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ósseo. Dessa maneira, há modifica-
ções em seu tamanho, forma e densidade. Esse é um processo dinâmico 
e exclusivo dos ossos que crescem pela ossificação endocondral.
Note-se que todos esses fatores atuam conjuntamente na manutenção 
da saúde óssea em qualquer idade do indivíduo.
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2. Sistema articular
As articulações são os elementos de ligações entre ossos principalmente, mas tam-
bém ocorrem entre cartilagens e entre ossos e dentes. Também são conhecidas como 
junturas e estão presentes em todo o corpo. São funções das articulações:
• Transmitir e dissipar forças. Ex.: as várias articulações entre as vérte-
bras da coluna vertebral auxiliam na dissipação de forças nessa estrutura;
• Propiciar o movimento. Ex.: atuando como elemento de junção entre 
duas peças ósseas.
Algumas articulações, como a cartilagem epifisial (une a epífise à diá-
fise do osso longo), os fontículos ou fontanelas no crânio (ossificação 
intramembranosa), são, em geral, temporárias e promovem o cresci-
mento dos ossos adjacentes.
2.1. Classificação estrutural das articulações
As articulações são classificadas de acordo com a estrutura interposta às peças ósseas. 
Sendo assim, dividem-se em fibrosas, cartilagíneas e sinoviais.
a) Articulações fibrosas
Nesse tipo de articulação as peças ósseas são unidas por faixas de tecido 
fibroso (Fig. 2.4). Essas articulações são encontradas principalmente no crânio, e 
sua mobilidade é extremamente reduzida, embora confiram certa elasticidade. Exem-
plos de articulações fibrosas são as suturas do crânio, as membranas interósseas do 
antebraço e da perna, bem como as articulações entre os dentes e os alvéolos 
dentais da maxila e mandíbula, que permitem pequenos movimentos do dente no 
alvéolo no momento da mordida, amortecendo os impactos da mastigação.
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Figura 2.4 – Ilustração das articulações fibrosas. Em a) está exemplificada a articulação fibrosa 
entre os ossos do crânio (suturas) e b) representa a articulação fibrosa que ocorre entre os den-
tes e os alvéolos dentais da maxila e da mandíbula. A letra c) destaca os fontículos entre os ossos 
frontal e parietais, e entre os parietais e o occipital, em um crânio de neonato em vista superior.
b) Articulações cartilagíneas
Nesse tipo de articulação o tecido presente entre as peças ósseas é a cartilagem 
(Fig. 2.5). As articulações cartilagíneas permitem pouquíssima mobilidade, porém 
são conhecidas por conferir resiliência e, especialmente, absorção de impacto. Exis-
tem dois tipos de articulação cartilagínea: sincondrose e sínfise.
• Sincondrose: é formada por cartilagem hialina (rica em água, de colo-
ração esbranquiçada). Exemplos desse tipo de articulação são as cartila-
gens epifisiais, a sincondrose costesternal e a sincondrose esfenoccipital. 
• Sínfise: é formada por tecido fibrocartilagíneo (cartilagem rica em tecido 
fibroso). Possui a característica de ser bastante resistente, sendo capaz 
de absorver impactos. Em geral esse tipo de articulação está presente em 
regiões onde há cruzamentos de vetores de força, como na coluna ver-
tebral (sínfise intervertebral) e entre os ossos do quadril (sínfise púbica).
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Figura 2.5 – Ilustração das articulações cartilagíneas. Em a) representa-se o disco epifisial após o 
corte frontal da tíbia em crescimento, como exemplo de articulação cartilagínea do tipo sincon-
drose; em b) está apontado o disco intervertebral, como exemplo de articulação cartilagínea do 
tipo sínfise, unindo duas vértebras (c); em d) estão apontados ligamentos (tecido fibroso) que 
estabilizam essa articulação.
c) Articulações sinoviais
É o tipo articular que permite maior grau de movimento. Isso ocorre prin-
cipalmente em virtude da presença de um líquido, denominado sinóvia, interposto 
entre peças ósseas. Sendo assim, nas articulações sinoviais o principal meio de união 
é a cápsula articular, que envolve as peças ósseas e mantém a sinóvia contida em 
seu interior (Fig. 2.6). 
São características essenciais de uma articulação sinovial:
• Cartilagem articular: cartilagem presente na superfície articular dos 
ossos. Geralmente são do tipo hialina, mas em algumas articulações espe-
ciais são do tipo fibrosa;
• Cápsula articular: dupla camada de tecido que envolve as extremidades 
dos ossos. A membrana fibrosa se localiza externamente, e a membrana 
sinovial é interna e produz a sinóvia;
• Sinóvia: líquido similar, em viscosidade e cor, à “clara do ovo”, produzido 
pela membrana sinovial. Tem a função de lubrificar a articulação sinovial. 
Dessa forma, esse líquido permite deslizamento das peças ósseas com o 
mínimo de atrito e desgaste e nutre a cartilagem articular;
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• Cavidade articular: é o espaço natural no interior da cápsula articular 
onde a sinóvia está situada.
Além dessas características, algumas articulações sinoviais possuem elemen-
tos especiais em sua anatomia e que são considerados não essenciais às articula-
ções sinoviais:
• Discos e meniscos: são formações fibrocartilagíneas dispostas entre as 
peças ósseas de uma determinada articulação. Possuem função de amorte-
cer os impactos e melhorar a congruência das superfícies articulares. Ex.: 
os meniscos presentes na articulação do joelho e o disco articular da arti-
culação temporomandibular.
• Ligamentos: são faixas fibrosas adjacentes às peças ósseas de uma deter-
minada articulação. Possuem função de restringir e orientar os movimen-
tos a fim de aumentar a estabilidade articular. Ex.: ligamentos cruzados da 
articulação do joelho.
Figura 2.6 – Ilustração das características essenciais e não essenciais das articulações sinoviais: 
a) membrana fibrosa da cápsula articular; b) membrana sinovial da cápsula articular; c) cavidade 
articular; d) cartilagem articular; e) e g) ligamentos cruzados do joelho; f) e h) ligamentos cola-
terais do joelho; i) menisco.
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As articulações sinoviais podem executar diversos movimentos. São tipos de 
movimentos:
• Flexão/extensão: movimentos em que ocorrem, respectivamente, dimi-
nuição e aumento do ângulo entre os ossos da articulação sobre o plano 
de secção sagital;
• Abdução/adução: movimentos em que ocorrem, respectivamente, afas-
tamento e aproximação das peças ósseas do plano mediano, ou seja, sobre 
o plano de secção frontal;
• Circundução: nome dado à junção dos movimentos de flexão, abdução, 
extensão e adução; não é tratado como um movimento por não pos-
suir um eixo definido;
• Rotação: movimento realizado no próprio eixo articular e sobre o plano 
de secção transversal;
• Supinação/pronação: termos utilizados para denominar as rota-
ções do antebraço que tornam a palma da mão anterior ou posterior, 
respectivamente;
• Elevação/depressão: movimento que descreve a projeção das peças ósseas 
superior ou inferiormente (ex.: ombros e mandíbula).
Visto isso, classificam-se as articulações sinoviais de maneira funcional, de 
acordo com o grau de liberdade que elas possuem:
• Não axial: realizam apenas movimentos de deslizamento, ou seja, sem for-
mar ângulo. Ex.: articulações intercarpais, articulações intertarsais, articu-
lações dos processos articulares;
• Monoaxial: realizam movimento apenas sobre um plano de secção (um 
tipo de movimento). Ex.: a articulação do cotovelo realiza apenas o movi-
mento de flexão e extensão; as articulações radioulnares proximal e dis-
tal somente realizam o movimento de rotação do antebraço (supinação e 
pronação);
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• Biaxial: realizam movimento sobre dois planos de secção (dois tipos de 
movimento). Ex.: as articulações metacarpofalângicas