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5 Memória Secundaria Os discos magné cos são ainda os componentes mais importantes da memória externa. Esses pos de discos são usados desde computadores pessoais simples até supercomputadores. O principal atra vo é a sua ampla capacidade de armazenamento. Outros disposi vos largamente u lizados como memória de armazenamento secundário e como armazenamento de segurança (backup) são os discos óp cos CDs e DVDs. Nas sessões seguintes serão explorados os conceitos de ambas as tecnologias. 5.1 Organização e funcionamento dos discos magné�cos Um disco rígido (Hard Disk ou HD) é formado por uma ou mais super*cies, chamadas de pratos. Essa super*cie é circular, fina e coberta por uma camada de material magne zável. Atualmente, as duas super*cies (as duas faces) do prato são cobertas por este material magné co. Cada face do prato de um disco é organizada em áreas circulares concêntricas, denominadas de trilhas. Em geral, como cada trilha possui grande capacidade de armazenamento em bytes, elas são divididas em partes menores, chamadas de setores. Figura 16 Vista superior de um prato do HD Figura 17 Vista lateral dos pratos montados Mesmo que haja diferença no tamanho *sico dos setores, eles armazenam sempre a mesma quan dade de informação, ou seja, 512 bytes. Isso se deve à densidade magné ca de cada setor e pela não existência de trilhas próximas das bordas do prato e nem próximas ao centro. O disco completo (ou seja, todos os pratos) gira numa velocidade constante em torno do seu eixo, podendo variar de 4.200 RPM a 7.200 RPM nas unidades u lizadas em computadores desktop. Em computadores servidores, essa rotação pode chegar a 15.000 RPM. Assim como nas trilhas, os setores do disco são iden ficados por um endereço, de S0 a S-1, que são definidas todas no momento da formatação do disco. Sobre cada prato, que tem duas super*cies u lizadas para leitura e gravação, o braço transporta a cabeça de leitura e gravação, realizando um movimento transversal sobre as trilhas. O mecanismo do disco que executa o movimento do braço chama-se atuador. Uma das caracterís cas do funcionamento dos discos rígidos relaciona-se ao tempo gasto nas etapas para leitura e escrita. O tempo gasto entre o instante de início da leitura ou escrita e seu término é chamado de tempo de acesso, e é formado pelos tempos mostrados no Quadro abaixo. Organização e Arquitetura de Computadores 31 Um dos módulos do sistema operacional chama-se Sistema de Arquivos, que faz o controle sobre as leituras e gravações no disco. Os sistemas de arquivos mais comuns são o FAT32 e NTFS (existem outros como Ext2, Ext3, RaiserFS, do Linux). O conjunto de vários setores do disco forma os clusters, que são referenciados por um único endereço pelo sistema operacional. A quan dade de setores usados para cada cluster depende do po de sistema de arquivos escolhido. Por exemplo, no sistema NTFS, os clusters variam de 512 bytes a 4 Kbytes. Já no FAT32, variam entre 2 e 32Kbytes, sempre dependendo do tamanho do disco. Figura 18 Exemplo de sistema de arquivos do HD (FAT) Organização e Arquitetura de Computadores 32 5.2 Armazenamento com discos óp�cos A memória óp ca é um dos mais bens sucedidos produtos comerciais de todos os tempos. Criado inicialmente para um sistema de áudio digital de disco compacto, o CD é um disco que não pode ser apagado e tem capacidade para armazenar mais de 60 minutos de informação. Com a evolução dos armazenamentos óp cos, como o CD-R e o DVD, uma variedade de novos sistemas foram introduzidos. Devido à alta capacidade de armazenamento (entre 650 e 750 MB) e à alta confiabilidade, surgiram três pos de CDs no mercado: CD-ROM, CD-R e CD-RW. CD-ROM (Compact Disc – Read Only Memory) - Foi o primeiro po u lizado pela indústria. U liza um sistema óp co para marcação dos bits (0s e 1s), diferente dos discos rígidos, que u lizam meios magné cos. Esse disco é composto, em geral, por policarbonato, fabricado sob forma circular e têm espessura de 1,2 mm e diâmetro de 12 cm. O processo de gravação é feita uma só vez na origem (como por exemplo, uma empresa fonográfica ou um fabricante de soNware), em que são marcados os elementos da informação e logo depois essa matriz é reproduzida em diversos outros discos, que é determinado pelo lote do fabricante. Empresas de soNware (como a MicrosoN) ou empresas fonográficas (como a Sony) u lizam esses pos de CDs para distribuir seus grandes volumes de programas ou músicas, por serem mais econômicos. Diferentemente dos discos rígidos, que possuem várias trilhas concêntricas, os CDs possuem apenas uma trilha, criada em espiral a par r de um ponto próximo ao centro do disco (observe a Figura 8.4). Com o propósito de aumentar a capacidade do disco, foi criada apenas uma trilha, onde contém todos os blocos com a mesma capacidade de armazenamento, do início ao final. O processo usado para gravar dados no disco é, em linhas gerais, simples. Ele ocorre a par r do uso de um feixe de alta intensidade para criar no disco as valas (pits), separadas por regiões planas (lands). O valor do bit 1 é definido pela passagem de uma vala para uma super*cie plana, e dessa para uma vala. O valor do bit 0 é representado pelo espaço entre as valas. CD-R (Compact Disc Recorded) - No caso de obtenção de poucas cópias (baixos volumes) de CDs, o processo de gravação de CD-ROMs torna-se caro. A solução encontrada foi fabricar CDs virgens (bem mais baratos) e um gravador especial de CD para uso público. Dessa forma, o processo de gravação passou a ser individual (por CD) e não por matriz e prensagem, como é o caso dos CD-ROMs. Surgiu então um novo po de CD, chamado de CD-R. Um CD-R tem caracterís ca diferente do CD-ROM com relação à existência de uma camada refletora de alumínio, que é plana e possui uma camada adicional, a va, cons tuída de um corante fotossensível. Durante o processo de gravação (realizado uma única vez), o feixe de laser de alta intensidade percorre a trilha e a nge a camada a va. Essa Organização e Arquitetura de Computadores 33 camada a va é translúcida e se torna opaca quando a ngida por um feixe de laser de alta intensidade. Dessa forma, podemos associar as regiões opacas aos pits (valas) e as regiões translúcidas aos lands (planos). CD-RW (Compact Disc ReWritable) - Da mesma forma que as memórias ROMs evoluíram para PROMs e EEPROMs, os CDs também seguiram essa linha. A impossibilidade do CD-R em permi r regravações (como backups con nuados e progressivos) o tornou pouco atra vo, principalmente para as empresas, a par r daí surgiram os CD-RWs. Tecnicamente, a diferença básica do CD-RW para o CD-R reside na camada extra, a va, que no caso do CD-RW, cons tui-se por três camadas: duas para proteção, formadas por material dielétrico, e uma a va, inseridas entre as duas primeiras. As camadas de proteção permanecem sempre num estado translúcido. O processo de apagamento e gravação de um CDRW pode ser repe do milhares de vezes, mas aparentemente muito menos do que o apagamento e regravação nos discos rígidos. DVD (Digital Video Disc) - Os DVDs surgiram para subs tuir o CD u lizando uma mesma tecnologia óp ca, porém com maior capacidade de armazenamento. Ele subs tuiu as an gas fitas de vídeos VHS analógicas e também está subs tuindo os CDROMs. Sua capacidade de armazenamento pode chegar a 17 GB. Da mesma forma que existem os CD-R e os CD-RW, existem também osDVD-R e os DVD-RW, u lizando suas gravações de forma semelhante ao CD. Blu-ray Disc,-também conhecido como BD (de Blu-ray Disc) é um formato com 12 cm de diâmetro e 1,2mm de espessura (igual ao CD e ao DVD) para vídeo e áudio de alta definição e armazenamento de dados de alta densidade. Capacidade chega a 100GB. Organização e Arquitetura de Computadores 34 Diferenças entre o blu-ray, HD DVD e o DVD Blu-ray HD DVD DVD Capacidade (armazenamento) 23.3 / 25 / 27 GB (Camada Única) 15 GB (Camada Única) 4.7 GB (Camada Única) 46.6 / 50 / 54 GB (Camada Dupla) 30 GB (camada dupla) 8,5GB (Camada Dupla) Comprimento de onda do raio laser 405 nm 400 nm 650 nm Taxa de transferência 54,0 MB/s 36,55 MB/s 11,1 MB/s Formatos suportados MPEG-2, MPEG-4 AVC, VC-1 MPEG-2, VC-1 (Baseado no WMV), H.264/MPEG-4 AVC MPEG-2 5.3 Armazenamento de estado sólido O disposi vo ou unidade de estado sólido (em Inglês: Solid-State Drive, SSD) é um disposi vo de armazenamento de dados usando a memória não volá l, tal como memória flash, para armazenar dados e informação, em vez de placas ou discos magné cos Equipamento giratório unidades convencionais de disco rígido (em Inglês, unidade de disco rígido, HDD). Não são tecnicamente discos, e às vezes o "D" confundido como um disco. Em comparação com discos rígidos tradicionais, disposi vos de estado sólido são menos sensíveis a golpes, eles são pra camente inaudíveis e tem um menor tempo de acesso e latência. SSDs podem fazer uso da mesma interface que o HDD e são facilmente intercambiáveis sem recorrer a adaptadores ou placas de expansão para combiná-los com o equipamento. Exemplos disco de memoria, HD SSD,… Figura 19 Diferenças entre SSD e HD Organização e Arquitetura de Computadores 35 SSD HDD Extremamente baixo, cerca de 0.1 a 0.3 ms pois a memória é sólida. Latência de leitura Desfragmentação Ruído Não produz ruído durante o funcionamento. Fatores Externos Não é sensível a choque, altitude, vibração, magnetismo. Custos Preço por GB de espaço é baixo, consumo de energia alto. Capacidade Longevidade Atributo ou Característica Tempo de acesso randômico Lento, de 5 a 10 ms, precisa mover o leitor até a trilha que contém as informações que deseja-se ler. Baixa pois a leitura é direta de qualquer local da memória, o que resulta em menor tempo de boot do sistema e inicialização de aplicativos. Alta pois requer o tempo de posicionamento do leitor no local correto. Não traz grandes benefícios pois a leitura de qualquer local da memória é rápida, gasta ciclos de escrita que são limitados. Requer desfragmentação contínua para ter melhor rendimento, pois a leitura de arquivos fragmentados é muito lenta. As partes que se movimentam durante o funcionamento produzem ruído, em alguns modelos este ruído é perceptível. Sensível a choque, altitude, vibração e magnetismo (o último pode danificar arquivos). O preço por GB de espaço é alto, já o consumo de energia é bastante baixo. A grande maioria dos SSDs comercializados são de 60 GB a 1TB ; existem exemplares com 3 B de espaço ou mais mas são caros. Capacidade alta é comum, exemplares com 4 TB são comercializados a preços acessíveis. Apesar de serem menos suscetíveis a falhas, os SSDs possuem limitação de ciclos de escrita (em geral de 1 a 5 milhões de ciclos dependendo da tecnologia). São mais suscetíveis a defeitos mecânicos pois possuem partes móveis, no entanto não possuem limites de escrita, pois o funcionamento de gravação baseia-se em propriedades magnéticas. 5.4 RAID RAID (Redundant Array of Independent Disks ou Conjunto Redundante de Discos Independentes) é uma tecnologia u lizada principalmente em servidores que consiste em um conjunto de dois ou mais discos rígidos. Ela possui dois obje vos básicos: tornar o sistema de disco mais rápido, com o uso de Divisão de dados (RAID 0); ou tornar o sistema de disco mais seguro, usando a técnica de Espelhamento (RAID 1). As duas técnicas podem ser usadas isoladamente ou em conjunto. Figura 20 Representação de RAID 0 (mais rápido) e 1 (mais seguro) A tecnologia RAID não é uma invenção nova. Ela foi criada por David PaWerson, Garth Gibson e Randy Katz, em 1988, quando eles eram pesquisadores da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos. Mesmo com o surgimento de novas tecnologias de armazenamento de dados, ela con nua sendo muito u lizada, e devido ao seu foco em segurança e velocidade, dificilmente isso mudará nos próximos anos. Níveis de RAID No RAID 0, um disco é u lizado em paralelo com o já existente, dividindo o conteúdo entre os dois HDs (chamado striping ou segmentação de dados). Já com o RAID 1, um segundo disco é usado paralelamente ao primeiro, e funciona como cópia idên ca (chamado mirrors ou espelhamento). Toda vez que há uma escrita, os dados são modificados nos dois discos ao mesmo tempo. Nos dois casos, os discos são tratados pelo sistema operacional do computador como um único disco. O RAID 0 é muito u lizado em aplicações que lidam com grandes volumes de dados e que não podem apresentar len dão, como tratamento de imagens e edição de vídeos. O RAID 1 é claramente focado na proteção dos dados, ou seja, não torna o acesso mais rápido. Na verdade, pode até ocorrer uma ligeira perda de desempenho, pois o processo de gravação acaba sendo feito duas vezes, uma em cada unidade. Na prá ca, o RAID 1 é usado mais como uma prevenção para proteger o sistema de falhas “*sicas” das unidades. Além do RAID 0 e 1, existem outros níveis que podem ser uma combinação dessas duas técnicas com alguns recursos a mais (RAID 2) ou a combinação desses dois níveis em conjunto com cálculos de paridade para determinar se algum bit está incorreto (RAID 3 e acima). Todos os RAID a par r do nível 3 u lizam paridade. Esses outros níveis são u lizados por algumas empresas para aumentar a segurança dos dados ou o espaço dos discos. No sistema de proteção, baseado em paridade a par r do RAID 3, os dados são divididos em pequenos blocos. Cada um deles recebe um bit adicional – o bit de paridade – que é colocado de acordo com a seguinte regra: se a quan dade de bits “1″ do bloco for par, seu bit de paridade é “0″; se a quan dade de bits “1″ for ímpar, o bit de paridade é “1″. Assim, se em uma tarefa de verificação Organização e Arquitetura de Computadores 36 o sistema constatar que o bit de paridade de um bloco é “1″, mas existe uma quan dade par de bits, percebe-se que há um erro. Mesclando RAID 1(mirroring) e RAID 0 (striping) Este po de RAID é um híbrido do RAID 0 e RAID 1 que usa tanto o mirroring quanto o striping. Ele combina os bene*cios de alta disponibilidade oferecidos pelo RAID 1 com os bene*cios de desempenho relacionados ao striping do RAID 0. Existem duas combinações que podem ser escolhidas ao u lizar a técnica de striping e mirroring juntas a qual eu chamo de nível duplo de RAID. Observe que é preciso no mínimo quatro discos para montar este po de configuração. RAID 01 (ou RAID 0+1) – Striping e Mirroring Em uma implementação RAID 0+1, os dados são espelhados através de grupos de discos segmentados, isto é, os dados são primeiramente segmentados e para cada segmento criado é feito um espelho, como demonstrado na figura 21. Na figura vemos que o discos 1 e 2 formam um RAID 0 sendo após espelhados pelo discos 3 e 4 também em RAID 0, formando assim RAID 1 sobre RAID 0. Apesar de ser uma configuração que proporciona alta performance, se perdermosum disco em um dos lados, pra camente teremos uma configuração em RAID 0, porque em uma configuração RAID 0 se um disco falha todo o conjunto falhará. Neste caso, se o disco 1 falhar, então o disco 2 que está intacto ficará inu lizado, restando assim os discos 3 e 4 em RAID 0. Figura 21 Representação de RAID 01 Figura 22 Representação de RAID 10 RAID 10 (ou RAID 1+0) – Mirroring e Striping Em uma implementação RAID 1+0, os dados são segmentados através de grupos de discos espelhados, isto é, os dados são primeiramente espelhados e para depois serem segmentados como Organização e Arquitetura de Computadores 37 demonstrado na figura 22. Na figura vemos que o discos 1 e 2 formam um RAID 1 e os discos 3 e 4 também sendo após segmentados em RAID 0, formando assim RAID 0 sobre RAID 1. Esta configuração que proporciona o mesmo nível de performance proporcionado pelo RAID 01. 5.5 Armazenamento terciário (Fitas magné�cas) Fitas magné cas: u lização de fitas com material magné co que é alterado por uma carga elétrica, permi ndo gravar e ler dados. Este po de armazenamento é u lizado principalmente para backups (cópias de segurança). O acesso aos dados é mais lento devido ao fato de que o acesso aos dados deve ser feito de forma sequencial (acesso sequencial). Figura 23 Exemplo de fitas magné�cas Organização e Arquitetura de Computadores 38