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PEDAGOGIA FUNDAMENTOS E MÉTODOS DO ENSINO DAS CIÊNCIAS HUMANAS Angélica Cristina de Freitas Sabbadin Maria de Lourdes Cardoso Silva Santos Maria Helena Quaiati Fundamentos e Métodos do Ensino das Ciências Humanas. Angélica Cristina de Freitas Sabbadin Maria de Lourdes C. S. Santos Maria Helena Quaiati SUMÁRIO Apresentação. ................................................................................................................................................. 3 Programa da Disciplina ................................................................................................................................ 4 Unidade 01 - Estudo da História e da Geografia .................................................................................. 7 Unidade 02 – O papel da escola ............................................................................................................. 12 Unidade 03 – O que dizem os PCNs de História e da Geografia sobre a importância dessas disciplinas na formação do aluno ............................................................................................. 17 Unidade 04 – Inferências sobre o ensino de História e de Geografia na Educação Infantil e no Ensino Fundamental ............................................................................................................................. 22 Unidade 05 - Presença das Ciências Humanas na Educação Infantil - objetivos e conteúdos de ensino .................................................................................................................................. 27 Unidade 06 - Presença das Ciências Humanas na Educação Infantil - orientações didáticas ........................................................................................................................................................................... 32 Unidade 07 – Como Iniciar as crianças no estudo da Geografia e da História. ...................... 37 Unidade 08 - Estratégias metodológicas para o trabalho na Educação Infantil. .................... 42 Unidade 09 - Currículo prescrito ............................................................................................................ 46 Unidade 10 - Currículo apresentado aos professores: Livro didático ......................................... 50 Unidade 11 – A desprofissionalização do trabalho docente .......................................................... 56 Unidade 12 - O currículo modelado pelos Professores ................................................................... 60 Unidade 13 - Currículo em ação ............................................................................................................. 64 Unidade 14 - O currículo avaliado ........................................................................................................... 71 Unidade 15 - Trabalhando com documentos históricos e mapas. .............................................. 75 Unidade 16. Abordagens historiográficas e conteúdos escolares: o local e o regional ...... 79 Unidade 17. Diversidade de linguagens e fontes para ensinar história. .................................... 84 Unidade 18. A fotografia e os filmes como recursos didáticos .................................................... 88 Unidade 19. Canções, Poemas e Poesias como recursos didáticos ............................................. 92 Unidade 20. A Imprensa Periódica como recurso didático ........................................................... 97 Apresentação. “Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade tampouco sem ela a sociedade muda.” Paulo Freire Nessa apostila temos a pretensão de auxiliar na formação do professor dos anos iniciais do ensino fundamental a conquistar conhecimentos relevantes e necessário para conquista da qualidade da sua formação docente. Assim, possa contribuir como cidadão com o seu aluno a enfrentar as questões sociais do mundo atual e torná-lo um conhecedor de seus direitos e deveres. Para reverter o perfil da educação brasileira o MEC (Ministério da Educação e do Desporto) elaborou o documento PCN (Parâmetro Curricular Nacional) para contribuir com o professor e a escola no planejamento da proposta pedagógica, na execução dos planos de ensino e na análise do material didático. Além disso, o documento estabeleceu um currículo mínimo a todas as escolas e, uma parte diversificada respeitando a regionalidade e a localidade de cada casa de ensino. Ainda apresenta e fundamenta conceitos e fatos essenciais que possibilitam aos professores melhorarem a qualidade do ensino e compreenderem as dificuldades de cada aluno. No entanto é difícil um professor trabalhar em sala de aula se não recebeu na sua formação docente uma aprendizagem compatível com a exigência da realidade do aluno. Nesse sentido, essa apostila procura sugerir questões conceituais didáticas e metodológicas para as disciplinas de História e Geografia. Cada unidade de estudo tem por meta a preocupação da melhoria da competência profissional dos docentes na efetivação do compromisso ensino/aprendizagem dos futuros profissionais da educação. Prof.ª Maria Helena Quaiati Programa da Disciplina Ementa: Os conteúdos da História: fatos, conceitos, procedimentos e valores. Objetos de estudo da História e da Geografia. Orientações didáticas, estratégias, metodológicas e sequências didáticas. Documentos históricos. Mapas. Elaboração de projetos didáticos. A questão do livro didático. Objetivo Refletir sobre o ensino das Ciências Humanas na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Conteúdos Estudo da História e da Geografia. Presença das Ciências Humanas na Educação Infantil. Currículo prescrito Currículo apresentado aos professores: Livro Didático Currículo modelo pelos professores Currículo em ação Currículo avaliado Trabalhando com documentos históricos e mapas Recursos didáticos para o ensino de história e geografia Metodologia Será adotada uma metodologia que alia a teoria à prática reflexiva, proporcionada por meio de atividades e questionamentos que permitam ao aluno enriquecer os seus conhecimentos necessários à sua formação de profissional da educação. Avaliação No sistema EAD, a legislação determina que haja avaliação presencial, sem, entretanto, se caracterizar como a única forma possível e recomendada. Na avaliação presencial, todos os alunos estão na mesma condição, em horário e espaço pré-determinados, diferentemente, a avaliação a distância permite que o aluno realize as atividades avaliativas no seu tempo, respeitando-se, obviamente, a necessidade de estabelecimento de prazos. A avaliação terá caráter processual e, portanto, contínuo, sendo os seguintes instrumentos utilizados para a verificação da aprendizagem: 1) Trabalhos individuais ou a partir da interatividade com seus pares; 2) Provas bimestrais realizadas presencialmente; 3) Trabalhos de pesquisa. As estratégias de recuperação incluirão: 1) Retomada eventual dos conteúdos abordados nas unidades, quando não satisfatoriamente dominados pelo aluno; 2) Elaboração de trabalhos com o objetivo de auxiliar a vivência dos conteúdos. Bibliografia Básica BARRETTO, E. S. S. (org) Os currículos do ensino fundamental para as escolas brasileiras. Campinas: Autores Associados, 2003 BITTENCOURT, C. (Org.). O Saber histórico na Sala de Aula. São Paulo: Contexto, 2007. BRASIL, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Parâmetros Curriculares Nacionais: História e Geografia. Vol. 4, 2002. _______MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Vol. 3. Brasília:MEC/SEF, 1998. NIDELCOFF, M. T. A Escola e a Compreensão da Realidade. São Paulo: Brasiliense, 1991. Bibliografia Complementar BITTENCOURT, C. O saber histórico na sala de aula. São Paulo: Contexto, 1997. DALLARI, D. de A. Direitos humanos e cidadania. São Paulo: Moderna, 1998. PENTEADO, H. D. Metodologia do ensino de História e Geografia. São Paulo: Cortez, 1994. Unidade 01 - Estudo da História e da Geografia CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivo: situar dentro da proposta de trabalho pedagógico a importância e qual a contribuição que as Ciências Humanas têm a dar na formação dos alunos, para que compreendam as permanências e mudanças do homem através dos tempos e a transformação do meio. ESTUDANDO E REFLETINDO Estudar História e Geografia na Educação Infantil e no Ensino Fundamental é dar ao aluno subsídios para que ele conheça e compreenda a história do homem no meio em que ele está inserido. Segundo, Nidelcoff o papel do professor é ajudar a criança a ver e compreender a realidade; expressar a realidade e expressar-se, descobrir, assumir a responsabilidade de ser elemento de mudança na realidade. (1998, p.6). De acordo com o pensamento de Nidelcoff (1998) a escola deve ter a preocupação de ajudar o professor a refletir sobre o ensino, o conteúdo e as estratégias que pode contribuir para a compreensão do mundo. Enfim, deve elucidar o papel e a importância das disciplinas de Historia e Geografia. Para Penteado (1994) o ensino de História e Geografia faz parte do curso de formação de professores para as séries iniciais do Ensino Fundamental com a hipótese de ser construído na proposta interdisciplinar. Pois compreende que esse profissional não deve ter uma conduta inadequada. Ex: na sala de aula quando está alfabetizando ou ensinando a ler e escrever, num outro momento está ensinando História e Geografia, num terceiro momento está ensinando Ciências e assim por diante. (p. 11) Para ele essa proposta de trabalho requer que o aluno tenha uma postura de aprendizagem em todos os outros momentos de ensino, ou seja, em todas as disciplinas pode ser ensinando História e Geografia, como veremos em outros momentos. Nessa perspectiva, a Geografia estuda como disciplina isolada deve privilegiar as relações do homem com o espaço em que está situado. Enquanto, a História procura estudar o homem através dos tempos, nos diferentes lugares em que tem vivido. Com a alteração da LDB n.9394/96 e da Lei n. 11274/2006 ao Ensino fundamental acrescenta-se uma série, passa de oito anos para nove anos de duração, assim, o dever do estado com a Educação de crianças e adolescentes brasileiros foi antecipado em um ano. O fato é que a sociedade ganha com isso, pois garante o ensino da História e da Geografia desde as séries iniciais do Ensino Fundamental, pois, os conteúdos podem ser melhores distribuídos visando uma metodologia que melhor se ajuste ás condições de aprendizagem da criança de seis anos, quando se inicia o Ensino Fundamental. Assim o ensino da História e da Geografia deve ter o caráter transformador, despertar o aluno para a condição de sujeito que faz História e localiza-se no tempo e espaço, como também, ter a compreensão do meio ambiente e social. Nesse contexto, sociocultural e educacional processam-se os níveis de conhecimento, as concepções de educação e a formação do sujeito. Por esta razão, Penteado, 2011 diz: “... adeus ao ensino de História e Geografia como “disciplinas decorativas” e estar dando início ao ensino das Ciências Humanas, História e Geografia, como instrumento de compreensão da realidade, desde as séries iniciais do Ensino Fundamental”. Porém, Karnal (2004) entende o exercício profissional da História como “diálogo entre o passado e o presente.”. Enquanto Castrogiovanni, A. C., 2010 elucida o estudo da Geografia como: Ampliação do “conhecimento do aluno sobre o mundo, sobre as relações entre a sociedade e a natureza.”. Corroborando com o pensamento destes autores, encontra-se nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) de História e de Geografia que a criança brasileira alcançará a cidadania plena, se, a escola e a sociedade oferecer pleno acesso aos recursos culturais relevantes para a conquista da sua cidadania. É uma representação de um ponto da terra. Duas importantes fontes que auxiliam na leitura do mapa: o título e o uso de cores. Exemplo azul para os rios, marrom para montanhas, verde para o relevo, etc. Vale ressaltar que, o mapa representa informações históricas, políticas, econômicas, físicas e biológicas de diferentes lugares do mundo. A importância dos mapas na sala de aula justifica-se pelo papel que a categoria tem no mundo de hoje, mas sabe-se que é um desafio para os professores ensinarem cartografia. A educação no século XXI não pode negar a importância dos mapas no cotidiano do mundo atual, pois ler, interpretar e saber montar um mapa de acordo com as necessidades de cada um. Exemplo, essa necessidade pode ser desde o Office-boy á autoridade maior do estado. Para as crianças pequenas pode-se ensinar a leitura de mapas usando brincadeiras, pois essas chamam a atenção e a curiosidade das crianças. Uma brincadeira interessante é a “caça ao tesouro”. Além de a brincadeira ser divertida é uma atividade que pode ser feita em família. Com essa experiência a criança pequena aprende desde cedo a decodificar a leitura de mapas. Como possibilitar ao aluno ser um leitor de mapas? Segundo Piaget (1993, P. 35) “… afirma que todo conhecimento é construído pelos seres humanos através de suas interações com o meio. O pensamento é uma “ação” que transforma as coisas do meio a fim de construí-la em objetos do meio próprio pensamento. Através da interação entre sujeito e objeto o conhecimento é abstraído do real e transformado em algo humano, interiorizando-se.”. BUSCANDO CONHECIMENTO. O artigo a seguir propõe uma reflexão sobre o estudo das ciências humanas no currículo escolar e sua contribuição para a formação das crianças. Leia-o com atenção. História e Geografia: uma visão crítica sobre o mundo Os estudantes dos anos iniciais precisam aprender a observar e interpretar a realidade para, assim, interferir nela. Saiba o que fazer para que eles cheguem lá Anna Rachel Ferreira Nos anos iniciais, é recorrente e legítima a preocupação em garantir que os alunos sejam devidamente apresentados ao mundo das letras e dos números. Por isso, muitos professores investem mais tempo nas aulas de Língua Portuguesa e Matemática. Porém, ignorar ou minimizar a importância das Ciências Humanas, traduzidas pelas disciplinas de História e Geografia, faz com que as crianças não explorem todas as possibilidades de interpretar o mundo e se inserir nele de maneira consciente e atuante. O trabalho com as duas áreas desenvolve competências importantes, que vão muito além da capacidade de decorar datas ou nomes de capitais, rios ou heróis, como ainda se vê. Os estudos geográficos focam nas mudanças do espaço e em suas representações. "O raciocínio espacial possibilita que a criança estabeleça uma relação descentralizada com o ambiente e perceba que não é o centro do Universo. "A minha relação com o país depende da parte dele em que eu vivo, por exemplo", diz Rafael Straforini, docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autor do livro Ensinar Geografia: O Desafio da Totalidade-mundo nas Séries Iniciais (190 págs., Ed. Annablume, tel. 11/3031-1754, 25,50 reais). Já no caso da História, o recorte é sobre o tempo, considerando acontecimentos, seus agentes e suas consequências. "O aluno precisa entender as permanências de elementos históricos, comoconstruções e hábitos que se iniciaram no passado, e as influências deles na atualidade. Além de identificar quais são eles, é necessário enxergar quem os causou e perceber-se como um agente histórico", diz João do Prado Ferraz de Carvalho, professor de Ensino de História da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O cruzamento entre as duas disciplinas é inevitável, visto que as mudanças físicas se dão ao longo do tempo, também por influência humana. Logo, as boas aulas permitem ao estudante comparar o passado com o presente para compreender o que vive hoje e oferecem ferramentas para que projete o futuro. Isso não só no que diz respeito aos limites do bairro ou da história pessoal de cada um. Hoje, graças aos meios de comunicação, é possível fazer ligações entre o que os alunos presenciam e o que acontece em todo o mundo. Para iniciar um trabalho nesses moldes, deve-se estabelecer o tema a ser tratado e ouvir atentamente o que os estudantes têm a dizer. Aqui, cabe investigar a lógica do pensamento deles para ampliar conceitos e contrapor ideias. No livro Terra dos Homens (144 págs., Ed. Contexto, tel. 11/3832-5838, 29,90 reais), o geógrafo francês Paul Claval afirma: "(...) a geografia fala de situações que são de tal forma parte integrante da vida das pessoas e do destino dos grupos que todo mundo as conhece". O mesmo raciocínio se aplica à História. No livro Ensino de História: Fundamentos e Métodos (408 págs., Cortez Editora, tel. 11/ 3611 9616, 52,20 reais), Circe Bittencourt explica que uma das tarefas do pesquisador é usar os conceitos da História, de temporalidade e análise de fontes, para organizar e sistematizar o conhecimento comum. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/historia-geografia-visao-critica-mundo-anos-iniciais-782800.shtml Unidade 02 – O papel da escola CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivo: Identificar o papel da instituição escolar na promoção das condições e instrumentos para que a criança possa conhecer e compreender as diferentes realidades, compará-las e construir conceitos. ESTUDANDO E REFLETINDO Assim, o papel da escola é uma questão de fazer o aluno desde cedo a compreender como se dá o processo de construção do conhecimento. Portanto, a escola precisa encontrar a forma de fazer isso nas aulas de história e geografia, considerando a leitura de mapas como uma prática para a compreensão do concreto e do abstrato, bem como que está perto ou longe da criança. Essa preocupação da escola deve oportunizar as condições e os instrumentos para que a criança possa conhecer e compreender a realidade em que vive e aquela que está distante dela. Ao construir os conceitos, o aluno aprende e não fica apenas na memorização. Vale ressaltar que, o ensino da geografia e mapas deve estar adequado ao contexto histórico em que vive o homem. Assim, é de grande valia para exercitar a cidadania. O professor precisa entender que exercícios de memorização ou reprodução não constroem conceitos, nem desenvolve a habilidade de ler mapas para compreender a aprendizagem que ele traz através das representações gráficas nele expressas. Penteado (1994) traz uma série de atividades que podem ser desenvolvidas em sala de aula, partindo da leitura através do globo, mapa-múndi, do continente ao município, incluindo desde a zona urbana á zona rural, tendo como objeto de estudo a natureza, cultura e tempo. Com base nessas atividades a autora propõe conceitos específicos de cada série, com ampliação dos conteúdos á medida que a criança avança os estudos, sempre otimizando um ensino produtivo, no qual o aluno seja capaz de construir eu conhecimento. A palavra cidadania foi usada na Roma antiga para indicar a situação política de uma pessoa e os direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer. Dallari, 1998.p.10. Esse pensamento dos romanos era porque a sociedade romana fazia distinção e separava as pessoas por classes sociais. As pessoas não sabiam quais eram os seus direitos, nem participavam das atividades políticas e administrativas do Estado. Essa participação era dada ás classes consideradas nobres. No Brasil foi a partir da Constituição de 1988 que os brasileiros ampliam os direitos da cidadania. Assim, os brasileiros além de terem seus direitos assegurados ganham o direito de votarem em elegerem seus representantes; o direito de se candidatar para os cargos governamentais; o direito de apresentar projetos de lei; o direito de participar de plebiscito ou referendo; o direito de propor ações judiciais, como Ação Popular e o Mandato de Segurança. Essa Constituição prevê a participação obrigatória de representantes da comunidade em órgãos sobre os “Direitos da Criança e do Adolescente.”. Tudo isso, configura o exercício de direitos da cidadania. Vale ressaltar que, os direitos da cidadania são, ao mesmo tempo, deveres. Entretanto é preciso saber que o homem não vive só, ele vive em sociedade, por isso, é importante conhecer seus direitos e deveres para que seja possível, a convivência benéfica e necessária entre as pessoas e grupos. Antes de tudo, o homem precisa ser reconhecido e tratar o outro com respeito á sua vida. Na realidade, quando alguém vai exercer o direito de cidadania não pode esquecer que todas as pessoas têm o mesmo direito. Assim, é evidente que as pessoas nascem desiguais fisicamente, mas nascem iguais á respeito do “Direito a Igualdade”, a moradia, a saúde, a educação... Para justificar as diferenças e igualdade, vale ressaltar que apesar das leis preverem esse apoio, a sociedade se encarrega em provocar as situações de diferenciação. BUSCANDO O CONHECIMENTO A educação no Brasil na atualidade Por: André Michel dos Santos Segundo Meksenas (2002), a educação nasce quando se transmite e se assegura as outras pessoas o conhecimento de crenças, técnicas e hábitos que um grupo social já desenvolveu, a partir de suas experiências de sobrevivência. Neste sentido, pode-se afirmar que o nascimento da educação surge quando o ser humano sente a necessidade de converter as suas práticas cotidianas ao seu semelhante. A educação é uma das dimensões essenciais na evolução do ser humano, pois em cada conquista rumo à civilização, faz-se presente junto a esta, a necessidade de transmissão aos semelhantes. Assim, pode-se dizer que a educação nasce como meio de garantir às outras pessoas àquilo que um determinado grupo aprendeu. Meksenas (2002), ainda afirma que, em uma visão funcionalista, a educação nas sociedades tem a tarefa de mostrar que os interesses individuais só se realizam plenamente através dos interesses sociais. Sendo assim, a educação ao socializar o indivíduo, mostra a este que sozinho, o ser humano não sobrevive, e que ele só pode desenvolver as suas potencialidades estando em contato com o meio social, ou seja, com as outras pessoas. Com a educação, o homem pode se instrumentalizar culturalmente, capacitando-se para transformações tanto materiais, quanto espirituais. A educação é o cerne do desenvolvimento social. Sem ela, até mesmo as sociedades mais avançadas retornariam ao estado primitivo em pouco tempo. Ela oferece uma base de conhecimento para todas as pessoas. A educação reproduz a sociedade, pois a contradição e o conflito não são tão manifestos na sociedade, porque a reprodução é dominante, observando-se que a educação acaba por fazer o que a classe dominante lhes pede. Como a sociedade, a educação é um campo de luta entre várias tendências e grupos. Ela não pode fazer sozinha a transformação social, pois ela não se consolida e efetiva-se sem a participação da própria sociedade (GADOTTI, 1995). Segundo Pinto (1986), a educação acaba transmitindo e reproduzindo os mecanismos dedominação impostos pelo capitalismo. Por outro lado, o setor educacional deve estar em busca da conscientização e da libertação, através da qual se resgatam caminhos para uma ação transformadora. Conforme Gerhardt (2001), a educação libertadora ou transformadora, é aquela que trabalha com uma visão de sujeitos potencialmente autônomos, capazes de praticar a solidariedade, instruindo- se de forma a promover a auto-reflexão. Neste sentido, a educação é entendida como uma prática de libertação, que desperta no sujeito a sua capacidade de promover a humanização, esforçando- se em uma perspectiva conjunta para mudar o sistema escolar, social e político. Para Steinberg, Paulo Freire aponta dois estágios da pedagogia, como prática de libertação: [...] o primeiro permite ao oprimido que perceba a condição de opressão em que se encontra e engajar-se em sua transformação, o segundo, reconhece que uma vez transformada a opressão, todas as pessoas tornar-se-ão libertas, estarão permanentemente livres [...] (STEINBERG, 2001, p.271). Desta forma Steinberg (2001), afirma que dentro desta perspectiva libertadora, Paulo Freire considera o poder político como essencial para a libertação, a qual está fora do alcance do oprimido. Nesse contexto, observa-se que as respostas a este dilema podem ser encontradas na educação, a qual deve ser realizada por e com o oprimido. Pode-se dizer, ainda, que educação coincide com a própria existência humana e suas origens se confundem com a origem do próprio homem. Estudar a educação é, também, poder compreender que a escola, como instituição, muitas vezes, não tem poder de modificar o que está estabelecido - a estrutura social. Para Gadotti (1995, p.83), “a força da educação está no seu poder de mudar comportamentos. Mudar comportamentos significa romper com certas posturas, superar dogmas, desinstalar-se, contradizer-se”. Nesse sentido, a força da educação está na ideologia. Portanto, um dos desafios encontrados atualmente no setor educacional é a mudança de ideologia impregnada na sociedade, uma alteração da concepção de ensino e do papel da escola enquanto instituição social. Busca-se uma escola democrática, pluralista, que venha valorizar a diversidade frente às problemáticas sociais perpassadas pelo educador e educando. Diante dos vários problemas da sociedade contemporânea, como: desvalorização profissional, desemprego, violência, modificações das relações familiares, etc, tem-se como papel fundamental da área educacional, o de fornecer o conhecimento, para que as pessoas possam ter possibilidades e autonomia de participar efetivamente das políticas, continuando assim, a lutar por igualdade de direitos. Nesse sentido, a educação, em termos de Brasil, deve ser tratada como uma política social, que tem como compromisso fundamental à garantia dos direitos do cidadão, ou, ainda a escola deve assumir um novo papel frente à sociedade, que é o de propiciar ações para a efetivação dos direitos sociais. No Brasil, têm-se várias legislações como a Constituição Federal de 1988, a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB de 1996 e o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA de 1990, que garantem o direito à educação a criança e ao adolescente, direitos estes que precisam ser perseguidos por todos os profissionais que atuam no contexto escolar. Porém, ao se deparar com o atual contexto brasileiro, percebe-se que o ensino tem se mostrado insuficiente, no que se refere à quantidade de vagas para o atendimento dos alunos, tendo como grande desafio a melhoria de sua qualidade. E, esta qualidade é perpassada por várias questões, tais como baixos salários dos professores, escolas públicas sucateadas, ensino formalista e autoritário, o que gera, conseqüentemente, desestimulo por parte dos professores e alunos. No que se refere à melhoria da qualidade na escola brasileira, principalmente no final do século XX, Nosella (2002), ressalta quanto à necessidade de superação da política educacional populista e corporativista introduzida no ensino brasileiro. A escola brasileira precisaria rever questões como: o resgate da qualidade de formação do profissional da educação, a expansão da escolarização pelo sistema supletivo, especialmente aqueles em horários noturnos, dentre outros, tendo a obrigação de, simultaneamente, fazer uma constante avaliação que certamente garantirá a qualidade do ensino. Uma outra questão pertinente a esta discussão, diz respeito à leitura social do fracasso escolar, que segundo Amaro (1997), é uma questão de classe social, que acaba por ser agravada na falta de uma política educacional que seja comprometida com os interesses e necessidades dos pobres. A escola não está sintonizada com a realidade social de seus alunos, conseqüentemente de suas famílias, causando desestímulo por parte do aluno e relações frias entre educador e educando. Abordando ainda sobre o fracasso escolar, Esteban (1999), afirma que este se configura dentro de um quadro de múltiplas negações, dentre as quais se coloca a negação da legitimidade de conhecimentos, de forma de vida, formulados à margem dos limites socialmente definidos como válidos. Tem-se, assim, a inexistência de um processo escolar que possa atender as necessidades e particularidades das classes populares, permitindo que estas possam fazer parte na construção do processo de ensino. Martins (1999), afirma que nos últimos anos, apesar do esforço, de investimento técnico pedagógico nas escolas, a incidência dos fatos tem revelado a violência existente no interior das escolas, que se apresenta nos reflexos das questões sociais, as quais estão cada dia mais presentes na escola. Todos esses fatores vêm dificultando o cumprimento da sua finalidade maior enquanto escola, que é a de contribuir na formação da cidadania dos brasileiros. A escola tradicional de concepção positivista neoliberal, enraizada na sociedade é entendida como aquela que é voltada para o mercado, em que existe o tempo de ensinar e o tempo de avaliar, enquanto momentos estanques, separados entre si. Os seus conteúdos escolares são organizados de maneira linear, hierárquica e, previamente determinado por bimestre, série, disciplina, etc, sendo justificados como pré-requisito de outros. Nesta visão conservadora, a educação sempre é planejada de cima para baixo, em que existe uma escola burocrática e uniformizadora. Essa visão é excludente, e acaba por tornar a escola incompetente em seus vários aspectos, como não ter vagas para quem mais dela precisa, e estar desconectada da realidade social do aluno. A escola hoje, mais do que nunca, tem como papel diante da sociedade, propiciar ações para a efetivação dos direitos sociais. Neste contexto, o setor educacional tem o papel de possibilitar e de oferecer alternativas para que as pessoas que estejam excluídas do sistema possam ter oportunidade de se reintegrar através da participação, bem como da luta pela universalidade de direitos sociais e do resgate da cidadania. Um dos maiores desafios apresentados à escola atual é trabalhar com a reelaboração crítica e reflexiva do educando, a fim de prepará-lo para a luta e o enfrentamento das desigualdades sociais presentes na sociedade capitalista. Nesta ótica, a escola deve transcender o sentido de ascensão material, que é dado à educação, transformando-a não em só um meio de retorno financeiro, mas também em um instrumento de crescimento pessoal. Neste sentido, afirma-se: No tocante a educação, os pais reproduzem os valores ideológicos presentes no discurso da sociedade, valorizando o estudo como a única forma de obter ascensão social. Mas por não compreenderem a dimensão e a complexidade da educação, atribuem aos filhos a culpa pelo fracasso escolar, desmotivando-os para o estudo (MARTINS, 1999, p.62). A escola que se deseja, deve estar pautada na lógica de um espaço ideal para aconstrução de uma sociedade sadia, uma escola democrática com formação para a cidadania. Aquela que combata de todas as formas a exclusão social e que entenda o aluno como ser integral. E que possa, ao mesmo tempo, trabalhar a relação escola-aluno-família, tendo-se assim a necessidade de incluir a família em suas ações. Para isso, devemos romper com as visões tradicionais, funcionalistas ou sistêmico-mecanicistas da escola, superando a visão desta como um depósito do saber, buscando assim uma escola includente, libertadora e que valorize a diversidade. REFÊRENCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARO, Sarita Teresinha Alves. Serviço Social na escola: o encontro da realidade com a educação. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1997. BRASIL. Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. BRASIL. Lei 8.069/90. Estatuto da Criança e do Adolescente. ECA. Porto Alegre: CRESS, 2000. BRASIL. Constituição Federativa do Brasil. 1988. São Paulo: 2005. ESTEBAN, Maria Teresa (org). Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. Editora DP&A. Rio de Janeiro, 1999. GADOTTI, Moacir. Pedagogia da práxis. São Paulo: Cortez, 1995. GERHARDT, Heinz Peter. Educação libertadora e globalização. In: A pedagogia da libertação em Paulo Freire. São Paulo: Unesp, 2001. MARTINS, Eliana Bolorino Canteiro. O Serviço Social na área da Educação. In: Revista Serviço Social & Realidade. V 8 Nº 1. UNESP, Franca: São Paulo, 1999. MEKSENAS, Paulo. Sociologia da educação: introdução ao estudo da escola no processo de transformação social. 10 ed. São Paulo: Loyola, 2002. NOSELLA, Paolo.Gaudêncio Frigotto (org). Educação e crise do trabalho: perspectivas de final de século. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2002. PINTO, Rosa Maria Ferreiro. Política educacional e Serviço Social. São Paulo: Ed. Cortez, 1986. STEINBERG, Shirley R. Uma análise da Pedagogia do Oprimido. In: A pedagogia da libertação em Paulo Freire. São Paulo: Unesp, 2001. Disponível em: http://meuartigo.brasilescola.com/educacao/a-educacao-no-brasil-na-atualidade.htm Unidade 03 – O que dizem os PCNs de História e da Geografia sobre a importância dessas disciplinas na formação do aluno CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivo: Analisar os objetivos dos PCNs para o ensino da história e da geografia nos anos iniciais do ensino fundamental. ESTUDANDO E REFLETINDO O PCNs para o ensino da História e da Geografia traz uma proposta de trabalho que ressalta a importância dessas disciplinas na formação do aluno. A constituição da História como disciplina escolar ocorreu em 1837, com a criação do Colégio Pedro Segundo, o primeiro colégio secundário criado no Brasil, que apesar de público era pago e destinado ás elites. Por volta de 1855, a História como disciplina foi introduzida no ensino secundário do país. O modelo de métodos de ensino aplicados nas aulas de História era baseado na memorização e na repetição oral dos textos escritos. Os materiais didáticos eram poucos, restringiam-se a fala do professor e aos poucos livros didáticos que seguiam o modelo dos catecismos com perguntas e respostas. Portanto, ensinar História era transmitir o estabelecido nos livros, que estava dentro do programa oficial, mais tarde, livros didáticos ou livros textos. Logo, o conteúdo era “ingressado” igual para todos e em todos os locais e regiões do país. Nesse contexto, a situação da escola pública apontava a necessidade de se buscar programas de ensino que propunha um novo modelo de pedagogia, com métodos renovados. Assim, surge à introdução dos chamados Estudos Sociais no currículo escolar em substituição a História e a Geografia, isto ocorreu por volta de 1930, houve a integração das disciplinas em um único currículo. Entre o período da Segunda Guerra Mundial até o final da década de 70, Estudos Sociais teve um avanço no currículo escolar. Nesse período pode registrar dois momentos significativos: o contexto da democracia com o final da ditadura de Getúlio Vargas e o outro durante o governo militar. O Pós Guerra, a História passou a ser considerada uma disciplina significativa no âmbito internacional, ganhou força política, era relevante na formação de uma cidadania. Portanto, a UNESCO passava interferir na elaboração do livro didático e nas propostas curriculares, assim, indicava um discurso homogêneo e de preparo voltado para o trabalho, com o advento do mundo urbano e industrial enfatizava as transformações econômicas. Nas séries iniciais (antiga escola primária) para ensinar Estudos Sociais adotava-se a proposta baseada nas datas e festividades cívicas, somente nas séries finais, preparavam os alunos com a História Colonial, Imperial e Republicana. Com essa proposta de trabalho os conteúdos da História e da Geografia foram diluídos. A Lei n. 5692/71 foi à lei que consolidou a disciplina de Estudos Sociais, durante o governo militar. Paralelamente a disciplina de Estudos Sociais constitui- se a disciplina de Educação Moral e Cívica. A proposta Curricular de Estudos Sociais propunha que o estudo sobre a sociedade deveria partir do concreto ao abstrato em etapas sucessivas a partir da parte para o todo. Ex: do bairro para o município, do município para o estado, do estado para o país, do país para o mundo, mas a história do mundo não deveria ser ensinada na escola primária por ser considerada distante e abstrata. Na organização da disciplina de história gerou os chamados pré-requisitos de aprendizagem, exigindo a aquisição de conceitos e o domínio do tempo histórico. Com essa nova nomenclatura “Estudos Sociais” a demanda de profissionais na área da educação ficou escassa, logo, o governo permitiu que se criassem os cursos de Licenciatura Curta para suprir a necessidade que a disciplina gerou. Ocorreu grande demanda a procura dos cursos, mas uma desqualificação profissional do docente e também ocasionou um distanciamento entre a pesquisa acadêmica e o saber escolar. Insatisfeitos os profissionais, desde a sala de aula até a universidade lutaram para que as associações de historiadores e Geógrafos unissem as forças e almejassem a volta de História e Geografia aos currículos escolares e acabassem com os cursos de Licenciatura de Estudos Sociais. BUSCANDO CONHECIMENTO Decorrência dos processos de transformação os PCNs que orientam atualmente os componentes curriculares de História e Geografia para o Ensino fundamental anunciam os seguintes objetivos: Unidade 04 – Inferências sobre o ensino de História e de Geografia na Educação Infantil e no Ensino Fundamental CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Identificar abordagens conceituais sobre a importância do ensino da História e da Geografia na Educação infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental. ESTUDANDO E REFLETINDO Iniciou-se o debate sobre a volta da História e da Geografia ao currículo escolar. Em 1980 os conhecimentos escolares dessas duas disciplinas passavam a ser questionados e redefinidos propondo uma reforma curricular. Ocorre ainda, uma transformação na clientela escolar provocada pelo processo de democratização. As novas gerações que chegavam ás escolas estavam habituadas ás novas tecnologias de comunicação, o rádio e a televisão. Assim, com essas exigências para atender a nova demanda escolar, volta a História e a Geografia dando origem a criação das escolas de educação infantil com a introdução desse ensino. Em decorrência desse fato os professores perceberam as dificuldades que enfrentariam, pois os conteúdos ficaram simplificados, e eles precisaram buscar alternativas para as práticas de ensino. Nessa perspectiva as escolas preocupavam-se “o que e como ensinar”, essa, grande preocupação dos professores era para atender um público culturalmente diversificado, com informaçõesdifundidas pelos meios de comunicação. A essência do fazer pedagógico consiste em: “reflexão, conflitos e desafios”. Por volta da década de 40 do século XX a Geografia estudada apesar de valorizar o papel do homem como sujeito histórico, propunha-se a estudar a relação do homem com a natureza sem priorizar as relações sociais. Ex: estudava- se a população, mas não a sociedade. Os procedimentos didáticos eram na base da descrição e a memorização. Pretendia-se ensinar uma Geografia neutra. Essa tendência inferia na produção dos livros didáticos. O pós-guerra, a urbanização e a industrialização deram origem a modificações, tanto na cidade, quanto no espaço agrário. Cada lugar já não era mais o mesmo. Os métodos e as teorias da Geografia não são mais suficientes para explicarem tamanha complexidade. Nessa perspectiva, não bastava explicar, era preciso entender e compreender as relações do homem com a natureza. Assim, a Geografia ganha conteúdos significativos de grande influencia na formação do cidadão, mas o professor continua com a sua prática na linha tradicional, descritiva e descontextualizada do espaço geográfico, é um ensino apoiado no livro didático. Mediante essa postura metodológica apresentada, fica a preocupação com os conteúdos que deveriam ser ensinado e aprendido, para que, o sujeito tivesse sua participação na construção do território e do espaço. O objetivo da Geografia era explicar e compreender as relações entre a sociedade e a natureza. Com relação ao ensino da Geografia nos anos iniciais do Ensino Fundamental, é importante respeitar a faixa etária do aluno e, o momento da escolaridade que ele se encontra. A maneira mais comum de se ensinar Geografia tem sido através do discurso do professor, ou do livro didático. É possível aprender Geografia através da leitura de autores como: Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, entre outros, cujas obras apresentam diferentes paisagens do Brasil. Eles trazem em suas obras aspectos sociais, culturais e naturais. Vale ressaltar que as produções musicais e o cinema também podem proporcionar ao aluno leituras geográficas através das imagens, sons e linguagem cartográfica. Considerando a Educação Infantil uma etapa da Educação Básica que antecede o Ensino Fundamental, o objetivo da 1ª etapa do ensino Básico, é propiciar um ambiente socializado que possa oferecer a criança pequena, o acesso e a ampliação dos conhecimentos da realidade social e cultural. Antes da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96) que estabeleceu que a Educação Infantil irá compor as modalidades de ensino da Educação Básica para acabar com a Educação tradição assistencialista. Em 1998 o MEC produziu o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, com o interesse em auxiliar o professor na realização de seu trabalho educativo diário junto ás crianças pequenas. BUSCANDO CONHECIMENTO O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil traz conteúdos e orientações didáticas para o trabalho do professor. Apresenta um texto introdutório com reflexões sobre creches e pré-escolas, um texto que trata da construção da Identidade e da Autonomia da criança, um texto relativo no âmbito de experiências e conhecimento de mundo. No que diz respeito a construção da identidade, área potencialmente vinculada ao ensino de história e geografia, O RCNEI anuncia como concepção: CONCEPÇÃO A construção da identidade e da autonomia diz respeito ao conhecimento, desenvolvimento e uso dos recursos pessoais para fazer frente às diferentes situações da vida. A identidade é um conceito do qual faz parte a idéia de distinção, de uma marca de diferença entre as pessoas, a começar pelo nome, seguido de todas as características físicas, de modos de agir e de pensar e da história pessoal. Sua construção é gradativa e se dá por meio de interações sociais estabelecidas pela criança, nas quais ela, alternadamente, imita e se funde com o outro para diferenciar-se dele em seguida, muitas vezes utilizando-se da oposição. A fonte original da identidade está naquele círculo de pessoas com quem a criança interage no início da vida. Em geral a família é a primeira matriz de socialização. Ali, cada um possui traços que o distingue dos demais elementos, ligados à posição que ocupa (filho mais velho, caçula etc.), ao papel que desempenha, às suas características físicas, ao seu temperamento, às relações específicas com pai, mãe e outros membros etc. A criança participa, também, de outros universos sociais, como festas populares de sua cidade ou bairro, igreja, feira ou clube, ou seja, pode ter as mais diversas vivências, das quais resultam um repertório de valores, crenças e conhecimentos. Uma das particularidades da sociedade brasileira é a diversidade étnica e cultural. Essa diversidade apresenta-se com características próprias segundo a região e a localidade; faz-se presente nas crianças que freqüentam as instituições de educação infantil, e também em seus professores. O ingresso na instituição de educação infantil pode alargar o universo inicial das crianças, em vista da possibilidade de conviverem com outras crianças e com adultos de origens e hábitos culturais diversos, de aprender novas brincadeiras, de adquirir conhecimentos sobre realidades distantes. Dependendo da maneira como é tratada a questão da diversidade, a instituição pode auxiliar as crianças a valorizarem suas características étnicas e culturais, ou pelo contrário, favorecer a discriminação quando é conivente com preconceitos. A maneira como cada um vê a si próprio depende também do modo como é visto pelos outros. O modo como os traços particulares de cada criança são recebidos pelo professor, e pelo grupo em que se insere tem um grande impacto na formação de sua personalidade e de sua auto-estima, já que sua identidade está em construção. Um exemplo particular é o caso das crianças com necessidades especiais. Quando o grupo a aceita em sua diferença está aceitando-a também em sua semelhança, pois, embora com recursos diferenciados, possui, como qualquer criança, competências próprias para interagir com o meio. Vale destacar que, nesse caso, a atitude de aceitação é positiva para todas as crianças, pois muito estarão aprendendo sobre a diferença e a diversidade que constituem o ser humano e a sociedade. As crianças vão, gradualmente, percebendo-se e percebendo os outros como diferentes, permitindo que possam acionar seus próprios recursos, o que representa uma condição essencial para o desenvolvimento da autonomia. A autonomia, definida como a capacidade de se conduzir e tomar decisões por si próprio, levando em conta regras, valores, sua perspectiva pessoal, bem como a perspectiva do outro, é, nessa faixa etária, mais do que um objetivo a ser alcançado com as crianças, um princípio das ações educativas. Conceber uma educação em direção à autonomia significa considerar as crianças como seres com vontade própria, capazes e competentes para construir conhecimentos, e, dentro de suas possibilidades, interferir no meio em que vivem. Exercitando o autogoverno em questões situadas no plano das ações concretas, poderão gradualmente fazê-lo no plano das idéias e dos valores. Do ponto de vista do juízo moral, nessa faixa etária, a criança encontra-se numa fase denominada de heteronomia, em que dá legitimidade a regras e valores porque provêm de fora, em geral de um adulto a quem ela atribui força e prestígio. Na moral autônoma, ao contrário, a maturidade da criança lhe permite compreender que as regras são passíveis de discussão e reformulação, desde que haja acordo entre os elementos do grupo. Além disso, vê a igualdade e reciprocidade como componentes necessários da justiça e torna-se capaz de coordenar seus pontos de vista e açõescom os de outros, em interações de cooperação. Este conceito está sendo usado na perspectiva proposta pelo psicólogo suíço Jean Piaget (1896- 1980). A passagem da heteronomia para a autonomia supõe recursos internos (afetivos e cognitivos) e externos (sociais e culturais). Para que as crianças possam aprender a gerenciar suas ações e julgamentos conforme princípios outros que não o da simples obediência, e para que possam ter noção da importância da reciprocidade e da cooperação numa sociedade que se propõe a atender o bem comum, é preciso que exercitem o autogoverno, usufruindo de gradativa independência para agir, tendo condições de escolher e tomar decisões, participando do estabelecimento de regras e sanções. Assim, é preciso planejar oportunidades em que as crianças dirijam suas próprias ações, tendo em vista seus recursos individuais e os limites inerentes ao ambiente. Um projeto de educação que almeja cidadãos solidários e cooperativos deve cultivar a preocupação com a dimensão ética, traduzindo-a em elementos concretos do cotidiano na instituição. O complexo processo de construção da identidade e da autonomia depende tanto das interações socioculturais como da vivência de algumas experiências consideradas essenciais associadas à fusão e diferenciação, construção de vínculos e expressão da sexualidade. Unidade 05 - Presença das Ciências Humanas na Educação Infantil - objetivos e conteúdos de ensino CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE. Objetivo: Compreender por que é importante ensinar Ciências Humanas a partir da Educação Infantil. ESTUDANDO E REFLETINDO A presença das Ciências Humanas na Educação Infantil. A presença das Ciências Humanas na composição do currículo e programas de Educação Infantil, os conteúdos estão relacionados á preparação da criança para dar entrada na 2ª etapa da Educação Básica, que é o Ensino Fundamental. Atualmente o Referencial ainda consta da pré-escola como parte da Educação Infantil, mas com a mudança de oito pra nove anos, a série inicial corresponde à pré-escola. No trabalho referente aos conteúdos das Ciências Humanas algumas práticas valorizam atividades referentes ás datas comemorativas do calendário nacional e, outras, as atividades voltadas para o desenvolvimento da noção de tempo e espaço. O ensino da História na Educação Infantil não pode e não deve partir da divisão do saber, como se estivesse tudo pronto e acabado. Ensinar História é associá-la ao conceito de historicidade, mas o que se percebe é que a prática está diante da teoria, pois a História é a ciência que nos permite conhecer o passado, entender o presente e transformar tudo num futuro melhor. Entretanto os conteúdos de História segundo o Referencial Curricular Nacional são contemplados nas questões de diversidade e socialização. Logo, deve-se iniciar o estudo dessa disciplina pela história do aluno. Portanto, o desenvolvimento da identidade e da autonomia está relacionado com os processos de socialização, pois através da relação social se dá a valorização e o reconhecimento do outro. No âmbito das Ciências Humanas, não só a História nem só a Geografia deveriam fazer parte da formação da criança, mas a filosofia e a sociologia também deveriam estar presentes na Educação Infantil, pois as duas últimas disciplinas são auxiliares da área das Ciências Humanas. Ao estudar Geografia, estudam-se os aspectos físicos do homem e da terra. Ela deu origem á criação da cartografia, devido ás exigências requeridas pelas guerras e comércio. Pensando na História e na Geografia, no âmbito das Ciências Humanas, voltados para o ensino infantil, este conhecimento se torna essencial na formação de indivíduos críticos contribuindo com a construção da cidadania. Objetos de Estudos: a criança, a natureza e a sociedade. À medida que as crianças crescem se deparam com objetos, fatos e fenômenos do mundo que aos poucos elas vão tomando conhecimento do seu redor. Assim, gradativamente toma consciência das diferentes situações em cada etapa do seu desenvolvimento. Nos primeiros anos de vida ela é capaz de perceber objetos, seres, formas, cores, sons, odores, movimentar-se nos espaços e manusear objetos. Aos poucos vai construindo seu vocabulário e ampliando no contato com outras pessoas ou crianças mais velhas. Quanto menor for à criança, mais ela precisa vivenciar objetos concretos da realidade conhecida, observada e sentida. Em relação ao pensamento que faz ao tocar um objeto, ela é capaz de construir uma lógica própria de interpretação. Exemplo- brincar de fazer de conta. Nesse processo ela constrói sua linguagem e comunicação diferente do concreto. Portanto, para formar seus conceitos não significa que comece sempre do concreto, isso se dá porque à medida que elas crescem a aprendizagem de fatos, conceitos, procedimentos, atitudes e valores não se dão de forma descontextualizada. O conhecimento contextualizado para as crianças acontece com as questões presentes no cotidiano, como: relato oral, livros, jornais, revistas, televisão, rádio, fotografias e filmes. Assim, para a construção da aprendizagem contextualizada é interessante provocar a criança para que ela faça relatos de situações, de fenômenos, de fatos e seja capaz de colocá-los no tempo e no espaço. Nesse sentido, o professor precisa ter claro que esse conhecimento se dá gradativamente, ao longo do processo educacional, pois á medida que a criança desenvolve sua curiosidade crítica o conhecimento vai se consolidando. Objetivos Crianças de zero a três anos Explorar o ambiente, Relacionar com pessoas; Estabelecer contato com animais, plantas e objetos; Despertar a curiosidade e o interesse. Crianças de quatro a seis anos Interessar-se e demonstrar curiosidade pelo mundo social e natural Formular perguntas Imaginar soluções e compreender; Manifestar opiniões próprias; Buscar informações; Confrontar ideias; Estabelecer relações entre o modo de vida e do ambiente; Valorizar a qualidade de vida; Preservar as espécies; Nessa etapa de vida, além desses objetivos a criança deve aprofundar e ampliar os objetivos da fase zero a três anos. BUSCANDO CONHECIMENTO Conteúdos Os conteúdos devem ser organizados de forma significativa com a metodologia de projetos, pois eles integram diversas dimensões do mundo social e natural. Crianças de zero a três anos Nessa faixa etária os conteúdos estão relacionados com o cotidiano da criança Participação em atividades que envolvam histórias, brincadeiras, jogos e canções que digam respeito ás tradições culturais de sua comunidade e de outros grupos; Exploração de diferentes objetos, de suas propriedades e de relações simples de causa e efeito. Contato com pequenos animais e plantas; Conhecimento do próprio corpo por meio do uso e da exploração de suas habilidades físicas, motoras e perspectivas. Crianças de quatro a seis anos. Nessa faixa etária os conteúdos indicados para as crianças de zero a três anos devem ser aprofundados e outros serão acrescentados. Formulação de perguntas; Participação ativa na resolução de problemas; Estabelecimento de algumas relações simples na comparação de dados; Confronto entre suas ideias e das outras crianças; Formulação coletiva e individual de conclusões e explicações sobre o tema em questão; Utilização, com ajuda do professor, de diferentes fontes para buscar informações como objetos, fotografias, documentários, relatos de pessoas, livros, mapas etc.; Utilização da observação direta e com uso de instrumentos, como binóculos, lupas, microscópio etc., para a obtenção de dados e informações; Conhecimento de locais que guardam informações, como bibliotecas, museus, etc.; Leitura e interpretação de registros, como desenhos, fotografias, maquetes; Registros das informações, utilizando diferentes formas: desenho, textos orais ditados ao professor, comunicação oral registrada em gravador etc. Unidade 06 - Presença das Ciências Humanas na Educação Infantil - orientações didáticas CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivo: Conhecer as orientações didáticas anunciadas nos Referenciais Curriculares para a educação Infantil ESTUDANDO E REFLETINDO Orientações didáticas Crianças de zero a três anos Nessa faixa etária a didática deve ser na forma da observação e exploração do meio. Exemplos: A interação com os adultos e outras crianças, pode ser da mesma idade ou idade diferente; As brincadeiras de rua (roda cantada); A exploração do espaço O contato com a natureza O contato com pequenos animais (formiga); Troca de ideias entre as crianças Pequenas excursões com objetivo de identificar e observar a diversidade; Criação de animais pela própria instituição; (peixes, pássaros). Noções básicas de higiene; Cultivar pequenas plantas em vasos; Valorização da cultura de seu grupo (através das brincadeiras, músicas, jogos e danças); Elaborar receitas culinárias Oferecer diversos materiais que misturados entre si ou com diferentes meios, passam por processo de transformação. Materiais que podem ser oferecidos: terra, areia, farinha, água, leite, óleo, etc.; Ensinar a criança conhecer e perceber seu próprio corpo por meio de ações realizado por ela; Aprender o nome das partes do corpo e suas funções de forma contextualizada. Todas essas atividades apresentadas o professor deve explorar, pois a criança tem potencial para aprender se ela for estimulada á participação da atividade. Embora na idade média a criança fosse considerada um adulto em miniatura, atualmente não se pode pensar assim, criança deve ser criança e aprender através do lúdico. Foi necessária uma longa caminhada da histórica para que se pensasse na criança como uma figura diferente do adulto. Portanto, cabe ressaltar que na sociedade contemporânea, a infância ganhou resignificado dos seus direitos como cidadã, ou seja, o direito a melhor qualidade de vida, o direito de pertencer a uma família, o direito de ter moradia, alimentação, de receber educação de qualidade, o direito de viver e ser criança. Nesse sentido a criança deve ter o direito de brincar, criar, imaginar e de sonhar. De acordo com os RCNs a educação infantil deve estar nos princípios: da dignidade e do respeito. Crianças de quatro a seis anos. Nessa faixa etária o trabalho didático deve incluir o respeito às diferenças existentes entre os costumes, valores e hábitos das diversas famílias e grupos e, o reconhecimento de semelhanças. De acordo com o MEC em 1998 foi lançado um documento “Referencial Curricular Nacional” que estabelecia as diretrizes para a Educação Infantil. No entanto, o Congresso Nacional, por meio da Lei n. 11.114/2005, altera os artigos 6º, 30, 32 e 87 da Lei n. 9394/96, com o objetivo de tornar obrigatório o início do ensino fundamental aos seis anos de idade. Veja a íntegra da redação do artigo 30 da LDB: Artigo 30- A educação infantil será oferecida em: I.Creches ou equivalentes, para crianças de até três anos de idade; II.Pré-escolas para crianças de quatro a cinco anos de idade. Artigo 32- O ensino fundamental obrigatório com duração de nove anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos seis anos, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante [.…]. Brasil, 2006. Etapa de Ensino Faixa etária prevista Duração Educação Infantil Creche Pré-escola até cinco anos de idade até 3 anos de idade 4 e 5 anos de idade --------- --------- --------- Ensino Fundamental Anos iniciais Anos finais Até 14 anos de idade de seis até 10 anos de 11 a 14 anos 9 anos 5 anos 4 anos Fonte: Brasil, 2006. - Quadro demonstrativo sobre a ampliação do ensino fundamental para nove anos de duração. BUSCANDO CONHECIMENTO. Como ficam as crianças de 6 anos Pós-LDB? A reorganização institucional e legal iniciada a partir da redemocratização do país inclui decisivas mudanças na educação brasileira. A nova LDB prescreve que: A educação infantil é um direito das crianças, embora não seja obrigatória, e a creche faz parte da educação básica, assim como a pré- escola, o ensino fundamental e o médio.” Goulart; Palhares (orgs). 2007. As crianças, pequenas passam a ter seus direitos assegurados como sujeitos cidadãos a partir da Constituição de 88 e do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Além desses documentos, o Plano Nacional de Educação, a lei n. 9394/96, o Referencial Pedagógico Curricular para formação de professores de educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental e atualmente RCNEI - Referenciais Curriculares Nacionais de Educação Infantil também tiveram participação na política de inclusão numa política integrada e coerente para a infância no Brasil. Entretanto, á medida que, se passam os anos pós LDB, percebe-se que o RCNEI é rico de anseios e desejos a infância, mas na realidade a pouca adequação do seu uso nas instituições de educação infantil. Algumas questões que influenciam na aplicação do documento são o pouco espaço para o cuidar e brincar; o número de crianças acima do permitido; a rotatividade de profissionais e governos; a falta de material didático pedagógico; a família desestruturada, entre outras. Na realidade o RCNEI ainda está distante da sua concretude. Nessa perspectiva, o uso do Referencial só tem sentido se traduzir o que nela está prescrito com a disponibilidade de realização das ações envolvendo os sujeitos, quer sejas os profissionais, os pais, as crianças e os governantes. Vale ressaltar que, o RCNEI não tem uma redação clara quanto à linguagem do texto se é dirigida aos técnicos e especialistas da área ou, aos educadores. Essa dicotomia pode resultar numa inviabilização de uso, sendo apenas teoria. Com relação ao desenvolvimento da criança, uma questão que merece referência é a infância, período que a educação deve ser prioridade, desde a família todos os governos, com as políticas sociais e educacionais que têm o dever de manter um sistema de Ensino Infantil de qualidade, quer no ensino público ou privado. Outra exigência para essa modalidade da Educação Básica é que todos têm o mesmo direito de ir á escola com a mesma possibilidade de ensino. Portanto, quanto mais educação a população receber, maior será a possibilidade de independência do país. É cada vez mais necessário o bom preparo para exercer o exercício da cidadania. A educação é indispensável para que o povo. As pessoas devem ser bem informadas e formadas para serem livres nas manifestações e decisões críticas sobre o comportamento do governo. Assim, as disciplinas de História e Geografia colaboram com a criação de pensamentos livres para realizarem suas ideias e satisfazerem suas necessidades e melhorar suas condições de vida. Antigamente a educação para a convivência, sobre tudo a transmissão dos valores, era prerrogativa da família, mas atualmente com a saída dos pais para o trabalho fora de casa, as crianças ficaram mais tempo em contato com os meios de comunicação de massa. O cotidiano de muitas instituições de Educação Infantil ainda demonstra uma dicotomia entre o cuidar e o educar. Essas instituições têm revelado um trabalho mecânico e rotineiro, as atividades não incluem o caráter pedagógico que possibilita a criança tornar-se autônoma constituindo a sua identidade. O processo de construção da identidade deve ser analisado no interior da sala de Educação Infantil, a relação do professor coma criança e as especificidades da sua pratica, seus valores e seus modos de estar na profissão de docente. Unidade 07 – Como Iniciar as crianças no estudo da Geografia e da História. CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Identificar algumas etapas para a realização de estudos no campo da Geografia e da História na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental. ESTUDANDO E REFLETINDO 1º passo: fazer o “estudo do meio” Segundo Nidelcoff (1991. p.15) o “estudo do meio” pode ser utilizado em todas as séries do ensino de 1º grau, levando em conta a gradação já assinalada, de acordo com a idade das crianças. De acordo com essa autora será apresentado um modelo de atividade para o “estudo do meio”, ou seja, o estudo da Geografia. Exemplo: observação. Atividade: observar no caminho que percorre todos os dias para ir á escola, o que encontra: relatar o que descobriu. Um rio Um prédio Casas Com são as ruas Fábrica Posto de saúde Banco Lojas Supermercado Padaria Igreja Sorveteria Após, recolher os dados é importante que se leve em consideração, se, o que foi observado ajuda ou não o desenvolvimento da pessoa.·. Objetivo Estimular a curiosidade e o interesse pela descoberta. 2º passo: “o estudo do homem” “É importante que certos temas estejam fora dos interesses e das possibilidades de compreensão das crianças pequenas.”, mas o importante é encontrar a forma de como estimular a criança com um tema que lhe interessa e ao mesmo tempo seja componente do estudo da História. Exemplo: Pesquisa Atividade: que lugar a pesquisa ocupa na vida da criança quando o tem é atualidade. Há algumas coisas que ajudam nesse sentido, são os questionários abertos ou fechados. Como na Educação Infantil as crianças não são alfabetizadas na escrita, os relatos só podem ser orais. A sequência das perguntas é apenas e tão somente para organizar a atividade e, o professor transcrever a resposta dada pelas crianças, se ele considerar importante ter o registro. Nesse caso seria vantajoso o questionário aberto, pois as respostas não seriam classificadas. Após essa informação elaborar as questões. Vamos imaginar que o tema escolhido é “Presente do papai Noel” O que vocês acham do papai Noel? Ele existe? Qual a época que ele aparece? Vocês sabem onde ele mora? Nesse momento aproveitar a empolgação das crianças e iniciar o estudo da História e também da Geografia. Utilizar o mapa-múndi e mostrar ás crianças o polo norte e o polo sul. Falar do gelo, do frio, da roupa que deve ser usada nas regiões frias, fazer comparação entre os dois polos. Aproveitar a ocasião e fazer a leitura cartográfica do todo para as partes: o mundo, país, estado, município, bairro. A discussão sobre papai Noel é um tema que pode ser explorado até mesmo para se fazer um projeto interdisciplinar com crianças maiores, aquelas que já estão no Ensino Fundamental. Essa questão de “conhecer e compreender” a história do papai Noel, implica na realidade das condições de vida dos homens dos diferentes lugares, fazendo a descrição e a comparação entre um e o outro. Nesse sentido À medida que, as crianças são maiores, a explicação das características tem mais possibilidades e torna-se, também, mais importante. Isto não significa deixar de lado a explicação com as pequenas, como esta é feita nos aspectos mais simples. (Nidelcoff, 1991.p.51) De acordo com Nidelcoff a integração entre os cuidados e a educação é relevante no desenvolvimento à formação do profissional que está com a criança todos os dias. Sobre o educar é propiciar situações, cuidados, brincadeiras e aprendizagem orientadas de forma integrada. Enquanto que, cuidar é a cooperação de profissionais de diferentes áreas, corroborando um com o outro, fazendo a integração das ações e das crianças. BUSCANDO CONHECIMENTO O professor de Educação Infantil. A realidade dos cursos de formação do profissional para a educação infantil demonstra certa fragilidade e superficialidade no modelo de formação inicial, quanto o de formação continuada. A formação continuada não deve ficar restrita a cursos de rápida duração, seminários, oficinas e outros eventos que, à maioria das vezes, não atinge as dificuldades e necessidades educativas mais urgentes dos professores. Aquelas situações que acontecem todos os dias em sala de aula. Na verdade, existe uma variedade de cursos que formam professores, ora de maneira metodológica, ora de maneira teórica, são dois extremos, ambos não esclarecem o perfil do professor de Educação Infantil. Na maioria desses cursos não colocam o lúdico como objeto de estudo, portanto, aquela tese que a criança aprende em contato com o mundo que cerca, caí. A criança contemporânea deve frequentar instituições de ensino infantil que garantam uma base sólida e de qualidade para que possa desenvolver nela conhecimentos diversificados, como apresenta o momento histórico que ela vive. Atualmente não é mais admissível à reprodução de cuidados relacionados com o corpo: banho, sono, banho de sol alimentação etc. Nesse sentido, ao dirigir os serviços para a criança, como sujeito de educação, o professor deve ficar atento com as necessidades da criança (cuidar) e as atividades intelectuais (ensinar). O enfoque principal é como organizar o cotidiano das crianças, desde a sua chegada até a sua saída. A criança pequena precisa de rotinas (como tomar banho, higiene bucal, hora do descanso ou dormir, hora da brincadeira, esta pode ser dirigida pelo professor, como pode ser livre, brincar de fazer de conta, etc.) esses hábitos são momentos de trocas afetivas, diálogos e de interação entre o professor e a criança. Dessa maneira, o professor precisa e deve saber que ele é um formador de identidade, a criança pequena tem o professor como espelho. Exemplo: quantas vezes a criança brinca em casa de escolinha, desde que ela seja a professora e a amiga ou irmão mais novo é o aluno. Outras situações, ela é a “tia” e a boneca é a amiga. Segue o modelo da cozinheira servindo o lanche, etc. Considerando que a infância é o período da formação inicial da criança, as instituições de Educação Infantil devem organizar o espaço e o tempo nesses ambientes, de forma agradável e prazerosa para o convívio ser um processo de construção de aprendizagem. Logo, a criança vai desenvolver sua formação integral, mas deve ser respeitada a faixa etária de cada “pequeno”. Ser Educador Infantil é ter consciência da sua ação, pois é uma atividade intencional, planejada e executada, por isso precisa ser estruturada e ordenada. De modo geral, os professores consideram o planejamento um trabalho burocrático, que não contribui com o trabalho docente em sala de aula. A questão é que o professor precisa e deve resgatar a imagem do planejamento como um ponto negativo do trabalho docente. UNIDADE 08 - Estratégias metodológicas para o trabalho na Educação Infantil. CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivo: Reconhecer os procedimentos didáticos como recursos que visam o desenvolvimento da criança em todos os ambientes: família, a escola ou creche, o bairro, o município. ESTUDANDO E REFLETINDO Muitos são os métodos utilizados para trabalhar com a educação infantil. O método de ensino deve visar o desenvolvimento da criança, buscando trabalhar todos os ambientes que a envolve, como: a família, a escola ou creche, o bairro, o município. Sugestões de métodos, todos eles devem fazer parte da Proposta Pedagógica da instituição. 1- organizar as ações com base nos jogos e brincadeiras (lúdico) ou centro de interesses. É através do brinquedo que a criança interage com o mundo, com sua imaginação, seu corpo, sua vida, sua totalidade. O brinquedocantando é indispensável, pois, as cantigas de roda ajudam a criança a se desenvolver a linguagem oral. 2-conto de história. É através das histórias que a criança desenvolve a linguagem literária. 3- jogos Os jogos ensinam as regras, são meios concretos que ajudam a linguagem matemática, mas não ensina o conceito. 4- parque Espaço importante para ser utilizado no desenvolvimento motor da criança. 5- imposição Este vigorou até 1950 em vários países, tudo era imposto ao aluno, ele fazia tudo o que o professor mandasse. 6-construtivismo Tem como seu maior defensor Piaget, pois dizia que a criança é o centro do processo educativo, apenas precisa ser estimulado, papel que cabe ao professor. O professor se torna um intermedidor da aprendizagem. 7- projeto O que se pretende com essa metodologia é reconhecer a aplicabilidade de uma visão global e interdisciplinar na organização dos conteúdos escolares. Essa metodologia é tudo que se precisa para formar um aluno autônomo capaz de exercitar a democracia. Vale ressaltar que, a instituição de Educação Infantil deve por ocasião do planejamento anual, definir quais serão as estratégias que usarão como método de aprendizagem. Apresentação de um Projeto interdisciplinar a título de exemplo usando o “Tema Gerador”: Família, Segundo Kramer. S. (org.), 1992, p.71. Esse projeto destina-se a crianças de 4 e 6 anos. Tema Gerador: Família Conhecimento Social Pessoas que fazem parte da família (componentes); Diferentes modelos de famílias (composição, costumes, valores etc.); Histórias de vida das famílias (origem, ocupação, moradia, tipos de vestimentas, alimentação); Reconhecimento de seu próprio corpo como membro de uma família. Conhecimento Natural Diferentes espécies de famílias (animal, vegetal); Características físicas dos componentes da família Reprodução, crescimento e conhecimento das diferentes etapas da vida; Diferentes tipos de materiais usados para a confecção do usuário (o que se usa no frio, no calor, objetos usados quando chove). Conhecimento lógico matemático Relações de parentesco; Número de irmãos; Seriação (por tamanho, por idade.); Classificação (objetos ou utensílios utilizados pelo bebê, pelo adulto, etc.); Exploração e conhecimento do corpo (lateralidade, localização.). Conhecimento linguístico Ampliação do vocabulário; Descrição de pessoas, objetos e situações; Conversas informais; Músicas, adivinhações, piadas, histórias, provérbios, e rimas contadas e cantadas por pessoas da família; Narração e produção de histórias; Representação da família: dramatizações gráficas (desenho e escrita dos nomes), confecção de bonecos. Esse modelo de projeto apresenta três elementos fundamentais para a aprendizagem. a) O desenvolvimento infantil; b) O contexto da vida da criança c) Os conteúdos das quatro áreas do conhecimento. (linguístico, lógico- matemático, natural e social.). Embora essa unidade de estudo tenha como meta retratar a presença das Ciências Naturais da Educação Infantil, o modelo de projeto apresentado não foi restrito á essa área, pois faz parte da elaboração do livro: “Com a pré-escola nas mãos: uma alternativa curricular para a Educação Infantil.”. Portanto foi transcrito na íntegra. Nesse sentido, a metodologia de projetos possibilita o ensino interdisciplinar, favorece uma estratégia metodológica que oportuniza a aprendizagem em todas as áreas. Desse modo, o educador deve compreender que as atividades não podem ser iguais em todos os projetos, elas se diversificam á medida que o “tema” proposto também muda. Assim, ele não é um modelo pronto e acabado, apenas uma sugestão para a elaboração. Acredita-se que os professores para a Educação Infantil estejam preparados para desenvolverem essa metodologia. Ela não é nova, desde, Jean Piaget a W. H. Kilpratrick, bem como os outros educadores no inicio do século XX, defendiam-na em oposição á metodologia da tendência tradicional. Finalizando, a avaliação nessa pedagogia é através da observação contemplando referências significativas. O professor não deve confundir a prática da avaliação como um momento de registros comportamentais não atingidos pela criança. Deve ser anotações que mostrem se a criança atingiu ou não os objetivos do conteúdo proposto naquela unidade de estudo. Unidade 09 - Currículo prescrito CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivo: Esclarecer o enfoque processual ou prático do currículo. ESTUDANDO E REFLETINDO Currículo e seus significados. 1. Currículo prescrito – (PCNS) 2. Currículo apresentado aos professores – (propostas curriculares, livros textos ou livro didático). 3. Currículo moldado pelos professores- (são os planos de ensino) 4. Currículo em ação – (resultados da ação da prática) 5. Currículo avaliado – (resultado das avaliações) ESTUDANDO E REFLETINDO Currículo prescrito O currículo prescrito para o sistema educativo e para os professores, mais evidente no ensino obrigatório, é a sua própria definição, de seus conteúdos e demais orientações relativas aos códigos que o organizam, que obedecem a ás determinações que procedem do fato de ser um objeto regulado por instâncias políticas e administrativas. Sacristán, 2000.p.109. Por ser um objeto regulado, a intervenção política administrativa tem força para decidir sobre “o que ensinar”, “como ensinar”, “quando ensinar” e para “quem ensinar”. Essa política curricular estabelece o mínimo a ser ensinado para todo o sistema educativo de cada nível de ensino. A partir dessa intervenção a autonomia do professor como especialista da atividade pedagógica e do desenvolvimento curricular, fica prejudicada, o professor não é mais o único detentor do saber. Essa é uma atividade retrograda, pois dentro e uma sociedade na qual o conhecimento é essencial a qualquer setor produtivo ou profissional, a regulação dos sistemas curriculares é um aspecto que impede uma prática coerente. Por isso, a ideia de um currículo mínimo comum como prevê o PCNs é pretender também uma escola comum. Determinar esse núcleo comum é complicado dentro de uma sociedade heterogênea, com culturas diferentes, valores e necessidades essenciais para a aprendizagem. Assim, o currículo comum é uma ideia unificada da educação obrigatória, ao mesmo tempo impondo aos professores que devem desenvolver na prática o currículo prescrito. A regulação do currículo é tão forte que pode ser realizada de forma direta ou indireta determinando os conteúdos, dá as orientações metodológicas decidindo em que momento se deve ensinar esse ou aquele saber. Essa intervenção, ao proporcionar sequências didáticas e conteúdos regula, não só o processo de ensino/aprendizagem, bem como a promoção dos alunos. Ao ordenar o tempo da aprendizagem, regula os meios e o material didático que considera necessário para a escola. Quanto ao espaço escolar determina que mobiliário seja necessário para o desenvolvimento do currículo. Assim, essa política de regulação e intervenção sobre o currículo mínimo resulta numa política ineficaz no exercício real da prática docente. Ás vezes por falta de qualificação dos professores pode ocorrer um desvio no desenvolvimento pedagógico provocando uma dependência desses materiais didáticos. Ordenar a prática curricular dentro do processo educativo é condicionar o ensino a uma intenção explícita de valor decisivo sobre a aprendizagem e os objetivos da educação obrigatória. Logo, a administração intervencionista acredita que regulando os conteúdos curriculares encontra uma forma de modificar e melhorar a prática escolar. Essa renovação pedagógica proposta pelo currículo prescrito não impede o professorado de fazeroutra educação, pois é na de aula que o currículo acontece. BUSCANDO CONHECIMENTO O currículo prescrito não pode nem deve ser entendido como um tratado pedagógico e um guia didático que oferta planos elaborados para os professores porque tem outras funções mais decisivas para cumprir, desde o ponto de vista da política educativa geral, do que ordenar os processos pedagógicos nas aulas. Além disso, o controle do currículo pode cair no modelo de homogeneização nas escolas e nos conteúdos do ensino. Esse controle não permite uma política descentralizada como o caso do modelo europeu. A descentralização educativa pode trazer algumas consequências nos fatores de financiamento, planejamento de infraestrutura, distribuição de recursos, política de professorado, conteúdos do currículo forma de dirigi-lo, métodos pedagógicos, política de materiais, horário escolares, formas de organização das escolas, controle de qualidade. Tudo isso é, mais uma política de equidade, de unidade, de eficiência. PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais, ou currículo mínimo, currículos básicos, currículos unificados, conteúdos mínimos, diretrizes comuns nacionais, são definições que Cury (1996) atribui para tratar a política educacional que regula o currículo em todas as escolas públicas nacionais. Qual o sujeito do: “serão fixados conteúdos mínimos...”? A partir da ideia que a escola socializa e forma valores, por sua vez, ela ensina e deixa marcas dessa aprendizagem. Essa uma ideia que não satisfaz a política de intervenção, pois essa prefere formar jovens menos críticos e participativos, para aqueles que sabem cumprir as determinações das esferas administrativas. Logo, formar sujeito autônomo requer uma política educacional menos controlador. Isso é um desafio para um país que se diz ser democrático, porque as escolas brasileiras não são iguais, há presença de uma pluralidade cultural e étnica. O que pode ser colocado é que o ensino fundamental está perto da universalização quantitativa, mas todo o nível da educação escolar brasileira cresceu e muito. Unidade 10 - Currículo apresentado aos professores: Livro didático CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivo: Traçar a trajetória histórica do livro didático ESTUDANDO E REFLETINDO No Brasil, a razão pela qual o livro didático vem assumindo grande importância na sala de aula deve-se a decadência da situação educacional, pois eles determinam os conteúdos e estabelecem estratégias de ensino. Esse material na maioria das vezes é a única fonte didática que o professor tem nas mãos para auxiliar a realização das aulas. Logo tem se tornado de grande importância sob a ótica pedagógica, mas vale ressaltar que sempre é bom acompanhar como ele vem sendo usado. Nesse sentido, a atuação do professor no processo de ensino /aprendizagem considera-se tão quanto importante é a presença do livro didático. A presença do livro didático na sala de aula como único material didático acontece mais na escola pública que na privada, pois as escolas privadas contam com outros recursos didáticos que ajudam aos professores no desenvolvimento da prática docente. Foi mais ou menos na década de 60 que surgiu o livro didático nas escolas brasileiras, mas somente em 1985 aconteceu a criação do Programa Nacional do Livro didático (PNL). No inicio de 1990 o MEC se interessa pelo livro escolar, logo cria uma ação no sentido de avaliar a qualidade do livro didático que mais tarde dessa discussão resulta o PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais). À medida que o livro didático tem uma presença efetiva na sala, ele pode atrapalhar o professor, que antes era quem pesquisava,elaborava e fazia a ação educativa, a partir na sua chegada, o professor atribuiu essa tarefa do saber ao autor do livro. O professor se torna um mediador do processo ensino aprendizagem. Para reverter essa situação o professor deve ir alem do livro didático, precisa se libertar do currículo pronto e acabado, deve recorrer a outros recursos didáticos para enriquecer o seu conhecimento, bem como, melhorar a sua prática pedagógica. Atrás desse cenário existem as políticas públicas para o livro didático, aquelas de caráter compensatório e focadas na redução das diferenças sociais criadas pelo capitalismo. Ao mesmo tempo em que as políticas educacionais se ampliem, fecha-se o público alvo para atendimento, isto é, as políticas sociais de caráter universal cedem espaço ás políticas compensatórias. No período entre 1990 a 2000 as políticas públicas para a educação tiveram interferência de organismos internacionais financiadores, como o Banco Mundial, FMI – Fundo Monetário Internacional e CEPL- Comisión Económica para a América Latina y El Caribe. Desde então, esses financiadores passaram a estabelecer as diretrizes para a elaboração das políticas públicas brasileiras para á Educação. Nesse sentido, o estado ficou com a função de coordenador e controlador das ações. Para atender as exigências dos investidores era necessário diminuir os gastos, resolve então, descentralizar a administração, a área pedagógica e financeira das unidades escolares, porque acreditava que assim as despesas diminuiriam. As propostas educacionais vindas das Organizações Internacionais se concretizarem com a instituição do “Plano Decenal de Educação para Todos” (1993/2003), cuja função era garantir o atendimento do Governo Brasileiro. Esse documento tinha o objetivo de assegurar até o ano de 2003, a criança, jovem e adulto, e conteúdos mínimos de aprendizagem. […] o livro didático constitui um dos principais insumos da instituição escolar. Os aspectos referentes á sua política, economia, gerência e pedagogia são indissociáveis das demais características da questão educacional brasileira. Embora no mercado editorial, livros de inegável qualidade, o País ainda não conseguiu formular uma política consistente para o livro didático que enfatize o aspecto qualitativo. O princípio da livre escolha pelo professor esbarra em insuficiente habitação para auxiliar e selecionar. MEC, 1993. p.25. Outro ponto apontado pelo Plano Decenal foi o atraso dos livros com relação à chegada a escola no início do ano letivo. O programa do livro didático tinha com meta o atendimento a todos os alunos de primeira a oitava série do primeiro grau das escolas públicas federais, estaduais, territoriais, municípios e comunitárias do país, com prioridade para os componentes, Comunicação e Expressão e Matemática. Algumas conquistas do PNDL: A indicação do livro didático pelos professores, Reutilização do livro (deixa de existir o livro descartável); Aprimoramento das especificações técnicas na sua produção; Extensão da oferta aos alunos de 1ª a 2ª série; Fim da participação financeira dos estados; Distribuição gratuita. Os componentes curriculares para as disciplinas de História e Geografia foram introduzidos em 1996. Nesse ano foi publicado o primeiro “Guia de Livros Didáticos” de 1ª a 4ª série do ensino fundamental. Com a implantação do Ensino Fundamental de nove anos, o PNDL viabiliza o livro de alfabetização para o 1º ano, 5º a 8ª série, além da reposição e complementação aos alunos de 2ª a 4ª série. O livro didático é uma proposta pedagógica que ganhou espaço no mercado e no imaginário dos autores e das editoras, mas vem sendo ameaçado pela concorrência das apostilas, que a maioria tem alto preço, quando que, o livro didático é gratuito também para as escolas municipais, assim a ação pedagógica na escola e na sala de aula fixa o currículo e ganha significação. Essa filosofia pedagógica do currículo pronto e modelado pelo professor requer a necessidade desenvolvimentoprofissional dos docentes, mas depende do currículo prescrito para realizar sua prática. Essa competência profissional abrange a posse de conhecimentos e habilidades profissionais diversificadas. Portanto, esse modelo de profissional que tem sua formação docente um currículo midiatizados, pode lançar mão de vários meios escritos, gráficos, audiovisuais, etc. para elaborar estratégias de ensino que ele próprio prescreva sem precisar usar um currículo imposto, pelos órgãos administrativos do estado ou da união federal, como são os livros didáticos. Professor é o agente mediador entre o currículo e a ação pedagógica, embora o currículo esteja prescrito ele precisa da presença docente para controlar a prática educativa, mas, além disso, as funções reais do currículo prescrito; e de controlar o currículo e a atividade escolar. De fato, os livros-texto se tornam obrigatórios para dar conta de ser uma prática econômica com características vantajosa e controladora da prática. Do ponto de vista cultural, os livros-texto precisam abordar todas as informações necessárias para atender o nível de escolaridade, o qual se encontra matriculado, eles se tornam deficientes devido ao grande conteúdo que precisa abordar. Isso porque é barato e não é do interesse dos produtores e vendedores que sejam diferentes. O ideal é cada edição colocar uma nova informação com gravuras diferentes, enfim mudar a aparência para torná-lo suficiente a vista dos consumidores. Assim, Enquanto não se for consciente da interação recíproca entre regulação administrativa do currículo, meios tradutores do mesmo, mecanismos de consumo, qualidade cultural dos meios e dependência pedagógica dos professores será difícil melhorar a prática. Sacristán, 2000.p.153. O livro didático se estabeleceu para atender uma medida de política social, ou seja, para favorecer a família quando tenha mais de um filho na mesma escola, assim o livro passava de um irmão para outro. Porém, isso é um benefício quando a escolaridade entre os irmãos são próximas. Antes do livro didático a elaboração do currículo era preparada pela competência profissional do professor. Atualmente com a desprofissionalização do professor, as prescrições curriculares ficam fora do âmbito de quem realiza a prática, isto é, os professores não são donos de sua prática. Assim, Apple (1983) in Sacristán, 2000. P.155, afirma que: Quando um trabalho se desprofissionaliza, o conhecimento que em outro tempo o acompanhava, conhecimento controlado e utilizado pelos realizadores do trabalho em sua atividade cotidiana, também se vai para outra parte (p.148). O professor pode lançar mão de quantos recursos didáticos sentir necessidade para executar a sua prática, o que não deve é ficar dependente de um único recurso “o livro didático”, pois assim eles se tornam os verdadeiros sustentadores da prática pedagógica e o professor mero cumpridor de tarefas. INTERAGINDO COM O CONHECIMENTO Se reproduzida de maneira acrítica, pode-se afirmar que o uso do livro didático expressa: a. A operacionalização do projeto pedagógico da escola b. A falta de tempo do professor para prepara material c. A desprofissionalização do professor d. O incentivo de políticas públicas sociais e. Economia para o melhor funcionamento das escolas Unidade 11 – A desprofissionalização do trabalho docente CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivo: Analisar os efeitos da falta de análise e reflexão sobre o trabalho docente cotidiano ESTUDANDO E REFLETINDO A metodologia usada pelos cumpridores de tarefa tem algumas consequências: 1. A perda da competência para elaboração a favor das editoras; 2. O professor exerce sua prática num estilo individualista; 3. Acomodação do professor no sentido de ser mero cumpridor de tarefas entre a produção cultural e os consumidores. Daí a importância e a dificuldade que a política curricular progressista tem, com uma perspectiva liberadora dos professores, para renovar o ensino e a qualidade da mesma, planejando ações que satisfaçam necessidades presentes do professorado, mas que, ao mesmo tempo, incidam em seu desenvolvimento profissional progressivo. Sacristán, 2000. p.158 Para melhorar a qualidade do ensino é preciso melhorar a qualidade dos que aplicam e elaboram o currículo. Vale ressaltar que, há necessidade de se avaliar os meios pedagógicos que são utilizados na escolha dos livros-texto pelo professor, que na maioria das vezes dispõe de pouco tempo para avaliar qual daria melhor segurança na utilização do material. Outro ponto, além do tempo, eles não forem preparados e informados para fazerem uma avaliação de qualidade. Modelo de Interpretação do currículo Segundo a Secretaria da Educação do Estado do governo de São Paulo foi elaborada uma proposta de unificação do currículo para todas as escolas estaduais com o objetivo de contribuir para a melhoria da qualidade das aprendizagens de seus alunos. Nesse sentido a Secretaria toma duas medidas: 1. Pesquisar o acervo documental e técnico pedagógico existente; 2. Pesquisar na escola com os professores quais experiências deu certo; Confiante na finalidade de melhoria no ensino a Secretaria garante a todos os alunos uma base comum de conhecimentos e competências. Esse documento aborda que a sociedade do conhecimento exerce forte cobrança dos jovens quanto à questão da competência para exercerem a sua cidadania. Nesse sentido, o documento define a escola como espaço de cultura e articulação dos conteúdos programáticos a serem ensinados na escola. Essa proposta norteia o currículo e dá sustentação para a Gestão do currículo. Quem vai gerir o currículo, ou seja, quem faz o currículo acontecer é o professor na sala de aula. Vale ressaltar que, o livro didático também faz parte do momento de aprendizagem e assegura os “pseudos” conteúdos. Faz parte da proposta o Caderno do Professor organizado por bimestre e por disciplina. Nele o professor recebe orientação para desenvolver os conteúdos na sala de aula. O modelo de escola para atender as necessidades da demanda escolar no século XXI, deve ser capaz de preparar o jovem para: Resolução de problemas; Trabalhar em grupo; Cooperar com a coletividade; Continuar aprendendo; Tudo isso, faz parte do conteúdo da proposta. Paralelamente a essas exigências para a escola moderna, vale ressaltar que, o contingente de alunos que chega à escola, está cada vez maior. Essa situação também aconteceu no século XX quando houve a democratização do ensino, ou seja, escola para todos. Só uma educação de qualidade para todos pode mudar essa situação, caso contrário acontecerá à exclusão em vez da inclusão. Portanto, educação e escola ao ensinar, História e Geografia construirá saberes que o homem produziu ao longo da sua história e de sua geografia, assim uma promoverá uma escola que aprende. BUSCANDO CONHECIMENTO. “A água esta se tornando uma das principais questões socioambientais do mundo atual” Será apresentada uma proposta para trabalhar com a questão hídrica no Ensino Fundamental com a apresentação da sequência didática para o tema proposto. “Água“ Sequência Didática: Objetivos: Identificar a presença da água no cotidiano e reconhecer sua importância como recurso natural indispensável á vida no planeta. Reconhecer as diferentes etapas e processos que constituem o ciclo da água na natureza e avaliar repercussões das alterações nele promovidas pelas atividades humanas. Fonte: Revista Nova Escola – Ensino Fundamental. Acesso em, 16 de agosto de 2012. Conteúdos. Água: distribuição, usos e consumo e ciclo da água. Público alvo 1ª a 5ª Duração quatro aulas. Desenvolvimento 1ª aulaQuestionar os alunos sobre: De onde vem à água? Como ela chega às nossas casas? Quando ela está pronta para consumo? Como a usamos? Ela pode ser economizada? Como? 2ª aula. Assistir o vídeo “Planeta água – da universidade de São Paulo”. Descrição: trata a questão da água Aspectos didáticos: a importância da sua preservação Duração: 05h53min 3ª e 4ª aulas. Ler a reportagem “Poluição e desperdício reduzem a água disponível no Brasil.” Após a leitura propor um debate Organizar os alunos em pequenos grupos para a elaboração e exposição dos resultados do debate e confecção de pequenos textos, desenhos, colagem de figuras. Avaliação Registro da participação nos trabalhos individuais e coletivos. Fonte: www.planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/conteudo_345578.shtml. Acesso em16 de agosto de 2012. Unidade 12 - O currículo modelado pelos Professores CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivo: Reconhecer o currículo como algo que configura um plano de ensino ESTUDANDO E REFLETINDO O professor é o grande medidor entre currículo e o desenvolvimento da prática, não importa se o currículo é prescrito ou elaborado pelo docente. Ele é o agente ativo que faz acontecer à ação pedagógica, o modelador do currículo que podem enriquecer ou empobrecer as propostas originais. Segundo Sacristán, 2000.p.166 o currículo, [...] expressa o plano de socialização através das práticas escolares imposta de fora, essa capacidade de modelação que os professores têm é um contrapeso possível se é exercida adequadamente e se é estimulada como mecanismo contra hegemônico. Nesse sentido, o currículo pode ser entendido como um processo de construção da função social da instituição escolar na prática. Portanto o professor não decide sua prática no vazio, ele organiza dentro do contexto da realidade da instituição. Vale ressaltar que, a autonomia para desenvolver a socialização da prática, na maioria das vezes é tolhida pelas normas, regras, leis da administração controladora. O que deve ficar claro, que o profissional da educação não pode ser comparado com outros profissionais de nível técnico, pois o modelo da racionalidade não combina com a área da educação, nem tampouco com o exercício da docência, isto porque não se ajusta a padrões reguladores, logo o poder de decisão, de autonomia do professor é limitado. Além da definição do currículo como prática pedagógica, outro ponto de vista a ser tratado o currículo pode ser entendido como a seleção de conteúdos culturais. Nesse caso o papel do professor pode ser colocado em três níveis, dependendo do grau de independência profissional, Segundo Sacristán, 2000. 1. Professor seguidor de livros textos, guias. 2. Professor mediador na adaptação dos materiais, dos currículos. 3. Professor criativo, é aquele que avalia, diagnostica, interpreta, adapta, cria, busca novos caminhos. Sendo o professor um mediador entre as condições internas e externas de aprendizagem, isto impõe considerar as condições que procedem à vida escolar, antes da entrada na vida escolar propriamente dita. Em qualquer dos três níveis se encontrarem o professor, o aluno é sempre o ponto de partida, pois já teve experiências, fora da escola. A aprendizagem nas séries iniciais do ensino fundamental, deve sempre tratar os conceitos pelas sérias de acordo com os conceitos concretos. Nessa perspectiva, trabalhar os “fatos” ou os “conteúdos”, o professor ao elaborar seu plano de ensino deve seguir uma sequencia didática de acordo com a série e o grau de aprendizagem se encontrar o aluno. Daí a importância da retomada conceitos e fatos ao longo do curso, pois o atento acompanhamento pelo professor do ensino/aprendizagem faz o bom desenvolvimento da didática. Portanto é necessário que a distribuição da programação para cada plano de ensino, requer condições de coerência profissional docente, que o professor constrói no seu percurso de experiências adquiridas e vividas para um bom “fazer pedagógico”. Assim, esse individualismo profissional só é possível se a política educativa não propuser propostas de ensino fechadas, caso contrário, o planejamento ou a programação do currículo exige um trabalho em equipe, ou seja, preparar um projeto pedagógico de forma a modelar o currículo envolvendo diversos professores e áreas curriculares. O individualismo profissional não precisa da comunicação entre professores, já, o trabalho em equipe subtrai a autonomia do professor do ponto de vista do tipo tecnicista, que defende a prática educativa conservadora. Contrapõe-se ao tecnicismo a racionalidade deixando um modelo coletivo, ou, a renovação pedagógica. Nesse caso, o controle é do professorado e, não mais da política administrativa. Assim, o enfoque coletivo da profissionalização docente precisa urgentemente ser pensado enquanto política educativa. BUSCANDO CONHECIMENTO. Na escola atual que o professor precisa para oferecer um ensino integral? Na atualidade, o professor precisa defender o Projeto Curricular Institucional. Aquele proposto pela unidade de ensino e, não pelo currículo prescrito. Convém destacar que, os conteúdos de casa uma das áreas para cada uma das séries do ensino fundamental, devem ser planejado e organizado, no tempo e no espaço, de forma a vincular a teoria e a prática nas relações sociais internas da sala de aula, abordando um sentido global, em que os procedimentos levem os alunos além do ensino que ocorre na escola. O docente ou a equipe de professores não são os únicos responsáveis pela atividade que se realiza em sala de aula; o grupo-classe tem um alto nível de implicação, na medida em que todos estão aprendendo e compartilhando o que se aprendeu. É na relação teoria e prática que o conteúdo se concretiza. Assim, é nesse contexto de reflexão que surgem as propostas de inovação, num sentido que vai de baixo para cima, e que é, portanto, diferente da que acontece na proposta do currículo prescrito. É importante ressaltar que, quando o aluno toma significante o conhecimento que lhe foi apresentado na sala de aula, ele aprende melhor. Portanto, a aprendizagem de uma posição de significatividade é mais interessante e os alunos assimilam mais os conteúdos e as informações. Na questão da programação da sequência didática na perspectiva do currículo prescrito ela é rígida, enquanto que na abordagem da aprendizagem significativa se tornam de forma aberta no sentido de organizar s conteúdos e distribuí-los por série de cada nível de ensino. Esse desenvolvimento curricular se concebe não linearmente e por disciplina, mas pelos avanços da aprendizagem. Assim, procura-se substituir o acúmulo linear de informações pela busca de diferentes fontes, com o objetivo de despertar o interesse e reduzir a memorização. “Essa comparação da estrutura de aprendizagem relativa á organização da informação...” Remete uma flexibilidade no currículo como está nos PCNs, quando sugere que o currículo deve atender o local, o regional e o global. Unidade 13 - Currículo em ação CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE. Objetivo: Analisar os agentes ativos no processo de desenvolvimento da atividade pedagógica. ESTUDANDO E REFLETINDO Sendo o currículo a ponte entre a teoria e a prática, vale analisar os determinantes que dão significados definitivos ao currículo, (professor e alunos) na execução das tarefas ou atividades escolares. A análise nada mais é que, o processo na ação do currículo. Até os anos 70 o currículo centrava a sua prática no professor. Nesse período da história educacional brasileira, a prática do ensino ficava limitada na situação de ensino institucionalizado, não se valorizava a cultura escolar,o espaço físico, os materiais a serem usados, profissionais que atendem o aluno, tipo de atividade. As atividades escolares definem em sequência como o método se apresenta. Ao analisar certa sequencia pode entender o que aquela atividade pretende, quais são os objetivos e as metas que se pretende atingir, respondendo: o que, como, quando ensinar. O significado da prática e do currículo na ação pode ser analisado a partir das atividades que preenchem o tempo no qual transcorre a vida escolar, ou que se projetam nesse tempo, em que como se relacionam umas tarefas com outras. Sacristán 2000.p.207 Nem toda atividade escolar tem o mesmo valor, umas mais formais e outras acadêmicas. Exemplo, fechar uma porta (valor educativo), ouvir uma história (valor acadêmico). Isso porque a tarefa acadêmica impõe uma organização sequencial mais rígida. Todas as finalidades culturais, sociais e morais da escola se submetem ás pautas de desenvolvimento das atividades acadêmicas, ou seja, o academicismo invade toda a atividade educativa no ambiente escolar. As atividades extraescolares desde que, colaborem para o desenvolvimento do currículo geral, podem provocar uma ruptura da organização da sequência acadêmica. Entretanto, as tarefas ou atividades têm um modo particular de regular a ação enquanto transcorre o processo de seu desenvolvimento. O desenvolvimento de uma tarefa organiza a vida da aula durante o tempo em que transcorre. As tarefas são reguladoras da prática. Por isso, as tarefas acadêmicas como elementos nos quais se entrecruza a atividade de professor e aluno, são as atividades nas quais a prática pedagógica se expressa. Segundo Sacristán, 2000.p.217. Á medida que as tarefas são mediadoras dos professores de aprendizagem dos alunos, podem nos ajudar a analisar a qualidade do ensino, prestando atenção aos processos de aprendizagem que modelam e os resultados previsíveis que se deve esperar de diferentes tipos de tarefas. BUSCANDO CONHECIMENTO CULTURA ESCOLAR BRASILEIRA1 Um programa de pesquisa* JOSÉ MÁRIO PIRES AZANHA A crise atual da educação brasileira é demasiadamente visível para que possa ser negada até mesmo pelo leigo, pelo homem comum. Essa excessiva visibilidade, como não poderia deixar de acontecer, é, contudo, um poderoso fator de obscurecimento quando se quer compreender em profundidade as raízes da crise e as perspectivas de sua superação. Até mesmo o especialista, 1 In: Educação: Temas polêmicos. São Paulo, Martins Fontes, 1995. (p. 67-78). * Este documento, cujo objetivo é o mapeamento cultural da escola, foi elaborado com o propósito de servir para os docentes da Faculdade de Educação da USP discutirem a integração da instituição no âmbito das oportunidades de intercâmbio acadêmico criadas pelo Acordo BID-USP. Nesse sentido, alguns resultados já foram obtidos, pois alguns grupos de docentes já elaboraram documentos preliminares ao desenvolvimento de pesquisas futuras e, a mais curto prazo, de intercâmbio acadêmico. É com vistas a esse propósito que o documento deve ser analisado, isto é, o delineamento de uma ampla linha de pesquisa que mais sugere temas do que encaminha a pesquisa institucional. Nada mais do que um ponto de partida possível e não excludente de outros. - Publicado originalmente na Revista USP, São Paulo, dez-jan-fev., 1990-1991, pp.37-40 envolvido na angústia que acompanha as épocas de crise, parte da obviedade da crise para a estereotipia das análises e para o açodamento das soluções. No caso brasileiro, todos sabem que a crise educacional atual é apenas parte de uma crise muito ampla, que é inegavelmente política, na qual anos de sombra permitiram que os interesses coletivos fossem tratados sem a indispensável publicidade. Daí vivermos hoje uma situação política em que as exigências de discussão, consenso e transparência transformaram-se, de modo exacerbado, no critério único para viabilizar qualquer solução. Sem discutir a completa razoabilidade desse quadro, pode-se com inteira propriedade examinar possíveis efeitos da extrapolação para a crise educacional de uma exigência inteiramente justificável na vida política. A legitimidade política da reivindicação por uma maior participação na discussão e no encaminhamento dos interesses coletivos conduziu os educadores, muitas vezes sem maior análise, a exigirem também que as questões educacionais, muitas das quais embora estritamente técnicas, passassem a ser discutidas e resolvidas por assembleias e conselhos não apenas de educadores e de pais, mas até mesmo de alunos. Não se põe em dúvida que incentivar as comunidades a se interessarem pelas escolas que as servem e a pressioná-las a serem boas escolas é inteiramente defensável. Daí a admitir que a situação pedagógica não requeira nenhuma qualificação profissional para a sua condução é até mesmo uma desvalorização da formação do professor. Quais são as perspectivas de que esse encaminhamento seja razoável e contribua efetivamente para a solução da crise educacional em que vivemos? Não é fácil responder a essa questão. Um mínimo de reflexão nos lembrará de que historicamente, o aparecimento de escolas representou a institucionalização de práticas que, pela sua crescente complexidade, exigiam a liberação parcial das famílias do esforço educativo. Esta transferência de responsabilidades foi um processo muito complexo e envolveu, em cada sociedade e em cada momento histórico, as cambiantes e problemáticas relações entre o público e o privado. Nesse quadro, não é óbvio que a interpenetração máxima entre escola e comunidade seja indiscutivelmente um benefício para a educação das crianças. Aliás, como observou H. Arendt, a propósito da crise educacional americana, esse procedimento significa até mesmo o retorno a uma concepção ultrapassada da infância e da juventude que ignorava a especificidade dessas fases da vida humana2. Segundo a autora, no afã de "modernizar" a educação, os educadores poderão estar simplesmente trazendo para o seu âmbito "juízos e preconceitos acerca da natureza da vida privada e do mundo público e sua relação mútua, característicos da sociedade moderna", mas que poderão revelar-se retrógrados e até mesmo perniciosos no ambiente escolar porque "a escola não é de modo algum o mundo e não deve fingir sê-lo; ela é, em vez disso, a instituição que interpomos entre o domínio privado do lar e do mundo com o fito de fazer que seja possível a transição, de alguma forma, da família para o mundo” 3. Também, para Alain, não se deve fundir o mundo da escola e o mundo do lar. São instituições diferentes e indispensáveis, na sua diferenciação, para o desenvolvimento da criança. Na primeira, prevalecem os afetos doados e os laços de sangue, na segunda, as relações já têm um mais forte componente de regulação social. Integrar esses mundos diferentes pode, eventualmente, representar a sonegação de importantes oportunidades educativas às crianças e aos jovens que poderiam encontrar na escola um espaço socialmente diferente daquele propiciado no confinamento familiar. Contudo, o nosso propósito não é discutir o tema da integração lar-escola, mas apenas tomá-lo como exemplo de que a banalidade da crise escolar tem um forte poder de banalização de nossas respostas a essa crise. No caso, age-se como se o simples fato de aproximar instituições, interessadas ambas na educação da criança, contribuísse para superar as deficiências que atribuímos a uma delas. A excelência pedagógica dessa aproximação é ainda um pressuposto que, 2 "Como pôde acontecer que se expusesse a criança àquilo que, mais que qualquer outra coisa, caracterizava o mundo adulto, o seu aspecto público, logo após se ter chegado à conclusãode que o erro em toda a educação passada fora ver a criança como não sendo mais do que um adulto em tamanho reduzido?" H.Arendt - "A crise na educação", in Entre o passado e o futuro. Tradução de M.W. Barbosa de Almeida. São Paulo, Editora Perspectiva, 1972, p.237. 3 Idem, ibidem, p.23. como vimos, é pelo menos discutível em alguns aspectos. A integração lar-escola é um exemplo paradigmático de que, não obstante seja politicamente defensável, a aproximação lar-escola, do ponto de vista pedagógico, não se fundamenta de modo convincente numa análise da situação escolar. Os benefícios educativos dessa integração não estão demonstrados, e eventuais prejuízos são possíveis. Mas o nosso interesse pelo assunto, no momento, é apenas ilustrativo. Na verdade, o simples reconhecimento da existência de uma crise na instituição da escola deveria antes nos conduzir a rever nossas ideias sobre ela do que, apressadamente, levar a esforços para reformá-la. Nem mesmo somos capazes, atualmente, de responder, de modo interessante, à questão: "o que é a escola?" Não nos iludamos com o número infindável de respostas que a pesquisa educacional tem dado para uma questão que parece tão simples. Os nossos vezos ideológicos e os nossos cacoetes pretensamente científicos já nos brindaram com uma multidão de esquemas classificatórios e de correlações estatísticas, mas desconhecemos inteiramente as relações efetivamente praticadas na escola. Por exemplo, dizer que na escola o professor ensina e o aluno aprende e, depois, partir para avaliar o ensino ou a aprendizagem é deter-se no vestíbulo de uma autêntica descrição. É tentar descrever condutas pelos objetivos que a norma legal lhes prescreve. É claro que o professor na sua prática busca alcançar certos objetivos e a conformar-se com certas regras, mas é claro também que, se nos ativermos a descrever a atuação do professor pelo alcance ou não de objetivos prescritos e pela observância ou não de normas estabelecidas, a nossa descrição será abstrata e no máximo poderá nos permitir chegar a uma contabilidade pedagógica que não serve senão para produzir estatísticas escolares. Nessa contabilidade, o aluno - na sua realidade social e psicológica, desaparece. A sua atividade, para nenhum efeito, consiste numa "Prática Escolar", é apenas alvo dela e só conta para fornecer um número nas estatísticas. Do mesmo modo, são abstratas as descrições disponíveis sobre a administração da escola, o livro escolar, etc. No fundo, o professor, o aluno, o livro e outros componentes do ambiente escolar são "falsos objetos", como diria Paul Veyne. Sob essas expressões, mascaramos o que é fundamental: o jogo das complexas relações sociais que ocorrem no processo institucional da educação. Muitas vezes, a descrição que fazemos desses objetos, em vez de revelar esse jogo, obscurece o essencial. Não que por trás da realidade visível tenha uma outra que não percebemos, mas porque somos incapazes de fazer incidir o esforço de descrição nos pontos de interesse. Que é o "aluno reprovado"? Esta entidade (cuja presença maciça nas estatísticas constitui evidência da crise escolar) é fruto de práticas escolares cuja formação, transformação e correlatos podem passar despercebidos. "Ser reprovado" não é a mesma coisa que "ter oito anos". Contudo, se tivéssemos que explicar a um marciano o que significa "ter oito anos", recorríamos à descrição de como esse estado é fruto de sucessivos estados anteriores e de determinados correlatos sem os quais "ter oito anos" seria uma expressão vazia. Sem fazer algo semelhante, como atribuir significado à expressão "ser reprovado"? O predicado "ser reprovado" não existe a não ser pelas práticas que o produziram. Nessa perspectiva, descrever a escola é descrever a formação dessas práticas e dos seus correlatos. Não se trata, simplesmente, de caracterizar os protagonistas que atuam no espaço escolar e relacioná-los a condições sociais, políticas e econômicas, procedimento que poderia sugerir relações de causa e efeito que, muitas vezes, implicam pressupostos obscuros e simplistas. O que interessa é descrever as "práticas escolares" e os seus correlatos (objetivados em mentalidades, conflitos, discursos, procedimentos, hábitos, atitudes, regulamentações, "resultados escolares" etc.). Somente o acúmulo sistemático dessas descrições permitirá compor um quadro compreensivo da situação escolar, ponto de partida para um esforço de explicação e de reformulação. Esse quadro permitirá, provavelmente, que a expressão "má qualidade do ensino", que é nuclear nas descrições da crise da escola, apareça não mais como o "efeito objetivo" e inexorável dessa crise, mas como o correlato de uma mentalidade pedagógica com profundas raízes em determinadas condições sociais. Somente um positivismo tosco nos impede de observar que "má qualidade do ensino" não é uma entidade real, mas linguística. Mudando o discurso, pode-se eliminar a entidade. Quais são, no entanto, as práticas escolares que favorecem o aparecimento dessa expressão discursiva? Que interesses objetivos (mas nem sempre explicados) se associam à formação e persistência dessas práticas? Talvez o caminho para responder à questão sobre o que é a escola seja mais sinuoso e ramificado do que até hoje a pesquisa educacional tem imaginado. A nossa ideia de escola tem sido muitas vezes, excessivamente simplificada. Isso se revela, por exemplo, na própria noção de crise educacional que circula amplamente. É comum apontar-se como evidências da crise alguns resultados escolares como a reprovação e a evasão maciças no 1º grau, a desarticulação dos diferentes graus de ensino, a prevalência de um ensino verbalista que não prepara para o trabalho, etc. Se realmente esses "fatos" são evidências da crise, a nossa concepção da escola é, inegavelmente, fabril, taylorista, porque apenas levam em conta os "resultados" da empresa escolar. E, para sermos coerentes, as nossas "soluções" também têm seguido a mesma linha, clama-se por processos avaliativos que nos habilitem a detectar pontos de improdutividade para que a sua eliminação permita redução de custos e, consequentemente, obtenção de maior rentabilidade do sistema escolar. Sem dúvida, essa visão empresarial da escola tem um significado e pode ser até mesmo muito importante para os que destinam ou manipulam os recursos financeiros para a educação. Mas, indiscutivelmente, essa visão é muito parcial e muito simplista porque se atém aos "resultados" da instituição escolar. Ora, como já indicamos antes, esses resultados não tem a objetividade que se pretende, isto é, eles são simples correlatos das maneiras como a vida escolar é praticada. Sem descrições razoavelmente confiáveis dessa vida escolar, os resultados que pinçamos dela são ficções destituídas de qualquer significado empírico interessante. Esses resultados são fruto de uma visão abstrata e exterior da escola como instituição social, como se esta devesse ser descrita e avaliada por alguns resultados, a exemplo de empresas. Embora não se aplique à escola o conceito de "instituição total", utilizado por Goffman, é inegável que ela é uma instituição que possui uma cultura específica com certo grau de autonomia e, além do mais, essa cultura (ou subcultura) é um "precipitado da história". Nesses termos, é inviável compreender a crise da escola pelos seus "resultados objetivos" sem um esforço preliminar de adentramento da cultura própria que historicamente se desenvolveu. Esse esforço só será possível por meio de um amplo conjunto de investigações (multi e interdisciplinares) capazes de cobrir o amplo espectro das manifestações culturais que ocorrem no ambiente escolar e que se objetivam em determinadas práticas. Esses estudos deveriam não apenas descrever essas práticas num certo momento como também identificar e deslindar os processos de sua formação, transformaçãoe permanência. Do conjunto desses estudos, cujo propósito seria um "mapeamento cultural da escola", teríamos a possibilidade de chegar a hipóteses interessantes sobre a crise educacional em sua dimensão histórico-social. É claro que um propósito tão amplo, como o do mapeamento cultural da escola, precisará desdobrar-se numa pluralidade de projetos que localizem pontos interessantes a serem estrategicamente estudados. Essa é uma tarefa que desafia a sensibilidade e o tirocínio dos pesquisadores para que se envolvam num amplo programa de investigação. A título de ilustração, podemos destacar algumas áreas de pesquisa cujo estudo, seguramente, contribuiria para um conhecimento da cultura escolar: 1. A função cultural da escola em face da diversidade cultural da clientela Bourdieu, num de seus estudos, disse que a sociologia do conhecimento e a da educação não tem prestado a devida atenção à relevante função de integração cultural da escola. A transmissão cultural efetuada pela escola é ao mesmo tempo uma recriação cultural e, por isso, "parece ingênuo querer ignorar que a escola, pela própria lógica de seu funcionamento, modifica o conteúdo e o espírito da cultura que transmite, sobretudo, cumpre a função expressa de transformar o legado coletivo em um inconsciente individual e comum” 4. Colocada nesses termos, é preciso discutir a função cultural da escola pública da periferia que quase sempre atua em grupos sociais culturalmente deslocados. É uma situação na qual a 4 "Sistemas de ensino e sistemas de pensamento", P. Bourdieu in A economia das trocas simbólicas. Tradução de S. Micelli. São Paulo, Editora, Perspectiva, 1974, p.212. simples ação escolar, mesmo em condições materiais e pedagógicas satisfatórias é potencialmente geradora das tensões e dos conflitos usuais num processo de aculturação, pois, segundo N. Wachtek, o "campo de aculturação não se limitaria ao encontro de culturas heterogêneas no espaço, mas se estenderia também à coexistência, numa mesma sociedade, de diferentes estratos temporais: aos desnivelamentos, aos conflitos e às modificações de sentido que resultem da pluralidade das durações históricas” 5. 2. Relações entre saber teórico e saber escolar Todos sabem que a formação do professor e também o seu aperfeiçoamento é, na sua estrutura básica, processo de transmissão de teorias pedagógicas ou de disciplinas afins. Contudo, é evidente que, mesmo no caso de uma ótima assimilação desses elementos teóricos, o professor não tem, apenas a partir deles, as condições de uma atuação no âmbito da escola. A atuação docente na sua efetiva complexidade só precariamente poderá ser balizada pelas eventuais teorias assimiladas. Nessas condições, o ensino seria invariavelmente um malogro se não fosse à existência no âmbito da escola de um "saber" não codificado nem expresso numa linguagem teórica, mas que no fundo constitui a base da atuação docente. Na verdade, a formação do professor e o seu próprio aperfeiçoamento completam-se com o êxito que ele tenha na assimilação desse saber difuso e historicamente sedimentado no ambiente escolar e que tem apenas tênues relações com teorias pedagógicas. Aliás, nesse sentido, o que se passa na escola é apenas parte de um fenômeno muito mais amplo que está muito bem descrito na seguinte passagem de Berger e Luckmann: O pensamento teórico, as 'ideias', Weltanschauungen não são tão importantes assim na sociedade. Embora todas as sociedades contenham estes fenômenos, são apenas parte da soma total daquilo que é considerado 'conhecimento'. Em qualquer sociedade somente um grupo muito limitado de pessoas se empenham em produzir teorias, em ocupar-se de 'ideias' e constituir Weltanschauungen, mas todos os homens na sociedade participam de uma maneira ou outra, do 'conhecimento' por ela possuído6. Mas, não obstante a função central desse saber que compõe essencialmente a cultura escolar, e que implica obviamente procedimentos de controle e legitimação sancionados pela sociedade mais ampla, ele é sistematicamente ignorado ou nem mesmo percebido pela investigação educacional. 3. Vida escolar, políticas e reformas educacionais Os estudos sobre políticas e reformas educacionais brasileiras têm sido, sobretudo, monotonamente polêmicos ou até mesmo julgamentos ideológicos. Desde o grande debate sobre a escola pública na década de 50 até hoje as discussões sobre a reforma da escola têm sido muito mais tomadas de posição com motivações políticas do que análises científicas sobre o sistema escolar. Até certo ponto, é inevitável o encaminhamento político do debate educacional, pois educação, no seu sentido amplo é um tema essencialmente político. Porém, nas sucessivas reformas da educação brasileira, quando chegamos ao momento de uma nova reforma, invariavelmente, não se dispõe de estudos sobre a repercussão de reformas anteriores sobre a vida escolar. Quase sempre os estudos disponíveis são muito mais julgamentos ideológicos do que descrições confiáveis sobre as alterações da vida escolar provocadas pelos movimentos reformistas. No entanto, sabe-se que é no interior das salas de aula que se decide o destino de políticas e reformas educacionais. Até mesmo a decisão política de democratizar o ensino de 1º grau, pela abertura ampla de vagas, acabou muito comprometida, nas duas últimas décadas, pela resistência oferecida pelo magistério ao ingresso maciço de uma clientela até então afastada da escola. Essa resistência, que muitas vezes se traduziu numa elevação das taxas de 5 "A aculturação", N. Watchtel, in História (Novos problemas), J. Goff e P. Le e Nora, Tradução de Theo Santiago. São Paulo, Livraria Francisco Alves, 1976, p.127. 6 A construção social da realidade, P. Berger e T. Luckmann. Tradução de F. Souza Fernandes. Editora Vozes, 1973, p.29. reprovação, é um exemplo de como há necessidade de estudos sobre os modos pelos quais reformas e políticas educacionais modificam padrões de trabalho vigentes nas escolas ou são anuladas por eles. A trajetória das reformas desde as decisões políticas que as instituem legalmente, passando pelas providências técnico-administrativas de vários níveis que as regulamentam, até as práticas escolares que deveriam implantá-las, é ainda um território não devassado pela pesquisa educacional. Com a previsão dessa área no Programa de Pesquisa (USP-BID) o que se pretende é a criação de oportunidades para que estudos inter e multidisciplinares estabeleçam um conjunto de informações e hipóteses sobre como se relacionam decisões extraescolares com mentalidades e práticas escolares. O realce desses três pontos, a merecerem projetos específicos de investigação, apenas se prendeu à conveniência de exemplificar a fecundidade potencial de um programa de pesquisa voltado para o mapeamento da cultura escolar. De igual modo seria possível destacar outros, cuja simples enunciação sugeriria inúmeras linhas de pesquisa que, na sua variedade, poderiam criar oportunidades de investigação em História, Filosofia, Psicologia, Sociologia, Administração, Didática, etc. Na verdade, delineia-se com este programa uma possibilidade de atuação integrada na área de pesquisa de toda a FE, sem que essa integração seja incompatível com o conveniente pluralismo teórico e metodológico dos estudos humanos. Unidade 14 - O currículo avaliado CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivo: Ressaltar no processo de ensino aprendizagem a concretude do currículo como uma função modeladora da prática curricular. ESTUDANDO E REFLETINDO O currículo avaliado torna-se um instrumento de investigação e de parâmetro de mudanças curriculares e de acompanhamento do desempenho de uma rede de ensino. Há distinção entre currículoalcançado, currículo aprendido e currículo ensinado. No caso desse último é o que será tratado nessa unidade. Com base nessa questão o currículo ensinado (pelo professor) e o currículo aprendido (pelo aluno), será o currículo avaliado (aprendido pelas avaliações das redes de ensino). A avaliação como campo teórico da aprendizagem, centra-se sobre o rendimento escolar dos alunos e nos resultados dos processos de aprendizagem. Assim, avaliar envolve o processo de autoconhecimento do aluno e do professor e de conhecimento da realidade e da relação dos sujeitos com essa realidade. Exige a recriação dos espaços em que se desenvolvem formalmente os processos de avaliação, transformando-os em espaços educativos para todos os que deles participam. Nessa perspectiva da avaliação, deve-se romper com o critério de notas para comprovar o produto final do ensino. Esse modelo propõe a revitalização dos valores que enxergam a escola como a instancia central na transmissão dos conhecimentos verdadeiros e úteis para a construção do sujeito cidadão. A avaliação é um dos eixos básicos que fundamenta a atual LDB/ Lei n.9.394/96, nesse caso a avaliação externa proposta do estado para avaliar o Sistema Nacional de Ensino. Dentro de nosso sistema escolar, os docentes têm poder decisivo no ato de avaliação, isso porque as funções da avaliação dependem da que eles realizam sobre os alunos no período de aula. Nesse momento, o professor recupera sua autonomia, ele considera o ato de avaliar, mais um ato de ensino/aprendizagem. A importância das avaliações escolares, tanto do ponto de vista social, acadêmico e pessoal, fracassa dependendo das condições que o avaliador tem no momento do processo avaliativo. O comportamento do avaliador é um ato importante, pois, são tomadas as decisões de mudanças curriculares após o resultado da avaliação. No ato de avaliar devem-se considerar os fatores externos, aqueles do cotidiano do aluno em convivência com outro tipo de informação. Nesse caso, o avaliador deve ter na memória se os alunos realizam as tarefas sozinhos, ou, dependem do apoio da família (tarefa de casa), do professor (sala de aula) ou de colaboração dos colegas de classe. Vale ressaltar que, a tarefa quando executada pelo, o exercício a ser avaliado será independente do modo de realização e da qualidade do produto final. Alguns aspectos importantes para a realização do ato de avaliar: Selecionar as informações que o avaliador considera relevante para a aprendizagem do aluno; Avaliar o objetivo de cada conteúdo que se queira avaliar; O método que será usado, ou quais as estratégias de avaliação serão adotados. Convém explicitar que é através da avaliação que se configura o currículo na prática, com uma ressalva, avaliação do currículo não é o mesmo que avaliar conteúdos ao final de cada unidade de ensino. BUSCANDO CONHECIMENTO Avaliação Escolar O termo avaliar tem sido associado a fazer prova, fazer exame, atribuir notas, repetir ou passar de ano. Nela a educação é imaginada como simples transmissão e memorização de informações prontas e o educando é visto como um ser paciente e receptivo. Em uma concepção pedagógica mais moderna, a educação é concebida como experiência de vivências múltiplas, agregando o desenvolvimento total do educando. Nessa abordagem o educando é um ser ativo e dinâmico, que participa da construção de seu próprio conhecimento. Nesse ponto de vista, a avaliação admite um significado orientador e cooperativo. A avaliação do processo de ensino e aprendizagem, é realizada de forma contínua, cumulativa e sistemática na escola, com o objetivo de diagnosticar a situação de aprendizagem de cada aluno, em relação à programação curricular. A avaliação não deve priorizar apenas o resultado ou o processo, mas deve como prática de investigação, interrogar a relação ensino aprendizagem e buscar identificar os conhecimentos construídos e as dificuldades de uma forma dialógica. O erro, passa a ser considerado como pista que indica como o educando está relacionando os conhecimentos que já possui com os novos conhecimentos que vão sendo adquiridos, admitindo uma melhor compreensão dos conhecimentos solidificados, interação necessária em um processo de construção e de reconstrução. O erro, neste caso deixa de representar a ausência de conhecimento adequado. Toda resposta ao processo de aprendizagem, seja certa ou errada, é um ponto de chegada, por mostrar os conhecimentos que já foram construídos e absorvidos, e um novo ponto de partida, para um recomeço possibilitando novas tomadas de decisões. A avaliação, dessa forma, tem uma função prognóstica, que avalia os conhecimentos prévios dos alunos, considerada a avaliação de entrada, avaliação de input; uma função diagnóstica, do dia-a-dia, a fim de verificar quem absorveu todos os conhecimentos e adquiriu as habilidades previstas nos objetivos estabelecidos. Para José Eustáquio Romão, existe também uma função classificatória, avaliação final, que funciona como verificação do nível alcançado pelos alunos, avaliação de output. Através da função diagnóstica podemos verificar quais as reais causas que impedem a aprendizagem do aluno. O exemplo classificatório de avaliação, oficializa a visão de sociedade excludente adotada pela escola. A Lei 9.394/96, a LDB, ou Lei Darcy Ribeiro, não prioriza o sistema rigoroso e opressivo de notas parciais e médias finais no processo de avaliação escolar. Para a LDB , ninguém aprende para ser avaliado. Prioriza mais a educação em valores, aprendemos para termos novas atitudes e valores. A educação em valores é uma realidade da Lei 9394/96. A LDB, ao se referir à verificação do conhecimento escolar, determina que sejam observados os critérios de avaliação contínua e cumulativa da atuação do educando, com prioridade dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais (Art. 24, V-a). Devemos nos conscientizar que aspectos não são notas, mas sim, registros de acompanhamento do caminhar acadêmico do aluno. O educando, sendo bem orientado, saberá dizer quais são seus pontos fortes, o que construiu na sua aprendizagem o que ainda precisa construir e precisa melhorar. Assim desenvolve a noção de responsabilidade e uma atitude crítica. Para isso é necessário criar oportunidades para que pratique a auto-avaliação, começando pela apreciação de si mesmo, de seus erros e acertos, assumindo a responsabilidade por seus atos. Daí, a necessidade de uma educação dialógica, abalizada na troca de idéias e opiniões, de uma conversa colaborativa em que não se conjectura o insucesso do aluno Quando o educando sofre com o insucesso, também fracassa o professor. A escola deve riscar do dicionário a palavra FRACASSO. A intenção não é o aluno tirar nota e sim "aprender", já que ainda existe nota, que ela possa ser utilizada realmente como um identificador para o professor da necessidade de retomar a sua prática pedagógica. A avaliação quando dialógica culmina na interação e no sucesso da aprendizagem pois o diálogo é fundamental, e o professor através dela se comunica de maneira adequada, satisfatória e prazerosa com o aluno. Rever o ponto de vista de avaliação é rever certamente as concepções de ensino aprendizagem, de educação e de escola , apoiado em princípios e valores comprometidos com a instituição de aluno cidadão. Quando isso for colocado em prática a avaliação será vista como função diagnóstica, dialógica e transformadora da realidade escolar. Referencial: ALVES, N. & GARCIA, R.L. (orgs.) O sentido da escola Autora: Amelia Hamze Profª FEB/CETEC e FISO Fonte: http://educador.brasilescola.com/trabalho-docente/avaliacao-escolar.htm Unidade 15 - Trabalhandocom documentos históricos e mapas. CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivos específicos Conhecer a linguagem do mapa “legenda”; Compreender o que é escala; Perceber que a projeção não é sempre a mesma. ESTUDANDO E REFLETINDO A leitura cartográfica serve para compreender a realidade, do espaço concreto. Ler um mapa significa compreender a relação entre ele e o espaço que representa, assim como o significado dos símbolos. 1º objetivo: Conhecer a linguagem do mapa “legenda” A legenda traduz o significado dos símbolos 2º objetivo: Compreender o que é escala. Esta indica a redução ou ampliação proporcional entre o tamanho real e o tamanho da representação. 3º objetivo: Perceber que a projeção não é sempre a mesma. O aluno deve perceber que a projeção de um objeto muda de acordo com a forma que for olhando. Cada pessoa vê o objeto de uma forma. Objetivo Geral Desenvolver habilidade de ler e interpretar a forma especifica de representação, bem como estimular o aluno e levá-lo a usar sua imaginação. Organização da sala Em grupos Recursos didáticos Diferentes tipos de mapas Metodologia Observação BUSCANDO CONHECIMENTO A importância de trabalhar mapas. Estudar história e geografia por meio de mapas é ler textos de diferentes naturezas, é portando, adquirir pela prática o domínio de diferentes linguagens. A aprendizagem da história e da geografia não se limita ás datas históricas e suas localizações. Essas duas disciplinas contribuem para construção de uma cultura em ligação com outras disciplinas. Sabe–se que um mapa. Conceito de tempo histórico O tempo histórico pode ser mudado toda vez que o homem identificar que é necessário alterá-lo para melhorar as condições de sobrevivência. Tempo histórico é o conceito mais abstrato dentre todos os que compõem o ensino de História e Geografia. Trabalhar com documentos históricos é descortinar as diferentes fontes de informações que o professor da atualidade deve ter, pois é por meio desses fatos que se escreve e faz a História. Sua principal característica é a finalidade didática. A presença de fatos históricos ou mapas históricos no s livros didáticos, até o século XIX era apenas para comprovar o conteúdo estudado. A preocupação era ensinar História de maneira neutra, não havia interesse em despertar a investigação e a aproximação do aluno com seu passado. Trabalhar com documentos históricos requer do professor que está com a responsabilidade ensinar, uma ampliação da sua concepção de história e do próprio documento. Esse professor não pode mais ensinar só com documentos escritos, ele precisa apresentar e recorrer a outros materiais didáticos que possibilitam o enriquecimento de suas aulas. Ensinar com documentos históricos é resgatar a memória, reconstruir valores é estabelecer uma aproximação com a História. Exemplo: ao visitar um museu. Museu pode ser definido como “guardião”. Aquele que guarda objetos, fotos, lembranças, memórias do passado, tudo aquilo que não ser perder ou apagar. Proposta de atividade usando o mapa do Brasil dividido em estados Localizar o estado de São Paulo. Localizar o estado em que nasceu. Localizar um estado que você conhece. A partir dos dados obtidos fazer uma legenda FDE – Fundamental para o Desenvolvimento da Educação, São Paulo, SP. 1998.107. Aprender pra Valer! Módulo 1- Classes de Aceleração. Unidade 16. Abordagens historiográficas e conteúdos escolares: o local e o regional CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Identificar as principais tendências da historiografia para a produção do conhecimento histórico. ESTUDANDO E REFLETINDO Qual caminho trilhar: História Nacional ou Mundial? Os PCNs sugerem que o ensino da História do Brasil deve prevalecer e cabe ao professor selecionar os conteúdos que respeitem essa dinâmica. Segundo Bittencourt (2002), Entre os problemas para a seleção de conteúdos, existe a dúvida sobre privilegiar uma história nacional ou uma história geral ou mundial. Ao longo do ensino de história do Brasil, a História Geral ou “das civilizações” tem sido privilegiada e, na atualidade, a história brasileira tem sido novamente posição secundária, conforma pode ser verificado nas tendências da produção didática, voltada para a compreensão de mundo globalizado (p.155) A autora reflete sobre o lugar que a História do Brasil ocupa na organização da estrutura curricular brasileira. A síndrome do país colonizado ainda sobrevive e absorvemos significativamente o que vem de fora do país em detrimento do nacional. O mundo globalizado faz as pessoas se sentirem mais próximas do geral ou do mundial e o nacional e local são dispensados como algo sem importância. Bittencourt ainda é contundente ao afirmar que os conteúdos históricos estão se atendo a formar “cidadãos do mundo” enquanto a identidade nacional é deixada de lado. A história do Brasil foi utilizada durante muito tempo a favor de quem estava no poder como um mecanismo de manipulação de mentes e atitudes. No entanto, em pleno século XXI essa constituição da disciplina já não vale mais, pelo contrário, a história do Brasil hoje se configura como uma possibilidade para a construção da identidade nacional, a formação de cidadãos conscientes e participativos, capazes de mudar a realidade em que vivem. Sabemos que buscar explicações na História Mundial é uma construção histórica, o Brasil foi colonizado por países estrangeiros e sempre recebeu influências desses países, como afirma Borges nós aqui no Brasil (...) somos herdeiros da civilização europeia (1980, p. 71). A História do Brasil surge como apêndice da história global (Bittencourt, 2002, p. 157) e essa visão eurocêntrica têm predominado na seleção dos conteúdos das aulas de história no Brasil. Essa história global, por sua vez, está restrita à história da Europa que dominou extensas regiões do planeta e impôs sua maneira de agir e pensar. Dessa forma, grupos africanos, americanos e asiáticos são reduzidos a nada, como se não tivessem importância para a formação da sociedade em que vivemos. Diante desse quadro, entendemos que deve ser imediata a mudança de mentalidade e a busca pela valorização do ensino de uma história do Brasil, que evidencie a mestiçagem como componente definidor da identidade nacional. Diálogos e concepções entre o local e o nacional Uma das tendências na historiografia nacional é o estudo da História Regional. Sua capacidade de mostrar as diferenças e particularidades das diferentes sociedades a torna uma vertente de valor indiscutível. Segundo Bittencourt (2002), a história regional pode ser relacionada com a história nacional, pois proporciona, na dimensão do estudo singular, um aprofundamento do conhecimento sobre a história nacional, ao estabelecer relações entre as situações históricas diversas que constituem a nação (p. 161). Dessa forma, a opção pelo trabalho com essa vertente de ensino possibilita a construção da identidade do aluno ligada a sua história e consequentemente teremos um cidadão consciente da sua participação na sociedade. Os PCNs corroboram esse pensamento, pois, ao orientar a escolha de conteúdos, sugerem que o professor deve fazer suas escolhas de acordo com: as problemáticas contemporâneas pertinentes à realidade social, econômica, política e cultural da localidade onde leciona, de sua própria região, do seu país e do mundo. (PCNs, p.47) Identificamos a preocupação com o formar para o mundo, mas sem inibir a sua própria cultura, política e economia. Os professores têm, em sua região, ricas fontes para instigar a pesquisa, produzir o conhecimento e ainda diversificar sua aula. Sabemos que um professorde uma escola pública do interior do Estado de São Paulo, por exemplo, não tem muitas condições de ter acesso aos museus da capital, ou ao Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Entretanto ele está cercado de inúmeras fazendas de café, algumas preservadas, outras abandonadas, que lhes oferecem uma imensidade de fontes e arquivos para o estudo do ciclo do café no Brasil e proporciona uma reflexão sobre como o Brasil se tornou o maior produtor de café do mundo. Isso tudo sem fazer grandes projetos e viagens, apenas utilizando os objetos que tem em suas mãos, a História Regional. Percepções do cotidiano como objeto de estudo histórico A associação entre cotidiano e história de vida dos alunos possibilita contextualizar essa vivência em uma vida em sociedade e articular a história individual a uma história coletiva (Bittencourt, 2002, p. 165). O estudo do cotidiano e da história local possibilita uma proximidade maior entre o aluno, a história e a análise do fato. Entretanto, algumas precauções devem ser tomadas, a fim de que o cotidiano não seja entendido como o dia a dia dos grandes personagens, sem relação com a sua participação no contexto histórico que queremos estudar. Inferências teóricas sobre a História do Cotidiano O estudo da história do cotidiano deve ter um objetivo claro, ou seja, deve ter um sentido e ser situada dentro de um contexto. Ao estudar o cotidiano de um agricultor na década de 30, o historiador deve inseri-lo no contexto da década de 30, ou seja, um período de crise para a agricultura tanto no Brasil, como no mundo. Já se o foco for um operário, o pesquisador terá que contextualizar a vida de um operário nesse cenário, considerando que Getúlio Vargas era o presidente e constantemente tomava medidas em relação à indústria no Brasil. A vida cotidiana pode ser considerada como um reflexo da sociedade naquele momento, daí a importância em estudá-la. Bittencourt (2002) afirma que: os autores que se ocupam da história do cotidiano, mesmo com posturas diversas em seus fundamentos teóricos, buscam recuperar as relações mais complexas entre os diversos grupos sociais, estabelecendo conexões entre conflitos diários que se inserem em uma forma política contestatória, e identificar as lutas de resistências a mudanças, apego a tradições (p.167) Para a autora, a história do cotidiano deve ser muito mais completa e complexa, deve estar ligada ao modo de vida daquele grupo e naquele momento. Essa história deve fornecer elementos básicos para que os alunos entendam como os homens comuns, com hábitos comuns, são capazes de transformar a realidade à qual pertencem. BUSCANDO CONHECIMENTO Elementos da memória e suas relações com a História Local Bittencourt (2002) ressalta que a história local tem sido indicada como necessária para o ensino por possibilitar a compreensão do entorno do aluno (p. 168) e defende que ela é responsável por tornar os problemas mais significativos para os alunos. Essa vertente da história busca discutir as problemáticas que estão próximas aos alunos, fazendo-os entender que suas atitudes interferem no meio em que vivem. A memória é o mecanismo mais utilizado pela história local, evitando que professores e alunos caiam nas armadilhas da história dominante. A história local é a história das pessoas comuns, daqueles que construíram aquele local e não deve estar ligada somente às elites. Segundo Odair (2003) a produção de depoimentos como fontes orais á um caminho extremamente rico que auxilia a desvendar questões na tentativa de refletir sobre novas problemáticas históricas (p.30). O autor discursa sobre a importância da memória e de se coletar esses fatos. A história local necessita da memória das pessoas mais velhas e principalmente do depoimento dessas pessoas para registrar os fatos. Essa memória e esse depoimento são a identidade das pessoas que vivem naquele local e, assim sendo, são a identidade dos familiares dos alunos daquela localidade. Portanto, o uso desses mecanismos tornam o ensino algo mais palpável e próximo para o aluno e consequentemente algo que tem mais sentido. O trabalho do historiador em relação à memória deve ser muito cuidadoso. O depoimento de uma pessoa mais experiente deve ser respeitado, mas não tido como indestrutível. Para Bittencourt (2002) as memórias precisam ser evocadas e recuperadas e merecem ser confrontadas (p. 171), ou seja, os depoimentos devem ser confrontados com outras fontes para que se tornem totalmente válidos. História Local Um dos perigos a ser considerado ao se trabalhar história local é a definição do conceito de espaço. Os geógrafos alertam os historiadores que quando trabalhamos a história do lugar temos que entendê-lo como um espaço que possui suas singularidades e sua dinâmica. Sendo assim, os historiadores não podem simplesmente se referir àquela localidade sem refletirem sobre a sua importância, sua constituição e sobre as pessoas que habitam esse espaço. Para Bittencourt (2002) os professores de história, ao realizarem um estudo local, têm que procurar identificar a dinâmica do lugar, as transformações do espaço, e articular esse processo às relações externas, a outros lugares (p.172). A autora expressa bem a questão de que, ao se trabalhar um fato, se referindo ao local, temos que antes ter consciência de como é a sua estrutura para depois entender o que aconteceu nesse espaço. Unidade 17. Diversidade de linguagens e fontes para ensinar história. CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Em pleno século XXI, a realidade bate à porta das escolas: vivemos em um mundo globalizado, com uma quantidade imensa de informações e a tecnologia avança sem pedir licença. Diante desse panorama, cabe a nós, profissionais da educação, saber lidar com essa complexidade e orientar nossos alunos nas escolhas mais aceitáveis. Nesta unidade discutiremos sobre o uso de novas linguagens na sala de aula e a reformulação de algumas visões, métodos e atitudes que já não cabem mais no mundo atual. ESTUDANDO E REFLETINDO Minha Dinda tem cascatas Onde canta o curió Não permita Deus que eu tenha De voltar a Maceió (...) E depois de ser tratado Pelo PC, com xodó, Não permita Deus que eu tenha De acabar no xilindró. (“Canção do Exílio as Avessas”- Jô Soares) Os trechos acima fazem parte da “Canção do Exílio as Avessas” feita por Jô Soares na época do impeachment do ex-presidente da República, Fernando Collor de Mello. Soares fez na verdade uma paródia da original “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias, que exulta o espírito nacionalista brasileiro. Na paródia, Jô utilizou o contexto do histórico impeachment de Collor e escreveu os versos como se o político não amasse sua terra e não quisesse voltar. Esses textos não foram produzidos para a escola, nem para as aulas de História e não serão facilmente encontrados em livros didáticos. No entanto, a paródia de Jô Soares oferece ricos elementos para que o professor de história trabalhe cultura popular e política. Nesse caso, ele terá que recorrer a outras fontes de estudo, a internet, por exemplo, onde encontrará o texto. A partir dessa situação, iniciamos nossos estudos sobre a diversidade de fontes que podem ser utilizadas pelos docentes durante as aulas de história. Para Bittencourt (2002), muitos professores utilizam vários documentos para o preparo de suas aulas, pois os consideram, um instrumento pedagógico eficiente e insubstituível, por possibilitar o contato com o “real, com as situações concretas de um passado abstrato, ou por favorecer o desenvolvimento intelectual dos alunos, em substituição de uma forma pedagógica limitada à simples acumulação de fatos e de uma história linear e global elaborada pelos manuais didáticos (p. 327). O professorque se conscientiza de que as novas linguagens podem ser utilizadas como recurso para sua aula está, na verdade, reconhecendo as transformações sociais e tecnológicas recentes. O mundo globalizado provoca reações cada vez mais rápidas e imediatas nos seres humanos. Na verdade, estamos conectados seja por meio da internet ou das novas tecnologias que proporcionam a atualização simultânea ou a simples consulta de algum fato que nos intriga naquele momento. Entretanto esse mesmo professor deve estar munido de conhecimentos e argumentos que façam com que ele e seus alunos não sejam enganados pelas armadilhas das novas tecnologias. A quantidade de informações é cada vez maior e o acesso a elas também. Nossos próprios alunos podem criar um blog e postar tudo que pensam e fazem nessa página. Resumindo, qualquer um que tenha acesso à internet pode escrever o que quiser, e todos podem ler essas considerações. Portanto, além de saber lidar com as novas fontes de conhecimento, o professor deve usá-las para orientar os alunos como selecioná-las. Os PCNs anunciam a possibilidade da utilização dos documentos como recursos didáticos, mas alertam que o: documento não fala por si mesmo, isto é, ele precisa ser interrogado a partir do problema estudado, construído na relação presente-passado; O professor possui autonomia suficiente para utilizar as novas fontes de linguagem para o desenvolvimento do seu trabalho, desde que esteja consciente de que esse documento deve ser mais uma ferramenta utilizada para a produção do conhecimento e que ele é o produto que deve ser estudado, analisado e lapidado por professores e alunos durante as aulas de história. BUSCANDO CONHECIMENTO Esse tema tem sido objeto de grande interesse por parte dos pesquisadores e está presente nas recentes discussões sobre a possibilidade e a importância de ampliação das possibilidades de recursos didáticos variados para a motivação dos alunos e, consequentemente, melhores resultados na aprendizagem. Leia o artigo a seguir: A leitura crítica de fontes históricas Navegar pela diversidade de fontes, confrontar opiniões divergentes e situar a época de cada texto são estratégias certeiras para formar leitores questionadores e críticos. Daniela Talamoni Araujo Verotti Desde o primeiro rabisco feito por nossos antepassados nas paredes das cavernas até a mais recente crônica de jornal, ironizando a atitude pré-histórica de alguns políticos, não faltam registros escritos para contar um pouco da realidade vivida em cada época pela humanidade. A simples existência desses relatos indica a importância da leitura nas aulas da disciplina. Navegar pela maior diversidade de fontes possível é importante (leia o quadro abaixo), mas não é tudo. O essencial é colaborar para que a turma possa analisar, questionar, confrontar e contextualizá-las, entendendo que as relações entre presente, passado e futuro vão além de uma mera sequência de fatos em ordem cronológica. Em poucas palavras, é preciso levar a moçada a pensar historicamente. Em História, o leitor competente encontra no texto as principais informações sobre seu tema de pesquisa, identifica trechos que necessitam de investigação extra para serem entendidos e é capaz de confrontar a opinião de um autor com a de outros que já escreveram sobre o mesmo assunto (leia o infográfico). A intenção principal é fugir da chamada leitura dogmática, como se o texto de alguma fonte - o livro didático, por exemplo - fosse a verdade inquestionável. Em alguns casos, o responsável por esse pensamento é o próprio professor. Isso ocorre quando ele apresenta à classe um acontecimento histórico privilegiando apenas visões que se afinem com seus valores e suas convicções políticas. A chamada ideologização da Educação é arriscada. "Afinal, é muito comum que aquilo que os alunos adotem como verdade tenha sido apresentado em sala de aula", lembra o professor de História Pedro Henrique Albegaria Raveli, da Escola da Vila, em São Paulo. "O docente sempre irá se posicionar diante de um fato histórico, mas ele tem o dever de colaborar para uma formação mais autônoma dos alunos, oferecendo diferentes gêneros de textos e linguagens que mostrem os capítulos da História sob o máximo de perspectivas possível", defende Antônia Terra, coordenadora do grupo que desenvolveu o Referencial de Expectativas de História para o Desenvolvimento da Competência Leitora e Escritora do Ensino Fundamental, da prefeitura de São Paulo. "Precisamos ensinar que a História se contrói sob diferentes pontos de vista", afirma Daniel Vieira Helene, coordenador de Ciências Sociais da Escola da Vila, na capital paulista, e selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. Para isso, você deve criar rotinas que ajudem o estudante a incorporar hábitos, como questionar as informações, saber quem é o autor ou buscar outras opiniões sobre o assunto. Disponível em: http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/leitura-critica- fontes-historicas-526597.shtml Unidade 18. A fotografia e os filmes como recursos didáticos CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Identificar a fotografia e os filmes como recursos fundamentais para o ensino da história. ESTUDANDO E REFLETINDO Fotografia A fotografia é um importante documento para análise histórica uma vez que ela é o registro de determinada cena. Bittencourt (2002), destaca que a fotografia é como se fosse a identidade das pessoas e é inclusive usada em investigações policiais. E por que não seria usada em investigações históricas? A fotografia, como uma representação da realidade, pode denunciar os costumes, o modo de vida de determinadas pessoas em determinados espaços. Porém, para que isso aconteça, é importante que o historiador analise minuciosamente a imagem desde o papel em que ela foi impressa até o ângulo em que o fotógrafo registrou essa imagem. Esse é o trabalho que deve ocorrer ao se utilizar fotografias em sala de aula: levar os alunos a analisarem cada detalhe da fotografia, para assim conseguirem reconstruir a cena e de certa forma o passado. Segundo Boris Kossoy as fontes fotográficas são uma possibilidade de investigação e descoberta que promete frutos na medida em que se tentar sistematizar suas informações, estabelecer metodologias adequadas de pesquisa e análise para decifração de seus conteúdos, e por conseqüência, da realidade que os originou. (KOSSOY, 2001: 32) Corroborando com a ideia de que o uso de imagens é um recurso rico e versátil para contribuir na apreensão dos conceitos históricos, Molina afirma que (...) as imagens usadas em sala de aula não devem sê-lo gratuitamente, mas é necessário conhecer seus componentes semânticos para adequá- los aos objetivos propostos. Assim, o desafio e o limite imposto ao professor de história serão o de redimensionar e explorar as competências específicas da imagem, não somente para motivar e envolver, mas re-elaborar, recodificar, ordenar e organizar conceitos, transformando uma relação sócio-afetiva com a imagem em uma situação de cognição. (MOLINA, 2007: 25) Filmes Outra fonte não escrita que pode ser utilizada nas aulas de história é o cinema. Entretanto, essa fonte se configura de maneira mais complexa que a fotografia e merece uma série de atenções quanto ao seu estudo. A primeira é que, embora muitos filmes sejam considerados históricos, na maioria das vezes eles não têm compromisso com a historiografia e em alguns momentos utilizará cenas que não correspondem à realidade ou que não tem fundamentação teórica. Para Almeida O cinema não é uma matéria para a fruição e a inteligência das emoções; ele é também matéria para a inteligência do conhecimento e para a educação, não como recurso para a explicação,demonstração e afirmação de idéias, ou negação destas, mas como produto da cultura que pode ser visto, interpretado em seus múltiplos significados, criticado diferente de muitos outros objetos culturais, igual a qualquer produto no mercado da cultura massiva (ALMEIDA, 2004, p. 32). A segunda é que assim como a TV e os livros, o cinema possui o poder de transmitir valores e ideologias e ainda de perpetuar ideias, por isso a necessidade do professor dominar o assunto e assistir ao filme antecipadamente para que esteja consciente do que está transmitindo aos alunos. Em terceiro e último item é a questão da análise do filme. As cenas audiovisuais, sejam dos documentários ou de filmes épicos, procuram reconstituir costumes, fatos e espaços. Porém não é a representação do que realmente aconteceu. Dessa maneira o professor deve elaborar um projeto que justifique o uso do filme e, principalmente, um roteiro de análise que leve o aluno a entender as relações, mudanças, permanências e organizações por meio do filme e identifique as relações dessas representações com o conteúdo estudado em sala de aula. Portanto, o uso de filmes nas aulas de história deve ter um motivo e fazer sentido para que auxilie os alunos no processo de ensino-aprendizagem e principalmente, para que o professor não perca sua credibilidade passando o filme para “ganhar tempo”. De acordo com os PCNs, o uso de filmes deve ser feito de forma consciente para que os objetivos em relação a educação sejam preservados. Segundo o documento, Um filme abordando temas históricos ou de ficção pode ser trabalhado como documento, se o professor tiver a consciência de que as informações extraídas estão mais diretamente ligadas à época em que a película foi produzida do que à época que retrata. É preciso antes de tudo ter em mente que a fita está impregnada de valores, compreensões, visões de mundo, tentativas de explicação, de reconstituição, de recriação, de criação livre e artística, de inserção de cenários históricos construídos intencionalmente ou não por seus autores, diretores, produtores, pesquisadores, cenógrafos etc. (p. 88) Assim, consideramos que as produções cinematográficas são ricas para consulta e representação de algumas realidades. Por outro lado, entendemos que o uso dessa ferramenta implica uma série de medidas a serem tomadas para que a história não seja desvalorizada e nem o filme perca a sua importância diante da reconstituição de alguns fatos. BUSCANDO CONHECIMENTO Veja alguns exemplos de filmes que poderão ser utilizados como recursos para as aulas de história para alunos dos anos finais do Ensino fundamental e ensino médio. 1- “CAFUNDÓ” (Roteiro de Paulo Betti, Direção de Paulo Betti e Clovis Bueno, 2005. Duração: 101 minutos.) 2- “ATABAQUES NZINGA” (Roteiro de Rose La Creta, Octávio Bezerra, direção de Octávio Bezerra, 2008. Duração: 84 min.). 3- “O AMULETO DE OGUM” (Roteiro de Nelson Pereira dos Santos E Francisco, direção de Nelson Pereira dos Santos, 1974. Duração: 112 min.). 4- “BARRAVENTO” (Roteiro de Glauber Rocha, Luiz Paulino dos Santos e José Teles, direção de Glauber Rocha, 1961. Duração: 80 min.) 5- “QUILOMBO” (Roteiro e direção de Cacá Diegues, 1984. Duração: 119 min.). 6- “XICA DA SILVA” (Roteiro de Carlos Diegues e João Felicio dos Santos, direção de Cacá Diegues, 1976. Duração: 107 min.). 7- “GANGA ZUMBA” (Roteiro de Cacá Diegues, Leopoldo Serran e Rubem Rocha Filho, direção de Cacá Diegues, 1964. Duração: 92 min.). 8- “O PAGADOR DE PROMESSAS” (Roteiro e direção de Anselmo Duarte, 1962. Duração: 95min.). 9- “A GRANDE FEIRA” (Roteiro de Rex Schindler, direção de Roberto Pires, 1961. Duração: 91 min.). 10- “CORDÃO DE OURO” (Roteiro e direção de Antônio Carlos Fontoura, 1977. Duração: 77 min.) 11- “QUANTO VALE OU É POR QUILO” (Roteiro de Sérgio Bianchi, Eduardo Benaim e Newton Canitto, direção de Sérgio Bianchi, 2005. Duração: 104 min.). 12- “ATLÂNTICO NEGRO: NA ROTA DOS ORIXÁS” (Roteiro de Renato Barbieri e Victor Leonardi, direção de Renato Barbieri, 1998. Duração: 75min.) 13- “BESOURO” (Roteiro de Patrícia Andrade e João Daniel Tikhomiroff, direção de João Daniel Tikhomiroff, 2009. Duração: 95min.). Disponível em http://cinematografouepb.blogspot.com.br/2011/12/sugestao-de- filmes-tema-ensino-de.html Unidade 19. Canções, Poemas e Poesias como recursos didáticos CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Identificar e analisar as canções, os poemas e poesias como recursos didáticos para o ensino da história. ESTUDANDO E REFLETINDO Canções, Poemas e Poesias Abrimos esta unidade com citações da paródia de Jô Soares, que se inspirou na “Canção do Exílio” para produzir o seu texto e indicamos que a canção pode ser utilizada pelo professor de história. Esse é apenas um dos inúmeros exemplos sobre canções que podemos utilizar para análises históricas. Da mesma forma, as poesias podem ser fontes ricas e leves para a contextualização histórica e seu estudo. Carlos Drummond de Andrade, por exemplo, escreveu em se livro a Rosa do Povo (poemas escritos entre 1943 e 1945) o poema “Carta a Stalingrado” e ofereceu aos historiadores uma fonte de estudo para análise e reflexão sobre a Batalha de Stalingrado durante a Segunda Guerra Mundial. Fonseca (2009) destaca que a linguagem poética expressa outra forma de ver, escrever e expressar sentimentos sobre variados temas, questões, fatos, sujeitos e práticas sociais e culturais. Seduz, age sobre nós, intervém, nos provoca. Assim, pode fornecer pistas para alargar a compreensão dos temas históricos com beleza e sensibilidade. A incorporação de letras de canções e poesias desperta o interesse dos alunos, motiva-os para as atividades, sensibiliza-os em relação aos diversos temas e desenvolve a criatividade (p.183) Gomes (2007) considera que sendo a música um produto cultural, traz em si grande carga de historicidade. Por essa razão, está investida de potencial didático, sobretudo por estimular as competências relacionadas à leitura e interpretação de diferentes estilos textuais. Os PCNs, corroboram com esse princípio uma vez que, sobre essa questão, explicitam textualmente: Abre-se aí um campo fértil às realizações interdisciplinares, articulando os conhecimentos de História com aqueles referentes à Língua Portuguesa, à Literatura, à Música e a todas as Artes, em geral. Na perspectiva da educação geral e básica, enquanto etapa final da formação de cidadãos críticos e conscientes, preparados para a vida adulta e a inserção autônoma na sociedade, importa reconhecer o papel das competências de leitura e interpretação de textos como uma instrumentalização dos indivíduos, capacitando-os à compreensão do universo caótico de informações e deformações que se processam no cotidiano. Cabe aqui também ressalta que os meios de comunicação tornaram a música, especialmente àquelas de maior apelo popular, parte integrante do cotidiano das pessoas. Considerando esse fato Gomes salienta que [...] sobretudo a canção popular, faz parte do cotidiano da maioria das pessoas, desde aquelas com alto nível de instrução até as que não tiveram a oportunidade de estudar, fica mais fácil articular seu estudo com o ensino de história, sobretudo no nível fundamental e médio. Muitas vezes ela é a única forma de expressão artística com a qual os alunos têm ou tiveram contato ao longo da vida. Ainda que não dominem formalmente os conceitos e componentes da linguagem musical, eles são capazes certamente de identificar, por exemplo, que uma determinada canção foi feita para um determinado contexto observando o seu ritmo. O professor de história, obviamente, teria o papel de situar os alunos a respeito dos elementos pertinentes à análise histórica, ou seja, teria que ressaltarquestões ligadas ao contexto histórico de produção da canção, os agentes históricos envolvidos no processo, bem como as motivações implícitas e explícitas presentes na composição. Diante do exposto é possível considerar que as canções e os poemas oferecem um bom material de estudo para as aulas de história. Cabe a professores e alunos analisarem suas letras, o contexto político, social, econômico e cultural da época em que foram escritos, os títulos, a história de quem as escreveu e as palavras que nem sempre tem apenas um sentido. Dessa forma, o trabalho nas aulas será significativo e dinâmico. BUSCANDO CONHECIMENTO Para aprofundar o estudo sobre a temática apresentada nesta unidade recomendamos as seguintes leituras; AULA DE HISTÓRIA COM ZECA BALEIRO: uso da música-canção como recurso didático no Ensino Médio (Fabiane Tamara Rossi) RESUMO: O artigo propõe-se problematizar a música-canção como elemento utilitário ao Ensino e, mais especificamente, a obra musical de Zeca Baleiro enquanto provedora de temáticas para o ofício do professor de História do Ensino Médio. Para isso fez-se uso da obra do cantor (de 1997 a 2004), além de reportagens veiculadas na imprensa. Para correlacionar a música e o ensino embasou-se a pesquisa nos PCNs e Currículo Básico do Distrito Federal. Inicialmente discutir-se-á a utilização da música enquanto recurso didático em sala de aula. Em seguida, problematizar-se-á o universo de referências de Zeca Baleiro, trazendo sugestões para a utilização de suas canções no ensino de História do Ensino Médio. PALAVRAS-CHAVE: música, ensino de História, Zeca Baleiro. Para a leitura da íntegra desse artigo acesse: http://www.ufgd.edu.br/historiaemreflexao/julho_dez_2008/arquivos/aula-de-historia- com-zeca-baleiro-uso-da-musica-cancao-como-recurso-didatico-no-ensino-medio Música Popular Brasileira no ensino de história do Brasil “A história do Brasil é cheia de brechas e lacunas ainda não preenchidas” (Schimidt), mas que segundo Moraes, a musica popular brasileira pode desvendar; Em seu trabalho “História e música: canção popular e conhecimento histórico”, Moraes aborda e discuti algumas questões teóricas e metodológicas que surgem das relações entre historia, musica popular. As transformações teóricas, nas concepções de material documental e a renovação na prática do historiador, determinando a inclusão de novas linguagens pela história. Expressando assim, a importância que pode ter, a utilização da música popular brasileira como fonte documental para divulgar a história de setores da sociedade pouco lembrados pela historiografia. Também Abdu, professora de Metodologia de Ensino de História Na USP, afirma em seu texto “Registro e representação do cotidiano: A música popular na aula de História”, que a musica popular é uma linguagem alternativa que tem sido utilizada como um importante recurso didático para a aprendizagem de história e que tem ocupado espaço, como instrumento pela qual se revela o registro da vida cotidiana, na visa ode autores que observam o contexto social no qual vivem. Abdu ainda defende a música como evidência do passado que pode facilitar a compreensão histórica pelos alunos. Para ABDUD (2005): As letras das musicas se constituem em evidencias, registros de acontecimentos a serem compreendidos pelos alunos em sua abrangência mais ampla, ou seja, em sua compreensão cronológica, na elaboração e re-significação de conceitos próprios da disciplina. Mais ainda, a utilização de tais registros colabora na formação dos conceitos espontâneos dos alunos e na aproximação entre eles e os conceitos científicos. Diante da real dificuldade que é romper com os ideais positivistas inda contidos no ensino brasileiro, e dos livros didáticos ainda possuir traços euro centristas, o musica popular brasileira no ensino de história se apresenta como uma rica fonte cultural, capaz de levar a compreender a realidade da cultura popular e desvendar detalhes ainda fragmentados. No entanto, raramente são feitas investigações, que busquem ratificar a musica como fonte histórica, existindo poucos trabalhos que evidenciam a relação entre história e musica. Para a leitura da íntegra desse artigo acesse: http://monografias.brasilescola.com/historia/musica-como-documentosala- aulamusica-popular-brasileira.htm O USO DA MÚSICA COMO NOVA LINGUAGEM NO PROCESSO DE ENSINO- APRENDIZAGEM DE HISTÓRIA: UMA ANÁLISE CRITICA SOBRE A PROJEÇÃO DO SUJEITO NA CANÇÃO “CONSTRUÇAO” Ramon de Alcântara Aleixo- Universidade Estadual da Paraíba-UEPB- PIVIC Wagner Tavares da Silva-Universidade Estadual da Paraíba-UEPB-PIVIC Orientadora: Professora Doutora Patrícia Cristina de Aragão Araújo Universidade Estadual da Paraíba-UEPB RESUMO Neste artigo procuramos discutir a inserção das novas linguagens no processo de ensino e escrita de história do ensino médio, como contribuição diante das atuais perspectivas disseminadas no âmbito da História da Educação, objetivando, assim, despertar o interesse de alunos e alunas para o ensino-aprendizagem da disciplina de história. Nosso objetivo é mostrar, referendados nos estudos de Bittencourt e Cainelli, como a relação entre ensino de História e música pode contribuir para uma maior sistematização e elaboração de conceitos difundidos por esta disciplina. Nosso estudo se centra em uma pesquisa de cunho bibliográfico e semiótico, onde através da análise da canção “Construção” de Chico Buarque, podemos observar as condições sócio-trabalhistas a que os sujeitos sociais estavam relegados na década de 1970. Os resultados nos permitem constatar que a música como linguagem educativa pode contribuir para despertar a criticidade dos alunos, permitindo dessa forma, no processo de construção da cidadania, fazendo-os reconhecerem-se como sujeitos históricos envolvidos na construção da identidade nacional. Para a leitura da íntegra desse artigo acesse: http://www.nre.seed.pr.gov.br/irati/arquivos/File/uso_musica_linguagem.PDF INTERAGINDO COM O CONHECIMENTO Disparo contra o sol Sou forte, sou por acaso Minha metralhadora cheia de mágoas Eu sou o cara Cansado de correr Na direção contrária Sem pódio de chegada ou beijo de namorada Eu sou mais um cara Mas se você achar Que eu tô derrotado Saiba que ainda estão rolando os dados Porque o tempo, o tempo não pára Dias sim, dias não Eu vou sobrevivendo sem um arranhão Da caridade de quem me detesta A tua piscina tá cheia de ratos Tuas idéias não correspondem aos fatos O tempo não pára Eu vejo o futuro repetir o passado Eu vejo um museu de grandes novidades O tempo não pára Não pára, não, não pára Eu não tenho data pra comemorar Às vezes os meus dias são de par em par Procurando agulha no palheiro Nas noites de frio é melhor nem nascer Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer E assim nos tornamos brasileiros Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro Transformam o país inteiro num puteiro Pois assim se ganha mais dinheiro A tua piscina tá cheia de ratos Tuas idéias não correspondem aos fatos O tempo não pára Eu vejo o futuro repetir o passado Eu vejo um museu de grandes novidades O tempo não pára Não pára, não, não pára Disponível em: http://www.vagalume.com.br/cazuza/o-tempo-nao-para.html#ixzz3APwkfJUF Unidade 20. A Imprensa Periódica como recurso didático CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Identificar e analisar a imprensa periódica como recurso didático para o ensino da história. ESTUDANO E REFLETINDO Imprensa Periódica Notícias de jornais e artigos de revistas já é uma realidade utilizada dentro das salas de aula há algum tempo. Seja por opção de um professor que recortou uma notícia atual para levar para a escola ou uma sugestão do livro didático ouainda uma inquietação de um aluno e que levou o professor a pesquisar algum artigo científico. O que importa é que essas linguagens estão presentes tanto no cotidiano dos alunos em suas casas, como nas escolas, seja nos livros didáticos ou nas escolhas dos professores. Os jornais, por exemplo, são um importante meio de reconstrução do passado, uma vez que em suas páginas ficam registrados os fatos da vida cotidiana das cidades, dos estados, dos países e do mundo. Porém, essa sua importância não justifica a sua capacidade de manipulação e de ser manipulado. Portanto, os jornais merecem uma análise crítica e consciente, para que não forjem opiniões nos cidadãos que consomem suas páginas. Quanto a sua importância como uma fonte da organização das sociedades, Fonseca (2009) indica que: Como qualquer outra fonte, os jornais e as revistas são importantes registros de dimensões históricas do passado e do presente. Por meio deles é possível captar evidências das mudanças, das rupturas, das continuidades, por exemplo, dos projetos políticos, dos movimentos sociais (p. 186) Além de valorizar a atuação do jornal e das revistas diante da sociedade em que circulam, a autora alerta para a necessidade de o professor estar atualizado, principalmente para orientar os alunos na análise das informações. Os jornais, em sua maioria, são constituídos de notícias (informações e opiniões), fotografias, propagandas e entretenimento, por isso podem ser analisados de diversas formas, ocupando um grande espaço de tempo para o seu estudo. Em contrapartida, Bittencourt (2002) destaca que o importante no uso de textos jornalísticos é considerar a notícia como um discurso que jamais é neutro ou imparcial (p. 337), ou seja, as notícias são escritas por alguém e, querendo ou não, esse escritor interfere no fato narrado, quando coloca o seu ponto de vista daquela situação. Assim, é um dever do leitor analisar as informações e confrontá- las com a realidade e até com outras informações para que possa formar sua opinião. O leitor não pode simplesmente ler a matéria e absorver suas informações sem criticá-las e analisá-las. Sabemos que o ensino de história, hoje, tem como uma de suas finalidades a formação de cidadãos ativos e críticos, o que por si só justifica a importância do professor de história, atribuindo-lhe a função de orientar seus educandos a analisar os textos jornalísticos que lhes é apresentado. Para Fonseca (2009), ao se trabalhar com a imprensa, a análise deve ser minuciosa, sendo necessário identificar a empresa de comunicação que publica o jornal, o contexto em que ele é publicado e os interesses que existem implícitos em suas publicações. Para a autora o primeiro passo é identificar o veículo, o nome do jornal, o local de sua produção, a época, a autoria da matéria, a proposta veiculada (p.187). Essa ambiguidade da função dos jornais e das revistas faz com que eles se tornem interessantes objetos de estudo, capazes de despertar o olhar do aluno para as esferas do poder e sua manipulação, além de serem fontes de informações que necessitam de crítica, o que leva os alunos a desenvolverem as habilidades e competências que são as finalidades do ensino de história. As novas linguagens, que podem ser utilizadas pelos professores na sala de aula, são suportes que enriquecem os estudos de história. São ferramentas dinâmicas e com um conteúdo que possibilitam estudos aprofundados e ampliam a visão de professores e alunos em relação a certos temas. BUSCANDO CONHECIMENTO A Resenha a seguir ajuda a interpretação da importância da imprensa As arapucas do mundo político AUTOR: MACHADO, Liliane da Rosa CURSO: Comunicação Social – Jornalismo/Unifra, Santa Maria, RS OBRA: DIMENSTEIN, Gilberto. As armadilhas do Poder – Bastidores da Imprensa. São Paulo, SP: Summus, 1990. Este trabalho tem a finalidade de explicitar o pensamento do jornalista Gilberto Dimenstein em sua obra “As armadilhas do Poder – Bastidores da Imprensa”, cuja intenção é de desnudar ao leitor como funciona realmente a política, internamente e vista pelos olhos da imprensa. Nem toda notícia pode ser mostrada ao grande público. Com pequenos contos de fatos que ocorreram em determinados momentos históricos o autor relata como aconteceram e porque ocorreram situações que vão de simples fofocas, como as das histórias adolescentes do então Presidente da República Fernando Collor de Melo, até revelações de suborno, como é o caso do Senador, na época Governador do Estado da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, em que ele diz que existem dois tipos de jornalistas, os que gostam de dinheiro e os que gostam de informação. Uma obra sucinta, porém esclarecedora. Um prato cheio para os interessados na área do jornalismo político. Boatos, ética, suborno, fontismo, bobos, versões, bombas e monstros, brigas, deslizes, habilidade e manipulação, cotações, mentiras e inflação, fofocas, forças ocultas, primeiras- damas, negociatas, investigação, off, marketing. Com estes dezenove temas Gilberto Dimenstein procura relatar os bastidores do poder pelo olhar atento da imprensa. Com curtos capítulos dedicados a cada tema o autor explicita fatos curiosos e que se tornaram notícia cada um dentro de seu contexto histórico. As figuras principais das tramas são, principalmente, políticos e, eventualmente, jornalistas. Com uma linguagem direta e simples, a obra é escrita de maneira dinâmica e de fácil assimilação. O autor utiliza abundantemente exemplos e citações dos envolvidos em cada assunto. Já no início do livro, Dimenstein aproxima o fato do leitor e conta com detalhes os movimentos e atos dos personagens em destaque. “Nos dias de tédio ele fazia uma curiosa brincadeira no Congresso. De manhã, na agitada sala de cafezinho, contava a algum parlamentar pedindo sigilo absoluto, uma notícia secreta”(Dimenstein, 1990, p.25). Neste relato o autor enfatiza uma brincadeira feita pelo então deputado federal, Amaral Netto. No decorrer da obra podem ser encontrados fatos polêmicos, um bom exemplo é uma frase de Antônio Carlos Magalhães, citada por Dimenstein (1990): “[há dois tipos de jornalistas: os que gostam de dinheiro e os que gostam de informação. Nunca se deve dar dinheiro aos que gostam de informação, nem informação aos que querem dinheiro”. Entre uma declaração e outra se notam, na obra, pontos em que se tem uma informação a mais buscada pelo autor. Essa característica está presente em quase todos os capítulos e deixa uma marca clara de que uma pesquisa bem estruturada foi feita para a construção do trabalho. O livro não é exclusivo para histórias e acontecimentos nacionais. Podem ser encontradas considerações sobre políticos estrangeiros, como é o caso do general Charles De Gaulle, líder da resistência francesa contra os nazistas e, posteriormente, presidente da França. O general Charles De Gaulle, citado por Dimenstein (1990), teria dito que o Brasil não era um país sério, e, mais tarde, testemunhas comprovaram ser esta afirmação uma farsa. A partir do conceito apresentado por Dimenstein (1990, p. 53), entende-se que, apesar do mal entendido ter sido revelado, foi inútil e esta versão se tornou fato. Além de relatos esclarecidos mais tarde por testemunhas como é o caso do referido acima, também podem ser encontradas narrações que o autor denomina lendas, como: Juscelino chegou a registrar em diário suas paixões extraconjugais – certamente por isso a família nunca permitiu sua divulgação. Contam as lendas brasilienses que, certa vez, ele estava num avião acompanhado de jornalistas para visitar obras. Depois da visita, os jornalistas inesperadamente não embarcaram como o previsto. Além do piloto e do copiloto, o avião decolou apenas com o presidente e uma exuberante companhia. Só voltou quando se passaram mais de duashoras para buscar os repórteres, mas, agora, sem Juscelino. (Dimenstein, 1990, p.113). As declarações ou segredos que envolvem figuras políticas são destacados no texto com cuidado. Para isso o autor se municia de termos como: “Até hoje perdura a sólida suspeita de que a cassação de Jânio Quadros...” (Dimenstein, 1990, p.112), ou ainda, “Divulga-se a boca pequena...” (Dimenstein, 1990, p.114). Verifica-se no objeto analisado que com estes termos a obra fica isenta de afirmações contundentes e de responsabilidades que possam vir a comprometê-la. Ao longo de sua obra, Dimenstein dá destaque à figura feminina. A mulher no poder surge em várias situações. No capítulo Fontismo, o autor referencia a candidata à prefeitura de São Paulo, pelo Partido dos Trabalhadores, Luiza Erundina. Dimenstein (1990) considera que “A cúpula do PT estava convencida de que a ’revolucionária‘ e ’radical‘ Luiza Erundina jamais ganharia a prefeitura de São Paulo. Além de mulher, nordestina: parecia fora do perfil desejado pelo paulistano.” Com citações dedicadas às mulheres no decorrer do livro, tem destaque um capítulo em especial: Primeiras – damas. Nele é abordado, pelo autor, o papel, muitas vezes determinante, da mulher nas carreiras políticas de seus maridos e amante, citadas algumas vezes como responsáveis pelo sucesso ou fracasso dos respectivos chefes do Estado. Além de referências para os casais Costa e Silva, Maluf e Figueiredo aparece com maior destaque a família Collor. Enfatizando os escândalos e especulações feitas sobre a primeira dama Rosane e seu marido Fernando Collor, o autor descreve crises conjugais e adultérios. Pode ser concluído que a referida obra traz um apanhado geral de como ocorre determinados episódios nos bastidores da política. Fica constatado também que de fato a imprensa procura na medida do possível tornar públicos os eventos em questão. Porém nem sempre com sucesso, pois como é mostrado no livro, inúmeras providências são tomadas para que o abafamento das notícias aconteça, pelo menos enquanto os envolvidos estejam no poder. Com esta contribuição rica em detalhes até então desconhecidos, Gilberto Dimenstein presenteia os leitores com informações reveladoras e de importante teor histórico. Disponível em http://www.agenciacentralsul.org/resenhas/edicao_02/pdf_resenhas/rosa.pdf Av. Ernani Lacerda de Oliveira, 100 Bairro: Pq. Santa Cândida CEP: 13603-112 Araras / SP (19) 3321-8000 ead@unar.edu.br Rua Américo Gomes da Costa, 52 / 60 Bairro: São Miguel Paulista CEP: 08010-112 São Paulo / SP (11) 2031-6901 eadsp@unar.edu.br www.unar.edu.br 0800-772-8030 POLOS EAD Capa FUNDAMENTOS E MÉTODOS DO ENSINO DAS CIENCIAS HUMANAS Capa