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Aula 08 Direito Civil p/ PC-MA (Delegado) Pós-Edital Professor: Paulo H M Sousa http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa AULA 08 DIREITO DAS COISAS Sumário Sumário .................................................................................................. 1 Considerações Iniciais ............................................................................... 3 DIREITO DAS COISAS ............................................................................... 3 8.1. Teoria Geral das Coisas ....................................................................... 3 1. Características ....................................................................................... 3 2. Distinções ......................................................................................... 6 3. Classificação ...................................................................................... 7 8.2. Posse .............................................................................................. 10 1. Definição e conceito ......................................................................... 10 2. Teorias ........................................................................................... 11 3. Função social ................................................................................... 12 4. Modalidades .................................................................................... 15 5. Aquisição, transmissão e perda .......................................................... 21 6. Proteção possessória ........................................................................ 25 8.3. Ações ............................................................................................. 30 1. Possessórias .................................................................................... 31 2. Petitórias ........................................................................................ 33 8.4. Usucapião ....................................................................................... 35 1. Bens Imóveis ................................................................................... 35 1.1. Ordinária ...................................................................................... 35 1.2. Extraordinária ............................................................................... 36 1.3. Especial ....................................................................................... 38 1.4. Extrajudicial.................................................................................. 43 2. Bens Móveis .................................................................................... 46 2.1. Ordinária ...................................................................................... 47 2.2. Extraordinária ............................................................................... 47 http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Legislação pertinente .............................................................................. 47 Jurisprudência e Súmulas Correlatas ......................................................... 52 Questões ............................................................................................... 57 Questões sem comentários ................................................................... 57 Gabaritos ............................................................................................ 82 Questões com comentários ................................................................... 87 Resumo ............................................................................................... 133 Considerações Finais ............................................................................. 143 http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa AULA 08 – DIREITO DAS COISAS I Considerações Iniciais Na aula passada, terminamos a Responsabilidade Civil, com seus aspectos mais gerais. Como você viu, por vezes as provas questionam elementos bem pontuais da jurisprudência. Por isso, é interessante que você se mantenha sempre atento às mudanças de entendimento e à jurisprudência dos tribunais, o que não era muito usual antes. Eu te indico que sempre acompanhe os informativos de jurisprudência do STJ e do STF, e não apenas para a responsabilidade civil ou mesmo para o Direito Civil apenas, mas para se manter antenado sobre as mudanças que os tribunais andam realizando. Para o Direito Civil, o STJ é mais importante que o STF, pela quantidade de entendimentos jurisprudenciais relevantes. Agora, na aula de hoje, iniciaremos um novo grande tema, o Direito das Coisas. Vamos, hoje, traçar as noções introdutórias e já passar para dois temas bem importantes: a posse e a usucapião. Nas provas das Polícias Civis, esses são temas menos frequentes, mas que caem. Na última prova da PC/Ma não tivemos questões a respeito destes temas. DIREITO DAS COISAS 8.1. Teoria Geral das Coisas 1. Características A noção de coisa é diferente da noção de bem jurídico, como vimos em aula anterior, noção esta da Parte Geral do CC/2002 que trata dos diversos bens à satisfação dos interesses humanos. Quando se fala em "coisa", restringe-se o objeto de análise, como fazia Clóvis Bevilaqua ainda na vigência do CC/1916. Segundo Luciano de Camargo Penteado, as características das coisas são: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Para Orlando Gomes, as características dos direitos reais são: • A materialidade da coisa, em geral. Ressalvadas exceções, apenas os bens dotados de corporeidade podem ser objetos dos direitos reais, até porque a aquisição e a transmissão se dão de maneira bastante peculiar, conforme os arts. 1.226 e 1.227 do CC/2002. • Essa questão é amplamente discutida pela doutrina. Pontes de Miranda retira a noção de corporeidade, à medida que existem direitos de propriedade sobre bens intelectuais, destituídos de corporeidade A. Corporeidade • Nem tudo que é exterior ao homem é apropriável, não sendo permitida a apropriação do ar que respiramos, dos bens públicos ou de partes destacáveis do corpo humano. Ou seja, o direito deve permitir a apropriação para que se trabalhe com o direito das coisas. • Atualmente, a tendência é de uma "apropriabilidade" crescente, ou seja, crescem os "bens" apropriáveis, como, por exemplo, a discussão sobre a comercialização de fluidos corporais humanos e das pesquisas oriundas do código genético B. Possibilidade de apropriação • O direito das coisas compõe o direito patrimonial e nem sempre as coisas que são materialmente apropriáveis são dotadas de função ou utilidade econômica C. Função/utilidade econômica • Só é direito real aquilo que a lei determina como direito real. Não é possível à autonomia privada criar outros direitos reais que não os tipificados pelo legislador • Nesse sentido, o art. 1.225 do CC/2002 traria um rol exauriente, complementado pela legislação extravagante. Ou seja, apesar de tipificados, eles não precisam estar tipificados no Código Civil, ainda que os principais e mais comuns estejam A. Tipicidade • Por mais que figuras parcelares dos direitos reais possamser objetos de disposição, há uma tendência de reunificação dessas figuras, um tensionamento ao retorno delas nas mãos do proprietário B. Elasticidade http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 5 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Já segundo Luciano de Camargo Penteado, as características dos direitos reais são: • A constituição, modificação ou extinção dos direitos reais exige publicidade, seja pelos registros públicos para os bens imóveis, seja pela tradição para os bens móveis C. Publicidade • Porque os direitos reais têm esse caráter de exclusão dos outros, eles só podem ser constituídos sobre objetos especificados D. Especialidade •Enquanto a relação obrigacional tem ao fim, é tendente ao término, a relação de direitos reais tende a permanecer, ao passo que quanto maior o exercício do direito real, maior será o reforço da posição do titular •Ou seja, enquanto o direito obrigacional tende a se extinguir, e geralmente o titular quer que a obrigação se extinga (quando eu vou ao dentista, espero que a prestação de serviço seja a mais breve possível), o direito real tende a permanecer, e o titular quer que o direito real permaneça (sou dono de um imóvel e pretende sê-lo indefinidamente) A. Tendência a permanência no tempo • Penteado vai além de Orlando Gomes. Segundo ele, além de não se poder criar direito real novo, o conteúdo do direito real não poderia ser modificado pela autonomia privada, de maneira alguma B. Taxatividade e tipicidade estrita • Justamente por ser inerente à coisa, o titular pode perseguir a coisa com quem estiver, pois mais que ela circule a coisa mantém sua inerência C. Inerência e ambulatoriedade • O direito real não tem efeitos apenas entre os contratantes, como ocorre geralmente num contrato. Ao contrário, a eficácia é erga omnes, contra todos, pelo que seu caráter é absoluto D. Caráter absoluto/eficácia erga omnes http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 2. Distinções Vale, assim, lembrar dos traços distintivos entre os Direitos Obrigacionais, também chamados de Direitos Pessoais, e os Direitos das Coisas, ou chamados de Direitos Reais: DIREITOS REAIS DIREITOS OBRIGACIONAIS OBJETO Coisa Prestação SUJEITO PASSIVO Universal/inexistente Determinado/determinável FIM Satisfação por bem Satisfação por conduta RELAÇÃO Inerência Interesse OPONIBILIDADE Contra todos Entre partes TITULAR Um (regra geral) Indeterminado TEMPO (TENDÊNCIA) Perpetuidade Transitório PERDA PARCIAL Sequela Indenização NÚMERO Clausus (Tipificados) Apertus (Infinito) NATUREZA DO OBJETO Certo e individualizado Determinado ou determinável Lembre-se, ainda, como falamos na aula sobre o Direito das Obrigações, que existem figuras intermediárias entre o Direito Real e o Direito Obrigacional, figuras híbridas chamadas de Obrigações Reais, Obrigações Mistas ou Obrigações propter rem. As obrigações propter rem são aquelas que surgem quando o titular de um direito real é obrigado a satisfazer alguma prestação pela sua condição de titularidade. O direito de quem pode exigir tal obrigação é subjetivamente real, vale dizer, não importa quem seja o titular da coisa, ele é o devedor da prestação, ipso facto (automaticamente: relação de causa e efeito), como veremos adiante. A responsabilidade independe de quem tenha originado a obrigação (a obrigação, portanto, liga-se diretamente à coisa). Temos, como exemplos, o condomínio para a coisa de titularidade comum (art. 1.315 do CC/2002), a obrigação de manutenção das divisões entre imóveis (art. 1.297, §1º), a manutenção da servidão, entre outros. Ao lado das obrigações propter rem estão os ônus reais, que são as prestações periódicas devidas por aquele que frui do bem, enquanto dele desfruta. O exemplo é a renda constituída sobre o imóvel, no qual as rendas oriundas de um imóvel são direcionadas a um credor. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 7 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Não confunda, porém, o ônus real com o direito real de garantia, pois neste o devedor tem efetivo direito real sobre a coisa, como uma hipoteca, por exemplo, em que o devedor hipotecário mantém o direito de propriedade sobre a coisa. Naquele, no ônus real, o devedor não possui direito real sobre o bem (possuidor ou locatário). Igualmente, o ônus real é diferente da obrigação propter rem, pois nesta o devedor responde com todo o patrimônio, ao passo que naquela responde apenas o bem gravado. Igualmente, a ação movida em relação a uma obrigação propter rem a natureza dela é obrigacional (uma ação de cobrança, por exemplo), ao passo que no ônus real a natureza da obrigação é real (uma ação de reintegração de posse, por exemplo). Por fim, ainda temos as obrigações com eficácia real, que são diferentes das duas espécies anteriores. Elas são verdadeiras obrigações, mas adquirem efeitos típicos de um direito real, por força de lei. Já vimos algumas dessas situações. O exemplo mais contundente é, talvez, o caso do art. 575 do CC/2002, no qual o locatário é credor de uma obrigação do locador: a preferência na aquisição do bem. No campo dos direitos obrigacionais, se violado meu direito, passo a poder exercer minha pretensão processual, exigindo as perdas e danos oriundos do inadimplemento. Porém, se eu registro o contrato de locação, com cláusula de vigência, na matrícula do imóvel, por exemplo, não tenho apenas esse efeito, obrigacional, mas um efeito real: se o locador não me oferecer, posso eu, depositando o valor pago pelo terceiro, tomar o imóvel para mim. 3. Classificação Podemos classificar os direitos reais, a depender da situação, em: A. Quanto ao domínio da coisa 1. Jus in re propria Corresponde ao direito de propriedade, o direito real por excelência, por constituir a síntese de todos os direitos reais (domínio de uma coisa à vontade de seu titular). Ele está no art. 1.225, inc. I do CC/2002. Tomando a característica da elasticidade dos direitos reais, pode-se dizer que a propriedade é “o maior dos elásticos”, ou seja, ela conjuga todos os poderes proprietários, porque constitui o direito real pleno. O art. 1.231 do CC/2002 deixa isso bem claro, ao dispor que: A propriedade presume-se plena e exclusiva, até prova em contrário. A propriedade possui em si todos os direitos reais, todas as faculdades, os poderes reais: o poder de usar, o poder de gozar/fruir, o poder dispor e o poder de reaver. É o que dispõe o art. 1.228: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 8 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. 2. Jus in re aliena Também chamados de direitos limitados em contraposição à propriedade, ilimitada. Correspondem aos demais incisos do art. 1.225, mas vão além, como a constituição de renda sobre imóvel, não prevista no CC/2002. Já o direito real sobre coisa alheia é limitado, ou seja, não possui em si todas aquelas características, mas apenas figuras parcelares. Assim, por exemplo, retira-se o usar do direito de propriedade e cria-se um direito real de uso; retira-se o usar e o gozar, cria-se o usufruto. Essas limitações variam em extensão e intensidade, podendo ser constituídos diversos direitos reais sobre uma mesma coisa, até o ponto de quase esvaziarcompletamente a propriedade e os poderes proprietários. As limitações podem ser temporárias e perpétuas. Os institutos do aforamento e da enfiteuse são típicos exemplos de limitações perpétuas. Porém, o CC/1916 já limitou a enfiteuse, a CF/1988, no art. 49 do ADCT abriu a possibilidade de sua extinção e o CC/2002 deixou de trazê-la ao rol dos direitos reais. O art. 2.038 do CC/2002 assim estabelece: Fica proibida a constituição de enfiteuses e subenfiteuses, subordinando-se as existentes, até sua extinção, às disposições do Código Civil anterior e leis posteriores. Atualmente, as enfiteuses e aforamentos têm importância para os imóveis litorâneos, pois eles ainda pagam o laudêmio, o foro e a taxa de ocupação, se situados a 33 metros da média das marés no ano de 1831 (terrenos de marinha) ou aterrados (acrescidos). Ou seja, o “dono” desses imóveis é, em verdade, a Marinha, tendo os titulares um direito real perpétuo, mas não a propriedade. Os direitos reais sobre coisa alheia também são classificados em: i. Acessórios: penhor, anticrese e hipoteca; ii. Principais: os demais. Ou, ainda, em: i. subjetivamente pessoais: pertencem a pessoa determinada e certa (usufruto: o usufrutuário não muda, é insubstituível); ii. subjetivamente reais: independem do titular, em cada momento (servidão: não importa quem é o proprietário, ela subsiste). B. Quanto ao objeto A. Mobiliários Recaem sobre coisas móveis; http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa B. Imobiliários Recaem sobre coisas imóveis. Os imobiliários estão sujeitos a registro público e somente excepcionalmente os móveis precisam, como no caso dos automóveis. Igualmente, somente alguns direitos reais recaem sobre bens mobiliários (como: propriedade, usufruto e penhor) e os demais recaem somente sobre os bens imobiliários. Nos casos dos bens imóveis sujeitos a registro, em regra, exige-se que o negócio basal (o negócio que dá base à transferência) seja feito por meio de escritura pública de compra e venda. Há, no entanto, exceções, situações nas quais não se exige escritura pública para a transmissão dos bens imóveis: Por sua vez, o art. 215, § 1º do CC/2002 traz os requisitos da escritura pública de compra e venda: I - data e local de sua realização; II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam comparecido ao ato, por si, como representantes, intervenientes ou testemunhas; III - nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das partes e demais comparecentes, com a indicação, quando necessário, do regime de bens do casamento, nome do outro cônjuge e filiação; IV - manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes; V - referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à legitimidade do ato; VI - declaração de ter sido lida na presença das partes e demais comparecentes, ou de que todos a leram; VII - assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião ou seu substituto legal, encerrando o ato. Faz-se necessário, ainda, a apresentação, segundo o Decreto-Lei 93.240/1986: A. Art. 108 do CC/2002 • Imóveis de até 30 vezes o maior salário mínimo vigente no país B. Art. 61, § 5º da Lei 4.380/1964 • Hipotecas do SFH/SFI para casa própria C. Art. 26 da Lei 6.766/1979 e art. 22 do Decreto-Lei 58/1937 • Compromissos de compra e venda, cessões e promessa de cessão imobiliária, urbana ou rural D. CC/2002 e Leis Especiais • Cédulas pignoratícias e hipotecárias reguladas pelo CC/2002 e cédulas de crédito reguladas por leis especiais (como a habitacional, rural, industrial, comercial e de exportação) http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa I - os documentos de identificação das partes e das demais pessoas que comparecerem na escritura pública, quando julgados necessários pelo Tabelião; II - o comprovante do pagamento do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis e de Direitos a eles relativos, quando incidente sobre o ato, ressalvadas as hipóteses em que a lei autorize a efetivação do pagamento após a sua lavratura; III - as certidões fiscais (imóveis urbanos: certidões referentes aos tributos que incidam sobre o imóvel; imóveis rurais: Certificado de Cadastro emitido pelo INCRA, com a prova de quitação do último ITR); IV - a certidão de ações reais e pessoais reipersecutórias, relativas ao imóvel, e a de ônus reais, expedidas pelo Registro de Imóveis competente, cujo prazo de validade, para este fim, será de 30 dias (porém, isso não exime o vendedor de declarar a existência de outras ações relativas ao imóvel ou ônus, sob pena de responsabilidade); V - os demais documentos e certidões, cuja apresentação seja exigida por lei. Caso alguma das partes não souber ler ou escrever, a assinatura será feita a rogo (“a pedido”). Se um dos contratantes não fala português e o tabelião não fala sua língua, se necessita de tradutor, pois a escritura é redigida obrigatoriamente em língua nacional. Além disso, outras normas ainda regulam as escrituras públicas, como a Lei 7.433/1985 e a Lei 6.015/1973, a Lei de Registros Públicos. 8.2. Posse 1. Definição e conceito Posse é diferente da detenção. A diferença, porém, está na forma como se encara a posse, a depender da teoria, como veremos adiante. A detenção, podemos dizer desde já, é menos que a posse, ou seja, é uma situação de aparente posse, mas que não tem elementos necessários para configurá-la. Ela é apenas um fantasma, um arremedo de posse, fâmulo de posse; parece, mas não é. O CC/2002 estabelece algumas situações em que se verifica mera detenção, já que ela se origina: 1) Da ordem de outrem em manter uma "posse", mas sem animus de mantê-la (art. 1.198) 2) De atos de mera tolerância do proprietário (primeira parte do art. 1.208) 3) Da situação de posse violenta ou clandestina (segunda parte do art. 1.208) ==db697== http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 2. Teorias Os manuais trazem a explicação da teoria subjetivista de Savigny contra a explicação objetivista de Jhering, pois estes dois foram os responsáveis por construir a noção de posse na Modernidade, tomando por base não a experiência europeia, mas o discurso de que o Direito Romano encaminharia as soluções mais adequadas. Savigny entende que a posse precisa ser protegida pela necessidade da proteção da paz social. Para tanto, defende que a posse seria formada por dois elementos, qual seja o elemento objetivo, o corpus, da relação de fato entre o sujeito e a coisa, pela efetiva apropriação pelo sujeito da coisa; e o elemento do animus, que seria a intenção de se utilizar da coisa como sua, conforme o direito real que o sujeito entendesse estar ostentando. Justamente por agregar como elemento indispensável da posse esse aspecto intencional, o aspecto anímico, é que a teoria de Savigny chama-se de Teoria Subjetivista. A posse sem animus, para ele, não seria autêntica posse, mas mera detenção ou um fâmulo de posse. Savigny vincula a posse à propriedade. No entanto, a teoria de Savigny criava um enorme inconveniente, pois, de um lado, justificava posses que não deveriam ser protegidas e não justificava posses que deveriam ser protegidas. Assim, por exemplo, o ladrão soma os dois elementos, já que tem a coisa consigo e tem intenção de se tornar dono dela; no entanto, sua posse, injusta, não deveria ser protegida. De outro lado, o locatário não tem o elementosubjetivo, já que não possui a coisa como se sua fosse, mas deve ter proteção possessória, seja contra terceiros, seja contra o próprio locador, proprietário. Jhering lança a segunda grande obra sobre posse e questiona Savigny, no seguinte sentido: analisando a experiência romana, nunca um pretor romano teria feito análise da intenção para deferir ou indeferir um interdito possessório. Não que se negue a existência do elemento intencional, mas ele se encontra contido na própria noção de corpus, que é o exercício de fato dos poderes atinentes à propriedade em relação à coisa. Para haver posse, portanto, bastaria o elemento objetivo do corpus. Para Jhering, o fundamento da proteção possessória não seria a paz social, mas a proteção da própria propriedade. Justamente porque a posse é a exteriorização da propriedade, a proteção da posse seria a melhor maneira de proteger a propriedade, tutelando o proprietário nas situações em que o domínio é de difícil comprovação imediata. Claro que Jhering enxerga que se pode proteger um possuidor que não é proprietário, mas numa análise econômica, mais vale arcar com as situações de proteção de um possuidor que não é proprietário para em geral poder proteger http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa os proprietários por intermédio da posse. Por isso, diz ele, o proprietário é o possuidor presuntivo (por presunção). Pela distinção mais clara entre a posse e a detenção é possível visualizar mais claramente a diferença entre posse direta e posse indireta. Por um contrato ou por um direito real sobre coisa alheia, seria possível bifurcar a posse, entre a posse direta, daquele que mantém o poder fático sobre a coisa, e a posse indireta, daquele que detém a propriedade. Desde o CC/1916 ao atual CC/2002, a doutrina e a legislação procuram se adequar à doutrina de Jhering. É flagrante a tentativa do CC/2002 de se apagar eventuais resquícios de uma teoria subjetivista, pelo que adotou, expressamente, a teoria de objetivista Jhering no art. 1.196: Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. Nesse sentido, a proteção da propriedade por meio da posse se expressa em três momentos: na definição da posse (art. 1.196), nos mecanismos de aquisição de posse (art. 1.204) e nos meios de perda da posse (art. 1.223). Esses três momentos visam demonstrar como a posse é uma exteriorização da propriedade. Assim, em regra, a posse é encarada como fato, mas eventualmente ela é vista como direito. Pontes de Miranda soluciona tal problema dizendo que posse é fato, é suporte fático, todavia, que compõe diversos fatos jurídicos. Ela, solitariamente, é apenas fato. A posse atrelada ao tempo pode gerar a formação do fato jurídico da usucapião. A posse atrelada à violência por terceiros pode gerar a pretensão à manutenção da posse. Ou seja, só existiriam efeitos jurídicos decorrentes de fatos jurídicos e, se há menção sobre o jus possessiones, é porque ela serviu de suporte fático para a conformação de determinado fato jurídico do qual decorrem direitos, pretensões, ações, exceções. 3. Função social O ordenamento jurídico brasileiro não tem tratamento específico legal sequer para a função social da posse. Tanto a CF/1988 quanto o CC/2002 passaram ao largo da funcionalização da posse, ao contrário do que ocorreu com a função social da propriedade, esta claramente contida tanto em sede constitucional quanto no ordenamento infraconstitucional. No entanto, isso não impedia o reconhecimento, pela doutrina, da funcionalização da posse já antes mesmo da CF/1988. Com ela, porém, a posse ganha força no ordenamento, muito em razão da função social da propriedade. A posse traz riqueza ao estatuto jurídico das titularidades, eis que, em que pese tradicionalmente se entendê-la meramente como fato, para parte dos autores há de se vê-la também como direito. Além disso, a posse é suporte fático de variados institutos jurídicos de direito das coisas, e não apenas relativamente à propriedade. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Quanto à propriedade, a posse pode servir, de um lado, como elemento de reforço. Isso porque o proprietário que possui a coisa reforça sua propriedade, seja exercendo a posse direta ou indiretamente, como veremos mais adiante. Por outro lado, porém, a posse serve como mitigação da propriedade, nas situações nas quais o proprietário não exerce posse, ainda que indiretamente. A posse alheia, inclusive, é fundamento, de fato, como suporte fático, para a composição da usucapião. Somada ao tempo, a posse tem variados efeitos jurídicos relevantes. Além disso, a posse serve como suporte fático não para extinção ou aquisição de direito real, mas para sua manutenção. Exemplo evidente é relativo à servidão; aquele que tem direito real de servidão deve exercer posse sobre a área que lhe serve, sob pena de extinção da servidão, pelo não uso. A posse, portanto, é forma de exteriorização da própria servidão, mantendo-a. A não-posse, ao contrário, dá causa à extinção da servidão. A doutrina, então, trata inicialmente da função social da posse, aos moldes da função social da propriedade (e do contrato e da empresa...). Em que pese não ser textual, entende-se que ela esteja positivada na CF/1988 implicitamente, em decorrência da função social da propriedade. Essa compreensão deriva do movimento de funcionalização dos institutos jurídicos privados de cunho patrimonial. Em que pese se tratarem de institutos tipicamente patrimoniais, o contrato, a propriedade, a empresa – e a posse – devem também ser funcionalizados para o atendimento dos anseios sociais, especialmente para que se alcancem os objetivos constitucionalmente previstos. Os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil são bastante claros, como se extrai do art. 3º, incisos: Para que se consiga erradicar a pobreza, parte-se de uma construção solidária da sociedade, que importa em, por vezes, dar primazia à posse em detrimento da propriedade, quando o proprietário registral não torna sua propriedade apta ao cumprimento dos ditames sociais. I - construir uma sociedade livre, justa e solidária II - garantir o desenvolvimento nacional III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Assim, o proprietário de larga extensão de terras que não a torna produtiva, não a funcionaliza para o desenvolvimento nacional; ao contrário, emperra-o ao impedir que área agricultável seja utilizada adequadamente, aumentado a produção de gêneros alimentícios e sua consequente redução de preço no mercado. Igualmente, como não circula a propriedade, ele faz com que o preço da terra seja elevado, em vista da redução da oferta de área, o que faz com que os gêneros alimentícios tenham preço mais elevado. O proprietário de imóvel urbano, ao não edificar nos parâmetros mínimos, faz com que o imóvel se torne alvo de criminalidade, fazendo com que os imóveis vizinhos sejam desvalorizados. Igualmente, faz subir os preços dos aluguéis, pela redução do número de imóveis aptos à locação. A municipalidade tem de manter serviços – iluminação pública, passagem de dutos, policiamento etc.– custeados pela população em uma área não aproveitada. Numa ou noutra situação, os ônus são gerais, travando o cumprimento dos objetivos constitucionais. A posse, portanto, possui evidente função social, desde um nível mais individual (a desvalorização dos imóveis vizinhos a outro abandonado), passando por níveis locais (custo de manutenção de serviços em áreas desocupadas), até níveis mais amplos (como no caso do sobrepreço de alimentos pela redução de área agricultável). A doutrina aponta alguns dispositivos como fundamento à função social da posse. O art. 1.238, parágrafo único do CC/2002 estabelece que o prazo estabelecido para a usucapião extraordinária será reduzido a 10 anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. Veja-se que aí é possível identificar a funcionalização da posse, e não da propriedade. A função social da propriedade está bem estabelecida no caput, que permite a aquisição da propriedade por aquele que lhe dá uso, que a torna funcional. O parágrafo único vai além, estabelecendo que caso essa posse não seja uma posse qualquer, mas uma posse funcionalizada, pode-se reduzir o prazo da pretensão aquisitiva. Assim, se o possuidor, para além de possuir, possui a coisa e nela estabelece sua moradia habitual, está funcionalizando a posse. Socialmente, possuir para morar é algo que cumpre os objetivos constitucionais. A posse, aqui, é socialmente funcionalizada em prol da moradia, que é um direito social constitucional expressamente resguardado pelo art. 6º da CF/1988. Igualmente, aquele que possui a coisa “realizado obras ou serviços de caráter produtivo” possui o bem imóvel com uma qualificação social. Não apenas possui, como poderia fazer, mas possui E torna a coisa produtiva. Tornar a coisa produtiva é também funcionalizar socialmente a posse, é qualificar essa posse, que poderia ser mera posse sem qualificação especial. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa No mesmo sentido vai o art. 1.242, parágrafo único, que qualifica a posse daquele que tenha “realizado investimentos de interesse social e econômico”. A posse aqui é funcionalizada, já que a sociedade também ganha quando o possuidor realiza investimentos de interesse social e econômico. A função social da posse, portanto, é uma espécie de “ganha-ganha”, já que quando o possuidor funcionaliza sua posse, ganha (pois uma coisa produtiva é melhor que uma não produtiva, economicamente falando), mas também ganha a sociedade (já que a produção será economicamente mais interessante para toda a comunidade). Podemos identificar, em linhas gerais, que a funcionalização da posse se dá, em relação à sociedade, em dois eixos: o trabalho e a moradia. Essas parecem ser as diretrizes principais do que se entende por “social” da função da posse. Os dispositivos legais orbitarão em torno desses dois elementos para funcionalizar a posse, ainda que nem sempre, como no caso do art. 10 da Lei 10.257/2001 (Estatuto das Cidades). Ainda que a previsão tivesse por base a moradia, anteriormente à Lei 13.465/2017, é de se ver que a funcionalização da posse, nesse caso, se dá pela perspectiva de regularização das áreas, notadamente depois dessa Lei. Qualificar a posse pela moradia ou pelo trabalho já é um ganho social. Qualificá-la mais, com base na perspectiva de regularização ou urbanização de uma área informal, geralmente favelizada, é socialmente ainda mais relevante. Seja numa perspectiva mais egoística (áreas urbanizadas tendem a ter menos “gatos” que áreas favelizadas, pelo que o custo da minha energia elétrica tende a cair), seja numa perspectiva mais solidária (a qualidade de vida das pessoas desse local tende a melhorar expressivamente). Ainda que a funcionalização tenha evidente perspectiva econômica, seu objetivo vai além, qual seja o cumprimento dos objetivos constitucionais. A função social, por vezes, pode ter impacto econômico negativo, seja para o possuidor que não possui, pela possibilidade de ter a área desapropriada ou mesmo usucapida, seja para a sociedade, numa perspectiva de redução da segurança jurídica proprietária. Isso, porém, é irrelevante, porque o objetivo maior é funcionalizar a posse em prol da sociedade, no cumprimento dos objetivos que o constituinte se propôs em 1988. 4. Modalidades A. Composse Em regra, o objeto da posse tem de ser exclusivo, pela própria natureza da posse. Porém, nada impede que o domínio sobre uma coisa seja comum a mais de uma pessoa, de modo pro indiviso. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 16 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A composse não se confunde com o desdobramento entre posse direta e indireta (o proprietário é possuidor indireto da coisa locada, enquanto o locatário detém a posse direta); ou seja, possuidores direto e indireto não possuem composse (aqui, o grau de posse é que varia, pois um dos possuidores fica privado da coisa). A composse exige que todos possam utilizar a coisa diretamente, sem excluir os demais, segundo o disposto no art. 1.199 do CC/2002, pelo que diversos possuidores podem exercer a posse simultaneamente. Ou seja, ela é semelhante ao condomínio, onde todos são proprietários de uma cota abstrata da coisa, de modo pro indiviso. Assim, cada um e qualquer um dos compossuidores pode praticar os atos possessórios para defesa do objeto comum. Extinta a relação jurídica originária ou o estado de indivisão da coisa, cessa a composse, como ocorre, por exemplo, na partilha dos bens dos herdeiros e na dissolução da sociedade matrimonial. 2013 – CESPE – AGU – Procurador Federal Quando o proprietário de um bem imóvel, efetivando uma relação jurídica negocial com terceiro, transfere-lhe o poder de fato sobre esse bem, ocorre a composse, de forma que qualquer dos dois poderá defender a posse contra terceiros. Comentários O item está incorreto, pois a composse exige que todos os titulares possam utilizar a coisa diretamente, sem exclusão, o que não ocorre numa transferência dos poderes proprietários. B. Espécies de posse 1. Quanto ao vício objetivo • Classificação adotada pelo art. 1.200 do CC/2002, que considera a aquisição da posse de modo lícito ou ilícito: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 17 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A análise da (in)justiça da posse é objetiva. Não se questiona a vontade do possuidor, basta analisar se houve violência, clandestinidade ou precariedade. E ponto. Veja-se, porém, que a posse em si não é (in)justa; o vício trata da vítima do ato, pelo que somente ela pode arguir a injustiça, jamais terceiro. Por isso, o próprio possuidor injusto pode defender a posse contra terceiros, inclusive se valendo dos interditos; estará ele desamparado apenas em face da vítima. Ademais, atente para não confundir a posse precária com a detenção (ato de tolerância). Na posse precária, o possuidor tivera outorgada a posse, mas passou a abusar dela. Por exemplo, emprestei, via comodato, meu imóvel, com prazo; chegado o prazo, o comodatário não devolve, configurando-se a posse precária. Ao contrário, na detenção, não há negócio jurídico prévio a outorgar a posse à pessoa. Por exemplo, meu colega pega, em minha mesma, meu Vade Mecum emprestado, sem que eu me manifeste; não há posse, mas mera detenção, porque eu apenas tolerei que ele o fizesse, mas não entabulei comodato. Já na posse de boa ou má-fé, aí sim, analisa-se o elemento anímico,necessita- se avaliar a vontade do agente. A. Posse justa • Se for adquirida por meios legalmente admitidos, a posse é justa, ou seja, posse conforme o Direito. • Ela é justa quando não maculada pela violência, clandestinidade ou precariedade. • Tem de ser pública (para que o interessado em sua extinção tome as medidas possessórias) e contínua (exercício de modo manso e pacífico). B. Posse injusta • Ao contrário, aquela adquirida de modo violento, clandestino ou precário. • Posse violenta é aquela adquirida por força, mediante a prática de atos irresistíveis. • Posse clandestina é aquela obtida às escondidas, usando de artifícios para enganar o possuidor. • Posse precária, por sua vez, se obtém por abuso de confiança, sem que fosse restituída a coisa devida. 2. Quanto ao vício subjetivo • A posse depende de avaliação do estado anímico do possuidor. Em regra, entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida, segundo estabelece o art. 1.203 do CC/2002: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Segundo Venosa, a boa-fé se equipara ao erro, daí sua vinculação com a ignorância. No entanto, sempre se a analisa subjetivamente. Segundo Pontes de Miranda, há má-fé quando o possuidor está convencido de que sua posse não goza de legitimidade jurídica, mas, ainda assim, se mantém na posse da coisa. Aqui, mais uma vez, é necessário apelar para a noção de homem médio. Não há coincidência entre posse justa e de boa-fé e posse injusta e de má-fé. Se adquiriu a posse de alguém que a adquiriu com violência, terá posse de boa-fé, mas injusta; pode ter adquirido a posse de má-fé, conhecendo o vício, mas sem violência, clandestinidade ou precariedade. 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado O possuidor de boa-fé: (A) é aquele cuja posse não é precária. (B) tem direito à indenização das benfeitorias necessárias, úteis e voluptuárias. (C) não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. (D) tem direito de retenção quanto às benfeitorias, mas não tem direito aos frutos percebidos. Comentários A alternativa A está incorreta, já que boa-fé e justeza não se confundem. A posse não-precária caracteriza a posse justa, mas não necessariamente de boa- A. Posse de boa-fé • O possuidor ignora o obstáculo que impede a aquisição da coisa, nos termos do art. 1.201 do CC/2002. Ou seja, a boa-fé é negativa, ignorância, não positiva, convicção. Pode ser: • i. real: apoiada em elementos evidentes que não deixam dúvida; • ii. presumida: quando possui justo título (art. 1.201, parágrafo único). B. Posse de má-fé • Mesmo conhecendo o vício, possui. O estado de dúvida não induz, necessariamente, a má-fé; deve haver culpa grave para caracterizá-la (erro inescusável). http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa fé (posso possuir sabendo do vício de minha posse, mas possuo sem ser de maneira violenta, precária ou clandestina. A alternativa B está incorreta, como veremos mais adiante, havendo direito de indenização quanto às duas primeiras e de levantamento quanto à última, se possível sem causar dano à coisa. A alternativa C está correta, de acordo com o art. 1.217: “O possuidor de boa- fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa”. A alternativa D está incorreta, pois há direito aos frutos percebidos ao possuidor de boa-fé, mas não aos percipiendos ou pendentes. Mas, e a posse de má-fé ou a posse injusta se manterão sempre de má-fé ou injusta? A rigor, o art. 1.203 estabelece uma presunção relativa. Presume-se que a posse se manterá no mesmo estado no qual se iniciou. No entanto, pode ocorrer que a posse de boa-fé se transmute em de má- fé se o possuidor passar a não mais ignorar o vício, seja judicialmente (como através de citação de uma ação de reintegração), seja extrajudicialmente (por exemplo, aparece o proprietário com a matrícula do imóvel em mãos), a teor do art. 1.202 do CC/2002. Pode ocorrer igualmente que a posse injusta se transforme em posse justa. Nesse caso, haverá a chamada interversão, qual seja o fenômeno por meio do qual o mero detentor torna-se verdadeiro possuidor. Isso ocorrerá, por exemplo, quando o detentor celebra contrato de locação com o proprietário. Na prática, é muito difícil estabelecer quando houve essa passagem, que terá consequências importantes, inclusive para a usucapião. No caso do conhecimento do vício extrajudicialmente, as circunstâncias têm de ser notórias, segundo Orlando Gomes. d http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa O possuidor indireto confia a coisa a outrem por certo tempo, dispondo de seu poder proprietário. Mas não é apenas o possuidor (em sentido estrito) quem detém a posse direta, mas todo aquele que detém alguma forma de posse autônoma (usufrutuário, usuário, locatário, depositário, tutor, inventariante), consubstanciada em algum direito real sobre coisa alheia ou direito pessoal de uso e/ou gozo. Trata-se de uma ficção jurídica, mas de importância prática, conforme se vê no art. 1.197 do CC/2002: A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. 2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto Assinale a alternativa correta a respeito da disciplina da Posse no Código Civil. a) Considera-se possuidor todo aquele que tem de direito o exercício, pleno ou não, de algum dos direitos inerentes à propriedade. 3. Quanto ao desdobramento da posse • Consequência da teoria objetiva de Jhering, utilizada pelo Direito brasileiro. Podem existir, portanto, duas relações de posse sobre a coisa, sem que elas se anulem: A. Posse direta • Aquele que detém o domínio, detém a posse direta. Em geral, o proprietário é também possuidor direto. Mas nem sempre. • O possuidor indireto pode defender autonomamente sua posse, mesmo contra o possuidor direto, se for turbado na posse (art. 1.197 do CC/2002). É o caso, por exemplo, do locador que tenta um “despejo extrajudicial”; o locatário pode exercer uma reintegração de posse em face do locador, nesse caso. B. Posse indireta • O proprietário, ainda que limitadamente, detém a posse indireta da coisa, mesmo que não a detenha, não a tenha consigo ou não a utilize. É o caso do locador, que não detém a posse direta, mas, por causa do direito de propriedade, detém posse indireta. b http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 21 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa b) A posse direta anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. c) Considera-se possuidor indireto aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. d) Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, pode cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores. e) É justa a posse, se o possuidor ignora o vício ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. Comentários A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 1.196: “Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algumdos poderes inerentes à propriedade”. A alternativa B está incorreta, segundo o art. 1.197: “A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto”. A alternativa C está incorreta, conforme o art. 1.198: “Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. A alternativa D está correta, na literalidade do art. 1.199: “Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores”. A alternativa E está incorreta, na dicção do art. 1.201: “É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. 5. Aquisição, transmissão e perda Os modos de aquisição, transmissão e perda da posse que estudaremos se referem às coisas, porque o Direito das Coisas tradicionalmente estão ligados às coisas corpóreas, notadamente as coisas imóveis, em específico a terra, aos bens de raiz. Os modos de aquisição, transmissão e perda da posse, no tocante aos direitos, tem disciplina distinta, relacionando-se com o seu exercício. Adquire-se, por exemplo, exercendo, como ao tomar posse no emprego público ou criar obra literária; transmite-se, repassando o seu exercício, como a faixa presidencial ou pela cessão de direito autoral; perde-se pela impossibilidade de exercê-lo ou decorrido o tempo para prescrever, como no caso da não utilização de uma servidão. 6 http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 5.1. Modos de aquisição da posse O CC/1916 enumerava os casos em que havia aquisição da posse. Porém, essa orientação contrariava a ratio do Código, que trata da posse como fato. Se é fato, não se pode descrever o modo como os fatos ocorrerão, desde que o sujeito exercesse algum dos poderes inerentes à propriedade, havia posse. O CC/2002 corrigiu essa distorção no art. 1.204, aperfeiçoando sua racionalidade, que assim dispõe: Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade. A posse se inicia, portanto, desde o momento em que começa seu exercício como decorrência da propriedade, em nome próprio. Em regra, igualmente, a posse do imóvel presume a posse dos móveis nele insertos (art. 1.209 do CC/2002). Os modos de aquisição se subdividem em: originários e derivados. Pode-se adquirir a posse: Além disso, quando possuo determinado bem imóvel presume-se, relativamente, segundo o art. 1.209, que também possuo as coisas móveis que nele estiverem. • Adquire-se quando não é necessário consentimento do possuidor precedente • Não há mais rol taxativo dos modos originários, mas o modo mais comum é a usucapião 1. Originários: • Adquire-se quando há consentimento do possuidor precedente • Dá-se com a tradição, seja efetivamente (entrega de fato da coisa, como na compra de um celular), seja simbolicamente (simboliza-se a tradição, como a entrega das chaves dos imóveis) 2. Derivados: • Art. 1.205, inc. I A. Pelo próprio sujeito • No caso de incapazes, p.ex. • Art. 1.205, inc. I B. Por representante ou procurador • Tem de ratificar, obrigatoriamente • Art. 1.205, inc. II C. Por terceiro sem procuração 9 http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 23 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 5.2. Modos de transmissão da posse Em regra, a posse adquire-se pelo próprio sujeito, sem transmissão. Não obstante, pode haver sucessão das posses de diferentes possuidores. Vale mencionar que a posse se transmite ao sucessor lato sensu com os mesmos caracteres, segundo dispõe o art. 1.203. Há, no caso, presunção relativa, que admite prova em contrário. Assim, se meu pai possuía violentamente, transmite-se a posse a mim de maneira violenta; se possuía de boa-fé, sou também possuidor de boa-fé. A mesma regra vale para a detenção, inclusive. De acordo com o art. 1.198, parágrafo único, aquele que começou a comportar-se como detentor, em relação ao bem e à outra pessoa, presume-se igualmente detentor, até que prove o contrário. São duas as hipóteses de transmissão da posse: Repetindo a regra do art. 1.203, o art. 1.206 estabelece que a posse se transmite aos herdeiros e legatários com os mesmos caracteres. Regra especial óbvia em face da regra geral. No entanto, no caso de sucessão causa mortis, o CC/2002 estabelece uma peculiaridade. No primeiro caso, de sucessão universal (herança), a transmissão da posse é obrigatória; no segundo, de sucessão singular (legado), a transmissão é facultativa. Venosa estabelece que apesar de o art. 1.206 parecer tratar apenas dos casos de sucessão mortis causa, vale também para a transmissão inter vivos. Assim, adquirida a casa, a título singular, pode-se optar por unir a posse atual à anterior, ou não; no caso de “aquisição da PJ” (compra “porteira fechada” do estabelecimento), a sucessão, a título universal, ensejaria a união forçosa da posse. A principal utilidade da transmissão das posses é na usucapião, na qual a posse deve ser somada ao tempo (ambas devem ser contínuas e pacíficas). Por isso, por vezes, é melhor ao possuidor novo não unir sua posse com a posse A. Sucessão • Sucessão universal • Quando os herdeiros continuam na posse dos bens herdados (art. 1.206 do CC/2002, como no caso de herança, por exemplo) B. União • Sucessão singular • Quando alguém transfere, por uma relação jurídica, a posse a outrem, pelo que suas posses se unem (art. 1.207, como na compra e venda ou no legado) 7 http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa do anterior, já que os prazos para a usucapião em não havendo boa-fé ou no caso de posse injusta, por exemplo, são bem maiores. 5.3. Modos de perda da posse Novamente, o CC/1916 enumerava os casos em que havia perda da posse. Porém, essa orientação contrariava a ratio do Código, que trata da posse como fato (se é fato, não se pode descrever o modo como os fatos deixarão de ocorrer). O CC/2002 corrigiu essa distorção no art. 1.223, aperfeiçoando sua racionalidade. A posse se perde, portanto, desde o momento em que cessa o poder do possuidor sobre a coisa, ainda que contra sua vontade. Porém, se exige que o possuidor saiba da perda; se não presenciou a perda, só se considera perdida a posse quando, tendo notícia dela, se abstém o possuidor de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido, pela dicção do art. 1.224. Os modos de perda se subdividem em três categorias, a depender da perda do corpus, do animus ou de ambos, segundo a doutrina. Veja-se que, nesse caso, ainda se utiliza da teoria subjetiva de Savigny. • O possuidor, portanto, deixa intencionalmente de deter a coisa. Nesses casos, a posse se perde por: 1) Ausentes corpus e animus A. Abandono (derelictio) • Joga fora a coisa, intencionalmente; não é perder, mas, abandonar B. Tradição • Caso em que há perda da posse e, simultaneamente, aquisição da posse para os contratantes • Ocorre quando certos fatos impedem a posse, contra a vontade do possuidor, e somente quando há impossibilidade de utilização da coisa. Se, ainda que potencialmente o poder existe, mantém-se a posse. São os casos de: 2) Ausente corpus http://www.iceni.com/infix.htmProf. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Exemplo é a situação do sujeito de aliena a casa, para levantar dinheiro para um negócio e se torna locatário do novo proprietário. Perde a posse (direta), adquirindo posse indireta, apenas. 6. Proteção possessória A doutrina é unânime em reconhecer efeitos à posse, mas discorda em relação a quais são eles. Duas correntes majoritárias se dividem. Segundo a corrente da unicidade, a posse tem um único efeito, que é induzir a presunção de propriedade. Essa corrente é oriunda daqueles que entendem a posse como exteriorização da propriedade. Segundo a corrente da pluralidade, a posse tem vários efeitos. Essa corrente é oriunda tanto de teses que defendem a posse como fato quanto das que a defendem como direito. De acordo com Orlando Gomes, a posse tem 7 efeitos principais: A. Perda da coisa • Aqui sim, perda da coisa propriamente dita B. Destruição • Somente nos casos de terceiro, caso fortuito ou força maior. Se o próprio sujeito destrói, há perda do corpus e animus A destruição deve ser total (perecimento não transitório) C. Posse de outrem • Privação da coisa contra a vontade do possuidor (esbulho cuja reintegração não foi efetivada em ano e dia) D. Inutilização econômico-jurídica • Quando a coisa é posta fora do comércio pelo Direito, mesmo que contra a vontade do possuidor • Nesse caso, passa o possuidor a exercer a posse em nome alheio, pelo que a posse se perde através do constituto possessório. Esse é um modo especial de tradição da coisa, em que o sujeito deixa de possuir a coisa em nome próprio para o fazer em nome alheio, transferindo-lhe a posse indireta. Ou seja, a transferência, a tradição, da coisa é meramente ficta. 3) Ausente animus http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 26 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa O possuidor tem direito a proteger sua posse independentemente da qualidade da posse. O CC/2002 disciplina a defesa da posse no art. 1.210, caput e parágrafos. São, segundo Orlando Gomes, as ações de manutenção de posse, reintegração de posse e o interdito proibitório. A proteção possessória é geralmente feita por instrumentos chamados interditos; apenas excepcionalmente há tutela para a autodefesa da posse, em casos de agressão à posse que exija ação pronta, enérgica e imediata (desforço possessório). Nesses casos, o possuidor turbado, ou esbulhado, pode manter-se ou restituir-se por sua própria força, desde que o faça logo. De qualquer forma, os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse. Em alguns casos, não há verdadeira proteção possessória, mas da propriedade (já que ainda vige a compreensão de que a posse é mera exteriorização da propriedade, e não direito autônomo). A doutrina se divide quanto ao número de interditos. Orlando Gomes, por exemplo, oferece um rol mais extenso, incluindo alguns não acolhidos por grande parte dos autores (ação de nunciação de obra nova, ação de dano infecto e embargos de terceiro senhor e possuidor) e um instituto rechaçado por alguns (ação de imissão na posse). De qualquer forma, o §2º do art. 1.210 estabelece que não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito sobre a coisa. Ou seja, numa ação possessória discute-se a posse, sendo que a propriedade é lateral, apenas. 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado Em relação à posse analise as seguintes assertivas: I. O possuidor de má-fé responde, em qualquer caso, pela deterioração da coisa, salvo se acidental. II. A posse é transmitida ao legatário do possuidor com as mesmas características da posse originária. III. É de boa-fé a posse adquirida pelo possuidor que ignora o obstáculo que impede a aquisição da coisa. IV. A alegação de propriedade não impede a reintegração na posse. Quais estão corretas? A) Apenas I e IV. B) Apenas II e III. • Presente no art. 1.210 do CC/2002 I) Direito aos interditos http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 27 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa C) Apenas I, II e III. D) Apenas I, II e IV. E) Apenas II, III e IV. Comentários O item I está incorreto, na forma do art. 1.218: “O possuidor de má-fé responde pela perda, ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante”. O item II está correto, consoante regra do art. 1.206: “A posse transmite-se aos herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos caracteres”. O item III está correto, conforme estabelece o art. 1.201: “É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. O item IV está correto, de acordo com o art. 1.210, § 2º: “Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito sobre a coisa”. A alternativa E está correta, portanto. No caso de haver mais uma pessoa que alegue ser possuidora, prevê o art. 1.211 que será mantida provisoriamente na posse a que tiver a coisa, se não estiver manifesto que a obteve de alguma das outras por modo vicioso (violência, clandestinidade ou precariedade). Por isso, o possuidor pode intentar a ação de esbulho, ou a de indenização, contra o terceiro, que recebeu a coisa esbulhada sabendo que o era. O art. 1.213 estabelece que essas regras se aplicam às servidões aparentes, mas não às servidões não aparentes. A exceção fica por conta dos casso em que os respectivos títulos provierem do possuidor do prédio serviente, ou daqueles de quem este o houve. Os frutos podem ser: pendentes (ainda não separados da coisa principal), percebidos (colhidos), percipiendos (poderiam já ter sido colhidos, mas não foram) e colhidos por antecipação (não poderiam ser colhidos, mas já o foram). Analisa-se os frutos à época da cessação da boa-fé. Pertencem os frutos ao possuidor de boa-fé, desde que a percepção ocorra antes de sua cessação. Por isso, os frutos percipiendos quando cessação da boa-fé (portanto, percebidos, colhidos, depois de cessada a boa-fé) e os frutos colhidos por antecipação devem ser restituídos, deduzindo-se as despesas de produção e custeio. Os produtos devem ser restituídos. Ao possuidor de má-fé, restituem-se apenas as despesas de produção e custeio dos frutos percebidos ou colhidos por •Presente no art. 1.214 do CC/2002 II) Direito à percepção de frutos http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 28 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa antecipação, segundo o art. 1.216, mas não pode ele ficar com quaisquer dos frutos. Igualmente, se algum dos frutos se perdeu por sua desídia, deve ele indenizar. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos logo que são separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia, segundo o art. 1.215. A diferença entre frutos e produtos é que os frutos não depreciam a coisa, os produtos sim. Por exemplo, relativamente a uma árvore, as frutas são frutos e a madeira, produto; numa ovelha, a lã é o fruto, a carne, o produto. As benfeitorias necessárias devem ser ressarcidas ao possuidor a qualquer título. As benfeitorias úteis são indenizadas somente ao possuidor de boa-fé. As voluptuárias são indenizáveis ao possuidor de boa-fé, a critério do credor. Porém, segundo o art. 1.221, as benfeitorias compensam-se com os danos, e só obrigam ao ressarcimentose ao tempo de a evicção ainda existirem. Ademais, aquele que reivindica a coisa se obriga a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé, mas tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo. Se o possuidor for de boa-fé, o reivindicante vai indenizá-lo pelo valor atual, por força do art. 1.222 do CC/2002, não podendo optar pelo valor de custo. O possuidor de boa-fé tem direito de retenção da coisa principal até que lhe seja pago o valor das benfeitorias necessárias e úteis. Não tem ele, porém, direito de retenção pelas benfeitorias voluptuárias. O possuidor de má-fé não tem direito de retenção por quaisquer benfeitorias, mesmo as necessárias; tem apenas direito de indenização, mas tão somente por via própria (ação de cobrança). O possuidor de boa-fé tem direito de levantamento das benfeitorias voluptuárias, no caso de o proprietário não lhe pagar, mas desde que sua retirada não implique em destruição do bem principal; porém, se o proprietário as pagar, não pode o possuidor as reter. Já o possuidor de má-fé não tem direito de levantar nem mesmo as benfeitorias voluptuárias e, se o fizer, terá de indenizar o reivindicante, desde que este prove sua existência ou tenha havido destruição do bem principal quando do levantamento. •Presente nos arts. 1.219 e 1.220 do CC/2002 III) Direito à indenização por benfeitorias •Presente no art. 1.219 do CC/2002 IV) Direito de retenção de valores •Presente no art. 1.219 do CC/2002 V) Direito de levantamento de benfeitorias http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 29 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa O mais importante direito oriundo da posse, já que a usucapião é um modo de aquisição da propriedade pela posse continuada durante certo tempo. Essa posse, que permite a aquisição da propriedade, chama-se posse ad usucapionem. Oriundo da presunção de enriquecimento sem causa do Código, prevista no art. 884. Por isso, se o possuidor tiver prejuízos, na posse, por causa dela, comprovadamente, o proprietário deve o indenizar. Esse direito vale também para o reivindicante. De um lado, o possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa, consoante regra do art. 1.217. De outro lado, o possuidor de má-fé responde pela perda ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que mesmo que a coisa estivesse na posse do reivindicante teria ocorrido a perda ou deterioração (art. 1.218). •Presente no art. 1.260 do CC/2002 VI) Direito à usucapião •Presente no art. 884 do CC/2002 VII) Direito à indenização por prejuízos Direito aos interditos Direito à percepção de frutos Direito à indenização por benfeitorias Direito à retenção quanto a valores Direito à retenção quanto a benfeitorias Direito à usucapião Direito à indenização por prejuízos http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 30 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 8.3. Ações Divide-se a doutrina em relação ao cabimento das medidas possessórias aos bens imóveis e também aos móveis. Silvio de Salvo Venosa explicitamente defende seu cabimento, mas boa parte da doutrina e jurisprudência ainda defende que só caberia para os imóveis. Importa frisar cinco pontos relevantes ligados às ações possessórias: Também integram seu objeto a pretensão de indenização pelos danos causados e a cominação de pena em caso de reincidência. Nesse sentido, o autor pode cumular o pedido possessório com o pedido de condenação em perdas e danos, a cominação de pena para caso de nova turbação ou esbulho e o desfazimento de construção ou plantação feita em detrimento de sua posse. As ações possessórias possuem caráter dúplice, ou seja, intentada uma medida possessória, ela decidirá a quem a posse é devida, e não apenas se há ou não procedência no pedido, incluindo danos e penas. Numa ação comum de cobrança, por exemplo, o juiz não pode condenar a contraparte a te indenizar por danos morais. A lide resolve, unicamente, se é ou não devido o valor pleiteado na inicial. Porém, nas ações possessórias isso não é necessário, pois o réu pode, na contestação, alegando que foi o ofendido em sua posse, demandar a proteção possessória e a indenização pelos prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho cometido pelo autor. O rito dependerá do prazo em que for intentada a ação, nos casos de manutenção e reintegração. Se intentada no prazo de ano e dia, seguirá o rito especial (ação de ano e dia, ou ação de força nova), se cumpridos os requisitos do art. 555, incisos do CPC, quais sejam a sua posse; a turbação ou o esbulho praticado pelo réu; a data da turbação ou do esbulho; a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção; a perda da posse, na ação de reintegração. • Art. 555, incs., do CPC I) Não se limitam a discutir a posse • Art. 556 do CPC II) Caráter dúplice • Art. 558 do CPC III) Espécie do rito http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 31 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Após, mesmo tratando-se de lide possessória, tramitará pelo rito ordinário (art. 558, parágrafo único do CPC). De qualquer forma, independente do prazo, a ação será possessória, protegendo-se a posse ad interdicta. Ou seja, muda-se apenas o rito, mas não a natureza da lide. Há fungibilidade de ações nas discussões possessórias. Segundo o art. 554 do CPC, se estiverem presentes os requisitos de um pedido, o juiz deve acatá-lo, ainda que, na verdade, o pedido seja outro. Ou seja, se pedir manutenção, mas for o caso de reintegração, ainda assim a liminar será concedida. Isso ocorre pela fluidez as situações fáticas. Determinada pessoa ameaça minha posse, pelo que intento interdito proibitório, mas antes do deferimento da medida, ela turba minha posse, pelo que o Juízo defere a manutenção de posse. Ou, ainda, quando alguém turba minha posse e, no curso da ação de manutenção de posse, há esbulho, deferindo-se, ao fim, a reintegração de posse, a despeito do pedido de manutenção. A sentença possessória é mandamental, pois visa que o juiz ou a autoridade mande que se pratiquem ou deixem de ser praticar certos atos, com cominação de pena (inclusive, nesse caso se caracteriza o crime de desobediência, previsto no art. 330 do CP: Art. 330 - Desobedecer a ordem legal de funcionário público: Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa. Vejamos, agora, as ações possessórias em sentido estrito, cujo núcleo é possessório, e as ações petitórias, que, a despeito de terem conteúdo possessório, não o são, em essência. 1. Possessórias A. Manutenção de posse Serve ao possuidor no caso de turbação. Mas, o que é turbação? É o ato que embaraça o livre exercício da posse. Veja com cuidado; é o ato que embaraça, dificulta, atrapalha, a posse. Se houver perda, é esbulho. • Art. 556 do CPC IV) Fungibilidade das ações • Art. 330 do CP V) Conteúdo mandamental http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 32 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Os atos de turbação podem ser negativos, como impedir que eu plante na minha terra ou entre na minha casa, ou positivos, como cortar as árvores da minha propriedade ou edificar um muro. Os pressupostos para a manutenção não precisam estar presentes em sua totalidade ou bem definidos, pois nestes casos há fungibilidade das ações. O pedido de manutenção pode ainda cumular um pedido de remoção de construção ou plantação, sede má-fé. Estando a petição inicial devidamente instruída, o juiz deferirá, sem ouvir o réu, a expedição do mandado liminar de manutenção ou de reintegração; caso contrário, determinará que o autor justifique previamente o alegado, citando-se o réu para comparecer à audiência que for designada. No entanto, contra as pessoas jurídicas de direito público não será deferida a manutenção ou a reintegração liminar sem prévia audiência dos respectivos representantes judiciais. Julgada procedente, o juiz fará logo expedir mandado de manutenção ou de reintegração (art. 563 do CPC/2015). Com ou sem liminar, o autor deve promover, nos 5 dias subsequentes, a citação do réu para contestar a ação, na dicção do art. 564, também do CPC. B. Reintegração de posse Cabível nos casos de esbulho (perda), para o fim de recuperar a coisa privada por violência, clandestinidade ou precariedade, seja diretamente contra quem praticou o esbulho ou terceiro que a recebeu, sabendo que era esbulhada. A ação de reintegração de ano e dia se chama ação de força nova espoliativa, ou de posse nova, a proposta depois desse prazo, ação de posse velha ou força velha. A doutrina e a jurisprudência entendem haver esbulho com a perda da posse, independentemente de se configurar algum dos vícios objetivos (violência, clandestinidade e precariedade), especificamente. Assim, mesmo sendo a posse mansa, pacífica e pública, há esbulho suficiente ao cabimento da ação de reintegração de posse e à aplicação do art. 161, inc. II do Código Penal. C. Interdito proibitório Ação de caráter preventivo (turbação ou esbulho), prevista no art. 567 do CPC. Exige o justo receio da turbação ou do esbulho, mas não animus turbandi do eventual transgressor. Nesses casos, segundo esse artigo, há a previsão de cominação pecuniária se o receio se tornar realidade, ou seja, o juiz estabelece uma multa para o caso de o transgressor potencial efetivamente transgrida. Isso é muito comum, curiosamente, não no Direito Civil, mas no Direito do Trabalho, nas situações em que, em face de uma greve, o Sindicato Patronal intenta um interdito contra o http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 33 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Sindicato dos Trabalhadores, para evitar que eles impeçam o ingresso de “fura- greves” na empresa. Ainda em relação à fungibilidade, se intentada uma manutenção ou reintegração e o juiz entender que há mero receio, sem turbação ou esbulho, ele não julga improcedente o pedido do autor, mas impõe o interdito contra o réu. Segue as normas da manutenção e reintegração de posse, segundo o art. 568 do CPC. 2. Petitórias A. Imissão de posse A doutrina se divide quanto ao seu caráter possessório, eis que quando o possuidor não pode exercer a posse porque terceiro nega-se a efetivar a tradição cabe, em verdade, ação de reintegração de posse. Porém, se aceita a imissão de posse na execução, sob a forma de mandado para a entrega de coisa imóvel, segundo o art. 538 do CPC. A imissão é uma medida semelhante à busca e apreensão, só que de bens imóveis. B. Exceção de domínio Em verdade, trata-se de um instituto mais ligado à defesa da propriedade, pois se presta a discutir o domínio e não a posse. Ela encerra um conteúdo petitório, e não possessório, pelo que se tornou um instituto incongruente com o sistema de defesa da posse e de discussão de propriedade. A despeito de o art. 1.210, §2º do CC/2002 ter deixado claro que não obsta à manutenção ou reintegração de posse a alegação de propriedade, persiste ainda a exceção de domínio. De aplicação restrita, defere-se a posse da coisa a quem alega o domínio apenas nos casos em que ela é o fundamento da controvérsia. Autor e réu disputam a posse da coisa com base em títulos contraditórios e excludentes, por exemplo. Ação de manutenção na posse Ação de reintegração na posse Interdito proibitório http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 34 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Nesses casos, a jurisprudência permite que a discussão dominial se sobreponha à discussão possessória. Por isso, de acordo com a jurisprudência do STJ e do STF, permite-se que a lide possessória seja resolvida com base no domínio quando com base nele a posse for disputada ou quando duvidosas ambas as posses. Porém, em consonância com o Enunciado 78 da I Jornada de Direito Civil, em ambos os casos a ação deveria ser julgada improcedente, descartando-se a alegação de domínio. C. Nunciação de obra nova Visa proteger a posse apenas a latere, havendo outras possibilidades. No CPC/1973 essa ação estava prevista no art. 934, nas seguintes hipóteses: I - ao proprietário ou possuidor, a fim de impedir que a edificação de obra nova em imóvel vizinho lhe prejudique o prédio, suas servidões ou fins a que é destinado; II - ao condômino, para impedir que o coproprietário execute alguma obra com prejuízo ou alteração da coisa comum; III - ao Município, a fim de impedir que o particular construa em contravenção da lei, do regulamento ou de postura. O CPC/2015 extinguiu o procedimento especial da Ação de Nunciação de Obra Nova, mas ela não deixou de existir, apenas passou a seguir o procedimento de conhecimento. Assim, a rigor, é de se definir as hipóteses de cabimento da nunciação a partir da doutrina e da jurisprudência. Trata-se, em verdade, de ação cominatória. Seu objetivo é denunciar que determinada obra, em curso, viola a posse de outrem, de modo a embargar a construção que invade a área do outro. Se a obra já estiver pronta, cabe ação demolitória, segundo o art. 1.280 do CC/2002. D. Dano infecto Igual à ação de nunciação de obra nova e à ação demolitória, tendo natureza cominatória, não possessória. Ela é cabível quando o possuidor tem justo receio de sofrer dano oriundo de edifício ou obra vizinha em risco de ruína, consoante regra do art. 1.277 do CC/2002. E. Embargos de terceiro senhor e possuidor Outro caso em que a defesa da propriedade é mais elementar, sendo utilizada, não raro, pelo proprietário, contra dois sujeitos que disputam a posse. Cabível quando alguém sofre turbação ou esbulho em sua posse por meio de constrição ou ameaça (apreensão judicial por penhora, http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 35 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa arresto, depósito, sequestro ou venda em hasta pública), não sendo parte na lide: Art. 674. Quem, não sendo parte no processo, sofrer constrição ou ameaça de constrição sobre bens que possua ou sobre os quais tenha direito incompatível com o ato constritivo, poderá requerer seu desfazimento ou sua inibição por meio de embargos de terceiro. Julgando suficientemente provada a posse, o juiz deferirá liminarmente os embargos e ordenará a expedição de mandado de manutenção ou de restituição em favor do embargante (art. 678 do CPC). O juiz pode condicionar a ordem de manutenção ou de reintegração provisória de posse à prestação de caução pelo requerente (parágrafo único). 8.4. Usucapião Vejamos, diretamente, as espécies de usucapião, eis que esse é o assunto mais relevante para as provas, que pouco ou nunca se aprofundam nos aspectos mais teóricos sobre o tema 1. Bens Imóveis 1.1. Ordinária Exige-se 10 anos de posse, considerada de boa-fé, com o chamado "justo título", sendo tratada no art. 1.242, caput do CC/2002. Por ser comum, exige-se menos tempo, mas com boa-fé (em sentido subjetivo, de aspecto intencional) e justo título. Num primeiro momento, a jurisprudência entendia por justo título apenasos documentos que sejam efetivamente hábeis para constituir a propriedade, mas a limitação era gigantesca. Progressivamente, a jurisprudência foi, de modo paulatino, entendendo que todo e qualquer documento que possa justificar a situação de fato pode ser considerada justo título, como o contrato de Ação de imissão na posse Exceção de domínio Nunciação de obra nova Ação de dano infecto Embargos de terceiro senhor e possuidor http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 36 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa compra e venda sem forma pública e mesmo recibos de pagamento de transferência. Dentro dessa modalidade, há uma modalidade especial, também chamada de tabular, qual seja a do possuidor que tem um título proveniente de uma aquisição onerosa, que foi cancelada posteriormente no registro de imóveis, conforme art. 1.242, parágrafo único. Nessa situação adquire-se a propriedade em metade do tempo (5 anos), com justo título e boa-fé, desde que o possuidor tenha estabelecido moradia ou realizado investimentos de interesse social ou econômico. 1.2. Extraordinária Chamada assim por ser independente de boa-fé e justo título, sendo tratada no art. 1.238. Justamente por ser independente desses requisitos, o tempo de posse é maior (15 anos). Se o possuidor houver estabelecido sua moradia na área ou realizado obras ou serviços de caráter produtivo, o tempo cai para 10 anos (art. 1.238, parágrafo único). USUCAPIÃO ORDINÁRIA EXTRAORDINÁRIA URBANA ou RURAL Requisitos Comuns Comuns Justo Título - Boa-fé - Prazos 10 anos 15 anos DIFERENCIAL TABULAR ESPECIAL Requisitos Cancelamento do registro - Moradia ou investimentos de Moradia ou investimentos de http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 37 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa interesse social ou econômico interesse social ou econômico Prazos 5 anos 10 anos 2014 – FCC – DPE/RS – Defensor Público Estadual José da Silva tomou conhecimento da existência de uma rudimentar casa urbana de veraneio, construída sobre um terreno de 300 m2, que estava desocupada e, com sua esposa e dois filhos, esbulhou o imóvel em 5 de abril de 1998. Desde então, estabeleceu no imóvel sua moradia habitual, mantendo posse com ânimo de dono, de forma pública, contínua, mansa e pacífica. Em 10 de junho de 2010, por contrato particular de compra e venda, José alienou o imóvel a Pedro de Souza, pelo valor de R$ 14.000,00, tendo o comprador passado a utilizar o imóvel também para sua moradia, mantendo as mesmas características da posse exercida pelo vendedor. Em 10 de junho de 2014, Pedro recebeu citação em ação reivindicatória ajuizada pelo espólio do proprietário registral do imóvel, procurando a Defensoria Pública para a defesa de seus direitos. Nesse caso, Pedro (A) poderá, em sua defesa, alegar a ocorrência da prescrição aquisitiva, na modalidade extraordinária, hábil a ensejar a improcedência da ação reivindicatória contra si manejada. (B) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva, uma vez que a simples citação na ação ajuizada pelo espólio do proprietário registral interrompe a posse ad usucapionem. (C) não poderá, em sua defesa, alegar a ocorrência da prescrição aquisitiva, podendo, entretanto, ajuizar ação autônoma de usucapião extraordinária. (D) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva, em qualquer de suas modalidades, pois não atingido prazo suficiente para tanto. (E) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva na modalidade extraordinária, pois, em que pese tenha implementado o requisito temporal, a posse se originou em esbulho do vendedor. Comentários A alternativa A está correta, eis que Pedro pode unir seu tempo de posse com o do possuidor anterior, o que soma mais de 16 anos, sendo que a modalidade extraordinária permite aquisição mesmo que sem justo título ou boa-fé. A alternativa B está incorreta, já que, ainda que interrompesse o prazo aquisitivo, já estariam configurados 16 anos de posse mansa e pacífica, como http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 38 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa dito na alternativa anterior. Ademais, como estabelece a jurisprudência, a usucapião pode servir de matéria de defesa em sede de ação real movida pelo proprietário registral. A alternativa C está incorreta, pois Pedro pode manejar ação autônoma, mas também pode usar a usucapião como matéria de defesa, como mencionei na alternativa anterior. A alternativa D está incorreta, porque, como eu disse, já ultrapassado tempo suficiente para aquisição extraordinária. A alternativa E está incorreta, dado que, como dito antes, a boa-fé sequer é requisito para essa forma de aquisição e, ainda que fosse, o exercício não menciona expressamente o conhecimento dele sobre a situação. 1.3. Especial A. Constitucional Tem requisitos diferentes, a depender de ser o imóvel urbano ou rural: B. Coletiva Tratada no art. 10 do Estatuto da Cidade, estabelecendo-se necessariamente sobre bens imóveis urbanos. Para haver a usucapião, o núcleo urbano informal deve estar em área inferior a 250 m² per capita (área total dividida pelo número de possuidores, individualmente) ocupada por 5 anos ininterruptos e sem oposição. Não se exige, depois da Lei 13.465/2017, • Art. 183 da CF/1988 e art. 1.240 do CC/2002 • Chamada de usucapião especial • Se for possuidor de área urbana de até 250 m², por 5 anos ininterruptos, sem oposição, utilizando-se para moradia sua ou de família, adquire o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel e não tenha usucapido desta forma anteriormente • O Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001) trouxe mais uma peculiaridade no §3º: permite-se ao herdeiro continuar a posse do antecessor, desde que já resida no imóvel na sucessão, em exceção à regra geral de que o sucessor pode continuar a posse do antecessor, independentemente de onde residia antes A. Imóveis urbanos • Art. 191 da CF/1988 e art. 1.239 do CC/2002 • Deve haver posse por 5 anos ininterruptos, sem oposição, de área de terra (em perímetro rural) de até 50 hectares, tornando-a produtiva e tendo nela sua moradia, desde que não seja proprietário de outro imóvel B. Imóveis rurais (pro labore) http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 39 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa que as áreas usucapidas sejam utilizadas para moradia ou que os possuidores sejam considerados pessoas de baixa renda; o mote do novo dispositivo é mais a regularização fundiária e menos o caráter “social”. Essa área será usucapida coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural (se um deles é proprietário, não se contaminam os demais). A ação pode ser proposta pelo possuidor, isoladamente, por litisconsórcio dos possuidores ou por Associação de Moradores regularmente constituída (registrada), que funcionaria como substituto processual extraordinário, segundo o art. 12, incisos, do Estatuto. A sentença de procedência da usucapião coletiva constitui um condomínio entre os possuidores, sendo que a sentença deve atribuir igual fração ideal de terreno para cada um dos possuidores (igual,em princípio). Esse é o caso de um condomínio especial, pois dotado de indivisibilidade, sendo somente divisível se por decisão favorável de dois terços dos condôminos, desde que na hipótese de uma urbanização posterior à constituição do condomínio. C. Familiar Prevista no art. 1.240-A do CC/2002, vale somente para imóveis urbanos de até 250m², utilizado como única moradia, sem oposição, no caso de ex-cônjuge que abandona o lar conjugal por mais de 2 anos, pelo que o outro cônjuge adquire o domínio integral. Por se tratar de espécie de objetivo mais socializante, tal qual ocorre em outras espécies de usucapião de prazos mais reduzidos, o §1º estabelece que essa modalidade de usucapião não pode ser reconhecida ao mesmo possuidor mais de uma vez. O fundamento desse artigo é a proteção da mulher abandonada pelo cônjuge/companheiro com filhos, sobretudo nos casos de violência doméstica e formação familiar subsequente pelo que abandona o lar. Nesses casos, há falta de recursos para adquirir duas moradias com a divisão patrimonial e dificuldade para alienar posteriormente pela ausência de outorga uxória. 2015 – UFPR – PGM/Curitiba (PR) – Procurador Municipal Sobre usucapião, considere as seguintes situações: 1. A Associação de Moradores da Comunidade Pinhal, regularmente constituída, tem legitimidade, como substituto processual, para ajuizar ação http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 40 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa de usucapião especial coletiva urbana em favor dos associados que expressamente a autorizaram a regularizar a situação do imóvel de 900 m2 que habitam com suas famílias há 6 anos, ininterruptamente e sem oposição. Pinhal é uma comunidade de famílias de baixa renda e não foi possível identificar de forma individual os terrenos ocupados por cada grupo. A sentença que acolher o pedido declarará o direito dos compossuidores à usucapião e atribuirá a cada um deles fração ideal do terreno sem levar em conta a dimensão que cada qual ocupa na área. 2. Na usucapião especial urbana ou constitucional não é admissível a acessio possessionis, ou seja, a acessão ou junção da posse, pois não há transmissão da posse por ato intervivos, já que se exige que a posse seja pessoal. De outro lado, poderá utilizar-se o prazo do ex-possuidor, no caso de sucessio possessionis, quando o sucessor, ao tempo do óbito, já residia no imóvel, porque não haverá quebra do período possessório de cinco anos. 3. Marialva recebeu por herança uma pequena chácara em Adrianópolis, mas pretende vendê-la para comprar um carro, porque já está acostumada a morar em Curitiba. Antes, porém, quer resolver a situação do apartamento de 200 m2 no Bairro Alto, onde vive com seus dois filhos gêmeos de 5 anos. O imóvel foi comprado quando ela ainda coabitava com o pai dos meninos, que deixou o convívio familiar há 2 anos. Ele não colabora com as despesas do lar, nem visita os gêmeos regularmente, mas não se opõe a que Marialva habite o apartamento. Marialva reúne as condições para aquisição da integralidade desse imóvel através de usucapião familiar. Assinale a alternativa correta. a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira. b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. c) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. e) As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras. Comentários O item I está correto, na forma do art. 12, inc. III do Estatuto: “São partes legítimas para a propositura da ação de usucapião especial urbana, como substituto processual, a associação de moradores da comunidade, regularmente constituída, com personalidade jurídica, desde que explicitamente autorizada pelos representados”. Boa parte desse item ainda se baseia na redação original do art. 10, mas isso não invalida, de per si, o item. Vide, novamente, a redação original (“As áreas urbanas com mais de duzentos e cinquenta metros quadrados, ocupadas por população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os terrenos ocupados por cada possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural”) e a atual (“Os núcleos urbanos informais existentes sem oposição há mais de cinco anos e http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 41 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa cuja área total dividida pelo número de possuidores seja inferior a duzentos e cinquenta metros quadrados por possuidor são suscetíveis de serem usucapidos coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural”). O item II está correto, conforme o art. 1.240 (“Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”), que exige posse ininterrupta. Ademais, vide o art. 9º, §3º do Estatuto: “Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo continua, de pleno direito, a posse de seu antecessor, desde que já resida no imóvel por ocasião da abertura da sucessão”. O item III está incorreto, de acordo com o art. 1.240-A, §1º: “O direito previsto no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez”. A alternativa B está correta, portanto. USUCAPIÃO ESPECIAL CONSTITUCIONAL COLETIVA FAMILIAR URBANA Requisitos Comuns Comuns Comuns Inferior a 250m2 Inferior a 250m2 individualmente Inferior a 250m2 Moradia - Moradia Único Imóvel Único Imóvel Único Imóvel Única vez - Única vez - Núcleo urbano informal - Prazos 5 anos 5 anos 2 anos RURAL Requisitos Comuns - - Inferior a 50 ha http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 42 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Moradia Produtividade Único imóvel Prazos 5 anos - - D. Indígena Espécie peculiar, a usucapião indígena é um tanto desconhecida. Segundo o art. 33 da Lei 6.001/1973, o Estatuto do Índio, o indígena, integrado ou não, que ocupe como próprio, por 10 anos, trecho de terra inferior a 50ha, adquire a propriedade plena. Obviamente que essa regra não se aplica às terras do domínio da União, ocupadas por grupos tribais, às áreas reservadas dispostas no Estatuto, nem às terras de propriedade coletiva de grupo tribal. Do contrário, teríamos a situação bizarra de um indígena tentando usucapir as terras da tribo. Mas, e quem são os indígenas, na acepção do Estatuto? Segundo o art. 3º, inc. I, é indígena todo indivíduo de origem e ascendência pré-colombiana que se identifica e é identificado como pertencente a um grupo étnico cujas características culturais o distinguem da sociedade nacional. Já a comunidade indígena ou grupo tribal é o conjunto de famílias ou comunidades índias, quer vivendo em estado de completo isolamento em relação aos outros setores da comunhão nacional, quer em contatos intermitentes ou permanentes, sem, contudo, estarem neles integrados. Por fim, o Estatuto ainda “classifica os indígenas, de acordo com o art. 4º, em: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 43 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 1.4. Extrajudicial Prevista no art. 216-A da Lei 6.015/1973 (Lei de Registro Públicos – LRP), pela inserçãode regra nova pelo CPC/2015, e modificada pela Lei 13.465/2017, não é propriamente uma modalidade de usucapião, mas uma forma de se fazer usucapião sem necessidade de intervenção judicial. Assim, prevê o mencionado dispositivo, é admitido o pedido de reconhecimento extrajudicial de usucapião, que será processado diretamente perante o cartório do registro de imóveis da comarca em que estiver situado o imóvel usucapiendo. O interessado, representado por advogado, deve instruir o pedido administrativo com: I - ata notarial lavrada pelo tabelião, atestando o tempo de posse do requerente e seus antecessores, conforme o caso e suas circunstâncias, aplicando-se o disposto no art. 384 do CPC; II - planta e memorial descritivo assinado por profissional legalmente habilitado, com prova de anotação de responsabilidade técnica no respectivo conselho de fiscalização profissional, e pelos titulares de direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo ou na matrícula dos imóveis confinantes; III - certidões negativas dos distribuidores da comarca da situação do imóvel e do domicílio do requerente; IV - justo título ou quaisquer outros documentos que demonstrem a origem, a continuidade, a natureza e o tempo da posse, tais como o pagamento dos impostos e das taxas que incidirem sobre o imóvel. • Quando vivem em grupos desconhecidos ou de que se possuem poucos e vagos informes através de contatos eventuais com elementos da comunhão nacional Isolados • Quando, em contato intermitente ou permanente com grupos estranhos, conservam menor ou maior parte das condições de sua vida nativa, mas aceitam algumas práticas e modos de existência comuns aos demais setores da comunhão nacional, da qual vão necessitando cada vez mais para o próprio sustento Em vias de integração • Quando incorporados à comunhão nacional e reconhecidos no pleno exercício dos direitos civis, ainda que conservem usos, costumes e tradições característicos da sua cultura Integrados http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 44 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Segundo os §§ do referido art. 216-A da LRP, o notário fará a prenotação do pedido de usucapião, que se estende até o acolhimento ou a rejeição do pedido. Nesse pedido, a planta do imóvel deve estar assinada por todos os titulares de direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e na matrícula dos imóveis confinantes. Se ausente alguma dessas assinaturas, serão as pessoas notificadas pelo registrador, pessoalmente ou pelo correio, para manifestar seu consentimento expresso em 15 dias, interpretado o seu silêncio como concordância. Cuidado! O §2º estabelecia, na redação dada pelo CPC/2015, que o silêncio se interpretaria como DISCORDÂNCIA; com a redação dada pela Lei 13.465/2017, o silêncio passou a ser interpretado como CONCORDÂNCIA. Ou seja, é exatamente o contrário do que ocorre no testamento e no divórcio extrajudiciais, nos quais não pode haver oposição de qualquer dos interessados. No caso da usucapião, a necessidade de assentimento (ou silêncio interpretado como tal) inclui os confinantes e os detentores de quaisquer direitos reais que possam ser afetados pela usucapião. Caso não seja encontrado o notificando ou caso ele esteja em lugar incerto ou não sabido, tal fato será certificado pelo registrador, que deverá promover a sua notificação por edital mediante publicação, por duas vezes, em jornal local de grande circulação, pelo prazo de 15 dias cada um, interpretado o silêncio do notificando como concordância. O órgão jurisdicional correcional pode, a partir de Regulamento substituir a publicação jornalística pela publicação do edital em meio eletrônico. Na sequência, conforme previsão do §3º, o oficial deve dar ciência à União, ao Estado, ao Distrito Federal e ao Município, pessoalmente, por intermédio do oficial de registro de títulos e documentos, ou pelo correio (com AR), para que se manifestem, em 15 dias, sobre o pedido. Igualmente, deve ele promover a publicação de Edital em jornal de grande circulação, onde houver, para a ciência de terceiros eventualmente interessados, que poderão se manifestar em 15 dias. Se houver alguma dúvida, prevê o §5º que podem ser solicitadas ou realizadas diligências pelo Oficial. Igualmente, em qualquer caso, pode o interessado suscitar o procedimento de dúvida, nos termos já vistos. Transcorrido o prazo do Edital, sem pendência de diligências e achando-se em ordem a documentação, o Oficial registra a aquisição do imóvel com as descrições apresentadas. Se for o caso, permite-se a abertura de matrícula nova. Ao contrário, ao final das diligências, se a documentação não estiver em ordem, o oficial de registro de imóveis rejeitará o pedido, na forma do §8º. Por se tratar de procedimento extrajudicial, a rejeição do pedido não impede o ajuizamento de ação de usucapião. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 45 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Por fim, em caso de impugnação do pedido de reconhecimento extrajudicial de usucapião apresentada por qualquer um (titulares de direito reais, titulares de outros direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e na matrícula dos imóveis confinantes, entes públicos ou algum terceiro interessado), o Oficial deve remeter os autos ao juízo competente da comarca da situação do imóvel. Nesse caso, cabe ao requerente emendar a petição inicial para adequá-la ao procedimento comum, dado que a pretensão extrajudicial inserida no pedido é bastante singela do ponto de visto técnico-jurídico, exigindo-se, para seu processamento em juízo, alterações significativas. Atente para a exceção trazida pelo § 11. No caso de o imóvel usucapiendo ser unidade autônoma de condomínio edilício, fica dispensado consentimento dos titulares de direitos reais e outros direitos registrados ou averbados na matrícula dos imóveis confinantes e bastará a notificação do síndico para se manifestar. Igualmente, se o imóvel confinante contiver um condomínio edilício, bastará a notificação do síndico, dispensada a notificação de todos os condôminos. USUCAPIÃO ORDINÁRIA EXTRAOR- DINÁRIA ESPECIAL COLETIVA FAMILIAR URBANA Requisitos Comuns Comuns Comuns Comuns Comuns Justo título - - - - Boa-fé - - - - Inferior a 250 m² Inferior a 250 m², individualmente Inferior a 250 m² Moradia - Moradia Único imóvel Único imóvel Único Imóvel Única vez - Única vez - Núcleo urbano informal Ex- cônjuge/abandono Prazos 10 anos 15 anos 5 anos 5 anos 2 anos RURAL Requisitos Iguais Iguais Comuns Inferior a 50 ha Produtividade/ moradia Único imóvel Prazos 10 anos 15 anos 5 anos TABULAR ESPECIAL *** INDÍGENA *** DIFEREN- CIAIS Requisitos Cancelamento do registro Moradia/ produtividade Uso próprio - - Inferior a 50 ha Prazos 5 anos 10 anos 10 anos http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 46 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Veja-se que a propriedade se constitui com a posse somada ao tempo, ou seja, a sentença de usucapião é meramente declaratória, e não constitutiva, pela clara dicção do art. 1.241. Essa compreensão, inclusive, se coaduna com a sistemática do ordenamento civil. Isso porque o suporte fático para a aquisição da propriedade, nesses casos, é a posse somada ao tempo, independentemente do registro, já que a usucapião é modo originário de aquisição da propriedade. Como modo originário, não pode ela depender de um título, ou de derivação de propriedade. Como açãode eficácia declaratória, a usucapião é, portanto, imprescritível, pelo que pode a pessoa, ou mesmo descendente seu, requerer seu reconhecimento a qualquer tempo. Curiosamente, como se volta a um direito real (o direito de propriedade), a passagem do tempo, ao invés de enfraquecer o pleito, o fortalece, inversamente às ações pessoais, como o reconhecimento de paternidade, por exemplo. Declarada a usucapião, a decisão constitui título hábil para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. Lembre-se que pelo princípio registral da legalidade, só pode o Oficial registrar os títulos expressamente permitidos em Lei. Atente para o art. 1.243, pois, segundo ele, o possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos arts. 1.238 a 1.242, acrescentar à sua posse a dos seus antecessores, contanto que todas sejam contínuas e pacíficas. Ou seja, não se exige que as posses sejam de boa-fé. Como o art. 1.208 estabelece que não induz posse os atos violentos ou clandestinos e o art. 1.243 não trata da precariedade, pode-se inferir que a posse injusta, derivada da precariedade, pode ser usada para contar o tempo de usucapião, ainda que a lei expressamente não o diga. Por fim, de acordo com previsão do art. 1.244, estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião. A exceção fica, obviamente, por conta da usucapião familiar, cuja suspensão da prescrição prevista no art. 197, inc. I (“Não corre a prescriçãoe entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal”) não é aplicável, sob pena de virtual inutilidade do instituto. Deve-se, numa interpretação sistemática, compreender a regra do art. 1.240-A como exceção ao art. 1.244, eis que aquele é norma especial em relação a este. 2. Bens Móveis É de rara aparição das provas a usucapião de bem móvel, eis que, na prática, de baixa utilidade e, para o examinador, não tão interessante porque não apresenta muitas possibilidade de te confundir e fazer pegadinhas desnecessárias. De antemão, deixou claro o legislador, no art. 1.262, que se aplica à usucapião das coisas móveis o disposto nos arts. 1.243 e 1.244. Reveja os dois dispositivos: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 47 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes, acrescentar à sua posse a dos seus antecessores (art. 1.207), contanto que todas sejam contínuas, pacíficas e, nos casos do art. 1.242, com justo título e de boa-fé. Art. 1.244. Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião. De qualquer forma, vejamos as duas singelas hipóteses traçadas pelo CC/2002. 2.1. Ordinária Prevê o art. 1.260 que aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente durante 3 anos, com justo título e boa-fé, adquire a propriedade. 2.2. Extraordinária Por outro lado, mesmo que ausente o justo título e a boa-fé, pode a coisa móvel ser usucapida, desde que se possua a coisa por 5 anos, segundo estabelece o art. 1.261. USUCAPIÃO ORDINÁRIA EXTRAORDINÁRIA MÓVEL Requisitos Comuns Comuns Justo Título - Boa-fé - Prazos 3 anos 5 anos Legislação pertinente No que tange aos elementos da aula de hoje, creio que seja interessante repassar as disposições do CPC/2015. Vejamos primeiro as disposições gerais sobre as ações possessórias: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 48 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Art. 554. A propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àqueles cujos pressupostos estejam provados. § 1o No caso de ação possessória em que figure no polo passivo grande número de pessoas, serão feitas a citação pessoal dos ocupantes que forem encontrados no local e a citação por edital dos demais, determinando-se, ainda, a intimação do Ministério Público e, se envolver pessoas em situação de hipossuficiência econômica, da Defensoria Pública. § 2o Para fim da citação pessoal prevista no § 1o, o oficial de justiça procurará os ocupantes no local por uma vez, citando-se por edital os que não forem encontrados. § 3o O juiz deverá determinar que se dê ampla publicidade da existência da ação prevista no § 1o e dos respectivos prazos processuais, podendo, para tanto, valer-se de anúncios em jornal ou rádio locais, da publicação de cartazes na região do conflito e de outros meios. Art. 555. É lícito ao autor cumular ao pedido possessório o de: I - condenação em perdas e danos; II - indenização dos frutos. Parágrafo único. Pode o autor requerer, ainda, imposição de medida necessária e adequada para: I - evitar nova turbação ou esbulho; II - cumprir-se a tutela provisória ou final. Art. 556. É lícito ao réu, na contestação, alegando que foi o ofendido em sua posse, demandar a proteção possessória e a indenização pelos prejuízos resultantes da turbação ou do esbulho cometido pelo autor. Art. 557. Na pendência de ação possessória é vedado, tanto ao autor quanto ao réu, propor ação de reconhecimento do domínio, exceto se a pretensão for deduzida em face de terceira pessoa. Parágrafo único. Não obsta à manutenção ou à reintegração de posse a alegação de propriedade ou de outro direito sobre a coisa. Art. 558. Regem o procedimento de manutenção e de reintegração de posse as normas da Seção II deste Capítulo quando a ação for proposta dentro de ano e dia da turbação ou do esbulho afirmado na petição inicial. Parágrafo único. Passado o prazo referido no caput, será comum o procedimento, não perdendo, contudo, o caráter possessório. Art. 559. Se o réu provar, em qualquer tempo, que o autor provisoriamente mantido ou reintegrado na posse carece de idoneidade financeira para, no caso de sucumbência, responder por perdas e danos, o juiz designar-lhe-á o prazo de 5 (cinco) dias para requerer caução, real ou fidejussória, sob pena de ser depositada a coisa litigiosa, ressalvada a impossibilidade da parte economicamente hipossuficiente. O art. 558 faz menção expressa à Seção II do CPC, que trata dos procedimentos especiais de manutenção e reintegração de posse. Vejamos as regras dessas duas ações, quando tiverem o procedimento especial de ano e dia: Art. 560. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado em caso de esbulho. Art. 561. Incumbe ao autor provar: I - a sua posse; http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 49 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa II - a turbação ou o esbulho praticado pelo réu; III - a data da turbação ou do esbulho; IV - a continuação da posse, embora turbada, na ação de manutenção, ou a perda da posse, na ação de reintegração. Art. 562. Estando a petição inicial devidamente instruída, o juiz deferirá, sem ouvir o réu, a expedição do mandado liminar de manutenção ou de reintegração, caso contrário, determinará que o autor justifique previamente o alegado, citando-se o réu para comparecer à audiência que for designada. Parágrafo único. Contra as pessoas jurídicas de direito público não será deferida a manutenção ou a reintegração liminar sem prévia audiência dos respectivos representantes judiciais. Art. 563. Considerada suficiente a justificação, o juiz fará logo expedir mandado de manutenção ou de reintegração. Art. 564. Concedidoou não o mandado liminar de manutenção ou de reintegração, o autor promoverá, nos 5 (cinco) dias subsequentes, a citação do réu para, querendo, contestar a ação no prazo de 15 (quinze) dias. Parágrafo único. Quando for ordenada a justificação prévia, o prazo para contestar será contado da intimação da decisão que deferir ou não a medida liminar. Art. 565. No litígio coletivo pela posse de imóvel, quando o esbulho ou a turbação afirmado na petição inicial houver ocorrido há mais de ano e dia, o juiz, antes de apreciar o pedido de concessão da medida liminar, deverá designar audiência de mediação, a realizar-se em até 30 (trinta) dias, que observará o disposto nos §§ 2o e 4o. § 1o Concedida a liminar, se essa não for executada no prazo de 1 (um) ano, a contar da data de distribuição, caberá ao juiz designar audiência de mediação, nos termos dos §§ 2o a 4o deste artigo. § 2o O Ministério Público será intimado para comparecer à audiência, e a Defensoria Pública será intimada sempre que houver parte beneficiária de gratuidade da justiça. § 3o O juiz poderá comparecer à área objeto do litígio quando sua presença se fizer necessária à efetivação da tutela jurisdicional. § 4o Os órgãos responsáveis pela política agrária e pela política urbana da União, de Estado ou do Distrito Federal e de Município onde se situe a área objeto do litígio poderão ser intimados para a audiência, a fim de se manifestarem sobre seu interesse no processo e sobre a existência de possibilidade de solução para o conflito possessório. § 5o Aplica-se o disposto neste artigo ao litígio sobre propriedade de imóvel. Art. 566. Aplica-se, quanto ao mais, o procedimento comum. Por fim, o CPC ainda traz as regras sobre o interdito proibitório: Art. 567. O possuidor direto ou indireto que tenha justo receio de ser molestado na posse poderá requerer ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente, mediante mandado proibitório em que se comine ao réu determinada pena pecuniária caso transgrida o preceito. Art. 568. Aplica-se ao interdito proibitório o disposto na Seção II deste Capítulo. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 50 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Vide o art. 216-A da LRP sobre a usucapião extrajudicial trazida pelo CPC/2015: Art. 216-A. Sem prejuízo da via jurisdicional, é admitido o pedido de reconhecimento extrajudicial de usucapião, que será processado diretamente perante o cartório do registro de imóveis da comarca em que estiver situado o imóvel usucapiendo, a requerimento do interessado, representado por advogado, instruído com: I - ata notarial lavrada pelo tabelião, atestando o tempo de posse do requerente e seus antecessores, conforme o caso e suas circunstâncias; II - planta e memorial descritivo assinado por profissional legalmente habilitado, com prova de anotação de responsabilidade técnica no respectivo conselho de fiscalização profissional, e pelos titulares de direitos reais e de outros direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e na matrícula dos imóveis confinantes; III - certidões negativas dos distribuidores da comarca da situação do imóvel e do domicílio do requerente; IV - justo título ou quaisquer outros documentos que demonstrem a origem, a continuidade, a natureza e o tempo da posse, tais como o pagamento dos impostos e das taxas que incidirem sobre o imóvel. § 1o O pedido será autuado pelo registrador, prorrogando-se o prazo da prenotação até o acolhimento ou a rejeição do pedido. § 2o Se a planta não contiver a assinatura de qualquer um dos titulares de direitos reais e de outros direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e na matrícula dos imóveis confinantes, esse será notificado pelo registrador competente, pessoalmente ou pelo correio com aviso de recebimento, para manifestar seu consentimento expresso em 15 (quinze) dias, interpretado o seu silêncio como discordância. § 3o O oficial de registro de imóveis dará ciência à União, ao Estado, ao Distrito Federal e ao Município, pessoalmente, por intermédio do oficial de registro de títulos e documentos, ou pelo correio com aviso de recebimento, para que se manifestem, em 15 (quinze) dias, sobre o pedido. § 4o O oficial de registro de imóveis promoverá a publicação de edital em jornal de grande circulação, onde houver, para a ciência de terceiros eventualmente interessados, que poderão se manifestar em 15 (quinze) dias. § 5o Para a elucidação de qualquer ponto de dúvida, poderão ser solicitadas ou realizadas diligências pelo oficial de registro de imóveis. § 6o Transcorrido o prazo de que trata o § 4o deste artigo, sem pendência de diligências na forma do § 5o deste artigo e achando-se em ordem a documentação, com inclusão da concordância expressa dos titulares de direitos reais e de outros direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e na matrícula dos imóveis confinantes, o oficial de registro de imóveis registrará a aquisição do imóvel com as descrições apresentadas, sendo permitida a abertura de matrícula, se for o caso. § 7o Em qualquer caso, é lícito ao interessado suscitar o procedimento de dúvida, nos termos desta Lei. § 8o Ao final das diligências, se a documentação não estiver em ordem, o oficial de registro de imóveis rejeitará o pedido. § 9o A rejeição do pedido extrajudicial não impede o ajuizamento de ação de usucapião. § 10. Em caso de impugnação do pedido de reconhecimento extrajudicial de usucapião, apresentada por qualquer um dos titulares de direito reais e de outros direitos registrados ou averbados na matrícula do imóvel usucapiendo e na matrícula dos imóveis confinantes, http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 51 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa por algum dos entes públicos ou por algum terceiro interessado, o oficial de registro de imóveis remeterá os autos ao juízo competente da comarca da situação do imóvel, cabendo ao requerente emendar a petição inicial para adequá-la ao procedimento comum. Finalizando, reveja, ainda que o CC/2002 o faça de maneira um tanto desorganizada, as situações de aplicação das variadas espécies de usucapião, apenas para fixar a “letra da lei”: Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. Art. 1.239. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. § 1o O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. § 2o O direito previsto no parágrafo antecedente não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. Art. 1.240-A. Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta,com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. § 1o O direito previsto no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. Art. 1.241. Poderá o possuidor requerer ao juiz seja declarada adquirida, mediante usucapião, a propriedade imóvel. Parágrafo único. A declaração obtida na forma deste artigo constituirá título hábil para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. Art. 1.242. Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos. Parágrafo único. Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econômico. Art. 1.243. O possuidor pode, para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes, acrescentar à sua posse a dos seus antecessores (art. 1.207), contanto que todas sejam contínuas, pacíficas e, nos casos do art. 1.242, com justo título e de boa-fé. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 52 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Art. 1.244. Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião. Jurisprudência e Súmulas Correlatas A competência territorial não é afastada nas ações de usucapião pela presença da União: STJ Súmula 11 01/10/1990 A presença da União ou de qualquer de seus entes, na ação de usucapião especial, não afasta a competência do foro da situação do imóvel. O compromisso de compra e venda tem peso bastante alto na realidade brasileira e os tribunais o reconhecem. O compromissário-comprador pode, inclusive, manejar embargos de terceiro senhor e possuidor lastreado no compromisso, ainda que não registrado: STJ Súmula 84 02/07/1993 E admissível a oposição de embargos de terceiro fundados em alegação de posse advinda do compromisso de compra e venda de imóvel, ainda que desprovido do registro. A Súmula 193 é um tanto datada, mas serve para demonstrar que a usucapião tem amplitude bastante grande, incluindo bens móveis bastante peculiares: STJ Súmula 193 06/08/1997 O direito de uso de linha telefônica pode ser adquirido por usucapião. Apesar de as ações possessórias se aplicarem, em tese, a qualquer direito real, incluindo bens imóveis e bens móveis, o STJ fixou o entendimento de que o interdito proibitório não é uma medida adequada de proteção de direito autoral, devendo-se adotar medida de cunho obrigacional (obrigação de não fazer com astreintes pelo descumprimento): STJ Súmula 228 08/10/1999 É inadmissível o interdito proibitório para a proteção do direito autoral. Para evitar que na pendência de processo expropriatório para fins de reforma agrária fosse o bem imóvel invadido, já com a perspectiva de expropriação, com o cunho de “forçar” o Poder Público a efetivar a desapropriação, o STJ fixou Súmula que determina a suspensão do processo nesse caso: STJ Súmula 354 08/09/2008 http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 53 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A invasão do imóvel é causa de suspensão do processo expropriatório para fins de reforma agrária. A usucapião pode ser arguida na defesa de uma ação possessória, como no caso de uma ação de reintegração de posse. Assim, o Juízo não apenas pode afastar a reintegração, reintegrando o réu na posse de imóvel cuja posse fora indevidamente esbulhado, como pode usar o pedido de usucapião como defesa possessória: STF SÚMULA 237 A usucapião pode ser arguida em defesa. A Súmula 263 do STF acabou com as controvérsias sobre a citação do possuidor no caso de ação de usucapião, estabelecendo que ele deve ser citado pessoalmente para a ação: STF SÚMULA 263 O possuidor deve ser citado pessoalmente para a ação de usucapião. O mesmo raciocínio foi aplicado, pelo STF, tempos depois, para os confinantes, que igualmente devem ser citados pessoalmente para as ações de usucapião nas quais figurem como interessados: STF SÚMULA 391 O confinante certo deve ser citado, pessoalmente, para a ação de usucapião. Em regra, como vimos, o domínio não pode obstar as ações possessórias, já que o fundamento é diverso. As ações possessórias fundam-se na posse, ao passo que a exceção de domínio se funda na propriedade. No entanto, o STF fixou o entendimento de que se deve deferir a posse a quem, evidentemente, tiver o domínio, se com base neste for ela disputada. Veja-se, no entanto, que essa é a única situação na qual o domínio pode resolver disputa possessória baseada na posse: STF SÚMULA 487 Será deferida a posse a quem, evidentemente, tiver o domínio, se com base neste for ela disputada. A “posse” de área pública é, em verdade, mera detenção, pelo que as consequências derivadas da posse, como o direito de retenção e de indenização por benfeitorias, são inaplicáveis à situação: EMBARGOS DE TERCEIRO - MANDADO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE - OCUPAÇÃO IRREGULAR DE ÁREA PÚBLICA - INEXISTÊNCIA DE POSSE - DIREITO DE RETENÇÃO NÃO CONFIGURADO. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 54 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 1. Posse é o direito reconhecido a quem se comporta como proprietário. Posse e propriedade, portanto, são institutos que caminham juntos, não havendo de ser reconhecer a posse a quem, por proibição legal, não possa ser proprietário ou não possa gozar de qualquer dos poderes inerentes à propriedade. 2. A ocupação de área pública, quando irregular, não pode ser reconhecida como posse, mas como mera detenção. 3. Se o direito de retenção depende da configuração da posse, não se pode, ante a consideração da inexistência desta, admitir o surgimento daquele direito advindo da necessidade de se indenizar as benfeitorias úteis e necessárias, e assim impedir o cumprimento da medida imposta no interdito proibitório (REsp 556.721/DF, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 03/10/2005, p. 172). O mesmo raciocínio se aplica aos imóveis situados nos terrenos de Marinha: ADMINISTRATIVO E CIVIL. AÇÃO POSSESSÓRIA. TERRENO DE MARINHA. OCUPAÇÃO PRECÁRIA. RETENÇÃO POR BENFEITORIAS. INADMISSIBILIDADE. SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO (REsp 635.980/PR, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2004, DJ 27/09/2004, p. 271). O STJ fixou o entendimento de que pode haver usucapião mesmo em áreas cuja metragem mínima é inferior à estabelecida pela municipalidade para o parcelamento do solo urbano. Isso porque há exigências para metragens máximas, não mínimas, na legislação constitucional e infraconstitucional: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Usucapião especial urbana. Interessados que preenchem todos os requisitos exigidos pelo art. 183 da Constituição Federal. Pedido indeferido com fundamento em exigência supostamente imposta pelo plano diretor do município em que localizado o imóvel. Impossibilidade. A usucapião especial urbana tem raiz constitucional e seu implemento não pode ser obstado com fundamento em norma hierarquicamente inferior ou em interpretação que afaste a eficáciado direito constitucionalmente assegurado. Recurso provido. 1. Módulo mínimo do lote urbano municipal fixado como área de 360 m2. Pretensão da parte autora de usucapir porção de 225 m2, destacada de um todo maior, dividida em composse. 2. Não é o caso de declaração de inconstitucionalidade de norma municipal. 3. Tese aprovada: preenchidos os requisitos do art. 183 da Constituição Federal, o reconhecimento do direito à usucapião especial urbana não pode ser obstado por legislação infraconstitucional que estabeleça módulos urbanos na respectiva área em que situado o imóvel (dimensão do lote). 4. Recurso extraordinário provido (RE 422349, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 29/04/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-153 DIVULG 04-08-2015 PUBLIC 05-08-2015). O mesmo entendimento foi fixado pelo STJ quanto a áreas rurais, que podem ser usucapidas ainda que a metragem mínima do módulo rural não tenha sido atingida: RECURSO ESPECIAL. USUCAPIÃO RURAL CONSTITUCIONAL. FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE RURAL. MÓDULO RURAL. ÁREA MÍNIMA NECESSÁRIA AO APROVEITAMENTO ECONÔMICO DO IMÓVEL. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PREVISÃO DE ÁREA MÁXIMA A SER USUCAPIDA. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DE ÁREA MÍNIMA. IMPORTÂNCIA MAIOR AO CUMPRIMENTO DOS FINS A QUE SE DESTINA A NORMA. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 55 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 1. A propriedade privada e a função social da propriedade estão previstas na Constituição Federal de 1988 dentre os direitos e garantias individuais (art. 5.º, XXIII), sendo pressupostos indispensáveis à promoção da política de desenvolvimento urbano (art. 182, § 2.º) e rural (art. 186, I a IV). 2. No caso da propriedade rural, sua função social é cumprida, nos termos do art. 186 da CF/1988, quando seu aproveitamento for racional e apropriado; quando a utilização dos recursos naturais disponíveis for adequada e o meio ambiente preservado, assim como quando as disposições que regulam as relações de trabalho forem observadas. 3. A usucapião prevista no art. 191 da Constituição (e art. 1.239 do Código Civil), regulamentada pela Lei n. 6.969/1981, é caracterizada pelo elemento posse-trabalho. Serve a essa espécie tão somente a posse marcada pela exploração econômica e racional da terra, que é pressuposto à aquisição do domínio do imóvel rural, tendo em vista a intenção clara do legislador em prestigiar o possuidor que confere função social ao imóvel rural. 4. O módulo rural previsto no Estatuto da Terra foi pensado a partir da delimitação da área mínima necessária ao aproveitamento econômico do imóvel rural para o sustento familiar, na perspectiva de implementação do princípio constitucional da função social da propriedade, importando sempre, e principalmente, que o imóvel sobre o qual se exerce a posse trabalhada possua área capaz de gerar subsistência e progresso social e econômico do agricultor e sua família, mediante exploração direta e pessoal - com a absorção de toda a força de trabalho, eventualmente com a ajuda de terceiros. 5. Com efeito, a regulamentação da usucapião, por toda legislação que cuida da matéria, sempre delimitou apenas a área máxima passível de ser usucapida, não a área mínima, donde concluem os estudiosos do tema, que mais relevante que a área do imóvel é o requisito que precede a ele, ou seja, o trabalho realizado pelo possuidor e sua família, que torna a terra produtiva e lhe confere função social. 6. Assim, a partir de uma interpretação teleológica da norma, que assegure a tutela do interesse para a qual foi criada, conclui-se que, assentando o legislador, no ordenamento jurídico, o instituto da usucapião rural, prescrevendo um limite máximo de área a ser usucapida, sem ressalva de um tamanho mínimo, estando presentes todos os requisitos exigidos pela legislação de regência, parece evidenciado não haver impedimento à aquisição usucapicional de imóvel que guarde medida inferior ao módulo previsto para a região em que se localize. 7. A premissa aqui assentada vai ao encontro do que foi decidido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, em conclusão de julgamento realizado em 29.4.2015, que proveu recurso extraordinário, em que se discutia a possibilidade de usucapião de imóvel urbano em município que estabelece lote mínimo para parcelamento do solo, para reconhecer aos recorrentes o domínio sobre o imóvel, dada a implementação da usucapião urbana prevista no art. 183 da CF. 8. Na oportunidade do Julgamento acima referido, a Suprema Corte fixou a seguinte tese: Preenchidos os requisitos do art. 183 da CF, o reconhecimento do direito à usucapião especial urbana não pode ser obstado por legislação infraconstitucional que estabeleça módulos urbanos na respectiva área onde situado o imóvel (dimensão do lote) (RE 422.349/RS, rel. Min. Dias Toffoli, 29.4.2015) 9. Recurso especial provido. (REsp 1040296/ES, Rel. Ministro MARCO BUZZI, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe 14/08/2015). Ainda que se possa aplicar as ações possessórias a bens incorpóreos, em determinadas situações excepcionais, inaplicável o interdito proibitório para a proteção de direito autoral: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 56 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa DIREITOS AUTORAIS. INTERDITO PROIBITORIO. CONSOLIDADA A JURISPRUDENCIA DO STJ NO SENTIDO DE QUE INCABIVEL O INTERDITO PROIBITORIO PARA A PROTEÇÃO DE DIREITO AUTORAL (REsp 144.907/SP, Rel. Ministro PAULO COSTA LEITE, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/11/1997, DJ 30/03/1998, p. 49). Em sendo as sociedades de economia mista pessoas jurídicas de direito privado, podem os bens pertencentes a elas ser objeto de usucapião por outros particulares, já definiu o STJ antes mesmo da vigência do CC/2002: USUCAPIÃO. BEM PERTENCENTE A SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. POSSIBILIDADE. "ANIMUS DOMINI". MATERIA DE FATO. BENS PERTENCENTES A SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA PODEM SER ADQUIRIDOS POR USUCAPIÃO. DISSONANCIA INTERPRETATIVA INSUSCETIVEL DE CONFIGURAR-SE TOCANTE AO ANIMUS DOMINI DOS USUCAPIENTES EM FACE DA SITUAÇÃO PECULIAR DE CADA CASO CONCRETO (REsp 37.906/ES, Rel. Ministro BARROS MONTEIRO, QUARTA TURMA, julgado em 29/10/1997, DJ 15/12/1997, p. 66414). Segundo o STJ, a decisão que reconhece a aquisição da propriedade de bem imóvel por usucapião prevalece sobre a hipoteca judicial que anteriormente tenha gravado o referido bem. Isso porque, com a declaração de aquisição de domínio por usucapião, deve desaparecer o gravame real constituído sobre o imóvel, antes ou depois do início da posse ad usucapionem, seja porque a sentença apenas declara a usucapião com efeitos ex tunc, seja porque a usucapião é forma originária de aquisição de propriedade, não decorrente da antiga e não guardando com ela relação de continuidade: RECURSO ESPECIAL. HIPOTECA JUDICIAL DE GLEBA DE TERRAS. POSTERIOR PROCEDÊNCIA DE AÇÃO DE USUCAPIÃO DE PARTE DAS TERRAS HIPOTECADAS. PARTICIPAÇÃO DO CREDOR HIPOTECÁRIO NA AÇÃO DE USUCAPIÃO COMO ASSISTENTE DO RÉU. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. PREVALÊNCIA DA USUCAPIÃO. EFEITOS EX TUNC DA SENTENÇA DECLARATÓRIA. CANCELAMENTO PARCIAL DA HIPOTECA JUDICIAL. RECURSO DESPROVIDO. Assegurada ao primitivo credor hipotecário participação na posterior ação de usucapião, não se pode ter como ilegal a decisão que reconhece ser a usucapião modo originário de aquisição da propriedade e, portanto, prevalente sobre os direitos reais de garantia que anteriormente gravavam a coisa (REsp 620.610/DF, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 19/02/2014). O Enunciado 302 das Jornadasde Direito Civil do CJF estabelece que qualquer ato jurídico capaz de transmitir a posse ad usucapionem pode ser considerado justo título para a posse de boa-fé: Enunciado 302 Pode ser considerado justo título para a posse de boa-fé o ato jurídico capaz de transmitir a posse ad usucapionem, observado o disposto no art. 113 do Código Civil. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 57 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Questões Questões sem comentários As questões abaixo foram tratadas ao longo da aula. Na sequência, estão elas sem comentários, secas, para você acompanhar. Adiante, estarão os gabaritos dessas questões e, ao final, os comentários: 2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto Assinale a alternativa correta a respeito da disciplina da Posse no Código Civil. a) Considera-se possuidor todo aquele que tem de direito o exercício, pleno ou não, de algum dos direitos inerentes à propriedade. b) A posse direta anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. c) Considera-se possuidor indireto aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. d) Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, pode cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores. e) É justa a posse, se o possuidor ignora o vício ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado Em relação à posse analise as seguintes assertivas: I. O possuidor de má-fé responde, em qualquer caso, pela deterioração da coisa, salvo se acidental. II. A posse é transmitida ao legatário do possuidor com as mesmas características da posse originária. III. É de boa-fé a posse adquirida pelo possuidor que ignora o obstáculo que impede a aquisição da coisa. IV. A alegação de propriedade não impede a reintegração na posse. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 58 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Quais estão corretas? A) Apenas I e IV. B) Apenas II e III. C) Apenas I, II e III. D) Apenas I, II e IV. E) Apenas II, III e IV. 2015 – UFPR – PGM/Curitiba (PR) – Procurador Municipal Sobre usucapião, considere as seguintes situações: 1 A Associação de Moradores da Comunidade Pinhal, regularmente constituída, tem legitimidade, como substituto processual, para ajuizar ação de usucapião especial coletiva urbana em favor dos associados que expressamente a autorizaram a regularizar a situação do imóvel de 900 m2 que habitam com suas famílias há 6 anos, ininterruptamente e sem oposição. Pinhal é uma comunidade de famílias de baixa renda e não foi possível identificar de forma individual os terrenos ocupados por cada grupo. A sentença que acolher o pedido declarará o direito dos compossuidores à usucapião e atribuirá a cada um deles fração ideal do terreno sem levar em conta a dimensão que cada qual ocupa na área. 2. Na usucapião especial urbana ou constitucional não é admissível a acessio possessionis, ou seja, a acessão ou junção da posse, pois não há transmissão da posse por ato intervivos, já que se exige que a posse seja pessoal. De outro lado, poderá utilizar-se o prazo do ex-possuidor, no caso de sucessio possessionis, quando o sucessor, ao tempo do óbito, já residia no imóvel, porque não haverá quebra do período possessório de cinco anos. 3. Marialva recebeu por herança uma pequena chácara em Adrianópolis, mas pretende vendê-la para comprar um carro, porque já está acostumada a morar em Curitiba. Antes, porém, quer resolver a situação do apartamento de 200 m2 no Bairro Alto, onde vive com seus dois filhos gêmeos de 5 anos. O imóvel foi comprado quando ela ainda coabitava com o pai dos meninos, que deixou o convívio familiar há 2 anos. Ele não colabora com as despesas do lar, nem visita os gêmeos regularmente, mas não se opõe a que Marialva habite o apartamento. Marialva reúne as condições para aquisição da integralidade desse imóvel através de usucapião familiar. Assinale a alternativa correta. a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira. b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. c) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 59 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa e) As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras. 2014 – FCC – DPE/RS – Defensor Público Estadual José da Silva tomou conhecimento da existência de uma rudimentar casa urbana de veraneio, construída sobre um terreno de 300 m2, que estava desocupada e, com sua esposa e dois filhos, esbulhou o imóvel em 5 de abril de 1998. Desde então, estabeleceu no imóvel sua moradia habitual, mantendo posse com ânimo de dono, de forma pública, contínua, mansa e pacífica. Em 10 de junho de 2010, por contrato particular de compra e venda, José alienou o imóvel a Pedro de Souza, pelo valor de R$ 14.000,00, tendo o comprador passado a utilizar o imóvel também para sua moradia, mantendo as mesmas características da posse exercida pelo vendedor. Em 10 de junho de 2014, Pedro recebeu citação em ação reivindicatória ajuizada pelo espólio do proprietário registral do imóvel, procurando a Defensoria Pública para a defesa de seus direitos. Nesse caso, Pedro (A) poderá, em sua defesa, alegar a ocorrência da prescrição aquisitiva, na modalidade extraordinária, hábil a ensejar a improcedência da ação reivindicatória contra si manejada. (B) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva, uma vez que a simples citação na ação ajuizada pelo espólio do proprietário registral interrompe a posse ad usucapionem. (C) não poderá, em sua defesa, alegar a ocorrência da prescrição aquisitiva, podendo, entretanto, ajuizar ação autônoma de usucapião extraordinária. (D) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva, em qualquer de suas modalidades, pois não atingido prazo suficiente para tanto. (E) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva na modalidade extraordinária, pois, em que pese tenha implementado o requisito temporal, a posse se originou em esbulho do vendedor. 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado O possuidor de boa-fé: (A) é aquele cuja posse não é precária. (B) tem direito à indenização das benfeitorias necessárias, úteis e voluptuárias. (C) não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 60 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa (D) tem direito de retenção quanto às benfeitorias, mas não tem direito aos frutos percebidos. 2014 – VUNESP – PGM/SP – Procurador Municipal Gustavo e sua família passaram a ocupar bem público dominical de 250 m² (duzentos e cinquenta metros quadrados), em área urbana, utilizando-o como moradia da família e realizando diversas benfeitorias úteis e voluptuárias. O bem estava sem utilização pela Administração Pública, mas, passados 5 (cinco) anos, o município pretendia utilizá-lo para determinadas funções.Assim, foi ajuizada ação com o objetivo de retirar a família do local. Nesse panorama, partindo da premissa que a família sabia se tratar de bem público, é correto afirmar que (A) de acordo com as características do imóvel, o instituto da usucapião beneficia a família. (B) o município deverá indenizar pelas benfeitorias úteis, mas não pelas voluptuárias. (C) a retirada da família do imóvel urbano só é possível após as indenizações pelas benfeitorias realizadas. (D) o município tem pretensão de retomada do bem, independentemente de qualquer indenização. (E) de acordo com as características do imóvel, o instituto da usucapião beneficia a família tão somente se não forem proprietários de outro imóvel. 2013 – CESPE – AGU – Procurador Federal Quando o proprietário de um bem imóvel, efetivando uma relação jurídica negocial com terceiro, transfere-lhe o poder de fato sobre esse bem, ocorre a composse, de forma que qualquer dos dois poderá defender a posse contra terceiros. As questões abaixo, agora sem comentários, não estão contidas na aula. Elas orbitam em torno das questões acima e, por isso, apresentam comentários não tão detalhados quanto as questões anteriores. É pra você treinar! Adiante, seguem os gabaritos e, ao fim, os comentários. 1. 2017 – TRF – TRF/2ª Região – Juiz Federal Substituto http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 61 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Em maio de 2015, Gaio intenta ação objetivando ver reconhecida a usucapião sobre imóvel de 150 m2, localizado em terreno de marinha, com enfiteuse regularmente constituída em favor de Tício, em 1980. Gaio mostra que, diante do aparente abandono local, desde 1997 passou a exercer posse contínua e não incomodada sobre a área, com ânimo de proprietário, realizando melhorias e pagando as despesas, impostos e foro sobre o bem. Os autos revelam que Tício fora interditado em 2004, e afirmado, segundo a lei vigente, absolutamente incapaz. Desde então não ocorreu a mudança de seu quadro de interdição. Considerados corretos todos os dados acima, assinale a opção certa: a) No caso, é viável a usucapião extraordinária do domínio direto. b) Em tese, estão presentes e descritos os pressupostos para a usucapião especial urbana do domínio útil. c) Não é viável, nem em tese, reconhecer usucapião, seja do domínio direto, seja do domínio útil, já que o imóvel é público. d) A jurisprudência é assente ao admitir, em terreno de marinha objeto de aforamento, a possibilidade de usucapião extraordinária do domínio útil, mas no caso os pressupostos não estão presentes. e) Estão presentes os pressupostos para a declaração da usucapião extraordinária do domínio útil, mas não estão descritos os pressupostos necessários para a usucapião especial urbana. 2. 2016 – TRF 3ª REGIÃO – TRF 3ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto Sobre a posse, assinale a alternativa incorreta: a) A acessão possessória pode-se dar de modo facultativo ou por continuidade do direito recebido do antecessor. b) Admite-se o convalescimento da posse violenta e da posse clandestina. c) A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente. d) O reivindicante, quando obrigado, indenizará as benfeitorias ao possuidor de má-fé pelo valor atual. 3. 2016 – TRF 4ª REGIÃO – TRF 4ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto Assinale a alternativa INCORRETA. Acerca da usucapião de bens imóveis: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 62 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa a) O prazo da usucapião extraordinária é de 10 anos, podendo ser reduzido para 5 anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel sua moradia habitual ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. b) O prazo da usucapião especial por abandono do lar, também conhecida como conjugal, é de 2 anos. c) O prazo da usucapião pro labore, também conhecida como especial rural, é de 5 anos. d) O prazo da usucapião documental, também conhecida como tabular, é de 5 anos. e) O prazo da usucapião especial coletiva de bem imóvel, previsto no Estatuto das Cidades, é de 5 anos. 4. 2016 – VUNESP – TJ/RJ – Juiz Estadual Substituto Rony, há 6 (seis) anos ininterruptos e sem oposição, possui como sua uma pequena casa de 90 m², em área urbana, onde reside com sua família. Não é proprietário de outro imóvel, urbano ou rural. Anteriormente à sua posse, a casa era ocupada por um amigo seu que se mudou para outro Estado, mas Rony não sabe a que título seu amigo ocupava o imóvel. Dois anos após a ocupação por Rony, foi averbada na matrícula do imóvel uma certidão de distribuição de uma ação de execução em face do formal proprietário do bem. Rony não recebeu notícia da averbação realizada. Diante dessas circunstâncias, é correto afirmar que a) a averbação da certidão de distribuição da execução interrompeu o prazo para prescrição aquisitiva. b) não se operou a prescrição aquisitiva, por falta de lapso temporal suficiente. c) a averbação da certidão de distribuição da execução suspende o prazo para prescrição aquisitiva, até que seja cancelada a averbação por algum motivo. d) Rony não usucapiu o imóvel na medida em que a averbação da certidão de distribuição da execução implica na impossibilidade de usucapir por modalidade diversa da usucapião extraordinária. e) se operou a prescrição aquisitiva em favor de Rony, pela denominada usucapião especial urbana residencial individual. 5. 2016 – CESPE – PGE/AM – Procurador do Estado Por meio de esbulho, Ronaldo obteve a posse de lote urbano pertencente ao estado do Amazonas. Nesse lote, ele construiu sua residência, na qual http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 63 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa edificou uma série de benfeitorias, tais como piscina e churrasqueira. O estado do Amazonas, por intermédio de sua procuradoria, ingressou em juízo para reaver o imóvel. Nessa situação, Ronaldo poderá exigir indenização por todas as benfeitorias realizadas e exercer o direito de retenção enquanto não for pago o valor da indenização. 6. 2016 – FCC – PGE/MA – Procurador do Estado Marcelo possuiu, como seu, imóvel no qual estabeleceu sua moradia habitual, por onze anos, sem interrupção nem oposição, e não ostentando justo título. No imóvel, foram descobertas jazidas e recursos minerais. Em ação de usucapião, Marcelo requereu fosse declarada aquisição do imóvel e das jazidas e recursos minerais, pelo transcurso do tempo. A pretensão (A) procede em parte, porque a usucapião extraordinária independe de justo título e seu prazo ́ reduzido de quinze para dez anos quando o possuidor estabelece no imóvel sua moradia habitual, poŕm, a usucapião não alcançaráば as jazidas e recursos minerais, porque a propriedade do solo não as abrange. (B) procede em parte, porque a usucapião extraordinária independe de justo título e seu prazo ́ reduzido de vinte para dez anos quando o possuidor estabelece no imóvel sua moradia habitual, poŕm, a usucapião não alcançaráば as jazidas e recursos minerais, porque a propriedade do solo não as abrange. (C) não procede, porque as terras em que se encontram jazidas e recursos minerais não podem ser usucapidas. (D) procede no todo, porque a usucapião extraordinária independe de justo título e seu prazo ́ reduzido de vinte para dez anos quando o possuidor estabelece no imóvel sua moradia habitual e com a aquisição da propriedade do solo,adquire-se a propriedade das jazidas e recursos minerais, que ao solo pertencem. (E) não procede, porque a usucapião, em qualquer de suas espécies, demanda a existência de justo título. 7. 2016 – FUNDATEC – PGM/Porto Alegre (RS) – Procurador Municipal Um terreno urbano baldio (“Terreno A”) foi vendido ao Sr. João que, ao ingressar no imóvel, tomou, sem perceber, posse do imóvel lindeiro (“Terreno “B”). O Terreno B possuía 220 metros quadrados e era de propriedade do Município já na época da aquisição do Terreno A pelo Sr. João. O Sr. João cercou o Terreno B, limpou-o, plantou algumas árvores frutíferas e fez construir uma cerca, evitando possíveis invasões, comuns http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 64 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa naquela região. Somente sete anos depois da utilização ininterrupta, a administração municipal se apercebeu do fato e, ato contínuo, notificou o Sr. João. Na notificação, o Município comprovou a sua propriedade sobre a área e deu um prazo de seis meses para que o Sr. João devolvesse o Terreno B ao Município. Passados esses seis meses, o Sr. João não devolveu o Terreno B, alegando que tem direitos sobre a área. Com base nesses fatos, analise as afirmações a seguir: I. O Sr. João não deve devolver ao Município o Terreno B, haja vista o transcurso do prazo de usucapião aplicável ao caso em razão das características do Terreno B. ͒ II. Mesmo depois de notificado e de não ter respeitado o prazo fixado, o Sr. João pode reter o imóvel até ser indenizado pela cerca construída e pelas árvores plantadas. ͒ III. O Sr. João não tem direito a obter a propriedade pela usucapião e nem a ser ressarcido pelas benfeitorias realizadas no Terreno B. ͒ Quais estão corretas? A) Apenas I. B) Apenas II. C) Apenas III. D) Apenas I e II. E) Apenas II e III. 8. 2016 – FUNRIO – PGM/Trindade (GO) – Procurador Municipal Em relação aos efeitos e à perda da posse, é INCORRETA a seguinte afirmativa: a. A posse, diante da funcionalização dos institutos jurídicos, deve exercer uma função social. b. Ainda que o possuidor não tenha presenciado o esbulho, caso a coisa tenha sido tomada por terceiro, considera-se perdida a posse. c. O possuidor tem direito de ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado. d. Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo notícia dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido. e. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 65 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 9. 2016 – FCC – DPE/BA – Defensor Público Estadual A posse-trabalho (A) pode gerar a desapropriação de terras públicas em favor de um grupo de pessoas que realizou obras ou serviços considerados de interesse social e econômico relevante. (B) pode gerar ao proprietário a privação da coisa reivindicada, se for exercida em extensa área por prazo ininterrupto de cinco anos, mas o proprietário tem direito à fixação de justa indenização. (C) é aquela que permite a usucapião especial urbana, em imóveis com área não superior a 250 metros quadrados e, por ser forma originária de aquisição da propriedade, independe de indenização. (D) está prevista no Estatuto da Cidade como requisito para a usucapião coletiva de áreas urbanas ou rurais onde não for possível identificar os terrenos ocupados por cada possuidor. (E) se configura como a mera detenção, também chamada de fâmulo da posse, fenômeno pelo qual alguém detém a posse da coisa em nome alheio. 10. 2015 – CESPE – TRF/1ª Região – Juiz Federal Substituto Pedro adquiriu um imóvel de Manoel por meio de cessão de direitos. Manuel vendeu o imóvel — que era objeto de contrato de financiamento, adquirido de acordo com as normas do Sistema Financeiro de Habitação — porque não lograva êxito em pagar as prestações devidas há um ano, o que acarretou, inclusive, ação de execução hipotecária. O imóvel estava hipotecado e devidamente registrado. Nessa situação hipotética, a posse exercida por Pedro foi a) justa, devido à presunção de boa-fé. b) de má-fé, uma vez que havia registro da hipoteca. c) clandestina, por ter sido adquirida às ocultas da instituição financeira. d) precária, ante o abuso de direito por parte da instituição financeira. e) de boa-fé, por atender a função social. 11. 2015 – FCC – TJ/AL – Juiz Estadual Substituto A posse direta de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de algum direito http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 66 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa a) pessoal ou real anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, não podendo, porém, defender sua posse contra o que teve posse direta. b) real não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, mas esse mesmo direito não terá, se a posse direta advier de direito pessoal. c) pessoal ou real não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. d) pessoal não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, mas esse mesmo direito não terá se a posse direta advier de direito real. e) pessoal ou real anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, bem como defender a sua posse contra o que teve posse direta. 12. 2015 – FCC – TJ/SC – Juiz Estadual Substituto João X, que se estabelecera em um terreno abandonado havia um (01) ano e nele construíra um casebre, foi surpreendido com a citação para defender- se em ação de reintegração de posse, movida por José Y, que alegava e provava ter adquirido o imóvel, conforme escritura de compra e venda devidamente registrada, três (03) anos atrás. A ação possessória deverá ser julgada a) procedente, mas João X terá direito à retenção do imóvel, enquanto não for indenizado da construção. b) procedente, mas João X deverá ser indenizado da construção, se possuidor de boa fé, mas sem direito de retenção. c) improcedente e José Y ficará impedido de ajuizar ação reivindicatória. d) procedente, porque o registro da escritura de compra e venda torna o negócio oponível a terceiros e, por isso, a posse de João X é injusta. e) improcedente, mas José Y não ficará inibido de ajuizar ação reivindicatória. 13. 2015 – CESPE – TRF 5ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto Roberto, juntamente com sua família, ocupou, cercou e construiu uma casa, um curral e um pequeno lago artificial em uma terra pública situada em área rural. O poder público, ao tomar ciência da ocupação, ajuizou ação de reintegração de posse. Em defesa, Roberto alegou que a posse se dera de boa-fé e que ele já havia feito um pedido administrativo requerendo a http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 67 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa regularização da propriedade. O réu ainda alegouque, caso o pedido do poder público fosse procedente, ele deveria ser indenizado pelas benfeitorias erigidas, com direito de retenção. A respeito dessa situação hipotética, assinale a opção correta. a) Com exceção do lago artificial, Roberto fará jus a indenização pelas demais benfeitorias erigidas no imóvel. b) Roberto terá direito à indenização pela casa, mas lhe será descontado o valor correspondente ao tempo de permanência no imóvel. c) O direito de retenção pelas benfeitorias necessárias não poderá ser deferido. d) A posse não pode ser considerada de má-fé, o que torna indenizáveis as benfeitorias úteis e necessárias feitas por Roberto. e) A indenização pelo curral depende de prova de utilidade pelo poder público após a retomada do imóvel. 14. 2015 – FCC – TJ/PE – Juiz Estadual Substituto Sociedade Agrícola Laranjal, ao levantar cercas em imóvel de sua propriedade, em cuja posse se encontra, constatou que parte da área havia sido invadida por seu vizinho Agrário, que supunha pertencer-lhe, porque as cercas, anteriormente existentes, haviam sido destruídas em razão de intempéries e má conservação. Por isso, aquela pessoa jurídica moveu ação de reintegração de posse, todavia, sem obter liminar. Mesmo depois de citado, em 15/6/2014, Agrário continuou exercendo atos possessórios e, no dia 20/6/2014, colheu as laranjas que estavam maduras, bem como recebeu, pelo arrendamento da outra parte da área, na ordem de R$ 1.000,00 por mês, com vencimento no dia 30 de cada mês vencido, até 30 de setembro de 2014, porque, tendo a autora obtido liminar por força de agravo de instrumento, foi ela reintegrada na posse em 01/10/2014. Nesse caso, Agrário deverá indenizar Sociedade Agrícola Laranjal a) somente do que recebeu a título de arrendamento, após a decisão que deferiu a liminar de reintegração de posse. b) somente das laranjas que colheu após a citação, se não puder entregá- las em espécie, mas não dos valores recebidos a título de arrendamento, os quais terão de ser cobrados do arrendatário, que pagou a quem não era proprietário do imóvel. c) das laranjas que colheu após a citação, bem como do que recebeu a título de arrendamento, ainda que referente a período anterior à citação d) de tudo o que recebeu a título de arrendamento e do que colheu, desde a data em que ingressou indevidamente na área vizinha. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 68 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa e) de quinze dias do valor do arrendamento, no mês de junho e da integralidade dos meses subsequentes, bem como do valor correspondente às laranjas colhidas em 15/06/2014, se não puder entregá-las em espécie. 15. 2015 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto Assinale a alternativa correta. (A) Os direitos autorais não podem ser objeto de protec ֚ão por meio de interdito proibitório, dada a impossibilidade do exercício da posse sobre coisas incorpóreas. (B) A via adequada para fazer cessar o esbulho ́ a ac ֚ão de manutenc֚ão de posse, enquanto que o reḿdio para a turbac֚ão ́ a de reintegrac ֚ão de posse, conquanto as ac֚̃es possessórias sejam fungíveis. (C) ́ tamb́m possuidor aquele que, mesmo achando-se em situac ֚ão de depende Ǻncia para com o outro, conserva a posse em nome deste, sob suas instruc ֚̃es. (D) De regra, a posse do imóvel não faz presumir a das coisas móveis que nele estiverem. 16. 2015 – MPE/SP – MPE/SP – Promotor de Justiça Substituto O artigo 1244 do Código Civil reza que: “Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam a usucapião.” Assim, entre as alternativas apresentadas abaixo, marque aquela em que a usucapião poderá ser alegada: a) entre cônjuges na constância do casamento. b) entre tutelados e seus tutores, durante a tutela. c) contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra. d) contra os outros condôminos, uma vez cessado o estado de indivisão e comprovada a posse exclusiva da coisa. e) contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados e dos Municípios. 17. 2015 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual Sobre a posse injusta, é INCORRETO afirmar que http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 69 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa (A) ocorre quando o possuidor se apodera da coisa imbuído de má-fé. (B) é passível de convalescimento (interversão) em posse justa por ato consensual. (C) pode ser apta a gerar usucapião (posse ad usucapionem). (D) ocorre somente quando a posse é violenta, clandestina ou precária. (E) permite ao possuidor injusto o direito à retenção em razão de benfeitorias úteis, desde que de boa-fé. 18. 2015 – CESPE – DPE/PE – Defensor Público Estadual Se João tiver ingressado no terreno de Pedro há seis meses, pacificamente, sem ocultar a invasão, e lá construído um barraco, não se terá caracterizado, nessa situação hipotética, o esbulho, visto que não ocorreu violência, clandestinidade ou precariedade, elementos caracterizadores da posse injusta. 19. 2014 – FCC – TJ/AP – Juiz Estadual Substituto Sobre a posse e os direitos do possuidor, é correto afirmar: I. O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter- se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse. II. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo que são separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia. III. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias. IV. As benfeitorias não se compensam com os danos e não dão direito ao ressarcimento mesmo quando não mais existirem ao tempo da evicção. V. Considera-se possuidor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro conserva a posse em nome deste e em cumprimento de suas ordens ou instruções. Está correto o que consta APENAS em a) III, IV e V. b) I, II e III. c) I, IV e V. d) II, III e IV. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 70 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa e) II, III e V. 20. 2014 – FCC – TJ/AP – Juiz Estadual Substituto José e Maria, casados sob o regime da comunhão parcial de bens, adquiriram um terreno em loteamento devidamente registrado com área de 300 m2, nele construindo uma casa para residência da família, que ocupa 250 m2, sendo essa área murada, embora restassem nos fundos 50 m2, contíguos a uma outra área destinada a uma praça que, entretanto, não foi concluída, nem pela municipalidade, nem pelo loteador. José abandonou a família e Maria pediu separação judicial, convertida posteriormente em divórcio, sendo o cônjuge citado por edital, mas não houve a partilha de bens. Decorridos 6 anos do divórcio, José retornou e passou a ocupar a área remanescente de 50 m2 do imóvel referido e mais 200 m2 contíguos, onde se situaria a praça, nelas construindo sua moradia. As casas de José e Maria são as únicas de cada um. Passados 10 anos do divórcio e 5 anos desde que José veio a residir, com ânimo de dono, no local mencionado e sem que sofressem oposição às respectivas posses, a) apesar do tempo decorrido, nem José, nem Maria adquiririam o domínio exclusivo das áreas que ocupam porque, após a separação judicial, extinguindo-se o regime de bens do casamento, tornaram-se condôminose o condômino não pode adquirir, por usucapião, a totalidade do imóvel. b) Maria só terá adquirido o domínio integral da área em que ficou residindo, depois de 5 anos e José não poderá adquirir por usucapião a área total que ocupa com exclusividade. c) Maria terá adquirido o domínio integral da área em que ficou residindo com a família, depois de 2 anos ininterruptos de sua posse exclusiva, mas José não poderá adquirir por usucapião a área total que ocupa com exclusividade. d) José e Maria terão adquirido pela usucapião a totalidade das áreas que ocupam, cada um deles após 2 anos de efetiva ocupação. e) José e Maria adquiriram o domínio das respectivas áreas, após 5 anos de efetiva ocupação. 21. 2014 – FMP/RS – TJ/MT – Juiz Estadual Substituto Analise as afirmativas abaixo. I - É admitida a modalidade de usucapião especial urbano residencial familiar de imóvel de até 250m², desde que computados dois anos de posse ininterrupta, exclusiva, sem oposição e direta, pelo cônjuge que permanece residindo no imóvel, contra o ex- cônjuge, ou ex-companheiro, que http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 71 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa abandonou o lar e com quem dividia a propriedade, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. II - As normas do Código Civil que instituem causas obstativas, suspensivas ou interruptivas dos prazos prescricionais não são aplicáveis à disciplina específica das ações de usucapião. III - Para os fins da disciplina da usucapião ordinária, considera-se justo o título hábil, em tese, à transferência do domínio, sendo exemplo o título aquisitivo a non domino. IV - A boa-fé, dispensável na modalidade de usucapião extraordinária, mas indispensável na modalidade ordinária, é aquela relativa à dimensão psicológica. Quais estão corretas? a) Apenas a I e II. b) Apenas a II, III e IV. c) Apenas a III e IV. d) Apenas a I, III e IV. e) Apenas a I, II e III. 22. 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado O possuidor de boa-fé: (A) é aquele cuja posse não é precária. (B) tem direito à indenização das benfeitorias necessárias, úteis e voluptuárias. (C) não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. (D) tem direito de retenção quanto às benfeitorias, mas não tem direito aos frutos percebidos. 23. 2014 – FUNRIO – INSS – Analista do Seguro Social A teoria da posse, adotada pelo Código Civil Brasileiro, denomina-se a. teoria subjetiva de Savigny. b. teoria fazendária de Caio Mário da Silva Pereira. c. teoria privatista. d. teoria objetiva de Ihering. e. teoria patrimonialista. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 72 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 24. 2013 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto Em relação à posse, é correto afirmar que a) o locatário não tem a posse direta do imóvel que ele aluga, mas sim a indireta. b) o motorista de um caminhão da empresa para a qual trabalha tem a posse ad usucapionem desse bem. c) o possuidor direto tem direito de lançar mão dos interditos contra turbação, esbulho e violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado, inclusive contra o possuidor indireto. d) o possuidor responde pela perda da coisa, ainda que de boa-fé e sem ter dado causa à perda. 25. 2013 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto Sobre o imóvel urbano de 350 m² que, sem interrupção e nem oposição, está na posse de Cícero desde fevereiro de 2003, tanto que nele construiu casa pré-fabricada de madeira, onde habita com sua família, é correto dizer que a) em fevereiro de 2005, a usucapião especial se consumaria. b) em 2008, já poderia ter sido usucapido de acordo com a regra da usucapião especial urbana. c) poderia ser usucapido somente em 2018, de acordo com a regra da usucapião ordinária do Código Civil. d) em fevereiro de 2013, Cícero já pode ajuizar a ação de usucapião para ver reconhecido seu direito de propriedade sobre o imóvel. 26. 2013 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado Assinale a alternativa INCORRETA. (A) O conceito de frutos é o mais amplo possível, nele se incluindo não só os provenientes da plantação, da pecuária, mas também os produtos que se extraem do solo, como o minério e os frutos, chamados civis, como os aluguéis, juros e rendas. (B) Os frutos pendentes pertencem ao possuidor, seja ele de boa ou má-fé. (C) Os frutos colhidos com antecipação pelos possuidores de boa-fé devem ser restituídos se, ao tempo normal da colheita, houver cessado a boa-fé. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 73 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa (D) Os frutos civis reputam-se percebidos dia por dia. 27. 2013 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado Assinale a alternativa INCORRETA. (A) Posse e detenção caracterizam-se, no sistema jurídico brasileiro, como poder de fato, que se exerce sobre a coisa, diferenciando-se, dentre outros fatores, porque a posse recebe proteção interdital e pode conduzir à aquisição da propriedade, enquanto a detenção nem recebe proteção interdital, nem conduz à aquisição da propriedade. (B) Na traditio brevi manu o adquirente da posse do bem já o tem em seu poder; apenas, por convenção, muda-se o título da ocupação. (C) A posse não se transfere com seus caracteres. Assim, se for violenta, na origem, pode convalar-se em posse legítima, se o sucessor estiver de boa-fé. (D) A posse se transfere por mera tradição, isto é, porque a pessoa passou a exercer poder fático sobre a coisa. 28. 2013 – FCC – DPE/AM – Defensor Público Estadual A posse (A) é de má-fé mesmo que o possuidor ignore o vício. (B) é adquirida quando se detém a coisa a mando de outrem. (C) pode ser oposta ao proprietário. (D) não pode ser defendida, em juízo, pelo possuidor indireto. (E) quando turbada, autoriza o ajuizamento de ação de reintegração. 29. 2012 – FCC – PGE/SP – Procurador do Estado Tício celebra contrato de locação de imóvel com Caio. Em razão de férias, Caio se ausenta do lar por 90 dias, e neste período Lúcio invade o imóvel, fato que chega ao imediato conhecimento de Tício. Neste caso, Tício (A) e Caio têm legitimidade para pleitear proteção possessória. (B) pode dar o contrato de locação por resolvido, e mover ação de despejo em face de Lúcio, mais célere que a possessória. (C) não poderá pleitear reintegração de posse, pois apenas Caio tem interesse jurídico em fazer cessar o esbulho. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 74 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa (D) poderá pleitear reintegração de posse, desde que notifique previamente Lúcio para que desocupe o imóvel no prazo de 30 dias. (E) pode pleitear reintegração de posse para fazer cessar o esbulho, desde que previamente autorizado por Caio. 30. 2012 – FCC – DPE/PR – Defensor Público Estadual Acerca da propriedade e de suas formas de aquisição, aquele que (A) possui ininterruptamente, há seis anos, imóvel urbano com 130 metros quadrados, contíguo com imóvel de sua propriedade com 80 metros quadrados, tem direito ao usucapião urbano. (B) estabeleceu sua moradia habitual há sete anos em determinado imóvel, após firmar e adimplir com os ditames de contrato de compra e venda registrado e recentemente anulado por falta de capacidade civil do vendedor, terá de aguardar mais três anos para adquirirdireito à aquisição da propriedade por usucapião. (C) reivindica extensa área de terras de sua propriedade, atualmente ocupada por trinta famílias que ingressaram a nove anos no local, de boa- fé, em razão de um processo irregular de loteamento, vindo a urbanizar a área com recursos próprios, pode vir a ser privado da coisa, desde que devidamente indenizado pelos possuidores. (D) invadiu imóvel alheio e ali estabeleceu sua moradia habitual há onze anos, cultivando no local hortaliças para venda na região, terá de aguardar mais quatro anos para adquirir direito à aquisição da propriedade por usucapião. (E) possuiu de forma contínua e de boa-fé bem móvel como seu pelo período de dois anos, tem direito à aquisição da propriedade por usucapião. 31. 2012 – CESPE – DPE/AC – Defensor Público Estadual Com relação ao instituto da posse, assinale a opção correta. A Ao conceituar a posse da mesma forma que seu antecessor, o Código Civil vigente filia-se à teoria subjetiva da posse. B Possuidor indireto é aquele que detém poder físico sobre a coisa, mas apenas em cumprimento de ordens ou instruções emanadas do possuidor direto ou de seu proprietário. C No constituto possessório, há inversão no título da posse com base em relação jurídica: aquele que possuía em nome alheio passa a possuir em nome próprio, remanescendo o seu poder material sobre a coisa. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 75 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa D Ao possuidor de má-fé é facultado o ressarcimento por benfeitorias necessárias e úteis; contudo, esse possuidor jamais obterá direito de retenção sobre as benfeitorias que tenha realizado. E Segundo entendimento jurisprudencial do STJ, não é possível a posse de bem público, pois sua ocupação irregular representa mera detenção de natureza precária; portanto, na ação reivindicatória ajuizada pelo ente público, não há que se falar em direito de retenção de benfeitorias, o qual pressupõe a existência de posse. 32. 2012 – FCC – DPE/SP – Defensor Público Estadual Em tema de Usucapião Coletiva Urbana, é correto afirmar que (A) tem por objeto área particular de até 250 metros quadrados. (B) seu reconhecimento atribui a cada possuidor fração ideal correspondente à dimensão que ocupe na gleba, exceto se convencionado em contrário. (C) exige posse não contestada, justo título e boa-fé. (D) instaura condomínio indivisível e não passível de extinção por pelo menos dez anos. (E) admite acessio possessionis e sucessio possessionis. 33. 2011 – COPS/UEL – PGE/PR – Procurador do Estado Assinale a alternativa incorreta: a) quando alguém conserva a posse em nome e em cumprimento de ordens de outrem, de quem está em relação de dependência, ele é considerado simples detentor; b) o direito brasileiro admite a bipartição da posse em posse direta e posse indireta; c) a propriedade não pode ser discutida nas ações possessórias; d) o possuidor de boa-fé tem direito aos frutos percebidos, mas deve restituir os frutos colhidos com antecipação; e) a posse somente pode ser adquirida pessoalmente, não se admitindo a aquisição da posse por representante. 34. 2011 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado O possuidor de boa-fé http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 76 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A) faz jus aos frutos percebidos até que cesse a boa-fé, mas perde os pendentes e os colhidos antecipadamente. B) faz jus à indenização das despesas de custeio dos frutos percebidos, dos pendentes e dos colhidos antecipadamente. C) não responde pela perda ou deterioração da coisa, enquanto esteja de boa-fé, mesmo que por culpa sua. D) pode exercer o direito de retenção pelas benfeitorias necessárias, úteis ou voluptuárias. E) que semear em terreno alheio com sementes próprias tem direito à colheita. 35. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União Considere que Francisco, proprietário e legítimo possuidor de um apartamento, tenha anunciado sua intenção de alugá-lo há mais de quatro meses, mas não consegue fechar nenhum negócio porque Luís, proprietário do imóvel vizinho, cria dificuldades e embaraços às visitas dos pretensos locatários, situação que ampara a pretensão de Francisco de ajuizar uma ação de interdito proibitório. Nessa situação hipotética, o comportamento de Luís importa ameaça de turbação ao direito de posse de Francisco. 36. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual A posse precária adquirida pelo de cujus não perde esse caráter quando transmitida mortis causa aos seus sucessores, ainda que estes estejam de boa-fé. 37. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual Ao possuidor de má-fé cabe o direito ao ressarcimento das benfeitorias necessárias, com direito de retenção pela importância delas. 38. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual Tadeu, apesar de ser o legítimo possuidor de uma chácara em bairro afastado da cidade de Maceió, disputa judicialmente a posse do imóvel com Alberto, que, além de se dizer possuidor, sabidamente não adquiriu a posse que defende de modo vicioso. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 77 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Tendo como referência a situação hipotética acima, julgue os itens subsequentes com base na disciplina da posse. Na situação descrita, é cabível o juiz manter provisoriamente na posse aquele que exibir título de posse, já que, em ação possessória, não se discute domínio. 39. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual Tadeu, apesar de ser o legítimo possuidor de uma chácara em bairro afastado da cidade de Maceió, disputa judicialmente a posse do imóvel com Alberto, que, além de se dizer possuidor, sabidamente não adquiriu a posse que defende de modo vicioso. Tendo como referência a situação hipotética acima, julgue os itens subsequentes com base na disciplina da posse. No caso em apreço, por exceção, admite-se que o proprietário ajuíze ação possessória sem que tenha exercido qualquer ato possessório sobre o bem, caso esteja presente a cláusula de constituto possessório no negócio jurídico celebrado. 40. CESPE – AGU – 2007 – Procurador Federal João, motorista, enquanto aguardava seu chefe na porta de uma repartição pública, foi vítima de tentativa de furto do veículo que conduzia. Antes de consumar o delito, o criminoso fugiu, por circunstâncias alheias à sua vontade. Com relação a essa situação hipotética, julgue os seguintes itens: Em conformidade com os termos expressos do Código Civil, apenas o possuidor turbado, ou esbulhado — e não, o mero detentor —, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça imediatamente. 41. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado Considera-se a posse “velha” após o período de: a. 4 (quatro) anos b. 2 (dois) anos e 1 (um) dia c. 5 (cinco) anos d. 1 (um) ano e 1 (um) dia e. apenas 1 (um) ano http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 78 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 42. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado O tempo de permanência ininterrupta na área rural, para que o ocupante possa requerer ao juiz, no usucapião pro labore, que o declare detentor do domínio, é de: a. 15 (quinze) anos b. 7 (sete) anos c. 3 (três) anos d. 10 (dez) anos e. 5 (cinco)anos 43. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado O possuidor de má-fé tem direito a: a. ressarcimento das benfeitorias úteis, sem direito de retenção do imóvel b. indenização das benfeitorias necessárias e das úteis, mas só pode reter o imóvel em razão das necessárias c. ressarcimento das benfeitorias necessárias, sem direito de retenção do imóvel d. indenização das benfeitorias necessárias e das úteis sem direito de retenção do imóvel e. indenização das benfeitorias necessárias com direito de retenção do imóvel 44. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado Em caso de turbação de posse: a. a ação cabível é a reintegração de posse b. o possuidor precisa provar que é o dono da coisa c. se o dono da coisa for o turbador, não há ação contra ele d. o possuidor pode se defender com o interdito proibitório e. o possuidor pode se servir da ação de manutenção. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 79 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 45. 2006 – CESPE – AGU – Advogado da União A ocupação de bem público dominical traz como consequência o reconhecimento da posse tolerada, afigurando-se admissível o pleito de proteção possessória e assegurando-se ao possuidor indenização pelas benfeitorias feitas no imóvel, bem como a prerrogativa do direito de retenção. 46. 2005 – FCC – PGE/SE – Procurador do Estado É de boa-fé a posse (A) somente se autorizada expressamente pelo proprietário ou pelo titular do domínio útil. (B) se o possuidor ignorar o vício ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. (C) apenas quando o possuidor ostentar título de domínio. (D) depois de decorrido prazo para aquisição da propriedade por usucapião ordinária. (E) se, entre presentes, for tolerada pelo proprietário ou pelo titular de domínio útil. 47. 2005 – PGE – PGE/MS – Procurador do Estado Aponte, de acordo com os itens abaixo, qual alternativa retrata requisitos para a aquisição da propriedade móvel por usucapião: I) Posse de 3 anos entre ausentes e cinco entre presentes; II) O justo título e a boa-fé são sempre requisitos da usucapião de coisa móvel; III) Ocorre a prescrição aquisitiva de móvel no prazo de três anos, mas a lei exige, ainda, posse continua incontestável, justo título e boa-fé: IV) Produzirá usucapião a posse de cinco anos, independente de justo titulo boa-fé; V) As causas suspensivas ou interruptivas da prescrição não se aplicam à usucapião de coisas móveis. a) Só os itens I e II são falsos: b) Só os itens I e V são falsos: c) Só os itens III e IV são verdadeiros; d) Só os itens IV e V são verdadeiros; http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 80 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa e) Todos os itens são falsos. 48. 2004 – CESPE – PGE/AM - Procurador do Estado Acerca da posse e da propriedade, julgue os itens a seguir. O terceiro, que não o proprietário ou possuidor, responsável por benfeitorias em um imóvel deve ter assegurado seu direito de retenção. 49. 2004 – FUNDEP – Câmara Municipal/Belo Horizonte – Procurador Legislativo Considerando-se os efeitos da posse, é INCORRETO afirmar que A) a união de sua posse à do antecessor é facultada ao sucessor singular. B) o direito de levantar as benfeitorias voluptuárias não assiste ao possuidor de máfé. C) o possuidor de boafé jamais responde pela perda da coisa. D) o possuidor de máfé, em regra, responde pela perda da coisa. 50. 2003 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual Quem, não sendo proprietário de outro imóvel urbano ou rural, possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio (A) somente depois de dez anos ininterruptos entre presentes e quinze anos entre ausentes, por usucapião ordinária. (B) por acessão, após dez anos ininterruptos. (C) por usucapião, após cinco anos ininterruptos. (D) somente após vinte anos ininterruptos, desde que ostente justo título e boa-fé, por usucapião. (E) apenas se ostentar justo título e boa-fé, após dez anos ininterruptos desde o término da construção da moradia, pela usucapião social. 51. 2003 – CESPE - DPE/AM – Defensor Público Estadual Em relação à posse e à propriedade, julgue os itens a seguir: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 81 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Não se adquire a propriedade por usucapião sem sentença que declare tal direito, pois esta é requisito formal da aquisição da propriedade pela prescrição aquisitiva. 52. 2002 – ESAF – PGM/Fortaleza (CE) – Procurador Municipal Assinale a opção falsa. a) Não se pode alegar usucapião pendendo condição suspensiva. b) A posse ad usucapionem deverá ser exercida com animus domine, mansa e continuamente, durante o prazo exigido por lei. c) A posse do credor pignoratício não afasta a possibilidade de usucapião. d) O usucapião tem por fundamento a consolidação da propriedade, dando juridicidade a uma situação fática: a posse unida ao tempo. e) O usucapião é um modo de aquisição da propriedade e de outros direitos reais (usufruto, uso, habitação, enfiteuse e servidão predial) pela posse prolongada da coisa com a observância dos requisitos legais. 53. 2001 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal Adolfo vendeu seu carro, o qual utilizava diariamente, para Benício. Entretanto, conforme previamente acordado, Adolfo continuará a usá-lo a título de empréstimo de coisa infungível. Em face dessa situação hipotética e da legislação civil relacionada ao direito das coisas, julgue os seguintes itens. Adolfo, antes e depois da venda, teve e tem a posse do bem jurídico objeto da venda. 54. 2001 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal Adolfo vendeu seu carro, o qual utilizava diariamente, para Benício. Entretanto, conforme previamente acordado, Adolfo continuará a usá-lo a título de empréstimo de coisa infungível. Em face dessa situação hipotética e da legislação civil relacionada ao direito das coisas, julgue os seguintes itens. Após a venda, Adolfo teráば direito ao uso dos interditos possessórios. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 82 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Gabaritos Gabaritos das questões com comentários ao longo da aula: 2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto D 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado E 2015 – UFPR – PGM/Curitiba (PR) – Procurador Municipal B 2014 – FCC – DPE/RS – Defensor Público Estadual A 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado C 2014 – VUNESP – PGM/SP – Procurador Municipal D 2013 – CESPE – AGU – Procurador Federal E Gabaritos das questões sem comentários ao longo da aula: 1. 2017 – TRF – TRF/2ª Região – Juiz Federal Substituto D 2. 2016 – TRF 3ª REGIÃO – TRF 3ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto D http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 83 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 3. 2016 – TRF 4ª REGIÃO – TRF 4ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto A 4. 2016 – VUNESP – TJ/RJ – Juiz Estadual Substituto E 5. 2016 – CESPE – PGE/AM – Procurador do Estado E 6. 2016 – FCC – PGE/MA – Procurador do Estado A 7. 2016– FUNDATEC – PGM/Porto Alegre (RS) – Procurador Municipal C 8. 2016 – FUNRIO – PGM/Trindade (GO) – Procurador Municipal B 9. 2016 – FCC – DPE/BA – Defensor Público Estadual B 10. 2015 – CESPE – TRF/1ª Região – Juiz Federal Substituto B 11. 2015 – FCC – TJ/AL – Juiz Estadual Substituto C 12. 2015 – FCC – TJ/SC – Juiz Estadual Substituto E 13. 2015 – CESPE – TRF 5ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto C 14. 2015 – FCC – TJ/PE – Juiz Estadual Substituto http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 84 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa E 15. 2015 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto A 16. 2015 – MPE/SP – MPE/SP – Promotor de Justiça Substituto D 17. 2015 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual A 18. 2015 – CESPE – DPE/PE – Defensor Público Estadual E 19. 2014 – FCC – TJ/AP – Juiz Estadual Substituto B 20. 2014 – FCC – TJ/AP – Juiz Estadual Substituto C 21. 2014 – FMP/RS – TJ/MT – Juiz Estadual Substituto D 22. 2014 – FUNRIO – INSS – Analista do Seguro Social D 23. 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado C 24. 2013 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto C 25. 2013 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto D http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 85 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 26. 2013 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado B 27. 2013 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado C 28. 2013 – FCC – DPE/AM – Defensor Público Estadual C 29. 2012 – FCC – PGE/SP – Procurador do Estado A 30. 2012 – FCC – DPE/PR – Defensor Público Estadual C 31. 2012 – CESPE – DPE/AC – Defensor Público Estadual E 32. 2012 – FCC – DPE/SP – Defensor Público Estadual E 33. 2011 – COPS/UEL – PGE/PR – Procurador do Estado E 34. 2011 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado A 35. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União E 36. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual C http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 86 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 37. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual E 38. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual E 39. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual C 40. CESPE – AGU – 2007 – Procurador Federal C 41. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado D 42. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado E 43. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado C 44. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado E 45. 2006 – CESPE – AGU – Advogado da União E 46. 2005 – FCC – PGE/SE – Procurador do Estado B 47. 2005 – PGE – PGE/MS – Procurador do Estado C http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 87 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 48. 2004 – CESPE – PGE/AM - Procurador do Estado E 49. 2004 – FUNDEP – Câmara Municipal/Belo Horizonte – Procurador Legislativo C 50. 2003 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual C 51. 2003 – CESPE - DPE/AM – Defensor Público Estadual E 52. 2002 – ESAF – PGM/Fortaleza (CE) – Procurador Municipal C 53. 2001 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal C 54. 2001 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal C Questões com comentários Aqui, as questões que foram comentadas ao longo da aula, com comentários: 2016 – FAURGS – TJ/RS – Juiz Estadual Substituto Assinale a alternativa correta a respeito da disciplina da Posse no Código Civil. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 88 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa a) Considera-se possuidor todo aquele que tem de direito o exercício, pleno ou não, de algum dos direitos inerentes à propriedade. b) A posse direta anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. c) Considera-se possuidor indireto aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. d) Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, pode cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores. e) É justa a posse, se o possuidor ignora o vício ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. Comentários A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 1.196: “Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade”. A alternativa B está incorreta, segundo o art. 1.197: “A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto”. A alternativa C está incorreta, conforme o art. 1.198: “Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. A alternativa D está correta, na literalidade do art. 1.199: “Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores”. A alternativa E está incorreta, na dicção do art. 1.201: “É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. 2015 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado Em relação à posse analise as seguintes assertivas: I. O possuidor de má-fé responde, em qualquer caso, pela deterioração da coisa, salvo se acidental. II. A posse é transmitida ao legatário do possuidor com as mesmas características da posse originária. III. É de boa-fé a posse adquirida pelo possuidor que ignora o obstáculo que impede a aquisição da coisa. IV. A alegação de propriedade não impede a reintegração na posse. Quais estão corretas? http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 89 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A) Apenas I e IV. B) Apenas II e III. C) Apenas I, II e III. D) Apenas I, II e IV. E) Apenas II, III e IV. Comentários O item I está incorreto, na forma do art. 1.218: “O possuidor de má-fé responde pela perda, ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante”. O item II está correto, consoante regra do art. 1.206: “A posse transmite-se aos herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos caracteres”. O item III está correto, conforme estabelece o art. 1.201: “É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. O item IV está correto, de acordo com o art. 1.210, § 2º: “Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito sobre a coisa”. A alternativa E está correta, portanto. 2015 – UFPR – PGM/Curitiba (PR) – Procurador Municipal Sobre usucapião, considere as seguintes situações: 1 A Associação de Moradores da Comunidade Pinhal, regularmente constituída, tem legitimidade, como substituto processual, para ajuizar ação deusucapião especial coletiva urbana em favor dos associados que expressamente a autorizaram a regularizar a situação do imóvel de 900 m2 que habitam com suas famílias há 6 anos, ininterruptamente e sem oposição. Pinhal é uma comunidade de famílias de baixa renda e não foi possível identificar de forma individual os terrenos ocupados por cada grupo. A sentença que acolher o pedido declarará o direito dos compossuidores à usucapião e atribuirá a cada um deles fração ideal do terreno sem levar em conta a dimensão que cada qual ocupa na área. 2. Na usucapião especial urbana ou constitucional não é admissível a acessio possessionis, ou seja, a acessão ou junção da posse, pois não há transmissão da posse por ato intervivos, já que se exige que a posse seja pessoal. De outro lado, poderá utilizar-se o prazo do ex-possuidor, no caso de sucessio possessionis, quando o sucessor, ao tempo do óbito, já residia no imóvel, porque não haverá quebra do período possessório de cinco anos. 3. Marialva recebeu por herança uma pequena chácara em Adrianópolis, mas pretende vendê-la para comprar um carro, porque já está acostumada a morar em Curitiba. Antes, porém, quer resolver a situação do apartamento http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 90 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa de 200 m2 no Bairro Alto, onde vive com seus dois filhos gêmeos de 5 anos. O imóvel foi comprado quando ela ainda coabitava com o pai dos meninos, que deixou o convívio familiar há 2 anos. Ele não colabora com as despesas do lar, nem visita os gêmeos regularmente, mas não se opõe a que Marialva habite o apartamento. Marialva reúne as condições para aquisição da integralidade desse imóvel através de usucapião familiar. Assinale a alternativa correta. a) Somente a afirmativa 1 é verdadeira. b) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras. c) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. e) As afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras. Comentários O item I está correto, na forma do art. 12, inc. III do Estatuto: “São partes legítimas para a propositura da ação de usucapião especial urbana, como substituto processual, a associação de moradores da comunidade, regularmente constituída, com personalidade jurídica, desde que explicitamente autorizada pelos representados”. Boa parte desse item ainda se baseia na redação original do art. 10, mas isso não invalida, de per si, o item. Vide, novamente, a redação original (“As áreas urbanas com mais de duzentos e cinquenta metros quadrados, ocupadas por população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os terrenos ocupados por cada possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural”) e a atual (“Os núcleos urbanos informais existentes sem oposição há mais de cinco anos e cuja área total dividida pelo número de possuidores seja inferior a duzentos e cinquenta metros quadrados por possuidor são suscetíveis de serem usucapidos coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural”). O item II está correto, conforme o art. 1.240 (“Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”), que exige posse ininterrupta. Ademais, vide o art. 9º, §3º do Estatuto: “Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo continua, de pleno direito, a posse de seu antecessor, desde que já resida no imóvel por ocasião da abertura da sucessão”. O item III está incorreto, de acordo com o art. 1.240-A, §1º: “O direito previsto no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez”. A alternativa B está correta, portanto. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 91 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 2014 – FCC – DPE/RS – Defensor Público Estadual José da Silva tomou conhecimento da existência de uma rudimentar casa urbana de veraneio, construída sobre um terreno de 300 m2, que estava desocupada e, com sua esposa e dois filhos, esbulhou o imóvel em 5 de abril de 1998. Desde então, estabeleceu no imóvel sua moradia habitual, mantendo posse com ânimo de dono, de forma pública, contínua, mansa e pacífica. Em 10 de junho de 2010, por contrato particular de compra e venda, José alienou o imóvel a Pedro de Souza, pelo valor de R$ 14.000,00, tendo o comprador passado a utilizar o imóvel também para sua moradia, mantendo as mesmas características da posse exercida pelo vendedor. Em 10 de junho de 2014, Pedro recebeu citação em ação reivindicatória ajuizada pelo espólio do proprietário registral do imóvel, procurando a Defensoria Pública para a defesa de seus direitos. Nesse caso, Pedro (A) poderá, em sua defesa, alegar a ocorrência da prescrição aquisitiva, na modalidade extraordinária, hábil a ensejar a improcedência da ação reivindicatória contra si manejada. (B) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva, uma vez que a simples citação na ação ajuizada pelo espólio do proprietário registral interrompe a posse ad usucapionem. (C) não poderá, em sua defesa, alegar a ocorrência da prescrição aquisitiva, podendo, entretanto, ajuizar ação autônoma de usucapião extraordinária. (D) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva, em qualquer de suas modalidades, pois não atingido prazo suficiente para tanto. (E) não poderá alegar, tanto em sua defesa na ação petitória quanto em ação autônoma de usucapião, a ocorrência da prescrição aquisitiva na modalidade extraordinária, pois, em que pese tenha implementado o requisito temporal, a posse se originou em esbulho do vendedor. Comentários A alternativa A está correta, eis que Pedro pode unir seu tempo de posse com o do possuidor anterior, o que soma mais de 16 anos, sendo que a modalidade extraordinária permite aquisição mesmo que sem justo título ou boa-fé. A alternativa B está incorreta, já que, ainda que interrompesse o prazo aquisitivo, já estariam configurados 16 anos de posse mansa e pacífica, como dito na alternativa anterior. Ademais, como estabelece a jurisprudência, a usucapião pode servir de matéria de defesa em sede de ação real movida pelo proprietário registral. A alternativa C está incorreta, pois Pedro pode manejar ação autônoma, mas também pode usar a usucapião como matéria de defesa, como mencionei na alternativa anterior. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 92 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa D está incorreta, porque, como eu disse, já ultrapassado tempo suficiente para aquisição extraordinária. A alternativa E está incorreta, dado que, como dito antes, a boa-fé sequer é requisito para essa forma de aquisição e, ainda que fosse, o exercício não menciona expressamente o conhecimento dele sobre a situação. 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado O possuidor de boa-fé: (A) é aquele cuja posse não é precária. (B) tem direito à indenização das benfeitorias necessárias, úteis e voluptuárias. (C) não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. (D) tem direito de retenção quantoàs benfeitorias, mas não tem direito aos frutos percebidos. Comentários A alternativa A está incorreta, já que boa-fé e justeza não se confundem. A posse não-precária caracteriza a posse justa, mas não necessariamente de boa- fé (posso possuir sabendo do vício de minha posse, mas possuo sem ser de maneira violenta, precária ou clandestina. A alternativa B está incorreta, como veremos mais adiante, havendo direito de indenização quanto às duas primeiras e de levantamento quanto à última, se possível sem causar dano à coisa. A alternativa C está correta, de acordo com o art. 1.217: “O possuidor de boa- fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa”. A alternativa D está incorreta, pois há direito aos frutos percebidos ao possuidor de boa-fé, mas não aos percipiendos ou pendentes. 2014 – VUNESP – PGM/SP – Procurador Municipal Gustavo e sua família passaram a ocupar bem público dominical de 250 m² (duzentos e cinquenta metros quadrados), em área urbana, utilizando-o como moradia da família e realizando diversas benfeitorias úteis e voluptuárias. O bem estava sem utilização pela Administração Pública, mas, passados 5 (cinco) anos, o município pretendia utilizá-lo para determinadas funções. Assim, foi ajuizada ação com o objetivo de retirar a família do local. Nesse panorama, partindo da premissa que a família sabia se tratar de bem público, é correto afirmar que (A) de acordo com as características do imóvel, o instituto da usucapião beneficia a família. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 93 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa (B) o município deverá indenizar pelas benfeitorias úteis, mas não pelas voluptuárias. (C) a retirada da família do imóvel urbano só é possível após as indenizações pelas benfeitorias realizadas. (D) o município tem pretensão de retomada do bem, independentemente de qualquer indenização. (E) de acordo com as características do imóvel, o instituto da usucapião beneficia a família tão somente se não forem proprietários de outro imóvel. Comentários A alternativa A está incorreta. Na realidade, essa alternativa é bastante dúbia, já que obviamente a usucapião beneficiaria a família, não tenho dúvida. No entanto, essa é uma alternativa para ver bem “o que o examinador quer”, já que se vista com cuidado, a alternativa quer significar “pode a família usucapir o imóvel?”. Por se tratar de bem público, a resposta é negativa. A alternativa B está incorreta, já que não há posse e, portanto, não há direito de indenização por benfeitorias realizadas. Há mera detenção do bem, pois como os bens públicos são insuscetíveis de usucapião, não se pode qualificar a estadia de alguém num bem público como posse. A alternativa C está incorreta, igualmente, pelas mesmas razões vistas na alternativa anterior. A alternativa D está correta, pois, em havendo esbulho possessório de bem público, a reintegração independe de qualquer indenização. A alternativa E está incorreta, pelas mesmas razões que mencionei nas alternativas A e B. 2013 – CESPE – AGU – Procurador Federal Quando o proprietário de um bem imóvel, efetivando uma relação jurídica negocial com terceiro, transfere-lhe o poder de fato sobre esse bem, ocorre a composse, de forma que qualquer dos dois poderá defender a posse contra terceiros. Comentários O item está incorreto, pois a composse exige que todos os titulares possam utilizar a coisa diretamente, sem exclusão, o que não ocorre numa transferência dos poderes proprietários. Aqui, as questões que não foram tratadas ao longo da aula, com comentários: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 94 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 1. 2017 – TRF – TRF/2ª Região – Juiz Federal Substituto Em maio de 2015, Gaio intenta ação objetivando ver reconhecida a usucapião sobre imóvel de 150 m2, localizado em terreno de marinha, com enfiteuse regularmente constituída em favor de Tício, em 1980. Gaio mostra que, diante do aparente abandono local, desde 1997 passou a exercer posse contínua e não incomodada sobre a área, com ânimo de proprietário, realizando melhorias e pagando as despesas, impostos e foro sobre o bem. Os autos revelam que Tício fora interditado em 2004, e afirmado, segundo a lei vigente, absolutamente incapaz. Desde então não ocorreu a mudança de seu quadro de interdição. Considerados corretos todos os dados acima, assinale a opção certa: a) No caso, é viável a usucapião extraordinária do domínio direto. b) Em tese, estão presentes e descritos os pressupostos para a usucapião especial urbana do domínio útil. c) Não é viável, nem em tese, reconhecer usucapião, seja do domínio direto, seja do domínio útil, já que o imóvel é público. d) A jurisprudência é assente ao admitir, em terreno de marinha objeto de aforamento, a possibilidade de usucapião extraordinária do domínio útil, mas no caso os pressupostos não estão presentes. e) Estão presentes os pressupostos para a declaração da usucapião extraordinária do domínio útil, mas não estão descritos os pressupostos necessários para a usucapião especial urbana. Comentários A alternativa A está incorreta, porque o domínio direto (o direito de propriedade elastecido ao seu limite) não pode ser usucapido por ser o bem público. A alternativa B está incorreta, primeiro, porque a rigor, aplicando-se o art. 1.244 (“Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião”), não correria o prazo de usucapião em desfavor de Tício, então absolutamente incapaz, a partir de 2004 (situação essa que não mais perdura com a modificação do art. 3º do CC/2002 pelo EPD), pelo que passados apenas 7 anos. Além disso, o enunciado não menciona se Gaio é ou não proprietário de outro bem ou que naquele estabeleceu sua moradia, requisitos esses necessários a reduzir o prazo para cinco anos, a teor do art. 1.240: “Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. A alternativa C está incorreta, porque, em tese, é possível reconhecer a usucapião sobre o domínio útil. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 95 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa D está correta, segundo o STF: “O ajuizamento de ação contra o foreiro, na qual se pretende usucapião do domínio útil do bem, não viola a regra de que os bens públicos não se adquirem por usucapião (RE 218.324-AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 20-4-2010, Segunda Turma, DJE de 28- 5-2010)”. A alternativa E está incorreta, já que o art. 1.238 (“Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis”) exige transcurso de15 anos, não ultrapassados em vista da incapacidade supramencionada. 2. 2016 – TRF 3ª REGIÃO – TRF 3ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto Sobre a posse, assinale a alternativa incorreta: a) A acessão possessória pode-se dar de modo facultativo ou por continuidade do direito recebido do antecessor. b) Admite-se o convalescimento da posse violenta e da posse clandestina. c) A possede boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente. d) O reivindicante, quando obrigado, indenizará as benfeitorias ao possuidor de má-fé pelo valor atual. Comentários A alternativa A está correta, como se extrai do art. 1.207: “O sucessor universal continua de direito a posse do seu antecessor; e ao sucessor singular é facultado unir sua posse à do antecessor, para os efeitos legais”. A alternativa B está correta, transmutando-se a posse violenta em mansa com a cessação dos atos de violência, e a posse clandestina em pública quando deixa ela de ser mantida às escusas. A alternativa C está correta, segundo o art. 1.202: “A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente”. A alternativa D está incorreta, na integral compreensão do art. 1.222: “O reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé, tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo”. 3. 2016 – TRF 4ª REGIÃO – TRF 4ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto Assinale a alternativa INCORRETA. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 96 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Acerca da usucapião de bens imóveis: a) O prazo da usucapião extraordinária é de 10 anos, podendo ser reduzido para 5 anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel sua moradia habitual ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo. b) O prazo da usucapião especial por abandono do lar, também conhecida como conjugal, é de 2 anos. c) O prazo da usucapião pro labore, também conhecida como especial rural, é de 5 anos. d) O prazo da usucapião documental, também conhecida como tabular, é de 5 anos. e) O prazo da usucapião especial coletiva de bem imóvel, previsto no Estatuto das Cidades, é de 5 anos. Comentários A alternativa A está incorreta, pois o prazo para usucapião extraordinária é de 15 anos, podendo ser reduzido a 10 anos: “Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. Parágrafo único. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo”. A alternativa B está correta, de acordo com o art. 1.240-A: “Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. A alternativa C está correta, segundo o art. 1.239: “Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinqüenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade”. A alternativa D está correta, nos termos do art. 1.242 (“Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos”) e seu parágrafo único (“Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econômico”). A alternativa E está correta, conforme art. 10 do Estatuto da Cidade. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 97 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 4. 2016 – VUNESP – TJ/RJ – Juiz Estadual Substituto Rony, há 6 (seis) anos ininterruptos e sem oposição, possui como sua uma pequena casa de 90 m², em área urbana, onde reside com sua família. Não é proprietário de outro imóvel, urbano ou rural. Anteriormente à sua posse, a casa era ocupada por um amigo seu que se mudou para outro Estado, mas Rony não sabe a que título seu amigo ocupava o imóvel. Dois anos após a ocupação por Rony, foi averbada na matrícula do imóvel uma certidão de distribuição de uma ação de execução em face do formal proprietário do bem. Rony não recebeu notícia da averbação realizada. Diante dessas circunstâncias, é correto afirmar que a) a averbação da certidão de distribuição da execução interrompeu o prazo para prescrição aquisitiva. b) não se operou a prescrição aquisitiva, por falta de lapso temporal suficiente. c) a averbação da certidão de distribuição da execução suspende o prazo para prescrição aquisitiva, até que seja cancelada a averbação por algum motivo. d) Rony não usucapiu o imóvel na medida em que a averbação da certidão de distribuição da execução implica na impossibilidade de usucapir por modalidade diversa da usucapião extraordinária. e) se operou a prescrição aquisitiva em favor de Rony, pela denominada usucapião especial urbana residencial individual. Comentários A alternativa A está incorreta, justamente porque, apesar de se insistir chamar a usucapião de prescrição aquisitiva, pela leitura equivocada do art. 1.244, não se enquadra a situação narrada em nenhuma das hipóteses legais. A alternativa B está incorreta, segundo o art. 1.239: “Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinqüenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade”. A alternativa C está incorreta, pelas mesmas razões da alternativa A, supramencionada. A alternativa D está incorreta, já que a averbação não limita a usucapião à modalidade extraordinária. A alternativa E está correta, segundo o STJ: “A decisão que reconhece a aquisição da propriedade de bem imóvel por usucapião prevalece sobre a hipoteca judicial que anteriormente tenha gravado o referido bem. Isso porque, com a declaração de aquisição de domínio por usucapião, deve desaparecer o http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 98 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa gravame real constituído sobre o imóvel, antes ou depois do início da posse "ad usucapionem", seja porque a sentença apenas declara a usucapião com efeitos "ex tunc", seja porque a usucapião é forma originária de aquisição de propriedade, não decorrente da antiga e não guardando com ela relação de continuidade (REsp 620.610/DF, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 19/02/2014)”. 5. 2016 – CESPE – PGE/AM – Procurador do Estado Por meio de esbulho, Ronaldo obteve a posse de lote urbano pertencente ao estado do Amazonas. Nesse lote, ele construiu sua residência, na qual edificou uma série de benfeitorias, tais como piscina e churrasqueira. O estado do Amazonas, por intermédio de sua procuradoria, ingressou em juízo para reaver o imóvel. Nessa situação, Ronaldo poderá exigir indenização por todas as benfeitorias realizadas e exercer o direito de retenção enquanto não for pago o valorda indenização. Comentários O item está incorreto, conforme o art. 102, “os bens públicos não estão sujeitos a usucapião”. Por isso, Ronaldo não é possuidor, mas mero detentor, nos termos do art. 1.208 do CC/2002. 6. 2016 – FCC – PGE/MA – Procurador do Estado Marcelo possuiu, como seu, imóvel no qual estabeleceu sua moradia habitual, por onze anos, sem interrupção nem oposição, e não ostentando justo título. No imóvel, foram descobertas jazidas e recursos minerais. Em ação de usucapião, Marcelo requereu fosse declarada aquisição do imóvel e das jazidas e recursos minerais, pelo transcurso do tempo. A pretensão (A) procede em parte, porque a usucapião extraordinária independe de justo título e seu prazo ́ reduzido de quinze para dez anos quando o possuidor estabelece no imóvel sua moradia habitual, poŕm, a usucapião não alcançaráば as jazidas e recursos minerais, porque a propriedade do solo não as abrange. (B) procede em parte, porque a usucapião extraordinária independe de justo título e seu prazo ́ reduzido de vinte para dez anos quando o possuidor estabelece no imóvel sua moradia habitual, poŕm, a usucapião não alcançaráば as jazidas e recursos minerais, porque a propriedade do solo não as abrange. (C) não procede, porque as terras em que se encontram jazidas e recursos minerais não podem ser usucapidas. (D) procede no todo, porque a usucapião extraordinária independe de justo título e seu prazo ́ reduzido de vinte para dez anos quando o possuidor http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 99 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa estabelece no imóvel sua moradia habitual e com a aquisição da propriedade do solo, adquire-se a propriedade das jazidas e recursos minerais, que ao solo pertencem. (E) não procede, porque a usucapião, em qualquer de suas espécies, demanda a existência de justo título. Comentários A alternativa A está correta, pela combinação dos arts. 1.230 e 1.238 do CC/2002, conforme veremos abaixo. A alternativa B está incorreta, pela regra do art. 1.238: “Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis”. A alternativa C está incorreta, eis que não há qualquer restrição à usucapião em situações análogas. A alternativa D está incorreta, na forma do art. 1.230: “A propriedade do solo não abrange as jazidas, minas e demais recursos minerais, os potenciais de energia hidráulica, os monumentos arqueológicos e outros bens referidos por leis especiais”. A alternativa E está incorreta, na literalidade do art. 1.238, já mencionado: “Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis”. 7. 2016 – FUNDATEC – PGM/Porto Alegre (RS) – Procurador Municipal Um terreno urbano baldio (“Terreno A”) foi vendido ao Sr. João que, ao ingressar no imóvel, tomou, sem perceber, posse do imóvel lindeiro (“Terreno “B”). O Terreno B possuía 220 metros quadrados e era de propriedade do Município já na época da aquisição do Terreno A pelo Sr. João. O Sr. João cercou o Terreno B, limpou-o, plantou algumas árvores frutíferas e fez construir uma cerca, evitando possíveis invasões, comuns naquela região. Somente sete anos depois da utilização ininterrupta, a administração municipal se apercebeu do fato e, ato contínuo, notificou o Sr. João. Na notificação, o Município comprovou a sua propriedade sobre a área e deu um prazo de seis meses para que o Sr. João devolvesse o Terreno B ao Município. Passados esses seis meses, o Sr. João não devolveu o Terreno B, alegando que tem direitos sobre a área. Com base nesses fatos, analise as afirmações a seguir: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 100 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa I. O Sr. João não deve devolver ao Município o Terreno B, haja vista o transcurso do prazo de usucapião aplicável ao caso em razão das características do Terreno B. ͒ II. Mesmo depois de notificado e de não ter respeitado o prazo fixado, o Sr. João pode reter o imóvel até ser indenizado pela cerca construída e pelas árvores plantadas. ͒ III. O Sr. João não tem direito a obter a propriedade pela usucapião e nem a ser ressarcido pelas benfeitorias realizadas no Terreno B. ͒ Quais estão corretas? A) Apenas I. B) Apenas II. C) Apenas III. D) Apenas I e II. E) Apenas II e III. Comentários O item I está incorreto, na letra do art. 102: “Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião”. O item II está incorreto, eis que o uso de bem público não configura posse, mas mera detenção, não sendo aplicáveis as consequências da posse, como o direito à indenização pelas benfeitorias e acessões e a retenção do bem até a indenização devida. Nesse sentido, o STJ: REsp 556.721/DF, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 03/10/2005, p. 172. O item III está correto, assim, já que a detenção não confere ao detentor qualquer das consequências da posse, como o direito à usucapião ou à retenção do bem pelas benfeitorias realizadas. A alternativa E está correta, portanto. A alternativa C está correta, portanto. 8. 2016 – FUNRIO – PGM/Trindade (GO) – Procurador Municipal Em relação aos efeitos e à perda da posse, é INCORRETA a seguinte afirmativa: a. A posse, diante da funcionalização dos institutos jurídicos, deve exercer uma função social. b. Ainda que o possuidor não tenha presenciado o esbulho, caso a coisa tenha sido tomada por terceiro, considera-se perdida a posse. c. O possuidor tem direito de ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 101 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa d. Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo notícia dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido. e. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. Comentários A alternativa A está correta, eis que, conforme a doutrina contemporânea, a posse também é funcionalizada. A alternativa B está incorreta, na forma do art. 1.224: “Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo notícia dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido”. A alternativa C está correta, na dicção do art. 1.210: “O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado”. A alternativa D está correta, pelas mesmas razões supramencionadas na alternativa B, segundo o art. 1.224. A alternativa E está correta, na literalidade do art. 1.197: “A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto”. 9.2016 – FCC – DPE/BA – Defensor Público Estadual A posse-trabalho (A) pode gerar a desapropriação de terras públicas em favor de um grupo de pessoas que realizou obras ou serviços considerados de interesse social e econômico relevante. (B) pode gerar ao proprietário a privação da coisa reivindicada, se for exercida em extensa área por prazo ininterrupto de cinco anos, mas o proprietário tem direito à fixação de justa indenização. (C) é aquela que permite a usucapião especial urbana, em imóveis com área não superior a 250 metros quadrados e, por ser forma originária de aquisição da propriedade, independe de indenização. (D) está prevista no Estatuto da Cidade como requisito para a usucapião coletiva de áreas urbanas ou rurais onde não for possível identificar os terrenos ocupados por cada possuidor. (E) se configura como a mera detenção, também chamada de fâmulo da posse, fenômeno pelo qual alguém detém a posse da coisa em nome alheio. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 102 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Comentários A alternativa A está incorreta, pela aplicação do art. 102: “Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião”. Sendo a posse requisito indispensável da usucapião, impossível tratar desta sem aquela. A alternativa B está correta, na forma do art. 1.228, §§ 4º (“O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número de pessoas, e estas nela houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante”) e 5º (“No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário; pago o preço, valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores”) do CC/2002. A alternativa C está incorreta, pois o art. 9º do Estatuto da Cidade (“Aquele que possuir como sua área ou edificação urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”) e o art. 1.240 do CC/2002 (“Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”) tratam da posse-moradia. A alternativa D está incorreta, já que o art. 10 do Estatuto trata da posse- moradia: “As áreas urbanas com mais de duzentos e cinquenta metros quadrados, ocupadas por população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os terrenos ocupados por cada possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural”. A alternativa E está incorreta, eis que aquele que possui bem para nele trabalhar não se considera detentor. 10. 2015 – CESPE – TRF/1ª Região – Juiz Federal Substituto Pedro adquiriu um imóvel de Manoel por meio de cessão de direitos. Manuel vendeu o imóvel — que era objeto de contrato de financiamento, adquirido de acordo com as normas do Sistema Financeiro de Habitação — porque não lograva êxito em pagar as prestações devidas há um ano, o que acarretou, inclusive, ação de execução hipotecária. O imóvel estava hipotecado e devidamente registrado. Nessa situação hipotética, a posse exercida por Pedro foi a) justa, devido à presunção de boa-fé. b) de má-fé, uma vez que havia registro da hipoteca. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 103 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa c) clandestina, por ter sido adquirida às ocultas da instituição financeira. d) precária, ante o abuso de direito por parte da instituição financeira. e) de boa-fé, por atender a função social. Comentários A questão foi anulada, bizarramente, porque ManOel foi grafado, depois, como ManUel. CESPE anula a questão por isso, mas não anula por muito mais. De qualquer forma, isso não nos impede de analisar a questão e praticar. A alternativa A está incorreta, pois o gravame agasta a presunção de boa-fé. A alternativa B está correta, conforme dito na alternativa anterior. A alternativa C está incorreta, já que o adquirente, segundo o enunciado, não ocultou a aquisição. A alternativa D está incorreta, eis que não houve abuso de confiança, em momento algum. A alternativa E está incorreta, dado que, ainda que fosse possível extrair daí funcionalização da posse, ela é de má-fé, como dito anteriormente. 11. 2015 – FCC – TJ/AL – Juiz Estadual Substituto A posse direta de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de algum direito a) pessoal ou real anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, não podendo, porém, defender sua posse contra o que teve posse direta. b) real não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, mas esse mesmo direito não terá, se a posse direta advier de direito pessoal. c) pessoal ou real não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. d) pessoal não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, mas esse mesmo direito não terá se a posse direta advier de direito real. e) pessoal ou real anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto, bem como defender a sua posse contra o que teve posse direta. Comentários A alternativa A está incorreta, segundo o art. 1.197: “A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 104 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa B está incorreta, por aplicação do mesmo art. 1.197 supracitado. A alternativa C está correta, mais uma vez, de acordo com o supramencionado art. 1.197. A alternativa D está incorreta, já que se aplica a defesa da posse seja ela advinda de direito real ou pessoal. A alternativa E está incorreta, novamente, porque a posse direta não anula a indireta. 12. 2015 – FCC – TJ/SC – Juiz Estadual Substituto João X, que se estabelecera em um terreno abandonado havia um (01) ano e nele construíra um casebre, foi surpreendido com a citação para defender- se em ação de reintegração de posse, movida por José Y, que alegava e provava ter adquirido o imóvel, conforme escritura de compra e venda devidamente registrada, três (03) anos atrás. A ação possessória deverá ser julgada a) procedente, mas João X terá direito à retenção do imóvel, enquanto não for indenizado da construção. b) procedente, mas João X deverá ser indenizado da construção, se possuidor de boa fé, mas sem direito de retenção. c) improcedente e José Y ficará impedido de ajuizar ação reivindicatória. d) procedente, porque o registro da escritura de compra e venda torna o negócio oponível a terceiros e, por isso, a posse de João X é injusta. e) improcedente, masJosé Y não ficará inibido de ajuizar ação reivindicatória. Comentários A alternativa A está incorreta, porque a base do argumento de João Y, o sustentáculo de sua pretensão processual não é a posse, mas a propriedade, o que vai de encontro ao art. 557 do CPC/2015: “Na pendência de ação possessória é vedado, tanto ao autor quanto ao réu, propor ação de reconhecimento do domínio, exceto se a pretensão for deduzida em face de terceira pessoa”. A alternativa B está incorreta, pelas mesmas razões da alternativa anterior. A alternativa C está incorreta, dado que a discussão sobre a posse não afasta, de per si, a ação reivindicatória, independentemente do seu andamento ou resultado. A alternativa D está incorreta, porque o simples fato de ter João Y registrado a aquisição não impede João X de pretender obter a titularização da propriedade, quando for possível, por intermédio da usucapião. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 105 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa E está correta, pois, como dito, a ação reivindicatória ainda é uma possibilidade a João Y, já que seu argumento se baseia na alegação de propriedade, e não de posse. 13. 2015 – CESPE – TRF 5ª REGIÃO – Juiz Federal Substituto Roberto, juntamente com sua família, ocupou, cercou e construiu uma casa, um curral e um pequeno lago artificial em uma terra pública situada em área rural. O poder público, ao tomar ciência da ocupação, ajuizou ação de reintegração de posse. Em defesa, Roberto alegou que a posse se dera de boa-fé e que ele já havia feito um pedido administrativo requerendo a regularização da propriedade. O réu ainda alegou que, caso o pedido do poder público fosse procedente, ele deveria ser indenizado pelas benfeitorias erigidas, com direito de retenção. A respeito dessa situação hipotética, assinale a opção correta. a) Com exceção do lago artificial, Roberto fará jus a indenização pelas demais benfeitorias erigidas no imóvel. b) Roberto terá direito à indenização pela casa, mas lhe será descontado o valor correspondente ao tempo de permanência no imóvel. c) O direito de retenção pelas benfeitorias necessárias não poderá ser deferido. d) A posse não pode ser considerada de má-fé, o que torna indenizáveis as benfeitorias úteis e necessárias feitas por Roberto. e) A indenização pelo curral depende de prova de utilidade pelo poder público após a retomada do imóvel. Comentários A alternativa A está incorreta, eis que nenhuma das benfeitorias lhe será indenizada, indistintamente. A alternativa B está incorreta, pelas mesmas razões mencionadas na alternativa anterior. A alternativa C está correta, segundo o STJ: “EMBARGOS DE TERCEIRO - MANDADO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE - OCUPAÇÃO IRREGULAR DE ÁREA PÚBLICA - INEXISTÊNCIA DE POSSE - DIREITO DE RETENÇÃO NÃO CONFIGURADO. 1. Posse é o direito reconhecido a quem se comporta como proprietário. Posse e propriedade, portanto, são institutos que caminham juntos, não havendo de ser reconhecer a posse a quem, por proibição legal, não possa ser proprietário ou não possa gozar de qualquer dos poderes inerentes à propriedade. 2. A ocupação de área pública, quando irregular, não pode ser reconhecida como posse, mas como mera detenção. 3. Se o direito de retenção depende da configuração da posse, não se pode, ante a consideração da inexistência desta, admitir o surgimento daquele direito advindo da necessidade de se indenizar as benfeitorias úteis e necessárias, e assim impedir o http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 106 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa cumprimento da medida imposta no interdito proibitório (REsp 556.721/DF, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2005, DJ 03/10/2005, p. 172)” A alternativa D está incorreta, porque, a despeito de a posse não ser de má-fé, não se fala em indenização de benfeitorias realizadas em área pública. A alternativa E está incorreta, mais uma vez, pelas mesmas razões já expostas nas alternativas anteriores. 14. 2015 – FCC – TJ/PE – Juiz Estadual Substituto Sociedade Agrícola Laranjal, ao levantar cercas em imóvel de sua propriedade, em cuja posse se encontra, constatou que parte da área havia sido invadida por seu vizinho Agrário, que supunha pertencer-lhe, porque as cercas, anteriormente existentes, haviam sido destruídas em razão de intempéries e má conservação. Por isso, aquela pessoa jurídica moveu ação de reintegração de posse, todavia, sem obter liminar. Mesmo depois de citado, em 15/6/2014, Agrário continuou exercendo atos possessórios e, no dia 20/6/2014, colheu as laranjas que estavam maduras, bem como recebeu, pelo arrendamento da outra parte da área, na ordem de R$ 1.000,00 por mês, com vencimento no dia 30 de cada mês vencido, até 30 de setembro de 2014, porque, tendo a autora obtido liminar por força de agravo de instrumento, foi ela reintegrada na posse em 01/10/2014. Nesse caso, Agrário deverá indenizar Sociedade Agrícola Laranjal a) somente do que recebeu a título de arrendamento, após a decisão que deferiu a liminar de reintegração de posse. b) somente das laranjas que colheu após a citação, se não puder entregá- las em espécie, mas não dos valores recebidos a título de arrendamento, os quais terão de ser cobrados do arrendatário, que pagou a quem não era proprietário do imóvel. c) das laranjas que colheu após a citação, bem como do que recebeu a título de arrendamento, ainda que referente a período anterior à citação d) de tudo o que recebeu a título de arrendamento e do que colheu, desde a data em que ingressou indevidamente na área vizinha. e) de quinze dias do valor do arrendamento, no mês de junho e da integralidade dos meses subsequentes, bem como do valor correspondente às laranjas colhidas em 15/06/2014, se não puder entregá-las em espécie. Comentários A alternativa A está incorreta, já que, por aplicação do art. 1.202 (“A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente”), a citação é ato que faz presumir a má-fé de Agrário, que toma http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 107 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa conhecimento de ação contra si, e não da procedência final ou do deferimento liminar. A alternativa B está incorreta, porque o arrendatário, não tendo sido parte na ação, pagou, de boa-fé, a quem se supunha possuidor de direito. A alternativa C está incorreta, pois não há que se falar em indenização pelo período anterior ao da citação, antes a aplicação do referido art. 1.202. A alternativa D está incorreta, mais uma vez, porque a posse, anterior, era de boa-fé, pelo que os frutos percebidos são do possuidor, só cessando o direito com o ato que transmuta a posse em posse de má-fé, qual seja, a citação, no caso. A alternativa E está correta, por tudo o que se disse nas alternativas anteriores. 15. 2015 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto Assinale a alternativa correta. (A) Os direitos autorais não podem ser objeto de protec ֚ão por meio de interdito proibitório, dada a impossibilidade do exercício da posse sobre coisas incorpóreas. (B) A via adequada para fazer cessar o esbulho ́ a ac ֚ão de manutenc ֚ão de posse, enquanto que o reḿdio para a turbac֚ão ́ a de reintegrac ֚ão de posse, conquanto as ac֚̃es possessórias sejam fungíveis. (C) ́ tamb́m possuidor aquele que, mesmo achando-se em situac ֚ão de depende Ǻncia para com o outro, conserva a posse em nome deste,sob suas instruc ֚̃es. (D) De regra, a posse do imóvel não faz presumir a das coisas móveis que nele estiverem. Comentários A alternativa A está correta, estando assentada a controvérsia no STJ: “CONSOLIDADA A JURISPRUDENCIA DO STJ NO SENTIDO DE QUE INCABIVEL O INTERDITO PROIBITORIO PARA A PROTEÇÃO DE DIREITO AUTORAL (REsp 144.907/SP)”. A alternativa B está incorreta, conforme o art. 1.210: “O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado”. A alternativa C está incorreta, de acordo com o art. 1.198: “Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. A alternativa D está incorreta, na dicção do art. 1.209: “A posse do imóvel faz presumir, até prova contrária, a das coisas móveis que nele estiverem”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 108 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 16. 2015 – MPE/SP – MPE/SP – Promotor de Justiça Substituto O artigo 1244 do Código Civil reza que: “Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou interrompem a prescrição, as quais tamb́m se aplicam a usucapião.” Assim, entre as alternativas apresentadas abaixo, marque aquela em que a usucapião poderá ser alegada: a) entre cônjuges na constância do casamento. b) entre tutelados e seus tutores, durante a tutela. c) contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra. d) contra os outros condôminos, uma vez cessado o estado de indivisão e comprovada a posse exclusiva da coisa. e) contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados e dos Municípios. Comentários A alternativa A está incorreta, de acordo com o art. 197, inc. I: “Não corre a prescrição entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal”. A alternativa B está incorreta, conforme o art. 197, inc. III: “Não corre a prescrição entre tutelados ou curatelados e seus tutores ou curadores, durante a tutela ou curatela”. A alternativa C está incorreta, na dicção do art. 198, inc. III: “Também não corre a prescrição contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas, em tempo de guerra”. A alternativa D está correta, segundo o STJ: “Esta Corte firmou entendimento no sentido de ser possível ao condômino usucapir se exercer posse exclusiva sobre o imóvel" (STJ, AgRg no Ag 731971/MS, Terceira Turma, Rel. Min.Sidnei Beneti, j. 23.09.08). A alternativa E está incorreta, consoante regra do art. 198, inc. II: “Também não corre a prescrição contra os ausentes do País em serviço público da União, dos Estados ou dos Municípios”. 17. 2015 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual Sobre a posse injusta, é INCORRETO afirmar que (A) ocorre quando o possuidor se apodera da coisa imbuído de má-fé. (B) é passível de convalescimento (interversão) em posse justa por ato consensual. (C) pode ser apta a gerar usucapião (posse ad usucapionem). http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 109 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa (D) ocorre somente quando a posse é violenta, clandestina ou precária. (E) permite ao possuidor injusto o direito à retenção em razão de benfeitorias úteis, desde que de boa-fé. Comentários A alternativa A está incorreta, já que, como eu disse, posse de má-fé e posse injusta não se confundem, compreendendo situações bem distintas, inclusive no plano da eficácia. A alternativa B está correta, porque a posse injusta pode se tornar justa por meio da interversão. A alternativa C está correta, pois, como veremos adiante, mesmo sendo injusta a posse pode gerar a pretensão de usucapião, em situações extraordinárias. A alternativa D está correta, conforme disse antes, a posse injusta se caracteriza exatamente por esses três elementos. A alternativa E está correta, eis que as benfeitorias se vinculam ao binômio boa- fé x má-fé, não à justeza da posse. 18. 2015 – CESPE – DPE/PE – Defensor Público Estadual Se João tiver ingressado no terreno de Pedro há seis meses, pacificamente, sem ocultar a invasão, e lá construído um barraco, não se terá caracterizado, nessa situação hipotética, o esbulho, visto que não ocorreu violência, clandestinidade ou precariedade, elementos caracterizadores da posse injusta. Comentários O item está incorreto, já que o esbulho independe de violência, clandestinidade ou precariedade; é um dado objetivo: a verificação da perda da posse, sendo irrelevante a ocorrência de um dos vícios objetivos, na situação concreta, sob pena de se obstar o possuidor legítimo a manejar qualquer das ações possessórias para proteger sua posse. Importarão esses elementos para a usucapião, mas não para a reintegração. 19. 2014 – FCC – TJ/AP – Juiz Estadual Substituto Sobre a posse e os direitos do possuidor, é correto afirmar: I. O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter- se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse. II. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo que são separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 110 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa III. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias. IV. As benfeitorias não se compensam com os danos e não dão direito ao ressarcimento mesmo quando não mais existirem ao tempo da evicção. V. Considera-se possuidor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro conserva a posse em nome deste e em cumprimento de suas ordens ou instruções. Está correto o que consta APENAS em a) III, IV e V. b) I, II e III. c) I, IV e V. d) II, III e IV. e) II, III e V. Comentários O item I está incorreto, na literalidade do art. 1.210, § 1º: “O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse”. O item II está incorreto, nos termos do art. 1.215: “Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo que são separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia”. O item III está correto, conforme o art. 1.220: “Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias”. O item IV está incorreto, segundo o art. 1.221: “As benfeitorias compensam-se com os danos, e só obrigam ao ressarcimento se ao tempo da evicção ainda existirem”. O item V está incorreto, na forma do art. 1.198: “Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. A alternativa B é a correta, portanto. 20. 2014 – FCC – TJ/AP – Juiz Estadual Substituto José e Maria, casados sob o regime da comunhão parcial de bens, adquiriram um terreno em loteamento devidamente registrado com área de 300 m2, nele construindo uma casa para residência da família, que ocupa 250 m2, sendo essa área murada, embora restassem nos fundos 50 m2, contíguos a umaoutra área destinada a uma praça que, entretanto, não foi concluída, http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 111 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa nem pela municipalidade, nem pelo loteador. José abandonou a família e Maria pediu separação judicial, convertida posteriormente em divórcio, sendo o cônjuge citado por edital, mas não houve a partilha de bens. Decorridos 6 anos do divórcio, José retornou e passou a ocupar a área remanescente de 50 m2 do imóvel referido e mais 200 m2 contíguos, onde se situaria a praça, nelas construindo sua moradia. As casas de José e Maria são as únicas de cada um. Passados 10 anos do divórcio e 5 anos desde que José veio a residir, com ânimo de dono, no local mencionado e sem que sofressem oposição às respectivas posses, a) apesar do tempo decorrido, nem José, nem Maria adquiririam o domínio exclusivo das áreas que ocupam porque, após a separação judicial, extinguindo-se o regime de bens do casamento, tornaram-se condôminos e o condômino não pode adquirir, por usucapião, a totalidade do imóvel. b) Maria só terá adquirido o domínio integral da área em que ficou residindo, depois de 5 anos e José não poderá adquirir por usucapião a área total que ocupa com exclusividade. c) Maria terá adquirido o domínio integral da área em que ficou residindo com a família, depois de 2 anos ininterruptos de sua posse exclusiva, mas José não poderá adquirir por usucapião a área total que ocupa com exclusividade. d) José e Maria terão adquirido pela usucapião a totalidade das áreas que ocupam, cada um deles após 2 anos de efetiva ocupação. e) José e Maria adquiriram o domínio das respectivas áreas, após 5 anos de efetiva ocupação. Comentários A alternativa A está incorreta, porque Maria usucapirá a área ocupada, de acordo com o art. 1.240-A: “Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. A alternativa B está incorreta, por aplicação do prazo bienal mencionado anteriormente. A alternativa C está correta, na conjugação do art. 1.240-A, supracitado, com o art. 102, citado infra, permitindo-se a José a usucapião da área de 50m2, apenas. A alternativa D está incorreta, porque a área pública é inusucapível por José, por força do art. 102: “Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião”. A alternativa E está incorreta, pelas mesmas razões mencionadas na alternativa anterior. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 112 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 21. 2014 – FMP/RS – TJ/MT – Juiz Estadual Substituto Analise as afirmativas abaixo. I - É admitida a modalidade de usucapião especial urbano residencial familiar de imóvel de até 250m², desde que computados dois anos de posse ininterrupta, exclusiva, sem oposição e direta, pelo cônjuge que permanece residindo no imóvel, contra o ex- cônjuge, ou ex-companheiro, que abandonou o lar e com quem dividia a propriedade, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. II - As normas do Código Civil que instituem causas obstativas, suspensivas ou interruptivas dos prazos prescricionais não são aplicáveis à disciplina específica das ações de usucapião. III - Para os fins da disciplina da usucapião ordinária, considera-se justo o título hábil, em tese, à transferência do domínio, sendo exemplo o título aquisitivo a non domino. IV - A boa-fé, dispensável na modalidade de usucapião extraordinária, mas indispensável na modalidade ordinária, é aquela relativa à dimensão psicológica. Quais estão corretas? a) Apenas a I e II. b) Apenas a II, III e IV. c) Apenas a III e IV. d) Apenas a I, III e IV. e) Apenas a I, II e III. Comentários O item I está correto, de acordo com o art. 1.240-A: “Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. O item II está incorreto, nos termos do art. 1.244: “Estende-se ao possuidor o disposto quanto ao devedor acerca das causas que obstam, suspendem ou interrompem a prescrição, as quais também se aplicam à usucapião”. O item III está correto, eis que da leitura do Enunciado 302 do CJF (“Pode ser considerado justo título para a posse de boa-fé o ato jurídico capaz de transmitir a posse ad usucapionem, observado o disposto no art. 113 do Código Civil”), pode-se inferir o título aquisitivo a non domino. O item IV está correto, já que, ao contrário da disciplina contratual, que trata da boa-fé objetiva, a posse trata da boa-fé subjetiva. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 113 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa D é a correta, portanto. 22. 2014 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado O possuidor de boa-fé: (A) é aquele cuja posse não é precária. (B) tem direito à indenização das benfeitorias necessárias, úteis e voluptuárias. (C) não responde pela perda ou deterioração da coisa a que não der causa. (D) tem direito de retenção quanto às benfeitorias, mas não tem direito aos frutos percebidos. Comentários A alternativa A está incorreta, pela amplitude requerida no art. 1.200: “É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária”. A alternativa B está incorreta, conforme o art. 1.219: “O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis”. A alternativa C está correta, na literalidade do art. 1.217: “O possuidor de boa- fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa”. A alternativa D está incorreta, segundo o art. 1.214: “O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos”. 23. 2014 – FUNRIO – INSS – Analista do Seguro Social A teoria da posse, adotada pelo Código Civil Brasileiro, denomina-se a. teoria subjetiva de Savigny. b. teoria fazendária de Caio Mário da Silva Pereira. c. teoria privatista. d. teoria objetiva de Ihering. e. teoria patrimonialista. Comentários A alternativa A está incorreta, porque a teoria subjetiva de Savigny estava já superada quando da edição do CC/1916. A alternativa B está incorreta, eis que Caio Mario nada tem a ver com as teorias da posse. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 114 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa C está incorreta, dado que essa teoria não se liga à posse. A alternativa D está correta, pois a teoria objetiva de Jhering estabeleceu-se como regra nos ordenamentos jurídicos, incluindo o Brasil. A alternativa E está incorreta, pelas mesmas razões das alternativas B e C, supramencionadas. 24. 2013 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto Em relação àposse, é correto afirmar que a) o locatário não tem a posse direta do imóvel que ele aluga, mas sim a indireta. b) o motorista de um caminhão da empresa para a qual trabalha tem a posse ad usucapionem desse bem. c) o possuidor direto tem direito de lançar mão dos interditos contra turbação, esbulho e violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado, inclusive contra o possuidor indireto. d) o possuidor responde pela perda da coisa, ainda que de boa-fé e sem ter dado causa à perda. Comentários A alternativa A está incorreta, invertendo-se as posses, no caso. A alternativa B está incorreta, possuindo o motorista mera detenção, como se extrai do art. 1.198: “Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. A alternativa C está correta, de acordo com o art. 1.197: “A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto”. A alternativa D está incorreta, conforme o art. 1.217: “O possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa”. 25. 2013 – VUNESP – TJ/SP – Juiz Estadual Substituto Sobre o imóvel urbano de 350 m² que, sem interrupção e nem oposição, está na posse de Cícero desde fevereiro de 2003, tanto que nele construiu casa pré-fabricada de madeira, onde habita com sua família, é correto dizer que a) em fevereiro de 2005, a usucapião especial se consumaria. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 115 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa b) em 2008, já poderia ter sido usucapido de acordo com a regra da usucapião especial urbana. c) poderia ser usucapido somente em 2018, de acordo com a regra da usucapião ordinária do Código Civil. d) em fevereiro de 2013, Cícero já pode ajuizar a ação de usucapião para ver reconhecido seu direito de propriedade sobre o imóvel. Comentários A alternativa A está incorreta, nos termos do art. 1.240: “Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”, já que o imóvel seria usucapível apenas em 2008. A alternativa B está incorreta, segundo o art. 1.240, supracitado, sendo possível se o imóvel tivesse menos de 250m2. A alternativa C está incorreta, pois apesar de o caput do art. 1.238 (“Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis”) exigir prazo de 15 anos, seu parágrafo único (“O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo”) o reduz a dez anos, em caso de moradia habitual, como no caso apresentado, o que faria a data ser 2013. A alternativa D está correta, por aplicação do parágrafo único do art. 1.238, supramencionado. 26. 2013 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado Assinale a alternativa INCORRETA. (A) O conceito de frutos é o mais amplo possível, nele se incluindo não só os provenientes da plantação, da pecuária, mas também os produtos que se extraem do solo, como o minério e os frutos, chamados civis, como os aluguéis, juros e rendas. (B) Os frutos pendentes pertencem ao possuidor, seja ele de boa ou má-fé. (C) Os frutos colhidos com antecipação pelos possuidores de boa-fé devem ser restituídos se, ao tempo normal da colheita, houver cessado a boa-fé. (D) Os frutos civis reputam-se percebidos dia por dia. Comentários A questão foi anulada, mas é possível tratar dela, ainda assim. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 116 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa A está incorreta, porque os minérios são produtos, que se exaurem na retirada e reduzem o valor do bem principal, diferentemente dos frutos. A alternativa B está incorreta, como se extrai do art. 1.214, parágrafo único: “Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos, depois de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação”. A alternativa C está correta, na literalidade do art. 1.214, supracitado, em sua segunda parte. A alternativa D está correta, Art. 1.215. Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo que são separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia. 27. 2013 – FMP – PGE/AC – Procurador do Estado Assinale a alternativa INCORRETA. (A) Posse e detenção caracterizam-se, no sistema jurídico brasileiro, como poder de fato, que se exerce sobre a coisa, diferenciando-se, dentre outros fatores, porque a posse recebe proteção interdital e pode conduzir à aquisição da propriedade, enquanto a detenção nem recebe proteção interdital, nem conduz à aquisição da propriedade. (B) Na traditio brevi manu o adquirente da posse do bem já o tem em seu poder; apenas, por convenção, muda-se o título da ocupação. (C) A posse não se transfere com seus caracteres. Assim, se for violenta, na origem, pode convalar-se em posse legítima, se o sucessor estiver de boa-fé. (D) A posse se transfere por mera tradição, isto é, porque a pessoa passou a exercer poder fático sobre a coisa. Comentários A alternativa A está correta, considerando-se a posse, para todos os efeitos, o exercício fático dos poderes proprietários, daí a proteção a ela conferida em detrimento da detenção, como se vê pelo art. 1.196: “Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade”. A alternativa B está correta, estando ele com a coisa a título de posse, apenas. A alternativa C está incorreta, na dicção do art. 1.203: “Salvo prova em contrário, entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida”. A alternativa D está correta, conforme o art. 1.204: “Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 117 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 28. 2013 – FCC – DPE/AM – Defensor Público Estadual A posse (A) é de má-fé mesmo que o possuidor ignore o vício. (B) é adquirida quando se detém a coisa a mando de outrem. (C) pode ser oposta ao proprietário. (D) não pode ser defendida, em juízo, pelo possuidor indireto. (E) quando turbada, autoriza o ajuizamento de ação de reintegração. Comentários A alternativa A está incorreta, já que há análise subjetiva da posse no quesito boa-fé x má-fé, pelo que a ignorância do vício presume boa-fé. A alternativa B está incorreta, pois este caso configura a detenção, apenas. A alternativa C está correta, porque a posse pode ser oposta em face do proprietário registral, inclusive permitindo a aquisição da propriedade via usucapião. A alternativa D está incorreta, dado que tanto possuidor direto quanto indireto podem proteger a posse, pelo desdobramento do instituto verificado a partir da teoria objetiva de Jhering.A alternativa E está incorreta, porquanto a turbação autoriza a ação de manutenção de posse, ao passo que a reintegração se aplica nos casos de esbulho possessório. 29. 2012 – FCC – PGE/SP – Procurador do Estado Tício celebra contrato de locação de imóvel com Caio. Em razão de férias, Caio se ausenta do lar por 90 dias, e neste período Lúcio invade o imóvel, fato que chega ao imediato conhecimento de Tício. Neste caso, Tício (A) e Caio têm legitimidade para pleitear proteção possessória. (B) pode dar o contrato de locação por resolvido, e mover ação de despejo em face de Lúcio, mais célere que a possessória. (C) não poderá pleitear reintegração de posse, pois apenas Caio tem interesse jurídico em fazer cessar o esbulho. (D) poderá pleitear reintegração de posse, desde que notifique previamente Lúcio para que desocupe o imóvel no prazo de 30 dias. (E) pode pleitear reintegração de posse para fazer cessar o esbulho, desde que previamente autorizado por Caio. Comentários http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 118 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa A está correta, já que o manejo da ação de integração depende única e exclusivamente da posse. A partir da teoria objetiva, pode-se bipartir a posse em posse direta (de Caio) e indireta (de Tício). Como Tício tem a posse indireta, pode exercer a ação possessória, sem qualquer óbice. A alternativa B está incorreta, dado que incabível ação de despejo em face de Lúcio, pois não existe relação locatícia entre ele e Tício. A alternativa C está incorreta, pois Tício, sendo proprietário e possuidor indireto, tem amplo interesse na desocupação do imóvel. A alternativa D está incorreta, a notificação prévia é exigida em determinadas situações do locatário. Como Lúcio não é locatário, mas possuidor, não cabe falar em notificação. A alternativa E está incorreta, porque ambos os possuidores – direto e indireto – podem fazer cessar o esbulho, um independentemente do outro. 30. 2012 – FCC – DPE/PR – Defensor Público Estadual Acerca da propriedade e de suas formas de aquisição, aquele que (A) possui ininterruptamente, há seis anos, imóvel urbano com 130 metros quadrados, contíguo com imóvel de sua propriedade com 80 metros quadrados, tem direito ao usucapião urbano. (B) estabeleceu sua moradia habitual há sete anos em determinado imóvel, após firmar e adimplir com os ditames de contrato de compra e venda registrado e recentemente anulado por falta de capacidade civil do vendedor, terá de aguardar mais três anos para adquirir direito à aquisição da propriedade por usucapião. (C) reivindica extensa área de terras de sua propriedade, atualmente ocupada por trinta famílias que ingressaram a nove anos no local, de boa- fé, em razão de um processo irregular de loteamento, vindo a urbanizar a área com recursos próprios, pode vir a ser privado da coisa, desde que devidamente indenizado pelos possuidores. (D) invadiu imóvel alheio e ali estabeleceu sua moradia habitual há onze anos, cultivando no local hortaliças para venda na região, terá de aguardar mais quatro anos para adquirir direito à aquisição da propriedade por usucapião. (E) possuiu de forma contínua e de boa-fé bem móvel como seu pelo período de dois anos, tem direito à aquisição da propriedade por usucapião. Comentários A alternativa A está incorreta, pela parte final do art. 1.240: “Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 119 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. A alternativa B está incorreta, segundo o art. 1.242, parágrafo único: “Será de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório, cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econômico”. A alternativa C está correta, na leitura do art. 1.228, § 4º: “O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número de pessoas, e estas nela houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante”. A alternativa D está incorreta. Estaria correta, em linhas gerais, na aplicação do caput do art. 1.238 (“Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis”), mas seu parágrafo único acaba se amoldando exatamente ao caso descrito (“O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se-á a dez anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo”). A alternativa E está incorreta, pela dicção do art. 1.260: “Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente durante três anos, com justo título e boa-fé, adquirir-lhe-á a propriedade”. 31. 2012 – CESPE – DPE/AC – Defensor Público Estadual Com relação ao instituto da posse, assinale a opção correta. A Ao conceituar a posse da mesma forma que seu antecessor, o Código Civil vigente filia-se à teoria subjetiva da posse. B Possuidor indireto é aquele que detém poder físico sobre a coisa, mas apenas em cumprimento de ordens ou instruções emanadas do possuidor direto ou de seu proprietário. C No constituto possessório, há inversão no título da posse com base em relação jurídica: aquele que possuía em nome alheio passa a possuir em nome próprio, remanescendo o seu poder material sobre a coisa. D Ao possuidor de má-fé é facultado o ressarcimento por benfeitorias necessárias e úteis; contudo, esse possuidor jamais obterá direito de retenção sobre as benfeitorias que tenha realizado. E Segundo entendimento jurisprudencial do STJ, não é possível a posse de bem público, pois sua ocupação irregular representa mera detenção de http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 120 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa natureza precária; portanto, na ação reivindicatória ajuizada pelo ente público, não há que se falar em direito de retenção de benfeitorias, o qual pressupõe a existência de posse. Comentários A alternativa A está incorreta, pois o CC/2002 flagrantemente tentou abandonar todos os resquícios da Teoria Subjetiva de posse Savigny. A alternativa B está incorreta, porque essa é uma noção de detentor, não de possuidor. A alternativa C está incorreta, dado que o constituto possessório evidencia exatamente o inverso: o possuidor em nome próprio passa a possuir em nome alheio. A alternativa D está incorreta, já que o possuidor de má-fé tem direito apenas à indenização pelas benfeitorias necessárias, sob pena de enriquecimento ilícito do proprietário da coisa possuída indevidamente. A alternativa E está correta, por conta do entendimento jurisprudencial transcrito ao final da aula. 32. 2012 – FCC – DPE/SP – Defensor Público Estadual Em tema de Usucapião Coletiva Urbana, é correto afirmar que (A) tem por objeto área particular deaté 250 metros quadrados. (B) seu reconhecimento atribui a cada possuidor fração ideal correspondente à dimensão que ocupe na gleba, exceto se convencionado em contrário. (C) exige posse não contestada, justo título e boa-fé. (D) instaura condomínio indivisível e não passível de extinção por pelo menos dez anos. (E) admite acessio possessionis e sucessio possessionis. Comentários A alternativa A está incorreta, dado que se exige que a área seja superior, e não inferior, a 250 metros quadrados (“Art. 10. As áreas urbanas com mais de duzentos e cinquenta metros quadrados, ocupadas por população de baixa renda para sua moradia, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, onde não for possível identificar os terrenos ocupados por cada possuidor, são susceptíveis de serem usucapidas coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural”). A alternativa B está incorreta, na forma do §3º desse artigo: “Na sentença, o juiz atribuirá igual fração ideal de terreno a cada possuidor, independentemente da dimensão do terreno que cada um ocupe, salvo hipótese de acordo escrito entre os condôminos, estabelecendo frações ideais diferenciadas”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 121 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa C está incorreta, eis que o art. 10, supracitado, não exige justo título dos ocupantes. A alternativa D está incorreta, nos termos do art. 10, §4º: “O condomínio especial constituído é indivisível, não sendo passível de extinção, salvo deliberação favorável tomada por, no mínimo, dois terços dos condôminos, no caso de execução de urbanização posterior à constituição do condomínio”. A alternativa E está correta, de acordo com o art. 10, § 1º: “O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido por este artigo, acrescentar sua posse à de seu antecessor, contanto que ambas sejam contínuas”. 33. 2011 – COPS/UEL – PGE/PR – Procurador do Estado Assinale a alternativa incorreta: a) quando alguém conserva a posse em nome e em cumprimento de ordens de outrem, de quem está em relação de dependência, ele é considerado simples detentor; b) o direito brasileiro admite a bipartição da posse em posse direta e posse indireta; c) a propriedade não pode ser discutida nas ações possessórias; d) o possuidor de boa-fé tem direito aos frutos percebidos, mas deve restituir os frutos colhidos com antecipação; e) a posse somente pode ser adquirida pessoalmente, não se admitindo a aquisição da posse por representante. Comentários A alternativa A está correta, na forma do art. 1.198: “Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. A alternativa B está correta, pela adoção da teoria objetivista de Jhering, como vimos. A alternativa C está correta, de acordo com o art. 1.210, §2º: “Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro direito sobre a coisa”. A alternativa D está correta, conforme o art. 1.214 (“O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos”) e seu parágrafo único: “Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos, depois de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação”. A alternativa E está incorreta, consoante regra expressa do art. 1.205, inc. I: “A posse pode ser adquirida pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 122 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 34. 2011 – FUNDATEC – PGE/RS – Procurador do Estado O possuidor de boa-fé A) faz jus aos frutos percebidos até que cesse a boa-fé, mas perde os pendentes e os colhidos antecipadamente. B) faz jus à indenização das despesas de custeio dos frutos percebidos, dos pendentes e dos colhidos antecipadamente. C) não responde pela perda ou deterioração da coisa, enquanto esteja de boa-fé, mesmo que por culpa sua. D) pode exercer o direito de retenção pelas benfeitorias necessárias, úteis ou voluptuárias. E) que semear em terreno alheio com sementes próprias tem direito à colheita. Comentários A alternativa A está correta, na forma do art. 1.214: “O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos”. A alternativa B está incorreta, de acordo com o art. 1.214, parágrafo único: “Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos, depois de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação”. A alternativa C está incorreta, segundo o art. 1.217: “O possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa”. A alternativa D está incorreta, consoante regra do art. 1.219: “O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis”. A alternativa E está incorreta, como veremos adiante, conforme o art. 1.255: “Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá direito a indenização”. 35. 2009 – CESPE – AGU – Advogado da União Considere que Francisco, proprietário e legítimo possuidor de um apartamento, tenha anunciado sua intenção de alugá-lo há mais de quatro meses, mas não consegue fechar nenhum negócio porque Luís, proprietário do imóvel vizinho, cria dificuldades e embaraços às visitas dos pretensos locatários, situação que ampara a pretensão de Francisco de ajuizar uma http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 123 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa ação de interdito proibitório. Nessa situação hipotética, o comportamento de Luís importa ameaça de turbação ao direito de posse de Francisco. Comentários O item está incorreto, dado que Luís não ameaça turbar a posse de Francisco, mas já a turbou, criando “dificuldades e embaraços” aos potenciais locatários. 36. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual A posse precária adquirida pelo de cujus não perde esse caráter quando transmitida mortis causa aos seus sucessores, ainda que estes estejam de boa-fé. Comentários O item está correto, já que a transmissão da posse na sucessão universal é automática. 37. 2009 – CESPE – DPE/ES – Defensor Público Estadual Ao possuidor de má-fé cabe o direito ao ressarcimento das benfeitorias necessárias, com direito de retenção pela importância delas. Comentários O item está incorreto, na forma do art. 1.220: “Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias”. 38. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual Tadeu, apesar de ser o legítimo possuidor de uma chácara em bairro afastado da cidade de Maceió, disputa judicialmente a posse do imóvel com Alberto, que, além de se dizer possuidor, sabidamente não adquiriu a posse que defende de modo vicioso. Tendo como referência a situação hipotética acima, julgue os itens subsequentes com base na disciplina da posse. Na situação descrita, é cabível o juiz manter provisoriamente na posseaquele que exibir título de posse, já que, em ação possessória, não se discute domínio. Comentários http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 124 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa O item está incorreto, por aplicação da Súmula 487 do STF: “Será deferida a posse a quem, evidentemente, tiver o domínio, se com base neste for ela disputada”. 39. 2009 – CESPE – DPE/AL – Defensor Público Estadual Tadeu, apesar de ser o legítimo possuidor de uma chácara em bairro afastado da cidade de Maceió, disputa judicialmente a posse do imóvel com Alberto, que, além de se dizer possuidor, sabidamente não adquiriu a posse que defende de modo vicioso. Tendo como referência a situação hipotética acima, julgue os itens subsequentes com base na disciplina da posse. No caso em apreço, por exceção, admite-se que o proprietário ajuíze ação possessória sem que tenha exercido qualquer ato possessório sobre o bem, caso esteja presente a cláusula de constituto possessório no negócio jurídico celebrado. Comentários O item está correto, já que Tadeu pode, pela aquisição da propriedade via constituto possessório, defender sua posse legítima, ainda que não a tenha exercido faticamente. 40. CESPE – AGU – 2007 – Procurador Federal João, motorista, enquanto aguardava seu chefe na porta de uma repartição pública, foi vítima de tentativa de furto do veículo que conduzia. Antes de consumar o delito, o criminoso fugiu, por circunstâncias alheias à sua vontade. Com relação a essa situação hipotética, julgue os seguintes itens: Em conformidade com os termos expressos do Código Civil, apenas o possuidor turbado, ou esbulhado — e não, o mero detentor —, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, contanto que o faça imediatamente. Comentários O item está correto, segundo a banca, pela literalidade do art. 1.210: “O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado”. O Código Civil não menciona a possibilidade de o detentor manter a posse em nome do possuidor. No entanto, o Enunciado 493 da CJF estipulou: ”O detentor (art. 1.198 do Código Civil) pode, no interesse do possuidor, exercer a autodefesa do bem sob seu poder.” http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 125 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 41. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado Considera-se a posse “velha” após o período de: a. 4 (quatro) anos b. 2 (dois) anos e 1 (um) dia c. 5 (cinco) anos d. 1 (um) ano e 1 (um) dia e. apenas 1 (um) ano Comentários A alternativa A está incorreta, pelas razões mencionadas abaixo. A alternativa B está incorreta, igualmente, conforme as razões abaixo declinadas. A alternativa C está incorreta, mais uma vez, pela regra processual mencionada adiante. A alternativa D está correta, porque o prazo para distinguir a posse nova da posse velha é de um ano e um dia, conforme reza o art. 558 do CPC: “Regem o procedimento de manutenção e de reintegração de posse as normas da Seção II deste Capítulo quando a ação for proposta dentro de ano e dia da turbação ou do esbulho afirmado na petição inicial”. A alternativa E está incorreta, na forma do art. 558 do CPC. 42. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado O tempo de permanência ininterrupta na área rural, para que o ocupante possa requerer ao juiz, no usucapião pro labore, que o declare detentor do domínio, é de: a. 15 (quinze) anos b. 7 (sete) anos c. 3 (três) anos d. 10 (dez) anos e. 5 (cinco) anos Comentários A alternativa A está incorreta, eis que o prazo da usucapião pro labore, ou constitucional, é inferior, conforme art. 1.239, citado abaixo. A alternativa B está incorreta, pois o prazo da usucapião pro labore, ou constitucional, é inferior, conforme art. 1.239, citado abaixo. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 126 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa C está incorreta, dado que o prazo da usucapião pro labore, ou constitucional, é superior, conforme art. 1.239, citado abaixo. A alternativa D está incorreta, porque o prazo da usucapião pro labore, ou constitucional, é inferior, conforme art. 1.239, citado abaixo. A alternativa E está correta, de acordo com o art. 1.239: “Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinquenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade”. 43. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado O possuidor de má-fé tem direito a: a. ressarcimento das benfeitorias úteis, sem direito de retenção do imóvel b. indenização das benfeitorias necessárias e das úteis, mas só pode reter o imóvel em razão das necessárias c. ressarcimento das benfeitorias necessárias, sem direito de retenção do imóvel d. indenização das benfeitorias necessárias e das úteis sem direito de retenção do imóvel e. indenização das benfeitorias necessárias com direito de retenção do imóvel Comentários A alternativa A está incorreta, na forma do art. 1.220, primeira parte: “Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias”. A alternativa B está incorreta, pelas mesmas razões da alternativa anterior. A alternativa C está correta, segundo o art. 1.220: “Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias”. A alternativa D está incorreta, pelas mesmas razões citadas nas alternativas anteriores. A alternativa E está incorreta, igualmente, por conta da aplicação da segunda parte do art. 1.220. 44. 2007 – FUNRIO – PGE/TO – Procurador do Estado Em caso de turbação de posse: a. a ação cabível é a reintegração de posse http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 127 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa b. o possuidor precisa provar que é o dono da coisa c. se o dono da coisa for o turbador, não há ação contra ele d. o possuidor pode se defender com o interdito proibitório e. o possuidor pode se servir da ação de manutenção. Comentários A alternativa A está incorreta, porque a reintegração de posse é voltada às situações de esbulho, não de turbação. A alternativa B está incorreta, dado que as ações possessórias pretendem proteger a posse, não a propriedade. A alternativa C está incorreta, pelas mesmas razões da alternativa anterior. A alternativa D está incorreta, pois o interdito proibitório tem caráter preventivo, não se voltando às situações de turbação já ocorrida. A alternativa E está correta, eis que o possuidor se vale da ação de manutenção de posse para protegê-la contra turbações. 45. 2006 – CESPE – AGU – Advogado da União A ocupação de bem público dominical traz como consequência o reconhecimento da posse tolerada, afigurando-se admissível o pleito de proteção possessória e assegurando-se ao possuidor indenização pelas benfeitorias feitas no imóvel, bem como a prerrogativa do direito de retenção. Comentários O item está incorreto, porque, nesse caso, se está diante de uma situação de mera detenção de bem público, que não induz posse e, portanto, impede o direito à indenizaçãopor benfeitorias. 46. 2005 – FCC – PGE/SE – Procurador do Estado É de boa-fé a posse (A) somente se autorizada expressamente pelo proprietário ou pelo titular do domínio útil. (B) se o possuidor ignorar o vício ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. (C) apenas quando o possuidor ostentar título de domínio. (D) depois de decorrido prazo para aquisição da propriedade por usucapião ordinária. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 128 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa (E) se, entre presentes, for tolerada pelo proprietário ou pelo titular de domínio útil. Comentários A alternativa A está incorreta, pois a posse com ignorância do vício também é de boa-fé. A alternativa B está correta, nos termos do art. 1.201: “É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. A alternativa C está incorreta, conforme aludido na alternativa A, supracitada. A alternativa D está incorreta, dado que neste caso já há propriedade, ainda que não declarada por sentença, e sem plena eficácia jurídica. A alternativa E está incorreta, confundindo-se a noção apresentada com posse justa, e não posse de boa-fé. 47. 2005 – PGE – PGE/MS – Procurador do Estado Aponte, de acordo com os itens abaixo, qual alternativa retrata requisitos para a aquisição da propriedade móvel por usucapião: I) Posse de 3 anos entre ausentes e cinco entre presentes; II) O justo título e a boa-fé são sempre requisitos da usucapião de coisa móvel; III) Ocorre a prescrição aquisitiva de móvel no prazo de três anos, mas a lei exige, ainda, posse continua incontestável, justo título e boa-fé: IV) Produzirá usucapião a posse de cinco anos, independente de justo titulo boa-fé; V) As causas suspensivas ou interruptivas da prescrição não se aplicam à usucapião de coisas móveis. a) Só os itens I e II são falsos: b) Só os itens I e V são falsos: c) Só os itens III e IV são verdadeiros; d) Só os itens IV e V são verdadeiros; e) Todos os itens são falsos. Comentários O item I está incorreto, dado que esse requisito não encontra escora legal; a distinção entre presentes e ausentes existe na eficácia da proposta e da aceitação nos contratos. O item II está incorreto, pela literalidade do art. 1.261, abaixo transcrito. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 129 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa O item III está correto, na forma do art. 1.260: “Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente durante três anos, com justo título e boa-fé, adquirir-lhe-á a propriedade”. O item IV está correto, de acordo com o art. 1.261: “Se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos, produzirá usucapião, independentemente de título ou boa-fé”. O item V está incorreto, pois as causas de interrupção e suspensão, previstas na Parte Geral do CC/2002, se aplicam aos livros especiais. Como não há nenhuma menção em contrário, especificamente quanto a esse ponto, não há que se afastar o item. A alternativa C está correta, portanto. 48. 2004 – CESPE – PGE/AM - Procurador do Estado Acerca da posse e da propriedade, julgue os itens a seguir. O terceiro, que não o proprietário ou possuidor, responsável por benfeitorias em um imóvel deve ter assegurado seu direito de retenção. Comentários O item está incorreto, eis que, como vimos o direito à indenização cabe apenas ao possuidor, não ao detentor. 49. 2004 – FUNDEP – Câmara Municipal/Belo Horizonte – Procurador Legislativo Considerando-se os efeitos da posse, é INCORRETO afirmar que A) a união de sua posse à do antecessor é facultada ao sucessor singular. B) o direito de levantar as benfeitorias voluptuárias não assiste ao possuidor de máfé. C) o possuidor de boafé jamais responde pela perda da coisa. D) o possuidor de máfé, em regra, responde pela perda da coisa. Comentários A alternativa A está correta, de acordo com o art. 1.207: “O sucessor universal continua de direito a posse do seu antecessor; e ao sucessor singular é facultado unir sua posse à do antecessor, para os efeitos legais”. A alternativa B está correta, conforme o art. 1.220: “Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 130 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa C está incorreta, pela leitura do art. 1.217: “O possuidor de boa- fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não der causa”. A alternativa D está correta, na interpretação do art. 1.218: “O possuidor de má-fé responde pela perda, ou deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que de igual modo se teriam dado, estando ela na posse do reivindicante”. 50. 2003 – FCC – DPE/MA – Defensor Público Estadual Quem, não sendo proprietário de outro imóvel urbano ou rural, possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio (A) somente depois de dez anos ininterruptos entre presentes e quinze anos entre ausentes, por usucapião ordinária. (B) por acessão, após dez anos ininterruptos. (C) por usucapião, após cinco anos ininterruptos. (D) somente após vinte anos ininterruptos, desde que ostente justo título e boa-fé, por usucapião. (E) apenas se ostentar justo título e boa-fé, após dez anos ininterruptos desde o término da construção da moradia, pela usucapião social. Comentários A alternativa A está incorreta, pois são necessários cinco anos, apenas: “Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando- a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. A alternativa B está incorreta, novamente, porque são necessários cinco anos, apenas: “Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. A alternativa C está correta, na forma do art. 1.240 supracitado, por se tratar de usucapião especial. A alternativa D está incorreta, eis que sequer há, no CC/2002, usucapião no prazo de 20 anos mais. A alternativa E está incorreta, porque não é necessário ostentar justo título, nesse caso: “Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural”. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 131 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa 51. 2003 – CESPE - DPE/AM – Defensor Público Estadual Em relação à posse e à propriedade, julgue os itens a seguir: Não se adquire a propriedade por usucapião sem sentença que declare tal direito, pois esta é requisito formal da aquisição da propriedade pela prescrição aquisitiva. Comentários O item está incorreto, já que a sentença não é requisito paraaquisição da propriedade por usucapião, apenas declara tal aquisição de modo que ela possa ser registrada, ou seja, a sentença tem apenas eficácia registral, e não constitutiva da aquisição. 52. 2002 – ESAF – PGM/Fortaleza (CE) – Procurador Municipal Assinale a opção falsa. a) Não se pode alegar usucapião pendendo condição suspensiva. b) A posse ad usucapionem deverá ser exercida com animus domine, mansa e continuamente, durante o prazo exigido por lei. c) A posse do credor pignoratício não afasta a possibilidade de usucapião. d) O usucapião tem por fundamento a consolidação da propriedade, dando juridicidade a uma situação fática: a posse unida ao tempo. e) O usucapião é um modo de aquisição da propriedade e de outros direitos reais (usufruto, uso, habitação, enfiteuse e servidão predial) pela posse prolongada da coisa com a observância dos requisitos legais. Comentários A alternativa A está incorreta, inexistindo tal vedação à pretensão de usucapião. A alternativa B está incorreta, sendo requisito da posse sua qualificação como mansa, pacífica, contínua e com ânimo de ter a coisa como sua, pelos prazos legais. A alternativa C está correta, pois, apesar de o credor pignoratício não poder usucapir o bem dado como garantia, podem terceiros, a despeito da relação creditícia, usucapir o bem móvel em questão. Veja-se que, inclusive, pela Teoria de Jhering, o credor pignoratício é possuidor direto, pelo que pode se valer das ações possessórias competentes para defender a posse, bem como pode fazê-lo o devedor pignoratício. Se aquele não o fizer, responde perante esse, obviamente. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 132 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa A alternativa D está incorreta, porque a usucapião não consolida a propriedade, como ocorre na alienação fiduciária, mas é apenas o reconhecimento, via declaração judicial, da situação fática. A alternativa E está incorreta, ainda que de maneira questionável. A enfiteuse, em si, pode ser usucapida, desde que o imóvel seja particular, seja o domínio direto, seja o domínio útil (RE 60.304/BA). No entanto, se o imóvel for público, não se pode “criar” um aforamento, com desdobramento do domínio, mas somente o domínio útil pode ser usucapido, e não o domínio direto (RE 82.106/PR e REsp 575.552/RS), ou se faria uma espécie de usucapião do próprio bem público, o que não é permitido pela legislação pátria. Igualmente, quando não registrada a enfiteuse, o foreiro não é verdadeiramente foreiro, pelo que possível a usucapião (REsp 1.228.615/SP). 53. 2001 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal Adolfo vendeu seu carro, o qual utilizava diariamente, para Benício. Entretanto, conforme previamente acordado, Adolfo continuará a usá-lo a título de empréstimo de coisa infungível. Em face dessa situação hipotética e da legislação civil relacionada ao direito das coisas, julgue os seguintes itens. Adolfo, antes e depois da venda, teve e tem a posse do bem jurídico objeto da venda. Comentários O item está correto, pois Adolfo manteve sua posse direta sobre o bem, ainda que alterada a relação de propriedade. 54. 2001 – CESPE – DPU – Defensor Público Federal Adolfo vendeu seu carro, o qual utilizava diariamente, para Benício. Entretanto, conforme previamente acordado, Adolfo continuará a usá-lo a título de empréstimo de coisa infungível. Em face dessa situação hipotética e da legislação civil relacionada ao direito das coisas, julgue os seguintes itens. Após a venda, Adolfo teráば direito ao uso dos interditos possessórios. Comentários O item está correto, dado que Adolfo, como possuidor direto, faz jus aos interditos (ou ações), mesmo contra o possuidor indireto e proprietário, Benício, se for o caso. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 133 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Resumo Segundo Luciano de Camargo Penteado, as características das coisas são: Para Orlando Gomes, as características dos direitos reais são: • A materialidade da coisa, em geral. Ressalvadas exceções, apenas os bens dotados de corporeidade podem ser objetos dos direitos reais, até porque a aquisição e a transmissão se dão de maneira bastante peculiar, conforme os arts. 1.226 e 1.227 do CC/2002. • Essa questão é amplamente discutida pela doutrina. Pontes de Miranda retira a noção de corporeidade, à medida que existem direitos de propriedade sobre bens intelectuais, destituídos de corporeidade A. Corporeidade • Nem tudo que é exterior ao homem é apropriável, não sendo permitida a apropriação do ar que respiramos, dos bens públicos ou de partes destacáveis do corpo humano. Ou seja, o direito deve permitir a apropriação para que se trabalhe com o direito das coisas. • Atualmente, a tendência é de uma "apropriabilidade" crescente, ou seja, crescem os "bens" apropriáveis, como, por exemplo, a discussão sobre a comercialização de fluidos corporais humanos e das pesquisas oriundas do código genético B. Possibilidade de apropriação • O direito das coisas compõe o direito patrimonial e nem sempre as coisas que são materialmente apropriáveis são dotadas de função ou utilidade econômica C. Função/utilidade econômica • Só é direito real aquilo que a lei determina como direito real. Não é possível à autonomia privada criar outros direitos reais que não os tipificados pelo legislador • Nesse sentido, o art. 1.225 do CC/2002 traria um rol exauriente, complementado pela legislação extravagante. Ou seja, apesar de tipificados, eles não precisam estar tipificados no Código Civil, ainda que os principais e mais comuns estejam A. Tipicidade http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 134 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Segundo Luciano de Camargo Penteado, as características dos direitos reais são: • Por mais que figuras parcelares dos direitos reais possam ser objetos de disposição, há uma tendência de reunificação dessas figuras, um tensionamento ao retorno delas nas mãos do proprietário B. Elasticidade • A constituição, modificação ou extinção dos direitos reais exige publicidade, seja pelos registros públicos para os bens imóveis, seja pela tradição para os bens móveis C. Publicidade • Porque os direitos reais têm esse caráter de exclusão dos outros, eles só podem ser constituídos sobre objetos especificados D. Especialidade •Enquanto a relação obrigacional tem ao fim, é tendente ao término, a relação de direitos reais tende a permanecer, ao passo que quanto maior o exercício do direito real, maior será o reforço da posição do titular •Ou seja, enquanto o direito obrigacional tende a se extinguir, e geralmente o titular quer que a obrigação se extinga (quando eu vou ao dentista, espero que a prestação de serviço seja a mais breve possível), o direito real tende a permanecer, e o titular quer que o direito real permaneça (sou dono de um imóvel e pretende sê-lo indefinidamente) A. Tendência a permanência no tempo • Penteado vai além de Orlando Gomes. Segundo ele, além de não se poder criar direito real novo, o conteúdo do direito real não poderia ser modificado pela autonomia privada, de maneira alguma B. Taxatividade e tipicidade estrita • Justamente por ser inerente à coisa, o titular pode perseguir a coisa com quem estiver, pois mais que ela circule a coisa mantém sua inerência C. Inerência e ambulatoriedade http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 135 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoriae Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Quais são os traços distintivos entre os Direitos Obrigacionais, também chamados de Direitos Pessoais, e os Direitos das Coisas, ou chamados de Direitos Reais? DIREITOS REAIS DIREITOS OBRIGACIONAIS OBJETO Coisa Prestação SUJEITO PASSIVO Universal/inexistente Determinado/determinável FIM Satisfação por bem Satisfação por conduta RELAÇÃO Inerência Interesse OPONIBILIDADE Contra todos Entre partes TITULAR Um (regra geral) Indeterminado TEMPO (TENDÊNCIA) Perpetuidade Transitório PERDA PARCIAL Sequela Indenização NÚMERO Clausus (Tipificados) Apertus (Infinito) NATUREZA DO OBJETO Certo e individualizado Determinado ou determinável Em que hipóteses não se exige escritura pública para a transmissão dos bens imóveis? • O direito real não tem efeitos apenas entre os contratantes, como ocorre geralmente num contrato. Ao contrário, a eficácia é erga omnes, contra todos, pelo que seu caráter é absoluto D. Caráter absoluto/eficácia erga omnes http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 136 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Quais são os requisitos da escritura pública de compra e venda? I - data e local de sua realização; II - reconhecimento da identidade e capacidade das partes e de quantos hajam comparecido ao ato, por si, como representantes, intervenientes ou testemunhas; III - nome, nacionalidade, estado civil, profissão, domicílio e residência das partes e demais comparecentes, com a indicação, quando necessário, do regime de bens do casamento, nome do outro cônjuge e filiação; IV - manifestação clara da vontade das partes e dos intervenientes; V - referência ao cumprimento das exigências legais e fiscais inerentes à legitimidade do ato; VI - declaração de ter sido lida na presença das partes e demais comparecentes, ou de que todos a leram; VII - assinatura das partes e dos demais comparecentes, bem como a do tabelião ou seu substituto legal, encerrando o ato. Quando se verifica mera detenção, sem posse? A. Art. 108 do CC/2002 • Imóveis de até 30 vezes o maior salário mínimo vigente no país B. Art. 61, § 5º da Lei 4.380/1964 • Hipotecas do SFH/SFI para casa própria C. Art. 26 da Lei 6.766/1979 e art. 22 do Decreto-Lei 58/1937 • Compromissos de compra e venda, cessões e promessa de cessão imobiliária, urbana ou rural D. CC/2002 e Leis Especiais • Cédulas pignoratícias e hipotecárias reguladas pelo CC/2002 e cédulas de crédito reguladas por leis especiais (como a habitacional, rural, industrial, comercial e de exportação) 1) Da ordem de outrem em manter uma "posse", mas sem animus de mantê-la (art. 1.198) 2) De atos de mera tolerância do proprietário (primeira parte do art. 1.208) 3) Da situação de posse violenta ou clandestina (segunda parte do art. 1.208) http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 137 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Como se classifica a posse? 1. Quanto ao vício objetivo • Classificação adotada pelo art. 1.200 do CC/2002, que considera a aquisição da posse de modo lícito ou ilícito: A. Posse justa • Se for adquirida por meios legalmente admitidos, a posse é justa, ou seja, posse conforme o Direito. • Ela é justa quando não maculada pela violência, clandestinidade ou precariedade. • Tem de ser pública (para que o interessado em sua extinção tome as medidas possessórias) e contínua (exercício de modo manso e pacífico). B. Posse injusta • Ao contrário, aquela adquirida de modo violento, clandestino ou precário. • Posse violenta é aquela adquirida por força, mediante a prática de atos irresistíveis. • Posse clandestina é aquela obtida às escondidas, usando de artifícios para enganar o possuidor. • Posse precária, por sua vez, se obtém por abuso de confiança, sem que fosse restituída a coisa devida. 2. Quanto ao vício subjetivo • A posse depende de avaliação do estado anímico do possuidor. Em regra, entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida, segundo estabelece o art. 1.203 do CC/2002: http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 138 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Quais são os modos de aquisição da posse? A. Posse de boa-fé • O possuidor ignora o obstáculo que impede a aquisição da coisa, nos termos do art. 1.201 do CC/2002. Ou seja, a boa-fé é negativa, ignorância, não positiva, convicção. Pode ser: • i. real: apoiada em elementos evidentes que não deixam dúvida; • ii. presumida: quando possui justo título (art. 1.201, parágrafo único). B. Posse de má-fé • Mesmo conhecendo o vício, possui. O estado de dúvida não induz, necessariamente, a má-fé; deve haver culpa grave para caracterizá-la (erro inescusável). 3. Quanto ao desdobramento da posse • Consequência da teoria objetiva de Jhering, utilizada pelo Direito brasileiro. Podem existir, portanto, duas relações de posse sobre a coisa, sem que elas se anulem: A. Posse direta • Aquele que detém o domínio, detém a posse direta. Em geral, o proprietário é também possuidor direto. Mas nem sempre. • O possuidor indireto pode defender autonomamente sua posse, mesmo contra o possuidor direto, se for turbado na posse (art. 1.197 do CC/2002). É o caso, por exemplo, do locador que tenta um “despejo extrajudicial”; o locatário pode exercer uma reintegração de posse em face do locador, nesse caso. B. Posse indireta • O proprietário, ainda que limitadamente, detém a posse indireta da coisa, mesmo que não a detenha, não a tenha consigo ou não a utilize. É o caso do locador, que não detém a posse direta, mas, por causa do direito de propriedade, detém posse indireta. http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 139 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Quem pode adquirir a posse? Como se transmite a posse? Como se perde a posse? • Adquire-se quando não é necessário consentimento do possuidor precedente • Não há mais rol taxativo dos modos originários, mas o modo mais comum é a usucapião 1. Originários: • Adquire-se quando há consentimento do possuidor precedente • Dá-se com a tradição, seja efetivamente (entrega de fato da coisa, como na compra de um celular), seja simbolicamente (simboliza-se a tradição, como a entrega das chaves dos imóveis) 2. Derivados: • Art. 1.205, inc. I A. Pelo próprio sujeito • No caso de incapazes, p.ex. • Art. 1.205, inc. I B. Por representante ou procurador • Tem de ratificar, obrigatoriamente • Art. 1.205, inc. II C. Por terceiro sem procuração A. Sucessão • Sucessão universal • Quando os herdeiros continuam na posse dos bens herdados (art. 1.206 do CC/2002, como no caso de herança, por exemplo) B. União • Sucessão singular • Quando alguém transfere, por uma relação jurídica, a posse a outrem, pelo que suas posses se unem (art. 1.207, como na compra e venda ou no legado) http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 140 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa • O possuidor, portanto, deixa intencionalmente de deter a coisa. Nesses casos, a posse se perde por: 1) Ausentes corpus e animus A. Abandono (derelictio) • Joga fora a coisa, intencionalmente; não é perder, mas, abandonar B. Tradição • Caso em que há perda da posse e, simultaneamente, aquisição da posse para os contratantes • Ocorre quando certos fatos impedema posse, contra a vontade do possuidor, e somente quando há impossibilidade de utilização da coisa. Se, ainda que potencialmente o poder existe, mantém-se a posse. São os casos de: 2) Ausente corpus A. Perda da coisa • Aqui sim, perda da coisa propriamente dita B. Destruição • Somente nos casos de terceiro, caso fortuito ou força maior. Se o próprio sujeito destrói, há perda do corpus e animus A destruição deve ser total (perecimento não transitório) C. Posse de outrem • Privação da coisa contra a vontade do possuidor (esbulho cuja reintegração não foi efetivada em ano e dia) D. Inutilização econômico-jurídica • Quando a coisa é posta fora do comércio pelo Direito, mesmo que contra a vontade do possuidor • Nesse caso, passa o possuidor a exercer a posse em nome alheio, pelo que a posse se perde através do constituto possessório. Esse é um modo especial de tradição da coisa, em que o sujeito deixa de possuir a coisa em nome próprio para o fazer em nome alheio, transferindo-lhe a posse indireta. Ou seja, a transferência, a tradição, da coisa é meramente ficta. 3) Ausente animus http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 141 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Quais são os efeitos da posse? Quais são as características das ações possessórias? • Presente no art. 1.210 do CC/2002 I) Direito aos interditos •Presente no art. 1.214 do CC/2002 II) Direito à percepção de frutos •Presente nos arts. 1.219 e 1.220 do CC/2002 III) Direito à indenização por benfeitorias •Presente no art. 1.219 do CC/2002 IV) Direito de retenção de valores •Presente no art. 1.219 do CC/2002 V) Direito de levantamento de benfeitorias •Presente no art. 1.260 do CC/2002 VI) Direito à usucapião •Presente no art. 884 do CC/2002 VII) Direito à indenização por prejuízos • Art. 555, incs., do CPC I) Não se limitam a discutir a posse • Art. 556 do CPC II) Caráter dúplice • Art. 558 do CPC III) Espécie do rito http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 142 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Quais são as ações que têm conteúdo centralmente possessório? Quais são as ações que têm conteúdo centralmente petitório, mas lateralmente possessório? Quais são as espécies de usucapião de imóveis? • Art. 556 do CPC IV) Fungibilidade das ações • Art. 330 do CP V) Conteúdo mandamental Ação de manutenção na posse Ação de reintegração na posse Interdito proibitório Ação de imissão na posse Exceção de domínio Nunciação de obra nova Ação de dano infecto Embargos de terceiro senhor e possuidor USUCAPIÃO ORDINÁRIA EXTRAOR- DINÁRIA ESPECIAL COLETIVA FAMILIAR URBANA Requisitos Comuns Comuns Comuns Comuns Comuns Justo título - - - - Boa-fé - - - - Inferior a 250 m² Inferior a 250 m², individualmente Inferior a 250 m² Moradia - Moradia http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 143 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Quais são as espécies de usucapião de móveis? USUCAPIÃO ORDINÁRIA EXTRAORDINÁRIA MÓVEL Requisitos Comuns Comuns Justo Título - Boa-fé - Prazos 3 anos 5 anos Considerações Finais Chegamos ao final desta aula. Vimos a primeira parte do Direito das Coisas que pode aparecer na sua prova. Com isso, na aula que vem, daremos continuidade aos demais temas sobre as Coisas. Quaisquer dúvidas, sugestões ou críticas entrem em contato conosco. Estou disponível no fórum no Curso, por e-mail e, inclusive, pelo Facebook. Único imóvel Único imóvel Único Imóvel Única vez - Única vez - Núcleo urbano informal Ex- cônjuge/abandono Prazos 10 anos 15 anos 5 anos 5 anos 2 anos RURAL Requisitos Iguais Iguais Comuns Inferior a 50 ha Produtividade/ moradia Único imóvel Prazos 10 anos 15 anos 5 anos TABULAR ESPECIAL *** INDÍGENA *** DIFEREN- CIAIS Requisitos Cancelamento do registro Moradia/ produtividade Uso próprio - - Inferior a 50 ha Prazos 5 anos 10 anos 10 anos http://www.iceni.com/infix.htm Prof. Paulo H M Sousa www.estrategiaconcursos.com.br 144 de 144 DIREITO CIVIL – PC/MA Teoria e Questões Aula 08 – Prof. Paulo H M Sousa Aguardo vocês na próxima aula. Até láば! Paulo H M Sousa prof.phms@gmail.com facebook.com/prof.phms Fórum de Dúvidas do Portal do Aluno http://www.iceni.com/infix.htm