A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
1 pág.
Alterações psiquiátricas

Pré-visualização|Página 1 de 1

Alterações psiquiátricas

Sintomas psiquiátricos no início da EM são raros segundo a literatura, estimado em 0,2% a 2%. No entanto, no curso da doença torna-se bem mais frequente. Os principais diagnósticos no início da doença foram: depressão maior (56%), sintomas psicóticos (32%), episódio de mania (6%) e transtorno generalizado de ansiedade (6%).

O tratamento foi realizado com antidepressivos associados ou não a ansiolíticos e se necessário a antipsicóticos (risperidona ou olanzapina).

A intervenção psicológica é de difícil avaliação em decorrência da variedade de técnicas que podem ser usadas. Em um estudo de revisão (Thomas et al., 20089), os autores não chegaram uma definição bem clara dos benefícios da intervenção psicológica, mas há evidências de que a abordagem cognitiva comportamental é importante na recuperação da depressão.

Fadiga


Kos e colaboradores definiram a fadiga como uma falta de energia física ou mental notada pelo paciente ou seu cuidador e que interfere na vida diária do indivíduo.

Pode ser o sintoma mais importante que interfere na qualidade de vida e que leva a piora da incapacidade. É também um dos sintomas mais comuns da EM, com frequência estimada em até 90% dos portadores de EM.

O mecanismo fisiopatológico envolvido é determinado pelo mecanismo de desmielinização das fibras nervosas com uma diminuição dos estímulos inibitórios gabaérgicos como mecanismo compensatório ao bloqueio da condução, mecanismo este central, verificado através de vários métodos de investigação (eletroencefalograma, ressonância nuclear magnética, tomografia por emissão de pósitrons). Também os canais Na-dependentes estão envolvidos.

Mecanismos periféricos também são aventados para o surgimento da fadiga na EM: uma disfunção da condução dos estímulos ao nível dos nódulos de Ranvier relacionado aos canais de Na e K foram descritos.

Na abordagem da fadiga é necessário tratar condições associadas que possam gerar este sintoma de forma secundária. Neste contexto, devemos tratar a depressão, espasticidade, distúrbios de sono, dor e infecções.

É necessário também implantar programas educativos contínuos junto aos pacientes e associações para que o próprio indivíduo possa ser um agente ativo no tratamento, aprendendo a poupar energia e lidar com o surgimento da fadiga.

O tratamento medicamentoso ainda é limitado, mas alguns trabalhos mostram a eficácia da amantadina na dose de 100 mg 2 a 3 vezes por dia, do pemolide (droga não comercializada no Brasil), do metilfenidato e da modafilina com resultados contraditórios nos estudos realizados.

Apesar disso, estimativas da presença de dor entre os pacientes com EM varia de 28 a 90%.

Ela pode ser aguda ou crônica; aguda, relacionado ao processo inflamatório agudo (surto) e crônica, aos mecanismos de deaferentação que leva à desinibição das vias de dor central, levando à hiperexcitabilidade no local da lesão.

Também podem ser secundárias a espasticidade, postura inadequada, problemas de marcha e outras neuralgias (p. ex., neuralgia do trigêmeo).


DOR E CEFÁLEIA

Dor é relacionada com pior qualidade de vida, maior hospitalização, desempenho no trabalho e interferência nas atividades de vida diária, sono e aspectos psicossociais.

Surpreendentemente, o sintoma de dor não é relacionado à duração e gravidade da doença e à alteração dos sistemas funcionais com relação aos pacientes sem dor, porém bem diferente que os controles.

A presença de dor e alteração da memória afetiva prediz sintomas depressivos; o contrário também é verdadeiro, pacientes com depressão são mais susceptíveis de terem dor .