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Abdome agudo inflamatório

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à semelhança de uma apendicite do lado esquerdo. A dor, algumas vezes do tipo contínua e outras 
do tipo cólica, localiza-se desde o início em fossa ilíaca esquerda podendo, em determinadas circunstâncias, 
irradiar-se para a região dorsal do mesmo lado. É possível encontrar anorexia e náuseas. As alterações do 
trânsito intestinal estão caracterizadas por obstipação e algumas vezes diarréia. Quando o processo inflamatório 
atinge a bexiga ou o ureter, o doente manifesta sintomas urinários do tipo disúria e polaciúria. 
Ao exame físico encontraremos o paciente febril, pouco taquicárdico. O abdome se encontra discretamente 
distendido, e os ruídos hidroaéreos, diminuídos. A palpação evidenciará sinais de irritação peritoneal 
(descompressão brusca positiva, percussão dolorosa) localizados em fossa ilíaca esquerda, região suprapúbica 
ou, às vezes, generalizada. Em muitas situações, é possível palpar uma massa dolorosa na fossa ilíaca esquerda. 
O toque retal freqüentemente evidenciará dor em fundo-de-saco. Não devemos esquecer que, em algumas 
circunstâncias, o quadro clínico da diverticulite do sigmóide pode assumir características de abdome agudo 
perfurativo ou, mesmo, abdome agudo obstrutivo. 
• FISIOPATOLOGIA 
Apendicite: 3128 
REFERÊNCIA: Tratado de Cirurgia – Sabiston 
Acredita-se que a obstrução do lúmen seja a maior causa de apendicite aguda. Isso pode ocorrer em razão de 
fezes espessadas (fecalito e apendicolito), hiperplasia linfoide, matéria vegetal ou sementes, parasitas ou um 
neoplasma. O lúmen do apêndice é pequeno com relação ao seu comprimento, e essa configuração pode 
predispor a obstrução de alça fechada. A obstrução do lúmen apendicular contribui para o supercrescimento 
bacteriano, e a secreção continuada de muco causa distensão intraluminal e maior pressão da parede. A 
distensão luminal produz a sensação de dor visceral experimentada pelo paciente como dor periumbilical. O 
dano subsequente da drenagem venosa e linfática leva à isquemia mucosa. Esses achados em combinação 
promovem um processo inflamatório localizado que pode evoluir para gangrena e perfuração. A inflamação 
do peritônio adjacente dá origem a dor localizada no quadrante inferior direito. Embora exista variabilidade 
considerável, a perfuração ocorre tipicamente após pelo menos 48 horas do início dos sintomas e se acompanha 
por uma cavidade de abscesso envolvido pelo intestino delgado e pelo omento. 
Raramente, ocorre perfuração livre do apêndice na cavidade peritoneal, que pode ser acompanhada de 
peritonite e choque séptico e pode ser complicada pela formação subsequente de múltiplos abscessos 
intraperitoneais. 
Bacteriologia: A flora no apêndice normal é semelhante à do cólon, com várias bactérias aeróbicas e 
anaeróbicas facultativas. A natureza polimicrobiana da apendicite perfurada está bem estabelecida. Escherichia 
coli, Streptococcus viridans e espécies de Bacteroides e Pseudomonas são frequentemente isolados, e muitos 
outros micro-organismos podem ser cultivados. 
Entre os pacientes com apendicite não perfurada aguda, as culturas do líquido 
peritoneal em geral são negativas e têm uso limitado. Entre os pacientes com 
apendicite perfurada, as culturas do líquido peritoneal são mais suscetíveis de 
serem positivas, revelando bactérias colônicas com sensibilidades previsíveis. 
Como é raro que os achados alterem a seleção ou a duração do uso de antibióticos, 
alguns têm desafiado a prática tradicional de obter culturas. 
Colecistite aguda 
Bacteriologia: Sem intervenção biliar prévia, a maior parte da bile é considerada estéril. Entretanto, com a 
presença de cálculos ou obstruções, cresce a probabilidade de contaminação bacteriana. Com a nucleação da 
bile e formação de cálculos na vesícula, os cálculos podem criar um reservatório para as bactérias, mas a fonte 
da bactéria não é clara. Assim, a maior parte da bactibilia é causada por aeróbios Gram-negativos, passagem 
ascendente da bactéria do duodeno para a árvore biliar que é uma suspeição comumente levantada para a 
contaminação bacteriana. Os tipos mais comuns de bactérias encontradas nas infecções biliares são 
Enterobactérias, como Escherichia coli, Klebsiella e Enterobacter, seguidas de Enterococcus spp. A estase 
aumenta a probabilidade da contaminação bacteriana da bile. 
Sintomas: As manifestações sintomáticas comuns da doença da árvore biliar são dor em cólica, febre e 
icterícia. Como é visto em outras estruturas tubulares, a dor associada a outros sintomas pode ser da obstrução 
com pressão intraluminal aumentada, infecção com seu processo inflamatório associado, ou ambos. A 
obstrução geralmente precederá à infecção, porque a estase da bile é um fator estimulante da infecção biliar, 
em associação com a quantidade suficiente de inóculo infeccioso num portador suscetível. 
Dor: A dor originária do trato biliar é geralmente denominada cólica biliar, na verdade, uma denominação 
errônea porque o padrão da dor não é de cólica por sua natureza. Essa dor é normalmente constante, localizada 
no quadrante superior direito ou epigástrio, e pode estar associada às refeições. A dor no quadrante superior 
direito que aparece uma hora ou mais após uma refeição é frequentemente causada pela contração da vesícula 
induzida pela secreção da CCK. Quando o lúmen da vesícula não consegue se esvaziar completamente por 
causa de um cálculo no colo vesicular, ativa as terminações das fibras viscerais da dor, causando dores no 
epigástrio e/ou no quadrante superior direito. A mesma obstrução luminal da cólica biliar, só que associada à 
estase suficiente, pressão, e inóculo bacteriano, provoca infecções. Com este comprometimento, a dor do 
quadrante superior direito decorrente da cólica biliar virá associada à hipersensibilidade localizada na palpação 
do quadrante superior direito. Especificamente, a interrupção da respiração quando o examinador exerce uma 
pressão constante sob a borda costal direita, conhecida como um sinal de Murphy, sugere inflamação das 
superfícies peritoneal parietal e visceral, e pode ser percebida em doenças como colecistite aguda e hepatite. 
Alternativamente, a cólica biliar na ausência de infecção e/ou inflamação não está associada a nenhum sinal 
e/ou sintoma na vigência do exame físico. 
Febre: Embora a cólica biliar não esteja usualmente associada a outras manifestações sistêmicas, a infecção 
e/ou inflamação da vesícula e/ou árvore biliar usualmente causará febre. Pode ser observada em várias doenças 
inflamatórias, mas a febre associada à dor no quadrante superior direito é altamente sugestiva de processo 
infeccioso na árvore biliar. Com acesso direto e imediato ao parênquima hepático metabolicamente ativo, a 
infecção da vesícula e da árvore biliar induz a secreção de citocinas e, dessa forma, provoca manifestações 
sistêmicas diretas. 
Icterícia: A icterícia, causada pela elevação do nível sérico de bilirrubina, pode ser notada na esclerótica, no 
freio lingual ou na pele. São necessários níveis séricos de bilirrubina acima de 2,5 mg/dL para detectar 
rotineiramente uma icterícia na esclerótica, e níveis acima de 5 mg/dL irão se manifestar como icterícia cutânea. 
A impossibilidade de excretar a bile do fígado para os intestinos é um pré-requisito para o aparecimento da 
icterícia. Sendo assim, embora ambas estejam associadas à febre e à dor, a colecistite aguda não causa a icterícia 
vista na infecção da árvore biliar, conhecida como colangite ascendente. A constatação de febre, dores no 
quadrante superior direito, e icterícia, conhecida como tríade de Charcot, sugerem o bloqueio da secreção biliar 
do fígado, não apenas da vesícula biliar. Com a adição de hipotensão e alteração do status mental, passa a ser 
conhecida com pêntade de Reynolds, e os pacientes apresentarão manifestações sistêmicas de choque de 
origem biliar. A icterícia é normalmente dividida em clínica, resultante de um processo hepatocelular e 
cirúrgica,

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