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UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ – UNOCHAPECÓ ÁREA DE CIÊNCIAS HUMANAS E JURÍDICAS CURSO DE PSICOLOGIA COMPONENTE CURRICULAR: PSICOLOGIA E POLÍTICAS PÚBLICAS PROFESSORA: DEBORAH CRISTINA AMORIM ACADÊMICAS: FRANCINE GAVA DE MORAIS RIBAS E GREIDIELI LILIAN SCHEUERMANN Prezado leitor, Nesta carta para iremos articular os Direitos Humanos Universais com a nossa ida ao Acampamento Kid e Assentamento 25 de Maio, localizados na cidade de Abelardo Luz. Escrevemos-lhe com a intenção de desmistificar tudo o que você já viu, ouviu ou sabe sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST. Os direitos humanos são direitos inerentes a todas as pessoas. São direitos que são garantidos às pessoas pela simples razão de serem humanas, tendo a obrigação de fato, de garantir uma vida digna. Vale a pena salientar que os direitos humanos devem garantir de fato, a vida, liberdade, igualdade entre todos, independentemente do sexo, idade, etnia, riqueza, nacionalidade e etc, ou seja, todos devem ser tratados como iguais. Ao todo, existem trinta direitos humanos universais e dentre esses vale destacar os seguintes: “você tem direitos não importa aonde vá”; “direito à propriedade”; “seguridade social”; “alimentação e moradia para todos”; “um mundo justo e livre”. Você, caro leitor, deve estar se perguntando agora o porquê destacamos esses direitos, calma, iremos lhe explicar… Tendo como inspiração as ideias marxistas, o MST é um movimento de ativismo político e social brasileiro, criado em 1984 por trabalhadores rurais, ou seja, pequenos agricultores sem terra que buscam seu direito de produzir, que lutam pela democratização do acesso à terra no Brasil, lutar por uma sociedade mais justa, na busca de assegurar que o Estado efetive direitos previsto na Constituição Federal de 1988, exigindo o cumprimento da função social da terra e de outros bens. O movimento tem como reivindicações o acesso à educação e à cultura, a democratização da comunicação, a garantia de saúde e prevenção, o desenvolvimento como condições de vida digna e economicamente estável, a diversidade ética nas oportunidades iguais para todos os brasileiros, um sistema político democrático com a participação da população e a reforma agrária com uma produção agrícola organizada. Entendemos que grande parte destas reivindicações possui um paralelo horizontal com os direitos humanos, ou seja, é essencial a todo o ser humano, eles não dependem de previsão legal. É a lei que está subordinada a eles, obrigada a respeitá-los, reconhecendo sua existência, sua validade e sua eficácia concretas. De acordo com o Art. 4º do ECA “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”. Sendo assim as crianças e adolescentes que vivem no campo são cidadãos de direitos e, por isso, devem aprender e vivenciar a construção dos direitos a eles assegurados, de forma a contribuir para a diminuição de todo tipo de violência e violação desses direitos, desde a exploração do trabalho infantil até o abuso sexual na infância. Ao chegar ao acampamento, naquela manhã fria do outono de maio, nos deparamos com dezenas de barracas feitas de lona, restos de madeiras. Pelas fumaças saindo das “casas”, deu para perceber que os fogões à lenha estavam acesos, na tentativa de espantar o frio certamente. Fomos recepcionados na antiga escola do acampamento e foi a partir daí que uma das experiências mais impactantes desde inicio graduação começou. Conforme os líderes foram conversando conosco, começamos a ver uma linda forma de receptividade das mulheres: apesar das dificuldades que eles enfrentam, nos prepararam um belíssimo café da manhã, regado de café e chá bem quente, de bolos, pães. Pudemos observar que todos se uniram e estavam muito felizes com a nossa presença, assim como no Assentamento 25 de Maio, onde nos receberam com um sorriso contagiante e um almoço digno de rei. Muitas pessoas têm a visão de que movimento é composto por preguiçosos, que não querem trabalhar, que querem ganhar tudo de forma fácil, mas isso está muito longe de ser verdade. É um movimento social muito sério, composto por líderes, onde existem regras a serem cumpridas para que assim, haja uma boa convivência. Vemos na mídia em geral, notícias como “MST invade fazenda”, mas caro leitor, você sabia que o movimento não ocupa terras que possuem donos? Pois é, a grande mídia, como sempre, é muito sensacionalista. O processo de ocupação é muito cauteloso. Antes de ocuparem a terra que, em tese, não cumpra a função social ou que não tenha proprietário, é feito um mapeamento e estudo da área em questão, onde buscam saber se esses dois critérios acontecem, caso não haja documentos comprobatórios, aí sim o local é ocupado e se inicia o acampamento. Esse é um lugar provisório de um processo de moradia. Um acampamento pode durar 5, 10, 15 anos, até que haja o ganho de terras onde há a divisão entre as famílias que estão cadastradas no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, o INCRA. O movimento busca fazer frente à realidade contraditória que infelizmente existe no país, onde uns possuem tanto e outros absolutamente nada Outro ponto que queremos esclarecer para você, leitor, é que o movimento não luta apenas por seus direitos, mas por todos os brasileiros. Em cada protesto e manifestação, existem pautas, onde as reivindicações são pela saúde e educação. O MST é ligado sempre ao Partido dos Trabalhadores, onde veem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um verdadeiro líder. Porém, um dos líderes do acampamento, durante a nossa visita, foi questionado se em algum momento, em governos anteriores, eles tiveram esperança de que a reforma agrária fosse acontecer e a sua resposta foi não. Em outro momento, foi mencionado que demoraram três anos para conseguirem ter uma audiência com a então presidente Dilma Rousseff. Sabemos que tanto Lula, como Dilma, fizeram muito pelas minorias em nosso país, mas infelizmente, mesmo depois de 14 anos no poder, a reforma agrária, que é um dos motivos da luta do mst, ainda não ocorreu e milhares de famílias acampadas continuam à espera de ganhar sua tão sonhada terra. Leitor, nesse momento você pode estar se perguntando, qual o lugar das políticas públicas nesse contexto. Imagine você morando em um acampamento por anos e ganha a sua terra, como seria o seu futuro? Quando as famílias deixam o acampamento para serem assentadas, como será dali para frente? É necessário pensar em políticas públicas quando o assunto é organizar uma nova comunidade, um novo assentamento, uma vez que será necessário pensar em habitação, saúde, educação, trabalho, construindo assim um processo de cidadania. As políticas públicas fazendo parte do processo de organização de acesso da população aos direitos, infelizmente, muitas vezes encontram-se subordinadas às perspectivas dos interesses políticos e partidários, deixando a população à mercê. Em relação à Psicologia, as pessoas estão cada vez mais caindo dentro de uma lógica de normalizar, não sentindo mais a dor do outro, sentindo cada vez mais dificuldade em fazer o movimento de acolhimento, de pensar no outro, de romper as lógicas formais. Diante desse contexto faz-se necessário a atuação do psicólogo, com o objetivo de promover diálogos, intervenções e promoção de qualidade de vida. Referência Bibliográfica LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em 29 de maio d 2019 às 01:29 MST Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra http://www.mst.org.br/2018/12/12/mst-e-a-luta-por-direitos-humanos.html. Acesso em 29 de maio de 2019 às 00:54