A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
51 pág.
CELULA

Pré-visualização | Página 6 de 9

um filamento de actina apresenta
uma polaridade estrutural, com uma
extremidade + e uma extremidade -.
A CÉLULA 42
O processo dinâmico de polimeriza
ção da actina, que ocorre principal
mente na extremidade positiva do
filamento de actina, exige que haja
K+, Mg2+ e ATP. Após a incorpo
ração de cada molécula de actina G
no filamento, o ATP é hidrolisado a
ADP devido à sua capacidade intrín
seca de ATPase. A hidrólise do ATP
enfraquece a ligação da proteína ao
polímero, provocando dissociação e
encurtamento dos filamentos. Nesse
sentido, a polimerização dos microfi
lamentos depende da
disponibilidade de actina ligada a
ATP no meio e da velocidade com
que essas subunida des se
associam.
Os filamentos de actina são respon
sáveis pela formação de projeções
da membrana plasmática em proces
sos de migração celular e fagocitose,
além da estruturação das microvilo
sidades presentes em células epite
liais. Além disso, também são impor
tantes no processo de determinação
do formato celular e no processo de
clivagem celular que ocorre durante
a citocinese.
SE LIGA! Cerca de metade da actina presente em uma célula está associada a fila
mentos, a outra metade permanece sob a forma de monômeros no citosol. O que,
então, evita a completa polimerização dos monômeros de actina em filamentos
nas células? A resposta é que as células contêm pequenas proteínas, que se ligam
aos monômeros de actina do citosol, impedindo que esses sejam adicionados às
extremi dades dos filamentos. Essas proteínas desempenham um papel central na
regulação da polimerização da actina pela manutenção desses monômeros como
reserva até o momento necessário.
A CÉLULA 43
Figura 26. Eletromicrografia de fibroblasto. MF: microfilamentos; MT: microtúbulos. Fonte: L.C.JUNQUEIRA;
CARNEI RO, José. Histologia Básica: Texto e Atlas. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan Ltda, 2013
Filamentos intermediários
Os filamentos intermediários pos
suem um diâmetro de cerca de 8 a
10 nm, situando-se entre os
filamentos de actina e os
microtúbulos. Estes fi lamentos são
importantes na susten tação e
estruturação do envelope nu clear,
na coesão entre células epiteliais
( junções célula-célula) e na
resistência mecânica contra
estresses físicos. Os filamentos
intermediários são forma dos por
uma grande e diversa família de
proteínas fibrosas, incluindo:
• Queratinas: Encontradas nas célu
las dos tecidos epiteliais e em es
truturas extracelulares.
• Vimentina: Constitui, principal
mente, os filamentos intermedi
ários das células originadas do
mesênquima.
• Desmina: Encontrada nos filamen
tos intermediários do tecido mus
cular liso e nas linhas Z dos mús
culos esquelético e cardíaco.
• Proteína fibrilar ácida da glia: Ca
racterísticas dos filamentos inter
mediários dos astrócitos, células
do sistema nervoso.
• Proteínas dos neurofilamentos:
Presentes nos filamentos interme
diários das células nervosas.
• Laminas: Constituem a lâmina
nuclear, um revestimento forma
do por filamentos intermediários
para fortalecer a superfície inte
rior da membrana nuclear inter na
com uma organização de rede
bidimensional.
NA PRÁTICA!
Epidermólise Bolhosa Simples: Caracterizada por uma mutação no gene que codifica
a queratina, prejudicando a resistência à tração das células epiteliais, podendo levar a
le sões graves.
Progéria: Doença provocada por um defeito no gene que codifica as laminas,
impedindo a formação da lâmina nuclear. Os indivíduos afetados costumam
apresentar envelheci mento prematuro.
A CÉLULA 45
7. ORGANELAS
CITOPLASMÁTICAS
MITOCÔNDRIAS
As mitocôndrias são organelas esfé
ricas ou alongadas, medindo de 0,5
a 1,0 μm de largura até 10 μm de
com primento. Sua distribuição na
célula varia, tendendo a se
acumular nos lo cais do citoplasma
em que o gasto de energia é mais
intenso, por exemplo,
no polo apical das células ciliadas,
na peça intermediária dos
espermatozoi des e na base das
células transporta doras de íons. A
maioria das células animais
possuem um grande núme ro de
mitocôndrias porque, através do
processo de fosforilação oxidati va,
essa organela é responsável pela
produção de ATP, uma forma estável
de armazenamento de energia que
pode ser usado pela célula para as
A CÉLULA 46
suas várias atividades que necessi
tam de energia. Não são
encontradas nas hemácias e nas
células terminais/ apicais do epitélio
da pele.
SE LIGA! Como as mitocôndrias geram
ATP, elas são mais numerosas nas célu
las que utilizam grandes quantidades
de energia, como as células
musculares es triadas e as células
envolvidas no trans porte
hidroeletrolítico.
Por causa da grande quantida de de
membranas, as mitocôndrias
contribuem para a acidofilia do cito
plasma. Devido ao conteúdo
fosfolipí dico das membranas, essas
organe las podem ser coradas em
magenta
com fucsina ácida ou em violeta-pre
to pelo método de Regaud. Podem
ainda ser identificadas pela
presença da citocromo-oxidase
através de rea ções histoquímicas ou
pela coloração supravital com verde
Janus. A cito cromo oxidase oxida
esse corante, e as mitocôndrias
coram-se em azul ou verde,
enquanto o resto do citoplas ma
permanece incolor.
Figura 29. Fotomicrografia do revestimento interno do estômago. As células maiores mostram muitas
mitocôndrias no citoplasma. Também podem ser vistos os núcleos, localizados no centro dessas células. Fonte:
L.C.JUNQUEIRA; CARNEIRO, José. Histologia Básica: Texto e Atlas. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan
Ltda, 2013
A CÉLULA 47
Cada mitocôndria possui uma mem
brana externa lisa e uma membra na
interna pregueada. As pregas da
membrana interna, conhecidas
como cristas, aumentam muito a
áreas de superfície da membrana.
O núme ro de cristas que uma
mitocôndria possui está
diretamente relacionado à
necessidade energética da célula;
Espaço
assim, uma mitocôndria de uma
célula muscular cardíaca possui
mais cristas do que uma
mitocôndria de um oste ócito. O
estreito espaço (10 a 20 nm de
espessura) entre as membranas
interna e externa é chamado de es
paço intermembranoso, enquanto o
grande espaço contido pela membra
na interna é denominado de matriz.
Cristas
A membrana mitocondrial externa é
caracterizada por um número eleva
do de porinas, proteínas canal para
a passagem de moléculas
hidrossolú veis, o que possibilita que
o conteú do do espaço
intermembranoso seja semelhante
ao do citosol. O espaço
intermembranoso contém enzimas
específicas que utilizam o ATP gera
do na membrana interna. Já a mem
brana mitocondrial interna é rica no
fosfolipídio cardiolipina, que torna a
membrana impermeável a íons. A
membrana que forma as cristas con
tém proteínas que desempenham
três funções principais: realizar as
reações de oxidação da cadeia
respiratória de transporte de
elétrons, sintetizar ATP e regular o
transporte de metabólitos para
dentro e para fora da matriz.
Figura 31. Fotomicrografia eletrônica de uma célula pulmonar de mamífero revelando a ultraestrutural
mitocondrial. Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Mitochondria,_mammalian_lung_-_TEM.jpg
A matriz mitocondrial é circundada
pela membrana mitocondrial interna
e contém as enzimas solúveis do ci
clo do ácido cítrico (ciclo de Krebs) e
as enzimas envolvidas na
β-oxidação dos ácidos graxos. Os
principais pro dutos da matriz são o
CO2 e o NADH
reduzido, que constitui a fonte de
elétrons para a cadeia de transporte
de elétrons. As mitocôndrias contêm
grânulos da matriz densos, que
arma
zenam Ca2+ e outros cátions, possi
bilitando que as essas organelas acu
mulem cátions contra um gradiente
de
A CÉLULA 49
concentração; por conseguinte, além
da produção de ATP, as
mitocôndrias também regulam a
concentração de certos íons da
matriz citoplasmática – um papel
que elas compartilham com o
retículo endoplasmático liso.
HORA DA REVISAO!
Fosforilação oxidativa. O processo res
ponsável pela formação de ATP tem
como percursor a acetil-CoA, formada
através da β-oxidação dos ácidos
graxos e da degradação da glicose. Ela
é oxida da no ciclo do ácido cítrico para
produ zir,