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Técnico em Agronegócio 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Professora Caroline Silva Abreu 
Professora Renata Aparecida Neres Faria 
 
2018 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Agricultura II (Fitossanidade) 
 
 
 
 
 
 
 
ESTADO DE MINAS GERAIS 
 
Sr. Fernando Damata Pimentel 
GOVERNADOR 
 
Sr. Antônio Eustáquio Andrade Ferreira 
VICE-GOVERNADOR 
 
 
Profª. Macaé Maria Evaristo dos Santos 
SECRETÁRIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO 
 
 
Prof. Miguel Correa da Silva Junior 
SECRETÁRIO DO ESTADO DE CIÊNCIA TECNOLOGIA E ENSINO SUPERIOR 
 
Prof. Márcio Rosa Portes 
SUBSECRETÁRIO DE ENSINO SUPERIOR 
 
 
Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES 
 
Prof. João Canela dos Reis 
REITOR 
 
Prof. Antônio Alvimar Souza 
VICE-REITOR 
 
Prof. João Felício Rodrigues Neto 
PRÓ-REITOR DE ENSINO 
 
 
Prof. Humberto Velloso Reis 
DIRETOR DA ESCOLA TÉCNICA DE SAÚDE DO CENTRO DE EDUCAÇÃO 
PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – ETS/CEPT 
 
Profª. Kátia Cilene Gonçalves Maia 
COORDENADORA GERAL DO PRONATEC 
 
 
Profª. Renata Flávia Nobre Canela Dias 
COORDENADORA ADJUNTA DO PRONATEC 
 
 
Profª. Jacqueline Maia Lima 
ORIENTADORA PEDAGÓGICA DO PRONATEC 
3 
 
Sumário 
 
1 Noções básicas em ecologia .............................................................................................. 7 
1.1 Conceitos básicos em ecologia ................................................................................... 7 
1.2 Organização e níveis tróficos ......................................................................................10 
1.2.1 Cadeia alimentar ....................................................................................................10 
1.2.2 Teia alimentar ..........................................................................................................11 
Atividades para fixação ........................................................................................................12 
2 Introdução à entomologia agrícola.....................................................................................16 
2.1 Os insetos e o Reino Animal .......................................................................................16 
2.2 Relações inseto – seres humanos ..............................................................................19 
2.2.1 Insetos benéficos .....................................................................................................19 
2.2.2 Insetos maléficos .....................................................................................................19 
2.3 Conceitos de pragas ..............................................................................................19 
2.4 Classificação de pragas ..............................................................................................21 
2.5 Importância das pragas de plantas .............................................................................22 
2.5.1 Classificação dos insetos de acordo com a herbivoria .........................................23 
Atividades para fixação ........................................................................................................26 
3. Morfologia básica de insetos ............................................................................................28 
3.1 Exoesqueleto ..............................................................................................................28 
3.2 Cabeça .......................................................................................................................29 
3.3 Tórax ..........................................................................................................................34 
3.4 Abdome ......................................................................................................................37 
Atividades para fixação ........................................................................................................40 
4. Biologia dos insetos..........................................................................................................42 
4.1 Reprodução ................................................................................................................42 
4.1.1 Tipos de reprodução ................................................................................................43 
4.1.2 Modos atípicos de reprodução .................................................................................44 
4.2 Desenvolvimento ........................................................................................................46 
4.2.1 Desenvolvimento embrionário .................................................................................46 
4.2.2 Desenvolvimento pós-embrionário ...........................................................................47 
4.2.3 Metamorfose ............................................................................................................47 
Atividades para fixação ........................................................................................................48 
5 Principais ordens de insetos de importância econômica ....................................................51 
5.1 Isoptera ......................................................................................................................53 
5.2 Dermaptera ................................................................................................................53 
5.3 Orthoptera ..................................................................................................................54 
5.4 Thysanoptera..............................................................................................................54 
5.5 Hemiptera ...................................................................................................................55 
5.6 Neuroptera .................................................................................................................56 
5.7 Coleoptera ..................................................................................................................57 
4 
 
5.8 Diptera ........................................................................................................................58 
5.9 Lepidoptera ................................................................................................................59 
5.10 Hymenoptera ............................................................................................................60 
5.11 Acari (Classe Arachnida) ..........................................................................................61 
Atividades para fixação ........................................................................................................63 
6 Caracterização dos principais insetos-praga .....................................................................65 
6.1 Pragas do café ...........................................................................................................65 
6.2 Pragas da cana-de-açúcar..........................................................................................66 
6.3 Pragas do feijão ..........................................................................................................66 
6.4 Pragas do milho ..........................................................................................................67 
6.5 Pragas de pastagens ..................................................................................................68 
6.6 Pragas da soja ............................................................................................................69 
6.7 Pragas de grãos armazenados ...................................................................................69 
6.8 Pragas de hortaliças ...................................................................................................71 
A) Pragas doalho e da cebola ......................................................................................71 
B) Pragas da batata ......................................................................................................71 
C) Pragas de brássicas ................................................................................................72 
D) Pragas da cenoura salsinha e salsão .......................................................................73 
E) pragas das cucurbitáceas ........................................................................................73 
F) Pragas do morango ..................................................................................................73 
G) pragas do pimentão, berinjela e jiló .........................................................................74 
H) Pragas do tomate .....................................................................................................74 
6.9 Pragas dos citros ........................................................................................................76 
7 Técnicas de coleta, preparo, conservação e remessa de material entomológico ...............77 
7.1 Coleta .........................................................................................................................78 
7.2 Sacrifício .....................................................................................................................84 
7.3 Acondicionamento temporário para transporte ...........................................................85 
7.4 Envio ao especialista ..................................................................................................87 
8 Métodos de controle de pragas .........................................................................................87 
8.1 Importância do Controle das Pragas ...........................................................................87 
8.2 Métodos culturais .......................................................................................................88 
8.2.1 Rotação de Culturas ............................................................................................88 
8.2.2 Aração do Solo ....................................................................................................88 
8.2.3 Época de Plantio e de Colheita ............................................................................88 
8.2.4 Destruição dos Restos de Culturas ......................................................................88 
8.2.5 Cultura no Limpo .................................................................................................89 
8.2.6 Presença de Bosques ..........................................................................................89 
8.2.7 Poda ....................................................................................................................89 
8.2.8 Cultivo Mínimo e Plantio Direto ............................................................................89 
8.2.9 Adubação ............................................................................................................90 
5 
 
8.3 Métodos legislativos ...................................................................................................90 
8.4 Métodos mecânicos ....................................................................................................91 
8.4.1 Catação manual ...................................................................................................91 
8.4.2 Técnica da batida ................................................................................................91 
8.4.3 Barreiras ..............................................................................................................91 
8.4.4 Impacto ................................................................................................................92 
8.5 Métodos de controle por comportamento dos insetos .................................................92 
8.5.1 Formas de utilização de feromônios e aleloquímicos no manejo integrado de pragas
 .....................................................................................................................................92 
8.5.2 Controle de pragas ..............................................................................................92 
8.5.3 Uso de aleloquímicos no manejo integrado de pragas .........................................93 
8.6 Método de controle físico ............................................................................................94 
8.6.1 Fogo ....................................................................................................................94 
8.6.2 Drenagem ............................................................................................................95 
4.5.3. Inundação ...........................................................................................................95 
8.4.4 Manipulação da umidade .....................................................................................95 
8.5.5 Temperatura ........................................................................................................95 
8.7 Método de controle pela luz ........................................................................................96 
8.8 Método de controle pelo som ......................................................................................97 
8.9 Métodos de controle pela radiação ionizante ..............................................................97 
8.10 Método de controle biológico ....................................................................................98 
8.10.1 Conceito ............................................................................................................98 
8.10.2 Principais grupos de inimigos naturais ...............................................................98 
8.10.3 Formas de uso do controle biológico ............................................................... 108 
8.11 Método genético (resistência de plantas a insetos)................................................. 112 
8.11.1 Tipos de resistência ......................................................................................... 112 
8.11.2 Resistência obtida através de organismos geneticamente modificados (OGM)
 ................................................................................................................................... 113 
8.12 Método químico de controle de pragas ................................................................... 118 
8.12.1 Classificação dos inseticidas quanto ao modo de ação ................................... 119 
8.12.1 Formulações dos inseticidas ............................................................................ 120 
Atividades para fixação ...................................................................................................... 120 
9. Manejo Integrado de Pragas .......................................................................................... 121 
9.1 Conceitos básicos do MIP ........................................................................................ 121 
9.2 Procedimentos para implementação e gerenciamento do MIP ................................. 123 
9.3 Vantagens do Manejo Integrado de Pragas (MIP) .................................................... 127 
9.4 Desafios do Manejo Integrado de Pragas (MIP) ....................................................... 127 
10 Introdução à Fitopatologia ............................................................................................. 127 
10.1 História da Fitopatologia .......................................................................................... 128 
11 Noções sobre morfologia e biologia de microrganismos ................................................ 128 
11.1 Características gerais de Fitopatógenos .....................................................................128 
6 
 
Atividades de fixação ......................................................................................................... 129 
11.2 Bactérias .................................................................................................................... 129 
11.3 Fungos ....................................................................................................................... 132 
Atividades de fixação ......................................................................................................... 140 
11.4 Vírus ........................................................................................................................... 141 
11.5 Nematóides ................................................................................................................ 143 
Atividades de fixação ......................................................................................................... 155 
12 Controle de doenças ..................................................................................................... 156 
13 Modalidades de controle de doenças ............................................................................ 163 
14 Monitoramento de doenças ........................................................................................... 167 
Atividades de fixação ......................................................................................................... 169 
15 Controle de plantas indesejáveis ................................................................................... 169 
16 Segurança e uso adequado de agroquímicos................................................................ 174 
17 Noções sobre legislação e defesa vegetal ..................................................................... 177 
17.1 Contribuições da defesa vegetal ............................................................................. 179 
17.2 Proteção de Plantas ............................................................................................... 182 
17.3 Legislação Fitossanitária Brasileira ......................................................................... 183 
Atividades para fixação ...................................................................................................... 190 
18 Certificado Fitossanitário de Origem (CFO) ................................................................... 191 
Atividades de fixação ......................................................................................................... 191 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................... 192 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
1 Noções básicas em ecologia 
 
 
 
A Ecologia é a parte da Biologia que estuda as relações dos seres vivos entre si e 
destes com o meio. O termo, que foi usado pela primeira vez em 1866 pelo biólogo alemão 
Ernest Haeckel, vem da junção de duas palavras gregas: “Oikos”, que significa casa, e “logos”, 
que quer dizer estudo. Assim sendo, ecologia significa o “estudo da casa” ou o “estudo do 
habitat dos seres vivos”. Dessa forma, a ecologia é uma ciência ampla e complexa que 
preocupa-se com o entendimento do funcionamento de toda a natureza. 
 
1.1 Conceitos básicos em ecologia 
 
Espécie: é o conjunto de indivíduos semelhantes (estruturalmente, funcionalmente e 
bioquimicamente) que se reproduzem naturalmente, originando descendentes férteis. Ex.: 
Homo sapiens. 
 
População: é o conjunto de indivíduos de mesma espécie que vivem numa mesma área e 
num determinado período. Ex.: população de ratos em um bueiro, em um determinado dia; 
população de bactérias causando amigdalite por 10 dias, 10 mil pessoas vivendo numa cidade 
em 1996, etc. 
 
Comunidade: é o conjunto de populações de diversas espécies que habita uma mesma 
região num determinado período. Ex.: comunidade aquática de um rio, comunidades 
terrestres, etc. 
 
Ecossistema ou sistema ecológico: É o conjunto de seres vivos e do meio ambiente em 
que eles vivem, e todas as interações desses organismos com o meio e entre si. Exemplos 
de ecossistema: uma floresta, um rio, um lago ou um jardim. 
Os ecossistemas apresentam dois componentes básicos: 
- biótico: as comunidades vivas. Ex: plantas, animais e microrganismos. 
- abiótico: os elementos físicos e químicos do meio. Ex: de nutrientes, água, ar, gases, 
energia e substâncias orgânicas e inorgânicas do solo. 
 Tipos de ecossistemas: 
- Ecossistemas naturais: compreendem todos os ecossistemas formados naturalmente, sem 
a intervenção do homem. Exemplos: Bosques, desertos, oceanos. 
- Ecossistemas artificiais: compreendem todos os ecossistemas formados pelo homem. 
Exemplo: Plantações, açudes, aquário. 
 - Agroecossistema: Sistema ecológico e socioeconômico que compreende plantas e 
animais domesticados e as pessoas que nele vivem, com o propósito de produzir alimentos, 
fibras ou outros produtos agrícolas (Conway, 1997). Quanto mais um agroecossistema se 
O que é Ecologia?
8 
 
parece, em termos de estrutura e função, com o ecossistema da região biogeográfica em que 
se encontra maior será a probabilidade de que este agroecossistema seja sustentável. 
 
 
Figura: escalas da organização ecológica. 
Habitat: é o lugar específico onde uma espécie pode ser encontrada, isto é, o seu "endereço" 
dentro do ecossistema. Exemplo: Uma planta pode ser o habitat de um inseto, o leão pode 
ser encontrado nas savanas africanas, etc. 
 
Nicho ecológico: é o papel que o organismo desempenha no ecossistema, isto é, a 
"profissão" do organismo no ecossistema. 0 nicho informa às custas de que se alimenta, a 
quem serve de alimento, como se reproduz, etc. Exemplo: a fêmea do Anopheles (transmite 
malária) é um inseto hematófago (se alimenta de sangue), o leão atua como predador 
devorando grandes herbívoros, como zebras e antílopes. 
 
Biosfera: A biosfera refere-se a região do planeta ocupada pelos seres vivos. É possível 
encontrar vida em todas as regiões do planeta, por mais quente ou frio que elas sejam. O 
conceito de biosfera foi criado por analogia a outros conceitos empregados para designar 
parte de nosso planeta. De modo qual, podemos dizer que os limites da biosfera se estendem 
desde às altas montanhas até as profundezas das fossas abissais marinhas. 
 
Competição e o princípio de Gause 
 
O cientista russo Georgyi Gause propôs essa teoria baseando-se em diversas 
observações que o levaram a concluir que, se duas ou mais espécies exploram exatamente 
o mesmo nicho ecológico, a competição estabelecida entre elas é tão brusca que a 
convivência se torna impossível. Assim, a competição entre as espécies no mesmo nicho 
pode dar origem a 03 situações diferentes: 
 
9 
 
 
 
1) A escassez de recursos leva uma das espécies à extinção (daí a expressão princípio 
de exclusão competitiva). 
 
2) Uma das espécies é expulsa daquele habitat e migra para outro território em busca de 
recursos que garantam sua sobrevivência. 
 
 
 
 
3) Uma ou todas as espécies modificam seu nicho ecológico, de maneira que deixem de 
competir por recursos limitados. 
 
 
 
 
Ao estudar a Ecologia, conseguimos visualizar de maneira clara como as espécies 
interagem entre si e conseguem coexistir em determinado ambiente, além de conseguir 
informações para a compreensão dos motivos que levam uma espécie a viver em uma área 
e a ausentar-se de outros locais. Também é possível compreender como uma espécie é capaz 
de influenciar uma determinada comunidade e os impactos gerados por ela. Por meio dessas 
análises, é possível fazer previsões a respeito do futuro de determinadas espécies e as 
consequências das mudanças nos padrões de uma comunidade. 
É importante destacar também que a Ecologia é fundamental para a compreensão do 
futuro do planeta. A partir do momento que entendemos as espéciese suas necessidades, 
Por que é importante 
estudar Ecologia?
10 
 
conseguimos analisar claramente como nossas atividades influenciam o meio. Sendo assim, 
o entendimento da Ecologia e a conscientização da população podem ajudar a garantir um 
futuro sustentável para o planeta. 
 
1.2 Organização e níveis tróficos 
 
1.2.1 Cadeia alimentar 
 
Cadeia alimentar é uma 
sequência de seres vivos que dependem 
uns dos outros para se alimentar. Inicia-se 
com os produtores e passa para os 
consumidores (herbívoros, predadores) e 
decompositores, por esta ordem. 
Ao longo da cadeia alimentar há 
uma transferência de energia, sempre no 
sentido dos produtores para os 
consumidores. Energia tem, portanto, um 
percurso acíclico ou unidirecional. 
A transferência de nutrientes fecha-
se com o retorno dos nutrientes aos 
produtores, através da decomposição. 
 
Organismos autótrofos: Organismos capazes de produzir o próprio alimento utilizando a luz 
solar e produzindo o oxigênio. Ex: plantas, algas, cianobactérias. 
 
Organismos heterótrofos: Organismos que não são capazes de produzir o seu próprio 
alimento, tendo assim, que utilizar (comer) a energia produzida por outros seres vivos. 
 
Produtores: São sempre autótrofos, produzem o alimento que será usado na cadeia, e por 
isso então obrigatoriamente no início de qualquer cadeia alimentar. Os principais produtores 
conhecidos são plantas e algas microscópicas (fitoplâncton). 
 
Consumidores: São os organismos que necessitam alimentar-se de outros organismos para 
obter a energia que eles não podem produzir para si próprios. Podendo ser: 
- consumidores primários (“comem” autótrofos) 
- consumidores secundários (“comem” consumidores primários) 
- consumidores terciários (“comem” consumidores secundários) e assim por diante. 
 
Decompositores ou saprofíticos: São organismos que transformam matéria orgânica em 
matéria inorgânica, reduzindo compostos complexos em moléculas simples. Os 
decompositores mais importantes são bactérias e fungos. 
 
 
11 
 
 
Figura: Fluxo de energia ao longo da cadeia alimentar. Produtor - consumidor primário – 
consumidor secundário– decompositores. 
1.2.2 Teia alimentar 
 
Teia alimentar são várias cadeias alimentares que se entrelaçam, fazendo que as 
relações ecológicas sejam múltiplas e o alimento disponível possa ser utilizado por vários 
indivíduos, realmente compondo um ecossistema. 
 
 
 
Figura: Teia alimentar. Várias cadeias alimentares que se entrelaçam, mostrando relações 
ecológicas múltiplas. 
 
 
12 
 
Atividades para fixação 
 
1. O conjunto de organismos da mesma espécie que vivem na mesma área em um 
determinado momento é denominado de: 
 
a) comunidade. 
b) espécime. 
c) população. 
d) ecossistema. 
 
2. Ao dizer onde uma espécie pode ser encontrada e o que faz no lugar onde vive, estamos 
informando respectivamente, 
 
a) Nicho ecológico e habitat. 
b) Habitat e nicho ecológico. 
c) Habitat e biótopo. 
d) Nicho ecológico e ecossistema. 
e) Habitat e ecossistema. 
 
3. O cogumelo shitake é cultivado em troncos, onde suas hifas nutrem-se das moléculas 
orgânicas componentes da madeira. Uma pessoa, ao comer cogumelo shitake, está se 
comportando como: 
 
a) Produtor. 
b) Consumidor primário. 
c) Consumidor secundário. 
d) Consumidor terciário. 
e) Decompositor 
 
4. A ecologia é uma parte da biologia que estuda a relação dos organismos com o meio que 
os cerca. Os organismos interagem entre si e com todas as partes não vivas do ambiente, tais 
como solo, água, temperatura e umidade. Essas partes não vivas são chamadas de: 
 
a) fatores abióticos. 
b) fatores bióticos. 
c) biosfera. 
d) nicho ecológico. 
e) ecossistema. 
 
5. (UFSCar-2008) Em um experimento, populações de tamanho conhecido de duas espécies 
de insetos (A e B) foram colocadas cada uma em um recipiente diferente (recipientes 1 e 2). 
Em um terceiro recipiente (recipiente 3), ambas as espécies foram colocadas juntas. 
 
13 
 
 
 
A partir desses resultados, pode-se concluir que: 
a) a espécie A se beneficia da interação com a espécie B. 
b) o crescimento populacional da espécie A independe da presença de B. 
c) a espécie B depende da espécie A para manter constante o número de indivíduos. 
d) a espécie B tem melhor desempenho quando em competição com a espécie A. 
e) o número de indivíduos de ambas se mantém constante ao longo do tempo quando as duas 
populações se desenvolvem separadamente. 
 
6. (UFSCar-2001) Mais de 500 variedades de plantas estão sendo atacadas na Califórnia, 
Estados Unidos, por minúsculos insetos, originários do Oriente Médio. Os técnicos 
americanos não têm obtido sucesso no controle dessa praga. Quatro causas que poderiam 
favorecer a ocorrência de tal praga foram apresentadas: I. Inexistência de inimigos naturais 
desses insetos na Califórnia. 
II. Deficiência de defesas naturais das plantas. 
III. Uso inadequado de determinados defensivos agrícolas. 
IV. Fatores abióticos favoráveis ao desenvolvimento desses insetos na Califórnia. 
 
Para a situação descrita, é possível aceitar a) a causa I, apenas. 
b) as causas I e II, apenas. 
c) as causas I, III e IV, apenas. 
d) as causas I, II e III, apenas. 
e) as causas I, II, III e IV. 
 
7. Quando relacionamos o meio abiótico estamos estudando: 
 
14 
 
a) um nicho ecológico 
b) uma comunidade 
c) um ecossistema 
d) uma população 
e) um habitat 
 
8. Qual dos termos abaixo refere-se aos fatores bióticos e abióticos que interagem em 
determinada área? 
 
a) habitat 
b) comunidade 
c) nicho ecológico 
d) ecossistema 
e) população 
 
9. O conjunto de seres vivos que habita uma determinada região constitui: 
 
a) sua população 
b) seu ecossistema 
c) seu biótopo 
d) sua comunidade 
e) seu habitat 
 
10. Relacione as colunas: 
 
(1) População 
(2) Comunidade 
(3) Biosfera 
(4) Ecossistema 
 
( ) Comunidade associada às condições físicas e químicas de uma região geográfica. 
( ) Populações existentes numa determinada área. 
( ) Grupos de indivíduos de uma determinada espécie ocupando determinada área. 
( ) Ambiente habitável pelos seres vivos. 
 
11. Defina os seguintes termos e marque a alternativa correta: 
 
a) População 
b) Comunidade 
 
( 1 ) a) Organismo da mesma espécie, no mesmo espaço e na mesma unidade de tempo b) 
Populações independentes. 
( 2 ) a) Organismo de várias espécie, no mesmo espaço e na mesma unidade de tempo b) 
Populações independentes. 
( 3 ) a) Organismo da mesma espécie, no mesmo espaço e no mesmo tempo b) Populações 
inter-dependentes. 
( 4 ) a) Organismo da mesma espécie, em espaços diferentes e na mesma unidade de tempo 
b) Populações independentes. 
15 
 
( 5 ) a) Organismo de várias espécie, em espaços diferentes e na mesma unidade de tempo 
b) Populações inter-independentes. 
 
12. Quais são os níveis de organização especificamente estudados em ecologia? 
 
a) Comunidade, ecossistema e biosfera 
b) População, comunidade, ecossistema e biosfera 
c) População, comunidade e biosfera 
d) População, ecossistema e biosfera 
 
13. (CESGRANRIO) Um ecossistema tanto terrestre como aquático se define: 
 
a) pela interação dos fatores físicos e químicos 
b) pela interação de todos os seres vivos 
c) pelos fatores ambientais, especialmente climáticos 
d) exclusivamente por todas as associações de seres vivos 
e) pela interação dos fatores abióticos e bióticos 
 
14. Na charge, a arrogância do gato com relação ao comportamento alimentar da minhoca, 
do ponto de vista biológico, 
 
(A) não se justifica, porque ambos, como consumidores, devem “cavar” diariamente o seu 
próprio alimento. 
(B) é justificável, visto que o felino possui função superior à da minhoca numa teia alimentar. 
(C) não se justifica, porque ambos são consumidores primários em uma teia alimentar. 
(D)é justificável, porque as minhocas, por se alimentarem de detritos, não participam das 
cadeias alimentares. 
(E) é justificável, porque os vertebrados ocupam o topo das teias alimentares. 
 
 
16 
 
2 Introdução à entomologia agrícola 
 
 Entomologia é a ciência que estuda os insetos (do grego: entomon = insetos e logos 
= estudo) sob todos os aspectos, estabelecendo suas relações com os seres humanos, 
plantas e animais, correspondendo, respectivamente, a Entomologia Médica, Entomologia 
Agrícola e Entomologia Veterinária. 
A Entomologia Agrícola é o estudos das pragas agrícolas (insetos e ácaros) que 
causam danos às plantas cultivadas e dos métodos para controla-las. 
 
2.1 Os insetos e o Reino Animal 
 
É muito difícil estimar o número de espécies de animais, entretanto aproximadamente 
95% das espécies conhecidas pertencem aos invertebrados. A distribuição geográfica desses 
animais é a mais diversa possível. Há espécies praticamente em todas as latitudes, longitudes 
e altitudes, vivendo nos mais variados hábitats. Para facilitar o estudo dessa enorme 
quantidade de animais, o Reino Animal é dividido em vários grupos, de acordo com as 
características dos animais, denominados Filos. Dentre esses Filos, três são de importância 
agrícola, apresentados a seguir. 
 
 
Figura: Número de espécies de conhecidas de seres vivos e proporção entre os grandes 
grupos. 
 
Filo Nemata: reúne os nematoides, que atacam principalmente as raídes das plantas. Os 
nematoides são, em geral, alongados e com as extremidades afiladas; geralmente invisíveis 
a olho nu. 
 
17 
 
Filo Mollusca: compreende as lesmas e caracóis (terrestres) e os caramujos (aquáticos). 
Esses dois últimos possuem uma concha calcaria sobre o corpo, enquanto as lesmas não 
possuem essa estrutura. Alimentam-se de folhas, principalmente de hortaliças. 
 
Filo Arthopoda: corresponde a aproximadamente 80% do Reino Animal. Apresenta a 
seguinte combinação de caracteres: 
 Pernas articulas: origem do nome do Filo (arthon = articulação; podes = pernas). 
 Exoesqueleto: revestimento duro do corpo e respectivos apêndices, formado 
principalmente por quitina, que é eliminada e renovada à medida que o animal cresce. 
 Corpo segmentado: formado por uma série de segmentos (anéis ou metâmeros). 
 Simetria bilateral: as metades do corpo cortado longitudinalmente por um plano vertical 
são semelhantes entre si. 
 Heteronomia: corpo com divisões distintas. 
Esse filo está dividido em várias classes, dentre elas, a Classe Insecta, que compreende 
os insetos. 
 
Reino: Animal 
Filo: Arthropoda (Arthropoda: arthro = articulação e poda – perna, pernas articuladas em 
grego) 
Classe: Insecta (origem latina derivada de Insectum = animal de corpo sulcado ou separado 
por anéis, ou seja, segmentado) 
 
Características de Insecta 
1) Corpo dividido em cabeça, tórax e abdome. 
2) Um par de antenas. 
3) Um par de mandíbulas. 
4) Dois pares de maxilas (maxila e lábio). 
5) Tórax apresentando três pares de pernas e geralmente dois pares de asas (adultos). 
6) Abdome desprovido de apêndices ambulatórios. 
7) Abertura genital situada próxima à extremidade anal do corpo. 
8) Desenvolvimento geralmente por metamorfose (completo ou incompleto). 
 
 
Figura: estrutura geral do corpo do inseto. 
18 
 
 
 
 
 
 Segundo PANIZZI & PARRA (1991), não seria exagero sugerir que os insetos são os 
maiores competidores do homem pela hegemonia na terra, pois historicamente o homem 
sempre conseguiu dominar a maioria e, mesmo, extinguir alguns dos animais terrestres. 
Porém os insetos como grupo, permanecem como a única barreira biótica ao domínio total do 
homem, visto que a capacidade adaptativa dos insetos e amplamente conhecida. Além disso, 
os insetos ao longo dos milênios passaram por várias transformações que permitem a sua 
adaptação aos mais variados ambientes, entre elas podemos destacar as seguintes: 
 
 Exoesqueleto, permite aos insetos uma grande área de inserção muscular, facilita o 
controle da evaporação e protege os órgãos internos. 
 Asas funcionais, fornecem aos insetos a capacidade de deslocamento, facilitam a 
procura de alimentos, facilita a fuga dos inimigos naturais e facilita a dispersão. 
 Tamanho pequeno, faz com que os insetos necessitem de pouco alimento, facilita a 
fuga, porém o fato de serem pequenos faz com a superfície total do corpo seja muito 
maior que o volume, aumentando a evaporação do corpo o que consiste numa 
desvantagem. 
 Metamorfose completa, o fato de passarem por vários estágios faz com que os insetos 
possam viver em diferentes hábitats, permite a larva e ao adulto viverem em condições 
totalmente diferentes. 
 Aumento do número de espécies, a grande capacidade de adaptação dos insetos aos 
mais variados ambientes fez com que o número de espécies se elevassem tanto que 
hoje eles ocupam praticamente todos os ambientes. 
 
 
 
 
 
 
 
Quais as caracteríscas que tornam os insetos um dos 
seres vivos mais adaptados à sobrevivência no planeta?
Todo inseto é considerado praga?
19 
 
2.2 Relações inseto – seres humanos 
 
2.2.1 Insetos benéficos 
 Insetos e polinização: sem abelhas, 
nós não teríamos café e fumo, entre 
outras plantas. 
 Produtos comerciais derivados dos 
insetos: mel, cera, seda, laca, corante, 
entre outros. 
 Insetos entomófagos: predadores e 
parasitóides. 
 Insetos saprófagos e coprófagos. 
 Importância dos insetos no solo: 
aeração, fertilização, revolvimento do 
solo. 
 Insetos na alimentação humana e animal. 
 Insetos na medicina e cirurgia: mosca Chrysomya putoria (Calliphoridae). Em cobaia 
reduziu 35 dias para uma semana a recuperação usando larvas dessa mosca. 
 Insetos na criminologia (Entomologia Forense): auxilia na solução de casos. 
 
2.2.2 Insetos maléficos 
 Insetos que atacam plantas cultivadas: plantas danificadas pelo ato de alimentar dos 
insetos, por oviposição e por transmissão de doenças viróticas, bacterianas, entre 
outras. 
 Insetos que atacam produtos armazenados: pragas de madeira, de produtos 
fabricados, de alimentos armazenados. 
 Insetos que atacam seres humanos e animais: insetos amolestadores como a mutuca, 
insetos tóxicos como alguns cantarídeos, insetos parasitos como piolhos e pulgas, 
insetos transmissores de doenças como o mosquito da dengue. 
 
2.3 Conceitos de pragas 
 
O que é praga? Pragas são organismos que entram em conflito com o interesse humano: 
 
 Produção de alimentos (animal e vegetal); 
 Doenças (malária); 
 Conforto (pernilongos à noite); 
 Conservação da natureza (Apis mellifera versus Mellipona) 
20 
 
 Cultura (acervo de museus); 
 
O conceito de praga é, portanto, antropogênico e relativo no tempo e espaço. O que é 
praga para um agricultor pode não ser para outro que cultiva a mesma cultura. Além disso, o 
que é praga numa região pode não o ser em outra. Mais ainda, uma praga importante hoje 
não será necessariamente praga amanhã. 
 
Todo ataque de insetos é deletério às plantas? O ataque de um inseto a uma planta 
pode ser tolerado pela planta! 
 
 
 
 
 
 
 
Os insetos atingem o status de praga devido principalmente ao desequilíbrio ecológico 
do ambiente natural (ecossistema) pela sua conversão para o agroecossistema, que 
geralmente se constitui de poucas espécies de plantas cultivadas em extensas áreas. Os 
principais fatores que tornam um inseto uma condição de praga é: 
 
 Concentração de hospedeiro: monocultivos extensos fornecem alimento abundante 
para os insetos-praga. A simplificação espacial do sistema de cultivo proporciona: 
poucas opções de alimento para pragas generalistas; previsibilidade espacial para 
pragas especialistas; inadequabilidade para inimigos naturais; simplificação temporal 
no sistema de cultivo; populações da praga não diminuem periodicamente; 
previsibilidade temporal para pragas especialistas. 
 Destruição de inimigos naturais:uso intensivo de pesticidas matam os inimigos 
naturais, assim como o desmatamento destrói as áreas de abrigo desses insetos 
benéficos. O uso inadequado de inseticidas pode provocar o surgimento de pragas 
através dos processos de seleção de indivíduos resistentes e de indivíduos 
geneticamente predispostos a sobreviver não são eliminados pelo inseticida. 
 Introdução de pragas exóticas: pragas introduzidas não encontram na nova região 
inimigos naturais eficientes para controla-las, aumentando assim sua população em 
nenhum impedimento. Dessa forma, a introdução de espécies fora da faixa nativa, 
onde os processos ecológicos atingiram equilíbrio por coevolução. Exemplos: 
o Introdução do bicudo do algodoeiro no Brasil; 
o Introdução da batata nos EUA (colorado potato beetle). 
 
 
 
Porque os insetos se tornam 
pragas?
21 
 
2.4 Classificação de pragas 
 
 
a) Organismos não-praga: são aqueles cuja densidade populacional nunca atinge o nível de 
controle: 
 
 
 
 
b) Pragas secundárias: são aquelas que raramente atingem o nível de controle: 
 
 
 
 
 
 
 
 
c) Pragas frequentes (Praga-chave): são aquelas que frequentemente atingem o nível de 
controle: 
 
22 
 
 
d) Pragas Severas (Praga-chave): são aquelas cujo ponto de equilíbrio é sempre maior que 
o nível de dano econômico: 
 
 
 
2.5 Importância das pragas de plantas 
 
O número de espécies de insetos descritas é estimado em aproximadamente um 
milhão, das quais cerca de 10% são pragas, prejudicando plantas, animais domésticos e o 
próprio homem. Os danos causados pelos insetos às plantas são variáveis, podendo ser 
observados em todos os órgãos vegetais. Dependendo da espécie e da densidade 
populacional da praga, do estádio de desenvolvimento e estrutura vegetal atacada e a 
duração do ataque, poderá haver maior ou menor prejuízo quantitativo e qualitativo. Tais 
danos são variáveis de país para país, de acordo com as características climáticas, 
variedades e técnicas agronômicas empregadas. 
Os insetos podem causar danos diretos quando atacam o produto a ser 
comercializado, ou dados indiretos quando atacam estruturas vegetais que não serão 
comercializados (folhas, raízes, por exemplo), mas que alteram os processos fisiológicos, 
provocando reflexos na produção. Além disso, podem atuar indiretamente¸ transmitindo 
patógenos, especialmente vírus, facilitando a proliferação de bactérias e o desenvolvimento 
de fungos (fumagina) e outros patógenos, ou injetando substâncias toxicogências durante o 
processo alimentar. 
Em termos mundiais, os prejuízos causados por pragas e doenças são bastante 
elevados e, juntamente com as plantas daninhas, chegam a causar perdas da ordem de 38% 
de toda a produção. 
Alguns países tiveram a sua economia fortemente abalada devido ao ataque de 
pragas. Assim, em 1867, a França sofreu um enorme impacto devido à presença do pulgão-
da-videira, Daktulospharia vitifolie, que dizimou em pouco tempo os vinhedos existentes, uma 
das maiores culturas do país naquela época. A produção de vinho baixou de tal maneira, que 
o governo estabeleceu um prêmio para aqueles que conseguissem resolver esse problema. 
Outro exemplo é a mosca-do-mediterrâneo, Ceratitis capitata, que exigiu o gasto de 
milhões de dólares para sua erradicação. Em 1929, o governo dos EUA foi alterado pelas 
técnicas da greve situação que se encontrava a citricultura da Flórida, causada pela 
introdução dessa mosca. Assim, foram decretadas medidas profiláticas rigorosas, com 
interdição da área, evitando que passageiros que saíssem da Flórida pudessem propagara a 
praga por meio de frutas atacadas. Os esforços foram coroados de pleno êxito e, após 19 
meses de incessantes trabalhos de erradicação, essa praga foi definitivamente eliminada 
daquele país. 
23 
 
O Brasil, por ser um país tropical e com extensas áreas cultivadas, também apresenta 
sérios problemas com pragas. Por exemplo, a citricultura brasileira sobre uma grande crise 
quando em 1939, surgiu a doença denominada “tristeza”, arrasando com pomares paulistas, 
devido à presença do pulgão Toxoptera citricida, eficiente transmissor dessa doença. A 
recuperação dessa lavoura levou muitos anos e só foi possível graças ao desenvolvimento de 
novos porta-enxertos. 
A cafeicultura também teve seus problemas por volta de 1924, quando foi constatada 
a presença da broca Hypothernemus hampei, provavelmente introduzida de Java ou da África, 
em partidas de sementes de café. Os prejuízos causados por essa praga abalaram a 
cafeicultura do Estado de São Paulo e, posteriormente, demais Estados do Brasil, no período 
de 1924 a 1948, até que surgissem inseticidas eficientes para o controle dessa praga. 
Em 1983, foi registrada pela primeira vez a presença de Anthonomus grandis no Brasil. 
Essa praga chegou a limitar a produção de algodão em algumas áreas do país, especialmente 
na região Nordeste, sendo que em algumas áreas, onde o manejo de pragas na cultura já era 
uma realidade, houve comprometimento dessa tecnologia, pois a praga passou a exigir a 
aplicação de, no mínimo 3 pulverizações a mais, com reflexos bastante elevados no custo de 
produção e no ecossistema. 
Em 1996, foi encontrada no Brasil, a minadora-dos-citros, Phyllocnistis citrella. Além 
dos prejuízos diretos que esse inseto causa às brotações de citros, sua relação com o cancro 
é bastante evidente. Assim, desde sua introdução, os focos do cancro aumentaram cerca de 
10 vezes, já que os danos causados pela praga podem contribuir para a penetração e 
desenvolvimento da bactéria Xanthonomas axonopodis pv. citri, causadora da doença. 
Levantamentos recentes realizados no Brasil indicam que as pragas podem ser 
responsáveis por perdas na ordem de 1,2 bilhões de dólares para as principais culturas 
brasileiras. Por se uma região tropical, as pragas são favorecidas apesar de os percentuais 
de perdas serem variáveis de região para região, principalmente levando-se em conta as 
diferenças socioeconômicos existentes no País. 
 
2.5.1 Classificação dos insetos de acordo com a herbivoria 
 
Consumo foliar (alimentação externa) 
 
Mais visível do que ataque por sugadores. Lepidoptera e coleoptera são os grupos 
mais diversos. Outras ordens que se alimentam de folhas são: Orthoptera, Hymenoptera, 
Phasmatodea e Psocoptera 
 
24 
 
 
Minas e brocas (alimentação interna) 
 
Minadores são insetos que residem e se alimentam da epiderme da planta. Podem 
ser: minadores de folhas, alojando entre as duas epidermes da folha e minadores de caules, 
alojando nas camadas superficiais dos caules. Somente 4 ordens de holometábolos são 
minadores: Diptera, Lepidoptera, Coleoptera e Hymenoptera. 
 
 
Broqueadores são insetos que residem e se alimentam em camadas profundas da 
planta, dentro dos tecidos. As brocas podem se alimentar de qualquer parte da planta, estando 
o material vivo ou morto. As partes mais atacadas são: troncos que são utilizados por 
Coleoptera, Lepidoptera e Hymenoptera; frutos que são mais utilizados por Diptera, 
Lepidoptera e Coleoptera; sementes utilizadas basicamente por Coleoptera e Lepidoptera. 
 
 
Sugadores de seiva (alimentação interna) 
 
É uma forma de alimentação inconspícua, quando comparadas com o consumo foliar. 
A alimentação se dá pela sucção do conteúdo do floema (seiva elaborada). 
25 
 
Pode provocar dano direto através retardamento do crescimento geral da planta e 
dano indireto através da transmissão de viroses ou injeção de saliva tóxica. 
A grande maioria do sugadores são insetos da Ordem Heteroptera (Homoptera e 
Hemiptera) que se alimentam através de estiletes e insetos da ordem Thysanoptera que se 
alimentam via estiletes e via raspagem da epiderme. 
 
Galhadores (alimentação interna) 
 
São os insetos que emitem um estímulo químico às células de tecidos vegetais, 
fazendo com que estes tecidos se desenvolvam patologicamente. Este desenvolvimento pode 
serum aumento do tamanho das células causando uma hipertrofia celular ou um aumento do 
número de células causando uma hiperplasia. Esta transformação do tecido vegetal 
proporciona um local adequado ao desenvolvimento do inseto. 
 
 
 
26 
 
Atividades para fixação 
 
1. O que é entomologia? 
2. Porque estudar insetos? 
3. Por que insetos são tão diversos? 
4. Suponha que você foi contratado para fazer um levantamento completo das espécies de 
insetos e ácaros da mata de uma empresa da região. Qual desses dois grupos você espera 
que seja mais diversificado? Por quê? 
5. Suponha que você foi contratado para fazer um levantamento completo das espécies de 
insetos da mata de uma empresa da região. Considerando insetos adultos somente, você 
espera encontrar mais espécies aladas ou mais espécies ápteras? Por quê? 
6. Além dos benefícios ecológicos e econômicos que trazem alguns insetos à humanidade, 
em quais outras áreas são utilizados e considerados como benéficos? Por quê? 
7. Por que não são considerados os insetos como fonte nutritiva para os humanos, sendo 
que ao igual que outros animais invertebrados possuem uma rica composição dietética 
(calórica, proteínica, vitamínica e de minerais)? 
 
 
8. Veja o meme abaixo e descreva o significa cor de carmim: 
27 
 
 
 
9. O que é uma praga? 
10. Porque os insetos se tornam pragas? 
11. Qual a importância das pragas de plantas? 
12. Quais as principais características que garantiram o sucesso dos insetos como o grupo 
mais diverso no ecossistema? 
13. Qual a importância das abelhas para o agroecossistema? 
 
 
28 
 
3. Morfologia básica de insetos 
 
 A morfologia estuda externamente as partes do corpo dos insetos. A importância de 
se estudar morfologia se deve ao fato de ajudar no reconhecimento de grupos maiores 
(ordens, famílias, gêneros), assim como na caracterização de hábitos e comportamento dos 
insetos. 
As características morfológicas serão apresentadas para o tegumento (exoesqueleto) 
e para as três regiões do corpo de um inseto: cabeça, tórax e abdome. 
 
 
3.1 Exoesqueleto 
 
O grande sucesso dos insetos deve-se em parte ao seu exoesqueleto, que confere 
uma mistura de flexibilidade e força permitindo que o inseto tenha liberdade de movimento e 
ao mesmo tempo não perca em defesa e proteção. 
O tegumento, também chamado de exoesqueleto, é uma camada contínua que cobre 
externamente o corpo do inseto. O exoesqueleto é por uma camada resistente de quitina e 
divido em diversas placas unidas por membranas, o que permite a movimentação. 
O exoesqueleto, é de fundamental importância para a sobrevivência dos insetos, pois 
eles protegem os órgãos internos, permitem sustentação do corpo e suporte para os 
músculos, evitam a perda de excessiva água e, em alguns casos, protegem o inseto contra 
certos tipos de predadores. Além disso, também confere proteção mecânica, química e 
biológica e ainda é ponto de ligação entre os apêndices (antenas, pernas, peças bucais, etc). 
O exoesqueleto é constituído de três partes: a mais externa é a cutícula, abaixo desta 
vem a epiderme e a membrana basal. A cutícula é uma camada relativamente fina de material 
não celular que delimita a superfície externa do corpo, de estrutura flexível e elástica. Quando 
acaba de ser formada é branca e pode permanecer assim em muitas formas jovens. Na 
maioria dos adultos ela passa por um processo químico que resulta no seu endurecimento e 
escurecimento que é denominado esclerotização. Ela tem como função evitar perda de água, 
prevenir a predação e prover camuflagem, através de uma camada de cera. É formada por 
quitina (cadeia de n-acetil-glucosamina) que é um polímero de alto peso molecular. Está 
relacionada com o movimento e extensão do corpo. Pode possuir protuberâncias (espinhos, 
cerdas, pêlos providos de sensilas) cuja função pode ser de ornamentação, gerar sons, ou 
estruturas sensoriais (ligados à células sensitivas). Também é responsável pela cor 
(pigmentos oriundos de plantas e do metabolismo). 
Como o exoesqueleto é uma estrutura muito rígida, o inseto só consegue crescer após 
a troca desse exoesqueleto, processo que chamamos muda ou ecdise. Durante a muda, o 
organismo do inseto produz um novo exoesqueleto embaixo do exoesqueleto velho, que se 
rompe permitindo a saída do inseto. Assim que sai do exoesqueleto velho, o inseto, que está 
agora com um exoesqueleto novo e muito flexível, consegue crescer, e depois de alguns 
minutos ou até horas, esse novo exoesqueleto endurece. Dessa forma, o exoesqueleto é 
eliminado e renovado a cada muda, a medida que o inseto se desenvolve. 
 
29 
 
 
Figura: Gafanhoto saindo do exoesqueleto velho, no processo que chamamos de muda ou 
ecdise. 
 
 
3.2 Cabeça 
 
As principais funções da cabeça são: 
 
 Percepção sensorial: pela presença dos 
órgãos sensoriais de visão, ofato e 
gustação. 
 Integração nervosa: abriga o cérebro, 
principal órgão do sistema nervoso. 
 Aquisição de alimento: pela presença 
das peças bucais. 
 
Os apêndices da cabeça são: 
 
 Fixos: olhos compostos e ocelos. 
 Móveis: antenas e peças bucais. 
 
Olhos compostos: Estruturas típicas de insetos adultos e ninfas. É o principal órgão de 
visão dos insetos. O olho composto é formado por várias unidades chamadas omatídeos. 
Quanto maior o número de omatídeos, maior a capacidade visual dos insetos. 
 
Ocelos dorsais: uma estrutura bem mais simples, que pode estar ausente. Está presente 
em adultos e ninfas. Ocorrem em número de 3, em formato de triângulo invertido ou em par. 
Tem a função de percepção imediata de mudança na intensidade luminosa. 
 
Ocelos laterais: ou chamado de estematas, são os únicos órgãos visuais das larvas. É 
uma estrutura parecida com omatídeo. Eles funcionam como um órgão para percepção de 
luz. 
30 
 
 
 
 
Antenas: são apêndices sensoriais com 
função de olfato, audição, tato e gustação, e 
desse modo, apresentam inúmeras 
modificações para e estruturas para 
desempenhar essas funções. As antenas 
também podem desempenhar funções de 
equilíbrio e auxiliar o macho a segurar a fêmea 
durante a cópula. Todos os insetos adultos 
possuem um par de antenas. Geralmente os 
machos apresentam antenas maiores e mais 
elaboradas para localizar as fêmeas. 
 
31 
 
 
Figura: Diferentes tipos de antenas presentes nos insetos. 
 
 
 
 Pelo reconhecimento do tipo de aparelho bucal dos insetos, é possível identificar o seu 
hábito alimentar e até mesmo o tipo de dano que eles os insetos herbívoros podem causar 
nas plantas. Além disso, também serve como uma característica para identificar as principais 
ordens de insetos. 
 
Uma das grandes variações que permitiu ainda mais a colonização dos diferentes 
meios pelos insetos e, assim, a diversificação de espécies, foi o surgimento de vários tipos 
diferentes de aparelhos bucais, sendo o seu aspecto utilizado como um dos critérios de 
classificação de acordo com a forma e função que desempenha. Entre os animais, sejam eles 
invertebrados ou vertebrados, a anatomia bucal está diretamente relacionada ao hábito 
alimentar. Nos insetos, grupo de animais com maior diversidade de espécies e número de 
organismos dispersos nos mais diferentes ecossistemas, possui estrutura morfológica do 
aparelho bucal bem diversificada. 
Alguns insetos modificaram o aparelho bucal de forma a se alimentar de fluidos; outros, 
de materiais sólidos. Há besouros que se alimentam de outros insetos; há aqueles que se 
Qual a importância prática do 
reconhecimento do tipo de aparelho 
bucal dos insetos?
32 
 
alimentam de vegetais. Há insetos que se alimentam da seiva de plantas enquanto outros se 
alimentam de sangue. Há ainda insetos que se alimentam de tudo, incluindo material em 
decomposição, outros não se alimentam na fase adulta. 
O aparelho bucal possui modificações segundo a maneira pela qual o inseto se 
alimenta, ataca ou sedefende de inimigos. Desse modo as peças bucais estão adaptadas, 
conforme o caso, para mastigar, picar, lamber, sugar, roer. Vejamos alguns dos aparelhos 
bucais a seguir: 
 
Mastigador: Servem primariamente para particionar os alimentos. Mas também pode servir 
como defesa e para condução de matéria, modificação do meio e 
limpeza de antenas e pernas. É o tipo de aparelho bucal mais 
primitivo. Os insetos com aparelho bucal mastigador (besouros, 
gafanhotos, baratas, lagartas, formigas, etc.) possuem 
mandíbulas robustas, com as quais trituram os alimentos, sempre 
sólidos. 
 
 
 
Lambedor: só encontrado nas abelhas, as maxilas são alongadas, o 
lábio é distensível e funciona como uma língua recolhedora de 
líquidos. Esses insetos apresentam mandíbulas e o aparato lambedor 
ao mesmo tempo. Abelhas, por exemplo, usam as mandíbulas para 
mover objetos sólidos nas colmeias e o lambedor para sugar mel e 
néctar. 
Sugador-maxilar: também chamado 
de espirotromba, é um aparelho bucal que serve para sugar 
líquidos que estejam mais inacessíveis, como o néctar de uma 
flor. Pode se estender e se retrair. Apenas borboletas e 
mariposas têm espirotromba. Neste tipo de aparelho bucal a 
modificação ocorre nas maxilas, que se alongam muito e se 
juntam para formar um tubo aspirante, que se enrola em 
espiral e, por isso, é chamado espirotromba. 
 
Sugador-esponjador: É adaptado para absorver fluidos 
diversos livres no ambiente, como sumo e suco de frutas, 
açúcares e fluidos de ferimentos. Na mosca doméstica, 
os dois estiletes (o labro e a hipofaringe) situam-se em um 
sulco anterior do lábio, constituindo o haustelo; a 
extremidade distal do lábio apresenta dois grandes lobos 
ovais macios, as labelas, percorridas por sulcos 
transversais ou canais alimentares, formando uma 
estrutura esponjosa para sorver. 
 
Picador-sugador: É um aparelho bucal modificado com 
todas as partes unidas em uma estrutura perfurante para 
sugar fluidos internos, como sangue e seiva das folhas dos 
vegetais. O aparelho bucal do tipo sugador-picador surge 
como resultado da transformação de certas peças bucais. 
Em geral as modificações ocorrem no lábio, que 
33 
 
transforma-se em uma bainha envolvente ou um tubo 
alongado e oco, denominado rostro ou haustelo. As outras 
peças bucais são modificadas em longos e finos estiletes 
quitinizados, semelhantes a agulhas perfurantes; os estiletes 
de alguns insetos podem ser largos, assemelhando-se mais a 
lâminas cortantes. O lábio não é usado para picar; ele 
simplesmente encosta ou apoia-se no substrato, sendo a 
função perfurante ou cortante realizada pelos estiletes. Ocorre 
em pernilongos, mutucas, percevejos, pulgões, cigarras, 
etc. 
 
Figura: Principais tipos de aparelhos bucais dos insetos. 
 
 
Figura: Rostro (aparelho bucal) de percevejos: 
 Fitófago: rostro reto e longo. 
34 
 
 Predador: curto e curvo. 
 Hematófago: rostro curto e reto. 
 
3.3 Tórax 
 
A segunda região do corpo é o tórax, divido em três segmentos: 
 
1. Protórax – ligado a cabeça (1º par de pernas) 
2. Mesotórax – segmento mediano (2º par de pernas e 1º par de asas) 
3. Metatórax – ligado ao abdome (3º par de pernas e 2º par de asas) 
 
 
 
Apêndices Torácicos: Pernas e Asas. 
 
Pernas: Os insetos são denominados hexápodes, por apresentarem três pares de pernas, 
uma em cada segmento do tórax. As penas são apêndices locomotores terrestres ou 
aquáticos com função de locomoção, escavar, coletar alimentos, capturar presas. Em geral 
existem nas pernas cinco segmentos: coxa, trocânter, fêmur, tíbia e tarso, este dividido em 
artículos em número de um a cinco. No último artículo tarsal encontram-se as garras, 
geralmente duas, e duas ou três minúsculas peças, os pulvilos, que ajudam os insetos a 
locomover-se em superfícies lisas. Muitas larvas também têm seis pernas; outras, como as 
larvas das moscas, não têm pernas. As lagartas ou larvas de borboletas, mariposas e traças 
possuem, além dos três pares de pernas autênticas, localizadas no tórax, um número variável 
de pseudopernas situadas nos segmentos do abdome, cujo número varia de dois a cinco 
pares. 
35 
 
 
As pernas são denominadas anteriores, medianas e posteriores de acordo com a sua 
inserção. O tipo de perna é importante para caracterizar os hábitos do inseto (pernas 
saltatórias - saltam, raptoras - captura de presas, cursoriais - correm, natatórias - nadam, 
gressoriais - andam, e fossoriais - escavam). Os diferentes tipos de pernas são: 
 
a) Ambulatória: tipo fundamental e sem modificações, presente em quase todas as ordens, 
apropriadas para andar ou correr. 
b) Saltatória: pernas posteriores dos gafanhotos. Fêmur e tíbias bem desenvolvida, 
entumecidas e alongadas. 
c) Natatória: encontradas em insetos aquáticos. Parte mediana e posterior adaptada para 
nadar. Fêmur, tíbia e tarso achatados e com margens providas de pelos e esporões. 
d) Preensora: fêmur desenvolvido, com um sulco no qual se aloja a tíbia recurvada. Serve 
para prender outros animais (presa). 
e) Raptatória: transformadas para capturar outros insetos. Fêmur e tíbia com numerosos 
espinhos e dentes. 
f) Fossorial: servem para escavar o solo. Tíbias ou tarsos modificados em expansões 
laminares. 
g) Escansorial: tíbia, tarsos e garras tarsais possibilitam aos piolhos agarrarem-se ao pelo 
do hospedeiro. 
h) Coletora: Terceiro par de patas de alguns himenópteros. Servem para recolher e 
transportar grãos de pólen. O primeiro segmento do tarso é bastante desenvolvido (basitarso). 
Nas abelhas existe a corbícula. 
i) Adesivas: Pernas anteriores de alguns coleópteros aquáticos (machos) objetivando fixar-
se durante a cópula. 
 
36 
 
 
 
 
 
 
 
 
Asas: apêndices torácicos para locomoção aérea. Só são funcionais na fase adulta. 
Normalmente dois pares (um no mesotórax e outro no metatórax). A principal característica 
que concedeu esse grande sucesso adaptativo aos insetos é a sua capacidade de voo, que 
permite a esses animais fugir de predadores, buscar alimentos ou até mesmo procurar por 
condições ambientais que favoreçam sua sobrevivência. Alguns insetos jamais desenvolvem 
asas, quer por descenderem, como a traça-dos-livros, de formas ancestrais não aladas, quer 
por terem desenvolvido adaptações à vida parasitária (piolho, pulga) acompanhadas, ao longo 
da evolução, pela regressão das asas. Formigas e cupins são também ápteros, salvo as 
castas sexuadas. Os insetos de algumas ordens, como a das moscas, possuem somente um 
par de asas. A grande maioria, porém, é dotada de dois pares, sendo as posteriores sempre 
membranosas e localizadas no metatórax. As asas também podem servir também de proteção 
37 
 
(besouros), produção de som (grilos), órgão de equilíbrio (moscas) e coletor de calor 
(borboletas). Vejamos agora os diferentes tipos de asas presentes nos insetos: 
 
Membranosas: são finas e flexíveis com nervuras bem distintas. É o par posterior da maioria 
dos insetos. Podem ser nuas (libélulas, aleluias, moscas) ou cobertas por escamas 
(borboletas e mariposas). 
 
Tégmina: Aspectos pergaminoso ou coriáceo, normalmente estreitas e alongadas. Exemplo: 
grilos, gafanhotos, baratas. 
 
Élitros: são duras e servem de proteção as asas membranosas dos besouros. São chamados 
braquiélitros quando não cobrem totalmente o abdome, como a asa anterior da tesourinha. 
 
Hemiélitros: Asas anteriores dos percevejos apresentam a parte basal coriácea e a apical 
membranosa. Ocorre em percevejos. 
 
Balancins: São o segundo par de asas de moscas e mosquitos, são atrofiadas e tem função 
de equilíbrio durante o vôo. 
 
Franjadas: São alongadas com longos pelos em toda sua extensão, nervuras reduzidas. 
Presentes nos tripes. 
 
 
 
 
 
 
 
3.4 Abdome 
 
 O abdome é a terceira região do corpo dos insetos, que se caracteriza pela 
segmentação típica, simplicidade de estruturas e ausência geral de apêndices locomotores.38 
 
 Apesar da sua aparência simplificada, o abdome é uma região altamente 
especializada, que contém os principais órgãos; também essa é a região por onde ocorrem 
os movimentos respiratórios, e os espiráculos são a abertura do sistema respiratório. As 
principais funções do abdome são: 
 
 Armazenamento e processamento de nutrientes; 
 Circulação de hemolinfa; 
 Bombeamento de oxigênio; 
 Desenvolvimento dos ovos; 
 Produção de espermatozoides; 
 Acasalamento. 
 
 
 
Apresenta no máximo 11 segmentos, também chamados de urômeros; no último situa-
se a abertura anal, no penúltimo a abertura genital masculina e no antepenúltimo a abertura 
genital feminina. Em muitos insetos há, no décimo segmento, um par de apêndices laterais, 
os cercos, às vezes bastante desenvolvidos, filiformes ou em forma de pinça. Em muitas 
espécies as fêmeas apresentam vários apêndices, que formam um órgão especial, o 
ovipositor, com o qual põem os ovos. Esse órgão, que parte da vagina, apresenta forma e 
comprimento variáveis; não raro é alongado e penetrante, para que os ovos possam ser 
depositados em buracos na terra ou no interior de plantas ou animais. Nas abelhas esses 
apêndices agem como agulhões inoculadores de veneno, os chamados ferrões. 
 
 
Apêndices abdominais: durante o desenvolvimento embrionário alguns insetos apresentam 
apêndices abdominais que geralmente não permanecem após a eclosão da larva, ninfa ou 
náiade. Em alguns casos estes apêndices permanecem transformando-se em estruturas 
funcionais.. 
 
 Cercos: localizam-se nas partes látero-dorsais do último urômero. Função sensorial, 
mas podem auxiliar na cópula e até exercer função preensora (tesourinha). 
 Estilos: são estuturas pareadas, multissegmentadas e mais curtas que os cercos. 
Têm função sensorial e está presente apenas em machos. Ex.: barata e louva-deus. 
 Sifúnculos: par de apêndices dorsais que podem liberar feromônio de alarme. Ex. 
típico dos pulgões 
 Acúleo: últimos segmentos abdominais, modificados na forma de tubo, com função 
de ovipositor na mosca-das-frutas. 
 Pernas abdominais: presente em lagartas e algumas larvas himenópteros. 
39 
 
 Brânquias: estruturas respiratórias de insetos imaturos aquáticos. Em alguns casos 
tem função natatória. 
 
 
 
 
 
 
40 
 
 
Atividades para fixação 
 
1. Para ser considerado um inseto, o animal precisa apresentar algumas características. Entre 
as características a seguir, qual é a única que não pode ser encontrada em um inseto? 
 
a) Um par de olhos compostos. 
b) Um par de antenas na cabeça. 
c) Corpo dividido em cabeça, tórax e abdome. 
d) Presença de seis pares de pernas. 
e) Presença de asas. 
 
2. Os insetos, assim como outros artrópodes, possuem um exoesqueleto quitinoso 
relacionado com a proteção contra predadores e a perda de água. Esse exoesqueleto, no 
entanto, é um grave problema quando o assunto é crescimento. Marque a alternativa que 
apresenta o nome do processo que garante o crescimento desses animais. 
 
a) Metamorfose. 
b) Permuta. 
c) Ecdise. 
d) Pupa. 
e) Evolução. 
3) As antenas, asas e as pernas dos insetos são componentes de grande importância para o 
sucesso no meio em que eles vivem. Como deveriam ser estas estruturas em um inseto 
predador, noturno e terrestre? Por quê? 
4) As antenas, asas e as pernas dos insetos são componentes de grande importância para o 
sucesso no meio em que eles vivem. Como deveriam ser estas estruturas de um inseto 
predador, diurno e aquático? Por quê? 
5) A cigarra e a formiga são personagens de uma fábula que enaltece o trabalho. A biologia 
dos grupos aos quais pertencem esses insetos explica o diferente papel desempenhado por 
41 
 
eles na fábula. No verão, encontram-se cascas de cigarras presas nas árvores ou no chão. 
Há uma crença popular de que as cigarras "arrebentam de tanto cantar". 
a) Qual a função do canto das cigarras? 
b) As cascas não são cigarras mortas. Explique o que representam essas cascas. 
 
6) Por que geralmente os machos tem as antenas mais desenvolvidas que as fêmeas? 
 
7) Qual a importância prática do reconhecimento do tipo de aparelho bucal dos insetos? 
 
8) Observe a charve abaixo e comente as características do exoesqueleto dos insetos: 
 
42 
 
4. Biologia dos insetos 
 
Biologia é a ciência que estuda a vida e os organismos vivos, sua estrutura, 
crescimento, funcionamento, reprodução, origem, evolução, distribuição, bem como suas 
relações com o ambiente e entre si (ecologia). 
O ciclo biológico é o conjunto de fases (ou estágio) por que passa o inseto, desde o 
ovo até o adulto. 
 
4.1 Reprodução 
 
 Uma das razões para explicar a grande capacidade adaptativa dos insetos no globo 
terrestre é a sua alta capacidade reprodutiva. A multiplicação rápida dos insetos deve-se 
principalmente às fêmeas prolíferas e ao ciclo biológico curto. 
A reprodução nos insetos é geralmente dependente do encontro dos dois sexos e da 
fecundação do óvulo pelo espermatozoide, também chamada de reprodução sexuada. 
Porém, há inúmeras exceções, visto a grande diversidade dos insetos. Veja a seguir as etapas 
da reprodução sexuada, desde a aproximação dos insetos até a cópula: 
 
a) Aproximação dos sexos: Os insetos machos e fêmeas precisam sicronizam o tempo e 
local para o acasalamento para que haja o acasalamento. Isso pode ser feito de uma maneira 
mais “chamativa” como por exemplo, pela luminescência dos vagalumes, pelo som emitido 
pelos grilos através da fricção de asas e pernas, pela cacofonia das cigarras. Existem outras 
formas mais discretas, perceptíveis apenas aos insetos, mas com a mesma eficiência. 
Exemplo os feromônios. Esses sinais para atração do sexo oposto, geralmente são 
específicos para cada espécie. O enxame é a forma mais efetiva para o encontro de parceiros. 
Ex. poste de luz. Não necessita ser visual, podendo ser odor. Este sistema permite o encontro 
do casal de modo mais efetivo do que a procura. 
 
b) Corte: Comportamento de curta distância que induz a receptividade sexual antes do 
acasalamento. É um mecanismo para diminuir a atração cruzada – os sinais podem ser 
movimentos, presentes nupciais, danças, estimulação o tátil, odores, vibração das asas. 
Somente a sequência correta garante a cópula. 
 
c) Seleção sexual: os sexos dos insetos são dimórficos, ou seja, machos e fêmeas tem 
características morfológicas diferentes. Exemplo: machos adornados com características 
43 
 
secundárias relacionadas com a corte; “chifre” em besouros; som em grilos; cor das asas em 
borboletas. A fêmea é capaz de escolher machos de melhor qualidade reprodutiva. 
 
 
 
 
d) Cópula: consiste na transferência direta de espermatóforo na bursa copulatrix. Durante a 
cópula, o macho pode transferir substâncias que irão contribuir para a oviposição, ou até 
mesmo substâncias que vão causar a repressão da receptividade pela fêmea, fazendo com 
que ela não aceite nenhum outro macho, com a finalidade de garantir que apenas os 
descendentes dele sejam gerados. 
 
e) Estocagem de esperma e fertilização: Os óvulos maduros recebem o esperma pela 
micrópila (orifício do óvulo) onde se dá a fertilização. Existe uma economia e eficiência do uso 
porque as fêmeas podem estocar esperma por longo tempo e liberá-los pouco a pouco 
controladamente. Na glândula espermatecal contém substâncias que nutrem os 
espermatozoides. 
 
f) Oviposição: consiste na reprodução propriamente dita. Os embriões podem ser 
ovipositados na forma de ovos, larvas ou ninfas, dependendo do tipo de reprodução, conforme 
apresentado a seguir. 
 
4.1.1 Tipos de reprodução 
 
Oviparidade: é o tipo mais comum de reprodução. As fêmeas depositam ovos que dão 
nascimento à larvas ou ninfas. Neste caso o ovo apresenta reserva nutritiva completa (vitelo) 
para este desenvolvimento. Os ovos variam grandemente em aparência (podem ser esféricos, 
ovais, alongados, em forma de barril,forma de disco, etc.). Podem ser colocados 
separadamente ou em massas (unidos uns aos outros) nas plantas (mariposas, percevejos), 
no solo (gafanhotos, grilos, etc.), sobre animais (piolhos), na água (pernilongos), sobre ou 
dentro de outros insetos (parasitoides), etc. A maioria dos insetos fitófagos depositam seus 
ovos na planta hospedeira da larva ou da ninfa, como os borboletas e mariposa. Nas plantas, 
as posturas podem ser endofícas (ovos colocados no interior de folhas, ramos, frutos) ou 
exofítica (sobre a superfície das plantas). As fêmeas que fazem postura endofítica 
apresentam ovipositor nos últimos segmentos abdominais ou os últimos urômeros são 
44 
 
modificados em estrutura perfurante (acúelo das moscas-das-frutas). Comumente, os ovos 
apresentam uma cobertura que varia em espessura, escultura e cor. Muitos ovos são providos 
de ranhuras características, espinhos ou outros processo, e alguns podem ser brilhantes. 
Muitos insetos envolvem seus ovos em uma espécie de material protetor, como as baratas e 
os louva-a-deus, que envolvem seus ovos em uma capsula chamada ooteca, ou protegem o 
local da postura com secreção ou fezes. O número de ovos depositado varia de um (pulgões 
de clima frio) a milhões de ovos (insetos sociais como cupins e formigas). A maioria dos 
insetos deposita de cinquenta a algumas centenas de ovos. 
 
Viviparidade: o desenvolvimento embrionário é completado dentro do corpo da fêmea, que 
deposita larva ou ninfa em vez de ovos, sendo ela chamada fêmea vivípara. Nesse caso, 
os ovos são deficientes em vitelo e desenvolvem-se no trato genital da fêmea. Exemplo: 
pulgões e algumas moscas. 
 
 
4.1.2 Modos atípicos de reprodução 
 
Partenogênese: refere-se ao crescimento e desenvolvimento de um embrião sem fertilização 
do óvulo pelo espermatozoide, ou reprodução assexuada. Geralmente ocorre combinada 
45 
 
com outros tipos de reprodução como: oviparidade, viviparidade. A partenogênese pode ser 
classificada em: 
 Telítoca: quando dá origem apenas à fêmeas; 
 Arrenótoca: quando dá origem apenas à machos; 
 Anfítoca: quando dá origem à ambos, mas só ocorrem em pulgões de clima 
temperado. 
A partenogênese ainda pode ser obrigatória – quando a reprodução ocorre somente por 
partenogênese. Ex.: pulgões de clima tropical, zangões. Ou facultativa – quando os ovos 
não fecundados originam fêmeas e ovos fecundados originam machos e fêmeas. 
 
 
Pedogênese: Em alguns casos, indivíduos imaturos são capazes de se reproduzirem por 
partenogênese ou por células não consideradas reprodutivas. Trata-se de um encurtamento 
do ciclo de vida. É um fenômeno raro. 
 
Neotenia: Quando um ínstar não terminal desenvolve características reprodutivas do adulto, 
incluindo a habilidade de localizar um parceiro sexual, copular e depositar ovos (ou larvas) de 
uma maneira convencional denominamos neotenia. 
Poliembrionia: Geralmente quando ocorre poliembrionia, ela está associada com oviparidade 
ou partenogênese. Pode ocorrer de duas formas: numa delas, as células se dividem durante 
a divisão mitótica, e cada célula dá origem a um indivíduo; na outra forma, ocorrem várias 
clivagens onde cada uma dá origem a um indivíduo. É bem restrita a vespas parasitas. O 
número de larvas produzidas é influenciada pelo tamanho do hospedeiro, variando de dez a 
milhares de indivíduos surgindo de um ovo pequeno e sem vitelo, o que é extremamente 
vantajoso para a fêmea que tem um gasto de energia relativamente pequeno durante a 
oviposição. 
 
46 
 
 
Todos esses tipos de reprodução são uma forma de adaptação evolutiva dos insetos. 
A partenogênese facultativa, e variação no sexo do ovo produzido pode ser uma resposta a 
flutuações das condições do ambiente como ocorre em afídeos que variam o sexo dos filhos 
e misturam ciclos partenogenéticos e sexuados de acordo com a estação do ano. 
 
4.2 Desenvolvimento 
 
 O desenvolvimento de um inseto envolve tanto o crescimento no tamanho como a 
mudança na forma. Pode ser divido em embrionário (fase de ovo) e pós-embrionário. 
 
4.2.1 Desenvolvimento embrionário 
 
 O desenvolvimento embrionário inicia-se após a fecundação do óvulo pelo 
espermatozoide formando o núcleo zigótico e finaliza com a eclosão da larva ou ninfa. Após 
a deglutição do líquido amniótico, o inseto aumenta de volume, ocupando todo o ovo, e o cório 
(“casca” do ovo) se rompe, com auxílio da força muscular, permitindo a lenta saída do inseto. 
 
 
 
 Ovos de percevejo Eclosão ninfas da ooteca (massa de ovos) 
da barata. 
Por que estes tipos de 
reprodução ocorrem?
47 
 
4.2.2 Desenvolvimento pós-embrionário 
 
 O desenvolvimento pós-embrionário inicia-se com eclosão da larva ou ninfa e finaliza 
com a emergência do adulto. Todos os insetos se tornam maduros no ínstar final (imago ou 
adulto). Existe um número determinado de ecdises (troca de tegumento) para cada inseto. 
Durante o processo de crescimento ocorre mudanças na forma conhecidas como 
metamorfose. 
A ecdise ou muda, é o fenômeno fisiológico de mudança do tegumento/exoesqueleto, 
e é necessária para o crescimento dos insetos. É controlada totalmente por hormônios. 
Durante a ecdise, ocorre a produção de uma nova cutícula e a degradação da velha. 
 
4.2.3 Metamorfose 
 
 Durante o desenvolvimento pós-embrionário, a forma geral do corpo do inseto em cada 
estádio pode diferir pouco em relação aos estádios precedentes, exceto pelo aumento de 
tamanho, e assim o inseto pode atingir a maturidade sem sofrer metamorfose (ametábólicos). 
A maioria dos insetos sofrem metamorfose (metabólicos), e as formas jovens mudam de 
forma de maneira gradual ou drástica nos estádios finais de desenvolvimento, quando se 
transformam em adultos. 
 De acordo com o desenvolvimento pós-embrionário, surgem os seguintes tipos de 
metamorfose: 
 
Ametabolia: Não ocorre mudança de forma. O inseto recém eclodido já tem a forma do adulto, 
com tamanho menor e órgãos reprodutivos pouco desenvolvidos. Ex.: traça dos livros. 
 
 
Hemimetabolia: metamorfose parcial (incompleta). O inseto recém-eclodido (ninfa) 
assemelha-se ao adulto, porém com tamanho menor, ausência de asas e órgãos reprodutivos 
pouco desenvolvidos. Fases: ovo – ninfa – adulto. 
48 
 
 
 
 
Holometabolia: metamorfose completa. Transformação drástica nas formas imaturas até a 
fase adulta. Fases: ovo – larva – pupa – adulto. Esta forma de desenvolvimento por 
metamorfose completa também contribuiu para o sucesso dos insetos, já que os insetos 
jovens e adultos ocupam habitats diferentes e não competem entre si. 
 
 
 
Atividades para fixação 
 
1) Observou-se que uma vespinha ordem Hymenoptera reproduzia-se sem fecundação. Em 
determinada circunstância produzia somente machos, mas em outras circunstâncias produzia 
machos e fêmeas. Que tipo de reprodução tem este inseto? 
 
2) O que você entende por partenogênese? Quais os tipos que conhece e quais são suas 
características? 
 
49 
 
3) Dentre os passos da reprodução dos Lepidópteros que incluem a localização do parceiro, 
acasalamento e oviposição existe o envolvimento de semioquímicos. Qual destes eventos 
seria mais afetado se retirássemos as antenas dos machos? Por quê? 
 
4) Muitos insetos são sexualmente dimórficos onde o macho é geralmente mais ornamentado 
que a fêmea. Que razões de natureza evolutiva poderiam levar a tais diferenças? 
 
5) Como um inseto pode localizar seu parceiro para o acasalamento? 
 
6) A reprodução sexuada dos insetos envolve uma série de etapas pré-copulatórias como 
localização do parceiro e corte. Comente a charge abaixo: 
 
 
7) Qual a relação entre metamorfose e competição em insetos? 
 
8) Considere a afirmativa a seguir: "ordens de insetos apresentando metamorfose completa 
(holometabolia) tendem a apresentar maior número de espécies do que aquelas ordens cuja 
metamorfose é simples (hemimetabolia)". Esta afirmativaé aceitável? Por quê? 
 
9) Admita a existência de um inseticida que interfira exclusivamente no processo de 
crescimento do inseto. Em que fase(s) do desenvolvimento do inseto seria recomendável 
aplicar tal produto? 
 
10) Suponha que um mesmo tipo de alimento, específico para formas jovens, foi fornecido a 
dois insetos adultos. Se um destes insetos é Hemimetábolo e o outro Holometabólo e 
considerando que eles são dependentes do alimento, qual dos dois tem mais chance de 
sobreviver? Por quê? 
 
11) Considerando que os insetos possuem um exoesqueleto rígido, como é que conseguem 
aumentar o volume do corpo durante o período reprodutivo? 
 
12) Os insetos, constituem o maior grupo de animais da Terra. Apesar de sua enorme 
diversidade, nesse grupo ocorrem apenas três padrões de desenvolvimento pós-embrionário. 
Descreva as formas de desenvolvimento dos insetos abaixo: 
50 
 
 
51 
 
5 Principais ordens de insetos de importância econômica 
 
 De acordo com as suas características (semelhanças e diferenças), os insetos são 
organizados em grandes grupos, determinados ordens. A categoria ordem reúne diferentes 
famílias, que por sua vez são compostas por gêneros, que são conjuntos de espécies. 
 Filogenia é uma hipótese evolutiva, uma proposta científica sobre o grau de 
parentesco entre diferentes grupos que integram um grupo maior. Por exemplo, considerando-
se o grupo dos intesos, podemos estabelecer como os seus diferentes grupos (ordens) estão 
relacionados, que ordens são mais próximas (são irmãs) ou mais afastadas. Isto é 
representado por um diagrama de relacionamento, chamado de cladograma, que representa 
a evolução do grande grupo considerado, insetos no nosso caso. Na figura da próxima página, 
podemos ver um cladograma das ordens atuais de insetos (excluindo-se as fósseis, extintas). 
 Por mais que existem diversas ordens de insetos, há algumas que são consideradas 
as principais devido à frequência de insetos conhecidos e que são diferenciados com maior 
precisão e facilidade. Vejamos agora as principais ordens dos insetos: 
 
 Thysanura: traça-dos-livros 
 Ephemeroptera: efeméridas 
 Odonatas: libélulas 
 Blattodea: baratas 
 Isoptera: cupins e aleluias 
 Mantodea: louva-a-deus 
 Dermaptera: tesourinha ou lacrainha 
 Orthoptera: grilos, gafanhotos, esperanças, paquinhas, taquarinha 
 Phasmatodea: bicho-pau 
 Anoplura: piolho 
 Thysanoptera: tripes 
 Hemiptera: pulgão, cochonilha, psilídeo, cigarra, cigarrinha, percevejos, barbeiros, 
barata-d´água 
 Neuroptera: formiga-leão, crisopídeo 
 Coleoptera: besouros, joaninhas, vaga-lume 
 Siphonaptera: pulga 
 Diptera: mosca, mosquito, pernilongo, mutuca 
 Lepidoptera: borboletas e mariposas 
 Hymenoptera: formiga, abelha, vespas 
52 
 
 
 
 
 
53 
 
5.1 Isoptera 
 
Nome: Iso (igual) + ptera ( asas) 
Nome vulgar: Cupins, térmitas, siriris e aleluias 
Características: Aparelho bucal mastigador; pernas ambulatórias; asas quando presentes do 
tipo membranosa; corpo mole; inseto social. Alguns fazem seus ninhos subterrâneos, outros 
aqueles murundus enormes nos campos e outras dentro da própria madeira. 
Tamanho: Pequenos (2mm) a Médios (10mm) 
Hábito Alimentar: Fitófago – se alimentam de raízes de plantas, de madeira verde e de 
madeira seca industrializada. 
Desenvolvimento: hemimetabolia - ovo, ninfa e adulto. 
Importância agrícola: são pragas de importância econômica 
 
 
 
5.2 Dermaptera 
 
Nome: Derma (pele) + ptera ( asas) 
Nome comum: tesourinha, lacrainha 
Características: Aparelho bucal mastigador; asas anteriores do tipo hemiélitro; pernas 
ambulatórias; cercos em forma de pinça, no abdome. As lacrainhas são insetos de hábito 
noturno, atraídos por luz. 
Tamanho: 10 a 50 mm. 
Hábito Alimentar: A maioria das espécies nutre-se de polpa de frutos abertos e em 
decomposição, e pólen, podendo danificar flores; existem ainda alguns predadores. 
Desenvolvimento: hemimetabolia - ovo, ninfa e adulto. 
Importância agrícola: são inimigos naturais de pragas. 
 
54 
 
5.3 Orthoptera 
 
Nome: Ortho (reto) + ptera ( asas) 
Nome comum: grilos, gafanhotos, esperanças, paquinhas e manés-magros (taquarinha). 
Características: Aparelho bucal mastigador; asas anteriores em tégmina; pernas posteriores 
saltatórias. As paquinhas apresentam perna anterior do tipo escavatória. Machos apresentam 
cercos; presença de ovipositor longo nas fêmeas. 
Tamanho: pequenos (15mm) a grandes (200mm) 
Hábito Alimentar: Predominantemente fitófagos (mastigadores), muitos mas podem se 
alimentar de muitos outros materiais. 
Desenvolvimento: hemimetabolia - ovo, ninfa e adulto. 
Importância agrícola: podem causar danos às culturas, principalmente hortaliças e 
sementeiras de mudas. 
 
 
 
 
Figura: paquinha e galerias do solo causado pela escavação. 
 
5.4 Thysanoptera 
 
Nome: Thysano (franja) + ptera (asas). 
Nome comum: tripes. 
55 
 
Características: Aparelho bucal raspador sugador; asas membranosas franjadas; de cor 
escura na fase adulta. 
Tamanho: insetos pequenos 0,5 a 13 mm de comprimento. 
Hábito Alimentar: Raspam e sugam seiva das flores, folhas e frutos. Mas existem algumas 
espécies que se alimentam de esporos de fungo, células de alga. Apesar da grande maioria 
ser fitófaga, existem algumas espécies que são predadoras de ácaros, pulgões, cochonilhas 
e também outros tripes. 
Desenvolvimento: hemimetábolo - ovo, ninfa e adulto. 
Importância agrícola: muitas espécies atacam plantas cultivadas, causando danos severos. 
Preferem sempre as partes aéreas da planta. Nas folhas, localizam-se quase sempre na face 
inferior. Como consequência da retirada da seiva, tornam as folhas descoradas e, nos locais 
das picadas, provocam pontos escuros devido à necrose dos tecidos. Quando o ataque é 
muito intenso, as folhas ficam como se fossem queimadas, com brilho prateado, e depois 
caem. Além disso, a principal importância dos tripes está na transmissão de doenças, 
principalmente viroses, como o vira-cabeça-do-tomateiro. 
 
 
5.5 Hemiptera 
 
Nome: Hemi (metade) + ptera (asas) [asa anterior do tipo hemiélitro - com diferença na 
textura da região basal e apical]. 
Nome comum: a ordem Hemiptera apresenta três subordens com diferentes características: 
 Sternorrhyncha: cochonilhas, pulgões, psilídeos e mosca-branca. 
 Auchenorrhyncha: anteriormente classificada como Homoptera (asas iguais), 
compreende cigarras e cigarrinhas. 
 Heteroptera: percevejos e barbeiros. Asas anteriores hemiélitro e posteriores 
membranosa (parte apical membranosa e parte basal é espessada). Pernas de vários 
tipos: Ambulatórias, natatórias (percevejos aquáticos); preensoras (barata-d’água), 
fossoriais (alguns percevejos de solo). Podem apresentar ainda expansões foliáceas 
na tíbia posterior. 
Características gerais: todos hemípteros apresentam aparelho bucal picador sugador, 
surgindo na parte anterior da cabeça. 
Tamanho: Minúsculos (<1mm) a grandes (~100mm) 
Hábito Alimentar: Substâncias líquidas. A maioria é fitófoga. Alguns são predadores de 
outros insetos e são benéficos. Outros são hematófagos e transmissores de doenças para o 
homem. 
Desenvolvimento: hemimetábolo - ovo, ninfa e adulto. 
Importância agrícola: muitos grupos são considerados pragas, entratanto, algumas espécies 
são utilizadas no controle biológico de outras pragas. Além disso, também existem percevejos 
de importância médica, como o percevejo transmissor da Doença de Chagas. 
56 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5.6 Neuroptera 
 
Nome: Neuro (nervura) + ptera (asas) 
Nome comum: Formiga-leão, bicho lixeiro, crisopídeo. 
Características: Aparelho bucal mastigador; 4 asas membranosas, que em repouso ficam 
em formato telha sobre o corpo. Abdome cilíndrico; antenas geralmente compridas. 
Tamanho: 10 a 50 mm. 
57 
 
Hábito Alimentar: A maioria dos seus membros são predadores. 
Desenvolvimento: Holometábolo - ovo, larva, pupa e adulto.As larvas podem ser aquáticas 
ou terresteres. 
Importância agrícola: são importantes agentes de controle biológico de pragas. 
 
 
 
 
 
5.7 Coleoptera 
 
Nome: Coleo (estojo) + Ptera (asas). 
Nome comum: besouros, broca, joaninha, vagalume, perilampo. 
Características: aparelho bucal mastigador; asas anterior do tipo ÉLITRO e ausência de 
cercos em forma de pinça. Essa é a ordem de insetos mais diversa, compreende cerca de 
40% do número de espécies. Pernas do tipo ambulatória, escavatória e natatória (besouros 
aquáticos). 
Tamanho: Minúsculos (<1mm) a grandes (>200mm). 
Hábito Alimentar: a maioria é fitófaga, mas muitos são predadores e outros são 
decompositores, se alimentam de carcaças, fezes, matéria orgânica. A alimentação é bem 
variada, mas não exitem besouros hematófagos. 
Desenvolvimento: Holometábolo - ovo, larva pupa e adulto. 
Importância agrícola: muitas espécies são fitófagas e algumas ainda atacam grãos 
armazenados, e por isso são considerados são importantes pragas. Mas existem coleópteros 
úteis como as joaninhas, que são predadoras principalmente de pulgões. 
 
 
58 
 
 
 
 
5.8 Diptera 
 
Nome: Di (duas) + ptera (asas) 
Nome comum: moscas, mosquitos, pernilongos, borrachudos, mutuca, berne, mosca-das-
frutas. 
Características: primeiro par de asas normais e o segundo par atrofiado e modificado 
balancim. Aparelho bucal do tipo picador-sugador ou sugador-esponjador. Olhos compostos 
bem desenvolvidos, ocupando boa parte da cabeça. 
Tamanho: Minúsculos (1mm) a grandes (60mm). 
Hábito Alimentar: alimentação bastante diversificada. As larvas terrestres se alimentam de 
matéria orgânica em decomposição, carcaças de animais mortos, excrementos. Outras são 
fitófogas ou inimigos naturais de insetos ou parasitas, tanto do homem como de animais. Os 
adultos em geral alimentam-se de diversas substâncias: podem ser hematófagos ou se 
alimentar de substâncias açucaradas, néctar, suor, etc. 
Desenvolvimento: Holometábolo - ovo, larva, pupa e adulto. As larvas podem ser aquáticas 
ou terrestres. 
Importância agrícola: do ponto de vista agrícola, tem importância a mosca-das-frutas, cujas 
larvas atam frutos de várias espécies; a mosca-da-madeira, cujas larvas abrem galerias nos 
troncos das árvores; espécies minadoras, cujas larvas abrem galerias nas folhas, além de 
larvas que atacam raízes de plantas. Com relação a importância médica, tem-se os mosquitos 
sugadores de sangue, que podem transmitir agentes causais de doenças como malária, febre 
amarela, dengue, etc. A mosca doméstica em contato com os alimentos pode transmitir tifo e 
desinterias; a mosca conhecida como lambe-olhos pode transmitir a conjuntivite. Entre as 
moscas de importância veterinária, destacam-se as varejeiras (bicheiras) e a mosca-do-berne 
(que também pode parasitar o homem), a mosca-do-chifre, mutucas transmissoras do mal-
das-cadeiras-dos-equinos. Entretanto, entre os dípteros encontram-se ainda muitas espécies 
úteis. Nesse particular, destacam-se as espécies necrófagas, saprófagas, polinizadores e 
inimigos naturais (parasitas e predadores) de insetos considerados pragas agrícolas. 
 
59 
 
 
 
5.9 Lepidoptera 
 
Nome: Lepidon (escamas) + ptera (asas). 
Nome comum: borboletas, mariposas e lagartas na fase larval. 
Características: é a segunda maior ordem de insetos. Aparelho bucal sugador-maxilar (inseto 
adulto), enrolado em forma de espiral, quando em repouso (espirotromba); asas cobertas por 
escamas. As lagartas tem aparelho bucal mastigador, e é nessa fase que prejudiciais à 
agricultura. 
Tamanho: 5 a 300 mm. 
Hábito Alimentar: As lagartas, são fitófagos e o adulto apenas suga néctar floral. 
Desenvolvimento: Holometábolo - ovo, larva (lagarta), pupa (casulo ou crisálida) e adulto. 
Importância agrícola: muitas espécies de lagartas são pragas. Algumas borboletas e 
mariposas podem contribuir com a polinização enquanto se alimentam do néctar. O bicho-da-
seda é um importante inseto que gera renda a muitos produtores de seda (sericicultura). 
 
 
60 
 
 
 
5.10 Hymenoptera 
 
Nome: Hymeno (membrana) + ptera (asas) 
Nome comum: formiga, abelha, vespa, marimbondo, mamangava. 
Características: é a terceira maior ordem de insetos. Abdome pendunculado (na maioria), 
quatro asas membranosas, sendo as anteriores muito maiores que as posteriores; antenas 
menores do que o corpo; geralmente apresentam aparelho bucal mastigador, sendo que as 
abelhas são exceção, possuindo aparelho bucal lambedor. Pernas do tipo ambulatórias ou 
coletoras (abelhas e mamangavas). Os himenópteros são considerados os insetos mais 
evoluídos. 
Tamanho: 0,3 a 70 mm. 
Hábito Alimentar: bastante variado. 
Desenvolvimento: Holometábolo - ovo, larva, pupa, adulto. 
Importância agrícola: no geral, os himenópteros são pouco daninhos à agricultura, exceto 
às formigas cortadeiras, que são uma das principais pragas do Brasil. Mas existe ainda 
espécies nocivas como vespas causadoras de galhas, vespas fitófagas (vespa-da-madeira), 
abelha-irapuá (praga de folhes de citros). Há muitas espécies úteis como as abelhas, 
importantes na produção de mel, cera, própolis e na polinização de plantas, além dos 
parasitoides e predadores. Os microimenóperos são importantes parasitoides, que mantem o 
equilíbrio da natureza, pois são poucas as espécies que não tem pelo menos um 
microimenóptero como inimigo natural. 
 
61 
 
 
 
 
 
 
 
5.11 Acari (Classe Arachnida) 
 
 Os ácaros são importantes pragas agrícolas, mas não são insetos (Classe Insecta), 
eles estão inseridos dentro da Classe Arachnida (a mesma de aranhas, escorpiões, 
carrapatos) e subclasse Acari (ácaros e carrapatos). 
 
Nome: Akares (pequeno) 
Nome comum: ácaro. 
62 
 
Características: Corpo segmentado em duas regiões principais: o gnatossoma (cabeça) e o 
idiossoma (fusão do tórax e abdome). As quelíceras são órgãos primários para aquisição de 
comida, usualmente adaptadas para mastigação, perfuração, dilaceração e sucção. Possuem 
quatro pares de pernas na fase adulta e três na fase larval. As pernas podem ser utilizadas 
para andar e podem estar adaptadas para natação nas espécies aquáticas. 
Tamanho: 0,25 a 0,75 mm. 
Hábito Alimentar: os ácaros apresentam uma alimentação muito diferenciada entre os 
grupos, podendo ser parasitas de vertebrados, invertebrados ou plantas. Além disso, alguns 
grupos são predadores de fungos e bactérias. O tipo de alimentação depende da forma e 
função das quelíceras e do trato digestivo. Dessa forma as principais estratégias alimentares 
são o parasitismo, fitofagia, micofagia e saprofagia. 
Desenvolvimento: ovo – larva – protoninfa – deutotonifa – adulto. 
Importância agrícola: muitas espécies de ácaros são importantes pragas agrícolas ao redor 
do mundo, enquanto outras são importantes inimigos naturais de pragas. 
 
 
 
 
 
 
63 
 
Atividades para fixação 
 
1. Na ilustração estão representados cinco insetos. Considerando a ORDEM a que cada 
inseto pertence. Indique a ordem e nome comum dos cinco insetos na figura abaixo: 
 
 
2. Vários são os insetos que apresentam importância para a humanidade e que são 
encontrados em diferentes ordens. As abelhas destacam-se nesse grupo de insetos pela 
fabricação de mel e são agrupadas na ordem: 
a) Ordem Hymenoptera. 
b) Ordem Neuroptera. 
c) Ordem Isoptera. 
d) Ordem Blattaria. 
 
3. O bicho-da-seda é um inseto responsável pela produção da seda, portanto, é bastante 
importante economicamente. Esse animal é encontrado na ordem: 
a) Coleoptera. 
b) Blattaria. 
c) Lepidoptera 
d) Thysanura. 
e) Phthiraptera. 
 
4. Todos os representantes a seguir podem ser agrupados na ordem Orthoptera, exceto: 
a) cupins. 
b) grilos. 
c) esperanças. 
d) gafanhotos. 
 
5. Os cupins, ou térmitas, são invertebrados que se destacam como pragas de pastagens, 
madeira e outros materiais celulósicos. Esses insetos são agrupados na ordem: 
a) Isoptera. 
b)Lepidoptera. 
c) Coleoptera. 
d) Dermaptera. 
64 
 
e) Diptera. 
 
6. Os ácaros são importantes pragas agrícolas de diversas culturas. Porque os ácaros não 
são considerados insetos? 
 
7. No quadro abaixo, estão descritas algumas características das ordens dos insetos 
representadas pelos itens I, II e III. 
 
A alternativa que corresponde CORRETAMENTE às ordens I, II e III é: 
A) I – Thysanoptera; II – Diptera; III – Hemiptera. 
B) I – Orthoptera; II – Lepidoptera; III – Coleoptera. 
C) I – Homoptera; II – Isoptera; III – Coleoptera. 
D) I – Diptera; II – Lepidoptera; III – Hymenoptera. 
E) I – Orthoptera; II – Diptera; III – Hemiptera. 
 
8. Nas afirmativas abaixo estão descritas algumas características das diversas ordens da 
classe dos insetos: 
 
01 - O desenvolvimento dos insetos isópteros ocorre por paurometabolia 
(hemimetabolia); 
05 – Na ordem Orthoptera encontramos alguns representantes que produzem sons atritando 
as tégminas; 
07 – Os representantes da ordem Thysanoptera apresentam reprodução sexuada com 
desenvolvimento por holometabolia; 
11 – Os himenópteros são considerados os insetos mais evoluídos apresentando olhos 
compostos, ocelos e aparelho bucal de dois tipos: mastigador e lambedor; 
27 – Os representantes da ordem Coleoptera apresentam o segundo par de asas modificado 
em élitro, sendo que a forma mais comum de reprodução é a 
partenogênese, com desenvolvimento por hemimetabolia. 
 
A alternativa que apresenta o somatório das questões CORRETAS é: 
A) 16. 
B) 06. 
C) 17. 
D) 28. 
E) 12. 
 
9. Os insetos podem ter desenvolvimento pós-embrionário direto ou indireto, o que é 
determinado pela presença ou ausência de metamorfose. Diante desta afirmação assinale a 
alternativa CORRETA: 
 
65 
 
A) A ordem Orthoptera apresenta insetos com desenvolvimento indireto e, portanto com 
presença de metamorfose completa (holometabolia). 
B) A ordem Lepidoptera apresenta insetos com desenvolvimento direto e, portanto com 
presença de metamorfose parcial (hemimetabolia). 
C) A ordem Díptera apresenta insetos com desenvolvimento indireto e, portanto com presença 
de metamorfose completa (holometabolia). 
D) A ordem Coleoptera apresenta insetos com desenvolvimento direto e, portanto com 
presença de metamorfose completa (ametabolia). 
E) A ordem Hemiptera apresenta insetos com desenvolvimento indireto e, portanto sem 
presença de metamorfose (holometabolia). 
 
10. Quanto às ordens dos insetos, assinale a alternativa CORRETA: 
A) A ordem Lepidoptera apresenta insetos adultos com aparelho bucal sugador maxilar e dois 
pares de asas membranosas cobertas por escamas. Ex.: borboletas, mariposas. 
B) A ordem Orthoptera apresenta insetos com um par de asas, e aparelho bucal mastigador. 
Ex.: joaninha, cigarra. 
C) A ordem Coleoptera apresenta insetos com aparelho bucal mastigador quando larva e 
sugador quando adulto e dois pares de asas modificados em élitros de consistência coriácea. 
Ex.: besouros, joaninhas. 
D) A ordem Hymenoptera apresenta insetos com aparelho bucal sugador labial e asas 
ausentes. Ex.: moscas, mosquitos. 
E) A ordem Isoptera apresenta insetos com aparelho bucal picador-sugador e dois pares de 
asas membranosas. Ex.: barbeiro, percevejo. 
 
11. Assinale a alternativa em que NENHUMA das ordens citadas apresenta insetos 
reconhecidos comumente como úteis ou benéficos: 
 
A) Hymenoptera, Thysanoptera e Diptera. 
B) Lepidoptera, Coleoptera e Orthoptera. 
C) Hemiptera, Diptera e Lepidoptera. 
D) Hymenoptera, Hemiptera e Isoptera. 
E) Orthoptera, Thysanoptera e Isoptera 
 
 
6 Caracterização dos principais insetos-praga 
 
6.1 Pragas do café 
 
Bicho-mineiro: Leucoptera coffeella (Lepidoptera: Lyonetiidae): Os adultos são mariposa de 
coloração geral branco prateada, com cerca de 6,5 mm de envergadura e 2,2 mm de 
comprimento. As lagartinhas são de no máximo 3,5 mm de comprimento de coloração branca, 
anelada que ficam "escondidas" dentro das lesões (minas) construídas pelas próprias 
lagartas. As pupas ficam localizadas na região da "saia" do cafeeiro na face inferior das folhas 
sob teias em formato de "X". Já a oviposição é fita no período noturno na face superior da 
folha, sendo no máximo 57 ovos/fêmea, com eclosão em 5-21dias. Essa praga confecciona 
minas nas folhas diminuindo a área fotossintética e causando quedas das folhas. Os maiores 
problemas com essa praga são em espaçamentos mais largos. 
 
66 
 
Broca do café: Hypothenemus hampei (Ferrari) (Coleoptera: Scolitidae): Os adultos são 
besouro de coloração escura e brilhante, corpo cilíndrico recurvado para a região posterior, 
medem cerca 1,6 mm. O macho não voa, vivendo no fruto onde se origina. As larvas são de 
coloração esbranquiçada causando perfurações no interior das sementes. Os ovos são 
pequenos, brancos, elípticos e com brilho leitoso ovipositados no interior da semente. As 
pupas permanecem interior das sementes, sendo de coloração esbranquiçada à castanho 
clara. As fêmea fecundada, perfura a região da coroa, oviposita em câmaras feitas nas 
sementes e as larvas passam a broquear as sementes. Esse ataque causa queda do fruto, 
perda de peso, apodrecimento devido a entrada de fungos, perda na classificação por tipo e 
bebida. São problemas maiores em plantio adensado e lavouras de Café Robusta (Conillon). 
 
6.2 Pragas da cana-de-açúcar 
 
Broca da cana-de-açúcar: Diatraea saccharalis (Fabr.) (Lepidoptera: Pyralidae): Os adultos 
mariposas que medem cerca de 25 mm de comprimento e apresentam coloração amarelo-
palha. As lagartas são de coloração branco-amarelada com pintas pretas. A oviposição é 
imbricada nas folhas (semelhante escamas de peixe) e as pulpas ficam no colmo da planta. 
Essa praga pode causar danos diretos ou indiretos na cultura. Os danos diretos são abertura 
de galerias no colmo, provocando morte das gemas, "coração morto", tombamento e redução 
do peso da cana. Os danos mais graves são os indiretos que são a penetração de fungos 
através das galerias, resultando em: inversão da sacarose para glicose e consequentemente 
redução na produção de açúcar; contaminação do caldo que afeta a eficiência de leveduras 
e, portanto, menor produção de álcool. 
 
Cigarrinhas das folhas - Mahanarva posticata (Stal, 1855) (Hemiptera: Cercopidae): Os 
adultos apresentam coloração avermelhada, com ou sem manchas longitudinais nas asas e 
medem cerca de 12 mm de comprimento As ninfas ficam nas raízes e a postura dos ovos é 
feita na bainha das folhas. 
 
Cigarrinhas das raízes - Mahanarva fimbriolata (Stal, 1854) (Hemiptera: Cercopidae): Os 
adultos apresentam duas manchas vermelhas nas asas tégminas e medem de 12 mm a 13 
mm de comprimento de comprimento. As ninfas ficam nos cartuchos ou nas bainhas 
protegidas por espuma. A postura dos ovos é feita no solo. 
 
Cigarrinha do cartucho - Mahanarva rubicunda (Walker, 1858) (Hemiptera: Cercopidae): Os 
adultos apresentam faixas transversais amarelas a laraja e medem aproximadamente 11 mm 
de comprimento. As ninfas ficam nos cartuchos protegidas por espuma. A postura dos ovos é 
feita na parte ventral da folha na nervura central. Todas as três espécies succionam seiva 
causando "queima" das folhas (semelhante a déficit hídrico) e diminuição do rendimento de 
açúcar. 
 
6.3 Pragas do feijão 
 
Cigarrinha-verde: Empoasca kraemeri (Ross & Moore) (Hemiptera: Cicadellidae): Os adultos 
são de coloração esverdeada, com cerca de 3 mm; ninfas e adultos deslocam-se com rapidez, 
e não raros em movimentos laterais. Ciclo completo em torno de 3 semanas. As ninfas são 
de coloração amarelo- esverdeada e desprovida de asas. As postura dos ovos é endofítica 
nas folhas, pecíolo e caules. A praga succiona seiva e injeta toxinas, provocando enfezamento 
67 
 
das plantas (semelhante a sintomas de viroses) e mais prejudicial até o florescimento e em 
plantio de sequeiro. 
 
Mosca minadora: Liriomyza spp.(Diptera: Agromyzidae):(Vide pragas do tomate) 
 
Mosca-branca: Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae): (Vide pragas do tomate) 
 
Vaquinha: Cerotoma arcuata (Oliveira) (Coleoptera: Chrysomelidae): Os adultos são 
besourinhos de coloração amarelo, com manchas pretas, medindo 5 a 6 mm de comprimento 
e possuindo mancha preta no final do abdome. A postura dos ovos é feita no solo, onde 
eclodem larvas de coloração branco-leitosa. 
 
Vaquinha: Cerotoma unicornis (Germar) (Coleoptera: Chrysomelidae): Semelhante a C. 
arcuata, porém um pouco maior e os adultos não possuem mancha preta no final do 
abdome. 
Vaquinha/Brasileirinho: Diabrotica speciosa (Germar) (Coleoptera: Chrysomelidae): 
semelhante a C. arcuata, porém os adultos são de coloração esverdeada, com manchas 
amarelas e as larvas possuem uma placa escura na extremidade dorsal posterior do corpo. 
Nas três espécies os adultos alimentam-se de folhas e, em altas populações, provocam 
diminuição da produção. As larvas alimentam-se de raízes e nódulos e podem, também, 
atacar as sementes em germinação. Causam desfolha (adultos) e mortalidade de plantas 
(larvas). 
 
Lagarta elasmo ou broca do colmo: - Elasmopalpus lignosellus (Zeller) (Lepidoptera: 
Pyralidae): Os adultos são mariposas com 15 a 25 mm de envergadura e com asas de 
coloração pardo-avermelhada. As lagartas medem cerca de 15 mm de comprimento, são 
ativas e de coloração verde-azulada. Apresentam cabeça pequena e de coloração marrom 
escura. Jogam-se no chão se colocadas na palma da mão. As lagartas abrem galerias na 
região do colo da planta, causando secamento e morte de plantas novas. Maiores prejuízos 
nas épocas secas e em solos de Cerrado. 
 
6.4 Pragas do milho 
 
Lagarta do cartucho: Spodoptera frugiperda (Smith) (Lepidoptera:Noctuidae): Os adultos 
são mariposas com cerca de 35 mm, com asas anteriores pardo escuras e as posteriores 
branco acinzentadas. As lagartas são de coloração que varia de pardo escura, verde até 
quase preta, com três linhas longitudinais branco amareladas na parte dorsal do corpo. Cinco 
pares de falsas pernas. A postura é feita em "massas" de ovos na face superior das folhas; 
coloração palha e as pupas são de coloração marrom avermelhada e ficam no solo. As 
lagartas fazem raspagem das folhas, posteriormente danificam o cartucho, com presença de 
furos irregulares nas folhas e de "serragem" no cartucho. Também broqueiam as espigas e a 
base do caule em plantas jovens. Podendo causar perdas de até 35% na produção de grãos. 
 
68 
 
Cigarrinha do milho: Dalbulus maidis (Delong & Wolcott) (Hemiptera: Cicadellidae): Os 
adutos possuem cerca de 13 mm de comprimento, coloração verde a amarelo palha. As ninfas 
apresentam coloração amarela, possuem até 3 mm de comprimento e passam por cinco 
ínstares. Os ovos são depositados de forma endofítica e o período de incubação é cerca de 
9 dias. Os adultos e ninfas succionam a seiva. Este inseto também é o principal vetor de três 
fitopatógenos: o espiroplasma causador do enfezamento pálido, o fitoplasma causador do 
enfezamento vermelho e o vírus causador da virose da risca. 
 
6.5 Pragas de pastagens 
 
Pragas de perfilhos: Cigarrinhas das pastagens 
O ovo é posto no solo em restos culturais. As ninfas são bastante ativas e resistentes. Ficam 
sempre protegidas por uma espuma branca característica. Passam por cinco instares. O ciclo 
de vida varia com diferentes espécies, mas pode-se dizer que o mesmo está ao redor de 58 
dias: incubação - 15 dias; período ninfal - 40 dias; pré-ovoposição - 3 dias. As ninfas sugam 
a seiva das plantas depauperando-as, causando seu desequilíbrio híbrido e levando-a a 
absorver um maior volume de água do solo. O adulto, além de sugar a seiva, injeta uma 
substância tóxica que produz a sintomatologia típica da injúria causada pelas cigarrinhas, 
"queima das pastagens". Independente da espécie, a injúrias ocasionadas aos pastos são 
semelhantes, iniciando com o aparecimento de estrias cloráticas nas folhas e evoluindo até o 
secamento e morte das mesmas. 
O problema da cigarrinha é, portanto, bastante grave, pois além da vasta área atacada, 
elas concorrem com o gado na época em que ele normalmente deveria recuperar-se do 
período de seca, e nessa época o capim amarelecido torna-se impalatável e desagradável, o 
que faz com que o animal coma menos, reduzindo assim a produção de leite e carne. 
Zulia entreriana (Homoptera-Cercopidae): Os adultos possuem 7 mm, tem o corpo preto 
brilhante com faixas branco amareladas. 
Deois flavopicta (Homoptera-Cercopidae): Os adultos possuem 10 mm, possuem o corpo 
preto com faixas amarelas e abdome e pernas vermelhas. 
Deois schach (Homoptera-Cercopidae): Os adultos possuem 10 mm, possuem o corpo 
preto esverdeado com faixas alaranjadas e abdome e pernas vermelhas. 
 
Pragas das folhas: formigas cortadeiras Atta bisphaerica (Saúva mata-pasto), Atta 
capiguara (Saúva parda), Atta laevigata (saúva cabeça-de-vidro) e Acromyrmex spp. 
(quenquéns) (Hymenoptera). As formigas cortadeiras são formigas (saúvas e quenquéns) que 
cortam e carregam fragmentos de diversos vegetais, flores e sementes para seus ninhos. 
Ocorrem atacando exclusivamente as pastagens, as espécies de saúvas A.bisphaerica e 
A.capiguara. As formigas causam danos tanto em pastagens estabelecidas, quanto durante a 
fase de estabelecimento. Neste último caso os danos são mais graves porque cortam as 
plântulas recém emergidas tanto de gramíneas quanto de leguminosa. (A.bisphaerica, corta 
exclusivamente gramíneas). Esse dano ocasiona a morte da plântula, que neste estágio não 
tem capacidade de rebrota. Quando as formigas atacam plantas mais desenvolvidas, elas 
desfolham e cortam os brotos dos talos e ramos secundários. Em áreas infetadas, estimou-
se, para A.capiguara, que o sauveiros por hectare, cujas formigas cortam cerca de 21 Kg de 
69 
 
capim por dia, são equivalentes ao que consomem 3 bois em regime de pasto por alqueire, 
ou seja, 1,23 bois/hectare.dia-1. 
Outros fatores têm sido considerados como efeitos da ação das formigas cortadeiras 
tais como dano causado às pastagens pelo revolvimento da terra e as trilhas de forragem 
deixadas pelas formigas e a aceleração do crescimento e a sucessão de ervas daninhas nas 
pastagens. 
Estas formigas atacam preferencialmente as espécies Pueraria phaseoloides, 
Desmodium spp., Stylosanthes spp., Centrosema spp., Leucena spp., e as gramíneas 
Andropogon spp., Panicum maximum e Brachiaria spp. 
 
6.6 Pragas da soja 
 
Percevejo verde: Nezara viridula, (Hemiptera: Pentatomidae). São verdes uniforme; antenas 
com tons verdes e marrons. Longevidade de 33 dias. Postura com cerca de 100 ovos, 
colocados na face inferior das folhas, cujo conjunto possui formato hexagonal. As ninfas são 
escuras com manchas vermelhas. Coloração diversificada nos 5 ínstares. Sugam a seiva das 
hastes, ramos e vagens ("chochas"). Causam retenção foliar (problema na colheita mecânica) 
e "soja louca" (vegetação anormal da planta, sem produzir vagens) devido a injeção de 
toxinas. Causam mancha de levedura nos grãos. 
 
Percevejo verde pequeno: Piezedorus guildinii (Hemiptera: Pentatomidae). Medem cerca 
de 10 mm, apresenta cor verde uniforme, antenas verdes com faixa transversal avermelhada 
no pronoto. Os ovos são pretos, cerca de 20-30 ovos dispostos em linha dupla, geralmente 
nas vagens. As ninfas apresenta coloração variável, de vermelha, verde e até pretas, com 
manchas brancas no dorso, nos 5 ínstares. As injúrias são iguais à do N. viridula. 
 
Percevejo marrom: Euschistus heros (Fabr.)( Hemiptera: Pentatomidae). Medem cerca de 
13 mm, marrom uniforme, pronoto desenvolvido ("chifrudinho"). Mancha em forma de meia 
lua branca no ápice do escutelo. Os ovos são amarelos, cerca de 7 ovos dispostos em 2 ou 3 
linhas paralelas nas vagens ou folhas da soja. As ninfas são verdes no início, podendo 
apresentar formas de cor verde, castanho ou acinzentado. Atacamvagens e grãos e provoca 
a retenção foliar. 
 
Lagarta da soja: Anticarsi gemmatalis (Lepidoptera: Noctuidae). As mariposas são pardo-
acinzentadas com 40 mm de envergadura, listas escuras transversais nas asas e manchas 
claras, na face ventral das mesmas. Os ovos são brancos, postos isolados ou agrupados (5 a 
7) na face inferior das folhas. Uma fêmea pode colocar cerca de 350 ovos. As lagartas atinge 
até 40 mm de comprimento. Coloração verde (baixa infestação) até preta (alta infestação). 
Estrias brancas no dorso. Cinco pares de pernas abdominais. Empupam no solo. Alimentam-
se de folhas e hastes. 
 
6.7 Pragas de grãos armazenados 
 
Perdas causadas por pragas de produtos armazenados: 
 Quantitativas (consumo do grão). 
 Qualitativas (contaminação dos produtos armazenados). 
 
Ocorrências de perdas: 
70 
 
 No campo; 
 No transporte; 
 No armazenamento. 
 
 
Classificação das pragas de produtos armazenados 
 
Quanto ao hábito alimentar: 
 
Pragas primárias: Aquelas capazes de romperem os grãos intactos. 
 Internas: Rompem os grãos e alimentam-se do seu conteúdo interno. Ex.: Sitophilus 
zeamais e Acanthoscelides obtectus (Coleoptera), Sitotroga cerealella (Lepidoptera) 
 Externas: Alimentam-se dos grãos externamente, podendo atacar a parte interna. Ex: 
Lasioderma serricorne e Rhizopertha dominica (Coleoptera), Plodia interpunctella 
(Lepidoptera). 
 
Pragas secundárias: São incapazes de romperem os grãos intactos, ação comumente 
associada às primárias. Ex.: Tribolium castaneum, T. confusum (Coleoptera). 
 
Pragas associadas: Encontradas nos grãos, mas não os atacam. Alimentam-se de detritos 
e fungos, podendo alterar a qualidade do produto. Ex.: Psocoptera e Ácaros. 
 
Pragas acidentais: Raramente danificam os grãos. 
 
Inimigos naturais: Patógenos, predadores, parasitoides e parasitas. 
 
Quanto ao produto armazenado 
 
Cereais (arroz, milho, sorgo e trigo) 
 Gorgulhos: Sitophilus zeamais, S. oryzae (Coleoptera) 
 Traças: Sitotroga cerealella e Plodia interpunctella (Lepidoptera) 
 Besouros: Oryzeaphilus surinamensi, Tribolium castaneum e Rhyzopertha dominica 
(Coleoptera) 
 
 
 
Feijão 
 Carunchos: Zabrotes subfasciatus, Callosobruchus maculatus e Acanthocelides 
obtectus 
 (Coleoptera) 
 Traça: Plodia interpunctella (Lepidoptera) 
 
Soja 
 Traça: Plodia interpunctella (Lepidoptera) 
 Besourinho do fumo: Lasioderma serricorne (Coleoptera) 
 
Farinhas 
 Traças: Pyralis farinalis, Anagasta kuehniella (Lepidoptera) 
71 
 
 Besouros: Tenebrio molitor, Stegobium paniceum, Tenebroides mauritanicus, 
Oryzaephilus surinamensis, Tribolium confusum, T. Castaneum (Coleoptera) 
 
Café 
 Carunchos das tulhas: Araecerus fasciculatus (Coleoptera) 
 Traça: Corcyra cephalonica (Lepidoptera) 
 
6.8 Pragas de hortaliças 
 
A) Pragas do alho e da cebola 
 
1) Tripes do alho e cebola - Thrips tabaci (Thysanoptera: Thripidae): Os adultos possuem 
coloração de amarelo claro a marrom, 1 mm de comprimento com 2 mm de envergadura. Os 
ovos são colocados nas folhas dentro dos tecidos (endofiticamente), nas partes mais tenras. 
A eclosão ocorre cerca de 4 dias após. As ninfas têm 1 mm de comprimento e são mais claras 
que os adultos e com pernas e antenas, quase incolores. No início da fase ninfal e na fase 
adulta os tripés ficam na bainha das folhas, onde promovem a sucção de conteúdo celular 
raspando as folhas. A parte final da fase ninfal ocorre no sole. Sob condições de ataque 
intenso, causam áreas esbranquiçadas e até de coloração prateada nas folhas, tornando a 
planta de coloração amarelo-esverdeada. Podem ser transmissores de viroses além de suas 
injúrias serem porta de entrada para doenças causada pelo fungo Alternaria porri. Portanto, 
como decorrência final da ação desta praga tem-se a redução do tamanho e qualidade dos 
bulbos. 
 
2) Ácaros 
2.1) Ácaro eriofiídeo: Eryophes tulipae (Acari: Eriophyidae): Seu corpo é alongado, quase 
vermiforme, de tamanho minúsculo, que vive na dobra das folhas e sobre os "dentes de alho", 
no bulbo. São favorecidos por temperaturas acima de 30o C e umidade relativa baixa. O 
ataque se dá quando se alimenta, perfurando as células da epiderme foliar. Provoca o seu 
retorcimento e seca, acarretando má formação dos bulbos. 
 
2.2) Ácaro do bulbo: Rhizoglyphus sp (Acari: Rhizoglyphinae): Seu corpo é esférico e 
esbranquiçados, tem cerca de 0.3-0.6mm de comprimento e apresenta patas e mandíbulas 
amarronzadas. Esse ácaro vive no solo e ocorrem em solos com teor elevado de matéria 
orgânica com temperaturas entre 16 a 27°C. O ácaro ataca os bulbos da planta casando 
deformações e redução no crescimento, além de abrir porta para outros patógenos. 
 
B) Pragas da batata 
 
1) Larva alfinete ou vaquinha nacional - Diabrotica speciosa (Coleoptera: Chrysomelidae): 
Os adultos são besouros com 0,8 a 1,7 cm de comprimento, de coloração verde com manchas 
amarelas nos élitros. A fêmea faz postura no solo. As larvas possuem coloração branco 
leitosa, com placa castanha escura no último segmento abdominal, medem cerca de 1 cm. 
Os adultos são desfolhadoes. Os maiores prejuízos são devido ao ataque aos tubercúlos 
pelas larvas, que ocasionam: redução de peso dos tubérculos, favorece penetração de fungos 
e bactérias e, principalmente, redução significativa no valor comercial do produto. 
 
 
72 
 
2) Mosca minadora (vide pragas do tomate) 
 
3) Vetores de viroses (vide pragas do tomate) 
 
4) Traça da batata - Phthorimaea operculella (Lepidoptera: Gelechiidae): Os adultos são 
pequenas mariposas cinzentas de 1 cm de envergadura. As larvas são cilíndricas, apresentam 
placa protoráxica dorsal retangular negra. São de cor esverdeada quando alimentam de folhas 
e hastes, ou de cor branca a rosada quando se alimenta de tubérculos. As larvas minam as 
folhas e broqueiam as hastes no campo, além de formar galerias nos tubérculos no campo e 
principalmente armazéns onde causam danos importantes. 
 
5) Lagarta falsa medideira (vide pragas da cultura da soja) 
 
C) Pragas de brássicas 
 
1. Pulgões (Hemiptera: Aphididae): 
 
1.1 Pulgão das brássicas - Brevicoryne brassicae: Os adultos são verdes recobertos por 
puvirulência branca, medem cerca de 2mm de comprimento, temperatura médias baixas 
favorecem a ocorrência da praga e apresentam grade números de indivíduos por colônia. 
Atacam a gema apical e folhas jovens. 
 
1.2 Pulgão do nabo - Lipaphis erisinii: Os adultos ápteros são de coloração verde escuro com 
pernas, antenas e sinfúnculos pretos e medem cerca de 2,5mm. Os indivíduos alados 
apresentas cabeça e tórax escuros e abdomem com manchas escuras na lateral. A praga 
ocorre em qualquer 
época do ano e atacam toda a planta. 
 
1.3 Pulgão verde - Myzus persicae: Os indivíduos são de cor verde clara, medem cerca de 
2mm de comprimento, temperatura elevadas favorecem a ocorrência da praga e apresentam 
poucos 
indivíduos por colônia. O ataque ocorre nas folhas basais da planta. 
 
As três espécies de pulgões causa “engruvinhamento" das folhas provocado pela 
sucção de seiva, o que leva a redução no crescimento e produção das plantas, também 
secretam uma substância adocicada que em abundância é um meio para o crescimento de 
fungos, produtores de fumagina, manchando o produto. 
 
2. Lagartas desfolhadoras (Lepidoptera) 
 
2.1 Traça das brássicas - Plutella xylostella (Yponomeutidae): Os adultos são micro-
mariposas pardas de 10mm de comprimento, com manchas claras no dorso que adquirem 
formato de diamante quando as asas estão fechadas. As lagartas apresentam coloração 
verde clara com cabeça de cor parda, corpo coberto por espinhos escuros apresenta quatro 
pseudopernas, medem cerca de 6 mm de comprimento e ovipositam isoladamente. As 
lagartas causam desfolha na planta, perda de qualidade comercial e menor cotação do 
produto no mercado. 
 
73 
 
2.2 Curuquerê da couve - Ascia monuste (Pieridae):Os adultos são borboletas com asas de 
cor amarelo claro e bordos marrom escuro com 50mm de envergadura. As lagartas medem 
cerca de 35 mm, são de cor cinza esverderado, com cabeça preta, listras longitudinais 
esverdeadas no corpo e ovipositam conjuntos de ovos. As lagartas causam desfolha na 
planta, perda de qualidade comercial e menor cotação do produto no mercado. 
 
2.3 Falsa medideira das brássicas - Trichoplusia ni (Noctuidae): Os adultos são mariposas 
que apresentam cerca de 25 mm de envergadura, asas anteriores de cor marrom com 
manchas escuras e posteriores mais claras. As lagartas apresentam coloração verde clara, 
possuem duas pseudopernas e caminham medindo palmos. Podem chegar a 30mm de 
comprimento. As lagartas causam desfolha na planta, perda de qualidade comercial e menor 
cotação do produto no mercado. 
 
3. Mosca branca (vide pragas do tomate). 
 
D) Pragas da cenoura salsinha e salsão 
 
1. Pulgão da cenoura - Cavariella aegopodii (HEMIPTERA: APHIDIDAE): São indivíduos 
ovalados, com 2 mm de comprimento, possuem 2 sifúnculos no final do abdome e são 
encontrados em colônias. Os insetos ápteros são de coloração verde e com sifúnculos 
dilatados. A forma alada são de coloração verde escura com antenas curtas. Causam 
definhamento das folhas provocado pela sucção de seiva, reduzido o crescimento da planta. 
 
2. Cigarrinha verde - Empoasca sp. (HEMIPTERA: CICADELLIDAE) (vide pragas do feijão) 
 
E) pragas das cucurbitáceas 
 
1 Mosca branca - Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae): (vide pragas do tomate) 
 
2 Broqueadores 
 
2.1 Broca das cucurbitáceas - Diaphania nitidalis (Lepidoptera: Pyralidae): Os adultos são 
mariposas com 30 mm de envergadura, de coloração marrom violáce, asas com área central 
amarela e bordas escuras irregulares. As lagartas são de coloração esverdeadas com 
pontuações pretas até o 3º ínstar e verdes após esse estágio. Essa praga ataca flores e frutos, 
broqueiando os frutos destruindo a polpa e levando ao apodrecimento deste. 
 
2.2 Broca das cucurbitáceas - Diaphania hyalinata (Lepidoptera: Pyralidae): Os adultos são 
mariposas com 30 mm de envergadura, apresentam corpo branco, com exceção do tórax, 
últimos segmentos abdominais e tufo de pêlos. Suas asas são brancas, semitransparentes e 
com uma faixa escura e retilínea nas bordas. As lagartas são esverdeadas com duas listras 
brancas até o 4º ínstar ou verdes após esse estágio. A praga ataca talos, folhas, hastes e 
frutos, causando desfolha e broqueamento de frutos. 
 
F) Pragas do morango 
 
1 Ácaro rajado – Tetranychus urticae (Koch) (Acari: Tarsonemidae): Os adultos são de 
coloração esverdeada com manchas dorsais escuras, medem cerca de 0,5 mm, apresentam 
74 
 
colônias na face inferior das folhas com presença abuldante de teias. O ataque causa 
descoloração das folhas levando a secagem e posterior queda, devido à raspagem e sucção 
de seiva. 
 
G) pragas do pimentão, berinjela e jiló 
 
1 Ácaros: 
 
1.1 Ácaro branco - Polyphagotarsonemus latus (Acari: Tarsonemidae): São indivíduos de 
0,17 mm de comprimento, coloração branco amarelada brilhante e são invisíveis a olho nu. É 
encontrado na face inferior das folhas e não produzem teia. O ataque causa escurecimento e 
posterior enrolamento dos bordos das folhas pra baixo. 
 
1.2 ácaro vermelho - Tetranychus marianae (Acari: Tarsonemidae): São indivíduos com 0,5 
mm de comprimento, de coloração vermelha muito intensa e com manchas escuras no corpo. 
Esses ácaros são recobertos por uma teia, onde normalmente são depositados os ovos. 
Encontrados na face inferior das folhas, provocam clorose generalizada nelas. 
 
1.3 ácaro rajado – Tetranychus urticae (Koch) (Acari: Tarsonemidae): (Vide pragas do 
morango) 
 
 
2. Tripes: 
 
2.1 Thrips palmi (Thysanoptera: Thripidae): Os adultos apresentam coloração amarela-clara 
e dourada, medem de 1 a 1,2 mm de comprimento. 
 
2.2 Frankiliniella shultzei (Thysanoptera: Thripidae): Os adultos apresentam coloração 
marrom escura, medem aproximadamente 3 mm de comprimento e as ninfas possuem 
coloração amarelada. 
 
As duas espécies vivem abrigados no interior das flores, nos botões florais e nos 
brotos, ou sobre as folhas novas ou velhas. Colocam os ovos nas folhas; após alguns dias, 
aparecem as formas jovens. Causam danos diretos pela sucção da seiva. São transmissores 
de viroses, entre elas o "vira-cabeça". As plantas infectadas ainda na sementeira ou logo após 
o transplantio (nos primeiros 50 dias) têm sua produção totalmente comprometida. Quando a 
contaminação ocorre tardiamente, a produção é menos afetada em quantidade e qualidade. 
 
H) Pragas do tomate 
 
1 Traça do tomateiro - Tuta absoluta (Meyrick) (Lepidoptera: Gelechiidae): Os adultos são 
pequenas mariposas acinzentadas, com 5 mm de comprimento. As lagartas são verdes, com 
placa posterior à cabeça, de coloração marrom. Podem medir até 7mm de comprimento. As 
traças além dos frutos broqueam hastes e o ponteiro das plantas. Nos frutos causam o 
broqueamento, inviabilizando sua comercialização. Já nas folhas confeccionam minas 
alargadas nas folhas, levando ao secamento e queda das folhas. 
 
75 
 
2 Mosca minadora - Liriomyza spp.(Diptera: Agromyzidae): Os adultos são pequenas moscas 
de coloração preta, com a parte inferior do abdome amarela e medem 2 mm de comprimento. 
As larvas ápodas, de 1mm de comprimento, com coloração branco-amarelada e fazem minas 
serpenteadas no mesófilos levando ao secamento e queda das folhas. 
 
3 Broca pequena do tomateiro - Neoleucinodes elegantalis (Guenée) (Lepidoptera: 
Crambidae): Os adultos são mariposas de 2,5 cm de envergadura, coloração branca e asas 
transparentes. As lagartas possuem até 1,3 mm de comprimento, e são esbranquiçadas nos 
primeiros ínstares e rosadas no último ínstar. Os ovos são colocados em massas nos frutos e 
nas flores. Ao eclodirem, as lagartas penetram nos frutos (esta perfuração de entrada 
cicatriza-se), deixando apenas o furo de saída. O broqueamento dos frutos, inviabilizando sua 
comercialização. 
 
4 Mosca branca - Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae): Os adultos são de cor branca 
com 2 a 3 mm de envergadura e quatro asas membranosas recobertas por pulverulência 
branca. As ninfas são translúcidas, de contorno ovalado e em formato de escamas. Após o 
primeiro ínstar, elas se fixam à planta, onde permanecem imóveis até o término da fase ninfal. 
Essa espécie promove a sucção de seiva e transmissão de viroses no início do ciclo da 
cultura. A mosca branca injeta toxinas nas plantas, levando ao amadurecimento irregular dos 
frutos além de ser vetor do virus do mosaico dourado. 
 
4 Transmissores de viroses: 
 
4.1 Tripes - Frankiliniella shultzei (Thysanoptera: Thripidae): Os adultos apresentam 
coloração marrom-escura, medem aproximadamente 3 mm de comprimento e as ninfas 
possuem coloração amarelada. As duas espécies vivem abrigados no interior das flores, nos 
botões florais e nos brotos, ou sobre as folhas novas ou velhas. Colocam os ovos nas folhas; 
após alguns dias, aparecem as formas jovens. Causam danos diretos pela sucção da seiva. 
São transmissores de viroses, entre elas o "vira-cabeça". As plantas infectadas ainda na 
sementeira ou logo após o transplantio (nos primeiros 50 dias) têm sua produção totalmente 
comprometida. Quando a contaminação ocorre tardiamente, a produção é menos afetada em 
quantidade e qualidade. 
 
4.2 Pulgões: 
 
4.2.1 Pulgão verde – Myzus persicae: Os individuos são de cor verde clara, medem cerca de 
2mm de comprimento, temperatura elevadas favorecem a ocorrência da praga e apresentam 
poucos indivíduos por colônia. O ataque ocorre nas folhas basais da planta. 
 O pulgão causa “engruvinhamento" das folhas provocado pela sucção de seiva, o que 
leva a redução no crescimento e produção das plantas, também secretam uma substância 
adocicada que em abundância é um meio para o crescimento de fungos,produtores de 
fumagina, manchando o produto. 
 
5.2.2 Pulgão-das-solanáceas - Macrosiphum euphorbiae (Thomas): Os indivíduos ápteros 
medem até 2 mm de comprimento e de coloração verde- clara; Os indivíduos alados medem 
até 2mm, abdomem verde-amarelado e com manchas escura, cabeça, antenas e tórax pretos. 
Essas espécies transmitem viroses como: Vírus "y", "topo amarelo", "amarelo baixeiro" e 
"mosaico comum". 
 
76 
 
5 Mosca branca - Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae): Os adultos são de cor branca 
com 2 a 3 mm de envergadura e quatro asas membranosas recobertas por pulverulência 
branca. As ninfas são translúcidas, de contorno ovalado e em formato de escamas. Após o 
primeiro ínstar, elas se fixam à planta, onde permanecem imóveis até o término da fase ninfal. 
Essa espécie promove a sucção de seiva e transmissão de viroses no início do ciclo da 
cultura. A mosca branca injeta toxinas nas plantas, levando ao amadurecimento irregular dos 
frutos além de ser vetor do vírus do mosaico dourado. 
 
6.9 Pragas dos citros 
 
Larva minadora dos citros: Phyllocnistis citrella. (Lepidoptera:Gracillaridae). O adulto deste 
microlepidoptero trata-se de uma minúscula mariposa de coloração castanho-prateada, 
medindo cerca de 1 mm de comprimento, e que apresenta as asas franjadas com duas 
pontuações pretas na parte terminal das asas anteriores. A larva varia sua coloração, sendo 
branca no início do desenvolvimento e tornando-se amarela ao final, quando atinge 
aproximadamente 3 mm de comprimento As injúrias decorem do fato de que ao nascer as 
larvas constroem galerias, em forma de serpentina, para se alimentar das células das folhas. 
Essa galerias são características e auxiliam na identificação desta praga. 
 
Bicho furão: Gymnadrosona aurantianum (Lepidoptera:Grapholidae). O adulto deste 
microlepidoptero é caracterizado por uma faixa de escamas prateadas da base ao meio da 
asa, com cerca de 17 mm de envergadura, de coloração acinzentada, com a cabeça 
alaranjada. A fêmea possui as asas mais escuras que o macho, com uma mancha 
característica marrom-clara ao redor da margem exterior. As injúrias decorem do fato de que 
as larvas fazem galerias nos frutos verdes e maduros até atingirem a polpa. Além dos danos 
diretos nos frutos, também favorecem infecções causadas pela penetração de fungos e 
bactérias através dos orifícios que as larvas efetuam nos frutos. 
 
Ácaro da ferrugem: Phyllocoptruta oleivora (Acari: Eriophyidae). São ácaros de coloração 
amarelo claro, aspecto vermiforme, com 2 pares de pernas (exceção a maioria dos ácaros), 
de 0,15 mm de comprimento. São invisíveis a olho nu. Ciclo de 7 a 10 dias (verão) e de 14-
15 dias (inverno). Atacam folhas, hastes e frutos novos. Nas folhas provocam a "mancha de 
graxa" (manchas escuras visíveis através da epiderme, semelhante à mancha de graxa sobre 
papel). Nos frutos, quando da alimentação, ocorre o rompimento de glândulas de óleo e este 
óleo extravasado em contato com os raios solares oxida-se, escurecendo os frutos (estes 
sintomas são conhecidos como: falsa ferrugem, ferrugem ou mulata). Os frutos de lima, 
tangerina, limão, etc., ficam com coloração prateada. Os prejuízos são consideráveis apenas 
quando a produção se destina ao mercado de frutas frescas. Pode ocorrer perda de de peso 
em até 4 g/fruto atacado. 
 
Ácaro da leprose: Brevipalpus phoenicis (Acari: Tenuipalpidae). São ácaros vermelho-
alaranjados, com 4 pares de pernas, de 0,3 mm de comprimento, com manchas escuras de 
tamanhos e formas variáveis no dorso. Ciclo de cerca de 18 dias. Atacam folhas, ramos e 
frutos, acarretando um sintoma conhecido como leprose dos citros, devido à inoculação de 
vírus. As folhas e os frutos atacados caem da planta. Os ramos passam a apresentar 
rachaduras. 
 
 
77 
 
Mosca das frutas: 
 Ceratitis capitata (Wied) (Diptera: Tephritidae) 
 Anastrepha spp. (Diptera: Tephritidae) 
A oviposição ocorre dentro do fruto (mesocarpo), em número de 1 a 10 ovos; o ovo é 
alongado (± 1 mm de comprimento) e semelhante a uma pequena banana, de coloração 
branca. As larvas são ápodas, de coloração branco amarelada, com cerca de 8 mm de 
comprimento. Os adultos de C. capitata (mosca do mediterrâneo) é uma mosca com 4 a 5 mm 
de comprimento, de coloração predominantemente amarela. Os olhos são castanhos 
violáceos. O tórax é preto na face superior, com desenhos simétricos brancos. O abdome é 
amarelo com listras transversais acinzentadas. As asas são de uma transparência rosada em 
listras amarelas, sombreadas. Anastrepha spp. (mosca sul-americana) é uma mosca com 
cerca de 6,5 mm de comprimento, de coloração geral amarelo, com uma mancha amarela em 
forma de "s" que vai da base à extremidade da asa. No bordo posterior da asa há outra 
mancha da mesma cor e em forma de "v" invertido. As duas manchas são sombreadas de 
pretos. Ciclo completo é de cerca de 30 dias. As larvas danificam a polpa dos frutos, os quais 
apresentam externamente um pequeno orifício no centro de uma mancha de coloração 
marrom. Neste orifício (feito pelo ovipositor), ocorre o apodrecimento, resultando em queda 
do fruto. C. capitata apresenta o ovipositor mais curto e ataca apenas as laranjas que se 
encontram num estágio de maturação mais avançado. As moscas do gênero Anastrepha 
(ovipositor mais longo) podem atacar frutos verdes ou maduros. 
 
Cochonilha: Orthezia praelonga. (Homoptera: Ortheziidae). O. praelonga (desprovida de 
carapaça) são coccídeos providos de placas ou lâminas céreas, simetricamente dispostas 
sobre o corpo, constituindo na parte posterior um saco céreo, semelhante a uma cauda 
alongada, denominado "ovissaco" (contém ovos e ninfas no 1° ínstar). Tanto as fêmeas 
adultas como as ninfas podem mover-se sobre a planta. 
7 Técnicas de coleta, preparo, conservação e remessa de material entomológico 
 
 Um inseto pode ser identificado (1) utilizando-se chaves de identificação; (2) 
comparando-o com exemplares identificados numa coleção entomológica em museus de 
institutos de pesquisa; (3) comparando-o com ilustrações ou descrições ou (4) recorrendo a 
um especialista. É muito difícil fazer a correta identificação do. Dessa forma é aconselhável a 
coleta e envio para um especialista. 
A identificação de insetos não é uma tarefa fácil para muitos entomólogos, 
principalmente para os iniciantes. Algumas das principais dificuldades encontradas são: (a) 
diversidade (são catalogadas mais de um milhão de espécies de insetos); (b) tamanho 
reduzido da maioria das espécies; (c) metamorfose – dificuldade de identificação de formas 
imaturas (ninfas e larvas); (d) biologia e distribuição pouco conhecidas para muitas espécies. 
A identificação inicialmente se baseia nos caracteres externos, mais visíveis, como o 
tipo de antena, cor dos tarsos, presença ou ausência de espinhos tarsais, coloração e formato 
das asas, tipo de venação e manchas celulares, entre outros. Podemos utilizar chaves de 
identificação, comparar o inseto com outros já identificados em uma coleção, embora esta 
seja uma tarefa bastante complicada para pessoas pouco familiarizadas com o grupo, pois 
requer experiência e treinamento para o reconhecimento dos caracteres importantes na 
identificação, ou enviar as amostras para especialistas. Esses serviços geralmente são pagos 
e requerem tempo, existência de um especialista para o grupo, família ou gênero, e de uma 
correta montagem e etiquetagem. 
78 
 
Em muitos casos, no entanto, esses caracteres externos não permitem a identificação de 
forma segura e definitiva, sendo necessária a dissecação do exemplar. A dissecação permite 
o exame mais minucioso de caracteres internos, como genitálias, cabeça, palpo labial, 
esclerito cervical e várias outras estruturas. 
 
7.1 Coleta 
 
De modo geral, os insetos são muito abundantes e as coletas dificilmente causarão 
algum impacto no tamanho das populações, no entanto é sempre necessário obterlicença 
para coleta, transporte e armazenamento de material entomológico junto aos órgãos 
ambientais competentes. 
As atividades de coleta proporcionam material para estudo, e o levantamento de 
insetos pode ser realizado para diferentes finalidades. Pode ser preparado ou mantido em 
criação, a fim de obter as diversas fases do desenvolvimento e, especialmente, formas adultas 
perfeitas. 
Para o sucesso na captura dos insetos, em que se busca uma amostra significativa da 
população, alguns fatores – como as condições climáticas, época do ano, fases lunares, 
metodologia de amostragem e a escolha correta do tipo de armadilha – devem ser levados 
em consideração. Esses fatores variam conforme o tipo de inseto a ser capturado, o estágio 
de desenvolvimento do inseto, o tipo de planta ou animal hospedeiro (caso de insetos 
parasitoides), a extensão geográfica e, também, com a finalidade a que se destina o material. 
Insetos destinados às coleções e aos estudos de taxonomia devem estar bem 
preservados. 
De acordo com o grupo taxonômico de interesse, cada um dos fatores mencionados 
pode ser de maior ou menor importância. Na região do Cerrado, por exemplo, a maioria dos 
insetos tem pico de atividade na estação chuvosa (OLIVEIRA; FRIZZAS, 2008; SILVA et al., 
2011), constituindo esta a melhor época para as coletas. Para as coletas de insetos de hábito 
noturno, as fases da lua nova e minguante têm‑se mostrado as mais adequadas, devendo ser 
escolhidas as noites sem chuva e com pouco vento (CAMARGO, 1997; CAMARGO; 
MATSUMURA, 2000). 
É preciso usar técnicas de coletas que preservem a integridade morfológica do 
material. Dessa forma, as técnicas de coleta podem ser divididas em: 
 
 Ativas (dependem muito do amostrador/coletor) – o coletor utiliza redes, aspiradores, 
guarda‑chuvas entomológicos, panos de batida, panos branco, pinças e frascos, etc. 
 Passivas (dependem pouco do amostrador/coletor) – as coletas são feitas com auxílio 
de armadilhas, por exemplo, armadilha luminosa, Malaise, armadilha de queda, 
armadilha tipo janela, funil de Berlese, etc. 
 
Material necessário para coleta 
 
A coleta de insetos de maneira geral não requer o uso de materiais sofisticados. Além 
das armadilhas, que devem ser apropriadas para cada grupo, são necessárias pinças, 
câmaras ou frascos mortíferos, seringas e rede entomológica. 
No caso de capturas ativas de cupins, formigas e formas imaturas de outras ordens, é 
necessário o uso de aspiradores entomológicos. O material para transporte dos exemplares 
para o laboratório consiste basicamente de caixas com manta entomológica, envelopes 
79 
 
entomológicos e tubos de ensaio, este último utilizado para transporte de microlepidópteros 
(pequenas mariposas ou borboletas). 
Câmaras ou frascos mortíferos podem ser confeccionados com frascos 
reaproveitados de recipientes domésticos. No fundo, coloca‑se algodão ou esponja, onde será 
colocado o produto químico, podendo opcionalmente ser adicionado gesso nas bordas do 
recipiente, evitando que o algodão saia do recipiente no momento de retirar os insetos da 
câmara. 
 
 
Os tipos de pinças a serem utilizadas dependem da finalidade e tipo de inseto a ser 
manuseado, por exemplo, pinças de ponta achatada (pinça filatélica) são usadas para 
manuseio de Lepidoptera e de ponta fina e curva, para manipulação de alfinetes nas 
montagens. Poucas empresas no Brasil vendem materiais para uso entomológico, e alguns 
são importados. Sugere‑se fazer buscas em sites especializados para compra desses 
materiais. 
 
Também é importante que, durante as coletas, o coletor/amostrador tenha em mãos 
um caderno para anotar os dados (local, hábitat, data e outras informações sobre os insetos 
coletados). 
A coleta pode ser feita atraindo os insetos, geralmente com uso de dispositivos 
especiais, ou, capturando-os diretamente em seu habitat natural. 
No primeiro caso incluem-se várias armadilhas, como as luminosas e substâncias 
atraentes de alimentação ou sexuais, que são usadas como iscas, associadas a diversos tipos 
de armadilhas. Constituem meios comuns de coleta: 
 
 Armadilha luminosa: para insetos fototrópicos positivos (atração pela luz); 
 Bandejas amarelas com água e detergente: para pulgões e inimigos naturais; 
 Armadilhas com superfície adesiva: vários insetos; 
 Armadilhas de solo com ou sem isca ou apenas com água e detergente (Pitfall): para 
vários artrópodes que costumam se locomover na superfície do solo; 
 Frascos caça-moscas: para coleta da mosca-das-frutas; 
 Equipamentos de sucção: para artrópodes em geral associados à vegetação; 
 Armadilhas com feromônio: é altamente específica, são usadas, por exemplo, para o 
caruncho do fumo e algumas outras pragas agrícolas. 
80 
 
 
Na captura direta, além de algumas armadilhas, os procedimentos dependerão da 
modalidade de vida dos insetos, como brocas, carpófagos, cecidógenos, subterrâneos etc. 
Vejamos a descrição de alguns equipamentos/instrumentos de coleta: 
 
 Rede entomológica: também denominada puçá, é constituída por um cabo de madeira ou 
outro material leve (como alumínio), ao qual vai preso um aro de metal e um saco de filó 
ou organza (voile) com o fundo arredondado. É ótima para se capturar insetos em vôo, 
como libélulas, borboletas e mariposas, moscas, abelhas, vespas, cigarras e outros. 
 
 
 
 Rede de varredura: semelhante à rede entomológica, mas a armação de metal é mais 
reforçada e reta na extremidade. O saco é geralmente feito de lona ou outro tecido 
resistente. A vegetação é "varrida" com ela, assim, muitos insetos são coletados. 
 
 
 
 Rede aquática: com aro metálico resistente, triangular e saco de coleta feito com tela 
plástica de malha fina. 
 
 Armadilha luminosa: Usada para a coleta de insetos noturnos. Existem vários modelos 
de armadilhas luminosas. A lâmpada deve ser de luz negra, incandescente ou fluorescente 
(códigos BL ou BLB). Uma variação da armadilha luminosa é a coleta no pano. Coletar 
insetos sob as lâmpadas da iluminação pública ou na iluminação externa das residências 
ou outros edifícios também é um método que acaba rendendo bons exemplares. De forma 
geral, as lâmpadas isoladas, situadas longe das grandes concentrações urbanas de luz 
produzem os melhores resultados. 
 
81 
 
 
 
 
 
 Bandeja d'água: ou prato colorido é de fácil construção e emprego, a bandeja d'água 
consiste de uma forma de bolo ou prato cujo fundo foi pintado com uma coloração atrativa 
qualquer, como o branco, amarelo, verde, etc. É uma armadilha atrativa que coleta os 
82 
 
insetos atraídos por cor e que pousam no meio líquido. A tonalidade da cor pode fazer toda 
a diferença no sucesso da coleta. A cor amarela para Diptera é muito eficiente na captura 
de Sciaridae, Phoridae, Anthomyiidae e Muscidae (Barták, 1997). A fôrma deve ser 
colocada no solo e ficar cheia de água à qual se acrescentam algumas poucas gotas de 
detergente, que serve para facilitar o afundamento dos insetos que nela caírem. Os insetos 
capturados não devem ser deixados na água por muito tempo para que não estraguem. O 
método tem a desvantagem de transbordamento causado por chuvas; necessidade de 
retirada diária do material e evaporação do liquido em locais quentes. Para solucionar 
esses problemas recomenda-se pequenos orifícios, com tela, logo abaixo do topo do prato 
ou bandeja, que permitam o extravasamento do líquido mas que retenham os insetos; para 
suprimir a retirada diária do material substituir a água pelo etileno glicol (10%) que funciona 
como líquido fixador, pouco volátil, e permanece eficiente até mais de um mês. 
 
 
 Aspirador: É empregado na captura de insetos pequenos e delicados, como formigas, 
moscas brancas, pulgões, vespinhas etc. Existem muitos tipos de aspiradores, alguns 
sendo até bastante sofisticados. Um dos mais simples consiste de um recipiente cilíndrico 
de vidro ou plástico cuja tampa,de borracha ou cortiça, é vazada por dois tubos flexíveis; 
por um deles, de extremidade protegida por uma pequena tela, o coletor aspira com a boca, 
e pelo outro os insetos são admitidos ao interior do frasco de coleta. 
 
 
 Frasco caça-moscas: Consiste de uma garrafa PET de tamanho médio com tampa 
rosqueável; ao redor da garrafa são feitos furos cuja entrada é em forma de funil, com 
tamanho suficiente para a entrada de moscas das frutas (família Tephritidae). No fundo da 
garrafa coloca-se suco de frutas ou proteína hidrolisada de milho. A fermentação da isca 
atrai as moscas, que conseguem entrar, mas não sair da garrafa. Essa técnica é usada 
como forma de controle de moscas-das-frutas em pomares. 
 
83 
 
 
 
 Armadilha adesiva: É uma armadilha de interceptação de vôo que prende os insetos a 
uma substância adesiva. Compreende um septo transparente (de vidro ou folha de acetato) 
com substância adesiva em ambos os lados. Destina-se a coleta de pequenos insetos 
voadores que ficam colados ao bater no obstáculo e é bastante eficiente na captura de 
dípteros pequenos. Coleta insetos que normalmente não são capturados com os outros 
métodos. A padronização pode ser feita com a utilização de um septo transparente de 1 
m2 , uso de uma cola comercial (tangle-trap) ou óleos de motores de carro com alta 
viscosidade e estipulando-se o número de armadilhas e o tempo de coleta. É um método 
relativamente barato, possibilita grande número de repetições e recomendável para o 
estudo de distribuição espacial e de estratificação. O inconveniente é a aplicação da 
substância adesiva, a lavagem do septo interceptador e dos insetos com solvente. 
 
 
 
 Frascos diversos: conta-gotas (com éter, preferencialmente acético), frasco de boca 
larga. Outros frascos de tamanhos variáveis - alguns vazios e outros com álcool etílico 
70%. 
 
 Utensílios diversos: pinças, canivete, pincel tipo p/aquarela, pequena pá de jardim, 
tesoura de podar, lupa de pala ou de mão. 
 
84 
 
 Envelopes entomológicos: retângulos de papel, de preferência papel manteiga, vegetal 
ou celofane, com comprimento cerca de 4 cm maior do que a largura (mais usuais, em 
centímetros: 8x12, 10x14, 12x16 e 15x19), dobrado de tal forma que os dados de coleta 
fiquem registrados na aba, tendo ângulo reto no lado esquerdo. São mais usados para 
lepidópteros, que devem ser acondicionados com as asas fechadas, ou seja, faces 
superiores em contato, visualizando-se apenas as faces inferiores. 
 
 
 Sacos de papel e plásticos: de vários tamanhos, destinados a manter diversos materiais 
até chegar ao laboratório. Para insetos vivos são preferíveis os sacos de papel, por 
evitarem a condensação de água. 
 
 Etiquetas, lápis preto e caderneta de apontamentos: imprescindível para o correto 
registro de todo o material coletado, incluindo também observações ecológicas. 
 
7.2 Sacrifício 
 
É desejável que os insetos capturados sejam mortos o mais rápido possível, a fim de 
evitar que se debatam na rede ou armadilha, e acabem por danificar apêndices como antenas, 
pernas, asas e outras partes do corpo. 
Existem muitas técnicas que podem ser empregadas para sacrificar os insetos 
capturados. Podemos citar: 
Gases tóxicos: compreende o uso da câmara mortífera, conforme já apresentado acima. É 
utilizado principalmente éter etílico ou acetato de etila. Porém não é possível comprar esses 
produtos no mercado. Apenas instituições de pesquisas podem comprar. 
 
Imersão no álcool: os insetos são simplesmente colocados no álcool 70%, aí permanecendo. 
Entretanto, nem todos os insetos podem ser mortos através desse método, que deve ser 
usado exclusivamente para insetos pequenos, de corpo mole ou delicado. 
 
Congelamento: insetos de tamanho médio a grande. Podem ficar vários dias e ainda ter boa 
condição para montagem. É importante não ter muita umidade, pois até gotículas de água 
podem danificar as asas. Para que isso não aconteça, colocar papel absorvente no fundo do 
recipiente e também em camadas entre os insetos. Alguns insetos, possuem uma grande 
quantidade de glicerol no corpo, que age como um anti-congelante, e assim esse método não 
funciona para matar certos insetos mesmo após várias horas ou dias de congelamento. 
 
 
85 
 
7.3 Acondicionamento temporário para transporte 
 
O material coletado no campo deve ser transportado ao laboratório ou enviado ao 
especialista de maneira a preservar os espécimes, especialmente as estruturas mais frágeis 
como escamas e antenas. Existem quatro maneiras básicas para acondicionamento 
temporário, e a escolha deve ser feita de acordo com o tipo de inseto a ser transportado. 
 
a) Via líquida: ideal para transporte de insetos sem escamas, aqueles muito pequenos ou de 
tegumento pouco rígido e os imaturos. O álcool nas concentrações de 70%‑80% é suficiente 
para o transporte e, para alguns grupos, até como meio permanente de conservação. 
 
b) Triângulos ou envelopes: são normalmente confeccionados com papel manteiga, mas 
pode‑se improvisar até mesmo com jornal, sendo muito úteis para transporte de borboletas e 
para algumas mariposas. 
 
c) Manta entomológica e caixa sanduíche: indicados para o transporte de qualquer inseto, 
exceto aqueles muito pequenos. Um cuidado especial deve ser tomado com espécimes da 
ordem Lepidoptera. Tanto no campo quanto no laboratório, a manipulação desses insetos 
deve ser com pinça de bico chato (pinça filatélica) para evitar a perda de escamas e impressão 
de digitais nas asas. Somente os macrolepidópteros devem ser transportados para o 
laboratório em caixas sanduíches ou manta entomológica. A caixa sanduíche pode ser 
preparada com uma camada de algodão intercalada com outra de papel fino (Figuras 8, 9 e 
10). A manta entomológica é preparada cortando‑se duas tiras de jornal (45 cm comprimento 
e 15 cm de largura), que são superpostas formando uma cruz. No centro da cruz, é colocado 
um papelão (15 cm x 15 cm) e, sobre o papelão, uma camada de algodão. Sobre o algodão, 
são acondicionados os insetos. Cada um dos quatro lados da cruz formada pelas tiras de 
jornal é dobrado alternadamente sobre o algodão contendo os insetos. 
 
 
d) Tubos de ensaio: os microlepidópteros devem ser transportados vivos em tubos de ensaio 
individualizados, colocados em geladeira e montados o mais breve possível. 
 
86 
 
 
 
Como acondicionar o material para postagem? 
 
1) Material em via úmida deve estar acondicionado em frasco(s) de vidro ou plástico que não 
permita vazamentos do álcool. Qualquer quantidade de vazamento/evaporação pode causar 
sérios problemas ao material durante seu transporte. Acondicione o(s) frasco(s) de modo a 
não ficarem soltos na caixa de postagem, por exemplo, coloque-os presos a um pedaço de 
isopor dentro de uma pequena caixa, ou agrupe-os com fita durex e envolva-os com plástico-
bolha. 
 
2) Material em via seca deve estar acondicionado em uma pequena caixa rígida (papelão ou 
madeira) com fundo de isopor e tampa. Esta pequena caixa deve ser rígida o bastante para 
evitar possíveis danos ao material em seu interior durante o transporte. 
 
3) Após os procedimentos 1 ou 2, coloque o material em uma caixa maior (que será a caixa 
de postagem), envolto por material de proteção anti-impacto (pedaços de isopor picado, 
pedaços de jornal amassado, etc.). 
 
Quais informações devem ir no interior do pacote? 
 
No interior da caixa de postagem coloque uma carta-ofício com as informações 
acadêmicas (cargo/função e instituição) do remetente e do destinatário. Descreva o material 
entomológico em sua identidade, quantidade e modo de preservação (por exemplo: Insetos 
Dípteros, 34 exemplares mortos, montados em alfinete), e também informe o motivo do envio 
do material (Exemplares enviados para identificação, com interesse meramente científico; 
sem finalidade de prospecção biológica, genética, etc.; e sem finalidade comercial).Quais informações devem ir no lado de fora do pacote? 
 
No lado de fora do pacote, estampe-o com as seguintes expressões: "Manusear com 
cuidado. FRÁGIL ", "Material científico, sem fins comerciais". 
 
 
 
 
 
87 
 
 Quais as modalidades e tipos de postagem? 
 
Para postagem doméstica, utilize os serviços normalmente disponíveis nos Correios, 
com preferência para a Encomenda Normal com Aviso de Recebimento (rastreável). Evite 
serviços expressos (rápidos) de entrega como o SEDEX dos Correios, ou empresas similares. 
 
7.4 Envio ao especialista 
 
 Taxonomistas são pesquisadores responsáveis por classificar os seres vivos. No 
Brasil hoje existem poucos entomologistas taxonomistas. No site Entomologistas do Brasil 
(www.ebras.bio.br) é possível encontrar um banco de dados dos principais profissionais e 
áreas de atuação. Além disso, pode-se entrar em contato com as universidades mais próximas 
e verificar se tem especialistas do grupo de insetos a ser identificado. 
 Outra alternativa, talvez não muito assertiva, são as comunidades nas redes sociais, 
no qual é possível solicitar a identificação por meio de fotografias. A página no Facebook mais 
conhecida é a Entomologia Brasileira. 
 Ainda existem vários aplicativos para celular que ajudam a identificar os insetos, mas 
geralmente consiste de comparações, o que pode provocar grandes equívocos. Dessa forma, 
o mais correto a se fazer é enviar os insetos para ser identificado por um especialista. 
 
8 Métodos de controle de pragas 
 
8.1 Importância do Controle das Pragas 
 
Não tem sido fácil explicar os surtos populacionais das pragas que comumente 
invadem as culturas. É comum atribuí-las ao desequilíbrio provocado pelo emprego de 
inseticidas. Mas devemos lembrar que muito antes dos modernos inseticidas, tais surtos já 
ocorriam. 
Agentes biológicos de controle de pragas, como predadores, fungos, vírus e bactérias, 
desenvolvem-se na medida em que a temperatura e a umidade estejam em condições ideais; 
quando isto não acontece, as pragas encontram facilidades para a sua reprodução e a 
população surge na forma de surtos. Daí a necessidade da introdução de medidas artificiais 
de controle para solução deste problema, antes que os danos possam refletir-se na 
produtividade. 
Existem pragas tão facilmente adaptadas às nossas condições que, pela sua 
constância nas culturas, sempre exigem controle, sem o qual os prejuízos são evidentes. São 
elas: moscas-das-frutas em pessegueiros; saúvas, atacando diversas culturas; broca-da-
figueira; broca-do-tomate; tripes em amendoim; pulgão em batatinha; carunchos dos grãos 
armazenados; broca-das-cucurbitáceas; ácaro rajado, em diversas culturas, lagarta-do-
cartucho, em milho, etc. 
Outras são de aparecimento cíclico, exigindo periodicamente um controle sistemático 
como: a broca-do-café, o bicho mineiro do café, a mosca minadora da batatinha e outras 
culturas, lagartas desfolhadoras em cafezais, lagartas em solanáceas como Phthorimaea 
operculella, broca de árvores, etc. 
Os prejuízos causados por estas pragas, quando não controladas, podem ser totais. 
Os meios de controle disponíveis que poderão ser adotados isoladamente ou integradamente 
são: 
http://www.ebras.bio.br/
88 
 
 
8.2 Métodos culturais 
 
A aplicação dos conhecimentos bioecológicos das pragas e das plantas permitiram a 
adoção de esquemas como: 
 
8.2.1 Rotação de Culturas 
 
Consiste no plantio de culturas diferentes da anterior, de tal modo que elas não 
estejam sujeitas ao ataque das mesmas pragas. Esta quebra na sequência, além de não 
trazer problema para a cultura instalada, tende a reduzir a população das pragas. 
 
Exemplo: O sistema adotado para o plantio alternado trigo x soja tem produzido efeitos 
satisfatórios, sendo a soja plantada no verão e o trigo, no inverno. Em regiões onde isto não 
é possível, devido às condições climáticas, o plantio de algodão, no verão, e de milho na 
mesma estação do ano seguinte, de modo alternado, também tem sido viável. 
 
8.2.2 Aração do Solo 
 
Certas pragas de solo são bastante prejudicadas quando se revolve a terra. O objetivo 
é expor os insetos nas suas formas mais suscetíveis (larva ou pupa) aos raios solares e aos 
inimigos naturais, como os pássaros, reduzindo a sua população. 
 
Exemplo: O besouro da cana Migdolus spp., de difícil controle químico, tem sido eliminado, 
em parte, por este processo. Outras pragas, como Spodoptera frugiperda e moscas das frutas 
que pupam no solo, também são eliminadas por este processo. 
 
8.2.3 Época de Plantio e de Colheita 
 
A simples antecipação ou atraso no plantio ou na colheita pode diminuir ou eliminar o 
ataque das pragas. 
 
Exemplo: Foi evidenciado que a antecipação do plantio do algodão pode reduzir 
significativamente a infestação da lagarta rosada. Demonstrou-se também que quanto mais 
cedo se planta o sorgo, menor é a infestação da mosca-dos-grãos; a colheita antecipada da 
batatinha destinada à semente, além de reduzir as viroses, permite a colheita de tubérculos 
menores e mais uniformes, diminuindo também o período de exposição das batatas às pragas 
do solo. As variedades de soja precoce são menos sujeitas ao ataque dos percevejos. 
 
8.2.4 Destruição dos Restos de Culturas 
 
Os diversos órgãos ou partes das plantas são abrigos naturais de inúmeras pragas. 
As lavouras instaladas nas proximidades de culturas decadentes recebem as suas pragas, 
motivo pelo qual devem ser eliminadas. 
 
Exemplo: A lagarta rosada do algodoeiro e do quiabeiro podem passar de uma para outra 
cultura; portanto, a existência de uma delas no final do ciclo pode constituir-se em foco desta 
praga. O plantio de cana-de-açúcar em áreas onde havia bananais faz com que a praga 
89 
 
Sphenophorus sp., de importância secundária na bananeira, se torne uma importante praga 
na cultura da cana, exigindo, portanto, um bom trabalho na destruição dos restos da cultura 
da bananeira. A traça da batatinha, que pode atacar também o tomateiro, deve ter um de seus 
hospedeiros eliminados ao se instalar em uma das duas culturas, o mesmo acontecendo com 
a broca-do-tomate em relação à berinjela. 
 
8.2.5 Cultura no Limpo 
 
A presença de plantas daninhas no meio ou nas proximidades das culturas constituem 
hospedeiros de diversas pragas e podem atuar como foco de infestação para as culturas. 
 
Exemplo: A planta daninha “carrapicho-de-carneiro” serve de abrigo para a lagarta-da-maçã 
do algodoeiro, sendo comum passar despercebida pelo agricultor, crescendo juntamente com 
esta malvácea. A existência de plantas que permitem grandes infestações do ácaro rajado 
propicia a sua passagem dos mesmos para novas culturas, quando próximas, pois quando a 
população desta praga aumenta consideravelmente formam-se teias que são levadas pelos 
ventos, transportando os ácaros em suas diferentes formas. Outro exemplo é a mosca branca, 
que possui mais de 500 plantas que atuam como seu hospedeiro. 
 
8.2.6 Presença de Bosques 
 
Inúmeros animais insetívoros abrigam-se nas matas ou nos bosques. A manutenção 
de pequenas áreas arborizadas no meio de plantas cultivadas, principalmente em 
reflorestamentos, tem mostrado a diminuição na formação de sauveiros, pela preservação de 
pássaros, tatus e outros animais que se alimentam das rainhas (içás) que saem dos sauveiros 
na época da revoada. 
 
8.2.7 Poda 
 
Esta operação é comumente feita para árvores frutíferas ou ornamentais. As 
coleobrocas são as pragas que mais exigem este tipo de controle, através da poda e 
eliminação da parte atacada. 
 
Exemplo: A seca-da-mangueira, que é uma doença transmitida por um fungo que coloniza o 
tronco das plantas, auxiliado pelas galerias produzidas no tronco pelo besourinho 
Hypocryphalus mangiferae. Em plantações de figo é comum a ocorrência da broca-da-
figueira, provocada pelas larvas de um lepidóptero. Em ambos os casos, a poda dos ramos 
afetados é aúnica forma de controle curativo. 
8.2.8 Cultivo Mínimo e Plantio Direto 
 
São técnicas conservacionistas que evidenciaram as vantagens em não se revolver o 
solo a cada novo plantio. A manutenção da massa vegetal sobre a superfície do solo tem 
propiciado o controle de algumas pragas, pelo aumento de umidade, especialmente daquelas 
que passam por uma fase no solo, como os noctuídeos, que empupam no solo, e a lagarta 
elasmo que prefere solos secos. 
 
Exemplo: A partir de 1997, surtos de corós e percevejos de solo aumentaram em solos com 
plantio direto. A umidade existente favorece tais pragas e a desnecessidade de revolver o solo 
90 
 
dificulta a predação pelas aves. A partir da safra 1999-2000, nos plantios de soja e algodão 
na região do cerrado, o percevejo castanho ocorreu em grandes áreas apresentando 
dificuldades para o controle. 
 
8.2.9 Adubação 
 
É sabido que plantas bem nutritivas resistem melhor aos problemas de sanidade e 
dentro de certos limites toleram danos em sua constituição, desde que o material a ser 
aproveitado não seja o alvo das pragas. Exemplo típico é o caso da soja, em que sua área 
foliar pode ser destruída significativamente, sem que haja prejuízo na produtividade de grãos. 
Mesmo considerando pragas que se alimentam de plantas por sucção da seiva, é 
possível, através de nutrição adequada da planta, reduzir a presença de pragas e seus danos, 
como é o caso do excesso do nitrogênio que favorece os pulgões e ácaros que ocorrem no 
algodoeiro. 
A fertilidade do solo influindo no desenvolvimento das culturas pode favorecer ou 
desfavorecer as populações de pragas. Um maior conhecimento dos efeitos da adubação 
sobre pragas e doenças poderá permitir a sua inclusão num programa de Manejo de Pragas, 
aliviando os encargos provenientes de outros tipos de controle, principalmente o químico 
através de inseticidas. 
 
8.3 Métodos legislativos 
 
Por definição restrita, legislação por si só não se constitui em método de controle de 
insetos, mas estabelece autoridade estatutária para o engajamento de agências 
governamentais na limitação da dispersão de insetos ou no tratamento de infestações 
localizadas e que se configuram em ameaça ao bem estar público. Esses métodos legislativos 
baseiam-se no conjunto das leis, portarias e decretos, quer federais, estaduais ou mesmo 
municipais, que obrigam ao cumprimento de determinadas medidas de controle. Alguns 
importantes exemplos de métodos legislativos de controle são apresentados a seguir. 
 
Quarentena: destina-se à prevenção de entrada de pragas exóticas e de sua disseminação. 
Exemplo: Todos os vegetais ou partes dos vegetais importados devem passar por um 
período de 40 dias sob observação, em local pré-estabelecido pelas autoridades 
responsáveis. Este serviço é controlado pelo Ministério da Agricultura, através do 
Departamento de Defesa Sanitária Vegetal, que mantém fiscais em todas as entradas do país, 
sejam elas terrestres, marítimas ou aéreas, controlando materiais exóticos a serem 
introduzidos. Quando constatada alguma suspeita, o material é imediatamente destruído. Se 
nada houver de anormal no ato da entrada, o material ainda assim fica sujeito à quarentena 
em local isolado, para impedir que organismos estranhos sejam introduzidos no país. 
 
Medidas obrigatórias de controle: têm execução determinada por legislação e são de 
grande importância para algumas culturas como o algodão, onde o estabelecimento de datas-
limite para 
destruição de restos culturais por parte dos produtores tem possibilitado o controle da broca-
da-raiz-do-algodoeiro, lagarta rosada e do bicudo-do-algodoeiro. 
 
Legislação disciplinadora do uso de agentes ou métodos de controle: A chamada lei dos 
agrotóxicos, lei nº 7802 de 11 de julho de 1989, veio em substituição a legislação anterior 
91 
 
datada de 1934. Dentre as principais características dessa legislação citam-se o 
disciplinamento do uso de inseticidas e o estabelecimento do receituário agronômico. A atual 
legislação regulamentadora do desenvolvimento, produção e utilização de organismos 
transgênicos no Brasil é outro exemplo de legislação disciplinadora de agentes de controle no 
Brasil. Nessa caso com a instituição e assessoramento do Comitê Nacional de Biosseguranca 
(CNTbio). 
As medidas de ordem legislativas também são empregadas em frutas ou partes 
vegetativas destinadas à exportação. Isto porque muitos países responsabilizam o país 
exportador por uma possível introdução de organismos estranhos aos já existentes. 
 
8.4 Métodos mecânicos 
 
Incluem práticas que envolvem a utilização de barreiras e/ou destruição direta dos 
insetos. A adoção de medidas como catação manual dos insetos, uso de armadilhas e uso de 
telados ou barreiras ajudam a eliminar as pragas. Tais processos são, em geral, empregados, 
quando outras medidas de controle não podem ser colocadas em prática. 
 
8.4.1 Catação manual: refere-se a coleta manual de ovos, larvas ou ninfas e/ou insetos 
adultos facilmente visíveis. Muito usado em agricultura de subsistência, no controle de pulgas, 
piolhos e carrapatos em animais e no controle de cochonilhas em plantas ornamentais de 
interiores. 
 
8.4.2 Técnica da batida: é usado como forma de controle de insetos em fruteiras, onde são 
feitas sucessivas batidas no tronco após colocação de panos ou plásticos sob a copa das 
árvores para coleta dos insetos caídos com as batidas. É uma técnica utilizada também para 
amostragem de insetos em culturas anuais como a da soja. 
 
8.4.3 Barreiras: são dispositivos ou práticas que visam impedir ou dificultar o acesso do inseto 
à planta. Existem diversos exemplos de barreiras usadas na proteção contra insetos que nem 
sempre são percebidas. Um exemplo são os mosquiteiros normalmente colocados em janelas 
e portas de residência ou recobrindo berços. Sulcos ou valetas sob solo nu são por sua vez 
usados contra ataque de gafanhotos e curuquerê-dos-capinzais (Mocis latipes) interrompendo 
a migração rotineira destes insetos entre campos próximos. Cones invertidos (tipo “chapéu-
de-chinês”) ou plástico de saco de adubo são frequentemente presos ao coleto de frutíferas, 
café e outras plantas para evitar a ação de formigas cortadeiras. O uso de sacaria mais 
resistente à penetração por insetos é um outro exemplo de uso de barreiras, comumente 
usado na proteção de produtos armazenados contra insetos. Vantagens: Impedem a 
destruição da cultura ou do produto a ser comercializado; ausência de resíduos químicos. 
Desvantagens: Custo elevado de mão-de-obra; menor eficiência em altas populações da 
praga; maior risco de doenças. 
 
Figura: embalagem de frutos na fruteira para evitar o dano das pragas. 
92 
 
 
8.4.4 Impacto: é prática usada em moinhos de farinha para controle de insetos de produtos 
armazenados. Consiste em máquinas ou dispositivos que lançam os grãos contra um 
anteparo de 
maneira a matar os insetos no exterior ou interior dos grãos. Os grãos infestados são abertos 
e os insetos são expostos e removidos por aspiração ou peneiramento depois de mortos. 
 
Exemplo: A catação manual de larvas da broca gigante da cana-de-açúcar, na região de 
Alagoas; o uso de facões pontudos, utilizados para esmagar ou retirar a larva no interior da 
base do colmo; catação manual do bicho cesto em cafezal ou pomar de citros; formação de 
barreiras ou valetas para impedir o deslocamento de lagartas ou gafanhotos em grandes 
surtos; uso de rolos-faca para esmagamento de cigarrinhas ou lagartas em pastagens; uso 
de armadilhas como frascos caça-moscas; uso de tábuas pintadas de amarelo e untadas com 
óleo para captura da mosca branca, cigarrinhas, tripes e mosca minadora das folhas; 
colocação de pedaços de pseudocaule de bananeira para coleta da broca-da-bananeira; uso 
de bambus ou bagaço-de-cana para captura de Sphenophorus sp.; catação dos botões florais 
atacados pelas larvas do bicudo-do-algodoeiro.8.5 Métodos de controle por comportamento dos insetos 
 
Os insetos utilizam odores para localização de presas, defesa e agressividade, 
seleção de 
plantas, escolha de locais de oviposição, acasalamento, organização das atividades sociais e 
diversos outros tipos de comportamento. As substâncias químicas usadas na comunicação, 
em geral, são denomindas semioquímicos (sinais químicos). Os semioquímicos podem ser 
divididos em: aleloquímicos e feromônios. Os aleloquímicos são substâncias químicas 
envolvidas na comunicação entre organismos de espécies diferentes. Já os feromônios são 
substâncias químicas ou misturas destas, envolvidas na comunicação entre indivíduos da 
mesma espécie. 
 
8.5.1 Formas de utilização de feromônios e aleloquímicos no manejo integrado de 
pragas 
 
Detecção de pragas: O semioquímico é usado para verificação da presença da praga em 
áreas onde esta praga ainda não existe. Exemplo: Em 1995, trabalhos de monitoramento, 
bem como o controle, da mosca da carambola nos Estados do Amapá e Pará utilizando 
armadilhas com composto ou feromônio sexual, o metil-eugenol. 
 
Monitoramento de pragas: O semioquímico é usado para verificar se a população da praga 
atingiu o nível de controle. Exemplo: Uso de armadilhas com do feromônio sexual para 
verificação se há necessidade de controle da mariposa oriental na cultura do pêssego. 
 
8.5.2 Controle de pragas 
 
 Planta isca: uso de feromônio em faixas de cultura atrativa a praga instaladas na perderia 
para atração da praga. 
 
93 
 
Coleta massal: coleta de indivíduos através de armadilhas. Utilizado para coleta de bicudo 
do algodoeiro com feromônio de agregação "blockaide" ou nomate PBW. 
 
Confundimento: saturação da área com o feromônio sexual, dificultando o acasalamento. 
Utilizando feromônios sintéticos, reduz-se a probabilidade de encontros e/ou agregação dos 
sexos e acasalamentos. Em algodão, utiliza-se o "gossyplure" no confundimento da lagarta 
rosada do algodão com redução de até 64% na aplicação de inseticidas. Para o bicudo 
também são utilizados várias iscas embebidas com feromônio "grandllure" para o 
confundimento de machos. 
 
 
 
8.5.3 Uso de aleloquímicos no manejo integrado de pragas 
 
Uso de atraentes 
 
a) Uso como iscas: utiliza-se partes da própria planta hospedeira da praga como atraente 
para o monitoramento da mesma. 
 Moleque da bananeira (Cosmopolites sordidus); Seções de pseudocaule de bananeira 
em formato de telha ou queijo. 
 Broca do olho do coqueiro (Rhynchophorus palmarum). As iscas consistem de 
pedaços de estirpe de 0,50 m com a parte aparada para baixo. Após alguns dias, 
colhem-se os besouros alojados, destruindo-os. Para maior eficiência, pode-se tratar 
a isca com inseticida na base de 4 g/isca. 
 
b) Uso com plantas iscas: utiliza-se plantas que sejam hospedeiras da praga, mas que 
sejam mais atrativas as pragas que a cultura que está no campo. Exemplo: planta maria-preta 
versus coleobrocas em citros; abobrinha italiana versus vaquinhas e algodão plantado na 
entressafra versus bicudo e broca da raiz do algodoeiro. 
94 
 
 
Uso como estimulantes alimentares da praga 
 
São substâncias e / ou produtos químicos que estimulam as pragas a alimentarem. 
Exemplo: Sal de cozinha x percevejos da soja; iscas açucaradas x moscas das frutas; iscas 
com farináceos x grilos, mariposas, lesmas e formigas. 
 
Uso de repelentes às pragas 
 
São substâncias que tornam as plantas menos preferidas ao ataque de pragas. 
Exemplo: Coloral x pragas que atacam os frutos e sementes de anonáceas. 
 
As vantagens deste processo em relação ao uso de inseticidas seriam: 
a) inexistência de resistência das pragas aos produtos; 
b) não tóxicos e não poluentes; 
c) sendo específicos, atuam sobre o inseto visado, evitando desequilíbrios biológicos. 
 
8.6 Método de controle físico 
 
Método que se baseiam no uso de fenômenos físicos visando o controle de insetos. 
Frequentemente os métodos mecânicos de controle são incluídos junto aos métodos físicos, 
mas 
ambos estão sendo aqui tratados independentemente. Utilização de temperatura, umidade e 
radiações eletromagnéticas são os principais agentes físicos de controle com exemplos de 
utilização prática. 
 
8.6.1 Fogo 
 
Muito usado em pequenas áreas, principalmente hortaliças e viveiros de mudas. O uso 
de lança-chamas permite inclusive a sua utilização em larga escala. Entretanto, a queima de 
restos de culturas, ou de pastagens, para a destruição das cigarrinhas, é comumente utilizada 
sem a necessidade de equipamento algum. É utilizada para o controle de cochonilhas em 
pastagens, cigarrinhas em cana-de-açúcar, lagarta rosada, broca-da-raiz e bicudo em 
algodoeiro, ramos com coleobrocas. 
As vantagens desse método, é que as pragas e seu habitat são eliminados, e não se 
tem resíduos de produtos químicos. Como desvantagens, o uso do fogo também mata os 
insetos benéficos, prejudica a conservação do solo e água e contribui com a poluição do ar. 
 
Figura: Enleiramento e queima dos restos culturais após a colheita para o controle de pragas. 
95 
 
8.6.2 Drenagem 
 
Adotada na eliminação de insetos aquáticos como pernilongos, gorgulhos aquáticos 
em lavoura de arroz e larvas de moscas que se desenvolvem no restilo acumulado nas 
lavouras de cana. 
 
 
 
4.5.3. Inundação 
 
Quando é possível inundar o campo, muitas pragas podem ser eliminadas por este 
processo. É comum o aparecimento de lagarta-rosca, nas hortas; ou larvas pão-de-galinha 
(coró) em lavoura de arroz; cupins e lagartas nos capinzais que podem ser eliminadas por 
este processo. 
 
Exemplo: Em Alagoas, a broca gigante Castnia licus é controlada, em algumas regiões, 
inundando as lavouras de cana-de-açúcar atacadas. 
 
8.4.4 Manipulação da umidade 
 
Os insetos possuem também limites de umidade onde é possível sua sobrevivência e 
reprodução. O processo de secagem de grãos normalmente feito antes do armazenamento 
deles é uma medida importante no controle de fungos e algumas pragas de produtos 
armazenados. 
 
8.5.5 Temperatura 
 
A maioria dos insetos não é capaz de se reproduzir a temperaturas inferiores a 20°C 
ou superiores a 35°C. Portanto esses extremos de temperatura podem levar a interrupção da 
multiplicação de insetos ou mesmo causar a mortalidade destes. A ventilação por exemplo, 
utilizada com o intento de reduzir a temperatura dos grãos durante a fase de armazenamento. 
O aquecimento de moinhos e unidades de armazenamento a altas temperaturas (> 50°C) 
também vem sendo testado nos Estados Unidos como medida de controle de insetos de 
produtos armazenados. 
As vantagens no uso da temperatura para o controle de pragas é que causa a morte 
ou redução da população do inseto alvo, e não tem resíduos químicos. Em contrapartida, as 
desvantagens desse método de controle se deve ao custo elevado da energia e também 
requer grande quantidade de energia. 
 
Exemplo: tratamento térmico a frio para o controle de mosca-das-frutas: 
 
 
96 
 
 
 Para o controle de mosca-das-frutas em manga, os frutos ficam em imersão de 45° a 
49°C por 10 a 90 minutos, dependendo do tamanho dos frutos. 
 
8.7 Método de controle pela luz 
 
Consiste na obtenção de fonte de luz, onde se adapta um dispositivo em armadilhas, 
utilizando-se lâmpadas fluorescentes ultravioleta, de 15 watts, conhecidas por luz negra (BL 
ou BLB) (blue ou black light blue). 
A luz varia a sua cor em função de seu comprimento de onda, sendo maior a 
sensibilidade dos insetos nas ondas de menor comprimento, o inverso ocorrendo com o 
homem. 
As lâmpadas que emitem energia na faixa do ultravioleta, portanto, atraem mais 
insetos. Em função disto, as armadilhas luminosas são confeccionadas para emissão da luz 
dentro desta faixa. 
Existem outros tipos de armadilhas, como a de eletrocussão, que fulmina o inseto 
atraído pela luz, através de uma rede eletrificada colocada ao redor da lâmpada.De modo geral, os insetos mais atraídos pela luz são os lepidópteros, coleópteros, 
homópteros e dípteros. 
A grande desvantagem do emprego da luz é a necessidade da energia elétrica nos 
locais onde se instala a cultura. Assim sendo, seu uso para controle fica restrito a certas 
regiões, em culturas de dimensões restritas. Fontes de energia como a da bateria solar tem 
sido testadas com sucesso para alimentar a armadilha luminosa. 
As armadilhas luminosas são muito úteis para monitoramento, estabelecendo o 
momento adequado para as aplicações de inseticidas ou mesmo outros tipos de controle. 
Através deles, pode-se verificar a flutuação populacional das pragas, evidenciando a sua 
época de maior ocorrência. Inúmeros trabalhos já foram realizados no Brasil com as mais 
diversas pragas das mais variadas culturas. 
 
Exemplo: As armadilhas luminosas podem ser usadas com sucesso no controle da broca-da-
figueira Azochis gripusalis. No município de Valinhos/SP foram empregadas armadilhas do 
tipo “Luiz de Queiroz”, contendo lâmpadas fluorescentes de 15 watts, de coloração BL. O raio 
de atração desta armadilha foi estimado em 150 m, correspondendo a uma área de 
aproximadamente 7 ha. 
 
Entretanto, nem todas as espécies são atraídas pela luz, mesmo sendo de hábito 
noturno. A mariposa-oriental-do-pessegueiro, e a lagarta militar, muito comum na cultura do 
milho, são pouco atraídas, mesmo pela lâmpada do tipo BL. 
Quando não se dispõe de lâmpadas do tipo BL ou BLB, pode-se empregar lâmpadas 
de mercúrio ou mista. Mas os resultados em relação à atração são menos expressivos. 
As armadilhas luminosas são influenciadas pelo luar, havendo maior captura nas 
noites escuras, envolvendo o período de lua nova. Como a maioria das mariposas voa entre 
19 e 23 horas, as fases lunares que iluminam as lavouras, neste intervalo, reduzem as 
posturas. 
 
Sugestão de leitura: NAKANO, Octavio ; LEITE, C. A. . Armadilhas para insetos. 1. ed. 
Piracicaba: , 2000. v. 1. 76 p. 
 
97 
 
8.8 Método de controle pelo som 
 
As ondas sonoras produzem vibrações das partículas chamadas - hertz) ela é 
denominada ultrassom, não sendo percebida pelo ouvido humano que só ouve sons emitidos 
entre 16 e 20.000 hertz. Muitas espécies de insetos são sensíveis à faixa de ultrassom, 
percebendo, por exemplo, a chegada do morcego insetívoro, que necessita emitir tais sons 
para localizar a direção a seguir. 
O som pode ser usado no controle dos insetos de duas maneiras: 
 
a) pela produção de calor, através da energia intensa; 
b) afetando o comportamento das espécies, pela simulação de sons desejáveis ou 
não. 
 
Para produzir aquecimento, basta emitir ondas sonoras acima de 39.000 hertz. Além 
deste efeito, o som pode ter efeito direto sobre os indivíduos, afetando a sua sobrevivência. 
Através da simulação de sons, pode-se atrair os insetos para uma armadilha, 
empregando o som, como acontece com algumas espécies de cigarrinhas do arroz. Já a 
emissão na faixa de 60.000 a 25.000 hertz simula o som do morcego, predador de insetos, 
afugentando-os. Como o raio de atuação do ultra-som é muito curto, há limitação deste 
método de controle, sendo utilizado apenas em ambientes fechados. 
As cigarras que são pragas do cafeeiro podem ser controladas por armadilha com 
equipamento que produz som semelhante ao produzido pelo macho. 
 
8.9 Métodos de controle pela radiação ionizante 
 
O emprego de substâncias que provocam a esterilização dos insetos é conhecido há 
muitos anos. A esterilização torna os insetos incapazes de procriar. Ela pode ocorrer quando: 
a) a fêmea se torna infecunda; b) aspermia ou inativação dos machos; c) incapacidade para 
a cópula; d) mutação letal dominante nas células reprodutoras dos machos e das fêmeas. 
Esta última é a mais viável, embora seja comum a combinação desses processos. O exemplo 
clássico deste tipo de controle foi realizado com a mosca Cochliomya hominivorax, na sua 
erradicação na ilha de Curaçao, em 1954. 
A radiação ionizante pode ser obtida em forma de energia pelos raios X e gama, em 
forma de partículas pelos raios alfa, beta, nêutrons e elétrons acelerados. As substâncias mais 
comumente empregadas como fonte de radiação gama são o Cobalto 60 e o Césio 137, sendo 
esta mais econômica que os raios X e menos econômica que os elétrons acelerados, motivo 
pelo qual é mais utilizada. 
A radiação pode ser empregada na esterilização total da praga num material ou 
disseminando em grande número de insetos estéreis em populações normais. Esta última é 
conhecida por TME (técnica do macho-estéril) e consiste na liberação de machos 
esterilizados, tratados em fontes de radiação ionizante. 
Para a esterilização total da praga, algumas considerações precisam ser 
estabelecidas: suscetibilidade da espécie à radiação; determinação da dose letal para as 
diversas fases do inseto (ovo-larva-pupa-adulto); racionalização do material a ser exposto à 
radiação e resistência do material a ser protegido da praga, à radiação. 
A TME consiste em tratar populações da espécie à radiação, visando aos machos, 
para sua liberação num ecossistema delimitado. A quantidade dos indivíduos estéreis a serem 
98 
 
liberados deve ser calculada em função da população natural existente. Esta técnica é 
utilizada para: 
 
 Espécies que transmitem doenças graves; 
 Espécies que não são controladas por inseticidas; 
 Espécies que apresentam baixa tolerância quanto ao nível de infestação; 
 Espécies que atacam alimentos que não podem ser contaminados por inseticidas. 
 
As condições básicas para que a TME possa ser utilizada são: 
 
 O processo não pode alterar o comportamento dos machos, principalmente em relação 
à sua sexualidade; 
 Criação massal econômica; 
 Boa capacidade de dispersão; 
 A população da praga no campo deve estar com sua densidade baixa; para isto, muitas 
vezes se aplicam os inseticidas, visando reduzir a sua população; 
 A população estéril liberada não deve produzir danos; 
 Para a erradicação da espécie-praga, a área a ser utilizada a técnica deve ser limitada 
por barreiras naturais; 
 Evitar reinfestação e assegurar a continuidade do programa até a completa erradicação; 
 Viabilidade econômica. 
 
Exemplo: Uma das principais pragas dos pomares, a mosca-das-frutas (Ceratitis capitata), 
que causa prejuízos da ordem de US$ 120 milhões aos fruticultores brasileiros, está sendo 
combatida com machos estéreis produzidos em uma biofábrica instalada em Juazeiro, no 
sertão da Bahia. O local escolhido para abrigar a Moscamed Brasil, nome oficial do 
empreendimento, encontra-se no centro da maior região produtora e exportadora de frutas 
tropicais do país, no Vale do São Francisco. Os prejuízos são causados pelas fêmeas das 
moscas, que depositam os seus ovos dentro dos frutos. As larvas se desenvolvem e 
alimentam-se da polpa, inviabilizando a comercialização. Para combatê-las, machos estéreis 
criados em laboratório são soltos nas plantações para cruzar com fêmeas selvagens. O 
controle da população de moscas ocorre porque essas fêmeas ao cruzarem com machos 
estéreis não deixam descendentes. Elas cruzam apenas com um macho ou poucos machos 
durante o seu ciclo reprodutivo. 
 
8.10 Método de controle biológico 
 
8.10.1 Conceito 
 
É o controle das pragas através de inimigos naturais. Os inimigos naturais pertencem 
a cinco grupos: predadores, parasitoides, parasitas, competidores e entomopatógenos. Na 
tabela a seguir são mostradas as características de cada um dos grupos de inimigos naturais. 
 
 
 
8.10.2 Principais grupos de inimigos naturais 
 
Competidores 
99 
 
 
São organismos de vida livre que competem com os insetos e ácaros-praga por um 
fator de sobrevivência como alimento, abrigo, território ou local de nidificação. A seguir são 
mostradas características dos principais grupos de competidores de importância como 
inimigos naturais de pragas agrícolas.a) Coleoptera: Rola Bosta 
 Pernas fossoriais/escavatórias. 
 Corpo arredondado. 
 Antena lamelada. 
 Coloração: escura a colorida brilhante. 
 Pragas controladas: Moscas cuja fase larval acontece em fezes. Exemplo: mosca-do-
chifre. 
 
 
 
 
Predadores 
 
Eles geralmente são maiores do que suas presas. Alguns predadores por possuírem 
teias 
(aranhas) ou veneno (marimbondo, formigas e percevejos) conseguem alimentar-se de 
indivíduos 
maiores do que eles. O predador consumirá diversas presas durante seu ciclo de vida. No ato 
da 
predação eles geralmente atacam e matam a presa rapidamente. Eles normalmente 
alimentam-se de vários outros insetos (generalista), consumindo preferencialmente aqueles 
em maior abundância no ambiente. Por serem generalistas possuem ampla capacidade de 
adaptarem à condições adversas sofrendo geralmente menos com a ação dos inseticidas 
aplicados nos agrecossistemas do que os parasitoides. 
A seguir são mostradas características dos principais grupos de predadores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
100 
 
Arthropoda não insetos 
 
a) Aranhas 
 4 pares de pernas. 
 Cabeças e tórax fundidos e abdome bem 
distintos. 
 
 
b) Ácaros predadores 
 4 pares de pernas. 
 Cabeça, tórax e abdome fundidos. 
 Tamanho varia de 0,25 – 0,5 mm. 
 
Insetos 
 
a) Coleoptera 
 
1) Staphylinidae (Potós) 
 Três ou mais segmentos do abdome descobertos. 
 Vivem sobre e no interior dos solos. 
 São mais abundantes em solos ricos em matéria 
orgânica. 
 
 
 
 
2) Histeridae (Besouro predador) 
 Dois seguimentos do abdome descobertos. 
 
 
 
3) Carabidae (Besouro predador) 
 Cabeça fina. 
 Geralmente de cor negra brilhante. 
 Geralmente maiores que 1 cm. 
 Vivem sobre os solos, são abundantes em 
solos com matéria orgânica. 
 
 
4) Anthicidae (Besouro predador) 
 Geralmente menores que 3 mm. 
 Cabeça de largura igual ou mais fina que o pronoto. 
 Vivem nas plantas. 
 
 
 
5) Coccinelidae (Joaninhas) 
 Geralmente o corpo é oval. 
 Geralmente possuem de cores vivas. 
101 
 
 
 
 
b) Dermaptera (Tesourinhas) 
 Primeiro par de asas não recobrindo todo 
abdome. 
 Estrutura em forma de pinças (cercos) no 
final do abdome. 
 
 
c) Neuroptera: (Bicho lixeiro, crisopídeo) 
 Geralmente entre 10 e 20 mm 
 Adultos com coloração verde ou marrom 
 Larvas coloração marrom 
 Asas membranosas e quando em repouso 
inclinadas. 
 Antenas longas. 
 As larvas possuem mandíbulas longas e às 
vezes são recobertas por lixo. 
 
d) Hymenoptera (Não predam insetos que produzem fezes açucaradas) 
 
1) Formiga predadora 
 Coloração variável. 
 Reentrância não proeminente na 
cabeça. 
 
2) Vespa predadora (Marimbondo) 
 Ninhos de celulose. 
 Abdome globoso. 
 Inserção das asas distante da 
cabeça. 
 
 
 
 
e) Hemiptera (Percevejos predadores) 
 
1) Não Pentatomidae 
 Corpo alongado. 
 Aparelho bucal curto e curvo. 
 
 
102 
 
 
2) Pentatomidae 
 Corpo hexagonal. 
 Antenas com 5 segmentos. 
 1° segmento do aparelho bucal não fundido. 
 
 
f) Diptera (Moscas) 
 
1) Predadoras 
 Abdome afilado na parte terminal. 
 Assemelham-se à abelhas ou marimbondo. 
 Geralmente coloridas. 
 Cores metálicas. 
 Manchas nas asas. 
 
Parasitoides 
 
Tanto o parasitoide como seu hospedeiro são 
insetos. Eles parasitam o hospedeiro causando sua morte até o final do seu ciclo de vida. Os 
parasitoides normalmente causam a morte do seu hospedeiro quando estes vão mudar de 
fase. Assim, têm-se parasitoides de ovos, parasitoides de ninfas e larvas, pupas e adultos. 
Os parasitoides por viverem no interior do corpo do hospedeiro possuem certo grau 
de especificidade tendo dificuldades em condições adversar e normalmente é maior o impacto 
de inseticidas sobre os parasitoides do que sobre os predadores. 
A seguir são mostrados alguns ciclos de vida de alguns parasitoides, como também 
são dadas as características dos principais grupos de parasitoides de importância como 
inimigos naturais de pragas agrícolas. 
 
a) Diptera 
 
1) Moscas parasitóides 
 Abdome muito piloso. 
 Alo amarelo ao final do abdome. 
 Listras longitudinais ao longo do corpo. 
 
 
 
b) Hymenoptera (Vespas parasitóides) 
 Abdome curvo e achatado lateralmente. 
 Ovipositor longo. 
 Dilatação no último par de patas. 
 
 
 
103 
 
 
 
 
c) Microhimenópteros parasitóides 
 Tamanho menor que 3 mm. 
 
 
 
 
 
 
 
Ciclo de vida de um parasitoide de ovos (Trichogramma sp.) de lepidópteros. 
 
 
 
 
Ciclo de vida de um himenóptero parasitoide de lagarta. 
 
Parasitas 
 
São organismos pertencentes a vários grupos que são muito menores que o 
hospedeiro. Eles controlam as pragas devido a causarem debilidade destas levando a 
104 
 
redução de sua reprodução, alimentação e desenvolvimento, sendo que eles geralmente não 
matam seu hospedeiro. Como exemplos de parasitas pode-se citar a lombriga como parasita 
do homem. No caso de insetos estes têm como parasitas alguns ácaros, nematoides e 
protozoários. 
Os nematoides entomopatogênicos NEPs são patógenos obrigatórios que provocam 
a morte de insetos com o auxílio das bactérias simbiontes que carregam no seu intestino. 
Bactérias do gênero Xenorhabdus spp. e Photorhabdus spp. são associadas aos gêneros 
Steinernema spp. e Heterorhabditis spp., respectivamente. Os juvenis infectantes (JIs) são 
naturais do solo. Quando em contato com o inseto hospedeiro, os JIs penetram pelas 
aberturas naturais (boca, ânus e espiráculos) ou diretamente através da cutícula. Uma vez 
dentro do hospedeiro, eles liberam as bactérias simbiontes na hemocele do inseto. As 
bactérias se multiplicam rapidamente causando septicemia e matando o hospedeiro. 
Adicionalmente, as bactérias fornecem os nutrientes para o desenvolvimento e multiplicação 
dos nematoides. 
Os NEPs possuem importantes vantagens para o controle de insetos-praga. Através 
da sua associação com bactérias simbiontes, os NEPs matam os insetos em 24- 48 horas, 
podendo atingir um nível de controle equivalente ao dos inseticidas químicos. Em comparação 
com o controle químico, o uso de NEPs é mais seguro para o usuário e para o ambiente. Eles 
possuem baixo efeito sobre populações de insetos não-alvo, mamíferos e plantas. Quanto a 
sua aplicação, os juvenis infectantes podem ser aplicados com equipamentos convencionais, 
sendo também compatíveis com vários inseticidas comerciais. A utilização de JIs pode 
alcançar um nível de eficiência maior que os produtos químicos convencionais no controle de 
pragas de solo. Os NEPs ao reproduzir-se e multiplicar-se dentro dos insetos, produzem um 
novo inóculo para infectar outros insetos-praga. 
Os nematoides também podem ser aplicados a campo, através de cadáveres de 
insetos infectados, e este método, vem demonstrando maior dispersão, infectividade e 
sobrevivência quando comparados à aplicação em suspensão aquosa. 
 
Juvenis infectivos do nemaitoide Seinernema sp em larva de Galleria mellonella. 
105 
 
 
 
Entomopatógenos 
 
Os entomopatógenos constituem microrganismos que causam doenças aos insetos e 
ácaros praga levando-os a morte. Existem muitos microrganismos capazes de causarem 
doenças aos insetos dentre estes os mais importantes são os fungos, bactéria e vírus. 
 
a) Fungos 
 
Os fungos entomopatogênicos são os microrganismos que geralmente causam 
maiores mortalidades aos insetos e ácaros-praga nos agroecossistemas. Os insetos 
atacados por fungos entomopatogênicos apresentam os sintomas de manchas escuras nas 
pernas, segmentos e todo tegumento, paralisação da alimentação, o inseto tem aspecto débil 
e desorientado; aparecimento de coloração esbranquiçada, após o desenvolvimento da 
contaminação o corpo do inseto contaminado adquire a coloração característica do fungo que 
o atacou. A ação dos fungos é altamente dependente das condições ambientais,sobretudo 
da temperatura e umidade. Os fungos entomopatogênicos são os microrganismos mais 
generalistas atacando insetos pertencentes a ordens diferentes. 
Entre os principais fungos entomopatogênicos que exercem ação de controle sobre 
insetos e ácaros-praga nos agroecossistemas estão: Metarhizium anisopliae, Beauveria 
bassiana, Verticillium lecani, Nomurae riley, Hirsutella thompsonii, Aschersonia aleyrodis, 
Aspergilus spp., Paecilomyces spp., Cordyceps spp., Entomophthora spp. e Sporothrix 
insectorum. A seguir é mostrado de forma esquemática o ciclo de desenvolvimento de um 
fungo entomopatogênico. 
106 
 
 
Ciclo de desenvolvimento de um fungo entomopatogênico. 
 
 
 
Adultos de Cosmopolites sordidus contaminado pelo fungo Beauveria bassiana 
 
 
b) Bactérias 
 
As infecções bacterianas nos insetos podem causar um conjunto de sintomas que 
podem 
variar, porém, os aspectos mais frequentes e genéricos comuns são que após a ingestão do 
microrganismo, se inicia produção de toxinas, o inseto perde o apetite, apresenta fezes 
aquosas e em muitos casos o vômito é comum. 
Os insetos mortos por infecção bacteriana, principalmente nos estágios larvais, 
geralmente escurecem e se tornam macios (formação de pus). Os tecidos internos e órgãos 
se deterioram, sendo este processo acompanhado de mal-cheiro e o tegumento permanece 
intacto. 
A seguir é mostrado de forma esquemática o ciclo de infecção de um inseto por uma bactéria. 
107 
 
 
 
 
Figura: Ciclo de infecção de um inseto por bactéria entomopatogênica. 
 
 
 
 
Figura: Ciclo de infecção de um inseto por vírus entomopatogênico. 
 
 
 
 
108 
 
8.10.3 Formas de uso do controle biológico 
 
O controle biológico pode ser utilizado de três formas: controle biológico natural, 
controle biológico clássico e controle biológico artificial ou aplicado. 
 
Controle Biológico Natural 
 
Consiste na preservação e/ou incremento das populações de inimigos naturais já 
existes nos agroecossistemas. A preservação e/ou incremento das populações de inimigos 
naturais pode ser obtida através de: 
 
 Uso de inseticida seletivos (seletividade fisiológica de inseticidas). 
 Aplicação seletiva de inseticidas (seletividade ecológica de inseticidas). 
 Aumento da diversidade vegetal nos agroecossistemas nas áreas vizinhas. Uma vez 
que as árvores, arbustos e ervas servem de abrigo, local de nidificação e fonte de 
alimentação complementar para os inimigos naturais. Muitas espécies de predadores 
e de parasitoides alimentam-se de néctar é pólen fornecidos por plantas invasoras. 
Além disto esta vegetação serve e criatório para artrópodes não-pragas os quais é 
fonte alimentar para os inimigos naturais. 
 Manutenção do solo recoberto por vegetação uma vez que a formação de poeira 
acarreta mortalidade de predadores e parasitoides de pequeno tamanho. 
 Transferência de inimigos naturais para o local de cultivo, como por exemplo ninhos 
de vespas predadoras (marimbondos) para os locais de cultivo. 
 Evitar o uso do fogo o qual reduz grandemente as populações de inimigos naturais. 
 Aumento da matéria orgânica nos solos. Já que alguns inimigos naturais como 
besouros predadores e competidores que vivem na superfície e no interior do solo 
alimentam-se também da matéria orgânica. 
 
A seletividade de inseticidas como relatado neste item constitui importante instrumento 
de preservação das populações de inimigos naturais nos agroecossistemas. A seletividade 
pode ser classificada em seletividade ecológica e fisiológica. A seletividade fisiológica consiste 
no uso de inseticidas que sejam mais tóxicos à praga do que aos seus inimigos naturais. Já 
a seletividade ecológica relaciona-se a formas de utilização dos inseticidas de modo a 
minimizar a exposição do inimigo natural ao inseticida. 
Portanto, devem selecionar inseticidas que possuam seletividade fisiológica. Os 
inseticidas que possuem seletividade fisiológica na dose recomendada para controle da praga 
devem causar uma mortalidade menor que 80% ao inimigo natural. Além de preferirmos o uso 
de inseticidas com seletividade fisiológica devemos fazer uso da seletividade ecológica. Isto 
é, devemos utilizar os inseticidas de modo a minimizar a exposição do inimigo natural ao 
inseticida. Isto pode ser feito através de: 
 
 Aplicação dos inseticidas em horários de menor temperatura do ar, já que nestes 
horários os inimigos naturais se movimentam menos estando, portanto menos 
expostos ao inseticida. O período ideal para aplicação dos inseticidas é ao final da 
tarde visto que a temperatura é baixa e o inseticida poderá sofrer degradação durante 
a noite e período da manhã quando é baixa a atividade dos inimigos naturais. Já o 
período da manhã se situa numa situação intermediária entre o período da tarde 
(período de menor impacto) e o das horas mais quentes do dia (período de maior 
impacto). 
109 
 
 Uso de sistema de decisão de controle. 
 Aplicação de inseticidas de forma que o contato entre o inseticida e o inimigo natural 
seja minimizado. Por exemplo, quando o inseticida é aplicado em pulverização é 
grande o impacto dos inimigos naturais que vivem na parte aérea das plantas, 
entretanto é baixo o impacto sobre aqueles que vivem no interior do solo, sendo 
intermediário o impacto sobre os inimigos naturais que vivem na superfície do solo. O 
uso de inseticidas via solo causa maior impacto no momento da aplicação sobre os 
inimigos que vivem no interior do solo. Entretanto se o inseticida for sistêmico ele 
transloucará no sistema vascular da planta tendo efeito sobre insetos-praga que 
atacam a parte aérea das plantas. Desta forma eles causarão baixo impacto sobre os 
inimigos naturais de aparelho bucal mastigador. Entretanto, os inimigos naturais de 
aparelho bucal sugador (percevejos) por sugarem a planta para retirarem água e sais 
minerais sofrerão grande impacto. 
 
Controle Biológico Clássico 
 
Este método envolve a importação de inimigos naturais visando controlar pragas 
exóticas que entram no país. Estes inimigos naturais são provenientes da região nativa da 
praga. No Brasil vários inimigos naturais foram introduzidos visando o controle de diversas 
pragas como mostra a tabela na próxima página. 
 
Controle Biológico Artificial ou Aplicado 
 
Nesta forma de uso do controle biológico o inimigo natural, após criação massal em 
laboratório, é liberado no campo para o controle da praga. O inimigo natural só deve ser 
aplicado quando a população da praga for maior ou igual ao nível de controle e as populações 
dos inimigos naturais estiverem abaixo do nível de não ação. No Brasil vários inimigos naturais 
são usados e comercializados para uso em programas de controle biológico artificial de pragas 
agrícolas. Assim na tabela a seguir são mostrados alguns destes inimigos naturais 
comercializados no Brasil pra uso em controle biológico aplicado: 
 
110 
 
 
 
 
111 
 
 
 
 
112 
 
8.11 Método genético (resistência de plantas a insetos) 
 
A esperança da humanidade reside neste tipo de controle que é considerado o controle 
ideal das pragas, porque é feito naturalmente, sem necessidade de artifícios que encarecem 
a eliminação das pragas. 
O primeiro exemplo clássico deste tipo de controle pode ser considerado o da 
Phylloxera da videira que, no século XIX, causou perdas enormes à cultura da videira na 
Europa e, principalmente, na França, onde, em menos de 10 anos, destruiu 1.200.000 ha 
daquele cultivo. Trata-se de um sugador denominado Phylloxera vitifoliae, que ataca tanto as 
raízes como a folha da videira; o problema foi resolvido com a enxertia de variedades 
europeias sobre cavalos americanos, que eram resistentes a esta praga. Outro exemplo 
ocorreu com a praga Mayetiola destructor, em trigo, nos EUA, sendo resolvido com variedades 
resistentes. 
Por ser um método demorado, pois exige plantio e seleção de materiais genéticos 
resistentes,tem sido empregado em casos extremos, para pragas bastante nocivas em 
culturas de ciclo curto e de baixa renda, em que não existe estímulo no investimento com 
controles sofisticados. 
Sob o ponto de vista prático, não existem variedades resistentes, porque a resistência 
é relativa, exigindo sempre comparações entre as variedades, especificando as condições em 
que se obteve a resistência. 
A resistência é hereditária e geralmente ela é obtida a uma determinada praga e, 
portanto, isto deve ser especificado. Entretanto é preciso entender que a resistência da planta 
a uma determinada praga deve ser analisada com vistas à sua produtividade; não importa 
que as folhas ou outras partes da planta sejam danificadas, desde que o que se pretende 
colher não seja afetado. 
Existem diversos graus de resistência conhecidos como: imunidade (quando a planta 
não sofre dano pela praga, em qualquer situação); moderada (quando o dano é menor do que 
o dano médio causado nas variedades em geral); suscetível (quando o dano é igual ao dano 
médio causado nas variedades em geral). 
Quando, por casualidade, as plantas suscetíveis ou moderadamente resistentes não 
foram atacadas, dizemos que ela sofreu escape. Para determinar se a planta sofreu escape, 
é necessário um teste em sua progênie. 
Quando a planta passa pela fase de maior suscetibilidade num período de menor 
ocorrência da praga, dizemos que ela teve evasão hospedeira. 
Há casos em que a resistência é dada à planta temporariamente, devido à adoção de 
certas medidas como: adubação, irrigação e aplicação de inseticidas. Neste caso dizemos 
que a resistência foi induzida. 
 
8.11.1 Tipos de resistência 
 
Os mecanismos de seleção da praga às plantas podem ser agrupados em três casos: 
 
 Não preferência: o inseto não se alimenta, não oviposita ou não se instala nessa 
planta; 
 Antibiose: o inseto aceita a planta, mas ela não é um bom alimento para ele; 
 Tolerância: a planta aceita o inseto, mas a sua produção não é afetada. 
 
113 
 
Uma planta considerada resistente pode reunir os 3 tipos de resistência, pois os fatores 
genéticos que fornecem estes tipos podem ser independentes e ter efeito acumulativo. 
Vantagens do método de resistência a pragas: 
 
 Dispensa conhecimentos sobre a praga; 
 A inexistência ou a pequena frequência da praga na cultura diminui a chance do seu 
desenvolvimento populacional, ocorrendo em menor intensidade mesmo nas 
variedades não resistentes; 
 Controle a longo prazo; 
 Quando a praga ataca mais de uma cultura, ela a reduz no agroecossistema, com 
menor ataque em outras culturas; 
 Compatível com qualquer outra medida de controle; 
 Não exige mão-de-obra. 
 
As pesquisas com variedades resistentes aos insetos estão sendo desenvolvidas no 
Brasil com milho, sorgo, arroz, cana-de-açúcar, hortaliças e soja. 
O método clássico utilizado para a obtenção de variedades resistentes é muito 
demorado, sendo empregadas técnicas de manutenção, recombinação e seleção. Através de 
um novo método denominado “Tecnologia do DNA - recombinante, é possível a “construção” 
de plantas com as características desejadas, biologicamente. Essa técnica permite que 
modificações hereditárias sejam introduzidas de modo dirigido, obtendo-se, assim, 
combinações pré-estabelecidas; a partir disto, culturas de tecidos poderão ser empregadas 
para fins de melhoramento genético, produzindo material a curto prazo. 
 
8.11.2 Resistência obtida através de organismos geneticamente modificados (OGM) 
 
Trata-se de um tema ainda polêmico, que é a utilização de plantas transgênicas, ou 
seja, plantas modificadas geneticamente através da transferência de genes, com o objetivo 
de torná-las melhoradas sob vários aspectos como: controle de pragas, doenças, plantas 
daninhas, resistência a herbicidas, etc. Os aspectos gerais como histórico, definições, 
metodologia, situação atual e futuro da plantas transgênicas, com ênfase em proteção de 
plantas serão discutidos a seguir: 
Com o crescente aumento da população e consequentemente o aumento da demanda 
por alimentos, os agricultores procuraram sempre plantar as culturas que produzissem mais 
por unidade de área, geralmente separando as sementes de plantas maiores, mais vigorosas 
e mais produtivas para serem plantadas na safra seguinte. A seleção, que favorecia as plantas 
com características desejadas foi o início, ainda que inconsciente, do melhoramento genético 
de plantas. 
Por milhares de anos essa seleção foi realizada sem se conhecer o modo pelo qual as 
características de uma geração passavam para a geração seguinte. Em meados do século 
XIX, um monge austríaco chamado Gregor Mendel estabeleceu os princípios da 
hereditariedade, realizando cruzamentos controlados com ervilhas. Assim, Mendel criou as 
leis básicas da genética que levam seu nome. Embora importante, seu trabalho permaneceu 
desconhecido até o início do século XX, quando vários pesquisadores retomaram esses 
estudos. 
Foram então desenvolvidas duas linhas de pesquisa nesta área. A primeira, utilizando 
os princípios das leis de Mendel, buscou melhorar as variedades de plantas utilizadas na 
agricultura através de cruzamentos controlados. Esse método é conhecido como 
114 
 
Melhoramento Genético de Plantas clássico ou tradicional. A outra linha de pesquisa 
procurava descobrir e entender os mecanismos biológicos envolvidos na transmissão de 
características de uma geração para outra. Isto ocorreu nos anos 40, células, o Ácido 
Desoxirribonucleico (DNA), era responsável pela transmissão das informações genéticas de 
pais para filhos. 
O DNA é uma sequência de moléculas chamadas nucleotídeos. Cada nucleotídeo é 
composto por uma unidade fosfato, um açúcar e uma base nitrogenada. Existem quatro tipos 
de bases: adenina, guanina, citosina e timina. De acordo com a sequência dos nucleotídeos, 
o DNA controla a síntese de proteína, substância constituinte dos seres vivos, que pode ter 
um papel estrutural (na formação do tecido) ou químico (influenciando reações metabólicas). 
Através da ordem das bases nitrogenadas é determinada uma sequência correspondente de 
aminoácidos, os monômeros das proteínas. Uma sequência de DNA que codifica uma 
proteína chama-se gene. 
Com base nestas informações imaginou-se que transferindo pedaços de DNA ou 
modificando sua sequência podiam ser feitas alterações nos mais diversos organismos, 
conferindo a eles características desejáveis. A este conjunto de operações (isolamento, 
modificação e transferência de pedaços de DNA) dá-se o nome de Engenharia Genética. 
O processo de Engenharia Genética ganhou impulso na década de 80, quando os 
pesquisadores desenvolveram as ferramentas necessárias para transferir genes específicos 
de um organismo para outro, permitindo a expressão de características desejáveis no 
organismo receptor. O que tornou isso possível foi a descoberta de enzimas que podiam ser 
utilizadas como “tesouras” moleculares para cortar ou remover um segmento de gene de uma 
cadeia de DNA em um local específico ao longo da fita de DNA. Existem várias dessas 
enzimas, muitas das quais catalogadas de acordo com o ponto no qual elas cortam uma 
molécula de DNA. 
O desenvolvimento de novos produtos, usando ou não as técnicas de Engenharia 
Genética, denomina-se Biotecnologia, que permite inserir em plantas características que não 
podem ser transferidas normalmente por cruzamento, incluindo-se aí características de 
espécies diferentes e até de microrganismos. Entre estas pode-se destacar a resistência a 
pragas, doenças e herbicidas, que interessam mais diretamente ao nosso curso de proteção 
de plantas, como também melhorias das qualidades nutricionais das plantas. A Figura 1 
consta de um esquema onde pode ser observado as diferenças básicas entre o melhoramento 
genético convencional e o melhoramento genético com emprego da biotecnologia. 
 
 
115 
 
 
 
 
Métodos para Transferênciade Genes para Plantas 
 
Existem dois métodos básicos para a transferência de genes para plantas. O primeiro 
utiliza a habilidade natural de uma bactéria de solo chamada Agrobacterium tumefasciens de 
transferir genes para plantas. Esta técnica aplica-se em plantas como tomate, batata, 
pimentão, canola, cana e eucalipto, que crescem facilmente a partir de células individuais ou 
tecido vegetal. Para plantas como milho, trigo e soja, que são mais difíceis de crescer a partir 
de parte do tecido vegetal, funciona melhor a técnica do bombardeamento de partículas, 
também conhecido como “biolística”, que consiste no bombardeamento, sobre tecidos 
vegetais, de microesferas de ouro ou tungstênio recobertas com o DNA de interesse. Esta 
etapa é bastante trabalhosa, pois apenas uma em cerca de um milhão de células incorpora o 
gene de interesse. 
O passo seguinte é a obtenção de plantas e de sementes destas, que pode ser feito 
colocando-se as células transformadas em meios de cultura contendo nutrientes e hormônios 
necessários ao seu desenvolvimento, em um processo chamado de cultura de tecidos. 
Durante esta fase, as pesquisas são dirigidas de forma a selecionar as plântulas que 
incorporaram o gene desejado. Quando estas plantas apresentam raízes e folhas, elas são 
retiradas do meio de cultura, colocadas em vasos e transferidas para uma casa de vegetação 
com condições controladas que possam garantir a presença e a expressão do gene. 
Com as sementes obtidas, inicia-se a fase de pesquisas de campo, que tem por 
objetivo verificar o comportamento dessas plantas em condições normais de cultivo, seu 
desempenho agronômico e sua capacidade de transferir o gene para outras variedades da 
mesma espécie. Nesta etapa são também realizados os testes de expressão, ou seja, se o 
gene colocado é para resistência a pragas, as plantas são expostas a elas; se é para 
tolerância a herbicidas, as plantas são pulverizadas, e assim por diante. 
A partir da identificação das plantas que contêm as características desejáveis 
introduzidas, começa o processo de multiplicação de sementes e introdução da nova 
característica transgênica para outras linhagens, com a finalidade de se obter variedades com 
características ótimas para serem fornecidas aos agricultores. 
 
116 
 
 
 
 
Aplicações na agricultura 
 
a) Proteção contra insetos 
 
Os agricultores conhecem bem a capacidade e o potencial de devastação dos insetos. 
Assim, uma planta que já nascesse resistente contra as pragas seria extremamente 
interessante para o agricultor. 
Isto ocorreu através da biotecnologia, com a introdução de genes de uma bactéria em 
plantas. A bactéria é o Bacillus thuringiensis (B.t.), que ocorre naturalmente no solo e é 
conhecida pela sua habilidade de controlar insetos. Diferentes linhagens de B.t. controlando 
diferentes pragas têm sido usadas há décadas como um inseticida biológico. A bactéria 
produz uma proteína que destrói o sistema digestivo dos insetos-alvo, sendo inofensiva a 
outros insetos, pessoas, aves e outros animais. Assim, o desenvolvimento de plantas com 
genes do B.t., produziu variedades onde a própria planta produz a proteína tóxica ao inseto. 
Culturas protegidas de insetos oferecem benefícios agrícolas e ambientais. Por exemplo, 
quando os agricultores reduzem o uso de inseticidas químicos, insetos benéficos podem 
sobreviver e auxiliar no controle da redução da população de insetos pragas, contribuindo 
ainda para uma menor exposição dos aplicadores e lençóis freáticos a inseticidas químicos, 
proporcionando maior compatibilidade com o Manejo Integrado de Pragas, além de 
oferecerem ao agricultor, contra determinadas pragas, um controle simples, efetivo e por toda 
a safra. 
Atualmente, já são comercializadas em vários países, variedades transgênicas (B.t.) 
para as culturas da batata, controlando o besouro-do-colorado, que pode desfolhar um campo 
de plantação de batata em menos de uma semana, do algodão, protegendo as plantas contra 
o ataque das principais lagartas e do milho, controlando a lagarta-do-colmo. No Brasil já são 
comercializadas variedades de algodão e milho, protegendo as plantas contra o ataque de 
lepidópteros-pragas. 
 
b) Proteção contra doenças 
 
Através da Biotecnologia, poderá ser possível o desenvolvimento de culturas 
protegidas de certos tipos de vírus de plantas. Com a introdução de pequena parte do DNA 
do vírus na composição genética da planta, pode-se obter culturas que têm imunidade própria 
contra determinadas doenças. 
Atualmente vários estudos estão sendo levados a cabo, visando ao desenvolvimento 
de variedades transgênicas, com destaque para as culturas de alfafa, canola, melão, milho, 
pepino, uva, batata, soja, abóbora e tomate, que possam ser protegidas contra doenças 
causadas por vírus e pimenta e tomate, contra doenças causadas por fungos. 
 
c) Proteção contra plantas daninhas 
 
A seletividade fisiológica das culturas aos herbicidas é atualmente a característica 
mais desejável para um herbicida, pois confere ao agricultor a flexibilidade de aplica-los 
somente quando necessário. Consequentemente reduz o seu uso, poupando o ambiente e 
diminuindo o custo da produção devido a menor quantidade de herbicida utilizado, quando 
comparado com a aplicação de herbicidas preventivos. Entretanto, os herbicidas seletivos, 
117 
 
atualmente utilizados, possuem algumas limitações relativas ao número de espécies de 
plantas daninhas controladas, ou seja, controlam um menor número de ervas de folhas 
estreitas (gramíneas), quando são seletivos para culturas monocotiledôneas ou controlam um 
menor número de ervas de folhas largas, quando são seletivos para culturas dicotiledôneas. 
Através de biotecnologia, têm sido desenvolvidas variedades de algumas culturas 
como milho, algodão, soja e canola, tolerantes ao herbicida glifosate ou glufosinato de amônio, 
herbicidas não seletivos que controlam efetivamente uma grande variedade de gramíneas e 
plantas de folhas largas. 
 
Controle Governamental 
 
Nos EUA o Departamento de Agricultura- USDA- regulamenta a produção e a 
pesquisa agrícola, incluindo o desenvolvimento de novas variedades de plantas, 
principalmente por intermédio de seu Serviço de Inspeção Sanitária e Vegetal (APHIS), tendo 
já sido inspecionadas por aquele órgão diversas variedades transgênicas. Atualmente muitas 
destas variedades já são produzidas em escala comercial no país. 
No Brasil, o órgão responsável pela aprovação dos testes de plantas obtidas pelo uso 
da Biotecnologia é a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio –órgão 
vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A CNTBio é formada por especialistas da 
área de Biotecnologia, do setor empresarial e de um órgão de proteção da saúde do 
trabalhador. 
Para que uma instituição possa realizar testes com variedades transgênicas, deve requerer à 
CNTBio um certificado de qualidade em Biossegurança – CQB - que garante que a instituição 
pode manipular os materiais transgênicos com riscos mínimos para pessoas e para o 
ambiente. 
No Brasil algumas empresas já obtiveram autorização para importação de sementes 
e para realizar testes, entretanto o assunto ainda é polêmico e algumas organizações 
ecológicas têm conseguido bloquear na justiça o uso destes materiais. 
As principais alegações dos órgãos contrários à entrada dos transgênicos são: 
 
 Alimentos transgênicos poderiam causar alergias ou danificar o sistema imunológico 
humano 
 As sementes poderiam transmitir seu material genético a outras espécies, gerando 
pragas super resistentes. 
 O aumento das substâncias ou enzimas resistentes a herbicidas nas plantas 
modificadas poderia afetar animais e insetos importantes ao equilíbrio biológico do 
ambiente. 
 O desconhecimento, em longo prazo, de possíveis malefícios ao ambiente e ao 
homem causados pelas plantas geneticamente modificadas. 
 
Futuro das Plantas TransgênicasO emprego de plantas transgênicas expressando genes de outros organismos que 
podem conferir a essas plantas características desejáveis sob diversos aspectos, constitui 
uma alternativa promissora para a produção de alimentos. Apesar das muitas indagações que 
ainda permanecem, principalmente aquelas relacionadas à especificidade da resistência 
obtida, aos mecanismos envolvidos e à durabilidade destas resistências em condições de 
campo, os resultados de pesquisa e também de campos comerciais têm demonstrado que as 
características positivas obtidas através dos materiais transgênicos são uma realidade. 
118 
 
 
8.12 Método químico de controle de pragas 
 
Consiste na utilização de produtos químicos que aplicados direta ou indiretamente 
sobre os insetos, em concentrações adequadas, provocam a sua morte. Considerando-se que 
a melhor maneira de avaliar o sucesso de um sistema proposto, entre várias outras opções, 
é a sua adoção e a permanência de sua aceitação após anos de uso, o controle químico 
mostra-se até o momento como a mais utilizada e, consequentemente, mais importante forma 
de controle de pragas. Os defensivos ainda formam a base da proteção de plantas em todos 
os países desenvolvidos. 
O sucesso desta forma de controle é explicado, entre outras, pelas principais 
vantagens no curto prazo que são: 
 
 Única medida prática para o controle de populações de insetos quando estas se 
aproximam do nível de dano; 
 Proporciona rápida ação curativa contra um dano visível ou ótima eficiência na ação 
preventiva; 
 Oferece uma vasta gama de propriedades, usos e métodos de aplicação, para 
diferentes condições de ocorrência de pragas; 
 Proporciona bom retorno econômico e custo de utilização relativamente baixo; 
 Possibilita ao produtor uma ação isolada e independente. 
 
Todavia, o uso abusivo e sem critérios técnicos poderão apresentar, entre outras, 
limitações no médio ou curto prazo como: 
 
 Desequilíbrios biológicos; 
 Aumento populacional de pragas secundárias; 
 Resistência dos artrópodos aos defensivos; 
 Resíduos nos alimentos; 
 Contaminação ambiental; 
 Riscos aos aplicadores; 
 Solução apenas temporária para os problemas de ocorrência de pragas. 
 
Entretanto, acompanhando a evolução tecnológica por qual passa todo o setor 
produtivo e pela sua própria sobrevivência, a indústria de defensivos vive um período de 
grande modernização de seus produtos, introduzindo no mercado inseticidas e acaricidas bem 
menos tóxicos, com menor persistência no ambiente, mais seletivos em relação aos 
mamíferos e aos inimigos naturais das pragas e que atuam sobre sistemas ou enzimas 
exclusivas ou de maior importância orgânica em artrópodos que em mamíferos, tornando 
possível a integração dos diferentes métodos de controle, com o uso de defensivos de forma 
a eliminar ou atenuar significativamente os efeitos adversos causados. 
Os inseticidas são compostos químicos ou biológicos letais aos insetos, em dosagens 
econômicas. São aplicados na lavoura para eliminar os insetos nocivos às plantas. O poder 
tóxico de um inseticida é determinado estabelecendo-se a dose mínima necessária para matar 
o inseto. Esta dose, por sua vez, varia conforme o produto, a sua forma de apresentação e 
também em função das diferentes reações fisiológicas de cada praga. 
Cada inseticida apresenta toxicidade diferente, conforme a sua composição, a dose 
empregada e o estado físico em que se encontra. Quanto mais dispersas estiverem as suas 
119 
 
partículas, tanto maior será a área de contato com o inseto, atuando assim de modo mais 
eficiente. Para isto, tornou-se necessário estabelecerem-se normas quanto a seu uso, mesmo 
porque estas substâncias são também tóxicas para o homem, exigindo muita cautela quanto 
ao seu uso. As formulações foram desenvolvidas com a finalidade de sanar, em parte, os 
inconvenientes citados. 
 
8.12.1 Classificação dos inseticidas quanto ao modo de ação 
 
Existem muitos pesticidas que funcionam de várias maneiras, e os diferentes tipos de 
ação de controle afetam a quantidade, eficiência e velocidade de transferência de dose para 
a praga alvo. O desenho abaixo mostra alguns dos mecanismos de transferência de dose de 
inseticida. 
 
 Ingestão: é absorvido pelo intestino médio, circula na hemolinfa e atinge o sistema 
nervoso. Inseticidas mais antigos possuíam este tipo de ação; 
 Contato: sua ação se dá pelo contato com o corpo do inseto, penetrando na epicutícula e 
sendo conduzido através do tegumento, onde irá atuar sobre as terminações nervosas. 
Pode matar insetos-praga pelo simples contato com superfícies atingidas pelo inseticida. 
 Fumigação: o inseticida age pelas vias respiratórias, devendo ser inalado na forma de 
gás pelo inseto. O gás penetra através dos espiráculos e age sobre o sistema nervoso. 
 Profundidade: inseticida capaz de atingir insetos através do tecido vegetal (ação 
translaminar), como sob uma folha ou dentro de um fruto. 
 Sistêmico: é aquele inseticida que, aplicado sobre folhas, troncos, ramos, raízes e 
sementes é capas de ser absorvido e circular com a seiva para todas as partes da planta. 
 
 
Figura: Mecanismo de transferência do produto químico para o inseto. 
 
Para saber mais sobre inseticidas, acesse: www.irac-br.org.br. 
 
 
 
http://www.irac-br.org.br/
120 
 
8.12.1 Formulações dos inseticidas 
 
A formulação permite que o produto seja utilizado de modo conveniente. É portanto a 
maneira de transformar um produto técnico numa forma apropriada para uso. Para isso, 
empregam-se alguns artifícios misturando-os com os inertes, sólidos ou líquidos. 
 As formulações são constituídas principalmente pelo ingredinte ativo (IA) - 
substância química que realmente controla a praga e pela parte inerte - substâncias de baixo 
custo, neutras e que servem para diluir o inseticida puro, para que possa ser empregado na 
forma de pó, funcionando portanto como veículo do inseticida. 
Principais formulações de inseticidas: 
 
 
Atividades para fixação 
 
1) Sobre os métodos de controle de pragas, assinale a alternativa FALSA: 
A) Os métodos controle legislativos baseiam-se em leis e portarias federais ou estaduais. 
B) Os métodos de controle mecânico consistem no uso do fogo, de drenagem, de inundação, 
de temperatura entre outras técnicas. 
121 
 
C) Os métodos de controle culturais consistem no emprego de práticas baseadas no 
conhecimento ecológico e biológico das pragas. Tais como: rotação de cultura, época de 
plantio, poda, plantio direto. 
D) Os métodos de controle por comportamento baseiam-se nos estudos de fisiologia dos 
insetos, destacando-se o uso de hormônios. 
E) Os métodos de controle biológico consistem na regulação do número de animais 
considerados pragas por ação de inimigos naturais. 
 
2. O emprego de plantas resistentes a insetos é considerado por muitos pesquisadores o 
método ideal de controle de pragas, principalmente por não causar prejuízos ao meio 
ambiente. Existem basicamente três tipos de resistência: nãopreferência, antibiose e 
tolerância. Sobre essas formas de resistência assinale a alternativa CORRETA: 
A) A antibiose ocorre quando o cultivar é menos utilizado pelo inseto para alimentação, 
oviposição ou abrigo que outros cultivares em igualdade de condições. 
B) A tolerância ocorre quando o cultivar é menos utilizado pelo inseto para alimentação, 
oviposição ou abrigo que outros cultivares em igualdade de condições. 
C) A não-preferência ocorre quando um cultivar é menos danificado que os demais, sob o 
mesmo nível de infestação do inseto, sem que haja efeito no comportamento ou biologia 
deste. 
D) A antibiose ocorre quando o inseto se alimenta normalmente do cultivar, mas este exerce 
um efeito adverso sobre sua biologia, tais como: mortalidade na fase imatura, redução do 
tamanho, redução da fecundidade, entre outros. 
E) A tolerância ocorre quando o inseto se alimenta normalmentedo cultivar, mas este exerce 
um efeito adverso sobre sua biologia, tais como: mortalidade na fase imatura, redução do 
tamanho, redução da fecundidade, entre outros. 
O número de espécies de insetos descritas é estimado em aproximadamente um milhão, das 
quais cerca de 10% são pragas, prejudicando plantas, animais domésticos e o próprio homem. 
Por outro lado, existem muitos insetos que são úteis ou benéficos. 
 
9. Manejo Integrado de Pragas 
 
9.1 Conceitos básicos do MIP 
 
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma filosofia de controle de pragas que procura 
preservar e incrementar os fatores de mortalidade natural, através do uso integrado de todas 
as técnicas de combate possíveis, selecionadas com base nos parâmetros econômicos, 
ecológicos e sociológicos, visando a manter a densidade populacional de um organismo 
abaixo do nível de ano econômico. 
 
122 
 
 
Figura: Filosofia do MIP – Manejo Integrado de Pragas. 
 
A compreensão dos preceitos do MIP requer o conhecimento de alguns conceitos 
básicos, que são comumente usados por pesquisadores, técnicos e produtores que lidam com 
a entomologia. Para entendê-los devemos conhecer a relação inseto-fitófago x planta na 
figura abaixo. Dessa forma, vejamos alguns conceitos: 
 
 Praga: é qualquer organismo que causa um dano econômico, por competir direta ou 
indiretamente com o homem por alimento, matéria prima ou prejudicam a saúde e o 
bem-estar do homem e animais. 
 Dano Econômico (D): é qualquer perda econômica decorrente de uma injúria. 
 Injúria (I): é o ataque em si. É qualquer alteração deletéria decorrente da ação de um 
organismo. 
 Nível de Dano Econômico (ND): é a densidade populacional de uma praga capaz de 
causar um prejuízo de igual valor ao seu custo de controle. 
 Nível de Ação ou de Controle (NA ou NC): é a densidade populacional de uma 
praga em que devem ser tomadas as medidas de controle, para que não cause danos 
econômicos. A diferença entre os valores do ND e do NC é igual a velocidade de ação 
dos métodos de controle. 
 Nível de Não-Ação (NNA): é a densidade populacional do inimigo natural capaz de 
controlar a população da praga. 
 Combate: é a aplicação direta de qualquer técnica para exterminar a praga no 
agroecossistema. 
 Controle: é a manutenção da densidade populacional de uma praga abaixo do nível 
de dano econômico. 
 
 
123 
 
 
 
Figura: Esquema ilustrando a relação inseto x planta, que caracteriza o conceito de praga. 
 
 
9.2 Procedimentos para implementação e gerenciamento do MIP 
 
A implantação e o gerenciamento de programas de MIP são fundamentais para a 
correta condução da floresta sob o ponto de vista do controle de insetos-praga. Isso pode ser 
implementado em cinco etapas: 
 
 
 
1°) Definição da unidade de manejo 
 
A unidade básica de manejo de pragas florestais é o talhão. Essa unidade consiste 
numa área delimitada fisicamente por estradas, aceiros ou trilhas e são consideradas 
independentes umas das outras. Isso significa que a tomda de decisão de combate é 
específica para cada uma. Cada unidade deve conter a cultura em condições homogêneas 
de tratos culturais, idade, espécie ou cultivar, tipo de solo, micro-clima, entre outros, de forma 
que o comportamento da praga seja semelhante em toda a área da unidade, para que a 
amostragem dos insetos seja representativa. O seu tamanho é determinado pelo sistema de 
manejo da cultura e pela capacidade operacional de ação de combate. Isso é, deve ter uma 
área que permita a aplicação de um método de controle em tempo suficiente para não haver 
alteração no status populacional da praga durante as operações de monitoramento e 
combate. 
 
2°) Eleger as pragas-chave 
 
As pragas-chave são as mais importantes da cultura que se está manejando. Elas são 
selecionadas de uma lista de insetos que ocorrem ou podem ocorrer nessa cultura. Essa lista 
é feita com base em consultas à literatura, entrevistas com técnicos ou produtores, ou estudos 
de campo. As espécies listadas devem ser classificadas em basicamente quatro tipos: as não-
124 
 
pragas, as secundárias, as primárias e as severas, sendo as duas últimas as mais 
importantes, conforme mostrado a seguir. 
 
a) Organismos não-praga: são aqueles cuja densidade populacional nunca atinge o nível de 
controle: 
 
 
b) Pragas secundárias: são aquelas que raramente atingem o nível de controle: 
 
c) Pragas frequentes (Praga-chave): são aquelas que frequentemente atingem o nível de 
controle: 
 
 
d) Pragas Severas (Praga-chave): são aquelas cujo ponto de equilíbrio é sempre maior que 
o nível de dano econômico: 
 
 
 
125 
 
Das espécies selecionadas como chave, é necessário ter conhecimento geral sobre 
elas com relação à sua biologia, ecologia, comportamento, principais inimigos naturais, 
técnicas de amostragem e de controle, etc, para poder manejá-las adequadamente. 
 
 
 
3°) Aplicar os componentes do MIP 
 
Os componentes do MIP são os passos que devem ser tomados sempre que surgirem 
problemas de ataque de insetos à cultura e compõem as ações rotineiras do programa. Eles 
são constituídos de três etapas: 
 
a) Avaliação do ecossistema 
 
É necessária uma avaliação local do problema, onde devem ser analisados quatro 
componentes do ecossistema: a planta, a praga, os inimigos naturais e o clima. 
 Deve-se identificar e quantificar a população do inseto que está causando o problema 
em questão; 
 Deve-se identificar e quantificar a população dos inimigos naturais desse organismo; 
 Deve-se avaliar o estágio fisiológico da planta; 
 Deve-se avaliar as condições climáticas do local. 
 
É importante considerar a necessidade de se utilizarem métodos de levantamento 
populacional de insetos que possam ser diretamente correlacionados com a injúria provocada 
e consequentemente com os danos. Esse levantamento permitirá a determinação não só de 
nível populacional para a adoção de medidas de controle, como também indicará a tendência 
das populações em crescer ou decrescer possibilitando a tomada de decisão mais coerente. 
Não existe um método universal de levantamento, sendo que, frequentemente, um método 
empregado para uma praga não se aplica a outra, e às vezes, o mesmo método não serve 
para a mesma praga em condições diferentes. Normalmente ela depende da espécie e da 
fase da praga, da idade do plantio, da área afetada, dos recursos disponíveis, etc. 
O MIP está fundamentado na amostragem das populações das pragas -alvo e de seus 
inimigos naturais, bem como no conhecimento da cultura e das condições climáticas do local. 
Todas as duas fases posteriores estão baseadas nessa amostragem. 
 
b) Tomada de decisão 
 
A tomada de decisão é efetuada através da análise dos aspectos econômicos da 
cultura e da relação custo/benefício do controle de pragas, que é determinado pelo NDE. Com 
base na avaliação do ecossistema combate-se a praga se: 
 a densidade populacional da praga for igual ou maior que o nível de controle; e 
 a densidade populacional dos inimigos naturais for menor que o nível de não-ação; e 
 a planta estiver no estágio suscetível à praga; e 
 as condições climáticas estiverem favoráveis à praga. 
 
126 
 
 
 
c) Escolha dos métodos de controle 
 
Uma vez tomada a decisão de adotar medidas de controle, será necessário fazer a 
opção por um programa que poderá envolver um ou mais métodos de redução populacional 
de insetos. 
 Para isso deve-se ter um bom conhecimento de todas as técnicas de controle e 
escolher as mais adequadas, levando-se em consideração os fatores técnicos (eficiência, 
modo de aplicação, etc.), econômicos (custo de combate), ecológicos (impactos ambientais) 
e sociológicos (toxicidade e perigo durante a aplicação). Uma análise prévia do histórico da 
área com relação a culturas, clima, ocorrência de pragas, resultados de combate, entre outros, 
possibilitará uma previsão dos problemas que deverãoser enfrentados. 
 
4°) Planejamento das ações 
 
Em função das informações sobre a praga, inimigos naturais, cultura e clima poderá 
ser feita uma programação para o emprego das medidas de controle selecionadas, visando a 
reduzir o problema atual e dificultar a ocorrência de novos surtos de pragas. Esse 
planejamento envolve a elaboração de um cronograma físico-financeiro, incluindo a relação 
das unidades de manejo que serão combatidas, os equipamentos de aplicação, materiais, 
produtos fitossanitários, mão-de-obra, transporte, alimentação, EPIs, taxas administrativas e 
impostos. Todas essas informações são relacionadas no tempo e no espaço, propiciando um 
planejamento detalhado das ações de combate que se seguirão. Todas essas informações 
são relacionadas no tempo e no espaço, propiciando um planejamento detalhado das ações 
de combate que se seguirão, conforme exemplificado no quadro abaixo. 
 
Exemplo do planejamento físico-financeiro de ações de combate: 
 
 
5°) Acompanhamento dos resultados 
 
Após o combate da área é necessário acompanhar a flutuação populacional das 
pragas e dos seus inimigos naturais e verificar os efeitos dos métodos de redução 
populacional empregados, sobre os insetos visados e sobre os insetos não-alvo, a fim de 
127 
 
avaliar a necessidade de novas intervenções. Para isso, adotam-se, geralmente, os mesmos 
métodos de amostragem empregados na avaliação do agroecossistema ou outro método 
dependendo do caso. Essa etapa, geralmente, é o início do processo novamente, como a 
nova avaliação do agroecossistema. 
 
 
9.3 Vantagens do Manejo Integrado de Pragas (MIP) 
 
 O Manejo Integrado de Pragas mantêm o agroecosssitema o mais próximo possível 
do equilíbrio. Isso quer dizer que tudo pode funcionar melhor, já que tudo na agricultura está 
integrado. A lavoura sadia e sem os prejuízos das pragas com certeza resultará em maiores 
produtividades. E melhor ainda: melhores rentabilidades, já que com o MIP é possível diminuir 
o uso de inseticidas. 
 Além disso, quem nunca esteve na dúvida de fazer ou não a aplicação? Com através 
do monitoramento do MIP você sabe com certeza quando o controle é realmente necessário. 
É você no comando de sua fazenda. 
 
 9.4 Desafios do Manejo Integrado de Pragas (MIP) 
 
 Nem tudo são flores. É claro que há alguns desafios para a implementação do Manejo 
Integrado de Pragas. A mão-de-obra treinada no campo para realizar de forma adequada os 
monitoramentos é um dos principais problemas enfrentados. 
 A identificação dos inimigos naturais e seu correto manejo também é difícil de ser 
realizado e de encontrar mão-de-obra que faça essas atividades de forma satisfatória. Mas a 
barreira mais difícil de todas é a falta de conhecimento. E é por isso que resolvemos levar à 
você mais informações sobre esse sistema tão atual e necessário nesse cenário competitivo 
da agricultura. 
 
10 Introdução à Fitopatologia 
 
Fitopatologia é a ciência que estuda as doenças vegetais, passando por todas as 
etapas: desde o diagnóstico até o tratamento e controle. Apesar do histórico antigo (desde 
antes de Cristo, por exemplo) de identificação de doenças vegetais, a ciência que cuida e 
desenvolve técnicas para erradicar essas mazelas das plantas só foi criada há bem pouco 
tempo. 
Esse tardio surgimento desta ciência tem uma explicação: quando pragas acometiam 
plantações inteiras ou quando fungos se alastravam de um pé de planta para outro, por 
exemplo, isto era definido como um fenômeno sobrenatural ou até mesmo místico. De 
qualquer forma havia a perda do trabalho de um ano inteiro ou de um período, e isto era 
justificado desta maneira simplesmente por não haver naquela época, uma explicação 
plausível para o fato. 
No entanto a evolução dos tempos facilitou o entendimento dos observadores, fazendo 
com que fosse possível notar que por haver uma interação da planta com o patógeno pode 
surgir avarias para um indivíduo ou para uma plantação inteira. Essa preocupação agora tem 
outros fundamentos que não só o financeiro (quando o prejuízo da perda de lavouras afetava 
diretamente o bolso daqueles que investiam), mas também o cuidado com a qualidade do 
128 
 
alimento produzido. Pois isso refletirá diretamente no cenário comercial e, por conseguinte 
implicará na soma dos lucros. 
No início dos estudos da fitopatologia a preocupação era combater as pragas e toda 
sorte de doenças. Hoje o olhar é completamente diferente, é mais profundo. Os 
conhecimentos vão além e propõem, na medida de sua limitação, o melhoramento genético 
de algumas espécies. Fazendo, desta forma, com que fiquem mais resistentes às doenças 
que as acometem. 
 
10.1 História da Fitopatologia 
 
Embora a Fitopatologia, como ciência, seja relativamente nova, as doenças das 
plantas são conhecidas desde há muito, pois, desde que o homem passou a viver em 
sociedade, assentando a base de sua alimentação nos produtos agrícolas, o problema da 
escassez dos alimentos intimamente relacionado com a ocorrência de doenças, teve sempre 
grande importância e mereceu a atenção de historiadores de várias épocas. Na Bíblia, 
encontramos, talvez, as referências mais antigas a doenças de plantas, sempre atribuídas a 
causas místicas, geralmente apresentadas como castigo divino (GALLI e CARVALHO,1978). 
Esses mesmos autores dividiram o histórico da Fitopatologia em período místico, período de 
predisposição, período etiológico e período ecológico. 
 
11 Noções sobre morfologia e biologia de microrganismos 
 
11.1 Características gerais de Fitopatógenos 
 
Os microrganismos habitam os mais diversos locais. Esta propriedade é denominada 
de ubiquidade. Habitam os diferentes ecossistemas, fazem parte da microbiota normal do 
corpo humano, dos animais e das plantas, aos milhões, em termos de quantidades. Entre 
estes organismos são estabelecidas relações em diferentes graus de parasitismo, mutualismo 
e comensalismos. São também patógenos causadores de doenças e deterioração de 
equipamentos e alimentos, quando não devidamente limpos ou mal armazenados, 
respectivamente. 
 
Modo de vida dos microrganismos 
Todos os microrganismos são benéficos de alguma forma. Entretanto, destes um total 
de 3% podem causar danos aos demais organismos. Neste sentido, os microrganismos são 
divididos em diferentes grupos, conforme o seu modo de vida, sendo estes alguns deles: a) 
Sapróbios (saprófitos): comensais ou decompositores de substâncias orgânicas mortas; São 
também conhecidos como microrganismos recicladores. Entre estes, muitos podem 
desenvolver o parasitismo facultativo. b) Parasitos: causam danos as células vivas de outros 
organismos. O parasitismo se manifesta em diferentes graus, desde o parasito obrigatório ao 
hiperparasitismo. No parasitismo obrigatório há uma completa dependência do hospedeiro 
para a sua multiplicação; no parasitismo múltiplo sobrevive em vários hospedeiros e no 
parasito facultativo existe outro modo de vida que é o saprofitismo. Já no hiperparasitismo 
ocorre parasitismo no mesmo grupo. c) Simbiontes: estabelecem relações em diferentes 
graus, desde as mais próximas (simbiose mutualística, onde há interação morfológica e física 
entre dois organismos, a exemplo dos líquenes e das micorrizas) até as mais antagônicas 
(tipo de relação onde um deles é prejudicado em detrimento do outro). Para ocorrer uma 
129 
 
doença infecciosa é necessário algumas etapas importantes: a) Inóculo: haver um número 
suficiente de microrganismos capaz de invadir o hospedeiro; b) Colonização ou infecção: 
estabelecimento e multiplicação do microrganismo no local da infecção. A entrada do 
patógeno/toxina no hospedeiro pode ocorrer diretamente na Biologia de Microrganismos 265 
corrente sanguínea ou nos órgãos internos. Pode haver infecção endógena por 
microrganismos da própria microbiota e exógena por patógenos adquiridos; c) Intoxicação: o 
hospedeiro recebe o fator(ex. toxina) causal da doença, conhecida como intoxicação 
alimentar; d) O microrganismo pode ser eliminado do hospedeiro por algum mecanismo de 
defesa e não causar a doença; e) Doença infecciosa: quando o microrganismo passa a 
expressar seus fatores de patogenicidade (estrutural, enzimas ou toxinas) no hospedeiro, 
alterando a funcionalidade normal da célula, tecido ou órgãos. 
 
 
Atividades de fixação 
 
1) O que Fitopatologia? 
2) O que são microrganismos? 
3) Quais as características gerais dos fitopatógenos? 
4) Os microrganismos são divididos em diferentes grupos, quais são eles?Fale sobre 
cada um. 
 
11.2 Bactérias 
As bactérias pertencem ao reino Monera segundo a classificação de Whittaker, em 
1969. Woese, em 1978, agrupa os organismos em domínios, seguindo a organização 
filogenética (MURRAY, 2005). Sendo assim, há três domínios: Eubactéria (bactérias 
verdadeiras), Archea (bactérias de composição química e formas distintas, habitantes de 
ambientes extremófilos) e Eucaria (fungos, algas, protistas, plantas e animais). 
As bactérias apresentam uma morfologia simplificada, sendo a maioria em formas 
comuns: cocos, bacilos e espiralados e outras em formas especiais: quadradas e estreladas. 
Destas, as três primeiras são as mais estudadas, pois compreende as bactérias de interesse 
na área da saúde e da indústria, sendo as mais comuns. As outras duas formas são de 
ocorrência ambiental e são raramente notificadas. 
 
 
130 
 
São organismos microscópicos, unicelulares, que possuem parede celular. 
Elas não possuem núcleo verdadeiro como o de organismos superiores, 
separado do restante dos outros componentes celulares por uma membrana, 
e seu material genético, um DNA circular de fita simples, se localiza 
diretamente no citoplasma da célula. Além desse DNA, elas possuem os 
plasmídeos, DNA’s extra-cromossômicos, que controlam certas 
características exibidas por estes organismos como resistência à 
estreptomicina, cobre e a outros antibióticos. 
 
 
 
 
 
Bactérias fitopatogênicas 
 
As bactérias fitopatogênicas estão distribuídas em vários gêneros, espécies 
e subespécies separadas entre si por características culturais, bioquímicas, 
fisiológicas e sorológicas. Recentemente, o emprego de técnicas 
moleculares promoveu profundas mudanças na taxonomia das bactérias 
fitopatogênicas. Atualmente, são reconhecidos 26 gêneros de bactérias 
fitopatogênicas, sendo que representantes de muitos desses gêneros (incluindo espécies, 
subespécies e patovares) já foram assinalados em nosso país. 
 
Classificação Morfológica dos sintomas: 
 
- Sintomas Necróticos: São os sintomas que antecedem a morte ou a morte propriamente 
dita dos tecidos. 
 
• Plesionecrótico - Amarelecimento, Anasarca ou Encharcamento, Murcha, etc. 
• Holonecrótico - Cancro, Canelura ou "Stem Pitting", Crestamento ou 
Requeima, Damping Off ou Tombamento, Escaldadura, Estria ou 
Listra, Fendilhamento ou Rachadura, Gomose, Mancha, Mumificação, 
Necrose Vascular, Perfuração, Podridão, Pústula, Resinose, Seca, Seca dos 
Ponteiros ou Die Back, etc. 
- Sintomas Plásticos: Envolve um sub ou super-desenvolvimento dos 
tecidos. 
• Hipoplástico - Albinismo, Afilamento foliar, Clareamento de Nervura, 
Clorose, Enfezamento ou Nanismo, Mosaico, Mosqueado, Roseta, etc. 
131 
 
• Hiperplástico – Bronzeamento, Calo Cicatricial, Enação, Encarquilhamento ou 
Encrespamento, Epinastia, Espessamento de Nervura, Fasciação, Galha, Superbrotamento, 
Verrugose, etc. 
 
Principais sintomas nas plantas 
 
Manchas e necroses: O tecido afetado inicialmente apresenta anasarca, evoluindo 
para morte e necrose. É o tipo de sintoma mais comum. Dependendo do tipo, as lesões em 
folhas recebem diversas denominações, como: mancha angular, quando as lesões foliares 
ficam delimitadas pelas nervuras; crestamento, quando atinge grande parte do limbo foliar; 
estrias ou riscas, que ocorrem em folhas com nervuras paralelas, como no caso de gramíneas; 
cancros, quando as lesões são necróticas e profundas. Algumas bactérias produzem toxinas, 
formando um halo amarelado ao redor das lesões. Nos ramos, flores e frutos os sintomas 
podem assemelhar-se aos observados nas folhas. 
Fotos: Embrapa Semiárido 
 
Mancha angular (Xanthomonas campestris pv. Mangiferae indicae) em folhas e em 
frutos. 
Hiperplasia e hipertrofia: se caracteriza pela multiplicação celular 
exagerada ou aumento no tamanho das células, resultante de desequilíbrio 
no sistema hormonal da planta, levando a um crescimento excessivo do 
órgão ou tecido afetado. Inclui a fasciação, que é a proliferação anormal de 
raízes e brotos, geralmente com achatamento e fusão das partes afetadas; 
galhas, que ocorrem na região do colo, em raízes e parte aérea e raízes em 
cabeleira. 
 
 
 
Murcha: ocorre por obstrução dos feixes vasculares, devido à invasão e/ou 
colonização pelas bactérias fitopatogênicas, impedindo ou dificultando o 
132 
 
transporte de água e nutrientes. A infecção vascular nem sempre resulta em 
murcha aparente, podendo causar nanismo e/ou clorose. 
 
 
 
 
Podridão mole: resulta em maceração de tecidos, devido à produção, pela 
bactéria, de enzimas que degradam as substâncias pécticas da lamela média 
e da parede celular. Este tipo de sintoma é muito importante também 
durante o armazenamento, no caso de bulbos e rizomas. Entretanto, a identificação de 
fitobacterioses não deve ser baseada apenas na sintomatologia apresentada pelo hospedeiro, 
visto que diversos agentes como vírus, fungos, nematóides, insetos ou mesmo desequilíbrios 
nutricionais ou fitotoxidez, podem causar sintomas semelhantes. Além disso, é importante 
ressaltar que diferentes gêneros e espécies bacterianas 
podem incitar sintomas similares e que uma mesma bactéria pode provocar 
mais de um tipo de sintoma. Por isto torna-se necessário, muitas vezes, a 
realização de exames ou testes laboratoriais para a confirmação do agente 
causal. 
 
 
11.3 Fungos 
 
Características gerais 
Os fungos são microrganismos ubíquos, eucariotos, aclorofilados, aeróbios, 
heterotróficos, unicelulares e multicelulares. Mais de 250 mil espécies de fungos já são 
conhecidas. Apesar das dimensões macroscópicas de alguns fungos, a exemplo dos 
cogumelos, são considerados microrganismos, pois formam um falso tecido gigante, mas a 
unidade celular é microscópica. A célula eucariótica apresenta parede celular constituída por 
quitina (quitosana) (Zygomycota) quitina-glucana (Ascomycota e Basidiomycota filamentosos 
e Mitospóricos), glucana-manana (Ascomycota e Mitospóricos leveduriformes), quitina-
manana (leveduras Basidiomicetos). Chytridiomycota: celulose. A membrana celular é rica em 
133 
 
ergosterol e tem o glicogênio como substância de reserva. Quanto ao modo de vida, a maioria 
é sapróbio sobre material em decomposição, outros são parasitos de plantas e animais 
(aproximadamente 150 sp. são patogênicas para humanos e animais). A simbiose também é 
verificada como coevolução entre fungos e plantas (micorrizas) e algas (líquenes). Com o 
metabolismo aeróbio crescem com facilidade sobre meios à base de batata ou carboidratos. 
As leveduras são aeróbias facultativas e promovem a fermentação, sendo de larga aplicação 
na indústria alimentícia. Os fungos são imóveis, exceto algumas estruturas reprodutivas 
(esporos do filo Chytridiomycota) flageladas. Os esporos são estruturas reprodutivas geradas 
por meiose (sexual) e mitose (assexual). 
 
Classificação 
No organograma abaixo está resumido o estudo da sistemática de fungos. Nos 
primórdios da ciência, Linnaeus classificou os fungos como plantas. Posteriormente, foram 
criados reinos que melhor representasse os fungos. Pela última classificação adotada, os 
fungos pertencem ao reino Fungi e algumas subdivisões passaram a pertencer a outros 
reinos, conforme mostra o esquema. 
 
 
Divisão Zygomycota 
Inclui fungos de micélio cenocítico, ainda queseptos possam separar estruturas como 
os esporângios. A reprodução pode ser sexuada, pela formação de zigosporos e assexuada 
com a produção de esporos, os esporangiosporos, no interior dos esporangios. 
 
Divisão Ascomycota 
Agrupa fungos de hifas septadas, sendo o septo incompleto, com os típicos corpos de 
Woronin. A sua principal característica é o asco, estrutura em forma de saco ou bolsa, no 
interior do qual são produzidos os ascosporos, esporos sexuados, com forma, número e cor 
variáveis para cada espécie. 
Algumas espécies produzem ascocarpos e ascostromas no interior dos quais se 
formam os ascos Conídios, propágulos assexuados. são também encontrados. 
 
Divisão Basidiomycota 
Compreendem fungos de hifas septadas, que se caracterizam pela produção de 
esporos sexuados, os basidiosporos, típicos de cada espécie. Conídios ou propágulos 
assexuados podem ser encontrados. A espécie patogênica mais importante se enquadra na 
classe Teliomycetes. 
 
134 
 
Divisão Deuteromycota 
Engloba fungos de hifas septadas que se multiplicam apenas por conídios e 
por isso são conhecidos como Fungos Imperfeitos. 
 
Importância dos fungos 
Por serem decompositores; a maioria está envolvida no processo de reciclagem de 
nutrientes, úteis para os demais organismos, a partir de detritos orgânicos. É um dos 
microrganismos mais importantes no processo de compostagem. Na alimentação são fontes 
de proteína, vitaminas, aminoácidos (cogumelos comestíveis: champignon, shiitake, shimeji, 
Morchella, Lactarius etc.). Utilizados na indústria como fermentos na produção de pão, vinho, 
álcool (Saccharomyces), shoio (Aspergillus), queijos (Penicillium). O gênero Giberella produz 
o hormônio de crescimento ácido giberélico, que promove a proliferação de tecidos jovens 
nas plantas. Outra aplicação benéfica são os antibióticos (penicilina, cefalosporina etc.) 
produzidos por fungos e que são utilizados no tratamento de doenças. Poucos fungos são 
capazes de causar doenças, conhecidas como micoses. 
Os fungos são menos frequentes na microbiota humana e animal. Portanto, as 
doenças de natureza fúngica são menos comuns, o que não ocorre com as plantas. Alguns 
cogumelos também são tóxicos e outros fungos também podem produzir micotoxinas em 
alimentos, causando intoxicação alimentar. Algumas espécies de fungos são de grande 
utilização no controle biológico, conhecidos como fungos entomopatogênicos. Devido a sua 
característica heterotrófica, são frequentes os casos de deterioração de alimentos, 
equipamentos, roupas e outros materiais, especialmente contendo material orgânico e 
umidade à temperatura ambiente. As espécies macroscópicas (cogumelos) albergam outras 
espécies, sendo um fator importante na cadeia alimentar. 
 
Morfologia 
a) Fungo leveduriforme: unicelular, com células esféricas, blastósporos, pseudo-hifas 
e clamidósporos. 
b) Fungo filamentoso: multicelular, constituído por estrutura vegetativa (hifas). O 
conjunto de hifas forma o micélio. O micélio cresce de forma radial e horizontal, absorvendo 
nutrientes a partir do contato e ação enzimática sobre o substrato. As hifas têm crescimento 
indefinido enquanto houver nutrientes disponíveis. As hifas são cilíndricas, incolores (hialinas) 
ou levemente escuras (demácias). Os fungos filamentosos são divididos em cenocíticos - hifa 
não septada - e apocíticos - hifa septada. 
 
 
 
135 
 
 
 
Ao conjunto de hifas, dá-se o nome de micélio. O micélio que se 
desenvolve no interior do substrato, funcionando também como elemento 
de sustentação e de absorção de nutrientes, é chamado de micélio 
vegetativo. O micélio que se projeta na superfície e cresce acima do meio 
de cultivo é o micélio aéreo. Quando o micélio aéreo se diferencia para sustentar os corpos 
de frutificação ou propágulos, constitui o micélio reprodutivo. 
Os propágulos ou órgãos de disseminação dos fungos são classificados, 
segundo sua origem, em externos e internos, sexuados e assexuados. 
Embora o micélio vegetativo não tenha especificamente funções de 
reprodução, alguns fragmentos de hifa podem se desprender do micélio 
vegetativo e cumprir funções de propagação, uma vez que as células 
fúngicas são autônomas. Estes elementos são denominados de taloconídios e compreendem 
os: blastoconídios, artroconídios e clamidoconídios. 
Os blastoconídios, também denominados gêmulas, são comuns nas 
leveduras e se derivam por brotamento da célula-mãe. Às vezes, os 
blastoconídios permanecem ligados à célula-mãe, formando cadeias, as 
pseudo-hifas, cujo conjunto é o pseudomicélio. 
Os artroconídios são formados por fragmentação das hifas em segmentos 
retangulares. São encontrados nos fungos do gênero Geotrichum, 
em Coccidioides immitis e em dermatófitos. 
 
 
Os clamidoconídios têm função de resistência, semelhante a dos esporos 
bacterianos. São células, geralmente arredondadas, de volume aumentado, 
com paredes duplas e espessas, nas quis se concentra o citoplasma. Sua 
localização no micélio pode ser apical ou intercalar. Formam-se em 
condições ambientais adversas, como escassez de nutrientes, de água e 
temperaturas não favoráveis ao desenvolvimento fúngico. 
136 
 
 
 
Entre outras estruturas de resistência devem ser mencionados os esclerócios 
ou esclerotos, que são corpúsculos duros e parenquimatosos, formados pelo 
conjunto de hifas e que permanecem em estado de dormência, até o 
aparecimento de condições adequadas para sua germinação. São encontrados em espécies 
de fungos das Divisões Ascomycota, Basidiomycota e Deuteromycota. 
Reprodução 
Os fungos se reproduzem em ciclos assexuais, sexuais e parassexuais. Segundo 
Alexoupolos, a reprodução assexuada abrange quatro modalidades: 
1) fragmentação de artroconídios; 
2) fissão de células somáticas; 
3) brotamento ou gemulação do blastoconídios-mãe; 
4) produção de conídios. 
Os conídios representam o modo mais comum de reprodução assexuada; 
são produzidos pelas transformações do sistema vegetativo do próprio 
micélio. As células que dão origem aos conídios são denominadas células 
conidiogênicas. 
Os conídios podem ser hialinos ou pigmenntados, geralmente escuros - os 
feoconídios; apresentar formas diferentes— esféricos, fusiformes, 
cilíndricos, piriformes etc; ter parede lisa ou rugosa; serem formados de 
uma só célula ou terem septos em um ou dois planos; apresentar-se 
isolados ou agrupados. 
As hifas podem produzir ramificações, algumas em plano perpendicular ao micélio, 
originando os conidióforos, a partir dos quais se formarão os 
conídios. Normalmente, os conídios se originam no extremo do 
conidióforo, que pode ser ramificado ou não. Outras vezes, o que não é 
muito frequente, nascem em qualquer parte do micélio vegetativo, e neste 
caso são chamados de conídios sésseis, como no Trichophyton rubrum. 
O conidióforo e a célula conidiogênica podem formar estruturas bem 
diferenciadas, peculiares, o aparelho de frutificação, também denominado 
de conidiação que permite a identificação de alguns fungos patogênicos. 
No aparelho de conidiação tipo aspergilo, os conídios formam cadeias 
sobre fiálides, estruturas em forma de garrafa, em torno de uma vesícula 
que é uma dilatação na extremidade do conidióforo. 
 
Conídios de Aspergillus agrupados em forma de cabeça, ao redor de uma vesícula. 
 
137 
 
 
Nos penicílios falta a vesícula na extremidade dos conidióforos que se 
ramificam dando a aparência de pincel. Como no aspergilo, os conídios 
formam cadeias que se distribuem sobre as fiálides. 
Quando um fungo filamentoso forma conídios de tamanhos diferentes, o 
maior será designado como macroconídio e o menor microconídio. 
Alguns fungos formam um corpo de frutificação piriforme denominado 
picnídio, dentro do qual se desenvolvem os conidióforos, com seus 
conídios - os picnidioconidios. Essa estrutura é encontrada na Pyrenochaeta romeroi, agente 
de eumicetoma. 
 
Corte transversal de umpicnídio mostrando conídios. 
 
Os propágulos assexuados internos se originam de esporângios globosos, 
por um processo de clivagem de seu citoplasma, e são conhecidos como 
esporoangiósporos ou esporos. Pela ruptura do esporângio, os esporos são 
liberados. 
 
 
Os esporos sexuados se originam da fusão de estruturas diferenciadas com 
caráter de sexualidade. O núcleo haplóide de uma célula doadora funde-se 
com o núcleo haplóide de uma célula receptora, formando um zigoto. 
Posteriormente, por divisão meiótica, originam-se quatro ou oito núcleos 
haplóides, alguns dos quais se recombinarão, geneticamente. 
 
 
138 
 
Reprodução sexuada. 
Os esporos sexuados internos são chamados ascosporos e se 
formam no interior de estruturas em forma de saco, denominadas ascos. Os 
ascos podem ser simples, como em leveduras dos 
gêneros Saccharomyces e Hansenula, ou se distribuir em lóculos ou 
cavidades do micélio, dentro de um estroma, o ascostroma ou ainda ester 
contidos em corpos de frutificação, os ascocarpos. 
Três tipos de ascocarpos são bem conhecidos: cleistotécio, peritécio 
e apotécio. 
O cleistotécio é uma estrutura globosa, fechada, de parede formada 
por hifas muito unidas, com um número indeterminado de ascos, contendo 
cada um oito ascosporos. 
O peritécio é uma estrutura geralmente piriforme, dentro da qual os 
ascos nascem de uma camada hemenical e se dispõem em paliçada, 
exemplo, Leptosphaeria senegalensis, Neotestudina rosatii. 
O apotécio é um ascocarpo aberto, em forma de cálice onde se 
localizam os ascos. 
 
 
Os fungos que se reproduzem por ascosporos ou basidiosporos são fungos 
perfeitos. As formas sexuadas são esporádicas e contribuem, através da 
recombinação genética, para o aperfeiçoamento da espécie. Em geral, estes 
fungos produzem também estruturas assexuadas, os conídios que 
asseguram sue disseminação. Muitos fungos, nos quais não foi até agora 
reconhecida a forma sexuada de reprodução, são incluídos entre os fungos 
imperfeitos. Quando é descrita a forma perfeita de um fungo, essa recebe 
outra denominação. Por exemplo, o fungo leveduriforme, Cryptococcus neoformans, em sue 
fase perfeita é denominado Filobasidiella neoformans. A fase sexuada dos fungos é 
denominada te teleomórfica e a fase assexuada de anamórfica. 
A maior parte das leveduras se reproduz assexuadamente por brotamento ou 
gemulação e por fissão binária. No processo de brotamento, a célula-mãe origina um broto, o 
blastoconídio que cresce, recebe um núcleo após a divisão do núcleoda célula-mãe. Na fissão 
binária, a célulamãe se divide em duas células de tamanhos iguais, de forma semelhante a 
que ocorre com as bactérias. No seu ciclo evolutivo, algumas leveduras, como 
Saccharomyces cerevisiae, podem originar esporos sexuados, 
ascosporos, depois que duas células experimentam fusão celular e nuclear, 
seguida de meiose. 
O fenômeno de parassexualidade foi demonstrado em Aspergillus. Consiste na fusão 
de hifas e formação de um heterocarion que contém núcleos 
haplóides. Às vezes, estes núcleos se fundem e originam núcleos diplóides, 
139 
 
heterozigóticos, cujos cromossomas homólogos sofrem recombinação 
durante a mitose. Apesar destes recombinantes serem raros, o ciclo 
parassexual é importante na evolução de alguns fungos. 
 
 
Fungos fitopatogênicos 
 
As doenças de plantas são causadas por fungos, bactérias, vírus e outros patógenos. 
Dentre eles os fungos são mais frequentes. Os fungos fitopatogênicos geralmente são 
habitantes comuns no solo ou podem ser transmitidos por vetores, vento ou chuva. São 
parasitos facultativos e outros são obrigatórios (ferrugens, míldio). A patogenicidade dos 
fungos sobre as plantas é similar à verificada nas micoses em humanos, ou seja, pela ação 
de componentes estruturais, produção de enzimas e toxinas. As plantas doentes mostram 
sintomas, como amarelecimento, manchas, necrose, podridão, murcha, nanismo, 
superbrotamento, crestamento, mosaico, queda de inflorescência, diminuição na 
produtividade, morte da planta etc. 
Qualquer parte da planta pode ser afetada, desde as raízes aos frutos. As doenças 
fúngicas podem ser localizadas em órgãos ou sistêmica. Sintomas primários: resultantes da 
ação direta do patógeno sobre os tecidos do órgão afetado (Ex.: manchas foliares e podridões 
de frutos). Sintomas secundários ou reflexos: exibidos pela planta em órgãos distantes do 
local de ação do patógeno (Ex.: murchas vasculares e subdesenvolvimento da planta). Os 
patógenos de plantas tanto podem causar danos durante o cultivo, como também pós-
colheita. As perdas variam, dependendo da doença e da severidade desta. Algumas causam 
perdas de 100%. 
O manejo agrícola, o sistema de cultivo, as condições ambientais e outros fatores 
podem favorecer o surgimento de patógenos. Microrganismos comuns podem se tornar 
patógenos na dependência desses fatores. Algumas doenças podem ocorrer em várias 
culturas, outras podem ocorrer com maior especificidade. Os parasitos obrigatórios 
desenvolvem uma relação parasito/hospedeiro de maior especificidade, algumas em nível de 
raça. 
 
Principais doenças causadas por fungos parasitos facultativos: 
• Podridão da raiz: causa damping off, (murcha); 
• Doenças vasculares: desenvolve-se no xilema, causa murcha por parasitos 
facultativos; 
• Manchas foliares: interfere na fotossíntese, destruição de tecidos, necrose, queima, 
crestamento etc. 
 
 
Principais doenças causadas por fungos parasitos obrigatórios: 
• Mildios: família Peronosporaceae, ocorre em folhas, flores e frutos, afetam a 
fotossíntese, crescimento, elevado grau de parasitismo (especificidade patógeno/hospedeiro); 
140 
 
• Oídios: parasitos obrigatórios. Formação de massa esbranquiçada (forma de pó) que 
recobre a área afetada; 
• Ferrugens: Uredinales, obrigatórios. Pústulas ferrugíneas, amareladas ou marrons. 
Macrocíclicas ou heteróicas (cinco fases em mais de um hospedeiro), microcíclica ou autóicas 
(único hospedeiro); 
 • Carvões: camada em forma de pó de coloração negra (esporos). 
 
As perdas econômicas podem ser severas, dependendo de uma série de fatores, tanto 
relacionados ao patógeno, hospedeiro e o ambiente como da interação desses três fatores. 
 
 
 
 
Atividades de fixação 
1. Muitas pessoas, ao avistarem um fungo em uma mata, pensam que aquela estrutura é um 
vegetal. Apesar da semelhança física, essas estruturas diferenciam-se das plantas por: 
a) Serem organismos eucariontes. 
b) Serem organismos procariontes. 
c) Serem organismos autotróficos. 
d) Serem organismos heterotróficos. 
 
2. Os fungos são organismos importantes na cadeia alimentar, pois, juntamente a bactérias, 
são responsáveis pelo processo de decomposição. Essas espécies nutrem-se de matéria 
orgânica morta, sendo chamadas de: 
a) sapróbias. 
b) parasitas. 
c) autotróficas. 
d) patogênicas. 
3. O corpo de um fungo multicelular é formado por filamentos que recebem o nome de (1). O 
conjunto desses filamentos forma o (2), que constitui o corpo do fungo, entretanto essa 
estrutura não é considerada um tecido verdadeiro. 
Marque a alternativa que indica corretamente os nomes indicadas pelos números 1 e 2. 
141 
 
a) 1- hifas; 2- micélio. 
b) 1- micélio; 2- hifas. 
c) 1- corpo de frutificação; 2- hifas. 
d) 1- micélio; 2- corpo de frutificação. 
4. Por que algumas espécies de fungos fitopatogênicos podem apresentar dois tipos de 
nomes? Cite uma doença e o agente causal? 
5. Quais os principais sintomas nas plantas causados por bactérias? 
 
 
11.4 Vírus 
Os vírus são seres visíveis apenas ao microscópio eletrônico, constituídos apenas por 
duas classes de substâncias químicas: ácido nucléico (DNA ou RNA) e proteína. São seres 
acelulares que precisam de células para se replicar, sendo todos os vírus parasitos 
intracelulares obrigatórios. O vírus infecta uma célula e direciona o metabolismo celular em 
seu benefício, visando a replicação.A infecção viral geralmente causa profundas alterações 
no metabolismo celular, podendo levar à morte das células afetadas. 
Os vírus causam doenças em plantas e animais, incluindo o homem. Fora da célula 
hospedeira, os vírus não manifestam nenhuma atividade vital e se houver alguma célula 
compatível à sua disposição, um único vírus é capaz de originar, em cerca de 20 minutos ou 
mais, centenas de novos vírus. Até o momento, poucas drogas se mostraram eficazes em 
destruir os vírus sem causar efeitos colaterais. A melhor maneira de combater as doenças 
virais é através de vacinas. Devido a sua característica de disseminação e replicativa, as 
doenças virais tomam proporções alarmantes, atingindo populações consideráveis. Algumas 
doenças virais são fatais, sendo as síndromes infecciosas mais temidas pelos programas de 
vigilância sanitária, a exemplo do vírus HIV, hepatite B, Ebola etc. 
Os vírus apresentam dimensões variáveis, medidas em nanômetro, visíveis apenas na 
microscopia eletrônica. Os menores vírus medem 20nm a exemplo do Picornavírus e os 
maiores 300nm (Poxvírus). Devido à constituição simétrica dos vírus, as formas apresentadas 
são helicoidais (bastão) a icosaédricas (esferas). Exemplo de vírus helicoidal: vírus do 
mosaico do tabaco. Algumas espécies complexas de viroses apresentam combinações de 
ambas as formas, sendo denominados de bacteriófagos por infectarem bactérias. 
 
 
 
142 
 
Componentes virais 
O vírus é constituído por um genoma DNA ou RNA, revestida por um capsídeo de 
natureza protéica, denominando-se o conjunto de nucleocapsídeo. Alguns vírus podem 
apresentar um envelope composto por lipídeo, proteína e glicoproteínas, formando um 
conjunto denominado de vírion. Sendo assim, existem DNA vírus e RNA vírus. Os vírus que 
infectam plantas são quase todos de RNA. O capsídeo O envelope protege o vírus contra o 
sistema imunológio e auxilia na infecção, pois os componentes do envelope são proteínas de 
fixação às células do hospedeiro. Os vírus são agrupados conforme a fita de material genético 
em: 
• DNA vírus de fita simples e de fita dupla 
• RNA vírus de fita simples e de fita dupla (retrovírus). 
 
Replicação viral 
Os vírus identificam células alvo e replicam-se nestas, com mecanismos diferentes, 
mas de acordo com o tipo de virose, certos princípios são similares. Como a partícula viral é 
incapaz de realizar metabolismo, utiliza-se da célula do hospedeiro para sintetizar proteínas. 
Reconhecimento e fixação a célula do hospedeiro 
 Os vírus podem ser transmitidos de várias formas, destacando-se pelo processo de 
inalação (causadores de doenças respiratórias: Adenovírus, Rhinovírus, Coronavírus), 
ingestão (causadores de doenças gastrintestinais: Picornavírus, Reovírus) e contato de 
mucosa ou de solução de continuidade (vírus sexualmente transmissíveis: Herpesvírus, 
Retrovírus, Hepadnovírus). Outros vírus são transmitidos através de vetores, como mosquitos, 
pulgas, carrapatos, percevejos, moscas, pulgões etc (denominadas de arboviroses por ser 
transmitida por animais: Togavírus, Flavivírus, Rhabdovírus). Ao reconhecer a célula alvo, as 
estruturas específicas do capsômero e as glicoproteínas ligam-se aos receptores na célula, 
que são proteínas ou carboidratos. A aderência viral depende da interação entre receptores 
específicos da superfície da célula hospedeira e proteínas de aderência (espículas) existentes 
no cápsideo ou envelope. 
 
Penetração 
Os vírus sem revestimento penetram na célula do hospedeiro por endocitose, 
enquanto os com envoltório também ocorrem por endocitose ou injeta apenas o material 
genético no citoplasma da célula. 
Desnudamento 
No caso da penetração do vírus completo, ocorre o desenvelopamento, liberando o 
material genético do capsídeo e do envelope, se presente. No desnudamento ocorre remoção 
do capsídeo para expor o genoma viral. A maioria dos DNA vírus é liberado para o núcleo 
143 
 
(exceto o Poxvírus) e os de RNA permanece no citoplasma. O desnudamento ocorre de várias 
maneiras: O capsídeo se funde com a membrana celular, liberando o genoma viral; 
• Desintegração do capsídeo (Picornavírus); 
 • O nucleocapsídeo do herpesvírus rompe a membrana nuclear e libera o genoma 
diretamente no local de replicação; 
 • O Reovírus e Poxvírus são apenas parcialmente desnudados antes da replicação. 
 
As doenças virais em plantas 
O primeiro vírus conhecido no mundo foi o causador do mosaico do tabaco. As plantas 
infectadas por vírus apresentam diversos sintomas, desde os sintomas localizados aos 
sistêmicos. Entre os vírus que infectam plantas predominam o tipo RNA. As viroses são mais 
comuns entre as plantas cultivadas, levando a perda econômica significativa. 
Após a planta ser infectada, os vírus são disseminados célula a célula (via 
plasmodesmas) ou vascular (floema: descendente; xilema: ascendente). Já a transmissão do 
vírus para as plantas adjacentes pode ocorrer por: 
 • Solução de continuidade, entre as plantas que crescem muito próximas através do 
atrito entre a parte aérea; 
 • Através da propagação vegetativa, utilizando-se partes de uma planta infectada ou 
unindo se tecidos infectados com sadios (enxertia); 
• Através de sementes procedentes de plantas doentes, onde o vírus permanece no 
tegumento ou no embrião; 
• Através da polinização; Através de ácaros, nematóides e fungos como vetores; 
• Através de insetos, como os pulgões, cigarrinhas, moscas, cochonilhas, percevejos, 
besouros, tripés, gafanhotos. 
A transmissão de vírus por vetores é a mais comum. Ocorre de três formas: 
 • Transmissão não persistente: não há período de incubação no vetor; perde após 
curto período de infecção, pois o vírus localiza-se na epiderme, parênquima e superfície (Ex. 
Mosaico da beterraba); Semi-persistente: o vírus multiplica-se no vetor, mas não há 
circulação, eliminando a carga viral com a ecdise (Ex. vírus da tristeza do citros); 
 • Persistente: há maior especificidade vírus-vetor, onde este se propaga e circula no 
vetor, não se perde com a ecdise. O vírus circula na hemolinfa e permanece na progênie. (Ex. 
Vírus da nervura amarela). Os sintomas sistêmicos são clorose, mosaico, nanismo, 
superbrotamento, palidez da nervura, espessamento da folha, murcha, maturação precoce, 
esterilidade, menor rendimento, má qualidade do produto. Já os sintomas localizados são 
locais clorose, necrose. 
 
11.5 Nematóides 
 
Nematóides são animais do Sub-Reino Metazoa e Filo Nemata. Possuem simetria 
bilateral e são pseudocelomados, isto é, a cavidade geral do organismo onde se alojam todos 
os órgãos não é revestida por um tecido especializado. A palavra nematóide vem do grego e 
significa "em forma de fio". Nematóide é o nome utilizado para os helmintos parasitas de 
plantas. 
Os nematóides constituem um diverso grupo dos invertebrados, abundantes 
como parasitas ou na forma de vida livre no solo, em ambientes aquáticos 
ou marinhos. Segundo Barker (1998), existe mais de 15.000 espécies 
descritas, representando somente uma pequena porção dentro do filo 
Nematoda. Cerca de 26% dos gêneros descritos habitam o solo sob 
144 
 
diferentes grupos funcionais, bacterívoros, fungívoros, onívoros, 
predadores ou fitoparasitas. A umidade do solo, a umidade relativa e os 
fatores ambientais afetam diretamente a sobrevivência dos nematóides. Os 
nematóides possuem variadas formas de adaptação a mudanças que 
ocorrem no ambiente causadas por diversos fatores, entre os quais o 
manejo dos cultivos, estresse climático, época de plantio, fisiologia das 
plantas e melhoramento genético (BLAKELY et al. 2002). 
A importância dos nematóides para a agricultura não se restringe apenas às 
perdas que alguns deles causam na produção agrícola. Os nematóides de 
vida livre, que se alimentam de bactérias e fungos, têm um papel 
importantíssimo na decomposição de matéria orgânica, essencial para a 
melhoria das condições edáficase, por conseqüência, da produtividade das 
culturas. Nematóides parasitas de insetos também apresentam importante 
função controladora de pragas agrícolas. 
 
Morfologia e anatomia 
 
Os fitonematoides são organismos alongados, não-segmentados, 
geralmente de tamanho microscópico, de organização bastante complexa e 
que se alimentam em células vegetais vivas. Machos e fêmeas são, em 
geral, morfologicamente semelhante, exceto pelos órgãos de reprodução,·porém há casos em 
que as fêmeas se avolumam enormemente, como nos 
gêneros Meloidogyge, Heterodera e Tylenchulus. O comprimento está na 
faixa de 0,3 a 3,0 mm e o diâmentro, de 15 a 50 micrometros. O corpo é formado por uma 
parede externa que delimita uma cavidade interna, cheia 
de um fluido sob pressão, onde estão imersos os diversos órgãos (esôfago, 
intestino, ovário ou testículo). 
 
 
 
 
145 
 
Diagrama ilustrando a morfologia da fêmea e da cauda de um macho de 
nematoide fitoparasita típico. (de thihode, 1989) 
 
Parede do corpo – é formada por uma cutícula, hipoderme e células musculares. 
Pseudoceloma – É preenchido pelo fluido pseudocelômico, altamente complexo em 
sua natureza, e que se encontra sobre pressão, formando como que um esqueleto 
hidrostático. Tecidos fibrosos e grandes células (pseudocelomócitos ) estão presentes. 
Aparelho digestivo – a abertura oral é rodeada por lábios, geralmente 6 ou menos. A 
cavidade bucal em fitonematoide é estilete. Este órgão é alongado e oco, com função de 
perfurar células e retirar nutrientes de plantas. O mais comum possui parte Antero cônica e 
uma haste cilíndrica que termina em três nódulos basais, onde se prendem músculos que 
permitem sua livre movimentação. 
Esôfago - órgão de bombeamento muscular e glandular. 
Procorpo – região anterior e alongada do esôfago, que liga a cavidade bucal ou 
estilete ao metacorpo. 
Metacorpo ou bulbo mediano – estrutura esferoidal, muscular, que funciona à 
semelhança de uma bomba de sucção e compreensão. Por meio de pulsação muito rápida, 
permite a injeção na planta de substâncias produzidas pelo nematóide e a retirada dos 
alimentos para o se sustento. 
Ilmo – região delgada e curta do esôfago. 
Bulbo basal – porção terminal, onde estão alojadas três glândulas, uma dorsal e duas 
subventrais. O reto é um tubo curto e delgado, que conecta o intestino ao ânus, no caso das 
fêmeas, ou à cloaca nos machos. 
 
Regiões anteriores de nematóide. – nematóide para sita de planta, com estilete 
estomastostílio e esôfago de três partes. (de thihod 1989) 
 
 
Aparelho respiratório e circulatório - O aparelho respiratório não ex iste, as 
trocas gasosas são realizadas através da cutícula. Parte das funções de um 
sistema circulatório é executada, nos nematóides, pelo fluido 
pseudocelômico. 
Sistema excretor – há dois tipos, glandular e o tubular, do tipo glandular, 
primitivo. Isto é, uma glândula, ou célula “renete” desemboca em um corpo 
lateral situado à superfície do nematóide. O sistema tubular é formado por 
tubos cegos, que se estende no sentido do comprimento do nematóide e 
146 
 
se abrem no poro excretor. Sistema nervoso – constituído por uma região central, o anel 
nervoso, que fica ao redor do istmo do esôfago, e por ramificações nervosas que daí 
partem para as diversas partes do corpo. 
Órgãos sensoriais ligados a este sistema: 
As fibras nervosas podem penetrar através da cutícula, sendo modificadas 
em órgãos sensoriais especializados, existentes principalmente no fim das regiões anterior e 
posterior. Os principais órgãos sensoriais são: 
1. Papilas labiais - em torno da abertura oral dos nematóides. Função táctil. 
2. Papilas genitais - órgãos suplementares dos machos. Podem estar nas 
cutículaS ou nas asas causais e tem função táctil e provavelmente auxiliam 
durante a cópula. 
3. Deirídios - são pares de papilas, localizados lateralmente nas 
proximidades do anel nervoso. Função táctil. 
4. Anfídios - pares de órgãos localizados na região cefálica. 
5. Fasmídios - pares de órgãos sensoriais lateriais, presentes na região 
posterior de muitos Secernentea. Função quimioreceptora. 
Sistema reprodutivo – na maioria das espécies de nematóide, os sexos são 
separados e as fêmeas são facilmente distinguíveis dos machos, quando se 
observa ao microscópio. Além das caracterizas genitas óbvias ( presença de 
vulva nas fêmeas e espícula nos machos, por exemplo),os machos são 
geralmente menores do que as fêmeas. 
 
 
Sistema reprodutivo de fitonematódes. A – macho; B – fêmea. 
 
147 
 
 
Cauda de nematóide macho 
 
 
Nematóide fêmea 
 
Ciclo de vida 
O ciclo de vida começa com o ovo, no qual se forma um nematóide juvenil, 
forma jovem que não apresenta sistema reprodutivo maduro. O primeiro 
juvenil que aparece no ovo é fruto do desenvolvimento do embrião e é 
chamado de juvenil de 1º estádio, ou J1. Esse juvenil cresce e sua cutícula é 
substituída por uma cutícula maior, que permitirá a continuidade de crescimento do corpo. 
Esta troca de cutícula recebe o nome de ecdise. A parte cônica do estilete também e 
substituída na ecdise. Após a 1ª ecdise, forma-se o juvenil de 2º estádio (J2), que com ajuda 
do estilete, perfura a casca do ovo e eclode. Eclosão é o termo usado para a saída do juvenil 
de dentro do ovo. Eclodir significa vir à luz, por tanto é o 
juvenil que eclode, e não o ovo. 
O juveil de 2º estádio se locomove no solo em busca de uma planta hospedeira para 
infectá-la. Do 2º estádio, o nematóide ainda passa por mais três ecdises, resultando nos 
juvenis de 3º e 4º estádios e, finalmente, nos adultos(machos e fêmeas). Em alguns 
nematóides, como no Pratylenchulus spp., sd ecdices ocorrem no solo e 
todos os estádio juvenis e os adultos, machos e fêmeas, podem migrar 
livres no solo, penetrar as raízes e migrar dentro delas, se alimentando e 
causando lesões. 
A duração do ciclo de vida dos nematóides, de ovo a ovo, 
é muito variavel, mas, para a maioria dos fitonematoides, é de 2-4 semanas, 
dependendo da temperatura, como é apresentado: 
 
148 
 
 
 
Modo de reprodução 
Os nematóides fitoparasitas podem se reproduzir por fertilização cruzada 
(anfiximia) ou partenogênese. Em um grande numero de espécies os 
machos são comus, em número igual ou menor do que o de fêmeas. È 
comum o caso de machos serem raros ou mesmo inexistentes, e então a 
reprodução se processa por partenogênese onde , não ocorre a fertilização 
dos óvulos. Tanto a patenogenese quanto a anfiximixia podem ocorrer 
dentro de um mesmo gênero de nematóides, como em pratylenchus e 
Helicotylenchus. Em Radopholus similis a anfimixia predomina, mas 
populações partenogenéticas são eventualmente predomina observadas. 
O número de ovos produzidos varia com a espécie e as condições 
ambientais. As fêmeas de Meloidogyne, por exemplo, produzem uma 
média de 500 ovos produzidos por espécies ectoparasiticas que depositam 
os ovos. 
 
 
 
Alimentação 
Os fitonematoides dependem do tecido de plantas para seu crescimento, 
desenvolvimento e reprodução, sendo considerados, portanto, como 
parasitas obrigatórios. Esta associação obrigatória com as plantas evoluiu 
com adaptações do sistema digestivo do nematóide, incluindo o 
desenvolvimento de o estilete e um crescimento de mudanças fisiológicas 
das glândulas esofagianas. 
 
Tipos de parasitismo 
Ectoparasitas- apenas o estilete é introduzido nos tecidos da planta, ficando o 
nematóide com o corpo do lado de fora. 
Endoparasitas- são capazes de introduzir todo o corpo nos órgãos parasitados. 
Semi-endoparasitas- penetram parcialmente a planta. 
 
Dormência 
Os fitonematoides são parasitas obrigatórios, por isso, na ausência de 
plantas hospedeiras, começa a haver um declínio da população. O mesmo 
acontece quando as condições ambientais lhes são desfavoráveis. Contudo, 
149 
 
muitas espécies são capazes de prolongar a vida por um longo período, 
através do fenômeno da dormência.Ecologia 
Os Fitonematoides passam pelo menos parte de sua vida no solo, no 
entanto algumas características dos solos são importantes na sobrevivência 
dos nematóides, como: 
Temperatura – faixa ótima vai de 15 a 30ºC; inativos em temperaturas de 5 a 15º C e 
de 30 a 40º C. Abaixo ou acima desses limites , as temperaturas podem ser letais, 
dependendo do tempo de exposição deles. 
Umidade – solos secos ou saturados são sempre desfavoráveis. Eles vivem 
no filme de água que envolve as partículas de solo. Admite-se que os 
nematóides se encontram numa faixa de 40% a 60% da capacidade de 
campo. 
Textura – solos muitos argilosos dificultam a movimentação dos 
nematóides e também encharcam mais facilmente; solos arenosos, são bem 
drenados, mais por isso, tem grandes oscilações no teor médio de umidade. Observações no 
campo tem mostrado, contudo, que os prejuízos são maiores em culturas estabelecidas em 
solos mais arenosos. 
 
Ação sobre as plantas hospedeiras 
Os nematóides podem apresentar diferentes modos de ação sobre as plantas 
hospedeiras, principalmente: 
Traumática: provocada pelas injúrias mecânicas decorrentes do movimento do 
nematóide no tecido da planta. É causada principalmente pelos endoparasitas migradores. 
Espoliadora: provocada pelo desvio de nutrientes essenciais da planta para o 
nematóide. 
Tóxica: provocada por toxinas ou enzimas secretadas pelo nematóide e que são 
prejudiciais à planta. Estas substâncias são produzidas pelas glândulas esofagianas ou 
salivares. 
 
Sintomas 
Como resultado da ação dos nematoides sobre a planta, temos os sintomas no campo 
e na planta. 
a) Sintomas no campo 
- Tamanho desigual das plantas 
- Murcha nas horas mais quentes do dia 
- Folhas e frutos de menor tamanho 
- Declínio vagaroso 
- Nanismo ou entouceramento 
- Exibição exagerada de deficiências nutricionais 
- Redução de produção. 
b) Sintomas nas plantas 
- Sistema radicular denso, com formação excessiva de raízes laterais ou sistema 
radicular deficiente e pobre 
- Galhas nas raízes, tubérculos, bulbos, ou qualquer outra parte da planta em contato 
com o solo 
- Raízes em formas de dedos 
- Descolamento e quebra do córtex radicular 
150 
 
- Rachaduras nas raízes 
- Paralisação do crescimento, raízes amputadas, ou morte das pontas das raízes 
- Necroses em órgãos aéreos e subterrâneos 
- Manchas escuras em folhas 
- Podridões 
- Formação de sementes anormais 
- Anel vermelho 
- Formação de células gigantes, hiperplasia e hipertrofia (sintomas histológicos). 
 
Disseminacao 
Os nematóides podem ser disseminados principalmente: 
- Pelos seus próprios meios (movimentos lentos) 
- Pelo homem, no transporte de material propagativo infectado (sementes, mudas, 
tubérculos, etc.). 
- Por implementos agrícolas contendo solo infestado 
- Por animais domésticos 
- Por insetos 
- Por água de irrigação e infiltração 
 
Principais famílias, gêneros, espécies e doenças causadas por fitonematóides. 
 
 
 
 
 
 
Problemas com Nematoide 
 
Na cultura da banana 
Radopholus similis essa é a espécie mais importante para a cultura. Foi 
descoberta no Brasil em 1959 pelo Dr. Jair Carvalho do Instituto Biológico 
(Carvalho, 1959) a partir de mudas oriundas do litoral de São Paulo. Mais 
de 40 anos após esse relato, ainda há ampla disseminação do parasito para 
outras regiões produtoras. É um nematóide endoparasito migrador, ou seja, 
penetra nas raízes da bananeira e migra pelos tecidos radiculares, podendo 
chegar até o rizoma. O ato de migrar internamente nas raízes ocasiona a 
desintegração dos tecidos, formando cavidades. Daí o nome comum do 
151 
 
nematóide. Os tecidos necrosados, inicialmente de coloração parda e, após 
a colonização de fungos: enegrecidos, podem coalescer originando extensas 
necroses. Essa destruição do sistema radicular favorece o tombamento das 
plantas sob ventos fortes ou pelo peso do cacho. 
Esses são sintomas indicativos do ataque dessa espécie. Com a 
evolução desse processo, o parasito pode voltar ao solo a procura de novas 
plantas hospedeiras ou permanecer em pedaços de rizoma no campo. Sem alimento ele pode 
sobreviver pouco menos do que seis meses com reservas 
de seu próprio organismo. À temperatura de 24 º C, o ciclo biológico se 
completa em 21 dias. Pode haver variação nesse período em decorrência de 
fatores ligados às plantas hospedeiras ou ao meio. 
 
 
Na cultura dos Citros 
Geralmente as plantas atacadas por Tylenchulus semipenetrans apresentam 
redução do vigor e pouca resistência à seca. As raízes infectadas apresentam-se ligeiramente 
engrossadas e com aspecto sujo. A 
suscetibilidade do porta-enxerto, densidade populacional, idade e sanidade 
das plantas são importantes para determinar as perdas causadas por T. 
semipenetrans. 
A apresentação de sintomas na parte aérea geralmente só 
ocorre muito tardiamente e está relacionada com a população de 
nematóides presentes nas raízes. Dependendo das condições locais, plantas 
infectadas podem suportar mais que 1500 fêmeas por grama de raízes 
frescas, sem exibir sintoma severo de declínio. Geralmente, as plantas 
infectadas apresentam redução no tamanho das folhas, 10 % menores que 
folhas normais, massa radicular reduzida em, pelo menos, 30% e, redução 
de 20% na produção. Tylenchulus semipenetrans pode sobreviver no solo na ausência de 
hospedeiro por um período de nove anos, e pode sobreviver 
a condições de temperatura elevada, como 45°C durante algumas horas. 
 
 
Na cultura do coco 
Anel Vermelho do Coqueiro: esta doença provoca a morte da planta em 
apenas poucos meses. Geralmente, os coqueiros de 3 a 7 anos são os mais 
suscetíveis e morrem 3 a 4 meses após o aparecimento dos sintomas. As 
perdas têm sido calculadas entre 20 a 98% em vários países da América 
Central. 
152 
 
A doença foi observada pela primeira vez em Trinidad, em 1905. O 
nematóide tem como vetor o besouro Rhynchophorus palmarum e 
possivelmente outro besouro, Dynamis borassi, também lhe serve de 
vetor. 
O anel vermelho do coqueiro tem sido registrado no Neotrópico, a partir do 
México, passando pela América Central, até América do Sul e área do 
Caribe. No Brasil, a doença está presente nos estados de Alagoas, Bahia, 
Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, 
São Paulo e Sergipe. Danos: Os sintomas típicos da doença são a queda prematura dos 
frutos, murcha das inflorescências, amarelecimento, bronzeado, morte progressiva 
e queda das folhas, ficando o estipe nu e ereto durante muito tempo. 
O amarelecimento dos folíolos começa pelo ápice e avança para o ráquis, o 
qual sofre também seca descendente progressiva até a base do pecíolo. As 
folhas debilitadas ou mortas quebram-se com freqüência próximo à base do 
pecíolo, ficando penduradas no estipe. Os pecíolos sofrem descoloração 
amarela a vermelho-amarronzado da base até aproximadamente uns 60 cm 
em direção ao ápice. 
Controle: Não há variedades ou cultivares de coco com algum tipo de 
resistência a Bursaphelenchus cocophilus. Medidas fitossanitárias 
direcionadas à redução das populações do besouro vetor e do número das 
fontes de inóculo são os métodos mais usados nas tentativas de controle da 
doença. Quando são observados os primeiros sintomas, as plantas devem 
ser cortadas e destruídas pelo fogo ou cortadas em pequenos pedaços e 
tratadas com inseticidas; o solo também deve ser tratado com cal para sua 
desinfecção e deixado livre de vegetação por um tempo não determinado. 
 
 
Na cultura do abacaxi 
Dentre os nematoides que atacam a cultura do abacaxi no Brasil, destacam se 
Meloidogyne incognita, Pratylenchus brachyurus e Rotylenchulus 
reniformis. Nematóides causam perdas de até 45% da produção do abacaxi 
e a média mundial está em 13,7%. As plantas atacadas apresentam 
raquitismo, clorose, redução do sistema radicular e falta de resposta à 
adubação. O controle químico e a rotaçãode culturas são os métodos mais 
utilizados para o controle de nematóides. 
 
 
 
Na cultura da goiaba 
153 
 
Atualmente o nematóide-das-galhas, Meloidogyne mayaguensis, é um dos 
principais fatores limitantes à produção e à qualidade dos frutos da 
goiabeira em várias partes do mundo. A constatação, em 2006, pela 
primeira vez no Estado do Espírito Santo dessa espécie de nematóide em 
pomares comerciais de goiabeiras da cv. Paluma traz grande preocupação à 
sustentabilidade dessa cultura, uma vez que o nematóide compromete as 
funções do sistema radicular (absorção e translocação), além da resposta 
inadequada às práticas de adubação. Outro agravante da presença do 
nematóide é a inexistência, até ao momento, de medidas eficazes de 
controle, o que vem reduzindo a vida útil dos pomares infestados no País. 
Essas características, aliadas ao amplo número de hospedeiros e 
sua dispersão nacional, já presente em mais de oito estados, estão trazendo 
uma grande preocupação aos técnicos e produtores envolvidos no 
agronegócio goiaba. 
Os sintomas geralmente observados nas plantas infectadas são o 
bronzeamento das bordas das folhas, a coloração verde-pálida a amarelada 
das folhas e a perda de vigor da copa com o desfolhamento e declínio da planta. Os frutos 
perdem sua aparência superficial lisa e brilhante ficando 
abaixo do padrão comercial. Solos altamente infestados levam a goiabeira à 
morte. 
 
Nematóide das galhas (Meloidogyne spp.) 
Nematóides do gênero são tidos como os mais importantes porque têm uma 
distribuição geográfica ampla, apresentam uma enorme gama de 
hospedeiros e causam grandes danos às culturas. 
Em 1855, Berkeley classificou o nematóide das galhas como sendo 
Heterodera radicicola. Jebert, em 1877 no Rio de Janeiro, associou a 
presença de galhas em raízes de cafeeiro (Coffea arabica L.) ao declínio da 
cultura, e Göeldi em 1887, classificou o nematóide das galhas como sendo 
M. exigua Göeldi. Esta foi a primeira vez que o nematóide das galhas foi 
chamado de Meloidogyne, mas esse gênero não foi imediatamente aceito 
pela comunidade científica (FREITAS; OLIVEIRA; FERRAZ, 2001). Em 
1949, Chitwood fez uma revisão completa e classificou as quatro principais 
espécies de Meloidogyne (M. incognita, M. javanica, M. arenaria, M. 
hapla), separando-as pelas marcas cuticulares na região perineal. A partir daí, os nematóides 
das galhas foram conhecidos mundialmente como gênero Meloidogyne. Desde então, mais 
de 80 espécies desse gênero já foram descritas (MOURA, 2005b). Este nematóide é 
encontrado nas mais importantes regiões do brasil, causando grandes perdas e chegando a 
ser fator limitante de cultivo. 
Principais sintomas - A doença causada pelas espécies de nematóides deste gênero 
é dita "meloidoginose". Os sintomas na planta resultam de murcha nas horas mais quentes 
do dia, declínio, queda de folhas e sintomas de deficiência mineral. Nas raízes, que se 
desvitalizam e param de crescer, as galhas e rachaduras são visíveis. 
Às vezes há formação de raízes laterais curtas, mas a formação das galhas, de 
tamanhos variáveis, constitui-se no aspecto mais visível. As lavouras apresentam manchas 
ovais, as reboleiras e as plantas apresentam-se raquíticas. 
154 
 
 
 
Ciclo de Vida 
O ciclo de vida de Meloidogyne spp. começa com o ovo, cujo interior sofre 
várias mudanças durante o desenvolvimento embrionário até culminar na 
formação do juvenil do primeiro estádio, ou J1. O J1 sofre uma ecdise e se 
torna J2 ainda dentro do ovo. O J2 perfura o ovo com o estilete, rompendo 
a casca e segue um gradiente de concentração de exsudatos radiculares 
(gradientes de pH e moléculas da superfície celular) que orienta o 
movimento até chegar à raiz onde penetra na região da zona de 
alongamento celular, logo atrás da coifa. Esta zona apresenta alto 
metabolismo por estar em diferenciação celular e, portanto, produz bastante 
exsudatos. 
As células possuem pouca quitina, suberina e celulose 
depositada em suas paredes e, por isso, são mais facilmente penetradas pelo 
J2 que migra para o tecido vascular e inicia a alimentação introduzindo 
substâncias nas células da planta, que irão alterá-las morfológica e 
fisiologicamente. Neste instante, o J2 adquire uma forma alargada 
tornando-se sedentário. Estas células especializadas da raiz, recebem o 
nome de células gigantes (AGRIOS, 2005; FREITAS; OLIVEIRA; 
FERRAZ, 2001). 
As alterações causadas pelos nematóides não se restringem as células 
gigantes, isto é, as células do córtex se multiplicam desordenadamente e a 
raiz engrossa, formando um tumor que recebe o nome de galha. As 
mudanças celulares resultam em aumento da concentração de aminoácidos, 
proteínas, RNA e DNA nas células gigantes; em aumento de exsudatos 
radiculares, minerais, lipídios, hormônio de crescimento, respiração e 
transpiração, seguido por um decréscimo de açúcares e celulose. Com a 
formação das células gigantes, ocorre também obstrução física dos vasos 
condutores de água e minerais, o que resulta em sintomas de murcha 
prematura e de deficiência de nutrientes, além do subdesenvolvimento da 
planta. Em seguida, o J2 sofre três ecdises, passando a J3, J4 e forma adulta fêmea ou 
macho. 
Quando o macho é formado, ele readquire a forma 
alongada, rompe a cutícula e abandona a raiz. O macho não se alimenta 
mais e, na maioria das espécies de Meloidogyne, não tem papel na 
reprodução, que é parternogenética. Quando a fêmea é formada, continua a 
engrossar até ficar quase esférica, completa o amadurecimento e inicia a 
postura de ovos em massa gelatinosa depositada do lado de fora do corpo. 
155 
 
Geralmente a massa de ovos fica na superfície da galha e contém cerca de 
500 ovos. Os J2 eclodem e penetram na mesma raiz ou em raízes vizinhas. 
A duração do ciclo de vida depende principalmente da temperatura 
podendo variar de duas a quatro semanas (FREITAS; OLIVEIRA; 
FERRAZ, 2001). 
 
Métodos de controle de Fitonematóides 
No controle de nematóides fitoparasitas podem ser utilizados diferentes estratégias, 
dentre as quais, métodos culturais, biológicos, físicos e químicos. 
a) Métodos Culturais 
- Rotação de culturas 
- Inundação de pequenas áreas 
- Operações culturais como aração e gradagem 
- Incorporação de matéria orgânica 
- Época de plantio e colheita 
- Variedades resistentes. 
Dentre os métodos culturais existem alguns procedimentos mais específicos, como a 
utilização de plantas atraentes (Brassica nigra), repelentes (Tagets sp. e Crotalaria 
spectabilis) ou armadilhas (específicas para endoparasitas sedentários). 
b) Métodos Biológicos 
Controle de nematóides com organismos predadores, como outros nematóides, 
bactérias, fungos, vírus e protozoários. Na prática, apenas alguns fungos têm evidenciado 
resultados experimentais favoráveis. Ex.: Dactylella oviparasitica como parasita de ovos de 
Meloidogyne sp. 
c) Métodos Físicos 
Esterilização do solo através de calor úmido e de partes da planta pela água aquecida. 
 
d) Métodos Químicos 
Uso de nematicidas que podem ser fumigantes ou sistêmicos. 
 
Atividades de fixação 
 
156 
 
1) Quais são as características básicas dos vírus de plantas? 
2) Qual a função do capsídeo viral? 
3) Por que na maioria dos casos apesar de uma virose não levar à planta a morte, afeta 
principalmente a produção da cultura? 
4) Descreva os tipos de transmissão de vírus por vetores existentes na natureza. Cite um 
exemplo de virose e vetor para cada tipo. 
5) Qual o significado da palavra nematóide? 
6) Quais partes da planta podem ser afetadas e quais as conseqüências do dano 
ocasionado por fitonematóides? 
7) Descreva o ciclo de vida de um fitonematóide? 
8) Por que o gênero Meloidogyne é considerado um nematóide polífago e cosmopolita? 
Qual tipo de sintoma esse gênero ocasiona em plantas afetadas? 
9) Por que algumas doenças são favorecidas quando a planta sofre o ataque de 
nematóides?Cite uma doença, o agente causal e o nematóide que contribui para a 
sua ocorrência? 
10) O que são reboleiras? Por que se recomenda a coleta de solo para análise de 
nematóides das extremidades das reboleiras? 
11) Por que na coleta de solo para análise de nematóides deve se realizar também uma 
coleta de amostras de raízes? 
12) Cite quatro medidas de manejo dos fitonematóides? 
 
 
12 Controle de doenças 
 
Sem o controle de doenças de plantas podem ocorrer enormes prejuízos. A maioria 
dos problemas fitopatológicos decorre da seleção de variedades de plantas para atender às 
exigências de produção, comércio e consumo, o que as torna vulneráveis aos agentes 
fitopatogênicos. O uso de técnicas culturais, como densidade de plantio, monocultura baseada 
em uniformidade genética, adubação, mecanização, irrigação, etc., necessárias para garantir 
alta produtividade, frequentemente favorecem a ocorrência de doenças. No entanto 
mudanças drásticas na seleção de variedades e nas técnicas culturais oferecem risco para 
eficiência produtiva. Desse modo o controle de doenças assume importância fundamental. 
 
Conceito de controle 
Controle é a prevenção dos prejuízos de uma doença (Whetzel et al ., 1925), sendo 
admitido em graus variáveis (parcial, lucrativo, completo,absoluto, etc.) mas “aceito como válido, 
para fins práticos, somente quando lucrativo” (Whetzel,1929). Este ponto de vista é aceito e 
compartilhado generalizadamente pelos fitopatologistas. Fawcetti& Lee (1926), que desde os 
primórdios afirmavam que “na prevenção e no tratamento de doenças deviam ser sempre 
considerados a eficiência dos métodos e o custo dos tratamentos, sendo óbvio que os métodos 
empregados deveriam custar menos que os prejuízos ocasionados”. Entretanto, o controle de 
doenças de plantas só passou a ser racionalmente cogitado a partir dos conhecimentos 
gerados pelo desenvolvimento da Fitopatologia como ciência biológica. Portanto, numa 
157 
 
concepção biológica, controle pode ser definido como a “redução na incidência ou severidade da 
doença” (National Research Council,1968). 
Essa conotação biológica é de fundamental importância, pois dificilmente as doenças 
podem ser controladas com eficiência sem o conhecimento adequado de sua etiologia, das 
condições climáticas e culturais que as favorecem e das características do ciclo das relações 
patógeno-hospedeiro, além da eficiência dos métodos de controle disponíveis. As 
conceituações econômica e biológica estão intimamente relacionadas, pois a prevenção da 
doença leva à diminuição dos danos (reduções do retorno e/ou qualidade da produção) e, 
eventualmente, das perdas (reduções do retorno financeiro por unidade de área cultivada). 
Em vista disso e pelo fato do dano ser uma função epidemiológica, embora doenças possam 
ser controladas em hospedeiros individuais, o controle de doenças de plantas é um problema 
essencialmente populacional. 
 
Princípios de gerais de controle e o triângulo da doença 
Os métodos de controle de Whetzel et al. (1925) e Whetzel (1929) estão agrupados 
em quatro princípios biológicos gerais: Exclusão – prevenção da entrada de um patógeno 
numa área ainda nãoinfestada; erradicação - eliminação do patógeno deu ma área em que 
foi introduzido; proteção-interposição de uma barreira protetora entre aspartes suscetíveis da 
planta e o inóculo dopatógeno, antes de ocorrer a deposição; imunização - desenvolvimento 
de plantasresistentes ou imunes ou, ainda, desenvolvimento,por meios naturais ou artificiais, 
de uma população de plantas imunes ou altamente resistentes, em uma área infestada com 
o patógeno. Com o tempo, a esses princípios foi acrescentado o da terapia, que visa 
restabelecer a sanidade de uma planta com a qual o patógeno já estabelecera uma íntima 
relação parasítica. 
Esses princípios podem ser enunciados como passos sequenciais lógicos no controle 
de doenças de plantas, levando em consideração o ciclo das relações patógeno-hospedeiro 
em uma determinada área geográfica. Assim, a exclusão interfere na fase de disseminação, 
a erradicação na fonte de inóculo e na sobrevivência, a proteção na inoculação e na 
germinação, a imunização, na penetração e colonização e a terapia, na colonização e na 
reprodução. 
 
 
Fase do ciclo das relações patógeno-hospedeiro onde atuam os princípios de 
controle de doenças de Whetzel. 
 
 
O fator ambiente é um dos vértices do triângulo da doença, em vista disto, 
Marchionatto (1949) sugere que medidas de controle baseadas em modificações do ambiente 
obedecem ao princípio da regulação. Neste principio está inserido modificações da umidade, 
158 
 
temperatura e luminosidade do ambiente, de reação e propriedades do solo e da composição 
do ar. 
Outras medidas de controle, também não satisfatoriamente ajustáveis aos princípios 
de Whetzel, são aquelas referentes à escolha da área geográfica, local e época de plantio, 
profundidade de semeadura, precocidade das variedades, etc. Tais medidas são atualmente 
agrupadas no princípio da evasão, que pode ser definida como a prevenção da doença pelo 
plantio em épocas ou áreas quando ou onde o inóculo é ineficiente, raro ou ausente. A evasão 
baseia-se, portanto, em táticas de fuga dirigidas contra o patógeno e/ou contra o ambiente 
favorável ao desenvolvimento da doença. 
A regulação e a evasão tornam os princípios de controle mais abrangentes, 
permitindo uma visão mais global da natureza da doença e melhorando a compreensão de 
que qualquer alteração nos componentes do triângulo da doença, isoladamente ou em 
conjunto, modifica o seu livre curso. 
 
Indicação da atuação dos princípios gerais de controle nos componentes do triângulo 
da doença. 
 
Abordagem epidemiológica 
O fator tempo é essencial para a compreensão de epidemias, no entanto, só foi 
explicitamente considerado a partir de 1963, pelas análises epidemiológicas baseadas na taxa 
de infecção e na quantidade de inóculo inicial (Vanderplank, 1963). Essa relação aparece 
simplificada na equação: y = y0 exp r.t, onde a proporção y de doença em um tempo t qualquer 
é determinada pelo inóculo inicial y0, pela taxa média de infecção r e pelo tempo t durante o 
qual o hospedeiro esteve exposto ao patógeno. Baseado nessa abordagem, três estratégias 
epidemiológicas podem ser utilizadas para minimizar os prejuízos de uma doença: 
a) Eliminar ou reduzir o inóculo inicial (y0) ou atrasar o seu aparecimento 
b) Diminuir a taxa de desenvolvimento da doença (r) 
c) Encurtar o período de exposição (t) da cultura ao patógeno 
 
159 
 
 
Princípios de controle de doenças de plantas e modo de atuação de cada princípio 
[adaptado de Roberts & Boothroyd (1984)]. 
 
Os princípios de controle sob os pontos de vista biológico e epidemiológico, atuando 
nos mesmos fatores que compõem a doença, estão intimamente relacionados (Tabela 1). 
 
Tabela 1. Relação entre métodos e princípios de controle e seus efeitos predominantes sobre 
os componentes epidemiológicos [inóculo inicial (y0), taxa de infecção (r) e tempo de 
exposição do hospedeiro ao patógeno (t)]. 
 
 
Evasão 
Medidas de controle baseadas na evasão visam à prevenção da doença pela fuga em 
relação ao patógeno e/ou às condições ambientais mais favoráveis ao seu desenvolvimento. 
Subentende o uso de uma planta suscetível numa situação em que o triângulo da doença não 
se configura adequadamente pela falta de coincidência, no tempo e/ou no espaço, dos três 
fatores que o compõem: tecido suscetível, patógeno agressivo/virulento e ambiente favorável. 
160 
 
Na ausência de variedades imunes ou resistentes, a evasão é a primeira opção de controle 
de doenças de plantas, seja em grandes áreas, seja em canteiro de semeadura. 
As principais medidas evasivas são: escolha de áreas geográficas, escolha do local 
de plantio dentro de uma área e modificação de práticas culturais. Tais medidas de controle 
levam em consideração a ausênciaou presença do patógeno, a quantidade relativa do inóculo 
e as condições ambientais mais ou menos favoráveis; afetam, assim, os parâmetros 
epidemiológicos y0 (inóculo inicial), r (taxa de infecção) e/ou t (período de exposição das 
plantas à infecção). 
A escolha de áreas geográficas desfavoráveis ao desenvolvimento do mal das folhas 
da seringueira, causada por Microcyclus ulei, tem viabilizado a heveacultura no Centro-Sul do 
Brasil, em maciços florestais artificiais, compostos por plantas suscetíveis, sem necessidade 
de controle químico, uma vez que nessa região a doença não atinge níveis prejudiciais. Na 
Amazônia, tentativa semelhante, no passado, redundou em histórico fracasso, devido ao 
ambiente extremamente favorável à doença e à inviabilidade do controle químico. 
A escolha de áreas geográficas, seja para fugir de patógenos, seja para fugir de 
condições predisponentes à ocorrência de epidemias, é um método de controle ainda 
amplamente explorável num país extenso quanto o Brasil, que apresenta enormes variações 
climáticas regionais. 
 
Exclusão 
A prevenção da entrada e estabelecimento de um patógeno em uma área isenta é feita 
através de medidas quarentenárias, consolidadas em legislações fitossanitárias promulgadas 
por órgãos governamentais, nacionais e internacionais. Essas medidas são executadas 
através de proibição, fiscalização e interceptação do trânsito de plantas ou produtos vegetais; 
dirigem-se, no geral, a doenças com alto potencial destrutivo em culturas de grande 
importância econômica para o país. Modernamente, com as facilidades dos meios de 
transporte e o aumento de trânsito e intercâmbio internacional, medidas de exclusão são cada 
vez mais vulneráveis. A eficiência das medidas de exclusão está relacionada com a 
capacidade de disseminação do patógeno e com a distância do patógeno (ou da fonte de 
inóculo) em relação à área geográfica que se quer livre da doença. Compara-se as tentativas 
de exclusão do cancro cítrico (Xanthomonas campestris pv. citri) e da ferrugem do cafeeiro 
(Hemileia vastatrix) no Brasil. O patógeno do cancro cítrico, apesar de constatado em 1957 e 
de ter conseguido ultrapassar sucessivamente as barreiras de exclusão, territorialmente cada 
vez mais restritas, ainda hoje continua sendo excluída de amplas zonas citrícolas do Estado 
de São Paulo, devido à sua limitada “autonomia de vôo”. 
No caso da ferrugem do cafeeiro, no entanto, sua grande capacidade de disseminação 
impossibilitou quaisquer medidas de exclusão, que ficaram apenas em cogitação (constatada 
a doença em 1970, na Bahia, já se encontrava amplamente disseminada nos cafezais 
brasileiros, exceto nos de Pernambuco e Ceará, em 1974). Por outro lado, a nível 
internacional, ambos venceram distâncias transoceânicas e, apesar da menor “autonomia de 
vôo”, o agente do cancro cítrico chegou primeiro em nossas plantações, provavelmente devido 
à interferência humana. 
Exclusão, como todos os princípios de controle, pode ter sentido absoluto e relativo. 
Em escala internacional, interestadual ou mesmo de lavouras, deve-se procurar o absoluto, 
mas ao nível do agricultor, mesmo que incompleta, a exclusão tem o seu valor, principalmente 
quando se trata de doenças cujos patógenos têm dificuldades de disseminação dentro do 
campo. O efeito de todas as medidas de exclusão reflete-se epidemiologicamente na redução 
do inóculo inicial y0 e, portanto, no atraso do desenvolvimento da epidemia. 
 
161 
 
Erradicação 
A erradicação, vista como eliminação completa de um patógeno de uma região, só é 
tecnicamente possível quando o patógeno tem restrito espectro de hospedeiros e baixa 
capacidade de disseminação e economicamente viável quando a presença do patógeno 
restringe-se a uma área geográfica relativamente insignificante. Nessas considerações está 
implícito o fato da erradicação ser um complemento da exclusão. Erradica-se o patógeno de 
uma região para evitar sua disseminação para outras. É o caso do cancro cítrico, que se tenta 
erradicar das áreas onde ocorre para evitar sua disseminação para áreas essencialmente 
citrícolas de São Paulo. Apesar da baixa capacidade de disseminação de Xanthomonas 
campestris pv. citri, a morosidade na erradicação completa pode tornar inócuas as medidas 
de fiscalização do trânsito. 
Medidas de erradicação, em âmbito restrito, incluem: eliminação de plantas ou partes 
vegetais doentes, eliminação de hospedeiros selvagens, aradura profunda do solo, eliminação 
dos restos de cultura, destruição de plantas doentes, desinfestação física e química do solo, 
tratamento de sementes e rotação de cultura. O alcance dessas medidas é geralmente muito 
limitado porque dificilmente eliminam completamente o patógeno. Funcionam na medida em 
que são capazes de diminuir a quantidade de inóculo da área e na medida em que são 
acompanhadas por outros métodos de controle que complementam sua ação. Como, do ponto 
de vista epidemiológico, atuam essencialmente reduzindo o inóculo inicial y0, medidas de 
erradicação somente atrasam o desenvolvimento de epidemias e apresentam efeitos mais 
pronunciados sobre doenças cujos patógenos apresentam baixa taxa de disseminação. 
 
Proteção 
A proteção, prevenção do contato direto do patógeno com o hospedeiro, é comumente 
obtido pela aplicação de fungicidas e bactericidas, visando diretamente os patógenos, ou de 
inseticidas, visando diretamente os vetores. O emprego de viricidas é, atualmente, apenas 
uma cogitação experimental. É possivelmente, o princípio de controle que experimentou os 
maiores impactos do desenvolvimento tecnológico, desde a descoberta da calda bordalesa 
até a dos inseticidas e fungicidas sistêmicos. Em muitas culturas, principalmente em se 
tratando de cultivares refinadas, mas, por isso mesmo, apresentando alta suscetibilidade a 
doenças, proteção química torna-se uma medida indispensável de controle, apesar de nem 
sempre suficientemente eficaz. Nesses casos, é o princípio de controle que mais onera o 
custo de produção. A eficiência da proteção depende das características inerentes do produto 
protetor bem como da estratégia de aplicação. Idealmente, o produto deve ter alta toxidez 
inerente contra o patógeno; e grande estabilidade, mesmo nas condições mais adversas de 
clima, sem, contudo, provocar danos à planta ou desencadear desequilíbrio biológico. O 
método, a época, a dose e o número de aplicações, bem como os produtos adequados, são 
aspectos que devem ser considerados nos programas de proteção. O efeito epidemiológico 
envolvido é a redução da taxa r de desenvolvimento da doença. 
 
 
Imunização 
Na ausência de barreiras protetoras de controle utilizadas pelo homem, ou vencidas 
estas, o patógeno enfrenta, por parte da planta hospedeira, resistência maior ou menor ao 
seu desenvolvimento, já antes da penetração, na penetração, nas fases subsequentes do 
processo doença, na extensão dos tecidos afetados e na produção do inóculo. Mesmo que 
essa resistência seja baixa, resta ainda a possibilidade de os danos nas culturas afetadas 
serem pouco pronunciadas. É na exploração dessas características, naturalmente presentes 
nas populações vegetais, que se fundamenta o princípio da imunização genética, resultando, 
162 
 
então, no uso de variedades imunes, resistentes e tolerantes. Esse método de controle é o 
ideal, pois, em sendo funcional, não onera diretamente o custo de produção e pode até 
dispensar outras medidas de controle. Entretanto, muitas vezes implica em sacrifício de 
produtividade e/ou valor comercial do produto. 
Atualmente, concretiza-se a possibilidade de imunização de plantas através de 
substâncias químicas (imunização química) e de proteção cruzada ou pré-imunização 
(imunização biológica). A ideia de imunizar as plantas quimicamente, pela introdução de 
substâncias tóxicas, é velha, mas só recentemente, com o advento dos fungicidas sistêmicos, 
está se tornando viável doponto de vista prático: a planta tratada com o produto sistêmico 
torna-se resistente porque em seus tecidos se apresenta uma concentração adequada do 
fungicida ou porque ele próprio ou algum seu derivado induz a planta a produzir substâncias 
tóxicas ao patógeno. Não se descarta a possibilidade de que mesmo fungicidas convencionais 
tenham atuação semelhante, desencadeando a produção de compostos fenólicos e 
fitoalexinas pelas plantas tratadas. O mais notável exemplo de pré-imunização ou proteção 
cruzada, é o do limão galego propositalmente inoculado com estirpe fraca do Vírus da Tristeza 
dos Citros, que protege a planta contra as estirpes fortes do mesmo vírus. Assim, produções 
comerciais dessa variedade cítrica têm sido possível, mesmo sendo suscetível a um vírus 
amplamente disseminado e eficientemente transmitido pelo pulgão preto, Toxoptera citricidus. 
O efeito epidemiológico das medidas de imunização é predominantemente a redução do 
inóculo inicial y0 e da taxa r de desenvolvimento da doença. No caso de resistência genética 
vertical e de fungicidas altamente específicos, vulneráveis ao surgimento de mutantes 
resistentes do patógeno, o efeito pode ser predominantemente somente sobre y0. No caso de 
variedades tolerantes, o efeito epidemiológico não se faz sentir pronunciadamente sobre 
nenhum dos dois componentes. 
Terapia 
Uma vez a planta já doente, o último princípio de que se pode lançar mão é a terapia 
ou cura, isto é, recuperação da saúde mediante a eliminação do patógeno infectante ou 
proporcionando condições favoráveis para a reação do hospedeiro. A terapia é, ainda, apesar 
da descoberta dos quimioterápicos, de aplicação muito restrita em Fitopatologia, por suas 
limitações técnico-econômicas, contrapondo-se ao uso mais generalizado de todos os outros 
princípios que, no conjunto, recebem a denominação de prevenção ou profilaxia. No controle 
de doenças de plantas é ainda válido o ditado “melhor prevenir do que remediar”. São 
exemplos de métodos terápicos: uso de fungicidas sistêmicos e, no caso de algumas doenças, 
como os oídios, também de fungicidas convencionais, com a consequente recuperação da 
planta doente; cirurgia de lesões em troncos de árvores, como no caso da gomose dos citros, 
ou de ramos afetados, como no caso da seca da mangueira ou da rubelose dos citros; 
tratamento térmico dos toletes da cana-de-açúcar, visando à eliminação do patógeno do 
raquitismo da soqueira. 
 
Controle integrado versus manejo integrado 
A integração de medidas de controle é premissa básica dos princípios de Whetzel. O 
seu simples enunciado leva à conclusão de que as medidas de controle visam interromper ou 
desacelerar, integradamente, o ciclo das relações patógeno hospedeiro, interferindo no 
triângulo da doença. Essa preocupação pela integração dos métodos de controle vem desde 
os primórdios da Fitopatologia, há mais de cem anos. 
Embora controle de doença seja uma terminologia bem estabelecida e amplamente 
compreendida, Apple (1977) afirmou que há base lógica convincente para substituí-la por 
manejo de doença, pois, dentre outras razões: 
 • Controle implica num grau impossível de dominância pelo homem; 
163 
 
 • Controle leva a uma visão falha do sistema de controle quando a doença volta ao 
nível de dano; 
 • Controle leva ao esquecimento que as medidas são aplicadas para reduzir o dano e 
não para destruir os organismos causais; 
• Manejo conduz ao conceito de que doenças são componentes inerentes do 
agroecossistema; 
 • Manejo baseia-se no princípio de manter o dano ou o prejuízo abaixo do nível 
econômico, sugerindo a necessidade de contínuo ajuste do sistema; 
 • Manejo, baseado no conceito de limiar econômico, enfatiza a minimização do dano, 
estando menos sujeito a mal-entendidos. 
O limiar de dano, definido como nível de intensidade da doença ou do patógeno que 
provoca um prejuízo maior do que o custo de controle, embora seja à base do manejo de 
doenças de plantas, raramente é utilizado em Fitopatologia. As principais razões para que 
esse fato inclui, dentre outras, a pequena disponibilidade de estimativas confiáveis de danos 
decorrentes da presença ou ação dos patógenos e a dificuldade no monitoramento do 
patógeno. 
 
13 Modalidades de controle de doenças 
 
 Controle Cultural. 
 Controle Genético. 
 Controle Físico. 
 Controle Biológico. 
 Controle Químico. 
 
Controle Físico 
Exercido através da Temperatura, Radiação e Atmosfera controlada. 
SOLARIZAÇÃO – É o uso de energia solar para controle de patógenos de plantas. Envolve 
aumento da temperatura do solo, erradicação parcial ou total de patógenos do solo. 
- Combinação cobertura solo com plástico / intervalo tempo 
- Prática da solarização: Umedecimento solo* 
 Cobertura solo com filme plástico e manutenção do plástico no mínimo durante um mês para 
atuação sobre os patógenos o que causa efeito inibitório / letal por altas temperaturas ( 
camadas superficiais solo ); enfraquecimento das estruturas de resistência (temp. sub-letais 
/fendilhamento ); estímulo à competição ( saprófitas mais tolerantes patógenos ); equilíbrio 
microflora / patógeno solo ( solo supressivo ). 
Temperaturas tratamento: 50 – 60ºC eliminam a maioria dos patógenos - Organismos 
controlados: Fungos: Pithyum, Fusarium, Phytophthora, Verticillium, Sclerotium, Sclerotinia, 
Bipolaris, Thielaviopsis. Nematóides: Meloidogyne, Heterodera, Pratylenchus, Ditylenchus. 
Limitações de uso: 
 Custo do tratamento 
 Restrição a pequenas áreas 
 Terreno não cultivado no período tratamento 
 Ocorrência condições climáticas adequadas 
 Tipo de relevo 
 
164 
 
Termoterapia de órgãos de propagação - Eliminação do patógeno localizado interna / 
externamente ao material vegetal pela exposição do material a determinada temperatura / 
tempo. 
 - Cuidados: inativação do patógeno sem causar danos hospedeiro 
- Sucesso: diferença entre sensibilidade térmica hospedeiro e patógeno - Aplicação: 
tratamento de sementes (hortaliças) tratamento de bulbos de plantas ornamentais tratamento 
da planta inteira (matriz material propagativo/uva) tratamento de meristemas (gemas de cana). 
Refrigeração - Emprego baixas temperaturas (4-10º C) que atua retardando ou inibindo 
atividade patógenos - Aplicação para produtos pós-colheita - Nem sempre são suficientes 
para controle desejável 
- Uso de refrigeradores, câmaras frias (armazenamento e transporte) 
Atmosfera controlada – Atua na supressão do desenvolvimento do patógeno, baixando 
a taxa de respiração dos frutos, reduzindo a maturação dos frutos e pré-disposição à doença. 
- Exercida: alteração de CO2 acima de 5% / O2 abaixo de 5%) - Na prática: atmosfera 
combinada 2-3 % O2 e de 5-7% CO2 
Controle comprimento de onda radiação solar 
Plasticultura - uso de filme plástico especial para construção de estufa - retenção 
radiações comprimento onda próxima ultravioleta (NUV) - radiação NUV comprimento onda 
abaixo 390 nm – Esse tipo de radiação estimula esporulação de fungos ( aumento do inóculo 
/ aumento doença) 
 
Controle biológico 
É a redução da soma do inóculo ou das atividades determinantes da doença, 
provocada por um patógeno, realizada por um ou mais organismos que não o homem (Cook 
& Baker, 1983) 
Controle biológico de patógenos habitantes do solo: 
- Podridões de raízes e caule (Fusarium solani, Rhizoctonia solani, Macrophomina 
phaseolina e Sclerotinia sclerotiorum) 
- Nematóides (Meloidogyne spp., Pratylenchum brachiurus) 
- Murchas vasculares (Fusarium oxysporum, Ralstonia solanacearum). 
No Brasil, diversos produtos biológicos estão disponíveis para utilização, dentre esses 
podem se citados: estirpes fracas de CTV para premunização contra a tristeza dos citros; 
estirpes fracas de PRSV-W para premunização contra o mosaico da abobrinha; Hansfordia 
pulvinata para o controle do mal-das-folhas da seringueira; Acremonium sp. para o controle 
da lixado coqueiro; Clonostachys rosea para o controle do mofo cinzento; Bacillus subtilis 
para o controle de diversas doenças; Trichoderma spp. para o controle de patógenos de solo 
e substrato e da parte aérea. 
 
 
 
 
165 
 
Controle cultural 
Tem por base emprego de práticas culturais que interferem na sobrevivência e 
disseminação do patógeno. 
 - Objetivo: redução de inóculo do patógeno 
Conhecimento aspectos relacionados à biologia do patógeno : 
 sobrevivência dependente somente restos de cultura? 
 sobrevivência ocorre vários tipos substratos vegetais? 
 sobrevivência estruturas longo / curto período? 
 sobrevivência em hospedeiros alternativos? 
 disseminação de estruturas: longa ou curta distância ? 
ROTAÇÃO DE CULTURA: A Principal prática cultural é rotação de cultura, que está 
relacionada com fase saprofítica do patógeno que ocorre entre as fases de parasitismo. 
Características dos patógenos e facilidade de controle 
* sobrevivência limitada aos restos cultura hospedeiro 
* ausência de habilidade competitiva do patógeno 
* incapacidade de formar estruturas de resistência 
* produção de esporos grandes 
* disseminação a curtas distâncias 
* restrição quanto a hospedeiros alternativos 
Sistema monocultura: A monocultura dá estímulo ao patógeno (fonte de inóculo alto) 
* Objetivo da rotação: baixar inóculo patógeno (erradicação relativa) 
* Mecanismo: estímulo à competição com microflora 
* Estratégia: - substituição do hospedeiro principal - Escolha espécies não hospedeiras 
do patógeno alvo - Escolha espécies folhas largas (dicotiledôneas) / folhas estreitas 
(monocotiledôneas) 
Eliminação dos restos de cultura - incorporação por aração 
MEDIDAS ALTERNATIVAS 
* Escolha sementes e mudas sadias [disseminação] 
* Realização “roguing” [disseminação] 
* Eliminação dos restos de cultura [sobrevivência] 
* Inundação dos campos [sobrevivência] 
* Incorporação da matéria orgânica ao solo [sobrevivência] 
* Aração do solo [sobrevivência] 
* Observação da densidade plantio [ambiente] 
* Escolha da época de plantio [ambiente] 
* Condução da poda de limpeza [ambiente] 
•Barreira física e superfície não atrativa a vetores [disseminação] 
 
Controle genético 
O emprego da resistência genética no controle de doenças vegetais representa um 
dos mais significativos avanços tecnológicos da agricultura. O uso de cultivares resistentes é 
o método de controle preferido simplesmente por ser o mais barato e de mais fácil utilização. 
Na verdade, existem culturas onde o controle das doenças mais importantes dá-se, quase 
que exclusivamente, por meio da resistência, tais como as ferrugens e carvões dos cereais e 
da cana-de-açúcar, as murchas vasculares em hortaliças e as viroses na maioria das culturas. 
Três etapas básicas devem ser consideradas em qualquer programa de obtenção e 
utilização de cultivares resistentes: 
1) Identificar fontes de resistência, ou seja, identificar germoplasma que possua os 
genes em cultivares procurados; 
166 
 
2) Incorporar estes genes em cultivares comerciais por meio dos métodos de 
melhoramento; 
3) Após a obtenção de um cultivar resistente, traçar a melhor estratégia para que a 
resistência seja durável face à natureza dinâmica das populações patogênicas. 
Uso variedades resistentes ou tolerantes: 
*Fontes de Resistência para doença - Identificação das fontes de resistência para 
programas melhoramento - Fontes dentro da espécie cultivada, maior facilidade de 
incorporação genes R - Fontes dentro do gênero da espécie cultivada, maior dificuldade 
incorporação genes R 
Exemplos: Solanum tuberosum X Solanum demissum (resistência à requeima) Oryza 
sativa X Oryza glaberrima (resistência à brusone) 
 
Controle químico 
O controle químico de doenças de plantas é, em muitos casos, a única medida eficiente 
e economicamente viável de garantir as altas produtividade e qualidade de produção. 
Variedades de plantas cultivadas, interessantes pelo bom desempenho agronômico e pela 
preferência dos consumidores, geralmente aliam certa vulnerabilidade a agentes 
fitopatogênicos. A exploração comercial de culturas como as de uvas finas, morango, maçã, 
tomate e batata, por exemplo, seria impossível sem o emprego de fungicidas em locais ou 
épocas sujeitas à incidência de doenças. Assim, a convivência com patógenos já presentes 
em determinadas áreas torna-se um ônus obrigatório dentro da agricultura moderna. 
O controle químico de doenças de plantas é praticado com maior intensidade nos 
países economicamente mais desenvolvidos, onde a agricultura é tecnologicamente mais 
avançada, com aplicação de mais insumos e previsão de melhores colheitas. A escalada no 
emprego de pesticidas, inclusive fungicidas, a partir da segunda guerra mundial, foi 
proporcionalmente acompanhada pelo interesse público na quantidade e qualidade desses 
insumos agrícolas. 
Grupos de produtos utilizados e princípios de controle envolvidos 
O controle químico de doenças de plantas é feito através de vários tipos de produtos, 
comumente denominados agroquímicos, incluindo fertilizantes e pesticidas. Fertilizantes, 
quando utilizados no controle de doenças fisiogênicas (aquelas devidas a desequilíbrios 
nutricionais), como deficiência de boro em crucíferas ou podridão estilar do tomateiro, atuam 
pelo princípio da regulação; quando utilizados no controle de doenças infecciosas, podem 
envolver o princípio da regulação, como no caso da diminuição do pH para o controle da sarna 
da batata. Também se pode citar a ação erradicante da uréia aplicada a 5% em pomar de 
macieira, no início da queda natural das folhas, após a colheita, visando sua rápida 
degradação e conseqüente diminuição na formação de peritécios e liberação de ascósporos 
de Venturia inaequalis, agente da sarna, no início da primavera. Apesar da importância de 
fertilizantes no controle de algumas doenças, eles geralmente não desempenham papel 
decisivo para a maioria das doenças infecciosas. 
Os pesticidas utilizados no controle de doenças incluem: inseticidas e acaricidas, para 
controlar insetos e ácaros vetores de patógenos; fungicidas, bactericidas e nematicidas, para 
controle dos fungos, bactérias e nematóides fitopatogênicos; e herbicidas, para controlar 
plantas hospedeiras alternativas de patógenos que afetam culturas específicas. 
O emprego de pesticidas no controle de doenças envolve, pelo menos, um princípio 
de controle. Inseticidas e acaricidas atuam predominantemente pelo princípio da exclusão, 
prevenindo a disseminação dos patógenos, geralmente vírus, pela eliminação ou diminuição 
dos vetores; herbicidas atuam pela erradicação do patógeno junto com o hospedeiro, 
diminuindo a sobrevivência e a probabilidade de disseminação. Os inseticidas, acaricidas e 
167 
 
herbicidas, não tendo ação direta sobre os agentes infecciosos mais importantes (fungos, 
bactérias, vírus e nematóides), não são muito utilizados no controle de doenças. 
O grupo mais importante de pesticidas utilizados para o controle de doenças de plantas 
é o dos fungicidas, que abrange alguns dos bactericidas e alguns dos nematicidas mais 
usuais. Os nematicidas mais comuns são biocidas, com alto poder erradicante, devendo ser 
aplicados no solo antes do plantio. Fungicidas e bactericidas constituem um grupo com 
propriedades químicas e biológicas muito variáveis, podendo envolver vários princípios de 
controle em função da natureza do produto, da época e metodologia de aplicação e do estádio 
de desenvolvimento epidemiológico da doença. Por exemplo, um biocida, como o brometo de 
metila, só pode ser aplicado de modo erradicante e num ambiente sem o hospedeiro; só 
fungicidas sistêmicos têm potencial curativo; fungicidas protetores podem atuar também de 
maneira erradicante e sistêmicos atuam também protegendo, erradicando e imunizando. 
 
14 Monitoramento de doenças 
 
A doença é o resultado simultâneo da interaçãodo ambiente, patógeno e hospedeiro 
e é exigência fundamental o conhecimento desta interação para se estabelecer o controle. No 
entanto, para conhecimento desses parâmetros, é necessário que ocorra o monitoramento 
das condições que são propícias ou não para a ocorrência da enfermidade e o 
desencadeamento de uma epidemia. O monitoramento baseado nas condições ambientais, 
da presença do patógeno e de características do hospedeiro fornece as informações 
necessárias para essa epidemia. Estas podem ser através de simples técnicas como 
monitoramento da temperatura e umidade relativa do ar ou o acompanhamento do patógeno 
e do conhecimento do estado fenológico do hospedeiro. 
 
Métodos de monitoramento de doenças 
a) Baseado No Hospedeiro: No monitoramento baseado no hospedeiro é necessário 
que se tenha como requisito o que será monitorado no hospedeiro e o que será avaliado, já 
que a amostra deve representar a população em estudo. A amostra pode ser destrutiva 
quando é coletada a planta inteira ou órgão e a não destrutiva quando são marcadas plantas 
ou órgãos, e onde periodicamente é monitorada a enfermidade. A época e a freqüência do 
monitoramento são determinadas pelo patossistema e pode ser durante o ciclo da cultura ou 
estudo de parte da epidemia (AMORIN, 1995). 
Quanto ao tamanho da amostra do hospedeiro, pode-se estabelecer critérios de 10 a 
20 plantas escolhidas para o monitoramento. No entanto uma forma prática é utilizar valores 
de desvio padrão da população, onde a partir da medida que o desvio padrão não oscila é o 
suficiente para ter o número necessário para amostragem, ou seguir técnicas de amostragem 
estatísticas. A partir do tamanho da amostra deve-se determinar como será a escolha das 
plantas a serem monitoradas no campo e algumas técnicas de amostragem no hospedeiro 
pode ser realizadas conforme a figura 1. Na pratica a sistemática em M (zigue-zaque) permite 
obter amostras de diferentes frações dentro da área de cultivo, homogeneizando a amostra e 
maximizando o resultado do monitoramento. 
168 
 
 
 
b) Baseado nas Condições Ambientais: 
O clima é definido como um resumo estatístico da temperatura, da precipitação pluvial; 
outras variáveis como a umidade relativa, a radiação e o vento também são descritas como 
variáveis climáticas em uma determinada região (CAMPBELL; MADDEN, 1990). Dados 
meteorológicos se referem às condições atmosféricas atuais que prevalecem em um local e 
no tempo, os quais são registrados através de termo-higrógrafos, termógrafos, pluviógrafos 
atualmente interligados, os quais transferem diretamente as informações para sistema 
computacional. As condições climáticas (Quadro 1) estão intimamente relacionadas às 
diferentes fases do ciclo das relações patógeno-hospedeiro de enfermidades bacterianas e 
consequentemente com a ocorrência das doenças (ZAMBOLIM et al., 2004) e dos efeitos de 
suas variações no desenvolvimento de epidemias (ROTEM, 1978). 
 
 
 
 
 
c) Baseado no Patógeno: 
No caso de bactérias - podem ser monitoradas através de técnicas simples de 
visualização através de microscopia eletrônica (Hirano e Upper, 1983), na qual a flutuação ao 
longo de diferentes períodos pode indicar o momento de aumento da população e, 
consequentemente, o início da enfermidade (SCHNEIDER; CROGAM, 1977). 
d) Baseado no Progresso da Doença em Função do Tempo: 
Escalas diagramáticas- Dentro da fitopatometria existem o termo “incidência” e 
“severidade”; o primeiro trata da porcentagem de plantas doente, e o segundo trata da 
proporção do volume ou área do tecido com sintomas (AMORIM, 1995). Para a quantificação 
da severidade, as escalas diagramáticas são as mais utilizadas e constituem-se em 
representações ilustradas de plantas ou partes delas com diferentes níveis de severidade 
(BELASQUES JR. et al., 2005). 
169 
 
 
 
 
Atividades de fixação 
1) O que é controle de doenças? 
2) Quais os princípios gerais de controle? Fale sobre cada um deles. 
3) Como é feito o monitoramento de doenças em plantas? 
4) Quais as modalidades de controle? 
5) Fale sobre o controle biológico, cultural, físico, químico e genético de doenças 
em plantas cultivadas. 
 
 
15 Controle de plantas indesejáveis 
Plantas indesejáveis são plantas que crescem espontaneamente em áreas de 
atividades humanas e que causam prejuízos a essas atividades. 
Constituem-se em um problema sério para a agricultura, pois se desenvolvem em 
condições semelhantes às das plantas cultivadas. Apresenta crescimento rápido, 
facilidade de disseminação, produzem grande número de sementes e crescem em 
condições adversas. Elas também podem afetar as culturas sendo hospedeiras de pragas e 
doenças. 
A presença de plantas daninhas em áreas cultivadas resulta em redução da 
produtividade devido a sua interferência e aumenta os custos de produção. As perdas 
variam conforme a espécie e podem, inclusive, inviabilizar a colheita. 
 
Controle cultural 
O método de controle cultural baseia-se no uso do manejo da própria cultura para 
controlar as plantas daninhas. Dentro do método de controle cultural existem diversas práticas 
de controle cultural, destacando-se: 
a) Uso de cultivares mais competitivas – como já foi discutido, assim como há espécies 
mais competitivas, há cultivares dentro da mesma espécie que são mais competitivas, ou 
porque crescem inicialmente mais rápido ou porque têm maior enfolhamento. Normalmente, 
cultivares com ciclo menor crescem mais rápido e fecham (sombreiam) as entrelinhas mais 
cedo, impedindo o desenvolvimento das plantas daninhas. (principalmente de ciclo longo ou 
que germinam algum tempo após o plantio); 
b) Uso de espaçamento mais estreito – quando se faz o plantio da cultura em 
espaçamento mais estreito, a tendência é que a cultura feche (sombreie) a entrelinha mais 
cedo, aumentando sua capacidade competitiva frente às plantas daninhas. Porém, deve-se 
170 
 
estar atento à interferência intraespecífica dentro da cultura, sendo que espaçamentos muito 
estreitos podem prejudicar o desenvolvimento das plantas da própria cultura e causar 
reduções de produtividade; 
c) Uso de densidade de plantio mais alta – a ideia é semelhante ao item anterior, pois 
a densidade mais alta de plantio pode proporcionar maior habilidade competitiva à cultura; 
d) Uso de sistemas de cultivo distintos – comparando-se plantio direto com plantio 
convencional sabe-se que há diferenças de manejo que influenciam o desenvolvimento das 
plantas daninhas; muitas plantas importantes no plantio convencional deixaram de ser no 
plantio direto. Sistema de cultivo consorciado tende a dar maior habilidade competitiva para 
as culturas, pois elas exploram mais e melhor o solo, sombreiam mais rápido e por mais tempo 
as entrelinhas etc; 
e) Uso de cobertura verde (culturas de cobertura) – manter o solo coberto na 
entressafra é essencial para impedir o aumento do banco de dissemínulos do solo; assim, o 
cultivo de cobertura verde, adubo verde, pastagem de inverno ou qualquer outra cobertura 
vegetal que impeça o desenvolvimento de plantas daninhas durante a entressafra é prática 
muito importante no manejo cultural de plantas daninhas; 
f) Uso de rotação de culturas – com a rotação de culturas há o cultivo de espécies 
distintas em uma mesma área de um ciclo para o outro; com isso, o desenvolvimento das 
plantas daninhas é dificultado, pois há culturas mais competitivas, há culturas potencialmente 
alelopáticas, há o uso diferenciado de herbicidas e outros métodos de controle etc., que 
impedem o desenvolvimento das plantas daninhas. Assim, o ciclo de desenvolvimento de uma 
espécie ou um grupo de espécies de plantas daninhas (que possam estar se adaptando ao 
manejo) é “quebrado”, reduzindo o potencial de interferência da comunidade infestante nas 
culturas agrícolas em rotação. 
 
Controle mecânico 
O método de controle mecânico baseia-se no uso de algum instrumentoque arranque 
ou corte as plantas daninhas. Dentro do método de controle mecânico existem diversas 
práticas de controle mecânico, destacando-se: 
a) Monda – nada mais é que o arranquio ou corte das plantas daninhas utilizando as 
mãos como instrumento de controle. A monda é uma prática de controle de rendimento muito 
baixo, viável apenas para áreas muito pequenas e restritas, cuja mão de obra é 
demasiadamente onerosa. Costuma ser aplicado apenas em áreas de agricultura familiar de 
subsistência; 
b) Capina – é o arranquio ou corte manual das plantas daninhas, utilizando 
instrumentos de controle como enxada, enxadão, picão, enxada-rotativa, rolo-faca etc. 
A capina pode ser dividida em: capina manual (quando o instrumento de controle – 
enxada, enxadão etc. – é operado com as mãos) ou capina mecânica. 
A capina mecânica pode ser de tração animal (quando o instrumento – enxada, picão 
etc. – é tracionado por animais) ou de tração tratorizada (quando o instrumento – enxada-
rotativa, etc. – é tracionado por trator). 
A capina manual, assim como a mecânica de tração animal, é uma prática de controle 
de baixo rendimento (pouco maior que a monda), viável apenas para pequenas áreas, cuja 
mão de obra também é onerosa. Costuma ser aplicada em áreas de agricultura familiar e 
pequenas áreas de agricultura orgânica. 
A capina mecânica tratorizada é uma prática de controle de médio rendimento, viável 
em algumas ocasiões em lavouras perenes para manejo de coberturas vegetais, sendo 
menos onerosa que a anterior; 
171 
 
c) Roçada – é o corte das plantas daninhas utilizando instrumentos de controle como 
roçadeiras elétricas ou motorizadas, foices, roçadeiras tratorizadas, rolo-faca etc. A roçada 
pode ser: roçada manual (operada com as mãos) ou roçada mecânica (implemento acoplado 
ao trator). 
A roçada manual é uma prática de controle de rendimento médio, viável em áreas em 
que a roçada mecânica não é possível (geralmente em função da declividade do terreno ou 
da dificuldade de entrada de máquinas na área), cuja mão de obra é onerosa, porém menor 
que as anteriores. 
A roçada mecânica é uma prática de controle de médio-alto rendimento, viável 
principalmente em lavouras perenes já implantadas recentemente; o valor do custo de 
controle baseia-se, principalmente, no consumo de combustível e manutenção de máquinas 
e implementos, não na quantidade de mão de obra; 
 d) Cultivo (ou cultivo do solo) – é o arranquio das plantas daninhas através do 
revolvimento do solo realizado por implementos agrícolas cultivadores (arado de disco, arado 
de aivecas, subsoladores etc.), denominado de cultivo mecânico, ou mesmo quando se 
prepara o solo manualmente (enxada ou enxadão), denominado de cultivo manual. 
O cultivo mecânico pode ser de tração animal ou tratorizado, como descrito 
anteriormente. O cultivo manual e o cultivo mecânico por tração animal costuma ser 
empregado em pequenas áreas de agricultura familiar e/ou orgânica, onde é viável, pois o 
rendimento é médio-baixo. 
O cultivo mecânico tratorizado é empregado, normalmente, em áreas de plantio 
convencional, sendo áreas pequenas, médias ou grandes. Normalmente, o custo do controle 
através do cultivo do solo não é computado no valor total de gastos com controle de plantas 
daninhas, pois é uma prática de preparo do solo e não de controle de plantas daninhas, 
especificamente. Esta prática de controle influenciou na evolução das plantas daninhas, 
conforme descrito no capítulo 3, e continua sendo empregada em muitas áreas. 
 
Controle físico 
O método de controle físico baseia-se no uso de alguma prática que exerça influência 
física sobre as plantas daninhas. Dentro do método de controle físico existem diversas 
práticas de controle físico, destacando-se: 
a) Inundação – é o uso da água para controle de plantas daninhas terrestres. 
Geralmente usado em culturas inundadas, como o arroz irrigado. Esta prática é eficiente no 
manejo de espécies de difícil controle, como tiririca (Cyperus spp.), grama-seda (Cynodon 
dactylon), capim-quicuio (Penisetum spp.), entre outras plantas daninhas anuais. Esta prática 
causa limitação extrema do fornecimento de oxigênio para as raízes de plantas não 
adaptadas, causando sua morte; 
 b) Fogo – a queima da vegetação, normalmente feita com lançachamas, é uma prática 
antiga e de uso limitado no Brasil. Foi muito utilizada em algodão e vem ganhando expressiva 
conotação principalmente entre praticantes de agricultura orgânica na Europa; 
c) Cobertura morta (palha ou resíduo vegetal) – apresenta três efeitos que podem ser 
benéficos ou maléficos às plantas daninhas. O efeito físico baseia-se no impedimento da 
germinação de sementes de plantas daninhas em função da limitação de absorção de luz por 
sementes de plantas fotoblásticas positivas ou, ainda, no impedimento da emergência das 
plântulas após a germinação, não conseguindo transpassar a camada de palha presente 
sobre o solo. O efeito biológico, melhorando as condições do solo para o desenvolvimento de 
micro-organismos que podem auxiliar na quebra de dormência de algumas sementes de 
plantas daninhas ou mesmo deteriorá-las. Por fim, o efeito alelopático de coberturas vegetais 
172 
 
oriundas de plantas que produzam compostos alelopáticos, podendo suprimir o crescimento 
ou mesmo matar as plantas daninhas sensíveis; 
d) Solarização – é uma prática agrícola em que se proporciona a cobertura do solo 
com filme de polietileno, causando aumento na temperatura, o que, inicialmente, pode 
estimular a germinação e, em seguida, matar as plântulas; ou ainda pode matar o embrião 
dentro da semente, diretamente. Normalmente, é utilizada em pequenas áreas de produção 
de hortaliças, com alto grau de eficiência. Em áreas muito infestadas com tiririca (Cyperus 
spp.) não é recomendada, pois as plantas, ao emergirem, geralmente, furam o filme, causando 
prejuízos ao agricultor; 
e) Controle térmico – baseia-se no uso de altas temperaturas em ambientes aquáticos 
para controlar plantas daninhas aquáticas. Não é uma prática muito comum, porém pode ser 
utilizada, conjuntamente com o controle mecânico, em reservatórios de água. Já foi testada 
no Brasil, controlando eficientemente plantas como aguapé (Eichornia crassipes), tanner-
grass (Urochloa subquadripara), alface-d’água (Pistia stratiotes) e salvínia (Salvinia 
auriculata) (Marchi et al., 2005). 
 
Controle biológico 
O método de controle biológico baseia-se no uso de inimigos naturais (fungos, insetos, 
bactérias, vírus, aves, peixes etc.) capazes de reduzir as populações de plantas daninhas e, 
assim, sua capacidade de competir com as culturas agrícolas. Normalmente, busca-se o 
equilíbrio populacional entre o inimigo natural e a planta daninha hospedeira. O controle 
biológico é dividido em três práticas (ou estratégias): 
a) Inoculativa (Clássica) – aplicável para o controle de plantas daninhas introduzidas 
em novas áreas e que estejam separadas geograficamente dos seus inimigos naturais 
(normalmente insetos ou fungos). É uma estratégia de longo prazo, que visa reduzir e 
estabilizar a densidade de plantas em determinada área. Para que seja eficiente, o inimigo 
natural não pode erradicar a planta daninha, mantendo hospedeiro para sua sobrevivência. 
Os inimigos naturais devem ter coevoluído com as plantas-alvo, devem ser altamente 
específicos para determinado grupo de plantas e não podem apresentar hospedeiros 
alternativos. Via de regra é feita uma introdução em massa do inimigo natural e, 
essencialmente, o monitoramento frequente do impacto ambiental causado por essa 
liberação. Um exemplo é o controle de aguapé (Eichornia crassipes) por três espécies de 
insetos (Neochetina brushi, Neochetina eichhoriniae e Sameodes albiguttalis) no Sul dos EUA. 
Outro exemplo, curioso, é o uso de peixes herbívoros não-seletivos, como a carpa, para o 
controle de plantas daninhas aquáticas submersas,ou mesmo animais de pastejo; 
b) Inundativa (Bioherbicida) – conhecida, essencialmente, como estratégia 
bioherbicida (apesar de a estratégia aumentativa também tratar de bioherbicida). Nesta 
estratégia, o hospedeiro é eliminado radical e rapidamente, mas não erradicado, sendo que o 
inimigo natural (normalmente fungos ou bactérias) é liberado toda vez que a população do 
hospedeiro retoma seu crescimento. O inóculo do patógeno (bioherbicida) é aplicado através 
de métodos convencionais de aplicação de produtos fitossanitários, cria rápida epidemia da 
doença e leva as plantas à morte. Como o patógeno não sobrevive nos restos vegetais, o 
mesmo deve ser reaplicado quando as plantas crescerem novamente. O bioherbicida ‘De 
Vine® ’ (formulado com o fungo Phytophthora palmivora) foi desenvolvido para o controle de 
Morreria adorata. Outro bioherbicida é o ‘Colego® ’ (formulado com o fungo Colletotrichum 
gloeosporioides f.sp. aeschynomene) desenvolvido para o controle de angiquinho 
(Aeschynomene virginica). O bioherbicida ‘Biomal® ’ (formulado com o fungo Colletotrichum 
gloeosporioides f.sp. malvae) foi desenvolvido para controle de malva (Malva pusilla), 
173 
 
enquanto o ‘Casst® ’ (formulado com o fungo Alternaria cassiae) foi desenvolvido para o 
controle de fedegoso (Senna obtusifolia). 
Diversos outros fungos têm sido estudados para o desenvolvimento de bioherbicidas. 
Além dos fungos, bioherbicidas à base de bactérias também têm sido desenvolvidos, como o 
‘Camperico® ’ (formulado com Xanthomonas campestris f.sp. poeae) para controle de 
pastinho-de-inverno (Poa annua). Outras bactérias também estão em estudo para o 
desenvolvimento de novos bioherbicidas; 
c) Aumentativa – normalmente usada para inimigos naturais (fungos, geralmente) de 
difícil produção em larga escala e que são aplicados periodicamente somente em partes das 
áreas em que se pretende obter controle. É uma prática com características clássicas 
(ocupação de grande área após aplicação) e inundativas (várias liberações). Procura-se, 
anualmente, manter a fonte de inóculo no ambiente por meio das liberações de inimigos 
naturais endêmicos que causarão epidemia da doença na estação de cultivo. Tiriricas 
(Cyperus rotundus e Cyperus esculentus) foram controladas eficientemente pela ferrugem 
(Puccinia caniculata), através do bioherbicida ‘Dr. Biosedge® ’, registrado nos EUA (Phatak 
et al., 1987; Tebeest, 1996). Utilizando insetos, tem-se, como exemplo, o controle de salvínia 
(Salvinia molesta) por liberação periódica do curculionídeo Cyrtobagous salviniae. 
 
Controle químico 
O método de controle químico baseia-se no uso de produtos químicos visando matar 
plantas daninhas. Muitos produtos, antes da década de 1940, já eram usados com essa 
finalidade, como os boratos, o brometo de metila, o cloreto de sódio, o ácido sulfúrico, entre 
outros. Todos esses produtos apresentavam sérios problemas e riscos, tanto para as culturas 
como para o ser humano, além de nem sempre serem eficientes ou econômicos, por serem 
utilizados em grandes quantidades por área aplicada (Deuber, 2006); além de não serem 
seletivos. Esses produtos não são, essencialmente, produtos de uso agrícola, mas eram 
utilizados como herbicidas. Nos dias de hoje, já não se usam mais esses produtos na 
agricultura. Os produtos químicos utilizados para matar plantas daninhas passaram a ser 
desenvolvidos a partir da década de 1940 e são, hoje, os principais defensivos agrícolas 
comercializados no mundo, os herbicidas sintéticos. 
Com o desenvolvimento de novos produtos e com a adoção do controle químico como 
o principal método de controle de plantas daninhas, hoje, quase 50% dos defensivos agrícolas 
comercializados são herbicidas. A grande aceitação do uso de herbicidas deve-se a alguns 
fatores (atribuídos como vantagens em relação aos outros métodos), destacando-se, segundo 
Silva e Silva (2007): 
a) menor dependência de mão de obra, que é cada vez mais cara e difícil de ser 
encontrada; 
b) rápido, prático e eficiente; 
c) o controle é eficiente, mesmo em épocas chuvosas; 
d) pode ser usado com eficiência mesmo na linha de plantio, sem danificar o sistema 
radicular da cultura; 
e) permite o cultivo mínimo ou plantio direto; 
f) pode controlar plantas daninhas de reprodução vegetativa. 
O ideal é que o controle químico fosse usado apenas como auxiliar aos demais 
métodos, porém, em muitos casos, os produtores usam apenas o método químico, gerando 
alguns problemas. As principais desvantagens do controle químico em relação aos outros 
métodos, segundo Silva e Silva (2007), são: 
a) exigência de mão de obra mais qualificada e técnica; 
b) poluição ambiental (de solos, rios, lençol freático etc); 
174 
 
c) presença de resíduos em alimentos, causando riscos para o ser humano e para os 
animais; 
d) manutenção de resíduo no solo, podendo causar danos a culturas subsequentes; 
 e) risco de deriva, causando danos em culturas vizinhas; 
 f) propensão à seleção de plantas tolerantes e/ou resistentes. 
 
 
16 Segurança e uso adequado de agroquímicos 
 
Definição e Classificação de Agrotóxicos: 
A Lei nº 7.802 de 11 de julho de 1989 (que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, 
a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a 
propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos 
e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de 
agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras providências) define os agrotóxicos como: 
produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos 
setores de produção, no armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas 
pastagens, na proteção de florestas, nativas ou plantadas, e de outros ecossistemas e de 
ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora 
ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos, bem 
como as substâncias de produtos empregados como desfolhastes, dessecantes, 
estimuladores e inibidores de crescimento. (BRASIL, 1989). 
A classificação dos agrotóxicos é dada por sua finalidade de uso, ou seja, pela ação 
sobre os organismos-alvo, sendo: herbicidas quando agem sobre as ervas daninhas, 
inseticidas quando erradicam os insetos, fungicidas quando inibem o desenvolvimento dos 
fungos, acaricidas quando agem sobre os ácaros, nematicidas quando eliminam os 
nematóides, formicidas quando agem sobre as formigas, moluscicidas quando controlam 
lesmas, bactericidas quando atuam sobre as bactérias, e raticidas quando eliminam os ratos, 
reguladores e inibidores de crescimento (EMBRAPA, 2005). 
Dentre todas as classes de uso, as mais importantes e de maior consumo são os 
herbicidas, os inseticidas e os fungicidas, que juntos somam 94,8%. Existem 424 ingredientes 
ativos em 1.500 formulações comerciais diferentes no Brasil, portanto é indispensável tomar 
conhecimento desta classificação (ALMEIDA, 2009). 
 
 
Herbicidas: 
Segundo Saad, 1985, os herbicidas podem ser aplicados no solo, nas folhas, ramos e 
caule, sob a forma de pulverização e com isso erradicam as plantas. Alguns exemplos são 
Paraquat, 2,4-D, Dinitrofenóis, Glifosato, etc. São classificados em: 
Herbicidas de contato: matam somente as partes das plantas que entraram em 
contato com o produto. 
- não seletivos – eliminam toda a vegetação e são utilizados em áreas não cultivadas. 
- seletivos – eliminam somente as ervas daninhas nas culturas, sem danificar as 
plantas cultivadas. 
Translocadores: a ação é por translocação e matam toda a planta, já que se 
disseminam em todas as suas partes. São utilizados em plantas anuais ou perenes. 
- não seletivos – eliminam todas as plantas. 
- seletivos – específicos para determinadas espécies de ervas ou culturas. 
175 
 
Esterilizadores: eliminam a vegetaçãoe deixam resíduos tóxicos no solo: 
temporários, quando sua duração é pequena; e permanentes, se duram um ano ou mais. 
Desfolhantes: não se trata de herbicidas propriamente ditos, mas de substâncias que 
provocam a queda das folhas. 
 
Inseticidas 
Conforme Gallo, 1988, os inseticidas são compostos químicos ou biológicos que são 
aplicados sobre os insetos, e dependendo da dose os eliminam. 
Os inseticidas atuam sobre os organismos vivos por meio de bloqueio de algum 
processo bioquímico ou fisiológico. Um dos principais alvos de ação desses produtos tem sido 
o sistema nervoso dos insetos. Após o DDT por volta de 1940, foram lançados outros grupos 
de inseticidas organossintéticos, tais como ciclodienos, organofosforados, carbamatos e 
piretróides, sendo todos neurotóxicos. O modo de ação dos inseticidas pode ser: 
Sistêmicos: quando aplicados na folhas, ramos, raízes e solo são absorvidos e 
percorrem junto com a seiva para várias regiões da planta, atuando sobre insetos sugadores 
ou mastigadores. 
Contato: quando pulverizados sobre as pragas; 
Ingestão: sobre os insetos mastigadores, após pouco tempo de aplicação sobre as 
folhas. 
Alguns exemplos mais conhecidos dos grupos químicos distintos: 
Organofosforados: acefato, metamidofós, monocrotofós, paration metil, triclorfon, 
diclorvós. 
Carbamatos: aldicarb, carbofuran, carbosulfan, carbaril, propoxur. 
Organoclorados: São derivados do clorobenzeno, do ciclohexano ou do ciclodieno, 
tais como, aldrin, endrin, BHC, DDT, endossulfan , heptacloro, lindane. 
Piretróides: alfacipermetrina, deltametrina, permetrina, cipermetrina, lambda-
cialotrina. 
Os inseticidas são encontrados em várias formulações diferentes, pois o produto 
técnico é transformado numa forma apropriada de uso, seja misturando-os com inertes, 
sólidos ou líquidos. Os inertes são substâncias neutras que diluem o inseticida puro. Alguns 
exemplos são a areia, argila, betonita, caolim, farinhas, talco, etc. Os inseticidas são 
encontrados nas seguintes formulações, segundo Gallo, 1988: 
Pó seco: pó para polvilhamento das plantas, animais, solos ou sementes. Sigla 
comercial P. Contém de 1 a 10% de princípio ativo. 
Pó molhável: o inseticida recebe um agente molhante qu forma suspensões estáveis. 
Sigla comercial PM. 
Pó solúvel: necessita ser dissolvida em água. Sigla comercial PS. 
·Granulados: formulados em forma de pequenos grânulos e recebem a sigla G ou 
GR. Facilidade na aplicação e segurança ao usuário. 
Concentrados emulsionáveis, emulsão concentrada ou emulsões e dispersões 
aquosas: Em misturas com água formam emulsões de aspecto leitoso. Siglas comerciais CE, 
EC ou E. Sua aplicação exige mistura em água. 
Soluções concentradas: para diluição em óleo ou água e soluções de ultrabaixo 
volume (mais indicado para aplicação aérea). 
Aerossóis: os inseticidas assim embalados possuem solventes voláteis. 
Gasosos: devem ser usados somente para ambientes confinados. O brometo de 
metila se gaseifica em contato com o ar. 
Suspensão líquida (Flowable): diluição em veículo líquido, que pode ser água 
(flowable) ou emulsão de óleo em água. Sigla comercial F. 
176 
 
Pastas: sob forma pastosa, para ser utilizada sem diluição, sobre partes vegetais. 
Microencapsulada: as partículas do inseticida são envolvidas por uma camada de 
polímeros. 
Espalhantes adesivos: auxiliam na fixação do inseticida na planta, promovendo 
melhor espalhamento. (GALLO, 1988). 
 
Fungicidas 
Segundo Filho, 1995, o grupo mais importante de agrotóxicos utilizados para o controle 
de doenças de plantas é o dos fungicidas, que incluem alguns bactericidas e alguns 
nematicidas. Podem ser: 
De contato: atuam diretamente sobre o fungo. São eficazes no tratamento do solo, no 
tratamento de sementes e no tratamento de inverno das plantas que entram em repouso 
vegetativo. São os fumigantes de solo, chamados biocidas. Como são voláteis, logo após sua 
aplicação necessitam de cobertura impermeável, para aumentar a exposição dos patógenos. 
Exemplos: brometo de metila, dazomet, formol (aldeído fórmico), quintozene, etridiazol, etc. 
Protetores: são aplicados nas partes suscetíveis das plantas. São relativamente 
insolúveis em água e possuem dificuldade de penetração na planta. Exemplos: enxofre, calda 
sulfo-cálcica, calda bordalesa, ziram, ferbam, thiram, zineb, maneb, mancozeb,chlorothalonil, 
dicloran, captan, etc. 
Curativos sistêmicos: possuem alta capacidade de penetração e translocação na 
planta, agindo curativamente. Além dos efeitos curativos, imunizantes e protetores, tem ação 
erradicante. Apresentam poucos problemas de fitotoxicidade e de contaminação ao meio 
ambiente. Exemplos: carboxin, benomyl, carbendazim, tiofanato metílico, propiconazole, 
tebuconazole, etc. 
 
Classificação toxicológica 
 
A chamada classificação toxicológica decorre sobre a toxicidade dos produtos, e 
depende do poder letal do ingrediente ativo sobre os seres humanos (TERRA, 2008). 
A classificação toxicológica de agrotóxicos é estabelecida pela Portaria nº3 de 16 de 
janeiro de 1992, da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, que 
define as seguintes classes: 
Para se determinar a toxicidade, o padrão é a Dose Letal a 50% e é definida como a 
concentração atmosférica de uma substância química capaz de matar 50% da população de 
animais testados num intervalo de tempo definido, sendo medida em miligramas de 
substância em quilogramas de massa do animal testado (TERRA, 2008). 
 
Classificação ambiental: 
A Portaria Normativa IBAMA N° 84, de 15 de outubro de 1996, "estabelece critérios a 
serem utilizados junto ao IBAMA, para efeito de registro e avaliação do potencial de 
periculosidade ambiental (ppa) de agrotóxicos, seus componentes e afins”. (BRASIL, 1996). 
No seu Art. 3° classifica os agrotóxicos quanto ao potencial de periculosidade 
ambiental baseando-se nos parâmetros bioacumulação, persistência, transporte, toxicidade a 
diversos organismos, potencial mutagênico, teratogênico, carcinogênico, obedecendo a 
seguinte graduação: 
Classe I - Produto Altamente Perigoso 
Classe II - Produto Muito Perigoso 
Classe III - Produto Perigoso 
Classe IV - Produto Pouco Perigoso 
177 
 
17 Noções sobre legislação e defesa vegetal 
 
A produção vegetal - sob todos os aspectos e qualquer que seja a sua finalidade - está 
sujeita a um complexo de perdas que responde por um percentual bastante elevado do seu 
aproveitamento, quer como insumo para as indústrias, quer dirigida diretamente para o 
consumo humano e dos animais. 
Desde a fundamentação da safra (preparo do solo, o tratamento das sementes ou das mudas 
e a semeadura), durante o desenvolvimento das culturas, na ocasião das colheitas, no 
beneficiamento, na embalagem, no transporte e no armazenamento da produção, as pragas 
consomem ou inutilizam, por vezes, cerca de 30% da produção. Além disso, durante o ciclo 
das culturas, ocorrências climáticas cíclicas anulam outra parcela bastante significativa do que 
se plantou e do que se pode armazenar. 
É notório que a cada dia cresce a demanda de produtos agrícolas, industrializados ou 
in natura. Essa crescente demanda é consequência do surto populacional que o mundo está 
experimentando. Atualmente, calcula-se existir mais de 500 milhões de pessoas 
subalimentadas, com estimativas de aumento para 600 a 650 milhões até o final do século 
21, em que pesem os grandes avanços tecnológicos da agricultura, conquistados pela 
pesquisa agronômica. 
Para atender a esse aumento populacional, as estratégias governamentais visam 
duplicar a produção de vegetais alimentícios, fibrosos e energéticos. Dois procedimentos 
poderiam ser adotados para alcançar esse objetivo: 
 melhorar os índices de produtividade da agricultura; 
 ampliar as áreas cultivadas, abrindo novas fronteiras agrícolas. 
 
A implementação desordenada de qualquer dos casos resultaria no surgimento de 
outros problemas,notadamente o aumento de pragas. De fato, a ampliação de áreas de 
cultivo implica na introdução de novas espécies ou cultivares, ainda não adaptadas ao 
ambiente. A obtenção de melhores índices de produtividade também promove a introdução 
de novas espécies, variedades e cultivares. É exatamente neste intercâmbio de materiais de 
multiplicação vegetal que o homem cria as condições de vulnerabilidade para introdução de 
novas pragas e para disseminação das já existentes. 
Deve-se somar a essa problemática a globalização da economia, na qual se pratica 
um comércio aberto e a cada dia mais diversificado, intenso em volume e rápido no 
deslocamento entre países ou continente, com o previsível aumento da possibilidade de 
disseminação de pragas exóticas. 
As perdas na agricultura ocasionadas pelo ataque de pragas e por doenças remontam 
desde antes da era cristã, quando a humanidade já sofria com o ataque de gafanhotos. A 
mela da batata, ocasionada pelo fungo Phytophthora infestans, surgiu pela primeira vez em 
1845, na Irlanda, e causou a morte de milhares de pessoas e também a emigração de outros 
milhares para os Estados Unidos, uma vez que a batata era, na época, a base da alimentação 
do povo europeu. 
Em 1863, as plantações de videira francesas foram praticamente dizimadas pelo 
ataque de uma hemíptera, praga conhecida como “Phylloxera da Videira”. Em função dela, 
em 1881, foi criada a Convenção Internacional Contra a Phylloxera da Videira, substituída em 
1929, em Roma, pela Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais, também conhecida 
como Convenção de Roma, da qual o Brasil faz parte como signatário. 
Nos Estados Unidos, em 1910, surgiu pela primeira vez, na Flórida, o cancro cítrico, 
doença causada pela bactéria Xanthomonas axonopodis pv citri, por meio de mudas cítricas 
178 
 
trazidas por imigrantes japoneses, ocasionando grandes prejuízos aos citricultores e à 
economia americana. Por isso, em 1912, foi criada a Lei de Quarentena Vegetal dos EUA. 
A primeira referência de gafanhotos no Brasil data de 1888, quando se verificou grande 
infestação de Schistocerca pallens nos estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Em 
1938, 1942 e 1946, invasões de Schistocerca cancellata, partindo da Argentina, atingiram 
todo Sul e Sudeste brasileiro. E, em 1984, a mais intensa de todas infestações ocorreu em 
Mato Grosso, com o gafanhoto migratório Rhammatocerus schistocercoides ocupando uma 
faixa compreendida entre os paralelos 12 e 15, desde a divisa com Rondônia até o Vale do 
Rio Araguaia, na divisa com Goiás. 
Em 1905, foi detectada a presença da mosca das frutas, Ceratitis capitata (mosca do 
mediterrâneo), que atualmente se encontra difundida em todo território brasileiro. Em 1922, 
surgiu o mosaico da cana-de-açúcar e, em 1945, outra virose apareceu em pomares cítricos: 
a Tristeza dos Citros, provavelmente por material cítrico proveniente da África do Sul ou 
Argentina. Só no estado de São Paulo foram destruídas cerca de 12 milhões de plantas. 
Em 1957, também introduzido no Brasil por imigrantes japoneses, surgiu o cancro cítrico, na 
região de Presidente Prudente (SP). Hoje, a praga se encontra disseminada nos estados do 
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, 
Minas Gerais e Roraima. Trata-se de uma grande ameaça à citricultura nacional, 
principalmente na região produtora considerada nobre, em São Paulo, responsável pela 
exportação de US$ 1,5 bilhões/ano em suco de laranja. 
A ferrugem do cafeeiro, Hemileia vastatrix, surgiu pela primeira vez no Brasil em 1970, 
em Itabuna (BA), causando grande preocupação para a cafeicultura nacional, e com a 
erradicação, na época, de milhares de pés de café em Minas Gerais, Espírito Santo e São 
Paulo. Rapidamente, a doença se espalhou para todas regiões produtoras do país. 
O moko da bananeira, causado pela bactéria Pseudomonas solanacearum raça 2, foi 
identificado no Brasil,em 1976, no Amapá, e vem causando sérios prejuízos para a cultura na 
região Norte. 
Em 1983, surgiu o bicudo do algodoeiro, Anthonomus grandis, nas imediações do 
aeroporto internacional de Viracopos, Campinas (SP). No mesmo ano, foi identificado em 
Americana (SP) e Campina Grande (PB) e hoje se encontra nas principais regiões brasileiras 
onde se pratica a cotonicultura. 
A vespa-de-madeira, Sirex noctillio, de origem eurasiana, que ataca Pinus spp., foi 
constatada no Brasil em 1988 e já atinge o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. 
Outra doença importante introduzida no Brasil é o nematoide de cisto da 
soja, detectado em 1992 e já espalhado em regiões produtoras de Minas Gerais, Mato Grosso, 
Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo. 
A mariposa Cydia pomonella, que causa severos danos em rosáceas, foi constatada 
em 1991 em regiões suburbanas dos municípios de Vacaria (RS) e Lajes (SC). 
Em 1996, outra praga dos Citros foi introduzida no país, o minador da folha dos citros, 
Phyllocnistis citrella, detectada em São Paulo e disseminada para quase todos os estados 
brasileiros. 
Nesse mesmo ano, outras pragas de grande importância pelo seu potencial de dano 
econômico foram introduzidas/disseminadas no país, tais como: 
 Bactrocera carambolae (Mosca da carambola), introduzida no Oiapoque (AP); 
 Bemisia argentifolii raça B (mosca branca), disseminada a partir de São Paulo, 
observada atacando cucurbitáceas, solanáceas e plantas ornamentais, entre outras. 
 
Em 1998, constatou-se a ocorrência da Sigatoka Negra (Mycosphaerella fijiensis var. 
difformis) em plantios de bananeiras no Amazonas e Acre. Atualmente, além desses estados, 
179 
 
a praga já foi identificada em Rondônia e Mato Grosso e, mais recentemente nas regiões 
Sudeste/Sul, onde se localizam as principais áreas produtivas e de exportação. 
A ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, foi pela 
primeira vez relatada no Brasil em 2001 e já se encontra nos principais estados produtores. 
Em março de 2004, foi relatada em São Paulo (Araraquara) a praga Candidatus liberibacter 
spp., conhecida por greening ou huanglongbing, considerada em todo mundo a mais 
importante praga dos citros. 
Em 2009, duas importantes pragas foram introduzidas em Roraima: o Ácaro Vermelho 
das Palmeiras e o Ácaro Hindu. No mesmo estado, em 2011, foi detectada pela primeira vez 
a Cochonilha Rosada. Essas pragas introduzidas em áreas indenes causaram e vêm 
causando grandes prejuízos à economia nacional. Uma vez introduzidos, esses agentes 
poderão ser disseminados para as mais diversas regiões, seja pelo próprio homem ou pela 
natureza. 
Daí, a necessidade de se estabelecer Normas e Procedimentos (Legislação 
Fitossanitária), abrangendo todos os aspectos da cadeia produtiva, desde a produção, 
armazenamento, processamento e comercialização (trânsito interestadual e internacional), 
com o objetivo de salvaguardar o agronegócio brasileiro. 
O Método de Controle Legislativo aplica-se, especialmente, aos princípios de exclusão 
e erradicação, por meio da regulamentação da importação, exportação, comércio e trânsito 
interno de vegetais, partes de vegetais, produtos e subprodutos vegetais, além de 
indiretamente estar envolvido no controle químico, pois atua no registro, produção e comércio 
de agrotóxicos. 
Economicamente, este método seria o mais viável, pois, uma vez estabelecida em 
determinada área, torna-se difícil o controle dessa praga e, na maioria das vezes, sua 
erradicação é quase impossível. A convivência com uma praga estabelecida em determinada 
área exige diversos métodos de controle que, em geral, são bastante onerosos para o 
agricultor e danosos para a economia local, estadual e nacional. 
 
17.1 Contribuições da defesa vegetal 
 
O agricultor norte-americano gastava em 1915, em média, 132 horas de trabalho para 
obter uma produtividade de seis toneladas de alimento por hectare cultivado. Em 1950, o 
tempo necessário paraatingir as mesmas 6 toneladas caiu para a média de 53 horas e, em 
1985, com apenas 3 horas, ele obtinha o mesmo resultado. Esta progressão deveu-se, 
particularmente, à introdução de novas tecnologias agrícolas, utilizadas em forma integrada. 
Na história sobre o uso do manejo fitossanitário integrado, o ano de 1950 assumiu 
uma característica de divisor de águas para a agricultura mundial, pois, a partir daquela época, 
passou-se a explorar a idéia de integração do controle químico com o biológico, com o objetivo 
de se resolver o conflito entre o uso de inseticidas e ação dos inimigos naturais. Estava, 
portanto, plantada a semente da seleção de métodos de controle e do desenvolvimento de 
critérios para o emprego do Manejo Integrado de Pragas (MIP), garantindo consequências 
favoráveis sob os pontos de vista econômico, ecológico e sociológico. Uma conceituação que 
desabrochou, definitivamente, em 1961, quando os ecologistas australianos Diana e Clark 
escreveram um artigo em que defendiam uma tecnologia visando fazer o manejo protetor 
contra espécies benéficas (predadores, parasitas, polinizadores). 
No Brasil, entomologistas pioneiros, como o Prof. Costa Lima (Escola Nacional de 
Agronomia – Rio de Janeiro), já eram precursores da idéia de controle integrado pois, quando 
180 
 
este fez o estudo dos problemas do algodoeiro no Nordeste do país (1950), propôs uma série 
de medidas que se enquadram perfeitamente no conceito de integração de hoje. 
A classe Agronômica tem apoiado o Método Integrado de Cultivo, no qual se levam 
em conta todos os fatores que podem proporcionar à planta a capacidade máxima de 
produção, permitindo que ela aproveite eficazmente o seu potencial produtivo. O controle 
químico é, então, apenas uma das medidas da Agricultura Integrada. 
A prática do Manejo Integrado, em defesa fitossanitária, permite que sejam aplicados 
produtos e métodos de acordo com as necessidades sentidas por produtores e consumidores 
de alimentos. 
A ANDEF – Associação Nacional de Defesa Vegetal - tem sido grande propulsora do 
Manejo Integrado. No passado, isto parecia ser muito mais o papel de órgãos de pesquisa e 
universidades no nosso país. Hoje estamos de mãos dadas. O dilema da Resistência das 
Pragas aos inseticidas tem estado presente há anos, e também contribui para o 
desenvolvimento de programas de MIP. 
Os ácaros, que são a ruína dos produtores de maçãs e pêras, têm uma longa história 
de desenvolvimento de resistência. O curto ciclo de vida e o rápido período entre as gerações 
aceleram a velocidade na qual a resistência se desenvolve. Mais de meia dúzia de acaricidas 
tornaram-se ineficientes devido à resistência de ácaros, e apenas alguns continuam sendo 
eficazes, por meio da implementação de rigorosas estratégias de manejo de resistência. 
Em termos mundiais, mais de 500 espécies de insetos e outros artrópodes já 
demonstram resistência a uma classe de inseticidas. No Brasil, pode-se citar como exemplo 
o caso do ácaro da leprose do citros, Brevipalpus phoenicis e os sérios prejuízos causados 
nas principais regiões produtoras. 
O desenvolvimento da resistência é simplesmente uma conseqüência da seleção 
natural. O agente de controle (um inseticida ou acaricida) evita a reprodução de determinados 
insetos e ácaros sensíveis. Um pequeno percentual da população pode portar genes 
resistentes que permitem que uma determinada praga já existente na população sobreviva, 
ou possa surgir com a mutação. Como os produtos para proteção de culturas continuam a 
eliminar os indivíduos suscetíveis, o equilíbrio da população se altera. Os resistentes 
continuam a se multiplicar até que, por fim, se tornem predominantes. É importante 
registrarmos o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo IRAC-BR (Comitê Brasileiro de 
Ação a Resistência de Inseticidas), como os outros comitês afins nas áreas de Fungicidas e 
Herbicidas, isto é, FRAC e HRAC.A Defesa Fitossanitária é uma prática que objetiva 
salvaguardar a produção agrícola dos danos provocados por pragas, doenças e plantas 
daninhas. Tradicionalmente, estes problemas são enfrentados com o emprego de Produtos 
Fitossanitários. Esta luta não é fácil, principalmente quando se levam em conta os efeitos não 
desejados que podem advir do uso inadequado dos produtos fitossanitários, em especial, o 
uso equivocado dos agroquímicos, baseando-se em calendários de aplicações, 
independentemente de sua necessidade. Como resultado, tem-se a realização de tratamentos 
que resultam levam quantidades desnecessárias desses produtos ao meio ambiente. 
A prática de intervir com produtos fitossanitários em períodos programados, mesmo 
quando as populações de pragas não estão provocando “danos econômicos”, é uma das 
causas que podem fazer parte desses efeitos não desejados e de outros inconvenientes que 
afetam o agricultor, tais como: 
 Desenvolvimento de resistência pelos agentes a serem controlados 
 Aparecimento de novas Pragas, devido à eliminação maciça dos Inimigos Naturais 
 
O uso dirigido e adequado do Produto Fitossanitário é um método que compreende 
sua utilização quando os agentes daninhos chegam a uma população que realmente irá 
181 
 
provocar prejuízo econômico à cultura estabelecida. Para isso, deve-se ter como base para 
sua prescrição e utilização alguns quesitos como: 
 Conhecimento da Praga, Doença ou Planta Daninha 
 Eficiência dos Produtos Fitossanitários 
 Conhecimento dos Inimigos Naturais 
 Condições Climatológicas 
 Métodos de Amostragens 
 Conhecimento dos Níveis de Danos Econômicos 
 
O Manejo Integrado, sem dúvida, é o melhor caminho para o uso correto e 
seguro dos produtos fitossanitários. Esta prática também oferece a possibilidade de 
deixar que Predadores / Parasitas / Polinizadores desenvolvam seu papel útil à 
agricultura. Paralelamente, existe a vantagem de reduzir a dimensão da resistência 
das pragas aos diferentes produtos. 
As exigências da moderna agricultura brasileira crescem à medida que se 
impõe a necessidade de garantia dos níveis de produção e produtividade, adequados 
ao pleno abastecimento do mercado interno e geração de excedentes exportáveis que 
possam contribuir, de forma definitiva, para o superávit da balança comercial do País. 
Os insumos agrícolas, quando utilizados sob a supervisão de profissionais 
legalmente habilitados, geram resultados positivos para todos os envolvidos no 
processo. O Manejo Integrado de Pragas, Doenças e Plantas Daninhas, que consiste 
na implementação de métodos de controle que utilizem, harmonicamente, os 
processos químicos, físicos, biológicos e os métodos culturais, de forma planejada, 
resulta em benefício da produtividade, proteção ambiental, segurança do consumidor 
e das pessoas envolvidas na atividade agrícola. 
A produção agrícola é norteada por 3 (três) tipos de fatores de produção (de 
acordo com Rabbringe e De Wit, 1989): 
• fatores determinantes da produtividade 
• fatores limitantes da produtividade 
• fatores que reduzem a produtividade 
 
Os fatores determinantes da produtividade, tais como a capacidade genética 
da planta, o solo e a luz solar, estabelecem o nível potencial da produção. Muitas 
vezes, o potencial não pode ser concretizado, devido a fatores limitantes, como falta 
de água, nitrogênio ou fósforo, acidez do solo, entre outros. A produtividade efetiva 
(de acordo com Zadoks e Schein, 1979 ) não pode ser colhida devido aos fatores 
redutores de rendimento. A Proteção das Plantas trata dos fatores que reduzem a 
produtividade, com devida consideração dos fatores limitantes. 
As pragas, as doenças dos vegetais e as plantas daninhas estão entre os 
principais fatores que reduzem a produção de alimentos e outros bens indispensáveis 
à sobrevivência e bem-estar das populações. A tecnologia tem propiciado ao homem, 
meios cada vez mais eficazes para superar tais problemas. Entre esses meios 
destaca-se o emprego dos DefensivosAgrícolas, produtos fitossanitários capazes de 
eliminar ou reduzir as infestações e os consequentes prejuízos trazidos pelas pragas, 
doenças e plantas daninhas. Esta é uma luta contínua em que se empenham 
especialistas de todo o mundo, nas instituições governamentais, nas entidades 
internacionais, nas universidades e nas empresas particulares. 
 
182 
 
17.2 Proteção de Plantas 
 
Evitar as perdas na agricultura tem sido o nosso grande objetivo. Nós, os Engenheiros 
Agrônomos, assim como profissionais de outras áreas afins de ciências agrárias, nos 
preocupamos muito com as perdas na agricultura, incluindo a área fitossanitária. De acordo 
com a FAO, 35% são as perdas nessa área: 14% pelos insetos, 12% devido às doenças e 9% 
com as plantas daninhas. A situação é mais preocupante quando se comparam as perdas 
entre países em desenvolvimento, como o Brasil, com os desenvolvidos. 
 
 
 
O controle das pragas, doenças e plantas daninhas por meio dos produtos 
fitossanitários, apesar de ser rápido, econômico e eficiente, deve ser utilizado de modo 
vantajoso associado a outros métodos de controle. 
Desde que o homem começou a usufruir dos Produtos Fitossanitários como arma para 
combater os insetos, aplicando os Inorgânicos (como os Arseniatos) ou os de Origem Vegetal 
(como Nicotina, Rotenona e Piretro), tivemos várias Fases no controle fitossanitário. 
 
1ª Fase: “Fase da Subsistência” 
O rendimento de controle era baixo, muito dependente do Controle Natural, da 
Resistência Natural e de Práticas Culturais. Raros eram os tratamentos com Produtos 
Fitossanitários. O homem contava, acima de tudo, com a sorte. 
 
2ª Fase: “Fase da Exploração” 
Houve expansão do cultivo e da confiança em esquemas de Controle Químico. Os 
Produtos Fitossanitários eram aplicados de acordo com um calendário prévio. Os índices de 
produtividade cresceram e, por conseguinte, houve o abandono de métodos alternativos. 
 
3ª Fase: “Fase da Crise” 
A aplicação no esquema de calendário, com épocas preestabelecidas, levava, muitas 
vezes, o agricultor a executar os tratamentos fitossanitários desnecessáriamente, quando a 
incidência das pragas era ainda muito baixa ou até mesmo inexistente. Isto contribuía para 
uma redução drástica dos inimigos naturais, cujas populações não conseguiam mais atingir 
os níveis adequados para um controle natural das pragas que, por sua vez, ressurgiam em 
surtos mais severos. O uso intensivo de um mesmo produto contribuía, além disso, para o 
desenvolvimento de resistência, tornando o problema ainda mais sério. 
 
4ª Fase: “Fase do Desastre” 
Havia um maior custo do controle fitossanitário, o abandono das culturas por 
produtores marginais e a impossibilidade do cultivo econômico em certas áreas. 
 
 
183 
 
5ª Fase: “Fase do Manejo Integrado” 
Hoje, temos que conduzir a Agricultura com conhecimento técnico, criatividade e 
inteligência, levando em consideração todos os fatores que podem proporcionar à planta a 
sua capacidade máxima de produção, permitindo que ela aproveite eficazmente o seu 
potencial produtivo. Isso só se consegue através do Sistema Integrado de Manejo na 
Produção Agrícola. Na área de Proteção de Plantas, o objetivo é atingir os níveis mais 
elevados possíveis no controle, dentro de uma visão sistemática e integrada da produção 
agrícola sustentável. 
 
17.3 Legislação Fitossanitária Brasileira 
 
A Legislação Fitossanitária Brasileira está dividida em dois grandes grupos 
normativos: 
 
 Legislação básica 
 Legislação complementar 
 
Legislação básica 
 
1) O Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária – SUASA (Decretonº 5.741, 
de 30/03/2006). 
 
Estabelece as regras destinadas aos participantes do Sistema Unificado de Atenção à 
Sanidade Agropecuária e as normas para a realização de controles oficiais destinados a 
verificar o cumprimento da legislação sanitária agropecuária e a qualidade dos produtos e 
insumos agropecuários. 
 
2) Regulamento de Defesa Sanitária Vegetal – RDSV (Decreto 24.114 de 12/04/1934) (EM 
REVISÃO) – Estabelece as Normas e os Procedimentos adotados pelo Brasil, para: 
 Importação de vegetais; 
 Exportação de vegetais; 
 Comércio e trânsito de vegetais; 
 Erradicação e combate às pragas dos vegetais; 
 Desinfecção e desinfestação de vegetais. 
 
 
3) Convenção Internacional de Proteção dos Vegetais – CIPV 
A CIPV tem como objetivo assegurar uma ação comum e permanente contra a 
introdução e disseminação de pragas dos vegetais, partes de vegetais e produtos de origem 
vegetal, além de promover as medidas para o seu combate. O Brasil, como signatário e, por 
conseguinte, parte contratante, compromete-se a adotar as medidas legislativas, técnicas e 
administrativas especificadas nessa Convenção e em acordos suplementares propostos pela 
Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO, por iniciativa própria 
ou por recomendação de uma das partes contratantes. 
 
 
 
 
184 
 
4) Acordos Fitossanitários Internacionais 
 
Com o advento da OMC e particularmente do Acordo sobre Aplicação de Medidas 
Sanitárias e Fitossanitárias, conhecido como Acordo SPS, vários países têm implementado a 
celebração de acordos, com vistas a facilitar o comércio do agronegócio, principalmente 
aqueles que têm esse segmento como importância estratégica em suas economias. 
A base para esses acordos fundamenta-se no texto do Acordo SPS e nas decisões do 
Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio. Esse 
Comitê implementa a discussão de temas como regionalização, equivalência, trato especial e 
diferenciado, notificação e transparência,além de ter uma participação importante na solução 
de controvérsias entre seus membros nos temas sanitários e fitossanitários. 
Nesse sentido, o Brasil vem implementado discussões para implantação de protocolos 
bilaterais e bi-regionais que são alterados, ajustados ou extintos em função dos interesses 
das partes contratantes. Como exemplos podem ser citados as negociações e Acordos com 
o Canadá, Estados Unidos da América, Chile, China, Argentina, entre outros, para a 
celebração de protocolos de equivalência e entre o Mercosul e a União Européia nas áreas 
sanitárias e Fitossanitárias. 
Como prioridade manifestada pelo atual governo brasileiro em relação ao 
fortalecimento do MERCOSUL foram agilizados os Acordos do bloco MERCOSUL com 
diversos países, tais como: Peru, União Europeia, África do Sul, Índia, Bolívia, Comunidade 
Andina das Nações e Chile. 
Os acordos bilaterais são muito relevantes para a integração comercial. A título de 
exemplo, informamos que o Brasil tem cerca de 120 acordos bilaterais na área sanitária e 
fitossanitária, firmados com cerca de 45 países. Muitas vezes a implementação bilateral é 
mais rápida e traz resultados para o comércio de forma mais célere, além de facilitar possíveis 
entendimentos mais abrangentes num futuro próximo. 
 
5) Lei dos agrotóxicos (Lei nº 7.802 de 11/07/89 e Decreto nº 98.816 de 11/01/90) 
 
Esta Lei substituiu o capítulo VI do Regulamento da Defesa Sanitária Vegetal, e dispõe 
sobre a pesquisa, experimentação, produção, embalagem, transporte, armazenamento, 
comercialização, utilização, importação, exportação, destino final dos resíduos e embalagens, 
registro, classificação, controle, inspeção e fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e 
afins. 
 
Legislação complementar 
 
A Legislação Complementar estabelece ou regulamenta as normas, procedimentos e 
estrutura operativa da Defesa Sanitária Vegetal no país. É constituída por Portarias, 
Instruções Normativas, Instruções de Serviço, etc., que são editadas e atualizadas 
periodicamente de acordo com as prioridades e conveniências da fitossanidade nacional. 
 
 Pragas Regulamentadas 
 
1 - Pragas Quarentenárias(PQ) 
 
Para identificar como quarentenária uma determinada praga, usa-se a definição 
adotada pelaFAO, cujos elementos básicos incluem considerações sobre a presença ou 
185 
 
ausência da praga em uma área posta em perigo, a distribuição da mesma, sua importância 
econômica e se está ou não sendo objeto de controle oficial. 
Adicionalmente, levam em consideração critérios acerca do potencial de 
disseminação,da importância relativa dos meios naturais e artificiais de disseminação, do 
potencial de estabelecimento e da adequação climática da área. 
 
Definição de Praga quarentenária: aquela que pode ter importância econômica potencial 
para uma área posta em perigo, quando a praga ainda não está presente ou, se existente na 
área, não está disseminada e se encontra sob controle oficial. As pragas definidas como 
quarentenárias são agrupadas nas seguintes categorias: 
 Quarentenária ausente: Pragas exóticas (não presentes em determinada área) e que 
se ajustam à definição de praga quarentenária. 
 Quarentenária presente: Pragas que apresentam disseminação localizada e que 
estão submetidas a medidas fitossanitárias e respondem à definição de praga 
quarentenária. 
 
2 - Pragas Não Quarentenárias Regulamentadas (PNQR) 
 
Conforme definição da CIPV, uma praga é considerada Não Quarentenária 
Regulamentada quando não for uma praga quarentenária e cuja presença em materiais de 
propagação vegetal (MPV) influi no uso proposto para estas plantas, com repercussões 
econômicas inaceitáveis e que, portanto, está regulamentada no território da parte contratante 
importadora. 
Entende-se por MPV aquelas plantas destinadas a permanecerem plantadas, serem 
plantadas ou replantadas, como sementes, mudas, gemas, estacas, tubérculos etc. 
Os países signatários da CIPV interessados em resguardar a sanidade de suas 
lavouras poderão regulamentar essas duas categorias de pragas (PQ e PNQR) baseadas em 
apurada justificativas técnica, apresentada sob a forma de Análise de Risco de Pragas (ARP). 
 
3 - Análise de Risco de Pragas (ARP) 
 
Por definição, ARP é um processo de avaliação de evidências biológicas, científicas e 
econômicas para determinar se uma praga deveria estar regulamentada e a intensidade de 
quaisquer medidas fitossanitárias aplicadas para seu controle. 
Os objetivos da ARP são identificar as pragas de importância quarentenárias e não 
quarentenárias regulamentadas, avaliar seus riscos fitossanitários e estabelecer as medidas 
para diminuir o risco, de forma tal que barreiras comerciais alicerçadas em questões 
fitossanitárias injustificadas sejam evitadas. 
Toda medida fitossanitária regulamentada por um país deverá estar baseada em 
normas aprovadas pela CIPV/FAO. No caso da Análise de Risco de Pragas deve-se utilizar, 
principalmente, o estabelecido nas seguintes Normas Internacionais para Medidas 
Fitossanitárias (NIMF): 
 FAO, 1995. Princípios de Quarentena Vegetal com Relação ao Comércio 
Internacional.NIMF no 01. Roma; 
 FAO, 1996. Diretrizes para a Análise de Risco de Pragas. NIMF no 02. Roma; 
 FAO, 2001. Análise de Risco de Pragas Quarentenárias. NIMF no 11. Roma; 
 FAO, 2002. Pragas Não Quarentenárias Regulamentadas: Conceito e Aplicação. 
NIMF no 16. Roma; 
186 
 
 FAO, 2004. Análise de Risco de Pragas Não Quarentenárias Regulamentadas. NIMF 
no 21. Roma. 
 
Uma análise de risco só tem sentido em relação a uma área definida, que poderá ser uma 
região, um país ou uma área dentro do país. Devem-se identificar as pragas e/ou vias 
(qualquer meio que permita a entrada ou disseminação de uma praga) e avaliar o risco, com 
o fim de identificar áreas em perigo e, se for apropriado, identificar opções para manejar o 
risco. 
Antes de começar a realizar uma nova ARP deve-se verificar se a praga ou via de entrada 
em questão já tenha sido submetida a este processo, em nível nacional ou internacional. No 
caso de haver uma ARP, deve-se verificar sua validade, já que as condições fitossanitárias 
podem ter mudado. Outra opção é verificar a existência de ARP similar que possa substituir, 
parcial ou totalmente, a necessidade de uma nova ARP. 
 
O processo de ARP é composto, basicamente, de três etapas: 
1. Início do Processo; 
2. Avaliação do Risco; e 
3. Manejo do Risco. 
 
1 - Início do processo: é a identificação de pragas ou vias de entrada para as quais é 
necessária uma ARP. 
 
a) Identificação de uma via. Consiste na identificação de um produto associado ao qual uma 
praga pode ser levada a um determinado local. Ex: incorporação ao comércio internacional 
de um produto, normalmente uma planta ou produto vegetal, que anteriormente não havia 
sido importado pelo país; ou de um produto proveniente de uma área nova ou país de origem 
novo; 
 
b) Identificação de uma praga. Um processo de ARP pode ser iniciado para situações onde 
há envolvimento direto da praga. Ex: em caso de pesquisa, é comum a solicitação para 
importar um organismo; situação de emergência ao interceptor uma nova praga em um 
produto importado; quando novos aspectos relacionados a uma praga são identificados pela 
pesquisa científica; introdução 
de uma praga em uma área, interceptação de uma praga em repetidas ocasiões, identificação 
de um organismo como vetor de outras pragas, etc. 
 
c) Revisão das políticas e prioridades fitossanitárias. Ex: decisão nacional de examinar 
regulamentos, requisitos ou operações fitossanitárias; proposta formulada por outro país ou 
por uma organização internacional, mudança da situação fitossanitária de um país, etc. 
 
É importante nesta etapa inicial identificar claramente a identidade da(s) praga(s), sua 
distribuição geográfica atual e sua associação com plantas hospedeiras, produtos etc. A 
obtenção das informações para a ARP pode ser feita a partir de diversas fontes, tais como 
especialistas, Internet, bancos de dados nacionais e internacionais, além de literatura 
especializada. O fornecimento da informação oficial sobre a situação de uma praga é uma 
obrigação prevista na Convenção Internacional de Proteção Fitossanitária (CIPV, 1997) e 
deverá ser facilitada pelas Organizações Nacionais de Proteção Fitossanitária – ONPF. 
 
187 
 
2 - Avaliação do risco: tem por propósito determinar se uma praga é realmente quarentenária 
ou não quarentenária regulamentada, categorizada em termos de potencial de ingresso, 
estabelecimento, disseminação e repercussão econômica. Esta etapa pode ser dividida em 
três passos relacionados entre si: 
 
a) Classificação das pragas: Cada praga é examinada para averiguar o cumprimento dos 
critérios utilizados para classificação como PQ ou PNQR. Nesse passo se examinará, para 
cada praga, se os critérios estabelecidos, na definição, são aplicáveis. A oportunidade de 
excluir uma praga ou pragas antes de começar uma análise mais aprofundada é uma valiosa 
característica do processo de classificação. 
A classificação pode ser realizada com poucas informações, mas deverá ser suficiente 
para que seja feita de forma adequada. Seus elementos básicos são: identidade da praga; 
presença ou ausência na área de ARP; situação regulamentar; possibilidade de 
estabelecimento e disseminação na área; potenciais consequências econômicas e ambientais 
na área. 
 
b) Avaliação da probabilidade de introdução e disseminação: A introdução da praga 
compreende tanto sua entrada como seu estabelecimento. Para avaliar a probabilidade de 
introdução e/ou disseminação, é necessária uma análise de cada uma das vias com as quais 
a praga pode estar relacionada, desde seu lugar de procedência até seu estabelecimento na 
área de ARP. Em uma ARP iniciada por uma via específica (normalmente um produto 
importado), é feita a avaliação da probabilidade de entrada da praga para a via em questão. 
Igualmente, é necessário investigar as probabilidades de que a entrada da praga esteja 
associada com outras vias. 
Nos casos da ARP iniciar por uma praga, sem considerar o produto ou via específica, 
deve-se atentar para todas as vias prováveis; isto é,analisar as possíveis formas de 
introdução da praga. A avaliação da probabilidade de estabelecimento e disseminação está 
baseada principalmente em considerações biológicas (quantidade de hospedeiros, vetores, 
epidemiologia, sobrevivência etc.) e ambientais. 
 
c) Avaliação das possíveis consequências econômicas: Deverão ser obtidas informações 
confiáveis de danos em áreas onde a praga esteja estabelecida atualmente e relacioná-los, 
se possível, com fatores bióticos e abióticos, principalmente o clima. Para cada uma destas 
áreas, as informações obtidas deverão ser comparadas com a situação na área de ARP. 
Alguns fatores a considerar são: 
 tipo de dano; 
 perdas de produção; 
 perdas de mercado de exportação; 
 aumento nos custos de controle; 
 efeitos nos programas de manejo integrado; 
 danos ao meio ambiente; 
 capacidade de atuar como vetores de outras pragas; 
 custos sociais. 
 
É conveniente levar em consideração casos concretos relacionados com pragas 
similares. Caso seja conveniente, deverão ser obtidos dados quantitativos que refletem 
valores monetários. A consulta a um economista pode ser útil. 
Na determinação da probabilidade de introdução de pragas e de suas potenciais 
consequências econômicas aparecem muitas dúvidas. Essa determinação constitui uma 
188 
 
extrapolação da situação onde a praga ocorre e a situação hipotética na área de ARP. Na 
avaliação é importante documentar o grau de incerteza, e indicar se recorreu à opinião de 
especialistas. Isso é necessário para aumentar a transparência e pode ser útil para determinar 
necessidades de pesquisa e estabelecer uma ordem de prioridades. 
 
3 - Manejo do risco: Esta etapa compreende o desenvolvimento, avaliação, comparação e 
seleção de opções para reduzir o risco. São consideradas as conclusões obtidas na fase de 
avaliação do risco. Decidindo-se assim se é necessário manejar o risco e qual a intensidade 
dessa medida. Deve-se manejar o risco com o objetivo de conseguir um grau de segurança 
que possa ser justificado e seja viável dentro dos limites das opções e recursos disponíveis. 
O nível de risco aceitável (dado que sempre há algum risco de introdução e/ou disseminação 
de pragas) é uma decisão soberana de cada país. 
Na escolha das opções de manejo do risco deve-se sempre levar em consideração os 
“Princípios de Quarentena Fitossanitária em Relação ao Comércio Internacional” (NIMF no 
01, 1995), dentre os quais podemos citar: 
 
 Demonstrar a eficácia e viabilidade das medidas fitossanitárias: relação custo-
benefício aceitável; 
 Mínimo Impacto: as medidas fitossanitárias devem ser condizentes com o risco da 
praga em questão e representarão as medidas menos restritivas disponíveis que 
resultem no mínimo impedimento ao movimento internacional de pessoas, produtos e 
meios de transporte; 
 Equivalência: Se houver medidas fitossanitárias diferentes que produzam o mesmo 
efeito, essas medidas deverão ser aceitas como alternativas; 
 Não discriminação: Se a praga já está estabelecida na área de ARP, mas não 
amplamente distribuída e está sob controle oficial, as medidas fitossanitárias 
relacionadas com as importações não deverão ser mais rigorosas que as que se 
aplicam na área de ARP. Analogamente, as medidas fitossanitárias não deverão 
discriminar países exportadores com a mesma situação fitossanitária. 
 
Algumas opções de manejo de risco a considerar são: 
 
 inclusão na lista de pragas proibidas; 
 inspeção fitossanitária e certificação antes da exportação (verificação na origem); 
 tratamento do cultivo, campo ou lugar de produção; 
 proibição de importação de partes da espécie hospedeira; 
 proibição de importação do produto; 
 área livre de pragas (NIMF no 04, 1996); 
 local de produção livre de pragas (NIMF no 10, 1999); 
 quarentena pós-entrada; 
 tratamento do produto (químico, térmico, irradiação, biológico etc.); 
 erradicação ou contenção (dentro do país importador); 
 restrições ao uso do produto; 
 certificado fitossanitário (NIMF no 07, 1997). 
 nível de tolerância (NIMF no 21, 2004). 
 
Com o objetivo de atingir o nível aceitável de risco, combinações de duas ou mais 
medidas podem ser consideradas. Além disso, outras opções de manejo poderão ser 
189 
 
estabelecidas por meio de acordos bi ou multilaterais, com o propósito de garantir o 
cumprimento das medidas fitossanitárias. 
À medida que as condições fitossanitárias são atualizadas e com a obtençãode novas 
informações, as medidas fitossanitárias deverão ser modificadas imediatamente, 
incorporando as proibições, restrições ou requisitos necessários para sua efetividade ou 
eliminando aquelas desnecessárias. 
A CIPV e o princípio da transparência (NIMF no 01, 1995) exigem que os países 
comuniquem, quando solicitados, os fundamentos dos requisitos fitossanitários. 
O processo completo, desde o início até o manejo de risco de pragas, deverá estar 
suficientemente documentado demonstrando claramente as fonts de informações e os 
princípios utilizados para adotar a decisão com respeito ao manejo de risco. Dessa forma, 
revisões ou questionamentos futuros podem ser esclarecidos de maneira mais isenta e 
transparente. 
Toda legislação fitossanitária brasileira poderá ser consultada, na íntegra, no portal do 
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (www.agricultura.gov.br) através do link 
legislação (Sistema de Consulta à Legislação - SISLEG). 
 
 
 
Endereços importantes para consulta: 
 
Convenção Internacional de Proteção Fitossanitária (CIPV) 
https://www.ippc.int/IPP/En/default.jsp 
 
Norma Internacional de Medidas Fitossanitárias (NIMF) 
https://www.ippc.int/servlet/CDSServlet?status=ND0xMzM5OSY2PWVuJjMzPSomMzc9a29z 
 
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) 
http://www.agricultura.gov.br/ 
 
Mercado Comum do Sul (Mercosul) 
http://www.mercosul.gov.br/ 
 
Comitê de Sanidade Vegetal do Cone Sul (COSAVE) 
http://www.cosave.org 
 
Organização Européia de Proteção de Plantas (EPPO) 
http://www.eppo.org/ 
 
Organização Norte-Americana de Proteção de Plantas (NAPPO) 
http://www.nappo.org/ 
 
Comunidade Andina 
http://www.comunidadandina.org/ 
 
Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) 
http://www.ima.mg.gov.br/ 
 
 
http://www.agricultura.gov.br/
https://www.ippc.int/IPP/En/default.jsp
https://www.ippc.int/servlet/CDSServlet?status=ND0xMzM5OSY2PWVuJjMzPSomMzc9a29z
http://www.agricultura.gov.br/
http://www.mercosul.gov.br/
http://www.cosave.org/
http://www.eppo.org/
http://www.nappo.org/
http://www.comunidadandina.org/
http://www.ima.mg.gov.br/
190 
 
Atividades para fixação 
 
1) As características dos produtos fitossanitários modernos são, exceto: 
( ) maior eficiência agronômica 
( ) uso de menores doses de ingrediente ativo por área 
( ) produtos com menor toxicidade 
( ) menor impacto ambiental 
( ) uso de maiores doses de ingrediente ativo por área 
 
 
2) São premissas do Manejo Integrado de Pragas (MIP) obter um controle eficiente 
respeitando os aspectos: 
( ) sociológicos e ecológicos 
( ) ecológicos e econômicos 
( ) econômicos e sociológicos 
( ) econômicos, ecológicos e sociológicos 
( ) nenhuma das alternativas acima 
 
 
3) As pragas, doenças e plantas daninhas são fatores que: 
( ) reduzem a produtividade 
( ) limitam a produtividade 
( ) determinam a produtividade 
( ) alternativas a, b e c 
( ) nenhuma das alternativas 
 
 
4) O IRAC-BR é : 
( ) Comitê Brasileiro de Ação a Resistência de Fungicidas 
( ) Comitê Brasileiro de Ação a Resistência de Nematicidas 
( ) Comitê Brasileiro de Ação a Resistência de Herbicidas 
( ) Comitê Brasileiro de Ação a Resistência de Inseticidas 
( ) Nenhum dos anteriores 
 
 
5) Os surtos de pragas secundárias são principalmente devido: 
( ) condições climáticas 
( ) ciclo biológicos

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