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GENÉTICA HUMANA

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GENÉTICA HUMANA
 
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA (Módulo 0)
Organização do material:
A Genética Humana é uma disciplina que se ocupa em explorar os diversos aspectos associados à manifestação das características humanas, sejam elas anatômicas, fisiológicas, bioquímicas, comportamentais, dentre outras. Em outras palavras, a Genética Humana é uma ciência que procura entender porque somos como somos.
Este material didático que apresentamos a você aborda, de maneira resumida, os principais tópicos da disciplina. Incentivamos, no entanto, a consulta às indicações bibliográficas mencionadas em cada tópico como prática complementar (e indispensável) de estudo.
Neste material, o conteúdo da disciplina foi distribuído em oito módulos. Os módulos 1 a 4 serão avaliados na prova NP1, e os módulos 5 a 8 serão avaliados na NP2.
 Os conteúdos abordados em cada módulo são:
MÓDULO 1
·         Conceito de gene
·         Estrutura e funcionamento do DNA e RNA
·         Transcrição e tradução
·         Código genético
MÓDULO 2
·         Conceitos básicos em genética: cromossomos, loco, mutação, alelos, genótipo, fenótipo.
·         Simbologia adotado no estudo dos heredogramas
MÓDULO 3
·         Herança autossômica dominante: padrão e exemplos.
·         Herança autossômica recessiva: padrão e exemplos.
·         Herança recessiva ligada ao X: padrão e exemplos.
·         Caso especial de herança ligada ao X: síndrome do cromossomo X-frágil.
MÓDULO 4
·         Herança multifatorial: poligenes e interação ambiental.
·         Exemplos de distúrbios multifatoriais.
·         Genética do comportamento: natureza multifatorial e métodos de estudo.
MÓDULO 5
·         Características cromossômicas gerais.
·         Cariótipo humano normal.
·         Alterações cromossômicas numéricas: principais síndromes.
·         Alterações cromossômicas estruturais: principais síndromes.
 
MÓDULO 6
·         Câncer: características gerais da doença.
·         A natureza genética do câncer: mutações em proto-oncogenes e genes de supressão tumoral.
·         Agentes cancerígenos.
·         Mutações cancerígenas herdadas.
MÓDULO 7
·         Terapia gênica como forma de tratamento de doenças genéticas.
·         Terapia por uso de células-tronco.
·         Clonagem terapêutica.
MÓDULO 8
·         Aconselhamento genético: principais indicações.
·         A equipe multidisciplinar no Aconselhamento Genético
·         Etapas do Aconselhamento Genético.
 
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
Recomendamos a seguinte bibliografia para acesso aos conteúdos listados acima:
·  OTTO, P.G.; OTTO, P.G.; FROTA-PESSOA, O. Genética Humana e Clínica. 2.ed. São Paulo: Roca, 2004.
· NUSSBAUM, R.L.; MCINNES, R.R.; WILLARD, H.F. Thompson & Thompson Genética Médica. São Paulo: Elsevier, 2008.
· 
· NOÇÕES DE BIOLOGIA MOLECULAR
· Os ácidos nucléicos: DNA e RNA
· As diversas expressões dos genes são estudadas pela genética. Embora nossos genes tenham sido herdados de nossos genitores, eles podem sofrer mudanças ao longo de nossa vida. Logo, pode-se concluir que tudo o que é hereditário é genético, mas nem sempre o que é genético é hereditário.
Mas, afinal de contas, o que é um gene? Uma definição mais moderna de gene é: segmento de DNA que transcreve um RNA específico. Obviamente, para compreender de modo mais claro este conceito, são necessárias algumas explicações sobre DNA, RNA e transcrição. Vamos a elas.
· 1) Estrutura geral do DNA
· O DNA (ácido desoxirribonucléico) é uma grande molécula composta de dois filamentos (ou fitas) que são mantidos emparelhados graças a ligações de hidrogênio ocorridas entre bases nitrogenadas vizinhas. Estas ligações são específicas: adenina (A) se liga à timina (T) e citosina se liga à citosina (C). Portanto, se uma das fitas é composta pela sequência ATTCGTCAT, a outra fita, que se mantém emparelhada a esta, apresenta a sequência TAAGCAGTA.
· 2) Estrutura geral do RNA
· O RNA (ácido ribonucléico) apresenta constituição química semelhante ao DNA. Duas diferenças importantes são: o RNA apresenta a base nitrogenada uracila (U) ao invés de timina, e é composto de apenas um filamento.
O RNA é produzido pelo DNA, e este processo é denominado transcrição, onde um dos filamentos do DNA serve de molde a partir do qual será transcrito o RNA. Se o filamento-molde de DNA tem a sequência de bases ATTCGTCAT, o RNA transcrito terá a sequência UAAGCAGUA.
 
· EXERCÍCIO RESOLVIDO
· 1) A sequência de bases nitrogenadas do filamento-molde de um segmento de DNA é TGGCCACGTAAG. Logo, o RNA transcrito por este segmento será:
a) TGGCCACGTAAG
b) ACCGGUGCAUUC
c) ACCGGTGCATTC
d) UACUACCCGGCC
e) AAACCCGGGUUU
Resposta do exercício:
· A resposta correta do exercício acima está na alternativa B. Na transcrição, o filamento-molde de DNA serve como guia para a formação do filamento de RNA.  A formação da molécula de RNA ocorre de modo que as bases nitrogenadas desta nova molécula em formação se emparelhem com as bases existentes no filamento molde de DNA. Assim, a primeira base nitrogenada a compor o RNA será A (adenina), pois esta base irá se emparelhar à primeira das bases do DNA, que é T (timina). Seguindo esse raciocínio, deduzimos que a próxima base nitrogenada a ser incorporada ao RNA em formação será C (citosina), uma vez que a segunda base nitrogenada do DNA é G (citosina). Ao final de todo esse processo, a sequência de bases do RNA será ACCGGUGCAUUC.
·  
·  
·  
·  
·  A síntese de proteínas
· Conforme já mencionado, a transcrição é processo de produção de RNA a partir de uma fita-molde de DNA. Há três tipos diferentes de RNA: RNA-mensangeiro (RNA-m), RNA-ribossômico (RNA-r) e RNA-transportador (RNA-t). Estas moléculas de RNA trabalham em conjunto para a fabricação de uma proteína específica, fenômeno conhecido como tradução. Durante a tradução, os aminoácidos transportados pelo RNA-t serão interligados no interior do ribossomo, uma organela celular. A interligação em cadeia de várias moléculas de aminoácidos resultará na proteína final.
· Há vinte tipos diferentes de aminoácidos que entram na composição de proteínas. As proteínas diferem entre si pela quantidade, tipos e sequência de aminoácidos. O que define essas características protéicas é a composição de bases nitrogenadas do RNA-m. A equivalência entre a composição de bases nitrogenadas do RNA-m e os aminoácidos que irão formar a proteína final recebe o nome de código genético. A tabela fornecida abaixo ilustra algumas destas correlações existentes no código genético:
·  
	Sequência de bases no RNA-m
	Aminoácido incorporado na proteína
	UUU
	Fenilalanina (sigla = FEN)
	AUG
	Metionina (sigla = MET)
	AAG
	Lisina (sigla = LIS)
·  
· Portanto, se a sequência de bases nitrogenadas do RNA-m for AUGAUGUUU, a sequência equivalente de aminoácidos na proteína produzida será MET-MET-FEN.
· Existem milhares de proteínas diferentes no corpo humano. Podemos citar, como exemplo, os anticorpos (proteínas de defesa), a hemoglobina (proteína que transporta oxigênio no sangue) e a pepsina (enzima digestória estomacal). Cada uma delas é produzida seguindo essa regra básica da tradução.
· É importante lembrar que a informação para produzir cada proteína corresponde a uma sequência de bases do RNA-m, e que essa sequência de bases do RNA-m foi produzida tendo como molde um filamento específico de DNA. Logo, pode-se afirmar que a molécula de DNA contém as informações necessárias para a produção de todas as proteínas que constituem o organismo. A este conjunto de informações, damos o nome de genoma.
·  
· EXERCÍCIO RESOLVIDO
·  
· 2) Analise atentamente as afirmações abaixo:
· I – O código genético corresponde ao conjunto de informações do DNA necessárias para produzir todas as proteínas do organismo.
· II – Consultando o código genético fornecido no texto, podemos afirmar que, se uma proteína se inicia com a sequência de aminoácidos LIS-FEN-MET, então o RNA-m usado na tradução terá a seguinte sequência inicial de bases: AAGUUUAUG.
· III – Existem aminoácidos formando tanto a estrutura das proteínas quanto a estrutura do RNA edo DNA.
·  
· A análise das afirmativas nos permite concluir que:
· a) apenas I está correta
· b) apenas II está correta
· c) apenas III está correta
· d) apenas I e III estão corretas
· e) I, II e III estão corretas
·  
· Resposta do exercício:
· Está correto apenas o que se afirma na afirmativa II, portanto, deve ser assinalada a alternativa B. A seguir, descrevemos os erros existentes nas afirmativa I e III:
· Afirmativa I – O código genético nada mais é do que uma tabela de equivalências entre as bases nitrogenadas do RNA-m e os aminoácidos que serão incorporados à proteína. Aquilo que se afirma na frase é o conceito de genoma.
· Afirmativa III – Os aminoácidos são moléculas que compõe apenas as proteínas. Na estrutura do RNA e do DNA não existem aminoácidos, e sim bases nitrogenadas.
·  Conceitos básicos em genética
·  
· I - Cromossomos, locos, alelos e genótipos
· O DNA fica armazenado no núcleo das células em uma estrutura denominada cromossomo. Há apenas um DNA por cromossomo. Nas células humanas existem, ao todo, 46 cromossomos, com exceção dos óvulos e espermatozóides, que possuem apenas 23 cromossomos.
· Durante a fecundação, ocorre a junção dos 23 cromossomos do óvulo com os 23 do espermatozóide, originando o zigoto, que é a primeira célula de um novo indivíduo. O zigoto, portanto, terá 23 pares de cromossomos, e, durante o desenvolvimento, irá originar todas as células que constituem o organismo (células somáticas).
· Estima-se que existam cerca de 35 mil genes distribuídos nos cromossomos humanos. A posição cromossômica exata onde se situa cada um desses genes é denominada loco gênico. Sendo assim, cada loco gênico é caracterizado por uma sequência de bases nitrogenadas.
· Em diferentes pessoas, a sequência de bases nitrogenadas de certo loco pode conter pequenas variações em sua composição, originadas por mutação gênica. Atribui-se o nome de alelos a essas sequências de bases nitrogenadas ligeiramente diferentes umas das outras. Os geneticistas costumam identificar essas variações gênicas por letras. Por exemplo, se identificarmos o alelo não mutante pela letra maiúscula A, podemos identificar o alelo mutante pela letra minúscula a.
· Uma pessoa pode herdar um cromossomo paterno contendo o alelo A e um cromossomo materno contendo o alelo a. Neste caso, diríamos que a combinação de alelos, ou seu genótipo, seria Aa. embora pudesse ser também AA ou aa. O genótipo composto por dois alelos idênticos é denominado homozigoto, ao passo que o genótipo composto por alelos diferentes entre si é heterozigoto.
·  
· EXERCÍCIO
·  
· 1) O curso clínico da doença de Tay-Sachs é particularmente trágico. Os lactentes afetados parecem normais até 3 a 6 meses de idade, e aí sofrem deterioração neurológica progressiva até a morte aos 2 a 4 anos. A mutação que origina a doença já foi identificada, e está esquematizada a seguir:
· 
·  
·   
· Assinale a ERRADA sobre o alelo de Tay-Sachs:
· a)      A proteína fabricada por este alelo será diferente daquela produzida pelo alelo normal
· b)      O RNA produzido por este alelo será diferente daquele produzido pelo alelo normal
· c)      Este alelo foi originado pela adição de 4 aminoácidos à seqüência normal do DNA
· d)      O alelo mutante apresenta uma seqüência de bases nitrogenadas diferente do alelo normal
· e)      Este alelo foi originado por um processo de mutação ocorrido no alelo normal
·  
· RESPOSTA DO EXERCÍCIO 
· Há uma afirmação errônea na alternativa C. O alelo de Tay-Sachs contém 4 bases nitrogenadas a mais que o alelo normal, e não 4 aminoácidos, como afirma a alternativa. Pelo fato de conter mais bases nitrogenadas que o alelo normal, a proteína final produzida pelo alelo de Tay-Sachs será diferente daquela produzida pelo alelo normal, ou seja, estas duas proteínas terão, em suas constituições, aminoácidos diferentes. É importante ressaltar que a ocorrência de mutações gênicas, como essa ilustrada na questão, é o que explica a origem de diversas doenças genéticas.
·  
· II - Fenótipos, relações de dominância e heredogramas
· Um bom exemplo de como um loco e seus alelos determinam a expressão de uma característica humana é o Rh sanguíneo. Essa característica é definida pela presença ou ausência de uma proteína nos glóbulos vermelhos, o fator Rh ou antígeno D. A presença dessa proteína determina o Rh positivo, e a ausência, o Rh negativo. Essas formas diferentes de expressão de uma mesma característica são denominadas fenótipos. A definição dessa característica está a cargo dos alelos D e d, do loco D. O alelo D determina a produção desta proteína, enquanto o alelo d está associado à ausência dessa proteína.
· De acordo com as informações acima, podemos concluir que o genótipo dd determina o fenótipo Rh negativo, e o genótipo DD determina Rh positivo. E o genótipo Dd? Este genótipo também determina Rh positivo, apesar do alelo d presente em sua composição. Neste caso, dizemos que a informação do alelo D é dominante sobre aquela do alelo d. Sendo assim, dizemos que o alelo D é dominante e o alelo d é recessivo.
· Os fenótipos positivo e negativo constituem-se em exemplo de variação normal de uma característica humana, que é o Rh sanguíneo. No entanto, a genética humana muitas vezes se ocupa em compreender os mecanismos de herança associados a doenças hereditárias. Nesse caso, os fenótipos analisados são “normal” e “afetado”. Os geneticistas utilizam diagramas de hereditariedade, os heredogramas ou genealogias, para definir o mecanismo hereditário que melhor explica a transmissão de um distúrbio genético ao longo das gerações de uma família. Os símbolos utilizados na montagem de heredogramas encontram-se representados na ilustração abaixo.
·   
· Padrões de herança monogênica
·  
· O estudo do genoma humano permitiu estimar em 35 mil o número total de genes de nossa espécie. Mutações que eventualmente ocorrem nesse conjunto gênico podem ocasionar o surgimento de doenças hereditárias. Muitas dessas doenças se manifestam como conseqüência da alteração ocorrida em apenas um gene, motivo pelo qual são designadas monogênicas. Estas doenças monogênicas podem apresentar padrões de herança reconhecíveis. Vejamos alguns desses padrões mais clássicos.
· 1) Padrão de herança autossômico dominante
· Uma herança é dita autossômica quando o loco do gene mutante encontra-se em um cromossomo do tipo autossomo. Cromossomos autossomos são aqueles indistinguíveis entre homens e mulheres, e são, ao todo, 44 cromossomos (22 pares). Quando o alelo mutante do gene em questão é dominante, classificamos a doença como dominante. Neste caso, o fenótipo normal é recessivo (aa) e o afetado é dominante (genótipos AA ou Aa).
· Um heredograma típico de herança autossômica dominante está representado abaixo
· 
·  
· As principais características do padrão apresentado acima são:
· ·         Os afetados são de ambos os sexos, sem predominância numérica de um deles.
· ·         Uma pessoa afetada tem pelo menos um dos genitores também afetado.
· ·         O fenótipo não salta geração.
· ·         A prole de um casal normal também é normal.:
· Alguns distúrbios genéticos humanos que seguem esse padrão de herança são
· a)      Acondroplasia – os afetados apresentam falha no crescimento dos ossos longos e, por isso, apresentam baixa estatura (nanismo acondroplásico).
· b)      Neurofibromatose – durante a puberdade crescem inúmeros tumores benignos sobre os nervos dos afetados por este distúrbio.
· c)       Doença de Huntington – é um distúrbio neurodegenerativo que começa a se manifestar por volta dos 40 anos de idade. Os afetados apresentam movimentos involuntários e desenvolvem problemas cognitivos, emocionais, evoluindo para problemas neurológicos mais graves que levam o paciente ao óbito.
·  
· EXERCÍCIO
· 1)
·  
· 2) Padrão de herança autossômico recessivo
·  Quando o alelo mutante que provoca uma doença genética é recessivo, dizemos que esta doença é recessiva. Logo, o fenótipo afetado é recessivo (genótipo bb) e o normal é dominante (BB ou Bb). Um padrão de herança tipicamenteautossômico recessivo está representado no heredograma a seguir
· 
·  
·  
· As principais características do padrão acima são:
· ·         Os afetados são de ambos os sexos, sem predominância numérica de um deles.
· ·         Uma pessoa afetada pode nascer de um casal normal. Dito de outra forma: o fenótipo afetado pode saltar geração.
· ·         Há um maior risco de nascer prole afetada se o casal é consanguíneo.
· As mutações recessivas costumam passar silenciosas ao longo das gerações de uma família, e não se manifestam justamente por serem recessivas. Quando um casal formado por duas pessoas aparentadas, como primo e prima em primeiro grau, resolve ter filhos, pode promover o encontro de seus alelos recessivos durante a fecundação, e isso explica o risco aumentado desse tipo de doença em situação de consanguinidade.
· Alguns distúrbios genéticos humanos que seguem esse padrão de herança são
· a)      Albinismo – é um distúrbio caracterizado pela total ausência do pigmento melanina na pele, nos pelos e nos olhos. Pessoas albinas têm maior risco de desenvolver câncer de pele, dentre outros problemas.
· b)      Fenilcetonúria (PKU) – é um distúrbio metabólico em que o afetado não produz a enzima PAH, e, por conta disso, não converte o aminoácido fenilalanina em tirosina. O acúmulo de fenilalanina em crianças fenilcetonúricas leva ao desenvolvimento de um quadro severo de retardo mental, motivo pelo qual se deve restringir a presença desse aminoácido na alimentação. O diagnóstico da PKU é feito poucos dias após o nascimento da criança, por meio o teste do pezinho (triagem neonatal).
· c)       Galactosemia – também é um distúrbio metabólico, uma vez que os afetados são incapazes de produzir a enzima GALT, que converte a galactose em glicose. O acúmulo da galactose no organismo da criança, ainda em fase de amamentação, promove uma série de transtornos, dentre eles a catarata e o retardo metal.
·  
· 3) Herança recessiva ligada ao X
· Além do grupo dos cromossomos autossomos, na espécie humana há também os cromossomos sexuais, que são aqueles cuja combinação é diferente entre homens e mulheres. Estes cromossomos são identificados pelas letras X e Y, e sua combinação nas mulheres é XX e nos homens é XY.
· Existem genes exclusivos dos cromossomos X e do cromossomo Y. Daremos ênfase às mutações recessivas presentes apenas em locos situados no cromossomo X (representadas aqui, genericamente, por Xh). Como as mulheres possuem dois cromossomos X, seus genótipos podem ser XHXH, XHXh ou XhXh, ao passo que os homens, por apresentarem apenas um cromossomo X, possuem genótipo XHY ou XhY.
· Um heredograma típico de herança recessiva e ligada ao sexo está representado a seguir
·  
·  
·  
· As principais características do padrão acima são:
· ·         Há um predomínio numérico de homens afetados em relação às mulheres.
· ·         Um homem afetado não herda o distúrbio de seu pai, e sim de sua mãe normal heterozigota (também chamada de “normal portadora”, representada no heredograma pelo círculo com um ponto no centro).
· ·         O fenótipo salta geração.
·  
· Alguns distúrbios genéticos humanos que seguem esse padrão de herança são
· a)      Hemofilia – trata-se de um distúrbio de coagulação sanguínea. Pequenos ferimentos evoluem para grandes hemorragias com muita facilidade.
· b)      Daltonismo – é a incapacidade de a pessoa identificar com precisão as cores vermelho e verde, que são ambos vistos como uma mesma tonalidade de cor (amarelada).
· c)       Distrofia muscular Duchenne – transtorno muscular em que o afetado perde progressivamente as funções musculares, resultado em morte ao início da segunda década de vida.
·  
· 4) Caso especial de herança ligada ao X: a síndrome do cromossomo X-Frágil
· A síndrome do cromossomo X-frágil, também conhecida com síndrome de Martin-Bell, é responsável por um grande número de casos de retardo mental, especialmente em garotos. A mutação, neste caso, não é recessiva como nos casos descritos no tópico anterior, e nem tampouco dominante. O alelo normal e o mutante, quando presentes em um mesmo genótipo, se manifestam igualmente, o que caracteriza um 
· fenômeno genético denominado codominância. Além de retardo mental, os afetados apresentam outros sinais típicos, como orelhas em abano, prognatismo e hiperflexibilidade nas articulações.
Herança multifatorial e genética do comportamento
 
Muitas características humanas são construídas pela ação conjunta de vários genes. Neste caso, portanto, a herança é poligênica. Além disso, o fenótipo final dessas características é influenciado, em maior ou menos grau, pelo ambiente (pré-natal e/ou pós-natal). Como esse tipo de fenótipo está sujeito à influência de um conjunto grande de fatores, genéticos e ambientais, dizemos que sua herança é multifatorial.
Algumas características normalmente variáveis na espécie humana são consideradas multifatoriais: estatura, peso, inteligência, etc. Há também distúrbios humanos que são tipicamente multifatoriais. A seguir, estão descritos alguns deles:
·         Lábio leporino – distúrbio caracterizado pela presença de fissuras nos lábios superiores, que podem ou não estar associadas a fendas palatinas. Este é um distúrbio que pode prejudicar a dentição, a alimentação e a fonação. Pode ser corrigido cirurgicamente.
·         Distúrbios de fechamento de tubo neural – o tubo neural é o nome dado à estrutura embrionária que irá originar o encéfalo e a medula espinal. Quando esse tubo não se fecha na região da cabeça, desenvolve-se uma condição conhecida com anencefalia. Se a falha no fechamento se dá na parte posterior do tubo neural, o distúrbio é denominado espinha bífida.
Os distúrbios descritos acima dependem de um limiar multifatorial para se manifestarem. Este limiar corresponde, resumidamente, a uma quantidade mínima de mutações presentes no genótipo poligênico a partir da qual o indivíduo se torna predisposto a manifestar o distúrbio.
 
Genética do comportamento
O comportamento humano, em suas diferentes expressões, é considerado multifatorial e, portanto, resultante de uma interação complexa entre vários genes entre si e com o ambiente. Alguns métodos de estudo são executados com o intuito de se determinar a magnitude das influências genética e ambiental sobre o comportamento. Alguns desses métodos serão descritos a seguir.
a)      Comparações comportamentais entre filhos adotivos e pais biológicos – a comparação feita entre pessoas que foram adotadas quando recém-nascidas e seus pais biológicos (que não interferiram na criação) muitas vezes revelam semelhanças comportamentais surpreendentes. Um exemplo é o caso do alcoolismo, que é mais provável de ocorrer nas pessoas adotadas se os pais biológicos forem alcoólatras, mesmo que tenham sido criadas por pessoas abstêmias.
b)      Comparações comportamentais entre gêmeos monozigóticos separados ao nascimento – os gêmeos monozigóticos são derivados de uma mesma fecundação (um óvulo e um espermatozóide), portanto são idênticos do ponto de vista genético. Comparações feitas entre gêmeos idênticos que foram separados ao nascimento e criados por famílias diferentes revelam muitas semelhanças e diferenças. Neste caso, as semelhanças normalmente são atribuídas à constituição genética idêntica que compartilham, e as diferenças são atribuídas às diferentes influências ambientais a que foram expostos ao longo da vida.
c)       Comparações entre gêmeos monozigóticos e gêmeos dizigóticos – a dificuldade em se obter grandes amostras de pares de gêmeos idênticos separados ao nascimento pode ser contornada pela inclusão, em estudos de genética do comportamento, de gêmeos dizigóticos. Esse último tipo de gêmeos resulta da ocorrência de duas fecundações independentes (dois óvulos e dois espermatozóides), portanto, não são idênticos do ponto de vista genético. Os dados obtidos de estudos comportamentais realizados em pares de gêmeos monozigóticos e dizigóticos, mesmo que criados juntos, são usados para o cálculo de um índice conhecido como herdabilidade(h2). Valores de herdabilidade próximos a zero indicam baixa influência genética no traço comportamental comparado; valores próximos a 100% indicam forte influência genética.
 MÓDULO ZERO – ÉTICA PROFISSIONAL
O material organizado nesse ambiente virtual de aprendizagem objetiva dar suporte de estudo na disciplina Ética Profissional.
A leitura do conteúdo deve ser acompanhada pela leitura dos textos indicados nas bibliografias em cada módulo de ensino e pelas orientações ali colocadas, tais como: visitar links externos que possuam material interessante, realizar as atividades práticas sugeridas ao final, realizar os exercícios anexados, avaliando a compreensão e o aproveitamento do material estudado pelo aluno.
A) INSTRUÇÕES GERAIS
Cada módulo apresenta uma estrutura semelhante para que você possa estudar e aprofundar os estudos, seja como autoavaliação, realização da disciplina em Ead ou DP da disciplina de Ética Profissional no sistema online.
Cada módulo contém:
(1) Objetivos do Módulo. 
(2) Texto de Introdução e bibliografias: apresentação dos conceitos e princípios básicos pertinentes ao tema tratado, discussões atualizadas  sobre os autores responsáveis pelos conceitos ali trabalhados e indicações bibliográficas obrigatórias para leitura e acompanhamento do material didático.
(3) Reflexão: apresentar-se-á uma questão de reflexão mobilizadora e disparadora de atenção para a leitura dos textos bibliográficos indicados.
(4) Sugestão: indicações de links externos e material multimídia sobre a temática. 
(5) Exercício comentado: apresentação e a resolução de um exercício pertinente ao conteúdo para auxiliar na resolução do banco de exercícios de cada módulo.
(6) Atividade Teórico Prática: em cada módulo há sugestão de uma atividade prática-reflexiva sobre a temática em questão, para ser discutida com o docente em sala no evento presencial e com os demais colegas.
(7) Exercícios: as questões apresentadas nos exercícios têm a finalidade de avaliar o desempenho do aluno e capacitá-lo a embasar sua futura prática no que prevê o Código de Ética Profissional.
B   PLANO DE ENSINO:
A leitura da Ementa e dos Objetivos do Plano de Ensino é necessária para que você conheça a proposta da disciplina.
EMENTA
Estudo da Ética Profissional como um domínio da Filosofia e no campo da Psicologia enquanto ciência e profissão. Aquisição de uma postura proativa e contínua no processo de formação e no exercício profissional como compromisso ético-social. Regulamentação da Profissão em 1962. Surgimento do Conselho Federal de Psicologia e dos Regionais, e sua atuação. A Comissão de Orientação e Fiscalização, e a Comissão de Ética do Conselho Regional. O Código de Ética do Psicólogo.
 
OBJETIVOS GERAIS
· Examinar as disposições que regulamentam a profissão de Psicólogo.
· Promover a reflexão e a crítica sobre a natureza e os fundamentos da ética e moral e a ética profissional.
· Levar os alunos ao aprimoramento de uma consciência moral e à formação de uma postura ética como cidadão, cientista e profissional comprometido com o social.
· Discutir o exercício profissional do psicólogo e sua responsabilidade social no contexto da realidade brasileira.
· Acompanhar o debate atual de temas relacionados à formação e ao exercício profissional dos psicólogos.
· Respeitar a ética nas relações profissionais com clientes e usuários, com colegas, com o público, com instituições e na produção e divulgação de pesquisas de forma ética e compromissada com as normas Institucionais.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Tal competência será desenvolvida a partir das seguintes habilidades:
· Articular a Ética e a moral a partir de responsabilidade moral com os princípios éticos da prática psicológica, sendo esta a base para discussão filosófica do Código de Ética Profissional do Psicólogo.
· Analisar, descrever e interpretar os dilemas éticos da prática psicológica.
· Promover a articulação dos conhecimentos e técnicas psicológicas com o seu uso em diferentes contextos.
· Orientar o aluno para os estágios da formação do Psicólogo, a partir de uma postura ética profissional, nas diversas áreas de atuação.
· Ler, interpretar e utilizar adequadamente: informação bibliográfica em livros, periódicos e outras fontes especializadas através de meios convencionais e eletrônicos.
B- APRESENTAÇÃO DOS MÓDULOS
O conteúdo de Ética Profissional está organizado a partir de oito módulos divididos em temáticas pertinentes ao objetivo da disciplina. Para estudar, siga a ordem aqui sugerida:
- MÓDULO 1 - ÉTICA MORAL E ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICÓLOGO. ÉTICA E SUBJETIVAÇÃO: esse modulo  tem o objetivo de identificar a diferença entre Ética e Moral; definir a origem da Moral e sua importância para as sociedades humanas; identificar como a racionalização do mundo diferencia a Ética. Responsabilidade moral.
- MÓDULO 2: A REGULAMENTAÇÃO DA PSICOLOGIA  NO BRASIL: esse módulo tem como objetivo apresentar as condições sociais, históricas e políticas da regulamentação da Psicologia como ciência e profissão na década de 1960, no Brasil. Também contextualiza o surgimento do Conselho Federal de Psicologia e dos Regionais e sua atuação como Comissão de Fiscalização e Comissão de Ética.
- MÓDULO 3: INTRODUÇÃO AO CÓDIGO DE ÉTICAPROFISSIONAL DO PSICOLOGO: esse módulo tem como objetivo apresentar as concepções de homem  que subjazem o Código de Ética Profissional do Psicólogo: a concepção de homem social (provinda da ética material de Aristóteles) e a concepção sócio-histórica.
- MÓDULO 4: OS PRINCÍPIOS INERENTES AOS ARTIGOS DO CÓDIGO DE ÉTICA: nesse módulo, apresentam-se os princípios que compõem Código de Ética do Psicólogo, comentando-os e relacionando-os com os principais documentos éticos da atualidade.
- MÓDULO 5 - OS PRINCÍPIOS BIOÉTICOS E A PSICOLOGIA: nesse módulo, apresenta-se a relação da bioética com a construção do Código de Ética do Psicólogo, explicitando como a Psicologia tem enfrentado os dilemas bioéticos na contemporaneidade, ao produzir conhecimento cientifico.
- MÓDULO 6 - O ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE E A PSICOLOGIA: esse módulo tem como objetivo relacionar a política de direitos humanos presente no ECA com o Código de Ética do Psicólogo, em seus eixos fundamentais, assim como discutir e polemizar a questão da vulnerabilidade social de crianças e jovens.
- MÓDULO 7 - A DIMENSÃO ÉTICA EM AVALIAÇÃO PSICOLOGICA: esse módulo visa trazer uma discussão sobre os embates éticos inerentes à prática profissional, focalizando particularmente a avaliação psicologica, a questão da quebra do sigilo profissional e a elaboração de laudos psicológicos.
- MÓDULO 8 - AS NOVAS INTERFACES DA PSICOLOGIA BRASILEIRA: esse módulo busca abrir um campo de discussão das novas práticas profissionais desempenhadas pelo psicólogo na atualidade. Apresenta as interfaces conquistadas pela ciência psicológica nos últimos anos, que contribuíram para o trabalho multiprofissional do psicólogo na área judiciária, no  SUAS, nas UBSs, em unidades hospitalares, etc.
- MÓDULO 9 - TEMAS EMERGENTES DA PSICOLOGIA BRASILEIRA: nesse módulo, são trabalhados os desafios da Psicologia na contemporaneidade, tais como: ênfase numa formação generalista ou especialista; Psicologia Clínica Tradicional ou outras configurações frente às novas demandas psicossociais; uma prática psicológica adaptativa ou um fazer psicológico comprometido com a sociedade em transformação.
Desafios éticos estão frente-a-frente com as novas interfaces - psicologia e informática, psicologia e esporte, psicologia jurídica, psicologia comunitária, psicologia na área da saúde pública etc..
Ética e Moral  ( VAZQUEZ,2006)
Ética – (ethos) - grego -“modo de ser”, ou “caráter” Forma de vida adquirida ou conquistada pelo homem.
Moral – (mor, mores) – latim “costume” ou “costumes”.
Conjunto de regras ou normas adquiridas por hábito
Definição
Ética - ciência especulativa, que tem por objeto o estudo filosófico da ação e da conduta humana, procurando a justificativa racional dos juízos de valor sobre a moralidade.
Moral - sistema de normas, princípiose valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas dotadas de um caráter histórico e social sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima e não de uma maneira mecânica, externa e impessoal.
Relação
A relação entre Ética e moral está no comportamento humano com a diferença que a Ética é uma ciência especulativa, que estuda o comportamento moral dos homens, enquanto que a Moral é o próprio comportamento do homem junto com seus valores, normas e padrões.
Objeto de estudo:
Ética é o comportamento moral
Ligada ao valor:
 1. Valores universais
 2. Valores consensuais
 3. Valores pessoais
Essência da Moral Cap. III (Vazquez, 2006)
O normativo e o fatual
- A moral é um conjunto de normas, aceitas livre e conscientemente, que regulam o comportamento individual e social dos homens (p.63). 
- Encontramos na moral dois planos: o normativo: constituído pelas normas ou regras de ação e pelos imperativos que enunciam algo que deve ser. E o fatual: que é o plano dos fatos morais, constituído por certos atos humanos que se realizam efetivamente (p.63).
- Os atos adquirem um significado moral: são positivos ou moralmente valiosos quando estão de acordo com a norma e negativos quando violam ou não cumprem as normas. Portanto, certos atos são incluídos na esfera moral por cumprirem ou não uma determinada norma (p.64).
- O normativo não existe independentemente do fatual, mas aponta para um comportamento efetivo, pois, toda norma postula um tipo de comportamento que considera devido, exigindo que esse comportamento passe a fazer parte do mundo dos fatos morais, isto é, do comportamento efetivo real dos homens (p.64). 
- O fato de uma norma não ser cumprida não invalida a exigência de que ela seja posta em prática. Esta exigência e a validade da norma não são afetadas pelo que acontece no mundo dos fatos (p.65).
- O normativo e o fatual possuem uma relação mútua: o normativo exige ser realizado e orienta-se no sentido do fatual; o realizado (o fatual) só ganha significado moral na medida em que pode ser referido positiva ou negativamente a uma norma (p.65). 
Moral e moralidade
- A moral efetiva compreende as normas ou regras de ação e os fatos que possuem relação com ela (p.65).
- Esta distinção entre o plano normativo (ou ideal) e o fatual (real ou prático) leva alguns autores a propor dois termos para designar cada plano: moral e moralidade. A moral designaria o conjunto dos princípios, normas, imperativos ou idéias morais de uma época ou sociedade determinadas. A moralidade seria um componente efetivo das relações humanas concretas que adquirem um significado moral em relação à moral vigente (p.66).
- A moral estaria no plano ideal e a moralidade no plano real (p.66). 
- A moralidade é a moral em ação, a moral prática e praticada. Por isso, cremos que é melhor empregar um termo só: moral, indicando os dois planos, o normativo e o efetivo. Portanto, na moral se conjugam o normativo e o fatual (p.66).
Caráter social da moral
- A moral possui, em sua essência, uma qualidade social. Manifesta-se somente na sociedade, respondendo às suas necessidades e cumprindo uma função determinada. Uma mudança radical da estrutura social provoca uma mudança fundamental de moral (p. 67). 
- A moral possui um caráter social (p.67). 
- Cada indivíduo, comportando-se moralmente, se sujeita a determinados princípios, valores ou normas morais, sendo que o indivíduo não pode inventar os princípios ou normas nem modificá-los por exigência pessoal. O normativo é algo estabelecido e aceito por determinado meio social. Na sujeição do indivíduo a normas estabelecidas pela comunidade se manifesta claramente o caráter social da moral (p.67).
- O comportamento moral é tanto comportamento de indivíduos quanto de grupos sociais humanos. Mesmo quando se trata da conduta de um indivíduo, a conduta tem conseqüências de uma ou outra maneira para os demais, sendo objeto de sua aprovação ou reprovação. Mas, os atos individuais que não tem conseqüência alguma para os demais indivíduos não podem ser objeto de uma qualificação moral (p.68). 
- As idéias, normas e relações sociais nascem e se desenvolvem em correspondência com uma necessidade social. A função social da moral consiste na regulação das relações entre os homens visando manter e garantir uma determinada ordem social, ou seja, regular as ações dos indivíduos nas suas ações mútuas, ou as do indivíduo com a comunidade, visando preservar a sociedade no seu conjunto e a integridade de um grupo social (p.69). 
- O direito garante o cumprimento do estatuto social em vigor através da aceitação voluntária ou involuntária da ordem social juridicamente formulada, ou seja, o direito garante a aceitação externa da ordem social. A moral tende a fazer com que os indivíduos harmonizem voluntariamente, de maneira consciente e livre, seus interesses pessoais com os interesses coletivos (p.69). 
- Em resumo, a moral possui um caráter social pois os indivíduos se sujeitam a princípios, normas ou valores socialmente estabelecidos; regula somente atos e relações que acarretam conseqüências para outros e induz os indivíduos a aceitar livre e conscientemente determinados princípios, valores ou interesses (p.70). 
O individual e o coletivo na moral
- O indivíduo pode agir moralmente somente em sociedade (p.71).
- Uma parte do comportamento moral manifesta-se na forma de hábitos e costumes. O costume apresenta um caráter moral em razão de sua intuição normativa (p.71). 
- A moral implica sempre uma consciência individual que faz suas ou interioriza as regras de ação que se lhe apresentam com um caráter normativo, ainda que se trate de regras estabelecidas pelo costume (p.75). 
Estrutura do ato moral
- O ato moral se apresenta como uma totalidade de elementos: motivos, intenção ou fim, decisão pessoal, emprego de meios adequados, resultados e conseqüências (p.76).
- O ato moral não pode ser reduzido a um de seus elementos, mas está em todos eles, na sua unidade e nas suas mútuas relações (p.80). 
Singularidade do ato moral
- O ato moral assume um significado moral em relação a uma norma (p.81). 
- O ato moral, com o auxilio da norma, se apresenta como a solução de um caso determinado, singular. A norma, que apresenta um caráter universal, se singulariza no ato real (p.81-2). 
- A moral é um sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livre e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal (p.84). 
 
 
Responsabilidade Moral - Cap. V (Vazquez, 2006)
Capacidade de responder por alguém ou alguma coisa.
Existem duas condições para que possamos imputar a responsabilidade moral:
1. Que o indivíduo seja consciente. Tenha consciência do ato e que reconheça as circunstâncias e conseqüências dos seus atos.
Ignorância – se o indivíduo não sabe o que faz, então ignora o fato.
2. Liberdade de escolha
O contrário da liberdade é a:
Coação – o indivíduo não tem liberdade para escolher.
A coação pode ser: interna ou externa.
- A palavra autônomo vem do grego autos – que quer dizer si mesmo – e nomos – que quer dizer lei, regra, norma – ou seja, significa aquele que tem o poder de dar a si mesmo a norma, a regra, a lei. Aquele que goza de autonomia e liberdade seria aquele com capacidade plena de autodeterminação.
Todavia, se levantamos o véu do individualismo, próprio do nosso tempo, percebemos que essa independência absoluta do sujeito em relação à sociedade é mais um mito de nossa cultura. Se todo ser é desde a sua origem social, o pré-requisito de nossa liberdade não pode então ser concebido, como supomos correntemente, como independência absoluta do mundo que nos cerca, representado pela máxima: o mundo somos nós mesmos. O pré-requisito da liberdade, segundo Stanghellini (2004), é a capacidadede pôr entre parênteses a representação preestabelecida do mundo, ou o conhecimento do senso comum, sem, entretanto, perder nossa histórica articulação com o mundo comum.
Referência Básica
Vázquez A. S. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006:61-82. (Capítulo III A essência da moral) 
 
QUESTÃO 2. Referente ao plano prático-moral relacionado aos problemas éticos analise as afirmativas a seguir, para assinalar a alternativa correspondente à (s) correta (s): 
 
I. De um lado temos os atos das pessoas, e do outro temos o juízo dos demais indivíduos sobre tais atos; ambos se pautam por certas normas de conduta.
II. Do plano prático-moral se passa à reflexão sobre os comportamentos práticos, ou seja, da passagem da moral vivida para a moral reflexa.
III. Os problemas prático-morais cuidam dos problemas éticos, uma vez que estes são de natureza genérica e de caráter teórico.
assinale a alternativa correta:
A. Apenas o que se afirma em I.
B. Apenas o que se afirma em II.
C. Apenas o que se afirma em III.
D. Apenas o que se afirma em I e II.
E. Apenas o que se afirma em I, II e III.
ALTERNATIVA CORRETA LETRA  - D 
MÓDULO 2 - A REGULAMENTAÇÃO DA PSICOLOGIA NO BRASIL
Objetivo
Apresentar as condições sociais, históricas e políticas da autonomização da Psicologia em meados dos séculos XIX e XX no Brasil, na interface com outras ciências, como a Medicina.
Apresentar as condições sociais, históricas e políticas da regulamentação da Psicologia  na década de 1960 no Brasil.
Contextualizar o surgimento do Conselho Federal de Psicologia, dos Regionais e sua atuação como Comissão de Fiscalização e Comissão de Ética.
 
INTRODUÇÃO
A Psicologia foi regulamentada como profissão no Brasil no ano de 1962, decorrente da Lei nº 4119, de 27 de agosto de 1962. Em dezembro do mesmo ano, aprovou-se o parecer nº 403/62, do relator Conselheiro Valnir Chagas, que, pela primeira vez, fixava oficialmente um currículo mínimo de Psicologia, objetivando estabelecer os direitos do exercício profissional. Somente em 1971 é que se criou o Conselho Federal de Psicologia, órgão encarregado de zelar pela organização do exercício profissional e que congregava todos os psicólogos brasileiros.
A Psicologia conquistou seu espaço autônomo como área de conhecimento e campo de práticas em consequência da produção de ideias e práticas psicológicas no interior de outras áreas do saber. Foi chamada a contribuir para a solução de problemas relacionados à área da Saúde, à Educação e ao mundo do trabalho e das organizações.
Pereira & Pereira Neto (2003, p 20) definem esse período como o de profissionalização da Psicologia, de 1890 a 1975. "Abrange desde a gênese da institucionalização da prática psicológica até a regulamentação da profissão e a criação dos seus dispositivos formais." Os autores assinalam como marcos desse momento: a Reforma de Benjamin Constant no campo educacional (1890), a inauguração dos laboratório de psicologia junto ao campo educacional e médico (1906),  e a criação do código de ética (1975).
Pessotti (1998), por sua vez, elaborou outro critério baseado na presença ou não de instituições com vínculos com a área psicológica. Elegeu três grandes marcos; foram eles: 1833, quando se criou as Faculdades de Medicina no Rio de Janeiro e na Bahia; 1934, quando se constituiu um curso de Psicologia na Universidade de São Paulo; e 1962, quando a Psicologia foi regulamentada.
Optou-se, nesse texto base,  em assumir as diretrizes de Antunes (2004, 2006), que são ligadas ao referencial histórico, e, na medida do possível, iluminar os marcos apontados por esses outros autores de renome para os estudos historiográficos da Psicologia brasileira.
Antunes( 2006)  indica que, no Brasil, a profissionalização e autonomização da Psicologia inicia-se com a parceira da psicologia com outros saberes ainda no século XIX, que apresentava um contexto sócio-histórico e político singular, no qual se tinha uma formação social dependente e atrasada, mas, ao mesmo tempo, uma busca pela modernidade, pelo caminho da industrialização. Diante desse cenário, o Brasil adotou o modelo republicano, conciliado com a ideologia liberal e uma economia de base agrário-comercial e exportadora. Também acontecia uma crescente urbanização e a definição da região Sudeste como polo sócio cultural do país. Essa configuração sócio política influenciou o meio acadêmico intelectual, com a crença na liberdade e a supremacia do individuo diante a sociedade.
Bernardes (2007) afirma que a psicologia construiu-se nas relações que mantinha com esse cenário, no qual os modelos de produção e consumo exigiam a padronização da igualdade, resultado do auge da produção industrial, que requeria alto padrão de produtividade. Diante desse quadro, a Psicologia, em sua nascente, foi marcada pelas estratégias de controle de variedade e produtividade, transformando-se em um saber de forte viés adaptativo.
Essa busca por padronização e adaptabilidade se deu em três grandes interfaces do saber psicológico pré científico. Foram elas: a Psicologia e as Instituições Médicas; a Psicologia e as Instituições Educacionais; a Psicologia e a organização do trabalho.
 A Psicologia e as Instituições Médicas
 Desde o século XIX, a Psicologia, enquanto conjunto de ideias articuladas, esteve intimamente relacionada com a prática médica e psiquiátrica, em instituições asilares e no âmbito da Medicina Legal. No caso, as Faculdades de Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro e os hospícios foram as principais fontes de produção de ideias psicológicas.
Desde 1890, já existiam teses publicadas por médicos com teor psicológico, tais como as obras de José Tapajós, Psicofisiologia da percepção e das representações (1890), Das emoçõesde Veríssimo Dias de Castro (1890), A Memória e a personalidade de Seabra em 1894, a famosa tese de Henrique Roxo, Duração dos atos psíquicos elementares (1990), entre outras.  
A prática médica legal, por sua vez, possuía uma atuação higienicista, ao buscar erradicar ou minimizar as doenças infecto-contagiosas muito presentes nas cidades em desenvolvimento. Segundo Costa (1983), essas atuações dispersaram-se nas cidades, por meio de políticas públicas de saneamento básico e atingiu a educação moral e física das famílias, que passaram a se responsabilizar também pelos cuidados com a higiene pública e privada.
Antunes (2004) aponta que os pressupostos higienicistas articulavam-se com os princípios da eugenia e da limpeza étnica, intimamente ligados com a cultura racista brasileira vigente, conforme podemos vislumbrar:
 
Os ideais higienicistas geralmente se articulavam aos princípios da eugenia, intimamente ligados ao pensamento racista brasileiro. Baseavam-se numa concepção que afirmava a existência de uma hierarquia racial (sendo a raça ariana considerada superior e a raça negra a mais inferior de todas), do que decorria a teoria da degenerescência, que considerava a propensão à degenerescência física e mental das ditas raças inferiores. Por essa via, a reinvindicação de adoção de medidas higienicistas, cuja finalidade não era senão o embranquecimento da raça brasileira. (ANTUNES,2004, p. 119).
 
 Segundo Antunes (2006), as teorias da degenerescência e da eugenia extrapolavam os muros dos asilos e hospícios, propondo ações de disciplinarização da sociedade e dos seus corpos familiares. No Brasil, a junção dessas correntes originou uma experiência cruel de exclusão do louco e a preocupação com práticas profiláticas diante da loucura. Nesse projeto preventivo, o Estado devia se preocupar com a pobreza, a marginalidade, o crime, pois todos esses quadros possuíam uma familiaridade muito grande com a loucura, porque levavam os sujeitos à desordem, a não adaptação aos padrões requeridos. Podia-se afirmar que havia, ao mesmo tempo, uma visão moralizante e racionalizante da loucura.
Antunes (2006) ainda aponta a preocupação com a ordem urbana e com a bandeira do progresso ligada ao ideário positivista, relacionado a práticas de exclusão daqueles que não se adaptassem às normas estabelecidas, osdenominados desordeiros. Cabia à ciência médica e psicológica contribuírem na identificação desses sujeitos e no seu tratamento em locais específicos, como os asilos e manicômios.
Nos hospícios, também havia a produção de conhecimento psicológico a partir das práticas nos laboratórios criados na época. Um dos mais relevantes foi, segundo Antunes (2004), o da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro, criado em 1923, dirigido pelo psicólogo polonês Waclaw Radecki. Tornou-se nove anos depois, o Instituto de Psicologia, subordinado ao Ministério da Educação e da Saúde Pública. Produziu um rol de pesquisas temáticas em psicologia sobre seleção e orientação profissional, fadiga em trabalhadores menores de idade, seleção de aviadores, psicometria, entre outras.
Outro laboratório importante foi fundado junto à Liga Brasileira de Higiene Mental, em 1923, no Rio de Janeiro, dirigida por Alfred Fessard, Plínio Olinto e Lemes Lopes. Realizaram vários simpósios e seminários de Psicologia, com o intuito de divulgar as pesquisas realizadas. Predominava o ideal eugênico, profilático e a preocupação com a educação dos indivíduos mal adaptados. (ANTUNES, 2004)
Segundo Antunes (2006, p 51), em 1932, a " Liga propôs ao Ministério da Educação e da Saúde Pública, a presença obrigatória de gabinetes de Psicologia, junto às Clínicas Psiquiátricas" . Além disso,  promovia, todo ano, as Jornadas Brasileiras de Psicologia, para difundir conhecimento. 
Um dos projetos que mais destoaram da tendência eugênica, foi o movimento antipsiquiátrico de Recife, com Ulysses Pernambucano e seu modelo humanista e existencial de atendimento dos doentes mentais. Também propiciou contribuições para a Educação e investia na formação dos funcionários: os monitores de saúde mental e auxiliares psicólogos.
Antunes (2006) afirma, que:
 
A evolução do pensamento psicológico no interior da Medicina até o século XIX preparou o terreno para que o conhecimento e a prática da Psicologia se desenvolvessem a tal ponto que fizeram delinear-se com maior clareza seus contornos, tendo assim contribuído para a penetração da Psicologia Científica e sua definição como campo autônomo de conhecimento e ação, o que veio a se concretizar nas décadas iniciais do século XX.(ANTUNES, 2006, p 61)
 
A Psicologia em Instituições Educacionais
 Com o desenvolvimento urbano-industrial, no século XX, o pensamento republicano aliado ao positivismo e à ideologia liberal, mostrava uma preocupação com uma educação humanista e cientificista.  Surge no Brasil, então, uma corrente educacional que reivindicava a ampliação do número de escolas e o combate ao analfabetismo, a partir do ideário escolanovista.
Essa proposta de renovação e ampliação educacional chegou ao nosso país em 1882, pelas mãos de Rui Barbosa e alcançou o século XX com outras reformas importantes. Um exemplo foi a proposta de Benjamin Constant, em 1890, que propunha maior liberdade, laicidade e gratuidade do ensino. O escolanovismo implementou uma tendência cientificista, introduzindo disciplinas científicas, como a Psicologia e a Lógica, no lugar da Filosofia de cunho humanista.
Segundo Vidal (2003), o movimento da Escola Nova propôs uma  renovação do ensino, na Europa, na América e no Brasil, na primeira metade do século XX. O escolanovismo desenvolveu-se no Brasil sob importantes impactos de transformações econômicas, políticas e sociais, porém, com eles surgiram graves conflitos nos aspectos políticos e sociais, resultando  uma mudança significativa no ponto de vista intelectual brasileiro. 
O escolanovismo acreditava que a educação era o instrumento eficaz para a reconstrução de uma sociedade cidadã e legitimamente democrática, considerando as diversidades e a individualidade do sujeito, preparados psicossocialmente  para refletir  e mudar a sociedade em que viviam.
Esse movimento agregou nomes importantes ao cenário educacional e psicológico, como Antônio Carneiro Leão, Lourenço Filho, Anísio Teixeira, Manoel Bonfim, entre outros. Esse último educador merece destaque pelo seu enfrentamento dos problemas sociais e o seu entendimento de que a educação deveria ser instrumento contra a opressão, que a maioria do povo sofria. Afirmava, por exemplo, que o analfabetismo era uma vergonha nacional.
A Psicologia, enquanto saber foi essencial no projeto educacional do país, no inicio do século XX, pois serviu como pilar de sustentação científica para a consolidação do escolanovismo, ao cuidar dos sujeitos e das suas diferenças individuais (Psicologia Diferencial), ao estudar o processo de desenvolvimento vital, ao observar os processos de ensino-aprendizagem e ao criar testes de inteligência e de seleção profissional.
Ainda nesse cenário, apesar de nomes emancipadores como Bonfim, existia no campo educacional aliado ao suporte da Psicologia, a preocupação com a formação de um país robusto, baseado no lema de um povo forte mental e fisicamente, o que mantinha vivos os ideais eugênicos em busca da higienização das raças.
Nessa interface entre a Educação e a Psicologia, há de se destacar a criação do Instituto de Psicologia de Ulysses Pernambucano em Recife, em 1925, com produções significativas nas áreas de testes psicológicos de nível mental, aptidão, de cunho pedagógico, padronização de testes coletivos, entre outros, com o intuito de formar pesquisadores na área da Psicologia. (ANTUNES, 2006)
Também é indicada a importância das Escolas Normais para o estabelecimento da Psicologia Científica no Brasil, seja compondo os currículos ou construindo laboratórios de psicologia, por volta de 1912. Destaque para a Escola Normal de São Paulo, que foi responsável pela "divulgação das teorias psicológicas em voga na Europa e nos Estados Unidos e, por decorrência, das técnicas delas derivadas, em especial, a psicometria". (ANTUNES, 2006, p. 78)
Em 1925, Lourenço Filho revitalizou o laboratório de Psicologia Experimental, junto a Escola Normal de São Paulo, que se tornou anos depois Gabinete de Psicologia e Antropologia Pedagógica, com o italiano Ugo Pizzoli, com produções vinculadas à medida de funções psicológicas, com destaque para estudos perceptivos.
Antunes (2006) nos revela a importância das Escolas Normais para a autonomização da Psicologia, pois encontrou:
 
o mais fértil terreno para seu desenvolvimento, não somente por serem estas campos potenciais de aplicação de conhecimentos e técnicas derivadas da ciência psicológica, mas também por permitirem a produção de pesquisas.  (...) além de, no caso, ter sido uma das mais importantes bases para que a Psicologia se tornasse mais tarde disciplina universitária. (ANTUNES, 2006, p 81)
 
 
 
A Psicologia e a organização do trabalho
 Com a promessa do desenvolvimento urbano-industrial desde o século XIX, o Brasil assistiu a emergência de diferentes camadas sociais, uma diversificação das atividades produtivas e novos conflitos sociais oriundos da complexificação econômica do país.
Segundo Antunes (2006, p 87), encontra-se na década de 20, em pleno século XX, as primeiras experiências da aplicação de Psicologia ao mundo do trabalho, confirmando-a como um "conjunto de conhecimento e práticas capazes de dar respostas e subsidiar ações que interviessem nos problemas sociais".
A Psicologia inseria-se nesse cenário, buscando promover ações que maximizassem a produção industrial. Participava de um conhecimento racionalizável e cientificista, como ocorreu com o panorama educacional. Eram práticas com finalidade de controle social nas indústrias, onde grupos de operários começavam a se organizar contra condições subumanas de trabalho, mantidas pelos modelos tayloristas e fordistas de produção.
Em 1929, criou-se o Instituto de Organização Científica do Trabalho, que possuía diferentes funções, como seleção e educação profissional, organização psicológica do modo de produção, entre outros. Porém, não conseguiu se manter devido a crises econômicas.
Em 1930, sob a tutela de Aldo Mario de Azevedo, criou-se o Instituto Paulista de Eficiência, que facilitou a Organização Racional do Trabalho(IDORT), que se desdobrou em instituições de claro cunho psicológico, como a Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes.
Também foram experiências igualmente importantes, as pesquisas realizadas a partir dos processos de seleção de aviadores para a Aviação Militar, sob tutela do Laboratório de Psicologia da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro.
Segundo Antunes (2006, p 91), nesse contexto, a Psicologia serviu como função de sustentáculo cientifico dos novos métodos administrativos, onde imperava a lógica racional e científica de atuação, seja pelos testes implementados ou por processos de seleção profissional objetivos. Nessa lógica, o individuo era compreendido como uma peça material do processo produtivo, inclusive pela própria Psicologia, que o nominava como parte dos Recursos Humanos.
A Regulamentação da Psicologia e do Conselho Federal  
A Psicologia foi regulamentada como profissão, no Brasil, no ano de 1962, decorrente da Lei  nº 4119, de 27 de agosto de 1962. Porém, somente em 1972, é que se criou o Conselho Federal de Psicologia, órgão encarregado de zelar pela organização do exercício profissional e que congregava todos os psicólogos brasileiros.
Segundo Soares (2010, p.20), em 1946, foi aprovado um decreto-lei que "ampliava o regime didático da Filosofia, referindo-se à possibilidade de ter diploma de licenciado" em Psicologia, quem por exemplo, fosse aprovado nos três primeiros anos do curso de Filosofia, bem em cursos de Biologia, Fisiologia, Antropologia, Estatística e em cursos de especialização de Psicologia.
Em 1962, o Presidente da República João Goulart, promulgou a 27 de agosto, a Lei nº 4.119 dispondo sobre os Cursos de Formação de Psicólogos, com importantes inovações, tais como permitir, aos portadores de diplomas ou certificados de especialista em Psicologia, Psicologia Educacional, Psicologia Clínica e Psicologia Aplicada ao Trabalho, o exercício do ofício de psicólogo, como também  permitir aos que já venham exercendo, na data da publicação da Lei, ou tenham exercido por mais de cinco anos, atividades profissionais de Psicologia Aplicada, o registro de Psicólogo. (SOARES,2010)
Romaro (2006, p 28) afirma que, a partir do Decreto 53464, em 1964, regulamenta-se definitivamente a Lei 4119 e se estruturam os cursos de psicologia, junto às Faculdades de Filosofia, em cursos de bacharelado, licenciatura e psicologia.  A lei estabelece como "funções privativas do psicólogo brasileiro o diagnóstico psicológico, a orientação e seleção pessoal, a orientação psicopedagógica, a solução de problemas de ajustamento, a colaboração em assuntos psicológicos ligados a outras ciências".
Esse marco foi essencial para a profissionalização da Psicologia, pois como Pereira & Pereira Neto (2003) elucidam:
 
Para que uma atividade seja reconhecida como tal, é necessário que reúna algumas características. Por um lado, a profissão deve ter um conhecimento delimitado, complexo e institucionalizado. Por outro, ela tem que organizar seus interesses em associações  profissionais que padronizem a conduta dos pares, realizando uma auto-regulação. O controle interno da profissão é feito através da fiscalização das condutas profissionais com dispositivos formais, entre os quais se destacam os códigos de ética. (PEREIRA&PEREIRA NETO, 2003, p 20)
 
Bock (2001), ao discutir a regulamentação da Psicologia em 1962, através da Lei nº 4119 e o Catálogo Brasileiro de Ocupações do mesmo ano, ressalta o caráter disciplinador e moralizante das práticas psicológicas, como podemos vislumbrar:
A psicologia e a profissão lá estão limitadas a aspectos intervencionistas orientados para o ajustamento e a adaptação do individuo. Fala-se, então, de desenvolvimento e de condições para sua facilitação, como se o desenvolvimento tivesse percurso determinado. (....) A finalidade do trabalho é ajustamento, adaptação, auto realização, desenvolvimento, convivência e desempenho, sempre supondo um estado de normalidade. O trabalho do psicólogo está muito relacionado a esses objetivos, seja ele em escolas, empresas ou clínicas. ( BOCK, 2001, p. 26).
 
Apenas em 1971 cria-se o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Psicologia, com o intuito de regulamentar, orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão, sendo elaborando o primeiro Código de Ética apenas em 1975, pela resolução CFP 008/75, por uma Comissão de Ética.  
Segundo Soares (2010, p. 28), o primeiro Conselho Federal enfrentou uma tarefa árdua, pois precisou se empenhar em elaborar leis sobre  "as quais viessem a assentar, sólidas e definitivas, a tradição e a unidade da classe, recentemente reconhecida, ao lado de  uma consciência de corpo, sob a égide de uma só Autarquia".
Nesse processo constitutivo, o Conselho Federal de Psicologia no Brasil se definia como uma autarquia federal, ou seja, como instituição com autonomia de gestão didático-científica, administrativa e financeira.  Porém, devido ao contexto político e histórico de teor ditatorial, nas décadas de 1960 e de 1970, o Conselho permaneceu como extensão dos poderes e decisões do Estado, sem independência jurídica ou social. Somente a partir da redemocratização do país, em meados dos anos de 1980, o Conselho assumiu sua vocação autárquica, mostrando-se com maior autonomia em suas agendas políticas e profissionais. Pode-se comprovar esse fato, pelas informações que constam atualmente no site do Conselho Federal:
 
O Conselho Federal de Psicologia – CFP é uma autarquia de direito público, com autonomia administrativa e financeira, cujos objetivos, além de regulamentar, orientar e fiscalizar o exercício profissional, como previsto na Lei 5766/1971, regulamentada pelo Decreto 79.822, de 17 de junho de 1977,  deve promover espaços de discussão sobre os grandes temas da Psicologia que levem à qualificação dos serviços profissionais prestados pela categoria à sociedade. (CFP, disponível < http://site.cfp.org.br/cfp/conheca-o-cfp/>, acesso 2013)
 
 
 
Em 1976, elegeu-se o segundo Conselho Federal, focado em fortalecer a imagem profissional do psicólogo brasileiro, assim como também oficializar o exercício de fiscalização em relação ao exercício profissional, sob uma Comissão de Fiscalização,  fixada pela Resolução nº 3, de 27 de fevereiro de 1977.
Desde então, o Conselho Federal de Psicologia passou por diferentes momentos dentro do contexto sociopolítico brasileiro. Entretanto, foi com a democratização e com a Constituição Cidadã, em 1988, que esse órgão passou a seguir uma vocação mais crítico-social, criando inúmeras Comissões pertinentes e comprometidas com a realidade brasileira. Atualmente, encontramos as seguintes comissões permanentes:
  Comissão de Direitos Humanos, criada pela Resolução CFP nº 11/1998 tem como atribuições: incentivar a reflexão sobre os direitos humanos inerentes à formação, à prática profissional e à pesquisa em Psicologia; intervir em todas as situações em que existam violações dos direitos humanos que produzam sofrimento mental; participar de todas as iniciativas que preservem os direitos humanos na sociedade brasileira; apoiar o movimento internacional dos direitos humanos;  e lutar contra todas as formas de exclusão que violem os direitos humanos e provoquem qualquer tipo de sofrimento mental.
  Comissão de Análise sobre Título Especialistas, criada pela Resolução CFP nº 014/200, revogada pela Resolução CFP nº 013/2007: criada para fins de concessão de credenciamento de cursos de especialista e análise de recursos sobre títulos de especialistas. Essa comissão também tem a responsabilidade de subsidiar o plenário do CFP para as diversas demandas relacionadas ao tema “Especialidades em Psicologia”.
  Comissão Nacional de Credenciamento de sites, criada pela Resolução CFP nº 003/2000, revogada pela Resolução CFP nº 012/2005:  além de realizar avaliação dos sites que oferecem serviços de Psicologia, apresenta sugestões para o aprimoramento dos procedimentos e critérios envolvidos nesta tarefa e subsidia o Sistema Conselhos de Psicologia a respeito da matéria.
Comissão Consultiva em Avaliação Psicológica, criada pela Resolução CFP nº 025/2001, revogada pela Resolução CFP nº 002/2003:  integrada por psicólogos convidados de reconhecido saber em testes psicológicos, tem como objetivo analisar e emitir parecer sobre os testes psicológicos encaminhados ao CFP, com base nos parâmetros definidos nesta Resolução, bem como apresentar sugestões para o aprimoramento dos procedimentos e critérios envolvidos nessa tarefa, subsidiando as decisões do Plenário a respeito da matéria.
(CFP, disponível < http://site.cfp.org.br/cfp/conheca-o-cfp/>, acesso 2013)
 
Atualmente, no século XXI, segundo Pereira & Pereira Neto (2003), enfrentamos um período de profissionalização mais madura, porém a Psicologia sofre com as alterações e crises sócio econômicas, causando uma maior proliferação de faculdades de psicologia, a queda na qualidade da formação e, ao  mesmo tempo, uma degradação do valor do trabalho do psicólogo no mercado de trabalho. Há novos espaços de atuação profissional que surgem devido, inclusive, a uma crise mercadológica e epistêmica no cenário clínico. Surgem  novos dilemas éticos situados nos fenômenos intersubjetivos da contemporaneidade, desafiando a categoria profissional a se rever continua e criticamente. Esse é o processo de profissionalização aberto e ainda por ser feito, na prática cotidiana de uma profissão relativamente nova em nosso país.
BIBLIOGRAFIAS BASICAS:
ANTUNES, M. A psicologia no Brasil: leitura histórica sobre sua constituição. São Paulo: Ed Unimarco EDUC, 2005.
ROMARO, R. A. Ética na psicologia. São Paulo: Ed. Vozes, 2006.
SOARES, Antonio Rodrigues. A Psicologia no Brasil. Psicol. cienc. prof. [online]. 2010, vol.30, n.spe, pp. 8-41
 
Bibliografias Complementares
ANTUNES, M. A Psicologia no Brasil no século XX: Desenvolvimento Científico e Profissional.  In MASSIMI & GUEDES (orgs). História da Psicologia no Brasil: novos estudos. São Paulo: Ed EDUC, 2004.
BERNARDES, L. História da Psicologia no Brasil. São Paulo: Ed Casa do Psicólogo, 2007.
BOCK, A. História da organização do psicólogo e a concepção do fenômeno psicológico. In: JACO-VILELA,CEREZZO, RODRIGUES  (org). Clio-Psyque hoje:  fazeres e dizeres psi na história do Brasil. RJ: Relume- Dumará. 2001, p 25-33.
COSTA, J. Ordem médica e norma familiar. Rio de Janeiro: Ed Graal, 1987.
PEREIRA e PEREIRA NETO. O Psicólogo no Brasil: notas sobre seu processo de profissionalização. Revista Psicologia em Estudo, Maringá, v 8 , n.2, PP 19-27, 2003.
PESSOTTI, I. Notas para uma história da psicologia brasileira. In CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Quem é o psicólogo brasileiro? São Paulo: Ed Edicon, 1988.
SAVIANI, Dermeval. O legado educacional do “longo século XX” brasileiro. In: SAVIANI, Dermeval ( et. al.). O legado educacional do século XX no Brasil. Campinas, SP: Autores Associados, 2004.
VIDAL, Diana Gonçalves. Escola Nova e processo educativo. In: LOPES, Eliane Marta, FIGUEIREDO, Luciano e GREIVAS, Cynthia (orgs.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 3ª. Ed., 2003.
 
Uma Reflexão Inquietante:   Diante a apresentação histórica e contextual desse módulo sobre a autonomização da Psicologia no Brasil e seu viés adaptativo e eugênico, de que modo na atualidade, os psicólogos brasileiros podem e devem rever sua história e transformar sua atuação com parâmetros mais éticos e comprometidos com a sociedade?
Sugestão hipermidiática:
Visite o site da Memória da Psicologia junto ao Conselho Federal de Psicologia, escolha um vídeo disponível e o relacione com o conteúdo do módulo, cabe a sugestão do vídeo Memória do Projeto de Ulysses Pernambucano, disponível http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=dzsYlRp93uU, acesso nov/2013..
Projeto Memória da Psicologia Brasileira, disponível em <http://site.cfp.org.br/multimidia/projeto-memorias-da-psicologia-brasileira/videos/>, acesso nov/2013.
 
 Atividades Teórico-Práticas: 
I)             Leia o texto de Soares (2010) e grife trechos que dizem respeito às funções do Conselho Federal de Psicologia.
TEXTO BASE: SOARES, Antonio Rodrigues. A Psicologia no Brasil. Psicol. cienc. prof. [online]. 2010, vol.30, Caderno Especial, pp. 8-41.
II)            Crie uma linha do tempo a partir das informações disponíveis no texto base do Módulo, identificando: eventos sociais, históricos e profissionais importantes na fase de implementação da Psicologia como ciência no século XX, a criação do Conselho Federal de Psicologia e  a constituição dos Códigos de Ética.
 
Exercício comentado:
Sobre as idéias psicológicas brasileiras dos séculos XIX e XX, na fase de autonomização da Psicologia Científica, Antunes ( 2006) afirma que possuíam:
I)              a finalidade de conscientizar critico e socialmente o individuo diante o modelo de desenvolvimento urbano-industrial.
II)             a finalidade de adaptar o sujeito aos padrões de alta produtividade da época.
III)            a finalidade de moralizar os sujeitos, nos padrões morais e éticos da elite brasileira, excluindo os desordeiros, que não seguiam esses padrões.
IV)           a finalidade de localizar o homem certo para o lugar certo no padrão organizacional e no mundo do trabalho.
São corretas as afirmativas:
a)    I, II e III
b)    II, III e IV
c)    III e IV
d)    I, III e IV
e)    III e IV
 
Comentários do exercício: o aluno deve ler o texto base do módulo e as citações realizadas a partir de Antunes (2006), para compreender o viés hegemônico adaptativo e higienicista dos saberes psicológicos no contexto brasileiro (séc XIX e XX) que possuía essa demanda: manter o sujeito disciplinado e em alto padrão de produtividade. A partir dessa concepção, percebe-se que o item I está incorreto, pois não se objetivava conscientizar criticamente a população através das práticas psicológicas, mas mantê-la moralizada e disciplinada, como está explícitos nos itens II , III e IV. Portanto, alternativa B é a correta.
MÓDULO 3 – INTRODUÇÃO AO CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO PSICOLOGO
OBJETIVOS:
-Apresentar a História Breve dos Códigos de Ética do Psicólogo no Brasil.
-Apresentar as concepções de homem e mundo que subjazem o Código de Ética Profissional do Psicólogo: a concepção de homem social (provinda da ética material de Aristóteles) e a concepção sócio-histórica.
 INTRODUÇÃO E BIBLIOGRAFIAS
Toda profissão ao se definir como um conjunto de práticas e teorias que buscam atender as necessidades psicossociais de uma população, controlada por padrões técnicos e éticos, organiza-se e regulamenta-se a partir de um documento deontológico, denominado comumente de Código de Ética. Com a regulamentação da Psicologia em 1962, fez-se necessário construir um Código de normas para o reconhecimento social da profissão em âmbito nacional.
                 O novo Código de Ética do Psicólogo foi proposto em 2005, como resultado de um percurso histórico da Psicologia frente às novas demandas sociais e também como carta que dialoga ativamente com a Cultura de Direitos Humanos, instituída a partir da Constituição Federal de 1988.
 Esse documento promulgado em 27 de agosto de 2005, é o quarto Código de Ética do Psicólogo no Brasil. Ele veio responder, principalmente,  ao contexto organizacional e institucional, oriundo de um pedido social para as entidades representativas, os Conselhos Regionais de Psicologia. Portanto, esse é um Código que veio atender à evolução do contexto institucional do Brasil, com a crescente democratização e industrialização.
Em 1967, o primeiro Código de Ética do Psicólogo foi aprovado pela Associação Brasileira de Psicólogos, presidida por Arrigo Angelini, possuía cinco princípios fundamentais e 40 artigos. Em 1975, por sua vez, este foi modificado e reorganizado como oficialmente o primeiro Código de Ética, agora promulgado por um Conselho Federal de Psicologia.  (Romaro, 2006)
Em 1979, aprova-se o segundo Código de Ética da profissão, em tempos de ditadura militar no Brasil. Esse documento possuía, segundo Romaro (2006), cinco princípios fundamentais e 50 artigos, com grifos sobre o trabalhodo psicólogo em equipes multiprofissionais.
Em 1987, aprova-se o terceiro Código de Ética Profissional da Psicologia, mais denso e com grande quantidade de artigos e alíneas, refletindo, segundo Romaro (2006), as dificuldades enfrentadas na confecção desse documento em um momento de transição da ditadura para a redemocratização do país. Os pontos salientados foram o respeito pelo outro e sua integridade, que faz alusão aos Direitos Humanos, e também à importância da função social do psicólogo por meio de uma análise crítica da realidade.
Depois de 40 anos, a classe profissional se viu mobilizada a rever esse documento, num contexto sócio político mais amadurecido e com novas demandas psicossociais, principalmente no cenário institucional, no qual os psicólogos brasileiros intervinham e encontravam dilemas éticos, complexos e pouco contemplados pelo Conselho Federal de Psicologia.
A partir desse novo cenário e dos novos fazeres, a Psicologia Brasileira foi chamada a participar de um processo de reflexão e construção de novas diretrizes para as ações profissionais da Psicologia. Esse processo se iniciou em 2001, quando os psicólogos foram convocados a confeccionar um novo código, superando o anterior que havia sido feito em 1987. O documento anterior tinha marcas direcionadas predominantemente ao campo clínico, e não dialogava com as novas configurações psicossociais e com leis mais modernas, como o Estatuto da Criança e do Adolescente(1990).
            Os Conselhos Regionais de Psicologia em território nacional foram mobilizados a chamar os seus participantes a organizarem Fóruns Regionais de Ética, formulando teses que indicariam quais mudanças seriam realizadas em um novo documento da categoria profissional.
             O Código retrata a   imagem da nossa prática profissional, que muitas vezes incomoda a classe profissional, pelo seu viés ainda elitista e curativo, resultado da identidade clássica do psicólogo clínico e do modelo biomédico de atendimento. A partir disso, os psicólogos brasileiros  buscaram  uma prática mais refletida, um retrato mais fiel do que fazem de fato ou do que querem fazer na Psicologia. Por isso, o novo Código de Ética do Psicólogo é um projeto profissional coletivo, que desenha uma possível nova identidade desse sujeito que trabalha e faz psicologia no Brasil.
O novo código foi pensado dentro do movimento da história da Psicologia, na sua prática com a sociedade brasileira. Desse modo ele expõe princípios que:  representa essa história; valoriza o sujeito na perspectiva social; respeita as diversidades humanas na trama sócio cultural; reconhece a diversidade interna da própria Psicologia em suas diferentes teorias e fazeres; garante os direitos do individuo e apresenta uma perspectiva de promoção de saúde.
            Esse novo documento modificou sua forma, apresentando metade dos artigos, em contraponto ao antigo código com 50 artigos. É uma mudança formal, mas primordialmente de sentido. Buscou-se um código que permite uma maior reflexão do sujeito, enfocando amplos princípios norteadores e que não dita somente regras fechadas. Com isso, temos um documento voltado para os direitos do psicólogo.
As concepções filosóficas referentes à concepção de homem e de mundo presentes no Código de Ética, podem ser reconhecidas em dois eixos:
a) Aristotélico – ressalta a concepção de homem como um animal político e que tem sua existência permeada de sentido no coletivo.
b)  Sócio histórico-  destaca a constituição do homem a partir da condição humana e da relação com a sociedade e a cultura em que está inserido.
 
Concepção Aristotélica e o Código de Ética do Psicólogo (2005)
 
A antropologia  aristotélica continua sendo, até hoje,  um dos  
fundamentos da concepção ocidental do homem. Os problemas
                                   levantados por Aristóteles em torno da pergunta sobre o que é
                                   o homem e as categorias com que tentou resolvê-los, embora
                                   tivessem como alvo principal o homem helênico no contexto da
                                   Polis, tornaram-se o fundo conceptual permanente da filosofia
                                   moderna, e nada indica que sua fecundidade heurística tende
                                   a  esgotar-se.( LIMA VAZ, 2004,p.40)
 
            Aristóteles desenvolveu em sua obra De Anima, um repertório filosófico significativo, referente à concepção antropológica, ou seja, sobre sua visão da constituição humana. Definiu-a primeiramente demarcada pela estrutura biopsíquica, na qual a psyqué é o conceito fundamental, significando um princípio vital que é o ato ou a perfeição de todo ser vivo e ao qual compete a capacidade de mover-se a si mesmo (autokinêton). A gênese dapsyqué está na dimensão da physis (natureza), caracterizando o homem como um ser vivo que possui psyché (como forma racional) e soma (corpo). 
            Para Aristóteles, o homem é definido como zoon logikón.  Ele se distingue de todos os outros seres da natureza em virtudes do predicado da racionalidade: “ele é um animal racional que fala e discorre, enquanto ser dotado de logos, o homem transcende de alguma maneira a natureza e não pode ser considerado simplesmente um ser natural” (LIMA VAZ, 2004, p. 37).
            Everson (2007, pág 168)   afirma que a psicologia aristotélica não se interessou por um enfoque mental ou o entendimento da diferença entre corpo e mente, mas sim por uma psicologia da vida, especialmente na distinção entre vida e morte: “What determines the scope of his psychology is not the recognition of a distinction to be drawn between the mental and the physical, but rather that between the living and the dead. “
            Uma das maiores contribuições de Aristóteles para a Psicologia e a visão de homem presente, na maioria dos Códigos de Ética profissionais do Ocidente, se encontra no livro I da Política, no qual ele afirma que o homem é um animal político (Zoôn politikón) por natureza. Afirma que o indivíduo, não é auto-suficiente e necessita sempre do Outro nas relações de sociabilidade.
            Também no livro I da obra Ética à Nicômaco, Aristóteles afirma que o homem possui uma marca essencial que o diferencia dos outros, sua racionalidade. Essa capacidade o faz criar a ética, como um modo de refletir sobre sua vida e seus hábitos cotidianos, em direção a um fim, que para o pensador resumia-se na seguinte questão: O que posso e devo fazer para ser feliz junto a minha comunidade na pólis? Porém, para Aristóteles, nem tudo que quero, como individuo, pode ser vivido em nome dessa felicidade. Há um balizador importante nessa história: a pólis, ou seja, a cidade e a sociedade nela vivente. Pegoraro apud Aristóteles (2006, p 36) reafirma para seus leitores: “O homem é um animal capaz de pensar e de fazer política”
            Essa supremacia política do âmbito público sobre o privado é uma contribuição evidente para a elaboração dos códigos deontológicos na contemporaneidade, pois evidencia uma preocupação com o coletivo ao invés de privilegiar o individualismo, marca recorrente de tempos atuais (MAIORINO, 2005).
            Essa valorização do público e do aspecto político está evidente na obra Política, quando o pensador grego afirma que a cidade é uma comunidade política, que visa um bem maior e abrange outras comunidades menores, como a família e os indivíduos. A cidade tem como finalidade promover uma vida boa aos seus cidadãos, porém, ela deve ter e ser o poder político supremo e fundamental em relação as aldeias, famílias e indivíduos que a constituem.  Aristóteles afirma ainda, que a natureza humana só pode ser realizada de modo pleno pelo pertencimento a comunidade social e política.
            No livro III, da obra Política, Aristóteles discute a importância sobre a condição de cidadania nas cidades, definindo como cidadão aquele sujeito que participa da vida política verdadeiramente, seja por funções deliberativas ou judiciais.  Com essa lógica, o pensador ainda

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