Logo Passei Direto

A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
10 pág.
ACIDENTES OFÍDICOS

Pré-visualização | Página 1 de 3

–
 
 1 
 
 
Acidentes Ofídicos 
 
➔ 
• Cabeça – Geralmente, possui a cabeça achatada, triangular e bem 
destacada 
• Presas – São presas anteriores e com um sulco central para a 
inoculação da peçonha 
• Fosseta Loreal – órgão sensorial presente entre as narinas e os olhos 
(“cobra de 4 ventas”) 
• Olhos – São pequenos e com pupilas verticais em fenda 
• Cauda – Curta e afina bruscamente 
 
 
➔ 
 
 
 
 
 
–
 
 2 
 
• 
Corresponde ao acidente ofídico mais INCIDENTE, sendo responsável por 90% dos casos. As serpentes do gênero 
Bothrops compreendem cerca de 30 espécies, distribuídas por todo o território nacional. As espécies mais conhecidas 
são: B. atrox, encontradas no norte do Brasil; B. erythromelas, encontradas na região nordeste; B. neuwiedi, 
encontradas em todo território nacional, exceto região norte do país; B. jararaca, distribuídas na região sul e sudeste; 
B. jararacussu, encontradas no cerrado da região central e em florestas tropicais do sudeste e B. alternatus, 
distribuídas ao sul do país. A quantidade de veneno varia de acordo com o TAMANHO DA SERPENTE e se houve outro 
ataque a presas recentemente. Especialmente nesse gênero, o VENENO FILHOTE é mais COAGULANTE e o veneno 
ADULTO mais PROTEOLÍTICO!! 
o 
▪ Proteolítica – é a atividade causadora de EDEMA, BOLHA E NECROSE, que apresenta patogênese 
complexa, mas envolve a atividade de PROTEASES, HIALURONIDADES, da liberação de MEDIADORES 
INFLAMATÓRIOS e da ação de HEMORRAGINAS no endotélio + efeito pró-coagulante 
▪ Coagulante – grande parte dos venenos botrópicos ativam de forma ISOLADA OU SIMULTÂNEA o FATOR 
X e a PROTROMBINA. Estes venenos tem ação semelhante à TROMBINA, que converte o fibrinogênio em 
fibrina (gasta o fibrinogênio em coagulação “inútil”, dificultando a coagulação útil)! A associação dessas 
ações causa distúrbios coagulatórios com o consumo de fatores, geração de produtos da degradação de 
fibrina/fibrinogênio. Pode alterar a FUNÇÃO PLAQUETÁRIA e causar plaquetopenia. 
• Obs: tudo muito parecido com a CIVD 
▪ Hemorrágica – as hemorraginas provocam lesões na MEMBRANA DOS CAPILARES, o que ocasiona 
plaquetopenia e alterações na coagulação. 
o 
▪ Manifestações Locais – caracterizada por DOR, EDEMA e EQUIMOSES no local da picada com intensidade 
variável e, geralmente, precoces que evoluem ao longo do membro acometido! Mais tardiamente, podem 
aparecer BOLHAS (seroso ou serohemorrágico) e INFARTO GANGLIONAR acompanhados ou não de 
necrose! 
▪ Manifestações Sistêmicas – podem ser observadas hemorragias à distância, como GENGIVORRAGIAS, 
EPISTAXE, HEMATÊMESE e HEMATÚRIA, com risco de hemorragia uterina. Com base nas manifestações 
clínicas, os acidentes botrópicos são divididos em: 
• Leve – forma mais comum – dor e edema local pouco intenso ou ausente, manifestações 
hemorrágicas pouco intensas ou ausentes. Aqueles acidentes causados por filhotes de botrópicos 
podem apresentar como único elemento de diagnóstico a alteração do tempo de coagulação 
• Moderada – dor e edema evidentes que ultrapassam o segmento anatômico picado, acompanhados 
ou não de alterações hemorrágicas locais ou sistêmicas 
–
 
 3 
 
• Grave – edema local ENDURADO E EXTENSO, podendo atingir todo o membro picado, e 
acompanhado de DOR INTENSA com eventual presença de bolhas. Por haver edema intenso, podem 
ocorrer sinais de isquemia por síndrome compartimental aguda. Manifestações como hipotensão 
arterial, choque, oligoanúria, hemorragias intensas definem o caso como GRAVE independente das 
manifestações locais. 
 
▪ Complicações 
• Síndrome Compartimental – é rara, acontecendo somente em casos graves, havendo difícil manejo. 
O edema faz compressão do feixe vásculo-nervoso, causando isquemia. 
• Abscesso – a ação proteolítica do veneno favorece o aparecimento de infecções locais 
(microorganismos provenientes da boca da vobra, da pele da vítima ou de substâncias colocadas em 
cima da ferida) 
• Necrose – decorre da ação proteolítica associada à ISQUEMIA local e a outros fatores (infecção, SCA, 
trombose). Mais comum em extremidades (dedos). 
• Choque – raro, casos graves, decorre da liberação de substâncias vasoativas, sequestro de líquido 
para o edema e perda por hemorragia 
• IRA – pode decorrer da ação DIRETA do veneno nos rins, isquemia renal por deposição de 
microtrombos nos capilares, desidratação. 
 
o 
▪ Tempo de Coagulação (TC) – de fácil execução, sua determinação é importante para acompanhamento 
dos casos e confirmação diagnóstica 
▪ Hemograma - geralmente revela leucocitose com neutrofilia e desvio à esquerda, hemossedimentação 
elevada nas primeiras horas do acidente e plaquetopenia de intensidade variável 
▪ EAS – proteinúria, hematúria e leucocitúria 
▪ Outros Exames Laboratoriais - poderão ser solicitados, dependendo da evolução clínica do paciente, com 
especial atenção aos eletrólitos, uréia e creatinina, visando à possibilidade de detecção da insuficiência 
renal aguda 
▪ Métodos de Imunodiagnóstico - antígenos do veneno botrópico podem ser detectados no sangue ou 
outros líquidos corporais por meio da técnica de ELISA 
 
 
 
 
 
–
 
 4 
 
o 
▪ Específico - Consiste na administração, o mais precocemente possível, do soro ANTIBOTRÓPICO (SAB) por 
via intravenosa e, na falta deste, das associações ANTIBOTRÓPICO-CROTÁLICA (SABC) OU 
ANTIBOTRÓPICOLAQUÉTICA (SABL). Se o TC permanecer alterado 24 horas após a soroterapia, está 
indicada dose adicional de duas ampolas de antiveneno 
▪ Geral 
• Manter elevado e estendido o segmento picado; 
• Emprego de analgésicos para alívio da dor; 
• Hidratação: manter o paciente hidratado, com diurese entre 30 a 40 ml/hora no adulto, e 1 a 2 
ml/kg/hora na criança; 
• Antibioticoterapia: o uso de antibióticos deverá ser indicado quando houver evidência de infecção. 
As bactérias isoladas de material proveniente de lesões são principalmente Morganella morganii, 
Escherichia coli, Providentia sp e Streptococo do grupo D, geralmente sensíveis ao cloranfenicol. 
Dependendo da evolução clínica, poderá ser indicada a associação de clindamicina com 
aminoglicosídeo. 
▪ Tratamento das Complicações Locais - Firmado o diagnóstico de síndrome de compartimento, a 
FASCIOTOMIA não deve ser retardada, desde que as condições de hemostasia do paciente o permitam. 
Se necessário, indicar transfusão de sangue, plasma fresco congelado ou crioprecipitado. O 
DESBRIDAMENTO de áreas necrosadas delimitadas e a DRENAGEM de abscessos devem ser efetuados. A 
necessidade de cirurgia reparadora deve ser considerada nas perdas extensas de tecidos e todos os 
esforços devem ser feitos no sentido de se preservar o segmento acometido 
• 
É o segundo acidente mais incidente no Brasil, causando cerca de 7,7% dos casos (até 30% em algumas regiões). As 
serpentes do gênero Crotalus estão representadas no Brasil por apenas uma espécie, a Crotalus durissus, e 
distribuídas em cinco subespécies: C. durissus terrificus, encontrada nas zonas altas e secas da região sul oriental e 
meridional; C. durissus collilineatus, distribuídas nas regiões secas da região centro-oeste, Minas Gerais e norte de 
São Paulo; C. durissus cascavella, encontrada nas áreas da caatinga do nordeste; C. durissus ruruima, observada na 
–
 
 5 
 
região norte do país; C. durissus marajoensis, observada na Ilha de Marajó. A LETALIDADE é maior pois evolui mais 
rapidamente para IRA. Seus efeitos são mais SISTÊMICOS do que LOCAIS! 
o 
▪ Neurotóxico – a fração de CROTOXINA presente na peçonha age na membrana PRÉ-SINÁPTICA de forma 
a INIBIR a liberação de ACETILCOLINA. Devido a isso, há o bloqueio neuromuscular, representado 
clinicamente por paralisias motoras flácidas. 
▪ Miotóxica – Não se sabe exatamente qual a fração do veneno responsável por esse efeito, mas ocorre 
uma LESÃO DE FIBRAS MUSCULARES ESQUELÉTICAS com liberação de enzimas e mioglobina na corrente 
sanguínea, que serão filtradas pelos
Página123