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ESQUEMAS E CRENÇAS FAMILIARES Os esquemas familiares são criados e mantidos ao longo da própria interação familiar, e, quando envolvem distorções cognitivas, tornam a relação familiar disfuncional. Para a abordagem cognitivo-comportamental, um casal procura a terapia familiar por problemas conjugais, entende-se esses problemas como padrões de pensamentos e comportamentos disfuncionais (OSORIO e VALLE, 2009). Ao trabalhar com casais ou família, o terapeuta cognitivo-comportamental deve ser capaz de identificar os diferentes esquemas cognitivos apresentados pelos sujeitos, que podem vir de experiências recentes ou do início de vida (DATTILIO, 2011), já que estes afetam amplamente a forma com que lidam entre si, e é desafiando e modificando crenças que o psicólogo terá condições de tornar a família mais funcional. As crenças acabam por tomar a visão do sujeito, mesmo que ele não seja capaz de identificar que isso acontece. Ao tomar a visão, o sujeito acaba percebendo as situações e as pessoas de forma seletiva, inferindo suas percepções e assim o levando a ter um conjunto de pensamentos e comportamentos acerca das situações de acordo com a forma com que as interpreta. Ao ganhar flexibilidade cognitiva e perceber outras coisas, é possível mudar tais percepções, e por isso se torna importante fazer com que o sujeito explore mais informações acerca da realidade e também o confronte com questionamentos sobre a veracidade dos seus pensamentos (DATTILIO, 2011). Dattilio (2011) afirma que os relacionamentos costumam incluir principalmente os seguintes processos cognitivos: atenção seletiva (focando em apenas parte dos fatos); atribuições (achando que os parceiros têm determinadas atitudes por uma questão específica); expectativas (esperar coisas que devem acontecer no relacionamento); suposições (sobre as características gerais da pessoa ou do relacionamento) e padrões (de como a pessoa ou o relacionamento deve ser). Os principais problemas destes processos cognitivos envolvem a família ver o sujeito com um olhar negativo e não realista, e até mesmo o próprio sujeito achar que o irão julgar de forma negativa a depender de suas atitudes (DATTILIO, 2011). O autor ainda afirma que a atenção seletiva é uma distorção cognitiva bastante importante e recorrente em problemas familiares, já que envolve uma percepção focada em um ponto positivo ou negativo da situação, de forma a não se considerar todo o contexto, tendo interpretações tendenciosas que fazem com que o sujeito tome decisões e se comporte da maneira que enxerga ser correto a partir da interpretação equívoca que fez da situação. Quando se tem uma relação familiar, se envolvem percepções e cognições acerca dos sujeitos da família, de seus comportamentos, personalidade e outras características. É muito comum acabar interpretando as características do outro como problemáticas, e de forma dialética os sujeitos se comportam interpretando uns aos outros de forma equivocada DATTILIO, 2011). Como exemplo, é possível citar um irmão que fez parte da faxina da casa que era de responsabilidade do outro irmão e este acaba por entender que o outro não está de acordo com a limpeza dele, sendo que este pode apenas querer agradar o irmão. REFERÊNCIAS DATTILIO, F. M. Manual de terapia cognitivo-comportamental para casais e famílias [recurso eletrônico] / Porto Alegre : Artmed, 2011 OSORIO, L. C.; VALLE, M. E. P.; Manual de Terapia Familiar, Porto Alegre, Artmed, 2009.