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Manual de Comunicacao Escrita Oficial do Parana

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expediente assinado por chefe de determinada Seção, é sempre em nome do serviço público que é
feita a comunicação. Obtém-se, assim, uma desejável padronização, que permite que comunicações
elaboradas em diferentes setores da Administração guardem entre si certa uniformidade;
b) da impessoalidade de quem recebe a comunicação, com duas possibilidades: ela pode ser dirigida a
um cidadão, sempre concebido como público, ou a outro órgão público. Nos dois casos, temos um
destinatário concebido de forma homogênea e impessoal;
c) do caráter impessoal do próprio assunto tratado: se o universo temático das comunicações oficiais se
restringe a questões que dizem respeito ao interesse público, é natural que não caiba qualquer tom
particular ou pessoal. (BRASIL, 2002, p.4-5.)
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COMUNICAÇÃO ESCRITA OFICIAL
Manual de
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1.1.2 Objetividade
A objetividade consiste no uso de termos adequados para que o pensamento seja expresso e entendido
imediatamente pelo receptor. Para ser objetivo, é necessário que se coloque uma idéia após a outra, hierarquizando
as informações. Palavras desnecessárias, supérfluas, adjetivação excessiva, repetição de termos e idéias devem
ser eliminadas, pois comprometem a eficácia do documento. Nas comunicações técnicas e burocráticas, em
que a linguagem é utilizada com objetivos pragmáticos, é necessário observar que “as informações expostas
devem descrever, narrar e explicar, e não convencer. A persuasão deve advir dos argumentos utilizados e não de
jogos de palavras, adjetivação impressionista, ou malabarismos silogísticos, falácias”. (MEDEIROS e
ANDRADE,1977, p.73.)
„„„„„ Dicas
• Os relatórios têm objetivo predeterminado e específico.
• Deve-se redigi-los sem preocupação literário-estilística.
• Deve-se evitar o jargão técnico.
• O receptor é o elemento mais importante dos relatórios.
• Os relatórios preocupam-se com a brevidade, são exatos, precisos.
• A linguagem dos relatórios é objetiva e clara e sua pontuação é racional.
1.1.3 Correção
A correção gramatical consiste no respeito às normas e princípios do idioma e às regras gramaticais e
ortográficas. Na redação oficial, particularmente, devem ser evitados os solecismos (erros de sintaxe), as
deformações (erros na forma das palavras), os cruzamentos (troca de palavras parecidas), os barbarismos
(emprego abusivo de palavras e expressões estrangeiras), os arcaísmos (emprego de palavras e expressões
antiquadas) e os neologismos (palavras novas, cujo sentido é ainda instável).
„„„„„ Dicas
• Preocupe-se com a clareza da mensagem.
• Evite períodos longos.
• Use a ordem direta para facilitar o entendimento.
• A correção gramatical é importante, mas não deve se sobrepor à criatividade. A preocupação com a
linguagem deve ser a última etapa.
• Sempre que possível, aproveite as variantes lingüísticas realmente expressivas.
• Use a linguagem de seu receptor, pois o mais importante num trabalho de redação é a comunicação.
(MEDEIROS,1996, p.48.)
1.1.4 Concisão
O texto conciso é aquele que transmite o máximo de informações com o mínimo de palavras. O esforço
de concisão atende ao princípio da economia lingüística, ou seja, ausência de palavras supérfluas, redundâncias,
passagens que nada acrescentam ao que já foi dito. Conciso não quer dizer lacônico, mas denso. Estilo denso
é aquele em que cada palavra, expressão ou frase está carregada de sentido. Assim, não se sacrificam idéias e
considerações importantes, tendo em mente destacar o essencial e o necessário.
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„„„„„ Dicas
• Empregue frases curtas, mas sem monotonia. De vez em quando, use orações subordinadas.
• Evite acumular idéias em um só parágrafo.
• Não use frases que dificultem a clareza do pensamento.
• Sempre que possível, exercite-se na recomposição de textos: deixe passar algum tempo depois de ter
escrito, reflita, descanse suas idéias e, a seguir, retome o que escreveu, procurando melhorar a forma.
Para conseguir boa forma estilística, é necessário refazer o texto até encontrar um resultado agradável.
(MEDEIROS,1996, p.146.)
1.1.5 Clareza
O texto claro possibilita a imediata compreensão pelo leitor. Algumas características devem ser observadas
para que se atinja a clareza (BRASIL, 1991, p.12-13):
a) a impessoalidade, que evita a duplicidade de interpretações que poderia decorrer de um tratamento
personalista dado ao texto;
b) o uso do padrão culto da linguagem, em princípio, de entendimento geral é, por definição, avesso a
vocábulos de circulação restrita, como a gíria e o jargão;
c) a formalidade e a padronização, que possibilitam a imprescindível uniformidade dos textos;
d) a concisão, que faz desaparecer do texto os excessos lingüísticos que nada lhe acrescentam.
„„„„„ Dicas
• Procurar a palavra exata, aquela capaz de transmitir a totalidade da idéia.
• Refazer frases depois de tê-las escrito. Exercitar-se até encontrar a forma precisa.
• Usar a subordinação quando quiser realçar idéias.
• Usar somente o adjetivo capaz de caracterizar um fato ou objeto. O adjetivo trivial desvirtua e enfraquece
a expressividade do pensamento. (MEDEIROS,1996, p.112.)
1.1.6 Precisão
Na redação técnica, as palavras têm, geralmente, conotações próprias. A substituição de uma palavra por
outra, aleatoriamente, pode comprometer o entendimento da mensagem. Devem ser evitadas, nesse tipo de redação,
palavras e expressões vagas. O problema surge quando, no momento da redação, tem-se a idéia, mas não a
palavra exata para a sua expressão. Toda idéia exige palavra própria. Portanto, na série de sinônimos, pode-se
escolher a palavra ou grupo de palavras que melhor se ajuste àquilo que desejamos e precisamos exprimir.
„„„„„ Dicas
• Escrever parágrafos curtos e sem muitos pormenores.
• Para ser bem claro, usar orações coordenadas.
• Escrever somente sobre aquilo que se conhece bem.
• Ajustar as mensagens ao receptor.
• O conteúdo deve ser significativo (mensagem clara). (MEDEIROS,1996, p.200.)
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1.1.7 Harmonia
Harmonia é o ajustamento das palavras na frase e das frases no período, combinadas e dispostas
harmonicamente, fazendo com que o leitor se predisponha favoravelmente à proposta apresentada. São
prejudiciais à harmonia: os cacófatos (palavras obscenas ou inconvenientes resultantes do encontro de sílabas
finais com sílabas iniciais), as assonâncias (semelhança ou igualdade de sons na frase ou no período) e os ecos
(repetição sucessiva de finais idênticos).
„„„„„ Dicas
• Evite as repetições dos auxiliares ter, ser, haver, permanecer.
• Procure a palavra adequada para evitar locuções verbais. Em vez de estava disposto, melhor seria
resolvera; em vez de tinha proporcionado, melhor seria proporcionara-lhe; em vez de estava com receio,
por que não receava?
• Evite as expressões: efetivamente, certamente, além disso, tanto mais, então, por um lado, por outro lado,
definitivamente, a dizer a verdade, a verdade é a seguinte, pois, por sua parte, por seu lado...
• Para cada idéia use um parágrafo.
• Não esconda demasiadamente o sujeito de suas frases. Para comunicar com eficiência, exigem-se
clareza e simplicidade.
• Evite palavras complexas e jargão técnico. (MEDEIROS,1996, p.39.)
1.1.8 Polidez
A polidez consiste no emprego de expressões respeitosas e tratamento apropriado àqueles com os quais
nos relacionamos no trato administrativo. As expressões vulgares provocam mal-estar, assim como os tratamentos
irreverentes, a intimidade, a gíria, a banalidade, a ironia e as leviandades.
Abrange, ainda, a discrição, qualidade indispensável a todos quantos lidam com assuntos oficiais, muitas
vezes sigilosos e de publicidade inconveniente. A polidez vem mais da totalidade do texto que de um começo
repetitivo ou de um fecho estereotipado, redundante ou contraditório, aglomerado de amabilidades