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Técnico em Agronegócio
Professora Caroline Silva Abreu
Professora Renata Aparecida Neres Faria
2018
Agricultura II (Fitossanidade)
ESTADO DE MINAS GERAIS
Sr. Fernando Damata Pimentel
GOVERNADOR
Sr. Antônio Eustáquio Andrade Ferreira
VICE-GOVERNADOR
Profª. Macaé Maria Evaristo dos Santos
SECRETÁRIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO
Prof. Miguel Correa da Silva Junior
SECRETÁRIO DO ESTADO DE CIÊNCIA TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR
Prof. Márcio Rosa Portes
SUBSECRETÁRIO DE ENSINO SUPERIOR
Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES
Prof. João Canela dos Reis
REITOR
Prof. Antônio Alvimar Souza
VICE-REITOR
Prof. João Felício Rodrigues Neto
PRÓ-REITOR DE ENSINO
Prof. Humberto Velloso Reis
DIRETOR DA ESCOLA TÉCNICA DE SAÚDE DO CENTRO DE EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – ETS/CEPT
Profª. Kátia Cilene Gonçalves Maia
COORDENADORA GERAL DO PRONATEC
Profª. Renata Flávia Nobre Canela Dias
COORDENADORA ADJUNTA DO PRONATEC
Profª. Jacqueline Maia Lima
ORIENTADORA PEDAGÓGICA DO PRONATEC
3
Sumário
1 Noções básicas em ecologia .............................................................................................. 7
1.1 Conceitos básicos em ecologia ................................................................................... 7
1.2 Organização e níveis tróficos ......................................................................................10
1.2.1 Cadeia alimentar ....................................................................................................10
1.2.2 Teia alimentar ..........................................................................................................11
Atividades para fixação ........................................................................................................12
2 Introdução à entomologia agrícola.....................................................................................16
2.1 Os insetos e o Reino Animal .......................................................................................16
2.2 Relações inseto – seres humanos ..............................................................................19
2.2.1 Insetos benéficos .....................................................................................................19
2.2.2 Insetos maléficos .....................................................................................................19
2.3 Conceitos de pragas ..............................................................................................19
2.4 Classificação de pragas ..............................................................................................21
2.5 Importância das pragas de plantas .............................................................................22
2.5.1 Classificação dos insetos de acordo com a herbivoria .........................................23
Atividades para fixação ........................................................................................................26
3. Morfologia básica de insetos ............................................................................................28
3.1 Exoesqueleto ..............................................................................................................28
3.2 Cabeça .......................................................................................................................29
3.3 Tórax ..........................................................................................................................34
3.4 Abdome ......................................................................................................................37
Atividades para fixação ........................................................................................................40
4. Biologia dos insetos..........................................................................................................42
4.1 Reprodução ................................................................................................................42
4.1.1 Tipos de reprodução ................................................................................................43
4.1.2 Modos atípicos de reprodução .................................................................................44
4.2 Desenvolvimento ........................................................................................................46
4.2.1 Desenvolvimento embrionário .................................................................................46
4.2.2 Desenvolvimento pós-embrionário ...........................................................................47
4.2.3 Metamorfose ............................................................................................................47
Atividades para fixação ........................................................................................................48
5 Principais ordens de insetos de importância econômica ....................................................51
5.1 Isoptera ......................................................................................................................53
5.2 Dermaptera ................................................................................................................53
5.3 Orthoptera ..................................................................................................................54
5.4 Thysanoptera..............................................................................................................54
5.5 Hemiptera ...................................................................................................................55
5.6 Neuroptera .................................................................................................................56
5.7 Coleoptera ..................................................................................................................57
4
5.8 Diptera ........................................................................................................................58
5.9 Lepidoptera ................................................................................................................59
5.10 Hymenoptera ............................................................................................................60
5.11 Acari (Classe Arachnida) ..........................................................................................61
Atividades para fixação ........................................................................................................63
6 Caracterização dos principais insetos-praga .....................................................................65
6.1 Pragas do café ...........................................................................................................65
6.2 Pragas da cana-de-açúcar..........................................................................................66
6.3 Pragas do feijão ..........................................................................................................66
6.4 Pragas do milho ..........................................................................................................67
6.5 Pragas de pastagens ..................................................................................................68
6.6 Pragas da soja ............................................................................................................69
6.7 Pragas de grãos armazenados ...................................................................................69
6.8 Pragas de hortaliças ...................................................................................................71
A) Pragas doalho e da cebola ......................................................................................71
B) Pragas da batata ......................................................................................................71
C) Pragas de brássicas ................................................................................................72
D) Pragas da cenoura salsinha e salsão .......................................................................73
E) pragas das cucurbitáceas ........................................................................................73
F) Pragas do morango ..................................................................................................73
G) pragas do pimentão, berinjela e jiló .........................................................................74
H) Pragas do tomate .....................................................................................................74
6.9 Pragas dos citros ........................................................................................................76
7 Técnicas de coleta, preparo, conservação e remessa de material entomológico ...............77
7.1 Coleta .........................................................................................................................78
7.2 Sacrifício .....................................................................................................................84
7.3 Acondicionamento temporário para transporte ...........................................................85
7.4 Envio ao especialista ..................................................................................................87
8 Métodos de controle de pragas .........................................................................................87
8.1 Importância do Controle das Pragas ...........................................................................87
8.2 Métodos culturais .......................................................................................................88
8.2.1 Rotação de Culturas ............................................................................................88
8.2.2 Aração do Solo ....................................................................................................88
8.2.3 Época de Plantio e de Colheita ............................................................................88
8.2.4 Destruição dos Restos de Culturas ......................................................................88
8.2.5 Cultura no Limpo .................................................................................................89
8.2.6 Presença de Bosques ..........................................................................................89
8.2.7 Poda ....................................................................................................................89
8.2.8 Cultivo Mínimo e Plantio Direto ............................................................................89
8.2.9 Adubação ............................................................................................................90
5
8.3 Métodos legislativos ...................................................................................................90
8.4 Métodos mecânicos ....................................................................................................91
8.4.1 Catação manual ...................................................................................................91
8.4.2 Técnica da batida ................................................................................................91
8.4.3 Barreiras ..............................................................................................................91
8.4.4 Impacto ................................................................................................................92
8.5 Métodos de controle por comportamento dos insetos .................................................92
8.5.1 Formas de utilização de feromônios e aleloquímicos no manejo integrado de pragas
.....................................................................................................................................92
8.5.2 Controle de pragas ..............................................................................................92
8.5.3 Uso de aleloquímicos no manejo integrado de pragas .........................................93
8.6 Método de controle físico ............................................................................................94
8.6.1 Fogo ....................................................................................................................94
8.6.2 Drenagem ............................................................................................................95
4.5.3. Inundação ...........................................................................................................95
8.4.4 Manipulação da umidade .....................................................................................95
8.5.5 Temperatura ........................................................................................................95
8.7 Método de controle pela luz ........................................................................................96
8.8 Método de controle pelo som ......................................................................................97
8.9 Métodos de controle pela radiação ionizante ..............................................................97
8.10 Método de controle biológico ....................................................................................98
8.10.1 Conceito ............................................................................................................98
8.10.2 Principais grupos de inimigos naturais ...............................................................98
8.10.3 Formas de uso do controle biológico ............................................................... 108
8.11 Método genético (resistência de plantas a insetos)................................................. 112
8.11.1 Tipos de resistência ......................................................................................... 112
8.11.2 Resistência obtida através de organismos geneticamente modificados (OGM)
................................................................................................................................... 113
8.12 Método químico de controle de pragas ................................................................... 118
8.12.1 Classificação dos inseticidas quanto ao modo de ação ................................... 119
8.12.1 Formulações dos inseticidas ............................................................................ 120
Atividades para fixação ...................................................................................................... 120
9. Manejo Integrado de Pragas .......................................................................................... 121
9.1 Conceitos básicos do MIP ........................................................................................ 121
9.2 Procedimentos para implementação e gerenciamento do MIP ................................. 123
9.3 Vantagens do Manejo Integrado de Pragas (MIP) .................................................... 127
9.4 Desafios do Manejo Integrado de Pragas (MIP) ....................................................... 127
10 Introdução à Fitopatologia ............................................................................................. 127
10.1 História da Fitopatologia .......................................................................................... 128
11 Noções sobre morfologia e biologia de microrganismos ................................................ 128
11.1 Características gerais de Fitopatógenos .....................................................................128
6
Atividades de fixação ......................................................................................................... 129
11.2 Bactérias .................................................................................................................... 129
11.3 Fungos ....................................................................................................................... 132
Atividades de fixação ......................................................................................................... 140
11.4 Vírus ........................................................................................................................... 141
11.5 Nematóides ................................................................................................................ 143
Atividades de fixação ......................................................................................................... 155
12 Controle de doenças ..................................................................................................... 156
13 Modalidades de controle de doenças ............................................................................ 163
14 Monitoramento de doenças ........................................................................................... 167
Atividades de fixação ......................................................................................................... 169
15 Controle de plantas indesejáveis ................................................................................... 169
16 Segurança e uso adequado de agroquímicos................................................................ 174
17 Noções sobre legislação e defesa vegetal ..................................................................... 177
17.1 Contribuições da defesa vegetal ............................................................................. 179
17.2 Proteção de Plantas ............................................................................................... 182
17.3 Legislação Fitossanitária Brasileira ......................................................................... 183
Atividades para fixação ...................................................................................................... 190
18 Certificado Fitossanitário de Origem (CFO) ................................................................... 191
Atividades de fixação ......................................................................................................... 191
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................... 192
7
1 Noções básicas em ecologia
A Ecologia é a parte da Biologia que estuda as relações dos seres vivos entre si e
destes com o meio. O termo, que foi usado pela primeira vez em 1866 pelo biólogo alemão
Ernest Haeckel, vem da junção de duas palavras gregas: “Oikos”, que significa casa, e “logos”,
que quer dizer estudo. Assim sendo, ecologia significa o “estudo da casa” ou o “estudo do
habitat dos seres vivos”. Dessa forma, a ecologia é uma ciência ampla e complexa que
preocupa-se com o entendimento do funcionamento de toda a natureza.
1.1 Conceitos básicos em ecologia
Espécie: é o conjunto de indivíduos semelhantes (estruturalmente, funcionalmente e
bioquimicamente) que se reproduzem naturalmente, originando descendentes férteis. Ex.:
Homo sapiens.
População: é o conjunto de indivíduos de mesma espécie que vivem numa mesma área e
num determinado período. Ex.: população de ratos em um bueiro, em um determinado dia;
população de bactérias causando amigdalite por 10 dias, 10 mil pessoas vivendo numa cidade
em 1996, etc.
Comunidade: é o conjunto de populações de diversas espécies que habita uma mesma
região num determinado período. Ex.: comunidade aquática de um rio, comunidades
terrestres, etc.
Ecossistema ou sistema ecológico: É o conjunto de seres vivos e do meio ambiente em
que eles vivem, e todas as interações desses organismos com o meio e entre si. Exemplos
de ecossistema: uma floresta, um rio, um lago ou um jardim.
Os ecossistemas apresentam dois componentes básicos:
- biótico: as comunidades vivas. Ex: plantas, animais e microrganismos.
- abiótico: os elementos físicos e químicos do meio. Ex: de nutrientes, água, ar, gases,
energia e substâncias orgânicas e inorgânicas do solo.
Tipos de ecossistemas:
- Ecossistemas naturais: compreendem todos os ecossistemas formados naturalmente, sem
a intervenção do homem. Exemplos: Bosques, desertos, oceanos.
- Ecossistemas artificiais: compreendem todos os ecossistemas formados pelo homem.
Exemplo: Plantações, açudes, aquário.
- Agroecossistema: Sistema ecológico e socioeconômico que compreende plantas e
animais domesticados e as pessoas que nele vivem, com o propósito de produzir alimentos,
fibras ou outros produtos agrícolas (Conway, 1997). Quanto mais um agroecossistema se
O que é Ecologia?
8
parece, em termos de estrutura e função, com o ecossistema da região biogeográfica em que
se encontra maior será a probabilidade de que este agroecossistema seja sustentável.
Figura: escalas da organização ecológica.
Habitat: é o lugar específico onde uma espécie pode ser encontrada, isto é, o seu "endereço"
dentro do ecossistema. Exemplo: Uma planta pode ser o habitat de um inseto, o leão pode
ser encontrado nas savanas africanas, etc.
Nicho ecológico: é o papel que o organismo desempenha no ecossistema, isto é, a
"profissão" do organismo no ecossistema. 0 nicho informa às custas de que se alimenta, a
quem serve de alimento, como se reproduz, etc. Exemplo: a fêmea do Anopheles (transmite
malária) é um inseto hematófago (se alimenta de sangue), o leão atua como predador
devorando grandes herbívoros, como zebras e antílopes.
Biosfera: A biosfera refere-se a região do planeta ocupada pelos seres vivos. É possível
encontrar vida em todas as regiões do planeta, por mais quente ou frio que elas sejam. O
conceito de biosfera foi criado por analogia a outros conceitos empregados para designar
parte de nosso planeta. De modo qual, podemos dizer que os limites da biosfera se estendem
desde às altas montanhas até as profundezas das fossas abissais marinhas.
Competição e o princípio de Gause
O cientista russo Georgyi Gause propôs essa teoria baseando-se em diversas
observações que o levaram a concluir que, se duas ou mais espécies exploram exatamente
o mesmo nicho ecológico, a competição estabelecida entre elas é tão brusca que a
convivência se torna impossível. Assim, a competição entre as espécies no mesmo nicho
pode dar origem a 03 situações diferentes:
9
1) A escassez de recursos leva uma das espécies à extinção (daí a expressão princípio
de exclusão competitiva).
2) Uma das espécies é expulsa daquele habitat e migra para outro território em busca de
recursos que garantam sua sobrevivência.
3) Uma ou todas as espécies modificam seu nicho ecológico, de maneira que deixem de
competir por recursos limitados.
Ao estudar a Ecologia, conseguimos visualizar de maneira clara como as espécies
interagem entre si e conseguem coexistir em determinado ambiente, além de conseguir
informações para a compreensão dos motivos que levam uma espécie a viver em uma área
e a ausentar-se de outros locais. Também é possível compreender como uma espécie é capaz
de influenciar uma determinada comunidade e os impactos gerados por ela. Por meio dessas
análises, é possível fazer previsões a respeito do futuro de determinadas espécies e as
consequências das mudanças nos padrões de uma comunidade.
É importante destacar também que a Ecologia é fundamental para a compreensão do
futuro do planeta. A partir do momento que entendemos as espéciese suas necessidades,
Por que é importante
estudar Ecologia?
10
conseguimos analisar claramente como nossas atividades influenciam o meio. Sendo assim,
o entendimento da Ecologia e a conscientização da população podem ajudar a garantir um
futuro sustentável para o planeta.
1.2 Organização e níveis tróficos
1.2.1 Cadeia alimentar
Cadeia alimentar é uma
sequência de seres vivos que dependem
uns dos outros para se alimentar. Inicia-se
com os produtores e passa para os
consumidores (herbívoros, predadores) e
decompositores, por esta ordem.
Ao longo da cadeia alimentar há
uma transferência de energia, sempre no
sentido dos produtores para os
consumidores. Energia tem, portanto, um
percurso acíclico ou unidirecional.
A transferência de nutrientes fecha-
se com o retorno dos nutrientes aos
produtores, através da decomposição.
Organismos autótrofos: Organismos capazes de produzir o próprio alimento utilizando a luz
solar e produzindo o oxigênio. Ex: plantas, algas, cianobactérias.
Organismos heterótrofos: Organismos que não são capazes de produzir o seu próprio
alimento, tendo assim, que utilizar (comer) a energia produzida por outros seres vivos.
Produtores: São sempre autótrofos, produzem o alimento que será usado na cadeia, e por
isso então obrigatoriamente no início de qualquer cadeia alimentar. Os principais produtores
conhecidos são plantas e algas microscópicas (fitoplâncton).
Consumidores: São os organismos que necessitam alimentar-se de outros organismos para
obter a energia que eles não podem produzir para si próprios. Podendo ser:
- consumidores primários (“comem” autótrofos)
- consumidores secundários (“comem” consumidores primários)
- consumidores terciários (“comem” consumidores secundários) e assim por diante.
Decompositores ou saprofíticos: São organismos que transformam matéria orgânica em
matéria inorgânica, reduzindo compostos complexos em moléculas simples. Os
decompositores mais importantes são bactérias e fungos.
11
Figura: Fluxo de energia ao longo da cadeia alimentar. Produtor - consumidor primário –
consumidor secundário– decompositores.
1.2.2 Teia alimentar
Teia alimentar são várias cadeias alimentares que se entrelaçam, fazendo que as
relações ecológicas sejam múltiplas e o alimento disponível possa ser utilizado por vários
indivíduos, realmente compondo um ecossistema.
Figura: Teia alimentar. Várias cadeias alimentares que se entrelaçam, mostrando relações
ecológicas múltiplas.
12
Atividades para fixação
1. O conjunto de organismos da mesma espécie que vivem na mesma área em um
determinado momento é denominado de:
a) comunidade.
b) espécime.
c) população.
d) ecossistema.
2. Ao dizer onde uma espécie pode ser encontrada e o que faz no lugar onde vive, estamos
informando respectivamente,
a) Nicho ecológico e habitat.
b) Habitat e nicho ecológico.
c) Habitat e biótopo.
d) Nicho ecológico e ecossistema.
e) Habitat e ecossistema.
3. O cogumelo shitake é cultivado em troncos, onde suas hifas nutrem-se das moléculas
orgânicas componentes da madeira. Uma pessoa, ao comer cogumelo shitake, está se
comportando como:
a) Produtor.
b) Consumidor primário.
c) Consumidor secundário.
d) Consumidor terciário.
e) Decompositor
4. A ecologia é uma parte da biologia que estuda a relação dos organismos com o meio que
os cerca. Os organismos interagem entre si e com todas as partes não vivas do ambiente, tais
como solo, água, temperatura e umidade. Essas partes não vivas são chamadas de:
a) fatores abióticos.
b) fatores bióticos.
c) biosfera.
d) nicho ecológico.
e) ecossistema.
5. (UFSCar-2008) Em um experimento, populações de tamanho conhecido de duas espécies
de insetos (A e B) foram colocadas cada uma em um recipiente diferente (recipientes 1 e 2).
Em um terceiro recipiente (recipiente 3), ambas as espécies foram colocadas juntas.
13
A partir desses resultados, pode-se concluir que:
a) a espécie A se beneficia da interação com a espécie B.
b) o crescimento populacional da espécie A independe da presença de B.
c) a espécie B depende da espécie A para manter constante o número de indivíduos.
d) a espécie B tem melhor desempenho quando em competição com a espécie A.
e) o número de indivíduos de ambas se mantém constante ao longo do tempo quando as duas
populações se desenvolvem separadamente.
6. (UFSCar-2001) Mais de 500 variedades de plantas estão sendo atacadas na Califórnia,
Estados Unidos, por minúsculos insetos, originários do Oriente Médio. Os técnicos
americanos não têm obtido sucesso no controle dessa praga. Quatro causas que poderiam
favorecer a ocorrência de tal praga foram apresentadas: I. Inexistência de inimigos naturais
desses insetos na Califórnia.
II. Deficiência de defesas naturais das plantas.
III. Uso inadequado de determinados defensivos agrícolas.
IV. Fatores abióticos favoráveis ao desenvolvimento desses insetos na Califórnia.
Para a situação descrita, é possível aceitar a) a causa I, apenas.
b) as causas I e II, apenas.
c) as causas I, III e IV, apenas.
d) as causas I, II e III, apenas.
e) as causas I, II, III e IV.
7. Quando relacionamos o meio abiótico estamos estudando:
14
a) um nicho ecológico
b) uma comunidade
c) um ecossistema
d) uma população
e) um habitat
8. Qual dos termos abaixo refere-se aos fatores bióticos e abióticos que interagem em
determinada área?
a) habitat
b) comunidade
c) nicho ecológico
d) ecossistema
e) população
9. O conjunto de seres vivos que habita uma determinada região constitui:
a) sua população
b) seu ecossistema
c) seu biótopo
d) sua comunidade
e) seu habitat
10. Relacione as colunas:
(1) População
(2) Comunidade
(3) Biosfera
(4) Ecossistema
( ) Comunidade associada às condições físicas e químicas de uma região geográfica.
( ) Populações existentes numa determinada área.
( ) Grupos de indivíduos de uma determinada espécie ocupando determinada área.
( ) Ambiente habitável pelos seres vivos.
11. Defina os seguintes termos e marque a alternativa correta:
a) População
b) Comunidade
( 1 ) a) Organismo da mesma espécie, no mesmo espaço e na mesma unidade de tempo b)
Populações independentes.
( 2 ) a) Organismo de várias espécie, no mesmo espaço e na mesma unidade de tempo b)
Populações independentes.
( 3 ) a) Organismo da mesma espécie, no mesmo espaço e no mesmo tempo b) Populações
inter-dependentes.
( 4 ) a) Organismo da mesma espécie, em espaços diferentes e na mesma unidade de tempo
b) Populações independentes.
15
( 5 ) a) Organismo de várias espécie, em espaços diferentes e na mesma unidade de tempo
b) Populações inter-independentes.
12. Quais são os níveis de organização especificamente estudados em ecologia?
a) Comunidade, ecossistema e biosfera
b) População, comunidade, ecossistema e biosfera
c) População, comunidade e biosfera
d) População, ecossistema e biosfera
13. (CESGRANRIO) Um ecossistema tanto terrestre como aquático se define:
a) pela interação dos fatores físicos e químicos
b) pela interação de todos os seres vivos
c) pelos fatores ambientais, especialmente climáticos
d) exclusivamente por todas as associações de seres vivos
e) pela interação dos fatores abióticos e bióticos
14. Na charge, a arrogância do gato com relação ao comportamento alimentar da minhoca,
do ponto de vista biológico,
(A) não se justifica, porque ambos, como consumidores, devem “cavar” diariamente o seu
próprio alimento.
(B) é justificável, visto que o felino possui função superior à da minhoca numa teia alimentar.
(C) não se justifica, porque ambos são consumidores primários em uma teia alimentar.
(D)é justificável, porque as minhocas, por se alimentarem de detritos, não participam das
cadeias alimentares.
(E) é justificável, porque os vertebrados ocupam o topo das teias alimentares.
16
2 Introdução à entomologia agrícola
Entomologia é a ciência que estuda os insetos (do grego: entomon = insetos e logos
= estudo) sob todos os aspectos, estabelecendo suas relações com os seres humanos,
plantas e animais, correspondendo, respectivamente, a Entomologia Médica, Entomologia
Agrícola e Entomologia Veterinária.
A Entomologia Agrícola é o estudos das pragas agrícolas (insetos e ácaros) que
causam danos às plantas cultivadas e dos métodos para controla-las.
2.1 Os insetos e o Reino Animal
É muito difícil estimar o número de espécies de animais, entretanto aproximadamente
95% das espécies conhecidas pertencem aos invertebrados. A distribuição geográfica desses
animais é a mais diversa possível. Há espécies praticamente em todas as latitudes, longitudes
e altitudes, vivendo nos mais variados hábitats. Para facilitar o estudo dessa enorme
quantidade de animais, o Reino Animal é dividido em vários grupos, de acordo com as
características dos animais, denominados Filos. Dentre esses Filos, três são de importância
agrícola, apresentados a seguir.
Figura: Número de espécies de conhecidas de seres vivos e proporção entre os grandes
grupos.
Filo Nemata: reúne os nematoides, que atacam principalmente as raídes das plantas. Os
nematoides são, em geral, alongados e com as extremidades afiladas; geralmente invisíveis
a olho nu.
17
Filo Mollusca: compreende as lesmas e caracóis (terrestres) e os caramujos (aquáticos).
Esses dois últimos possuem uma concha calcaria sobre o corpo, enquanto as lesmas não
possuem essa estrutura. Alimentam-se de folhas, principalmente de hortaliças.
Filo Arthopoda: corresponde a aproximadamente 80% do Reino Animal. Apresenta a
seguinte combinação de caracteres:
Pernas articulas: origem do nome do Filo (arthon = articulação; podes = pernas).
Exoesqueleto: revestimento duro do corpo e respectivos apêndices, formado
principalmente por quitina, que é eliminada e renovada à medida que o animal cresce.
Corpo segmentado: formado por uma série de segmentos (anéis ou metâmeros).
Simetria bilateral: as metades do corpo cortado longitudinalmente por um plano vertical
são semelhantes entre si.
Heteronomia: corpo com divisões distintas.
Esse filo está dividido em várias classes, dentre elas, a Classe Insecta, que compreende
os insetos.
Reino: Animal
Filo: Arthropoda (Arthropoda: arthro = articulação e poda – perna, pernas articuladas em
grego)
Classe: Insecta (origem latina derivada de Insectum = animal de corpo sulcado ou separado
por anéis, ou seja, segmentado)
Características de Insecta
1) Corpo dividido em cabeça, tórax e abdome.
2) Um par de antenas.
3) Um par de mandíbulas.
4) Dois pares de maxilas (maxila e lábio).
5) Tórax apresentando três pares de pernas e geralmente dois pares de asas (adultos).
6) Abdome desprovido de apêndices ambulatórios.
7) Abertura genital situada próxima à extremidade anal do corpo.
8) Desenvolvimento geralmente por metamorfose (completo ou incompleto).
Figura: estrutura geral do corpo do inseto.
18
Segundo PANIZZI & PARRA (1991), não seria exagero sugerir que os insetos são os
maiores competidores do homem pela hegemonia na terra, pois historicamente o homem
sempre conseguiu dominar a maioria e, mesmo, extinguir alguns dos animais terrestres.
Porém os insetos como grupo, permanecem como a única barreira biótica ao domínio total do
homem, visto que a capacidade adaptativa dos insetos e amplamente conhecida. Além disso,
os insetos ao longo dos milênios passaram por várias transformações que permitem a sua
adaptação aos mais variados ambientes, entre elas podemos destacar as seguintes:
Exoesqueleto, permite aos insetos uma grande área de inserção muscular, facilita o
controle da evaporação e protege os órgãos internos.
Asas funcionais, fornecem aos insetos a capacidade de deslocamento, facilitam a
procura de alimentos, facilita a fuga dos inimigos naturais e facilita a dispersão.
Tamanho pequeno, faz com que os insetos necessitem de pouco alimento, facilita a
fuga, porém o fato de serem pequenos faz com a superfície total do corpo seja muito
maior que o volume, aumentando a evaporação do corpo o que consiste numa
desvantagem.
Metamorfose completa, o fato de passarem por vários estágios faz com que os insetos
possam viver em diferentes hábitats, permite a larva e ao adulto viverem em condições
totalmente diferentes.
Aumento do número de espécies, a grande capacidade de adaptação dos insetos aos
mais variados ambientes fez com que o número de espécies se elevassem tanto que
hoje eles ocupam praticamente todos os ambientes.
Quais as caracteríscas que tornam os insetos um dos
seres vivos mais adaptados à sobrevivência no planeta?
Todo inseto é considerado praga?
19
2.2 Relações inseto – seres humanos
2.2.1 Insetos benéficos
Insetos e polinização: sem abelhas,
nós não teríamos café e fumo, entre
outras plantas.
Produtos comerciais derivados dos
insetos: mel, cera, seda, laca, corante,
entre outros.
Insetos entomófagos: predadores e
parasitóides.
Insetos saprófagos e coprófagos.
Importância dos insetos no solo:
aeração, fertilização, revolvimento do
solo.
Insetos na alimentação humana e animal.
Insetos na medicina e cirurgia: mosca Chrysomya putoria (Calliphoridae). Em cobaia
reduziu 35 dias para uma semana a recuperação usando larvas dessa mosca.
Insetos na criminologia (Entomologia Forense): auxilia na solução de casos.
2.2.2 Insetos maléficos
Insetos que atacam plantas cultivadas: plantas danificadas pelo ato de alimentar dos
insetos, por oviposição e por transmissão de doenças viróticas, bacterianas, entre
outras.
Insetos que atacam produtos armazenados: pragas de madeira, de produtos
fabricados, de alimentos armazenados.
Insetos que atacam seres humanos e animais: insetos amolestadores como a mutuca,
insetos tóxicos como alguns cantarídeos, insetos parasitos como piolhos e pulgas,
insetos transmissores de doenças como o mosquito da dengue.
2.3 Conceitos de pragas
O que é praga? Pragas são organismos que entram em conflito com o interesse humano:
Produção de alimentos (animal e vegetal);
Doenças (malária);
Conforto (pernilongos à noite);
Conservação da natureza (Apis mellifera versus Mellipona)
20
Cultura (acervo de museus);
O conceito de praga é, portanto, antropogênico e relativo no tempo e espaço. O que é
praga para um agricultor pode não ser para outro que cultiva a mesma cultura. Além disso, o
que é praga numa região pode não o ser em outra. Mais ainda, uma praga importante hoje
não será necessariamente praga amanhã.
Todo ataque de insetos é deletério às plantas? O ataque de um inseto a uma planta
pode ser tolerado pela planta!
Os insetos atingem o status de praga devido principalmente ao desequilíbrio ecológico
do ambiente natural (ecossistema) pela sua conversão para o agroecossistema, que
geralmente se constitui de poucas espécies de plantas cultivadas em extensas áreas. Os
principais fatores que tornam um inseto uma condição de praga é:
Concentração de hospedeiro: monocultivos extensos fornecem alimento abundante
para os insetos-praga. A simplificação espacial do sistema de cultivo proporciona:
poucas opções de alimento para pragas generalistas; previsibilidade espacial para
pragas especialistas; inadequabilidade para inimigos naturais; simplificação temporal
no sistema de cultivo; populações da praga não diminuem periodicamente;
previsibilidade temporal para pragas especialistas.
Destruição de inimigos naturais:uso intensivo de pesticidas matam os inimigos
naturais, assim como o desmatamento destrói as áreas de abrigo desses insetos
benéficos. O uso inadequado de inseticidas pode provocar o surgimento de pragas
através dos processos de seleção de indivíduos resistentes e de indivíduos
geneticamente predispostos a sobreviver não são eliminados pelo inseticida.
Introdução de pragas exóticas: pragas introduzidas não encontram na nova região
inimigos naturais eficientes para controla-las, aumentando assim sua população em
nenhum impedimento. Dessa forma, a introdução de espécies fora da faixa nativa,
onde os processos ecológicos atingiram equilíbrio por coevolução. Exemplos:
o Introdução do bicudo do algodoeiro no Brasil;
o Introdução da batata nos EUA (colorado potato beetle).
Porque os insetos se tornam
pragas?
21
2.4 Classificação de pragas
a) Organismos não-praga: são aqueles cuja densidade populacional nunca atinge o nível de
controle:
b) Pragas secundárias: são aquelas que raramente atingem o nível de controle:
c) Pragas frequentes (Praga-chave): são aquelas que frequentemente atingem o nível de
controle:
22
d) Pragas Severas (Praga-chave): são aquelas cujo ponto de equilíbrio é sempre maior que
o nível de dano econômico:
2.5 Importância das pragas de plantas
O número de espécies de insetos descritas é estimado em aproximadamente um
milhão, das quais cerca de 10% são pragas, prejudicando plantas, animais domésticos e o
próprio homem. Os danos causados pelos insetos às plantas são variáveis, podendo ser
observados em todos os órgãos vegetais. Dependendo da espécie e da densidade
populacional da praga, do estádio de desenvolvimento e estrutura vegetal atacada e a
duração do ataque, poderá haver maior ou menor prejuízo quantitativo e qualitativo. Tais
danos são variáveis de país para país, de acordo com as características climáticas,
variedades e técnicas agronômicas empregadas.
Os insetos podem causar danos diretos quando atacam o produto a ser
comercializado, ou dados indiretos quando atacam estruturas vegetais que não serão
comercializados (folhas, raízes, por exemplo), mas que alteram os processos fisiológicos,
provocando reflexos na produção. Além disso, podem atuar indiretamente¸ transmitindo
patógenos, especialmente vírus, facilitando a proliferação de bactérias e o desenvolvimento
de fungos (fumagina) e outros patógenos, ou injetando substâncias toxicogências durante o
processo alimentar.
Em termos mundiais, os prejuízos causados por pragas e doenças são bastante
elevados e, juntamente com as plantas daninhas, chegam a causar perdas da ordem de 38%
de toda a produção.
Alguns países tiveram a sua economia fortemente abalada devido ao ataque de
pragas. Assim, em 1867, a França sofreu um enorme impacto devido à presença do pulgão-
da-videira, Daktulospharia vitifolie, que dizimou em pouco tempo os vinhedos existentes, uma
das maiores culturas do país naquela época. A produção de vinho baixou de tal maneira, que
o governo estabeleceu um prêmio para aqueles que conseguissem resolver esse problema.
Outro exemplo é a mosca-do-mediterrâneo, Ceratitis capitata, que exigiu o gasto de
milhões de dólares para sua erradicação. Em 1929, o governo dos EUA foi alterado pelas
técnicas da greve situação que se encontrava a citricultura da Flórida, causada pela
introdução dessa mosca. Assim, foram decretadas medidas profiláticas rigorosas, com
interdição da área, evitando que passageiros que saíssem da Flórida pudessem propagara a
praga por meio de frutas atacadas. Os esforços foram coroados de pleno êxito e, após 19
meses de incessantes trabalhos de erradicação, essa praga foi definitivamente eliminada
daquele país.
23
O Brasil, por ser um país tropical e com extensas áreas cultivadas, também apresenta
sérios problemas com pragas. Por exemplo, a citricultura brasileira sobre uma grande crise
quando em 1939, surgiu a doença denominada “tristeza”, arrasando com pomares paulistas,
devido à presença do pulgão Toxoptera citricida, eficiente transmissor dessa doença. A
recuperação dessa lavoura levou muitos anos e só foi possível graças ao desenvolvimento de
novos porta-enxertos.
A cafeicultura também teve seus problemas por volta de 1924, quando foi constatada
a presença da broca Hypothernemus hampei, provavelmente introduzida de Java ou da África,
em partidas de sementes de café. Os prejuízos causados por essa praga abalaram a
cafeicultura do Estado de São Paulo e, posteriormente, demais Estados do Brasil, no período
de 1924 a 1948, até que surgissem inseticidas eficientes para o controle dessa praga.
Em 1983, foi registrada pela primeira vez a presença de Anthonomus grandis no Brasil.
Essa praga chegou a limitar a produção de algodão em algumas áreas do país, especialmente
na região Nordeste, sendo que em algumas áreas, onde o manejo de pragas na cultura já era
uma realidade, houve comprometimento dessa tecnologia, pois a praga passou a exigir a
aplicação de, no mínimo 3 pulverizações a mais, com reflexos bastante elevados no custo de
produção e no ecossistema.
Em 1996, foi encontrada no Brasil, a minadora-dos-citros, Phyllocnistis citrella. Além
dos prejuízos diretos que esse inseto causa às brotações de citros, sua relação com o cancro
é bastante evidente. Assim, desde sua introdução, os focos do cancro aumentaram cerca de
10 vezes, já que os danos causados pela praga podem contribuir para a penetração e
desenvolvimento da bactéria Xanthonomas axonopodis pv. citri, causadora da doença.
Levantamentos recentes realizados no Brasil indicam que as pragas podem ser
responsáveis por perdas na ordem de 1,2 bilhões de dólares para as principais culturas
brasileiras. Por se uma região tropical, as pragas são favorecidas apesar de os percentuais
de perdas serem variáveis de região para região, principalmente levando-se em conta as
diferenças socioeconômicos existentes no País.
2.5.1 Classificação dos insetos de acordo com a herbivoria
Consumo foliar (alimentação externa)
Mais visível do que ataque por sugadores. Lepidoptera e coleoptera são os grupos
mais diversos. Outras ordens que se alimentam de folhas são: Orthoptera, Hymenoptera,
Phasmatodea e Psocoptera
24
Minas e brocas (alimentação interna)
Minadores são insetos que residem e se alimentam da epiderme da planta. Podem
ser: minadores de folhas, alojando entre as duas epidermes da folha e minadores de caules,
alojando nas camadas superficiais dos caules. Somente 4 ordens de holometábolos são
minadores: Diptera, Lepidoptera, Coleoptera e Hymenoptera.
Broqueadores são insetos que residem e se alimentam em camadas profundas da
planta, dentro dos tecidos. As brocas podem se alimentar de qualquer parte da planta, estando
o material vivo ou morto. As partes mais atacadas são: troncos que são utilizados por
Coleoptera, Lepidoptera e Hymenoptera; frutos que são mais utilizados por Diptera,
Lepidoptera e Coleoptera; sementes utilizadas basicamente por Coleoptera e Lepidoptera.
Sugadores de seiva (alimentação interna)
É uma forma de alimentação inconspícua, quando comparadas com o consumo foliar.
A alimentação se dá pela sucção do conteúdo do floema (seiva elaborada).
25
Pode provocar dano direto através retardamento do crescimento geral da planta e
dano indireto através da transmissão de viroses ou injeção de saliva tóxica.
A grande maioria do sugadores são insetos da Ordem Heteroptera (Homoptera e
Hemiptera) que se alimentam através de estiletes e insetos da ordem Thysanoptera que se
alimentam via estiletes e via raspagem da epiderme.
Galhadores (alimentação interna)
São os insetos que emitem um estímulo químico às células de tecidos vegetais,
fazendo com que estes tecidos se desenvolvam patologicamente. Este desenvolvimento pode
serum aumento do tamanho das células causando uma hipertrofia celular ou um aumento do
número de células causando uma hiperplasia. Esta transformação do tecido vegetal
proporciona um local adequado ao desenvolvimento do inseto.
26
Atividades para fixação
1. O que é entomologia?
2. Porque estudar insetos?
3. Por que insetos são tão diversos?
4. Suponha que você foi contratado para fazer um levantamento completo das espécies de
insetos e ácaros da mata de uma empresa da região. Qual desses dois grupos você espera
que seja mais diversificado? Por quê?
5. Suponha que você foi contratado para fazer um levantamento completo das espécies de
insetos da mata de uma empresa da região. Considerando insetos adultos somente, você
espera encontrar mais espécies aladas ou mais espécies ápteras? Por quê?
6. Além dos benefícios ecológicos e econômicos que trazem alguns insetos à humanidade,
em quais outras áreas são utilizados e considerados como benéficos? Por quê?
7. Por que não são considerados os insetos como fonte nutritiva para os humanos, sendo
que ao igual que outros animais invertebrados possuem uma rica composição dietética
(calórica, proteínica, vitamínica e de minerais)?
8. Veja o meme abaixo e descreva o significa cor de carmim:
27
9. O que é uma praga?
10. Porque os insetos se tornam pragas?
11. Qual a importância das pragas de plantas?
12. Quais as principais características que garantiram o sucesso dos insetos como o grupo
mais diverso no ecossistema?
13. Qual a importância das abelhas para o agroecossistema?
28
3. Morfologia básica de insetos
A morfologia estuda externamente as partes do corpo dos insetos. A importância de
se estudar morfologia se deve ao fato de ajudar no reconhecimento de grupos maiores
(ordens, famílias, gêneros), assim como na caracterização de hábitos e comportamento dos
insetos.
As características morfológicas serão apresentadas para o tegumento (exoesqueleto)
e para as três regiões do corpo de um inseto: cabeça, tórax e abdome.
3.1 Exoesqueleto
O grande sucesso dos insetos deve-se em parte ao seu exoesqueleto, que confere
uma mistura de flexibilidade e força permitindo que o inseto tenha liberdade de movimento e
ao mesmo tempo não perca em defesa e proteção.
O tegumento, também chamado de exoesqueleto, é uma camada contínua que cobre
externamente o corpo do inseto. O exoesqueleto é por uma camada resistente de quitina e
divido em diversas placas unidas por membranas, o que permite a movimentação.
O exoesqueleto, é de fundamental importância para a sobrevivência dos insetos, pois
eles protegem os órgãos internos, permitem sustentação do corpo e suporte para os
músculos, evitam a perda de excessiva água e, em alguns casos, protegem o inseto contra
certos tipos de predadores. Além disso, também confere proteção mecânica, química e
biológica e ainda é ponto de ligação entre os apêndices (antenas, pernas, peças bucais, etc).
O exoesqueleto é constituído de três partes: a mais externa é a cutícula, abaixo desta
vem a epiderme e a membrana basal. A cutícula é uma camada relativamente fina de material
não celular que delimita a superfície externa do corpo, de estrutura flexível e elástica. Quando
acaba de ser formada é branca e pode permanecer assim em muitas formas jovens. Na
maioria dos adultos ela passa por um processo químico que resulta no seu endurecimento e
escurecimento que é denominado esclerotização. Ela tem como função evitar perda de água,
prevenir a predação e prover camuflagem, através de uma camada de cera. É formada por
quitina (cadeia de n-acetil-glucosamina) que é um polímero de alto peso molecular. Está
relacionada com o movimento e extensão do corpo. Pode possuir protuberâncias (espinhos,
cerdas, pêlos providos de sensilas) cuja função pode ser de ornamentação, gerar sons, ou
estruturas sensoriais (ligados à células sensitivas). Também é responsável pela cor
(pigmentos oriundos de plantas e do metabolismo).
Como o exoesqueleto é uma estrutura muito rígida, o inseto só consegue crescer após
a troca desse exoesqueleto, processo que chamamos muda ou ecdise. Durante a muda, o
organismo do inseto produz um novo exoesqueleto embaixo do exoesqueleto velho, que se
rompe permitindo a saída do inseto. Assim que sai do exoesqueleto velho, o inseto, que está
agora com um exoesqueleto novo e muito flexível, consegue crescer, e depois de alguns
minutos ou até horas, esse novo exoesqueleto endurece. Dessa forma, o exoesqueleto é
eliminado e renovado a cada muda, a medida que o inseto se desenvolve.
29
Figura: Gafanhoto saindo do exoesqueleto velho, no processo que chamamos de muda ou
ecdise.
3.2 Cabeça
As principais funções da cabeça são:
Percepção sensorial: pela presença dos
órgãos sensoriais de visão, ofato e
gustação.
Integração nervosa: abriga o cérebro,
principal órgão do sistema nervoso.
Aquisição de alimento: pela presença
das peças bucais.
Os apêndices da cabeça são:
Fixos: olhos compostos e ocelos.
Móveis: antenas e peças bucais.
Olhos compostos: Estruturas típicas de insetos adultos e ninfas. É o principal órgão de
visão dos insetos. O olho composto é formado por várias unidades chamadas omatídeos.
Quanto maior o número de omatídeos, maior a capacidade visual dos insetos.
Ocelos dorsais: uma estrutura bem mais simples, que pode estar ausente. Está presente
em adultos e ninfas. Ocorrem em número de 3, em formato de triângulo invertido ou em par.
Tem a função de percepção imediata de mudança na intensidade luminosa.
Ocelos laterais: ou chamado de estematas, são os únicos órgãos visuais das larvas. É
uma estrutura parecida com omatídeo. Eles funcionam como um órgão para percepção de
luz.
30
Antenas: são apêndices sensoriais com
função de olfato, audição, tato e gustação, e
desse modo, apresentam inúmeras
modificações para e estruturas para
desempenhar essas funções. As antenas
também podem desempenhar funções de
equilíbrio e auxiliar o macho a segurar a fêmea
durante a cópula. Todos os insetos adultos
possuem um par de antenas. Geralmente os
machos apresentam antenas maiores e mais
elaboradas para localizar as fêmeas.
31
Figura: Diferentes tipos de antenas presentes nos insetos.
Pelo reconhecimento do tipo de aparelho bucal dos insetos, é possível identificar o seu
hábito alimentar e até mesmo o tipo de dano que eles os insetos herbívoros podem causar
nas plantas. Além disso, também serve como uma característica para identificar as principais
ordens de insetos.
Uma das grandes variações que permitiu ainda mais a colonização dos diferentes
meios pelos insetos e, assim, a diversificação de espécies, foi o surgimento de vários tipos
diferentes de aparelhos bucais, sendo o seu aspecto utilizado como um dos critérios de
classificação de acordo com a forma e função que desempenha. Entre os animais, sejam eles
invertebrados ou vertebrados, a anatomia bucal está diretamente relacionada ao hábito
alimentar. Nos insetos, grupo de animais com maior diversidade de espécies e número de
organismos dispersos nos mais diferentes ecossistemas, possui estrutura morfológica do
aparelho bucal bem diversificada.
Alguns insetos modificaram o aparelho bucal de forma a se alimentar de fluidos; outros,
de materiais sólidos. Há besouros que se alimentam de outros insetos; há aqueles que se
Qual a importância prática do
reconhecimento do tipo de aparelho
bucal dos insetos?
32
alimentam de vegetais. Há insetos que se alimentam da seiva de plantas enquanto outros se
alimentam de sangue. Há ainda insetos que se alimentam de tudo, incluindo material em
decomposição, outros não se alimentam na fase adulta.
O aparelho bucal possui modificações segundo a maneira pela qual o inseto se
alimenta, ataca ou sedefende de inimigos. Desse modo as peças bucais estão adaptadas,
conforme o caso, para mastigar, picar, lamber, sugar, roer. Vejamos alguns dos aparelhos
bucais a seguir:
Mastigador: Servem primariamente para particionar os alimentos. Mas também pode servir
como defesa e para condução de matéria, modificação do meio e
limpeza de antenas e pernas. É o tipo de aparelho bucal mais
primitivo. Os insetos com aparelho bucal mastigador (besouros,
gafanhotos, baratas, lagartas, formigas, etc.) possuem
mandíbulas robustas, com as quais trituram os alimentos, sempre
sólidos.
Lambedor: só encontrado nas abelhas, as maxilas são alongadas, o
lábio é distensível e funciona como uma língua recolhedora de
líquidos. Esses insetos apresentam mandíbulas e o aparato lambedor
ao mesmo tempo. Abelhas, por exemplo, usam as mandíbulas para
mover objetos sólidos nas colmeias e o lambedor para sugar mel e
néctar.
Sugador-maxilar: também chamado
de espirotromba, é um aparelho bucal que serve para sugar
líquidos que estejam mais inacessíveis, como o néctar de uma
flor. Pode se estender e se retrair. Apenas borboletas e
mariposas têm espirotromba. Neste tipo de aparelho bucal a
modificação ocorre nas maxilas, que se alongam muito e se
juntam para formar um tubo aspirante, que se enrola em
espiral e, por isso, é chamado espirotromba.
Sugador-esponjador: É adaptado para absorver fluidos
diversos livres no ambiente, como sumo e suco de frutas,
açúcares e fluidos de ferimentos. Na mosca doméstica,
os dois estiletes (o labro e a hipofaringe) situam-se em um
sulco anterior do lábio, constituindo o haustelo; a
extremidade distal do lábio apresenta dois grandes lobos
ovais macios, as labelas, percorridas por sulcos
transversais ou canais alimentares, formando uma
estrutura esponjosa para sorver.
Picador-sugador: É um aparelho bucal modificado com
todas as partes unidas em uma estrutura perfurante para
sugar fluidos internos, como sangue e seiva das folhas dos
vegetais. O aparelho bucal do tipo sugador-picador surge
como resultado da transformação de certas peças bucais.
Em geral as modificações ocorrem no lábio, que
33
transforma-se em uma bainha envolvente ou um tubo
alongado e oco, denominado rostro ou haustelo. As outras
peças bucais são modificadas em longos e finos estiletes
quitinizados, semelhantes a agulhas perfurantes; os estiletes
de alguns insetos podem ser largos, assemelhando-se mais a
lâminas cortantes. O lábio não é usado para picar; ele
simplesmente encosta ou apoia-se no substrato, sendo a
função perfurante ou cortante realizada pelos estiletes. Ocorre
em pernilongos, mutucas, percevejos, pulgões, cigarras,
etc.
Figura: Principais tipos de aparelhos bucais dos insetos.
Figura: Rostro (aparelho bucal) de percevejos:
Fitófago: rostro reto e longo.
34
Predador: curto e curvo.
Hematófago: rostro curto e reto.
3.3 Tórax
A segunda região do corpo é o tórax, divido em três segmentos:
1. Protórax – ligado a cabeça (1º par de pernas)
2. Mesotórax – segmento mediano (2º par de pernas e 1º par de asas)
3. Metatórax – ligado ao abdome (3º par de pernas e 2º par de asas)
Apêndices Torácicos: Pernas e Asas.
Pernas: Os insetos são denominados hexápodes, por apresentarem três pares de pernas,
uma em cada segmento do tórax. As penas são apêndices locomotores terrestres ou
aquáticos com função de locomoção, escavar, coletar alimentos, capturar presas. Em geral
existem nas pernas cinco segmentos: coxa, trocânter, fêmur, tíbia e tarso, este dividido em
artículos em número de um a cinco. No último artículo tarsal encontram-se as garras,
geralmente duas, e duas ou três minúsculas peças, os pulvilos, que ajudam os insetos a
locomover-se em superfícies lisas. Muitas larvas também têm seis pernas; outras, como as
larvas das moscas, não têm pernas. As lagartas ou larvas de borboletas, mariposas e traças
possuem, além dos três pares de pernas autênticas, localizadas no tórax, um número variável
de pseudopernas situadas nos segmentos do abdome, cujo número varia de dois a cinco
pares.
35
As pernas são denominadas anteriores, medianas e posteriores de acordo com a sua
inserção. O tipo de perna é importante para caracterizar os hábitos do inseto (pernas
saltatórias - saltam, raptoras - captura de presas, cursoriais - correm, natatórias - nadam,
gressoriais - andam, e fossoriais - escavam). Os diferentes tipos de pernas são:
a) Ambulatória: tipo fundamental e sem modificações, presente em quase todas as ordens,
apropriadas para andar ou correr.
b) Saltatória: pernas posteriores dos gafanhotos. Fêmur e tíbias bem desenvolvida,
entumecidas e alongadas.
c) Natatória: encontradas em insetos aquáticos. Parte mediana e posterior adaptada para
nadar. Fêmur, tíbia e tarso achatados e com margens providas de pelos e esporões.
d) Preensora: fêmur desenvolvido, com um sulco no qual se aloja a tíbia recurvada. Serve
para prender outros animais (presa).
e) Raptatória: transformadas para capturar outros insetos. Fêmur e tíbia com numerosos
espinhos e dentes.
f) Fossorial: servem para escavar o solo. Tíbias ou tarsos modificados em expansões
laminares.
g) Escansorial: tíbia, tarsos e garras tarsais possibilitam aos piolhos agarrarem-se ao pelo
do hospedeiro.
h) Coletora: Terceiro par de patas de alguns himenópteros. Servem para recolher e
transportar grãos de pólen. O primeiro segmento do tarso é bastante desenvolvido (basitarso).
Nas abelhas existe a corbícula.
i) Adesivas: Pernas anteriores de alguns coleópteros aquáticos (machos) objetivando fixar-
se durante a cópula.
36
Asas: apêndices torácicos para locomoção aérea. Só são funcionais na fase adulta.
Normalmente dois pares (um no mesotórax e outro no metatórax). A principal característica
que concedeu esse grande sucesso adaptativo aos insetos é a sua capacidade de voo, que
permite a esses animais fugir de predadores, buscar alimentos ou até mesmo procurar por
condições ambientais que favoreçam sua sobrevivência. Alguns insetos jamais desenvolvem
asas, quer por descenderem, como a traça-dos-livros, de formas ancestrais não aladas, quer
por terem desenvolvido adaptações à vida parasitária (piolho, pulga) acompanhadas, ao longo
da evolução, pela regressão das asas. Formigas e cupins são também ápteros, salvo as
castas sexuadas. Os insetos de algumas ordens, como a das moscas, possuem somente um
par de asas. A grande maioria, porém, é dotada de dois pares, sendo as posteriores sempre
membranosas e localizadas no metatórax. As asas também podem servir também de proteção
37
(besouros), produção de som (grilos), órgão de equilíbrio (moscas) e coletor de calor
(borboletas). Vejamos agora os diferentes tipos de asas presentes nos insetos:
Membranosas: são finas e flexíveis com nervuras bem distintas. É o par posterior da maioria
dos insetos. Podem ser nuas (libélulas, aleluias, moscas) ou cobertas por escamas
(borboletas e mariposas).
Tégmina: Aspectos pergaminoso ou coriáceo, normalmente estreitas e alongadas. Exemplo:
grilos, gafanhotos, baratas.
Élitros: são duras e servem de proteção as asas membranosas dos besouros. São chamados
braquiélitros quando não cobrem totalmente o abdome, como a asa anterior da tesourinha.
Hemiélitros: Asas anteriores dos percevejos apresentam a parte basal coriácea e a apical
membranosa. Ocorre em percevejos.
Balancins: São o segundo par de asas de moscas e mosquitos, são atrofiadas e tem função
de equilíbrio durante o vôo.
Franjadas: São alongadas com longos pelos em toda sua extensão, nervuras reduzidas.
Presentes nos tripes.
3.4 Abdome
O abdome é a terceira região do corpo dos insetos, que se caracteriza pela
segmentação típica, simplicidade de estruturas e ausência geral de apêndices locomotores.38
Apesar da sua aparência simplificada, o abdome é uma região altamente
especializada, que contém os principais órgãos; também essa é a região por onde ocorrem
os movimentos respiratórios, e os espiráculos são a abertura do sistema respiratório. As
principais funções do abdome são:
Armazenamento e processamento de nutrientes;
Circulação de hemolinfa;
Bombeamento de oxigênio;
Desenvolvimento dos ovos;
Produção de espermatozoides;
Acasalamento.
Apresenta no máximo 11 segmentos, também chamados de urômeros; no último situa-
se a abertura anal, no penúltimo a abertura genital masculina e no antepenúltimo a abertura
genital feminina. Em muitos insetos há, no décimo segmento, um par de apêndices laterais,
os cercos, às vezes bastante desenvolvidos, filiformes ou em forma de pinça. Em muitas
espécies as fêmeas apresentam vários apêndices, que formam um órgão especial, o
ovipositor, com o qual põem os ovos. Esse órgão, que parte da vagina, apresenta forma e
comprimento variáveis; não raro é alongado e penetrante, para que os ovos possam ser
depositados em buracos na terra ou no interior de plantas ou animais. Nas abelhas esses
apêndices agem como agulhões inoculadores de veneno, os chamados ferrões.
Apêndices abdominais: durante o desenvolvimento embrionário alguns insetos apresentam
apêndices abdominais que geralmente não permanecem após a eclosão da larva, ninfa ou
náiade. Em alguns casos estes apêndices permanecem transformando-se em estruturas
funcionais..
Cercos: localizam-se nas partes látero-dorsais do último urômero. Função sensorial,
mas podem auxiliar na cópula e até exercer função preensora (tesourinha).
Estilos: são estuturas pareadas, multissegmentadas e mais curtas que os cercos.
Têm função sensorial e está presente apenas em machos. Ex.: barata e louva-deus.
Sifúnculos: par de apêndices dorsais que podem liberar feromônio de alarme. Ex.
típico dos pulgões
Acúleo: últimos segmentos abdominais, modificados na forma de tubo, com função
de ovipositor na mosca-das-frutas.
Pernas abdominais: presente em lagartas e algumas larvas himenópteros.
39
Brânquias: estruturas respiratórias de insetos imaturos aquáticos. Em alguns casos
tem função natatória.
40
Atividades para fixação
1. Para ser considerado um inseto, o animal precisa apresentar algumas características. Entre
as características a seguir, qual é a única que não pode ser encontrada em um inseto?
a) Um par de olhos compostos.
b) Um par de antenas na cabeça.
c) Corpo dividido em cabeça, tórax e abdome.
d) Presença de seis pares de pernas.
e) Presença de asas.
2. Os insetos, assim como outros artrópodes, possuem um exoesqueleto quitinoso
relacionado com a proteção contra predadores e a perda de água. Esse exoesqueleto, no
entanto, é um grave problema quando o assunto é crescimento. Marque a alternativa que
apresenta o nome do processo que garante o crescimento desses animais.
a) Metamorfose.
b) Permuta.
c) Ecdise.
d) Pupa.
e) Evolução.
3) As antenas, asas e as pernas dos insetos são componentes de grande importância para o
sucesso no meio em que eles vivem. Como deveriam ser estas estruturas em um inseto
predador, noturno e terrestre? Por quê?
4) As antenas, asas e as pernas dos insetos são componentes de grande importância para o
sucesso no meio em que eles vivem. Como deveriam ser estas estruturas de um inseto
predador, diurno e aquático? Por quê?
5) A cigarra e a formiga são personagens de uma fábula que enaltece o trabalho. A biologia
dos grupos aos quais pertencem esses insetos explica o diferente papel desempenhado por
41
eles na fábula. No verão, encontram-se cascas de cigarras presas nas árvores ou no chão.
Há uma crença popular de que as cigarras "arrebentam de tanto cantar".
a) Qual a função do canto das cigarras?
b) As cascas não são cigarras mortas. Explique o que representam essas cascas.
6) Por que geralmente os machos tem as antenas mais desenvolvidas que as fêmeas?
7) Qual a importância prática do reconhecimento do tipo de aparelho bucal dos insetos?
8) Observe a charve abaixo e comente as características do exoesqueleto dos insetos:
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4. Biologia dos insetos
Biologia é a ciência que estuda a vida e os organismos vivos, sua estrutura,
crescimento, funcionamento, reprodução, origem, evolução, distribuição, bem como suas
relações com o ambiente e entre si (ecologia).
O ciclo biológico é o conjunto de fases (ou estágio) por que passa o inseto, desde o
ovo até o adulto.
4.1 Reprodução
Uma das razões para explicar a grande capacidade adaptativa dos insetos no globo
terrestre é a sua alta capacidade reprodutiva. A multiplicação rápida dos insetos deve-se
principalmente às fêmeas prolíferas e ao ciclo biológico curto.
A reprodução nos insetos é geralmente dependente do encontro dos dois sexos e da
fecundação do óvulo pelo espermatozoide, também chamada de reprodução sexuada.
Porém, há inúmeras exceções, visto a grande diversidade dos insetos. Veja a seguir as etapas
da reprodução sexuada, desde a aproximação dos insetos até a cópula:
a) Aproximação dos sexos: Os insetos machos e fêmeas precisam sicronizam o tempo e
local para o acasalamento para que haja o acasalamento. Isso pode ser feito de uma maneira
mais “chamativa” como por exemplo, pela luminescência dos vagalumes, pelo som emitido
pelos grilos através da fricção de asas e pernas, pela cacofonia das cigarras. Existem outras
formas mais discretas, perceptíveis apenas aos insetos, mas com a mesma eficiência.
Exemplo os feromônios. Esses sinais para atração do sexo oposto, geralmente são
específicos para cada espécie. O enxame é a forma mais efetiva para o encontro de parceiros.
Ex. poste de luz. Não necessita ser visual, podendo ser odor. Este sistema permite o encontro
do casal de modo mais efetivo do que a procura.
b) Corte: Comportamento de curta distância que induz a receptividade sexual antes do
acasalamento. É um mecanismo para diminuir a atração cruzada – os sinais podem ser
movimentos, presentes nupciais, danças, estimulação o tátil, odores, vibração das asas.
Somente a sequência correta garante a cópula.
c) Seleção sexual: os sexos dos insetos são dimórficos, ou seja, machos e fêmeas tem
características morfológicas diferentes. Exemplo: machos adornados com características
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secundárias relacionadas com a corte; “chifre” em besouros; som em grilos; cor das asas em
borboletas. A fêmea é capaz de escolher machos de melhor qualidade reprodutiva.
d) Cópula: consiste na transferência direta de espermatóforo na bursa copulatrix. Durante a
cópula, o macho pode transferir substâncias que irão contribuir para a oviposição, ou até
mesmo substâncias que vão causar a repressão da receptividade pela fêmea, fazendo com
que ela não aceite nenhum outro macho, com a finalidade de garantir que apenas os
descendentes dele sejam gerados.
e) Estocagem de esperma e fertilização: Os óvulos maduros recebem o esperma pela
micrópila (orifício do óvulo) onde se dá a fertilização. Existe uma economia e eficiência do uso
porque as fêmeas podem estocar esperma por longo tempo e liberá-los pouco a pouco
controladamente. Na glândula espermatecal contém substâncias que nutrem os
espermatozoides.
f) Oviposição: consiste na reprodução propriamente dita. Os embriões podem ser
ovipositados na forma de ovos, larvas ou ninfas, dependendo do tipo de reprodução, conforme
apresentado a seguir.
4.1.1 Tipos de reprodução
Oviparidade: é o tipo mais comum de reprodução. As fêmeas depositam ovos que dão
nascimento à larvas ou ninfas. Neste caso o ovo apresenta reserva nutritiva completa (vitelo)
para este desenvolvimento. Os ovos variam grandemente em aparência (podem ser esféricos,
ovais, alongados, em forma de barril,forma de disco, etc.). Podem ser colocados
separadamente ou em massas (unidos uns aos outros) nas plantas (mariposas, percevejos),
no solo (gafanhotos, grilos, etc.), sobre animais (piolhos), na água (pernilongos), sobre ou
dentro de outros insetos (parasitoides), etc. A maioria dos insetos fitófagos depositam seus
ovos na planta hospedeira da larva ou da ninfa, como os borboletas e mariposa. Nas plantas,
as posturas podem ser endofícas (ovos colocados no interior de folhas, ramos, frutos) ou
exofítica (sobre a superfície das plantas). As fêmeas que fazem postura endofítica
apresentam ovipositor nos últimos segmentos abdominais ou os últimos urômeros são
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modificados em estrutura perfurante (acúelo das moscas-das-frutas). Comumente, os ovos
apresentam uma cobertura que varia em espessura, escultura e cor. Muitos ovos são providos
de ranhuras características, espinhos ou outros processo, e alguns podem ser brilhantes.
Muitos insetos envolvem seus ovos em uma espécie de material protetor, como as baratas e
os louva-a-deus, que envolvem seus ovos em uma capsula chamada ooteca, ou protegem o
local da postura com secreção ou fezes. O número de ovos depositado varia de um (pulgões
de clima frio) a milhões de ovos (insetos sociais como cupins e formigas). A maioria dos
insetos deposita de cinquenta a algumas centenas de ovos.
Viviparidade: o desenvolvimento embrionário é completado dentro do corpo da fêmea, que
deposita larva ou ninfa em vez de ovos, sendo ela chamada fêmea vivípara. Nesse caso,
os ovos são deficientes em vitelo e desenvolvem-se no trato genital da fêmea. Exemplo:
pulgões e algumas moscas.
4.1.2 Modos atípicos de reprodução
Partenogênese: refere-se ao crescimento e desenvolvimento de um embrião sem fertilização
do óvulo pelo espermatozoide, ou reprodução assexuada. Geralmente ocorre combinada
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com outros tipos de reprodução como: oviparidade, viviparidade. A partenogênese pode ser
classificada em:
Telítoca: quando dá origem apenas à fêmeas;
Arrenótoca: quando dá origem apenas à machos;
Anfítoca: quando dá origem à ambos, mas só ocorrem em pulgões de clima
temperado.
A partenogênese ainda pode ser obrigatória – quando a reprodução ocorre somente por
partenogênese. Ex.: pulgões de clima tropical, zangões. Ou facultativa – quando os ovos
não fecundados originam fêmeas e ovos fecundados originam machos e fêmeas.
Pedogênese: Em alguns casos, indivíduos imaturos são capazes de se reproduzirem por
partenogênese ou por células não consideradas reprodutivas. Trata-se de um encurtamento
do ciclo de vida. É um fenômeno raro.
Neotenia: Quando um ínstar não terminal desenvolve características reprodutivas do adulto,
incluindo a habilidade de localizar um parceiro sexual, copular e depositar ovos (ou larvas) de
uma maneira convencional denominamos neotenia.
Poliembrionia: Geralmente quando ocorre poliembrionia, ela está associada com oviparidade
ou partenogênese. Pode ocorrer de duas formas: numa delas, as células se dividem durante
a divisão mitótica, e cada célula dá origem a um indivíduo; na outra forma, ocorrem várias
clivagens onde cada uma dá origem a um indivíduo. É bem restrita a vespas parasitas. O
número de larvas produzidas é influenciada pelo tamanho do hospedeiro, variando de dez a
milhares de indivíduos surgindo de um ovo pequeno e sem vitelo, o que é extremamente
vantajoso para a fêmea que tem um gasto de energia relativamente pequeno durante a
oviposição.
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Todos esses tipos de reprodução são uma forma de adaptação evolutiva dos insetos.
A partenogênese facultativa, e variação no sexo do ovo produzido pode ser uma resposta a
flutuações das condições do ambiente como ocorre em afídeos que variam o sexo dos filhos
e misturam ciclos partenogenéticos e sexuados de acordo com a estação do ano.
4.2 Desenvolvimento
O desenvolvimento de um inseto envolve tanto o crescimento no tamanho como a
mudança na forma. Pode ser divido em embrionário (fase de ovo) e pós-embrionário.
4.2.1 Desenvolvimento embrionário
O desenvolvimento embrionário inicia-se após a fecundação do óvulo pelo
espermatozoide formando o núcleo zigótico e finaliza com a eclosão da larva ou ninfa. Após
a deglutição do líquido amniótico, o inseto aumenta de volume, ocupando todo o ovo, e o cório
(“casca” do ovo) se rompe, com auxílio da força muscular, permitindo a lenta saída do inseto.
Ovos de percevejo Eclosão ninfas da ooteca (massa de ovos)
da barata.
Por que estes tipos de
reprodução ocorrem?
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4.2.2 Desenvolvimento pós-embrionário
O desenvolvimento pós-embrionário inicia-se com eclosão da larva ou ninfa e finaliza
com a emergência do adulto. Todos os insetos se tornam maduros no ínstar final (imago ou
adulto). Existe um número determinado de ecdises (troca de tegumento) para cada inseto.
Durante o processo de crescimento ocorre mudanças na forma conhecidas como
metamorfose.
A ecdise ou muda, é o fenômeno fisiológico de mudança do tegumento/exoesqueleto,
e é necessária para o crescimento dos insetos. É controlada totalmente por hormônios.
Durante a ecdise, ocorre a produção de uma nova cutícula e a degradação da velha.
4.2.3 Metamorfose
Durante o desenvolvimento pós-embrionário, a forma geral do corpo do inseto em cada
estádio pode diferir pouco em relação aos estádios precedentes, exceto pelo aumento de
tamanho, e assim o inseto pode atingir a maturidade sem sofrer metamorfose (ametábólicos).
A maioria dos insetos sofrem metamorfose (metabólicos), e as formas jovens mudam de
forma de maneira gradual ou drástica nos estádios finais de desenvolvimento, quando se
transformam em adultos.
De acordo com o desenvolvimento pós-embrionário, surgem os seguintes tipos de
metamorfose:
Ametabolia: Não ocorre mudança de forma. O inseto recém eclodido já tem a forma do adulto,
com tamanho menor e órgãos reprodutivos pouco desenvolvidos. Ex.: traça dos livros.
Hemimetabolia: metamorfose parcial (incompleta). O inseto recém-eclodido (ninfa)
assemelha-se ao adulto, porém com tamanho menor, ausência de asas e órgãos reprodutivos
pouco desenvolvidos. Fases: ovo – ninfa – adulto.
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Holometabolia: metamorfose completa. Transformação drástica nas formas imaturas até a
fase adulta. Fases: ovo – larva – pupa – adulto. Esta forma de desenvolvimento por
metamorfose completa também contribuiu para o sucesso dos insetos, já que os insetos
jovens e adultos ocupam habitats diferentes e não competem entre si.
Atividades para fixação
1) Observou-se que uma vespinha ordem Hymenoptera reproduzia-se sem fecundação. Em
determinada circunstância produzia somente machos, mas em outras circunstâncias produzia
machos e fêmeas. Que tipo de reprodução tem este inseto?
2) O que você entende por partenogênese? Quais os tipos que conhece e quais são suas
características?
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3) Dentre os passos da reprodução dos Lepidópteros que incluem a localização do parceiro,
acasalamento e oviposição existe o envolvimento de semioquímicos. Qual destes eventos
seria mais afetado se retirássemos as antenas dos machos? Por quê?
4) Muitos insetos são sexualmente dimórficos onde o macho é geralmente mais ornamentado
que a fêmea. Que razões de natureza evolutiva poderiam levar a tais diferenças?
5) Como um inseto pode localizar seu parceiro para o acasalamento?
6) A reprodução sexuada dos insetos envolve uma série de etapas pré-copulatórias como
localização do parceiro e corte. Comente a charge abaixo:
7) Qual a relação entre metamorfose e competição em insetos?
8) Considere a afirmativa a seguir: "ordens de insetos apresentando metamorfose completa
(holometabolia) tendem a apresentar maior número de espécies do que aquelas ordens cuja
metamorfose é simples (hemimetabolia)". Esta afirmativaé aceitável? Por quê?
9) Admita a existência de um inseticida que interfira exclusivamente no processo de
crescimento do inseto. Em que fase(s) do desenvolvimento do inseto seria recomendável
aplicar tal produto?
10) Suponha que um mesmo tipo de alimento, específico para formas jovens, foi fornecido a
dois insetos adultos. Se um destes insetos é Hemimetábolo e o outro Holometabólo e
considerando que eles são dependentes do alimento, qual dos dois tem mais chance de
sobreviver? Por quê?
11) Considerando que os insetos possuem um exoesqueleto rígido, como é que conseguem
aumentar o volume do corpo durante o período reprodutivo?
12) Os insetos, constituem o maior grupo de animais da Terra. Apesar de sua enorme
diversidade, nesse grupo ocorrem apenas três padrões de desenvolvimento pós-embrionário.
Descreva as formas de desenvolvimento dos insetos abaixo:
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5 Principais ordens de insetos de importância econômica
De acordo com as suas características (semelhanças e diferenças), os insetos são
organizados em grandes grupos, determinados ordens. A categoria ordem reúne diferentes
famílias, que por sua vez são compostas por gêneros, que são conjuntos de espécies.
Filogenia é uma hipótese evolutiva, uma proposta científica sobre o grau de
parentesco entre diferentes grupos que integram um grupo maior. Por exemplo, considerando-
se o grupo dos intesos, podemos estabelecer como os seus diferentes grupos (ordens) estão
relacionados, que ordens são mais próximas (são irmãs) ou mais afastadas. Isto é
representado por um diagrama de relacionamento, chamado de cladograma, que representa
a evolução do grande grupo considerado, insetos no nosso caso. Na figura da próxima página,
podemos ver um cladograma das ordens atuais de insetos (excluindo-se as fósseis, extintas).
Por mais que existem diversas ordens de insetos, há algumas que são consideradas
as principais devido à frequência de insetos conhecidos e que são diferenciados com maior
precisão e facilidade. Vejamos agora as principais ordens dos insetos:
Thysanura: traça-dos-livros
Ephemeroptera: efeméridas
Odonatas: libélulas
Blattodea: baratas
Isoptera: cupins e aleluias
Mantodea: louva-a-deus
Dermaptera: tesourinha ou lacrainha
Orthoptera: grilos, gafanhotos, esperanças, paquinhas, taquarinha
Phasmatodea: bicho-pau
Anoplura: piolho
Thysanoptera: tripes
Hemiptera: pulgão, cochonilha, psilídeo, cigarra, cigarrinha, percevejos, barbeiros,
barata-d´água
Neuroptera: formiga-leão, crisopídeo
Coleoptera: besouros, joaninhas, vaga-lume
Siphonaptera: pulga
Diptera: mosca, mosquito, pernilongo, mutuca
Lepidoptera: borboletas e mariposas
Hymenoptera: formiga, abelha, vespas
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5.1 Isoptera
Nome: Iso (igual) + ptera ( asas)
Nome vulgar: Cupins, térmitas, siriris e aleluias
Características: Aparelho bucal mastigador; pernas ambulatórias; asas quando presentes do
tipo membranosa; corpo mole; inseto social. Alguns fazem seus ninhos subterrâneos, outros
aqueles murundus enormes nos campos e outras dentro da própria madeira.
Tamanho: Pequenos (2mm) a Médios (10mm)
Hábito Alimentar: Fitófago – se alimentam de raízes de plantas, de madeira verde e de
madeira seca industrializada.
Desenvolvimento: hemimetabolia - ovo, ninfa e adulto.
Importância agrícola: são pragas de importância econômica
5.2 Dermaptera
Nome: Derma (pele) + ptera ( asas)
Nome comum: tesourinha, lacrainha
Características: Aparelho bucal mastigador; asas anteriores do tipo hemiélitro; pernas
ambulatórias; cercos em forma de pinça, no abdome. As lacrainhas são insetos de hábito
noturno, atraídos por luz.
Tamanho: 10 a 50 mm.
Hábito Alimentar: A maioria das espécies nutre-se de polpa de frutos abertos e em
decomposição, e pólen, podendo danificar flores; existem ainda alguns predadores.
Desenvolvimento: hemimetabolia - ovo, ninfa e adulto.
Importância agrícola: são inimigos naturais de pragas.
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5.3 Orthoptera
Nome: Ortho (reto) + ptera ( asas)
Nome comum: grilos, gafanhotos, esperanças, paquinhas e manés-magros (taquarinha).
Características: Aparelho bucal mastigador; asas anteriores em tégmina; pernas posteriores
saltatórias. As paquinhas apresentam perna anterior do tipo escavatória. Machos apresentam
cercos; presença de ovipositor longo nas fêmeas.
Tamanho: pequenos (15mm) a grandes (200mm)
Hábito Alimentar: Predominantemente fitófagos (mastigadores), muitos mas podem se
alimentar de muitos outros materiais.
Desenvolvimento: hemimetabolia - ovo, ninfa e adulto.
Importância agrícola: podem causar danos às culturas, principalmente hortaliças e
sementeiras de mudas.
Figura: paquinha e galerias do solo causado pela escavação.
5.4 Thysanoptera
Nome: Thysano (franja) + ptera (asas).
Nome comum: tripes.
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Características: Aparelho bucal raspador sugador; asas membranosas franjadas; de cor
escura na fase adulta.
Tamanho: insetos pequenos 0,5 a 13 mm de comprimento.
Hábito Alimentar: Raspam e sugam seiva das flores, folhas e frutos. Mas existem algumas
espécies que se alimentam de esporos de fungo, células de alga. Apesar da grande maioria
ser fitófaga, existem algumas espécies que são predadoras de ácaros, pulgões, cochonilhas
e também outros tripes.
Desenvolvimento: hemimetábolo - ovo, ninfa e adulto.
Importância agrícola: muitas espécies atacam plantas cultivadas, causando danos severos.
Preferem sempre as partes aéreas da planta. Nas folhas, localizam-se quase sempre na face
inferior. Como consequência da retirada da seiva, tornam as folhas descoradas e, nos locais
das picadas, provocam pontos escuros devido à necrose dos tecidos. Quando o ataque é
muito intenso, as folhas ficam como se fossem queimadas, com brilho prateado, e depois
caem. Além disso, a principal importância dos tripes está na transmissão de doenças,
principalmente viroses, como o vira-cabeça-do-tomateiro.
5.5 Hemiptera
Nome: Hemi (metade) + ptera (asas) [asa anterior do tipo hemiélitro - com diferença na
textura da região basal e apical].
Nome comum: a ordem Hemiptera apresenta três subordens com diferentes características:
Sternorrhyncha: cochonilhas, pulgões, psilídeos e mosca-branca.
Auchenorrhyncha: anteriormente classificada como Homoptera (asas iguais),
compreende cigarras e cigarrinhas.
Heteroptera: percevejos e barbeiros. Asas anteriores hemiélitro e posteriores
membranosa (parte apical membranosa e parte basal é espessada). Pernas de vários
tipos: Ambulatórias, natatórias (percevejos aquáticos); preensoras (barata-d’água),
fossoriais (alguns percevejos de solo). Podem apresentar ainda expansões foliáceas
na tíbia posterior.
Características gerais: todos hemípteros apresentam aparelho bucal picador sugador,
surgindo na parte anterior da cabeça.
Tamanho: Minúsculos (<1mm) a grandes (~100mm)
Hábito Alimentar: Substâncias líquidas. A maioria é fitófoga. Alguns são predadores de
outros insetos e são benéficos. Outros são hematófagos e transmissores de doenças para o
homem.
Desenvolvimento: hemimetábolo - ovo, ninfa e adulto.
Importância agrícola: muitos grupos são considerados pragas, entratanto, algumas espécies
são utilizadas no controle biológico de outras pragas. Além disso, também existem percevejos
de importância médica, como o percevejo transmissor da Doença de Chagas.
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5.6 Neuroptera
Nome: Neuro (nervura) + ptera (asas)
Nome comum: Formiga-leão, bicho lixeiro, crisopídeo.
Características: Aparelho bucal mastigador; 4 asas membranosas, que em repouso ficam
em formato telha sobre o corpo. Abdome cilíndrico; antenas geralmente compridas.
Tamanho: 10 a 50 mm.
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Hábito Alimentar: A maioria dos seus membros são predadores.
Desenvolvimento: Holometábolo - ovo, larva, pupa e adulto.As larvas podem ser aquáticas
ou terresteres.
Importância agrícola: são importantes agentes de controle biológico de pragas.
5.7 Coleoptera
Nome: Coleo (estojo) + Ptera (asas).
Nome comum: besouros, broca, joaninha, vagalume, perilampo.
Características: aparelho bucal mastigador; asas anterior do tipo ÉLITRO e ausência de
cercos em forma de pinça. Essa é a ordem de insetos mais diversa, compreende cerca de
40% do número de espécies. Pernas do tipo ambulatória, escavatória e natatória (besouros
aquáticos).
Tamanho: Minúsculos (<1mm) a grandes (>200mm).
Hábito Alimentar: a maioria é fitófaga, mas muitos são predadores e outros são
decompositores, se alimentam de carcaças, fezes, matéria orgânica. A alimentação é bem
variada, mas não exitem besouros hematófagos.
Desenvolvimento: Holometábolo - ovo, larva pupa e adulto.
Importância agrícola: muitas espécies são fitófagas e algumas ainda atacam grãos
armazenados, e por isso são considerados são importantes pragas. Mas existem coleópteros
úteis como as joaninhas, que são predadoras principalmente de pulgões.
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5.8 Diptera
Nome: Di (duas) + ptera (asas)
Nome comum: moscas, mosquitos, pernilongos, borrachudos, mutuca, berne, mosca-das-
frutas.
Características: primeiro par de asas normais e o segundo par atrofiado e modificado
balancim. Aparelho bucal do tipo picador-sugador ou sugador-esponjador. Olhos compostos
bem desenvolvidos, ocupando boa parte da cabeça.
Tamanho: Minúsculos (1mm) a grandes (60mm).
Hábito Alimentar: alimentação bastante diversificada. As larvas terrestres se alimentam de
matéria orgânica em decomposição, carcaças de animais mortos, excrementos. Outras são
fitófogas ou inimigos naturais de insetos ou parasitas, tanto do homem como de animais. Os
adultos em geral alimentam-se de diversas substâncias: podem ser hematófagos ou se
alimentar de substâncias açucaradas, néctar, suor, etc.
Desenvolvimento: Holometábolo - ovo, larva, pupa e adulto. As larvas podem ser aquáticas
ou terrestres.
Importância agrícola: do ponto de vista agrícola, tem importância a mosca-das-frutas, cujas
larvas atam frutos de várias espécies; a mosca-da-madeira, cujas larvas abrem galerias nos
troncos das árvores; espécies minadoras, cujas larvas abrem galerias nas folhas, além de
larvas que atacam raízes de plantas. Com relação a importância médica, tem-se os mosquitos
sugadores de sangue, que podem transmitir agentes causais de doenças como malária, febre
amarela, dengue, etc. A mosca doméstica em contato com os alimentos pode transmitir tifo e
desinterias; a mosca conhecida como lambe-olhos pode transmitir a conjuntivite. Entre as
moscas de importância veterinária, destacam-se as varejeiras (bicheiras) e a mosca-do-berne
(que também pode parasitar o homem), a mosca-do-chifre, mutucas transmissoras do mal-
das-cadeiras-dos-equinos. Entretanto, entre os dípteros encontram-se ainda muitas espécies
úteis. Nesse particular, destacam-se as espécies necrófagas, saprófagas, polinizadores e
inimigos naturais (parasitas e predadores) de insetos considerados pragas agrícolas.
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5.9 Lepidoptera
Nome: Lepidon (escamas) + ptera (asas).
Nome comum: borboletas, mariposas e lagartas na fase larval.
Características: é a segunda maior ordem de insetos. Aparelho bucal sugador-maxilar (inseto
adulto), enrolado em forma de espiral, quando em repouso (espirotromba); asas cobertas por
escamas. As lagartas tem aparelho bucal mastigador, e é nessa fase que prejudiciais à
agricultura.
Tamanho: 5 a 300 mm.
Hábito Alimentar: As lagartas, são fitófagos e o adulto apenas suga néctar floral.
Desenvolvimento: Holometábolo - ovo, larva (lagarta), pupa (casulo ou crisálida) e adulto.
Importância agrícola: muitas espécies de lagartas são pragas. Algumas borboletas e
mariposas podem contribuir com a polinização enquanto se alimentam do néctar. O bicho-da-
seda é um importante inseto que gera renda a muitos produtores de seda (sericicultura).
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5.10 Hymenoptera
Nome: Hymeno (membrana) + ptera (asas)
Nome comum: formiga, abelha, vespa, marimbondo, mamangava.
Características: é a terceira maior ordem de insetos. Abdome pendunculado (na maioria),
quatro asas membranosas, sendo as anteriores muito maiores que as posteriores; antenas
menores do que o corpo; geralmente apresentam aparelho bucal mastigador, sendo que as
abelhas são exceção, possuindo aparelho bucal lambedor. Pernas do tipo ambulatórias ou
coletoras (abelhas e mamangavas). Os himenópteros são considerados os insetos mais
evoluídos.
Tamanho: 0,3 a 70 mm.
Hábito Alimentar: bastante variado.
Desenvolvimento: Holometábolo - ovo, larva, pupa, adulto.
Importância agrícola: no geral, os himenópteros são pouco daninhos à agricultura, exceto
às formigas cortadeiras, que são uma das principais pragas do Brasil. Mas existe ainda
espécies nocivas como vespas causadoras de galhas, vespas fitófagas (vespa-da-madeira),
abelha-irapuá (praga de folhes de citros). Há muitas espécies úteis como as abelhas,
importantes na produção de mel, cera, própolis e na polinização de plantas, além dos
parasitoides e predadores. Os microimenóperos são importantes parasitoides, que mantem o
equilíbrio da natureza, pois são poucas as espécies que não tem pelo menos um
microimenóptero como inimigo natural.
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5.11 Acari (Classe Arachnida)
Os ácaros são importantes pragas agrícolas, mas não são insetos (Classe Insecta),
eles estão inseridos dentro da Classe Arachnida (a mesma de aranhas, escorpiões,
carrapatos) e subclasse Acari (ácaros e carrapatos).
Nome: Akares (pequeno)
Nome comum: ácaro.
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Características: Corpo segmentado em duas regiões principais: o gnatossoma (cabeça) e o
idiossoma (fusão do tórax e abdome). As quelíceras são órgãos primários para aquisição de
comida, usualmente adaptadas para mastigação, perfuração, dilaceração e sucção. Possuem
quatro pares de pernas na fase adulta e três na fase larval. As pernas podem ser utilizadas
para andar e podem estar adaptadas para natação nas espécies aquáticas.
Tamanho: 0,25 a 0,75 mm.
Hábito Alimentar: os ácaros apresentam uma alimentação muito diferenciada entre os
grupos, podendo ser parasitas de vertebrados, invertebrados ou plantas. Além disso, alguns
grupos são predadores de fungos e bactérias. O tipo de alimentação depende da forma e
função das quelíceras e do trato digestivo. Dessa forma as principais estratégias alimentares
são o parasitismo, fitofagia, micofagia e saprofagia.
Desenvolvimento: ovo – larva – protoninfa – deutotonifa – adulto.
Importância agrícola: muitas espécies de ácaros são importantes pragas agrícolas ao redor
do mundo, enquanto outras são importantes inimigos naturais de pragas.
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Atividades para fixação
1. Na ilustração estão representados cinco insetos. Considerando a ORDEM a que cada
inseto pertence. Indique a ordem e nome comum dos cinco insetos na figura abaixo:
2. Vários são os insetos que apresentam importância para a humanidade e que são
encontrados em diferentes ordens. As abelhas destacam-se nesse grupo de insetos pela
fabricação de mel e são agrupadas na ordem:
a) Ordem Hymenoptera.
b) Ordem Neuroptera.
c) Ordem Isoptera.
d) Ordem Blattaria.
3. O bicho-da-seda é um inseto responsável pela produção da seda, portanto, é bastante
importante economicamente. Esse animal é encontrado na ordem:
a) Coleoptera.
b) Blattaria.
c) Lepidoptera
d) Thysanura.
e) Phthiraptera.
4. Todos os representantes a seguir podem ser agrupados na ordem Orthoptera, exceto:
a) cupins.
b) grilos.
c) esperanças.
d) gafanhotos.
5. Os cupins, ou térmitas, são invertebrados que se destacam como pragas de pastagens,
madeira e outros materiais celulósicos. Esses insetos são agrupados na ordem:
a) Isoptera.
b)Lepidoptera.
c) Coleoptera.
d) Dermaptera.
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e) Diptera.
6. Os ácaros são importantes pragas agrícolas de diversas culturas. Porque os ácaros não
são considerados insetos?
7. No quadro abaixo, estão descritas algumas características das ordens dos insetos
representadas pelos itens I, II e III.
A alternativa que corresponde CORRETAMENTE às ordens I, II e III é:
A) I – Thysanoptera; II – Diptera; III – Hemiptera.
B) I – Orthoptera; II – Lepidoptera; III – Coleoptera.
C) I – Homoptera; II – Isoptera; III – Coleoptera.
D) I – Diptera; II – Lepidoptera; III – Hymenoptera.
E) I – Orthoptera; II – Diptera; III – Hemiptera.
8. Nas afirmativas abaixo estão descritas algumas características das diversas ordens da
classe dos insetos:
01 - O desenvolvimento dos insetos isópteros ocorre por paurometabolia
(hemimetabolia);
05 – Na ordem Orthoptera encontramos alguns representantes que produzem sons atritando
as tégminas;
07 – Os representantes da ordem Thysanoptera apresentam reprodução sexuada com
desenvolvimento por holometabolia;
11 – Os himenópteros são considerados os insetos mais evoluídos apresentando olhos
compostos, ocelos e aparelho bucal de dois tipos: mastigador e lambedor;
27 – Os representantes da ordem Coleoptera apresentam o segundo par de asas modificado
em élitro, sendo que a forma mais comum de reprodução é a
partenogênese, com desenvolvimento por hemimetabolia.
A alternativa que apresenta o somatório das questões CORRETAS é:
A) 16.
B) 06.
C) 17.
D) 28.
E) 12.
9. Os insetos podem ter desenvolvimento pós-embrionário direto ou indireto, o que é
determinado pela presença ou ausência de metamorfose. Diante desta afirmação assinale a
alternativa CORRETA:
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A) A ordem Orthoptera apresenta insetos com desenvolvimento indireto e, portanto com
presença de metamorfose completa (holometabolia).
B) A ordem Lepidoptera apresenta insetos com desenvolvimento direto e, portanto com
presença de metamorfose parcial (hemimetabolia).
C) A ordem Díptera apresenta insetos com desenvolvimento indireto e, portanto com presença
de metamorfose completa (holometabolia).
D) A ordem Coleoptera apresenta insetos com desenvolvimento direto e, portanto com
presença de metamorfose completa (ametabolia).
E) A ordem Hemiptera apresenta insetos com desenvolvimento indireto e, portanto sem
presença de metamorfose (holometabolia).
10. Quanto às ordens dos insetos, assinale a alternativa CORRETA:
A) A ordem Lepidoptera apresenta insetos adultos com aparelho bucal sugador maxilar e dois
pares de asas membranosas cobertas por escamas. Ex.: borboletas, mariposas.
B) A ordem Orthoptera apresenta insetos com um par de asas, e aparelho bucal mastigador.
Ex.: joaninha, cigarra.
C) A ordem Coleoptera apresenta insetos com aparelho bucal mastigador quando larva e
sugador quando adulto e dois pares de asas modificados em élitros de consistência coriácea.
Ex.: besouros, joaninhas.
D) A ordem Hymenoptera apresenta insetos com aparelho bucal sugador labial e asas
ausentes. Ex.: moscas, mosquitos.
E) A ordem Isoptera apresenta insetos com aparelho bucal picador-sugador e dois pares de
asas membranosas. Ex.: barbeiro, percevejo.
11. Assinale a alternativa em que NENHUMA das ordens citadas apresenta insetos
reconhecidos comumente como úteis ou benéficos:
A) Hymenoptera, Thysanoptera e Diptera.
B) Lepidoptera, Coleoptera e Orthoptera.
C) Hemiptera, Diptera e Lepidoptera.
D) Hymenoptera, Hemiptera e Isoptera.
E) Orthoptera, Thysanoptera e Isoptera
6 Caracterização dos principais insetos-praga
6.1 Pragas do café
Bicho-mineiro: Leucoptera coffeella (Lepidoptera: Lyonetiidae): Os adultos são mariposa de
coloração geral branco prateada, com cerca de 6,5 mm de envergadura e 2,2 mm de
comprimento. As lagartinhas são de no máximo 3,5 mm de comprimento de coloração branca,
anelada que ficam "escondidas" dentro das lesões (minas) construídas pelas próprias
lagartas. As pupas ficam localizadas na região da "saia" do cafeeiro na face inferior das folhas
sob teias em formato de "X". Já a oviposição é fita no período noturno na face superior da
folha, sendo no máximo 57 ovos/fêmea, com eclosão em 5-21dias. Essa praga confecciona
minas nas folhas diminuindo a área fotossintética e causando quedas das folhas. Os maiores
problemas com essa praga são em espaçamentos mais largos.
66
Broca do café: Hypothenemus hampei (Ferrari) (Coleoptera: Scolitidae): Os adultos são
besouro de coloração escura e brilhante, corpo cilíndrico recurvado para a região posterior,
medem cerca 1,6 mm. O macho não voa, vivendo no fruto onde se origina. As larvas são de
coloração esbranquiçada causando perfurações no interior das sementes. Os ovos são
pequenos, brancos, elípticos e com brilho leitoso ovipositados no interior da semente. As
pupas permanecem interior das sementes, sendo de coloração esbranquiçada à castanho
clara. As fêmea fecundada, perfura a região da coroa, oviposita em câmaras feitas nas
sementes e as larvas passam a broquear as sementes. Esse ataque causa queda do fruto,
perda de peso, apodrecimento devido a entrada de fungos, perda na classificação por tipo e
bebida. São problemas maiores em plantio adensado e lavouras de Café Robusta (Conillon).
6.2 Pragas da cana-de-açúcar
Broca da cana-de-açúcar: Diatraea saccharalis (Fabr.) (Lepidoptera: Pyralidae): Os adultos
mariposas que medem cerca de 25 mm de comprimento e apresentam coloração amarelo-
palha. As lagartas são de coloração branco-amarelada com pintas pretas. A oviposição é
imbricada nas folhas (semelhante escamas de peixe) e as pulpas ficam no colmo da planta.
Essa praga pode causar danos diretos ou indiretos na cultura. Os danos diretos são abertura
de galerias no colmo, provocando morte das gemas, "coração morto", tombamento e redução
do peso da cana. Os danos mais graves são os indiretos que são a penetração de fungos
através das galerias, resultando em: inversão da sacarose para glicose e consequentemente
redução na produção de açúcar; contaminação do caldo que afeta a eficiência de leveduras
e, portanto, menor produção de álcool.
Cigarrinhas das folhas - Mahanarva posticata (Stal, 1855) (Hemiptera: Cercopidae): Os
adultos apresentam coloração avermelhada, com ou sem manchas longitudinais nas asas e
medem cerca de 12 mm de comprimento As ninfas ficam nas raízes e a postura dos ovos é
feita na bainha das folhas.
Cigarrinhas das raízes - Mahanarva fimbriolata (Stal, 1854) (Hemiptera: Cercopidae): Os
adultos apresentam duas manchas vermelhas nas asas tégminas e medem de 12 mm a 13
mm de comprimento de comprimento. As ninfas ficam nos cartuchos ou nas bainhas
protegidas por espuma. A postura dos ovos é feita no solo.
Cigarrinha do cartucho - Mahanarva rubicunda (Walker, 1858) (Hemiptera: Cercopidae): Os
adultos apresentam faixas transversais amarelas a laraja e medem aproximadamente 11 mm
de comprimento. As ninfas ficam nos cartuchos protegidas por espuma. A postura dos ovos é
feita na parte ventral da folha na nervura central. Todas as três espécies succionam seiva
causando "queima" das folhas (semelhante a déficit hídrico) e diminuição do rendimento de
açúcar.
6.3 Pragas do feijão
Cigarrinha-verde: Empoasca kraemeri (Ross & Moore) (Hemiptera: Cicadellidae): Os adultos
são de coloração esverdeada, com cerca de 3 mm; ninfas e adultos deslocam-se com rapidez,
e não raros em movimentos laterais. Ciclo completo em torno de 3 semanas. As ninfas são
de coloração amarelo- esverdeada e desprovida de asas. As postura dos ovos é endofítica
nas folhas, pecíolo e caules. A praga succiona seiva e injeta toxinas, provocando enfezamento
67
das plantas (semelhante a sintomas de viroses) e mais prejudicial até o florescimento e em
plantio de sequeiro.
Mosca minadora: Liriomyza spp.(Diptera: Agromyzidae):(Vide pragas do tomate)
Mosca-branca: Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae): (Vide pragas do tomate)
Vaquinha: Cerotoma arcuata (Oliveira) (Coleoptera: Chrysomelidae): Os adultos são
besourinhos de coloração amarelo, com manchas pretas, medindo 5 a 6 mm de comprimento
e possuindo mancha preta no final do abdome. A postura dos ovos é feita no solo, onde
eclodem larvas de coloração branco-leitosa.
Vaquinha: Cerotoma unicornis (Germar) (Coleoptera: Chrysomelidae): Semelhante a C.
arcuata, porém um pouco maior e os adultos não possuem mancha preta no final do
abdome.
Vaquinha/Brasileirinho: Diabrotica speciosa (Germar) (Coleoptera: Chrysomelidae):
semelhante a C. arcuata, porém os adultos são de coloração esverdeada, com manchas
amarelas e as larvas possuem uma placa escura na extremidade dorsal posterior do corpo.
Nas três espécies os adultos alimentam-se de folhas e, em altas populações, provocam
diminuição da produção. As larvas alimentam-se de raízes e nódulos e podem, também,
atacar as sementes em germinação. Causam desfolha (adultos) e mortalidade de plantas
(larvas).
Lagarta elasmo ou broca do colmo: - Elasmopalpus lignosellus (Zeller) (Lepidoptera:
Pyralidae): Os adultos são mariposas com 15 a 25 mm de envergadura e com asas de
coloração pardo-avermelhada. As lagartas medem cerca de 15 mm de comprimento, são
ativas e de coloração verde-azulada. Apresentam cabeça pequena e de coloração marrom
escura. Jogam-se no chão se colocadas na palma da mão. As lagartas abrem galerias na
região do colo da planta, causando secamento e morte de plantas novas. Maiores prejuízos
nas épocas secas e em solos de Cerrado.
6.4 Pragas do milho
Lagarta do cartucho: Spodoptera frugiperda (Smith) (Lepidoptera:Noctuidae): Os adultos
são mariposas com cerca de 35 mm, com asas anteriores pardo escuras e as posteriores
branco acinzentadas. As lagartas são de coloração que varia de pardo escura, verde até
quase preta, com três linhas longitudinais branco amareladas na parte dorsal do corpo. Cinco
pares de falsas pernas. A postura é feita em "massas" de ovos na face superior das folhas;
coloração palha e as pupas são de coloração marrom avermelhada e ficam no solo. As
lagartas fazem raspagem das folhas, posteriormente danificam o cartucho, com presença de
furos irregulares nas folhas e de "serragem" no cartucho. Também broqueiam as espigas e a
base do caule em plantas jovens. Podendo causar perdas de até 35% na produção de grãos.
68
Cigarrinha do milho: Dalbulus maidis (Delong & Wolcott) (Hemiptera: Cicadellidae): Os
adutos possuem cerca de 13 mm de comprimento, coloração verde a amarelo palha. As ninfas
apresentam coloração amarela, possuem até 3 mm de comprimento e passam por cinco
ínstares. Os ovos são depositados de forma endofítica e o período de incubação é cerca de
9 dias. Os adultos e ninfas succionam a seiva. Este inseto também é o principal vetor de três
fitopatógenos: o espiroplasma causador do enfezamento pálido, o fitoplasma causador do
enfezamento vermelho e o vírus causador da virose da risca.
6.5 Pragas de pastagens
Pragas de perfilhos: Cigarrinhas das pastagens
O ovo é posto no solo em restos culturais. As ninfas são bastante ativas e resistentes. Ficam
sempre protegidas por uma espuma branca característica. Passam por cinco instares. O ciclo
de vida varia com diferentes espécies, mas pode-se dizer que o mesmo está ao redor de 58
dias: incubação - 15 dias; período ninfal - 40 dias; pré-ovoposição - 3 dias. As ninfas sugam
a seiva das plantas depauperando-as, causando seu desequilíbrio híbrido e levando-a a
absorver um maior volume de água do solo. O adulto, além de sugar a seiva, injeta uma
substância tóxica que produz a sintomatologia típica da injúria causada pelas cigarrinhas,
"queima das pastagens". Independente da espécie, a injúrias ocasionadas aos pastos são
semelhantes, iniciando com o aparecimento de estrias cloráticas nas folhas e evoluindo até o
secamento e morte das mesmas.
O problema da cigarrinha é, portanto, bastante grave, pois além da vasta área atacada,
elas concorrem com o gado na época em que ele normalmente deveria recuperar-se do
período de seca, e nessa época o capim amarelecido torna-se impalatável e desagradável, o
que faz com que o animal coma menos, reduzindo assim a produção de leite e carne.
Zulia entreriana (Homoptera-Cercopidae): Os adultos possuem 7 mm, tem o corpo preto
brilhante com faixas branco amareladas.
Deois flavopicta (Homoptera-Cercopidae): Os adultos possuem 10 mm, possuem o corpo
preto com faixas amarelas e abdome e pernas vermelhas.
Deois schach (Homoptera-Cercopidae): Os adultos possuem 10 mm, possuem o corpo
preto esverdeado com faixas alaranjadas e abdome e pernas vermelhas.
Pragas das folhas: formigas cortadeiras Atta bisphaerica (Saúva mata-pasto), Atta
capiguara (Saúva parda), Atta laevigata (saúva cabeça-de-vidro) e Acromyrmex spp.
(quenquéns) (Hymenoptera). As formigas cortadeiras são formigas (saúvas e quenquéns) que
cortam e carregam fragmentos de diversos vegetais, flores e sementes para seus ninhos.
Ocorrem atacando exclusivamente as pastagens, as espécies de saúvas A.bisphaerica e
A.capiguara. As formigas causam danos tanto em pastagens estabelecidas, quanto durante a
fase de estabelecimento. Neste último caso os danos são mais graves porque cortam as
plântulas recém emergidas tanto de gramíneas quanto de leguminosa. (A.bisphaerica, corta
exclusivamente gramíneas). Esse dano ocasiona a morte da plântula, que neste estágio não
tem capacidade de rebrota. Quando as formigas atacam plantas mais desenvolvidas, elas
desfolham e cortam os brotos dos talos e ramos secundários. Em áreas infetadas, estimou-
se, para A.capiguara, que o sauveiros por hectare, cujas formigas cortam cerca de 21 Kg de
69
capim por dia, são equivalentes ao que consomem 3 bois em regime de pasto por alqueire,
ou seja, 1,23 bois/hectare.dia-1.
Outros fatores têm sido considerados como efeitos da ação das formigas cortadeiras
tais como dano causado às pastagens pelo revolvimento da terra e as trilhas de forragem
deixadas pelas formigas e a aceleração do crescimento e a sucessão de ervas daninhas nas
pastagens.
Estas formigas atacam preferencialmente as espécies Pueraria phaseoloides,
Desmodium spp., Stylosanthes spp., Centrosema spp., Leucena spp., e as gramíneas
Andropogon spp., Panicum maximum e Brachiaria spp.
6.6 Pragas da soja
Percevejo verde: Nezara viridula, (Hemiptera: Pentatomidae). São verdes uniforme; antenas
com tons verdes e marrons. Longevidade de 33 dias. Postura com cerca de 100 ovos,
colocados na face inferior das folhas, cujo conjunto possui formato hexagonal. As ninfas são
escuras com manchas vermelhas. Coloração diversificada nos 5 ínstares. Sugam a seiva das
hastes, ramos e vagens ("chochas"). Causam retenção foliar (problema na colheita mecânica)
e "soja louca" (vegetação anormal da planta, sem produzir vagens) devido a injeção de
toxinas. Causam mancha de levedura nos grãos.
Percevejo verde pequeno: Piezedorus guildinii (Hemiptera: Pentatomidae). Medem cerca
de 10 mm, apresenta cor verde uniforme, antenas verdes com faixa transversal avermelhada
no pronoto. Os ovos são pretos, cerca de 20-30 ovos dispostos em linha dupla, geralmente
nas vagens. As ninfas apresenta coloração variável, de vermelha, verde e até pretas, com
manchas brancas no dorso, nos 5 ínstares. As injúrias são iguais à do N. viridula.
Percevejo marrom: Euschistus heros (Fabr.)( Hemiptera: Pentatomidae). Medem cerca de
13 mm, marrom uniforme, pronoto desenvolvido ("chifrudinho"). Mancha em forma de meia
lua branca no ápice do escutelo. Os ovos são amarelos, cerca de 7 ovos dispostos em 2 ou 3
linhas paralelas nas vagens ou folhas da soja. As ninfas são verdes no início, podendo
apresentar formas de cor verde, castanho ou acinzentado. Atacamvagens e grãos e provoca
a retenção foliar.
Lagarta da soja: Anticarsi gemmatalis (Lepidoptera: Noctuidae). As mariposas são pardo-
acinzentadas com 40 mm de envergadura, listas escuras transversais nas asas e manchas
claras, na face ventral das mesmas. Os ovos são brancos, postos isolados ou agrupados (5 a
7) na face inferior das folhas. Uma fêmea pode colocar cerca de 350 ovos. As lagartas atinge
até 40 mm de comprimento. Coloração verde (baixa infestação) até preta (alta infestação).
Estrias brancas no dorso. Cinco pares de pernas abdominais. Empupam no solo. Alimentam-
se de folhas e hastes.
6.7 Pragas de grãos armazenados
Perdas causadas por pragas de produtos armazenados:
Quantitativas (consumo do grão).
Qualitativas (contaminação dos produtos armazenados).
Ocorrências de perdas:
70
No campo;
No transporte;
No armazenamento.
Classificação das pragas de produtos armazenados
Quanto ao hábito alimentar:
Pragas primárias: Aquelas capazes de romperem os grãos intactos.
Internas: Rompem os grãos e alimentam-se do seu conteúdo interno. Ex.: Sitophilus
zeamais e Acanthoscelides obtectus (Coleoptera), Sitotroga cerealella (Lepidoptera)
Externas: Alimentam-se dos grãos externamente, podendo atacar a parte interna. Ex:
Lasioderma serricorne e Rhizopertha dominica (Coleoptera), Plodia interpunctella
(Lepidoptera).
Pragas secundárias: São incapazes de romperem os grãos intactos, ação comumente
associada às primárias. Ex.: Tribolium castaneum, T. confusum (Coleoptera).
Pragas associadas: Encontradas nos grãos, mas não os atacam. Alimentam-se de detritos
e fungos, podendo alterar a qualidade do produto. Ex.: Psocoptera e Ácaros.
Pragas acidentais: Raramente danificam os grãos.
Inimigos naturais: Patógenos, predadores, parasitoides e parasitas.
Quanto ao produto armazenado
Cereais (arroz, milho, sorgo e trigo)
Gorgulhos: Sitophilus zeamais, S. oryzae (Coleoptera)
Traças: Sitotroga cerealella e Plodia interpunctella (Lepidoptera)
Besouros: Oryzeaphilus surinamensi, Tribolium castaneum e Rhyzopertha dominica
(Coleoptera)
Feijão
Carunchos: Zabrotes subfasciatus, Callosobruchus maculatus e Acanthocelides
obtectus
(Coleoptera)
Traça: Plodia interpunctella (Lepidoptera)
Soja
Traça: Plodia interpunctella (Lepidoptera)
Besourinho do fumo: Lasioderma serricorne (Coleoptera)
Farinhas
Traças: Pyralis farinalis, Anagasta kuehniella (Lepidoptera)
71
Besouros: Tenebrio molitor, Stegobium paniceum, Tenebroides mauritanicus,
Oryzaephilus surinamensis, Tribolium confusum, T. Castaneum (Coleoptera)
Café
Carunchos das tulhas: Araecerus fasciculatus (Coleoptera)
Traça: Corcyra cephalonica (Lepidoptera)
6.8 Pragas de hortaliças
A) Pragas do alho e da cebola
1) Tripes do alho e cebola - Thrips tabaci (Thysanoptera: Thripidae): Os adultos possuem
coloração de amarelo claro a marrom, 1 mm de comprimento com 2 mm de envergadura. Os
ovos são colocados nas folhas dentro dos tecidos (endofiticamente), nas partes mais tenras.
A eclosão ocorre cerca de 4 dias após. As ninfas têm 1 mm de comprimento e são mais claras
que os adultos e com pernas e antenas, quase incolores. No início da fase ninfal e na fase
adulta os tripés ficam na bainha das folhas, onde promovem a sucção de conteúdo celular
raspando as folhas. A parte final da fase ninfal ocorre no sole. Sob condições de ataque
intenso, causam áreas esbranquiçadas e até de coloração prateada nas folhas, tornando a
planta de coloração amarelo-esverdeada. Podem ser transmissores de viroses além de suas
injúrias serem porta de entrada para doenças causada pelo fungo Alternaria porri. Portanto,
como decorrência final da ação desta praga tem-se a redução do tamanho e qualidade dos
bulbos.
2) Ácaros
2.1) Ácaro eriofiídeo: Eryophes tulipae (Acari: Eriophyidae): Seu corpo é alongado, quase
vermiforme, de tamanho minúsculo, que vive na dobra das folhas e sobre os "dentes de alho",
no bulbo. São favorecidos por temperaturas acima de 30o C e umidade relativa baixa. O
ataque se dá quando se alimenta, perfurando as células da epiderme foliar. Provoca o seu
retorcimento e seca, acarretando má formação dos bulbos.
2.2) Ácaro do bulbo: Rhizoglyphus sp (Acari: Rhizoglyphinae): Seu corpo é esférico e
esbranquiçados, tem cerca de 0.3-0.6mm de comprimento e apresenta patas e mandíbulas
amarronzadas. Esse ácaro vive no solo e ocorrem em solos com teor elevado de matéria
orgânica com temperaturas entre 16 a 27°C. O ácaro ataca os bulbos da planta casando
deformações e redução no crescimento, além de abrir porta para outros patógenos.
B) Pragas da batata
1) Larva alfinete ou vaquinha nacional - Diabrotica speciosa (Coleoptera: Chrysomelidae):
Os adultos são besouros com 0,8 a 1,7 cm de comprimento, de coloração verde com manchas
amarelas nos élitros. A fêmea faz postura no solo. As larvas possuem coloração branco
leitosa, com placa castanha escura no último segmento abdominal, medem cerca de 1 cm.
Os adultos são desfolhadoes. Os maiores prejuízos são devido ao ataque aos tubercúlos
pelas larvas, que ocasionam: redução de peso dos tubérculos, favorece penetração de fungos
e bactérias e, principalmente, redução significativa no valor comercial do produto.
72
2) Mosca minadora (vide pragas do tomate)
3) Vetores de viroses (vide pragas do tomate)
4) Traça da batata - Phthorimaea operculella (Lepidoptera: Gelechiidae): Os adultos são
pequenas mariposas cinzentas de 1 cm de envergadura. As larvas são cilíndricas, apresentam
placa protoráxica dorsal retangular negra. São de cor esverdeada quando alimentam de folhas
e hastes, ou de cor branca a rosada quando se alimenta de tubérculos. As larvas minam as
folhas e broqueiam as hastes no campo, além de formar galerias nos tubérculos no campo e
principalmente armazéns onde causam danos importantes.
5) Lagarta falsa medideira (vide pragas da cultura da soja)
C) Pragas de brássicas
1. Pulgões (Hemiptera: Aphididae):
1.1 Pulgão das brássicas - Brevicoryne brassicae: Os adultos são verdes recobertos por
puvirulência branca, medem cerca de 2mm de comprimento, temperatura médias baixas
favorecem a ocorrência da praga e apresentam grade números de indivíduos por colônia.
Atacam a gema apical e folhas jovens.
1.2 Pulgão do nabo - Lipaphis erisinii: Os adultos ápteros são de coloração verde escuro com
pernas, antenas e sinfúnculos pretos e medem cerca de 2,5mm. Os indivíduos alados
apresentas cabeça e tórax escuros e abdomem com manchas escuras na lateral. A praga
ocorre em qualquer
época do ano e atacam toda a planta.
1.3 Pulgão verde - Myzus persicae: Os indivíduos são de cor verde clara, medem cerca de
2mm de comprimento, temperatura elevadas favorecem a ocorrência da praga e apresentam
poucos
indivíduos por colônia. O ataque ocorre nas folhas basais da planta.
As três espécies de pulgões causa “engruvinhamento" das folhas provocado pela
sucção de seiva, o que leva a redução no crescimento e produção das plantas, também
secretam uma substância adocicada que em abundância é um meio para o crescimento de
fungos, produtores de fumagina, manchando o produto.
2. Lagartas desfolhadoras (Lepidoptera)
2.1 Traça das brássicas - Plutella xylostella (Yponomeutidae): Os adultos são micro-
mariposas pardas de 10mm de comprimento, com manchas claras no dorso que adquirem
formato de diamante quando as asas estão fechadas. As lagartas apresentam coloração
verde clara com cabeça de cor parda, corpo coberto por espinhos escuros apresenta quatro
pseudopernas, medem cerca de 6 mm de comprimento e ovipositam isoladamente. As
lagartas causam desfolha na planta, perda de qualidade comercial e menor cotação do
produto no mercado.
73
2.2 Curuquerê da couve - Ascia monuste (Pieridae):Os adultos são borboletas com asas de
cor amarelo claro e bordos marrom escuro com 50mm de envergadura. As lagartas medem
cerca de 35 mm, são de cor cinza esverderado, com cabeça preta, listras longitudinais
esverdeadas no corpo e ovipositam conjuntos de ovos. As lagartas causam desfolha na
planta, perda de qualidade comercial e menor cotação do produto no mercado.
2.3 Falsa medideira das brássicas - Trichoplusia ni (Noctuidae): Os adultos são mariposas
que apresentam cerca de 25 mm de envergadura, asas anteriores de cor marrom com
manchas escuras e posteriores mais claras. As lagartas apresentam coloração verde clara,
possuem duas pseudopernas e caminham medindo palmos. Podem chegar a 30mm de
comprimento. As lagartas causam desfolha na planta, perda de qualidade comercial e menor
cotação do produto no mercado.
3. Mosca branca (vide pragas do tomate).
D) Pragas da cenoura salsinha e salsão
1. Pulgão da cenoura - Cavariella aegopodii (HEMIPTERA: APHIDIDAE): São indivíduos
ovalados, com 2 mm de comprimento, possuem 2 sifúnculos no final do abdome e são
encontrados em colônias. Os insetos ápteros são de coloração verde e com sifúnculos
dilatados. A forma alada são de coloração verde escura com antenas curtas. Causam
definhamento das folhas provocado pela sucção de seiva, reduzido o crescimento da planta.
2. Cigarrinha verde - Empoasca sp. (HEMIPTERA: CICADELLIDAE) (vide pragas do feijão)
E) pragas das cucurbitáceas
1 Mosca branca - Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae): (vide pragas do tomate)
2 Broqueadores
2.1 Broca das cucurbitáceas - Diaphania nitidalis (Lepidoptera: Pyralidae): Os adultos são
mariposas com 30 mm de envergadura, de coloração marrom violáce, asas com área central
amarela e bordas escuras irregulares. As lagartas são de coloração esverdeadas com
pontuações pretas até o 3º ínstar e verdes após esse estágio. Essa praga ataca flores e frutos,
broqueiando os frutos destruindo a polpa e levando ao apodrecimento deste.
2.2 Broca das cucurbitáceas - Diaphania hyalinata (Lepidoptera: Pyralidae): Os adultos são
mariposas com 30 mm de envergadura, apresentam corpo branco, com exceção do tórax,
últimos segmentos abdominais e tufo de pêlos. Suas asas são brancas, semitransparentes e
com uma faixa escura e retilínea nas bordas. As lagartas são esverdeadas com duas listras
brancas até o 4º ínstar ou verdes após esse estágio. A praga ataca talos, folhas, hastes e
frutos, causando desfolha e broqueamento de frutos.
F) Pragas do morango
1 Ácaro rajado – Tetranychus urticae (Koch) (Acari: Tarsonemidae): Os adultos são de
coloração esverdeada com manchas dorsais escuras, medem cerca de 0,5 mm, apresentam
74
colônias na face inferior das folhas com presença abuldante de teias. O ataque causa
descoloração das folhas levando a secagem e posterior queda, devido à raspagem e sucção
de seiva.
G) pragas do pimentão, berinjela e jiló
1 Ácaros:
1.1 Ácaro branco - Polyphagotarsonemus latus (Acari: Tarsonemidae): São indivíduos de
0,17 mm de comprimento, coloração branco amarelada brilhante e são invisíveis a olho nu. É
encontrado na face inferior das folhas e não produzem teia. O ataque causa escurecimento e
posterior enrolamento dos bordos das folhas pra baixo.
1.2 ácaro vermelho - Tetranychus marianae (Acari: Tarsonemidae): São indivíduos com 0,5
mm de comprimento, de coloração vermelha muito intensa e com manchas escuras no corpo.
Esses ácaros são recobertos por uma teia, onde normalmente são depositados os ovos.
Encontrados na face inferior das folhas, provocam clorose generalizada nelas.
1.3 ácaro rajado – Tetranychus urticae (Koch) (Acari: Tarsonemidae): (Vide pragas do
morango)
2. Tripes:
2.1 Thrips palmi (Thysanoptera: Thripidae): Os adultos apresentam coloração amarela-clara
e dourada, medem de 1 a 1,2 mm de comprimento.
2.2 Frankiliniella shultzei (Thysanoptera: Thripidae): Os adultos apresentam coloração
marrom escura, medem aproximadamente 3 mm de comprimento e as ninfas possuem
coloração amarelada.
As duas espécies vivem abrigados no interior das flores, nos botões florais e nos
brotos, ou sobre as folhas novas ou velhas. Colocam os ovos nas folhas; após alguns dias,
aparecem as formas jovens. Causam danos diretos pela sucção da seiva. São transmissores
de viroses, entre elas o "vira-cabeça". As plantas infectadas ainda na sementeira ou logo após
o transplantio (nos primeiros 50 dias) têm sua produção totalmente comprometida. Quando a
contaminação ocorre tardiamente, a produção é menos afetada em quantidade e qualidade.
H) Pragas do tomate
1 Traça do tomateiro - Tuta absoluta (Meyrick) (Lepidoptera: Gelechiidae): Os adultos são
pequenas mariposas acinzentadas, com 5 mm de comprimento. As lagartas são verdes, com
placa posterior à cabeça, de coloração marrom. Podem medir até 7mm de comprimento. As
traças além dos frutos broqueam hastes e o ponteiro das plantas. Nos frutos causam o
broqueamento, inviabilizando sua comercialização. Já nas folhas confeccionam minas
alargadas nas folhas, levando ao secamento e queda das folhas.
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2 Mosca minadora - Liriomyza spp.(Diptera: Agromyzidae): Os adultos são pequenas moscas
de coloração preta, com a parte inferior do abdome amarela e medem 2 mm de comprimento.
As larvas ápodas, de 1mm de comprimento, com coloração branco-amarelada e fazem minas
serpenteadas no mesófilos levando ao secamento e queda das folhas.
3 Broca pequena do tomateiro - Neoleucinodes elegantalis (Guenée) (Lepidoptera:
Crambidae): Os adultos são mariposas de 2,5 cm de envergadura, coloração branca e asas
transparentes. As lagartas possuem até 1,3 mm de comprimento, e são esbranquiçadas nos
primeiros ínstares e rosadas no último ínstar. Os ovos são colocados em massas nos frutos e
nas flores. Ao eclodirem, as lagartas penetram nos frutos (esta perfuração de entrada
cicatriza-se), deixando apenas o furo de saída. O broqueamento dos frutos, inviabilizando sua
comercialização.
4 Mosca branca - Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae): Os adultos são de cor branca
com 2 a 3 mm de envergadura e quatro asas membranosas recobertas por pulverulência
branca. As ninfas são translúcidas, de contorno ovalado e em formato de escamas. Após o
primeiro ínstar, elas se fixam à planta, onde permanecem imóveis até o término da fase ninfal.
Essa espécie promove a sucção de seiva e transmissão de viroses no início do ciclo da
cultura. A mosca branca injeta toxinas nas plantas, levando ao amadurecimento irregular dos
frutos além de ser vetor do virus do mosaico dourado.
4 Transmissores de viroses:
4.1 Tripes - Frankiliniella shultzei (Thysanoptera: Thripidae): Os adultos apresentam
coloração marrom-escura, medem aproximadamente 3 mm de comprimento e as ninfas
possuem coloração amarelada. As duas espécies vivem abrigados no interior das flores, nos
botões florais e nos brotos, ou sobre as folhas novas ou velhas. Colocam os ovos nas folhas;
após alguns dias, aparecem as formas jovens. Causam danos diretos pela sucção da seiva.
São transmissores de viroses, entre elas o "vira-cabeça". As plantas infectadas ainda na
sementeira ou logo após o transplantio (nos primeiros 50 dias) têm sua produção totalmente
comprometida. Quando a contaminação ocorre tardiamente, a produção é menos afetada em
quantidade e qualidade.
4.2 Pulgões:
4.2.1 Pulgão verde – Myzus persicae: Os individuos são de cor verde clara, medem cerca de
2mm de comprimento, temperatura elevadas favorecem a ocorrência da praga e apresentam
poucos indivíduos por colônia. O ataque ocorre nas folhas basais da planta.
O pulgão causa “engruvinhamento" das folhas provocado pela sucção de seiva, o que
leva a redução no crescimento e produção das plantas, também secretam uma substância
adocicada que em abundância é um meio para o crescimento de fungos,produtores de
fumagina, manchando o produto.
5.2.2 Pulgão-das-solanáceas - Macrosiphum euphorbiae (Thomas): Os indivíduos ápteros
medem até 2 mm de comprimento e de coloração verde- clara; Os indivíduos alados medem
até 2mm, abdomem verde-amarelado e com manchas escura, cabeça, antenas e tórax pretos.
Essas espécies transmitem viroses como: Vírus "y", "topo amarelo", "amarelo baixeiro" e
"mosaico comum".
76
5 Mosca branca - Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae): Os adultos são de cor branca
com 2 a 3 mm de envergadura e quatro asas membranosas recobertas por pulverulência
branca. As ninfas são translúcidas, de contorno ovalado e em formato de escamas. Após o
primeiro ínstar, elas se fixam à planta, onde permanecem imóveis até o término da fase ninfal.
Essa espécie promove a sucção de seiva e transmissão de viroses no início do ciclo da
cultura. A mosca branca injeta toxinas nas plantas, levando ao amadurecimento irregular dos
frutos além de ser vetor do vírus do mosaico dourado.
6.9 Pragas dos citros
Larva minadora dos citros: Phyllocnistis citrella. (Lepidoptera:Gracillaridae). O adulto deste
microlepidoptero trata-se de uma minúscula mariposa de coloração castanho-prateada,
medindo cerca de 1 mm de comprimento, e que apresenta as asas franjadas com duas
pontuações pretas na parte terminal das asas anteriores. A larva varia sua coloração, sendo
branca no início do desenvolvimento e tornando-se amarela ao final, quando atinge
aproximadamente 3 mm de comprimento As injúrias decorem do fato de que ao nascer as
larvas constroem galerias, em forma de serpentina, para se alimentar das células das folhas.
Essa galerias são características e auxiliam na identificação desta praga.
Bicho furão: Gymnadrosona aurantianum (Lepidoptera:Grapholidae). O adulto deste
microlepidoptero é caracterizado por uma faixa de escamas prateadas da base ao meio da
asa, com cerca de 17 mm de envergadura, de coloração acinzentada, com a cabeça
alaranjada. A fêmea possui as asas mais escuras que o macho, com uma mancha
característica marrom-clara ao redor da margem exterior. As injúrias decorem do fato de que
as larvas fazem galerias nos frutos verdes e maduros até atingirem a polpa. Além dos danos
diretos nos frutos, também favorecem infecções causadas pela penetração de fungos e
bactérias através dos orifícios que as larvas efetuam nos frutos.
Ácaro da ferrugem: Phyllocoptruta oleivora (Acari: Eriophyidae). São ácaros de coloração
amarelo claro, aspecto vermiforme, com 2 pares de pernas (exceção a maioria dos ácaros),
de 0,15 mm de comprimento. São invisíveis a olho nu. Ciclo de 7 a 10 dias (verão) e de 14-
15 dias (inverno). Atacam folhas, hastes e frutos novos. Nas folhas provocam a "mancha de
graxa" (manchas escuras visíveis através da epiderme, semelhante à mancha de graxa sobre
papel). Nos frutos, quando da alimentação, ocorre o rompimento de glândulas de óleo e este
óleo extravasado em contato com os raios solares oxida-se, escurecendo os frutos (estes
sintomas são conhecidos como: falsa ferrugem, ferrugem ou mulata). Os frutos de lima,
tangerina, limão, etc., ficam com coloração prateada. Os prejuízos são consideráveis apenas
quando a produção se destina ao mercado de frutas frescas. Pode ocorrer perda de de peso
em até 4 g/fruto atacado.
Ácaro da leprose: Brevipalpus phoenicis (Acari: Tenuipalpidae). São ácaros vermelho-
alaranjados, com 4 pares de pernas, de 0,3 mm de comprimento, com manchas escuras de
tamanhos e formas variáveis no dorso. Ciclo de cerca de 18 dias. Atacam folhas, ramos e
frutos, acarretando um sintoma conhecido como leprose dos citros, devido à inoculação de
vírus. As folhas e os frutos atacados caem da planta. Os ramos passam a apresentar
rachaduras.
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Mosca das frutas:
Ceratitis capitata (Wied) (Diptera: Tephritidae)
Anastrepha spp. (Diptera: Tephritidae)
A oviposição ocorre dentro do fruto (mesocarpo), em número de 1 a 10 ovos; o ovo é
alongado (± 1 mm de comprimento) e semelhante a uma pequena banana, de coloração
branca. As larvas são ápodas, de coloração branco amarelada, com cerca de 8 mm de
comprimento. Os adultos de C. capitata (mosca do mediterrâneo) é uma mosca com 4 a 5 mm
de comprimento, de coloração predominantemente amarela. Os olhos são castanhos
violáceos. O tórax é preto na face superior, com desenhos simétricos brancos. O abdome é
amarelo com listras transversais acinzentadas. As asas são de uma transparência rosada em
listras amarelas, sombreadas. Anastrepha spp. (mosca sul-americana) é uma mosca com
cerca de 6,5 mm de comprimento, de coloração geral amarelo, com uma mancha amarela em
forma de "s" que vai da base à extremidade da asa. No bordo posterior da asa há outra
mancha da mesma cor e em forma de "v" invertido. As duas manchas são sombreadas de
pretos. Ciclo completo é de cerca de 30 dias. As larvas danificam a polpa dos frutos, os quais
apresentam externamente um pequeno orifício no centro de uma mancha de coloração
marrom. Neste orifício (feito pelo ovipositor), ocorre o apodrecimento, resultando em queda
do fruto. C. capitata apresenta o ovipositor mais curto e ataca apenas as laranjas que se
encontram num estágio de maturação mais avançado. As moscas do gênero Anastrepha
(ovipositor mais longo) podem atacar frutos verdes ou maduros.
Cochonilha: Orthezia praelonga. (Homoptera: Ortheziidae). O. praelonga (desprovida de
carapaça) são coccídeos providos de placas ou lâminas céreas, simetricamente dispostas
sobre o corpo, constituindo na parte posterior um saco céreo, semelhante a uma cauda
alongada, denominado "ovissaco" (contém ovos e ninfas no 1° ínstar). Tanto as fêmeas
adultas como as ninfas podem mover-se sobre a planta.
7 Técnicas de coleta, preparo, conservação e remessa de material entomológico
Um inseto pode ser identificado (1) utilizando-se chaves de identificação; (2)
comparando-o com exemplares identificados numa coleção entomológica em museus de
institutos de pesquisa; (3) comparando-o com ilustrações ou descrições ou (4) recorrendo a
um especialista. É muito difícil fazer a correta identificação do. Dessa forma é aconselhável a
coleta e envio para um especialista.
A identificação de insetos não é uma tarefa fácil para muitos entomólogos,
principalmente para os iniciantes. Algumas das principais dificuldades encontradas são: (a)
diversidade (são catalogadas mais de um milhão de espécies de insetos); (b) tamanho
reduzido da maioria das espécies; (c) metamorfose – dificuldade de identificação de formas
imaturas (ninfas e larvas); (d) biologia e distribuição pouco conhecidas para muitas espécies.
A identificação inicialmente se baseia nos caracteres externos, mais visíveis, como o
tipo de antena, cor dos tarsos, presença ou ausência de espinhos tarsais, coloração e formato
das asas, tipo de venação e manchas celulares, entre outros. Podemos utilizar chaves de
identificação, comparar o inseto com outros já identificados em uma coleção, embora esta
seja uma tarefa bastante complicada para pessoas pouco familiarizadas com o grupo, pois
requer experiência e treinamento para o reconhecimento dos caracteres importantes na
identificação, ou enviar as amostras para especialistas. Esses serviços geralmente são pagos
e requerem tempo, existência de um especialista para o grupo, família ou gênero, e de uma
correta montagem e etiquetagem.
78
Em muitos casos, no entanto, esses caracteres externos não permitem a identificação de
forma segura e definitiva, sendo necessária a dissecação do exemplar. A dissecação permite
o exame mais minucioso de caracteres internos, como genitálias, cabeça, palpo labial,
esclerito cervical e várias outras estruturas.
7.1 Coleta
De modo geral, os insetos são muito abundantes e as coletas dificilmente causarão
algum impacto no tamanho das populações, no entanto é sempre necessário obterlicença
para coleta, transporte e armazenamento de material entomológico junto aos órgãos
ambientais competentes.
As atividades de coleta proporcionam material para estudo, e o levantamento de
insetos pode ser realizado para diferentes finalidades. Pode ser preparado ou mantido em
criação, a fim de obter as diversas fases do desenvolvimento e, especialmente, formas adultas
perfeitas.
Para o sucesso na captura dos insetos, em que se busca uma amostra significativa da
população, alguns fatores – como as condições climáticas, época do ano, fases lunares,
metodologia de amostragem e a escolha correta do tipo de armadilha – devem ser levados
em consideração. Esses fatores variam conforme o tipo de inseto a ser capturado, o estágio
de desenvolvimento do inseto, o tipo de planta ou animal hospedeiro (caso de insetos
parasitoides), a extensão geográfica e, também, com a finalidade a que se destina o material.
Insetos destinados às coleções e aos estudos de taxonomia devem estar bem
preservados.
De acordo com o grupo taxonômico de interesse, cada um dos fatores mencionados
pode ser de maior ou menor importância. Na região do Cerrado, por exemplo, a maioria dos
insetos tem pico de atividade na estação chuvosa (OLIVEIRA; FRIZZAS, 2008; SILVA et al.,
2011), constituindo esta a melhor época para as coletas. Para as coletas de insetos de hábito
noturno, as fases da lua nova e minguante têm‑se mostrado as mais adequadas, devendo ser
escolhidas as noites sem chuva e com pouco vento (CAMARGO, 1997; CAMARGO;
MATSUMURA, 2000).
É preciso usar técnicas de coletas que preservem a integridade morfológica do
material. Dessa forma, as técnicas de coleta podem ser divididas em:
Ativas (dependem muito do amostrador/coletor) – o coletor utiliza redes, aspiradores,
guarda‑chuvas entomológicos, panos de batida, panos branco, pinças e frascos, etc.
Passivas (dependem pouco do amostrador/coletor) – as coletas são feitas com auxílio
de armadilhas, por exemplo, armadilha luminosa, Malaise, armadilha de queda,
armadilha tipo janela, funil de Berlese, etc.
Material necessário para coleta
A coleta de insetos de maneira geral não requer o uso de materiais sofisticados. Além
das armadilhas, que devem ser apropriadas para cada grupo, são necessárias pinças,
câmaras ou frascos mortíferos, seringas e rede entomológica.
No caso de capturas ativas de cupins, formigas e formas imaturas de outras ordens, é
necessário o uso de aspiradores entomológicos. O material para transporte dos exemplares
para o laboratório consiste basicamente de caixas com manta entomológica, envelopes
79
entomológicos e tubos de ensaio, este último utilizado para transporte de microlepidópteros
(pequenas mariposas ou borboletas).
Câmaras ou frascos mortíferos podem ser confeccionados com frascos
reaproveitados de recipientes domésticos. No fundo, coloca‑se algodão ou esponja, onde será
colocado o produto químico, podendo opcionalmente ser adicionado gesso nas bordas do
recipiente, evitando que o algodão saia do recipiente no momento de retirar os insetos da
câmara.
Os tipos de pinças a serem utilizadas dependem da finalidade e tipo de inseto a ser
manuseado, por exemplo, pinças de ponta achatada (pinça filatélica) são usadas para
manuseio de Lepidoptera e de ponta fina e curva, para manipulação de alfinetes nas
montagens. Poucas empresas no Brasil vendem materiais para uso entomológico, e alguns
são importados. Sugere‑se fazer buscas em sites especializados para compra desses
materiais.
Também é importante que, durante as coletas, o coletor/amostrador tenha em mãos
um caderno para anotar os dados (local, hábitat, data e outras informações sobre os insetos
coletados).
A coleta pode ser feita atraindo os insetos, geralmente com uso de dispositivos
especiais, ou, capturando-os diretamente em seu habitat natural.
No primeiro caso incluem-se várias armadilhas, como as luminosas e substâncias
atraentes de alimentação ou sexuais, que são usadas como iscas, associadas a diversos tipos
de armadilhas. Constituem meios comuns de coleta:
Armadilha luminosa: para insetos fototrópicos positivos (atração pela luz);
Bandejas amarelas com água e detergente: para pulgões e inimigos naturais;
Armadilhas com superfície adesiva: vários insetos;
Armadilhas de solo com ou sem isca ou apenas com água e detergente (Pitfall): para
vários artrópodes que costumam se locomover na superfície do solo;
Frascos caça-moscas: para coleta da mosca-das-frutas;
Equipamentos de sucção: para artrópodes em geral associados à vegetação;
Armadilhas com feromônio: é altamente específica, são usadas, por exemplo, para o
caruncho do fumo e algumas outras pragas agrícolas.
80
Na captura direta, além de algumas armadilhas, os procedimentos dependerão da
modalidade de vida dos insetos, como brocas, carpófagos, cecidógenos, subterrâneos etc.
Vejamos a descrição de alguns equipamentos/instrumentos de coleta:
Rede entomológica: também denominada puçá, é constituída por um cabo de madeira ou
outro material leve (como alumínio), ao qual vai preso um aro de metal e um saco de filó
ou organza (voile) com o fundo arredondado. É ótima para se capturar insetos em vôo,
como libélulas, borboletas e mariposas, moscas, abelhas, vespas, cigarras e outros.
Rede de varredura: semelhante à rede entomológica, mas a armação de metal é mais
reforçada e reta na extremidade. O saco é geralmente feito de lona ou outro tecido
resistente. A vegetação é "varrida" com ela, assim, muitos insetos são coletados.
Rede aquática: com aro metálico resistente, triangular e saco de coleta feito com tela
plástica de malha fina.
Armadilha luminosa: Usada para a coleta de insetos noturnos. Existem vários modelos
de armadilhas luminosas. A lâmpada deve ser de luz negra, incandescente ou fluorescente
(códigos BL ou BLB). Uma variação da armadilha luminosa é a coleta no pano. Coletar
insetos sob as lâmpadas da iluminação pública ou na iluminação externa das residências
ou outros edifícios também é um método que acaba rendendo bons exemplares. De forma
geral, as lâmpadas isoladas, situadas longe das grandes concentrações urbanas de luz
produzem os melhores resultados.
81
Bandeja d'água: ou prato colorido é de fácil construção e emprego, a bandeja d'água
consiste de uma forma de bolo ou prato cujo fundo foi pintado com uma coloração atrativa
qualquer, como o branco, amarelo, verde, etc. É uma armadilha atrativa que coleta os
82
insetos atraídos por cor e que pousam no meio líquido. A tonalidade da cor pode fazer toda
a diferença no sucesso da coleta. A cor amarela para Diptera é muito eficiente na captura
de Sciaridae, Phoridae, Anthomyiidae e Muscidae (Barták, 1997). A fôrma deve ser
colocada no solo e ficar cheia de água à qual se acrescentam algumas poucas gotas de
detergente, que serve para facilitar o afundamento dos insetos que nela caírem. Os insetos
capturados não devem ser deixados na água por muito tempo para que não estraguem. O
método tem a desvantagem de transbordamento causado por chuvas; necessidade de
retirada diária do material e evaporação do liquido em locais quentes. Para solucionar
esses problemas recomenda-se pequenos orifícios, com tela, logo abaixo do topo do prato
ou bandeja, que permitam o extravasamento do líquido mas que retenham os insetos; para
suprimir a retirada diária do material substituir a água pelo etileno glicol (10%) que funciona
como líquido fixador, pouco volátil, e permanece eficiente até mais de um mês.
Aspirador: É empregado na captura de insetos pequenos e delicados, como formigas,
moscas brancas, pulgões, vespinhas etc. Existem muitos tipos de aspiradores, alguns
sendo até bastante sofisticados. Um dos mais simples consiste de um recipiente cilíndrico
de vidro ou plástico cuja tampa,de borracha ou cortiça, é vazada por dois tubos flexíveis;
por um deles, de extremidade protegida por uma pequena tela, o coletor aspira com a boca,
e pelo outro os insetos são admitidos ao interior do frasco de coleta.
Frasco caça-moscas: Consiste de uma garrafa PET de tamanho médio com tampa
rosqueável; ao redor da garrafa são feitos furos cuja entrada é em forma de funil, com
tamanho suficiente para a entrada de moscas das frutas (família Tephritidae). No fundo da
garrafa coloca-se suco de frutas ou proteína hidrolisada de milho. A fermentação da isca
atrai as moscas, que conseguem entrar, mas não sair da garrafa. Essa técnica é usada
como forma de controle de moscas-das-frutas em pomares.
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Armadilha adesiva: É uma armadilha de interceptação de vôo que prende os insetos a
uma substância adesiva. Compreende um septo transparente (de vidro ou folha de acetato)
com substância adesiva em ambos os lados. Destina-se a coleta de pequenos insetos
voadores que ficam colados ao bater no obstáculo e é bastante eficiente na captura de
dípteros pequenos. Coleta insetos que normalmente não são capturados com os outros
métodos. A padronização pode ser feita com a utilização de um septo transparente de 1
m2 , uso de uma cola comercial (tangle-trap) ou óleos de motores de carro com alta
viscosidade e estipulando-se o número de armadilhas e o tempo de coleta. É um método
relativamente barato, possibilita grande número de repetições e recomendável para o
estudo de distribuição espacial e de estratificação. O inconveniente é a aplicação da
substância adesiva, a lavagem do septo interceptador e dos insetos com solvente.
Frascos diversos: conta-gotas (com éter, preferencialmente acético), frasco de boca
larga. Outros frascos de tamanhos variáveis - alguns vazios e outros com álcool etílico
70%.
Utensílios diversos: pinças, canivete, pincel tipo p/aquarela, pequena pá de jardim,
tesoura de podar, lupa de pala ou de mão.
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Envelopes entomológicos: retângulos de papel, de preferência papel manteiga, vegetal
ou celofane, com comprimento cerca de 4 cm maior do que a largura (mais usuais, em
centímetros: 8x12, 10x14, 12x16 e 15x19), dobrado de tal forma que os dados de coleta
fiquem registrados na aba, tendo ângulo reto no lado esquerdo. São mais usados para
lepidópteros, que devem ser acondicionados com as asas fechadas, ou seja, faces
superiores em contato, visualizando-se apenas as faces inferiores.
Sacos de papel e plásticos: de vários tamanhos, destinados a manter diversos materiais
até chegar ao laboratório. Para insetos vivos são preferíveis os sacos de papel, por
evitarem a condensação de água.
Etiquetas, lápis preto e caderneta de apontamentos: imprescindível para o correto
registro de todo o material coletado, incluindo também observações ecológicas.
7.2 Sacrifício
É desejável que os insetos capturados sejam mortos o mais rápido possível, a fim de
evitar que se debatam na rede ou armadilha, e acabem por danificar apêndices como antenas,
pernas, asas e outras partes do corpo.
Existem muitas técnicas que podem ser empregadas para sacrificar os insetos
capturados. Podemos citar:
Gases tóxicos: compreende o uso da câmara mortífera, conforme já apresentado acima. É
utilizado principalmente éter etílico ou acetato de etila. Porém não é possível comprar esses
produtos no mercado. Apenas instituições de pesquisas podem comprar.
Imersão no álcool: os insetos são simplesmente colocados no álcool 70%, aí permanecendo.
Entretanto, nem todos os insetos podem ser mortos através desse método, que deve ser
usado exclusivamente para insetos pequenos, de corpo mole ou delicado.
Congelamento: insetos de tamanho médio a grande. Podem ficar vários dias e ainda ter boa
condição para montagem. É importante não ter muita umidade, pois até gotículas de água
podem danificar as asas. Para que isso não aconteça, colocar papel absorvente no fundo do
recipiente e também em camadas entre os insetos. Alguns insetos, possuem uma grande
quantidade de glicerol no corpo, que age como um anti-congelante, e assim esse método não
funciona para matar certos insetos mesmo após várias horas ou dias de congelamento.
85
7.3 Acondicionamento temporário para transporte
O material coletado no campo deve ser transportado ao laboratório ou enviado ao
especialista de maneira a preservar os espécimes, especialmente as estruturas mais frágeis
como escamas e antenas. Existem quatro maneiras básicas para acondicionamento
temporário, e a escolha deve ser feita de acordo com o tipo de inseto a ser transportado.
a) Via líquida: ideal para transporte de insetos sem escamas, aqueles muito pequenos ou de
tegumento pouco rígido e os imaturos. O álcool nas concentrações de 70%‑80% é suficiente
para o transporte e, para alguns grupos, até como meio permanente de conservação.
b) Triângulos ou envelopes: são normalmente confeccionados com papel manteiga, mas
pode‑se improvisar até mesmo com jornal, sendo muito úteis para transporte de borboletas e
para algumas mariposas.
c) Manta entomológica e caixa sanduíche: indicados para o transporte de qualquer inseto,
exceto aqueles muito pequenos. Um cuidado especial deve ser tomado com espécimes da
ordem Lepidoptera. Tanto no campo quanto no laboratório, a manipulação desses insetos
deve ser com pinça de bico chato (pinça filatélica) para evitar a perda de escamas e impressão
de digitais nas asas. Somente os macrolepidópteros devem ser transportados para o
laboratório em caixas sanduíches ou manta entomológica. A caixa sanduíche pode ser
preparada com uma camada de algodão intercalada com outra de papel fino (Figuras 8, 9 e
10). A manta entomológica é preparada cortando‑se duas tiras de jornal (45 cm comprimento
e 15 cm de largura), que são superpostas formando uma cruz. No centro da cruz, é colocado
um papelão (15 cm x 15 cm) e, sobre o papelão, uma camada de algodão. Sobre o algodão,
são acondicionados os insetos. Cada um dos quatro lados da cruz formada pelas tiras de
jornal é dobrado alternadamente sobre o algodão contendo os insetos.
d) Tubos de ensaio: os microlepidópteros devem ser transportados vivos em tubos de ensaio
individualizados, colocados em geladeira e montados o mais breve possível.
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Como acondicionar o material para postagem?
1) Material em via úmida deve estar acondicionado em frasco(s) de vidro ou plástico que não
permita vazamentos do álcool. Qualquer quantidade de vazamento/evaporação pode causar
sérios problemas ao material durante seu transporte. Acondicione o(s) frasco(s) de modo a
não ficarem soltos na caixa de postagem, por exemplo, coloque-os presos a um pedaço de
isopor dentro de uma pequena caixa, ou agrupe-os com fita durex e envolva-os com plástico-
bolha.
2) Material em via seca deve estar acondicionado em uma pequena caixa rígida (papelão ou
madeira) com fundo de isopor e tampa. Esta pequena caixa deve ser rígida o bastante para
evitar possíveis danos ao material em seu interior durante o transporte.
3) Após os procedimentos 1 ou 2, coloque o material em uma caixa maior (que será a caixa
de postagem), envolto por material de proteção anti-impacto (pedaços de isopor picado,
pedaços de jornal amassado, etc.).
Quais informações devem ir no interior do pacote?
No interior da caixa de postagem coloque uma carta-ofício com as informações
acadêmicas (cargo/função e instituição) do remetente e do destinatário. Descreva o material
entomológico em sua identidade, quantidade e modo de preservação (por exemplo: Insetos
Dípteros, 34 exemplares mortos, montados em alfinete), e também informe o motivo do envio
do material (Exemplares enviados para identificação, com interesse meramente científico;
sem finalidade de prospecção biológica, genética, etc.; e sem finalidade comercial).Quais informações devem ir no lado de fora do pacote?
No lado de fora do pacote, estampe-o com as seguintes expressões: "Manusear com
cuidado. FRÁGIL ", "Material científico, sem fins comerciais".
87
Quais as modalidades e tipos de postagem?
Para postagem doméstica, utilize os serviços normalmente disponíveis nos Correios,
com preferência para a Encomenda Normal com Aviso de Recebimento (rastreável). Evite
serviços expressos (rápidos) de entrega como o SEDEX dos Correios, ou empresas similares.
7.4 Envio ao especialista
Taxonomistas são pesquisadores responsáveis por classificar os seres vivos. No
Brasil hoje existem poucos entomologistas taxonomistas. No site Entomologistas do Brasil
(www.ebras.bio.br) é possível encontrar um banco de dados dos principais profissionais e
áreas de atuação. Além disso, pode-se entrar em contato com as universidades mais próximas
e verificar se tem especialistas do grupo de insetos a ser identificado.
Outra alternativa, talvez não muito assertiva, são as comunidades nas redes sociais,
no qual é possível solicitar a identificação por meio de fotografias. A página no Facebook mais
conhecida é a Entomologia Brasileira.
Ainda existem vários aplicativos para celular que ajudam a identificar os insetos, mas
geralmente consiste de comparações, o que pode provocar grandes equívocos. Dessa forma,
o mais correto a se fazer é enviar os insetos para ser identificado por um especialista.
8 Métodos de controle de pragas
8.1 Importância do Controle das Pragas
Não tem sido fácil explicar os surtos populacionais das pragas que comumente
invadem as culturas. É comum atribuí-las ao desequilíbrio provocado pelo emprego de
inseticidas. Mas devemos lembrar que muito antes dos modernos inseticidas, tais surtos já
ocorriam.
Agentes biológicos de controle de pragas, como predadores, fungos, vírus e bactérias,
desenvolvem-se na medida em que a temperatura e a umidade estejam em condições ideais;
quando isto não acontece, as pragas encontram facilidades para a sua reprodução e a
população surge na forma de surtos. Daí a necessidade da introdução de medidas artificiais
de controle para solução deste problema, antes que os danos possam refletir-se na
produtividade.
Existem pragas tão facilmente adaptadas às nossas condições que, pela sua
constância nas culturas, sempre exigem controle, sem o qual os prejuízos são evidentes. São
elas: moscas-das-frutas em pessegueiros; saúvas, atacando diversas culturas; broca-da-
figueira; broca-do-tomate; tripes em amendoim; pulgão em batatinha; carunchos dos grãos
armazenados; broca-das-cucurbitáceas; ácaro rajado, em diversas culturas, lagarta-do-
cartucho, em milho, etc.
Outras são de aparecimento cíclico, exigindo periodicamente um controle sistemático
como: a broca-do-café, o bicho mineiro do café, a mosca minadora da batatinha e outras
culturas, lagartas desfolhadoras em cafezais, lagartas em solanáceas como Phthorimaea
operculella, broca de árvores, etc.
Os prejuízos causados por estas pragas, quando não controladas, podem ser totais.
Os meios de controle disponíveis que poderão ser adotados isoladamente ou integradamente
são:
http://www.ebras.bio.br/
88
8.2 Métodos culturais
A aplicação dos conhecimentos bioecológicos das pragas e das plantas permitiram a
adoção de esquemas como:
8.2.1 Rotação de Culturas
Consiste no plantio de culturas diferentes da anterior, de tal modo que elas não
estejam sujeitas ao ataque das mesmas pragas. Esta quebra na sequência, além de não
trazer problema para a cultura instalada, tende a reduzir a população das pragas.
Exemplo: O sistema adotado para o plantio alternado trigo x soja tem produzido efeitos
satisfatórios, sendo a soja plantada no verão e o trigo, no inverno. Em regiões onde isto não
é possível, devido às condições climáticas, o plantio de algodão, no verão, e de milho na
mesma estação do ano seguinte, de modo alternado, também tem sido viável.
8.2.2 Aração do Solo
Certas pragas de solo são bastante prejudicadas quando se revolve a terra. O objetivo
é expor os insetos nas suas formas mais suscetíveis (larva ou pupa) aos raios solares e aos
inimigos naturais, como os pássaros, reduzindo a sua população.
Exemplo: O besouro da cana Migdolus spp., de difícil controle químico, tem sido eliminado,
em parte, por este processo. Outras pragas, como Spodoptera frugiperda e moscas das frutas
que pupam no solo, também são eliminadas por este processo.
8.2.3 Época de Plantio e de Colheita
A simples antecipação ou atraso no plantio ou na colheita pode diminuir ou eliminar o
ataque das pragas.
Exemplo: Foi evidenciado que a antecipação do plantio do algodão pode reduzir
significativamente a infestação da lagarta rosada. Demonstrou-se também que quanto mais
cedo se planta o sorgo, menor é a infestação da mosca-dos-grãos; a colheita antecipada da
batatinha destinada à semente, além de reduzir as viroses, permite a colheita de tubérculos
menores e mais uniformes, diminuindo também o período de exposição das batatas às pragas
do solo. As variedades de soja precoce são menos sujeitas ao ataque dos percevejos.
8.2.4 Destruição dos Restos de Culturas
Os diversos órgãos ou partes das plantas são abrigos naturais de inúmeras pragas.
As lavouras instaladas nas proximidades de culturas decadentes recebem as suas pragas,
motivo pelo qual devem ser eliminadas.
Exemplo: A lagarta rosada do algodoeiro e do quiabeiro podem passar de uma para outra
cultura; portanto, a existência de uma delas no final do ciclo pode constituir-se em foco desta
praga. O plantio de cana-de-açúcar em áreas onde havia bananais faz com que a praga
89
Sphenophorus sp., de importância secundária na bananeira, se torne uma importante praga
na cultura da cana, exigindo, portanto, um bom trabalho na destruição dos restos da cultura
da bananeira. A traça da batatinha, que pode atacar também o tomateiro, deve ter um de seus
hospedeiros eliminados ao se instalar em uma das duas culturas, o mesmo acontecendo com
a broca-do-tomate em relação à berinjela.
8.2.5 Cultura no Limpo
A presença de plantas daninhas no meio ou nas proximidades das culturas constituem
hospedeiros de diversas pragas e podem atuar como foco de infestação para as culturas.
Exemplo: A planta daninha “carrapicho-de-carneiro” serve de abrigo para a lagarta-da-maçã
do algodoeiro, sendo comum passar despercebida pelo agricultor, crescendo juntamente com
esta malvácea. A existência de plantas que permitem grandes infestações do ácaro rajado
propicia a sua passagem dos mesmos para novas culturas, quando próximas, pois quando a
população desta praga aumenta consideravelmente formam-se teias que são levadas pelos
ventos, transportando os ácaros em suas diferentes formas. Outro exemplo é a mosca branca,
que possui mais de 500 plantas que atuam como seu hospedeiro.
8.2.6 Presença de Bosques
Inúmeros animais insetívoros abrigam-se nas matas ou nos bosques. A manutenção
de pequenas áreas arborizadas no meio de plantas cultivadas, principalmente em
reflorestamentos, tem mostrado a diminuição na formação de sauveiros, pela preservação de
pássaros, tatus e outros animais que se alimentam das rainhas (içás) que saem dos sauveiros
na época da revoada.
8.2.7 Poda
Esta operação é comumente feita para árvores frutíferas ou ornamentais. As
coleobrocas são as pragas que mais exigem este tipo de controle, através da poda e
eliminação da parte atacada.
Exemplo: A seca-da-mangueira, que é uma doença transmitida por um fungo que coloniza o
tronco das plantas, auxiliado pelas galerias produzidas no tronco pelo besourinho
Hypocryphalus mangiferae. Em plantações de figo é comum a ocorrência da broca-da-
figueira, provocada pelas larvas de um lepidóptero. Em ambos os casos, a poda dos ramos
afetados é aúnica forma de controle curativo.
8.2.8 Cultivo Mínimo e Plantio Direto
São técnicas conservacionistas que evidenciaram as vantagens em não se revolver o
solo a cada novo plantio. A manutenção da massa vegetal sobre a superfície do solo tem
propiciado o controle de algumas pragas, pelo aumento de umidade, especialmente daquelas
que passam por uma fase no solo, como os noctuídeos, que empupam no solo, e a lagarta
elasmo que prefere solos secos.
Exemplo: A partir de 1997, surtos de corós e percevejos de solo aumentaram em solos com
plantio direto. A umidade existente favorece tais pragas e a desnecessidade de revolver o solo
90
dificulta a predação pelas aves. A partir da safra 1999-2000, nos plantios de soja e algodão
na região do cerrado, o percevejo castanho ocorreu em grandes áreas apresentando
dificuldades para o controle.
8.2.9 Adubação
É sabido que plantas bem nutritivas resistem melhor aos problemas de sanidade e
dentro de certos limites toleram danos em sua constituição, desde que o material a ser
aproveitado não seja o alvo das pragas. Exemplo típico é o caso da soja, em que sua área
foliar pode ser destruída significativamente, sem que haja prejuízo na produtividade de grãos.
Mesmo considerando pragas que se alimentam de plantas por sucção da seiva, é
possível, através de nutrição adequada da planta, reduzir a presença de pragas e seus danos,
como é o caso do excesso do nitrogênio que favorece os pulgões e ácaros que ocorrem no
algodoeiro.
A fertilidade do solo influindo no desenvolvimento das culturas pode favorecer ou
desfavorecer as populações de pragas. Um maior conhecimento dos efeitos da adubação
sobre pragas e doenças poderá permitir a sua inclusão num programa de Manejo de Pragas,
aliviando os encargos provenientes de outros tipos de controle, principalmente o químico
através de inseticidas.
8.3 Métodos legislativos
Por definição restrita, legislação por si só não se constitui em método de controle de
insetos, mas estabelece autoridade estatutária para o engajamento de agências
governamentais na limitação da dispersão de insetos ou no tratamento de infestações
localizadas e que se configuram em ameaça ao bem estar público. Esses métodos legislativos
baseiam-se no conjunto das leis, portarias e decretos, quer federais, estaduais ou mesmo
municipais, que obrigam ao cumprimento de determinadas medidas de controle. Alguns
importantes exemplos de métodos legislativos de controle são apresentados a seguir.
Quarentena: destina-se à prevenção de entrada de pragas exóticas e de sua disseminação.
Exemplo: Todos os vegetais ou partes dos vegetais importados devem passar por um
período de 40 dias sob observação, em local pré-estabelecido pelas autoridades
responsáveis. Este serviço é controlado pelo Ministério da Agricultura, através do
Departamento de Defesa Sanitária Vegetal, que mantém fiscais em todas as entradas do país,
sejam elas terrestres, marítimas ou aéreas, controlando materiais exóticos a serem
introduzidos. Quando constatada alguma suspeita, o material é imediatamente destruído. Se
nada houver de anormal no ato da entrada, o material ainda assim fica sujeito à quarentena
em local isolado, para impedir que organismos estranhos sejam introduzidos no país.
Medidas obrigatórias de controle: têm execução determinada por legislação e são de
grande importância para algumas culturas como o algodão, onde o estabelecimento de datas-
limite para
destruição de restos culturais por parte dos produtores tem possibilitado o controle da broca-
da-raiz-do-algodoeiro, lagarta rosada e do bicudo-do-algodoeiro.
Legislação disciplinadora do uso de agentes ou métodos de controle: A chamada lei dos
agrotóxicos, lei nº 7802 de 11 de julho de 1989, veio em substituição a legislação anterior
91
datada de 1934. Dentre as principais características dessa legislação citam-se o
disciplinamento do uso de inseticidas e o estabelecimento do receituário agronômico. A atual
legislação regulamentadora do desenvolvimento, produção e utilização de organismos
transgênicos no Brasil é outro exemplo de legislação disciplinadora de agentes de controle no
Brasil. Nessa caso com a instituição e assessoramento do Comitê Nacional de Biosseguranca
(CNTbio).
As medidas de ordem legislativas também são empregadas em frutas ou partes
vegetativas destinadas à exportação. Isto porque muitos países responsabilizam o país
exportador por uma possível introdução de organismos estranhos aos já existentes.
8.4 Métodos mecânicos
Incluem práticas que envolvem a utilização de barreiras e/ou destruição direta dos
insetos. A adoção de medidas como catação manual dos insetos, uso de armadilhas e uso de
telados ou barreiras ajudam a eliminar as pragas. Tais processos são, em geral, empregados,
quando outras medidas de controle não podem ser colocadas em prática.
8.4.1 Catação manual: refere-se a coleta manual de ovos, larvas ou ninfas e/ou insetos
adultos facilmente visíveis. Muito usado em agricultura de subsistência, no controle de pulgas,
piolhos e carrapatos em animais e no controle de cochonilhas em plantas ornamentais de
interiores.
8.4.2 Técnica da batida: é usado como forma de controle de insetos em fruteiras, onde são
feitas sucessivas batidas no tronco após colocação de panos ou plásticos sob a copa das
árvores para coleta dos insetos caídos com as batidas. É uma técnica utilizada também para
amostragem de insetos em culturas anuais como a da soja.
8.4.3 Barreiras: são dispositivos ou práticas que visam impedir ou dificultar o acesso do inseto
à planta. Existem diversos exemplos de barreiras usadas na proteção contra insetos que nem
sempre são percebidas. Um exemplo são os mosquiteiros normalmente colocados em janelas
e portas de residência ou recobrindo berços. Sulcos ou valetas sob solo nu são por sua vez
usados contra ataque de gafanhotos e curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes) interrompendo
a migração rotineira destes insetos entre campos próximos. Cones invertidos (tipo “chapéu-
de-chinês”) ou plástico de saco de adubo são frequentemente presos ao coleto de frutíferas,
café e outras plantas para evitar a ação de formigas cortadeiras. O uso de sacaria mais
resistente à penetração por insetos é um outro exemplo de uso de barreiras, comumente
usado na proteção de produtos armazenados contra insetos. Vantagens: Impedem a
destruição da cultura ou do produto a ser comercializado; ausência de resíduos químicos.
Desvantagens: Custo elevado de mão-de-obra; menor eficiência em altas populações da
praga; maior risco de doenças.
Figura: embalagem de frutos na fruteira para evitar o dano das pragas.
92
8.4.4 Impacto: é prática usada em moinhos de farinha para controle de insetos de produtos
armazenados. Consiste em máquinas ou dispositivos que lançam os grãos contra um
anteparo de
maneira a matar os insetos no exterior ou interior dos grãos. Os grãos infestados são abertos
e os insetos são expostos e removidos por aspiração ou peneiramento depois de mortos.
Exemplo: A catação manual de larvas da broca gigante da cana-de-açúcar, na região de
Alagoas; o uso de facões pontudos, utilizados para esmagar ou retirar a larva no interior da
base do colmo; catação manual do bicho cesto em cafezal ou pomar de citros; formação de
barreiras ou valetas para impedir o deslocamento de lagartas ou gafanhotos em grandes
surtos; uso de rolos-faca para esmagamento de cigarrinhas ou lagartas em pastagens; uso
de armadilhas como frascos caça-moscas; uso de tábuas pintadas de amarelo e untadas com
óleo para captura da mosca branca, cigarrinhas, tripes e mosca minadora das folhas;
colocação de pedaços de pseudocaule de bananeira para coleta da broca-da-bananeira; uso
de bambus ou bagaço-de-cana para captura de Sphenophorus sp.; catação dos botões florais
atacados pelas larvas do bicudo-do-algodoeiro.8.5 Métodos de controle por comportamento dos insetos
Os insetos utilizam odores para localização de presas, defesa e agressividade,
seleção de
plantas, escolha de locais de oviposição, acasalamento, organização das atividades sociais e
diversos outros tipos de comportamento. As substâncias químicas usadas na comunicação,
em geral, são denomindas semioquímicos (sinais químicos). Os semioquímicos podem ser
divididos em: aleloquímicos e feromônios. Os aleloquímicos são substâncias químicas
envolvidas na comunicação entre organismos de espécies diferentes. Já os feromônios são
substâncias químicas ou misturas destas, envolvidas na comunicação entre indivíduos da
mesma espécie.
8.5.1 Formas de utilização de feromônios e aleloquímicos no manejo integrado de
pragas
Detecção de pragas: O semioquímico é usado para verificação da presença da praga em
áreas onde esta praga ainda não existe. Exemplo: Em 1995, trabalhos de monitoramento,
bem como o controle, da mosca da carambola nos Estados do Amapá e Pará utilizando
armadilhas com composto ou feromônio sexual, o metil-eugenol.
Monitoramento de pragas: O semioquímico é usado para verificar se a população da praga
atingiu o nível de controle. Exemplo: Uso de armadilhas com do feromônio sexual para
verificação se há necessidade de controle da mariposa oriental na cultura do pêssego.
8.5.2 Controle de pragas
Planta isca: uso de feromônio em faixas de cultura atrativa a praga instaladas na perderia
para atração da praga.
93
Coleta massal: coleta de indivíduos através de armadilhas. Utilizado para coleta de bicudo
do algodoeiro com feromônio de agregação "blockaide" ou nomate PBW.
Confundimento: saturação da área com o feromônio sexual, dificultando o acasalamento.
Utilizando feromônios sintéticos, reduz-se a probabilidade de encontros e/ou agregação dos
sexos e acasalamentos. Em algodão, utiliza-se o "gossyplure" no confundimento da lagarta
rosada do algodão com redução de até 64% na aplicação de inseticidas. Para o bicudo
também são utilizados várias iscas embebidas com feromônio "grandllure" para o
confundimento de machos.
8.5.3 Uso de aleloquímicos no manejo integrado de pragas
Uso de atraentes
a) Uso como iscas: utiliza-se partes da própria planta hospedeira da praga como atraente
para o monitoramento da mesma.
Moleque da bananeira (Cosmopolites sordidus); Seções de pseudocaule de bananeira
em formato de telha ou queijo.
Broca do olho do coqueiro (Rhynchophorus palmarum). As iscas consistem de
pedaços de estirpe de 0,50 m com a parte aparada para baixo. Após alguns dias,
colhem-se os besouros alojados, destruindo-os. Para maior eficiência, pode-se tratar
a isca com inseticida na base de 4 g/isca.
b) Uso com plantas iscas: utiliza-se plantas que sejam hospedeiras da praga, mas que
sejam mais atrativas as pragas que a cultura que está no campo. Exemplo: planta maria-preta
versus coleobrocas em citros; abobrinha italiana versus vaquinhas e algodão plantado na
entressafra versus bicudo e broca da raiz do algodoeiro.
94
Uso como estimulantes alimentares da praga
São substâncias e / ou produtos químicos que estimulam as pragas a alimentarem.
Exemplo: Sal de cozinha x percevejos da soja; iscas açucaradas x moscas das frutas; iscas
com farináceos x grilos, mariposas, lesmas e formigas.
Uso de repelentes às pragas
São substâncias que tornam as plantas menos preferidas ao ataque de pragas.
Exemplo: Coloral x pragas que atacam os frutos e sementes de anonáceas.
As vantagens deste processo em relação ao uso de inseticidas seriam:
a) inexistência de resistência das pragas aos produtos;
b) não tóxicos e não poluentes;
c) sendo específicos, atuam sobre o inseto visado, evitando desequilíbrios biológicos.
8.6 Método de controle físico
Método que se baseiam no uso de fenômenos físicos visando o controle de insetos.
Frequentemente os métodos mecânicos de controle são incluídos junto aos métodos físicos,
mas
ambos estão sendo aqui tratados independentemente. Utilização de temperatura, umidade e
radiações eletromagnéticas são os principais agentes físicos de controle com exemplos de
utilização prática.
8.6.1 Fogo
Muito usado em pequenas áreas, principalmente hortaliças e viveiros de mudas. O uso
de lança-chamas permite inclusive a sua utilização em larga escala. Entretanto, a queima de
restos de culturas, ou de pastagens, para a destruição das cigarrinhas, é comumente utilizada
sem a necessidade de equipamento algum. É utilizada para o controle de cochonilhas em
pastagens, cigarrinhas em cana-de-açúcar, lagarta rosada, broca-da-raiz e bicudo em
algodoeiro, ramos com coleobrocas.
As vantagens desse método, é que as pragas e seu habitat são eliminados, e não se
tem resíduos de produtos químicos. Como desvantagens, o uso do fogo também mata os
insetos benéficos, prejudica a conservação do solo e água e contribui com a poluição do ar.
Figura: Enleiramento e queima dos restos culturais após a colheita para o controle de pragas.
95
8.6.2 Drenagem
Adotada na eliminação de insetos aquáticos como pernilongos, gorgulhos aquáticos
em lavoura de arroz e larvas de moscas que se desenvolvem no restilo acumulado nas
lavouras de cana.
4.5.3. Inundação
Quando é possível inundar o campo, muitas pragas podem ser eliminadas por este
processo. É comum o aparecimento de lagarta-rosca, nas hortas; ou larvas pão-de-galinha
(coró) em lavoura de arroz; cupins e lagartas nos capinzais que podem ser eliminadas por
este processo.
Exemplo: Em Alagoas, a broca gigante Castnia licus é controlada, em algumas regiões,
inundando as lavouras de cana-de-açúcar atacadas.
8.4.4 Manipulação da umidade
Os insetos possuem também limites de umidade onde é possível sua sobrevivência e
reprodução. O processo de secagem de grãos normalmente feito antes do armazenamento
deles é uma medida importante no controle de fungos e algumas pragas de produtos
armazenados.
8.5.5 Temperatura
A maioria dos insetos não é capaz de se reproduzir a temperaturas inferiores a 20°C
ou superiores a 35°C. Portanto esses extremos de temperatura podem levar a interrupção da
multiplicação de insetos ou mesmo causar a mortalidade destes. A ventilação por exemplo,
utilizada com o intento de reduzir a temperatura dos grãos durante a fase de armazenamento.
O aquecimento de moinhos e unidades de armazenamento a altas temperaturas (> 50°C)
também vem sendo testado nos Estados Unidos como medida de controle de insetos de
produtos armazenados.
As vantagens no uso da temperatura para o controle de pragas é que causa a morte
ou redução da população do inseto alvo, e não tem resíduos químicos. Em contrapartida, as
desvantagens desse método de controle se deve ao custo elevado da energia e também
requer grande quantidade de energia.
Exemplo: tratamento térmico a frio para o controle de mosca-das-frutas:
96
Para o controle de mosca-das-frutas em manga, os frutos ficam em imersão de 45° a
49°C por 10 a 90 minutos, dependendo do tamanho dos frutos.
8.7 Método de controle pela luz
Consiste na obtenção de fonte de luz, onde se adapta um dispositivo em armadilhas,
utilizando-se lâmpadas fluorescentes ultravioleta, de 15 watts, conhecidas por luz negra (BL
ou BLB) (blue ou black light blue).
A luz varia a sua cor em função de seu comprimento de onda, sendo maior a
sensibilidade dos insetos nas ondas de menor comprimento, o inverso ocorrendo com o
homem.
As lâmpadas que emitem energia na faixa do ultravioleta, portanto, atraem mais
insetos. Em função disto, as armadilhas luminosas são confeccionadas para emissão da luz
dentro desta faixa.
Existem outros tipos de armadilhas, como a de eletrocussão, que fulmina o inseto
atraído pela luz, através de uma rede eletrificada colocada ao redor da lâmpada.De modo geral, os insetos mais atraídos pela luz são os lepidópteros, coleópteros,
homópteros e dípteros.
A grande desvantagem do emprego da luz é a necessidade da energia elétrica nos
locais onde se instala a cultura. Assim sendo, seu uso para controle fica restrito a certas
regiões, em culturas de dimensões restritas. Fontes de energia como a da bateria solar tem
sido testadas com sucesso para alimentar a armadilha luminosa.
As armadilhas luminosas são muito úteis para monitoramento, estabelecendo o
momento adequado para as aplicações de inseticidas ou mesmo outros tipos de controle.
Através deles, pode-se verificar a flutuação populacional das pragas, evidenciando a sua
época de maior ocorrência. Inúmeros trabalhos já foram realizados no Brasil com as mais
diversas pragas das mais variadas culturas.
Exemplo: As armadilhas luminosas podem ser usadas com sucesso no controle da broca-da-
figueira Azochis gripusalis. No município de Valinhos/SP foram empregadas armadilhas do
tipo “Luiz de Queiroz”, contendo lâmpadas fluorescentes de 15 watts, de coloração BL. O raio
de atração desta armadilha foi estimado em 150 m, correspondendo a uma área de
aproximadamente 7 ha.
Entretanto, nem todas as espécies são atraídas pela luz, mesmo sendo de hábito
noturno. A mariposa-oriental-do-pessegueiro, e a lagarta militar, muito comum na cultura do
milho, são pouco atraídas, mesmo pela lâmpada do tipo BL.
Quando não se dispõe de lâmpadas do tipo BL ou BLB, pode-se empregar lâmpadas
de mercúrio ou mista. Mas os resultados em relação à atração são menos expressivos.
As armadilhas luminosas são influenciadas pelo luar, havendo maior captura nas
noites escuras, envolvendo o período de lua nova. Como a maioria das mariposas voa entre
19 e 23 horas, as fases lunares que iluminam as lavouras, neste intervalo, reduzem as
posturas.
Sugestão de leitura: NAKANO, Octavio ; LEITE, C. A. . Armadilhas para insetos. 1. ed.
Piracicaba: , 2000. v. 1. 76 p.
97
8.8 Método de controle pelo som
As ondas sonoras produzem vibrações das partículas chamadas - hertz) ela é
denominada ultrassom, não sendo percebida pelo ouvido humano que só ouve sons emitidos
entre 16 e 20.000 hertz. Muitas espécies de insetos são sensíveis à faixa de ultrassom,
percebendo, por exemplo, a chegada do morcego insetívoro, que necessita emitir tais sons
para localizar a direção a seguir.
O som pode ser usado no controle dos insetos de duas maneiras:
a) pela produção de calor, através da energia intensa;
b) afetando o comportamento das espécies, pela simulação de sons desejáveis ou
não.
Para produzir aquecimento, basta emitir ondas sonoras acima de 39.000 hertz. Além
deste efeito, o som pode ter efeito direto sobre os indivíduos, afetando a sua sobrevivência.
Através da simulação de sons, pode-se atrair os insetos para uma armadilha,
empregando o som, como acontece com algumas espécies de cigarrinhas do arroz. Já a
emissão na faixa de 60.000 a 25.000 hertz simula o som do morcego, predador de insetos,
afugentando-os. Como o raio de atuação do ultra-som é muito curto, há limitação deste
método de controle, sendo utilizado apenas em ambientes fechados.
As cigarras que são pragas do cafeeiro podem ser controladas por armadilha com
equipamento que produz som semelhante ao produzido pelo macho.
8.9 Métodos de controle pela radiação ionizante
O emprego de substâncias que provocam a esterilização dos insetos é conhecido há
muitos anos. A esterilização torna os insetos incapazes de procriar. Ela pode ocorrer quando:
a) a fêmea se torna infecunda; b) aspermia ou inativação dos machos; c) incapacidade para
a cópula; d) mutação letal dominante nas células reprodutoras dos machos e das fêmeas.
Esta última é a mais viável, embora seja comum a combinação desses processos. O exemplo
clássico deste tipo de controle foi realizado com a mosca Cochliomya hominivorax, na sua
erradicação na ilha de Curaçao, em 1954.
A radiação ionizante pode ser obtida em forma de energia pelos raios X e gama, em
forma de partículas pelos raios alfa, beta, nêutrons e elétrons acelerados. As substâncias mais
comumente empregadas como fonte de radiação gama são o Cobalto 60 e o Césio 137, sendo
esta mais econômica que os raios X e menos econômica que os elétrons acelerados, motivo
pelo qual é mais utilizada.
A radiação pode ser empregada na esterilização total da praga num material ou
disseminando em grande número de insetos estéreis em populações normais. Esta última é
conhecida por TME (técnica do macho-estéril) e consiste na liberação de machos
esterilizados, tratados em fontes de radiação ionizante.
Para a esterilização total da praga, algumas considerações precisam ser
estabelecidas: suscetibilidade da espécie à radiação; determinação da dose letal para as
diversas fases do inseto (ovo-larva-pupa-adulto); racionalização do material a ser exposto à
radiação e resistência do material a ser protegido da praga, à radiação.
A TME consiste em tratar populações da espécie à radiação, visando aos machos,
para sua liberação num ecossistema delimitado. A quantidade dos indivíduos estéreis a serem
98
liberados deve ser calculada em função da população natural existente. Esta técnica é
utilizada para:
Espécies que transmitem doenças graves;
Espécies que não são controladas por inseticidas;
Espécies que apresentam baixa tolerância quanto ao nível de infestação;
Espécies que atacam alimentos que não podem ser contaminados por inseticidas.
As condições básicas para que a TME possa ser utilizada são:
O processo não pode alterar o comportamento dos machos, principalmente em relação
à sua sexualidade;
Criação massal econômica;
Boa capacidade de dispersão;
A população da praga no campo deve estar com sua densidade baixa; para isto, muitas
vezes se aplicam os inseticidas, visando reduzir a sua população;
A população estéril liberada não deve produzir danos;
Para a erradicação da espécie-praga, a área a ser utilizada a técnica deve ser limitada
por barreiras naturais;
Evitar reinfestação e assegurar a continuidade do programa até a completa erradicação;
Viabilidade econômica.
Exemplo: Uma das principais pragas dos pomares, a mosca-das-frutas (Ceratitis capitata),
que causa prejuízos da ordem de US$ 120 milhões aos fruticultores brasileiros, está sendo
combatida com machos estéreis produzidos em uma biofábrica instalada em Juazeiro, no
sertão da Bahia. O local escolhido para abrigar a Moscamed Brasil, nome oficial do
empreendimento, encontra-se no centro da maior região produtora e exportadora de frutas
tropicais do país, no Vale do São Francisco. Os prejuízos são causados pelas fêmeas das
moscas, que depositam os seus ovos dentro dos frutos. As larvas se desenvolvem e
alimentam-se da polpa, inviabilizando a comercialização. Para combatê-las, machos estéreis
criados em laboratório são soltos nas plantações para cruzar com fêmeas selvagens. O
controle da população de moscas ocorre porque essas fêmeas ao cruzarem com machos
estéreis não deixam descendentes. Elas cruzam apenas com um macho ou poucos machos
durante o seu ciclo reprodutivo.
8.10 Método de controle biológico
8.10.1 Conceito
É o controle das pragas através de inimigos naturais. Os inimigos naturais pertencem
a cinco grupos: predadores, parasitoides, parasitas, competidores e entomopatógenos. Na
tabela a seguir são mostradas as características de cada um dos grupos de inimigos naturais.
8.10.2 Principais grupos de inimigos naturais
Competidores
99
São organismos de vida livre que competem com os insetos e ácaros-praga por um
fator de sobrevivência como alimento, abrigo, território ou local de nidificação. A seguir são
mostradas características dos principais grupos de competidores de importância como
inimigos naturais de pragas agrícolas.a) Coleoptera: Rola Bosta
Pernas fossoriais/escavatórias.
Corpo arredondado.
Antena lamelada.
Coloração: escura a colorida brilhante.
Pragas controladas: Moscas cuja fase larval acontece em fezes. Exemplo: mosca-do-
chifre.
Predadores
Eles geralmente são maiores do que suas presas. Alguns predadores por possuírem
teias
(aranhas) ou veneno (marimbondo, formigas e percevejos) conseguem alimentar-se de
indivíduos
maiores do que eles. O predador consumirá diversas presas durante seu ciclo de vida. No ato
da
predação eles geralmente atacam e matam a presa rapidamente. Eles normalmente
alimentam-se de vários outros insetos (generalista), consumindo preferencialmente aqueles
em maior abundância no ambiente. Por serem generalistas possuem ampla capacidade de
adaptarem à condições adversas sofrendo geralmente menos com a ação dos inseticidas
aplicados nos agrecossistemas do que os parasitoides.
A seguir são mostradas características dos principais grupos de predadores.
100
Arthropoda não insetos
a) Aranhas
4 pares de pernas.
Cabeças e tórax fundidos e abdome bem
distintos.
b) Ácaros predadores
4 pares de pernas.
Cabeça, tórax e abdome fundidos.
Tamanho varia de 0,25 – 0,5 mm.
Insetos
a) Coleoptera
1) Staphylinidae (Potós)
Três ou mais segmentos do abdome descobertos.
Vivem sobre e no interior dos solos.
São mais abundantes em solos ricos em matéria
orgânica.
2) Histeridae (Besouro predador)
Dois seguimentos do abdome descobertos.
3) Carabidae (Besouro predador)
Cabeça fina.
Geralmente de cor negra brilhante.
Geralmente maiores que 1 cm.
Vivem sobre os solos, são abundantes em
solos com matéria orgânica.
4) Anthicidae (Besouro predador)
Geralmente menores que 3 mm.
Cabeça de largura igual ou mais fina que o pronoto.
Vivem nas plantas.
5) Coccinelidae (Joaninhas)
Geralmente o corpo é oval.
Geralmente possuem de cores vivas.
101
b) Dermaptera (Tesourinhas)
Primeiro par de asas não recobrindo todo
abdome.
Estrutura em forma de pinças (cercos) no
final do abdome.
c) Neuroptera: (Bicho lixeiro, crisopídeo)
Geralmente entre 10 e 20 mm
Adultos com coloração verde ou marrom
Larvas coloração marrom
Asas membranosas e quando em repouso
inclinadas.
Antenas longas.
As larvas possuem mandíbulas longas e às
vezes são recobertas por lixo.
d) Hymenoptera (Não predam insetos que produzem fezes açucaradas)
1) Formiga predadora
Coloração variável.
Reentrância não proeminente na
cabeça.
2) Vespa predadora (Marimbondo)
Ninhos de celulose.
Abdome globoso.
Inserção das asas distante da
cabeça.
e) Hemiptera (Percevejos predadores)
1) Não Pentatomidae
Corpo alongado.
Aparelho bucal curto e curvo.
102
2) Pentatomidae
Corpo hexagonal.
Antenas com 5 segmentos.
1° segmento do aparelho bucal não fundido.
f) Diptera (Moscas)
1) Predadoras
Abdome afilado na parte terminal.
Assemelham-se à abelhas ou marimbondo.
Geralmente coloridas.
Cores metálicas.
Manchas nas asas.
Parasitoides
Tanto o parasitoide como seu hospedeiro são
insetos. Eles parasitam o hospedeiro causando sua morte até o final do seu ciclo de vida. Os
parasitoides normalmente causam a morte do seu hospedeiro quando estes vão mudar de
fase. Assim, têm-se parasitoides de ovos, parasitoides de ninfas e larvas, pupas e adultos.
Os parasitoides por viverem no interior do corpo do hospedeiro possuem certo grau
de especificidade tendo dificuldades em condições adversar e normalmente é maior o impacto
de inseticidas sobre os parasitoides do que sobre os predadores.
A seguir são mostrados alguns ciclos de vida de alguns parasitoides, como também
são dadas as características dos principais grupos de parasitoides de importância como
inimigos naturais de pragas agrícolas.
a) Diptera
1) Moscas parasitóides
Abdome muito piloso.
Alo amarelo ao final do abdome.
Listras longitudinais ao longo do corpo.
b) Hymenoptera (Vespas parasitóides)
Abdome curvo e achatado lateralmente.
Ovipositor longo.
Dilatação no último par de patas.
103
c) Microhimenópteros parasitóides
Tamanho menor que 3 mm.
Ciclo de vida de um parasitoide de ovos (Trichogramma sp.) de lepidópteros.
Ciclo de vida de um himenóptero parasitoide de lagarta.
Parasitas
São organismos pertencentes a vários grupos que são muito menores que o
hospedeiro. Eles controlam as pragas devido a causarem debilidade destas levando a
104
redução de sua reprodução, alimentação e desenvolvimento, sendo que eles geralmente não
matam seu hospedeiro. Como exemplos de parasitas pode-se citar a lombriga como parasita
do homem. No caso de insetos estes têm como parasitas alguns ácaros, nematoides e
protozoários.
Os nematoides entomopatogênicos NEPs são patógenos obrigatórios que provocam
a morte de insetos com o auxílio das bactérias simbiontes que carregam no seu intestino.
Bactérias do gênero Xenorhabdus spp. e Photorhabdus spp. são associadas aos gêneros
Steinernema spp. e Heterorhabditis spp., respectivamente. Os juvenis infectantes (JIs) são
naturais do solo. Quando em contato com o inseto hospedeiro, os JIs penetram pelas
aberturas naturais (boca, ânus e espiráculos) ou diretamente através da cutícula. Uma vez
dentro do hospedeiro, eles liberam as bactérias simbiontes na hemocele do inseto. As
bactérias se multiplicam rapidamente causando septicemia e matando o hospedeiro.
Adicionalmente, as bactérias fornecem os nutrientes para o desenvolvimento e multiplicação
dos nematoides.
Os NEPs possuem importantes vantagens para o controle de insetos-praga. Através
da sua associação com bactérias simbiontes, os NEPs matam os insetos em 24- 48 horas,
podendo atingir um nível de controle equivalente ao dos inseticidas químicos. Em comparação
com o controle químico, o uso de NEPs é mais seguro para o usuário e para o ambiente. Eles
possuem baixo efeito sobre populações de insetos não-alvo, mamíferos e plantas. Quanto a
sua aplicação, os juvenis infectantes podem ser aplicados com equipamentos convencionais,
sendo também compatíveis com vários inseticidas comerciais. A utilização de JIs pode
alcançar um nível de eficiência maior que os produtos químicos convencionais no controle de
pragas de solo. Os NEPs ao reproduzir-se e multiplicar-se dentro dos insetos, produzem um
novo inóculo para infectar outros insetos-praga.
Os nematoides também podem ser aplicados a campo, através de cadáveres de
insetos infectados, e este método, vem demonstrando maior dispersão, infectividade e
sobrevivência quando comparados à aplicação em suspensão aquosa.
Juvenis infectivos do nemaitoide Seinernema sp em larva de Galleria mellonella.
105
Entomopatógenos
Os entomopatógenos constituem microrganismos que causam doenças aos insetos e
ácaros praga levando-os a morte. Existem muitos microrganismos capazes de causarem
doenças aos insetos dentre estes os mais importantes são os fungos, bactéria e vírus.
a) Fungos
Os fungos entomopatogênicos são os microrganismos que geralmente causam
maiores mortalidades aos insetos e ácaros-praga nos agroecossistemas. Os insetos
atacados por fungos entomopatogênicos apresentam os sintomas de manchas escuras nas
pernas, segmentos e todo tegumento, paralisação da alimentação, o inseto tem aspecto débil
e desorientado; aparecimento de coloração esbranquiçada, após o desenvolvimento da
contaminação o corpo do inseto contaminado adquire a coloração característica do fungo que
o atacou. A ação dos fungos é altamente dependente das condições ambientais,sobretudo
da temperatura e umidade. Os fungos entomopatogênicos são os microrganismos mais
generalistas atacando insetos pertencentes a ordens diferentes.
Entre os principais fungos entomopatogênicos que exercem ação de controle sobre
insetos e ácaros-praga nos agroecossistemas estão: Metarhizium anisopliae, Beauveria
bassiana, Verticillium lecani, Nomurae riley, Hirsutella thompsonii, Aschersonia aleyrodis,
Aspergilus spp., Paecilomyces spp., Cordyceps spp., Entomophthora spp. e Sporothrix
insectorum. A seguir é mostrado de forma esquemática o ciclo de desenvolvimento de um
fungo entomopatogênico.
106
Ciclo de desenvolvimento de um fungo entomopatogênico.
Adultos de Cosmopolites sordidus contaminado pelo fungo Beauveria bassiana
b) Bactérias
As infecções bacterianas nos insetos podem causar um conjunto de sintomas que
podem
variar, porém, os aspectos mais frequentes e genéricos comuns são que após a ingestão do
microrganismo, se inicia produção de toxinas, o inseto perde o apetite, apresenta fezes
aquosas e em muitos casos o vômito é comum.
Os insetos mortos por infecção bacteriana, principalmente nos estágios larvais,
geralmente escurecem e se tornam macios (formação de pus). Os tecidos internos e órgãos
se deterioram, sendo este processo acompanhado de mal-cheiro e o tegumento permanece
intacto.
A seguir é mostrado de forma esquemática o ciclo de infecção de um inseto por uma bactéria.
107
Figura: Ciclo de infecção de um inseto por bactéria entomopatogênica.
Figura: Ciclo de infecção de um inseto por vírus entomopatogênico.
108
8.10.3 Formas de uso do controle biológico
O controle biológico pode ser utilizado de três formas: controle biológico natural,
controle biológico clássico e controle biológico artificial ou aplicado.
Controle Biológico Natural
Consiste na preservação e/ou incremento das populações de inimigos naturais já
existes nos agroecossistemas. A preservação e/ou incremento das populações de inimigos
naturais pode ser obtida através de:
Uso de inseticida seletivos (seletividade fisiológica de inseticidas).
Aplicação seletiva de inseticidas (seletividade ecológica de inseticidas).
Aumento da diversidade vegetal nos agroecossistemas nas áreas vizinhas. Uma vez
que as árvores, arbustos e ervas servem de abrigo, local de nidificação e fonte de
alimentação complementar para os inimigos naturais. Muitas espécies de predadores
e de parasitoides alimentam-se de néctar é pólen fornecidos por plantas invasoras.
Além disto esta vegetação serve e criatório para artrópodes não-pragas os quais é
fonte alimentar para os inimigos naturais.
Manutenção do solo recoberto por vegetação uma vez que a formação de poeira
acarreta mortalidade de predadores e parasitoides de pequeno tamanho.
Transferência de inimigos naturais para o local de cultivo, como por exemplo ninhos
de vespas predadoras (marimbondos) para os locais de cultivo.
Evitar o uso do fogo o qual reduz grandemente as populações de inimigos naturais.
Aumento da matéria orgânica nos solos. Já que alguns inimigos naturais como
besouros predadores e competidores que vivem na superfície e no interior do solo
alimentam-se também da matéria orgânica.
A seletividade de inseticidas como relatado neste item constitui importante instrumento
de preservação das populações de inimigos naturais nos agroecossistemas. A seletividade
pode ser classificada em seletividade ecológica e fisiológica. A seletividade fisiológica consiste
no uso de inseticidas que sejam mais tóxicos à praga do que aos seus inimigos naturais. Já
a seletividade ecológica relaciona-se a formas de utilização dos inseticidas de modo a
minimizar a exposição do inimigo natural ao inseticida.
Portanto, devem selecionar inseticidas que possuam seletividade fisiológica. Os
inseticidas que possuem seletividade fisiológica na dose recomendada para controle da praga
devem causar uma mortalidade menor que 80% ao inimigo natural. Além de preferirmos o uso
de inseticidas com seletividade fisiológica devemos fazer uso da seletividade ecológica. Isto
é, devemos utilizar os inseticidas de modo a minimizar a exposição do inimigo natural ao
inseticida. Isto pode ser feito através de:
Aplicação dos inseticidas em horários de menor temperatura do ar, já que nestes
horários os inimigos naturais se movimentam menos estando, portanto menos
expostos ao inseticida. O período ideal para aplicação dos inseticidas é ao final da
tarde visto que a temperatura é baixa e o inseticida poderá sofrer degradação durante
a noite e período da manhã quando é baixa a atividade dos inimigos naturais. Já o
período da manhã se situa numa situação intermediária entre o período da tarde
(período de menor impacto) e o das horas mais quentes do dia (período de maior
impacto).
109
Uso de sistema de decisão de controle.
Aplicação de inseticidas de forma que o contato entre o inseticida e o inimigo natural
seja minimizado. Por exemplo, quando o inseticida é aplicado em pulverização é
grande o impacto dos inimigos naturais que vivem na parte aérea das plantas,
entretanto é baixo o impacto sobre aqueles que vivem no interior do solo, sendo
intermediário o impacto sobre os inimigos naturais que vivem na superfície do solo. O
uso de inseticidas via solo causa maior impacto no momento da aplicação sobre os
inimigos que vivem no interior do solo. Entretanto se o inseticida for sistêmico ele
transloucará no sistema vascular da planta tendo efeito sobre insetos-praga que
atacam a parte aérea das plantas. Desta forma eles causarão baixo impacto sobre os
inimigos naturais de aparelho bucal mastigador. Entretanto, os inimigos naturais de
aparelho bucal sugador (percevejos) por sugarem a planta para retirarem água e sais
minerais sofrerão grande impacto.
Controle Biológico Clássico
Este método envolve a importação de inimigos naturais visando controlar pragas
exóticas que entram no país. Estes inimigos naturais são provenientes da região nativa da
praga. No Brasil vários inimigos naturais foram introduzidos visando o controle de diversas
pragas como mostra a tabela na próxima página.
Controle Biológico Artificial ou Aplicado
Nesta forma de uso do controle biológico o inimigo natural, após criação massal em
laboratório, é liberado no campo para o controle da praga. O inimigo natural só deve ser
aplicado quando a população da praga for maior ou igual ao nível de controle e as populações
dos inimigos naturais estiverem abaixo do nível de não ação. No Brasil vários inimigos naturais
são usados e comercializados para uso em programas de controle biológico artificial de pragas
agrícolas. Assim na tabela a seguir são mostrados alguns destes inimigos naturais
comercializados no Brasil pra uso em controle biológico aplicado:
110
111
112
8.11 Método genético (resistência de plantas a insetos)
A esperança da humanidade reside neste tipo de controle que é considerado o controle
ideal das pragas, porque é feito naturalmente, sem necessidade de artifícios que encarecem
a eliminação das pragas.
O primeiro exemplo clássico deste tipo de controle pode ser considerado o da
Phylloxera da videira que, no século XIX, causou perdas enormes à cultura da videira na
Europa e, principalmente, na França, onde, em menos de 10 anos, destruiu 1.200.000 ha
daquele cultivo. Trata-se de um sugador denominado Phylloxera vitifoliae, que ataca tanto as
raízes como a folha da videira; o problema foi resolvido com a enxertia de variedades
europeias sobre cavalos americanos, que eram resistentes a esta praga. Outro exemplo
ocorreu com a praga Mayetiola destructor, em trigo, nos EUA, sendo resolvido com variedades
resistentes.
Por ser um método demorado, pois exige plantio e seleção de materiais genéticos
resistentes,tem sido empregado em casos extremos, para pragas bastante nocivas em
culturas de ciclo curto e de baixa renda, em que não existe estímulo no investimento com
controles sofisticados.
Sob o ponto de vista prático, não existem variedades resistentes, porque a resistência
é relativa, exigindo sempre comparações entre as variedades, especificando as condições em
que se obteve a resistência.
A resistência é hereditária e geralmente ela é obtida a uma determinada praga e,
portanto, isto deve ser especificado. Entretanto é preciso entender que a resistência da planta
a uma determinada praga deve ser analisada com vistas à sua produtividade; não importa
que as folhas ou outras partes da planta sejam danificadas, desde que o que se pretende
colher não seja afetado.
Existem diversos graus de resistência conhecidos como: imunidade (quando a planta
não sofre dano pela praga, em qualquer situação); moderada (quando o dano é menor do que
o dano médio causado nas variedades em geral); suscetível (quando o dano é igual ao dano
médio causado nas variedades em geral).
Quando, por casualidade, as plantas suscetíveis ou moderadamente resistentes não
foram atacadas, dizemos que ela sofreu escape. Para determinar se a planta sofreu escape,
é necessário um teste em sua progênie.
Quando a planta passa pela fase de maior suscetibilidade num período de menor
ocorrência da praga, dizemos que ela teve evasão hospedeira.
Há casos em que a resistência é dada à planta temporariamente, devido à adoção de
certas medidas como: adubação, irrigação e aplicação de inseticidas. Neste caso dizemos
que a resistência foi induzida.
8.11.1 Tipos de resistência
Os mecanismos de seleção da praga às plantas podem ser agrupados em três casos:
Não preferência: o inseto não se alimenta, não oviposita ou não se instala nessa
planta;
Antibiose: o inseto aceita a planta, mas ela não é um bom alimento para ele;
Tolerância: a planta aceita o inseto, mas a sua produção não é afetada.
113
Uma planta considerada resistente pode reunir os 3 tipos de resistência, pois os fatores
genéticos que fornecem estes tipos podem ser independentes e ter efeito acumulativo.
Vantagens do método de resistência a pragas:
Dispensa conhecimentos sobre a praga;
A inexistência ou a pequena frequência da praga na cultura diminui a chance do seu
desenvolvimento populacional, ocorrendo em menor intensidade mesmo nas
variedades não resistentes;
Controle a longo prazo;
Quando a praga ataca mais de uma cultura, ela a reduz no agroecossistema, com
menor ataque em outras culturas;
Compatível com qualquer outra medida de controle;
Não exige mão-de-obra.
As pesquisas com variedades resistentes aos insetos estão sendo desenvolvidas no
Brasil com milho, sorgo, arroz, cana-de-açúcar, hortaliças e soja.
O método clássico utilizado para a obtenção de variedades resistentes é muito
demorado, sendo empregadas técnicas de manutenção, recombinação e seleção. Através de
um novo método denominado “Tecnologia do DNA - recombinante, é possível a “construção”
de plantas com as características desejadas, biologicamente. Essa técnica permite que
modificações hereditárias sejam introduzidas de modo dirigido, obtendo-se, assim,
combinações pré-estabelecidas; a partir disto, culturas de tecidos poderão ser empregadas
para fins de melhoramento genético, produzindo material a curto prazo.
8.11.2 Resistência obtida através de organismos geneticamente modificados (OGM)
Trata-se de um tema ainda polêmico, que é a utilização de plantas transgênicas, ou
seja, plantas modificadas geneticamente através da transferência de genes, com o objetivo
de torná-las melhoradas sob vários aspectos como: controle de pragas, doenças, plantas
daninhas, resistência a herbicidas, etc. Os aspectos gerais como histórico, definições,
metodologia, situação atual e futuro da plantas transgênicas, com ênfase em proteção de
plantas serão discutidos a seguir:
Com o crescente aumento da população e consequentemente o aumento da demanda
por alimentos, os agricultores procuraram sempre plantar as culturas que produzissem mais
por unidade de área, geralmente separando as sementes de plantas maiores, mais vigorosas
e mais produtivas para serem plantadas na safra seguinte. A seleção, que favorecia as plantas
com características desejadas foi o início, ainda que inconsciente, do melhoramento genético
de plantas.
Por milhares de anos essa seleção foi realizada sem se conhecer o modo pelo qual as
características de uma geração passavam para a geração seguinte. Em meados do século
XIX, um monge austríaco chamado Gregor Mendel estabeleceu os princípios da
hereditariedade, realizando cruzamentos controlados com ervilhas. Assim, Mendel criou as
leis básicas da genética que levam seu nome. Embora importante, seu trabalho permaneceu
desconhecido até o início do século XX, quando vários pesquisadores retomaram esses
estudos.
Foram então desenvolvidas duas linhas de pesquisa nesta área. A primeira, utilizando
os princípios das leis de Mendel, buscou melhorar as variedades de plantas utilizadas na
agricultura através de cruzamentos controlados. Esse método é conhecido como
114
Melhoramento Genético de Plantas clássico ou tradicional. A outra linha de pesquisa
procurava descobrir e entender os mecanismos biológicos envolvidos na transmissão de
características de uma geração para outra. Isto ocorreu nos anos 40, células, o Ácido
Desoxirribonucleico (DNA), era responsável pela transmissão das informações genéticas de
pais para filhos.
O DNA é uma sequência de moléculas chamadas nucleotídeos. Cada nucleotídeo é
composto por uma unidade fosfato, um açúcar e uma base nitrogenada. Existem quatro tipos
de bases: adenina, guanina, citosina e timina. De acordo com a sequência dos nucleotídeos,
o DNA controla a síntese de proteína, substância constituinte dos seres vivos, que pode ter
um papel estrutural (na formação do tecido) ou químico (influenciando reações metabólicas).
Através da ordem das bases nitrogenadas é determinada uma sequência correspondente de
aminoácidos, os monômeros das proteínas. Uma sequência de DNA que codifica uma
proteína chama-se gene.
Com base nestas informações imaginou-se que transferindo pedaços de DNA ou
modificando sua sequência podiam ser feitas alterações nos mais diversos organismos,
conferindo a eles características desejáveis. A este conjunto de operações (isolamento,
modificação e transferência de pedaços de DNA) dá-se o nome de Engenharia Genética.
O processo de Engenharia Genética ganhou impulso na década de 80, quando os
pesquisadores desenvolveram as ferramentas necessárias para transferir genes específicos
de um organismo para outro, permitindo a expressão de características desejáveis no
organismo receptor. O que tornou isso possível foi a descoberta de enzimas que podiam ser
utilizadas como “tesouras” moleculares para cortar ou remover um segmento de gene de uma
cadeia de DNA em um local específico ao longo da fita de DNA. Existem várias dessas
enzimas, muitas das quais catalogadas de acordo com o ponto no qual elas cortam uma
molécula de DNA.
O desenvolvimento de novos produtos, usando ou não as técnicas de Engenharia
Genética, denomina-se Biotecnologia, que permite inserir em plantas características que não
podem ser transferidas normalmente por cruzamento, incluindo-se aí características de
espécies diferentes e até de microrganismos. Entre estas pode-se destacar a resistência a
pragas, doenças e herbicidas, que interessam mais diretamente ao nosso curso de proteção
de plantas, como também melhorias das qualidades nutricionais das plantas. A Figura 1
consta de um esquema onde pode ser observado as diferenças básicas entre o melhoramento
genético convencional e o melhoramento genético com emprego da biotecnologia.
115
Métodos para Transferênciade Genes para Plantas
Existem dois métodos básicos para a transferência de genes para plantas. O primeiro
utiliza a habilidade natural de uma bactéria de solo chamada Agrobacterium tumefasciens de
transferir genes para plantas. Esta técnica aplica-se em plantas como tomate, batata,
pimentão, canola, cana e eucalipto, que crescem facilmente a partir de células individuais ou
tecido vegetal. Para plantas como milho, trigo e soja, que são mais difíceis de crescer a partir
de parte do tecido vegetal, funciona melhor a técnica do bombardeamento de partículas,
também conhecido como “biolística”, que consiste no bombardeamento, sobre tecidos
vegetais, de microesferas de ouro ou tungstênio recobertas com o DNA de interesse. Esta
etapa é bastante trabalhosa, pois apenas uma em cerca de um milhão de células incorpora o
gene de interesse.
O passo seguinte é a obtenção de plantas e de sementes destas, que pode ser feito
colocando-se as células transformadas em meios de cultura contendo nutrientes e hormônios
necessários ao seu desenvolvimento, em um processo chamado de cultura de tecidos.
Durante esta fase, as pesquisas são dirigidas de forma a selecionar as plântulas que
incorporaram o gene desejado. Quando estas plantas apresentam raízes e folhas, elas são
retiradas do meio de cultura, colocadas em vasos e transferidas para uma casa de vegetação
com condições controladas que possam garantir a presença e a expressão do gene.
Com as sementes obtidas, inicia-se a fase de pesquisas de campo, que tem por
objetivo verificar o comportamento dessas plantas em condições normais de cultivo, seu
desempenho agronômico e sua capacidade de transferir o gene para outras variedades da
mesma espécie. Nesta etapa são também realizados os testes de expressão, ou seja, se o
gene colocado é para resistência a pragas, as plantas são expostas a elas; se é para
tolerância a herbicidas, as plantas são pulverizadas, e assim por diante.
A partir da identificação das plantas que contêm as características desejáveis
introduzidas, começa o processo de multiplicação de sementes e introdução da nova
característica transgênica para outras linhagens, com a finalidade de se obter variedades com
características ótimas para serem fornecidas aos agricultores.
116
Aplicações na agricultura
a) Proteção contra insetos
Os agricultores conhecem bem a capacidade e o potencial de devastação dos insetos.
Assim, uma planta que já nascesse resistente contra as pragas seria extremamente
interessante para o agricultor.
Isto ocorreu através da biotecnologia, com a introdução de genes de uma bactéria em
plantas. A bactéria é o Bacillus thuringiensis (B.t.), que ocorre naturalmente no solo e é
conhecida pela sua habilidade de controlar insetos. Diferentes linhagens de B.t. controlando
diferentes pragas têm sido usadas há décadas como um inseticida biológico. A bactéria
produz uma proteína que destrói o sistema digestivo dos insetos-alvo, sendo inofensiva a
outros insetos, pessoas, aves e outros animais. Assim, o desenvolvimento de plantas com
genes do B.t., produziu variedades onde a própria planta produz a proteína tóxica ao inseto.
Culturas protegidas de insetos oferecem benefícios agrícolas e ambientais. Por exemplo,
quando os agricultores reduzem o uso de inseticidas químicos, insetos benéficos podem
sobreviver e auxiliar no controle da redução da população de insetos pragas, contribuindo
ainda para uma menor exposição dos aplicadores e lençóis freáticos a inseticidas químicos,
proporcionando maior compatibilidade com o Manejo Integrado de Pragas, além de
oferecerem ao agricultor, contra determinadas pragas, um controle simples, efetivo e por toda
a safra.
Atualmente, já são comercializadas em vários países, variedades transgênicas (B.t.)
para as culturas da batata, controlando o besouro-do-colorado, que pode desfolhar um campo
de plantação de batata em menos de uma semana, do algodão, protegendo as plantas contra
o ataque das principais lagartas e do milho, controlando a lagarta-do-colmo. No Brasil já são
comercializadas variedades de algodão e milho, protegendo as plantas contra o ataque de
lepidópteros-pragas.
b) Proteção contra doenças
Através da Biotecnologia, poderá ser possível o desenvolvimento de culturas
protegidas de certos tipos de vírus de plantas. Com a introdução de pequena parte do DNA
do vírus na composição genética da planta, pode-se obter culturas que têm imunidade própria
contra determinadas doenças.
Atualmente vários estudos estão sendo levados a cabo, visando ao desenvolvimento
de variedades transgênicas, com destaque para as culturas de alfafa, canola, melão, milho,
pepino, uva, batata, soja, abóbora e tomate, que possam ser protegidas contra doenças
causadas por vírus e pimenta e tomate, contra doenças causadas por fungos.
c) Proteção contra plantas daninhas
A seletividade fisiológica das culturas aos herbicidas é atualmente a característica
mais desejável para um herbicida, pois confere ao agricultor a flexibilidade de aplica-los
somente quando necessário. Consequentemente reduz o seu uso, poupando o ambiente e
diminuindo o custo da produção devido a menor quantidade de herbicida utilizado, quando
comparado com a aplicação de herbicidas preventivos. Entretanto, os herbicidas seletivos,
117
atualmente utilizados, possuem algumas limitações relativas ao número de espécies de
plantas daninhas controladas, ou seja, controlam um menor número de ervas de folhas
estreitas (gramíneas), quando são seletivos para culturas monocotiledôneas ou controlam um
menor número de ervas de folhas largas, quando são seletivos para culturas dicotiledôneas.
Através de biotecnologia, têm sido desenvolvidas variedades de algumas culturas
como milho, algodão, soja e canola, tolerantes ao herbicida glifosate ou glufosinato de amônio,
herbicidas não seletivos que controlam efetivamente uma grande variedade de gramíneas e
plantas de folhas largas.
Controle Governamental
Nos EUA o Departamento de Agricultura- USDA- regulamenta a produção e a
pesquisa agrícola, incluindo o desenvolvimento de novas variedades de plantas,
principalmente por intermédio de seu Serviço de Inspeção Sanitária e Vegetal (APHIS), tendo
já sido inspecionadas por aquele órgão diversas variedades transgênicas. Atualmente muitas
destas variedades já são produzidas em escala comercial no país.
No Brasil, o órgão responsável pela aprovação dos testes de plantas obtidas pelo uso
da Biotecnologia é a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio –órgão
vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A CNTBio é formada por especialistas da
área de Biotecnologia, do setor empresarial e de um órgão de proteção da saúde do
trabalhador.
Para que uma instituição possa realizar testes com variedades transgênicas, deve requerer à
CNTBio um certificado de qualidade em Biossegurança – CQB - que garante que a instituição
pode manipular os materiais transgênicos com riscos mínimos para pessoas e para o
ambiente.
No Brasil algumas empresas já obtiveram autorização para importação de sementes
e para realizar testes, entretanto o assunto ainda é polêmico e algumas organizações
ecológicas têm conseguido bloquear na justiça o uso destes materiais.
As principais alegações dos órgãos contrários à entrada dos transgênicos são:
Alimentos transgênicos poderiam causar alergias ou danificar o sistema imunológico
humano
As sementes poderiam transmitir seu material genético a outras espécies, gerando
pragas super resistentes.
O aumento das substâncias ou enzimas resistentes a herbicidas nas plantas
modificadas poderia afetar animais e insetos importantes ao equilíbrio biológico do
ambiente.
O desconhecimento, em longo prazo, de possíveis malefícios ao ambiente e ao
homem causados pelas plantas geneticamente modificadas.
Futuro das Plantas TransgênicasO emprego de plantas transgênicas expressando genes de outros organismos que
podem conferir a essas plantas características desejáveis sob diversos aspectos, constitui
uma alternativa promissora para a produção de alimentos. Apesar das muitas indagações que
ainda permanecem, principalmente aquelas relacionadas à especificidade da resistência
obtida, aos mecanismos envolvidos e à durabilidade destas resistências em condições de
campo, os resultados de pesquisa e também de campos comerciais têm demonstrado que as
características positivas obtidas através dos materiais transgênicos são uma realidade.
118
8.12 Método químico de controle de pragas
Consiste na utilização de produtos químicos que aplicados direta ou indiretamente
sobre os insetos, em concentrações adequadas, provocam a sua morte. Considerando-se que
a melhor maneira de avaliar o sucesso de um sistema proposto, entre várias outras opções,
é a sua adoção e a permanência de sua aceitação após anos de uso, o controle químico
mostra-se até o momento como a mais utilizada e, consequentemente, mais importante forma
de controle de pragas. Os defensivos ainda formam a base da proteção de plantas em todos
os países desenvolvidos.
O sucesso desta forma de controle é explicado, entre outras, pelas principais
vantagens no curto prazo que são:
Única medida prática para o controle de populações de insetos quando estas se
aproximam do nível de dano;
Proporciona rápida ação curativa contra um dano visível ou ótima eficiência na ação
preventiva;
Oferece uma vasta gama de propriedades, usos e métodos de aplicação, para
diferentes condições de ocorrência de pragas;
Proporciona bom retorno econômico e custo de utilização relativamente baixo;
Possibilita ao produtor uma ação isolada e independente.
Todavia, o uso abusivo e sem critérios técnicos poderão apresentar, entre outras,
limitações no médio ou curto prazo como:
Desequilíbrios biológicos;
Aumento populacional de pragas secundárias;
Resistência dos artrópodos aos defensivos;
Resíduos nos alimentos;
Contaminação ambiental;
Riscos aos aplicadores;
Solução apenas temporária para os problemas de ocorrência de pragas.
Entretanto, acompanhando a evolução tecnológica por qual passa todo o setor
produtivo e pela sua própria sobrevivência, a indústria de defensivos vive um período de
grande modernização de seus produtos, introduzindo no mercado inseticidas e acaricidas bem
menos tóxicos, com menor persistência no ambiente, mais seletivos em relação aos
mamíferos e aos inimigos naturais das pragas e que atuam sobre sistemas ou enzimas
exclusivas ou de maior importância orgânica em artrópodos que em mamíferos, tornando
possível a integração dos diferentes métodos de controle, com o uso de defensivos de forma
a eliminar ou atenuar significativamente os efeitos adversos causados.
Os inseticidas são compostos químicos ou biológicos letais aos insetos, em dosagens
econômicas. São aplicados na lavoura para eliminar os insetos nocivos às plantas. O poder
tóxico de um inseticida é determinado estabelecendo-se a dose mínima necessária para matar
o inseto. Esta dose, por sua vez, varia conforme o produto, a sua forma de apresentação e
também em função das diferentes reações fisiológicas de cada praga.
Cada inseticida apresenta toxicidade diferente, conforme a sua composição, a dose
empregada e o estado físico em que se encontra. Quanto mais dispersas estiverem as suas
119
partículas, tanto maior será a área de contato com o inseto, atuando assim de modo mais
eficiente. Para isto, tornou-se necessário estabelecerem-se normas quanto a seu uso, mesmo
porque estas substâncias são também tóxicas para o homem, exigindo muita cautela quanto
ao seu uso. As formulações foram desenvolvidas com a finalidade de sanar, em parte, os
inconvenientes citados.
8.12.1 Classificação dos inseticidas quanto ao modo de ação
Existem muitos pesticidas que funcionam de várias maneiras, e os diferentes tipos de
ação de controle afetam a quantidade, eficiência e velocidade de transferência de dose para
a praga alvo. O desenho abaixo mostra alguns dos mecanismos de transferência de dose de
inseticida.
Ingestão: é absorvido pelo intestino médio, circula na hemolinfa e atinge o sistema
nervoso. Inseticidas mais antigos possuíam este tipo de ação;
Contato: sua ação se dá pelo contato com o corpo do inseto, penetrando na epicutícula e
sendo conduzido através do tegumento, onde irá atuar sobre as terminações nervosas.
Pode matar insetos-praga pelo simples contato com superfícies atingidas pelo inseticida.
Fumigação: o inseticida age pelas vias respiratórias, devendo ser inalado na forma de
gás pelo inseto. O gás penetra através dos espiráculos e age sobre o sistema nervoso.
Profundidade: inseticida capaz de atingir insetos através do tecido vegetal (ação
translaminar), como sob uma folha ou dentro de um fruto.
Sistêmico: é aquele inseticida que, aplicado sobre folhas, troncos, ramos, raízes e
sementes é capas de ser absorvido e circular com a seiva para todas as partes da planta.
Figura: Mecanismo de transferência do produto químico para o inseto.
Para saber mais sobre inseticidas, acesse: www.irac-br.org.br.
http://www.irac-br.org.br/
120
8.12.1 Formulações dos inseticidas
A formulação permite que o produto seja utilizado de modo conveniente. É portanto a
maneira de transformar um produto técnico numa forma apropriada para uso. Para isso,
empregam-se alguns artifícios misturando-os com os inertes, sólidos ou líquidos.
As formulações são constituídas principalmente pelo ingredinte ativo (IA) -
substância química que realmente controla a praga e pela parte inerte - substâncias de baixo
custo, neutras e que servem para diluir o inseticida puro, para que possa ser empregado na
forma de pó, funcionando portanto como veículo do inseticida.
Principais formulações de inseticidas:
Atividades para fixação
1) Sobre os métodos de controle de pragas, assinale a alternativa FALSA:
A) Os métodos controle legislativos baseiam-se em leis e portarias federais ou estaduais.
B) Os métodos de controle mecânico consistem no uso do fogo, de drenagem, de inundação,
de temperatura entre outras técnicas.
121
C) Os métodos de controle culturais consistem no emprego de práticas baseadas no
conhecimento ecológico e biológico das pragas. Tais como: rotação de cultura, época de
plantio, poda, plantio direto.
D) Os métodos de controle por comportamento baseiam-se nos estudos de fisiologia dos
insetos, destacando-se o uso de hormônios.
E) Os métodos de controle biológico consistem na regulação do número de animais
considerados pragas por ação de inimigos naturais.
2. O emprego de plantas resistentes a insetos é considerado por muitos pesquisadores o
método ideal de controle de pragas, principalmente por não causar prejuízos ao meio
ambiente. Existem basicamente três tipos de resistência: nãopreferência, antibiose e
tolerância. Sobre essas formas de resistência assinale a alternativa CORRETA:
A) A antibiose ocorre quando o cultivar é menos utilizado pelo inseto para alimentação,
oviposição ou abrigo que outros cultivares em igualdade de condições.
B) A tolerância ocorre quando o cultivar é menos utilizado pelo inseto para alimentação,
oviposição ou abrigo que outros cultivares em igualdade de condições.
C) A não-preferência ocorre quando um cultivar é menos danificado que os demais, sob o
mesmo nível de infestação do inseto, sem que haja efeito no comportamento ou biologia
deste.
D) A antibiose ocorre quando o inseto se alimenta normalmente do cultivar, mas este exerce
um efeito adverso sobre sua biologia, tais como: mortalidade na fase imatura, redução do
tamanho, redução da fecundidade, entre outros.
E) A tolerância ocorre quando o inseto se alimenta normalmentedo cultivar, mas este exerce
um efeito adverso sobre sua biologia, tais como: mortalidade na fase imatura, redução do
tamanho, redução da fecundidade, entre outros.
O número de espécies de insetos descritas é estimado em aproximadamente um milhão, das
quais cerca de 10% são pragas, prejudicando plantas, animais domésticos e o próprio homem.
Por outro lado, existem muitos insetos que são úteis ou benéficos.
9. Manejo Integrado de Pragas
9.1 Conceitos básicos do MIP
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma filosofia de controle de pragas que procura
preservar e incrementar os fatores de mortalidade natural, através do uso integrado de todas
as técnicas de combate possíveis, selecionadas com base nos parâmetros econômicos,
ecológicos e sociológicos, visando a manter a densidade populacional de um organismo
abaixo do nível de ano econômico.
122
Figura: Filosofia do MIP – Manejo Integrado de Pragas.
A compreensão dos preceitos do MIP requer o conhecimento de alguns conceitos
básicos, que são comumente usados por pesquisadores, técnicos e produtores que lidam com
a entomologia. Para entendê-los devemos conhecer a relação inseto-fitófago x planta na
figura abaixo. Dessa forma, vejamos alguns conceitos:
Praga: é qualquer organismo que causa um dano econômico, por competir direta ou
indiretamente com o homem por alimento, matéria prima ou prejudicam a saúde e o
bem-estar do homem e animais.
Dano Econômico (D): é qualquer perda econômica decorrente de uma injúria.
Injúria (I): é o ataque em si. É qualquer alteração deletéria decorrente da ação de um
organismo.
Nível de Dano Econômico (ND): é a densidade populacional de uma praga capaz de
causar um prejuízo de igual valor ao seu custo de controle.
Nível de Ação ou de Controle (NA ou NC): é a densidade populacional de uma
praga em que devem ser tomadas as medidas de controle, para que não cause danos
econômicos. A diferença entre os valores do ND e do NC é igual a velocidade de ação
dos métodos de controle.
Nível de Não-Ação (NNA): é a densidade populacional do inimigo natural capaz de
controlar a população da praga.
Combate: é a aplicação direta de qualquer técnica para exterminar a praga no
agroecossistema.
Controle: é a manutenção da densidade populacional de uma praga abaixo do nível
de dano econômico.
123
Figura: Esquema ilustrando a relação inseto x planta, que caracteriza o conceito de praga.
9.2 Procedimentos para implementação e gerenciamento do MIP
A implantação e o gerenciamento de programas de MIP são fundamentais para a
correta condução da floresta sob o ponto de vista do controle de insetos-praga. Isso pode ser
implementado em cinco etapas:
1°) Definição da unidade de manejo
A unidade básica de manejo de pragas florestais é o talhão. Essa unidade consiste
numa área delimitada fisicamente por estradas, aceiros ou trilhas e são consideradas
independentes umas das outras. Isso significa que a tomda de decisão de combate é
específica para cada uma. Cada unidade deve conter a cultura em condições homogêneas
de tratos culturais, idade, espécie ou cultivar, tipo de solo, micro-clima, entre outros, de forma
que o comportamento da praga seja semelhante em toda a área da unidade, para que a
amostragem dos insetos seja representativa. O seu tamanho é determinado pelo sistema de
manejo da cultura e pela capacidade operacional de ação de combate. Isso é, deve ter uma
área que permita a aplicação de um método de controle em tempo suficiente para não haver
alteração no status populacional da praga durante as operações de monitoramento e
combate.
2°) Eleger as pragas-chave
As pragas-chave são as mais importantes da cultura que se está manejando. Elas são
selecionadas de uma lista de insetos que ocorrem ou podem ocorrer nessa cultura. Essa lista
é feita com base em consultas à literatura, entrevistas com técnicos ou produtores, ou estudos
de campo. As espécies listadas devem ser classificadas em basicamente quatro tipos: as não-
124
pragas, as secundárias, as primárias e as severas, sendo as duas últimas as mais
importantes, conforme mostrado a seguir.
a) Organismos não-praga: são aqueles cuja densidade populacional nunca atinge o nível de
controle:
b) Pragas secundárias: são aquelas que raramente atingem o nível de controle:
c) Pragas frequentes (Praga-chave): são aquelas que frequentemente atingem o nível de
controle:
d) Pragas Severas (Praga-chave): são aquelas cujo ponto de equilíbrio é sempre maior que
o nível de dano econômico:
125
Das espécies selecionadas como chave, é necessário ter conhecimento geral sobre
elas com relação à sua biologia, ecologia, comportamento, principais inimigos naturais,
técnicas de amostragem e de controle, etc, para poder manejá-las adequadamente.
3°) Aplicar os componentes do MIP
Os componentes do MIP são os passos que devem ser tomados sempre que surgirem
problemas de ataque de insetos à cultura e compõem as ações rotineiras do programa. Eles
são constituídos de três etapas:
a) Avaliação do ecossistema
É necessária uma avaliação local do problema, onde devem ser analisados quatro
componentes do ecossistema: a planta, a praga, os inimigos naturais e o clima.
Deve-se identificar e quantificar a população do inseto que está causando o problema
em questão;
Deve-se identificar e quantificar a população dos inimigos naturais desse organismo;
Deve-se avaliar o estágio fisiológico da planta;
Deve-se avaliar as condições climáticas do local.
É importante considerar a necessidade de se utilizarem métodos de levantamento
populacional de insetos que possam ser diretamente correlacionados com a injúria provocada
e consequentemente com os danos. Esse levantamento permitirá a determinação não só de
nível populacional para a adoção de medidas de controle, como também indicará a tendência
das populações em crescer ou decrescer possibilitando a tomada de decisão mais coerente.
Não existe um método universal de levantamento, sendo que, frequentemente, um método
empregado para uma praga não se aplica a outra, e às vezes, o mesmo método não serve
para a mesma praga em condições diferentes. Normalmente ela depende da espécie e da
fase da praga, da idade do plantio, da área afetada, dos recursos disponíveis, etc.
O MIP está fundamentado na amostragem das populações das pragas -alvo e de seus
inimigos naturais, bem como no conhecimento da cultura e das condições climáticas do local.
Todas as duas fases posteriores estão baseadas nessa amostragem.
b) Tomada de decisão
A tomada de decisão é efetuada através da análise dos aspectos econômicos da
cultura e da relação custo/benefício do controle de pragas, que é determinado pelo NDE. Com
base na avaliação do ecossistema combate-se a praga se:
a densidade populacional da praga for igual ou maior que o nível de controle; e
a densidade populacional dos inimigos naturais for menor que o nível de não-ação; e
a planta estiver no estágio suscetível à praga; e
as condições climáticas estiverem favoráveis à praga.
126
c) Escolha dos métodos de controle
Uma vez tomada a decisão de adotar medidas de controle, será necessário fazer a
opção por um programa que poderá envolver um ou mais métodos de redução populacional
de insetos.
Para isso deve-se ter um bom conhecimento de todas as técnicas de controle e
escolher as mais adequadas, levando-se em consideração os fatores técnicos (eficiência,
modo de aplicação, etc.), econômicos (custo de combate), ecológicos (impactos ambientais)
e sociológicos (toxicidade e perigo durante a aplicação). Uma análise prévia do histórico da
área com relação a culturas, clima, ocorrência de pragas, resultados de combate, entre outros,
possibilitará uma previsão dos problemas que deverãoser enfrentados.
4°) Planejamento das ações
Em função das informações sobre a praga, inimigos naturais, cultura e clima poderá
ser feita uma programação para o emprego das medidas de controle selecionadas, visando a
reduzir o problema atual e dificultar a ocorrência de novos surtos de pragas. Esse
planejamento envolve a elaboração de um cronograma físico-financeiro, incluindo a relação
das unidades de manejo que serão combatidas, os equipamentos de aplicação, materiais,
produtos fitossanitários, mão-de-obra, transporte, alimentação, EPIs, taxas administrativas e
impostos. Todas essas informações são relacionadas no tempo e no espaço, propiciando um
planejamento detalhado das ações de combate que se seguirão. Todas essas informações
são relacionadas no tempo e no espaço, propiciando um planejamento detalhado das ações
de combate que se seguirão, conforme exemplificado no quadro abaixo.
Exemplo do planejamento físico-financeiro de ações de combate:
5°) Acompanhamento dos resultados
Após o combate da área é necessário acompanhar a flutuação populacional das
pragas e dos seus inimigos naturais e verificar os efeitos dos métodos de redução
populacional empregados, sobre os insetos visados e sobre os insetos não-alvo, a fim de
127
avaliar a necessidade de novas intervenções. Para isso, adotam-se, geralmente, os mesmos
métodos de amostragem empregados na avaliação do agroecossistema ou outro método
dependendo do caso. Essa etapa, geralmente, é o início do processo novamente, como a
nova avaliação do agroecossistema.
9.3 Vantagens do Manejo Integrado de Pragas (MIP)
O Manejo Integrado de Pragas mantêm o agroecosssitema o mais próximo possível
do equilíbrio. Isso quer dizer que tudo pode funcionar melhor, já que tudo na agricultura está
integrado. A lavoura sadia e sem os prejuízos das pragas com certeza resultará em maiores
produtividades. E melhor ainda: melhores rentabilidades, já que com o MIP é possível diminuir
o uso de inseticidas.
Além disso, quem nunca esteve na dúvida de fazer ou não a aplicação? Com através
do monitoramento do MIP você sabe com certeza quando o controle é realmente necessário.
É você no comando de sua fazenda.
9.4 Desafios do Manejo Integrado de Pragas (MIP)
Nem tudo são flores. É claro que há alguns desafios para a implementação do Manejo
Integrado de Pragas. A mão-de-obra treinada no campo para realizar de forma adequada os
monitoramentos é um dos principais problemas enfrentados.
A identificação dos inimigos naturais e seu correto manejo também é difícil de ser
realizado e de encontrar mão-de-obra que faça essas atividades de forma satisfatória. Mas a
barreira mais difícil de todas é a falta de conhecimento. E é por isso que resolvemos levar à
você mais informações sobre esse sistema tão atual e necessário nesse cenário competitivo
da agricultura.
10 Introdução à Fitopatologia
Fitopatologia é a ciência que estuda as doenças vegetais, passando por todas as
etapas: desde o diagnóstico até o tratamento e controle. Apesar do histórico antigo (desde
antes de Cristo, por exemplo) de identificação de doenças vegetais, a ciência que cuida e
desenvolve técnicas para erradicar essas mazelas das plantas só foi criada há bem pouco
tempo.
Esse tardio surgimento desta ciência tem uma explicação: quando pragas acometiam
plantações inteiras ou quando fungos se alastravam de um pé de planta para outro, por
exemplo, isto era definido como um fenômeno sobrenatural ou até mesmo místico. De
qualquer forma havia a perda do trabalho de um ano inteiro ou de um período, e isto era
justificado desta maneira simplesmente por não haver naquela época, uma explicação
plausível para o fato.
No entanto a evolução dos tempos facilitou o entendimento dos observadores, fazendo
com que fosse possível notar que por haver uma interação da planta com o patógeno pode
surgir avarias para um indivíduo ou para uma plantação inteira. Essa preocupação agora tem
outros fundamentos que não só o financeiro (quando o prejuízo da perda de lavouras afetava
diretamente o bolso daqueles que investiam), mas também o cuidado com a qualidade do
128
alimento produzido. Pois isso refletirá diretamente no cenário comercial e, por conseguinte
implicará na soma dos lucros.
No início dos estudos da fitopatologia a preocupação era combater as pragas e toda
sorte de doenças. Hoje o olhar é completamente diferente, é mais profundo. Os
conhecimentos vão além e propõem, na medida de sua limitação, o melhoramento genético
de algumas espécies. Fazendo, desta forma, com que fiquem mais resistentes às doenças
que as acometem.
10.1 História da Fitopatologia
Embora a Fitopatologia, como ciência, seja relativamente nova, as doenças das
plantas são conhecidas desde há muito, pois, desde que o homem passou a viver em
sociedade, assentando a base de sua alimentação nos produtos agrícolas, o problema da
escassez dos alimentos intimamente relacionado com a ocorrência de doenças, teve sempre
grande importância e mereceu a atenção de historiadores de várias épocas. Na Bíblia,
encontramos, talvez, as referências mais antigas a doenças de plantas, sempre atribuídas a
causas místicas, geralmente apresentadas como castigo divino (GALLI e CARVALHO,1978).
Esses mesmos autores dividiram o histórico da Fitopatologia em período místico, período de
predisposição, período etiológico e período ecológico.
11 Noções sobre morfologia e biologia de microrganismos
11.1 Características gerais de Fitopatógenos
Os microrganismos habitam os mais diversos locais. Esta propriedade é denominada
de ubiquidade. Habitam os diferentes ecossistemas, fazem parte da microbiota normal do
corpo humano, dos animais e das plantas, aos milhões, em termos de quantidades. Entre
estes organismos são estabelecidas relações em diferentes graus de parasitismo, mutualismo
e comensalismos. São também patógenos causadores de doenças e deterioração de
equipamentos e alimentos, quando não devidamente limpos ou mal armazenados,
respectivamente.
Modo de vida dos microrganismos
Todos os microrganismos são benéficos de alguma forma. Entretanto, destes um total
de 3% podem causar danos aos demais organismos. Neste sentido, os microrganismos são
divididos em diferentes grupos, conforme o seu modo de vida, sendo estes alguns deles: a)
Sapróbios (saprófitos): comensais ou decompositores de substâncias orgânicas mortas; São
também conhecidos como microrganismos recicladores. Entre estes, muitos podem
desenvolver o parasitismo facultativo. b) Parasitos: causam danos as células vivas de outros
organismos. O parasitismo se manifesta em diferentes graus, desde o parasito obrigatório ao
hiperparasitismo. No parasitismo obrigatório há uma completa dependência do hospedeiro
para a sua multiplicação; no parasitismo múltiplo sobrevive em vários hospedeiros e no
parasito facultativo existe outro modo de vida que é o saprofitismo. Já no hiperparasitismo
ocorre parasitismo no mesmo grupo. c) Simbiontes: estabelecem relações em diferentes
graus, desde as mais próximas (simbiose mutualística, onde há interação morfológica e física
entre dois organismos, a exemplo dos líquenes e das micorrizas) até as mais antagônicas
(tipo de relação onde um deles é prejudicado em detrimento do outro). Para ocorrer uma
129
doença infecciosa é necessário algumas etapas importantes: a) Inóculo: haver um número
suficiente de microrganismos capaz de invadir o hospedeiro; b) Colonização ou infecção:
estabelecimento e multiplicação do microrganismo no local da infecção. A entrada do
patógeno/toxina no hospedeiro pode ocorrer diretamente na Biologia de Microrganismos 265
corrente sanguínea ou nos órgãos internos. Pode haver infecção endógena por
microrganismos da própria microbiota e exógena por patógenos adquiridos; c) Intoxicação: o
hospedeiro recebe o fator(ex. toxina) causal da doença, conhecida como intoxicação
alimentar; d) O microrganismo pode ser eliminado do hospedeiro por algum mecanismo de
defesa e não causar a doença; e) Doença infecciosa: quando o microrganismo passa a
expressar seus fatores de patogenicidade (estrutural, enzimas ou toxinas) no hospedeiro,
alterando a funcionalidade normal da célula, tecido ou órgãos.
Atividades de fixação
1) O que Fitopatologia?
2) O que são microrganismos?
3) Quais as características gerais dos fitopatógenos?
4) Os microrganismos são divididos em diferentes grupos, quais são eles?Fale sobre
cada um.
11.2 Bactérias
As bactérias pertencem ao reino Monera segundo a classificação de Whittaker, em
1969. Woese, em 1978, agrupa os organismos em domínios, seguindo a organização
filogenética (MURRAY, 2005). Sendo assim, há três domínios: Eubactéria (bactérias
verdadeiras), Archea (bactérias de composição química e formas distintas, habitantes de
ambientes extremófilos) e Eucaria (fungos, algas, protistas, plantas e animais).
As bactérias apresentam uma morfologia simplificada, sendo a maioria em formas
comuns: cocos, bacilos e espiralados e outras em formas especiais: quadradas e estreladas.
Destas, as três primeiras são as mais estudadas, pois compreende as bactérias de interesse
na área da saúde e da indústria, sendo as mais comuns. As outras duas formas são de
ocorrência ambiental e são raramente notificadas.
130
São organismos microscópicos, unicelulares, que possuem parede celular.
Elas não possuem núcleo verdadeiro como o de organismos superiores,
separado do restante dos outros componentes celulares por uma membrana,
e seu material genético, um DNA circular de fita simples, se localiza
diretamente no citoplasma da célula. Além desse DNA, elas possuem os
plasmídeos, DNA’s extra-cromossômicos, que controlam certas
características exibidas por estes organismos como resistência à
estreptomicina, cobre e a outros antibióticos.
Bactérias fitopatogênicas
As bactérias fitopatogênicas estão distribuídas em vários gêneros, espécies
e subespécies separadas entre si por características culturais, bioquímicas,
fisiológicas e sorológicas. Recentemente, o emprego de técnicas
moleculares promoveu profundas mudanças na taxonomia das bactérias
fitopatogênicas. Atualmente, são reconhecidos 26 gêneros de bactérias
fitopatogênicas, sendo que representantes de muitos desses gêneros (incluindo espécies,
subespécies e patovares) já foram assinalados em nosso país.
Classificação Morfológica dos sintomas:
- Sintomas Necróticos: São os sintomas que antecedem a morte ou a morte propriamente
dita dos tecidos.
• Plesionecrótico - Amarelecimento, Anasarca ou Encharcamento, Murcha, etc.
• Holonecrótico - Cancro, Canelura ou "Stem Pitting", Crestamento ou
Requeima, Damping Off ou Tombamento, Escaldadura, Estria ou
Listra, Fendilhamento ou Rachadura, Gomose, Mancha, Mumificação,
Necrose Vascular, Perfuração, Podridão, Pústula, Resinose, Seca, Seca dos
Ponteiros ou Die Back, etc.
- Sintomas Plásticos: Envolve um sub ou super-desenvolvimento dos
tecidos.
• Hipoplástico - Albinismo, Afilamento foliar, Clareamento de Nervura,
Clorose, Enfezamento ou Nanismo, Mosaico, Mosqueado, Roseta, etc.
131
• Hiperplástico – Bronzeamento, Calo Cicatricial, Enação, Encarquilhamento ou
Encrespamento, Epinastia, Espessamento de Nervura, Fasciação, Galha, Superbrotamento,
Verrugose, etc.
Principais sintomas nas plantas
Manchas e necroses: O tecido afetado inicialmente apresenta anasarca, evoluindo
para morte e necrose. É o tipo de sintoma mais comum. Dependendo do tipo, as lesões em
folhas recebem diversas denominações, como: mancha angular, quando as lesões foliares
ficam delimitadas pelas nervuras; crestamento, quando atinge grande parte do limbo foliar;
estrias ou riscas, que ocorrem em folhas com nervuras paralelas, como no caso de gramíneas;
cancros, quando as lesões são necróticas e profundas. Algumas bactérias produzem toxinas,
formando um halo amarelado ao redor das lesões. Nos ramos, flores e frutos os sintomas
podem assemelhar-se aos observados nas folhas.
Fotos: Embrapa Semiárido
Mancha angular (Xanthomonas campestris pv. Mangiferae indicae) em folhas e em
frutos.
Hiperplasia e hipertrofia: se caracteriza pela multiplicação celular
exagerada ou aumento no tamanho das células, resultante de desequilíbrio
no sistema hormonal da planta, levando a um crescimento excessivo do
órgão ou tecido afetado. Inclui a fasciação, que é a proliferação anormal de
raízes e brotos, geralmente com achatamento e fusão das partes afetadas;
galhas, que ocorrem na região do colo, em raízes e parte aérea e raízes em
cabeleira.
Murcha: ocorre por obstrução dos feixes vasculares, devido à invasão e/ou
colonização pelas bactérias fitopatogênicas, impedindo ou dificultando o
132
transporte de água e nutrientes. A infecção vascular nem sempre resulta em
murcha aparente, podendo causar nanismo e/ou clorose.
Podridão mole: resulta em maceração de tecidos, devido à produção, pela
bactéria, de enzimas que degradam as substâncias pécticas da lamela média
e da parede celular. Este tipo de sintoma é muito importante também
durante o armazenamento, no caso de bulbos e rizomas. Entretanto, a identificação de
fitobacterioses não deve ser baseada apenas na sintomatologia apresentada pelo hospedeiro,
visto que diversos agentes como vírus, fungos, nematóides, insetos ou mesmo desequilíbrios
nutricionais ou fitotoxidez, podem causar sintomas semelhantes. Além disso, é importante
ressaltar que diferentes gêneros e espécies bacterianas
podem incitar sintomas similares e que uma mesma bactéria pode provocar
mais de um tipo de sintoma. Por isto torna-se necessário, muitas vezes, a
realização de exames ou testes laboratoriais para a confirmação do agente
causal.
11.3 Fungos
Características gerais
Os fungos são microrganismos ubíquos, eucariotos, aclorofilados, aeróbios,
heterotróficos, unicelulares e multicelulares. Mais de 250 mil espécies de fungos já são
conhecidas. Apesar das dimensões macroscópicas de alguns fungos, a exemplo dos
cogumelos, são considerados microrganismos, pois formam um falso tecido gigante, mas a
unidade celular é microscópica. A célula eucariótica apresenta parede celular constituída por
quitina (quitosana) (Zygomycota) quitina-glucana (Ascomycota e Basidiomycota filamentosos
e Mitospóricos), glucana-manana (Ascomycota e Mitospóricos leveduriformes), quitina-
manana (leveduras Basidiomicetos). Chytridiomycota: celulose. A membrana celular é rica em
133
ergosterol e tem o glicogênio como substância de reserva. Quanto ao modo de vida, a maioria
é sapróbio sobre material em decomposição, outros são parasitos de plantas e animais
(aproximadamente 150 sp. são patogênicas para humanos e animais). A simbiose também é
verificada como coevolução entre fungos e plantas (micorrizas) e algas (líquenes). Com o
metabolismo aeróbio crescem com facilidade sobre meios à base de batata ou carboidratos.
As leveduras são aeróbias facultativas e promovem a fermentação, sendo de larga aplicação
na indústria alimentícia. Os fungos são imóveis, exceto algumas estruturas reprodutivas
(esporos do filo Chytridiomycota) flageladas. Os esporos são estruturas reprodutivas geradas
por meiose (sexual) e mitose (assexual).
Classificação
No organograma abaixo está resumido o estudo da sistemática de fungos. Nos
primórdios da ciência, Linnaeus classificou os fungos como plantas. Posteriormente, foram
criados reinos que melhor representasse os fungos. Pela última classificação adotada, os
fungos pertencem ao reino Fungi e algumas subdivisões passaram a pertencer a outros
reinos, conforme mostra o esquema.
Divisão Zygomycota
Inclui fungos de micélio cenocítico, ainda queseptos possam separar estruturas como
os esporângios. A reprodução pode ser sexuada, pela formação de zigosporos e assexuada
com a produção de esporos, os esporangiosporos, no interior dos esporangios.
Divisão Ascomycota
Agrupa fungos de hifas septadas, sendo o septo incompleto, com os típicos corpos de
Woronin. A sua principal característica é o asco, estrutura em forma de saco ou bolsa, no
interior do qual são produzidos os ascosporos, esporos sexuados, com forma, número e cor
variáveis para cada espécie.
Algumas espécies produzem ascocarpos e ascostromas no interior dos quais se
formam os ascos Conídios, propágulos assexuados. são também encontrados.
Divisão Basidiomycota
Compreendem fungos de hifas septadas, que se caracterizam pela produção de
esporos sexuados, os basidiosporos, típicos de cada espécie. Conídios ou propágulos
assexuados podem ser encontrados. A espécie patogênica mais importante se enquadra na
classe Teliomycetes.
134
Divisão Deuteromycota
Engloba fungos de hifas septadas que se multiplicam apenas por conídios e
por isso são conhecidos como Fungos Imperfeitos.
Importância dos fungos
Por serem decompositores; a maioria está envolvida no processo de reciclagem de
nutrientes, úteis para os demais organismos, a partir de detritos orgânicos. É um dos
microrganismos mais importantes no processo de compostagem. Na alimentação são fontes
de proteína, vitaminas, aminoácidos (cogumelos comestíveis: champignon, shiitake, shimeji,
Morchella, Lactarius etc.). Utilizados na indústria como fermentos na produção de pão, vinho,
álcool (Saccharomyces), shoio (Aspergillus), queijos (Penicillium). O gênero Giberella produz
o hormônio de crescimento ácido giberélico, que promove a proliferação de tecidos jovens
nas plantas. Outra aplicação benéfica são os antibióticos (penicilina, cefalosporina etc.)
produzidos por fungos e que são utilizados no tratamento de doenças. Poucos fungos são
capazes de causar doenças, conhecidas como micoses.
Os fungos são menos frequentes na microbiota humana e animal. Portanto, as
doenças de natureza fúngica são menos comuns, o que não ocorre com as plantas. Alguns
cogumelos também são tóxicos e outros fungos também podem produzir micotoxinas em
alimentos, causando intoxicação alimentar. Algumas espécies de fungos são de grande
utilização no controle biológico, conhecidos como fungos entomopatogênicos. Devido a sua
característica heterotrófica, são frequentes os casos de deterioração de alimentos,
equipamentos, roupas e outros materiais, especialmente contendo material orgânico e
umidade à temperatura ambiente. As espécies macroscópicas (cogumelos) albergam outras
espécies, sendo um fator importante na cadeia alimentar.
Morfologia
a) Fungo leveduriforme: unicelular, com células esféricas, blastósporos, pseudo-hifas
e clamidósporos.
b) Fungo filamentoso: multicelular, constituído por estrutura vegetativa (hifas). O
conjunto de hifas forma o micélio. O micélio cresce de forma radial e horizontal, absorvendo
nutrientes a partir do contato e ação enzimática sobre o substrato. As hifas têm crescimento
indefinido enquanto houver nutrientes disponíveis. As hifas são cilíndricas, incolores (hialinas)
ou levemente escuras (demácias). Os fungos filamentosos são divididos em cenocíticos - hifa
não septada - e apocíticos - hifa septada.
135
Ao conjunto de hifas, dá-se o nome de micélio. O micélio que se
desenvolve no interior do substrato, funcionando também como elemento
de sustentação e de absorção de nutrientes, é chamado de micélio
vegetativo. O micélio que se projeta na superfície e cresce acima do meio
de cultivo é o micélio aéreo. Quando o micélio aéreo se diferencia para sustentar os corpos
de frutificação ou propágulos, constitui o micélio reprodutivo.
Os propágulos ou órgãos de disseminação dos fungos são classificados,
segundo sua origem, em externos e internos, sexuados e assexuados.
Embora o micélio vegetativo não tenha especificamente funções de
reprodução, alguns fragmentos de hifa podem se desprender do micélio
vegetativo e cumprir funções de propagação, uma vez que as células
fúngicas são autônomas. Estes elementos são denominados de taloconídios e compreendem
os: blastoconídios, artroconídios e clamidoconídios.
Os blastoconídios, também denominados gêmulas, são comuns nas
leveduras e se derivam por brotamento da célula-mãe. Às vezes, os
blastoconídios permanecem ligados à célula-mãe, formando cadeias, as
pseudo-hifas, cujo conjunto é o pseudomicélio.
Os artroconídios são formados por fragmentação das hifas em segmentos
retangulares. São encontrados nos fungos do gênero Geotrichum,
em Coccidioides immitis e em dermatófitos.
Os clamidoconídios têm função de resistência, semelhante a dos esporos
bacterianos. São células, geralmente arredondadas, de volume aumentado,
com paredes duplas e espessas, nas quis se concentra o citoplasma. Sua
localização no micélio pode ser apical ou intercalar. Formam-se em
condições ambientais adversas, como escassez de nutrientes, de água e
temperaturas não favoráveis ao desenvolvimento fúngico.
136
Entre outras estruturas de resistência devem ser mencionados os esclerócios
ou esclerotos, que são corpúsculos duros e parenquimatosos, formados pelo
conjunto de hifas e que permanecem em estado de dormência, até o
aparecimento de condições adequadas para sua germinação. São encontrados em espécies
de fungos das Divisões Ascomycota, Basidiomycota e Deuteromycota.
Reprodução
Os fungos se reproduzem em ciclos assexuais, sexuais e parassexuais. Segundo
Alexoupolos, a reprodução assexuada abrange quatro modalidades:
1) fragmentação de artroconídios;
2) fissão de células somáticas;
3) brotamento ou gemulação do blastoconídios-mãe;
4) produção de conídios.
Os conídios representam o modo mais comum de reprodução assexuada;
são produzidos pelas transformações do sistema vegetativo do próprio
micélio. As células que dão origem aos conídios são denominadas células
conidiogênicas.
Os conídios podem ser hialinos ou pigmenntados, geralmente escuros - os
feoconídios; apresentar formas diferentes— esféricos, fusiformes,
cilíndricos, piriformes etc; ter parede lisa ou rugosa; serem formados de
uma só célula ou terem septos em um ou dois planos; apresentar-se
isolados ou agrupados.
As hifas podem produzir ramificações, algumas em plano perpendicular ao micélio,
originando os conidióforos, a partir dos quais se formarão os
conídios. Normalmente, os conídios se originam no extremo do
conidióforo, que pode ser ramificado ou não. Outras vezes, o que não é
muito frequente, nascem em qualquer parte do micélio vegetativo, e neste
caso são chamados de conídios sésseis, como no Trichophyton rubrum.
O conidióforo e a célula conidiogênica podem formar estruturas bem
diferenciadas, peculiares, o aparelho de frutificação, também denominado
de conidiação que permite a identificação de alguns fungos patogênicos.
No aparelho de conidiação tipo aspergilo, os conídios formam cadeias
sobre fiálides, estruturas em forma de garrafa, em torno de uma vesícula
que é uma dilatação na extremidade do conidióforo.
Conídios de Aspergillus agrupados em forma de cabeça, ao redor de uma vesícula.
137
Nos penicílios falta a vesícula na extremidade dos conidióforos que se
ramificam dando a aparência de pincel. Como no aspergilo, os conídios
formam cadeias que se distribuem sobre as fiálides.
Quando um fungo filamentoso forma conídios de tamanhos diferentes, o
maior será designado como macroconídio e o menor microconídio.
Alguns fungos formam um corpo de frutificação piriforme denominado
picnídio, dentro do qual se desenvolvem os conidióforos, com seus
conídios - os picnidioconidios. Essa estrutura é encontrada na Pyrenochaeta romeroi, agente
de eumicetoma.
Corte transversal de umpicnídio mostrando conídios.
Os propágulos assexuados internos se originam de esporângios globosos,
por um processo de clivagem de seu citoplasma, e são conhecidos como
esporoangiósporos ou esporos. Pela ruptura do esporângio, os esporos são
liberados.
Os esporos sexuados se originam da fusão de estruturas diferenciadas com
caráter de sexualidade. O núcleo haplóide de uma célula doadora funde-se
com o núcleo haplóide de uma célula receptora, formando um zigoto.
Posteriormente, por divisão meiótica, originam-se quatro ou oito núcleos
haplóides, alguns dos quais se recombinarão, geneticamente.
138
Reprodução sexuada.
Os esporos sexuados internos são chamados ascosporos e se
formam no interior de estruturas em forma de saco, denominadas ascos. Os
ascos podem ser simples, como em leveduras dos
gêneros Saccharomyces e Hansenula, ou se distribuir em lóculos ou
cavidades do micélio, dentro de um estroma, o ascostroma ou ainda ester
contidos em corpos de frutificação, os ascocarpos.
Três tipos de ascocarpos são bem conhecidos: cleistotécio, peritécio
e apotécio.
O cleistotécio é uma estrutura globosa, fechada, de parede formada
por hifas muito unidas, com um número indeterminado de ascos, contendo
cada um oito ascosporos.
O peritécio é uma estrutura geralmente piriforme, dentro da qual os
ascos nascem de uma camada hemenical e se dispõem em paliçada,
exemplo, Leptosphaeria senegalensis, Neotestudina rosatii.
O apotécio é um ascocarpo aberto, em forma de cálice onde se
localizam os ascos.
Os fungos que se reproduzem por ascosporos ou basidiosporos são fungos
perfeitos. As formas sexuadas são esporádicas e contribuem, através da
recombinação genética, para o aperfeiçoamento da espécie. Em geral, estes
fungos produzem também estruturas assexuadas, os conídios que
asseguram sue disseminação. Muitos fungos, nos quais não foi até agora
reconhecida a forma sexuada de reprodução, são incluídos entre os fungos
imperfeitos. Quando é descrita a forma perfeita de um fungo, essa recebe
outra denominação. Por exemplo, o fungo leveduriforme, Cryptococcus neoformans, em sue
fase perfeita é denominado Filobasidiella neoformans. A fase sexuada dos fungos é
denominada te teleomórfica e a fase assexuada de anamórfica.
A maior parte das leveduras se reproduz assexuadamente por brotamento ou
gemulação e por fissão binária. No processo de brotamento, a célula-mãe origina um broto, o
blastoconídio que cresce, recebe um núcleo após a divisão do núcleoda célula-mãe. Na fissão
binária, a célulamãe se divide em duas células de tamanhos iguais, de forma semelhante a
que ocorre com as bactérias. No seu ciclo evolutivo, algumas leveduras, como
Saccharomyces cerevisiae, podem originar esporos sexuados,
ascosporos, depois que duas células experimentam fusão celular e nuclear,
seguida de meiose.
O fenômeno de parassexualidade foi demonstrado em Aspergillus. Consiste na fusão
de hifas e formação de um heterocarion que contém núcleos
haplóides. Às vezes, estes núcleos se fundem e originam núcleos diplóides,
139
heterozigóticos, cujos cromossomas homólogos sofrem recombinação
durante a mitose. Apesar destes recombinantes serem raros, o ciclo
parassexual é importante na evolução de alguns fungos.
Fungos fitopatogênicos
As doenças de plantas são causadas por fungos, bactérias, vírus e outros patógenos.
Dentre eles os fungos são mais frequentes. Os fungos fitopatogênicos geralmente são
habitantes comuns no solo ou podem ser transmitidos por vetores, vento ou chuva. São
parasitos facultativos e outros são obrigatórios (ferrugens, míldio). A patogenicidade dos
fungos sobre as plantas é similar à verificada nas micoses em humanos, ou seja, pela ação
de componentes estruturais, produção de enzimas e toxinas. As plantas doentes mostram
sintomas, como amarelecimento, manchas, necrose, podridão, murcha, nanismo,
superbrotamento, crestamento, mosaico, queda de inflorescência, diminuição na
produtividade, morte da planta etc.
Qualquer parte da planta pode ser afetada, desde as raízes aos frutos. As doenças
fúngicas podem ser localizadas em órgãos ou sistêmica. Sintomas primários: resultantes da
ação direta do patógeno sobre os tecidos do órgão afetado (Ex.: manchas foliares e podridões
de frutos). Sintomas secundários ou reflexos: exibidos pela planta em órgãos distantes do
local de ação do patógeno (Ex.: murchas vasculares e subdesenvolvimento da planta). Os
patógenos de plantas tanto podem causar danos durante o cultivo, como também pós-
colheita. As perdas variam, dependendo da doença e da severidade desta. Algumas causam
perdas de 100%.
O manejo agrícola, o sistema de cultivo, as condições ambientais e outros fatores
podem favorecer o surgimento de patógenos. Microrganismos comuns podem se tornar
patógenos na dependência desses fatores. Algumas doenças podem ocorrer em várias
culturas, outras podem ocorrer com maior especificidade. Os parasitos obrigatórios
desenvolvem uma relação parasito/hospedeiro de maior especificidade, algumas em nível de
raça.
Principais doenças causadas por fungos parasitos facultativos:
• Podridão da raiz: causa damping off, (murcha);
• Doenças vasculares: desenvolve-se no xilema, causa murcha por parasitos
facultativos;
• Manchas foliares: interfere na fotossíntese, destruição de tecidos, necrose, queima,
crestamento etc.
Principais doenças causadas por fungos parasitos obrigatórios:
• Mildios: família Peronosporaceae, ocorre em folhas, flores e frutos, afetam a
fotossíntese, crescimento, elevado grau de parasitismo (especificidade patógeno/hospedeiro);
140
• Oídios: parasitos obrigatórios. Formação de massa esbranquiçada (forma de pó) que
recobre a área afetada;
• Ferrugens: Uredinales, obrigatórios. Pústulas ferrugíneas, amareladas ou marrons.
Macrocíclicas ou heteróicas (cinco fases em mais de um hospedeiro), microcíclica ou autóicas
(único hospedeiro);
• Carvões: camada em forma de pó de coloração negra (esporos).
As perdas econômicas podem ser severas, dependendo de uma série de fatores, tanto
relacionados ao patógeno, hospedeiro e o ambiente como da interação desses três fatores.
Atividades de fixação
1. Muitas pessoas, ao avistarem um fungo em uma mata, pensam que aquela estrutura é um
vegetal. Apesar da semelhança física, essas estruturas diferenciam-se das plantas por:
a) Serem organismos eucariontes.
b) Serem organismos procariontes.
c) Serem organismos autotróficos.
d) Serem organismos heterotróficos.
2. Os fungos são organismos importantes na cadeia alimentar, pois, juntamente a bactérias,
são responsáveis pelo processo de decomposição. Essas espécies nutrem-se de matéria
orgânica morta, sendo chamadas de:
a) sapróbias.
b) parasitas.
c) autotróficas.
d) patogênicas.
3. O corpo de um fungo multicelular é formado por filamentos que recebem o nome de (1). O
conjunto desses filamentos forma o (2), que constitui o corpo do fungo, entretanto essa
estrutura não é considerada um tecido verdadeiro.
Marque a alternativa que indica corretamente os nomes indicadas pelos números 1 e 2.
141
a) 1- hifas; 2- micélio.
b) 1- micélio; 2- hifas.
c) 1- corpo de frutificação; 2- hifas.
d) 1- micélio; 2- corpo de frutificação.
4. Por que algumas espécies de fungos fitopatogênicos podem apresentar dois tipos de
nomes? Cite uma doença e o agente causal?
5. Quais os principais sintomas nas plantas causados por bactérias?
11.4 Vírus
Os vírus são seres visíveis apenas ao microscópio eletrônico, constituídos apenas por
duas classes de substâncias químicas: ácido nucléico (DNA ou RNA) e proteína. São seres
acelulares que precisam de células para se replicar, sendo todos os vírus parasitos
intracelulares obrigatórios. O vírus infecta uma célula e direciona o metabolismo celular em
seu benefício, visando a replicação.A infecção viral geralmente causa profundas alterações
no metabolismo celular, podendo levar à morte das células afetadas.
Os vírus causam doenças em plantas e animais, incluindo o homem. Fora da célula
hospedeira, os vírus não manifestam nenhuma atividade vital e se houver alguma célula
compatível à sua disposição, um único vírus é capaz de originar, em cerca de 20 minutos ou
mais, centenas de novos vírus. Até o momento, poucas drogas se mostraram eficazes em
destruir os vírus sem causar efeitos colaterais. A melhor maneira de combater as doenças
virais é através de vacinas. Devido a sua característica de disseminação e replicativa, as
doenças virais tomam proporções alarmantes, atingindo populações consideráveis. Algumas
doenças virais são fatais, sendo as síndromes infecciosas mais temidas pelos programas de
vigilância sanitária, a exemplo do vírus HIV, hepatite B, Ebola etc.
Os vírus apresentam dimensões variáveis, medidas em nanômetro, visíveis apenas na
microscopia eletrônica. Os menores vírus medem 20nm a exemplo do Picornavírus e os
maiores 300nm (Poxvírus). Devido à constituição simétrica dos vírus, as formas apresentadas
são helicoidais (bastão) a icosaédricas (esferas). Exemplo de vírus helicoidal: vírus do
mosaico do tabaco. Algumas espécies complexas de viroses apresentam combinações de
ambas as formas, sendo denominados de bacteriófagos por infectarem bactérias.
142
Componentes virais
O vírus é constituído por um genoma DNA ou RNA, revestida por um capsídeo de
natureza protéica, denominando-se o conjunto de nucleocapsídeo. Alguns vírus podem
apresentar um envelope composto por lipídeo, proteína e glicoproteínas, formando um
conjunto denominado de vírion. Sendo assim, existem DNA vírus e RNA vírus. Os vírus que
infectam plantas são quase todos de RNA. O capsídeo O envelope protege o vírus contra o
sistema imunológio e auxilia na infecção, pois os componentes do envelope são proteínas de
fixação às células do hospedeiro. Os vírus são agrupados conforme a fita de material genético
em:
• DNA vírus de fita simples e de fita dupla
• RNA vírus de fita simples e de fita dupla (retrovírus).
Replicação viral
Os vírus identificam células alvo e replicam-se nestas, com mecanismos diferentes,
mas de acordo com o tipo de virose, certos princípios são similares. Como a partícula viral é
incapaz de realizar metabolismo, utiliza-se da célula do hospedeiro para sintetizar proteínas.
Reconhecimento e fixação a célula do hospedeiro
Os vírus podem ser transmitidos de várias formas, destacando-se pelo processo de
inalação (causadores de doenças respiratórias: Adenovírus, Rhinovírus, Coronavírus),
ingestão (causadores de doenças gastrintestinais: Picornavírus, Reovírus) e contato de
mucosa ou de solução de continuidade (vírus sexualmente transmissíveis: Herpesvírus,
Retrovírus, Hepadnovírus). Outros vírus são transmitidos através de vetores, como mosquitos,
pulgas, carrapatos, percevejos, moscas, pulgões etc (denominadas de arboviroses por ser
transmitida por animais: Togavírus, Flavivírus, Rhabdovírus). Ao reconhecer a célula alvo, as
estruturas específicas do capsômero e as glicoproteínas ligam-se aos receptores na célula,
que são proteínas ou carboidratos. A aderência viral depende da interação entre receptores
específicos da superfície da célula hospedeira e proteínas de aderência (espículas) existentes
no cápsideo ou envelope.
Penetração
Os vírus sem revestimento penetram na célula do hospedeiro por endocitose,
enquanto os com envoltório também ocorrem por endocitose ou injeta apenas o material
genético no citoplasma da célula.
Desnudamento
No caso da penetração do vírus completo, ocorre o desenvelopamento, liberando o
material genético do capsídeo e do envelope, se presente. No desnudamento ocorre remoção
do capsídeo para expor o genoma viral. A maioria dos DNA vírus é liberado para o núcleo
143
(exceto o Poxvírus) e os de RNA permanece no citoplasma. O desnudamento ocorre de várias
maneiras: O capsídeo se funde com a membrana celular, liberando o genoma viral;
• Desintegração do capsídeo (Picornavírus);
• O nucleocapsídeo do herpesvírus rompe a membrana nuclear e libera o genoma
diretamente no local de replicação;
• O Reovírus e Poxvírus são apenas parcialmente desnudados antes da replicação.
As doenças virais em plantas
O primeiro vírus conhecido no mundo foi o causador do mosaico do tabaco. As plantas
infectadas por vírus apresentam diversos sintomas, desde os sintomas localizados aos
sistêmicos. Entre os vírus que infectam plantas predominam o tipo RNA. As viroses são mais
comuns entre as plantas cultivadas, levando a perda econômica significativa.
Após a planta ser infectada, os vírus são disseminados célula a célula (via
plasmodesmas) ou vascular (floema: descendente; xilema: ascendente). Já a transmissão do
vírus para as plantas adjacentes pode ocorrer por:
• Solução de continuidade, entre as plantas que crescem muito próximas através do
atrito entre a parte aérea;
• Através da propagação vegetativa, utilizando-se partes de uma planta infectada ou
unindo se tecidos infectados com sadios (enxertia);
• Através de sementes procedentes de plantas doentes, onde o vírus permanece no
tegumento ou no embrião;
• Através da polinização; Através de ácaros, nematóides e fungos como vetores;
• Através de insetos, como os pulgões, cigarrinhas, moscas, cochonilhas, percevejos,
besouros, tripés, gafanhotos.
A transmissão de vírus por vetores é a mais comum. Ocorre de três formas:
• Transmissão não persistente: não há período de incubação no vetor; perde após
curto período de infecção, pois o vírus localiza-se na epiderme, parênquima e superfície (Ex.
Mosaico da beterraba); Semi-persistente: o vírus multiplica-se no vetor, mas não há
circulação, eliminando a carga viral com a ecdise (Ex. vírus da tristeza do citros);
• Persistente: há maior especificidade vírus-vetor, onde este se propaga e circula no
vetor, não se perde com a ecdise. O vírus circula na hemolinfa e permanece na progênie. (Ex.
Vírus da nervura amarela). Os sintomas sistêmicos são clorose, mosaico, nanismo,
superbrotamento, palidez da nervura, espessamento da folha, murcha, maturação precoce,
esterilidade, menor rendimento, má qualidade do produto. Já os sintomas localizados são
locais clorose, necrose.
11.5 Nematóides
Nematóides são animais do Sub-Reino Metazoa e Filo Nemata. Possuem simetria
bilateral e são pseudocelomados, isto é, a cavidade geral do organismo onde se alojam todos
os órgãos não é revestida por um tecido especializado. A palavra nematóide vem do grego e
significa "em forma de fio". Nematóide é o nome utilizado para os helmintos parasitas de
plantas.
Os nematóides constituem um diverso grupo dos invertebrados, abundantes
como parasitas ou na forma de vida livre no solo, em ambientes aquáticos
ou marinhos. Segundo Barker (1998), existe mais de 15.000 espécies
descritas, representando somente uma pequena porção dentro do filo
Nematoda. Cerca de 26% dos gêneros descritos habitam o solo sob
144
diferentes grupos funcionais, bacterívoros, fungívoros, onívoros,
predadores ou fitoparasitas. A umidade do solo, a umidade relativa e os
fatores ambientais afetam diretamente a sobrevivência dos nematóides. Os
nematóides possuem variadas formas de adaptação a mudanças que
ocorrem no ambiente causadas por diversos fatores, entre os quais o
manejo dos cultivos, estresse climático, época de plantio, fisiologia das
plantas e melhoramento genético (BLAKELY et al. 2002).
A importância dos nematóides para a agricultura não se restringe apenas às
perdas que alguns deles causam na produção agrícola. Os nematóides de
vida livre, que se alimentam de bactérias e fungos, têm um papel
importantíssimo na decomposição de matéria orgânica, essencial para a
melhoria das condições edáficase, por conseqüência, da produtividade das
culturas. Nematóides parasitas de insetos também apresentam importante
função controladora de pragas agrícolas.
Morfologia e anatomia
Os fitonematoides são organismos alongados, não-segmentados,
geralmente de tamanho microscópico, de organização bastante complexa e
que se alimentam em células vegetais vivas. Machos e fêmeas são, em
geral, morfologicamente semelhante, exceto pelos órgãos de reprodução,·porém há casos em
que as fêmeas se avolumam enormemente, como nos
gêneros Meloidogyge, Heterodera e Tylenchulus. O comprimento está na
faixa de 0,3 a 3,0 mm e o diâmentro, de 15 a 50 micrometros. O corpo é formado por uma
parede externa que delimita uma cavidade interna, cheia
de um fluido sob pressão, onde estão imersos os diversos órgãos (esôfago,
intestino, ovário ou testículo).
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Diagrama ilustrando a morfologia da fêmea e da cauda de um macho de
nematoide fitoparasita típico. (de thihode, 1989)
Parede do corpo – é formada por uma cutícula, hipoderme e células musculares.
Pseudoceloma – É preenchido pelo fluido pseudocelômico, altamente complexo em
sua natureza, e que se encontra sobre pressão, formando como que um esqueleto
hidrostático. Tecidos fibrosos e grandes células (pseudocelomócitos ) estão presentes.
Aparelho digestivo – a abertura oral é rodeada por lábios, geralmente 6 ou menos. A
cavidade bucal em fitonematoide é estilete. Este órgão é alongado e oco, com função de
perfurar células e retirar nutrientes de plantas. O mais comum possui parte Antero cônica e
uma haste cilíndrica que termina em três nódulos basais, onde se prendem músculos que
permitem sua livre movimentação.
Esôfago - órgão de bombeamento muscular e glandular.
Procorpo – região anterior e alongada do esôfago, que liga a cavidade bucal ou
estilete ao metacorpo.
Metacorpo ou bulbo mediano – estrutura esferoidal, muscular, que funciona à
semelhança de uma bomba de sucção e compreensão. Por meio de pulsação muito rápida,
permite a injeção na planta de substâncias produzidas pelo nematóide e a retirada dos
alimentos para o se sustento.
Ilmo – região delgada e curta do esôfago.
Bulbo basal – porção terminal, onde estão alojadas três glândulas, uma dorsal e duas
subventrais. O reto é um tubo curto e delgado, que conecta o intestino ao ânus, no caso das
fêmeas, ou à cloaca nos machos.
Regiões anteriores de nematóide. – nematóide para sita de planta, com estilete
estomastostílio e esôfago de três partes. (de thihod 1989)
Aparelho respiratório e circulatório - O aparelho respiratório não ex iste, as
trocas gasosas são realizadas através da cutícula. Parte das funções de um
sistema circulatório é executada, nos nematóides, pelo fluido
pseudocelômico.
Sistema excretor – há dois tipos, glandular e o tubular, do tipo glandular,
primitivo. Isto é, uma glândula, ou célula “renete” desemboca em um corpo
lateral situado à superfície do nematóide. O sistema tubular é formado por
tubos cegos, que se estende no sentido do comprimento do nematóide e
146
se abrem no poro excretor. Sistema nervoso – constituído por uma região central, o anel
nervoso, que fica ao redor do istmo do esôfago, e por ramificações nervosas que daí
partem para as diversas partes do corpo.
Órgãos sensoriais ligados a este sistema:
As fibras nervosas podem penetrar através da cutícula, sendo modificadas
em órgãos sensoriais especializados, existentes principalmente no fim das regiões anterior e
posterior. Os principais órgãos sensoriais são:
1. Papilas labiais - em torno da abertura oral dos nematóides. Função táctil.
2. Papilas genitais - órgãos suplementares dos machos. Podem estar nas
cutículaS ou nas asas causais e tem função táctil e provavelmente auxiliam
durante a cópula.
3. Deirídios - são pares de papilas, localizados lateralmente nas
proximidades do anel nervoso. Função táctil.
4. Anfídios - pares de órgãos localizados na região cefálica.
5. Fasmídios - pares de órgãos sensoriais lateriais, presentes na região
posterior de muitos Secernentea. Função quimioreceptora.
Sistema reprodutivo – na maioria das espécies de nematóide, os sexos são
separados e as fêmeas são facilmente distinguíveis dos machos, quando se
observa ao microscópio. Além das caracterizas genitas óbvias ( presença de
vulva nas fêmeas e espícula nos machos, por exemplo),os machos são
geralmente menores do que as fêmeas.
Sistema reprodutivo de fitonematódes. A – macho; B – fêmea.
147
Cauda de nematóide macho
Nematóide fêmea
Ciclo de vida
O ciclo de vida começa com o ovo, no qual se forma um nematóide juvenil,
forma jovem que não apresenta sistema reprodutivo maduro. O primeiro
juvenil que aparece no ovo é fruto do desenvolvimento do embrião e é
chamado de juvenil de 1º estádio, ou J1. Esse juvenil cresce e sua cutícula é
substituída por uma cutícula maior, que permitirá a continuidade de crescimento do corpo.
Esta troca de cutícula recebe o nome de ecdise. A parte cônica do estilete também e
substituída na ecdise. Após a 1ª ecdise, forma-se o juvenil de 2º estádio (J2), que com ajuda
do estilete, perfura a casca do ovo e eclode. Eclosão é o termo usado para a saída do juvenil
de dentro do ovo. Eclodir significa vir à luz, por tanto é o
juvenil que eclode, e não o ovo.
O juveil de 2º estádio se locomove no solo em busca de uma planta hospedeira para
infectá-la. Do 2º estádio, o nematóide ainda passa por mais três ecdises, resultando nos
juvenis de 3º e 4º estádios e, finalmente, nos adultos(machos e fêmeas). Em alguns
nematóides, como no Pratylenchulus spp., sd ecdices ocorrem no solo e
todos os estádio juvenis e os adultos, machos e fêmeas, podem migrar
livres no solo, penetrar as raízes e migrar dentro delas, se alimentando e
causando lesões.
A duração do ciclo de vida dos nematóides, de ovo a ovo,
é muito variavel, mas, para a maioria dos fitonematoides, é de 2-4 semanas,
dependendo da temperatura, como é apresentado:
148
Modo de reprodução
Os nematóides fitoparasitas podem se reproduzir por fertilização cruzada
(anfiximia) ou partenogênese. Em um grande numero de espécies os
machos são comus, em número igual ou menor do que o de fêmeas. È
comum o caso de machos serem raros ou mesmo inexistentes, e então a
reprodução se processa por partenogênese onde , não ocorre a fertilização
dos óvulos. Tanto a patenogenese quanto a anfiximixia podem ocorrer
dentro de um mesmo gênero de nematóides, como em pratylenchus e
Helicotylenchus. Em Radopholus similis a anfimixia predomina, mas
populações partenogenéticas são eventualmente predomina observadas.
O número de ovos produzidos varia com a espécie e as condições
ambientais. As fêmeas de Meloidogyne, por exemplo, produzem uma
média de 500 ovos produzidos por espécies ectoparasiticas que depositam
os ovos.
Alimentação
Os fitonematoides dependem do tecido de plantas para seu crescimento,
desenvolvimento e reprodução, sendo considerados, portanto, como
parasitas obrigatórios. Esta associação obrigatória com as plantas evoluiu
com adaptações do sistema digestivo do nematóide, incluindo o
desenvolvimento de o estilete e um crescimento de mudanças fisiológicas
das glândulas esofagianas.
Tipos de parasitismo
Ectoparasitas- apenas o estilete é introduzido nos tecidos da planta, ficando o
nematóide com o corpo do lado de fora.
Endoparasitas- são capazes de introduzir todo o corpo nos órgãos parasitados.
Semi-endoparasitas- penetram parcialmente a planta.
Dormência
Os fitonematoides são parasitas obrigatórios, por isso, na ausência de
plantas hospedeiras, começa a haver um declínio da população. O mesmo
acontece quando as condições ambientais lhes são desfavoráveis. Contudo,
149
muitas espécies são capazes de prolongar a vida por um longo período,
através do fenômeno da dormência.Ecologia
Os Fitonematoides passam pelo menos parte de sua vida no solo, no
entanto algumas características dos solos são importantes na sobrevivência
dos nematóides, como:
Temperatura – faixa ótima vai de 15 a 30ºC; inativos em temperaturas de 5 a 15º C e
de 30 a 40º C. Abaixo ou acima desses limites , as temperaturas podem ser letais,
dependendo do tempo de exposição deles.
Umidade – solos secos ou saturados são sempre desfavoráveis. Eles vivem
no filme de água que envolve as partículas de solo. Admite-se que os
nematóides se encontram numa faixa de 40% a 60% da capacidade de
campo.
Textura – solos muitos argilosos dificultam a movimentação dos
nematóides e também encharcam mais facilmente; solos arenosos, são bem
drenados, mais por isso, tem grandes oscilações no teor médio de umidade. Observações no
campo tem mostrado, contudo, que os prejuízos são maiores em culturas estabelecidas em
solos mais arenosos.
Ação sobre as plantas hospedeiras
Os nematóides podem apresentar diferentes modos de ação sobre as plantas
hospedeiras, principalmente:
Traumática: provocada pelas injúrias mecânicas decorrentes do movimento do
nematóide no tecido da planta. É causada principalmente pelos endoparasitas migradores.
Espoliadora: provocada pelo desvio de nutrientes essenciais da planta para o
nematóide.
Tóxica: provocada por toxinas ou enzimas secretadas pelo nematóide e que são
prejudiciais à planta. Estas substâncias são produzidas pelas glândulas esofagianas ou
salivares.
Sintomas
Como resultado da ação dos nematoides sobre a planta, temos os sintomas no campo
e na planta.
a) Sintomas no campo
- Tamanho desigual das plantas
- Murcha nas horas mais quentes do dia
- Folhas e frutos de menor tamanho
- Declínio vagaroso
- Nanismo ou entouceramento
- Exibição exagerada de deficiências nutricionais
- Redução de produção.
b) Sintomas nas plantas
- Sistema radicular denso, com formação excessiva de raízes laterais ou sistema
radicular deficiente e pobre
- Galhas nas raízes, tubérculos, bulbos, ou qualquer outra parte da planta em contato
com o solo
- Raízes em formas de dedos
- Descolamento e quebra do córtex radicular
150
- Rachaduras nas raízes
- Paralisação do crescimento, raízes amputadas, ou morte das pontas das raízes
- Necroses em órgãos aéreos e subterrâneos
- Manchas escuras em folhas
- Podridões
- Formação de sementes anormais
- Anel vermelho
- Formação de células gigantes, hiperplasia e hipertrofia (sintomas histológicos).
Disseminacao
Os nematóides podem ser disseminados principalmente:
- Pelos seus próprios meios (movimentos lentos)
- Pelo homem, no transporte de material propagativo infectado (sementes, mudas,
tubérculos, etc.).
- Por implementos agrícolas contendo solo infestado
- Por animais domésticos
- Por insetos
- Por água de irrigação e infiltração
Principais famílias, gêneros, espécies e doenças causadas por fitonematóides.
Problemas com Nematoide
Na cultura da banana
Radopholus similis essa é a espécie mais importante para a cultura. Foi
descoberta no Brasil em 1959 pelo Dr. Jair Carvalho do Instituto Biológico
(Carvalho, 1959) a partir de mudas oriundas do litoral de São Paulo. Mais
de 40 anos após esse relato, ainda há ampla disseminação do parasito para
outras regiões produtoras. É um nematóide endoparasito migrador, ou seja,
penetra nas raízes da bananeira e migra pelos tecidos radiculares, podendo
chegar até o rizoma. O ato de migrar internamente nas raízes ocasiona a
desintegração dos tecidos, formando cavidades. Daí o nome comum do
151
nematóide. Os tecidos necrosados, inicialmente de coloração parda e, após
a colonização de fungos: enegrecidos, podem coalescer originando extensas
necroses. Essa destruição do sistema radicular favorece o tombamento das
plantas sob ventos fortes ou pelo peso do cacho.
Esses são sintomas indicativos do ataque dessa espécie. Com a
evolução desse processo, o parasito pode voltar ao solo a procura de novas
plantas hospedeiras ou permanecer em pedaços de rizoma no campo. Sem alimento ele pode
sobreviver pouco menos do que seis meses com reservas
de seu próprio organismo. À temperatura de 24 º C, o ciclo biológico se
completa em 21 dias. Pode haver variação nesse período em decorrência de
fatores ligados às plantas hospedeiras ou ao meio.
Na cultura dos Citros
Geralmente as plantas atacadas por Tylenchulus semipenetrans apresentam
redução do vigor e pouca resistência à seca. As raízes infectadas apresentam-se ligeiramente
engrossadas e com aspecto sujo. A
suscetibilidade do porta-enxerto, densidade populacional, idade e sanidade
das plantas são importantes para determinar as perdas causadas por T.
semipenetrans.
A apresentação de sintomas na parte aérea geralmente só
ocorre muito tardiamente e está relacionada com a população de
nematóides presentes nas raízes. Dependendo das condições locais, plantas
infectadas podem suportar mais que 1500 fêmeas por grama de raízes
frescas, sem exibir sintoma severo de declínio. Geralmente, as plantas
infectadas apresentam redução no tamanho das folhas, 10 % menores que
folhas normais, massa radicular reduzida em, pelo menos, 30% e, redução
de 20% na produção. Tylenchulus semipenetrans pode sobreviver no solo na ausência de
hospedeiro por um período de nove anos, e pode sobreviver
a condições de temperatura elevada, como 45°C durante algumas horas.
Na cultura do coco
Anel Vermelho do Coqueiro: esta doença provoca a morte da planta em
apenas poucos meses. Geralmente, os coqueiros de 3 a 7 anos são os mais
suscetíveis e morrem 3 a 4 meses após o aparecimento dos sintomas. As
perdas têm sido calculadas entre 20 a 98% em vários países da América
Central.
152
A doença foi observada pela primeira vez em Trinidad, em 1905. O
nematóide tem como vetor o besouro Rhynchophorus palmarum e
possivelmente outro besouro, Dynamis borassi, também lhe serve de
vetor.
O anel vermelho do coqueiro tem sido registrado no Neotrópico, a partir do
México, passando pela América Central, até América do Sul e área do
Caribe. No Brasil, a doença está presente nos estados de Alagoas, Bahia,
Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte,
São Paulo e Sergipe. Danos: Os sintomas típicos da doença são a queda prematura dos
frutos, murcha das inflorescências, amarelecimento, bronzeado, morte progressiva
e queda das folhas, ficando o estipe nu e ereto durante muito tempo.
O amarelecimento dos folíolos começa pelo ápice e avança para o ráquis, o
qual sofre também seca descendente progressiva até a base do pecíolo. As
folhas debilitadas ou mortas quebram-se com freqüência próximo à base do
pecíolo, ficando penduradas no estipe. Os pecíolos sofrem descoloração
amarela a vermelho-amarronzado da base até aproximadamente uns 60 cm
em direção ao ápice.
Controle: Não há variedades ou cultivares de coco com algum tipo de
resistência a Bursaphelenchus cocophilus. Medidas fitossanitárias
direcionadas à redução das populações do besouro vetor e do número das
fontes de inóculo são os métodos mais usados nas tentativas de controle da
doença. Quando são observados os primeiros sintomas, as plantas devem
ser cortadas e destruídas pelo fogo ou cortadas em pequenos pedaços e
tratadas com inseticidas; o solo também deve ser tratado com cal para sua
desinfecção e deixado livre de vegetação por um tempo não determinado.
Na cultura do abacaxi
Dentre os nematoides que atacam a cultura do abacaxi no Brasil, destacam se
Meloidogyne incognita, Pratylenchus brachyurus e Rotylenchulus
reniformis. Nematóides causam perdas de até 45% da produção do abacaxi
e a média mundial está em 13,7%. As plantas atacadas apresentam
raquitismo, clorose, redução do sistema radicular e falta de resposta à
adubação. O controle químico e a rotaçãode culturas são os métodos mais
utilizados para o controle de nematóides.
Na cultura da goiaba
153
Atualmente o nematóide-das-galhas, Meloidogyne mayaguensis, é um dos
principais fatores limitantes à produção e à qualidade dos frutos da
goiabeira em várias partes do mundo. A constatação, em 2006, pela
primeira vez no Estado do Espírito Santo dessa espécie de nematóide em
pomares comerciais de goiabeiras da cv. Paluma traz grande preocupação à
sustentabilidade dessa cultura, uma vez que o nematóide compromete as
funções do sistema radicular (absorção e translocação), além da resposta
inadequada às práticas de adubação. Outro agravante da presença do
nematóide é a inexistência, até ao momento, de medidas eficazes de
controle, o que vem reduzindo a vida útil dos pomares infestados no País.
Essas características, aliadas ao amplo número de hospedeiros e
sua dispersão nacional, já presente em mais de oito estados, estão trazendo
uma grande preocupação aos técnicos e produtores envolvidos no
agronegócio goiaba.
Os sintomas geralmente observados nas plantas infectadas são o
bronzeamento das bordas das folhas, a coloração verde-pálida a amarelada
das folhas e a perda de vigor da copa com o desfolhamento e declínio da planta. Os frutos
perdem sua aparência superficial lisa e brilhante ficando
abaixo do padrão comercial. Solos altamente infestados levam a goiabeira à
morte.
Nematóide das galhas (Meloidogyne spp.)
Nematóides do gênero são tidos como os mais importantes porque têm uma
distribuição geográfica ampla, apresentam uma enorme gama de
hospedeiros e causam grandes danos às culturas.
Em 1855, Berkeley classificou o nematóide das galhas como sendo
Heterodera radicicola. Jebert, em 1877 no Rio de Janeiro, associou a
presença de galhas em raízes de cafeeiro (Coffea arabica L.) ao declínio da
cultura, e Göeldi em 1887, classificou o nematóide das galhas como sendo
M. exigua Göeldi. Esta foi a primeira vez que o nematóide das galhas foi
chamado de Meloidogyne, mas esse gênero não foi imediatamente aceito
pela comunidade científica (FREITAS; OLIVEIRA; FERRAZ, 2001). Em
1949, Chitwood fez uma revisão completa e classificou as quatro principais
espécies de Meloidogyne (M. incognita, M. javanica, M. arenaria, M.
hapla), separando-as pelas marcas cuticulares na região perineal. A partir daí, os nematóides
das galhas foram conhecidos mundialmente como gênero Meloidogyne. Desde então, mais
de 80 espécies desse gênero já foram descritas (MOURA, 2005b). Este nematóide é
encontrado nas mais importantes regiões do brasil, causando grandes perdas e chegando a
ser fator limitante de cultivo.
Principais sintomas - A doença causada pelas espécies de nematóides deste gênero
é dita "meloidoginose". Os sintomas na planta resultam de murcha nas horas mais quentes
do dia, declínio, queda de folhas e sintomas de deficiência mineral. Nas raízes, que se
desvitalizam e param de crescer, as galhas e rachaduras são visíveis.
Às vezes há formação de raízes laterais curtas, mas a formação das galhas, de
tamanhos variáveis, constitui-se no aspecto mais visível. As lavouras apresentam manchas
ovais, as reboleiras e as plantas apresentam-se raquíticas.
154
Ciclo de Vida
O ciclo de vida de Meloidogyne spp. começa com o ovo, cujo interior sofre
várias mudanças durante o desenvolvimento embrionário até culminar na
formação do juvenil do primeiro estádio, ou J1. O J1 sofre uma ecdise e se
torna J2 ainda dentro do ovo. O J2 perfura o ovo com o estilete, rompendo
a casca e segue um gradiente de concentração de exsudatos radiculares
(gradientes de pH e moléculas da superfície celular) que orienta o
movimento até chegar à raiz onde penetra na região da zona de
alongamento celular, logo atrás da coifa. Esta zona apresenta alto
metabolismo por estar em diferenciação celular e, portanto, produz bastante
exsudatos.
As células possuem pouca quitina, suberina e celulose
depositada em suas paredes e, por isso, são mais facilmente penetradas pelo
J2 que migra para o tecido vascular e inicia a alimentação introduzindo
substâncias nas células da planta, que irão alterá-las morfológica e
fisiologicamente. Neste instante, o J2 adquire uma forma alargada
tornando-se sedentário. Estas células especializadas da raiz, recebem o
nome de células gigantes (AGRIOS, 2005; FREITAS; OLIVEIRA;
FERRAZ, 2001).
As alterações causadas pelos nematóides não se restringem as células
gigantes, isto é, as células do córtex se multiplicam desordenadamente e a
raiz engrossa, formando um tumor que recebe o nome de galha. As
mudanças celulares resultam em aumento da concentração de aminoácidos,
proteínas, RNA e DNA nas células gigantes; em aumento de exsudatos
radiculares, minerais, lipídios, hormônio de crescimento, respiração e
transpiração, seguido por um decréscimo de açúcares e celulose. Com a
formação das células gigantes, ocorre também obstrução física dos vasos
condutores de água e minerais, o que resulta em sintomas de murcha
prematura e de deficiência de nutrientes, além do subdesenvolvimento da
planta. Em seguida, o J2 sofre três ecdises, passando a J3, J4 e forma adulta fêmea ou
macho.
Quando o macho é formado, ele readquire a forma
alongada, rompe a cutícula e abandona a raiz. O macho não se alimenta
mais e, na maioria das espécies de Meloidogyne, não tem papel na
reprodução, que é parternogenética. Quando a fêmea é formada, continua a
engrossar até ficar quase esférica, completa o amadurecimento e inicia a
postura de ovos em massa gelatinosa depositada do lado de fora do corpo.
155
Geralmente a massa de ovos fica na superfície da galha e contém cerca de
500 ovos. Os J2 eclodem e penetram na mesma raiz ou em raízes vizinhas.
A duração do ciclo de vida depende principalmente da temperatura
podendo variar de duas a quatro semanas (FREITAS; OLIVEIRA;
FERRAZ, 2001).
Métodos de controle de Fitonematóides
No controle de nematóides fitoparasitas podem ser utilizados diferentes estratégias,
dentre as quais, métodos culturais, biológicos, físicos e químicos.
a) Métodos Culturais
- Rotação de culturas
- Inundação de pequenas áreas
- Operações culturais como aração e gradagem
- Incorporação de matéria orgânica
- Época de plantio e colheita
- Variedades resistentes.
Dentre os métodos culturais existem alguns procedimentos mais específicos, como a
utilização de plantas atraentes (Brassica nigra), repelentes (Tagets sp. e Crotalaria
spectabilis) ou armadilhas (específicas para endoparasitas sedentários).
b) Métodos Biológicos
Controle de nematóides com organismos predadores, como outros nematóides,
bactérias, fungos, vírus e protozoários. Na prática, apenas alguns fungos têm evidenciado
resultados experimentais favoráveis. Ex.: Dactylella oviparasitica como parasita de ovos de
Meloidogyne sp.
c) Métodos Físicos
Esterilização do solo através de calor úmido e de partes da planta pela água aquecida.
d) Métodos Químicos
Uso de nematicidas que podem ser fumigantes ou sistêmicos.
Atividades de fixação
156
1) Quais são as características básicas dos vírus de plantas?
2) Qual a função do capsídeo viral?
3) Por que na maioria dos casos apesar de uma virose não levar à planta a morte, afeta
principalmente a produção da cultura?
4) Descreva os tipos de transmissão de vírus por vetores existentes na natureza. Cite um
exemplo de virose e vetor para cada tipo.
5) Qual o significado da palavra nematóide?
6) Quais partes da planta podem ser afetadas e quais as conseqüências do dano
ocasionado por fitonematóides?
7) Descreva o ciclo de vida de um fitonematóide?
8) Por que o gênero Meloidogyne é considerado um nematóide polífago e cosmopolita?
Qual tipo de sintoma esse gênero ocasiona em plantas afetadas?
9) Por que algumas doenças são favorecidas quando a planta sofre o ataque de
nematóides?Cite uma doença, o agente causal e o nematóide que contribui para a
sua ocorrência?
10) O que são reboleiras? Por que se recomenda a coleta de solo para análise de
nematóides das extremidades das reboleiras?
11) Por que na coleta de solo para análise de nematóides deve se realizar também uma
coleta de amostras de raízes?
12) Cite quatro medidas de manejo dos fitonematóides?
12 Controle de doenças
Sem o controle de doenças de plantas podem ocorrer enormes prejuízos. A maioria
dos problemas fitopatológicos decorre da seleção de variedades de plantas para atender às
exigências de produção, comércio e consumo, o que as torna vulneráveis aos agentes
fitopatogênicos. O uso de técnicas culturais, como densidade de plantio, monocultura baseada
em uniformidade genética, adubação, mecanização, irrigação, etc., necessárias para garantir
alta produtividade, frequentemente favorecem a ocorrência de doenças. No entanto
mudanças drásticas na seleção de variedades e nas técnicas culturais oferecem risco para
eficiência produtiva. Desse modo o controle de doenças assume importância fundamental.
Conceito de controle
Controle é a prevenção dos prejuízos de uma doença (Whetzel et al ., 1925), sendo
admitido em graus variáveis (parcial, lucrativo, completo,absoluto, etc.) mas “aceito como válido,
para fins práticos, somente quando lucrativo” (Whetzel,1929). Este ponto de vista é aceito e
compartilhado generalizadamente pelos fitopatologistas. Fawcetti& Lee (1926), que desde os
primórdios afirmavam que “na prevenção e no tratamento de doenças deviam ser sempre
considerados a eficiência dos métodos e o custo dos tratamentos, sendo óbvio que os métodos
empregados deveriam custar menos que os prejuízos ocasionados”. Entretanto, o controle de
doenças de plantas só passou a ser racionalmente cogitado a partir dos conhecimentos
gerados pelo desenvolvimento da Fitopatologia como ciência biológica. Portanto, numa
157
concepção biológica, controle pode ser definido como a “redução na incidência ou severidade da
doença” (National Research Council,1968).
Essa conotação biológica é de fundamental importância, pois dificilmente as doenças
podem ser controladas com eficiência sem o conhecimento adequado de sua etiologia, das
condições climáticas e culturais que as favorecem e das características do ciclo das relações
patógeno-hospedeiro, além da eficiência dos métodos de controle disponíveis. As
conceituações econômica e biológica estão intimamente relacionadas, pois a prevenção da
doença leva à diminuição dos danos (reduções do retorno e/ou qualidade da produção) e,
eventualmente, das perdas (reduções do retorno financeiro por unidade de área cultivada).
Em vista disso e pelo fato do dano ser uma função epidemiológica, embora doenças possam
ser controladas em hospedeiros individuais, o controle de doenças de plantas é um problema
essencialmente populacional.
Princípios de gerais de controle e o triângulo da doença
Os métodos de controle de Whetzel et al. (1925) e Whetzel (1929) estão agrupados
em quatro princípios biológicos gerais: Exclusão – prevenção da entrada de um patógeno
numa área ainda nãoinfestada; erradicação - eliminação do patógeno deu ma área em que
foi introduzido; proteção-interposição de uma barreira protetora entre aspartes suscetíveis da
planta e o inóculo dopatógeno, antes de ocorrer a deposição; imunização - desenvolvimento
de plantasresistentes ou imunes ou, ainda, desenvolvimento,por meios naturais ou artificiais,
de uma população de plantas imunes ou altamente resistentes, em uma área infestada com
o patógeno. Com o tempo, a esses princípios foi acrescentado o da terapia, que visa
restabelecer a sanidade de uma planta com a qual o patógeno já estabelecera uma íntima
relação parasítica.
Esses princípios podem ser enunciados como passos sequenciais lógicos no controle
de doenças de plantas, levando em consideração o ciclo das relações patógeno-hospedeiro
em uma determinada área geográfica. Assim, a exclusão interfere na fase de disseminação,
a erradicação na fonte de inóculo e na sobrevivência, a proteção na inoculação e na
germinação, a imunização, na penetração e colonização e a terapia, na colonização e na
reprodução.
Fase do ciclo das relações patógeno-hospedeiro onde atuam os princípios de
controle de doenças de Whetzel.
O fator ambiente é um dos vértices do triângulo da doença, em vista disto,
Marchionatto (1949) sugere que medidas de controle baseadas em modificações do ambiente
obedecem ao princípio da regulação. Neste principio está inserido modificações da umidade,
158
temperatura e luminosidade do ambiente, de reação e propriedades do solo e da composição
do ar.
Outras medidas de controle, também não satisfatoriamente ajustáveis aos princípios
de Whetzel, são aquelas referentes à escolha da área geográfica, local e época de plantio,
profundidade de semeadura, precocidade das variedades, etc. Tais medidas são atualmente
agrupadas no princípio da evasão, que pode ser definida como a prevenção da doença pelo
plantio em épocas ou áreas quando ou onde o inóculo é ineficiente, raro ou ausente. A evasão
baseia-se, portanto, em táticas de fuga dirigidas contra o patógeno e/ou contra o ambiente
favorável ao desenvolvimento da doença.
A regulação e a evasão tornam os princípios de controle mais abrangentes,
permitindo uma visão mais global da natureza da doença e melhorando a compreensão de
que qualquer alteração nos componentes do triângulo da doença, isoladamente ou em
conjunto, modifica o seu livre curso.
Indicação da atuação dos princípios gerais de controle nos componentes do triângulo
da doença.
Abordagem epidemiológica
O fator tempo é essencial para a compreensão de epidemias, no entanto, só foi
explicitamente considerado a partir de 1963, pelas análises epidemiológicas baseadas na taxa
de infecção e na quantidade de inóculo inicial (Vanderplank, 1963). Essa relação aparece
simplificada na equação: y = y0 exp r.t, onde a proporção y de doença em um tempo t qualquer
é determinada pelo inóculo inicial y0, pela taxa média de infecção r e pelo tempo t durante o
qual o hospedeiro esteve exposto ao patógeno. Baseado nessa abordagem, três estratégias
epidemiológicas podem ser utilizadas para minimizar os prejuízos de uma doença:
a) Eliminar ou reduzir o inóculo inicial (y0) ou atrasar o seu aparecimento
b) Diminuir a taxa de desenvolvimento da doença (r)
c) Encurtar o período de exposição (t) da cultura ao patógeno
159
Princípios de controle de doenças de plantas e modo de atuação de cada princípio
[adaptado de Roberts & Boothroyd (1984)].
Os princípios de controle sob os pontos de vista biológico e epidemiológico, atuando
nos mesmos fatores que compõem a doença, estão intimamente relacionados (Tabela 1).
Tabela 1. Relação entre métodos e princípios de controle e seus efeitos predominantes sobre
os componentes epidemiológicos [inóculo inicial (y0), taxa de infecção (r) e tempo de
exposição do hospedeiro ao patógeno (t)].
Evasão
Medidas de controle baseadas na evasão visam à prevenção da doença pela fuga em
relação ao patógeno e/ou às condições ambientais mais favoráveis ao seu desenvolvimento.
Subentende o uso de uma planta suscetível numa situação em que o triângulo da doença não
se configura adequadamente pela falta de coincidência, no tempo e/ou no espaço, dos três
fatores que o compõem: tecido suscetível, patógeno agressivo/virulento e ambiente favorável.
160
Na ausência de variedades imunes ou resistentes, a evasão é a primeira opção de controle
de doenças de plantas, seja em grandes áreas, seja em canteiro de semeadura.
As principais medidas evasivas são: escolha de áreas geográficas, escolha do local
de plantio dentro de uma área e modificação de práticas culturais. Tais medidas de controle
levam em consideração a ausênciaou presença do patógeno, a quantidade relativa do inóculo
e as condições ambientais mais ou menos favoráveis; afetam, assim, os parâmetros
epidemiológicos y0 (inóculo inicial), r (taxa de infecção) e/ou t (período de exposição das
plantas à infecção).
A escolha de áreas geográficas desfavoráveis ao desenvolvimento do mal das folhas
da seringueira, causada por Microcyclus ulei, tem viabilizado a heveacultura no Centro-Sul do
Brasil, em maciços florestais artificiais, compostos por plantas suscetíveis, sem necessidade
de controle químico, uma vez que nessa região a doença não atinge níveis prejudiciais. Na
Amazônia, tentativa semelhante, no passado, redundou em histórico fracasso, devido ao
ambiente extremamente favorável à doença e à inviabilidade do controle químico.
A escolha de áreas geográficas, seja para fugir de patógenos, seja para fugir de
condições predisponentes à ocorrência de epidemias, é um método de controle ainda
amplamente explorável num país extenso quanto o Brasil, que apresenta enormes variações
climáticas regionais.
Exclusão
A prevenção da entrada e estabelecimento de um patógeno em uma área isenta é feita
através de medidas quarentenárias, consolidadas em legislações fitossanitárias promulgadas
por órgãos governamentais, nacionais e internacionais. Essas medidas são executadas
através de proibição, fiscalização e interceptação do trânsito de plantas ou produtos vegetais;
dirigem-se, no geral, a doenças com alto potencial destrutivo em culturas de grande
importância econômica para o país. Modernamente, com as facilidades dos meios de
transporte e o aumento de trânsito e intercâmbio internacional, medidas de exclusão são cada
vez mais vulneráveis. A eficiência das medidas de exclusão está relacionada com a
capacidade de disseminação do patógeno e com a distância do patógeno (ou da fonte de
inóculo) em relação à área geográfica que se quer livre da doença. Compara-se as tentativas
de exclusão do cancro cítrico (Xanthomonas campestris pv. citri) e da ferrugem do cafeeiro
(Hemileia vastatrix) no Brasil. O patógeno do cancro cítrico, apesar de constatado em 1957 e
de ter conseguido ultrapassar sucessivamente as barreiras de exclusão, territorialmente cada
vez mais restritas, ainda hoje continua sendo excluída de amplas zonas citrícolas do Estado
de São Paulo, devido à sua limitada “autonomia de vôo”.
No caso da ferrugem do cafeeiro, no entanto, sua grande capacidade de disseminação
impossibilitou quaisquer medidas de exclusão, que ficaram apenas em cogitação (constatada
a doença em 1970, na Bahia, já se encontrava amplamente disseminada nos cafezais
brasileiros, exceto nos de Pernambuco e Ceará, em 1974). Por outro lado, a nível
internacional, ambos venceram distâncias transoceânicas e, apesar da menor “autonomia de
vôo”, o agente do cancro cítrico chegou primeiro em nossas plantações, provavelmente devido
à interferência humana.
Exclusão, como todos os princípios de controle, pode ter sentido absoluto e relativo.
Em escala internacional, interestadual ou mesmo de lavouras, deve-se procurar o absoluto,
mas ao nível do agricultor, mesmo que incompleta, a exclusão tem o seu valor, principalmente
quando se trata de doenças cujos patógenos têm dificuldades de disseminação dentro do
campo. O efeito de todas as medidas de exclusão reflete-se epidemiologicamente na redução
do inóculo inicial y0 e, portanto, no atraso do desenvolvimento da epidemia.
161
Erradicação
A erradicação, vista como eliminação completa de um patógeno de uma região, só é
tecnicamente possível quando o patógeno tem restrito espectro de hospedeiros e baixa
capacidade de disseminação e economicamente viável quando a presença do patógeno
restringe-se a uma área geográfica relativamente insignificante. Nessas considerações está
implícito o fato da erradicação ser um complemento da exclusão. Erradica-se o patógeno de
uma região para evitar sua disseminação para outras. É o caso do cancro cítrico, que se tenta
erradicar das áreas onde ocorre para evitar sua disseminação para áreas essencialmente
citrícolas de São Paulo. Apesar da baixa capacidade de disseminação de Xanthomonas
campestris pv. citri, a morosidade na erradicação completa pode tornar inócuas as medidas
de fiscalização do trânsito.
Medidas de erradicação, em âmbito restrito, incluem: eliminação de plantas ou partes
vegetais doentes, eliminação de hospedeiros selvagens, aradura profunda do solo, eliminação
dos restos de cultura, destruição de plantas doentes, desinfestação física e química do solo,
tratamento de sementes e rotação de cultura. O alcance dessas medidas é geralmente muito
limitado porque dificilmente eliminam completamente o patógeno. Funcionam na medida em
que são capazes de diminuir a quantidade de inóculo da área e na medida em que são
acompanhadas por outros métodos de controle que complementam sua ação. Como, do ponto
de vista epidemiológico, atuam essencialmente reduzindo o inóculo inicial y0, medidas de
erradicação somente atrasam o desenvolvimento de epidemias e apresentam efeitos mais
pronunciados sobre doenças cujos patógenos apresentam baixa taxa de disseminação.
Proteção
A proteção, prevenção do contato direto do patógeno com o hospedeiro, é comumente
obtido pela aplicação de fungicidas e bactericidas, visando diretamente os patógenos, ou de
inseticidas, visando diretamente os vetores. O emprego de viricidas é, atualmente, apenas
uma cogitação experimental. É possivelmente, o princípio de controle que experimentou os
maiores impactos do desenvolvimento tecnológico, desde a descoberta da calda bordalesa
até a dos inseticidas e fungicidas sistêmicos. Em muitas culturas, principalmente em se
tratando de cultivares refinadas, mas, por isso mesmo, apresentando alta suscetibilidade a
doenças, proteção química torna-se uma medida indispensável de controle, apesar de nem
sempre suficientemente eficaz. Nesses casos, é o princípio de controle que mais onera o
custo de produção. A eficiência da proteção depende das características inerentes do produto
protetor bem como da estratégia de aplicação. Idealmente, o produto deve ter alta toxidez
inerente contra o patógeno; e grande estabilidade, mesmo nas condições mais adversas de
clima, sem, contudo, provocar danos à planta ou desencadear desequilíbrio biológico. O
método, a época, a dose e o número de aplicações, bem como os produtos adequados, são
aspectos que devem ser considerados nos programas de proteção. O efeito epidemiológico
envolvido é a redução da taxa r de desenvolvimento da doença.
Imunização
Na ausência de barreiras protetoras de controle utilizadas pelo homem, ou vencidas
estas, o patógeno enfrenta, por parte da planta hospedeira, resistência maior ou menor ao
seu desenvolvimento, já antes da penetração, na penetração, nas fases subsequentes do
processo doença, na extensão dos tecidos afetados e na produção do inóculo. Mesmo que
essa resistência seja baixa, resta ainda a possibilidade de os danos nas culturas afetadas
serem pouco pronunciadas. É na exploração dessas características, naturalmente presentes
nas populações vegetais, que se fundamenta o princípio da imunização genética, resultando,
162
então, no uso de variedades imunes, resistentes e tolerantes. Esse método de controle é o
ideal, pois, em sendo funcional, não onera diretamente o custo de produção e pode até
dispensar outras medidas de controle. Entretanto, muitas vezes implica em sacrifício de
produtividade e/ou valor comercial do produto.
Atualmente, concretiza-se a possibilidade de imunização de plantas através de
substâncias químicas (imunização química) e de proteção cruzada ou pré-imunização
(imunização biológica). A ideia de imunizar as plantas quimicamente, pela introdução de
substâncias tóxicas, é velha, mas só recentemente, com o advento dos fungicidas sistêmicos,
está se tornando viável doponto de vista prático: a planta tratada com o produto sistêmico
torna-se resistente porque em seus tecidos se apresenta uma concentração adequada do
fungicida ou porque ele próprio ou algum seu derivado induz a planta a produzir substâncias
tóxicas ao patógeno. Não se descarta a possibilidade de que mesmo fungicidas convencionais
tenham atuação semelhante, desencadeando a produção de compostos fenólicos e
fitoalexinas pelas plantas tratadas. O mais notável exemplo de pré-imunização ou proteção
cruzada, é o do limão galego propositalmente inoculado com estirpe fraca do Vírus da Tristeza
dos Citros, que protege a planta contra as estirpes fortes do mesmo vírus. Assim, produções
comerciais dessa variedade cítrica têm sido possível, mesmo sendo suscetível a um vírus
amplamente disseminado e eficientemente transmitido pelo pulgão preto, Toxoptera citricidus.
O efeito epidemiológico das medidas de imunização é predominantemente a redução do
inóculo inicial y0 e da taxa r de desenvolvimento da doença. No caso de resistência genética
vertical e de fungicidas altamente específicos, vulneráveis ao surgimento de mutantes
resistentes do patógeno, o efeito pode ser predominantemente somente sobre y0. No caso de
variedades tolerantes, o efeito epidemiológico não se faz sentir pronunciadamente sobre
nenhum dos dois componentes.
Terapia
Uma vez a planta já doente, o último princípio de que se pode lançar mão é a terapia
ou cura, isto é, recuperação da saúde mediante a eliminação do patógeno infectante ou
proporcionando condições favoráveis para a reação do hospedeiro. A terapia é, ainda, apesar
da descoberta dos quimioterápicos, de aplicação muito restrita em Fitopatologia, por suas
limitações técnico-econômicas, contrapondo-se ao uso mais generalizado de todos os outros
princípios que, no conjunto, recebem a denominação de prevenção ou profilaxia. No controle
de doenças de plantas é ainda válido o ditado “melhor prevenir do que remediar”. São
exemplos de métodos terápicos: uso de fungicidas sistêmicos e, no caso de algumas doenças,
como os oídios, também de fungicidas convencionais, com a consequente recuperação da
planta doente; cirurgia de lesões em troncos de árvores, como no caso da gomose dos citros,
ou de ramos afetados, como no caso da seca da mangueira ou da rubelose dos citros;
tratamento térmico dos toletes da cana-de-açúcar, visando à eliminação do patógeno do
raquitismo da soqueira.
Controle integrado versus manejo integrado
A integração de medidas de controle é premissa básica dos princípios de Whetzel. O
seu simples enunciado leva à conclusão de que as medidas de controle visam interromper ou
desacelerar, integradamente, o ciclo das relações patógeno hospedeiro, interferindo no
triângulo da doença. Essa preocupação pela integração dos métodos de controle vem desde
os primórdios da Fitopatologia, há mais de cem anos.
Embora controle de doença seja uma terminologia bem estabelecida e amplamente
compreendida, Apple (1977) afirmou que há base lógica convincente para substituí-la por
manejo de doença, pois, dentre outras razões:
• Controle implica num grau impossível de dominância pelo homem;
163
• Controle leva a uma visão falha do sistema de controle quando a doença volta ao
nível de dano;
• Controle leva ao esquecimento que as medidas são aplicadas para reduzir o dano e
não para destruir os organismos causais;
• Manejo conduz ao conceito de que doenças são componentes inerentes do
agroecossistema;
• Manejo baseia-se no princípio de manter o dano ou o prejuízo abaixo do nível
econômico, sugerindo a necessidade de contínuo ajuste do sistema;
• Manejo, baseado no conceito de limiar econômico, enfatiza a minimização do dano,
estando menos sujeito a mal-entendidos.
O limiar de dano, definido como nível de intensidade da doença ou do patógeno que
provoca um prejuízo maior do que o custo de controle, embora seja à base do manejo de
doenças de plantas, raramente é utilizado em Fitopatologia. As principais razões para que
esse fato inclui, dentre outras, a pequena disponibilidade de estimativas confiáveis de danos
decorrentes da presença ou ação dos patógenos e a dificuldade no monitoramento do
patógeno.
13 Modalidades de controle de doenças
Controle Cultural.
Controle Genético.
Controle Físico.
Controle Biológico.
Controle Químico.
Controle Físico
Exercido através da Temperatura, Radiação e Atmosfera controlada.
SOLARIZAÇÃO – É o uso de energia solar para controle de patógenos de plantas. Envolve
aumento da temperatura do solo, erradicação parcial ou total de patógenos do solo.
- Combinação cobertura solo com plástico / intervalo tempo
- Prática da solarização: Umedecimento solo*
Cobertura solo com filme plástico e manutenção do plástico no mínimo durante um mês para
atuação sobre os patógenos o que causa efeito inibitório / letal por altas temperaturas (
camadas superficiais solo ); enfraquecimento das estruturas de resistência (temp. sub-letais
/fendilhamento ); estímulo à competição ( saprófitas mais tolerantes patógenos ); equilíbrio
microflora / patógeno solo ( solo supressivo ).
Temperaturas tratamento: 50 – 60ºC eliminam a maioria dos patógenos - Organismos
controlados: Fungos: Pithyum, Fusarium, Phytophthora, Verticillium, Sclerotium, Sclerotinia,
Bipolaris, Thielaviopsis. Nematóides: Meloidogyne, Heterodera, Pratylenchus, Ditylenchus.
Limitações de uso:
Custo do tratamento
Restrição a pequenas áreas
Terreno não cultivado no período tratamento
Ocorrência condições climáticas adequadas
Tipo de relevo
164
Termoterapia de órgãos de propagação - Eliminação do patógeno localizado interna /
externamente ao material vegetal pela exposição do material a determinada temperatura /
tempo.
- Cuidados: inativação do patógeno sem causar danos hospedeiro
- Sucesso: diferença entre sensibilidade térmica hospedeiro e patógeno - Aplicação:
tratamento de sementes (hortaliças) tratamento de bulbos de plantas ornamentais tratamento
da planta inteira (matriz material propagativo/uva) tratamento de meristemas (gemas de cana).
Refrigeração - Emprego baixas temperaturas (4-10º C) que atua retardando ou inibindo
atividade patógenos - Aplicação para produtos pós-colheita - Nem sempre são suficientes
para controle desejável
- Uso de refrigeradores, câmaras frias (armazenamento e transporte)
Atmosfera controlada – Atua na supressão do desenvolvimento do patógeno, baixando
a taxa de respiração dos frutos, reduzindo a maturação dos frutos e pré-disposição à doença.
- Exercida: alteração de CO2 acima de 5% / O2 abaixo de 5%) - Na prática: atmosfera
combinada 2-3 % O2 e de 5-7% CO2
Controle comprimento de onda radiação solar
Plasticultura - uso de filme plástico especial para construção de estufa - retenção
radiações comprimento onda próxima ultravioleta (NUV) - radiação NUV comprimento onda
abaixo 390 nm – Esse tipo de radiação estimula esporulação de fungos ( aumento do inóculo
/ aumento doença)
Controle biológico
É a redução da soma do inóculo ou das atividades determinantes da doença,
provocada por um patógeno, realizada por um ou mais organismos que não o homem (Cook
& Baker, 1983)
Controle biológico de patógenos habitantes do solo:
- Podridões de raízes e caule (Fusarium solani, Rhizoctonia solani, Macrophomina
phaseolina e Sclerotinia sclerotiorum)
- Nematóides (Meloidogyne spp., Pratylenchum brachiurus)
- Murchas vasculares (Fusarium oxysporum, Ralstonia solanacearum).
No Brasil, diversos produtos biológicos estão disponíveis para utilização, dentre esses
podem se citados: estirpes fracas de CTV para premunização contra a tristeza dos citros;
estirpes fracas de PRSV-W para premunização contra o mosaico da abobrinha; Hansfordia
pulvinata para o controle do mal-das-folhas da seringueira; Acremonium sp. para o controle
da lixado coqueiro; Clonostachys rosea para o controle do mofo cinzento; Bacillus subtilis
para o controle de diversas doenças; Trichoderma spp. para o controle de patógenos de solo
e substrato e da parte aérea.
165
Controle cultural
Tem por base emprego de práticas culturais que interferem na sobrevivência e
disseminação do patógeno.
- Objetivo: redução de inóculo do patógeno
Conhecimento aspectos relacionados à biologia do patógeno :
sobrevivência dependente somente restos de cultura?
sobrevivência ocorre vários tipos substratos vegetais?
sobrevivência estruturas longo / curto período?
sobrevivência em hospedeiros alternativos?
disseminação de estruturas: longa ou curta distância ?
ROTAÇÃO DE CULTURA: A Principal prática cultural é rotação de cultura, que está
relacionada com fase saprofítica do patógeno que ocorre entre as fases de parasitismo.
Características dos patógenos e facilidade de controle
* sobrevivência limitada aos restos cultura hospedeiro
* ausência de habilidade competitiva do patógeno
* incapacidade de formar estruturas de resistência
* produção de esporos grandes
* disseminação a curtas distâncias
* restrição quanto a hospedeiros alternativos
Sistema monocultura: A monocultura dá estímulo ao patógeno (fonte de inóculo alto)
* Objetivo da rotação: baixar inóculo patógeno (erradicação relativa)
* Mecanismo: estímulo à competição com microflora
* Estratégia: - substituição do hospedeiro principal - Escolha espécies não hospedeiras
do patógeno alvo - Escolha espécies folhas largas (dicotiledôneas) / folhas estreitas
(monocotiledôneas)
Eliminação dos restos de cultura - incorporação por aração
MEDIDAS ALTERNATIVAS
* Escolha sementes e mudas sadias [disseminação]
* Realização “roguing” [disseminação]
* Eliminação dos restos de cultura [sobrevivência]
* Inundação dos campos [sobrevivência]
* Incorporação da matéria orgânica ao solo [sobrevivência]
* Aração do solo [sobrevivência]
* Observação da densidade plantio [ambiente]
* Escolha da época de plantio [ambiente]
* Condução da poda de limpeza [ambiente]
•Barreira física e superfície não atrativa a vetores [disseminação]
Controle genético
O emprego da resistência genética no controle de doenças vegetais representa um
dos mais significativos avanços tecnológicos da agricultura. O uso de cultivares resistentes é
o método de controle preferido simplesmente por ser o mais barato e de mais fácil utilização.
Na verdade, existem culturas onde o controle das doenças mais importantes dá-se, quase
que exclusivamente, por meio da resistência, tais como as ferrugens e carvões dos cereais e
da cana-de-açúcar, as murchas vasculares em hortaliças e as viroses na maioria das culturas.
Três etapas básicas devem ser consideradas em qualquer programa de obtenção e
utilização de cultivares resistentes:
1) Identificar fontes de resistência, ou seja, identificar germoplasma que possua os
genes em cultivares procurados;
166
2) Incorporar estes genes em cultivares comerciais por meio dos métodos de
melhoramento;
3) Após a obtenção de um cultivar resistente, traçar a melhor estratégia para que a
resistência seja durável face à natureza dinâmica das populações patogênicas.
Uso variedades resistentes ou tolerantes:
*Fontes de Resistência para doença - Identificação das fontes de resistência para
programas melhoramento - Fontes dentro da espécie cultivada, maior facilidade de
incorporação genes R - Fontes dentro do gênero da espécie cultivada, maior dificuldade
incorporação genes R
Exemplos: Solanum tuberosum X Solanum demissum (resistência à requeima) Oryza
sativa X Oryza glaberrima (resistência à brusone)
Controle químico
O controle químico de doenças de plantas é, em muitos casos, a única medida eficiente
e economicamente viável de garantir as altas produtividade e qualidade de produção.
Variedades de plantas cultivadas, interessantes pelo bom desempenho agronômico e pela
preferência dos consumidores, geralmente aliam certa vulnerabilidade a agentes
fitopatogênicos. A exploração comercial de culturas como as de uvas finas, morango, maçã,
tomate e batata, por exemplo, seria impossível sem o emprego de fungicidas em locais ou
épocas sujeitas à incidência de doenças. Assim, a convivência com patógenos já presentes
em determinadas áreas torna-se um ônus obrigatório dentro da agricultura moderna.
O controle químico de doenças de plantas é praticado com maior intensidade nos
países economicamente mais desenvolvidos, onde a agricultura é tecnologicamente mais
avançada, com aplicação de mais insumos e previsão de melhores colheitas. A escalada no
emprego de pesticidas, inclusive fungicidas, a partir da segunda guerra mundial, foi
proporcionalmente acompanhada pelo interesse público na quantidade e qualidade desses
insumos agrícolas.
Grupos de produtos utilizados e princípios de controle envolvidos
O controle químico de doenças de plantas é feito através de vários tipos de produtos,
comumente denominados agroquímicos, incluindo fertilizantes e pesticidas. Fertilizantes,
quando utilizados no controle de doenças fisiogênicas (aquelas devidas a desequilíbrios
nutricionais), como deficiência de boro em crucíferas ou podridão estilar do tomateiro, atuam
pelo princípio da regulação; quando utilizados no controle de doenças infecciosas, podem
envolver o princípio da regulação, como no caso da diminuição do pH para o controle da sarna
da batata. Também se pode citar a ação erradicante da uréia aplicada a 5% em pomar de
macieira, no início da queda natural das folhas, após a colheita, visando sua rápida
degradação e conseqüente diminuição na formação de peritécios e liberação de ascósporos
de Venturia inaequalis, agente da sarna, no início da primavera. Apesar da importância de
fertilizantes no controle de algumas doenças, eles geralmente não desempenham papel
decisivo para a maioria das doenças infecciosas.
Os pesticidas utilizados no controle de doenças incluem: inseticidas e acaricidas, para
controlar insetos e ácaros vetores de patógenos; fungicidas, bactericidas e nematicidas, para
controle dos fungos, bactérias e nematóides fitopatogênicos; e herbicidas, para controlar
plantas hospedeiras alternativas de patógenos que afetam culturas específicas.
O emprego de pesticidas no controle de doenças envolve, pelo menos, um princípio
de controle. Inseticidas e acaricidas atuam predominantemente pelo princípio da exclusão,
prevenindo a disseminação dos patógenos, geralmente vírus, pela eliminação ou diminuição
dos vetores; herbicidas atuam pela erradicação do patógeno junto com o hospedeiro,
diminuindo a sobrevivência e a probabilidade de disseminação. Os inseticidas, acaricidas e
167
herbicidas, não tendo ação direta sobre os agentes infecciosos mais importantes (fungos,
bactérias, vírus e nematóides), não são muito utilizados no controle de doenças.
O grupo mais importante de pesticidas utilizados para o controle de doenças de plantas
é o dos fungicidas, que abrange alguns dos bactericidas e alguns dos nematicidas mais
usuais. Os nematicidas mais comuns são biocidas, com alto poder erradicante, devendo ser
aplicados no solo antes do plantio. Fungicidas e bactericidas constituem um grupo com
propriedades químicas e biológicas muito variáveis, podendo envolver vários princípios de
controle em função da natureza do produto, da época e metodologia de aplicação e do estádio
de desenvolvimento epidemiológico da doença. Por exemplo, um biocida, como o brometo de
metila, só pode ser aplicado de modo erradicante e num ambiente sem o hospedeiro; só
fungicidas sistêmicos têm potencial curativo; fungicidas protetores podem atuar também de
maneira erradicante e sistêmicos atuam também protegendo, erradicando e imunizando.
14 Monitoramento de doenças
A doença é o resultado simultâneo da interaçãodo ambiente, patógeno e hospedeiro
e é exigência fundamental o conhecimento desta interação para se estabelecer o controle. No
entanto, para conhecimento desses parâmetros, é necessário que ocorra o monitoramento
das condições que são propícias ou não para a ocorrência da enfermidade e o
desencadeamento de uma epidemia. O monitoramento baseado nas condições ambientais,
da presença do patógeno e de características do hospedeiro fornece as informações
necessárias para essa epidemia. Estas podem ser através de simples técnicas como
monitoramento da temperatura e umidade relativa do ar ou o acompanhamento do patógeno
e do conhecimento do estado fenológico do hospedeiro.
Métodos de monitoramento de doenças
a) Baseado No Hospedeiro: No monitoramento baseado no hospedeiro é necessário
que se tenha como requisito o que será monitorado no hospedeiro e o que será avaliado, já
que a amostra deve representar a população em estudo. A amostra pode ser destrutiva
quando é coletada a planta inteira ou órgão e a não destrutiva quando são marcadas plantas
ou órgãos, e onde periodicamente é monitorada a enfermidade. A época e a freqüência do
monitoramento são determinadas pelo patossistema e pode ser durante o ciclo da cultura ou
estudo de parte da epidemia (AMORIN, 1995).
Quanto ao tamanho da amostra do hospedeiro, pode-se estabelecer critérios de 10 a
20 plantas escolhidas para o monitoramento. No entanto uma forma prática é utilizar valores
de desvio padrão da população, onde a partir da medida que o desvio padrão não oscila é o
suficiente para ter o número necessário para amostragem, ou seguir técnicas de amostragem
estatísticas. A partir do tamanho da amostra deve-se determinar como será a escolha das
plantas a serem monitoradas no campo e algumas técnicas de amostragem no hospedeiro
pode ser realizadas conforme a figura 1. Na pratica a sistemática em M (zigue-zaque) permite
obter amostras de diferentes frações dentro da área de cultivo, homogeneizando a amostra e
maximizando o resultado do monitoramento.
168
b) Baseado nas Condições Ambientais:
O clima é definido como um resumo estatístico da temperatura, da precipitação pluvial;
outras variáveis como a umidade relativa, a radiação e o vento também são descritas como
variáveis climáticas em uma determinada região (CAMPBELL; MADDEN, 1990). Dados
meteorológicos se referem às condições atmosféricas atuais que prevalecem em um local e
no tempo, os quais são registrados através de termo-higrógrafos, termógrafos, pluviógrafos
atualmente interligados, os quais transferem diretamente as informações para sistema
computacional. As condições climáticas (Quadro 1) estão intimamente relacionadas às
diferentes fases do ciclo das relações patógeno-hospedeiro de enfermidades bacterianas e
consequentemente com a ocorrência das doenças (ZAMBOLIM et al., 2004) e dos efeitos de
suas variações no desenvolvimento de epidemias (ROTEM, 1978).
c) Baseado no Patógeno:
No caso de bactérias - podem ser monitoradas através de técnicas simples de
visualização através de microscopia eletrônica (Hirano e Upper, 1983), na qual a flutuação ao
longo de diferentes períodos pode indicar o momento de aumento da população e,
consequentemente, o início da enfermidade (SCHNEIDER; CROGAM, 1977).
d) Baseado no Progresso da Doença em Função do Tempo:
Escalas diagramáticas- Dentro da fitopatometria existem o termo “incidência” e
“severidade”; o primeiro trata da porcentagem de plantas doente, e o segundo trata da
proporção do volume ou área do tecido com sintomas (AMORIM, 1995). Para a quantificação
da severidade, as escalas diagramáticas são as mais utilizadas e constituem-se em
representações ilustradas de plantas ou partes delas com diferentes níveis de severidade
(BELASQUES JR. et al., 2005).
169
Atividades de fixação
1) O que é controle de doenças?
2) Quais os princípios gerais de controle? Fale sobre cada um deles.
3) Como é feito o monitoramento de doenças em plantas?
4) Quais as modalidades de controle?
5) Fale sobre o controle biológico, cultural, físico, químico e genético de doenças
em plantas cultivadas.
15 Controle de plantas indesejáveis
Plantas indesejáveis são plantas que crescem espontaneamente em áreas de
atividades humanas e que causam prejuízos a essas atividades.
Constituem-se em um problema sério para a agricultura, pois se desenvolvem em
condições semelhantes às das plantas cultivadas. Apresenta crescimento rápido,
facilidade de disseminação, produzem grande número de sementes e crescem em
condições adversas. Elas também podem afetar as culturas sendo hospedeiras de pragas e
doenças.
A presença de plantas daninhas em áreas cultivadas resulta em redução da
produtividade devido a sua interferência e aumenta os custos de produção. As perdas
variam conforme a espécie e podem, inclusive, inviabilizar a colheita.
Controle cultural
O método de controle cultural baseia-se no uso do manejo da própria cultura para
controlar as plantas daninhas. Dentro do método de controle cultural existem diversas práticas
de controle cultural, destacando-se:
a) Uso de cultivares mais competitivas – como já foi discutido, assim como há espécies
mais competitivas, há cultivares dentro da mesma espécie que são mais competitivas, ou
porque crescem inicialmente mais rápido ou porque têm maior enfolhamento. Normalmente,
cultivares com ciclo menor crescem mais rápido e fecham (sombreiam) as entrelinhas mais
cedo, impedindo o desenvolvimento das plantas daninhas. (principalmente de ciclo longo ou
que germinam algum tempo após o plantio);
b) Uso de espaçamento mais estreito – quando se faz o plantio da cultura em
espaçamento mais estreito, a tendência é que a cultura feche (sombreie) a entrelinha mais
cedo, aumentando sua capacidade competitiva frente às plantas daninhas. Porém, deve-se
170
estar atento à interferência intraespecífica dentro da cultura, sendo que espaçamentos muito
estreitos podem prejudicar o desenvolvimento das plantas da própria cultura e causar
reduções de produtividade;
c) Uso de densidade de plantio mais alta – a ideia é semelhante ao item anterior, pois
a densidade mais alta de plantio pode proporcionar maior habilidade competitiva à cultura;
d) Uso de sistemas de cultivo distintos – comparando-se plantio direto com plantio
convencional sabe-se que há diferenças de manejo que influenciam o desenvolvimento das
plantas daninhas; muitas plantas importantes no plantio convencional deixaram de ser no
plantio direto. Sistema de cultivo consorciado tende a dar maior habilidade competitiva para
as culturas, pois elas exploram mais e melhor o solo, sombreiam mais rápido e por mais tempo
as entrelinhas etc;
e) Uso de cobertura verde (culturas de cobertura) – manter o solo coberto na
entressafra é essencial para impedir o aumento do banco de dissemínulos do solo; assim, o
cultivo de cobertura verde, adubo verde, pastagem de inverno ou qualquer outra cobertura
vegetal que impeça o desenvolvimento de plantas daninhas durante a entressafra é prática
muito importante no manejo cultural de plantas daninhas;
f) Uso de rotação de culturas – com a rotação de culturas há o cultivo de espécies
distintas em uma mesma área de um ciclo para o outro; com isso, o desenvolvimento das
plantas daninhas é dificultado, pois há culturas mais competitivas, há culturas potencialmente
alelopáticas, há o uso diferenciado de herbicidas e outros métodos de controle etc., que
impedem o desenvolvimento das plantas daninhas. Assim, o ciclo de desenvolvimento de uma
espécie ou um grupo de espécies de plantas daninhas (que possam estar se adaptando ao
manejo) é “quebrado”, reduzindo o potencial de interferência da comunidade infestante nas
culturas agrícolas em rotação.
Controle mecânico
O método de controle mecânico baseia-se no uso de algum instrumentoque arranque
ou corte as plantas daninhas. Dentro do método de controle mecânico existem diversas
práticas de controle mecânico, destacando-se:
a) Monda – nada mais é que o arranquio ou corte das plantas daninhas utilizando as
mãos como instrumento de controle. A monda é uma prática de controle de rendimento muito
baixo, viável apenas para áreas muito pequenas e restritas, cuja mão de obra é
demasiadamente onerosa. Costuma ser aplicado apenas em áreas de agricultura familiar de
subsistência;
b) Capina – é o arranquio ou corte manual das plantas daninhas, utilizando
instrumentos de controle como enxada, enxadão, picão, enxada-rotativa, rolo-faca etc.
A capina pode ser dividida em: capina manual (quando o instrumento de controle –
enxada, enxadão etc. – é operado com as mãos) ou capina mecânica.
A capina mecânica pode ser de tração animal (quando o instrumento – enxada, picão
etc. – é tracionado por animais) ou de tração tratorizada (quando o instrumento – enxada-
rotativa, etc. – é tracionado por trator).
A capina manual, assim como a mecânica de tração animal, é uma prática de controle
de baixo rendimento (pouco maior que a monda), viável apenas para pequenas áreas, cuja
mão de obra também é onerosa. Costuma ser aplicada em áreas de agricultura familiar e
pequenas áreas de agricultura orgânica.
A capina mecânica tratorizada é uma prática de controle de médio rendimento, viável
em algumas ocasiões em lavouras perenes para manejo de coberturas vegetais, sendo
menos onerosa que a anterior;
171
c) Roçada – é o corte das plantas daninhas utilizando instrumentos de controle como
roçadeiras elétricas ou motorizadas, foices, roçadeiras tratorizadas, rolo-faca etc. A roçada
pode ser: roçada manual (operada com as mãos) ou roçada mecânica (implemento acoplado
ao trator).
A roçada manual é uma prática de controle de rendimento médio, viável em áreas em
que a roçada mecânica não é possível (geralmente em função da declividade do terreno ou
da dificuldade de entrada de máquinas na área), cuja mão de obra é onerosa, porém menor
que as anteriores.
A roçada mecânica é uma prática de controle de médio-alto rendimento, viável
principalmente em lavouras perenes já implantadas recentemente; o valor do custo de
controle baseia-se, principalmente, no consumo de combustível e manutenção de máquinas
e implementos, não na quantidade de mão de obra;
d) Cultivo (ou cultivo do solo) – é o arranquio das plantas daninhas através do
revolvimento do solo realizado por implementos agrícolas cultivadores (arado de disco, arado
de aivecas, subsoladores etc.), denominado de cultivo mecânico, ou mesmo quando se
prepara o solo manualmente (enxada ou enxadão), denominado de cultivo manual.
O cultivo mecânico pode ser de tração animal ou tratorizado, como descrito
anteriormente. O cultivo manual e o cultivo mecânico por tração animal costuma ser
empregado em pequenas áreas de agricultura familiar e/ou orgânica, onde é viável, pois o
rendimento é médio-baixo.
O cultivo mecânico tratorizado é empregado, normalmente, em áreas de plantio
convencional, sendo áreas pequenas, médias ou grandes. Normalmente, o custo do controle
através do cultivo do solo não é computado no valor total de gastos com controle de plantas
daninhas, pois é uma prática de preparo do solo e não de controle de plantas daninhas,
especificamente. Esta prática de controle influenciou na evolução das plantas daninhas,
conforme descrito no capítulo 3, e continua sendo empregada em muitas áreas.
Controle físico
O método de controle físico baseia-se no uso de alguma prática que exerça influência
física sobre as plantas daninhas. Dentro do método de controle físico existem diversas
práticas de controle físico, destacando-se:
a) Inundação – é o uso da água para controle de plantas daninhas terrestres.
Geralmente usado em culturas inundadas, como o arroz irrigado. Esta prática é eficiente no
manejo de espécies de difícil controle, como tiririca (Cyperus spp.), grama-seda (Cynodon
dactylon), capim-quicuio (Penisetum spp.), entre outras plantas daninhas anuais. Esta prática
causa limitação extrema do fornecimento de oxigênio para as raízes de plantas não
adaptadas, causando sua morte;
b) Fogo – a queima da vegetação, normalmente feita com lançachamas, é uma prática
antiga e de uso limitado no Brasil. Foi muito utilizada em algodão e vem ganhando expressiva
conotação principalmente entre praticantes de agricultura orgânica na Europa;
c) Cobertura morta (palha ou resíduo vegetal) – apresenta três efeitos que podem ser
benéficos ou maléficos às plantas daninhas. O efeito físico baseia-se no impedimento da
germinação de sementes de plantas daninhas em função da limitação de absorção de luz por
sementes de plantas fotoblásticas positivas ou, ainda, no impedimento da emergência das
plântulas após a germinação, não conseguindo transpassar a camada de palha presente
sobre o solo. O efeito biológico, melhorando as condições do solo para o desenvolvimento de
micro-organismos que podem auxiliar na quebra de dormência de algumas sementes de
plantas daninhas ou mesmo deteriorá-las. Por fim, o efeito alelopático de coberturas vegetais
172
oriundas de plantas que produzam compostos alelopáticos, podendo suprimir o crescimento
ou mesmo matar as plantas daninhas sensíveis;
d) Solarização – é uma prática agrícola em que se proporciona a cobertura do solo
com filme de polietileno, causando aumento na temperatura, o que, inicialmente, pode
estimular a germinação e, em seguida, matar as plântulas; ou ainda pode matar o embrião
dentro da semente, diretamente. Normalmente, é utilizada em pequenas áreas de produção
de hortaliças, com alto grau de eficiência. Em áreas muito infestadas com tiririca (Cyperus
spp.) não é recomendada, pois as plantas, ao emergirem, geralmente, furam o filme, causando
prejuízos ao agricultor;
e) Controle térmico – baseia-se no uso de altas temperaturas em ambientes aquáticos
para controlar plantas daninhas aquáticas. Não é uma prática muito comum, porém pode ser
utilizada, conjuntamente com o controle mecânico, em reservatórios de água. Já foi testada
no Brasil, controlando eficientemente plantas como aguapé (Eichornia crassipes), tanner-
grass (Urochloa subquadripara), alface-d’água (Pistia stratiotes) e salvínia (Salvinia
auriculata) (Marchi et al., 2005).
Controle biológico
O método de controle biológico baseia-se no uso de inimigos naturais (fungos, insetos,
bactérias, vírus, aves, peixes etc.) capazes de reduzir as populações de plantas daninhas e,
assim, sua capacidade de competir com as culturas agrícolas. Normalmente, busca-se o
equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta daninha hospedeira. O controle
biológico é dividido em três práticas (ou estratégias):
a) Inoculativa (Clássica) – aplicável para o controle de plantas daninhas introduzidas
em novas áreas e que estejam separadas geograficamente dos seus inimigos naturais
(normalmente insetos ou fungos). É uma estratégia de longo prazo, que visa reduzir e
estabilizar a densidade de plantas em determinada área. Para que seja eficiente, o inimigo
natural não pode erradicar a planta daninha, mantendo hospedeiro para sua sobrevivência.
Os inimigos naturais devem ter coevoluído com as plantas-alvo, devem ser altamente
específicos para determinado grupo de plantas e não podem apresentar hospedeiros
alternativos. Via de regra é feita uma introdução em massa do inimigo natural e,
essencialmente, o monitoramento frequente do impacto ambiental causado por essa
liberação. Um exemplo é o controle de aguapé (Eichornia crassipes) por três espécies de
insetos (Neochetina brushi, Neochetina eichhoriniae e Sameodes albiguttalis) no Sul dos EUA.
Outro exemplo, curioso, é o uso de peixes herbívoros não-seletivos, como a carpa, para o
controle de plantas daninhas aquáticas submersas,ou mesmo animais de pastejo;
b) Inundativa (Bioherbicida) – conhecida, essencialmente, como estratégia
bioherbicida (apesar de a estratégia aumentativa também tratar de bioherbicida). Nesta
estratégia, o hospedeiro é eliminado radical e rapidamente, mas não erradicado, sendo que o
inimigo natural (normalmente fungos ou bactérias) é liberado toda vez que a população do
hospedeiro retoma seu crescimento. O inóculo do patógeno (bioherbicida) é aplicado através
de métodos convencionais de aplicação de produtos fitossanitários, cria rápida epidemia da
doença e leva as plantas à morte. Como o patógeno não sobrevive nos restos vegetais, o
mesmo deve ser reaplicado quando as plantas crescerem novamente. O bioherbicida ‘De
Vine® ’ (formulado com o fungo Phytophthora palmivora) foi desenvolvido para o controle de
Morreria adorata. Outro bioherbicida é o ‘Colego® ’ (formulado com o fungo Colletotrichum
gloeosporioides f.sp. aeschynomene) desenvolvido para o controle de angiquinho
(Aeschynomene virginica). O bioherbicida ‘Biomal® ’ (formulado com o fungo Colletotrichum
gloeosporioides f.sp. malvae) foi desenvolvido para controle de malva (Malva pusilla),
173
enquanto o ‘Casst® ’ (formulado com o fungo Alternaria cassiae) foi desenvolvido para o
controle de fedegoso (Senna obtusifolia).
Diversos outros fungos têm sido estudados para o desenvolvimento de bioherbicidas.
Além dos fungos, bioherbicidas à base de bactérias também têm sido desenvolvidos, como o
‘Camperico® ’ (formulado com Xanthomonas campestris f.sp. poeae) para controle de
pastinho-de-inverno (Poa annua). Outras bactérias também estão em estudo para o
desenvolvimento de novos bioherbicidas;
c) Aumentativa – normalmente usada para inimigos naturais (fungos, geralmente) de
difícil produção em larga escala e que são aplicados periodicamente somente em partes das
áreas em que se pretende obter controle. É uma prática com características clássicas
(ocupação de grande área após aplicação) e inundativas (várias liberações). Procura-se,
anualmente, manter a fonte de inóculo no ambiente por meio das liberações de inimigos
naturais endêmicos que causarão epidemia da doença na estação de cultivo. Tiriricas
(Cyperus rotundus e Cyperus esculentus) foram controladas eficientemente pela ferrugem
(Puccinia caniculata), através do bioherbicida ‘Dr. Biosedge® ’, registrado nos EUA (Phatak
et al., 1987; Tebeest, 1996). Utilizando insetos, tem-se, como exemplo, o controle de salvínia
(Salvinia molesta) por liberação periódica do curculionídeo Cyrtobagous salviniae.
Controle químico
O método de controle químico baseia-se no uso de produtos químicos visando matar
plantas daninhas. Muitos produtos, antes da década de 1940, já eram usados com essa
finalidade, como os boratos, o brometo de metila, o cloreto de sódio, o ácido sulfúrico, entre
outros. Todos esses produtos apresentavam sérios problemas e riscos, tanto para as culturas
como para o ser humano, além de nem sempre serem eficientes ou econômicos, por serem
utilizados em grandes quantidades por área aplicada (Deuber, 2006); além de não serem
seletivos. Esses produtos não são, essencialmente, produtos de uso agrícola, mas eram
utilizados como herbicidas. Nos dias de hoje, já não se usam mais esses produtos na
agricultura. Os produtos químicos utilizados para matar plantas daninhas passaram a ser
desenvolvidos a partir da década de 1940 e são, hoje, os principais defensivos agrícolas
comercializados no mundo, os herbicidas sintéticos.
Com o desenvolvimento de novos produtos e com a adoção do controle químico como
o principal método de controle de plantas daninhas, hoje, quase 50% dos defensivos agrícolas
comercializados são herbicidas. A grande aceitação do uso de herbicidas deve-se a alguns
fatores (atribuídos como vantagens em relação aos outros métodos), destacando-se, segundo
Silva e Silva (2007):
a) menor dependência de mão de obra, que é cada vez mais cara e difícil de ser
encontrada;
b) rápido, prático e eficiente;
c) o controle é eficiente, mesmo em épocas chuvosas;
d) pode ser usado com eficiência mesmo na linha de plantio, sem danificar o sistema
radicular da cultura;
e) permite o cultivo mínimo ou plantio direto;
f) pode controlar plantas daninhas de reprodução vegetativa.
O ideal é que o controle químico fosse usado apenas como auxiliar aos demais
métodos, porém, em muitos casos, os produtores usam apenas o método químico, gerando
alguns problemas. As principais desvantagens do controle químico em relação aos outros
métodos, segundo Silva e Silva (2007), são:
a) exigência de mão de obra mais qualificada e técnica;
b) poluição ambiental (de solos, rios, lençol freático etc);
174
c) presença de resíduos em alimentos, causando riscos para o ser humano e para os
animais;
d) manutenção de resíduo no solo, podendo causar danos a culturas subsequentes;
e) risco de deriva, causando danos em culturas vizinhas;
f) propensão à seleção de plantas tolerantes e/ou resistentes.
16 Segurança e uso adequado de agroquímicos
Definição e Classificação de Agrotóxicos:
A Lei nº 7.802 de 11 de julho de 1989 (que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação,
a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a
propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos
e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de
agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências) define os agrotóxicos como:
produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos
setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas
pastagens, na proteção de florestas, nativas ou plantadas, e de outros ecossistemas e de
ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora
ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos, bem
como as substâncias de produtos empregados como desfolhastes, dessecantes,
estimuladores e inibidores de crescimento. (BRASIL, 1989).
A classificação dos agrotóxicos é dada por sua finalidade de uso, ou seja, pela ação
sobre os organismos-alvo, sendo: herbicidas quando agem sobre as ervas daninhas,
inseticidas quando erradicam os insetos, fungicidas quando inibem o desenvolvimento dos
fungos, acaricidas quando agem sobre os ácaros, nematicidas quando eliminam os
nematóides, formicidas quando agem sobre as formigas, moluscicidas quando controlam
lesmas, bactericidas quando atuam sobre as bactérias, e raticidas quando eliminam os ratos,
reguladores e inibidores de crescimento (EMBRAPA, 2005).
Dentre todas as classes de uso, as mais importantes e de maior consumo são os
herbicidas, os inseticidas e os fungicidas, que juntos somam 94,8%. Existem 424 ingredientes
ativos em 1.500 formulações comerciais diferentes no Brasil, portanto é indispensável tomar
conhecimento desta classificação (ALMEIDA, 2009).
Herbicidas:
Segundo Saad, 1985, os herbicidas podem ser aplicados no solo, nas folhas, ramos e
caule, sob a forma de pulverização e com isso erradicam as plantas. Alguns exemplos são
Paraquat, 2,4-D, Dinitrofenóis, Glifosato, etc. São classificados em:
Herbicidas de contato: matam somente as partes das plantas que entraram em
contato com o produto.
- não seletivos – eliminam toda a vegetação e são utilizados em áreas não cultivadas.
- seletivos – eliminam somente as ervas daninhas nas culturas, sem danificar as
plantas cultivadas.
Translocadores: a ação é por translocação e matam toda a planta, já que se
disseminam em todas as suas partes. São utilizados em plantas anuais ou perenes.
- não seletivos – eliminam todas as plantas.
- seletivos – específicos para determinadas espécies de ervas ou culturas.
175
Esterilizadores: eliminam a vegetaçãoe deixam resíduos tóxicos no solo:
temporários, quando sua duração é pequena; e permanentes, se duram um ano ou mais.
Desfolhantes: não se trata de herbicidas propriamente ditos, mas de substâncias que
provocam a queda das folhas.
Inseticidas
Conforme Gallo, 1988, os inseticidas são compostos químicos ou biológicos que são
aplicados sobre os insetos, e dependendo da dose os eliminam.
Os inseticidas atuam sobre os organismos vivos por meio de bloqueio de algum
processo bioquímico ou fisiológico. Um dos principais alvos de ação desses produtos tem sido
o sistema nervoso dos insetos. Após o DDT por volta de 1940, foram lançados outros grupos
de inseticidas organossintéticos, tais como ciclodienos, organofosforados, carbamatos e
piretróides, sendo todos neurotóxicos. O modo de ação dos inseticidas pode ser:
Sistêmicos: quando aplicados na folhas, ramos, raízes e solo são absorvidos e
percorrem junto com a seiva para várias regiões da planta, atuando sobre insetos sugadores
ou mastigadores.
Contato: quando pulverizados sobre as pragas;
Ingestão: sobre os insetos mastigadores, após pouco tempo de aplicação sobre as
folhas.
Alguns exemplos mais conhecidos dos grupos químicos distintos:
Organofosforados: acefato, metamidofós, monocrotofós, paration metil, triclorfon,
diclorvós.
Carbamatos: aldicarb, carbofuran, carbosulfan, carbaril, propoxur.
Organoclorados: São derivados do clorobenzeno, do ciclohexano ou do ciclodieno,
tais como, aldrin, endrin, BHC, DDT, endossulfan , heptacloro, lindane.
Piretróides: alfacipermetrina, deltametrina, permetrina, cipermetrina, lambda-
cialotrina.
Os inseticidas são encontrados em várias formulações diferentes, pois o produto
técnico é transformado numa forma apropriada de uso, seja misturando-os com inertes,
sólidos ou líquidos. Os inertes são substâncias neutras que diluem o inseticida puro. Alguns
exemplos são a areia, argila, betonita, caolim, farinhas, talco, etc. Os inseticidas são
encontrados nas seguintes formulações, segundo Gallo, 1988:
Pó seco: pó para polvilhamento das plantas, animais, solos ou sementes. Sigla
comercial P. Contém de 1 a 10% de princípio ativo.
Pó molhável: o inseticida recebe um agente molhante qu forma suspensões estáveis.
Sigla comercial PM.
Pó solúvel: necessita ser dissolvida em água. Sigla comercial PS.
·Granulados: formulados em forma de pequenos grânulos e recebem a sigla G ou
GR. Facilidade na aplicação e segurança ao usuário.
Concentrados emulsionáveis, emulsão concentrada ou emulsões e dispersões
aquosas: Em misturas com água formam emulsões de aspecto leitoso. Siglas comerciais CE,
EC ou E. Sua aplicação exige mistura em água.
Soluções concentradas: para diluição em óleo ou água e soluções de ultrabaixo
volume (mais indicado para aplicação aérea).
Aerossóis: os inseticidas assim embalados possuem solventes voláteis.
Gasosos: devem ser usados somente para ambientes confinados. O brometo de
metila se gaseifica em contato com o ar.
Suspensão líquida (Flowable): diluição em veículo líquido, que pode ser água
(flowable) ou emulsão de óleo em água. Sigla comercial F.
176
Pastas: sob forma pastosa, para ser utilizada sem diluição, sobre partes vegetais.
Microencapsulada: as partículas do inseticida são envolvidas por uma camada de
polímeros.
Espalhantes adesivos: auxiliam na fixação do inseticida na planta, promovendo
melhor espalhamento. (GALLO, 1988).
Fungicidas
Segundo Filho, 1995, o grupo mais importante de agrotóxicos utilizados para o controle
de doenças de plantas é o dos fungicidas, que incluem alguns bactericidas e alguns
nematicidas. Podem ser:
De contato: atuam diretamente sobre o fungo. São eficazes no tratamento do solo, no
tratamento de sementes e no tratamento de inverno das plantas que entram em repouso
vegetativo. São os fumigantes de solo, chamados biocidas. Como são voláteis, logo após sua
aplicação necessitam de cobertura impermeável, para aumentar a exposição dos patógenos.
Exemplos: brometo de metila, dazomet, formol (aldeído fórmico), quintozene, etridiazol, etc.
Protetores: são aplicados nas partes suscetíveis das plantas. São relativamente
insolúveis em água e possuem dificuldade de penetração na planta. Exemplos: enxofre, calda
sulfo-cálcica, calda bordalesa, ziram, ferbam, thiram, zineb, maneb, mancozeb,chlorothalonil,
dicloran, captan, etc.
Curativos sistêmicos: possuem alta capacidade de penetração e translocação na
planta, agindo curativamente. Além dos efeitos curativos, imunizantes e protetores, tem ação
erradicante. Apresentam poucos problemas de fitotoxicidade e de contaminação ao meio
ambiente. Exemplos: carboxin, benomyl, carbendazim, tiofanato metílico, propiconazole,
tebuconazole, etc.
Classificação toxicológica
A chamada classificação toxicológica decorre sobre a toxicidade dos produtos, e
depende do poder letal do ingrediente ativo sobre os seres humanos (TERRA, 2008).
A classificação toxicológica de agrotóxicos é estabelecida pela Portaria nº3 de 16 de
janeiro de 1992, da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, que
define as seguintes classes:
Para se determinar a toxicidade, o padrão é a Dose Letal a 50% e é definida como a
concentração atmosférica de uma substância química capaz de matar 50% da população de
animais testados num intervalo de tempo definido, sendo medida em miligramas de
substância em quilogramas de massa do animal testado (TERRA, 2008).
Classificação ambiental:
A Portaria Normativa IBAMA N° 84, de 15 de outubro de 1996, "estabelece critérios a
serem utilizados junto ao IBAMA, para efeito de registro e avaliação do potencial de
periculosidade ambiental (ppa) de agrotóxicos, seus componentes e afins”. (BRASIL, 1996).
No seu Art. 3° classifica os agrotóxicos quanto ao potencial de periculosidade
ambiental baseando-se nos parâmetros bioacumulação, persistência, transporte, toxicidade a
diversos organismos, potencial mutagênico, teratogênico, carcinogênico, obedecendo a
seguinte graduação:
Classe I - Produto Altamente Perigoso
Classe II - Produto Muito Perigoso
Classe III - Produto Perigoso
Classe IV - Produto Pouco Perigoso
177
17 Noções sobre legislação e defesa vegetal
A produção vegetal - sob todos os aspectos e qualquer que seja a sua finalidade - está
sujeita a um complexo de perdas que responde por um percentual bastante elevado do seu
aproveitamento, quer como insumo para as indústrias, quer dirigida diretamente para o
consumo humano e dos animais.
Desde a fundamentação da safra (preparo do solo, o tratamento das sementes ou das mudas
e a semeadura), durante o desenvolvimento das culturas, na ocasião das colheitas, no
beneficiamento, na embalagem, no transporte e no armazenamento da produção, as pragas
consomem ou inutilizam, por vezes, cerca de 30% da produção. Além disso, durante o ciclo
das culturas, ocorrências climáticas cíclicas anulam outra parcela bastante significativa do que
se plantou e do que se pode armazenar.
É notório que a cada dia cresce a demanda de produtos agrícolas, industrializados ou
in natura. Essa crescente demanda é consequência do surto populacional que o mundo está
experimentando. Atualmente, calcula-se existir mais de 500 milhões de pessoas
subalimentadas, com estimativas de aumento para 600 a 650 milhões até o final do século
21, em que pesem os grandes avanços tecnológicos da agricultura, conquistados pela
pesquisa agronômica.
Para atender a esse aumento populacional, as estratégias governamentais visam
duplicar a produção de vegetais alimentícios, fibrosos e energéticos. Dois procedimentos
poderiam ser adotados para alcançar esse objetivo:
melhorar os índices de produtividade da agricultura;
ampliar as áreas cultivadas, abrindo novas fronteiras agrícolas.
A implementação desordenada de qualquer dos casos resultaria no surgimento de
outros problemas,notadamente o aumento de pragas. De fato, a ampliação de áreas de
cultivo implica na introdução de novas espécies ou cultivares, ainda não adaptadas ao
ambiente. A obtenção de melhores índices de produtividade também promove a introdução
de novas espécies, variedades e cultivares. É exatamente neste intercâmbio de materiais de
multiplicação vegetal que o homem cria as condições de vulnerabilidade para introdução de
novas pragas e para disseminação das já existentes.
Deve-se somar a essa problemática a globalização da economia, na qual se pratica
um comércio aberto e a cada dia mais diversificado, intenso em volume e rápido no
deslocamento entre países ou continente, com o previsível aumento da possibilidade de
disseminação de pragas exóticas.
As perdas na agricultura ocasionadas pelo ataque de pragas e por doenças remontam
desde antes da era cristã, quando a humanidade já sofria com o ataque de gafanhotos. A
mela da batata, ocasionada pelo fungo Phytophthora infestans, surgiu pela primeira vez em
1845, na Irlanda, e causou a morte de milhares de pessoas e também a emigração de outros
milhares para os Estados Unidos, uma vez que a batata era, na época, a base da alimentação
do povo europeu.
Em 1863, as plantações de videira francesas foram praticamente dizimadas pelo
ataque de uma hemíptera, praga conhecida como “Phylloxera da Videira”. Em função dela,
em 1881, foi criada a Convenção Internacional Contra a Phylloxera da Videira, substituída em
1929, em Roma, pela Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais, também conhecida
como Convenção de Roma, da qual o Brasil faz parte como signatário.
Nos Estados Unidos, em 1910, surgiu pela primeira vez, na Flórida, o cancro cítrico,
doença causada pela bactéria Xanthomonas axonopodis pv citri, por meio de mudas cítricas
178
trazidas por imigrantes japoneses, ocasionando grandes prejuízos aos citricultores e à
economia americana. Por isso, em 1912, foi criada a Lei de Quarentena Vegetal dos EUA.
A primeira referência de gafanhotos no Brasil data de 1888, quando se verificou grande
infestação de Schistocerca pallens nos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Em
1938, 1942 e 1946, invasões de Schistocerca cancellata, partindo da Argentina, atingiram
todo Sul e Sudeste brasileiro. E, em 1984, a mais intensa de todas infestações ocorreu em
Mato Grosso, com o gafanhoto migratório Rhammatocerus schistocercoides ocupando uma
faixa compreendida entre os paralelos 12 e 15, desde a divisa com Rondônia até o Vale do
Rio Araguaia, na divisa com Goiás.
Em 1905, foi detectada a presença da mosca das frutas, Ceratitis capitata (mosca do
mediterrâneo), que atualmente se encontra difundida em todo território brasileiro. Em 1922,
surgiu o mosaico da cana-de-açúcar e, em 1945, outra virose apareceu em pomares cítricos:
a Tristeza dos Citros, provavelmente por material cítrico proveniente da África do Sul ou
Argentina. Só no estado de São Paulo foram destruídas cerca de 12 milhões de plantas.
Em 1957, também introduzido no Brasil por imigrantes japoneses, surgiu o cancro cítrico, na
região de Presidente Prudente (SP). Hoje, a praga se encontra disseminada nos estados do
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,
Minas Gerais e Roraima. Trata-se de uma grande ameaça à citricultura nacional,
principalmente na região produtora considerada nobre, em São Paulo, responsável pela
exportação de US$ 1,5 bilhões/ano em suco de laranja.
A ferrugem do cafeeiro, Hemileia vastatrix, surgiu pela primeira vez no Brasil em 1970,
em Itabuna (BA), causando grande preocupação para a cafeicultura nacional, e com a
erradicação, na época, de milhares de pés de café em Minas Gerais, Espírito Santo e São
Paulo. Rapidamente, a doença se espalhou para todas regiões produtoras do país.
O moko da bananeira, causado pela bactéria Pseudomonas solanacearum raça 2, foi
identificado no Brasil,em 1976, no Amapá, e vem causando sérios prejuízos para a cultura na
região Norte.
Em 1983, surgiu o bicudo do algodoeiro, Anthonomus grandis, nas imediações do
aeroporto internacional de Viracopos, Campinas (SP). No mesmo ano, foi identificado em
Americana (SP) e Campina Grande (PB) e hoje se encontra nas principais regiões brasileiras
onde se pratica a cotonicultura.
A vespa-de-madeira, Sirex noctillio, de origem eurasiana, que ataca Pinus spp., foi
constatada no Brasil em 1988 e já atinge o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Outra doença importante introduzida no Brasil é o nematoide de cisto da
soja, detectado em 1992 e já espalhado em regiões produtoras de Minas Gerais, Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo.
A mariposa Cydia pomonella, que causa severos danos em rosáceas, foi constatada
em 1991 em regiões suburbanas dos municípios de Vacaria (RS) e Lajes (SC).
Em 1996, outra praga dos Citros foi introduzida no país, o minador da folha dos citros,
Phyllocnistis citrella, detectada em São Paulo e disseminada para quase todos os estados
brasileiros.
Nesse mesmo ano, outras pragas de grande importância pelo seu potencial de dano
econômico foram introduzidas/disseminadas no país, tais como:
Bactrocera carambolae (Mosca da carambola), introduzida no Oiapoque (AP);
Bemisia argentifolii raça B (mosca branca), disseminada a partir de São Paulo,
observada atacando cucurbitáceas, solanáceas e plantas ornamentais, entre outras.
Em 1998, constatou-se a ocorrência da Sigatoka Negra (Mycosphaerella fijiensis var.
difformis) em plantios de bananeiras no Amazonas e Acre. Atualmente, além desses estados,
179
a praga já foi identificada em Rondônia e Mato Grosso e, mais recentemente nas regiões
Sudeste/Sul, onde se localizam as principais áreas produtivas e de exportação.
A ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, foi pela
primeira vez relatada no Brasil em 2001 e já se encontra nos principais estados produtores.
Em março de 2004, foi relatada em São Paulo (Araraquara) a praga Candidatus liberibacter
spp., conhecida por greening ou huanglongbing, considerada em todo mundo a mais
importante praga dos citros.
Em 2009, duas importantes pragas foram introduzidas em Roraima: o Ácaro Vermelho
das Palmeiras e o Ácaro Hindu. No mesmo estado, em 2011, foi detectada pela primeira vez
a Cochonilha Rosada. Essas pragas introduzidas em áreas indenes causaram e vêm
causando grandes prejuízos à economia nacional. Uma vez introduzidos, esses agentes
poderão ser disseminados para as mais diversas regiões, seja pelo próprio homem ou pela
natureza.
Daí, a necessidade de se estabelecer Normas e Procedimentos (Legislação
Fitossanitária), abrangendo todos os aspectos da cadeia produtiva, desde a produção,
armazenamento, processamento e comercialização (trânsito interestadual e internacional),
com o objetivo de salvaguardar o agronegócio brasileiro.
O Método de Controle Legislativo aplica-se, especialmente, aos princípios de exclusão
e erradicação, por meio da regulamentação da importação, exportação, comércio e trânsito
interno de vegetais, partes de vegetais, produtos e subprodutos vegetais, além de
indiretamente estar envolvido no controle químico, pois atua no registro, produção e comércio
de agrotóxicos.
Economicamente, este método seria o mais viável, pois, uma vez estabelecida em
determinada área, torna-se difícil o controle dessa praga e, na maioria das vezes, sua
erradicação é quase impossível. A convivência com uma praga estabelecida em determinada
área exige diversos métodos de controle que, em geral, são bastante onerosos para o
agricultor e danosos para a economia local, estadual e nacional.
17.1 Contribuições da defesa vegetal
O agricultor norte-americano gastava em 1915, em média, 132 horas de trabalho para
obter uma produtividade de seis toneladas de alimento por hectare cultivado. Em 1950, o
tempo necessário paraatingir as mesmas 6 toneladas caiu para a média de 53 horas e, em
1985, com apenas 3 horas, ele obtinha o mesmo resultado. Esta progressão deveu-se,
particularmente, à introdução de novas tecnologias agrícolas, utilizadas em forma integrada.
Na história sobre o uso do manejo fitossanitário integrado, o ano de 1950 assumiu
uma característica de divisor de águas para a agricultura mundial, pois, a partir daquela época,
passou-se a explorar a idéia de integração do controle químico com o biológico, com o objetivo
de se resolver o conflito entre o uso de inseticidas e ação dos inimigos naturais. Estava,
portanto, plantada a semente da seleção de métodos de controle e do desenvolvimento de
critérios para o emprego do Manejo Integrado de Pragas (MIP), garantindo consequências
favoráveis sob os pontos de vista econômico, ecológico e sociológico. Uma conceituação que
desabrochou, definitivamente, em 1961, quando os ecologistas australianos Diana e Clark
escreveram um artigo em que defendiam uma tecnologia visando fazer o manejo protetor
contra espécies benéficas (predadores, parasitas, polinizadores).
No Brasil, entomologistas pioneiros, como o Prof. Costa Lima (Escola Nacional de
Agronomia – Rio de Janeiro), já eram precursores da idéia de controle integrado pois, quando
180
este fez o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país (1950), propôs uma série
de medidas que se enquadram perfeitamente no conceito de integração de hoje.
A classe Agronômica tem apoiado o Método Integrado de Cultivo, no qual se levam
em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta a capacidade máxima de
produção, permitindo que ela aproveite eficazmente o seu potencial produtivo. O controle
químico é, então, apenas uma das medidas da Agricultura Integrada.
A prática do Manejo Integrado, em defesa fitossanitária, permite que sejam aplicados
produtos e métodos de acordo com as necessidades sentidas por produtores e consumidores
de alimentos.
A ANDEF – Associação Nacional de Defesa Vegetal - tem sido grande propulsora do
Manejo Integrado. No passado, isto parecia ser muito mais o papel de órgãos de pesquisa e
universidades no nosso país. Hoje estamos de mãos dadas. O dilema da Resistência das
Pragas aos inseticidas tem estado presente há anos, e também contribui para o
desenvolvimento de programas de MIP.
Os ácaros, que são a ruína dos produtores de maçãs e pêras, têm uma longa história
de desenvolvimento de resistência. O curto ciclo de vida e o rápido período entre as gerações
aceleram a velocidade na qual a resistência se desenvolve. Mais de meia dúzia de acaricidas
tornaram-se ineficientes devido à resistência de ácaros, e apenas alguns continuam sendo
eficazes, por meio da implementação de rigorosas estratégias de manejo de resistência.
Em termos mundiais, mais de 500 espécies de insetos e outros artrópodes já
demonstram resistência a uma classe de inseticidas. No Brasil, pode-se citar como exemplo
o caso do ácaro da leprose do citros, Brevipalpus phoenicis e os sérios prejuízos causados
nas principais regiões produtoras.
O desenvolvimento da resistência é simplesmente uma conseqüência da seleção
natural. O agente de controle (um inseticida ou acaricida) evita a reprodução de determinados
insetos e ácaros sensíveis. Um pequeno percentual da população pode portar genes
resistentes que permitem que uma determinada praga já existente na população sobreviva,
ou possa surgir com a mutação. Como os produtos para proteção de culturas continuam a
eliminar os indivíduos suscetíveis, o equilíbrio da população se altera. Os resistentes
continuam a se multiplicar até que, por fim, se tornem predominantes. É importante
registrarmos o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo IRAC-BR (Comitê Brasileiro de
Ação a Resistência de Inseticidas), como os outros comitês afins nas áreas de Fungicidas e
Herbicidas, isto é, FRAC e HRAC.A Defesa Fitossanitária é uma prática que objetiva
salvaguardar a produção agrícola dos danos provocados por pragas, doenças e plantas
daninhas. Tradicionalmente, estes problemas são enfrentados com o emprego de Produtos
Fitossanitários. Esta luta não é fácil, principalmente quando se levam em conta os efeitos não
desejados que podem advir do uso inadequado dos produtos fitossanitários, em especial, o
uso equivocado dos agroquímicos, baseando-se em calendários de aplicações,
independentemente de sua necessidade. Como resultado, tem-se a realização de tratamentos
que resultam levam quantidades desnecessárias desses produtos ao meio ambiente.
A prática de intervir com produtos fitossanitários em períodos programados, mesmo
quando as populações de pragas não estão provocando “danos econômicos”, é uma das
causas que podem fazer parte desses efeitos não desejados e de outros inconvenientes que
afetam o agricultor, tais como:
Desenvolvimento de resistência pelos agentes a serem controlados
Aparecimento de novas Pragas, devido à eliminação maciça dos Inimigos Naturais
O uso dirigido e adequado do Produto Fitossanitário é um método que compreende
sua utilização quando os agentes daninhos chegam a uma população que realmente irá
181
provocar prejuízo econômico à cultura estabelecida. Para isso, deve-se ter como base para
sua prescrição e utilização alguns quesitos como:
Conhecimento da Praga, Doença ou Planta Daninha
Eficiência dos Produtos Fitossanitários
Conhecimento dos Inimigos Naturais
Condições Climatológicas
Métodos de Amostragens
Conhecimento dos Níveis de Danos Econômicos
O Manejo Integrado, sem dúvida, é o melhor caminho para o uso correto e
seguro dos produtos fitossanitários. Esta prática também oferece a possibilidade de
deixar que Predadores / Parasitas / Polinizadores desenvolvam seu papel útil à
agricultura. Paralelamente, existe a vantagem de reduzir a dimensão da resistência
das pragas aos diferentes produtos.
As exigências da moderna agricultura brasileira crescem à medida que se
impõe a necessidade de garantia dos níveis de produção e produtividade, adequados
ao pleno abastecimento do mercado interno e geração de excedentes exportáveis que
possam contribuir, de forma definitiva, para o superávit da balança comercial do País.
Os insumos agrícolas, quando utilizados sob a supervisão de profissionais
legalmente habilitados, geram resultados positivos para todos os envolvidos no
processo. O Manejo Integrado de Pragas, Doenças e Plantas Daninhas, que consiste
na implementação de métodos de controle que utilizem, harmonicamente, os
processos químicos, físicos, biológicos e os métodos culturais, de forma planejada,
resulta em benefício da produtividade, proteção ambiental, segurança do consumidor
e das pessoas envolvidas na atividade agrícola.
A produção agrícola é norteada por 3 (três) tipos de fatores de produção (de
acordo com Rabbringe e De Wit, 1989):
• fatores determinantes da produtividade
• fatores limitantes da produtividade
• fatores que reduzem a produtividade
Os fatores determinantes da produtividade, tais como a capacidade genética
da planta, o solo e a luz solar, estabelecem o nível potencial da produção. Muitas
vezes, o potencial não pode ser concretizado, devido a fatores limitantes, como falta
de água, nitrogênio ou fósforo, acidez do solo, entre outros. A produtividade efetiva
(de acordo com Zadoks e Schein, 1979 ) não pode ser colhida devido aos fatores
redutores de rendimento. A Proteção das Plantas trata dos fatores que reduzem a
produtividade, com devida consideração dos fatores limitantes.
As pragas, as doenças dos vegetais e as plantas daninhas estão entre os
principais fatores que reduzem a produção de alimentos e outros bens indispensáveis
à sobrevivência e bem-estar das populações. A tecnologia tem propiciado ao homem,
meios cada vez mais eficazes para superar tais problemas. Entre esses meios
destaca-se o emprego dos DefensivosAgrícolas, produtos fitossanitários capazes de
eliminar ou reduzir as infestações e os consequentes prejuízos trazidos pelas pragas,
doenças e plantas daninhas. Esta é uma luta contínua em que se empenham
especialistas de todo o mundo, nas instituições governamentais, nas entidades
internacionais, nas universidades e nas empresas particulares.
182
17.2 Proteção de Plantas
Evitar as perdas na agricultura tem sido o nosso grande objetivo. Nós, os Engenheiros
Agrônomos, assim como profissionais de outras áreas afins de ciências agrárias, nos
preocupamos muito com as perdas na agricultura, incluindo a área fitossanitária. De acordo
com a FAO, 35% são as perdas nessa área: 14% pelos insetos, 12% devido às doenças e 9%
com as plantas daninhas. A situação é mais preocupante quando se comparam as perdas
entre países em desenvolvimento, como o Brasil, com os desenvolvidos.
O controle das pragas, doenças e plantas daninhas por meio dos produtos
fitossanitários, apesar de ser rápido, econômico e eficiente, deve ser utilizado de modo
vantajoso associado a outros métodos de controle.
Desde que o homem começou a usufruir dos Produtos Fitossanitários como arma para
combater os insetos, aplicando os Inorgânicos (como os Arseniatos) ou os de Origem Vegetal
(como Nicotina, Rotenona e Piretro), tivemos várias Fases no controle fitossanitário.
1ª Fase: “Fase da Subsistência”
O rendimento de controle era baixo, muito dependente do Controle Natural, da
Resistência Natural e de Práticas Culturais. Raros eram os tratamentos com Produtos
Fitossanitários. O homem contava, acima de tudo, com a sorte.
2ª Fase: “Fase da Exploração”
Houve expansão do cultivo e da confiança em esquemas de Controle Químico. Os
Produtos Fitossanitários eram aplicados de acordo com um calendário prévio. Os índices de
produtividade cresceram e, por conseguinte, houve o abandono de métodos alternativos.
3ª Fase: “Fase da Crise”
A aplicação no esquema de calendário, com épocas preestabelecidas, levava, muitas
vezes, o agricultor a executar os tratamentos fitossanitários desnecessáriamente, quando a
incidência das pragas era ainda muito baixa ou até mesmo inexistente. Isto contribuía para
uma redução drástica dos inimigos naturais, cujas populações não conseguiam mais atingir
os níveis adequados para um controle natural das pragas que, por sua vez, ressurgiam em
surtos mais severos. O uso intensivo de um mesmo produto contribuía, além disso, para o
desenvolvimento de resistência, tornando o problema ainda mais sério.
4ª Fase: “Fase do Desastre”
Havia um maior custo do controle fitossanitário, o abandono das culturas por
produtores marginais e a impossibilidade do cultivo econômico em certas áreas.
183
5ª Fase: “Fase do Manejo Integrado”
Hoje, temos que conduzir a Agricultura com conhecimento técnico, criatividade e
inteligência, levando em consideração todos os fatores que podem proporcionar à planta a
sua capacidade máxima de produção, permitindo que ela aproveite eficazmente o seu
potencial produtivo. Isso só se consegue através do Sistema Integrado de Manejo na
Produção Agrícola. Na área de Proteção de Plantas, o objetivo é atingir os níveis mais
elevados possíveis no controle, dentro de uma visão sistemática e integrada da produção
agrícola sustentável.
17.3 Legislação Fitossanitária Brasileira
A Legislação Fitossanitária Brasileira está dividida em dois grandes grupos
normativos:
Legislação básica
Legislação complementar
Legislação básica
1) O Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária – SUASA (Decretonº 5.741,
de 30/03/2006).
Estabelece as regras destinadas aos participantes do Sistema Unificado de Atenção à
Sanidade Agropecuária e as normas para a realização de controles oficiais destinados a
verificar o cumprimento da legislação sanitária agropecuária e a qualidade dos produtos e
insumos agropecuários.
2) Regulamento de Defesa Sanitária Vegetal – RDSV (Decreto 24.114 de 12/04/1934) (EM
REVISÃO) – Estabelece as Normas e os Procedimentos adotados pelo Brasil, para:
Importação de vegetais;
Exportação de vegetais;
Comércio e trânsito de vegetais;
Erradicação e combate às pragas dos vegetais;
Desinfecção e desinfestação de vegetais.
3) Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais – CIPV
A CIPV tem como objetivo assegurar uma ação comum e permanente contra a
introdução e disseminação de pragas dos vegetais, partes de vegetais e produtos de origem
vegetal, além de promover as medidas para o seu combate. O Brasil, como signatário e, por
conseguinte, parte contratante, compromete-se a adotar as medidas legislativas, técnicas e
administrativas especificadas nessa Convenção e em acordos suplementares propostos pela
Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO, por iniciativa própria
ou por recomendação de uma das partes contratantes.
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4) Acordos Fitossanitários Internacionais
Com o advento da OMC e particularmente do Acordo sobre Aplicação de Medidas
Sanitárias e Fitossanitárias, conhecido como Acordo SPS, vários países têm implementado a
celebração de acordos, com vistas a facilitar o comércio do agronegócio, principalmente
aqueles que têm esse segmento como importância estratégica em suas economias.
A base para esses acordos fundamenta-se no texto do Acordo SPS e nas decisões do
Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio. Esse
Comitê implementa a discussão de temas como regionalização, equivalência, trato especial e
diferenciado, notificação e transparência,além de ter uma participação importante na solução
de controvérsias entre seus membros nos temas sanitários e fitossanitários.
Nesse sentido, o Brasil vem implementado discussões para implantação de protocolos
bilaterais e bi-regionais que são alterados, ajustados ou extintos em função dos interesses
das partes contratantes. Como exemplos podem ser citados as negociações e Acordos com
o Canadá, Estados Unidos da América, Chile, China, Argentina, entre outros, para a
celebração de protocolos de equivalência e entre o Mercosul e a União Européia nas áreas
sanitárias e Fitossanitárias.
Como prioridade manifestada pelo atual governo brasileiro em relação ao
fortalecimento do MERCOSUL foram agilizados os Acordos do bloco MERCOSUL com
diversos países, tais como: Peru, União Europeia, África do Sul, Índia, Bolívia, Comunidade
Andina das Nações e Chile.
Os acordos bilaterais são muito relevantes para a integração comercial. A título de
exemplo, informamos que o Brasil tem cerca de 120 acordos bilaterais na área sanitária e
fitossanitária, firmados com cerca de 45 países. Muitas vezes a implementação bilateral é
mais rápida e traz resultados para o comércio de forma mais célere, além de facilitar possíveis
entendimentos mais abrangentes num futuro próximo.
5) Lei dos agrotóxicos (Lei nº 7.802 de 11/07/89 e Decreto nº 98.816 de 11/01/90)
Esta Lei substituiu o capítulo VI do Regulamento da Defesa Sanitária Vegetal, e dispõe
sobre a pesquisa, experimentação, produção, embalagem, transporte, armazenamento,
comercialização, utilização, importação, exportação, destino final dos resíduos e embalagens,
registro, classificação, controle, inspeção e fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e
afins.
Legislação complementar
A Legislação Complementar estabelece ou regulamenta as normas, procedimentos e
estrutura operativa da Defesa Sanitária Vegetal no país. É constituída por Portarias,
Instruções Normativas, Instruções de Serviço, etc., que são editadas e atualizadas
periodicamente de acordo com as prioridades e conveniências da fitossanidade nacional.
Pragas Regulamentadas
1 - Pragas Quarentenárias(PQ)
Para identificar como quarentenária uma determinada praga, usa-se a definição
adotada pelaFAO, cujos elementos básicos incluem considerações sobre a presença ou
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ausência da praga em uma área posta em perigo, a distribuição da mesma, sua importância
econômica e se está ou não sendo objeto de controle oficial.
Adicionalmente, levam em consideração critérios acerca do potencial de
disseminação,da importância relativa dos meios naturais e artificiais de disseminação, do
potencial de estabelecimento e da adequação climática da área.
Definição de Praga quarentenária: aquela que pode ter importância econômica potencial
para uma área posta em perigo, quando a praga ainda não está presente ou, se existente na
área, não está disseminada e se encontra sob controle oficial. As pragas definidas como
quarentenárias são agrupadas nas seguintes categorias:
Quarentenária ausente: Pragas exóticas (não presentes em determinada área) e que
se ajustam à definição de praga quarentenária.
Quarentenária presente: Pragas que apresentam disseminação localizada e que
estão submetidas a medidas fitossanitárias e respondem à definição de praga
quarentenária.
2 - Pragas Não Quarentenárias Regulamentadas (PNQR)
Conforme definição da CIPV, uma praga é considerada Não Quarentenária
Regulamentada quando não for uma praga quarentenária e cuja presença em materiais de
propagação vegetal (MPV) influi no uso proposto para estas plantas, com repercussões
econômicas inaceitáveis e que, portanto, está regulamentada no território da parte contratante
importadora.
Entende-se por MPV aquelas plantas destinadas a permanecerem plantadas, serem
plantadas ou replantadas, como sementes, mudas, gemas, estacas, tubérculos etc.
Os países signatários da CIPV interessados em resguardar a sanidade de suas
lavouras poderão regulamentar essas duas categorias de pragas (PQ e PNQR) baseadas em
apurada justificativas técnica, apresentada sob a forma de Análise de Risco de Pragas (ARP).
3 - Análise de Risco de Pragas (ARP)
Por definição, ARP é um processo de avaliação de evidências biológicas, científicas e
econômicas para determinar se uma praga deveria estar regulamentada e a intensidade de
quaisquer medidas fitossanitárias aplicadas para seu controle.
Os objetivos da ARP são identificar as pragas de importância quarentenárias e não
quarentenárias regulamentadas, avaliar seus riscos fitossanitários e estabelecer as medidas
para diminuir o risco, de forma tal que barreiras comerciais alicerçadas em questões
fitossanitárias injustificadas sejam evitadas.
Toda medida fitossanitária regulamentada por um país deverá estar baseada em
normas aprovadas pela CIPV/FAO. No caso da Análise de Risco de Pragas deve-se utilizar,
principalmente, o estabelecido nas seguintes Normas Internacionais para Medidas
Fitossanitárias (NIMF):
FAO, 1995. Princípios de Quarentena Vegetal com Relação ao Comércio
Internacional.NIMF no 01. Roma;
FAO, 1996. Diretrizes para a Análise de Risco de Pragas. NIMF no 02. Roma;
FAO, 2001. Análise de Risco de Pragas Quarentenárias. NIMF no 11. Roma;
FAO, 2002. Pragas Não Quarentenárias Regulamentadas: Conceito e Aplicação.
NIMF no 16. Roma;
186
FAO, 2004. Análise de Risco de Pragas Não Quarentenárias Regulamentadas. NIMF
no 21. Roma.
Uma análise de risco só tem sentido em relação a uma área definida, que poderá ser uma
região, um país ou uma área dentro do país. Devem-se identificar as pragas e/ou vias
(qualquer meio que permita a entrada ou disseminação de uma praga) e avaliar o risco, com
o fim de identificar áreas em perigo e, se for apropriado, identificar opções para manejar o
risco.
Antes de começar a realizar uma nova ARP deve-se verificar se a praga ou via de entrada
em questão já tenha sido submetida a este processo, em nível nacional ou internacional. No
caso de haver uma ARP, deve-se verificar sua validade, já que as condições fitossanitárias
podem ter mudado. Outra opção é verificar a existência de ARP similar que possa substituir,
parcial ou totalmente, a necessidade de uma nova ARP.
O processo de ARP é composto, basicamente, de três etapas:
1. Início do Processo;
2. Avaliação do Risco; e
3. Manejo do Risco.
1 - Início do processo: é a identificação de pragas ou vias de entrada para as quais é
necessária uma ARP.
a) Identificação de uma via. Consiste na identificação de um produto associado ao qual uma
praga pode ser levada a um determinado local. Ex: incorporação ao comércio internacional
de um produto, normalmente uma planta ou produto vegetal, que anteriormente não havia
sido importado pelo país; ou de um produto proveniente de uma área nova ou país de origem
novo;
b) Identificação de uma praga. Um processo de ARP pode ser iniciado para situações onde
há envolvimento direto da praga. Ex: em caso de pesquisa, é comum a solicitação para
importar um organismo; situação de emergência ao interceptor uma nova praga em um
produto importado; quando novos aspectos relacionados a uma praga são identificados pela
pesquisa científica; introdução
de uma praga em uma área, interceptação de uma praga em repetidas ocasiões, identificação
de um organismo como vetor de outras pragas, etc.
c) Revisão das políticas e prioridades fitossanitárias. Ex: decisão nacional de examinar
regulamentos, requisitos ou operações fitossanitárias; proposta formulada por outro país ou
por uma organização internacional, mudança da situação fitossanitária de um país, etc.
É importante nesta etapa inicial identificar claramente a identidade da(s) praga(s), sua
distribuição geográfica atual e sua associação com plantas hospedeiras, produtos etc. A
obtenção das informações para a ARP pode ser feita a partir de diversas fontes, tais como
especialistas, Internet, bancos de dados nacionais e internacionais, além de literatura
especializada. O fornecimento da informação oficial sobre a situação de uma praga é uma
obrigação prevista na Convenção Internacional de Proteção Fitossanitária (CIPV, 1997) e
deverá ser facilitada pelas Organizações Nacionais de Proteção Fitossanitária – ONPF.
187
2 - Avaliação do risco: tem por propósito determinar se uma praga é realmente quarentenária
ou não quarentenária regulamentada, categorizada em termos de potencial de ingresso,
estabelecimento, disseminação e repercussão econômica. Esta etapa pode ser dividida em
três passos relacionados entre si:
a) Classificação das pragas: Cada praga é examinada para averiguar o cumprimento dos
critérios utilizados para classificação como PQ ou PNQR. Nesse passo se examinará, para
cada praga, se os critérios estabelecidos, na definição, são aplicáveis. A oportunidade de
excluir uma praga ou pragas antes de começar uma análise mais aprofundada é uma valiosa
característica do processo de classificação.
A classificação pode ser realizada com poucas informações, mas deverá ser suficiente
para que seja feita de forma adequada. Seus elementos básicos são: identidade da praga;
presença ou ausência na área de ARP; situação regulamentar; possibilidade de
estabelecimento e disseminação na área; potenciais consequências econômicas e ambientais
na área.
b) Avaliação da probabilidade de introdução e disseminação: A introdução da praga
compreende tanto sua entrada como seu estabelecimento. Para avaliar a probabilidade de
introdução e/ou disseminação, é necessária uma análise de cada uma das vias com as quais
a praga pode estar relacionada, desde seu lugar de procedência até seu estabelecimento na
área de ARP. Em uma ARP iniciada por uma via específica (normalmente um produto
importado), é feita a avaliação da probabilidade de entrada da praga para a via em questão.
Igualmente, é necessário investigar as probabilidades de que a entrada da praga esteja
associada com outras vias.
Nos casos da ARP iniciar por uma praga, sem considerar o produto ou via específica,
deve-se atentar para todas as vias prováveis; isto é,analisar as possíveis formas de
introdução da praga. A avaliação da probabilidade de estabelecimento e disseminação está
baseada principalmente em considerações biológicas (quantidade de hospedeiros, vetores,
epidemiologia, sobrevivência etc.) e ambientais.
c) Avaliação das possíveis consequências econômicas: Deverão ser obtidas informações
confiáveis de danos em áreas onde a praga esteja estabelecida atualmente e relacioná-los,
se possível, com fatores bióticos e abióticos, principalmente o clima. Para cada uma destas
áreas, as informações obtidas deverão ser comparadas com a situação na área de ARP.
Alguns fatores a considerar são:
tipo de dano;
perdas de produção;
perdas de mercado de exportação;
aumento nos custos de controle;
efeitos nos programas de manejo integrado;
danos ao meio ambiente;
capacidade de atuar como vetores de outras pragas;
custos sociais.
É conveniente levar em consideração casos concretos relacionados com pragas
similares. Caso seja conveniente, deverão ser obtidos dados quantitativos que refletem
valores monetários. A consulta a um economista pode ser útil.
Na determinação da probabilidade de introdução de pragas e de suas potenciais
consequências econômicas aparecem muitas dúvidas. Essa determinação constitui uma
188
extrapolação da situação onde a praga ocorre e a situação hipotética na área de ARP. Na
avaliação é importante documentar o grau de incerteza, e indicar se recorreu à opinião de
especialistas. Isso é necessário para aumentar a transparência e pode ser útil para determinar
necessidades de pesquisa e estabelecer uma ordem de prioridades.
3 - Manejo do risco: Esta etapa compreende o desenvolvimento, avaliação, comparação e
seleção de opções para reduzir o risco. São consideradas as conclusões obtidas na fase de
avaliação do risco. Decidindo-se assim se é necessário manejar o risco e qual a intensidade
dessa medida. Deve-se manejar o risco com o objetivo de conseguir um grau de segurança
que possa ser justificado e seja viável dentro dos limites das opções e recursos disponíveis.
O nível de risco aceitável (dado que sempre há algum risco de introdução e/ou disseminação
de pragas) é uma decisão soberana de cada país.
Na escolha das opções de manejo do risco deve-se sempre levar em consideração os
“Princípios de Quarentena Fitossanitária em Relação ao Comércio Internacional” (NIMF no
01, 1995), dentre os quais podemos citar:
Demonstrar a eficácia e viabilidade das medidas fitossanitárias: relação custo-
benefício aceitável;
Mínimo Impacto: as medidas fitossanitárias devem ser condizentes com o risco da
praga em questão e representarão as medidas menos restritivas disponíveis que
resultem no mínimo impedimento ao movimento internacional de pessoas, produtos e
meios de transporte;
Equivalência: Se houver medidas fitossanitárias diferentes que produzam o mesmo
efeito, essas medidas deverão ser aceitas como alternativas;
Não discriminação: Se a praga já está estabelecida na área de ARP, mas não
amplamente distribuída e está sob controle oficial, as medidas fitossanitárias
relacionadas com as importações não deverão ser mais rigorosas que as que se
aplicam na área de ARP. Analogamente, as medidas fitossanitárias não deverão
discriminar países exportadores com a mesma situação fitossanitária.
Algumas opções de manejo de risco a considerar são:
inclusão na lista de pragas proibidas;
inspeção fitossanitária e certificação antes da exportação (verificação na origem);
tratamento do cultivo, campo ou lugar de produção;
proibição de importação de partes da espécie hospedeira;
proibição de importação do produto;
área livre de pragas (NIMF no 04, 1996);
local de produção livre de pragas (NIMF no 10, 1999);
quarentena pós-entrada;
tratamento do produto (químico, térmico, irradiação, biológico etc.);
erradicação ou contenção (dentro do país importador);
restrições ao uso do produto;
certificado fitossanitário (NIMF no 07, 1997).
nível de tolerância (NIMF no 21, 2004).
Com o objetivo de atingir o nível aceitável de risco, combinações de duas ou mais
medidas podem ser consideradas. Além disso, outras opções de manejo poderão ser
189
estabelecidas por meio de acordos bi ou multilaterais, com o propósito de garantir o
cumprimento das medidas fitossanitárias.
À medida que as condições fitossanitárias são atualizadas e com a obtençãode novas
informações, as medidas fitossanitárias deverão ser modificadas imediatamente,
incorporando as proibições, restrições ou requisitos necessários para sua efetividade ou
eliminando aquelas desnecessárias.
A CIPV e o princípio da transparência (NIMF no 01, 1995) exigem que os países
comuniquem, quando solicitados, os fundamentos dos requisitos fitossanitários.
O processo completo, desde o início até o manejo de risco de pragas, deverá estar
suficientemente documentado demonstrando claramente as fonts de informações e os
princípios utilizados para adotar a decisão com respeito ao manejo de risco. Dessa forma,
revisões ou questionamentos futuros podem ser esclarecidos de maneira mais isenta e
transparente.
Toda legislação fitossanitária brasileira poderá ser consultada, na íntegra, no portal do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (www.agricultura.gov.br) através do link
legislação (Sistema de Consulta à Legislação - SISLEG).
Endereços importantes para consulta:
Convenção Internacional de Proteção Fitossanitária (CIPV)
https://www.ippc.int/IPP/En/default.jsp
Norma Internacional de Medidas Fitossanitárias (NIMF)
https://www.ippc.int/servlet/CDSServlet?status=ND0xMzM5OSY2PWVuJjMzPSomMzc9a29z
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)
http://www.agricultura.gov.br/
Mercado Comum do Sul (Mercosul)
http://www.mercosul.gov.br/
Comitê de Sanidade Vegetal do Cone Sul (COSAVE)
http://www.cosave.org
Organização Européia de Proteção de Plantas (EPPO)
http://www.eppo.org/
Organização Norte-Americana de Proteção de Plantas (NAPPO)
http://www.nappo.org/
Comunidade Andina
http://www.comunidadandina.org/
Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA)
http://www.ima.mg.gov.br/
http://www.agricultura.gov.br/
https://www.ippc.int/IPP/En/default.jsp
https://www.ippc.int/servlet/CDSServlet?status=ND0xMzM5OSY2PWVuJjMzPSomMzc9a29z
http://www.agricultura.gov.br/
http://www.mercosul.gov.br/
http://www.cosave.org/
http://www.eppo.org/
http://www.nappo.org/
http://www.comunidadandina.org/
http://www.ima.mg.gov.br/
190
Atividades para fixação
1) As características dos produtos fitossanitários modernos são, exceto:
( ) maior eficiência agronômica
( ) uso de menores doses de ingrediente ativo por área
( ) produtos com menor toxicidade
( ) menor impacto ambiental
( ) uso de maiores doses de ingrediente ativo por área
2) São premissas do Manejo Integrado de Pragas (MIP) obter um controle eficiente
respeitando os aspectos:
( ) sociológicos e ecológicos
( ) ecológicos e econômicos
( ) econômicos e sociológicos
( ) econômicos, ecológicos e sociológicos
( ) nenhuma das alternativas acima
3) As pragas, doenças e plantas daninhas são fatores que:
( ) reduzem a produtividade
( ) limitam a produtividade
( ) determinam a produtividade
( ) alternativas a, b e c
( ) nenhuma das alternativas
4) O IRAC-BR é :
( ) Comitê Brasileiro de Ação a Resistência de Fungicidas
( ) Comitê Brasileiro de Ação a Resistência de Nematicidas
( ) Comitê Brasileiro de Ação a Resistência de Herbicidas
( ) Comitê Brasileiro de Ação a Resistência de Inseticidas
( ) Nenhum dos anteriores
5) Os surtos de pragas secundárias são principalmente devido:
( ) condições climáticas
( ) ciclo biológicos