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Aula 1 Alejandra Pastorini_Quem mexe os fios da PS

Notas de aula sobre políticas sociais que analisam a categoria "concessão-conquista" (Alejandra Pastorini, 1997). Apresenta perspectivas tradicional/redistributivista e marxista, críticas à naturalização das desigualdades e referências a Marshall e à CEPAL.

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Sil Marinho

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
ESCOLA DE SERVIÇO SOCIAL
Quem mexe os fios das políticas sociais? 
Avanços e limites da categoria concessão-conquista 
Alejandra Pastorini (1997)
Disciplina: Política Social I
Docente: Silvana Marinho
APRESENTAÇÃO
análise crítica sobre o termo concessão-conquista
apresenta duas perspectivas em torno das Políticas Sociais
 A perspectiva tradicional/redistributivista: política social como mecanismo de
redistribuição de renda, como concessões estatais tendo como objetivo um
certo equilíbrio social mínimo.
 A perspectiva marxista: Localiza as políticas sociais como espaço e
consequência das lutas sociais e de classe e como unidade político-
econômica social
↓
Supera os estudos tradicionais e conservadores de políticas sociais:
- Supera a visão fenomênica e aparente de políticas sociais
- Supera o caráter neutro de política social
 Contribuições/avanços e seus limites e dificuldades
 significação social política e econômica das políticas sociais: perspectiva da
luta de classes e a perspectiva da totalidade
1. A PERSPECTIVA TRADICIONAL/REDISTRIBUTIVISTA DAS
POLÍTICAS SOCIAIS
A política social: vista como um conjunto de ações estatais para 
diminuir a desigualdade social.
Sua finalidade principal é redistibutivista: no sentido de imprimir 
correção aos efeitos negativos do desenvolvimento capitalista
Para tal correção: a política social como concessões por parte do 
Estado.
Concessões = mecanismos estatais para redistribuir os recursos 
sociais (que nessa perspectiva são sempre vistos como “escassos”).
A necessidade da política social: melhorar a redistribuição de renda 
(ou uma distribuição menos desigual dos recursos)
Defende um certo equilíbrio social via da redistribuição de 
renda.
1. A PERSPECTIVA TRADICIONAL/REDISTRIBUTIVISTA DAS
POLÍTICAS SOCIAIS
Substrato ideológico
Ajustar/minorar o desequilíbrio social para mantença do desenvolvimento 
capitalista. Não colocar em xeque a estrutura de exploração 
capitalista. Como se possível fosse a combinação do capitalismo com 
equidade social (Ref. Texto COUTINHO, C N “ Cidadania e Modernidade”)
Substrato material
A tributação como principal instrumento de arrecadação de recursos
“escassos”
Recursos dirigidos aos “prejudicados” do mercado (“carenciados”)
Oferecidos: indiretamente por serviços e diretamente por transferência de 
renda /benefícios econômicos
1. A PERSPECTIVA TRADICIONAL/REDISTRIBUTIVISTA DAS
POLÍTICAS SOCIAIS
Autores/teorias de referência da corrente redistributivista de política social
• Marshall:
Política social como uma política de governo para o bem-estar social dos cidadãos 
via serviços e renda. 
• Teoria cepalina - CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe)
Política social como correção dos efeitos malignos visando ao desenvolvimento e 
crescimento econômico . A correção é via Assistência Social
Abriu brecha para o questionamento do mercado como esfera distributiva e 
equitativa.
No entanto imprime caráter compensatório paliativo e corretivo das desigualdades 
produzidas no mercado (redução da pobreza; bem-estar social mínimo, já que a 
ideia é redistribuir parcos recursos)
1. A PERSPECTIVA TRADICIONAL/REDISTRIBUTIVISTA DAS
POLÍTICAS SOCIAIS
A crítica à corrente tradicional:
 Naturalização das desigualdades sociais: ideia de corrigir os efeitos das 
desigualdades sociais via política social
Naturalmente integram a sociedade capitalista, mas devem ser minoradas de 
modo que se possa conviver com elas.
Reflexão: PS como Panaceia: harmonização entre capitalismo e efeitos da 
exploração capitalista (espoliação)
 Equilíbrio social?
Crítica à lógica de redistribuição e não de distribuição
Redistribuir: repartir os recursos “escassos” e cujos custos são socializados por 
meio da tributação. 
Portanto é uma redistribuição entre a classe trabalhadora.
Já a distribuição: implica uma intervenção substantiva na economia = distribuição 
da riqueza socialmente produzida (recuperar a taxa de MV)
1. A PERSPECTIVA TRADICIONAL/REDISTRIBUTIVISTA DAS
POLÍTICAS SOCIAIS
A crítica à corrente tradicional:
 Retira da política social sua historicidade (como produto histórico do 
próprio desenvolvimento capitalista e suas contradições que tem como 
dialética a luta de classes)
 Estado como instância des-economizada: como se não atendesse a 
função econômica do capital
2. A PERSPECTIVA MARXISTA DE POLÍTICA SOCIAL
Política social como concessão-conquista dialeticamente!
Apreende-se a unidade político econômico social da política social 
2.1. A Crítica (argumentos da tese concessão-conquista)
A) Não há uma relação bipolar: um concede e outro recebe. Há uma relação
múltipla entre três sujeitos: Estado, classe hegemônica e classe
trabalhadora. Uma relação que tem em si um invólucro de conflitos e
tensões. É justamente a conflitividade o que produz a política social e não
a partir de um único sujeito.
B) A política social se constitui por uma tripla função: a função social política e
econômica. Portanto, ela não é apenas um instrumento redistributivista. Ela
não opera apenas numa função social, mas opera, concomitantemente, uma
função política e uma função econômica
PS: reprodução da FT
• mecanismo de legitimação da ordem
• barateamento da força de trabalho
2. A PERSPECTIVA MARXISTA DE POLÍTICA SOCIAL
2.2. Os avanços
 A perspectiva de totalidade
 A luta de classes
Totalidade: apreender conjuntamente a esfera da produção e da distribuição 
como elementos constitutivos de uma totalidade complexa.
Indissociabilidade entre economia e política (ou seja, reconhecer os vínculos 
existentes entre elas).
É a partir da totalidade e da luta de classes que é possível desnudar a 
articulação entre a função social política e econômica das políticas sociais.
É na crítica marxista que emerge a compreensão de política social como 
resposta às sequelas da questão social
Obs: A questão social não ocupa um lugar conceitual no quadro teórico de Marx. No entanto é
possível tratar de questão social a partir do método materialista histórico dialético: um aporte
teórico-metodológica que permite desnudar a essência e não a aparência dos fenômenos. Ou seja:
olhar a questão social é olhar para a essência das desigualdades sociais: o antagonismo de
classe.
2. A PERSPECTIVA MARXISTA DE POLÍTICA SOCIAL
A tripla função das PS
 A função social
Redistribuição de recursos sociais por meio de serviços sociais e 
complementação salarial às pessoas sem renda/trabalho.
Trata-se da função aparente e imediata da política social: mascara/encobre as 
funções essenciais da política social: a política e econômica
Ref. Iamamoto: dualidade contraditória dos serviços sociais: 
De um lado – do ponto de vista da classe trabalhadora: funciona como 
complementação necessária à sua sobrevivência face aos baixos salários (a 
imagem da redistribuição e do reparo das desigualdades sociais 
De outro (e ao mesmo tempo) – do ponto de vista do capital: funciona como a 
redução dos custos da reprodução da força de trabalho face à socialização 
dos custos das políticas sociais por meio da tributação.
Reflexão: natureza contraditória da política social
2. A PERSPECTIVA MARXISTA DE POLÍTICA SOCIAL
 A função política
Evitar contendas sociais - Lograr consenso social e legitimação
Afinal: oferece padrões de participação na vida política e social
↓
Considerando o acesso, mesmo que não pleno, a serviços básicos e direitos
Considerando uma participação política mínima: Quando o Estado incorpora
parte das reivindicações sociais da classe trabalhadora.
Uma chave de leitura marxista gramsciana importante: O Estado é permeável
às frações de classe.
“o capitalismo monopolista, pelas suas dinâmicas e contradições, cria condições tais
que o Estado por ele capturado, ao buscar legitimação política através do jogo
democrático, é permeável à demandas das classessubalternas, que pode fazer incidir
nele seus interesses e suas reivindicações imediatos. E que este processo é todo ele
tensionado, não só pelas exigências da ordem monopólica, mas pelos conflitos que
esta faz dimanar em toda a escala societária.” (NETTO, 2001, p29) “ Capitalismo
monopolista e Serviço Social”
2. A PERSPECTIVA MARXISTA DE POLÍTICA SOCIAL
 A função política
 Importante síntese da PS na crítica marxista (Cf.Faleiros)
Política social como produto histórico concreto
Faleiros define as políticas sociais como:
“formas de manutenção da força de trabalho econômica e politicamente
articuladas para não afetar o processo de exploração capitalista e dentro do
processo de hegemonia e contra-hegemonia da luta de classes” (FALEIROS,
1986 apud PASTORINI, 1997, p. 91)
Política social como reprodução da estrutura política econômica e social de 
dominação capitalista
No entanto, dependendo da correlação de forças, essa reprodução pode ser 
menos penosa para a classe trabalhadora e significar conquistas significativas de 
direitos
2. A PERSPECTIVA MARXISTA DE POLÍTICA SOCIAL
 A função Econômica
 Reprodução da força de trabalho via PS sem custo para o capital 
(socialização dos custos pela tributação da população com impostos 
indiretos que incide muito mais sobre a classe trabalhadora)
↓
Diminuição da manutenção dos custos da força de trabalho barateando a 
força de trabalho com a oferta de políticas sociais em detrimento de uma 
política salarial.
Portanto a reprodução da força de trabalho é realizada via políticas sociais 
permitindo reduzir os salários.
Ref. MARX (Salário. Preço e lucro)
O salário é referenciado ao TTN (tempo de trabalho necessário) para a realização de um 
produto. Ele é medido considerando a reprodução social do trabalhador e sua família. À 
medida em que essa reprodução é “sanada” pelas políticas sociais o capitalista pode 
economizar nos salários.
Obs/Reflexão:
Portanto o lucro é todo do capitalista: além de ficar com a mais-valia oriunda do trabalho 
excedente, economiza nos salários aumentando a taxa de mais-valia 
2. A PERSPECTIVA MARXISTA DE POLÍTICA SOCIAL
 A função Econômica
 Contratendência ao subconsumo: benefícios da AS e Previdência (Bolsa 
Família, aposentadorias e pensões: permitindo fazer movimentar a 
economia local/regional e valorizar o capital)
 Juntamente com a função política: 
- Controle do EIR (força de trabalho ocupada e excedente)
• Um mínimo social de sobrevivência para a população sobrante: futuros 
braços FT
• A política social ao oferecer algum tipo de padrão social de reprodução 
para a classe trabalhadora, controla/adéqua a população às relações 
sociais capitalistas. Subordinação ao trabalho e ao modo de vida capitalista
Reflexão
Os benefícios ínfimos de transferência de renda não são atraentes justamente para que a força de 
trabalho se submeta a salários baixíssimos e trabalhos precários numa condição de 
superexplorados.
2. A PERSPECTIVA MARXISTA DE POLÍTICA SOCIAL
 A função Econômica
 Reproduzir as desigualdades sociais
↓
As políticas sociais são implementadas por um ethos liberal (embora com 
uma face Social) 
A partir do ethos liberal burguês, as políticas sociais são oferecidas sem um 
grande escopo de cobertura e sem qualidade (porque a ótica de um estado 
liberal burguês não é a ótica de direito e cidadania plena para todos, é a ótica 
de uma democracia nos limites do capital) Esse é o debate inclusive do texto 
do Carlos Nelson Coutinho. “Cidadania e modernidade”
↓
Isso leva a mercantilização das políticas e dos direitos: a invasão do mercado 
na esfera da reprodução social para ele se valorizar ( saúde educação 
privadas, previdência privada, creches).
2. A PERSPECTIVA MARXISTA DE POLÍTICA SOCIAL
 A função Econômica
 Reproduzir as desigualdades sociais
Reflexão: Articulação com texto de Elaine Behring “Contra-reforma do Estado”
A mercantilização das políticas sociais engendra uma dualidade 
discriminatória: quem pode e quem não pode pagar.
Isso divide e fragmentada ainda mais a classe trabalhadora: ela é 
heterogênea, com frações e desigualdades em termos de qualificação, 
ocupação, renda salarial, modalidades de contrato e sindicalização.
↓
Entra em cena/evidência Status de cidadão consumidor: o status de consumir 
uma educação de qualidade e uma saúde de qualidade em contraposição 
aqueles que dependem das políticas sociais (que deveriam ser de qualidade 
e cobertura mas o Estado capitalista se esforça para tornar o que é público 
ineficiente)
3. LIMITES DA CATEGORIA CONCESSÃO-CONQUISTA
3.1 O alcance do termo
 Primeira crítica: à terminologia
Crítica ao termo como um binômio ambíguo não dialético
Termos excludentes: Se um concede significa que o outro não conquistou
Provoca equívocos:
Alguns autores identificam uma prevalência de um termo sobre o outro em
determinadas experiências de políticas sociais.
Assim – dois grupos:
Políticas sociais que são vistas tão-somente como produto das conquistas
das classes dominadas
Políticas sociais vistas tão somente como concessões das classes
dominantes
↓
Isso retira conflitividade que lhe é própria
Autora traz o exemplo de uma interpretação da redução da jornada de
trabalho como um exemplo histórico da política social apenas como
Conquista.
3. LIMITES DA CATEGORIA CONCESSÃO-CONQUISTA
3.2 Ausência de processualidade contida no binômio concessão-conquista
• Segunda crítica: ao conteúdo
A relação entre os sujeitos no binômio concessão conquista é vista unilateralmente
(como se apenas um único sujeito concedesse e um único sujeito conquistasse)
Equívocos: é atraente pensar mecanicamente que entre sujeitos antagônicos 
apenas um único sujeito concede e um outro único conquista.
Chama a atenção para considerarmos o elemento relacional de luta/conflito
“ Todos os sujeitos em luta implicados numa negociação concedem e conquistam 
ao mesmo tempo” (PASTORINI, 1997)
O que podemos entender daí?
Conquista é uma via de Mão Dupla
Concessão é uma via Mão Dupla
 Um processo constituído de ganhos e perdas ao mesmo tempo.
4. CONCLUSÃO: PARA UMA ALTERNATIVA DE SUPERAÇÃO DA 
CATEGORIA CONCESSÃO-CONQUISTA
Categoria Demanda-Outorgamento
(Justamente para as análises não incorrerem ora na concessão ora na 
conquista)
Nessa proposta categorial, dá destaque à processualidade histórica dialética 
e contraditória na conformação da política social.
Demanda – Luta – Negociação [perdas/ganhos] – Outorgamento
Nessa processualidade: é preciso reconhecer que as demandas são de 
ambos os sujeitos, assim como os outorgamentos.
Afinal a política social tem uma natureza contraditória de atendimento as 
demandas do capital e do trabalho. 
Sobre a estratégia histórica do Estado antecipar demandas: 
Pastorini explica que o movimento processual demanda-outorgamento pode ser explícito ou 
implícito. Ou seja, pode não haver uma demanda evidente/vocalizada, mas ela existe 
implicitamente na realidade. Quando o Estado antecipa demandas que ele reconhece que 
existem, já é uma estratégia de minar potenciais pressões sociais.

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