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Programa de Pós-Graduação Lato Sensu a Distância 
SAÚDE COLETIVA 
Epidemiologia e o Processo 
Saúde-Doença 
Segunda versão 
Autor: Karla de Toledo Candido Muller 
EAD – Educação a Distância 
Parceria Universidade Católica Dom Bosco e Portal Educação 
 
 
 
 
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www.eunapos.com.br 
SUMÁRIO 
UNIDADE 1 - ASPECTOS CONCEITUAIS E DEFINIÇÃO DE EPIDEMIOLOGIA 03 
1.1 Conceitos de Epidemiologia ............................................................................. 03 
1.2 Histórico da Epidemiologia ............................................................................... 04 
1.3 Situação atual ................................................................................................... 16 
1.4 Pilares da Epidemiologia atual.......................................................................... 18 
 
UNIDADE 2 – PROCESSO SAÚDE E DOENÇA ................................................... 26 
2.1 Conceitos de Saúde ......................................................................................... 26 
2.2 Conceitos de Doença ....................................................................................... 28 
2.3 História Natural da Doença ............................................................................... 31 
2.4 Estudo dos determinantes sociais da saúde..................................................... 51 
2.5 Prevenção das doenças e promoção da saúde ................................................ 56 
 
UNIDADE 3 - ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS ..................................................... 64 
3.1 Pesquisa epidemiológica .................................................................................. 66 
3.2 Desenhos de estudos epidemiológicos ............................................................ 74 
 
UNIDADE 4 – VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA ................................................... 83 
4.1 Sistemas de informação em saúde ................................................................... 83 
4.2 Indicadores de saúde ....................................................................................... 85 
TVNI
Realce
 
 
 
 
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UNIDADE 1 - ASPECTOS CONCEITUAIS E DEFINIÇÃO DE 
EPIDEMIOLOGIA 
 
A epidemiologia é uma disciplina básica da saúde pública que procura 
compreender o processo saúde-doença relacionado às populações. Este aspecto 
coletivo é a principal diferença entre a epidemiologia e a clínica, uma vez que esta 
última estuda o processo saúde-doença em um foco individual. 
Inicialmente precisamos conhecer a origem da palavra Epidemiologia, ou 
seja, a etimologia do vocábulo: 
 
 
 
 
 
 
 
1.1 Conceitos de Epidemiologia 
"Epidemiologia é o estudo da frequência, da distribuição e dos determinantes 
dos estados ou eventos relacionados à saúde em específicas populações e a 
aplicação desses estudos no controle dos problemas de saúde" (LAST, 1995). 
De acordo com a Associação Internacional de Epidemiologia (IEA), a 
epidemiologia é a ciência que estuda o processo saúde-doença em coletividades 
humanas, analisando a distribuição e os fatores determinantes das enfermidades, 
danos à saúde e eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas 
específicas de prevenção, controle ou erradicação de doenças, e fornecendo 
indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, administração e avaliação das 
ações de saúde (ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO, 2003). 
 
Epí = sobre 
Logos = palavra, 
discurso, estudo 
 
 
Demós = povo 
Ciência do que ocorre (se abate) sobre o povo 
 
 
 
 
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Os conceitos de epidemiologia estão profundamente relacionados com o dia 
a dia de todos os cidadãos e não existe a possibilidade de ignorá-lo uma vez que 
todos nós fazemos parte dos dados epidemiológicos do nosso País. 
 
Neste momento cabe uma reflexão: 
 
O que é a Epidemiologia para você? 
Qual a sua utilidade em nossas vidas? 
 
Para respondermos a estas perguntas, precisamos conhecer a trajetória da 
epidemiologia ao longo da história da humanidade. 
 
1.2 Histórico da Epidemiologia 
 
Desde a Grécia antiga as diferenças entre a medicina individual e coletiva já 
eram notadas. De acordo com Rouquayrol e Almeida Filho (2003), o cuidado em 
saúde refletia um antagonismo ancestral entre as duas filhas do deus da medicina - 
Asclépios: Panaceia e Higeia. 
A terapia com fins curativos, de foco individualizado e sobre o doente era 
realizada por meio de manobras físicas, orações e pharmakon (medicamentos) e 
tinha Panacéia como padroeira. Entretanto, era próprio dos adoradores de Higéia o 
entendimento sobre a harmonia entre o homem e os ambientes como promotor de 
saúde e o desenvolvimento de ações preventivas, buscando equilíbrio entre os 
elementos fogo, terra, ar e água. Deriva-se então o termo higiene e simboliza a 
promoção de saúde, principalmente no sentido coletivo. 
Os primeiros relatos de assuntos epidemiológicos datam de 2.500 anos atrás. 
Hipócrates analisava as doenças em bases racionais, como produto da relação do 
indivíduo com o ambiente. Ao analisar as doenças levava em consideração o clima, 
a maneira de viver, os hábitos de comer e beber. Traduzia seu direcionamento à 
tradição Higéica. 
Scliar (2007, p.32) afirma, sobre a história do conceito saúde, que: 
http://migre.me/4dq
MA 
 
 
 
 
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www.eunapos.com.br 
Hipócrates postulou a existência de quatro fluidos (humores) 
principais no corpo: bile amarela, bile negra, fleuma e sangue. Desta 
forma, a saúde era baseada no equilíbrio desses elementos. Ele via o 
homem como uma unidade organizada e entendia a doença como 
uma desorganização desse estado. A obra hipocrática caracteriza-se 
pela valorização da observação empírica, como o demonstram os 
casos clínicos nela registrados, reveladores de uma visão 
epidemiológica do problema de saúde-enfermidade. [...] Essas 
observações não se limitavam ao paciente em si, mas a seu 
ambiente. 
 
O texto escrito por Hipócrates “Ares, águas, lugares” trata 
da relação entre a doença e os fatores ambientais, 
abordando o conceito ecológico de saúde-doença. Tal 
texto é o precursor da teoria dos miasmas, originário da 
crença de que a “má qualidade do ar” era responsável pelo 
desenvolvimento das doenças. A teoria defendia as 
emanações de regiões insalubres que tinham a capacidade 
de causar doenças como a malária (do latim “maus ares”), 
muito comum no sul da Europa (SCLIAR, 2007). 
Fonte: http://migre.me/4dqOJ 
 
Galeno, filósofo e médico hábil e experiente, 
desenvolveu um sistema totalmente contrário ao preconizado 
por Hipócrates, combatendo as doenças com substâncias que 
agiam sobre os sinais e sintomas, distribuídas em larga 
escala. Realizou, na Roma antiga, os primeiros censos 
periódicos de nascimentos e óbitos, descrevendo numerosas 
obras em grego. 
 
Fonte: http://migre.me/4dqRP 
 Na Idade Média, os saberes foram suprimidos e a saúde passou a ter um 
caráter mágico-religioso. Este período é marcado pelas batalhas entre religiões, com 
um aumento na força do Cristianismo e invasões dos bárbaros. Seu período é 
delimitado entre o ano de 476 d.C., depois da queda do Império Romano do 
Ocidente até 1453, com a queda do Império Romano do Oriente. 
http://migre.me/4dqOJ
http://migre.me/4dqRP
 
 
 
 
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Fonte: http://migre.me/4dqX5 
 
Alguns historiadores referem-se à peste negra como o pior desastre humano 
do continente Europeu em decorrência de sua alta letalidade. Sua transmissão se 
dava pelas pulgas dos ratos em contato com o homem. Entretanto, as más 
condições de higiene contribuíam para esta mortalidade (ROUQUAYROL; ALMEIDA 
FILHO, 2003). 
A salvação da alma era considerada superior a tudo e poderia ser paga com a 
perdição do corpo individual. Neste contexto, os menos afortunados tinham seus 
males “tratados” por religiosos em atos de caridade e também por outros leigos. Já 
na aristocraciahavia o cuidado com a saúde promovida por médicos (SANTOS, 
2006). 
A doença era sinal de desobediência ao mandamento divino. A 
enfermidade proclamava o pecado, quase sempre em forma visível, 
como no caso da lepra. [...] Em primeiro lugar, porque tal tratamento 
não estava disponível; em segundo, porque a lepra podia ser doença, 
mas era também, e, sobretudo, um pecado. O doente era isolado até 
a cura, [...] ele era proibido de ter contato com outras pessoas ou 
enviado para um leprosário. Esse tipo de estabelecimento era muito 
comum na Idade Média, em parte porque o rótulo de lepra era 
frequente, sem dúvida abrangendo numerosas outras doenças. 
(SCLIAR, 2007, p.30) 
 
A Medicina árabe teve seu apogeu no século X com a prática precursora da 
saúde pública e suas valiosas bibliotecas. As casas e as ruas eram limpas e as 
cidades possuíam saneamento. Médicos mulçumanos, com acesso aos textos 
gregos originais, adotaram os princípios hipocráticos, desenvolvendo organização 
http://migre.me/4dqX5
 
 
 
 
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social, com registros de dados demográficos, sanitários e de vigilância 
epidemiológica. 
 
 
Figura 1 – Médico árabe utilizando ferros em brasa para cauterizar as feridas 
dos leprosos, na Idade Média 
Fonte: http://migre.me/4dqYv 
 
Os precursores da ‘medicina do coletivo’ são figuras históricas de Avicena e 
Averróes (como eram chamados no Ocidente). 
O médico e filósofo persa Avicena (980-1037) foi autor do “Canon da 
medicina”, considerado o principal tratado clínico da era medieval tardia, que, dessa 
forma, trouxe novamente os ensinamentos de Hipócrates e Galeno para a medicina 
Ocidental (PEREIRA, 2006). 
Averróes (1126–1198), também filósofo e médico, além de promover as ações 
de saúde higiênicas, foi um dos principais tradutores e comentadores das obras de 
Aristóteles. Segundo Pereira (2006, p.2), “apesar de terem vivido em épocas 
http://migre.me/4dqYv
 
 
 
 
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distintas e em pontos opostos do império mulçumano, ambos compartilhavam uma 
modalidade de filosofia materialista e racionalista [...]” 
O ensino médico e a organização sanitária tiveram um progresso rápido. 
Curiosamente, as primeiras leis higiênicas consideradas fundamentais para a saúde 
na época são atribuídas a Maomé (SANTOS, 2006). A retomada de processos 
preventivos no ocidente, marcado pelo Renascimento, somente foi possível pela 
conservação dos textos médicos nas bibliotecas árabes durante o sombrio período 
medieval. 
A clínica moderna tem como fundador o médico e político inglês Thomas 
Syderham (1624-1689), também considerado um precursor da ciência 
epidemiológica, de caráter hipocrático. Ele realizou meticulosas observações 
antecipadoras, a chamada medicina científica e desenvolveu o conceito de “história 
natural das enfermidades”, adotado no século XX como medicina preventiva 
(ROUQUAYROL; ALMEIDA FILHO, 2003). 
No século XVII, o inglês John Graunt (1620-1674) desenvolveu um tratado 
sobre as tabelas mortuárias em Londres, identificando as 
taxas de mortalidade por sexo e região (urbano e rural) e 
quantos óbitos ocorriam em relação ao total da população. 
Seus registros identificaram elevadas taxas de mortalidade 
infantil e a relação entre as variações sazonais e o 
aumento de doenças específicas na população. É 
considerado o precursor dos estudos de demografia e das 
estatísticas vitais, a bioestatística (LAST, 1995). 
 
Fonte: http://migre.me/4dr0N 
 
No século XIX a Europa foi o centro das ciências em decorrência da 
Revolução industrial, êxodo rural e a ocorrência das epidemias de cólera, febre 
tifóide e febre amarela. Os estudiosos se dividiam entre a teoria dos miasmas e a 
teoria dos germes. 
Em 1835, o Francês Pierre Charles Alexandre Louis (1787-1872) introduziu o 
método estatístico na contagem dos eventos, aplicando métodos de pesquisa 
quantitativa à medicina clínica e revelou a letalidade da pneumonia em relação à 
época em que era iniciado o tratamento por sangria (PEREIRA, 2006). 
 
 
 
 
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Louis Villermé (1782-1863) foi pioneiro nos 
estudos sobre a origem social dos agravos. Investigou 
a estreita relação entre a situação socioeconômica e a 
mortalidade (saúde dos trabalhadores das indústrias 
de algodão, lã e seda). Publicou um relatório com o 
resultado de seus estudos sobre a mortalidade nos 
bairros de Paris (Tableau del’état physique et moral 
des ouvriers), concluindo que havia uma íntima 
relação entre a mortalidade e o nível de renda 
(PEREIRA, 2006; SCLIAR, 2007). 
 Fonte: http://migre.me/4dr76 
 
Estes estudos eram necessários porque a industrialização estava gerando 
doenças. Os padrões de regime de trabalho em nada se pareciam com os atuais e a 
saúde do trabalhador era ignorada. O que se via então eram trabalhadores doentes 
e isto gerava perdas financeiras para as indústrias e preocupava os sistemas 
públicos de saúde. Foi a partir de estudos sobre morbidade e qualidade de vida de 
trabalhadores que, lentamente, houve modificações nas 
legislações trabalhistas. 
O inglês William Farr foi o primeiro investigador a 
examinar séries temporais de morbimortalidade para longos 
períodos. Trabalhou 40 anos no Escritório Geral de registros da 
Inglaterra onde desenvolveu uma classificação das doenças, 
descrição das leis das epidemias sobre mortalidades (lei de 
Farr). 
Fonte: http://migre.me/4dr9m 
 
Os estudos deste renomado médico sanitarista e estatístico lhe permitiram 
identificar a média de vida da população, de acordo com a idade. Posteriormente se 
juntou a John Snow no estudo da cólera (FERNANDES, 2002; PEREIRA, 2006). 
A Inglaterra mostrava-se avançada em relação aos demais países quando se 
tratava de registros epidemiológicos, apesar de não receberem este nome na época. 
Atitudes corriqueiras atuais de registros de número de pessoas que nascem e que 
morrem, ou o mapeamento de doenças infecto-contagiosas não eram consideradas 
http://migre.me/4dr76
http://migre.me/4dr9m
 
 
 
 
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importantes. Havia uma visão muito pontual das doenças. Daí a importância de 
pesquisadores, na época gestores, com esta visão de controle sobre as doenças. As 
ações mais incisivas em saúde, desenvolvidas naquela época, surgiram das 
observações sobre o comportamento coletivo dos processos de doenças. 
O médico húngaro Ignaz Semmelweis (1818-1865) identificou uma alta taxa 
de morte puerperal na maternidade do Hospital Geral de Viena entre os anos de 
1841-1846. Suas observações sistemáticas demonstraram que os estudantes 
vinham às enfermarias realizar exames nas puérperas, logo após dissecações na 
sala de autópsia, causando maior taxa de mortalidade em relação à outra enfermaria 
onde esta rotina não acontecia da mesma forma. Ele suspeitou que os estudantes 
contaminavam as mulheres com algo infeccioso, apesar de não se saber o que era, 
de fato. 
Após a implantação do hábito rotineiro de higiene e desinfecção nas mãos, a 
mortalidade de puérperas em ambas as enfermarias da maternidade diminuíram 
drasticamente, entretanto, suas conclusões não foram aceitas por seus colegas 
(PEREIRA, 2006) 
A observação sistemática de maior impacto na história da epidemiologia, com 
uma grande repercussão até para os dias atuais, foi a identificação da contaminação 
da água como desencadeadora do cólera, que ao longo da história humana já havia 
matado milhares de pessoas. 
Foi o médico inglês anestesiologista John Snow quem 
publicou em 1855 informações referentes às investigações 
sobre os modos de transmissão do cólera, décadas antes da 
descoberta dos micro-organismos, baseando-se em dados de 
duas epidemias que ocorreram em Londres nos anos de 1849 
e 1854. 
Fonte: http://migre.me/4drd2 
O médico, responsável pelo ministério da saúde da cidade, após severo 
mapeamento dos doentes identificou o consumo de água poluída como responsável 
pelos episódiosda doença e traçou os princípios de prevenção e controle de novos 
surtos válidos ainda hoje, contrariando a teoria dos miasmas. Precursor da 
epidemiologia de campo sistematizou a coleta planejada de dados (LILIENFELD; 
LILIENFELD, 1980; PERERIRA, 2006). 
http://migre.me/4drd2
 
 
 
 
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A observação sistemática desenvolvida por Snow mostrava que algumas 
pessoas de locais não contaminados visitavam locais com grande número de casos, 
mas não desenvolviam a doença, enquanto outros contraíam o cólera. O que 
intrigava o médico era que quando o sujeito infectado voltava à sua região, este não 
contaminava os demais. Mas, identificar o modo de contágio era essencial para o 
controle da epidemia. 
Entrevistas individuais mostraram uma relação entre a ingestão de alimentos 
ou água e os indivíduos contaminados e por método de exclusão, chegou-se ao que 
havia de comum entre o estilo de vida e hábitos rotineiros dos indivíduos infectados. 
Deste modo, a relação entre a origem da água e os casos de cólera fica 
estabelecida, já que não havia apenas um reservatório de água na cidade, e que 
diferentes partes do rio Tâmisa abasteciam as diversas regiões e este fato explicaria 
por que algumas regiões tinham doentes e outras não. 
Um grande divisor no desenvolvimento de doenças foi a descoberta de Louis 
Pasteur (1822-1895) que identificou e isolou numerosas bactérias, identificou e 
estudou a fermentação alimentar (processo que originou as fermentações de 
alimentos e de bebidas alcoólicas), investigação de bactérias patogênicas e os 
princípios da “pasteurização” em 1865. A partir de então, com a descoberta dos 
agentes causais das doenças, a teoria dos miasmas perde força e credibilidade 
(PEREIRA, 2006). 
Na sua descoberta Pasteur associou o calor como um purificador de 
substâncias. Mas quando as substâncias entravam 
novamente em contato com o ar ambiente, perdia sua 
“pureza” e era possível encontrar colônias de bactérias 
neste material. Parte do material (meio de cultura) que 
ficava protegido, isolado, permanecia estéril. 
O início do século XX foi marcado pela grande 
influência da microbiologia. A formação do profissional 
sanitarista centrava-se no laboratório, e os demais ramos 
da medicina eram subordinados a este conhecimento. 
De acordo com Pereira (2006, p. 10): 
 Fonte: http://migre.me/4drjx 
 
http://migre.me/4drjx
 
 
 
 
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[...] comprovou-se fartamente que seres microscópicos, dotados de 
características especiais, minuciosamente descritas, 
desempenhavam papel predominante na gênese de muitas doenças. 
A clínica e a patologia tornaram-se subordinadas ao laboratório, que 
ditava também padrões para a higiene e para a legislação sanitária. 
 
Neste momento, a saúde coletiva fica fragilizada e perde seu principal foco, o 
contato direto com a população, com o coletivo. 
Havia uma tendência a explicar todas as doenças por meio da ação de um 
agente causal. As doenças infecto-contagiosas matavam em larga escala e atraíam 
a atenção de todos o cientistas da época. Apesar de sabermos quão equivocada é 
esta posição, ela foi, de certo modo, adequada para o controle das diversas “pragas” 
existentes naquele período. Graças às ações dos grandes médicos cientistas, foram 
erradicadas doenças letais. 
No Brasil, no início do século XX, Oswaldo Cruz (1872-1917) fundou, em 
Manguinhos (RJ), o Instituto que leva seu nome, nos moldes do Instituto Pasteur 
(Paris), propiciando pesquisas e investimentos na área, além de combate à febre 
tifóide, febre amarela, peste bubônica e a varíola. A campanha de vacinação contra 
febre amarela foi executada com disciplina militar. As vacinações, de modo geral, 
causavam grande insatisfação popular pelo descrédito em relação a elas, somadas 
às medidas de demolição de imóveis insalubres (que permitiam a proliferação de 
ratos e dificultavam o controle da peste bubônica), desencadeando a Revolta das 
vacinas que ocasionou a morte de 30 pessoas, com 110 feridos e centenas de 
prisões efetuadas (MEDRONHO et al, 2009). 
Outros sanitaristas como Carlos Chagas (1879-1934), Adolfo Lutz (1855-
1940) (febre amarela) e Emílio Ribas (1862-1925) se destacaram pelas suas 
contribuições no combate a diferentes moléstias (PEREIRA, 2006). 
 
 
 
 
13 
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 Oswaldo Cruz 
http://migre.me/4dt6m 
 
 Carlos Chagas 
http://migre.me/4dt8P 
 
Adolfo Lutz 
http://migre.me/4dt9M 
 
Emílio Ribas 
http://migre.me/4dtft 
Figura 2 - Grandes sanitaristas brasileiros 
 
Apesar de o saneamento básico ser uma preocupação antiga da humanidade, 
com relatos desde a era Romana, algumas modificações aconteceram, em 
decorrência da teoria dos germes. O foco do saneamento ambiental, no controle de 
doenças contagiosas, visava ao combate dos miasmas. Assim, procurava-se projetar 
ruas largas, com rica ventilação, reservatórios de água. Os médicos eram 
consultados pelos governos e influenciavam no desenvolvimento geográfico das 
cidades. 
A urbanização do centro da cidade do Rio de Janeiro, com a 
drenagem de pântanos e a demolição de morros, desde os meados 
do século XIX, foi profundamente influenciada pelos profissionais de 
saúde que, na época, comungavam da visão miasmática das causas 
das doenças. Mas as descobertas científicas, ocorridas na medicina 
e na biologia fizeram com que o meio ambiente pudesse ser 
estudado mais cientificamente, colocando em destaque seu papel na 
transmissão [...]. O campo de investigação expandiu-se, para incluir 
os vetores e os reservatórios de agentes, o que resultou no 
esclarecimento do ciclo dos parasitas, ampliando as possibilidades 
de prevenção (PEREIRA, 2006. p.10). 
 
Após o final da Segunda Grande Guerra (1945), a Fundação Rockefeller 
passou a influenciar fortemente a formação do pensamento sanitário no Brasil. Após 
a II Grande Guerra, ficava fortalecida a ideia do controle e até mesmo da erradicação 
de doenças endêmicas, com o apoio da Organização Pan-Americana de Saúde 
(OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), sob influência do governo 
http://migre.me/4dt6m
http://migre.me/4dt8P
http://migre.me/4dt9M
http://migre.me/4dtft
 
 
 
 
14 
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americano. Dentre estas ações, podemos citar a erradicação da malária e 
temporariamente do Aedes aegypti (MEDRONHO et al, 2009), 
Em 1960, com o desenvolvimento da campanha de erradicação da varíola 
assim como da poliomielite 10 anos mais tarde, torna-se respeitado e consolidado o 
Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica no Brasil (MEDRONHO et al, 2009). 
 
Curiosidade 
Registros epidemiológicos sobre a varíola apontam um número aproximado 
de vítimas durante o século XX, de quase 500 milhões de pessoas. Esta foi 
considerada uma das doenças mais devastadoras da história da humanidade. A 
doença não tem cura e a vacinação é o único modo de controle. Em 1970, A OMS 
promoveu uma campanha mundial de vacinação O último caso de varíola no mundo 
foi registrado na Somália em 1977 (BRASIL, 2005). 
 
Fonte: http://migre.me/4dEvc 
Figura 3 - Criança infectada por varíola, com pústulas típicas desta 
enfermidade 
 
Na segunda metade do século XX houve uma grande mudança das doenças 
prevalentes de infecciosas para as doenças crônicas e degenerativas como causa 
de mortalidade e morbidade. O trajeto e desenvolvimento das doenças infecto- 
contagiosas era conhecido e muitas delas eram erradicadas em grande parte dos 
países. A qualidade de vida das populações, de modo geral, melhorou, aumentando 
a longevidade e permitindo o aparecimento de um novo desenho epidemiológico, 
http://migre.me/4dEvc
 
 
 
 
15 
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relacionado tanto à cronicidade de patologias como à degeneração natural do 
organismo (SOARES et al., 2001). 
Neste período, doenças de causas externas também ganhavam amplitude 
(acidentes de trânsito ou de trabalho, homicídios, envenenamentos,dentre outras), 
assim como os desvios nutricionais (obesidade, desnutrição, anemia). Diversos 
fatores de risco foram mapeados (tabagismo, hipercolesterolemia, atividade física, 
etc.) e o foco dos tratamentos também incluía a prevenção pela minimização de 
fatores de risco (SOARES et al., 2001). 
A determinação das condições de saúde da população (inquéritos de 
morbidade e de mortalidade) e a busca sistemática de fatores antecedentes ao 
aparecimento das doenças, que possam ser rotulados como agentes ou fatores de 
risco (rubéola, cigarro, e coronariopatias) fortalecem os estudos epidemiológicos e 
sua relevância. 
A avaliação da utilidade e da segurança das intervenções propostas para 
alterar a incidência ou a evolução da doença, através de estudos controlados 
(estreptomicina na tuberculose, fluoretação da água, vacina contra poliomielite) 
passa a servir de subsídios de ações em saúde (PEREIRA, 2006). 
 
 
Exercício 1 
 
Marque a alternativa INCORRETA: 
a) a) Desde a Grécia antiga os cuidados em saúde são divididos entre a prevenção e o 
tratamento das doenças. 
b) b) Na Grécia, o médico Hipócrates analisava a origem das doenças e sua relação 
com o ambiente. Entretanto, tempos depois em Roma, Galeno preconizava o 
contrário, com medicações em larga escala. 
c) c) A peste negra foi considerada como o pior desastre humano do continente e foi 
amplamente estudada pelos epidemiologistas da Idade Média. 
d) d) Com o advento do Renascimento, houve uma retomada de processos 
preventivos disseminados por Hipócrates e outros estudiosos, graças à 
conservação dos textos médicos nas bibliotecas árabes. 
 
 
 
 
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e) e) Os primeiros registros de morbimortalidade foram desenvolvidos por John 
Graunt, em Londres, no século XVII. 
 
1.3 Situação atual 
Praticamente todos os agravos à saúde já foram ou estão sendo estudados 
através de estudos epidemiológicos, levando-se em consideração o complexo 
modelo de multicausalidade. A partir deste modelo, surge a necessidade da 
epidemiologia analítica, com maior rigor nas análises estatísticas e metodológicas. 
Não cabe mais o estudo apenas de fatores físicos e biológicos (PEREIRA, 2006). 
Barata (2000) ressalta em seus relatos que “as explicações da teoria da 
multicausalidade caracterizam-se por incluir aspectos relativos à organização da 
sociedade e à cultura entre fatores que contribuem para a produção das doenças, 
sem que constituam necessariamente determinantes do processo”. É nesta 
incorporação dos princípios da psicologia e sociologia que se tornam evidentes as 
dificuldades de explicações sobre a grande maioria das questões de etiologia e 
prognóstico das doenças apenas pela ação dos agentes microbianos e físicos. 
A teoria da multicausalidade considera a saúde como sendo determinada por 
um conjunto de fatores agrupados, em quatro grandes categorias: 
 estilo de vida; 
 ambiente; 
 organização dos cuidados; 
 biologia humana . 
Para entendermos melhor a amplitude da Epidemiologia é necessário 
conhecermos como a população fica vulnerável às doenças, ou seja, o que nos torna 
mais ou menos propenso ao desenvolvimento de quadros patológicos. Mas, é 
fundamental uma visão que contemple a Saúde e somente depois o 
desenvolvimento de doenças e a distinção entre ações individualizadas e coletivas 
de saúde. 
Soares et al (2001, p.184) procuram diferenciar os tipos de ações em atenção 
clínica e coletiva fazendo o seguinte comparativo: 
[...] diferentemente da Clínica, que estuda o processo saúde-doença 
em indivíduos, com o objetivo de tratar e curar casos isolados, a 
Epidemiologia se preocupa com o processo de ocorrência de 
 
 
 
 
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doenças, mortes, quaisquer outros agravos ou situações de risco à 
saúde na comunidade, ou em grupos dessa comunidade, com o 
objetivo de propor estratégias que melhorem o nível de saúde das 
pessoas que compõem essa comunidade. Um dos meios para se 
conhecer como se dá o processo saúde-doença na comunidade é 
elaborando um diagnóstico comunitário de saúde. O diagnóstico 
comunitário, evidentemente, difere do diagnóstico clínico em termos 
de objetivos, informação necessária, plano de ação e estratégia de 
avaliação. 
 
O quadro abaixo demonstra as principais diferenças entre diagnóstico clínico 
e epidemiológico. 
 
Quadro 1 - Diferenças entre as características observadas no diagnóstico 
clínico e no diagnóstico epidemiológico 
 Diagnóstico Clínico Diagnóstico Epidemiológico 
Tipo de Diagnóstico Individual Comunitário 
Objetivo Curar a doença da pessoa 
Melhorar o nível de saúde da 
comunidade 
Informação necessária 
História Clínica 
Exame Físico 
Exames complementares 
Dados sobre a população 
Doenças existentes 
Causas de morte 
Serviços de saúde, etc. 
Plano de ação 
Tratamento 
Reabilitação 
Programas de saúde prioritários 
Avaliação 
Acompanhamento 
Clínico 
Mudança no estado de saúde 
da população 
Fonte: Adaptado de Vaughan e Morrow (1992) 
 
Exercício 2 
Marque a alternativa INCORRETA: 
a) a) Ainda hoje as doenças infecciosas são a principal causa de morte no Brasil, 
sendo foco principal dos epidemiologistas e das ações de políticas públicas em 
saúde. 
 
 
 
 
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b) b) No período em que vigorava a teoria dos miasmas, os hospitais eram 
remodelados ou construídos utilizando arquitetura que promovesse grandes 
passagens de ar, evitando o contágio de doenças e melhorando o ar das 
enfermarias. 
c) c) Na Era Medieval, as doenças eram atribuídas a espíritos malignos e o tratamento 
era realizado por orações e ervas sendo a cura atribuída a milagres obtidos através 
da súplica, mortificação e arrependimento dos pecados. 
d) d) Louis Pasteur identificou e isolou as bactérias identificando os agentes causais 
das doenças. Assim, a teoria dos miasmas perde força e credibilidade. 
e) Graças às pesquisas desenvolvidas por grandes sanitaristas brasileiros como 
Oswaldo Cruz, Carlos Chagas, Adolfo Lutz e Emílio Ribas doenças letais como 
febre tifóide, peste e varíola foram erradicadas no Brasil. 
 
1.4 Pilares da Epidemiologia atual 
Com o desenvolvimento da epidemiologia, conforme já descrito, os estudos da 
epidemiologia expandiram-se para as áreas clínica e social e foram contemplados 
nos currículos de graduação de todos os profissionais da saúde. Desta maneira, 
Pereira (2006) subdivide o conhecimento em epidemiologia em três pilares: Ciências 
Biológicas, Ciências Sociais e Estatística, conforme discutiremos a seguir: 
 
 
Figura 4 – Pilares da epidemiologia atual 
Fonte: Elaboração própria 
PPIILLAARREESS DDAA 
EEPPIIDDEEMMIIOOLLOOGGIIAA 
AATTUUAALL 
CCllíínniiccaa 
((CCiiêênncciiaass BBiioollóóggiiccaass) 
EEssttaattííssttiiccaa 
((CCiiêênncciiaass EExxaattaass)) 
MMeeddiicciinnaa SSoocciiaall 
((CCiiêênncciiaass SSoocciiaaiiss)) 
 
 
 
 
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a) Ciências Biológicas 
Nos conhecimentos biológicos encontramos o embasamento necessário 
para a compreensão das doenças e assim podemos identificar, descrever e 
classificar adequadamente os diversos tipos 
patogênicos existentes. 
A associação entre a clínica, a microbiologia, a 
patologia, a parasitologia, a imunologia, etc, de acordo 
com Pereira (2006, p.13), “contribui para que se atinja 
um maior grau de precisão na determinação da 
frequência com que estão ocorrendo na população, o 
que se reflete na qualidade dos estudos de correlação e 
nas pesquisas de maneira em geral”. 
Fonte: http://migre.me/4drMj 
 
b) Ciências Sociais 
A sociedade, como está organizada, oferece 
proteção aos indivíduos, mas também determina os 
riscos de adoecer, bem como o maior ou menor acesso 
à prevenção das doenças e à promoção e recuperação 
da saúde. Pereira (2006, p.13) completa suas 
fundamentações sobre as influências da sociedade 
sobre a saúde afirmando: 
Fonte: http://migre.me/4ds6ZAs ciências sociais dispõem de teorias e métodos, além de toda 
uma tradição em pesquisa, que estão sendo trazidos para 
epidemiologia como instrumentos e formas de abordagem a serem 
empregadas na investigação das relações entre a saúde e 
sociedade. 
 
c) Estatística 
“É a ciência e a arte de coletar, resumir e analisar dados sujeitos e variações” 
(LAST, 1995). Tem papel de destaque na determinação e seleção da amostra, na 
análise dos dados, nas associações e controle das variáveis, etc. Garante a 
aleatoriedade da amostra e o controle das variáveis que influenciam na leitura dos 
http://migre.me/4drMj
http://migre.me/4ds6Z
 
 
 
 
20 
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dados coletados. A estatística deve estar presente 
desde o planejamento da pesquisa epidemiológica, 
estimando o tamanho da amostra necessária para 
garantir uma abrangência adequada da população ou 
evento estudado. A utilização da informática por meio 
dos programas estatísticos para análise de grandes 
grupos amostrais dinamizou as tarefas de cálculo, 
aproximando ainda mais as duas áreas. 
 Fonte: http://migre.me/4dtRX 
Katz (2001) divide em 9 tópicos as contribuições da epidemiologia às 
ciências médicas. São elas: 
1. Realizar investigação epidemiológica do modo de transmissão de novas 
patologias, possibilitando o conhecimento sobre os determinantes do processo 
saúde/doença. Principalmente a identificação do agente 
causal ou fatores relacionados à causa dos agravos à 
saúde. 
 Estudos epidemiológicos e de vigilância em 
saúde permitem formulação de hipóteses sobre a história 
natural de doenças pouco conhecidas, como, por 
exemplo, gripe aviária (Influenza H5N1) e gripe suína 
(Influenza A H1N1). 
Fonte: http://migre.me/4g903 
 
Vamos exemplificar para melhor compreensão, analisando a reportagem 
publicada pela Revista Veja.com, de Agosto de 2009. Disponível em: 
<http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/gripe_suina/gripe-
suina.shtml>. 
 
Tomamos como referência a gripe suína, por esta ser a epidemia mais 
recente. Os primeiros casos foram identificados em março de 2009, no México. 
http://migre.me/4dtRX
 
 
 
 
21 
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Centenas de pessoas começaram a procurar unidades de saúde com sintomas de 
febre acima de 38º, tosse, dor nas articulações, prostração e dificuldade respiratória. 
Inicialmente, pensava-se tratar de uma gripe comum, mas a quantidade de casos e 
os desfechos com vários casos de óbitos (em abril de 2009 somavam-se 
aproximadamente 149 mortes no México) alertaram os governantes, as vigilâncias 
sanitárias de diversos países, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a 
Organização das Nações Unidas (ONU). Havia o risco de uma nova Pandemia 
Mundial, por um devastador efeito dominó. 
Este padrão de disseminação foi comprovado quando casos foram 
identificados em outras partes do mundo, incluindo os Estados Unidos, Canadá, 
América Latina, Ásia, Europa e Austrália. 
Para conhecer o tipo de patologia com que estavam lidando, médicos 
patologistas isolaram e identificaram o vírus Influenza A H1N1. A gripe recebeu o 
nome de ‘suína’ pois um teste de laboratório mostrou semelhança entre os genes 
deste vírus e do vírus precursor de gripe em porcos da América do Norte. Mais 
tarde, foi comprovada a diferença entre estes, demonstrando que o vírus da nova 
gripe continha material genético dos vírus humanos, de aves e suínos. 
Apesar do nome e do temor da população, ficou estabelecido que o contágio 
não ocorria por ingestão de carne de porco, mas por via aérea, de pessoa para 
pessoa, principalmente pelo contato com gotículas contaminadas expelidas em 
tosses e espirros. Ficou comprovada uma maior contaminação em locais fechados e 
entre indivíduos com menos hábitos de higiene, principalmente relacionado à 
lavagem das mãos. 
Depois de identificados epidemiologicamente os meios de transmissão desta 
nova doença, os estudos focaram-se em medidas de controle em que as pessoas 
infectadas foram tratadas com uso de medicamentos (Tamiflu®), mantidas em 
isolamento, assim como sua família também ficava em observação. A vigilância 
epidemiológica de vários países lançou mão de manter em quarentena as pessoas 
que viajaram para locais de maior incidência da doença, assim como os que tinham 
contato com pessoas contaminadas. 
 
 
 
 
 
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2. Identificação das causas evitáveis, entendendo a causa dos agravos à 
saúde. Após identificação da causa da doença e seu modo de transmissão, é 
possível desenvolver ações para interrupção do processo patogênico (ex: vacinação, 
isolamento, hábitos relacionados, aconselhamento genético). 
 
Quadro 2 - Categoria de causas evitáveis (Fatores BEINGS) 
B Biológicos e Comportamentais 
E Ambientais (Environmental) 
I Imunológico 
N Nutricionais 
G Genéticos 
S Outros (Services, Social, Spiritual) 
Fonte: Adaptado de Katz (2001) 
 
3. Compreensão da história natural das doenças, determinando os modos 
de transmissão, os fatores contribuintes aos agravos à saúde, e também identificar e 
explicar os padrões de distribuição geográfica das doenças. 
Estudos epidemiológicos permitem distinguir as causas sociais das 
ambientais, assim como os mecanismos biológicos das doenças. Por exemplo: a 
ingestão excessiva de gorduras e açúcares junto com o sedentarismo contribuem 
para o surgimento do diabetes. A hiperglicemia sanguínea caracteriza o mecanismo 
biológico da doença. 
 
4. Conhecimento das características biológicas das doenças. A maioria das 
doenças apresenta uma variação da sua gravidade nos indivíduos, sendo que os 
casos mais graves de doenças desconhecidas certamente chamam mais a atenção. 
Esta variação é explicada pelo fenômeno de iceberg. A Organização Mundial 
da Saúde o define como uma evidência de pequena porção de casos clínicos em 
relação à elevada proporção de infecções inaparentes de determinadas doenças 
(BRASIL, 1983). 
 
 
 
 
23 
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* Casos assintomáticos incluem casos sintomáticos que não procuram o serviço de saúde, os casos 
que procuram o serviço de saúde, mas não são diagnosticados e os casos diagnosticados, mas não 
registrados e/ou informados 
Figura 5 – Fenômeno de iceberg 
Fonte: Elaboração própria 
 
5. Avaliação das intervenções em saúde coletiva, desenvolvendo 
tecnologias efetivas para a descrição e a análise das situações de saúde, 
fornecendo subsídios para o planejamento e a organização das ações de saúde. Por 
exemplo: vigilância de determinada doença após implantação de um tratamento 
específico ou vacina, também em avaliações sobre a eficácia de programas públicos 
de saúde provendo dados para a administração e avaliação de serviços de saúde. 
6. Classificação de prioridades no controle das doenças e auxílio no 
planejamento das medidas preventivas bem como o desenvolvimento de serviços de 
saúde. As prioridades referem-se não somente à magnitude do problema de saúde 
como nas projeções dos efeitos futuros. Determinação de como os recursos 
destinados à prevenção e controle de doenças possam ser melhor aproveitados. 
7. Aprimoramento do diagnóstico, tratamento e prognóstico das 
doenças, identificando quais testes são mais apropriados e mais acurados, 
comparando diferentes tipos de tratamento e selecionando o mais eficiente. Melhora 
a compreensão da história natural de uma doença e seu prognóstico. 
Casos Invisíveis 
ou “portadores” 
Morte 
Doença clínica 
Quadros assintomáticos * 
Casos visíveis ou 
conhecidos 
 
 
 
 
 
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A triagem neonatal é um bom exemplo de diagnóstico precoce de várias 
doenças que podem ser identificadas desde o nascimento evitando agravos, por 
vezes irreversíveis, à saúde da população. 
A triagem neonatal é uma ação preventiva que permite fazer o 
diagnóstico de diversas doenças congênitas ou infecciosas, 
assintomáticas no período neonatal,a tempo de se interferir no curso 
da doença, permitindo, desta forma, a instituição do tratamento 
precoce específico e a diminuição ou eliminação das sequelas 
associadas a cada doença (BONINI-DOMINGOS, 2010, p.99). 
 
 
 
Fonte: http://migre.me/4dM3C 
 
8. Melhora na qualidade de pesquisas em saúde com vistas ao controle de 
doenças. A metodologia epidemiológica pode ser empregada na avaliação de 
programas, atividades e procedimentos preventivos e terapêuticos, tanto no que se 
refere a sistemas de prestação de serviços quanto ao impacto das medidas de 
saúde na população. Os dados permitem diferenciar as necessidades regionais e 
direcionar novas pesquisas em saúde. 
9. Testemunhando em processos legais. De acordo com Katz (2001), “os 
epidemiologistas podem testemunhar em processos relativos a produtos perigosos, 
riscos e efeitos da exposição ambiental, doenças ocupacionais, responsabilidade 
médica e de produtos”. 
 
 
 
 
 
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Exercício 3 
 
Marque a alternativa correta: 
a) a) A epidemiologia é uma disciplina que eventualmente pode compor a grade 
curricular dos cursos da saúde que procura compreender o processo saúde-doença 
relacionado às populações. 
b) b) A epidemiologia é a ciência que estuda o processo saúde-doença no indivíduo, 
analisando os fatores que determinam as doenças. 
c) c) Dentre as ações do epidemiologista inclui-se determinar o modo de transmissão 
das doenças e racionalizar recursos de saúde. 
d) d) O aspecto coletivo é a principal diferença entre a epidemiologia e a clínica, 
porque não estuda o processo saúde-doença com foco individual. 
e) e) Quando não há controle das doenças por método terapêutico tradicional, a 
epidemiologia procura identificar os fatores complicadores e não totalmente 
compreendidos pelos profissionais da saúde. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 2 – PROCESSO SAÚDE E DOENÇA 
 
Para tornar possíveis as análises sobre a saúde, bem como sobre o processo 
de adoecimento de uma população, são necessários conhecimentos básicos sobre o 
conceito de saúde e doença. A partir de então, poderemos aprofundar as discussões 
sobre a história natural das doenças no homem. 
Para compreendermos melhor o conceito da mutualidade saúde–doença 
precisamos inicialmente fragmentá-las para depois reintegrá-las dentro dos demais 
fatores envolvidos. 
 
2.1 Conceitos de Saúde 
Vários conceitos procuram denominar o termo saúde ou o que é ser saudável. 
Conforme já descrito acima, a OMS em 1948, definiu saúde como “estado completo 
de bem-estar físico, mental e social e não meramente ausência de doença” e implica 
o reconhecimento do direito à saúde e da obrigação do Estado na promoção e 
proteção da saúde (PEREIRA, 2006). Esta é uma visão um tanto utópica, já que o 
ser social está cotidianamente exposto a questões que podem momentaneamente 
ou de forma mais incisiva, 
desestabilizar esta situação. 
Vejamos um exemplo: Um 
homem, chefe de família, está 
passando por situação de estresse no 
trabalho, com rumores de corte de 
funcionários e suas características, 
como idade mais avançada, estariam 
na mira dos gestores da empresa. 
 Fonte: http://migre.me/4dsfk 
 
Como poderemos afirmar que ele está com um completo bem-estar psíquico 
quando sofre tamanha pressão? 
http://migre.me/4dsfk
 
 
 
 
27 
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Em uma outra hipótese, podemos citar o caso de centenas de brasileiros 
desempregados, passando por situações de desfavorecimento social, onde pode 
ocorrer desde a diminuição da renda familiar a complicações maiores como perda de 
moradia, dentre outras. Mas, ao considerarmos este indivíiduo doente, temos que 
levar em consideração a maneira como ele interage com estes fatores 
complicadores, que por sua vez são co-dependentes das experiências de vida, 
valores culturais adquiridos ao longo do tempo e demais fatores que possam 
influenciá-lo na tomada de decisões e enfrentamentos. 
De acordo com Scliar (2007), um conceito formulado em 1974 por Marc 
Lalonde, titular do Ministério da Saúde e do Bem-estar do Canadá, analisava os 
fatores que interferiam na saúde pública, considerada o campo da saúde. Estes 
fatores englobam: 
 Biologia humana: relacionada à herança genética e os processos 
biológicos próprios da vida; 
 Meio ambiente: relacionado ao solo, à água, ao ar, à moradia, ao local 
de trabalho; 
 Estilo de vida: relacionado 
às decisões que afetam a 
saúde: fumar ou deixar de 
fumar, beber ou não, praticar ou 
não exercícios; 
 Organização da 
assistência à saúde. Engloba 
desde as ações preventivas 
relacionadas à alimentação 
adequada, não adesão aos 
vícios, até as diversas 
complexidades de tratamento. 
 Fonte: http://migre.me/4dEzG 
 
O Canadá, desde então, mostrou-se celeiro do modelo de sistemas eficazes 
de saúde. Westphal (2006, p. 659), relata que em 1986, na 8º Conferência Mundial 
de Saúde, promovida pela OMS, foi elaborada a ‘Carta de Otawa’ que descreve 
 
 
 
 
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saúde como estado ideal e também como um conceito positivo que enfatiza as 
potencialidades dos indivíduos. A autora complementa com dados pertinentes ao 
nosso País, citando que “A Constituição brasileira no seu capítulo de Saúde, 
institucionalizou saúde como um direito humano básico, um direito de todos e dever 
do Estado”. 
Em uma visão mais ampla, saúde foi definida na 8a Conferência Nacional de 
Saúde em 1986 (p. 4), como: 
[...] resultante das condições de alimentação, educação, renda, meio 
ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e 
posse da terra, acesso a serviços de saúde. É assim, antes de tudo, 
resultado de formas de organização social de produção, as quais 
podem gerar profundas desigualdades nos níveis de vida. 
 
As modificações sobre o entendimento do que seja saúde começam a ser 
realidade em todos os povos, com o objetivo único da melhoria da qualidade de vida 
das populações. Saúde deixa de ser apenas o estado de ausência de doenças e 
ganha um caráter mais amplo. 
No Brasil, os reflexos da 8º Conferência Mundial de Saúde, somada à 8a 
Conferência Nacional de Saúde, dentro de um momento repleto de reivindicações 
por meio dos movimentos sociais, subsidiaram a construção do Sistema Único de 
Saúde brasileiro além da regulamentação específica do seu conceito em nossa 
Carta Magna. 
Concordando com Scliar (2007, p.30), a frase “saúde não representa a 
mesma coisa para todas as pessoas” é pertinente, pois as pessoas são 
heterogêneas, em todos os aspectos, e suas concepções acerca da saúde assim 
como sobre demais conceituações estão relacionadas às histórias pessoais de vida, 
época, classe social, religião e suas impressões sobre todos os determinantes. 
 
2.2 Conceitos de Doença 
Segundo Jenicek e Clérox (1982), 
A doença é um desajustamento ou uma falha nos mecanismos de 
adaptação do organismo ou uma ausência de reação aos estímulos a 
cuja ação está exposto. O processo conduz a uma perturbação da 
 
 
 
 
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estrutura ou da função de um órgão, ou de um sistema ou de todo o 
organismo ou de suas funções vitais. 
 
O Ministério da Saúde traz um simplificado conceito de 
doença, colocando-a como uma alteração ou desvio do estado 
de equilíbrio de um indivíduo com o meio ambiente (MS, 1987). 
Fonte: http://migre.me/4dsuz 
O médico e filósofo francês Canguilhem (2000), em sua tese de doutorado 
sobre “o normal e o patológico”, afirma que “a doença não é uma variação da 
dimensão da saúde, ela é uma nova dimensão da vida”. 
De acordo com Barros (1998), a doença pode ser encarada como um fator 
externo ao equilíbrio normal do organismo, resultado de 
uma reação saudável de defesa ou até mesmo de 
adaptação do indivíduo às condições novas e diferentes. 
Portanto, é bastante difícil designar se uma pessoa 
está saudável ou doente se levarmosem consideração o 
“normal” e o “anormal”, uma vez que estes são adjetivos um 
tanto subjetivos e por vezes nos faltam parâmetros 
comparativos de normalidade. Já disse em trovas e versos 
o cantor Caetano Veloso: “... de perto ninguém é normal”. 
 
Fonte: http://migre.me/4dsDd 
Bonetti (2004, p.1), ao analisar os textos de Canguilhem, cita que: 
O sujeito imagina o que é não estar doente e age na concretização 
deste imaginário. Para ser normal tem que se levar em conta o 
conceito de equilíbrio e adaptabilidade, é necessário considerar o 
meio externo e o trabalho que o organismo ou suas partes devem 
efetuar. 
 
Para Canguilhem (2000), a medicina existe porque há homens que se sentem 
doentes. Somente depois é que eles percebem em que consiste a doença. 
Levando-se em consideração a formação cartesiana da maioria dos 
profissionais de saúde, o Ser doente não é considerado como um todo, único, 
http://migre.me/4dsuz
http://migre.me/4dsDd
 
 
 
 
30 
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integral, e sofre uma fragmentação terapêutica. Neste Ser fragmentado são 
exercidas técnicas que visam à cura ou, ao menos, minimização dos sintomas 
patológicos do fragmento em questão. 
Canguilhem (2000) se reporta à concepção patológica de Bichat, que 
considera que na vida existem dois fenômenos, o estado de saúde e o estado de 
doença, divididos em duas ciências diferentes, a fisiologia e a patologia, 
respectivamente. Para o autor, o estado fisiológico está mais relacionado ao estado 
saudável do que com o estado de normal. “O estado patológico expressa a redução 
das normas de vida toleradas pelo ser vivo, a precariedade do normal estabelecido 
pela doença”. 
Historicamente, doença, patologia e anormalidade 
representam um único estado, enquanto a terminologia 
normalidade significa saúde (BONETTI, 2004). 
Bonetti (2004) traduz de forma tão clara e objetiva o 
Ser doente que nos remete a uma realidade vivenciada 
cotidianamente por muitos profissionais da saúde, 
independente da área específica de atuação: 
Fonte: http://migre.me/4fdO1 
 
... percebe-se a dificuldade de avaliar e interpretar o ser doente, 
decorrente de vários fatores como a idade e as crises naturais da 
idade adulta ou a dos jovens; culturais; sexuais; afetivos; 
socioeconômicos, e, além disso, se move no tempo. Não há um 
doente efetivo, mas um processo em andamento e um “tempo doente 
vivido pelo ser”, com possibilidades de resultados positivos na busca 
de ser saudável. O ser doente não é um ser anormal, é um ser que 
vivencia uma doença e que tem várias possibilidades de 
restabelecimento do ser saudável, porém deverá encontrar para isso, 
o melhor caminho para compreensão de seu estado temporário para 
atingir novas dimensões de vida (BONETTI, 2004, p. 1). 
 
Uma vez diferenciados os conceitos sobre saúde e doença e para 
relacionarmos aos preceitos de Epidemiologia precisamos entender o processo 
saúde-doença associadamente, incluindo todos os fatores extrínsecos e intrínsecos 
entremeados neste processo. Passamos a analisar a partir de agora a história 
natural das doenças nas populações. 
 
 
 
 
 
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Exercício 4 
 
Em relação às concepções de saúde e de doença expressas no texto, assinale 
a alternativa INCORRETA: 
a) Saúde é o estado completo de bem-estar físico, mental e social e não meramente 
a ausência de doença. 
b) Biologia humana, Meio ambiente, Estilo de vida e Organização da assistência à 
saúde são fatores que determinam o estado de saúde do indivíduo. 
c) A doença não é uma variação da dimensão da saúde, ela é uma nova dimensão 
da vida. 
d) Os estados de saúde e doença independem da alteração ou desvio do estado de 
equilíbrio de um indivíduo com o meio ambiente. 
e) A doença pode ser encarada como um fator externo ao equilíbrio normal do 
organismo, resultado de uma reação saudável de defesa ou até mesmo de 
adaptação do indivíduo às condições novas e diferentes. 
 
 
2.3 História Natural da Doença 
De acordo com Rouquayrol e Goldbaum (2003), a epidemiologia estuda as 
ocorrências em escala maciça de doença e não doença envolvendo pessoas 
agregadas em sociedades, coletividades, comunidades, grupos demográficos ou 
qualquer outro coletivo formado por seres humanos. 
A Epidemiologia está focada nos processos de doença, morte, ou outros 
agravos ou situações de risco à saúde de toda população de um determinado local 
(comunidade), ou em grupos dessa comunidade. Por meio de suas observações é 
possível propor ações que elevem o nível de saúde dessas pessoas. Esta postura do 
cuidado coletivo difere da atuação Clínica, que estuda o processo saúde-doença em 
indivíduos, com o objetivo de tratar e curar casos individualmente. 
Existem vários modelos de explicação do processo saúde-doença. O modelo 
biomédico entende doença como um desajuste ou falha nos mecanismos de 
adaptação do organismo ou uma ausência de reação aos estímulos a cuja ação está 
exposto, resultando em alteração da estrutura ou da função de um órgão, um 
 
 
 
 
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sistema ou ainda de todo organismo, ou de suas funções vitais. As doenças, sob o 
ponto de vista etiológico, pertencem a duas categorias: doenças infecciosas e não 
infecciosas, entretanto este modelo privilegia as doenças infecciosas. As doenças 
não infecciosas são definidas por exclusão. Sob o ponto de vista de duração, as 
doenças são crônicas e agudas. As crônicas são as que se desenrolam a longo 
prazo, enquanto que as agudas são de curta duração (ROUQUAYROL e 
GOLDBAUM, 2003). 
No modelo processual, utilizado neste momento, representa a história natural 
da doença, Os processos de ausência de saúde são estudados pela epidemiologia 
sob a classificação de doenças infecciosas (sarampo, difteria, malária, etc.) e não 
infecciosas (diabetes, hipertensão, depressão, etc.), além dos agravos à integridade 
física (acidentes, homicídios, suicídios) 
Nos casos de doenças infecciosas, existem muitas razões para que o agente 
causador do agravo esteja presente no ambiente do indivíduo, assim como se este 
estaria exposto ou não exposto ao agente e sendo variável sua resistência ou não a 
este agente causador de doenças (KATZ, 2001). 
Na prática diária do profissional da saúde, nos 
deparamos diversas vezes com situações típicas de 
agravos à saúde determinadaS por ação de um 
agente infeccioso. A varicela (catapora) seria um 
exemplo típico, pois o indivíduo quando exposto, pode 
ou não ser contaminado e apresentar quadros leves 
ou até mesmo severos da doença, sendo esta 
variação dependente de suas condições 
imunológicas. 
Fonte: http://migre.me/4dLSI 
As doenças não infecciosas apresentam frequentemente, uma interação 
múltipla de fatores de risco, podendo estar presentes tanto no genótipo, no hábito 
nutricional, no estilo de vida e o ambiente em que este indivíduo está inserido (KATZ, 
2001). 
Para ilustração deste grupo de doenças vamos utilizar o acidente vascular 
cerebral (AVC), uma doença de origem multicausal, comumente fruto da relação 
entre o sedentarismo, colesterol alto, estresse e hipertensão arterial. 
 
 
 
 
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Algumas doenças são decorrentes de agravos à integridade física. Na 
atualidade, os politraumatismos, decorrentes de acidentes de trânsito, são próprios 
da interação de fatores, por vezes fatais, relacionados a comportamentos e 
sucessiva exposição ao risco. 
A epidemiologia, então, trabalha sobre o conjunto de processos sociais 
interativos e um, em especial, é o processo saúde-doença. 
Rouquayrol e Goldbaum (2003, p.20) definem o processo saúde-doença 
como: 
[...] o modo específico pelo qual ocorre, nos grupos, o processo 
biológico de desgaste e reprodução, destacando como momentos 
particulares a presença de um funcionamento biológico diferente, 
com consequência para o desenvolvimento regular das atividades 
cotidianas, isto é, o surgimento de doenças.Este processo de saúde-doença procura esclarecer todos os aspectos 
envolvidos no adoecimento dos indivíduos assim como em seus coletivos. E é 
importante entendermos que o processo de adoecimento começa muito antes da 
doença em si. Este é dependente da exposição aos riscos e da pré-disposição 
pessoal ou de uma população, para que a doença se manifeste. 
Um modelo de encarar o processo saúde-doença em um ponto de vista mais 
abrangente, dentro de um contexto social, é transmitido por Minayo (1988, p.363): 
O modo de pensar saúde-doença que é, ao mesmo tempo, o modo de 
pensar a vida e a morte, remete às raízes tradicionais desses grupos, 
mas também à sua inserção no mundo industrial; faz parte do imaginário 
social que ultrapassa os limites de tempo, do espaço e das classes, mas 
se projeta de forma específica, contribuindo tanto para definir como para 
questionar as políticas e os serviços oficiais de saúde. 
 
Pereira (2006) ressalta que a doença não é 
uniforme, podendo desenvolver diferentes variações de 
um caso para outro. Entretanto, apesar da variabilidade, 
as doenças decorrem seguindo alguns padrões que 
podem ser distribuídos em cinco categorias principais: 
 
Fonte: http://migre.me/4ffbV 
 
 
 
 
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 Evolução aguda, rapidamente fatal. Doenças como a raiva, o tétano, 
meningite e exposição radioativa exemplificam este padrão de evolução de 
doenças, quando por muitas vezes, não há tempo hábil de intervenção clínica, 
ou mesmo que esta ocorra, não é eficaz. 
 Evolução aguda clinicamente evidente e com rápida recuperação na 
maioria dos casos. As infecções respiratórias causadas por vírus ilustram esta 
evolução das doenças. Tão rápida como o aparecimento dos sintomas e o 
desenlace do processo patogênico – cura. 
 Evolução sem alcançar o limiar clínico, de modo assintomático o que 
permite que o indivíduo não tome conhecimento do processo patológico, 
exceto nos casos em que realiza exames laboratoriais. Doenças como a 
toxoplasmose são típicas deste processo evolutivo. O indivíduo, por vezes, 
descobre ao acaso que já possui anticorpos para determinados agentes 
patogênicos (gestantes no pré-natal). Nesta mesma linha de raciocínio, 
podemos citar a rubéola, uma vez que pode ter sido tratada como um quadro 
viral típico, ou reação alérgica desconhecida, de curso rápido, sendo 
descoberto somente por hemograma. 
 Evolução crônica, sintomática e apresentando evolução insatisfatória 
levando o doente a óbito após longo período. As doenças cardiovasculares de 
característica degenerativa, as doenças neuromusculares degenerativas e 
demais doenças classificadas como crônico degenerativas (Parkinson e 
Alzheimer) constituem esta parcela de evolução de doenças. 
 Evolução crônica, oscilando entre períodos assintomáticos e intermitentes 
exacerbações clínicas, como as dermatites e afecções psiquiátricas. 
 
 
 
 
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Amarelo: Evolução aguda; 
Laranja: Evolução aguda clinicamente evidente e com rápida recuperação; 
Verde: Evolução sem alcançar o limiar clínico, de modo assintomático; 
Azul: Evolução crônica, sintomática e apresentando evolução insatisfatória; e 
Rosa: Evolução crônica, oscilando entre períodos assintomáticos e intermitentes exacerbações. 
Figura 6 – Padrões de evolução das doenças 
Fonte: Adaptado de PEREIRA (2006) 
 
Katz (2001, p.118) cita a definição Leavell e Clark de 1965, segundo os quais 
doença e moléstia deveriam ser encaradas como conceitos dinâmicos e não 
estáticos. As variações são observadas nas histórias naturais das diferentes 
doenças, dependendo de se “os estímulos produtores de doenças surgem no 
ambiente ou no próprio homem”. 
Ainda assim, são inúmeras as possibilidades de desfechos de doenças, co-
dependentes dos demais fatores envolvidos como diagnóstico, acesso a tratamento, 
resposta do organismo ao tratamento proposto, dentre outros. Estes passos serão 
minuciosamente discutidos no decorrer deste material. 
Portanto, a expressão saúde-doença é um termo utilizado para denominar de 
modo geral, um processo social, independente do modo específico de sua 
capacidade de passar de um estado saudável para um estado de adoecimento. 
Descontextualizada, a expressão saúde-doença tramita entre vários estágios, 
desde um “estado completo de bem-estar físico, mental e social” (OMS) até a 
http://migre.me/4dMa1 
 
 
 
 
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doença em si, perpassando pela existência concomitante das duas condições de 
saúde em diferentes magnitudes (ROUQUAYROL e GOLDBAUM, 2003). 
Alguns autores preferem defini-lo em abordagem mais ampla, em uma 
expressão multivariada dos fatores causais em relação íntima com o sujeito. É 
importante observar que as teorias 
ou definições procuram englobar o 
perfil social e estilo de vida além da 
relação estreita homem–
hospedeiro. Nesta linha de 
raciocínio, podemos mencionar o 
modo como Sampaio e Messias 
(2002) citado por Barbosa (2003) 
definem o processo: 
 Fonte: http://migre.me/4g96t 
 
Processo particular de expressão das condições da vida humana em 
dada sociedade, representando as diferentes qualidades do processo 
vital e as diferentes competências dos sujeitos para enfrentar 
desafios, agressões, conflitos, mudanças. Tem tríplice e contraditória 
natureza: biológica, psicológica e social. 
 
Vamos dividir este processo denominado saúde-doença em três momentos, 
com características distintas e peculiares, conforme ilustrado na figura a seguir. O 
entendimento destes momentos permite que os objetivos de Epidemiologia sejam 
alcançados, conforme discutiremos ao longo do material. 
 
 
 
 
 
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Figura 7 – História natural da doença 
Fonte: Rouquayrol e Goldbaum (2003) 
 
O esquema clássico proposto por Rouquayrol e Goldbaum (2003) ilustra todas 
as inter-relações descritas acima, seguindo a linha de raciocínio de Leavell e Clark 
(1976). Esta esquematização gráfica demonstra a somatória entre a variável tempo 
de exposição e a força do estímulo patológico, assim como a somatória danosa ao 
organismo do tempo de permanência com a doença em si, relacionado à extensão 
do processo patológico. 
 
2.3.1 Período pré-patogênico 
Este é o primeiro período relacionado ao processo saúde-doença (de acordo 
com o proposto por Leavell e Clark, 1976), também denominado Vertente 
Epidemiológica (ROUQUAYROL e GOLDBAUM, 2003). 
Neste período o indivíduo está sob influência de diferentes fatores, 
Rouquaryol e Goldbaum (2003, p.20) como “[...] a evolução das inter-relações 
dinâmicas, que envolvem, de um lado, os condicionantes sociais e ambientais e, do 
 
 
 
 
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outro, os fatores próprios do suscetível, até que se chegue a uma configuração 
confortável à instalação de uma doença”. 
O período pré-patogênico compreende também a descrição desta evolução. 
Conforme demonstrado esquematicamente na figura anterior. Quanto maior tempo o 
indivíduo fica exposto a determinado fator ou fatores de risco para desenvolvimento 
de danos à sua saúde, maiores são as possibilidades de desenvolver a doença. Esta 
variável tempo é potencializada pela força do estímulo patológico. É a Associação 
destas duas variáveis, que irá configurar desde o mínimo risco de desenvolver 
determinada doença, ao máximo risco. 
Um dos princípios básicos do raciocínio desenvolvido em 
epidemiologia baseia-se na constatação de que as pessoas não 
nascem iguais nem vivem iguais. Muitas passam as suas vidas em 
condições ou possuem características, atributos ou hábitos que 
facilitam ou dificultam a ocorrência de danos à saúde: são os fatores 
de risco ou de proteção (PEREIRA, 2006, p. 33). 
 
Vamos exemplificar utilizando uma patologia de contágio e evolução simples, 
a larva migrans cutânea, conforme descrita a seguir: 
 
A larva migrans cutânea é uma dermatite serpiginosa vulgarmente conhecida 
como bicho geográfico.O agravo se inicia com o contato da pele humana com areia 
infectada por parasitas nematóides presentes em fezes de cães e gatos infectados, 
pois os ovos eliminados nas fezes transformam-se em larvas. 
Os locais de contágio são praias, parquinhos, ruas sem asfalto ou terrenos 
baldios. Por esta característica, acomete mais crianças que adultos. O contágio é 
vinculado à prática do uso de calçados. A doença apresenta esta característica de 
túneis tortuosos e avermelhados na pele porque o parasita não consegue se 
deslocar até o intestino humano, como o faz nos animais. 
As lesões são geralmente acompanhadas de muita coceira. Os locais mais 
comumente atingidos são os pés e as nádegas. 
 
 
 
 
 
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Figura 8 – A dermatose larva migrans cutânea e sua lesão serpiginosa 
característica, denominando-a vulgarmente de bicho geográfico 
Fonte: http://www.dermatologia.net/novo/base/atlas/larva_migrans.shtml 
 
Ao analisarmos este padrão infeccioso pela ótica da vertente epidemiológica 
ou pré-patogênica podemos fazer algumas inferências: 
 Há um maior risco de contágios em crianças por andarem descalços 
com mais frequência, ou seja, mais tempo exposto ao agente; 
 Comunidades ribeirinhas ou nas periferias das cidades estão mais 
expostas ao risco pela pouca infraestrutura local, o que permite que o 
parasita sobreviva em areias, preferencialmente quentes e úmidas; 
 Em locais com menor padrão de higiene e educação ambiental também 
aumenta o risco, pois os animais ficam soltos e evacuam nas ruas. Na 
região central de grandes cidades assim como regiões com padrões 
mais abastados não se observam comumente animais andando soltos 
pelas ruas e quando passeiam com seus donos, estes costumam 
recolher suas fezes. 
Diante do exposto, fica visível que quanto mais tempo o indivíduo permanecer 
em situações de risco e, quanto maior for a somatória de fatores de risco de 
desenvolver a doença a que o indivíduo estiver exposto, maior o risco de 
adoecimento. 
Mas, quando falamos em risco de adoecer, estamos considerando as pré-
condições para que isto ocorra, seja individualmente ou em coletividades humanas, 
 
 
 
 
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e estas são tão interdependentes, que seu conjunto forma uma estrutura 
reconhecida como estrutura epidemiológica. 
De acordo com Rouquayrol e Goldbaum (2003, p. 21) 
Por estrutura epidemiológica, que tem funcionamento sistêmico, 
entende-se o conjunto formado pelos fatores vinculados ao suscetível 
e ao ambiente, incluindo aí o agente etiológico, conjunto este dotado 
de uma organização interna que define as suas interações e também 
é responsável pela produção de doença. É na realidade, um sistema 
epidemiológico. Cada vez que um dos componentes sofrer alguma 
alteração, este repercutirá e atingirá os demais, num processo em 
que o sistema busca novo equilíbrio. [...] e trará consigo uma menor 
ou maior incidência de doenças, modificações na variação cíclica e 
no seu caráter, epidêmico ou endêmico. 
 
Para o desenvolvimento de ações preventivas sobre o processo de saúde e 
doença em coletividade humana, é necessária uma análise crítica dos fatores 
envolvidos no nível pré-patogênico, ou seja, entendendo a produção de doença 
como parte integrante de processos sociais, ganhando força por meio das relações 
ambientais e ecológicas desfavoráveis. Estas ações atingem o indivíduo pela ação 
direta dos agentes físico, químico, biológico e psicológico que ao se depararem com 
o indivíduo suscetível em pré - condições genéticas ou somáticas desfavoráveis 
podem determinar o surgimento do quadro patológico. 
Estas pré-condições estão intimamente relacionadas ao sistema permeado 
por diversos fatores, dentre eles temos os Fatores Sociais (socioeconômico, 
sociopolíticos, socioculturais e psicossociais), os Fatores Ambientais, os fatores 
genéticos e a Multifatorialidade. Para maior compreensão, vamos discuti-los a 
seguir: 
a) Fatores sociais 
Segundo Rouquayrol e Goldbaum (2003, p.22), dois pontos de vista estão 
relacionados com as questões sociais na relação saúde-doença, sendo o primeiro 
considerado como uma categoria residual, onde há um conjunto de fatores “[...] que 
não podem ser classificados como componentes genéticos ou agressores viciosos, 
químicos e biológicos”. O segundo ponto de vista foi desenvolvido por 
epidemiologistas que consideram que na fase pré-patogênica do processo saúde-
doença 
 
 
 
 
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 [...] o ‘social’ já não é apresentado como uma variável ao lado dos 
outros fatores causais da doença, mas como um campo onde a 
doença adquire um significado específico. O social não é mais 
expresso sob a forma de um indicador de consumo (quantidade de 
renda, nível de instrução, etc.). Ele aparece agora sob a forma de 
relações sociais de produção responsáveis pela posição de 
segmento da população na estrutura social”. 
 
De qualquer forma, precisamos entender os fatores sociais considerados 
como influentes no processo desencadeador de adoecimentos: 
- Fatores socioeconômicos: 
São os fatores relacionados à capacidade econômica e probabilidade de 
adquirir doença. Existe uma associação inversa entre a capacidade econômica do 
indivíduo e sua probabilidade em adquirir 
doenças. Segundo Rouquayrol e Goldbaum 
(2003), desde o século XVII, os médicos e 
filósofos da época já consideravam que grupos 
sociais menos favorecidos apresentavam maiores 
índices de morbidade e mortalidade. Os grupos 
mais abastados, desde então, continuam estando 
menos expostos à ação dos fatores ambientais 
que facilitam a ocorrência de determinados 
agravos. 
 Fonte: http://migre.me/4g8Ge 
Rouquayrol e Goldbaum (2003) citam as considerações de Renaud (1992) 
sobre os ‘pobres’, dizendo que estes são percebidos como mais doentes e mais 
velhos, são duas ou três vezes mais propensos a enfermidades graves, morrem 
mais jovens, geram crianças de baixo peso em maior proporção e têm sua taxa de 
mortalidade infantil mais elevada. 
A desnutrição é uma das patologias que podemos utilizar para exemplificar a 
influência de fatores socioeconômicos sobre a determinação de quadros patológicos. 
O trecho a seguir é parte do estudo intitulado ‘Desnutrição: um desafio secular à 
nutrição infantil’, desenvolvido por Monte (2000, p. 285) e exemplifica a transição 
nutricional no Brasil e a inter-relação com o fator socioeconômico: 
 
 
 
 
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No Brasil, como na maioria dos demais países em desenvolvimento, como 
resultado dos ganhos econômicos extraordinários e grande expansão de serviços e 
programas de saúde, a situação nutricional dos menores de 5 anos melhorou nos 
últimos anos. Entre 1975 e 1989, a prevalência da desnutrição foi reduzida em 
cerca de 60%, representando mais de 1 milhão de crianças. 
No entanto, o fato de que a forma atual mais comum de desnutrição infantil 
é a crônica, expressa principalmente pelo déficit de altura por idade, e a existência 
atual de um percentual, embora não muito alto, de crianças desnutridas graves, ao 
lado da sua concentração nas regiões mais pobres do País, as regiões Norte e 
Nordeste, indicam que o problema não está de todo controlado. 
É reconhecido que a existência de 
casos de desnutrição grave, mesmo que em 
pequeno número, representa o topo de um 
iceberg. Para cada caso grave há muitos 
outros que são menos graves, às vezes sem 
sinais clínicos típicos de desnutrição. A 
desnutrição moderada e leve muitas vezes se 
expressa apenas em termos de falha de 
crescimento. 
 Fonte: http://migre.me/4g8Lw 
 
 
Neste texto, além da comparação entre as regiões do Brasil e sua condição 
socioeconômica existe a comparação entre os países subdesenvolvidos, em 
desenvolvimento e desenvolvidos. 
O foco não é apenas relacionado às posses do indivíduo em si, mas a 
somatória da sua situação e a do seu entorno perpassando o déficitdesde a 
capacitação dos profissionais da saúde para lidar com terapias atualizadas e 
eficazes por vezes com condutas simples de terapêutica e educação em saúde, até 
a falta de recursos como fator limitante, nos casos em que existe um conhecimento 
adequado. 
 
 
 
 
43 
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Ao considerarmos o homem um ser ‘biopsicossocial’ não podemos ignorar 
que o conceito de classe social está atrelado ao econômico, jurídico-político e 
ideológico. É simplista a ideia de melhorar os indicadores de saúde infantil com o 
desenvolvimento de programas de incentivo à escolaridade, por exemplo, sem a 
estimulação de mudanças mais profundas (ROUQUAYROL e GOLDBAUM, 2003). 
 
- Fatores sociopolíticos 
Assim como os fatores socioeconômicos, os fatores políticos são 
indissociáveis do contexto no qual está inserido. Abaixo estão listados alguns dos 
fatores políticos que devem ser considerados em análise das condições de pré-
patogênese no nível social (ROUQUAYROL e GOLDBAUM, 2003): 
 Instrumentalização jurídico-legal; 
 Decisão política; 
 Higidez política; 
 Participação comunitária efetivamente exercida; 
 Participação consentida e valorização da cidadania; 
 Transparência das ações e acesso à informação. 
 
- Fatores socioculturais 
Dentro do contexto social, devemos considerar os preconceitos e hábitos 
culturais e as crendices. Minayo descreve a interferência dos valores religiosos na 
desenvoltura do processo saúde-doença, independente da religião em questão, 
sendo que esta é uma questão sócio-histórica: 
 
A característica fundamental da visão religiosa da saúde-doença (ou 
melhor, da vida) é a relação intrínseca entre a fé e a graça. Pede-se 
a Deus, aos santos, aos orixás, exus, e aos espíritos de luz, a cura 
de todos os males. A relação religiosa está referenciada nas 
dificuldades do cotidiano e visa a prática, o resultado concreto: ela 
traz para perto o milagre e o torna parte do cotidiano, como solução, 
às vezes única, para as agruras do dia a dia (MINAYO, 1988, p.378). 
 
 
 
 
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Outros fatores são atribuídos às questões socioculturais, dentre eles os 
comportamentos e valores da população, valendo como fatores facilitadores ou não 
no processo de difusão e manutenção de 
doenças: Conceitos culturalmente 
transmitidos acerca de padrões de higiene, 
hábitos de vida, autotratamento são exemplos 
típicos. Os autores ressaltam o hábito de 
evacuar diretamente no solo ou próximo a 
mananciais, como costumes de moradores de 
zonas rurais, o que dissemina a 
esquistossomose (ROUQUAYROL e 
GOLDBAUM, 2003). 
 Fonte: http://migre.me/4g9fU 
Outros fatores comportamentais estão mais relacionados às questões de 
natureza cultural/social/econômica/política. Dentre eles destaca-se a transferência 
de responsabilidade para a pessoa política acerca de suas próprias 
responsabilidades sociais; Participação passiva como beneficiário do estado 
(paternalismo); Desorganização; Passividade diante do poder exercido com 
incompetência ou má-fé; Alienação em relação aos direitos e deveres da cidadania; 
Incapacidade de se organizar para reivindicar, características de povos de países 
menos desenvolvidos, reforçado pela cultura política de privilégio de poucos às 
custas do prejuízo de muitos. 
- Fatores Psicossociais 
Alguns fatores têm influência direta sobre o psiquismo, com consequências 
somáticas e mentais de grandes magnitudes. Dentre eles encontra-se: 
[...] marginalidade, ausência de relações parentais estáveis, a 
desconexão em relação à cultura de origem, à falta de apoio no 
contexto social em que se vive, às condições de trabalho 
estressantes, promiscuidade, transtornos econômicos, sociais e 
pessoais, falta de cuidados maternos na infância, carência afetiva de 
modo geral, desemprego, etc. (ROUQUAYROL e GOLDBAUM, 2003, 
p. 25). 
 
 
 
 
 
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b) Fatores Ambientais 
Inicialmente, para melhor compreensão do contexto, vamos definir 
epidemiologicamente o conceito de ambiente como “o conjunto de todos os fatores 
que mantêm relações interativas com o agente etiológico e o suscetível, incluindo-os 
sem se confundir com os mesmos” (ROUQUAYROL e GOLDBAUM, 2003, p. 25). 
Diferente do ponto de vista da ecologia, o ambiente em estudos 
epidemiológicos tem uma maior abrangência de sentidos, pois além do ambiente 
físico, que torna possível a vida abrangendo todos os seres vivos, inclui também a 
sociedade que o rodeia onde ocorrem as 
interações sociais, políticas, econômicas e 
culturais. 
A situação geográfica, o solo, o clima, os 
recursos hídricos, a topografia, os agentes 
químicos e físicos formam os grupos de 
componentes do ambiente físico. Mais adiante, 
discutiremos aprofundadamente como cada um 
deles interfere na determinação de doenças. 
Fonte: http://migre.me/4g9kW 
Neste ambiente, alguns agentes são considerados agressores ambientais, 
ou seja, capazes de entrar em contato direto com o indivíduo de forma imediata, sem 
mais intermediações. Estes agentes agressores ambientais podem ser distribuídos 
nas seguintes categorias: 
 agente habitualmente presente no meio, em convivência natural com o 
homem; 
 agente pouco comum e que por mudanças de hábito, manipulação 
inadequada de recursos ou por importação passam a fazer parte do 
meio, característicos em alguns eventos epidemiológicos; 
 agentes que explodem em situações anormais como as grandes 
alterações ecológicas, desastres naturais e catástrofes. 
 
 
 
 
 
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c) Fatores Genéticos 
Determinam a maior ou menor suscetibilidade das pessoas em relação à 
incidência das doenças. Explica, por exemplo, por que pessoas diferentes expostas 
ao mesmo risco podem ou não desenvolver a doença. 
 
 
Fonte: http://migre.me/4g9om 
d) Multifatorialidade 
Ao considerarmos as condições já descritas para desenvolvimento de um 
processo patogênico, deve-se ter clara a impossibilidade de ação única de apenas 
um deles. O surgimento da doença então dependerá da variação na estruturação 
dos fatores contribuintes, havendo situações de mínimo risco ou mínima 
probabilidade até o ponto oposto de máximo risco ou máxima probabilidade. 
Desta maneira, podemos dizer que quanto mais estruturados forem os fatores 
envolvidos no processo de desencadeamento da doença, mais forte será o estímulo 
patológico. A esta estruturação de fatores dá-se o nome de multifatorialidade. 
Mas, esta multifatorialidade não é apenas uma justaposição de fatores e sim 
um sinergismo, uma ação conjunta onde um fator potencializa a ação do outro, com 
o desenvolvimento da doença mais forte do que uma simples soma de fatores. 
O agregado total resultante da estruturação sinérgica de todas as 
condições e influências indiretas – próximas ou distantes – 
 
 
 
 
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socioeconômicas, culturais e ecológicas, e pelos agentes que têm 
acesso direto ao bioquimismo e às funções vitais do ser vivo, 
perturbando-o, constituem o ambiente gerador de doença. 
(ROUQUAYROL e GOLDBAUM, 2003). 
 
O estudo da diarreia foi utilizado para ilustrar a estruturação sinérgica dos fatores que 
desencadeiam a doença e a mantêm. 
 
Figura 9 - Sinergismo multifatorial na produção e manutenção das doenças 
diarréicas 
Fonte: Rouquayrol e Goldbaum, 2003 
2.3.2 Período patogênico 
Este segundo momento, também é chamado Vertente patológica. 
Em uma variação do raciocínio desenvolvido por Rouquayrol e Goldbaum 
(2003), Pereira (2006) subdivide este período em 2 etapas: fase pré-clínica e fase 
clínica. 
Fase pré-clínica: 
 
 
 
 
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Na fase pré-clínica o curso da doença pode ser considerada subclínica 
(abaixo do limiar clínico ou horizonte clínico) e evoluir para cura ou evoluir para a 
fase clínica. 
Um exemplo presente no dia a dia dos profissionais da saúde é a detecção 
ocasional da hipertensão arterial assintomática. 
Há umamaior probabilidade de sucesso no tratamento de doenças quando é 
realizado um efetivo diagnóstico precoce, justificando a efetuação de exames 
seletivos em grupos populacionais de risco (exemplo: mamografia em mulheres 
acima de 40 anos; preventivo de câncer de próstata em homens acima de 40 anos). 
A fase pré clinica compreende o período ‘interação estímulo-suscetível’ e o 
período de ‘alterações bioquímicas, fisiológicas e histopatológicas’. Em ambos os 
casos, há ausência de sintomatologia, apesar das alterações patológicas existentes. 
No período interação estímulo-suscetível, todos os fatores necessários para 
o desenvolvimento da doença estão presentes, porém a doença ainda não ganhou 
maiores proporções. As questões de homeostasia orgânica, incluindo fatores 
humorais (imunológico), nutricionais, genéticos são decisivas para o surgimento de 
algumas doenças devido ao fator cumulativo dos fatores adversos presentes. 
(ROUQUAYROL e GOLDBAUM, 2003). 
Quando a referência é sobre alterações bioquímicas, fisiológicas e 
histopatológicas, ainda no período pré-clínico, considera-se que a doença já está 
instalada no organismo. Apesar de não haver percepção clínica, exames 
laboratoriais orientados são capazes de revelar este processo patogênico não 
perceptível. 
Denomina-se horizonte clínico ou limiar clínico, a linha imaginária que separa 
a fase pré-clínica da clínica. 
Fase clínica: 
Nesta fase, a doença é exteriorizada clinicamente, variando conforme “a 
natureza do agravo, as características do indivíduo, as condições de observação, a 
capacidade do observador, a tecnologia empregada e o esmero com que é utilizada” 
(PEREIRA, 2006). 
 
 
 
 
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A doença pode apresentar nesta fase diferentes graus de acometimento, 
desde manifestações leves, de mediana intensidade ou até mesmo graves. O padrão 
de evolução das doenças também pode ser variável, indo de uma condição aguda a 
uma cronicidade do quadro patogênico. 
O período clínico é dividido em uma fase chamada sinais e sintomas e outra 
denominada cronicidade. 
A fase de sinais e sintomas traz de forma nítida a doença. Esta se inicia 
quando se atinge uma massa crítica de alterações funcionais no organismo do 
indivíduo acometido. A partir de então, “[...] a evolução da doença encaminha-se 
então para um desenlace; a doença pode passar ao período de cura, evoluir para a 
cronicidade ou evoluir para a invalidez ou para a morte.” (ROUQUAYROL e 
GOLDBAUM, 2003, p. 29). 
Fazendo uma correlação com o fenômeno de iceberg proposto pela OMS, 
uma grande parte da população pode ser afetada 
por um agravo, porém, não reconhecê-lo como 
doença, pois este fica na base no iceberg, 
chamado neste momento de período pré-clínico. 
Por vezes, doenças menos prevalentes, mas com 
sintomatologia mais agressiva, despontam no 
iceberg, com suas características clinicamente 
evidentes. 
 Fonte: http://migre.me/4g9we 
 
A cronicidade pode ser desencadeada com a progressão da doença, até 
mesmo produzir lesões que permitam novos agravos à saúde. De um estado crônico 
podem surgir variados quadros de desenlace do processo saúde-doença. 
“Todo fenômeno patológico deriva de seu aumento, sua diminuição ou de sua 
alteração e todo fenômeno terapêutico tem por princípio seu retorno ao tipo natural 
de onde elas escaparam” (BONETTI, 2004, p.1) 
 
 
 
 
 
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2.3.3 Desenlace 
Portanto, o final do processo culmina com situações caracterizadas por uma 
incapacidade funcional específica temporária, onde pode haver uma evolução para 
morte ou um estado de invalidez permanente, onde há uma estabilização da doença, 
há estabilidade das alterações anátomo-funcionais como resultado do tratamento ou 
do próprio curso natural da doença, deixando sequelas. 
Quando há a remoção dos fatores causais, o organismo passa por um período 
de convalescência e de acordo com a regressão do processo patológico, é possível 
alcançar a cura, em patamares considerados saudáveis. 
Após identificarmos as variações entre os diferentes períodos do processo 
saúde-doença, ou seja, a História Natural da Doença, devemos refletir sobre o 
pensamento de Leavell e Clark (1976), citado por Barbosa (2003, p.668): 
A História natural da doença compreende as inter-relações do 
agente, do suscetível e do meio ambiente que afetam o processo 
global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o 
estímulo patológico no meio ambiente, ou em qualquer outro lugar 
passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações 
levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte. 
 
 
Exercício 5 
 
Em relação ao processo saúde doença, assinale a alternativa INCORRETA: 
a) Na epidemiologia, os processos de doença são divididos em doenças infecciosas 
e não infecciosas e agravos à integridade física. 
b) Apesar de sermos diferentes, os processos de adoecimento típicos de 
determinado agente apresentam comportamentos semelhantes. 
c) A vertente epidemiológica caracteriza o contato do indivíduo com o estímulo e a 
maneira como seu organismo altera sua fisiologia para combatê-lo. 
d) Os fatores ambientais, sociais e genéticos interagem aumentando ou diminuindo 
o risco de desenvolvimento de uma patologia. 
 
 
 
 
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e) Quando o indivíduo tem seu quadro patológico de caráter crônico, os desfechos 
podem ser diferentes, desde a cura com remissão dos sintomas até invalidez e 
morte. 
 
2.4 Estudo dos determinantes sociais da saúde 
Conceito atualmente bastante generalizado de que as condições de vida e 
trabalho dos indivíduos e de grupos da população estão relacionadas com sua 
situação de saúde. De acordo com a Comissão Nacional sobre os Determinantes 
Sociais da Saúde (CNDSS), os determinantes sociais de saúde (DSS) são os fatores 
sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que 
influenciam a ocorrência de problemas de saúde e seus fatores de risco na 
população. A comissão da Organização Mundial da Saúde (OMS) adota uma 
definição mais curta, segundo a qual os DSS são as condições sociais em que as 
pessoas vivem e trabalham (CNDSS, 2008). 
Em 2005, a Organização Mundial em Saúde criou a Comissão sobre 
Determinantes Sociais da Saúde (Commission on Social Determinants of Health - 
CSDH), com a proposta de “promover, em âmbito internacional, uma tomada de 
consciência sobre a importância dos determinantes sociais na situação de saúde de 
indivíduos e populações e sobre a necessidade do combate às iniquidades em 
saúde por eles geradas”. Em 2006, surge, por meio de decreto presidencial, a 
Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais da Saúde (CNDSS, 2008, p.10). 
Diversos modelos procuram explicar as relações entre os vários níveis de 
determinantes sociais e a situação de saúde. Entre estes, o modelo de Dahlgren e 
Whitehead (1991) adotado pela CNDSS, pretende explicar com maiores detalhes as 
relações e mediações entre os diversos níveis de forma simplificada, de fácil e pela 
clara visualização gráfica dos diversos DSS. 
O modelo de Dahlgren e Whitehead dispõe os DSS em camadas, conforme 
seu nível de abrangência, desde uma camada mais próxima aos determinantes 
individuais até uma camada distal onde se situam os macrodeterminantes (CNDSS, 
2008). 
 
 
 
 
 
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Figura 10 - Modelo de determinação social da saúde segundo Dahlgren e 
Whitehead 
Fonte: CNDSS, 2008 
O primeiro nível deste esquema, os indivíduos estão no centro, com suas 
características individuais de idade, sexo e fatores genéticos que, evidentemente, 
exercem influência sobre seu potencial e suas condições de saúde relacionadas aos 
fatores comportamentais e de estilos de vida indica que estes estão fortemente 
influenciados pelos DSS, pois é muito difícil mudar comportamentos de risco sem 
mudar as normas culturais que os influenciam. Para atuar nesse nível sãonecessárias políticas de abrangência populacional que promovam mudanças de 
comportamento, através de programas educativos, 
comunicação social, acesso facilitado a alimentos 
saudáveis, criação de espaços públicos para a prática 
de exercícios físicos, etc. 
O segundo nível corresponde às comunidades 
e suas redes de relações. Os laços de coesão social e 
as relações de solidariedade e confiança entre 
pessoas e grupos são fundamentais para a promoção 
e proteção da saúde individual e coletiva. 
Fonte: http://migre.me/4g946 
 
 
 
 
 
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Aqui se incluem políticas que busquem estabelecer redes de apoio e 
fortalecer a organização e participação das pessoas e das comunidades, 
especialmente dos grupos vulneráveis. 
O terceiro nível se refere à atuação das políticas sobre as condições 
materiais e psicossociais nas quais as pessoas vivem e trabalham, buscando 
assegurar melhor acesso à água limpa, esgoto, habitação adequada, alimentos 
saudáveis e nutritivos, emprego seguro e realizador, ambientes de trabalho 
saudáveis, serviços de saúde e de educação de qualidade e outros. 
O quarto nível de atuação se refere à atuação ao nível dos macro 
determinantes, através de políticas macroeconômicas e de mercado de trabalho, de 
proteção ambiental e de promoção de uma cultura de paz e solidariedade que visem 
a promover um desenvolvimento sustentável, reduzindo a desigualdade social e 
econômica, a violência, a degradação ambiental e seus efeitos sobre a sociedade 
(CNDSS, 2006; BUSS e PELLEGRINI FILHO, 2007). 
 
2.4.1 Fatores determinantes da doença 
A partir de agora, vamos dividir os fatores em endógenos e exógenos, em 
uma abordagem mais minuciosa sobre a ação destes fatores como determinantes de 
saúde na população (ROUQUAYROL e GOLDBAUM, 2003): 
a) Endógenos: Fatores determinantes que são inerentes ao organismo e 
estabelecem a receptividade do indivíduo. 
• Herança genética: Determinam maior ou menor 
suscetibilidade das pessoas em adquirir doenças. 
• Anatomia e fisiologia do organismo humano. 
• Estilo de vida. 
Fonte: http://genetica.no.sapo.pt/ 
 
b) Exógenos: Fatores determinantes que dizem respeito ao ambiente. 
• Ambiente biológico: determinantes biológicos. 
 
 
 
 
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- Acidentes, 
- Infecções (Microbiologia e Entomologia médicas - 
inseto parasita hospedeiro) 
Fonte: http://migre.me/4grzL 
• Ambiente físico: determinantes físico-químicos. 
- Naturais: 
Previsíveis: pode ser de certa maneira previsto, permitindo estimar as 
possíveis consequências e, desta forma, adotar medidas que possibilitem 
reduzir seus efeitos. 
 Atmosfera: Clima. 
 Hidrosfera e litosfera: Carência de elementos essenciais ou 
presença de agentes indesejados. 
Imprevisíveis: 
 Acidentes naturais. 
 Desastres ou calamidades naturais. 
 Mortalidade 
 Morbidade (epidemias ou doenças infecciosas) 
 Desabilidades psicológicas 
Fonte: http://migre.me/4fWpy 
 
- Acidentais: 
 Ambiente natural: “Efeito estufa”, “buraco na 
camada de ozônio”. 
 Ambiente antrópico: Impacto de tecnologias 
sofisticadas que, fora de controle, atingem o próprio 
ambiente antrópico (energia nuclear, acidentes com 
produtos químicos perigosos). 
 Fonte: http://migre.me/4feZK 
 
 
 
 
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- Produzidos: 
 Poluição consequente (desenvolvimento industrial): Gases e 
partículas na atmosfera, substâncias químicas no meio hídrico e 
resíduos sólidos no meio terrestre. 
 Poluição pressentida (consecução de certa finalidade): Defensivos 
agrícolas, medicamentos, agentes tóxicos e nocivos usados em 
conflitos armados. 
• Ambiente social: determinantes sócioculturais. 
A aquisição de conhecimentos sobre os determinantes sociais parte do estudo 
da desigualdade social, tida como geradora de agravos à saúde, traduzidos em 
morbidade e mortalidade. 
Dentre as categorias gerais desses determinantes temos as comportamentais 
e as organizacionais, conforme descrito a seguir: 
- Comportamentais 
 Psicossociais: Relacionados à personalidade do indivíduo. 
 Hábitos e estilos de vida: sexualidade, étnicos (relacionados à cultura), 
adquiridos. 
- Organizacionais 
Estruturais 
- Ocupação 
- Família 
- Nível socioeconômico 
Evolutivos: Relacionados ao Desenvolvimento 
- Intrassociais: convivência (mobilidade social); produção e 
desenvolvimento (apropriação dos recursos sociais); e competição. 
- Interssociais: agressões ao meio ambiente, migrações populacionais, 
intercâmbio social e conflitos. 
 
Fonte: http://migre.me/4fXgG 
Fonte: http://migre.me/4fXlQ 
 
 
 
 
56 
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2.5 Prevenção das doenças e promoção da saúde 
A partir da perspectiva da história natural das doenças, Leavell e Clark 
(1976, apud WESTPHAL, 2006) prepuseram medidas de intervenção nos diferentes 
estágios da doença, considerando diferentes ações para os períodos de pré-
patogênese, período de patogênese e o período de reabilitação (Figura 10). 
 
 
 
Figura 11 – História natural e os níveis de prevenção de doenças 
Fonte: Leavell e Clark (1976, apud WESTPHAL, 2006) 
 
De acordo com Rouquayrol e Goldbaum (2003, p.29): 
 
Saúde pública e epidemiologia são indissociáveis quanto a seus 
objetivos sociais e quanto à sua prática, sendo a epidemiologia o 
instrumento privilegiado para orientar a atuação da saúde pública. Se 
a saúde pública é a face tecnológica, a epidemiologia será a face 
científica. A saúde pública intervém buscando evitar doenças, 
 
 
 
 
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prolongar a vida e desenvolver a saúde física e mental e a eficiência. 
A epidemiologia persegue a observação exata, a interpretação 
correta, explicação racional e a sistematização científica dos eventos 
de saúde-doença em nível coletivo, orientando, portanto, as ações de 
intervenção. 
 
Não podemos deixar de ressaltar que estamos nos referindo à prevenção em 
saúde coletiva, pois a epidemiologia é “[...] ciência que estabelece ou indica e avalia 
os métodos e processos usados pela saúde pública 
para prevenir as doenças” (ROUQUAYROL e 
GOLDBAUM, 2003, p. 29). 
Entender a origem da palavra é fundamental. 
Devemos compreender que prevenir é antecipar-se 
a um evento, ou mesmo evitá-lo. Rouquayrol e 
Goldbaum (2003) descrevem que prevenção em 
saúde pública é a ação antecipada, tendo por 
objetivo interceptar ou anular a evolução de uma 
doença. 
Fonte: http://migre.me/4gsph 
 
O uso da saúde pública como tecnologia abrange conhecimentos da medicina 
preventiva, com intuito de evitar doenças, prolongar a vida e desenvolver a saúde 
física e mental e a eficiência. Este padrão de prevenção não deve ser instituído 
apenas em atenção coletiva, mas deve abranger o componente preventivo da 
medicina individualizada. 
Rouquayrol e Goldbaum (2003) completam o entendimento da promoção da 
saúde visando uma sociedade sadia, ressaltando que esta não depende apenas da 
ação dos especialistas, pois a ação preventiva no âmbito coletivo deve começar ao 
nível das estruturas socioeconômicas, ao nível das estruturas políticas e econômicas 
ou as ações dos especialistas não terão efetividade prática. 
Este ponto de vista justifica a utilização da educação em saúde promovida 
pelo profissional de saúde, pois a prevenção só acontece efetivamente a partir da 
conscientização da comunidade envolvida, procurando sensibilizá-los para 
mudanças. Cabe a todos o questionamento sobre a verdadeira ação das instituições 
 
 
 
 
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sociais e econômicas, pois estas podem estimular desenvolvimento dos mecanismos 
de saúde ou de doença. 
Além das ações de prevenção 
desenvolvidas através da minimização dos 
efeitos da pobreza e ignorância, que é dever de 
todos, cabe, ao nível da prática de saúde pública, 
a interpretação de ações preventivas que agem 
na descontinuidade da cadeia patogênica, ou no 
ambiente físico ou social ou no meio internodos 
seres vivos afetados ou suscetíveis. 
 Fonte: http://migre.me/4grZI 
 
Contudo, apesar de termos realizado referências generalizadas, existe 
diferença entre prevenção e promoção. 
De acordo com Westphal (2006), a promoção de saúde é uma ação de 
prevenção primária, acabando por se confundir com a prevenção ao nível da 
proteção específica. A prevenção secundária e a terciária visam minimizar os fatores 
de risco relacionados aos agentes patogênicos e ao ambiente. Com propostas 
voltadas para a adoção de medidas educativas e fiscalização para que sejam 
realizadas ações adequadas, assim como seu reforço, no que se refere ao 
enfrentamento de doenças. 
Mas, nem sempre as atividades em saúde pública eram executadas ou 
mesmo pensadas pelos governantes e profissionais da saúde. Historicamente, a 
promoção de saúde pode ser considerada recente. Abaixo, segue o desenvolvimento 
cronológico da promoção de saúde no mundo e no Brasil. 
 
 
 
 
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Quadro 3 - Promoção da Saúde no Mundo: uma breve cronologia. 
 
1974 – Informe Lalonde: Uma Nova Perspectiva sobre a Saúde dos Canadenses 
1976 – Prevenção e Saúde: Interesse para Todos, DHSS (Grã-Bretanha) 
1977 – Saúde para todos no ano 2000 – 30ª Assembleia Mundial de Saúde 
1978 – Conferência Internacional sobre Atenção Primária de Saúde – Declaração de 
Alma-Ata 
1979 – População Saudável (EUA) 
1980 – Relatório Black sobre as Desigualdades em Saúde (Grã-Bretanha) 
1984 – Toronto Saudável 2000 – Campanha lançada no Canadá 
1985 – Escritório Europeu da Organização Mundial da Saúde: 38 Metas para a Saúde na 
Região Europeia 
1986 – Alcançando Saúde para todos: Marco de Referência para a Promoção da Saúde. 
Carta de Ottawa sobre Promoção da Saúde – I Conferência Internacional sobre Promoção 
da Saúde (Canadá) 
1987 – Lançamento pela OMS do Projeto Cidades Saudáveis 
1988 – Declaração de Adelaide sobre Políticas Públicas Saudáveis – II Conferência 
Internacional sobre Promoção da Saúde (Austrália) 
1989 – Uma Chamada para a Ação – Documento da OMS sobre promoção da saúde em 
países em desenvolvimento 
1990 – Cúpula Mundial das Nações Unidas sobre a Criança (Nova York) 
1991 – Declaração de Sundsvall sobre Ambientes Favoráveis à Saúde – III Conferência 
Internacional sobre Promoção da Saúde (Suécia) 
1992 – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92) 
Declaração de Santa Fé de Bogotá – Conferência Internacional sobre Promoção da 
Saúde na Região das Américas (Colômbia) 
1993 – Carta do Caribe para a Promoção da Saúde – I Conferência de Promoção da 
Saúde do Caribe (Trinidad e Tobago) 
1994 – Conferência das Nações Unidas sobre População e Desenvolvimento (Cairo) 
1995 – Conferência das Nações Unidas sobre a Mulher (Pequim) 
Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Social (Copenhague) 
1996 – Conferência das Nações Unidas sobre Assentamentos Humanos (Istambul) 
Cúpula Mundial das Nações Unidas sobre Alimentação (Roma) 
1997 – Declaração de Jacarta sobre Promoção da Saúde no Século XXI em diante – IV 
Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde (Indonésia) 
Fonte: Buss, 1998 
 
 
 
 
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Quadro 4 – Breve cronologia da Promoção da Saúde no Brasil 
Década de 1970 
• Críticas ao modelo assistencial vigente, centrado na assistência médico-hospitalar. 
Medicina social. Ciências sociais em saúde 
• Tese O Dilema Preventivista, de Sérgio Arouca 
• Surgimento dos primeiros projetos de atenção primária/medicina comunitária (Montes 
Claros/MG, Sapucaia/RJ e Niterói/RJ) 
• Surgimento do “movimento sanitário” 
• Conferência Internacional sobre Atenção Primária e Declaração de Alma-Ata 
Década de 1980 
• Movimento de redemocratização do país 
• Protagonismo político do “movimento sanitário” 
• Preparação da VIII Conferência Nacional de Saúde, com ampla participação social (1985) 
• VIII Conferência Nacional de Saúde, com afirmação de princípios da promoção da saúde 
(sem este rótulo): determinação social e intersetorialidade. No Canadá, aparece a Carta de 
Ottawa (1986) 
• Processo constituinte, com grande participação do “movimento sanitário” (1986-1988) 
• Constituição Federal, com características de promoção da saúde (1988) 
Década de 1990 
• Lei Orgânica da Saúde, reafirmando os princípios promocionais da Constituição (1990) 
• Organização dos Conselhos de Saúde em todos os níveis: participação social, composição 
paritária, representação intersetorial (1991) 
• RIO 92, Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992) 
• Plano Nacional de Saúde e Ambiente: elaborado, não sai do papel (1995) 
• (a partir de 1995) PACS e PSF; NOB 96 (Piso Assistencial Básico); Pesquisa Nacional de 
Opinião sobre Saúde; Debates sobre Municípios Saudáveis 
• Surgimento da revista Promoção da Saúde (Ministério da Saúde) e anúncio do I Fórum 
Nacional sobre Promoção da Saúde (1999) 
Fonte: Buss PM (2000) 
 
Adaptando os conceitos de Rouquayrol e Goldbaum (2003) e de Westphal 
(2006), apresentamos a seguir a distribuição das ações em cada uma das fases de 
prevenção. 
 
 
 
 
 
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a) Prevenção Primária 
 Promoção da Saúde: feita através de medidas de ordem geral. 
 Moradia adequada com comportamentos higiênicos relacionados à 
própria habitação como em seu entorno. 
 Escolas, para além da formação básica, desenvolver reflexão e senso 
crítico. 
 Áreas de lazer, prática de exercícios físicos e respeito ao repouso com 
medidas de contenção de estresse. 
 Alimentação adequada, estimulando o hábito alimentar saudável. 
 Educação em todos os níveis, melhorando a resistência e o bem-estar 
geral dos indivíduos (Estratégias para prevenir a exposição ao fator de 
risco: não utilização de drogas e de tabaco, ingestão de gorduras). 
 Proteção Específica 
 Imunização. 
 Saúde ocupacional. 
 Higiene pessoal e do lar 
 Proteção contra acidentes. 
 Aconselhamento genético. 
 Controle dos vetores. 
O uso de preservativos em atos sexuais também é uma ação de proteção 
específica contra doenças sexualmente transmissíveis. 
b) Prevenção Secundária 
 Diagnóstico Precoce: Utilizado em indivíduos sadios, porém 
potencialmente em risco, ou ainda na identificação de doentes assintomáticos. 
 Inquérito para descoberta de casos na comunidade. 
 Exames periódicos, individuais, para detecção precoce de casos 
(câncer de colo uterino, câncer de mama, câncer de próstata, exame de 
escarro para tuberculose e outros.) 
 
 
 
 
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 Isolamento para evitar a propagação de doenças. 
 Tratamento para evitar a progressão da doença, assim como 
mudanças. 
 Limitação da Incapacidade: 
 Nos casos em que a cura não é viável, garantir que o indivíduo 
permaneça funcionalmente ativo, evitando futuras complicações e morte 
prematura. 
 Evitar sequelas. 
c) Prevenção Terciária: Focada nos indivíduos com sequelas oriundas de 
acidentes ou doenças e buscam sua recuperação ou sua manutenção do equilíbrio 
funcional 
 Reabilitação (impedir a incapacidade 
total). 
 Fisioterapia. 
 Terapia ocupacional. 
 Saúde mental 
 Emprego para o reabilitado. 
Fonte: http://migre.me/4gsHN 
 
Após discorrermos sobre as áreas em que é possível desenvolver prevenção, 
fica um questionamento: por que as atividades propostas não são capazes de 
exercerem suas funções preventivas? Para Rouquayrol e Goldbaum (2003, p.32), 
[...] em alguns países subdesenvolvidos, as condições 
socioeconômicas aí vigentes, mantidas por uma perversa 
concentração de renda, pela má distribuição da propriedade fundiária 
e pela falta de visão dos detentores do poder econômico e político, 
fazem com que as classes pauperizadas sejam incapazes de se 
prover em termos de alimentação, moradia, educação, saúde e lazer. 
O cidadão pauperizado torna-se cliente e dependente do Estado e 
este, por não ser competentenaquilo que lhe é específico, torna-se 
paternalista. Este Estado, paternalista por incompetência, torna-se 
caritativo, distribuidor de alimentos, de habitação e de medicamentos 
e, mais uma vez, com incompetência. À sociedade cabe a prevenção 
ao nível das estruturas. Às organizações políticas, às organizações 
 
 
 
 
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civis não estatais cabe a ação preventiva mais abrangente de 
remover estruturas arcaicas impeditivas de se promover a saúde em 
todos os níveis. 
 
Exercício 6 
 
Relacionado aos determinantes sociais de saúde e à promoção e prevenção, é 
correto afirmar que: 
a) Promoção de saúde contribui para prevenir várias doenças e para a manutenção 
do bem-estar por meio de alterações medicamentosas e terapêutica específica. 
b) Na prevenção primária procura-se diminuir as alterações anátomo-fisológicas 
presentes, prevenindo que estas causem danos. 
c) A proteção específica visa minimizar a força de agentes desencadeadores de 
agravos à saúde, com ações próprias para este agente agressor. 
d) Podemos mudar comportamentos de risco de uma população sem modificar 
suas influências culturais, apenas explicando os conceitos considerados corretos 
pela equipe de saúde 
e) Na prevenção terciária podemos tomar medidas específicas de prevenção, como 
por exemplo a fluoretação da água de uma comunidade (combate às cáries 
dentárias) e o acréscimo de iodo no sal (combate ao bócio). 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 3 - ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS 
 
Neste momento, devemos pensar em tudo o que estudamos e 
respondermos a pergunta: Quais as atuações do epidemiologista? 
Para respondermos a esta pergunta é necessário compreender qual o objeto 
de estudo do epidemiologista e quais mecanismos são utilizados por ele, ou seja, 
suas ferramentas. 
O objeto da epidemiologia é identificar os riscos e seus determinantes, uma 
vez que a premissa básica do ato de intervir é a de conhecer a situação. Entretanto, 
para conhecermos a situação precisamos identificar os determinantes do processo 
saúde-doença, a prevalência e a incidência dos diferentes agravos que acometem a 
população. Os indicadores de saúde são usados com esse propósito assim como o 
de estabelecer valor prognóstico. 
O risco em epidemiologia equivale a efeito, é a probabilidade de ocorrência de 
patologia em uma dada população, expresso pela incidência (MEDRONHO, 2009). O 
autor completa com as seguintes formas de apresentação do conceito: 
 Perigo potencial, latente, ou oculto no discurso social 
comum; 
 ‘Risco individual’ como conceito de clínica; 
 ‘Risco populacional’ como conceito epidemiológico; 
 ‘Risco estrutural’ nos campos da saúde 
ambiental/ocupacional. 
Outros autores conceituam risco como a probabilidade de 
ocorrência de uma doença, agravo, óbito ou condição 
relacionada à saúde (incluindo cura, recuperação ou melhora) 
em população ou grupo durante um período de tempo 
determinado (ROUQUAYROL e ALMEIDA FILHO, 2003). 
Fonte: http://migre.me/4gQcj 
 
 
 
 
 
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O risco também pode ser considerado como um conceito matemático de 
probabilidade. 
Grandes filósofos já descreveram que o risco é inerente à vida, ao movimento, 
e à possibilidade de escolha. Viver é correr risco 
e por isso a incerteza é um componente 
essencial da existência e igualmente do conceito 
de risco (ROUQUAYROL e ALMEIDA FILHO, 
2003). 
Os fatores que se associam ao aumento 
do risco de se contrair uma doença são 
chamados fatores de risco. 
Fonte: http://migre.me/4gPx6 
O fator de risco é pertinente a uma parcela da população que apresenta maior 
incidência de uma doença ou agravo à saúde, quando comparados com outros 
grupos definidos pela ausência ou menor exposição ao agente agressor. Deste 
modo, o fator de risco de um dano apresenta as características ou circunstâncias 
que acompanham um aumento de probabilidade de ocorrência do fator indesejado, 
sem que este fator intervenha necessariamente em sua causalidade. (CLAP-
OPS/OMS,1988 apud ROUQUAYROL e ALMEIDA-FILHO, 2003) 
Portanto, nem todos os indivíduos têm o mesmo risco, por exemplo, as 
pessoas que vivem perigosamente possuem 
maior probabilidade de morrerem mais cedo 
(PEREIRA, 2006). 
Em outro extremo, está o fator de 
proteção sendo considerado o atributo de um 
grupo com menor incidência de um determinado 
distúrbio em relação a outros grupos (ausência 
ou baixa dosagem). 
 Fonte: http://migre.me/4gPBf 
 
 
 
 
 
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Cabe ao epidemiologista a investigação dos fatores determinantes dos 
agravos, do mecanismo de ação destes agravos na população, caracterizar esta 
população o mais minuciosamente possível e procurar explicar suas características. 
Medronho (2009, p.173) atribui à pesquisa epidemiológica os objetivos de: 
Descrever frequência, distribuição, padrão e tendência temporal de 
eventos ligados à saúde em populações específicas e sub 
populações; explicar a ocorrência de doença e a distribuição de 
indicadores de saúde, identificando causas e os determinantes da 
sua distribuição, tendência e modo de distribuição nas populações; 
predizer a frequência de doenças e os padrões de saúde em 
populações específicas; controlar a ocorrência de doenças [...] 
através da prevenção de novos casos, cura de casos existentes, 
aumento da sobrevida e melhoria da saúde. 
 
Existem duas razões para o uso de populações em estudos epidemiológicos. 
A primeira é que o objetivo final da epidemiologia é melhorar o perfil de saúde das 
populações, a segunda razão é do ponto de vista metodológico, pois as populações 
são necessárias para se fazer inferências sobre a relação entre determinantes de 
fatores e a ocorrência de agravos. 
 
 3.1 Pesquisa epidemiológica 
A pesquisa epidemiológica tem caráter empírico, pois é baseada na 
sistemática observação, coleta de dados (ou informações) e quantificação sobre os 
eventos que ocorrem em uma população 
definida. O tratamento numérico dos fatores 
investigados decorre em três etapas: 
mensuração das variáveis aleatórias, 
estimativa de parâmetros populacionais e 
testes estatísticos de hipóteses 
(MEDRONHO et al, 2009). 
Fonte: http://migre.me/4gPpD 
A maneira como as hipóteses serão testadas de modo a serem aceitas ou 
rejeitadas depende do desenho de estudo escolhido. Temos dois grupos de estudos 
epidemiológicos distintos: a epidemiologia descritiva e a epidemiologia analítica. 
 
 
 
 
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O modo como as doenças ocorrem nas populações podem ser modificados ao 
longo do tempo, gerando uma estrutura epidemiológica, capaz de demonstrar o 
padrão de ocorrência da doença na população, como resultado da interação de 
fatores do meio ambiente, hospedeiro e do agente causador da doença. Essa 
estrutura é dinâmica, e continuamente apresenta modificações no tempo, no espaço 
e apresentando uma ocorrência “normal” ou “anormal” da doença em uma 
determinada população, em determinado tempo e espaço. (BRASIL, 1998). 
O primeiro passo para o entendimento de um problema de saúde ou de uma 
doença consiste em descrevê-lo pelas variáveis de Pessoa, Lugar e Tempo, 
respondendo às questões básicas da epidemiologia descritiva: 
 Quem foram os atingidos pelo dano? 
 Sobre quem ocorre determinada doença? 
 Quando foram atingidos pelo dano? 
 Existe alguma época do ano em que aumenta o número de casos? 
 Onde foram atingidos pelo dano? 
 Em que áreas do município ou regiões do país a doença é mais 
frequente? Há disparidades regionais ou locais? 
 
a) Variáveis relacionadas às pessoas 
Existem variados modos de se descrever ou mesmo classificar as 
características das pessoas envolvidas em um estudo epidemiológico. Deve-se 
entender que esta variável independe do tempo e do espaço. 
Para melhor compreensão, Pereira (2006) organizou as variáveis relacionadas 
às pessoas em três categorias: demográficas, sociais ecomportamentais. 
Os objetivos de conhecer como um agravo à saúde atinge diferentes 
segmentos populacionais são: expor a situação de saúde de um subgrupo, fornecer 
subsídios para explicação causal para levantamento de hipóteses e definir 
prioridades de intervenção (PEREIRA, 2006) 
 
 
 
 
 
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Exemplos de variáveis relativas às pessoas (PEREIRA, 2006): 
 Variáveis demográficas: idade, sexo, 
grupo étnico. 
 Variáveis sociais: estado civil, renda, 
ocupação, instrução. 
 Variáveis que expressam estilo de vida: 
hábito de fumar, consumo alimentar, prática 
de exercício físico e consumo de drogas. 
 Fonte: http://migre.me/4gPlE 
 
Responder a questionamentos sobre a existência de grupos especiais mais 
vulneráveis ou se o fato de pertencer a uma dada classe social determina diferenças 
nos riscos é fundamental para as ações de promoção e prevenção de saúde. 
Dentre todas as variáveis citadas, a idade é a mais relatada em estudos 
epidemiológicos, descrevendo incidência, prevalência ou mortalidade, sendo 
frequentemente expressa em grupos ou faixas etárias (exceto para faixas iniciais de 
crianças menores de 1 ano ou mesmo menores de 1 mês). A distribuição das idades 
por faixa depende do foco do estudo. Este tipo de classificação permite identificar em 
um grupo ou população em qual faixa etária existe maior risco de adoecimento ou de 
óbitos, de acordo com o agravo em questão. 
O trecho abaixo pertence ao texto intitulado: “um estudo sobre a prevalência 
de asma infantil cresce nos países em desenvolvimento” foi apresentado no 26º 
Congresso Internacional de Pediatria, em 05 de agosto de 2010 e aborda a asma 
infantil como um problema de saúde pública, demonstrando claramente o fator idade 
como a principal variável envolvida no processo de adoecimento. Esse estudo 
encontra-se disponível no endereço a seguir: 
http://boasaude.uol.com.br/lib/emailorprint.cfm?type=news&id=8620. 
[...] De acordo com especialistas da Universidade da Cidade do 
Cabo, na África do Sul, o aumento da prevalência nesses países tem 
sido atribuído a uma série de fatores. Entre as principais causas para 
o aumento dos casos de asma entre as crianças, os especialistas 
http://boasaude.uol.com.br/lib/emailorprint.cfm?type=news&id=8620
 
 
 
 
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destacam a redução das infecções na infância, as mudanças na dieta 
ou estilo de vida, o desenvolvimento econômico e o aumento na 
exposição a alérgenos ou poluentes. 
Os pesquisadores ressaltam que, embora a prevalência seja maior 
na área urbana dos países em desenvolvimento, ela tem crescido 
ainda mais na zona rural. Além disso, a importância da asma não 
atópica - não causada por alergia - tem sido cada vez mais 
reconhecida em crianças nesses países. “As crianças com asma não 
atópica, geralmente, têm início mais precoce da asma, história mais 
frequente de pneumonia e aumento da exposição à fumaça ambiental 
do tabaco doméstico em comparação àquelas com asma atópica”, 
explicaram. 
Considerando que as crianças representam uma maior proporção da 
população em desenvolvimento, em comparação com países 
desenvolvidos, segundo os especialistas, mesmo um pequeno 
aumento na prevalência da asma pode ter importantes implicações 
para a saúde pública nesses países. “Dado o crescimento da 
população e a alteração do padrão de urbanização e de estilo de vida 
em países em desenvolvimento, pode ser esperado um aumento no 
número de crianças desenvolvendo asma”, explica o pediatra H.Zar. 
O especialista acrescenta, ainda, que “a pobreza está associada com 
asma mais grave, de maior morbidade. 
 
b) Variáveis relacionadas ao sexo 
A variável sexo é amplamente estudada por questões anatômicas e 
fisiológicas diferentes, onde cada um vive 
experiências específicas, privadas e não 
compartilhadas pelo sexo oposto. Sob o 
ponto de vista demográfico, em qualquer 
lugar ou idade, a população masculina e 
feminina são numericamente desiguais 
(ROUQUAYROL e BARRETO, 2003). 
Fonte: http://migre.me/4gQFL 
Com relação à morbimortalidade, esta é maior no sexo masculino, sendo que 
a mulher vive de 4 a 10 anos a mais; a mortalidade é maior no sexo masculino em 
todas as faixas etárias, inclusive nas crianças menores de 1 ano; algumas condições 
incidem mais no sexo masculino: coronariopatias, neoplasias do aparelho 
respiratório, úlcera péptica, cirrose hepática, gota, acidentes, suicídio, etc., enquanto 
outras no sexo feminino: varizes, tireoideopatias, cálculo biliar, lúpus, doenças 
 
 
 
 
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reumáticas, depressão, tentativa de suicídio; em geral as mulheres adoecem mais do 
que os homens e utilizam mais os serviços de saúde (PEREIRA, 2006) 
c) Variáveis relacionadas ao tempo 
O uso das informações sobre a distribuição temporal visa indicar os riscos a 
que as pessoas estão sujeitas; monitorar a saúde 
da população; prever a ocorrência de eventos e 
fornecer subsídios para explicações causais; 
auxiliar o planejamento de saúde e avaliar o 
impacto das intervenções (PEREIRA, 2006). 
Para abordarmos a variável relacionada ao 
tempo, é necessário que se trabalhe com, no 
mínimo, três conceitos propostos por 
(ROUQUAYROL e BARRETO, 2003). 
 
 
Fonte: http://migre.me/4fczF 
 Intervalo de tempo: variável de tempo medida em número de horas, dias, 
semanas, meses ou anos. Caracteriza a quantidade de tempo transcorrido 
entre dois eventos sucessivos (exemplo: tempo decorrido entre a exposição 
ao fator de risco e o aparecimento dos primeiros sintomas). 
 Intervalo cronológico: quando há referência a uma sequência de tempo, 
especificada no calendário, numerado sequencialmente, ou seja, datadas em 
anos, meses ou semanas (exemplo: a distribuição da incidência da 
poliomielite é feita para o intervalo que vai de 1979 a 1989). 
 Período: denominação dada a uma parte delimitada do tempo. Períodos do 
ano (meses), período de mês (semana) ou períodos do dia (horas) podem ser 
utilizados delimitando o tempo de ocorrência de dado agravo (exemplo: no 
mês de janeiro há maior número de casos de dengue no Brasil). 
A partir de então, estudaremos os tipos de variações relativas ao tempo 
conforme proposto por Pereira (2006) e Medronho (2009): 
 
 
 
 
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Geral (histórica ou secular): Indica o que se observa, em longo prazo, 
geralmente décadas, na evolução de um evento. Seu objetivo é estabelecer se as 
frequências variam com o tempo e, se sim, quais as características desta variação. 
O estudo de uma série histórica é feito com a intenção de se detectar e interpretar a 
evolução da incidência de um evento. 
Cíclica: É caracterizada pelas oscilações periódicas de frequências. A 
colocação da frequência anual de certos eventos em gráfico permite detectar 
flutuações anuais de frequência de eventos e a periodicidade independe de a 
tendência ser ascendente ou decrescente 
Sazonal: Esta é a denominação usada para designar oscilações periódicas, 
cujos cíclos configuram ritmo sazonal por durarem um ano, ou seja, o ciclo de 
variação de incidência de uma doença coincide com as estações do ano, típico das 
doenças infecciosas agudas. Os máximos e os mínimos em uma distribuição 
cronológica ocorrem sempre no mesmo período, seja do ano, do mês, da semana ou 
do dia. Esta variação depende de um conjunto de fatores como a radiação solar, a 
temperatura, a umidade do ar, precipitação, etc. 
Irregular (acidental): São alterações na frequência dos agravos à saúde 
resultante de acontecimentos não-previsíveis ou não enquadráveis nas categorias já 
apresentadas. As epidemias são a expressão de frequências mais elevadas que as 
habituais. 
De acordo com Rouquayrol (2006), a palavra Epidemia foi utilizada por 
Hipócrates se referindo aos surtos de doenças em um sentido de visitar, 
demonstrando o caráter de temporalidade, de provisório, dos diversos aspectos da 
epidemia. A autora ressalta ainda sobrea definição de epidemia: 
[...] é uma alteração espacial e cronologicamente delimitada, do 
estado de saúde/doença de uma população, caracterizada por uma 
evolução progressivamente crescente e inesperada dos coeficientes 
de incidência de determinada doença, ultrapassando valores acima 
do limiar epidêmico pré-estabelecido (ROUQUAYROL, 2007, p. 338) 
 
Pereira (2006) ressalta que o aumento da frequência pode ser um episódio 
inusitado, mas comumente ele é decorrente da combinação de uma série de fatores 
e situações, de modo que os casos epidêmicos se misturam aos casos endêmicos 
 
 
 
 
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da doença. Salientando que o aumento deve ser brusco, diferenciando-o dos 
quadros endêmicos. 
Podemos exemplificar com os casos de dengue em nosso país. Esta é uma 
doença endêmica, mas no momento em que a população se depara com um novo 
vírus, surge um surto epidêmico. 
Na figura a seguir, apresenta-se a trajetória da mortalidade pela poliomielite 
no município de São Paulo de 1924 a 1995, diferenciando os períodos endêmicos, 
epidêmicos e o desaparecimento dessa doença como causa de óbito em 
consequência de sua eliminação a partir da segunda metade da década de 80. 
 
Figura 12 – Trajetória da mortalidade pela poliomielite 
Fonte: Waldman e Rosa (s/d) 
 
De acordo com Pereira (2006), as epidemias podem ser divididas em: 
 Epidemia Explosiva: é a que apresenta uma rápida progressão, até 
atingir a incidência máxima, num curto espaço de tempo. 
 Epidemia lenta: a qualidade de “lenta” refere-se à velocidade com que é 
atingida a incidência máxima. 
 Epidemia Progressiva ou Propagada: o critério diferenciador é a 
existência de um mecanismo de transmissão de hospedeiro a hospedeiro. 
Neste caso a doença é difundida de pessoa a pessoa. 
 
 
 
 
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 Epidemia por fonte comum: a veiculação do agente transmissor se dá 
pela água, alimentos, ar ou introduzido por inoculação. 
A endemia, conforme dito anteriormente, possui um padrão uniformemente 
distribuído e está habitualmente presente entre uma determinada população. 
Hipócrates utilizou o termo endemia no sentido de habitar o lugar, nele 
residindo de longa data ou nele se instalando por longo tempo. De acordo com 
Rouquayrol (2007, p. 336), dá-se denominação de endemia à 
[...] ocorrência coletiva de determinada doença que, no decorrer de 
um largo período histórico, cometendo sistematicamente grupos 
humanos distribuídos em espaços delimitados e caracterizados, 
mantém a sua incidência constante, permitidas as flutuações de 
valores, tais como as variações sazonais. 
 
A autora, em outra obra, define endemia como: 
Qualquer doença espacialmente localizada, temporalmente ilimitada, 
habitualmente presente entre os membros de uma população e cujo 
nível de incidência se situa nos limites de uma faixa endêmica que foi 
previamente convencionada para uma população e época 
determinadas (ROUQUAYROL e ALMEIDA FILHO, 2003). 
 
d) Variável relacionada ao lugar 
Espaço geograficamente restrito ou disperso (pandêmico). Está relacionado à 
água ou a alimentos, assim como grupos múltiplos ou não. Denomina-se espaço ou 
lugar a totalidade das coisas materiais, vivas e inanimadas, que pode ser organizado 
e subdividido em lugares delimitados e definidos. O uso das informações relativas ao 
lugar apresenta os seguintes objetivos: 
 Indicar os riscos a que as pessoas estão sujeitas. Por exemplo: risco de 
infecção de malária na Amazônia e as epidemias de dengue em várias 
regiões do Brasil; 
 Prever a ocorrência de eventos; acompanhar a disseminação de eventos. 
Por exemplo: a década de 1990 testemunhou a reintrodução e a propagação 
do vibrião colérico no continente. Os primeiros casos foram detectados no 
Peru, a partir do qual a doença alastrou-se rapidamente para outros países; 
 
 
 
 
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 Fornecer subsídios para explicações causais. Por exemplo: consumo de 
pescado e doença coronariana. Estudos realizados na década de 60 
indicaram que os esquimós apresentavam menor incidência de doenças 
coronarianas, em comparação às taxas existentes em numerosos países, 
embora consumissem dietas ricas em gordura, à base de peixes; 
 Auxiliar o planejamento de saúde; definir prioridades de intervenção. Por 
exemplo: Em alguns países, como a Holanda, Suécia e o Japão, na década 
de 1990, apresentavam uma mortalidade infantil de 5 óbitos de menores de 
um ano por mil nascidos vivos. Se um outro país, estiver apresentando um 
número maior do que isso, por exemplo, 55 óbitos por mil, conclui-se que há 
50 óbitos potencialmente evitáveis, no decurso do primeiro ano de vida, em 
cada mil nascidos vivos; 
 Avaliar o impacto das intervenções. Por exemplo: Controle da 
esquistossomose. A aplicação de um veneno para caramujos visando controle 
da doença, levada a efeito em uma área, e não em outra, permite inferir os 
seus reflexos na redução da população de caramujos e na diminuição da 
incidência de esquistossomose. 
De acordo com Rouquayrol e Barreto (2003), as variáveis de lugar podem ser 
agrupadas em variáveis geopolíticas, variáveis geográficas e fatores ambientais. 
 
3.2 Desenhos de estudos epidemiológicos 
De acordo com Pereira (2006), existem três enfoques para pesquisar um 
tema, com estratégias independentes de abordagem: Estudo de caso, Investigação 
experimental (laboratório) e Pesquisa populacional. 
a) Estudos de caso / série de casos 
É a primeira abordagem de um tema, utilizando uma avaliação inicial de 
problemas mal conhecidos com características pouco detalhadas. Consiste em 
relatos detalhados de um caso ou de um grupo de casos elaborados por um ou mais 
investigadores, focalizando características pouco frequentes de uma doença já 
conhecida ou buscando descrever uma moléstia possivelmente desconhecida. 
 
 
 
 
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Pode-se observar 1 ou mais indivíduos com a mesma doença ou evento, 
visando traçar um perfil das suas principais características. Apresenta a vantagem 
de ser um estudo relativamente fácil e baixo custo, permitindo a observação 
intensiva de cada caso, entretanto, é limitado pela falta de controle e n° pequeno de 
indivíduos, além da subjetividade na apreciação dos fatos, é difícil de contornar os 
vieses, pois o pesquisador já pode ter uma ideia pré-concebida do tema. 
b) Investigação experimental (laboratório) 
Este tipo de estudo apresenta um reduzido grau de subjetividade pelo uso de 
rigoroso controle que serve de parâmetro para comparação dos resultados (uso de 
animais). Frequentemente, por motivos éticos, o foco do estudo são os animais, 
porém, é limitado pela dificuldade na extrapolação dos resultados para os seres 
humanos. 
c) Pesquisa populacional 
Esta é a abordagem central da epidemiologia. Apesar de serem muitos os 
critérios utilizados para classificar os estudos epidemiológicos, distribuiremos os 
métodos conforme proposto por Pereira (2006), separando epidemiologia descritiva 
da epidemiologia analítica. 
 
3.2.1 Estudos Descritivos 
A epidemiologia descritiva estuda a variabilidade da frequência e a 
distribuição das doenças ao nível coletivo, em função de variáveis ligadas ao tempo, 
ao espaço e à pessoa. Refere-se às circunstâncias em que as doenças e agravos à 
saúde ocorrem nas coletividades possibilitando o detalhamento do perfil 
epidemiológico, com vistas à promoção da saúde. A epidemiologia descritiva informa 
sobre a distribuição de um evento na população, em termos quantitativos 
(ROUQUAYROL e BARRETO, 2003) 
Seu objetivo é identificar os grupos de risco e sugerir explicações para as 
variáveis de frequência, servindo de base para novos estudos. 
Dentro do modelo de epidemiologia descritiva devemos considerar as 
variáveis epidemiológicas que se relacionam a fatos ou medidas de tempo, lugar ou 
 
 
 
 
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pessoa, procurando detectar uma associação causal entreuma doença e as 
características da pessoa ou um fator de seu ambiente. 
Os estudos epidemiológicos de cunho descritivo informam sobre a distribuição 
de um evento na população, em termos quantitativos, podendo ser de incidência ou 
prevalência. 
 
Prevalência é o termo que descreve a força com que subsistem as doenças 
nas coletividades. O coeficiente de prevalência é a medida que permite estimar e 
comparar, no tempo e no espaço, a prevalência de uma dada doença (casos já 
existentes) (Pereira, 2006). 
 
Incidência reflete a ideia de intensidade com que acontece a morbidade 
(casos novos) 
 
 
Não há necessidade de grupo controle. Para determinados estudos há 
bancos públicos de dados (Data SUS). A coleta pode ser prospectiva, retrospectiva 
ou transversal e a análise da distribuição das frequências de um evento visa 
identificar grupos de risco e sugere explicações para estas variações. 
Exemplos: 
 Incidência de contágio de Hanseníase em Campo Grande – MS; 
 Prevalência de hepatite B em voluntário doador de sangue; 
 Perfil sociodemográfico dos usuários da UBSF ‘X’; 
 Estado nutricional de crianças indígenas no Pará. 
 
 
 
 
 
 
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3.2.2 Estudos Analíticos 
Investiga as causas dos problemas de saúde na população procurando 
analisar o papel dos fatores como sendo capazes de influenciar a incidência. 
A pesquisa analítica é subordinada às hipóteses previamente formuladas ou à 
busca por fatores determinantes de doenças, que relacionam eventos com o intuito 
de explorar a relação causa e efeito, assim como a relação de exposição e doença 
(PEREIRA, 2006). 
Existem 3 formas de iniciar a investigação: 
 Partindo da causa e avaliando o aparecimento dos efeitos; 
 Partindo do efeito com investigação retrospectiva dos fatores causais; 
 A exposição e doença são detectados simultaneamente e os grupos 
formados após coleta dos dados. Em todos deve haver: 
 grupo caso (doente / expostos) 
 grupo controle (não-doente / não-expostos) 
a) Ensaio clínico randomizado 
A investigação parte da causa para o efeito e a distribuição da amostra tem 
caráter aleatório, garantindo que os grupos sejam homogêneos. 
Após intervenção do pesquisador em apenas 1 grupo, avaliam-se os 
resultados. 
Tabela 1 – Estudo experimental (ensaio clínico randomizado): 
investigação sobre a eficácia de um vacina quando comparada com placebo 
 
Grupos 
Caso de Doença 
Total 
Taxa de 
incidência 
(%) Sim Não 
Vacinados 20 980 1.000 2 
Não-vacinados 100 900 1.000 10 
Total 120 1.880 2.000 6 
Risco/Relativo= 2/10 = 0,2 
Eficácia da vacina = [(10-2)/10]X100=80% 
 
Fonte: Pereira, 2006 
 
 
 
 
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b) Estudos de coortes 
Analisam as associações de exposição e efeito por meio da comparação da 
ocorrência de doenças entre expostos e não- expostos ao fator de risco, Partindo da 
causa para o efeito. Tem característica de estudo longitudinal e observacional, 
podendo ser de forma prospectiva ou retrospectiva. 
Os grupos são formados por observação das situações (sedentários e ativos) 
ou alocação arbitrária de uma intervenção (operados e os que se recusaram a 
operar). 
 
Tabela 2 – Estudo de coorte: investigação sobre a associação entre o exercício 
físico e mortalidade por coronariopatias em adultos de meia-idade 
 
Atividade Física 
Óbitos 
Total 
Taxa de mortalidade 
por mil 
Sim Não 
Sedentários 400 4.600 5.000 80 
Não-sedentários 80 1.920 2.000 40 
Total 480 6.520 7.000 69 
Risco Relativo = 80/40 = 2 
 
c) Estudos caso-controle 
As exposições passadas são comparadas entre pessoas atingidas e não 
atingidas pela doença objeto do estudo, partindo do efeito e indo em direção à 
causa, caracterizada por ser uma pesquisa etiológica retrospectiva (realizada após o 
fato consumado). 
 
 
 
 
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Tabela 3 – Estudo de caso-controle: investigação sobre a solicitação entre 
toxoplasma e debilidade mental em crianças 
 
Sorologia positiva para 
toxoplasmose 
Deficiência mental 
Sim (casos) Não (controle) 
Sim 45 15 
Não 225 285 
Total 300 300 
Risco: estimado pelo Odds ratio (razão dos produtos cruzados) 
OR = (45 X 285)/(15 X 225)= 3,35 
 
Segundo os dados da tabela acima, quem tem sorologia positiva tem 3 X mais 
risco de ter DM 
d) Estudos seccionais ou de corte transversal 
Mede-se em um único ponto no tempo ou no decorrer de um curto intervalo de 
tempo a situação de um indivíduo em relação a determinada exposição e efeito. 
Quando efetuados em população bem-definida, permitem a obtenção de medidas de 
prevalência; por isso são também conhecidos por estudos de prevalência. 
Possuem a vantagem de serem frequentemente desenvolvidos com base em 
amostras representativas da população e não abrangem apenas pacientes que 
buscam atendimento em serviços de assistência médica, permitindo inferências 
causais mais fortes. Além disso, seu custo é geralmente mais baixo se comparado a 
outros tipos de estudo, em virtude de seu desenvolvimento em curto espaço de 
tempo. 
Para fatores que permanecem inalterados no tempo, como sexo, raça e grupo 
sanguíneo, os estudos seccionais podem oferecer evidência válida de uma 
associação estatística. 
Apresentam limitações em relação à dificuldade de separar a causa do efeito, 
uma vez que estes são mensurados em um mesmo ponto no tempo, o que torna 
difícil a identificação do momento da exposição, ou seja, se esta precede o 
aparecimento da doença ou se a presença da doença altera o grau de exposição a 
 
 
 
 
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determinado fator. Também apresenta maior dificuldade de identificação de doenças 
de curta duração se comparadas àquelas de longa duração. 
 
3.2.3 Estudos ecológicos ou de correlação 
Análise de dados globais de populações inteiras, comparando a frequência de 
doença entre diferentes grupos populacionais durante o mesmo período ou a mesma 
população em diferentes momentos. 
Um exemplo de estudo ecológico é a verificação de taxas mais baixas de 
cárie dentária em população servida por água de abastecimento com níveis mais 
elevados de concentração de flúor, partindo da hipótese de que o flúor diminuiria o 
risco da cárie dentária. 
Neste caso, dispomos de dados relativos a um fator de exposição – a 
concentração de flúor na água de abastecimento – e a um efeito – a taxa de cárie 
dentária –, ambos referentes a toda a população; desconhecemos, porém, a 
frequência individual de exposição e do efeito. 
 
Quadro 5 – Vantagens e desvantagens dos tipos de delineamentos 
epidemiológicos observacionais 
TIPO 
DE 
ESTU
DO 
RETROSPECTIVO PROSPECTIVO TRANSVERSAL 
C
a
ra
c
te
rí
s
ti
c
a
s
 
Caso-controle 
Coorte 
(expostos e não 
expostos) 
Estudos de 
prevalência 
Frequentemente utilizado 
investigando no tempo, 
para trás, a presença ou 
ausência do fator 
suspeito. 
Estuda no tempo, para 
frente. 
O ponto de partida para o 
futuro é a exposição no fator 
em estudo. 
Estuda a situação da 
exposição e efeito de uma 
população em um único 
momento. 
 
 
 
 
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V
a
n
ta
g
e
n
s
 
 Simples, 
relativamente fácil e mais 
barato. 
 Geram novas 
hipóteses de trabalho. 
 Frequentemente 
utilizado. 
 Informa incidência, 
permite calcular o risco 
relativo. 
 Indivíduos são 
observados com critérios 
diagnósticos uniformes. 
 Conhece-se com 
precisão as populações 
expostas e não expostas. 
 Mais fácil de evitar 
vieses. 
 Simples e rápido. 
 Relativamente 
econômico. 
 Permite conhecer a 
prevalência associada aos 
agentes suspeitos. 
 Permite a descrição da 
população. 
D
e
s
v
a
n
ta
g
e
n
s
 
 Não determina a 
incidência. 
 Pouco útil quando há 
baixa frequência de 
exposição ao agente 
causal. 
 Dificuldade para 
determinar o grupo 
controle. 
 Risco de vieses e 
distorções do 
investigador. 
 Baseia-se na memória 
do caso e do controle. 
 Resultado a longo prazo. 
 Desenvolvimentocomplexo. 
 Alto custo. 
 Inadequado para 
investigar doenças de baixa 
frequência. 
 Risco de vieses e 
distorções premeditadas do 
observador. 
 Eventuais mudanças de 
investigadores 
 Perda dos membros das 
coortes. 
 Não quantificam o risco 
de desenvolver a doença. 
 A sequência temporal 
do fenômeno não aparece. 
 São limitados 
epidemiologicamente por 
não estabelecer 
associação causa efeito. 
 Pode induzir facilmente 
associações ou 
interpretações falsas. 
Fonte: Adaptado de Waldman e Rosa (s/d) 
 
Exercício 7 
1. Assinale a alternativa INCORRETA: 
a) A incidência é dada pelos casos existentes na população e a prevalência pelos 
casos novos. 
b) Epidemia está relacionada aos casos de ordem súbita, relacionados ao fator 
tempo. 
c) As variáveis tempo, lugar e espaço delimitam os eventos epidemiológicos, 
permitindo sua interpretação. 
d) Risco é inerente à vida e está relacionado à probabilidade de sofrer um agravo. 
 
 
 
 
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e) A maneira como as hipóteses serão testadas de modo a serem aceitas ou 
rejeitadas é dependente do desenho de estudo escolhido. 
 
2. Assinale a alternativa correta: 
a) Os estudos transversais acompanham os casos ao longo do tempo, o que os 
torna de alto custo. 
b) Estudos de caso-controle são fáceis de serem aplicados por estudar um 
fenômeno que já aconteceu, procurando explicações para ele. 
c) Os estudos epidemiológicos descritivos desenvolvem análises a respeito dos 
fatores envolvidos, identificando o risco ou chances do indivíduo desenvolver 
determinada doença. 
d) A malária pode ser considerada epidêmica na região amazônica, pelo modo que 
ela se expressa na população. 
e) A dengue apresenta caráter pandêmico sempre que há uma mutação do vírus e 
novas pessoas são afetadas, incluindo as que já apresentaram a doença 
anteriormente. 
 
 
 
 
 
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UNIDADE 4 – VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
 
Um dos objetivos da epidemiologia é quantificar ou estimar a ocorrência de 
problemas de saúde em populações humanas, através da frequência com que os 
problemas de saúde ocorrem em populações humanas (MEDRONHO et al, 2009). 
“A vigilância epidemiológica constitui-se importante instrumento para o 
planejamento, organização e operacionalização dos serviços de saúde, bem como a 
normatização das atividades técnicas correlatas”. Tem como funções a coleta e o 
processamento de dados, análise e interpretação dos dados processados, 
recomendação das medidas de controle apropriadas, promoção das ações de 
controle indicadas, avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas e a 
divulgação de informações pertinentes (Ministério da Saúde, 2005.) 
 
4.1 Sistemas de informação em saúde 
Os estudos acerca da situação de saúde, assim como o estabelecimento de 
ações de vigilância epidemiológica necessitam de informação para subsidiá-los. 
Estas por sua vez são geradas a partir de dados fidedignos e completos, coletados 
em todos os níveis de atuação do sistema de saúde. A força e o valor da informação 
(dado analisado) dependem da precisão com que o dado é gerado. 
Esses dados podem ser registrados de forma contínua (como no caso de 
óbitos, nascimentos, doenças de notificação obrigatória), de forma periódica 
(recenseamento da população, por exemplo) ou podem, ainda, ser levantados de 
forma ocasional (pesquisas realizadas com fins específicos) (SOARES et al., 2001). 
Os dados e informações que alimentam o Sistema Nacional de Vigilância 
Epidemiológica são (SOARES et al., 2001; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005): 
 Dados demográficos: permitem a quantificação de grupos populacionais, 
por meio de denominadores para o cálculo de taxas, levando-se em conta as 
variáveis: número de habitantes, nascimento, óbito, idade, sexo, raça, 
situação do domicílio, escolaridade, ocupação, condições de saneamento, 
etc.; 
 
 
 
 
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 Dados socioeconômicos: renda, ocupação, classe social, tipo de 
trabalho, condições de moradia e alimentação; 
 Dados ambientais: poluição, abastecimento de água, tratamento de 
esgoto, coleta e disposição do lixo, aspectos climáticos e ecológicos também 
podem ser necessários para a compreensão do fenômeno analisado. 
 Dados sobre serviços de saúde: hospitais, ambulatórios, unidades de 
saúde, acesso aos serviços; 
 Dados de morbidade: doenças que ocorrem na comunidade; 
 Eventos vitais: óbitos, nascimentos vivos e mortos, principalmente. 
 
Entretanto, a fonte originária destes dados alimentam os bancos de dados 
para a vigilância epidemiológica, e esta por sua vez destina-se à tomada de 
decisões. A principal fonte de fornecimento de dados é a notificação, que consiste na 
“[...] comunicação da ocorrência de determinada doença ou agravo à saúde feita à 
autoridade sanitária por profissionais de saúde ou qualquer cidadão, para fins de 
adoção de medidas de intervenção pertinentes”. Historicamente, a notificação 
compulsória tem sido a principal fonte da vigilância epidemiológica, a partir da qual, 
na maioria das vezes, se desencadeia o processo informação/decisão-ação. 
(MINISTÉRIO DA SAUDE, 2005) 
Atualmente em nosso país existem cinco grandes bancos de dados nacionais, 
continuamente alimentados: 
SIM – Sistema de Informação sobre Mortalidade; 
SINASC – Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos; 
SINAN – Sistema de Informação sobre Agravos de Notificação; 
SIA/SUS - Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de 
Saúde; 
SIH/SUS - Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde; 
É importante considerar que tanto a informação derivada de dados de 
doenças (morbidade), como de mortalidade, apresenta vantagens e limitações. As 
limitações são decorrentes da omissão de casos (dados de morbidade), pois os 
dados de mortalidade representam apenas uma parcela da população (a “ponta do 
 
 
 
 
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iceberg”): a que morre ou a que chega ao serviço de saúde e tem o seu diagnóstico 
feito e registrado corretamente (MINISTÉRIO DA SAUDE, 2005) 
A caracterização das estatísticas de mortalidade se referem, frequentemente, 
a uma única causa de morte (causa básica), quando, na realidade, a morte é um 
fenômeno causado por múltiplos fatores, sendo este um outro fator limitante deste 
tipo de dado. 
Existem outros bancos de dados que trabalham dados específicos e/ou que 
não têm abrangência nacional, dentre eles se destacam: o Sistema de Vigilância 
Alimentar e Nutricional (SISVAN), o Sistema de Informação da Atenção Básica 
(SIAB), o Sistema de Informação sobre Acidentes de Trabalho (SISCAT), o Sistema 
de Informação do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI) (SOARES et al., 
2001). 
 
4.2 Indicadores de saúde 
Após obtenção dos dados de saúde com vistas à qualidade e cobertura 
destes, é preciso transformá-los em indicadores para então comparar o observado 
em determinado local com o observado em outros locais ou com o observado em 
diferentes tempos. Portanto, a construção de indicadores de saúde é necessária 
para analisar a situação atual de saúde, fazer comparações e avaliar mudanças ao 
longo do tempo (VAUGHAN e MORROW, 1992). 
A organização das Nações Unidas, em 1952, identificou a necessidade de 
uma medida que pudesse expressar o nível de vida das coletividades humanas. 
Diante da diversidade de variáveis a serem analisadas foram desenvolvidas uma 
diversidade de ferramentas com focos diferenciados (ROUQUAYROL e ALMEIDA 
FILHO, 2003) 
Os indicadores de saúde são utilizados na prática quando apresentam uma 
comprovada relevância e viabilidade e também traduzem com fidedignidade (ou 
confiabilidade) e praticidade os aspectos da saúde individual ou coletiva (PEREIRA, 
2006). 
 
 
 
 
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A expressão dos indicadores se faz numericamente (frequência absoluta), 
entretanto, números absolutos de casos de doenças ou mortes não são utilizados 
para avaliar o nívelde saúde, pois não levam em conta o tamanho da população. 
Dessa forma, os indicadores de saúde são construídos por meio de razões 
(frequências relativas), em forma de proporções ou coeficientes (SOARES, 2001; 
PEREIRA, 2006). 
Podemos simplificar dizendo que a frequência absoluta se reporta ao número 
total (de casos, de elementos), a frequência relativa representa o quociente entre a 
frequência absoluta e o número total. Por fim, a distribuição de frequências indica de 
que modo a variável se distribui. 
As medidas de frequência são dadas por dois conceitos epidemiológicos já 
descritos anteriormente: a incidência e a prevalência. Outras medidas de frequência 
utilizadas em saúde coletiva são relacionadas à mortalidade, letalidade e sobrevida 
(MEDRONHO, 2009) 
As proporções representam uma parcela do total de casos ou mortes, 
representando sua importância no todo. Os coeficientes (ou taxas) representam o 
“risco” de determinado evento ocorrer na população (que pode ser a população do 
país, estado, município, população de nascidos vivos, de mulheres, etc.). ( SOARES, 
2001). 
 
4.2.1 Resultados expressos em frequência relativa 
Para realizar a comparação de frequências absolutas (frequência de 
mortalidade e morbidade), é necessária a transformação para valores relativos e 
então surgem os conceitos epidemiológicos de mortalidade e morbidade de 
aplicabilidade em saúde pública e passam a ser chamadas de coeficientes e índices 
(KERR-PONTES E ROUQUAYROL, 2003) 
É preciso destacar que índices não expressam uma probabilidade (ou risco) 
como os coeficientes, pois o que está contido no denominador não está sujeito ao 
risco de sofrer o evento descrito no numerador (exemplo: relação médicos/habitantes 
é um índice, da mesma forma que o Coeficiente de Mortalidade Infantil como 
Materna não são coeficientes, mas índices) (SOARES, 2001). 
 
 
 
 
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a) Índices: Relações entre frequências atribuídas da mesma unidade. Os 
índices são apresentados sob forma percentual. Coeficientes e índices são valores 
geralmente menores do que a unidade, devido ao fato de serem as frequências dos 
eventos registrados no numerador, muito menor do que 
aqueles do denominador. O índice pode ser considerado 
um Indicador multidimensional. Por exemplo: índice de 
Apgar (PEREIRA, 2006). 
 
 Fonte: http://migre.me/4fcrm 
b) Coeficiente ou taxas: Relações entre o número de eventos reais e o que 
poderia acontecer, sendo uma medida de risco de adoecer ou morrer de 
determinada doença. Podemos considerá-lo uma medida de probabilidade. No 
cálculo dos coeficientes, deve-se tomar o cuidado de excluir no denominador as 
pessoas não expostas ao risco. Dessa forma, geralmente, o denominador do 
coeficiente representa a população exposta ao risco de sofrer o evento que está no 
numerador (KERR-PONTES E ROUQUAYROL, 2003; PEREIRA, 2006). 
Exceções são o coeficiente de mortalidade infantil – CMI – e de mortalidade 
materna – CMM – para os quais o denominador utilizado (nascidos vivos) é uma 
estimativa tanto do número de menores de 1 ano, como de gestantes, parturientes e 
puérperas expostos ao risco do evento óbito. No caso do Coeficiente de Mortalidade 
Infantil, alguns nascidos vivos do ano anterior não fazem parte do denominador, 
apesar de ainda terem menos de um ano de vida no ano em estudo dos óbitos. No 
entanto, o termo “coeficiente” já está consolidado para ambos os indicadores. 
Coeficientes mais utilizados na área da saúde: De acordo com Soares 
(2001); Kerr-Pontes e Rouquayrol (2003) e Pereira (2006) os coeficientes mais 
utilizados na área da saúde baseiam-se em dados sobre doenças (morbidade) e 
sobre eventos vitais (nascimentos e mortes). 
a) Coeficientes de MORBIDADE (doenças): 
 Coeficiente de incidência da doença: representa o risco de ocorrência 
(casos novos) de uma doença na população. Pode ser calculado por regra 
de três ou através da seguinte fórmula: 
 
 
 
 
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=_____________________________________ x 10n 
 
 Coeficiente de prevalência da doença: representa o número de casos 
presentes (novos + antigos) em uma determinada comunidade num 
período de tempo especificado. É representado por: 
 
 
=_____________________________________ x 10n 
 
 
Quanto maior a duração média da doença, maior será a diferença entre a 
prevalência e a incidência. A prevalência é ainda afetada por casos que imigram 
(entram) na comunidade e por casos que saem (emigram), por curas e por óbitos. 
b) Coeficiente de letalidade: representa a proporção de óbitos entre os 
casos da doença, sendo um indicativo da gravidade da doença ou agravo na 
população, podendo ser uma característica da própria doença (por exemplo, a raiva 
humana é uma doença que apresenta 100% de letalidade) ou de fatores que 
aumentam ou diminuem a letalidade da doença na população (condições 
socioeconômicas, estado nutricional, etc.). Apesar do resultado ser dado em 
percentual (%), não deve ser confundido com coeficiente de mortalidade geral, que é 
dado por 1000 habitantes, e representa o risco de óbito na população: 
 
=_____________________________________ x 100 
 
 
 
Casos NOVOS da doença em 
determinada comunidade e tempo 
Coeficiente de 
incidência 
População da área no mesmo tempo 
Casos PRESENTES da doença em 
determinada comunidade e tempo Coeficiente de 
prevalência 
População da área no mesmo tempo 
Mortes devido à doença “X” em 
determinada comunidade e tempo 
Coeficiente de 
letalidade 
Casos da doença “X” na mesma área e 
tempo 
 
 
 
 
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População estimada para 01 
de julho do mesmo ano 
c) Coeficientes de mortalidade: 
 Coeficiente geral de mortalidade (CGM): representa o risco de óbito na 
comunidade. É expresso por uma razão, e pode ser calculado, como 
todos os demais coeficientes, também através de regra de três simples, 
no entanto, não é muito utilizado para comparar o nível de saúde de 
diferentes populações, pois não leva em consideração a idade dessas 
populações e para uma população mais jovem estaria significando 
mortalidade prematura. 
 
=_____________________________________ x 1000 
 
 
 Coeficiente de mortalidade infantil (CMI): é uma estimativa do risco que 
as crianças nascidas vivas têm de morrer antes de completar um ano de 
idade. É considerado um indicador sensível das condições de vida e 
saúde de uma comunidade. O coeficiente de mortalidade infantil pode 
ainda ser dividido em coeficiente de mortalidade neonatal (óbitos de 0 a 
27 dias inclusive), coeficiente de mortalidade pós-neonatal ou infantil 
tardia (óbitos de 28 dias a 364 dias inclusive) em relação ao total de 
nascidos vivos (por 1000). 
 
=_____________________________________ x 1000 
 
 
 Coeficiente de mortalidade materna: representa o risco de óbitos por 
causas ligadas à gestação, ao parto ou ao puerpério (42 dias após o 
término da gestação), sendo um indicador da qualidade de assistência à 
gestação e ao parto numa comunidade. Para fins de comparação 
internacional, somente as mortes que ocorrem até 42 dias após o parto 
entram no cálculo do coeficiente. 
Número de óbitos em determinada 
comunidade e ano Coeficiente 
geral de 
mortalidade 
Óbitos de menores de 1 ano em 
determinada comunidade e ano Coeficiente de 
mortalidade 
infantil 
Nascidos vivos na mesma 
comunidade e ano 
 
 
 
 
 
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 Coeficiente de mortalidade por doenças transmissíveis: é uma 
estimativa do risco da população morrer por doenças infecciosas e 
parasitárias (tuberculose, tétano, diarreia infecciosa, aids, etc.), 
classificadas atualmente no Capítulo I da CID-10. Quanto mais elevado o 
resultado deste coeficiente, piores as condições de vida. 
Além destes coeficientes, temos o Coeficiente de natalidade e de 
fecundidade. Enquanto o coeficiente de natalidade está relacionado com o tamanho 
da população, o de fecundidadeestá relacionado com o número de mulheres em 
idade fértil. Por isso, é comum a fecundidade ser expressa também em média de 
filhos por mulher (por exemplo: 2,5 filhos por mulher). 
Para finalizar, deve-se considerar que os indicadores de medidas do nível de 
saúde baseiam-se em números que representam pessoas que vivem em 
determinada comunidade, que nasceram, adoeceram ou morreram. Além de 
servirem para avaliar o nível de saúde de uma comunidade, esses indicadores 
medem, indiretamente, seu nível de vida (condições de moradia, nutrição, etc.). 
É importante ressaltar, ainda, que os indicadores de saúde refletem 
“médias” do que está acontecendo em uma população. Dessa forma, 
é indispensável considerar que um indicador “médio” pode estar, na 
realidade, camuflando importantes desigualdades no interior dessas 
populações e outras formas de “medir” saúde (como as entrevistas 
com lideranças comunitárias, a observação da realidade, a 
desagregação dos indicadores em níveis geográficos menores) 
também devem ser buscadas, simultaneamente à análise desses 
indicadores de saúde tradicionais. (SANTOS, 2001, p. 208) 
 
Desta maneira, a epidemiologia deve fazer parte do planejamento e da 
organização de ações e serviços de saúde, e também destacar alguns instrumentos 
para serem utilizados cotidianamente, principalmente relacionados ao diagnóstico de 
saúde. 
 
 
 
 
 
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Exercício 8 
O coeficiente geral de mortalidade (CGM) representa o risco de óbito na 
comunidade pela relação entre o total de óbitos da população de uma área num 
período de tempo. De acordo com os dados abaixo, calcule o CGM (por mil 
habitantes) para o Brasil e para os Estados Unidos da América (EUA), 1994: 
Estimativa da população e óbitos por todas as causas registradas no Brasil 
e nos Estados Unidos da América 
Brasil EUA 
População Óbito População Óbito 
153.219.855 878.430 260.340.990 2.278.258 
 
Assinale a alternativa correta para o CGM do Brasil e dos EUA, respectivamente: 
a) 114,2 e 175,42 por 1.000 habitantes. 
b) 8,8 e 5,7 por 1.000 habitantes. 
c) 175,42 e 114,2 por 1.000 habitantes. 
d) 5,7 e 8,8 óbitos por 1.000 habitantes. 
 
 
 
 
 
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