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frontal de um osso longo: a) epífises; b) diáfise; c) cavidade medu-
lar contendo medula óssea; d) cartilagem epifisial; e) periósteo destacado; f) cartilagem articu-
lar; g) artéria nutrícia do osso.
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b) Ossos curtos: possuem comprimento, largura e espessura equiva-
lentes. São encontrados apenas no carpo (mão) e no tarso (pé) (Fig. 2.3).
c) Ossos planos: são aqueles que possuem forma achatada, delgada ou 
laminar. Ex.: escápula, quadril, esterno e parietais (Fig. 2.3). 
d) Ossos irregulares: são aqueles que apresentam uma forma complexa 
e não se encaixam nas demais definições. Ex.: vértebra, mandíbula, 
maxila, temporal (Fig. 2.3).
Dois grupos de ossos variáveis também são encontrados no corpo humano:
e) Ossos sesamoides: são pequenos ossos, variáveis, encontrados profunda-
mente nos tendões dos músculos, na região onde esses cruzam articula-
ções. Portanto, mudam o vetor de força do músculo, diminuindo o trabalho 
muscular. Ex.: patela, fabela, sesamoides do polegar e do hálux (Fig. 2.1).
Embora a patela seja um osso sesamoide, ela entra na contagem dos 
ossos do membro inferior porque sua presença é tratada como norma-
lidade em anatomia.
f) Ossos supranumerários: são oriundos de variação anatômica e não pos-
suem um padrão. Ocorrem principalmente entre os ossos do crânio.
Alguns ossos recebem a denominação de “pneumáticos” por possuírem 
cavidades no seu interior que permitem o fluxo de ar. Esses ossos locali-
zam-se ao redor da cavidade nasal. São eles: maxila, esfenoide, etmoide 
e frontal. Essa denominação não os exclui da classificação pela forma.
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Figura 2.3 – Ilustração dos ossos para representar sua classificação quanto à forma. Ossos lon-
gos: a) úmero; b) metacarpos; c) metatarsos; d) falanges. Ossos planos: e) escápula; f) frontal; 
g) parietal; h) occipital. Ossos curtos: i) carpo; j) tarso. Ossos irregulares: k) maxila; l) zigomá-
tico; m) mandíbula; n) temporal.
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1.3. Estrutura elementar dos ossos
São estruturas ou características elementares a todos os ossos do corpo humano:
a) Arcabouço orgânico: componente formado basicamente por proteínas 
(colágenos e proteoglicanas). Esse elemento confere resiliência à estru-
tura óssea.
b) Sais inorgânicos: cálcio, fosfato e demais minerais. Conferem rigidez 
aos ossos.
Os elementos descritos até aqui conferem, em conjunto, leveza, rigidez 
e resiliência ao osso saudável. Observe-se que os ossos jovens possuem 
arcabouço orgânico maior e que os ossos de idosos possuem mais con-
teúdo de sais inorgânicos. Ossos mais rígidos não são mais resistentes 
a fraturas; pelo contrário, pois perdem resiliência. Esse é um dos moti-
vos pelos quais ossos de idosos são mais passíveis de sofrerem fraturas. 
Estas ocorrem menos entre jovens, mas, quando ocorrem, são usual-
mente chamadas “fratura em galho verde”, em analogia à flexibilidade 
de um galho verde e à forma de lesão que este sofre ao ser dobrado.
c) Substância compacta: região densa e compacta localizada na periferia 
do osso. Possui espessura variável, de acordo com o osso e sua localização.
d) Substância esponjosa: região trabeculada presente internamente ao osso 
compacto. Confere leveza à estrutura. É nos espaços entre as trabéculas 
que se localiza a medula óssea.
e) Medula óssea: é um tecido gorduroso e viscoso que preenche o interior 
dos ossos, especificamente por entre as trabéculas da substância esponjosa; 
contudo, nos ossos longos esse tecido também ocupa a cavidade medu-
lar. Possui função hematopoiética, imunitária (resposta imune espe-
cífica) e de armazenamento de gordura. Em crianças a medula óssea é 
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vermelha devido à alta produção de células sanguíneas. Já em adultos a 
medula óssea diminui essa atividade e é infundida por gordura, o que lhe 
confere a cor amarelada (medula óssea amarela). Os linfócitos B são 
produzidos principalmente pela medula óssea vermelha, e os ossos que 
possuem a maior quantidade deste tipo de medula óssea no adulto são os 
ossos do quadril, o esterno e as vértebras.
f) Periósteo: membrana de revestimento que recobre toda a superfície 
externa do osso, com exceção da sua face articular. Possui sensibilidade 
(inervação), função de proteger e de permitir o crescimento em lar-
gura e espessura.
Lesões do periósteo, sobretudo quando há exteriorização (fratura 
exposta), podem causar necrose (morte) do osso.
g) Endósteo: membrana de revestimento que recobre toda a superfície interna 
do osso, inclusive o trabeculado da substância esponjosa. Auxilia o periós-
teo no crescimento do osso em largura.
Todo osso possui uma artéria nutrícia, que é mais calibrosa e está 
localizada na diáfise de ossos longos – em demais tipos de ossos a sua 
posição varia. Entretanto, demais vasos perfuram o osso próximo aos 
centros de ossificação, cartilagem epifisial e articulações. A vasculari-
zação promove a nutrição e a manutenção do tecido ósseo e permite 
a execução do processo de remodelamento e cura em casos de fratura.
h) Face articular: região onde há articulação com outra peça óssea. Geral-
mente é recoberta por cartilagem.
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1.4. Tipos de ossificação
Há dois processos por meio dos quais ocorre ossificação: 
a) Ossificação intramembranosa: essa ossificação requer que o mesên-
quima que dará origem ao osso forme primeiramente um esboço de mem-
brana constituída de tecido conjuntivo fibroso para ulteriormente ser 
substituída por tecido ósseo. Ocorre sobretudo em alguns ossos do crâ-
nio, como parietais, occipital, frontal e temporais. A formação das fonta-
nelas ou fontículos (leigamente chamadas moleiras) no recém-nascido é 
uma evidência desse tipo de ossificação (Fig. 2.4).
b) Ossificação endocondral: essa ossificação requer que o mesênquima que 
dará origem ao osso forme primeiramente um esboço de cartilagem para 
futuramente se tornar osso. Ocorre na maioria dos ossos e é um pro-
cesso mais longo do que a ossificação intramembranosa – só é finalizado 
no corpo humano por volta dos 25 anos de idade (Fig. 2.5).
A ossificação endocondral necessita de cargas de força para que haja 
estímulo ao crescimento, e a ossificação intramembranosa não neces-
sita. Com exceção dos ossos longos, os demais tipos de ossos dependem 
dos seus centros de ossificação (endocondral ou intramembranosa) e do 
periósteo para crescerem em comprimento e largura. 
1.5. Fatores que influenciam o desenvolvimento dos ossos
a) Fatores nutricionais: o crescimento ósseo pode ser prejudicado por baixa 
ingestão de minerais e/ou má absorção destes pelo organismo. 
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A vitamina D tem ação direta no metabolismo do cálcio e, por-
tanto, nos ossos. A sua deficiência, aliada ou não à de minerais, pode 
causar osteopenia (diminuição da densidade óssea) ou, em caso mais 
grave, osteoporose (descalcificação capaz de deixar os ossos suscetí-
veis a fraturas).
b) Fatores hormonais:
• Calcitonina (hormônio da glândula tireoide): promove o armazenamento 
de cálcio nos ossos;
• Paratormônio (hormônio da glândula paratireoide): propicia o desloca-
mento de cálcio dos ossos para o sangue;
• Hormônio do crescimento (hormônio da glândula hipófise): promove o 
crescimento da maioria das células do organismo e, evidentemente, tam-
bém dos ossos;
• Estrogênio (hormônio sexual feminino – dos ovários): participa do pro-
cesso de remodelamento dos ossos e, a partir do climatério/menopausa, com 
a queda de seus níveis no sangue, favorece o aparecimento da osteoporose.
c) Fatores físicos: as forças impostas aos ossos geram estímulos às suas célu-
las, que respondem com crescimento