) por usucapião, após cinco anos ininterruptos. 
(D) somente após vinte anos ininterruptos, desde que ostente justo título e 
boa-fé, por usucapião. 
(E) apenas se ostentar justo título e boa-fé, após dez anos ininterruptos 
desde o término da construção da moradia, pela usucapião social. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, pois são necessários cinco anos, apenas: “Art. 
1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta 
metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-
a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não 
seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. 
A alternativa B está incorreta, novamente, porque são necessários cinco anos, 
apenas: “Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos 
e cinquenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, 
utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde 
que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. 
A alternativa C está correta, na forma do art. 1.240 supracitado, por se tratar 
de usucapião especial. 
A alternativa D está incorreta, eis que sequer há, no CC/2002, usucapião no 
prazo de 20 anos mais. 
A alternativa E está incorreta, porque não é necessário ostentar justo título, 
nesse caso: “Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até 
duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem 
oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o 
domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. 
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51. 2003 – CESPE - DPE/AM – Defensor Público Estadual 
Em relação à posse e à propriedade, julgue os itens a seguir: 
Não se adquire a propriedade por usucapião sem sentença que declare tal 
direito, pois esta é requisito formal da aquisição da propriedade pela 
prescrição aquisitiva. 
Comentários 
O item está incorreto, já que a sentença não é requisito paraaquisição da 
propriedade por usucapião, apenas declara tal aquisição de modo que ela possa 
ser registrada, ou seja, a sentença tem apenas eficácia registral, e não 
constitutiva da aquisição. 
 
 
52. 2002 – ESAF – PGM/Fortaleza (CE) – Procurador Municipal 
Assinale a opção falsa. 
a) Não se pode alegar usucapião pendendo condição suspensiva. 
b) A posse ad usucapionem deverá ser exercida com animus domine, mansa 
e continuamente, durante o prazo exigido por lei. 
c) A posse do credor pignoratício não afasta a possibilidade de usucapião. 
d) O usucapião tem por fundamento a consolidação da propriedade, dando 
juridicidade a uma situação fática: a posse unida ao tempo. 
e) O usucapião é um modo de aquisição da propriedade e de outros direitos 
reais (usufruto, uso, habitação, enfiteuse e servidão predial) pela posse 
prolongada da coisa com a observância dos requisitos legais. 
Comentários 
A alternativa A está incorreta, inexistindo tal vedação à pretensão de usucapião. 
A alternativa B está incorreta, sendo requisito da posse sua qualificação como 
mansa, pacífica, contínua e com ânimo de ter a coisa como sua, pelos prazos 
legais. 
A alternativa C está correta, pois, apesar de o credor pignoratício não poder 
usucapir o bem dado como garantia, podem terceiros, a despeito da relação 
creditícia, usucapir o bem móvel em questão. Veja-se que, inclusive, pela Teoria 
de Jhering, o credor pignoratício é possuidor direto, pelo que pode se valer das 
ações possessórias competentes para defender a posse, bem como pode fazê-lo 
o devedor pignoratício. Se aquele não o fizer, responde perante esse, 
obviamente. 
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A alternativa D está incorreta, porque a usucapião não consolida a propriedade, 
como ocorre na alienação fiduciária, mas é apenas o reconhecimento, via 
declaração judicial, da situação fática. 
A alternativa E está incorreta, ainda que de maneira questionável. A enfiteuse, 
em si, pode ser usucapida, desde que o imóvel seja particular, seja o domínio 
direto, seja o domínio útil (RE 60.304/BA). No entanto, se o imóvel for público, 
não se pode “criar” um aforamento, com desdobramento do domínio, mas 
somente o domínio útil pode ser usucapido, e não o domínio direto (RE 82.106/PR 
e REsp 575.552/RS), ou se faria uma espécie de usucapião do próprio bem 
público, o que não é permitido pela legislação pátria. Igualmente, quando não 
registrada a enfiteuse, o foreiro não é verdadeiramente foreiro, pelo que possível 
a usucapião (REsp 1.228.615/SP). 
 
 
53. 2001 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal 
Adolfo vendeu seu carro, o qual utilizava diariamente, para Benício. 
Entretanto, conforme previamente acordado, Adolfo continuará a usá-lo a 
título de empréstimo de coisa infungível. 
Em face dessa situação hipotética e da legislação civil relacionada ao direito 
das coisas, julgue os seguintes itens. 
Adolfo, antes e depois da venda, teve e tem a posse do bem jurídico objeto 
da venda. 
Comentários 
O item está correto, pois Adolfo manteve sua posse direta sobre o bem, ainda 
que alterada a relação de propriedade. 
 
 
54. 2001 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal 
Adolfo vendeu seu carro, o qual utilizava diariamente, para Benício. 
Entretanto, conforme previamente acordado, Adolfo continuará a usá-lo a 
título de empréstimo de coisa infungível. 
Em face dessa situação hipotética e da legislação civil relacionada ao direito 
das coisas, julgue os seguintes itens. 
Após a venda, Adolfo teráば direito ao uso dos interditos possessórios. 
Comentários 
O item está correto, dado que Adolfo, como possuidor direto, faz jus aos 
interditos (ou ações), mesmo contra o possuidor indireto e proprietário, Benício, 
se for o caso. 
 
 
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Resumo 
 
 
Segundo Luciano de Camargo Penteado, as características das coisas são: 
 
 
 
 
Para Orlando Gomes, as características dos direitos reais são: 
 
• A materialidade da coisa, em geral. Ressalvadas exceções, apenas
os bens dotados de corporeidade podem ser objetos dos direitos
reais, até porque a aquisição e a transmissão se dão de maneira
bastante peculiar, conforme os arts. 1.226 e 1.227 do CC/2002.
• Essa questão é amplamente discutida pela doutrina. Pontes de
Miranda retira a noção de corporeidade, à medida que existem
direitos de propriedade sobre bens intelectuais, destituídos de
corporeidade
A. Corporeidade
• Nem tudo que é exterior ao homem é apropriável, não sendo
permitida a apropriação do ar que respiramos, dos bens públicos
ou de partes destacáveis do corpo humano. Ou seja, o direito
deve permitir a apropriação para que se trabalhe com o direito
das coisas.
• Atualmente, a tendência é de uma "apropriabilidade" crescente,
ou seja, crescem os "bens" apropriáveis, como, por exemplo, a
discussão sobre a comercialização de fluidos corporais humanos e
das pesquisas oriundas do código genético
B. Possibilidade de apropriação
• O direito das coisas compõe o direito patrimonial e nem sempre
as coisas que são materialmente apropriáveis são dotadas de
função ou utilidade econômica
C. Função/utilidade econômica
• Só é direito real aquilo que a lei determina como direito real. Não
é possível à autonomia privada criar outros direitos reais que não
os tipificados pelo legislador
• Nesse sentido, o art. 1.225 do CC/2002 traria um rol exauriente,
complementado pela legislação extravagante. Ou seja, apesar de
tipificados, eles não precisam estar tipificados no Código Civil,
ainda que os principais e mais comuns estejam
A. Tipicidade
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Segundo Luciano de Camargo Penteado, as características dos direitos reais 
são: 
 
 
 
• Por mais que figuras parcelares dos direitos reais possam ser
objetos de disposição, há uma tendência de reunificação dessas
figuras, um tensionamento ao retorno delas nas mãos do
proprietário
B. Elasticidade
• A constituição, modificação ou extinção dos direitos reais exige
publicidade, seja pelos registros públicos para os bens imóveis,
seja pela tradição para os bens móveis
C. Publicidade
• Porque os direitos reais têm esse caráter de exclusão dos outros,
eles só podem ser constituídos sobre objetos especificados
D. Especialidade
•Enquanto a relação obrigacional tem ao fim, é tendente ao
término, a relação de direitos reais tende a permanecer, ao passo
que quanto maior o exercício do direito real, maior será o reforço
da posição do titular
•Ou seja, enquanto o direito obrigacional tende a se extinguir, e
geralmente o titular quer que a obrigação se extinga (quando eu
vou ao dentista, espero que a prestação de serviço seja a mais
breve possível), o direito real tende a permanecer, e o titular quer
que o direito real permaneça (sou dono de um imóvel e pretende
sê-lo indefinidamente)
A. Tendência a permanência no tempo
• Penteado vai além de Orlando Gomes. Segundo ele, além de não
se poder criar direito real novo, o conteúdo do direito real não
poderia ser modificado pela autonomia privada, de maneira
alguma
B. Taxatividade e tipicidade estrita
• Justamente por ser inerente à coisa, o titular pode perseguir a
coisa com quem estiver, pois mais que ela circule a coisa mantém
sua inerência
C. Inerência e ambulatoriedade
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Quais são os traços distintivos entre os Direitos Obrigacionais, também 
chamados de Direitos Pessoais, e os Direitos das Coisas, ou chamados de 
Direitos Reais? 
 
 
DIREITOS 
REAIS 
DIREITOS 
OBRIGACIONAIS 
OBJETO Coisa Prestação 
SUJEITO 
PASSIVO 
Universal/inexistente Determinado/determinável 
FIM Satisfação por bem Satisfação por conduta 
RELAÇÃO Inerência Interesse 
OPONIBILIDADE Contra todos Entre partes 
TITULAR Um (regra geral) Indeterminado 
TEMPO 
(TENDÊNCIA) 
Perpetuidade Transitório 
PERDA PARCIAL Sequela Indenização 
NÚMERO Clausus (Tipificados) Apertus (Infinito) 
NATUREZA DO 
OBJETO Certo e individualizado 
Determinado ou 
determinável 
 
Em que hipóteses não se exige escritura pública para a transmissão dos 
bens imóveis? 
• O direito real não tem efeitos apenas entre os contratantes, como
ocorre geralmente num contrato. Ao contrário, a eficácia é erga
omnes, contra todos, pelo que seu caráter é absoluto
D. Caráter absoluto/eficácia erga omnes
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Quais são os requisitos da escritura pública de compra e venda? 
I - data e local de sua realização; 
II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam comparecido 
ao ato, por si, como representantes, intervenientes ou testemunhas; 
III - nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das partes e demais 
comparecentes, com a indicação, quando necessário, do regime de bens do casamento, 
nome do outro cônjuge e filiação; 
IV - manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes; 
V - referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à legitimidade do 
ato; 
VI - declaração de ter sido lida na presença das partes e demais comparecentes, ou de que 
todos a leram; 
VII - assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião ou seu 
substituto legal, encerrando o ato. 
 
Quando se verifica mera detenção, sem posse? 
 
A. Art. 108 do CC/2002
• Imóveis de até 30 vezes o maior salário mínimo vigente no país
B. Art. 61, § 5º da Lei 4.380/1964
• Hipotecas do SFH/SFI para casa própria
C. Art. 26 da Lei 6.766/1979 e art. 22 do Decreto-Lei 58/1937
• Compromissos de compra e venda, cessões e promessa de cessão
imobiliária, urbana ou rural
D. CC/2002 e Leis Especiais
• Cédulas pignoratícias e hipotecárias reguladas pelo CC/2002 e cédulas de
crédito reguladas por leis especiais (como a habitacional, rural, industrial,
comercial e de exportação)
1) Da ordem de outrem em manter uma "posse", 
mas sem animus de mantê-la (art. 1.198)
2) De atos de mera tolerância do proprietário 
(primeira parte do art. 1.208)
3) Da situação de posse violenta ou clandestina 
(segunda parte do art. 1.208)
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Como se classifica a posse? 
 
 
 
1. Quanto ao vício objetivo
• Classificação adotada pelo art. 1.200 do CC/2002, que considera a
aquisição da posse de modo lícito ou ilícito:
A. Posse justa
• Se for adquirida por
meios legalmente
admitidos, a posse é
justa, ou seja, posse
conforme o Direito.
• Ela é justa quando não
maculada pela violência,
clandestinidade ou
precariedade.
• Tem de ser pública (para
que o interessado em
sua extinção tome as
medidas possessórias) e
contínua (exercício de
modo manso e pacífico).
B. Posse injusta
• Ao contrário, aquela
adquirida de modo violento,
clandestino ou precário.
• Posse violenta é aquela
adquirida por força, mediante
a prática de atos irresistíveis.
• Posse clandestina é aquela
obtida às escondidas, usando
de artifícios para enganar o
possuidor.
• Posse precária, por sua vez,
se obtém por abuso de
confiança, sem que fosse
restituída a coisa devida.
2. Quanto ao vício subjetivo
• A posse depende de avaliação do estado anímico do possuidor. Em regra,
entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida,
segundo estabelece o art. 1.203 do CC/2002:
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Quais são os modos de aquisição da posse? 
A. Posse de boa-fé
• O possuidor ignora o
obstáculo que impede a
aquisição da coisa, nos
termos do art. 1.201 do
CC/2002. Ou seja, a
boa-fé é negativa,
ignorância, não positiva,
convicção. Pode ser:
• i. real: apoiada em 
elementos evidentes que 
não deixam dúvida;
• ii. presumida: quando 
possui justo título (art. 
1.201, parágrafo único).
B. Posse de má-fé
• Mesmo conhecendo o vício,
possui.
O estado de dúvida não
induz, necessariamente, a
má-fé; deve haver culpa
grave para caracterizá-la
(erro inescusável).
3. Quanto ao desdobramento da posse
• Consequência da teoria objetiva de Jhering, utilizada pelo Direito
brasileiro. Podem existir, portanto, duas relações de posse sobre a coisa,
sem que elas se anulem:
A. Posse direta
• Aquele que detém o
domínio, detém a posse
direta. Em geral, o
proprietário é também
possuidor direto. Mas
nem sempre.
• O possuidor indireto
pode defender
autonomamente sua
posse, mesmo contra o
possuidor direto, se for
turbado na posse (art.
1.197 do CC/2002).
É o caso, por exemplo,
do locador que tenta um
“despejo extrajudicial”;
o locatário pode exercer
uma reintegração de
posse em face do
locador, nesse caso.
B. Posse indireta
• O proprietário, ainda que
limitadamente, detém a
posse indireta da coisa,
mesmo que não a detenha,
não a tenha consigo ou não a
utilize.
É o caso do locador, que não
detém a posse direta, mas,
por causa do direito de
propriedade, detém posse
indireta.
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Quem pode adquirir a posse? 
 
 
Como se transmite a posse? 
 
 
Como se perde a posse? 
• Adquire-se quando não é necessário consentimento do possuidor
precedente
• Não há mais rol taxativo dos modos originários, mas o modo
mais comum é a usucapião
1. Originários:
• Adquire-se quando há consentimento do possuidor precedente
• Dá-se com a tradição, seja efetivamente (entrega de fato da
coisa, como na compra de um celular), seja simbolicamente
(simboliza-se a tradição, como a entrega das chaves dos
imóveis)
2. Derivados:
• Art. 1.205, inc. I
A. Pelo próprio sujeito
• No caso de incapazes, p.ex.
• Art. 1.205, inc. I
B. Por representante ou procurador
• Tem de ratificar, obrigatoriamente
• Art. 1.205, inc. II
C. Por terceiro sem procuração
A. Sucessão
• Sucessão universal
• Quando os herdeiros continuam na posse dos bens herdados (art. 1.206
do CC/2002, como no caso de herança, por exemplo)
B. União
• Sucessão singular
• Quando alguém transfere, por uma relação jurídica, a posse a outrem,
pelo que suas posses se unem (art. 1.207, como na compra e venda ou
no legado)
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• O possuidor, portanto, deixa intencionalmente de deter a coisa.
Nesses casos, a posse se perde por:
1) Ausentes corpus e animus
A. Abandono (derelictio)
• Joga fora a coisa,
intencionalmente; não é perder,
mas, abandonar
B. Tradição
• Caso em que há perda da posse
e, simultaneamente, aquisição da
posse para os contratantes
• Ocorre quando certos fatos impedema posse, contra a vontade do
possuidor, e somente quando há impossibilidade de utilização da
coisa. Se, ainda que potencialmente o poder existe, mantém-se a
posse. São os casos de:
2) Ausente corpus
A. Perda da coisa
• Aqui sim, perda da coisa
propriamente dita
B. Destruição
• Somente nos casos de terceiro,
caso fortuito ou força maior. Se o
próprio sujeito destrói, há perda
do corpus e animus
A destruição deve ser total
(perecimento não transitório)
C. Posse de outrem
• Privação da coisa contra a
vontade do possuidor (esbulho
cuja reintegração não foi
efetivada em ano e dia)
D. Inutilização econômico-jurídica
• Quando a coisa é posta fora do
comércio pelo Direito, mesmo que
contra a vontade do possuidor
• Nesse caso, passa o possuidor a exercer a posse em nome alheio,
pelo que a posse se perde através do constituto possessório. Esse
é um modo especial de tradição da coisa, em que o sujeito deixa
de possuir a coisa em nome próprio para o fazer em nome alheio,
transferindo-lhe a posse indireta. Ou seja, a transferência, a
tradição, da coisa é meramente ficta.
3) Ausente animus
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Quais são os efeitos da posse? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quais são as características das ações possessórias? 
 
 
 
• Presente no art. 1.210 do CC/2002
I) Direito aos interditos
•Presente no art. 1.214 do CC/2002
II) Direito à percepção de frutos
•Presente nos arts. 1.219 e 1.220 do CC/2002
III) Direito à indenização por benfeitorias
•Presente no art. 1.219 do CC/2002
IV) Direito de retenção de valores
•Presente no art. 1.219 do CC/2002
V) Direito de levantamento de benfeitorias
•Presente no art. 1.260 do CC/2002
VI) Direito à usucapião
•Presente no art. 884 do CC/2002
VII) Direito à indenização por prejuízos
• Art. 555, incs., do CPC
I) Não se limitam a discutir a posse
• Art. 556 do CPC
II) Caráter dúplice
• Art. 558 do CPC
III) Espécie do rito
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Quais são as ações que têm conteúdo centralmente possessório? 
 
 
Quais são as ações que têm conteúdo centralmente petitório, mas 
lateralmente possessório? 
 
 
Quais são as espécies de usucapião de imóveis? 
• Art. 556 do CPC
IV) Fungibilidade das ações
• Art. 330 do CP
V) Conteúdo mandamental
Ação de manutenção na posse
Ação de reintegração na posse
Interdito proibitório
Ação de imissão na posse
Exceção de domínio
Nunciação de obra nova
Ação de dano infecto
Embargos de terceiro senhor e possuidor
USUCAPIÃO 
 ORDINÁRIA 
EXTRAOR-
DINÁRIA 
ESPECIAL COLETIVA FAMILIAR 
URBANA Requisitos 
Comuns Comuns Comuns Comuns Comuns 
Justo título - - - - 
Boa-fé - 
- - - 
Inferior a 250 m² Inferior a 250 m², individualmente Inferior a 250 m² 
Moradia - Moradia 
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Quais são as espécies de usucapião de móveis? 
USUCAPIÃO 
 ORDINÁRIA EXTRAORDINÁRIA 
MÓVEL 
Requisitos 
Comuns Comuns 
Justo Título - 
Boa-fé - 
Prazos 3 anos 5 anos 
 
 
Considerações Finais 
 
 
Chegamos ao final desta aula. Vimos a primeira parte do Direito das Coisas que 
pode aparecer na sua prova. Com isso, na aula que vem, daremos continuidade 
aos demais temas sobre as Coisas. 
Quaisquer dúvidas, sugestões ou críticas entrem em contato conosco. Estou 
disponível no fórum no Curso, por e-mail e, inclusive, pelo Facebook. 
Único imóvel Único imóvel Único Imóvel 
Única vez - Única vez 
- Núcleo urbano informal 
Ex-
cônjuge/abandono 
Prazos 10 anos 15 anos 5 anos 5 anos 2 anos 
 
RURAL 
Requisitos Iguais Iguais 
Comuns 
 
Inferior a 50 ha 
Produtividade/ 
moradia 
Único imóvel 
Prazos 10 anos 15 anos 5 anos 
 
 TABULAR ESPECIAL 
 
*** INDÍGENA *** 
DIFEREN-
CIAIS 
Requisitos 
Cancelamento do 
registro 
Moradia/ 
produtividade 
Uso próprio 
- - Inferior a 50 ha 
Prazos 5 anos 10 anos 10 anos 
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Aguardo vocês na próxima aula. Até láば! 
 
Paulo H M Sousa 
 
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